A chave para a Qabbalah Inglesa

Aleister Crowley não escreveu o Livro da Lei – ele foi o escriba sob a direção da inteligência ‘praeter-human’ Aiwass. Que a qabbalah numérica que foi revelada nos artigos anteriores não poderiam ter sido inventadas por qualquer inteligência humana, evidencia-se por si só; contudo, aqueles que duvidam precisam de uma prova que é irrefutável para agir em suas almas escuras.

O Livro da Lei fornece uma prova tão estonteante, tão clara, tão devastadoramente simples que ninguém pode negar que é verdade. Uma chave foi deixada por Crowley, sob a direção de Aiwass, para que “tu obtivesse a ordem e o valor do Alfabeto Inglês” (I.55)

A instrução está no capítulo 3 v. 47 “This book shall be translated into all tongues but always with the original in the writing of the beast; for in the chance shape of the letters and their position to one another; in these are mysteries no beast shall divine.” A imagem que consta na folha deste verso é um facsimile do Livro da Lei – Folha 16 do Capítulo 3 do caderno de notas de Crowley, no qual ele recebeu o Liber Al. O restante do verso 47 é escrito sobre uma grade padrão com uma linha oblíqua desenhada sobre ela e um símbolo rosa cruz (um círculo com uma cruz dentro), perto do fim da linha.

O segredo desta página nunca fora revelado antes. Há letras escritas no topo da página, e parecia ser óbvio continuar com o alfabeto na maneira indicada, mas a pista está nos números na vertical, ao lado. A está escrito ao invés de 1, o que sugere que B é 2, C 3, e assim por diante. Preencha todos os espaços na grade, desta maneira, repetindo o alfabeto quando chegar no Z. Para continuar até o próximo passo, a instrução está escrita na página, pois aqueles que têm olhos vejam “então esta linha desenhada é uma chave”.

A linha desenhada é uma linha diagonal, cortando a página. Se alguma pessoa ler em qualquer diagonal nestes quadrados, ela irá encontrar a ordem do Alfabeto Ingles a ser usado na Qabbalah Inglesa. Qualquer diagonal que for lida, a ordem das letras é obtida (fig 3). Há apenas uma ordem em que todas as letras nesta ordem de 1 – 26 e assim temos o Alfabeto Qabbalistico Inglês. Assim: A L W H S D O Z K V G R C 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 N Y J U F Q B M X I T E P 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26

A Ordem e Valor do Alfabeto Inglês

Um outro método de se obter a Qabbalah Inglesa usando a chave de 11 foi explicado no Volume 5, número 1. Até mesmo nesta página, há uma referência a isso… “então esta linha desenhada é uma chave… e ABRAHADABRA”. Abrahadabra é uma palavra com 11 letras, enfatizando a natureza do número 11 da chave. Há um outro mistério. Estude o próximo texto desta página – a frase “whence I say not” (quando eu disser não), ocorre em relação à descoberta da chave.

A mente inconsciente ignora o conceito de ‘not’ pois ela não pode ater qualidades negativas. Este fator é bem conhecido pelos propagandistas (tome cuidado!) e reportagens do tipo: “Mr. Brown Não é um homossexual”. Uma vez que o conceito foi estabelecido, mesmo com uma negativa, a positiva é o que resta.

A linha desenhada e o símbolo rosa cruz portam uma semelhança muito grande à área onde a chave foi revelada. A linha desenhada está na realidade em uma onda permanente, o círculo quadrdo está em uma área chamada “Rosy Cross”. Ninguém sabe porque esta área é chamada RosyCross, pois nada existe lá para justificar o nome.

A localização da descoberta da chave está na posição “whence” [quando] no manuscrito! Então esta página do Liber Al não só diz que há uma chave escondida, como a revela, mas também mostra onde será descoberta. Esta prova é irrefutável, está lá, preto no branco para que todos vejam.

Os deuses que prepararam o Livro da Lei dirigiram a sua formação na Língua Inglesa, e deixaram uma chave para seu significado oculto, aqui, agora entre todos nós.

Do what thou wilt shall be the whole of the Law.
Love is the law, love under will.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-chave-para-a-qabbalah-inglesa/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-chave-para-a-qabbalah-inglesa/

A História da Golden Dawn

A Golden Dawn (ou Aurora Dourada), foi a segunda sociedade ocultista mais importante do século passado (a primeira foi a Sociedade Teosófica de H.P. Blavatsky). Foi criada em 1880 por quatro membros da S.R.I.A. (Societas Rosecruciana in Anglia) chamados:

  • A.F.A. Woodford, membro do Clero Anglicano e Maçon;
  • William Wynn Westcott, médico legista;
  • W.R. Woodman, médico;
  • Samuel Liddell Mac Gregor Mathers, estudioso de ocultismo.

A principal proposta da Ordem Hermética da Aurora Dourada, era colocar em prática os Rituais e Ensinamentos da Magia, fortemente influenciados pelos textos de John Dee, Eliphas Levi e Francis Barret, entre outros.

Sua reivindicação era a de ser a verdadeira herdeira dos primórdios do rosacrucianismo e dos princípios de Cristian Rosenkreutz (misterioso pai do rosacrucianismo), baseando-se num misterioso conjunto de manuscritos cifrados, oriundos de Westcott. De posse desses documentos cifrados, encontraram em meio a estes, uma carta com o endereço da Fraülein Ana Sprengel (Sapiens Dominabitur Astris = O Sábio Será Governado pelas Estrelas) originária de Nuremberg. Mais tarde descobriu-se que esses documentos foram na verdade, criados por eles.

Esses manuscritos estavam em inglês arcaico, transcritos num código “secreto” inventado no séc. XVI pelo Abade Trithemius. Nesses manuscritos encontram-se os rituais e a estrutura hierárquica básica da organização.

Através de um grande volume de cartas remetidas pelos dois lados, o quarteto de magos foi instruído de forma a preencher os rituais esboçados nos manuscritos cifrados. Em 1887 Ana Sprengel deu ao grupo, que até então estava subordinado à ela, autoridade suficiente para poderem abrir a primeira Loja (ou Templo) da Aurora Dourada, o Templo de Ísis-Urânia. Logo após a fundação do Templo foi anunciada a morte de Ana Sprengel.

A Aurora Dourada era fundamenta em Graus de aprimoramento, onde o estudante evoluía de acordo com suas aptidões. O recrutamento de novos membros era feito na maioria das vezes por cooptação, através de um padrinho, que iria cuidar de sua evolução dentro da organização e de sua diligência nos estudos.

A divisão dos Graus era baseada na Árvore da Vida, proveniente da Qabalah. São onze Graus divididos em três classes cada. A partir do Sexto Grau, ao que nos parece, reúne não seres humanos, mas entidades ou seres superiores.

A Grade de Estudos era bastante exigente em relação ao estudante, que, para passar de um Grau a outro necessitava provar seu domínio do Grau ao qual estava preste a abandonar.  Partindo de rituais do Pentagrama, Armas Mágicas, Talismãs, conversas com Anjos e Artes Divinatórias, pretendiam dar ao estudante o domínio do mundo em que este vivia.

A partir de 1892, Mathers começou a chefiar a Aurora Dourada praticamente sozinho, alegando que era iluminado por Mestres Secretos, os quais lhe davam plenos poderes para tanto. Criou-se então a Ordem Interna (Rubrae Rosae et Aurae Crucis = R.R.A.C.).

Os rituais da Ordem eram bem construídos pelo profundo conhecimento que Mathers tinha do ocultismo e eram plenos de poesia e filosofia. Seus efeitos sobre o espírito humano eram inegáveis assim como seus resultados.

Em 1898, Aleister Crowley ingressa na Aurora Dourada, tornando-se discípulo de Alan Bennett. Por seu talento com as artes esotéricas e pela sua perspicácia, adquiriu o respeito de Mathers. Por esse mesmo motivo além de sua independência nos estudos, surgiram atritos com outros membros da ordem. Em 1899, os membros de Londres recusaram-se a dar a Crowley o ingresso na Ordem Interna. Essa atitude contribuiu para a desagragação da Ordem conforme veremos a seguir.

Mathers havia se mudado para Paris com sua esposa Moina, para fundar um ramo continental da organização e lá conferiu a Crowley o grau de Adeptus Minor. Isso causou furor nos membros de Londres que votaram a expulsão de Mathers da Chefia da Organização.

A partir de 1900, a história da Aurora Dourada parecia estar chegando ao fim. Mathers troca insultos com vários membros da Ordem. Expulsou Florence Farr de seu posto de segunda no comando da organização. Mathers então manda Aleister Crowley a Londres para reprimir os rebeldes.

Após vários episódios bastante dramáticos e alguns até tragicômicos, Mathers foi afastado da Ordem. Depois do ano de 1900, a Ordem Hermética da Aurora Dourada deixou de existir na sua forma original, sendo dividida em diversos seguimentos, a saber: A Ordem de São Rafael, A Stella Matutina, Alpha-Omega, A Luz Interior, Builders of the Adytum.

A organização tentou reerguer-se através das mãos de outros grandes nomes do ocultismo, como Yeats, e A.E. Waite, mas seus esforços não conseguiram manter nem uma pálida lembrança dos dias de glória daquela que seria conhecida mais tarde como a maior Sociedade Rosacruz de todos os tempos.

A Ordem separou-se em várias facções que lutavam entre si pelo posto de verdadeira herdeira da Ordem Hermética da Aurora Dourada.

Hoje ainda existem várias Lojas e Templos espalhados pelo mundo que se dizem descendentes daqueles quatro magos. A verdade de sua herança, apenas o tempo será capaz de dizer.

A Aurora Dourada foi o centro onde reuniram-se grandes cabeças da época, sendo que, da totalidade, podemos citar com segurança:

  • Maud Gonna, musa inspiradora de William Butler Yeats;
  • William Butler Yeats, poeta, nobel de literatura de 1924;
  • Jean-Marc Bride, pai de Maud Gonna, político;
  • Florence Farr, atriz, conselheira de Bernard Shaw;
  • William Peck, astrônomo;
  • Gérard Kelly, presidente da Real Academia;
  • Arthur Machen, escritor;
  • Bram Stocker, escritor, autor de Drácula;
  • Violet Wirth, ou seja, Dion Fortune, escritora;
  • Sam Rohmer, escritor;
  • Edita Montés, condessa de Landsfeld, filha bastarda de Luís I da Baviera, e de Lola Montés;
  • Bulwer Lytton, escritor de Zanoni;
  • Aleister Crowley, mago, fundador da Astrum Argentum, mais tarde O.H.O. da O.T.O

“Como um prelúdio ao que sucederá mais adiante, haverá agora uma reforma geral, tanto de coisas divinas como humanas, conforme desejamos, e outros esperam. Pois, é natural que, antes do nascer do Sol, surja a AURORA, ou alguma claridade, ou divina luz, no Céu; e, entretanto, alguns, que darão seus nomes, se reunirão para aumentar o número e o respeito de nossa FRATERNIDADE, dando feliz e tão desejado começo aos nossos Cânones Filosóficos, para nós prescritos pelo nosso irmão R.C., participando então dos nossos tesouros (que nunca se esgotam ou corrompem), com toda humildade, e amor que os alivie do labor e das misérias deste mundo, de modo que não caminhem tão cegamente no conhecimento das maravilhosas obras de Deus.” -FAMA

por Frater Goya

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-historia-da-golden-dawn/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-historia-da-golden-dawn/

A Definição de “Magia” No Século 21

Por Aaron Leitch

Espere! Não vase ainda! Eu sei que este assunto – a definição de magia – foi refeito um bilhão de vezes ao longo dos anos. Tem sido o foco de debates acalorados e até mesmo de guerras de fogo e gelo – e nunca (nem uma vez!) um consenso foi alcançado.

Francamente, este debate está acontecendo há mais tempo do que você pensa. Foi uma pergunta feita durante o renascimento oculto do século 19. É até antes disso foi abordado pelos autores dos grimórios medievais. Ora, eu apostaria dinheiro real que os sacerdotes egípcios e sumérios costumavam se sentar em seus templos e discutir os mesmos malditos pontos.

Mas esse não é realmente o objetivo deste blog. Não sou ingênuo o suficiente para pensar que vamos chegar a um consenso aqui. No entanto, acho que podemos acrescentar algo à conversa – especialmente agora que entramos no século 21, e nosso relacionamento com a magia está mudando drasticamente. À medida que esse relacionamento muda, também muda nossa compreensão da magia e o que ela significa em nossa cultura.

Nos anos anteriores, o debate foi tema do ocultismo do final de 1800. A Era do Iluminismo havia despontado, a Revolução Industrial… rodado?… e a disciplina da Ciência (ou seja, divorciada de todas as preocupações místicas) havia ascendido à supremacia. A psicologia era um estudo novo e em desenvolvimento e absolutamente qualquer coisa que parecesse à mente ocidental como “ooga-booga oculto” (leia-se: praticamente qualquer forma de magia popular indígena, vodu , hoodoo , etc.) foi firmemente expulsa da casa.

Assim, as pessoas que foram criadas naquele ambiente buscaram uma explicação para a magia que se encaixasse em seu paradigma. Daí nasceu a definição “psicológica” de magia: tudo é apenas uma forma de psicologia primitiva. Magia está tudo na sua cabeça. Os espíritos e deuses são meros “nomes e rostos” que colocamos em nossos próprios instintos e complexos mentais. Ferramentas e considerações mágicas são apenas “acessórios” que ajudam sua mente a se envolver com a magia. A magia do caos surgiu neste ambiente, e também nos deu a definição frequentemente citada de Aleister Crowley :

“Magia é a ciência e a arte de causar mudanças em conformidade com a Vontade.”

Tomada pelo valor nominal, acho essa definição inútil. Se qualquer mudança que eu fizer (de propósito) no mundo ao meu redor for “magia”, então “magia” deixará de ser uma palavra útil. Se eu sair, estou realizando magia porque abri uma porta e mudei minha localização? Claro que não! No entanto, da forma como muitos estudantes interpretam a definição acima, a magia deixa de ser uma disciplina ou ofício específico. Eletricistas estão realizando magia. Os carpinteiros estão realizando magia. O sorveteiro está fazendo mágica (e ele ainda traz sorrisos para os rostos das crianças)!

Claro, Crowley acrescentou nessa palavra “Vontade”, o que significa que há muito mais em sua definição do que a maioria dos alunos imagina. Ele quer dizer fazer mudanças de acordo com sua Verdadeira Vontade (seu Destino ou Karma ), e sua definição está dizendo que qualquer ação que você toma para cumprir sua Verdadeira Vontade é um ato mágico. Isso é melhor… mas ainda nega a “magia” como uma disciplina em si mesma. Eu usei muita magia em busca da minha Verdadeira Vontade, mas também tive que fazer muitas coisas mundanas.

Hoje, estamos deixando para trás as visões do século 19 sobre magia. Embora a definição psicológica ainda tenha seus adeptos – alguns deles bastante apaixonados em defesa de sua posição – há agora um contra-movimento de praticantes de Velha Magia que acham essa visão insatisfatória. À medida que o mundo em que crescemos continua a desmoronar, as economias continuam a entrar em colapso, a medicina e outras necessidades tornam-se indisponíveis e as guerras mal definidas continuam acontecendo em todo o mundo, as pessoas não estão procurando mais por “ocultismo de auto-ajuda” da maneira que foram há vinte anos. Eles querem o negócio real: magia que pode fazer uma mudança real no mundo real. Eles querem magia que possa manter comida na barriga de suas famílias, um teto sobre suas cabeças e todos vivos e saudáveis.

Eu me enquadro nessa categoria. Nós somos os caras que veem espíritos, deuses e anjos como objetivamente reais. Achamos que as ferramentas e considerações mágicas são importantes para a tecnologia, não apenas um monte de adereços que podem ser substituídos ou dispensados inteiramente. E por causa disso, vemos as cerimônias mágicas como protocolos vitais ao lidar com espíritos, não superstições ultrapassadas que deveriam ser simplificadas, reinterpretadas ou deixadas para trás. E quanto a essas formas indígenas de magia e feitiçaria , em vez de torcer o nariz e pensar que somos de alguma forma melhores do que tudo isso, na verdade estamos nos voltando para elas e aprendendo o máximo que podemos.

Então, como esse novo movimento define a magia? Boa pergunta, e é por isso que estamos tendo essa discussão agora.

Para fazer a bola rolar, vou compartilhar com vocês a definição pela qual eu trabalho. Na verdade, é uma definição mais antiga que existia há milhares de anos antes do mundo moderno. Os grimórios salomônicos (uma especialidade minha) foram escritos sob essa definição, e acho que é hora de todos darmos uma nova olhada nele. (Encontrei isso originalmente descrito no livro Ritual Magic , de Elizabeth Butler. )

Primeiro, o ocultismo em geral é dividido em três categorias:

  1. Astrologia : O estudo das estrelas e outros corpos celestes (originalmente incluindo a astronomia) e sua influência no mundo e nos indivíduos. Havia muitas aplicações para isso — a adivinhação era primária, mas também incluía coisas como a cura.
  2. Alquimia : Isso não era apenas transformar chumbo em ouro. Abrangia toda metalurgia, mistura de remédios, fabricação de tinturas, infusões, etc. Os alquimistas se interessavam muito por alquimistas que prometiam encher seus cofres de ouro, mas o verdadeiro foco da alquimia sempre foi a cura. Nossas ciências modernas da medicina e da química começaram bem aqui.
  3. Magia ou Magick: A arte de trabalhar com espíritos. (Também chamado de feitiçaria. )

Obviamente, essas categorias são fornecidas por conveniência e não representam linhas rígidas. De fato, qualquer sistema de Magia Antiga incluirá aspectos de todos os três misturados. Por exemplo, se você não sabe muito sobre astrologia e nada sobre simbolismo alquímico, a magia espiritual descrita nos velhos grimórios não fará o menor sentido para você.

O que as categorias acima nos mostram é que, classicamente falando, a definição de “magia” era trabalhar com entidades espirituais. Quando você invoca Nomes Divinos, deuses, anjos, espíritos, familiares, heróis ou ancestrais, você está se engajando na arte e na ciência chamada “magia”.

Agora, estou ciente de que muitos de vocês vão ficar com raiva dessa definição. E quanto a encantamentos, talismãs e magia popular que não invocam nenhum desses caras? De repente eles não são mágicos? Claro que eles são mágicos! Mas você tem que perceber que todas essas coisas não foram inventadas apenas por bruxas com muito tempo em suas mãos. Aquele talismã de dinheiro que você encontrou em um livro antigo foi, de fato, entregue a um aspirante por uma entidade espiritual. Aquele encantamento para lhe trazer um amante? Foi revelado por um anjo a alguém que pediu. Aquela dança da chuva que você está fazendo? Adivinha quem a transmitiu aos xamãs ?

É assim que a Velha Magia funciona. Você pede ajuda a um espírito, e ele responde dando-lhe algum tipo de hoodoo/eitiçaria ou outra coisa para fazer para alcançar o objetivo. Faça este talismã e enterre-o ali. Recite esse encantamento em um lugar e tempo específicos. Vá deixar uma oferenda aqui em um dia específico. Os exemplos são infinitos – mas todos começaram com um xamã, bruxa ou mago fazendo contato com seus espíritos guardiões e fazendo com que eles lhe ensinassem a arte mágica.

Portanto, sinta-se à vontade para postar seus próprios pensamentos na seção de comentários. O que você acha dessa definição de magia? Qual é a sua definição? Por quê? (E, para manter as coisas simples, tenha em mente que estamos definindo a prática da magia, não a “força” intangível que muitas vezes nos referimos como magia. Esse é um debate totalmente diferente! )

Fonte: The Definition of “Magick” in the 21st Century.

COPYRIGHT (2014) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/a-definicao-de-magia-no-seculo-21/

23 Perguntas para Robert Anton Wilson

Robert Anton Wilson “é” aquele que não é “é”. Talvez possamos descrevê-lo como um filósofo psicodélico, um trapaceiro pós-moderno, um comediante intelectual, um tornado que atravessa a psique. Ele ganhou destaque como editor da Playboy na década de 1960. Durante esse tempo de magia ele se envolveu com os Discordianos, uma “nova religião disfarçada de uma piada complicada”, ou “uma piada complicada disfarçada de uma nova religião”. Junto com Robert Shea, ele é co-autor do Illuminatus! trilogia de romances, um trabalho alucinante (de ficção?) que teceu várias teorias da conspiração e elevou o Discordianismo a um verdadeiro status de culto. Amigo próximo de Timothy Leary, ele compartilhava as paixões do Dr. Leary pela psicologia radical e pelo futurismo. Seu livro Prometheus Rising fundiu o agnosticismo ao modelo ao modelo de 8 circuitos do cérebro de Leary para criar um sistema que ensinou as pessoas a desconstruir sistemas dogmáticos de crenças pessoais. Seus inúmeros outros livros exploraram tópicos como mecânica quântica, universos alternativos, sistemas lógicos não aristotélicos, magia sexual, Wilhelm Reich, James Joyce e Orson Welles. Sua abordagem do modelo agnóstico para a investigação o torna um escritor único, um dos poucos que podem escorregar perfeitamente do pensamento científico racionalista para a especulação metafísica não materialista.

Embora tenha lutado contra a síndrome pós-pólio nos últimos anos, ele continua ativo na propagação de suas várias paixões (N.T RAW morreu em 2007) O filme de 2003 Maybe Logic de Lance Bauscher, Cody McClintock e Robert Dofflemyer, explorou e apresentou conceitos wilsonianos envoltos em cores e ritmos sutis, mas explosivos, um tributo adequado às suas ideias. Este projeto deu origem à Maybe Logic Academy, um instituto de aprendizagem que é
“baseada na filosofia e na perspectiva da lógica do talvez, uma abordagem que enfatiza a falibilidade e a relatividade da percepção e tende a abordar informações e observações com perguntas, probabilidades e múltiplas perspectivas em vez de verdades absolutas.” A New Falcon Publications pretende publicar em breve seu novo livro Email To The Universe (N.T: Publicado em 2005).

A entrevista que segue foi concedida a revista MungBeih entre 2004-2005.

Você tem um novo livro saindo chamado “Tale of the Tribe”. Sobre o que será?

Mudei o título para EMAIL TO THE UNIVERSE. É sobre James Joyce, taoísmo, internet e Aleister Crowley, além da minha loucura de sempre.

Parece que muitos de seus escritos se conectaram com as pessoas e talvez até influenciaram seus pensamentos e atividades. Por causa desse efeito em sua base de fãs, alguns sugeriram que você se tornou uma “figura cult”. Isso parece apropriado, dada sua participação inicial na Sociedade Discordiana e seus muitos escritos sobre os Illuminati (um culto secreto que pode ou não existir), referências a Eris, maçãs douradas, a Lei dos Cincos, o número 23, bem como outras ideias relacionadas. Os memes que você enviou ao mundo vinte, trinta anos atrás continuam a prosperar e florescer. Como você se sente sobre esse legado de ter semeado uma diversidade de memes ecléticos?

