Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/entao-voce-quer-ser-um-feiticeiro/
Entrevista com Rafael Chiconeli
Caro Rafael Chiconeli,
Recentemente temos recebido comentários e acusações vindas de algumas alunas suas que questionam algumas das coisas que você nos disse. Recebemos prints de centenas de páginas de conversas suas com elas e estamos preocupados. Tentamos procurar na sua biografia fatos para combater estas afirmações, mas estamos tendo dificuldades em encontrá-las.
Como o período Astrológico é propício para expulsar charlatões, picaretas, bandidos e corruptos do nosso universo, organizamos esta entrevista para verificarmos todas as histórias que nos têm sido contadas.
Com o intuito de acabar de uma vez por todas com estes boatos e podermos iniciar um processo de calúnia e difamação contra quem fez estas afirmações, se for o caso, gostaríamos que você respondesse a estas perguntas simples, para que possamos ter uma idéia clara e reta sobre quem você é e sobre o seu passado e qualificações de uma vez por todas, de modo que ninguém mais possa vir até nós com histórias fantasiosas a seu respeito.
1 – Você disse que é filho de um embaixador. Qual é o nome do seu pai e em que cargo do Itamarati ele trabalha?
2 – Qual a sua data de nascimento? seu RG, CPF ou Identidade de Passaporte? Como alguém que trabalha com imóveis não carrega documentos nem tem cartões ou conta em banco? Por que você não viaja de avião?
3 – As datas de sua estada em Israel parecem conflitantes. Qual o período de tempo exato que você passou em Israel? Você diz que prestou serviço militar e que é faixa preta de krav-Maga. Você prestou serviço militar obrigatório lá?
4 – Para ser Rabino, é obrigatório ter um curso superior. Qual curso superior você fez? Onde e quando se formou?
5 – Não existe Rabino sem Sinagoga. Em qual sinagoga você está afiliado?
6 – Para ser Cabalista, é necessário estudar em uma Yeshiva. Quem foi seu mestre e em qual Yeshiva você estudou? Qual é a sua linhagem? Em que período de tempo você estudou?
7 – Você diz que é maçom do GOB. Para ser Maçom do Grande Oriente do Brasil, é necessário ter um CIM e uma loja de iniciação. Qual o seu CIM e em qual loja você foi iniciado?
8 – Para ser judeu, é necessário passar pelo Brit Mila. Pelo menos quatro alunas que afirmam terem sido seduzidas por você com um papo de alma gêmea, casamento e amor eterno dizem que você não é circuncidado. Você é circuncidado?
9 – Temos pessoas que pagaram pelo mapa cabalístico em dezembro e ainda não receberam. O que aconteceu para um atraso de mais de seis meses em meia dúzia de mapas?
10 – O “Centro de Cabala Iniciática” parece ser apenas uma ou duas salas alugadas no RJ. Qual o CNPJ desta instituição?
11 – Márcia Chiconeli é sua esposa ou sua irmã? para cada grupo de alunos você diz uma coisa diferente.
12 – Sobre esta “conveniente” doença que surgiu para “impedir que você viaje”, você teria um scanner de qualquer diagnóstico feito no hospital?
13 – Quem é Rafael Ithzaak?
Desculpe por fazermos perguntas tão diretas, mas nenhum de nós conseguiu encontrar essas informações em lugar nenhum… A Entrevista está ai, aguardamos as respostas do “Rabino”. Se algum aluno dele conseguir fazer a entrevista, mande as respostas para nós, pois ele bloqueou todas as pessoas que o questionaram aqui em São Paulo, inclusive os editores deste blog.
Assinado: a Patotinha – Marcelo Del Debbio (TdC), Leo Lousada, Claudiney Prieto (Mystic Fair), Gabriel Avelar (Templo AyaSofia), Rodrigo Grola (Tarot da Kabbalah), PH Alves (Diario do Adeptu), Raph Arraes (Textos para Reflexão), Peterson Danda (Autoconhecimento e Liberdade), Fábio Almeida, Tiago Mazzon, Gleice Lemos e muitos outros.
Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/entrevista-com-rafael-chiconeli
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Drogas e Plantas Alucinógenas na Psicoterapia e Xamanismo [parte 2/5]
Esta é a segunda parte da tradução do artigo “Drogas e Plantas Alucinógenas na Psicoterapia e Xamanismo” de Ralph Metzner, onde veremos um pouco da história do LSD e seu uso terapêutico, além das principais semelhanças entre as experiências psicodélicas. Para ler a primeira parte, clique aqui.
