As energias Mana, Mana-Mana e Mana-Loa

Na natureza encontramos diversos teores energéticos, se estamos falando de energia elétrica, temos os pólos positivo e negativo, mas quando falamos em energia espiritual tornamos o leque um pouco mais amplo.

Basicamente as energias que trabalhamos na nossa tradição (Trina Luna Solaris) são aqueles provenientes dos 3 selves: Unihipili, Uhane e Aumakua. Com isso temos então 3 energias básicas: Mana, Mana-Mana e Mana-Loa, cada uma se relacionando com cada self. Temos dois extremos muito poderosos de energia, Mana que é armazenado no Unihipili e Mana-Loa que é proveniente do Aumakua. O manuseio de ambas energias deve ser feito com muito cuidado, já que o excesso e a falta de direcionamento podem gerar conseqüências desastrosas.  A energia fluíatravés de nossos selves pelos cordões de Aka e é através deles que podemos impregnar objetos e até mesmo transformá-las neste processo.

Mana é a energia que sustenta a vida, é a aquela animação que sentimos em uma festa, é a energia para se movimentar, é a pique de um jogo de futebol e é a energia do sexo, o impulso e o orgasmo, mas como estes mesmos exemplos podem ilustrar, é uma energia que se queima muito rápido e que quando não direcionada gera ansiedade, nervosismo e irritabilidade. Mana é uma energia ótima para direcionar à causas físicas, para o corpo, para a saúde imediata, é a forma mais densa de energia que podemos lidar, o mana é gerado durante o cone de poder e que pode ou não ser transformado em Mana-Mana. Geralmente produzimos Mana naturalmente quando nos alimentamos corretamente, quando praticamos exercícios físicos com uma certa regularidade, quando nos divertimos, damos risadas, quando fazemos sexo de maneira saudável, mas um ritual ou um trabalho mágico pode exigir mais Mana do que podemos oferecer, por isso então a importância de conseguir gerar esta energia com sucesso. Uma das maneiras mais eficazes de se gerar Mana é através da respiração consciente com o fogo azul, induzir seu corpo a produzir um “mini cone de poder” e até mesmo dançar e cantar ajudam na produção desta forma de energia. Para nosso corpo sustentar tanta energia é preciso prática e muito controle que é alcançado através da concentração e visualização. Quando mais Mana, mais forte e mais eficaz seus trabalhos mágicos serão.

Mana-Mana é a energia Mana transformada através da intenção, está ligada ao Uhane e a todas as formas de comunicação, intelecto e relacionamentos. Quando passamos a energia armazenada no Unihipili para o Uhane essa força toma outra nuance, outra forma, é o que acontece quando colocamos uma intenção, quando damos um foco para esta energia. Mana-Mana é aquela sensação que temos quando estamos escrevendo um conto, uma música, uma poesia, é aquela sensação de ter as idéias fluindo meio que fora de controle, como se o pensamento estivesse correndo muito mais rápido do que seus dedos podem digitar ou sua mão pode escrever. Quando realizamos um encantamento com rimas, estamos transformando Mana em Mana-Mana, quando cantamos uma música com determinada letra com determinada intenção estamos utilizando Mana-Mana também. Mana-Mana é uma das formas mais sutis e mais complexas de serem trabalhadas, pois exige muito trabalho mental e vigília pois pode se transformar facilmente em Mana-Loa ou voltar a ser Mana, é também uma energia de relacionamento, em grandes grupos, em comunidades, em escolas e até num relacionamento a dois, é importante transformar parte da energia Mana em Mana-Mana através de conversa e de comunicação clara, senão começam a acontecer brigas frequentes decorrente do Mana gerado e não direcionado.  Mana-Mana pode ser manuseado como sendo um fogo amarelo vivo, claro e brilhante, amarelo do sol nascendo, da inspiração e criatividade, começa geralmente com um impulso de Mana ou Mana-Loa.

