Alan Moore, Promethea e Daath

Saiu recentemente em sites de HQ este comentário feito pelo desenhista JH Williams III quando trabalhava num arco de Promethea, de Alan Moore, quando este recebeu uma estranha ligação do barbudo… Vejam o que o cara falou sobre isso:

Eu estava desenhando uma viagem pela Árvore da Vida da Cabala, e estava me aproximando do clímax da história, quando os personagens tinham que atravessar os limites da escuridão, pra chegar em lugares de formas mais elevadas da realidade, passando por uma dimensão destruída no caminho…

Alan me ligou, dizendo que eu poderia ter alguns problemas físicos ao desenhar essa parte da HQ, pois ele mesmo se sentiu muito mal ao escrever o roteiro e só melhorou depois que terminou seu trabalho e parou de mexer na história.

Alan acreditava que os pensamentos sobre essa dimensão negativa e maligna se manifestou fisicamente, e ele acabou experimentando todas as sensações ruins que os personagens da HQ deveriam ter passado devido a sua viagem pela Cabala… E achou por bem me avisar sobre isso.

Quando comecei a desenhar a passagem, quanto mais eu me aproximava do momento em que mostrava o buraco negro e a passagem negativa da vida que levava até a Árvore, sentia dores no peito.

E quanto mais eu desenhava o buraco negro, piores as dores ficavam, acabei indo ao hospital pra fazer um exame, e os médicos disseram que eu tivera um pequeno ataque cardíaco, mas que não detectaram nada que pudesse ser a causa dele.

A medida que fui terminando e me afastando das páginas que mostravam o buraco negro as dores foram passando até sumirem por completo…

Depois de alguns dias conversei com Mick Gray sobre isso, e ele me disse que enquanto fazia a arte final dessa parte, todos na sua casa ficaram muito mal, com um surto de gripe.

Daath é a Esfera que está entre Kether e Tiferet; a citação feita ao “Caminho 13”, ou Gimmel (letra hebraica que significa “Camelo”, e tem sua representação no Arcano da Sacerdotisa, no Tarot, daí Promethea e sua companheira encontrarem Aleister Crowley montado em um Camelo mais para a frente nesta parte da história) faz a conexão entre o Iniciado e Deus, ou a comunicação simbólica entre Jesus e seu pai quando ele estava na Cruz.

Daath representa o conhecimento, mas também é um portal para as partes mais sombrias e interiores do Ser humano, o Caminho de conexão entre a Árvore da Vida e a Árvore da Morte (os Túneis de Set, em contraposição aos Caminhos de Toth) que o Iniciado precisa derrotar completamente (abandonar o Ego e compreender totalmente a Sombra que habita dentro de todas as pessoas).

Daath representava o planeta que um dia ficou entre Marte e Júpiter e que hoje é conhecido como Cinturão de Asteróides e algumas mitologias chamam de Ymir ou Tiamat. Quando o Planeta foi destruído, esta esfera deixou de existir também para os Cabalistas (na verdade, para os anjos que assim passaram este conhecimento, já que, quando os cabalistas chegaram, o planeta já tinha sido destruído há milhões de anos).

Daath está localizado entre Binah e Chesed, o que daria a ele um valor intermediário. Muitos cabalistas colocam este valor como sendo PI (3,141592…) porque é um número infinito com uma relação intrínseca com o Abismo… recomendo que assistam ao filme de mesmo nome (PI) para entender melhor esta relação.

Meditar nesta esfera traz para a consciência todos os demônios internos da pessoa, o que pode causar os problemas que mr. moore alertou aos desenhistas. Uma vez que, tanto Moore escrevendo quanto os artistas desenhando estavam em contato mental com esta esfera, eles puxaram para si esta energia e, como o contato foi muito efêmero, tiveram manifestados alguns efeitos físicos.

Como experiência pessoal, quando estudava Qlipoth e os Túneis de Set, em 2006, uma parte do teto do meu escritório quebrou durante uma tempestade, que aconteceu na noite seguinte, e a mesa ficou encharcada, destruindo completamente meu caderno de anotações e os livros do Karlsson (os livros de teurgia ficaram intocados).

Quando ministro o curso de Qlipoth (que é apenas para alunos mais avançados na magia), sempre preciso da permissão e autorização dos meus exús para isso; fazemos uma firmeza de proteção e há todo um preparatório para o estudo de NOX; no último curso, tivemos relatos de alunos que eram médiuns a respeito de sombras e seres astrais grotescos (semelhantes aos desenhados na HQ) que ficavam ao redor do prédio, tentando entrar, quando falávamos os nomes deles em aula.

São energias muito poderosas e extremamente agressivas.

Bem… Agora vocês sabem porque todo satanista de orkut que diz que faz e acontece com as qlipoth é sempre um fodido na vida.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/alan-moore-promethea-e-daath

Podcasts, Palestras e Bate-papo sobre Hermetismo

Conseguimos reunir em um único post boa parte das palestras, entrevistas e bate-papos sobre Kabbalah, Hermetismo, Maçonaria, Oráculos e Ordens Iniciáticas que estão espalhados pela net. Assim facilita a busca dos vídeos e fica mais tranquilo assistir aos que ainda não viram.

Palestras e Entrevistas sobre Hermetismo:

– A Kabbalah e os Deuses de Todas as Mitologias (Sociedade Teosófica)

– Astrologia Hermética (Sociedade teosófica)

– Bate papo sobre Oráculos no Conhecimentos da Humanidade

– Bate papo sobre Alquimia no Conhecimentos da Humanidade.

– Entrevista dada ao site Thelema.com

– Podcast sobre Hermetismo no Conversa entre Adeptus – parte 1

– Podcast sobre Hermetismo no Conversa entre Adeptus – parte 2

– O Louco no Tarot de Rider-Waite e Thoth

– Entrevista sobre Simbolismo e História da Arte dentro do Tarot.

– Entrevista no programa E-farsas sobre Maçonaria

– Entrevista sobre Ordens Iniciáticas e ocultismo

– Podcast sobre Maçonaria no Podcast “Descontrole”.

– Maçonaria e Ordens Iniciáticas no Podcast Mundo Freak Confidencial.

– Astrologia Hermética no Podcast Mundo Freak Confidencial.

– Entrevista sobre Teorias da Conspiração.

– Programa “Entre o Céu e a Terra” TVBrasil- Símbolos e Representações.

– Programa “Entre o Céu e a Terra” TVBrasil – Espiritualidade, Sexo e Prazer.

– Entrevista sobre Astrologia Hermética, no Podcast “Descontrole”.

– Entrevista sobre Ocultismo e Teoria da Conspiração no site E-Farsas.

– Entrevista sobre Filosofias Hermética, no Podcast Contos Acabados.

– Entrevista sobre Ocultismo e Magia Moderna no Occultacast.

– Entrevista sobre Origens do hermetismo – parte 1 com Fredi Jon.

– Entrevista sobre Origens do hermetismo – parte 2 com Fredi Jon.

– Brasileiros notáveis – Marcelo Del Debbio apresentado por Gastão Moreira.

– Palestra sobre a História dos Oráculos, na Sociedade Teosófica

– Mitologia e RPG, bate papo no “canal Roleplayers”.

#Blogosfera

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/podcasts-palestras-e-bate-papo-sobre-hermetismo

Stairway to Heaven

There’s a Lady who’s sure,

All that glitters is gold,

And she’s buying a Stairway to Heaven.

Há uma senhora que está certa

De que tudo o que brilha é ouro

E ela está comprando uma escadaria para o Paraíso

Esta “Lady”, ao contrário do que as pessoas imaginam, não é a Shirley Bassed (essa idéia apareceu em uma referência de Leonard tale no CD Australiano). A “Lady” que Robert Plant fala é Yesod, a Qualidade Universal do Espírito, a Princesa aprisionada dos contos de fada, a vontade primordial que nos leva á meditação, ao auto-conhecimento e ao início da Escada de Jacob, que é a Starway to Heaven, (Caminho das estrelas), trocadilho com o nome da música e que também foi utilizado em outros contextos para expressar as mesmas idéias, como por exemplo, no nome “Luke Skywalker” na Saga do Star Wars. Um dia falo mais sobre isso…

Na Mitologia Nórdica, a Lady é Frigga, também conhecida como Ísis, Maria, A Mãe, Iemanjá, Diana, Afrodite, etc… um aspecto de toda a criação e presente em cada um de nós.