PSICOTERAPIA DENTRO DOS PADRÕES DO PARADIGMA OCIDENTAL
Quando as fantásticas e potentes qualidades de alterar a mente do LSD inicialmente foram descobertas, no ápice da Segunda Guerra Mundial num laboratório farmacêutico Suíço, elas foram caracterizadas como “psicotomiméticas” e “psicolíticas”. O prospecto de desarticular a mente de seus parâmetros normais por algumas horas para simular a loucura interessou um pequeno número de psiquiatras pesquisadores como uma possível experiência de treino. Previsivelmente, esta possibilidade também intrigou as agências militares e de espionagem de ambas super potencias, especialmente os Americanos. Consideráveis esforços em pesquisas e gastos foram realizados por aproximadamente 10 anos para determinar os mecanismos para surpreender soldados inimigos, agentes ou lideres, para máxima confusão, desorientação ou constrangimento (Lee & Shlain 1985). Ironicamente, e felizmente, foi a capacidade do LSD de escoar para os potenciais místicos latentes da mente humana que arruinou sua aplicabilidade como uma arma de guerra. Mais do que fazer sujeitos previsivelmente submissos a programações de controle de mente, o LSD teve a desconcertante propensão de suspender a programação mental existente, e desta forma liberar o sujeito em incríveis mundos de consciência cósmica. Os militares não estavam preparados para ter soldados ou agentes espiões se transformando em místicos.
Os primeiros estudos que saíram do laboratório Sandoz, onde Albert Hoffmann sintetizou o LSD e acidentalmente descobriu suas propriedades surpreendentes, descritas como trazedoras de “perda ou abertura psíquica”(seelische Auflockerung).Este foi o conceito psicolítico que se tornou o modelo dominante de psicoterapia assistida com LSD na Europa. Na terapia psicolítica, pacientes neuróticos sofrendo de ansiedade, depressão, ou desordens obsessivas-compulsivas ou psicossomáticas, recebiam LSD numa série de sessões em doses gradualmente aumentadas, enquanto se submetiam interações analíticas mais ou menos padrões usando uma perspectiva Freudiana (Passie 1997; Grof 1980).
O pensamento racional era de que através da psycholysis, a perda das defesas, o paciente se tornaria mais vividamente consciente de suas dinâmicas emocionais e padrões de reações inconscientes (presumivelmente adquirido em interações familiares precoces), e tal insight traria a resolução de conflitos internos. O psiquiatra tcheco Stanislav Grof, trabalhando com esse modelo, fez a incível descoberta de que em alguma séries (envolvendo doses maiores) poderia haver uma abertura ainda mais profunda – de memórias de nascimento e pré-nascimento. Depois de resolver seus conflitos decorrentes das dinâmicas Freudianas da primeira infância, pacientes se encontrariam revivendo as características sensório-emocionais significantes de suas experiências de nascimento – padrões que Grof deu o nome de matrizes perinatais (Grof 1985)
Mais ou menos simultaneamente com a abordagem psicolítica sendo desenvolvida na Europa, o modelo psicodélico se tornou a abordagem preferida nos círculos psicológicos e psiquiátricos Anglo-Americanos. O psiquiatra inglês Humphrey Osmond, que trabalhou no Canadá com Abram Hoffer no tratamento de alcoolismo com LSD (e quem forneceu a Aldous Huxley sua primeira experiência com mescalina, imortalizada em Portas da Percepção (Huxley 1954), introduziu este termo numa troca de cartas com Huxley. Primeiramente usada no tratamento com alcoólatras, onde servia para simular a experiência de mudança de vida de “sair do fundo poço”, a terapia psicodélica geralmente envolvia uma ou um número pequeno de sessões com altas doses, durante as quais, os conteúdos da mente inconsciente seriam manifestos na forma de vívidas imagéticas alucinatórias, levando a insights e transformações (Passie 1997). Um segundo centro de terapia e exploração psicodélica se desenvolveu no início dos anos sessenta no Sul da Califórnia, onde Sidney Cohen, Oscar Janiger e outros começara, fornecendo experiências psicodélicas para seus clientes da comunidade de filmes, artes e mídia de Hollywood (Novak 1997) – trabalho que trouxe considerável publicidade e notoriedade para psicodélicos. O termo “psicodélico” foi adotado por Timothy Leary, Frank Barron, Richard Alpert e o projeto de pesquisa de Harvard, que fez um dos seus primeiros estudos de pesquisa na produção de mudança de comportamento em condenados, e começaram publicando a Psychodelic Review.
