O Ego deseja brilho, a Alma anseia por luz

Somente a clareza de entender realmente quem se é poderá te transformar na pessoa que buscas em ti. O ego, a parcela da consciência mais ligada às sensações primárias e imediatas, repleto de condicionamentos sociais e ancestrais, pensa te proteger ao criar um personagem moldado em modelo de suposta aceitação e admiração que ilude sobre o sentido da existência. O ego impulsiona o indivíduo a ser o mais belo, rico e importante, alimentando o vício do aplauso fácil na esteira do brilho efêmero no show das ilusões terrestres de prazeres baratos, resultados vazios e soluções improdutivas. As consequências, imediatas ou não, mas que um dia virão, são o sofrimento e as dificuldades nas relações pessoais. Além do desgosto consigo próprio. O ego, repleto de boas intenções, inventa virtudes que ainda não exercemos, direitos que não possuímos e, comumente nos vitimiza em relação aos movimentos do mundo, criando falsos motivos de revolta. Ou, ainda, nos força a fugir da realidade quando desagradável. Em qualquer dos casos leva à estagnação ao impedir de enfrentar a situação com a maturidade necessária para entender, se transformar, compartilhar e seguir adiante.

Diante da insegurança comum, fruto da ignorância, o mecanismo mais comum que o ego dispara são as sombras, nossos sentimentos mais densos, frutos do, como diz o nome, egoísmo. Ciúme, inveja, ganância e mágoa são os mais conhecidos e presentes nas entranhas de todos, sem exceção. São inerentes à natureza humana. No entanto, o que fazemos com eles define quem somos.

As sombras impedem o melhor olhar ao projetar a nossa vida dentro da vida alheia, como se o outro fosse determinante e responsável pela nossa felicidade. Transferir a terceiros a causa de inevitáveis frustrações não ajuda em absolutamente nada. Entender que não encontrará paz em nenhum lugar, salvo dentro de ti ou aceitar que cada decisão modela o próprio destino significa maturidade, passos fundamentais para a plenitude.

Buda ensina que se alguém quer saber como será o seu amanhã basta prestar atenção ao que faz hoje. O Cristianismo nos indica a atravessar pela estreita porta da virtude. O Xamanismo lembra que somos herdeiros de nós mesmos.

Negar nossas sombras não é a melhor solução, ao contrário, somente permite que ela continue a se movimentar sem qualquer controle até o momento em que nos domine por completo. E toda vez que a sombra assume o comando revelamos o pior de nós. Como um amigo que é mau conselheiro, ao tentar te proteger a sombra apenas atrapalha a tua evolução. A sabedoria consiste em fazer com que ela comece a trabalhar a nosso favor até se transmutar por completo em luz. Por exemplo, existe quem, por sentir ciúme mate ou maltrate a pessoa amada sem qualquer respeito pelo sagrado direito de escolha do outro. Os jornais cansam de nos contar casos assim. No entanto, há aquele que ao sentir ciúme busque seu violão para compor uma bela canção. Com a mesma matéria-prima uns enveredam pelas raias da criminalidade e da loucura, enquanto outros fazem da sombra uma aliada para produzir a mais fina obra de arte. Um jeito iluminado de transformar o denso em sutil, um belo exercício de espiritualidade e evolução.

A inveja pode se transmutar em força de trabalho e criatividade; a mágoa transformada em entendimento de que o outro, assim como você, também está na estrada e, por vezes, ainda não consegue ver a paisagem que já lhe é clara no iluminado e perfumado jardim da compaixão. Importante entender o automatismo de algumas de nossas reações, principalmente daquelas que nos deixa um gosto amargo e modificá-lo. Perceber que tudo pode ser diferente e melhor torna as possiblidades infinitas e expande o universo.

As sombras lançam um véu que nos impede de ver a realidade com a devida clareza. Descortinar a névoa nos leva ao discernimento de que não competimos contra ninguém e na verdade somos os únicos responsáveis pela nossa felicidade. Entender quais sentimentos realmente movem as nossas atitudes é passo importante na estrada da evolução. Vingança não é justiça; ciúme não é amor. As maiores batalhas são travadas onde moram as sombras, ou seja, dentro de nós.

Assim, pouco a pouco, vamos transmutando sombras em luz, identificando cada vez mais cedo quando a emoção se apresenta para direcioná-la na Estrada do Sol. Dominá-la com inteligência é imprescindível. E sem a vergonha ou medo de admitir a sua existência, vamos aos poucos refinando nossas escolhas, estas ferramentas poderosas a instrumentalizar infinitas transformações do ser em busca da integralidade, onde reside a paz. Pouco a pouco a luz leve da sabedoria e do amor dissipa a escuridão das emoções pesadas, cada vez mais próximo à sua raiz, amansando sua selvageria. Trata-se de harmonizar os desejos do ego às necessidades da alma. Enquanto o ego deseja brilho, a alma anseia por luz. Somente a percepção apurada de quais sentimentos te movimentam e as consequentes escolhas que faz permite adquirir o bilhete para a próxima estação. Na essência, a vida é uma infinita e fantástica viagem rumo à Luz.

Publicado originalmente em http://yoskhaz.com/pt/2015/07/25/o-ego-deseja-brilho-a-alma-anseia-por-luz/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-ego-deseja-brilho-a-alma-anseia-por-luz

O Significado do Jade

A história do Jade é tão longa quanto a da civilização chinesa. Vários são os objetos feitos de jade encontrados por arqueólogos em território chinês, que remontam aos períodos iniciais do neolítico. Posteriormente, foi considerada uma gema imperial, sendo utilizada como matéria prima em ornamentos de cerimônias e objetos de decoração.

O Jade – “yu”, em chinês – era definida como uma das pedras mais bonitas por um antigo dicionário chinês. O jade é comumente classificado em jade suave (nefrite) e jade duro (jedeíta). A nefrite possui uma cor branca como leite, podendo surgir tons de verdes variados. Já a jedeíta, considerada mais valiosa, é encontrada nas cores azul, rosa, lavanda e verde-esmeralda.

Por curiosidade, antigamente, na China, só existia o jade suave, a nefrite, antes que a jadeíta passasse a ser importada da Burma durante a dinastia Qing (1271-1368). Por causa disso, tradicionalmente o jade se refere à nefrite. No entanto, a jedeíta passou a ser mais popular e mais valiosa do que a nefrite ao longo dos anos.

O amor que os chineses possuem pelo Jade não se refere apenas à sua beleza, mas também pelo significado cultural e humano, assim como disse Confúcio, sobre a existência de onze virtudes no jade:

“Os sábios têm associado ao jade a virtude. Para eles, seu brilho e lustro representam a integridade da pureza; sua perfeita firmeza e extrema dureza representam a certeza da inteligência; seus ângulos, que não cortam, apesar de aparentarem afiados, representam a justiça; o som puro e prolongado, que ressoa quando algo o atinge, representa a música. Sua cor representa a lealdade; suas falhas internas, que sempre se mostram através da transparência, chamam a atenção para a sinceridade; seu brilho iridescente representa o céu; sua substância admirável, formada pela montanha e pela água, representa a terra. Usado sozinho sem ornamentos [o jade] representa a castidade. O preço que o mundo inteiro lhe atribui representa a verdade. Para embasar essas comparações, o Livro dos Versos diz: ‘Quando eu penso em um homem sábio, seus méritos parecem ser como o jade’”.

(tradução original do chinês para o inglês desconhecida)

Jade é muito especial na cultura chinesa, sendo famoso o provérbio que diz “o ouro é precioso; o jade não tem preço”. Seu simbolismo, assim, pode ser resumido à graça, à beleza e à pureza, mas também está relacionado à nobreza, à perfeição, à constância, ao poder e à imortalidade.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/o-significado-do-jade/

Como entrar em contato com seu Sagrado Anjo Guardião

Por: Fr.Goya(Anderson Rosa)

Esse pequeno ensaio é fruto de diversas explicações dadas em listas e tentarei monta-lo em tópicos, para que sirva de referência ao estudante que busca maiores informações sobre o Conhecimento e a Conversação com o Sagrado Anjo Guardião.

A questão do Anjo na verdade é controvertida por que muitos que passam a sua versão ou definição de anjo sequer sabem o que estão falando. Vide Mônica Buonfiglio e toda a fileira de Angelólogos, que rezam sabe deus pra quem, já que os nomes usados por essa turma estão na maioria das vezes está errado. Basta verificar os nomes dos anjos em hebraico e sua gematria pra cair pra trás, com a quantidade absurda de erros que vem sendo perpetuados por uma gang de incompententes.

Quanto aos supostamente mais sérios ocultistas (onde estão eles??), que fazem comparações com a psique humana, selfs, egos, id’s (seria uma abreviação de idiota’s??), também esses estão errados, por que se observarmos pela qabalah (fazemos isso pela praticidade do sistema), veremos que a comparação com o self ou qualquer semelhante seu também é complicada, por que:

1) O SAG encontra-se em Tiphareth, além do véu de Paroketh;

2) Até onde me recordo, o ser humano consegue conceber mentalmente apenas Netzachabaixo do Véu de Paroketh.

Por aí podemos deduzir que toda a concepção dada pela psicologia se encerra às bordas do Véu. E isso numa pessoa altamente desenvolvida, o que não é o caso de 95% da humanidade (sendo generoso) que está ai apenas pra continuar a espécie. Logo, o SAG está além da psique.

Seria o SAG uma entidade espiritual?

 NÃO! Principalmente se adotamos a definição de espírito à luz do espiritismo direta ou indiretamente. Então o que seria? Sou tentado a dizer que seria mais apropriado e neutro defini-lo como uma energia externa ao Adepto. Porque externo? Por que o anjo vem até você, e não a partir de você.

Essa energia é a mesma que forma tudo no Universo e cuja única diferença entre seres é a vibração a que ela está usando para se manifestar. De resto é tudo a mesma coisa…

O problema maior ao se falar em Anjos ou coisas assim é que da minha parte, não tenho conhecimento de ninguém fora 1 ou 2 pessoas que tenha feito o ritual de Abramelin como recomendado, ou até mesmo o Sameck (duvido que até mesmo Crowley tenha seguido inteiramente esse ritual).

Portanto, para falar de Anjo é preciso propriedade, como se deve ter em qualquer tema a ser discutido. Falar é fácil. Fazer nem um pouco fácil. E digo mais: quem precisa discutir natureza de Anjo ou de Magia, por exemplo, é por que nunca fez nada que preste. Por que se fizesse teria suas questões devidamente resolvidas no tempo e forma corretos.

Magia não explica nada. Quem busca a magia pra encontrar uma resposta, sairá cheio de dúvidas. Magia é prática. Usando seu exemplo, pra que ficar perguntando a origem das coisas se elas funcionam? Essa explicação deve ser dada pelas Ciências, que tem mais tempo pra responder essas coisas…

Mas magia não é Ciência? Não. Talvez consciência…

Citando R.A. Gilbert e Crowley, deixo alguns pontos de reflexão:

A esses pigmeus do ocultismo, fariam melhor se calassem e meditassem…” – Gilbert

Agora uma maldição sobre Porque e sua família. Seja Porque amaldiçoado para sempre! Se a Vontade pára e grita Por que, invocando Porque, então a Vontade pára e nada faz“. – Crowley, Liber Al II, 28- 30

O Guia Espiritual e o SAG são a mesma coisa?

Na verdade, o SAG não é a mesma coisa que o Guia Espiritual. São energias distintas. O SAG, em teoria, estaria acima do conceito religião. Tanto é, que no texto original, Abramelin adverte que não importa a religião do indivíduo, desde este não a tenha abandonado ou trocado por outra, principalmente se convertido em outra religião.

