Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei

O dicionário Webster classifica religião como “o serviço e veneração a Deus ou ao sobrenatural; um conjunto de leis ou um sistema institucionalizado de atitudes religiosas, crenças e práticas; a causa, princípio ou sistema de crenças efetuada com ardor e fé”. Ele também coloca a palavra Ritual como sendo “uma forma estabelecida de cerimônia; um ato ou ação cerimonial; qualquer ato formal ou costumeiro realizado de maneira seqüencial”.

Porém, nenhum dicionário vai conseguir dar a vocês a verdadeira definição de Magia. Magia é um processo deliberado no qual eventos do desejo do Mago acontecem sem nenhuma explicação visível ou racional. Os católicos/evangélicos chamam estes eventos de Milagres quando são produzidos por eles e de “coisas do demônio” quando são produzidos por outras pessoas. As religiões ortodoxas acabaram presas em uma armadilha que elas mesmas criaram a respeito dos rituais e da magia. Embora a Igreja Católica (e as Evangélicas por extensão, com seus óleos sagrados, águas do rio Jordão e círculos de 318 pastores) use e abuse de rituais de magia baixa em seus cultos, o mero comentário que seus fiéis estejam usando rituais de magia pode te arrumar confusão.

Então… como os magos definem magia? Um Ritual de Magia é apenas e tão somente a canalização de energias de outros planos de existência, através de pensamentos, gestos, ações e vocalizações específicas, em uma forma manifestada no Plano Físico. O nome que se dá a isso é Weaving (tecer), de onde se originam as palavras Witch (bruxa) e Wiccan (bruxo). Não confundir com a baboseira new age que se difundiu no Brasil e que chamam de “wicca” por aí. Estou falando de coisas sérias.

A idéia por trás da magia é contatar diversas Egrégoras (chamadas de Deuses ou Deusas) que existem em uma dimensão não material. Os magos trabalham deliberadamente estas energias porque as Egrégoras adicionam um poder enorme ao Mago para a manifestação de sua vontade (Thelema, em grego).

O primeiro propósito de um ritual é criar uma mudança, e é muito difícil realizá-las apenas com a combinação dos arquétipos e de nossa vontade solitária. Para isto, precisamos da assistência destas “piscinas de energia” que chamamos de Divindades.

Tudo o que é usado durante a ritualística é um símbolo para uma energia que existe em outro plano. O que define se o contato irá funcionar ou não depende do conhecimento que o Mago possui destas representações simbólicas usadas no Plano Material. O estudo e meditação a respeito da simbologia envolvida nas ritualísticas é vital para o treinamento de um mago dentro do ocultismo.

Para conseguir trazer estas energias das Egrégoras para o Plano Físico, os magos precisam preparar um circuito de comunicação adequado, de maneira a permitir o fluxo destas energias. Isto é feito através da ritualística, do uso de símbolos, da visualização e da meditação.

Para manter este poder fluindo em direção a um objetivo, é necessário criar um Círculo de Proteção ao redor da oficina de trabalho. Este circuito providencia uma área energética neutra que não permitirá que a energia trabalhada escoa ou se dissipe. Este círculo pode ser imaginário, traçado, riscado ou até mesmo representado por cordas (como a famosa “corda de 81 nós” usadas nas irmandades de pedreiros livres na Idade Média).

O círculo de proteção também pode ser usado para limpar um ambiente, para afastar energias negativas ou entidades astrais indesejadas.

Para direcionar este controle e poder, o mago utiliza-se de certas ferramentas de operação, para auxiliar simbolicamente seu subconsciente a guiar os trabalhos no plano mental e espiritual. É por esta razão que a maioria das escolas herméticas utiliza-se dos mesmos instrumentos, como taças, moedas, espadas, adagas, incensos, caldeirões, ervas e velas. O uso de robes e roupas consagradas especialmente para estas cerimônias também é necessário para influenciar e preparar a canalização das energias destas egrégoras.

Para contatar corretamente cada egrégora, o Mago necessita da maior quantidade possível de símbolos para identificar e representar corretamente a divindade, poder ou arquétipo que deseja. Apenas despertando sua mente subconsciente o Mago conseguirá algum resultado prático em seus experimentos. E como o subconsciente conversa apenas através de símbolos, somente símbolos podem atrair sua atenção e fazer com que funcionem adequadamente.

Podemos fazer uma analogia destas egrégoras como sendo cofres protegendo vastas somas de recursos, cujas portas só podem ser abertas pela chave correta. Rezas, orações, práticas mágicas e venerações “carregam” estes cofres e rituais específicos “abrem” estes cofres. Cada desenho, imagem, vela, cor, incenso, plantas, pedras, símbolo, gestos, movimentos e vocalização adicionam “dentes” para esta chave, como um verdadeiro chaveiro astral (qualquer semelhança com o Keymaker do filme Matrix NÃO é mera coincidência). De posse da simbologia correta do ritual e da realização precisa de cada passo da ritualística, o Mago é capaz “girar a chave”, contatar a egrégora e acessar estes recursos.

Ao final do ritual, estes deuses ou formas arquetipais são liberados para que possam manifestar o desejo para qual foram chamados durante o ritual e também permite que o Mago volte a funcionar no mundo normal. Manter os canais de conexão com os poderes ativos após o ritual ter sido completado tornaria impossível para uma pessoa viver uma vida normal.

Os magos enxergam o universo como um organismo infinito no qual a humanidade o moldou à sua imagem. Tudo dentro do universo, incluindo o próprio universo, é chamado de Deus (Keter). Por causa desta interação e interpenetração de energias, os iniciados podem estender sua vontade e influenciar o universo à sua volta.

Para conseguir fazer isto, o iniciado precisa encontrar seu próprio Deus interior (chamado pelos orientais de atmã e pelos ocidentais de EU SOU, ou seja, o seu verdadeiro EU). Este é o verdadeiro significado da “Grande Obra” para a qual nós, alquimistas, nos dedicamos. Tornar-se um mestre da Grande Obra pode demorar uma vida inteira, ou algumas vidas.

A magia ritualística abre as portas para sua mente criativa e para o seu subconsciente. Para conseguir realizar apropriadamente os rituais de magia, o magista precisa desligar o seu lado esquerdo do cérebro (chamado mente objetiva ou consciente, que lida com o que os limitados céticos chamam de realidade) e trabalhar com o lado direito (ou criativo) do cérebro. Isto pode ser conseguido através de meditação, visualização e outras práticas religiosas ou ocultistas para despertar.

O lado esquerdo do cérebro normalmente nos domina. Ele está conectado com a mente objetiva e lida apenas com o mundo material denso (chamado de Malkuth pelos cabalistas). É o lado do cérebro que lida com lógica, matemática e outras funções similares e também o lado do cérebro responsável pela culpa e por criticar tudo o que fazemos ou pretendemos fazer. Na Kabbalah chamamos este estado de consciência de Hod.

O lado criativo do cérebro pertence ao que chamam de “imaginação”. É artístico, visualizador, criativo e capaz de inventar e criar apenas através de uma fagulha de pensamento. Com o desequilíbrio entre as energias da Razão e da Emoção, o indivíduo pode pender tanto para o lado “cético-ateu” quanto para o lado “fanático religioso”. Os verdadeiros ocultistas são aqueles que dominam ambas as partes de sua consciência.

Uma das primeiras coisas que alguém que pretende enveredar por este caminho precisa fazer é aprender a eliminar qualquer sensação de falha, insatisfação ou crença materialista no chamado “mundo real”. Esta é a esfera do gado e dos rebanhos.

Diariamente, todos nós somos bombardeados com estas mensagens negativas na forma de “essas coisas não existem”, “imaginação é faz-de-conta”, “só acredito no que posso tocar”, “magia é coisa de filme”” e outras baboseiras, condicionando o gado desde pequeno a se comportar desta maneira. Esta é a razão pela qual amigos e companheiros devem ser escolhidos cuidadosamente, não importa a idade que você tenha. Diga-me com quem andas e te direi quem és.

Idéias a respeito de limitações ou falhas devem ser mantidas no nível mínimo e, se possível, eliminadas completamente. Para isto, existem certas técnicas de meditação que ensinarei nas colunas futuras.

Desligando o lado esquerdo

Durante um ritual, o lado esquerdo do cérebro é enganado para sua falsa sensação de domínio pelos cantos, gestos, ferramentas, velas e movimentações. Ele acredita que nada ilógico está acontecendo ou envolvido e se torna tão envolvido no processo que esquece de “fiscalizar” o lado direito. Ao mesmo tempo, as ferramentas se tornam os símbolos nas quais nosso lado direito trabalhará.

Existem diversas maneiras de se treinar para “desligar” a mente objetiva durante uma prática mágica. Os mais simples são a meditação, contemplação, rezas e mantras, mas também podemos usar a dança, exercícios físicos até a beira da exaustão, atividades sexuais e orgasmos, rodopios, daydreaming, drogas alucinógenas ou até mesmo bebedeira até o estado de semi-inconsciência. O exercício da Vela que eu passei em uma das primeiras matérias é um ótimo exercício para treinar este desligamento da mente objetiva.

Emoções

O lado esquerdo do cérebro não gosta de emoções (repare que a maioria dos fanáticos céticos parecem robozinhos, ao passo que os fanáticos religiosos parecem alucinados), pois emoção não é lógica. Mas as emoções são de vital importância na realização dos rituais. A menos que você esteja REALMENTE envolvido de maneira emocional e queira atingir os resultados, eu recomendo que você feche este browser e vá procurar uma página com mulheres peladas, porque não vai atingir nenhum resultado prático na magia. Emoções descontroladas também não possuem lugar na verdadeira magia, mas emoções controladas são VITAIS para a realização correta de rituais. O segredo é soltar estas emoções ao final da cerimônia (eu falarei sobre isso mais para a frente).

O primeiro passo para realizar magias é acreditar que você pode fazer as coisas mudarem e acontecerem. A maioria do gado do planeta está tão tolhido de imaginação e visualização que não é capaz nem de dar este primeiro passo, pois acreditam que “estas coisas não existem”. Enquanto você não conseguir quebrar a programação que as otoridades colocaram em você desde criança, as manifestações demorarão muito tempo para acontecer.

É o paradoxo do “eu não acredito que aconteça, então não acontece”.

Para começar a fazer as mudanças que você precisa, é necessário matar hábitos negativos. Falarei sobre a Estrela Setenária e os Sete defeitos capitais da alquimia (ou “sete pecados” da Igreja) mais para a frente. Conforme você for mudando seus hábitos, descobrirá que você gostará mais de você mesmo e os resultados mágicos começarão a fluir.

Esta é a origem dos famosos “livros de auto-ajuda” que nada mais são do que a aplicação destes princípios místicos travestidos de explicações científicas. O livro “O segredo” nada mais é do que uma compilação de ensinamentos iniciáticos desde o Antigo Egito. Ele não funciona para a maioria dos profanos simplesmente porque o gado não possui a disciplina mental, a imaginação e a vontade (Thelema) para executar o que deve ser executado.

O Bem e o Mal

Algumas Escolas iniciáticas, religiões judaico-cristãs e filosofias de botequim irão te dizer que realizar magias para você mesmo é egoísta e “magia negra”. Esqueça estas besteiras… se você não é capaz de operar e manifestar para você mesmo, você nunca conseguirá manifestar nada para os outros.

