“I have a Dream inside a Dream”

O filme “A Origem” (Inception – 2010) é muito interessante, bem planejado e nos dá uma dimensão nova, um novo paradigma, uma nova forma de pensar. Mas devemos ponderar qual seria a aplicação disso nos estudos do magista. “I have a dream inside a dream I’m more awake the more I sleep, you’ll understand when you’re dead” (Marilyn Manson). O que resultaria de uma projeção dentro de uma projeção astral?

Primeiro analisemos o contexto de Inception. Num futuro próximo, a ciência criaria uma máquina capaz de colocar uma consciência em contato com outra em estado de sono (inconsciente). Bem, o magista já sabe como fazer isso sem precisar de aparato nenhum. É comum mandarmos mensagens quando em meditação (estado alpha) para outra pessoa, e esta possivelmente recebe-la de forma intuitiva ou em seus sonhos. Essa é uma forma básica de telepatia bem fácil de dominar e inclusive amplamente ensinada pela conscienciologia (www.iipc.org). Então vamos pular essa parte.

The Inception, a inserção, consistiria de uma difícil técnica de inserir uma idéia na mente de outra pessoa, objetivando uma mudança de comportamento baseada na influência dessa idéia na vida da pessoa, e um ponto de grande importância seria que a pessoa acreditaria que essa idéia seria sua, originalmente, nascida de seu próprio livre-arbítrio e meditação sobre sua vida. Pois bem, uma vez que se pode entrar em contato com o inconsciente de uma pessoa enquanto ela dorme – isso seria uma projeção astral consciente indo de encontro com a consciência adormecida de uma outra pessoa – é possível influenciar o inconsciente da mesma, plantando idéias, que podem ser aceitas ou rejeitadas dependendo da personalidade do indivíduo (quanto mais oposta à personalidade da “vítima”, mais difícil seria plantar a idéia). Nada ético e tenho a dizer que possivelmente nunca será visto um magista sério a praticar esse tipo de comportamento, principalmente porque fere a mais alta idéia de se ser um magista, que é a preservação do livre-arbítrio. Mas é possível.

Se várias das idéias do filme são possíveis de serem executadas através da aplicação de nossas disciplinas e técnicas, seriam outras idéias trazidas a tona pelo filme possíveis de serem executadas? No filme vemos que além do mundo real, dentro do sonho, são mostradas quatro camadas, e além destas está o Limbo, onde a noção de realidade daquele que está projetando-se, perde-se dentro de si mesma, ou de outras, pois é algo que não fica muito claro, pois todos que caem no Limbo acabam nos mesmos locais e Cobb mostra a Ariadne o que ele construiu enquanto dentro do Limbo, e o local onde Saito está é o mesmo criado para ele por Arthur. Logo o Limbo seria uma “área coletiva” de todos os sonhos, onde o sonhador se perde, onde a consciência se dilui no todo, não desejando retornar.

Quanto mais fundo o indivíduo vai no sonho, mais tempo ele tem, algumas horas no físico simbolizam dias ou semanas dentro dos níveis do sonho. Isso pode ser explicado e até comprovado através dos experimentos de projeção, sendo que muitos dos que o praticam, acabam relatando ter perdido a noção de tempo a uma certa altura. Certa vez quando questionado sobre como era o reino dos Céus, Jesus teria afirmado que no Reino do Pai não há tempo. Até algumas décadas atrás o tempo era considerado uma constante, porém com a Teoria da Relatividade de Einstein esse pensamente foi totalmente descartado, tendo ele provado que o tempo, assim como o espaço, são relativos e não constantes, podendo variar imensamente dependendo da situação e onde estamos aplicando é muito possível, sendo que não há massa física no astral, o tempo corre de forma diferente, sendo mais rápido lá, e demorando a passar no físico.

A Organização Mundial de Saúde (OMS – www.who.int ) define o ser humano como um ser multidimensional, sendo ao mesmo tempo um ser bio-psico-socio-espiritual, sendo assim englobando quatro aspectos, físico, mental, social e espiritual. Essa história de quatro formas é um tanto conhecida pelos místicos antigos, sendo cada parte, cada ser ou corpo dentro do ser humano relacionado a um dos elementos – terra, ar, água e fogo, respectivamente. Ao realizar a projeção astral o magista tira seu foco do plano material, libertando-se dele temporariamente e vagando pelo astral, onde pode ter certa liberdade e podendo realizar grandes feitos. Ele muda seu foco do elemento Terra, associado ao material e concentra-se no próximo nível de nosso ser, num corpo mais sutil. Uma vez no plano astral, aqueles que já praticaram a projeção e todos os que realizam exercícios de mentalização e visualização sabem que no astral para que algo “se torne real” é importante um bom bocado de força de vontade e o mais importante, sentir como se fosse real, estimular os sentidos, visualizando, sentindo seu peso, sua textura, seu cheiro e seu gosto (quando aplicável), sendo que o tempo de vida de uma mentalização é determinado pela quantidade de energia que foi despendida em sua criação e a quantidade de sentimentos associada a ela. E essa é a palavra chave do astral, sentimento, sendo este associado ao elemento Água.

Agora entramos no tema de nosso post, e quanto a ter “um sonho dentro de um sonho”, uma projeção dentro de outra, seria possível? Sim, é possível, porém muito difícil. Existem poucas pessoas que conseguiram libertar-se, alterando o foco para o próximo nível, assumindo um corpo mais sutil que o anterior, sendo esse o plano mental, associado ao Ar. Os poucos que alcançaram esse nível conseguiram mantê-lo por curtos períodos de tempo, relatando grande dificuldade para alcançá-lo novamente, alguns só conseguindo uma vez em sua existência. Porém as impressões relatadas são maravilhosas e de grande valia para nossos estudos. Sensações de paz, tranqüilidade, a ausência de tempo, espaço ou forma, sendo que as consciências passaram a sentir tudo, saber tudo, como se fossem o tudo, um toque na onisciência de Deus. A maior parte não consegue lembrar de tudo que viu ou absorveu neste plano – como das primeiras vezes que se pratica projeção astral – porém quando retornam (sempre com um baque, como o “coice” usado para acordar em Inception) demonstram habilidades e conhecimentos que não tinham antes desse contato. E já que estamos associando com filmes, porque não associar essa experiência com o atravessar do Portão da Verdade do desenho Fullmetal Alchemist? Sim, seria como no desenho, quando se faz a transmutação humana e se têm acesso ao Portão da Verdade, onde o indivíduo tem acesso a todo conhecimento, porém não consegue retê-lo ao retornar ao corpo, mas vemos que depois de atravessá-lo e voltar os alquimistas conseguem realizar seus feitos sem necessidade de traçar seus diagramas místicos. Não se sabe exatamente o que há no Plano Mental ou como é, os relatos são deveras vagos, mas repletos de significados e sensações.

Mas espere! Inception mostra mais um sonho, e além deste o Limbo! Claro que mostra, pois só passamos por três dos elementos! Porém é aí que a base experimental acaba. Além do plano mental teoricamente está o plano representado pelo elemento Fogo. Mas como seria ou o que ele traria, nunca conheci nenhum magista que tenha estado por lá, nenhum relato. Se teorizarmos que o Plano Mental é um toque na onisciência de Deus, talvez o que esteja além seja a onipresença ou onipotência, vai saber… Não estou escrevendo este texto com o objetivo de ser um guia para a projeção dentro da projeção, muito pelo contrário, sou um pesquisador, um alquimista, um cientista como todos os buscadores, o que estou propondo é uma nova forma de ver a multidimensionalidade humana, estou propondo um novo paradigma, uma nova forma de ver essa questão e recolocando em pauta o Inception, e o Fullmetal Alchemist. E talvez essa nova possibilidade abra uma porta a todos os buscadores que tentam um contato com a Divindade e a descoberta de sua própria espiritualidade.

Só um adendo, quanto ao Limbo, o que vemos em todas as características deste, seria como uma experiência da Morte, algo libertador, acolhedor, de onde o indivíduo não quer retornar. Não a morte do corpo, mas a Morte Final, o diluir da consciência no todo que é Deus, sendo que a consciência do Ser deixa de existir e passa a ser apenas parte do todo que é Deus. Além disso não esqueçamos que falamos dos Quatro Elementos da alquimia, porém os magistas mais experientes sabem que traçamos o Pentagrama pois cada ponta representa um elemento, todas elas abaixo do Espírito que está em tudo, forma tudo é tudo e o princípio ao qual tudo está subjugado, em suma Deus.

PS: Se alguém tiver algum relato sobre os planos mais sutis como o Plano Mental ou o que esteja além dele, estou sempre aberto a novas possibilidades, e aguardo novas experiências para descobrirmos as maravilhas da Criação de Deus.

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O Paradigma Divino é um blog de autoria de Saulo Henrique Alves (Ketalel) e orgulhosamente faz parte do Project Mayhem, com artigos sobre ciência e espiritualidade. Agradeço o espaço no Teoria da Conspiração para difundirmos a cultura e espiritualidade no mundo atual.

#Filmes #PlanoAstral

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/i-have-a-dream-inside-a-dream

A Base de Alquimia

“Escuro e nebuloso é o início de todas as coisas, mas não o seu fim.”

A transmutação de qualquer metal em ouro, o elixir da longa vida são na realidade coisas minúsculas diante da compreensão do que somos. A Alquimia é a busca do entendimento da natureza, a busca da sabedoria, dos grandes conhecimentos e o estudante de alquimia é um andarilho a percorrer as estradas da vida. O verdadeiro alquimista é um iluminado, um sábio que compreende a simplicidade do nada absoluto. É capaz de realizar coisas que a ciência e tecnologias atuais jamais conseguirão, pois a Alquimia está pautada na energia espiritual e não somente no materialismo e a ciência a muito tempo perdeu este caminho. A Alquimia é o conhecimento máximo, porém é muito difícil de ser aprendida ou descoberta. Podemos levar anos até começarmos a perceber que nada sabemos, vamos então começar imediatamente pois o prêmio para os que conseguirem é o mais alto de todos.

O ideal alquimista não constitui a descoberta de novos fenômenos, ao contrário do que procura cada vez mais intensamente a ciência moderna, mas sim reencontrar um antigo segredo, que ainda é inacessível e inexplicado para a maioria. Ela não é constituída somente de um caminho material, como por exemplo a transmutação de qualquer metal em ouro. Antes de tudo a alquimia é uma arte filosófica, uma maneira diferente de ver o mundo.

Não podemos, no entanto, separar o material do espiritual, uma vez que na Terra estamos encarnados em um corpo, onde um sofre influência do outro, pois na realidade tudo é uma coisa só, uma unidade, o ser humano. Na alquimia ocorre a transmutação da matéria e do espírito ao mesmo tempo. O alquimista adquire conhecimentos irrestritos da natureza, se pondo em um ponto especial de observação, vendo tudo de maneira diferente. Seria como se uma pessoa pudesse ver tanto o aspecto físico nos mínimos detalhes bem como as energias associadas a este corpo. O alquimista estaria em contato total com o universo, enquanto que para todos nós este contato é apenas superficial.