Outro item que permite que avaliemos o Guia e o SAG, é que até onde sei, várias pessoas podem tem o mesmo Guia. Em alguns casos porém, há um tipo de Guia individual, que é um espírito em evolução, e ambos (o Guia e seu orientando) evoluem juntos. No entanto, segundo o Sistema de Abramelin, cada pessoa possui um único Anjo Guardião exclusivo, que não possui outra função a não ser aguardar seus serviços serem solicitados.

É possível dominar o inconsciente?

Avaliando o SAG a partir de Tiphareth, estamos então vendo sob o prisma da qabalah.

Logo, pelo que é ensinado pelos rabinos, não estamos falando definitivamente de qabalah hermética, e sim pela Qabalah Judaica, o mundo que concebemos como humano, ou que percebemos enquanto humanos, por mais evoluídos que possamos ser psicologicamente falando, acaba em netzach.

Ou seja, mesmo um ser humano que tenha atingido o self, que já é um super-humano do ponto de vista psicológico, ele ainda está em netzach.

Se o anjo é encontrado (mas pode ser visto em malkut) em Tiphareth, é por que a pessoa ultrapassou o self. Portanto, não adianta a psicologia argumentar em favor de algo que ela mesma ainda não compreende que é: o que está além do self?

Mas para vermos a complexidade do tema, ele cria confusão justamente por que para o ser humano comum, o limite ainda é o ego. Antes fosse o self. Logo, tudo que eu concebo enquanto ser humano padrão, tem que obrigatoriamente estar dentro do EU. Afinal, não se concebe nada além do umbigo.

A minha recomendação é: Ao invés de se falar de Abramelin, que se faça. Tem muita gente falando sobre o tema que sequer alguma vez leu o livro completo, quem dirá fazer. E ainda teve uma figura que em outra lista, teve a cara-de-pau de dizer que fez, usando dados que passei (sobre a minha realização do Ritual de Abramelin) noutra

ocasião, como local e data em que supostamente teria feito o ritual, e aos 19 anos, sendo que a idade mínima requerida é 25 anos. Isso é que é magista de m… (desculpe o desabafo, mas é pra você ver como as coisas são).

Aproveitando isso, devo dizer que se alguém aqui da lista pretende fazer esse ou qualquer outro ritual, envio as seguintes dicas:

* No caso do Abramelin, só faça se tiver um tutor que já tenha feito;

* Mantenha um diário decente. Se você não consegue sequer anotar suas práticas num caderno, que merda de magista é você e o que quer com magia ritual??

* Conheça intimamente o ritual, sabendo quase de cor e tendo providenciado tudo que precisa com antecedência;

* Siga estritamente as recomendações do autor do ritual, não invente, e principalmente, NUNCA SUBSTITUA NADA. Se pede Galanga, faça com Galanga, não com gengibre. Isso é coisa de magista safado.

* Se acha que não tem competência pra terminar, nem comece.

E principalmente:

SIGA CORRETAMENTE AS INSTRUÇÕES. SE VOCÊ ACHA QUE É BOM O SUFICIENTE

PRA PODER MUDAR ESSE OU QUALQUER OUTRO RITUAL, FAÇA DA SUA CABEÇA E

NÃO INCOMODE NINGUÉM SE FIZER BESTEIRA.

A coisa é simples no fundo. O ser humano é que é complicado e cara-de-pau.

 Errando Sozinho e Errando Orientado

Depois da última mensagem que enviei sobre o tema Abramelin, muitas pessoas me escreveram em off, para saberem por que trato do assunto de forma tão radical, em especial com relação a ter um tutor, uma vez que o próprio ritual é conhecido como uma forma de auto-iniciação.

Primeiro de tudo. Porque o radicalismo? Acredito que se você deseja algum resultado efetivo na vida e nas suas práticas, você deve jogar conforme as regras. Muitos misticóides se dizem cientistas do esoterismo, mas somente emporcalham os dois nomes: místico e cientista.

O de místico, porque não tem a visão necessária para enxergar as entrelinhas, nem tampouco o desprendimento que faz o buscador. Não é um sonhador, e sim um fugitivo de si mesmo. Esse tipo de pessoa, se envolve com misticismo não por que gosta, mas porque quer fugir do mundo, tentando achar algo que seja tão esquisito quanto ele e que agüente seus problemas de relacionamento com o mundo.

Faz pior ainda com o de cientista, porque não tem método, não tem disciplina e ainda pior, não tem conhecimento.

Esse tipo de pessoas, buscam na auto-iniciação a justificativa pra sua fuga de autoridade, de estrutura e para mentir ainda mais a si mesmo sobre seus fracassos. Logo, considerar qualquer método de auto-iniciação, seja Abramelin, Sameck, Pyramidos, ou monografias da AMORC, só ajuda a fazer mais loucos. Aqui cabe bem a expressão: Jogar pérolas aos porcos.

Um indivíduo dessa natureza (a do porco) recebe uma pérola, esmigalha a pérola com os pés e ainda se volta contra aquele que o alimenta, por estar habituado com lavagem. Logo, não vê utilidade para as pérolas.

 

É necessário um Tutor?

Quando se faz um ritual, em especial os de longa duração, é muito comum surgirem dúvidas, e principalmente, a pessoa ser bombardeada com inúmeras informações sobre si mesma e o mundo. Cada ritual tem sua estrutura, e portanto, exige do estudante muito cuidado com aquilo que faz, pois os resultados podem ser graves.

No ritual de Abramelin, que é o nosso tema, é muito comum a ocorrência de visões, de uma certa esquizofrenia por parte do estudante. Por que isso acontece? Por que o objetivo de toda iniciação é despertar certas condições no indivíduo, e estas exigem

para ocorrer, uma reorganização da nossa estrutura mental. Israel Regardie comenta bastante sobre esse tema no Z3., de sua obra The Golden Dawn.

No Abramelin, um dos objetivos principais é enaltecer a essência divina do indivíduo e as qualidades de sua crença, qualquer que seja ela. Mas no Sameck por exemplo, um dos objetivos do ritual, é um rompimento com o sistema de crenças do indivíduo até então. Isso é totalmente oposto ao sistema de Abramelin, como descrito acima.

Logo, em cada um dos casos, podem ocorrer as seguintes coisas:

ABRAMELIN: O indivíduo pode apresentar sintomas de um fanático religioso. Volta-se completamente para a religião e para a divindade, chegando até mesmo a um complexo de messias.

SAMECK: O estudante começa a perceber uma total ruptura com seu sistema de crenças vigente, e daí podem ocorrer basicamente duas coisas – Ou ele fortalece sua crença, ou pode virar um completo agnóstico.

Por isso, a presença de um tutor é fundamental, uma vez que essas mudanças podem mudar profundamente nosso ser, e a forma como vemos e nos comportamos no mundo. Caso a pessoa insista em fazer o ritual desamparada, ela corre o risco de ir parar numa casa de Saúde Mental.

E como as mudanças são bastante sutis, a pessoa que está imersa no processo, muitas vezes não identifica o que lhe ocorre, mas como no caso de um dependente químico, todos ao seu redor percebem a mudança.

Menos o dependente.

E uma vez que se tenha um tutor, é fundamental uma relação de respeito e dedicação na relação tutor/discípulo. Como há a ocorrência de mudanças na personalidade, podem ocorrer também momentos de certa paranóia, onde o discípulo se acha perseguido e manipulado pelo tutor. Tudo isso é previsto nesse tipo de ritual. E portanto, a única esperança para o estudante, é que ele seja orientado da melhor forma possível. E para isso, precisa de um tutor habilitado para tal.

Quando ele se arrisca sozinho, fica muito complicado ajudar, pois não há como saber o estágio do problema que o estudante vivencia.

Oportunamente iremos oferecer maiores instruções sobre como funciona o ritual em si, o que está envolvido ali e como se encontra o SAG efetivamente.

Atenciosamente,

Em L.L.L.L.,

Fr. Goya

ANKh, USA, SEMB

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/como-entrar-em-contato-com-seu-sagrado-anjo-guardiao/

O Real Sentido da Meditação

Texto do meu irmão e amigo Dario Djouki, sobre meditação:

A meditação, como conhecemos no ocidente, tem um significado completamente diferente de sua real origem, no oriente, mais especificamente na Índia. Várias práticas espirituais, ao chegaram até o ocidente, foram deturpadas ou mesmo adequadas ao estilo de vida das pessoas, mais voltado ao plano material do que o espiritual, ao dinheiro do que a elevação do ser e a busca de Deus dentro de cada um de nós.

As religiões ocidentais fizeram isto com as pessoas. Através de seus dogmas, sistemas verticalizados de comando, imposições sociais, introduziram na sociedade os conceitos de bem e mal, certo e errado, mantendo-as dentro de seus domínios, pois obviamente é muito mais fácil de se controlar alguém!

Com o próprio advento da espiritualidade “fast-food” com suas soluções práticas de vida e consumismo desenfreado, todos os conceitos orientais foram banalizados, e o resgate dos mesmos como caminhos de evolução do ser humano é muito importante para as pessoas que realmente querem ter uma vida melhor, tanto física como espiritual. Isto tudo pode e deve ser agregado às práticas espirituais ocidentais, sem o menor problema, pois todas as fontes levam à Deus.

Meditação

Por Swami Ritajananda

A palavra meditação não tem na Índia o mesmo significado que no Ocidente. Os hindus usam uma palavra equivalente, pois não existe outra que se aproxime mais dessa idéia. A palavra mais usada por eles é Dhyana, ou Nidihyasana, ou ainda Upasana.

Normalmente, durante a meditação, objetivamos pensar apenas em um Ideal espiritual ou uma idéia próxima deste ideal. Na Dhyana, o pensamento não se ocupa de modo algum com um tema, mas dirige-se intensamente para o Ideal espiritual.

Na Índia, o objetivo buscado é o de se obter uma experiência espiritual que transcenda a mente. Se não se admitisse a possibilidade de atingir um estado mais elevado que o nível da mente, a meditação hindu não teria nenhum significado. Para os hindus, a meditação é suscetível de levar um contato direto com o Supremo.

Por que é necessário meditar? Para buscar o Supremo. Aqueles que meditam desejam encontrar o Supremo. Sabem que a melhor coisa que existe em suas vidas é alcança-lo. É a meta suprema da existência. Na Índia é a salvação. Precisamos dizer também que a meditação deve tornar-se uma concentração intensa, tão fina e aguda quanto possível. Trata-se, portanto de uma intuição penetrante.

Há, por um lado, a intensidade da concentração e , por outro, uma compreensão bem aguçada, bem afinada, dentro da meditação profunda. Ficamos então completamente separados da vida comum.

Normalmente esta prática é difícil, pelo menos no início, porque nossa mente está habituada a afundar-se numa imensa variedade de pensamentos e sentimentos. A isto se acrescenta a lembrança de nossas impressões passadas, ou então aquilo que está próximo, o imediato, tornando a concentração muito difícil. Poucas pessoas consentem em desprender-se de todas as suas atividades mentais para se tornarem capazes de absorver-se em seu Ideal Espiritual.

Existe um meio eficaz para se conseguir purificar a mente de todos os diferentes tipos de pensamentos. Este meio é a introspecção e a análise de si mesmo. Praticando bastante a introspecção, analisando-se a si próprio em seu interior, consegue eliminar todas as más tendências da atividade mental. Mas isto é difícil no começo, porque não somos capazes de julgar-nos imparcialmente e dificilmente aceitamos reconhecer nossos defeitos.

