Seis princípios da Baixa Magia

Morbitvs Vividvs

“O Diabo é real. E ele não é um homenzinho vermelho com chifres e cauda. Ele pode ser lindo. Porque ele é um anjo caído, e ele era o favorito de Deus.”
– Leah, American Horror Story, primeira temporada

Baixa Magia (ou magia menor), em contraste com a Alta Magia ritualística, descreve os atos e ardis sociais usados para manipular, convencer e seduzir as outras pessoas. Nesse universo provavelmente o maior erro é considerar que os seres humanos animais racionais. Sim, raciocinamos, mas isso não significa que raciocinamos o tempo todo. Daniel Kahneman ganhou o prêmio nobel justamente mostrando o quão irracionais somos. Muito mais verdadeiro é dizer apenas que somos animais.

Assim, para adquirir maestria na magia menor é importante entender que o melhor dos argumentos geralmente só serve para deixar as pessoas irritadas. Em vez disso é essencial entender os princípios emocionais que regem os processos sociais. Esses princípios são usados por artistas, políticos, religiosos e empresas do mundo todo e formam por assim dizer a espinha dorsal de qualquer ato de baixa magia.

Princípio da Lei Tríplice

Invariavelmente as pessoas irão lhe rotular. Certifique-se portanto em você mesmo definir qual será o rótulo. Este princípio eu explorei com profundidade no meu livro, “Lex Satanicus: o manual do satanista” mas basicamente trata da relação entre Mente, Modo e Mundo. Na baixa magia isso significa que seu comportamento influencia a forma como as pessoas tratarão você. Haja como um amigo íntimo e as pessoas se abrirão. Haja como um amante e as pessoas o amarão. Haja como um servo e logo estará servindo café. As pessoas observarão seu comportamento para decidir como devem lhe tratar. Shakespeare disse que o mundo é um palco e ele estava certo. O que ele não disse é que você pode escolher o papel que vai interpretar.

Sabendo disso, se seu desejo é ter o controle social você deve diariamente representar o papel do líder até que isso se torne um fato inquestionável. Note que a autoridade não precisa começar como fato. mas pode ser uma ilusão que leva as pessoas a obedecerem e assim se concretiza. Desta forma é importante rodear-se de símbolos de autoridade, como títulos, roupas e acessórios que passam uma mensagem inconsciente. Taxistas costumam buzinas mais para carros velhos do que para limousines quando estão bloqueados. Pareça aristocrático mas tenha cuidado para não ser pedante. Isso acontece sempre que sua nobreza soa artificial, então você deve descobrir o seu estilo pessoal de majestade. Além disso, cuide de não despertar a ira do rei local caso você não tenha poder real para usar a coroa. Mas mesmo neste caso você ainda pode fazer todos os demais entenderem que você faz parte da corte.

Princípio da Reciprocidade

Não se trata de “amar o próximo como a si mesmo” mas sim de entender que o ser humano é programado pela natureza para acreditar na simetria moral do comportamento. Ele terá sentimentos de vingança contra quem lhe fizer mal mas também tenderá a amar aqueles que lhe demonstrarem amor. Na prática, a não ser que a pessoa seja um psicopata, sentimos uma obrigação orgânica de agradecer as boas ações. É por isso que naturalmente sorrimos de volta quando alguém sorri de forma simpática para nós. Para usar isso ao seu favor tudo o que você precisa fazer é cuidar para que as pessoas sintam sempre que estão em dívida com você. Como Don Corleone não permita que elas retribuam imediatamente. Bons pagadores em especial devem sempre ser mantidos em dívida.

Princípio da Inércia Moral

Outra tendência que temos é a de continuar fazendo o que já fazemos. Isso ocorre por diversos motivos: preguiça de irmos contra a inércia mental, orgulho de mudarmos de ideia e a pressão social de sermos coerentes com nossas decisões anteriores. Pense no exemplo de Mefistofeles. O príncipe das trevas inicialmente não foca na alma, mas na assinatura do contrato. Para usar isso ao seu favor faça as pessoas se comprometerem aos poucos com o seu lado. Se possível procure no passado dela alguma situação semelhante em que ela agiu como você quer agora e comece por ai. Faça com que seu alvo se comprometa primeiro com coisas pequenas e então aos poucos expanda as implicações do seu comprometimento, mas sempre de maneira suave e de preferencia imperceptível. Existe uma razão para as pessoas convidarem umas as outras para jantar, quando na verdade a sobremesa será servida na cama.

Princípio da Pressão Social

Macaco vê, macaco faz. Agir em grupo é outra forma típica de comportamento humano. Supomos que a maioria das outras pessoas está sempre mais bem informada que a minoria e desta forma sentimos uma compulsão de agir em conjunto sempre que o grupo em que estamos age. Além disso a maior parte das pessoas tem horror em ser considerada diferente. Coloque um ateu em uma roda de oração e ele provavelmente fechará os olhos e abaixará a cabeça, mesmo que seja só para não se sentir constrangido. Notícias sobre suicídio aumentam a taxa de suicídio, pesquisas eleitorais podem mudar o rumo de uma eleição e programas de auditório usam risadas gravadas pra fazer a audiência rir. Além disso a  prova social é como uma bola de neve. Quantos mais pessoas fazem algo, mais pessoas repetem o padrão. Suas ideias não devem portanto parecer exclusivamente suas, mas um consenso geral que naturalmente precisa ser replicado.

Princípio da Escassez

O valor das coisas está em sua escassez. Se você ou sua oferta estão sempre disponíveis nunca serão procurados.Quem está sempre falando é cada vez menos ouvido e quem se se oferece demais será cada vez menos desejado, pois as pessoas aprenderão que você sempre estará lá quando elas precisarem. O ser humano acredita que tudo o que é inacessível é melhor e que as coisas fáceis podem ser negligenciadas. A consequência desse tipo de pensamento é que aquilo que não está disponível, deve ser a melhor das coisas. É por isso que o amor proibido é mais romântico, o tabu é sedutor e a informação censurada é mais interessante. LaVey lidou muito com isso por meio da sua Lei do Proibido, que diz simplesmente que “O que é proibido deve ser mais gostoso.” A escassez gera também uma sensação de concorrência. Uma antiga tática imobiliária é deixar escapar aos compradores quantas outras pessoas também estão interessadas no imóvel. Da mesma forma você deve criar a sensação de que oferece um produto escasso e que se a pessoa não comprar, alguém mais pode levar primeiro.

Princípio do Encantamento

Use a beleza a seu favor. Esse segredo foi descoberto a muito tempo pela propaganda de massa, mas pode e deve ser aplicado na escala individual. Quando achamos alguém atraente isso altera nosso comportamento para com a pessoa. Pessoas consideradas bonitas tem mais sucesso financeiro e melhores salários que as demais. Criminosos tidos como belos tendem a ter penas menores e professores tendem a achar crianças bonitas mais inteligentes e esforçadas que as demais. Prezar pela estética pessoal é portanto essencial para qualquer satanista. Pessoas atraentes tem muito mais facilidade em persuadir os outros. A única exceção é quando a pessoa bonita é vista como competidora de quem esta sendo persuadido. Você não precisar ser um super modelo, e isso pode até intimidar algumas pessoas. Mas um esforço para ser visualmente mais agradável, usar boas roupas e asseio são investimentos acertados para qualquer pessoa. Lembre que a Falta de Estética foi considerado por LaVey um dos pecados satânicos e que beleza não se trata só de visual, é necessário cultivar a estética da voz, do perfume e do modo de agir.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/seis-principios-da-magia-menor/

O Livro das Almofadas

Qin Shihuang foi um famoso imperador chinês e até hoje uma das figuras mais lendárias do extremo oriente. Foi patrono de grandes artistas e promulgador de grandes inovações na cultura chinesa, como a reforma na agricultura, nas leis de casamento, no cultivo da seda e mesmo na construção da grandiosa Muralha da China. Mas entre tantas realizações, talvez seu legado mais popular entre os chineses, e quem sabe, grande responsável pelos problema da superpopulação do país seja uma obra relativamente desconhecida dos ocidentais, “O Livro das Almofadas“, cujo nome original é ‘Su Nui Ching‘.

O Livro das Almofadas, também chamado de “O Livro da Cama” ou “O Tao do Amor” é o irmão chinês do antigo clássico hindu conhecido como Kama Sutra. Foi escrito durante o reinado de Qin Shihuang como um manual imperial do prazer sexual. O Imperador Amarelo, como era chamado tinha entre sua numerosa corte, quatro conselheiros sexuais sendo, duas mulheres mais velhas, uma jovem e um homem da mesma idade. Estes conselheiros eram responsáveis diretos pelos encontros luxuriosos de sua majestade.

Com estes conselheiros o imperador experimentava toda sorte de gozo sexual e aprendia diversas técnicas e jogos eróticos. Existem registros por exemplo de que em uma só noite o imperador transou com 72 súditos diferentes, de ambos os sexos. Os mitos, obviamente são aumentados para favorecer a fama do rei, mas guardam mesmo sob os exageros, a mensagem de o quão insaciável ele pode ter sido. Tudo o que pode ser imaginado Qin Shihuang experimentou sob a orientação perfeccionista de seus quatro conselheiros.

Conta a tradição que os diálogos deles dos tutores com Qin Shihuang foram transcritos por escribas da corte e compilados em uma série de perguntas e respostas. O título ‘Su Nui Ching’, quer dizer literalmente, o Livro de Su Nui, que era o nome da conselheiras mais nova de Qin Shihuang que ao que tudo indica também foi sua preferida.

O Conteúdo do Livro das Almofadas, (Su Nui Ching)

Existem poucas traduções para outras línguas do texto original chinês. Apesar de disputas acadêmicas sobre a validade ou não de alguns capítulos a estrutura da obra segue, de modo geral a seguinte ordem:

  • Princípios gerais de Sexo, Prazer e Saúde
  • Técnicas de cortejo e provocações
  • Sinais femininos de excitação
  • Critérios de uma boa ereção
  • Nove princípios eróticos de Su
  • Oito métodos especiais de Su de valor terapéutico
  • Os métodos perfeitos do sexo oral
  • Sete doenças relacionadas a práticas sexuais
  • Delícias e  riscos do sexo anal
  • Benefícios da conservação do sêmen
  • A diferenças de idade e otimização da freqüência
  • Os Ambientes prediletos de Su
  • Sobre a maneira de ter um bebê saudável
  • Características de uma mulher fértil
  • Receitas contra impotência e problemas vaginais

Sexo, Prazer e Saúde no Livro das Almofadas

Por conta dos temas que aborda, o Livro das almofadas tornou-se não só o manual do sexo, mas também um verdadeiro guia médico para muitas gerações de chineses. Este é um ponto importante, pois em toda a obra a ligação sexo = saúde é mais do que enfatizada. Uma pessoa saudável se torna sexualmente ativa da mesma forma uma pessoa sexualmente ativa se torna saudável.

Num dos capítulos por exemplo, O Imperador Amarelo questiona como poderia ter um “membro maior”. A responta de sua doce conselheira é que apesar de um pênis grande ser um sonho masculino muito comum, existem o pênis pequeno, o pênis grande e o “pênis grande demais”. O tamanho doorgão masculino como tudo na vida tem sua medida certa. Qualquer coisa além de oito polegadas, continua o Su Nui é excesso desnecessário e pode ser mais uma maldição do que um dom. Em muitos casos a mulher achará doloroso e em casos graves pode tornar-se um verdadeiro risco para a saúde.

 

É importante também ressaltar um enorme contraste do Su Nui Ching com outro grande clássico erótico; o Kama Sutra. O Sutra indiano é essencialmente um livro religioso com implicações espirituais para os praticantes do hinduísmo, já o Livro das Almofadas é francamente um manual hedonista do sexo e da saudê. Não se trata de atingir a iluminação, mas sim da busca simples pela saúde e pelo prazer sexual como fins em si mesmos. Trata-se de uma obra muito mais liberal do que seu primo famoso indiano. E acreditem ou não, muito mais livre de tabus até do que os padrões ocidentais de hoje.

Alguns trechos do Su Nui Ching

 

Como era de se esperar o livro das almofadas trás também uma série de jogos eróticos, técnicas e descrições de posições amorosas. O restante deste documento tratará propriamente de algumas destas técnicas, lembrando que em chinês, a palavra súdita e súdito (繁體中文版) são idênticas e não variam em gênero.

“A súdita está bem quieta, de olhos fechados, fingindo dormir. O Imperador despe-a lentamente, mas o corpo dela permanece flácido e sem vida. Como os beijos e as carícias não parecem ter efeito, ele, então, começa a acariciar os seios dela e a pérola no Degrau de Jade. Ela fica cada vez mais excitada, até que salta de encontro ao Utensílio de Ferro do Imperador e este golpeia apaixonadamente o Portão de Jade.”

“O Imperador venda a súdita e então venda seus proprios olhos também. Ela se esconde entre as almofadas e ele a procura dentro do quarto. Quando Ela é capturada o coito acontece com ela ainda com os olhos vendados.”

“O Imperador e sua súdita sentam-se com as pernas sobre a cama. Ela senta-se sobre os pés do Imperador com as pernas esticadas sobre as dele, e os pés sobre seu estômago. Quando o desejo aumenta, lançam-se simultaneamente para a frente. As pernas dela se separam e o Talo de Jade penetra no Portão de Jade.”

“O Imperador se deita de costas e ela senta-se sobre a barriga dele, de costas para ele, e começa a acariciar o Talo de Jade. Quando ele está totalmente ereto, ela usa ambas as mãos para conduzi-lo até dentro da Vala Dourada.”

“Aqui a súdita deita-se de costas com o Imperador por cima. Ele abre as pernas dela o máximo possível, até que elas lembrem um pássaro com as asas abertas. Ele então, encosta no Vale Escarlate e realiza o encaixe.”

“O Imperador ajoelha-se na cama, sentando-se sobre uma almofada colocada sob suas coxas. A súdita senta-se sobre os joelhos dele e inclina-se para trás até que sua cabeça toque a cama e seu corpo fique arqueado como um arco-íris. O Imperador então segura-a pelos quadris, golpeando para cima com a Ferramenta de Ferro e acariciando a Pérola no Degrau de Jade, enquanto a ela permanece curvada para trás.”

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/o-livro-das-almofadas/

Os Cavaleiros Templários – parte 1

Publicado no S&H em 1/9/09

Retornando à nossa História das Ordens Iniciáticas, chegamos ao começo do século XII. Herdeiro da desintegração do Império Romano, o Ocidente Europeu do início da Idade Média era pouco mais que uma colcha de retalhos com populações rurais e tribos bárbaras. A instabilidade política e o definhar da vida urbana golpearam duramente a vida cultural do continente. A Igreja Católica, como única instituição que não se desintegrou juntamente com o extinto império, mantinha o que restava de força intelectual, especialmente através da vida monástica.
Com o tempo a sociedade foi se estabilizando e, em certos aspectos, no século IX o retrocesso causado pelas migrações bárbaras já estava revertido, mas nessa época os pequenos agricultores ainda eram impelidos a se proteger dos inimigos junto aos castelos. Esse cenário começa a mudar mais fortemente com a contenção das últimas ondas de invasões estrangeiras no século X, época em que o sistema feudal começa a ser definido. O período de relativa tranqüilidade que se segue coincide com um período de condições climáticas mais amenas. A partir do ano 1000, o Feudalismo entra em ascensão.

Os Templários e a Primeira Cruzada
Depois que Maomé morreu (632), as vagas de exércitos árabes lançaram-se com um novo fervor à conquista dos seus antigos senhores, os bizantinos e persas sassânidas que passaram décadas a guerrear-se. Estes últimos, depois de algumas derrotas esmagadoras, demoram 30 anos a ser destruídos, mais graças à extensão do seu império do que à resistência: o último Xá morre em Cabul em 655. Os bizantinos resistem menos: cedem uma parte da Síria, a Palestina, o Egito e o norte de África, mas sobrevivem e mantêm a sua capital, Constantinopla.
Num novo impulso, os exércitos conquistadores muçulmanos lançam-se então para a Índia, a Península Ibérica, o sul de Itália e França, as ilhas mediterrânicas. Tornado um império tolerante e brilhante do ponto de vista intelectual e artístico, o império muçulmano sofre de um gigantismo e um enfraquecer guerreiro e político que vai ver aos poucos as zonas mais longínquas tornarem-se independentes ou então serem recuperadas pelos seus inimigos, que guardavam na memória a época de conquista: bizantinos, francos e reinos neo-godos.
No século X, esse desagregar acentua-se em parte devido à influência de grupos de mercenários convertidos ao islã e que tentam criar reinos próprios. Os turcos seljúcidas (não confundir com os turcos otomanos antepassados dos criadores do atual estado da Turquia; nem com os Mamelucos, que só vão surgir em 1250; os Seljucidas seguiam o califa Seljucida), procuraram impedir esse processo e conseguem unificar uma parte desse território. Acentuam a guerra contra os cristãos, chutam a bunda das forças bizantinas em Mantzikiert em 1071 conquistando assim o leste e centro da Anatólia e finalmente tomam Jerusalém em 1078.

O Império Bizantino, depois de um período de expansão nos séculos X e XI está completamente ferrado e em sérias dificuldades: vê-se a braços com revoltas de nômades no norte da fronteira, e com a perda dos territórios da península Itálica, conquistados pelos normandos. Do ponto de vista interno, a expansão dos grandes domínios em detrimento do pequeno campesinato resultou em uma diminuição dos recursos financeiros e humanos disponíveis ao estado. Como solução, o imperador Aleixo I Comneno decide pedir auxílio militar ao Ocidente para poder enfrentar a ameaça seljúcida.
E adivinha quem eles mandaram?

Errou. Ao invés de mandarem cavaleiros bem preparados, em 1095, no concílio de Clermont, o papa mané Urbano II exorta a multidão de esfomeados malucos religiosos a libertar a Terra Santa e a colocar Jerusalém de novo sob o domínio cristão, apresentando a expedição militar que propõe como uma forma de “penitência”. A multidão presente aceita entusiasticamente o desafio e logo parte em direção ao Oriente, tendo consigo uma cruz vermelha sobre as suas roupas (daí terem recebido o nome de “cruzados”). Assim começavam as cruzadas. A idéia basicamente era “Vão lá e matem todo mundo, e Deus perdoará os seus pecados”.
Treinamento? Equipamento? Blá…

A Cruzada dos Pobres
A Cruzada Popular ou dos Mendigos (1096) foi um acontecimento extra-oficial que consistiu em um movimento popular que bem caracteriza o misticismo da época e começou antes da Primeira Cruzada oficial. O monge Pedro, o Eremita, graças a suas pregações comoventes, conseguiu reunir uma multidão. Entre os guerreiros, havia uma multidão de mulheres, velhos e crianças.
Auxiliado por um cavaleiro, Guautério Sem-Haveres, os peregrinos atravessaram a Alemanha, Hungria e Bulgária, causando todo tipo de desordens e desacatos, sendo em parte aniquilados pelos búlgaros. Ainda no caminho, seus seguidores tinham criado diversos tumultos, massacrando comunidades judaicas em cidades como Trier e Colônia, na atual Alemanha.
Chegaram em péssimas condições a Constantinopla. Mal equipada e mal alimentada, essa “Cruzada” massacrou judeus pelo caminho, matou, pilhou e destruiu tudo, como hordas assassinas de personagens de RPG. Ainda assim, o imperador bizantino Aleixo I Comneno recebeu os seguidores do eremita em Constantinopla. Prudentemente, Aleixo aconselhou o grupo a aguardar a chegada de tropas mais bem equipadas… Mas a turba começou a saquear a cidade.

