A Luta de Israel Contra os Nefelin

Muitos textos sugerem que o dilúvio teria como função acabar com os Nefelin, entretanto, a presença de textos narrando a aparição de nefelins após esta data sugere que pelo menos alguns sobreviveram (ou ouve uma Segunda queda dos anjos após aquela data…)

O livro de Números fala da presença de Nefelins em Canãa – em época bem posterior ao dilúvio. No relato, depois de vagar 40 anos no deserto os Israelitas fizeram uma breve parada em Cades, o principal oásis do norte do Sinai, 75 km a sudoeste de Bersabéia. Então Moisés enviou um príncipe de cada tribo presente ao deserto de Farã para explorar a terra prometida: “Subi ao Negueb, e em seguida escalai a montanha. Vede como é a terra; como é o povo que a habita (…) Sede corajosos. Trazei produtos da terra.” (Números 13:17-20) Então eles subiram desde o deserto de Sin até Roob, a Entrada de Emat no extremo norte da terra prometida. Subiram pelo Negueb e chegaram a Hebrom, onde se achavam Aimã, Sesai e Tolmai, os enacim; e chegaram ao vale de Escol. Lá cortaram um ramo de videiras com um cacho de uvas que levaram sobre uma vara, transportada por dois homens; levaram também romãs e figos. (Números 13:21-24) Após 40 dias voltaram da exploração do lugar trazendo os produtos da terra e relatando o seguinte: “Fomos à terra à qual nos enviaste. Na verdade é terra onde mana leite e mel; eis os seus produtos. Contudo, o povo que a habita é poderoso; as cidades são fortificadas, muito grandes; também vimos ali os filhos de Enac. Os amalecitas ocupam a região do Negueb; os heteus, os amorreus e os jebuseus, a montanha; os caneneus, a orla marítima e ao longo do Jordão.” (Números 13:25-29) Então Caleb, príncipe da tribo de Judá, animou-se e disse ao povo reunido diante de Moisés: “Devemos marchar e conquistar essa terra: realmente podemos fazer isso.” Mas os outros príncipes que o haviam acompanhado se opuseram: “Não podemos marchar contra esse povo, visto que é mais forte do que nós (…) A terra que fomos explorar é terra que devora os seus habitantes. Todos aqueles que lá vimos são homens de grande estatura. Lá também vimos Nefelins -os filhos de Enac são descendência de Nefilim -. Tínhamos a impressão de sermos gafanhotos diante deles e assim também lhes parecíamos.” (Números 13:31-33) Mas os príncipes Josué e Caleb reanimaram a comunidade: “Não tenhais medo do povo daquela terra, pois os devoraremos como um bocado de pão. A sua sombra protetora lhes foi retirada, ao passo que Iahweh está conosco” (Números 14:9)
No Deuteronômio 2:11, os gigantes enacim – descendentes dos nefilim – também são chamados de rafaim, um termo mais geral para os habitantes de Canãa, citados em Números:

«Cruzamos o território de nossos irmãos, os filhos de Esaú que habitam em Seir (Édom), e passamos pelo caminho da Arabá, de Elat e de Asiongaber. Depois viramo-nos, tomando o caminho do deserto de Moab. Disse-me então Iahweh: “Não ataques Moab e não o provoques à luta, pois nada te darei da sua região. Eu dei Ar como propriedade aos filhos de Ló. – Outrora os emim aí habitavam; eram considerados como rafaim, assim como os enacim; os moabitas, porém, chamam-nos de emim. Em Seir habitavam outrora os horreus; os filhos de Esaú, porém, os desalojados e exterminaram, habitação no seu lugar, assim como Israel fez para se apossar da terra que Iahweh lhe dera. – E agora, levantai acampamento e atravessai o ribeiro de Zared!”» (Deuteronômio 2:8-13)

Mais adiante, a narração continua: «Ouve, ó Israel: hoje estás atravessando o Jordão para ires conquistar nações mais numerosas e poderosas do que tu, cidades grandes e fortificadas até o céu. Os enacim são um povo grande e de alta estatura. Tu os conheces, pois ouviste dizer: “Quem poderia resistir aos filhos de Enac?” Portanto, saberás hoje que Iahweh teu Deus vai atravessar à tua frente, como um fogo devorador; é ele quem os exterminará e é ele quem os submeterá a ti. Tu, então, os desalojarás e, rapidamente, os farás perecer (…) é por causa da perversidade dessas nações que Iahweh irá expulsa-las da tua frente (…) e também para cumprir a palavra que ele jurou a teus pais, Abraão, Isaac e Jacó.» (Deuteronômio 9:1-5)

Dois dos mais conhecidos entre os rafaim são o rei Og, de Basã, e o gigante Golias, descrito como descendente de Rafá em Gate (2 Samuel 21,19ss). Segundo o Deuteronômio, o imenso leito de ferro de Og ainda podia ser visto em Rabá: «Pois somente Og, rei de Basã, sobreviverá dos remanescentes dos rafaim; seu leito é o leito de ferro que está em Rabá dos filhos de Amon: tem nove côvados de comprimento e quatro côvados de largura, em côvado comum.» (Deuteronômio 3:11) Note que os gigantescos habitantes nativos de Édom-Seir, Amon e Gaza também são totalmente aniquilados em geral por Iahweh (ver Deuteronômio 20:2-3):

«Mas eu destruíra diante deles o amorreu,
cuja altura era como a altura dos cedros,
e que era forte como os carvalhos!
Destruí seu fruto por cima,
E suas raízes por baixo!» (Amós 2-3)

Os nefilin, portanto, parecem ter sido uma raça de heróis que viveu antes do Dilúvio e também em Canãa, quando os israelitas ainda não haviam conquistado a Terra Prometida. Por esse tempo, os nefilim acabam, como o nome sugere, como “os mortos”. Diz-se que os refaim e enacim foram exterminados por Josué (Josué 11:21-22), Moisés (Josué 12,4-6) e Caleb (Josué 15:14; Juizes 1:20), embora restassem alguns desgarrados, que seriam mortos por Davi e seus homens (2 Samuel 21, 18-22; 1 Crônicas 20:4-8). Josué 11,22 nos diz que: “Nenhum dos enacim sobreviveu na terra de Israel, somente em Gaza, em Gate e em Asdode alguns sobreviveram”.