Muitas vezes as pessoas não se dão conta da dificuldade que há em descobrir seus defeitos, porque sua própria mente, em geral, mascara as más tendências. Então, sem compreender que elas próprias estão velando a visão das coisas, não sabem que estão vendo incorretamente e agindo mal. Não sabem que sua apreciação de sua própria atitude mental não é nem clara, nem exata. Por esta mesma razão, tais pessoas não compreendem a crítica de seus defeitos, se lhes acontece ouvi-la, pois julgam-se feridas em seu amor-próprio. Portanto, é muito difícil.

(…) O objetivo supremo da meditação é atingir a Consciência Pura,absolutamente pura, a Luz sem nenhuma nuvem. Mas, antes disto, há diferentes níveis.

(…) A consciência pura é o estado de Samadhi. Se pudermos chegar a este estado, seremos realmente mestres. A mente ficará completamente controlada, descobriremos muitas coisas muito mais nitidamente do que antes. A compreensão habitual é a do mundo, daquilo que vemos. Não é o real. Não é a verdade. O que tomamos por verdadeiro é o produto de nosso pensamento, a criação da mente. Com a mudança da mente, o mundo muda, tudo muda. Nesse momento, pode-se dizer que vocês captaram a meta suprema de suas vidas. Compreendem quem são, compreendem onde estão. Vocês se transformam.

Como verificamos nas palavras do Swami Ritajananda, meditação não é apenas fechar os olhos, ficar em silêncio, praticando respiração. Meditação é algo muito mais profundo, é a busca da consciência suprema, da conexão com Deus, através de práticas, seja entoando mantras, observando imagens, ou outra forma que seja melhor adequada ao praticante. Quando você medita, você se conecta, descobre seu verdadeiro ser.

Meditar não é manter a mente vazia, mas sim preenchida de silêncio. É o equilíbrio absoluto, é a paz interior definitiva, criando uma mente centrada, em paz consigo mesma.

#Hinduismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-real-sentido-da-medita%C3%A7%C3%A3o

Um segredo (bem… mais ou menos)

Anton Szandor LaVey

Excerto de “Satan Speaks!”

O segredo que estou prestes a revelar me serviu bem durante a maior parte da minha vida adulta. Percebi seu potencial depois de tê-lo empregado involuntariamente. Ela se baseia em um princípio psicológico de que, uma vez que uma pessoa tenha sido posta de joelhos, ela aceitará qualquer que seja o mestre que a tenha feito ajoelhar. É o mesmo princípio que faz com que as vítimas se tornem leais a seus sequestradores. A maioria dos humanos é masoquista, respondendo ao medo e ao fracasso.

Essa é uma verdade confirmada por evidências empíricas. Muitos exemplos, ao longo de milênios, provam isso sem sombra de dúvida. A raiz da palavra sujeito é a mesma que sujeitar e subjulgar. Cada monarca, cada nação tem seus súditos.

Observei que as mulheres são minhas mais fortes aliadas. Não é por acaso, mas por design. O que eu não exercito para esses fim por diretamente, eu faço através do meu papel e suas conotações temíveis e subjugadoras. Se o público é feminino, um verdadeiro líder deve ser um subjugador. O conhecimento carnal é uma das fórmulas mais primitivas de subjugação . É o poderoso subjugador pelo qual as mulheres tiveram que mistificar para combater. O conhecimento carnal assume muitas formas, em muitos graus.

É por isso que eu não ando de camiseta e pés descalços. Não vou cruzar uma linha que me torna vulnerável. Só uma mulher bonita pode se expor ao poder por meio da vulnerabilidade. As fantasias de estupro em mulheres que precisam delas nada mais são do que uma das muitas situações que atendem às necessidades da mulher de ser subjugada.

Toda mulher quer amor. Sexo e amor estão tão indelevelmente entrelaçados na mulher, que ao sucumbir a um homem de sua escolha, ainda que de forma obtusa, abre os portais do amor. Não é necessário estuprar, agredir para abusar verbalmente. dê-lhes um exercício de constrangimento.

Eu permito que elas rompam com a convenção, enquanto experimentam sentimentos subjetivos de humilhação, vergonha, degradação e subjugação. Mas, o mais importante, liberte-se da responsabilidade. Forneça um retorno aos primeiros despertares sexuais, enterrados, mas com efeito mais forte do que qualquer possessão sexual aberta. Assumo o conhecimento carnal muito mais poderoso que os efeitos mundanos do estupro. Devolvo a figura paterna. Isso é o satânico.

Outros compartilharam meu segredo. Eles permanecerão sem nome, embora divulgar suas identidades me colocaria na companhia de déspotas e tiranos, ícones pop, psiquiatras lendários e figuras públicas amadas por milhões.

O primeiro exercício exigido por grupos de controle como Cientologia EST, etc., é ser mantido cativo em uma audiência que não permite que ninguém saia de seu assento. É um forçado – mas voluntário – cativeiro. Isso também faz seguidores fanaticamente devotos. Meus métodos são muito mais refinados, recorrendo a subterfúgios transparentes semelhantes ao orgásmico oráculo sagrado em tabernáculos para matar o pecado. Eu explico o plano, o propósito e o método. Ninguém é obrigado a participar. Se meu próprio fetiche produz dedicação e lealdade explorando os requisitos naturais femininos, ninguém perde. Quanto às ferramentas do meu negócio e detalhes processuais, isso deve permanecer em segredo.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/um-segredo-bem-mais-ou-menos/

Como começar um diário mágicko

Por: Donald Michael Kraig

Gostaria de começar dizendo que todas as histórias e os “contos de fadas” sobre os poderes dos feiticeiros, as bruxas e os magos estão corretos, ainda que, desgraçadamente, somemente em parte. De fato, é possível creiar sortilégios para ganhar dinheiro, amor, sabedoria, satisfação e muitas coisas mais.

Devem compreender, apesar de tudo, que contrariamente ao que ocorre na magis dos contos de fadas e dos filmes, a maior parte da magia real não temtem efeito de forma instantânea. Por exemplo, se você realiza um ritual para conseguir dinheiro, este dinheiro poderia demorar uma semana ou duas para chegar e, quando chegar, seria por meios naturais. Porém, se o ritual foi realizado da forma adequada, o dinheiro “aparecerá”.

Ninguém pode outorgar-lhe poderes mágicos. Você mesmo deve ganhá-los. Há somente um modo de consegui-lo: Pratique, pratique, pratique!

Ademais, deverá anotar todas suas pŕáticas, experiências, pensamentos e sonhos; o deverá fazer em dois registros separados, ou diários.

Registro dos Sonhos

Deveria começar agora mesmo, hoje mesmo, a escrever um diário de seus sonhos. Quando sonhamos (e todo mundo sonha), pode ocorrer uma das seguintes quatro circunstâncias seguintes:

1. Trabalho astral: Ao realizaro trabalho astral, são aprendidas lições acerca do desenvolvimento espiritual, mágico e psíquico simutaneamente à prática dessas lições. Isso acontece no chamado “plano astral”. Em lições posteriore aprenderá mais coisas sobre a interpretação mágica e cabalística do plano astral.

2. Mensagens psicológicas: Muitas vezes o subconsciente necessita comunicar ao consciente, porém o consciente nega-se a escutá-lo! Em alguns sonhos o subconsciente envia uma mensagem, em símbolos, ao consciente. Este é uma das bases da psicanálise freudiana.

3. Brincar: Ao descansar, a mente pode vagar sem rumo ou sentido e enviar ao consciente qualquer tipo de imagem bela ou estranha.

4. Uma combinação de todas as anteriores.

Se nunca manteve um diário de sonhos, descubrirá que se trata de algo muito fácil.

Simplesmente tome um bloco de papel e um lápis ou uma caneta e os deixe próximos à cama. Enquanto desperta pela manhã, escreva tudo quanto recorde. Se não recorda nada, deverá escrever no diário “Não consigo recordar meus sonhos” e isso será suficiente. No princípio talvez somente lembrará um pequeno fragmento, talvez
somente um fato ou um sentimento. Ao cabo de um mês de prática regular terá dificuldades para conseguir que as entradas do diário caibam em uma página.

Ademais, procure um caderno em branco ou um fichario com papel em branco para transferir as breves notas que tenha tomado junto à cama. Ao menos que sua escrita seja muito legível, escreva com letras de forma no novo livro o que havia anotado no bloco de papel. Isto pode levar mais tempo, porém no futuro será muito mais fácil de ler. Assegure-se de por a data em cada entrada.

No parágrafo anterior você observou que eu falei em ler o diário no futuro. Essa atitude de revisão é muito importante. Não tente, neste ponto, analisar cada sonho. O mais provável é que não seja capaz nesse momento de decidir a qual dos quatro tipos mencionados anteriormente corresponde seu sonho. Em lugar disso, busque as
imagens repetidas ou as transformações que tenha observado em seus sonhos recorrentes. Por favor, fuja de todos esses ridículos manuais sobre o “significado dos sonhos”!

Vou oferecer-lhe um exemplo da importância que pode ter esse diário para você. Uma de minhas alunas tinha frequentemente sonhos nos quais era perseguida por soldades, corria e se escondia. Tinha sonhos desse tipo várias vezes ao mês e despertava molhada em suor frio, aterrorizada. Para ela, esse sonho era uma versão de algo que
havia acontecido realmente quando era pequena. Depois de praticar alguns dos rituais de proteção que aparecem nas presentes lições seus sonhos, segundo me contou, começaram a mudar. Já não se escondia nem era quase descoberta ou violentada, mas conseguia escapar. Havia desaparecido nela um antigo bloqueio mental que se manifestava como medo aos homens e ao sexo. A relação com seu noivo melhorou muito, já que se sentia mais segura. Isso estava representado pela mudança que
experimentou seu sonho recorrente. De forma parecida, você poderia ver as mudanças positivas em su vida ao ser capaz de observar as alterações que sofrem
seus sonhos ao longo do tempo.

Como registrar os rituais

Mais adiante, nesta mesma lição, encontrará rituais para serem realizados pelo menos uma vez ao dia. Enquanto esteja aprendendo-os, não deveria tardarmais de meia hora em levá-los a cabo, e muito menos tempo uma vez que os tenha memorizado. Em outro caderno, deveria cultivar um diário dos rituais. Na próxima página lhe oferecemos uma sugestão de formato para seu diário; poderia ser-lhe útil fazer cópias desta página e guarda-las em uma pasta, de modo que cada dia poderia simplesmente preencher uma delas.

Data:
Dia da semana:
Hora:

Fase da lua:
Condições meteorológicas
Emoções:
Condição física:

Execução (o que foi feito):
Resultados (o que foi conseguido):

Todos os dados que aparecem são importantes e deveriam incluir todos os aspectos em cada uma das entradas. No futuro, poderá descobrir que condições lhe proporcionam mais êxito ao praticar magia. Algumas pessoas tem mais sucesso quando estão contestes e a noite é quente; outras obtém melhores resultados quando estão deprimidas e o tempo é chuvoso. Conjuntamente, seu diário de sonhos e seu diário dos rituais constituem um texto mágico secreto e pessoal que somente podem ser realmente úteis para você.

Por fase da lua quero dizer se ela está cheia, minguante ou crescente. Esta informação pode ser localizada em qualquer calendário local ou astrológico. Por condições meteorológicas me refiro a se o tempo está chuvoso, nublado, abafado, morno, quente, frio, etc. Por emoções, se está alegre, triste, deprimido, etc. Por execução, seo o reitual foi bem executado, conscientemente, descuidadamente, etc. Por resultados me refiro a como se sente e o que experimentou. Também é possível que você deseje tecer comentários a esse respeito em uma data posterior; neste caso deverá indicar a data do comentário referido.

