A Solução Científica para o Problema do Governo

Aleister Crowley

TEOREMA.

A solução científica para o problema do governo é dada no AL (Liber Legis). Esta Lei substitui todas as teorias empíricas em vigor até agora.

CITAÇÃO.

Capítulo I.

3. Todo homem e toda mulher é uma estrela.

10. Que os meus servidores sejam poucos e secretos: eles governarão os muitos e os conhecidos.

40. Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.

41. A palavra de Pecado é Restrição.

42. Tu não tens direito a não ser de fazer a tua vontade.

43. Faze isto, e nenhum outro dirá não.

44. Pois pura vontade, desaliviada de propósito, livre da ânsia de resultado, é todo caminho perfeito.

57. Amor é a lei, amor sob vontade.

Capítulo II.

19. Deve um Deus viver em um cão? Não! porém os mais elevados são de nós. Eles regozijarão, os nossos escolhidos: quem se lamenta não é de nós.

20. Beleza e força, gargalhada vibrante e leveza deliciosa, força e fogo, são de nós.

58. Sim! não acrediteis em mudanças; vós sereis como sois e não outro. Portanto os reis da terra serão Reis para sempre: os escravos servirão.

Capítulo III.

4. Escolhei vós uma ilha!

5. Fortificai-a!

6. Adubai-a ao redor com engenhos de guerra!

7. Eu vos darei uma máquina de guerra.

8. Com ela vós atingireis as pessoas; e ninguém permanecerá de pé perante vós.

58. Mas o forte e o orgulhoso, o real e o majestoso; vós sois irmãos!

59. Como irmãos lutai!

60. Não existe lei além de Faze o que tu queres.

DEMONSTRAÇÃO.

1. O eleitor mediano é um retardado.Ele acredita no que lê nos jornais, alimenta a sua imaginação e acalma as suas repressões no cinema e espera se livrar da sua escravidão através da loteria esportiva, competições de palavras cruzadas ou descobrindo o ganhador das 3:30.

Ele é tão ignorante como qualquer camponês analfabeto o é: ele não tem o poder do pensamento independente. Ele é a presa do pânico.

Mas ele tem o voto.

2. Os homens no poder só conseguem governar forçando-o a tomar parte em guerras, brincando com os seus medos e preconceitos até que ele concorde com a legislação repressora contra os seus interesses óbvios, brincando com a sua vaidade até que ele esteja totalmente cego para a sua própria miséria e servilismo.

O método alternativo é o da coerção aberta. Em resumo, nós governamos por meio de uma mistura de mentira e opressão.

3. Este recurso desesperado de armas arcaicas é a herança da hipocrisia. As teorias de Direito Divino, superioridade aristocrática, a ordem moral da Natureza, são todos blefes atualmente derrubados. Mesmo aqueles de nós que acreditam em sanções sobrenaturais para os nossos privilégios a fim de intimidar e roubar as pessoas não mais nos enganam com o pensamento de que as nossas vítimas compartilham das nossas superstições.

4. Mesmo os ditadores compreendem isso. Mussolini tentou induzir o fantasma da Roma Antiga a desfilar pomposamente pelo palco na imagem de Júlio César; Hitler inventou uma miscelânea de insensatez sobre os Nórdicos e os Arianos; ninguém pretende tampouco acreditar, exceto pelo “desejar crer”.

E a simulação está se quebrando visivelmente em toda parte. Elas não podem nem ao menos ser galvanizadas com espasmos de pseudo-atividade, como ainda ocorre ocasionalmente com os sapos mortos da superstição.

5. Só existe uma esperança para unir as pessoas sob uma liderança inteligente; porque só existe uma coisa na qual todos realmente acreditam. Isto é, acreditam de tal modo que ela baseia automaticamente todas as ações da sua vida diária sobre seus princípios.

(Isso é verdadeiro praticamente com relação a todos os homens, seja qual for a sua raça, casta ou credo). Esta base de conduta, universalmente aceita, é a Ciência.

6. A Ciência alcançou esta posição porque ela não faz nenhuma afirmação de que ela não está preparada para se revelar a todos os que a buscam.(Esta parte é muito bem compreendida, onde todos os “falsos profetas”—Espiritualismo, Ciência Cristã, excentricidades etnológicas, vendedores do enigma da Grande Pirâmide e o resto dos trapaceiros – todos fingem apelar para a evidência, não para a autoridade, como fizeram os Reis e as Igrejas).

O problema do governo é, portanto, descobrir uma fórmula científica com um envolvimento ético. Esta fórmula deve ser rigidamente aplicável da mesma forma a todos os homens sãos sem referência às qualidades individuais de qualquer um deles.

7. A fórmula é dada pela Lei de Thelema. “Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.”[1].

Esse mandamento, dentro de um sentido infinitamente elástico, desde que não especifique qualquer objetivo de vontade particular como sendo desejável, é ainda assim infinitamente rígido, naquilo em que obriga todo homem a seguir exatamente o propósito para o qual é adequado por hereditariedade, meio ambiente, experiência e autodesenvolvimento.

Assim, a fórmula é também biologicamente infalível e eticamente adequada para todo indivíduo, tanto quanto politicamente para o Estado.

8. Que essa fórmula seja aceita por todo governo. Peritos serão imediatamente nomeados para trabalhar, quando surgir a necessidade, os detalhes da Verdadeira Vontade de todo indivíduo e mesmo aquela de toda corporação, quer seja de caráter social ou comercial, enquanto que surgirá um judiciário para determinar a igualdade no caso de reivindicações aparentemente conflitantes. (Tais casos se tornarão progressivamente mais raros assim que o ajuste seja alcançado) . Todos os apelos às autoridades precedentes, o peso morto da Árvore da Vida[2], serão abolidos, e os padrões estritamente científicos serão a única medida pela qual o poder executivo governará o povo. A regra absoluta do estado será em função da liberdade absoluta de cada vontade individual.