Segundo Ronal S. Hendel, «a função dos nefilim-rafaim-enacim, (…) é constante em todas essas tradições. Eles existem para serem aniquilados: pelo Dilúvio, por Moisés, por Davi e outros. Na tradição israelita, os nefilim tem uma função: morrer.» Contudo, sempre acaba sobrando algum para ter filhos e continuar a histórias…

Por Shirley Massapust

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-luta-de-israel-contra-os-nefelin/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-luta-de-israel-contra-os-nefelin/

Símbolo da Lua

Por Hamal

Existem manifestações visíveis e invisíveis que acontecem com todos os planetas e seus ciclos ao redor do Sol. As manifestações visíveis são as fases planetárias, as constelações que eles percorrem, etc, as invisíveis são os efeitos causados na Terra em determinadas etapas dessas fases e ciclos.

Todos os planetas e constelações têm seus papeis especiais dentro das Escolas de Mistérios, sendo que dois deles se destacam: o Sol e a Lua.

Tal como o Sol, a Lua é um dos principais objetos de adoração e culto de todos os tempos. E assim como vimos no texto Símbolo do Sol, a Lua também possui um simbolismo central dentro da Ordem Maçônica e DeMolay.

Não devemos aceitar significado de nenhum símbolo se este não estiver fundamentado. Dizem que a Lua representa o segredo a ser descoberto, o feminino, etc. Se estão corretas essas afirmações, por que estão?

Vamos primeiro conhecer a Lua para fundamentar a importância do seu símbolo.

SÍMBOLO LUNAR

A Lua é um satélite natural da Terra que não possui brilho próprio, mas por sua superfície ser pálida reflete a luz do Sol durante a noite e torna a escuridão mais clara. Essa pequena observação faz do Sol um símbolo de luz fecundante, se tornando assim o Pai fecundador, e da Lua o símbolo da Mãe que recebe os raios de luz e emite de volta para Terra.

Existem muitas espécies cujo ciclos de reprodução estão ligados ao ciclo lunar, desde crustáceos, à corais e plantas. Coincidência ou não, também existe essa ligação com as mulheres, onde foram realizados estudos que demonstraram a ligação das fases lunares com os ciclo menstrual da mulher (referência – The regulation of menstrual cycle and its relationship to the moon).

Responsável pela reprodução e fertilidade na natureza, a Lua desde a mais remota antiguidade foi associada a figuras femininas, sempre enfatizando a pureza e a capacidade de gerar a vida, que é o papel da Mãe. Dessa maneira a Lua também é o símbolo do nascimento e da iniciação.

As fases lunares tem um total de sete dias (que é a origem dos dias da semana), e é por esse motivo que a criação do universo, segundo a mitologia judaica, foi feita em uma fase lunar. Seu ciclo completo é de aproximadamente 28 dias (7 x 4 = 28), e como já vimos no texto Altar DeMolay, quatro são os elementos que compõe a matéria e sete é o número da perfeição.

Está acompanhando? São através desses fenômenos visíveis como as fases e os ciclos da lua, da sua influência com a fertilidade da natureza e dos aspectos numéricos, que é fundamentado o símbolo da lua. Como vimos no texto Simbolismo e a Liberdade Religiosa: “O homem não inventa símbolos, assim como não inventa as Leis Físicas, ele apenas observa a vida e o universo ao seu redor e identifica os símbolos correspondentes a cada acontecimento ou fato existente”, e assim foi feito com a Lua como símbolo da Mãe, fertilidade, pureza, e representa também o inconsciente, onde estão os segredos da mente.

Quando formos começar a estudar mitologia veremos como os antigos filósofos juntaram todas essas características em seus contos. Aprenderemos que a mitologia é um portal para o estudo espiritual, rico em símbolos e imagens que se referem a nós.

Devido a essas características lunares, não é difícil entender o porque das “Grandes Mães” nos contos mitológicos serem frequentemente tratadas como virgens e puras que dão a luz a grandes heróis, ou junto com seu aspecto solar, criam todo o Universo. Sendo que “virgem” não se refere a mulher casta, e sim outro símbolo que fica de lição de casa e trataremos em outra oportunidade.

Na belíssima mitologia nagô, vemos o aspecto lunar representado como Yemanjá, a rainha das águas do mar, que junto com seu aspecto solar Oxalá, manifestou todo o universo e todos os outros deuses ou orixás. Na mitologia egípcia vemos Ísis, a deusa da magia, maternidade e fertilidade, que junto com seu aspecto solar Osíris, dá a luz a Hórus (quando ainda era virgem), o Falcão Dourado, Filho do Sol ou Iluminado. Qualquer semelhança desses dois mitos com Casamento Alquímico do Sol com a Lua, não é mera coincidência. As referências são enormes e devemos entender a lógica para podermos trabalhar e identificar esses aspectos.

De alguma forma, como vemos na mitologia nagô, os antigos já identificaram o mar como origem da vida e fizeram essa relação com lua (que guia as marés) e com a Mãe, transformando essas características no mito de Yemanjá. Assim como os egípcios identificaram a Lua como o astro do segredo e da magia devido a sua “face escura”, personificando-a como Ísis.

