Salomão, o Grande Iniciado

Grande parte dos conhecimentos secretos oriundos da Civilização da Atlântida acompanhou o povo Hebreu quando de sua saída do Egito para a Terra da Promissão. Os Hebreus conservaram aqueles conhecimentos e deles extraiu uma parcela baseados na qual estruturaram a face esotérica da religião, a qual posteriormente veio a se chamar Cabala. Este termo, em essência, significa Conhecimento.

Com certeza os hebreus se constituíram um grupo que conservou certos conhecimentos elevados de uma forma pura, e que eram inicialmente transmitidos de uma para outra pessoa considerada digna do saber. Mas isto fez com que a conjura decretasse perseguições àquele povo cuja história está repleta de perseguições, guerras, injustiças – sofridas e praticadas – e que ainda vêm ocorrendo. O que não tem sido dito é o fato daqueles conhecimentos haverem sido alterados por ordem de Jeová, e também perseguidos pela “conjura do Sillêncio” – obscurantismo – assim como por algumas “Escolas Iniciáticas”. Estas não permitiam o conhecimento fora do controle que exerciam, e por sua vez a conjura primava para que conhecimento algum fosse cultivado. O intento de Jehová era idêntico ao da conjura, porém por um motivo diferente. Essa situação só veio a ser modificada quando veio à terra uma Centelha da Consciência Cósmica na pessoa de Salomão.

Devemos sentir o quanto uma ciência secreta existia entre os hebreus e a política oculta que operava nos bastidores. Visando tal entendimento, antes já expomos, agora analisaremos alguns dos aspectos da natureza do Rei Salomão. Evidentemente existe muita fantasia, muita lenda em torno dele, mas isto não invalida a acertiva de que ele entre os Reis de Israel foi o mais sábio, o portador de maior cabedal de conhecimentos gerais e também dos “proibidos.”

Salomão destaca-se ainda na atualidade tanto pelo História Bíblica quanto pelas tradições maçônicas e de outras escolas místicas. Mas, não é só isto, Ele também é reconhecido de forma preponderante pelo Islamismo, que têm aquele rei entre os mais importantes seres que já estiveram na terra. Mas, o que é mais curioso, Salomão também é respeitado e admirado por todos os seguidores do ocultismo. Até hoje o Seu nome impera entre os adeptos de inúmeras seitas, chegando mesmo a ser aceito e respeitado pela magia negra. É precisamente em Salomão e na construção do Templo de Jerusalém que se fundamentam muitas histórias ligadas a inúmeras Ordens Iniciáticas.

Por que Salomão se tornou tão importante perante tão heterogênea massa? Por que nele confluem pensamentos tão díspares e tantas religiões e seitas? – Quando se fala de Salomão torna-se difícil separar o que é verdade do que é lenda ou mesmo calúnia. Torna-se quase impossível se estabelecer os limites onde termina a verdade histórica e onde começa o mito e a fantasia, haja visto ao tamanho número de coisas sensacionais que lhes são atribuídas.

Com a morte de David, pai de Salomão, quem normalmente deveria assumir o trono seria Adonias. A Bíblia cita uma luta política que se estabeleceu entre os sacerdotes a respeito de qual dos dois deveria assumir o trono de Israel, cabendo a vitória a Salomão. É deveras incompreensível o porquê de Salomão, que pelo direito de progenitura não era o herdeiro da coroa, foi ungido Rei de Israel. O Primogênito era Absalão que por haver morrido em batao direito de progenitura cabia então a Adonias – o segundo na escala de sucessão – mas o escolhido por David para sucedê-lo foi Salomão.

Adonias foi apoiado para ser proclamado Rei por alguns sacerdotes, sendo o principal deles Abiatar. Quando David estava para morrer Adonias já se auto-proclamou rei e exaltava-se dizendo: “Eu reinarei.” Bíblia cap. 1 ver. 5 e seguintes: “Mandou fazer par si um coche, e tomou cavaleiros e seu pai nunca disse: Por que fazes isto? Mas nem o pontífice Sadoc, nem Banaias, nem o profeta Natan, nem Semei, nem Rei, nem o grosso do exército era por Adonias” Adonias, pois, tendo imolado carneiros, novilhos e toda sorte de vítimas gordas, ao pé da pedra de Zoelet, que está fundo da fonte de Rogel, convidou todos os seus irmãos, filhos do rei e todos os de Judá, criados do rei. Mas não convidou nem o profeta Natan, nem Banaias, e nem os soldados mais valentes, nem Salomão, seu irmão. (Note-se o festival se sacrifícios com sangue )

“Disse pois Natan a Betsabéia, mãe de Salomão: Tu não ouviste que Adonias, filho de Hagit, se fez rei e que David, nosso senhor, ignora isto? Vem pois agora, toma o meu conselho e salva a tua vida e a do teu filho Salomão. Vai, apresenta-te ao rei David e diz-lhe: Porventura tu, ó rei, meu senhor, não mo jurastes a mim tua escrava, dizendo: Salomão, teu filho, reinará depois de mim, e ele se sentará no meu trono? Porém quem reina, pois Adonias? E estando tu ainda falando com o rei, eu sobrevirei depois de ti, e apoiarei as tuas palavras“.

Apresentou-se, pois, Betsabéia ao rei no seu quarto. O rei era já muito velho e Abisag de Sunam o servia.

Inclinou-se Betsabéia profundamente e fez uma profunda reverência ao rei. O rei disse-lhe: Que queres tu? Ela, respondendo, disse: Meu senhor, tu jurastes à tua escrava pelo Senhor, teu Deus: Salomão, teu filho, reinará depois de mim e ele se sentará no meu trono. Agora, eis que Adonias reina sem tu, ó rei meu senhor, o saberes. Ele imolou bois, toda a sorte de vítimas gordas e muitos carneiros, convidou todos os filhos do rei, o pontífice Abiatar e Joab, general do exército; mas não convidou Salomão, teu servo. ToDavida, todo o Israel, está com os olhos em ti esperando que declares quem é que deve sentar-se depois de ti no trono, ó rei meu senhor. Porque, logo que o meu senhor dormir com seus pais, eu e meu filho Salomão seremos tratados como criminosos.

Enquanto ela falava ainda com o rei, eis que chegou o profeta Natan. E avisaram o rei, dizendo: Eis aqui está o profeta Natan. Tendo entrado à presença do rei, e, tendo-lhe feito uma profunda reverência, prostrando-se em terra disse Natan: Ó rei, meu senhor, porventura disseste tu reine Adonias depois de mim e seja ele o que se sente no meu trono? Porque ele desceu hoje, imolou bois, vítimas gordas, muitos carneiros, convidou todos os filhos do rei, os generais do exército e o pontífice Abiatar; e comeram e beberam diante dele dizendo: Viva o rei Adonias! Mas não convidou a mim, que sou teu servo, nem ao pontífice Sadoc, nem a Banaias, filho de Jojada, nem a teu servo Salomão. Porventura saiu essa ordem do rei meu senhor? Mas não é assim que tu me declaraste a mim, teu servo, quem era o que devia, depois do rei meu senhor, sentar-se sobre o seu trono?

O rei David respondeu, dizendo: Chamai-me Betsabéia. Tendo ela se apresentado ao rei e estando de pé diante dele o rei jurou e disse: Viva o Senhor, que livrou a minha alma de toda a angústia, pois que assim como te jurei pelo Senhor Deus, dizendo: Salomão teu filho reinará depois de mim, e ele se sentará em meu lugar sobre o meu trono, assim o cumprirei hoje. Betsabéia, prostrando-se com o rosto em terra, fez uma profunda reverência ao rei, dizendo: Viva David, meu senhor, para todo o sempre. Disse mais o Rei David: Chamai-me o pontífice Sadoc, o profeta Natan e Banais, filho de Jojada. E todos eles entrando à presença do rei, disse-lhes: Toma convosco os servos do vosso amo, fazei montar na minha mula o meu filho Salomão, e levai-o a Gion. O pontífice Sadoc com o profeta Natan o ungiram ali como rei de Israel, vós fareis soar a trombeta e direis? Viva o rei Salomão! E voltareis atrás dele, e ele virá, e sentar-se-á sobre o meu trono, e reinará em meu lugar e eu lhe ordenarei que governe Israel e Judá.

Desceram, pois, o pontífice Sadoc, o profeta Natan e Banaias filho de Jojada, com os cereteus e os feleteus e fizeram montar Salomão na mula do rei David, e levaram-no a Gion. O pontífice Sadoc tomou do tabernáculo o vaso do óleo e ungiu Salomão; tocaram a trombeta e disse todo o povo: Viva o rei Salomão! Subiu toda a multidão após ele e o povo, ecoando ao som das flautas, e mostrando grande regozijo, e a terra retiniu com suas aclamações” ( Vejam o contraste entre o festival de Salomão e o festival de sacrifícios de sangues promovido por Adonias.)

Assim prossegue a descrição. No versículo 50 se lê: Adonias, pois, temendo Salomão, levantou-se e foi abraçar-se com os chifres do altar. Noticiaram a Salomão dizendo: Eis que Adonias, temendo o rei Salomão, está refugiado a um lado do altar, dizendo: O rei Salomão, me jure hoje que ele não fará morrer o seu servo à espada. Salomão respondeu:? Se ele se houver como homem de bem, não cairá em um só cabelo da sua cabeça, mas, se nele se encontrar maldade, morrerá. Mandou, pois o rei Salomão que o fossem tirar do altar, e Adonias, tendo entrado, fez uma profunda reverência ao rei Salomão, o qual disse-lhe: Vai para tua casa.

Neste ponto vamos fazer algumas apreciações. Porque David quando do nascimento de Salomão jurou para Betsabéia que este seria o rei quando na realidade por direito de progenitura isto não lhe caberia? David era um rei sábio, por que razão ele tomara aquela decisão? Com certeza podemos acreditar que David tinha consciência de que Salomão não era como os seus demais filhos, que não era uma pessoa qualquer e sim uma entidade de natureza extremamente elevada. Um ser com uma sabedoria sem par em toda a terra, como veio a se comprovar depois quando ele reinou sobre Israel. Se a decisão de David fosse apenas em decorrência de uma paixão carnal por Betsabéia porque haviam de concordar com a escolha o profeta Natan e outros sacerdotes e militares de Israel? por que nunca fizeram David revogar a promessa feita durante muitos anos enquanto Salomão ainda era criança e sim o contrário fazer Betsabéia cobrar do rei quando este estava próximo a desencarnar, o cumprimento da promessa de fazer Salomão o seu sucessor? Só tem uma explicação possível, eles conheciam a verdadeira identidade espiritual de Salomão, sabiam QUEM É SALOMÃO.

Enquanto Salomão era proclamado, e simplesmente desfilava montado na mula do Rei David, Adonias promovia banquete com sangue, com carne, sacrifícios cruentos, espetáculo bem mundano. Sacrifícios de animais foram realizados, espetáculos de sangue, exalação de energia vital ( energia sutil ) dos seres imolados.

Adonias não empreendeu qualquer luta direta contra Salomão e sim se abrigou no templo e se abraçou com os chifres do altar, numa atitude temerosa, com medo de ser morto por Salomão. Por que Adonias temeu Salomão se por direito de progenitura o trono era dele desde que o primogênito David, Absalão, havia anteriormente sido morto numa revolta contra o próprio rei David? Depois de Absalão, o herdeiro por direito era Adonias o legítimo herdeiro do trono pela escala de progenitura? Ele contava com parte do exército, mas não enfrentou diretamente Salomão, por que? Não enfrentou e ficou pedindo para que a sua vida fosse poupada? Por que isso se ele não havia cometido crime algum aparentemente? Pelo direito de progenitura o usurpador do trono poderia ser considerado Salomão e não Adonias. Somente Absalão é que poderia acusar Adonias de usurpador do torno de Israel e não Salomão, mas aquele já havia morrido.

Outro ponto importante a ser considerado diz respeito à velhice de David.

Bíblia 1-1 e seguintes: Ora, o rei David tinha envelhecido, e achava-se numa idade muito avançada, e por mais que o cobrissem de roupa, não aquecia. Disseram-lhe, pois, os seus criados: Busquemos para o rei nosso senhor uma jovem virgem, que esteja diante do rei, o esquente, durma ao seu lado e preserve do grande frio o rei nosso senhor. Buscaram, pois, em todas as terras de Israel uma jovem formosa, acharam Abisag de Sunam e levaram-na ao rei. Era esta uma donzela de extrema beleza, dormia com o rei, e o servia, mas o rei deixou-a sempre virgem.

Os seres dos planos inferiores, dependendo da disponibilidade de energia sutil, tanto podem influenciar, induzir, ou inspirar as pessoas da terra fazendo o jogo de interesse deles, induzindo pessoas à consciente ou inconscientemente a agirem de acordo com o que eles querem, ou é possível até mesmo assumirem e se apresentarem diretamente numa estrutura ponderável, num determinado tipo de corpo físico.

Depois de Salomão haver assumido o trono Adonias fez um pedido que lhe custou a vida. Sem que se tenha conhecimentos ocultos é difícil se entender a razão da decisão de Salomão de tirar a vida de Adonias se o rei era considerado o mais justo de todos os reis. Só se pode entender aquela atitude sabendo-se do envolvimento do reino das sombras e as ingerências dos palácios da impureza sobre o plano terreno e no caso em estudo, sobre o povo hebreu.

Vejamos o que diz a os livros sagrados : Bíblia: Cap. 1 ver 12 e seguintes:

Salomão tomou posse do trono de David seu pai, e o seu reino consolidou-se sobrema­neira. Adonias, filho de Hagit, foi ter com Betsabéia, mãe de Salomão. Ela disse-lhe: É porventura de paz a tua entrada? Ele respondeu-lhe: Sim. Fala e ele disse: Tu sabes que o reino era meu e que todo o Is­rael me tinha escolhido de preferência para ser rei. Mas o reino foi transferido e pas­sou para meu irmão, porque o Senhor o destinou para ele. Agora, pois, uma só coisa de peço, não me faças passar pela vergonha de ma recusares.