Na realização da Grande Obra, o alquimista consegue obter a pedra filosofal e modificar sua aura eliminando a cobiça e a avidez. Descobre que o ouro material não tem grande valor quando comparado ao ouro interno, ou seja, o caminho espiritual é infinitamente mais importante que as coisas materiais. Todos deveriam se contentar com o básico para sobrevivência do corpo e se dedicar por inteiro a busca de um aperfeiçoamento espiritual. Somente os homens de coração puro e intenções elevadas serão capazes de realizar a Grande Obra.

A corrida atômica se intensificou durante a Segunda guerra mundial, onde vários cientistas desenvolveram a bomba atômica que viria a ser a maior ameaça para a sobrevivência da Terra. Se os alemães tivessem tido acesso a estes conhecimentos antes, não teria sobrado muita coisa em nosso planeta. Portanto se os cientistas tivessem mais consciência e um maior conhecimento das conseqüências de suas descobertas, não teriam divulgado muitas coisas. Os alquimistas já conheciam o poder e os perigos da energia atômica a muito tempo e não divulgaram em função dos riscos inerentes de uma má utilização destes conhecimentos.

Por isso existe um grande segredo em torno da alquimia. A ciência na atualidade se especializou tanto que cada vez mais os cientistas estudam uma parte menor de determinada área. Acreditam que com isso podem avançar muito mais em determinada direção. Assim, perdem a visão do todo, tornando-se menos conscientes da utilização de tais pesquisas, quer seja para o bem ou para mal.

Os cientistas estão mais preocupados com a fama e dinheiro do que com o próprio sentido da ciência. Eles podem ser comparados a empresários capitalistas pois para a maioria o caminho é unicamente material. Quando pensam no aspecto espiritual este se encontra dissociado de tudo o quanto mais acreditam. Eles são os sopradores modernos.

O alquimista é o estudante assíduo da alquimia, aquele que busca o caminho para a iluminação. O soprador é um mercenário que só se interessa pelo ouro que ele poderá produzir e o Adepto é o alquimista que realizou a Grande Obra, ou seja um iluminado.

A alquimia é a mais antiga das ciências e influenciou todas as demais. Tem como principal objetivo compreender a natureza e reproduzir seus fenômenos para conseguir uma ascensão a um estado superior de consciência. Os alquimistas, em suas práticas de laboratório, tentavam reproduzir a pedra filosofal a partir da matéria prima primordial. Com uma pequena parte desta pedra é possível obter o controle sobre a matéria, transformando metais inferiores em ouro e também o Elixir da Longa Vida, que é capaz de prolongar a vida indefinidamente.

O ouro é considerado o mais perfeito dos metais pois dificilmente se oxida, não perde o brilho e acredita-se que todos os outros metais evoluem naturalmente até ele no interior da terra. Portanto, a transmutação é considerada um processo natural. Os alquimistas somente aceleram este processo, realizando as transmutações em seus laboratórios. Este tipo de conhecimento ficou sendo o mais cobiçado, não pelos alquimistas, mas pelos não iniciados, os sopradores como eram chamados. Eles buscavam a pedra filosofal, que lhes confeririam poderes como a invisibilidade, viagens astrais, curas milagrosas, etc.

Esta pedra filosofal não se constituía necessariamente de um objeto, mas sim energia que pode ser adquirida e controlada. Este conjunto pedra e alquimista são responsáveis dos poderes alcançados. Um não iniciado poderia possuir a pedra e dela não desfrutar toda a sua potencialidade conseguindo, quando muito transformar uma pequena quantidade de chumbo em ouro. A transformação da matéria-prima na pedra filosofal, juntamente com a transformação do indivíduo constitui a Grande Obra.

No laboratório, com experimentos e constantes leituras e releituras, o alquimista nas várias etapas da transformação da matéria, vai gradativamente transformando a própria consciência. Antes do ouro metal, o alquimista deverá encontrar o ouro espiritual dentro de si.

Os ideais e poderes pretendidos pelos alquimistas, nos faz correlacioná-los aos poderes de Cristo, que foi capaz de transmutar água em vinho, multiplicar os pães, andar sobre a água, curar milagrosamente, dentre outros. Ele sempre dizia: “aquele que crê em mim, fará tudo que eu faço e ainda fará coisas maiores”.

Os alquimistas buscavam esta pureza e compreensão espiritual, conseguindo assim, realizar estas obras. Portanto, o exemplo de Cristo, além do exemplo espiritual, constitui-se em um meio de descobrir o poder sobre a matéria. Muitos alquimistas consideram Cristo a pedra filosofal. Encontrar a pedra filosofal significa descobrir o segredo da existência, um estado de perfeita harmonia física, mental e espiritual, a felicidade perfeita, descobrir os processos da natureza, da vida, e com isso recuperar a pureza primordial do homem, que tanto se degradou na Terra. Portanto, a Grande Obra eleva o ser a mais alta perfeição: purifica o corpo, ilumina o espírito, desenvolve a inteligência a um ponto extraordinário e repara o temperamento.

A pedra filosofal era gerada a partir da matéria prima primordial, além de outros compostos, no Ovo Filosófico que é um recipiente redondo de cristal onde todos estes compostos vão sendo transformados, em várias etapas, sempre utilizando o forno. Este processo freqüentemente é comparado a uma gestação da pedra filosofal. Isto seria como reproduzir o que a Natureza fez no princípio, quando só existia o caos, porém de maneira mais rápida, dando melhores condições para que ocorram as transformações. Portanto, a conclusão da Grande Obra, ou seja, o entendimento dos segredos alquímicos, significa adquirir os conhecimentos das leis universais e penetrar em uma dimensão espaço-tempo sagrada, diferente da do cotidiano de todos.


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[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-base-de-alquimia/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-base-de-alquimia/

A importância do ocultismo em ‘Frankenstein’ de Mary Shelley

Irving H. Buchen

As civilizações não podem evoluir mais até que o “oculto” seja dado como certo no mesmo nível da energia atômica.
(Colin Wilson, O Oculto [1971])

Há períodos na história em que os extremos se tornam normas. O interesse pelo passado se converte em uma preocupação apaixonada com o antigo. A especulação sobre o que está por vir se transforma na descontinuidade do futurista. Quando tais contrários coexistem com igual força e defesa, o presente parece alternadamente pronto para uma regressão intensa ou um salto quântico adiante. A cultura, por sua vez, se esforça para dar sentido às suas contracorrentes históricas. Uma investigação sobre como tudo começou está inextricavelmente entrelaçada com como tudo pode terminar; e perfeição e catástrofe aparecem como versões igualmente viáveis ​​uma da outra. Tais preocupações com gênese e término muitas vezes convergem utopia e distopia, uma imagem não imprecisa de Frankenstein que simboliza um modo híbrido que sacrifica a cura catártica da tragédia pelos insights cósmicos da blasfêmia. Não é por acaso que no processo o oculto vem à tona para registrar o alcance e a profundidade da fissura, pois o oculto é sintomático da ausência de unidade ou da quebra do círculo. Certamente, o ocultismo muitas vezes é revivido em parte por um desejo desesperado de substituir a liberdade da confusão pela clareza do determinismo externo; mas também é chamado genuinamente a redescobrir as forças essenciais do universo e a trazer harmonia à infinita multiplicidade. No processo, defensores e detratores da manobra oculta se posicionam historicamente.

Os devotos do ocultismo sustentam que ele foi co-presente com a criação original e ocupa uma linha histórica ininterrupta de períodos pré-registrados no passado até uma extensão inacabada no futuro distante. Em outras palavras, os mistérios sagrados são eternos e o ocultismo expressa o inconsciente coletivo do cosmos. Além disso, sua longevidade e sua preocupação com o segredo dos segredos ao longo dos tempos defendem sua universalidade e justificam sua pretensão de obter um status igual ao da ciência teórica. Acima de tudo, o ocultismo traz à ciência o que lhe falta – a estrutura do ritual – e assim fornece a religião e a arte da ciência. Oponentes ou céticos reconhecem livremente as origens antigas do ocultismo e ainda admitem que então – mas só então – ele de fato gozava do status de ciência. Mas as artes obscuras passaram a ser cada vez mais contestadas por praticamente todas as grandes religiões como espúrias ou heréticas e, como resultado, o ocultismo foi forçado a se tornar basicamente um movimento subterrâneo ou periférico cuja longa história de fracassos sensacionais e enganos escandalosos exigia o obscurecimento de uma série de gerações antes que pudesse ser ressuscitado com alguma credibilidade.

Como uma declaração geral das alegações e contra-alegações, o que foi dito acima talvez seja um resumo tão preciso das atitudes predominantes em relação ao ocultismo no tempo de Mary Shelley quanto hoje.[1] Mas o que é instrutivo é que tal formulação é totalmente rejeitada por Mary. Shelley em pelo menos três maneiras principais. Primeiro, nem o ocultismo nem a ciência são favorecidos por Mary Shelley. Através de uma elaborada série de polarizações ela aplica tanto a carícia quanto o porrete para ambos os lados, e através da educação de Victor Frankenstein toma a medida de ambos para indicar os elementos essenciais que faltam a cada um. Em outras palavras, o que fica eminentemente claro mesmo em uma pesquisa superficial é que o romance não aceita, mas procura ir além da oposição como uma posição final. Em segundo lugar, Mary Shelley introduz o mito de Prometeu por uma série de razões,[2] uma das quais é transmitir ao sonho alquímico de animar o inanimado as dimensões míticas de uma história da criação. De fato, sem mito, que goza da facilidade especial de síntese ou transcendência, é questionável se Mary Shelley poderia de fato ir além de uma mera afirmação de polarização. Terceiro, Victor Frankenstein, como seu colega mais jovem, Robert Walton, o explorador polar, anseia rapsodicamente por uma relação metafísica e religiosa com o cosmos em um momento em que a religião e a ciência parecem desprovidas de qualquer alcance ou fogo metafísico. Assim, pelo menos para Victor Frankenstein, a alquimia preenche um vazio da alma; e qualquer outra coisa que ele acrescente ou subtraia, o que Mary Shelley parece estar sugerindo é que o ocultismo é ressuscitado periodicamente ao longo da história sempre que as ideologias reinantes se tornam excessivamente voltadas para dentro ou presas à terra.[3]

A atitude de Mary Shelley em relação ao oculto, portanto, não parece ser nem de endosso nem de condenação, mas de profunda hesitação. Para ela, a questão não é que os alquimistas estejam certos e os cientistas errados ou vice-versa. De fato, perceber a situação nesses termos é perder o pivô diagnóstico-chave inerente a todas as condições de contracorrentes históricos. Em vez disso, o conflito – se é que pode ser chamado assim – assemelha-se ao de uma conquista trágica: um conflito de direitos. Por seu lado, o ocultismo é sempre presunçosamente total e mítico em seu escopo. A obsessão por essências unificadoras está no auge de suas três atividades favoritas: a pedra filosofal, o elixir vitae e a animação da natureza inanimada.

