Extraterrestres na Idade Média

Em 13 de agosto de 1491, Facius Cardan, pai do matemático Jerôme Cardan, anotou esta aventura:

Quando eu completei os ritos habituais, por volta das vinte horas, sete homens me apareceram, portando roupas de seda que lembravam tunicas gregas e calçados cintilantes. Usavam cotas de malha e, sob elas, roupas interiores vermelhas de extraordinária graça e beleza.  Dois deles pareciam ser um pouco mais nobres que os outros. O que tinha ar de comando tinha o rosto de cor vermelho-escuro. Disseram ter quarenta anos, embora nenhum deles parecesse ter mais que trinta. Perguntei quem eram. Responderam que eram homens compostos de ar, e seres como nós , sujeitos ao nascimento e à morte. Sua vida era muito mais longa que a nossa, podendo chegar a três séculos. Interrogados sobre a imortalidade da alma, responderam que nada sobrevive. Interrogados sobre o porque não revelavam aos homens os tesouros do seu conhecimento, responderam que uma lei severa impunha penalidades àqueles que revelavam seu saber aos homens. Demoraram com meu pai cerca de três horas. O que parecia ser o chefe negou que Deus tenha feito o mundo para toda a eternidade. Ao contrário, disse ele, o mundo é criado a cada instante ; caso Deus “desanime” , o mundo corre perigo.”

Os visitantes de Facius Cardan parecem ter sido os últimos de uma longa série , surgidos na Idade Média. Tinham o particular de se poder comunicar com os homens, não pretendiam em hipótese alguma ser anjos, não traziam nenhuma revelação; ao contrário , sua atitude parecia mais ainda com o nosso racionalismo moderno. Os visitantes de Facius Cardan negaram até a existencia de uma alma imortal, defendendo uma espécie de teoria a respeito da criação continua do Universo.

Os alquimistas e os místicos da Idade Média procuraram , evidentemente , ligar estes visitantes aos espíritos dos quais falam a Bíblia e a Cabala, mas se trata, evidentemente, de uma colaboração mitológica. De fato, houve, aparentemente, contatos com seres “fabricados”, “feitos a partir do ar”, segundo os visitantes de Cardan. Estes insistiram nos castigos que sofreriam se revelassem qualquer segredo.  Toda esta tradição permaneceu até o século XVIII data em que , nós o veremos, certos segredos serão desvendados.

Em outras regiões , estes seres foram assinalados mais tarde que na Europa: nos fins do século XVIII no Japão e para os índios da América do Norte. Nesta época os indios da Califórnia descreveram seres humanos luminosos , que paralisavam as pessoas com a ajuda de um pequeno tubo. A lenda índia precisa que as pessoas que foram para lisadas tiveram a impressão de terem sido bombardeadas com agulhas de cactus. Na Escócia, na Irlanda, tais aparições foram mencionadas desde tempos imemoriais, e até o século XIX, algumas vezes até o século XX. No século XIX, encontraram-se traços de um personagem estranho chamado Springheel Jack, luminoso à noite , capaz de saltar e voar ( Vide a musica dos Rollings Stones : Jumping Jack Flash ) , e que tentou entrar em comunicação com os homens. A primeira aparição data de novembro de 1837 – segundo testemunhas as mais seguras e precisas  –  em 20 de fevereiro de 1838, e a ultima em 1877. Desta vez, o estranho visitante cometeu a imprudencia de aparecer perto do campo de manobras de Aldershot. Duas sentinelas atiraram; o visitante revidou com jatos de chamas azuis , que exalavam um odor de ozona . As sentinelas se volatilizaram, e o visitante nunca mais apareceu.

Trata-se talve de reminiscencias . Com efeito, a densidade do fenomeno é muito inferior à do da Idade Média, onde se observa , a cada ano , aparições de estrangeiros luminosos. Em todo os relatos , estes são inseparaveis da idéia do fogo: a noção de energia não havia sido ainda inventada. Entretanto, quando interrogados, respondiam que não eram nem salamandras nem criaturas do fogo, mas homens de outra espécie.

É tentador quere atribuir-lhes a estranha série de incendios que , durante a grande peste de Londres , destruiu de súbito todas as casas que haviam sido contaminadas , e estas sómente , impedindo assim que a peste se propagasse , exterminando toda a população da Inglaterra. Seria um caso interessante de intervenção benéfica e benvinda.

É igualmente  chocante o fato de que estes visitantes sejam associados não sómente ao fogo , mas igualmente a poderes mais ou menos ligados ao fogo, em particular o poder de transmutação de metais.  Toda a Idade Média é cheia de lendas , e mesmo de sólidas crenças , a respeito da possibilidade de assinar pactos com estes visitantes. Infelizmente , nos é muito dificil compreender a mentalidade medieval.

A idéia racionalista , defendida por M. Homais , da Idade Média como um periodo de trevas , é uma caricatura da qual precisamos nos desembaraçar. A Idade Média foi um periodo de progressos rápidos , mais rápidos talvez que os nossos, mas que visavam a outros objetivos. Nós perdemos a noção mas ela seria necessária para que pudéssemos nos colocar  na mente de um homem no ano de 1000 ou do ano 1200, e compreender sua atitude frente aos visitantes que considerava como fazendo parte do
mundo em que ele vivia. Faz-se necessário salientar que os homens da Idade Média , que criam nos visitantes , eram espiritos essencialmente racionalistas, sem ligações com bruxarias ou com a Inquisição, fenomenos diferentes. Não se nega que estes contatos podem ter ocorrido , e as informações trocadas , entre os visitantes e homens como Roger Bacon, Jerôme Cardan ou Leonardo da Vinci. Em todo caso ,  a Idade Média admite, praticamente sem discussão , que é possivel entrar
em contato com criaturas revestidas de armaduras luminosas que se chamam demônios . O termo “demônio”não comporta as  conotações pejorativas de mal ou diabólico que apresenta em nossa linguagem. Ele lembra antes o sentido dos demonios de Sócrates, que discutiam com ele e lhe sugeriam idéias.

Depois de ter feito aparições no começo da era cristã , os demônios luminosos surgiram com as primeiras manifestações da franco-maçonaria, desde os séculos XIII e XIV . Foi por causa deles que os francos-maçons se denominaram “Filhos da Luz” e, a seguir , contarão os anos não a partir do nascimento do Cristo , mas sim de um ano de luz obtido adicionando-se 4.000 anos à era cristã.

Começam a se ligar a eles aspectos mais ou menos interplanetários. Em 1823, o Dr. George Oliver , historiador da franco-maçonaria , escreveu : “Anatiga tradição maçonica – e tenho boas razões para ser desta opinião – diz que nossa ciencia secreta existe desde antes da criação do globo terrestre e que ela foi largamente expandida através de outros sistemas solares”.

É contudo na Idade Média que ocorrem as aparições mais maciças de criaturas com vestimentas  de luz . Este mensageiros vão encontrar os rabinos , com quem discutem longamente sobre a Cabala, os poderes de Deus, o conhecimento e a exploração do tempo etc. Afirmam conhecer os guardiões do céu , dos quais , entretanto, não fazem parte. Vão aparecer igualmente entre os monges e os santos do Islão . São descritos sempre do mesmo modo, sua atitude intelectual é sempre racionalista. Falam de geometria, de uma sabedoria racional, à qual mesmo Deus se submete.

Saber-se-ia mais sobre eles se os arquivos dos Templários e dos Ismaelistas nos tivesse chegado às mãos . O que infelizmente não aconteceu. É certo , contudo, que, como os Templários , os Ismaelistas tinham por missão aguardar a entrada de uma Terra Santa que não é de nenhum modo, a Palestina. Uma Terra Santa que não é  localizável em nosso tempo e em nosso espaço, que possui uma geografia sacra diferente da nossa , estudada especialmente por dois franceses, Guénon e Henri Corbin. Também aí, pode-se tentar substituir a mitologia antiga por uma moderna , falar não de uma Terra Santa, mas de uma porta que se abre para uma outras dimensões que não são as três conhecidas , uma estrutura da Terra mais complexa que o globo que se vê de um satelite e na qual nossa civilização crê de maneira tão pouco crítica quanto outras civilizações acreditam na Terra plana.

Isto não é proibido, mas é ainda a troca de uma mitologia tradicional por outra mitologia saída da ficção cientifica e dos desenhos animados.E não é certo que se tenha a ganhar com isso. De maneira geral , deve-se desconfiar do simbolismo.  René Alleau escreveu: “Pode-se estabelecer ligações entre esse simbolo e as duas serpentes do caduceu de Hermes, simbolos de força que destrói e edifica, isto é, o duplo poder das chaves  de um mesmo fogo sagrado”

Tudo isso é muito belo. Mas não se pode dizer que o caduceu de Hermes representa a hélice dupla do ADN. Antes de se contentar com simbolos, é preciso , me parece, admitir que há no mundo fenomenos que não são unicamente devidos à atividade da natureza ou à atividade voluntária do homem. Depois ,estudar estes fenomenos , certamente com uma idéia preconcebida , mas sem pretender que se receba essa idéia da revelação de mestres desconhecidos ou de mansucritos provenientes de um monastério tibetano que não existe nos mapas, e apresentar esta idéia preconcebida como uma questão de fé. Não pretendo me pronunciar com autoridade absoluta sobre a origem e a constituição desses demonios luminosos. Simplesmente direi que, a meu ver, trata-se de pesquisadores enviados por seres capazes de acender e extinguir as estrelas à vontade, pesquisadores talvez criados por tais seres . Eu creio que sua origem talvez seja  a própria Terra , mas em uma região dificilmente localizável
em um mapa-múndi.

Sabe-se , com certeza , que após se manifestarem frequentemente na Idade Média , prosseguiram em suas atividades durante o Renascimento . Visitaram Cardam . Assim como seu quase contemporâneo J. N. Porta ( 1537-1615) que escreveu uma enciclopédia , Magia naturalis , cuja primeira edição data de 1584, na qual, segundo o próprio autor , ele procura associar , à pesquisas experiemtntais , um saber recebido de fonte natural. Daí o titulo : “Magia natural” Porta será o primeiro a estudar cientificamente as lentes , a descrever um telescópio, a predizer a fotografia . Ele tem , portanto , merecido lugar na história das ciencias. Mas ele foi menos estudado no domínio que nos interessa.

O Cardeal d’Este , que se apaixonava pelos seus trabalhos , fundou em 1700 uma organização , que se reunia em sua casa , e que se chamava , muito significativamente, Academia de Segredos . Muitos vêem nela a primeira academia de ciencias. De minha parte, eu (J.Bergier) a vejo acima de tudo como um organismo intermediário entre os agrupamentos desconhecidos da Idade Média e do inicio da Renascença , e o Colégio Invisivel , do qual ja falamos muito. Observemos de passagem que , sobre a Rosa-Cruz, cujos escritos mencionam constantemente os demonios, assim como as lâmpadas perpétuas que lhes deixaram, Fulcanelli escreveu, e com razão :

Os adeptos portadores do titulo são sómente irmãos pelo conhecimento e pelo sucesso de seus trabalhos. Nenhum juramento era exigido , nenhum estatuto os ligava entre si, nenhuma regra além da disciplina hermética livremente aceita, voluntáriamente observada, influenciava seu livre arbítrio. Foram e são ainda isolados, trabalhadores dispersos no mundo, pesquisadores cosmopolitas, segundo a mais estreita acepção do termo. Como os adeptos não reconheciam nenhum grau de hierarquia , a Rosa-Cruz não era uma graduação , mas apenas a consagração de seus trabalhos secretos, a da experiencia, luz positiva cuja fé viva lhes havia revelado a existencia . . . Jamais houve entre os possuidores do título outro laço senão a verdade cientifica confirmada pela aquisição da pedra. Se os Rosa-Cruzes são irmãos pela descoberta, o trabalho e a ciência, irmãos pelas obras e pelos atos, isso ocorre com um conceito filosófico , o qual  considera todos os individuos como membros da mesma familia humana

Quer dizer que não creio absolutamente em uma organização estruturada dos Rosa-Cruzes, como lojas ou células. Eu creio em encontros entre pesquisadores livres, alguns dos quais já visitados pelos demonios. Muitos tiveram em seguida conhecimentos surpreendentes, e pode-se perguntar de onde Cyrano de Bergerac tirou a descrição de um foguete por estágios ou de um poste receptor de TSF.  Pois. se os demonios não difundem o saber , eles o transportam talvez de um pesquisador a outro. Talvez mesmo mantivessem eles fora do alcance da Inquisição, um centro de saber onde seriam conservados os manuscritos. Encontram-se estas concepções no esoterismo judaico da Idade Média.

Estas criaturas de luz, muito ativas, do ano 1.000 ao ano 1.500 , desapareceram totalmente: no século XVII, são encontrados em pequeno número, e desaparecem inteiramente no século XVIII. Nada mais em seguida, senão uma curiosa visão de Goethe, visão que ocorreu em uma época em que ele estava muito doente.

Os demonios deixaram atrás de si, estranhos objetos. Por exemplo, esta esfera metálica da qual falam os Templários em suas confissões. Ela não sómente emitia luz, mas também radiações hoje desconhecidas. Em Chipre, ela teria destruido várias cidades e muitos castelos. Quando foi lançada no mar, uma tempestade se elevou e nesta região nunca mais houve peixes.

Há também as lâmpadas perpétuas que se encontram tanto na tradição judaica da Idade Média , como na do Islã ou da Rosa-Cruz: as lâmpadas funcionariam indefinidamente , sem azeite, sem produto que queima ou se consome. Não se podia toca-la, sob pena de provocar uma explosão capaz de destruir uma cidade inteira. Também aí encontra-se a utilização de forças , de energia, que parecem físicas , e que não correspondem aos conhecimentos da época. Muitos textos judaicos afirmam que estas lâmpadas provêm de lâmpadas do céu.

Infelizmente, nenhum dos relatos que datam da Renascença ou de depois e que fazem alusão às lampadas deste tipo encontradas em tumbas na Alemanha e Inglaterra, puderam ser confirmados. Lâmpadas muito estranhas e de grande beleza foram encontradas em Lascaux, mas ignora-se como funcionavam.

Uma tradição persistente afirma que a descoberta de um túmulo secreto contendo uma lâmpada perpétua teria sido a origem da criação da maçonaria inglesa. Esta descoberta teria ocorrido poucos anos antes da iniciação de Elias Ashmole em Warrington, em 1646. Nada o confirma. De modo geral, todas as tentativas de ligar a franco maçonaria a tradições anteriores a 1600 têm o presente momento , abortado.

Tem-se pretendido , em particular , que a Ordem do Templo não tenha sido perseguida na Inglaterra, como sistematicamente o foi em toda a Europa, e que os sobreviventes da Ordem teriam fundado a maçonaria inglesa, transportando diretamente as tradições da Ordem para esta fundação, mais ou menos em 1600. Muitos maçons sinceros crêem nesta tradição, mas nunca eu jamais encontrei quem a  confirmasse verdadeiramente. Nós temos documentos certos que provam que as lojas maçonicas funcionavam na Escócia já em 1599. Nada antes disso. De que há ligações entre a maçonaria e as “criaturas de luz”, vindas para ensinar , não há duvida. Mas não se pode sustentar que se possa deduzir  que a maçonaria prolongou a tradição dos “guardiões do céu”.

Esta tradição corresponde às aparições precisas , humanamente controláveis, e que determinaram uma  fase precisa da série de intervenções hipotéticas estudadas neste livro. Para um homem da Idade Média  , fosse ele cristão , muçulmano ou judeu, seria tão natural discutir com um ser de luz como receber a  visita de um viajante de país longinquo. Se estas criaturas inspiravam curiosidade e por vezes cobiça pelos conhecimentos que possuiam, nunca inspiraram medo ou terror. A partir de um certo nível de cultura, parecia que os cristãos , muçulmanos ou judeus, acreditavam num Centro onde o alto saber era conservado e onde os visitantes vinham até eles. Eis porque, por exemplo, a visita dos embaixadores  vindos do reino do Padre João provocou curiosidade, mas não surpresa.

Hoje em dia, certos eruditos do Islão acreditam na existencia desses Centros, mas poucas pessoas na Europa , ou na América o crêem. Em compensação na Idade Média , a existencia deste Centro e de um  Rei do Mundo governado a partir deste Centro, era geralmente admitida, e parecia totalmente natural que  esse rei enviasse mensageiros. Assim como é natural para os primitivo, hoje, ver pousar aviões, provenientes dos Estados Unidos ou do Japão, em regiões da Nova Guiné  ou da América do Sul, onde  não existe contato com a civilização avançada. Os habitantes dessas regiões sabem da existencia de  um ou vários centros de civilização mais avançada que a sua. Mas fazem idéias extremamente vagas desses centros, se bem que fundamentem nessas visitas religiões que se chamam “os Cultos do Cargo“.