Ela disse-lhe: Fala, Adonias disse: Peço-te que digas a Salomão, visto que Ele não pode negar-te nada, que me dê Abisag sunamita por mulher. Betsabéia respondeu: Está bem, eu falarei por ti ao rei. Foi, pois, Betsabéia ter com o rei Salomão, para lhe falar em favor de Adonias. O rei levantou-se para a vir receber, saudou-a com profunda reverência e sentou-se no seu trono; e foi posto um trono para a mãe do rei, a qual se sentou à sua mão direita. Então disse-lhe: Eu só te peço uma pequena coisa, não me envergonhes, com a resposta. O rei disse-lhe: Pede, minha mãe, porque não é justo que vás descontente. Disse Betsabéia: Dê-se Abisag sunamita por mulher a Adonias, teu irmão. O rei Salomão respondeu e disse à sua mãe: Por que pedes tu Abisag sunamita para Adonias? Pede também para ele o reino, porque ele é meu irmão mais velho e tem por si o pontífice Abiatar e Joab, filho de Sarvia. Jurou, pois o rei Salomão dizendo: Deus me trate com todo o seu rigor, se não é verdade que Adonias por esta palavra falou contra a sua própria vida. E agora juro pelo Senhor, que me confirmou e que me colocou no trono de David, meu pai, e que estabeleceu a minha casa como tinha dito, que Adonias será hoje morto. O rei Salomão deu ordem a Anaias, filho de Jojada, o qual o matou e assim morreu. Disse também o rei a pontífice Abiatar: Vai para Anatot, para as tuas terras; na verdade és digno de morte, mas eu não te matarei hoje, porque levaste a arca do senhor Deus diante de meu pai David, e acompanhaste meu pai em todos os trabalhos que padeceu. Salomão decretou, pois, Abiatar, para não ser mais pontífice do senhor…”

Chegou essa notícia a Joab, por que Joab tinha seguido o partido de Adonias, e não o de Salomão, fugiu pois, Joab para o tabernáculo do senhor e agarrou-se aos chifres do altar. Foram dizer ao rei Salomão que Joab tinha ido para o tabernáculo. Mandou Banais, filho de Jojada, dizendo: Vai e mata-o e sepulta-o. Com isto lavará a mim e a casa de meu pai do sangue inocente, que Joab derramou. O senhor fará recair o seu sangue sobre a sua cabeça. Salomão ordenou que Semei fizesse uma casa em Jerusalém e de não saísse. pois seria morte de tal fizesse.

Vemos a justiça de Salomão recair sobre os três principais envolvidos no incidente da escolha do sucessor do rei David. Muitas pessoas não compreendem o porquê daquela atitude de Salomão, por desconhecerem a natureza do GRANDE REI e a sua missão na terra.

Como já deixamos transparecer em outras palestras o lado negativo da natureza havia se infiltrado no seio da divina religião hebraica desde o tempo de Abraão, modificando os ensinamentos, alterando a história e estabelecendo convênios.

Grande número de vezes o Poder Superior enviou, em todos os ciclos de civilização, projeções do mais alto nível a fim de dar seguimento ao desenvolvimento espiritual na terra. Entre estes, podemos afirmar ser Salomão um deles.

A presença de Salomão na terra teve como uma das metas por fim à influência dos mundos negativos dentro da religião hebraica e aquelas que lhe sucederiam. Haviam desde a civilização egípcia três interesses diferentes ligados à problemática humana, como já mostramos em outra palestra na qual enfatizamos os Três Poderes que governam a terra.

Um, o primeira era aquele representado pelos INICIÁTICOS, que visam dar ao homem o conhecimento segundo o merecimento. Assim, Para o cumprimento desta meta foram criadas as Escolas de Mistérios ( Escolas Iniciáticas ). O segundo, aquele representado pelos OBSCURANTISTAS visava uma vida singela sem conhecimento algum sobre as leis da natureza. O terceiro, aquele ligado diretamente aos mundos inferiores que não tinham para dar mas tudo exigia em troca por se considerarem deuses os seus elementos na terra. Aquele grupo na história agiu independentemente em algumas ocasiões, em outras apoiando uma ou outra das duas.

Dentro deste contexto, um dos três poderes atuou maciçamente dentro da religião e da comunidade hebraica se fazendo passar por Deus, fazendo acordos, estabelecendo pactos, exigindo obediência, promovendo guerras, incentivando o genocídio, cobrando oferendas com sacrifícios envolvendo sangue, elegendo raças e tudo aquilo que, como já vimos, é próprio dos mundos inferiores. Algo que se apresentou com resquícios de crueldade, punitivo, intolerante, irado e vingador… Tanto é assim que impiedosamente puniu o povo hebreu com uma peste horrível, por David haver simplesmente permitido um recenseamento. Por haver David autorizado o recenseamento o povo de Israel foi castigado impiedosamente punido por uma peste que dizimou 70 mil homens.

Em Samuel 24 -15 e seguintes vemos que houve uma terrível fome que durou três anos como conseqüência da ira de Jehová, e que somente foi aplacada mediante um holocausto de muitos bois. É estranho que a ira haja sido aplacada pelo derramamento de grande quantidade de sangue ( liberação de Força Vital ).

Salomão, embora educado dentro dos preceitos oficias da religião hebraica, tinha consciência bem clara, por isso todos os ensinamentos que dizem haver Ele recebido na realidade não os necessitava por ser detentor daquilo tudo e de muito mais.

A história cita a passagem de Salomão pelas Escolas Iniciáticas de Memphis no Egito. Na realidade ele ali esteve não para aprender, mas para se inteirar do ponto em que o as verdades históricas estavam sendo ministradas e quanto à organização daquelas instituições eram ministradas. Como não era possível ser admitido numa Escola de Mistérios sem passar pelo cerimonial de iniciação Salomão não foi exceção, também se submeteu às normas oficiais, embora não tivesse coisa alguma a aprender, e sim para ensinar. Ele certamente mostrou a sua colossal sabedoria nas Escolas Iniciáticas onde esteve.

A importância de Salomão foi tamanha naquele período que Ele chegou a desposar a filha do próprio Faraó, conforme conta a Bíblia.

Podemos dizer que a religião hebraica de então, inicialmente uma religião pura, estava totalmente minada desde a época de Abrão pelos conceitos de uma outra força. Sucessivamente três Patriarcas vieram, espíritos elevados com a missão de orientar o povo hebreu, de manter aquele núcleo de disseminação dos conhecimentos cósmicos, mas todos os três foram envolvidos pelo lado negativo da natureza. Em consequência disso houve a necessidade da própria Consciência Cósmica se destacar e animar um corpo físico para conseguir superar as interferências do lado negativo dominante. Assim foi o que ocorreu no que diz respeito a Salomão. Um ser humano com Consciência Cósmica clara, com a missão de restaurar a pureza da religião hebraica, de “dar um basta” no domínio dos “palácios da impureza”. Para isto foi preciso que Salomão agisse com firmeza. Existem muitas passagens da vida de Salomão que são difíceis de serem entendidas se a pessoa não ter ciência da sua MISSÃO CÓSMICA. Sendo ele o mais justo dos reis como poderia ter mandado matar o seu próprio irmão Adonias aparentemente sem uma causa justa, apenas por haver ele pedido através de Betsabéia, que Salomão lhe concedesse Abisag de Sunan, aquela jovem que havia convido com o seu pai David.

É de se estranhar não ter havido luta alguma quando Adonias tomou conhecimento de que Salomão havia sido proclamado rei. É estranho que ele simplesmente haja fugido e se abrigado no templo ficando ali abraçado com os chifres do altar e pedindo que Salomão poupasse a sua vida. Assim foi feito, até que Adonias pediu para casar com Abisag. Com o pedido Salomão disse. Em Reis 2.-23 Deus me trate com todo o seu rigor se não é verdade que Adonias por esta palavra falou contra a sua própria vida. Reis 2-24: E agora juro pelo Senhor, que me confirmou e me colocou no trono de David, meu pai, e que estabeleceu a minha casa com tinha dito, que Adonias será hoje morto. 25 – O rei Salomão deu ordem a Banaias, filho de Jojada, o qual o matou, e assim morreu. 26 – Disse também o rei ao pontífice Abiatar: Vai para Anatot, para as tuas terras; na verdade és digno de morrer, mas eu não te matarei hoje porque acompanhaste meu pai em todos os trabalhos que padeceu.- 27 – Salomão desterrou, pois Abiatar, para não ser mais pontífice do Se­nhor, a fim de se cumprir a palavra … 28 – Chegou essa noticia a Joab, porque Joab tinha seguido Adonias, e não a Salomão, fugiu, pois, Joab para o tabernáculo do senhor e agarrou-se aos chi­fres do altar. ( Novamente o agarrar-se aos chifres), Salomão manda que ele saia do templo e ele respondeu: Não sairei, mas morrerei neste lugar. Salomão disse a Banaias, fazei como ele te disse, mata-o e sepulta-o. Com isto lavarás a mim e a casa de meu pai do sangue inocente que Joab derramou. 2-36 Mandou também o rei chamar Semei e disse-lhe: Faze para ti uma casa em Jeru­salém e habita aí; não saias, andando de uma parte para outra em qualquer dia, pois, se daqui saíres e pas­ses a torrente do ebron que será morto…. Três anos depois Semei desobedeceu e Salomão lhe disse: Tu sabes de todo o mal que tua consciência te acusa de teres feito a David, meu pai, o senhor fez recair a tua malícia sobre a tua cabeça. 2-45 – O rei Salomão será abençoado e o trono de David será sempre estável diante do Senhor deu, pois, o rei ordem a Banaias, filho de Jojaba, o qual tendo saído, feriu Semei, e ele morreu.

Tudo isso que parece uma luta palaciana, na realidade é algo muitíssimo mais importante, não só para o povo de Israel como para toda a humanidade. A luta era entre duas forças a força inferior infiltrada na religião dos hebreus constituindo o seu lado exotérico e representado por muitas pessoas, especialmente por Adonias, Semei e o pontífice de Abiatar, e a Força Superior implícita no lado esotérico e fundamentalmente representada em Salomão.

A Salomão cabia restaurar a ordem, assim Ele teve que destruir os principais representantes da força negativa, especialmente Adonias.

Querendo Abisag como esposa ele tramava se colocar no lugar de David e usar tal condição como escada para chegar ao poder. Ter a “viúva” de David como esposa, especialmente pela natureza de Abisag era na realidade uma tentativa de se imiscuir dentro da direção do reino de Israel.

Abisag por haver vivido intimamente com David ela mantinha os padrões vibratórios do rei e isso seria usado por Adonias como meio de conseguir os seus intentos. Salomão com consciência clara se percebendo isso, e assim tomou a decisão de libertar de uma vez o povo daquela ameaça negativa.

Muitas pessoas se chocam quando tomam conhecimento de situações sem que uma vida é dizimada. É bom que se tenha em mente que quando o Poder Superior precisa agir para libertar os espíritos das garras da força negativa Ela embora sendo a própria justiça age com de uma fora que segundo os padrões humanos parece ser uma crueldade. Consciência clara sabe a natureza daquelas supostas vitimas. Vejam quando a força negativa imperava na terra dominando a q quase totalidade das pessoas, os espíritos encarnavam, e reencarnavam sucessivamente sem se libertarem do domínio da forma inferior, então o Poder Superior determinou o dilúvio quando morreram quase todas as pessoas, independentemente de serem adultos, homens, mulheres, velhos ou crianças, num aparente ato de injustiça ou mesmo crueldade se analisado segundo a escala de valores da humanidade. Mas na realidade foi um ato de justiça um e uma forma de libertação espiritual porque a humanidade estava tão poluída que nenhum daqueles espíritos tinha mais condição de se desenvolver, estavam todos os espíritos estagnados por isso teria que haver um choque. Eles não mereciam mais do que aquilo.

Não foi um ato de vingança, ou de crueldade, mas para que o trauma do acontecimento pudesse agir como uma “terapia de choque” um grande impacto visando essencialmente o despertar daqueles espíritos, fazendo-os reconhecer que existe uma finalidade maior a ser cumprida. Um choque para acordar os que estavam dormindo.

Assim também não foi crueldade Salomão eliminar algumas pessoas quando em reali­dade Ele estava propiciando condições para aqueles espíritos se libertarem, se integrarem de que estavam sendo veículos dos intentos da força.

Autor: José Laércio do Egito – F.R.C.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/salom%C3%A3o-o-grande-iniciado

O Que significa o “G” na Maçonaria?

simbolos-maconicos

Qual o significado da letra “G” comumente presente no centro do Esquadro & Compasso?

Vários autores apontam vários significados, muitos dos quais absurdos: God, GADU, Grande Geômetra, Ghimel, Gama, Geração, Gênio, Gnose, Gomel, Glória, Gibur, Gibaltrar, etc.

Há ainda aqueles autores que, sem conseguirem se aprofundar na pesquisa sobre o tema, preferem afirmar que o verdadeiro significado do “G” é um grande mistério maçônico, talvez nunca revelado. Uma desculpa um tanto quanto poética.

A letra G é um daqueles tantos símbolos que sobrevivem aos séculos mas, infelizmente, perdem seu significado original, ganhando vários outros significados ao longo do tempo. E vez ou outra, um desses significados novos prevalece, sepultando de uma vez por todas o original.

Séculos atrás, conhecimento era algo raro, reservado a pequena parcela da população, restrito aos poucos com berço ou condições financeiras para tanto. Naqueles tempos, a Geometria era tida quase como uma ciência sagrada, mãe da arquitetura e da construção, sem a qual as Catedrais não podiam ser planejadas e concluídas. As crianças não aprendiam Geometria nas escolas, como ocorre atualmente. Apenas aqueles que trabalhavam com construções aprendiam tais lições. Em resumo, a Geometria era a ciência do maçom operativo, uma ciência que os distinguia dos demais, que tornava possível a execução da Arte Real, que levanta templos às virtudes.

A presença do “G” no Templo é representativo da Geometria como a ciência maçônica; como foco do estudo, conhecimento e prática do trabalho maçônico; e principalmente como origem da Arte Real, base para o uso de todas as ferramentas do maçom. Esse significado pode ser comprovado em todos os antigos Catecismos Maçônicos que se tem conhecimento.

A letra “G” definitivamente não é “God” ou qualquer outro nome relacionado ao Grande Arquiteto do Universo. Apenas nas línguas anglo-saxãs, a palavra referente a Deus começa com “G”, enquanto que o uso do “G” também sempre constou nos países de línguas latinas. Se “G” fosse God (inglês e holandês) ou Gott (alemão), então nos países como França, Espanha, Itália e Portugal utilizariam um “D”: Dieu (francês), Dios (espanhol), Dio (italiano) e Deus (português). E isso não aconteceu e não acontece, nem nesses países e nem nos que adotam as línguas latinas. Já a palavra “Geometria” mantém sua letra inicial tanto nas línguas anglo-saxãs como nas latinas: Geometry (inglês), Geometrie (holandês e alemão), Géométrie (francês), Geometría (espanhol), Geometria (italiano e português).

O surgimento de novos significados para o “G” foi surgindo entre o século XVIII e XIX, quando os intelectuais-maçons da época, achando a simbologia maçônica de certa forma simplista, começam a inventar significados considerados por eles mais profundos e adequados para os símbolos maçônicos e pegar emprestado símbolos de outras fontes (astrologia, alquimia, cabala, templários, etc), criando novos rituais e ritos.

Ao indicar num mesmo ritual que uma única letra tem 07 diferentes significados, não relacionados entre si, os “sábios da maçonaria” daquela época, assim como os de hoje, revelam uma informação importantíssima a todo maçom estudioso: na tentativa de “florear” nossa simbologia, se mostram grandes incoerentes.