Notas de Rodapé

  1. Liber AL I:40.
  2. A representação simbólica do universo na Qabalah; seu “peso morto” é chamado de the Qliphoth—“conchas”, ou “excrementos”.

© 2022 e.v. – O.T.O. – Ordo Templi Orientis

Fonte: https://www.thelema.com.br/

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-solucao-cientifica-para-o-problema-do-governo/

Yama & Niyama: O que seria o “Thelemita ideal”?

O que é um “Thelemita ideal”? Simples: Não existe algo como “Thelemita ideal”. A Lei de Thelema é “Faça o que tu Queres”, o que significa que cada indivíduo é soberano. Todo Homem e toda Mulher tem sua própria Lei individual, sua Vontade única e particular. Como diria William Blake, “Uma Lei para o Leão e para o Boi é Opressão”.

O Fato de “não há Lei senão Faça o que tu queres” (Liber Al III: 60) é precisamente o motivo de não haver um ideal padrão ou universal. Cada indivíduo tem a sua própria Vontade, e cada Lei deve ter seu “ideal” próprio e único. Sobre o fato de não existir esse padrão ou ideal universal Crowley escreve:

“O que se faz necessário não é a busca por um ideal fantástico, profundamente desajustado às nossas necessidades reais, mas para descobrir a real natureza dessas necessidades, para preenchê-las, e gozar com elas” – Magick Without Tears, Capítulo 8.

“Saibas, o meu filho, que todas as Leis, todos os Sistemas, todos os Costumes, todos os Ideais e Padrões que tendem a produzir Uniformidade, estando diretamente em Oposição com a Natureza da Vontade de mudar e desenvolver através da Variedade, está amaldiçoado” Liber Aleph capítulo 31: ‘De Lege Motus’.

“Cada criança deverá desenvolver sua própria Individualidade, e Vontade, independente de Ideais alienantes. (…) Permita que as crianças eduquem a si mesmas a [ou para] serem elas mesmas. Aqueles que as treinam para seguir padrões as aleijam e as deforma. Ideais alheios impõem perversões parasíticas. (…) Padrões de educação, ideias de Certo e Errado, convenções, credos, códigos estaguinam a Humanidade” -”On the Education of Children”.

Poderia ser argumentado que Thelema é um “ideal universal” em si. Que Thelema é uma Lei universal quando “Faça o que tu queres” afirma que cada indivíduo deve encontrar sua Vontade única e pessoal, sua Lei particular. O ideal universal é, portanto, que não há um Ideal universal: cada um deve “descobrir a verdadeira natureza de suas necessidades reais, para preenchê-las e gozar com elas”. O único absoluto é que não há absoluto e a única constante é a mudança.

De certa forma, nós podemos dizer que o “Thelemita ideal” é aquele que faz a sua Verdadeira Vontade e deixa os outros fazerem as suas Verdadeiras Vontades. Esse “Thelemita ideal” segue sua própria Lei enquanto os outros seguem suas próprias e diferentes Leis; não há ideais universais- nem de “o que é melhor” ou “o que é absolutamente Certo e Errado” ou, além disso. Isso é às vezes chamado de “Yama e Niyama da Thelema”.

Nós emprestamos os termos “Yama” e “Niyama” do sistema Hindu do Raja Yoga como explicado, entre outros lugares, no clássico tratado de Patanjali intitulado “Yogasutras”. Yama e Niyama são palavras que representam coisas opostas, semelhantes a “Não deves” (Yama) e “Deves” (Niyama). Infelizmente, traduzi-las para o inglês (ou português) não é fácil, mas seu sentido no contexto de Thelema fica claro com uma pequena explicação.

O Yama de Thelema é ter a autodisciplina de encontrar a própria Vontade e de realizar (ou fazer) a própria Vontade. Como é dito “Não tens nenhum outro direito que não fazer tua vontade” (Liber Al, I:42). O Niyama de Thelema é cuidar de suas próprias coisas ou, em outras palavras, permitir que os outros encontrem suas próprias Vontades. O Niyama é estender a mesma liberdade de fazer sua própria Vontade que você corretamente assume para si a todos os outros indivíduos. Resumindo:

▪ A Yama de Thelema: Faça o que tu queres há de ser tudo da lei. Não há direito além de faça o que tu queres

▪ A Niyama de Thelema: Mind your own business (nota da tradução: equivalente a: Cuide de sua vida, mas no literal seria Se preocupe com suas tarefas)

Yama: Crowley menciona que Yama significa algo similar a “controle” ou “a palavra ‘inibição’ como usada pelos biólogos”. Basicamente, Yama significa a autodisciplina de se manter na “trilha” ou no “caminho” de sua Verdadeira Vontade e não desviar dela (e). “Não há direito mas apenas faça o que tu queres” (liber Al, I:42) explicita que você está, por definição, fora do seu único direito quando se desvia de seu Caminho. Isso requer uma autodisciplina de manter-se fiel a sua própria Lei. Como Crowley escreve “O que é verdadeiro para cada Escola é igualmente verdade para cada indivíduo. Sucesso na vida, com base na Lei de Thelema, implica autodisciplina severa”. Crowley nos dá um resumo sucinto de Yama da Thelema quando escreve:

“Eu desejaria reforçar mais uma vez que nenhuma questão de certo e errado entra em nossos problemas. Mas na estratosfera é ‘certo’ para um homem ser selado numa vestimenta resistente a pressão e eletricamente aquecida, com um suprimento de oxigênio, Enquanto em outros lugares seria errado ele usá-la se estivesse correndo três milhas num esporte de verão em Tanezrouft. Esse é o fosso que todas os grandes professores das religiões já caíram, e eu tenho certeza que vocês estão olhando avidamente para mim na esperança que eu faça o mesmo. Mas não! Há um princípio que nos carrega através de todos os conflitos referentes à conduta, porque é perfeitamente rígido e perfeitamente elástico – ‘Faça o que tu queres há de ser tudo da Lei’ Isso é Yama” – Eight Lectures on Yoga, “Yama”