Mana-Loa é a forma de  energia que, segundo Victor Anderson (porta-voz da Tradição Feri por muitos anos), temos que tomar o maior cuidado, é inerente ao Aumakua, o Self-divino e pode literalmente curar ou matar. É esta energia que deve ser evocada ao se criar um círculo, é a energia que aumenta a vibração do local pois é “celestial”. Quando oramos, quando cantamos com louvor, quando fazemos oferenda aos Deuses recebemos Mana-Loa. Esta energia pode ser gerada tanto através do Mana e Mana-Mana quanto vir de próprias fontes cósmicas. É extremamente potente e transformadora e deve ser direcionada ao invés de contida no corpo. Ela pode ser redistribuída entre os selves com certeza, mas não deve ser mantida no físico. Durante um ritual ou trabalho a quantidade de Mana-Loa investida garante a manifestação, em outros níveis, do objetivo e estabelece comunicação direta com as Divindades pois fala através da divindade em nós.  Mana-Loa é o fogo Branco, da luz cósmica e divina, tão brilhante que não pode ser observado com os olhos físicos.

Ao observarmos uma vela conseguimos compreender um pouco de como é a natureza das energias. Existe o pavio, o centro, nós e nosso corpo e a parte mais baixa desta chama, mais cheia de oxigênio é azul, Mana, conforme a chama sobe o pavio vai se tornando amarelada, Mana-Mana e ao se desgrudar do pavio, no topo, se torna pura luz e calor, brilhante Mana-Loa. Uma das maneiras de se gerar cada energia é através dos Pantáculos de Ferro (Mana), de Pérola (Mana-Mana) e de Bençãos (Mana-Loa) que também estão ligados a cada Self.

Sobre estas questões Valerie Walker escreve em wiggage.com:

Tanto na Tradição Feri quanto nas práticas de Huna, Mana é vista como a energia fundamental presente em tudo, esta mesma energia quando trabalhada pelo Uhane se transforma em Mana-Mana e é usada para manter a nossa consciência e habilidade de raciocínio, já com o Aumakua o processo acontece de maneira um pouco diferente. Enquanto o Unihipili e o Uhane armazenam e utilizam a energia, o nosso Self-Divino recebe Mana e Mana-Mana e os transforma em Mana-Loa, mas esta energia não é gerada no corpo (como com as outras duas) e sim fora dele e para ele enviada, como uma chuva de bençãos que preenche nosso ser e que pode ser direcionada para criar, curar e etc, é algo tão grandioso que parece que iremos nos diluir num amor cósmico, é uma força que parece não caber em nós e isso é verdade, já que nosso corpo não está preparado para sustentar tamanha energia, ela precisa ser direcionada.

Mas qual o objetivo disto tudo? Pra que mover tanta energia? Pode ser sim trabalhoso, mas o objetivo final é conseguir gerar e sustentar Mana e Mana-Mana através da força de vontade além de se tornar mais receptivo a Mana-Loa. A prática mantém os canais abertos e desenvolve a facilidade de mover energia ao redor do corpo e a transmiti-la para objetos (que é o princípio básico de qualquer sistema mágico). Ao trabalhar com estas três energias através da prática com os Pantáculos você irá desenvolver uma sensibilidade energética das diferentes nuances além de fortalecer a conexão com o Aumakua.

Victor Anderson, o grande porta-voz da Tradição Feri discorreu sobre Mana-loa como sendo extremamente perigosa: “Esta energia ocorre durante as cerimônias mágicas, contanto que o Self-Divino esteja no controle, pode ser muito benéfico. É uma força tão grandiosa, tão cheia de vida, tão poderosa, mas manuseá-la sem cuidado, de maneira leviana, respirá-la ou ingeri-la e dizer que é a única coisa que importa é como colocar suas mãos em material radioativo. O resultado é similar ao LSD, você pode começar a alucinar, um sentimento de espiritualidade tão ativo que pode te sobrecarregar e te afastar do que realmente importa, se for seguir este caminho, pode acabar louco.”