Sim, “G” é apenas “Geometria”. Pode não parecer muita coisa hoje, mas na época era.

Espero que o próximo maçom a se aventurar em escrever sobre o “G” na Maçonaria não subestime a inteligência de seus irmãos. Não basta apenas pegar o dicionário, abrir no “G”, selecionar algumas palavras legais e depois filosofar um pouquinho sobre elas. É exatamente assim que perdemos a nossa história.

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-que-significa-o-g-na-ma%C3%A7onaria

Grandes Iniciados – Apolônio de Tiana

Apolônio praticamente é um desconhecido da maioria das pessoas, mesmo daquelas que têm uma boa formação religiosa. Aparentemente parece estranho que uma figura tão relevante não seja citado nos livros que versam sobre religião, somente aparecendo o seu nome em documentos secretos e em alguns poucos livros de ocultismo.

Quem foi e que é Apolônio? – Apolônio é uma misteriosa figura que apareceu neste ciclo de civilização no início da era cristã (no século I). Os documentos que falam Dele geralmente nunca mencionam a palavra nasceu e sim apareceu, isto porque Ele, quando esteve diretamente na terra, manifestava natureza divina. Entre os atributos desta natureza Ele apenas tinha um corpo aparente, se apresentava na terra com corpo etéreo, tal como o de Jesus.

Em muitos pontos, a vida de Apolônio se assemelha à de Jesus. Até mesmo a Sua vinda a terra foi anunciada pelo Espírito Santo. Alguns documentos antigos afirmam que Ele, certo dia, surgiu na terra sem ascendentes, mas também há documentos que dizem ser Ele filho de uma Virgem. O sobrenome Tiana é mesmo nome da cidade onde ele primeiro se apresentou na terra, que ficava na Capadócia.

Dotado de uma palavra fácil, eletrizante e convincente, logo depois se transformou num tribuno, ao mesmo tempo em que sua fama se popularizava, caminhando pelo resto do mundo dando um exemplo justo, bom e perfeito. Foi um espontâneo defensor dos injustiçados, capaz de praticar os mais arrojados e difíceis atos de bravura. Sua firmeza e energia de propósitos, mesmo diante do perigo, causavam a todos uma coragem estóica. “Ele fora um Deus em forma de Homem!”.

Apolônio viajou muito no tempo em que esteve na Terra, desde o Egito até a Mongólia, sempre sendo iniciado nas Ordens na qual Ele encontrava, não que precisava ser iniciado pois Ele já é Um Iniciado, mas sim como O próprio disse para um sacerdote quando pediu para ser iniciado: “Bem sabes porque não queres iniciar-me. Se o dizes, revelá-lo-ei: o meu crime é justamente conhecer bem melhor do que tu o rito da iniciação. Vim pedir-te por um ato de modéstia, submissão e simplicidade, a fim de que passasses por mais sábio do que Eu. Apenas isto!”.

Logo depois que saiu da sua cidade natal Ele ficou conhecido como um neo-pitagórico. Em Nínive, na Babilônia, encontrou Damis, seu inseparável e fiel discípulo. De lá ambos foram para a terra dos encantos, a Índia, e, percorreram a Mongólia e o Tibet, até que atingiram as colinas do Himalaia. Lá Apolônio deixou Damis e partiu só para um mosteiro onde Ele tornou-se o “Senhor portador dos oito poderes da Yoga”, que era o mais alto Grau dos mosteiros daquela época, neste momento, dizem, uma áurea de Luz Lhe emergiu a cabeça de modo permanente. Depois voltou e se encontrou com Damis e voltaram para a Grécia, onde começou a fase mais intensa de curar doentes, desde do corpo a alma, paralíticos, cegos e até ressuscitar mortos, como aconteceu com uma moça em Roma.

Uma das missões de Apolônio foi a de ensinar aos seguidores de Jesus o como manipular as leis da natureza. Alguns documentos dizem, e é verdade, que Apolônio fez milagres idênticos àqueles feitos por Jesus. O poder dele era tamanho que aonde chegava as guerras eram interrompidas e os exércitos enterravam as suas armas. Também pregava e para ouvi-Lo vinham pessoas de lugares distantes.

Apolônio, por sua vez, ensinou como usar as leis da natureza, explicou o como eram feitos os milagres Dele e de Jesus, preparou os primeiros cristãos para disporem dos meios de curas e de todos os outros que Jesus utilizou. Mostrou o poder das cores, mostrou que tudo na natureza é vibração, fez ver que existe uma polaridade (Já constante dos Princípios Herméticos) em tudo quanto há, que as coisas podem ser manipuladas pela luz, pelo som e coisas assim. Ensinou o valor das cores, portanto como usa-las nos templos para obtenção de estados especiais de consciência. Ensinou como usar a música, que tipo de música é adequado nas diferentes situações, e restabelecer os meios utilizados pelas ciências herméticas. Ensinou simbolismo, ensinou a linguagem simbólica por meio da qual uma pessoa pode entrar em sintonia com planos superiores, com mundos hiperfísicos. Ensinou como se processam as transmutações na natureza e como conseguir isso, como intervir no astral visando certos resultados. Disse do como captar o poder inerente a cada coisa, a cada cor, a cada forma. Ensinou o poder dos cristais e dos aromas e o como usa-los nos diferentes níveis. Assim estabeleceu formas de ampliação da consciência permitindo que as pessoas possam ter acesso a níveis superiores de consciência independentemente da interferência de forças espúrias. E também trouxe ensinamentos de morais o que atingia em cheio a maioria dos governantes dos locais onde Ele passou. Tendo o poder da profecia, Ele também profetizou alguns acontecimentos que logo ocorreram.

Sendo assim a conjura1, tentáculo do “poder” das trevas, praticamente arrasou o trabalho de Apolônio. Perseguiu inexoravelmente a pessoa e também toda a obra maravilhosa estabelecida por Ele.

Apolônio sofreu perseguições terríveis culminando com varias condenações, como uma vez em que Ele foi preso e a julgamento e falou para Damis e Demetrio esperarem-No em tal dia e tal hora na praia e quando chegou o dia e a hora marcada Ele simplesmente apareceu na praia ao lado dos dois, e outra vez foi a de ser estraçalhado por uma matilha de cães ferozes, quando ia ser atacado pelos cães Ele simplesmente sumiu diante da vista de toda uma multidão. Tamanho fenômeno contribuiu ainda mais para fazer crescer o mito sobre a pessoa de Apolônio.

Depois da Sua partida, foi escrito um livro com Sua história e com grande parte dos Seus ensinamentos, apresentado em forma de um evangelho com oito capítulos. Os ensinamentos e o poder do evangelho de Apolônio era muito superior àqueles dos quatro evangelistas da época de Jesus, nele havia coisas que faziam tremer aqueles elementos da conjura que estavam se infiltração no cristianismo de então.

Após a condenação e desaparecimento a conjura ficara livre da presença direta de Apolônio, mas a Seu prestígio tornou-se logo lendário. Assim a conjura que já havia experimentado com relativo sucesso o método do despistamento no seio do cristianismo primitivo, logo passou a usa-lo entre os seguidores de Apolônio que, em sua quase totalidade, eram cristãos. No cristianismo primitivo a conjura se infiltrar e procurou destruir os autênticos ensinamentos de Jesus assumindo a direção das instituições em geral. No caso de Apolônio ela que já tinha muita influência dentro das comunidades cristãs com alguma facilidade pode usar com sucesso o método da falsificação. Assim sendo inundou o mundo de então com grande número de copias falsas dos ensinamentos de Apolônio. Isto funcionou eficazmente que até hoje só um “expert” em ocultismo é capaz de distinguir o que não é e o que é autêntico. Assim em séculos futuros Ele foi quase total e oficialmente esquecido e o Seu nome colocado na galeria dos mitos. Em todas as bibliotecas membros da conjura colocam obras falsas como sendo de Apolônio que mais tarde geraram suspeitas pelas incoerências nelas contidas.

A incredulidade a respeito daquele Mestre em parte se deve àquele trabalho de despistamento e em parte à magnitude de tudo aquilo que Ele realizou e que o qualificou como uma figura lendária. Assim sendo quase tudo o que existe escrito sobre Apolônio, e sobre ensinamentos a Ele atribuídos, em grande número são falsos. Alguns documentos autênticos existem e são zelosamente guardados por algumas sociedades iniciáticas, e reservados aos iniciados nos Mistérios Maiores.

Por outro lado à influência de Apolônio foi de tamanha magnitude que o Cristianismo primitivo incorporou uma grande parcela dos ensinamentos que têm sido usados em aplicações práticas. Assim sendo, a maior parte do ritual e do simbolismo da Igreja Católica tem como ponto de origem Apolônio. Muitas pessoas indagam: De onde surgiram os símbolos e os vastos rituais incorporados à Igreja Católica se Jesus jamais publicamente usou qualquer um deles? Há quem diga que eles foram incorporados de práticas pagãs, mas isso só é verdade se, como tal for também incluída a doutrina de Apolônio que deu origem à quase totalidade dos ritos e símbolos do Catolicismo.

É de causar admiração que, mesmo havendo estado e até hoje atuantes no seio da igreja, os membros da conjura hajam deixado ficar os ritos e símbolos estabelecidos por Apolônio, desde que eles se constituíam poderosos meios de persuasão, de coesão e conseqüente manutenção da unidade religiosa. Eis duas explicações possíveis: Uma, que a conjura desconhecia todo o potencial do simbolismo e ritualística orientada por Apolônio assim não vendo neles mais que encenações, portanto algo sem perigo algum.

Na verdade os próprios membros da conjura haviam apagado o conhecimento até mesmo para a maior parte daqueles que faziam parte do seu ciclo interno, conseqüentemente o potencial dos símbolos era algo desconhecido para eles. Segundo, julgando que afastado Apolônio os elementos mágicos incorporados aos ritos e símbolos serviria também aos seus intentos, pois manteria a coesão daquela estrutura que, de uma certa forma, ela já dominava.

Podemos dizer que ambas as afirmativas são verdadeiras, em parte a conjura desconhecendo o potencial ritualístico e simbólico deixou que eles continuassem presentes no cristianismo e, em parte ela sentiu que tudo aquilo era importante para a estruturação da religião num bloco coeso por ela administrado.

Em muitos momentos a conjura deturpou o ritual e o simbolismo, tirou coisas benéficas e as substituiu por coisas maléficas, entre os quais o uso do vinho, portanto do álcool, no ritual da missa.

Não é somente o ritual católico que se originou dos ensinamentos de Apolônio, praticamente a quase totalidade dos símbolos da magia, do hermetismo, do ocultismo, da gnosis e de muitas outras formas do o ocultismo em parte tem como origem Salomão, mas a quase totalidade deles provêm de Apolônio.

Publicamente pouco de autenticidade nas publicações que foram feitas sobre os ensinamentos atribuídos a Apolônio. Do Seu evangelho existe uma pequena parte que já foi publicado, o mais apenas algumas poucas doutrinas iniciáticas possuem e mesmo assim somente tem acesso a eles iniciados de grau elevado. O que chega às mãos dos profanos praticamente são aquelas obras preparadas especialmente pela conjura, obras apócrifas, portanto, sem quaisquer significados positivos. A um não iniciado é possível a aquisição de apenas um trabalho autêntico intitulado Nuctemeron, mas até mesmo dele existem também algumas edições falsas. O título do livro significa: “O Dia de Deus que Resplandece nas Trevas” (O Deus que está “aprisionado” em cada pessoa ainda envolvida em trevas. Isso equivale ao desabrochar da Centelha Cósmica em cada um, ao desenvolvimento da consciência clara do Mestre de Cada Um).

Na obra Nuctemeron os ensinamentos de Apolônio são distribuídos como em um relógio em 12 horas, ou degraus, e a cada hora corresponde uma instrução especial. Os ensinamentos daquela obra são apresentados em linguagem um tanto velada. São ensinamentos de altíssimo nível.

Por: Frater José Laércio do Egito e João Paulo Nunes do Egito.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/grandes-iniciados-apol%C3%B4nio-de-tiana

A Deusa Demeter e os Mistérios Eleusis

Acredita-se que o culto à Deméter tenha sido trazido à Grécia vindo de Creta durante o período micênico, carregando consigo o seu nome.. Sendo assim, ela é descendente direta da Deusa-Mãe cretense, que com suas virgens e sacerdotisas, empunhavam serpentes e prestavam culto ao touro. Neste caso, podemos afirmar que Deméter representaria a sobrevivência da religião e dos valores matriarcais durante a cultura patriarcal guerreira dos gregos clássicos.

O hino homérico relata que ela teria chegado a Eleusis disfarçada de anciã, na época em que as pessoas vinham do outro lado do mar, de Creta.

A filha de Deméter, Perséfone, também nasceu em Creta, e a lenda arcaica da união de Zeus, em forma de serpente, com sua filha também teve lugar em Creta. O filho que nasceu dessa união foi Dionísio. As coincidências demonstram que existe uma conexão entre a Deméter documentada em Creta e a que é conhecida na Grécia.

Na Grécia antiga, Deméter era responsável por todas as formas de reprodução da vida, mas principalmente da vida vegetal, o que lhe rendeu o título de “Senhora das Plantas”, “A Verde”, “A que atrai o fruto” e “A que atri as estações”. As pessoas a honravam ao usar guirlandas de flores enquanto marchavam pelas ruas, geralmente descalças. Acreditava-se que pisar na terra descalço aumentava a comunicação entre os humanos e a Deusa.

Para os gregos, Deméter era a criadora do tempo e a responsável por sua medição em todas as formas. Seus sacerdotes eram conhecidos como Filhos da Lua.

Outro vestígio da antiga consciência matriarcal da Deusa-Mãe, foi transmitido na devoção católica popular da Virgem Maria entre os povos do Mediterrâneo. Quase certamente há uma continuidade psíquica entre Maria, a Mãe de Deus, as antigas deusas da Grande Mãe no Mediterrâneo e no Oriente Próximo e a deusa Deméter. Mas embora se conheça muitas representações medievais de Maria com cereais e flores, ela não possui o poder emocional das antigas Mães da Terra e suas filhas.

Deméter era a protetora das mulheres e uma divindade do casamento, maternidade, amor materno e fidelidade. Ela regia as colheitas, o milho, o arado, iniciações, renovação, renascimento, vegetação, frutificação, agricultura, civilização, lei, filosofia da magia, expansão, alta magia e o solo.

O RAPTO DE PERSÉFONE

Quando falamos de Deméter, devemos falar de duas Deusas. O cerne do mito e do culto a Deméter, era o fato dela ter perdido sua adorada filha Coré (donzela, em grego). A intimidade entre mãe e filha ressalta o caráter profundamente feminino dessa religião e constelação mitológica. Coré mais tarde passa a ser conhecida como Perséfone.