Niyama: Não há antônimo pra Yama, ou autodisciplina, que traduz adequadamente o termo “Niyama”. Nós poderíamos dizer que o complementar de “autodisciplina” é, nesse caso, algo como “disciplina do outro”. Se Yama é a disciplina que temos conosco para nos mantermos verdadeiros com a nossa Lei, Nyama é a disciplina que temos para com os outros, ao permitir que eles permaneçam verdadeiros em suas Leis. Essa “disciplina do outro” pode ser resumida em “Cuide de sua vida!”. Crowley versa exatamente isso em diversos lugares :

“Cuide da sua vida! é a única regra suficiente.” – Magick without Tears, capítulo 15

“Que tu saibas, ainda, meu querido Filho, a Arte da Conduta correta com eles a quem dar-lhe-ei para a Iniciação. E a Regra portanto, é uma só Regra: Faça o que tu queres há de ser tudo da Lei. Observe-a constantemente para que ela não seja quebrada; especialmente a Sessão a seguir (se eu ousarei a falar) que será lido como Cuide da tua Vida. Isso é de Aplicação igual a todos, e o mais perigoso dos Homens (ou Mulher, como também ocorre) ) é o Bisbilhoteiro. Oh quão envergonhados somos nós, e movidos pela Indignação, vendo os Pecados e Tolices dos nossos vizinhos!” – Liber Aleph, capítulo 96 “De discipulis Regendis

“Toda estrela tem a sua Natureza própria, e que é “Certa” pra ela. Nós não devemos ser missionários, com padrões ideias de vestimenta e moral, e tais ideias quadradas. Nós devemos fazer o que queremos, e deixar os outros fazerem o que eles querem. Nós somos infinitamente tolerantes, salvo à intolerância” – New comment to Liber Al, II:57

“Se faz necessário que paremos, de uma vez por todas, essa intromissão ignorante na vida das outras pessoas. Cada indivíduo deve ser deixado livre para seguir seu próprio caminho” – New comment pra Liber Al I:31

O nome que Crowley dá para alguém que falha em manter o Niyama da Thelema é “bisbilhoteiro”. Um “bisbilhoteiro” é alguém que está preocupado com o que os outros estão fazendo, como os outros estão fazendo as coisas e porquê outras pessoas estão fazendo coisas. Um “bisbilhoteiro” está mais preocupado com a Verdadeira Vontade do outros do que com a sua própria. Eles estão indignados com os “pecados e tolices” de seus vizinhos ao invés de focados em si, e geralmente se intrometem na vida dos outros. Um bisbilhoteiro, em resumo, não cuida da sua própria vida.

Todos nós somos bisbilhoteiros em algum grau quando impomos nossos padrões, expectativas, e ideais aos outros, sempre que pensamos que “sabemos o que é melhor” para qualquer um que não nós mesmos. Isso acontece em qualquer instância, desde a coisa mais mundana e concreta, como criticar a escolha de vestiário do outro, às mais sutis, como esperar que o outro tivesse a mesma prática espiritual que você ou insistir que quem não acredita no mesmo que você acredita precisa ser “corrigido”.

Quando colocado em prática, nós vemos rapidamente que a Niyama da Thelema – que é cuidar da sua vida e permitir que o outro cumpra sua Vontade – não é simplesmente uma passividade manca. Não é “arreganhar os dentes e aguentar”, o que implica que – lá no fundo – você não quer realmente que eles façam as suas respectivas Vontades (que dirá regozijar com isso!). O Nyama da Thelema é algo ativo, positivo: nós afirmamos ativamente o direito de todos os indivíduos a conhecer e fazer as suas Verdadeiras Vontades. Quando cumprimentamos um ao outro, olhamos destemidamente um pro outro e dizemos, “Faça o que tu queres há de ser tudo da Lei”. Isso deveria ser dito para todos que você encontra; como Crowley escreve, “Veja, irmão, nós somos livres! Regozije comigo, irmã, não há lei além de Faça o que tu queres!”

Alguns dizem que é necessário ter força para controlar tudo, mas é uma força muito maior para não querer controlar a tudo e a todos. Esse é um sintoma de ser inseguro e ansioso, e desejo de ter o controle das pessoas ao insistir que o seu caminho é o único caminho. Ou seja: Ser um bisbilhoteiro é um sintoma de fraqueza e medo, ainda que, inevitavelmente, se mascare como “virtude” que essencialmente se apresenta como “saber o que é melhor” para alguém (imagine só “para todos os Thelemitas”!). É neste ponto que “compaixão” e “Altruísmo” e até mesmo “ensinamento” flertam com o reino dos tolos.

Todos nós ouviremos inevitavelmente (ou provavelmente já ouvimos) algum Thelemita autodeclarado questionar por que os outros não fazem isso ou aquilo, insistindo que reclamam dos outros porque eles “realmente” se importam com a Thelema. Muitos de nós já caímos nestas garras (“Ah! Eu? Nunca!”… Sim, especialmente você). Esse “cuidado” – essa sua “causa nobre”- não é nada além da demanda de seu lado bisbilhoteiro se fantasiando de “virtude”. Nós todos devemos nos lembrar de “Não cobrir seus vícios em palavras virtuosas” (Liber Al II:52). Esse “cuidado” basicamente se resume em insistir que todo mundo deve ter os mesmos valores que você, o que é exatamente o oposto de “Faça o que tu queres”. Se você se pegar perguntando, ou ouvir alguém perguntando, algo parecido com “Porque esta(s) pessoa(s) não pensa(m) que isso é importante?” A resposta mais provável é “Porque não é importante pra eles, nem precisa ser”… ou, mais precisamente, “Cuida da tua vida”. Por isso que não existe “Thelemita Ideal”. É por isso que “Uma Lei pro Leão e pro Boi é Opressão”. Qualquer insistência contrário a isso levará à mesma armadilha do velho Aeon, a tirania de um único padrão ou ideal para toda humanidade, ao invés de multiplicidade de Leis, cada uma alinhada com um indivíduo.