Necromantes consistentemente imitaram o exagero de Prometheus, entregando sua própria versão do fogo à humanidade. Em suma, há regularmente sobre o oculto uma insistência fanática de que nada menos que a essência será suficiente – um absolutismo ideológico que inevitavelmente é desafiador e potencialmente sempre blasfemo. Por seu lado, a ciência é gradual e cumulativa. O objetivo de suas metodologias precisas é produzir resultados verificáveis. A ciência assume que o mundo é ordenado e compreensível; se não fosse, não poderia haver ciência, e o mundo teria permanecido nas mãos de primitivos que celebram mistérios. Assim, a ciência cresce por acréscimo – peça por peça é meticulosamente colocada em prática, mas, de acordo com Frankenstein e pelo menos um de seus professores, com tamanha miopia que poucos percebem que o limiar para um salto quântico pode ter sido alcançado. Em suma, o fogo que a ciência oferece foi domado em etapas para ser manejável e utilizável, mas no processo nunca é oferecido como dom de Deus. Dito de outra forma, se Victor Frankenstein tivesse percebido o conflito entre o ocultismo e a ciência como um conflito entre o certo e o errado, ele nunca teria percebido a possibilidade de que cada um possuísse o que faltava ao outro, e tentou casar as visões da alquimia com o metodologia da ciência. Certamente, ao longo do romance, muitas vezes é levantada a questão de saber se essa aliança é profana e os resultados imorais. Mas a resposta a essa pergunta envolve a distinção se os resultados terríveis são culpa da convergência inicial da alquimia e da ciência ou, mais precisamente, da divergência subsequente de outros contrários. E essa resposta depende do reconhecimento de que o romance é realmente dois romances.

O que é razoavelmente claro, então, é que o que Shelley procurou explorar não é a oposição, mas a relação entre alquimia e ciência. Isso, por sua vez, seria seguido por um exame das consequências dessa relação na e na sociedade humana. O romance, portanto, tem como questão maior a relação entre mito e história – entre a natureza de uma força criativa cósmica e uma força evolutiva humana. Como resultado, há duas histórias principais no romance e não uma. A primeira gira em torno de Victor Frankenstein e constitui uma história de criação em que a ênfase está na fusão mítica da alquimia e da ciência e sua marca na natureza humana. A segunda gira em torno do ser criado e constitui uma história evolutiva em que a ênfase está nos arquétipos do desenvolvimento humano. Os gênios que presidem a história da criação são os alquimistas, Cornelius Agrippa, Paracelsus e Albertus Magnus, e os cientistas, Newton, Davy, Galvani e Erasmus Darwin; o da história evolucionária, Locke, Rousseau, Mary Wollstonecraft e Godwin.[4]

Estruturalmente, Frankenstein é sustentado pela simetria. Ele se divide em dois contos principais; o primeiro sobre Victor Frankenstein, o segundo sobre sua criação. O último terço do romance, que como um todo estruturalmente está em desacordo com as partições ditadas pelo comercial de três andares,[5] une os dois personagens principais, mas em uma atuação sombria e mecanizada por vingança, retaliação e perseguição. Cada conto principal, por sua vez, está ligado a um subconto apropriado. A história de Victor é misturada e estendida com a de Robert Walton, que em virtude de estar envolvido em um empreendimento de intensa auto-absorção, é o alter ego mais jovem de Victor e preserva por todo o romance a virtude redentora de uma advertência moral. A história da criatura envolve significativamente as fortunas da família DeLacey que, como uma imagem da família humana, fornece à criatura um modelo crucial para imitar.

O denominador comum em que todos os contos maiores e menores giram variações é a fome de conclusão. No caso de Victor e da criatura, a busca paralela toma um rumo destrutivo e vingativo: cada um mata o companheiro do outro. Espera-se que Robert Walton seja poupado de tal destino ao encontrar um amigo como Henry Clerval ou ao se casar; e apesar da pobreza, o jovem Felix DeLacey finalmente se reencontra com sua amada noiva árabe. De qualquer forma, o tema do casamento liga o romance ao Ancient Mariner de Coleridge, especialmente a ênfase no convidado do casamento e os terrores do isolamento polar; assim como o Paraíso Perdido de Milton e a preocupação de Adão em ter uma Eva. Mas o rendimento crucial da estrutura é a extensão em que as numerosas dualidades dramatizam abismos em vez de vínculos. Mais dramaticamente, há a lacuna estrutural entre as duas histórias principais, que assume uma penúltima forma no abismo permanente entre criatura e criação, à medida que estão trancadas no que parece, por causa da paisagem, ser uma busca eterna.

A incessante estrutura dualista da separação repousa em uma suposição filosófica crucial que Victor Frankenstein torna explícito em uma conversa inicial com Robert Walton. Walton acaba de confessar seu isolamento e sua apaixonada necessidade de um amigo. Victor reconhece o desejo e explica: “‘somos todos criaturas fora de moda, mas meio feitas…’”6 [Carta 4.7]. Como seu marido, especialmente em Epipschychidion, Mary Shelley sustenta que os seres humanos, ao contrário dos deuses, nascem incompletos. A necessidade do outro é de fato a expressão de nossa humanidade e nos impele a buscar nossa alteridade, nosso gêmeo, nossa alma gêmea. Isso, claro, é a doutrina platônica básica e, como tal, poderia ter sido adquirida diretamente ou sob a influência de Percy, como parece mais provável. Mas a distinção de Mary Shelley e de seu romance aparece nas permutações metafísicas e históricas dessa noção de incompletude humana, especialmente no que diz respeito à personalidade e à educação de Victor Frankenstein.

A primeira observação a fazer sobre Victor Frankenstein é que ele já tem o que todos os outros personagens anseiam. Ele já possui um amigo querido e próximo, Henry Clerval; e está noivo de uma mulher que ama. O que assim fica rapidamente claro é que a condição de inacabado pode ser satisfeita de diferentes maneiras e em diferentes níveis. Em outras palavras, parece haver uma hierarquia de conclusões possíveis. Robert Walton, Henry Clerval, Felix DeLacey e até mesmo a criatura têm fontes mais básicas de conclusão. Tampouco são apenas egocêntricos, pois Walton e Clerval têm fortes compromissos em beneficiar a humanidade. Ironicamente, nesse contexto, as esperanças da criatura são as mais modestas e rústicas. Mas Victor sozinho também busca uma realização metafísica – um fechamento mítico de proporções prometéicas que tem precedência sobre o humano e o histórico. Em outras palavras, o que é crucial ressaltar é que para Victor a alquimia é ciência metafísica – ela, mais do que ciência, liga a terra ao cosmos. Além disso, em sua obsessão por causas e princípios primários, somente a alquimia fornece a Victor o mesmo acesso puro aos primórdios e mistérios das coisas que estão no centro de suas sondagens nas origens de sua própria alma. Em suma, a alquimia é a outra metade de Victor; é o meio pelo qual ele busca alcançar a completude individual e cósmica. Apesar de todas as suas devoções a Henry Clerval, seu pai, noiva e família, uma vez que Victor se compromete com a criação de uma pessoa artificial, ele fica tão absorto que parece não precisar de ninguém. Não é que eles não sejam importantes, mas sim em sua própria hierarquia de completude eles não ocupam o ápice. Nesse sentido, é extremamente significativo que, dos três objetivos alquímicos clássicos, ele escolha a animação em vez de transformar metais comuns em ouro ou descobrir o elixir da imortalidade. A pedra filosofal participa de um certo tipo de utilidade manipuladora; e a imortalidade é mais extensão quantitativa. Somente a criação, não a produção ou a extensão, evidentemente pode fornecer a Victor o tipo adequado de alteridade para simular a auto-suficiência ou servir como substituto para realizações mais obviamente humanas ou históricas. Em outras palavras, na percepção de Victor, a criação sozinha, quaisquer que sejam seus resultados e recepção, é essencialmente focada no criador, não na criatura – no que ela oferece a Victor, não em sua criação.

Para Mary Shelley, então, o apelo do oculto não é necessariamente peculiar ou exótico. Certamente, sua linguagem e seus modos podem ser estranhos, mas ele fala da condição humana básica de incompletude, e fornece, reconhecidamente, a alguns indivíduos especiais em épocas históricas especiais a possibilidade de alcançar a totalidade cósmica – um estado de misticismo científico. Tais estados de consciência inebriantes e prometeicos não impedem a realização de versões humanas de perfeição na Terra, embora claramente compitam com elas e as coloquem em perigo. De fato, a perspectiva de substituição é intensificada quando a ânsia pelo estado mais alto de completude é amparada por uma situação histórica que fornece a correspondência e o alcance dessa presunção. É a convergência da educação de Victor com o Zeitgeist que ocupa o foco de Shelley.

Em nenhum momento da educação de Victor Frankenstein ele endossa totalmente a alquimia. De fato, o que Mary Shelley estabelece é que em relação ao oculto, a ciência assumiu o papel de ceticismo anteriormente desempenhado pela religião. Assim, embora a primeira introdução de Victor ao ocultismo evoque rapidamente a forte desaprovação de seu pai, o que já levou ao seu descontentamento foi sua medida cientificamente aplicada de que os meios necessários para alcançar visões nobres eram mesquinhos e beiravam o hocus-pocus da magia. Especificamente, o que o levou a essas conclusões foi ironicamente o que o levaria de volta à alquimia – sua compreensão básica dos princípios do galvanismo e da eletricidade. Essa primeira exposição assumiu a forma de um conflito de certo e errado; e a ciência emergiu como correta. O segundo encontro se assemelhava ao primeiro, mas aqui o confronto foi tão ultrajante que dramatizou a necessidade de síntese.

Na Universidade de Ingolstadt, Victor encontra duas posições extremas: a do professor Krempe que exalta as virtudes da ciência, mas ridiculariza as pretensões dos alquimistas; e a do professor Waldman que exalta as virtudes da ciência, mas elogia as visões dos alquimistas. A situação é, portanto, diferente. Primeiro, tanto Krempe quanto Waldman são cientistas, não alquimistas. Em segundo lugar, Waldman elogia as visões alquímicas, mas não seus meios. Terceiro, Victor está aprendendo as metodologias básicas da ciência, os meios. Em outras palavras, o que Victor gradualmente percebe é um conflito de direitos que é acompanhado pelo reconhecimento de que, enquanto a ciência era analítica e básica, não era holística e cósmica. A necessidade de curar a divisão, bem como a forma que ela pode tomar, surge na decisão que Victor tomou para seu projeto.