É ao mesmo tempo agradável e lisonjeiro, é claro, mas me sentirei muito mais feliz quando a Lógica do Talvez, a Lei Snafu e a Lei do Babaca Cósmico forem semeadas tão amplamente, ou até mais amplamente.

Vamos semeá-los mais amplamente aqui! Você pode explicar aos nossos leitores o que (Lógica do Talvez, a Lei Snafu e a Lei do Babaca Cósmico) são?

A Lógica do Talvez é um rótulo que ficou preso entre minhas ideias pelo cineasta Lance Bauscher. Eu decidi que se encaixa. Eu certamente reconheço sua importância central em meu pensamento – ou em meus esforços vacilantes e desajeitados para pensar em sistemas não-aristotélicos. Isso inclui a lógica de três valores de von Neumann [verdadeiro, falso, talvez], a lógica de quatro valores de Rappoport [verdadeiro, falso, indeterminado, sem sentido], a lógica multivalorada de Korzybski [graus de probabilidade.] e também o paradoxo lógico do Budismo Mahayana [É A, não é A, é A e Não-A, Não é A nem Não-A]. Mas, como um sujeito extraordinariamente estúpido, não posso usar tais sistemas até reduzi-los a termos que uma mente simples como a minha possa lidar, então apenas prego que todos nós pensaríamos e agiríamos com mais sensatez se usássemos o “talvez “com muito mais frequência. Você pode imaginar um mundo com Jerry Falwell gritando “Talvez Jesus seja o filho de Deus e talvez ele odeie os gays tanto quanto eu” – ou os minaretes do Islã ressoando com “Talvez Não exista Deus exceto talvez Alá e talvez Maomé seja seu profeta”?

A lei Snafu (NT: S.N.A.F.U: “Status Nominal: All Fucked Up”) afirma que, quanto maior o seu poder de punir, menos feedback factual você receberá. Se você pode demitir pessoas por dizerem o que você não quer ouvir, você só vai ouvir o que você quer. Esta lei parece se aplicar a todas as engenhocas autoritárias, especialmente governos e corporações. Concretamente, suspeito que Bozo (NT. Robert chamava George Bush de Bozo) saiba menos sobre o mundo do que qualquer caçador de cães em Biloxi (Mississipi).

A lei do Babaca Cósmico (N.T: Cosmic Schmuck) afirma que [1] quanto mais frequentemente você suspeitar que pode estar pensando ou agindo como um Babaca, menos Babaca Cósmico você se tornará, ano após ano, e [2] enquanto você nunca suspeitar que pode pensar ou agir como um Babaca, você permanecerá sendo um Babaca Cósmico por toda a vida.

O E-prime pode revolucionar a língua inglesa?

Espero que sim, mas precisa de ajuda, como mais computadores online e mais maconha. MUITO mais maconha. (N.T: E-prime é a versão revisada da língua inglesa que exclui todas as formas do verbo to be, incluindo todas as conjugações, contrações e formas arcaicas.)

Qual é o propósito da sua Maybe Logic Academy e quem mais está envolvido? E o que diabos está acontecendo lá?

Quero usar a Internet para acelerar a evolução humana substituindo decisões baseadas na fé por decisões baseadas em pesquisa. Os demais têm objetivos semelhantes ou compatíveis. Nossos líderes de classe incluem R.U. Sirius, ciberfilósofo; Patricia Monaghan, pesquisadora da deusa; Alan Clements, monge budista e ativista; Peter Caroll, matemático e inventor da magia do Caos; Douglas Rushkoff, especialista em mídia; e outros se juntarão em breve.

Você escreveu extensivamente (e encontrou novas aplicações para) várias teorias científicas, particularmente no campo da mecânica quântica. No entanto, você manteve uma distância crítica do establishment científico, uma espécie de voz herética e um cético em relação ao ceticismo. Você costuma citar a história do Dr. Wilhelm Reich como um exemplo de autoridade enlouquecida. O governo dos Estados Unidos destruiu grande parte do trabalho controverso do Dr. Reich, e ninguém, especialmente colegas cientistas, deu um passo à frente em protesto ou defesa. A ciência deveria ser sobre inovação, mas poucos cientistas parecem capazes de revisar suas teorias favoritas uma vez que tenham sido aceitas. Acho que é por isso que muitos acharam chocante quando Stephen Hawking recentemente saiu e disse: “Eu estava errado sobre os buracos negros”. Ninguém está acostumado a ver figuras respeitadas revisando ou descartando suas crenças arraigadas. Qual é a importância da heresia, ceticismo e ideação heterodoxa para o avanço da ciência?

Deixe-me fazer uma diferença entre o método científico e a neurologia do cientista individual. O método científico sempre dependeu do feedback [ou flip-flop, como os czaristas chamam]; Portanto, considero-a a forma mais elevada de inteligência de grupo até agora desenvolvida neste planeta atrasado. Já o cientista individual parece ser um animal completamente diferente. Os que conheci parecem tão apaixonados e, portanto, tão egoístas e preconceituosos quanto pintores, bailarinas ou mesmo, Deus salve a classe, escritores. Minha esperança está no próprio sistema de feedback, não em qualquer suposta santidade dos indivíduos no sistema.

Com seu auto-entitulado modelo agnóstico você desconstruiu todos os tipos de sistemas de crenças (BS) em seus livros. Em Prometheus Rising você encorajou as pessoas a entrar conscientemente em tantos túneis de realidade diferentes quanto possível, para examinar suas crenças de múltiplos pontos de vista. A cultura humana está repleta de pessoas zelosamente apegadas a várias ortodoxias e ideologias. O choque de sistemas de crenças fundamentais muitas vezes provou ser destrutivo para a humanidade. O que será necessário para sacudir as pessoas de seus dogmas?

Em uma palavra, Internet. Desde que li Cybernetics: Control and Communication in the Animal and the Machine, de Wiener, em 1948, pensei em “inteligência” como uma função de feedback. Quanto mais feedback, maior a “inteligência” mensurável, e quanto menos feedback, menos “inteligência”. À medida que o computador deu origem à Net e à Web, o feedback aumentou exponencialmente. Como R. U. Sirius escreveu recentemente: “A ascensão da Net e da Web representa uma vitória para a contracultura e a subcultura. A próxima geração, criada na Net como seu principal meio, nem mesmo saberá o que é a realidade consensual.” Em outras palavras, feedback e Lógica do Talvez formam um círculo que gira cada vez mais rápido. Os czaristas temem e odeiam – eles chamam de “flip-flopping” – mas caracteriza todos os sistemas de alta inteligência, eletrônicos ou protoplasmáticos.

Concordo que a internet parece ser um produto de um sistema de feedback tão acelerado. Isso é algo que podemos testemunhar em cada interação online. Mas, tem havido muita conversa após o 11 de setembro de um sinistro espectro totalitário pairando sobre nós, que o Grande Irmão de Orwell está finalmente aqui. Existem conspirologistas que acreditam que a internet, tendo surgido do Pentágono, nunca foi nada mais do que uma trama do Big Brotherista, e que pessoas como RU Sirius, John Perry Barlow e outros filósofos da Era da Informação são tolos (in)conscientemente fornecendo uma fachada libertária para esta vasta conspiração. E se a internet não for nada mais do que o mais recente método czarista de controle e coleta de informações?

Bem, então estamos afundados, não é? Felizmente, não existe nenhuma razão lógica ou factual para acreditar nessa fantasia paranóica, e ela é diretamente contrariada pela matemática difícil de Wiener e Shannon sobre “redundância de controle” em sistemas de feedback. O que Juang Jou disse sobre o universo há 2.400 anos é ainda mais verdadeiro nas 4.285.199.774 URLs de computador online hoje – [21 de agosto de 2004] – “não há governador em lugar nenhum”.

Falando em 11 de setembro e no Pentágono, um dia depois que o avião abriu um buraco na lateral do prédio, imediatamente pensei no livro Illuminatus que você escreveu com Robert Shea. Nele, o Pentágono de cinco lados aprisiona uma besta sobrenatural chamada Yog Sothoth. Se esse ghoul escapasse, a humanidade testemunharia a imanentização escatológica. Esta parece ser a metáfora mais adequada para o atual clima cultural milenar que eu já vi. Então, de certa forma, Yog Sothoth foi eliminado naquele dia?

Não tomemos metáforas muito literalmente. Admito que Bozo tem muito em comum com Yog Sothoth, e que ele até tem as mesmas iniciais de GWB666 em Schrödinger’s Cat, mas considero isso como acertos acidentais. Não me considero um profeta adormecido.

Quão perto estamos da imanentização escatológica?

O escaton foi imanentizado há 5 anos, quando os Supremos cancelaram a eleição e nomearam GWB – a Grande Besta Selvagem – para a Casa Branca.

Você escreveu um artigo convincente após a eleição presidencial de 2000 nos EUA, no qual apontou uma daquelas coisas óbvias que a maioria das pessoas não percebeu: enquanto 50% dos eleitores elegíveis dividem seus votos entre Bush e Gore, os outros 50% conscientemente escolheram votar em Ninguém. (Na verdade, tenho argumentado que, como crianças, prisioneiros, estrangeiros e outras pessoas desprivilegiadas não podiam votar, Bush só conseguiu um mandato de cerca de 14% do povo americano. Chega de “metade do país” apoiando-o, Você também teorizou que um nefasto e neo-autocrático “Governo de Ocupação Czarista” (TSOG) controla o aparelho do Estado. Foda-se o velho debate democrata versus republicano. Diga-me, como você acha que o Ninguém e o TSOG se sairão nas próximas eleições presidenciais?

Presumo que as pessoas mais inteligentes continuarão a votar em Ninguém, e a maioria idiota dividirá seus votos igualmente, dependendo de qual dos dois multimilionários Skull-and-bones tem mais sex appeal. Isso realmente não parece importar: se as pessoas preferem marginalmente o candidato “errado”, a Suprema Corte certamente os “corrige” novamente. O TSOG parece uma doença confortável, como a morte por doença do sono. Após 7000 anos de ‘Authoritaria’.

No patriarcado, a maioria das pessoas aceita o czarismo e, na América aquela constituição incômoda imposta a eles por alguns maçons intelectuais.

Esta declaração lembra a Psicologia de Massa do Fascismo de Reich. Parece que há uma desconfiança pública massiva e generalizada e desgosto na política e no governo, não apenas nos EUA, mas em muitas partes do mundo. Por que os cidadãos são tão leais a sistemas e líderes pelos quais reconhecidamente não têm respeito?

Raymond Chandler, que serviu como tenente de infantaria na Primeira Guerra Mundial, apontou o mesmo paradoxo em menor escala: ao atacar um inimigo, as tropas são estatisticamente mais seguras se espalhadas amplamente, mas todas mostram uma tendência a se agrupar perto do tenente, aumentando assim o risco. Isso parece um programa de vertebrados [mesmo pré-mamífero] programado. Além disso, temos mais de 7.000 anos de condicionamento autoritário documentado por Reich. Parece bastante sombrio, não é? Meu otimismo se baseia no fato de que, historicamente, em situações de emergência, as pessoas muitas vezes sofrem mutações de maneiras imprevisíveis e criativas. Como disse John Adams, a Revolução Americana ocorreu “nas mentes das pessoas nos 15 anos antes do primeiro tiro ser disparado”. Suspeito que uma revolução semelhante esteja ocorrendo nas mentes de pessoas educadas em todo o mundo.

Em todo o cenário pós-eleitoral, tem-se falado muito de uma “América dividida”, com especialistas traçando uma linha dura entre “estados azuis” e “estados vermelhos”. Esta linha é ilusória?

Suspeito que todas as linhas existam apenas em nossas mentes – especialmente linhas políticas. O universo parece mais um caos dançante do que um caderno pautado.

Estamos vivendo na Roma de Phillip K. Dick?

Bem, Phil certamente morava lá. Sinto-me mais como se vivesse na Rússia czarista. Às vezes penso em mim como o último dezembrista – e se isso parece obscuro ou muito esquisito, basta definir seu mecanismo de busca para “dezembristas + Illuminati” e grok em sua plenitude as URLs que aparecem. De qualquer forma, certamente não vivemos em uma democracia constitucional. Tenho quase 99.999999999999999999999999999999% de certeza disso.

Quando estou severamente deprimido, ou severamente chapado, sou capaz de realmente *sentir* a Roma de Dick, não apenas grocá-la como um conceito intelectual. Para mim, este túnel da realidade está cheio de emoção, paranóia, ilusão, sincronicidade, simbologia, metáfora, consciência aumentada. Alguma vez vai além da teoria para você? Você *sente* a Rússia czarista?

Freqüentemente — especialmente quando testo meu desapego budista tentando ouvir “nossos” líderes sem rosnar ou xingar baixinho. Sinto-me como os dezembristas, de forma muito pungente. Mas também identifico muito os fundadores desta República moribunda. Eles sabiam que a Constituição sozinha não poderia conter os desejos de poder de Certos Tipos e avisaram que precisávamos de vigilância eterna – – mas eles só poderiam nos dar a Constituição, não a vigilância. Infelizmente!

Parece, então, que a democracia é uma capa para a autocracia. Foi sempre assim? Ou a história está retrocedendo, traímos coletivamente o Iluminismo?

Primeiro, minha paixão se volta para a democracia CONSTITUCIONAL, não apenas a “democracia” em geral, que temo tanto quanto nossos fundadores. Eu quero LIMITES no governo, claramente definidos e virtualmente “gravados em pedra”. Como John Adams escreveu: “Meu credo é que despotismo ou poder absoluto é o mesmo na maioria de uma assembléia popular, em um conselho aristocrático, em uma junta oligárquica ou em um único imperador – igualmente arbitrário, sangrento e em todos os aspectos diabólico”. Eu concordo totalmente. Sim, acho que perdemos muita luz ultimamente – e por “nós” quero dizer tanto os políticos quanto as massas.

Você teve que lutar pelo seu direito de usar maconha medicinalmente. Como você se tornou ativista?

Desde 1959 eu “ativo” por várias causas, porque tenho esse tipo de temperamento. Eu me envolvi ativamente na causa da maconha medicinal muito antes de meus sintomas pós-pólio tornarem a maconha necessária no meu próprio caso. Agora, preso em uma cadeira de rodas a maior parte do dia, me sinto não apenas ativado, mas superativado. Sustentei uma esposa e quatro filhos a maior parte da minha vida. Tenho 35 livros impressos. NEW SCIENTIST chamou minha trilogia CAT de “o mais científico de todos os romances de ficção científica”. Agora, aos 73 anos, sou tratado como uma criança pelo TSOG – assim como meu médico, um médico totalmente qualificado.  Se consultando algumas organizações baseadas na fé que para citar George Carlin são “incrivelmente cheios de merda.” Se você quiser a visão de organizações baseadas em pesquisa terá que se esforçar.

Você fundou recentemente o Guns & Dope Party para combater os excessos do czarismo. Quais são alguns dos princípios centrais da plataforma do seu partido?

– Armas para quem as quer; sem armas impostas a quem não as quer [Quakers, Amish, pacifistas em geral etc.]
– Drogas para quem as quer; sem drogas impostas a quem não as quer [Cientistas Cristãos, herbalistas, homeopatas etc]
– União Bípede – direitos iguais para avestruzes
– Tributação voluntária: você paga pelos programas governamentais que deseja; você não paga um centavo por nenhum programa que não queira.

Você acha que as Zonas Autônomas Temporárias ou Utopias Piratas têm potencial para serem paraísos livres do TSOG?

Temporariamente. Somente a Internet cria a possibilidade real de uma Zona Autônoma Global. Acho que todos os problemas foram resolvidos e serão resolvidos por [a] mais informações e [b] transmissão de informações mais rápida e onipresente.

O conceito de conspiração tem se destacado em seus escritos por décadas. O que mais te fascina no conceito de teoria da conspiração?

Meu maior interesse permanece, como eu disse, na área de lógica não-aristotélica, e por volta de 1969 Bob Shea e eu tivemos a ideia de escrever um romance engraçado aplicando A Lógica do Talvez à arena da conspiração. O resultado, ILLUMINATUS foi tão longe fora dos túneis de realidade de consenso que levamos cinco anos para publicá-lo, e agora, há 30 anos, continuo recebendo feedback de dois grupos que não conseguem lidar com o conceito de “talvez”, de forma alguma. O primeiro grupo acredita fervorosamente, sem sombra de dúvida, que endossei as ideias mais loucas que discuti e, portanto, me considera um maluco perigoso. O segundo grupo tem uma crença igualmente ardente de que eu trabalho para o departamento de desinformação da CIA e quero fazer todas as teorias da conspiração parecerem igualmente malucas. Já escrevi dezenas de livros sobre outros assuntos, mas essas duas gangues provocam continuamente meu senso de humor chapado, então sempre me rendo à tentação de me divertir um pouco mais com eles…

A Conspiriologia está muito grande nos dias de hoje. Por que você acha que as pessoas são tão atraídas por ideias especulativas?

Como um Baba Cósmico confesso, não afirmo “saber” a resposta para isso – ou qualquer outra coisa – mas tenho certas suspeitas persistentes. Suspeito, por exemplo, que “o establishment” – ou seja, o TSOG e a mídia corporativa – contaram tantas mentiras ultrajantes que ninguém realmente confia mais neles. As armas de destruição em massa no Iraque ainda permanecem escondidas da percepção humana. Depois que essa mentira desmoronou, o TSOG não apareceu apenas cheio de merda; parecia, para citar Carlin novamente, que parece incrivelmente cheio de merda. Então, naturalmente, cresceu um mercado para explicações sobre o que diabos realmente motiva Bozo e sua gangue. Considero meu trabalho como aplicar a mesma crítica mordaz a todos os modelos que tentam insinuar que o modelista realmente sabe mais do que eu e não apenas adivinha, especula e tateia no escuro, como admito que faço.

Você é bem conhecido por seu trabalho explorando teorias especulativas e esotéricas. Em livros como Sex and Drugs e na série Cosmic Trigger, você escreveu sobre experimentação com magia oculta. Refletindo sobre suas inúmeras incursões nesses mundos estranhos onde a Ciência teme pisar, quais são os “segredos” mais interessantes que você descobriu?

O mesmo que descobri simultaneamente no budismo e na física quântica: ou seja, a suposta “muralha” entre “eu” e “o mundo” não existe. Limpar o pensamento e a linguagem dessa divisão fictícia aumenta imensamente a clareza. Ah, sim, e melhora seu senso de humor também!

Vamos encerrar com um pouco de humor. Você pode me contar uma boa piada?

Três caras estão bebendo e discutindo em um bar. “Eu lhe digo que deve ser escrito W-O-O-O-M”, diz o primeiro dogmaticamente.
“E eu ainda digo que W-H-O-O-M soa melhor”, o segundo conta.
“Não, não, não”, diz o terceiro. “É definitivamente W-H-O-M-B-B.”
“Vocês todos entenderam errado”, diz a ginecologista na mesa ao lado. “É W-O-M-B.” (NT: Útero) Eles a encaram friamente. “Senhora”, diz o primeiro, “é óbvio que você nunca ouviu um elefante peidar.”

Bônus: Maybe Logic (documentário completo)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/23-perguntas-para-robert-anton-wilson/

A Boca do Abutre

Por Kenneth Grant, O Lado Noturno do Éden, Capítulo Onze.

A PALAVRA do Aeon de Maat que os iniciados afirmam ter sido recebida enquanto em comunicação com inteligências extraterrestres,392 é IPSOS, significando ‘a mesma boca’. No segundo capítulo de AL (verso 76) surge uma cifra críptica que contém um grupo de letras possuindo o valor de IPSOS. De fato, duas grafias diferentes de Ipsos resultam em números equivalentes a um grupo de letras em AL. O criptograma em AL é RPSTOVAL, que tem o valor cabalístico de 696 ou 456 conforme ou a letra ‘S’ é lida como um shin ou como um samekh. Similarmente, IPSOS = 696 ou 456 conforme se o primeiro ‘s’ é tomado como um shin ou um samekh. IPSOS é portanto o equivalente cabalístico de RPSTOVAL. O significado deste grupo de letras não é conhecido, mas Ipsos a boca, o órgão da Palavra de Expressão (saída_?), de Alimentação, Sucção, Beberagem, etc., é o órgão não apenas de expressão mas também de recepção da Palavra.

A fórmula RPSTOVAL compartilha com IPSOS, pois a fórmula da Torre393 é aquela do Falo em erupção, e a ejaculação394 da Palavra do Aeon de Maat, a Palavra que se estende até ‘o fim da terra’.395 A terra está sob o domínio do Príncipe do Ar (i.e. Shaitan), mas os espaços além estão sob o domínio do Senhor do Aethyr, cujo símbolo é o abutre.

Nenhuma fórmula pode ser cósmica que não seja essencialmente microcósmica, pois uma contém a outra. É portanto sugerido que a fórmula de RPSTOVAL é aquela de um processo especificamente fisiológico que envolve a boca (útero) em sua fase mais recôndita.

A boca enquanto Maat, a Verdade, a Palavra; Mat, a Mãe; Maut, o Abutre; e Mort, o Morto,396 está implícita no simbolismo da Torre. A erupção ou expressão da Torre (falo) é a saída (?) da Palavra para dentro dos espaços além da terra que são um com os aethyrs397 representada por el Mato, o Louco, o Mat ou O Louco, e Le Mort, o Morto.

O Caminho do Louco (décimo primeiro caminho) é a extensão secreta do Caminho da Torre (Atu XVI) e uma compreensão iniciática deste simbolismo apresenta uma chave para a fórmula do Aeon de Maat que está resumido pelo número 27 (11 + 16), o número do Caminho do Morto e do Atu XVI, A Torre.398 É significativo que o Caminho da Torre seja de fato o 27o Caminho. Este número é atribuído ao Liber Trigrammaton, um Livro Santo, embora ainda não compreendido, recebido por Crowley de Aiwass. Crowley suspeitava que ele continha o segredo da cabala ‘Inglesa’, e em seus Comentários sobre o AL ele tentou equacionar os trigramas com as letras do alfabeto Inglês de modo a descobrir a cabala Inglesa tal como ele estava ordenado a cumprir no AL.399 Mas as equações estavam longe de serem convincentes, mesmo para ele mesmo. O que ele parecia não compreender era que a cabala que ele buscava pertencia a uma dimensão completamente diferente, e que a boca que iria comunicar esta cabala era a boca cujas emanações são os próprios kalas. Portanto, como eu sugeri em Cultos da Sombra (capítulo 7) com relação à palavra RPSTOVAL, com igual probabilidade pode a palavra IPSOS ocultar uma fórmula de kalas psicossexuais que podem ser compreendidos com relação a uma interpretação tantrica da polaridade sexual.