Se é tão perigoso mexer com esta energia, por que se preocupar em conhecê-la? Está se tornando cada vez mais necessário aprender a manusear tais energias como uma maneira de se conectar com o sagrado em tudo. Oferecer Mana e Mana-Mana como uma forma de devoção espiritual e reverência ao invés da busca por poder ou auto-afirmação, este é o verdadeiro caminho mágico. Se nosso objetivo for bem orientado (para cura ou o que quer que seja) e de valor o suficiente, os Deuses irão retribuir nos enviando Mana-Loa se assim eles quiserem. Por isso que trabalhar com os pentagramas, principalmente com o Pentagrama de Bençãos se faz extremamente necessário neste processo, nos ajuda a nos manter focados no que realmente importa e a canalizar esta energia. O trabalho com os Pantáculos nos serve de ferramenta para acessar tais energias. Até as pontas mais gentis do Pentagrama de Bençãos podem ser assustadoramente transformadoras, só acessamos Mana, Mana-Mana e Mana-Loa quando incorporamos os conceitos que os Pentagramas expressam. A prática de Kala é muito importante durante este processo pois permite que a energia flua livremente pelo nosso corpo, Kala nesta questão serve como um escape para qualquer energia que por algum motivo (ou em algum complexo) se acumulou. Victor já dizia “Existem pessoas que podem curar, ela colocam suas mãos sobre as pessoas e simplesmente rezam. O Deus-Interior delas ouve, pois os Deuses não são tão exigentes, não importa o que se passa pela cabeça das pessoas, desde que seu coração seja genuíno os resultados aparecem. Mas se a voz do Deus-Interior for ignorada, a energia Mana será aos poucos drenada. Em outras palavras, o Reino dos Deuses está dentro de Você!”

Mas qual a importância de se saber sobre as nuances energéticas? Bem, ao reconhecer como cada energia age em seu corpo, mente e espirito podemos direcionar a sua ação e também criar situações nas quais elas possam ocorrer e fluir livremente. Em um ritual por exemplo, pode-se gerar cada tipo de energia em pontos chaves para que se alcance o objetivo esperado, um ritual pode ser muito mais elaborado e focado na eficácia quando se tem consciência de qual energia você está manejando. Estas três formas de energia já se manifestam naturalmente em um ritual, mas o que pode acontecer (e que acontece) é de uma delas fugir do controle, sendo um momento muito prolongado ou muito curto. Em nossas práticas diárias é importante termos consciência de que energia e de que self queremos estimular. Pela manhã muitas vezes é interessante se encher de Mana, para estar desperto, ativo e produtivo, durante o expediente as vezes precisamos de uma injeção de Mana-Mana, a noite é interessante terminar o dia com uma oração ou mesmo uma devoção, gerar energia Mana-Loa para reconhecer a divindade manifesta no seu dia a dia. Ou mesmo para situações mais práticas: Auto defesa psíquica, é eficaz quando se abrange as três energias, para uma cura, para um feitiço, para os relacionamentos cotidianos, para os relacionamentos amorosos, para o desenvolvimento pessoal. Muitas são as suas aplicações, mas o mais importante é reconhecer os momentos em que elas são geradas e aproveitá-los da maneira mais eficaz possível.

Por Pythio

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/as-energias-mana-mana-mana-e-mana-loa/

As crenças da Stregherie, a bruxaria italiana

Na Itália e nas cidades da América com grandes populações de italianos ou descendentes, bruxas da “velha escola” podem ser encontradas. Em quase todas as cidades ou vilas, alguém poderá te apontar uma strega que possa colocar ou tirar o Malocchio (mal olhado), ou usar óleo de oliva para curar ou para adivinhações. No coração da strega vivem os “espíritos do antigo”, pois está é uma antiqüíssima crença. Sente-se com elas e te contaram estórias dos elfos ou das Lasa que são conhecidas como Os Antigos. Você aprenderá sobre a sacralidade do fogo, sobre as forças por traz da natureza. A voz do vento sussurrará aos teus ouvidos enquanto a strega fala… você sentirá e conhecerá.