Victor elege das três opções a animação da matéria inanimada. Ele então debate sobre que tipo de criação, e decide criar um “ser humano”. A decisão de não criar nem uma criatura inferior nem uma criatura superior (seu tamanho maior foi apenas uma concessão à manipulação de partes microscópicas e intrincadas) é crucial para a compreensão da natureza do casamento de alquimia e ciência de Victor e da condição histórica particular do dia dele. Victor procura não substituir, mas contornar Deus. O objetivo não é montar um experimento humilhante para criar um robô nem um experimento arrogante para criar um super-homem. Em vez disso, ao contornar o natural para o alquímico-científico e eliminar o papel de uma mulher (ou do outro) na criação de um novo ser, Victor Frankenstein está presidindo aquela transição crucial do século XIX de induzida pela natureza para induzida pelo homem. criação e evolução. Erasmus Darwin havia esboçado o que Charles Darwin mais tarde conquistaria: a saber, que, exceto por alguns pequenos detalhes, a evolução física humana estava essencialmente completa; apenas uma mutação importante e abrupta poderia alterar isso e, mesmo assim, seriam necessárias várias gerações para determinar se a mutação ocorreu. De qualquer forma, o que foi enfatizado foi o domínio da evolução cultural e social como a direção futura da história humana. Mary Shelley valorizou esse último foco futuro, mas o abordou, por assim dizer, de frente e não de trás – antes e não depois do fato. Sua perspectiva sobre a evolução não era retroativa ou reativa, mas criativa. Especificamente, através de Victor Frankenstein, ela buscou identificar um ponto seminal para explorar uma intervenção no processo criativo que por sua vez reiniciaria e tornaria mais disponível para exame o processo evolutivo subsequente. Mas o ponto central de seu foco não era mera repetição; não há evidências que indiquem que seu trabalho serviria como uma versão literária daquele dos Darwins. Em vez disso, no cerne de seu esforço estava o reconhecimento de que um ponto de virada havia sido alcançado no início do século XIX, e que o Prometeísmo moderno tinha como razão e novo ponto de partida a consciência de que o homem não deveria mais ser percebido única ou principalmente como um objeto de evolução. A ciência gradualmente forneceu os meios para uma mudança de objeto para sujeito, mas não tinha a vontade nem a visão de tornar possível o sonho alquímico da intervenção criativa. Assim, a fusão de alquimia e ciência de Victor Frankenstein produziu um todo cósmico que, por um lado, forneceu um análogo metafísico à condição básica da incompletude humana; e isso, por outro, sinalizava a independência do homem em relação à Natureza, um exagero que encontrou sua contrapartida apenas no desafio de Prometeu aos deuses. No momento em que a criatura ganhou vida, a história humana atravessou uma divisão histórica de proporções míticas.

No processo, esse ato ousado de autonomia ignorou não apenas Deus, mas também um parceiro humano, uma mulher. Em termos de busca de alteridade, essa substituição, por sua vez, conferiu a toda a aventura as dimensões potencialmente diabólicas da autocriação em que Frankenstein aparece como o pai de si mesmo. Certamente, é este último exagero que leva à ruína de Victor e à criação da segunda história do romance. Significativamente, ali os alquimistas e cientistas estão dramaticamente ausentes, uma desapropriação que ironicamente significa sua miopia. Igualmente impressionante é a quase total ausência de figuras maternas ao longo de todo o romance. A mãe de Victor Frankenstein morre cedo; Elizabeth é órfã; Clerval fala apenas de seu pai; apenas o pai está vivo na família DeLacey; e Robert Walton escreve apenas para sua irmã. Mas talvez a versão mais sensacional desse mundo sem mãe apareça logo após o recuo de Victor da primeira visão do olho lacrimejante amarelo da criatura. Victor tem um pesadelo em que ele beija sua noiva apenas para que suas feições de repente mudem com o tom da morte. E então, para seu horror, ele se vê segurando, quase à maneira de Poe, o cadáver em decomposição de sua mãe morta em seus braços. Quaisquer que sejam os elementos sexuais ou edipianos que possam ou não estar em ação aqui, o que está claro é que Victor está reagindo ao seu próprio ato de criação como aquele que desapropria a mulher-mãe de todo o processo. O sonho é, portanto, potencialmente profético e constitui um aviso que Victor ignora.

O eclipse da figura mulher-mãe constitui um pecado histórico de omissão e estigmatiza a fusão de alquimia e ciência de Frankenstein como tendo ocorrido em um vácuo histórico. O mito original da criação foi seguido pela expulsão de Adão e Eva, mas eles foram expulsos para a história e, assim, receberam um futuro de duração. Não tão a criatura de Frankenstein. Em outras palavras, embora Mary Shelley nunca questione Victor Frankenstein como criador, ela enfatiza severamente suas falhas pós-criação. Basicamente, são dois. A primeira é o desgosto de Frankenstein por sua criação. Ele imaginou algo glorioso ou obediente ou transcendente. Em vez disso, ele criou uma criatura com necessidades; isto é, ele criou uma criatura que era como todos os seres humanos – inacabada. Ironicamente, seu sucesso foi maior do que ele imaginava. Com certeza, o tamanho enorme da criatura o impedia de reconhecer que havia criado uma criança, dependente dele para o desenvolvimento humano e até mesmo competindo com ele por atenção. Em outras palavras, a limitação de Victor deriva da concepção de que sua criação inicial foi um ato final. A criatura era percebida como uma criação terminal – um ser autônomo – e, portanto, absolvida de uma versão recorrente da doutrina da incompletude: as crianças não nascem, mas são educadas para serem humanas.

O segundo fracasso se origina do primeiro, mas é ironicamente voltado para a ênfase prometéica na premeditação. Ao não antecipar as consequências de seu ato, Victor Frankenstein, sem saber, deu origem ao mito da criação de um Frankenstein e assim resumiu o que é agora o dilema clássico da ciência: as consequências imprevistas e não examinadas de certos tipos de investigação científica. Muitos exemplos poderiam ser citados, mas o que mais se assemelha ao problema com o qual Mary Shelley se preocupa e que ultimamente tem despertado considerável controvérsia e até proibição é a experimentação genética, especialmente com DNA. Isso, como o experimento de Frankenstein, representa a mesma preocupação com um ponto de acesso para intervir e direcionar a evolução humana. Além disso, para que a falha de antecipação não seja perdida por meio de avisos vagos, Mary Shelley documenta em grande detalhe até que ponto os modernos Prometheans falham em ministrar às suas criações. No processo de criação de uma segunda história da criação – a evolução da criatura em ser humano – Mary Shelley fornece o compromisso maternal e feminista que falta na história da primeira criação.

Apesar da reação de Frankenstein, o monstro no momento do nascimento não é um monstro. Esta não é uma distinção pequena, pois nela repousa todo o impulso da segunda história do romance. Como muitos antes e depois dela, Mary Shelley ficou claramente fascinada pela questão de qual era a natureza essencial da natureza humana. O que era inato e o que era adquirido? O que era original com o Adão original? O homem era basicamente bom ou mau, altruísta ou egoísta? A diferença dramática da investigação de Mary Shelley é sua estrutura científica. Seu ponto de partida não é um nobre selvagem em um país distante, mas uma pessoa artificial colocada em um laboratório fictício para explorar sob condições controladas e observáveis ​​o desenvolvimento de uma criatura como uma versão individual da raça humana. A documentação do processo passo a passo pelo qual o mobiliário da mente é construído e a tabula rasa é escrita é apresentada, por um lado, com todo o cuidado de um experimento clínico e, por outro, com toda a abrangência de um modelo arquetípico. No processo, Mary Shelley indica que a criatura – na verdade, todos os seres humanos e civilizações – passam por três estágios principais.

O primeiro estágio, embora primariamente instintivo e primitivista, surpreendentemente envolve uma resposta inata à beleza (p. 99). Mas essa sensibilidade estética não é acompanhada por um desejo igualmente inato de companhia humana. De fato, Mary Shelley ressalta escrupulosamente a ausência da faculdade do tato neste primeiro estágio. O que emerge então é a evolução limitada de um animal humano que existe apenas no selo hermético de sua individualidade dentro de um ambiente natural, não humano, e cujas emoções, exceto por respostas ocasionais a belas “formas radiantes” [2.3.3], são natimortos. O segundo estágio apresenta a família DeLacey, cujas relações emocionalmente carregadas desbloqueiam as da criatura. O que Mary Shelley deixa claro então é que o desenvolvimento humano depende do exemplo humano. O processo de humanização, diferentemente do processo de sobrevivência da primeira etapa, é bilateral, não unilateral. A descoberta da fala humana e da palavra escrita são percebidas pela criatura como o meio estético e até mesmo divino pelo qual as emoções são compartilhadas e os relacionamentos são estabelecidos. A etapa final que eleva o processo humanizador ao processo civilizatório começa com o aparecimento de Safie. O que a criatura descobre é que o único antídoto para a mortalidade é o amor, e a única salvação é o conhecimento de “todas as várias relações que unem um ser humano a outro em laços mútuos” (p. 115). Agindo pateticamente nessa esperança, a criatura procura efetuar precisamente essa relação com a família DeLacey. Quando esse esforço falha, a criatura fica perigosamente equilibrada entre o ser humano e o monstro.

Frankenstein não criou um ser humano; ele criou um ser que tinha o potencial de ser humano. Mary Shelley documenta a realização desse potencial nas mãos da Natureza e dos DeLaceys e, no processo, estabelece que o próprio processo de humanização é uma ponte de dois mundos – o da Natureza e do instinto e o da sociedade e relacionamentos humanos. Somente a fusão de ambos resulta na criação de um indivíduo que depende de outros para se completar. Se a família DeLacey tivesse aceitado a criatura, a história teria tomado a direção diferente e não mítica de criar um estranho homem-criança. Ou se a família DeLacey não estivesse disponível como exemplo, a criatura teria aguçado seus instintos e vivido exclusivamente na selva ocasionalmente atacando aldeias. Mas, em ambos os casos, ele não teria chegado ao ponto de ser capaz não apenas de ler o Paraíso Perdido, mas também de reconhecer até que ponto sua criação divergia da de Adão. Adão, embora sozinho, pelo menos foi criado perfeito e teve a atenção do ser superior que o criou (p. 124). Mas a criatura está tão desprovida de um senso de paternidade, família e humanidade que sente pela primeira vez no romance um parentesco maior com Satanás do que com Adão. Em última análise, então, a criatura sozinha apresenta a acusação mais mordaz de seu criador. Além disso, neste ponto a criatura passou do ponto sem retorno. Apenas dois caminhos estão abertos para ele: aceitar a identificação de Satanás e tornar-se mau ou persuadir Frankenstein a criar uma companheira para ele. As alternativas são sugestivas: a ausência de um companheiro cria a condição para o demoníaco.

Nesta conjuntura, o que deve ser observado é o que geralmente é negligenciado: ou seja, o próprio Victor Frankenstein não é estático, mas também evolui. Além disso, a direção e o estágio dessa evolução contrapõem a da criatura ao ponto em que os dois se tornam cada vez mais imagens espelhadas um do outro. De fato, traçar o desenvolvimento de Frankenstein, às vezes paralelamente ao da criatura, fornece a pedra de toque mais abrangente e perspicaz para compreender a última parte do romance.

O desenvolvimento de Victor Frankenstein até e incluindo a criação da criatura foi singularmente obsessivo ao ponto, como observado, onde ele parecia ser uma lei e um mundo para si mesmo. Mas seu desenvolvimento depois de deixar Inglostadt e retornar a Genebra é caracterizado por uma série múltipla de compromissos e uma mistura de estados de degradação e nobreza. A primeira delas ocorre após a morte de William e Justine. Uma distinção deve ser feita aqui. Enquanto ele é indiretamente responsável pela morte de William, ele é diretamente responsável pela morte de Justine, que é injustamente considerada culpada e morta pelo assassinato de William. Seus gritos de piedade são, portanto, suspeitos, pois, ao não falar e confessar o que suas mãos fizeram, ele é culpado de cumplicidade na morte de Justine. Como resultado, há uma terrível simetria: a criatura é responsável pela morte de William, Frankenstein é responsável pela morte de Justine.

