A História do Manuscrito Voynich

O Dr. Dee era um colecionador encarniçado de manuscritos estranhos. Foi ele que, entre 1584 e 1588, ofereceu ao Imperador Rodolfo II o estranho manuscrito Voynich.

A história desse manuscrito foi contada muitas vezes, e em particular, por mim mesmo em O Homem Eterno e em Os Extraterrestres na História. Penso, entretanto, que será útil contá-la desde o início.

O Duque de Northumberland havia pilhado um grande número de mosteiros sob o reinado de Henrique VIII. Num deles, encontrou um manuscrito que sua família comunicou a John Dee, cujo interesse por problemas estranhos e testos misteriosos era bem conhecido. Segundo os documentos encontrados, tal manuscrito havia sido escrito por Roger Bacon. Roger Bacon (1214-1294) era considerado pela posteridade como um grande mago. Com efeito, ele se interessava sobretudo pelo que chamamos experimentação científica, da qual foi um dos pioneiros.

Predisse o microscópio e o telescópio, os navios com propulsão a motores, os automóveis e as máquinas voadoras. Interessava-se, igualmente, pela criptografia da qual falou na “Epístola sobre as obras secretas da arte e a nulidade da magia”. Dee podia pensar, perfeitamente, que um tal manuscrito inédito e cifrado por Roger Bacon podia conter espantosos segredos. Seu dilho, Dr. Arthur Dee, falando da vida de John Dee em Praga, cita “um livro contendo um texto incompreensível que meu pai tentou em vão decifrar”. Dee ofereceu o manuscrito ao Imperador Rodolfo. Após múltiplas atribulações, o documento parou no livreiro Hans P. Kraus, de New York, onde foi vendido em 1692, pela módica soma de 160.000 dólares. Não é caro, se tal livro contém todos os segredos do mundo, é muito caro se resumir, simplesmente, os conhecimentos do século XIII.

Falamos já do papiro egípcio que devia fornecer, em princípio, “todos os segredos das trevas”, e que indicava, unicamente, o método de resolução de equações do primeiro grau. É preciso desconfiar, mesmo do manuscrito Voynich. Penso, de minha parte, que esse manuscrito Voynich serve como bom exemplo de livro maldito que escapa à destruição, unicamente porque não se chega a decifrá-lo, e porque não constitui, por isso, um perigo imediato.

Aparece em forma de brochura de 15 por 27 cm, sem capa e, segundo a paginação, faltando 28 páginas. O texto é colorido em azul, amarelo, vermelho, marrom e verde. Os desenhos representam mulheres nuas, de pequeno talhe, diagramas (astronômicos?) e quatrocentas plantas imaginárias. A escrita parece uma escrita medieval corrente. O exame grafológico permite concluir que o escriba conhecia a língua que utilizava: copiou-a de maneira corrente e não letra por letra.

O código empregado parece simples, mas não se encontra maneira de decifrá-lo.

O manuscrito apareceu em 19 de agosto de 1666, quando o reitor da Universidade de Praga, Johannes Marcus Marci, enviou-o ao célebre jesuíta Athanase Kircher que era, entre outras coisas, especialista em criptografia e em hieróglifos egípcios, e em continentes desaparecidos. Era o homem a quem se deveria ter enviado o texto, realmente, mas ele não conseguiu decifrá-lo.

O manuscrito foi, em seguida, estudado pelo sábio tcheco Johannes de Tepenecz, favorito de Rodolfo II. Encontra-se uma assinatura de Tepenecz na margem, mas também este não decifrou o manuscrito. Kircher, tendo malogrado, guardou o manuscrito numa biblioteca jesuíta. Em 1912, um livreiro chamado Wilfred Voynich comprou o manuscrito da escola jesuíta de Mondragone, em Frascati, Itália. Levou-o aos Estados Unidos, onde muitos especialistas tentaram descobrir seu segredo. Não chegaram a identificar seu segredo. Não chegaram a identificar a maior parte das plantas. Nos diagramas astronômicos, foram identificadas as constelações de Aldebaran e Hyades, o que não mudou muita coisa. A opinião geral é de que o texto está cifrado, mas numa linguagem desconhecida. Os famosos arquivos do Vaticano foram abertos para auxiliar a procura. Nada se encontrou.

Numerosas fotografias circularam, foram remetidas a grandes especialistas. Nada.

Em 1919, fotocópias chegaram a William Romaine Newbold, deão da Universidade da Pensilvânia. Newbold tinha, então, 54 anos. Era especialista em lingüística e criptografia.

Em 1920, Franklin Roosevelt, então assistente no Ministério da Marinha, agradece-lhe por decifrar uma correspondência entre espiões, cujo segredo não pudera ser percebido por nenhum dos escritórios especializados de Washington. Newbold interessava-se, mais e mais, pela lenda do Graal e pelo gnosticismo. Era visivelmente um homem de grande cultura, capaz, se alguém no mundo fosse capaz, de decifrar o manuscrito Voynich.

Trabalhou durante dois anos. Pretendeu ter encontrado uma chave, depois tê-la perdido no curso das pesquisas, o que é singular. Em 1921 começou a fazer conferências sobre suas descobertas. O menos que se pode dizer de tais conferências é que foram sensacionais.

Segundo Newbold, Roger Bacon sabia que a nebulosa de Andrômeda era uma galáxia como a nossa. Sempre segundo ele, Bacon conhecia a estrutura da célula e a formação do embrião a partir do esperma e do óvulo. A sensação era mundial.

Não somente no meio científico, mas entre o grande público. Uma mulher atravessou todo o continente americano para suplicar a Newbold que expulsasse o demônio que a perseguia, utilizando as fórmulas de Roger Bacon.

Há também objeções. Não se compreende o método de Newbold, tem-se a impressão de que ele caminhava para trás, não se conseguem novas mensagens utilizando seu método. Ora, é evidente que um sistema de criptografia deveria funcionar nos dois sentidos. Se possui-se um código, dever-se-ia, também, traduzir nesse código mensagens em claro. A sensação continuou, mas Newbold tornava-se cada vez mais vago, menos acessível. Morreu em 1926. Seu colega e amigo, Roland Grubb Kent, publicou seus trabalhos. O entusiasmo do mundo foi considerável.

Depois, uma contra-ofensiva começou, conduzida em particular pelo Padre Manly. Não estava de acordo com a decifração de Newbold. Pensava que certos signos auxiliares eram deformações do papel. E bastante depressa não se falou mais nesse manuscrito.

É então que me separo de numerosos eruditos que estudaram a questão, e especialmente David Kahn, cujo admirável livro The Code-Breakers é a bíblia moderna dos peritos em criptografia. Aproveito a ocasião para agradecer a David Kahn ter citado uma de minhas aventuras pessoais no domínio da criptografia. Tendo, durante a ocupação alemã, necessidade de cinco tipos gráficos para terminar um trabalho, e encontrando-me à frente de jovens que fumavam como bombeiros, e que haviam sido privado de sua droga, acrescentei em minha mensagem as letras T A B A C. Londres compreendeu e 150 kg de tabaco caíram sobre nossas cabeças, de pára-quedas, logo na lua seguinte.

A hipótese que vou emitir é pessoal. Parece-me, pelo menos, que nunca vi em nenhum lugar e que, igualmente, já li tudo, sobre o manuscrito Voynich. Para mim, Newbold apagou a pista conscientemente, pois teria recebido ameaças. Tinha relações muito estranhas com todos os tipos de seitas. Sabia bastante para entender que certas organizações secretas são realmente perigosas. E estou persuadido que, a partir de 1923, foi ameaçado, e, temendo graves represálias, deu um passo para trás. Dissimulou o essencial de seu médico, e sua chave principal nunca foi encontrada.

Antes de examinarmos o que penso sobre o conteúdo do manuscrito de Voynich, preciso primeiro resumir, rapidamente, as tentativas de decifração posterior a Newbold. A maior parte são ridículas. Mas, a partir de 1994, um grande especialista em criptografia militar, William F. Friedman, morto em 1970, ocupou-se dessa questão. Utilizou um ordenador do tipo R.C.A. 301. Segundo Friedman, não só a mensagem é cifrada, mas está numa linguagem totalmente artificial. Como a língua enoquiana de John Dee. É uma hipótese interessante que, talvez, seja um dia provada.

Após a morte de Voynich em 1930, os herdeiros de sua mulher venderam o manuscrito à livraria Kraus. Está disponível por 160.000 dólares. A meu ver, se o manuscrito realmente interessou John Dee é porque ele reconheceu, como na Steganographie de Trithème, o código de uma linguagem que ele conhecia e que não era, talvez, uma linguagem humana. Roger Bacon, como outros antes e depois dele, teve acesso a um saber que provinha, seja de uma civilização desaparecida, seja de outras inteligências. Ainda uma vez, alguns pensaram, o pensam ainda, que uma revelação que venha muito cedo, relativa a segredos de uma ciência superior à nossa, destruiria nossa civilização.

Nesse caso, perguntar-se-á, por que o manuscrito de Voynich não foi destruído? A meu ver, percebeu-se muito tarde sua existência, por volta de 1920, e então já circulava tal número de fotografias do texto que seria impossível destruí-las todas. É a primeira vez que a fotografia intervém num caso de livros malditos, e parece, certamente, que ela vai tornar difícil, posteriormente, a tarefa dos Homens de Preto. Uma vez as fotografias divulgadas, não havia nada a fazer a não ser silenciar Newbold e isto sem despertar suspeitas.

Por isso ele não sofreu nenhum “acidente” e morreu naturalmente. Mas a campanha que visava desacreditá-lo e produzir traduções ridículas do manuscrito foi muito bem organizada.

Notemos, de passagem, para pessoas que se interessam pelo planejamento familiar que uma dessas falsas traduções, a do Dr. Leonell C. Strong, extraiu do manuscrito Voynich a fórmula publicada de uma pílula anticoncepcional. Mas o verdadeiro problema permanece.

Um dos objetivos da revista americana INFO, consagrada às informações de difíceis soluções, consiste na decifração do manuscrito Voynich. Até hoje, tal objetivo não progrediu muito. Parece-me que seria conveniente entregar-se mais ao manuscrito Voynich, e menos a outros problemas desse gênero. Quer se tratasse dos manuscritos de Trithème ou dos escritos incompletos de John Dee. No caso do manuscrito Voynich, parece tratar-se de um texto proibido completo. Entre as poucas frases que se encontram nas publicações de Newbold, uma faz, particularmente, sonhar. É Roger Bacon quem fala: “Vi num espelho côncavo uma estrela em forma de escaravelho. Ela se encontra entre o umbigo de Pégaso, o busto de Andrômeda e a cabeça de Cassiopéia.”

Foi exatamente ali que se descobriu a nebulosa de Andrômeda, a primeiro grande nebulosa extragalática que se conheceu. A prova foi anunciada após a publicação de Newbold que não pôde ter sido influenciado em sua interpretação do texto por um fato que ainda não fora descoberto.

Outras frases de Newbold fazem alusão ao “Segredo das Estrelas Novas”.

Se realmente o manuscrito Voynich contém os segredos das novas e dos quasares, seria preferível que ficasse indecifrável, pois uma fonte de energia superior à da bomba de hidrogênio e suficientemente simples de manejar para que um homem do século XIII possa compreendê-la, constituiria exatamente um tipo de segredo que nossa civilização não tem necessidade de conhecer. Sobrevivemos, penosamente, porque foi possível conter a bomba H. Se é possível liberar energias superiores, é melhor que não saibamos como, não ainda. Senão, nosso planeta desapareceria bem mais depressa na chama breve e brilhante de uma supernova.

A decifração do manuscrito Voynich deveria ser, a meu ver, seguida de uma censura séria antes de sua publicação. Mas quem aplicaria tal censura? Como diz o provérbio latino, “quem guardará os guardiães?” Pergunto-me se nunca se submeteu fotocópia do manuscrito Voynich a um grande intuitivo do tipo de Edgar Cayce, que poderia traduzi-lo sem usar o laborioso processo de decifração. Seria suficiente que ele encontrasse a chave, e os ordenadores fariam todo o resto. Pode-se encontrar uma foto de uma página do manuscrito Voynich, na página 855 do livro de David Kahn, já citado, edição inglesa Weidenfeld e Nicholson. Não se pode, evidentemente, deduzir dela o que quer que seja. Simplesmente, fica-se espantado com o número de repetições. Tais repetições foram aliás notadas por inúmeros especialistas de criptografia que tiraram daí conclusões contraditórias.

Mas o simples fato de se poder encontrar tais fotografias representa já uma vitória contra os Homens de Preto. E seria desejável que qualquer pessoa que tenha um documento desse tipo o difundisse, por fotografia, de maneira a mais ampla possível, evitando, dessa forma, sua destruição. Se a franco-maçonaria européia tomasse tal precaução antes da guerra de 1939-1945, documentos únicos não teriam sido destruídos. Tal destruição de documentos maçons foi efetuada por comandos especiais. Cada um desses comandos era dirigido por um nazista assistido por franceses, belgas e outros cidadãos do país onde a destruição se efetuava. Tais comandos eram muito bem treinados. E é de se notar que os franceses que deles participaram foram beneficiados com imunidades bem estranhas durante a depuração que se seguiu à libertação de 1944. Imunidade singular com efeito, não se aplicando a não se a esse tipo de colaboração. Enquanto colaboradores exclusivamente intelectuais, como o poeta Robert Brasillach, foram duramente castigados, especialistas da ação antimaçônica não foram tocados.

Voltando ao manuscrito Voynich, tenho excelentes razões para crer que uma versão desse manuscrito foi destruída. Com efeito, Roger Bacon tinha em sua posse um documento que, segundo ele, pertencera ao Rei Salomão e continha as chaves de grandes mistérios. Esse livro, constituído de rolos de pergaminho, foi queimado em 1350 por ordem do Papa Inocêncio VI. A razão que se deu foi que tal documento continha um método para invocar demônios.

Podemos substituir demônio por anjo, e anjo por extraterrestre, e compreender então muito bem a razão dessa destruição. É provável que se a igreja católica, em 1350, achasse o manuscrito Voynich, tê-lo-ia queimado.

Mas sabemos, agora, que estava escondido numa abadia, e que só com a pilhagem dessa abadia pelo Duque de Northumberland é que o manuscrito reapareceu, e foi levado ao conhecimento de John Dee. Segundo algumas notas de Roger Bacon, o documento que ele tinha e que provinha de Salomão, não estava em código, mas em escrita hebraica. Roger Bacon notou que o documento tratava mais de filosofia natural que de magia.