No budismo, a mãe de Buda (Desperto, Filho do Sol ou Iluminado), Maya, engravida após ver um elefante branco em seu sonho, e passado nove meses, Sidharta nasce da lateral da sua mãe na altura do coração. No cristianismo, Maria a mãe de Jesus (Cristo, Filho do Sol, Iluminado), engravida pela concepção do Espírito Santo (cujo símbolo é uma pomba branca) no seu ventre (ventre = lua). Tanto Maya quanto Maria, segundo a mitologia, engravidaram, tiveram seus filhos e continuaram virgens. Mas claro que devemos tratar isso como um símbolo.

Temos um mistério sobre os animais e a cor deles nessas duas mitologias, pensem sobre esses símbolos.

A geração é a manifestação maior da lua, é um processo envolto de mistérios e magia, pelo qual a vida surge. Outro número relacionado com a lua é o número nove, uma vez que nove meses são o tempo entre a concepção e o nascimento do feto humano, portanto nove é também o número da iniciação.

No DeMolay a Lua ocupa o centro do seu brasão e podemos ver usa influência no que é a Primeira Virtude. Na Maçonaria a Lua faz um par com o Sol (Alquimia). Mas isso é papo para outro momento. Será que esses símbolos estão nas Ordem a toa, ou será que não? Estamos apenas fundamentando, por enquanto pegue as chaves e vá desenvolvendo a utilização dos símbolos nos rituais.

E se você não é familiarizado com mitologia, alquimia, cabala, astronomia ou astrologia, não se preocupe que tocaremos em todos esses pontos com o tempo.

Alguma dúvida?

#Alquimia #Demolay

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/s%C3%ADmbolo-da-lua

Caixa Enochiana

Frater Iustus (Robson Bélli)

 CONFORME REVELADO EM SONHO, PELO ANJO ARZL

Eu recebi esta caixa em resposta a minha incredulidade a respeito de uma coisa que eu via como uma caixinha de oração, contudo após receber fiz usos diversos desta caixa, pude perceber que a ideia havia sido recebida também por Vladimir G. da Silva, aluno do Frater Goya em 2012, e era na realidade uma manifestação legitima e real dos anjos enochianos, para nosso uso e bem estar dentro do sistema que ao meu ver, ainda esta sendo revelado!

Conforme meu sonho a caixa enochiana deve ser confeccionada da seguinte forma:

  • A caixa precisa ter, no mínimo, 04 lados (ao ser questionado se a caixa poderia ter 07 lados, o anjo respondeu que não.)
  • O lado de dentro da caixa deve ser pintado de dourado.
  • O lado de fora deve ser preto ou dourado (o anjo recomenda que a caixa seja feita de metal, mas, dependendo das condições financeiras, esta, pode ser foleada e que tendo ouro na caixa, mesmo que de baixo quilate, a caixa seria como se feita de cera de abelha [alusão ao Sigillum Dei Aemeth, de mesmo material]).
  • O verso do Sigillum Dei Aemeth deverá ser colocado no fundo externo da caixa.
  • O fundo interno da caixa precisa conter o Sigillum Dei Aemeth
  • Não é necessário mais do que 01 Sigillum Dei Aemeth na caixa.
  • Recite uma oração à sua escolha durante o processo de confecção da caixa. (quanto mais orar, mais poderosa se torna a caixa.)

Modo de usar

• Coloque a caixa finalizada, sobre o Sigillum Dei Aemeth principal sobre o altar (esta estará protegida das influências da terra)
• Faça uma oração à sua escolha, antes de iniciar o procedimento.
• Escreva o pedido, de forma objetiva e completa, sem partes obscuras, em um papel sem pauta e que nunca tenha sido utilizado para outro fim e segure em sua mão.
• Recite a Primeira Chamada para questões no plano espiritual.
• Recite a Segunda Chamada para questões no plano físico.
• Recite as demais chamadas até um anjo que seja correspondente ao desejo escrito para aumentar a eficácia na realização.


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/caixa-enochiana/

Cthulhu pode ser pacificado?

Neste vídeo falaremos sobre “O Chamado de Cthulhu”, a obra mais conhecida do mestre do horror cósmico, H. P. Lovecraft. Através de uma análise da vida do autor, de seu isolamento social, do amor pela literatura clássica e a aversão as culturas não europeias, tentaremos explicar como o próprio Cthulhu pode ser um deus em seu aspecto colérico – como dizia Joseph Campbell. Seriam os deuses monstruosos de Lovecraft uma mensagem do seu inconsciente para ele mesmo?

Se gostaram, não esqueçam de curtir, compartilhar e se inscrever no canal!

#Lovecraft

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cthulhu-pode-ser-pacificado

A Linha do Oriente na Umbanda

Texto de Edmundo Pellizari escrito para o Jornal de Umbanda Sagrada.

A Linha do Oriente é parte da he­rança da Umbanda brasileira. Ela é com­posta por inúmeras entidades, classi­ficadas em sete falanges e maiorita­riamente de origem oriental. Apesar dis­­so, muitos espíritos desta Linha po­dem apre­sentar-se como caboclos ou pretos velhos.

O Caboclo Timbirí (ca­bo­clo japo­nês) e Pai Jacó (Jacob do Ori­ente, um preto velho bastante ver­sado na Ca­bala Hebraica), são os casos mais co­nhe­cidos. Hoje em dia, ganha força o cul­to do Caboclo Pena de Pa­vão, enti­dade que trabalha com as for­ças espiri­tuais divinas de origem indiana.

Mas nem todos os espíritos são ori­entais no sentido comum da palavra. Es­ta Linha procurou abri­gar as mais di­ver­sas entidades, que a princípio não se encaixavam na matriz formadora do bra­sileiro (índio, português e afri­cano).

A Linha do Oriente foi muito popular de 1950 a 1960, quando as tradições bu­­­distas e hindus se firmaram entre o povo brasileiro. Os imigrantes chineses e japoneses, sobretudo, passaram a frequentar a Umbanda e trouxeram se­us ances­trais e costumes mágicos.

