Neil Gaiman

Por Yuri Motta

Neil Gaiman é muito conhecido no mundo dos quadrinhos, ele é pai de Sandman, uma das suas maiores obras. A maioria dos leitores do Teoria já deve conhecê-lo, mas esta coluna é dedicada a quem não entende lhufas de quadrinhos e não sabe nem por onde começar: o básico dos básicos.

Além de Sandman ele já escreveu: Hellblazer, Livros de Magia, American Gods, Orquídea Negra, Monstro do Pântano, 1602 , Wesley Dodds (Da qual Sandman foi baseado) , Fumaça e Espelhos , O Livro do cemitério , Criaturas da Noite e vários outros títulos de muito sucesso.

Podemos resumi-lo em uma palavra: “Fabulista”. Mas Gaiman não faz apenas quadrinhos, como também livros, filmes, séries de TV e músicas. Além de também ter sido jornalista e escrito parte do roteiro do filmes Beowulf e Stardust e também Coraline.

Ele abandonou sua carreira como jornalista e entrou no mundo dos quadrinhos e desde então começou a fazer muito sucesso , ele fez parte da revolução da qual chamamos de amadurecimento do mundos dos quadrinhos nos anos 80.

Gaiman tem uma boa relação com escritores de quadrinhos, como por exemplo, Alan Moore (que em breve ganhará uma postagem aqui e que é o dono do rosto da imagem da coluna) e de outros escritores de quadrinhos famosos.

Constantine foi criação de Alan Moore em Monstro do Pântano, mais Gaiman foi um dos quem o deixou famoso.

Também dizem que o famoso Harry Potter, tem um pouco do Neil Gaiman, já que em sua série Livros de Magia o personagem principal é idêntico ao Harry, porém criado em 1991, e tem até uma coruja. Gaiman disse que a ideia de jovem bruxo é comum na literatura, e não acusou J.K Rowling de plágio, para a tristeza de muitos jornalistas.

Ele tem muito conhecimento no campo de ocultismo, magia e mitologia. Em relação à mitologia, podemos perceber facilmente lendo Sandman ou Livros de Magia, por exemplo.

Gaiman queria ser escritor desde pequeno. Ele teve contato com livros como As Crônicas de Nárnia, Alice no país das maravilhas, e mais tarde também leu os livros de JRR Tolkien e HP Lovecraft, da qual podemos ver um pequeno fio de semelhança no estilo próprio, que na maior parte tem universos mágicos e ricos em simbologias.

Na maior parte das vezes Gaiman fazer a história caminhar de um modo inesperado de modo a prender a atenção do leitor.

Outra coisa que marca presença são as ilustrações. Gaiman não é ilustrador, mas consegue tirar o máximo dos ilustradores que trabalham em suas obras.

Eu recomendo Gaiman para quem goste de mitologia, aventuras, sagas épicas, universos paralelos e até quem sabe um pouco de filosofia e até para quem não goste de nada disso mas goste de ler algo de qualidade. Em breve vou trazer alguns textos relacionados a alguns títulos famosos dele. Portanto, aguardem!

A ideia principal dessa postagem, foi apenas fazer uma breve apresentação do Neil Gaiman a vocês, assim, quem se interessar pode se inteirar melhor sobre ele. Não citei todas as obras dele, mas boa parte vai aparecer aqui!

Para finalizar aqui, algumas das frases mais legais que selecionei para vocês, e que mostram um pouco da personalidade dele:

“Até onde sei, todo o motivo para tornar-se escritor se deve a não ter que acordar cedinho.”

“Os autores sabem que não se deve nunca escrever um livro engraçado, pois livros engraçados não ganham prêmios. Revistas em quadrinhos nunca ganham prêmios.”

“Sempre me sentia muito aliviado por ninguém querer publicar algo que eu tivesse escrito.”

“Os astros de Rock se dão muito melhor nas turnês do que os escritores.”