O imperador bizantino, desejando afastar esse “bando de personagens low level de world of warcraft” (ok, ele não os chamava assim, mas vocês entenderam a idéia) de sua capital, obrigou-os a se alojar fora de Constantinopla, perto da fronteira muçulmana, e procurou incentivá-los a atacar os infiéis. Foi um desastre, pois a Cruzada dos Mendigos chegou muito enfraquecida à Ásia Menor, onde foi arrasada pelos turcos, que tinham um level muito maior e melhores equipamentos… Noobs.
Somente um reduzido grupo de integrantes conseguiu juntar-se à cruzada dos cavaleiros.

Durante um mês, mais ou menos, tudo o que os cavaleiros turcos fizeram foi observar a movimentação dos invasores, que se ocupavam apenas de badernar e saquear as regiões próximas do acampamento onde foram alojados. Até que, em agosto de 1096, o bando inquieto cansou-se de esperar e partiu para a ofensiva.
Quando parte dos europeus resolveu partir em direção às muralhas de Nicéia, cidade dominada pelos muçulmanos, uma primeira patrulha de soldados do sultão turco Kilij Arslan foi enviada, sem sucesso, para barrá-los. Animado pela primeira vitória, o exército do Eremita maluco continuou o ataque a Nicéia, tomou uma fortaleza da região e comemorou bebendo todas, sem saber que estava caindo numa emboscada. O sultão mandou seus cavaleiros cercarem a fortaleza e cortarem os canais que levavam água aos invasores. Foi só esperar que a sede se encarregasse de aniquilá-los e derrotá-los, o que levou cerca de uma semana.
Quanto ao restante dos cruzados maltrapilhos, foi ainda mais fácil exterminá-los. Tão logo os francos tentaram uma ofensiva, marchando lentamente e levantando uma nuvem de poeira, foram recebidos por um ataque de flechas. A maioria morreu ali mesmo, já que não dispunha de nenhuma proteção. Os que sobreviveram fugiram como galinhas amarelas.
O sultão, que havia ouvido histórias temíveis sobre os francos, respirou aliviado. Mal imaginava ele que aquela era apenas a primeira invasão e que cavaleiros bem mais preparados ainda estavam por vir…

Os Cavaleiros e o Templo
No início de 1100, Hugo de Paynes e mais oito cavaleiros franceses, abrasados pelo fervor religioso e movidos pelo espírito de aventura tão comum aos nobres que buscavam nas Cruzadas, nos combates aos muçulmanos a glória dos atos de bravura e a consagração da impavidez, abalaram rumo à Palestina levando no peito a cruz de Cristo e na alma um sonho de amor. Eram os Gouvains do Cristianismo, que se constituiam fiadores da fé, disputando as relíquias sagradas que os fanáticos do Crescente retinham e profanavam. Reinava em Jerusalém Balduíno II que os acolheu e lhes destinou um velho palácio junto ao planalto do Monte Moriah, onde os montões de escombros assinalavam as ruínas de um grande Templo. Seriam as ruínas do GRANDE TEMPLO DE SALOMÃO, o mais famoso santuário do XI século antes de Cristo.

Hugo de Payens (1070-1136), um fidalgo francês da região de Champagne, foi o primeiro mestre da Ordem dos Templários. Ele era originalmente um vassalo do conde Hugues de Champagne. Conde Hugues de Champagne visitou Jerusalém uma vez com Hugo de Payens, que ficou por lá depois de o conde voltar para a França. Hugo de Payens organizou um grupo de nove cavaleiros para proteger os peregrinos que se dirigiam para a terra santa no seguimento das iniciativas propostas pelo Papa Urbano II.
De Payens aproximou-se do rei Balduíno II com oito cavaleiros, dos quais dois eram irmãos e todos eram parentes de Hugo de Payens, alguns de sangue e outros de casamento, para formar a primeira das ordens dos Templários.
Os outros cavaleiros eram: Godofredo de Saint-Omer, Archambaud de Saint-Aingnan, Payen de Montdidier, Geofroy Bissot, e dois homens registrados apenas com os nomes de Rossal ou possivelmente Rolando e Gondamer. O nono cavaleiro permanece desconhecido, apesar de se especular que ele era o Conde Hugh de Champagne.

O símbolo destes Templários era esta imagem ao lado: dois Cavaleiros “tão pobres que precisavam dividir um cavalo”… você escutou esta balela na escola, certo? Vamos aos fatos: FIDALGO Hugo de Payens; Godofredo de Saint Omer, nobre da Família de Saint Omer, cujos VASSALOS foram alguns dos primeiros cavaleiros recrutados; Payen de Montdidier, da casa nobre flamenca Montdidier; o CONDE Geofroy Bissot, da família Bissot, entre outros… tantos nobres reunidos e não tinham dinheiro sequer para comprar um cavalo para cada um? Fala sério…
O que o Símbolo dos Templários realmente representa é que eles eram guerreiros espirituais. Os dois corpos no cavalo representam a união do guerreiro físico com o guerreiro espiritual que eles ali representavam. Mas a idéia de falar que eles eram pobres não era ruim…
Outro ponto bizarro é dizer que a função dos Templários era “defender as rotas de Peregrinos dos Muçulmanos”… ora, o que nove cavaleiros de meia-idade poderiam fazer contra as hordas de muçulmanos que estavam tomando conta da região? O que estes nove cavaleiros fizeram foi escavar sob os estábulos do Templo durante nove anos (de 1109 a 1118), até que finalmente encontraram o que estavam procurando…

As ruínas do Templo
Destruído pelos caldeus e reconstruído por Zorobabel, fora ampliado por Herodes em 18 antes de Cristo e, finalmente, arrasado pelas legiões romanas chefiadas por Tito, na tomada de Jerusalém. Os “Pobres Cavaleiros de Cristo” atraídos pela sensação do mistério que pairava sobre as veneradas ruínas, não tardou para que descobrissem a entrada secreta que conduzia ao labirinto subterrâneo só conhecido pelos iniciados nos mistérios da Kabbalah. E entraram. Uma extensa galeria conduziu-os até uma porta chapeada de ouro por detrás da qual deveria estar o maior Segredo da Humanidade.

Sobre a porta, uma inscrição em caracteres hebraicos prevenia os profanos contra os impulsos da ousadia: SE É MERA CURIOSIDADE QUE AQUI TE CONDUZ, DESISTE E VOLTA; SE PERSISTIRES EM CONHECER O MISTÉRIO DA EXISTÊNCIA, FAZ O TEU TESTAMENTO E DESPEDE-SE DO MUNDO DOS VIVOS.

Hugh de Payens escancarou aos olhos vidrados dos cavaleiros um gigantesco recinto ornado de figuras bizarras, delicadas umas e monstruosas outras, tendo ao Nascente um grande trono recamado de sedas e por cima um triângulo equilátero em cujo centro em letras hebraicas marcadas a fogo se lia o TETRAGRAMA YOD. Junto aos degraus do trono e sobre um altar de alabastro, estava a “LEI” cuja cópia, séculos mais tarde, um Cavaleiro Templário em Portugal, devia revelar à hora da morte, no momento preciso em que na Borgonha e na Toscana se descobriam os cofres contendo os documentos secretos que “comprovavam” a heresia dos Templários. A “Lei Sagrada” era a verdade de Jahveh transmitida ao patriarca Abraão.

A par da Verdade divina vinha depois a revelação Teosófica da Kabbalah. Extasiados diante da majestade severa dos símbolos, os nove cavaleiros, futuros Templários, ajoelharam e elevaram os olhos ao alto. Na sua frente, o grande Triângulo, tendo ao centro a inicial do princípio gerador, espírito animador de todas as coisas e símbolo da regeneração humana, parece convidá-los à reflexão sobre o significado profundo que irradia dos seus ângulos. Ali estão representadas as Trinta e Duas Vidas da Sabedoria que a Kabbalah exprime em fórmulas herméticas, e que a Sepher Yetzira propõe ao entendimento humano. As chaves expostas sobre o Altar de alabastro onde os iniciados prestavam juramento dão aos Pobres Cavaleiros de Cristo a chave interpretativa das figuras que adornam as paredes do Templo. Na mudez estática daqueles símbolos há uma alma que palpita e convida ao recolhimento. Abalados na sua crença de um Deus feroz e sanguinário, os futuros Templários entreolham-se e perguntam-se: SE TODOS OS SERES HUMANOS PROVÊM DE DEUS QUE OS FEZ À SUA IMAGEM E SEMELHANÇA, COMO COMPREENDER QUE OS HOMENS SE MATEM MUTUAMENTE EM NOME DE VÁRIOS DEUSES? COM QUEM ESTÁ A VERDADE?

Entre as figuras mais bizarras que adornavam o majestoso Templo, uma em especial chamara a atenção de Hugo de Paynes e de seus oito companheiros. Na testa ampla, um facho luminoso parecia irradiar inteligência; e no peito uma cruz sangrando acariciava no cruzamento dos braços uma Rosa, encantadora. A cruz era o símbolo da imortalidade; a rosa o símbolo do princípio feminino. A reunião dos dois símbolos era a idéia da Criação. E foi essa figura atraente que os nove cavaleiros elegeram para emblema de suas futuras cruzadas.

Quando em 1128 se apresentou ante o Concílio de Troyes, Hugo de Paynes, primeiro Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros do Templo, já tinha uma concepção acerca da idéia de Deus que não era muito católica. A divisa inscrita no estandarte negro da Ordem “Non nobis, Domine, sed nomini tuo ad Gloria” não era uma sujeição à Igreja mas uma referência à inicial que, no centro do Triângulo, simbolizava a unidade perfeita: YOD.

Continua…

#Maçonaria #Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-cavaleiros-templ%C3%A1rios-parte-1

Meu Semelhante

Um poema para se refletir sobre nossa imagem e semelhança…

Eu ando pelo mundo dentre olhares e expressões

Promessas de curas e maldições

Acordos de paz que não podem seguir adiante

Pois os homens em suas guerras

Por riquezas ou santificações

Já não o vêem mais, meu semelhante

Nem a vida que lhes oferta a fronte

Nem os peixes nem as aves nem as vacas sagradas

Nada que nade, caminhe ou voe pelo horizonte

Nada, apenas esse fétido ouro negro

A escravizar aqueles que lhe buscam lá fora

Pois que são como cascas vazias, meu semelhante

Quem dera pudessem olhar o céu noturno

E ver sua luz trazendo as boas novas

De épocas em que não participamos

Não como homens, mas como átomos

Como luz a cruzar o infinito

Quem dera vissem suas estrelas

Como quem vê poesia em quadro negro

Como quem se alegra, mas guarda segredo

Que nem todos estão preparados para enxergar

O que vêem a olho nu

Preferem se iludir ou se entreter com essas sombras

Essas cascas de sentimento

Esses manuais de verdades absolutas

Esses códigos de ciência infalível

E promessas e barganhas de um mundo melhor

Um céu que está sempre lá fora a ser alcançado

Nunca aqui dentro, a ser amado

Eu quero conhecer só a ti, meu semelhante

Que estamos todos conectados:

Pela biologia, a vida.

Pela química, aos planetas.

Pelos átomos, as estrelas.

Mas é tão somente pelo agitar da mente

E pelas lentes claras do pensamento

Que percebemos que aqui sempre estivemos

Que sempre fomos semelhantes

Pois nunca um poderia estar fora do outro

Embora sua substância nos permeie a todos

Como o perfume dos amantes

Todo o turbilhão de partículas do cosmos

E todas as galáxias e estrelas

E todas as eras geológicas

E todas as poesias, e todas as equações

E todos os olhares e expressões

Todo amor e toda a gratidão para ti

A substância que não pode criar a si mesma

Mas que tudo o mais criou

Eu quero desvendar todos os mistérios e enigmas

Todos os códigos que nos ocultou

Dentre essa brisa de poeira vacilante

Eu quero conhecer só a ti, meu semelhante

raph’10

#Espiritualidade #poesia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/meu-semelhante

Eletric Ladyland, Jimi Hendrix

A relação de Jimi Hendrix com magia negra é bem anterior a óbvia obra prima Vodu Chile e suas cenas botando fogo cerimonialmente em seus instrumentos de trabalho. Hendrix tinha fama de ser possuído por todos os seus demônios cativos em cima do palco. Seu interesse nos cultos africanos e em especial no culto Yoruba podem ser evidenciados na maioria de suas entrevista, mas começou com o encontro com o baterista Kwasi Dzidzornu, vulgo Rocki.

Rocki, nativo de Ganá  era filho de sacerdote e percebeu que as músicas de Hendrix eram muito semelhantes aos toques que ouvia quando era pequeno. Na excelente biografia de Jimi Hendrix, ‘Escuse me while I kiss the sky” lemos:

“Uma das primeiras coisas que Rocki perguntou a Jimi foi onde ele tinha aprendido aqueles capenga que muitas das ‘assinaturas rítmicas’ que Jimi tocava na guitarra eram, freqüentemente, idênticas aos ritmos que seu pai tocava em cerimônias Vodu. A maneira com que Jimi dançava aos ritmos que tocava faziam Rocki rememorar os ritmos que seu pai tocava para os loas. A cerimônia é chamada de Vodushi. Quando criança na aldeia, Rocki entalhava em madeira representantes destes espíritos. Eles também representavam seus ancestrais. Estes eram os deuses-demônios que eles adoravam e vieram a tomar um bocado de espaço na casa de Jimi.”

Em sua época de ouro a fama era de que Hendrix vendera a alma ao diabo em troca de seus talentos musicais. Sua namorada oficial, Fayne Pridgon, disse: “Ele costuma falar que há um tipo de diabo nele, você sabe, ele não tinha muito controle sobre isso. Ele não sabia a razão de muitas das coisas que fazia ou dizia em suas canções. ”

Quando colocado contra a parede e questionado se acreditava nestes demônios Jimi se saiu com essa: “Pergunte as cordas de minha guitarra e ouvirá a resposta.”. A música escolhida para representar o álbum registra o amor lascivo de Hendrix pela Magia Cigana, encontrada nesta pérola chamada Eletric Ladyland.

Gypsy Eyes, Jimi Hendrix

 

Well I realize that I’ve been hypnotized, I love your gypsy eyes
I love your gypsy eyes
Alright!

Hey!
Gypsy.

Way up in my tree I’m sitting by my fire
Wond’rin’ where in this world might you be
And knowin’ all the time you’re still roamin’ in the country side
Do you still think about me?
Oh my gypsy.

Well I walked right on to your rebel roadside
The one that rambles on for a million miles
Yes I walk down this road searchin’ for your love and ah my soul too
But when I find ya I ain’t gonna let go.

I remember the first time I saw you
The tears in your eyes look like they’re tryin’ to say
Oh little boy you know I could love you
But first I must make my get away
Two strange men fightin’ to the death over me today
I’ll try to meet cha by the old highway.
Hey!

Well I realize that I’ve been hypnotized, I love your gypsy eyes
I love your gypsy eyes
I love your gypsy eyes
I love your gypsy eyes
Alright!

I’ve been searchin’ so long my feet have made me lose the battle
Down against the road my weary knees they got me
Off to the side I fall but I hear a sweet call
My gypsy eyes is comin’ and I’ve been saved.

Oh I’ve been saved
That’s why I love you uh
Said I love you
Hey!
Love you uh
Lord I love you
Hey!

Tradução de Gypsy Eyes
Olhos ciganos

Bem ,descobri que fui hipnotizado,
Amo seus olhos ciganos
Amo seus olhos ciganos
tudo bem!
hey! cigana
escalo minha árvore e fico e me aqueço no fogo
querendo descobrir onde neste mundo você está
e sabendo o tempo todo que você continua rodando pelo país
você ainda pensa em mim?
oh, minha cigana
bem, eu fui até a estrada, o lugar onde você vive
aquele que se situa a milhão de milhas
sim, saí por aquela estrada em busca de seu amor e de minha alma também
mas quando encontrá-la não vou deixá-la ir
lembro-me da primeira vez que a vi
as lágrimas em seus olhos pareciam que tentavam dizer
oh menino, você sabe que eu poderia amar você
mas pimeiro devo trilhar meu caminho
hoje, dois homens estranhos brigaram até a morte por mim
vou encontrá-lo lá na velha estrada velha
hey!
tenho procurado por tanto tempo e meus pés me fizeram perder a batalha
andando pela estrada meus joelhos cansados
me jogaram fora do caminho, caí mas ouvi uma voz doce chamar
minha olhos ciganos está vindo e serei salvo
oh estarei salvo
por que eu a amo tanto
disse eu te amo
hey!
te amo uh
deus, eu te amo
hey!

Nº 71 – Os 100 álbuns satânicos mais importantes da história

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/eletric-ladyland-jimi-hendrix/

Em crise no Éden

A origem do termo Éden, em hebraico, parece derivar da palavra acade edinu, que deriva do sumério edin. Em todas estas línguas a palavra significa “planície” ou “estepe”. No entanto, o Gênesis nos conta que o Éden era uma espécie de jardim das delícias, com os frutos mais variados e suculentos, onde Adão e Eva viviam em felicidade plena, sem envelhecer, ou trabalhar, ou adoecer. O mito nos conta que Deus havia feito este tal acordo com o primeiro homem e a primeira mulher: poderiam viver indefinidamente em seu jardim, sem conhecer a fome e a morte, contanto que jamais comecem do fruto do conhecimento do bem e do mal.