Do muito tempo dos demonios luminosos nos resta um manuscrito que poderia talvez nos revelar os segredos se soubermos decifra-lo. É o famoso manuscrito Voynich.

Algumas palavras antes de entrar no mistério do manuscrito. A criptografia , arte de compor mensagens secretas , se desenvolveu paralelamente à alquimia e ao esoterismo. Para não dar mais do que dois exemplos. Trithème e Blaise de Vigenère são , ao mesmo tempo, dois grandes alquimistas, dois grandes mágicos e pioneiros da criptografia. Se, graças a eles, a criptografia progrediu até chegar a ser uma ciência exta, a arte de decifrar mensagens sem conhecer os códigos ou os simbolos é muito menos avançada. Os grandes ordenadores, certamente, facilitam o trabalho, mas não o fazem por si mesmos. Um grande decifrador funciona graças a uma espécie de percepção extra-sensorial, que o faz descobrir a informação num caos de numeros e letras.

Como testemunha esta anedota que vivi: Um dos grandes decifradores franceses, cujo nome não me é possivel citar, foi insistentemente procurado por um cura que afirmava ter inventado um código à prova de qualquer decifração. Finalmente, o decifrador consentiu em recebe-lo. Assisti à entrevista. O cura se sentou e estendeu a meu amigo uma folha de papel recoberta de grupos de cinco letras. Meu amigo deu uma olhadela , e cinco segundos depois dizia:

    –    Senhor Padre, o texto evidente de vossa mensagem é: Duas pombas se amam com amor
terno, de La Fontaine
    O cura se persignou , aterrorizado. Perguntou:
   –   Como pode o senhor. . . ?
    E ele me respondeu :
    –    Nem eu mesmo sei. Qualquer coisa na estrutura da mensagem me sugeria: Duas pombas se
amam com amor terno.

Se este relampejar de gênio não existisse, a decifração seria impossivel. Uma idéia muito simples pode
se ocultar totalmente, porque o decifrador não pensa nela.

Estamos agora prontos a  enfrentar os mistérios do manuscrito Voynich. Este manuscrito poderá ser seu, se quiser pagar por ele um milhão e cem mil francos novos. Tem duzentas e quatro páginas, vinte e  oito outras foram perdidas. Não se pode decrifar uma só palavra. Por que então esse preço astronomico,  por que desperta tanto interesse?

É que, quando o manuscrito foi descoberto em 1912 pelo especialista em livros raros, Wilfrid Voynich, ele tinha comprado da escola de jesuitas de Mondragone,  em Frascati. Itália , documentos antigos da Companhia. Documentos sensacionais . Uma missiva de 19 de agosto de 1966 , assinada por Johanes Marcus MArci, reitor da Universidade de Praga, recomendava o manuscrito ao Padre Athanase Kircher, o mais célebre criptografo de seu tempo. O reitor afirmava  que o manuscrito era de Roger Bacon. O manuscrito foi oferecido por volta de 1585 ao Imperador Rodolfo II pelo alquimista e mágico John Dee, que não havia conseguido decifra-lo, mas estava persuadido que ele continha os mais formidáveis segredos. Voynich levou o manuscrito aos Estados Unidos , onde os melhores decifradores inclusive os das Forças Armadas Americanas , o examinaram , sem nenhum sucesso.

 Em 1919 , Voynich tirou fotocópias do manuscrito e levou-as ao professor William Romaine  Newbold, que era um grande decifrador e havia prestado inumeráveis bons serviços ao governo americano. O professor de filosofia, Newbold, com cinquenta e quatro anos de idade, era um homem de cultura prodigiosa. Pretendia-se  na época ser ele o unico a saber onde estava o Santo Graal.

Em abril de 1921 , Newbold anunciou os primeiros resultados. Fantásticos. Segundo os textos, Roger Bacon havia identificado a nebulosa de Andromeda como uma galáxia, conhecia os cromossomos e seu  papel, construira um microscópio, um telescópio e outros instrumentos. Isto causou sensação no mundo inteiro, mas muitos outros decifradores não estavam de acordo com a solução de Newbold. Esta , de qualquer  modo, não era senão parcial e cobria , no máximo , um quarto do manuscrito. Parece que em certo momento o próprio método de codificação do manuscrito se modifica .

Era preciso encontrar a solução completa. Newbold não teve tempo de fazê-lo antes de sua morte, em 1926. Seu trabalho foi continuado por um dos seus colegas, Rolland Grubb Kent, que publicou resultados bem recebido por certos historiadores , não tão bem por outros. A grande objeção  feita ao trabalho de Newbold era que Bacon não podia , em sua época , conhecer as nebulosas espirais nem a constituição do nucleo celular. Eu ( J.Bergier) não estou totalmente de acordo com essa objeção: se Bacon entrou em contato com o exterior, pode muito bem ter recebido informações que parecem provir do seu futuro, e mesmo do nosso futuro.

Em 1944, o Cel. William F. Friedman, que durante a Segunda Grande Guerra decifrou o código japonês, organizou um grupo multidisciplinar constituido por matemáticos , historiadores, astrônomos e especialistas em criptologia. Este grupo utilizou máquinas muito aperfeiçoadas mas não conseguiu decifrar o manuscrito. Entretanto, encontrou-se a razão deste malogro: o manuscrito não era escrito em inglês, nem em latim, mas em uma lingua artificial, inventada não se sabe por quem ( as primeiras linguas artificiais datam do século XVII e são muito posteriores a Bacon), e não correspondem a nenhuma lingua humana conhecida. Nestas condições, como Newbold pôde decifrar  uma parte, pelo menos, do manuscrito? Por uma intuição genial, que o conduziu ao sentido pela linguagem artificial, mas que não se aplica a certas partes do manuscrito. As pesquisas continuam. Todo mundo se põe de acordo com o fato de que este manuscrito apresenta sentido e que não é brincadeira ou mistificação. Voynich morreu em 1930 , sua mulher em 1960, e seus herdeiros venderam o manuscrito a um livreiro de Nova York, Hans P. Kraus, que pede atualmente por ele um milhão e cem mil francos. E Kraus declarou recentemente que , decifrado, o manuscrito valerá dez milhões de dólares.

Pretendeu-se propor métodos de decifração fundados na “linguagem dos demonios luminosos”, que John Dee descreveu com certa precisão. Essas tentativas fracassaram. Um dos objetivos da  INFO (International Fortiana) que continuou a obra de Charles Fort, é decifrar o manuscrito Voynich. Até o presente, não o conseguiu. O segredo dos demônios e talvez outros ainda mais extraordinários se encontram nestas páginas recobertas de uma escrita medieval.
Extraido do livro Os Extraterrestres na História de Jacques Bergier  –  Editora Hemus –  1970

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/extraterrestres-na-idade-media/

As Sete Virtudes Cardeais de um DeMolay

A Ordem DeMolay invoca sete luzes que iluminam seus caminhos conforme passam pela estrada da vida, simbolizando tudo que é bom e correto, tudo o que juram ser a base de suas vidas:

01. Amor Filial : O amor entre pais e filhos.

02. Reverência pelas Coisa Sagradas : O respeito pelo que é sagrado. Principalmente o amor que temos pelo nosso Pai Celestial.

03. Cortesia : O que ilumina a nossa vida. A nossa Educação.

04. Companheirismo : O amor que temos por nossos irmãos e amigos, que mantêm vivos os ideais de nossa Ordem.

05. Fidelidade : Cumprir, conscientemente seus compromissos junto a seus ideais, a seus irmãos e amigos e ao Pai Celestial.

06. Pureza : De pensamentos, palavra e ações.

07. Patriotismo : Amor e respeito por sua pátria, seu povo, suas origens. É a busca de ser sempre um bom cidadão, respeitando as leis de seu Pais.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/as-sete-virtudes-cardeais-de-um-demolay/

O Diabo Eleito

por Nicholaj de Mattos Frisvold

“Replicou-lhes Jesus: Não vos escolhi eu em número de doze?

Contudo, um de vós é diabo.”

– Do Evangelho de João 6:70

O drama que cerca a Última Ceia detalha um Grande Mistério, pois vemos aqui a necessidade cósmica do Diabo como aquele que afirma o desígnio. O papel do Diabo pode ser dado de acordo com o ditame de Destino ou ao se nomear alguém que mantenha esta dignidade. Em ambos os casos, o Diabo é aquele que marca o limite exterior da possibilidade, a contração dos mundos na dor ou prazer já que afirma a beleza e a bem-aventurança. Em suas atividades mais profanas, o Diabo apontado é meramente percebido como um causador de problemas, uma nuance, um difamador, um mentiroso – um filho desobediente de Mercúrio em todas as medidas. Ainda assim, ao ser apontado como Diabo, uma tensão é estabelecida e afirma a intenção daquele que apontou seu acusador – e o acusador então afirmará a verdade e a mentira através de sua mera existência.

Comumente “Diabo” e “Demônio” são usados intercambiavelmente, mas é importante aqui distingui-los. Se seguirmos as primeiras transcrições gregas da Bíblia Sagrada, o Manuscrito de Vaticano número 1209, também conhecido com o “Emphatic Diaglott”, é interessante notar que no Evangelho de João, capítulo 6 onde Jesus aponta Judas como seu diabo, a palavra grega original é diabolos. Em outra passagem onde a versão King James (Rei James/Tiago) usa “diabo”, como através do 11º capítulo do Evangelho de Lucas, encontramos o daimone/demônio grego em uso. Na versão de King James, esta distinção é ausente e diabo é a tradução tanto para diabolos e daimone. Diaglott nos deixa claro que o chefe dos demônios é Baelzebubth/Baelzebub – e foi com o auxílio de Baelzebubth que Jesus, o Cristo, foi acusado de controlar a hoste demoníaca. Não há conexão aqui com demônios sempre serem diabolos.

Barry W. Hale comenta, em relação a isto, em seu excelente tratado demonológico “Legion 49” que “Diabolus” também pode ser interpretado como “o que traz para baixo”, não apenas como “acusador”. Esta observação é interessante, pois Diabolus pode ser visto como aquele que descende ou cai tal qual um ídolo celestial encarnando uma intenção particular que é feita na revelação do ato de acusar.

Logo, a qualidade diabólica, ou seja, a acusação, não deve ser entendida somente como uma categoria nefasta ou profana – porque isto tornaria este mistério vulgar. Como João 6 demonstra, este é um mistério embutido na concepção cósmica. Em relação a isto, Hale menciona em um comentário sobre Mateus 12:25 que aqui falamos de um “reinado dividido contra si mesmo”. O mistério diabólico, a acusação e difamação que tomam forma internamente são relacionados à divisão dentro de si mesmo. O santo para esta divisão interna deve ser Judas Iscariotes.

Judas Iscariotes, o diabo apontado, foi instrumental para o cumprimento do propósito através da traição e acusação. Pela divisão interna ele afirmou o desígnio. A afirmação do desígnio do salvador veio com a promessa de má reputação e calúnias sobre seu legado, encontrando sua libertação ao se enforcar pelo caminho de prata. Este tema também lança luz no comentário enigmático nos Eddas, que fala sobre o penduramento de Odin como o sacrifício de si para si, e as nove noites revelando a presença do caminho e chave de prata – ao afirmar a divisão temporal e restabelecer a unidade.

Sobre isto podemos ver na cruz o símbolo atemporal para o equilíbrio, interação, sacrifício, manifestação, unidade e potência. Na cruz, o círculo se torna “quadrado” e assim, o atemporal é manifesto ao longo do rio da repetição em terras de diferença.

Na sabedoria bogomila, como em algumas linhagens Sufis como silsilyah e tariqah, o Diabolus, sob o nome Satanael, Iblis ou outro de seus muitos nomes, é considerado como o poder que define os limites e afirma a criação. Curiosamente, estes pensamentos também são expressos por Maria de Naglowska e sua exposição sobre o Terceiro Termo da Trindade, onde Judas Iscariotes assume um papel similar em relação ao drama da salvação em torno de Jesus, o Cristo. Naglowska também menciona o significado mais profundo do enforcamento de Iscariotes propriamente, carregando sua própria salvação pela afirmação e remorso nascidos pelo amor.

Parece-me que o diabo, assim como demônio, representa em geral qualquer deidade ou espírito estrangeiro e particularmente a corte de anjos caídos, enquanto o diabo, como em Diabolus, é mais uma reminiscência de um ofício, uma função, um verbo, em conformidade com a função jurídica mesopotâmica de ha-satan, o acusador, que poderia ser material ou imaterial. Segue-se daqui um anjo, caído ou não, bem como um homem que assume esta função seja pelo Destino ou pela nomeação. Como tal, uma calúnia direcionada ao Diabolus toma forma de fogo que permite ao acusador afirmar a verdade velada dentro do caluniador. Em face da calúnia, o Diabo somente responderá a única coisa apropriada para seu ofício, ou seja, “abençoado seja”.

A função jurídica do acusador era a de provocar o surgimento da verdade ao salientar a Companhia da Mentira. Esta função, traduzida para uma compreensão metafísica, tomará então a forma de afirmar a verdade. A verdade não deve ser confundida com simples fatos, mas sim tomada com a pureza de uma Idéia ou forma particular. Ela toma, por todas as formas e intenções, a completa profundidade da freqüente declaração de Robin the Dart, o Magister do Clan of Tubal Cain: “Que a Palavra lhe proteja da Mentira”. Com este reconhecimento, a forma do estado apropriado pode também ser percebida, assim como a Palavra se tornou Carne – porque no coração deste drama repousa a percepção, livre da corrupção, completa e pura na forma em que percebe o mundo e seus caminhos.

Nota Biográfica:

Nicholaj de Mattos Frisvold é um antropólogo e psicólogo com uma inclinação para a metafísica dos cultos de uma genealogia tradicional. Ele é um especialista nas obras de Marsilio Ficino, e é um astrólogo tradicional praticante. Autor de várias obras, entre as quais estão “Artes da Noite – A história da prática da bruxaria” (Ed. Rosa Vermelha), “Craft of the Untamed – An inspired vision of Traditional Witchcraft” (Mandrake of Oxford), “Invisible Fire” (Capall Bann) e “Pomba Gira and the Quimbanda of Mbuma Nzila” (Scarlet Imprints). É um irmão jurado do Clã de Tubal Caim e Magister do Lilium Umbrae Cuveen, sua extensão no hemisfério sul. O autor mantém o blog “The Starry Cave” (http://www.starrycave.com/).

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-diabo-eleito

A Rede Wiccaniana

A Rede wiccaniana respeita.
Perfeito amor, confiança perfeita
Viva e deixe viver,
Dá o justo para assim receber.

Três vezes o círculo traça
E assim o mal afasta.
E para firmar bem o encanto,
Entoa em verso ou em canto.
Olhos brandos, toque leve,
Fala pouco, muito ouve.
Pelo horário a crescente se levanta
E a Runa das Bruxas canta,
Pelo anti-horário e minguante vigia
E entoa a Runa Sombria.

Quando está nova a lua da Mãe
Beija duas vezes Sua mão.
Quando a lua ao topo chegar,
Teu coração se deixará levar.

Para o poderoso vento norte,
Tranca as portas e boa sorte.
Do sul o vento benfazejo
Do amor te traz um beijo.
Quando vem do oeste o vento,
Vêm os espíritos sem alento.
E quando do leste ele soprar,
Novidades para comemorar.

Nove madeiras no caldeirão
Queima com pressa e lentidão.
Mas a árvore anciã venera.
Se queimares, o mal te espera.

Quando a Roda começa a girar
É hora do fogo de Beltaine queimar.
Em Yule, acende tua tora,
O Deus de Chifres reina agora.
A flor, a erva, a fruta boa,
É a Deusa que te abençoa.

Para onde a água correr
Joga uma pedra para tudo ver.
Se precisas de algo com razão,
À cobiça alheia não dá atenção.
E a companhia do tolo, melhor evitar
Ou arriscas a ele te igualar.

Encontra feliz e feliz despede,
Um bom momento não se mede.
Da Lei Tríplice lembra também,
Três vezes o mal, três vezes o bem.

Quando quer que o mal desponte,
Usa a estrela azul na fronte.
Cultiva com amor a sinceridade
Para receber igual verdade,

Ou um resumo, se assim preferes:
Se nenhum mal causar, faz o que tu queres.

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Introdução ao Sexo Tântrico

O sexo tântrico vem de uma antiga filosofia indiana, que transporta a sexualidade do plano do fazer ao plano do ser. É uma maneira meditativa, espontânea e íntima de fazer amor. No tantra, a mulher é concebida como Shakti, a energia cósmica criativa. O tantra induz o homem a sentir sua companheira de maneira plena.

