Abaixo a Inteligência!

Gilberto Antônio Silva

O Taoismo é uma filosofia pouco conhecida no Brasil. Mas, além disso, o pouco que se conhece ainda está cheio de imprecisões e mal-entendidos. É muito difícil encontrarmos algum material que fale sobre o Taoismo como ele realmente é. Parece que temos em nosso país algum tipo de má vontade para com os antigos chineses, que impede as pessoas de executarem a mais ínfima pesquisa antes de sair falando de nossa filosofia como se fossem grandes especialistas.

Mas esse tipo de coisa não vem de hoje. Um dos assuntos preferidos pelos “especialistas” fictícios é o Wuwei, a não-ação. Ela já foi chamada de tudo e interpretada de todas as formas, exceto dentro das ideias taoistas propriamente ditas. Outra grande aberração intelectual é a própria ideia de “inteligência”, muito presente no Tao Te Ching. É dela que vou me ocupar neste artigo.
Existem algumas passagens do Tao Te Ching que falam sobre a inteligência, quase sempre de maneira pouco convidativa, ou assim nos parece à primeira vista. Veja alguns trechos:

CAPÍTULO 18
Quando se perde o Grande Caminho
Surgem a bondade e a justiça
Quando aparece a inteligência
Surge a grande hipocrisia
Quando os seis parentes não estão em paz
Surgem o amor filial e o amor paternal
Quando há desordem e confusão no reino
Surge o patriota

CAPÍTULO 19
Anule o sagrado e abandone a inteligência
E o povo cem vezes se beneficiará
Anule a bondade e abandone a justiça
E o povo retornará ao amor filial e ao amor paternal
Anule a engenhosidade e abandone o interesse
E não haverá mais ladrões nem roubos
Se estas três frases ditas não são o suficiente
Então faça existir aquilo em que se possa confiar
Encontrando e abraçando a simplicidade
Reduzindo o egoísmo e diminuindo os desejos

Com base nisso, os especialistas ocidentais já tiraram várias conclusões sobre o Taoismo, especialmente de que ele não gosta de estudo, é contra a educação e prega que se abandonem as cidades e vá todo mundo viver na floresta. Acredite, isso foi devidamente difundido como uma análise correta do Taoismo dentro do círculo filosófico ocidental.
Segundo o Manual de Filosofia, obra didática escolar muito popular em meados do século XX, de Theobaldo M. Santos,

“Lao-Tsé admitia a existência de uma Razão suprema, causa de todos os seres e norma de ação moral, e pregava a supremacia do bem comum e a defesa da paz e da tranqüilidade geral, para o que julgava indispensável abolir a instrução, fonte de desejos e inquietações.”

Se não fosse trágico, seria muito engraçado. Essa visão expressa nessa obra não é coisa incomum, já vi essas mesmas ideias de várias formas diferentes, em livros do começo do século XX até poucos anos atrás. Porque o erro persiste. Na verdade, o Taoismo, pelo contrário, é grande incentivador do estudo. Os três pilares da vida taoista são o Tao (o Caminho), o Shi (os Mestres) e o Jing (os livros).

Mas por que o Taoismo fala assim da inteligência? Antes de tudo é preciso conceituar a “inteligência” de que nos fala Laozi. Para o Taoismo, a inteligência é o equivalente à artimanha, à engenhosidade, à malícia. Ao fazer algo esperando receber outro algo em troca ou tentar conduzir as pessoas de modo a ter um ganho individual, usamos nossa “inteligência”. Isso, claro, é ilusório, posto que está ligado ao apego às coisas humanas, fruto da perda da Unicidade. Essa “inteligência” é fruto do mundo dualista, do universo manifestado e não do Tao, por isso deve ser evitado. Ela nos conduz para longe do Caminho.

Nos exemplos mostrados, o Capítulo 18 diz “Quando aparece a inteligência, surge a grande hipocrisia”. Isso significa que sempre que se usa de artimanhas e malícia, nosso verdadeiro objetivo está sendo ocultado, daí o surgimento da hipocrisia. Nossas ações não são sinceras, mas se destinam a determinados objetivos ocultos.

Já o Capítulo 19 é ainda mais incisivo ao dizer que “Anule o sagrado e abandone a inteligência e o povo cem vezes se beneficiará”. Aqui novamente se faz referência ao mundo dual, o universo manifestado que não é senão um pálido reflexo do Tao. “Anular o sagrado” significa deixar de enxergar o sagrado apenas nas coisas ditas “sagradas”, como templos, igrejas, livros, relíquias, e notar que o sagrado está em todas as coisas. Tudo está imerso no sagrado, pois tudo faz parte do Tao. “Abandonar a inteligência” tem o mesmo sentido que examinamos anteriormente, de eliminar a maquinação e a malícia em prol da sinceridade. Por fim, “o povo cem vezes se beneficiará” é um recado não apenas aos governantes, mas a todos nós, que somos o povo. Agir com sinceridade e enxergando o sagrado em tudo, e principalmente em todos, é o caminho certo para uma sociedade mais harmoniosa.

O oposto a essa inteligência é chamado de “não-intenção”, da qual Mestre Wu Jhy Cherng nos fala repetidamente em seus comentários sobre o Tao Te Ching. Quando falamos em não-ação (Wuwei) não falamos sobre a imobilidade, o não fazer nada, mas em agir segundo os movimentos naturais, seguir a natureza. A não-intenção é fundamental para que essas atitudes estejam dentro do Wuwei. Fazer algo simplesmente porque deve ser feito, sem prestar atenção ou exprimir desejos quanto aos frutos de seu resultado, está em completa concordância com a não-ação.
Se uma senhora anda na rua cheia de pacotes e um cai, você automaticamente se abaixa, pega o pacote e o devolve a ela. É um movimento natural. Não fez isso porque espera uma recompensa dela, porque vai ganhar méritos no Céu, porque Deus mandou ou qualquer outro motivo. Agiu porque era o que devia ser feito naquele momento.
A não-intenção é a essência interior da ética taoista na qual não existem regras de conduta explícitas, mas onde o praticante deve unicamente seguir o Tao, seguir a natureza e fazer o que deve ser feito. Sem maquinações, sem planos mirabolantes e sem esperar recompensas ou favorecimentos. Sem usar sua “inteligência”.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica filosofia e cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo, e Editor Responsável da revista Daojia, especializada em filosofia e artes taoistas e cultura chinesa. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#Tao #taoísmo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/abaixo-a-intelig%C3%AAncia

Cursos de Hermetismo – Carnaval 2016

160206 - kabbalah

Como já se tornou uma tradição aqui no TdC, o pessoal que odeia Carnaval e quer tirar os 4 dias para Estudar pode fazer os Cursos de Hermetismo agora neste final de semana.

Para quem mora longe de São Paulo ou tem problemas para estudar nos finais de semana, começando dia 06/02 teremos o mesmo Curso de Kabbalah Hermética e o Curso de Astrologia Hermética em Ensino à Distância com a mesma qualidade do curso presencial, mas que você pode organizar seu tempo de estudo conforme suas necessidades.

06/2 – Kabbalah

07/2 – Astrologia Hermética

08/2 – Runas e Magia Rúnica

09/2 – Magia Pratica (pre-requisitos Kabbalah e Astrologia)

Horário: Das 10h00 as 18h00

próximo ao metrô Vila Mariana.

Informações sobre os Cursos de Carnaval.

Reservas e Valores: marcelo@daemon.com.br

KABBALAH

Este é o curso recomendado para se começar a estudar qualquer coisa relacionada com Ocultismo.

A Kabbalah Hermética é baseada na Kabbalah judaica adaptada para a alquimia durante o período medieval, servindo de base para todos os estudos da Golden Dawn e Ordo Templi Orientis no século XIX. Ela envolve todo o traçado do mapa dos estados de consciência no ser humano, de extrema importância na magia ritualística.

O curso abordará as diferenças entre a Kabbalah Judaica e Hermética, a descrição da Árvore da Vida nas diversas mitologias, explicação sobre as 10 Sephiroth (Keter, Hochma, Binah, Chesed, Geburah, Tiferet, Netzach, Hod, Yesod e Malkuth), os 22 Caminhos e Daath, além dos planetas, signos, elementos, cores, sons, incensos, anjos, demônios, deuses, arcanos do tarot, runas e símbolos associados a cada um dos caminhos.

O curso básico aborda os seguintes aspectos:

– A Árvore da Vida em todas as mitologias.

– Simbolismo e Alegorias na Kabbalah

– Descrição e explicação completa sobre as 10 esferas (sefirot).

– Descrição e explicação completa sobre os 22 caminhos.

– Cruzando o Abismo (Véu de Paroketh).

– Alquimia e sua relação com a Árvore da Vida.

– O Rigor e a Misericórdia.

– A Estrela Setenária e os sete defeitos capitais.

– Letras hebraicas, elementos, planetas e signos.

ASTROLOGIA

A Astrologia é uma ciência que visa o Autoconhecimento através da análise do Mapa Astral de cada indivíduo. Conhecido pelos Astrólogos e Alquimistas desde a Antigüidade, é um dos métodos mais importantes do estudo kármico e um conhecimento imprescindível ao estudioso do ocultismo.