“Eu queria colocar uma referência à masturbação em um dos scripts de Sandman. Eu fui imediatamente cortado pela editora [Karen Berger]. Ela me disse: “Não há masturbação no Universo DC.” A minha reação foi: “Bem, isso explica muita coisa sobre o Universo DC”

“A estratégia número um é que eu sempre, ou quase sempre, tenho pelo menos duas ou três coisas diferentes que estou escrevendo ao mesmo tempo.”

Obs.: Quando perguntado como é sobreviver como escritor.

Optei por fazer uma coluna relacionada a quadrinhos, ao invés de fazer uma relacionada ao meu blog, devido ao fato de que os quadrinhos ainda são pouco explorados em relação ao ocultismo.

Na coluna, vou apresentar a vocês, autores e obras. Alguns famosos e outros não, só com o propósito de divulgar esse meio alternativo de conhecimento, que algumas vezes não é valorizado.

#HQ #NeilGaiman

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/neil-gaiman

Unus Pro Omnibus, Omnes Pro Uno

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UNUS PRO OMNIBUS, OMNES PRO UNO
(“Um por todos, todos por um”)

Uns quinze anos atrás, quando tomei ayahuasca pela primeira vez, me vi em um campo imenso por onde surgia uma Escada de Jacó enorme, que subia até as estrelas. Nos degraus destas escadas, imagens dos deuses de todas as mitologias pairavam em meio a arcanos do Tarot, signos zodiacais, personagens da cultura pop e heróis da literatura clássica. Por entre estes caminhos, percebi que todas as nossas grandes histórias e mitologias nada mais são do que paletas de cores de uma meta-linguagem muito superior à nossa consciência adormecida do dia-a-dia.

Antes daquele dia, eu tinha todas as ferramentas à mão: Mestre Maçom e membro das principais Ordens Herméticas do ocidente, escritor com dezenas de livros sobre RPG; profundo conhecimento na Construção da Jornada do herói e uma devoção acadêmica à obra de Joseph Campbell… todas as informações estavam ali, compartimentadas… mas faltava aquele “passo” a mais em direção ao Abismo de Daath no qual toda essa base seria transformada em algo ainda maior.

A ayahuasca foi a chave de TAV que permitiu o cruzamento das fronteiras entre Malkuth e Yesod e agora, dez anos depois, o resultado de toda esta pesquisa esta se materializando após passar por todas as Esferas da Árvore da Vida. Sou muito grato a todos que fizeram e fazem parte desta jornada no Teoria da Conspiração.

Aos que perderam a chance de apoiar o Projeto no Catarse, pode encontrá-lo na página da editora: https://daemoneditora.com.br/categoria-produto/kabbalah/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/unus-pro-omnibus-omnes-pro-uno

Enciclopedia de Mitologia na Daemon

Consegui uma pausa de dez minutos aqui para agradecer a todos os pedidos da Enciclopédia que chegaram até a editora. Estou autografando desde ontem e, pelo visto, ainda ficarei mais um ou dois dias até terminar todo o processo.

Foram pedidos de todo o Brasil, além de Portugal, Alemanha, Inglaterra e vários outros países onde temos leitores. Não poderia ter recebido um presente de aniversário melhor.

A Enciclopédia de Mitologia é um trabalho que tenho desenvolvido desde 1998, reunindo e compilando histórias, personagens, deuses, objetos, locais e demônios de diversas mitologias ao redor do planeta. A partir do estudo comparado destas mitologias, cheguei em um banco de dados muito interessante sobre as principais mitologias e religiões do planeta, cujos símbolos me inspiraram para o estudo da Árvore da Vida como a apresento na palestra “A Kabbalah e os deuses de todas as Mitologias“.

Traz elementos da mitologia grega, romana, egípcia, indiana, árabe, chinesa, japonesa, celta, nórdica, européia, polinésia, sul americana, norte-americana, azteca, maia, inca, goécia e bíblica.

Seu lançamento foi feito na Bienal do Livro de 2008, no Stand da Daemon Editora. A Enciclopédia possui 640 páginas, trata de 7.159 verbetes e 994 ilustrações. Esta nova impressão apenas corrigiu pequenos erros de digitação/texto, portanto, se você já possui a Enciclopédia, não vai precisar da nova edição (mas pode comprá-la para dar de presente para alguém que você goste!).