Antes destas datas, também era co­mum nesta Linha a presença dos que­ridos espíritos ciganos, que possuem ori­­­gem oriental. Mas tamanha foi a sim­patia do povo umbandista por estas en­­­tidades, que os espíritos criaram uma “Linha” independente de trabalho, com sua própria hierarquia, magia e ensi­na­mentos. Hoje a influência do Povo Ci­gano cresce cada vez mais dentro da Umbanda.

Existem muitas maneiras de classi­ficar esta Linha e este pequeno artigo, não pretende colocar uma ordem na ma­neira dos umbandistas estudarem es­ta vertente de trabalho espiritual. Dei­xo a palavra final para os mais ve­lhos e sábios, desta belíssima e diver­sificada religião. Coloco aqui algumas instruções que colhi com adeptos e mé­diuns afinados com a Linha do Oriente.

Namaste e Salve o Oriente!

CARACTERÍSTICAS DA LINHA DO ORIENTE:

• Lugares preferidos para ofe­rendas: As entidades gostam de co­linas descampadas, praias desertas, jar­dins reservados (mas também rece­bem oferendas nas matas e santuários ou congás domésticos).

• Cores das velas: Rosa, amarela, azul clara, alaranjada ou branca.

• Bebidas: Suco de morango, suco de abacaxi, água com mel, cerveja e vinho doce branco ou tinto.

• Tabaco: Fumo para ca­chimbo ou charuto. Tam­­bém utili­zam ci­gar­ro de cravo.

• Ervas e Flores: Alfa­zema, todas as flores que sejam bran­cas, palmas ama­relas, mon­senhor branco, monse­nhor amarelo.

• Essências: Alfazema, olíbano, ben­joim, mirra, sân­da­lo e tâmara.

• Pedras: Citrino, quart­zo rutilado, topá­zio im­perial (citrino tor­nado ama­relo por aque­ci­men­to) e topá­zio.

• Dia da semana recomen­dado para o culto e ofe­rendas semanais: Quinta-feira.

• Lua recomendada (para oferenda mensal): Se­gundo dia do quarto min­guante ou primeiro dia da Lua Cheia.

• Guias ou colares: Colar com cento e oito contas (108), sendo 54 brancas e 54 amarelas. Enfiar sequencialmente uma branca e uma amarela. Fechar com firma branca. As enti­dades india­nas também utilizam o rosá­rio de sân­dalo ou tulasi de 108 con­tas (japa ma­la). Algumas criam suas pró­prias guias, se­gundo o mis­tério que trabalham.

CLASSIFICAÇÃO DA LINHA DO ORIENTE:

Suas Falanges, Espíritos e Chefes:

01 – Falange dos Indianos:

Espíritos de antigos sacerdotes, mes­tres, yogues e etc. Um de seus mais conhecidos inte­gran­tes é Ramatis. Está sob a chefia de Pai Zartu.

02 – Falange dos Árabes e Turcos:

Espíritos de mouros, guerreiros nôma­des do deserto (tuaregs), sábios marroquinos, etc… A maioria é mu­çulmana. Uma Legião está composta de rabinos, cabalistas e mestres judeus que ensinam dentro da Umbanda a mis­teriosa Cabala. Está sob a chefia de Pai Jimbaruê.

03 – Falange dos Chineses, Mon­góis e outros Povos do Oriente:

Espíritos de chineses, tibetanos, japoneses, mongóis, etc. Curio­sa­men­te, uma Legião está in­te­grada por es­pí­ri­tos de origem esquimó, que tra­balham muito bem no desmanche de demandas e feitiços de magia ne­gra. Sob a chefia de Pai Ory do Oriente.

04 – Falange dos Egípcios:

Espíritos de antigos sacerdotes, sacer­dotisas e magos de origem egípcia antiga. Sob a chefia de Pai Inhoaraí.

O5 – Falange dos Maias, Toltecas,Astecas e Incas:

Espíritos de xamãs, chefes e guer­rei­ros destes povos. Sob a chefia de Pai Itaraiaci.

06 – Falange dos Europeus:

Não são propriamente do Oriente, mas inte­gram esta Linha que é bas­tante sincrética. Espí­ri­­tos de sábios, ma­gos, mestres e velhos gue­rreiros de origem europeia: romanos, gau­leses, ingleses, es­can­dinavos, etc. Sob a che­fia do Impe­rador Marcus I.

07 – Falange dos Médicos e Sábios:

Os espíritos desta Falange são especiali­zados na arte da cura, que é integrada por médicos e tera­peutas de diversas origens. Sob a chefia de Pai José de Arimateia.

ALGUNS PONTOS CANTADOS E SUA MAGIA:

Aqui reproduzo alguns Pontos Can­tados, mas destaco a sua eficácia mân­trica e não somente invocatória. Ou seja, nesta Linha os Pontos podem ser usados como mantras com fina­lidades específicas, independente de servirem para chamar as entidades pa­ra o trabalho de caridade no Centro ou Terreiro. Neste caso, os Pontos de­vem ser acompanhados das res­pectivas oferendas (veja abaixo).

PONTO DO POVO HINDU:

• para afastar energias negativas diversas.

Oferenda: velas amarelas – 3, 5 ou 7, flores amarelas ou brancas e incenso de flores (rosa, verbena, etc…), coloca­dos dentro de uma estrela de seis pontas, hexagrama, traçada no chão com pemba amarela.

Ory já vem,

Já vem do oriente

A benção, meu pai,

Proteção para a nossa gente.

A benção, meu pai,

Proteção para a nossa gente.

PONTO DO POVO TURCO:

• para afastar os inimigos pessoais ou da religião umbandista.

Oferenda: velas brancas – 3, 5 ou 7 e charutos fortes, dentro de uma estrela de cinco pontas, pentagrama, traçado no chão com pemba branca. Jamais ofereça bebida alcoólica a este Povo.

Tá fumando tanarim,

Tá tocando maracá.