As crenças das streghe envolvem amuletos para repelir ou atrair energias. Gestos de poder, sinais que podem ser lidos em toda a natureza. A Deusa coroada com um crescente e o Deus Astado são adorados pelas strega. Também são conhecidos por diversos nomes: Tana e Tanus, Fana e Faunus, Jana e Janus. Os nomes mais comuns para os Deuses da Stregheria são : Diana e Dianus (Lúcifer); e os nomes mais antigos são Uni e Tagni.

A natureza é vista como a manifestação das forças ou leis espirituais. A Magia é a arte de entender e interagir com estas forças, de uma forma que possam ser influenciadas. Como este sistema é mantido em ordem por espíritos e deidades, existem técnicas milenares de interagir e lidar com estes seres astrais – de forma que façamos nossas influencias e vontades.

No norte da Itália, existe uma região chamada Toscana. Lá uma forma de stregheria um pouco mais peculiar é desenvolvida. Esta forma é extremamente simples, mas pouco lembra os rituais cerimoniais modernas. Há uma grande influencia etrusca nesta forma de bruxaria, onde os Deuses e espíritos são de origem etrusca. Estas bruxas raramente fecham um círculo sagrado para fazer seus feitiços e rituais. O importante para elas é que haja um campo onde possam trabalhar. Elas utilizam uma varinha (o instrumento mais primário da bruxaria) e gestos de poder com encantamentos (chants).

Os Deuses reverenciados pelas streghe toscanas são a Deusa Uni e o Deus Tagni. A natureza também é reverenciada pelos elementais: Fauni e Silvani são espíritos dos bosques; Monachetto são espíritos da terra, como os gnomos; Linchetto são os espíritos do ar. Na bruxaria toscana o norte é considerado um local de muito poder. Os seres elementais do norte são chamados Palla; no sul Settiano, que são espíritos do Fogo Elemental; os espíritos do oeste são os Manii; e os do leste são os Bellaire.

As streghe acreditam em espíritos do clã, chamados Lare que protegem as casas e as famílias. Além disso, ajudam as streghe a renascerem entre seus entes queridos. Pequenos templos são feitos na parte oeste da casa em honra a estas entidades. Tradicionalmente são feitas oferendas de vinho, mel, leite em um pequeno recipiente e uma vela é acesa.

O folclore italiano também se estende a objetos inanimados, que se acredita possuírem poder. Entre os mais comuns estão as chaves feitas de outro ou prata, ferraduras, tesouras, pérolas e corais. Outros objetos incluem o alho, fita vermelha e sal que é empregado para a proteção.

Deuses e deusas

Agenoria: deusa etrusca para despertar ações

Anterus: deus da paixão.

Aplu: deus etrusco do tempo.

Astréa: deusa da justiça.

Belchans: deus etrusco do fogo.

Carmem ou Carmina: deusa dos encantamentos e dos feitiços.

Caltha: deus etrusco do sol.

Cloacina: deusa etrusca de tudo que é sujo e obsceno.

Charun: deus etrusco do submundo, sua função é governar a morte e transportar as almas para a vida após a morte.

Comos: deus das bebidas.

Corvus: mensageiro dos deuses.

Cópia: deusa da prosperidade.

Diana: deusa triplice, jovem, mãe e anciã, a deusa das bruxas.

Dianus: deus da fertilidade, deus cornudo das florestas, com sorte de Diana.

Egéria: deusa etrusca das fontes, ela possuia o dom da profecia.

Fana: deusa da terra, das florestas e da fertilidade.

Faunos: o masculino de Fana.

Februus: deus etrusco da purificação iniciação e morte.

Felicitas: deusa etrusca da boa sorte.

Feronia: deusa etrusca que protege a liberdade dos homens, a vida nas florestas e as cabanas aos pés das montanhas.

Fortuna: deusa do destino, da fortuna, da sorte e da fertilidade.

Furina: deusa etrusca da noite e dos ladrões.

Horta: deusa etrusca da agricultura.

Jana: deusa da lua.

Janus: deus etrusco do sol, dos portais, dos limites, associado com jornadas.

Losna: deusa etrusca da lua.

Lupercus: o deus lobo, deus da agricultura.

Nethuns: deus etrusco da água fresca.

Nox: deusa da noite.