De novo: A Niyama da Thelema não tem uma qualidade manca, passiva ou de “arreganhar os dentes e aguentar”. Ao contrário: ela pede uma qualidade ativa, quase viril, quando dizemos a qualquer indivíduo: “eu não sei qual é a sua Vontade, eu não sei qual o seu “bom” e “mau”, eu nem sei como a sua Vontade irá interagir e afetar a minha, mas eu te garanto que seu direito absoluto em fazer a sua Vontade assim como eu clamo igualmente o meu direito de fazer a minha Vontade”. Isso passa longe de algo passivo como “deixa acontecer naturalmente”; a Niyama de Thelema é uma afirmação ativa, um encorajamento entusiasmado, um alegre grito de guerra para que cada homem e mulher possa descobrir sua real necessidade, cumpri-la, e regozijar-se. Acreditar em algo diferente disso é a essência da tirania; agir de outra forma é a essência da opressão. Isso requer a força de manter-se no meio da incerteza e da ambiguidade, de aceitar a variedade e a diferença de estilo e opinião, em não saber “como as coisas deveriam ser” para todo mundo ou para qualquer pessoa. Qualquer preocupação no estilo “não fazendo as coisas do jeito certo” deveria ser um lembrete para todos nós re-focarmos na nossa Vontade: isso deveria ser um lembrete da Yama em permanecermos verdadeiros no nosso Caminho e da Niyama em afirmar o direito dos outros de serem verdadeiros em seus Caminhos.

Essa é a simplicidade e a beleza da Lei de Thelema: não existem padrões absolutos ou um ideais universais. Todo homem e toda mulher têm o direito irrevogável e o dever de conhecer e fazer a sua Verdadeira Vontade. Cada um tem seu próprio padrão e sua própria Lei. Qualquer ocorrência de impor sua Lei ao outro, ou alguém aceitar a Lei imposta por outrem, é uma distorção e deformidade da verdadeira natureza de uma estrela. É nosso Yama aderir a essa Lei de acordo com nossa Verdadeira Vontade, e é a nossa Niyama afirmar o direito de todos os outros indivíduos em aderirem à Lei de acordo com a Verdadeira Vontade deles. Essa é a real Liberdade, a perfeita ordem da Terra assim como as estrelas se movem na aparente perfeição nos Céus; é esse o motivo de nossa Lei de “faça o que tu queres” ser a Lei da Liberdade em si

Amor é a Lei, Amor sob vontade.

Publicado originalmente em Iao 131: https://iao131.com/2013/06/09/yama-niyama-of-thelema-what-is-the-ideal-thelemite/

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/yama-niyama-o-que-seria-o-thelemita-ideal

A Redenção Feminina (ou como abraçar a receptividade com autoridade)

Erica M Cornelius

“Faze o que tu queres deverá ser o todo da Lei.” – Al I: 40

“Mas que ela se erga em orgulho! Que ela me siga em meu caminho! Que ela trabalhe a obra de perversidade! Que ela mate seu coração! Que ela seja escandalosa e adúltera! Que ela seja coberta com jóias, e ricos trajes, e que ela seja desavergonhada diante de todos os homens!” – Al I: 44

Para os habitantes do velho Aeon, eu, mulher, sou perversa. Pois sou a Tentadora e a Bruxa, a Prostituta e a Kundry. Exibo minha carne sensual e meus ardis hipnóticos para atrair os homens desavisados ​​e os arruinar. Não peço desculpas. Pois neste Aeon, “os escravos servirão” II:51 e “não há lei além fazer tua vontade” III:60. Se um homem não puder resistir aos meus ardis, deixo-o baixo deles e ele só tem a si mesmo para culpar. Eu não sou má nem boa, mas uma força da natureza. Eu sou mulher.

Como posso, como mulher, entender a fórmula mágica da Redenção do Filho da Filha, como válida ainda hoje como era nos tempos anteriores? A redenção não é uma palavra que implica que a natureza da mulher seja fundamentalmente falha e incompleta? Em um contexto cristão, a palavra certamente foi tomada para implicar que as mulheres são exclusivamente pecaminosas e caídas. E, sim, uma mulher thelemita deve cuspir e pisar na noção de que seja a raiz de todo o mal – exceto, é claro, na medida em que isso é reconhecido como uma coisa boa. Tudo abaixo do abismo é duplo, e esse é o ponto.

Redimir significa restaurar, comprar de volta através de um resgate, resgatar. É fundamental entender que na lenda Graal, a Parsival não só redime a Kundry, ele realmente redime a si próprio. Tanto o homem quanto a mulher precisam de redenção. As mulheres não são únicas nisso. Na língua cristã, homens e mulheres foram expulsos do jardim do Éden e proibidos de retornar. Ambos os homens e mulheres existem como tal abaixo do abismo e, portanto, são incompletos. E ambos homens e mulheres são resgatados por este processo mágico de Amor sob Vontade. “Pois eu estou dividida por causa do amor, pela chance de união.” AL I:29

Quando os dois sexos se reúnem na magia sexual ensinada por Crowley, simbolicamente percebem a unidade original e eterna acima do abismo. A única razão pela qual a mulher parece precisar da redenção pelo homem e não o contrário é que ela simbolicamente representa a terra e ele, o céu. Isso não é arbitrário, mas exigido pela realidade física de nossos corpos. Nós as mulheres agimos como  parceira receptivas devido à natureza do nosso veículo. Não há valor moral atrelado. Assim, se nos reunimos pessoalmente, isso só indica que temos um trabalho importante e promissor para fazer em relação à nossa bagagem cármica. (E lembre-se, você sempre pode escolher um vaso do sexo masculino da próxima vez se isso for importante para você.)