O mais antigo documento que narra este mito é o belo “Hino à Deméter” homérico, que nos fala tanto da Deusa Deméter como de sua filha Coré. O objetivo deste poema é explicar a origem dos mistérios de Elêusis.

A jovem Coré, diz a narrativa, encontrava-se colhendo flores, quando foi atraída por um narciso muito belo, mas ao estender a mão para pegá-lo, a terra se abriu e Plutão (Hades), Senhor dos Mortos, em sua carruagem de ouro puxada por dois cavalos negros, arrebatou-a e levou-a para ser sua noiva e Rainha do Subterrâneo. Coré lutou e gritos, mas nem os deuses imortais como os homens mortais, ouviram seus clamores. Deméter só pode ouvir o eco do apelo de sua filha e então apressou-se para encontrá-la. Procurou sua filha por nove dias e nove noites, não parando para comer, dormir ou banhar-se, só andando errante pela terra, carregando em suas mãos tochas acesas. Porém quando se apresentou pela décima vez a Aurora, encontrou-se com Hécate, Deusa da Lua Escura, que lhe diz:

–“Soberana Deméter, dispensadora das estações, de esplendidos dons, quem dos deuses celestes ou dos homens mortais raptou Perséfone e afligiu teu animo? Ouvi a sua voz, porém não vi com meus olhos quem era. Em breve vamos desfazer esse engano”.

Assim falou Hécate que partiu com Deméter, levando em suas mãos as tochas acesas. As duas então chegaram até Hélio, o deus do sol, que compartilha esse título com Apolo e a mãe aflita perguntou:

-“Sol, respeita-me tu ao menos, como Deusa que sou…A filha que pari, encantadora por sua figura…ouvi sua vibrante voz através do límpido éter, como a de quem se vê violentada, mas não a vi com meus olhos. Porém tu que sobre toda a terra e por todo o mar diriges desde o éter divino a olhar de teus raios, diga-me sem enganos se teria visto a minha filha querida em alguma parte; quem dos deuses ou dos homens mortais ousou capturá-la para longe de mim, contra sua vontade, pela força”.

Hélio então respondeu:

-“Filha de Rea, ..pois é grande o meu respeito e compaixão que sinto por ti, aflita como estás por tua filha de esbeltos tornozelos. Nenhum outro dos imortais é mais culpado que Zeus fazedor de nuvens, que a entregou à Hades para que se torne sua esposa…Assim que tu, Deusa, dá fim a teu copioso pranto. Nenhuma necessidade há de que tu, sem razão, guarde então um insaciável rancor.”

Deu a entender para a Deméter que ela deveria aceitar a violação de Perséfone, pois Hades, não era um genro tão sem valor, mas a Deusa não aceitou seu conselho e agora sentia-se traída por Zeus. Retirou-se do monte Olimpo, disfarçou-se de uma mulher anciã e vagou sem ser reconhecida entre as cidades dos homens e os campos. Um certo dia, ela se aproximou de Elêusis, sentou-se perto do poço Partenio e foi encontrada pelas filhas de Céleo, o governador de Elêusis. Quando Deméter disfarçada lhes revelou que procura um emprego de babá, ela a levaram para casa, à sua mãe Metanira, para cuidar do um irmãozinho chamado de Demofonte.

Sob os cuidados da Deusa, Demofonte criou-se como um deus. Ela o alimentou com ambrosia e secretamente o colocou em um fogo que o teria tornado imortal não tivesse Metanira entrado no local e gritado por medo do filho. Deméter reagiu com fúria, reclamou à Metanira por sua estupidez, e revelou sua verdadeira identidade. Ao mencionar seu nome mudou completamente seu visual revelando sua beleza divina. Seu cabelo dourado caiu pelas costas, e seu perfume e esplendor encheram a casa de luz.

Imediatamente Deméter ordenou que fosse construído um templo só seu e lá permaneceu envolta em sua dor e não permitindo que nada germinasse na terra.

Zeus, tendo conhecimento da situação enviou sua mensageira Íris até Deméter, pedindo que Deméter retornasse ao Olimpo. Como não concordou, um a um dos deuses olímpicos vieram até ela, trazendo dádivas e honras. Mas a cada um Deméter fez saber que de modo algum retornaria ao monte Olimpo, até que sua filha lhe fosse devolvida.

Finalmente Zeus resolve enviar seu mensageiro Hermes até Hades, ordenado-lhe que trouxesse Perséfone de volta para que “quando sua mãe a visse com seus próprios olhos, abandonasse a sua raiva”. Hermes ao chegar ao mundo de Hades, encontrou-o sentado próximo à Perséfone que se encontrava muito deprimida.

O Senhor dos Mortos, antes de libertar Perséfone, deu-lhe uma semente de romã para comer, o que faria com que ela voltasse para ele. Assim, foi-lhe permitido voltar para Deméter dois terços do ano e o restante do ano no mundo das trevas com Hades.

Com a satisfação de recuperar a filha perdida, Deméter fez com que os cereais brotassem novamente e com que toda a Terra se enchesse de frutos e flores. Imediatamente mostrou esta feliz visão aos princípios de Elêusis, Triptolemo, Diocles e ao próprio rei Celeo e, além disso, revelou-lhes seus sagrados ritos e mistérios.

O amor entre Deméter e Coré é um sentimento que somente uma mãe e uma filha podem realmente compartilhar. Não importa o quanto um pai ame e adore sua filha, jamais chegará perto do estreito vínculo que existe entre mãe e filha. Ao dar á luz, a mãe, vê a si mesma em pura inocência naquela pequena pessoinha. Jung nos diria que uma mãe vê em sua filha é a percepção de seu próprio “self” feminino transcendente, a perfeição do ser feminino.

Podemos afirmar, com convicção, segundo Carl Jung, que “em toda mãe já existiu uma filha e toda a filha contêm sua mãe” e que toda mulher se estende para trás em sua mãe e para frente em sua filha. A conscientização destes laços gera o sentimento de que a vida se estende ao longo de gerações e provocam a sensação de imortalidade.

ARQUÉTIPO MATERNAL

No momento que a mulher recebe em seus braços o seu bebê, o poder arquetípico de Deméter é plenamente despertado. As dores do parto, consideradas como uma transição iniciática, desaparecem e uma irradiação de amor demétrico tudo abrange. Estará aqui e agora desperta para uma nova fase de sua vida: ser mãe. Uma vez mãe, permanecerá sempre mãe, pois nada apaga a emoção de carregar um filho sob o coração.

O arquétipo da Mãe era representado no Olimpo por Deméter. Embora muitas Deusas tenham sido mães, nenhuma se compara à esta Deusa, pois ela deseja ser mãe. Quando está grávida ou criando seus filhos, Deméter atinge o ápice de sua plenitude enquanto mãe. Ela orgulhosamente proporcionou vida nova e novas esperanças à sua comunidade. No antigo simbolismo de seu ciclo, ela corporifica agora a lua cheia, e também o verão abundante com frutos da terra. O cálice da força vital dentro de si está transbordante.

Este arquétipo não está restrito à mãe biológica. Ser mãe de criação ou ama seca, permite que outras mulheres expressem seu amor maternal. A própria Deméter representou este papel com Demofonte.

MÃE-NATUREZA

O povo grego. ano após ano, via, com natural pesar, os dias brilhantes do verão desvanecer-se com a tristeza da estagnação do inverno. Ano após ano, saudava a explosão de vida e cores da primavera. Habituado a personificar as forças da natureza e a vestir suas realidades com roupagem de fantasia mítica, ele criou para si um panteão de deuses e deusas, de espíritos e duendes, que oscilavam com as estações e seguiam as flutuações anuais de seus fados com emoções alternadas de alegria e tristeza, que expressava na forma de ritual e de mito. Um destes mitos é o da Deusa Deméter. Os romanos a conheciam como Ceres.

O símbolo principal de Deméter era um feixe de trigo e, em seus mistérios em, Elêusis, uma única espiga de milho. É retratada como uma mulher bonita de cabelo dourado e vestida com roupão azul, considerada a Senhora das Plantas. Seu animal sagrado é o porco, que representava um sacrifício de fertilidade em todo o mundo por causa de seus múltiplos úteros. Seu animal sagrado marinho era o golfinho.

AS TESMOFORIAS

O festival grego da “Tesmoforias” era celebrado anualmente em outubro, em honra a Deméter e era exclusivo para mulheres. Se constituía de três dias de celebrações pelo retorno de Core ao Submundo.

Neste festival, os iniciados compartilhavam uma beberagem sagrada, feita de cevada e bolos.

Uma das características da Tesmoforia era uma punição aos criminosos, que agiam contra as leis sagradas e contra as mulheres. Sacerdotisas liam a lista com os nomes dos criminosos diante das portas dos templos das Deusas, especialmente Deméter e Ártemis. Acreditava-se que aqueles desta forma amaldiçoados morreriam antes do término de um ano.

O primeiro dia da Tesmoforia era celebrado o “kathodos”(baixada) e o “ánodos”(subida), um ritual em que as sacerdotisas castas levavam leitões para serem soltos dentro de grutas profundas cheias de serpentes e os restos decompostos dos porcos do ano anterior eram recolhidos.

O segundo dia era chamado de “Nestía”, nele as mulheres jejuavam, sentadas no chão, imitando a forma ritual dos processos da natureza e, de acordo com uma perspectiva mitológica, representando a dor de Deméter pela perda da filha, quando, inconsolada, se sentou ao lado do poço. O ambiente era triste e, portanto, não se usavam guirlandas.

No terceiro dia, se celebrava um banquete com carne e os leitões recolhidos (do ano anterior) eram espalhados na terra arada, e se invocava a Deusa de belo nascimento, “kalligeneia”.

MISTÉRIOS ELEUSIANOS

O propósito e o significado dos Mistérios Eleusianos era a iniciação à uma visão. “Eleusis”, significa “o lugar da feliz chegada”, de onde os campos Elíseos tomam seu nome. O termo “Mistérios” provêm da palavra “muein”, que significa “fechar” tanto os olhos como a boca. Faz referência ao segredo que rodeia as cerimônias e a conformidade requerida do iniciado, ou seja, se exige de ele ou ela permita que se faça algo: daí se deduz o significado de “iniciar”. A culminação da cerimônia consistia na exposição de objetos sagrados no santuário interno à mãos do sumo sacerdote ou hierofante (hiera phainon), “o que faz que os objetos sagrados apareçam”. Era somente permitido fazer alusões indiretas sobre o que ocorria. Entre elas, a fundamental era que Deméter falava à sua filha e se reunia com ela em Eleusis. Mas, alguns escritores cristãos violaram essa regra e um assinalou que o ponto culminante da cerimônia consistia em cortar uma espiga de trigo em silêncio.

Qualquer pessoa podia assistir os Mistérios, desde que falasse grego, mulheres e escravos inclusive, desde que não tivessem as mãos sujas de sangue por nenhum crime. Os Mistérios eram realizados uma vez ao ano para mais ou menos três mil pessoas. Se sabe que esses iniciados não formavam nenhuma sociedade secreta, eles vinham de todos os pontos da Hélade, participavam da experiência e logo se separavam.

Os Mistérios menores, que se celebravam até o final de inverno no mês das flores, o Antesterion (nosso fevereiro) e era pré-requisito para a participação nos Mistérios maiores, que se celebravam no outono. Esses Mistérios exploravam o que havia acontecido à Perséfone, Deusa do Mundo Subterrâneo, quando estava colhendo flores em Nisa. Se diz que ela foi raptada por Hades enquanto colhia um narciso de cem cabeças. Os gregos chamavam de narciso toda a planta que tinha propriedades narcóticas.

Esse rapto representa várias idéias, uma é o processo que experimenta a semente ao cair na terra e decompõem-se para voltar de novo à vida. Que se representava simbolicamente como as primeiras núpcias entre os reinos da vida e da morte.

Porém, também representa o rapto extático que proporcionavam certas substâncias que estavam relacionadas com Dionísio, deus da embriaguez, que por sua vez era Senhor de Hades por sua relação com tudo que apodrecia, fermentava e se transformava em outra coisa.

O primeiro estágio da iniciação no Mistérios menores era o sacrifício de um porco jovem, o animal consagrado à Deméter, que substituía simbolicamente a morte do próprio iniciado. Como nas Tesmoforias esse rito se ajusta à variante órfica do mito, que associava a morte do leitão com o rapto de Perséfone.

O segundo estágio da iniciação era uma cerimônia de purificação na qual o iniciado era vendado. As sucessivas etapas dos ritos de iniciação são descritas, através de alusões, inteligíveis para os já iniciados, porém não para os profanos. O acontecimento central dos Mitos Eleusinos era a noite em que se consumia a poção sagrada Kykeon. Os ingredientes dessa poção se constituiu um segredo durante esses 4 mil anos.

Os Mistérios maiores se celebravam a princípio à cada cinco anos. Mais tarde passaram a celebrar anualmente, no outono: começava no dia 15 do mês Boedromión (nosso mês de setembro) e duravam nove dias. Se reuniam iniciados de todos os lugares do mundo helênico e romano, e se declarava uma trégua entre as cidades estado gregas durante quarenta e cinco dias, desde o mês anterior até o mês seguinte.

Na véspera do início, se levavam os objetos sagrados, o “hierá”, de Deméter em procissão desde Eleusis até Atenas.

1- dia 15 do boedromion: Agyrmos, reunião. Proclamação:

Nesse dia tinha lugar a convocação e preparação dos iniciados. Os hierofontes declaravam o “prorrhesis”, o início dos ritos.

2 dia- 16: Elasis ou Helade Mistay: “Ao mar, ó iniciados!”

No segundo dia os iniciados se purificavam no mar (Falero), num rito chamado de “expulsão”. Durante nove dias fariam estas abluções na água do mar, nove dias como Deméter peregrinou pela terra em busca da verdade sobre o rapto de Perséfone. Nesse mesmo dia, os iniciados sacrificavam um leitão enquanto o hierofante os instava: Helade, Mysthai!

3 dia- 17: Hiereia Deuro: Sacrifício

Parece que nesse dia se celebravam o sacrifício oficial em nome da cidade de Atenas.

4 dia- 18: Asclepia

Esse dia era chamado de Asclepia em honra de Asclepio, deus da cura, era outro dia de purificação.

5 dia- 19: Yacós ou Pampa, procissão

Esse era um dia de celebração onde se realizava um grande procissão que inciava em Ceramico (Cemitério de Atenas) até Eleusis, seguindo o itinerário sagrado. Percorriam uns 32 Km. Algumas sacerdotisas levavam as “hierás” em “kistas”fechadas, ou cestas, rodeadas por uma multidão que dançava e gritava o nome de Yaco, cuja estátua, coroada de myrto e carregando uma tocha.

