De médicos e loucos

» Parte 2 da série “Para ser um médium” ver a introdução | ver parte 1

Para saber o que é loucura, a gente tem que entender o que é ser normal. E isso ninguém conseguiu definir até hoje. Mas, uma coisa é certa, um pouco de maluquice faz parte da normalidade e ser normal demais é o mesmo que ser muito louco. (Psicologia UERJ) [1]

A esquizofrenia é um transtorno psíquico severo que se caracteriza pelos seguintes sintomas: alterações do pensamento, alucinações, delírios e distúrbios no contato com a realidade. É hoje encarada não como doença, no sentido clássico do termo, mas sim como um transtorno mental, podendo atingir diversos tipos de pessoas, sem exclusão de grupos ou classes sociais. De acordo com algumas estatísticas, a esquizofrenia atinge 1% da população mundial.

Quando aqueles que se sentem escandalizados com o fato da mediunidade ser praticada até hoje são céticos quanto à existência de deuses e demônios, eles invariavelmente costumam resumir a questão com um comentário do tipo: “sim, mediunidade existe, e é loucura, esquizofrenia, mas tem tratamento!”. Você pode ficar especialmente chateado por ser chamado de louco, e até mesmo entrar numa discussão inútil, mas existe uma outra questão que estará ignorando: E o que é exatamente “ser louco”? O que é “ser esquizofrênico”?

A esquizofrenia como entidade de diagnóstico tem sido criticada como desprovida de validade científica ou confiabilidade e é parte de críticas mais amplas à validade dos psicodiagnósticos em geral. Uma alternativa sugere que os problemas com o diagnóstico seriam melhor atendidos como dimensões individuais ao longo das quais todos variam, de tal forma que haveria um espectro contínuo em vez de um corte entre normal e doente… Para alguns produtores de pornografia, ou criadores de comerciais de cerveja, podemos talvez separar a população entre jovens e velhos: “jovens” seriam todos aqueles com menos de 25 anos, “velhos” seriam os demais. Esta visão radical obviamente não condiz com a realidade, e o mesmo poderia ser dito da esquizofrenia e da loucura – não é a questão de dizermos “este é louco, aquele é são”, mas sim de analisarmos as patologias psíquicas uma a uma, tentando tratar das que são prejudiciais ao convívio social.

Taxar alguém de esquizofrênico ou louco pode ser também um julgamento político. Particularmente na antiga Rússia comunista este diagnóstico foi utilizado com a finalidade de silenciar os dissidentes políticos ou forçá-los a desistir de suas ideias através da utilização forçada de confinamento e tratamento. Em 2000, houve preocupações semelhantes quanto à detenção e “tratamento” de praticantes do movimento religioso Falun Gong pelo governo chinês. Se pensarmos em médiuns ativos e equilibrados, me parece óbvio que julgá-los loucos é também uma espécie de “julgamento político” – assim alguns céticos evitam ter de pensar muito no assunto.

Desde 2009, pesquisadores da UFJF analisam cerca de 100 médiuns de Juiz de Fora para listar critérios para um diagnóstico que diferencie experiências espirituais saudáveis de transtornos mentais, como os psicóticos, pois os dois estados podem se confundir, afirmam pesquisadores. Outro estudo captou imagens do cérebro de médiuns quando psicografavam e quando escreviam um texto de sua autoria, para avaliar quais áreas são ativadas nessa parte do organismo. Já uma pesquisa, finalizada, concluiu que as ocorrências mediúnicas não implicam necessariamente em esquizofrenia: “Se a pessoa diz que está vendo vultos, será que é uma experiência espiritual não patológica ou alucinação, indicando um transtorno mental?”, questiona o professor da UFJF, Adair Menezes Júnior.