Além do projeto da prisão, o foco do trabalho de Leary não era tanto tratamento ou terapia, mas sim explorar as possibilidades e valores da experiência psicodélica para “normais” (geralmente estudantes de graduação), assim como artistas, músicos, poetas e escritores, quando fornecido num setting caseiro desestruturado mas favorável. O conceito de “expansão da consciência” foi introduzido nessas experiências, que podiam ser utilmente contrastadas com a contraída e fixada consciência de adicção de narcóticos, como também em obsessões e compulsões em geral (Metzner, 1994). Leary também foi responsável por introduzir e popularizar o que ficou conhecido como a hipótese de “set e setting”, na qual as determinantes primárias de uma experiência psicodélica são os conjuntos* (set) internos (intenção, expectativa, motivação) e a configuração* (setting) ou contexto, incluindo a presença de um guia ou terapeuta (Leary, Litwin & Metzner 1963).
A pesquisa psicológica em psicodélicos, assim como as aplicações psicoterapicas com psicolíticos e psicodélicos, foram bem resumidas e revistas por Lester Grinspoon e James Bakalar (1979/1997) no livro Psychodelic Reconsidered (Psicodélicos Reconsiderados). A história da introdução do LSD e outros alucinógenos na cultura Americana com suas muitas extraordinárias e imprevistas consequências sociais e políticas foram bem descritas por Jay Stevens (1987) em seu livro Storming Heaven (Céu Tempestuoso). A própria história de Leary sobre esses eventos nos quais ele estava centralmente envolvido é contada em seu único, provocativo e ardiloso (tricksterish) estilo em suas diversas autobiografias, mas particularmente em High Priest* (1968/1995) e Flashbacks (1983). Uma significante extensão do campo da psicoterapia de psicoativos-assistida ocorreu com a descoberta do químico Alexander Shulgin de uma variedade de fenetilaminas, como MDA, MDMA, 2-CB e outros, que trazem algo como a expansão e centralização da consciência principalmente no nível emocional ou do coração, com mínimas ou nenhuma mudança de percepção (?) ou consciência de outros mundos (Shulgin & Shulgin 1991). Por esta razão, para distingui-los dos clássicos alucinógenos, alguns tem sugerido o nome empatógenos (“gerando um estado de empatia”) para esta classe de substâncias. Em particular, o MDMA (que também ficou conhecido como Ecstasy ou E, e que veio a ter um papel central nas imensamente populares cultura de rave) foi usado com sucesso impressionante em psicoterapia – geralmente facilitando uma abertura significante de relação de comunicação e ajuda na cura de traumas incapacitantes (Saunders 1993; Eisner 1989; Adamson & Metzner 1988).
Apesar das aparentes diferenças teóricas e práticas entre abordagens psicolíticas e psicodélicas, há um número de significantes conclusões fundamentais e direções que elas compartilham, e que eu gostaria de agora sumarizar. Essas são todas as características de psicoterapias psicoativas assistidas que se distinguem nesta categoria de outros usos de drogas alteradoras de humor como tranquilizantes ou antidepressivos, no qual o paciente toma uma pílula e vai para casa:
(1) É reconhecido que psicoterapia com alucinógenos invariavelmente envolve uma experiência de um profundo estado expandido de consciência, em que o indivíduo pode não só obter insights terapêuticos sobre dinâmicas neuróticas ou vícios emocionais e padrões de comportamento, mas pode se questionar e transcender auto conceitos fundamentais e visões de natureza da realidade.
(2) É amplamente aceitado no campo que set e setting são o mais importante determinante de experiências com psicodélicos, enquanto a droga assume o papel de um catalisador ou gatilho. Isto é em contraste às drogas psiquiátricas ou psicoativas (incluindo estimulantes, depressivos e narcóticos) onde a ação farmacológica parece ser suprema, e set e setting tem um papel menos. O modelo de set-setting também pode ser estendido para o entendimento de outras modalidades de estados alterados de consciência, envolvendo gatilhos não drogais, como hipnose, meditação, tambores rítmicos, isolação sensorial, jejum e outros (Metzner, 1989).
(3) Duas analogias ou metáforas para a experiência com droga tem sido repetidamente usada por escritores tanto nos paradigmas psicolíticos e psicodélicos. Uma é a analogia amplificadora, segunda a qual as funções da droga são como um amplificador não específico de conteúdos psíquicos. A amplificação pode ocorrer em parte como o resultado de uma diminuição de tesouros sensoriais, uma “limpeza das portas da percepção”, e em parte pode ser por processos centrais ainda-não-compreendidos envolvendo um ou mais neurotransmissores. A outra analogia é a metáfora microscópia: foi repetidamente dito que psicodélicos poderiam assumir o mesmo papel na psicologia, como o microscópio faz na biologia – abrindo reinos diretamente, repetidamente, e observadamente verificados e processos da mente humana que têm até agora sidos altamente escondidos ou inacessíveis.