Quando a criatura subitamente confronta Frankenstein e lhe implora para ouvir sua história, Frankenstein evidencia uma atitude paterna totalmente ausente antes: “Pela primeira vez, também, senti quais eram os deveres de um criador para com sua criatura, e que eu deveria para torná-lo feliz antes que eu reclamasse de sua maldade” (p. 97). Depois que Frankenstein ouve a história da criatura, ele conclui “que a justiça devida tanto a ele quanto a meus semelhantes exigia de mim que eu cumprisse seu pedido” (p. 141). Pela primeira vez, Frankenstein confessa que a justiça existe do lado de sua criação; e pela primeira vez reconhece que também tem uma dívida com o bem-estar e a segurança da sociedade. Além disso, ele adia o casamento com Elizabeth até que possa completar a tarefa de criar uma companheira para acompanhar a criatura no exílio, um reconhecimento das necessidades comuns que cada um compartilha.

Se alguém concorda ou discorda com a decisão posterior de Frankenstein de não criar o companheiro, o que é crucial notar é que todas as razões que ele fornece são evidências de um tipo de premeditação que ele deixou de exercer antes. Ele contempla a perspectiva de que a fêmea não esteja vinculada ao juramento que a criatura jurou; ela pode vir a odiar a criatura e abandoná-lo e causar estragos nos outros; eles podem ter filhos que, por sua vez, podem se recusar a permanecer no exílio; etc. Em suma, a capacidade prometéica o faz tremer pelo futuro da humanidade, e ele destrói sua segunda criação. Nesse momento, Frankenstein e sua criação estão presos em destruição comum. A criatura agora chama Frankenstein de seu escravo e afirma que, embora ele tenha sido seu criador, o monstro agora é seu mestre (p. 160). Tendo destruído a companheira do monstro, o monstro põe em movimento a destruição de Clerval e, finalmente, de Elizabeth. A imagem final do romance é, portanto, ironicamente substitutiva, pois, presos na busca eterna, os dois agora servem como companheiros um do outro, as duas metades de um todo que nunca será unido, exceto em aniquilação mútua.

Um pós-escrito — principalmente para Mary Shelley. A criação de Victor Frankenstein é uma realização incrivelmente brilhante e em nenhum momento da primeira parte do romance Mary Shelley questiona a substância e o significado dessa conquista singular. Sua acusação final – se é que pode ser chamada assim – não é que Frankenstein presumiu ser mais do que deveria ser, mas que ele não presumiu o suficiente – ele prematuramente deixou de ser homem e mulher, cientista e humanista , divino e humano. Ele curou uma brecha, mas abriu outra. Ele uniu eternidade e tempo com o mito da criação, mas falhou em vincular eternidade à história com o arquétipo do desenvolvimento humano. Indiretamente, Mary Shelley forneceu o modelo para aqueles que no futuro aspirariam a ser deuses inexperientes. Visto de outra maneira, no entanto, as limitações de Victor Frankenstein acentuam a abrangência de Mary Shelley, pois através de sua criação romanesca ela sozinha abrangeu e ministrou as duas esferas. No processo, ela aceitou a inevitável persistência das aspirações alquímicas e científicas, mas também reconheceu que até que mito e história se unam, até que o ato de criação seja acompanhado pelo processo de humanização, o resultado final será a expropriação de um ser humano e centro holístico por extremos polares, quer o drama se desenrole na Terra ou no espaço sideral.

Notas
1. Na edição de 29 de maio de 1976 da Science News, apareceu um artigo sobre pseudociência, paraciência e o estabelecimento de um grupo científico para analisar criticamente as alegações paranormais de ocultistas de várias convicções. O próprio artigo, juntamente com a forte e extensa resposta do leitor, geralmente seguiu as linhas de conflito descritas aqui (ver Science News, 109 [19 de junho de 1976], 397-98).
2. A diferença mítica é enfatizada particularmente por Harold Bloom “Frankenstein, or the Modern Prometheus” PR, 32 (1965), 611-18; e por Irving Massey The Gaping Pig: Literature and Metamorphosis (1976).

3. De acordo com Robert Philmus, as aspirações de Victor Frankenstein fazem parte da síndrome faustiana geral (Into the Unknown: The Evolution of Science Fiction from Francis Godwin to H. G. Wells [1970]).

4. A esta última lista deve ser acrescentado Thomas Paine, de acordo com M. A. Goldberg “Moral and Myth in Mrs. Shelley’s Frankenstein”, K-SJ, 8 (1959), 27-38.

5. O volume I termina com o capítulo 7 e a morte de Justine, um ponto prematuro, pois não inclui os restantes elementos cruciais da história de Victor; O Volume II termina com a promessa de fazer uma companheira para a criatura; e o Volume III conclui o conto.

6. Todas as referências de página são para a edição de 1831 produzida por Henry Colburn e Richard Bentley em formato de um volume, e agora facilmente disponível na edição da New American Library (1965) com um “posfácio” de Harold Bloom. James Rieger reproduziu recentemente o texto original de 1818, que geralmente não está disponível, juntamente com várias leituras variantes. O excelente esforço de Reiger presta atenção especial à extensão e substância das contribuições de Percy Shelley e conclui que seu papel foi mais importante na preparação e produção final do trabalho do que até agora foi reconhecido. Escolhi seguir a edição de 1831 por dois motivos: primeiro, é aquela que incorpora as revisões posteriores de Mary Shelley, não Percy Shelley; e segundo, todas as citações diretas que usei e todas as passagens que considerei centrais, quando comparadas com a edição de Rieger, mostram pouca ou nenhuma dívida para com Percy Shelley. Em suma, é minha opinião que o romance é essencialmente o trabalho de Mary, não Percy, uma noção que é confirmada quando colocada no contexto de suas outras obras (ver especialmente Charles E. Robinson, ed., Mary Shelley: Collected Contos e Histórias [1976]). Finalmente, sem ceder à psicanálise, acredito que uma compreensão da biografia de Mary Shelley e uma análise de suas cartas sugerem que suas acusações dos fracassos de Victor como figura paterna não são uma referência muito disfarçada a Percy, embora indiretamente também possa se aplicar a Godwin.

7. Um caso sensacional de desenvolvimento humano interrompido ocorreu em 1800, quando Mary Shelley era jovem; e embora não seja possível reivindicar conhecimento direto, é tentador pensar que Mary Shelley pode ter lido algo sobre o assunto e que, por sua vez, influenciou a segunda parte do romance. Em 1800, Jean-Marc, um médico francês de 26 anos, foi convidado a tratar de um menino de 13 anos que foi encontrado vagando nu nas florestas de Aveyron. O menino não podia falar, às vezes parecia surdo, comia apenas nozes e batatas, era indiferente à atenção solidária e era dado a acessos de raiva violentos. A história inteira recentemente foi compilada por Harlan Lane, The Wild Boy of Aveyron (1976).

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/maryshelley/

Qual a origem da Alquimia?

por Anderson Domingues Corrêa

A origem da alquimia se perde no tempo, sendo mais antiga do que a história da humanidade. Seu verdadeiro início é desconhecido e envolto em obscuridade e mistério. Assim, seu surgimento confunde-se com a origem e evolução do homem sobre a Terra.

A utilização e o controle do fogo separou o animal irracional do ser humano. Nos primórdios, não se produzia o fogo, porém ele era controlado e utilizado para aquecer, iluminar, assar alimentos, além de servir para manejar alguns materiais, como a madeira. Bem mais tarde conseguiu-se produzir e manufaturar materiais com metal, a partir de metais encontrados na forma livre e posteriormente partindo dos minérios.

Muitos associam a origem da alquimia a herança de conhecimentos de uma antiga civilização que teria sido extinta. Na Terra, já teriam existido inúmeras outras civilizações em diversas épocas remotas, dentre elas várias eram mais evoluídas que a nossa. Estas civilizações tiveram uma existência cíclica, com o nascimento, desenvolvimento e morte ocorrida provavelmente por meio de grandes catástrofes, como a queda de um grande meteoro, inundações, erupções vulcânicas, dentre outras que acabavam por reduzir grandes civilizações a um número ínfimo de sobreviventes ou mesmo por dizimá-las, fazendo com que uma nova civilização brotasse das cinzas. Os conhecimentos sobre a alquimia estariam impregnados no inconsciente coletivo de todas as civilizações até hoje ou poderiam ter sido transmitidos pelos poucos sobreviventes, desta maneira a alquimia teria resistido ao tempo.

Os textos chineses antigos se referem as “ilhas dos bem aventurados” que eram habitadas por imortais. Acreditava-se que ervas contidas nestas três ilhas após sofrerem um preparo poderiam produzir a juventude eterna, seria como o elixir da longa vida da alquimia.

No ocidente, o Egito é considerado o criador da alquimia. O próprio nome é de origem árabe (Al corresponde ao artigo o), com raiz grega (elkimyâ). Kimyâ deriva de Khen (ou chem), que significa “o país negro”, nome dado ao Egito na antigüidade. Outros acham que se relaciona ao vocábulo grego derivado de chyma, que se relaciona com a fundição de metais.

Os alquimistas relacionam a sua origem ao deus egípcio Tote, que os gregos chamavam de Hermes (Hermes Trimegisto). Alguns alquimistas o considerava como um rei antigo que realmente teria existido, sendo o primeiro sábio e inventor das ciências e do alfabeto. Por causa de Hermes a alquimia também ficou conhecida como arte hermética ou ciência hermética.

Os relatos mais remotos de doutrinas que utilizavam os preceitos alquímicos, remontam de uma lenda que menciona o seu uso pelos chineses em 4.500 a.C. Ao que parece ela teria aflorado do taoísmo clássico (Tao Chia) e do taoísmo popular, religioso e mágico (Tao Chiao). Porém os textos alquímicos começaram a surgir na dinastia T’ang, por volta de 600 a.C. Na China, o mais famoso alquimista foi Ko Hung (cujo nome verdadeiro era Pao Pu-tzu, viveu de 249-330 d.C.) que acreditava que com a alquimia poderia superar a mortalidade. Atribui-se a ele a autoria de mais de cem livros sobre o assunto, dos quais o mais famoso é “O Mestre que Preserva sua Simplicidade Primitiva”. Teria aprendido a alquimia por volta de 220 d.C com Tso Tzu. O tratado de Ko Hung, além da alquimia trata também da ciência da alma e das ciências naturais. Sua obra trata tanto do elixir da longa vida bem como da transmutação dos metais. Até então a alquimia chinesa era puramente espiritual e foi Ko Hung que introduziu o materialismo, provavelmente devido a influências externas. Ela foi influenciada também pelo I Ching “O livro das Mutações”. Posteriormente seguiu a escola dos cinco elementos, que mesmo assim permaneceu quase que completamente mental-espiritual.