Robert plant fará novas referências a esta “Lady Who´s sure” em outras músicas (Liar´s Dance, por exemplo, que trata do “Book of Lies” do Aleister Crowley).

Ao contrário do senso comum, que diz que “Nem tudo que reluz é ouro”, esta Lady possui dentro de si a esperança e o otimismo para enxergar o bem em todas as coisas; ver que tudo possui brilho e que mesmo a menor centelha de luz divina dentro de cada um possui potencial de crescimento.

E dentro deste entendimento, ela vai galgando os degraus desta escada para os céus. Na Kabbalah, os 4 Mundos formam o que no ocultismo chamamos de “Escada de Jacob”, descrita até mesmo em passagens da Bíblia. Esta “escada” simbólica traz um mapa da consciência do ser humano, do mais profano ao mais divino, que deve ser trabalhada dentro de cada um de nós até chegar à realização espiritual.

Aqui que os crentes e ateus escorregam. Eles acham que deuses são reais no sentido de “existirem no mundo físico” e ficam brigando sobre veracidade de imagens que apenas representam idéias para um aprimoramento interior.
When she gets there she knows,

If the stores are all closed,

With a word she can get what she came for.

E quando chega lá ela sabe,

Se as lojas estão fechadas,

Com uma palavra ela consegue o que veio buscar

Aqui é mencionado o “verbo”, ou a “palavra perdida” capaz de dar criação a qualquer coisa que o magista desejar. A Vontade (Thelema) do espírito do Iniciado é tão forte que “quando ela chegar lá ela sabe que se todas as possibilidades estiverem fechadas, ela poderá usar a palavra para criar o que precisar”. Este primeiro verso coloca que a dama está trilhando o caminho até a Iluminação e tem certeza daquilo que deseja, ou seja, conhece sua Verdadeira Vontade..
There’s a sign on the wall,

But she wants to be sure,

’cause you know sometimes words have two meanings.

Há um sinal na parede,

Mas ela quer ter certeza,

Pois você sabe, às vezes as palavras têm duplo sentido

Ainda trilhando este caminho, a dama precisa ser cautelosa. Porque todo símbolo possui vários significados. Todas as Ordens Iniciáticas trabalham e sempre trabalharam com símbolos: deuses, signos, alegorias e parábolas. Os Indianos chamam estes caminhos falsos de Maya (a Ilusão) e em todos os caminhos espirituais os iniciados são avisados sobre os desvios que podem levá-los para fora deste caminho (ou o “diabo” na Mitologia Cristã).
In a tree by the brook

There’s a song bird who sings,

Sometimes all of our thoughts are misgiven.

Em uma árvore à beira do riacho

Há uma ave que canta

Às vezes todos os nossos pensamentos são inquietantes

A Árvore a qual ele se refere é, obviamente, a Árvore da Vida da Kabbalah, ou Yggdrasil, na Mitologia Nórdica, a conexão entre todas as raízes do Inferno (Qliphoth) e as folhas nos galhos mais altos (Runas). Brook (Riacho) também é um termo usado no Tarot para designar o fluxo das Cartas em uma tirada, e o pássaro representa BA, ou a alma em passagem, considerada também o símbolo de Toth (que, por sua vez, é o lendário criador do Tarot, ou “Livro de Toth”, segundo Aleister Crowley) então a frase fica com dois sentidos: literal, que é uma árvore ao lado de um rio onde há um pássaro; e esotérico, que trata de Toth, deus dos ensinamentos (Hermes, Mercúrio, Exú, Loki…) aconselhando o iniciado enquanto ele trilha a subida simbólica pela Árvore da Vida.
There’s a feeling I get when I look to the west,

And my spirit is crying for leaving.

Há algo que sinto quando olho para o oeste

E o meu espírito clama para partir

O “Oeste” na Rosacruz, na Maçonaria e em várias outras Ordens Iniciáticas, representa a porta do Templo, os profanos ou a parte de Malkuth, o mundo material (enquanto o Oriente representa a luz, o nascer do sol). Ela não gosta do que vê e seu espírito quer trilhar um caminho diferente.
In my thoughts I have seen rings of smoke through the trees

And the voices of those who stand looking.

Em meus pensamentos tenho visto anéis de fumaça através das árvores

E as vozes daqueles que estão de pé nos observando

Os anéis de fumaça são o símbolo usado para representar os espíritos antigos, os ancestrais dentro do Shamanismo. Os grandes professores e os Mestres Invisíveis que auxiliam aqueles que estejam dentro das ordens iniciáticas
And it’s whispered that soon if we all call the tune

Then the piper will lead us to reason.

And a new day will dawn for those who stand long,

And the forests will echo with laughter.

E um sussurro nos avisa que cedo, se todos entoarmos a canção,

Então o flautista nos conduzirá à razão

E um novo dia irá nascer para aqueles que suportarem

E a floresta irá ecoar com gargalhadas

O “piper” é uma alusão ao flautista, ou Pan. O “Hino a Pã” é uma poesia de 1929 composta por Crowley (e traduzida para o português pelo magista Fernando Pessoa) que trata do Caminho de Ayin dentro da Árvore, que leva da Razão à Iluminação e é representada justamente pelo Arcano do Diabo no Tarot e pelo signo de Capricórnio, o simbólico Deus Chifrudo das florestas. As “florestas ecoando com gargalhadas” sugere que aqueles que estão observando (os Mestres Iniciados) estarão satisfeitos quando os estudantes e todo o resto do Planeta chegarem ao mesmo ponto onde eles estão e se juntarem a eles.
If there’s a bustle in your hedgerow,

Don’t be alarmed now,

It’s just a spring clean for the May Queen.

Se há um alvoroço em sua horta

Não fique assustada

É apenas a purificação da primavera para a Rainha de Maio

Esta parte não tem nada a ver com garotas chegando à puberdade. As mudanças referem-se à morte do Inverno e chegada da Primavera, que representa a superação das Ordálias e caminhada em direção à Verdadeira Vontade.
Yes there are two paths you can go by,

But in the long run

There’s still time to change the road you’re on.

Sim, há dois caminhos que você pode seguir

Mas na longa jornada

Há sempre tempo para se mudar de estrada

A lembrança de que sempre existem dois caminhos, e também uma referência ao Caminho de Zain (Espada, que conecta o Iniciado em Tiferet à Grande Mãe Binah, representada pelo Arcano dos Enamorados no Tarot). Separa a parte dos prazeres terrenos (chamados de “pecados” na cristandade ou de “Defeitos Capitais” na Alquimia) e o caminho da iluminação espiritual. A escolha é nossa e é feita a cada momento de nossa vida em tudo o que fazemos, e qualquer pessoa, a qualquer momento pode mudar de caminho (espero que do mais baixo para o mais elevado…)
And it makes me wonder.

Oh, e isso me faz pensar e me deixa maravilhado (uso duplo de “wonder”)

Robert Plant coloca várias vezes esta frase na música, em uma referência ao Arcano do louco (e o Caminho do Aleph na Kabbalah), como o sentimento de uma criança que se maravilha com tudo no mundo pela primeira vez (no catolicismo “Vinde a mim as criancinhas”, Mateus 18:1-6 sem trocadilho desta vez). Este é a sensação que um ocultista tem a cada descoberta de uma nova galáxia ou maravilha do universo, ou novas invenções da ciência e a descoberta de novos horizontes. No hinduísmo, esta sensação tem o nome de Sattva (em oposição a Rajas/atividade ou Tamas/ignorância).
Your head is humming and it won’t go,

In case you don’t know,

The Piper’s calling you to join him.

Sua cabeça lateja e isto não vai parar,

Caso você não saiba

O flautista lhe chama para que se junte a ele

Nesta altura da música, já fica claro que quem a escuta está sendo guiado pela Lady através da Árvore da Vida em direção à Iluminação. O aspirante a Iniciado está sendo conduzido pelo caminho pelo soar da música. Ou, em um caso mais concreto, o mesmo tipo de música que o Blog do Teoria da Conspiração toca para vocês…
Dear Lady can you hear the wind blow, and did you know,

Your stairway lies on the whispering wind.