Devo dizer uma coisa mais sobre os rituais: Não se pode realizar o ritual sete vezes um mesmo dia e se esquecer dele o resto da semana! Pode realizá-los com uma maior frequência que a diária, porém deve fazê-los no mínimo uma vez ao dia.

Traduzido do espanhol por Infinitum

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/como-comecar-a-usar-o-diario-magicko/

Entrevista com Varg Vikernes (Burzum)

Nota: muito deste artigo publicado na revista “Sounds Of Death nº 4” está incorreto, e Varg discute a realidade no “incidente em Estocolmo” numa recente entrevista em 1998. Tenha em mente que aquilo que você lê em uma revista nem sempre é verdade. Este artigo é muito mais ficção às vezes…

Numa noite tranquila em Julho, 1992, uma família, incluíndo duas crianças pequenas, dorme em sua casa suburbana em Upplands Vasby, norte de Estocolmo. Enquanto isso, fora da casa, Maria – uma jovem de 18 anos, membro do Black Circle, uma organização de cultuadores do demônio – espalha silenciosamente acetona na porta de entrada e janelas da casa e calmamente põe fogo na estrutura. Antes de fugir do local, Maria prende uma faca na porta principal, junto com a seguinte mensagem: “O Conde esteve aqui e vai voltar”. A família sente cheiro de fumaça pouco depois e consegue escapar por pouco da casa, apenas com suas vidas, antes das chamas queimarem tudo, fora de controle. A investigação policial do crime levou à prisão de Maria e o confisco de seu diário, onde ela revela que faz parte do culto secreto ao demônio, Black Circle. Numa referência a Conde Grishnackh da banda norueguesa de Black Metal Burzum, Maria escreveu: “Eu fiz em uma missão para nosso líder, o Conde. Eu amo o Conde. As fantasias dele são as melhores. Eu quero uma faca, uma faca bonita, afiada e cruel”.

A família vitimada era a família de Christoffer Jonsson, vocalista da banca sueca de Death Metal Therion. Quatro dias depois do incêndio, uma carta do Conde chegou à família. “Olá vítima! Aqui é o Conde Grishnackh do Burzum. Eu acabei de chegar de uma viagem da Suécia e acho que perdi um fósforo e um álbum autografado do Burzum, ha ha! Eu vou dar a você uma lição no medo. Nós somos mesmo mentalmente desajustados, nossos métodos são a morte e a tortura, nossas vítimas morrerão lentamente, elas devem morrer lentamente”. Pouco depois, Conde Grishnackh, nome real Varg Vikernes, é levado a interrogatório por três incêndios na Noruega e pelo incêndio em Upplands Vasby. O Conde não confessa nenhuma relação com a garota sueca Maria e declara inocência em todas as acusações. Maria é levada a um hospital para doentes mentais e solta depois de um ano de tratamento. As acusações sobre o Conde jamais são provadas.

10 de Agosto, 1993. Oystein Aarseth, conhecido também como Euronymous da banda de Black Metal Mayhem, é encontrado morto nas escadas do prédio onde morava em Oslo com várias punhaladas. Chamado de “Deus do Black Metal” e conhecido nos círculos satânicos como “O Príncipe da Morte”, Aarseth administrava uma gravadora chamada Deathlike Silence, e uma loja de discos chamada Helveye. A polícia norueguesa suspeita que o assassino primeiro apunhalou Aarseth em seu apartamento, e quando este tentava fugir pelas escadas foi pego e apunhalado novamente. Seu melhor amigo era o líder satanista norueguês Conde Grisnachk. O círculo do Conde afirma ter certeza de que os rivais satanistas suecos estão por trás do crime. Um porta-voz da polícia disse que “estes grupos realmente se odeiam e são capazes de usar quase qualquer método para punir um ao outro”. De acordo com o Conde, os suecos lêem a bíblia satânica e clamam serem satanistas, e que isto não é satanismo. Para o Conde, o verdadeiro satanismo é o praticado pelo seu grupo, que cultua a morte.

13 de Agosto, 1993. A polícia de Oslo conduz um interrogatório de oito horas com Ilsa, uma garota sueca de 16 anos que era amiga íntima tanto de Oystein Aarseth como de Conde Grishnachk. “Eu tenho certeza de que sei quem matou Oystein. O assassino era invejoso e queria tomar a posição de liderança que Oystein tinha no cenário”, disse a garota. “Eu não acredito que Oystein foi assassinado por satanistas suecos. A maioria dos suecos é muito covarde para matar alguém. Eu não vou revelar o nome do assassino. O ambiente Black Metal vai fazer sua própria vingança contra ele”. Um mês antes desta entrevista Ilsa havia estado por três semanas com Oystein Aarseth em seu apartamento em Oslo. Ela diz que Oystein falou sobre os conflitos entre os suecos e noruegueses e que ele deixou bem claro que em sua opinião esta richa havia chegado a um fim. “Aquele que eu penso ser o assassino é parte do ambiente norueguês. Muitos outros com quem eu tenho conversado também chegaram à mesma conclusão. Eu não posso dar o nome da pessoa que acredito ser o assassino porque estaria arriscando minha própria vida”. A garota prosseguiu, dizendo que Aarseth não costumava carregar armas consigo para se proteger, pois ele era fisicamente forte e se sentia capaz de se defender desarmado. “Eu não acredito que ele deixaria um estranho entrar em seu apartamento, não era seu estilo. Isso me deixa ainda mais certa sobre o nome do assassino”.

Quatro dias depois desta entrevista, Conde Grishnachk foi preso e acusado do assassinato de Aarseth. Ele está aguardando julgamento. Segue uma entrevista feita por Karl Milton Hartveit.

KM = Karl Milton Hartveit
VV = Varg Vikernes (Conde Grishnachk)

KM (Introdução) – Durante uma noite, no fim de março, eu falei com o Conde. Ele me surpreendeu, sendo uma pessoa fria e eloqüente que se expressava clara e inteligentemente. Ele respondeu às minhas questões precisamente e deixou bem claro o que ele queria responder e o que não queria. Ele demonstrou uma sabedoria convincente sobre mágica e tradições satânicas e ele formulava seus pensamentos com uma velocidade e inteligência que não se encontra facilmente em um charlatão. Eu declarei que estava trabalhando em um livro sobre satanismo e ele, sem hesitar, disse que eu poderia usar esta entrevista em meu livro. Um assunto recorrente durante a conversa foi o desejo intenso do Conde em destruir e arruinar tudo aquilo que é bom e harmônico. O fato de ele ter falado comigo em bergensk (um dialeto norueguês falado em Bergern, cidade do Conde) apenas contribuiu para aumentar ainda mais o horror trazido por sua mensagem.

VV – Bom, eu não estou tão interessado em entrevistas como no passado. As revistas distorceram minhas palavras. Eu acho essa coisa de concentrar todo o pensamento negativo em uma pessoa só é errado, não estou nesse negócio por dinheiro, fama ou fãs. Eu vejo o Burzum como um sonho sem alicerce na realidade. Foi feito para estimular a fantasia dos mortais, fazê-los sonhar. Estou cansado de ser mal interpretado pela mídia. Tudo o que escrevem sobre mim está cheio de erros, como esta merda sobre “Nidarosdomen”, a igreja que eu deveria explodir com dinamite. Quem falou isso para eles? Eu nunca ouvi falar nesta maldita igreja!

KM – Qual o objetivo de sua cruzada?

VV – Nós queremos criar o maior medo possível, caos e agonia para que esta sociedade idiota e amigável cristã possa ser destruída. Nós não estamos realmente interessados na revelação da verdade. Quando divulgamos mentira, causamos confusão; confusão leva ao caos, e finalmente à destruição que queremos. As pessoas devem ser oprimidas e nós apoiamos tudo aquilo que oprime o homem e tira dele seus sentimentos como pessoas individuais. É por esta razão que gostamos de saber que o cristianismo é poderoso… Ele oprime pessoas e todos acham que está tudo bem.

KM – Quais são seus sentimentos em relação aos praticantes da chamada “Magia Branca”?

VV – Eles são todos estúpidos e inocentes. Eles trabalham pelo bem e nós somos totalmente contra isso. Nós queremos espalhar caos e destruição.

KM – Qual sua opinião sobre Anton LeVay e seus seguidores?

VV – Anton LeVay é um idiota e as coisas que ele representa não tem nada a ver com satanismo. Ele representa o benefício próprio e egoísmo se apoiando no satanismo. Aleister Crowley também era uma farsa. Ele era tão aficionado por sexo que perdeu a verdadeira mágica.

KM – Você pode dar exemplos de como espalha caos e destruição?

VV – Através de nossa música. Ela desmantela a alma do ouvinte, e através dela espalhamos morte e devastação. Nós gostamos disso.

KM – Eu não entendo, você não gosta das músicas que você cria?

VV – Nós gostamos daquilo que ajuda a destruir o bem e pessoas estúpidas, e, portanto gostamos de nossa música.

KM – Você fala como se pertencesse a uma sociedade secreta, a uma elite no mundo. O quê é e quem faz parte desta elite?

VV – É um pequeno grupo de pessoas que cultuam o mal, você pode chamar o mal de Satã, mas este é um conceito desgastado e insípido que tem sido usado incorretamente tanto pela mídia como pela cultura cristã. Nós queremos o mal para ganhar mais poder no mundo e isso só conseguimos sendo maus. Quando simples humanos criam o mal, o poder do mal no mundo fica mais forte. Eu não vejo nada de extremista em meu ponto de vista. O que os idiotas chamam de mal, eu chamo de razão verdadeira da sobrevivência. A luta é evolução, paz é degeneração. Apenas os cegos podem negar!

KM – Você usa contatos com poderes sobrenaturais?

VV – Eu não quero falar sobre isso, mas demônios e poderes invisíveis existem e podem ser usados.

KM – Quantos de vocês existem e como estão organizados?

VV – Eu não conseguiria dizer a você quantos somos, mas existimos na maioria dos países do mundo. Apenas em países pequenos e isolados, como a Albânia, nós ainda não conseguimos nos estabelecer. Temos contato próximo entre nós e trabalhamos pelo mesmo objetivo.

KM – Vocês têm membros nas grandes cidades da Noruega?

VV – Sim, em muitas cidades.

KM – A sua organização tem um nome?

VV – Nós nos chamamos de Black Circle e somos organizados em um círculo central (Inner Circle) e vários outros círculos periféricos (Outer Circles). Aqueles que estão nos círculos periféricos são apenas usados para chegarmos aos nossos objetivos. Apenas nós pertencemos ao círculo central, que temos conhecimento completo daquilo que estamos querendo.

KM – Você diz que vocês usam pessoas e que espalham destruição, medo e ódio. Vocês não respeitam as leis e regras da sociedade?

VV – Não! Por quê deveríamos? Nós temos nossas próprias leis e não ligamos muito para as regras impostas pela sociedade.

KM – Vocês deliberadamente quebram as leis da sociedade?

VV – Não posso dizer isso, é um crime.

KM – Mas em princípio?

VV – Em princípio não temos nenhum escrúpulo em relação a quebrar as leis da sociedade. Estas leis pertencem a uma sociedade que estamos lutando para destruir.

KM – Você se vê como um rebelde?

VV – Não, nós não somos rebeldes. Nós apenas queremos destruir e espalhar o mal.

