A Thelema e a FRA

Por Irmão Raphael

No início do século XX, a Lei da Thelema, sistema de filosofia e magia desenvolvido por Aleister Crowley (1875-1947) – To Mega Therion – teve grande influência filosófica na cultura esotérica, na cultura pop e também foi precursora do pensamento pós-moderno. No meio esotérico, a Lei da Thelema também influenciou outras ordens que não estavam ligadas diretamente a Crowley, ordens ligadas pelo fenômeno da O.T.O. (Ordo Templi Orientis), como a FRA (Fraternitas Rosicruciana Antiqua) do Dr. Krumm-Heller (1876-1949) – Mestre Huiracocha – foco do nosso estudo. Muitos argumentam que os ensinamentos do Dr. Krumm-Heller eram antagônicos com do Aleister Crowley, e que não possuíam nenhuma ligação esotérica, principalmente na questão da magia sexual. Mestre Huiracocha revela em seu livro, Logos Mantram Magia, ele afirma: “declaro que, para mim, a vocalização, o uso dos mantras e a oração, mediante o despertar das secreções sexuais, é o único caminho de chegar a meta, e o resto é, infelizmente, uma perda de tempo”.

Diante disso, Peter Koenig, classifica o ensinamento do Dr. Krumm-Heller como Gnosticismo Homeopático, já que há uma ideia de retenção inclusa; e classifica de Gnosticismo Libertino do Crowley, na qual não há nenhuma restrição quanto ao sexo.

Aparentemente, essas duas ordens não parecem ter muitos pontos em comum. No entanto, Crowley recomenda o estudo da Fórmula da Rosa-Cruz. O que leva muitos a considerar uma alegoria somente à magia sexual. Como ele mesmo escreve: “não precisamos nos sentir surpresos se a Unidade do Sujeito com o Objeto na Consciência é Samadhi, que é a unificação da Noiva e do Carneiro é o Céu (…), a união do Lingam e da Yoni, a da Cruz com a Rosa”. No entanto, James Eshelman escreve, que isso, na verdade, seria o trabalho mágico da união dos opostos em sua Natureza, que muitos místicos cristãos descrevem como no aniquilamento de si mesmo no Amado.

O Dr. Krumm-Heller foi membro da O.T.O., apesar de que recebeu seu grau, em 1908, de Theodor Reuss, antes da reformulação da ordem por Crowley. Mas após 1930, o Dr. Krumm-Heller e Crowley se encontram pessoalmente em Berlim onde Huiracocha foi presenteado com uma edição de Liber Aleph assinada pelo inglês, e trocaram uma extensa correspondência. O Mestre Huiracocha não foi discípulo do Mestre Therion, na verdade, Crowley em uma correspondência, considera o Dr. Krumm-Heller um maçom igual a ele, na qual tinha muito a ver com a realização da “Grande Obra”, e a divulgação da Lei da Thelema. E o Dr. Krumm-Heller escreve:

“Meus mestres foram Eliphas Levi e Papus, e graças a eles eu poderia decifrar os segredos da Magia. Dr. Hartman tem nos ensinado na Alemanha, a parte esotérica da Bíblia e da Igreja Cristã. Outro mestre que teve maior influência sobre mim foi o Mestre Therion, ele me deu a sua obra “Liber Aleph Vel CXI (O Livro da Sabedoria ou da Tolice)”.

E após esse encontro, o Dr. Krumm-Heller aceitou a Lei da Thelema, sendo que nos rituais de congregação da FRA é dito: “A nossa divisa é Thelema”. Apesar das muitas influências, o Dr. Krumm-Heller diz também em seu Logos Matram e Magia ter alçado aos últimos graus da Astrum Argentum (ordem esotérica desenvolvida por Aleister Crowley e George Cecil Jones), mas não ha documentação a respeito e nem há algum estudo aprofundado da doutrina thelêmica no currículo da FRA.

Diante disso, surge uma questão, como a Lei da Thelema se adequou ao ensinamento das ordens, como a FRA – uma ordem de tradição gnóstica rosacruciana.

THELEMA E O CRISTO

Para os seguidores de Crowley, a Lei da Thelema possui o objetivo de descobrir sua Verdadeira Vontade, através da Conversação com o Sagrado Anjo Guardião e, após isso, dedicar sua vida inteira ao seu cumprimento. A necessidade do cumprimento da Vontade se demonstra através daquele que é considerado o único mandamento em Thelema: “Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei. O amor é a lei, amor sob vontade”. A Lei da Thelema prega uma ética individual, na qual nenhuma regra externa pode interferir, ou seja, o cultivo e satisfação plena das próprias vontades. Mas qual é a visão do Dr. Krumm-Heller acerca da Lei da Thelema.

Para entender essa visão, peguemos o artigo do Dr. Krumm-Heller: CHRISTO-ABRAXAS-BAPHOMET- THELEMA, na qual é dito que há quatro forças – Cristo, Abraxas, Bafomet e Thelema – são uma só coisa: LUZ. Para o Dr. Krumm-Heller, o cristianismo adotou a ideia gnóstica de que o Cristo simboliza o Sol, conforme a Cristologia Gnóstica. E a Luz Solar atua de diversos modos. Ela é o Cristo, aspecto derivado do Pai, como parte do Sol Central. Para os gnósticos seria Abraxas. Outro aspecto desta Luz seria Baphomet, um aspecto mais grosseiro, porque é a força astral. E por fim, outro aspecto desta Luz é Thelema que significa a Vontade atuante na Luz.

Todas essas diferentes variações da Luz são denominadas pelos Gnósticos como Força Cristônica.

“(…) Outro aspecto desta força é Thelema que significa a vontade atuante na Luz. O discípulo não deve esquecer que todos esses nomes e símbolos representam forças e nos Mistérios usavam-se símbolos para objetivar essas forças. (…) Assim, pois a força de Abraxas manifesta-se de modo distinto da força de Baphomet; porém, todas derivadas da força espiritual da Luz, que os Gnósticos chamam FORÇA CRISTÔNICA. O discípulo precisa aprender o manejo de todas essas forças”.

CRISTOLOGIA GNÓSTICA

A Cristologia Gnóstica diz que o Sol visível é o mediador do Sol Central. E o Crestos Cósmico é o meio astral que liga o homem ao Pai Solar. A força de Cristo pode manifesta-se de diferentes modos, seja como Baphomet, Abraxas ou Thelema, porém, todas derivadas da força espiritual da Luz do Sol Central. Podemos inferir, assim, que Thelema é Cristo. Ou que a Vontade do Crestos é Thelema.

Como símbolo, Cristo se liga aos deuses solares, Mitra, Abraxas e Dionísio. Mas também é um fato histórico, na pessoa de Jesus. O corpo de Jesus de Nazaré foi utilizado para que a entidade divina do Cristo, no momento do batismo, pudesse tomar a forma que lhe era necessária para, daí em diante, estar em comunhão com as almas humanas. Os acontecimentos na Palestina foram necessários para o nascimento da vida terrena do Cristo que aconteceu a partir do Mistério do Gólgota, esse acontecimento é denominado por Rudolf Steiner (1861-1925) de “Impulso do Cristo”.

Para os Gnósticos há uma diferença sensível entre os as personalidades de Buda, Zoroastro, Confúcio, Maomé e a divindade do Cristo. Os primeiros foram certamente grandes filósofos e grandes Iniciados a quem lhes foi dada a incumbência de pregar e instalar uma região em sua época. No entanto, Cristo tem uma personalidade diferente.

Ele é Deus, é o Logos Solar ou a Essência Solar, a força do Espírito que está fundida no Sol.

O Dr. Krumm-Heller diz que a Força Cristônica de Jesus, se propagou pelo mundo (Impulso do Cristo) e transformou seu ambiente, perpetuando-se até nossos dias. Para vida terrestre, o Sol possui grande importância para nosso planeta, por sua vez, o Sol físico depende de outro Sol espiritual. O Sol espiritual é algo prático e real, como também é o Logos. Cristo é a Luz do Sol física e espiritual.