Na China a alquimia também ficou vinculada à preparação artificial do cinábrio (minério do qual se extraía o mercúrio – sulfeto de mercúrio), que era considerado uma substância talismânica associada a manutenção da saúde e a imortalidade. A metalurgia, principalmente o ato da fundição, era um trabalho que deveria ser realizado por homens puros conhecedores dos ritos e do ofício. A transformação espiritual era simbolizada pelo “novo nascimento”, associada a obtenção do metal a partir do minério (cinábrio e mercúrio).

A filosofia hindu de 1000 a.C. apresentava algumas semelhanças com a alquimia chinesa, como por exemplo o soma cujo conceito assemelhava-se ao do elixir da longa vida.

No Egito a alquimia teria surgido no século III d.C. e demonstrava uma influência do sistema filosófico-religioso da época helenística misturando conhecimentos médicos com metalúrgicos. A cidade de Alexandria era o reduto dos alquimistas. O alquimista grego mais famoso foi Zózimo (século IV), que nasceu em Panópolis e viveu em Alexandria, escreveu uma grande quantidade de obras. Nesta época, várias mulheres dedicavam-se a alquimia, como por exemplo Maria, a judia, que inventou o um banho térmico com água muito utilizado nos laboratórios atualmente, o “banho-maria”, Kleopatra que possivelmente não seria a Rainha Cleópatra, Copta e Teosébia. Os persas conheciam a medicina, magia e alquimia. A alquimia possuía um pouco da imagem da população de Alexandria, era uma mistura das práticas helenísticas, caldaicas, egípcias e judaicas.

Alexandre “o Grande” foi quem teria disseminado a alquimia durante suas conquistas aos povos Bizantinos e posteriormente aos Árabes. Os árabes, sob a influência dos egípcios e chineses, trouxeram a alquimia para o ocidente ao redor do ano de 950, inicialmente para a Espanha. Construíram-se escolas e bibliotecas que atraiam inúmeros estudiosos. Conta-se que o primeiro europeu a conhecer a alquimia foi o teólogo e matemático monge Gerbert que mais tarde tornou-se papa, no período de 999/1003, com o nome de Silvestre II. Na Itália Miguel Scott, astrólogo, escreveu uma obra intitulada De Secretis em que a alquimia estava constantemente presente.

No século X, a alquimia chinesa renunciou a preparação de ouro e se concentrou mais na parte espiritual. Ao invés de fazerem operações alquímicas com metais, a maioria dos alquimistas realizavam experimentos diretamente sobre seu corpo e espírito. Esta retomada a uma ciência espiritual teve como ponto culminante no século XIII com o taoísmo budaizante, com as práticas da escola Zen.

A alquimia deixou muitas contribuições para a química, como subproduto de seus estudos, dentre eles podemos citar: a pólvora, a porcelana, vários ácidos (ácido sulfúrico), gases (cloro), metais (antimônio), técnicas físico-químicas (destilação, precipitação e sublimação), além de vários equipamentos de laboratório. Na China produzia-se alumínio no século II e a eletricidade era conhecida pelos alquimistas de Bagdá desde o século II a.C.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/qual-a-origem-da-alquimia

‘NAOS

 

Thorold West, Tradução de Diabolus Shugara

O propósito do presente trabalho é prover um guia prático para a magia sinistra esotérica baseada na tradição Septenária. Sendo assim esta é a primeira vez que esta tradição secreta (também conhecida como hebdomadria) é trazida ao público.

Este livro é claramente escrito livre de qualquer mistificação. Sua primeira parte é um guia de como se tornar um Adepto, ou seja trata essencialmente da “Alquimia Negra” e o início de uma jornada rumo aos sete portais do desenvolvimento pessoal. A segunda parte é um guia prático de feitiçaria e técnicas mágicas tratando assim da “Magia Externa” – ou seja, a mudança de eventos/circunstâncias/indivíduos de acordo com os desejos dos feiticeiros ou feiticeiras.

Magia Interna é o caminho oculto da iniciação que na tradição Septenaria é o caminho conhecido como o Caminho dos Sete Portais, o caminho das sete dobras.

A terceira parte contêm uma seleção de manuscritos esotéricos que circularam entre os membros da Ordem dos Nove Ângulos, ONA: nestes manuscritos eles apresentam e explicam aspectos avançados do sistema Septenário, assim como outras técnicas, todas diretas e práticas. Estas serão publicados exatamente como circularam.

As técnicas dadas no presente trabalho habilita qualquer individuo a seguir o caminho da sabedoria: alcançar a genuína liberdade individual e esta liberdade – que é “Interna” – emerge do Adepto que é impulsionado a esta compreensão especial pela tradição oculta. De todas as tradições ocultas, a Septenaria é provavelmente a mais prática e direta forma de se atingir esta compreensão.

INDICE

Parte Um –  Magicka Physis: Guia Prático para Tornar-se um Adepto

Parte Dois – Feitiçaria Esotérica

Apêndice

Parte Três MSs Esotéricos

 

 

 

 

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/naos/

O Símbolo do Sol

Por Hamal

O papel do Sol na natureza e na manutenção da vida na Terra sempre foi algo intrigante aos homens com um maior nível de sensibilidade perante ao mundo que o cerca. Por sua função de dar vida e segurança através do seu calor e luz, ainda é o principal objeto de adoração por todo o mundo, por todas as Eras, tornando esse o objeto mais adorado de todos os tempos.

Criaram-se Religiões cujo personagens espirituais possuem atribuições simbólicas a função do Sol, como trazer a luz e dar segurança no caminho da vida. Assim os sacerdotes realizam Rituais de adorações e comunhão com esse guia que eram tidom como o próprio Sol encarnado, que veio nos iluminar e guiar mais de perto, nos livrando do sofrimento.

Tanto nos textos Esoterismo no DeMolay e no Esoterismo na Maçonaria vimos que os Iniciados são guiados nos seus rituais a compreenderem toda a Natureza e o Universo através do conceito Macro e Microcosmo que é um dos Princípios Herméticos, portanto todas essas características do Sol devem ser interpretadas num plano simbólico. Esse Princípio é a chave para o estudo do simbolismo e a chave de como devemos encontrar significados e semelhanças dos símbolos existentes ao redor do planeta. E o simbolo solar, devido a sua importância global, é muito explorado em nossas Ordens.

O símbolo solar carrega uma variedade imensa de interpretações e significados, vamos começar a explorá-lo entendo como seu papel e função podem ser (e como foram) transformados em símbolos através das Eras.

SIMBOLO SOLAR

Dia após dia o Sol ergue-se no oriente e deita no ocidente em um ciclo infinito a nossa perspectiva. Seu símbolo é quase o ponto central dentro da Ordem DeMolay e Maçônica, e seus principais rituais reproduzem essa jornada do Sol no céu. Mas isso não é uma característica individual Maçônica e DeMolay, essa é a tradição mais antiga da humanidade. Podemos até afirmar que os primeiros mistérios já reproduziam em seus rituais essa jornada.

Durante todas as eras, as Religiões simbolizaram o Sol em seus mitos através de diversas alegorias. É impossível datar historicamente quando o culto solar teve inicio, mas vamos tomar um ponto de partida que explica muito bem esse símbolo, o Hinduísmo. Segundo essa tradição o inicio do culto solar teve inicio por volta de 5000 anos atrás e quem o trouxe foi o herói solar Krishna.

KRISH em sânscrito significa “atração à essência divina”, NA significa “prazer espiritual”; krish unido com na é a palavra que guia o homem a “Suprema Verdade Absoluta”, Krishna. O Bhagavad-Gita é um livro que relata seu mito e que segundo a tradição oral foi passado por Krishna.

Krishna, assim como muitos outros personagens, refere-se ao aspecto de Deus que encarna, o Filho, para nos mostrar o caminho que podemos voltar a Unidade de Deus, ou encontrar a Verdade Absoluta. A esses “filhos de Deus” atribui-se nomes como Filho do Sol, Ungido (Khristós em grego), Desperto (Buddha em sânscrito), Iluminado, Mestre da Sabedoria ou Herói.

Esses Iluminados são representados em suas histórias acompanhados com símbolos solares, como Krishna e Jesus de exemplo nas imagens. O simbolo do Sol é o circulo com um ponto no meio, o circulo como vimos no Simbolo e Liberdade Religiosa é um simbolo para representar a ideia de Deus sem inicio e sem fim, e nas imagens tanto de Jesus como de Krishna estão no ponto central desse circulo.

A ideia do hermetismo é que não é necessário acreditar que Krishna ou qualquer outro personagem solar foi uma pessoa que existiu de fato. Krishna possui um significado, que é Suprema Verdade Absoluta, e num campo simbólico Krishna e sua história representam ensinamentos e etapas da vida que todos teremos de passar ao percorrer o caminho espiritual para se tornar assim o próprio Krishna, Khristós ou Buddha. Acreditar ou não em uma pessoa que existiu e cultuá-la é a crença pessoal de cada um. Quando lidamos com a ideia de que os mitos representam metáforas e nem sempre fatos, ampliamos nossa consciência em ensinamentos, sem limitações dogmáticas e preconceitos.

Utilizamos o exemplo de Krishna e Jesus pois são símbolos que carregam ideias muito semelhantes ao do Sol e daquilo que procuramos fazer dentro do Capítulo e da Loja: se livrar do que avilta a essência do homem e caminhar em direção as virtudes, ou a Luz.

O Sol é a representação de uma consciência elevada que podemos definir como “supraconsciência” (consciência superior), algo que vai além do que é ordinário e comum aos homens. É o maior o nível de consciência que o homem pode alcançar encarnado, quando vence os obstáculos que o ligam as ilusões do mundo. Esse estado de consciência é descrito de muitas maneiras no ocultismo, como a pessoa que “alcançou o conhecimento de si mesmo”, “despertou o seu Sagrado Anjo Guardião”, “conversa com o seu Eu Divino ou Eu Sou”, “se reconectou com Deus”, entre outros termos.

É por esse motivo que nos mitos esses personagens Iluminados tem tantas semelhanças entre si e com a interpretação esotérica do Sol. São histórias de personagens que encontraram a Suprema Verdade Absoluta (Krishna), tornaram-se Despertos (Buddha) e Ungidos (Khristós).

Se você acha que estamos tratando de verdades ou inverdades religiosas é bom rever alguns conceitos já explícitos, mas se você está enxergando a verdade por trás do simbolo, está no caminho correto.

Essa é a essência do símbolo solar, mas ele também possui um importante aspecto na Geometria Sagrada que acabou refletindo na Maçonaria e na Ordem DeMolay que possuem seu Templo e Sala Capitular orientados de Leste a Oeste, assim como muitas Catedrais, Pirâmides e templos ao redor do mundo, entre muitas outras referências dentro do ritual que estudaremos em seu devido momento cada uma delas.

#Alquimia #Demolay

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A cabeça e o coração na aventura iniciática

Jean DUBUIS

Já dissemos que o homem é um ser duplo. Para sustentar nossas palavras, na Cabala como no esoterismo, muitas vezes usamos a imagem de um grande rei, mestre de nossas estruturas invisíveis e espirituais, e a de um pequeno rei, mestre de nossas estruturas físicas e materiais. Cada um deles tem o poder de agir em seu próprio domínio, mas não pode agir no domínio do outro; com uma exceção feita para o grande rei que pode em caso de extrema urgência intervir brutalmente para fazer soar o apito do pequeno rei.