(4) Novamente, em contraste com o uso de outras drogas psiquiátricas ou psicoativas, é amplamente reconhecido que a experiência pessoal do terapeuta ou guia é um pré-requisito essencial de uma psicoterapia psicodélica. Sem essa experiência pessoal prévia, a comunicação entre terapeuta e indivíduo há ser severamente limitada Este principio implica também um significante papel para a experiência psicodélica poderia ser no treino de psicoterapeutas. A vasta maioria de terapeutas psicolíticos e psicodélicos evidentemente não sancionariam a tomada da droga pelo terapeuta junto com o cliente.
(5) O acesso a dimensões transcendentais, religiosas ou transpessoais da consciência pode ser alcançado. Que as experiências místicas e espirituais podem e muitas vezes ocorrem com o uso de psicodélicos foi algo reconhecido desde cedo pela maioria dos pesquisadores neste campo, colocando assim desafio e promessa para as disciplinas e profissões psicológicas. Albert Hofmann testemunhou que sua capacidade de reconhecer as propriedades psicolíticas da experiência do LSD se baseava em sua similaridade com suas experiências místicas na infância na natureza (Hofmann, 1979). Stanislav Grof descobriu que depois de resolver os problemas biográficos da infância e, depois, os traumáticos perinatais, os indivíduos encontrar-se-iam frequentemente em reinos de consciência completamente transcendentes do tempo, do espaço e de outros parâmetros da nossa cosmovisão ordinária. Ele deu o nome de “transpessoal” a esses reinos de consciência e “holotrópico” ( “buscando o todo”) à qualidade predominante da consciência nesses reinos, bem como a outros meios de acesso a esses reinos, como certos métodos respiratórios, como a respiração holotrópica). Timothy Leary, estimulado por sua associação com Aldous Huxley, Huston Smith e Alan Watts, dedicou tempo e energia consideráveis para explorar e descrever as dimensões espirituais e religiosas da experiência psicodélica. Este trabalho resultou em adaptações do budista tibetano Bardo Thödol (Leary, Metzner & Alpert 1964) e Taoísta chinês Tao Te Ching (Leary, 1997) como guias para a experiência psicodélica. Com base em sua experiência iniciadora com cogumelos mágicos mexicanos, também seria verdade dizer que Leary foi a primeira pessoa a reconhecer e articular que a visão mística fundamental que emerge nestes estados é uma lembrança evolutiva – uma experiência de reconectar-se com nossa vida biológica e à evolução cosmológica. Em outras palavras, ele percebeu que a experiência ia além das questões de desenvolvimento pessoal e cultural que geralmente preocupam os psicólogos, e que a linguagem dos místicos e dos xamãs em nosso tempo era basicamente a linguagem científica da evolução.
Fim da Segunda Parte!
Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano, Mestrando em Ciências da Religião, especialista em formação em Teorias e Técnicas Para Cuidados Integrativos e Escritor. Para mais artigos, informações e eventos sobre psicologia e espiritualidade acesse www.antharez.com.br ou envie um e-mail para contato@antharez.com.br
Imagens:
Imagem de Arte Visionária encontrada na internet
Gif do’pai’ do LSD, Albert Hoffman
Stanislav Grof em foto recente
MDMA, conhecido também como ‘bala’ ou ‘ecstasy’
Bibliografia:
METZNER, Ralph. Hallucinogenic Drugs and Plants in Psychotherapy and Shamanism. Journal of Psychoactive Drugs. Volume 30 (4), October – December. 1998.
#Psicologia #xamanismo
Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/drogas-e-plantas-alucin%C3%B3genas-na-psicoterapia-e-xamanismo-parte-2-5
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Merlin, José de Arimatéia e o bardo Taliesin
Publicado no S&H 27/3/09.
Dando continuidade aos posts a respeito da lenda do Rei Arthur, já falamos anteriormente sobre a água (o Santo Graal) e o ar (Excalibur). Hoje falaremos de outro elemento extremamente importante nas lendas Arthurianas, o Fogo, presente nas alegorias envolvendo a lança Longinus e o Cajado de Merlin.
Fiz a Árvore Genealógica de Yeshua até Arthur.