Se as imagens da atividade cerebral indicam que médiuns quando em transe apresentam características muito semelhantes a dos esquizofrênicos, isso nada nos diz sobre a capacidade do médium de controlar este transe, de “entrar e sair da loucura” como quem entra e sai de casa. Na verdade, tais estudos genuinamente científicos com eletroencefalogramas (EEGs) e outras ferramentas de scanning cerebral são muito interessantes e promissores, pois desde muito cedo já identificaram dois fatos que muitos médiuns já sabiam, mas alguns céticos não: (1) a grande maioria dos médiuns não está fingindo, dentro de seus cérebros “coisas estranhas” realmente ocorrem; (2) a mediunidade não é doença mental, pois se os médiuns “ligam e desligam” seus transes de forma consciente, isso em nada interfere em seu convívio social e equilíbrio mental geral – de fato, tais pesquisas indicam que os médiuns em geral são mais equilibrados do que a média da população.

O Dr. Sergio Felipe de Oliveira, psiquiatra com mestrado na USP que vem estudando a mediunidade há anos [2], talvez tenha resumido essa questão da melhor forma: “Na doença mental, o paciente não tem crítica da razão; no transe mediúnico, ele tem essa crítica. Quando o médium diz que incorporou tal entidade espiritual, mas que ele, médium, continua sendo determinada pessoa, ele usou a crítica, julgou racionalmente o que aconteceu. Agora, um indivíduo que diz ser Napoleão Bonaparte? Aí ele perdeu a crítica da razão. Essa é a diferença. O que não quer dizer que o indivíduo que esteja em psicose não possa estar em transe também. A mediunidade se instala no indivíduo são, ou pode dar uma dimensão muito maior a uma doença. A mediunidade sempre vai dar um efeito superlativo. Se a pessoa alimenta bons sentimentos, ela cresce. Se ela tem uma doença, aquela doença pode ficar fora de controle”.

Esse tipo de abordagem é interessante para os médiuns porque é sempre importante considerar que nossa sensibilidade é mais aflorada do que a das demais pessoas – podemos dizer que ser médium é essencialmente sentir mais do que os outros, de acordo com as capacidades da mediunidade de cada um. Porém, se “abrimos nossa mediunidade” há todo momento e em qualquer lugar, estamos nos arriscando… É como andar com um rádio ligado tentando sintonizar diversas estações ao mesmo tempo, uma após a outra, sem muito controle, sem muito cuidado: às vezes vamos ouvir música boa, muitas vezes vamos ouvir algo de que não gostamos.

Muitos médiuns procuram centros espíritas ou terreiros de umbanda não exatamente por curiosidade ou por vontade de auxiliar nos trabalhos da casa, mas simplesmente porque estão desesperados, desequilibrados, aturdidos, prestes a entrar em colapso mental… Nesses casos, a pior coisa que um dirigente pode dizer é: “não se preocupe, isso é mediunidade, com o trabalho na casa vai passar rapidinho”. Não! Não vai passar rapidinho, e pode até piorar… Pois a mediunidade é uma atividade sagrada de contato com as forças espirituais que preenchem toda a natureza, algo tão antigo quanto às primeiras tribos e os primeiros xamãs. Mas os xamãs não eram pessoas desequilibradas e desesperadas, eles eram, pelo contrário, os mais equilibrados e sábios, e exatamente por isso que tinham a oportunidade de guiar sua tribo nos assuntos espirituais. Ainda que um centro espírita esteja desesperadamente precisando de médiuns ativos, aceitar qualquer ser angustiado que bata a porta como “trabalhador da casa”, da noite para o dia, só vai agravar ainda mais a situação.

O primeiro espírito que um médium precisa aprender a incorporar é o seu próprio. Precisa estar equilibrado, no mínimo, para poder exercer sua mediunidade de forma sadia. Não estou querendo dizer que um médium precise ser muito normal, pois como vimos ser muito normal pode ser a mesma coisa que ser muito louco – mas precisa pelo menos tomar posse de seus sentimentos, pensamentos, intuições. Nem que seja apenas para saber diferenciar melhor as informações que vem de dentro, das que vem de fora.