Não existe “magia branca” ou “magia negra”. O que existe é a INTENÇÃO. A magia é uma ferramenta, como um martelo. Você pode usá-lo para construir uma casa ou para abrir a cabeça de um inocente a pancadas. Quando Aleister Crowley disse “Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei”, ele disse isso para iniciados que já tinham total noção do que deviam ou não fazer dentro da Grande Arte, não para um zé mané iniciante. Cansei de ver misticóides do orkut interpretando esta frase como sendo “vou fazer o que minhas paixões de gado me dizem para fazer”, usando as palavras do grande Crowley para justificar suas imbecilidades.

O Karma é uma Lei Imutável. Assim como a Lei da Gravidade, a Lei do Karma não dá a mínima se você acredita nela ou não, ela simplesmente existe: você sofrerá suas ações. Ponto final.

Por esta razão, é essencial pensar nisso quando se fala em magia. Normalmente, utilizar este tipo de conhecimento para causar o mal gratuito não vale o preço kármico a se pagar depois. Simples assim.

Willpower, baby

A força de vontade humana é uma força real e muito poderosa. Ela é possível de ser disciplinada e produzir o que a uma primeira vista parecem resultados sobrenaturais. A força de vontade é direcionada pela imaginação, que é o domínio do lado direito do cérebro. O universo não é aleatório. “Tudo o que está em cima é igual ao que está embaixo”. Ele é constituído de padrões e conexões, como um fractal multidimensional de ações. Através das correspondências, do conhecimento dos padrões e da força de vontade, você será capaz de utilizar as forças arquetipais para seus próprios propósitos, sejam eles bons ou malignos.

Os deuses, demônios, devas, elementais, anjos enochianos, djinns, exús, emanações divinas, qlipoths e entidades astrais são amorais. O poder simplesmente está lá. COMO você vai utilizá-lo é que se torna responsabilidade dos magos. Tanto a magia branca quanto a magia negra trazem resultados, mas no final das contas, todos teremos de nos acertar com a Balança de Anúbis e os preços devem ser pagos. Infelizmente, a maioria das pessoas tem esta idéia errada de que Karma significa “punição” ou “recompensa”. Isto vem de um sincretismo com as religiões judaico-cristãs. Karma significa apenas que cada ação traz uma reação de igual força. E que as pessoas são responsáveis por aquilo que fazem.

A simbologia dos deuses per se são apenas estímulos para serem usados pela humanidade como catalisadores para uma elevação da consciência e a melhoria do ambiente ao redor do mago. Os rituais, em seu senso mais puro, lidam com transformações no mundo. O conhecimento destas ações é o motivo pela qual as Ordens (a maioria delas) trabalha em ações globais além das ações locais. E esta também é a razão pela qual as otoridades tanto temem e perseguem os magos, bruxos e membros de ordens secretas. Eles não querem que o status quo se modifique, pois perderiam todo o poder e o controle sobre o rebanho que possuem.

Carl Jung disse que experiências espirituais são diferentes de experiências pessoais, sendo que a segunda estaria em um nível mais elevado. Isto acontece porque normalmente nem todos em um grupo possuem a concentração ou a dedicação necessária para elevar todo o grupo ao mesmo patamar de consciência (uma corrente é tão forte quanto o mais fraco de seus elos). ESTA é a razão pela qual as ordens secretas (especialmente as invisíveis, já que as discretas já estão sendo contaminadas faz um tempo pelo gado de avental) escolhem com tanto cuidado seus membros.

Muita gente choraminga a respeito do porque as Ordens Iniciáticas serem tão fechadas, e do porquê este conhecimento ficar preso nas mãos de poucas pessoas, mas a verdade é que pessoas perturbadas ou cujo grau de consciência não esteja no mesmo nível do grupo acabarão agindo como sifões de energia ou criarão caos suficiente para estragar a egrégora das oficinas.

Meditação

O conceito de participar de um ritual ou entrar em um templo sagrado (seja ele um círculo de pedra, uma pirâmide ou uma igreja católica) é o de atingir um estado de consciência conhecido na Índia como “a outra mente”. Durante um ritual, todos os participantes são ao mesmo tempo atores e platéia, ativando áreas da mente que não são usadas durante o dia-a-dia. Através deste jogo, conseguimos libertar nossas mentes e espíritos destes grilhões e alcançar que está além.

93, 93/93

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/faze-o-que-tu-queres-h%C3%A1-de-ser-o-todo-da-lei

Pé Grande

Apesar de sua existência ser discutida, o grande, também conhecido pelos seus nomes em inglês de “Bigfoot” ou “Sasquatch” (termo derivado do halkomelem, um idioma do grupo linguístico salishan, natural do sudoeste da Columbia Britânica), é descrito como uma criatura na forma de é um animal bípede de aspecto humanóide, forte odor, coberto de grossa pelagem e principalmente grande, com mais de dois metros de altura e 200 quilos. Suas pegadas medem 61cm de comprimento e 20 de largura (em média), dai o apelido. Provavelmente um primata do mesmo gênero ou família da espécie humana, seria similar a um de nossos parentes antigos, apropriadamente chamado Gigantopithecus, que se acredita ter sido extinto por volta de 200.000 anos atrás. Estudiosos afirmam que ele, ou parentes próximos, podem ser encontrados ao redor do mundo, mudando-se apenas o seu nome na região onde é encontrado, o Yeti no Nepal, o Yeren na China, Orang Pendek na Indonésia e o Yowie na Austrália.

A história do Grande se divide em dois momentos, antes de 1958 e depois deste ano.

Antes desta data, encontramos vários relatos sobre “homens selvagens” em diversos grupos indígenas. A origem dessas histórias é difícil de precisar, já que elas existiam antes que a criatura que elas descreviam recebesse um nome. Curiosamente elas existem em todos os continentes, menos na Antártica.

A maoir parte dos membros dos Lummi conhecem histórias sobre os Ts’emekwes, a versão local do Grande. Apesar da semelhança dos detalhes a respeito da aparência das criaturas as histórias acabam mostrando divergências a respeito do comportamente e dieta delas. Algumas versões mostram criaturas nefastas, outras mais dóceis. Desde os Stiyaha, uma raça noturna que assustava crianças, que eram instruídas a não dizer os nomes em voz alta ou seriam carregadas pelos monstros ou os Skoocooms, uma tribo de homens selvagens canibais que viviam no topo do monte Sta. Helena até os relatos dos índios de Spokane, EUA, documentados pelo Reverendo Elkanah Walker em 1840, que afirmavam que esses gigantes viviam nos topos de montanhas próximas e roubavam salmão da rede dos pescadores.

Algumas dessas criaturas, por sua vez, ainda possuiam uma aura sobrenatural, como os Skoocooms.

Em 1920, J.W. Burns juntou várias dessas lendas em uma série de artigos em um jornal canadense. Cada grupo tribal dava um nome para a criatura em seu próprio indioma, mas todos tinham o significado de “homem selvagem” ou “homem peludo”, além de alguns nomes relativos às atividades da criatura, como “Garras devoradoras” (Eating Claws). O próprio Burns cunhou o termo Sasquatch que quer dizer “homem selvagem” (sésquac), para tentar agrupar as criaturas das diferentes lendas em uma única espécie, uma única criatura que hipoteticamente seria descrita nas diferentes lendas. Graças a Burns as lendas e o nome Sasquatch se popularizaram no Canadá anos antes de se tornar popular nos EUA.

A idéia do grande havia então sido unificada por Burns em seus artigos, coletando lendas que já existiam a décadas, se não há séculos, dentre as tribos de diferentes regiões do globo. Mas foi apenas na década de 1950 que o Grande ficou famoso de verdade, graças a Eric Shipton, um fotógrafo.

Em 1951 Eric fotografou o que declarou ser uma pegada de um Yeti. A fotografia foi então publicada e ganhou muita atenção da midia.

Durante aquela década a notoriedade do homem-macaco ganhou novas proporções até que em 1958 Gerold Crew encontrou várias pegadas enormes no condado de Humboldt, na Califórnia. Vários grupos das pegadas estavam espalhadas ao redor de uma estrada que estava sendo construída em Bluff Creek. Chocado com a descoberta, Gerold procurou outras pessoas para descrever o ocorrido, mas não foi levado a sério, foi então que levou um amigo, Bob Timus, para o local onde estavam as pegadas para que ele fizesse moldes de gesso delas. A história foi publicada no Humbolt Times, junto com uma foto de Gerold segurando um dos moldes feitos no local. O autor da matéria, Andrew Genzoli, deu a ela o título de Big Foot, por causa do tamanho das pegadas, que tinham aproximadamente 41cm. O Sasquatch recebeu um novo nome e ganhou a atenção do mundo quando chamou a atenção da agência de notícias americana Associated Press.

Foi neste mesmo ano que surgiram os primeiros caçadores de Pés-Grandes. Não apenas a história do Grande começou a se desenvolver, mas toda cultura ao seu redor. Tom Slick, um caçador que já havia organizado caçadas ao Yeti no Himalaia começou a organizar buscas pelo Grande nos arredores de Bluff Creek. E então, como fogo em palha seca, avistamentos do grande começaram a se espalhar pelos estados unidos.

Em setembro de 2002 Jane Goodall, uma reconhecida estudiosa de primatas afirmou durante uma entrevista de rádio: “Vocês ficarão surpresos quando eu lhes disser que estou certa de que eles existem”. Falando sobre sua crença na existência de grandes primatas ainda não descobertos. “É claro, a grande, grande crítica é ‘Onde está o corpo?’”, disse ela. “Você sabe, por que não há um corpo [para analisarmos]? Eu não posso responder isto, e talvez eles não existam, mas eu quero que existam”.

Até hoje existem várias explicações científicas para a existência de criaturas como o Grande, ou ao menos para explicar relatos sobre eles em formas de lendas. Deixando as possíveis fraudes de lado muitos afirmam que os avistamentos de pés-grandes são causados pela confusão do observador, que acaba acreditando que um animal ou a trilha de animais que ele não reconhece seja um exemplo desses homens selvagens. Enquanto criptozoólogos se apegam na crença de espécies desconhecidas de primatas existem aqueles que não pensam duas vezes antes de associá-los com discos voadores, ou mesmo afirmar que seriam sobreviventes de civilizações passadas hoje desconhecidas, como Atlântida, por exemplo. Existem ainda aqueles que atribuíram o grande à espécies de animais que nem sequer são símios como a preguiça gigante.

Algumas das hipóteses mais aceitas pelos céticos é a de que os grandes na verdade sejam:

Ursos

Quando se erguem e ficam de , apenas nas patas traseiras, ursos ficam com a mesma altura que um grande teria. Além disso, ursos são habitantes naturais das regiões onde surgem a maior parte dos relatos de pés grandes.

Gigantopithecus

Alguns defensores da existência do Grande como Grover Krantz e Geoffrey Bourne, acreditam que ele seja um Gigantopithecus. Bourne nos lembra que grande parte dos fósseis de Gigantopithecus foram encontrados na China e que muitas espécies de animais migraram pelo estreito de Bering, e que não seria um absurdo afirmar que os Gigantopitheci teriam seguido o mesmo caminho.

A hipotese Gigantopithecus, como é conhecida, é considerada completamente epeculativa. Como os únicos fósseis desta espécie são mandíbulas e dentes, fica difícil saber como eles se locomoviam. Krantz argumentou, baseado em seus estudos no formato das mandíbulas, que o Gigantopithecus poderia ser um bípede, entretanto a parte relevante da mandíbula não foi encontrada em nenhum fóssil. A crença popular na comunidade científica é de que o Gigantopithecus era um quadrúpede, e que por causa de seu tamanho ele dificilmente conseguiria andar em suas patas traseiras.