Pertunda: deusa do amor sexual e dos prazeres.

Tagni: nome mais velho do deus da bruxaria.

Tana: deusa das estrelas.

Tanus: deus das estrelas, consorte de Tana.

Tuchulcha: deusa etrusca da morte, ela é parte humana, parte pássaro, com cobras nos cabelos e nos braços.

Umbria: deusa das sombras e de tudo que é secreto.

Veive: deusa etrusca da vingança, é retratada com um jovem coroado de louros com arco e flecha nas mãos.

Vesta: deusa do fogo e do coração.

Zirna: deusa etrusca da lua, ela é representada pela meia lua.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/as-crencas-da-stregherie-a-bruxaria-italiana/

A vida secreta das plantas

Desde os tempos mais remotos que, em todas as culturas os homens adquiriram profundos conhecimentos sobre a vida das plantas, sempre em relação com uma concepção universal de vida, conhecimento que se integrava nas grandes ciências da Alquimia, Astrologia, Medicina, etc.

As fontes principais deste saber foram as Escolas de Mistérios e a comunicação directa dos Médico-Magos com os elfos, silfos, fadas, duendes e demais espíritos elementais que convivem com as plantas, os quais intruiram o homem. Tão grandes conhecimentos foram-se perdendo gradualmente com o correr dos milénios, com brilhantes renascimentos na Grécia, Roma e entre os celtas, até às últimas luzes impulsionadas pelos povos incas e aztecas.

Passado o desastre da queda do Império Romano, e após séculos de obscurantismo, um novo hálito da Tradição desperta a Europa e a partir de Itália surge o Renascimento; génios da talha de Da Vinci, Paracelso ou Giordano Bruno, entre outros, permitiram que o Ocidente redescobrisse aquelas antigas Ciências, ainda que isso só fosse possível de maneira muito fragmentária.

O materialismo desenvolvido a partir do século XVII foi obstruindo cada vez mais esses contactos e, enquanto se edificava uma pseudociência mecanicista e dogmática, perdeu-se lentamente a capacidade de percepcionar o lado subtil da Natureza e os seus habitantes; alcançaram-se concepções muito precisas do mundo material em contraste com uma ignorância quase absoluta do invisível, verdadeiro agente dos fenómenos físicos e químicos.

No século XX, em que o materialismo entronizou a sua miopia, foram definitivamente cortados esses já tão frágeis vínculos. Chegou-se a considerar a vida como uma mera dinâmica de fenómenos ordenados, mas sem nenhuma transcendência. Os seres foram vistos como coisas que possuiam um mecanismo vital, e em consequência disso afirmou-se que nas plantas existia um tal fenómeno e que, por isso estavam vivas.

No meio desta obscuridade surgiu a figura singular de Helena Blavatsky que, apesar da incompreensão e da intolerância reinantes, manteve vigente num selecto grupo de mentes lúcidas a concepção da Vida-Una. Assim chegámos ao século XX, onde uma série de descobertas dera à Ciência oficial a possibilidade de considerar fenómenos que se afastavam de sua própria óptica materialista; e sem por isso abandonar as suas alienações, começa a estudar com maior humildade e menos preconceitos determinados fenómenos considerados noutros tempos pouco sérios. O cientista do século XIX foi intransigente, manifestando orgulhosamente o seu pretenso saber; o do século XX, pelo contrário, menciona os seus achados com muita cautela. E o facto é que na segunda metade do nosso século experiências inquestionáveis obrigaram-no à mais extrema prudência, face à probabilidade da vida ser uma realidade para além do estritamente material.

Estamos quiçá, assistindo à aceitação de algo que os esoteristas de todos os tempos afirmaram: que as plantas e tudo quanto existe têm tanta vida como nós e o Universo na sua totalidade.

Paracelso

Não podemos, nesta breve resenha dedicada à vida oculta das plantas, deixar de mencionar a grande figura de Paracelso.

Nos inícios do Renascimento, ao lado de outras grandes personagens, surge o génio maravilhoso de um grande alquimista e médico ilustre chamado Aureolus Philipo Teofrastos Bombast de Hohenheim.