No mais, aqueles seres angustiados que procuraram a casa espírita ou espiritualista pela dor, e não pelo amor, não são irrecuperáveis, pelo contrário: muitos dos grandes médiuns começaram assim. Mas precisam primeiro se tratar, inclusive na medicina tradicional, inclusive tomando remédios, caso necessário. E, paralelamente, irem estudando a doutrina que pretendem seguir: sejam livros de Allan Kardec, sejam livros de Umbanda Sagrada, sejam livros espiritualistas em geral. Quanto mais conhecimento, mais poderão compreender o que se passa em seu interior, particularmente durante os transes. Nesse sentido o trabalho nas casas espiritualistas pode servir de um excelente complemento terapêutico para o tratamento de distúrbios mentais, desde que se desenvolvam gradualmente, sem procurarem ser “grandes médiuns” em alguns meses [3].

Diz o ditado popular que de médico e louco, todos têm um pouco. Talvez por isso mesmo todos sejam médiuns. Em maior ou menor grau, com a sensibilidade desperta ou ainda sonolenta, com compreensão ou sem compreensão, com muitas ou poucas dúvidas, todos nós somos um pouco loucos. Todos às vezes captamos pensamentos, belos ou obscuros, que parecem ter vindo com o vento, a escorar pelo ombro – e não adianta nos virarmos para tentar identificar para onde foram: se perderam com as brisas. Mesmo assim, por vezes captamos tais pensamentos, de início fragmentados mas, caso queiramos realmente desenvolver tais sentidos ocultos, dia virá que os perceberemos de forma cada vez mais clara.

Então faltará sermos também médicos. Faltará auxiliar aos outros a curar suas dores e angústias através de uma poderosa corrente de amor. Faltará converter nossa loucura em luz.

» A seguir, as diversas formas de manifestação da mediunidade…

***

[1] Li este texto em uma imagem que circulava nas redes sociais anos atrás. O texto estava em um cartaz no centro acadêmico de psicologia da UERJ.

[2] Sua pesquisa, genuinamente científica e objetiva, procura associar o número elevado de cristais de apatita encontrados na glândula pineal dos pacientes a um grau mais elevado de mediunidade. Segundo este promissor estudo, os cristais da pineal podem ser receptores e emissores de ondas eletromagnéticas, e esta poderia ser a via pela qual a troca de informações com espíritos “de fora” ocorre. O Dr. Sergio pode comprovar que Descartes estava errado – a pineal não é a sede do espírito no corpo –, mas nem tão errado assim.

[3] Suspeite de qualquer um que lhe diga que a mediunidade se desenvolve “rapidinho”. Na verdade, um médium só se torna plenamente equilibrado e de posse das próprias capacidades após muitos e muitos anos. Uns 10 a 15 anos não seria um cálculo muito distante da média.

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Crédito da imagem: CJ Burton/Corbis

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#Mediunidade #Espiritismo #neurologia #UmbandaSagrada #Psicologia

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O campo além das ideias

Caminhando junto ao poente numa das regiões mais inóspitas do planeta, as margens do grande Kalahari, deserto ao sul da África, Pedro se impressiona com os hábitos de seus companheiros (além do guia turístico, é claro): os bushmen, ou povo san, caçadores-coletores que vivem em torno dos poucos poços d’água subterrânea na região há dezenas, quiçá centenas de milhares de anos.

“É interessante como a gente anda neste lugar e é incapaz de observar o que eles observam. Eles veem cada planta, fruta, cada detalhe da paisagem com outro olhar, pois isso tudo faz parte da sua sobrevivência” – conclui Pedro, ou Pedro Andrade, jornalista apresentador do programa Pedro Pelo Mundo, do canal de TV a cabo GNT. Neste episódio ele decidiu retornar a Botswana, antigo protetorado britânico que, após adquirir sua independência em 1966, multiplicou seu PIB per capta em dezenas de vezes e se encaminha para a prosperidade sem ter passado por guerra civil ou períodos ditatoriais, algo extremamente incomum para um país africano.