Matt Cartmill apresenta outro problema com essa teoria: o Gigantopithecus não era um hominídeo, e as evidências físicas apontam que o Grande é um bípede que anda ereto. Dificilmente o Gigantopithecus teria dado origem a uma raça com essas características e características hominídeas. Bernard G. Campbellin escreveu que a extinção do Gigantopithecus é algo que está sendo posto em dúvida por aqueles que acreditam que ele sobreviveu como o Yeti ou o Sasquatch. Mas as evidências dessas criaturas não são convincentes.

Hominídeos extintos

Uma espécie de Paranthropus, como o Paranthropus robustus, com o seu crânio desenvolvido e postura bípede, foi a sugestão dada por primatologistas como John Napier e antropologistas como Gordon Strasenburg como possíveis candidatos para a origem do Grande. Alguns estudiosos do Grande ainda propõe um ancestral em comum com o do homem moderno como o Neandertal ou o Homo erectus, mas nenhuma evidêncie dessas espécies foram encontradas no continente Norte Americano.

Independente das explicações dadas por céticos ou entusiastas, milhares de avistamentos foram registrados nas últimas décadas, dentre elas a de Fred Beck que afirmou em um livro em 1967 que ele e outros quatro mineiros foram atacados em uma noite em julho de 1924 por vários “homens macacos”, que atiraram rochas na cabana em que eles se encontravam na região conhecida como Ape Canyon (Canyon dos Macacos). Os homens saíram da cabana e atiraram no que Beck descreveu como “gorilas montanheses”. Na manhã seguinte encontraram várias pegadas enormes ao redor da cabana. O Espelologista William Halliday argumentou em 1983 que a história teve origem em um incidente envolvendo um grupo de exploradores que estavam acampando na proximidade e atiraram as pedras no Canyon. Existem rumores locais que alguns engraçadinhos locais pregaram peças nos minaradores deixando marcas falsas de pegadas gigantes.

Em 1941 Jeannie Chapman e seus filhos disseram ter que fugir de casa quando um Sasquatch gigante, com mais de dois metros e quarenta de altura, se aproximou de sua residência em Ruby Creek.

Em 1967 Roger Patterson e Robert Gimli afirmaram que em no dia 20 de outubro eles conseguiram filmar um Sasquatch em Bluff Creek, na califórnia. Esse filme passou a ser conhecido pelo nome de Patterson-Gimlin Film, que se tornou a melhor evidência da existência do grande.

O Filme Patterson Gimlin

Também conhecido simplesmente como o Filme Patterson é um curta metragem mostrando um espécime não identificado, gravado no dia 20 de outubro de 1967. Os dois responsáveis pelo filme afirmam que ele é legítimo e que de fato conseguriam filmar um grande. O filme foi sujeitado a inúmeras análises tanto para provar uma fraude quanto sua autenticidade. Alguns cientistas afirmaram que o filme é uma farsa, mostrando um homem em uma fantasia de macaco, mas existem outros tantos que afirmam que o filme mostra um criptidio, ou seja, um animal desconhecido pela ciência.

 

Ambos os cinegrafistas sempre desmentiram afirmações de que o filme era uma fraude, mostrando uma pessoa fantasiada. Patterson, que morreu de cancer em 1972, chegou a jurar em seu leito de morte que a filmagem era autêntica, que ele havia encontrado e registrado em filme um bípede desconhecido da ciência. Da mesma forma ele supostamente disse pra o dono da loja Yakima camera store que havia forjado o filme para arrecadar dinheiro para sua mulher, que stava morrendo de câncer. Seu amigo Gimlin sempre declarou que nunca tomou parte de nenhuma fraude cinematográfica e que ele e seu colega encontraram um grande real. Mesmo assim ele evitou discutir isso publicamente até o ano 2000 quando passou a dar entrevistas e a aparecer em convenções de pés grandes para dar palestras.

Depois de tanto tempo a evidência do filme permanece inconclusiva, seja como fraude ou registro real. Depois de três anos de um exame rigoroso Jeff Glickman publicou em um estudo em 1998 a impossibilidade de provar que o filme era uma fraude. Diversas fontes foram categóricas em afirmar possuírem evidências da fraude, simplesmente para serem refutadas uma a uma.

Existem até rumores em Hollywood de que a criatura seria um homem vestindo uma fantasia criada por John Chambers, que ganhou o Oscar de maquiagem pelo seu trabalho no filme O Planeta dos Macacos, coincidentemente filmado no mesmo ano, em 1967. O escritor Mark Chorvinsky investigou o tema em 1996, e diversos profissionais de efeitos especiais da atualidade lhe confirmaram que Chambers era o responsável pela criatura no filme Patterson-Gimlin, incluindo Dave Kindlon, Howard Berger, Bob Burns e John Vulich. Um ano depois o diretor John Landis (Um Lobisomem Americano em Londres) assegurou o mesmo em uma revista de cinema. Mas em uma entrevista pouco antes de sua morte, o próprio John Chambers negou ter sido responsável pela criatura do filme Patterson-Gimlin.

A melhor e mais famosa evidência da existência do Grande permanece inconclusiva. Depois de mais de três décadas, este é um verdadeiro feito, justamente o que se poderia esperar de uma filmagem autêntica embora polêmica. Mas sérias suspeitas de fraude e a falta de evidências corroboradoras em mais de três décadas impedem uma maior aceitação.

Cientistas descartam a existência do grande afirmando que não existem quase evidências arqueológicas da existência de bípedes pré-históricos de características simiecas de tais dimensões. Além da falta de evidências eles afirmam que o grande grande. Da mesma forma, afirmam, que a população desses animais seria tão grande que teríamos hoje um número de avistamentos muito maior do que os que surgem atualmente, o que tornaria a existência deste animal uma impossibilidade.

supostamente habita regiões que dificilmente abrigariam primatas não humanos com dimensões como as suas, ou seja, latitudes temperadas no hemisfério norte. Todos os símeos não humanos são encontrados nos trópicos da áfrica e ásia. Grandes macacos já foram encontrados fossilizados nas amércias mas nunca foi encontrado um fóssil do

Por outro lado hoje temos em são paulo notícias como esta:

“Bicho-preguiça mora no parque da Luz em São Paulo,

Camuflados nas árvores e com movimentos lentos característicos, quatro bichos-preguiça passam quase despercebidos pelos visitantes de um dos parques mais conhecidos de São Paulo, o jardim da Luz, em pleno centro.

Até os mais atentos precisam ser alertados da existência deles. Na sexta-feira (21), um grupo de observadores de aves, com binóculos na mão, foi avisado pelos seguranças do parque de que no local havia um casal e dois machos de bicho-preguiça. “Nosso foco principal são os pássaros, mas sempre que encontramos animais diferentes colocamos em nosso relatório”, disse Luiz Fernando Figueiredo, do Centro de Estudos Ornitológicos da USP, que desconhecia a presença de preguiças na área.

Há mais de uma versão para o fato de os bichos-preguiça habitarem o jardim da Luz. Segundo a veterinária Vilma Clarisse Geraldi, da divisão de fauna da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, havia um zoológico no local. Os outros animais foram retirados do parque, mas os preguiças não foram resgatados.

Já o biólogo André Dias, administrador do parque, diz que o bicho sempre existiu na área. A espécie, preguiça-de-bentinho, também pode ser vista na serra da Cantareira. “A informação que eu tenho é que os bichos ocorriam na cidade e, com a expansão urbana, formou-se uma ilha de preservação na Luz. Então, eles ficaram por lá”, afirma.

O número de animais, entretanto, está diminuindo com o passar dos anos. Até 2000, segundo Geraldi, havia sete preguiças no parque. Com a revitalização do espaço, poda e corte de árvores, três morreram.

De acordo com Dias, os bichos já estavam debilitados na época. Ele tem esperança, entretanto, de que o único casal consiga se procriar neste ano. “Já faz muito tempo que não temos um filhote”, diz. De acordo com o Ibama, a espécie preguiça-de-bentinho não está ameaçada de extinção. Já a preguiça-de-coleira está na lista das que correm risco. (Folha Online)”

Se bichos preguiça passam desapercebidos em um parque relativamente pequeno e fechado, o que dizer de espécies em florestas abertas e áreas montanhosas ao redor do mundo? Esses bichos preguiça foram descoberto por causa de suas fezes ao redor das árvores, antes de um estudo com observação direta.

Hoje, 80% dos avistamentos de pés-grandes são considerados fraudes por estudiosos como Loren Coleman e Diane Stocking, o que cria uma margem 20% de relatos, que como o filme patterson, não podem ser classificados como fraude.

Pé-Grandes pelo mundo

Apesar de ser o mais famoso, o Grande é apenas o mais recente dos mitos e lendas de grandes hominídeos primitivos pelo mundo. Ele mesmo parece ter sido inspirado diretamente pelo segundo hominídeo elusivo mais famoso, com o qual começamos um giro por algumas das lendas espalhadas ao redor do planeta.

Yeti, o “Abominável Homem das Neves”, Himalaia

A criatura gigante de pelagem escura é parte do folclore da região do Himalaia há gerações, sendo chamada pelos guias Sherpas de meh-teh. As notícias sobre o Yeti chegaram ao Ocidente em 1921, quando uma expedição de trinta e seis membros liderada pelo explorador Charles Kenneth Howard-Bury, em uma das primeiras tentativas de escalar o monte Everest, teria avistado com binóculos objetos escuros se movendo à distância. Ao chegarem ao local encontraram pegadas enormes, e seus guias teriam chamado o ser de Metoh-Kangmi, ou ‘Besta das Montanhas’, um termo que acabaria sendo traduzido de forma mais colorida como “Abominável Homem das Neves”.

O Yeti causou maior sensação quando uma pegada foi fotografada em 1951 pelos exploradores Eric Shipton e Michael Ward a mais de cinco quilômetros de altitude perto do Everest. Ela tinha quase 50 centímetros de tamanho, apresentando apenas quatro dedos. Chegou-se a sugerir que poderia ser a pegada de um urso, ou uma pegada inicialmente menor na neve que ao derreter teria aumentado seu tamanho aparente. Em 1990 o jornalista Peter Gillman defendeu que a pegada seria uma brincadeira de Shipton. Em suas fotos, há uma trilha de pegadas e o close de uma delas, mas em uma entrevista Michael Ward declarou que a pegada em close não faria parte da trilha, algo que Shipton nunca mencionou. O escritor Audrey Salkeld contou duas peças pregadas por Shipton: em uma ele teria dito que um colega sofrendo de falta de oxigênio teria tentado comer pedras pensando que eram um sanduíche, o que foi negado pelo próprio. Também contaria sobre como teria encontrado o corpo de Maurice Wilson na neve, junto de um bizarro diário de fetiches sexuais e roupas femininas. Charles Warren, que encontrou o corpo junto com Shipton, negou tais elementos.

Ao final, Shipton poderia ter simplesmente mexido em uma pegada normal e tirado a famosa fotografia. O Yeti, contudo, permanece uma lenda nativa e deve continuar a ser por muito tempo.

Yehren, China

O ‘Homem Selvagem’ ou Yehren é uma antiqüíssima criatura lendária da China central e do sul. Em torno do século III AC o poeta Qu Yuan teria escrito um poema sobre o ‘monstro das montanhas’. Também uma criatura gigante e peluda, com a diferença de que sua pelagem seria marrom ou vermelha. Ao contrário do Yeti, não há nem uma suposta fotografia do Yehren, embora muitas de suas pegadas tenham sido registradas.