Querida senhora, não pode ouvir o vento soprar? Você sabia

Que a sua escadaria repousa no vento sussurrante?

Esta frase tem duas analogias com símbolos muito parecidos, de duas culturas. O primeiro é a própria Yggdrasil, em cujas raízes fica um dragão (a Kundalini) e em cujo topo fica uma águia que bate suas asas resultando em uma suave brisa. A Águia representa o espírito iluminado (daí dela ser o símbolo escolhido pelos maçons americanos como símbolo dos EUA) e o vento é o elemento AR (Razão). Na Kabbalah, em um significado mais profundo, tanto os caminhos de Aleph (Louco/Ar) quanto de Beth (Mago/Mercúrio) que conduzem a Kether (Deus) são representados pelo elemento AR – O Led Zeppelin fala sobre águias em outras canções, igualmente cheias de simbolismo… algum dia eu falo sobre elas.
And as we wind on down the road,

Our shadows taller than our soul,

E enquanto seguimos soltos pela estrada

Nossas sombras se elevam mais alto que nossas almas

As Sombras, no ocultismo e especialmente nos textos do Crowley, são os defeitos ou aspectos negativos de nossa personalidade que mancham a pureza de nossa alma.
There walks a lady we all know,

Who shines white light and wants to show

How everything still turns to gold,

Lá caminha uma senhora que todos nós conhecemos

Que irradia uma luz branca, e quer nos mostrar

Como tudo ainda vira ouro

O terceiro Caminho até Kether é Gimmel, a sacerdotisa, o caminho iniciado em Yesod (Lua) que passa novamente pelos Grandes Mistérios. A analogia com o Ouro é óbvia. O processo alquímico na qual transformamos simbolicamente o chumbo do nosso ego no ouro da essência.
When all are one and one is all,

Unity.

To be a rock and not to roll.

Quando todos são um e um é todos,

Unidade

Ser como uma rocha e não rolar

Quando finalmente ultrapassamos o Abismo, chegamos a Binah, que representa a Ordem (“rock” em oposição ao Caos, que é o “roll”, em um genial jogo de palavras). Na Umbanda, o orixá representado ali é Xangô, senhor das “pedreiras” e da certeza das leis imutáveis do Universo. Representa a mente focada no caminho, sem deixar-se levar por qualquer evento ou adversidade.
And she’s buying a Stairway to Heaven.

E ela está comprando uma escadaria para o Paraíso

Novamente, a mensagem de esperança… a Dama do Lago está sempre ali, criando oportunidades para todos os buscadores no Caminho da Libertação.

***

análise e comentários por Marcelo Del Debbio

tradução dos versos em inglês por Rafael Arrais

#Arte #Música

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/stairway-to-heaven

Os Sonhos (Parte 6)

Por: Colorado Teus

Esta é uma série de textos que começou com Breve introdução à Magia, depois definimos nossos termos técnicos em Signos, falamos sobre a precisão das divisões entre os planos em A Percepção e a Evolução e como isso pode ser organizado em em Rituais e depois mostramos como a simples mistura de sistemas mágicos pode ser um fracasso para pesquisas em Análise de sistemas mágicos.

Para entender um pouco melhor o exercício prático do quinto texto, separei outra frase do livro “O Poder do Mito”, de Joseph Campbell:

“Quanto ao ritual, é preciso que ele se mantenha vivo. Muito do nosso ritual está morto. É extremamente interessante ler a respeito das culturas primitivas, elementares – como elas transformam os contos populares, os mitos, o tempo todo, em função das circunstâncias. Um povo se move de uma área em que, digamos, a vegetação era o suporte básico, para as planícies. Muitos dos nossos índios das planícies, do período em que andavam a cavalo, tinham pertencido originariamente à cultura do Mississipi. Eles viviam ao longo do Mississipi, tinham moradia fixa nas cidades e desenvolviam uma agricultura estável.

Então receberam os cavalos dos conquistadores espanhóis, o que tornou possível aventurar-se pelas planícies e praticar a grande caçada das manadas de búfalos. Por essa época, sua mitologia transformou-se de mitologia ligada à vegetação, em mitologia ligada ao búfalo.”

Muitos dos rituais foram criados de maneira a modificar o estado de consciência das pessoas e lembrá-las do que é realmente importante para suas vidas.

Como estamos falando sobre a criação dos sistemas mágicos, é preciso saber o porquê deles serem criados. Quase tudo que foi discutido até agora é mais ligado aos mundos ativo e formativo, ou Assiah e Yetzirah respectivamente (de acordo com a divisão com base nos Quatro Elementos citada no terceiro texto da série), então, após entender estes, vamos falar sobre o mundo emocional ou criativo, o mundo da Água, Briah.

“Emoção é uma experiência subjetiva, associada ao temperamento, personalidade e motivação. A palavra deriva do latim emovere, em que o e- (variante de ex-) significa ‘fora’ e movere significa ‘movimento’.” Emoção. In: Wikipedia. Disponível em:. . Acesso em: 07/08/2014.

Podemos ver que existe uma diferença entre sentimentos e emoções, já que os sentimentos estão ligados diretamente aos nossos sistemas de percepção, enquanto emoção é um tipo específico de sentimento, o que coloca a pessoa reativamente em movimento (aqui falamos dos mais diferentes tipos de movimento, desde um pensamento a um movimento físico).

Todos temos os mais variados tipos de emoções durante nosso dia a dia, desde a vontade de abraçar aqueles que amamos, até a vontade de afastar alguém que queremos não queremos por perto. Mas existe um problema muito grande quando vamos falar sobre emoções, elas estão além da nossa língua, estão acima do plano dos símbolos. Cada emoção depende basicamente da percepção de mundo de quem a sente e também da intensidade com que o algo que a gerou aconteceu.

Quando eu digo “Eu amo minha mãe”, é um amor muito diferente de quando eu digo “Eu amo minha namorada”, ou “Eu amo meu trabalho”, ou “Eu amo meu filho”, ou “Eu amo chocolate” etc. Quando, por exemplo, a palavra “amor” é lida em um texto, o leitor tenta ativá-la recordando de algo (ou seja, o remete a algo que ele já sentiu) para entender que tipo de amor o autor está tentando citar. Mas uma pessoa que nunca teve um filho, não vai entender exatamente o que um pai sente quando diz “Eu amo meu filho” enquanto esse não tiver um (exemplo emprestado do querido MDD).

Para contornar estas situações, existem muitas técnicas que ajudam a colocar uma parte maior do sentimento no texto, como fazer comparações ou metáforas, escrever poemas e músicas, fazer um desenho, um vídeo etc. Eu poderia falar “Eu amo tanto minha namorada que sem ela minha vida seria preto e branco”. Com isto, levo o leitor a pensar em como é a diferença em ver algo em preto e branco e à cores (como tv ou fotos); ao sentir a diferença, ver que é muito mais sem graça (obviamente existem exceções), ele consegue chegar mais perto de entender que minha vida seria bem mais sem graça sem minha namorada, e, assim, entender um pouco mais do meu amor por ela. Mas mesmo assim não é algo preciso, então eu poderia escrever um ou vários poemas, uma ou várias músicas, fazer desenhos e muitas outras coisas. Cada vez que fizer algo assim, as outras pessoas poderão entender um pouco melhor minhas emoções.

Mas sabemos que emoções não são ligadas apenas a amor. Os índios tinham uma ligação muito forte com a Mãe Natureza, então sempre que conseguiam alguma comida, sentiam gratidão e uma felicidade muito grande e, para expressar isso, criavam festivais, músicas, pinturas, esculturas e muitas outras coisas como forma de agradecê-La. É aí que percebemos a diferença que Joseph Campbell cita de quando há uma mudança nos hábitos dos índios, toda sua maneira de cultuar é modificada (cultos de agradecimento à floresta tornam-se cultos de agradecimento aos búfalos), porém, as emoções são praticamente as mesmas. Quem sabe uma foto ajude o leitor a perceber estas emoções que citei dos índios:

Com isso, voltamos àquilo que eu estava falando sobre símbolos no texto 4, que símbolos são imagens que um grupo de pessoas tem com um significado em comum (aquilo que os une), então, com a formação de um sistema simbólico, começa a existir uma padronização que ajuda muito na expressão das emoções entre pessoas que o entendem/vivem. Isto é fortalecido quando as pessoas vivem utilizando e percebendo aquele sistema simbólico rotineiramente, não é que não funciona para quem não vive assim, porém, é bem mais fraco para estes. Eu que, para comer, preciso apenas arrumar dinheiro e ir a um supermercado, nunca saberei de verdade o que é louvar um Deus Caçador, o que é suplicar comida a Ele junto com toda uma cidade, com seus filhos, com medo de nunca mais conseguir comer e ver seus entes queridos morrerem de fome.