Mas a grande característica de Botswana é precisamente estar tão isolado do resto do mundo que, por algum milagre, o povo san pôde viver relativamente intocado até os dias atuais, preservando uma cultura e estilo de vida arcaicos, o que também pôde ser comprovado pela ciência. Segundo estudos modernos, os san possuem um dos mais elevados graus de diversidade do DNA mitocondrial dentre todas as populações humanas, o que indica que eles são uma das mais antigas comunidades do globo. O seu cromossomo Y também sugere que, do ponto de vista evolucionário, os san se encontram muito perto da “raiz” da espécie humana (homo sapiens).

No fim da noite, Pedro participa como observador dos rituais e cânticos dos san. Em torno de uma pequena fogueira, as mulheres cantam e batem palmas sentadas, e os homens dançam enfileirados em círculo. Mas não é só isso: após entrarem em transe, alguns dos xamãs [1] san incorporam seus próprios antepassados e entidades da natureza. Até mesmo o guia turístico, um branco ocidental que se apaixonou pela região e pelos san, pratica a incorporação para virar ele mesmo um xamã entre o povo ancestral. Afinal, os san são antigos o suficiente para saber que, sejamos brancos ou negros, todos somos um mesmo povo, todos saímos dali, ou de bem perto dali, há centenas de milhares de anos, para povoar o resto do planeta.

Alguma coisa antiga e profunda tocou Pedro nesta viagem, e principalmente neste breve contato com os san. É isto pelo menos que ele próprio confessa ao fim do episódio, muito embora “não saiba explicar ao certo o que é exatamente”. Decerto, o mesmo deve ocorrer com muitos ditos civilizados que têm a oportunidade de realizar este tipo de contato. Seria inútil perguntar ao próprio guia turístico e aprendiz de xamã o que é que o fez trocar a vida ocidental pela vida como guia turístico no Kalahari. Há alguma coisa de transcendente nos san, alguma alma ancestral que, de muitas formas, é também a nossa alma.

E decerto de nada adiantaria escrever um tratado sobre o assunto. Ainda que os san aprendessem inglês ou português, jamais seriam capazes de colocar em palavras as experiências místicas que, de tão constantes, quase diárias, são praticamente o seu dia a dia. Os san vivem até hoje noutro mundo, o mesmo mundo que toda a nossa espécie viveu um dia, mas que vem sendo gradativamente esquecido. Neste mundo, não faz sentido se falar em mundo material e espiritual, em vivos e mortos, em coisas sagradas: no dia a dia dos san, o material e o espiritual são basicamente uma coisa só, os vivos e os mortos jamais deixaram de se comunicar, e não há nada, absolutamente nada, que não seja sagrado.

E, como as palavras por si só são inúteis, precisamos recorrer à poesia. Como bem resumiu o poeta persa Jalal ud-Din Rumi: “Além das ideias de certo e errado há um campo, eu lhe encontrarei lá. Quando a alma se deixa naquela grama, o mundo está preenchido demais para que falemos dele. Ideias, linguagem, e mesmo a frase cada um já não fazem mais nenhum sentido”.

Para boa parte do planeta, os san são um povo selvagem que permaneceu atrasado e perdido nalgum deserto africano. Para os san, ou para os seus espíritos ancestrais, o restante do planeta é nada mais do que a família que resolveu ir caminhar para as regiões mais afastadas, até que se esqueceu de retornar. E, segundo a ciência moderna, são os san quem estão com a razão [2]. Dá o que pensar.

É costume do Ocidente avaliar a “evolução” de um povo ou civilização pela sua capacidade filosófica e científica, em suma, pela sua racionalidade. No campo espiritual, porém, as coisas são um tanto mais complexas de se julgar. O povo san, por exemplo, não pratica canibalismo, não faz sacrifícios de sangue aos deuses, não devasta o seu meio ambiente de forma predatória. Um teólogo de certo renome poderá dizer: “Ok, tudo bem, mas eles são incapazes de reconhecer um Deus único”… Mas, será que isso é algum parâmetro razoável para determinar sua “evolução espiritual”?