Mas, estranho de se pensar: seria a ignorância a razão de sua felicidade? Adão e Eva eram imortais, mas todo animal é imortal, na medida em que não desenvolveu a consciência e, dessa forma, não sabe que vai morrer. O mito nos conta que eles foram expulsos do Éden, que “tomaram conhecimento de sua própria nudez”, mas não seria este momento exatamente o grandioso despertar da consciência humana? O momento em que souberam que eram um ser a parte, com vontade própria? Quando compreenderam que eram como qualquer outro animal, exceto pelo fato de que sabiam que iriam morrer? Neste sentido, a questão da existência não é a morte em si, que é fato, mas sim o que faremos desta vida, desta angústia quase insustentável de termos uma alma, algo tão infinitamente belo e frágil, sem sabermos ao certo o que fazer dela…

Sigmund Freud certa vez disse que houveram três feridas narcísicas [1] na humanidade que tiveram como consequência uma mudança significativa na forma como o homem vê a si próprio. Os três pensadores responsáveis por elas foram Nicolau Copérnico, Charles Darwin e o próprio Freud. Eu tendo a ver a análise de Freud como a análise de uma crise da alma humana, mas todas as crises geram admiráveis oportunidades para a elevação de nossa consciência, ao menos para aqueles que tem olhos atentos nas leis da Natureza:

Não estamos no centro

Inspirado por ideias de manuscritos antigos, Copérnico foi o primeiro cientista moderno a contrariar a ideia comum de que a Terra estava situada no centro do Cosmos, e que mesmo o Sol girava em seu redor. Com o heliocentrismo, que foi posteriormente comprovado por observações de Galileu Galilei, o homem se viu destituído do centro mítico do universo. Assim como Narciso, que só conseguia admirar sua própria imagem refletida no lago, o homem antigo acreditava que habitava a morada central, algum ponto importante do infinito…

Mas, estranho de se pensar: como pode o infinito ter um centro? Que importa se é a Terra que gira em torno do Sol, ou o contrário, se hoje sabemos que tudo se encontra catapultado em direção a tal imensidão, e que mesmo o nosso Sol é somente um dentre bilhões de outros sóis? Ainda que a Terra gire em seu torno, o Sol não está fixado em centro algum, mas viaja pelo Cosmos como um pedaço de poeira ao vento matinal. No Cosmos, afinal, nada se perde, mas tudo flui, e se metamorfoseia, se transforma. Somos formados por poeira de estrelas, e nossos átomos são emprestados do mesmo conjunto de átomos que forma tudo o que há.

Dessa forma, todos os pontos estão igualados – o centro não existe, mas se encontra espalhado por todos os lugares.

Não fomos criados perfeitos

Diz o mito que uma bela ninfa, chamada Eco, estava perdidamente apaixonada por Narciso. Mas o belíssimo rapaz, embriagado pelo próprio reflexo, se julgava um deus e, dessa forma, indigno da afeição de uma mera ninfa… Talvez tenha sido um pensamento parecido que levou o homem a se julgar um ser superior em meio a natureza e aos demais animais. Havia sido criado perfeito, pelo próprio Deus, ainda no Éden, de onde havia sido expulso por desejar adquirir conhecimentos proibidos. Isto tudo foi questionado pela teoria de Darwin e Wallace, que postulava que o homem não havia sido criado como era hoje, mas que veio evoluindo pela árvore da vida, desde uma simples bactéria, por bilhões de anos, e por milhões de espécies distintas.

Mas, estranho de se pensar: como poderia o homem ser uma criação perfeita se, ainda no Éden, havia muitas coisas que desconhecia? Veja bem: o fruto que comeu, e que causou sua expulsão do jardim das delícias, trazia não somente o conhecimento do mal, como do bem. Se o homem não conhecia o mal, tampouco conhecia o bem. Era, dessa forma, um perfeito ignorante – como vimos, nem mesmo conhecia sua própria mortalidade.

Hoje sabemos, através da biologia, que o homem não surgiu do nada, nem tampouco é perfeito, mas que evoluiu através das adversidades, de sua relação com o meio ambiente a volta. Darwin disse que através da “guerra da fome e da morte”, a evolução das espécies “tendia a perfeição”. Mas a perfeição a que ele se referia não era uma perfeição final, derradeira, mas um eterno “vir a ser”, um aprendizado sem fim. Não há nada mais sinistro do que a perfeição, se o próprio universo fosse perfeitamente simétrico desde o início do espaço-tempo, matéria e anti-matéria teriam se aniquilado mutuamente, e nada mais haveria do que vácuo e vazio – nenhum lampejo de luz numa escuridão fria, simétrica. Para nossa sorte, a Natureza nunca foi totalmente perfeita. E, quem somos nós, senão crianças em constante aprendizado?

Dessa forma, todos temos de seguir nesta trilha ancestral – a perfeição está no caminho, e não na chegada.

Não conhecemos sequer nossa casa

Coube ao próprio Freud redescobrir o inconsciente humano, aquele mesmo que se mostrava, antigamente, nos mais variados mitos. Pois que mitos nada mais são do que os fatos da mente encenados em ficções, histórias que eram passadas adiante pelos contadores e menestréis… Diz ainda o mito de Narciso que Némesis, a deusa da vingança e da ética, condenou-o por haver ignorado solenemente o amor da ninfa, que terminou por definhar em desilusão. Mesmo o próprio Narciso, condenado a contemplar sua bela face no lago, terminou por definhar e morrer, assim como Eco. Mas, quando foram buscar seu corpo, encontraram apenas uma flor, a flor da alma que havia morrido para a beleza do ego, e agora contemplava uma beleza ainda mais profunda.

Se antes Narciso andava distraído por sua própria beleza, e não observava o mundo a volta, agora havia morrido, e renascido. Um belo mito, que demonstra que nem todas as punições divinas são aquilo que imaginamos a primeira vista. Némesis teve sim compaixão, mas sobretudo senso de justiça: todos, afinal, precisam reavaliar seus atos, até que se conheçam verdadeiramente, até que compreendam os meandros e os monstros de seu próprio inconsciente.

Se Freud encontrou tantos traumas e tanta escuridão nas mentes mais comuns, é porque a era moderna carece de seus mitos, de modo que somente alguns poucos conseguem ser, ainda, psicólogos de si mesmos. Toda a filosofia se encontra aí: autoconhecimento. A filosofia é a verdadeira autoajuda, e conhecer aos próprios pensamentos, sem medo, sem culpa, é a única forma de lapidar a alma, transformar chumbo em ouro, e renascer, como a lótus, em meio ao charco dos desejos desenfreados – agora, devidamente controlados pela vontade.

Dessa forma, foi preciso que uma grande crise se abatesse sobre a alma para que percebêssemos o que somos – hóspedes em nossa própria mente, mas sempre a procura do Anfitrião.

O despertar

Assim como Narciso, Adão e Eva despertaram para uma existência própria, e deixaram de contemplar a Deus – seja indiretamente, pelo amor a própria beleza, seja diretamente, pelo espanto ante tal imenso jardim. Estavam em crise em meio ao próprio Éden, mas tal crise lhes trouxe a oportunidade de serem, enfim, seres que possuem vontade. E assim que puderam, finalmente, escolher por conta própria, escolheram caminhar a frente, em Sua direção, para não somente contemplar, mas compreender… E, em compreendendo, tornarem-se nesta Criação, cocriadores!

***
[1] Referência ao mito de Narciso, que ainda é revisitado ao longo do artigo.

Crédito da imagem: Robert Recker/Corbis

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Espiritualidade #Gênesis #Freud #Mitologia #Psicologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/em-crise-no-%C3%A9den

O homem que esquecia (parte 1)

Um conto sobre os observadores do céu…

Oliver apaixonara-se pelas estrelas ainda criança, aproveitando muitas de suas horas noturnas para brincar com a imaginação, valendo-se não de soldados de plástico ou animações de pixels, mas da luz das estrelas sobre o pálido céu noturno e soturno de sua pequena cidade no interior.

Seus pais lhe ensinaram que as estrelas não eram deuses, e sim gigantescas fornalhas cósmicas. Mesmo assim, o garoto lia muitas histórias em quadrinhos, e imaginava que algumas das estrelas cintilavam de forma diferente das outras… “Será que são alienígenas nos enviando alguma mensagem? Será que alguém está nos chamando para viajar até lá?” – como nenhum adulto considerava seriamente suas questões, terminou por admitir: “Bem, são só estrelas mesmo”.

Quando decidiu o que apostar no vestibular, já sabia das histórias de Kepler, Galileu, Newton e Einstein. Já havia se apoiado em ombros de gigantes e vislumbrado com sua vasta imaginação toda a longa trilha da luz – desde os primeiros minutos do Cosmos até alcançar o mesmo céu que observara por tantas horas de tantas noites em sua pequena luneta. Oliver queria ser astrônomo. Seus pais afirmavam que era por amor a ciência, mas ele sabia que no fundo queria mesmo era ter acesso a lunetas maiores, cada vez maiores…

Oliver quase se arrependeu quando percebeu que tinha de estudar muito mais do que seus colegas economistas e advogados, para ganhar muito menos. “Que importa, mesmo que fosse milionário não poderia comprar um observatório inteiro só para mim…” – esse pensamento costumava amenizar seu rancor em relação ao assunto.

Durante a faculdade conheceu uma bióloga que se chamava Maria. Quando a pediu em namoro, em um parque da capital, apontou para o céu noturno e disse: “Eu sou Rigel, porque sempre gostei desse sol da constelação de Órion; e você é aquela ali, Maria, logo ao meu lado”. Porém, para sua surpresa, Maria respondeu: “Ei, mas ali são três Marias, assim vou ficar com ciúmes das outras duas!”.

“Não se preocupe, é que as outras duas são nossas filhas: Maria Cristina e Maria Luísa” – Assim Oliver conseguiu contornar o problema astronômico do início de sua relação, mas ao terminar o mestrado se arrependeu: Maria estava grávida de duas meninas gêmeas… Oliver preferia que as Marias ao menos nascessem uma de cada vez…

Era uma vida feliz. Oliver conseguira constituir família e ter um bom padrão social trabalhando com o que ama, observando o céu e tentando encontrar padrões que auxiliassem nas teorias de ponta de sua época. Trabalhava em contato com grandes astrônomos do mundo todo e estava pensando em escrever um livro sobre as estrelas. Mas essa vida terminou quando um dia, após deixar as filhas no colégio, sofreu um acidente de carro a caminho do observatório… Era grave, e Oliver teve de permanecer em coma induzido por mais de uma semana. O que preocupava não era seu corpo, alguns arranhões e um pé quebrado não eram nada… Mas sua situação neurológica talvez nunca mais fosse a mesma.

Quando acordou viu toda a família, mas se lembrava apenas dos pais, dos irmãos e dos primos – esquecera quase por completo que tinha esposa e filhas gêmeas… Oliver manteve sua capacidade lógica e raciocínio intactos, mas todas as emoções que houvera tido ao lado das três Marias haviam sido eclipsadas por alguma lua obscura.

Desde esse dia, e todos os dias, sua família lhe ajudava a relembrar das três Marias, mas após cada noite de sono, acordava novamente sem qualquer memória delas… Por um lado era um casamento maravilhoso: Oliver redescobria seu grande amor e suas filhas todas as manhãs, e dormia radiante, tão apaixonado quanto estava ao declarar seu amor num parque da capital.

Por outro lado, era uma situação terrível para aqueles que não esqueciam: sua mulher já não conseguia mais descrever a mesma história todos os dias, pelo menos não com a mesma emoção… E suas filhas já haviam cansado de tentar ensinar ao pai que eram suas filhas, preferiam simplesmente ver desenho a essa altura.

Tentaram todo tipo de tratamento neurológico, mas não resolveu… Como agora trabalhava apenas como divulgador de ciência, escrevendo livros aclamados pela crítica especializada, Oliver achou por bem tentar registrar em um caderno as histórias que ouvia todos os dias pela manhã – por mais bizarras que lhe parecessem –, assim pelo menos poupava sua recém descoberta esposa de ter de repetir a mesma história ad infinitum. Poderia agora ler, ele mesmo, seu próprio caderno de anotações. Ele o chamou de Caderno do Amor.

» continua na parte 2

***

Crédito da foto: Trevor Lush/Corbis

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#Contos

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-homem-que-esquecia-parte-1

De onde vêm as 72 virgens?

Supondo que a religião islâmica realmente assegure 72 virgens aos que morrem em nome de Alah, será que esta graça está reservada aos mártires ou é estendida a todos os fiéis que adentram o paraíso? E de onde vêm 72 mulheres virgens para cada homem do reino dos céus? São as almas das mulheres que morreram imaculadas que vão ao céu servir os mártires? Se não, o que reserva o céu às mulheres mártires? maridos perfeitos que nunca se esquecem de abaixar a tampa da privada? Pensando em todas estas questões decidi pesquisar um pouco mais sobre o paraíso islâmico.

Comecei pelo Alcorão. O livro máximo da religião islâmica não deixa dúvidas de que o paraíso islâmico é um lugar bastante sensual, mas nada é dito sobre a quantidade de virgens que aguarda os eleitos.

“E se deitarão sobre leitos incrustados com pedras preciosas, frente a frente, onde lhes servirão jovens de frescores imortais com taças e jarras cheias de vinho que não lhes provocará dores de cabeça nem intoxicação, e frutas de sua predileção, e carne das aves que desejarem. E deles serão as huris [virgens] de olhos escuros, castas como pérolas bem guardadas, em recompensa por tudo quanto houverem feito. (…) Sabei que criamos as huris para eles, e as fizemos virgens, companheiras amorosas para os justos.”

Alcorão, surata 56, versículos 12-40.

(todas as traduções deste texto foram feitas a partir do inglês)

São inúmeras as passagens como esta que mencionam a existência no paraíso de jóias, criados jovens e cheirosos, vinho (uma extravagância, já que o islã proíbe consumir bebidas alcoólicas em vida), rios de leite, rios de mel, rios de água (que costuma ser coisa preciosa nos países muçulmanos), frutas abundantes e moçoilas virgens para fazer “companhia” aos justos… Comparado ao paraíso cristão, com seus anjos assexuados de aparência andrógina tocando harpa e entoando cânticos (quando não estão em missão para destruir alguma cidade ou coisa assim), o céu islâmico parece o Club Med dos paraísos.

Só que diferentemente da Bíblia, que é a única fonte autenticada pela Igreja das palavras de Deus, na religião islâmica o Alcorão é complementado pelos hadiths, uma coletânea de histórias sobre tudo o que supostamente disse ou fez o profeta Maomé durante sua vida, que circularam no boca a boca por mais de um século até serem redigidas em sua forma atual. É aí, nessa barafunda de textos, às vezes antagônicos, que vamos encontrar mais detalhes sobre o paraíso islâmico, incluindo o número de virgens com que os eleitos são agraciados:

“A menor recompensa para aqueles que se encontram no paraíso é um átrio com 80.000 servos e 72 esposas, sobre o qual repousa um domo decorado com pérolas, aquamarinas e rubis, tão largo quanto a distância entre Al-Jabiyyah (hoje na cidade de Damasco) e Sana’a (hoje o Iemem)”

Hadith 2687 (Livro de Sunan, volume IV).

Se esta é a menor recompensa que aguarda os felizardos no paraíso, então é certo que os servos e as virgens não foram parar lá por mérito. Quem sabe fossem candidatos ao inferno (não dizem que “é melhor reinar no inferno que servir no paraíso”?). No caso das virgens isto faria todo o sentido, já que a rotina delas no céu não é moleza; sobre isso escreveu Al-Suyuti, um renomado comentador do Alcorão e estudioso dos hadith, no século XV:

“Cada vez que se dorme com uma huri descobre-se que ela continua virgem. Além disso o pênis dos eleitos nunca amolece. A ereção é eterna. A sensação que se sente cada vez que se faz amor é mais do que deliciosa e se você a experimentasse neste mundo você desmaiaria. Cada escolhido se casa com setenta huris, além das mulheres com que se casou na terra, e todas têm sexos apetitosos.”

Para as virgens o paraíso islâmico é mais ou menos como uma versão pornô do mito de Prometheus (aquele do titã que tinha seu fígado devorado todos os dias por uma águia), só que é o hímen das jovens donzelas, e não o fígado do titã, que se regenera perpetuamente.

Se você tem uma ereção permanente e o resto da eternidade nas mãos algumas dezenas de virgens não devem bastar, por isso o paraíso islâmico conta ainda com um local que, cá embaixo seria chamado de “bordel”, mas que no paraíso islâmico chamam de “mercado”. Segundo os hadith, Maomé teria dito:

“Existe no paraíso um mercado onde não há compra ou venda, mas homens e mulheres. Quando um homem deseja uma mulher ele vai até lá e tem relações sexuais com ela.”

Al Hadis, Vol. 4, p. 172, No. 34

Os cristãos, a quem devemos a noção agostiniana de que o mundo físico é impuro, gostam muito de apontar o dedo na cara dos muçulmanos e dizer que o paraíso deles é “liberal” demais. Aí, é a vez dos muçulmanos dizerem aos cristãos que se eles querem mesmo falar sobre sacanagem em livros sagrados é bom que se lembrem que têm teto de vidro. É impressionante quanta energia é gasta na internet nesta troca de citações porno-sacras entre cristãos e muçulmanos; eu imagino que jovens beatos de ambas as religiões aprendam bastante sobre estupro, pedofilia e prostituição nestes sites.

Bem, na defesa dos muçulmanos é justo dizer que como os hadith foram escritos muito tempo depois da morte de Maomé, nem todos eles são considerados genuínos pelos estudiosos islâmicos (segundo eles, por exemplo, o trecho acima é falso). Só que mesmo as passagens consideradas verdadeiras podem ser bastante embaraçosas; em algumas delas o constrangimento dos tradutores fez com que a formosura das virgens fosse minguando até que seus detalhes anatômicos desaparecessem por completo. Eis um bom exemplo:

Versão 1 – por Arberry

Para os tementes aguardam um lugar seguro, jardins, vinhedos, donzelas de seios arredondados (maduros) e um copo transbordante de vinho.

Versão 2 – por Yusuf Ali

Para os justos haverá a satisfação dos desejos em seu coração, jardins e vinhedos, companheiras da mesma idade e um copo cheio de vinho.

Versão 3 – por Rashad Khalifa

Os justos merecerão uma recompensa. Jardins e uvas. Esposas magníficas. Drinques deliciosos.

Surah an-Naba’ (78:31-34)

Mas existe uma boa chance de que os tradutores islâmicos nunca mais precisem dissimular a exuberância das virgens. Um livro publicado recentemente na Alemanha e muito bem recebido pela comunidade científica, “Die Syro-Aramaische Lesart des Koran” (“Uma Leitura Sírio-Aramaica do Alcorão”), do professor de línguas antigas Christoph Luxenberg, defende a tese de que muita coisa faria mais sentido nos textos sagrados se os tradutores levassem em conta que o Alcorão não foi escrito apenas em árabe, mas num mix de antigos dialetos aramaicos. Por exemplo, a palavra “hur”, que em árabe quer dizer “virgem”, em sírio significa “branca”. Assim, segundo Luxenberg, as “castas huris de olhos castanhos” descritas no Alcorão seriam na verdade “uvas brancas secas” de “clareza cristalina”, uma iguaria bastante apreciada naquela época. Dá para imaginar a decepção dos mártires? Deve ser como comprar uma passagem para um cruzeiro de solteiros e ao embarcar descobrir que não vai ter mulher…

No final o problema das virgens vai ser resolvido com a troca de uma única palavrinha. Nenhum candidato a homem-bomba vai ficar mesmo muito entusiasmado em abandonar esta vida quando souber que sua recompensa por morrer abraçado em dinamite será um suprimento vitalício de passas.