Até aqui falamos das emoções que nós conseguimos entender e tentamos transmitir a alguém, mas e as que nem nós mesmos conseguimos entender? É aí que entra o que se chama de “subconsciente” dos seres humanos, o lugar onde ficam as emoções que o ser possui, mas ainda não foi capaz de entender conscientemente. Quando estas emoções começam a aflorar, elas começam a chegar na mente e tomam forma de símbolos que o ser possui em memória, o que pode ficar algo grosseiramente aproximado. Vamos a um exemplo:

Dois nativos, um que viveu a vida toda na Floresta Amazônica e o outro que viveu no Egito. Quando algo começa a ameaçar a vida do primeiro, nos sonhos, ele poderá ver uma onça pintada tentando atacá-lo, uma aranha, uma cobra etc. Se esse mesmo algo ameaça a vida do segundo, ele verá nos sonhos um escorpião, uma serpente, um crocodilo etc.

Quando é algo que a pessoa não consegue fazer a mínima ideia do que seja, não possui nada que se aproxime daquilo, começam a aparecer seres deformados e totalmente desconexos durante os sonhos, como uma onça pintada com cabeça de cobra e oito patas, formando um “novo ser”. Este novo ser, apesar de deformado, não é necessariamente bom ou mal, é apenas divergente dos padrões com que a pessoa criadora está habituada.

Utilizar um bom sistema simbólico ajuda justamente nisso, quando se sintoniza com um, as emoções começam a chegar baseadas nesses padrões. Por exemplo, imaginemos que várias pessoas, em diferentes partes do mundo, precisam disciplinar alguém mas não têm forças para isso. Neste momento um grego pode sonhar que é o deus Áres, um umbandista que é Ogum, um hindu que é Kali, um egípcio que é Hórus, uma criança dos dias atuais que é Vegeta, Kratos, um soldado armado etc.

Como é importante analisar as próprias emoções, é muito importante que se entenda qual a base simbólica que sua mente está utilizando, ou seus sonhos e visões viram uma salada de frutas. Note que, em razão de toda educação e percepção de mundo que as pessoas de um grupo têm (a forma de disciplinar do grego não é a mesma dos umbandistas, hindus e egípcios), logo, as imagens citadas não são as mesmas, gerando deuses, culturas e padrões de ação diferentes (algumas vezes muito parecidos, mas nunca iguais). Mas, apesar disso, existem sim símbolos que servem para a grande parte das pessoas do mundo todo, são imagens formadas à partir do que foi citado no capítulo 3 como “Inconsciente Coletivo”, que é a parte não consciente das coisas que todas as pessoas do mundo são capazes de perceber, simplesmente por serem seres humanos gerados e criados por outros seres humanos; este assunto será abordado no próximo capítulo, quando estivermos falando de Atziluth, ou o mundo do Fogo.

Como de costume, para terminar este texto proponho um exercício prático: a construção de um diário de sonhos. Todas as pessoas do mundo sonham, porém, nem todas lembram deles, justamente porque lembrar dos sonhos gasta energia e a maioria das pessoas não quer gastar energia em algo que para ela não faz o menor sentido. A melhor maneira que conheci para lembrar de sonhos é anotando-os, quando fazemos isso, nosso cérebro começa a dar mais atenção (awereness) a eles e nos ajuda a lembrar cada vez de mais e mais detalhes, até que chegará uma hora em que a pessoa dificilmente conseguirá lembrar se o que se passou foi sonho ou realidade. Daí vem a segunda grande importância de anotá-los: para não confundirmos os sonhos com a realidade do mundo físico. Existem outras coisas que nos ajudam a induzir nosso cérebro a lembrar dos sonhos, como: imagens, talismãs, músicas, orações etc. Um terceiro ponto, não menos importante que os outros, é começar a perceber os padrões em que as imagens chegam, assim, podemos entender melhor quais são nossos próprios sistemas simbólicos e, dessa forma, entender melhor nossas emoções inconscientes.

“Vamos todos em busca do elixir da longa vida…”

Vai dar certo!

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-sonhos-parte-6

Biografias: John Keats

Filho de um cavalariço enriquecido, órfão a partir de 1804, muito jovem entusiasmou-se pela Grécia Antiga. Trabalhou como aprendiz de cirurgião durante cinco anos e depois foi nomeado externo do Guy’s Hospital.

Keats estudou para ser farmacêutico, chegando mesmo a licenciar. Porém, seu interesse por idiomas (sabia latim e francês), por história e mitologia o levou a exercer a literatura. O trabalho de Keats raramente foi bem recebido pelo público e pela crítica. Indiferente a isso, ele escreveu com abundância e qualidade em sua breve vida. Entre 1818 e 1819, concentrou-se em dois poemas importantes: Hyperion (inacabado), em versos brancos sob a influência de John Milton, e Ballad La Belle Dame Sans Merci.

Dedicava todo tempo livre à leitura. Seus primeiros versos não mostravam o grande poeta que se tornaria mas, mesmo contra o conselho de amigos, publicou seus Poemas em 1817. Abandonou a carreira médica para dedicar-se à literatura e começou a escrever seu longo poema Endymion em 1818, que foi violentamente criticado. Tais críticas, no entanto, estimularam o poeta a aprimorar seu talento.

No ano em que se publica Endymion, Keats encontrou Fanny Brawne, a grande paixão de sua vida. Teve que separar-se dela em 1820, devido à tuberculose que ele havia contraído. Foi para Itália, onde morreu poucos meses depois. Sobre seu túmulo, no cemitério protestante de Roma, foi esculpida a inscrição que ele mesmo redigira: Here lies one whose name was writ in water (Aqui descansa um homem cujo nome está escrito sobre a água). Em sua memória, Shelley escreveu o célebre poema Adonais

Poucos poetas escreveram obras tão importantes em tão pouco tempo como Keats. Em 1820 são publicados Lamia, Isabelle, A vigília de Saint Agnés, Hyperion e cinco Odes. Os erros e imperfeições de seus poemas iniciais haviam desaparecido totalmente. Apesar de Keats nunca ter publicado nada em prosa, suas cartas ao irmão demonstram uma penetração crítica e filosófica verdadeiramente notáveis.

Keats, o último e maior dos poetas românticos ingleses, exerceria uma profunda influência sobre Tennyson, Robert Browning, pré-rafaelitas e outros.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/biografias-john-keats

A iluminação das trevas

Ainda hoje me lembro da primeira vez em que fomos apresentados, nalguma convenção de Role Playing Games (RPGs) em São Paulo. Ele, o criador e editor de alguns dos melhores ambientes de RPG no Brasil; eu, somente um cara que havia criado um mundo de fantasia que havia feito certo sucesso na web.

Foi somente um aperto de mão, mas foi a forma como ele me olhou que chamou minha atenção. Sabe, nós místicos temos um sério problema em sermos compreendidos por todos aqueles que, para resumir, mal sabem o que significa propriamente o termo “misticismo”.

Não se trata de algum sentimento de “superioridade” em relação aos outros, mas tanto o oposto disso – é como se existisse uma rede a preencher todo o Cosmos, e como se os seus longos fios etéreos passassem por todos os corações e os conectassem num mesmo tecido eterno. A isto alguns também chamam amor. Não somos superiores, portanto, somos iguais, somos amantes, amantes do Tudo.