Nasceu em Einsiedeln, Suiça, em 10 de Novembro de 1943; desde muito jovem o seu pais ensinou-lhe que a Medicina se encontra na Natureza, e só aí é que os homens deviam buscá-la. Dado que tinha um físico muito frágil, o seu pai levava-o a viajar constantemente, convencido de que a mudança de ares o fortificaria. Nessas viagens aprendeu a conhecer as plantas que tinham propriedades curativas ou tóxicas, seu pai também o iniciou nos conhecimentos de Medicina, Cirurgia, Alquimia, Teologia e Latim. Ainda muito jovem conheceu em Levanthal o bispo beneditino Eberhard Baungartner, tido como um dos mais notáveis alquimistas do seu tempo, recebendo os seus ensinamentos com grande avidez. No entanto, o seu maior anseio era poder curar os enfermos, orientando sempre a sua formação para esse fim.

Mais tarde viajou para Basileia, onde aprendeu ainda mais sobre Astrologia e outras Ciências afins. Porém os ensinamentos da Universidade conservavam o espírito medieval pleno de conhecimentos anquilosados; assim, decide procurar um verdadeiro Mestre embarcando para Wurzburg ao encontro do abade beneditino Tritemius, autêntico Adepto, que o instruiu na verdadeira Ciência. Dada a sua vocação, orientou tudo o que aprendeu para a cura das doenças, valendo-se principalmente das propriedades das plantas, assim como de comunicações com os espíritos elementais da Natureza, como ele próprio refere. Deu a conhecer, mais tarde, através de publicações, alguns ensinamentos de carácter ocultista, aplicados sempre à Medicina que tanto amou. Destaca entre os seus ensinamentos o que se refere à inter-relação das plantas com as múltiplas manifestações dos seres vivos no Cosmos, e que definiu como “Signatura”.

O seu amplo espírito levou-o a utilizar diversas vertentes no campo das terapêuticas, tais como a Fitoterapia, a Homeopatia e medicamentos de origem mineral. Chegou a desenvolver uma verdadeira Medicina mágica, aproximando-se de uma certa forma dos Mestres-Magos da Antiguidade.

É a ele, pois, que devemos a pequena chave deste conhecimento oculto, que oferecemos ao leitor através do presente artigo.

As plantas, o Homem e o Cosmos

Em 1966, Backster, famoso técnico na detecção de mentiras através de um galvanómetro, teve o impulso de conectar os seus eléctrodos às folhas duma dracena, acompanhando a reacção desta face à água vertida sobre as suas raízes. Qual não foi o seu espanto ao ver que o galvanómetro produzia um gráfico com linhas extremamente acidentadas: seria possível que a planta fosse capaz de exteriorizar emoções?

A maneira mais eficiente de provocar num ser humano uma reacção suficientemente forte para que o galvanómetro salte é ameaçar pôr em perigo o seu bem-estar. Foi precisamente isto que Backster decidiu fazer à planta: introduzir uma folha de dracena na sua chávena de café quente; o galvanómetro não registou nada. Reflectiu um momento e ocorreu-lhe uma ameaça maior: queimar a folha a que tinha aplicado os eléctrodos. No próprio momento em que pensou nisso o gráfico descreveu uma prolongada linha ascendente. Backster não se tinha movido na direcção da planta nem do gravador. Seria possível que a dracena estivesse lendo o seu pensamento?

Saiu da sala e voltou em seguida com alguns fósforos, observando então que o gráfico registava outro traço brusco para cima, sem dúvida causado pela sua determinação em levar à prática a ameaça que tinha pensado. Dispôs-se a queimar a folha. Desta vez o gráfico assinalou uma reacção mais baixa. Quando, efectivamente, começou a fazer os movimentos de tentar queimar as folhas, não houve reacção alguma. A planta parecia capaz de saber distinguir entre uma tentativa verdadeira e outra simulada.