Yaco era o outro nome de Dionísio que, segundo a lenda órfica, era filho de Perséfone e Zeus, pai da mesma. Fui concebido em uma noite em que o deus se aproximou de uma caverna subterrânea transformado em serpente. Não se tratava de Dionísio, deus do vinho e do touro (cujo equivalente é o cretense Zagreo), deus que é desmembrado, porém vive de novo. Era Dionísio como criança de peito místico, o deus que morre e vive eternamente, imagem da renovação perpétua.

Na fronteira entre Eleusis (era uma cidade pequena à 30km noroeste de Atenas) e Atenas, pessoas mascaradas parodiavam a procissão. Encenavam o mito que relatava como Yambe ou Baubo animou Deméter. Como em tantas festas de renovação, preparavam o nascimento do novo para substituir o velho. Quando as estrelas apareciam, os “mystai” (iniciados) rompiam seu jejum, pois o dia vigésimo do mês havia chegado e segundo as “Ranas” de Aristófanes, o resto da noite passavam entre cantos e bailes. Os templos de Poseidón e Ártemis se abriam para todos, porém atrás deles estava a porta que dava ao santuário, e nada, exceto os iniciados, poderiam passar sob pena de morte.

6 dia – 20: Telete (mysteriodites Nychtes)

Esse era um dia de descanso, jejum, purificação e sacrifícios, de acordo com o mito de jejum de Deméter, representando o ritual de esterilidade do inverno. O jejum se rompia com a bebida de cevada, mel e polén (Kykeon) que preparavam e então se permitia que os iniciados entrassem no santuário sagrado. Essa celebração acontecia em um lugar chamado de Telesterion, chamado assim porque aqui se alcançava “o objetivo” ou “telos”. Era um local enorme, que podia albergar milhares de pessoas e onde se exibiam os objetos sagrados de Deméter. No centro estava o Anactoron, uma construção retangular de pedra com uma porta em um de seus extremos, que só o hierofonte podia passar. Essa era a parte mais reservada dos Mistérios eleusianos.

Mas o que exatamente ocorria neste momento?Seria o começo da própria iniciação? Parece que se desenvolvia em três etapas: “drómena, o feito (Ação); legómena, o dito (texto falado); deiknýmena, o mostrado (visão). Depois tinha lugar uma cerimônia especial conhecida como “epoptía”, o estado de “haver visto”, se celebrava para os iniciados do ano anterior.

Em drómena os iniciados participavam de um desfile sagrado pelo qual se representava o relato de Deméter e Perséfone. Os legómena consistiam em invocações ritualísticas curtas, pequenos comentários que acompanhavam o desfile e explicavam o significado do drama. Os deiknýmena, a exibição dos objetos sagrados, culminava na revelação proferida pelo hierofante, cuja difusão era proibida. Os epoptía também incluiam a exibição de “hierá”, não se sabe ao certo o que eram esses objetos sagrados. Segundo as fontes arqueológicas de A. Kórte (Zu den Eleusinischen Mysterien, «Archiv für Religions Wissenschaft» 15, 1915, 116) supõe-se que a enigmática cesta que tomavam os iniciados, entre outros objetos, havia um que representava o órgão sexual feminino, o qual, em contato com o corpo dos mystai, contribuía com a sua regeneração e passavam a ser considerados filhos de Deméter.

M. Picard (L’épisode de Baubó dans les mystéres d’pleusis, «Revue d’histoire des religions» 1927, 220-255) adiciona o órgão masculino. O iniciado tocaria sucessivamente os dois objetos, simbolizando assim a verdadeira união sexual.

7 dia- 21: Epopteia

Somente à tarde tinha início os ritos secretos. Em determinado momentos deviam pronunciar uma contra-senha sagrada:”Jejuei, bebi o kykeon, o tomei do canasto (calathus) e, depois de prová-lo o coloquei de novo no canasto e dali, ao cesto”. Misteriosas palavras, que sem sombra de dúvida, tinham grande significado para os iniciados. Todo o resto do dia era passado em compasso de espera e somente à noite os iniciados entravam no santuário. Um muro à sua direita impedia que vissem o local da “Rocha sem alegria” (local em que se supõe que a Deusa Deméter esteve sentada). Ouviam lamentos procedentes dali. Chegavam ao Telesterion e depositavam os leitões nas “mégara”, uma espécie de sótão do templo. Em seguida peregrinavam fora do Telesterion em busca de Core (Perséfone), na escuridão e com a cabeça coberta com uma carapuça que não lhes permitia ver nada, cada iniciado era guiado por um mystagogo. Imagine andar na escuridão, totalmente desorientado, esperando em silêncio, até que um gongo soa como um trovão e o hierofonte clamando por Core, até que o mundo inferior se abre e das profundezas da terra aparece a Deusa. Daí um clarão de luz enche a câmara, crescem as chamas da fogueira e o hierofonte canta:

-“A Grande Deusa deu à luz a um filho sagrado: Brimo pariu à Brimós”. Então, em silêncio profundo, levanta com a mão uma espiga de trigo.

Para que entendam, Brimo era uma Deusa do Mundo Inferior em Tesália, ao norte. Os nomes Brimo e Brimós sugerem à introdução da agricultura e de que nos Mistérios da Grécia houve influência tesalia.

Mas que estão fazendo Brimo e Brimós em Eleusis?

Kerényi diz que Brimo é “fundamentalmente um nome que designa a rainha do reino dos mortos, atribuído à Demeter, Core e Hécate em sua qualidade de Deusas do Mundo Inferior”. Nesse caso, o filho é o espírito da renovação concebido no Mundo Inferior como testemunho vivo de que na morte há vida, já que está na “riqueza” da colheita, o “tesouro” do conhecimento intuitivo espiritual.

Brimo, portanto, foi o nome dado ao filho de Perséfone, ao qual ela deu à luz no inferno em meio as chamas. Esse nome parece referir-se à Dionísio, o deus de vida indestrutível.

8 dia – 22: Plemochoai

Era dia de sacrifício e festa. Sacrificavam-se touros à Deméter e Perséfone (Core) e outros animais, especialmente leitões. Este festival era chamado Plemochoai, porque esse era o nome dado aos vasos (ou taças) que o sacerdote enchia com um certo líquido e, virando-se para oeste e depois para leste, derrama ao solo o que continham. O povo, olhando para o céu, grita “chuva!” e, olhando para a terra, grita “concebe!”, hýe, kýe.

Harrison escreve que “o rito do matrimônio sagrado e o nascimento da criança sagrada….era o mistério central”. Entretanto, a cerimônia final nos mostra o matrimônio simbólico da chuva celestial com à terra, que havia de conceber o filho do grão (da semente), porém existia a possibilidade se ser celebrado esse casamento simbólica ou literalmente, entre o hierofante e uma sacerdotisa antes do regresso de Core.

9 dia – 23: Epistrofe

Neste dia os iniciados voltavam à Atenas. Eleusis voltava a velar-se em seus mistérios, enquanto se despedia dos visitantes, agora renascidos, levando consigo as experiências de vinculação com as divindades. Assim acabam os Mistérios de Eleusis.

A gestão desse culto era exclusiva das famílias aristocráticas, com funções definidas para cada uma delas. O sumo sacerdote, o chamado hierofante, devia pertencer a família dos Eumólpidas, enquanto a família dos Cérices procediam dos sacerdotes de traço imediatamente inferior, o portador da tocha. A sacerdotisa vivia sempre no santuário. O hierofante ostentava o privilégio de escolher seus iniciados. Sobre todos eles se sobrepunha uma outra figura, o chamado arconte rei (archon basileus) no eleusino, que era ateniense (era os atenienses que controlavam o culto), ao qual assiste uma equipe de colaboradores (epistatai), encarregados das finanças.

MORRER PARA RENASCER

Morrer para renascer, esse é o sentido da iniciação. O sangue dos animais sacrificados simbolizavam a própria morte do iniciado. É Plutarco que nos diz que “morrer é ser iniciado”. Só através da morte se regressa à luz. Clemente e Foucart realmente estão de acordo com essa idéia: representar a busca de Deméter e identificar-se com Perséfone é precisamente vagar no mundo subterrâneo da morte, do mesmo modo que encontrar Core é retornar à vida depois da morte.

Esse mito grego recupera um mito bem mais antigo conhecido como a “Descida de Inanna”, que vai e vem entre ambos os mundos. Perséfone aqui é a faceta da mãe que desce e regressa de novo à mãe, configurando uma totalidade nova. Se percebe claramente uma continuidade nessa relação: vida em morte e morte em vida. Se “vê através” de uma a outra, e isso liberta a humanidade de sua natureza de entidades antagônicas. Quando mãe e filha se percebem como uma única realidade, nascimento e renascimento se convertem em fases que provêm de uma fonte em comum: através da dita percepção se transcende a dualidade.

A DEUSA TRÍPLICE

A triplicidade pode ser vista na lua, que é: crescente, cheia e minguante. E, no fato da Deusa reger o mundo superior, a terra e o mundo inferior. Ela era também a Donzela ou Virgem, a Mãe e a Anciã, as três principais fases da vida de toda a mulher. Pois Deméter se vê “Donzela” em sua filha Coré. É “Mãe” desta filha e de tudo que brota e cresce. Mas, ao perder sua filha Coré para Hades, torna-se “Anciã” associada diretamente com a morte.

Para cada fase ou ciclo há perdas que devem ser vivenciadas por todas as mulheres. No primeiro ciclo, visualiza-se a “morte da donzela”, que torna-se uma jovem nubente e é uma iniciação para fase seguinte, que se tornará mãe, abençoada com seus próprios filhos. Quando a Mãe não pode mais conceber (menopausa), passa a tocha da maternidade para filha, transferindo para ela todos os poderes da fecundidade. A morte da mãe, constitui a mulher idosa que tem agora o potencial para ingressar na esfera espiritual das anciãs, guardiãs dos mistérios da morte.

Hoje estes ciclos raramente são reconhecidos e vividos plenamente pelas mulheres, pelo fato de habitarem um mundo predominantemente masculino. A realidade moderna e científica tornou a “Mãe” uma máquina biológica de produção de bebês, que favorece ou prejudica a política financeira de uma determinada sociedade.

DEMÉTER HOJE

Por mais belo que se pinte um quadro de uma mãe com o filho nos braços, ele estará longe de ser a realidade para a maioria das mães das sociedades industrializadas e urbanas do Ocidente. As pressões financeiras, privam a mulher de permanecer no seio da família, cuidando de seus amados filhos. Até a licença-maternidade, através de duras penas conseguida, possui um tempo vergonhosamente limitado, pois a volta ao trabalho quase de imediato, não permitem que a mãe acompanhe o desenvolvimento de seu bebê. Além de ser estigmatizada por tal feito, pois ter um filho em nossos dias, significa estar fora de ação, inativa e lhes é somente permitido olhar saudosamente para o mundo que caminha sem elas.

Deméter sofre com o eclipse em nossa civilização. As mulheres que representam seu modo de ser, não têm condições de competir com as mulheres mais instruídas, pois a Deméter natural não é tão intelectualizada. Ela adora apenas criar seus filhos e acaba ficando muito sentimentalizada, tratada com condescendência e destituída do poder por suas irmãs feministas.

Deméter nas antigas comunidades agrárias, tinha dignidade, autoridade e uma vida bastante gratificante. Tudo se perdeu numa sociedade onde tudo é subserviente às exigências econômicas do monopólio do consumo.

Por Rosane Volpatto.

#Magia #Mitologia #Ocultismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-deusa-demeter-e-os-mist%C3%A9rios-eleusis

Dia de Hathor

Dia 26 de Outubro é a data da Antiga celebração egípcia das sete divindades Kine, descritas como precursoras de Hathor, originárias das deusas assírias com cabeças de vaca. Essas deusas eram representadas ou com um disco solar entre os chifres ou com cabeça de vaca e corpo de mulher. Por terem criado o universo, elas detinham o poder de vida e de morte, determinando os destinos dos homens e protegendo, principalmente, as mulheres e as crianças.

Hathor possuía vários títulos, entre eles o de Vaca Celestial, Rainha do Céu e da Terra, Mãe da Luz e Guardiã dos Cemitérios. Hathor era a mãe do deus solar Ra, assim como de outras diversas divindades. Nas celebrações, suas estátuas eram expostas aos raios solares enquanto as pessoas, adornadas de flores, cantavam e dançavam o dia todo, celebrando os prazeres e as alegrias da vida.

Na Escandinávia, celebrava-se Nat, a noite, deusa da Lua, da noite, dos metais, das estrelas e dos planetas. Nat era representada atravessando o céu em sua carruagem feita de todos os metais e adornada com pedras preciosas. Ela conferia a inspiração e a criatividade e, quando invocada, removia as preocupações e a tristeza.

Comemoração da deusa irlandesa Macha, a tríplice manifestação da Grande Mãe como atleta, guerreira e rainha. Segundo alguns historiadores, Macha era uma faceta de Morrigan ou Badb, ambas deusas da guerra, cujos animais sagrados também eram os corvos. Macha regia os pilares nos quais eram empaladas as cabeças dos guerreiros mortos em combate, originando assim, o culto celta da cabeça.

#Festividade #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/dia-de-hathor

Não procure seu EU na mente

Os problemas da mente não podem ser solucionados ao nível da mente. Depois de ter compreendido a disfunção básica, não há muito mais a aprender ou a compreender. Estudar as complexidades da mente poderá fazer de você um bom psicólogo, mas isso não o levará para além da mente, tal como o estudo da loucura não basta para criar saúde mental. Já compreendeu o mecanismo básico do estado inconsciente: a identificação com a mente, a qual cria um falso eu, o ego, como substituto para o seu eu verdadeiro enraizado no Ser. Você torna-se como que um “ramo cortado da árvore”, como disse Jesus.

As necessidades do ego são inúmeras. Ele sente-se vulnerável e ameaçado e por isso vive num estado de medo e de carência. A partir do momento em que você compreende os mecanismo da disfunção básica, deixa de ser preciso explorar todas as inúmeras manifestações do ego, de fazer dele um problema pessoal complexo. É evidente que o ego adoraria isso. Andando sempre à procura de alguma coisa a que se agarrar, a fim de sustentar e fortalecer a sua ilusória sensação de identidade, o ego prontamente se agarrara aos seus problemas. É por isso que uma grande parte da sensação de identidade de tantas pessoas está intimamente ligada aos seus problemas e a última coisa que essas pessoas querem é livrar-se deles; porque isso representaria a perda do “eu”. Inconscientemente, o ego investe muito na dor e no sofrimento. Portanto, ao reconhecer que a raiz da inconsciência é a identificação com a mente, o que evidentemente inclui as emoções, você sai dela. Torna-se presente. Quando está presente, você pode permitir que a mente seja aquilo que é sem se enredar nela. A mente em si não é disfuncional. É um instrumento maravilhoso. A disfunção instala-se quando você procura nela o seu eu e faz dela a sua identidade. Torna-se então a mente egóica e dirige toda a sua vida.