Você pode baixar uma preview das 10 primeiras páginas AQUI.

Para os leitores do Blog, a Enciclopédia de Mitologia estará em preço promocional e autografada na Loja de RPG. Coloque o nome da pessoa para qual o livro será dedicado no campo “observação” da compra.

#Arte #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/enciclopedia-de-mitologia-na-daemon

Símbolo da Lua

Por Hamal

Existem manifestações visíveis e invisíveis que acontecem com todos os planetas e seus ciclos ao redor do Sol. As manifestações visíveis são as fases planetárias, as constelações que eles percorrem, etc, as invisíveis são os efeitos causados na Terra em determinadas etapas dessas fases e ciclos.

Todos os planetas e constelações têm seus papeis especiais dentro das Escolas de Mistérios, sendo que dois deles se destacam: o Sol e a Lua.

Tal como o Sol, a Lua é um dos principais objetos de adoração e culto de todos os tempos. E assim como vimos no texto Símbolo do Sol, a Lua também possui um simbolismo central dentro da Ordem Maçônica e DeMolay.

Não devemos aceitar significado de nenhum símbolo se este não estiver fundamentado. Dizem que a Lua representa o segredo a ser descoberto, o feminino, etc. Se estão corretas essas afirmações, por que estão?

Vamos primeiro conhecer a Lua para fundamentar a importância do seu símbolo.

SÍMBOLO LUNAR

A Lua é um satélite natural da Terra que não possui brilho próprio, mas por sua superfície ser pálida reflete a luz do Sol durante a noite e torna a escuridão mais clara. Essa pequena observação faz do Sol um símbolo de luz fecundante, se tornando assim o Pai fecundador, e da Lua o símbolo da Mãe que recebe os raios de luz e emite de volta para Terra.

Existem muitas espécies cujo ciclos de reprodução estão ligados ao ciclo lunar, desde crustáceos, à corais e plantas. Coincidência ou não, também existe essa ligação com as mulheres, onde foram realizados estudos que demonstraram a ligação das fases lunares com os ciclo menstrual da mulher (referência – The regulation of menstrual cycle and its relationship to the moon).

Responsável pela reprodução e fertilidade na natureza, a Lua desde a mais remota antiguidade foi associada a figuras femininas, sempre enfatizando a pureza e a capacidade de gerar a vida, que é o papel da Mãe. Dessa maneira a Lua também é o símbolo do nascimento e da iniciação.

As fases lunares tem um total de sete dias (que é a origem dos dias da semana), e é por esse motivo que a criação do universo, segundo a mitologia judaica, foi feita em uma fase lunar. Seu ciclo completo é de aproximadamente 28 dias (7 x 4 = 28), e como já vimos no texto Altar DeMolay, quatro são os elementos que compõe a matéria e sete é o número da perfeição.

Está acompanhando? São através desses fenômenos visíveis como as fases e os ciclos da lua, da sua influência com a fertilidade da natureza e dos aspectos numéricos, que é fundamentado o símbolo da lua. Como vimos no texto Simbolismo e a Liberdade Religiosa: “O homem não inventa símbolos, assim como não inventa as Leis Físicas, ele apenas observa a vida e o universo ao seu redor e identifica os símbolos correspondentes a cada acontecimento ou fato existente”, e assim foi feito com a Lua como símbolo da Mãe, fertilidade, pureza, e representa também o inconsciente, onde estão os segredos da mente.

Quando formos começar a estudar mitologia veremos como os antigos filósofos juntaram todas essas características em seus contos. Aprenderemos que a mitologia é um portal para o estudo espiritual, rico em símbolos e imagens que se referem a nós.

Devido a essas características lunares, não é difícil entender o porque das “Grandes Mães” nos contos mitológicos serem frequentemente tratadas como virgens e puras que dão a luz a grandes heróis, ou junto com seu aspecto solar, criam todo o Universo. Sendo que “virgem” não se refere a mulher casta, e sim outro símbolo que fica de lição de casa e trataremos em outra oportunidade.