Além disso, o sexo tântrico considera a ejaculação um desperdício da energia vital, e uma de suas metas é aprender a retardá-la. Aproveite este recurso fabuloso, além de aprender todas as posturas e as técnicas desta filosofia milenar.

Prepare a cena com dedicação: espalhe almofadas confortáveis sobre a cama, tenha à mão óleos aromáticos para o corpo, arrume o ambiente com velas e incensos… Se quiser que seja uma noite inesquecível, separe um bom vinho e alguns ingredientes, como figos, uvas, cerejas, morangos. Depois, é só colocar os ensinamentos em prática…

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Virtudes e Vícios

“Vencer minhas paixões

levantando Templos à Virtude e

cavando masmorras ao vício,

eis o que viemos aqui fazer”.

“Do Caos à Ordem; Da Obscuridade à Luz.”

Seria tarefa simples falar de virtude e vício em sentido literal, bastaria para isso dar o sentido filológico; mas falar de virtude e vício em sentido filosófico e maçônico já se torna uma tarefa nada fácil.

A Maçonaria não é uma religião, nem um partido, nem uma igreja; todavia ela põe no caminho, ela desperta. Não oferece a nós, membros, uma verdade definitiva, imutável, dogmática, fazendo representar o livre exercício da tolerância. Assim, aprendemos a nos interrogar, recolocarmo-nos em questão. Graças a esse fator de progresso descobrimos não só o caminho do conhecimento, mas também da ordem que deve reinar, tanto no domínio material como espiritual, facilitando assim, com que o homem desenvolva suas virtudes. E é por meio dos processos (rituais; contatos humanos, conhecimento, disciplina, etc.) que o homem adquire sua real personalidade.

A virtude é uma passagem da paixão para ação e meditação, uma externa e a outra interna, onde o homem se revela a si mesmo, ultrapassando seus próprios limites, seu eu. O ser interno, nossos sentimentos, atos e pensamentos. Capacidade ou potência própria do homem de desenvolver suas qualidades naturais. Entendo que virtude é uma característica de valoração positiva do indivíduo, uma disposição geral e constante da prática do bem, isto não quer dizer que um homem de virtudes seja altruísta ou filantropo, embora tenha uma tendência de o ser. Um homem de virtudes tem o hábito de cumprir as leis e obedecer aos costumes da sociedade em que vive; ser socialmente correto, honesto, justo, paciente, sincero, compreensivo, generoso, prudente, possuir coragem e perseverança.

Portanto, Maçonaria para mim é uma escola, pois permite-nos controlar nossas paixões, fazendo com que tenhamos o domínio do nosso “EU” e respeitemos o próximo.

Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Mas não basta falarmos, temos que experimentá-la. Os mais variados tipos de virtude têm que ser experimentados, vividos… compreendidos, pelo menos intelectualmente. Assim como Spinoza, “não creio haver utilidade em denunciar os vícios, o mal. Para que acusar? Isso é a moral dos tristes e uma triste moral.” A primeira e fundamental parte da virtude é a verdade, como dizia Montaigne, “A verdade condiciona todas as outras e não é condicionada, em seu princípio, por nenhuma.

A virtude não precisa ser generosa, suscetível de amor ou justa para ser verdadeira, nem para valer, nem para ser devida, ao passo que amor, generosidade ou justiça só são virtudes se antes de tudo forem verdadeiras. Aqui surge uma outra virtude, a boa-fé, que como fato é a conformidade dos atos e palavras com a vida interior, ou desta consigo mesma. É o respeito à verdade. Virtude sem boa-fé é má-fé não é virtude. A boa-fé como todas as virtudes é o contrário do narcisismo, do egoísmo cego, da submissão de si a si mesmo.

Não devemos confundir dever com virtude. O dever é uma coersão, a virtude, uma liberdade, ambas necessárias. O que fazemos por amor, não fazemos por coersão nem, portanto, por dever. Quando o amor e o desejo existem, para que o dever? Não amamos o que queremos, mas o que desejamos. O amor não se comanda e não poderia, em conseqüência, ser um dever.

Nietzsche dizia: “O que fazemos por amor sempre se consuma além do bem e do mal”.

A virtude não é um bem, mas é a força para ser e agir na prática do bem.

Wagner Veneziani Costa

#Alquimia #Maçonaria

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Carta de Barnabé

CAPÍTULO 1:

Saudação:

Filhos e filhas, eu vos saúdo na paz, em nome do Senhor que nos amou.

A fé dos destinatários Grandes e ricos são os decretos de Deus a vosso respeito. Acima de tudo, eu me alegro imensamente pelos vossos espíritos felizes e gloriosos, pois dele recebestes a semente plantada em vós mesmos, a graça do dom espiritual. Por isso, eu me alegro mais na esperança de me salvar, porque verdadeiramente vejo em vós que o Espírito da fonte abundante do Senhor foi derramado sobre vós. Em vosso caso, foi isso que me chamou a atenção ao vê-los, o que eu tanto desejava.

Intenções do autor:

Estou convencido e intimamente persuadido disso, porque conversei muito convosco. O Senhor caminhou comigo no caminho da justiça e eu também me sinto impulsionado a amar-vos mais do que à minha própria vida, pois a fé e o amor que habitam em vós são grandes e fundados sobre a esperança da vida dele. Pensei que, se eu me preocupasse em participar-vos aquilo que recebi, eu teria recompensa por ter servido a espíritos como os vossos. Esforcei-me então para vos enviar estas poucas linhas, para que, além de vossa fé, tenhais também o conhecimento perfeito. Os ensinamentos do Senhor são três: a esperança da vida, começo e fim da nossa fé; a justiça, começo e fim do julgamento; o amor, testemunho pleno da alegria e contentamento das obras realizadas na justiça. Com efeito, por meio dos profetas, o Senhor nos fez conhecer o passado e o presente, e nos fez saborear antecipadamente o futuro. Vendo que uma e outra coisa se realizam conforme ele falou, devemos progredir no seu temor, de maneira mais rica e mais elevada. Quanto a mim, não é como mestre, mas como um de vós, que vos preparei umas poucas coisas. Através delas, vocês se alegrarão nas circunstâncias presentes.

CAPÍTULO 2:

O culto que Deus quer:

Introdução:

Como os dias são maus e é aquele que exerce o poder, devemos, para o nosso próprio bem, procurar as decisões do Senhor. Os auxiliares da nossa fé são o temor e a perseverança, e nossos companheiros de luta são a paciência e o autocontrole. Se essas virtudes permanecem puras diante do Senhor, a sabedoria, a inteligência, a ciência e o conhecimento virão regozijar-se com elas.

Os sacrifícios:

De fato, foi-nos mostrado, mediante todos os profetas, que Deus não tem necessidade de sacrifícios, nem de holocaustos, e nem de ofertas. Em certa ocasião, ele diz: “Que me importa a multidão de vossos sacrifícios?” diz o Senhor. “Estou farto dos holocaustos de carneiros e da gordura de cordeiros não sangue de touros e de bodes, e nem que venhais vos apresentar diante de mim. Quem pediu essas coisas de vossas mãos? Não continueis a pisar em meu átrio. Se ofereceis flor de farinha, é em vão; vosso incenso para mim é abominação. Não suporto vossas neomênias e vossos sábados.” Ele rejeitou essas coisas, para que a lei nova de nosso Senhor Jesus Cristo, que é sem o jugo da necessidade, não precise de oferta preparada por homens. Ele ainda lhes disse: “Por acaso, ordenei a vossos pais, ao saírem do Egito, que me oferecessem holocaustos? Pelo contrário, eis o que lhes ordenei: Que nenhum de vós guarde em seu coração rancor contra o próximo e que não ame o juramento falso.” Devemos, portanto, compreender, pois não somos sem inteligência, o desígnio de nosso Pai em sua bondade, pois ele se dirige a nós, desejando que procuremos o modo de nos aproximar dele, sem nos extraviar, como aqueles homens. Eis, portanto, o que ele nos diz: “O sacrifício para Deus é um coração contrito; o perfume de suave odor para o Senhor é o coração que glorifica o seu Criador.” Irmãos, devemos, portanto, cuidar de nossa salvação, para que o maligno não introduza em nós o erro, e nos atire, como pedra de funda, para longe da nossa vida.

CAPÍTULO 3:

O jejum:

A respeito disso, falou-lhes ainda, “Com que finalidade jejuais para mim”, diz o Senhor, “como se ouve hoje aos gritos a vossa voz? Não é esse jejum que escolhi”, diz o Senhor, “não o homem que humilha a si mesmo. Nem quando dobrais vosso pescoço como um círculo, nem quando vos cobris de pano de saco e cinza, não chameis isso de jejum agradável.” Para nós, porém, ele diz: “Eis o jejum que eu escolhi”, diz o Senhor: “Desata todas as amarras da injustiça; desfaz as cordas dos contratos iníquos; envia os oprimidos em liberdade; rasga toda escritura injusta; reparte teu pão com os famintos; se vês alguém nu, veste-o; conduz para a tua casa os desabrigados; se vês algum pobre, não o desprezes; não te afastes dos membros de tua família. Então tua luz romperá pela manhã, tuas vestes rapidamente resplandecerão, a justiça irá à tua frente e a glória de Deus te envolverá. Então outra vez gritarás, e Deus te ouvirá. Ao falar, ele te dirá: Eis-me aqui! Isso, se renunciares a tecer amarras, a levantar a mão, a murmurar, e se deres de coração o teu pão ao faminto e tiveres compaixão da pessoa necessitada.” Por isso, irmãos, o paciente (Deus), prevendo que o povo, que ele preparou através do seu Amado, acreditaria com simplicidade, nos antecipou todas essas coisas, para que nós, como prosélitos, não nos arrebentássemos contra a lei deles.

CAPÍTULO 4:

Vigilância:

Exortação geral:

É preciso, portanto, que examinemos com grande atenção a situação presente, para procurar o que nos pode salvar. Fujamos, pois, radicalmente de todas as obras iníquas, para que as obras iníquas jamais se apoderem de nós. Odiemos o erro do mundo presente, para que sejamos amados no mundo futuro. Não demos à nossa alma a liberdade, de modo que ela não tenha poder de correr com os maus e pecadores, a fim de que não nos tornemos semelhantes a eles.

Iminência do fim:

O máximo do escândalo se aproxima, conforme está escrito, como diz Enoque. Com efeito, é por isso que o Senhor abreviou os tempos e os dias, a fim de que seu Amado chegue mais depressa à herança. Assim diz o profeta: “Dez reis reinarão sobre a terra e, depois disso, surgirá um pequeno rei que humilhará três reis de uma só vez.” Sobre isso, Daniel diz algo semelhante: “Vi a quarta besta, maligna, forte e mais terrível do que todas as bestas do mar. Dela brotaram dez chifres, e desses saiu um pequeno chifre, como broto. Este, de uma só vez, humilhou três dos chifres grandes.” Deveis, portanto, compreender.

A Aliança tem exigências:

Além disso, peço-vos insistentemente, eu que sou um e vós e vos amo a todos e a cada um em particular mais do que a mim mesmo: tomai cuidado para não ficardes como certas pessoas, que acumulam pecados, dizendo que a Aliança está garantida para nós. Claro que era é nossa. Eles (os judeus) a perderam definitivamente, embora Moisés já a tivesse recebido. De fato, a Escritura diz: “Moisés jejuou na montanha durante quarenta dias e quarenta noites, e depois recebeu do Senhor a Aliança, as tábuas de pedra escritas pelo dedo da mão do Senhor”. Eles, porém, a perderam, por se terem voltado para os ídolos. Com efeito, assim disse o Senhor: “Moisés, Moisés, desce depressa, pois teu povo pecou, aqueles que fizeste sair da terra do Egito”. Moisés compreendeu, e jogou as duas tábuas de suas mãos. A Aliança deles foi rompida, para que a de Jesus, o Amado, fosse selada em nossos corações pela esperança da fé que nele temos. Querendo escrever muitas coisas, não como mestre, mas como convém a quem ama, não deixando perder nada do que possuímos, apliquei-me a escrever, como vosso humilde servidor. Estejamos atentos nestes últimos dias! Nada adiantará todo o tempo de nossa vida e de nossa fé, se agora, neste tempo de impiedade e na iminência dos escândalos, não resistirmos, como convém a filhos de Deus. A fim de que as Trevas não se infiltrem em nós e às escondidas, fujamos de toda vaidade e odiemos completamente as obras do mau caminho. Não vos isoleis, dobrando-vos sobre vós mesmos, como se já estivésseis justificados, mas reuni-vos, para procurar juntos o vosso bem comum. De fato, a Escritura diz: “Ai daqueles que se crêem inteligentes e que são sábios diante de si mesmos!” Tornemo-nos espirituais, tornemo-nos um templo perfeito para Deus. Quanto nos for possível, apliquemo-nos ao temor de Deus e combatamos para observar seus mandamentos, a fim de nos alegrarmos em suas disposições. O Senhor julgará o mundo com imparcialidade; cada um receberá segundo o que fez. Se for bom, sua justiça o precederá; se for mau, diante dele irá o salário do mal. Tomemos cuidado para não ficarmos tranqüilos como chamados, adormecendo sobre nossos pecados, de modo que o príncipe do mal se apodere de nós e nos afaste do reino do Senhor. Meus irmãos, compreendei ainda o seguinte: quando vedes que, depois de tantos sinais e prodígios acontecidos em Israel, assim mesmo eles foram abandonados, tomemos cuidado, como está escrito, para que não sejamos encontrados “muitos chamados, mas poucos escolhidos.”

CAPÍTULO 5:

Sofrimento do Senhor:

O Senhor sofreu para purificar-nos de nossos pecados
O Senhor suportou entregar sua própria carne à destruição, para que fôssemos purificados pelo perdão dos pecados, isto é, pela aspersão feita com seu sangue. A respeito dele, a Escritura diz o seguinte sobre Israel e sobre nós: “Ele foi ferido por causa de nossas iniqüidades e maltratado por causa de nossos pecados, e nós fomos curados por sua chaga. Foi conduzido como ovelha ao matadouro e, como cordeiro, ficou mudo diante do tosquiador.”

Responsabilidade do homem:

Precisamos, portanto, multiplicar nossos agradecimentos ao Senhor, porque ele nos fez conhecer as coisas passadas, tornou-nos sábios no presente e não estamos sem inteligência para as coisas futuras. A Escritura diz: “Não se estendem injustamente as redes para os pássaros”. Isso quer dizer que, com razão, se perderá o homem que, tendo conhecimento do caminho da justiça, toma entretanto o caminho das trevas.

O Senhor sofreu para cumprir a promessa:

Ainda o seguinte, meus irmãos: “Se o Senhor suportou sofrer por nós, embora fosse o Senhor do mundo inteiro, a quem Deus disse desde a criação do mundo: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança’, como pode ele suportar sofrer pela mão dos homens? Aprendei. Os profetas, que tinham a graça dele, profetizaram a seu respeito. E ele afim de destruir a morte e mostrar a ressurreição dos mortos, teve que se encarnar e sofrer, afim de cumprir a promessa feita aos pais e preparar para si o povo novo e demonstrar, durante sua estada na terra, que era ele mesmo que julgaria, depois de ter realizado a ressurreição.

O Senhor sofreu na carne para que os pecadores pudessem vê-lo
Por fim, embora ele tivesse ensinado a Israel e realizado tão grandes prodígios e sinais, eles não foram levados por sua pregação a amá-lo acima de tudo. Porém, quando ele escolheu seus próprios apóstolos, que iriam anunciar o seu Evangelho, homens cujo pecado ultrapassava a medida, foi para mostrar que ele não tinha vindo chamar os justos, e sim os pecadores. Então ele manifestou que era Filho de Deus. Com efeito, se não se tivesse encarnado, como os homens poderiam ter sido salvos ao vê-lo, uma vez que eles não podem levantar os olhos para olhar de frente os raios do sol, que todavia um dia deixará de existir e que é tão-somente obra de suas mãos?

O Senhor sofreu para levar ao máximo o pecado de Israel:

Se o Filho de Deus se encarnou, foi para levar ao máximo os pecados daqueles que tinham perseguido mortalmente os profetas dele. E por isso que ele suportou. De fato, Deus diz que é deles que vem a ferida de sua carne: “Quando ferirem o seu pastor, então as ovelhas do rebanho perecerão”. Foi ele, porém, que quis sofrer desse modo. Com efeito, era preciso que ele sofresse sobre o madeiro, pois o profeta diz a seu respeito: “Poupa à minha vida à espada”. E “transpassa com cravo a minha carne, porque uma assembléia de malfeitores se levantou contra mim”. E diz ainda: “Eis que ofereci minhas costas aos açoites e minha face para as bofetadas. Contudo, mantive o meu rosto como pedra dura”.

