A Grande Deusa

Já vimos, no texto sobre a história da Bruxaria, como surgiram as primeiras idéias sobre a existência de uma Deusa-Mãe. Por muito tempo, ela foi reprimida por uma sociedade extremamente patriarcalista. Mas atualmente vários fatores indicam o retorno da Deusa na consciência humana: o crescimento do movimento pacifista, o desenvolvimento de uma forte consciência ecológica, a maior aceitação dos diversos tipos de sexualidade, o reconhecimento das características femininas da psique nos homens, a sempre crescente participação das mulheres nos mais diversos campos do conhecimento humano e o próprio ressurgimento da Bruxaria. Mas quem é a Deusa para os modernos feiticeiros?

Ela é a Senhora de Mil Nomes: onde quer que o ser humano tenha pisado, lá existe uma denominação para ela. Diana, Aradia, Morrígan, Ísis, Arianrhod, Bhríd, Afrodite, Ishtar, Yemanjá, Hera, Nyandesy. É um arquétipo universal. Na Wicca da Floresta, a chamamos de Diana, Senhora da Lua que Dança nos Céus. Seu símbolo é o triângulo invertido.

É a própria Terra, o planeta que é nossa Mãe e nosso lar, que nos permite a existência. É em seu corpo que nosso corpo é enterrado ao morrer, pois Dela viemos e a Ela devemos retornar. O céu, em toda a sua imensidão, é também parte do corpo da Grande Deusa. Ela não tem limites, e nem o tem seu Amor (nem sua Fúria).

A Deusa é tríplice: jovem e indomável na lua crescente, madura e mãe na lua cheia, sábia e anciã na lua minguante. Na lua nova, notadamente nos três dias que a antecedem, a Deusa mostra sua face escura e implacável. Não trataremos dela por enquanto: a descoberta desta face deve ser um trabalho pessoal1.

Em seu aspecto jovem, a Deusa é chamada de Donzela. Nesta face, ela possui a chama de todos os inícios. No período de seu domínio, a lua crescente, devem ser plantadas as sementes de todos os nossos projetos. A Donzela é virgem: possui a todos os homens, mas nenhum a possui. Representa o aspecto do Feminino que independe totalmente do Masculino. Ela é selvagem, caçadora e guerreira. Possui o vigor da juventude, e todo o poder de crescimento e mudança. Alguns exemplos de Donzelas mitológicas são Ártemis (grega), Macha (irlandesa), Iansã (afro-brasileira) e Epona (gaulesa).

Quando a lua atinge sua plenitude e torna-se cheia, é chegado o período dedicado à Mãe. Ela derrama suas bênçãos sobre seus filhos na forma da brilhante lua que reina nos céus. É ela quem permite que as sementes plantadas pela Donzela amadureçam e sejam colhidos na forma de frutos. É também aquela que nos dá a inspiração para sonhar com novas realizações. A grega Deméter, a irlandesa Dana, a nórdica Freya, a gaulesa Ceridwen, a egípcia Ísis e a afro-brasileira Yemanjá são reflexos desta mesma face da Grande Deusa.

A lua está diminuindo. É tempo de reflexão. Neste período, reina o aspecto da Deusa conhecido como a Anciã. Ela é a senhora da purificação e da destruição, e nos permite a introspecção e a análise de nossos erros. É um período de silêncio: a Anciã recolhe-se aos domínios da morte, onde permanecerá durante um curto período e ressurgirá na forma da Donzela. É a Mão que Fere e Acaricia: pode nos possibilitar o impulso que necessitamos para mudanças em nosso psiquismo ou oferecer uma arma para que nós próprios nos causemos ferimentos. A este aspecto podem ser relacionadas deusas como Nemaín (irlandesa) e Hécate (grega).

A Grande Deusa pode se apresentar ainda sob várias formas. Uma de suas características é a diversidade. O estudo de mitologias diversas mostrará ao estudante aplicado diversas outras manifestações do Feminino Sagrado. Dentro de nossa Religião, porém, deve-se sempre ter em mente que todas estas manifestações são apenas reflexos de uma só Deusa, que possui diversas maneiras de mostrar-se aos olhos de seus filhos.

Os wiccans são as crianças escondidas da Deusa. Seu é o privilégio de ter as necessidades atendidas por Seu intermédio. É a nós que ela se revela em toda sua plenitude, abençoando todos seus ritos. Ela não necessita de sacrifícios; de suas crianças só pede amor e dedicação. Ela é uma Deusa de Amor, tanto da forte paixão carnal quanto do mais puro sentimento fraternal. Todos os atos de amor são seus rituais.

Para as mulheres, a Deusa representa sua totalidade enquanto pessoas. Permite a elas conhecerem tanto seu poder criador quanto seu poder destruidor. É através da Grande Mãe que as mulheres alcançam seu mais alto grau de compreensão de si mesmas, libertando-se de todos os bloqueios, sendo quem são: mães, amigas, virgens, amantes ou irmãs. Ou todas ao mesmo tempo.

Aos homens a Mãe possibilita o despertar de sentimentos e faculdades adormecidas ou reprimidas. Ela lhes permite reconhecer características de si mesmos que lhes foram negadas pela sociedade durante séculos, sem que isso lhes cause vergonha ou lhe torne menos homens. A Grande Mãe dá aos homens a possibilidade de realmente conhecerem a si mesmos2.

Se não encontrares a Deusa dentro de ti, nunca a procures fora de ti. Nunca perca as esperanças; ao contrário, lute sempre por aquilo que lhe é mais sagrado. Quando lhe parecer que sua busca chegou ao fim sem dar nenhum resultado, a Luz da Grande Mãe brilhará em seu coração em todo o seu esplendor. Este é o maior de todos os Mistérios.

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1″A lua cheia, (…) , traz, ainda que de maneira oculta, um aspecto também escuro. É o lado sombrio da maternidade, o lado terrível das Grandes-Mães, que pode vir a se manifestar a qualquer momento. A lua negra se esconde atrás da lua cheia. (…) É quando começa a se fazer presente o lado da mãe castradora e devoradora, que não mais permite o desenvolvimento, mas o limita e restringe”. CAVALCANTI, Raïssa. – O Casamento do Sol com a Lua, Círculo do Livro, 1987, pág. 71

2No ensaio “Ariadne, a Senhora do Labirinto”, Chris Downing relaciona algumas das dádivas da Deusa aos homens: “(…) força, coragem, introvisão, prontidão para arriscar a exploração de seu próprio labirinto, de sua própria alma, (…)”. in HILLMAN, James (org.) – Encarando os Deuses, Cultrix/Pensamento, 1992, pág. 160

por Daniel Pellizzari, 1993

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-grande-deusa/

Eu era xamã e não sabia

Zzurto

Quando mais novo eu sempre me impressionei com a natureza. Não entendia bem o por quê, mas tudo o qual fazia parte do que eu encarava como natureza era extremamente bem pensado. Passei por vários lugares e sempre me dediquei ao máximo em ver valor aonde muitos não viam utilidade. Cheguei a carregar pedras das mais variadas para casa e sempre tive o cuidado de reservar um espaço para tudo isso.

Cheguei a viver de certo modo envolto em paradigmas esotéricos e isso facilitou ainda mais essa visão da realidade. Meditava quase sempre em busca de um mundo do qual eu era o maior escritor. Contudo o caos das informações que recebia e trabalhava me davam a certeza de que tudo aquilo ali ocorria, e de fato ocorria.

Encontrei muitos espíritos* que me confundiram mais do que auxiliaram, mas isso ocorreu devido a falta de consciência minha em minhas práticas intuitivas. Fui xamã sem perceber.

Dedicava boa parte do meu tempo a coordenar energias das mais variadas e muitas vezes as lancei com a força de minha vontade, pura e simplesmente. Intervi na realidade por meio disso e por meio disso me tornei um indivíduo de ação, não necessariamente fisicamente falando, mas em outro plano.

Em minhas incursões meditativas invadi e vivi em regiões muito além da compreensão comum. Estive boa parte do tempo lidando com elementais dos quais certas literaturas prejudicam mais do que auxiliam. Eles enfeitam demais tais forças para se tornarem mais agradáveis aos olhos e esquecem que a realidade não quer agradar ninguém. Contudo eu aceitei sem pensar muito nisso.

Fui alvo de tantas coisas que não saberia por onde começar e criei laços com lugares e plantas das quais muitos não enxergariam mais do que um terreno baldio. Eu escutei o som do vento e muitas vezes fui capaz de captar emoções e pensamentos que vinham por meio deste. Quantas e quantas vezes não antecipei circunstâncias numa sincronicidade que só eu percebia. Quantas e quantas vezes não menti para mim dizendo que era devaneio.

No sonho eu era particularmente medroso e tive dificuldade em estar lá. Curiosamente claro. Entretanto ao aprender a voar nada mais me era impossível. Quantos e quantos sonhos me fizeram ser mais atento e cauteloso e quantas e quantas vezes o que falei não vinha de mim. Os outros achavam somente que eu era um garoto sensível por demais. Eu sabia que não era isso, eram as vozes do conhecimento que a todos pertence, já que não há paredes limitadoras determinando um alguém mais capaz ou menos de receber. E minha atenção dedicada a tudo isso criava claro um diferencial que me fazia um estranho aos olhos de tantos.

Amigos meus que viveram comigo nesse período e que chegaram a buscar tais coisas também muitas vezes me olhavam céticos. Poderia alguém ter e poder fazer tantas coisas, simples, mas coisas das quais estes não conseguiam? Seria de fato verdadeiro ou pura invencionice de um garoto mimado? Eu me calava, não sabia o que falar nesses casos para ser compreendido e demorei a perceber que ser compreendido não importa. Importa somente ser verdadeiro com o que sente. E muitas vezes temi o que senti, por perceber coisas demais que minha maturidade emocional pouco auxiliava em lidar com isso.

O que mais prejudicou tudo isso foi cair nas graças de pessoas que se fizeram passar por experientes. Curiosamente estes foram os que menos me ajudaram. Não tirando o crédito que há na ação desse tipo de pessoa que permite nos fazer achar que nossas compreensões são plausíveis para eles. Isso para mim era suficiente. Essa falsa sensação de liberdade que a atuação destes criava era a melhor coisa que eu tinha, pois nunca desejei estar só. Mas na verdade eu que buscava uma comprovação. Minha mente racional se rasgava de raiva por não conseguir conter tudo o mais que me ocorria. Eu era xamã sem saber e cheguei a achar que tudo não passara de um erro.

Deixei meus espíritos de lado, larguei em outros cantos os cristais que tinha achado. Parei de entender o som das árvores e o chiado do vento. Entristecia-me ao pensar que com minhas mãos eu poderia ajudar, sem nem tocar, tantos que eu não queria mais estar perto. Parei de me lançar neste outro mundo por vergonha de continuar sendo taxado de tolo, imaturo ou criativo demais. E tranquei meu altar durante meses num silêncio que só machucou a mim. E foi por meio disto que aprendi uma das coisas mais importantes que é a confiança. Quando percebi que certas coisas não deixaram de ocorrer. Quando vi que certos vultos continuavam a passar. Quando percebi que certas palavras que eu falava continham as informações que eu intuía, mesmo quando os receptores nem ao menos se lembravam de onde tinham vindo o conselho. E isso ocorria provavelmente por que eu era somente um mediador, mas isso não me chateava, sabia bem que o bem feito era mais valioso.

Entretanto me dediquei por demais em não aceitar pura e simplesmente. Havia em tudo ali uma ciência que demorei em compreender. Para me aceitar xamã tive de ser neófito hermético. Tive de acreditar tolamente em enfeites dos contos de fadas das tradições espiritualistas incompletas que possuímos aos montes enlouquecendo os crédulos. Tive de me aventurar pela árvore da vida e falar nomes sagrados. Tive de encarar o terror dos arcanos e de suas compreensões. Tive de não me importar com opiniões chulas de pessoas fracas que encontramos aos montes por ai. Tive de rejeitar a religião para perceber que o problema não são elas e sim as pessoas e seus medos. Tive de parar no meio do mato novamente, longe de todos os olhos que me observaram eternamente descrentes para me ver livre de minha própria dúvida. Tive de escrever para muitos achando provável que estava perdendo novamente meu tempo para perceber que nada se perde nesse caso.

E foi lendo um livro e outro que percebi que todas as minhas práticas, até as mais tolas eram práticas de grandes xamãs dos quais nunca tinha ouvido falar. Que meus jogos tolos mentais e minhas práticas no quintal de casa tinham mais valor do que o que certos gurus falavam ou faziam. E que o fato de eu nunca ter encontrado respostas nas palavras deles não era por falta de capacidade minha e sim por falta de visão deles com suas próprias ciências.