Na belíssima mitologia nagô, vemos o aspecto lunar representado como Yemanjá, a rainha das águas do mar, que junto com seu aspecto solar Oxalá, manifestou todo o universo e todos os outros deuses ou orixás. Na mitologia egípcia vemos Ísis, a deusa da magia, maternidade e fertilidade, que junto com seu aspecto solar Osíris, dá a luz a Hórus (quando ainda era virgem), o Falcão Dourado, Filho do Sol ou Iluminado. Qualquer semelhança desses dois mitos com Casamento Alquímico do Sol com a Lua, não é mera coincidência. As referências são enormes e devemos entender a lógica para podermos trabalhar e identificar esses aspectos.

De alguma forma, como vemos na mitologia nagô, os antigos já identificaram o mar como origem da vida e fizeram essa relação com lua (que guia as marés) e com a Mãe, transformando essas características no mito de Yemanjá. Assim como os egípcios identificaram a Lua como o astro do segredo e da magia devido a sua “face escura”, personificando-a como Ísis.

No budismo, a mãe de Buda (Desperto, Filho do Sol ou Iluminado), Maya, engravida após ver um elefante branco em seu sonho, e passado nove meses, Sidharta nasce da lateral da sua mãe na altura do coração. No cristianismo, Maria a mãe de Jesus (Cristo, Filho do Sol, Iluminado), engravida pela concepção do Espírito Santo (cujo símbolo é uma pomba branca) no seu ventre (ventre = lua). Tanto Maya quanto Maria, segundo a mitologia, engravidaram, tiveram seus filhos e continuaram virgens. Mas claro que devemos tratar isso como um símbolo.

Temos um mistério sobre os animais e a cor deles nessas duas mitologias, pensem sobre esses símbolos.

A geração é a manifestação maior da lua, é um processo envolto de mistérios e magia, pelo qual a vida surge. Outro número relacionado com a lua é o número nove, uma vez que nove meses são o tempo entre a concepção e o nascimento do feto humano, portanto nove é também o número da iniciação.

No DeMolay a Lua ocupa o centro do seu brasão e podemos ver usa influência no que é a Primeira Virtude. Na Maçonaria a Lua faz um par com o Sol (Alquimia). Mas isso é papo para outro momento. Será que esses símbolos estão nas Ordem a toa, ou será que não? Estamos apenas fundamentando, por enquanto pegue as chaves e vá desenvolvendo a utilização dos símbolos nos rituais.

E se você não é familiarizado com mitologia, alquimia, cabala, astronomia ou astrologia, não se preocupe que tocaremos em todos esses pontos com o tempo.

Alguma dúvida?

#Alquimia #Demolay

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Lançamento: A roda dos deuses

As Edições Textos para Reflexão trazem mais um presente a todos os fiéis leitores do nosso blog, assim como a todos que um dia também virão refletir conosco. Afinal, a luz foi criada para ser refletida!

“Textos para Reflexão é um blog que fala sobre filosofia, ciência e espiritualidade. Este é o segundo volume da série O Livro da Reflexão, que pretende ser uma coletânea dos melhores textos do blog. Nesta edição pretendo abordar a mitologia, a espiritualidade e a magia, todas elas temas recorrentes em minhas reflexões.”

Um livro digital disponível para download gratuito em diversos formatos (exceto na Amazon, onde custa o valor mínimo permitido pela loja):

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#RafaelArrais #Espiritualidade #Mitologia #Magia #eBooks

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Serpentes

As serpentes são nossas velhas conhecidas dos mitos de criação…

Diz-nos o Gênesis que a serpente era a mais astuta de todos os animais do Éden. Javé havia alertado ao primeiro homem e a primeira mulher, Adão e Eva, que jamais comessem do fruto proibido da árvore que estava no meio do jardim, pois que tal ato causaria a morte. Mas a astuta serpente disse a Eva: “Se o comer, certamente não morrerás. Porém, Javé sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Javé, sabendo do bem e do mal”.