Meus camaradas, ajudai-me a cantar,

Ai minha gente, flor de orirí

Ai minha gente, flor de orirí.

Em cima da pedra

Meu pai vai passear, orirí.

PONTO DO POVO ESQUIMÓ:

– para afastar os inimigos ocultos e destruir forças maléficas.

Oferenda: velas rosas – 3, 5 ou 7, pedacinhos de peixe defumado em um alguidar, tudo dentro de um círculo traçado no chão com pemba rosa.

Salve o Polo Norte,

Onde tudo tudo é gelado,

Salve Povo Esquimó,

Que vem de Aruanda dar o recado.

Salve a Groenlândia,

Salve Povo Esquimó,

Que conhece a lei de Umbanda.

PONTO DO POVO GAULÊS:

• para as lutas e necessidades diárias.

Oferenda: velas brancas – 3, 5 ou 7, cerveja branca ou vinho tinto, tudo dentro de uma cruz traçada no chão com pemba verde.

Gauleses, Oh gauleses,

Somos guerreiros gauleses.

Gauleses, Oh gauleses

São Miguel está chamando.

Gauleses, Oh gauleses,

Somos guerreiros de Umbanda,

Gauleses, Oh gauleses,

Vamos vencer demanda.

PONTO DO POVO ASTECA:

• para buscar a sabedoria espiritual.

Oferenda: nove velas alaranjadas, milho, fumo picado, tudo dentro de um círculo traçado no chão com pemba branca.

Asteca vem, Asteca vai,

Nosso povo é valente,

Tomba, tomba e não cai…

(cantar nove vezes)

PONTO DO POVO CHINÊS:

• para proteção diante de situações muito graves.

Oferendas: sete velas vermelhas (é a cor preferida deste Povo), arroz cozido sem sal, vinho branco, tudo dentro de um círculo traçado no chão com pemba vermelha.

Os caminhos estão fechados,

Foi meu povo quem fechou,

Saravá Buda e Confúcio,

Saravá meu Pai Xangô.

Saravá Povo Chinês,

Que trabalha direitinho,

Saravá lei de Quimbanda,

Saravá, eu fecho caminho.

Curioso Ponto Cantado do Caboclo Tim­birí – onde ele afirma sua origem japonesa.

ANTIGO PONTO DE TIMBIRÍ:

Marinheiro, marinheiro,

olha as costas do mar…

É o japonês, é o japonês !

Olha as costas do mar.

Que vem do Oriente!

***

Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-linha-do-oriente-na-umbanda/

Asatru, uma visão brasileira – Vegsvin Cinta Larga

Bate-Papo Mayhem #061 – gravado dia 22/08/2020 (Sabado) 15h Marcelo Del Debbio bate papo com Vegsvin Cinta Larga – Asatru, uma visão brasileira

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as e 5as com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados.

Saiba mais sobre o Projeto Mayhem aqui:

#Asatru #Batepapo #Religiões

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/asatru-uma-vis%C3%A3o-brasileira-vegsvin-cinta-larga

Criptóides: eles sempre estarão entre nós

Charlie Cox e Martin Sanders jamais viram um ao outro, apesar de terem vivido quase toda vida a menos de 10 milhas um do outro, no condado de Gloucestershire na Inglaterra. Durante alguns dias do mês de Outubro de 1976, ambos os fazendeiros tiveram juntos quase 60 ovelhas mortas por uma estranha criatura que assombrava seus rebanhos. A polícia local deixou de dar atenção ao caso quando ambos – mesmo não se conhecendo – deram as mesmas descrições do caso.

Disse Martin ao Daily Telegraph na edição de 27 de Novembro de 1976: Eu acordei com um barulho ensurdecedor de ovelhas correndo pelo pasto; eu tinha a certeza de que estavam sendo atacadas. Peguei o rifle e sai imediatamente para ver o que se passava. Um lobo de tamanho muito acima do normal, de cor branca e olhos amarelados perseguia meu rebanho.

Ele saía do nada, galgando como um típico animal de sua espécie, mas ao atingir certa velocidade, passava a perseguí-las apenas nas patas traseiras, de onde onde eu pude notar que nesta posição, apenas a cabeça mantinha-se na forma canina; tronco e membros eram muito parecidos como nós humanos. Era como um homem muito corpulento e muito, muito veloz. Todas as minhas ovelhas tinham ferimentos enormes no pescoço, totalmente drenadas de sangue.

O chefe de polícia de Gloucestershire admite que não conteve os risos:”Se tivesse sido o contrário; começasse correndo como um bípede e só então virasse um lobo, aí eu teria acreditado”. Nosso país está mergulhado numa recessão econômica e altos índices de violência e você quer que eu dê atenção a dois caipiras lunáticos ?  Casos criptozoológicos como esses acontecem aos montes ano após ano, e passaram a ter mais atenção da mídia quando pessoas como Jena Miller decidiram estudar e reportar com mais atenção os acontecimentos. Ela mesma, interessou-se pelo assunto após as férias “macabras” que vivenciou nos assombrosos templos do Império Khmer no Camboja, em 1999 quando lá esteve em férias com o noivo. “O nosso guia na ocasião, diz Jena, nos aconselhou a experimentar a atmosfera do local após o anoitecer, mas ter o máximo de cuidado com batedores de carteira.”

Pareceu-me interessante, até avistar enormes felinos parecidos com aquelas panteras negras das quais eu já tinha ouvido falar sobre seus ataques em Ohio, EUA. O estranho no caso era o fato de terem asas. Levei meses para me recuperar do susto e acabamos encurtando nossas férias. Hoje sou mais esclarecida e sei quando se trata de fraude e de quando se trata de algo legítimo e excitante. Mas admito que ainda sou um pouco medrosa em relação a um contato mais direto com o assunto.