Nosso veículo feminino está alinhado com a Terra. Para lhe dar uma ideia, enquanto o orgasmo possa prejudicar o macho, para nós não é nada além de bom. Quando nos excitamos, incluindo durante o orgasmo, não apenas mantemos a Essência Vital (O Tolo), mas temos o potencial de movê-la para um centro de força útil através de nossas naturezas emocionais. Nossas zonas erógenas são muito mais amplamente distribuídas do que as masculinas. Somos multi-orgásmicas por natureza. Assim, na magia sexual, canalizamos o poder através da nossa excitação e mantemos um ambiente adequado para nutrir o tolo, representando o Amor na fórmula.

Por outro lado, o pênis de um homem lhe da exclusivamente o poder de levar o Tolo ao abismo. Embora ele deva aprender a controlar cuidadosamente sua excitação física quando ele percebe esse potencial, seu próprio papel é direcionar a intenção mágica com sua mente, representando a Vontade na fórmula.

Mais uma vez, nós mulheres simbolicamente (isto é, na realidade) representamos o universo manifestado, Nuit, enquanto o macho simbolicamente representa o ponto de consciência não-manifestado, Hadit. Cooperando no processo de resgate, o Filho e filha do Tetragrammaton (Vav e Heh-Final) reúnem o céu e a Terra como parceiros iguais, percebendo o Pai e a Mãe eternamente unificados acima deles (Yod e Heh).

Como magistas, os machos e as fêmeas são iguais, embora sejamos distintos em nossos papéis. Como magistas sexuais femininas, devemos engajar nosso papel receptivo com autoridade. Cada uma de nós serve apenas a nossa divindade, nunca a outro magista. Podemos e devemos rejeitar a velha ideia osiriana de Crowley que as mulheres existem para serem usadas, como se não fôssemos estrelas por conta própria. Sejamos cautelosas com formas ainda mais sutis de manipulação e coerção em nome do desenvolvimento espiritual. Se você cair nessa, ele não está no erro – você está. Mais uma vez, “os escravos servirão” II:51. Nunca permita que outro colonize você, independentemente de suas realizações espirituais ou ativos pessoais. “A palavra do pecado é restrição.” I:41. Sua lealdade é apenas para sua divindade.

O primeiro teste está em nossa própria carne. Não podemos ser redimidas – não poderemos contribuir como parceiras iguais na magia sexual – se ainda estamos desconfortáveis ​​em nossos próprios corpos. À medida que encarnamos como mulheres no AEON, muitas de nós têm como parte de nossos destinos transmutar o karma e a fama relacionada a visões negativas das mulheres, ao ódio do corpo e até o abuso sexual. O primeiro passo é superar nosso karma pessoal que nos mantém prudentes demais ou excessivamente promíscuas em relação ao nosso próprio arquétipo zodiacal. Este trabalho pode levar muitos anos. Não desanime, pois você veio a corrente de thelêmica não apenas por você como um indivíduo, mas por toda sua história ancestral. Isso é trabalho difícil e importante. Cada uma de nós é uma encarnação de Babalon, e nosso direito de primogenitura é revelar nossa carne como deusas vivas.

Use sua carne também ao julgar um potencial Redentor. Ele deve ser capaz de te despertar e manter-se desperto. Por começar, você deve genuinamente tê-lo como sexualmente atraente. Nós não somos católicas medievais comprando indulgências. Nenhuma quantidade de atividade sexual com altos mágicos, seja falsa ou real, fará com que você ganhe recompensas espirituais apenas por isso. Claro, se manutenção de homens repulsivos é seu fetiche, essa é uma história diferente.

Mas mesmo que um homem te desnua de uma forma ou de outra, ele tem a capacidade de controlar sua excitação como foco central por longos períodos de meses, anos e décadas – ou sua excitação é apenas seu pênis? Qualquer homem pode reivindicar ser um sacerdote thelemita. Mas a menos que suas ações sejam colocadas na direção de sua excitação e longe da pressa da penetração, ele ou não entende a magia sexual de Crowley, ou é incapaz de praticá-la, ou ambos. Se veste um roupas e paramentos cerimoniais, examine seu comportamento com muito cuidado. Claro, toda a magia sexual é para um propósito maior do que a satisfação pessoal ou engrandecimento de qualquer participante. É para a evolução da humanidade. Portanto, não seja egoísta e mal-intencionada, mas seja exigente.

Claro que a excitação é uma rua de mão dupla, e seu papel é invocar o Senhor. Uma mulher por sua natureza astral é, na verdade, a parceira ativo a este respeito. Ela é a iniciadora nos planos internos. No entanto, porque nossa natureza externa fundamental ser yin e restritiva, parte do nosso trabalho é controlar essa fundação. Nós, como mulheres, naturalmente, somos ansiosas por estados que chamamos de segurança, felicidade, cumprimento, fidelidade, respeitabilidade, e até mesmo normalidade. Devemos constantemente estar vigilantes. Se começarmos a tentar coagir, manipular, mudar ou controlar o homem em uma tentativa de obter o nosso modo e esforços para nosso meio ou se começarmos a procurar pastagens mais verdes, a fim de atender às nossas necessidades pessoais, arriscamos uma queda calamitosa.