Hoje em dia vejo alguns diários que escrevi. Juntando vez ou outra informações das mais variadas para alcançar a compreensão da qual necessitava para entender, abarcar aquilo tudo, tão simples. E nunca algumas informações foram tão fortes como certas passagens dos livros de Eliphas. Foi assim que aprendi a me calar pois o que sabia só a mim me importava. E testei incansavelmente tudo, por fim me libertando da dúvida que me consumia. Hoje afirmo que sou um xamã, mas não qualquer xamã. Meus passos pelo ocultismo, hinduísmo, Zen, budismo, cristianismo, oráculos, magia, meditação, espiritualismo e afins não se perderam no meio do nada. Mas o xamanismo é tão livre e tão grande que não consigo separa-lo como um objeto exclusivo. Na verdade quando me refiro ao xamanismo não consigo formaliza-lo como um ponto no espaço. Quando digo que sou xamã, digo que sou tudo isso. E os espíritos nunca os perdi, só tive de reencontra-los.

E como um Dom Juan que bem conhecemos também me visto de terno e gravata. Contudo o nó que dou é muito mais divertido.

E é por meio disto que implico que somos o que buscamos ser, curiosamente abobalhados pela impressão de nunca termos sido antes. Assim é bem provável que no meio do mato eu trace no chão um desenho hermético qualquer olhando no céu alguma ave de rapina passando, sentindo no cheiro do vento a intuição de outrora. O ritual apenas começou e se escutar um cântico qualquer vindo de mim não se assuste quando for pronunciado nomes divinos para uma fogueira. Não se envergonhe ao me ver dançando sobre um pentagrama ou flutuando nas águas claras do outro espaço. Saberei bem sacar de minha bolsa um mantra, aforisma ou qualquer outra coisa para auxiliar-me, para nos auxiliar. Pois esta ciência é viva e me regozijo com prazer ao utiliza-la. Meu templo não tem portas, contudo sei bem como fecha-las. E em qualquer lugar podes me ver recitando umas frases soltas enquanto olho para bem mais longe.

Se não compreender o meu olhar o problema não está em mim ou noutro alguém. O problema está em não compreender o seu próprio olhar. E se tudo isso aqui não passar de devaneio, como poderia tuas práticas serem diferente para ti? Contudo não afirmo que para alçar voou terás que fazer assim ou assado. Afirmo somente que se quer lançar-se no universo é preciso antes de mais nada a capacidade do psiconauta. Este que sabe que todo e qualquer mundo é válido, quando é parte do caminho que alcançamos ao respeitarmos o coração.

Silêncio… é preciso escutá-lo. Silêncio… é preciso sê-lo. Silêncio.

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leia também:

estados alterados

Uno consigo e com o mundo – parte I

Uno consigo e com o mundo – parte II

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/eu-era-xam%C3%A3-e-n%C3%A3o-sabia

Quem tem medo dos Illuminati?

Publicado no S&H dia 12/05/09

Com a estréia do próximo filme do Dan Brown nesta sexta feira, os católicos e evangélicos de todo o mundo entrarão novamente em polvorosa, com as maluquices que lhes são peculiares e todas as desculpas possíveis para aumentar a arrecadação de Dízimo para a luta contra “os maléficos Illuminati”.
Mas afinal de contas, quem são os Illuminati? De onde surgiram? Como se organizam? O que fazemos em reuniões? Eles querem mesmo dominar o mundo?
Estas e outras respostas você só encontra aqui no Teoria da Conspiração.

A Origem do Nome
O termo “Illuminati” ficou famoso por causa da loja de estudos fundada pelos professores Adam Weishaupt e Adolph Von Knigge em 1º de Maio de 1776, mas as origens deste termo são muito mais antigas e muito mais simples do que parecem.
Illuminati vem de “Iluminados”, ou seja, qualquer sacerdote ou estudioso que atingiu determinada posição dentro do Templo que permitiu a ele dispor de segredos iniciáticos até então desconhecidos aos graus inferiores.
O termo vem da correlação com o SOL. O centro do Templo, o Deus de nossos próprios corações. Simbolicamente denominado Tiferet, na Kabbalah; o grau de consciência no qual todos os quatro elementos estão dominados e o Adepto prossegue para a Câmara do Meio.
O grau de Illuminatus é um dos mais altos graus de diversas Ordens Esotéricas; o equivalente à “Faixa Preta” nas artes marciais… mas isso é tudo o que Illuminatus significa: alguém que deteve os conhecimentos de grau daquela Ordem, nada mais.
Achar que os “Illuminati” estão todos operando em uníssono para a dominação do mundo é tão ingênuo quanto achar que todos os “faixas-pretas” do mundo lutam e aprovam o mesmo estilo de combate.

A Estrutura dos Illuminati
A maioria dos graus ligados à Rosacruz ou aos gnósticos trabalha com graus baseados nas Emanações da Árvore da Vida. Esta estrutura foi desenvolvida inicialmente nos Templos de Toth/Hermes, mas contava apenas com sete graus, baseados nos Planetas Alquímicos (Lunae, Mercure, Veneris, Martis, Jovis, Saturni e Solis), sendo Solis o mais avançado. Cada grau possuía um Kamea (Quadrado Mágico) correspondente. Mais tarde os Pitagóricos finalizariam a estrutura para conter 10 esferas numeradas, como conhecemos hoje em dia.
Da relação do Sol com a iluminação tanto exotérica quanto esotérica, chamavam-se estes Mestres de “Mestres Iluminados”. O número 666 era atribuído a estes Mestres.

666? Mas não é o número do capeta?
Não… a origem do 666 é muito mais simples e prosaica; vem dos Kameas de cada um dos sete graus iniciáticos das Escolas de Toth.
Um Kamea é um “quadrado mágico” contendo os números e nomes (da conversão numérica para o alfabeto hebraico) divinos que servem como janelas para entender a natureza do ser humano e como ela interage com o macrocosmos.
Um kamea é representado como um quadrado contendo divisões internas, de acordo com a sefira da Kabbalah que aquele planeta representa: Então o Kamea de Saturno/Binah é um quadrado dividido em 3×3, o de Júpiter/Chesed 4×4, o de Marte/Geburah 5×5, o do Sol/Tiferet 6×6, o de Vênus/Netzach 7×7, o de Mercúrio/Hod 8×8 e o da Lua/Yesod 9×9.
Cada Kamea possui em seu interior os números de 1 até o quadrado da Sefira, dispostos de maneira que a SOMA de todas as linhas e colunas seja sempre o mesmo número.
Assim sendo, o Kamea de Saturno possui números de 1 a 9 (e cada linha/coluna soma 15 – ver na imagem ao lado), o de Júpiter de 1 a 16 (e cada linha/coluna soma 34), o de Marte de 1 a 25 (e cada linha/coluna soma 65), o do Sol de 1 a 36 (e cada linha/coluna soma 111), o de Vênus de 1 a 49 (e cada linha/coluna soma 175), o de Mercúrio de 1 a 64 (e cada linha/coluna soma 260) e o da Lua de 1 a 81 (e cada linha/coluna soma 369).
Além disto, cada Planeta está associado diretamente a um número sagrado, que é a somatória de todos os valores dentro do Kamea. Assim sendo, o número associado de Saturno/Binah é 45 (1+2+3+4+5+6+7+8+9), Júpiter/Chesed é 136, Marte/Geburah é 325, Vênus/Netzach é 1225, Mercúrio/Hod é 2080 e a Lua/Yesod é 3321.
E o Sol?
Se somarmos os números do Kamea do SOL, teremos 1+2+3+4…+34+35+36… adivinhem que número resulta desta soma? Isso mesmo… pode fazer as contas na sua calculadora, eu espero.
Calculou?
Exato. 666.
Tiferet representa o ser Crístico que habita dentro de todos nós. Dentro da Kabbalah, representa todos os deuses iluminados e solares:Apolo, Hórus, Bram, Lugh, Yeshua, Krishna, Buda, todos os Boddisatwas, todos os Mestres Ascencionados, todos os Serenões, todos os Mentores, todos os Pretos-velhos e assim por diante. Escolha uma religião ou filosofia e temos um exemplo máximo a ser atingido.
Tiferet representa a união do macrocosmos com o microcosmos, o momento onde o homem derrota o dragão simbólico (que representa os quatro elementos) e se torna um iluminado e, como tal, senhor de seu próprio destino. Tiferet é o mais alto grau de consciência que um encarnado pode atingir.
Desta maneira, quando se tornar um iluminado e senhor de seu próprio destino, o homem não vai mais se submeter aos mandos e desmandos de nenhuma religião dogmática… muito menos pagar DÍZIMO para ela… estão começando a entender da onde vem a associação da Igreja entre o 666, os “Iluminados” e o “anticristo” católico/evangélico?
Duvida? Aqui temos o exemplo de Washington, onde os arquitetos maçons projetaram a estrutura da Árvore da Vida dentro de um triângulo nas ruas da cidade… eu tomei a liberdade de pintar de vermelho a única parte que os evangélicos divulgam, “esquecendo” convenientemente o resto do projeto para “provar” suas teorias malucas de Illuminati…

Alumbrados, Iluminés e Rosa Cruzes
O historiador Marcelino Menéndez Pelayo encontrou registro do nome “Illuminati” já em 1492 (na forma iluminados, 1498), mas ligou-os a uma origem gnóstica, e julgou que seus ensinamentos eram promovidos na Espanha por influências vindas dos Carbonários da Itália. Um de seus mais antigos líderes, nascido em Salamanca, foi a filha de um trabalhador conhecida como a “Beata de Piedrahita”, que chamou a atenção da Inquisição em 1511, por afirmar que mantinha diálogos com Jesus Cristo e a Virgem Maria. Foi salva da fogueira por conta de padrinhos poderosos (fato citado pelo mencionado historiador espanhol em seu livro “Los Heterodoxos Españoles”, 1881, Vol. V).

Inácio de Loyola, o fundador da Companhia de Jesus, ordem religiosa da Igreja Católica cujos membros são conhecidos como jesuítas, na época em que estudava em Salamanca em 1527, foi trazido perante uma comissão eclesiástica acusado de simpatia com os alumbrados, mas escapou apenas com uma advertência. Outros não tiveram tanta sorte. Em 1529, uma congregação de ingênuos simpatizantes em Toledo foi submetida a chicoteamento e prisão. Maior rigor foi a conseqüência e por cerca de um século muitos alumbrados foram vítimas da Inquisição, especialmente em Córdoba.
Os Jesuítas, apesar de fortemente religiosos, enveredaram pelos estudos ocultistas e possuem sua própria organização interna de magistas e conhecedores de ciências herméticas. Aqui no Brasil, seu representante máximo é o famoso Padre Quevedo… esqueçam aquele personagem que vocês vêem na TV, o verdadeiro Quevedo fora das câmeras é uma pessoa totalmente diferente. É… quem diria que o Quemedo também possui o grau de Illuminatus?… isso ele não fala lá no programa da Luciana Gimenez!

Além dos Jesuítas e dos Alumbrados, o movimento com o nome de Illuminés chegou até a França em 1623, proveniente de Sevilha, Espanha, e teve início na região da Picardie francesa, quando Pierce Guérin, pároco de Saint-Georges de Roye, juntou-se em 1634 ao movimento. Seus seguidores, conhecidos por Gurinets, foram suprimidos em 1635. Um século mais tarde, outro grupo de Illuminés, mais obscuro, contudo, apareceu no sul da França em 1722 e parece ter atuado até 1794, tendo afinidades com o grupo conhecimento contemporaneamente no Reino Unido como French Prophets (Profetas Franceses), um ramo dos Camisards.

Uma classe diferente de Iluminados formam os Rosacruzes, que têm sua origem formal em 1422. Constituem uma sociedade secreta, que afirma combinar com os mistérios da alquimia a posse de princípios esotéricos de religião. Suas posições estão incorporadas em três tratados anônimos de 1614, mencionados no “Dictionnaire Universel des Sciences Ecclésiastiques”, de Richard and Giraud, Paris 1825. Os Rosacruzes deste período alegam serem herdeiros dos estudos dos Cavaleiros do Templo, ou Templários. Dentro da Filosofia Rosa Cruz Illuminati é o estágio de plenitude atingido depois de alguns anos de estudo.

O texto abaixo, da autoria do meu irmão Carlos Raposo, um dos maiores conhecedores e estudiosos da Ordo Templi no Brasil, vai ajudar a explicar os Illuminati da Baviera. 

Os famosos Illuminati da Baviera
Em Primeiro de Maio de 1776, na Alemanha, foi fundada uma sociedade que passaria a representar a síntese dos anseios e ideais compartilhados por Maçons e Rosacruzes: Os Iluminados. (ou Iluministas). Hoje, eles também são conhecidos como os Illuminati – embora haja o temerário risco do termo levá-los a serem confundidos com alguns movimentos esotéricos de nosso presente século.
Seu mentor, Adam Weishaupt (1748-1830), era um Maçom de ascendência judia, que havia tido educação católica e jesuíta. Essa singular mistura daria a Weishaupt uma grande versatilidade de pensamento, bem como independência de opiniões.
De raro e reconhecido talento, Weishaupt se graduou em Direito pela Universidade de Ingolstadt, onde passaria a exercer a profissão de professor titular de Direito Canônico, além de ser decano da Faculdade de Direto.
Durante seu estudos, antes de sua graduação acadêmica, Weishaupt obteve preciosos conhecimentos a respeito dos antigos ritos ditos pagãos e das religiões antigas. Nesses seus “aprendizados paralelos”, Adam Weishaupt muito absorveu dos antigos costumes, dando especial ênfase aos Mistérios de Elêusis e aos ensinamentos de Pitágoras.