KM – Que tipos de rituais vocês praticam?

VV – Nós temos vários, mas não vou falar nada sobre eles.

KM – Os sacrifícios de sangue são parte importante destes rituais?

VV – É claro, o sangue é o poder da vida e é central aos rituais.

KM – Vocês sacrificam animais?

VV – Sim.

KM – Vocês sacrificam humanos?

VV – Isso é um crime.

KM – Mas em princípio?

VV – Em princípio não temos nenhum escrúpulo quanto ao sacrifício humano.

KM – E vocês já fizeram sacrifícios humanos?

VV – Eu não vou falar nada sobre isso.

KM – Eu não entendo. Por que você deu aquela entrevista reveladora a Bergens Tidende?

VV – Porque aquele jornalista estava me irritando e nós já tínhamos revelado parte de nossas atividades. O que eu disse naquela entrevista não era nada de novo.

KM – Mas você disse que pôs fogo em Fantoft Stavkirke e Asane Kirke.

VV – Não! Eu fui completamente mal-entendido e distorcido. Eu disse que alguém de nosso grupo sabia como os incêndios haviam começado, nada mais.

KM – Então você não teve nada a ver com estes incêndios?

VV – Eu não vou responder.

KM – Por quanto tempo você esteve envolvido no satanismo? Quando você começou a ter estes pensamentos que falou?

VV – Eu sempre os tive. Basicamente, eu sou um devoto de Odin, o deus da guerra e morte. Burzum existe exclusivamente para Odin, o inimigo de um olho do deus cristão. Desde que eu me lembro, eu odiei pessoas boas e generosas. Quando eu era um menino eu via as pessoas que estavam bem e curtindo a vida e aquilo me machucava, eu queria arruinar aquelas vidas. É isto que eu estou tentando fazer agora.

KM (Conclusão) – Grishnackh fundou o Burzum no começo de 1987, quando ele tinha apenas 14 anos, com o nome Uruk-hai. O Burzum teve então uma pausa de um ano da metade de 1990 à metade de 1991, quando o Conde, junto com Demonaz e Abbath do Immortal tocaram em uma banda chamada Satanael. Ele também tocou guitarra em uma banda de Death Metal chamada Old Funeral. Quando o Satanael acabou, Grishnachk continuou com o Uruk-hai e mudou o nome para Burzum em Agosto de 1991. “Eu sempre evitei me envolver com outros músicos no Burzum, sou muito individualista para isso. Você pode chamar de intolerância e egoísmo… Na verdade, eu tive um baixista por alguns meses em 1992, mas eu o chutei!” O Burzum lançou três álbuns por enquanto: o “debut” (“o álbum mais primitivo e cheio de ódio) em março de 1992, o EP Aske (” o álbum rock and roll “) em março de 1993 e o Det Som Engang Var (“o mais pesado e mais estranho”) em setembro de 1993. Um outro álbum, “Filosofem”, vai ser lançado mais tarde neste ano e de acordo com Grishnachk é “depressivo, transcendental e sem nenhuma dúvida o melhor de todos”.

ENTREVISTA 2

BJ = Björn Hallberg
VV = Varg Vikernes

BJ – Por favor me diga seu nome completo, idade e local onde se encontra.

VV – Meu nome completo é Varg Vikernes. Nasci no dia 11 de fevereiro de 1973, e no momento estou na prisão Trondheim.

BJ – Qual o motivo EXATO de sua condenação?

VV – Eu fui condenado por: roubo e possesão de 125kg de dinamite e 26kg de glinite (outro tipo de explosivos); incêndio premeditado de quatro templos judeus (igrejas), dos quais três queimaram até virarem cinzas; três casos de invasão de propriedades privadas (em busca de armas, alguns disseram); assassinato em primeiro grau (apesar de ter sido um assassinato em segundo grau na verdade); e… bem, acho que isso é tudo.

Eu fui acusado também de ter incendiado um quinto templo judeu (Fantoft Stavechurch); um ou dois casos de violação de túmulos; e eles também apreenderam aproximadamente 3000 balas de rifle e pistolas (mas a polícia apenas pegou essa munição, e nem ao menos mencionou-a na lista de itens confiscados). Eu fui considerado inocente no incêndio da igreja Fantoft, e o próprio promotor chegou a aconselhar o juri a não me considerar culpado destas acusações – simplesmente porque eram muito ridículas e porque não havia prova alguma de que eu tinha feito coisas como essas, como violar túmulos!

Eu mesmo disse à corte que eu era culpado do roubo e posse da dinamite/glinite, e também confessei que era culpado de “homicídio doloso” em defesa própria. Eu quis dizer que foi algo em defesa própria, mas depois entendi que na visão deles, no sistema legal deles, era chamado legalmente de “homicídio doloso”, já que eu não estava mais em uma posição onde minha vida estava DIRETAMENTE ameaçada, pois o Aarseth (o cara que eu matei) estava fugindo de seu apartamento quando eu o matei.

Não houve prova nenhuma em NENHUM dos casos de que fui acusado, a não ser na história da dinamite/glinite, é claro… Afinal eles encontraram 150kg de explosivos no meu sótão…

Em todos os outros casos eu fui considerado culpado apenas porque haviam UMA ou DUAS testemunhas em cada caso, dizendo que eu tinha feito aquilo, ou estado lá, ou coisas do tipo. Algumas provas eram tão fracas que meu novo advogado disse que estava surpreso por eu ter sido preso com base nelas. Em um caso era ÓBVIO que eu não tinha cometido o crime (o caso Åsane Kirke). Então, eu diria que fui condenado mesmo sem ninguém ter prova nenhuma contra mim!

BJ – Você diz que o fundador do Mayhem, Oystein Aarseth foi assassinado em defesa própria? Por que motivo ele queria matar você, então?

VV – Ele queria me matar por várias razões. Eu saí de sua gravadora, e fazendo isso o deixei apenas com algumas bandas que vendiam muito pouco (Abruptum, e algumas outras merdas). Eu fiz ele parecer um idiota completo em várias ocasiões, por exemplo, eu dava risada na frente dele enquanto desmascarava todas as mentiras que ele contava. Eu comecei a espalhar propaganda racista em nosso meio. Mas, o que é mais importante, eu comecei a ser mais interessante para a mídia do que ele. Por alguma razão era muito importante para ele ser “o centro” de tudo. Eu ganhava mais atenção porque de fato FAZIA as coisas que dizia, enquanto ele apenas ficava falando e falando – então depois de um tempo ninguém mais o levava a sério, pois todos viam que ele era apenas uma pessoa com muita conversa e nenhuma ação. Ele me culpava por isso, já que eu era a pessoa – ele acreditava – responsável por fazê-lo parecer um covarde (o que ele era, é claro).

Você deve se lembrar de que ele foi “o centro” do movimento por um longo tempo; ele tinha 25 anos de idade, enquanto eu tinha apenas 19 (e 20 quando o matei), e ele ficou seriamente ofendido quando as pessoas começaram a me ouvir ao invés de ouvir a ele. Ele era um comunista, e odiava o fato de que “todo mundo” estava muito mais interessado no meu nacionalismo e minha visão racista – isto é, depois de um tempo, é claro. Ele não gostou do jeito que as coisas se desenrolaram e queria acabar com isso, me matando. Primeiro ele tentou encontrar provas contra mim por vários crimes que ele “sabia” que eu tinha cometido, mas ele não conseguiu encontrar nada.

A razão pela qual eu o desrespeitava era simplesmente esta: ele era completamente incompetente e incapaz de administrar sua gravadora com eficiência. Ele era cheio de grandes palavras e nunca fazia nada daquilo que prometia. Ele tinha verdadeira obsessão por seus pensamentos “Satanistas”, enquanto eu queria espalhar o Odinismo na cena (e ele me odiava por isso também). Ele era ridículo, via filmes pornô o tempo todo, e nós até mesmo desconfiávamos que ele era bisexual ou homossexual! Eu não queria saber de nada que tinha a ver com ele, e eu nunca fiz nada de vontade própria para esconder meu ódio por ele. Ele era um porco, e eu dizia isso a “todo mundo”!

Eu estava meio puto porque tinha gastado muito tempo, fé e energia em sua gravadora, e tudo foi desperdiçado! Eu era jovem, certo, mas ainda me sentia um idiota por ter acreditado em sua gravadora no começo.

Resumindo, eu tinha muitos motivos para odiá-lo, e por causa do meu modo de lidar com este ódio (que era respeitado por “todo mundo”) ele também tinha muitos motivos para me odiar; eu disse a verdade sobre ele, e com certeza a verdade muitas vezes é desconfortável!

Eu disse – e ainda digo – que eu o matei em defesa própria simplesmente porque foi ele quem me atacou, e não o contrário, quando eu apareci em seu apartamento naquela noite para dizer a ele “parar de me encher o saco” (para colocar em palavras claras). Ele queria me torturar até a morte, filmando tudo e vendendo o filme para outras pessoas – e eu sabia disso porque um amigo dele me contou. Ele me atacou e tentou me matar (com uma faca). Por pouco ele não conseguiu, mas eu sabia que se eu não acabasse com “o show” lá eu estaria apenas dando a ele uma segunda chance e é claro que eu não vi nenhum motivo para deixar isto acontecer. E se ele tivesse mais sorte na segunda vez? É por isso que eu digo que foi em defesa própria. No começo era defesa própria, até mesmo legalmente, mas quando ele começou a fugir não era mais legalmente defesa própria, e então eu chamo este assassinato de “ação preventiva”, “defesa própria preventiva”.

BJ – Houve uma história alguns anos atrás de uma garota (Maria, ou algo do tipo), que botou fogo na casa do vocalista da banda sueca Therion perto de Estocolmo… Você ainda não quer comentar este fato?

VV – O que você quer dizer com “ainda não quer comentar”? De qualquer modo, eu não consigo entender o que isto tem a ver comigo. Essa garota (Suvi Marjatta, e não Maria) pôs fogo na casa desse cara do Therion uma semana DEPOIS de eu ter estado na Suécia. Eu acho que autografei um álbum do Burzum para este cara do Therion, por brincadeira, porque ela (Suvi M.) sabia onde eles ensaiavam e disse que podia entregar o álbum para este cara.

De qualquer modo, ela incendiou a porta da casa da família dele, e depois pregou meu álbum autografado na parede (eu acho)! Depois ela me ligou, quando eu já estava na Noruega, e me disse o que tinha feito. É claro que eu achei que ela estava doida (e estava mesmo; eu acho que ela está em um hospital para doentes mentais agora), e também um pouco engraçado. Nós (na Noruega) não levamos isso muito a sério, talvez devêssemos dar mais atenção ao fato, mas nós realmente pensávamos que era um tipo de piada. Então eu escrevi uma carta para o Therion dizendo algo do tipo “eu acho que perdi uma caixa de fósforos quando estive na Suécia, ha ha”, alguma coisa assim.

Eu autografei o álbum porque nós não gostávamos do Therion, porque eles queriam ser “Rock Stars”, e levavam a banda muito a sério, então foi uma espécie de brincadeira com isso – eu assinei o nosso “debut” como se fosse um Rock Star e o entreguei para ele (como se fosse “óbvio” que ele gostaria de uma cópia autografada). É claro que era irônico e também uma piada, mas nem preciso dizer que a tal Suvi M. “exagerou” um pouco…

Resumindo, este incêndio não teve realmente nada a ver comigo, e desde o começo era apenas uma brincadeira. Eu queria na verdade entregar o álbum pessoalmente, mas nós ficamos sem dinheiro quando estávamos lá (eu e um cara do Abruptum), então nós não tínhamos gasolina suficiente para ir até onde eles ensaiavam (mais ou menos uma hora de carro de onde nós estávamos). Foi assim que essa garota entrou na história. Ela poderia entregar o álbum por mim.