A história de Merlin começa com ninguém menos do que José de Arimatéia, ou Yossef Rama-Thea. José de Arimatéia aparece nos quatro Evangelhos, que o mencionam no contexto da Paixão e da morte de Cristo. Era oriundo de Arimatéia (Armathahim, em hebreu), um povoado de Judá — a atual Rentis — situado a 10 km a nordeste de Lida, que por sua vez é o provável lugar de nascimento de Samuel (1Sam. 1,1). Homem rico (Mt. 25,57) e membro ilustre do Sinédrio (Mc. 15,43; Lc. 23,50), José tinha em Jerusalém um sepulcro novo, cavado na rocha, próximo do Gólgota. Era discípulo de Jesus, mas mantinha isso em segredo, tal como Nicodemos, por temor às autoridades judaicas (João 15,38).
Lucas afirma que ele esperava o Reino de Deus e que não tinha concordado com o Sinédrio na condenação de Jesus (Lc. 23,51). Nos momentos cruéis da crucificação não teme expor-se e pede a Pilatos o corpo de Jesus (o apócrifo “Evangelho de Pedro”, do século II, diz que esse pedido foi feito antes da crucificação. [2,1; 6,23-24]). Uma vez concedida a permissão pelo governador, José desprega o crucificado, envolve-o num lençol limpo e, com a ajuda de Nicodemos, deposita Jesus no sepulcro de sua propriedade, que ninguém antes havia utilizado. Depois de fechá-lo com uma grande pedra (Mt. 27,57-60, Mc. 15,42-46, Lc. 23,50-53 e João 19,38-42), foram embora. Até aqui, os dados históricos/bíblicos.
A partir do século IV começaram a aparecer tradições essênias envolvendo a figura de José. Em um texto apócrifo do século IV — as “Atas de Pilatos”, também chamadas de “Evangelho de Nicodemos” — narra que os judeus reprovaram o comportamento de José e de Nicodemos em favor de Jesus, e que por isso José foi mandado para a prisão. Libertado milagrosamente, aparece primeiro em Arimatéia e de lá se dirige a Jerusalém, onde conta como foi libertado por Jesus. Mais impressionante ainda é a obra “Vindicta Salvatoris” (“A vingança do Salvador”, também provavelmente do século IV), que teve grande difusão na Inglaterra e na Aquitânia. O livro narra a marcha de Tito à frente das suas legiões para vingar a morte de Cristo. Ao conquistar Jerusalém encontra José preso numa torre, onde fora posto para morrer de fome, mas que sobrevivera graças a um alimento celestial.
Na França e nas Ilhas Britânicas, a lenda sobre José de Arimatéia foi ganhando novos e coloridos detalhes ao longo dos séculos XI a XIII, inserindo-se no ciclo do Santo Graal e do Rei Arthur. Segundo uma dessas lendas, José lavou o corpo de Cristo, recolheu a água e o sangue num recipiente e depois dividiu o conteúdo com Nicodemos. Outras lendas dizem que José, levando consigo esse relicário, evangelizou a França (segundo alguns relatos, desembarcou em Marselha junto com Marta, Maria Madalena e Lázaro), a Espanha (onde foi sagrado bispo por São Tiago), a Inglaterra e Portugal. Na Inglaterra, a figura de José tornou-se muito popular: a lenda atribui a ele a fundação da primeira Igreja em solo britânico, em Glastonbury Tor.
Nesse lugar, o cajado de José teria lançado raízes e florescido enquanto ele dormia. A Abadia de Glastonbury converteu se, então, em um importante lugar de peregrinação até a sua dissolução pela Reforma Protestante em 1539. Na França, uma lenda do século IX refere que, nos tempos de Carlos Magno, o Patriarca de Jerusalém Fortunato fugiu para o Ocidente, levando os ossos de José de Arimatéia, e ingressou no mosteiro templário de Moyenmoutier, do qual chegou a ser abade.
Da história de José de Arimatéia começa a linhagem dos Reis do Graal.
Segundo a lenda, José de Arimatéia casou-se com uma sacerdotisa chamada Ayuba (ou Elyab em alguns textos) e tiveram dois filhos: Anna, a profetisa de Arimatéia e Joshua, além de Josefes de Arimatéia, o primeiro Rei do Graal (que, adivinhem? é muito provavelmente o filho de Yeshua e Maria Madalena).
Josefes tornou-se o primeiro protetor do Graal. Seu filho, Alain “Le Gros” (construtor do Castelo de Corbenic e casado com uma rainha celta chamada Elis), tiveram um filho, Joshua (considerado o terceiro rei do Graal).
A linhagem segue através de casamentos reais:
– Alphanye, 4º Rei do Graal
– Aminadab
– Cathaloys, o 6º Rei do Graal, fundador da Ordem religiosa de Castellor, em 200 DC.