Douglas Shelton, 15 anos de idade, capturou um gato com asas enquanto caçava nas redondezas de Pinesville, West Virgínia. O bicho parecia amigável e nada feroz, exceto quando suas asas eram tocadas. Foi dado o nome de Thomas ao animal, e, não foi trocado mais tarde quando descobriu-se que ele na verdade era ela. O gato parecia um típico persa peludo, embora seu tamanho fosse bem maior do que o normal.

Quando um veterinário examinou Thomas pela primeira vez,  pensou que tratava-se de uma simples e típica aberração da natureza, típica na maneira de dizer, pois patas extras, tamanho anormal de membros não é exatamente incomum na medicina veterinária. Uma ou duas avaliações a mais e o veterinário mudou de idéia.

Thomas tornou-se uma celebridade local. Chegou a aparecer no The Today Show mas parecia bem entediada. Foi oferecido 400 dólares por ela mas a família Shelton recusou, percebendo que poderia fazer muito mais dinheiro com a gata.  Repórteres que queriam tirar fotografias tinham de pagar uma taxa. Alguns trocados também eram cobrados da vizinhança se quisessem ver o animal. A celebridade em que tinha se transformado o caso chamou a atenção da senhora Hicks, uma socialite local; ela alegava que Thomas pertencia a ela e que um amigo que deu o apelido de Mitzi para a gata poderia confirmar tudo.

O caso foi aos tribunais e no dia 5 de Outubro de 1959, ficou decidido que os Shelton deveriam devolver Thomas/Mitzi a família Hicks. Todos que estavam presentes à audiência, ficaram chocados ao perceber que quando foi aberta a caixa em estava Thomas/Mitzi, suas asas tinham desaparecido.

Mas sem dúvida nenhuma, o caso que mais deixa criptozoologistas perplexos ao redor do mundo, é o do Chupa-Cabra. A primeira descrição que temos destas criaturas, datam do ano de 1956 no estado do Arizona. Entre Fevereiro e Julho de 1975, foi a vez de Porto Rico sofrer com ataques bestias que deixavam litros de sangue na forma de rastros. New Jersey, New Mexico, Oregon, Florida, Michigan, Illinois, Texas, Brazil e México também entraram na rota do terror nos anos seguintes.

A maioria dos casos mostram animais mortos sendo feridos brutalmente na região do pescoço. Dois ou três furos é sempre o bastante. Não há mutilação. Nunca foi encontrado sinais de luta, o que mostra que o ataque do chupa-cabra é sempre eficaz e indefensável. As descrições da besta podem variar, mas a maioria aponta seu tamanho como superior a de um ser humano médio, olhos vermelhos e rosto oval.

As testemunhas ainda apontam o terrível odor exalado pela criatura, e que acaba impregnando o local do ataque; muitos criptozoologistas afirmam que pode ser parte de uma técnica para manter afastados os perseguidores, como atesta o mexicano Juan Solires, um ex-coiote de imigrantes que presenciou um ataque na fronteira com o Texas: “De longe o odor já é insuportável. Mesmo depois do ataque, dezenas de metros antes de chegar aos animais mortos, você já respira com uma dificuldade imensa. É impossível permanecer por perto dos animais por mais que alguns poucos segundos”.

“Os imigrantes achavam que tratava-se de uma forma do governo americano nos assustar e não mais voltarmos para lá, era um dos locais preferidos dos ilegais; hoje ( fim da década de 90 ) o número de imigrantes ilegais que tentam atravessar a fronteira caiu muito por aquelas bandas, conclui Juan”. Como sempre, a ciência deixa-nos a ver navios; não resolve nem esclarece o mistério, mas também não leva em consideração o trabalho suado dos criptozoologistas.

Como diz Jill Stefko, membro de um dos mais renomados e respeitáveis sites sobre o assunto: “O que seria do sinistro, do oculto, do mistério sem a ciência ? Séculos para desvendar o genoma humano, se a maioria dos estudiosos pagãos já fizeram isso muito tempo atrás; confio muito mais nos nossos instintos do que nos laboratórios deles”.

Paulie Hollefeld

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/criptoides-eles-sempre-estarao-entre-nos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/criptoides-eles-sempre-estarao-entre-nos/

[parte 1/7] Alquimia, Individuação e Ourobóros: Introdução

“Os Alquimistas estão chegando…”

– Jorge Ben

Introdução

O homem que volta ao mesmo rio, nem o rio é o mesmo rio, nem o homem é o mesmo homem. Esta suma de Heráclito define bem a constante transformação do indivíduo e denota como a transformação é um aspecto presente, tanto no homem quanto na natureza. As coisas fluem, mudam, se transformam e transmutam.

Assim é a consciência, um sistema em constante transformação, porém, com que finalidade?

A vida humana é calcada por ciclos. A primeira infância, segunda infância, puberdade, adolescência, juventude e vida madura são as etapas comumente conhecidas no desenvolvimento humano. Simbolicamente, cada ciclo pode ser interpretado como uma nova vida, e o fim dos ciclos como uma morte. A vida, morte e ressureição, são então, etapas arquetípicas do desenvolvimento psico-espiritual, no qual, para atingir um novo nível de consciência, é necessário realizar sacrifícios e abdicar dos antigos paradigmas da consciência, se integrar, mudar e melhorar.

Eram estes sacrifícios que permeavam a vida dos antigos (e dos contemporâneos) alquimistas, que buscavam, em seus laboratórios, a obtenção da pedra filosofal, do elixir da vida.

Ao longo de sua prática clínica, o psicólogo suíço Carl Gustav Jung percebeu uma correlação entre sonhos de seus pacientes com figuras alquímicas, e a partir daí, traçou diversos paralelos entre as metáforas alquímicas com o processo que denominou individuação (JUNG, 1999).