O Dr. Krumm-Heller reúne na figura do Cristo uma força de consciência e uma substância material. Isso pode parecer estranho, mas nas próprias palavras do Dr. Krumm-Heller, a realidade é formada pelo trio de matéria, energia (força) e consciência. Deste modo, o Crestos Cósmico é uma substância, uma força, uma consciência atuante. Os gnósticos aprendem a manejar Crestos e sua força mediadora.

CRISTO EM CONSCIÊNCIA

Seguindo a linha de pensamento, na qual o Dr. Krumm-Heller entendia Cristo e Thelema como forças impessoais, inferimos, então que a Força Consciencial Cristônica também é impessoal. Podemos entender melhor esse conceito Vontade Universal estudando a obra “Uma Aventura entre os Rosacruzes”, de Franz Hartmann. A Vontade apresentada por Hartmann não é a Vontade individual, apesar de atuar no individuo, é um princípio universal, análogo a Divina Providência. Desta forma, podemos entender a Vontade como uma Força Impessoal, como é invocada na Missa

Gnóstica do Mestre Huiracocha: “Vem, Santo Querer, Divina Energia Volitiva. Transforma a minha vontade fazendo-a una com a Tua”. Assim, para o Dr. Krumm-Heller, Thelema é a Vontade Divina Universal, na qual atua sobre toda existência. Como escrito por ele mesmo, Thelema é a Vontade atuante na Luz. E a Luz é o Cristo. A Vontade provém do Crestos Cósmico, a fonte universal que todos podem beber. A diferença entre Crowley e o Dr. Krumm-Heller é a origem dessa Vontade.

Para Crowley, a Thelema brota no próprio homem, mas em sua particular “alma imortal”: “Todo homem e toda mulher é uma estrela” (AL I:3). Frater Achad escreveu o ensaio Passando do Velho ao Novo Aeon, no qual explica que a partir do momento em que o homem passar a se identificar com o Sol, ele passará a ser um Deus, pois será a fonte de luz:

“Você sabe o quão profundamente nós sempre ficamos impressionados com as ideias de Sol nascente e Sol poente, e como os nossos antigos irmãos, vendo o Sol desaparecer à noite e nascendo novamente na manhã seguinte, basearam as suas ideias religiosas neste conceito de um Deus Moribundo e Ressuscitado. Essa á a ideia central da religião do Velho Æon (…). O Sol não morre, como acreditavam os antigos, ele está sempre brilhando, sempre irradiando Luz e Vida. Pare por um momento e tenha uma clara concepção deste Sol, como Ele está brilhando já cedo pela manhã, brilhando ao meio-dia, brilhando à tarde e brilhando à noite. Você percebeu esta ideia claramente em sua mente? Você acabou de sair do Velho Æon e entrar no Novo. Agora consideremos o que aconteceu. O que você fez para obter essa imagem mental do Sol sempre brilhante? Você se identificou com o Sol. Você saiu da consciência deste planeta; e por um momento você teve que se considerar um Ser Solar”.

No novo Aeon de Hórus, a era thelêmica, da criança conquistadora, todo homem e toda mulher passam a serem deuses, co-criadores do Universo. E a Fraternitas Rosicruciana Antiqua é uma mediadora entre o antigo e o novo Aeon.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-thelema-e-a-fra

Fantasmas na Grécia e Roma Antiga

Lucius Apuleio [125-180 d.C.], escritor latino nascido na Argélia, classificou os espíritos da antiguidade greco-romana em três categorias: os Manes [na Grécia, Lares, em Roma], espíritos de ancestrais que não precisavam ser temidos se os ritos funerários fossem observados conforme as prescrições religiosas, que incluíam a manutenção do fogo doméstico. Os Manes poderiam, inclusive, ser um recurso de proteção no sentido de interferir a favor dos parentes usando poderes adquiridos em sua existência no Além.

Os Lemures [Lemuri], eram uma designação mais genérica para os espíritos desencarnados, geralmente entendidos como “espíritos da noite” que vagavam nos cemitérios, comportamento considerado muito natural se, por qualquer motivo, não obtinham o descanso póstumo, como no caso dos assassinos. Alguns rituais eram realizados para aliviar o sofrimento dos espíritos, como oferendas de sangue que, na verdade, deveriam servir somente para prolongar a permanência daquelas almas no mundo dos vivos. As Larvas [Larvae], o terceiro tipo descrito por Apuleio, tinham características maléficas específicas: causavam a epilepsia e a demência mas também podiam ser brincalhões, travessos apesar de sua aparência sombria, muitas vezes descritos como esqueletos etéreos.

Na Grécia, durante três dias, considerados desafortunados, entre fevereiro e março, templos e casas comerciais eram fechados porque, acreditava-se, os espíritos Lemures estavam circulando no mundo. Pela manhã, as casas eram marcadas com piche e ornadas com ramos de espinheiro branco, cujas folhas também eram mascadas a fim de manter longe os espíritos. No último dia desse festival, que na Grécia chamava-se Nemesia, eram feitas oferendas a Hermes e os mortos eram formalmente convidados a se retirar.

Em Roma, Ovídio descreve a Lemurália, que acontecia em maio. O mês que atualmente é considerado o mês das noivas, [possivelmente por influência do calendário católico-cristão no qual este é o mês de Maria], naquela época, era desfavorável para casamentos por conta do retorno assombroso do fantasma de Remo, o irmão que Rômulo assassinou no episódio da fundação de Roma. Na ocasião, o “cabeça” da família, o pater, caminhava descalço pela casa fazendo sinais místicos que afastavam o “olho do mal”. Colocava feijões [favas] na boca e atirava outras por cima dos ombros dizendo: “Com estas favas eu redimo a mim e aos meus”. A cerimônia era repetida nove vezes. Depois, o pater purificava-se pelo banho e convidava os espíritos a deixarem sua casa. O procedimento tinha validade: um ano; depois disso, todo o ritual deveria ser repetido. Havia também as Lâmias, de origem grega, que assombravam os quartos, que tinham, então, de ser defumados com enxofre enquanto outros ritos eram feitos com ovos a fim de exorcizar o mal.

Os mortos sem descanso pertenciam a três classes: os que tinham morrido antes do tempo, aeroi: se tornavam errantes até que se completasse o tempo que teriam de vida; os que tinham sofrido morte violenta, biaiothanatoi; os que ficaram sem túmulo, ataphoi. Estes espíritos assombravam os lugares que abrigavam seus restos mortais

A Casa Assombrada de Atenas

Caio Plínio Cecílio Segundo ou Plínio, o Jovem – [61/62-114 d.C.], italiano de Como, região da Lombardia, fornece um dos mais antigos registros escritos sobre uma casa mal-assombrada. Existia em Atenas uma grande casa na qual ninguém queria morar porque, nas altas horas da noite, ali eram ouvidos os barulhos de um arrastar de correntes dos jardins ao quintal. Houve quem pudesse ver a figura esquelética e pálida de um ancião com uma longa barba; as correntes estavam presas às suas mãos e pés. A casa foi definitivamente abandonada e posta à venda por baixo preço; mas não havia comprador. Foi quando o filósofo Athenodorus, chegando a Atenas, ouviu falar do lugar e, intrigado com o caso, comprou a casa. Ele queria desvendar o mistério. Instalou sua cama de frente para o jardim, fechou a porta principal, dispensou seus escravos e preparou-se para passar a noite na tocaia. Distraia-se lendo e escrevendo quando escutou as tais correntes se arrastando. Levantou-se e examinando o local viu, afinal, a aparição que lhe fez sinais para que a seguisse. Relutante, a princípio, depois, o filósofo, resolveu atender o pedido e munido com uma lâmpada foi atrás do fantasma, que se movia lentamente, como que estorvado pelo peso das cadeias. Chegaram à parte mais ampla do jardim e, então, o espectro desapareceu. Athenodorus marcou o lugar com folhas e gravetos. No dia seguinte, o local foi escavado na presença de um magistrado. Encontraram o esqueleto de um homem acorrentado. Os restos mortais foram sepultados com todas as cerimônias. O fantasma nunca mais foi visto [COLLISON-MOLEY].