O curso básico aborda os seguintes aspectos:

– Introdução à Astrologia,

– os 7 planetas da Antigüidade, Ascendente e Nodos

– os 12 Signos,

– as 12 Casas Astrológicas,

– leitura e interpretação básica do próprio Mapa Astral.

Cada aluno recebe seu próprio Mapa Astral (precisa enviar antecipadamente data, hora e local de nascimento) para que possa estudá-lo no decorrer do curso.

RUNAS

O tradicional oráculo nórdico. A palavra Runa quer dizer: segredo.

As runas são pequenas pedras que têm gravadas sobre a sua superfície desenhos que representam as letras de um antigo alfabeto germânico. Através delas, os antigos faziam previsões, falavam com os deuses e sondavam as profundezas da alma humana. O curso Inclui:

– História da mitologia Nórdica.

– Yggdrasil, a Árvore da Vida.

– Explicação detalhada das 24 runas (normais e invertidas).

– Posicionamento de cada Runa dentro da Árvore da Vida.

– Métodos: 1 pedra, 3 pedras, Leitura associada às Casas Astrológicas

– Leitura tradicional: Freyir, Heimdall, Odin e 9 Pedras.

– Tela Rúnica.

– Alfabeto Rúnico e Escrita Rúnica para ritualística.

Total: 8h de curso.

MAGIA PRÁTICA

Pré-requisitos: Astrologia Hermética I e Kabbalah.

O curso aborda aspectos da Magia Prática tradicional, desde suas tradições medievais até o século XIX, incluindo os trabalhos de John Dee, Eliphas levi, Franz Bardon e Papus. Engloba sua utilização no dia-a-dia para auto-conhecimento, ritualística e proteção. Inclui os exercícios de defesa astral indispensáveis para o iniciado.

– O que é Magia.

– O que é o Mago.

– Advertancias a respeito da Magia.

– Qualidades do Mago.

– Os instrumentos do Mago.

– Os planos e suas vibrações.

– Sobre o Astral.

– O Magnetismo.

– Os chakras.

– Horas magicas.

– Lunario Magico.

– Os sete planetas e seus espiritos de influência.

– Os pantaculos e os quadrados magicos.

– Sobre a purificação.

– Disciplina corporal e mental.

– A visualização.

– A viagem astral.

– Obsessão, possesão, larvas e exorcismos.

– Exercicios de Proteção.

– Os mantras e a oração.

– Ritual Menor do Pentagrama.

– Exercicio da pilastra mediana.

– A sigilação.

– Como fazer água lustral.

– Consagrações.

Total: 8h de curso.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cursos-de-hermetismo-carnaval-2016

O dia em que a Terra parou (parte final)

« continuando da parte 1

Artigo original em inglês por Lynn Picknett e Clive Prince (para a revista Fortean Times), tradução de Rafael Arrais. Algumas das notas ao final também são minhas.

“Se eu vi mais longe, foi por estar de pé sobre ombros de gigantes.” (Bernard de Chartres).

A revolução hermética

Voltando a Bruno, em 1592 ele se mudou para Veneza – e conforme as coisas ocorreram após, foi uma decisão equivocada. A república era um viveiro de oposição a autoridade papal, e inclusive haviam movimentos no sentido de se forjar uma aliança política e religiosa com a Inglaterra. As figuras chaves neste plano estavam todas associadas a Bruno, incluindo Traiano Boccalini, autor de Novidades do Parnaso que, explicitamente modelado numa das obras de Bruno, pedia uma “reforma geral de todo o mundo” [1]. Bruno também visitou um antigo contato em Pádua, na República da Veneza, Gian Vincenzo Pinelli, o distinto erudito no centro da rede de intelectuais e pensadores radicais da Europa. Ele hoje é mais conhecido como o mentor de Galileu.

Entretanto, Bruno foi traído e entregue a Inquisição, tendo permanecido na prisão, em Roma, por oito anos, antes de ser queimado na fogueira em Fevereiro de 1600. Seu julgamento final e execução foram presididos pelo Cardeal Inquisidor Roberto Bellarmino, mais tarde um personagem chave do drama envolvendo Galileu.

A saída de cena de Bruno deixou um vazio no palco central, uma grande oportunidade para um intelectual aspirante. Bruno havia aplicado para a cadeira de matemática na Universidade de Pádua, mas após sua detenção o emprego caiu no colo de outro candidato – chamado Galileu Galilei [2]. No entanto, algo de maior impacto imediato foi a chegada, alguns meses após a partida de Bruno, de seu herdeiro no Hermetismo.

As impressionantes similaridades entre as carreiras, filosofias e objetivos de Bruno e Tommaso Campanella (1568-1639) sugerem um plano compartilhado. De fato, a chegada do jovem Campanella (então com apenas 23 anos) na cena hermética italiana, logo após a prisão de Bruno, sugere que ele estava dando continuidade ao que o napolitano foi forçado a largar. Assim como Bruno, Campanella era um napolitano e dominicano que tornara-se um cruzado do Hermetismo. Chegando a Pádua logo após a saída de cena de Bruno, Campanella encontrou-se com Pinelli e Galileu. Foi também em Pádua que ele foi preso pela Inquisição, no início de 1594, e transferido para Roma – para a mesma prisão onde esteve Bruno. Comparado a Bruno, Campanella teve uma pena bem mais branda: após haver abjurado toda sua obra, foi levado a um monastério dominicano e então, logo após, enviado de volta a Nápoles.

Campanella compartilhava da visão de Bruno onde o heliocentrismo seria um gatilho para uma mudança de era – seu maior trabalho foi A cidade do Sol (La città del Sole, escrito antes de 1602; publicado em 1623), onde ele delineou sua visão de uma sociedade ideal amparada pelos princípios herméticos – que ele acreditava que iria se iniciar a partir de 1600 [3]. A aproximação do novo século o encorajou a ser muito mais proativo, politicamente, do que Bruno. Ele ajudou a organizar a Revolta Calabresa, tentando expulsar os regentes espanhóis do Reino de Nápoles para pavimentar o caminho ao estabelecimento de uma república baseada em princípios mágicos, um sistema que iria manter soerguida a tocha da nova era, para que o resto do mundo os seguisse.

Informantes traíram a insurreição em favor da Espanha, e após a organização haver sido impiedosamente esmagada em Novembro de 1599, Campanella e os outros líderes foram presos. Isto quase certamente explica o repentino desejo da Inquisição em se livrar de Bruno, que também protestava contra a regência espanhola e foi o inspirador espiritual da revolta; ele foi para a fogueira praticamente três meses depois. Stephen Mason, da Universidade de Cambridge, argumenta que ele foi executado como forma de exemplo aos rebeldes calabreses, por conta de sua conexão com Campanella [4]. Executando publicamente o líder espiritual dos insurgentes no início de seu ano especial, 1600, foi sem dúvida um movimento calculado [5].

Campanella escapou da pena de morte fingindo-se louco, e foi então sentenciado a pena perpétua em sua própria residência. Mas ele não apenas teve direito ao acesso a livros e materiais de escrita, como também recebia visitas de eruditos, que se asseguravam de que seus escritos fossem publicados na Alemanha. Presumivelmente propinas estavam envolvidas neste processo.

Vista sob a luz das maquinações políticas dos herméticos – especialmente a ameaça dos sombrios Giordanos – a evocação original do nome de Hermes Trimegisto, feita por Copérnico em seu Da Revolução das Esferas Celestiais, era algo que dificilmente teria escapado do olhar dos guardiões da Igreja. Os defensores da Igreja – a Inquisição e os Jesuítas – tinha todas as razões para estarem nervosos. Durante o século 16, a Igreja Romana havia experimentado seu maior trauma, o advento do Protestantismo. Quem poderia dizer o que poderia ocorrer a seguir? Talvez a Inquisição e os Jesuítas tenham reagido de forma desproporcional, mas aqueles tempos despertavam a paranoia.

Enquanto a ideia de Copérnico permanecesse como uma simples teoria, entretanto, as implicações herméticas poderiam ser contidas. Porém, quando um indivíduo declarou que ele havia encontrado uma prova, então a Igreja ficou seriamente preocupada. E a ansiedade eclesiástica cresceu ainda mais com tal ameaça de um associado direto dos místicos revolucionários, Tommaso Campanella e os outros Giordanos suspeitos – em outras palavras, Galileu.

O mensageiro das estrelas

A carreira de Galileu Galilei se iniciou em 1592 aos 28 anos – graças à prisão de Bruno –, quando ele se tornou professor de matemática na Universidade de Pádua. Lá, como vimos, ele se encontrou com Campanella, no que foi o início de uma colaboração de toda uma vida. Outra grande influência foi seu mentor Pinelli, que o introduziu a ciência emergente da ótica, que ajudou a formar sua reputação. Outro associado herege era Traiano Boccalini, autor de Novidades do Parnaso (inspirado em Bruno). Com amigos como esses, Galileu certamente já estava na lista negra da Inquisição desde o início.

Galileu também estava familiarizado com os escritos de Bruno. De fato, após a publicação do primeiro livro de Galileu que tocava esta controvérsia, o astrônomo e matemático alemão Johannes Kepler o criticou por não deixar claro em sua obra o débito intelectual que ela tinha para com as ideias de Bruno.