Há muitos reinados milenares do continente africano que veneravam os chamados orixás, que são basicamente os correspondentes dos deuses das mitologias gregas ou egípcias, e possivelmente até mais antigos. No entanto, entre diversos mitos de Criação africanos, temos um “Ser Supremo quem criou os orixás e os homens”, e seu nome é Olorum. Ao contrário dos demais orixás, Olorum não possui nem culto direto nem templo individual, além é claro de não receber oferendas, sejam de animais ou frutas ou o que for, já que Olorum “já é tudo”. Ora, muito embora seja complexo associar Olorum diretamente com Javé ou Allah, fica muito claro que, no fundo, a religião dos orixás também é, e sempre foi, monoteísta. Portanto, os africanos antigos já conheciam um Deus Criador único, e isso não foi invenção exclusiva dos povos do Oriente Médio.

Claro que nem todos os povos africanos ao longo dos últimos milênios chegaram à mesma profundidade de compreensão espiritual. Mas nós ocidentais não podemos nos gabar de estarmos muito na frente deles. Até pouco tempo atrás, nossas doutrinas mais elaboradas ainda aceitavam, na prática, que escravos não tinham alma, e que precisavam ser batizados para conseguirem sua entrada no Céu. Foi assim que muitos ditos cristãos arrancaram milhões de africanos a força de suas casas e, através de grilhões e açoites, os trouxeram para trabalhar na América. Trabalho não assalariado, evidentemente.

Nem mesmo seus nomes eles puderam trazer na bagagem. Chegando ao Novo Mundo, eram batizados com nomes como Joaquim de Jesus ou Maria de Fátima. Mas, ainda que os nomes tenham se perdido, seus espíritos ancestrais jamais lhe abandonaram. Foi assim que, no Brasil, o maior país negro do mundo, surgiu o samba, o Candomblé, a Umbanda etc. Os sobrinhos dos san perderam suas casas e seus nomes, mas os orixás persistiram, afinal aqui eles também estavam dentro de Olorum. Não há nada “lá fora”.

E, apesar dos grilhões, dos açoites e do preconceito que surge da ignorância persistente dos ditos civilizados, lá naquele campo onde vivem os poetas e os místicos, lá, além das ideias de certo e errado, lá, onde habitam os deuses e dançam os xamãs, eles nos perdoaram, eles nos aceitaram de volta, de braços abertos, de alma aberta.

E, aqueles que, como Pedro, estiveram por lá, ainda que por pouco tempo, ainda que por uma noitinha só, compreenderam: a África é todo o mundo!

***
[1] O termo “xamã” se originou do estudo dos povos indígenas da Sibéria, mas na realidade se aplica para povos ancestrais em todo o mundo. No Brasil, por exemplo, um xamã pode ser conhecido como pajé.
[2] Há diversas teorias para as origens da humanidade, mas o mais aceito atualmente é que nossa espécie surgiu na África e depois migrou para o resto do globo. Em todo caso, ainda que tenha surgido no mesmo período na Europa, teria a pele tão negra quanto à dos africanos, visto que a mutação que possibilitou a pele branca é relativamente recente, de cerca de 8.000 anos atrás (portanto mais nova que o próprio povo san).

Crédito da imagem: Google Image Search/Latinstock (povo san)

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#Ciência #história #xamanismo

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A Roda e a Cruz

O símbolo da roda (a esfera, na tridimensionalidade) está estreitamente associado com o do círculo, do qual já falamos. Tal como este, também se encontra em todos os povos tradicionais, o que nos fala de sua primordialidade, atestando assim sua importância como veículo para o entendimento dos mistérios da Cosmogonia, considerada como um suporte vivo que nos permite ter acesso ao conhecimento da Metafísica e das verdades eternas. Aliás, ambos os símbolos se referem às mesmas idéias, pois respondem à idêntica estrutura: um ponto central e a circunferência a que este dá lugar por sua irradiação.