É o Centro do coração que serve de canal para que o grande rei transmita os impulsos do Invisível, em particular os do Amor Universal. É com o cérebro que o pequeno rei administra os assuntos deste mundo e que decide se comunicar ou não se comunicar com o grande rei.

Na segunda hipótese, ele entra no campo do irracional, sendo sua atividade essencialmente intelectual, e não tanto coração. Lembremos que o objetivo essencial de nossas aulas é fornecer ferramentas para abrir a porta entre o reino do grande rei e o reino do pequeno rei. O pequeno rei, em outras palavras “eu”, tem que estar disposto a levantar-se de seu trono para consultar e ouvir seu irmão mais velho que, “Ele” só pode agir de acordo com o Devir do ser. Isso implica que devemos deixar do lado de fora todas as nossas roupas velhas e estar prontos para usar novas.

Ao transmitir as ferramentas de “polimento” interno, nossos cursos (Alquimia, Cabala e Esoterismo) visam essencialmente à iniciação, mas a uma iniciação ritmada. Essa é uma iniciação ritmada em que as percepções despertam gradualmente e em que o cérebro da terra tem tempo para se acostumar com a nova norma que aparece.

Especifiquemos que é sempre necessário nestes momentos colocar as coisas em perspectiva entre o mundo da terra e os outros mundos. Com efeito, não é raro, após contatos internos durante a “Escola da Noite”, por exemplo, não sabermos mais, por falta de atenção, a origem dos conhecimentos adquiridos subitamente. Então, querendo descobrir de onde veio, começamos a percorrer em vão uma série de livros em que pensamos tê-lo descoberto.

O estudante do Caminho também deve saber que nem todas as iniciações são felizes. Mais algumas resultam em um despertar inconveniente descontrolado. Neste caso, o cérebro da terra fica deslumbrado pelo poder e pela luz transmitida do centro desperto e não pode mais verificar a origem da percepção sensorial. A consequência é que o sujeito vai se comportar de acordo com os dados do mundo interno e seu comportamento se torna inconsistente com o mundo da terra. A iniciação descontrolada, cujo efeito já não permite respeitar a separação de ambos os reinos ou distinguir o que pertence a qual, leva a numerosos transtornos mentais.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/a-cabeca-e-o-coracao-na-aventura-iniciatica/

O que é Alquimia?

Texto de Spectrum

Agradecimentos à Kimberlly Almeida

O significado da Alquimia pode assumir diversas conotações de acordo com o contexto em que é aplicada e da forma como é interpretada. A alquimia pode ser considerada uma modalidade de ciência, talvez a mais antiga da história da humanidade, que originou diversas outras, inclusive a química contemporânea. Porém, não é possível classificá-la apenas como uma ciência. Isto porque, na alquimia, inclui-se diversos elementos místicos, filosóficos e metafóricos; além de uma linguagem simbólica e interpretativa. Assim, podemos classificá-la genericamente como uma antiga tradição que combina química, física, arte e ocultismo.

Por esse motivo, a alquimia também é classificada como uma ciência ou arte hermética. Neste caso, hermético é uma alusão direta ao lendário Hermes Tris- megistus e significa de difícil acesso e compreensão, reservado apenas para os Iniciados nas artes ocultas.

Esta camada de incertezas relaciona-se também quando se discute a origem da palavra. Alquimia pode ser originada no vocábulo árabe kimia, que por sua vez, deriva-se da palavra egípcia keme, que significa terra negra e era uma das formas usadas para referir-se ao Egito, país onde provavelmente surgiu a alquimia. Ainda, pode-se considerar que a palavra tenha surgido da expressão árabe al khen que tem raiz grega na palavra elkimya e significa o país negro. Também cogita-se uma origem direta no grego, na palavra chyma que se relaciona à fundição de metais.

Os preceitos da alquimia se encontram condensados na misteriosa Tábua Esmeralda. A esmeralda era considerada a pedra preciosa mais bela e com uma simbologia maior.

Uma das características principais dos tratados alquímicos é a linguagem complexa e rebuscada na qual são redigidos. Durante a Idade Média, isto poderia ser um recurso usado pelos alquimistas para que não fossem alvo da perseguição da Santa Inquisição. Porém, também é possível que os autores tentassem ocultar as fórmulas, de modo que apenas outros alquimistas compreendessem.

Símbolos e objetivos

Na linguagem alquímica encontra-se associação de símbolos astrológicos com metais. O Sol, por exemplo, é associado ao ouro; a Lua representa a prata; Marte associa-se ao ferro enquanto Saturno ao chumbo. Animais (mesmo mitológicos como o dragão) e suas características também são usados para definir os elementos e as substâncias e os processos ao qual são submetidos. O unicórnio ou o veado é usado para representar o elemento terra; o peixe representa a água; pássaros fazem referência ao ar e salamandras aludem ao fogo. Ainda, o sal é normalmente representado por um leão verde. A fase de putrefação do processo alquímico é representada por um corvo.

Esta simbologia alquímica é encontrada até mesmo mesclada com ícones do cristianismo medieval. Por exemplo, nas seculares catedrais góticas, há uma imensa combinação de imagens cristãs com animais, símbolos químicos e zodiacais.

De forma geral, pode-se definir três objetivos básicos da alquimia. O primeiro e, conseqüente- mente, mais importante é produzir a chamada Pedra Filosofal (ou mercúrio dos filósofos, entre outros diversos nomes) que seria uma substância obtida a partir de matéria-prima grosseira. Através da Pedra Filosofal seria possível atingir os outros objetivos, que seria a transmutação da matéria (metais inferiores transformados em ouro) e produzir o Elixir da longa vida, uma espécie de medicamento universal que tornaria a pessoa que fizesse uso, imune a qualquer doença. Os sábios alquimistas ocidentais afirmavam que a obtenção de ouro foi um fracasso pela falta de concen- tração e preparação espirituais dos que realizavam as experiências.

Ainda, entre os alquimistas, há uma idéia de criar vida humana de modo artificial. O homúnculo (do latim, homunculus, pequeno homem) seria uma criatura de aproximadamente 12 polegadas de altura que poderia ser criada através de sêmen humano colocado em uma retorta totalmente fechada e aquecida em esterco de cavalo durante 40 dias. Assim se formaria um embrião. Possivelmente, Paracelso foi o primeiro alquimista a divulgar este conceito.

Porém, é provável que a verdadeira intenção dos alquimistas era promover uma profunda mutação na alma e na natureza humana. Este objetivo fica camuflado sobre fórmulas químicas e simbologias complexas.

A alquimia na história

Na China, a prática da alquimia estaria associada ao Taoísmo, que é o ensinamento filosófico-religioso chinês. Além da associação à filosofia védica, na Índia, por volta do ano 1000 a.C., que apresenta semelhanças com alguns fundamentos alquímicos. No Egito antigo, era considerada obra do deus Thoth (divindade associada à Hermes Trismegistus. Ainda no Egito, na cidade de Alexandria, a alquimia recebeu influência da filosofia neoplatônica, que se baseia no conceito de que a matéria, apesar de múltiplas aparências, é formada por uma substância única. Esta seria a justificativa para a transmutação almejada pelos alquimistas através da fusão dos quatro elementos fundamentais da Antigüidade: fogo, ar, água e terra.

De qualquer forma, a alquimia floresceu realmente a partir de meados do século VII, quando os povos árabes invadiram o Egito. Assim, o acervo de escritos alquímicos foram traduzidos para os idiomas árabes e sírio. Aproximadamente 300 anos depois, em meados do século X, os mulçumanos introduziram a alquimia no continente europeu, mais precisamente, através da península ibérica, na Espanha.

No século XIII, o conceito de quatro elementos primitivos e geradores da natureza (água, fogo, terra e ar), foi substituído pela idéia de que havia apenas três elementos básicos: mercúrio, enxofre e sal. O alquimista árabe Abu Musa Jabir ibn Hayyan al Sufi (conhecido como Geber) concluiu que os metais eram gerados no interior da Terra e compostos de mercúrio e enxofre. Acreditava-se que ouro e prata eram compostos de mercúrio e enxofre em sua forma pura. Enquanto os outros metais eram formados com enxofre impuro. Dessa forma, concluiu-se que, se através de um processo adequado, fosse possível “purificar” o enxofre, este poderia facilmente ser transmutado em ouro.

No ano de 1525, surgiu uma espécie de “escola de químicos” fundada por Paracelso. A Iatroquímicos (iatros, do grego, médico) tinha como objetivo principal encontrar um meio de que a humanidade se tornasse totalmente imune às doenças naturais. Porém esta causa poderia também ocultar a intenção de encontrar o chamado Elixir da longa vida. Foi também entre Paracelso e os iatroquímicos que surgiu o conceito de quintessência, que neste caso, seria equivalente ao “elemento divino”.

Entre os alquimistas mais célebres da história, destacam-se Tomás de Aquino, Paracelso, Nostradamus, Nicolas Flamel e Francis Bacon. Além do lendário Conde de Saint Germain, que teria encontrado a Pedra Filosofal e o Elixir da longa vida.

A alquimia medieval é a responsável pelas bases da química moderna. Além disso, os alquimistas contribuíram imensamente com a medicina contemporânea e deixaram como legado de alguns procedimentos que são utilizados até hoje, como o “banho-maria” (em alusão à alquimista conhecida como Maria, a Judia). Porém, a maior influência da alquimia encontra-se nas ciências ocultas ocidentais agindo diretamente na sabedoria e natureza humana.

#Alquimia #Magia #MagiaPrática

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Agathodaemon 

Agathodaemon  (c. 300) foi um alquimista egípcio que viveu no final do Período do Egito Romano, conhecido apenas por fragmentos citados em tratados alquímicos medievais, principalmente os Anepígrafos, que se referem a obras de sua autoria que se acredita serem do século III. [1] Ele é lembrado principalmente por suas várias descrições de elementos e minerais, mais particularmente, por suas descrições de um método de produção de prata[1], e de uma substância que ele havia criado, que ele chamou de “veneno ardente”, e que, a julgar por seu relato, seria o trióxido de arsênico, um óxido anfotérico altamente tóxico[2].

Ele descreveu o “veneno ardente” como sendo formado quando um certo mineral (provavelmente realgar ou auripigmento) foi fundido com natrão (carbonato de sódio natural), e que se dissolveu na água para dar uma solução clara. Ele também escreveu sobre como, quando colocou um fragmento de cobre na solução, o cobre transformou um tom verde profundo, dando mais validade à sugestão de que o auripigmento ou o realgar foram usados, pois ambos são minérios de arsênico, e este seria o tom obtido do cobre após ter sido colocado no trióxido de arsênico se a substância formada fosse a arsenita de cobre[2].