Mas é claro que esta não deveria ser a solução. A continuidade da civilização como a conhecemos não deveria depender da tradução de uma palavra num livro sagrado, ou de distinguir o que de fato disse um homem denominado profeta das fantasias eróticas de um bando de velhos babões. Melhor seria se não houvesse pessoas no mundo dispostas a acreditar literalmente em histórias escritas há milhares de anos, numa época em que a maioria das pessoas sabia tanto sobre o mundo natural quanto provavelmente sabe hoje uma criança da sétima série, e tinha os mesmos temores e superstições infantis de uma criança da quinta série.

Retirado de: http://dragaodagaragem.blogspot.com/

#Islamismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/de-onde-v%C3%AAm-as-72-virgens

Análise por um mestre do Templo

Do Liber 49, por Jack Parsons.

ANÁLISE POR UM MESTRE DO TEMPLO

dos Nodos Críticos na Experiência de seu veículo material

“Considerarei todos os fenômenos como o acordo particular de Deus com minha alma”.

I. Nascimento

2 de outubro de 1914, Los Angeles, em, ascendendo no meio do céu, numa conjunção favorável, no afélio. Escolhi esta constelação para que você pudesse ter um senso inato de equilíbrio e justiça última, natureza responsiva e atraente, um ambiente abundante e senso de realeza e generosidade, força, coragem e poder combinados com astúcia e inteligência. Saturno foi vinculado para que você pudesse facilmente formular uma vontade inferior que o satisfizesse e o esmagasse com seu espetacular sucesso.

Seu pai se separou de sua mãe para que você pudesse crescer com um ódio à autoridade e um espírito de revolução necessário à minha obra. O complexo de Édipo era necessário para formular o amor à bruxaria que o levaria à magia, com a influência de seu avô ativo para evitar uma identificação demasiado completa com sua mãe.

II. Infância

Seu isolamento como criança desenvolveu os antecedentes necessários de literatura e erudição; e as experiências infelizes com outras crianças o desprezo necessário para a multidão e para os costumes do grupo. Você notará que estes fatores desenvolveram o ódio necessário ao cristianismo (sem implantar um sentimento de culpa cristã) em uma idade extremamente precoce.

III. Adolescência

O início da adolescência continuou o desenvolvimento das combinações necessárias. O despertar do interesse pela química e pela ciência preparou o contrapeso para o próximo despertar mágico, os meios de obter prestígio e subsistência no período formativo, e o método científico necessário para a minha manifestação. O fiasco mágico aos 16 anos de idade foi necessário para mantê-lo longe da magia até que você amadurecesse o suficiente.

IV. Jovens

A perda da fortuna familiar desenvolveu seu senso de autossuficiência em um período crítico, o contato com a realidade neste momento era essencial. Seu casamento precoce com Helen serviu para romper seus laços familiares e efetuar uma transferência para ela, longe de um perigoso apego a sua mãe. A experiência em Halifax e no Cal Tech serviu para fortalecer sua autoconfiança, seu método científico e seus poderes materiais. A influência de Tom Rose neste período, como a de Ed. Forman na adolescência, foi essencial para o desenvolvimento do centro masculino.

V. Juventude Tardia

A casa em Terrace Drive, Music, Lynn, Curtis e Gloria, e a crescente inquietação foram, naturalmente, todos os preparativos para a reunião com A e O.T.O. A repulsa e atração alternada que você sentiu no primeiro ano após o encontro com a Fra. 132 foram causadas por uma resistência subconsciente contra as provações que se avizinhavam. Se você tivesse tido essas experiências antes, sem tal resistência, você teria ficado irremediavelmente desequilibrado. Betty serviu para efetuar uma transferência de Helen em um período crítico. Se isso não tivesse ocorrido, seu componente homossexual reprimido poderia ter causado uma séria desordem.

Sua paixão por Betty também lhe deu a força mágica necessária na época, e o ato de adultério tingido de incesto, serviu como sua confirmação mágica na Lei de Thelema.

Nesta época a O.T.O. era uma excelente escola de treinamento para adeptos, mas dificilmente uma Ordem apropriada para a manifestação de Thelema. Portanto, apesar de seu lema, você não foi capaz de formular sua vontade. A experiência com a O.T.O. e Aerijet foi necessária para dissipar seu romantismo, sua autoengano e sua confiança nos outros. Betty foi um elo no processo destinado a afastar você do agora desnecessário complexo de Édipo, a supervalorização da mulher e do amor romântico. Como isto era inconsciente, o próximo passo era trazê-lo à consciência, e ali destruí-lo.

VI. Maturidade precoce

A experiência final com Hubbard e Betty, e a O.T.O. foi necessária para superar sua falsa e infantil dependência dos outros, embora isso só tenha sido parcialmente realizado na época. A invocação de Babalon serviu para exteriorizar o complexo de Édipo; ao mesmo tempo, por causa das forças envolvidas, produziu efeitos mágicos extraordinários. No entanto, esta operação é realizada e encerrada – você não deve ter mais nada a ver com ela – nem mesmo pensar nela, até que Sua manifestação seja revelada, e provada sem sombra de dúvida. Mesmo assim, você deve ser cauteloso – embora eu espere tomar o comando completo antes disso.

Candy apareceu em resposta ao seu chamado, a fim de desmamá-lo da amamentação. Ela demonstrou a natureza da mulher para você em termos tão inequívocos que você não deveria ter mais espaço para ilusões sobre o assunto.

A suspensão e a inquisição foi minha oportunidade – um dos elos finais da cadeia. Neste momento, você foi habilitado a pré-parar sua tese, formular sua vontade e fazer o Juramento do Abismo, tornando assim possível (embora apenas parcialmente) manifestar-se. A saída da Candy prepara para a etapa final de sua preparação inicial.

VII. Conclusões

Os numerosos rituais que você realizou resultaram em um corpo de luz bem desenvolvido. As provações expurgaram a maior parte da bagagem emocional e mental – seus únicos perigos reais são, e sempre foram, sentimentalismo, fraqueza e procrastinação.

É interessante notar que a primeira arma que você formulou foi a Lâmpada do Espírito, na invocação ao Pã (embora a Espada tenha sido prefigurada). Em seguida, a Espada no ritual de Hórus, como era apropriado ao seu desenvolvimento intelectual naquela época.

Em seguida, a Taça do vinho de sua vida emocional – o disco de sua falha material. A Espada ainda está por ser manifestada.

Você notará que foi impossível formular verdadeiramente sua vontade com qualquer uma dessas armas – naturalmente – isso só é possível com a varinha. Por outro lado, se você o tivesse feito anteriormente, teria sido desequilibrado pela falta de preparação iniciada. É um procedimento correto e natural; a Verdadeira Vontade não pode ser verdadeiramente formulada até que você seja iniciado em todos os outros planos, e é bom que não faça nenhuma pretensão de fazê-lo. Até esse ponto, tudo o que você pode conhecer da verdadeira vontade é a aspiração ao próximo passo – a experiência posterior. Essa é a glória da Lei de Thelema–FAÇA!

As tensões físicas e emocionais que você sente no momento são resultado da atração do Abismo – sua poesia atual é indicativa. Naturalmente, você não encontra poder em nenhum feitiço, nenhum conforto em nenhum ritual, nenhuma esperança em nenhuma ação. Você é cortado por seu próprio juramento. Nem eu nem qualquer outra pessoa posso ajudá-los neste momento. Há apenas masculinidade, apenas vontade, apenas o vetor de suas próprias tendências, desenvolvido através dos eras do passado. Não digo quanto tempo o Estado vai durar, ou qual será o resultado.

No entanto, posso formular algumas regras que podem servir para orientá-lo.

VIII. Instruções

A. Obras da Vara… da Vontade só neste estado. Nenhuma outra arma deve ser usada, nenhum outro ritual a não ser o hino ao Sem Nome no Hino da Missa.

B. Você deve ser meticuloso em todas as observações relativas à Vontade, mesmo as mais mesquinhas. Cumprir todas as obrigações e promessas, não assumir nada que você não possa cumprir, ser pontual no cumprimento de cada responsabilidade.

C. Seja puro em seus hábitos pessoais e domésticos, demonstre autorrespeito a si mesmo.

D. Não se envolva indevidamente com nenhuma pessoa e pratique toda sua sabedoria arduamente conquistada em suas relações com as mulheres.

E. Coloque seus assuntos pessoais em ordem nos negócios. Mantenha suas contas atualizadas e seus documentos bem arquivados.

F. Termine sua poesia para publicação. Termine a síntese do Tarô e comece a trabalhar na preparação das aulas de instrução em sala de aula de seu livro.

G. Não preste atenção a nenhum fenômeno, e continue de forma sóbria e responsável em todas as circunstâncias.

Não é mágico! Para você, nada é mais mágico. Só assim a maldição de Saturno pode ser superada. Vejo que você odeia desta maneira. Mas é um momento definitivo – foi você que fez o juramento. A escolha sou eu ou Choronzon.

Eu aguardo você na Cidade das Pirâmides.

Belarion

8 = 3


Fonte:

PARSONS, Jack. Analysis by a Master of the Temple. Sacred-Texts, 2017. Disponível em: <https://www.sacred-texts.com/oto/lib49.htm>. Acesso em 11 de março de 2022.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/analise-por-um-mestre-do-templo/

Lemúria, O Continente Desaparecido

Prefácio

O propósito deste ensaio não é tanto apresentar uma informação surpreendente a respeito do continente desaparecido da Lemúria e seus habitantes, mas confirmar, pelos dados obtidos através da Geologia e do estudo da distribuição relativa de animais e plantas existentes e extintos, bem como dos processos de evolução física observados nos reinos inferiores, os fatos relatados em A Doutrina Secreta e em outras obras referentes a essas terras hoje submersas.

O CONTINENTE DESAPARECIDO DA LEMURIA

Geralmente é reconhecido pela ciência que o que é hoje terra seca na superfície do nosso globo foi, certa vez, o fundo do oceano, e o que é hoje o fundo do oceano foi, certa vez, terra seca. Em alguns casos, os geólogos têm sido capazes de especificar as porções exalas da superfície terrestre onde esses afundamentos e sublevações da crosta ocorreram e, embora o continente desaparecido da Atlântida tenha, até agora, recebido um escasso reconhecimento por parte do mundo científico, o consenso geral de opiniões há muito tem sugerido a existência, em alguma época pré-histórica, de um vasto continente meridional, ao qual foi conferido o nome de Lemúria.

Dados fornecidos pela geologia e pela relativa distribuição de animais e plantas existentes e extintos

“A história do desenvolvimento do globo terrestre mostra-nos que a distribuição de terra e água em sua superfície está sempre e continuamente mudando. Em consequência das mudanças geológicas da crosta terrestre, ocorreram elevações e depressões do solo em toda parte, às vezes mais fortemente acentuadas num lugar, às vezes em outro. Embora ocorram de modo tão lento que, no decurso de séculos, o litoral venha à tona ou afunde apenas alguns centímetros, ou mesmo apenas alguns milímetros, ainda assim seus efeitos são enormes no decurso de longos períodos de tempo. E longos períodos de tempo – imensuravelmente longos – é o que não falta na história do globo terrestre. Durante o decorrer de muitos milhões de anos, desde que a vida orgânica passou a existir na Terra, a terra e a água têm lutado perpetuamente pela supremacia. Continentes e ilhas submergiram no mar e novas terras vieram à tona. Lagos e mares, lentamente, surgiram e secaram, e novas depressões de água apareceram devido ao afundamento do solo. Penínsulas tornaram-se ilhas em virtude da submersão dos estreitos istmos que as ligavam ao continente. Por causa da considerável elevação do leito do mar, as ilhas de um arquipélago tornaram-se os picos de uma contínua cadeia de montanhas.

Desse modo, o Mediterrâneo foi, numa determinada época, um mar interior, quando, no local do estreito de Gibraltar, um istmo ligou a África à Espanha. A Inglaterra, mesmo durante a história mais recente da Terra, quando o homem já existia, esteve diversas vezes ligada ao continente europeu e dele separada. E até mesmo a Europa e a América do Norte estiveram diretamente ligadas. Antigamente, o mar do Sul formava um grande Continente Pacífico, e as inúmeras ilhotas que hoje se encontram espalhadas por esse oceano eram simplesmente os picos mais elevados das montanhas que atravessavam esse continente. O oceano Índico formava um continente que se estendia desde o arquipélago de Sonda, ao longo da costa meridional da Ásia, até a costa leste da África. Sclater, um cidadão inglês, deu a esse antigo e imenso continente o nome de Lemúria, devido aos animais semelhantes ao macaco que nele habitavam; por outro lado, esse continente é de grande importância, por ser o provável berço da raça humana, que, com toda probabilidade, teve aí seu primeiro estágio de desenvolvimento a partir dos macacos antropóides.1 A importante prova que Alfred Wallace forneceu, com a ajuda de fatos cronológicos de que o atual arquipélago malaio consiste na realidade de duas partes completamente diferentes, é particularmente interessante. A parte ocidental, o arquipélago indomalaio, que abrange as grandes ilhas de Bornéu, Java e Sumatra, outrora estava ligada, pela Malaca, ao continente asiático e, provavelmente, também ao continente lemuriano, há pouco mencionado. Por outro lado, a parte oriental, o arquipélago austromalaio, que abrange Celebes, as Molucas, Nova Guiné, as ilhas Salomão, etc., estava, outrora, diretamente ligada à Austrália. Os dois segmentos formavam, em tempos passados, dois continentes separados por um estreito mas, atualmente, a maior parte deles encontra-se abaixo do nível do mar. Wallace, apoiado apenas em suas acuradas observações cronológicas, foi capaz de determinar, com grande precisão, a localização desse antigo estreito, cuja extremidade meridional passa entre Bali e Lomboque.

Portanto, desde que a água líquida existiu na Terra, os limites entre a água e a terra têm mudado incessantemente, e podemos afirmar que os contornos de continentes e ilhas nunca permaneceram, nem por uma hora, ou antes, nem por um minuto, exatamente os mesmos, pois as ondas se quebram, eterna e perpetuamente, na beira da praia; e por mais que a terra perca, nesses lugares, em extensão, em outros ela ganha pela acumulação do lodo, que se condensa em pedra sólida e novamente se ergue acima do nível do mar, como terra nova. Nada pode ser mais errôneo do que a idéia de um contorno fixo e inalterável de nossos continentes, tal como nos é incutido, em nossa adolescência, pelas deficientes lições de Geografia, destituídas de fundamento geológico.2

O nome Lemúria, como acima foi relatado, foi originalmente adotado pelo sr. Sclater, em consideração ao fato de que foi provavelmente nesse continente que os animais do tipo lemuróide se desenvolveram.

Sem dúvida, escreve A. R. Wallace, “trata-se de uma suposição legítima e altamente provável, bem como de um exemplo do modo pelo qual um estudo da distribuição geográfica de animais pode capacitar-nos a reconstruir a geografia de uma era antiga. . . . Ele [esse continente] representa o que foi, provavelmente, uma primitiva região zoológica, em alguma época geológica passada; mas como foi essa época e quais eram os limites da região em questão, somos totalmente incapazes de dizer. Supondo-se que abrangia toda a área atualmente habitada por animais lemuróides, devemos demarcar sua extensão desde o oeste da África até a Birmânia, sul da China e Celebes, uma área que, possivelmente, ele outrora ocupou”.3

“Já tivemos ocasião”, afirma Wallace em outro lugar, “de sugerir uma antiga ligação entre essa sub-região (da Etiópia) e Madagáscar, a fim de explicar a distribuição do tipo lemuriano, bem como algumas outras curiosas afinidades entre os dois países. Este ponto de vista é sustentado pela geologia da índia, que nos apresenta o Ceilão e o sul da índia consistindo sobretudo em granito e antigas rochas metamórficas, ao passo que a maior parte da península é de formação terciária, com algumas áreas isoladas de rochas secundárias. Portanto, é evidente que, durante a maior parte do período terciário,4 o Ceilão e o sul da índia eram limitados, ao norte, por uma considerável extensão de mar e, provavelmente, faziam parte de um vasto continente, ou de uma grande ilha meridional. Os inúmeros e notáveis casos de afinidade com a Malaia exigem, contudo, uma aproximação mais estreita entre essas ilhas, o que provavelmente ocorreu num período posterior. Quando, mais tarde ainda, as grandes planícies e planaltos do Industão estavam formados e efetuou-se uma permanente comunicação por terra com a rica e altamente desenvolvida fauna himalaia-chinesa, deu-se uma rápida imigração de novos tipos e muitas das espécies menos diferenciadas de mamíferos e pássaros se extinguiram. Entre os répteis e os insetos a competição foi menos árdua, ou então as espécies mais antigas estavam por demais bem adaptadas às condições locais para serem expulsas; assim, é apenas entre esses grupos que encontramos um número considerável daquilo que, provavelmente, constitui os remanescentes da antiga fauna de um continente ao sul, agora submerso.5

Depois de afirmar que, durante todo o período terciário e talvez durante grande parte do secundário, a maior parte das terras do globo se concentrava provavelmente no hemisfério norte, Wallace prossegue: “No hemisfério sul, parece ter havido três consideráveis concentrações terrestres muito antigas que, de tempos em tempos, variaram em extensão, mantendo-se sempre, porém, separadas umas das outras e representadas, aproximadamente, pela atual Austrália, África do Sul e América do Sul. Através desses sucessivos fluxos e refluxos das ondas de vida foi que elas, cada qual por seu turno, uniram-se temporariamente com alguma região do território setentrional.” 6

Muito embora Wallace tenha negado, posteriormente, a necessidade de postular a existência desse continente, aparentemente em defesa de algumas de suas conclusões que foram criticadas pelo Dr. Hartlaub, seu reconhecimento geral acerca das ocorrências de afundamentos e sublevações da crosta em muitas regiões da superfície terrestre, bem como as inferências que ele extrai a partir das reconhecidas relações da fauna existente e extinta, acima citadas, permanecem sem dúvida, inalteradas.