Com base nesses conhecimentos, Weishaupt iniciava um esboço de uma Sociedade modelada segundo os conceitos do paganismo e da tradição dos mistérios ocultos. Porém, apenas após ele ter sido iniciado na Maçonaria (ao que tudo indica, Adam Weishaupt teria sido iniciado em Munique, por volta de 1774. Alguns autores, entretanto, apontam para 1777. Outros negam sua possível afiliação Maçônica) é que seu plano de formar uma nova Sociedade Secreta encontrou força suficiente para prosseguir. E assim foi feito.

Originalmente fundado como a “Sociedade dos Mais Perfeitos” (Perfekbilisten), os Iluminados, em princípio, contaram com a adesão de apenas cinco participantes.

Entretanto, tão logo foi começado a difusão de seus ideais, os Iluminados começaram a receber a adesão de vários novos membros, todos entusiastas dos propósitos de Weishaupt.

Os Iluminados da Baviera – como também eram conhecidos os Iluminados – eram dirigidos por um conselho de Areopagitas liderado por Weishaupt, que, para essa função, usava o pseudônimo de “Spartacus”. A estrutura básica dos Iluminados era composta de três graus, a saber: I* – Aprendiz (ou A Sementeira); II* – Maçonaria Simbólica; e o III* – Grau dos Mistérios. Os dois primeiros graus, por sua vez se subdividiam em outros três graus intermediários, enquanto que o III* era divido em Mistérios Menores e Maiores, que, por sua vez, também se subdividiam em graus intermediários. O total de Graus perfazia 12 estágios: começando em Noviço (o primeiro estágio do I*), até o Grau XII*, sob o título de Rex, ou Rei da Ordem. (Do sistema de graduação dos Iluminados veio a estrutura básica de algumas Ordens que hoje existem. Por exemplo, não chega a ser uma novidade o fato de uma bem famosa organização Rosacruz atual ter 12 Graus de Templo. Da mesma forma, uma das mais conhecidas Ordens Templárias de nossos dias, possui o grau de Rex, para a sua liderança)

O Grau de Noviço era tomado com a idade mínima de 18 anos, quando o novo aprendiz, através de indicação de alguém de confiança da Ordem, tinha acesso aos Iluminados, passando a receber suas primeiras instruções. Para ascender aos Graus subsequentes, havia um período de Provação de, pelo menos, um ano. (Novamente, o modelo adotado pelos Iluminados, segundo a concepção de Weishaupt, seria o padrão para uma série de outras escolas)

A função principal dos Graus superiores dos Iluminados era, através de todo um processo simbólico, baseado em toda uma temática libertária, impregnar seus Iniciados com esses ideais.

Como já dito, não só devido a proposição Iniciática de Weishaupt, mas também pelo modo como os Iluminados entendiam os sistemas políticos vigentes da época, interferindo quando julgavam necessário, logo eles alcançaram uma enorme repercussão por toda a Europa. O iluminismo, aos poucos, ganhava a adesão de importantes nomes do cenário Europeu, influenciando decisões que mudaram o rumo de alguns países do velho mundo. (os Iluminados – assim é afirmado -atuaram decisivamente na revolução francesa)
A visão política dos Iluminados era algo próximo de um Estado onde reinaria o bem comum, sendo abolidos a propriedade, autoridade social e as fronteiras. Uma espécie de anarquismo superior, saudável e utópico, onde o ser humano viveria em harmonia, numa Fraternidade Universal, baseada na sabedoria espiritual, em franca Igualdade, Liberdade e Fraternidade.

Os discursos de Igualdade, liberdade e fraternidade de Weishaupt iam de encontro aos poderes estabelecidos e esbarravam, em franca oposição à Monarquia, como instituição política; a Igreja, como instituição religiosa e aos grandes proprietários, como instituição econômica. (Hoje, por todos esses ideais, Weishaupt seria facilmente taxado de “comunista”. Entretanto, na época, esse modelo político ainda não havia sido devidamente sistematizado, nem definido). Outro ponto que devemos levar em consideração, antes de simplesmente considerá-lo um comunista, é que, as bases Religiosas que moviam os Iluminados, provavelmente eram, mesmo que uma utopia, bem nobres e absolutamente contrária ao que hoje consideramos como sendo de natureza “comunista”.

Weishaupt chegou a constituir toda uma eficiente rede de espionagem, na forma de agentes espalhados pelas principais cortes da Europa. A função básica dessa rede era se infiltrar entre o clero e os regentes, conseguindo informações políticas que permitissem a elaboração de uma estratégia de ação Illuminati, no sentido de se permitir a criação do Estado Ideal.
Após muitas tentativas de se estabelecer uma nação segundo seus princípios, os Iluminados foram politicamente extintos, em decreto instituído pelo Eleitor da Baviera, ao final do século XVIII.

E depois?
Uma vez que a semente do iluminismo foi lançada, não havia mais o que fazer por parte da Igreja. Grupos de livres-pensadores, estudiosos, cientistas e filósofos começaram a se reunir em lojas maçônicas, grupos de estudos e capítulos rosacruzes em todos os lugares do mundo.
Para tentar acabar com eles, a Igreja fez o que a Igreja faz melhor: chamou todos de “filho do demônio” e tentou distorcer ao máximo tudo o que conseguia, para continuar mantendo o povo no cabresto e arrecadar seus dízimos por ai.
Outra das estratégias da Igreja foi a de “jogar todos os gatos no mesmo balaio”. Assim como todas as Religiões afro são chamadas de “macumba” pelos fiéis, todos os estudiosos de todas as fraternidades esotéricas foram chamados de “Illuminati”.
Então “Os Illuminati isso, os Illuminati aquilo, mimimi… como eles são malvados, vamos queimá-los!”

E existem Illuminatis malvados, afinal?
Claro que existem!!! Da mesma maneira que você não tem como impedir que lutadores de jiu-jitsu faixa preta saiam pela rua batendo em mendigos, você também não tem como impedir que pessoas que tenham chegado aos últimos graus de conhecimento nas Ordens Esotéricas fundem suas próprias ordens. Basta ver que a Thulegesselshaft (que mais tarde seria a base de toda a estrutura nazista), a Ordem dos Nove Ângulos, a Igreja de Satã, o Scroll and Key, a Centúria Dourada, os Acumuladores e muitas outras ordens tidas como “fraternidades negras” tiveram entre seus fundadores pessoas que um dia obtiveram graus iniciáticos semelhantes aos dos Illuminati.
Disseram que eles estariam por trás dos Protocolos dos Sábios do Sião, por trás da Nova Ordem Mundial, por trás do Governo Oculto do Mundo, entre outras coisas, mas posso falar por experiência própria: a maioria dos Illuminati não consegue nem chegar a um acordo depois de uma sessão sobre que pizzas vão pedir para jantar, quanto mais dominar o mundo!

Os Illuminati e a Linhagem Sagrada
Outra confusão que acabou aparecendo na mídia depois dos livros do Dan Brown foi justamente a de que os Illuminati tomariam conta da Linhagem Sagrada, o que não é necessariamente falso nem verdadeiro. Muitas Ordens Esotéricas incluem estudos sobre a história das religiões em seus graus mais avançados, o que acaba levando ao conhecimento dos fatos relativos à família de Yeshua, à transformação do Yeshua-messias no Jesus-Apolo por Constantino e assim por diante.
Então obviamente existem grupos Illuminati que protegem supostos descendentes da linhagem e, ao mesmo tempo, devem existir também grupos Illuminati que desejam matar estas pessoas, ou que nem acreditam que elas existam…

E a Skull and Bones?
A Skull and Bones é uma sociedade secreta estudantil dos Estados Unidos da América, fundada em 1832. Foi introduzida na Universidade de Yale por William Huntington Russell e Alphonso Taft em 1833.
Entre 1831 e 1832, Russell estudou na Alemanha, onde supostamente teria sido iniciado em uma sociedade secreta alemã, a qual teria inspirado a criação da Skull and Bones. Tal hipótese foi confirmada durante obras realizadas no salão de convenções da Skull and Bones. Naquela ocasião foi encontrado material que se refere a Skull and Bones como o capítulo de Yale de sociedade alemã rosacruciana com influências das filosofias de Weishaupt. Skulls and Bones é uma fraternidade nos moldes das incontáveis fraternidades alfa-beta-gama dos filmes americanos tipo “A Vingança dos Nerds”, com a diferença que quem vai pra Yale tem MUITA, mas MUITA grana e poder…

E uma vez que eles saem da faculdade, eles se ajudam uns aos outros, como todas as fraternidades do planeta fazem com seus membros… a diferença é que eles estão no governo dos EUA.
Então eles NÃO são parte da maçonaria, NÂO são parte dos “Illuminati”

Junte-se aos Illuminati
Qualquer estudante sério de ocultismo consegue galgar os graus necessários para se chegar ao grau de Illuminatus em seis ou sete anos, em qualquer ramificação da Rosacruz, Maçonaria ou Martinismo. 

Semana que vem continuamos com o último capítulo da saga dos Cavaleiros da Távola Redonda.

Abraços
Marcelo Del Debbio
“Ad Rosem per Crucem;
Ad Crucem per Rosem.”

#Illuminati

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/quem-tem-medo-dos-illuminati

A Federação Pagã

O que é a Pagan Federation ? 

A Federação Pagã, oficialmente fundada em 1971, trabalha para tornar o paganismo acessível às pessoas que genuinamente procuram um encontro espiritual baseado nos Antigos Deuses e na Natureza.

A Federação Pagã tem 30 Coordenadores regionais na Grã-Bretanha que actuam como bases de actividade e apoio da P.F., e como P.F.Internacional está representada com Coordenadores Nacionais em 26 Países.

Os Coordenadores mantém contacto postal , via internet ou pessolamente, com os membros da sua área, ou países, se eles assim o desejarem, e estão disponíveis para os orientar nas suas dúvidas, quando necessário.

Além dos seus coordenadores nacionais e regionais, a P.F tem Organizadores locais nomeados pelos Coordenadores nacionais que
actuam nas suas comunidades . Os coordenadores podem levar a cabo Celebrações, debates, encontros e conferências, ou delegar em seus organizadores.

Em Inglaterra, a P.F. leva a cabo mais de 1000 inquéritos por ano, desde a rádio, televisão, jornais e revistas. Para além de fornecer informação geral, a P.F. fornece contactos em tradições especificas.

A P.F. conseguiu que o Paganismo fosse reconhecido como uma religião válida pelo Home Office e pela UK´s Interfaith Network e trabalha para repor a verdade do paganismo, opondo-se aos retratos difamatórios e incorrectos resultantes da intolerancia religiosa e do oportunismo pessoal, facultando informacões, enviando correcções e quando necessário, apresentando queixas nos tribunais – a P.F. tem efectivamente auxiliado em casos de discriminação religiosa nos empregos e na custódia de crianças.

Os nossos materiais educativos ( folhetos e pacotes informativos) encontram-se em várias livrarias académicas e instituições de renome, e ocasionalmente também são enviados a professores e outros profissionais, quando conveniente.

Em todos os seus esforços, a P.F. promove a exactidão factual sobre o Paganismo, a mútua tolerãncia entre fés, sem contudo se mesclar, e tenta prestar a sua melhor assistência e colaboração a todos aqueles que desejam explorar a espiritualidade Pagã ou procurem simplesmente informações sobre a nossa religião.

Pagan Federation Internacional 

Os Departamentos, tal como são denominados todos os Núcleos externos da Pagan Federation, com sede em Inglaterra há 31 anos e a operarem em 26 Países, representam e actuam dentro das mesmas bases e objectivos.

O objectivo é facilitar o contacto entre os membros inscritos, se for essa a sua vontade (expressa por escrito quando da inscrição); promover encontros e debates entre os membros; o esclarecimento público e defesa dos seus ideais.

Dependendo das Leis vigentes em cada País, assim se actuará em defesa de um Membro, caso aconteça algum problema motivado por adoração em público (depois de apurados factos de que não ultrapassou riscos desnecessários, imprudência, ou exibição gratuita), ou no caso de molestamento de outros grupos religiosos.

Não nos responsabilizamos por actos propositados de provocação, indecoro ou de irresponsabilidade cívica, alheios ao espírito Pagão, nem a problemas jurídicos ou pessoais de um membro, assuntos esses externos à nossa Federação.

O objectivo é a aceitação do movimento como religião livre e também facilitar o contacto entre as pessoas de vários países. A P.F. escolhe pessoas qualificadas para Coordenadores Nacionais como os representantes oficiais em cada país, os quais trabalham para uma amena mas constante oficialização do paganismo como religião.