– Emmanuel
– Titurel, que fundou a Ordem Militar do Graal, por volta de 250 DC
– Boaz (ou Anfortas), que ficou conhecido como Rei-Pescador. Sua lenda mescla-se com a do próprio Jesus, dizendo que foi ferido por uma lança e foi levado á presença do Graal, enquanto aguardava o Verdadeiro Buscador (Percival) que faria a pergunta correta e conseguiria curá-lo.
Por quê “Rei Pescador” ?
Está fortemente ligado ao Cristianismo, como símbolo de Jesus Cristo. A palavra “peixe” em grego é ichthys. É interpretada como um acróstico (vocábulo com letras iniciais da frase) de: Iesoûs Christòs Theoû Hyiòs Soter cujo significado é: Jesus Cristo Filho de Deus Salvador.
Nos primeiros anos do Cristianismo quando os imperadores romanos proibiam a adoração de Jesus os devotos se identificavam tendo a figura de um peixe pintada na palma das mãos.
Então, os Reis Graal e Reis Pescadores eram códigos usados para indicar a linhagem dos Rex Dei (ou Linhagem do Rei Salomão).
– Frotmund – nascida durante o século VI, ficou conhecido como a Princesa do Graal e, com sua morte, o reinado passou para as mãos dos reinos Francos através de seu marido, Marcomir ex Sicamber.
Frotmund teve dois filhos: Faramund, que falaremos mais adiante, e Vivianne de Acqua, rainha de Avallon (que mais tarde seria a base da personagem “Dama do Lago”).
Na linhagem sagrada, os descendentes homens ficaram conhecidos como “Reis Pescadores” e as descendentes mulheres como “Senhoras do Lago”. A descendência das Damas do lago era tão importante que, quando o rei Kenneth McAlpin uniu scotos e pictos em 844, ele fez questão que marcassem nos documentos oficiais que ele pertencia à “Linhagem de Avalon”
Vivianne foi casada com ninguém menos do que TALIESIN, o bardo. Falaremos mais sobre ele mais para a frente, visto que a história de Taliesin e Vivienne foi recontada mais tarde na forma de Merlin e Vivienne e que o bardo foi uma das bases para a criação do personagem Merlin no século XI-XII.
Faramund – filho de Frotmund, ficou conhecido como o “rei dos Francos” e viveu entre 419-430. O filho de Faramund ficou conhecido como Clódio (“aquele de cabelos compridos”). Clódio teve um filho chamado Meroveu, fundador da dinastia dos Merovíngios. Os cabelos compridos eram um costume Essênio, usado até os dias de hoje.
O terceiro filho de Frotmund foi Mazadan, eleito como 11º Rei do Graal e já falaremos sobre esta linhagem.
Os Merovíngios
Os merovíngios foram uma dinastia franca saliana que governou os francos numa região correspondente, grosso modo, à antiga Gália da metade do século V à metade do século VIII. No último século de domínio merovíngio, a dinastia foi progressivamente empurrada para uma função meramente cerimonial. O domínio merovíngio foi encerrado por um golpe de Estado em 751 quando Pepino o Breve formalmente depôs Childerico III, dando início à dinastia Carolíngia.
Eles eram citados às vezes por seus contemporâneos como os “reis de cabelos longos” (em latim reges criniti), por não cortarem simbolicamente os cabelos (tradicionalmente, os líderes tribais dos francos exibiam seus longos cabelos como distinção dos cabelos curtos dos romanos e do clero). O termo “merovíngio” deriva do latim medieval Merovingi ou Merohingi (“filhos de Meroveu”),
E quem foi Meroveu?
Meroveu é o lendário fundador da dinastia merovíngia de reis francos. Ele foi rei dos francos salianos nos anos depois de 450. Sobre ele não existem registros contemporâneos e há pouca informação nas histórias posteriores dos francos. Gregório de Tours registra que possivelmente ele tenha sido filho de Clódio. Ele liderou os francos na Batalha de Chalons (ou Batalha dos Campos Cataláunicos) em 451. Sua história conta que ele era filho de um Quintauro, um monstro-peixe capaz de assumir a forma humana. Meroveu também era chamado de Rei-Peixe ou Rei-Pescador. Como os céticos são incapazes de entender metáforas e analogias, os historiadores ortodoxos levam estas citações ao pé da letra e consideram que “rei peixe = mitologia de monstro do mar”, mas parece óbvio que esta metáfora nos leva diretamente à linhagem sagrada. Esta versão foi exaustivamente pesquisada pelos historiadores Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln e depois usada como pano de fundo pelo Dan Brown no best seller Código Davinci. Mas como vimos aqui, esta história de “descendentes de Jesus” possui mais de 1.000 anos de idade.