A interação da vagina e do falo (i.e. a boca e a torre) está resumida sob a fórmula eroto-oral conhecida na linguagem popular como o soixante-neuf (69). Mas o assunto é um pouco mais recôndito do que aquele geralmente implicado por esta prática. Os números 6 e 9 denotam o sol e a lua, Tiphareth e Yesod, e, em termos dos 32 kalas o 6 e o 9 se referem àqueles de Leo400 e Pisces401 A enumeração total resulta 109, o número de NDNH, uma palavra Hebraica significando ‘vagina’402. Deduzindo a cifra, 109 se torna 19, que é o ‘glifo feminino’.403 109 mostra portanto o ovo ou esfera – 0 – do Vazio, o ain do infinito em sua forma feminina. O significado mágico deste simbolismo está colocado numa categoria mais ampla sob o número 69: a radiante energia (relâmpago) solar-fálica do Anjo404 correndo veloz para dentro da boca, cálice ou útero da Lua para misturar-se com o qoph kala.405 A bebida resultante é o vinum sabbati, o Vinho do Sabá das Feiticeiras que pode ser destilado, segundo os antigos grimórios, ‘quando o finial(???) da Torre está oscurecido (ou velado) pela asa do abutre’.

Diz-se que um grito peculiar é emitido da boca do abutre. Em O Coração do Mestre,406 Crowley observa que este grito ou palavra é Mu. Seu número, 46, é a ‘chave dos mistérios’, pois ele é o número de Adam / Adão (Man / Homem). Mu é a semente masculina,407 mas ela é também a água (i.e. sangue) da qual o homem foi moldado. 408 O abutre é um pássaro de sangue e seu grito penetrante é expressado no momento de retalhar(?)409 que acompanha o ato de manifestação: ‘Pois estou dividida por causa do amor, para a chance de união’. (AL. I. 29).

O número 46 também implica o véu divisor (Paroketh), previamente explicado. MAH, 46, é o hebraico para 100, o número de qoph e portanto da ‘parte de trás da cabeça’, o assento das energias sexuais no homem. O cem implica na totalização ou realização de um ciclo de tempo.410 O pleno significado do simbolismo é portanto que quando o abutre abre suas asas para receber o golpe fálico no silêncio e discrição da nuvem,411 seu grito penetrante de êxtase, hriliu412, é MU (46).413

Neste estágio é necessário fazer uma digressão aparentemente irrelevante caso a total importância do simbolismo da Torre deva ser entendida.

Numa construção dilapidada anteriormente situada no local atualmente ocupado pelo Centre Point414 ocorreu, em 1949 um rito mágico curioso. Ele aconteceu por instigação de Gerald Gardner.415 O aposento no qual o rito ocorreu estava alugado naquela ocasião por uma ‘bruxa’ a qual eu chamarei de Sra. South. Ela era realmente uma cafetina(?) e prostituta que temperava suas atividades com um sabor ‘oculto’ calculado para apelar à um certo tipo de clientela. Acompanhado por minha esposa e Gerald Gardner, nós três nos dirigimos ao apartamento da Sra. South após passarmos uma tarde com Gardner em seu apartamento em Ridgemount Terrace afastado da Tottenham Court Road. O rito exigia cinco pessoas e só poderia começar após a chegada de uma jovem senhora a quem a Sra. South estava aguardando para aquele propósito. Supunha-se que a jovem senhora era – como a própria Sra.South – bem versada nos aspectos mais profundos da feitiçaria. Eu não vou negar o fato de que sua feitiçaria provou ser genuína, mas que ela sabia menos ainda sobre a arte do que a Sra.South eu também não vou negar.

Gardner explicou que o propósito do rito era demonstrar sua habilidade em ‘trazer para baixo o poder’. Ele pretendia elevar uma corrente de energia mágica com o propósito de contatar certas inteligências extraterrestres com as quais eu estava, naquela ocasião,416 em rapport quase constante. O rito deveria consistir na circunvolução de nós cinco ao redor de um grande sigilo gravado em papel pergaminho que foi especialmente consagrado. O sigilo foi desenhado para meu uso por Austin Osman Spare que também estava, naquele tempo, ocupado em contatar extraterrestres. O sigilo seria mais tarde consumido na chama de uma vela disposta sobre um altar no quadrante norte do apartamento. À parte deste equipamento mágico, o aposento da Sra.South continha apenas duas ou três estantes de livros sobre feitiçaria e o ‘oculto’ em geral; eles foram sem dúvida importados por ela para emprestar um ar de autenticidade à suas buscas mais usuais.

Se o rito teria sido eficaz ou não fica aberto para questionamento. Ele foi interrompido antes da invocação inicial ter sido concluída. Esta consistia de uma circunvolução horária ao redor do altar com rapidez crescente em círculos que iam diminuindo. A campainha da porta da frente tocou subitamente nas profundezas da construção no restante deserta, primeiramente fraca, então de forma penetrante e insistentemente. O determinado visitante provou ser o proprietário de uma livraria ‘oculta’ situada numa distância não muito grande do apartamento da Sra.South. Contudo ao saber que eu estava no alto da escadaria o visitante decidiu não subir.417 Ele saiu e então meteu-se na vaga névoa de Novembro que mais tarde naquela noite se desenvolveu em um bom fog (nevoeiro) Londrino à moda antiga.

O objetivo deste relato é ilustrar um fato curioso característico da estranha maneira na qual a magia(k) freqüentemente funciona. O sigilo que deveria ter formado o foco da Operação aquela noite era o de um espírito particularmente potente, que teria sido indubitavelmente descrito por Gardner e a Sra. South como essencialmente ‘fálico’. Este fato é importante, pois logo após a cerimônia abortada a Sra. South morreu sob circunstâncias misteriosas; o casamento do dono da livraria se desintegrou violentamente e ele também morreu logo após. O próprio Gerald Gardner não demorou em seguir o exemplo(?). Mas o alto edifício mais tarde erguido sobre o local que estes magos frequentavam é no meu entender um monumento adequado à futilidade daquela Operação noturna.

Fui induzido à lembrar de fazer este relato sobre um rito mágico que deu errado devido à uma declaração feita por Ithell Colquhoun que reconhece na Torre do Correio um monumento à magia de MacGregor Mathers, algumas de cujas atividades foram concentradas naquela região de Londres.418 A premissa pode ser absurda, mas deve ser lembrado que os surrealistas, dos quais Ithell Colqhoun era um, penetraram muitos mistérios mágicos que escaparam aos praticantes e investigadores mais prosaicos. Os casos de Centre Point e a Torre do Correio (ambas formas da Torre Mágica discutida no presente capítulo) conduzem logicamente ao simbolismo da Torre que penetra os Trabalhos de vários ocultistas contemporâneos que operam independentemente uns dos outros.

Durante os últimos anos recentes o presente escritor tem recebido cartas de pessoas e grupos mágicos de todo o mundo, e talvez não seja surpreendente – em vista da natureza comum de nossas pesquisas – que certos símbolos dominantes devam recorrer. Por exemplo, o Liber Pennae Praenumbra que foi recentemente recebido por Adeptos em Ohio, EUA, está permeado com os símbolos mostrados no vívido delinear de Allen Holub de O Abutre na Torre do Silêncio (vide ilustração 8): O Abutre de Maat, a Abelha de Sekhet, a Torre do Silêncio, e a Serpente cujas espirais formam a palavra IPSOS.

Um outro grupo independente de Adeptos em Nova Iorque, conduzido por Soror Tanith da O.T.O., também recebeu símbolos idênticos, dos quais a Torre do Silêncio e a Abelha de Sekhet são os predominantes. A transmissão à Soror Tanith foi emitida por uma entidade extraterrestre conhecida como LAM que foi anteriormente contatada por Crowley em 1919.419

O líder do Culto da Serpente Negra, Michael Bertiaux, também contatou LAM enquanto operava com a Corrente Bön-Pa Tibetana nos anos sessenta.420 Em todas estas invocações e operações mágicas, o simbolismo acima descrito tem sido predominante, o que sugere que em todos os três locais (i.e. Ohio, Nova Iorque e Chicago) uma idêntica energia oculta, entidade ou raio, está irradiando vibrações em conformidade com os símbolos de Mu ou Maat e podem portanto proceder daquele aeon futuro. Isso tende à confirmar a teoria de Frater Achad de que existe uma sobreposição provocada por uma ‘curvatura no tempo’ que está manifestando seu enrolar espiral conforme a antiga sabedoria,421 onde era simbolizada pelo abutre com o pescoço em espiral e pelo pescoço torto cujas peculiaridades físicas fizeram dele um totem ou símbolo senciente similarmente apto.

Outro totem, menos facilmente explicável, é a hiena. Como o abutre, a hiena é uma ‘besta de sangue’, mas apenas isso não responde por seu uso como um glifo zoomórfico na Tradição Draconiana. Segundo a antiga sabedoria a hiena só pode enxergar à direita ou à esquerda girando(?) ao redor de todo o seu corpo; i.e. ele não consegue virar sua cabeça. Ele é portanto de igual valência, simbolicamente, como o pescoço torto. Como um totem do abismo, a atribuição da hiena é por si evidente à respeito de esta povoar as criptas e tumbas do antigo Egito e se alimentar dos mortos. O simbolismo do deserto também se aplica. Na Índia o abutre e a hiena estão entre as bestas associadas com os ritos de Kali. O elemento tântrico do rito está então implícito.

Existem similaridades próximas entre os ritos Afro-Egípcios de Shaitan celebrados na Suméria e Acádia, e os posteriores ritos tântricos Indianos de Kali. O sabor distintamente mongol desses ritos observados por estudiosos422 é evidente no ethos(?) peculiar que permeia muito da literatura conectada aos Kaulas, que usam o bode, o porco, o abutre, a serpente, a aranha, o morcego, e outras bestas tipicamente Tifonianas em suas cerimônias sacrificiais. Existem também uma confraternidade secreta na América do Sul atualmente que mantém entre os devotos de seu círculo interno aqueles que atravessaram os Portais Intermediários(?) na forma-deus do morcego. Este é o zoótipo da besta de sangue vampira que está ligada ao simbolismo do abutre e da hiena. O morcego se pendura de ponta cabeça para dormir após se alimentar; a hiena é retromingent423; e o abutre, cujo pescoço torto sugere uma forma de ‘visão’ para trás, são determinativos ocultos daquela retroversão dos sentidos que torna possível o salto por cima do abismo. Este salto é um mergulho para trás através do vazio tempo-espaço de Daäth com o resultado de que o fundo salta fora do mundo do Adepto que o ensaia. Sax Rohmer, que foi uma vez um membro da Golden Dawn,424 faz uma alusão de passagem à este culto em seu romance Asa de Morcego (Batwing), e embora ele prejudique o efeito de sua estória ao recorrer ao truque literário vulgar de uma solução mecanicista, ele não obstante se refere à um culto real quando ele diz:

Enquanto que serpentes e escorpiões tem sido sempre reconhecidos como sagrados por cultuadores do Voodoo, o real emblema de sua religião impura é o morcego, especialmente o morcego vampiro da América do Sul.425

Rohmer, como H.P.Lovecraft, tinha experiência direta e contínua dos planos internos, e ambos estabeleceram contato com entidades não-espaciais. Além do mais, estes dois escritores recuaram – em seus romances e em suas correspondências privadas respectivamente – do atual confronto com entidades que são facilmente reconhecíveis como os enviados de Choronzon-Shugal. As máscaras destas entidades adquiriram uma qualidade de tal clareza forçada que nem Rohmer nem Lovecraft eram capazes de encarar o que jaz abaixo. Ainda assim o repúdio insuperável inspirado por tais contatos ocultavam potencial mágico, comprimido e explosivo, o que tornou estes dois escritores mestres em seus respectivos ramos de ocultismo criativo.

Não há dúvidas que escritores como Sax Rohmer, H.P.Lovecraft, Arthur Machen, Algernon Blackwood, Charles Williams, Dion Fortune, etc., trouxeram influências poderosas para serem ostentadas sobre o cenário ocultista através de seus vários esboços das Qliphoth. A fórmula do abismo, por exemplo, tem sido incomparavelmente expressa em alegoria pelo simbolismo do salto mortal psicológico descrito por Charles Williams (em Descida ao Inferno) que usa as linhas assombrosas:

O Mago Zoroastro, meu filho morto,
Encontrou sua própria imagem caminhando no jardim.

como um tema para sua estória.

O ato de girar ou virar para trás é a fórmula implícita na antiga simbologia da bruxaria.426

Os familiares das bruxas, não menos que as formas-deuses assumidas pelos sacerdotes egípcios, foram adotadas de modo à transformar os praticantes, não nos animais em questão, mas em um estado de consciência que eles representavam no bestiário psicológico de poderes atávicos latentes no subconsciente. A fórmula é resumida por Austin Spare em seu sistema de feitiçaria sexual e ressurgência atávica que são os temas do Zoz Kia Cultus.427 Ithell Colquhoun situa corretamente este culto em seu arranjo contemporâneo como um ramo da O.T.O. e da ‘Feitiçaria Tradicional’,428 mas o Zoz Kia Cultus comporta um outro fio que se origina de influências mais antigas que qualquer uma que possa ser atribuída meramente à ‘feitiçaria tradicional’, o que quer que aquele termo possa significar. Estas influências emanam de cultos tais como aqueles que Lovecraft contatou na Nova Inglaterra via Feitiçaria de Salem que – por sua vez – tinha contato com correntes vastamente antigas que se manifestaram no complexo astral Ameríndio como as entidades ‘eldritch’(?) descritas por Lovecraft em seus contos de horror.

Tais também eram as entidades que Spare contatou através de ‘Black Eagle’.429 Black Eagle induziu em Spare a extrema vertigem que iniciou um pouco de sua mais fina obra. Spare ‘visualizou’ esta sensação de vertigem criativa num quadro entitulado Tragédia do Trapézio (ilustração 15) cujo tema ele repetiu em várias pinturas. A fórmula é essencial à sua feitiçaria.

O trapézio ou balanço era o vahana430 de Radha e Krishna, cujo jogo amoroso está associado à vertigem induzida pelo balançar das emoções e do cair (loucamente) em amor. Com Spare, contudo, o êxtase alcança sua apoteose através de uma sensação catastrófica de opressão esmagadora, de ser empurrado para baixo e mergulhar no abismo.

O balanço é idêntico ao berço que desempenha papel tão proeminente nos mistérios do Culto de Krishna Gopal.431 Porém muito antes de pré datar os ritos da criança negra, Krishna, haviam os ritos da criança negra Set, ou Harpocrates, o bebê dentro do ovo negro do Akasha.432 O Aeon da Criança433 é o Aeon do Bebê do Abismo, sendo que um de seus símbolos é o berço que simboliza o balanço ou travessia para o Aeon de Maat (Mu). Mu, 46, a Chave dos Mistérios, é também o número de MV (água, i.e. sangue) que é tipificado pelo abutre, a hiena, e outras ‘bestas de sangue’. Em termos mágicos, a sensação induzida no trapezista mergulhador é resumida por Spare numa fórmula pictórica à qual ele não deu nenhum nome particular, mas que pode ser descrita como a Fórmula da Vertigem Criativa. No seu quadro do trapezista a executante é feminina pois ela representa a personificação humana da Serpente de Fogo despertada. É o pé,434 e não a mão que é escolhido para instigar os meios da queda.

No Zoz Kia Cultus Spare exaltou a Mão e o Olho como os principais instrumentos de reificação. Isto quer dizer que ele exaltava uma fórmula mágica similar àquela que caracteriza o oitavo grau da O.T.O.435 Ainda assim ele percebeu que a suprema fórmula eficaz na transição do abismo é aquela que envolve não a mão, mas o ‘pé’. O pé está sob ou embaixo da mão e assim, simbolicamente, a mão ‘esquerda’ tipificada pela Mulher Escarlate, de cujos pés a poeira é o pó vermelho celebrado pelos Siddhas Tamil.436 A poeira vermelha, ou poeira do fogo, é a emanação nuclear da Serpente de Fogo em seu veloz deslocamento para cima, e ela conduz à iluminação em um sentido cósmico. Mas é necessário um processo adicional para admitir o Adepto às zonas do Não-Ser representadas pelo outro lado da Árvore da Vida que aterroriza o não-iniciado como sendo a Árvore da Morte.

Além do Abismo, sexualidade ou polaridade perdem todo o sentido. Isto explica porque, segundo a doutrina da Golden Dawn, os Adeptos além do Grau de 7o=4437 não eram mais encarnados. Por não existir nenhuma terminologia adequada (na Tradição Ocidental) para este estado de ocorrência podemos não mais do que nos referirmos, por meio de analogia, aos Mahapurusas da Tradição Hindu. Mahapurusas são seres não humanos que aparecem para os Adeptos no caminho espiritual. Um exemplo recente bem documentado de tal manifestação ocorreu na vida de Pagal Haranath.438 Ele era considerado como sendo uma encarnação de Krishna e uma reencarnação de Sri Caitanya, o bhakta439 do século 15 que inspirou os habitantes de Bengala pela intensidade e fervor de sua devoção à Krishna (Deus). À Pagal Haranath um Mahapurusa apareceu como uma forma radiante com luz gigantesca. O único paralelo ocidental (de anos recentes) que vem à mente é o relato muito citado do encontro de MacGregor Mathers com os ‘Chefes Secretos’ que ocorreu no Bois de Boulogne.440

Aleister Crowley em contradição à MacGregor Mathers, sustentava que os Adeptos de suprema realização algumas vezes permanecem de fato na carne; quer dizer, a experiência conhecida como ‘cruzar o abismo’ não comporta necessariamente a morte física. Isto é, naturalmente, bem conhecido no oriente, onde, em nosso próprio tempo, tem havido exemplos excepcionais tais como Sri Ramakrishna Paramahamsa, Sri Ramana Maharshi, Sri Sai Baba (de Shirdi), Sri Anandamayi Ma e Sri Anusaya Devi,441 para mencionar apenas uns poucos.

Tem sido refutado [o fato de] que Crowley não cruzou o Abismo com sucesso.442 Seja como for, certos iniciados ocidentais indubitavelmente conseguiram fazer esta travessia e isso está evidente em seus escritos. Embora um caso de opinião – e isto é aqui declarado como tal, e não mais – o mais importante dos Adeptos Ocidentais nesta categoria é aquele que escreve sob o pseudônimo de Wei Wu Wei. Seus livros devem ser elogiados como as excursões mais ricas, mais sutis e mais vivamente potentes para dentro do Vazio da Consciência Sem Forma, ainda assim reduzidas em palavras.

Notas:

392 Vide Página 116, nota 36.

393 Associada com a fórmula de IPSOS; vide Figura 8.

394 Via o meatus, uma boca inferior.

395 Maat = 442 = APMI ARTz = ‘o fim da terra’.

396 i.e. o subconsciente (Amenta).

397 IPSOS grafado como 760 é equivalente à ‘Empyreum’, o empíreo.

398 Em alguns maços de Taro este atu é conhecido como A Torre Destruída.

399 Tu obterás a ordem & valor do alfabeto Inglês; tu encontrarás novos símbolos aos quais as atribuirá’. (AL. II. 55).

400 O kala do Sol, atribuído à letra Teth, significando um ‘leão-serpente’.

401 O kala da Lua, atribuído à letra Qoph, significando ‘a parte de trás da cabeça’.

402 O número 109 é também aquele de OGVL, ‘círculo’, ‘esfera’; BQZ, ‘relâmpago’; e AHP, ‘Ar’.

403 Vide 777 Revisado: Significado dos [Números] Primos de 11 a 97.

404 Tiphareth; a Esfera do Santo Anjo Guardião.

405 Vide Diagrama 1, Cultos da Sombra.

406 Reeditado em 1974 pela 93 Publishing, Montreal.

407 Compare a palavra egípcia mai.

408 A-DM ou Adam foi feito da ‘terra vermelha’ (i.e. DM, sangue).

409 HBDLH (retalhando_?) = 46.

410 Compare com a palavra egípcia meh, ‘encher’, ‘cheio’, ‘completar’.

411 Paroketh também significa ‘uma nuvem’; uma referência à invisibilidade tradicionalmente assumida pelo deus masculino ao impregnar a virgem.

412 Em sua cópia pessoal do Liber XV (A Missa Gnóstica), Crowley explica hriliu como o ‘êxtase metafísico’ que acompanha o orgasmo sexual.

413 É interessante observar juntamente com o significado da palavra IPSOS, que Frater Achad chegou muito próximo à uma interpretação similar de sua própria fórmula do Aeon de Maat, a saber: Ma-Ion. Numa carta datada de 7 de Junho de 1948, ele escreve: ‘Por gentileza observe que em Sânscrito Ma = Not (Não). Na mesma linguagem ela também significa: ‘Mouth’ (‘Boca’).

414 Londres WC1.

415 O autor de dois livros sobre Feitiçaria que atraiu alguma atenção no tempo de sua publicação nos anos 50.

416 O incidente ocorreu durante o estágio formativo de uma loja da O.T.O. que eu havia fundado para o propósito de canalizar influências mágicas específicas desde uma fonte transplutoniana simbolizada por Nu-Isis.

417 Minha associação com Aleister Crowley não era desconhecida à ele.

418 Vide a Espada da Sabedoria: MacGregor Mathers e a Golden Dawn, por Ithell Colquhoun, Nevile Spearman, 1975. A Srta.Colqhoun observa que W.B.Yeats e outros foram iniciados na Rua Fitzroy, e comenta: ‘Hoje a Torre do Correio ofuscando a rua poderia, eu suponho, ser vista como uma projeção do poder de Hermes, aqui substituindo o de Isis- Urania’.(p.50).

419 Crowley também estava em Nova Iorque na ocasião em que ele estabeleceu contato com esta entidade. Uma gravura de LAM desenhada por Crowley aparece em O Renascer da Magia, ilustração 5. O desenho foi exibido originalmente em Greenwich Village em 1919 e publicada em O Equinócio Azul.

420 Vide Cultos da Sombra, capítulo 10.

421 Zoroastro (circa 1100 A.C.) estava bem consciente da misteriosa dobra do tempo que exercitou o talento de alguns dos mais perspicazes pensadores modernos. Ele descreveu Deus como tendo uma ‘força espiral’ e associou o hiato de tempo com a progressão dos aeons que retornavam à sua fonte de origem, assim reativando os atavismos primais da consciência primeva.

422 Vide Estudos sobre os Tantras , de Prabodh Chandra Bagchi.

423 Nota do Tradutor: Micção realizada ao contrário.

424 Segundo Cay Van Ash & Elizabeth Sax Rohmer. Vide Mestre da Vileza , capítulo 4. Ohio Popular Press, 1972.

425 Asa de Morcego, p.92.

426 Esta fórmula é equivalente ao nivritti marga hindu ou ‘caminho do retorno’, ou inversão dos sentidos à sua fonte em pura consciência. Ela é tipificada nos tantras como viparita maithuna, simbolizada pela união sexual de ponta cabeça.