Batalhas-Fantasma

As assombrações que reproduzem batalhas, episódios de guerras históricas, também estão presentes na tradição greco-romana. Como que aprisionados às suas rivalidades, os soldados continuam lutando mesmo depois de mortos, em sua guerra eterna e sem fim que se prolonga e se repete ao longo de séculos. São contendas travadas no céu entre guerreiros espectrais que não assinam tratado de paz. Relata Tacitus: quando Titus [imperador romano: 30-81 d.C.] sitiava Jerusalém, exércitos foram vistos combatendo no céu. O mesmo acontecia nas muralhas de Roma, muito tempo depois da grande batalha contra os Hunos de Átila; os fantasmas lutaram durante três dias e três noites e o ruído de suas armas em confronto era ouvido claramente. A Batalha de Maratona [Grécia, guerras médicas, 490 a.C.] também virou assombração. Segundo Pausânias, à noite, escutava-se o tropel dos cavalos e os homens em combate. Alguns heróis gregos também viraram fantasmas e suas histórias tornaram-se parte do folclore da região, como Ajax e Aquiles. Ajax, por exemplo, não tolerava desrespeito com sua tumba e certa feita, tendo a sepultura sido perturbada por pastores e seus rebanhos, admoestou-os contra o sacrilégio proferindo suas censuras em uma voz potente e cavernosa e vinha das profundezas da terra.

O Fantasma de Nero

O fantasma do imperador incendiário, facínora matricida e péssimo poeta foi um dos mais famosos na Roma antiga. Acreditava-se que sua alma passeava na ruas da cidade recusando abandonar seus antigos domínios. A igreja de Santa Maria del Popolo, dizem, foi construída sobre sua sepultura, a fim de que seu espírito errante encontrasse repouso.

O Fantasma de Caligula

Este outro imperador, também um tanto descompensado das idéias, andou assombrando os romanos, especialmente os guardas dos Lamian Gardens porque tinha sido enterrado apressadamente ali, sem as devidas cerimônias. Foi preciso que suas irmãs, que realmente o amavam, retornassem do exílio e os rituais fossem apropriadamente realizados. Somente assim, Calígula descansou em paz.

Evocação de Espíritos na Grécia e na Itália

Os gregos acreditavam que certos lugares eram especialmente propícios para se obter comunicação com os mortos, verdadeiros portais do Hades que, governado por Plutão/Hades, era o lugar ou mundo para onde iam as espíritos desencarnados. Eleusis, Colonus, Enna, na Sicília, são alguns exemplos, além de certos lagos e mares. Locais onde havia a emanação de gases sulforosos e, certamente, alucinógenos, não raro eram alvo desse tipo de crença, como o Oráculo de Apolo [Delfos], onde as pítias previam o futuro com ou sem consulta aos mortos. Numerosos templos também eram freqüentados para ouvir os fantasmas que, acreditava-se, eram capazes de conhecer o futuro, entre estes, o Templo de Phigalia, na Arcádia.

Os mortos somente podiam se manifestar para consultas com a permissão de Plutão e, quando apareciam, eram conduzidos por Mercúrio [Hermes]. Somente os mortos recentes atendiam os vivos porque ainda tinham algum interesse nas coisas terrenas. Porém, havia exceções, como o herói Aquiles, que apareceu evocado por Apolônio de Thiana.

Na Itália, segundo Cícero, o Lago de Avernus, próximo a Nápoles, era um “oráculo dos mortos” onde as “sombras, os espíritos dos mortos eram chamados na densa treva da boca do Aqueronte, o rio de sangue salgado”; e, nas palavras do historiador grego Ephorus: “os sacerdotes que evocavam os mortos no Avernus moravam no subsolo e comunicavam-se com os espíritos nas passagens subterrâneas posto que estes habitavam as entranhas da terra”. Não muito longe do lago, também havia cavernas-oráculo onde os consulentes recitavam fórmulas encantadas e ofereciam sacrifícios para propiciar as revelações. Os fantasmas apareciam como sombras insubstanciais, difíceis de ver e reconhecer mas com uma audível voz humana.

por Ligia Cabús

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/fantasmas-na-grecia-e-roma-antiga/

Reflexão

I.

Por muito tempo busquei o amor

Por muito tempo dele procurei

Nos recândidos do mundo

Perguntando a mim mesmo

De algo que jamais saberei

Agora, em silêncio profundo

Basta-me saber da lei:

Quero é ser o amor

Como a abelha é parte da colméia

Quero é viver o amor

Como só tu o soube

Ò rabi da Galileia

II.

Eis me aqui neste templo mental

Cercado de anjos e velhos pretos

Dançando ao toque

Do tambor ancestral…

Agora, em silêncio profundo

Basta-me imaginar ao sol

A iluminar divina cachoeira

– Um longo rio a desaguar

No mais belo jardim

Quem lá esteve, sabe que é assim:

O Éden não foi, nem será…

Em nossa volta

Na mente plena de paz

Tudo apenas é

III.

Por muito tempo busquei a luz

E, partindo de mim

Tal qual raio, a projetar

Até que um ser alado

Das falanges de muitas eras atrás

Ensinou-me a evocar

A pirâmide branca

De cume dourado…

Como o ótico de Haia

Vi a luz em reflexão

Dos confins do Cosmos

Até este nosso mundo

– Charco de solidão

IV.

Eis me aqui envolto em rede

De luz eterna

Tecida entre dois planos

Tão próximos

Tão distantes…

Eis o que sei por ora:

O amor está dentro

O amor é um fio

Mas a luz vem de fora

Agora, em silêncio profundo

A cangoma ainda toca…

Da outra ponta do mundo

Um fio é puxado

E todos os anjos

E pretos velhos

E todos os rabis

E neófitos

E todos os pensamentos em reflexão

Pendem

Na sua direção

– Quer compreendam

Quer não…

raph’12’A.’.A.’.

#Espiritualidade #poesia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/reflex%C3%A3o

Amigos de Hekate

Tonye Newton enquanto escrevia seu livro – A Demonic Connection – conseguiu o que parecia impossível; arrancar algumas declarações de ex-líderes do movimento Friends of Hekate, (Amigos de Hekate, em português ) e o que estes pensam dos novos agregados da Hekate século XXI como está sendo chamada, ou The Mauve Zone como eles mesmos preferem

Friends of Hekate (FOH) operaram por toda a Inglaterra entre os anos de 1960 e 1980. Considerado extinto por muitos, o grupo continua a operar sob nomes diferentes, como The Mauve Zone e Hekate Disciples em locais como o Norte da Europa, México e até mesmo em recantos escondidos da América do Sul como Colômbia e Brasil, mas neste lugares, o pecado dos Hekates está mais associado com o tráfico de drogas e movimentos pretensamente sociais do que com o ocultismo em si.

Logo que surgiu, em Aston, na cidade britânica de Birmingham, o grupo sempre têm sido associado a uma série de desaparecimentos e mortes que ocorreram em Sussex, também na Inglaterra durante os anos de 1970 e 80. No total, as mortes de cinco pessoas foram conectadas as oferendas ritualísticas oferecidas por eles em rituais de magia negra: um policial, um vigário, um aposentado e duas mulheres desapareceram sob circunstâncias misteriosas durante esse espaço de tempo.

Os desaparecimentos ocorreram sempre nas datas de 31 de outubro – o fato estranho era que os corpos das vítimas eram encontrados em locais onde havia estrita vigilância policial, como se tratasse de uma provocação à Scotland Yard, responsável por monitorar o caso.

O vigário usado no ritual era reitor de duas vilas em Sussex; onde uma série de demonolátras costumavam se reunir para praticar rituais no final dos anos 60. Tonye Newton, examina rigorosamente as atividades dos Amigos de Hekate e faz uma ligação estreita da espécie de satanismo praticado por eles e uma conspiração internacional Satânica, cujas idéias estavam claramente embebidas de Marxismo, Stalinismo e idéias comunistas que vingavam facilmente numa Inglaterra que vivia uma cruel recessão e altos índices de desemprego e violência ao final dos anos 60 até meados da década de 80.