Os trechos abaixo, extraídos de um artigo muito interessante escrito pelo sr. H. F. Blandford e lido numa reunião da Sociedade Geológica, abordam o assunto de um modo bem mais detalhado 7:

“As semelhanças entre os fósseis de animais e plantas do grupo de Beaufort, da África, e os de Panchets e Kathmis, da índia, são de tal modo surpreendentes que chegam a sugerir a existência anterior de uma ligação terrestre entre os dois territórios. Mas a semelhança das faunas fósseis africana e indiana não se extingue com os períodos permiano e triásico. As camadas vegetais do grupo de Uitenhage forneceram onze espécies de plantas, duas das quais o sr. Tate identificou com as plantas indianas de Rajmahal. Os fósseis indianos do jurássico ainda não foram classificados (com umas poucas exceções), mas afirma-se que o Dr. Stoliezka mostrou-se muito impressionado com as semelhanças entre certos fósseis de Kutch e as espécies africanas; e o Dr. Stoliezka e o sr. Griesbach provaram que, dos fósseis do cretáceo do rio Umtafuni, em Natal, a maioria (vinte e duas das trinta e cinco espécies descritas) é idêntica às espécies do sul da índia. Ora, o grupo de plantas existentes na índia e o de Karroo, bem como parte da formação de Uitenhage, na África, são, com toda probabilidade, originárias de água doce, ambos indicando a existência de uma grande área de terra ao redor, cuja devastação deu origem a esses sedimentos. Esse território ligava, sem interrupção, essas duas regiões? E há algum indício, na atual geografia física do oceano Índico, que poderia sugerir sua provável posição? Além disso, qual era a ligação entre esse território e a Austrália, cuja existência durante o período permiano deve ser igualmente pressuposta. E, finalmente, há alguma peculiaridade na fauna e flora existentes na índia, na África e nas ilhas situadas entre esses dois territórios que servisse de suporte à idéia de uma ligação anterior mais direta do que a que agora existe entre a África, o sul da índia e a península malaia? A especulação aqui formulada não é inédita, pois há muito tem sido assunto de reflexão de alguns naturalistas hindus e europeus. Entre esses, eu poderia citar meu irmão [Sr. Blandford] e o Dr. Stoliezka. Suas especulações fundamentam-se na afinidade e parcial identidade das faunas e floras de tempos remotos, bem como na existente conformidade de espécies que levou o sr. Andrew Murray, o sr. Searles, o estudante V. Wood e o Professor Huxley a deduzirem a existência de um continente do mioceno, que ocupava uma parte do oceano Índico. Na verdade, meu único objetivo neste ensaio consiste em tentar fornecer alguma explicação e ampliação adicionais à concepção do seu aspecto geológico.

“Quanto à evidência geográfica, um rápido olhar para o mapa revelará que, desde as cercanias da costa oeste da índia até as ilhas Seychelles, Madagáscar e Maurícia, estende-se uma série de atóis e bancos de coral, entre os quais o banco Adas, as ilhas Laquedivas, Maldivas, o arquipélago Chagos e a Saya de Mulha, o que indica a existência de uma ou várias cadeias de montanhas submersas. Além disso, as ilhas Seychelles, segundo o sr. Darwin, erguem-se sobre um banco extenso e mais ou menos plano, com uma profundidade de trinta a quarenta braças; desse modo, embora hoje parcialmente circundadas por recifes, podem ser consideradas como um prolongamento da mesma Unha de crista submersa. Mais para o oeste, as ilhas Cosmoledo e Comore são formadas de atóis e ilhas circundados por uma linha de recifes de coral, paralela à costa, que nos levam bastante perto das atuais costas da África e de Madagáscar. Essa cadeia de atóis, bancos e recifes parece indicar a posição de uma antiga cadeia de montanhas que, possivelmente, formava a espinha dorsal de uma região das remotas eras paleozóica e mesozóica e da era terciária, mais recente, assim como o sistema alpino e himalaio formam a espinha dorsal do continente eurásico, e as Montanhas Rochosas e os Andes, a das duas Américas. Como é conveniente dar a esse território mesozóico um nome, eu proporia o de Indo-Oceânico. [Contudo, o nome dado pelo sr. Sclater, ou seja, Lemúria, é o que, geralmente, tem sido mais adotado.] O Professor Huxley, apoiando-se em dados paleontológicos, sugeriu a existência de uma ligação terrestre nessa região (ou, mais exatamente, entre a Abissínia e a índia) durante o mioceno. Do que foi dito acima, pode-se constatar que eu pressuponho a sua existência desde uma época muito mais remota.8

Quanto à sua depressão, a única evidência atual relaciona-se com sua extremidade setentrional, e mostra que ela se encontrava nessa região posteriormente às grandes inundações do Deccan. Essas enormes camadas de rocha vulcânica estão notavelmente no plano horizontal, a leste das cordilheiras de Gates e Sakyádri, mas a leste destas começam a inclinar-se em direção ao mar, de modo que a ilha de Bombaim é formada pelas partes mais elevadas da formação. Isso indica apenas que a depressão em direção a oeste ocorreu na era terciária; nesse sentido, a inferência do Professor Huxley, segundo a qual isto se deu após a época miocena, é completamente compatível com a evidência geológica.”

Depois de citar inúmeros exemplos detalhados acerca da estreita afinidade de grande parte da fauna existente nos territórios em estudo (leão, hiena, chacal, leopardo, antílope, gazela, galinha-anã, abetarda indiana, muitos moluscos da terra e, notavelmente, o lêmure e os pangolim), o autor prossegue:

“Assim, a paleontologia, a geografia física e a geologia, assim como com a distribuição de animais e plantas existentes, oferecem também seu testemunho sobre a antiga e estreita ligação entre a África e a índia, incluindo as ilhas tropicais do oceano Indico. Esse território Indo-Oceânico parece ter existido pelo menos desde o remoto período permiano, provavelmente (como assinalou o Professor Huxley) até o fim do período mioceno;9 a África do Sul e a índia peninsular são o que ainda resta desse antigo território. Ele não pode ter sido absolutamente contínuo durante todo esse longo período. Na verdade, as rochas cretáceas da índia meridional e da África do Sul e os leitos marinhos jurássicos das mesmas regiões provam que algumas de suas partes, por períodos mais longos ou mais curtos, foram invadidas pelo mar; mas qualquer quebra de continuidade não foi, provavelmente, prolongada; as pesquisas do Sr. Wallace no arquipélago oriental têm demonstrado como um mar, por mais estreito que seja, pode oferecer um obstáculo intransponível à migração de animais terrestres. Na era paleozóica, esse território deve ter estado ligado à Austrália e, na era terciária, à Malásia, visto que as espécies malaias, com afinidades africanas, são em muitos casos diferentes daquelas da índia. Conhecemos até agora muito pouco acerca da geologia da península oriental para podermos afirmar de que época data sua ligação com o território Indo-Oceânico. O Sr. Theobald apurou a existência de rochas triásicas, cretáceas e numulíticas na cordilheira da costa árabe; e sabe-se da ocorrência de rochas calcárias do período carbonífero ao sul de Moulmein, enquanto a cordilheira a leste do Irrauádi é formada por rochas terciárias mais jovens. Daqui se concluiria que um segmento considerável da península malaia deve ter sido ocupado pelo mar durante a maior parte do mesozóico e do eoceno. Rochas, que servem de suporte a plantas, da época de Raniganj foram identificadas na formação dos contrafortes externos do Siquin, no Himalaia; portanto, o antigo território deve ter ultrapassado um pouco o norte do atual delta gangético. Carvão, tanto do cretáceo como do terciário, é encontrado nos montes Khasi, e também no Alto Assam, mas, em ambos os casos, está associado aos leitos marinhos; de modo que se poderia concluir que, nessa região, os limites da terra e do mar oscilaram um pouco durante o período cretáceo e o eoceno. Ao noroeste da índia, a existência de grandes formações dos períodos cretáceo e numulítico, que atravessam o Belochistão e a Pérsia, penetrando na estrutura do Himalaia noroeste, prova que nos períodos mais recentes da era mesozóica e do eoceno, a índia não tinha comunicação direta com a Ásia ocidental; ao mesmo tempo, as rochas jurássicas de Kutch, da cordilheira de Salt e do norte do Himalaia demonstram que, no período precedente, o mar cobria grande parte da atual bacia fluvial do Indo; e as formações marinhas triásicas, carboníferas e ainda mais recentes do Himalaia indicam que, desde as épocas mais primitivas até a elevação daquela imensa cadeia, grande parte de sua atual localização esteve, durante muito tempo, coberta pelo mar.

“Resumindo as observações aqui apresentadas, temos:

“lº – O grupo de plantas existentes na índia são encontradas desde o remoto período permiano até os últimos anos do período jurássico, indicando (salvo alguns casos, e localmente) a ininterrupta continuidade de terra e condições de água doce, que podem ter predominado desde tempos muito mais remotos.

“2º _ No remoto período permiano, como na época pós-pliocena, um clima frio predominou nas regiões de baixa latitude e, sou levado a crer, em ambos os hemisférios, simultaneamente. Com o declínio do frio, a flora e a fauna réptil do período permiano disseminaram-se pela África, pela índia e, possivelmente, pela Austrália; ou a flora pode ter existido na Austrália um pouco mais cedo e, desse lugar, ter se disseminado.

“3º – A índia, a África do Sul e a Austrália estavam ligadas, no período permiano, por um continente Indo-Oceânico; e os dois primeiros países permaneceram ligados (no máximo, com apenas breves interrupções) até o fim da época miocena. Durante os últimos anos desse período, essa região também estava ligada à Malaia.

“4º – De acordo com alguns autores anteriores, considero que a localização desse território era demarcada pela série de recifes e bancos de coral que hoje existem entre o mar árabe e a África oriental.

“5º – Até o final da época numulítica não existia nenhuma ligação direta (exceto, possivelmente, por curtos períodos) entre a índia e a Ásia ocidental.”

No debate que se seguiu à leitura do ensaio, o Professor Ramsay “concordou com a opinião do autor quanto à junção da África com a índia e Austrália em eras geológicas”.

O Sr. Woodward “ficou satisfeito ao descobrir que o autor acrescentara mais provas, derivadas da flora fóssil do grupo mesozóico -da índia, em corroboração das opiniões de Huxley, Sclater e outros quanto à existência, no passado, de um antigo continente hoje submerso (a “Lemúria”), existência essa há muito tempo pressagiada pelas pesquisas de Darwin acerca dos recifes de coral”.

“Dos cinco continentes hoje existentes”, escreve Ernst Haeckel na sua extensa obra The History of Creation,10 “nem a Austrália, nem a América e tampouco a Europa podem ter sido esse lar primevo [do homem], ou o chamado ‘Paraíso’, o ‘berço da raça humana’. A maioria das circunstâncias indicam a Ásia meridional como o local em questão. Além da Ásia meridional, o único dos outros atuais continentes que poderia ser considerado sob esse aspecto é a África. Mas há várias circunstâncias (especialmente fatos cronológicos) sugerindo que o lar primitivo do homem foi um continente que hoje se encontra submerso no oceano Índico e que se estendia ao longo do sul da Ásia, como ela é atualmente (e talvez ligando-se diretamente a ela), prolongando-se, para o leste, até as distantes índia e ilhas da Sonda e, para o oeste, até Madagáscar e as costas do sudeste da África. Já mencionamos que na geografia animal e vegetal muitos fatos tornam a antiga existência de um continente ao sul da índia bastante provável. Sclater deu a esse continente o nome de Lemúria, devido aos semimacacos que o caracterizavam. Ao admitirmos que a Lemúria foi o lar primevo do homem, facilitaremos sobremodo a explicação da distribuição geográfica das espécies humanas pela migração.”

Numa obra posterior, The Pedigree of Man, Haeckel postula a existência da Lemúria em alguma era primitiva da história da Terra como um fato reconhecido.

O trecho abaixo, extraído dos escritos do Dr. Hartlaub, pode servir de conclusão a esta parte dedicada a algumas provas referentes à existência da Lemúria, o continente desaparecido:11

“Há cinqüenta e três anos, Isidore Geoffroy St. Hilaire observou que, se tivéssemos de classificar a ilha de Madagáscar levando-se em conta apenas considerações de ordem zoológica, deixando-se de lado sua localização geográfica, poderíamos demonstrar que ela não é nem asiática nem africana, mas bastante diferente desses dois continentes, sendo quase um quarto continente. Poderíamos provar ainda que este quarto continente se diferenciaria, quanto à sua fauna, muito mais da África – que se encontra tão próxima – que da índia – que está tão longe. Com essas palavras, cuja exatidão e fecundidade as pesquisas mais recentes tendem a trazer à plena luz, o naturalista francês formulou, pela primeira vez, o interessante problema, para cuja solução foi há pouco proposta uma hipótese com bases cientificas, pois esse quarto continente de Isidore Geoffroy é a ‘Lemúria’ de Sclater – aquele território submerso que, abrangendo partes da África, deve ter se estendido a grande distância na direção leste, passando pelo sul da índia e pelo Ceilão, e cujos picos mais elevados divisamos nos cumes vulcânicos de Bourbon e Maurícia e na cordilheira central da própria Madagáscar – os últimos refúgios da já extinta raça lemuriana que, em tempos passados, o povoou.”

No caso em questão, havia apenas um modelo arruinado de terracota e um mapa muito mal conservado e amarrotado, de modo que a dificuldade de reconstituir a lembrança de todos os detalhes e, conseqüentemente, de reproduzir cópias exatas foi enorme.

Fomos informados de que os mapas atlantes eram feitos, nos dias da Atlântida, pelos poderosos Adeptos, mas não sabemos se os mapas lemurianos foram modelados por alguns dos instrutores divinos nos dias em que a Lemúria ainda existia, ou se em tempos posteriores, na época atlante.

Contudo, embora resguardando-se de depositar excessiva confiança quanto à absoluta exatidão dos mapas em questão, quem transcreveu dos antigos originais acredita que estes possam, em seus pormenores mais importantes, ser considerados aproximadamente correios.

Dados extraídos de antigos registros

Os outros dados que temos quanto à Lemúria e seus habitantes foram extraídos da mesma fonte e da mesma maneira que nos tornaram possível a redação d’A História da Atlântida. Também neste caso o autor teve o privilégio de obter cópias de dois mapas, um correspondente à Lemúria (e aos territórios limítrofes) durante o período da maior extensão atingida pelo continente, o outro mostrando seus contornos após seu desmembramento pelas grandes catástrofes, mas muito antes de sua destruição definitiva.

Jamais se sustentou que os mapas da Atlântida fossem exatos quanto a um único grau de latitude ou longitude, mas, a despeito da enorme dificuldade de se obter informações no presente caso, deve-se mencionar que a exatidão destes mapas da Lemúria é mais precária ainda. No primeiro caso, havia um globo, um bom baixo-relevo de terracota, e um mapa de pergaminho, ou de algum tipo de pele, muito bem conservado, permitindo, assim, uma ótima reprodução.

Duração provável do continente da Lemúria

Um período de, aproximadamente, quatro a cinco milhões de anos corresponde, provavelmente, à duração do continente da Atlântida, pois foi mais ou menos nessa época que os rmoahals, a primeira sub-raça da Quarta Raça-Raiz que habitou a Atlântida, surgiram numa porção do continente lemuriano, que, nesse tempo, ainda existia. Relembrando que, no processo evolucionário, o algarismo quatro invariavelmente corresponde não só ao nadir do ciclo mas também ao período de mais curta duração, quer no caso de um Manvantara quer no de uma raça, pode-se supor que o total de milhões de anos que se pode atribuir à duração máxima do continente da Lemúria deve ser muitíssimo maior do que aquele que corresponde à duração da Atlântida, o continente da Quarta Raça-Raiz. No caso da Lemúria, porém, não se pode estipular nenhum período de tempo, nem mesmo com uma precisão aproximada. As épocas geológicas, tanto quanto são conhecidas pela ciência moderna, constituem um instrumento de referência contemporânea mais adequado, e dele lançaremos mão.

Os mapas

Mas nem mesmo épocas geológicas, deve-se dizer, são atribuídas aos mapas. Contudo, se nos fosse permitido fazer uma inferência a partir dos dados de que dispomos, o mais antigo dos dois mapas lemurianos, ao que parece, corresponde à configuração do globo terrestre desde o período permiano até o período jurássico, passando pelo triásico, ao passo que o segundo mapa, provavelmente, corresponde à configuração do globo terrestre desde o período cretáceo até o período eoceno.

Pode-se deduzir, a partir do mais antigo dos dois mapas, que o continente equatorial da Lemúria, na época de sua maior extensão, quase circundava o globo, estendendo-se, então, desde o local onde hoje se situam as ilhas do Cabo Verde, a uns poucos quilômetros da costa de Serra Leoa, de onde se projetava para o sudeste, através da África, Austrália, ilhas da Sociedade e de todos os mares interpostos, até um ponto, a poucos quilômetros de distância de um grande continente insulano (mais ou menos do tamanho da atual América do Sul), que se prolongava através do oceano Pacífico, abrangendo o cabo Horn e partes da Patagônia.

Um fato notável, observado no segundo mapa da Lemúria, é o grande comprimento e, em alguns lugares, a excessiva estreiteza do canal que separava os dois grandes blocos de terra nos quais o continente, nessa época, tinha sido dividido. Deve-se observar que o canal hoje existente entre as ilhas de Bali e Lomboque coincide com uma porção do canal que então dividia os dois continentes. Pode-se constatar ainda que esse canal avançava para o norte pela costa oriental de Bornéu, e não pela ocidental, como supôs Ernst Haeckel. No que diz respeito à distribuição da fauna e da flora e à existência de muitas espécies encontradas tanto na índia como na África, relacionadas pelo Sr. Blandford, pode-se observar que, entre algumas regiões da índia e grandes trechos da África havia, durante o período do primeiro mapa, uma ligação por terra e que uma comunicação semelhante também foi parcialmente mantida no período do segundo mapa. Além disso, uma comparação dos mapas da Atlântida com os da Lemúria demonstrará que sempre houve uma comunicação por terra, ora numa época, ora noutra, entre regiões bastante diferentes da superfície terrestre hoje separadas pelo mar, de modo que a atual distribuição da fauna e da flora nas duas Américas, na Europa e nos países orientais, que tem sido um verdadeiro enigma para os naturalistas, pode ser facilmente explicada.

A ilha indicada no mapa lemuriano mais antigo, localizada a noroeste do extremo promontório daquele continente e diretamente a oeste da atual costa da Espanha, foi, provavelmente, um centro de onde proveio, durante muitas épocas, a distribuição da fauna e da flora acima mencionada. Pode-se perceber – e este é um fato muito interessante – que essa ilha deve ter sido do começo ao fim o núcleo do subsequente grande continente de Atlântida. Ela existia, como vemos, nesses mais remotos tempos lemurianos. No período do segundo mapa, estava unida ao território que, anteriormente, fazia parte do grande continente lemuriano; e, de fato, nessa época ela recebera tantos acréscimos de território que poderia ser mais apropriadamente considerada um continente do que uma ilha. Ela foi a grande região montanhosa da Atlântida em seus primórdios, quando a Atlântida abrangia grandes extensões de terra que hoje se tornaram as Américas do Sul e do Norte. Ela permaneceu a região montanhosa da Atlântida na sua decadência, e a de Ruta, na época de Ruta e Daitya, e praticamente constituiu a ilha de Posseidones – o último fragmento do continente da Atlântida -, cuja submersão definitiva ocorreu no ano de 9564 a.C.