427 Vide Imagens & Oráculos de Austin Osman Spare, Parte II.

428 Espada da Sabedoria (Colquhoun), capítulo 16.

429 Para uma imagem desta entidade, vide O Renascer da Magia, ilustração 12.

430 Este termo em Sanscrito denota um ‘veículo’ ou foco de força.

431 Culto da Criança Krishna.

432 Akasha, significando ‘Espírito’ou ‘Aethyr’(Éter), é o quinto elemento.

433 i.e. o Aeon de Hórus. Hórus ou Har significa a ‘criança’.

434 O simbolismo dos pés da deusa é explicado em Aleister Crowley & o Deus Oculto , capítulo 10.

435 A fórmula é aplicada por meio de auto-erotismo manual.

436 Vide A Religião e Filosofia de Tevaram, de D.Rangaswamy.

437 O Grau imediatamente precedente ao Abismo.

438 Sri Pagal Haranath, o ‘Louco’ ou ‘Doido’, viveu na Bengala Ocidental de 1865 a 19 27. Um relato da visita está contido em Shri Haranath: Seu Papel & Preceitos, de Vithaldas Nathabhai Mehta. Bombay, 1954. Tais manifestações ocorrendo nos tempos primitivos poderiam ter dado início ao conceito dos NPhLIM ou Gigantes. Vide capítulo 9, supra.

439 Devoto de Deus.

440 Citado em Aleister Crowley & o Deus Oculto, capítulo 1.

441 Os dois últimos Sábios estão, felizmente, ainda encarnados e na extensão do que sei, estão disponíveis para
darshan.

442 Frater Achad. Vide Cultos da Sombra, capítulo 8.

Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-boca-do-abutre/

As Chamadas (ou chaves) Enoquianas

As Chaves Enoquianas fornecem uma das abordagens mais flexiveis do sistema enoquiano de magia.  Cada uma delas é, sozinha, uma invocação poderosa a ser usada emmomentos aprópriados pelo magista. Elas devem ser lidar no idioma enoquiano, seguindo a pronûncia correta desta linguágem, mas sempre carregada cmo um forte aspecto emocional do operador que entende e vive a mensagem expressa por cada uma delas.

A Primeira Chave

Ol Sonf Vorsag Goho lad Bait, Lonsh Calz Vonpho Sobra Z-OL Ror I Ta Nazps Od Graa Ta Maiprg Ds Hol-Q Qaa Nothoa Zimz Od Commah Ta Nobioh Zien. Soba Thu Gnonp Prge Aldi Ds Vrbs Oboleh G Rsam; Casarm Ohorela Taba Pir Ds Zonrensg Cab Erm Iadnah Pilah Farzm Znrza Adna Gono Iadpil Ds Hom Od To h Soba Ipam Lu Ipamis Ds Loholo Vep Zomd Poamal Od Bogpa Aai Ta Piap Piamol Od Vaoan Zacare Eca Od Zamran Odo Cicle Qaa Zorge Lap Zirdo Noco Mad, Hoath laida.

Tradução: Eu reino sobre vós, diz o Deus da Justiça poderosamente exaltado acima dos firmamentos da ira; em cujas mãos o Sol é uma espada e a Lua como um fogo penetrante: que mede as vossas túnicas, no seio de minhas próprias vestes e vos amarrei juntos com as palmas de minhas mãos; vossos assentos sendo decorados com o fogo da reunião, embelezando vossas vestimentas com admiração; para quem fiz a Lei para governar os santos e entreguei uma vara com a arca do conhecimento. Além disso, vós então erguestes vossas vozes e jurastes obediência e fá a Ele, que vive e triunfa, que não tem início, nem fim, que brilha como uma chama no meio de vosso palácio, e reina entre vós como a balança da retidão e verdade. Portanto, movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Segunda Chave

Adgt Vpaah Zong Om Faaip Sald Vi-I-V L Sobam Ial-Prg I-Za-Zaz Pi-Adph. Casarma Abrang Ta Talho Paracleda Q Ta Lorslq Turbs Ooge Baltoh. Givi Chis Lusd Orri Od Micaip Chis Bia Ozongon. Lap Noan Trof Cors Ta Ge 0 Q Manin la-Idon. Torzu Gohe L Zacar Eca C Noqod Zamran Micaizo Od Ozazm Vrelp Lap Zir Io-lad.

Tradução: Podem as asas do vento entender vossas vozes de admiração, Oh, vós todos, os segundos dos primeiros? Que as chamas ardentes conceberam nas pofundidades de minhas mandíbulas; que preparei como taças para um casamento, ou como flores em sua beleza para a câmara da retidão. Mais fortes são os vossos pés, que a pedra estéril, e mais poderosa são vossas vozes que os ventos múltiplos, pois se haveis tornado uma edificação como não existe outra, exceto em minha mente de Todo-Poderoso. Aparecei disse o Primeiro: Movei-vos, portanto, até os vossos servos! Mostrai vossos poderes e fazei de mim um Grande Vidente, pois eu sou daquele que vive para sempre.

A Terceira Chave

Micma Goho Mad Zir Comselha Zien Biah Os Londoh Norz Chis Othil Gigipah Vnd-L Chis ta Pu-Im Q Mospleh Teloch Qui-I—-N Toltorg Chis I Chis-Ge In Ozien Ds T Brgdo Od Torzul. I Li E Ol Balzarg Od Aala Thiln Os Netaab Dluga Vonsarg Lonsa Cap-Mi Ali Vors CLA Homil Cocasb Fafen Izizop Od Miinoag De Gnetaab Vaun Na-Na-E-El Panpir Malpirg Pild Caosg. Noan Vnaiah Bait Od Vaoan. Do-O-I-A p Mad Goholor Gohus Amiran. Micma Iehusoz Ca-Cacom Od Do-O-A-In Noar Mica-Olz A-Ai-Om, Casarmg Gohia. Zacar Vnigiag Od Im-Va-Mar Pugo Piapii Ananael Qa-A-An.

Tradução: Vede! Disse o vosso Deus, eu sou um círculo em cujas mãos descansam 12 reinos; Seis são os assentos dos espíritos da vida; os outros são como foices afiadas ou como o chifre da morte, nos quais a criatura da Terra são e não são, exceto pelas minhas próprias mãos; que também dormem e subirão! No princípio os fiz Administradores e os coloquei sobre 12 assentos de Governo, dando a cada um de vós o poder sucessivamente sobre os 456, verdadeiras épocas do tempo, de forma que desde os mais altos receptáculos e cantos de seus governos pudessem trabalhar meu Poder, derramando o fogo da vida, e crescer na Terra continuamente. Assim, tornam-se os limites dajustiça e da verdade. Em nome do vosso Deus, levantai-vos; eu vos digo: Vede! Vossas misericórdias florescem e vosso nome que permanece poderoso entre nós. Nele dizemos: Movei-vos! Descendei e recorrei a nós, como participantes da sabedoria secreta de vossa criação.

A Quarta Chave

Othil Lusdi Babage Od Dorpha Gohol. G-Chis-Gee Avavago Cormp P D Ds Sonf Vi-vi-Iv? Casarmi Oali MAPM Soham Ag Cormpo Crp L. Casarmg Cro-Od-Zi Chis Od Vgeg, Ds T Capmiali Chis Capimaon Od Lonshin Chis Ta L-O CLA, Torzu Nor-Quasahi Od F Caosga Bagle Zire Mad Ds I Od Apila. Do-O-—A—Ip Qaal Zacar Od Zamran Obelisong Rest-El-Aaf Nor-Molap.

Tradução: Coloquei os meus pés no Sul e olhei ao meu redor, dizendo: Não são os Trovões do crescimento de número 33, que reinam no Segundo Ângulo? Sob eles coloquei 9639 que nunca foram numerados, a não ser um, no qual o segundo princípio das coisas estáe cresce forte, que, sucessivamente, também são os números do Tempo: e seus Poderes são como os dos primeiros 456. Levantai-vos! Oh Filhos do Prazer!, e visitai a Terra: pois eu sou o Senhor vosso Deus que vive e é eterno! E em nome do Criador, movei-vos e revelai-vos como agradáveis entregadores para que possais louva-lo entre os filhos dos homens.

A Quinta Chave

Sapah Zimii DUlY od noas ta quanis Adroch, Dorphal Caosg od faonts Piripsol Ta blior. Casarm am-ipzi nazarth AF od dlugar zizop zlida Caosgi toltorgi: Od z chis e siasch L ta Vi-u od Iaod thild ds Hubar PEOAL, Sobo-Cormfa chis Ta LA, Vls od Q Cocasb. Eca niis, od darbs qaas. F etharzi od bliora. Ia-Ial ednas cicles. Bagle? Ge-lad I L.

Tradução: Os Poderosos Sons entram no terceiro ângulo e estão se tornando como olivas no Monte das Oliveiras, olhando com alegria a Terra e habitando no brilho do Céu como contínuos consoladores. A eles firmei os pilares da alegria, 19, e dei vasilhas para regar a Terra com suas criaturas; e eles estão adornados com lâmpadas perpétuas, 69636,cujos números são como o princípio, os fins e os conteúdos do tempo. Portanto, vinde e obedecei a vossa Criação: visitai-nos em paz e conforto: Tornai-nos receptores de vossos mistérios. Por quê? Nosso Senhor e Mestre é o Todo Uno.

A Sexta Chave

Gah S diu chis Em micalzo pilzin: Sobam El harg mir Babalon od obloc Samvelg: Dlugar malprg Ar Caosgi od ACAM Canal sobol zar fbliard Caosgi, od chisa Netaab od Miam ta VIV od D. Darsar Solpeth bi-en. Brita od zacam g-micalza sobol ath trian lu-Ia he od ecrin Mad Qaaon.

Tradução: Os espíritos do quarto ângulo são nove, poderosos no firmamento das águas. Que o Primeiro formou como um tormento para os maus e uma guirlanda para os justos, dando-lhes flechas flamejantes para liderar a Terra, e 7699 trabalhadores incansáveis, cujo trajeto visita com conforto a Terra e estão no governo e continuidade com o Segundo e o Terceiro. Para que ouçam a minha voz! Tenho falado de vós todos e vos movo em poder e presença, para que vossas obras sejam uma canção de honra, e louvor de vosso Deus em vossa criação.

A Sétima Chave

Raas i salman paradiz oecrimi aao Ialpirgah, quiin Enay Butmon od I Noas NI Paradial casarmg vgear chirlan od zonac Luciftian cors ta vaul zirn tolhami. Sobol londoh od miam chis ta I od ES vmadea od pibliar, Othil Rit od miam. C noqol rit, Zacar zamran oecrimi Qaada! od 0 micaolz aaiom! Bagle papnor i dlugam lonshi od vmplif vgegi Bigl lAD!

Tradução: O leste é uma casa de Virgens que cantam louvores entre as Chamas da primeira glória em que o Senhor abriu a sua boca; e se tornaram as 28 habitações viventes onde a força do homem se regozija; e elas estão vestidas com ornamentos brilhantes que operam maravilhas em todas as criaturas; dos reinos e continuidade são como o terceiro e quarto, fortes torres e locais de conforto, assentos da misericórdia e da continuidade. Oh, Servos da Misericórdia, movei-vos e aparecei, cantai louvores ao Criador e sede poderosos entre nós, pis a esta recordação é dado o poder, e a vossa força crescida e poderosa em vosso Consolador.

A Oitava Chave

Bazm ELO i ta Piripson oln Nazavabh OX casarmg vran chis vgeg ds abramg baltoha goho lad, Soba mian trian ta lolcis Abaivovin od Aziagiar nor. Irgil chis da ds paaox busd caosgo, ds chis, od ipuran teloch cacrg oi salman loncho od voviva carbaf? Niiso! Bagle avavago gohon! Niiso! Bagle momao siaion od mabza lAD 01 as Momar Poilp. Niis! Zamran ciaofi caosgo od bliors od corsi ta abramig.

Tradução: O meio-dia, o primeiro, é como o terceiro céu, feito de Pilares de Jacinto, 26, em que os Anciãos se fazem fortes; que preparei em minha própria retidão, disse o Senhor: que vossa longa duração seja como um escudo contra o Dragão curvado, e como a colheita de um viúvo. Quantos são os que permanecem na glória da Terra, quem são e que não verão a morte, até que esta casa caia e o Dragão afunde! Ide! Porque os trovões têm dito; ide, porque as coroas do templo e a túnica Dele, que É, e Era, e Será coroado, stão divididas. Vinde! Aparecei para o terror da Terra e para nosso consolo e daqueles que estão preparados.

A Nona Chave

Micaolz bransg prgel napea lalpor, ds brin P Efafage Vonpho olani od obza, sobol vpeah chis tatan od tranan balie, alar lusda soboin od chis holq c Noquodi CIAL. Unal alson Mom Caosgo ta las ollor gnay limlal. Amma chis sobca madrid z chis ooanoan chis aviny drilpi caosgin, od butmoni parm zumvi cnila. Dazis ethamza childao, od mire ozol chis pidiai collal. Vicinina sobam vcim. Bagle? lAD Baltoh chirlan par. Niiso! Od ip efafafe bagle a cocasb i cors ta vnig blior.

Tradução: Um poderosos exército de fogo, com espadas chamejantes de dois gumes (que contém frascos, 8, de Ira, duas e vezes e meia: cujas asas são de absinto e tutano de sal), colocou os pés no oeste, e são medidos com os seus ministros 9996. Estes recolhem o musgo da Terra, como o homem rio faz com seu tesouro. Amaldiçoados são aqueles que inqüidades são! Nos vossos olhos estão moinhos de pedra maiores que a Terra, e de vossas bocas correm mares de sangue. Vossas cabeças estão cobertas com diamantes, e sobre vossas mãos estão luvas de mármore. Feliz é aquele a quem não desaprovam. Por quê? O Deus da Retidão regozija-se neles! Saí e não vossos frascos! Pois o tempo é aquele que requer o conforto.

A Décima Chave

Coraxo chis cormp od blans lucal aziazor paeb sobol ilonon chis OP virq eophan od raclir, maasi bagle caosgi, di ialpon dosig od basgim; Od oxex dazis siatris od saibrox, cinxir faboan. Unal chis const ds DAOX cocasg ol oanio yorb voh m gizyax, od math cocasg plosi molvi ds page ip, larag om dron matorb cocasb emna. L Patralx yolci matb, nomig monons olora gnay angelard. Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Noib Ohio! Casgon, bagle madrid i zir, od chiso drilpa. Niiso! Crip ip Nidali.

Tradução: Os Trovões do Juízo da Ira estão numerados e descansam no Norte, semelhantes a um carvalho cujos ramos são ninhos, 22, de lamentações e lágrimas, caídas sobre a Terra, que queimam noite e dia, e vomitam cabeças de escorpiões e enxofre ardente misturado com veneno. Estes são os Trovões que 5678 vezes na 24ª parte de um momento rugem com centenas de poderosos terremotos e milhares de vezes tantas ondas que não descansam, e não conhecem qualquer tempo de calmaria. Aqui uma pedra produz 1000, da mesma forma que o coração do homem produz seus pensamentos. Maldita, maldita, maldita, maldita, maldita, maldita! Sim, maldita seja a Terra, pois a inqüidade é, foi e será grande. Ide! Mas não vossos ruídos!

A Décima Primeira Chave

Oxyiayal holdo, od zirom 0 coraxo dis zildar Raasy, od Vabzir camliax, od bahal. Niiso! Salman teloch, casarman hoiq, od t i ta Z soba cormf I GA. Niiso! Bagle abrang noncp. Zacar ece od zamran. Odo cicle qaa! Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: O Poderoso Trono gritou e houve cinco Trovões que voaram para o leste; e a Águia falou e chorou em voz alta: Saí! E eles se reuniram e se tornaram a casa da morte, de quem é medido, e isto é como eles serão, cujo número é 31. Saí, pois eu preparei para vós. Movei-vos, portanto, e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação. Sede amistosos comigo, porque eu sou servo de vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Segunda Chave

Nonci ds sonf babage, od chis OB Hubardo tibibp, allar atraah od ef! Drix fafen MIAN, ar Enay ovof, sobol ooain vonph. Zacar gohus od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath Iaida.

Tradução: Ó vós que reinais no Sul, e que sois 28, as Lanternas da Dor: afivelai vossos cintos e visitai-nos! Trazei vossa legião de 3663, que o Senhor possa ser exaltado, cujo nome entre vós é Ira. Movei-vos, digo eu, e mostrai-vos; abrir os mistérios vossa criação; sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Terceira Chave

Napeai babage ds brin VX ooaona iring vonph doalim: eolis ollog orsba, ds chis affa. Micma Isro Mad od Lonshi Tox, ds i vmd aai Grosb. Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó vós espadas do Sul, que tendes 41 olhos para incitar a ira do pecado, tornando-os homens bêbados os quais estão vazios: vede a promessa de Deus e vosso poder que é chamado entre vós todos como um ferrão amargo. Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Quarta Chave

Noromi baghie, pashs 0 lad, ds trint mirc OL thil, dods tol hami caosgi homin, ds brin oroch QUAR. Micma bialo lad! Isro tox ds I vmd aai Baltim. Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó Filhos da Fúria, ó Filhad do Íntegro, que se sentam sobre os 24 assentos e vexam todas as criaturas da Terra que tenham idade; que tem sob vós 1636: Vede a voz de Deus e a promessa Dele que é chamada entre vós Fúria (ou Justiça Extrema). Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Quinta Chave

Ils tabaan L lalpirt, casarman vpaachi chis DARG ds oado caosgi orscor: Ds oman baeouib od emetgis Iaiadix! Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó vós Governador da primeira Chama, sob cujas Asas estão 6739, que entrelaçam a Terra com esterilidade, que conhecem o grande nome da Retidão e o selo da honra. Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Sexta Chave

Ils viv Iaiprt, Salman Bait, ds a croodzi busd, od bliorax Balit, ds insi caosgi iusdan EMOD, ds om od tiiob. Drilpa geh us Mad Zilodarp. Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó vós segunda Chama, a Casa da Justiça, que tendes vosso início em glória e confortareis o justo que caminha sobre a Terra com 8763 Pés; que compreendeis e separeis as criaturas: Grande és vós no Deus que estende além e conquista. Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Sétima Chave

Ils D lalpirt, soba vpaah chis nanba zixiay dodseh, od ds brint TAXS Hubardo tastax ilsi. Soba lad i vonpho vonph. Aldon dax il od toatar. Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó vós terceira Chama, cujas Asas são espinhos para incitar vexação, e que tem 7336 Luminárias Viventes vindo ante a vós; cujo Deus é grande em raiva: preparei vossa força e Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosos comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

A Décima Oitava Chave

Ils micaolz Olprt od lalprt, bliors ds odo Busdir O Iad ovoars caosgo, casarmg ERAN la lad brints cafafam, ds I vmd Aglo Adohi Moz od Maoffas. Bolp como bliort pambt. Zacar od zamran. Odo cicle qaa. Zorge lap zirdo noco Mad, hoath laida.

Tradução: Ó vós que sois a poderosa luz e chama ardente do conforto, que revelastes a glória de Deus para o centro da Terra; em quem os segredos da Verdade 6332 têm sua permanência, que é chamada em vosso reino Júbilo, e não pode ser medida; sede vós uma janela para o meu conforto. Movei-vos e mostrai-vos! Abri os mistérios de vossa criação! Sede amistosa comigo, porque eu sou servo do vosso mesmo Deus, o verdadeiro adorador do Altíssimo.

[…] A Ópera Enochiana (na verdade uma Oratória) é um projeto audacioso do musicista russo Valentin Dubovskoy de trazer ao estilo musical épico e seguindo a fonética proposta por Aleister Crowley, todas as dezenove Chamadas Enoquianas. […]

[…] Recite a Chamada ou Chamadas apropriadas. […]

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/as-chaves-enoquianas/ […]

[…] papel sem pauta e que nunca tenha sido utilizado para outro fim e segure em sua mão. • Recite a Primeira Chamada para questões no plano espiritual. • Recite a Segunda Chamada para questões no plano físico. […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/as-chaves-enoquianas/

A Besta 666

A herança de Aleister Crowley na magia, é uma das jóias do ocultismo moderno.

O legado de experiências magicas documentadas, assim como de material sobre o mesmo é um fato inquestionável. Crowley foi tudo que o ocultismo moderno quer ser – pioneiro, caótico e (r)evolucionário. Porém, nem tudo são flores.

Qualquer pessoa que tenha lido sobre Aleister Crowley, já percebeu certos fatores desconcertantes. O uso de drogas pesadas não é o suficiente para surpreender ninguém, já que no inicio do próprio uso, Crowley acreditava que uma Vontade Forte dominaria, não seria dominado – erro qual ele passou boa parte da vida lutando contra – o Diary of Dope Fiend, descreve bem todo esse momento. Logicamente, algo mais idiossincrático que o próprio Criador da Thelema (ou receptor, como os mais evangélicos denominam), a busca nessa pequena dissertação é apenas uma – mostrar, de uma perspectiva largamente inflada por ceticismo.
Vale lembrar que isso não justifica seus escritos, muito menos os invalida. O objetivo é apenas mostrar um lado que exige, uma leitura atenciosa de suas obras e que quase sempre os estudantes insistem em negar ou distorcer (e olhe que de distorção, ele foi realmente um mestre – e alguns discípulos estão indo bem) para adequar sua visão, digamos inocente, para não usar outro termo pejorativo, de quem foi.
Os escritos e o legado mágicko foi real. E a sujeira, teoricamente, apagada com o tempo.  Um das coisas mais estranhas do Ocultismo Moderno são os “Thelemitas que não gostam de Crowley” que justificando isso através das más ações do bad boy tentam, de forma simplória, separar o Eu-Mágicko do Eu-Ego.

Para isso, basta lembrar que em Magical Diaries of the Beast, no dia 22 de Outubro de 1920, Crowley disse;

“Eu sou a Besta… Eu sou a Thelema.”