Além dos muitos relatos, alguns dos quais incríveis, incluindo o do biólogo Wang Tseling, que em 1940 conta ter examinado um Yehren fêmea morto a tiros pelos locais; ou o de que soldados chineses no Himalaia teriam comido a carne de um Yeti em 1962, a primeira evidência física relevante do Yehren chinês foi analisada em 1980. Em 1957 aldeões da montanha Jiolong teriam matado um “homem-urso” e um professor de biologia local conservou suas extremidades. O exame por Zhou Guoxing das mãos e pés preservados apontou que pertenceriam a um macaco, embora enorme e possivelmente de um “primata desconhecido”, apesar de não ser compatível com uma criatura de dois metros de altura.

Sasquatch, Canadá e norte dos EUA

Várias tribos indígenas norte-americanas possuem histórias antigas a respeito de gigantes selvagens, mas quando os jornais relataram encontros com tais seres o termo escolhido foi Sasquatch, que na linguagem de uma das tribos significava “homem louco nas florestas”. Tais avistamentos registrados datam de até 200 anos atrás. O missionário americano Elkanah Walker conta em seu diário em 1840 sobre as crenças indígenas: “Eles acreditam em uma raça de gigantes que habita uma certa montanha a oeste. Ela é coberta por neve perene. As criaturas habitam os picos de neve. Elas caçam e fazem todo seu trabalho à noite. Suas pegadas têm um e meio de tamanho. Roubam salmão das redes dos índios e comem o peixe cru como os ursos. Se as pessoas estão acordadas, sempre sabem quando as criaturas estão muito próximas pelo seu forte cheiro que é quase intolerável”.

John Burns, agente da reserva indígena Chehalis em British Columbia, escreveu em um artigo em 1940, cem anos depois: “estou convencido de que sobreviventes do Sasquatch ainda habitam o inacessível interior de British Columbia. Apenas por grande sorte contudo um homem branco poderia avistá-los, já que como animais selvagens, eles instintivamente evitam qualquer contato com a civilização”. Segundo ele, os nativos eram receosos de contar suas histórias sobre o Sasquatch, pois o ‘homem branco’ não acreditaria nelas. Tais lendas em Chehalis contariam sobre duas tribos inimigas de Sasquatches na região e que teriam exterminado uma a outra. Burns também conta a surpreendente história de uma mulher nativa chamada Serephine Long, que quando criança teria sido seqüestrada por um “gigante selvagem” e vivido com os “monstros peludos” por quase um ano! Tudo contado diretamente a ele por Long, agora uma mulher idosa.

Mapinguari, Amazônia

Coberto de um longo pêlo vermelho, com um odor horrível e medindo em torno de dois metros quando de sobre as patas traseiras, o Mapinguari seria um animal temido na floresta amazônica por índios e mesmo garimpeiros e moradores locais. Seus pés seriam virados ao contrário, suas mãos possuiriam longas garras e a criatura evitaria a água, tendo uma pele semelhante a de um jacaré. Há similaridades com relatos de hominídeos, mas a especulação mais corrente entre os cientistas que acreditam na realidade do Mapinguari é de que poderia ser relacionado à preguiça gigante, que se acredita extinta. Já no fim do século XIX o paleontólogo argentino Florentino Ameghino defendia a hipótese, que mais recentemente levou o ornitólogo David Oren a empreender expedições em busca de provas da existência real da criatura. Mas infelizmente sem nenhum resultado conclusivo. Pêlos recolhidos mostraram ser de uma cutia, amostras de fezes de um tamanduá e moldes de pegadas não serviriam muito, já que como declarou à revista Discover, “podem ser facilmente forjadas”.

Dossiê de Criptozoologia de Herman Flegenheimer Jr.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/pe-grande/

Sobre a Magia do Caos

Faz bastante tempo que não escrevo aqui, então resolvi dar um alô, mesmo que eu não tenha nenhuma notícia. O objetivo do post de hoje é dizer: “Magia do Caos é muito foda e aqui vão algumas das razões e faltas de razões disso; obrigada, de nada”. Tentemos fazer isso de uma maneira breve e pouco dolorosa para os miolos. Não quero meter no meio coisas como filosofia, teologia, cálculos ou qualquer coisa tirada da cartola do demônio da epistemologia.

Há aquele negócio chamado magia tradicional, que costuma ser qualquer coisa entre astrologia, cabala e tarot. Muitas outras coisas podem ser “magia clássica”, como diferentes sistemas de magia dos grimórios famosos, alguns dos quais muito me encantam. E vem a velha questão: “Por que dividir magia em ortodoxa e heterodoxa, esquerda e direita, branca e negra, cor-de-rosa e cor de capim?” Só para sistematizar, meu filho. Algumas sistematizações são mais úteis que outras. Certos agrupamentos já estão bem ultrapassados como “pessoas boas e pessoas ruins”, mas cada um com suas preferências de linguagem (contanto que se compreenda que termos adquirem diferentes conotações através dos tempos).

Eu não concordo completamente com a divisão de magia velha e magia nova, ou qualquer coisa parecida. Eu só uso esses termos quando não encontro outros melhores. A linguagem está cheia de termos inapropriados e se quisermos uma comunicação realmente eficiente vamos todos meditar e conversar nos outros planos sem usar palavras, já que, como dizia Wittgenstein “a filosofia é uma batalha contra o enfeitiçamento da nossa inteligência por meio da linguagem” (bosta, eu disse que não ia citar filósofos!!)

Então agora que estamos entendidos que eu só uso o termo “magia tradicional” e outros termos ainda piores por falta de termos melhores, vamos seguir em frente.

Vantagens da magia tradicional: confiança/fé na eficácia do sistema devido à sua antiguidade e tradição. Se já foi usado com sucesso no passado, e por tanta gente, por que falharia no presente? A egrégora provavelmente só se tornou mais forte. Esse argumento é bom e compreensível. Eu concordo com ele. Contudo, a proibição de não modificar algumas fórmulas clássicas, embora por um lado preserve as minúcias que as tornam fortes, pode torná-las não tão adequadas aos tempos atuais.

Desvantagens da magia tradicional: alguns sistemas são meio ultrapassados e monótonos (leia-se, velhos e chatos). O enfoque está em preservar a tradição e não em adaptá-los para torná-los divertidos e atraentes. Se parar para pensar, qual é a graça de assistir a uma missa católica tradicional, além de presenciar o poder da tradição? Por isso tantos jovens são atraídos para o espiritismo ou igrejas evangélicas. São adaptações que condizem mais com a onda new age de “eu tenho uma espiritualidade, mas quero segui-la do meu jeito”. Essa postura, é claro, tem seus lados positivos e negativos. Para seguir algo do seu jeito é bom estudar. Por isso os caoístas estudam tanto e fazem tantos experimentos: para realmente entender como a coisa toda funciona. Ou desvendar/inventar novos meios de fazê-la funcionar.

Um caoísta deve estudar magia tradicional? É bom ter algumas noções. Muitos caoístas apoiam seus trabalhos em sistemas tradicionais. Caso ele resolva apoiar em qualquer outra área (física, geologia, videogames ou o que valha) é esta área que deve ser explorada com cuidado e adaptada à magia.

Vantagens do caoísmo: uma magia pessoal e sob medida, como uma roupa sob encomenda. Uma magia divertida, que te dá prazer de fazer e de vivenciar. Em suma, é magia da nossa época. Por isso nós nos identificamos com as propostas. Claro, algumas pessoas se identificam com elementos de outras épocas. Isso também não impede de praticar magia do caos. O magista pode adaptar esses elementos com outras coisas que lhe agrade. Além disso, a minha parte preferida do caoísmo não é somente misturar sistemas, mas criar seus sistemas. Você não somente repete o que já foi dito (“como um papagaio”, diria Frater Xon), mas também contribui criando algo original.

Desvantagens do caoísmo: apenas leia as vantagens da magia tradicional e inverta. Muita gente não se adapta à magia do caos porque, lá no fundo de sua mente, ainda há um teimoso cujo cérebro foi moldado pelo “certo” e “errado” da sociedade, pelo que é real e imaginário, pelo que é permitido ou proibido. Em suma, algumas pessoas “não se adaptam à ideia de que adaptações são possíveis”. “Só posso realizar essa magia no horário de Saturno” ou “vermelho é melhor para uma magia de amor do que azul” ou qualquer outro dogma que a magia tradicional te fez acreditar. Isso significa que todas as regras da magia ortodoxa são mentiras? Não! Elas funcionam muito bem. Pode haver alguma verdade nelas quando utilizadas da forma correta, mas isso não significa que a magia é algo fixo, uma rocha inquebrantável, que nunca possa ser modificada sem autorização de Deuses (se acha mesmo, vá lá chamar o tal Deus, tome um chá com ele e altere as regras, diabos!). Então eu diria que provavelmente as desvantagens do caoísmo estão na nossa própria cabeça.

A Magia do Caos poderia ser um sistema totalmente divertido e eficiente se ao menos nós permitíssemos a nós mesmos toda essa liberdade e prazer. Alguns são muito rigorosos consigo mesmos. Há quem considere que existe magia verdadeira e falsa, a baixa e a alta magia. E, convenhamos: pode ser que exista. O ponto é que não faz diferença se essas coisas existem ou não. O nosso objetivo é trabalhar com esses conceitos e aplicá-los não para nos trazer angústia, mas momentos especiais. O foco não é alterar a realidade em si (que pode ser real ou uma Matrix, não sabemos e pouco importa), mas nossa percepção da realidade. O copo está pela metade (partindo do pressuposto de que o copo existe), mas você escolhe se ele está meio cheio ou meio vazio.

O objetivo da magia não é necessariamente absoluto. Cada um tem seus objetivos com magia. Quem tem paixão por história e mitologia, por exemplo, não resistirá a pesquisar a magia tradicional e experimentá-la. Isso também pode ser fantástico. Mas a magia ortodoxa e a heterodoxa não são totalmente contraditórias. Podem coexistir.

Muitos dizem que o objetivo da magia, espiritualidade ou religião é a evolução espiritual, que temos que ajudar os outros (ou, no caso do budismo Theravada, libertar-se tanto do bom karma quanto do ruim), amar, servir a sociedade e às pessoas próximas e que através disso iremos atingir um grau superior ao que nos encontramos agora.

Novamente, pode haver alguma verdade nessas palavras. Mas muito provavelmente essa não é toda a verdade, até porque, como dissemos antes, palavras são inapropriadas para expressar. Sempre haverá erros na comunicação que podem levar a desentendimentos. Sendo assim, podemos considerar que, sim, amar e ajudar é algo muito nobre, mas há outras coisas relacionadas que talvez o termo “evolução espiritual” não capte com precisão.

São João da Cruz, em seu livro “Noite Escura da Alma” descreve os “dez degraus da escada” e diz que aqueles que chegam ao último degrau serão “semelhantes a Deus”. Ele até mesmo diz que será “Deus por participação”, um termo também encontrado na Suma Teológica de Tomás de Aquino (e eu disse que não ia falar de teologia). Nesse momento quase temos um encontro entre RHP e LHP…

Mas a ideia de uma escada ainda me parece por demais metafórica. Isto é, sei lá, vai que tem mesmo uma escada! Mas não acho que para subir tal escada se deva colocar necessariamente um pé na frente do outro somente de um jeito correto, como robôs. Cada um tem características diferentes e sobe a escada do seu jeito, alguns mais rapidamente, outros tropeçando, mas cada um vai tricotando seu emaranhado de linhas até que forma seu cachecol personalizado! (eu falei tanto em tricotar no meu último livro, Sociedade do Sacrifício, que até fiquei com vontade de voltar a tricotar. Minha avó me ensinou a tricotar quando eu era criança e lembro que era uma das coisas mais relaxantes).

Magia do Caos é sobre isso: não é um ataque à magia tradicional. Ela usa a magia ortodoxa como aliada. Pega o que serve, tira o que não serve, mas não somente com base numa preferência sem reflexões e numa análise superficial. Muitos testes são realizados até que se descubra a melhor forma de fazer as coisas (a melhor forma para si, pois pode variar para cada praticante).