Dessa forma, é como se habitássemos algum lugar, algum campo de relva, fora do tempo e do espaço mas, ao mesmo tempo, dentro de nossa própria mente. Descrevê-lo seria inútil, pois ele também se encontra além das palavras; mas há alguma coisa no olhar daqueles que por lá caminharam, algum brilho que faz com que os místicos, esses loucos, possam reconhecer uns aos outros… Foi só um aperto de mão, mas alguma intuição me dizia que ainda iríamos cruzar nossos caminhos de novo…

Naquela altura eu nem havia iniciado meu blog, Textos para Reflexão, e ele nem havia sido convidado para ser colunista do Sedentário & Hiperativo, um dos blogs de variedades com maior audiência do país. Mas, quem sabe onde e quando no Infinito, uma ponta da longa teia era já puxada, e nós, tal qual pequeninas formigas, marchávamos sem saber em direção a um ponto de intercessão.

Em sua coluna, Teoria da Conspiração, ele abordou a mitologia, as religiões, a história antiga e medieval, e até mesmo o ocultismo, de uma forma surpreendentemente didática, livre de dogmas (religiosos ou científicos), e capaz de conquistar uma boa parcela de um público em sua maioria jovem – quem sabe, com um ou outro místico adormecido, prestes a despertar…

Com o tempo, ficou claro para ele que seria necessário criar um outro canal menor, afluente da grande audiência do Sedentário, para poder dizer coisas mais “ocultas” a um público menor, mais preparado para absorver tais ideias mais profundas. Não se trata de nenhuma “ordem secreta”, mas tão somente de um outro blog, homônimo da sua coluna, aberto a visita de todos, mas logicamente com uma audiência bem mais restrita que a do Sedentário. Mal comparando, seria como um canal de documentários que nasceu de um canal de variedades – uma audiência menor, mas com pessoas mais interessadas e dispostas em aprender.

Assim, mesmo sendo um dos ocultistas mais conhecidos na web brasileira, ele ainda teve a sabedoria, ou intuição, de convocar outros blogueiros espiritualistas para serem colunistas do seu Teoria da Conspiração, que acabou se tornando uma espécie de blog coletivo, com místicos de todas as áreas, da psicologia a mitologia oriental, contribuindo em conjunto para tornar o blog algo maior, um projeto de iluminação das trevas da pior ignorância – a ignorância da própria alma.

Foi assim que nossos caminhos voltaram a se cruzar. Não somente na virtualidade da minha coluna em seu blog, mas também nas poucas e proveitosas ocasiões em que tive o prazer de me encontrar e trocar algumas ideias com Marcelo Del Debbio, que se revelou um místico tão nerd quanto eu.

Não é que ele esteja no controle total de toda essa situação. Ele pode ser um espírito antigo, mas até mesmo por isso tem sabedoria e bom senso suficientes para compreender que existem espíritos muito, muito mais antigos do que todos nós, e muito mais sábios, puxando a ponta dessa grande teia… Até onde ela nos levará, nenhum de nós parece saber ao certo – mas que ela se inclina para a luz, nenhum de nós parece ter alguma dúvida…

E a luz foi criada para ser refletida. Este livro é tão somente a porta de entrada para um campo cheio de espelhos voltados para o alto. O que eu e o Marcelo temos feito é tão somente tentar posicioná-los na direção certa.

Esta é uma edição dos primeiros artigos do Teoria da Conspiração.

Rafael Arrais

***

O texto acima fará parte da Introdução de O Grande Computador Celeste, um livro digital que estará eventualmente disponível para download gratuito nos formatos epub (Kobo) e mobi (Amazon Kindle). Poderá ser lido tanto em eReaders quanto tablets, laptops e smartphones, bastando para tal instalarem os aplicativos de leitura gratuitos da Amazon ou da Kobo. Vejam como ficou a capa:

#Livros

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-ilumina%C3%A7%C3%A3o-das-trevas

Casamento Alquímico e Taoísmo: O Sol e a Lua

“Cada um de nós é dois, e quando duas pessoas se encontram, se aproximam, se ligam, é raro que as quatro possam estar de acordo”

– Fernando Pessoa

O objetivo deste texto é explanar sobre alguns conceitos alquímicos ocidentais e orientais, evidenciar seus paralelos com a psicologia analítica de Carl Gustav Jung e, se possível, incentivar uma reflexão sobre como poderíamos melhorar nossa saúde mental através do entendimento da metáfora do “Casamento Alquímico” ou “Coniunctio” dos alquimistas. Esta é a primeira parte, de duas.

Antes de começar a falar de alquimia é necessário fazer uma breve introdução sobre o que se trata este antigo método de obtenção de conhecimento. De forma geral, a prática da alquimia se resume na obtenção da pedra filosofal, que concede a vida eterna e transforma qualquer metal em ouro.

Para aqueles que imaginaram que leriam este texto e se tornariam ricos e imortais, isso não vai acontecer, ao menos não literalmente. É de suma importância entender que a alquimia é uma prática alegórica, ou seja, ela é uma grande metáfora sobre o ser humano e suas potencialidades latentes. Os metais, nada mais são do que aspectos da personalidade que devem ser trabalhadas a fim de serem transformadas em ouro, ou seja, manifestar o melhor e mais elevado da personalidade.

Assim como todo conhecimento ocultista relacionado ao desenvolvimento psico-espiritual, sempre fora necessário certa discrição no que diz respeito à sua expressão e publicação. Sendo assim, os conhecimentos alquímicos eram expressados através de metáforas e de símbolos, o que permitia que tais conteúdos passassem despercebidos aos olhos ‘profanos’, e daqueles que não tinham, ainda, capacidade de compreender tais ensinamentos. Além disso, esta prática simbólica, não só protegia os alquimistas praticantes de preconceitos e perseguições, como permitia a expressão de conceitos complexos sintetizados em símbolos.

A alquimia tem sua origem de forma incerta e cheia de mistérios, mas é possível identificar seus ensinamentos desde o antigo Egito, através da emblemática figura do deus da magia e da sabedoria Thoth, mais tarde sincretizado com a figura do deus Hermes grego e o Mercúrio romano, culminando na criação da figura de Hermes Trismegisto, a quem é atribuído à autoria de diversos textos herméticos e alquímicos, entre eles a famosa “Tábua de Esmeralda”. Vocês podem saber mais sobre Hermes aqui.

É possível também identificar uma ‘alquimia chinesa’ cujas metáforas são presentes em diversos ensinamentos taoístas milenares. Encontramos as alegorias alquímicas atuando fortemente até o Séc. XVII, no entanto, após esta época, com a chegada do pensamento científico e iluminista, ‘bobagens’ como transmutação de metais foram esquecidas e deu-se lugar à um pensamento mais racional, que culminou, entre outras ciências, na contemporânea Química. Foi só no Séc. XX que um psiquiatra suíço fez uma interessante associação e reviveu, a luz da ciência, as metáforas alquímicas. Seu nome é Carl Gustav Jung.

Considerado como o pai da psicologia analítica, Jung tinha uma extensa formação no que diz respeito à mitologia, estudos de religiões comparadas, e evidentemente, alquimia. Percebeu, ao atender seus pacientes que muitos deles apresentavam conflitos e resoluções que podiam ser compreendidas através das metáforas alquímicas, e desenvolveu, ao longo de sua vida, muitos conceitos e teorias que podem ser consideradas uma ‘alquimia psicológica’. Vamos compreender um pouco desses conceitos para adentrar mais a frente na metáfora alquímica. Muito desses conceitos psicológicos e alquímicos já foram discutidos aqui.

Um conceito chave da psicologia analítica é o de arquétipo. Em grego, Arkhe: primórdio, origem e Typos: imagem, forma. Arquétipo pode ser considerado uma estrutura psíquica universal, que é presente em qualquer indivíduo e sociedade, de diferentes contextos sociais, geográficos e históricos. O fundamental destas estruturas são seus conteúdos, uma vez que as formas variam. Estes conteúdos são profundos e inesgotáveis, e uma pessoa quando interage com essas estruturas, sempre inconscientes, nunca esgota seus significados.

Vamos imaginar o arquétipo do guerreiro. Ele compreende diversos significados, como força, coragem, determinação, ação, movimento, caça, agressividade, persistência. Seu conteúdo, como dito, é inesgotável! Sua forma pode variar, e ultrapassa culturas: Ares (gregos), Marte (romanos), Thor (nórdicos), Ogum (africanos), entre diversos outros, todos eles representam simbolicamente o arquétipo do guerreiro. Na contemporaneidade, perdemos o contato com os mitos, e principalmente com figuras religiosas, então, é comum os arquétipos se manifestarem através de personagens e ícones da cultura que acabam carregando esses valores simbólicos.