Bacon escreveu também: “Aquele que escreve a respeito de segredos, de forma não escondida ao vulgo, é um louco perigoso.” Escreveu em 1250 mais ou menos. Explicou em seguida esse método de escrita secreta que comporta a invenção de letras que não existem em nenhum alfabeto. Provavelmente foi o que fez para traduzir em código o que se poderia chamar de documento Salomão, mas que é mais cômodo chamar de manuscrito Voynich.

A língua básica desse manuscrito é, provavelmente, a mesma língua enoquiana que John Dee aprendeu através de sue espelho negro, e da qual ouviremos falar muito no capítulo seguinte, sobre a ordem da Golden Dawn.

Encontram-se, já, traços desse livro em Flávio Josefo. É preciso não confundi-lo com a “Clavícula de Salomão”, ou com “Testamento de Salomão”, ou com o Lemegeton. Todas essas compilações datam do século XVI e algumas do século XVIII.

A maior parte é totalmente desprovida de interesse e dá simplesmente listas de demônios.

O “Livro de Salomão”, que pertenceu a Roger Bacon e foi queimado em 1350, era, certamente, outra coisa. Seria essa obra, assim como algumas outras “fontes insuspeitadas e interditas” como disse Lovecraft, que Roger Bacon traduziu numa língua desconhecida, e que em seguida codificou. O infeliz Newbold, provavelmente ameaçado e aterrorizado, teve que inventar métodos de decifração e manter o mito de que o texto estava escrito em latim, apesar de não estar em latim, certamente, mas em língua enoquiana.

Como Bacon obteve esse documento? Não se pode, por ora, senão sonhar e imaginar que os Homens de Preto não constituem um grupo monolítico, mas que entre eles alguns querem revelar os segredos, e o conseguem ao menos parcialmente. Pode-se imaginar, também, que esses Homens de Preto formam uma organização terrestre localizada, que seres extraterrestres por vezes aparecem para auxiliá-los. E gostaria, a propósito, de chamar a atenção para o caso de Giordano Bruno.

Os racionalistas ligaram-se a esse mártir, e fizeram dele um homem de ciência, vítima de tendências as mais reacionárias da Igreja. Nada mais falso. Giordano Bruno era principalmente um mago apaixonado pela magia e praticante da mesma. Comparou a magia à uma espada que, entre as mãos de um homem direito, podia fazer milagres, e insistiu sobre o papel das matemáticas na magia. Para ele, a existência de outros planetas e a rotação da Terra ao redor do Sol constitui uma parte secundárias de sua obra que compreende sessenta e um livros, a maior parte de magia. A existência de outros planetas habitados faz, para ele, parte da magia. Porque sabia muito sobre isso foi que, atraído para Veneza por uma agente da Inquisição de nome Giovanno Mocenigo, foi entregue aos seus chefes.

Porque cria na magia e na existência de habitantes em outros planetas além da Terra, Giordano Bruno foi julgado herege impertinente e persistente, e queimado em Roma, no Campo dei Fiori, em 17 de fevereiro de 1600. Viveu na Inglaterra de 1583 à 1585, e não es´ta excluída a hipótese de ter conhecido os trabalhos de John Dee e o manuscrito Voynich. Segundo todos os registros que temos de Giordano Bruno, ele era um homem confiante e imprudente. Visivelmente, ele falou demais.

por Jacques Bergier

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-historia-do-manuscrito-voynich/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-historia-do-manuscrito-voynich/

22 alternativas sensatas para a morte involuntária

A maioria dos seres humanos encaram a morte com uma ‘atitude’ de impotência, seja resignada ou com medo. Nenhum desses ‘ângulos de enfoque’ submissos e freqüentemente mal-informados, frente ao evento mais crucial da vida de uma pessoa, pode ser considerado como enobrecedor.

Atualmente, existem muitas opções práticas disponíveis para lidarmos com o processo de morrer. A passividade, a falha em aprender sobre estas opções, poderá ser o ultimo e definitivo engano. A famosa proposição de Pascal sobre a existência de Deus traduz-se em termos da vida moderna como uma aposta que não envolve riscos, apoiada sobre a habilidade da tecnologia. Por milênios, o temor da morte depreciou a confiança individual e aumentou a dependência na autoridade. Ora, o membro leal de uma família ou reservatório genético pode orgulhar-se da tenacidade e sucesso em sobreviver de seus iguais.

Mas com relação ao indivíduo, as perspectivas tradicionais são bem menos exaltadas. Vamos ser curtos e grossos aqui. Como podemos ficar orgulhosos de nossos sucessos passados, andarmos eretos e nos encaminharmos com entusiasmo para o futuro se, implacavelmente à nossa espera em alguma esquina futura, nos aguarda a Velha Senhora Morte, a Colhedora de Vidas?

Mas que trabalho de primeira linha os Construtores do Mundo fizeram ao transformarem esse Conceito de Morte em um Show-Espetáculo de Horror! A tumba. Mortificação. Extinção. Degeneração. Catástrofe. Perdição. Fim. Fatalidade. Malignidade. Necrológicos. O final.

Notemos a atitude de negativismo calculado. Morrer ‚ decair, entregar o espírito, morder o pé, chutar o balde, perecer. Tornar-se inanimado, sem vida, defunto, extinto, moribundo, cadavérico, necrótico. Um cadáver, uma rigidez, um corpo, uma relíquia, alimento para vermes, um corpo de delito, uma carcaça. Que fim miserável para o jogo da vida!

O Temor da Morte era uma Necessidade Evolutiva no Passado.

No passado, o dever genético reflexo de Controle Gerencial Total (aqueles que se encontram no controle social de v rios reservatórios genéticos = governantes, autoridades, instituições, etc.) era fazer com que os seres humanos se sentissem fracos, impotentes e dependentes frente à morte. O bem da raça ou nação era garantido a custo do sacrifício do indivíduo.

A obediência e submissão eram recompensadas num planejamento de pagamento através do tempo. Pela devoção dele ou dela, era prometida a imortalidade ao indivíduo, naquele centro-de-enxame pós-mortem variadamente conhecido como ‘céu’, ‘paraíso’ ou ‘Reino do Senhor’. Para poder manter a atitude de dedicação, os controladores do reservatório genético tinham de controlar os ‘reflexos de morte’, orquestrar os estímulosdisparadores que ativam os ‘circuitos de morte’ do cérebro. Isto foi obtido através de rituais que imprintam a dependência e docilidade, quando os sinais de alarme da morte disparam dentro do cérebro.

Talvez possamos compreender melhor esse processo de imprint ao considerar um outro conjunto de ‘rituais’, aqueles pelos quais o enxame humano controla os reflexos de concepção-reprodução. Uma discussão destes apresenta um menor potencial de alarmalo. E os mecanismos de controle impostos pela atuação dos mecanismos sociais são semelhantes em ambas as situações (morte e reprodução). Convidamos o leitor a ‘sair fora do sistema’ por alguns momentos, para ver vividamente aquilo que ordinariamente está invisível por estar tão entrincheirado dentro de nossas expectativas.

Na adolescência, cada grupo de iguais fornece rituais, tabus e orientações éticas destinadas à guiar a situação toda-importante do esperma-óvulo.

O controle efetuado pelo indivíduo dos mecanismos do DNA excitado sempre representa uma ameaça ao processo de reprodução do enxame. Padrões no vestir, namorar, corte, anticoncepcionais e de aborto são fanaticamente convencionados em sociedades tribais e feudalizadas. A inovação pessoal ‚ fortemente condenada e ostracizada. As democracias industriais variam em termos de liberdade sexual permitida aos indivíduos. Mas nos estados totalitários, como China e Irã, por exemplo, uma moralidade rigidamente conservadora controla os reflexos de acoplamento e governa as relações rapaz-moça. Debaixo do domínio do ditador Mao, o ‘romance’ foi abolido porque enfraquecia a dedicação ao Estado, isto, o reservatório genético local. Se os adolescentes pudessem pilotar e selecionar seu próprio acoplamento, então teriam maior probabilidade em fertilizar fora do enxame e uma maior probabilidade de insistir em dirigir suas próprias vidas e, pior de tudo, menor possibilidade de educarem seus filhos com uma lealdade cega de reservatório genético.

Mesmo os mais rígidos rituais de imprint social guardam os ‘reflexos de morte’ . O controle efetuado pelo enxame das respostas de ‘morte’ ‚ considerado como garantido em todas as sociedades pró-cibernéticas. No passado essa degradação conservativa da individualidade era uma virtude evolutiva. Durante épocas de estabilidade das espécies, quando as tecnologias tribais, feudais e industriais estavam sendo ainda dominadas, a sabedoria sofisticamente afinada estava centrada no reservatório genético, armazenada na consciência linguística coletiva, nos arquivos de dados raciais do enxame.

Uma vez que a vida individual ‚ curta, brutal, sem objetivos, aquilo que um indivíduo aprendia era quase irrelevante. O mundo estava mudando tão lentamente que o conhecimento podia apenas ser corporificado nas espécies. Na falta de tecnologias para o domínio pessoal da transmissão e armazenamento da informação, o indivíduo era, portanto, muito lerdo, muito pequeno para ter alguma importância. A lealdade ao coletivo racial era então uma virtude. A Criatividade, a individuação Prematura eram anti-evolucionárias naquela época. Uma distração estranha, mutante. Apenas os idiotas de Greenwich Village tentariam cometer um pensamento independente, não-autorizado.

Nas eras feudal e industrial, o Gerenciamento fez uso do temor da morte para motivar e controlar indivíduos. Atualmente, os políticos fazem uso dos artesãos da morte, os militares, policiais e a punição capital para proteger a ordem social. A religião organizada afirma o seu poder e riqueza ao orquestrar e exagerar o temor à morte.

Entre as muitas coisas que o Papa, o Ayatollah e os Protestantes Fundamentalistas concordam temos: uma compreensão confiante e um domínio auto-direcionado do processo de morte são a última coisa a ser permitida ao indivíduo. A própria noção de uma Inteligência Cibernética Pós-Social ou uma opção-consumista de imortalidade‚ um tabu, pecado. Pelas mesmas razões previamente v lidas de proteção do reservatório genético.

As religiões espertamente monopolizaram os rituais da morte para ampliar seu controle sobre os supersticiosos. Através da história, os sacerdotes e mullahs rodearam o ser humano agonizante como abutres negros. A Morte pertencia a eles.

À medida que encerramos o século vinte, somos sistematicamente programados sobre Como Morrer. Os hospitais são povoados com sacerdotes/ministros/rabinos prontos a realizarem os ‘últimos ritos’. Cada unidade do exército tem o seu capelão Católico para administrar o Sacramento da Extrema Unção (que frase, realmente!) ao soldado que expira. O Ayatollah o Mullah-Chefe do Culto de Morte Islâmico, manda os seus soldados adolescentes para os campos minados do Iraque com etiquetas garantindo imediata transferência para os Campos de Chegada de Allah. O Paraíso corânico. Um terrível acidente automobilístico? Chame os médicos. Chame os sacerdotes! Chame o Reverendo!

Na Sociedade Industrial, tudo torna-se parte do Grande Negócio. A morte passa a envolver a Cruz Azul, Medicare, Sistemas de Saúde de Grupo, a Administração de Finanças de Serviços de Saúde (HCFA), alas de pacientes terminais. Serviços funerários. Cemitérios. Os rituais de enterro.

Os monopólios da religião e das linhas de montagem do processo de Gerenciamento Total dos agonizantes e mortos ‚ ainda mais eficiente do que o dos vivos.

Recordemo-nos de que o conhecimento e escolha seletiva sobre tais assuntos do reservatório genético como a concepção, fertilização em laboratório, gravidez e aborto são demasiadamente perigosos aos pais da(s) igreja(s).

Mas o suicídio, o conceito de direito de morrer, a eutanásia, a expansão da vida, experiências fora do corpo, experimentos ocultos, cenários de viagens astrais, relatos de morte/renascimento, especulações extraterrestres, criogenia, bancos de esperma, bancos de DNA, Tecnologia de Inteligência Artificial capaz de conferir capacidades e poderes aos indivíduos – tudo que encoraje ao indivíduo vir a se engajar numa especulação especial e experimentação com a imortalidade – representa um anátema aos ortodoxos Pastores de Sementes das eras feudais e industriais.

Por que? Porque se o rebanho não teme a morte, então o controle do Gerenciamento Religioso e Político ‚ quebrado. O poder da ferramenta genética ‚ ameaçado. E quando o controle sobre o reservatório genético se enfraquece, inovações genéticas e visões mutacionais tendem a aparecer.

Alguns acreditam que a Era Cibernética a que estamos ingressando poderia marcar o início de um período de individualismo iluminado e inteligente, um tempo único na história, onde a tecnologia está a disposição de indivíduos para dar apoio a uma imensa diversidade de estilos de vida personalizados e culturas, um mundo de diversos grupos sociais interativos, cujo número de sócios-fundadores ‚ um (1).

A tecnologia da computação e comunicação em franca explosão oferece um delicioso festim de conhecimento e escolha pessoal dentro de nossas possibilidades. Debaixo dessas condições, a sabedoria atuante e o controle, naturalmente são transferidos dos reservatórios genéticos de poder antigos para localizarem-se nos cérebros em rápida modificação, cérebros de indivíduos capazes de lidarem com uma taxa da mudança em plena aceleração.

Com a ajuda de acessórios adaptados às necessidades do ser, pessoal e quantumlinguisticamente programados, o indivíduo poder escolher o seu próprio futuro social e genético. E talvez escolher não ‘morrer’.

 

A Teoria de Evolução por Ondas

 

As teorias correntes da genética sugerem que a evolução, como tudo o mais no universo, acontece em ondas. Assim – nos tempos da evolução Pontuada, de metamorfose coletiva, quando muitas coisas estão mutando ao mesmo tempo, então os dez mandamentos dos ‘antigos’ tornam-se dez outras sugestões Em tais momentos de rápida inovação e de mutação coletiva, o dogma conservador do enxame pode ser perigoso, suicida. A experimentação individual e a exploração, o desafio sério, metódico e científico dos tabus tornam-se a chave para a sobrevivência da escola genética.

 

Agora, à medida que ingressamos na Era Cibernética, chegamos a uma nova sabedoria que amplia nossa definição da imortalidade pessoal e de sobrevivência do reservatório genético: As opções pós-biológicas das espécies da informação. Um conjunto fascinante de escolhas-gourmet subitamente aparecem no menu desdobrante do Café Evolucionário.

 

Está começando a parecer que na Sociedade da Informação, o ser humano individual poder escrever o roteiro, produzir e dirigir sua própria imortalidade. Aqui encaramos o Choque Mutacional na sua forma mais geradora de pânico. E, como fizemos na compreensão das mutações anteriores, o primeiro passo a ser dado ‚ desenvolver uma nova linguagem. Não devemos impor os valores ou os vocabulários das espécies do passado sobre a nova Cultura Cibernética.