Que cada aranha construa sua própria teia. Não é à toa que o número 8 é celebrado no caoísmo. E mesmo que seja à toa, não nos importamos tanto assim. Há tantos números (reais, imaginários…) e tantas possibilidades que vale mais a pena viver experimentando um pouco de tudo em vez de continuar fechado na caixinha de sempre.

Existem muitas formas de viver. Não somente a forma que nos foi ensinada. E se as outras formas das quais ouvimos falar tampouco funcionam para nós, talvez seja melhor inventar uma outra: uma magia somente sua, sem cabimento: porque não “cabe” nesse universo ou nos outros; somente no universo que você criou.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/sobre-a-magia-do-caos

Como Eu Aprendi Cabala

Por Ted Andrews

Eu sempre fui um leitor voraz. Durante a maior parte da minha infância, a biblioteca local tinha um limite no número de livros que você podia conferir a qualquer momento, e você tinha que devolvê-los dentro de duas semanas. Eu sempre verificava o limite e sempre os fazia ler dentro de três a quatro dias. Um dos meus momentos mais felizes foi quando a biblioteca me deu permissão especial para checar mais livros do que eles normalmente permitiam. Em uma dessas ocasiões, li um livro de contos e nele estava o conto de um grupo de homens. Estes homens usaram algo chamado Cabala para criar um monstro chamado Golem para se salvar dos nazistas.

Desde aquela época a Cabala (independentemente de sua grafia: Qabala, Cabala, Kabala, etc.) sempre teve um grande fascínio para mim. A palavra ressoava com uma parte de mim de uma forma misteriosa e assombrosa. Cresci em uma época em que os escritos metafísicos (fora de um contexto religioso tradicional) não estavam prontamente disponíveis. Sempre pude encontrar alguns sobre astrologia e yoga. Embora a ioga não me atraísse, fui capaz de ensinar a mim mesmo como erguer uma carta astrológica enquanto estava no ensino médio, incluindo como fazer as contas necessárias (isto foi muito antes de os computadores tirarem todo o trabalho tedioso).

Depois encontrei uma livraria no centro da cidade que começou a carregar livros esotéricos (como eram chamados naquela época). Eles estavam presos no canto mais distante, longe de tudo “normal”. Era uma miscelânea de literatura que não se enquadrava em nenhuma outra categoria. Foi aqui que eu sempre procurei mais informações sobre o reino místico e psíquico, especialmente sobre aquela coisa estranha chamada Cabala. Eu comprava qualquer livro que se assemelhasse a ele em seu título ou entre suas capas.

Naquela época, a maioria das informações sobre Cabala era tão vaga ou esotérica que nenhuma pessoa comum podia entendê-la ou supunha que você já tinha um conhecimento prático sobre ela. E certamente não havia nenhum professor por perto. Não seria até meu primeiro ano de faculdade que eu começaria a explorar seu significado e a experimentar maneiras de incorporá-lo em minhas próprias meditações e desenvolvimento psíquico.

Um sonho que muda a vida:

Foi então que surgiu o sonho. Este sonho se tornaria a chave para verdadeiramente compreender e aplicar a magia do Cabala na vida cotidiana. Este sonho me ajudou a perceber que as coisas mais poderosas do mundo são muitas vezes as mais simples. Parte deste sonho tornou-se a história introdutória encontrada no que seria meu primeiro livro, Simplified Magic: A Beginner’s Guide to the New Age Cabala (Magia Simplificada: Guia para Principiantes na Nova Era da Cabala), ou como é intitulado em sua mais nova edição, Simplified Cabala Magic (Magia Simplificada da Cabala). Através deste sonho, descobri que a Cabala não precisava ser tão complicada quanto muitos a tornaram.

Acabaria por descobrir na Cabala um sistema prático para despertar as qualidades necessárias para acelerar o crescimento espiritual. Descobri um sistema de desdobramento espiritual e mágico que é seguro e prático. Encontrei um sistema que permite a exploração de nosso potencial mais elevado e abre novas dimensões sem nos sobrecarregar no processo.

Seja desenvolvendo habilidades psíquicas, percorrendo um caminho de cura, explorando dimensões espirituais, conectando-se com totens e a Natureza, ou comunicando-se com anjos, o antigo e místico Cabala é um mapa que nos permite realizar estes esforços de forma mais segura e mais poderosa. Ele também nos permite enfrentar nossas maiores fraquezas.

Estudos Espirituais e a Cabala:

O objetivo dos estudos espirituais não é ganhar poder psíquico, mas desenvolver a capacidade de olhar além das limitações, de aprender as possibilidades criativas que existem dentro das limitações, ao mesmo tempo em que as transcende. O propósito dos estudos espirituais é nos ajudar a redescobrir a maravilha, o espanto e o poder do divino e aprender como esse poder se revela e se reflete dentro de cada um de nós.

A antiga Cabala é um guia intemporal que nos permite olhar para dentro de nós mesmos para nossas respostas – para nossa magia e nossos milagres. Não encontramos essas respostas nos livros ou nos professores – embora elas sirvam a seus propósitos – mas no poço da verdade que está dentro de nós. A Cabala nos ensina que o caminho espiritual não é um caminho que leva a alguma luz divina na qual todos os nossos problemas são dissolvidos. Ao contrário, ela nos ensina como despertar a luz interior para que a possamos irradiar para fora de nós.

***

Fonte: https://www.llewellyn.com/journal/article/495

COPYRIGHT (2003) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

***

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/como-eu-aprendi-cabala/

Diferenças entre Rito de York e Ritual de Emulação

Permitam-me compartilhar com vocês alguns pontos que diferem Rito de Ritual, para auxiliar na melhor compreensão do vocábulo “Ritual Emulação” que é o que realmente trabalhamos em nossa Loja, sob os auspícios do G.O.B, ao contrário do que dizem alguns “Rito de York” ou “Rito de Emulação”.

Muitos Irmãos confundem ou pensam que o Ritual Emulação é um Rito. E que esse rito é o Rito de York. Acontece que não é. Eis que, na verdade, não se trata de um Rito, mas sim de um Ritual pelo qual é demonstrado e expressado por meio de dramatizações ritualísticas.

Na Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE) o vocábulo “Rito” não existe. Ou seja, é inominado. Os ingleses não consideram um rito, eles consideram rituais (Emulation, Bristol, Stability, Taylor’s, Logic, West End, etc…). Todos os diversos Rituais Ingleses pouco diferem-se uns dos outros, uma palavrinha aqui, outra palavrinha lá. Mas as Lojas (=Templos, no REAA) usadas por todos são iguais, nisto não há diferença.

É plenamente entendível, pois, o que eles praticam é a Maçonaria, na sua mais pura origem, pois, como é cediço, o Ritual Emulação serviu de base para praticamente todos os demais Ritos existentes no mundo (Foi a base principal doRito Brasileiro). Para se ter uma idéia, a União das duas Grandes Lojas Inglesas deu-se em 1813, mas antes disso, em 1797 já era fundado o Rito de York (Thomas Webb), e antes disso por volta de 1717 já ocorriam reuniões nos Trabalhos de Emulação, ou seja, a forma pura de Maçonaria. Este Ritual era praticado pelas Lojas sob a Égide da Grande Loja de Londres, chamada pejorativamente de “Loja dos Modernos”. No entanto, era a mais antiga que a “Loja dos Antigos”.

Entendo que o nome, em 1717 poderia não ser Emulação, mas a forma praticada já o era, por isso duas Grandes Lojas rivais. A dos “modernos” fundada em 1717 já havia feito modificações à sua conveniência, que não agradou os “antigos”, os quais somente em 1751 “resgataram” de forma oficial os rituais antigos. Em 1813, não foi criado o Ritual Emulação, mas sim a Grande Loja Unida da Inglaterra – UGLE, e houve uma mútua concessão na forma de trabalhar, tato dos “antigos” quanto dos “modernos”.

O que é Rito?
O vocábulo “Rito”, como um substantivo masculino, é derivado do latim – ritus. Designa o Cerimonial próprio de um culto, determinado pela autoridade competente; seu significado clássico é: “Uma prática, um costume aprovado; ou conjunto de normas e práticas que se faz com regularidade” (Ir. Sérgio Cavalcante – Livro “Rito York”). Rito vem a ser uma coletânea de rituais, onde o verdadeiro Rito de York é constituído por quatro corpos devidamente distintos uns dos outros, mas de forma hierárquica, a saber: Graus Simbólicos, Graus Capitulares, Graus Crípticos e Ordens de Cavalaria.

Da mesma forma no REAA – Rito Escocês Antigo e Aceito, onde se tem os graus simbólicos e mais 30 graus acima, numa hierarquia própria do Rito. Mas o REAA não para por aí, ele tem uma estrutura tão enraizada na Maçonaria Brasileira, que até administrativamente acaba interferindo nos demais ritos, criando vícios que os descaracterizam (Ex.: Exigência de “Orador” na Ata de Votação, para os Trabalhos de Emulação).

No Ritual Emulação isso não existe. Ou seja, há apenas os Rituais dos graus simbólicos, e as Ordens Superiores são ordens totalmente independentes, e não há obrigação de iniciar esta evolução. Depois do grau de Mestre o Irmão escolhe como vai se aperfeiçoar. São 17 “corpos”, por assim dizer, e no Brasil ainda temos somente 5. Mas não há hierarquia. Existem duas escadas e o Irmão escolhe por qual vai começar subir. Ou faz primeiro o “Arco Real” ou o “Mestre da Marca”.

Tanto são independentes de Rito que são abertas a qualquer outro Irmão de um Rito qualquer, desde que já tenha sido Elevado (=Exaltado, no REAA) a Mestre.

Então, apesar de erroneamente o G.O.B. chamar nossos trabalhos de “Rito de York” hoje sabemos que não é, mas sim Ritual Emulação. O verdadeiro Rito de York está sedimentado no norte e nordeste do Brasil, e não são Lojas do G.O.B., e os Irmãos de lá não gostam nada desta confusão que o G.O.B. faz, pois eles praticam o verdadeiro Rito de York, de origem norte-americana, fundado pelo Irmão Thomas Smith Webb, em 1797. Da mesma forma, os Irmãos das Lojas Inglesas, sediadas no Brasil e subordinadas à UGLE, não concordam com esta confusão de nomes.

O que é um Ritual?
Ritual, como um adjetivo, derivado do latim (ritualis), designa o que é relativo a Ritos. Como substantivo masculino, designa o livro que contém a ordem e a forma de uma determinada Cerimônia, e das dramatizações e representações ritualísticas, ou seja, é um conjunto de regras e/ou normas estabelecidas para a liturgia das cerimônias maçônicas. Sempre existiram os rituais, inicialmente através das tradições e de forma oral, posteriormente, com o passar dos anos por escrito, mas isto não tirou a tradição inglesa de nas reuniões da Loja praticar o Ritual de forma decorada. Pode-se concluir claramente que Ritual é totalmente diferente de Rito.

O que é Rito de York?
Para se entender a definição do que é “Rito York” e a sua origem, é necessário voltarmos um pouco no passado. O Rito York é baseado nos antigos rituais remanescentes da Antiga Maçonaria que era praticada no começo do século XVIII (“Loja dos Antigos”).

Referidos Rituais eram praticados pelos Maçons da “Grande Loja dos Antigos”, fundada no ano de 1751 por Maçons irlandeses, que haviam sido impedidos de entrar na Grande Loja de Londres (Loja dos Modernos – Emulation Working), fundada no ano de 1717.