CAPÍTULO 6:

Vitória pascal:

O que diz ele, quando cumpriu o mandamento? “Quem é que me julga? Coloque-se diante de mim. Ou quem quer ser declarado justo diante de mim? Que se aproxime do servo do Senhor. Ai de vós! Porque todos vós envelhecereis como veste e a traça vos roerá”. E o profeta continua, uma vez que ele foi colocado como sólida pedra para esmagar: “Eis que colocarei nos alicerces de Sião uma pedra de grande valor, escolhida, angular e preciosa”. O que diz em seguida? “Aquele que nela crer, viverá para sempre”. Será que a nossa esperança está numa pedra? De modo nenhum. Mas foi o Senhor que tornou forte a sua carne. Com efeito, ele diz: “Ele me tornou como pedra dura”. O profeta continua: “A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a cabeça de ângulo”. E diz ainda: “Este é o dia grande e maravilhoso que o Senhor fez”.

A paixão:

Eu, humilde servo do amor, vos escrevo com simplicidade, para que compreendais. O que diz ainda o profeta? “Uma assembléia de malfeitores me rodeou. Eles me cercaram como abelhas ao favo”. E “sobre minhas vestes tiraram sortes”. E como era na sua carne que ele devia revelar-se e sofrer, sua paixão foi revelada de antemão. De fato, o profeta diz a respeito de Israel: “Ai da vida deles! Pois conceberam um desejo mau contra si mesmos, dizendo: Amarremos o justo, porque ele nos incomoda”.

Nova criação:

Que lhes diz Moisés, outro profeta? “Eis o que diz o Senhor Deus: Entrai na terra boa, que o Senhor prometeu a Abraão, Isaque e Jacó. Tomai posse dessa terra, onde correm leite e mel.” O que diz a sabedoria? Aprendei: “Ponde vossa esperança em Jesus, que deve revelar-se a vós na carne”. Com efeito, o homem é terra que sofre, pois é da terra que Adão foi plasmado. Que significa: “Na terra boa, terra onde correm leite e mel”? Bendito seja nosso Senhor, irmãos, pois ele pôs em nós a sabedoria e o entendimento de seus segredos. Pois o profeta diz: “Quem poderá compreender uma parábola do Senhor, a não ser o sábio que conhece e ama o seu Senhor?” Depois de nos ter renovado com o perdão dos pecados, ele fez de nós um novo ser, de modo que tenhamos alma de criança, como se ele nos tivesse plasmado novamente. De fato, a Escritura fala a nosso respeito, quando ele diz ao Filho: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que eles dominem sobre os animais da terra, as aves do céu e os peixes do mar”. E, vendo que nós éramos boa criação, o Senhor disse: “Crescei, multiplicai-vos e enchei a terra”. Foi isso que ele disse ao Filho. Vou agora te mostrar como ele fala de nós. Ele realizou segunda criação nos últimos tempos. O Senhor diz: “Eis que faço as últimas coisas como as primeiras.” Nesse sentido, assim falou o profeta: “Entrai na terra onde correm leite e mel, e dominai-a”. Eis-nos, portanto, criados de novo, conforme o que ele diz ainda por outro profeta: “Eis”, diz o Senhor, “que arrancarei deles” – isto é, daqueles que o Espírito do Senhor via de antemão – “os corações de pedra, e implantarei neles corações de carne”. De fato, é na carne que ele devia manifestar-se e habitar em nós. Com efeito, meus irmãos, nossos corações assim habitados formam um templo santo para o Senhor. E o Senhor diz ainda: “Como me apresentarei diante do Senhor e serei glorificado”? Ele diz: “Celebrar-te-ei na assembléia de meus irmãos e cantarei teus louvores em meio à assembléia dos santos”. Portanto, somos nós que ele fez entrar na terra boa. E o que significam o “leite” e o “mel”? E porque a criança é nutrida primeiro com o mel e depois com o leite. Igualmente nós, alimentados pela fé na promessa e na palavra, vivemos dominando a terra. Ora, ele tinha dito antes: “Que eles cresçam, se multipliquem e dominem os peixes”. E quem pode hoje dominar as feras, ou os peixes, ou os pássaros do céu? Devemos compreender que dominar implica poder, a fim de que aquele que ordena possa dominar. Se hoje não é assim, ele nos disse o tempo: Quando formos perfeitos para sermos herdeiros da aliança do Senhor.

CAPÍTULO 7:

Jejum e o bode expiatório:

Compreendei, portanto, filhos da alegria, que o bom Senhor nos revelou tudo de antemão, para que saibamos a quem constantemente celebrar com ação de graças. Se o Filho de Deus, que é Senhor e julgará os vivos e os mortos, sofreu para nos dar a vida por meio de seus ferimentos, acreditamos que o Filho de Deus não podia sofrer, a não ser por causa de nós. Além disso, já crucificado, deram-lhe a beber vinagre e fel. Escutai como os sacerdotes do templo se expressaram sobre isso. O mandamento escrito dizia: “Quem não jejuar no dia do jejum, será condenado à morte”. O Senhor deu esse mandamento, porque também ele devia oferecer a si próprio pelos nossos pecados, como receptáculo do Espírito, em sacrifício, a fim de que fosse cumprida a prefiguração manifestada em Isaque, oferecido sobre o altar. O que diz ele por meio do profeta? “Que comam, durante o jejum, do bode oferecido por todos os pecados”. Notai bem: “E que todos os sacerdotes, e somente eles, comam as vísceras não lavadas com vinagre”. Por que isso? “Porque vós me fareis beber fel com vinagre, a mim que ofereci minha carne pelos pecados do meu novo povo. Somente vós comereis, enquanto o povo jejuará e se flagelará com pano de saco e cinza”. Isso era para mostrar que ele deveria sofrer na mão deles. Como ele ordenou? Prestai atenção: “Tomai dois bodes bonitos e iguais, e oferecei-os em sacrifício. Que o sacerdote tome o primeiro como holocausto pelos pecados.” E o que farão com o outro? Ele diz: “O outro é maldito.” Notai como a figura de Jesus é manifestada. “Cuspi todos nele, transpassai-o, coroai sua cabeça com lã escarlate e, desse modo, seja expulso para o deserto”. Feito isso, aquele que leva o bode o conduz ao deserto, tira-lhe a lã e a coloca sobre um arbusto chamado sarça, cujos frutos costumamos comer quando nos encontramos no campo. Somente os frutos da sarça são doces. O que significa isso? Prestai atenção: “O primeiro bode sobre o altar, o outro é maldito”. Justamente o maldito é que é coroado. É que eles o verão, naquele dia, trazendo sobre sua carne o manto escarlate, e dirão: “Não é este que outrora crucificamos, depois de o ter desprezado, transpassado e cuspido? Na verdade, era este que então se dizia Filho de Deus”. Qual a sua semelhança com aquele? São bodes “semelhantes”, “belos”, iguais, para que quando o virem então vir, fiquem espantados com a semelhança do bode. Eis, portanto, a figura de Jesus que devia sofrer. E por que se coloca a lã no meio dos espinhos? É uma figura de Jesus proposta para a Igreja: porque os espinhos são terríveis, aquele que quer pegar a lã escarlate deve sofrer muito, e deve apossar-se dela através da dor. Ele diz: “Dessa forma, aqueles que desejam ver-me e alcançar o meu Reino devem passar por tribulações e sofrimentos, para se apossar de mim”.

CAPÍTULO 8:

Sacrifício da novilha:

E que figura pensais que representa o mandamento dado a Israel: os homens que têm pecados consumados ofereçam a novilha, a imolem e, depois queimem? Além disso, as crianças deviam recolher as cinzas, colocá-las nos vasos, enrolar a lã escarlate num pedaço de madeira – de novo aqui a imagem da cruz e a lã escarlate – e o hissopo. E assim, as crianças deviam aspergir todos os membros do povo, para que ficassem purificados dos pecados. Reconhecei como ele vos fala com simplicidade: a novilha é Jesus; os pecadores que a oferecem são aqueles que o conduziram para ser imolado. Basta com esses homens! Basta com a glória dos pecadores! As crianças que fazem a aspersão são aqueles que nos anunciaram a remissão dos pecados e a purificação do coração. A eles foi conferida a autoridade de anunciar o Evangelho, e são doze para testemunhar às tribos, pois as tribos de Israel eram doze. E por que são três crianças que fazem a aspersão? Para testemunhar Abraão, Isaque e Jacó, que são grandes diante de Deus. E a lã sobre o madeiro? Ela significa que o Reino de Jesus está sobre o madeiro e os que nele esperam viverão para sempre. Contudo, por que se põem juntos a lã e o hissopo? Porque no seu Reino haverá dias maus e poluídos, durante os quais seremos salvos. Com efeito, é pelo respingo poluído do hissopo que se cura aquele cuja carne está doente. E por isso que esses acontecimentos são tão claros para nós, mas para eles tão obscuros, pois eles não ouviram a voz do Senhor.

CAPÍTULO 9:

A verdadeira circuncisão:

Circuncisão do ouvido:

De fato, é dos ouvidos que ele fala ainda, quando diz que circuncidou nossos ouvidos e nossos corações. O Senhor diz por meio do profeta: “Obedeceram-me com os ouvidos.” E diz ainda: “Os que estão longe escutarão com o ouvido e conhecerão o que eu fiz”. E mais: “Circuncidai vossos ouvidos, diz o Senhor.” E diz também: “Escuta, Israel, eis o que diz o Senhor teu Deus: Quem deseja viver para sempre? Que ele escute com o ouvido a voz do meu servo”. E diz ainda: “Escuta, ó céu; dá ouvidos, ó terra, pois o Senhor falou isso como testemunho”. E diz mais: “Escutai a palavra do Senhor, príncipes deste povo”. E diz ainda: “Filhos, escutai a voz que grita no deserto”. Ele, portanto, circuncidou nossos ouvidos, para que escutemos a palavra e creiamos.

Circuncisão do coração:

Contudo, a circuncisão, na qual eles depositavam confiança, foi rejeitada. De fato, ele dissera que a circuncisão não devia ser da carne, mas eles transgrediram, porque um anjo mau os enganou. Todavia, ele lhes diz: “Assim fala o Senhor vosso Deus” – é aí que encontro o mandamento – “Não semeeis entre os espinhos, mas circuncidai-vos para o vosso Senhor”. E o que diz ele? “Circuncidai a maldade do vosso coração”. E diz ainda: “Eis, diz o Senhor, que todas as nações têm o prepúcio incircunciso, mas este povo tem o coração incircunciso”.

Circuncisão de Abraão:

Vós, porém, direis: “O povo recebeu a circuncisão como selo”. Contudo, todos os sírios, os árabes e todos os sacerdotes dos ídolos também têm a circuncisão. Pertencem também eles à sua aliança? Até os egípcios praticam a circuncisão! Filhos do amor, aprendei mais particularmente estas coisas: Abraão, praticando por primeiro a circuncisão, circuncidava porque o Espírito dirigia profeticamente seu olhar para Jesus, dando-lhe o conhecimento das três letras. Com efeito, ele diz: “E Abraão circuncidou entre os homens de sua casa trezentos e dezoito homens”. Qual é, portanto, o conhecimento que lhe foi dado? Notai que ele menciona em primeiro lugar os dezoito e depois, fazendo distinção, os trezentos. Dezoito se escreve: I, que vale dez, e H, que representa oito. Tens aí: IH(sous) = Jesus. E como a cruz em forma de T devia trazer a graça, ele menciona também trezentos (= T). Portanto, ele designa claramente Jesus pelas duas primeiras letras e a cruz pela terceira. Quem depositou em nós o dom do seu ensinamento sabe bem disto: Ninguém recebeu de mim ensinamento mais digno de fé. Sei, porém, que vós sois dignos.

CAPÍTULO 10:

Significado espiritual das prescrições alimentares:

Primeira formulação:

Moisés disse: “Não comereis porco, nem águia, nem gavião, nem corvo, nem peixe algum que não tenha escamas”. Porque ele tinha em mente três ensinamentos. Por fim, ele diz a eles no Deuteronômio: “Exporei a esse povo as minhas decisões”. A proibição de comer não é, portanto, mandamento de Deus, pois Moisés falava simbolicamente. Eis o significado do que ele diz sobre o “porco”. Não te ligarás a esses homens que se assemelham aos porcos; isto é, que quando vivem na abundância, se esquecem do Senhor; mas na necessidade reconhecem o Senhor. Assim é o porco: enquanto está comendo, ele não conhece seu dono; mas quando está com fome, ele grunhe e, uma vez tendo comido, volta a se calar. Ele diz: “Também não comerás a águia, nem o gavião, nem o milhafre, nem o corvo.” Isto é: não te ligarás, imitando-os, a esses homens que não sabem ganhar o alimento por meio do trabalho e do suor, mas que, em sua injustiça, arrebatam o bem alheio. Andam com ar inocente, mas espionam e observam a quem vão despojar por ambição. Eles são como essas aves, as únicas que não providenciam o alimento por si próprias, mas se empoleiram ociosamente, procurando a ocasião de se alimentar da carne dos outros. São verdadeiros flagelos por sua crueldade. Ele continua: “Não comerás moréia, nem polvo, nem molusco.” Isto é: não te assemelharás, ligando-te a esses homens que são radicalmente ímpios e já estão condenados à morte. O mesmo acontece com esses peixes: são os únicos amaldiçoados, que nadam nas profundezas, sem subirem como os outros; permanecem no fundo da terra, habitando o abismo.

Segunda formulação:

Também “não comerás a lebre.” Por que razão? Isso quer dizer: não serás pederasta, nem imitarás aqueles que são assim. Porque a lebre, a cada ano, multiplica seu ânus. Ela tem tantos orifícios quanto o número de seus anos. Também “não comerás a hiena”. Isso quer dizer: não serás nem adúltero, nem homossexual, e não te assemelharás àqueles que são assim. Por que razão? Porque esse animal muda de sexo todos os anos e torna se ora macho, ora fêmea. Ele odiou também “a doninha”. Muito bem! Não serás como aqueles que cometem, como se diz, iniqüidade com a boca por depravação, nem te ligarás a esses depravados que cometem iniqüidade com sua boca. De fato, esse mal se concebe pela boca. Moisés, tendo recebido tríplice ensinamento sobre os alimentos, usou linguagem simbólica. Eles, porém, o entenderam sobre os alimentos materiais, por causa do desejo carnal.

Davi confirma o ensinamento:

Davi recebeu o conhecimento desse mesmo ensinamento tríplice. Ele fala de forma semelhante: “Feliz o homem que não vai ao conselho dos ímpios”, como os peixes que se movem nas trevas para o fundo; “e que não pára no caminho dos pecadores”, como aqueles que aparentam temer ao Senhor, mas pecam como o porco; “e que não se assentou na cátedra da pestilência”, como as aves que se postam para a rapina. Aí tendes perfeitamente o que se refere à comida.

Conclusão:

Moisés, porém, disse: “Comei de todo animal que tem o casco fendido e que rumina.” O que ele quer dizer? Que (tal animal), quando recebe a comida, conhece aquele que o alimenta, e quando repousa, parece que se alegra com ele. Disse-o bem, considerando o mandamento. Que quer ele dizer? Vinculai-vos àqueles que temem o Senhor, que meditam no coração sobre o sentido exato da palavra que receberam, que ensinam e observam as decisões do Senhor, que sabem que a meditação é alegre exercício e que ruminam a palavra do Senhor. O que significa o “casco fendido”? É que o justo caminha neste mundo e espera o mundo santo. Vede como Moisés legislou bem! Mas, para eles, como é possível compreenderem ou entenderem essas coisas? Nós, tendo compreendido exatamente os mandamentos, os exprimimos como o Senhor desejou. Por isso, ele circuncidou nossos ouvi dos e nossos corações, para compreendermos essas coisas.

CAPÍTULO 11:

Profecias do Batismo e da Cruz:

A água:

Pesquisemos se o Senhor teve intenção de falar antecipadamente sobre a água e sobre a cruz. Quanto à água, está escrito que Israel não teria recebido o batismo que leva à remissão dos pecados, mas que eles próprios teriam constituído um. Com efeito, diz o profeta: “Pasma, ó céu, e que a terra trema ainda mais! Pois este povo cometeu mal duplo: eles me abandonaram, a mim que sou a fonte viva da água, e cavaram para si mesmos uma cisterna de morte. Por acaso, o Sinai, minha montanha santa, é rocha deserta? Vós sereis como os passarinhos que voam, quando se lhes tira o ninho”. E o profeta diz ainda: “Eu marcharei à tua frente, aplainarei as montanhas, quebrarei as portas de bronze, despedaçarei as trancas de ferro, e te darei tesouros secretos, escondidos, invisíveis, a fim de que saibam que eu sou o Senhor Deus. Tu habitarás numa caverna alta de rocha sólida, onde a água não falta nunca. Vereis o rei em sua glória e vossa alma meditará no temor do Senhor”.