Foi por volta de 1610, com a nova tecnologia do telescópio, que Galileu fez observações – a superfície acidentada da Lua, as luas de Júpiter, e particularmente as fases “quase lunares” de Vênus – que davam imenso suporte a teoria de Copérnico. Galileu reconheceu o potencial de suas descobertas, e rapidamente resumiu a primeira leva de observações em seu Sidereus Nuncius (O Mensageiro das Estrelas), de 1610. A intelligentsia (grupo de pessoas engajadas em trabalho intelectual) estava entusiasmada: ele rapidamente tornou-se matemático e filósofo da corte de Cosimo de Medici, Grade Duque da Toscana.

Entretanto, Galileu não usou suas descobertas para apoiar a teoria copernicana, mesmo em sendo um defensor ardoroso dela, conforme escreveu a Kepler em 1597, contanto que havia “sido convencido por Copérnico muitos anos atrás”. No Mensageiro das Estrelas, e noutro livro sobre suas descobertas acerca das fases de Vênus, ele meramente apresentou suas observações. Talvez já imaginasse que seria mais seguro não alardear as implicações copernicanas de seus livros.

É claro que o destino de Bruno estava gravado em sua mente como um conto ameaçador. Mas não há nenhuma dúvida de que ele estava totalmente a par da significância do Hermetismo no heliocentrismo. Um de seus mais firmes defensores durante a controvérsia, Campanella escreveu A Apologia de Galileu (Apologia pro Galileo) de sua cela prisional, em 1622. E – então vivendo como um homem livre em Roma sob a proteção do próprio Papa – Campanella ainda se correspondia com Galileu por toda a década seguinte, durante seu período mais difícil, o encorajando a permanecer firme e a lembrar da importância espiritual de seu trabalho [6].

Conforme escreveu Frances Yates, um historiador britânico: “Tanto na Apologia quanto nas cartas a Galileu, Campanella fala sobre o heliocentrismo como um retorno a verdade antiga e o início de uma nova era, usando de linguagem muito similar a de Bruno em A Cena de Le Ceneri [A Ceia da Quarta-Feira de Cinzas, onde ele defende a teoria de Copérnico e declara que o estabelecimento do heliocentrismo iria libertar o espírito humano]… E em outras cartas ele assegura a Galileu que estava construindo uma nova teologia que iria vingá-lo.” [7]

As coisas se encaminharam a uma decisão em 1615 quando Galileu finalmente foi a público, escrevendo: “Eu afirmo que o Sol está localizado ao centro da revolução das órbitas celestes e não se move, e que a Terra gira sobre si mesma e se move em torno do Sol” [8]. Ele tornou-se uma celebridade notória da noite para o dia.

Galileu, Campanella e o Papa

Quando, como resultado da declaração pública de Galileu, o Papa Paulo V ordenou uma investigação em bases teológicas do heliocentrismo, que concluiu que esta teoria era contrária às escrituras, o livro de Copérnico, Da Revolução das Esferas Celestiais, foi finalmente banido, juntamente com outras obras que defendiam o heliocentrismo [9]. Galileu foi chamado a Roma para ser repreendido. O Sol se movia em torno da Terra e não o contrário. Era verdade porque o Vaticano afirmava ser verdade.

Mas houve um subtexto não alardeado: o cardeal que recebeu a tarefa de repreender Galileu foi Roberto Bellarmino, o mesmo que havia interrogado Bruno, o mesmo que havia sido responsável por sua condenação e execução. Isto não foi uma coincidência; Bellarmino havia sido Arcebispo de Cápua desde 1602, porém foi chamado de volta a Roma especificamente para tratar do caso de Galileu.

Bellarmino, é claro, entendia, por experiência própria (tendo lidado com o caso de Bruno), a significância do heliocentrismo para a revolução hermética. Bruno estava morto e Campanella encarcerado em Nápoles, mas eles tinham seguidores – ninguém sabia quantos.  E agora aqui estava Galileu, associado com sujeitos como Campanella, se encaminhando para cada vez mais perto da prova que, segundo Bruno, iria iniciar uma nova era do Hermetismo. Galileu recebeu uma declaração escrita por Bellarmino dizendo que o Papa havia decretado que as ideias de Copérnico não poderiam ser “defendidas ou sustentadas”. Galileu concordou apressadamente.

Ainda mais indicativa foi sua reação imediata: ele pediu a permissão de seu patrono, Duque Cosimo, para viajar a Nápoles – mas esta foi negada. Porque Nápoles? Um ponto crucial do quebra cabeças se encaixou quando lemos num artigo de Olaf Pedersen, um especialista nos aspectos religiosos do caso Galileu, que a razão do pedido de seu pedido e da estranha recusa de seu patrono foi precisamente porque Galileu desejava visitar Tommaso Campanella em sua cela [10]. A Igreja traz de volta o homem que havia condenado Bruno para repreender Galileu, e sua primeira reação é tentar se consultar com o sucessor de Bruno, Campanella…

Ainda que a Galileu tenha sido negada sua viagem, Campanella escreveu A Apologia de Galileu, que foi publicada, em seguida, em Frankfurt, com a ajuda de seus seguidores. No entanto, em se considerando a reputação de Campanella – condenado por heresia e subversão – ele dificilmente ajudaria no caso Galileu. Isto é provavelmente a causa de, em Florença, Galileu ter mantido sua cabeça baixa. Nada no decreto papal proibia a discussão do heliocentrismo como uma hipótese, e muitos intelectuais estavam fazendo exatamente isso, entusiasmadamente. O próprio Galileu não mencionou a questão por muitos anos, embora estivesse claramente esperando por uma oportunidade mais apropriada para retornar a ela.

Então em 1623, um velho amigo, Maffeo Barberini, tornou-se o Papa Urbano VIII. Tomando isto como um sinal de que sua sorte finalmente havia mudado, Galileu foi até Roma visitá-lo pouco depois. A eleição de Urbano era também uma boa notícia para Campanella. Em 1626, Urbano requisitou que o rei da Espanha libertasse-o de sua prisão para que Campanella fosse até Roma realizar magias de proteção. Após 27 anos, Campanella não somente estava livre, como também era o mais novo conselheiro do Papa! Urbano chegou inclusive a lhe dar permissão para fundar uma universidade em Roma para treinar missionários que simpatizavam com suas ideias filosóficas e religiosas. Este favor papal garantido ao seu maior e mais controverso colaborador foi outro bom sinal aos olhos de Galileu.

Galileu decidiu que era seguro escrever seu Diálogo Acerca dos Dois Sistemas Principais do Mundo (Dialogo sopre i due massimi sistemi del mondo), uma discussão cerca do antigo sistema ptolomaico, e do novo sistema copernicano. Com a aprovação prévia da Inquisição, ele foi publicado em Florença em 1632. O Papa apenas pediu a Galileu para que suas próprias ideias anti-heliocêntricas fossem incluídas.

Era significativo, no entanto, que houvessem alguns conceitos próximos entre o Diálogo de Galileu e a obra de Bruno, A Ceia da Quarta-Feira de Cinzas, de 1584. Pode não ter sido uma coincidência, já que esta era exatamente a obra giordana favorita de Campanella. Apesar do mito da “batalha de egos”, ficou claro que Urbano teve de ser “incentivado” a entrar em ação. Seus diversos oponentes dentre os Cardeais Inquisidores estavam começando a sugerir que o aval papal a publicação do Diálogo era um sinal que endossava os crescentes rumores acerca de suas tendências heréticas. Não houve nenhuma batalha de egos. O Papa Urbano estava apenas ficando cada vez mais temeroso.

Um relutante Urbano instruiu a Inquisição a chamar um chocado Galileu até Roma, onde se apresentou diante da Inquisição em Abril de 1633. Ele declarou que seu livro apenas discutia brevemente a teoria de Copérnico, e que até o decreto de 1616 ele não havia considerado nem a hipótese copernicana nem a ptolomaica como definitivas (contradizendo o que escreveu a Kepler 36 anos antes), mas que desde então havia passado a considerar a visão ptolomaica como “verdadeira e além de questionamentos”. Enquanto poucos iriam condenar Galileu por tentar escapar – afinal, esta era a Gestapo do Vaticano – estas palavras dificilmente podem ser imputadas a um nobre defensor da liberdade intelectual, futuro “mártir da ciência”. E ainda assim, Galileu tampouco se pareceu com um velho arrogante que se recusava a admitir que estava errado [11].

Galileu perdeu. Os inquisidores declararam que o Diálogo era uma tentativa dissimilada de promover o heliocentrismo – e nisto provavelmente estavam certos – e que suas desculpas não haviam lhes convencido do contrário. Ele se encontrou “veementemente suspeito de heresia” – apenas um degrau inferior a ser formalmente acusado como herege. Sua única escapatória foi “abjurar e amaldiçoar” as ideias heréticas.

Ajoelhado ante o altar de Santa Maria, no mesmo local onde Bruno foi condenado 33 anos antes, Galileu renegou oficialmente o heliocentrismo. Todas as suas publicações passadas e futuras foram formalmente proibidas, e ele foi condenado a passar o resto de seus dias em prisão domiciliar, embora já tivesse mais de 70 anos na época. Uma de suas primeiras visitas na prisão foi de seu grande colaborador e apologista, Tommaso Campanella.