Thomas Smith Webb, é considerado como se fosse o organizador e fundador do Rito York, ou seja, o “pai” do Rito . Ele nasceu em 30 de outubro de 1771, em Boston. Foi iniciado na Loja do Sol Nascente, em Keene, New Hampshire, aos 19 anos. No ano de 1797, ele pesquisou, catalogou, organizou e codificou todos os rituais antigos e fez um conjunto de 13(treze) rituais, de forma condensada, em um Monitor e denominou-os de “Rito York” , em homenagem a cidade de York , pois em suas pesquisas foi tida como berço da Maçonaria no mundo, ou seja, a cidade onde se tem os registros mais antigos de reuniões maçônicas.

Ritual de Emulação
O Ritual de Emulação foi aprovado oficialmente pela Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE, deu-se pela união das Lojas dos Antigos e dos Modernos) em 1813, e foi criado um Comitê curador do Ritual, chamado de Emulation Lodge of Improvement for Master Masons (Loja Emulação para Aperfeiçoamento de Mestres Maçons). Este Comitê é o responsável pela edição e publicação do Ritual Emulação, com plena autorização da UGLE, respeitando os princípios gerais impostos pela mesma. Este Ritual aprovado em 1813, na verdade, trazia já as práticas de 1717, pela Loja dos “Modernos”, que eram assim chamados pejorativamente, por terem modificado os Rituais antigos, tirando toda influência religiosa, mística ou esotérico. Com a união das Lojas rivais, algumas destas práticas retornaram, no chamado Trabalho Emulação (Ritual Emulação), mas em proporção muito menor, sendo inteiramente resgatadas pelo Rito de York.

Por isso o Ritual de Emulação é como se fosse um Monitor que contém o conjunto de práticas consagradas pelo uso e costume, e que assim se devem de forma invariável em momentos determinados. Ou seja, é o cerimonial propriamente dito.

Na Inglaterra, compete às Lojas a regulamentação das formas de ritual, reservando-se, a UGLE, o direito de intervir em qualquer Loja Inglesa que adote formas ou modificações entranhas a prática do ritual conforme ensinado desde 1813, ou algo que venha a se opor aos princípios gerais estabelecidos. Pois, segundo o Art. 155 do Livro das Constituição da Grande Loja Unida da Inglaterra, esta liberdade é concedida, mas também limitada.

“Lodge may regulate its own proceedings” (As Lojas podem regular seus própios procedimentos)
….
“155. The members present of any Lodge duly summoned have na undoubled right to regulate their own proceedings, provided they are consistent with the general laws and regulations of the Craft; but a protest against resolution or proceeding, base don the ground of its being contrary to the laws and usages of the Craft, and for the porpuse of complaining or oppealing to a higher Masonic outhority, may be and such protest shall be entered in the Minute Book if the Brother marking the protest shall so request.”

Em tradução livre:
“155. Os membros presentes de qualquer Loja, devidamente reunida, têm o direito inalienável para regular os seus próprios procedimentos, desde que eles estejam de acordo com as leis gerais e regulamentos do Ofício (ou da Ordem); contudo, um protesto (reclamação, denúncia) contra qualquer resolução ou procedimento que seja contrário às leis e aos costumes do Ofício e com a finalidade de reclamar ou atrair uma autoridade maçônica maior, pode ser feito, e tal protesto será anotado no Livro de Atas, se o Irmão que faz o protesto assim solicitar.”

Assim, existem na Inglaterra, diversas formas de rituais, conforme já foi citado, pois a Grande Loja – UGLE – não legisla sobre a forma de ritual adotado por suas Lojas, mas sim sobre os princípios gerais da Ordem, e nenhum ritual pode ser contrário a isso. Ao pronunciar erroneamente o verdadeiro nome do Trabalho Maçônico, não se está simplesmente errando o nome, como se fossem sinônimos, mas está se misturando e distorcendo a essência de um Trabalho que nada tem a ver com outro. Rito é Rito, Ritual é Ritual, e o Ritual Emulação nada tem a ver com os demais.

Publicado originalmente na http://www.ritualemulacao.com/#!artigo-1/chay

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/diferen%C3%A7as-entre-rito-de-york-e-ritual-de-emula%C3%A7%C3%A3o

Giordano Bruno

Filipe Bruno nasceu em Nola, Itália, em 1548. O nome com que ficou conhecido, Giordano, lhe foi dado quando, ainda muito jovem, ingressou no convento de São Domingos, onde foi ordenado sacerdote, em 1572.

Mente inquieta e muito independente, Bruno teve sérios problemas com seus superiores ainda quando estudante no convento. Sabemos que já em 1567 um processo foi instaurado contra ele, por insurbordinação, mas Bruno já granjeara admiração por seus dotes intelectuais, o que possibilitou a suspensão do processo. Era tão séria a largueza de visão de Bruno quanto aos defeitos do pensamento intelectual de sua época, que em 1576 teve de fugir de Nápoles para Roma devido à peseguições de toda espécie e, depois, para a Suíça, onde freqüentou ambientes calvinistas, que logo abandonaria julgando o pensamento teológico dos protestantes tão restrito quanto o dos católicos.

A partir de 1579, Bruno passa a viver na França, onde atraiu as simpatias de Henrique III. Em meados da década seguinte, Bruno vai para a Inglaterra. Mas logo ele entra em atrito com os docentes de Oxford. Vai, então, depois de um curto período de retorno à França, para a Alemanha luterana. Após um período de vivência no meio dos seguidores de Lutero (de onde seria expulso posteriormente), Bruno parte para Frankfurt, onde publica sua trilogia de poemas latinos. Recebe um conviente (que lhe seria fatal) para ensinar a arte da memória ao nobre (na verdade, um interesseiro ) veneziano João Mocenigno. Assim, selando seu destino, Bruno parte para a Itália em 1591. No mesmo ano, Mocenigno (que esperava aprender as artes da magia com Bruno) denuncia o mestre ao Santo Ofício.

No ano seguinte, começa o dramático processo contra Bruno, que se conclui com sua retratação. Em 1593, é transferido para Roma, onde é submetido a novo processo. Depois de extenuantes e desumanas tentativas de convencê-lo a retratar-se de algumas de suas teses mais básicas e revolucionárias pelo método inquisitorial, Bruno é, por fim, condenado à morte na fogueira, em 16 fevereiro de 1600.

Giordano Bruno morreu sem renegar seus pontos de vista filosófico-religiosos. Sua morte acabou por causar um forte impacto pela liberdade de pensamento em toda a Europa culta. Como diz A. Guzzo: “Assim, morto, ele se apresenta pedindo que sua filosofia viva. E, desse modo, seu pedido foi atendido: o seu julgamento se reabriu, a consciência italiana recorreu do processo e, antes de mais nada, acabou por incriminar aqueles qua o haviam matado”.

A Filosofia de Bruno

A característica básica da filosofia de Giordano Bruno é a sua volta aos princípios do neoplatonismo de Plotino, e ao hemetismo da Europa pré-crstã, notadamente nos trabalhos que conhecemos como “O Corpus Hermeticum”.

Nos primeiros séculos da era imperal romana durante o desenvolvimento do movimento cristão, veio à tona uma surpreendente literatura de caráter filosófico-religioso, cujo traço de união era, segundo seus autores, as revelações trazidas po Thot, o deus escriba dos egípcios, que os gregos identificaram com Hermes Trismegisto, de onde o nome de literatura hermética. Parece que o Thot egípcio foi, realmente, uma figura religiosa histórica real que o tempo se incubiu de envolver nos véus da lenda. Seja como for, temos conhecimento desses escritos filosófico-religiosos que remontam à tradição inicada pelo movimento de Thot-Hermes, e que nos chegaram, em parte. O suporte doutrinário dessa literatura, segundo Reale e Antiseri (1990), é uma forma de metafísica inspirada em fontes do medioplatonismo, do neopitagorismo, da tradição de Apolônio de Tiana, e do nascente neoplatonismo. A iluminação pessoal, com a conseguinte salvação da alma, segunda esta doutrina, depende do grau de conhecimento (gnosi) e maturidade a que chega o homem em sua luta por compreender o porquê da existência terrena, que é a ante-sala do mundo supra-sensível, além do plano físico. Em virtude da profundidade destes escritos, alguns pais da Igreja (Tertuliano, Lactâncio e outros), consideraram Hermes Trismegsito um tipo de profeta pagão anterior e preparador dos ensinos de Cristo, embora esta história tenha sido abafada pelo fanatismo católico posterior da Idade Média. Resgatando parte desta tradição, Bruno se coloca na trilha dos magos-filósofos que ressurgiram na renascença, que, embora procurando manter-se dentro dos limites da ortodoxia cristã, leva-o às últimas consequências. O pensamento de Bruno é gnóstico em essência, profundamente mesclado ao pensamento hermético e neoplatônico que o sustenta. Ele conduz a magia renascentista às suas fontes pré-cristãs e as demonstra serem tão válidas e ricas quanto a cristã, tendo, inclusive, o mérito de se enriquecerem mutamente. É necessário aceitar o diferente, segundo Bruno, com suas riquezes e pontos de vista complementares ao modo de ver do mundo cristão. Bruno, tal como antes fizera Plotino, considerava a religiosidade pré-Cristã uma forma de exercício para uma vivência plena, mística e direta com o Uno. Isso foi fatal para Bruno, que surgiu uma época de extrema intolerância relgiosa ( e que – sejamos honestos – ainda perdura de forma sutil e ainda mais cruel na Igreja Católica, como no exemplo da condenação da Teologia da Libertação e de seus formuladores, como Leonardo Boff, e no falso discurso ecumênico que esconde interesses políticos, em que é cegamente seguida por sua filha pródiga: o universo das igrejas e seitas evangélicas), e que buscava no hermetismo um refúgio à cegueira fanática da inquisição. E Bruno vem à tona pregando um reconhecimento da herança pagã antiga e da liberdade de pensamento filosófico-relgioso, o que, por si, era uma ameaça e uma atitude por demais revolucionárias para serem suportadas pelo poder de Roma.

O pensamento de Bruno era holista, naturalista e espiritualista. Dentre suas idéias especulativas, destacamos a percepção de uma sabedoria que se exprime na ordem natural, onde todas as coisas, quer tenhamos idéia ou não, estão interligadas e se interrelacionam de maneira mais ou menos sutil (holismo); a pluralidade dos mundos habitados, sendo a Terra apenas mais um de vários planetas que giram em volta de outros sistemas, etc. Por tudo isso, por essa ousadia em pensar, Bruno – que estava séculos adiante de seu tempo – pagou um alto preço. Mas sua coragem serviu de estopim e incentivo ao progresso científico e filosófico posterior.

por Carlos Antonio Fragoso Guimarães

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/giordano-bruno/

Antes que se apague a chama

Eu queria lhes apresentar um amigo…

Foi um dos maiores educadores que já se viu e, no entanto, diz-se que seu primeiro trabalho foi de auxiliar da mãe, Phaenarete, que era parteira. Ainda assim, ao observar um parto complicado da mãe, já demonstrou a extensão de seu pensamento: “Minha mãe não irá criar o bebê, apenas auxiliá-lo a nascer, e tentar diminuir a dor do parto. Porém, se ela não realizar o parto, talvez ambos, a mulher e seu filho, morram… Eu também serei um parteiro, um parteiro do conhecimento que jaz na alma das pessoas, mas, por ignorância dele, elas não se dedicam devidamente ao seu nascimento. Eu os ajudarei fazer nascer sua sabedoria.”