Comparando-se estes dois mapas com os quatro mapas da Atlântida, verifica-se ainda que a Austrália, a Nova Zelândia, Madagáscar, porções da Somália, o sul da África e a extremidade meridional da Patagônia são territórios que, provavelmente, existiram durante todas as catástrofes que se sucederam desde os primeiros anos do período lemuriano. O mesmo pode-se dizer das regiões meridionais da índia e do Ceilão, salvo uma submersão temporária do Ceilão na época de Ruta e Daitya.

É verdade que, atualmente, ainda existem extensões de terra que pertenceram ao continente hiperbóreo, muito mais antigo; são, naturalmente, as mais antigas regiões conhecidas na face da terra: a Groenlândia, a. Islândia, Spitzbergen, a maior parte das regiões ao norte da Noruega e da Suécia e a extremidade setentrional da Sibéria.

Os mapas mostram que o Japão permaneceu acima da água, quer como ilha, quer como parte de um continente, desde a época do segundo mapa lemuriano. A Espanha também existia, sem dúvida, desde esse tempo. A Espanha é, portanto, provavelmente, com exceção da maior parte das regiões setentrionais da Noruega e da Suécia, o território mais antigo da Europa.

O caráter indeterminado das afirmações feitas toma-se necessário pelo nosso conhecimento de que aí ocorreram afundamentos e elevações de diferentes porções da superfície terrestre durante épocas situadas entre os períodos representados pelos mapas.

Por exemplo, sabemos que, logo após a época do segundo mapa lemuriano, toda a península malaia submergiu e assim permaneceu por longo tempo, mas uma subsequente elevação dessa região deve ter ocorrido antes da época do primeiro mapa atlante, pois o que é hoje a península malaia nele aparece como parte de um grande continente. De modo análogo, em épocas mais recentes, ocorreram repetidos afundamentos e elevações de menor importância bem próximos da minha terral natal, e Haeckel está perfeitamente correto ao dizer que a Inglaterra – ele poderia, com maior precisão, ter dito as ilhas da Grã-Bretanha e Irlanda, que naquela época, estavam unidas – “tem sido repetidamente ligada ao continente europeu, e repetidamente dele apartada”.

A fim de tornar o assunto mais claro, anexamos a este texto uma tabela, fornecendo uma história condensada da vida animal e vegetal em nosso globo, equiparada – segundo Haeckel – aos estratos de rocha que lhe são coetâneos. As outras duas colunas fornecem as raças humanas coetâneas e os grandes cataclismos que são do conhecimento de estudiosos do Ocultismo.

Os répteis e as florestas de pinheiros

Pode-se observar nessa tabela que o homem lemuriano viveu na época dos répteis e das florestas de pinheiros. Os monstruosos anfíbios e os fetos gigantescos do período permiano ainda medravam nos climas úmidos e moderadamente quentes. Os plesiossauros e ictiossauros existiam em grande número nos tépidos pântanos do período mesolítico, mas, com o secamente de muitos dos mares interiores, os dinossauros – os monstruosos répteis terrestres – gradualmente tornaram-se a espécie dominante, enquanto os pterodáctilos -os sáurios que desenvolveram asas semelhantes às do morcego – não só rastejavam pela terra como também voavam pelo ar. Destes, o menor era mais ou menos do tamanho de um pardal; o maior, no entanto, com uma envergadura superior a cinco metros, excedia o maior dos pássaros hoje existentes. A maior parte dos dinossauros -os Dragões – eram terríveis animais carnívoros, répteis colossais que chegavam a ter de doze a quinze metros de comprimento.12 Escavações posteriores revelaram esqueletos de dimensões ainda maiores. Consta que o professor Ray Lankester, numa reunião da Royal Institution, a 7 de janeiro de 1904, referiu-se a um esqueleto de brontossauro com vinte metros de comprimento, descoberto numa jazida de eólito, na região meridional dos Estados Unidos da América.

Como está escrito nas estâncias do arcaico Livro de Dzyan, “Animais com ossos, dragões das profundezas e diabos-marinhos voadores somaram-se as criaturas rastejantes. Os que rastejavam no chão ganharam asas. Os aquáticos, de pescoços longos, tornaram-se os progenitores das aves do ar”. A ciência moderna registra o seu endosso. “A classe dos pássaros, como já foi observado, está tão estreitamente associada aos répteis quanto à estrutura interna e ao desenvolvimento embrionário, que, sem dúvida, originaram-se de um ramo dessa classe. … A derivação de pássaros a partir dos répteis ocorreu, pela primeira vez, na época mesolítica, mais exatamente durante o triásico”.13

No reino vegetal, essa época também conheceu o pinheiro e a palmeira que, gradualmente, substituíram os gigantescos fetos. Nos últimos anos da época mesolítica, apareceram pela primeira vez os mamíferos, mas os restos fósseis do mamute e do mastodonte, seus representantes mais primitivos, encontram-se, sobretudo, nos estratos posteriores, correspondentes aos períodos eoceno e mioceno.



O reino humano

Antes de fazer qualquer referência ao que, mesmo nesta época primitiva, deve ser chamado de o reino humano, é preciso deixar claro que nenhum daqueles que, no momento atual, podem apresentar uma razoável dose de cultura mental ou espiritual podem pretender ter vivido nessa época. Foi apenas com o advento das três últimas sub-raças dessa Terceira Raça-Raiz que o menos desenvolvido do primeiro grupo de Pitris Lunares principiou a retomar à encarnação, enquanto o mais avançado dentre eles não nasceu antes das primeiras sub-raças do período atlante.

Na verdade, o homem lemuriano, ao menos durante a primeira fase da raça, deve ser considerado muito mais como um animal, destinado- a atingir o gênero humano, do que um humano, segundo a nossa compreensão do termo; pois, embora o segundo e terceiro grupos de Pitris, que constituíram os habitantes da Lemúria durante suas quatro primeiras sub- raças, tenham alcançado suficiente auto-consciência no Manvantara Lunar para diferenciá- los do reino animal, ainda não tinham recebido a Centelha Divina que os dotaria de mente e individualidade – em outras palavras, que os tornaria verdadeiramente humanos.

Tamanho e consistência do corpo do homem

A evolução dessa raça lemuriana constitui, portanto, um dos mais obscuros bem como um dos mais interessantes capítulos do desenvolvimento do homem, pois durante esse período ele não só atingiu a verdadeira natureza humana, mas também seu corpo passou por enormes mudanças físicas, enquanto os processos de reprodução por duas vezes foram alterados.

Para se compreender as surpreendentes afirmações que terão de ser feitas a respeito do tamanho e da consistência do corpo do homem nesse período primitivo, deve-se ter em mente que, enquanto os reinos animal, vegetal e mineral prosseguiam seu curso normal neste quarto globo, durante o Quarto Ciclo deste Manvantara, foi ordenado que a humanidade deveria recapitular, numa sequência rápida, as várias etapas que sua evolução atravessara durante os ciclos anteriores do atual Manvantara. Assim, os corpos da Primeira Raça-Raiz, nos quais estes seres quase desprovidos de mente estavam destinados a adquirir experiência, ter-nos-iam parecido gigantescos espectros – caso, é claro, nos fosse possível vê-los, pois seus corpos eram formados de matéria astral. As formas astrais da Primeira Raça-Raiz foram então gradualmente envolvidas por um invólucro mais físico. Muito embora a Segunda Raça-Raiz possa ser chamada de física -sendo seus corpos compostos de éter -, eles seriam igualmente invisíveis à visão tal como esta existe hoje.

Essa síntese do processo de evolução foi ordenada, segundo nos informaram, a fim de que Manu e os Seres que o auxiliavam pudessem obter os meios para aperfeiçoar o tipo físico de natureza humana. O mais elevado desenvolvimento que o tipo até então atingira era a imensa criatura, semelhante ao macaco, que existira nos três planetas físicos – Marte, Terra e Mercúrio – durante o Terceiro Ciclo. Na época da afluência de vida humana à Terra, neste Quarto Ciclo, naturalmente um determinado número dessas criaturas semelhantes ao macaco aqui se encontrava – o resíduo deixado no planeta durante seu período de obscurecimento. Sem dúvida, essas criaturas uniram-se à crescente maré humana assim que a raça tornou-se inteiramente física. Nesse caso, seus corpos não podem ter sido totalmente postos de lado; eles podem ter sido utilizados, pela maior parte dos entes pouco desenvolvidos, para propósitos de reencarnação, mas o que se exigia era um melhoramento desse tipo, e isso era mais facilmente obtido por Manu, através da elaboração, no plano astral em primeiro lugar, do arquétipo originalmente formado na mente do Logos.

Portanto, da Segunda Raça Etérica desenvolveu-se a Terceira -a Lemuriana. Seus corpos tornaram-se materiais, sendo compostos de gases, líquidos e sólidos, que constituem as três subdivisões mais inferiores do plano físico, mas os gases e líquidos ainda predominavam, pois suas estruturas vertebradas ainda não haviam se solidificado, tal como as nossas, em ossos e, portanto, não podiam manter-se eretos. Na verdade, seus ossos eram tão flexíveis quanto os dos bebês hoje em dia. Somente em meados do período lemuriano o homem desenvolveu uma sólida estrutura óssea.

Para explicar a possibilidade do processo pelo qual a forma etérica evoluiu para uma forma mais física, e a forma física de ossos moles finalmente desenvolveu-se numa estrutura tal como a que o homem hoje possui, é necessário apenas aludir ao átomo físico permanente.14 Contendo, como contém, a essência de todas as formas através das quais o homem passou no plano físico, ele continha, portanto, a potencialidade de uma estrutura física de ossos duros, tal como a que foi alcançada durante o curso do Terceiro Ciclo, bem como a potencialidade de uma forma etérica e todas as fases intermediárias, pois é preciso lembrar que o plano físico consiste em quatro graus de éter, bem como em gases, líquidos e sólidos – que tantos se inclinam a considerar como os únicos constituintes do físico. Assim, cada etapa do desenvolvimento foi um processo natural, pois foi um processo que havia sido consumado em épocas bastante remotas, e a Manu e aos Seres que o auxiliavam bastou juntar ao átomo permanente a espécie de matéria apropriada.

Órgãos de visão

Os órgãos de visão dessas criaturas, antes que elas desenvolvessem ossos, eram de natureza rudimentar; ao menos essa era a condição dos dois olhos dianteiros, com os quais procuravam obter seu aumento no chão. Mas havia um terceiro olho na parte posterior da cabeça, cujo resíduo atrofiado é hoje conhecido como a glândula pineal. Esta, como sabemos, é agora exclusivamente um centro de visão astral, mas na época da qual estamos falando era o centro principal, não só da visão astral mas também da visão física. Consta que o professor Ray Lankester, aludindo aos répteis já extintos numa conferência na Royal Institution, chamou a atenção para “o tamanho do orifício parietal no crânio, o que revela que, nos ictiossauros, o olho parietal ou pineal, no alto da cabeça, deve ter sido muito grande”. A esse respeito ele chegou a dizer que o gênero humano era inferior a esses enormes lagartos marítimos, “pois tínhamos perdido o terceiro olho, que poderia ser observado no lagarto comum, ou melhor, no grande lagarto azul do sul da França”.15

Um pouco antes da metade do período lemuriano, provavelmente durante a evolução da terceira sub-raça, esse gigantesco corpo gelatinoso lentamente começou a se solidificar e os membros de ossos moles desenvolveram uma estrutura óssea. Essas criaturas primitivas eram agora capazes de se manter cretas e os dois olhos na face tornaram-se gradualmente os órgãos principais da visão física, embora também o terceiro olho ainda permanecesse, até certo ponto, um órgão de visão física, o que se deu até o fim da época lemuriana. Naturalmente, ele continuava sendo um órgão da visão psíquica, como ainda é um foco potencial. Essa visão psíquica continuou a ser um atributo da raça, não só durante todo o período lemuriano, mas também nos dias da Atlântida.

Um curioso fato a se notar é que, quando a raça alcançou, pela primeira vez, o poder de permanecer e de se movimentar numa postura ereta, também podia andar para trás, com quase  a mesma facilidade com que andava para a frente. Isso pode ser explicado, não só pela capacidade de visão que o terceiro olho possuía, mas sem dúvida também pela curiosa protuberância nos calcanhares, que será em breve mencionada.

Descrição do homem lemuriano

O que se segue é uma descrição de um homem que pertenceu a uma das últimas sub-raças – provavelmente à quinta. “Sua estatura era gigantesca, algo em torno de 3,5 a 4,5 m. Sua pele era bastante escura, de cor pardo-amarelada. Ele tinha a mandíbula inferior alongada, um rosto estranhamente achatado, olhos pequenos, porém penetrantes, e localizados curiosamente muito separados um do outro, de modo que podia ver tão bem lateralmente como de frente, enquanto o olho na parte posterior da cabeça – onde, naturalmente, os cabelos não cresciam – também lhe possibilitava enxergar nessa direção. Ele não tinha testa; em seu lugar havia algo parecido a um rolo de carne. A cabeça inclinava-se para trás e para cima, de modo um tanto curioso. Os braços e as pernas (sobretudo os primeiros) eram .mais compridos do que os nossos e não podiam ser perfeitamente esticados nos cotovelos ou nos joelhos; as mãos e os pés eram enormes e os calcanhares projetavam-se para trás, de modo canhestro. Vestia-se com um manto folgado, feito de uma pele semelhante à do rinoceronte, porém mais escamosa, provavelmente a pele de algum animal que nós agora conhecemos apenas através de seus restos fósseis. Ao redor da cabeça, onde o cabelo era bem curto, era amarrado um outro pedaço de pele enfeitada com borlas de cores vermelha-escuro, azul e outras. Na mão esquerda, segurava um bastão pontudo que, sem dúvida, era usado para defesa ou ataque. Esse bastão era mais ou menos da altura de seu próprio corpo, isto é, 3,5 a 4,5 m. Na mão direita, amarrava a extremidade de uma longa corda, feita de alguma espécie de trepadeira, com a qual conduzia um réptil imenso e horrendo, parecido com o plesiossauro. Na verdade, os lemurianos domesticavam essas criaturas e treinavam-nas para aproveitar sua força na caça a outros animais. O aspecto desse homem produzia uma sensação desagradável, mas não era de todo incivilizado, sendo um espécime comum e típico de sua época.”

Muitos eram ainda menos humanos na aparência do que o indivíduo aqui descrito, mas a sétima sub-raça desenvolveu um tipo superior, embora muito diferente de qualquer homem existente no tempo atual. Embora conservando a mandíbula inferior projetada, os grossos lábios pesados, a face achatada e os olhos de aspecto misterioso, eles tinham, por esse tempo, desenvolvido alguma coisa que poderia ser chamada de testa, ao passo que a curiosa projeção do calcanhar fora consideravelmente reduzida. Num ramo desta sétima sub-raça, a cabeça poderia ser descrita como quase oviforme – sendo a menor extremidade do ovo a parte superior, com os olhos bem separados e muito próximos do alto da cabeça. A estatura diminuirá sensivelmente e o aspecto das mãos, dos pés e dos membros de modo geral tomara-se mais semelhante aos dos negros de hoje. Esse povo desenvolveu uma importante e duradoura civilização, dominando por milhares de anos a maioria das outras tribos que viviam no vasto continente lemuriano; e, mesmo no final, quando a degeneração racial parecia prestes a surpreendê-lo, conseguiu mais uma nova vida e poder através da miscigenação com os rmoahals – primeira sub-raça dos atlantes. A progênie, embora mantendo, como é natural, muitas características da Terceira Raça, na verdade pertencia à Quarta Raça e, assim, naturalmente obteve uma nova força de desenvolvimento. A partir desse tempo, seu aspecto geral tornou-se bastante parecido com o de alguns índios americanos, exceto pela pele, que tinha uma curiosa coloração azulada, inexistente hoje em dia.

Contudo, por mais surpreendentes que possam ser as mudanças no tamanho, na consistência e na aparência físicas do homem durante esse período, as alterações no processo de reprodução são ainda mais espantosas. Uma alusão aos métodos que hoje prevalecem entre os reinos mais inferiores da natureza pode nos auxiliar no estudo do assunto.

Processos de reprodução

Após citar os processos mais simples de procriação pela auto-divisão e pela formação de gemas (gemação), Haeckel prossegue: “Um terceiro modo de procriação assexuada, o da formação de gemas germinativas (polisporogonia), está intimamente associado à formação de gemas. No caso dos organismos inferiores, imperfeitos, entre os animais, especialmente no caso de animais e vermes semelhantes a plantas, muitas vezes descobrimos que, no interior de um indivíduo composto de muitas células, um pequeno grupo de células separam-se daquelas que as circundam e que esse pequeno grupo isolado gradualmente se desenvolve num indivíduo que se torna semelhante ao ser de origem e, mais cedo ou mais tarde, sai de dentro dele. … A formação de gemas germinativas é, evidentemente, um tanto diferente da verdadeira produção por gemação. Mas, por outro lado, está associada a um quarto tipo de procriação assexuada, que é quase uma transição para a reprodução sexual, isto é, a formação de células-germinativas (monosporogonia). Neste caso, já não é um grupo de células, mas uma única célula que se separa das células circundantes no interior do organismo gerador e que se toma mais desenvolvida após ter saído do ser de origem. … A procriação sexual ou anfigônica (anfigonia) é o método usual de procriação entre todos os animais e plantas mais superiores. É evidente que ele só se desenvolveu num período mais recente da história da Terra e a partir da procriação assexuada aparentemente, em primeiro lugar, a partir do método de procriação pelas células-germinativas…. Nas principais formas de procriação assexuada acima mencionadas – cissiparidade, formação de gemas, gemas germinativas e células germinativas – a célula, ou o grupo de células que se separou era capaz, por si mesmo, de se desenvolver num novo indivíduo, mas no caso da procriação sexuada, a célula deve, primeiro, ser fecundada por uma outra substância generativa. O esperma fecundador deve, primeiro, misturar-se com a célula germinativa (o óvulo), antes que esta possa se desenvolver num novo indivíduo. Essas duas substâncias generativas, o esperma e o óvulo, são produzidas por um só indivíduo hermafrodita (hermafroditismo) ou por dois indivíduos diferentes (separação sexual).