A água e o madeiro:

Ele diz ainda por meio de outro profeta: “Quem assim age, será como a árvore plantada junto à corrente d’água, e que dá seu fruto no tempo certo. Sua folhagem não cairá; e tudo o que ele fizer terá sucesso. Não são assim os ímpios, não são assim. Eles são, antes, como a poeira que o vento espalha na face da terra. E por isso que os ímpios não se levantarão no julgamento, nem os pecadores no conselho dos justos. Pois o Senhor conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá”. Notai que ele designa ao mesmo tempo a água e a cruz. Com efeito, ele quer dizer: “Felizes aqueles que, tendo lançado sua esperança na cruz, desceram para a água. Pois ele diz que o salário vem “no tempo certo”. Então, diz ele, eu retribuirei. Mas para hoje, ele diz: “Sua folhagem não cairá”. Isso significa que toda palavra de fé e amor que sair da vossa boca será para muitos causa de conversão e de esperança. E outro profeta diz ainda: “E a terra de Jacó era celebrada mais do que qualquer outra terra”. Isso quer dizer que ele glorifica o vaso do seu Espírito. O que diz ele a seguir? “Havia um rio que corria, vindo da direita, e árvores esplêndidas hauriam dele seu crescimento. Qualquer pessoa que delas comer, viverá eternamente”. Isso significa que descemos para a água carregados de pecados e poluição, mas subimos dela para dar frutos em nosso coração, tendo no Espírito o temor e a esperança em Jesus. “Quem comer deles viverá eternamente”, quer dizer: quem escutar, quando tais palavras são ditas, e crer nelas, viverá eternamente.

CAPÍTULO 12:

O madeiro:

Da mesma forma, é sobre a cruz que ele fala por meio de outro profeta: “Quando tais coisas se cumprirão? Diz o Senhor: Quando um madeiro for estendido no chão e depois novamente levantado, e quando o sangue gotejar do madeiro.” Eis que se fala de novo da cruz e daquele que seria crucificado. Ele ainda fala a Moisés, quando Israel é atacado pelos povos estrangeiros, para lembrar-lhes, nesse combate, que era pelos pecados deles que estavam sendo entregues à morte. Falando ao coração de Moisés, o Espírito lhe fez representar a figura da cruz e de quem sofreria, pois, diz ele, se não esperarem nele, serão eternamente atacados. Então Moisés amontoou as armas no meio do combate e, de pé, no lugar mais alto de todos, estendeu os braços, e assim Israel venceu novamente. Em seguida, cada vez. que os abaixava, os israelitas sucumbiam outra vez. Por quê? Para que soubessem que não podiam ser salvos, se não confiassem nele. Por meio de outro profeta, ele diz ainda: “O dia inteiro estendi meus braços para um povo desobediente e que se opõe ao meu justo caminho”. Outra vez ainda, no momento em que Israel sucumbia, Moisés fez prefiguração de Jesus, mostrando que ele devia sofrer, e justamente aquele que acreditavam estar morto na cruz, haveria de dar a vida. De fato, o Senhor fez com que todo tipo de serpentes os mordessem, e eles morriam, embora a serpente tenha sido para Eva o instrumento da desobediência. Ele queria assim convencê-los de que era por causa da desobediência deles que seriam entregues à tortura da morte. Finalmente, o próprio Moisés tinha ordenado: “Não tereis, como vosso deus, nenhuma imagem fundida ou esculpida.” Mas ele próprio fez uma serpente de bronze, colocou-a diante de todos, e convocou o povo. Quando se reuniram naquele lugar, suplicaram a Moisés que intercedesse pela cura deles. Moisés porém, lhes respondeu: “Quando alguém de vós for mordido, venha até à serpente fixada ao madeiro e creia com confiança. Crendo que essa serpente, embora morta, possa dar a vida, no mesmo instante será salvo”. Assim fizeram eles. Eis aqui de novo a glória de Jesus, porque tudo está nele e tudo é para ele.

Jesus, Filho de Deus:

Que diz ainda Moisés a respeito do profeta Josué, filho de Num, dando-lhe esse nome, somente para que todo o povo ouvisse que o Pai revela todas as coisas em torno de seu Filho Jesus? Enviando-o para explorar o país, depois de lhe ter dado esse nome, Moisés disse a Josué, filho de Num: “Toma em tuas mãos um livro e escreve o que diz o Senhor: Nos últimos dias, o Filho de Deus arrancará pelas raízes a casa de Amaleque”. Mais uma vez, eis que Jesus, manifestado em prefiguração carnal, não filho de homem, mas Filho de Deus. Porque diriam que o Cristo é filho de Davi, o próprio Davi, temendo e prevendo o erro dos pecadores, profetiza: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como estrado para teus pés”. Isaías também diz: “O Senhor disse ao Cristo, meu Senhor: Eu o tomei pela mão direita, para que as nações lhe obedeçam, e eu romperei a força dos reis”. Vede como Davi o chama Senhor, e não filho!

CAPÍTULO 13:

A Aliança:

Qual povo é o herdeiro?:

Vejamos agora qual é o povo que recebe a herança. Se este, ou se o primeiro. E a Aliança, é para nós, ou para aqueles? Escutai, então, o que diz a Escritura a respeito do povo: “Isaque rezava pela sua mulher Rebeca, que era estéril, e ela concebeu”. Depois: “Rebeca saiu para consultar o Senhor, e o Senhor lhe disse: Há duas nações em teu seio e dois povos em tuas entranhas. Um povo dominará o outro, e o mais velho servirá ao mais jovem”. Deveis compreender quem é Isaque e quem é Rebeca, e a quem se referia ao mostrar que este povo é maior do que aquele. Em outra profecia, Jacó se dirige mais claramente ainda a seu filho José, dizendo: “Eis que o Senhor não me privou de tua presença. Traze-me teus filhos, para que eu os abençoe”. Ele levou Efraim e Manasses, querendo que Manassés, o mais velho, recebesse a bênção. José o conduziu para a mão direita de seu pai Jacó. No entanto, Jacó viu em espírito a prefiguração do povo futuro. E o que disse ele? “E Jacó cruzou as mãos, e colocou a direita sobre a cabeça de Efraim, o segundo e o mais novo, e o abençoou. Então José disse a Jacó: ‘Desvia tua mão direita e coloca-a sobre a cabeça de Manassés, pois ele é o meu filho primogênito’. Então Jacó disse a José: ‘Eu sei, meu filho, eu sei. O mais velho servirá ao mais jovem, e é este que será abençoado’”. Vede a quem ele se referia ao decidir que este povo seria o primeiro e o herdeiro da Aliança. Se isso ainda nos é lembrado no caso de Abraão, então nosso conhecimento torna-se completo. O que é que ele diz então a Abraão, pelo fato de que somente ele tinha acreditado, e foi estabelecido na justiça? “Abraão, eis que eu te estabeleci como pai de nações que, embora incircuncisas, acreditam em Deus”.

CAPÍTULO 14:

A quem Deus dá sua Aliança?:

Muito bem. Porém vejamos: Pesquisemos, para ver se ele deu ao povo a Aliança que prometera – juramento a seus antepassados. Certamente ele a deu, mas eles não foram dignos de recebê-la, por causa de seus pecados. De fato, o profeta diz: “Moisés jejuou quarenta dias e quarenta noites no monte Sinai, para receber a Aliança do Senhor com o povo. E Moisés recebeu do Senhor as duas tábuas escritas em espírito pelo dedo da mão do Senhor. Moisés as tomou, e começou a descer, para levá-las ao povo. Então disse a Moisés o Senhor: ‘Moisés, Moisés, apressa-te a descer, pois teu povo, que fizeste sair da terra do Egito, pecou’. Moisés compreendeu que eles ainda tinham feito para si imagens de metal fundido. Então ele atirou de suas mãos as tábuas, e as tábuas da Aliança do Senhor se quebraram”. Moisés, portanto, a recebeu, mas eles não foram dignos dela. Aprendei como nós a recebemos. Moisés a recebeu como servo, mas o próprio Senhor, depois de sofrer por nós, no-la entregou como povo da herança. Ele apareceu, para que aqueles levassem ao máximo a medida dos pecados e nós recebêssemos a Aliança mediante o Senhor Jesus, o herdeiro. Jesus foi preparado por ocasião de sua manifestação, para libertar das trevas nossos corações já consumidos pela morte e entregues aos desvios da iniqüidade, e para estabelecer conosco uma Aliança com a palavra. De fato, está escrito que o Pai lhe ordenou libertar-nos das trevas, a fim de preparar para si um povo santo. Diz, portanto, o profeta: “Eu, o Senhor teu Deus, te chamei na justiça, e te tomarei pela mão e te fortificarei. Eu te coloquei como Aliança de um povo, como luz das nações, para abrir os olhos dos cegos, para libertar das cadeias os prisioneiros e da prisão aqueles que estão nas trevas”. Sabei, portanto, de onde fomos libertos! O profeta diz ainda: “Eis que eu te coloquei como luz das nações, a fim de que sirvas para a salvação, até os confins da terra. Assim diz o Senhor, o Deus que te libertou”. E o profeta diz ainda: “O Espírito do Senhor está sobre mim e, por isso, me ungiu para anunciar aos pobres o evangelho da graça. Ele me enviou para curar os corações quebrantados, para proclamar aos prisioneiros a liberdade e aos cegos a vista, para anunciar o ano favorável do Senhor e o dia da retribuição, para consolar todos os que choram.”

CAPÍTULO 15:

O Sábado de Deus:

Ainda, sobre o sábado, está escrito no Decálogo que Deus o entregou pessoalmente a Moisés sobre o monte Sinai: “Santificai o sábado do Senhor com mãos puras e coração puro”. Em outro lugar, ele diz: “Se meus filhos guardarem o sábado, então estenderei sobre eles a minha misericórdia”. Ele menciona o sábado no princípio da criação: “Em seis dias, Deus fez as obras de suas mãos e as terminou no sétimo dia, e nele descansou e o santificou”. Prestai atenção, filhos, sobre o que significa: “terminou no sétimo dia”. Isso significa que o Senhor consumará o universo em seis mil anos, pois um dia para ele significa mil anos. Ele próprio o atesta, dizendo: “Eis que um dia do Senhor será como mil anos.” Portanto, filhos, em “seis dias”, que são seis mil anos, o universo será consumado. “E ele descansou no sétimo dia”. Isso quer dizer que seu Filho, quando vier para pôr fim ao tempo do Iníquo, para julgar os ímpios e mudar o sol, a lua e as estrelas, então ele, de fato, repousará no sétimo dia. Por fim, ele diz: “Tu o santificarás com mãos puras e coração puro”. Contudo, se alguém atualmente pudesse santificar, de coração puro, esse dia que Deus santificou, então nós nos teríamos enganado completamente. Porém, se este agora não é o caso, ele o santificará verdadeiramente no repouso, quando nós formos capazes disso, isto é, quando tivermos sido justificados e tivermos recebido o objeto da promessa, quando não houver mais iniqüidade, e o Senhor tiver renovado tudo. Então, poderemos santificá-lo, tendo sido primeiro nós mesmos santificados. Ele finalmente lhes disse: “Não suporto vossas neomênias e vossos sábados”. Vede como ele diz: não são os sábados atuais que me agradam, mas aquele que eu fiz e no qual, depois de ter levado todas as coisas ao repouso, farei o início do oitavo dia, isto é, o começo de outro mundo. Eis por que celebramos como festa alegre o oitavo dia, no qual Jesus ressuscitou dos mortos e, depois de se manifestar, subiu aos céus.

CAPÍTULO 16:

O Templo:

No que se refere ao templo, eu vos direi ainda como esses infelizes extraviados puseram sua esperança num edifício, como se fosse a casa de Deus, e não no Deus deles, que os criou. Com efeito, quase como os pagãos, eles o consagraram no templo. Mas, como fala o Senhor, abolindo-o? Aprendei: “Quem mediu o céu com o palmo e a terra com a mão? Não fui eu? diz o Senhor: O céu é o meu trono e a terra é o estrado dos meus pés. Que casa construireis para mim, ou qual será o lugar do meu repouso”? Vede como era vã a esperança deles. Por fim, ele diz ainda: “Eis! aqueles que destruíram esse templo, eles mesmos o edificarão.” E o que está acontecendo. De fato, por causa da guerra deles, o templo foi destruído pelos inimigos. E agora, os mesmos servos dos inimigos o reconstruirão. Ele tinha igualmente revelado que a cidade, o templo e o povo de Israel seriam entregues. Com efeito, a Escritura diz: “Acontecerá no fim dos dias que o Senhor entregará à destruição as ovelhas do pasto, o aprisco e a sua torre”. E aconteceu conforme o Senhor tinha dito. Indaguemos se existe um templo de Deus. Sim, existe onde ele mesmo diz que o há de construir e aperfeiçoar. De fato, está escrito: “Quando a semana estiver terminada, será construído um templo de Deus, com esplendor, sobre o nome do Senhor”. Acho pois que existe um templo. E como ele “será construído sobre o nome do Senhor”? Aprendei: antes que acreditássemos em Deus, nossos corações eram uma habitação corruptível e frágil, exatamente como um templo construído por mão humana. Com efeito, estava cheio de idolatria e era casa de demônios pois todas as nossas ações se opunham a Deus. Contudo, “ele será construído sobre o nome do Senhor”. Estai atentos, para que o templo do Senhor seja construído “com esplendor”. De que modo? Aprendei: recebendo o perdão dos pecados e pondo nossa esperança no Nome, nós nos tornamos novos, recriados desde o princípio. É por isso que Deus habita verdadeiramente em nós, tornando-nos sua morada. Como? Pela sua palavra de fé, pelo chamado da sua promessa, pela sabedoria das suas leis, pelos mandamentos da doutrina, e ele próprio profetizando em nós, habitando em nós, abrindo para nós a porta do templo, que é a nossa boca, e dando-nos o arrependimento, ele nos introduz no templo incorruptível. De fato, quem deseja ser salvo não olha para o homem, mas para aquele que habita nele e fala por meio dele, maravilhado “Neomênias” é o primeiro dia do mês (lunar), a “lua nova” ou “neomênia”, era uma festa celebrada tanto entre os israelitas como entre os cananeus (cf. Lv 23,24; 1Sm 20,5.24; Is 13; Am 8,5). Como o sábado, a lua nova (neoménia) interrompia as transações comerciais de não ter ouvido as palavras daquele que fala através de uma boca humana, nem de ter desejado ouvi-las. Esse é o templo espiritual construído pelo Senhor.

CAPÍTULO 17:

Conclusão:

Eu vos expliquei essas coisas com a maior simplicidade possível, e espero não ter deixado nada de lado. Com efeito, se vos escrevesse sobre o presente ou o futuro, não compreenderíeis, pois isso permanece em parábolas.

PARTE MORAL:

CAPÍTULO 18:

Os Dois Caminhos:

Introdução:

Sobre esse assunto, chega. Passemos para outro tipo de conhecimento e ensinamento. Existem dois caminhos de ensinamento e autoridade: o da luz e o das trevas. A diferença entre os dois é grande. De fato, sobre um estão postados os anjos de Deus, portadores da luz; e sobre o outro, os anjos de satanás. Um é Senhor de eternidade em eternidade, o outro é príncipe do presente tempo da iniqüidade.

CAPÍTULO 19:

O caminho da luz:

Este é o caminho da luz: se alguém quer andar no caminho e chegar ao lugar determinado, que se esforce em suas obras. Eis, portanto, o conhecimento que nos foi dado para andar nesse caminho.

Ama aquele que te criou. Teme aquele que te formou. Glorifica aquele que te resgatou da morte. Sê simples de coração e rico de espírito. Não te ligues àqueles que andam no caminho da morte. Odeia tudo o que não é agradável a Deus. Odeia toda hipocrisia.

Não abandones os mandamentos do Senhor. Não te engrandeças a ti mesmo, mas sê humilde em todas as circunstâncias. Não te arrogues glória. Não planejes o mal contra o teu próximo. Não te entregues à insolência.

Não pratiques a prostituição, nem o adultério, nem a pederastia. Não divulgues a palavra de Deus entre pessoas impuras. Não faças diferença entre as pessoas, ao corrigir alguém por sua falta. Sê manso, tranquilo, respeitando as palavras que ouviste. Não sejas vingativo para com teu irmão.

Não fiques hesitando sobre o que vai ou não acontecer. Não tomes em vão o nome do Senhor. Ama o teu próximo mais do que a ti mesmo. Não mates a criança no seio da mãe, nem logo que ela tiver nascido. Não te descuides de teu filho ou de tua filha. Pelo contrário, dá-lhes instrução desde a infância no temor do Senhor.