Este era Sócrates, o maior dos filósofos, a luz perene de Atenas. Ele que serviu sua cidade-estado como quem serve a um ideal maior do que ele próprio, uma paideia, uma cultura universal condensada e absorvida pela cultura de um só povo, uns 70 mil que, não obstante, influenciaram a linguagem e as ideias de todo o Ocidente. E, servindo a tal pátria, lutou em diversas guerras como soldado, felizmente escapando ileso de todas elas. Ao fim da carreira de soldado, poderia haver se aposentado da vida, mas foi aí, pelo contrário, que sua vida de sábio e educador começou.

Tendo consultado o oráculo em Delfos e recebido a inquietante resposta de que era “o homem mais sábio de toda Grécia”, prontamente dedicou-se a abordar outros homens ditos sábios, na esperança de provar que o oráculo estava errado. Como, para sua surpresa, descobriu que todos aqueles que se julgavam sábios, em realidade não o eram, passou a perseguir a sabedoria – que ele mesmo julgava não possuir – noutro mundo.

Sócrates buscou aos jovens, e os jovens buscaram a Sócrates, como as abelhas buscam as flores, e as flores as abelhas. Sabiam, de alguma forma oculta, que necessitavam uns dos outros: os jovens precisavam de um parteiro para que sua própria sabedoria florescesse, e o filósofo, em seu papel de parteiro do conhecimento, necessitava do contato direto com o fogo das almas recém-chegadas ao mundo, antes que sua chama houvesse sido apagada pelos hábitos moribundos da estagnação dos homens ignorantes.

Precisamente por isso, mais do que por ter professado servir a um Deus desconhecido, foi Sócrates acusado e sentenciado a morte por seu próprio povo: corromper aos jovens. Ora, mas não poderia ter sido diferente – aqueles que haviam se acostumado com o musgo e o breu das cavernas, jamais poderiam suportar aqueles jovens falando sobre uma luz, uma divina luz, a irradiar sob os campos da superfície das mentes libertas do claustro.

Sócrates demarcou a alternância do entendimento da justiça, da ética e da política como elementos de um conjunto de regras de convívio social, para a era da justiça, da ética e da política a serem realizadas primeiramente na própria alma, a juíza de si própria, num conflito perene para que deixasse de ser escrava de seus próprios instintos inferiores, de sua ignorância, e se reacendesse em chamas, no fogo que veio do Alto, e do qual ainda poderiam se lembrar – como ideias inatas de um Grande Bem.

Não é culpa do velho atarracado com seus olhos de touro que a Igreja tenha, muitos séculos depois, se apropriado deste conceito e determinado que ele seria deste ou daquele jeito: um Céu Eterno, contrapondo um Inferno Eterno. O Céu de Sócrates era, antes de tudo, o Céu da liberdade, da amizade, da fraternidade, do amor ao saber. Não poderia jamais ser delimitado por dogmas ou manuais de como seria exatamente tal região, até mesmo porque, para o filósofo, tal Céu estava por ser erigido em alguma época futura, onde todos os jovens houvessem feito o parto de sua própria sabedoria, sua própria potencialidade, com a ajuda do grande parteiro, ou de outros que viriam após ele… O Deus de Sócrates estava no futuro, mas sua chama atingia o passado.

Ao ser condenado por ingestão de cicuta, seus amigos mais próximos lhe imploraram que fugisse da cidade para viver no exílio. Sócrates, porém, os fez tentar compreender: não havia cidade para onde fugir, Atenas era sua paideia, e sua paideia era todo o mundo. Havia ali permanecido desde o nascimento, e por 70 longos anos, não somente porque pensava estar no centro físico do mundo conhecido, mas principalmente porque acreditava ser ali o centro espiritual de todo o horizonte. Foi em Atenas, e com ideias, que Sócrates lutou toda sua guerra… Fugir, naquele momento, seria o mesmo que debandar de uma batalha enquanto soldado, somente por medo de perecer em combate. Sócrates não tinha medo da morte, mas antes da desonra, algo que poderia fazer com que todo o seu pensamento, e tantos e tantos partos, houvessem sido em vão.

Mas, ainda mais do que isso, Sócrates sabia de um outro mundo, aquele mundo onde a chama que observara na memória dos jovens ardia em puro esplendor e essência. Por boa parte da vida procurou fazer com que os jovens enxergassem tal mundo antes que a chama se apagasse por completo… Agora, era a sua vez de chegar, uma vez mais, ao mundo das essências. Se estaria em melhor posição que aqueles que permaneceriam no mundo das sombras, deixou que cada um decidisse por si só.

“Levou a taça aos lábios e com toda a naturalidade, sem vacilar um nada, bebeu até à última gota.

Até esse momento, quase todos tínhamos conseguido reter as lágrimas; porém quando o vimos beber, e que havia bebido tudo, ninguém mais aguentou. Eu também não me contive: chorei à lágrima viva. Cobrindo a cabeça, lastimei o meu infortúnio; sim, não era por desgraça que eu chorava, mas a minha própria sorte, por ver de que espécie de amigo me veria privado. Critão levantou-se antes de mim, por não poder reter as lágrimas. Apolodoro, que desde o começo não havia parado de chorar, pôs se a urrar, comovendo seu pranto e lamentações até o íntimo todos os presentes, com exceção do próprio Sócrates.

– Que é isso, gente incompreensível? Perguntou. Mandei sair às mulheres, para evitar esses exageros. Sempre soube que só se deve morrer com palavras de bom agouro. Acalmai-vos! Sede homens!

Ouvindo-o falar dessa maneira, sentimo-nos envergonhados e paramos de chorar. E ele, sem deixar de andar, ao sentir as pernas pesadas, deitou-se de costas, como recomendara o homem [que lhe deu] o veneno. Este, a intervalos, apalpava-lhe os pés e as pernas. Depois, apertando com mais força os pés, perguntou se sentia alguma coisa. Respondeu que não. De seguida, sem deixar de comprimir-lhe a perna, do artelho para cima, mostrou-nos que começava a ficar frio e a enrijecer. Apalpando-o mais uma vez, declarou-nos que no momento em que aquilo chegasse ao coração, ele partiria. Já se lhe tinha esfriado quase todo o baixo-ventre, quando, descobrindo o rosto – pois o havia tapado antes – disse, e foram suas últimas palavras:

– Critão (exclamou ele), devemos um galo a Asclépio. Não te esqueças de saldar essa dívida!

“Assim farei!”, respondeu Critão. Vê se queres dizer mais alguma coisa. A essa pergunta, já não respondeu. Decorrido mais algum tempo, deu um estremeção. O homem o descobriu; tinha o olhar parado. Percebendo isso, Critão fechou-lhe os olhos e a boca.

Tal foi o fim do nosso amigo, Equécrates, do homem, podemos afirmá-lo, que entre todos os que nos foi dado conhecer, era o melhor e também o mais sábio e mais justo.” (Fédon – Platão)

Feliz foi Sócrates, o filósofo que viveu entre amigos, e não entre discípulos.

***

Crédito da imagem: Sven Hagolani/Corbis

#Educação #Filosofia #Platão #Sócrates

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/antes-que-se-apague-a-chama

Excerto de `Le Visage Vert´

A chave que nos tornará mestres da natureza interior ficou enferrujada desde o dilúvio.

Ela chama-se: velar.

Velar é tudo.

O homem está firmemente convencido de que vela; mas na realidade, é apanhado numa rede de sono e de sonho que ele próprio teceu. Quanto mais apertada é essa rede, mais poderosamente reina o sono, Aqueles que estão presos nas suas malhas são os adormecidos que caminham através da vida como rebanhos de animais levados para o matadouro, indiferentes e sem pensamentos.

Os sonhadores vêem através das malhas um mundo quadriculado, só distinguem aberturas enganadoras, agem em consequência  e não sabem que esses quadros são apenas os fragmentos insensatos de um todo enorme. Esses sonhadores não são, como talvez o suponhas, os lunáticos e os poetas; são os trabalhadores, os sem repouso do Mundo, os possessos da loucura de agir. Assemelham-se a escaravelhos feios e laboriosos que se arrastam ao longo de um cano liso para nele mergulharem ao chegar lá acima. Dizem que velam, mas aquilo que julgam uma vida não é em realidade senão um sonho, determinado antecipadamente nos mínimos pormenores e subtraído à influência da sua vontade.

Existiram e ainda existem alguns homens que souberam que sonhavam, os pioneiros que avançaram até aos baluartes atrás dos quais se esconde o eu eternamente desperto – videntes como Descartes, Schopenhauer e Kant. Mas eles não possuíam as armas necessárias para a tomada da fortaleza e o seu apelo ao combate não acordou os adormecidos.

Velar é tudo.

O primeiro passo para esse objectivo é tão simples que qualquer criança o pode dar. Só aquele que tem o espírito falsificado esqueceu como se caminha, e mantém-se paralisado sobre os seus dois pés, pois não se quer privar das muletas que herdou dos seus antecessores.

Velar é tudo.

Vela em tudo o que fazes! Não te julgues já desperto. Não, tu dormes e sonhas.

Reúne todas as tuas forças e espalha um instante pelo teu corpo este sentimento: agora, eu vejo!

Se o conseguires, reconhecerás imediatamente que o estado no qual te encontravas surge então como uma modorra e um sono.

É o primeiro passo hesitante do longo, muito longo percurso que leva da servidão ao completo poder.

Desta forma avança, de despertar em despertar.

Não existe pensamento tormentoso que desta maneira não possas banir. Ele fica para trás e já não te pode atingir. Estendeste sobre ele como a copa de uma árvore se eleva por sobre os ramos secos.

As dores afastam-se de ti como folhas mortas quando essa vigília se apossa igualmente do teu corpo.

Os banhos gelados dos brâmanes, as noites de vigília dos discípulos de Buda e dos ascetas cristãos, os suplícios dos faquires não são mais que os ritos estereotipados indicando que ali se erguia outrora o templo daqueles que se esforçavam por velar.

Lê as escrituras Sagradas de todos os povos da Terra. Em cada uma delas passa como um fio vermelho a ciência dissimulada da vigília. É a escada de Jacob, que combate toda a “noite” com o anjo do Senhor, até que chegue o “dia” e obtenha a
vitória.

Deves subir, um após outro, os degraus do despertar, se queres vencer a morte.

O degrau inferior já se chama: génio.

Como devemos nós chamar os degraus superiores? Ficam desconhecidos da multidão e são tidos como lendas.

A história de Tróia foi considerada uma lenda, até que finalmente um homem arranjou coragem de investigar por si próprio.

Sobre esse caminho da vigília, o primeiro inimigo que encontrarás será o teu próprio corpo. Ele lutará contigo até ao primeiro cantar do galo. Mas se vislumbrares a luz da vigília eterna que te afasta dos sonâmbulos que supõem ser homens e ignoram que são deuses adormecidos então o sono do teu corpo desaparecerá também e o Universo submeter-se-á a ti.

Então poderás operar milagres, se quiseres, e já não estarás reduzido, como um humilde escravo, a esperar que um cruel e falso deus seja suficientemente amável para te cumular de presentes ou te cortar a cabeça.

Há evidentemente a felicidade do bom cão fiel: servir um amo. Ela deixará de existir para ti – mas sê franco para contigo próprio: gostarias tu, mesmo agora, de trocar o lugar com teu cão?

Não te deixes apavorar pelo medo de não atingires o objectivo nesta vida. Aquele que descobriu este caminho regressa sempre ao mundo com uma maturidade interior que lhe torna possível a continuação do seu trabalho. Ele nasce como “génio”.