Claro que “o sucesso é tua prova” III:42 e a única lei é fazer a tua vontade. Eu não posso te dizer o que é certo para você. Meu ponto aqui é que uma grande parte do nosso trabalho é enxergar a imagem maior e que a magia sexual não é para o nosso benefício pessoal nem para o deles. Se você não deseja despertar seu parceiro “outra mulher despertará a volúpia e a adoração da Serpente” II:34. E Ra HOOR KHUT adverte: “Que a Mulher Escarlate se acautele! Se piedade e compaixão e ternura visitarem seu coração; se ela deixar meu trabalho para brincar com velhas doçuras; então deverá minha vingança ser conhecida.” III:43

Como todo o poder vem através da mulher escarlate, ela precisa ser senhora de si mesma de fato para evitar a ruína. Magia sexual não é um brinquedo ou um hobby. É um caminho espiritual serio para as mulheres que exige uma discriminação cuidadosa para evitar a colonização, por um lado, e terríveis tristezas e arrependimentos do outro. Não há vergonha em admitir que isso não é para você. Se você não é tão inclinada a isso, pode desfrutar de todos os frutos da lei de Thelema, “A Lei é para todos.” I:34 e escolher a realização pessoal no plano horizontal. Essa pode ser sua vontade. No entanto, para a mulher que é elegante, inteligente, madura e totalmente comprometida em servir a seu Deus acima de qualquer pessoa e qualquer outra coisa, a magia sexual detém a promessa da redenção de sua natureza inferior.
Não só as mulheres participam igualmente na magia sexual como redimidas, mas os insights que ganhamos trabalhando a fórmula de Babalon no lado direito da árvore da vida iluminam este Aeon para todos. Na fórmula, trabalhamos externamente em nossos próprios corpos e os homens trabalham interiormente. As mulheres neste Aeon são, portanto, o equilíbrio para contribuir com o conhecimento mágico fundamental.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/redencao-feminina-ou-como-abracar-a-receptividade-com-autoridade/

Princípios da Promulgação

Por IAO131 traduzido pelo Mago Implacável

Faça o que tu queres há de ser o todo da lei

Original https://iao131.com/2010/05/07/principles-of-promulgation/

“Você pode considerar o estabelecimento da Lei de Thelema como um elemento essencial da sua Verdadeira Vontade, desde que, a natureza final daquela Vontade, a condição evidente para colocá-la em execução seja a libertação da interferência externa.” Crowley – Dever

Algumas pessoas têm náuseas quando o assunto é a promulgação da Lei de Thelema, geralmente derivada de uma má interpretação dos motivos daqueles que a promulgam.
1) “there is no law beyond do what thou wilt” – Liber AL vel Legis III:60 (Trad: Não há lei além de faça o que tu queres)

Nossa mais alta e central lei de Thelema é “Faça o que tu queres”, e todas as nossas ações são uma expressão dessa ideia. Claque que há muitos Mistérios a serem compreendidos e Segredos a serem estudados, contudo todos os objetivos estão subordinados á clausura petra da realização da Vontade. Isso significa, em termos de promulgação, que todos os esforços para espalhar ideias são diretamente conectadas com a transmissão da Lei de Thelema – o uso de magick & yoga, fraternidade, Segredo do IX Grau da OTO¹, a filosofia,etc – são feitos como expressão desta mesma Lei. Ou seja, quando ensinamos magick, o fazemos dentro do entendimento que isso irá nos ajudar a compreender e fazer nossa Vontade mais completa, ensinamentos sobre fraternidade se dão no contexto da Lei, os esforços de ensinar outros tópicos são feitas para que o caminho individual tenha para um melhor conhecimento da Lei.

2) “The Law is for All” – Liber Al vel legis – 1:34 (A Lei é para Todos”)

A Lei de Thelema se aplica a todos os planos. Thelema não é simplesmente uma lei para a elite da humanidade, embora crie espaço para seu surgimento e permite o total desenvolvimento de Eremitas². Enquanto alguns se empenham para tornar-se o Ipsissimus da A.’.A.’. ou IX Grau da OTO, é válido para uns serem Homens da Terra e Amantes³. Há muitos “lugares de repouso” dentro das Ordens que será de sua natureza de alguns a sua permanência por lá. Como promulgadores da Thelema, é o nosso dever fazer com que essa Lei seja conhecida por qualquer um e por todos, não por sabermos a verdadeira vontade daquel que recebe os materiais da promulgação, mas de modo a permitir pra que cada um possa ler as fontes originais e integrar a Lei em seus termos.
Além disso, o estabelecimento da Lei de Thelema no mundo está inerentemente atrelado com a realização da Verdadeira Vontade do Indivíduo. Como a citação no inicio do artigo diz “Você pode considerar o estabelecimento da Lei de Thelema como um elemento essencial da sua Verdadeira Vontade, desde que, a natureza final daquela Vontade, a condição evidente para colocá-la em execução seja a libertação da interferência externa’’”. Ou seja, ao estabelecer da Lei da Liberdade no mundo, permitimos a realização da Verdadeira Vontade livre das “interferências externas”, incluindo aqui os remanescentes intrometidos e perseguidores do Velho Aeon. Desta forma nos aproximamos do ideal da humanidade como devia ser, sem obstáculos ou inibições e dos atritos de interpessoal, tal qual as estrelas em seu percurso noturno

3) ”Não discutas, não convertas” – Liber AL Vel Legis III:42

Ainda que nosso dever seja fazer a ciência da Lei junto ao público, NÃO é o seu dever:
• Converter pessoas para o nosso ponto de vista
• Convencer pessoas de que estamos corretos
• Ameaçar as pessoas que não aceitam nossa Lei e nossas perspectivas
• Discutir sobre os temas filosóficos e teológicos

Ainda que tudo isso seja verdadeiro, o Livro da Lei também diz: ”e para cada homem e mulher a quem tu conheceres, mesmo que seja apenas para comer e beber com eles, esta é a Lei a ser dada. Então eles terão a chance de permanecer neste êxtase ou não; isso não é problema. Fazei isso rapidamente!” (III:39). Isto é fundamental paracompreender a diferença entre a Promulgação dos Thelemitas e a tentativa de conversão tradicional de como propostas, por exemplo, os alguns grupos Cristãos. Nós não ameaçamos as pessoas com histórias de pecado, hinos sobre nossa culpa, julgamento no além-mundo e também não cabe estar presente o “salvar a alma” na promulgação da Lei de Thelema. Nós damos a Lei de Thelema para todos sem argumentação ou esperança de conversão e eles podem “permanecer neste êxtase ou não; isso não é problema” para nós.