 

Você permitiria que o zumbido de um culto pró-literato paleolítico controlasse a sua vida? Ir deixar com que as superstições de uma cultura tribal-urbana (agora representada pelo Papa e pelo Ayatollah) o atire fora de cena? Ir deixar com que as táticas de obsolescência planejada, mecânicas, da Cultura Fabril controlem a sua existência?

 

Assim, não mais façamos piedosos e mansos cordeiros discursos sobre a morte! Chegou o momento para falarmos de maneira entusiasmada e fazermos piadas sobre a responsabilidade de controlarmos o processo de morrer. Para começar, vamos desmitificar a morte e desenvolver metáforas alternativas para a consciência abandonando o corpo. Vamos especular de boa vontade sobre opções pós-biológicas. Vamos ser corajosos ao abrirmos um amplo espectro de possibilidades pós-biológicas.

 

De início, vamos substituir a palavra morte por um termo mais neutro, preciso e científico: Coma Metabólico. E em seguida vamos seguir em frente ao sugerirmos que esse estado temporário de ‘coma’ pode ser substituído por: Auto-Metamorfose, uma modificação auto-controlada da forma corporal, onde o indivíduo escolhe mudar o seu veículo de existência sem qualquer perda de consciência.

 

Então, vamos estabelecer uma distinção entre o coma metabólico voluntário e involuntário. Vamos explorar essa ‘terra de ninguém’ fascinante – o período dentre a morte corporal e a neurológica em termos do processamento de conhecimentoinformação aqui envolvido. Vamos coletar alguns dados sobre aquela zona ainda mais intrigante que agora começa a ser pesquisada nos campos interdisciplinares da ciência, chamada de Vida Artificial (2).

 

Que capacidades de processamento de conhecimento-informação podem ser preservadas depois que ocorreram tanto o coma metabólico quanto o cerebral? Que sistemas naturais e artificiais, a partir do crescimento de estruturas minerais, até a auto-reprodução de autômatos matem ticos formais, representariam alternativas de candidatos promissores à biologia frente à manutenção da vida?

 

E vamos realizar o ultimo ato de Inteligência Humana. Vamos nos aventurar com uma tolerância calma, aberta, e com rigor científico, naquela perene terra incógnita e fazer a pergunta final: Que possibilidades de processamento de conhecimento-informação podem permanecer depois do fim de toda a vida biológica: somática, neurológica e genética?

 

Como pode a consciência humana ser abrigada em um hardware situado fora deste envoltório carnal úmido, gracioso, atraente e cheio de prazer que agora habitamos? Como pode a lagarta construída a base de carbono tornar-se uma borboleta de silicone?

 

Christopher S. Hyatt, Ph.D. e A.K. O’Shea sugeriram três estágios de Inteligência Pós- Biológica: 1. Reconhecimento Cibernético das miríades de variedades de processamento do conhecimento-informação envolvidas nos muitos estágios de morte; 2. Gerenciamento Cibernético, com o desenvolvimento de habilidades de processamento de conhecimento-informação enquanto em estado fora do corpo, fora do cérebro e além do DNA; 3. Tecnologia Cibernética, alcançando uma entre muitas das opções de imortalidade.

 

A Inteligência de Reconhecimento Cibernética

 

Reconhecemos que o processo de morte, amortizado por milênios pelos tabus e superstições primitivas, subitamente tornou-se acessível à inteligência humana. Aqui experimentamos as intuições súbitas sobre o fato que não devemos ir quieta e passivamente para aquela noite escura ou paraíso disneyano iluminado feericamente por neons ou música ambiente monótona da multidão de regressão a vidas passadas. Descobrimos que o conceito de coma metabólico irreversível, conhecido como morte‚ uma superstição feudal, uma estratégia de Marketing promotora de eficiência da sociedade industrial. Compreendemos que podemos descobrir dúzias de alternativas ativas e criativas frente ao ato de irmos de barriga para cima, agarrados aos logotipos das companhias da Cruz cristã, Cruz Azul, Cruz Crescente ou aos cartões de sociedade das Companhias de Saúde Privada.

 

O reconhecimento sempre ‚ o início da possibilidade de uma modificação. Depois que compreendermos que a ‘morte’ pode ser definida como um problema de processamento de conhecimento-informação, então soluções para esse ‘problema’, que existe há tanto tempo, podem surgir. Podemos descobrir que a coisa inteligente a ser feita ‚ tentar manter as nossas capacidades de processamento de conhecimento-informações por tanto tempo quanto possível. Em forma corporal. Em forma neutra. Nos circuitos de silicone e nos meios de armazenamento magnético dos computadores atuais. Na forma molecular, através do empilhamento atômico da nanotecnologia dos computadores do futuro. Em forma criogênica, como dados armazenados, lendas, mitos. Na forma de filhos que são ciberneticamente treinados em usar a Inteligência Pós-Biológica. Em forma de reservatórios genéticos pós-biológicos, info-reservatórios, formas virais avançadas residindo nas redes mundiais de computadores e matrizes de ciberespaços do tipo descrito nas novelas de William Gibson (3).

 

O segundo passo para alcançar a Inteligência de Reconhecimento Pós-Biológica‚ mudar de um modo passivo para um ativo. Os humanos da era industrial foram treinados em esperar docilmente o término e a devolução de seus corpos para serem enterrados aos sacerdotes e à fábrica (hospitais).

 

Nossa espécie agora está desenvolvendo habilidades cibernéticas para planejar antecipadamente; para fazer com que a vontade do indivíduo prevaleça. A coisa inteligente a ser feita ‚ ver o ato de morrer como uma mudança na implementação do processamento de informações: orquestra-la, gerencia-la, antecipar e exercer as muitas opções disponíveis. Consideramos aqui vinte e dois métodos distintos de evitar um modo de morrer submisso ou cheio de medo (4).

 

A Inteligência Pós-Biológica Programadora

 

Em outras publicações, autores definiram oito níveis de inteligência: biológica, emocional, mental-simbólica, social, estética, neurológico-cibernética, genética, atômico-nano-tecnológica. Em cada um desses estágios existe uma fase de reconhecimento, seguida por uma fase de programação ou reprogramação cerebral. Para reprogramar é necessário ativar os circuitos do cérebro que mediam aquela dimensão particular da inteligência. Uma vez que este circuito é ‘ativado’, torna-se possível reimprinta-lo ou re-programa-lo.

 

A neurologia cognitiva sugere que a forma mais direta de reprogramar respostas emocionais‚ de reativar os circuitos apropriados. Para reprogramar respostas sexuais‚ eficiente reativar e reexperienciar os imprints originais da adolescência e reimprintar novas respostas sexuais.

 

Os circuitos do cérebro que mediam o processo de ‘morte’ são rotineiramente experienciados durante as crises de ‘quase morte’. Por séculos as pessoas contaram: ‘A minha vida inteira passou num relance frente aos meus olhos enquanto eu afundava na água pela terceira vez’.

 

Essa experiência de ‘quase morte’ pode ser ativada através do uso de certas drogas anestésicas. Ou por um aprendizado suficiente dos efeitos das drogas indutoras de experiências fora do corpo, de forma que se pode fazer uso de técnicas hipnóticas para ativar os circuitos desejados sem que tenhamos de usar estímulos químicos externos.

 

Imediatamente vemos que os rituais intuitivamente desenvolvidos por grupos religiosos têm a intenção de induzir estados de transe relacionados com o ato de ‘morrer’. A criança sendo educada numa cultura Católica ‚ profundamente imprintada (programada) pelos ritos dos funerais. A chegada de um sacerdote solene para administrar a extremaunção torna-se um código de acesso para o estado Pós-Biológico. Outras culturas têm diferentes rituais para ativarem e depois, controlarem os circuitos de morte do cérebro. Até recentemente, muitos poucos tiveram a permissão de um controle pessoal ou personalizado para realizar uma escolha.

 

Talvez essa discussão dos ‘circuitos de morte do cérebro’ seja excessivamente inovativa. Algumas vezes‚ mais fácil compreender novos conceitos sobre a nossa espécie por referência a outras espécies. Quase todas as espécies animais manifestam ‘reflexos de morrer’. Alguns animais abandonam o rebanho para morrer isolados. Outros ficam de pernas separadas, estoicamente postergando o ultimo momento. Algumas espécies ejetam o organismo agonizante do resto do grupo social.

 

Para ganhar um controle navegacional sobre os nossos processos de morte, sugerem-se três passos fundamentais: 1. Ativar os reflexos de morte imprintado pela nossa cultura, experiencia-los, 2. Detectar as suas raízes e, 3. Re-programar.

 

O objetivo‚ desenvolver um modelo científico da cadeia de processos cibernéticos (conhecimento-informação) que ocorrem quando nos aproximamos deste estado metamórfico – e intencionalmente desenvolver opções para assumirmos uma responsabilidade ativa frente a estes eventos.

 

Alcançando a Imortalidade

 

Desde a origem da história humana, filósofos e teólogos especularam sobre a imortalidade. De maneira constrangida, reis envelhecidos ordenaram m‚todos para a extensão da duração da vida. Um exemplo dos mais dramáticos desse impulso antiquíssimo ocorre no velho Egito, que produziu a mumificação, as pirâmides e os manuais tais como o Livro Egípcio dos Mortos.

 

O Livro Tibetano dos Mortos (Budista) apresenta um modelo primoroso dos estágios pós-mortem e técnicas para guiar o estudante a um estado de imortalidade que‚ neurologicamente ‘real’ e sugere técnicas científicas para a reversão do processo de morte.

 

O novo campo de engenharia molecular está produzindo técnicas dentro do âmbito do atual consenso da Ciência Ocidental para implementar a auto-metamorfose. O objetivo do jogo ‚ derrotar a morte – dar ao Indivíduo o domínio disto seria a estupidez final.

 

UMA LISTA PRELIMINAR DE OPÇÕES DE IMORTALIDADE

(Para substituirmos o Coma Metabólico Involuntário e Irreversível)

 

I. TREINAMENTO DE TÉCNICAS PSICOLÓGICAS/COMPORTAMENTAIS

 

As técnicas dessa categoria não ajudam na obtenção da imortalidade pessoal por si mesmas, mas são úteis para adquirir a experiência da ‘morte experimental’, uma Exploração reversível e voluntária do território entre o coma corporal e cerebral, uma morte geralmente chamada de Experiência Fora do Corpo ou Experiência de Quase Morte. Outros a denominaram de Viagem Astral ou Memórias de Re-encarnações Prévias.

 

1.  Meditação e hipnose

 

Estas são as rotas iogues clássicas para explorarmos estados não-comuns da consciência. São bastante bem conhecidas e exigem tempo e esforços intensos. Para uma discussão mais completa e ampla dessas técnicas, recomendamos Crowley (5).

 

2.  Experiências psicodélicas cuidadosamente planejadas para induzir um estado de ‘morte’ e uma consciência genética (re-encarnação/pré-encarnação).

 

Não existe aqui, nenhum tipo de envolvimento com alguma teoria ocultista sobre a encarnação biológica. Nos referimos a técnicas que permitem o acesso à informação e aos programas operacionais armazenados no cérebro do indivíduo em estados de consciência normais, são sub-rotinas atuando abaixo do acesso voluntário (6).

 

3.  Experiências Fora do Corpo com o uso de anestésicos.

 

John Lilly escreveu amplamente sobre as suas experiências com pequenas dosagens de anestésicos(7). _ possível que os efeitos subjetivos ‘fora-do-corpo’ de tais substâncias são (meramente) interpretações de uma disrupção (perturbação) proprioceptiva. Ainda assim, as experiências relatadas por Lilly parecem indicar que existem informações disponíveis através dessas rotas de investigação.

 

4.  Tanques de Privação e Isolamento Sensorial.

 

Novamente, foi Lilly quem investigou esse assunto de forma mais completa(8).

 

5.  Exercícios de Re-Programação (suspensão de efeitos e substituição de imprints primitivos de ‘morte’ impostos pela cultura).

 

6.  Desenvolvimento de Novos Rituais para guiar as Transições Pós-Corporais.

 

Os nossos tabus culturais proibiram o desenvolvimento de trabalhos muito detalhados nesta área. Uma das poucas fontes disponível ‚ E.J. Gold(9).

 

7.  Exercícios de Pré-encarnação

 

Com estes, usamos o m‚todo preferido de alteração de consciência (drogas, hipnose, transe xamânico, ritual vudu, frenesi de nascer de novo), para criar roteiros futuros.

 

8.  ’Morte’ Voluntária Esteticamente Orquestrada.

 

Este procedimento foi chamado de suicídio, isto é, ‘auto-assassinato’, por autoridades que desejam controlar o processo de morte. O Sr. e Sra. Arthur Koestler, membros ativos do grupo britânico EXIT, têm um programa que providencia um coma metabólico muito digno e gracioso. Um californiano, HADDA, está tentando colocar uma emenda nas eleições do estado, para permitir com que pacientes terminais possam planejar um coma metabólico voluntário juntamente com seus conselheiros médicos. Os não-californianos podem sempre buscar por um médico iluminado, ou amigos adultos que concordem com isto e que possam atuar como guias para as Terras Ocidentais.

 

II. TÉCNICAS SOMÁTICAS PARA A AMPLIAÇÃO DA DURAÇÃO DA VIDA.

 

Técnicas para inibir o processo de envelhecimento compreendem o enfoque clássico da imortalidade. No estado atual da ciência, estas meramente ‘compram tempo’.

 

9.  Dieta

 

A pesquisa clássica sobre a dieta e longevidade foi desenvolvida por Roy L. Walford, médico (10).

 

10.  Drogas de Extensão de Vida

 

Estas incluem drogas anti-oxidantes e outras. Uma referência ‚ a ‘Expansão da Vida’, por Sandy Shaw e Durk Pearson.

 

11. Programas de Exercícios.

 

12. Variações de Temperatura.

 

13. Tratamentos de Sono (hibernação)

 

14. Imunização Contra o Processo de Envelhecimento.

 

III. PRESERVAÇÃO SOMÁTICA/NEURAL/GENÉTICA

 

Técnicas nesta classe não garantem o funcionamento contínuo da consciência. Elas produzem o coma metabólico potencialmente reversível. Elas são alternativas para a preservação de estrutura dos tecidos até que alcancemos uma época de um conhecimento médico mais avançado.

 

15. ‘Conserva’ Criogênica ou pelo Vácuo.