Eu tive que agüentar um monte de merda por causa disso, com algumas pessoas dizendo que eu “mandei minha namorada” botar fogo na casa dele, porque eu era muito covarde para fazê-lo por mim mesmo, e até mesmo que na próxima vez eu mandaria meu cachorro e assim por diante. No entanto, como você pode ver toda essa coisa tem pouco a ver com as versões apresentadas nestas revistas sobre Metal. Este caso me garantiu umas risadas, é claro. É incrível como podem inventar coisas sobre uma coisa tão pequena como este incidente…

BJ – O que é o Black Circle? Você ainda é ativo nele?

VV – Ha ha, eu estou surpreso por AINDA me perguntarem isso. NUNCA existiu um “Black Circle”, exceto na cabeça de Aarseth/Euronymous, que queria se fazer mais interessante criando algo como um “misterioso Black Circle”. Era apenas um produto da fantasia dele que nunca existiu. As revistas de música britânicas engoliram esta história estúpida, ou apenas fingiram acreditar para ter alguma coisa sobre o que escrever. Eu não sei.

Apesar disso, eu devo dizer que nós – outros caras que tocavam metal – também “encenávamos” e não fazíamos nada para desmentir a existência deste “Black Circle”, não fazíamos nada para espalhar que era apenas um produto da imaginação de Aarseth.

Agora que eu estou falando sobre isso, posso dizer que esta foi mais uma das “mentiras de Aarseth” que eu fiz questão de desmascarar, e uma outra razão para ele me odiar – ou me matar antes de parecer um idiota completo ao mundo.

Tradução: Metal_Maniac #metalbreath da brasnet

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/entrevista-com-varg-vikernes-burzum/

Reencarnação e Corpo Físico

Eu ia responder isso nos comentários, mas ficou tão extenso, e pode ser que sirva para outras pessoas. Não considero isso exatamente um post, é mais uma conversa de bar, mas vale pela curiosidade:

Cláudio perguntou como seria essa questão de escolhermos previamente a vida que teremos aqui na Terra: “Afinal, o fato de estar desencarnados antes de nascer não nos faz necessariamente sábios a ponto de escolher com perfeição nossos futuros moldes, ou faz?”

Olá Cláudio. Não faz mesmo. Todos nós precisamos de uma certa orientação, de um amigo do “lado de lá”. Nós os conhecemos como Guias espirituais, ou Anjos da guarda, ou Amparadores. São amigos de outras vidas, parentes, pessoas com afinidade e amor um pelo outro. Não precisam ser venerados como anjos, nem acender vela ou incenso pra eles, e sim serem respeitados (afinal, foi você que o escolheu pra essa missão). Se comunicam com você pela intuição, como um pensamento bem no íntimo (eu chamo de “grilo falante”). Dependendo da nossa tarefa e evolução no cumprimento (ou não) dela, podemos ter vários guias durante a vida, assim como temos professores diferentes na alfabetização, colegial e universidade.

São nossos guias que intercedem por nós junto às mais altas esferas, mas como não dá pra subornar o pessoal de lá, o que vale mesmo são nossas ações, nosso merecimento, que cria uma “aura” de afinidade para arrecadar o que necessitamos pra nossa evolução (que nem sempre é o que desejamos).

Mas, como tudo na vida, isso varia de pessoa pra pessoa. vejamos alguns casos:

1- Quando a pessoa é interessada em aprender, em fazer algo pelo semelhante, possui toda a ajuda que os departamentos superiores possam dar. Então o “roteiro” da nossa vida por vezes é traçado cuidadosamente pelo pessoal que cuida especialmente dessas coisas, mas é como a preparação de um exército pra guerra. Traçar um plano é importantíssimo antes da batalha, mas uma vez que ela começa ele é inútil, pois a coisa ocorre de forma inesperada. O importante é ater-se à meta.

2- O roteiro é traçado pela própria pessoa lá do “outro lado”, com o auxilio dos guias. Isso é para pessoas que se garantem, que possuem um grande conhecimento espiritual e muita força de vontade para cumprir o que se dispôs a fazer. Esses sequer precisam de guias “dando sermões” porque agem sempre com virtude, sempre no fluxo.

3- A pessoa não é muito ligada em espiritualidade, mas faz parte de algum grupo espiritual atuante (que chamamos de correntes espirituais, como a dos ciganos, africanos, hindus, etc. Devem existir correntes de evangélicos, rosacruzes, todos esses grupos que se reúnem por afinidade, formando uma egrégora forte). Por exemplo, se uma pessoa pertence originalmente à corrente hindu, mas precisa reencarnar junto com um outro grupo, longe da sua família espiritual, então precisa do apoio de uma corrente “local”, ou seja, ligada àquela família e aos objetivos em comum que desejam atingir naquela encarnação.

3- A pessoa reencarna na zona mesmo e faz o que der na telha. Isso infelizmente é maioria. Gente que quando morre fica vagando pela terra até reencarnar por conta própria, através de afinidade vibracional com a “hospedeira” (a futura mãe). Acaba sem ter nenhum planejamento, sem orientação (porque não querem) e formam a “massa de manobra” dos seres que preferem difundir a ignorância, para assim ter mais poder de manipulação. Agem pelo instinto, comandados pelas necessidades do corpo, espiritualmente não são muito diferentes de um animal irracional (aliás, já tive cachorros com muito mais caráter que algumas pessoas).

Nossos futuros corpos são construídos em torno de nossos moldes energéticos (o corpo astral). Esses moldes são tão sutis que são completamente afetados pelos nossos pensamentos, então podemos dizer que nossos corpos são (em parte) extensões de nossos pensamentos, nossas culpas, complexos, fixações, etc. Tenham em mente que nesse campo metafísico não existem regras inflexíveis, tudo é mutável (a não ser, talvez, os postulados de Hermes Trismegisto), e inúmeros outros fatores (físicos e extrafísicos) podem afetar a formação do corpo. Pode-se pedir ao departamento de reencarnação (engenheiros biológicos, com mais tecnologia que os daqui da Terra, que podem manipular a cadeia de DNA para propósitos evolutivos), por exemplo, que se nasça com um defeito que o impeça de cometer o mesmo erro que vinha cometendo em outras vidas (caso extremo, quando a pessoa sabe que não tem força de vontade pra mudar e precisa de um estímulo grosseiro pra fazer a consciência “pegar no tranco”). O câncer, por exemplo, tem íntima relação com o estado mental / emocional / psicológico da pessoa. Resumindo de forma grosseira: se você é um pessimista, seus anticorpos também serão! Quantos e quantos não viviam razoavelmente bem com um tumor, ou câncer, e morrem logo após descobrir que ele existe? A culpa não é o descobrimento, e sim do estado mental em que a pessoa entra. O desânimo é mais do que compreensível, mas se a pessoa quer prolongar a vida, deve lutar para SER e GERAR vida, e não se tornar uma morte anunciada ambulante. ISSO é botar em prática todos os ensinamentos desse blog, é ser Mantenedor (Vishnu), é ser Deus dentro de você mesmo. Não adianta se pegar com uma imagem de um santo e continuar deprimido, ou doar energias para centenas, mas não ter a energia interna para se reerguer e lutar. Sei que este caminho contra os males da alma (que acabam por influir no corpo) não é fácil, mas é o mais eficiente.

#Espiritualidade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/reencarna%C3%A7%C3%A3o-e-corpo-f%C3%ADsico

Caos, o sincretismo dos Aeons

Ex autoritate leges

Faze o que tu queres há de ser tudo da lei

Atualmente, de acordo com o exame de uma inciclopédia, há aproximadamente 9.900 religiões sendo professadas pelo mundo. Estima-se que 70% da humanidade seja de prosélitos das quatro religiões principais- hinduísmo, budismo, islamismo e cristianismo- e ainda cresce o número. A conclusão é óbvia. A humanidade esta dividida pela religião que, como o nome mesmo evoca, deveria unir e não separar as pessoas. Se um profeta diz ” escolhei a quem servireis” outro profeta afronta com ” Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei”, mas o que faz realmente a diferença?

Vejamos…

O formalismo religioso, sobretudo nomenal, de fórmula e tabelamento que chegou ao auge com o desenvolvimento exagerado do rabinismo, prolixamente suporta o psicodrama de que somente compete a regra cultual ligada ao seu deus e ao regulamento de seu sistema. É uma increpação herética qualquer modo de ver, opinar e agir que não o ordenado pela maneira “iniludível” de sua óptica. Tal religiosidade desdenha, com excesso de comedimento, o reconhecimento de que muitos dogmas e fatores aparentemente desconexos estão estreitamente interligados, não importando a denominação, e evoca que batizando-se, benzendo-se, rezando, fazendo procissões, tendo nichos, inclinando-se perante altares, conforme o Modus Faciendi, cria-se  o verdeiro caminho para a distinção que liga o homem ao Reino de Deus.

Ao contrario, na pessoa de Helena Petrovina Blasvastky, uma russa ambiciosa por conhecimento que nasceu no ano de 1831 e viveu até o ano de 1875, as religiões tiveram um sincretismo com a criação da Sociedade Teosófica. A teosofia ensina que todas as religiões têm verdades e princípios comuns. Isto também revelou o ensino panteísta onde deus é essência em tudo, até mesmo nas coisas ditas “oposta e malignas”. Mas o maior feito que o movimento de H.P Blasvastky realizou, sem dúvida fora a reinterpretação teosófica onde essa essência não é aquela pessoa da Trindade encontrada em várias religiões mas a fonte única de energia cósmica de onde emanaram as demais coisas existentes. Outros assuntos como, p.ex., o problema antigo do pecado e o que dizem sobre a salvação, a senhora Blasvastky tratou como um problema de ignorância. Na medida em que o homem evoluir ruamo á sua divindade, estará atingindo o seu estado de liberdade e perfeição. Com isso percebemos que a repressão, muito encontrada nas religiões, quando não é malbaratada em coibir as aspirações legítimas e compatíveis com a Vontade, está, de tal finalidade, em condição benéfica de recalcar as motivações insensatas e, portanto, enexequíveis que de forma descabida alimentamos. É nesse senso que a Liberdade é uma Regra exata que somente através da santa Ciência e Arte podemso compreender.

A gnose, cujo nome grego significa Conhecimento, com apêlo ás radições mais antigas da humanidade, penetrando alguns mistérios, apresenta-se com a mesma intenção de uma ciência de deus, isto é, uma ciência que seja a base de todas as religiões. Pode-se supôr que a Gnose é uma conjunção, as vezes assaz ilógica, de idéias e símbolos extraídos do Egito assim como da Judéia, de Jesus, de Krishna, etc. Mas a principal condição da Gnose é a unidade dos dogmas que, segundo os gnósticos, contém o segredo do universo, o segredo da evolução. É assim que em Catecismo Gnóstico, publicado por Sofrônio, a Gnose é ensinada e inspirada para assegurar a iluminação divina através dos códigos e fórmulas religiosas.