A existência dos arquétipos está bem documentada na enorme quantidade de comprovações clínicas constituídas pelos sonhos e devaneios dos pacientes, e pela observação atenta dos arraigados padrões de comportamento humano. Também está documentada nos estudos profundos de mitologia no mundo inteiro. Vemos repetidas vezes as mesmas figuras essenciais surgindo no folclore e na mitologia. E acontece que elas aparecem também nos sonhos de pessoas que não possuem nenhum conhecimento nessas áreas. (GILLETTE e MOORE, 1993)

Uma vez entendido o conceito de arquétipo, vamos transcender. No exemplo citado o arquétipo do guerreiro é praticamente um representante do masculino. Ou seja, o próprio masculino pode ser considerado um arquétipo que se subdivide e outros arquétipos. Diversas podem ser as subdivisões, a utilizada por Robert Moore e David Gillette, divide o Arquétipo Masculino em Guerreiro, Amante, Mago e Rei. Na alquimia é muito comum vermos o simbolismo do Rei e do Sol como grandes representantes deste arcabouço masculino.

Assim, como o Arquétipo Masculino tem seus ‘sub-arquétipos’, o feminino não fica para trás. Podemos considerar o mesmo simbolismo, o da Rainha e da Lua, para representar alquimicamente o arcabouço arquetípico do feminino, que também pode ser divido em quatro categorias principais: A donzela, a mãe, a anciã e a amante. Vale a pena frisar que é difícil encontrar o termo amante, normalmente encontramos ‘meretriz’, contudo, existe a possibilidade disto ser um reflexo do patriarcado que, inclusive semanticamente, reprime a sexualidade feminina, e quando ela aparece, de alguma forma é categorizada como algo errado ou imoral, e não como uma expressão saudável e necessária.

Uma vez entendidos o significado de arquétipos, vamos entender o conceito de dois importantes arquétipos junguianos que serão de suma importância para a compreensão da metáfora do casamento alquímico. Estes arquétipos são a ‘anima’ e o ‘animus’. Tais conceitos nada mais são do que a manifestação dos arquétipos que vimos anteriormente, mas o pulo do gato está em compreender que em todo homem, vive uma figura feminina, chamada de ‘anima’ e em toda mulher, existe uma figura masculina, chamada de ‘animus’.

“São muitos os indícios da existência de padrões subjacentes que determinam a vida cognitiva e emocional humana. Esses modelos parecem numerosos e se manifestam tanto nos homens como nas mulheres. Existem arquétipos que moldam os pensamentos, os sentimentos e as relações das mulheres, e outros que moldam os pensamentos, os sentimentos e as relações dos homens. Além disso, os junguianos descobriram que em cada homem existe uma subpersonalidade feminina chamada Anima, formada por arquétipos femininos. E em cada mulher há uma subpersonalidade masculina chamada Animus, composto de arquétipos masculinos. Todos os seres humanos têm acesso a esses arquétipos, em maior ou menor grau. Fazemos isso, na verdade, na nossa inter-relação uns com os outros”. (GILLETTE e MOORE, 1993)

Percebemos então, que existem internamente em cada um de nós, representantes de duas energias primordiais, masculinas (Sol) e femininas (Lua), e que busca a harmonização de ambas, é um objetivo comum, não só na psicoterapia, como em diferentes sistemas religiosos, seja na alquimia, ou na Cabala, como vemos a seguir:

“Todos esses níveis (anima e animus) e muitos outros aspectos da polaridade do animus e da anima formam um sistema complementar altamente complexo e, contudo, essencialmente simples que opera entre homens e mulheres, enquanto estes trabalham dentro de si mesmos e um com o outro em busca de equilíbrio […] Esse equilíbrio vem, segunda a cabala, quando o Adão e a Eva de cada parceiro estão face a face em uma união mútua e interna. Jung diria que essa é a união entre o masculino e o feminino; na cabala é visto como o ‘casamento do Rei e da Rainha’”. (HALEVI, 1990)

Aqui termina a primeira parte deste artigo. Espero que tenham gostado e até breve!

You wanna know if I know why?

I can’t say that I do

Don’t understand the evil eye

Or how one becomes two
[…]

If I told you that I knew

About the sun and the moon I’d be untrue

The only thing I know for sure

Is what I wan’ do

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano, Mestrando em Ciências da Religião e Escritor. 

Imagens:

Mural pintado em óleo pelo norueguês Per Lasson Krohg (1889 – 1965)

Desenho de Carl Jung entre duas imagens que ele mesmo fez no seu “Livro Vermelho”

“Venus and Mars”. Antonio Canova. Italian. (1757-1822)

Gravuras do Rei (Sol) e Rainha (Lua) se encontrando

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/parte-1-2-casamento-alqu%C3%ADmico-e-tao%C3%ADsmo-o-sol-e-a-lua

Entrevista com Del Debbio no site Animus Libertus

Por Daniel Moricz

Era um fim de semana relativamente tranquilo e durante minhas pesquisas na internet me deparei com a Coluna Teoria de Conspiração no site Sedentários e Hiperátivos. Achei os posts interessantes e no fim das contas acabei devorando o material escrito, e passando para o site do autor, Marcelo Del Debbio, onde encontrei mais uma quantidade sem fim de posts. Marcelo Del Debbio é um cara polêmico, faz suas declarações e indagações com a coragem de poucos.Mas uma coisa é certa… quem lê material de Del Debbio, acaba tendo sua sede por mais conhecimento desperta. O Animus não podia perder a oportunidade de saber o ponto de vista de Marcelo sobre alguns dos assuntos que abordamos aqui. E sendo assim… segue abaixo uma esclarecedora entrevista. Um abraço a todos!

Nascido em 1974, é hoje considerado um dos maiores escritores de Role Playing Games do Brasil.

– Formado Arquiteto pela FAU-USP e com especializações em Semiótica, História da Arte e Urbanismo, Mestre de RPG com ênfase no uso do RPG na Educação e técnicas teatrais aplicadas ao RPG, escritor com mais de 45 títulos publicados e mais de duas centenas de artigos publicados em revistas.

– Autor do site www.deldebbio.com.br e colunista do site “Sedentário e Hiperativo” www.sedentario.org, onde escreve semanalmente sobre ocultismo e filosofia. Autor da Enciclopédia de Mitologia, e Editor chefe da Daemon Editora, a segunda maior editora de livros de RPG no Brasil.

– Membro Maçon, Frater Rosacruz e iniciado em diversas ordens, é conhecedor de Tarô, Runas, Kabbalah e Numerologia formado pelas escolas herméticas mais tradicionais do ocidente.

– Faixa-Preta (10º grau) de Kung Fu, praticante do estilo Louva-Deus Sete Estrelas e professor e praticante de Chi-Kung, modalidade de técnicas de kung fu que lidam com energia interna.

Animus – Com frequência, você indica em seus textos as obras básicas de Alan Kardec como importante estudo para aqueles que buscam o conhecimento. Chico Xavier também é citado algumas vezes de forma positiva. Gostaria de saber como você vê o material psicografado por Chico Xavier, principalmente no que se refere aos “Romances de Emmanuel”, série composta por obras como “Há 2000 anos” e “Paulo e Estevão” onde Jesus é descrito de forma muito mais parecida com o Jesus “Católico” do que com o Jesus “Histórico” ou Yeshua.

MDD – Acredito que tenha tido interferência da egrégora na qual ele estava ligado, ou que seja o ponto de vista daquela entidade/espírito, pois não é porque alguém está no astral que vai ter acesso a todas as informações que tinha no Físico. Muitas informações são passadas de acordo com o que a egrégora deseja e, naquele momento, o espiritismo precisava do apoio dos católicos, que formariam a grande massa dos espíritas de hoje em dia, e uma visão que fosse mais aceitável aos seus olhos seria a melhor forma de ampliar aquela egrégora.

Animus – Jogo rápido… Estaria o espiritismo de hoje muito influenciado pelo catolicismo? Sim ou não? Chico Xavier tem parte nisso? Sim ou não?