Conclusão

Apesar do julgamento de Galileu ser sempre citado como o momento onde as forças da razão e do dogma colidiram, o fator hermético é, nós argumentamos, mais importante. A reverência religiosa que os seguidores do Hermetismo davam ao heliocentrismo foi a principal razão que levou a Igreja a condenar tardiamente a teoria de Copérnico, e logo após, ao próprio Galileu. O fator hermético estava lá, mas no pano de fundo, o que é precisamente a causa deste senso de que falta alguma coisa na controversa história deste julgamento.

Entretanto, Galileu de forma alguma era tão inocente quanto parecia. Existem inúmeras questões válidas acerca de sua relação com o movimento undergroud da reforma hermética. Há sua contínua associação e correspondência com Campanella, especialmente seu desejo de visitá-lo logo após a primeira repreensão dada pela Inquisição, em 1616. Campanella dificilmente seria o tipo de companhia que Galileu gostaria de manter, há menos que tivesse relação com os Giordanos.

E há ainda o aparente uso das ideias de Bruno – que, em seu A Ceia da Quarta-Feira de Cinzas, fez a primeira menção ao Sol de Copérnico como o gatilho para uma nova era hermética – como modelo para o seu Diálogo Acerca dos Dois Sistemas Principais do Mundo. Seria esta a forma que encontrou para demonstrar aos Giordanos que era um simpatizante? Ou seria o próprio Galileu um dos membros ativos desta organização revolucionária?

***

[1] Nota dos autores: Esta é descrição da obra de Boccalini declamada no primeiro dos famosos manifestos rosacrucianos de 1614, que incluíam um trecho de Novidades do Parnaso (News from Parnassus), uma dos diversos exemplos da conexão estreita entre o movimento de reforma do Hermetismo italiano e os círculos germânicos de onde o rosacrucionismo surgiu.

[2] Nota dos autores: Timothy Ferris: Coming of Age in the Milky Way, The Bodley Head, 1989, p.85–86.

[3] Devemos levar em consideração que as mudanças de séculos (ao menos no calendário cristão) despertavam muitas ideias de “mudanças de era”. No entanto, há muitos espiritualistas que, como eu, enxergam tais mudanças como processos que levam muitos séculos. Ou, como diz a lei hermética: “Tudo flui, nada está parado”.

[4] Nota dos autores: Stephen Mason: Religious Reformation and the Pulmonary Transit of the Blood, History of Science, vol. 41, part 4, no. 134, Dec 2003, p.468.

[5] Tanto Bruno quanto Campanella eram, afinal, dominicanos, parte da Igreja. Bem ou mal, condená-los a fogueira era algo que “arranhava” a imagem do Vaticano. Desta forma, preferiram queimar apenas um, apenas o líder espiritual, Giordano Bruno. Campanella era somente o “líder de operações”, e por isso foi poupado da fogueira.

[6] Para os “mártires da ciência”, ironicamente, seu próprio trabalho tinha profundo significado espiritual. Campanella estava apenas a reafirmar o que Galileu já sabia desde muito cedo.

[7] Nota dos autores: Frances Yates: Giordano Bruno and the Hermetic Tradition, Routledge & Kegan Paul, 1964, p.383.

[8] Só muito tempo depois se descobriu que mesmo o Sol se move ao redor da Via Láctea, e que mesmo nossa galáxia se move em relação às galáxias próximas, e também em relação ao aglomerado de galáxias locais. Mas as implicações espirituais destas descobertas ainda estão um tanto quanto distantes de serem assimiladas. Talvez o novo guru tenha sido um agnóstico, e não um espiritualista.

[9] É aqui que fica muito claro o caráter de “guerra religiosa” na questão do heliocentrismo. Ainda que Copérnico não declarasse ter provas da teoria, se em sua época ela fosse associada a uma tentativa de derrubada da Igreja em favor de uma nova era espiritual com menos dogmas e mais investigações filosóficas e livre pensamento (o que desejavam os Giordanos), certamente já haveria sido banida muitos anos antes. É precisamente esta história que a Academia e o Vaticano não contam.

[10] Nota dos autores: Olaf Pedersen: Galileo’s Religion, in CV Coyne (ed.): The Galileo Affair: A Meeting of Science and Faith – Proceedings of the Cracow Conference, May 24–27, 1984, Specola Vaticana, Vatican City, 1985, p.97.

[11] Galileu nunca teve um espírito revolucionário da altura de Giordano Bruno. A Inquisição havia queimado o sujeito certo. Mas, como vimos, as ideias de Bruno não puderam ser destruídas junto com seu corpo… Iriam ecoar ainda na mente do próximo gênio da história da ciência, o matemático, físico, alquimista, teólogo, filósofo e ocultista – Sir Isaac Newton. Mas esta é uma outra história.

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Crédito das imagens: [topo] National Geographic Society/Corbis (pintura de Jean-Leon Huens, onde Galileu explica a topografia lunar aos céticos); [ao longo] Gravura de autor anônimo, divulgada primeiramente em um livro de Camile Flammarion

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#Ciência #hermetismo #história

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-dia-em-que-a-terra-parou-parte-final

Curso de Kabbalah Hermética em EAD

A Daemon abriu esta semana o curso de Kabbalah Hermética e o Curso de Geomancia, ambos começando na semana que vem.

Se você está querendo se aprofundar nos estudos do Hermetismo, a Kabbalah é a base organizada para praticamente TODOS os sistemas iniciáticos, religiosos e magísticos do Ocidente.

Em 2007 os leitores do blog me convenceram a adaptar o curso de Kabbalah Hermetica, Astrologia e outros que eu ministrava nas Ordens Maçônicas e Rosacruzes para que os iniciantes ao hermetismo também pudessem fazê-los.

Confesso que fui reticente em relação a organizar estes cursos, pois achava que esse tipo de conhecimento “deveria ficar restrito às Ordens Iniciáticas” e que “abrir este conhecimento para profanos seria como jogar pérolas aos porcos”. Felizmente, grandes irmãos como o Frater Alef, Sérgio Pacca, Carlos Conte, Roberto Ramalho, Mozart Rosa, Jayr Miranda, Alfonso Odriozola, Alexandre Cumino, Fernando Maiorino, Leo Lousada e muitos outros me convenceram de que tudo depende do Professor para expandir o conhecimento com qualidade e que, se o trabalho fosse bem feito, haveria apenas expansão, sem perda do conteúdo maravilhoso que o Hermetismo possui.

A idéia deu muito certo e em pouco tempo haviam núcleos de alunos em SP, RJ, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Belo Horizonte, Aracaju, Fortaleza e até mesmo em Rio Branco. Mas, ao mesmo tempo em que as pessoas interessadas em expandir a consciência e aprender mais sobre Hermetismo aumentavam, o tempo disponível para ministrar estes cursos ficava cada vez mais escasso.

A Experiência com o EAD foi fantástica. O PH me convenceu que era possível ter acesso a muitas vantagens que o curso presencial não tem, como por exemplo:

– O Curso de 8h (que na verdade ficou com quase 9h porque eu fui me empolgando nas gravações) foi dividido em 4 Aulas de 2h cada, subdividido em 8 blocos com aproximadamente 15 minutos, detalhando cada parte do curso. Desta maneira, além de ter o conteúdo integral do curso presencial (na verdade, tem mais conteúdo), o aluno faz seu próprio horário em casa, podendo estudar à noite, de tarde ou pela manhã, organizando os blocos de estudo de acordo com suas necessidades. Também pode repetir qualquer parte que não entendeu e pausar para fazer anotações ou consultar a apostila durante o curso.

– Facilidade para ser assistido em celulares ou ipads.

– Graças ao Chroma-Key, pudemos incluir imagens, gráficos e desenhos conforme vou explicando cada parte do curso, tornando a experiência muito mais visual e interativa.

– Conseguimos manter os mesmos valores dos cursos presenciais (e, para quem mora longe dos locais de curso, a economia com passagens, hospedagem e alimentação ficou enorme).

Conteúdo do Curso

Aula 01 – Kabbalah Hermética, Introdução

1.1 – O que é a Kabbalah Hermética

1.2 – Diferenças entre a Cabalá Judaica e a Kabbalah Hermética

1.3 – Estrutura da Árvore da Vida e Nomenclaturas

1.4 – O Yin e o Yang

1.5 – Terra e Fogo

1.6 – Ar e Água

1.7 – Números: 1, 2, 3, 4, 5 e 6

1.8 – Números: 7, 8, 9 e 10

Aula 02 – Os 7 Planetas e as 10 Esferas

2.1 – A História de Lilith

2.2 – Terra, Lua, Mercúrio e Vênus

2.3 – Sol, Marte, Júpiter e Saturno

2.4 – Urano, Netuno e Plutão

2.5 – Malkuth

2.6 – Yesod

2.7 – Tav, Hod, Shin, Resh

2.8 – Netzach

Aula 03 – A Árvore

3.1 – Qof, Tzaddi, Peh

3.2 – Tiferet

3.3 – Ayin, Samekh, Nun

3.4 – Geburah

3.5 – Mem, Lamed

3.6 – Chesed

3.7 – Kaph, Yod, Teth

3.8 – Daath

Aula 04 – A Árvore

4.1 – Binah

4.2 – Cheth, Zain

4.3 – Hochma

4.4 – Vav, Heh, Daleth

4.5 – Kether

4.6 – Gimmel, Beit, Aleph

4.7 – Correlações de Caminhos entre diversos Autores

4.8 – Considerações Finais

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/curso-de-kabbalah-herm%C3%A9tica-em-ead

Maçonaria – Vai de Escada ou de Elevador?