Então Eva percebeu que o fruto daquela tal árvore era agradável aos olhos e desejável para o entendimento. Comeu o seu fruto, a depois ofereceu a iguaria também ao primeiro homem. E diz-nos o Gênesis que “então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus”. Eis uma excelente estratégia de Javé e da serpente…

Agora vejam esse trecho de um mito do povo Bassari da África Ocidental [1]: Unumbotte fez um ser humano e seu nome era Homem. Em seguida criou um antílope e o chamou Antílope. Também fez uma serpente chamada Serpente. E disse a eles: “A terra ainda não foi trabalhada. Vocês precisam amaciar a terra onde estão sentados”; e tendo lhes entregado sementes de todos os tipos, prosseguiu: “Plantem todas essas sementes”. Tendo obedecido às ordens de Unumbotte, perceberam que haviam criado um jardim sobre a terra, cheio de frutos os mais variados. Havia um tipo de fruto, entretanto, para o qual Unumbotte alertou que não comessem.

Um dia, porém, Serpente disse: “Nós também devemos comer esses frutos. Porque passar fome?”. Antílope então disse: “Mas não sabemos nada sobre esse fruto”. Então Homem e sua Mulher tomaram o fruto e o comeram. Unumbotte prontamente desceu do céu e perguntou: “Quem comeu o fruto?”. Homem e Mulher foram sinceros: “Fomos nós”. Unumbotte indagou-os: “Quem disse que vocês podiam comer desse fruto?”. Homem e Mulher foram um pouco mais maliciosos: “Foi Serpente quem disse”.

Pobres serpentes que levam a culpa pela suposta corrupção do homem e da mulher, a despeito de conhecimento prévio de Javé e Unumbotte acerca do que viria a ocorrer… Nem era preciso ser onisciente para saber: ofereça a possibilidade de conhecimento oculto, proibido, aos seres ávidos por conhecer, e eles arriscarão tudo por eles, tal qual Prometeu arriscou despertar a ira dos deuses (e de fato a despertou) para entregar aos homens os segredos do seu fogo. Seriam as serpentes e os titãs, seres tão astutos e conhecedores, o “grande mal” personificado, ou antes, meros atores a colaborar com o ainda mais astuto plano divino?

Diversos autores discutem sobre diversas religiões do Oriente Próximo, muitas das quais representavam a Deusa Mãe por uma serpente, e outras por uma simbologia de comunhão realizada pelo ato de comer uma fruta de uma árvore que crescesse perto do altar dedicado à Deusa. Estas deusas também representavam o conhecimento, a criatividade, a sexualidade, a reprodução, os novos ciclos naturais, e o destino [2].

De fato, não foi à toa que Eva levou a culpa do tal Pecado Original, juntamente com a serpente. Há aqui que se considerar que diversas sociedades matriarcais ancestrais foram sendo suprimidas pelo patriarcado. Por muito tempo após o advento da agricultura, as mulheres passaram a organizar a colheita, tornando-se, talvez, mais importantes para a sobrevivência da tribo do que os próprios homens, os caçadores. Tal sucesso, no entanto, fez com que o ser humano prosperasse e se espalhasse pelo mundo. Nalgum dia alguma tribo tornou-se próspera o suficiente para que despertasse uma antiga ideia brutal dos caçadores: “Porque arriscar caçar no campo selvagem, se podemos saquear os grãos e a colheita dessas tribos de ovelhas?”.

Então surgiram os lobos a assustar as ovelhas. Alguns dos lobos se ofereceram para proteger as ovelhas dos outros lobos, em troca de comida. Surgiu o primeiro exército. Os homens voltaram a dominar pela força, e a sabedoria das mulheres no lido com as colheitas e a natureza não era mais tão primordial. Com o tempo os mitos alcançaram tal história. Seguem alguns exemplos sugestivos…

Na mitologia babilônica: A morte da serpente-dragão Tiamat pelo deus Marduk, que divide seu corpo em dois, é considerada um grande exemplo de como ocorreu a mudança de poder do matriarcado ao patriarcado. Na mitologia grega: Na juventude, Apolo matou a serpente Píton, que vivia em Delfos e tomava conta do oráculo de Têmis, e tomou o oráculo para si. Depois foi punido, pois Píton era a filha de Gaia, a Mãe Terra. Ah sim, Apolo também tomou o cuidado de dividir o corpo da serpente em dois.