Backster também comprovou que quando as plantas se viam irremediavelmente ameaçadas, recorriam ao “desmaio”. Assim, a sua planta não reagia a nenhum estímulo sempre que se encontrava na presença de um fisiólogo, cujo trabalho requeria destruir plantas a fim de obter o seu extrato seco.

Para averiguar se as plantas possuiam uma certa forma de memória deu-se início a um plano segundo o qual Backster iria tentar identificar o assassino secreto de uma planta. Seis estudantes, com os olhos vendados, tiraram à sorte um papelinho dobrado de um saco, havendo num deles instruções para arrancar e destruir completamente uma das suas plantas existentes numa sala contígua. O “assassino” tinha que cometer o crime em segredo, com a outra planta por única testemunha. Conectando a planta sobrevivente com um polígrafo e fazendo com que os alunos desfilassem um a um diante dela, Backster conseguiu identificar o culpado, pois só na presença de um deles é que a planta descreveu no polígrafo uma curva frenética de movimentos; a seguir, o estudante confirmou ter sido ele o “assassino”.

Numa outra série de observações, Backster notou que parecia criar-se uma espécie de vínculo de afinidade entre uma planta e o seu tratador, qualquer que fosse a distância que os separasse. Chegou a esta apreciação mediante cronómetros e anotando todas as suas actividades durante o dia, comprovando logo que a curva descrita pelo polígrafo coincidia com as diferentes emoções vividas pela planta ao longo da jornada.

Vogel, cientista inspirado nas experiências de Backster, dispôs três folhas na cabeceira da sua cama e todas as manhãs durante um minuto, exortava amorosamente duas delas a viver, ignorando deliberadamente a outra. Passado uma semana, esta última estava murcha, enquanto que as outras mostravam-se viçosas. Um dia convidou um psicólogo a ir a sua casa; a planta da sala, que tinha um polígrafo conectado, teve uma reacção instantânea e intensa, ficando de repente como morta. Quando Vogel perguntou ao psicólogo em que é que tinha pensado, este respondeu-lhe que tinha comparado mentalmente o filolendro de Vogel com um que tinha em casa, e pensou quão inferior era o de Vogel ao seu. De uma forma evidente, a planta de Vogel mostrou-se tão cruelmente ferida “nos seus sentimentos” que se recusou a reagir durante o resto do dia; com efeito, esteve quase duas semanas sombria e mal-humorada. A partir daí Vogel não teve dúvidas de que as plantas podiam ter aversão aos pensamentos dos seres humanos.

Isto não foi apenas comprovado com seres humanos; Backster pôde demonstrar a um grupo de estudantes da Universidade de Yale que os movimentos de uma aranha na sala em que uma planta estava conectada com o seu equipamento podiam originar importantes alterações no gráfico produzido por esta como, por exemplo, imediatamente antes da aranha escapar a uma tentativa humana de limitar os seus movimentos.

“Parecia – comentava Backster – que a planta captava cada uma das decisões da aranha em fugir, causando uma reacção na folha”.

Numa outra ocasião Backster cortou-se num dedo e untou-o com iodo; a planta que estava a ser observada por meio do polígrafo reagiu imediatamente à morte, segundo parece, de algumas células do dedo.

“A faculdade de sentir – assegura Backster – não parece acabar no nível celular. Pode-se estender ao molecular, ao atómico e até ao subatómico. Concluindo, todas as classes de seres que foram consideradas, convencionalmente, inanimadas, necessitam de uma nova avaliação”.

As plantas e a música

Dorothy Retallack, organista e soprano profissional que tinha dado concertos no Beacon Club de Denver, começou a realizar uma experiência biológica de laboratório com plantas. Juntamente com a amiga formaram dois grupos diferentes de plantas, entre as quais havia filolendros, milho, rabanetes, gerânios, etc. Em seguida, frente a um dos grupos, fizeram soar segundo a segundo as notas musicais “Si” e “Ré”, tocadas a piano e gravadas numa fita magnética; aqueles sons aborrecidos e monótonos, após três semanas de experimentação, fizeram com que todas as plantas começassem a murchar, e algumas delas, inclusivé, afastaram-se da fonte do som, como se fossem desviadas por uma forte ventania. O grupo de plantas que se tinha desenvolvido em paz floresceu.