Foi averiguado os paralelos entre a opus alquímica e o processo de individuação, investigando o significado desta imagem rica em simbolismos do Ourobóros. Através do método de amplificação e de levantamentos bibliográficos, foram analisadas obras filosóficas e acadêmicas que explicitavam a simbologia desta imagem arquetípica, suas correspondências dentro da simbologia alquímica e as respectivas analogias com o processo de individuação descrito por C. G. Jung.

Para Chaise e Viana (2011), o método de amplificação foi introduzido em 1912 na psicologia por Carl Gustav Jung em seu livro Símbolos da Transformação (JUNG, 1986), denotando a ruptura entre Jung e a psicanálise, cujo objetivo era “libertar a psicologia médica do viés subjetivo e personalístico que caracterizava sua perspectiva (…) e tornar possível à compreensão do inconsciente como uma psique coletiva e objetiva” (CHAISE E VIANA apud JUNG, 2011).

Ressaltam ainda que a amplificação promove associações diretas da consciência frente a uma imagem, conteúdo ou símbolo explorado, cujo nome é circumbulação, ou seja, um movimento circular em torno de um ponto, o próprio método é o uma manifestação ourobórica. “A amplificação consiste simplesmente em estabelecer paralelos” (JUNG, 2008).

Estende-se ao ponto de considerar aspectos coletivos através de experiências individuais, recorrendo a fontes de cunho cultural, histórico, mitos e filosóficos, afim de “ampliar o conteúdo metafórico do simbolismo” (JUNG, 2008).

Os símbolos como manifestações individuais são retirados deste contexto através de imagens arquetípicas, conceito melhor elaborado nos posts seguintes, mas que se resumem como a manifestação do arquétipo na psique, não o representando completamente, mas sugerindo seu potencial.

Portanto, a amplificação é executada em três fases distintas: a primeira seria o contato com o símbolo e as observações experienciais do analisado; a segunda é a etapa de amplificação coletiva, onde se pega um símbolo específico e o associa com outras imagens arquetípicas, e por isso pode ser denominada de objetividade da imagem; a terceira e última é o retorno ao subjetivo com o auxilio das analogias universais, em outras palavras, o símbolo – primordialmente individual – manifestado, passa por uma variedade de possibilidades significativas através da associação com a coletividade, após essa etapa, ele necessita do indivíduo, que utiliza como parâmetro o reconhecimento afetivo dentro dos aspectos coletivos para dar sentido ao símbolo.

Entende-se que “qualquer estudo simbólico leva em conta duas vertentes, a individual e a coletiva” (JUNG, 1999).

Sendo a primeira carregada de impressões pessoais do indivíduo e a segunda o repertório de arquétipos da humanidade.

De acordo com Denise Ramos (1990), no passado, o método utilizado na interpretação dos processos e dinâmicas mente-corpo eram feitos de forma reducionista e causal, derivada de uma visão cartesiana e newtoniana, e que, com o passar do tempo, frente a fenômenos como a globalização, a inter-relação de fatores, surgiu a necessidade do desenvolvimento de uma visão holística e simbólica para compreender os fenômenos da saúde.

Neste sentido, a presente reflexão, fundamenta sua base metodológica como forma de ampliar a percepção dos pesquisadores e o estudo comparativo de sociedades e religiões para uma compreensão mais integral da saúde. É percebido que, a base do adoecimento, para inúmeras religiões, era a saída do indivíduo de seu eixo divino (a etimologia da palavra religião é religar, ou seja, estabelecer uma [re]conexão com o divino), e por isso, a enfermidade, nesse contexto religioso, é encarada como uma oportunidade de desfazer esta desarmonia interna.

A compreensão dos aspectos religiosos e simbólicos na psique se mostram, portanto, de grande importância, uma vez que possibilitam o melhor entendimento da subjetividade humana, permitindo, por exemplo, melhorias na saúde do indivíduos.

Denise Ramos (1990) nos introduz aos cientistas precursores do símbolo como um organizador e centralizador da psique: C. G. Jung e G. Groddeck, sendo este último o defensor da doença como um sinalizador da psique de que alguns aspectos internos precisam ser expressos, ou então, expressados de uma nova forma. É de interesse a percepção junguiana do processo, que percebe a doença como uma manifestação do processo de individuação.

A autora ainda define como um dos principais conceitos que orientam essa afirmação, a intermediação de um terceiro fator na relação psique-corpo: o símbolo.

O equilíbrio dos opostos seria uma finalidade natural da psique, e essa integração ocorre quando se percebe diferentes níveis de corpos, físico, onírico, sutil, e a manifestação dos arquétipos que ocorre através destes. Quanto maior a capacidade do ego em organizar tais estruturas, mais repertório este poderá desenvolver para enriquecer a troca com o self, e por conseguinte, a manifestação do corpo será mais harmoniosa e menos ‘doente’.

O símbolo estaria carregado com os significados arquetípicos de uma forma apresentável para o ego, e seria então o terceiro fator da relação psique-corpo, um intermediador que facilitaria o equilíbrio e manifestação da individualidade, possibilitando uma vida menos sintomática. Uma vez que a psique tem dificuldade de perceber e atuar com diferentes polaridades, a doença de manifesta como uma forma de chamar a atenção para a unilateralidade da psique, e convidá-la a integrar outros aspectos.

A apercepção do universo do simbolismo se torna uma das principais ferramentas da psique, e dos interessados em compreendê-la. As religiões, carregadas de informações simbólicas, ajudam o homem a se religar com sua própria natureza e com uma expressão sadia do Self, permitindo uma forma mais natural e fluída de expressão da personalidade. Toda manifestação de doenças exigiria, também, uma compreensão e investigação simbólica, que facilitaria a dissolução da mesma.

Em síntese, considera-se que o paradigma social de unilateralidade, manifestado entre outras esferas, na psique, produz adoecimentos nos indivíduos, em níveis mentais e físicos.