Finalmente, retornando a Bíblia: Diversos autores modernos analisam a história da criação do Gênesis como uma narrativa alegórica sobre a divindade Javé suplantando a Deusa Mãe, representada pela árvore da vida, e a religião hebraica suplantando este culto. Isto é demonstrado na passagem sobre a origem do pecado em que o conhecimento proibido relaciona-se a sexualidade e a reprodução, especialmente o conhecimento de que os homens participam da reprodução [3].

Eis que achamos à culpada por nosso conhecimento da sexualidade e dos mistérios naturais: a serpente-dragão, a Deus Mãe. Mas, se no Ocidente tais mitos carregaram as serpentes com características supostamente negativas, no Oriente foi algo diferente… Abaixo da Árvore da Iluminação, está o Buda sentado em posição de meditação. Quando uma grande tempestade se aproximou, uma enorme serpente levantou-se acima da caverna subterrânea e envolveu o Buda em sete espirais por sete dias, para não interromper o estado de meditação. Para os orientais, o conhecimento da natureza, não somente científico, mas sobretudo espiritual, pode levar a paz de espírito duradoura e, quem sabe, a grande iluminação interior.

Sim, há grande sofrimento no mundo, e os místicos orientais não negam isso, mas o reafirmam: nada pode ser mais prazeroso do que enfrentar esse sofrimento, e prosseguir no caminho de retorno ao Éden. A diferença é que o Éden não foi nem será – o Éden está aqui neste momento, dentro de nós, e fora de nós, espalhado sobre a terra, e os homens não o veem. Buda o viu, e esta visão o fez caminhar por milhares de quilômetros da Ásia, trazendo a “boa nova” para os desavisados, iluminando o caminho daqueles que combatiam incessantemente a natureza, sem perceber que estavam conectados a ela. Era preciso saber encarar o sofrimento face e face, e se renovar, se reinventar, à todo momento, para que os traumas e as cicatrizes fossem parte de nossa antiga história, de nossa antiga pele, e não mais do momento atual. Deste momento.

A serpente que abraça a terra e os galhos das árvores sagradas sabe: ela já provou do fruto proibido, e amargou, quem sabe, um conhecimento indesejado, o conhecimento do sofrimento e do mal; Porém, foi assim também que obteve o conhecimento da felicidade e do bem, e percebeu que o caminho para a luz da felicidade era infinito, enquanto que o sofrimento se acumulava apenas em sua pele, em sua casca. A serpente aprendeu a trocar de pele, e deixar seus antigos traumas para trás. Todo este veneno antigo não era mais necessário: fez do próprio veneno um antídoto para a vida. Serpenteia sempre renovada, pelos mesmos sulcos de terra criados por suas irmãs. A serpente sabe.

Até quando os seres de pouca visão permanecerão crendo que todo impulso natural é pecado, que a natureza deve ser subjugada, e que o sofrimento deste mundo de nada nos serve que não para esperarmos com ainda mais afinco, com as ancas ainda mais fincadas no solo do dogma, pelo suposto retorno ao antigo estado de ignorância do Éden, quando nada sabíamos e nada conhecíamos, nem éramos conscientes de nós mesmos, mas caminhávamos junto ao Pai Bondoso?

Pois saibam que este foi o grande esquema, a grande lição arquitetada por Javé e Unumbotte, com a ajuda de todas as serpentes do mundo, e com o aval da Deusa Mãe: tirar seus filhos de casa, para que sobrevivam e evoluam por si mesmos, e paguem suas próprias contas.

Está na hora de tornar-se adulto.