Não cobices os bens do teu próximo. Não sejas avarento, não te juntes de coração com os grandes, mas conversa com os justos e pobres. Aceita como boas as coisas que te acontecem, sabendo que nada acontece sem o consentimento de Deus.

Não sejas dúplice no pensar e no falar, porque a duplicidade é armadilha mortal. Sê submisso a teus senhores, com respeito e reverência, como à imagem de Deus. Não dês ordens com rudeza ao teu servo ou à tua serva, pois eles esperam no mesmo Deus que tu, para que não percam o temor de Deus, que está acima de uns e de outros; com efeito, ele não vem chamar a pessoa pela aparência, mas aqueles que o Espírito preparou.

Compartilha tudo com o teu próximo, e não digas que são coisas tuas. Se estais unidos nas coisas incorruptíveis, tanto mais nas coisas corruptíveis. Não sejas loquaz, porque a boca é armadilha mortal. O quanto podes, sê puro com a tua alma.

Não sejas como os que estendem a mão na hora de receber, e a retiram na hora de dar. Ama, como a pupila do teu olho, todo aquele que te anuncia a palavra de Deus.

Lembra-te noite e dia, do dia do julgamento. A cada dia, procura a companhia dos santos. Empenha-te com a pregação, exortando e preocupando-te em salvar uma alma pela palavra, ou então em trabalhar com tuas mãos, para resgatar teus pecados.

Não hesites em dar, nem dês reclamando, pois sabes quem é o verdadeiro remunerador da tua recompensa. Guarda o que recebeste, sem nada acrescentar ou tirar. Odeia totalmente o mal. Julga de modo justo.

Não provoques divisão. Pelo contrário, reconcilia aqueles que brigam entre si. Confessa os teus pecados. Não te apresentes em má consciência para a oração.

CAPÍTULO 20:

O caminho das trevas:

O caminho das trevas é tortuoso e cheio de maldições. De fato, em sua totalidade, ele é o caminho da morte eterna nos tormentos. Nele se encontram as coisas que arruínam a alma dos homens: idolatria, insolência, altivez do poder, hipocrisia, duplicidade de coração, adultério, homicídio, rapina, orgulho, transgressão, fraude, maldade, arrogância, feitiçaria, magia, avareza e ausência do temor de Deus. (São) os que perseguem os bons, odeiam a verdade, amam a mentira, ignoram a recompensa da justiça, não se ligam ao bem nem ao julgamento justo, não cuidam da viúva e do órfão, não vigiam para o temor de Deus, mas para o mal, afastam-se da mansidão e da paciência, amam as vaidades, correm atrás da recompensa, não têm misericórdia para com o pobre, recusam ajudar o oprimido, difamam facilmente, ignoram o seu Criador, matam crianças, corrompem a imagem de Deus, não se compadecem do necessitado, não se importam com os atribulados, defendem os ricos, são juízes injustos com os pobres, e, por fim, são pecadores consumados.

CAPÍTULO 21:

Conclusão:

É bom, portanto, aprender as sentenças do Senhor, que estão escritas, e a elas conformar o comportamento. Com efeito, aquele que as pratica será glorificado no Reino de Deus, mas aquele que escolher o outro (Caminho) perecerá com suas obras. Por isso, existe ressurreição, e por isso existe retribuição. A vós, que sois superiores, peço que aceitem um conselho da minha benevolência: Tendes no meio de vós pessoas para com as quais praticar o bem. Não deixem de o fazer. Está próximo o dia, no qual todas as coisas perecerão com o Maligno. Está próximo o Senhor, justo com a sua retribuição. Peço-vos ainda: sede bons legisladores para vós mesmos, permanecei fiéis conselheiros para vós mesmos, afastai de vós toda hipocrisia. O Deus, que reina sobre o mundo inteiro, vos dê sabedoria, inteligência, ciência, conhecimento de suas decisões, e perseverança. Deixai-vos instruir por Deus, procurando o que o Senhor quer de vós, e praticai-o, para que vos encontreis no dia do julgamento. Se vos recordais do bem, lembrai-vos de mim ao meditar sobre essas coisas. Desse modo, meu desejo e minha vigilância levarão a realizar algum bem. Peço-vos com insistência, como uma graça: enquanto o belo vaso ainda está convosco, não negligencieis nada das vossas coisas, mas buscai-as constantemente e cumpri todos os mandamentos, pois eles são dignos. Eis por que me esforcei em vos escrever, segundo minhas possibilidades. Eu vos saúdo, filhos do amor e da paz. Que o Senhor da glória e de toda graça esteja com vosso espírito.

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Fonte: http://agnusdei.50webs.com/barnabe1.htm

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/carta-de-barnabe/

Repercussão Vibratória

No trabalho com o plano astral, o médium é muito exigido, pois seu trabalho não se resume ao curto período em que fica no centro espírita. Um irmão sofredor, que teve um desencarne abrupto, acidental, é desperto num médium que transpira os fluidos ectoplásmicos curadores específicos a este fim. Isto se dá pela aproximação e envolvimento áurico e fluídico. Sendo estes trabalhos em grupo, após este despertamento – que é como se fosse um choque – este irmão se acopla para psicofonar em outro médium. Precisa botar para fora os seus sentimentos, pois ficou cristalizada no seu campo mental a cena do seu desencarne, como se fosse um filme com sensações, que não cessa nunca, se repetindo ininterruptamente. Nesta comunicação este irmão sente-se como se tivesse um corpo, não tendo noção ainda que desencarnou e está usando uma organização anátomo fisiológica emprestada, por caridade, para manifestar-se. Externado os seus sentimentos, desopilada esta situação mental de desequilíbrio, tendo servido o médium como verdadeiro desafogador destes fluídos pesados, podemos “chegar-lhe” e este irmão poderá nos ver. Mostramo-lhe os curativos, que não está mais com órgãos decepados e nem sangrando, aliviando-lhe as dores e colocando-o em repouso em local apropriado. Quando tem permissão, contará a sua história em outra ocasião, através da fala ou da escrita e irá para estância de refazimento, de acordo com seu merecimento e afinidade vibratória energética.

Muitas vezes um dos médiuns que o atendeu fica com uma espécie de repercussão vibratória. Isto é permitido para a sua educação e amadurecimento. E como é esta repercussão vibratória? As sensações e percepções que estavam cristalizadas no campo mental e sensorial do irmão sofredor atendido (aumentadas sobremaneira pelo fato de não ter um corpo físico, em verdadeiro estado de dementação) imantam-se no perispírito do médium, que serve como verdadeiro exaustor, aliviando o irmão em tratamento. Mas esta imantação não repercute no físico imediatamente: O médium fica com uma sensação de mal estar, que gradativamente, decorrência de uma força centrípeta, vai aumentando de intensidade, até repercutir no corpo físico e chegar-lhe na área consciencial. Em médiuns de maior sensibilidade perispiritual é possível ver-se e sentir-se toda a cena do desencarne do irmão socorrido, durante o sono físico e do desprendimento noturno, em geral até 48 horas depois do trabalho mediúnico, em ocorrência de clarividência. É como se o médium fosse o ator principal de um filme, vivificando a experiência marcante do desencarne no lugar deste irmão sofredor. Vejam as nuanças e a complexidade do trabalho de caridade no exercício dos dons mediúnicos. É uma verdadeira missão. Neste ínterim, com todo o mal estar em repercussão, nosso medianeiro tem que manter a sua vida de relação normalmente: trabalhar, deslocar-se, assistir sua família, escutar os filhos e àqueles que o procuram, pois a mediunidade sempre está presente. Outras vezes há que ainda é solicitado para compor grupo de socorro e incursão no astral inferior, durante o sono físico, em situações que exigem desdobramentos noturnos. Por isto a importância do equilíbrio, do discernimento, do conhecer-se. O médium que não conhece a si mesmo é um estranho lidando com estas variáveis, ocultas aos seus sentidos físicos e imperceptíveis no seu cotidiano. Em todas estas situações lá estão nossos irmãos menos esclarecidos, em verdadeiros conluios, à espreita de uma desatenção e de uma janela vibratória para influenciá-lo e prejudicá-lo para que desista das suas aspirações.

A prece é refrigério que desce do alto preservando-o ileso nestes momentos. Permitimos, com muito amor e abnegação estas experimentações, pois o médium deve ter luz própria e brilhar no meio da escuridão e das trevas. Não deve, em qualquer dificuldade, correr e apoiar-se nos mentores, como se fossemos uma bengala eternamente disponível. As mesmas potencialidades que temos no astral dormitam em vós e, cada vez mais, galgareis os degraus da escada que levam a plenificação como espírito imortal que és e o mediunismo nunca cessa em todos os planos, sendo aquisição meritória. Andai com vossas próprias pernas, em súplica, com fé e confiança, que cada vez mais vos fortaleceis.

Jesus, o maior médium que esteve entre vós, com toda a potencialidade cósmica do Cristo, passou por todas as situações provacionais, na mais das vezes solitariamente, conforme a programática da sua missão terrena. Teve a tentação dos magos negros, curou chagados, expulsou “demônios”, foi humilhado, agredido, negado e, no momento culminante da sua estada na Terra, assumiu para si toda a responsabilidade dos seus atos, aliviando os apóstolos e seus seguidores perante o poder religioso e do estado romano estabelecidos. Quando estava na cruz, no ápice do seu desencarne, ainda falou: “Pai, perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem”.

Muita paz e muita luz.

Ramatis

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/repercuss%C3%A3o-vibrat%C3%B3ria

Guia para Projeção Astral

A noite, quando nosso corpo físico se prepara para recarregar-se de energia através do sono, nosso corpo astral começa a vibrar para se deslocar no campo astral. A este fenômeno, a ciência oculta chama de Projeção Astral, se caracteriza através dos sonhos ou pesadelos, que são as lembranças das vivências ocorridas nos níveis em que nossa consciência desperta naquele plano. Se tivermos uma vida regrada ao longo do dia e vibramos boas emoções teremos os chamados sonhos. Mas se comermos alimentos pesados e vibramos emoções negativas, ou simplesmente negligenciarmos os pontos de equilíbrio, então, acorrerão os pesadelos, que nada mais são que criaturas do plano astral que se alimentam das angústias, de tristezas, ou de outras vibrações que emitimos quando nos encontramos dentro das ilusões criadas por eles.

A chamada fuga de alguém que nos persegue através de um lugar desconhecido, mas não sabemos quem, ou porque fugimos e apenas fugimos, por exemplo, é um dos exemplos clássicos do vampirismo indireto. Na realidade, este sonho é uma farsa, porque não há nada de ameaçador nos perseguindo, apenas o nosso próprio medo. Trata-se de um exemplo comum de desdobramento inconsciente que ocorre com a maioria das pessoas por não terem consciência do seu corpo astral. Existem também os desdobramentos conscientes que podem ser involuntários, voluntários ou artificiais.

O desdobramento consciente involuntário está ligado ao campo emocional. Se possuímos, por exemplo, um elo afetivo com uma pessoa, mesmo estando acordado, nosso corpo astral pode sair e “ver” se a pessoa está bem ou não, mas neste caso não há controle do desdobramento. No desdobramento consciente voluntário, a projeção ocorre tranqüila, já que a pessoa possui plena consciência do plano astral e de seu corpo, e com os conhecimentos de defesa psíquica ela pode se defender de eventuais ataques das formas que habitam esse plano. Afinal o Astral não é morada somente dos humanos desencarnados e os de passagem.

É assim que muitas vezes a Fraternidade Branca faz contato. Já o desdobramento artificial ocorre através das drogas, o que ocasiona uma projeção forçada no plano astral sem preparo preliminar. Por isto os relatos coincidentes de visões de flores, seres ameaçadores, criaturas plácidas ou agressivas. Este método, o de uso de drogas alucinógenas, só é válida, quando é ritualístico. Mas ele só ocorre em meio às Tradições Xamânicas, e assim mesmo com um sério objetivo, e tão somente por iniciados, Para tanto, é necessário que estes iniciados tenham passado por anos de disciplina e aprendizado, e mesmo assim estão a obedecer a ritos raros e em datas especiais, e sempre sob a supervisão de um instrutor abalizado. Ele observa que o estado de coma também proporciona uma Projeção Astral involuntária, que acarreta um aprendizado da condição de vida após a morte, e da existência de seus corpos.

Os verdadeiros motivos desse estágio intermediário muitas vezes são determinados pelos Mestres para que haja um avanço de consciência para um trabalho na vida física, se o indivíduo vier a despertar do estado de coma, ou na próxima encarnação em caso contrário. A meta prevista de nossa raça raiz, a Quinta, é controlar o corpo astral através do amor compassivo e fraterno, ou seja, deslocar o elo com chacra umbilical para o chacra cardíaco, o que já deveria ter ocorrido no final da Quarta raça raiz, a raça Atlante, onde o mau uso do corpo astral foi uma das causas de sua queda. Por causa desta quebra no plano, a Fraternidade Branca possui uma grande dificuldade de se comunicar com aqueles que buscam o caminho da auto-realização e do mestrado.

Aqueles que procuram estes ensinamentos devem buscá-las com pessoas sérias e que pesquisam as origens e potencialidades do ser humano, e principalmente esteja preparado para o caso de recusa de retorno, como o que aconteceu em uma regressão sob minha responsabilidade em que a pessoa precisou fazer uma projeção astral conduzida, para fins de complementar sua regressão, um caso não muito comum, mas também não raro, e quando de sua busca encontrou um lugar que se enquadrava com suas aspirações, deste modo se recusava a retornar a seu corpo físico, o que foi necessário usar de uma técnica de persuasão para concluir a pesquisa. As técnicas de projeção devem ser usadas também para cura de medos traumáticos, insônia, pesadelos e etc…

Na realidade é uma terapia de cura não só a nível emocional, como físico, na recuperação de energia vampirizada, que aliás pode ser de um ser do astral ou do plano físico, apesar de serem poucas as pessoas que conseguem realizar este tipo de vampirismo, e mental como era aplicada pelos Colégios Druidas. Recentemente uma pessoa perguntou o porquê de não se lembrar de seus sonhos, a explicação pela Ciência Oculta que existem dois casos: as que já possuem um corpo astral apto, mas com a evolução em andamento para um contato com os Mestres, assim durante o sono são recrutados para aliviar o carma da dor nos orfanatos, campos de refugiados, hospitais, asilos, e todos aos quais pediram, assim ao retornar suas memórias astrais são apagadas e acordam sem recordar os horrores pelos quais passam nossos irmão nesta passagem terrena. No segundo caso o corpo astral ainda não possui condições de se afastar muito de seu corpo físico e por isso não possui qualquer registro de ação. No primeiro caso está uma das explicações da memória de lugares que passamos pela primeira vez e achamos que já estivermos naquele local. A projeção astral possui como vimos ao longo dessa reportagem uma função clara e específica, não um programa para aqueles que não acreditam em seu potencial.

Projeção da Consciência

Há muito vem sendo estudado um fenômeno parapsíquico considerado como um dos mais interessantes e importantes: o ato de projetar a consciência para fora do corpo físico. Entretanto, somente a algumas décadas, têm-se dedicado uma pesquisa mais aprofundada e científica sobre o assunto. Antigamente, devido à falta de conhecimento de alguns e ao egocentrismo de outros, as projeções da consciência foram envolvidas em um tom de medo, misticismo e idéias errôneas. Por causa desse desconhecimento, os poucos que estudavam o assunto, ou envolviam a projeção em um clima de perigo e idéias desacertadas, ou evitavam passar o assunto para outras pessoas, ficando o pouco conhecimento dessa faculdade parapsíquica restrita à uma pequena parcela da humanidade. Atualmente, a projeção, por ganhar maior ênfase científico nos seu estudo e pesquisa, é objeto de estudo da ciência Projeciologia (neologismo criado pelo Dr. Waldo Wieira), que é um novo ramo da parapsicologia cujo principal objetivo é pesquisar as projeções da consciência para fora do corpo humano.

 A projeção e suas características

“A projeção consciente permite à criatura substituir a crença pelo conhecimento. Acreditar ou desacreditar nos relatos torna-se secundário. Importante é aceitar a possibilidade dos eventos extrafísicos porque o ideal será a pessoa, interessada, ter a própria experiência.” – Waldo Wieira – ( Criador da ciência Projeciologia é um dos maiores pesquisadores da projeção da consciência)

Como já foi dito anteriormente, a projeção (também chamada de viagem astral, projeção astral, experiência fora do corpo, desdobramento, viagem da alma, projeção do corpo psíquico e emocional) é a exteriorização da consciência para fora da forma orgânica (corpo biológico). Na realidade, todos nós nos desprendemos do corpo humano durante o sono natural, porém, nem todos se projetam lucidamente ou se recordam dessas ocorrências com nitidez. Apesar disso, todos podem sair do corpo humano com lucidez. Para isso, basta ter persistência, vontade firme e utilizar técnicas específicas. Mas, se a projeção é a saída da consciência para fora do corpo físico, para onde vai a consciência? Existem outros corpos que a consciência se utiliza para se manifestar? Porque não enxergamos esses corpos? Afinal de contas, o que é a consciência? Para responder essas perguntas e outras mais, vamos fazer um estudo prévio dos conceitos e definições mais importantes da Projeciologia, para que melhor possamos compreender a própria projeção da consciência.