A Maçonaria é um sistema de progresso moral, intelectual, filosófico e espiritual baseado em alegorias, símbolos e dramas transmitidos por meio de rituais. Os rituais compreendem graus que, quando sequenciais, compõem um Rito. Dessa forma, ao vencer cada grau, o maçom vai progredindo na senda maçônica. E por conta do progresso, essa trajetória é constantemente ilustrada como uma escada. Por conta de ser uma escada relacionada ao aperfeiçoamento do ser humano, não é raro os maçons a chamarem de “Escada de Jacó”.

Para ser considerado apto ao ingresso no grau seguinte, é comum a exigência de requisitos, como presença mínima nas reuniões, apresentação de um trabalho sobre os ensinamentos do grau em que se encontra e passagem por uma sabatina. Em outras palavras, Maçonaria é uma escola.

O Rito Escocês Antigo e Aceito – REAA, o mais conhecido dos maçons brasileiros, é composto por 33 graus. Do primeiro degrau até o topo dessa escada costuma-se demorar, no mínimo, 06 anos. Isso porque existem interstícios a serem respeitados que garantem esse tempo mínimo. Por esse motivo, muitos maçons gostam de chamar o Rito Escocês de “Faculdade de Maçonaria”.

E por que alguém frequenta uma Escola? Para aprender, claro! Mas em uma faculdade, existem geralmente dois tipos de estudantes: os que estão ali pela vocação, pela vontade de aprender, e os que só querem o diploma, o título. Aqueles com vocação e vontade são assíduos, participativos, esforçados, estudiosos e comprometidos. Já os outros são ausentes, relapsos, enrolados, “picaretas”.  Na Maçonaria isso não é diferente.

Porém, no universo acadêmico existe uma alternativa para aqueles interessados apenas no título e que possuem o desvio de caráter da desonestidade. Para esses vaidosos desonestos existe um “atalho” que é a compra de diploma, um crime ainda frequente no Brasil. É claro que não se compra o conhecimento, que só pode ser conquistado. Mas para esse tipo de indivíduo, o título já é o bastante para satisfazer seus interesses.

De uma forma geral, existem três formas de se comprar um diploma: por meio de uma instituição corrupta, por meio de um funcionário corrupto, e por meio de um fraudador. O primeiro caso é claramente o mais grave, pois o crime não é cometido por um indivíduo, mas por uma instituição. Uma faculdade que vende diplomas, além de criminosa, não somente coloca em risco a qualidade dos serviços prestados pelos beneficiados pela compra, como prejudica a honra de seus estudantes honestos.

Infelizmente, ainda existe esse tipo de faculdade no Brasil e, mais uma vez, na Maçonaria não é diferente. São vários os casos de maçons passando por todos os graus superiores de um rito em um único final de semana. Esse lamentável fenômeno é conhecido por muitos maçons como “Elevador de Jacó”. O termo significa que o sujeito, em vez de subir degrau por degrau, “pega um elevador e vai direto para a cobertura”.

Sendo a Maçonaria uma escola, sua finalidade é ensinar. E sendo o maçom um estudante, seu objetivo é aprender. Sempre que um Corpo Maçônico ou um maçom fugir disso, estará cometendo um crime. Não um crime legal, mas um crime moral. Um crime perante os maçons e instituições maçônicas honestas deste país.

O fenômeno ocorre no Brasil desde a chegada dos primeiros Ritos Maçônicos, há quase 200 anos atrás, e possui permissão estatutária. No início, tinha-se a desculpa da necessidade de se formar rapidamente uma base para a consolidação dos ritos. Mas atualmente, em pleno século XXI, essa demanda não mais existe. A “subida súbita” tem servido apenas para atender os caprichos de alguns poucos “profanos de avental”, e sido motivada por interesses políticos das instituições fornecedoras.

 Os “usuários do elevador” nada sabem e, portanto, nada podem ensinar. Dessa forma, tal prática, assim como ocorre no mundo acadêmico, também é prejudicial ao desenvolvimento da Maçonaria. Mas cabe a cada um dos “estudantes exemplares” trabalharem para a mudança dessa realidade. Aí, quem sabe, essas “escolas de moral” possam ensinar também com o exemplo.

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ma%C3%A7onaria-vai-de-escada-ou-de-elevador

O Setenário Místico

“Esta é uma noite para ser lembrada por muito tempo. Nenhum de nós jamais a esquecerá, ela estará sempre gravada em nossas memórias. Vocês não são mais um clube – vocês são agora membros da Ordem DeMolay. A cópia do ritual dada a vocês devem ser consideradas sagradas e não devem, sob quaisquer circunstâncias, ser mostrado a qualquer pessoa que aqui não esteja presente. Espero que cada oficial aprenda sua parte exatamente como está escrito – de memória. Cada parte é importante, não importa o quanto pequena possa parecer a vocês, tudo se combina num todo para expressar seu verdadeiro significado.” – Frank S. Land ao entregar os Rituais pela primeira vez aos futuros DeMolays.

Vamos obedecer a ordem do nosso fundador e não deixar nenhuma parte de lado. Adentrando ainda mais no Templo Interior e levantando aos poucos véus do mistério lunar – ícone central do nosso Brasão. Vamos adentrar agora na evolução proporcionada pela Ordem DeMolay, como, e por onde ela acontece.

Há uma influência alquímica no DeMolay, assim como uma influência Cristã e Maçônica. Podemos interpretar e entender nosso Ritual sobre as mais diversas óticas. No Grau Iniciático, o mais importante de toda Ordem, somos apresentados ao Setenário Místico, que é nosso Altar cercado por suas velas. Um composto de Magia Teúrgica e Mental para realização de uma simples e efetiva Magia Cerimonial.

Setenário Místico

São sete os planetas antigos viajantes pelo Zodíaco no Céu, são sete Princípios Herméticos, sete irradiações cores provenientes do branco, sete Chackras, sete Artes Liberais, sete notas musicais, sete Sephirot Emocionais, sete metais alquímicos, e assim por diante.

Na Ordem DeMolay recebemos uma explicação silenciosa muito importante sobre o setenário através do seu Altar: o Quartenário é regido por um Ternário. São símbolos divinos invocados em nossas cerimônias fechadas e brancas. O Ternário representa o princípio de Divino, pois este sendo Uno (Um, o ponto de equilíbrio) manifestou sua energia de maneira Dual, opostas e complementares. O quatro é o número da matéria (fogo, água, ar e terra).

Muitos não sabem e a tradição foi quase perdida, mas nosso Altar são esses dois símbolos em conjunto: o triangulo apontando ao Oriente sobre o quadrado, com o Altar dentro das duas figuras. Em cada um das pontas uma vela vermelha consagrada a um ideal, e no centro de ambas figuras geométricas Altar.

Cortesia

A Cortesia é a terceira das virtudes, não mais importante do que as outras, mas sem a qual todas as outras teriam fórmulas vazias. É a virtude que com certeza é deixada de lado e esquecida pela maioria de nós com mais frequência.

Podemos ter grande amor e companheirismo aos nossos pais, a Deus, a nossos amigos, mas do que adiantaria tudo isso se deixássemos de demonstrar esses sentimentos? Num dia ruim quem vence, seu lado colérico que se lança a quem não tem culpa de estar do jeito que você está, ou seu lado cortês e espiritual?

Quase que como um acaso, Frank Land e Marshall, selecionaram essa como a terceira virtude por sua manifestação ser tão sublime. Nós somos realmente cortês quando expressamos nossas virtudes e não sobrepomos nosso egoísmo e preconceitos sobre o próximo. O DeMolay procura ser um exemplo por suas atitudes, que são a cortesia são suas manifestações.

Essa é uma virtude especialmente importante e merece ser relida em nossos rituais, pois só lá tem palavras e frases para nos fazer compreender essa virtude, sem a qual o Setenário Místico estaria incompleto.

N.N.D.N.N.

Leonardo Cestari Lacerda

#Alquimia #hermetismo #VirtudeCardeal

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Hospitalaria: a Magia Jupiteriana dentro da Maçonaria – Marcio Amaro

Bate-Papo Mayhem 168 – gravado dia 29/04/2021 (Quinta) Marcelo Del Debbio bate papo com Marcio Amaro – Hospitalaria: a Magia Jupiteriana dentro da Maçonaria

ONG Infancia azul: https://www.infanciaazul.com.br/

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Faça parte do Projeto Mayhem aqui:

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Vire a Página

Você pode de fato nao estar escrevendo a história da sua vida, a menos que mantenha um registro diário. Mas está vivendo um capítulo por dia, mesmo permanecendo isolado e sozinho. Seu capítulo diário pode ser uma tragédia, uma farsa, uma aventura ou uma comédia. Seja lá o que for, ainda assim é sua experiência pessoal de vida, seja ela feliz ou não. Mas você é afinal o autor e, portanto, a vida é o que você faz dela.