Enquanto você estiver identificado com a sua mente, o ego dirigirá a sua vida, e uma parte intrínseca da mente egóica é uma sensação profundamente enraizada de falta de algo, ou de não estar completo, de não ser total. Em algumas pessoas, é uma sensação consciente, noutras inconsciente. Quando é consciente, manifesta-se na forma de um inquietante e constante sentimento de não ser digno ou suficientemente bom. Quando é inconsciente, só se sente indiretamente, sob a forma de uma intensa ânsia de possuir, de uma carência, de um precisar de qualquer coisa. Em qualquer dos casos, as pessoas começam muitas vezes a tentar satisfazer o ego de forma compulsiva e a procurar coisas com as quais se possam identificar, a fim de preencherem o vazio que sentem dentro de si. E lançam-se atrás de bens materiais, dinheiro, sucesso, poder, prestígio, ou um relacionamento especial, basicamente para se sentirem melhores consigo próprias, para se sentirem mais completas. Mas depois de alcançarem todas essas coisas, descobrem rapidamente que o vazio continua a existir, que ele não tem fim. É então que começam os problemas a sério, porque elas não se conseguem iludir mais a si próprias. Bem, na verdade conseguem, e até o fazem, mas torna-se muito mais difícil.

Já que o ego é uma sensação derivada do eu, precisa de se identificar com coisas exteriores. Precisa de ser defendido e alimentado constantemente. As identificações mais comuns do ego têm a ver com bens materiais, com o trabalho que você faz, o seu estatuto e prestígio social, os seus conhecimentos e educação, a sua aparência física, os seus relacionamentos, aptidões especiais, historial pessoal e familiar, convicções – incluindo as convicções políticas, nacionalistas, raciais, religiosas e outras identificações coletivas. Nada disso é você próprio.

NADA EXISTE FORA DO AGORA

Já algum dia experimentou, ou fez, ou pensou, ou sentiu alguma coisa fora do Agora? Pensa que algum dia isso acontecerá? Acha que é possível que alguma coisa aconteça ou seja fora do Agora? A resposta é óbvia, não é verdade?

Nunca nada aconteceu no passado; acontece no Agora.

Nunca nada acontecerá no futuro; acontece no Agora.

Aquilo que você considera o passado é uma memória, armazenada na mente, de um antigo Agora. Quando relembra o passado, você reativa uma memória – é o que você está a fazer agora. O futuro é um Agora imaginado, uma projeção da mente. Quando o futuro chega, chega como Agora. Quando pensa no futuro, você está a pensar agora. E óbvio que o passado e o futuro não possuem uma realidade que Lhes seja própria. Tal como a Lua não tem luz própria, mas só pode refletir a luz do Sol, também o passado e o futuro não passam de pálidos reflexos da luz, do poder e da realidade do sempiterno presente. A sua realidade é “pedida emprestada” ao Agora.

A essência do que lhe estou a dizer aqui não pode ser entendida pela mente. No momento em que você entender o seu significado, há uma mudança na consciência da mente para o Ser, do tempo para a presença. De repente, tudo parecerá vivo, irradiará energia, emanará o Ser.

A CHAVE PARA A DIMENSÃO ESPIRITUAL

Em situações de emergência, em que a vida é ameaçada, uma mudança na consciência, do tempo para a presença, acontece por vezes naturalmente. A personalidade, que possui um passado e um futuro, recua momentaneamente e é substituída por uma intensa presença consciente, muito serena, mas ao mesmo tempo muito vigilante. Seja qual for a resposta necessária, ela surgirá então desse estado de consciência.

A razão pela qual algumas pessoas gostam de se lançar em atividades perigosas, como por exemplo montanhismo, corridas de automóveis, ou outras parecidas, muito embora o possam desconhecer; é porque assim se sentem forçadas a entrar no Agora – esse estado intensamente vivo onde não há tempo, não há problemas, não há pensamento, não há o fardo da personalidade. Se esquecerem do momento presente, nem que seja por um segundo, poderão pôr em risco as suas vidas. Infelizmente, acabam por se tornar dependentes de uma determinada atividade para entrarem nesse estado. Mas você não precisa de escalar a face norte do Eiger. Pode entrar nesse estado agora.

Desde os tempos antigos que os mestres espirituais de todas as tradições apontam para o Agora como sendo a chave para a dimensão espiritual. Não obstante, parece que tal continua a ser um segredo. Não é de certeza ensinado nas igrejas nem nos templos. Se você freqüentar uma igreja, poderá ouvir leituras dos Evangelhos tais como “Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo (Mat 6:34)”, ou “Ninguém que ponha as mãos no arado e olhe para trás é digno do Reino de Deus (Luc 9:62)”. Ou poderá ouvir a passagem sobre os lírios do campo que não se mostram ansiosos pelo amanhã, mas vivem à vontade no Agora intemporal e dos quais Deus toma conta. A profundidade e a natureza radical desses ensinamentos não são reconhecidas. Ninguém parece compreender que se destinam a ser vividas e a proporcionar assim uma transformação interior.

Toda a essência do Zen consiste em caminhar ao longo do fio da navalha do Agora – estar tão absolutamente e tão completamente presente que nenhum problema, nenhum sofrimento, nada que não seja quem você é na sua essência possa sobreviver em si. No Agora, na ausência do tempo, todos os seus problemas se desfazem. O sofrimento precisa do tempo; não pode sobreviver no Agora. Muitas vezes, para afastar do tempo a atenção dos seus estudantes, o grande mestre Zen, Rinzai, costumava levantar um dedo e perguntar lentamente: “O que é que está faltando neste momento?” Uma pergunta extraordinária que não exige uma resposta ao nível da mente. Destina-se a atrair fortemente a sua atenção para o Agora. Uma outra pergunta semelhante na tradição Zen é a seguinte: “Se não agora, quando?”

O Agora também é essencial nos ensinamentos Sufis, o ramo místico do Islão. Os Sufis têm um ditado: “O Sufi é filho do tempo presente”.
E Rumi, grande poeta e mestre Sufi, declara: “O passado e o futuro impedem-nos de ver Deus; queima-os a ambos com fogo”.
Mestre Eckhart, um mestre espiritual do século XIII, resume tudo de uma forma muito bela: “O tempo é aquilo que impede a luz de nos alcançar. Não há maior obstáculo para alcançar Deus do que o tempo.”

Fonte: O poder do Agora; Eckhart Tolle

#Alquimia

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Memes para reflexão (parte 4)

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Sois deuses

Este meme foi de longe o que causou a maior polêmica, como era de se esperar…

Todos devem saber que a Igreja Católica deve muitíssimo ao imperador romano Constantino, que ao final da vida se converteu ao cristianismo e, o que é mais importante, o estabeleceu como a religião oficial do Império Romano.

Há quem creia que foi ele próprio quem examinou todos os textos religiosos cristãos da época e decidiu quais deles formariam o Novo Testamento da bíblia cristã, juntamente com os textos judaicos mais antigos. Ora, ainda que Constantino fosse o maior especialista em cristianismo do seu tempo, e não um governante imperial com inúmeras responsabilidades, ele sozinho jamais teria dado conta de tal seleção, organização e edição monumentais.

De fato, ele jamais participou desse processo. É bem provável que ao instaurar o cristianismo como nova religião, tenha contado com uma vasta equipe de monges e escribas para escolher os livros que mencionavam a vida de Jesus. Segundo a história oficial da Igreja, no entanto, a versão final do Novo Testamento só ficou pronta entre os concílios de Hipona, em 393, e de Cartago, em 397, mais de meio século após a morte de Constantino.

Muita gente no dia de hoje questiona se os ensinamentos de Jesus não se perderam em tantas seleções, edições e traduções. Outros, ainda, sequer creem que Jesus de fato existiu… Ora, ao meu ver, é bem provável que Jesus de Nazaré tenha de fato existido, mas a possibilidade de sua vida ter sucedido exatamente como foi descrita na bíblia, em cada ponto e vírgula, já é consideravelmente mais remota.

No entanto, uma das descobertas mais extraordinárias do século passado foram os chamados “evangelhos apócrifos”, encontrados em jarros enterrados no deserto, em Nag Hammadi, na região do Alto Egito, em 1945. Tais textos pertencem inequivocamente ao período do cristianismo primitivo, e alguns deles, particularmente o Evangelho de Tomé, mencionam muitos ensinamentos de Jesus que casam ou se assemelham enormemente com as parábolas do Novo Testamento. Apesar de Jesus não haver sido crucificado nesse texto (nem, obviamente, ter ressuscitado), fato é que a sua existência é um dos maiores indícios modernos de que “existiu algum Jesus”.

Porém, ainda que não tenha existido, o que importa no final das contas é a mensagem bíblica, e a junção do que Jesus diz em João 10:34-35 e 14:12 é, no meu entendimento, um dos seus ensinamentos mais essenciais, que conseguiu sobreviver ao tempo, as edições e as traduções: Sois deuses, e dia virá que farão tudo o que tenho feito, e ainda muito mais.

O “sois deuses” a que Jesus se refere também se encontra nos Salmos do Antigo Testamento (Sl 82:6-7) e até mesmo em antigos ensinamentos do misticismo egípcio e do orfismo grego, como na célebre frase, “Eu também sou da raça dos deuses”… De fato, a ideia de que somos “deuses em formação”, cujo potencial é incalculável, está presente em diversas doutrinas espiritualistas, mas a ideia passa longe de querer significar que seremos como que “rivais de Deus”, o que seria uma ideia absurda.

Da mesma forma, seria absurdo considerar que um ser humano, por mais iluminado e sábio que seja, possa ser “Deus encarnado”… Daí a extrema importância desse belo resumo que o próprio Jesus faz de sua vida, e do sentido do seu ensinamento. Ora, se “um dia faremos tudo o que ele fez, e muito mais”, isto significa obviamente que o seu anseio não era que “substituíssemos algum deus”, mas que, através da nossa fé e do nosso amor ao Deus que paira acima de todas as coisas, chegássemos a amar da mesma forma que o Rabi da Galileia amava – que este sim, seria o maior dos milagres, e o objetivo mais grandioso de uma vida religiosa.

O cientista que estudava de tudo
Sir Isaac Newton é reverenciado como um dos maiores pensadores da ciência moderna, com contribuições inestimáveis para a física clássica e a matemática.

Ora, certamente muitos terão ouvido dizer que, além de cientista e astrônomo, ele também foi alquimista, teólogo e grande estudioso bíblico… O que muitos não devem saber, no entanto, é que ele dedicou mais tempo aos estudos bíblicos e esotéricos do que propriamente as suas célebres equações.

Mas, e o que isso quer dizer em termos práticos, puramente científicos? Absolutamente nada!

Quando criei este meme, a minha intenção não era “forçar adiante” alguma ideia de que as descobertas científicas de Newton surgiram da bíblia ou da voz de algum anjo celeste ou demônio infernal, claro que não, as suas ideias, como aliás todas as ideias do mundo, surgiram dos momentos de inspiração.

E, para vivermos inspirados, precisamos estar sempre buscando realizar aquilo que amamos. Newton certamente amava a física e a matemática, mas a sua grande motivação era “descrever a obra divina”. Não fosse a sua religiosidade, jamais teria sido cientista (ou filósofo da natureza, como eles se auto intitulavam em sua época).

Dessa forma, é preciso tomar cuidado com a “demonização” moderna de todo e qualquer pensamento dito “anticientífico” associado a alguém que faz ciência. Você pode não saber ou não acreditar, mas fato é que é perfeitamente possível ser cientista e religioso, ou cientista e filósofo, ao mesmo tempo, e mesmo assim praticar ciência genuína. Quer alguns exemplos?

(a) A própria ciência moderna deve muito ao hermetismo, que é uma ciência ocultista. A questão da Igreja com o heliocentrismo de Copérnico e Galileu tinha muito mais a ver com um embate religioso do que científico, tanto que o único que foi para fogueira de fato era um monge reformista, Giordano Bruno. Não é essa a “história oficial” nem da Igreja nem da Academia, mas todos que conhecem a fundo a história do hermetismo sabem muito bem qual foi o real motivo da sentença de Bruno.

(b) Albert Einstein, para além de ser o grande continuador da obra de Newton, foi também um profundo admirador da religiosidade latente da Ética de Benedito Espinosa, e jamais escondeu isso de ninguém.

(c) Alfred Russel Wallace, cocriador da teoria da evolução, juntamente com Charles Darwin, ao longo da vida se tornou um grande entusiasta do espiritismo, e é mesmo óbvio que o seu interesse pela evolução também se dava no âmbito espiritualista, particularmente no que tange a reencarnação. Pelo mesmo motivo, foi relegado as notas de rodapé da história da ciência, embora seja no mínimo tão responsável pela teoria da evolução quanto Darwin (há quem diga que até muito mais).

(d) Niels Bohr, Werner Heisenberg e Erwin Schrödinger, todos grandes cientistas do século passado, tinham o Bhagavad Gita, a maior obra espiritual do hunduísmo, como livro de cabeceira. Alguns deles chegaram a der relatos de que muitas vezes se inspiraram diretamente em seus conceitos para alcançarem algumas de suas descobertas.

(e) Richard Feynman, o célebre físico americano, gostava muito de desenhar e tocar bongos!

Tudo bem, este último caso foi mais para exemplificar o que quero dizer: não é que os Vedas, os textos herméticos ou as sessões espíritas tenham servido de inspiração direta para descobertas científicas, mas todos eles têm o mérito de terem mantido todos esses grandes cientistas ativos e curiosos em mais de um campo de conhecimento.

O que seria de Feynman sem as sessões de bongos? Teria sido o mesmo cientista?

Talvez, quem sabe… Mas certamente não traria aquele enorme sorriso no rosto, tampouco aquele brilho peculiar no olhar, toda a vez em que falava sobre a inefável natureza da Natureza!

» Em breve, + memes!

***

Crédito das imagens: Raph/Google Image Search

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Ciência #Cristianismo #memes #Ocultismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/memes-para-reflex%C3%A3o-parte-4

O Diabo na Bruxaria

serpent key

Em seu livro sobre Bruxaria Tradicional Balcânica, Radomir Ristic nos fornece imagens evocativas da natureza da bruxa como alguém que possui uma relação ou conexão com algum espírito vestido em trajes demoníacos. A conexão com este espírito o torna apto a fazer maravilhas e prodígios, voar noite a fora e agir de maneira que o coloca aparte do mundo ordinário. Ele ou ela é alguém que vê além dos véus do dia e da noite e vê o que há por trás de tais véus. Ristic também é claro ao revelar que na raiz da idéia da bruxa encontramos um conceito teológico bogomilo. Os Bogomilos acreditavam em um Deus Único, porém, eles também acreditavam em seu emissário e vigário, Satanael. Por esta razão temos o conceito dos dois Czares, o Czar dourado do Céu e o Czar prateado da Terra. Sua exposição sobre estes mistérios também foi expresso na antologia sobre Bruxaria Tradicional Serpent Songs, onde ele conclui que a influência bogomila fez o ‘caminho das avós’ sobreviver – foi este caminho que ficou conhecido como bruxaria.