 

Por que permitir que o corpo ou cérebro degenerem, quando isto parece implicar em nenhuma possibilidade para o futuro? Por que permitir que o arranjo cuidadoso de crescimentos dendríticos em nossos sistemas nervosos, que poder ser o reservatório de todas as nossas memórias, seja comido por fungos? A preservação perpétua de seus tecidos está disponível atualmente a preços moderados(11).

 

16. Preservação Criônica do Tecido Neuronal, ou do DNA

 

Aqueles que não estão particularmente apegados aos seus corpos podem optar para a preservação apenas dos elementos essenciais: seus cérebros, juntamente com os códigos instrucionais capazes de fazer crescer novamente algo geneticamente idêntico a atual bio-maquinaria.

 

IV. MÉTODOS BIO-GENÉTICOS PARA A EXTENSÃO DA VIDA.

 

Existe qualquer necessidade em experienciar o coma metabólico, afinal das contas? Temos mencionado modos de ganhar controle pessoal da experiência, para evita-lo através de técnicas ‘convencionais’ de longevidade, para evitar a dissolução irreversível do substrato sistêmico.

 

Agora começam a emergir técnicas que permitem uma garantia muito mais vívida de uma persistência pessoal, uma transformação metamórfica em direção a uma forma diferente de substrato no qual o programa de computador da consciência roda.

 

17. Reparo Celular/DNA

 

A nanotecnologia ‚ a ciência e a engenharia mecânica de sistemas eletrônicos construídos em dimensões atômicas(12). Uma das habilidades previstas e da nanotecnologia ‚ o seu potencial para a produção de nano-máquinas replicantes no interior de células biológicas. Essas enzimas artificiais irão realizar o reparo celular, à medida que ocorre o dano oriundo de causas mecânicas, radiação e outros efeitos do envelhecimento. O reparo do DNA garante a estabilidade genética.

 

18. Clonização.

 

A replicação biológica de cópias pessoais geneticamente idênticas de você mesmo, em qualquer momento desejado, está começando a tornar-se possível. O sexo é divertido, mas a reprodução sexual é biologicamente ineficiente, adaptada apenas para a indução da variação genética em espécies que ainda evoluem através dos acidentes devidos ao acaso de uma combinação probabilística.

 

V – MÉTODOS CIBERNÉTICOS (PÓS-BIOLÓGICOS) PARA A OBTENÇÃO DA IMORTALIDADE (VIDA ARTIFICIAL EM SILÍCIO)

 

Como o autor cyberpunk neuromântico Bruce Sterling nota, a evolução movimenta-se em ondas, irradiando-se para fora numa diversidade omnidirecional, e não seguindo uma trajetória única e linear. Alguns visionários do silício acreditam que a evolução natural da espécie humana (pelo menos os ramos especiais dela) está a ponto de se completar. Não mais estão interessados em meramente procriar, mas em planejar seus sucessores.

 

O cientista em robótica de Carnegie-Mellon, Hans Moravec escreve: “Devemos nossa existência à evolução orgânica. Mas devemos a ela muito pouca lealdade. Estamos no limiar de uma modificação no universo, comparável à transição do não-vivo à vida”.(13)

 

A sociedade humana já alcançou um ponto de virada na operação do processo de evolução, um ponto no qual o próximo salto evolutivo da espécie está debaixo de nosso controle. Ou, colocando de forma mais correta, os próximos passos, que irão ocorrer em paralelo, resultarão de uma explosão da diversidade de espécies humanas. Não mais estamos dependentes de uma capacitação em qualquer senso físico para a sobrevivência; nossos aparelhos quânticos ou outros mais antigos, mecânicos, fornecem o necessários para isto em todas as circunstâncias. Num futuro próximo, os métodos (agora emergentes) de tecnologia computacional e biológica, irão fazer da forma humana algo totalmente determinável pela escolha individual.

 

Como espécie de carne e sangue estamos moribundos, presos num momento ‘local ótimo’, para tomar de empréstimo a teoria de otimização matemática. Além desse horizonte que a humanidade alcançou, existe o desconhecido, aquilo que até agora foi muito mal imaginado. Iremos planejar nossos filhos e co-evoluir intencionalmente com os artefatos culturais que são a nossa progênie.

 

Os seres humanos já vêm em alguma variedade de raças e tamanhos. Em comparação ao que ir significar ser ‘humano’ no decorrer do próximo século nós, humanos da atualidade, somos tão indistinguíveis uns dos outros quanto moléculas de hidrogênio. Nosso antropocentrismo irá diminuir.

 

Vemos duas categorizações de princípios da forma do ser humano no futuro, uma biológica: um híbrido bio/máquina de qualquer forma desejada e uma que sequer ser biológica: uma ‘vida eletrónica’ nas redes de computadores. Humanos como máquinas e humanos dentro de máquinas.

 

Destes, os humanos como m quinas talvez serão mais facilmente aceitos. Atualmente, já dispomos de implantes e próteses grosseiros, membros artificiais, válvulas e órgãos inteiros. Os contínuos progressos na tecnologia mecânica de velho estilo lentamente aumentam a totalidade da integração homem-máquina.

 

A forma de vida eletrônica do humano dentro da m quina ‚ ainda mais alienígena para nossas formas atuais de conceitos de humanidade. Através do armazenamento dos sistemas de crenças e valores de uma pessoa, em estruturas de dados ‘on line’, ativadas por estruturas de controle selecionadas (o análogo eletrônico da vontade?), o sistema neuronal de uma pessoa ir funcionar em silício da mesma maneira que o faz numa ‘rede úmida’ cerebral, embora muito mais rapidamente, corretamente, muito mais automaleável e, se desejado, de maneira imortal.

 

19. Informacional – Arquivístico

 

Uma maneira padronizada de se tornar ‘imortal’ ‚ deixar uma trilha de arquivos, biografias e nobres obras que merecem ser tornadas públicas. O aumento da presença de um meio reconhecidamente estável em nossa Sociedade Cibernética faz disto uma plataforma mais rigorosa para uma existência persistente. O conhecimento possuído pelo indivíduo ‚ capturado por sistemas especialistas e sistemas de hipertexto de escala mundial(14), assim garantindo a longevidade e acessibilidade de memes texturais e gráficos. Visto fora da perspectiva do ‘Eu’, a morte não é um fenômeno binário, mas uma função continuamente variável. Quão vivo está você em Paris neste momento? Na cidade em que vive? No local onde está lendo isso?

 

20. Treinador de Cabeça – Transmissão de Bancos de Dados de Personalidade

 

O Treinador de Cabeça ‚ um sistema de computação que está sendo desenvolvido por Futique Inc., um dos primeiros exemplos de uma nova geração de programas psicoativos. Permite com que o usuário (o atuante) venha a digitalizar e armazenar pensamentos numa base de rotina diária. Se uma pessoa deixa, digamos, vinte anos de registros diários de desempenho mental armazenados, seu bisneto, após cem anos poder ‘conhecer’ e recuperar seus hábitos informacionais e desempenhos mentais. Para fornecer um exemplo dos mais vulgares, se os movimentos num jogo de xadrez de um indivíduo forem registrados, os seus descendentes poderão reviver, passo a passo, um jogo de seu tataravô feito no passado.

 

À medida que a leitura passiva‚ substituída por um ‘reescrever ativo’ as gerações posteriores serão capazes de reviver, como percebíamos, os grandes livros de nosso tempo. Ainda mais intrigante ‚ a possibilidade e implementação do conhecimento extraído ao longo do tempo de uma pessoa: suas crenças, preferências e tendências, como um conjunto de algoritmos guiando um programa capaz de atuar de forma funcionalmente idêntica à pessoa. Avanços na tecnologia da robótica irão fazer com que essas ‘Criaturas de Turing’ deixem de ser meros ‘cérebros dentro de garrafas’ e gerar híbridos capazes de interagir sensorialmente com o mundo físico.

 

21. Armazenamento Informacional Nano-tecnológico: em Direção a uma Transferência Computador-Cérebro Direta.

 

Quando um computador torna-se obsoleto, não temos de jogar fora as informações que ele contém. O hardware ‚ meramente um veículo de implementação para as estruturas de informação. As informações são transferidas para outros sistemas, para continuar a serem usadas. Os custos decrescentes de armazenamento de informações, CD-ROM e sistemas de memória WORM implicam que nenhuma informação gerada nos dias de hoje ter de ser perdida.

 

Podemos imaginar a construção de um substrato computacional artificial tanto funcional quanto estruturalmente idêntico ao cérebro (e talvez, com relação ao próprio corpo) de uma pessoa. Como? Através das capacidades previstas para o futuro da nano-tecnologia (15).

 

Nano-máquinas comunicantes que permeiam o organismo poderão analisar a estrutura neural e celular e transferir a informação obtida para maquinaria capaz de reproduzir, tomo por tomo, uma cópia idêntica. Mas e a alma? De acordo com o dicionário: ‘alma‚ o princípio que anima e confere vitalidade ao homem, creditado com faculdades de pensamento, ação e emoção, concebida como formando uma entidade imaterial distinguível de, mas temporariamente coexistente com o seu corpo.”

 

Numa primeira leitura, essa Definição parece ser um exemplo clássico de uma bobagem teológica. Mas estudada a partir da perspectiva da teoria da informação, seremos capazes de lidar com esse religio-jargão dentro de uma área científica. Vamos mudar a palavra bizarra ‘imaterial’ para ‘invisível aos órgãos dos sentidos desacompanhados de qualquer instrumento’, isto ‚, atômicos/moleculares/eletrônicos. Agora a ‘alma’ se refere às informações processadas e armazenadas em pacotes microscópicos, celulares, moleculares. A alma torna-se qualquer informação que ‘vive’, isto é, capaz de ser recuperada e comunicada. não ‚ verdade que todos os testes para a ‘morte’ em todos os níveis de medida (nuclear, neural, corporal, galáctico) envolvem a verificação pela não resposta a sinais?

 

A partir deste ponto de vista, as 22 opções para a imortalidade tornam-se m‚todos cibernéticos de preservação da capacidade única de sinalização. Existem tantas almas quantos formas de armazenar e comunicar dados. A cultura tribal define a alma racial. O DNA ‚ uma alma molecular. O cérebro ‚ uma alma neurológica. O sistema de armazenagem eletr”nica cria a alma de silicone. A nanotecnologia torna possível a alma atômica.

 

22. Computacional-Viral

 

A opção precedente permitiu a sobrevivência pessoal através do mapeamento isomórfico da estrutura neural para o silício (ou outro meio arbitrário qualquer de implementação). Também sugere a possibilidade de sobrevivência de uma entidade naquilo que parece ser uma retificação do inconsciente coletivo de Jung: a rede global de informação.

 

No século 21 imaginado por William Gibson, cibernautas temer rios e os cibernautas irão não somente se armazenar eletronicamente, como farão isto na forma de um ‘vírus de computador’, capaz de atravessar redes de computadores e de se auto-replicar como uma Proteção contra um ‘apagamento’ acidental ou malicioso por outras pessoas ou programas. (Imagine este cenário algo ridículo; ‘O que há nesse CD?’ ‘Ah, apenas um Leary antigo. Vamos reformata-lo.’)

 

Dada a facilidade de cópia de informações armazenadas em computadores, podemos existir simultaneamente em v rias formas. Onde o ‘eu’ se encontra nesta situação‚ assunto para a filosofia. A nossa crença ‚ que a consciência ir persistir em cada forma, correndo independentemente de ( e ignorando cada uma das outras manifestações do ‘Eu’, a menos que esteja em comunicação com uma ou mais das outras formas), clonificada em cada ponto de ramificação.

 

Notas

1- Essa lista de opções para o Coma Metabólico Voluntariamente Reversível e autometamorfose não é mutuamente exclusiva. A pessoa inteligente precisa de muito pouco encorajamento para explorar todas essas possibilidades. E tentar planejar muitas outras alternativas novas contra ir de barriga para cima, em fila para os Arquivos-Mortos do Gerenciamento.

2. KON-TIKI NA CARNE: no futuro próximo, aquilo que atualmente é considerado como garantido na forma de uma criatura humana perecível ser uma mera curiosidade histórica, um ponto entre outros de uma inimaginável diversidade multidimensional de formas. Indivíduos ou grupos de aventureiros estarão livres para escolher reassumir a forma de carne e sangue, construída de acordo com a ocasião pela ciência apropriada.

Tais expedições históricas podem muito bem ser conduzidas no espírito das viagens do Kon Tiki de Thor Heyerdahl. Viajar naquilo que à luz da História revela ser uma forma objetivamente improvável, meramente para provar que é possível, ou tão improvável quanto parece.

Notas e Referências

1. Os autores dividem os estágios da história humana em: tribal, feudal, industrial e cibernética

2. Los Alamos, famosa como berço das armas atômicas, atualmente também aloja o Centro para Estudos Não-Lineares, onde um grupo tem realizado reuniões semanais para discutir os muitos aspectos técnicos do novo campo da Vida Artificial. O centro recentemente patrocinou um workshop internacional de uma semana de duração, o primeiro no mundo, onde cientistas encontraram-se para discutir as implicações e a fundamentação das teorias do campo. A reunião foi amigável, divertida e selvagemente trans-disciplinar. Os pioneiros da nano-tecnologia delinearam os potenciais para a engenharia molecular e o especialista em robótica, Hans Moravec apresentou argumentos convincentes de que uma transformação genética estava em pleno desenvolvimento, sendo que nossos artefatos culturais agora estavam evoluindo para além do ponto de simbiose com a espécie humana. Estruturas auto-replicantes, de minerais e vírus de computadores foram demonstrados.

3. William Gibson, ciberpunk e visionário sci/fi publicou Neuromancer, Contagem Zero e Cromo Queimando. São leituras recomendadas pela sua visão técnica e socialmente plausível da vida high-tech do baixo mundo das ruas.

4. Os místicos poderão se lembrar de que também existem 22 caminhos para os Cabalistas, na ‘Árvore da Vida’, associada com o Taro.

5. Aleister Crowley, ‘Oito Palestras sobre Ioga’, dividida em duas partes, respectivamente intituladas: ‘Ioga para Yahoos’ e ‘Ioga para Covardes’.

6. Martin Minsky delineou uma teoria de que a ‘mente’ emerge de uma coleção de entidades menores interagindo conjuntamente, elas mesmas, isentas de mente. Isto está apresentado em seu livro, ‘A Sociedade da Mente’, 1986.

7. John Lilly, O Cientista e Programando e Metaprogramando no Bio-Computador Humano.

8. John Lilly, O Eu Profundo.

9. E.J. Gold, O Livro Americano dos Mortos, a ser lançado proximamente pela Ed. Eleusis, ver também a Estória da Criação.