Consciência: A consciência é o ser pensante, individual, indestrutível, real e imortal. É mais do que a energia e a matéria. É a mente não como efeito biológico, mas como causa. Nós somos consciências, assim como todos os seres autoconscientes ao nosso redor.

Conscin: É a consciência intrafísica (encarnada) que possui um corpo biológico.

Consciex: Consciência extrafísica (desencarnado) que não possui um corpo físico, já passou pela morte do corpo biológico (dessoma).

Holossoma: – conjunto dos veículos de manifestação da conscin: soma, holochacra, psicossoma e mentalsoma; e da consciex: psicossoma e mentalsoma.

Soma: é o nome técnico para o corpo humano do homem e da mulher. É o veículo de manifestação mais denso do holossoma da consciência. Por ser mais sólido, o corpo humano faz o homem e a mulher comuns, sem as noções básicas da multidimensionalidade, julgarem que eles mesmos são tão somente os seus somas, antes e acima de tudo, nada mais.

Holochacra (duplo etérico): paracorpo (para = extrafísico) energético da consciência humana. Conjunto de todos os chacras que formam o paracorpo energético da consciência encarnada. É um invólucro energético vibratório pulsante. O holochacra é uma zona intermediária pela qual passam as correntes energéticas que mantém o corpo humano vivo.

Chacras: distribuídas por todo o soma, existe uma gama de ramificações nervosas constituídas de plexos e gânglios. Estes órgãos, para muitos, não possuem qualquer função biológica, na verdade estão estreitamente ligados e dirigidos pelos respectivos chacras situados no holochacra. Chacra é o núcleo ou campo limitador de energia consciencial, dentro do corpo energético da consciência (holochacra), que se reflete no corpo humano. Tem como principal função a absorção de energia do meio-ambiente para o interior do campo energético e do corpo físico. Os chacras principais dividem-se em três grupos e são em número de sete:

Chacras inferiores: – Básico (na base da coluna) – Esplênico (no baço) ?       Chacras médios: – Umbilical (no plexo solar) – Cardíaco (no coração) – Laríngeo (na garganta)

Chacras superiores: – Frontal (na testa) – Coronário (no alto da cabeça)

Energias (fluidos): para sobreviver, o ser humano necessita assimilar mais do que as substâncias corriqueiramente conhecidas: alimento sólido, líquido e ar. O quarto alimento está representado pelas energias. E sabemos que a importância de um alimento varia na ordem inversa da sua densidade. Quer dizer: quanto mais rarefeito mais necessário é. Pode-se passar muitos dias e até um ou dois meses sem comida, mas não se suporta além de poucos dias sem líquido (água). E seria impossível continuar a existência física sem ar (oxigênio), senão por poucos minutos. Finalmente, um indivíduo, qualquer que fosse sua idade e saúde, dessomaria (desencarnaria) instantaneamente caso lhe faltasse o quarto alimento: as energias. A consciex André Luiz, no livro “Evolução em dois mundos”, dá a seguinte definição de energia: ” O fluido (energia) vem a ser um “corpo” cujas moléculas cedem invariavelmente à mínima pressão, movendo-se entre si, quando retidas por um agente de contenção, ou separando-se, quando entregues a si mesmas”.

Energia imanente (cósmica): é a energia primária que penetra mutuamente todo o universo interdimensional. É a fonte de origem de todos os outros tipos de energia. É também uma fonte indispensável de absorção de energia para os seres vivos.

Bioenergias: são as energias vitais de todos os tipos de seres vivos.

Energia consciencial: são as bioenergias e a energia imanente absorvida pela consciência após serem qualificadas e impregnadas pelos pensamento e emoções da própria consciência. É a energia pessoal do indivíduo.

 Psicossoma (perispírito, corpo astral): É o paracorpo emocional da consciência. Cópia exata do corpo físico. Por ser constituído de matéria extrafísica (que vibra numa freqüência mais sutil e é infinitamente mais refinada do que a matéria física que constitui o soma) é normalmente invisível aos olhos físicos (assim como o holochacra). O psicossoma evoluciona e progride com a consciência e é tanto mais “sutil” e menos “material”, quanto mais elevado e perfeito for o indivíduo. Serve de molécula, de substrato orgânico para as novas encarnações. Condensando- se no embrião, agrupa em certa ordem as moléculas materiais e assegura o desenvolvimento normal do organismo. Sem o psicossoma, o resultado da fecundação seria um tumor informe. O psicossoma não está totalmente preso ao corpo biológico; durante o sono, os laços energéticos que mantém o psicossoma unido ao corpo se afrouxam e o psicossoma se destaca do corpo físico (é de se salientar que a consciência, no momento da exteriorização do psicossoma para fora do soma, acompanha o mesmo, não permanecendo no corpo biológico). Essa é uma das formas mais freqüentes de projeção da consciência para fora do soma (mais à frente veremos a segunda e menos freqüente forma de projeção: a projeção pelo mentalsoma). Apesar do psicossoma poder mudar de forma e aparência de acordo com a vontade e o estado mental da consciência, geralmente ele assume a mesma forma e aparência do corpo físico.

O cordão de prata: os laços energéticos anteriormente citados, que mantém o psicossoma unido ao soma, são um emaranhado de filamentos energéticos interligados. Quando ocorre a projeção, esses laços energéticos que antes estavam distribuídos por todo o corpo, se reúnem e formam um só feixe de energias, acompanhando o psicossoma para onde ele for. Este feixe de energias recebe a denominação de cordão de prata. O cordão de prata somente se rompe com o dessoma e, ao contrário do medo de alguns, ele jamais se rompe com a projeção, não importando a distância do psicossoma ao soma. Na projeção, o cordão de prata desempenha também a função de conduzir a energia vital do psicossoma para o soma e vice-versa, impedindo consequentemente o enfraquecimento de um ou ambos corpos de manifestação da consciência (psicossoma e soma).

Faixa de atividade do cordão de prata: quando acontece a projeção, o cordão de prata cria um campo vibracional que envolve todo o soma, se expandindo por 3 a 4 metros: é a faixa de atividade do cordão de prata. Dentro desse campo energético criado pelo cordão de prata, ocorrem muitos sintomas e fenômenos na projeção: tração do cordão de prata, repercussões físicas, catalepsia, ballonnement, oscilações do psicossoma, etc. .Esse campo vibracional também evita que outra consciência se “aposse” do corpo físico da conscin enquanto ela estiver projetada.

Mentalsoma (corpo mental): é a sede da consciência. Ele se localiza dentro da paracabeça (cabeça extrafísica) do psicossoma. Nesse veículo de manifestação, a consciência atua isolada, sem a forma humanóide do psicossoma integral: é a projeção em mentalsoma. Com o decorrer da evolução da consciência humana, o mentalsoma se torna o seu veículo de manifestação (nesse estágio a consciência não precisa mais nem do corpo biológico, nem do psicossoma para evoluir). Nesse estágio, a consciência atingiu tal ápice evolutivo, que não possui mais emoções (oriundas do psicossoma, tais como: ódio, rancor, ciúme e paixão) mas somente sentimentos sublimes (oriundos do mentalsoma, tais como: amor universal, bondade suprema e intensa e constante paz interior) juntamente com uma forte utilização e desenvolvimento do intelecto (também oriundo do mentalsoma). A projeção lúcida pelo mentalsoma produz o fenômeno da cosmoconsciência que ocorre quando a consciência sente a presença viva do universo e se torna una com ele, compondo temporariamente uma unidade indivisível, onde podem ocorrer comunicações interconscienciais com seres mais evoluídos.

Cordão de ouro: é na verdade um campo energético que une o psicossoma ao mentalsoma. Na projeção em mentalsoma, ele mantém a ligação e transmissão energética entre o mentalsoma e o psicossoma, tal qual o cordão de prata.

Os Tipos de projeção:

Projeção inconsciente: não há lucidez alguma e nenhum rememoramento. Infelizmente, é o que acontece com a maioria das pessoas, onde o projetor se torna um verdadeiro sonâmbulo extrafísico.

Projeção semiconsciente: é aquela na qual há lucidez, mas esta é irregular e há pouco rememoramento. Se confunde com o sonho, pois o projetor fica totalmente iludido pelas idéias oníricas.

Projeção consciente: é a projeção lúcida e rememorada. O projetor mantém a sua consciência lúcida durante todo o decorrer da experiência extracorpórea. É a projeção que deve ser alcançada e desenvolvida pelo projetor.

Diferenças entre projeção e sonho:

Sonho:

–       No sonho, a consciência não tem domínio sobre aquilo que está vivenciando. É totalmente dominada pelo onirismo.
–       No sonho, não há coerência.
–       No sonho, a capacidade mental é reduzida.

Projeção:

–       Na projeção, a consciência tem pleno domínio sobre si mesma.
–       Na projeção, a consciência mantém seu padrão normal de coerência, ou até mais ampliado.
–       Na projeção, a consciência mantém seu padrão normal de lógica ou até mais ampliado.
–       Na projeção, a capacidade mental é ampliada.

Objetivos da projeção:

Agora que já foi feita uma introdução e esclarecimentos a respeito da projeção da consciência, vamos passar para uma questão fundamental: quais são os objetivos da projeção consciente? A projeção é um fenômeno que deve ser levado muito a sério. O projetor não deve ter interesses mesquinhos e anticosmoéticos pela projeção, pois essa faculdade capacita ao indivíduo, inúmeras oportunidades para o aprimoramento evolutivo pessoal e de outras consciências, assim como o próprio esclarecimento a respeito da multidimensionalidade (a multidimensionalidade é a noção e conseqüente vivência da consciência lúcida, não só na dimensão física, mas também em outras dimensões conscienciais). Na dimensão extrafísica, predomina a lei em que semelhante atrai semelhante, portanto, aquele projetor que utiliza a projeção para atitudes maléficas e egoístas, atrai para junto de si, consciex de mesmo padrão vibratório (mesmas idéias e pensamentos), o que ocasiona sérios e constantes assédios (obsessão espiritual. É uma intrusão pensênica (pensamento, sentimento e energia) interconsciencial, doentia, podendo até mesmo gerar sérios estados patológicos). Por isso o projetor deve, através da projeção, ter objetivos sadios, tais como: amparo extrafísico (ajuda através da projeção à consciex e conscins doentes, que precisam de uma doação energética [passe] ou mesmo um pouco de amor e esclarecimento); ampliação do conhecimento em relação a multidimensionalidade; o fortalecimento do amor por todas as criaturas; a substituição da crença pelo conhecimento (através da vivência prática e pessoal da projeção); o aprimoramento moral íntimo, por saber o projetor através de suas experiências, que o destino do homem é ser feliz e a felicidade eterna só é alcançada com a perfeição moral e o amor universal. Por fim, terminamos essa parte com um texto do professor e pesquisador Wagner Borges, projetor consciente desde os 15 anos de idade:

Projeção Astral e Maturidade Espiritual

A projeção consciente não é assunto para pessoas pusilânimes e sem força de vontade. É um assunto que exige “fibra de bandeirante espiritual”, para desbravar os tortuosos caminhos que levam à lucidez espiritual.

A projeção consciente não deve ser encarada como fuga dos problemas da vida. Deve ser sempre considerada como um instrumento parapsíquico com o qual a consciência pode amadurecer mais rápido, a fim de enfrentar, com dignidade e sabedoria, os problemas que a vida oferece nos planos físico e extrafísico. Não existe nenhuma técnica de crescimento espiritual baseada na preguiça.

Para desenvolver boa lucidez extrafísica, há que se desenvolver uma ótima lucidez intrafísica, pois uma é a seqüência da outra, isto é: só é lúcido fora do corpo quem já é lúcido dentro dele.

– Wagner Borges –

 Benefícios da projeção:

–       O projetor, fora do corpo, observa eventos físicos e extrafísicos, independentemente do concurso de seus sentidos físicos.
–       Nas horas em que seu corpo físico está adormecido, o projetor observa, trabalha, participa e aprende fora do corpo.
–       O projetor constata, através da experiência pessoal, a realidade do mundo extrafísico (espiritual).
–       Pode encontrar-se com consciex (espíritos desencarnados), comprovando assim, para si mesmo, “IN LOCO”, a sobrevivência da consciência além da morte.
–       Pode substituir a crença pelo conhecimento direto, através da experiência pessoal.
–       Pode ter a retrocognição extrafísica, lembrando assim, de suas vidas anteriores e comprovando, realmente, por si mesmo, a existência da reencarnação.
–       Pode prestar amparo extrafísico, através da exteriorização de energias fora do corpo para conscins e consciex doentes.
–       Pode fazer o desassédio extrafísico (desobsessão extrafísica; trabalho de desativação da obsessão espiritual).
–       Pode encontrar pessoas amadas fora do corpo.

Amparadores (anjos de guarda, guias, mentores): são os benfeitores extrafísicos. Eles auxiliam uma ou várias conscins na sua evolução. Durante a projeção, esses espíritos desencarnados estão sempre presentes, assistindo e orientando o projetor, mesmo que ele não os perceba. Muitas projeções podem ocorrer com o auxílio dos amparadores; são as “projeções assistidas”.

Técnicas projetivas:

Técnica elementar (para os iniciantes):

1.       Deite-se de costas (o rosto para cima) na cama ou assoalho (se for neste, cubra-o com um cobertor convenientemente dobrado). Verifique se está usando roupas cômodas e se a temperatura do ambiente está confortavelmente aquecida.
2.      Mantenha os pés separados por cerca de meio metro e deixe os tornozelos e os dedos dos pés descansando, inclinados para o lado de fora.
3.      Ponha as mãos, com as palmas para baixo, sobre as coxas.
4.      Coloque um travesseiro embaixo da cabeça e outro embaixo dos joelhos (isso evita dores na coluna e auxilia na circulação sangüínea).
5.      Verifique se os ombros estão apoiados no chão (ou cama) e se as nádegas estão relaxadas e apoiadas no assoalho (ou cama).
6.      Mantenha a cabeça em posição confortável.
7.      Solte completamente o peso de seu corpo sobre a cama (ou assoalho).
8.      Comece a concentrar-se nas extremidades superiores e inferiores dos seu corpo (principalmente nos braços e pernas) e, a cada exalação (expiração normal), sinta que seus braços e pernas vão se tornando cada vez mais pesados. Imagine-se afundando no assoalho (ou cama).

Deve-se notar que a concentração nas extremidades permite ao iniciante a maior vantagem da força natural da gravidade. Este relaxamento é preparatório para o seguinte (isso é feito para que o iniciante na projeção não adormeça se partir logo de cara para um relaxamento mais profundo). Este exercício deve ser praticado durante uma semana (apesar de ser um relaxamento simples, as técnicas de mobilização de energias que serão vistas à frente também devem ser praticadas logo depois desse relaxamento),antes da segunda fase: o relaxamento alerta

Técnica avançada (relaxamento alerta):

Para começar, sente-se (ou deite, se for na cama) numa poltrona ou cama confortável, espreguice-se e inspire fundo. Depois imagine que cálidas correntes de energia mental estão subindo, bem lentamente, pelos seu corpo. Aja com muito vagar, permitindo que cada grupo de músculos relaxe inteiramente antes de enviar as correntes imaginárias para a parte seguinte do seu corpo. Sinta os músculos dos pés esquentando e relaxando gradativamente enquanto você imagina as correntes percorrendo-os. Imagine que as correntes continuam movendo-se aos poucos, devagar, através de suas panturrilhas, penetrando nas coxas, através dos quadris e nádegas e invadindo a parte inferior das costas e o abdome. Sinta os músculos da pernas ficando densos, quentes e relaxados enquanto afundam na poltrona em que você está sentado.

Quando sentir as pernas profundamente relaxadas, imagine as correntes movendo-se na direção dos ponteiros do relógio, dentro do seu abdome, depois ao longo da espinha e através do tórax, penetrando no peito e nos ombros. Sinta os  músculos do seu estômago e da parte inferior das costas liberando qualquer rigidez ou tensão enquanto a corrente o percorre. Quando a parte inferior do seu corpo ficar profundamente relaxada, imagine as correntes ascendendo, fluindo pelos seus quadris e ombros, aquecendo e aliviando a parte superior do corpo, deixando costas e peito bem cálidos e libertos de qualquer estresse ou tensão. Imagine as correntes virando-se para lhe descerem pelos braços, na direção das pontas dos dedos, rodopiando pelos dedos e mão, depois subindo novamente e passando pelos braços e pescoço até o alto da cabeça.