Este campo entre Céu e Terra é importante, pois é aqui que encontramos a bruxa como a guardiã das duas chaves que a torna um limiar, proibida e iluminada – é uma benção amaldiçoada… mas a bruxa permanece firme entre dois mundos, visível e invisível em um lampejo de ambigüidade e temor. Como Mikael Häll comenta em sua tese de doutorado:

“… o mundo pré-moderno e seus habitantes existiam em um campo de tensão entre Deus e o Diabo… A magia do povo comum, por exemplo, era explicada como um desvio da verdadeira fé que conduziria em direção a Deus e, em vez disso, conduzia o praticante em direção ao Diabo…” (Skogsrået,näcken och djävulen, Malört forlag, 2013: 72, 73, tradução NdMF)

Lembro-me de ler sobre os encontros de Elias Ashmole com os habitantes do outro lado, que compartilhavam com ele o conhecimento secreto que ele levou além, para sua maestria de alquimia e das artes teúrgicas. Recordo-me de Bessie Dunlop e seu amigo sobrenatural, Tom Reid, quem ela alegava ser a fonte de todo seu conhecimento. Dado o fato de que ela sabia demais, foi condenada por ser bruxa e morta em 1576, após ser julgada por feitiçaria e bruxaria e ser considerada culpada. (vide Emma Wilby: Cunning Folk and Familiar Spirits, Sussex Academic Press, 2005).

E sim, a bruxa é perigosa porque ela sabe demais. Quando você sabe demais, você não cairá em truques com sombras e espetáculos de marionetes, sua habilidade de discernimento lhe impelirá e você verá claramente. Você verá com a clareza da matéria negra ou dos enxofres de mil sóis, e você rejeitará qualquer tentativa de laçar uma corda ao seu redor. Qualquer conselho, federação ou organização será percebida como uma doença, tampouco digna do ridículo, pois a bruxa sabe demais e nisto, ele ou ela sabe que… Com a chave do céu ela abre para os anjos e o inferno celestial e com a chave de prata ela abre para a linguagem da natureza, para entrar em comunhão enquanto voa como um pássaro da milagrosa colheita da tragédia, comédia e harmonia…

A bruxa é uma amante da vida e da verdade, é uma vidente e uma conhecedora – e por isso ela pode se esconder em plena luz do dia e brilhar como um vaga-lume à noite. Ela é Ele e conhece os limites de todas as fronteiras – e é por isso que ela desafia e provoca. Seu próprio ser é a medula do Diabo – como nós o conhecemos…

Pois o Diabo, de fato, é um opositor, embora não seja um inimigo a menos que assim você o declare e o convide para entrar em um jogo diferente dentro de sua vida – pois nós sempre somos nossos próprios inimigos. Então, se o Diabo exerce o papel de inimigo no jogo, ele se voltará para você e lhe desafiará a ver os seus caminhos, passos e seus vôos.

O Diabo, o Davul, o Homem na Encruzilhada, o carvão negro do ferreiro, o estranho, São Nicolau, São Pedro, o cúmulo dos seus medos, o inconsistente, o Dragão, Rei da Terra, o Homem na Ponte e muitos outros são os nomes referentes a este ícone de ‘Diabo’ como a porta para o outro lado que daria boas vindas a alguns poucos seletos… Bruxas não são pagãs, mas alguns pagãos podem ser bruxas. Antigas formas de culto e religião não possuem valor algum para a bruxa, a menos que seja acrescido ao Destino dela como algo excluído, e assim uma paisagem é explicada. A bruxa renuncia dogmas embora muitas vezes abrace a doutrina – e isso é sempre o espinho no olho cego das entidades religiosas – pois a bruxa é uma força da natureza que faz amor com a natureza e seus habitantes, enquanto luta com eles para manter a encruzilhada de seu próprio ser. Esta postura é diabólica, pelo o menos do ponto de vista da religião dogmática, atual ou pré-histórica. A bruxa sempre será a forasteira astuta que recusa o dogma, mas adere à doutrina que torna o mundo uma superabundância de enigmas que podemos seguir pelos sete cantos do mundo. Roper Lyndal relata o seguinte:

“Em 1670, Regina Bartholome confessou que vivera com o Diabo como marido e mulher. Tinha 21 anos quando foi interrogada pelo Conselho de Augsburg e ela conhecera o Diabo cinco anos antes. Ela lembrava que o Diabo estava vestido em uma calça de seda, com botas e esporas, e que ele parecia um nobre. Eles desfrutavam seus encontros amorosos duas vezes por semana em uma taberna-padaria em Pfersee, uma aldeia próxima de onde os judeus viviam. O Diabo encomendava lingüiça de pulmão, carne de porco assada e cerveja para ela e os dois comiam com prazer, sozinhos no salão da estalagem. Ele prometia a ela dinheiro, mas ela havia recebido somente 6 kreuzer dele, e mesmo assim isso se revelara ser uma má barganha. Em troca por esta magra recompensa, Regina assinara um pacto com o Diabo pelo período de sete anos. Ela renegara a Deus e a Trindade, e tomara o Diabo — seu amante — como seu pai, ao invés de Deus.”(Oedipus and the Devil, Routledge, 1994: 228)

Aqui encontramos a idéia comum da bruxaria como oposta ao cristianismo, mas não é bem assim. A bruxa é alguém que vive na tensão entre Deus e o Diabo, e é por definição ambígua e conhece a ambos. O Diabo vive nos enigmas e detalhes do esquema cósmico – e assim também a bruxa…

Do original The Devil in Witchcraft, escrito por Nicholaj de Mattos Frisvold

postado originalmente em http://www.starrycave.com/2013/09/the-devil-in-witchcraft.html

Traduzido por Leonardo Martins

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-diabo-na-bruxaria

Dúvidas Fundamentalistas

A Dra. Laura Schlessinger é uma radialista norte-americana de extrema-direita. Apesar de ser judia, ela é adorada pelos fundamentalistas evangélicos, uma vez que defendem rigorosamente os mesmos princípios. Seu discurso é tão virulento que o programa que apresenta nos EUA foi proibido no Canadá, onde a lei proíbe a pregação de ódio contra minorias. Há cerca de três anos, ela causou furor ao condenar o homossexualismo com base nas Escrituras, uma vez que em Levítico 18:22 tal prática é considerada uma abominação. E emendou: “A Palavra de Deus é eterna e imutável”. A afirmação fez com que um anônimo internauta escrevesse a pérola abaixo:

Querida Dra. Laura:

Obrigado por fazer tanto para educar as pessoas a respeito das Leis de Deus. Aprendi muito com seu programa e tento compartilhar esse conhecimento com o maior número possível de pessoas. Quando alguém tenta defender o homossexualismo, por exemplo, eu simplesmente o lembro que Levítico 18:22 claramente afirma que isso é uma abominação. Fim do debate.

Entretanto, eu preciso de conselho seu a respeito de outras leis bíblicas e como segui-las da melhor maneira. Em especial:

* Quando eu queimo um touro no altar como sacrifício, sei que isso cria um odor suave ao Senhor (Levítico 1:9). O problema é com meus vizinhos. Eles dizem que o odor não lhes é agradável. Devo castigá-los?

* Eu gostaria de vender minha filha como escrava, conforme autorizado em Êxodo 21:7. Na sua opinião, qual seria o preço justo que eu deveria pedir por ela hoje em dia?

* Eu sei que não posso ter contato com uma mulher quando ela está no seu período de impureza menstrual (Levítico 15:19-24). O problema é: como eu digo isso a ela? Eu tenho tentado, mas a maioria das mulheres toma isso como ofensa.

* Levítico 25:44 sustenta que eu posso ter escravos, homens e mulheres, desde que comprados de nações vizinhas. Um amigo meu afirma que isso se aplica aos mexicanos, mas não aos canadenses. Pode esclarecer? Por que não posso ter escravos canadenses?

* Tenho vizinhos que insistem em trabalhar no dia sagrado (sábado para os judeus, domingo para os cristão). Êxodo 35:2 sustenta claramente que eles devem ser mortos. Estou moralmente obrigado a matá-los eu mesmo?

* Um amigo meu acha que, embora comer crustáceos seja uma abominação (Levítico 11:10-11), é uma abominação menor que o homossexualismo. Eu discordo. Qual de nós está certo?

* Levítico 21:20 afirma que não devo me aproximar do altar de Deus se tiver um defeito em minha vista. Tenho que admitir que uso óculos de leitura. Minha visão precisa ser 100% ou há alguma flexibilidade aí?

* A maior parte dos meus amigos homens usa o cabelo aparado, incluindo o cabelo das têmporas, apesar disso ser expressamente proibido em Levítico 19:27. De que forma eles devem morrer?

* Eu sei que tocar a pele de um porco morto me faz impuro (Levítico 11:6-8), mas eu posso jogar futebol americano se usar luvas? (as bolas de futebol americano são feitas com pele de porco)

* Meu tio tem uma fazenda. Ele viola Levítico 19:19 plantando duas culturas diferentes no mesmo campo, assim como sua mulher ao usar roupas feitas de dois tecidos diferentes (algodão e poliéster). Ele também costuma praguejar e blasfemar. É realmente necessário ter o trabalho de reunir toda a população da cidade para apedrejá-los (Levítico 24:10-16)? Não podemos simplesmente queimá-los vivos numa cerimônia familiar reservada, como fazemos com aqueles que mantêm relações sexuais com seus sogros (Levítico 20:14)?

Sei que a senhora estudou a fundo esses assuntos, por isso estou certo de que pode me ajudar. Obrigado por nos lembrar que as palavras de Deus são eternas e imutáveis.

Seu fã devoto

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/d%C3%BAvidas-fundamentalistas

A Maçonaria e a Igreja Católica

Ao longo de sua história a Igreja Católica condenou e desaconselhou seus fiéis à pertença a associações que se declaravam atéias e contra a religião, ou que poderiam colocar em perigo a fé. Entre essas associações encontra-se a maçonaria. Atualmente, a legislação se rege pelo Código de Direito Canônico promulgado pelo Papa João Paulo II em 25 de janeiro de 1983, que em seu cânon 1374, afirma: “Quem ingressa em uma associação que maquina contra a Igreja deve ser castigado com uma pena justa; quem promove ou dirige essa associação deve ser castigado com entredito”.

Esta nova redação, entretanto, apresenta duas novidades em relação ao Código de 1917: a pena não é automática e não é mencionado expressamente a maçonaria como associação que conspire contra a Igreja. Prevendo possíveis confusões, um dia antes de entrar em vigor a nova lei eclesiástica no ano de 1983, foi publicada uma declaração assinada pelo Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Nela se apresenta que o critério da Igreja não sofreu variação em relação às anteriores declarações, e a nominação expressa da maçonaria foi omitida para assim incluir outras associações. É indicado, juntamente, que os princípios da maçonaria seguem sendo incompatíveis com a doutrina da Igreja, e que os fiéis que pertençam a associações maçônicas não podem ter aceder à Sagrada Comunhão.

Neste sentido, a Igreja condenou sempre a maçonaria. No século XVIII, os Papas o fizeram com muito mais força, e no XIX persistira nisto. No Código de Direito Canônico de 1917 eram excomungados os católicos que fizessem parte da maçonaria, e no de 1983 o cânon da excomunhão desaparece, junto com a menção explícita da maçonaria, o que pôde criar em alguns a falsa opinião de que a Igreja por pouco aprovaria a maçonaria.

É dificil encontrar um tema – explica Federico R. Aznar Gil, em seu ensaio La pertenencia de los católicos a las agrupaciones masónicas según la legislación canónica actual (1995) – sobre o qual as autoridades da Igreja Católica tenham se pronunciado tão reiteradamente com no caso da maçonaria: desde 1738 a 1980 conservam-se não menos de 371 documentos, aos quais deve-se acrescentar abundantes intervenções dos dicastérios da Cúria romana e, a partir sobretudo do Concílio Vaticano II, as não menos numerosas declarações das Conferencias Episcopais e dos bispos de todo o mundo. Tudo isto está indicando que nos encontramos frente a uma questão vivamente debatida, fortemente sentida e cuja discussão não pode se considerar fechadas.

Quase desde a sua aparição, a maçonaria gerou preocupações na Igreja. Clemente XII, “In eminenti”, havia condenado a maçonaria. Mais tarde, Leão XIII, em sua encíclica “Humanum genus”, de 20 de abril de 1884, a qualificava de organização secreta, inimigo astuto e calculista, negadora dos princípios fundamentais da doutrina da Igreja. No cânon 2335 do Código de Direito Canônico de 1917 estabelecia-se que “aqueles que dão seu nome à seita maçônica, ou a outras associações do mesmo gênero, que maquinam contra a Igreja ou contra as potestades civis legítimas, incorrem ipso facto em excomunhão simplesmente reservada à Sede Apostólica”.

O delito – segundo Federico R. Aznar Gil – consistia em primeiro lugar em dar o nome ou inscrever-se em determinadas associações. (…) Em segundo lugar, a inscrição devia se realizar em alguma associação que maquinasse contra a Igreja: se entendia por maquinar “aquela sociedade que, em seu próprio fim, exerce uma atividade rebelde e subversiva ou as favorecesse, quer pela própria ação dos membros, quer pela propagação da doutrina subversiva; que de forma oral ou por escrito, atua para destruir a Igreja, isto é, sua doutrina, autoridades em quanto tais, direitos, ou a legítima potestade civil”. (…) Em terceiro lugar, as sociedades penalizadas eram a maçonaria e outras do mesmo gênero, com o qual o Código de Direito Canônico estabelecia uma clara distinção: enquanto o ingresso na maçonaria era castigado automaticamente com a pena de excomunhão, a pertença a outras associações tinha que ser explicitamente declarada como delitiva pela autoridade eclesiática em cada caso. Os motivos que argumentava a Igreja católica para sua condenação à maçonaria eram fundamentalmente: o caráter secreto da organização, o juramento que garantia esse caráter oculto de suas atividades e os pertubadores complôs que a maçonaria empreendia contra a Igreja e os legítimos poderes civis. A pena estabelecia diretamente a excomunhão, estabelecendo-se também uma pena especial para os clérigos e os religiosos no cânon 2336.

Também recordavam as condições estabelecidas para proceder à absolvição desta excomunhão, que consistiam no afastamento e a separação da maçonaria, reparação do escândalo do melhor modo possível, e cumprimento da penitência imposta. As conseqüências da excomunhão incluiam, por exemplo, a privação de sepultura eclesiática e de qualquer missa exequial, de ser padrinho de batismo, de confirmação, de não ser admitidos no noviciado, e o conselho – no caso das mulheres – de não contrair matrimônio com maçons, assim como a proibição ao pároco de assistir núpcias sem consultar o Ordinário.