4) “We shall bring you to Absolute Truth, Absolute Light, Absolute Bliss”.Liber Porta Lucis linha 17 (Nós vos traremos à Verdade Absoluta, Luz Absoluta, Êxtase Absoluto.”)
Embora sejam estas todas justificativas teóricas pra promulgação, há também um sentido mais íntimo: Thelemitas que experienciam a beleza, a verdade e a sabedoria da Lei de Thelema irão inerentemente querer compartilhar essa alegria com outros. Ao experienciar a libertação da tirania e superstição e a liberdade de espírito inerente à Doutrina Thelemica, é natural que o desejo de compartilhar as chaves que o ajudou a quebrar as suas correntes.

O ato de divulgar a Lei de Thelema não é feito pelo desejo de incrementar o ego. Ao contrario, experiências durante se promulga é em geral um grande boost no ego e soma se ao fato que este está se expondo para diversos elementos que deverão ser integrados no “amor sob vontade”. Divulgar a Lei de Thelema não é feito pelo desejo de recrutar o ouvinte para uma ordem em especifico, embora expôr pessoas para os ensinamentos de ordens como a OTO(e outras), é certamente, uma expressão válida de promulgação. O objetivo não é conseguir o maior e mais malvado grupo para que você possa se deleitar em seu poder, mas sim o objetivo é pra cada individuo, nos SEUS termos e do SEU jeito conhecer, entender e começar a agir conforme a lei de Thelema em suas vidas.

“Amor é a Lei, amor sob vontade”

1- Nota do tradutor: a subida do monte abgnieni
2- Nota do Tradutor:Ou Neophytos e Zelator
3 ou Nephytos ou Zelator

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/princ%C3%ADpios-da-promulga%C3%A7%C3%A3o

A Ordem Astrum Argentum – Com Alan Willms

Bate-Papo Mayhem 193 – Com Alan Willms – A Ordem Astrum Argentum

https://projetomayhem.com.br/

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/DXN_41s28Z8

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem.

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral três vezes por semana, às terças, quartas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados duas vezes por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-ordem-astrum-argentum-com-alan-willms

A Rectificação do Calendário Thelêmico

O Evento tecnicamente conhecido como “Equinócio dos Deuses” ocorreu a 20 de março de 1904 e.v. Uma vez que o Calendário Thelêmico inicia a sua contagem a partir desta data conclui-se naturalmente que o período entre 20 de março de 1904 e.v. e a mesma data de 1905 e.v. corresponda ao ano I do Aeon de Hórus . Assim temos que:

20/03/1904 e.v. a 21/03/1905 e.v. = ano I
20/03/1905 e.v. a 21/03/1906 e.v. = ano II
20/03/1906 e.v. a 21/03/1907 e.v. = ano III
………………………………………………………….
20/03/1996 e.v. a 21/03/1997 e.v. = ano XCIII
20/03/1997 e.v. a 21/03/1998 e.v. = ano XCIV
20/03/1998 e.v. a 21/03/1999 e.v. = ano XCV

Existe, portanto, uma defasagem de um ano em relação ao Calendário em voga, que afirma encontrarmo-nos no ano XCIV do Aeon de Hórus quando uma contagem mais correta seria a de XCV, como acima demonstrado. Temos perfeita ciência de que nada expusemos no presente trabalho além de uma simples operação de aritmética ao alcance de qualquer um que possua o curso primário ainda que incompleto e, se existe algo de intrigante ou misterioso aqui, é como um raciocínio tão simples não terá ocorrido a ninguém em quase um século desde a Promulgação da Lei. Se isto não é um indício bastante claro da situação lastimável em que o movimento dito Thelêmico haverá mergulhado, sinceramente não sabemos o que poderá ser.

Por Frater Sinn

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-rectificacao-do-calendario-thelemico/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-rectificacao-do-calendario-thelemico/

Iniciação no novo Aeon: Introdução e Morte/Iluminação Não-Cataclísmica

Tradução: Mago Implacável

Revisão: Ms. Patalógica

Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei.

Nota: originalmente escrito em 12 de Abril de 2009

“Em nome do Senhor da Iniciação, Amen”

– “Liber Tzaddi linhas 0 & 44

0) Introdução

Um Novo Aeon foi proclamado e iniciado em abril de 1904 com a recepção do “Livro da Lei”, “Liber AL vel Legis”. Um novo Aeon implica um novo paradigma ou um novo ponto de vista a partir do qual se vê o mundo. De acordo com “Liber Causae”: “[e]m todos os sistemas de religião deve-se encontrar um sistema de Iniciação, que pode ser definido como o processo pelo qual um homem vem a aprender essa Coroa desconhecida”. Se Iniciação é comum a “todos os sistemas religiosos”, então como a Iniciação deve ser compreendida neste Aeon da Criança Coroada e Conquistadora? Quais são as mudanças de paradigma que caracterizam o ponto de vista deste Novo Aeon?

Pretendo esboçar as visões básicas da Iniciação do Novo Aeon neste ensaio. O uso do jargão esotérico será limitado dentro do que é possível; idealmente, um indivíduo que nunca encontrou Thelema deve ser capaz de compreender muitas das ideias aqui explicadas. Deve-se notar que as várias ideias e fórmulas que ainda são válidas neste Novo Aeon, ou seja, aquelas idéias que são “substituídas” e não “revogadas”, não serão mencionadas (o que nada mudou dos Aeons Antigos).As ideias básicas que cercam a Iniciação do Novo Aeon são: morte/realização como não cataclísmica; o Verdadeiro Eu contém tanto o bem como o mal; o abraçar o mundo; o eu como redentor e nenhuma perfeição da alma. Todos estes pontos serão devidamente tratados, e cada um será exemplificado por uma citação central do corpus de Thelema.