Agora sinta os músculos do pescoço e rosto ficando gradativamente quentes e relaxados enquanto as correntes imaginárias os percorrem. Depois sinta as correntes fluindo para fora, pelo alto da sua cabeça, deixando o corpo inteiro confortavelmente cálido, repousado e à vontade. Permita que seu corpo afunde na poltrona(ou cama) em que está sentado(ou deitado, se for cama); ao fazê-lo, talvez note que uma parte interna dele está ficando mais leve, enquanto o corpo como um todo fica cada vez mais pesado. Você pode até começar a sentir uma leve sensação de estar flutuando acima do corpo.

Se estiver tendo tais sensações, não as analise nem tente nelas influir diretamente e, quando se sentir bem relaxado, passe para o exercício de MBE(mesmo que você sinta a sensação de estar fora do corpo). Limite-se a permitir que evoluam por si mesmas. Lembre-se que aqui a chave do sucesso é aprender a entrar num estado de profundo relaxamento físico enquanto se mantém mentalmente alerta. Mas se por acaso pegar no sono enquanto estiver fazendo esse exercício, não se preocupe. No momento em que acordar e perceber o que aconteceu, simplesmente continue o exercício, sem se mexer, do ponto onde parou. Nesta altura você provavelmente estará bem relaxado; portanto, a chave será relaxar ainda mais profundamente, sem voltar a pegar no sono.

*Dica: se você está tendo dificuldade em permanecer acordado durante esses exercícios, existe uma técnica que evita esse problema: antes de começar o relaxamento, com o braço(esquerdo ou direito) ainda deitado, estique o antebraço para cima (sem incliná-lo para frente, lados ou para trás) e mantenha-o assim durante o exercício. Quando estiver adormecendo, o seu antebraço irá cair e você irá despertar (talvez você desperte com o psicossoma um pouco fora do corpo físico).

Técnica da Interiorização de energias:

Esta técnica deve ser praticada logo após o término do exercício de relaxamento. O objetivo dessa técnica é fazer a energia circular plenamente em todo o corpo e dissolver bloqueios que possam estar prejudicando o fluxo de energia. Além do mais, ao “puxar” energia imanente para si, você sutiliza e ajuda na purificação da sua própria energia, auxiliando bastante a lucidez extrafísica e fazendo bem à sua própria saúde(somática, psicossomática e holochacral). Nesse exercício, o pensamento é o poderoso precursor dos fatos e, assim, a energia irá para onde você mentalmente dirigi-la.

A cada inspiração, imagine uma luz branco-dourada, como a do sol, entrando pelo alto da cabeça, vindo de uma fonte ilimitada acima de você. Imagine essa luz enchendo toda a cavidade da cabeça, depois a área do pescoço. Continue respirando normalmente, visualizando a luz enchendo seu corpo. Faça a luz preencher toda a caixa torácica, dedicando especial atenção à área do coração. Veja-a escorrendo por seus braços, enchendo as mãos e finalmente saindo pelas palmas e dedos. Encha todo abdome e o restante do tronco com a bela luz solar envolvendo cada órgão e glândula; dedique especial atenção ao plexo solar. Veja a luz enchendo suas nádegas e órgãos sexuais e depois derramando-se pelas pernas, como se elas fossem canos vazios – coxas, joelhos, barriga das pernas, tornozelos e pés.

EV (estado vibracional, circulação interna de energias):

Essa é uma técnica passada pelos amparadores extrafísicos e deve ser feita logo depois da interiorização de energias. Nesta técnica, através da impulsão da vontade, cria-se uma condição máxima de dinamização das energias do holochacra. As moléculas do holochacra vibram intensamente, o que ocasiona uma soltura do psicossoma em relação ao soma e um desbloqueio holochacral mais intenso.

Visualize mentalmente toda a energia de seu corpo se concentrando dentro da sua cabeça. Imagine uma bola de energia dentro da cabeça e envolvendo a mesma. Concentre- se nessa bola de energia e através da impulsão da vontade, visualize ela descendo. Essa bola de energia vai descendo lentamente pelo pescoço, ombros, tórax, ao mesmo tempo braços, abdome. Ela continua descendo e agora ela desce pelos órgãos sexuais e nádegas, se aproximando das coxas. Agora ela desce pelas coxas, pernas, e chega nos pés. Ao chegar nos pés, visualize agora a energia fazendo o percurso contrário, ou seja, dos pés a cabeça. Quando chegar novamente a cabeça, visualize essa energia descendo novamente até os pés pelo mesmo percurso, só que desta vez mais acelerado. Continue fazendo esse percurso de ida e volta, mas imagine-o acelerando cada vez mais. O “vai-e-vem” vai se acelerando cada vez mais, até ele ficar tão veloz que a energia parece vibrar pelo corpo inteiro. No decorrer dessa técnica, o projetor pode sentir os seguintes sintomas: – movimento de ondas vibratórias pulsantes; – sons fortes; – formigamento intenso; – pulsação em tudo; – pressão intracraniana.

*Obs.: O estado vibracional é uma técnica que também deve e pode ser utilizada em outros momentos. O ideal é fazer a técnica do EV de 10 a 20 vezes por dia, não importa se você está no trabalho, na rua, na escola, faculdade, sentado, deitado, em pé ou andando. O EV além de induzir a projeção é uma técnica de autodefesa energética. Assim, quando se sentir em depressão, em um estado emocional não muito bom, faça a técnica do EV, ela ajuda no processo de restauração do equilíbrio holochacral. É de se deixar claro que, apesar dessas qualidades do EV, ele não é um cura-tudo. O EV não muda os pensamentos, sentimentos e emoções da consciência. Se não nos esforçarmos em fazer uma reforma íntima e autoconhecimento sérios, o EV de nada adianta e pode até mesmo piorar a nossa situação, pois ao desbloquear o holochacra, nós nos tornamos mais sensíveis à captação dos pensenes (pensamento – sentimento – energia) das consciências ao nosso redor (principalmente extrafísicas). Mas se mantivermos um bom padrão pensênico (pensamento, sentimento e energias. A consciência deve ter em mente que ela deve desenvolver e equilibrar ambos e não somente as energias e o intelecto por exemplo), criamos uma psicosfera (aura, somatório das energias dos quatro veículos que envolve a consciência) protetora em volta de nós mesmos, repelindo consciências com um padrão energético inferior ao nosso (tudo isso vale para a técnica de interiorização de energias também).

Exteriorização de energias:

Esta é a última técnica projetiva e deve ser feita logo após o EV. Um dos objetivos desse exercício é criar um cúpula energética dentro do quarto do projetor, onde somente consciex com o mesmo padrão pensênico do projetor conseguirão entrar no quarto. Isso se deve ao que os pesquisadores chamam de choque anímico: uma consciência com um padrão pensênico inferior, ao entrar em contato com energias de um padrão superior, entra em choque e, ou desmaiam e são levados pelos amparadores para serem tratados (não pelo choque, mas sim pela sua má condição pensênica), ou fogem rapidamente. O projetor pode também utilizar o choque anímico como autodefesa energética da seguinte forma: se você estiver projetado e encontrar alguma consciex (ou conscin projetada) que quiser assustá-lo ou lhe fazer algum mal, exteriorize energia na direção dessa consciência (se ela for de um padrão inferior, ela sofrerá o choque anímico, por isso é bom que o projetor esteja com um bom padrão pensênico para que essa técnica dê certo).

Após o EV, concentre-se na energia que está distribuída por todo o seu corpo. Visualize a energia percorrendo um percurso de saída em vez de entrada, na seguinte ordem:

1.       Visualize a energia saindo em forma de fachos de energia pelo alto da cabeça; 2.       Visualize agora a energia saindo pela sola dos pés da mesma forma;
3.       Imagine a energia saindo por todo o seu lado esquerdo;
4.       Imagine a energia saindo por todo os seu lado direito;
5.       Imagine agora a energia saindo por toda a extensão frontal do seu corpo;
6.       E por fim, visualize a energia saindo por toda a extensão da parte de trás do corpo.

No decorrer dessa técnica, o projetor pode sentir os seguintes sintomas:

– Aragem refrescante;
– Coceira, ardência;
– Arrepios, calafrios;
– Batimentos aceleram;
– Calor e rubores;
– Chuveiro de energia;
– Contrações musculares;
– Eletricidade;
– Pelos eriçados;
– Esticamento das extremidades do psicossoma;
– Sensação de desmaiamento;
– Êxtase;
– Fluxos intermitentes;
– Formigamentos;
– Ferroadas;
– Bocejos;
– Latejamento, pulsações;
– Ondas geladas ou quentes;
– Ballonnement (sensação de se estar se inflando como um balão);
– Sensação de ficar muito leve;
– Tremores involuntários nos olhos;
– Zumbidos.

Fatos negativos para a projeção:

– Triunfalismo;
– Susto;
– Posição de bruços;
– Atividade intelectual prolongada;
– Receio de não voltar;
– Café, chá ou alcalóide são prejudiciais à projeção.
– Alimentos muito fortes e muitos pesados prejudicam a saída
– carne vermelha em excesso;
– Subestimação.

*Obs.: Para o projetor voltar para o soma é só pensar em voltar para o mesmo.

Sensação de estar projetado:

– Você pode sentir-se no espaço vazio;
– Você notar que não pode respirar;
– Você observar que o seu braço estica;
– Você se olha no espelho e não se vê;
– Você reparar que passa pelas pessoas e ninguém te dá bola;
– Você perceber que emite luz própria;
– Você perceber que está mais leve e que não faz sombra;
– Perceber que está deslizando;
– Perceber que está com liberdade;
– Perceber que tem a visão melhor;
– Transparência de tudo;
– Se sentir rejuvenescido;
– Observar a si próprio e não ver o corpo (projeção de mentalsoma);
– Você reparar que faz e refaz cenas com maior facilidade.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/guia-para-projecao-astral/

O Ato Principal na Magia

Texto original de IAO131
Tradução Mago Implacável

A Vontade é o movimento dinâmico do Ser, e este Ser tem “não tens direito senão fazer a tua vontade”.(AL I: 42). A maioria de nós vive em um estado de escuridão: ignoramos quem realmente somos e não estamos em contato com a nossa Vontade. Golpeados por pensamentos, emoções e circunstâncias, podemos ser como um barco à deriva, sem um rumo no mar. Na verdade, somos todos assim até certo ponto, em alguns momento mais do que em outros, mas, indubitavelmente todos nós estivemos “vagando na escuridão”, como é dito na cerimônia de iniciação de Neófito da Golden Dawn.

Embora nem todos os indivíduos sejam chamados ao Caminho de empenho a fazer a sua Vontade, há aqueles de nós – provavelmente incluindo você se você está tendo tempo para ler isto – que percebe que há algo mais na vida do que simplesmente ser uma vítima das circunstâncias, de simplesmente comer, trabalhar, dormir, e depois morrer. Há um propósito maior à espera, uma maneira mais plena de viver: existe a possibilidade da Luz.

Magia é a Ciência e Arte de causar Mudanças em conformidade com Vontade. Isto significa que Magia é essencialmente a ciência e a arte da Vida. Aqueles de nós que são chamados ao Caminho nos engajamos com alguma forma de Magia, a fim de tentar encontrar a Luz da Vontade, seja por meio da meditação, ritual, ou qualquer outra coisa. Ninguém iria se envolver em nenhuma forma de Magia se não acreditasse na possibilidade de melhorar a si mesmo e sua vida; o próprio ato implica um desejo consciente de mudar. Como percebemos a possibilidade da Luz e não queremos viver na escuridão, a forma mais básica de Magia envolve alterar a nossa forma de agir no mundo, tentando tornar-se mais consciente e intencional na maneira como nos relacionamos com as circunstâncias. Ou seja, nós não queremos apenas tropeçar pelo mundo através da escuridão; queremos a luz e a liberdade da intenção consciente. Isso envolve, de uma forma ou de outra, a disciplina de não reagir às coisas de formas típicas, condicionadas e habituais. Nós – por exemplo – tentamos comer melhor, pensar de maneiras diferentes e originais, não nos deixar levar pelas emoções arbitrárias e não seguir todos os caprichos e desejos que nos atravessam. Fazemos essas coisas quando nos lembramos de fazê-las, e nós falhamos quando nos esquecemos de nós mesmos e do nosso Caminho.

Este é, então, o ato primário da Magia: lembrar. Se você não se lembra de fazer alguma coisa, você não irá fazê-lo, independentemente de você ter a força e a habilidade para realizá-la ou não. Por exemplo, se você está tentando não insultar as pessoas por raiva, há duas possibilidades: ou você vai esquecer e, com raiva, insultar alguém novamente ou você vai se sentir irritado e vai se lembrar do seu Caminho. Só aí a possibilidade de mudança se abre para você. Sua disciplina permite a possibilidade de escolha: sem se lembrar, você simplesmente reage da forma habitual. Lembrar é a possibilidade da liberdade, e o esquecimento é se resignar à escravidão.

A coisa mais importante a se lembrar é de quem você realmente é. Então, quem é você realmente? Você não é o material físico do seu corpo, os pensamentos que passam por sua mente, as emoções que se acumulam ou seus desejos. Você não é sua personalidade ou sua carreira ou seus bens. Na linguagem do Hermetismo, não se é os quatro Elementos: você é Espírito. Você é a própria Luz da consciência, o “Khabs” ou estrela, e todo os aspectos da experiência são apenas “a dança do Véu da Vida sobre a Face do Espírito” (Liber XV). Na verdade, você é para além da consciência. A consciência é simplesmente o veículo da expressão daquilo que você realmente é: Ilimitado. Chame-o de infinito, Deus, Dharmakaya, o Absoluto, True Self (Eu Verdadeiro), Atman, a Verdade ou qualquer outra coisa que você gosta, mas isso é, em última análise, o que somos. Isto é o que todo místico, iogue e Buda que já viveu tentou expressar e também é isso o que Thelema expressa.

De certo modo, O Livro da Lei é um texto que diz para você lembrar de quem você realmente é. Crowley escreveu: “Há muitas injunções éticas de um caráter revolucionário no Livro, mas elas são todas casos particulares do preceito geral, que é o absoluto despertar de sua Cabeça-Deus(*) e para agir com a nobreza que brota deste conhecimento. Praticamente todos os vícios nascem da falha em de fazer isso” (Confissões).

Bem, o que O Livro da Lei tem a dizer sobre o lembrar? Há duas instâncias da palavra “lembrar” e ambas dizem essencialmente a mesma coisa: Lembre-se que você é Hadit. No segundo capítulo, onde Hadit é o orador, é dito : “Mas lembra-te, ó escolhido, de ser Eu; de seguir o amor de Nu no céu iluminado de estrelas; de olhar pelos homens, de dizer a eles esta palavra feliz.” (AL II: 76). Lembre-se de ser Eu, de ser Hadit. Você é a vontade de vida inesgotável, procriativa, a expressão de Energia através de Possibilidades, o “amor de Nu”. A partir desta perspectiva (de) Hadit, toda experiência é um sacramento, um cumprimento da união de Hadit com uma das infinitas possibilidades de Nuit. Onde estão suas pequenas brigas, seus ressentimentos e seus medos quando você se lembra de que é Hadit? “Tu falhaste? Tu lamentas? Existe medo no teu coração? Onde Eu estou estes não estão.” (AL II: 46-47).

Ainda no segundo capítulo, o livro diz, “Lembrai todos vós que a existência é puro prazer; que todas as tristezas são nada mais que sombras; elas passam e pronto; mas existe aquilo que permanece”. (AL II: 9). Se você se lembrar de que é Hadit, você vai saber naturalmente que a existência é pura alegria: se você for Tudo(Todo), então cada Evento é o cumprimento da sua Vontade, cada Experiência é uma nova nota na música de sua arrebatadora canção de amor para Nuit . Na medida em que nos identificamos com aquelas coisas que passam e terminam, caímos novamente na escuridão, nos tornarmos sombras e a tristeza será, naturalmente, a nossa sina. Crowley escreveu: ” Pois em cada Homem sua Luz Íntima é o coração de sua Estrela. Isto é, Hadit; e o Trabalho dele é o de Identificar-se com esta Luz “(Liber Aleph).

Este é o ato principal da Magia, o alicerce sobre o qual todos os outros atos devem basear-se: Lembre-se.

Link original: https://iao131.com/2014/03/27/the-primary-act-of-magick/

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-ato-principal-na-magia