PFI – Portugal

Desde 1997 que The Pagan Federation nomeou Coordenadores Nacionais em Portugal. Nessa qualidade, informam que estão ao seu dispor para ajudar em algum assunto administrativo, ou caso seja já associado, na orientação de assuntos ligados ao Paganismo. Os Coordenadores Nacionais de Portugal editam um jornal em português sobre paganismo, e enquadram os seus associados em um grupo de trabalho adequado, comum a todos os membros, cuja participação e interesse depende dos mesmos.

Anualmente é actualizada uma lista de Grupos ou Individuais associados, e a pedido, é enviada aos nossos Membros que tenham as quotas em dia. No caso de termos indicações para não transmitir o contacto, apenas constará o 1º nome, e a Tradição Pagã que segue, sem quaisquer mais referências.

A Pagan Federation Internacional- PORTUGAL oferece os seguintes serviços aos seus membros:

WEB SITES – uma boa forma de estar informado!

Muitos países tem o seu próprio PFI Web site, com informações, links seleccionados, notícias, agenda de eventos etc. poderá encontrar uma lista dos nossos sites em : http://www.paganfederation.org .

PAGAN WORLD – Uma magazine sazonal na Web!

Esta revista, em inglês, contem artigos de bastante interesse, não disponível a não-membros. No caso de Membros que não tem acesso à Internet, os Coordenadores Nacionais disponibilizam uma cópia da revista impressa.

PFI CHAT LIST – Contactos informais entre NC e Membros da PFI!

Esta mailing list é em ingles e aqui pode pôr questões, falar com amigos de outros países e ler as notícias de última hora e até ter encontros com autores e nomes conhecidos no meio. Acesso só a membros. Caso deixe de ser membro será automaticamente “unsubscribed” desta lista.

PFI – LOCAL CHAT LIST

Alguns países tem também a sua lista própria de contactos entre membros. A melhor forma para expor dúvidas, receber orientações ou simplesmente falar de longe com seus Coordenadores. Portugal oferece esta serviço, através de www.onelist.com/group/PFI-Portugal

EVENTOS / REUNIÕES – Encontros informais!

Alguns países organizam reuniões (pub.moots) temáticas, ou de tema livre para os seus membros. A cargo dos Coordenadores Nacionais é organizada uma Saudação anual – consulte a secção Notícias.

Como tornar-se Membro ?

A qualidade de Membro permite-lhe, nomeadamente, assistir a eventos, reuniões sazonais e a ter contacto com o paganismo europeu através do convívio com outros pagãos, trocando ideias e esclarecendo eventuais dúvidas.

A quota anual para estes serviços é de EUR 13 (Euros). Uma forma económica de se ser membro desta Organização de nível mundial e de ter todos estes benefícios.

A filiação é permitida a qualquer pessoa de 18 anos ou mais, que se considere sinceramente pagã e que concorde com os três princípios que norteiam a Federação Pagã:

1. Amor para e afinidade com a Natureza. Reverência para com a força vital e seus ciclos de vida e morte em eterna renovação.

2. Uma moralidade positiva, segundo a qual o indivíduo é responsável pela descoberta e evolução de sua verdadeira natureza, em harmonia com o mundo externo e a comunidade. Isso é muitas vezes expresso como: “Faze o que tu queres, contanto que não prejudiques ninguém”.

3. Reconhecimento do Divino, o qual transcende gênero, com aceitação tanto o aspecto feminino quanto o aspecto masculino da Divindade.

Os Pagãos que concordem com esses princípios e tenham interesse em fazer parte da Federação Pagã deverão escrever para um dos endereços ao final referidos, falando de suas experiências, interesse e vivências no Paganismo. Serão também bastante úteis comentários sobre como o interessado descobriu sua condição de pagão, sobre os livros que possa ter lido, sobre a vertente do Paganismo que lhe interessa ou que pratica, assim como outras experiências que considere relevantes e significativas. (Mas saliente-se que Pagãos iniciantes ou experientes serão recebidos da mesma forma.) Após o recebimento dessas informações, o interessado, caso aceito, receberá uma carta convidando-o a participar da Federação Pagã, acompanhada de um formulário para preenchimento. Esse formulário, devidamente preenchido, deverá então ser devolvido aos Coordenadores da Federação Pagã do seu país.

A Federação Pagã reserva-se o direito de recusar um pedido de admissão a Membro efectivo.

Toda a correspondência enviada, deve ser sempre acompanhada de envelope já selado, para resposta.

Para se inscrever como membro da PFI, procure contacto na nossa morada:

P.F.I. -PORTUGAL
APARTADO 24170
1251-997 LISBOA

ou enviando um e-mail para pfiportugal@pt.paganfederation.org.

Copyright cedido pela Pagan Federation – London , G.B.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-federacao-paga/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-federacao-paga/

Os Illuminati

Em Primeiro de Maio de 1776, na Alemanha, foi fundada uma sociedade que passaria a representar a síntese dos anseios e ideais compartilhados por Maçons e Rosacruzes: Os Iluminados. (ou Iluministas. Hoje, eles também são conhecidos como os Illuminati – embora haja o temerário risco do termo levá-los a serem confundidos com alguns movimentos esotéricos de nosso presente século).

Seu mentor, Adam Weishaupt (1748-1830), era um Maçom de ascendência judia, que havia tido educação católica e jesuíta. Essa singular mistura daria a Weishaupt uma grande versatilidade de pensamento, bem como independência de opiniões.

De raro e reconhecido talento, Weishaupt se graduou em Direito pela Universidade de Ingolstadt, onde passaria a exercer a profissão de professor titular de Direito Canônico, além de ser decano da Faculdade de Direto.

Durante seu estudos, antes de sua graduação acadêmica, Weishaupt obteve preciosos conhecimentos a respeito dos antigos ritos ditos pagãos e das religiões antigas. Nesses seus “aprendizados paralelos”, Adam Weishaupt muito absorveu dos antigos costumes, dando especial ênfase aos Mistérios de Elêusis e aos ensinamentos de Pitágoras.

Com base nesses conhecimentos, Weishaupt iniciava um esboço de uma Sociedade modelada segundo os conceitos do paganismo e da tradição dos mistérios ocultos. Porém, apenas após ele ter sido iniciado na Maçonaria (ao que tudo indica, Adam Weishaupt teria sido iniciado em Munique, por volta de 1774. Alguns autores, entretanto, apontam para 1777. Outros negam sua possível afiliação Maçônica) é que seu plano de formar uma nova Sociedade Secreta encontrou força suficiente para prosseguir. E assim foi feito.

Originalmente fundado como a “Sociedade dos Mais Perfeitos” (Perfekbilisten), os Iluminados, em princípio, contaram com a adesão de apenas cinco participantes. Entretanto, tão logo foi começado a difusão de seus ideais, os Iluminados começaram a receber a adesão de vários novos membros, todos entusiastas dos propósitos de Weishaupt.

Os Iluminados da Baviera – como também eram conhecidos os Iluminados – eram dirigidos por um conselho de Areopagitas liderado por Weishaupt, que, para essa função, usava o pseudônimo de “Spartacus”. A estrutura básica dos Iluminados era composta de três graus, a saber: I* – Aprendiz (ou A Sementeira); II* – Maçonaria Simbólica; e o III* – Grau dos Mistérios. Os dois primeiros graus, por sua vez se subdividiam em outros três graus intermediários, enquanto que o III* era divido em Mistérios Menores e Maiores, que, por sua vez, também se subdividiam em graus intermediários. O total de Graus perfazia 12 estágios: começando em Noviço (o primeiro estágio do I*), até o Grau XII*, sob o título de Rex, ou Rei da Ordem. (Do sistema de graduação dos Iluminados veio a estrutura básica de algumas Ordens que hoje existem. Por exemplo, não chega a ser uma novidade o fato de uma bem famosa organização Rosacruz atual ter 12 Graus de Templo. Da mesma forma, uma das mais conhecidas Ordens Templárias de nossos dias, possui o grau de Rex, para a sua liderança.)

O Grau de Noviço era tomado com a idade mínima de 18 anos, quando o novo aprendiz, através de indicação de alguém de confiança da Ordem, tinha acesso aos Iluminados, passando a receber suas primeiras instruções. Para ascender aos Graus subsequentes, havia um período de Provação de, pelo menos, um ano. (Novamente, o modelo adotado pelos Iluminados, segundo a concepção de Weishaupt, seria o padrão para uma série de outras escolas )

A função principal dos Graus superiores dos Iluminados era, através de todo um processo simbólico, baseado em toda uma temática libertária, impregnar seus Iniciados com esses ideais.

Como já dito, não só devido a proposição Iniciática de Weishaupt, mas também pelo modo como os Iluminados entendiam os sistemas políticos vigentes da época, interferindo quando julgavam necessário, logo eles alcançaram uma enorme repercussão por toda a Europa. O iluminismo, aos poucos, ganhava a adesão de importantes nomes do cenário Europeu, influenciando decisões que mudaram o rumo de alguns países do velho mundo. (os Iluminados – assim é afirmado -atuaram decisivamente na revolução francesa)

A visão política dos Iluminados era algo próximo de um Estado onde reinaria o bem comum, sendo abolidos a propriedade, autoridade social e as fronteiras. Uma espécie de anarquismo superior, saudável e utópico, onde o ser humano viveria em harmonia, numa Fraternidade Universal, baseada na sabedoria espiritual, em franca Igualdade, Liberdade e Fraternidade.

Segundo alguns historiadores, os discursos de Weishaupt iam de encontro aos poderes estabelecidos, quais sejam, esbarravam, em franca oposição, à Monarquia, como instituição política; a Igreja, como instituição religiosa e aos grandes proprietários, como instituição econômica. (Hoje, por todos esses ideais, Weishaupt seria facilmente taxado de “comunista”. Entretanto, na época, esse modelo político ainda não havia sido devidamente sistematizado, nem definido. Outro ponto que devemos levar em consideração, antes de simplesmente considerá-lo um comunista, é que, as bases Religiosas que moviam os Iluminados, provavelmente eram, mesmo que uma utopia, bem nobres e absolutamente contrária ao que hoje consideramos como sendo de natureza “comunista”).

Weishaupt chegou a constituir toda uma eficiente rede de espionagem, na forma de agentes espalhados pelas principais cortes da Europa. A função básica dessa rede era se infiltrar entre o clero e os regentes, conseguindo informações políticas que permitissem a elaboração de uma estratégia de ação Illuminati, no sentido de se permitir a criação do Estado Ideal.

Após muitas tentativas de se estabelecer uma nação segundo seus princípios, os Iluminados foram politicamente extintos, em decreto instituído pelo Eleitor da Baviera, ao final do século XVIII.

A velha história, de perseguição, calúnias e, por fim, ostracismo, novamente se repetia, pondo um fim nos ideais defendidos por Adam Weishaupt e os Illuminati, os Iluminados da Baviera.

Por Carlos Raposo.

#Illuminati

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-illuminati

A Vida exige Leveza

“De quanto menos eu preciso mais livre sou. A liberdade traz consigo a leveza do espírito”, me disse um velho e sábio xamã do Povo Nativo do Caminho Vermelho sentado ao redor de uma fogueira em uma noite às vésperas do Pothlach. Canção Estrelada, como passou a ser conhecido depois que descobriu seu dom de iluminar o caminho das pessoas do seu clã através da palavra, cantada ou não, como uma lanterna de proa que mostra as ondas que estão por vir, explicava com paciência, para mim, a cerimônia do dia seguinte, onde cada um doaria objeto que lhe fosse precioso.

O despego a bens materiais é um bom exercício para ajudar na renovação de ideias e conceitos que, às vezes, por estarem obsoletos, nos atrapalham na jornada. O simbolismo do ritual consiste em que cada um veja e entenda a necessidade de se renovar emocional, intelectual e espiritualmente. Ao abrir mão de algo de que somos apegados, aprendemos a transformar sentimentos e pensamentos que, por guardarmos inutilmente, se tornam pesados e atrapalham a caminhada. Entendemos que tudo pode ser diferente. A vida exige leveza.

Para seguir adiante na infinita e fantástica estrada da vida temos que entender o seu fluxo para nunca o interromper. Ou nos tornaremos amargos ao perceber os demais seguindo viagem enquanto nos aprisionamos no emaranhado de importantes desnecessidades.

“Oferecer um objeto que não seja de fato valioso é manchar a própria dignidade, fraudar o ritual e a vida. É como fingir um sentimento. Pode-se enganar a um irmão, mas jamais enganamos o Universo, que em resposta nos nega permissão para prosseguir adiante até que o erro seja desfeito. Viver é aprender, transformar, compartilhar e seguir. Dividir o que se tem de melhor é a única forma de se preparar para as novas riquezas que a vida tem a te ofertar”.

Provocar a si próprio para se desfazer de um objeto que lhe seja caro é preparar a transformação do olhar. Alinhar os desejos primários do ego com as necessidades sutis da alma exigem desapego e coragem; sabedoria e amor. É pura luz.

“Nosso verdadeiro tesouro é apenas aquilo que dividimos. Não se pode dar o que não se tem e o anseio em acumular demostra apenas o medo em relação a eterna generosidade e capacidade de amor incondicional do Grande Mistério. Fazemos o nosso melhor e entregamos o amanhã em Suas mãos, assim como não nos preocupamos se o sol vai raiar no dia seguinte”, explicou o sábio ancião enquanto tragava o bom cachimbo com fornilho de pedra.