LINK ORIGINAL: https://iao131.com/2010/07/22/new-aeon-initiation-introduction-death-attainment-as-non-cataclysmic/

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/inicia%C3%A7%C3%A3o-no-novo-aeon-introdu%C3%A7%C3%A3o-e-morte-ilumina%C3%A7%C3%A3o-n%C3%A3o-catacl%C3%ADsmica

A Recrucificação de Jesus

O texto abaixo faz parte do trabalho de Soror Nanay, em organizado por Frater S.R em cima da operação ensinada por Crowley no Liber 70. Trata-se de uma prática de magia cerimonial avançada, que dificilmente será entendida pelo iniciante, por usar entre outros ardis o polêmico sacrifício animal, em seguida consumido como sacramento. Trata-se de um proceder multi-propósito, mas o seu principal objetivo é aniquilar completamente o cristianismo de uma pessoa.

No caso de Crowley ele julgou necessário este procedimento por causa das fortes impressões cristãs que adquiriu durante seu trabalho com tiphareth. Segundo seus diários ele não saiu de seu quarto por alguns dias tamanho o impacto pelo qual passou.

Além disso esta é também uma operação adequada a criação de uma espírito servidor de natureza mercurial que pode ser usado pelo mago para diversos fins. Estas mesmas operações podem ser encontradas de maneira velada no Apocalipse de São João.

O fato do ritual envolver um sacrifício animal causa naturalmente polêmica. Podemos dizer sem medo que com um pouco de criatividade a rã pode ser substituida por algum objeto inanimado. Ma seria desonesto afirmar que o impacto emocional permaneceria o mesmo.

Neste Ritual o Oficial Principal representa uma Serpente, por causa do Mercúrio (a comida adequada de serpentes são rãs). O mistério de concepção é o capturar da rã em silêncio, e a afirmação da vontade para executar esta cerimônia.

A Captura

A rã que é pega é mantida toda a noite em uma arca ou cofre; é escrito:

‘Tu não foste encolhido no útero da Virgem`

Em seguida a rã vai começar a saltar naquela circunstância, e este é um presságio de sucesso. Aproximando-se o amanhecer, tu deverás te aproximar do cofre com uma oferenda de ouro, e se disponível de incenso e de mirra. Tu deverás soltar a rã então do cofre com muitos atos de homenagem e coloca-la em liberdade aparente. Por exemplo, ela pode ser colocada em uma colcha de muitas cores, e coberta com uma rede.

Agora leve uma vasilha de água e aproxime a rã e diga:

`No Nome do Pai e do Filho e do espírito Santo (aqui burrifique água em sua cabeça) eu batizo-vos, ó criatura das rãs, com água, pelo nome, de Jesus de Nazaré.`

Durante o dia tu deverás aproximar-te da rã sempre que conveniente, e falar palavras de adoração. E tu deverás pedi-la que execute aqueles milagres que tu desejas que seja feito; e eles serão feitos de acordo com vossa vontade. Também tu deverás prometer à rã uma elevação que seja adequada a ela; e tudo isso enquanto tu secretamente estarás esculpindo uma cruz para crucificá-la.

A Acusação

Ao cair da noite, tu deverás prender a rã, e a acusar de blasfêmia, sedição e assim sucessivamente, nestas palavras:

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei. Ó, Jesus de Nazaré, como vós fostes pega em minha armadilha. Em toda minha vida vós me infestastes e me enfrentou. Em vosso nome – com todas as outras almas livres na Cristandade – eu foi torturado em minha juventude; todas as delícias foram proibidas sobre mim; tudo aquilo que eu tive foi levado de mim, e queé devido a mim eles não pagam – em vosso nome.

Agora, afinal, eu vos tenho; o Deus-escravo está em o poder do Senhor da Liberdade. Vossa hora chegou; como eu vos destruo desta terra, tão seguramente deverá o eclipse passar; e a Luz, Vida, Amor e Liberdade serão mais uma vez a Lei da Terra.

Dê teu lugar para mim, ó, Jesus; Vosso Aeon é passado; a Idade de Hórus surgiu pela Magick do Mestre, a Besta que é o Homem; e o número dele é seiscentos e sessenta e seis. Amor é a lei, amor sob vontade.

Após um momento de pausa, concluí-se a acusação:

Eu, To Mega Therion [A Grande Besta], então condeno a vós, Jesus o Deus-escravo, a ser escarnecido e cuspido, açoitado e então crucificado.

A Crucificação

Esta sentença é executada então. Depois do escarnecer na Cruz, diga assim: Faça o que tu queres há de ser o todo da Lei. Eu, a Grande Besta, vos matando, Jesus de Nazaré, o Deusescravo, sob a forma desta criatura das rãs, abençôo esta criatura no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

E eu assumo sob mim mesmo e pego a meu serviço o espírito elementar desta rã, para estar sobre mim como um espírito em prontidão, entrar adiante na terra como um guardião para mim no meu trabalho para a Humanidade; aqueles homens que podem falar de minha devoção e de minha gentileza e de todas as virtudes; traga a mim amor e assistência em todo as coisas materiais, de qualquer modo, onde eu possa estar em necessidade.

E esta será sua recompensa, estar ao meu lado e ouvir a verdade que eu dissemino, sobre a falsidade com a qual enganam os homens. Amor é a lei, amor sob vontade.

Então tu deverás apunhalar a rã no coração com o Punhal da Arte, dizendo: Em minhas mãos eu recebo vosso espírito.

O Sacramento

Presentemente tu deverás pegar a rã da cruz e dividi-la em duas partes; as pernas tu deverás coze-las e comer como um sacramento para confirmar vossa união com a rã; e o resto tu deverás queimar totalmente no fogo, para que o Aeon do amaldiçoado finalmente seja consumido. Assim seja!

Aleister Crowley

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-recrucificacao-de-jesus/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-recrucificacao-de-jesus/

Raul Seixas, Thelema, Livro da Lei e a Besta 666 – Toninho Buda

Bate-Papo Mayhem 220 – 16/08/2021 (Segunda) Com Toninho Buda – Raul Seixas, Thelema, Livro da Lei e a Besta 666

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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#Batepapo

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