To Mega Hupokrisis 666

 

“Hipocrisia é uma virtude que nos permite pregar o bem mesmo quando praticamos o mal .” -Tamosauskas

Qualquer um que revirar fundo atrás de “Thelema”, vai encontrar o nome “sir Francis Dashwood”. Não somente “Thelema”, como tambem o lema “Faça o que quiser”, em seu HellFire Club. Para não ser pré-julgado, vamos revirar um pouco de história – o sir Francis Dashwood nasceu em dezembro de 1708, seu pai faleceu quando ele possuía 15 anos, assim dando á ele o titulo de Baron e as terras de seu pai. Ele atuou como uma espécie de sumo sacerdote nas missas do Hellfire Club. No livro de Horace Wapole, Memórias de George III, descreve Dashwood e sua busca por notoriedade; “Ele possuía reputação pela Europa por causa de suas aventuras. Ele vagava … de tribunal para tribunal em busca de notoriedade. Na Rússia, ele se disfarçou de Charles XII e nesse caráter inadequado aspirava  ser o amante da Czarina Anne. Na Itália, seus ultrajes sobre religião e moralidade levou à sua expulsão dos domínios da Igreja.” Na tradução da biografia feita por R.C. Zarco para a Morte Súbita Inc., podemos ler o seguinte;

” ‘O infame Hell Fire Club de West Wicombe, organizou missas negras celebradas sobre os corpos desnudos de garotas recrutadas entre os locais camponeses.Era costumeiro aos que participavam de tais ritos,sorverem um pouco de vinho consagrado do umbigo destas garotas.A decoração interna do clube era alguma cousa incrível até mesmo para esta era degenerada;por exemplo,uma lanterna padrão consistia de um enorme morcego artificial completado com um pênis erecto.Essencialmente,as cerimônias eram criadas para servirem de paródia ao ritual orthodoxo da Igreja Católica Apostólica-Romana,mas aqui os participantes variavam suas atividades entre a luxúria e a cantoria de um lascívio hino.Lindas mulheres,totalmente nuas abaixo de robes de freiras,submetiam-se jubilosamente aos cuidados da gangue selvagem, que também tinha o incesto como uma de suas práticas correntes.É pouca surpresa que muitos dos participantes homens já eram impotentes quando atingiam trinta anos de idade.’ Este vívido relato das horas de lazer de Sir Francis Dashwood e seus amigos pode ser achado no ‘O Mundo Negro das Bruxas’,publicado em 1962,por Eric Maple.
(texto integral aqui )

Cremos que por aqui, algumas leves semelhanças foram notadas – o ultraje a religião de Crowley, assim como sua expulsão (ainda que por motivos teoricamente “diferentes”) da Italia. Mas vamos continuar, Dashwood, tem muito mais para nos fornecer. Vamos um pouco mais fundo.

Sir Francis Dashwood, seguiu as ideias de um homem mais pervertido que ele. Seus nome, François Rebelais, foi o primeiro a usar a palavra Thelema e a própria em um dos seus primeiros escritos, (chamado ‘Gargantua and Patagruel’) descreve algo um pouco peculiar – através da critica a sociedade em que vivia, ele escreve sobre a Abbey of Thelema. Um local aonde você poderia ( e deveria ) fazer o que quiser. Nas palavras do livro, “Os habitantes da abadia eram governados apenas por sua própria vontade e prazer, a única regra é “Faça o que tu queres”. Rabelais acreditava que os homens que são livres, bem nascidos e criados têm honra, que intrinsecamente leva a ações virtuosas. Quando restritos, os seus nobres naturezas transformar em vez de remover sua servidão, porque os homens desejam que eles são negados”.

Comparando ao Liber Al Vel Legis;

I:40.  Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

I:41. A palavra de Pecado é Restrição

Logicamente que, tantas “semelhanças” não iriam passar batido. Os thelemitas modernos aceitam Rebelais como um Santo. Exatamente essa palavra. No Liber XV, em sua missa gnóstica podemos ler o seguinte;

DIÁCONO
Senhor de Vida e Alegria, que és o poder do homem, que és a essência de todo  verdadeiro deus que está sobre a face da Terra, conhecimento contínuo de  geração a geração, tu adorado por nós em brejos e nas florestas, em montanhas e nas cavernas, abertamente nos mercados e secretamente nas câmaras de nossos lares, em templos de ouro e marfim e mármore, assim como nestes outros templos de nossos corpos, nós dignamente comemoramos aqueles ilustres que te adoraram na antiguidade e manifestaram tua glória diante dos homens, Laio–Tse e Siddartha e Krishna e Tahuti, Moshe, Dionysius, Mohammed e To Mega Thérion, com estes também, Hermes, Pan, Priapus, Osíris e Melchizedek, Khem, e Amoun e Menthu, Héracles, Orpheus e Odysseus; com Vergilius, Catullus, Martialis, Rabelais (…) 


Ó Filhos do Leão e da Serpente! Nós dignamente comemoramos todos os Teus Santos, 
aqueles dignos que foram e são e serão.

 
Liber XV – Ecclesiæ Gnosticæ Catholicæ Canon Missæ e o  Agape Vel Liber C Vel Azoth Crowley usavam o Cristianismo como uma metáfora para sua maior forma de magicka. O Liber XV, além de um grimório e ritual, continha nas entre linhas todos os segredos da Thelema. O mais incrível de observar é que, praticamente todos os escritos de Crowley continham magia sexual velada. “Semelhança” ou não, Crowley “repetia os mesmos rituais” do Sir Francis Dashwood. A menos que Dashwood tenha avançado no tempo, já que ele nasceu 1708 e Crowley e em 1875, Crowley claramente se “inspirou” no Sir Francis. Hellfire Club, ficou extremamente conhecido pela Inglaterra por seus rituais e políticos importantes da época participavam das loucuras de Dashwood. (A Abadia de Thelema da Sicília, tambem e rendeu a expulsão de Crowley da Itália).
Não há como negar que Crowley deve ter absorvido de lá. Muita coisa. Tanto que no livro Antecedents of Thelema(1926), Crowley cita Dashwood. E o Biografo do Crowley, Lawrence Soutin, em seu livro  Do What Thou Wilt: A Life of Aleister Crowley, tambem.
A parte interessante, é que Crowley materializou completamente as ideias de Rebelais e assim como Dashwood em suas missas satânicas, Crowley parecia disfarçar sua adoração ao demônio.  O próprio Aiwaz (ou Aiwass, Aiwas ) ele alegava ser uma deidade suméria chamada Shaitan (?). Mas Crowley nunca alegou adorar demônio algum e era totalmente contra praticas de magia negra. Ele utilizava essas metáforas mais obscuras para resguardar seus segredos mágicos, como podem ver no segredo do oitavo grau, velado no texto “Dos Casamentos Secretos dos Deuses com os Homens” . Sobre ser um mago negro, escreveu um texto sobre ao qual, copiarei um pequeno trecho;
“Eu tenho sido acusado de ser um “mago negro”. Nenhuma afirmação mais tola do que essa já feita foi sobre mim. Desprezo a coisa de tal forma que mal posso acreditar na existência de pessoas tão corrompidas e idiotas para praticá-la.” (Link do texto integral aqui)
Mais adiante, em um texto chamado, Sobre Magia Negra, Crowley afirma;

O ritual supremo é o alcance do conhecimento e conversação com o santo anjo Guardião. É a elevação completa do Homem em linha reta vertical. Qualquer desvio desta linha tende a se tornar magia negra. Qualquer outra operação é Magia Negra.

O que parece uma linha de conduta, na verdade demonstra uma grande, grande hipocrisia. Crowley foi um grande hipócrita, não somente nesse ponto. De inicio, vamos começar por um dos diários mais conhecidos dele – Magical Diaries of Aleister Crowley, 1923 – Stephen Skinner, ele enumera em uma pequena lista o numero de operações do Crowley. Entre operações de sabedoria, força magica, adquirir compreensão dos mistérios dos graus, encontramos, uma das praticas mais comuns de magia “negra” – Fascínio. E essa pratica não é feita aleatoriamente. São 22 registros sobre. E não precisa ir muito fundo para encontrar, logo na introdução essa lista é apresentada. A Magia de Amor, de Fascínio, é uma das praticas intituladas negras, já que, está restringindo a vontade de outrem.

Vamos de novo, aquela frase inicial – I:41. A palavra de Pecado é Restrição

Pois bem, seria cômico, se não trágico saber que em seu Liber Librae, Crowley relatava o seguinte;

20. Então, irás tu gradualmente desenvolver os poderes de tua alma, e encontrar te a comandar os Espíritos dos elementos. Por que esteves a convocar os Gnomos para alcovitar tua avarice, tu não irias mais comandá-los, mas eles te comandariam. Abusarias dos puros seres dos bosques e das montanhas para encher teus cofres e satisfazer tua fome de Deus? Rebaixarias os Espíritos do Fogo Vivo para servir a tua ira e ódio? Violarias a pureza das Almas das Águas para alcovitar teu desejo de devassidão? Forçarias os Espíritos da Brisa Noturna para servir a tua loucura e capricho? Saiba que com tais desejos tu podes apenas atrair o Fraco, não o Forte, e naquele caso o Fraco terá poder sobre ti.

No livro do Stephen Skinner as operações são baseadas em magia sexual. Ele nunca usaria nenhum elemental para satisfazer seus desejos por ouro. Será? No livro Magical Diaries of The Beast 666, do John Symonds e Kenneth Grant – Aleister, oferta o exilir para ICZHHCL em troca de favores dos gnomos. Sim, ele contradiz completamente o que falou no Liber Librae acima. Segue o trecho;

“Objetivo; dinheiro. Eu evoquei ICZHHCL com o objetivo de nos proporcionar favores dos gnomos. Eu ofertei parte do elixir á ele.”(Pág.15)

Observe que a hipocrisia é um assunto comum em seus escritos. No Livro Magick Book 4, encontramos trechos que podem ser chamados de ápice da hipocrisia Crowleyana. Veja á seguir;

“O primeiro grande perigo é a vaidade. Devemos estar sempre de sobreaviso quando a “lembranças” de que fomos Cleópatra ou Shakespeare.” (Memória Magicka Liber ABA Magick Book 4)

Perdoem-me minha incapacidade de relacionar uma pessoa que escreve essa frase e em seguida alega ser Edward Kelley, Papa Alexandre VI, Ankh F Khonsu, Eliphas Levi, Alessandro Cagliostro e Ge Xuan. Pesquisando cada um envolvido, você percebe que de fato, esse “grande perigo” da vaidade, foi o que o Crowley caiu. Ele dava fatos simplórios de que tem lembranças da vida de cada um, como uma tentativa de justificar tal hipocrisia alarmante. Do mesmo modo que alegava não poder usar dos gnomos para encher seu bolso e usava. Da mesma forma que, alega que o abuso da fórmula homossexual XI° é uma abominação. Mas, no livro Magical Records of the Beast, lá estava ele praticando essa fórmula a torto e direito e inclusive com desconhecidos que ele encontrava em banho turco.

É interessante notar que dessa fórmula, pulamos para outro lado obscuro de Crowley.

O Machismo 666

A ideia de que a Thelema não é machista nem sexista se inicia no Liber Al Vel Legis, aonde cita “Todo homem e toda mulher é uma estrela”. Nos comentários do livro da lei e em alguns outros escritos, encontramos referências maravilhosas sobre o poder da mulher e sua importância. Visto que Thelema, teoricamente é um Culto á Nuit/Babalon e que sua fórmula mágicka, a união heterossexual e consequente os fluidos sexuais resultantes do mesmo, são a fonte de toda vida.

Esse progresso sobre a visão do feminino, tem levado diversas mulheres a estudar e se dedicar a Lei de Thelema. Assim como a Bruxaria de Gardner, um culto a Yoni, nos remete ao prazer inconsciente aonde o homem e a mulher acabam igualando-se. Claro que assim como na Bruxaria, varias vertentes destacaram-se abrigando um femismo ao invés de feminismo. Na Thelema, como já dito, prevaleceria um culto igualitário, aonde homem e mulher, independente de sua posição ou orientação sexual, seriam ambos uma força divina. Isso aniquilava todo machismo bíblico e para a época machista em que Crowley vivia, era uma revolução.

No entanto, quando começamos a nos aprofundar em estudos de seus materiais, vemos que eles possuem classes – os de classe A, foram recebidos pelo ‘Profeta” (Crowley) e não devem ser mudados em nada, nem estilo nem palavra/letra, pois contem mistérios do Eon e da Magia dentro de seus versos.

Os de classe B, são obras “iluminadas”, como diz o site da A.A. . Os das outras classes não vem ao caso. Vamos focar numa dessas “Obras Iluminadas” – O Liber 111 Aleph.

Quero que antes de mais nada, leia alguns trechos do Liber Aleph que separei para vocês.
(E consulte a pagina, caso deseje – baixe o livro aqui)

Pag.133

 DE VERITATE QUEM FEMINAE NON DICERE LICET

Da Verdade que não pode ser contada a uma Mulher
MEU Filho Eu te peço: não importa quão sejas provocado a faze-lo, nunca digas a Verdade a uma Mulher. Pois isto é o que está escrito: Não atires tuas Pérolas aos Porcos, para que eles não se voltem contra ti e te despedacem. Vê, na Natureza da Mulher não há Verdade, nem Percepção da Verdade, nem Possibilidade de Verdade, apenas se tu lhes confias esta Jóia, elas imediatamente a usam para tua Perda e Destruição.
Pag.134

DE NATURA FEMINAE

Da Natureza da Mulher
A NATUREZA da Mulher, ó meu Filho, é como tu aprendeste em Nossa santíssima Cabala e Ela é o Vestimento em Sexo do Homem, a Imagem Mágica da Vontade de Amar dele.
Pag.169

DE FORMULA FEMINEA

Da Fórmula da Mulher

Portanto, em Magia, se bem que a Mulher exceda todos os Homens em toda Qualidade que lhe é útil para Consecução, entretanto ela Nada é naquela Obra, tal como um Homem sem mãos na Oficina de um Carpinteiro, pois ela não possui o Organismo que poderia fazer Uso desta Oportunidade.
Pag.170

VERBA MAGISTRI SUI DE FEMINA

As Palavras do seu Mestre relativas à Mulher
(…)Allan Bennett, de forma que ele me recebeu como seu Discípulo em Magia. E ele foi insistente comigo neste Assunto e veemente, adjurando seus Deuses que isto (que Eu mesmo aqui acima te declarei) era a Verdade sobre a Natureza da Mulher (acima). (…) Eu me curvo humildemente diante de Allan Bennett, e me arrependo de minha insolência, pois o que ele disse era pura Verdade.

Pag.171

DE VIA PROPRIA FEMINIS

Do Apropriado Caminho para a Mulher
É REALMENTE fácil para uma Mulher obter as Experiências da Magia, de certo Tipo, como Visões, Trances e outras tais porém, estas coisas não tomam Posse dela, para transformá-la, como acontece com os Homens, mas apenas passam como Imagens sobre um Espelho. Assim, pois, uma Mulher nunca progride em Magia, mas permanece a mesma, reta ou erradamente organizada de acordo com a Força que A move. Aqui portanto está o Limite da Aspiração dela em Magia: permanecer alegre e obediente sob o Homem(…)

Isso me soa bem contraditório com a inicial afirmação thelêmica de que todo homem e mulher é uma estrela. Afirmar que uma mulher não vai longe em magia, que deve permanecer obediente ao homem e que sem o homem ela é nada, é ao meu ver um absurdo. (Ou um conhecimento iluminado, dependendo do quanto você for evangélico)

Para quem não se satisfez com tais alardes, vamos adiante atrás de mais indícios. Dentro do Confessions, a auto biografia de Crowley, editado pelo John Symonds e Kenneth Grant, encontramos as seguintes frases;

Cap.10

  • “Está certo um homem suficientemente forte usar mulheres como escravas e objetos de prazer”
  • “A mulher é uma criatura de hábitos, isto é, de impulsos solidificados. Não tem qualquer individualidade.”
  • “Uma mulher é apenas tolerável na nossa vida se for treinada para ajudar o homem na sua obra sem qualquer referência a quaisquer outros interesses”
  • “O homem que confia em uma mulher para ajuda-lo está cavalgando em um tigre. A qualquer momento ela vai trai-lo”
  • “A mulher é fundamentalmente incapaz de compreender a natureza do trabalho”
  • “O papel dominante da mulher sempre será a maternidade.”
  • A Monogamia é um erro pois deixa o excesso de mulheres insatisfeita.
Devido ao tamanho do Confessions, quase ninguém que lê percebe essas falácias. Mas a parte mais interessante disso tudo, é que, devido a inclinação homossexual dele, ele negava o poder feminino e usava-o como uma extensão do Falo. O poder da Mulher, de seu corpo e fluidos, foi amplamente explorado por Kenneth Grant em sua OTO Typhonian. Até então Crowley não alarmava tanto sobre os fluidos femininos, exceto um, ao qual ele fez inúmeras experiências para atrair dinheiro – o elixir rubeus.
“III; 24. O melhor sangue é o da lua”
Sangue lunar ou sangue da Lua, é a menstruação. Crowley construía seus bolos de Luz consagrando-os com sêmen e menstruo, para então come-lo. Ou misturando-os (fluidos e menstruo) em uma taça com alguma bebida, o adepto deveria então mentalizar o seu desejo e então beber até a ultima gota, como Crowley diz sobre o Elixir dentro do De Ars Magica. Com exceção desse fluído, nos trechos acima fica claro o papel da mulher para Crowley.

 Victor Neuburg


“Meu instinto homossexual me dá a ideia de admiração estética. Se um homem come uma mulher, ele a admira esteticamente. Quando um homem me come, eu sei que ele faz isso porque sou lindo”
– Aleister Crowley  (Magical Diaries of Aleister Crowley, Stephen Skinner – pag. 35)

Crowley afirmava claramente na introdução do seu diário de 1916 “Estou inclinado a acreditar que o grau XI° é superior ao grau IX°… Oh como o Olho de Hórus é superior á Boca de Ísis”. As duas metáforas principais do grau XI° da OTO são; o Olho de Hórus ( ânus ) e o Olho que Chora ( pênis). No Cap.61  do Liber 333, temos uma das referências mais notáveis (e claras) disso;

“Tu, Garoto Safado, tu abriste o olho de Hórus ao Olho Cego que chora!”

O vício do Crowley por pênis é evidente. Ele foi passivo em suas relações sexuais com homens. De sua assinatura, aos sinais ritualísticos e rituais, todo poder do Crowley se baseia numa evidência. O poder do Sol, o falo, o gerador da vida. Além de seu affair durante os estudos da faculdade, Crowley teve outro homem-parceiro-discípulo-affair  o sr. Victor Benjamin Neuburg.

Segundo o livro de Francis King, Magical World of Aleister Crowley, Crowley e C.G. Jones foram inicialmente os dois únicos membros da A.A., até que eles adquiriram dois discípulos, Capitão J.F.C. Fuller, um jovem oficial da infantaria que eventualmente se tornou major-general, um expert em tanque de guerra e amigo pessoal de Adolf Hitler e Victor Neuburg, um jovem poeta que foi um judeu ortodoxo mas se tornou agnóstico.

Os dois últimos foram amigos na graduação em Cambridge. Através da sugestão de Fuller, Crowley conheceu Victor, entrando no quarto dele em Cambridge e se apresentou. Nessa época, Neuburg achou em Crowley tudo que procurava em poesia e principalmente em magia e logo então se tornou probacionista da A.A. O relacionamento dos dois aos poucos ganhou aspectos problemáticos. Crowley era um sado-maso e demonstrava isso nas humilhações que fazia com Neuburg e nas que obrigava Neuburg fazer com ele. Em nome do aniquilamento do ego.

Na pagina 47 desse mesmo livro, um aspecto obscuro de Crowley é revelado – o racismo. O trecho é transcrito a seguir em uma tradução livre.

Uma noite, por exemplo, Crowley foi até o quarto de Victor e começou a bater na bunda dele com urtiga (urtiga dioica). Em outra ocasião, ele começou a fazer comentarios agressivos anti-semitas. Isso teve um impacto muito maior que a violência física.

“Meu nobre guru foi desnecessariamente grosso e brutal. Eu não sei o porquê. Ele provavelmente não sabe. Ele aparentemente fez isso somente para se divertir e passar o tempo.Seja como for, eu não vou mais insistir nisso. Ele tem sido brutal comigo na prerrogativa de eu pertencer a uma raça inferior. É o limite da maldade desprezar o homem por sua raça. Não há desculpas para isso. É mesquinho abusar da posição de guru (…) Se não fosse pelo meu voto, eu não viveria mais na mesma casa que ele. Minha família e raça foram perpetuamente insultados.”

Além de sexo casual em honra a Pã, Victor fez parte dos trabalhos mais importantes de Crowley – A evocação e domínio de Choronzon, a viagem pelos Aethrys Enochianos, as publicações do Equinox e o Liber CDXV, Opus Lutetianum – A Operação de Paris – trabalho ao qual, Crowley modificou sua visão de Deuses, descrito em Magick Book 4, de “Forças da Natureza” para “Espíritos Reais” – isso é, passiveis de aparição, comunicação E possessão, como foi relatado nesse Liber.

Uma curiosidade interessante é que no Magick Teoria e Prática, Crowley relata que foi até o apartamento de uma Circe e traçando o simbolo de Saturno em sua porta, em 24 horas ela atirou em si mesma. O fato é, que essa “Circe” na verdade era uma mulher pelo qual Victor estava apaixonado. Transcrevo e traduzo a pagina 91 do livro Magical World of Aleister Crowley, do Francis King ;
“‘Ione de Forest “era o nome artístico adotado por Joan Hayes, uma ex-aluna da Academia Real de Arte Dramática (…) Ela tinha tomado parte nos ritos de Elêusis, sem ter qualquer interesse prévio, conhecimento do ocultismo em geral ou magia em particular. Ela tinha simplesmente respondeu a um anúncio no palco e de lá 
passou a dançar como várias deusas sob a direção de Crowley.Neuburg foi fascinado por ela desde o primeiro momento e sentiu uma afeição por ela que assim que ela apareceu. Crowley desaprovou alegando que ela era uma “Circe”, que pode enfeitiçar Neuburg e leva-lo para longe caminho mágico. Crowley ficou muito aliviado quando ela não se casou com Neuburg mas sim com um velho amigo dele chamado Wilfred Merton. Seis meses após o casamento Joan deixou o marido e passou a residir em um estúdio em Chelsea. Ao mesmo tempo, ou talvez um pouco antes, ela se tornou amante Neuburg o dois alugaram uma casa em Essex que eles usavam nos fins de semana e Crowley ficou furioso. Dois meses depois, ela atirou em si mesma. Não há razão clara para este suicídio(…)  Neuburg estava certo de que Crowley tinha colocado um feitiço sobre ela, como a ‘Circe’.”
Duas coisas ficam evidentes nesse texto – Crowley matou a mulher de Victor, provavelmente porque era apaixonado pelo o mesmo. E que em seu livro, mentiu dizendo que ela se matou em 24 horas, sendo que na verdade foi dois meses. Como todas as pessoas que passaram pela vida de Crowley após romper laços com o mesmo e ser amaldiçoado, Neuburg passou o restante de sua vida em um estado de infertilidade mental. Vide tanto o livro do Francis King, como The Magical Dilemma of Victor Neuburg, de Joan Oliver Fuller.