Lembraremos que o ponto central simboliza a Unidade, o Princípio Supremo, e a circunferência, a manifestação universal, o mundo ou Cosmo entendido em sua totalidade, que uma vez manifestado graças à emanação do Princípio, retorna novamente a ele, cumprindo assim um duplo movimento de expansão e concentração, centrífugo e centrípeto –solve et coagula da Alquimia–, que encontramos presente no próprio ritmo cardíaco e no expirar e aspirar respiratório.

Queremos destacar também as vinculações da roda com outros símbolos, como o da cruz, que precisamente conforma sua divisão quaternária fundamental, como já se disse, e que constitui sua estrutura interna, que permite conectar o ponto central com a circunferência ou, o que dá no mesmo, a Unidade com a manifestação universal, caracterizada pelo movimento incessante, o que é promovido justamente pela rotação da cruz em torno do centro, que, no entanto, permanece totalmente imóvel, simbolizando desta maneira a imutabilidade do Princípio.

Esse movimento criacional gera também o espaço e o tempo (e com eles a possibilidade da vida em todas suas expressões), ordenados pelos raios da cruz, como muito bem expressam as quatro direções e as quatro estações, as que por certo estão assinaladas pelas respectivas posições do sol, cujo símbolo astrológico, e também alquímico, não é outro senão o ponto e a circunferência.

A roda, com a cruz em seu interior, é igualmente a imagem de todo ciclo, que se divide segundo o modelo quaternário: as quatro fases da lua, do dia e do ano, as quatro idades da vida do homem, as quatro grandes divisões do ciclo cósmico (chamado Manvántara pela tradição hindu), que compreendem a manifestação inteira do mundo e da humanidade, etc.

Naturalmente o círculo admite também outras divisões, que se adicionam a sua simbólica e a enriquecem, como é o caso da partição em seis, oito e doze raios. Neste último caso temos o do zodíaco, que além de “roda da vida”, em outras tradições também significa “roda dos signos” e ”roda dos números”.

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-roda-e-a-cruz

Evolução

Evolução

Por: Colorado Teus

O que é a Vida? O que viemos fazer em vida? Para onde iremos após a Vida? Independente de quais sejam suas repostas para essas perguntas, sua vida é completamente influenciada por elas. Cada ato, pensamento e desejo, antes de chegar até nossa consciência, é filtrado pelo que acreditamos no íntimo que sejam as respostas para essas perguntas.

(obs.: minha intenção era postar apenas a lista que está no final deste texto, porém, ficaria meio ‘sem pé nem cabeça’ falar que não concordo com algo sem fundamentar falando sobre o que concordo, pois a simples discórdia tirando a minha opinião da reta poderia ser interpretada como mero ataque a quem vestisse a carapuça, porém, essa não é minha intenção. Então, esse texto, por falar da minha opinião, é de certa forma pessoal, mas acho que pode ajudar algumas pessoas a começarem a pensar sobre alguns assuntos que considero importantes.)

Para ilustrar, pensemos em uma situação: uma pessoa escolhendo sua profissão. No caso das pessoas que acreditam que após a morte não há qualquer tipo de continuação, elas certamente buscarão uma profissão que as sustentarão de forma a aproveitarem ao máximo o curto tempo de vida que lhes resta, como uma profissão intensa e bastante rentável. No caso de pessoas que acreditam em um juízo final (céu x inferno), haverá sempre um pé atrás na escolha, para que não seja algo que a comprometerá pelo resto da existência. No caso das pessoas que acreditam em reencarnação, essa escolha não pesa tanto quanto para as últimas, mas com certeza buscará algo que a ajude a sair do momento atual em que está presa. Podem existir outros casos de crença do que seja a resposta para essa pergunta, mas essas três citados resumem a grande maioria de nossa população.

Com esse exemplo podemos notar que os padrões de comportamento variam bastante, que cada crença traz vantagens e desvantagens para o que a vida no mundo físico pede de nós. O conjunto de crenças que grupos de pessoas acreditam que sejam as respostas para essas perguntas é chamado de Dogma do grupo; como não é tudo no Universo que podemos provar que existe ou que não existe, sempre haverá uma pilar de Dogma no pensamento das pessoas de qualquer grupo.