10. Roy L. Walford, médico, A Dieta dos 120 Anos, 1986 e Máxima Duração de Vida, 1983.

11. Uma das poucas companhias de preservação criogênica em funcionamento é a Alcor Foundation, (800) 367-2228.

12. O proponente mais visível e eloqüente da nanotecnologia ‚ K. Eric Drexler, da MTI e Universidade de Stanford. Seu livro, Máquinas da Criação fornece uma visão detalhada do campo. Outros trabalhos mais técnicos incluem:

– K. Eric Drexler, Engenharia Molecular: Um Enfoque ao Desenvolvimento das Capacidades Gerais de Manipulação Molecular, Proc. Natl. Acad. Sci, vol. 78 #9, September, 1981, pp. 5275-5278.

– K. Eric Drexler, Rod Logic & Thermal Noise in the Mechanical Nanocomputer, Proc. 3rd Intl. Symposium on Molecular Electronic Devices, Elsevier, North Holland, 1987.

– K. Eric Drexler, Molecular Engineering: Assemblers and future Space harware, Aerospace XXI, 33rd Annual meeting of the American Astronautical Society, paper AAS-86-415.

– Feynman, R., There’s Plenty of rooms at the Botton, in ‘Miniaturization’, H.D. Gilbert (ed.), Reinhold, New York, 1976, pp. 282-296. (Um dos trabalhos originais enfocando a engenharia em escala molecular, o ganhador do prêmio Nobel, Feynman é sem dúvida um dos mais brilhantes cientistas da atualidade).

13. Hans Moravec, Mind Children, 1988.

14. Um sistema global de hipertexto para permitir acesso instantâneo on-line a redes globais de conhecimento foi imaginado e descrito por Ted Nelson em Literary Machines, publicado pelo autor. Outras informações estão disponíveis em Computer Lib de Nelson (1974), republicado pela Microsoft Press (1987).

15. Particularmente nos desculpamos destas especulações situadas presentemente para além das capacidades tecnológicas. O cérebro ‚ uma máquina das mais complexas, com algo de 1020 células individuais, conforme as estimativas mais atuais. Ainda assim somos redimidos por aquilo que vemos como a inevitabilidade tecnológica da nanotecnologia.

 

 

Timothy Leary, Ph.D. & Eric Gullichsen, Tradução: NoKhooja

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/22-alternativas-sensatas-para-a-morte-involuntaria/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/22-alternativas-sensatas-para-a-morte-involuntaria/

O Livre Arbítrio na Cabalá

Em hebraico, a palavra Daat significa tanto “conhecimento” como “penetração”, sendo “penetração” a tradução correta para a árvore localizada no centro do Gan Eden. Ao experimentar o fruto da Árvore da Penetração do Bem e do Mal, Adam (Adão) e Chavá (Eva) foram “penetrados” pela dualidade, pela percepção do universo partido e, a partir desse momento, a energia da contra inteligência, identificada como Satan, entrou no mundo.

Satan, para a Cabala, não é uma entidade, mas uma inteligência (ou melhor, uma contra-inteligência) presente em cada um de nós e que alimenta a nossa reatividade (a nossa má inclinação) e, deste modo, nos distancia mais e mais da Unidade – a Luz Espiritual por trás de todas as coisas.

Interessante notar que a Árvore da Vida nada mais é do que a metáfora para o momento em que o ser humano adquiriu o livre arbítrio, o direito de escolher seu destino, saindo do seu “cercadinho”, que era o Paraíso, onde ficava “debaixo das asas” de Deus, para ter de se virar por conta própria.

Tal metáfora pode ser comparada com a evolução dos espíritos, que começa a ser explicada pelo espiritismo, onde as almas evoluem a partir dos minerais, passam para o reino vegetal e depois para o animal. As almas dos animais irracionais formam um conglomerado, uma espécie de bolsão de informações com as características de cada animal, que ficam sob responsabilidade de espíritos que chamamos de elementais. O espírito em formação vai adquirindo, progressivamente, experiência no domínio dos corpos e na formação de uma personalidade, e vai renascendo em animais cada vez mais complexos, por muito e muito tempo, até chegar aos animais domésticos mais próximos ao homem, como gatos e cachorros, para que se refine a personalidade e adquira aquele “traço humano” que vemos em alguns desses animais. Somente após atingir o estágio em que pode se encarnar como humano, a alma se torna responsável pelos seus atos, pois adquire o livre arbítrio, a consciência do EU SOU e do que o cerca, justamente a característica que nos torna humanos.

#cabala

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-livre-arb%C3%ADtrio-na-cabal%C3%A1

A Natureza dos Grandes Antigos

Para compreender os Antigos temos que primeiro olhar ao redor e tentar compreender a realidade que nos cerca. Seria extremamente restritivo imaginar que existe apenas uma grande realidade, pense em peixes abismais e criaturas que vivem tão profundamente no oceano que nunca sequer cruzaram com um ser humano, uma praga que parece infestar a superfície de nosso planeta ou então na imensa colônia de ácaros que vive no seu travesseiro e passa pelo menos sete horas por noite ao seu lado sem que você se dê conta.

Para começarmos vamos focar nossa atenção a alguns questionamentos básicos. Existe apenas um universo ou mais de um? Existe apenas um conjunto de leis da física ou mais de um? Na hipótese mais simples nós existimos em uma realidade que abriga apenas um universo, o nosso, e esse universo é regido por apenas um conjunto de leis da física que são invariáveis – a luz viaja agora na mesma velocidade que amanhã, a gravidade faz os planetas orbitarem em nosso sistema solar da mesma forma que planetas do outro lado do universo.

O problema com essa suposição é que se baseia em nossa ignorância. Nós não compreendemos quais são essas leis e como elas funcionam ainda; claro que temos fórmulas e observações e aceleradores de partículas, mas estamos basicamente tateando no escuro. Não sabemos do que o universo é feito em seu aspecto mais básico. Os Antigos sabem. Existem forças invisíveis, cordas quânticas, hipergeometrias, dimensões que dobram-se e desdobram-se sobre si mesmas. Nós apenas conjecturamos tais coisas, fazemos modelos matemáticos e computacionais. Os Antigos não apenas percebem esses aspectos alienígenas da realidade como também os manipulam. Eles vivem em cantos recônditos do universo, mas sempre que possível curvam o espaço e vão de um canto ao outro. Apesar de poderem existir agora, tem como ir ao passado ou ao futuro distante, da mesma forma que você vai à padaria comprar cigarros ou ao super-mercado comprar papel-higiênico.

Agora, suponha que em nossa realidade existam diferentes leis da física, as que percebemos e inúmeras outras que nosso sistema nervoso e a parafernália que criamos e programamos com nosso sistema nervoso não são capazes de perceber. Além das leis que permanecem constantes em todo o universo e em todo o tempo, desde que foi criado até o momento que ele terminar, vamos chamá-las de leis superficiais, existem outros conjuntos de leis mais profundos, conjuntos que, juntamente com o nosso, regem a hiper realidade.

Hoje acredita-se que o universo tenha aproximadamente 13.500.000.000 de anos de idade. Para se ter idéia do quanto é isso, se você receber um saco com um treze bilhões e quinhentos milhões de bolinhas de gude e tiver que tirar uma por uma, levando um segundo para esse trabalho, e não parar para comer, dormir ou ir ao banheiro até terminar, você terá completado sua tarefa em aproximadamente 428 anos. E isso foi apenas para contar quantos anos se passaram desde o BigBang até hoje. Além disso leve em consideração que o primeiro macaco que se parecia com um homem moderno apareceu a 200.000 anos, aproximadamente, e levou mais 150.000 anos para de fato poder ser considerado um ante-passado nosso. Então ha apenas 50.000 anos é que o homo-sapiens saiu da prancheta da natureza e entrou em produção em série. Os primeiros hominídeos a formarem sociedades sedentárias apareceram a aproximadamente 12.000 anos (supostamente a época de Moisés). O aparecimento da escrita surgiu ha mais ou menos 6000 anos, que é quando começamos a registrar nossa história. No século XVII começavamos a catalogar as leis da física. No século XIX começam a aparecer os avôs dos computadores modernos. No século XX o mundo teve duas guerras mundiais, mandamos naves tripuladas para o espaço, inventamos a telefonia celular, lasers e seriados de televisão. Essa breve história serve de termômetro para vermos como uma civilização “inteligente” se desenvolve tecnologicamente em um ritmo cada vez mais rápido e louco.

Nosso planeta surgiu ha apenas 4.500.000.000 de anos. O que significa que o universo já estava em pleno funcionamento a pelo menos 9 bilhões de anos. A raça humana não completou nem 1 milhão de anos ainda, na verdade não completamos nem meio milhão de anos neste planeta, e de homens que comiam bichos mortos crus para seres elegantes que fazem crediário nas casa Bahia para comprar televisões LED de 60 polegadas não precisamos nos esforçar muito. E hoje já começamos a brincar de controlar essas leis físicas que percebemos, aceleramos partículas, estamos começando a teleportar fótons, etc.

Imagine uma civilização de um planeta que se formou ha 9 bilhões de anos atrás. Os seres inteligentes que surgiram teriam bilhões de anos a mais do que nós para evoluir, tanto organicamente quanto tecnologicamente. Não é à toa que os chamaríamos de Os Antigos. Tais seres teriam uma habilidade muito superior à nossa de impor a própria vontade às leis do universo, leis que nem suspeitamos existir. Claro que isso não significa que eles controlem o universo ou a realidade, apenas que podem, em uma proporção muito maior do que a nossa, dobrar ou manipular algumas dessas leis. Assim essa manipulação também tem que obedecer leis mais profundas. Podemos fazer a luz cortar uma placa de aço maciço, mas apenas porque a natureza da luz permite isso. Podemos bloquear o som, mas apenas porque a natureza do som permite isso. Não podemos fazer o som ficar molhado ou a luz começar a correr por todo o universo de forma diferente, ao menos não com o nosso conhecimento atual da luz e do som. Assim esses Antigos seriam capazes de impor sua vontade, mas ainda estariam sujeitos às leis que os regem.

Agora imaginemos que existam múltiplos universos, mas ainda apenas um conjunto de leis universais. Se essas realidades se sobrepõe e se tocam, poderíamos explicar muitas coisas estranhas, como por exemplo ângulos que se curvam e se tornam nada, portais para mundos exóticos, seres que não podem ser observados ou percebidos no dia a dia. Assim se mover entre esses universos é mais uma questão de entrar em sintonia do que de viajar de fato. Ou é como viajar sem se mover.

E finalmente poderíamos ter vários universos, cada um com suas próprias leis naturais. Cada Antigo possui sua própria realidade que controla da melhor forma com seus “poderes” ou tecnologia, mas se conseguisse ir para outro universo seus poderes ou technologia seriam aumentados ou diminuidos dependendo das leis existentes no universo em questão. Por exemplo em um universo onde não existem fótons, uma arma laser seria tão útil quanto um peso de papel. Em um universo que o som não é físico, um sonar não passa de uma tela em branco. Em um universo onde carbono entra expontaneamente em combustão, nós seríamos usados para acender churrasqueiras. Em um universo onde ondas mentais moldam a matéria da mesma forma que ondas eletromagnéticas afetam a matéria no nosso universo, quem pensasse teria o poder de Deus.

E claro, existe a opção Nenhuma das Anteriores.

Seja qual for a opção escolhida vamos tentar respoder agora à questão “o que é um Grande Antigo?”. Para não perdermos o controle do texto vamos nos centrar no Grande Cthulhu, a estrela do panteão Lovecraftiano, e chegando a uma conclusão sobre ele, podemos extrapolá-la para todos os outros.

Resposta A: Cthulhu é um Demônio.

É mais do que natural que tentemos entender o universo pela lente de nossa cultura e educação. Sendo assim, pessoas com uma religiosidade abraamica certamente verão em Cthulhu uma figura infernal. Contudo, se encararmos o ponto de vista da demonologia moderna, onde a definição de demônio é bem mais abrangente então somos obrigados a concordar que todos os grandes antigos podem ser encarados assim. Eles não apenas demonstram uma completa indiferença para com a moral e a ética humana, mas também conseguem atrair para si a adoração do homo sapiens em forma de cultos e sacrifícios, e teriam poderes para controlar e influenciar eventos e pessoas mesmo não estando presentes fisicamente no local. São chamados através de rituais e respondem a certas fórmulas mágicas.

Resposta B: Cthulhu é uma Egrégora.

Cthulhu é uma forma de pensamento criada pelo escritor de ficção H.P. Lovecraft e alimentada por todos os seus fãs e leitores. Ele cresceu exponencialmente em poder e influência no último século graças as produções derivadas dos Mitos de Cthulhu e a uma forma de compartilhamento de imagens, músicas e vídeos muito mais ampla e abrangente dos dias modernos, e tornou-se ainda mais forte no chamado mundo astral a partir do momento em que começou a ser invocado e usado em diversos rituais por magos pós-modernos como caoistas e satanistas. Sua influência se torna assim cada vez mais palpável, sendo hoje de fato adorado e cultuado em alguns cultos e seitas obscuros. No mundo astral não existem limitações de tempo e espaço, sendo portanto possível que Lovecraft tenha sido influenciado e até manipulado pela sua própria criação.

Resposta C: Cthulhu é um Deus. 

Seres primitivos personificavam forças da natureza – como o sol, o vento e o relâmpago – e prestavam culto a elas. Antes de ser banido pelos Deuses Mais Antigos, Cthulhu era adorado por seu poder. Capaz de se comunicar telepaticamente com seus seguidores ele manteve vivo seu culto, para que preparassem a Terra para seu retorno, quando voltará a reinar em seu Templo em R’lyeh.

 

Resposta D: Cthulhu é um ser fodidamente poderoso e foderoso de outro universo.

No passado ele reinou sobre a Terra, mas os Deuses Mais Antigos fecharam o portal entre seu universo e o nosso, o prendendo em muitos aspectos. Separado de sua fonte de poder/força Cthulhu está em um estado de hibernação ou animação suspensa em sua prisão. Até que as estrelas estejam novamente alinhadas, ou seja que as condições físicas que unem os dois universos ocorra novamente e ele possa despertar.

 

Resposta E: Cthulhu é um alienígena espacial, preso na Terra por causa da gravidade, por estar fraco demais ou pela falta de um transporte adequado.

Cthulhu é uma criatura nativa de nosso universo e após um conflito com os Deuses Mais Antigos ficou preso na Terra, por falta de transporte ou algum fator físico ele perdeu contato com suas “tropas”, e aguarda, em hibernação ou animação suspensa, que o contato seja estabelecido. Até lá criou a raça humana para que não fosse esquecido e que pudessem ajudar, de alguma forma, em sua libertação – seja como lacaios, seja como alimento.