Talvez por perceber meu olhar perdido nas labaredas do fogo que crepitava e aquecia a noite, Canção Estrelada continuou com sua fala mansa a explicar que o Pothlatch também traz a lição de que a única coisa que nós verdadeiramente possuímos é o amor. “É fundamental para encerrar a lição da cerimônia que o objeto seja oferecido com generosidade. Você dá amor ou não estará oferecendo nada que de fato seja seu. Todos os bens materiais apenas estão emprestados pelo Grande Espírito para serem usados como ferramentas de evolução de todos os povos. Já estavam aqui e ficarão aqui, ao cuidado de outros irmãos, quando partirmos com o vento para cavalgar com nossos ancestrais. Apenas o amor que você compartilha poderá ser levado em sua sacola sagrada. Todo o resto é secundário”.

Sacola sagrada? Nunca tinha ouvido a expressão. “A sacola sagrada que carrega no peito e rufa como um tambor”, explicou Canção Estrelada e após uma pequena pausa, concluiu. “É o seu coração”.

“Não que a ajuda material seja irrelevante, ao contrário, ela é importante”, continuou o ancião, “pois quem tem frio anseia por um cobertor. Mas qualquer irmão da Terra que esteja acossado pelo vento gelado do abandono carece, ainda mais, ser agasalhado pelo divino manto do abraço amoroso de outro irmão. A compaixão espiritual é infinitamente mais profunda e valiosa do que a material”.

“Só assim conseguiremos Caminhar em Beleza”, encerrou o velho sábio enquanto observávamos a noite lentamente virar dia.

Publicado originalmente em http://yoskhaz.com/pt/2015/06/19/a-vida-exige-leveza/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-vida-exige-leveza

A Exaltação de Inana

Por Enheduanna.

1-12. Senhora de todos os poderes divinos, luz resplandecente, mulher justa vestida de esplendor, amada de An e Uraš! Senhora do céu, com o grande diadema, que ama o bom cocar condizente com o ofício de sacerdotisa, que se apossou de todos os seus sete poderes divinos! Minha senhora, você é a guardiã dos grandes poderes divinos! Você assumiu os poderes divinos, você pendurou os poderes divinos de sua mão. Você recolheu os poderes divinos, apertou os poderes divinos em seu peito. Como um dragão, você depositou veneno em terras estrangeiras. Quando como Iškur você ruge para a terra, nenhuma vegetação pode resistir a você. Como um dilúvio que desce sobre aquelas terras estrangeiras, poderosa do céu e da terra, você é sua Inana.

13-19. Chovendo fogo ardente sobre a Terra, dotada de poderes divinos por An, senhora que monta em uma besta, cujas palavras são ditas por ordem sagrada de An! Os grandes ritos são seus: quem pode entendê-los? Destruidora das terras estrangeiras, você confere força à tempestade. Amada de Enlil, você fez um terror terrível pesar sobre a Terra. Você está a serviço dos comandos de An.

20-33. Ao seu grito de guerra, minha senhora, as terras estrangeiras se curvam. Quando a humanidade se apresenta diante de você em silêncio respeitoso diante do brilho e da tempestade aterrorizantes, você compreende o mais terrível de todos os poderes divinos. Por sua causa, o limiar das lágrimas se abre e as pessoas caminham pelo caminho da casa das grandes lamentações. Na vanguarda da batalha, tudo é derrubado diante de você. Com sua força, minha senhora, dentes podem esmagar sílex. Você avança como uma tempestade. Você ruge com a tempestade rugindo, você troveja continuamente com Iškur. Você espalha a exaustão com os ventos da tempestade, enquanto seus próprios pés permanecem incansáveis. Com o tambor de lamento, um lamento é levantado.

34-41. Minha senhora, os grandes deuses Anuna voam e fogem de você para os montes de ruína como morcegos velozes. Eles não ousam ficar diante de seu olhar terrível. Eles não ousam confrontar seu rosto terrível. Quem pode esfriar seu coração furioso? Sua raiva malévola é grande demais para esfriar. Senhora, seu humor pode ser acalmado? Senhora, seu coração pode se alegrar? Filha mais velha de Suen, sua raiva não pode ser esfriada!

42-59. Senhora suprema sobre as terras estrangeiras, quem pode tomar qualquer coisa de sua província? Depois de ter estendido sua província sobre as colinas. Se você franzir a testa para as montanhas, a vegetação está arruinada. Seus grandes portais e palácios são incendiados. Sangue é derramado em seus rios por causa de você, e seu povo deve beber, mas não poderiam beber. Eles devem liderar suas tropas cativas antes de você, todos juntos. Eles devem espalhar seus regimentos de elite para você, todos juntos. Eles devem colocar seus jovens vigorosos ao seu serviço, todos juntos. Tempestades encheram os lugares de dança de suas cidades. Eles conduzem seus jovens antes de você como prisioneiros. Vossa santa ordem foi proferida sobre a cidade que não declarou que “As terras estrangeiras são suas!”, onde quer que não tenham declarado que “É de seu próprio pai!”; e é trazido de volta sob seus pés. O cuidado responsável é removido de seus currais. Sua mulher já não fala afetuosamente com o marido; na calada da noite ela já não se aconselha com ele, e não lhe revela mais os pensamentos puros de seu coração. Vaca selvagem impetuosa, grande filha de Suen, senhora maior que An, quem pode tomar qualquer coisa de sua província?

60-65. Grande rainha das rainhas, saída de um ventre sagrado para poderes divinos justos, maior que sua própria mãe, sábia e prudente, senhora de todas as terras estrangeiras, força vital do povo fervilhante: recitarei seu canto sagrado! Verdadeira deusa digna de poderes divinos, suas esplêndidas declarações são magníficas. De coração profundo, boa mulher com um coração radiante, vou enumerar os seus bons e santos poderes divinos para você!

66-73. Eu, En-ḫedu-ana, a sacerdotisa en, entrei em meu santo ĝipar a seu serviço. Carreguei a cesta ritual e entoei a canção de alegria. Mas oferendas fúnebres em vez da minha refeição ritual foram trazidas, como se eu nunca tivesse morado lá. Aproximei-me da luz, mas a luz estava escaldante para mim. Aproximei-me daquela sombra, mas fui coberta por uma tempestade. Minha boca de mel tornou-se escória. Minha capacidade de acalmar os ânimos desapareceu.

74-80. Suen, conte a An sobre Lugal-Ane e meu destino! Que An desfaça isso para mim! Assim que você contar a An sobre isso, An me liberará. A mulher tirará o destino de Lugal-Ane; terras estrangeiras e inundações estão a seus pés. A mulher também é exaltada e pode fazer as cidades tremerem. Dê um passo à frente, para que ela esfrie seu coração para mim.

81-90. Eu, En-ḫedu-ana, recitarei uma oração para você. A ti, santa Inana, darei livre vazão às minhas lágrimas como cerveja doce! Eu direi a ela que seja feita a “Sua decisão!” e darei a ela “Saudações!”. Não fique ansiosa sobre Ašimbabbar. Em conexão com os ritos de purificação do santo An, Lugal-Ane alterou tudo dele, e despojou An do E-ana. Ele não ficou admirado com a maior divindade. Ele transformou aquele templo, cujas atrações eram inesgotáveis, cuja beleza era infinita, em um templo destruído. Enquanto ele entrou na minha frente como se fosse um sócio, na verdade ele se aproximou por inveja.

91-108. Minha boa vaca selvagem divina, expulse o homem, capture o homem! No lugar do encorajamento divino, qual é a minha posição agora? Que An extradite a terra que é uma rebelde malévola contra seu Nanna! Que um esmague aquela cidade! Que Enlil o amaldiçoe! Que seu filho queixoso não seja aplacado por sua mãe! Senhora, com os lamentos iniciados, que seu navio de lamentação seja abandonado em território hostil. Devo morrer por causa de minhas canções sagradas? Meu Nanna não prestou atenção em mim e não decidiu meu caso. Ele me destruiu totalmente em território renegado. Ašimbabbar certamente não pronunciou um veredicto sobre mim. O que me importa se ele o pronunciou? O que é para mim se ele não o pronunciou? Ele ficou ali em triunfo e me expulsou do templo. Ele me fez voar como uma andorinha da janela; Eu esgotei minha força de vida. Ele me fez caminhar pelos arbustos espinhosos das montanhas. Ele me despojou da legítima coroa e vestimenta da sacerdotisa. Ele me deu uma faca e um punhal, dizendo-me: “Estes são ornamentos apropriados para você.”

109-121. Senhora mais preciosa, amada por An, seu coração sagrado é grande; que seja amenizado em meu nome! Amada esposa de Ušumgal-ana, você é a grande senhora do horizonte e zênite dos céus. Os Anuna se submeteram a você. Desde o nascimento você era a rainha-filha: quão suprema você é agora sobre os Anuna, os grandes deuses! Os Anuna beijam o chão com os lábios diante de você. Mas meu próprio julgamento ainda não está concluído, embora um veredicto hostil me envolva como se fosse meu próprio veredicto. Eu não estendi minhas mãos para o meu canteiro florido. Não revelei os pronunciamentos de Ningal a ninguém. Minha senhora amada de An, que seu coração se acalme em relação a mim, a brilhante sacerdotisa en de Nanna!

122-138. Deve ser conhecido! Deve ser conhecido! Nanna ainda não se manifestou! Ele disse: “Ele é seu!” Seja conhecido que você é elevada como os céus! Seja conhecido que você é larga como a terra! Seja conhecido que você destrói as terras rebeldes! Seja conhecido que você ruge nas terras estrangeiras! Seja conhecido que você esmaga cabeças! Saiba que você devora cadáveres como um cachorro! Saiba que seu olhar é terrível! Seja conhecido que você levanta seu olhar terrível! Saiba que você tem olhos brilhantes! Saiba que você é inabalável e inflexível! Saiba que você sempre está triunfante! Que Nanna ainda não falou, e que ele disse “Ele é seu!” te fez maior, minha senhora; você se tornou a maior! Minha senhora amada por An, vou contar todas as suas raivas e tronos! Eu amontoei as brasas no incensário e preparei os ritos de purificação. O santuário E-ešdam-kug espera por você. Seu coração não pode ser apaziguado em relação a mim?

139-143. Já que estava cheio, cheio demais para mim, grande senhora exaltada, recitei esta canção para você. Que um cantor repita para você ao meio-dia o que foi recitado para você na calada da noite: “Por causa de sua esposa cativa, por causa de seu filho cativo, sua raiva aumenta, seu coração não se acalma”.

144-154. A senhora poderosa, respeitada na reunião de governantes, aceitou suas oferendas dela. O coração sagrado de Inana foi apaziguado. A luz era doce para ela, o deleite se estendia sobre ela, ela estava cheia da mais bela beleza. Como a luz da lua nascente, ela exalava prazer. Nanna saiu para olhá-la corretamente, e sua mãe Ningal a abençoou. As ombreiras da porta a saudaram. O discurso de todos para a mestra é exaltado. Louvado seja a destruidora de terras estrangeiras, dotada de poderes divinos por An, a minha senhora envolta em beleza, à Inana!

***

Fonte:

The exaltation of Inana (Inana B), by Enheduanna.

https://etcsl.orinst.ox.ac.uk/cgi-bin/etcsl.cgi?text=t.4.07.2#

© Copyright 2003, 2004, 2005, 2006 The ETCSL project, Faculty of Oriental Studies, University of Oxford.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-exaltacao-de-inana/

Um antropólogo em Vênus

» Parte 2 da série “Xamãs ancestrais” ver parte 1

Ayahuasca é uma bebida produzida a partir de duas plantas amazônicas: Banisteriopsis caapi e Psychotria viridis. O nome significa, literalmente, a “Videira dos Mortos”. Os cientistas sabem que a ayahuasca produz visões, principalmente por ser rica em DMT, um alucinógeno de ação extremamente rápida. Entretanto, os xamãs ancestrais têm conhecimento considerável do que ocorre após bebermos a ayahuasca, enquanto os cientistas não, principalmente porque a maioria jamais experimentou.

O tempo passa sem que eu tenha noção. Fecho meus olhos, e um grande desfile de visões subitamente se inicia… Começo a prestar atenção em uma imagem em particular, ou, mais exatamente, a uma área de meu campo visual interno, onde complexos padrões geométricos entrelaçados provam, numa inspeção mais cuidadosa, ser parte de uma grande serpente, aparentemente viva, com sua cabeça e sua cauda afastadas de mim. Posso distinguir as escamas individuais, retangulares, como janelas… Existe um círculo no centro de cada retângulo, círculos púrpura, girando como fogos de artifício, brilhando com a luz escura de um outro mundo onde agora estou… Aqui? Onde é aqui? Por que é um lugar onde vejo cores que não existem na vida cotidiana?