Então Ele percebeu, “na verdade Eu Sou essa criação, pois Eu a expeli de mim mesmo”; Dessa forma, Ele se tornou essa criação, e aquele que sabe disso torna-se, na criação, um criador (Upanishads)

***
[1] Todas as citações do povo Bassari foram retiradas de O poder do mito, a célebre entrevista de Joseph Campbell para Bill Moyers.
[2] Ver, por exemplo, este artigo de Ana Maria Mendes Moreira: A mulher, o divino e a criação.
[3] Acho proveitoso citar aqui uma das respostas de Chico Xavier no célebre Pinga-Fogo da TV Tupi (1971): “Nós temos um problema em matéria de sexualidade na humanidade, que precisamos considerar com bastante respeito recíproco: se as potências do homem na visão, na audição, na tatilidade das mãos, foram dadas ao homem para a educação e o rendimento no bem, seria então o sexo, em suas várias manifestações, sentenciado às trevas? A criatura humana não é só chamada à fecundidade física, mas também à fecundidade espiritual, transmitindo aos nossos filhos os valores do espírito de que sejamos portadores.”

#Gênesis #Mitologia #Bíblia #sexo #Judaismo #Paganismo

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E se a vida for um jogo?

Neste vídeo falo sobre como os sólidos platônicos sagrados foram terminar como dados de RPG (Role Playing Game), e como este jogo pode servir de profunda metáfora para a vida. Também veremos como nossas potencialidades podem estar se desenvolvendo ao longo de muitas vidas, ou seriam muitas partidas de RPG?

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#Reencarnação #RPG #Mitologia #Magia #Tolkien

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Odin, o Grande Xamã

Neste vídeo falo sobre a volta do paganismo nórdico na Islândia, terra da “Edda Poética” e de Odin, o rei xamã, que também já foi andarilho e as vezes faz até bico de Papai Noel ou de mago em filmes do “Senhor dos Anéis”. Através deste deus riquíssimo em simbologia, vamos compreender melhor do que diabos se trata um mito: algo que não existe, mas existe sempre!

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#Mitologia #Odin #Paganismo #xamanismo

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Waking Life: A Eterna Pergunta

-Deixe eu lhe contar um sonho que tive. Li um ensaio de Philip K. Dick…

– No seu sonho?

– Não, eu o li antes do sonho. Esse é o preâmbulo. Era sobre aquele livro, Flow My Tears, the Policeman Said, você o conhece?

– Ele ganhou um prêmio por esse livro.

– É um que ele escreveu muito rápido. Simplesmente fluiu. Ele sentiu como se o estivesse psicografando, ou algo. Quatro anos antes de vir a ser publicado o livro, ele estava em uma festa, e conheceu uma mulher com o mesmo nome que a mulher do livro. E o namorado dela tinha o mesmo nome que o namorado da mulher do livro. E ela estava tendo um caso com um delegado de polícia, que tinha o mesmo nome que o delegado de seu livro. Tudo o que ela dizia sobre a vida dela parecia ter saído de seu livro.

Isso tudo o deixou muito assustado, mas o que ele podia fazer?

Anos depois, ele foi pôr uma carta no correio e viu um sujeito meio estranho em pé, ao lado de seu carro. Mas, ao invés de evitá-lo, como normalmente teria feito, ele disse: “Posso ajudá-lo?” E o sujeito disse: “Sim, eu fiquei sem gasolina”. Ele lhe deu algum dinheiro, coisa que jamais teria feito.

Ele chega em casa e pensa “Ele não conseguirá chegar ao posto. Ele está sem gasolina!”

Então, ele volta, acha o sujeito e o leva ao posto de gasolina. Enquanto estaciona, ele pensa: “Isto também está no meu livro! Este mesmo posto. Este mesmo sujeito. Tudo!”

Bem, este ocorrido é um tanto assustador, certo? Então ele resolve contar a um padre que ele escreveu um livro e que, quatro anos depois, tudo isso aconteceu.

E o padre diz: “Este é o Livro de Atos dos Apóstolos”. Ele responde: “Mas eu nunca o li!” . Então ele lê o Livro de Atos e lhe é estranhamente familiar. Até os nomes dos personagens são iguais aos da Bíblia!