 

Resposta F: Cthulhu é uma célula monstruosa. 

Imagine que a primeira célula primordial ao invés de crescer por multiplicação crescesse por osmose, por absorção. Muitas criaturas da mitologia lovecraftiana parecem ser unicelulares. No Chamado de Cthulhu quando o barco atravessa sua cabeça ela não se despedaça, se dissolve, como se fosse líquida, ou uma célula se rompendo e depois se reparando. Agora, se os Grandes Antigos são criaturas unicelulares de onde viriam? Poderiam ter sido parte de um único ser que foi desmantelado pelos Deuses Mais Antigo. Eles trabalham em conjunto, como partes aparentemente separadas de um ser impensável de muitas dimensões que atravessou nosso universo de “quatro” dimensões? Seriam como células brancas do universo combatendo infecções como a humanidade ou seriam eles próprios uma infermidade?

 

Resposta G: Cthulhu é uma força da natureza. 

Diferente dos deuses antropomórficos ele teria o controle de partículas quânticas. A natureza randômica da atividade sub-atômica se derivaria do constante embate entre essas forças. Eles apenas foram percebidos por nós quando começamos a compreender a natureza real de nossa própria realidade.

 

Resposta H: Nenhuma das anteriores. 

Qual a sua teoria?

por Shub-Nigger, A Puta dos Mil Bodes

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-natureza-dos-grandes-antigos/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-natureza-dos-grandes-antigos/

O Caldeirão de Dagda

Na literatura celta, Dagda é o deus-druida, ou Ruad Ro-fhessa , o “Senhor da Ciência Integral”. O mais poderoso de todos os mágicos, temível guerreiro e habilíssimo artífice, mas de apetite voraz, Dagda possuía um caldeirão maravilhoso, a partir do qual se podiam alimentar todos os homens da terra, e que ninguém abandonaria sem nele se ter saciado. Assim, para além de conter o alimento material de todos os humanos, o Caldeirão de Dagda teria em si também todo o gênero de conhecimentos.

Possuía ainda o poder de ressuscitar os mortos, desde que os cadáveres fossem nele cozinhados de acordo com um ritual especial, do qual faziam parte ervas mágicas e aromáticas. Pensa-se que o mito do Caldeirão de Dagda teria estado na origem da ideia do Graal, que não só se lhe assemelha pela forma contentora, como nas descrições do conteúdo, já que pode saciar o corpo e o espírito, e conceder, senão a imortalidade, pelo menos o prolongamento e a ressurreição da vida humana.

#boardgames #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-caldeir%C3%A3o-de-dagda

7 Maneiras de se Conectar com Arcanjos

Por Richard Webster.

Os arcanjos são os mensageiros mais importantes de Deus. O arcanjo Gabriel, por exemplo, foi enviado para dizer à Virgem Maria que ela daria à luz Jesus Cristo. A palavra “arcanjo” significa “anjo-chefe”, como o prefixo “arch” significa “chefe”, “principal” ou “mais importante”.

Na Bíblia, Miguel é o único anjo identificado como arcanjo (Livro de Judas 9). Ele também é chamado de “um dos principais príncipes” (Livro de Daniel 10:13), denotando sua importância. Os arcanjos são anjos importantes que estão ativamente envolvidos em garantir o bem-estar de todas as formas de vida na Terra. Cada arcanjo tem um papel específico a desempenhar nisso.

Os arcanjos protegem, guiam e ajudam a humanidade de muitas maneiras diferentes. Por estarem tão próximos da humanidade, eles estão dispostos a ajudá-lo da maneira que puderem e responderão imediatamente ao seu chamado. Você pode pedir-lhes para ajudar os outros, também.

Arcanjos são incansáveis ​​e podem aparecer em mais de um lugar ao mesmo tempo. Você pode chamar qualquer um dos arcanjos para ajuda e apoio sempre que necessário, e tenha certeza de que eles virão instantaneamente em seu auxílio.

Aqui estão sete maneiras de ajudá-lo a se conectar com os arcanjos.

AJUDA INSTÂNTANEA:

Se você precisar de ajuda com urgência, tudo o que você precisa fazer é chamar um arcanjo. O arcanjo Miguel, o arcanjo guerreiro de Deus, é o melhor anjo para chamar quando a situação é desesperadora ou urgente. Eu o chamei em três ocasiões, e ele respondeu instantaneamente todas as vezes.

COMO INVOCAR OS QUATRO GRANDES ARCANJOS:

A palavra “invocar” significa “chamar para si” e geralmente é feita quando alguém precisa de ajuda ou inspiração. Tudo o que você precisa fazer é reconhecer que os anjos estão presentes e estão dispostos a ajudá-lo. Sempre que possível, olho para o leste e começo invocando Rafael, que cuida dessa direção. Sente-se em silêncio, feche os olhos e faça três respirações lentas e profundas. Diga a si mesmo: “Relaxe, relaxe profundamente” cada vez que expirar. Quando sentir que está começando a relaxar, concentre-se em diferentes partes do corpo, dizendo-lhes para relaxar. Eu geralmente começo com meus pés e gradualmente subo até o topo da minha cabeça.

Quando você se sentir totalmente relaxado, visualize o arcanjo Rafael parado na sua frente. Eu costumo imaginá-lo como um jovem bonito segurando um peixe em uma mão e um cajado na outra. É assim que ele é geralmente retratado pelos artistas. Você pode “vê-lo” como uma esfera de energia rodopiante, ou em qualquer outra configuração ou forma que você escolher.

Uma vez que você se conscientize de que o arcanjo Rafael está na sua frente, visualize o arcanjo Miguel em pé à sua direita, seguido pelo arcanjo Gabriel atrás de você e o arcanjo Uriel em pé à sua esquerda.

Você está agora totalmente cercado e protegido pelos quatro grandes arcanjos, Rafael, Miguel, Gabriel e Uriel, e provavelmente está se sentindo cheio de confiança e vitalidade. Finalmente, visualize um fluxo de pura luz divina descendo dos céus, entrando em seu corpo através de sua cabeça e revitalizando cada célula de seu corpo. Há tanta luz divina que transborda e envolve você completamente em um túnel de luz.

Agora é hora de falar com os arcanjos e fazer qualquer pedido que você tenha. Quando terminar, agradeça a cada arcanjo. Espere até que o momento pareça certo antes de dizer “Obrigado” mais uma vez e depois abra os olhos.

MÉTODO DOS CHAKRAS:

O som conecta nosso mundo cotidiano ao mundo espiritual. O som mais espiritual é aaah, que está contido nas palavras aum e amém. Também é encontrado nos nomes da maioria das divindades e é um mantra sagrado em muitas tradições orientais. É um som de criação. É produzido involuntariamente em momentos de alta emoção, como raiva, tristeza e exultação. Você pode usar “aaah” para se conectar com qualquer um dos arcanjos. Sente-se calmamente em algum lugar onde você não será perturbado e pense no arcanjo com quem você quer se conectar. Feche os olhos e respire lenta e profundamente. Diga “Aaah” ao expirar. Continue fazendo isso até sentir uma vibração no chakra do coração, no meio do peito. Isso acontece porque “aaah” é um som de compaixão, sentimento e amor, todos relacionados ao chakra do coração.

Depois de sentir o chakra do coração vibrando, faça mais três respirações lentas e profundas. Ao expirar, continue dizendo “aaah”, mas visualize sua respiração deixando seu corpo através do chakra do coração, enchendo a área em que você está com amor divino. Enquanto você continua fazendo isso, visualize o arcanjo com o qual você deseja se conectar em pé cerca de um metro e oitenta à sua frente. Quando você tiver a sensação de “saber” que seu arcanjo está lá, esqueça sua respiração e comece a falar com seu anjo escolhido.

INVOCAÇÃO DE ORIENTAÇÃO:

Esta é uma invocação útil se você deseja se comunicar com um arcanjo para orientação de qualquer tipo. Se você deseja proteção, libertação do medo ou aprender a verdade sobre algo, peça para falar com o arcanjo Miguel. Se você está buscando cura, abundância ou proteção enquanto viaja, você se comunicaria com o arcanjo Rafael. Se você está buscando clareza e pureza de mente, você falaria com o arcanjo Gabriel, e se você quisesse paz de espírito e crescimento espiritual, você escolheria falar com o arcanjo Uriel.

Você inicia a invocação caminhando por pelo menos quinze minutos, de preferência ao ar livre. Enquanto caminha, pense em todas as coisas pelas quais você é grato. Você pode, por exemplo, ser grato pela luz do sol, grama verde, automóveis, pássaros, sorrisos calorosos e um beijo de seu parceiro. Pense no máximo de bênçãos que puder enquanto caminha.

Ao voltar para casa, sente-se em uma cadeira confortável, feche os olhos e pense em cada uma das coisas pelas quais você é grato. Visualize-os o mais claramente possível em sua mente. Depois de fazer isso, pense em sua necessidade de se comunicar com um arcanjo. Você pode precisar de ajuda para resolver um problema, ou pode ter tomado uma decisão e querer a aprovação de um arcanjo antes de prosseguir.

Faça três respirações lentas e profundas, antes de expirar lentamente. Peça ao arcanjo que você escolheu para se juntar a você. Você pode dizer algo como: “Abençoado arcanjo… Obrigado por todas as bênçãos em minha vida. Sou grato a você por sua orientação, amor e ajuda. Por favor, venha a mim agora, pois preciso de sua ajuda. novamente.”

Faça uma pausa de trinta segundos. Se você sentiu a presença de seu arcanjo, pode continuar com seu pedido. Se você não sentiu nada, repita seu pedido novamente, e uma terceira vez, se necessário. Se você ainda não sentiu nada, visualize todas as coisas pelas quais você é grato mais uma vez e depois peça ao arcanjo para se juntar a você. Desta vez, explique seu problema ou preocupação, depois de fazer a solicitação.

Você não precisa se preocupar se não receber uma resposta, pois explicou sua preocupação, e a resposta virá quando você menos esperar, possivelmente quando você acordar na manhã seguinte à apresentação. este rito.

Termine o ritual agradecendo ao arcanjo por sua ajuda e apoio.

O RITUAL DO CRISTAL:

Este é um ritual útil que você pode realizar em qualquer lugar que esteja. Tudo que você precisa é de um cristal ou pedra preciosa atraente. Pode ser da cor que desejar. No entanto, você pode querer segurar um cristal relacionado a um arcanjo em particular. Para Rafael, você pode escolher um cristal amarelo e provavelmente escolheria vermelho para Miguel, azul para Gabriel e verde para Uriel. Você pode preferir usar celestita, selenita, angelita e serafinita, pois são frequentemente usadas para incentivar o contato angelical.

Sente-se confortavelmente, feche os olhos e acaricie suavemente seu cristal. Faça várias respirações lentas e profundas e depois peça ao arcanjo com quem você deseja se comunicar para vir até você. Muitas vezes, isso é tudo que você precisa fazer. Você pode notar uma diferença nas energias do cristal ou perceber que o arcanjo está com você. Se o arcanjo não vier imediatamente, continue acariciando o cristal por mais alguns minutos e depois peça novamente.

CAMINHANDO COM UM ARCANJO:

Minha maneira favorita de fazer contato angelical é caminhar com um anjo. Gosto de caminhar e sinto falta da minha caminhada diária quando não é possível fazê-la. Quase sempre peço a um anjo para caminhar comigo. Geralmente é meu anjo da guarda, mas chamo outros anjos, inclusive arcanjos, sempre que preciso de sua ajuda. Começo a andar da maneira habitual e, depois de cerca de cinco minutos, convido um anjo para caminhar comigo. Depois de um ou dois minutos, perceberei que o anjo com quem quero me comunicar está caminhando ao meu lado. Não vejo nem ouço esse anjo, mas experimento uma forte sensação de sua presença. Assim que eu perceber que o anjo está comigo, começarei uma conversa. Costumo fazer isso em silêncio, mas se sei que estou completamente sozinho, prefiro falar em voz alta. As respostas do anjo aparecem como pensamentos em minha mente. Depois de discutirmos tudo o que preciso saber, agradeço ao anjo e termino a caminhada sozinho. Prefiro usar esse método enquanto caminho pelo campo, mas descobri que posso fazê-lo em qualquer lugar, mesmo em um shopping center movimentado.

ESCREVENDO PARA UM ARCANJO:

Escrever uma carta para um determinado arcanjo é uma maneira altamente eficaz de fazer contato. O ato de pensar sobre o que você vai dizer e depois escrevê-lo concentra suas energias, e você pode descobrir que o arcanjo responderá enquanto você ainda está escrevendo a carta. Você pode escrever uma carta pedindo a ajuda necessária para resolver um problema que envolve você ou alguém próximo a você. Você também pode escrever para estabelecer uma conexão.

Escreva a carta como se estivesse escrevendo para um amigo próximo. Inclua informações sobre sua família, relacionamentos, trabalho, esperanças e sonhos. Fazer isso o ajuda a esclarecer o que está acontecendo em sua vida, e você descobrirá que o ato de escrevê-los ajudará a resolver muitas de suas preocupações.

Termine a carta agradecendo ao arcanjo e expressando seu amor. Assine a carta, sele-a em um envelope e escreva o nome do arcanjo na frente.

A etapa final é “enviar” sua carta ao arcanjo. Sente-se em frente a uma vela acesa com o envelope nas mãos em concha. Pense no arcanjo e no seu pedido. Diga qualquer outra coisa que queira acrescentar e, em seguida, queime o envelope na chama da vela. Observe a fumaça levar sua mensagem aos reinos celestiais. Uma vez que o envelope e seu conteúdo tenham sido queimados, agradeça ao arcanjo novamente e continue com o seu dia confiante de que você receberá uma resposta do arcanjo quando for a hora certa.

Naturalmente, você precisa ter cuidado sempre que estiver trabalhando com velas. Coloco minhas velas em bandejas de metal e tenho um jarro de água por perto, para o caso de um acidente. Nunca precisei usar a água, mas me sinto mais feliz sabendo que ela está lá.

Experimente os diferentes métodos e veja quais funcionam melhor para você. Depois de fazer uma conexão inicial, você descobrirá que poderá chamar esse arcanjo em particular sempre que desejar, e o vínculo entre vocês ficará mais forte cada vez que fizer contato.

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Sobre o autor:

Richard Webster (Nova Zelândia) é o autor best-seller de mais de cem livros. Richard apareceu em vários programas de rádio e televisão nos EUA e no exterior, incluindo participações especiais na WMAQ-TV (Chicago), KTLA-TV (Los Angeles) e KSTW-TV (Seattle). Ele viaja regularmente, dando palestras e realizando workshops sobre uma variedade de assuntos metafísicos. Seus títulos mais vendidos incluem Spirit Guides & Angel Guardians (Guias Espirituais e Anjos Guardiões) e Creative Visualization for Beginners (Visualização Criativa Para Iniciantes).