Curiosamente, foi nessa época que os Hekate perderam força nas terras da rainha, para só retomarem suas atividades no século XXI. Outros indícios e acusações de sacrifício humano praticados pelos Hekate, vem de uma carta dirigida a Tonye, então redator da Revista Unexplained.  Nesta carta, o escritor anônimo praticamente confirma que o Reverendo foi ritualmente sacrificado pela Friends of Hekate:

“Há alguns anos atrás um amigo meu se juntou a eles (…) são chamados de amigos de Hekate, se reúnem em vários lugares: bosques, matas, celeiros e até mesmo na igreja e fazem rituais que envolvem sacrifícios humanos ou animais em honra a Orion e ao arqueiro. (sic)”

O escritor anônimo prolonga-se para dizer que o seu amigo:

“… Ficou muito assustado quando a polícia efetuou as primeiras buscas para encontrar o vigário (Rev. Harry Neil Snelling) e quando eu disse que ia ajudar nas buscas ele disse ele não precisava mais, já tinham encontrado-o.”

Embora todos os indícios apontem para os típicos sacrifícios ritualizados pela FOH, pouco se conhecia de seus ritos embora acreditava-se centrar especificamente sobre o culto da antiga deusa grega Hekate.

Se as informações relativas a respeito dos Amigos de Hekate envolvendo sacrifícios humanos e animais sejam tão escassos e hipotéticos, eles jamais foram desacreditados quando sua área de influência se expandiu para além da terra da rainha.

Amigos de Hekate no México

Depois da grande caçada protagonizada pela Scotland Yard contra os líderes da FoH, sabe-se que eles migraram para o Canadá, então movendo-se para os E.U.A até atingirem o norte do México onde se estabeleceram, e lá criaram a primeira cidade verdadeiramente satânica ( nos termos deles ) do Ocidente.

Em Ciudad Juárez, norte do México que faz fronteira com o Texas, mais de 300 mulheres foram assassinadas com um mesmo ritual macabro: seqüestro, tortura, sevícias sexuais, mutilações e estrangulamento. Rituais satânicos? Orgias perversas de narcotraficantes? De sacrifícios humanos ? Uma rápida olhada na história dos amigos de Hekate pode nos dar todas as respostas que procuramos.

Estado de Chihuahua, fronteira com os Estados Unidos. Sua população de 1,3 milhão de habitantes é refém de assassinos sem rosto. Desde 1993, (logo após o desbaratamento da FoH na Inglaterra ) mais de 300 mulheres foram seqüestradas, violentadas e assassinadas.

A maioria não pôde ser identificada: todas foram vítimas de violências sexuais, e, sem exceção, foram todas estranguladas e supostamente usadas em rituais de magia negra levados a cabo pela Amigos de Hekate.

O modus operandi dos assassinos é idêntico ao dos matadores em série. Os assassinatos repetem-se, assemelham-se, as sevícias são as mesmas, e atingem não só mulheres adultas, mas também adolescentes e até meninas de apenas 10 ou 12 anos.

Por que razão os cadáveres são desfigurados e mutilados? Por que razão uma tal brutalidade contra as vítimas, um tal sadismo bárbaro? Será que se trata de rituais satânicos? De orgias perversas de narcotraficantes?

Diversos depoimentos indicam que os assassinos teriam sido protegidos, num primeiro momento, pelos policiais de Chihuahua. Depois, teriam se beneficiado do apoio dos meios do poder ligados ao tráfico de drogas.

Como é sabido, membros da Hekate são ligados ao tráfico de drogas há muito tempo, especialmente em países como Bélgica e Holanda, além de manterem estreitas relações com membros das Farc Colombianas.

Mas conheça um pouco mais sobre eles em suas próprias palavras:

“Bem-vindo ao Amigos de Hekate: Prestem atenção e aprenda. O FoH é a única grande ordem magicka satanista em Birmingham, Inglaterra. Nós somos o OCULTO aqui!

Formados, ou re-formados, em meados dos anos 90; o FoH começou como um núcleo de adesão de não mais de cinco pessoas iniciadas nas artes satânicas, representando um número que cada grupo afiliado não pode ser ultrapassar em membros. Gostaríamos muito de lhes oferecer nossos rituais praticados em Wichbury Hill, os pseudo-satanistas ainda estão tentando ser tão bons como nós somos em magia negra.

O nosso “magcikprop”, o ato de executar rituais aos olhos de quem quiser é uma lenda entre os que recordam de nossos gloriosos dias. Lúcifer em carne, osso e sangue no museu de Birmingham, poucos vão esquecer!

Mas agora o FoH está de volta, mais fortes do que antes, temos enclaves em Manchester e Londres. Estamos crescendo. Isso sem contar nossos poderosos contatos no exterior. Eles nos deixam orgulhosos.

Conheçam a Colheita Maldita – um momento em que o mundo será mudado por quem tiver a vontade Magicka de fazer essa mudança. O FoH têm a Magicka e a Vontade.

Bem-vindo ao verdadeiro Novo Aeon. Estamos tendo sinais do nosso Apocalipse e cada um de vocês é bem-vindo. Lembrem-se daqueles que já conhecem a nossa verdade: 2012 se aproxima mais rápido do que nunca pude imaginar.

 

Manifesto dos amigos de Hekate

Todo homem e mulher é uma estrela, mas algumas estrelas são mais brilhantes do que outras.

Magicka é a Arte e a Ciência de causar mudanças de acordo com a Vontade.

As únicas regras são aquelas que se aplicam a nós.

Apenas aqueles que sentem que precisam ser governados deveriam tomar nota do que o governo lhes diz para fazer.

Faça o que for divertido para você, e esse será o todo da lei.

Este é o nosso credo (sujeito a mudanças a qualquer momento)

Nós somos parte da IOT, mas ela não pode conter tudo aquilo que verdadeiramente somos agora e aquilo que devemos nos tornar até 2012. Procuramos não membros, apenas aliados.

Durante muito tempo, temos sido tratados como loucos por aqueles que por sorte, fortuna, ou atos criminosos adquiriram poder sobre nós. Esta é a hora de voltar a lutar, a pegar em armas da nossa escolha, para derrubar todos os governantes do Mundo.

Nossas armas podem ser, música, cinema, arte, mas principalmente magicka. Essa nossa arma é o poderoso ESOTERRORISMO. Esta é a forma de ruptura através de ações concretas e rituais mágicos.

Os membros da nossa “igreja” podem parecer parte do sistema, mas em nossas mentes, procuramos formas de consumo de droga; injetando Caos e perturbações no sistema que tenta governar nossas vidas.

Nós escrevemos cartas a imprensa, nós criamos distúrbios que causam preocupação para as massas acomodadas, forçando os poderes constituídos a entrarem em ação.

Nós roubamos terras de grandes proprietários de terras, através de nossos direitos. Nós sabotamos grandes empresas, forçando-os a nos pagar grandes quantias de dinheiro para não precisarem se opor a nós. Mas também podemos ser o mendigo na esquina, que vai dormir com a esposa do patrão, o nosso nome é Legião será sempre assim.

O nosso templo é o Mauve Zone. Nossa Magicka está por todo lugar.

Somos a favor de usar a tecnologias para construir nossa utopia, mas não somos dominados por ela. Apoiamos a engenharia genética para a substituição de órgãos. Embora apoiemos os chamados partidos Verdes, Liberais e afins, fazemos-lo apenas porque ele nos dá oportunidades para injetar o vírus do Caos nos sistemas políticos.

Entrevista com Tonye Newton a rádio BBC 6 de Londres

BBC: O que é ou o que foi os Amigos de Hekate ?

Newton: Nos anos 60, 70 e 80 foram um temido grupo de satanistas extremistas com idéias comunistas. Hoje são um bando de garotos pervertidos que utilizam o nome deles para se promoverem.

BBC: O que há de verdade sobre sua conexão mexicana ?

Newton: Que temos membros deles em Ciudad Juarez é inegável, mas atribuir todos os assassinatos de mulheres que lá acontecem a eles é pura bobagem. A questão é que terras de ninguém, terras sem leis como Juarez oferecem a esse tipo de gente, local e ambiente adequado para esse tipo de crime, eles são muito mais esquerdóides machistas do que satanistas. Não vejo muito de satanismo no que estes caras fazem hoje.