Bom, nesse momento o leitor pode estar fazendo a pergunta pertencente ao F.A.Q. espiritual: “Como escolher o sistema de Dogmas – o caminho – que é o melhor para eu seguir?”. E essa é de fato uma boa pergunta que só pode ser respondida através da crença. Aliás, note que sua primeira resposta que vem em mente é totalmente tendenciosa para o grupo que você mais acredita. Uns dirão que é o destino da pessoa, outros dirão que a pessoa precisa seguir seu coração, outros que o Dogma existente é apenas uma muleta para quem não tem força para caminhar com as próprias pernas, e por aí vão as possíveis respostas.

Com isso, começamos a perceber um dos maiores problemas em debater sobre fé: nossas respostas sempre serão tendenciosas em tentar convencer o outro de que nossa fé é o melhor caminho a ser seguido. Aliás, isso é uma tendência natural do Orgulho, se descobríssemos que nosso caminho não é o melhor, significaria que muito do que fizemos não era o que acreditávamos que fosse, e isso seria um tapa tão forte na cara do Ego (projeção de si mesmo) que ele jamais deixaria isso acontecer com facilidade, ou seja, sempre criará inúmeros conflitos para tentar provar o contrário da descoberta e se manter no atual estado, se conservar.

Conservar mudando ou mudar conservando? Essa é uma pergunta frequente de quem está disposto a enfrentar o Ego dentro de si para não deixar que o conflito se exteriorize e atinja outras pessoas. Em outras palavras, essa pergunta traduz um ato que é sempre lembrado na maioria dos sistemas de Dogmas, que é o da ‘evolução’. Evoluir é justamente mudar, e a mudança é um golpe duro para o ego.

Reza a lenda que existe um grupo de pessoas cuja Tradição é lutar para que a evolução continue acontecendo neste mundo, é a ideia do ‘conservar mudando’ há pouco citada. Eis a resposta para muitos que já me perguntaram sobre minha fé, eu acredito na luta pela evolução como uma boa possibilidade para o fim dos conflitos em nosso mundo e uma vida melhor para todos.

Apesar desse texto abordar questões de algumas áreas distintas, o objetivo máximo dele é justamente apontar algumas coisas que algumas pessoas dessa tradição acreditam e trazer uma lista que nos ajuda a perceber quando estamos perto de algumas pessoas que vão contra essa tradição; notem que não falo em nome da Tradição, esse texto é o meu ponto de vista em relação ao que aprendi sobre ela.

O Dogma máximo é que tudo o que podemos perceber (universo) foi criado por uma potência única, chamada de ‘Criador’. Por sua misericórdia, nosso universo foi criado respeitando certos padrões para que as criaturas possam, dentro de suas limitações, entender como o sistema funciona e, assim, poderem nele viver e a ele influenciar.

Como um sistema de defesa, o universo parece tentar conservar sua energia, para isso gera uma reação de igual intensidade, mas sentido oposto, para toda ação que acontece dentro dele. Mas, para continuar mudando, a reação não acontece instantaneamente após a ação, e é daí que surge um dos conceitos mais importantes da tradição, o ‘Karma’, que é o potencial de reação que está para acontecer, uma parte do sistema de ajuste do que acontece no universo.

Assim, o entendimento básico do universo é um processo interativo de ação e ajuste, ação e ajuste, ação e ajuste, ação e ajuste, que é comumente chamando de ‘Yang/Yin’. O ser humano, como uma parte integral do universo, contribui com suas ações e participa dos reajustes. Do processo interativo resulta as mudanças do homem tentando entrar em sintonia com o universo, o qual tenta chegar a um equilíbrio para uma finalidade que está muito longe de qualquer ser humano saber.