E-mail: esp@psychic.co.nz

Site: http://www.psychic.co.nz/

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Fonte:

7 Ways to Connect with Archangels, by Richard Webster.

https://www.llewellyn.com/journal/article/3023

COPYRIGHT (2022) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/7-maneiras-de-se-conectar-com-arcanjos/

Al-Hallaj

Al-Husayn ibn Mansur al-Hallaj (857-922), foi o polêmico e precoce sufi lembrado por sua proclamação: “Eu sou a Verdade” e pelo martírio que sofreu nas mãos das autoridades muçulmanas em Bagdá.

Nascido na região dos Fars no sul do Irã, Al-Hallaj se mudou com sua família para Wasit, uma cidade no centro do Iraque.

Seu pai provavelmente trabalhou na indústria têxtil (hallaj é a palavra árabe para uma pessoa que trabalha na profissão da carda do algodão ou da lã).

Em sua juventude, Al-Hallaj memorizou o Alcorão e estudou sufismo com Sahl al-Tustari (m. 896), mas ele não foi iniciado como sufi até os vinte anos de idade.

O casamento não o influenciou na sua busca espiritual e, viajando entre o Irã, o Iraque e a Meca, ele teria ganhado um seguimento de quatrocentos discípulos.

Também foi dito que ele visitou a Índia, a Ásia Central e o túmulo de Jesus em Jerusalém.

Depois de realizar o Hajj a Meca pela terceira vez, ele voltou para sua família em Bagdá e criou um modelo da Caaba em sua casa.

As afiliações de Al-Hallaj com rebeldes, xiitas e não-muçulmanos eventualmente despertaram as suspeitas dos sunitas conservadores e das autoridades políticas.

Alguns de seus antigos associados sufi até acusaram-no de magia e bruxaria.

Além disso, enquanto estava engajado em sua busca espiritual por Deus, ele fez sermões e declarações públicas que enfureceram os seus opositores.

Em um deles, ele disse que os muçulmanos poderiam cumprir o dever do Hajj, realizando circum-ambulações em seus corações e dando caridade aos pobres em casa.

Sua afirmação mais famosa foi, “Eu sou a Verdade”, que seus inimigos interpretaram como uma afirmação de sua própria divindade.

Na visão do mundo islâmico, a Verdade (haqq) era considerada como um atributo de Deus.

Os sufis fizeram tais declarações (sha-thiyyat) enquanto estavam em estado de êxtase, implicando que eles estavam falando na voz de Deus, não na sua própria voz.

Al-Hallaj logo se envolveu nas intrigas religiosas e políticas da Bagdá do século X, e ficou preso por nove anos.

Finalmente, em 922, Al-Hallaj foi acusado de blasfêmia, espancado e crucificado.

Seus restos mortais foram queimados e jogados no rio Tigre, impedindo assim que a sua família e os seus amigos de darem a ele o devido enterro muçulmano ou de venerá-lo como santo.

Al-Hallaj tem consequentemente um legado misto, lembrado por alguns como um herege e por outros como um santo martirizado.

Seus ditos foram escritos e coletados por seus seguidores.

A ele também é atribuído ter escrito o Kitab al-Tawasin, um conjunto de meditações sobre Muhammad, a Viagem Noturna e a Ascensão do Profeta, e os diálogos de Satã com Deus e Moisés.

Leitura adicional:

– Louis Massignon, The Passion of al-Hallaj: Mystic and Martyr of Islam, 4 vols. Traduzido por Herbert Mason (Princeton, N.J.: Princeton UniversityPress, 1982);

– Michael Sells, Early Islamic Mysticism:Sufi, Quran, Miraj, Poetic and Theological Writings (NewYork: Paulist Press, 1996), 266-280.

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Fonte:

Encyclopedia of Islam

Copyright © 2009 by Juan E. Campo

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/al-hallaj/

A Arca da Aliança: A Bateria de Deus

As pessoas estão acostumadas com os célebres 10 Mandamentos que Moisés trouxe aos hebreus. Mas se você tem problemas em não cobiçar a mulher do próximo, saiba que segundo Maimônides, a Torá na verdade apresenta mais de 600 mandamentos que devem ser seguidos para agradar ao Eterno.  Algumas destas ordens envolviam a famosa Arca da Aliança. Uma das regras é semelhante as regras de algumas casas de strip-tease: “Você pode olhar, mas não pode por as mãos.” Quando um hebreu chamado Uzá ficou assanhado e resolveu colocar as mãos sobre na Arca da Aliança, isso acendeu a ira de Deus que o atingiu e causou morte instantânea. (2 Samuel 6:1-7 e 1 Crônicas 13:9-12)

Até hoje poucas pessoas entendem porque  Deus não quer que ninguém encoste em suas coisas, mas se as razões ainda são um mistério, talvez seus métodos comecem a ser revelados. Em 1933, um professor de engenharia teorizou que a verdadeira causa da morte foi de 10.000 volts de eletricidade estática. Segundo esta teoria a Arca da Aliança, aquele bau sagrado e misterioso que tirou o sono até do Indiana Jones, foi um capacitor gigante

A edição de 5 de março de 1933 edição do Chicago Daily Tribune, trouxe este artigo de Frederick Rogers, na época decano do Departamento de Engenharia no Instituto Lewis of Technology. Ele realizou um estudo cuidadoso da construção da Arca, conforme descrito no bíblia e concluiu que seu projeto corresponde a um simples, contudo enorme condensador elétrico.

O interesse científico do professor Rogers foi que a grande caixa de madeira de acácia não só era revestida de ouro na parte interna e externa. Madeira é um conhecido isolante e ouro um excelente condutor e desde que as placas de ouro não se toquem temos aqui os mesmos princípios usados na construção de uma garrafa de Leiden, com apenas duas diferenças: a garrafa de Leyden usa vidro e estanho e a Arca da Aliança é muito mais charmosa.

Uma Garrafa de Leyden pode ser usados como brincadeira de salão ao dar pequenos choques. Quanto maior, maior a capacitância da garrafa. Uma garrafa de 15 cm é o suficiente para uma descarga de 8 pessoas de mãos dadas em corrente. Mas a Arca da Aliança é muito maior do que isso, com 1 metro de comprimento por 75 de largura e 75 de altura (sem contar os querubins). Estes querubins segundo Prof. Rogers fazem a parte do polo positivo e negativo do circuito sem nunca se tocarem. Some isso ao ar seco e carregado de energia estática do deserto e Kaboom! – Uzá cai ao chão. O professor calculou que em condições extremas e seguindo as condições expressas do Torá a arca poderia descarregar até 10.000 volts de eletricidade estática. E não se esqueça que a partir de 500 volts a eletricidade já é capaz de matar.

 

Esse efeito é conhecido entre os físico como a “diferença de potencial” entre a terra e o ar que pode ser coletada em cargas elétricas sob determinadas condições favoráveis. Além das Tábuas da Lei, o interior da arca deveria conter a vara de Aarão (com a qual Moisés fez os milagres do Êxodo e um vaso de Maná, a misteriosa comida/óleo que Deus enviou dos céus). Não temos detalhes destes itens de forma que não sabemos como eles poderiam ou não potencializar o capacitor da arca. Note que a arca também nunca podia encostar no chão, sendo sempre amparada por um suporte de madeira. Quando tinha que ser movimentada era trocada de lugar por duas varas da mesma madeira e carregada por homens que tinha que usar roupas e sapatos especiais.

A arca foi construída seguindo instruções detalhadas que ainda podemos ler na bíblia. Se quiser ter uma em casa, você vai em primeiro lugar precisar assaltar um banco para conseguir ouro o suficiente. Depois disso é só seguir as instruções do capítulo 25 do livro do Êxodo. A arca foi construída e era tratada como uma arma de guerra. Por várias vezes lemos na Torá, o relato dos hebreus carregando a arca á frente de seus exércitos no campos de batalha e isso foi essencial durante a conquista de Canaã. O próprio Templo de Salomão onde a arca era guardada foi construído mais como um forte para conter uma arma perigosa do que como uma casa de adoração. Lemos no livro de Samuel que certa vez ela foi roubada pelos Filisteus, mas acabou sendo devolvida quando eles descobriram que ela matava qualquer um que se aproxima se demais e não seguisse os rígidos preceitos mosaicos.

Ele explicou que mesmo o calor e a fumaça de sacrifícios podem ter causados descargas menores acompanhado de faíscas.  Isso explica uma dos mais estranhos detalhes das antigas celebrações de Yom Kippur. No décimo dia do mês de Tishrei o Sumo Sacerdote de Israel precisava entrar sozinho no templo e jorrar sangue de sacrifício sobre a arca. Era um momento tenso pois desta cerimônia dependia o perdão de Deus e só assim os israelitas saberiam que seus pecados foram lavados. Até ai, nada diferente dos rituais que os egípcios e babilônicos também faziam aos seus deuses uma ou duas vezes por ano.

Mas no caso dos hebreus havia amarrada em suas pernas uma corda cuja outra ponta descansava sob as mãos de seus amigos fora do templo. Segundo relato do Êxodo (25:22) nestas horas mais sagradas Deus podia se fazer presente entre os dois querubins de ouro em uma manifestação misteriosa que os judeus chamavam Shekinah ou ‘presença de Deus’.  Diz a tradição que algumas vezes o sumo sacerdote explodia e não apenas isso, mas nestas ocasiões o local mais sagrado ficava tão repleto de fogo e fumaça e o pobre sacerdote tinha que ser puxado para fora pela corda. No ano seguinte o novo sumo sacerdote entraria com muito mais temor e sem dúvida teria garantido que o povo se comportaria melhor. O sumo sacerdote precisava ser um homem corajoso, provavelmente o mais corajoso de todos os hebreus para entrar nesta roleta russa semita. Os que sentissem o poder da divindade e tivessem a sorte de sobreviver transformavam-se em verdadeiros homens santos, com todos os sintomas de docilidade dos pacientes das terapias de choque do século 19.

Rabi Baruch Habas

[…] Aqui era feita anualmente a cerimônia da expiação (ver Exôdo12:5 e Levítico 4:35). Era aqui, e mais especificamente dentro da Arca que os hebreus consideravam ser o local exato onde Iahweh estava. Apenas o Sumo Sacerdote podia entrar nesta parte do templo, e apenas uma vez ao ano após uma série de preparações espirituais e purificações corporais. Em cada uma dessas ocasião ele corria o risco de perder a vida. […]

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/a-arca-da-alianca-a-bateria-de-deus/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/a-arca-da-alianca-a-bateria-de-deus/

A Blaze in the Northern Sky, Darkthrone

Perturbador, frio e sombrio. A Blaze in the Northern Sky não apenas lançou a música Norueguesa a novos patamares mas é, desde sua época um dos álbuns mais influentes da história do Black Metal. Darkthrone começou como um grupo de death metal e foi aos poucos incorporando elementos de bandas como Venom e Mayhem para criar o que é considerado hoje a mais fina expressão da música satânica com seus vocais ininteligíveis e riffs quase atonais. Por estes motivos essa música soara estranha aos ouvidos não acostumados com metal extremo.

Este álbum não trás músicas para qualquer momento e definitivamente não é música para qualquer um. Kathaarian Life Code, a faixa de abertura escolhida para representar o álbum pode não agradar nem mesmo os adeptos mais experientes do Black Metal, mas os cânticos entoados ao fundo e gritos ensandecidos criam uma estranha atmosfera de conforto e relaxamento homicida. Uma experiência difícil de descrever, entregue de modo inigualável por Darkthrone.

O álbum todo é um surreal testamento ao Black Metal. Do épico descompassado ‘In The Shadow Of The Horns’ ao detonador ‘Where Cold Winds Blow’, esse álbum é impecável em termos de sonoridade caótica. Uma obra que merece estar em nossa lista  não apenas por ter ser eterno e ter definido seu gênero musical, mas por ser, em um mundo dominado por preceitos judaico-cristãos um poderoso chamado aos Valores Pagãos brilhando no Extremo Norte.

A Blaze In The Northern Sky

 

Hear a Haunting Chant
Lying in the Northern wind
As the Sky turns Black
clouds of Melancholy
rape the Beams
of a Devoid Dying Sun
and the Distant Fog approaches

Coven of forgotten Delight
Hear the Pride of a Northern Storm
Triumphant sight on a Northern Sky

Where the days are Dark
and Night the Same
Moonlight Drank the Blood
of a thousand Pagan men

It took ten times a hundred Years
Before the King on the Northern Throne
was brought Tales of the crucified one

Coven of renewed Delight;
A Thousand Years have passed since then –
Years of Lost Pride and Lust

Souls of Blasphemy,
hear a Haunting Chant –

We are a Blaze in the Northern Sky
The next thousand Years Are OURS

Tradução de A Blaze In The Northern Sky

Uma Chama Nos Céus Nórdicos

Ouça um canto assustador
Jazendo nos céus Nórdicos
Enquanto o céu se torna negro
Nuvens de melancolia
Violentam os raios
De um sol decadente
E o nevoeiro distante se aproxima

Grupo de prazeres esquecidos
Ouça o orgulho de uma tempestade Nórdica
Triunfante vista sobre o céu Nórdico

Onde os dias são escuros
E a noite também
O luar bebeu o sangue
De milhares de homens pagãos

Levou mil anos
Antes do rei no trono Nórdico
Levar os contos do crucificado

Grupo de prazeres renovados;
Milhares de anos passarão desde então
Anos de orgulho perdido e luxúria

Almas da blasfêmia,
Ouça um canto assustador

Nós somos uma chama nos céus nórdicos
Os próximos mil anos são nossos

Nº 28 – Os 100 álbuns satânicos mais importantes da história

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/a-blaze-in-the-northern-sky-darkthrone/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/a-blaze-in-the-northern-sky-darkthrone/

A busca alquímica do Graal

Eugène Canseliet

“Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?”
– Epistola de São Paulo aos Romanos 9,21

Com o verso de São Paulo aos Romanos, que acabamos de escrever como epígrafe, entramos plenamente na busca do Graal [1]. A observação do apóstolo, reduzida ao extremo, sublinha uma das figuras com lendas que constituem o jogo da paciência filosófica do castelo de Dampierre-sur-Boutonne no Deux-Sèvres. Ler-se-á, com grande proveito, o que Fulcanelli obteve deste pequeno baixo-relevo, do ponto de vista do simbolismo alquímico, nas páginas 60 a 62, no segundo volume de suas Residências Filosóficas (Edição de Jean-Jacques Pauvert, 1965 ). Para o estudante nada melhor sustentará e completará o ensinamento de nosso mestre, do que a seguinte passagem, do Quarto Livro de Esdras que foi rejeitado entre os apócrifos do Antigo Testamento e que é, sem dúvida, obra inestimável de um judeu cristão do primeiro século da Igreja, já cheio de autoridade, mesmo no tempo de Santo Irineu, Clemente de Alexandria e Tertuliano:

“Dicam autem coram te similitudinem Esdra. Quomodo autem interrogabis terram, & dicet tibi, quoniam dabit terram multam magis unde fiat fictile, parvum autem pulverem unde aurum fit: sic & actus presentis smculi. Multi quidem creati sunt, pauci autem salvabuntur.’