BBC: O que os antigos membros, os originais dizem sobre o assunto ?

Newton: Hekate virou uma lenda macabra que ainda apavora muitas mentes no Reino Unido, mas aquele pessoal envelheceu, casou teve filhos e hoje faz parte da classe média acomodada. Tudo aquilo que eles combatiam em seu início.

BBC: Como conheceu membros deles ?

Quando trabalhava na Unexplained, alguns caras frequentavam seus cultos; todos mascarados, ninguém conhecia e jamais conheceu a verdadeira identidade dos líderes. Eram grupos de 5 membros por templo. Todos agregados mas com liberdades para fazerem o que bem entendessem.

BBC: Você os leva a sério hoje ?

Newton: Não aqueles que atuam na Inglaterra, mas os que estão fora do país fazem uso do nome Hekate para ter um certo status, seja no México ou com as Farc. Na verdade os traficantes pouco ligam se eles se dizem satanistas ou zapatistas, o que interessa é que são campo fértil para o crime organizado.

BBC: Mas o próprio site deles:http://www.paganassociationisevil.org.uk/ indica que fazem parte de um grupo de criminosos não ? O tal Satanismo esquerdóide.

Newton: Eles simplesmente repercutem aquilo que ouvem do que vem de fora. Repito, não levo esses moleques idiotas a sério, mas teria o maior prazer em entrevistar os membros da Hekate na América Latina.

BBC: Seria uma aventura perigosa.

Newton: Seria a chance de esclarecer de uma vez por todas o que é lenda e o que é fato sobre eles. Mas se a Scotland Yard não os pegou, quais são as minhas chances ? Até lá,

Ciudad Juárez continuará sendo um local seguro para membros da Hekate, e para os velhos satanistas sanguinolentos da Idade Média.

Paulie Hollefeld

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/amigos-de-hekate/

Onde caminham os mortos

» Parte final da série “Intoxicados” ver parte 1 | ver parte 2

A criança que fui chora na estrada

Deixei-a ali quando vim ser quem sou

Mas hoje, vendo que o que sou é nada

Quero ir buscar quem fui onde ficou

(Fernando Pessoa)

Um homem caminha pelas vielas do inferno. Ele se veste a caráter: parece mais um mendigo, numa das mãos traz um saco com alguns pães que acabou de comprar na padaria, a face foi cuidadosamente maquiada para parecer tão suja quanto às faces dos mortos que perambulam por lá – perdidos das próprias almas, perdidos de suas essências. No entanto, não há nada de sobrenatural nesse inferno… Os seres mortos são apenas mortos em vida, não mortos-vivos; O inferno fica bem no centro da maior cidade do Brasil; Um homem visita a cracolândia.

Uma menina aborda o homem no meio da rua. Parece menor de idade, mas mesmo assim se porta como se não fosse. Ela está suja – suja no corpo, suja no olhar, suja na alma. Mas não há nada mais a oferecer em troca de um pedaço de pão ou, quem sabe, de 30, 20, 10 reais… Ela oferece a alma, ela oferece o olhar… E o corpo. O homem entrega o saco com os pães, e vai-se embora. Ele queria poder ver mais, mas sua estada no inferno, embora breve, já pesava muito em sua própria alma. Por um momento, se imaginou como aqueles que vivem naquela escuridão, nas trevas do inferno terreno, perdido, sem esperança… Caminhando junto aos mortos… Não foi uma boa imagem [1].

O crack é uma droga feita da mistura de cocaína com bicarbonado de sódio e outros pedaços de sujeira pelo caminho. Geralmente, é fumada. A fumaça produzida pela queima da pedra de crack chega ao sistema nervoso central em dez segundos, devido ao fato de a área de absorção pulmonar ser grande. Seu efeito dura de 3 a 10 minutos, com efeito de euforia mais forte do que o da cocaína, após o que produz muita depressão, o que leva o usuário a usar novamente para compensar o mal-estar, provocando intensa dependência. Não raro o usuário tem alucinações e paranoia… Na cracolândia, vive-se em intervalos esporádicos de alguns minutos, numa semivida eufórica e mecânica que se esvai tão logo chega, como um estranho sonho curto em meio a um pesadelo. No resto do tempo, se morre.

Desde 2005, a Prefeitura de São Paulo tem se dedicado, timidamente, a restaurar a área da cracolândia. Sua ideia de restauração passa pelo fechamento de bares e hotéis ligados a prostituição e ao tráfico de drogas, o aumento do policiamento e a desapropriação de centenas de imóveis numa tentativa de criar “bolsões” onde a iniciativa privada se sinta a vontade para investir. Os moradores de rua, catadores de material reciclável e dependentes de drogas que perambulam pelo inferno vão sendo expulsos aos poucos – sabe-se lá para onde, mas certamente hão de levar seu inferno junto com eles… Muitos grupos de menores de rua dependentes, impedidos de caminhar por seu inferno particular, perambulam sem rumo pelos bairros vizinhos. Bandos e bandos de crianças que, mal tendo nascido, já se encontram mortas…

Na verdade, muitas grandes cidades do mundo em desenvolvimento têm suas cracolândias, seus infernos, para onde se dirigem todos aqueles sem rumo, perdidos de suas almas, que deixaram a si mesmos em algum canto, em alguma esquina, em alguma estrada, e nunca mais encontraram… E muitos se dizem sensibilizados, se dizem “cristãos”, mas se sentem mais a vontade o mais longe possível do inferno. Quase ninguém quer ir para o inferno, contanto que lá não se encontre nenhum parente, familiar, ou grande amigo. Ninguém quer em realidade saber de onde caminham os mortos: “deixem que fiquem por lá, morrendo, aos poucos, mas longe, muito longe de nós!”.

E tratamos aos dependentes como seres perdidos, sem volta, condenados. Mas não são todos que pensam assim… A Missão Batista Cristolândia, como foi chamada, é a sede de todos os batistas que desejam capacitação no trabalho de evangelização de dependentes químicos e excluídos socialmente. Como apresenta a coordenadora local do Radical Brasil, missionária Soraya Machado: “A Missão é a resposta dos batistas brasileiros a esta atrocidade chamada cracolândia”. O quartel general do Radical Brasil está localizado dentro da cracolândia e nesse espaço são oferecidas 300 refeições diárias – café, almoço e janta, espaço para banho, lavanderia, doação de roupas e calçados. Além do amparo social, o investimento espiritual é alto, com quatro cultos por dia nos períodos da manhã, tarde, noite e madrugada… Felizmente, alguns ainda são crentes o suficiente no ser humano, crentes a ponto de imaginarem que podem sim, adentrar ao próprio inferno, e sair de lá não com demônios ou mortos-vivos, mas com pessoas que podem sim viver uma vez mais.

Nós podemos criticar os evangélicos e crentes fervorosos por algumas de suas crenças descabidas, mas enquanto existirem crentes da esperança, crentes da vida que pode vencer a morte, todas as suas exaltações serão não somente perdoadas pelos que adoram a vida, mas admiradas… Nesse aspecto, pouco importa a crença ou descrença de cada um, e sim os frutos de suas obras, sua caridade, seu amor. É muito fácil desistir dos dependentes como se esses não fossem mais seres vivos, como se não tivessem mais almas, ou, pelo menos, como se não houvesse mais nenhuma esperança de as reencontrarem pela estrada… Mas a alma perdura, em meio ao mais pavoroso inferno, nos vales das sombras e da morte, ela não teme o mal, ela permanece ali, impávida, esperando ser resgatada – como a mais pura e inocente criança a chorar pela estrada: “Veja, aqui estou eu. Venha e salva-me! Venha e cuida de mim! Venha e me ame, que eu também te amarei…”

Paracelso já dizia que a diferença entre o veneno e o remédio é apenas a dose. As drogas e os vícios podem sim nos permitir escapar da tristeza perene da vida, mas o custo é alto: é a própria vida. Ao aprendermos a encarar a melancolia de frente, face a face, poderemos quem sabe perceber que mesmo ela, mesmo ela, era apenas uma dose do leve veneno da vida, mas dose esta que também pode virar um grande remédio… Se estamos intoxicados de angústias, devemos também tentar nos intoxicar de alguma sabedoria, e compreender que há sempre tempo de recomeçar – mesmo o nosso próprio corpo, em sua renovação incessante, será um novo corpo assim que nos limparmos do charco de toxinas químicas e nos banharmos na água cristalina de um rio, uma cachoeira, um oceano, ou da própria vida.