O caminho que te mostro está semeado de acontecimentos estranhos: mortos que conheceste hão-de erguer-se e falar-te! São apenas imagens. Silhuetas luminosas aparecer-te-ão para te abençoar. São apenas imagens, formas exaltadas pelo teu corpo que, sob a influência da tua vontade transformada, morrerá de uma morte mágica e se tornará espírito, tal como o gelo, atingido pelo fogo, se dissolve em vapor.

Quando tiveres abandonado em ti o cadáver é que então poderás dizer: agora o sono afastou-se de mim para sempre.

Então dar-se-á o milagre em que os homens não acreditam – porque, enganados pelos seus sentidos, não percebem que matéria e força são a mesma coisa – nem compreendem, esse milagre que, mesmo se o enterrarem, não haverá cadáver no
caixão.

Só então poderás diferenciar o que é realidade ou aparência. Aquele que tu encontrares só poderá ser um dos que seguiram o caminho antes de ti.

Todos os outros são sombras.

Até ali tu não sabes se és a criatura mais feliz ou a mais infeliz. Mas nada receies. Nem um sequer dos que seguiram pelo caminho da vigília, mesmo se alguma vez se perdeu, jamais foi abandonado pelos seus guias.

Quero dar-te um sinal pelo qual poderás reconhecer se uma aparição é realidade ou miragem: se ela se aproxima de ti, se a tua consciência se perturba, se as coisas do mundo exterior são vagas ou desaparecem, desconfia. Acautela-te! A aparição não passa de uma parte de ti próprio. Se não a compreendes, é apenas um espectro sem consistência, um gatuno que conssome uma parte da tua vida.

Os gatunos que adquirem a força da alma são “piores do que os gatunos do Mundo. Atraem-te como fogos-fatus nos pântanos de uma esperança enganadora, para te deixarem só nas trevas e desaparecerem para sempre.

Não te deixes enganar por nenhum milagre que eles pareçam fazer por ti, por nenhum nome sagrado que se derem, por nenhuma profecia que exprimam, nem mesmo se esta se realizar; eles são os teus inimigos mortais, expulsos do inferno do teu próprio corpo e com os quais tu lutas pelo domínio.

Sabe que as forças maravilhosas que eles possuem são as tuas próprias – desviadas por eles para te manterem na escravatura. Eles não podem viver fora da tua vida, mas se os venceres ficarão aniquilados, como ferramentas mudas e dóceis que poderás empregar segundo as tuas necessidades.

Inúmeras são as vítimas que eles fizeram entre os homens. Lê a história dos visionários e dos sectários e compreenderás que o caminho que segues está semeado de crânios.

Inconscientemente a humanidade ergueu contra eles um muro: o materialismo. Esse muro é uma defesa infalível, é uma imagem do corpo mas é também o muro de uma prisão que dissimula a vista.

Actualmente estão dispersos e a fénix da vida interior ressuscita das cinzas nas quais esteve deitada durante muito tempo, como morta, mas os abutres de outro mundo também começam a bater as asas. É por isso que deves tomar cuidado. A balança sobre a qual deporás a tua consciência mostrar-te-á quanto podes ter confiança nessas aparições. Quanto mais desperta ela estiver, mais se inclinará a teu favor.

Se um guia, um irmão de outro mundo espiritual te quer aparecer, deve poder fazê-lo sem despojar a tua consciência. Podes pousar a mão sobre ele como Tomé o incrédulo.

Seria fácil evitar as aparições e seus perigos. Basta conduzires-te como um homem vulgar. Mas que ganhas com isso? Continuas a ser um prisioneiro na jaula do teu corpo até que o carrasco “Morte” te conduza ao cadafalso.

O desejo dos mortais de verem os seres sobrenaturais é um grito que desperta até os fantasmas do inferno, porque semelhante desejo não é puro; – porque é mais avidez do que desejo, porque quer “tomar” de qualquer maneira em vez de gritar para aprender a “dar”.

Todos aqueles que consideram a Terra como uma prisão, todas as pessoas piedosas que imploram a libertação evocam sem se aperceberem o mundo dos espectros. Fá-lo igualmente tu próprio. Mas conscientemente.

Para aqueles que o fazem inconscientemente existirá uma mão invisível que os possa retirar do pântano onde se atolam? Eu não o acredito.

Quando sobre o caminho do despertar atravessarás o reino dos espectros, reconhecerás pouco a pouco que eles são simplesmente pensamentos que de súbito poderás ver com os teus próprios olhos. Eis porque te são estranhos e parecem ser criaturas, pois a linguagem das formas é diferente da do cérebro.

Então chegou o momento em que a transformação se dá: os homens que te rodeiam transformar-se-ão em espectros. Todos aqueles que amaste serão, de súbito, larvas. Mesmo o teu próprio corpo.

Não se pode imaginar mais terrível solidão que a do peregrino no deserto, e quem não sabe encontrar aí a fonte da vida ? morre de sede!

Tudo o que aqui te digo se encontra nos livros dos homens piedosos de todos os povos: a vinda de um novo reino, a vigília, a vitória sobre o corpo e a solidão.

E no entanto um abismo intransponível nos separa dessas pessoas piedosas: elas supõem que se aproxima o dia em que os bons entrarão no paraíso e os maus serão atirados para o inferno. Nós sabemos que um tempo virá em que muitos despertarão e serão separados dos adormecidos que não podem compreender o que significa a palavra vigília. Nós sabemos que não existe o bom e o mau, mas apenas o exacto e o falso. Eles crêem que velar significa manter os seus sentidos lúcidos e os olhos abertos durante a noite, de forma que o homem possa fazer as suas orações. Nós sabemos que a vigília é o despertar do eu imortal e que a insónia do corpo é uma consequência natural. Eles crêem que o corpo deve ser descurado e desprezado porque é pecador. Nós sabemos que não existe pecado; o corpo é o começo da nossa obra e vimos à Terra para transformar em espírito. Eles crêem que deveríamos viver na solidão com o nosso corpo para purificar o espírito. Nós sabemos que o nosso espírito deve primeiramente isolar-se para transfigurar o corpo.

Só a ti te cabe a escolha do caminho a tomar: ou o nosso ou o deles. Deves agir segundo a tua própria vontade. Não tenho o direito de te aconselhar. É mais salutar colher segundo a tua própria decisão um fruto amargo sobre uma árvore, do que ver pendurar um fruto doce aconselhado por outrem.

Mas não faças como muitos que sabem que está escrito: examinai tudo e só conservai o melhor. É preciso ir, nada examinar e agarrar a primeira coisa que aparecer.

GUSTAV MEYRINCK

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/excerto-de-le-visage-vert/

Mapa Astral de Patch Adams

Hunter “Patch” Adams (Washington D.C., 28 de maio de 1945) é um médico norte-americano, famoso por sua metodologia inusitada no tratamento a enfermos. Formado pela Virginia Medical University, também fundou o Instituto Gesundheit em 1972.

Em um programa de entrevistas na televisão brasileira (Roda Viva), em 2007, Patch Adams afirmou que nunca disse que “rir é o melhor remédio”, e sim que o riso “faz parte de um contexto”. Na verdade, seu lema era “a amizade é o melhor remédio”. Disse também ter uma Biblioteca de 18.000 volumes e que lê muita poesia, adora os poemas de Pablo Neruda, porque segundo ele, a poesia nos dá amor. Criticou as pessoas que têm muito dinheiro e nada fazem pelos menos favorecidos, usou o termo “lixo” para definí-las. E renegou o filme “Patch Adams” de Tom Shadyac, dizendo que ele não condiz com a verdade; criticou o Governo Americano, a quem chamou de “Terrorista”, assim como as indústrias de medicamentos, que só visam os lucros bilionários. Sua filosofia de vida é o amor, não apenas no âmbito hospitalar, mas em nossas relações sociais como um todo, independente de lugar. Tem por opinião que o objetivo do médico não é curar e sim cuidar. Cuidar com muito amor, tocando nos doentes, olhando em seus olhos, sorrindo…

O Mapa de Patch possui Sol e Urano em Gêmeos, Ascendente em Sagitário, Lua em Sagitário-Capricórnio e Saturno e Caput Draconis em Câncer. Indica uma pessoa comunicativa, com extrema facilidade com palavras, que possui o desejo de viajar, ler, conversar, travar contato com outras pessoas. Uma pessoa com Ascendente e Lua em Sagitário possui uma inclinação natural para o alto astral, bom humor e comédia (embora a Lua de Patch em Capricórnio-Sagitário indique que ele seja uma pessoa extremamente séria e disciplinada também) e Saturno direciona esta seriedade para as energias de câncer (cuidar dos outros, acolher, nutrir…).

Também podemos dizer que é uma pessoa com extrema facilidade para tempos e métodos (Júpiter em Virgem) e Capacidade de liderança (Marte e Vênus em Áries na casa 5)

Seu Caput Draconis em Câncer na casa 8 (Energias cancerianas na casa 8, cujo arquétipo é “tomar conta dos outros”), indica que o auge da carreira de Patch Adams seria destinado a tomar conta de pessoas. Pode-se dizer que ele está cumprindo sua Verdadeira Vontade com louvor.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-patch-adams

Wu Xing (五行) Os Cinco Elementos do Taoismo

Wu Xing, também chamada de Teoria das Cinco Energias, ela é algumas vezes citada como da época de Tsou Yen, que é sempre descrito como o fundador do pensamento científico chinês. No livro “O Documento Histórico”, que data do século I d.C., Tsou Yen é descrito como fundador de idéias essenciais do sistema das Cinco Energias. O estudo desses movimentos forma a base de um sistema da sabedoria chinesa. Associados a cada uma dessas cinco energias estão os mais variados tipos de sensações experimentadas por nós no cotidiano, cores, odores, paladares, estações do ano, comidas, direções, números. Cada um dos órgãos internos e os doze principais canais ou caminho de energia do corpo são classificados de acordo com os cinco elementos.

Obviamente, esses Elementos são estudados e entendidos como caracterização de forças e nunca como substâncias materiais; são forças nas quais a energia Ch’i se expressa de 5 maneiras diferentes. Devemos saber que as palavras com que representamos estas energias são somente palavras que se assemelham mais satisfatoriamente à conduta e ao caráter destas energias. Assim temos: Metal = Agudo e solitário; Água = Liberal, extenso, nutridor; Madeira = Ascendente, móvel, crescente; Fogo = Radiante, quente, dissipando; Terra = Estável, concentrado.

Quando uma situação requer adaptação, um modo de efetuar a mudança é acrescentar a cor, a forma, o material ou a emoção que cada Elemento expressa. Por exemplo, quando você está cansado, acrescente um pouco de energia de FOGO ao ambiente. Quando está nervoso por causa de um exame em pendência, acrescente a energia da ÁGUA ao ambiente, ou em você (roupas azuis, etc.). Quando precisa ser corajoso, acrescente MADEIRA. Quando precisa desenvolver-se mentalmente, acrescente METAL.

Os 5 Elementos têm efeitos um sobre o outro, criando um ao outro em uma seqüência fixa.

CICLO DE CRIAÇÃO DOS ELEMENTOS 

No Ciclo de Geração, MADEIRA alimenta FOGO, que produz cinzas (representada pela TERRA), que gera minerais (representados pelas rochas de onde deriva o METAL), que gera ÁGUA a partir da sua fusão fluindo como água, ÁGUA nutre as árvores, gerando MADEIRA [acompanhe o diagrama acima].

CICLO DE DESTRUIÇÃO DOS ELEMENTOS 

O FOGO derrete o METAL, que destrói a MADEIRA, que se nutre da TERRA, que vence a ÁGUA, a qual apaga o FOGO.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/wu-xing-%e4%ba%94%e8%a1%8c-os-cinco-elementos-do-taoismo/