 Fetiche e Feitiçaria – ‘Leah Sublime’ e os rituais da Puta e da Besta


“Na minha missa, fezes são hóstia
, que Eu consumo com reverência e adoração”

-Aleister Crowley em seu diário, Magical Record of the Beast 666, pág.202

A palavra fetiche, vem do francês, fetiche que por sua vez é entendido como feitiço. Isso foi o que Crowley fez com cada discípulo – ele os encantava, enfeitiçava, levava eles para as profundezas de seus fetiches sexuais, mascarando em uma causa nobre, aquilo que chamamos de Iluminação – Um dos propósitos de toda magia  – o ato de transcender os limites do próprio ego, ou destruí-lo em prol a uma causa – seja essa palavra entendida como você desejar – e os rituais de Crowley com Neuburg eram repletos disso. A humilhação pode ser uma forma de inflamar ou subjugar o ego, e quando a Besta dizia destruir a si próprio, ela estava se referindo a se entregar aos abominações (ou prazeres, você escolhe tambem) que a perversão (ou a magia, ou sexo, escolha a palavra apropriada) pode proporcionar.

Leah Hirsig – conheceu Crowley através da sua irmã, Alma Hirsig, na primavera de 1918, sua irmã já tinha conversado algumas vezes com a Besta, porém, quando a Besta viu a Leah, ele se apaixonou, perdidamente. Leah não saia dos seus pensamentos e tudo que queria, era ela para si – que devido ao seu interesse em ocultismo, rapidamente aceitou o convite de ser sua Mulher Escarlate e participar das cerimônias de Thelema. O Fetiche, charme, encanto da Besta rapidamente levava as mulheres se entregarem as suas paixões. Ainda que elas fossem… Animalescas.

Leah usou o nome de Alostrael – O Útero de Deus – e com esse nome desenvolveu papel fundamental na corrente 93, junto com Crowley ela estabilizou o Colégio do Espirito Santo – vulgo Abadia de Thelema – ela largou todas as suas coisas e se entregou numa viagem com a Besta para a Sicília. Ela viveu na Abadia em uma mistura de liberdade total junto com delicada ritualística a Besta dava aos seus discípulos,  – ela acompanhou Crowley em sua (auto) graduação de Ipsissimus e em uma péssima situação financeira.

“Durante um ano de subserviência á sua mulher escarlate, Leah Rising, Crowley obedecia ela comendo suas fezes em um prato de prata, como um símbolo de sua devoção á Grande Puta. Para selar esse ritual, ela queimava o peito da Besta com cigarro” – está escrito no livro Demons of Flesh – Nicolas Scherek e Zeena Scherek – Já no Magical Record of the Beast 666 do Kenneth Grant, vemos a descrição completa do ritual.

A coprofagia foi um instrumento de iluminação Crowleyana – a mistura de sêmen, sangue e detritos (fezes) era uma forma de oferenda aos espíritos demoníacos. Oferecer merda á espíritos não é algo tão incomum assim, por mais estranho que pareça ser – qualquer demonologista sério já deve ter lido obra prima de demonologia Dictionnaire Infernal de Jacques Auguste Simon Collin de Plancy, publicado no ano de 1818. Deixo duas versões para conferir – link1 e link2 . Nesta obra ele descreve que “Alguns rabinos, fazem seu culto á ele (Belfegor) em seus banheiros, ofertando á ele os resíduos de sua digestão”.

Curiosidades á parte, vamos focar em Leah. Leah prosseguia com todas as loucuras de Crowley – a Besta, não se satisfazia com orgias, heroína e coprofagia –  Uma de suas estudantes Mary Butts, deparou-se com algo inusitado (ou não). Transcrevo agora do livro Demons of Flesh, da Zeena (LaVey) Shreck e Nicolas Scherek;

“Quando uma das alunas de Crowley, Mary Butts – nome eminentemente adequado para abordagem singular da Besta – chegou para a tutela Abadia de Thelema, seu Mestre saudou-a ofertando fezes de bode em um prato. Não podemos ter certeza e Crowley a presenteou com esta refeição como uma verdadeira prova de seu compromisso com a Grande Obra ou simplesmente como uma indulgência do seu humor. Butts foi logo um testemunhar um dos rituais menos bem sucedidos de Crowley, uma tentativa de induzir um bode simbolizando a cabra lendária de Mendes para copular com corpo de sua Mulher Escarlate, Leah Hirsig. Apesar de todos os esforços para persuadir o bode para executar sua função sagrada, o animal permaneceu indiferente ao fascínio de Babalon. Caindo em um de seus ataques freqüentes de raiva, um exasperado Crowley cortou a garganta do bode.”

No livro do Francis King, o mesmo fato é recontado;

“E Leah nua deveria copular com um Bode que iria ser sacrificado por Crowley, no momento do orgasmo. Infelizmente o bode recusou-se a executar. Apesar disso, ainda foi sacrificado, o sangue jorrou sobre o dorso branco de Leah. Leah ficou bastante surpresa ao ver que as coisas não ocorreram como planejado. Pingando sangue, ela virou-se para Mary Butts e perguntou o que ela deveria fazer agora. ‘Eu tomaria um banho, se fosse você’, respondeu Mary. ”

Crowley transgredia todas as regras e sua loucura o levava a bestialidade, seu humor (ou sadismo) contagiava á todos que o cercava, não é de todo errado que todas as pessoas que passaram pela vida de Aleister, acabaram de uma forma ou outra, com um fim trágico – o uso desregrado de heroína (entre outras drogas) fez com que duas de suas estudantes da época, Mary Butts e Cecil Maitland deixarem a abadia com sérios problemas de saúde – o vício em heroína. Enquanto Leah ainda se mantinha sob custódia e obediência á Crowley, praticamente cega. Na época, um outro discípulo, chamado Frederick Russel  (Frater Genesthai)  se mostrou com certa aptidão para o misticismo sexual do Master Therion. Enquanto Alostrael (Leah) masturbava o Genesthai para uma ereção, Crowley esperava á mesma ardentemente para então, sentar no falo de Genesthai. A descrição foi dada tanto no livro de Kenneth Grant como o do Francis King.

Leah, acompanhou Crowley nos piores momentos de sua vida – além de fazer rituais ao Sol ou invocações a nomes de Deus, Anjos ou fumar haxixe e fazer sexo com estranhos  – a filha dela e do Crowley, morreu alguns dias após nascer, acompanhou diversas cerimônias fracassadas, a falta de dinheiro que o levou a publicar o Diary of Dope Fiend –  ao qual um jornalista, James Douglas, começou a fazer criticas pesadas e acusando ele até de canibalismo. Crowley que visitava sazonalmente a Itália, foi expulso de lá pelo governo Italiano.

Em setembro de 1924 Crowley apontou uma nova mulher escarlate – Dorothy Olsen. Mesmo perdendo seu status, passou algum tempo como secretaria, auxiliando rituais e mais adiante, quando rompeu laços, devido sua falta de dinheiro, findou sua vida trabalhando como prostituta.

Notas do autor, bibliografia e a poesia “Sublime Leah”

“Crowley é bom porque foi ruim, seria melhor se fosse pior.”  – Kayque Girão

Falar de Aleister Crowley é, algo sempre incompleto.

Por mais que se queira, uma vida não pode ser resumida em um pequeno texto ou livro. Quando eu comecei esse texto, meu intento profundo era revelar um lado ao qual muitos adoradores negam – o lado humano. Cheio de fraquezas, falhas, com falta de dinheiro, vícios e hipocrisia. Assim como qualquer pessoa no mundo, com seus altos e baixos, Crowley nos dá a partir desse mal exemplo de muitos outros,  sua essência – faça a sua vontade – ainda que por muitas vezes, ele restrinja seus discípulos com a promessa de elevação espiritual – talvez até seu anjo (Aiwaz/s/ss, Shaitan) não exista, seja fruto de uma imaginação doentia, o legado, como disse inicialmente é incomparável.

Talvez amanhã ou quem saiba daqui alguns anos (ou décadas, séculos) nasça outro messias. De fato Crowley foi um homem além de seu mundo ou talvez infantil (ou ousado) demais para não aceitar o mundo e querer criar um mundo próprio.

Eu demorei cerca de um mês e meio (re)lendo a bibliografia á seguir e então comentando seus erros – uma atitude vulgar, eu assumo, no entanto, creio ter sido necessária.

Necessário para perdemos a idealização de que a magia é fonte de todos os prazeres e juventude eterna. Necessário para observarmos que mesmo o maior mago de todos os tempos, como assim foi nomeado, vivenciou momentos ruins. Necessário para observarmos que a magia pode tanto nos elevar como nos rebaixar. Necessário para que possamos mensurar nossos atos com o conhecimento obtido e entendamos de que nada serve esse conhecimento, se não for compartilhado.

Por nota final, deixo a bibliografia que usei e uma poesia traduzida pelo Pythio. Quero manifestar profunda gratidão pelo apoio, ajuda e companheirismo do mesmo.

Bibliografia

 

Gargantua and Patagruel, François Rebelais
Liber Al Vel Legis, Aleister Crowley
Liber 333, Aleister Crowley
Liber Aleph, Aleister Crowley
Confessions, Aleister Crowley
Magical World of Aleister Crowley, Francis King
The Magical Record of the Beast 666, John Symonds and Kenneth Grant
Demons of Flesh, Zeena and Nicolas Schrek
Liber XV – Ecclesiæ Gnosticæ Catholicæ Canon Missæ, Aleister Crowley
Liber Agape Vel Liber C Vel Azoth, Aleister Crowley
Do What Thou Wilt: A Life of Aleister Crowley, Lawrence Soutin
Magick without Tears, Aleister Crowley
Magick Book 4, Aleister Crowley
The Magical Dilemma of Victor Neuburg, Joan Oliver Fuller
Dictionnaire Infernal, Jacques Auguste Simon Collin de Plancy

 

 

Sublime Leah

Sublime Leah,

Deusa em cima de mim!
Serpente de um lodaçal!
Alostrael, ame-me!
Nosso mestre, o demônio.
Prospere a orgia.
Pise com seu pé
Em meu coração até que doa!
Pise sobre ele, ponha
O unta com sua imundície
Sobre meu amor, sobre minha vergonha
Rabisque seu nome!
Monte sua besta
Minha Vadia Soberana.
Com as suas coxas todas umedecidas
Com o suor de sua sarna
Cuspa em mim, escarlate
Boca de minha prostituta!
Agora de sua ampla
Boceta crua, o abismo
Envie a maré nascente
De seu quente mijo
Em minha boca, oh minha prostituta
Deixe-o escorrer, deixe-o escorrer!
Sua mão, Oh imunda
Sua mão que tem desperdiçado
Seu amor, ato obsceno
Massas negras, que degustaram
Sua alma, é sua mão
Sinta meu caralho erguer.
Você cavalga como uma égua
E peida enquanto você cavalga
Por úmidos cabelos pixaim
Você jorra como uma baleia.
Encharca o estrume
E mija como esgoto!
Desça a mim rápido
Com seus dentes em meus lábios
Com suas mãos em meu cacete
Com pegada fervente
Minha vida é  saborear –
Como seu hálito fede!
Sua vida multiplica o lascivo
De garotinha a Madura
Puta usada que já mastigou
Sua própria pilha de estrume
Suas mãos foram as chaves para –
E agora você me refresca também!
Esfregue todo o muco
De sua boceta em mim Leah
Boceta, deixe-me chupar
Toda essa gonorreia gosmenta!
Boceta! Sem fim
Amém! Até você cansar!
Puta você me acolheu
Toda sujeira e doença
Em seu cu peludo
Afrouxe o buraco com queijinho
Com sua menstruação e varíola
Você que mastiga os cacetes!

Esfregue toda sua gonorreia em mim!
Envenene a flecha.
Ponha pra fora toda sua varíola
Me dê sua medula

Puta, você me tem completamente

Eu amo sua podridão!

Mais uma vez, me bata!
Leah, um espasmo
Grite enquanto me bate
Lodo do Abismo,
Me sufoque com o líquido
O chorume do seu ventre sujo.

Esfaqueie sua demoníaca
Sorriso ao meu cérebro
Encharque-me em conhaque
Buceta e cocaína
Espalhe em mim! Sente
na minha boca Leah e cague!

Cague em mim vadia

Cremosa coalhada
que goteja de suas entranhas
Merda gordurosa
Leve suas fezes
até a ponta da minha língua!

Bata em mim, Leah!
Me sufoque em suas coxas
borradas de diarreia

Em meus olhos.
Esfregue toda merda
Do abismo sem fim.
Vire-a mim, mastigue-a
Junto comigo, Leah, vadia!
Vomite-a, cuspa-a
E lamba-a outra vez
Nos podemos gerar luxúria
Bêbados em nojeira.

Derrame toda suas tripas
Sua burra, minha amante!
Sua vadia pederasta
Eu sei aonde leva-la!
Aí ela vai, descendo
mexendo em sua bunda prostituída!

Saco de pele
E ossos, assim falo
Eu irei violar seu sorriso
Em um grito
Vou te estuprar, vadia
Violar suas entranhas!

Eu te torço, sua porca!
Eu te prendo!

Sua boqueteira, engula tudo
Metade dele, chupe-o todo
Grite sua porca, suja!
Eu quero que te machucar!
Besta-leoa jorre de seu
Buraco fodedor!
Vomite toda a sujeira de sua
Alma pestilenta
Peide palavras vazias

Faça uma ceia de fezes!

Que o Demônio nosso senhor,
rabisque sua alma
Com palavras escrotas
Me chame de amante
Escravo das suas entranhas
Do rabo de uma puta!
Me chame de semeador
De sujeira e podridão
Cheiradora de merda
Da bosta em seu cú
Me chame disto o quanto quiser
Durante o estupro do seu escravo
Porra! Caralho! Me deixe gozar
Alostrael! Porra!
Gozei em teu buraco
Merda! Me de o muco.
Do rabo de minha puta
Suja do meu cacete
Coma-a sua semente!
Eu sou teu cão, porra, merda!
Engula-a agora!
Descanse por um momento!
Satã, você deu
Uma coroa a um escravo.
Eu sou seu destino, em
Seu ventre, sobre você
Eu juro em nome de Satã
Leah, eu te amo
Estou indo a loucura
Repita isso comigo.

por King

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-besta-666/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-besta-666/

‘Renascer Anticristão

por Betopataca, publicação permitida pelo autor no portal MSInc.

O propósito principal deste pequenino compêndio aqui desenvolvido é somente de revelar a enorme mentira e farsa sobre o qual se abanca o cristianismo e as religiões abrãamicas (osirianas num linguajar thelêmico).

Tudo demonstrado é calcado em fatos logicamente comprovados e em opiniões pessoais, por tal é do inteiro direito do leitor renegar os factos cientificamente comprovados e minhas opiniões pessoais em seu microcosmo ou dimensão pessoal.Destarte qualquer pessoa tem o direito de viver e acreditar no que quiser,mesmo sendo tal para mim e para os fundamentos da racionalidade e da ciência uma calúnia.

Por fim, não existe frase melhor do que a proferida por Aleister Crowley,pensador e ocultista britânico do início do século, para dar início a este compêndio:”Não existe Lei a não ser a do faze o que tu queres”.

Nota Morte Súbita Inc. Eis a mais completa e definitiva refutação histórica, filosófica e metafísica do cristianismo. Embora sua enfase seja a acusação das falácias cristãs, é sobretudo um livro satânico. E diga-se de passagem, um dos livros mais representativos do satanismo latino-americano. Em primeiro lugar seu autor foi participante ativo da Fraternitas Templi Satanis, ordem satânica que preencheu a lacuna deixada pela Igreja de Lúcifer nos primeiros anos do século XXI.

Em segundo lugar a obra por si só está permeada de uma ideologia afinada ao satanismo moderno de Anton LaVey. Isso fica especialmente claro nos capítulos ‘Vaso Cheio’ e ‘Amor Universal’.

Por fim, a própria natureza do arquétipo satânico é a de adversário, de acusador. E sabemos que todos os praticantes públicos do satanismo moderno são constantamente abirdados por apologistas cristãos. Pois bem, um estudo atento desta obra armará a todos com uma arma com a qual eles não podem se defender; a verdade.

Índice

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/renascer-anticristao/

A Sabedoria Estelar: Uma Perambulação Pericorésica(*) pela obra de Kenneth Grant

AOSSIC – Steffi Grant©
 Por Paolo Sammut.

Kenneth Grant (1924-2011) foi um dos mais notáveis magistas do século XX. Bem conhecido como o último estudante de Aleister Crowley em meados dos anos 1940, ele passou a desenvolver sua própria interpretação de Thelema e levou a Grande Obra através de portais Yuggothianos e em direção de novas dimensões inteiramente estelares. No entanto, apesar de sua sólida obra, ele frequentemente recebeu críticas e (sinto eu, injustamente) ganhou uma reputação de ser incompreensível ou coisa pior. Este equívoco tem manchado a percepção de seus escritos, e talvez tenha contribuído para que se tenha deles uma compreensão mais lenta do que merecem, como um corpo altamente perspicaz de trabalho que forma um complexo e entrelaçado comentário sobre numerosos assuntos esotéricos.

Pelo final de sua longa carreira de escritor, Kenneth Grant havia escrito uma prateleira inteira de livros, mais notavelmente as Trilogias Tifonianas, que construiu sobre a radiação de background oculto deixado para trás por ordens como a Ordem Hermética da Aurora Dourada e luminares como Aleister Crowley, Jack Parsons e Dion Fortune. Estendendo sua Gnose Tifoniana, ele permitiu que conceitos como o tráfico com entidades, gnose sexual e uma inteira tradição do lado noturno1 para infiltrar-se em seus romances que eram muitas vezes trabalhos mais curtos apresentando uma conexão sideral2 à sua própria pessoa, criando assim uma estranha simetria onde Kenneth Grant caminhava dentro de sua própria ficção, e os seres e energias, e de fato o sentido de outro que ele evocou sangrar de volta de sua prosa em nossa realidade. Como muitos de seus leitores notarão, há uma qualidade sonhadora, desconcertante na ficção Grantiana onde a fronteira entre fato e fantasia se dissolve em uma constrangedora narrativa onde alguém é capturado entre as associações e o firmamento da história.

Isso tudo é parte de sua magia, e uma das razões por que seus livros são frequentemente descritos não tanto como sendo sobre magia, mas como objetos mágicos em seu próprio direito. Este é o real valor deles, como Grant envolveu magia na própria estrutura linguística de seu texto, tornando isto um ponto de partida para outras realidades. Eu tenho certamente encontrado isto por mim mesmo, e lendo seu trabalho tarde da noite, sou muitas vezes levado a um sentido de devaneio que se transforma facilmente em estados mais profundos de consciência meditativa. Na verdade, muitas vezes as Trilogias Tifonianas parecem transmutar e refletir aos leitores exatamente o que estes precisam ler naquele momento em particular para promover o seu desenvolvimento mágico.

Kenneth Grant não escreveu para iniciantes, e ninguém encontrará rituais estabelecidos, tais como o Ritual Menor do Pentagrama ou do Pilar do Meio dentro de seus livros, antes é esperado a ponderar sobre as informações e considerações dadas e designadas pelo seu próprio caminho através dos mistérios que ele tão tentadoramente desvenda. Seu estilo de escrita é único, e muito diferente da precisão de fórmulas que encontramos com Aleister Crowley. Grant consolidou os Thelemitas de forma que muitos sentem que essa consolidação depreciou o espírito daquilo que Crowley tentava atingir. No entanto, em contraste com isso, muitas pessoas sentem que Kenneth Grant, seguindo suas próprias estrelas (não aquelas de Aleister Crowley) abriu novas portas para a compreensão, exploração e mistério. Além disso, alguns dos trabalhos de Grant são notavelmente prescientes quanto aos efeitos sobre a consciência humana a partir do universo em geral. Por exemplo seu comentário sobre OVNIs em Outer Gateways3 referentes e construidos sobre ideias sugeridas por Arthur Machen, em The Great God Pan4 e John Keel em livros tais como The Mothman Prophecies5, e descreve um modelo de componentes não práticos de OVNIs a partir da perspectiva esotérica, uma visão que só recentemente está realmente se tornando mais proeminente.

Transmissões Telepáticas de Yuggoth

H.P. Lovecraft e seu gatinho, Sam Perkins

Uma das áreas mais problemáticas dentro do corpo de escritos de Grant é a que se conecta ao mito de Cthulhu de H.P. Lovecraft. Sabemos que de fato que HP Lovecraft produziu este mito, semeando-o tanto com entidades encontradas em mitologia (como Dagon), quanto com aquelas que ele inventou (como Yog-Sothoth ou Hastur o indescritível). Além disso Lovecraft era um materialista ardente, que em suas cartas frequentemente comentava que tudo foi inventado, usando nomes como o Necronomicon ou Abdul Alhazred simplesmente porque ele gostava do som dessas palavra. Finalmente, uma varredura da literatura mostra que não há referências confiáveis ​​ao Necronomicon ou a composição das entidades antes das histórias de Lovecraft serem publicadas.

A fim de adicionar autenticidade a suas histórias Lovecraft criou uma história ficcional do Necronomicon que referenciou personagens históricos reais como John Dee e Olaus Wormius, um esquema que ‘se tornou viral’ conforme outros autores continuaram adicionando ao mito em anos subsequentes. É notável que, ainda recentemente, depois do assunto ter sido desmerecido à morte e excelentes livros sobre o assunto, como Os Arquivos Necronomicon6 apareceram – que claramente apresentam de forma bem referenciados os fatos do caso – ainda existem pessoas que aceitam a literal verdade da confecção blasfema de H.P. Lovecraft.

Como, então, devemos unificar estes fatos com o conhecimento que Kenneth Grant mencionou o Necronomicon ao longo de sua obra desde o início? Grant era um verdadeiro estudioso e muito bom leitor, como a lista de referências no final de seus livros testemunham, assim podemos estar certos de que ele estava ciente da mundana não-história do Necronomicon e que – no nosso nível, pelo menos – é tudo ficção. Na verdade ele reconhece que Lovecraft inventou o Necronomicon no capítulo inicial de Outer Gateways. Nas palavras de Grant:

“Uma série de textos arcanos que reivindicam proveniência não-terrestre são de importância suprema na esfera do ocultismo criativo. Talvez o mais misterioso e, certamente, o mais sinistro seja o Necronomicon, a primeira menção em que aparece é na ficção do escritor HP Lovecraft da Nova Inglaterra. Disse ter sido escrito por um árabe louco chamado Al Hazred, o Necronomicon de fato existe em um plano acessível para aqueles que, conscientemente, como Crowley, ou inconscientemente, como Lovecraft, conseguiram penetrar. ”

Este parágrafo sucintamente resume tudo o que Kenneth Grant tem a dizer sobre o Necronomicon. Ele deixa claro que H.P. Lovecraft produziu, e igualmente claro que ele acredita que o trabalho de Lovecraft tenha sido entusiasmado* a partir de um nível mais profundo de realidade. Na verdade, o Necronomicon, como um grimório primordial; é uma fonte de inspiração atravessando toda a obra inicial de Grant, começando com O Renascer da Magia7 onde Grant enumera uma série de correspondências entre a coletânea dos Mitos de Lovecraft e Thelema.