As descobertas de Agathodaemon existem como parte dos fundamentos para o uso posterior do veneno, pois o arsênico e substâncias relacionadas foram usados regularmente nos últimos séculos como meio de envenenamento e assassinato. Como os únicos registros de sua existência são referências em trabalhos posteriores, ele pode ser apócrifo, mas como a própria prática da alquimia começou a declinar por volta da época em que se acredita que ele viveu, e pode ser que grande parte de sua escrita tenha sido perdida. [1] Esta informação que foi coletada pelos nestorianos acabou sendo transmitida aos árabes, e isto contribuiu em parte para o florescimento da alquimia naquela região e em suas mãos; a moderna palavra inglesa “alquimia” vem do idioma árabe, e muitas das bases para a alquimia nas nações ocidentais foram lançadas pelos árabes.

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Notas:

1 – Brian P. Copenhaver, Hermetica: the Greek Corpus Hermeticum and the Latin Asclepius in a new English translation, with notes and introduction. Cambridge University Press, 1992. ISBN 978-0-521-36144-6.

2 – John Emsley, The Elements of Murder: A History of Poison. Oxford University Press, 2006. ISBN 0-19-280600-9.

3 – Joseph Jastrow, Story of Human Error. Ayer Publishing, 1936. ISBN 0-8369-0568-7.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

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Alquimia e Cosmologia Taoista

Fabrizio Pregadio (GoldenElixir)

Os aspectos doutrinários da alquimia são o foco principal de muitos textos que datam do período Tang (séculos VII-X). Ao contrário das escrituras do Taiqing, esses textos formulam seus ensinamentos e descrevem suas práticas usando a linguagem e os emblemas abstratos da cosmologia correlativa, um sistema abrangente projetado para explicar a natureza e as propriedades do cosmos e do ser humano e suas relações.

Essa grande mudança foi inspirada no Cantong qi (O Selo da Unidade dos Três), o principal texto da história da alquimia chinesa como um todo. Apesar disso, o Qi Cantong não lida principalmente com Waidan ou Neidan. Seu objetivo principal é descrever uma forma de realização que combina elementos do taoísmo, cosmologia e alquimia (os “três” mencionados em seu título). A tarefa de fornecer detalhes sobre essa visão e de aplicá-la a Waidan ou Neidan é deixada para os comentários e para um grande número de textos relacionados.

O papel da cosmologia

Os emblemas da cosmologia correlativa são tipicamente organizados em padrões que incluem  Yin e Yang; os cinco agentes (wuxing); os  oito trigramas e os sessenta e quatro hexagramas do Livro das Mutações (Yijing). Na alquimia, esses emblemas desempenham dois papéis principais, intimamente relacionados:

(1) Primeiro, eles ilustram a relação entre unidade, dualidade e os outros estágios através dos quais o Sopro Original (yuanqi) do Tao cria o cosmos e nele se propaga. Deste ponto de vista, os emblemas da cosmologia mostram como o espaço, o tempo, a multiplicidade e a mudança estão relacionados à ausência de espaço, atemporalidade, não-dualidade e constância do Tao. Por exemplo, o Cantong qi descreve os cinco agentes como desdobrando-se do centro, que contém todas as principais coordenadas espaciais e temporais do cosmos, percorrendo-os e “dotando-os de sua eficácia”.

(2) Em seu segundo papel, os emblemas cosmológicos servem para correlacionar os princípios doutrinários e a prática alquímica. Por exemplo, os trigramas do Livro das Mutações são usados ​​para ilustrar como o processo alquímico consiste em extrair o Verdadeiro Yin pré-cósmico (zhenyin) e o Verdadeiro Yang (zhenyang) do Yang e do Yin conforme aparecem no cosmos. O Verddeiro Yin é representado pela linha tracejada (linha quebrada) dentro de Li ☲, e o Verdadeiro Yang é representado pela linha sólida (linha sólida) dentro de Kan ☵. Quando as linhas internas desses trigramas são trocadas entre si, elas reconstituem Qian ☰ e Kun ☷, os trigramas que representam o Yang Original e o Yin Original, respectivamente. Então a conjunção de Qian e Kun produz o Elixir Dourado, que é equivalente ao estado original de Unidade.

As funções emblemáticas do chumbo e do mercúrio

Dessa forma, a alquimia desenvolveu uma linguagem figurada para representar princípios doutrinários e, ao mesmo tempo, um conjunto de práticas que se baseiam nesses princípios e usam essa linguagem. Waidan perdeu suas características rituais, e a composição do Elixir foi baseada em dois metais emblemáticos, Chumbo e Mercúrio. Os estados refinados desses metais representam Yin e Yang em seu estado pré-cósmico original (Chumbo é Yang ☰, Mercúrio é Yin ☷), e sua conjunção produz o elixir. O papel central desempenhado pela cosmologia nessas tradições é refletido em duas obras Waidan relacionadas ao Cantong qi, que afirmam respectivamente que “compor o Grande Elixir não é uma questão de ingredientes, mas sempre dos cinco agentes”, e mesmo que “você não use ingredientes, você usa os cinco agentes.”

Doutrinas e Práticas da Alquimia Interna (Neidan)

Além de uma nova variedade de Waidan, o Cantong qi também influenciou a formação de Neidan, cujos primeiros textos existentes datam de cerca de 700 EC. Os autores de vários tratados Neidan referem-se à sua doutrina como o Caminho do Elixir Dourado (jindan zhi dao). Embora muitas vezes gostem de afirmar que sua tradição sintetiza os Três Ensinamentos (sanjiao), ou seja, Confucionismo, Budismo e Taoísmo, os componentes do Neidan são, na verdade, muito mais numerosos. Seus textos emprestam ensinamentos do Daode jing, vocabulário do Zhuangzi, emblemas cosmológicos do Livro das Mutações, métodos da meditação taoísta primitiva, práticas fisiológicas (especialmente respiração) das disciplinas de Nutrição da Vida (yangsheng), visões do corpo humano de medicina tradicional, linguagem alquímica de Waidan, noções doutrinárias do budismo e conceitos do confucionismo e neoconfucionismo. Os empréstimos ocorrem em diferentes graus de extensão e profundidade de acordo com as várias subtradições e seus representantes individuais.

As funções desses componentes principais são claramente distinguidas nos tratados doutrinários de Neidan. Em particular, seus autores apontam que os ensinamentos Neidan só podem ser entendidos à luz daqueles do Daode jing (que eles chamam de “a origem do Caminho do Elixir Dourado”), e que a cosmologia fornece “imagens” (xiang) que servem “para dar forma ao Sem Forma pela palavra, e assim manifestar o verdadeiro e absoluto Dao” (Li Daochun, final do século 13, em seu Zhonghe ji, capítulo 3). A alquimia, portanto, usa a linguagem e as imagens da cosmologia correlativa para explicar a natureza do cosmos e sua unidade com o princípio absoluto que o gera e regula. Seu propósito final, no entanto, é “ir além do Yin e Yang”: imagens e metáforas desempenham um importante valor e função, mas oferecem apenas suportes temporários.

“Não fazer” e “fazer”

Vários autores enfatizam que o Elixir Interno é possuído por todo ser humano e é uma representação de seu próprio estado inato realizado. Liu Yiming (1734-1821) expressa esta opinião da seguinte forma:

Os seres humanos recebem este Elixir Dourado do Céu. . . . Elixir Dourado é outro nome para a natureza fundamental de uma pessoa, incipiente e ainda assim realizada (huncheng, um termo derivado do Daode jing). Não há outro Elixir Dourado fora de nossa natureza fundamental. Todos os seres humanos têm este Elixir Dourado completo em si mesmo: é inteiramente realizado em todos. Não é nem mais em um sábio, nem menos em uma pessoa comum. É a semente dos Imortais e dos Budas, a raiz dos dignos e dos sábios. (Comentário ao Wuzhen Pian).

Tomando emprestados dois termos do Cantong qi, que por sua vez os extrai do Daode jing, Liu Yiming frequentemente menciona “virtude superior” (shangde) e “virtude inferior” (xiade) em seus escritos. Esses dois termos estão relacionados a “não-fazer” (wuwei) e “fazer” (youwei) de acordo com o Daode jing. A virtude superior é o caminho do “não-fazer”: percebe-se imediatamente a “realidade celestial” original (tianzhen), que nunca é afetada pela mudança e impermanência que dominam no cosmos. A virtude inferior, ao contrário, é a maneira de “fazer” a prática Neidan para “retornar ao Tao”. Liu Yiming afirma, no entanto, que o último caminho, quando se trata de realização, “leva ao mesmo objetivo que a virtude superior” (Comentário ao Cantong qi).

“Inversão” e os Três Estágios da Prática Neidan

Enquanto as práticas Neidan são enquadradas de maneiras que diferem, às vezes notavelmente, umas das outras, a ideia de “inverter o curso” (ni) é comum a todas elas. Na codificação mais comum, a prática é enquadrada como a reintegração de cada um dos componentes primários do ser, ou seja, Essência, Respiração e Espírito (jing, qi e shen), naquele que a precede. Este processo culmina na “reversão” (huan) ao Vazio (xu, ou o Dao. A formulação típica deste processo é em três etapas:

(1) “Refinando a Essência (jing) para transmutá-la em Respiração”
(2) “Refinando o Sopro (qi) para transmutá-lo em Espírito”
(3) “Refinamento o Espírito (shen) para retornar ao Vazio”

Li Daochun (final do século 13) relaciona esses estágios com a passagem do Daode jing que afirma: “O Dao gera o Um, o Um gera o Dois, o Dois gera o Três, o Três gera o dez mil coisas.” Na explicação de Li Daochun, os três estágios da prática Neidan consistem em reverter das “dez mil coisas” para o Dao. Desta forma, o processo gradual que caracteriza Neidan leva à realização da não dualidade do Absoluto e do relativo.

Cultivo da Natureza (Xing) e Existência (Ming)

Nos tempos Song e Yuan (ca. finais dos séculos 10 e 14), a história de Neidan se identifica com as linhas de transmissão conhecidas como Nanzong (Linhagem do Sul) e Beizong (Linhagem do Norte). O fudador de Nanzong foi Zhang Boduan (século 11), e o fundador de Beizong foi Wang Chongyang (1112-1170). A base textual da Linhagem do Sul foi fornecida pelo Wuzhen pian (Despertar para a Realidade), uma obra poética de Zhang Boduan. Ambas as linhagens enfatizaram o cultivo de xing e ming, que constituem duas noções centrais da Alquimia Interna. Xing refere-se à Natureza original, considerada inatamente desperta, mas também obscurecida pelo funcionamento da mente no estado condicionado. Ming denota a “impressão” que cada entidade individual recebe ao ser gerada, e que pode ou não ser atualizada na vida devido à interação com o mundo através do corpo e dos sentidos. As linhagens do norte e do sul foram distinguidas pela prioridade relativa dada tanto ao xing quanto ao ming no contexto de seu “cultivo conjunto” (shuangxiu).

Durante as dinastias Ming e Qing, a tradição Neidan se dividiu em várias escolas. Um dos maiores mestres desta época foi Liu Yiming (1734-1815), que em suas obras propôs uma interpretação inteiramente espiritual de sua tradição.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/alquimia-e-cosmologia-taoista/