MDD – Sim. Muito. O Brasil é um país com mais de 88% de católicos. É natural que a imensa maioria dos espíritas tenha vindo deste movimento, e boa parte deles trazendo os dogmas e preconceitos inerentes de passar a vida toda sem pensar e aceitando o que lhes era imposto. Vejo muitos espíritas venerando Chico Xavier como se ele fosse um Santo Católico (não é “privilégio” dos kardecistas isso… vejo muita gente tendo a mesma atitude na Grande Fraternidade Branca, no Pró-Vida, na Gnosis e em outros lugares). Muito da visão católica se manifestou na tradução dos textos do francês para o português dos livros de Kardec, nas atitudes contra a Astrologia Hermética e contra a Umbanda. Até na visão dos livros do Kardec como se fossem “bíblias” espíritas…

Animus– Ainda no que se refere à obra “Paulo e Estevão”, que conta a história de Saulo de Tarso (São Paulo), durante o texto, Paulo se encontra com o espírito de Jesus e este momento se torna um divisor de águas em sua vida, levando-o a se transformar em Paulo, o apóstolo.
Como seria isso possível se Jesus não havia morrido na cruz, estaria Jesus se apresentando a ele através de projeção astral? E mais, há quem diga que foi Paulo quem criou a imagem de Jesus que vemos hoje. Outros, o tem como um espírito de altíssima elevação. Qual a sua visão de São Paulo Apóstolo?

MDD – É a visão daquela egrégora, que ficaria mais palatável ao público brasileiro e causaria menos problemas. Na verdade, Paulo teve uma visão que seria mais agradável aos romanos, que depois foi abraçada por Constantino, então, por tabela, ele é indiretamente responsável pela visão deste Cristo-Apolo que temos hoje na ICAR e nas evangélicas.

Animus – Fica claro em seus depoimentos o seu descontentamento com a igreja Católica. O passado da igreja Católica realmente a condena, tendo em vista que até mesmo o último Papa, João Paulo, pediu perdão pelas atrocidades cometidas. As igrejas evangélicas, principalmente as caça-níqueis, também não lhe agradam (e a mim também não). No entanto, tenho o prazer de conhecer alguns padres e pastores destas igrejas que são pessoas boníssimas e que trabalham incessantemente em prol do próximo e no bem. Muitas vezes indo fazer caridade onde poucos espiritas, por exemplo, arriscariam ir. Será que estas instituições não tem também seu lado bom? Será que estes padres e pastores não acreditam mesmo no trabalho que está sendo feito como a obra de Deus? Ou será que todos eles tem conhecimento de todo o processo por trás destas instituições, de todas as histórias, que como foi citado no www.sedentario.org, foram inventadas para manter o controle e o poder sobre as pessoas através do medo e ainda assim continuam seguindo em frente? Resumindo, seriam eles controlados ou controladores?

MDD – Existem pastores e padres de boa-fé, que realmente acreditam estar fazendo o trabalho do velhinho barbudo e que conquistarão o seu “espaço no céu” quando morrerem. E fazem o que fazem de coração. Não são muitos, mas existem. Essas pessoas estão se enganando e enganando os fiéis, porque ficam mergulhados em dogmas e serão conflitados com eles quando morrerem. Já vi muitos cardeais e padres fazendo ataques astrais em centros espíritas, ou então revoltados em Igrejas da IURD após sua morte (sendo tratados como falsários de satanás quando conseguiam incorporar em algum médium inconsciente no público, claro!). Alguns são espíritos mais evoluídos que escolheram vir à Terra com pouca instrução para atender justamente a este publico sem estudos ou instrução. Seguem o que chamamos de “Via Úmida” da Árvore da Vida e, após suas mortes no Plano Físico, entenderão sua missão e continuarão o progresso.

Animus– Agora falando sobre os frequentadores das igrejas católicas e evangélicas. É comum ouvirmos nos centros espíritas frases do tipo: “Todos estão exatamente onde devem estar, afinal, não há coincidência”. Segundo alguns espíritas principalmente, se uma pessoa frequenta a igreja evangélica e se submete ao controle através do medo do demônio e ao pagamento de dízimos descabidos, isso é porque se trata de um espírito ainda muito rebelde, que tem dificuldade em se manter no caminho do bem por si só, e que estas religiões serviriam como um controle necessário a estes indivíduos, para que eventualmente, em outras reencarnações possam buscar a iluminação sozinhos e fazer o bem porque sabem que é o certo. Você concorda com estas afirmações? Até que ponto?

MDD – Concordo sim. É muita pretensão achar que um iletrado ignorante teria capacidade para seguir os Exercícios de Franz Bardon, por exemplo. Para aquela classe de espíritos, é melhor e mais condizente com o estado de consciência dele ouvir um “faça o bem ou vá para o inferno!” que estará mais em sintonia com o que aquelas pessoas entendem. Mais cedo ou mais tarde, migrarão para sendas mais adaptadas ao seu nível intelectual e espiritual.

Animus – O Santo Daime é uma religião tipicamente brasileira, mas conta com influências diversas. O Sacramento utilizado é a Ayahuasca, cuja história remete aos Incas, Maias e quiçá até aos Atlantes. O conteúdo doutrinário sofre clara influência da igreja católica, sendo que os trabalhos principais são realizados em dias de santos, como Santo Antônio e São José. Além disso, diversos hinos, inclusive no principal hinário, do Mestre Irineu, se referem a seguir a linha espirita, a seres espirituais e a reencarnação. Como você enxerga a doutrina do Santo Daime?

MDD – Infelizmente, em muitos lugares acabou virando uma mistureba. A Ayahuasca é uma erva que serve para despertar o Caminho 32, conectando a matéria ao astral. Infelizmente, o ser humano só consegue profanar tudo o que coloca as mãos e conseguiu deturpar até mesmo o uso destes chás como conexão com o divino.

Os piores exemplos são a mistura do chá com cocaína (Santa Clara), Maconha (Santa Maria) e crack (São Pedro) com essa desculpa esfarrapada de entrar em estados alterados de consciência que existem em alguns lugares por ai. Os daimistas não são pessoas más, como as igrejas e até mesmo os espíritas ficam falando, mas em geral são muito pouco estudados e informados sobre o que estão fazendo. Acabam se tornando “crentes de Daime” quando deveriam estudar e pesquisar mais e entender aquilo que estão fazendo ali: suas consequências e implicações.

Se a pessoa estuda e pesquisa; não só vai tomar chá, esse sim acaba conseguindo respostas.

Foi em uma das meditações com ayahuasca que eu consegui enxergar a Arvore da Vida completa, com todos os deuses e todos os encaixes que faltavam no final da pesquisa da enciclopédia. Sem aquela visão, eu não me animaria tanto a começar a escrever o Blog…

Animus – Falando ainda do Santo Daime, mirações (visões recebidas dentro dos trabalhos) recorrentes entre os participantes são de pirâmides, do Egito antigo e de templos. Como isso pode estar associado ao ocultismo e ao conhecimento milenar da busca por iluminação?

MDD – Pode… ou pode estar dentro da cabeça do sujeito, influenciado pela mistureba que se faz ali. Poucas pessoas têm tantas encarnações assim na Terra para se lembrarem de “pirâmides do Egito” e menos ainda tem autorização para se lembrar destas encarnações tão antigas. A maioria dos que tem essas visões são apenas frutos de fantasia, construções mentais e desejos da própria pessoa.

Animus – Finalmente, gostaria que você falasse um pouco sobre suas obras publicadas, como a Enciclopédia de Mitologia, onde podemos encontrar seus livros e que você deixasse uma dica para aqueles que buscam o conhecimento e a verdade.

MDD – A Enciclopédia de Mitologia é um dos trabalhos mais importantes no meio acadêmico com relação à pesquisa de múltiplas mitologias em uma linguagem fácil e acessível ao buscador. Embora atualmente eu esteja gostando mais de escrever para o Blog (www.deldebbio.com.br) e some mais de 900 textos sobre alquimia, maçonaria, Rosacruz, hermetismo, astrologia hermética e muitos outros assuntos de interesse do buscador que esteja em qualquer senda.

A dica é: nunca pare de estudar… nunca esteja satisfeito com aquilo que falaram para você. Procure conhecer todas as vertentes e todas as posições, mesmo se forem de Ateuzinhos de Dawkins ou Crentes Criacionistas.