Desde então Grant contribuiu para o número de conexões usando gematria8 com nomes e palavras encontradas em outras tradições, sobretudo em O Livro da Lei de Aleister Crowley. Isso incluiu a conexão de palavras que têm uma semelhança linguística ou gemátrica a terminologia encontrada no Mito como “Set-Hulu” ou “Tutulu” – uma palavra ouvida por Crowley, enquanto em vidência dos Æthyrs Enoquianos no deserto do Saara em 1909, com o poeta Victor Neuberg9 – o que Grant relaciona com Cthulhu. Ao longo dos volumes posteriores, Grant faz referências ao Necronomicon da mesma maneira que faz referências a outras fontes tradicionais, tais como Gnóstica, Hebraica e Sânscrita. Este tema continua durante todas as Trilogias, porém, sinto que atinge seu clímax no erudito “Hecate’s Fountain” onde Grant fala de rituais para invocar Cthulhu e é aqui que encontramos a comparação mencionada entre O Livro da Lei e o Necronomicon.

Mas, voltando à questão de saber se o mito é literalmente real, podemos melhor responder comparando-o a outras antigas tradições “aceitas” da humanidade. Todos os mitos, religiões e práticas espirituais começam com um místico contato com o inefável e a construção de um elo. Então talvez nós precisemos olhar para o próprio H.P. Lovecraft. Apesar de um materialista e cético externamente, Grant sugere que Lovecraft pode ter sido um vidente inconsciente que poderia perceber padrões mais profundos da realidade, apesar de ser leigo à sua verdadeira natureza, ele, então, foge com medo. Certamente um monte de contos de Lovecraft originado em sonhos, e alguns contos foram quase exatas recontagens de seus sonhos, o que mostra que sua origem não era de sua consciência regular do lado diurno, mas no mínimo uma fonte inconsciente separada do seu materialismo em vigília. No entanto, mesmo que Lovecraft tenha conscientemente produzido o mito, isso não quebra a validade de conexão de Kenneth Grant a ele. Grant reconheceu os padrões familiares místicos que Cthulhu e os Grandes Antigos se enquadram e teceu a sua prática em torno disto. Todos os mitos e religiões começaram de forma semelhante, e, neste sentido o mito é tão real e válido como qualquer outra mitologia e religião, apesar do nosso inconsciente coletivo reprimido.

Talvez possamos entender mais essa ideia se considerarmos um contador de histórias de ficção que está criando um novo personagem serial killer para um romance. Ele usaria certos padrões e arquétipos em sua criação do personagem com sua origem no comportamento de reais assassinos em série. Tal qual nosso serial killer virtual é um símbolo para o espírito de assassinatos em série que está subjacente à loucura em todos os que encontramos (ou esperemos que não) em nosso mundo. Assim, em certo sentido, um ficcional Hannibal Lector, devidamente realizado, é tão real como Jack, o Estripador, e Ted Bundy.**

Dando uma caminhada no Lado Noturno

A partir daqui talvez pudéssemos perguntar por que alguém iria querer encontrar entidades do lado nortuno como Cthulhu. Acredito que o trabalho de Grant ganhou uma reputação injusta ganhou por ser excessivamnete sombria, e que talvez essa reputação se deve aos ocultistas “nova era”*** sem entender que o Universo (e nós mesmos por extensão) é composto por ambas, luz e trevas. É vital explorar essas energias cuidadosamente (e com segurança), uma vez que em certo nível elas estão aí fora e são desagradáveis, mas elas também estão dentro de nós e são potenciais. Lembre-se da ideias de Freud sobre a necessidade de se expressar, e então assimilar as repressões; em um sentido mágico isto é o por que se enfrenta a escuridão, para vir à luz renascido como uma energia saudável ao invés de deixá-la como uma sombria bomba de tempo reprimida pronta para explodir. Muito trabalhos de Grant aqui são realmente uma visão perspicaz no conceito Teosófico do Habitante do Umbral – e ocultistas sérios não trabalham com o lado sombrio para prejudicar, mas sim para regenerar suas próprias repressões mais escuras na luz de um amor próprio.

O mais alto grau em ocultismo, de acordo com a Ordem Hermética da Aurora Dourada, é “Ipsissimus”, que significa “alguém auto-completo em si mesmo”: alguém que tem curado e absorvido todas as suas fraturas, suas peças quebradas, todos os seus demônios pessoais em um ser perfeito no conhecimento de sua (unificada) verdadeira vontade. Isto é mais potente e cura muito mais do que meditar sobre golfinhos e unicórnios, e eu sinto que entender “sombrio” como sendo arrepiante e assustador é perder totalmente as ideias nos escritos de Kenneth Grant, que na realidade mostra ser ele um dos mais sensatos ocultistas por aí. A esse respeito, os mitos servem perfeitamente como um veículo para essas ideias.

Aleister Crowley encontra Drácula e a Múmia

O estranho, a ficção sobrenatural, foi muito importante para Kenneth Grant, e seu uso do mito Lovecraftiano mostra claramente que ele viu isto como um recipiente capaz de transmitir profundas ideias esotéricas. Muitos ocultistas testemunham que a novela oculta muitas vezes serve como uma melhor transportadora de ideias que o livro de ocultismo, e Grant mesmo abraçou este conceito. Por exemplo, a novela Gamaliel10 de Grant, mostra claramente como ele entendeu o conceito oculto de vampirismo, ao contrário do um tanto estereotipado Europeu Oriental em um ‘dinner jacket’ e um sorriso de Bela Lugosi. Grant (em The Magical Revival) delineia o vampirismo de volta ao Egito antigo, fazendo referência as práticas de magia negra projetadas para manter a parte terrestre da alma (o ka) a serviço de um necromante (utilizando este sujeitado ka como um familiar), embora a prática original fosse para proteger as tumbas dos mortos. Este é um tema também explorado por Dion Fortune em The Demon Lover11, não obstante Fortune se aproxima de forma ligeiramente diferente, dado que o seu “vampiro” fictício não foi devidamente morto em primeiro lugar!

Nas Trilogias Tifonianas vemos o vampirismo exposto como uma transação de energia com um nível mais profundo que pode levar a uma diminuição de vitalidade, de vida e do ser, com ambos, o hospedeiro e o vampiro, trocando alguma coisa – geralmente resultando na persistência do vampiro e a diminuição do hospedeiro.

Sobek-neferu-re
(Sobek É a Beleza de Rá)

Tanto Aleister Crowley quanto Austin Osman Spare mergulharam seus dedos no assunto do Vampirismo em seus escritos; Grant, no entanto, pulou na piscina, de roupa e tudo. Na verdade, o assunto é central para um tema encontrado em todo o trabalho de Grant, a ideia de “gnose estelar”. Um dos tópicos históricos que Grant explora é o da Rainha SobekNoferu, que historicamente governou o Egito durante quatro anos, no final da XIIº Dinastia, direcionando o Egito para o fim do período do Médio Reinado. Sabemos muito pouco sobre a SobekNoferu histórica, no entanto o seu nome (que significa “Amada de Sobek”) sugere uma ligação com o deus Egípcio crocodilo Sobek.

Esta conexão faz parte do mito original da tradição Tifoniana, que olha para a antiguidade e para as práticas religiosas iniciais conectando a humanidade com nossas Deusas. Dion Fortune em Sacerdotisa da Lua12 aludiu a uma tradição semelhante, e a ideia de civilizações anteriores ao Egito na região do Nilo é ainda algo considerado hoje controverso através da investigação de pessoas como John Anthony West e Robert Schoch**** e seus revisados encontros da Grande Esfinge. Grant viu SobekNoferu como uma restauradora que trouxe esta tradição a partir da mais remota antiguidade para a antiguidade mais próxima:

“O oráculo é ThERA13, Rainha das Sete Estrelas que reinou na XIII Dinastia como Rainha Sebek-nefer-Ra. Foi ela que trouxe de um passado indefinidamente mais antigo, anterior mesmo ao Egito, a original Gnose Tifoniana.”14

A interpretação da Joia das Sete Estrelas de Bram Stoker pela “Casa de Horror Hammer”***** em Sangue no Sarcófago da Múmia exala pura elegância Cinquentista com a seminua Valerie Leon como a (des)mumificada e ainda vital e altamente sexy cadáver de Tera15 sobrevivendo através dos séculos para reviver nos tempos modernos; uma pegada mais moderna e ocultista sobre o conto de Bram Stoker, e mais fiel ao legado sideral de Grant e Austin Osman Spare e, talvez ,capturando alguns dos ambientes de Nu-Isis em que Kenneth Grant estava mergulhado na década de 1960. Na minha opinião este é o filme mais Tifoniano já feito; embora ligeiramente menos preciso (em um nível arqueológico) do que outros filmes de história16, mas pode facilmente deslizar para uma situação de assistir ao filme, onde o erudito Kenneth Grant sai das sombras para explicar a narrativa (na verdade, ele praticamente o faz nos primeiros volumes de suas Trilogias).

Eu acho que parte da importância para Kenneth Grant em relação a Rainha Sobek-Nefer-Ra é que ela é do sexo feminino. Aleister Crowley, enquanto brilhante em seu caminho, era um iconoclasta que moveu adiante o ocultismo nos difíceis anos de formação do século XX. No entanto, ele era basicamente um cavalheiro Vitoriano, com, sinto eu, algumas tendências misóginas que persistiram em seu ensino. É claro a partir de seus escritos que ele via suas mulheres escarlates como subserviente ao seu trabalho e que todas elas tinham funções dentro de seu caminho. De fato uma das razões pelas quais eu não acho que Aleister Crowley teve muita influência sobre Gerald Gardner durante a formação do movimento Wicca é que Crowley certamente não era do tipo de se submeter a uma Sacerdotisa; tudo o que há a partir de Gardner.

Kenneth Grant, porém, é muito mais equilibrado em seus escritos, e evitando as armadilhas de Crowley e Gardner, dá mérito igual a ambos os mistérios, masculino e feminino, em sua obra, reconhecendo que ambos os sexos adicionam em seus próprios caminhos para a iniciação e o avanço da corrente mágica. No trabalho de Kenneth Grant lemos sobre esoterismo tanto numa perspectiva masculina quanto numa perspectiva feminina e temas importantes como Kalas são introduzidos e desenvolvidos.

O Crepúsculo entre Ficção e Fato

“Mephi” de KG
Against the Light©

Experiências estranhas movem inteiramente o trabalho de Kenneth Grant como parte de um entrelace mais profundo com conexões providas dessas ocorrências. Estas muitas vezes começam como estranhos eventos que são descritos e, depois, desenvolvidos em livros posteriores, muitas vezes crescendo de forma tangencial, como Grant atribui essas manifestações de diferentes conceitos.

Uma vez que tal fio diz respeito à estátua de Mefistófeles (carinhosamente apelidado de “Mephi” por Grant) que primeiro encontramos mencionado em Hecates’s Fountain como uma estátua que Kenneth comprou no empório de Busche, em Chancery Lane, um estabelecimento que parece ter florescido antes da Segunda Guerra Mundial. Esta estátua parece ter tido uma vida própria, aparentemente seguindo Grant até em casa em vez de ser adquirido de forma mais tradicional, com Grant achando um pouco mais tarde, e ao tentar devolver a estátua descobre que o empório tinha fechado17. Um pouco mais tarde, em Hecate’s Fountain18 descobrimos que Mephi encontra seu caminho em um rito de Oolak (um dos Grandes Antigos do sistema de Grant) da Nu-Isis e serve para aterrar os poderes levantados no rito. Mephi em seguida, aparece misteriosamente na Novela Against the Light como uma ilustração na capa, bem como sendo referido no livro em que Grant nos dá um relato da compra da estátua. Tudo isso pode soar um pouco estranho e improvável, no entanto coisas estranhas como esta acontecem aos ocultistas, e alguns objetos entusiasmados com presença parecem, muitas vezes, ter uma finalidade própria. Eu sinto que os relatos de Mephi, em todos os livros de Kenneth Grant, representam estranhos acontecimentos que realmente ocorreram enquanto ele era dono da estátua.

Minha novela favorita de Kenneth Grant é Against the Light, a qual eu sinto ser uma joia absoluta (é importante notar que o “Contra”- Against no original – do título significa próximo a, como se com um amante, e certamente não oposto ou sugerindo diabólica magia negra). Against the Light é tecido através de fios do próprio passado de Grant; como é observado ele menciona o negociante em Charing Cross Road, em Londres, de quem obteve a sua estátua de Mefistófeles; há referências ao (talvez fictício) Grimório Grantino, personagens fictícios de vários contos estranhos, como Helen Vaughan e uma constante indefinição de ficção e realidade. Isso tudo é para o bem, uma vez que nos deixa todos querendo saber o que realmente é a realidade. Talvez a verdade seja que é tudo ficção; tudo verdade. Talvez nossas próprias vidas sejam tudo ficção, tudo verdade. A nebulosidade limítrofe é onde o magista, o artista e o poeta tudo aguenta dentro de suas próprias cadências – e é claro que Grant era tudo isso, e perfeitamente confortável nesta zona de penumbra.

O notável escritor e mago Alan Moore escreveu uma divertida e erudita crítica19 deste livro, que eu entendo Kenneth Grant ter gostado muito. Em sua crítica Moore descreve o valor e o poder dos romances de Grant como emergindo de seu lugar único entre fato e ficção. Aqui, emoldurado em ficção, vemos magia despejar em nossa dimensão infundindo tudo o que toca. Grant é simultaneamente, extremamente brincalhão ainda que mortalmente sério. Oolak (mencionado acima) é uma forma de Conde Orlok de Nosferatu20. Mais uma vez, como a conexão Lovecraftiana através da qual Grant explorou o vampirismo em ritual desses nódulos ficcionais podem servir como entradas para as energias que sustentam a sua existência. Grant dá algumas dicas em seu trabalho sobre exatamente como ele trabalhava, e para entender mais disso, precisamos ler as entrelinhas e nos envolver em alguma especulação. Nós lemos alguns relatos fantásticos nos livros, como o seguinte de Hecate’s Fountain, o que dá o maior número de relatos das práticas que a loja Nu-Isis executou. Mais maravilhosamente lemos na página 53 da edição da Skoob:

“O salão estava preparado para exibir a vastidão nevada daquele abominável platô situação em regiões astrais que coincidem terrestrialmente com certas regiões da Ásia Central não precisamente especificado por Al Hazred. As paredes e o chão eram brancos, e brancos eram os sete caixões arrumados sobre cavaletes diante de um altar deslumbrantemente branco onde montes de neve brilhavam e traçou sobre as pistas de gelo suaves de três pirâmides … “21

Claramente precisamos ler descrições como esta com um olhar atento e perceber que Grant não está falando de alguma decoração em um quarto de hóspedes no andar de cima! Embora possa ter havido alguma decoração física no local de trabalho (dado os talentos artísticos de Kenneth e Steffi Grant), é duvidoso que um espaço para trabalho mágico seja tão grande. Um outro indício, porém, é sugerida a seguinte relato:

“O salão da loja foi preparado para a realização de um tipo de feitiçaria licantrópica e necromântica associada com dois específicos túneis de Set. Imagine, portanto, uma miniatura completa da versão mais complexa das cavernas de Dashwood com – em lugar das várias grutas providas para flerte sensual – uma série de celas em forma de concha, como vórtices petrificados, projetados com o único propósito de atrair em suas circunvoluções as energias ocultas de Yuggoth, e focalizando através delas os kalas de Nu Isis, representados por uma gigantesca vesica em forma de prisma. A decoração era sobrenatural ao extremo, as iluminações engenhosamente arranjadas a conferir um sinistro e cambiante jogo de luz e sombra combinados com audíveis imagens sugestivas de águas impetuosas e assobios de ventos astrais; uma atmosfera completamente estranha criada por poucos toques hábeis e de suprema qualidade artística.”22

Observe o uso de palavras e frases como imagine e ventos astrais. Tal terminologia é sugestiva de que essas configurações foram imaginadas na mente dos participantes do trabalho. Isso não é tão estranho quanto seria de se esperar, uma vez que as habilidades em visualização são cruciais para trabalho oculto, e está dentro dos olhos mentais em que o fenômeno é visto. Estamos todos familiarizados com a ideia de um palácio da memória, onde um edifício é visualmente perpetrado de memória como uma coleção de pontos de ancoragem que prendem objetos específicos em seu locus. Exatamente a mesma coisa está acontecendo aqui e Grant, enquanto escrevendo de uma forma evocativa, está, acredito eu, descrevendo como os participantes da Loja Nu-Isis começariam seu trabalho através da criação de um “espaço visual” interno como um local mental, pronto para contactar as entidades que estavam sujeitas ao ritual em andamento.

Sobre Estranhas Marés

The Oracle
Zos Speaks!©

 

Um dos temas mais notáveis ​​no corpo de trabalho de Kenneth Grant é seu reconhecimento do trabalho de outros ocultistas, como eles se prolongam na corrente do trabalho mágico que ele descreve. O mais notável destes superstars foi, naturalmente, o artista ocultista Austin Osman Spare, que era um amigo próximo de Kenneth e Steffi Grant até sua morte em 1956. Vale bem a pena obter uma cópia do Zos Speaks23 de Grant, que detalha a comunicação entre ele e Spare, bem como a publicação do grimório de Spare, The Book of Zos vel Thanatos. Muitas vezes se tem observado que sem Kenneth Grant continuamente a defender seu trabalho, haveria o perigo de que Spare tivesse sido esquecido atualmente. Certamente Spare, por ser um pouco recluso, tinha desaparecido da ribalta pública na época em que conheceu Kenneth Grant e seu retorno à proeminência só começou realmente em 1975, quando o livro de Grant, Images and Oracles of Austin Osman Spare24 foi publicado. Percorremos um longo caminho desde as imagens monocromáticas encontradas neste livro quase quarentão, até os lindamente talismãnicos livros que as modernas editoras, como Starfire e Fulgur produzem hoje, em que podemos ver a arte gloriosa de Austin Spare pródigamente reproduzidas em cor de total alta definição.

Outro ocultista notável trazido a destaque pelo trabalho de Grant é Michael Bertiaux, cuja obra está recentemente experimentando um renascimento graças à reimpressão de seu famosíssimo obscuro e anteriormente inconseguível Voudon Gnostic Workbook25. Temos também Nema (mencionada nas Trilogias como Soror Andahadna), cuja peça canalizada Liber Pennae Praenumbra lindamente evoca o melhor de Thelema, falando de um universo mágico muito maior do que nós, cheio de mistério e maravilha.

Em livros posteriores de Grant nós até mesmo vemos referência ao falecido Andrew D. Chumbley, cuja reinicialização da bruxaria tradicional em seu Azoëtia26 remete a alguns dos temas desenvolvidos por Austin Spare em “The Witches Sabbath”. Há muitas outras referências a ocultistas emergentes no trabalho de Grant, e não pode haver a mínima dúvida que seu apoio ajudou a trazer esses escritores à atenção de ocultistas e, em alguns casos, de um público mais amplo.

Os escritos de Kenneth Grant tem sido publicados desde a década de 1960, e até sua morte recente, tinha havido sempre um novo livro para aguardar ansiosamente. Alan Moore nota em sua crítica de Against the Light27 “por que a maioria dos ocultistas que eu conheço, inclusive eu, têm mais ou menos tudo que Grant já tenha publicado descansando em suas prateleiras?” Apesar de sua morte, sua influência continua a crescer e estamos já vendo trabalhos de escritores enriquecidos pelas Trilogias Tifonianas movendo-se no lado diurno – por exemplo, o grupo experimental britânico English Heretic produziu um álbum chamado Tales of Nu-Isis Lodgee28 que divertidamente coreografa os relatos em Hecate’s Fountain em música e a ficção fantástica encontrada na literatura e no cinema, como o filme original A Múmia29Fungos de Yuggoth de Lovecraft30 e Invasores de Corpos31 que inspirou Grant.

Infelizmente o último título publicado foi o Grist to Whose Mill32, o qual, ironicamente, foi o primeiro romance de Kenneth Grant, escrito no início de 1950, que só agora emergiu da escuridão à luz para publicação. É triste que não veremos mais os maravilhosos e mágicos livros de Kenneth Grant embora a sua obra deva viver e crescer em nossos corações, mentes e almas.

___________________

NOTAS:

(*)N.R. Perichoresis (pericorese) ou Interpenetração é um termo que surgiu na teologia cristã que aparece pela primeira vez em Gregório de Nazianzo. Do grego peri (“à volta”) e chorein (“conter”). Kenneth Grant em Hecate’s Fountain (pp. 17, cap.2), define o termo de maneira mais precisa como interpenetração de dimensões.

1 Pertencente de informações, contatos e conceitos que se originam de “outro lugar” e entra na esfera da consciência humana através da inconsciência.

2 A palavra sideral é usada aqui para descrever como uma perspectiva particular é necessária quando se olha para alguns dos conceitos e caracteristicas que Grant descreve.

3 Kenneth Grant, Outer Gateways, Skoob books: London, 1994

4 Arthur Machen, The Great God Pan, John Lane, 1984. Em língua portuguesa – O Grande Deus Pã, Editora Saída de Emergência, 2007

5 John Keel, The Mothman Prophecies, Panther Books, 1975

6 Daniel Harms and John Wisdom Gonce, The Necronomicon Files, Red Wheel/Weiser, 2003

*N.T. – Entusiasmo (do grego en + theos, literalmente ’em Deus’) originalmente significava inspiração ou possessão por uma entidade divina.

7 Kenneth Grant, The Magical Revival, Muller, 1972. No Brasil, Renascer da Magia – as Bases Metafísicas da Magia Sexual, Editora Madras, 1999.

8 Tecnicamente falando, gematria é o processo de atribuir números a palavras significativas e depois observar as palavras com o mesmo número para encontrar conexões significativas. Kenneth Grant expande isso com a gematria criativa que leva ainda mais longe as coisas, como veremos mais tarde.

9 É interessante esta sugestão que a palavra possa ser Enoquiana em natureza.

**N.T. – Theodore Robert Cowell, mais conhecido como Ted Bundy foi um dos mais temíveis assassinos em série da história dos EUA durante a década de 1970.

***N.T.- Fluffy-bunny no original; “Coelhinho felpudo”, ou Fluffbunny, é uma expressão pejorativa usada, inicialmente na Wicca e, posteriormente no Neopaganismo e Ocultismo em geral, para se referir aos ‘adeptos’ considerados superficiais ou caprichosos. Ele são aqueles que não gostam de elementos mais sombrios e enfatizam a bondade, luz, ecletismo, e elementos retirados do movimento da ‘Nova Era’, ou os que seguem o neo paganismo e/ou o ocultismo como um modismo.

10 Kenneth Grant, Gamaliel: The diary of a Vampire & Dance, Doll Dance, Starfire, 2003.

11 Embora a ideia de um vampiro como um fantasma faminto de força vital seja muito importante e surja frequentemente no folclore e no ocultismo. No Brasil foi lançado como Paixão Diabólica – Editora Pensamento. 1988.