A Dinastia dos Merovíngios vai até Childerico III, chamado de “rei-fantasma”, décimo-quarto e último rei de todos os francos da dinastia merovíngia.
Ele não tomou parte nos assuntos públicos, que eram dirigidos, como antes, pelos prefeitos do palácio. Quando, em 747, Carlomano se retirou para um monastério, Pepino resolveu tomar a coroa real para si. Pepino, o breve, enviou cartas ao Papa Zacarias perguntando se o título de rei pertencia a quem exercia o poder ou a alguém com linhagem real. O papa respondeu que quem detivesse o poder de facto deveria também ter o título de rei. Em 751, Childerico foi destronado e teve os cabelos cortados, deposit et detonsit, sob as ordens do sucessor de Zacarias, o Papa Estêvão II, porque, de acordo com Einhard, quia non erat utilis, “ele não era útil”. Seus longos cabelos eram o símbolo de sua dinastia sagrada e assim de seus direitos reais (alguns dizem poderes mágicos) e, pelo corte deles, foram-lhe retiradas todas suas prerrogativas reais.
Agora releiam meus posts sobre a história dos papas para verificarem o contexto histórico deste encontro entre a Igreja do Vaticano e a Linhagem Sagrada.
Voltando à Linhagem dos Grail-Kings
Mazadan casou-se com uma princesa franca e tiveram como filho Lazliez, 12º Rei do Graal. Lazliez teve como sucessor Zamphir (13º), depois Lambor (14º) , Pellam (15º) e finalmente Pelles, do Castelo de Corbenic. Destes, Lambor é um dos mais importantes, pois ele é também pai da rainha Ygleis, que por sua vez foi mãe de Ygerna Del Acqs. Ygerna é a mãe do Rei Arthur real.
Arthur MacAedan of Dalriada
No século VI surge um personagem que se tornaria o protótipo mais conhecido do que seria o “Rei Arthur”. Arthur, filho de Aedan of Dalriada, conhecido como Rei Pendragon em 559 e descendente dos Reis do Graal. Arthur era filho de Ygerna Del Acqs, filha da rainha Vivianne, cujo neto (por parte de sua outra filha, Vivianne II), foi o lendário Lancelot Du Lac.
Ygerna foi considerada a High Queen dos reinos celtas, e sua filha Morgana (Morgaine) foi a sacerdotisa principal de Avalon. Estes foram personagens históricos que deram origem, 500 anos depois aos personagens da história do rei Arthur que conhecemos.
Foi Príncipe de Manann, Rei de Camelot e rei-sacerdote na chamada Távola Redonda (originalmente os círculos de pedra situados próximos a Glastonbury, mas que depois foi cristianizado – falarei sobre isso no próximo post). Morreu em batalha em 582 DC.
Ufa! Quanto nome!
Tem uma lista das dinastias Merovíngias mais organizada AQUI
E uma lista razoavelmente organizada dos Monarcas Britânicos e Reis do Graal AQUI.
Esta lista enorme de Árvores Genealógicas documentadas que vem lá dos tempos do Rei Yeshua e Maria de Magdala é muito importante para a última etapa da nossa matéria, quando fizermos a Associação desta linhagem com a Linhagem de Salomão, através de LANCELOT, que é descrito explicitamente como descendente direto do Rei Salomão nos textos do século XI.
Taliesin
Voltando a José de Arimatéia e Merlin, temos a história do bardo Taliesin.
De acordo com a versão mitológica do nascimento de Taliesin, ele começou a vida como um garoto chamado Gwion Bach, um servo da feiticeira Ceridwen. Ceridwen tinha uma bela filha e um filho horrível chamado Morfran (às vezes Avagddu), cuja aparência não poderia ser curada nem por magia. Sendo assim, ela resolveu dar-lhe o dom da sabedoria em compensação. Usando um caldeirão mágico, Ceridwen cozinhou uma poção que daria inspiração e sabedoria por um ano e um dia. Um homem cego chamado Morda mantinha o fogo sob o caldeirão enquanto Gwion mexia o conteúdo. As três primeiras gotas do líquido davam sabedoria; o resto era um veneno letal.
Três gotinhas quentes espirraram no polegar de Gwion enquanto ele mexia, queimando-o. Instintivamente, o menino levou o dedo à boca e instantaneamente ganhou grande conhecimento e sabedoria. O primeiro pensamento que lhe ocorreu foi que Ceridwen iria ficar muito brava por aquilo. Com medo, ele fugiu, mas logo ouviu da fúria da mulher e o som de sua perseguição.