E porque você é basicamente responsável por sua história, faça o que você quer que ela seja. Mas é aí que está a coisa…! Não grave simplesmente os capítulos como ditam as circunstâncias ou as outras pessoas. Se você sempre faz o que os outros querem e nunca faz o que você quer fazer, isso vai torná-lo uma pessoa realmente infeliz. Você não vai ser tão criativo quanto o Cósmico pretendia que você fosse, mas, em vez disso, vai se comportar como um boneco manipulado por outras pessoas que não se sentem felizes apenas controlando suas próprias vidas, mas precisam estender esse controle também sobre os outros.

A vontade forte vai sempre invadir e exercer sua força e poder onde existir um vácuo. Afinal de contas, é assim que a natureza atua. Mas toda pessoa é uma parte do Criador e recebe a mesma oportunidade de ser criativo. Com tempo e esforço suficientes, o sucesso ou o fracasso é, em última instância, uma decisão humana.

O Novo Dia

Apesar do passado, cada novo dia é o mesmo para todos. Ainda está por se fazer, está incriado; é como uma “página em branco” para você escrever sua própria história da maneira que quiser. Não importa se você é jovem ou velho, saudável ou doente, rico ou pobre, cada novo dia é seu para criá-lo como quiser! Você pode e deve rejeitar todos os pensamentos negativos, limitadores. Esqueça quaisquer vantagens que outras pessoas possam ter tido sobre você ontem. Isso foi ontem! Hoje você tem a mesma página em branco que eles! Esqueça o passado. Ele acabou e está encerrado. Pense no hoje. Ele está diante de você; ainda não tomou forma.

Então, o que você vai fazer com o dia de hoje? Dentro de você dormita a centelha criativa de Deus, portanto, descubra que Deus se manifesta através de você. Você tem um trabalho importante a fazer, então é tempo de começar! O primeiro passo é controlar e colocar em ordem os pensamentos. A maioria de seus fracassos passados foram autocriados por seus próprios pensamentos negativos. Mais cedo ou mais tarde você vai ter que perceber e aceitar este fato. A consequência infeliz de seu próprio pensamento negativo vai se apresentar na sua vida muitas vezes até que, finalmente, você perceba que está se punindo. Então vai começar a pensar positivamente e sua vida vai começar a mudar. É assim que a Natureza ensina.

Controlar seu pensamento é uma questão de força de vontade. É tão fácil pensar que vai ter sucesso quanto pensar que vai cair de cara no chão. Não é mais difícil pensar que vai se sentir melhor do que pensar que vai se sentir pior. Você precisa decidir se quer que a felicidade e coisas boas aconteçam hoje, ou infelicidade e experiências decepcionantes. Lembre-se de que você cria, goste disso ou não!

Atração

O segundo passo é estudar e dominar a lei da atração. Você atrai para si o que cria mentalmente ao seu redor. Um bom experimento é observar as pessoas, digamos num clube noturno. Mesmo não se conhecendo, em pouco tempo você vai ver as pessoas extrovertidas, joviais e divertidas gravitando umas ao redor das outras; enquanto que pessoas azedas e queixosas vão atraindo umas às outras. Essa experiência é marcante, teste para ver!

Permanece o fato de que a atração é uma lei básica e inviolável da natureza. Você vai atrair aquilo que dominar seu pensamento porque você criou aquilo daquela forma. Se tiver pensamentos negativos, vai atrair circunstâncias negativas. Todos os sonhos e desejos que você tem e que são compatíveis com as leis naturais são possíveis. É por isso que você pode e deve criar!

Sintonia

O terceiro passo é a sintonia. Dentro de você está a sabedoria e o poder do Cósmico. É essa centelha criativa que pertence a Deus. Aprenda a subjugar o ego arrogante que existe dentro de você e deixe que o poder ilimitado e aprisionado do Cósmico venha à tona novamente e assuma sua vida. Descubra que ele pensa apenas positivamente. Ele tem a última palavra em confiança, fé e expectativa. Ele pode fazer tudo que é bom e construtivo. Ele se recusa a fazer qualquer coisa que seja destrutiva ou contrária à lei natural. Essa é a melhor versão de você mesmo!

Perceba que você é uma expressão singular de Deus, necessária para realizar algum trabalho único em favor do mundo. Que pensamento desafiador e extraordinário! Mas como você pode se sintonizar com essa força? Quem é você para merecer essa honra? Cuidado, aí está um pensamento negativo! Não é difícil praticar a sintonia. As coisas positivas nunca são colocadas fora do seu alcance. Simplesmente procure um local calmo e livre-se daquele ego dominante. Então, “Permaneça imóvel e saiba que eu sou Deus“. Não precisa de mais instruções.

Decisão

O quarto e último Passo é a decisão. Tendo sido apresentado a uma vida maior, decida mudar! Decida aceitar o privilégio e a responsabilidade! Decida ignorar ou eliminar as falhas e as limitações do passado! Decida que o hoje e o amanhã serão melhores porque você vai fazer com que eles sejam melhores.

Deixe claro que você não vai permitir que qualquer pensamento negativo entre em sua mente; que você não vai tomar parte de qualquer plano ou atividade má ou destrutiva; que você vai ver apenas o que há de bom em todas as pessoas com quem você entra em contato. Você vai se surpreender ao descobrir quantas pessoas vão ser atraídas a você e que vão querer se associar a você em sua determinação. A lei da atração não vai e nem pode falhar!

Talvez as páginas anteriores, no seu livro da vida, tenham sido menos que satisfatórias; é possível até que você se sinta envergonhado delas. Não precisa ficar, porque você viveu aquelas páginas da forma como entendia a vida então. Elas fazem parte de sua experiência. Mas acabou e você não pode mudar nada. Esqueça tudo aquilo! O futuro está diante de você…,ainda amorfo. Você vai criá-lo nas páginas em branco que restam. Portanto, simplesmente vire a página!

Texto de Fraser Lawson, FRC

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/vire-a-p%C3%A1gina

O Chapéu na Maçonaria

Por Kennyo Ismail

Qual a origem do chapéu na maçonaria, usado pelo Venerável Mestre nas reuniões de Aprendiz e Companheiro e por todos os Mestres nas reuniões de Mestre Maçom?

Uma das obras de José Castellani declara que herdamos o chapéu preto dos judeus ortodoxos, e que o chapéu em Loja é a “coroa maçônica”, influência da realeza européia, usada pelo Venerável como símbolo de sua posição de liderança.

Afinal de contas, herdamos dos judeus ou dos reis europeus? E os judeus ortodoxos, usam o chapéu preto porque se consideram reis? Não há como misturar uma coisa com a outra, chapéu de judeu com coroa de europeu. Mas Castellani e muitos outros irmãos tentaram.

Se herdamos o chapéu dos judeus ortodoxos, será que não deveríamos adotar também a circuncisão? Ou talvez as tranças nas orelhas e a barba longa?

Na verdade, o uso do chapéu na Maçonaria é praticamente inverso ao uso do chapéu pelos judeus! Os judeus utilizam o chapéu obrigatoriamente durante as orações e cerimônias religiosas, em sinal de temor a Deus. Já o maçom utiliza durante toda a reunião e retira o chapéu exatamente nos momentos de orações, em sinal de respeito! Dessa forma, fica claro que o uso do chapéu pelos maçons não tem nenhuma relação com o uso do chapéu pelos judeus ortodoxos, como pensava Castellani.

Já a teoria do chapéu ser um símbolo da “coroa maçônica”, influenciada pelo símbolo de liderança que distingue o rei dos demais, seria mais plausível, afinal de contas, o Venerável Mestre representa o Rei Salomão, não é mesmo? Porém, porque o Venerável não utilizaria uma verdadeira coroa em Loja? Uma coroa de louros, ou flores, ou de metal? Porque seria um chapéu preto de abas caídas (REAA) ou mesmo uma cartola (Rito de York)? E por que todos os Mestres usariam em reuniões de Mestre, se o representante do rei Salomão é apenas o Venerável?

Na Grécia Antiga o chapéu era símbolo de sabedoria e liberdade. O famoso escritor maçom Oliver comenta sobre o mesmo significado para os romanos, tendo sobrevivido na maçonaria desde as Guildas Romanas. Sua relação com a sabedoria permaneceu na Idade Média, como os chapéus dos magos denunciavam, os quais foram adaptados para cartolas pelos mágicos. O chapéu representa proteção. Se na prática o chapéu protege a cabeça do dono contra o sol, simbolicamente, o chapéu é como um elmo que confirma e protege a sabedoria que se encontra na cabeça do Venerável Mestre. Assim sendo, o chapéu do Venerável Mestre pode realmente ser interpretado como uma coroa representativa de sua autoridade. Porém, uma autoridade com base na Sabedoria, assim como a de Salomão. E é por serem detentores da sabedoria maçônica que todos os Mestres utilizam o chapéu nos ritos originados na França.