A mais simples e mais antiga forma de procriação sexual é através de indivíduos de sexo duplo. Isso ocorre na grande maioria das plantas, porém apenas numa minoria dos animais, tais como nos caracóis de jardim, nas sanguessugas, nas minhocas e em muitos outros vermes. Entre os hermafroditas, cada indivíduo produz dentro de si materiais de ambos os sexos – óvulos e esperma. Na maior parte das plantas superiores, cada flor contém tanto o órgão masculino (estames e antera) como o órgão feminino (estilete e semente). Cada caracol de jardim produz, numa parte de sua glândula sexual, óvulos e, em outra parte, esperma. Muitos hermafroditas podem autofecundar-se; em outros, no entanto, é necessária a fecundação recíproca de dois hermafroditas para provocar o desenvolvimento dos óvulos. Este ultimo caso é, evidentemente, uma transição para a separação sexual.

A separação sexual, que caracteriza o mais complicado dos dois tipos de reprodução sexual, desenvolveu-se evidentemente a partir do estado hermafrodita, num período recente da história orgânica do mundo. No momento, esse é o método universal de procriação dos animais superiores. … A chamada reprodução virginal (partenogênese) oferece uma forma interessante de transição da reprodução sexual à formação assexuada de células germinativas, que em grande parte se lhe assemelha. .. . Neste caso, as células germinativas, que também aparecem e são formadas exatamente como as células-ovo, tornam-se capazes de se desenvolverem em novos indivíduos, sem que para isso haja necessidade da semente fecundada. Os mais extraordinários e instrutivos dos diferentes fenômenos partenogenéticos são fornecidos por aqueles casos nos quais as mesmas células germinativas, caso sejam fecundadas ou não, produzem espécies diferentes de indivíduos. Entre nossas abelhas de mel comuns, um indivíduo macho (um zangão) nasce dos óvulos da rainha, caso o óvulo não tenha sido fecundado; caso o óvulo tenha sido fecundado, nasce uma fêmea (uma rainha ou uma abelha operária). A partir disso, pode-se concluir que, de fato, não há grande distância entre a reprodução sexuada e a assexuada e que esses dois tipos de reprodução estão diretamente associados.16

Ora, o fato interessante relacionado com a evolução do homem da Terceira Raça, na Lemúria, é que seu modo de reprodução passou por etapas bastante semelhantes a alguns dos processos acima descritos. Os termos empregados em A Doutrina Secreta são: nascido do suor, nascido do óvulo e andrógino.

“Quase sem sexo, em seus remotos primórdios, tornou-se bissexual ou andrógino; muito gradualmente, claro. A passagem da primeira à última transformação exigiu inúmeras gerações, durante as quais a célula simples que se originou do mais primitivo antepassado (o dois em um), desenvolveu-se primeiro num ser bissexual; em seguida, a célula, tornando-se um óvulo regular, emitiu uma criatura unissexual. O gênero humano da Terceira Raça é o mais misterioso de todas as cinco raças até agora desenvolvidas. O mistério do “Como”, relacionado com a geração dos sexos separados, deve, é claro, estar muito obscuro aqui, pois, sendo este um assunto para um embriologista, um especialista, a presente obra só pode fornecer um ligeiro esboço do processo. Mas é evidente que os indivíduos da Terceira Raça começaram a se separar e a sair de suas cascas ou ovos pré-natais como bebês do sexo masculino e feminino, séculos após o surgimento de seus antigos progenitores. E com o decorrer dos períodos geológicos, as sub-raças recém-nascidas começaram a perder suas aptidões natais. Perto do fim da quarta sub-raça, o bebê perdia a faculdade de andar, tão logo se libertava de sua casca; e, pelo fim da quinta, o gênero humano nascia sob as mesmas condições e pelo mesmo processo de nossas gerações históricas. Naturalmente, isso exigiu milhões de anos.17

Raças lemurianas que ainda habitam a terra

Não será demais repetir que as criaturas quase desprovidas de mente que habitavam esses corpos, tal como foi acima descrito, durante as primeiras sub-raças do período lemuriano, mal podem ser consideradas inteiramente humanas. Foi só após a separação dos sexos, quando seus corpos tinham se tornado densamente físicos, que eles se tornaram humanos, mesmo na aparência. Deve-se lembrar que os seres dos quais estamos falando, embora abrangendo os segundo e terceiro grupos de Pitris Lunares, também devem ter sido recrutados, em grande número, do reino animal daquele Manvantara (o Lunar). Os remanescentes degenerados da Terceira Raça-Raiz que ainda habitam a Terra podem ser observados nos aborígines da Austrália, nos ilhéus de Andaman, em algumas tribos montesas da índia, nos fueguinos, nos bosquímanos da África e em algumas outras tribos selvagens. As entidades que hoje habitam esses corpos devem ter pertencido ao reino animal na parte inicial deste Manvantara. Provavelmente, foi durante a evolução da raça lemuriana e antes que a “porta fosse fechada”, impedindo a subida do grande número de entidades que nela se aglomeravam, que elas alcançaram o reino humano.

O pecado dos sem-mente

Os atos vergonhosos dos homens desprovidos de mente, por ocasião da primeira separação dos sexos, foram muito bem relatados pelas estâncias do antigo Livro de Dzyan. Nenhum comentário é necessário.

“Durante a Terceira Raça, os animais sem ossos cresceram e se transformaram: converteram-se em animais com ossos; suas châyas tomaram-se sólidas.

“Os animais foram os primeiros a se separar. Começaram a procriar. O homem duplo também se separou. Ele disse: ‘Façamos como eles: unamo-nos e procriemos.’ E assim fizeram.

“E aqueles que não possuíam a centelha tomaram para si imensas fêmeas de animais. Com elas geraram raças mudas. Eles próprios eram mudos. Mas suas línguas se desataram. As línguas de sua progênie permaneceram mudas. Eles geraram monstros. Uma raça de monstros encurvados, cobertos de pêlo vermelho, que andavam de quatro. Uma raça muda para silenciar sua vergonha.” (E um antigo comentário acrescenta: ‘Quando a Terceira se separou e pecou, procriando homens-animais, estes [os animais] tornaram-se ferozes, e os homens e eles mutuamente destrutivos. Até então, não existia pecado, nem vida roubada.’)

“Vendo isso os Lhas, que não tinham construído homens, choravam, dizendo: ‘Os Amanasa (sem mente) macularam nossas futuras moradas. Isto é Karma. Habitemos em outras. Ensinemo-los melhor, a fim de que não suceda o pior.’ E assim fizeram.

“Então todos os homens foram dotados de Manas. E viram o pecado dos sem-mente.”

Origem dos macacos pitecóide e antropóide

A semelhança anatômica entre o homem e o mais desenvolvido dos macacos, tão freqüentemente citada pelos darwinistas, de modo a sugerir algum ancestral comum a ambos, propõe um problema interessante, do qual a solução adequada pode ser encontrada na explicação esotérica da gênese das raças pitecóides.

Ora, nós concluímos, a partir de A Doutrina Secreta,18 que os descendentes desses monstros semi-humanos, acima descritos como provenientes do pecado dos “sem-mente”, tendo através dos séculos diminuído de tamanho e se tornando fisicamente mais densos, culminaram, no período mioceno, numa raça de macacos, da qual, por sua vez, descendem os atuais pitecóides. Com esses macacos do período mioceno, porém, os atlantes dessa época repetiram o pecado dos “sem-mente” – desta vez com plena responsabilidade, e os resultantes do seu crime são as espécies de macacos hoje conhecidas como antropóides.

Tudo leva a crer que, no advento da Sexta Raça-Raiz, esses antropóides obterão encarnação humana, sem dúvida nos corpos das raças mais inferiores que então existirem na Terra.

A região do continente lemuriano onde ocorreu a separação dos sexos e onde tanto a quarta como a quinta sub-raças floresceram pode ser observada no mais antigo dos dois mapas. Ela ficava a leste da região montanhosa da qual a atual ilha de Madagáscar fazia parte, ocupando assim uma posição central ao redor do menor dos dois grandes lagos.

Origem da linguagem

Como relatam as Estâncias de Dzyan acima transcritas, os homens daquela época, embora houvessem se tornado inteiramente físicos, ainda continuavam mudos.

Naturalmente, os ancestrais astrais e etéricos desta Terceira Raça-Raiz não tinham necessidade de produzir uma série de sons a fim de transmitir seus pensamentos, vivendo, como viviam, num estado astral e etérico; contudo, quando o homem se tornou físico, não podia permanecer mudo por muito tempo. Fomos informados de que os sons que esses homens primitivos emitiam, a fim de expressarem seus pensamentos, eram, a princípio, formados apenas de vogais. Com o lento decorrer da evolução, gradualmente os sons consonantais começaram a ser usados, mas o desenvolvimento da linguagem, desde o princípio até o final do continente da Lemúria, nunca ultrapassou a etapa monossilábica. A atual língua chinesa é a única descendente direta da antiga língua lemu-riana19, pois “toda a raça humana tinha, naquele tempo, uma só linguagem e um só lábio”.20

Na classificação das línguas elaborada por Humboldt, a chinesa, como sabemos, é chamada isolante, por distinguir-se da aglutinante, mais evoluída, e da flexiva, ainda mais evoluída. Os leitores da História da Atlântida devem se lembrar de que muitas línguas diferentes se desenvolveram naquele continente, mas todas eram do tipo aglutinante, ou, como prefere Max Müller, combinatório, embora o desenvolvimento ainda mais importante da linguagem reflexiva, nas línguas árica e semítica, tenha sido reservado à nossa própria era da Quinta Raça-Raiz.

A primeira vida roubada

A primeira ocasião de pecado, a primeira vida roubada – mencionada no antigo comentário das Estâncias de Dzyan acima transcrito – pode ser considerada como indicativa do comportamento que então se instalou entre os reinos humano e animal, o qual, desde então, tem atingido terríveis proporções, não só entre homens e animais, mas entre as diferentes raças humanas. E isso abre uma via de reflexão muito interessante.

O fato de reis e imperadores considerarem necessário ou apropriado, em todas as ocasiões oficiais, apresentarem-se com o traje de uma das subdivisões combatentes de suas forças armadas é um indício significativo da apoteose alcançada pelas qualidades combativas no homem! O costume, sem dúvida, data de uma época em que o rei era o chefe guerreiro e sua realeza era reconhecida unicamente em virtude de ele ser o guerreiro mais eminente. Mas agora que a Quinta Raça-Raiz está em ascendência, cuja principal característica e função é o desenvolvimento do intelecto, poderíamos supor que o atributo dominante da Quarta Raça-Raiz não deveria ser ostentado com tanto alarde. Mas a era de uma raça sobrepõe-se parcialmente à outra e, como sabemos, embora as principais raças do mundo pertençam à Quinta Raça-Raiz, a grande maioria de seus habitantes ainda pertence à Quarta; portanto, tem-se a impressão de que a Quinta Raça-Raiz ainda não superou as características da Quarta Raça-Raiz, pois a evolução humana se efetua de modo bastante gradual e lento.

Seria interessante resumir aqui a história desse conflito e dessa matança desde sua gênese, na Lemúria, há milhões de séculos.

A partir dos dados já fornecidos pelo autor, parece que o antagonismo entre homens e animais desenvolveu-se em primeiro lugar. Com a evolução do corpo físico do homem, naturalmente um aumento apropriado para esse corpo tomou-se uma necessidade urgente, de modo que, além do antagonismo criado pela necessidade de autodefesa contra os animais ferozes dessa época, o desejo de alimento também impeliu os homens à matança e, como vimos acima, um dos primeiros usos que eles fizeram de sua mentalidade em formação foi treinar animais para agirem como perseguidores, durante a caçada.

Uma vez despertado o elemento de luta, em breve os homens começaram a utilizar armas ofensivas uns contra os outros. As causas de agressão eram, naturalmente, idênticas àquelas que hoje existem nas comunidades selvagens. A posse de qualquer objeto desejável por um de seus semelhantes era motivo suficiente para um homem tentar toma-lo à força. Tampouco a luta se limitava a atos individuais de agressão. Como ocorre entre os atuais selvagens, bandos de saqueadores podiam atacar e pilhar as comunidades que viviam em aldeias distantes das suas. A guerra na Lemúria, porém, nunca foi além dessas proporções, conforme fomos informados, mesmo no fim de sua sétima sub-raça.

Estava destinado aos atlantes desenvolver o esquema de combate em linhas organizadas – reunir e treinar exércitos e construir esquadras. Na verdade, este esquema de combate foi a característica fundamental da Quarta Raça-Raiz. Durante todo o período atlante, como sabemos, a luta armada foi a ordem do dia, e travavam-se constantes batalhas terrestres e navais. E esse princípio de luta tornou-se tão profundamente arraigado na natureza humana durante o período atlante que, mesmo hoje, a mais intelectualmente desenvolvida das raças áricas está militarmente preparada para lutar entre si.

As artes

Para traçar o desenvolvimento das artes entre os lemurianos, temos de começar pela história da quinta sub-raça. A separação dos sexos estava, então, totalmente concluída e o homem habitava um corpo inteiramente físico, embora ainda de estatura gigantesca. A guerra ofensiva e defensiva com os monstruosos animais carnívoros já se iniciara e os homens começaram a viver em cabanas. Para construí-las, abatiam árvores e empilhavam-nas de maneira rude. A princípio cada família vivia isolada na sua própria clareira aberta na selva, mas logo descobriram que, para se defenderem das feras, era mais seguro agruparem-se e viverem em pequenas comunidades. As cabanas, que eram feitas com rudes troncos de árvores, passaram a ser construídas com pedras grandes e arredondadas, enquanto as armas com que atacavam ou se defendiam dos dinossauros e de outras feras eram lanças de madeira afiada, semelhantes ao bastão que o homem, cujo aspecto foi descrito anteriormente, empunhava.

Até essa época, a agricultura ainda não era conhecida e a utilidade do fogo não havia sido descoberta. O alimento de seus ancestrais sem ossos, que se arrastavam pela terra, eram coisas que eles podiam encontrar no chão ou logo abaixo da superfície do solo. Agora que andavam eretos, muitas das árvores silvestres proviam sua subsistência com nozes e frutas, mas seu aumento principal era a carne dos animais que matavam, retalhavam e devoravam.

Mestres da raça lemuriana

Ocorreu então um evento significativo, cujas consequências foram muito importantes para a história da raça humana. Um evento, aliás, de grande significado místico, pois seu relato traz à luz Seres que pertenciam a sistemas de evolução inteiramente diferentes e que, não obstante, vieram, nessa época, juntar-se à nossa humanidade.

O lamento dos Lhas, “que não tinham construído homens”, ao verem suas futuras moradas contaminadas é, à primeira vista, dificilmente compreensível. Embora a descida desses Seres nos corpos humanos não seja o evento principal que temos a referir, devemos tentar, antes, uma explicação de sua causa e consequência. Ora, tudo leva a crer que esses Lhas eram a humanidade mais altamente desenvolvida de algum sistema de evolução que completara seu curso numa época pertencente a um passado infinitamente remoto. Eles tinham alcançado um elevado estágio de desenvolvimento em seu conjunto de mundos e, desde sua dissolução, passaram os séculos intermediários na bem-aventurança de algum estado nirvânico. Mas seu karma necessitava agora de retornar a algum campo de ação e de causais físicas e, como ainda não tinham aprendido inteiramente a lição da compaixão, sua tarefa temporária consistia então em tornarem-se guias e mestres da raça lemuriana, que nessa época precisava de toda ajuda e orientação que eles pudessem dar.

Contudo, outros Seres também se dedicaram à tarefa – neste caso, voluntariamente. Vieram do esquema de evolução que tem Vênus como seu único planeta físico. Esse esquema já alcançou o Sétimo Ciclo de seus planetas no seu Quinto Manvantara; sua humanidade, portanto, encontra-se num nível muito mais elevado do que o alcançado pelos homens comuns deste planeta. Eles são “divinos”, ao passo que somos apenas “humanos”. Os lemurianos, como vimos, estavam então apenas a um passo da autêntica natureza humana. Foi para suprir uma necessidade temporária – a educação da nossa humanidade infantil – que esses Seres divinos vieram – assim como nós, possivelmente daqui a séculos, também poderemos ser designados para prestar ajuda a seres que, em Júpiter ou Saturno, tenham dificuldade em atingir a natureza humana. Sob sua orientação e influência, os lemurianos rapidamente atingiram o desenvolvimento mental. A atividade de suas mentes, com sentimentos de amor e reverência para com aqueles que reconheciam ser infinitamente mais sábios e mais poderosos que eles, naturalmente fez surgir tentativas de imitação; assim, o desenvolvimento necessário quanto ao crescimento mental foi conquistado, o que transformou o revestimento mental superior num veículo capaz de transportar as características humanas de uma vida a outra, garantindo desse modo essa expansão da Vida Divina que dotou o receptor com a imortalidade individual. Segundo as palavras das antigas Estâncias de Dzyan, “Então todos os homens foram dotados de Manas”.

Contudo, deve-se registrar uma significativa diferença entre a vinda dos Seres sublimes do esquema de Vênus e a daqueles descritos como a humanidade mais altamente desenvolvida de algum sistema anterior de evolução. Os primeiros, como vimos, não estavam sob nenhum estímulo kármico. Vieram como homens, para viver e trabalhar entre eles, mas não lhes era exigido que assumissem suas limitações físicas, estando em condições de se munirem de veículos que lhes fossem apropriados.

Por outro lado, os Lhas precisavam realmente nascer nos corpos da raça, tal como esta existia então. Melhor teria sido, tanto para eles como para a raça, se não tivesse havido hesitação ou demora da parte deles em se dedicarem à sua tarefa kármica, pois o pecado dos sem-mente teria sido evitado, bem como todas as suas consequências. Além disso sua tarefa teria sido bem mais fácil, pois consistia não só em procederem como guias e mestres, mas também em aperfeiçoarem o tipo racial – em suma, em desenvolverem a forma semi-humana, semi-animal, então existente, no futuro corpo físico do homem.

E preciso lembrar que, até então, a raça lemuriana era constituída pelos segundo e terceiro grupos de Pitris Lunares. Mas agora que eles estavam se aproximando do nível alcançado pelo primeiro grupo de Pitris na cadeia lunar, tornava-se-lhes necessário retornar de novo à encarnação, o que eles fizeram durante as quinta, sexta e sétima sub-raças (na verdade, alguns só foram nascer no período atlante), de modo que o impulso dado ao progresso da raça foi uma força cumulativa.

As posições ocupadas pelos seres divinos da cadeia de Vênus eram, naturalmente, as de governantes, instrutores de religião e professores de artes, e é nesta última qualidade que uma alusão às artes por eles ensinadas vem ajudar este nosso estudo da história dessa antiga raça.