De toda essa abstração, é válido apontar que em momento algum foi falado de bem e mal. Normalmente os Egos atribuem o nome ‘mal’ às forças de reajuste do universo, mas isso é assunto para outro texto. É importante entender que o ser humano, em sua busca pela posição perfeita no universo, acaba indo por caminhos errados, então, uma hora, os seres que regem esse equilíbrio do universo liberam o karma e a pessoa é reajustada. Criar karma nunca foi ou será o problema em si, na verdade o Karma é nosso grande professor. O problema é estagnar em nós kármicos (que seria ficar sofrendo sempre o mesmo reajuste por tentar entrar repetidamente em um caminho errado) e não conseguir evoluir.

E o que seriam então pessoas boas e más? Na verdade não existem pessoas boas e más num sentido literal, o que existem são ações boas (que ajudam o equilíbrio do sistema em que vivem) e ações ruins (que atrapalham o equilíbrio do sistema em que vivem). A origem das ações ruins são o medo da mudança ou a ignorância (os ignorantes geralmente são usados pelas pessoas que têm medo da mudança como instrumentos), a origem das ações boas são a Vontade da mudança e o esclarecimento.

Então, baseado em todos esses Dogmas, sigo minha vida tentando trazer coragem/fé para quem tem medo de mudar, esclarecimento para os ignorantes, apoio para quem tem Vontade de mudança e caridade para quem é esclarecido.

Não faço mal julgamento de pessoas que ainda são ignorantes em relação ao equilíbrio do nosso universo, até porque todos passam por esse período. Porém, uma coisa que me deixa indignado e que combato ao máximo são os medrosos que usam os ignorantes como objeto. Dentro da minha experiência, fiz uma lista de ações que são comuns (não determinantes) nesse tipo de pessoas, vamos a ela para concluir esse texto:

– Sua fala é impositiva, sempre falam de forma forte como se o que dissessem é uma verdade incontestável, e sempre fica a impressão de que se as outras pessoas não acreditam naquilo, são muito burras.

– Não usam argumentos lógicos para fundamentar o que falam, suas falácias são baseadas no que uma “autoridade no assunto” ou uma “tradição” disse, se eles disseram é assim que tem que ser e ponto final.

– Usam de “fontes científicas” que não existem, citam pessoas que não existem ou jamais passaram pelas universidades citadas. É necessário sempre olhar a fonte, pesquisar nos sites ou arquivos das universidades/revistas que foram citadas, ou perguntar para alguém que sabe do assunto se os argumentos utilizados são válidos.

– Vendem alimentos, remédios, cds, máquinas, cursos, livros miraculosos que vão transformar a vida da pessoa sem qualquer tipo de esforço pessoal.

– Usam argumentos válidos para ganhar a confiança da pessoa, e então começam a vender suas besteiras que não têm nada a ver com o argumento utilizado.

– Falam que todas as defesas da pessoa não funcionam, que Exu não é guardião, que a vela para o Anjo da Guarda não funciona, que os assentamentos foram feitos da maneira errada, que os pontos riscados das entidades são sigilos de entidades malignas, que as orações que a pessoa utiliza não têm fundamentos, que o RMP ou outro banimento/invocação é um ritual fraco, para então ter as brechas necessárias para agir.

– Acusam os outros professores de picaretas sem apresentar qualquer argumento, desmerecendo tudo que eles disseram e falando de maneira geral que é burrice quem acredita naquilo que tais professores disseram.

– Abusam do orgulho e da vaidade das pessoas, elogiam elas o tempo todo e dizem que são especiais, que não são como os burros do grupo que elas pertencem.

– Usam métodos que tornam as pessoas dependentes da técnica por ele passada, mas que ele não ensina ninguém a fazer, é preciso comprar dele para ter.

– Basicamente, não ensinam as pessoas a buscarem, sempre desincentivam as pessoas a conhecerem novos grupos ou lerem livros do assunto, pois eles precisam de que a pessoa continue ignorante para continuar comprando tudo dele.

Claro que existem muitos outros padrões, mas essa lista já ajudará bastantes pessoas a evitarem as pessoas de má fé que abusam da boa fé dos outros. Espero ter somado com alguma coisa para a vida de cada um que leu esse texto, apesar do texto ser uma exposição de um ponto de vista bem pessoal.

Vai dar certo!

#MagiaPrática

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