O costume do uso de chapéu pelo Venerável Mestre era um costume na maçonaria inglesa até a fusão que originou a Grande Loja Unida da Inglaterra. Após a fusão, os antigos costumes foram “reformulados” para agradar ambas as partes, e a tradição do chapéu simplesmente foi descartada. O único ritual na Inglaterra que mantém o uso do chapéu pelo Venerável Mestre é o Bristol. Mas por uma ironia do destino, essa tradição permaneceu viva nos EUA. E os ritos de origem francesa também mantiveram esse antigo costume, tão presente no Brasil.

#Maçonaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-chap%C3%A9u-na-ma%C3%A7onaria

A Linguagem e o Pensamento

Infelizmente, não tive tempo para traduzir este artigo, então vou postar em inglês mesmo. Ele começa a trabalhar a importância da linguagem simbólica na maneira com que ela molda o universo de cada pessoa. Extremamente importante no ocultismo, na astrologia e na psicologia.

HOW DOES OUR LANGUAGE SHAPE THE WAY WE THINK?

By Lera Boroditsky

Humans communicate with one another using a dazzling array of languages, each differing from the next in innumerable ways. Do the languages we speak shape the way we see the world, the way we think, and the way we live our lives? Do people who speak different languages think differently simply because they speak different languages? Does learning new languages change the way you think? Do polyglots think differently when speaking different languages?

These questions touch on nearly all of the major controversies in the study of mind. They have engaged scores of philosophers, anthropologists, linguists, and psychologists, and they have important implications for politics, law, and religion. Yet despite nearly constant attention and debate, very little empirical work was done on these questions until recently. For a long time, the idea that language might shape thought was considered at best untestable and more often simply wrong. Research in my labs at Stanford University and at MIT has helped reopen this question. We have collected data around the world: from China, Greece, Chile, Indonesia, Russia, and Aboriginal Australia. What we have learned is that people who speak different languages do indeed think differently and that even flukes of grammar can profoundly affect how we see the world. Language is a uniquely human gift, central to our experience of being human. Appreciating its role in constructing our mental lives brings us one step closer to understanding the very nature of humanity.

I often start my undergraduate lectures by asking students the following question: which cognitive faculty would you most hate to lose? Most of them pick the sense of sight; a few pick hearing. Once in a while, a wisecracking student might pick her sense of humor or her fashion sense. Almost never do any of them spontaneously say that the faculty they’d most hate to lose is language. Yet if you lose (or are born without) your sight or hearing, you can still have a wonderfully rich social existence. You can have friends, you can get an education, you can hold a job, you can start a family. But what would your life be like if you had never learned a language? Could you still have friends, get an education, hold a job, start a family? Language is so fundamental to our experience, so deeply a part of being human, that it’s hard to imagine life without it. But are languages merely tools for expressing our thoughts, or do they actually shape our thoughts?

Most questions of whether and how language shapes thought start with the simple observation that languages differ from one another. And a lot! Let’s take a (very) hypothetical example. Suppose you want to say, “Bush read Chomsky’s latest book.” Let’s focus on just the verb, “read.” To say this sentence in English, we have to mark the verb for tense; in this case, we have to pronounce it like “red” and not like “reed.” In Indonesian you need not (in fact, you can’t) alter the verb to mark tense. In Russian you would have to alter the verb to indicate tense and gender. So if it was Laura Bush who did the reading, you’d use a different form of the verb than if it was George. In Russian you’d also have to include in the verb information about completion. If George read only part of the book, you’d use a different form of the verb than if he’d diligently plowed through the whole thing. In Turkish you’d have to include in the verb how you acquired this information: if you had witnessed this unlikely event with your own two eyes, you’d use one verb form, but if you had simply read or heard about it, or inferred it from something Bush said, you’d use a different verb form.

Clearly, languages require different things of their speakers. Does this mean that the speakers think differently about the world? Do English, Indonesian, Russian, and Turkish speakers end up attending to, partitioning, and remembering their experiences differently just because they speak different languages? For some scholars, the answer to these questions has been an obvious yes. Just look at the way people talk, they might say. Certainly, speakers of different languages must attend to and encode strikingly different aspects of the world just so they can use their language properly.

Scholars on the other side of the debate don’t find the differences in how people talk convincing. All our linguistic utterances are sparse, encoding only a small part of the information we have available. Just because English speakers don’t include the same information in their verbs that Russian and Turkish speakers do doesn’t mean that English speakers aren’t paying attention to the same things; all it means is that they’re not talking about them. It’s possible that everyone thinks the same way, notices the same things, but just talks differently.

Believers in cross-linguistic differences counter that everyone does not pay attention to the same things: if everyone did, one might think it would be easy to learn to speak other languages. Unfortunately, learning a new language (especially one not closely related to those you know) is never easy; it seems to require paying attention to a new set of distinctions. Whether it’s distinguishing modes of being in Spanish, evidentiality in Turkish, or aspect in Russian, learning to speak these languages requires something more than just learning vocabulary: it requires paying attention to the right things in the world so that you have the correct information to include in what you say.

Such a priori arguments about whether or not language shapes thought have gone in circles for centuries, with some arguing that it’s impossible for language to shape thought and others arguing that it’s impossible for language not to shape thought. Recently my group and others have figured out ways to empirically test some of the key questions in this ancient debate, with fascinating results. So instead of arguing about what must be true or what can’t be true, let’s find out what is true.

Follow me to Pormpuraaw, a small Aboriginal community on the western edge of Cape York, in northern Australia. I came here because of the way the locals, the Kuuk Thaayorre, talk about space. Instead of words like “right,” “left,” “forward,” and “back,” which, as commonly used in English, define space relative to an observer, the Kuuk Thaayorre, like many other Aboriginal groups, use cardinal-direction terms — north, south, east, and west — to define space.1 This is done at all scales, which means you have to say things like “There’s an ant on your southeast leg” or “Move the cup to the north northwest a little bit.” One obvious consequence of speaking such a language is that you have to stay oriented at all times, or else you cannot speak properly. The normal greeting in Kuuk Thaayorre is “Where are you going?” and the answer should be something like ” Southsoutheast, in the middle distance.” If you don’t know which way you’re facing, you can’t even get past “Hello.”

The result is a profound difference in navigational ability and spatial knowledge between speakers of languages that rely primarily on absolute reference frames (like Kuuk Thaayorre) and languages that rely on relative reference frames (like English).2 Simply put, speakers of languages like Kuuk Thaayorre are much better than English speakers at staying oriented and keeping track of where they are, even in unfamiliar landscapes or inside unfamiliar buildings. What enables them — in fact, forces them — to do this is their language. Having their attention trained in this way equips them to perform navigational feats once thought beyond human capabilities. Because space is such a fundamental domain of thought, differences in how people think about space don’t end there. People rely on their spatial knowledge to build other, more complex, more abstract representations. Representations of such things as time, number, musical pitch, kinship relations, morality, and emotions have been shown to depend on how we think about space. So if the Kuuk Thaayorre think differently about space, do they also think differently about other things, like time? This is what my collaborator Alice Gaby and I came to Pormpuraaw to find out.

To test this idea, we gave people sets of pictures that showed some kind of temporal progression (e.g., pictures of a man aging, or a crocodile growing, or a banana being eaten). Their job was to arrange the shuffled photos on the ground to show the correct temporal order. We tested each person in two separate sittings, each time facing in a different cardinal direction. If you ask English speakers to do this, they’ll arrange the cards so that time proceeds from left to right. Hebrew speakers will tend to lay out the cards from right to left, showing that writing direction in a language plays a role.3 So what about folks like the Kuuk Thaayorre, who don’t use words like “left” and “right”? What will they do?

The Kuuk Thaayorre did not arrange the cards more often from left to right than from right to left, nor more toward or away from the body. But their arrangements were not random: there was a pattern, just a different one from that of English speakers. Instead of arranging time from left to right, they arranged it from east to west. That is, when they were seated facing south, the cards went left to right. When they faced north, the cards went from right to left. When they faced east, the cards came toward the body and so on. This was true even though we never told any of our subjects which direction they faced. The Kuuk Thaayorre not only knew that already (usually much better than I did), but they also spontaneously used this spatial orientation to construct their representations of time.

People’s ideas of time differ across languages in other ways. For example, English speakers tend to talk about time using horizontal spatial metaphors (e.g., “The best is ahead of us,” “The worst is behind us”), whereas Mandarin speakers have a vertical metaphor for time (e.g., the next month is the “down month” and the last month is the “up month”). Mandarin speakers talk about time vertically more often than English speakers do, so do Mandarin speakers think about time vertically more often than English speakers do? Imagine this simple experiment. I stand next to you, point to a spot in space directly in front of you, and tell you, “This spot, here, is today. Where would you put yesterday? And where would you put tomorrow?” When English speakers are asked to do this, they nearly always point horizontally. But Mandarin speakers often point vertically, about seven or eight times more often than do English speakers.4

Even basic aspects of time perception can be affected by language. For example, English speakers prefer to talk about duration in terms of length (e.g., “That was a short talk,” “The meeting didn’t take long”), while Spanish and Greek speakers prefer to talk about time in terms of amount, relying more on words like “much” “big”, and “little” rather than “short” and “long” Our research into such basic cognitive abilities as estimating duration shows that speakers of different languages differ in ways predicted by the patterns of metaphors in their language. (For example, when asked to estimate duration, English speakers are more likely to be confused by distance information, estimating that a line of greater length remains on the test screen for a longer period of time, whereas Greek speakers are more likely to be confused by amount, estimating that a container that is fuller remains longer on the screen.)5

An important question at this point is: Are these differences caused by language per se or by some other aspect of culture? Of course, the lives of English, Mandarin, Greek, Spanish, and Kuuk Thaayorre speakers differ in a myriad of ways. How do we know that it is language itself that creates these differences in thought and not some other aspect of their respective cultures?