“Mas vou expor diante de você, Esdras, uma semelhança. Mas, ao questionar o solo, ele lhe dirá que dá muito mais terra de que é feito o vaso de barro, mas pouca areia de que é feito o ouro. E tal é a atividade do presente século. Na verdade, muitos foram criados, mas poucos serão salvos.”

Por conseguinte, se encontrarmos, na companhia de Fulcanelli, as duas vias, molhadas e secas, a que correspondem os dois vasos, logo descobriremos que certa relação, que os acontecimentos científicos de nossos dias infelizes trazem à luz, estabelece com as duas árvores antagônicas, oferecidas na suposta origem do mundo, em tempos restaurados do estado de inocência:

A árvore da vida no meio do Paraíso e a árvore da ciência do bem e do mal.

Lignum vitae in medio Paradisi, lignumque scientiae boni & mali [3].

Por seu abuso dos frutos da segunda árvore, o homem apressa a vinda desta morte contra a qual o próprio Deus o advertiu, parecendo muito estranho ao destino trágico de sua criatura. É uma resposta ao argumento ilusório de que Deus não poderia ser bom, que poderia permitir a hecatombe universal e judiciária; é também a solução do problema, sempre colocado, da predestinação e do livre arbítrio, e tido como tão insolúvel quanto o da ciência e da religião. Dupla questão, passível de solução por acordo ou conciliação, que não repele nem mesmo o orgulho, muitas vezes fruto da generosidade e do valor, mas a vaidade sempre acompanhada de maldade e estupidez.

A busca do Graal é a mais bela aventura espiritual que o homem já tentou na terra. Como inventar, que significa descobrir e imaginar, a busca oferece dois sentidos cujo confronto libera o valor do ponto de vista da alquimia. Com efeito, se mendigar significa buscar com atenção e paciência, também significa pedir e mendigar:

“E eu vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.

“Pois quem pede, recebe; e quem procura, encontra; e ao que bate, abrir-se-á.” (São Lucas, XI, 9 e 10.)

Muitas vezes declaramos o que convém recordar novamente, a saber, que pureza de intenção, profunda honestidade, absoluto desinteresse, devem presidir à expedição sobre-humana, constantemente proposta desde os tempos do Evangelho, e que essas qualidades também devem a qualquer esforço relacionado, seja, por necessidade, a nível comercial. O investigador, lançado na trilha do segredo sublime, poderá levar, para ele, as palavras do evangelista, que se renovam de Malaquias o último profeta, assimilando João Batista ao anjo. Vemos a nós mesmos, no Precursor, o batismo, a lavagem e a purificação prévia, sem os quais ninguém pode se dedicar utilmente à pesquisa antiga. Não era necessário que alguém fosse batizado para contemplar o vaso sagrado, cuja visão foi recusada aos infiéis:

Aqui está, de fato, aquele de quem foi escrito: Eis que diante da tua face envio o meu anjo que preparará o teu caminho diante de ti.

Hic est enim de quo scriptum est: Ecce ego mitto Angelum meum ante faciem tuam, qui prmparabit viam tuam ante te [4].

Não basta ser chamado para ser eleito, e é por isso que Artur, Rei de Gales, quis que a sua Távola Redonda, à volta da qual se sentavam os cavaleiros, continuasse a ser um  lugar vazio destinado a receber o herói, tanto ignorado como esperado. A Ordem era mística e formada como a da Rosa-Cruz, cujos membros se autodenominavam discípulos de Artur, isto é, da Arte, unidos entre si pelos sólidos laços da verdadeira fraternidade. Jean Lallemant, no século XV, adepto indiscutível e, consequentemente, possuidor da Pedra Filosofal, foi Cavaleiro da Távola Redonda. Este, que tinha a forma de uma roda, era dividido em doze setores, – cada um branco e um preto, – exibia no centro uma rosa e, segundo o romano de Tristão, girava como o mundo.

Não é precipitado considerar que a Távola Redonda é, muito positivamente, a Távola de Hermes à qual o epíteto de esmaragdina confere a substância da esmeralda. De textura hialina, esta jóia preciosa entre todas, deve a sua cor verde ao spiritus mundi, ao espírito do mundo que nela entrou como num vaso de eleição. Tal como nos tempos antigos, cabe agora aos cavaleiros, aos cabaleiros, sentarem-se à volta desta mesa e decifrá-la. É… a eles que cabe a missão suprema da busca do Santo Graal, único e indivisível como o Absoluto e a Verdade.

É verdade, sem mentira, certa e muito verdadeira. O que está em baixo é como o que está em cima, e o que está em cima é como o que está em baixo, para operar os milagres de uma coisa.

Verum sine mendacio, certum et verissimum. Quod est inferius est sicut quod est superius, & quod est superius est sicut quod est inferius ad perpetranda miracula rei unius [5].

A tradição, para alguns, a lenda, para muitos outros, relata que o Graal foi feito da enorme esmeralda que Lúcifer abandonou quando caiu na terra. É aí, repetimos, essa questão de nobreza eminente, que é objeto da busca incessante e laboriosa do alquimista; este é o receptáculo, o veículo do espírito, que, por isso, recebeu o nome de vaso sagrado, ou seja, vaso sagrado. Eterna, como sua divina esposa, a matéria está em toda parte, indissoluvelmente unida ao espírito, e cada um na terra pode dela tomar seu quinhão, para trabalhar de acordo com sua vontade, per ignem, que o atanor pertence ao laboratório ou ao apenas o perigoso domínio da fisiologia.

A origem do termo graal é desconhecida, segundo Littré que observa, no entanto, a opinião de Friedrich Diez querendo, a todo custo, que a palavra intratável venha do latim cratera, corte. De nossa parte, descobrimos, em francês antigo, todas as flexões apropriadas para justificar a origem do substantivo posterior: Greal, greail, greel, greil, grazal e até graaus:

“Cil Galais conquistou Gales enquanto graaus foi trazido para Bertaigne [6].”

Essas várias formas foram usadas pelos vários povos gauleses,, que, muito mais tarde, viriam a constituir as grandes províncias e que obviamente tinham uma língua, antes que sua pátria fosse conquistada. ocupado por legionários romanos. Estes, aliás, só falavam o patois da península; eles eram completamente ignorantes da nobre língua do Lácio. Mas não é a própria evidência, para os lexicógrafos, especialmente os mais famosos, de que qualquer palavra francesa – queremos dizer gaulesa – que não pode se prestar a alguma origem estrangeira é, finalmente, considerada como não possuindo nenhuma? Assim, teríamos que admitir, insistimos, esse absurdo, que a numerosa raça de gauleses, que fabricava hidromel, não tinha um termo para designar um recipiente para beber!

Quem não se sentirá profundamente indignado que A. Souché (inspetor primário) e J. Lamaison (assistente de gramática), em seu manual destinado aos alunos do sexto ano, tenham conseguido decidir peremptoriamente, desde o primeiro ponto da primeira aula:

“São as palavras latinas deformadas pouco a pouco pelas ásperas gargantas gaulesas que formaram os primeiros e principais elementos de nossa língua.”

Sublinhámos a proposição principal, que está em negrito neste trabalho, como exige o valor e a evidência de uma afirmação em harmonia com o seguinte, de que todos os bons franceses estão há muito convencidos:

“Nossos pais, os gauleses, eram bárbaros.”

A linguagem de Cícero, no entanto, derrama, de maneira cabalística, sua parcela de revelação no importante arquivo da perene busca do Graal, que os romancistas fixaram no idioma original, enriquecido com o lodo depositado pela linguagem em uso dentro da elite galo-romanoa. A esse respeito, Fulcanelli fornece outra forma antiga da palavra graal, que é gradal, do latim gradale ou gradualia designando, segundo Du Cange, o gradale, o greel, ou seja, o Livro para cantar a missa. O Gradual, no ofício católico, apostólico e romano, situa-se entre a Epístola e o Evangelho, entre a carta e as boas novas.

Não basta possuir o Graal, é preciso também enchê-lo com o duplo licor, precioso e católico ou com ambrosia e néctar olímpico. No quarto emblema de Michael Maier (ver acima), além do cálice que o alquimista entrega, deliberadamente, ao casal filosófico reinando com vigor amoroso, vemos, à direita, no ângulo da gravura, o elegante jarro, onde o licor é primeiro recolhido e conservado:

Junte o irmão com a irmã e ofereça-lhes o cálice do amor.

Conjunge fratrem cum sorore, et propina fillis poculum amoris.

É o que nos diz o título que encima a imagem que segue este epigrama, pouco ortodoxo em relação às leis ordinariamente estabelecidas:

A raça dos homens não seria agora tão numerosa no mundo,

Se a primeira irmã não tivesse sido dada ao irmão como esposa.

Portanto, unam de bom grado os dois gerados de um dos pais,

Para que, através da camada, sejam marido e mulher.

De antemão, faça-os beber os copos eróticos de licor nectáreo,

E o amor trará a esperança do parto.

Da mesma forma, Tristão e Isolda estão unidos em amor total, pela poção encantada preparada pela mãe da rainha de cabelos dourados, renovando a mistura mágica da exclusiva Medeia.

O casamento do irmão com a irmã é o do Rei com a Rainha, na Grande Obra Filosófica do Sol com a Lua, na astrologia cósmica, tal como esta ciência era considerada, até o século XVII, na Alquimia Semelhante, dentro do domínio indivisível da investigação universal.

Como os dois grandes luminares do céu, as estrelas herméticas do pequeno mundo são irmãos e irmãs, e, novamente segundo seu modelo, nasceram gêmeos do caos primordial, sob a vontade e a ação do artista. Vamos uni-los carnalmente, fazendo-os beber a poção do amor que constitui o preciosíssimo sal, retido em solução nas águas superiores, ou, poeticamente e mais precisamente, carregado nas ondas da harmonia.

Quanto ao mediador incomparável, é possível extraí-lo! orvalho, por meio de uma manipulação extremamente secreta e delicada, e, além disso, condicionada pela astrologia. Menstruação inflamada que os antigos autores designam como sendo a água salgada do seu mar, e que Michael Maier canta, em contra-alta, na segunda tríade dos seus Cantilènes:

É chamado de orvalho do céu,

Da qual a flor dos campos é regada,

Conhecido pelos Sábios pelo amor,

E delicioso de possuir.

Ros Caelicus vocatur,

Quo flos agri rigatur,

Sophis nos ama,

E dota o delicado [10].

A busca do Graal se apresenta novamente, mas desta vez resumida ao extremo, no exergo circunscrevendo o paradigma, gravado em madeira e bem conhecido, que na maioria das vezes acompanha um dos melhores tratados de Basílio Valentin. Reproduzimos aqui esta imagem circular que já demos, publicando o livro do alquimista beneditino [11], e no qual se poderá notar, particularmente, o Graal recebendo, juntos, o fluido do sol e o de a lua:

 

Visita Interiora Termo Rectificando Invenies Occultum Lapidem.

Visite o interior da terra; retificando você encontrará a pedra escondida.

As iniciais da frase latina, reunidas na ordem de sua sucessão, reproduzem o termo VITRIOL designando a esmeralda filosófica de que falamos acima e que é a própria substância do Graal. Este cálice e o jarro adequado para alimentá-lo, nós os reconhecemos, há apenas uma semana, durante uma maravilhosa caminhada pelo país cátaro, na barra transversal da antiga cruz forjada, que nosso amigo Píramo, também hospedado na Pignada Atlantis em Arès, nos havia indicado três dias antes.

O grande problema da fonte e do receptáculo foi minuciosamente examinado, do ponto de vista da metafísica, em um livro recente, solidamente construído e muito bem editado, que é o excelente trabalho de Jean-Jacques Chatagnier-Hoste [12].

Recordemos, em conclusão, a condição indispensável que se impõe no início da busca do Graal. Ele será encontrado mencionado no conto de Bernardin de Saint-Pierre: La Chaumière Indienne. O erudito médico inglês que fora enviado ao redor do mundo para colher “luz sobre todas as ciências”, finalmente preferiu, à sua colossal colheita de noventa maços de documentos, o que aprendera de mais útil e que estava contido nestas duas linhas:

“A verdade deve ser buscada com um coração simples; só se encontra na natureza; só deve ser contada a pessoas boas.”

Notas

[1] – As poucas páginas que oferecemos aos leitores da Atlântida foram escritas nas notas ainda esparsas de um livro em preparação em Jacques Pauvert

[2] – Chap. VIII.

[3] – Genesis, chap. II, 9.

[4] – Saint MATHIEU,XI, 10; conférer aussi saint LUC, VII, 27

[5] – Pode-se ler o texto completo da Tábua Esmeralda de Hermes – Smaragdina Hermetis Tabula – que é o tratado mais curto e mais venerado, na parte inferior da magnífica gravura Janitor Pansophus na página 128 de nossa Alquimia (Jean – Jacques Pauvert, Paris, 1964.

[6] – Artus, biblioth. de Grenoble, ms 378, f 88 a. Cité par Frédéric Godefroy, au mot Graal.

[7] – Fernand Nathan, éditeur. Paris. Quarante quatrième édition,

[8] – Les Demeures Philosophales, Jean-Jacques Pauvert, t Ier p 204 et suiv

[9] – Secretioris Naturae Secretorum Scrutinium chymicum… Francofurti – L’Examen chimique des Secrets de la plus secrète Nature, Fracfort 1687, P. 10. Voir notre cliché.

[10] – Cantilenae intellectuales de Phoenice redivivo. les Chants intellectuels sur le Phéni– ressuscite. A llitrig. 1758, p. 34.

[11] – Les Douze Clefs de la l’Philosophie. Editions de Minuit

[12] – L’Emanant et tes Transmutation de l’Emané, Métaphysiqueésotérique du Cosmos, chez l’auteur, château du Valès, Montmaur (AUde) 1963

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-busca-alquimica-do-graal/