E então, quem sabe, poderemos passar a nos intoxicar da única substância que, independente da dose, só nos fará avançar, mais e mais, cada vez mais, para um céu de liberdade, e felicidade – sejamos todos dependentes do amor, e apenas dele, para que todos os infernos se façam céus, toda a indiferença se faça dor, e toda compaixão, fortaleza intransponível.

***

[1] Este trecho foi inteiramente baseado no depoimento de um amigo.

Crédito das fotos: [topo] AMCCE; [ao longo] ALESP

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Cristianismo #Drogas #Espiritualidade

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John Dee: Anjo para Uns, Demônio para Outros

Por Dave Evans.

As tensões religiosas dentro da heresia cristã de John Dee.

Dee viveu em meio a mudanças religiosas e científicas extremas, e esteve na vanguarda do movimento que empurrou os limites da ciência e da magia. Isto foi feito com a grande dificuldade de não ser pego pela lei, o que ele provou dentro da própria Corte Real. Feiticeiros, astrólogos, bruxas e profetas estavam todos em perigo de serem processados naquela época. John Dee foi sem dúvida um deles, e mais; ele viveu mais de 80 anos, viu cinco monarcas e experimentou três mudanças de religião estatal.

Esta sobrevivência pode se dever particularmente ao fato de que as elites eram mais seguras do que as bruxas da aldeia pobre. Dee nasceu em uma pequena família na Corte, e teve uma excelente educação, o que ajudou a protegê-lo; embora outros ocultistas de nota tenham tido menos sorte: John Lambe, por exemplo, foi apedrejado até a morte por uma multidão enfurecida.

Entretanto, Dee teve a distinção de alienar as autoridades protestantes e católicas durante sua vida, e é provável que tenha sobrevivido, pelo menos na Inglaterra, por causa dos serviços especiais que prestou à Coroa, inclusive sendo espião no continente.

Para Dee, tudo era uma busca pelo conhecimento, e ele era em grande parte responsável pela qualidade da ciência na Inglaterra, tão pouco estudo parece ter sido feito fora de seu próprio círculo. Ele usou a magia como um meio simples de se esforçar para conseguir:

“Um conhecimento mais profundo de todas as ciências, passadas, presentes ou futuras”.

E sua concepção de iluminação viu a ciência e a magia como uma só. Isto foi difícil de racionalizar, e Dee tem sido criticado por historiadores modernos por sua inconsistência, “pensamento eclético e flutuante”. Isto dificilmente parece ser inevitável em toda uma carreira em pelo menos sete disciplinas diferentes praticadas ao longo de cerca de 60 anos, um período de incalculável mudança intelectual.

Dee obteve seus diplomas em Cambridge e em Leuven, onde foi aluno do geógrafo Mercator. Esta relação duradoura permitiu a realização de exploradores britânicos como Raleigh e Frobisher. Dee também recebeu Ordens Sacras na Igreja da Inglaterra, apesar de suas raízes católicas. Ele viajou e estudou muito em sua juventude e aos 23 anos já era famoso na Europa como filósofo, recebendo inúmeras ofertas de monarcas estrangeiros. Ele os recusou, no entanto, permanecendo leal à Inglaterra e retornou em 1550 para aconselhar o governo sobre navegação, cargo que ocupou por 30 anos, auxiliado por seu primo, William Aubrey.

Durante o reinado de Eduardo VI, ele já ocupava um alto cargo na corte como matemático. Quando Maria chegou ao trono, foi-lhe pedido pela curiosa Isabel que elaborasse um horóscopo para ela e sua irmã, a rainha Maria. Isto era uma traição potencial, pois aplicar meios mágicos para prever eventos como a morte de um governante poderia ser politicamente muito perigoso; previsões mágicas poderiam levar a eventos induzidos magicamente. Ele foi, portanto, preso por três meses; depois foi absolvido depois de se defender.

Foi um caminho teológico desconfortável que Dee teve que tomar. Ele escreveu a Maria em 1556, alegando que os escritos e monumentos antigos fossem preservados; mas ele teve que escrever sua carta de tal forma que não podia ser visto como promovendo a sobrevivência dos escritos heréticos protestantes.

Apesar de criado como católico, as crenças de Dee poderiam hoje ser chamadas de Cientificismo Cristão, mas com uma grande parte reservada à magia cerimonial. Pode não haver conflito entre ser um cristão devoto e conversar com anjos; na verdade, talvez seja por isso que se possa conversar com anjos, porque a crença neles é tão forte. Entretanto, o cristianismo puro parece errado quando meios mágicos não cristãos são usados para chamar anjos, especialmente em uma época em que não havia como distinguir os anjos dos demônios.

Dee era bibliófilo e antiquário, ampliando sua casa várias vezes para acomodar uma coleção sempre em expansão (e para abrigar vários estudantes de ciência e magia) e tinha a maior biblioteca da Inglaterra com cerca de 4000 livros. Foram estas que foram confiscadas de bruxas suspeitas. Tais livros, os ‘livros de círculos’, podem ter sido livros de geometria, mas veja a Heptarchia (a referência on-line é dada no final deste artigo) e especialmente a página 32, para mais exemplos ocultos; e considere que o policial médio pode se concentrar em imagens enquanto as investiga.

Em todos os casos, matemática, astrologia e bruxaria estavam fortemente associadas a temas mágicos, e a ciência era fumaça e espelhos.

Numa inversão de atitude, sob a rainha Elizabeth, Dee foi designada para selecionar a data mais favorável para a coroação, via precisamente a mesma astrologia para o monarca pelo qual ele havia sido anteriormente encarcerado. Imagine seu constrangimento. Tal mudança abrupta de atitude, de certa forma, sublinha a forma como a sociedade define os criminosos.

Elizabeth também empregou Dee para combater a bruxaria usada contra ela, e ele tinha editos especiais de Elizabeth que o protegiam de :

“Quem em seu reino deveria procurar, em razão de seus valiosos estudos e exercícios filosóficos, derrubá-lo injustamente”.

Isto deve ter sido necessário porque, apesar de uma reputação muito alta na corte, muitos nobres e alguns da população o viam como um feiticeiro perigoso. Isto desenha paralelos com o teatro contemporâneo e o mágico de Marlowe no Doutor Fausto, a quem o Imperador promete que “o que quer que você faça, não será prejudicado ou abusado de forma alguma”. A proteção seria igualmente vital na espionagem; onde Dee seria frequentemente incapaz de explicar um comportamento suspeito por medo de exposição. Infelizmente não posso discutir aqui as possíveis ligações com Marlowe, que também era um espião.

Dee viajou muito e na sua ausência Elizabeth foi uma forte defensora; como seus livros publicados no continente muitas vezes chegavam à Inglaterra antes dele, a fim de reter os clérigos e acadêmicos que não os entendiam.

Inusitado para a época, Dee escreveu principalmente em inglês, alcançando assim mais da classe educada do que o latim teria feito.

Além de seus trabalhos científicos, Dee continuou suas experiências ocultas, usando bolas de cristal, mas achando-as difíceis de usar. Ele empregava um médium de Lancashire, Edward Kelly. Kelly já foi condenada por fraude, perdendo um ouvido por tal crime.

Durante as sessões psíquicas, Kelly se comunicou com inúmeros anjos que lhe deram profecias e ditaram uma nova linguagem que Dee chamou de ‘Enoquiano’. Tem sido sugerido que Kelly fez o próprio Enoquiano, mas um homem jovem e semialfabetizado nunca teria sido capaz de construir uma linguagem coerente e consistente que não tivesse nenhuma conexão com as línguas existentes. É mais provável que tenha sido a Dee polimática que o fez.