One way to answer this question is to teach people new ways of talking and see if that changes the way they think. In our lab, we’ve taught English speakers different ways of talking about time. In one such study, English speakers were taught to use size metaphors (as in Greek) to describe duration (e.g., a movie is larger than a sneeze), or vertical metaphors (as in Mandarin) to describe event order. Once the English speakers had learned to talk about time in these new ways, their cognitive performance began to resemble that of Greek or Mandarin speakers. This suggests that patterns in a language can indeed play a causal role in constructing how we think.6 In practical terms, it means that when you’re learning a new language, you’re not simply learning a new way of talking, you are also inadvertently learning a new way of thinking. Beyond abstract or complex domains of thought like space and time, languages also meddle in basic aspects of visual perception — our ability to distinguish colors, for example. Different languages divide up the color continuum differently: some make many more distinctions between colors than others, and the boundaries often don’t line up across languages.

To test whether differences in color language lead to differences in color perception, we compared Russian and English speakers’ ability to discriminate shades of blue. In Russian there is no single word that covers all the colors that English speakers call “blue.” Russian makes an obligatory distinction between light blue (goluboy) and dark blue (siniy). Does this distinction mean that siniy blues look more different from goluboy blues to Russian speakers? Indeed, the data say yes. Russian speakers are quicker to distinguish two shades of blue that are called by the different names in Russian (i.e., one being siniy and the other being goluboy) than if the two fall into the same category.

For English speakers, all these shades are still designated by the same word, “blue,” and there are no comparable differences in reaction time.

Further, the Russian advantage disappears when subjects are asked to perform a verbal interference task (reciting a string of digits) while making color judgments but not when they’re asked to perform an equally difficult spatial interference task (keeping a novel visual pattern in memory). The disappearance of the advantage when performing a verbal task shows that language is normally involved in even surprisingly basic perceptual judgments — and that it is language per se that creates this difference in perception between Russian and English speakers.

When Russian speakers are blocked from their normal access to language by a verbal interference task, the differences between Russian and English speakers disappear.

Even what might be deemed frivolous aspects of language can have far-reaching subconscious effects on how we see the world. Take grammatical gender. In Spanish and other Romance languages, nouns are either masculine or feminine. In many other languages, nouns are divided into many more genders (“gender” in this context meaning class or kind). For example, some Australian Aboriginal languages have up to sixteen genders, including classes of hunting weapons, canines, things that are shiny, or, in the phrase made famous by cognitive linguist George Lakoff, “women, fire, and dangerous things.”

What it means for a language to have grammatical gender is that words belonging to different genders get treated differently grammatically and words belonging to the same grammatical gender get treated the same grammatically. Languages can require speakers to change pronouns, adjective and verb endings, possessives, numerals, and so on, depending on the noun’s gender. For example, to say something like “my chair was old” in Russian (moy stul bil’ stariy), you’d need to make every word in the sentence agree in gender with “chair” (stul), which is masculine in Russian. So you’d use the masculine form of “my,” “was,” and “old.” These are the same forms you’d use in speaking of a biological male, as in “my grandfather was old.” If, instead of speaking of a chair, you were speaking of a bed (krovat’), which is feminine in Russian, or about your grandmother, you would use the feminine form of “my,” “was,” and “old.”

Does treating chairs as masculine and beds as feminine in the grammar make Russian speakers think of chairs as being more like men and beds as more like women in some way? It turns out that it does. In one study, we asked German and Spanish speakers to describe objects having opposite gender assignment in those two languages. The descriptions they gave differed in a way predicted by grammatical gender. For example, when asked to describe a “key” — a word that is masculine in German and feminine in Spanish — the German speakers were more likely to use words like “hard,” “heavy,” “jagged,” “metal,” “serrated,” and “useful,” whereas Spanish speakers were more likely to say “golden,” “intricate,” “little,” “lovely,” “shiny,” and “tiny.” To describe a “bridge,” which is feminine in German and masculine in Spanish, the German speakers said “beautiful,” “elegant,” “fragile,” “peaceful,” “pretty,” and “slender,” and the Spanish speakers said “big,” “dangerous,” “long,” “strong,” “sturdy,” and “towering.” This was true even though all testing was done in English, a language without grammatical gender. The same pattern of results also emerged in entirely nonlinguistic tasks (e.g., rating similarity between pictures). And we can also show that it is aspects of language per se that shape how people think: teaching English speakers new grammatical gender systems influences mental representations of objects in the same way it does with German and Spanish speakers. Apparently even small flukes of grammar, like the seemingly arbitrary assignment of gender to a noun, can have an effect on people’s ideas of concrete objects in the world.7

In fact, you don’t even need to go into the lab to see these effects of language; you can see them with your own eyes in an art gallery. Look at some famous examples of personification in art — the ways in which abstract entities such as death, sin, victory, or time are given human form. How does an artist decide whether death, say, or time should be painted as a man or a woman? It turns out that in 85 percent of such personifications, whether a male or female figure is chosen is predicted by the grammatical gender of the word in the artist’s native language. So, for example, German painters are more likely to paint death as a man, whereas Russian painters are more likely to paint death as a woman.

The fact that even quirks of grammar, such as grammatical gender, can affect our thinking is profound. Such quirks are pervasive in language; gender, for example, applies to all nouns, which means that it is affecting how people think about anything that can be designated by a noun. That’s a lot of stuff!

I have described how languages shape the way we think about space, time, colors, and objects. Other studies have found effects of language on how people construe events, reason about causality, keep track of number, understand material substance, perceive and experience emotion, reason about other people’s minds, choose to take risks, and even in the way they choose professions and spouses.8 Taken together, these results show that linguistic processes are pervasive in most fundamental domains of thought, unconsciously shaping us from the nuts and bolts of cognition and perception to our loftiest abstract notions and major life decisions. Language is central to our experience of being human, and the languages we speak profoundly shape the way we think, the way we see the world, the way we live our lives.

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NOTES

1 S. C. Levinson and D. P. Wilkins, eds., Grammars of Space: Explorations in Cognitive Diversity (New York: Cambridge University Press, 2006).

2 Levinson, Space in Language and Cognition: Explorations in Cognitive Diversity (New York: Cambridge University Press, 2003).

3 B. Tversky et al., “ Cross-Cultural and Developmental Trends in Graphic Productions,” Cognitive Psychology 23(1991): 515–7; O. Fuhrman and L. Boroditsky, “Mental Time-Lines Follow Writing Direction: Comparing English and Hebrew Speakers.” Proceedings of the 29th Annual Conference of the Cognitive Science Society (2007): 1007–10.

4 L. Boroditsky, “Do English and Mandarin Speakers Think Differently About Time?” Proceedings of the 48th Annual Meeting of the Psychonomic Society (2007): 34.

5 D. Casasanto et al., “How Deep Are Effects of Language on Thought? Time Estimation in Speakers of English, Indonesian Greek, and Spanish,” Proceedings of the 26th Annual Conference of the Cognitive Science Society (2004): 575–80.

6 Ibid., “How Deep Are Effects of Language on Thought? Time Estimation in Speakers of English and Greek” (in review); L. Boroditsky, “Does Language Shape Thought? English and Mandarin Speakers’ Conceptions of Time.” Cognitive Psychology 43, no. 1(2001): 1–22.

7 L. Boroditsky et al. “Sex, Syntax, and Semantics,” in D. Gentner and S. Goldin-Meadow, eds., Language in Mind: Advances in the Study of Language and Cognition (Cambridge, MA: MIT Press, 2003), 61–79.

8 L. Boroditsky, “Linguistic Relativity,” in L. Nadel ed., Encyclopedia of Cognitive Science (London: MacMillan, 2003), 917–21; B. W. Pelham et al., “Why Susie Sells Seashells by the Seashore: Implicit Egotism and Major Life Decisions.” Journal of Personality and Social Psychology 82, no. 4(2002): 469–86; A. Tversky & D. Kahneman, “The Framing of Decisions and the Psychology of Choice.” Science 211(1981): 453–58; P. Pica et al., “Exact and Approximate Arithmetic in an Amazonian Indigene Group.” Science 306(2004): 499–503; J. G. de Villiers and P. A. de Villiers, “Linguistic Determinism and False Belief,” in P. Mitchell and K. Riggs, eds., Children’s Reasoning and the Mind (Hove, UK: Psychology Press, in press); J. A. Lucy and S. Gaskins, “Interaction of Language Type and Referent Type in the Development of Nonverbal Classification Preferences,” in Gentner and Goldin-Meadow, 465–92; L. F. Barrett et al., “Language as a Context for Emotion Perception,” Trends in Cognitive Sciences 11(2007): 327–32.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-linguagem-e-o-pensamento