O xamã recomeça a entoar seu ritual. A cantoria inicia em tom mais baixo, mas aumenta, e aumenta… As serpentes são muito grandes, e todo corpo, da cabeça à cauda, é claramente visível para mim. Agora as cores castanho e amarelo predominam. Lendo sobre o assunto, antes de vir a Amazônia, aprendi que pessoas em regiões e culturas diversas, de todo o mundo, encontram serpentes na jornada da ayahuasca… Elas agora formam padrões de rodas e espirais entrelaçados, se fundem e depois se dividem em duplas individuais serpenteando em volta uma da outra, como a dupla hélice do DNA… A náusea chega com força e estou agora vomitando na escuridão…

Saio do círculo ritual e volto após vomitar, agora minha cabeça está aliviada. Então, de repente, dois seres completamente feitos de luz branca surgem a minha frente. São pequeninos – cerca de 1,20m de altura –, mas estou ciente apenas da parte superior de seus corpos, não vejo os pés. Sua faces têm mais ou menos o formato de um coração, com grandes testas e queixos estreitos e pontudos. Narinas e bocas, se é que as tem, são apenas fendas em suas feições suaves. Seus olhos são completamente negros e aparentemente sem pupilas… Eles parecem querer se comunicar. A tentativa de comunicação, que me parece telepática, não está funcionando por alguma razão. Sinto ansiedade e… frustração da parte deles. A náusea retorna, os seres de luz se vão, eu volto a vomitar na escuridão…

Os três últimos parágrafos são trechos (selecionados por mim) dos depoimentos de Graham Hancock [1], pesquisador e escritor britânico que resolveu participar dos rituais xamânicos de povos indígenas da Amazônia e de regiões da África. Em seu monumental Sobrenatural, Hancock parte da análise dos signos e símbolos pictóricos da arte rupestre para fazer uma associação fortuita desse tipo de imagem com as visões “psicodélicas” usualmente experimentadas em tais rituais, pelo menos por aqueles que efetivamente experimentam a ayahuasca, a iboga, e outras bebidas rituais que “trazem visões do outro mundo”. Esta associação não foi ideia original sua, mas sim de David Lewis-Williams, um professor, antropólogo e pesquisador de arqueologia cognitiva sul africano.

Segundo o modelo neuropsicológico de Lewis-Williams, a real origem da arte rupestre e, por conseguinte, da religião primal dos povos da pré-história, poderia ser mais profundamente explicada e compreendida se levarmos em consideração que o que estava sendo ali representado eram visões provenientes de estados de transe e consciência alterada, originários de experiências rituais extremadas (como danças até a exaustão e/ou a repetição de ritmos musicais durante horas e horas de ritual) e, principalmente, da ingestão de bebidas e substâncias naturais alucinógenas. Esta era, segundo sua teoria, a maneira mais simples e lógica de justificar o porquê da arte rupestre ter características tão enigmáticas, não encontradas na natureza, mas que estão representadas tanto em cavernas europeias quanto em inúmeras regiões africanas, distantes milhares de quilômetros, e milhares de anos na história, umas das outras.

Diferentemente das outras teorias propostas pelos antropólogos em quase um século, esta está baseada em evidências bastante sólidas… Que por muito pouco não se perderam para sempre.

Até 1927, ano em que foi dada a última permissão oficial para se caçar bosquímanos, era legal para os brancos da África do Sul assassinar os san, cujas partes dos corpos eram exibidas orgulhosamente como troféus pelos matadores… Não, os bosquímanos, os san, não eram animais, eram seres humanos, como nós. Na realidade, faziam parte de uma das culturas mais ancestrais e persistentes de nossa história, e até meados do final do séc. XIX, ainda praticavam a arte rupestre. Os san eram, portanto, os continuadores de um estilo de arte que perdurou por dezenas de milhares de anos, até que fossem praticamente extintos pelos “grandes colonizadores racionais”. Poderíamos saber, afinal, se a teoria de Lewis-Williams faz mesmo sentido, desde que encontrássemos algum xamã san ainda vivo, e que ainda conhecesse os antigos rituais que originavam as visões representadas na arte rupestre. Alguns xamãs, algum conhecimento, ainda restou, mas o povo san não é mais o mesmo – seu espírito se foi, e com ele, qualquer esperança para que a arte rupestre pudesse continuar sua longa jornada.

Felizmente, alguma evidência restou, mais precisamente cerca de cem cadernos com notas escritas a mão, descrevendo a cultura e os rituais do povo san no final do séc. XIX, quando ainda praticavam sua arte nas pedras e cavernas. As entrevistas foram conduzidas pelo filólogo alemão Wilhelm Bleek e sua cunhada, Lucy Lloyd, dois acadêmicos muito adiante do seu tempo, que anteciparam com muita clareza a aniquilação que então pairava sobre o povo e a cultura san. O conteúdo de seu estudo permaneceu oculto da Academia até a década de 1930, quando um jornal sul africano fez uma breve referência aos cadernos. Apenas em meados das décadas de 1960 e 1970 os cadernos foram novamente mencionados na mídia especializada, até que Lewis-Williams finalmente colocou seus olhos neles: “mas que estranha experiência, folhear 12 mil páginas de cadernos de notas ancestrais, sobrenaturais” – descreveu o antropólogo acerca do evento.

De posse dos registros de uma cultura ancestral perdida, Lewis-Williams finalmente tinha a evidência que faltava para talvez a única teoria científica sólida jamais postulada acerca da real origem dos signos rupestres. Ainda assim, quando Hancock encontrou pessoalmente com o professor sul africano, não resistiu a lhe indagar:

“Afinal, o senhor já experimentou entrar em transe por meio de danças e batuques ritmados de tambor, ou jejuou por 40 dias até delirar, ou tomou o chá da ayahuasca ou qualquer outra substância natural psicoativa?”

Diante da negação veemente, Hancock perguntou o porquê, e Lewis-Williams deu de ombros:

“Não quero fundir minha cuca e não estou nem um pouco interessado na experiência.”

Vênus, com sua superfície uniforme e seu brilho incomparável no céu noturno, sempre despertou o sonho da humanidade. A estrela vespertina parecia, certamente, um céu prometido, um mundo de luz… Entretanto, hoje sabemos que sua superfície é inóspita e, na realidade, bem mais próxima dos lagos de enxofre do inferno. Assim, também sabemos, ocorre com as drogas: num primeiro momento são estupendas, maravilhosas, mas depois viciam, e podem nos levar a ruína psíquica… Por tudo o que sabemos acerca delas, não é difícil compreender os motivos que levaram Lewis-Williams a evitar os chás alucinógenos e os estados de transe.

A questão é: os povos antigos sabem muito bem desse perigo, e por isso mesmo jamais se utilizaram de suas plantas sagradas como diversão ou mera busca do prazer. Seus rituais sempre foram controlados, e seus xamãs sempre foram raros, escolhidos a dedo por sabe lá qual entidade… E, exatamente por isso, por terem sido tão poucos e tão especiais, hoje praticamente não existem mais.

Os xamãs ancestrais já se foram há muito, e nem mesmo entre os san restou algum. O espírito de um povo desaparece, e o deixa perdido, atordoado, procurando o suicídio, há menos que tal espírito retorne para os auxiliar, como a estrela da manhã… Mas não é fugindo de Vênus que vamos vislumbrar qualquer esperança de um dia os compreender melhor. Tal qual a ciência enviou sondas robô a estrela vespertina, e hoje a compreende muito mais do que há séculos atrás, os exploradores da mente não têm outra alternativa que não mergulhar neste outro mundo, repleto de serpentes, padrões geométricos, seres de luz e armadilhas na escuridão…

Mas, para tal, sondas e robôs não nos servem, precisamos realizar a travessia por nós mesmos. Graham Hancock teve a coragem de mergulhar no próprio lago em que empreendeu seu extensivo estudo – ele é o nosso antropólogo em Vênus.

» Na continuação: Quimeras mentais, homens feridos, e o delicioso Vin Mariani…

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Leitura recomendada: Sobrenatural, de Graham Hancock (Nova Era).

[1] Retirados do livro recomendado acima.

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Crédito das imagens: [topo] Susan Seddon Boulet (mulher xamã dançando em ritual); [ao longo] Pinturas do xamã peruano Pablo Amaringo, que serviu também como “guia” de Hancock nos rituais com ayahuasca.

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#Antropologia #sabedoriaindígena #xamanismo

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Maçonaria para Não-Maçons / Parte 1

Bem, ao começar a falar da Maçonaria, gostaria de começar esse Post na certeza de que este será um dos mais importantes para quem deseja compreender melhor o funcionamento da Maçonaria.

Os Mistérios e Segredos da Maçonaria são sempre temas de demoradas discussões que, na grande totalidade das vezes, não leva a lugar algum.

Tentarei abordar, de forma clara, como se Aprende e se Estuda dentro da Maçonaria. A grande verdade é que, entendendo isso, muitas outras coisas ficarão mais claras de se entender.

É muito comum, para quem não é membro, pensar na Maçonaria como uma Escola no sentido “acadêmico”, como se houvesse uma grade curricular que envolvesse todo o conhecimento que existe ali dentro.

Quem pensa isso acaba acreditando, logicamente que, ao atingir o Grau 33, o Maçon passa a ser detentor de todo o conhecimento que existe dentro da Ordem. No entanto, nada poderia estar mais distante da realidade.

Mas, vamos por partes, para que você possa entender melhor o porque isso acontece.

Existe um site Cristão, bem conhecido (A Espada do Espírito), do qual irei utilizar de um de seus Artigos, como base, para explicar algo muito importante para você, que não é Maçon, entender melhor como funciona a Ordem.

O nome do texto é justamente esse: Maçonaria: Duas Organizações, Uma Visível, Outra Invisível (dê uma lida, vale a pena).

O artigo, resumidamente, tenta demonstrar que existe uma “Maçonaria Invisível”, dentro da própria Maçonaria, onde estão os verdadeiros Maçons (que, para eles, são os Satanistas que preparam o Anticristo).

O argumento mais forte é uma citação do autor Manly Hall, que diz haver uma sociedade visível, que se dedica às atividades “éticas, educacionais, fraternais, patrióticas e humanitárias”, enquanto, a sociedade invisível “é uma fraternidade secreta e augustíssima (de majestosa dignidade e grandiosidade), cujos membros dedicam-se ao serviço dos arcanos”.

Ele diz a verdade, mas não da forma como é interpretada nesse artigo.

Para entender porque isso não é verdade, é preciso explicar algo muito triste, porém, muito verdadeiro, dentro da Ordem Maçonica. A maioria dos membros são altamente despreparados e a estrutura das Potências Maçonicas (GOB, COMAB, CMSB) não oferece nada que possa instruir seus membros com relação à tudo que a Ordem pode lhes oferecer.

Como eu dizia no começo, ser Grau 33 não garante que o membro seja detentor do conhecimento pleno da Maçonaria.

É porque não existe cobrança, de um Grau para outro, que exija estudo e conhecimento da Ordem (até existem alguns trabalhos, mas não são passíveis de “reprovação”). Ou seja, não existindo essa exigência, não há motivo para que as Potências Maçonicas organizem qualquer tipo de estudo referente aos Graus.

Tudo isso faz com que, para cada Grau que o Maçom avance, ele tenha contato com um novo Ritual, novos Símbolos e uma nova percepção da Filosofia Maçonica, sem que lhe seja fornecido um Material para lhe explicar (e, posteriormente, lhe cobrar) o MÍNIMO que ele – na condição de maçon daquele grau – deveria saber.

Devido a isso é compreensível que os não-maçons (como esses que escreveram o artigo em questão) acreditem, verdadeiramente, que existem duas ordens distintas dentro da Maçonaria, afinal, o que mais justificaria existirem maçons que conhecem tanto sobre a Ordem e outros que, praticamente, não conhecem nada?

Quando isso acontece é REALMENTE compreensível que fique a impressão de que estes maçons (que são bem distintos) fazem parte de Ordens diferentes, onde uma é realmente muito séria e instrui os seus membros, e outra, apenas o “clubinho” da cidade.

Era sobre isso que o Maçon Manly Hall se referia ao dizer que existe uma “outra ordem” onde os maçons conheciam os “verdadeiros arcanos”. São aqueles realmente dedicados, que estudam, debatem e frequentam as “academias maçonicas de estudos” para se aprimorarem no estudo dessa magnífica Ordem.

Mas, você deve estar se perguntando: “Como então os Maçons dedicados da Ordem fazem para se instruir”? Bem, material de qualidade é o que não falta (mas, isso será assuntos para próximos posts).

Por fim, para os que leram o Artigo do “Espada do Espírito” e acharam estranha a citação de Manly Hall (ao citar Lúcifer), não irei tratar dela agora. Haverá um post só para citações, similares a essas, em livros de renomados Maçons da história.

Para os que não leram, a citação foi:

“Quando o maçom aprende que o segredo para o guerreiro é a correta aplicação do dínamo do poder da vida, ele aprendeu o mistério de sua Arte. As energias ardentes de Lúcifer estão em suas mãos e antes que ele possa avançar para frente e para cima, precisa provar sua capacidade de aplicar corretamente a energia.”

Polêmico, não?