Encontraremos essa ‘unidade do dogma’ em ensinamentos tradicionais, como o célebre Poemander atribuído a autoria de Hermes Trismegisto, na ficção dos poemas de Homero sobre a iniciação helênica, no ensinamento essencialmente laico de Pitágoras, na fábula de Eleusis com os mistérios de AGRA, no influxo do espírito que vivifica professado por Jesus, o  Cristo e muitos outros que destacam a aversão pelos prazeres materiais que causam o rebaixamento da Inteligência e que enaltecem o auto-conhecimento como o caminho da evolução. É o que Pimandro expremi ao seu discípulo: ” É preciso rasgar esta roupa que trazes, esta vestimenta da ignorância, obscurecendo-te o que parece claro, mergulhando-te na matéria, enervando-te em volúpias infames, a fim de que não possas entender o que deves entender e ver o que deves ver.”

De forma análoga, muitos ocultista, usuando a religião ou penetrando na própria ciência em busca de respostas para as grandes questões da vida, têm formado uam verdadeira ciranda mística, misturando filosofias orientais com cientismo, percepção cristológica com outras doutrinas e religiões, como um grande guarda-chuva, que sob si, abriga até os enfoques contraditórios da humanidade. Uma obra muito comentada sobre isso é o Liber Pennae Praenumbra, onde a autora Soror Nema afirma que os aeons ocorrem ao mesmo tempo. O que sobreveio á lei do tempo passado é, segundo a Soror, um eon com a nossa cara, ou seja, com a Lei que atende a Vontade latente de cada um de nós, não uma nova verdade única para confrontar outros caminhos, assim criando a possibilidade de reinterpretações das leis antigas. O conceito caótico, ou caoticista como preferiu Nema, ao contrário do que pode-se supôr, não é um sistema para antender a nossa desordem mas uma demonstração, ou tentativa, de que existe harmonia no somatório de nossos meios de atingir o Fim. O presente eon é um código de origem, uma regra sã nascida da união dos opostos.

Eis o que faz realmente a diferença!

O direito de concluírmos com experiência buscando a consecução em qualquer parte em liberdade. Portanto, com uma variedade de crenças e métodos e sistemas, não precisamos que outrem faça as mesmas escolhas que nós para estar no ” caminho correto” ou ao contrario. Como diria um irmão ‘nenhum, um e todo indivídua está certo’. Para resumir, deixo aquela solene paravra do Leber Leges 1, 56 : ” Todas as palavras são sagradas e todos profetas verdadeiros; salvo somente que eles entendam um pouco.”

Amor é a lei, amor sob vontade

Por Dom Wilians (Seilenós)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/caos-o-sincretismo-dos-aeons/

Entrada no Céu Espiritual

O mundo material aparece como uma nuvem que cobre uma pequena porção do céu espiritual. As escrituras védicas explicam que, embora o mundo material sofra criação e aniquilação perpétuas, o mundo espiritual é eternamente manifesto. No mundo espiritual autoluminoso, o planeta mais alto é Goloka Vrndavana, a morada semelhante ao lótus do Senhor Sri Krsna, a Personalidade Suprema da Divindade. Ali o Senhor Krsna desfruta de trocas amorosas com seus devotos puros.

Uma palestra de Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada Fundador-Acarya da Sociedade Internacional para a Consciência Krishna

paras tasmat tu bhavo ‘nyo
‘vyakto ‘vyaktat sanatanah
yah sa sarvesu bhutesu
nasyatsu na vinasyati

“Há uma outra natureza, eterna, que é transcendental à matéria manifestada e não manifestada”. Ela é suprema e nunca é aniquilada. Quando tudo neste mundo é aniquilado, essa parte permanece como está”. (Bhagavad-gita 8.20)

Não podemos calcular o comprimento e a largura nem mesmo deste universo, mas existem milhões e milhões de universos como este dentro do céu material. E acima deste céu material existe outro céu, que é chamado de céu espiritual. Nesse céu, todos os planetas são eternos, e a vida é eterna, também. Não podemos saber estas coisas pelos nossos cálculos materiais, por isso devemos tomar esta informação de Bhagavad-gita.

Esta manifestação material é apenas um quarto de toda a manifestação, tanto espiritual como material. Em outras palavras, três quartos do total da manifestação estão além do céu coberto, material. A cobertura material tem milhões e milhões de milhas de espessura, e somente depois de penetrar nela se pode entrar no céu aberto, espiritual. Aqui Krsna usa as palavras bhavah anyah, que significam “outra natureza”. Em outras palavras, há outra natureza, espiritual, além da material que normalmente experimentamos.

Mas mesmo agora estamos experienciando tanto a natureza espiritual quanto a material. Como é isso? Porque nós mesmos somos uma combinação de matéria e espírito. Somos espírito, e somente enquanto estivermos dentro do corpo material é que ele se move. Assim que estamos fora do corpo, ele é tão bom quanto a pedra. Portanto, como todos nós podemos perceber pessoalmente que existe espírito assim como matéria, devemos também saber que existe um mundo espiritual também.

No Sétimo Capítulo de Bhagavad-gita Krsna, discute-se a natureza espiritual e material. A natureza espiritual é superior, e a natureza material é inferior. Neste mundo material, as naturezas material e espiritual são mistas, mas se formos além desta natureza material – se formos para o mundo espiritual – encontraremos apenas a natureza superior, espiritual. Esta é a informação que obtemos no Oitavo Capítulo.

Não é possível entender estas coisas através do conhecimento experimental. Os cientistas podem ver milhões e milhões de estrelas através de seus telescópios, mas não podem aproximar-se deles. Seus meios são insuficientes. O que falar de outros planetas, eles não podem se aproximar nem mesmo do planeta lunar, que é o mais próximo. Portanto, devemos tentar perceber como somos incapazes de compreender Deus e o reino de Deus através do conhecimento experimental. E como não é possível entender desta maneira, é uma tolice tentar. Ao contrário, temos que entender Deus ouvindo Bhagavad-gita. Não há outra maneira. Ninguém pode entender quem é seu pai pelo conhecimento experimental. É preciso simplesmente acreditar na mãe quando ela diz: “Aqui está seu pai”. Da mesma forma, a pessoa tem que acreditar em Bhagavad-gita; então a pessoa pode obter todas as informações.

No entanto, embora não haja possibilidade de conhecimento experimental sobre Deus, se alguém se tornar avançado na consciência de Krsna, ele perceberá Deus diretamente. Por exemplo, através da realização, estou firmemente convencido do que estou dizendo aqui sobre Krsna. Eu não estou falando cegamente. Da mesma forma, qualquer pessoa pode realizar Deus. Svayam eva sphuraty adah: o conhecimento direto de Deus será revelado a qualquer pessoa que se apegue ao processo de consciência de Krsna. Tal pessoa realmente entenderá: “Sim, existe um reino espiritual, onde Deus reside, e eu tenho que ir para lá”. “Tenho que me preparar para ir para lá”. Antes de ir para outro país, pode-se ouvir tanto sobre isso, mas quando ele realmente vai para lá, ele entende tudo diretamente. Da mesma forma, se alguém assumir o processo de consciência de Krsna, um dia entenderá Deus e o reino de Deus diretamente, e todo o problema de sua vida será resolvido.

Aqui Krsna usa a palavra sanatanah para descrever esse reino espiritual. A natureza material tem um começo e um fim, mas a natureza espiritual não tem começo e não tem fim. Como é isso? Podemos entender através de um simples exemplo. Às vezes, quando há uma queda de neve, vemos que todo o céu está coberto por uma nuvem. Mas na verdade essa nuvem está cobrindo apenas uma parte insignificante de todo o céu. Porque somos muito minuciosos, porém, quando uma nuvem cobre algumas centenas de quilômetros do céu, para nós o céu parece completamente coberto. Da mesma forma, toda esta manifestação material (chamada de mahat-tattva) é como uma nuvem cobrindo uma porção insignificante do céu espiritual. E, assim como quando a nuvem clareia, podemos ver o céu brilhante, iluminado pelo sol, assim quando nos afastamos desta cobertura de matéria, podemos ver o céu original, espiritual.

Além disso, assim como uma nuvem tem um começo e um fim, a natureza material também tem um começo e um fim, e nosso corpo material também tem um começo e um fim. Nosso corpo simplesmente existe por algum tempo. Ele nasce, cresce, permanece por algum tempo, liberta alguns subprodutos, diminui, e depois desaparece. Estas são as seis transformações do corpo. Da mesma forma, toda manifestação material passa por estas seis transformações. Assim, no final, todo este mundo material será derrotado.

Mas Krsna nos assegura, paras tasmat tu bhavo ‘nyo ‘vyakto ‘vyaktat sanatanah: “além desta natureza material destrutível e nebulosa, há uma outra natureza superior, que é eterna. Não tem princípio e não tem fim”. Então Ele diz, yah sa sarvesu bhutesu bhutesu nasyatsu na vinasyati:

“Quando esta manifestação material for aniquilada, essa natureza superior permanecerá”. Quando uma nuvem no céu é aniquilada, o céu permanece. Da mesma forma, quando a manifestação material semelhante a uma nuvem é aniquilada, o céu espiritual permanece. Isto é chamado de avyakto ‘vyaktat’.

Há muitos volumes de literatura védica contendo informações sobre o céu material e o céu espiritual. No Segundo Canto de Srimad-Bhagavatam encontramos uma descrição do céu espiritual: qual é sua natureza, que tipo de pessoas vivem lá, quais são suas características – tudo. Chegamos até a informação de que no céu espiritual existem aviões espirituais. As entidades vivas ali são todas liberadas e, quando voam em seus aviões, ficam tão bonitas quanto um raio.

Portanto, tudo no mundo espiritual é substancial e original. Este mundo material é apenas uma imitação. O que quer que vejamos neste mundo material é tudo imitação, sombra. É como uma imagem cinematográfica, na qual vemos apenas a sombra da coisa real.

Em Srimad-Bhagavatam [1.1.1] é dito, yatra tri-sargo ‘mrsa: “Este mundo material ilusório é uma combinação de matéria”. Todos nós vimos um belo manequim de uma menina na vitrine de um lojista. Todo homem são sabe que se trata de uma imitação. Mas as chamadas coisas bonitas neste mundo material são exatamente como a bela “garota” na vitrine do lojista. De fato, qualquer coisa bela que vemos aqui neste mundo material é simplesmente uma imitação da verdadeira beleza do mundo espiritual. Como diz Sridhara Svami, yat satyataya mithya sargo pi satyavat pratiyate: “O mundo espiritual é real, e a manifestação irreal, material, só aparece real”. Algo só é real se ele existir eternamente. A realidade não pode ser vencida. Da mesma forma, o verdadeiro prazer deve ser eterno. Como o prazer material é temporário, ele não é real, e aqueles que buscam o prazer real não participam deste prazer sombra. Eles lutam pelo prazer real e eterno da consciência Krsna.

Aqui diz Krsna, yah sa sarvesu bhutesu bhutesu nasyatsu na vinasyati: “Quando tudo no mundo material for aniquilado, essa natureza espiritual permanecerá eternamente”. O objetivo da vida humana é alcançar esse céu espiritual. Mas as pessoas não conhecem a realidade do céu espiritual. O Bhagavatam diz, na te viduh svartha-gatim hi visnum: “As pessoas não conhecem seus próprios interesses. Elas não sabem que a vida humana é destinada a compreender a realidade espiritual e a nos preparar para ser transferida para essa realidade”. Ela não se destina a permanecer aqui no mundo material”. Toda a literatura Védica nos instrui desta forma. Tamasi ma jyotir gama: “Não permaneçam na escuridão; vão para a luz”. Este mundo material é a escuridão. Estamos iluminando-o artificialmente com luzes e fogos elétricos e tantas outras coisas, mas sua natureza é escura. O mundo espiritual, porém, não é escuro; está cheio de luz. Assim como no planeta do sol não há possibilidade de escuridão, não há possibilidade de escuridão na natureza espiritual, porque todo planeta lá é autoiluminado.