Em 1583 havia rumores de que eles estavam fazendo ouro por alquimia. Isto gerou grande interesse entre a realeza europeia e um nobre polonês, Laski, os convidou para trabalhar em sua casa. Dee e Kelly deixaram a Inglaterra e realizaram experiências alquímicas e mediúnicas caras que colocaram as finanças de Laski em risco. Apesar das profecias políticas angélicas, que previam a realeza de Laski, ele decidiu enviá-las e seus custos ao Imperador Rudolph II, que estava fascinado pela alquimia.

Rudolph ficou muito impressionado, porém, sua alquimia logo levou a queixas de bruxaria e heresia, com o Papa exigindo sua prisão. Rudolph permitiu que eles escapassem. Dee e Kelly tornaram-se então astrólogos independentes, viajando pela Europa, trabalhando para o Rei da Polônia e a nobreza bávara, enquanto espionavam os interesses espanhóis.

As sessões mediúnicas continuaram, mas Kelly, que de repente ficou muito agitada, estava convencida de que o cristal não estava mostrando anjos, mas demônios. Kelly tentou sair, mas foi forçado por Dee a ficar e explicar. Kelly confessou então, relutantemente, que os anjos tinham ordenado que compartilhassem suas esposas, sexualmente.

Eles estavam tão envolvidos no trabalho angélico e, como sua saúde financeira dependia em grande parte das comunicações angélicas para os patrões ricos, eles trocaram esposas. Isto, apesar das próprias mulheres, a grande diferença de idade entre os quatro indivíduos e a imoralidade da situação. Isso seria psicologicamente muito difícil para os cristãos devotos contemporâneos, então o que dizer disso no século XVI

O “ménage à quatre” não durou muito tempo. Dee retornou à Inglaterra em 1589. Kelly continuou como ocultista itinerante. Ele foi preso em várias ocasiões por várias atividades ocultistas e fraudulentas e morreu por ferimentos recebidos durante uma tentativa de fuga em 1595.

Quando ele voltou para casa, quase falido após seis anos de viagem, Dee encontrou sua casa saqueada e muitas de suas obras destruídas ou roubadas. A ausência do tribunal também havia reduzido sua popularidade. Tendo estado a favor da Rainha, ela agora estava fora de contato e lhe deu um posto de ensino longe de Londres, um insulto a um acadêmico como Dee. Para sobreviver, ele teve que vender seus livros restantes e continuou suas experiências ocultas até sua morte em 1608.

Meu primeiro artigo, Heptarchia (referências on-line no final do artigo) é uma fascinante mistura de magia cerimonial e panteísmo com uma tentativa de cristianização. Não foi publicado durante a vida de Dee, mas foi usado como material didático em cópias manuscritas, e como tal pode muito bem ter caído nas mãos das autoridades. Ao longo do texto há referências ao poder de Deus, orações a Deus, etc., que podem ser lidas como cristãs, mas há muitas passagens, apenas uma delas seria suficiente para acusar Dee de bruxaria, heresia ou traição:

“Pois somos deuses”. Criaturas que governaram, que governam e que governarão sobre você”, Heptarchia página 1.

Uma pluralidade de deuses eternos não é uma singularidade cristã, e como tal é uma heresia grave.

“Estes (anjos) estarão sujeitos a você”, Heptarchia página 3.

Dee recebe poder sobre os anjos – uma blasfêmia, pois somente Deus deveria ser capaz de fazer isso. Da mesma forma:

“…o Príncipe Geral, Governador ou Anjo que é o Principal neste mundo”, Heptarchia página 7.

Este não é o Deus cristão, e pode ser o Diabo. Se eles não são anjos, então podem ser demônios ou espíritos familiares, ter relações sexuais com eles é um crime.

“Através delas você fará maravilhas”, Heptarchia página 3.

“A alteração da Corrupção da Natureza, em Perfeição”, Heptarchia página 28, “obras maravilhosas”, Heptarchia página 29.

Estes são milagres, que só Deus pode fazer, e na doutrina protestante eles simplesmente não existem mais.

“Eles são reis caídos e iníquos, cujo poder foi quebrado por Mim, assim farás”, Heptarchia página 3.

Dee tem o poder de realizar mudanças políticas; material imensamente perigoso para escrever sobre. Embora ele tenha sido avisado:

“Grande cuidado deve haver para aquele que se intromete nos assuntos dos príncipes”, Heptarchia página 4.

E ele é informado mais adiante:

“Você está entrando em novos mundos, novas pessoas, novos reis e novos conhecimentos de um novo governo”, Heptarchia página 30.

Dinamite política e traição.

“… espíritos… que guardam a terra e seus tesouros”, Heptarchia página 22.

Magia para descobrir um tesouro enterrado foi um crime e parece que Dee adivinhou ou procurou adivinhar a localização de um tesouro enterrado por vários meios.

“Seu poder está sobre as águas”, Heptarchia página 30.

Isto se refere ao controle mágico da terra. Uma tempestade repentina que destruiu a Armada tem todas as marcas do sobrenatural, e Dee usou tanto suas habilidades de espionagem, navegação e ocultismo contra os navios espanhóis. Sua capacidade de alterar o tempo seria perigosa para Dee em sua vida posterior, quando James tornou-se rei, pois as bruxas de Bernwick foram executadas em 1591 por levantar uma tempestade contra os navios de James.

O principal anjo na Heptarchia (e outros manuscritos da Dee) é Uriel. Na Tempestade de Shakespeare, o anjo chefe é Ariel. A cena de abertura envolve uma tempestade mágica que leva um navio até a ilha de Prospero e ele também tem uma biblioteca fantástica. Há muitos outros paralelos entre Próspero e Dee, que Shakespeare pode ter encontrado já que Dee fez vários efeitos especiais para o Globe Theater. A Tempestade foi realizado três anos após a morte de Dee.

Como vimos, na Europa a Dee poderia entrar em todas as escolas de prestígio como um colega intelectual. Na Inglaterra ele era considerado com medo e desconfiança. No entanto, foi talvez apenas com a sua morte e os retratos simpáticos subsequentes, juntamente com a liberalização religiosa e uma compreensão crescente do valor de seu trabalho em matemática, navegação, filosofia e ciência em geral, que a sociedade inglesa naquela época foi capaz de aceitá-lo como algo mais do que um objeto de superstição, e sua imagem foi reabilitada.

Notas:

NB/ meu título: ‘Anjos para uns, demônios para outros’ é uma frase emprestada de uma ficção de terror, ‘The Hellbound Heart’ de Clive Barker, que é o roteiro do filme ‘Hellraiser’, onde esta frase é uma das partes centrais do diálogo.

Há pelo menos quatro biografias de Dee em papel, nenhuma delas é verdadeiramente abrangente.

Referências on-line: John Dee, De Heptarchia Mystica, (Diuinis, ipsius Creationis, stabilis legibus) Collectaneorum 1582. (On-Line) Peterson. J.H. (ed) versão, 1997, British Library Ms. Sloane 3191. <http://www.esotericarchives.com/dee/hm.htm>.

E seu Mysteriorum Libri Quinque ou, Five Books of Mystical Exercises de John Dee.

Uma Revelação Angélica da Magia Cabalística e outros Mistérios Ocultistas e Divinos revelados ao Doutor John Dee e Edward Kelly, 1581 – 1583. <http://www.esotericarchives.com/dee/sl3188.htm>.

Um site muito útil: The John Dee Society. <http://www.johndee.org/>

***

EVANS, Daves. John Dee : Ange pour certains démon pour d’autres.
Traduction française par Spartakus FreeMann, Zénith de Libertalia, février 2004 e.v. EzoOccult, 2004, 2020. Disponível em: <https://www.esoblogs.net/42/anges-pour-certains-demons-pour-d-autres/>. Acesso em 15 de março de 2022.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/john-dee-anjo-para-uns-demonio-para-outros/

Mapa Astral de Agatha Christie

Agatha Christie foi uma das primeiras escritoras que eu li na vida, talvez só antecedida por Monteiro Lobato e Conan Doyle. Seus livros me serviram como inspiração para gostar do gênero de suspense e investigação, por isso, a homenagem do TdC a esta escritora sensacional.