Continue acompanhando. Chegaremos lá…

[No Blog original, na categoria Maçonaria, você pode conferir a “parte 2” desse Post – e os textos posteriores]

#Maçonaria #satanismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ma%C3%A7onaria-para-n%C3%A3o-ma%C3%A7ons-parte-1

A Espiritualidade Queer na Europa Pagã: Os Celtas e Os Vikings

A CULTURA QUEER NA EUROPA PAGÃ:

Gênero e sexualidade na Europa pagã são frequentemente vistos hoje com emoções misturadas. Existem muitas evidências sobre as tendências LGBT+ das tribos e pessoas originais do continente, mas muitas dessas evidências vêm de fontes externas e observadores terceirizados. Normalmente, esses historiadores estrangeiros eram os gregos e os romanos, que relacionavam a natureza queer da Europa “bárbara” em termos de sua própria rígida dicotomia “ativo/passivo”, ou eram os cristãos imperiais, que difamavam qualquer forma de sexo não procriativo que testemunhassem. pagãos fazendo.

Ainda assim, há pouca menção às tendências LGBT+ dos próprios indígenas. Isso significa que sexualidade e gênero não eram um grande problema e eles estavam vivendo em uma utopia queer? Isso significa que qualquer coisa queer era um tabu tão terrível que ninguém ousava registrar sua existência em detalhes? Bem, ninguém realmente sabe com 100 por cento de certeza. Mas, como a maioria das histórias maculadas escritas por rivais e conquistadores, a verdade provavelmente está em algum lugar no meio. O que se preserva, no entanto, é a inegável natureza queer nas religiões de várias tribos pagãs, especialmente as dos celtas e dos vikings. Então, vamos novamente levar alguns grãos de sal conosco e começar olhando para os celtas.

A ESPIRITUALIDADE QUEER DOS CELTAS:

Os vários grupos de europeus pré-cristãos nativos fora da Grécia e Roma clássicas são comumente agrupados e conhecidos como os celtas (pronuncia-se “kelts”). Nesse sentido da palavra, os celtas eram as tribos da Europa que não falavam nem grego nem latim e adoravam divindades não greco-romanas. Em sua maior extensão, o povo celta compreendia muitas culturas e vivia em uma grande faixa de terra que se estendia desde os atuais Portugal e Espanha até a França, as Ilhas Britânicas, a Alemanha, a Escandinávia, as fronteiras da Europa Oriental do Mar Negro e até bolsões de Peru. Em vez de um único povo unificado, os celtas eram compostos por numerosas tribos que compartilhavam certos graus de semelhança cultural, e uma grande semelhança era o uso predominante da tradição oral para transmitir lendas, ensinamentos e modos de vida. Hoje em dia, porém, os celtas são principalmente associados ao povo da Irlanda, Escócia, País de Gales e à província francesa da Bretanha, onde suas culturas sobrevivem de forma mais vibrante.

Como mencionado anteriormente, muitos dos escritos sócio- e antropológicos sobreviventes que temos dos celtas vêm de outras pessoas que os encontraram. E no mundo clássico, os líderes militares gregos e romanos eram as principais pessoas a ter esses encontros múltiplos e contínuos. Com certeza pode ser esse o motivo pelo qual os celtas da antiguidade sempre foram descritos como guerreiros, já que era através da guerra que essas culturas se encontravam, mas o jeito do guerreiro também aparece bastante em sua própria mitologia. Na mitologia irlandesa em particular, figuras masculinas lendárias muitas vezes tinham um irmão de armas masculino especial ao lado de quem lutavam e com quem amavam ternamente.

As culturas celtas, como as sociedades humanas ao longo do tempo, tinham um sistema de classes estratificado da elite aristocrática e subdivisões de praticamente todo mundo. As classes superiores da sociedade celta masculina, de acordo com os gregos e romanos que os encontraram, eram conhecidas por terem relações sexuais com outros homens, mas como os gregos e romanos não queriam parecer semelhantes a esses “bárbaros”, os escritores da época enfatizavam que a aristocracia celta preferia outros homens a mulheres e até se envolvia em três vias masculinas. 112 Aristóteles até fez menção especial para apontar como essa homossexualidade preferida também tinha um viés para os homens dentro da mesma classe social – um severo não-não na sociedade grega. 113 Novamente, no entanto, a verdade está em algum lugar no meio.

Outra verdade intermediária é o desdém social deles por homens homossexuais “no fundo”. A suposição moderna para isso vem de como a cultura machista predominante dominou a sociedade celta. Ser fraco era ruim e, portanto, para um homem agir como o sexo fraco era ruim. Na verdade, ser um “passivo” homossexual era uma das piores coisas de que se poderia acusar um homem celta. Ironicamente, a frequência dessa acusação (especialmente no norte da Europa) prova que a homossexualidade era uma coisa na Europa pagã, uma vez que tal insulto só poderia ser entendido se fosse praticado com bastante frequência para que as pessoas comuns pudessem reconhecer a acusação.

Evidências semelhantes da semelhança da homossexualidade celta foram escritas nas Leis Brehon dos celtas irlandeses do século VII como uma razão legal pela qual uma mulher pode se divorciar de seu marido. A lei não menciona a homossexualidade em si, mas concede o divórcio legal a mulheres cujos maridos preferem fazer sexo com outros homens do que com ela. Estudiosos modernos acreditam que isso não é uma punição legal para homens gays, pois é uma garantia legal para as mulheres terem o direito de ter filhos, como evidenciado pela lei que continua a listar uma série de outros fundamentos legais para o divórcio, todos os quais giram em torno da incapacidade de um homem de engravidar sua esposa, como ser muito obeso para fazer sexo e infertilidade masculina total. Ainda assim, um homem preferindo a cama de outro homem deve ter ocorrido com frequência suficiente para que os celtas irlandeses o incluíssem em seu código de leis. 114

Quanto às próprias mulheres, não há muita evidência de lesbianismo romântico entre senhoras celtas. O mesmo vale para indivíduos transgêneros e bissexuais. A razão para isso é, novamente, os romanos. A maior parte da história sobrevivente dos celtas que nós, pessoas modernas, temos que continuar são os escritos dos militares romanos, que, em geral, tiveram contato principalmente com homens guerreiros celtas. E, além de não interagir muito com as mulheres celtas, os generais e historiadores romanos não teriam interesse particular nos assuntos privados dessas mulheres “bárbaras”, como evidenciado pela pouca estima que tinham por suas próprias mulheres “civilizadas”.

Há, é claro, uma exceção, embora controversa: Boudica, a lendária rainha guerreira ruiva dos celtas britânicos que liderou uma revolta bem-sucedida contra os exércitos romanos invasores. A polêmica está no fato de sabermos muito pouco sobre ela. O que sabemos é que Boudica era casada com o rei de uma tribo celta aliada de Roma. Após a morte de seu marido, o exército romano saqueou suas terras, estuprou suas filhas e a açoitou impiedosamente. Agora um inimigo declarado de Roma, ela foi eleita líder de uma resistência celta unida contra os invasores. Sob sua liderança, os celtas britânicos obtiveram sucesso militar após sucesso militar contra a máquina de guerra da Roma Imperial até que o exército romano obteve uma vitória decisiva em um local estratégico na Watling Street (principal rodovia de Roma na Grã-Bretanha). Após esta derrota irrecuperável, os relatos divergem quanto ao destino da rainha celta. Alguns escritos dizem que ela adoeceu na campanha e morreu, e outros dizem que ela cometeu suicídio por envenenamento auto-ingerido para não ser capturada e se tornar uma escrava romana. 115

Além das associações óbvias e estereotipadas de lesbianismo possuídas por Boudica, como ser um líder marcial, um guerreiro agressivo e impiedoso e dominar os homens tanto por comando direto quanto por conquista, os historiadores modernos acreditam que é bastante lógico que, após a morte de seu marido, Boudica tenha tido relações sexuais com outras mulheres, embora não cheguem a dizer que ela realmente o fez. O raciocínio é que, como líder de jure de sua tribo, o costume celta britânico de seu povo ditava que ela se deitasse com mulheres. 116 É verdade que esse costume foi provavelmente estabelecido com a suposição de que todos os seus líderes seriam homens, então era possível que o costume fosse ignorado devido ao gênero dela? Sim, é uma possibilidade. Mas também era possível que Boudica seguisse esse costume para manter as aparências como líder de seu povo? Sim, isso também é uma possibilidade. A verdade pode nunca ser totalmente conhecida.

O único outro relato da sexualidade feminino-feminina, além da suposta bissexualidade de Boudica, vem em uma breve passagem do antigo conto irlandês de “Niall Frossach” como escrito no Livro de Leinster do século XII. No conto, há menção direta de duas mulheres fazendo sexo uma com a outra, e é descrito como “acasalamento brincalhão”. Nada é dito sobre isso ser algo abominável ou mesmo estranho e incomum, e os personagens dentro do conto não reagem a isso de nenhuma maneira particular além de uma questão de fato/ ou um tipo de atitude de é-o-que-é-é. atitude. 117

A CONTRIBUIÇÃO CELTA:

A Comunicação Intrapessoal e Interpessoal:

A história queer dos vários povos celtas é escassa devido ao uso predominante da tradição oral, mas aí também está a lição: comunicar-se com as pessoas diretamente. Somos tímidos muitas vezes na magia e na vida queer. Não sabemos como alguém pode reagir se dissermos que praticamos magia ou que somos queer. Além disso, tanto praticantes de magia quanto pessoas queer são minorias, então há menos de nós com quem conversar. Isso leva a muita prática de magia solitária e aprendizado sobre a vida queer através de várias mídias. Agora, não me entenda mal, essas duas coisas são ótimas, mas não há nada como ser capaz de falar sobre coisas com pessoas reais ali mesmo.

O povo celta tinha uma grande consideração pela comunicação oral direta, mas hoje em dia a vemos como uma espécie de último recurso. Por que lidar com outras pessoas e suas falhas quando podemos obter todas as informações do mundo no conforto do nosso próprio quarto? Bem, a razão é porque a interação humana é uma parte mágica da vida. Além de sermos animais sociais, há uma certa sensação mágica e “saber” em falar diretamente com as pessoas. Comumente é chamado de “vibe” – aquele sentimento sutil e inexplicável que você tem sobre uma pessoa que só pode ser recebido pessoalmente. Você também pode pensar em qualquer data que você teve.

Conversando on-line por meio de texto, fotos ou vídeos, todos eles não podem dizer tanto sobre uma pessoa quanto estar na sala com ela em uma conversa. É aí que nossos sentidos mágicos entram em ação e nos permitem conhecer verdadeiramente uma pessoa.

Então, para sua próxima atividade mágica, saia e teste o quão bem você pode ler magicamente as vibrações de uma pessoa. Escolha uma pessoa aleatória que você vê e faça uma avaliação rápida de sua personalidade com base nas vibrações que você capta. Em seguida, converse com eles cara a cara. Uma escolha segura é fazer isso em uma loja e abordar um funcionário com o pretexto de ter algumas perguntas.

Aproximar-se de pessoas aleatórias pode colocá-las em um clima defensivo ou desdenhoso, mas um funcionário espera isso e tecnicamente terá que responder a você. Quanto mais você fizer isso, melhor você se tornará em captar instintivamente e com precisão as energias das pessoas.

Consequentemente, ser capaz de ler essas energias irá ajudá-lo a fazer feitiços para outras pessoas, bem como dar-lhe um aviso na vida diária sobre em quem confiar e quem está apenas jogando.

A ESPIRITUALIDADE QUEER DOS VIKINGS:

Durante os séculos VIII a XI, as sociedades escandinavas da Europa pagã eram um povo belicoso. Famosos por seus ataques, ferocidade na batalha e agressão extrema, esses guerreiros do norte valorizavam a masculinidade alimentada pela testosterona e o poder físico que a acompanhava. Então, sem surpresa, eles não pareciam muito favoráveis à natureza queer. Muito parecido com os celtas ao sul, os vikings eram uma sociedade machista que valorizava a dureza masculina e desprezava a efeminação. Em certo sentido, não era a natureza queer em si que os nórdicos odiavam, mas sim a feminização de seus homens, que eles equiparavam à fraqueza.

No entanto, sabemos que a homossexualidade masculina era praticada pelos vikings. Além do fato óbvio de que pessoas LGBT+ existiram ao longo do tempo em todas as sociedades, o escárnio comum de homens homossexuais pelos vikings prova que eles estavam cientes disso e que era comum o suficiente para ser um insulto entendido. De fato, duas palavras em particular foram usadas como tal insulto: ergi e argr. Traduzidas grosseiramente, elas significam “não-masculinidade” e “não-masculinidade”, respectivamente. Em uma cultura tão machista, a masculinidade carregava consigo poder e influência social, então ser chamado desses nomes era um insulto extremo que poderia destruir permanentemente a reputação de um homem. Tão severas eram essas acusações que ser chamado assim era motivo para um duelo conhecido como holmganga. Se o acusado ganhou, então ele obviamente não era “não-masculino” e tinha direito a compensação, mas se ele perdesse, então era supostamente sua falta de masculinidade que o havia perdido no duelo. 118

Claro, porém, havia exceção à regra. Se você fosse o “ativo” penetrante durante uma rodada de relações sexuais masculinas, então você não era considerada feminina. E no rescaldo de uma batalha, esperava-se que um nórdico penetrasse sexualmente em seus inimigos derrotados. Nas conquistas vikings, o estupro era uma arma de guerra. Afirmava o domínio sobre o perdedor e efetivamente o feminizava, além de quebrar psicologicamente seu espírito. Fora da guerra, também era visto como certo que os machos vikings fizessem sexo com seus escravos/servos do sexo masculino, uma vez que afirmava seu domínio masculino, desde que fossem os “ativos”. Assim, não era a homossexualidade que os vikings abominavam, mas sim a falta de masculinidade associada a assumir o papel feminino durante o sexo e ser dominado por outro homem.