As artes continuaram

Sob orientação de seus divinos mestres, o povo começou a aprender o uso do fogo e os meios pelos quais podiam obtê-lo, a princípio, através da fricção e, mais tarde, pelo uso de pederneiras e ferro. Foi-lhes ensinado a explorar metais, a fundi-los e a moldá-los e, em vez de madeira pontuda, eles agora começavam a usar lanças com ponta de metal pontiagudo.

Também lhes foi ensinado cavar e arar o solo e a cultivar as sementes do grão silvestre até aprimorá-los. Esse aperfeiçoamento, levado a cabo, através das vastas épocas que decorreram desde então, resultou na evolução dos vários cereais que hoje possuímos -cevada, aveia, milho, painço, etc. Contudo, deve-se registrar aqui uma exceção. O trigo não foi desenvolvido neste planeta, como os outros cereais. Foi um presente dos seres divinos, que o trouxeram de Vênus, já pronto para servir de aumento ao homem. Mas o trigo não foi o único presente. A única espécie entre os animais, cujo tipo não foi desenvolvido em nossa cadeia de mundos, é a abelha. Também ela foi trazida de Vênus.

Em seguida, os lemurianos começaram a aprender a arte de fiar e tecer tecidos com os quais faziam suas roupas. Estas eram fabricadas com o áspero pêlo de alguma espécie de animal hoje extinto, mas que guardava certa semelhança com os atuais lhamas, dos quais foi, provavelmente, o ancestral. Como já vimos, as vestes primitivas do homem lemuriano eram mantos de pele tirada dos animais que ele matava. Nas regiões mais frias do continente, essas vestes ainda eram usadas, mas agora ele aprendera a curtir e a adornar a pele, embora de modo rudimentar.

Uma das primeiras coisas ensinadas ao povo foi o uso do fogo no preparo do alimento e, quer se tratasse da carne de animais que matavam ou de grãos de trigo triturados, seu modo de cozinhar era bastante idêntico ao que sabemos existir hoje entre as comunidades selvagens. Com referência ao presente do trigo, tão maravilhosamente trazido de Vênus, os governantes divinos sem dúvida perceberam as vantagens de, imediatamente, produzir esse alimento para o povo, pois sabiam que levaria muitas gerações antes que o aperfeiçoamento das sementes silvícolas pudesse fornecer um suprimento adequado.

Durante o período das quinta e sexta sub-raças, o povo era rude e bárbaro, e os que tiveram o privilégio de entrar em contato com seus mestres divinos foram, naturalmente, insuflados com sentimentos de reverência e culto, a fim de serem ajudados a erguerem-se acima do seu estado selvagem. Além disso, a constante afluência de seres mais inteligentes, vindos do primeiro grupo de Pitris Lunares, que estavam então iniciando seu retorno à encarnação, ajudou na ob- tenção de um estado mais civilizado.

Grandes cidades e estátuas

Durante o período mais recente, correspondente às sexta e sétima sub-raças, eles aprenderam a construir grandes cidades. Sua arquitetura parece ter sido ciclópica, correspondendo aos corpos gigantescos da raça. As primeiras cidades foram construídas naquela extensa região montanhosa do continente que, como pode ser visto no primeiro mapa, incluía a atual ilha de Madagáscar. Uma outra grande cidade é descrita em A Doutrina Secreta21 como tendo sido inteiramente construída de blocos de lava. Ela ficava a uns 50 km a oeste da atual ilha de Páscoa e posteriormente foi destruída por uma série de erupções vulcânicas. As estátuas gigantescas da ilha de Páscoa – medindo, em sua grande maioria, cerca de 8 m de altura por 2,5 m de largura – provavelmente foram projetadas para representar não só as feições mas também a altura dos que as esculpiram ou, talvez, as de seus ancestrais, pois é provável que as estátuas tenham sido erguidas nos últimos séculos dos atlantes-lemurianos. Pode-se observar que, durante o período do segundo mapa, o continente do qual a ilha de Páscoa fazia parte fora fragmentado e a própria ilha de Páscoa tornara-se uma ilha comparativamente menor, apesar das dimensões consideravelmente grandes que ela conserva hoje em dia.

Civilizações de relativa importância surgiram em diferentes partes do continente e das grandes ilhas, onde os habitantes ergueram cidades e viveram em comunidades organizadas; grandes tribos, porém, que também eram parcialmente civilizadas, continuaram a levar uma vida nômade e patriarcal, ao passo que, outras regiões do território – em muitos casos, as menos acessíveis, como em nosso tempo – foram povoadas por tribos de tipo extremamente inferior.

Religião

Com uma raça de homens tão primitiva, no melhor dos casos, havia muito pouco a lhes ser ensinado no campo da religião. Algumas regras simples de conduta e os preceitos mais elementares de moralidade eram tudo o que eles podiam compreender ou praticar. É verdade que, durante a evolução da sétima sub-raça, seus instrutores divinos ensinaram-lhes uma forma primitiva de culto e transmitiram-lhes o conhecimento de um Ser Supremo, cujo símbolo era representado pelo sol.

Destruição do continente

Ao contrário do destino da Atlântida, que foi submersa por enormes vagalhões, o continente da Lemúria pereceu pela ação vulcânica. Foi devastado pelas cinzas ardentes e pela poeira incandescente de inúmeros vulcões. Terremotos e erupções vulcânicas, é verdade, introduziram cada uma das grandes catástrofes que surpreenderam a Atlântida, mas depois que a terra foi sacudida e dilacerada, o mar avançou impetuosamente e completou o trabalho, e a grande maioria dos habitantes morreu afogada. Os lemurianos, por outro lado, pereceram principalmente queimados ou asfixiados. Outro contraste marcante entre o destino da Lemúria e o da Atlântida foi que, enquanto quatro grandes catástrofes completaram a destruição desta última, a Lemúria foi lentamente devastada por incêndios que se espalharam pelo continente, pois, a partir do instante em que o processo de desintegração começou, até o fim do período do primeiro mapa, não houve interrupção da atividade causticante e, numa parte ou noutra do continente, a ação vulcânica permaneceu constante, e a consequência inevitável disso foi o afundamento e o desaparecimento total do território, assim como aconteceu com a ilha de Krakatoa, em 1883.

A erupção do monte Pelée, que causou a destruição de Saint-Pierre, a capital da Martinica, foi tão parecida com as séries de catástrofes vulcânicas do continente da Lemúria que uma descrição fornecida por alguns sobreviventes dessa ilha pode ser interessante: “Uma imensa nuvem negra irrompeu subitamente da cratera do monte Pelée e precipitou-se com incrível velocidade, sobre a cidade, destruindo tudo – habitantes, casas e vegetação – que encontrava em seu caminho. Em dois ou três minutos ela atravessou a cidade, que se transformou num monte de ruínas em chamas. Em ambas as ilhas [Martinica e São Vicente] as erupções caracterizaram- se pela súbita liberação de imensas quantidades de poeira incandescente, misturada com vapor, que desceu pelas íngremes encostas com velocidade sempre crescente. Em São Vicente, essa poeira acumulou-se em muitos vales, atingindo uma profundidade de mais ou menos 30 a 60 m e, meses após as erupções, ainda estava muito quente, e as chuvas pesadas que então caíram sobre ela causaram enormes explosões, produzindo nuvens de vapor e poeira que se projetavam a uma altura de 450 até 600 m, enchendo os rios de lama negra e fervente.” O capitão Freeman, do Roddam, falou da “impressionante experiência que ele e seu grupo tiveram na Martinica. Uma noite, quando estavam numa pequena chalupa, ancorados a cerca de um quilômetro e meio de Saint-Pierre, a montanha explodiu de uma forma que, aparentemente, era uma exata repetição da erupção original. Não foi inteiramente sem aviso; por isso, eles puderam navegar, imediatamente, de 2 a 3 km para mais longe, o que, provavelmente, os salvaria. Na escuridão, viram o pico incandescer com uma brilhante luz vermelha; logo em seguida, com explosões estrondosas, enormes pedras incandescentes foram projetadas e rolaram pelas encostas. Após alguns minutos, ouviu-se um longo ruído retumbante e, logo a seguir, uma avalanche de poeira incandescente precipitou-se para fora da cratera e rolou pela encosta com uma velocidade, segundo eles, de aproximadamente 160 km por hora, com uma temperatura de 1.000°C. Quanto à provável explicação destes fenômenos, o capitão Freeman disse que não foi vista lava alguma jorrando dos vulcões, mas apenas vapor e uma fina poeira quente. Os vulcões eram, portanto, do tipo explosivo; e de todas as suas observações, ele concluiu que a ausência de derramamento de lava devia-se ao fato de o material do interior da cratera ser parcialmente sólido ou, pelo menos, bastante viscoso, de modo que não podia fluir como uma torrente comum de lava. Desde o regresso do capitão Freeman, esta teoria tinha recebido impressionante confirmação, pois sabia-se então que, no interior da cratera do monte Pelée, não havia nenhum lago de lava derretida, mas que um sólido pilar de rocha incandescente estava se erguendo lentamente, formando um grande monte cônico, pontiagudo, até elevar-se, finalmente, acima do antigo cume da montanha. Sua altura era de, aproximadamente, 300 metros e crescera lentamente, à medida que fora forçado para cima pela pressão de baixo, enquanto, de vez em quando, ocorriam explosões de vapor, desalojando grandes pedaços de seu topo ou de suas encostas. O vapor era liberado do interior dessa massa à medida que ela esfriava e, nesse momento, a rocha entrava num estado perigoso e altamente explosivo, de modo que, cedo ou tarde, teria de ocorrer uma explosão que despedaçaria uma grande parte dessa massa, convertendo-a numa poeira fina e incandescente”.22

Uma consulta ao primeiro mapa lemuriano mostrará que, no lago situado a sudeste da extensa região montanhosa, havia uma ilha cujas dimensões não ultrapassavam as de uma grande montanha. Essa montanha era um vulcão muito ativo. As quatro montanhas que se encontravam a sudoeste do lago também eram vulcões ativos, e foi nessa região que começou a dilaceração do continente. Os cataclismos sísmicos que se seguiram às erupções vulcânicas causaram ta- manho estrago que, durante o período do segundo mapa, uma grande porção da parte sul do continente estava submersa.

Uma característica marcante da superfície do território nó começo da época lemuriana era o grande número de lagos e pântanos, bem como os inúmeros vulcões. O mapa, naturalmente, não registra todos esses detalhes, mas apenas algumas das grandes montanhas que eram vulcões e alguns dos maiores lagos.

Um outro vulcão, na costa nordeste do continente, começou seu trabalho de destruição numa data remota. Os terremotos completaram a dilaceração e parece provável que o mar indicado no segundo mapa, penteado de pequenas ilhas a sudeste do atual Japão, indique a área dos distúrbios sísmicos.

Pode-se observar, no primeiro mapa, que havia lagos no centro do atual continente insular da Austrália – lagos onde a terra hoje se mostra bastante seca e crestada. Durante o período do segundo mapa, esses lagos desapareceram e parece natural supor que, durante as erupções dos grandes vulcões situados a sudeste (entre as atuais Austrália e Nova Zelândia), as regiões onde esses lagos se encontravam devem ter sido de tal modo devastadas pela poeira vulcânica incandescente que as inúmeras nascentes secaram.

Origem da raça atlante

Em conclusão deste esboço, uma alusão ao processo pelo qual a Quarta Raça-Raiz surgiu será bastante apropriada para encerrarmos aquilo que conhecemos acerca da história da Lemúria, encadeando-se à história da Atlântida.

Como já foi registrado por outras obras anteriores que abordaram esta matéria, o núcleo destinado a se tornar a nossa grande Quinta Raça-Raiz ou árica foi escolhido a partir da quinta sub-raça, ou raça semítica, da Quarta Raça-Raiz. Contudo, não foi antes da época da sétima sub-raça na Lemúria que a humanidade se desenvolveu o bastante, psicologicamente, para justificar a escolha de indivíduos aptos a se tornarem os pais de uma nova Raça-Raiz. Assim,, foi da sétima sub-raça que se deu a segregação. A princípio, a colônia se instalou na região hoje ocupada pelo Achanti e pela Nigéria ocidental. Uma consulta ao segundo mapa mostrará essa região como um promontório situado a noroeste da ilha-continente, abrangendo o cabo da Boa Esperança e partes da África ocidental.

Tendo sido resguardada, por gerações, de qualquer mistura com um tipo mais inferior, a colônia viu o número de seus habitantes aumentar gradualmente, até chegar a época em que estava pronta a receber e a transmitir o novo impulso à hereditariedade física, que o Manu estava destinado a revelar.

Os estudiosos de Teosofia estão cientes de que, até hoje, ninguém pertencente ao nosso gênero humano teve condições de incumbir-se da sublime função de Manu, embora esteja determinado que o estabelecimento da futura Sexta Raça-Raiz será confiado à orientação de um dos nossos Mestres de Sabedoria – aquele que, embora pertencendo ao nosso gênero humano, atingiu, não obstante, um nível bastante elevado na Hierarquia Divina.

No caso em consideração – o estabelecimento da Quarta Raça-Raiz -, foi um dos Adeptos, vindo de Vênus, que se incumbiu dos deveres de Manu. Naturalmente, ele pertencia a uma ordem bastante elevada, pois deve-se compreender que, dos Seres que vieram do sistema de Vênus como governantes e mestres da nossa humanidade ainda infantil, nem todos se encontravam no mesmo nível. É esta circunstância que fornece uma razão para o notável fato que, a título de conclusão, pode ser mencionado – a saber, que existiu, na Lemúria, uma Loja de Iniciação.

Uma loja de iniciação

Naturalmente, a Loja não foi fundada com o objetivo de beneficiar a raça lemuriana. Alguns deles, suficientemente desenvolvidos, foram, é verdade, ensinados pelos Gurus Adeptos, mas a instrução de que necessitavam limitava-se à explicação de alguns fenômenos físicos, tal como o fato de que a Terra se move ao redor do sol, ou à explicação do aspecto diferente que os objetos físicos assumiam quando expostos, alternadamente, à visão física e à visão astral.

A Loja foi fundada, naturalmente, em benefício daqueles que, embora dotados com os extraordinários poderes de transferir sua consciência do planeta Vênus para a nossa Terra e de munir-se, enquanto aqui permaneciam, de veículos apropriados às suas necessidades e ao trabalho que deviam executar, estavam ainda seguindo o curso de sua própria evolução.23 Em seu benefício – em benefício daqueles que, tendo iniciado o Caminho, haviam alcançado apenas os graus mais inferiores, foi que se fundou essa Loja de Iniciação.

Embora, como sabemos, a meta da evolução normal seja muito maior e mais gloriosa do que, do nosso atual ponto de vista, se pode conceber, ela não é, de modo algum, sinônimo daquela expansão de consciência que, associada à purificação e ao enobrecimento do caráter – e que só através dessa associação se toma possível -, constitui as alturas às quais conduz o Caminho da Iniciação.

A investigação acerca do que representa essa purificação e enobrecimento do caráter, bem como o esforço para compreender o que essa expansão de consciência realmente significa, são assuntos que foram tratados em outras obras.

Por ora, basta assinalar que o estabelecimento de uma Loja de Iniciação em benefício de Seres que vieram de um outro esquema de evolução é uma indicação da unidade de objetivos e de propósitos no governo e na orientação de todos os esquemas de evolução criados pelo nosso Logos Solar. Além do curso normal do nosso próprio esquema, há, nós sabemos, um Caminho pelo qual Ele pode ser diretamente alcançado, o qual, a cada filho de homem, em seu progresso através dos tempos, é permitido ser informado e, se assim escolher, trilhá-lo. Achamos que também foi assim no esquema de Vênus, e presumir que é ou será assim em todos os esquemas que fazem parte de nosso sistema Solar. Este Caminho é o Caminho da Iniciação e o fim a que ele conduz é idêntico para todos, e esse fim é a União com Deus.

Notas:

1. Haeckel está perfeitamente correto ao conjeturar que a Lemúria foi o berço da raça humana, tal como esta hoje existe, mas não
foi a partir dos macacos antropóides que a espécie humana se desenvolveu. Mais adiante será feita uma referência a respeito da
posição real que o macaco antropóide ocupa na Natureza.

2. Ernst Haeckel, History of Creaúon, 2? ed., 1876, vol. I, pp. 360-62.

3. Alfred Russell Wallace, The GeographicalDistribution of Animais – with a study of the relations of living and extinct Faunas
as elucidating the past changes of the Earth’s Surface. Londres, Macmillan & Co., 1876, vol. I, pp. 76-7.

4. O Ceilão e o sul da índia realmente eram limitados, ao norte, por uma considerável extensão de mar, mas isso se deu numa
época bem anterior ao período terciário.

5. Wallace, Geographical Distribution, etc., vol. I, pp. 328-9.

6. Wallace, Geographical Distribution, etc., vol. II, p. 155.

7. H. F. Blandford, “Sobre a idade e as correlações do grupo de plantas existentes na índia e a existência anterior de um
continente indo-oceânico”, ver Quarterly Journal of the Geológica! Society, vol. 31, 1875, pp. 534-540.

8. Uma consulta aos mapas revelará que a estimativa do Sr. Blandford é a mais correia das duas.

9. Partes do continente permaneceram, naturalmente, mas acredita-se que o desmembramento da Lemúria ocorreu antes
do início da época eocena.

10. Vol. II, pp. 325-6.

11. Dr. G. Hartlaub, “On the Avifauna of Madagáscar and the Mascarene Islands”, ver The Ibis, Periódico Trimestral de
Ornitologia – Série 4*, Vol. I, 1877, p. 334.

12. Ernst Haeckel, History of Creation, Vol. II, pp. 22-56.

13. Ernst Haeckel, History of Creation, Vol. II, pp. 226-7.

14. Para uma explicação adicional dos átomos permanentes em todos os planos, bem como das potencialidades neles contidas, no que toca aos processos de morte e renascimento, ver Man’s Place in Universe, pp. 76-80.

15. O Standard, 8 de janeiro de 1904.

16.  Ernest Haeckel, The History of Creation, 2- ed., Vol. I, pp. 193-8.

17. TheSecretDoctrine,Vo. II, p. 197.

18. Vol. II, pp. 683 e 689.

19. No entanto, deve-se observar que o povo chinês descende, principalmente, da quarta sub-raça, ou raça turaniana, da Quarta
Raça-Raiz.

20. The Secret Doctrine, Vol. II, p. 198.

21. Vol. II, p. 317.

22. The Times, 14 de setembro de 1903.

23. As alturas por eles alcançadas terão seu correspondente quando a nossa humanidade, daqui a um período de tempo incalculável, tiver alcançado o Sexto Ciclo da nossa cadeia de mundos e, nessa época longínqua, os mesmos poderes transcendentes serão usufruídos pelo mais comum entre os homens.

FIM

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/lemuria-o-continente-desaparecido/