Dame Agatha Mary Clarissa Mallowan (Torquay, 15 de Setembro de 1890 — Wallingford, 12 de Janeiro de 1976), mundialmente conhecida como Agatha Christie, foi uma romancista policial britânica, autora de mais de oitenta livros. Seus livros são dos mais traduzidos de todo o planeta, superados apenas pela Bíblia e pelas obras de Shakespeare, com mais de 4 bilhões de cópias vendidas em diversas línguas.

O Mapa de Agatha Christie mostra uma facilidade enorme para escrever e organizar idéias (mas isso não é novidade nenhuma, ne? depois de mais de sessenta mapas postados, vocês mesmos já estão começando a observar as “coincidências” dos planetas/signos e profissões).

Com Sol e Saturno em Virgem; Ascendente em Virgem-Leão; Lua em Libra-Virgem; Mercúrio em Libra, Vênus em Escorpião; Marte em Sagitário; Júpiter em Aquário-Capricórnio e Caput Draconis, Netuno e Plutão em conjunção forte em Gêmeos.

O Planeta mais forte do mapa é Saturno em Virgem, com 4 Aspectações. Os aspectos virginianos de organização e método de Agatha Christie podem ser vistos em seus oitenta textos, pela maneira como organiza a narrativa e o desenrolar das histórias, seguindo sempre um mesmo padrão. As energias librianas mostram uma facilidade em se colocar no lugar do outro e de contar histórias pelo ponto de vista de outras pessoas.

Esta combinação de energias de Virgem e Libra é conhecida no hermetismo como “Dama de Espadas” por sua junção de elementos de frieza e cálculo virginianas com o senso de equilíbrio e justiça de libra; às vezes consideram uma energia muito frígida e direta (o arquétipo de “Lucrécia Bórgia” é muito usado para exemplificar isso).

Júpiter em Aquário-Capricórnio representa um potencial e uma facilidade enorme para trabalhar com regras quebrando as regras. Esta “criatividade regrada” também é um ponto que se pode observar em muitos dos livros dela, com reviravoltas e assassinos improváveis aparecendo no último instante de uma maneira surpreendente.

Uma combinação muito bem aproveitada em seus romances.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-agatha-christie

As 42 Confissões Negativas para Maat do Livro dos Mortos

Do Livro dos Mortos do Antigo Egito (Papiro de Ani).

[As 42 Confissões Negativas são uma espécie de mandamentos de retidão para os antigos egípcios, como o decálogo o é para os judeus, os cristãos e muçulmanos. Elas eram recitados em reuniões religiosas.]

As 42 Confissões Negativas para Maat:

01. Eu não pequei.

02. Eu não roubei com violência.

03. Eu não furtei.

04. Eu não assassinei homem ou mulher.

05. Eu não furtei grãos.

06. Eu não me apropriei de oferendas.

07. Eu não furtei propriedades do deus.

08. Eu não proferi mentiras.

09. Eu não desviei comida.

10. Eu não proferi palavrões.

11. Eu não cometi adultério, eu não me deitei com homens.

12. Eu não levei alguém ao choro.

13. Eu não senti o inútil remorso.

14. Eu não ataquei homem algum.

15. Eu não sou homem de falsidades.

16. Eu não furtei de terras cultivadas.

17. Eu não fui bisbilhoteiro.

18. Eu não caluniei.

19. Eu não senti raiva sem justa causa.

20. Eu não desmoralizei verbalmente a mulher de homem algum.

21. Eu não desmoralizei verbalmente a mulher de homem algum. (repete a
afirmação anterior, mar direcionada a um deus diferente).

22. Eu não me profanei.

23. Eu não dominei alguém pelo terror.

24. Eu não transgredi a lei.

25. Eu não fui irado.

26. Eu não fechei meus ouvidos às palavras verdadeiras.

27. Eu não blasfemei.

28. Eu não sou homem de violência.

29. Eu não sou um agitador de conflitos.

30. Eu não agi ou julguei com pressa injustificada.

31. Eu não pressionei em debates.

32. Eu não multipliquei minhas palavras em discursos.

33. Eu não levei alguém ao erro. Eu não fiz o mal.

34. Eu não fiz feitiçarias ou blasfemei contra o rei.

35. Eu nunca interrompi a corrente de água.

36. Eu nunca levantei minha voz, falei com arrogância ou raiva.

37. Eu nunca amaldiçoei ou blasfemei a deus.

38. Eu não agi com raiva maldosa.

39. Eu não furtei o pão dos deuses.

40. Eu não desviei os bolos khenfu dos espíritos dos mortos.

41. Eu não arranquei o pão de crianças nem tratei com desprezo o deus da minha cidade.

42. Eu não matei o gado pertencente a deus.

***

Fonte: O Livro dos Mortos do Antigo Egito, traduzido por E. A. Wallis Budge.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/as-42-confissoes-negativas-para-maat-do-livro-dos-mortos/

Quem tem Exu tem tudo…

Estou começando um novo Projeto de catalogar todas as entidades da Umbanda, Quimbanda e Kiumbanda na Wiki. Comecei pelos Exús mas a idéia é englobar todo mundo. Claro que preciso da ajuda de vocês. No primeiro momento, quem tiver como conseguir imagens de Pontos Riscados destas entidades (se puder pré-formatar para 300×300 pix melhor ainda) ou fotos das estátuas delas ou desenhos e me mandar já com o nome correto no jpg para marcelo@daemon.com.br ajuda bastante.

#Quimbanda #Umbanda

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/quem-tem-exu-tem-tudo

Homem Mariposa

Seus primeiros avistamentos ocorreram próximos à cidadezinha de Point Pleasant, West Virginia, em 1966.

No dia 12 de novembro, cinco homens da cidade vizinha de Clendenin disseram ver uma figura do que parecia ser um homem alado que passou voando de maneira rasante sobre suas cabeças enquanto cavavam um túmulo. 3 dias depois, 2 jovens casais avisaram à polícia que seus carros foram perseguidos por uma figura escura de olhos vermelhos brilhantes com asas de 3 metros de comprimento.

Relatos como estes começaram a surgir em Point Pleasant e em uma antiga área de armazenagem de munições da 2ª Guerra chamada “TNT Area”.

Dia 16 de novembro surge a primeira menção a ele impressa em jornais “CASAIS AVISTAM UM PÁSSARO… CRIATURA… ALGUMA… COISA DO TAMANHO DE UM HOMEM! Foi o editor de um jornal de Ohio que o batizou de Homem Mariposa (Mothman).

Muitos locais acreditavam que ele vivia em uma usina nuclear abandonada nos arredores da cidade.

Em 1967 os avistamentos cessaram logo após uma terrível tragédia acontecer na ponte Silver Bridge, em Point Pleasant. Dia 15 de dezembro a ponte entrou em colapso, durante a hora do rush, matando 46 pessoas.

John Keel foi o primeiro a associar os avistamentos do Homem Mariposa ao acidente em seu livro The Mothman Prophecies, publicado em 1975 – ele também o associou a alienígenas e Homens de Preto – dizendo que os avistamentos eram premonições sobre o colapso da ponte. O livro se tornou um filme homônimo em 2002.

Muitos o consideram presságio de tragédias que simplesmente desapareceu depois de uma série de avistamentos e o subsequente colapso da Silver Bridge em 1967. Mas e se os avistamentos não foram apenas lá e não terminaram?

Mas os avistamentos não se restringiram a West Virginia: ele foi visto em São Paulo – dias antes do edifício Joelma pegar fogo em 1974 – em Chernobyl – dias antes do desastre – em Nova York – quando os aviões atingiram as torres gêmeas – de 2011 a 2017 pelo menos 55 pessoas o viram em Chicago.

Um “documentário” recente que busca explicar a criatura foi lançado em 2020 “The Mothman Legacy”, procurem pelo trailer.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/homem-mariposa/