E não nos esqueçamos das senhoras. Assim como as outras culturas que discutimos anteriormente, não se sabe muito sobre a vida sexual privada das mulheres vikings porque as mulheres não eram vistas como importantes o suficiente para documentar suas vidas com tanta profundidade. Mas há evidências indiretas que sugerem que as mulheres vikings se envolveram no amor feminino do mesmo sexo com frequência suficiente para que os homens decretassem leis contra a masculinização das mulheres. Os sociólogos dizem que isso se deve ao valor escasso das mulheres; a proporção de mulheres para homens era drasticamente desigual, com muito menos mulheres e uma superabundância de homens — um importante efeito colateral de uma sociedade que valorizava fortemente os filhos em detrimento das filhas.

Semelhante à notoriedade outrora causada pela política do filho único da China moderna, as famílias vikings que davam à luz meninas muitas vezes as deixavam no deserto para morrer de exposição como uma maneira de apagar o “erro” e tentar novamente um filho. tendo poucas mulheres, e se algumas dessas escassas mulheres tinham aversão ao sexo heterossexual, isso deixava ainda menos mães em potencial para os homens se casarem e engravidarem. 119 Assim, foram promulgadas leis que desencorajavam as mulheres de assumir características masculinas, como cortar o cabelo curto, usar roupas masculinas, portar armas, etc. Basicamente, as mulheres precisavam agir como o sexo mais fraco para atrair um companheiro e gerar filhos, já que nenhum homem viking macho iria querer uma mulher que fosse mais masculina e dominante do que ele. Por outro lado, isso significava que as mulheres detinham muita autoridade no casamento, pois se se divorciassem do marido, a escassez de mulheres disponíveis dificultava encontrar outra esposa, um poder sobre os homens refletido em inúmeras sagas vikings. 120

Mas, novamente, do ponto de vista lógico da política sexual, se uma mulher viking realmente era lésbica ou mesmo bissexual, realmente não havia nada que seu marido pudesse fazer sobre isso. Afinal, seria imprudente divorciar-se dela devido à escassez de mulheres casáveis por aí. E se ele reclamasse disso, ela poderia ameaçá-lo com o divórcio, efetivamente calando-o. Realisticamente, desde que a mulher cumprisse seu dever de gerar os filhos do marido, quaisquer outras ligações que ela tivesse com mulheres eram sua prerrogativa. 121

Quanto aos indivíduos bissexuais e transgêneros na sociedade viking, quase nada se sabe. A noção viking de natureza queer não é a mesma que a nossa hoje. Para eles, a sexualidade era uma questão de posicionamento sexual e domínio psicológico, não os anseios internos e a identidade de um indivíduo. No entanto, é seguro presumir que, apesar da efemifobia desenfreada exibida na cultura nórdica, todos provavelmente eram um pouco bissexuais. Se você considerar que os guerreiros vikings machistas eram socialmente esperados para gerar filhos e dominar sexualmente seus inimigos de batalha, bem como a permissividade generalizada de escravos/servos masculinos sexualmente “passivos para os ativos”, então a bissexualidade era a norma para os homens vikings, pelo menos. Ainda assim, as façanhas e aventuras dos deuses nórdicos revelam uma boa quantidade de transexualismo e natureza queer geral, como testemunharemos daqui a pouco.

A CONTRIBUIÇÃO VIKING:

A Sacralidade do Masculino Divino:

Agora, antes que você dê um pulo e comece a gritar que sou um agente do patriarcado, é importante entender que qualquer coisa levada ao extremo é ruim, mas isso não significa que a coisa em si seja ruim. O culto da masculinidade reverenciado pelos vikings ainda está conosco em nossa cultura moderna, e a feminilidade ainda é vista como fraca. Embora isso seja lamentável e não seja uma coisa boa para a sociedade, temos que ter em mente que ser masculino ou gostar de pessoas e coisas masculinas não é ruim. Como falamos sobre juventude e beleza, a posse e atração pela masculinidade não é ruim, mas a expectativa de ser masculino certamente é.

No nível do dia-a-dia, temos que estar bem com a afinidade pessoal das pessoas pela masculinidade, seja em sua identidade ou no que as atrai. Hoje em dia, como um movimento reacionário ao patriarcado, homens queer envergonham outros homens queer que têm preferência sexual por homens masculinos. Supõe-se erroneamente que gostar de algo significa automaticamente não gostar de seu oposto. Afinal, um homem gay pode ter uma forte preferência por homens com barba, mas isso não significa que ele odeia ou não se sente atraído por caras barbeados. E uma lésbica pode ter preferência por mulheres com cabelo comprido, mas isso não significa que ela odeie ou não seja atraída por mulheres de cabelo curto.

Se um homem heterossexual prefere mulheres masculinas, isso não significa que ele tenha desdém por mulheres efeminadas. Se uma mulher heterossexual prefere homens efeminados, isso não significa que ela tenha desdém por homens masculinos. Se uma lésbica prefere sexualmente mulheres masculinas, isso não significa que ela tenha desdém por mulheres efeminadas. Se uma pessoa bissexual tem uma leve preferência sexual por homens, mesmo que ainda haja atração sexual por mulheres, isso não significa que haja desdém pelas mulheres. Se um transexual de mulher para homem prefere sexualmente homens, isso não significa que haja desdém pelas mulheres. Se um homem gay prefere sexualmente homens masculinos, isso não significa que ele tenha desdém por homens efeminados. Você vê onde eu estou indo com isso?

Todo mundo gosta de alguma coisa, e envergonhar nossa própria família queer por gostar do que eles gostam só nos derruba como um todo. E só porque alguém é atraído pela masculinidade não significa que odeia a efeminação; os dois não estão de mãos dadas. Desde que não prejudique ninguém, deixe as pessoas gostarem do que elas gostam. E magicamente, não seja adverso ao masculino divino só porque as religiões monoteístas dominantes mostram desdém pelo feminino divino.

Então, para sua próxima atividade mágica, faça um ritual com sua tradição que honre e adore a divindade mais estereotipada masculina em seu panteão. O próprio paganismo atrai muitas pessoas porque sua adoração ao feminino divino é uma lufada de ar fresco em um mundo que cultua o culto da masculinidade tóxica, mas o masculino divino é igualmente importante e não deve ser ignorado ou visto com aversão. Todas as divindades, mesmo as ultra-masculinas, podem nos ensinar algo se estivermos abertos ao aprendizado.

DIVINDADES E LENDAS QUEER:

Cú Chulainn:

Cú Chulainn é sem dúvida a mais homoerótica das divindades celtas irlandesas na consciência moderna, apesar de tecnicamente nunca ter sido oficialmente descrita como tal na tradição sobrevivente. O que o torna um membro do panteão internacional de divindades queer é seu relacionamento com o melhor amigo e irmão adotivo, Ferdiad. Eles cresceram juntos, treinaram juntos, experimentaram o amor físico juntos, e dizem que eram iguais em todas as coisas, exceto que Cú Chulainn era mais naturalmente adequado para “ofensiva” em batalha devido ao seu talento com uma lança, enquanto Ferdiad era mais natural. “defensivo” devido à sua pele dura e dura como armadura.

Através de uma série de eventos, eles são forçados a lutar uns contra os outros em uma batalha até a morte. A batalha se arrasta por dias até que um dia Cú Chulainn desfere o golpe mortal, enfiando sua “arma misteriosa” no ânus de Ferdiad, uma parte de seu corpo onde Cú Chulainn convenientemente sabia que a pele impenetrável de Ferdiad não cobria. Depois de sacar sua arma, Cú Chulainn lamenta muito o cadáver de seu querido amigo, uma cena imortalizada em inúmeras obras de arte. 122

Na adoração, os cães são sagrados para Cú Chulainn, assim como a lança e os aspectos do masculino divino.

Loki:

De todos os deuses nórdicos, Loki é talvez o mais reconhecido por possuir traços queer. Nas lendas, ele é frequentemente descrito como uma divindade trapaceira mercurial e que muda de forma e um agente do caos. A primeira coisa reveladora sobre ele é seu nome completo, Loki Laufeyjarson, que é único, pois mostra que ele recebeu o nome de sua mãe, em oposição à tradição machista viking de crianças recebendo o nome de seus pais.

Sua aparência é descrita como muito bonita, mas muitas vezes ele é encontrado se metamorfoseando em vários animais e, em três ocasiões, uma mulher. Uma história específica conta como Loki se transformou em uma égua e se permitiu engravidar do garanhão Svadilfari, eventualmente dando à luz o cavalo de Odin, Sleipnir. Diz-se também que ele engravidou comendo o coração meio cozido de uma mulher e deu à luz os demônios que atormentam a humanidade.

Em muitos outros contos, Loki vai além de mostrar sua habitual indiferença pelos papéis de gênero e revela seu desrespeito por sua própria identidade de gênero. Um dos exemplos mais populares disso conta como, em um esforço para fazer a giganta Skadi rir, Loki amarrou seus genitais à barba de uma cabra e começou a se castrar. Na cultura machista viking, onde o pênis de um homem era seu símbolo de poder, a tentativa de Loki de se castrar fisicamente para rir resume perfeitamente sua atitude em relação ao sexo e ao gênero. 123

Na adoração, as correspondências de Loki são cobras, sabugueiros e faias, chumbo, azeviche, incenso apimentado, a cor preta e participando de brincadeiras práticas e transgressoras.

Odin:

Uma das divindades escandinavas mais populares, Odin é principalmente um deus xamânico da batalha, morte e sabedoria espiritual que é cego de um olho e é o mestre da vida após a morte do guerreiro paradisíaco de Valhalla. Suas associações com a natureza queer são basicamente duplas. Primeiro, ele é frequentemente considerado um patrono dos párias por estar ideologicamente em desacordo com outros deuses devido ao seu apoio à amoralidade frenética, seja no campo de batalha como um berserker através da ingestão de plantas psicotrópicas ou mesmo como um fora-da-lei. Em segundo lugar, ele pratica as artes mágicas das mulheres. Em um conto famoso, Odin ridiculariza a efeminação de Loki chamando-o do insulto proibido argr, mas Loki então contra-ataca apontando que Odin também não é masculino porque ele é um praticante de seidr (um tipo de magia feminina), efetivamente colocando Odin em seu lugar porque era verdade. Embora as lendas não entrem em detalhes sobre o envolvimento ativo de Odin em seidr, o verdadeiro impulso do contra-ataque de Loki foi uma implicação irônica de que Odin não apenas abraçou sua feminilidade interior, mas também “foi passivo” durante o sexo. 124

Na adoração, suas correspondências são lobos, corvos, as cores preto, laranja e vermelho, incenso de sangue de dragão, samambaias, mandrágoras, teixos, cornalina, ônix e participando das artes de cura, bem como atos de altruísmo.

As Samodivi:

As Samodivi são divindades celtas da Europa Oriental que podem ser melhor descritas como um cruzamento entre uma ninfa, uma sereia e uma harpia. Visualmente, elas são altos, atraentes, loiros e usam vestidos longos, esvoaçantes e etéreos, semelhantes aos de Stevie Nicks da era Rumours, exceto cravejados de penas. Elas têm nomes diferentes dependendo de onde você está: Samodivi na Bulgária, Iele na Romênia, Vila na Polônia e Veelas nos Balcãs.

Elas são conhecidas por serem muito bonitas e muitas vezes são retratadas como bissexuais que flertam abertamente umas com as outras para atrair os homens para sua perdição.

As lendas folclóricas variam, mas geralmente contam como sua beleza e dança sedutora sem fim encantam os homens para se tornarem seus servos luxuriosos. Elas também são conhecidas por atrair mulheres propositalmente com sua linguagem corporal sáfica e sugestiva, mas ao contrário de suas vítimas masculinas, as vítimas femininas ficam tão ciumentas (por nunca possuir tanta beleza ou por alguém com tanta beleza) que se matam. Quem conhece a série Harry Potter vai ver que é das Samodivi que J. K. Rowling tirou sua inspiração para as personagens das Veela. A personagem Fleur Delacour, que representa a Escola de Beaubattons no Torneio Tribruxo é neta de uma Veela. 125

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Fonte: Queer Magic, por Tomás Prower.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/queer/a-espiritualidade-queer-na-europa-paga-os-celtas-e-os-vikings/