Também realizou uma experiência de oito semanas com cabaças de Verão, transmitindo para o seu interior música de duas estações de rádio de Denver: uma delas “rock”, e a outra, música clássica. As cucurbitáceas não foram de modo algum indiferentes a estes dois estilos musicais: as expostas às peças de Haydn, Beethoven, Brahms, Schubert e de outros autores europeus dos séculos XVIII e XIX, orientaram-se na direcção do aparelho de rádio, e uma delas enroscou-se amorosamente em torno do transistor. As outras cabaças desenvolveram-se de forma a evitar a música “rock”, e até tentaram trepar pelas paredes resvaladiças da sua caixa de cristal. Em princípios de 1969, a senhora Retallack organizou uma série de ensaios semelhantes com milho, cabaças, petúnias, calêndulas, etc., tendo obtido o mesmo resultado. A música “rock” fazia que, de início, algumas plantas crescessem anormalmente altas e com folhas excessivamente pequenas, ou que ficassem paralisadas; ao cabo de quinze dias, todas as calêndulas tinham morrido, enquanto que outras idênticas, às quais chegavam os compassos de música clássica, floresciam a dois metros dali. Ocorreu algo ainda mais interessante: durante a primeira semana, as plantas expostas à música “rock”consumiam muito mais água do que as expostas à música clássica, embora tirassem menor proveito, já que ao examinar as suas raízes estas estavam esquálidas e só tinham uma polegada de longitude, ao passo que as do outro grupo eram grossas, espessas e quatro vezes mais compridas. Vemos, pois, que um determinado tipo de música exerce influências benéficas no crescimento e desenvolvimento das plantas, graças à sensibilidade que estas possuem, enquanto que outros ritmos produzem efeitos negativos, impedindo o seu desenvolvimento ou provocando enfermidades e, inclusivé, a morte.

Uma vez mais corroboramos a íntima vinculação das plantas com o meio ambiente.

Os Chamanes

O Médico-Mago da Antiguidade, que acumulava uma enorme Sabedoria ao longo dos tempos e dos ciclos históricos, tem na actualidade um modesto mas não menos enigmático herdeiro, o “chamane”.

Os chamanes, os “medicine man” dos povos marginais de todo o mundo, não são supersticiosos ignorantes que pretendem conjurar forças estranhas que desconhecem ou temem; bem pelo contrário; são, no seu meio, personagens de uma reputada capacidade e inteligência, e que reúnem condições de liderança face aos seus semelhantes.

Para alguém se tornar chamane de um povo é fundamental ter uma particular disposição ou abertura para com o mundo natural, o que lhe permite comunicar activamente com a Natureza, com o Espírito das montanhas, dos vales, dos bosques, dos animais e das plantas.

Um aspecto essencial destes singelos médico-magos é, pois, a possibilidade de entrarem em comunicação com os elementais das plantas, estabelecendo com eles uma espécie de diálogo que lhes permite encontrar o tipo de substâncias vegetais que podem utilizar para tratar determinadas maleitas dos seus povos; segundo as suas próprias referências, este diálogo é levado a cabo através das técnicas do êxtase. Segundo os investigadores, há milhares de anos atrás os estados místicos alcançavam-se por vontade própria, ao passo que actualmente os chamanes perderam muito do seu poder e necessitam de utilizar plantas alucinogéneas para realizarem o seu labor; não obstante, é preciso reconhecer neles um passado de alguma forma vigente, um conhecimento intuitivo da vida secreta das plantas, e hoje a Ciência actual voltou o seu olhar para eles em busca de tratamentos mais naturais. No entanto, esta Ciência não chega a compreender que o que necessita de aplicar não é uma maior acumulação de conhecimentos e de técnicas, mas uma concepção radicalmente diferente do Universo. Entretanto, próximo de nós estão estes seres singelos que preservam da soberba e ignorância do nosso século conhecimentos fabulosos.

Peter Tompkins e Christopher Bird

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-vida-secreta-das-plantas/