12 Dion Fortune, Moon Magic, Red Wheel/Weiser, 2003. No Brasil, Sacerdotisa da Lua – Editora Pensamento. 1994.

****N.T. – John Anthony West é um egiptologo americano, autor, professor, guia e um pioneiro na hipótese em geologia de erosão hídrica da Esfinge. Robert M. Schoch é professor associado de Ciências Naturais da Faculdade de Estudos Gerais da Universidade de Boston. Ph.D. em geologia e geofísica pela Universidade de Yale, ele é mais conhecido por seu argumento de que a Grande Esfinge de Gizé é muito mais antiga do que convencionalmente se pensa e que, possivelmente, algum tipo de catástrofe foi responsável por exterminar evidências de uma civilização muito mais antiga.

13 Tera. Ver de Bram Stoker – Jewel of the Seven Stars. No Brasil – A Joia das Sete Estrelas, Europa-América,1997 .

14 Kenneth Grant, The Ninth Arch, Starfire Publishing, 2002, pp386

*****N.T. – Hammer Film Productions é uma companhia cinematográfica britânica especializada em filmes de terror.

15 .Em Stoker ela é chamada Tera como um trocadilho com Margaret, a protagonista do conto. Tera é, claro, as últimas quatro letras de Marg(aret).

16 Como Reencarnação (Awakening – 1980) e A Lenda da Múmia (Legend of the Mummy – 1997).

17 Encontramos com este conto ecos do conto de Aleister Crowley The Dream Circean que é em si mesmo uma releitura de um antigo conto sobre uma pessoa que visitando e sendo entretida dentro de uma casa, apenas para descobrir um pouco mais tarde que tinha sido abordada por anos.

18 Kenneth Grant, Hecate’s Fountain, Skoob, 1992

19 Alan Moore, Beyond our Ken, publicado na revista KAOS 14, Londres, Kaos-BabalonPress, 2002, p155- 162

20 Produzido por Enrico Dieckmann e estrelado por Max Schreck, Nosferatu, 1922.

21 Kenneth Grant, Hecate’s Fountain, Skoob Publishing, 1992, pp53

22 Kenneth Grant, Hecate’s Fountain, Skoob Publishing, 1992, pp10

23 Kenneth Grant, Zos Speaks, Fulgur Publishing, 1999.

24 Kenneth Grant, Images and Oracles of Austin Osman Spare, Muller, 1975.

25 Michael Bertiaux, The Voudon Gnostic Workbook, Red Wheel/Weiser, 2007

26 Andrew D. Chumbley, Azoëtia, Xoanon, 1992, 2002

27 Alan Moore, Beyond Our Ken, publicado na revista KAOS 14, Londres, Kaos-BabalonPress, 2002.

28 English Heretic, Tales of the New Isis Lodge2009. http://www.english-heretic.org.uk/

29 Universal Studios, A Múmia, 1932

30 HP Lovecraft, Fungi from Yuggoth. Em língua portuguesa – Os Fungos de Yuggoth – 36 sonetos produzidos entre 1929 a 1930.  Editora Nephelibata, 2011.

31 Vampiros de Almas (Body Snatchers), 1956.

32 Kenneth Grant, Grist to Whose Mill, Starfire Publishing, 2012

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Texto originalmente publicado na revista Darklore vol. VII.

©Tradução de Lília Palmeira – 2012
©Revisão de Cláudio César de Carvalho – 2012
©By Paolo Sammut – 2012

Paolo Sammut é pesquisador e está sediado no Reino Unido. É interessado primeiramente em assuntos esotéricos e paranormal. Suas principais áreas de foco incluem Magia Cerimonial especialmente Enoquiana e a tradição Tifoniana, Alquimia Espagíria, Investigador psíquico e pesquisador de Paranormalidade. Ele mora em Somerset com uma confraria de gatos e sua mulher escarlate – ela própria uma feiticeira de nenhuma capacidade média.

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Fonte: Kenneth Grant, O Homem, O Mito & O Magista
Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-sabedoria-estelar-uma-perambulacao-pericoresica-atraves-pela-obra-de-kenneth-grant/

Hermes Trismegistus

“O que está em cima é como o que está embaixo.

E o que está embaixo é como o que está em cima”

O que é magia? Esta é uma questão que, mesmo em círculos esotéricos, levanta muita discussão. Vários autores e filósofos em todas as épocas teceram variadas interpretações a respeito do assunto. Entretanto, os elementos-chave de todas as definições existentes parecem concordar em apenas um ponto: Magia (ou Magick) envolve o uso da mente humana para causar uma alteração: Mudança no mundo, mudança do próprio indivíduo, mudança para com os outros. Aleister Crowley definiu mágica como “a Arte ou Ciência de causar uma mudança. Para que esta ocorra em conformidade com a Vontade”. Doreen Valiente define magia como “a ciência do controle das forças secretas da natureza”. Scott Cunningham chama a magia de “o movimento de energias naturais para criar uma mudança necessária”. Mas é Margot Adler que tem a definição que considero ser a mais interessante de todas. Ela diz:

“Magia é uma palavra conveniente para toda uma coleção de técnicas, todas as quais envolvem o uso da mente. Neste caso, veremos que todas estas técnicas envolvem a mobilização da confiança, vontade e emoção, direcionadas a partir do reconhecimento da necessidade, do uso das faculdades da imaginação, principalmente através da habilidade de visualizar, a fim de entender como outros seres funcionam na natureza para que possamos usar este conhecimento de forma a atingir os fins necessitados”.

Magia, portanto, é um instrumento da mente e, como tal é mental por natureza. Magia é um meio através do qual a vontade (Thelema), a emoção (Emotionem) e a imaginação (Imaginatio) criam uma mudança verdadeira no mundo físico. Como, porém, pode um instrumento mental e não físico criar uma alteração no mundo físico e corpóreo? A resposta está na Verdade de que o universo em si mesmo é Mental por natureza e que a mente é a chave para abrir os poderes do Cosmo.

“Substância” pode ser definida como aquilo que está por dentro de todas as manifestações exteriores. Atrás de toda aparência exterior neste mundo e em todos os outros mundos, deve existir uma realidade substancial. Um imenso Panteão de deuses e deusas mostra-nos como o homem tentar dar nome a esta realidade substancial.

Como John Barnes afirmou certa vez, “O Todo é a Realidade Substancial que está escondida em todas as manifestações de vida. O Todo é a Grande Avó -Avô que criou a si mesmo, que sempre existiu e que irá existir para sempre”

Uma das chaves para entender como o Universo funciona nos foi dada por Hermes-Toth, também conhecido como Hermes Trismegistus. Algumas pessoas o consideram um deus, outras um grande iniciado, e algumas ainda acreditam que este nome represente uma das primeiras Ordens Iniciáticas do Antigo Egito e Grécia, cujos trabalhos de seus Iniciados perduram até os dias de hoje, através da ciência conhecida como Hermetismo. A seguir, falarei um pouco sobre quem foi esta figura e o que ele nos deixou de legado.

Toth

Toth (ou Thoth) é considerada uma das divindades mais importantes do Egito. Também chamado de “O escriba dos Deuses”, ele é geralmente descrito como tendo a cabeça de um Íbis.

Sua contraparte feminina era Maat, deusa da Justiça, e seu principal templo ficava em Khemennu (que os gregos chamavam de Hermopolis e os árabes de Eshmunen). Mas Toth também tinha templos iniciáticos em Abydos, Hesert, Urit, Per-Ab, Rekhui, Ta-ur, Sep, Hat, Pselket, Tamsis, Antcha-Mutet, Bah, Amen-heri-ab e Ta-kens. Nestes templos, seus discípulos aprendiam as bases do que chamamos de “Livro de Toth”, ou como é conhecido pelos profanos, o Tarot. As 78 lâminas, também chamada “Espelho da Alma”, são capazes de reproduzir simbolicamente todos os fluxos de energia que permeiam uma situação (as pessoas acreditam que o Tarot serve para “prever o futuro” mas isto não é verdade. Seu uso principal é para autoconhecimento). Falarei mais sobre Tarot em posts futuros.

Ele era considerado o coração e a língua de Rá, assim como a vontade de Rá traduzida para a fala (o Verbo). Dentro do Panteão Egípcio, ele possuía diversas funções muito importantes (entre elas, ensinar a escrita, magia, ciência, astrologia e ajudar no julgamento dos mortos).

Toth também é responsável pelo governo dos Planetas e das estações. È chamado de “Senhor das palavras Sagradas” pois foi ele quem inventou os hieroglifos e os números. Por ter sido o primeiro magista, Toth possuía mais poder até mesmo do que Osíris ou Rá.

Em algumas representações, podemos vê-lo com a crescente lunar sobre sua cabeça e sua figura carregando uma palheta e cinzel. Toth possuía duas esposas, Seshat e Nehmauit. Seu festival principal acontecia no décimo nono dia do mês de Toth, alguns poucos dias após a lua cheia do começo do ano.

Toth é considerado deus da Magia, escrita, invenções, profecia, música, tarot, conhecimento, ciências, medidas, matemática, fala, oráculos, julgamento, desenhos, arquitetura, gramática, teologia, hinos, aprendizado, livros, registros Akashicos, paz e orações.

Hermes

Hermes também é tido como uma das mais importantes divindades gregas do Panteão Olímpico. Considerado o mais jovem dos deuses, ele é o protetor de todos os viajantes e ladrões, é o mensageiro dos deuses, responsável por levar a palavra dos deuses até os mortais (qualquer semelhança com Prometeu ou Lúcifer NÃO é mera coincidência); Hermes é o deus da eloqüência, ao lado de Apolo, é o Deus dos diplomatas e da diplomacia (que era chamada de Hermeneus pelos gregos) e é o deus dos mistérios e interpretações (da onde vem a palavra Hermenêutica). Além disto, era um dos únicos deuses que tinha permissão para descer ao Hades e partir quando desejasse. Todos os outros (incluindo Zeus) estavam sujeitos às leis de Hades.

Hermes tinha vários símbolos, mas os mais tradicionais eram as sandálias com asas, o caduceu (que curiosamente representa a Kundalini, duas serpentes enroscadas em um cajado) e a tartaruga (de cujo casco ele criou a primeira Lira).

Como inventor de diversos tipos de corrida e também das lutas, Hermes era considerado o patrono dos atletas. Finalmente, era tido como o inventor do Fogo (em alguns textos anteriores a Prometeu) e considerado um deus pregador de peças, que adorava aprontar com seus irmãos (isto desde seu nascimento, quando a primeira coisa que fez quando aprendeu a andar foi roubar os bois de Apolo e esconde-los). Hermes era patrono dos alquimistas, magos e filósofos.

Mercúrio

Para os romanos, Mercúrio surgiu da fusão do deus Turms (Etrusco) com as características de Hermes grego, em aproximadamente 400 AC. Mercúrio tornou-se assim o deus do comércio (em muitos países o símbolo do Caduceu é usado para indicar administração e não medicina), das estradas e das relações de diplomacia. Mercúrio não era tão popular entre os romanos como Hermes era entre os gregos, sendo considerado um deus menor dentro do Panteão romano.

Mercúrio era patrono do comércio, transportes, sucesso, magia, viagens, apostas, atletas, eloqüência, mercadores e mensageiros.

Hermes Trimegistus

Hermes Trismegistus é a tradução em latim e significa “Hermes, o três vezes grande”.

Trata-se do nome dado pelos neoplatônicos, místicos e alquimistas ao deus egípcio Toth ou Tehuti, identificado com o deus grego Hermes. Ambos eram os deuses da escrita e da magia nas respectivas culturas.

Toth simbolizava a lógica organizada do universo. Era relacionado aos ciclos lunares, cujas fases expressam a harmonia do universo. Referido nos escritos egípcios como “duas vezes grande”, era o deus do verbo e da sabedoria, sendo naturalmente identificado com Hermes. Na atmosfera sincrética do Império Romano, deu-se ao deus grego Hermes o epíteto do deus egípcio Toth.

Como “escriba e mensageiro dos deuses”, no Egito Helenístico, Hermes era tido como o autor de um conjunto de textos sagrados, ditos “herméticos”, contendo ensinamentos sobre artes, ciências e religião e filosofia – o Corpus Hermeticum – cujo propósito seria a deificação da humanidade através do conhecimento de Deus. É pouco provável que todos esses livros tenham sido escritos por uma única pessoa, mas representam o saber acumulada pelos egípcios ao longo do tempo, atribuído ao grande deus da sabedoria.

Segundo Clemente de Alexandria, eram 42 livros subdivididos em seis conjuntos. O primeiro tratava da educação dos sacerdotes; o segundo, dos rituais do templo; o terceiro, de geologia, geografia, botânica e agricultura; o quarto, de astronomia e astrologia, matemática e arquitetura; o quinto continha os hinos em louvor aos deuses e um guia de ação política para os reis; o sexto era um texto médico.

Também é creditado a Hermes Trismegistus, “O Livro dos Mortos” ou “O Livro da Saída da Luz” e o mais famoso texto alquímico – a “Tábua de Esmeralda”.

Os Escritos Herméticos

Os escritos Herméticos são uma coleção de 18 obras Gregas. Estes escritos contêm os aspectos teórico e filosófico do Hermetismo em seu aspecto teosófico. O período bizantino é marcado por uma outra coleção de obras herméticas, que também são relacionadas ao Hermes Trismegistus e contêm uma tradição hermética popular a qual é composta essencialmente por escritos relacionados a astrologia, magia e Alquimia. Esta versão popular encontra sustentação ou base nos diálogos Hermeticos, apesar dele se distanciar da magia.

A prática da magia entretanto não está distante das praticas realizadas no antigo Egito, a qual em uma última análise é a fonte de todos os diálogos herméticos, pois o Hermetismo lá floresceu e, portanto estabelece uma conexão entre as duas tradições Hermeticas: filosófica e magia.

Os ensinos de Hermes-Toth chegaram à atualidade baseados em escassos documentos que constituem o “Kabalion“, “A Tábua da Esmeralda“, “Pistis Sophia“, “Corpus Hermeticum“, e alguns outros papiros. Naturalmente que o acervo de ensinamentos de Toth estão contidos em muitos outros documentos que foram preservados e mantidos sob a guarda de Ordens Iniciáticas. Tratam-se de documentos originais e cópias que foram preservados do incêndio da Biblioteca de Alexandria. Entre os documentos preservados existem aqueles que deram base ao desenvolvimento da Alquimia.

As sete Leis Herméticas

As sete principais leis herméticas se baseiam nos princípios incluídos no livro Kabalion que reúne os ensinamentos básicos da Lei que rege todas as coisas manifestadas. A palavra Kabalion, na língua hebraica significa tradição ou preceito manifestado por um ente de cima. Esta palavra tem a mesma raiz da palavra Kabbalah, que em hebraico, significa recepção. De acordo com Hermes Trismegistus:

Lei do Mentalismo

O universo é mental ou Mente. Isso significa que todo universo fenomenal é simplesmente uma criação mental do TODO… Que o universo tem sua existência na Mente do TODO.

Uma outra maneira de dizer isso é: “tudo existe na mente do Deus e da Deusa que nos ‘pensa’ para que possamos existir. Toda a criação principiou como uma idéia da mente divina que continuaria a viver, a mover-se e a ter seu ser na divina consciência.”

“O Universo e toda a matéria são consciência do processo de evolução.”

Minha opinião é que toda a matéria são como os neurônios de uma grande mente, o universo consciente, que “pensa”.

Todo o conhecimento flui e reflui de nossa mente, já que estamos ligados a uma mente divina que contem todo o conhecimento.

É claro que não estamos conscientes de “todo o conhecimento” em qualquer momento dado, por que seria uma tarefa exorbitante manuseá-lo e processa-lo e ficaríamos loucos no processo.

Os cinco sentidos do cérebro humano atuam tanto como filtros como fontes de informação. Eles bloqueiam uma considerável soma de informação caso contrário seriamos esmagados por informações que nos bombardeiam minuto a minuto como sons, cheiros e até idéias, não seriamos capazes de nos concentrarmos nas tarefas especificas em mãos. Mas sob condições corretas de consciência podemos moderar, ou até desligar o processo de filtração, com a consciência alterada, o conhecimento universal (Registros Akáshicos) torna-se acessível.

Lei da Correspondência

“Aquilo que está em cima é como aquilo que está embaixo.”

Essa lei é importante porque nos lembra que vivemos em mais que um mundo.

Vivemos nas coordenadas do espaço físico, mas também vivemos em um mundo sem espaço e nem tempo.

A perspectiva da Terra normalmente nos impede de enxergar outros domínios acima e abaixo de nós. A nossa atenção está tão concentrada no microcosmo que não nos percebemos o imenso macrocosmo à nossa volta. O principio de correspondência diz-nos que o que é verdadeiro no macrocosmo é também verdadeiro no microcosmo e vice-versa.

Portanto podemos aprender as grandes verdades do cosmo observando como elas se manifestam em nossas próprias vidas.

Por isso estudamos o universo: para aprender mais sobre nós mesmos.

Na menor partícula existe toda a informação do Universo.

A Lei da Correspondência, em conjunto com a Lei da Causa e Efeito, é a explicação para o funcionamento perfeito do Tarot e da Astrologia, bem como de todos os outros oráculos.

Lei da Vibração

“Nada está parado, tudo se move, tudo vibra”

No universo todo movimento é vibratório. O todo se manifesta por esse princípio. Todas as coisas se movimentam e vibram com seu próprio regime de vibração. Nada está em repouso. Das galáxias às partículas sub-atômicas, tudo é movimento.

Todos os objetos materiais são feitos de átomos e a enorme variedade de estruturas moleculares não é rígida ou imóvel, mas oscila de acordo com as temperaturas e com harmonia. A matéria não é passiva ou inerte, como nos pode parecer a nível material, mas cheia de movimento.

A Lei da Vibração rege toda a comunicação entre espíritos e matéria, bem como a conjuração de elementais, devas, exús, orixás, anjos enochianos e qualquer outro tipo de serviçal astral. Também rege os princípios de atração e repulsão entre indivíduos, a harmonia e as egrégoras.

Lei da Polaridade

“Tudo é duplo, tudo tem dois pólos, tudo tem o seu oposto. O igual e o desigual são a mesma coisa. Os extremos se tocam. Todas as verdades são meias-verdades. Todos os paradoxos podem ser reconciliados”

A polaridade revela a dualidade, os opostos representando a chave de poder no sistema hermético. Mais do que isso, os opostos são apenas extremos da mesma coisa. Tudo se torna idêntico em natureza. O pólo positivo + e o negativo – da corrente elétrica são uma mera convenção.

O claro e o escuro também são manifestações da luz. A escala musical do som, o duro versus o flexível, o doce versus o amargo. Amor e o ódio são simplesmente manifestações de uma mesma coisa, diferentes graus de um sentimento.

Lei do Ritmo

“Tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés, tudo sobe e desce, o ritmo é a compensação”

Pode se dizer que o princípio é manifestado pela criação e pela destruição. É o ritmo da ascensão e da queda, da conversão da energia cinética para potencial e da potencial para cinética. Os opostos se movem em círculos.

É a expansão até chegar o ponto máximo, e depois que atingir sua maior força, se torna massa inerte, recomeçando novamente um novo ciclo, dessa vez no sentido inverso. A lei do ritmo assegura que cada ciclo busque sua complementação.

Lei do Gênero

“O Gênero está em tudo: tudo tem seus princípios Masculino e Feminino, o gênero se manifesta em todos os planos da criação”

Os princípios de atração e repulsão não existem por si só, mas somente um dependendo do outro. Tudo tem um componente masculino e um feminino independente do gênero físico. É semelhante ao principio com o principio animas animus que Carl Jung e seus seguidores popularizaram, ou seja que cada pessoa contém aspectos masculinos e femininos, independente do seu gênero físico, nenhum ser humano é 100% homem ou mulher, e isso é até astrologicamente explicado, uma vez que todos somos influenciados por todos os signos (uns mais, outros menos), e metade do zodíaco é feminino, enquanto que a outra metade é obviamente masculina (Esse é mais um argumento que suporta a igualdade entre Deus/Hochma e Deusa/Binah dentro das Esferas da Kabbalah).

Em todas as coisas existe uma energia receptiva feminina e uma energia projetiva masculina, a que os chineses chamavam de Yin e Yang.

Lei de Causa e Efeito

“Toda causa tem seu efeito, todo o efeito tem sua causa, existem muitos planos de causalidade mas nenhum escapa à Lei”

Nada acontece por acaso, pois não existe o acaso, já que acaso é simplesmente um termo dado a um fenômeno existente e do qual não conhecemos e a origem, ou seja, não reconhecemos nele a Lei à qual se aplica.

Esse princípio é um dos mais polêmicos, pois também implica no fato de sermos responsáveis por todos os nossos atos e é muito mais cômodo deixar os acontecimentos ao “acaso” ou ao “divino”. Também é conhecido como Lei do Karma.

Hermes/Toth na Kabbalah

A Árvore da Vida representa um mapa dos estados de consciência humanos. Vamos falar mais detalhadamente sobre isso em posts futuros, mas vou fazer a referência agora e vocês podem retornar e ler novamente este texto mais tarde, ok?

Em razão de sua eloqüência e inteligência privilegiada, Mercúrio está associado na Kabbalah à oitava esfera (sephira), chamada Hod (explendor). Hod representa a razão pura, a lógica, a matemática, o ceticismo e os desertos dos códigos rígidos e cartesianos, em contraste com Netzach (Vênus) que representa a Emoção Pura.

Hod está associado ao Planeta Mercúrio, ao metal mercúrio, ao incenso de sândalo, Mastic e Storax, à cânfora, lavanda, lírios, marjoran e mirtila e ao caduceu. Seu elemento é o Ar.

Hod influencia os Caminhos Shin (31), a Inteligência Perpétua, conectando a Razão ao Plano Material, servindo de filtro entre as idéias que permeiam o mundo material e o que pode ser aproveitada delas (este é literalmente o caminho do despertar dos céticos), Resh (30), o Sol, que conecta a Razão ao Plano Astral, perfazendo a segunda trilha que um mago deve percorrer na consciência, usando a razão de maneira questionadora no Plano Astral, Peh (27), a Torre, o caminho turbulento que conecta a esfera da Razão Pura à esfera da Emoção Pura. Imaginar este estado de consciência é como colocar um fanático cético com um fanático religioso para discutir. Mais cedo ou mais tarde, a estrutura vai rachar ao meio. Da conexão entre Hod e Tiferet (Sol) há o Caminho 26, Ayin, o Diabo, o caminho da iluminação através da razão ou através do Caminho da Esquerda, como vocês já devem ter ouvido falar por aí. O famoso “Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei” e finalmente, o caminho 23, Mem, que liga a Razão às planícies de provação de Marte/Geburah, simbolizando a estagnação do Enforcado.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hermes-trismegistus-1