É claramente afirmado em Bhagavad-gita que o destino supremo, do qual não há retorno, é a morada de Krsna, a Pessoa Suprema. O Brahma-samhita descreve esta morada suprema como ananda-cinmaya-rasa, um lugar onde tudo está cheio de felicidade espiritual. Qualquer que seja a variedade que se manifeste, há toda a qualidade da bem-aventurança espiritual – nada há de material. Essa variedade espiritual é a expansão espiritual da própria Suprema Divindade, pois a manifestação ali é totalmente da energia espiritual.

Embora o Senhor esteja sempre em Sua morada suprema, Ele é, no entanto, todo-penetrante por Sua energia material. Assim, por Suas energias espirituais e materiais, Ele está presente em todos os lugares – tanto no universo material quanto no espiritual. Em Bhagavad-gita, as palavras yasyantah-sthani bhutani indicam que tudo é sustentado por Ele, seja a energia espiritual ou material.

É claramente afirmado em Bhagavad-gita que somente por bhakti, ou serviço devocional, pode-se entrar no sistema planetário (espiritual) Vaikuntha. Em todos os Vaikunthas existe apenas uma única Divindade Suprema, Krsna, que se expandiu a si mesmo em milhões e milhões de porções plenárias. Estas expansões plenárias são de quatro braços e presidem a inúmeros planetas espirituais. Eles são conhecidos por uma variedade de nomes: Purusottama, Trivikrama, Kesava, Madhava, Aniruddha, Hrsikesa, Sankarsana, Pradyumna, Sridhara, Vasudeva, Damodara, Janardana, Narayana, Vamana, Padmanabha, e assim por diante. Estas expansões plenárias são como as folhas de uma árvore, sendo o tronco principal da árvore como o Krsna. Krsna, morando em Goloka Vrndavana, Sua morada suprema, conduz sistematicamente e sem falhas todos os assuntos de ambos os universos (materiais e espirituais) pelo poder de Sua omnipotência.

Agora, se estamos interessados em chegar à morada suprema de Krsna, então devemos praticar bhakti-yoga. A palavra bhakti significa “serviço devocional”, ou, em outras palavras, submissão ao Senhor Supremo. Krsna diz claramente, purusah sa parah partha bhaktya labhyas tv ananyaya. As palavras tv ananyaya aqui significam “sem qualquer outro compromisso”. Assim, para alcançar a morada espiritual do Senhor, devemos nos engajar em puro serviço devocional a Krsna.

Uma definição de bhakti é dada no autoritário livro Narada-pancaratra:

sarvopadhi-vinirmuktam
tat-paratvena nirmalam
hrsikena hrsikesa-
sevanam bhaktir ucyate

“Bhakti, ou serviço devocional, significa envolver todos os nossos sentidos no serviço do Senhor, a Suprema Personalidade da Divindade, que é o mestre de todos os sentidos”. Quando a alma espiritual presta serviço ao Supremo, há dois efeitos colaterais. Primeiro, ele se liberta de todas as designações materiais, e segundo, seus sentidos são purificados simplesmente por serem empregados no serviço do Senhor”.

Agora estamos sobrecarregados por tantas designações corporais. Índio”, “americano”, “africano”, “europeu” – estas são todas designações corporais. Nossos corpos não somos nós mesmos, mas nos identificamos com estas designações. Suponha que alguém tenha recebido um diploma universitário e se identifique como um M.A. ou um B.A. ou um Ph.D. Ele não é esse diploma, mas identificou-se com essa designação. Portanto, bhakti significa libertar-se dessas designações (Sarvopadhi-vinirmuktam). Upadhi significa “designação”. Se alguém recebe o título de “Senhor”, ele se torna muito feliz: “Oh, eu tenho este título de ‘Senhor’”.” Ele esquece que este título é apenas sua designação – que ele existirá apenas enquanto ele tiver seu corpo. Mas o corpo certamente será derrotado, juntamente com todas as suas designações. Quando um recebe outro corpo, ele recebe outras designações. Suponha que, na vida atual, um seja um americano. O próximo corpo que ele recebe pode ser chinês. Portanto, como estamos sempre mudando nossas designações corporais, devemos parar de identificá-las como nosso “eu”. Quando alguém está determinado a se libertar de todas essas designações absurdas, então ele pode alcançar bhakti.

No verso acima do Narada-pancaratra, a palavra nirmalam significa “completamente puro”. O que é essa pureza? É preciso estar convencido: “Eu sou espírito (aham brahmasmi)”. Eu não sou este corpo material, que é simplesmente minha cobertura. Sou um eterno servo de Krsna; essa é minha verdadeira identidade”. Aquele que é liberado de falsas designações e fixado em sua verdadeira posição constitucional sempre presta serviço a Krsna com seus sentidos (hrsikena hrsikesa-sevanam bhaktir ucyate). A palavra (hrsika significa “os sentidos”. Agora nossos sentidos são designados, mas quando nossos sentidos estão livres de designações, e quando com essa liberdade e nessa pureza servimos ao Krsna – isso é serviço devocional.

Srila Rupa Gosvami explica o serviço devocional puro neste verso de Bhakti-rasamrta-sindhu [1.1.11]:

anyabhilasita-sunyam
jnana-karmady-anavrtam
anukulyena krsnanu-
silanam bhaktir uttama

“Quando se desenvolve um serviço devocional de primeira classe, é preciso ser desprovido de todos os desejos materiais, de conhecimento manchado pela filosofia monística e de ação frutífera. Um devoto puro deve servir constantemente o Krsna favoravelmente, como o Krsna deseja”. Temos que servir o Krsna favoravelmente, não desfavoravelmente. Além disso, devemos estar livres de desejos materiais (anyabhilasita-sunyam). Normalmente se quer servir a Deus para algum propósito material. É claro, isso também é bom. Se alguém vai a Deus para algum ganho material, ele é muito maior do que a pessoa que nunca vai a Deus. Isso é admitido em Bhagavad-gita [7.16]:

catur-vidha bhajante mam
janah sukrtino ‘rjuna
arto jijnasur artharthi
jnani ca bharatarsabha

“Ó melhor entre os Bharatas [Arjuna], quatro tipos de homens piedosos prestam-me serviço devocional – o angustiado, o desejoso de riqueza, o inquisitivo e aquele que procura conhecimento do Absoluto”. “Mas é melhor não irmos a Deus com algum desejo de benefício material”. Devemos estar livres desta impureza (anyabhilasita-sunyam).

As próximas palavras que Rupa Gosvami usa para descrever bhakti puro são jnana-karmady-anavrtam. A palavra jnana se refere ao esforço para entender Krsna por especulação mental. É claro que devemos tentar entender Krsna, mas devemos sempre lembrar que Ele é ilimitado e que nunca podemos entendê-lo completamente. Não é possível para nós fazer isso. Portanto, temos que aceitar tudo o que nos é apresentado nas escrituras reveladas. O Bhagavad-gita, por exemplo, é apresentado por Krsna para nossa compreensão. Devemos tentar entendê-lo simplesmente ouvindo de livros como Bhagavad-gita e Srimad-Bhagavatam. A palavra carma significa “trabalhar com algum resultado frutífero”. Se quisermos praticar bhakti puro, devemos trabalhar na consciência de Krsna abnegadamente – não apenas para obter algum lucro com isso.

A seguir Srila Rupa Gosvami diz que o bhakti puro deve ser anukulyena, ou favorável. Devemos cultivar a consciência de Krsna de forma favorável. Devemos descobrir o que irá agradar ao Krsna, e devemos fazer isso. Como podemos saber o que vai agradar ao Krsna? Ouvindo Bhagavad-gita e tomando a interpretação correta da pessoa certa. Então saberemos o que Krsna quer, e poderemos agir de acordo. Nesse momento, seremos elevados a um serviço devocional de primeira classe.

Portanto, a bhakti-yoga é uma grande ciência e existe uma literatura imensa para nos ajudar a compreendê-la. Devemos utilizar nosso tempo para entender esta ciência e assim nos preparar para receber o benefício supremo no momento de nossa morte – para alcançar os planetas espirituais, onde reside a Suprema Personalidade da Divindade.

Existem milhões de planetas e estrelas dentro deste universo, mas este universo inteiro é apenas uma pequena partícula dentro da criação total. Existem muitos universos como o nosso e, como mencionado anteriormente, o céu espiritual é três vezes maior do que a criação material total. Em outras palavras, três quartos do total da manifestação estão no céu espiritual.

Recebemos informações de Bhagavad-gita de que em cada planeta no céu espiritual há uma expansão do Krsna. Todos eles são purusas ou pessoas; não são impessoais. Em Bhagavad-gita Krsna diz, purusah sa parah partha bhaktya labhyas tv ananyaya: Pode-se abordar a Pessoa Suprema somente por serviço devocional – não por desafio, não por especulação filosófica, e não se estar exercitando nesta ou naquela yoga. Não. É claramente afirmado que se pode abordar o Krsna somente por rendição e serviço devocional. Não se diz que se pode alcançá-lo através de especulação filosófica ou de uma mistura mental ou algum exercício físico. Pode-se chegar ao Krsna somente pela prática da devoção, sem se desviar de atividades frutíferas, especulações filosóficas ou exercício físico. Somente através de um serviço devocional não ligado, sem qualquer mistura, podemos alcançar o mundo espiritual.

Agora, Bhagavad-gita diz ainda, yasyantah-sthani bhutani yena sarvam idam tatam. Krsna é uma pessoa tão grande que, embora situado em sua própria morada, Ele ainda é todo-penetrante, e tudo está dentro dele. Como isto pode ser? O sol está localizado em um só lugar, mas os raios solares estão distribuídos por todo o universo. Da mesma forma, embora Deus esteja situado em Sua própria morada, no céu espiritual, Sua energia está distribuída em todos os lugares. Além disso, Ele não é diferente de Sua energia, assim como o sol e a luz do sol não são diferentes, no sentido de que são compostos da mesma substância iluminadora. Assim, Krsna se distribui em toda parte por Suas energias, e quando nos tornamos avançados no serviço devocional podemos vê-lo em toda parte, assim como se pode acender uma lâmpada em qualquer lugar, ligando-a ao circuito elétrico.

Em seu Brahma-samhita, Lord Brahma descreve as qualificações que exigimos para ver Deus: premanjana-cchurita-bhakti-vilocanena sadaiva sadaiva hrdayesu vilokayanti. Aqueles que desenvolveram o amor a Deus podem ver Deus constantemente diante deles, vinte e quatro horas por dia. A palavra sadaiva significa “constantemente, vinte e quatro horas por dia”. Se alguém é realmente Deus realizado, ele não diz: “Oh, eu vi Deus ontem à noite, mas agora Ele não é visível”. Não, Ele é sempre visível, porque Ele está em toda parte.

Portanto, a conclusão é que podemos ver Krsna em todos os lugares, mas temos que desenvolver os olhos para vê-Lo. Podemos fazer isso através do processo de consciência do Krsna. Quando vemos Krsna, e quando nos aproximamos Dele em sua morada espiritual, nossa vida será bem sucedida, nossos objetivos serão cumpridos e seremos felizes e prósperos eternamente.

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Fonte: PRABHUPADA, Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami. Entering the Spiritual Sky. In. Back to Godhead, September, 1980. Disponível em: <https://back2godhead.com/entering-spiritual-sky/>. Acesso em 3 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/entrada-no-ceu-espiritual/