Enquanto Ceridwen perseguia Gwion, ele se transformou numa lebre. Em resposta, ela virou uma raposa. Ele então virou um peixe e pulou num rio e ela transformou-se numa lontra. Ele se tranformou em um pássaro e ela, em resposta, em um falcão. Finalmente, ele se transformou em um mero grão de milho. Ceridwen virou uma galinha, comeu-o e, ao voltar a sua forma humana, ficou grávida. Resolveu matar a criança assim que nascesse, sabendo que era Gwion, mas o bebê era tão lindo que ela não conseguiu cumprir o que queria. Ao invés disso, jogou-o no mar envolto numa espécie de bolsa de couro. A criança não morreu e foi resgatada por um rei (note a semelhança com a história de Moisés).
A história de Gwion e da poção da sabedoria se parece muito com o conto irlandês de Fionn mac Cumhail e o salmão da sabedoria, indicando que ambas histórias possam ter a mesma fonte – Os Peixes!
Um de seus poemas mais famosos conta como ele nasceu.
Taliesin era descrito com o tradicional cajado e capa dos druidas, que mais tarde seria imortalizado na figura do Merlin das lendas. O Cajado simboliza o elemento fogo. Já comentei várias vezes sobre isto nos posts antigos, sobre a simbologia do Fogo associado ao espírito inspirador dos Deuses, trazido para os mortais por Prometeus, ou Lucifer, e representado pela tocha olímpica e, mais tarde, pelo cajado e lanterna. Taliesin serviu de inspiração para a figura do Eremita (Yod, o Arcano 9 do tarot), cerca de 600 anos antes do surgimento “oficial” do tarot com os Mamelucos.
Semana que vem: Os amantes de Guinevere e a Távola Redonda.
Marcelo Del Debbio
#ReiArthur
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A Maçonaria na Alemanha
Por Kennyo Ismail
Há na Alemanha 05 diferentes Grandes Lojas Regulares. Até aí tudo bem, algo normal se comparado com muitos outros países. A diferença é que essas 05 Grandes Lojas da Alemanha formaram juntas um corpo maçônico diferente. Elas são independentes, soberanas, possuem seus Ritos, paramentos, legislação e líderes distintos. Porém, as 05 formam juntas o que podemos chamar de “Maçonaria Unida da Alemanha”: Todas as 05 Grandes Lojas abriram mão oficialmente de sua soberania em assuntos de relações exteriores e de relações públicas, concedendo essa autonomia à essa instituição nacional. Esse Corpo Maçônico, chamado de “Grandes Lojas Unidas da Alemanha” é composto por um Senado e uma Diretoria que possui Grão-Mestre, Adjunto, Grande Secretário e Grande Tesoureiro. As Lojas elegem os membros do Senado, geralmente indicados pelo Grão-Mestre de cada Grande Loja participante. O Senado indica o Grão-Mestre e seu Adjunto, e a Assembléia dos Veneráveis aprova ou reprova a indicação do Senado. O Grão-Mestre nomeia o Grande Secretário e o Grande Tesoureiro.
As 05 Grandes Lojas que compõem as Grandes Lojas Unidas da Alemanhã são:
– Grande Loja de Maçons Livres e Aceitos da Alemanha Velha (260 Lojas)
– Grande Loja Landesloge de Maçons da Alemanha (120 Lojas)
– Grande Loja Mãe Nacional (40 Lojas)
– Grande Loja Canadense e Americana (30 Lojas)
– Grande Loja dos Maçons Ingleses na Alemanha (20 Lojas)
Juntas, possuem o aproximadamente a 470 Lojas e 14.000 Irmãos Maçons.
A Convenção que elege o Senado e o Grão-Mestre e seu Adjunto ocorre a cada 03 anos.
As 11 cadeiras do Senado são proporcionais ao tamanho de cada Grande Loja participante:
– GLMLAAV – 05 senadores
– GLLMA – 03 senadores
– GLMN – 01 senador
– GLCA – 01 senador
– GLMIA – 01 senador.
O Senado é presidido pelo Grão-Mestre, que não tem direito a voto.
As Lojas de Pesquisa são filiadas diretamente à Grandes Lojas Unidas da Alemanha, e ela possui tratados de reconhecimento com nada menos do que 172 Grandes Lojas no mundo.
Agora o ponto mais interessante: nos eventos das Grandes Lojas Unidas da Alemanha, os 05 Grão-Mestres têm o costume de usarem aventais de Aprendiz Maçom para simbolizar que, apesar de Grão-Mestres, eles são eternos Aprendizes.
#Maçonaria
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