A partir da celebração do Concílio Vaticano II, um incipiente diálogo entre maçons e católicos fez com que a situação começasse a mudar. Alguns Episcopados (França, Países Escandinavos, Inglaterra, Brasil ou Estados Unidos) começaram a revisar a atitude frente a maçonaria; por um lado revendo na história os motivos que levaram a Igreja a adotar essa atitude condenadora, tais como sua moral racionalista maçônica, o sincretismo, as medidas anticlericais promovidas e defendidas pelos maçons; e por outro lado, foi questionado que se pudesse entender a maçonaria como um bloco único, sem levar em conta a cisão entre a maçonaria regular, ortodoxa e tradicional, religiosa e aparentemente apolítica, e a segunda, a irregular, irreligiosa, política, heterodoxa.

Estes motivos e as mais ou menos constantes petições chegadas de várias partes do mundo a Roma, diálogos e debates, fizeram com que, entre 1974 e 1983, a Congregação para a Doutrina da Fé retomasse os estudos sobre a maçonaria e publicasse três documentos que supuseram uma nova interpretação do cânon 2335. Neste ambiente de mudanças, não é de se estranhar que o cardeal J. Krol, arcebispo de Filadélfia, perguntasse à Congregação para a Doutrina da Fé se a excomunhão para os católicos que se afiliavam à maçonaria seguia estando em vigor. A resposta a sua pergunta foi dada por seu Prefeito, em uma carta de 19 de julho de 1974. Nela é explicado que, durante um amplo exame da situação, tinha-se dado uma grande divergência nas opiniões, segundo os países. A Sede Apostólica acreditava oporutno, conseqüentemente, elaborar uma modificação da legislação vigente até que se promulgasse o novo Código de Direito Canônico. Advertia-se, entretanto, na carta, que existiam casos particulares, mas que continuava a mesma pena para aqueles católicos que dessem seu nome a associações que realmente maquinassem contra a Igreja. Enquanto que para os clérigos, religiosos e membros de institutos seculares a proibição seguia sendo expressa para a sua afiliação em qualquer associação maçônica. A novidade nesta carta residia na admissão, por parte da Igreja católica, de que poderiam existir associações maçônicas que não conspirassem em nenhum sentido contra a Igreja nem contra a fé de seus membros.

As dúvidas não tardaram em surgir: qual era o critério para verificar se uma associação maçônica conspirava ou não contra a Igreja?; e que sentido e extensão devia se dar a expressão conspirar contra a Igreja?

O clima generalizado de aproximação entre as teses de alguns católicos e maçons foi quebrado pela declaração de 28 de abril de 1980 Conferência Episcopal Alemã sobre a pertença dos católicos à maçonaria. Como aponta Federico R. Aznar Gil, a declaração explicava que, durante os anos de 1974 e 1980, foram se mantendo numerosos colóquios oficiais entre católicos e maçons; que por parte católica tinham sido examinados os rituais maçônicos dos três primeiros graus; e que os bispos católicos tinham chegado à conclusão de que havia oposições fundamentais e insuperáveis entre ambas as partes: “A maçonaria – diziam os bispos alemães – não mudou em sua essência. A pertença à mesmas questiona os fundamentos da existência cristã. (…) As principais razões alegadas para isso foram as seguintes: a cosmologia ou visão de mundo dos maçons não é unitária, mas relativa, subjetiva, e não pode se armonizar com a fé cristã; o conceito de verdade é, também, relativista, negando a possibilidade de um conhecimento objetivo da verdade, o que não é compatível com o conceito católico;

Também o conceito de religião é relativista (…) e não coincide com a convicção fundamental do cristão, o conceito de Deus simbolizado através do “Grande Arquiteto do Universo” é de tipo deístico e não há nenhum conhecimento objetivo de Deus no sentido do conceito pessoal de Deus do teísmo, e está impregnado de relativismo, o qual mina os fundamentos da concepção de Deus dos católicos (…).

Em 17 de fevereiro de 1981, a Congregação para a Doutrina da Fé publicava uma declaração que afirmava de novo a ex-comunhão para os caltólicos que dessem seu nome à seita maçônica e a outras associações do mesmo gênero, com o qual a atitude da Igreja permanece invariável, e invariável permanece ainda em nossos dias.

No Brasil

Por volta de 1390, conforme registrado no Manuscriptus Regius, o relacionamento entre a Igreja Católica e a Maçonaria era bom. Naquela época, a Maçonaria operativa prestava serviços a Igreja, construindo catedrais. O chefe de cantaria normalmente era um clérigo, que orientava os obreiros, inclusive nos assuntos religiosos.

No que se refere ao Brasil, no final do século XIX, os padres defendiam abertamente idéias liberais, identificando-se com os maçons da época. Em conseqüência, muitos deles foram admitidos na maçonaria, alguns com o consentimento e outros contando apenas com a tolerância de seus Bispos.

“A paz termina quando, numa homenagem prestada pelas Lojas maçônicas do Rio de Janeiro ao seu grão-mestre, Visconde do Rio Branco, registra-se um incidente de maior monta. O padre Almeida Martins, que também é maçom, se apresenta na cerimônia em seus trajes de sacerdote e faz um discurso de saudação, representando a Loja do Grande Oriente do Lavradio, recebendo, por isso, uma punição do bispo diocesano, D. Pedro Maria de Lacerda. Reincidente em sua atuação, é, então, suspenso das ordens sacras. Começa aqui uma guerra surda em que os maçons passam a hostilizar a Igreja, enquanto esta, por seus bispos, age duro contra os religiosos renitentes na prática da maçonaria. Ocorre, então, um incidente mais grave. O bispo de Olinda, D. Vital Maria Gonçalves de Oliveira, jovem de vinte e poucos anos, resolveu aplicar, na área sob sua jurisdição, as recomendações da Encíclica de 1864, do papa Pio IX, proibindo o clero de participar de cerimônias patrocinadas por maçons. O bispo chama particularmente cada um dos sacerdotes envolvidos e ordena-lhes que se dediquem tão somente à vida religiosa, afastando-se de atividades estranhas aos conventos. Encontrando oposição, D. Vital acabou por suspender as irmandades recalcitrantes, impedindo-as de receber novos membros, de participar de ofícios religiosos e até de vestir os seus hábitos. Algumas dessas irmandades recorrem ao Governo e D. Vital, por sua parte, recorre ao Papa que lhe dá poderes para agir com rigor contra os rebelados. Está formado o embrulho, provocado pela espúria união entre o Estado e a Igreja. O acordo entre o Governo e o Vaticano determinava que todas as bulas papais, para serem cumpridas no país, deveriam primeiro receber o execute-se do Governo brasileiro o que não acontecera com a Encíclica cujas recomendações o bispo insistia em aplicar. A crise agrava-se mais ainda quando o bispo do Pará, D. Antônio Macedo Costa, faz um protesto formal contra a maçonaria e se solidariza com D. Vital.

Foi a conta. O Governo apresenta ação criminal contra os dois religiosos, perante o Supremo Tribunal de Justiça, por desrespeito aos poderes do Império. Presos, os dois bispos são levados ao Rio de Janeiro, julgados e condenados a dois anos de prisão com trabalhos forçados, sendo instaurados processos também contra outros padres que lhes deram apoio. Isto ocorreu em 1º de julho de 1873 e só ao final da pena é que os dois bispos foram anistiados, por decreto do Gabinete presidido pelo Duque de Caxias. Mas o desastre já acontecera e seus efeitos são irremediáveis. Já no início do século XVIII, a maçonaria trabalhava no sentido de separar a igreja do estado; instituir o casamento civil; introduzir o sistema republicano de governo; instituir a liberdade religiosa, etc. As encíclicas papais que atacaram a Maçonaria explicitam estas questões: O Papa Leão XII disse em sua encíclica de 13/03/1825, “as obras sobre religião e sobre a república que seus membros ousam dar a luz à publicidade…” A semente da república estava sendo lançada; os líderes religiosos da época começaram a se preocupar com a possibilidade de perder o poder temporal.

O Papa Leão XIII em sua encíclica de 20/04/1884 disse: “os maçons defendem a idéia de que os chefes do governo têm poder sobre o vínculo conjugal. Na educação dos filhos não há nada a lhes prescrever em matéria de religião. A cada um deles compete, quando estiver em idade, escolher a religião que lhe aprouver. Já em muitos países, mesmos os católicos, está estabelecido que fora do casamento civil não há união legítima”. Nesta encíclica, o papa protestava veementemente contra a maçonaria, por estar defendendo a liberdade de religião e a instituição do casamento civil. Isto poderia ser traduzido em perda de influência da igreja sobre os féis. Leão XIII também disse nesta encíclica que: “segundo os maçons, todo poder está no povo livre; os que exercem o poder só são detentores pelo mandato ou pela concessão do povo”. A mesma encíclica afirmava que o poder pertencia a DEUS, o qual transferiu à igreja a responsabilidade de governar, ou de indicar alguém que fosse capaz de fazê-lo. Esta questão é hoje traduzida pelo abuso da televisão que redundou na liberdade sexual, na degeneração da família, no poder atribuído ao dinheiro, etc.

Outro fato digno de nota, é que, no final do século XIX e início do século XX os esforços para a evolução social e política eram divididos entre os católicos conservadores, os liberais e os “cientificistas”. A Igreja católica defendia o pensamento conservador e a maçonaria o liberal. A Igreja tinha nas mãos as escolas que educavam somente os ricos; a maçonaria agiu no sentido de mudar esta situação. Criou escolas noturnas e conseguiu diminuir o custo do ensino, tornando-o mais acessível às classes menos abastadas.

Isto frustrou o objetivo da igreja, que era manter o status quo da época, ou seja, impedir que o poder mudasse de mãos. Do início do século XX até os dias de hoje não se tem notícias de grandes conflitos entre a Igreja Católica e a Maçonaria. Aliás, é interessante mencionar que entre os membros da maçonaria estão inúmeros católicos praticantes e evangélicos. Em 1984 após a publicação do novo código canônico, a Loja de Pesquisa Quatro Coroados de Londres fez uma pesquisa no Vaticano no sentido de saber como era vista a Maçonaria entre os Clérigos. O resultado mostrou que a maioria achava que somente a maçonaria que tinha tirado Deus de seus Postulados Fundamentais é que era condenável, ou seja, o Grande Oriente da França; não havia nenhuma restrição quanto à maçonaria que exigia que seus membros acreditassem em Deus.

Entretanto, esta não era uma posição oficial, pois, não tinha a aprovação das autoridades religiosas do Vaticano.

Mas também existem documentos anteriores ao Regius.

O Cristianismo estava em pleno progresso. Povos e mais povos eram catequizados pelos Soldados de Cristo – isto é, Bispo de grandes capacidades de catequeses. E a Igreja ao receber Reis e a Nobreza, em suas fileiras, passou a contar, também, com uma ajuda financeira muito grande de seus novos Fiéis. E com dinheiro se faz muitas coisas. Então aqueles feios amontoados de madeira sujeito ao fogo e aos raios e outros fenômenos da natureza, começavam a dar lugar às Grandes Catedrais de Pedras, como mostramos logo no início deste trabalho. Entre os anos de 1100 e 1300, milhares de Igrejas, Catedrais, Mosteiros, conventos, etc, foram erguidos na Europa. E para dar conta de tanto Trabalho, uma leva de homens foi se especializando na arte de Construir. Uma Arte Antiga, mas pouco divulgada. E essa leva de Profissionais de Pedra, precisava se organizar. Precisavam de um Estatuto. Precisavam de um espaço só seu. Foi então que Doze Freemasons (Pedreiro especializados em trabalhar na Pedra Franca), liderados por Henry Yevele, é bom guardar bem esse nome – Henry Yevele, nasceu em 1320 e morreu no ano de 1400 – foram até à Prefeitura de Londres, levando um esboço de um Estatuto do Trabalhador da Pedra e, numa audiência com o Alderman (Prefeito) e os Edis, apresentaram seu esboço de Estatuto, onde previa, além da Obediência às autoridades locais, também previa uma fidelidade (quase canina), ao Rei e à Religião Vigente, e, ainda, um pedido para que suas reuniões fossem fechadas, sem a presença de pessoas que não estivessem ligadas a ela.

Esses 12 homens saíram daqui, do local onde está Igreja, Antiga Guilda – desta Guildhall, no dia 2 de fevereiro de 1356. É bom repetir – dois de fevereiro de 1356.

Aqui está o Berço, o Dia, o Mês e o Ano do Nascimento da Maçonaria Documentada. Enquanto não apresentarem outro Documento, confiável, mais antigo. Este Documento que se encontra ainda hoje, na Biblioteca da Prefeitura de Londres, levará a glória e terá o privilégio de ser o Documento Maçônico mais Antigo.

Mas para que não surja ou permaneça nenhuma dúvida, segundo o pesquisador da Quatuor Coronati, o Irmão G. H. T. French:

“O Primeiro Código ou Regulamento dos Maçons da Inglaterra, é datada de 2 de fevereiro de 1356, quando, como resultado da disputa entre Carvoeiros e Maçons, Pintores, Doze Mestres de uma Obra, representando aquele ramo da Arte de Construir, foram até ao Prefeito e Edis de Londres, na sede da Prefeitura e eles obtiveram uma Autorização Oficial, para que fizessem um Código e um Regulamento Interno, para a Instalação de uma Sociedade e, acabar, de vez, com a disputa e, também, para que de uma forma geral, ajudasse nos Trabalhos. O Preâmbulo do Código, confirma que aqueles homens, foram lá, realmente juntos; porque o seu Ofício, até então, não havia sido regulamentado, de nenhuma forma pelo Governo do Povo, como já acontecia com outras Profissões.”

Essa Sociedade dos Maçons (The Fellowship os Masons), durou, ou prevaleceu sozinha durante 20 anos – até 1376, quando foi fundada a Companhia dos Maçons de Londres.

Incidentemente, a primeira Regra desse Regulamento, regido naquela ocasião, como objetivo, do “Delimitação em Disputa”, quando estabelecida “que, muitos homens da profissão, podiam trabalhar em qualquer serviço relacionado com a sua profissão, desde que ele fosse perfeitamente hábil e conhecesse muito bem a profissão.”

Daí por diante, eles passaram a trabalhar segundo esse Código. E muitos outros foram surgindo, formando o que chamamos de Old Charges, ou Constituições Góticas.

Bibliografia:

http://www.acidigital.com/controversia/catolicomacom.htm

Elias Mansur Neto – O Que Você Precisa Saber Sobre Maçonaria.

Assis carvalho – O Aprebdiz Maçom – Editora Trolha.

Blog do Editor – MADRAS.A

#Maçonaria #Religião

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