Nota do Animus Libertus: Atenção, o uso concomitante de Daime (Ayahuasca) e qualquer outra substância, principalmente ilegal é TOTALMENTE PROIBIDO dentro da doutrina em todas suas vertentes. O verdadeiro Daimista sabe que para alcançar a iluminação e seguir a lei de Deus, primeiramente é necessário estar puro em estado de consciência e seguir a lei dos homens. O uso de qualquer droga juntamente com o Daime não é aprovado pela dotrina e definitivamente não faz parte da mesma.

#Entrevista

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/entrevista-com-del-debbio-no-site-animus-libertus

Mapa Astral de três Compositores

Em 25 de Agosto de 1891 Nasciam Alberto Savínio (Itália), Luis Iruarrizaga Aguirre (Espanha) e Samuel Gardner (EUA). Em consonante com suas belas obras, o gosto pelo espiritual. Alberto Savínio escrevia peças que envolviam deuses, metáforas e comportamento humano, tendo como referências a mitologia grega clássica; Luis Iruarrizaga foi criado dentro da Igreja Católica, começando a cantar aos 6 anos de idade e desenvolvendo toda a sua composição ao redor de temas sagrados e religiosos e, finalmente, Samuel Gardner cresceu dentro da Igreja Ortodoxa Russa e foi considerado um grande violinista, chegando a ganhar o prêmio Pullitzer em 1914 por seu conjunto de composições de corda. Sua obra foi descrita como sendo “Extremamente espiritualizada”. Três homens devotados a criar códigos (expressos na forma de arte e música) que traduzisse o vasto sentimento espiritual de cada um.

Mapas Astrais

O Mapa dos três traz Sol, Mercúrio e Marte em Leão-Virgem (Rei de Ouros); Lua em Touro; Mercúrio em Virgem-Libra (Rainha de Espadas); Júpiter em Peixes (ao lado do sol, o planeta mais forte do mapa, com 3 aspectações fortes, entre elas Oposição com Saturno em Virgem, que comentarei a seguir), Saturno em Virgem e Plutão e Netuno cravados em uma Aspectação de 0,09 graus em Gemeos.

Os mapas possuem duas Aspectações muito interessantes. A primeiro delas é a conjunção de Netuno (Espiritualidade) e Plutão (as grandes transformações) em Gêmeos (Energia da Comunicação). A Conjunção de um grau entre Netuno e Plutão demora cerca de 3 meses e acontece a cada 500 anos aproximadamente.

A última vez que aconteceu, marcou o início da Renascença (1398-1399), a última ocorreu no final do século XIX e começo do século XX e influenciou muito os movimentos artísticos e literários.

O segundo Aspecto interessante é a oposição de Júpiter em Peixes e Saturno em Virgem que fazem uma ponte entre a expansão espiritual e a lógica cartesiana virginiana. Uma combinação astral bem forte para “codificar o espiritual”. A música dos três possui aspectos piscianos, de mexer com o emocional e nos conduzir a uma jornada dentro de nós mesmos, cada um influenciado pelo meio cultural onde cresceu.

Achei estes três mapas muito interessantes porque eles ajudam a entender aquelas perguntas do tipo “por quê todo mundo que nasce no dia XYZ não é igual?”. As potencialidades são as mesmas, mas os fatores culturais, geográficos, sexuais e econômicos influenciam bastante em nossas escolhas e em nossa Verdadeira Vontade. O resultado final é fruto de nossas escolhas boas ou ruins; o Mapa funciona como um “parametro de configuração do software” de nossas biomaquinas… dadas vocações e condições iguais, os resultados serão muito próximos, como estes três mapas demonstram.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-tr%C3%AAs-compositores

Cursos de Hermetismo no Carnaval 2020

Este é um post sobre um Curso de Hermetismo já ministrado!

Se você chegou até aqui procurando por Cursos de Ocultismo, Kabbalah, Astrologia ou Tarot, vá para nossa página de Cursos ou conheça nossos cursos básicos!

Como já se tornou uma tradição aqui no TdC, o pessoal que odeia Carnaval e quer tirar os dias de folia para Estudar pode fazer os Cursos de Hermetismo. Os Cursos básicos têm tudo o que você precisa para entender como funcionam as chaves, como aplicá-las na vida prática e como utilizar estes conhecimentos em sua Verdadeira Vontade.

Para quem mora longe de São Paulo ou tem problemas para estudar nos finais de semana, temos o mesmo Curso de Kabbalah Hermética, o Curso de Astrologia Hermética e Qlipoth, a Árvore da Morte em Ensino à Distância com a mesma qualidade do curso presencial, mas que você pode organizar seu tempo de estudo conforme suas necessidades.

22/02 – Kabbalah

23/02 – Qlipoth (pré-requisitos Kabbalah)

24/02 – Magia Pratica (pre-requisitos Kabbalah)

Horário: Das 10h00 as 18h00

próximo ao metrô Vila Mariana.

Informações sobre os Cursos de Carnaval.

Reservas e Valores: deldebbio@gmail.com

KABBALAH

Este é o curso recomendado para se começar a estudar qualquer coisa relacionada com Ocultismo.

A Kabbalah Hermética é baseada na Kabbalah judaica adaptada para a alquimia durante o período medieval, servindo de base para todos os estudos da Golden Dawn e Ordo Templi Orientis no século XIX. Ela envolve todo o traçado do mapa dos estados de consciência no ser humano, de extrema importância na magia ritualística.

O curso abordará as diferenças entre a Kabbalah Judaica e Hermética, a descrição da Árvore da Vida nas diversas mitologias, explicação sobre as 10 Sephiroth (Keter, Hochma, Binah, Chesed, Geburah, Tiferet, Netzach, Hod, Yesod e Malkuth), os 22 Caminhos e Daath, além dos planetas, signos, elementos, cores, sons, incensos, anjos, demônios, deuses, arcanos do tarot, runas e símbolos associados a cada um dos caminhos.

O curso básico aborda os seguintes aspectos:

– A Árvore da Vida em todas as mitologias.

– Simbolismo e Alegorias na Kabbalah

– Descrição e explicação completa sobre as 10 esferas (sefirot).

– Descrição e explicação completa sobre os 22 caminhos.

– Cruzando o Abismo (Véu de Paroketh).

– Alquimia e sua relação com a Árvore da Vida.

– O Rigor e a Misericórdia.

– A Estrela Setenária e os sete defeitos capitais.

– Letras hebraicas, elementos, planetas e signos.

Total: 8h de curso.

QLIPOTH – A ÁRVORE DA MORTE

Pré-Requisitos: Kabbalah

O Curso de Qliphoths e Estudo sobre os Túneis de Set abordará os elementos comparativos entre as esferas e as qliphas (Lilith, Gamaliel, Samael, A´Arab Zaraq, Thagirion, Golachab, Gha´Agsheklah, Satariel, Ghogiel e Thaumiel) e as correlações entre os 22 Túneis de Set e os Caminhos de Toth.

É muito importante porque serve como complemento do caminho da Mao Esquerda na Árvore da Vida. Mesmo que a pessoa não deseje fazer as práticas, o estudo e conhecimento de NOX faz parte do curriculo tradicional da Golden Dawn e de outras ordens iniciáticas.

Total: 8h de curso.

MAGIA PRÁTICA

Pré-Requisitos: Kabbalah

O curso aborda aspectos da Magia Prática tradicional, desde suas tradições medievais até o século XIX, incluindo os trabalhos de John Dee, Eliphas levi, Franz Bardon e Papus. Engloba sua utilização no dia-a-dia para auto-conhecimento, ritualística e proteção. Inclui os exercícios de defesa astral indispensáveis para o iniciado.

– O que é Magia.

– O que é o Mago.

– Os instrumentos do Mago.

– Os planos e suas vibrações.

– O Altar Pessoal e os quatro elementos

– Sobre o Astral.

– Os sete planetas e seus espiritos de influência.

– A visualização.

– Exercicios de Proteção.

– Ritual Menor do Pentagrama.

– Como fazer água lustral.

– Consagrações.

Total: 8h de curso.

#Cursos

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cursos-de-hermetismo-no-carnaval-2020