Através do método de amplificação, que consiste ressaltar as impressões individuais acerca de um símbolo, em seguida associá-lo com outras imagens arquetípicas e por fim resignificá-lo a partir dos vieses individuais e coletivos será analisado o símbolo arquetípico do Ourobóros e suas correlações com os processos alquímicos e a o conceito de individuação de Jung, permitindo uma maior compreensão do processo de individuação e a potencialidade da alquimia como forma de integrar a psique.

Referências Bibliográficas:

CHAISE E VIANA. Validação do Projeto: Mutus Liber. Disponível em: https://translatioanimae.wordpress.com/.14/05/2013

JUNG, Carl Gustav. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Obras Completas. Vol. IX/I. Petrópolis. Ed. Vozes. 2011.

JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Alquimia. Obras Completas. Vol. XII. Petrópolis. Ed. Vozes. 2009.

JUNG, Carl Gustav. Símbolos da Transformação. Obras Completas. Vol. V. Petrópolis. Ed. Vozes. 2008

RAMOS, Denise Gimenez. A Psique do Coração: Uma Leitura Analítica de seu Simbolismo. São Paulo. Cultrix. 1990.

Imagens:

“Heraclitus” de Johaness Moreelse (1630)

Ourobóros em antigo livro de Alquimia

“Melancolia I” obra de Albrecht Dürer (1514)

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano e Escritor. Para mais artigos, informações e eventos sobre psicologia e espiritualidade acesse www.antharez.com.br

#Alquimia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/parte-1-7-alquimia-individua%C3%A7%C3%A3o-e-ourob%C3%B3ros-introdu%C3%A7%C3%A3o

A Cabala Mística

Dion Fortune

A Cabala Mística é segundo alguns estudiosos a obra prima de Dion Fortune. Escrito após muitos anos de estudo, trata-se de um completo mergulho profundo nos aspectos avançados da Calaba. A obra retrata a dinâmica e o lado prático da antiga tradição ocidental.

PARTE I

PARTE II

 

PARTE III

 

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-cabala-mistica/

Satanismo e Luciferianismo

Duas vertentes normalmente confundidas e postas no mesmo patamar, mas com diferenças singulares entre elas, o Satanismo e o Luciferianismo são filosofias irmãs, relacionadas a antigos mitos que foram incorporados pelo Cristianismo.

Primeiro, vejamos o Satanismo. “Ha-Shatan”, do hebraico “O Adversário” é uma figura que podemos sincretizar com qualquer entidade opositora a ordem vigente, ou que flagele de alguma forma a humanidade, de forma não necessariamente maligna, mas com intuito evolutivo.

Supõe-se mesmo que o ser citado na bíblia tenha tido base em algum cargo da época semelhante ao que seria hoje um promotor público, que apontava os crimes do povo ao governante local. A presença de tal entidade na bíblia se limita a isso. Punir, apontar erros e testar pessoas, como testou o “messias” de YHWH. É… nada de maligno nisso.

Antes de surgir o cristianismo/judaísmo ou semelhantes, podemos associar a figura de Ha-Shatan com deidades como Tiamat, (suméria), Fenrir (Nórdico), Apep (egípcio), Shiva (hindu) entre muitos outros. Essa oposição à ordem vigente os tornava “satans”, adversários e acusadores. Tal oposição gerava batalhas, movimento, guerra, caos e consequentemente evolução através das dificuldades proporcionadas. Um papel nobre e imprescindível na criação seja em qual cultura estivermos falando.

Portanto o Satanismo é uma doutrina de quebra de paradigmas (bem como no Tantra da Mão Esquerda) e oposição à ordem dominante. É um caminho onde o adepto testa a si mesmo e martiriza o próprio Ego, para evoluir através dos conflitos e dificuldades para chegar a um fim. É uma alquimia mental que transforma o adepto em algo superior, ao despertar a sua Chama Negra Interior.

Já no Luciferianismo, a figura envolvida se espelha nos mitos de Lúcifer. Tais mitos seguem normalmente o roteiro de uma entidade que dissemina a “Luz” do conhecimento e da rebelião pelo resto da criação. Rebelião aqui no sentido de contestação e experiência empírica para comprovar fatos.

Temos assim as deidades/entidades Luciferianas, normalmente figuras angelicais com toque de rebeldia, como Samael (Seraphim chamado “veneno de deus” que se rebelou contra o criador e deu sua “luz” ao homem na forma do fruto de Daath), Azazel (Anjo Caído que ensinou aos homens o segredo da Forja e dos cosméticos, líder da segunda rebelião), Prometeu (titã que roubou o fogo dos Deuses do Olimpo), Ahriman (que se rebelou contra Ahura Mazda e ensinou aos homens a feitiçaria Yatukih). O próprio Lúcifer é, originalmente, uma forma de se referir a aqueles que emanavam luz, e não uma única entidade por si.

Um Luciferianista se espelha nestas entidades para sua filosofia e seu modo de agir e pensar. Ele deve conhecer ambos, Luz e Trevas em seu caminho, nunca se prendendo a nada e sendo livre para fazer o que quiser. O Luciferianismo é uma filosofia que busca a Sabedoria da Luz.

Então qual a ligação de ambos, Satanismo e Luciferianismo, fora do recente contexto cristão? Bom, como disse certa vez um grande adepto de ambas às filosofias:

“Os Túneis das Trevas revelam a Luz…”

Simplesmente a Luz se torna muito mais brilhante quando observada de dentro do Abismo. Trevas e iluminação constroem o contraste necessário para enxergar o Universo e poder transcender seus limites. Satan é este Abismo, e Lúcifer a luz verdadeira. Através da união de ambos, se gera o contraste. Deste modo o Luciferianismo é inserido como parte essencial na doutrina do Adversário.

Existem no entando, correntes de Bruxaria Luciferiana independentes do Satanismo, o que permite que um exista independente do outro, mas sendo ambos de importante estudo para um adepto que almeje a evolução plena.

Malachi Azi Dahaka.

#LHP #Luciferianismo #satanismo

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