O Livro dos Atos se passa em 50 d.C. Então, Dick criou uma teoria segundo a qual o tempo é uma ilusão e estaríamos todos em 50 d.C. E que a razão pra ele ter escrito esse livro era que ele, de algum modo atravessou essa ilusão, esse véu do tempo, e o que ele viu ali foi o que acontecera no Livro dos Atos.

Ele se interessava pelo gnosticismo e pela idéia de que um Demiurgo, ou demônio, teria criado essa ilusão do tempo para nos fazer esquecer que Cristo retornaria e que o Reino dos Céus estava pra chegar. E que estamos todos em 50 d.C e há alguém tentando nos fazer esquecer que Deus é iminente. Isso define o tempo e a História. É só um tipo de devaneio ou distração contínuos.

Então eu li isso e pensei: “Que estranho”. E, naquela noite, eu tive um sonho. E nele havia um homem que, supostamente, era um paranormal. Mas eu pensava: “Ele não é realmente um vidente”. Então, de repente, começo a flutuar, levitando até atingir o teto. Eu estava quase atravessando o telhado, quando digo: “Ok, Sr. paranormal, tudo bem, eu acredito em você”. E flutuo de volta. Quando meus pés tocam o chão o vidente vira uma mulher usando um vestido verde, e esta mulher é Lady Gregory. Ela era a patrona de Yeats, uma irlandesa. Mesmo nunca tendo visto a sua imagem eu tinha certeza de que esse era o rosto de Lady Gregory.

Então, enquanto andávamos, Lady Gregory vira-se para mim e diz “Deixe-me explicar-lhe a natureza do universo. Philip Dick está certo quanto ao tempo, mas errado quanto a ser 50 d.C. Na verdade, só existe um instante, que é agora. E é a eternidade. É um instante no qual Deus está apresentando um pergunta, que é basicamente: “Você quer fundir-se com a eternidade? Você quer estar no céu?” E estamos todos dizendo: “Nããão, obrigado. Ainda não”. Logo, o tempo é apenas o constante “não” que dizemos ao convite de Deus. Isso é o tempo. Não estamos em 50 d.C., como não estamos em 2001. Só existe um instante. E é nele que estamos sempre”.

Então ela me disse que esta é a narrativa da vida de todo mundo. Por detrás da enorme diferença, há apenas uma única história, a de se ir do “não” ao “sim”.

Toda a vida é: “Não, obrigado. Não, obrigado”. E, em última instância é: “Sim, eu me rendo. Sim, eu aceito. Sim, eu compreendo”. Essa é a jornada. Todos chegam ao “sim” no final, certo?

Então, continuamos a andar e meu cachorro corre em minha direção. Fico tão feliz. Ele morreu anos atrás. Estou fazendo carinho nele e percebo um troço nojento saindo de seu estômago. Olho para Lady Gregory e ela tosse, se desculpando. E há vômito escorrendo por seu queixo, e o cheiro é horrível. E eu penso: “Peraí, isto não é só cheiro de vômito. É cheiro de vômito de gente morta!”. Isso é duplamente horripilante. Então percebo que estou no Mundo dos Mortos. Todos à minha volta estão mortos. Meu cachorro morrera há 10 anos, Lady Gregory há muito mais tempo.

Quando acordei, pensei: “Aquilo não foi um sonho. Foi uma visita a um lugar real, o Mundo dos Mortos!”.

– O que aconteceu? Como você conseguiu sair de lá?

– Cara, isso foi uma daquelas experiências que transformam a vida. Eu nunca mais voltei a ver o mundo do mesmo jeito.

– Mas como é que você finalmente saiu do sonho? Esse é o meu problema. Eu estou aprisionado! Fico achando que estou acordando, mas ainda estou num sonho. Quero acordar de verdade. Como se acorda de verdade?

– Eu não sei… Não sou mais tão bom nisso. Mas, se é o que está pensando, você deve fazê-lo, se puder. Porque, um dia, não será mais capaz… então – é fácil – simplesmente acorde.

(Diálogo final do filme Waking Life, de Richard Linklater)

#espiritualismo #Filmes #Mitologia

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