A Iniciação ao Segundo Grau da Bruxaria

A Iniciação de Segundo Grau dentro do Paganismo promove um bruxo ou bruxa de Primeiro Grau a Sumo-Sacerdote ou Sumo-Sacerdotisa; não necessariamente a líder do seu Coventículo, claro. Se os nossos leitores não se importarem que estabeleçamos um paralelo com os militares, a distinção é a mesma da existente entre “um” Coronel ou “o” Coronel; o primeiro significa que estamos a falar do detentor de um determinado posto, o segundo que estamos a falar do comandante de uma unidade em particular.

 

Um bruxo(a) de Segundo Grau pode iniciar outros apenas, claro, do sexo oposto, e para o 1.º ou 2.º Graus. Estamos aqui a falar acerca da Tradição normal Alexandrina ou Gardneriana. A auto-iniciação, e a fundação de Coventículos quando não existe ajuda exterior disponível, é outro assunto, e iremos aprofundá-lo na Secção XXIII; mas mesmo aí sugerimos que, quando um Coventículo “auto-criado” está devidamente estabelecido e a funcionar, deve ser bem entendido que se deve manter nas regras Alexandrinas/Gardnerianas (ou na tradição equivalente em que se baseou).

 

Queremos pôr muito ênfase na opinião que iniciar alguém acarreta responsabilidade para o Iniciador, tanto em decidir se o Postulante é adequado (ou, se potencialmente adequado, se está preparado) para esta fase, como em garantir que o seu treino irá continuar. A Iniciação pode ter repercussões psíquicas e kármicas muito fortes, e se for dada de uma forma irresponsável, os resultados podem tornar-se parte do karma do próprio Iniciador. Os líderes dos Coventículos devem lembrar-se disto quando decidem se alguém está pronto para o segundo grau, e perguntar-se a si próprios em particular se o candidato é maduro o suficiente para lhe ser confiado o direito de iniciar outros; se não, os seus erros podem muito bem recair no seu karma!

 

Se um bruxo(a) de segundo grau acabado de iniciar tiver sido bem escolhido e devidamente ensinado, é óbvio que não estará ansioso de apressadamente iniciar pessoas só porque as regras o permitem. A prática no nosso Coventículo (e, estamos certos, em muitos outros) tem sido sempre que bruxos(as) de segundo e terceiro grau que não sejam o Sumo-Sacerdote ou a Sumo-Sacerdotisa não conduzem normalmente iniciações excepto a pedido, ou com a aprovação, da Sumo-Sacerdotisa. Muitas vezes isto acontecerá se o Postulante é um amigo apresentado pelo membro em causa, ou se estes desejam ser companheiros de trabalho. Ou pode ser feito para dar ao membro prática e auto-confiança no Ritual.

 

Outra implicação de ser um(a) bruxo(a) de Segundo Grau é que se pode, com a aprovação da Sumo-Sacerdotisa, deixar o Coventículo e fundar o seu próprio Coventículo com o companheiro de trabalho. Nesse caso, fica-se ainda sob as orientações do Coventículo de origem até os seus líderes decidirem que se está pronto para a independência total; eles darão então a Iniciação de Terceiro Grau, depois da qual ficam completamente autónomos. (Nós próprios seguimos este padrão; o Alex e a Maxim Sanders deram-nos o Segundo Grau no dia 17 de Outubro de 1970; mantivemo-nos no Coventículo deles mais alguns meses e então, com a sua aprovação, trouxemos três dos seus estudantes que ainda não tinham sido iniciados e fundámos o nosso próprio Coventículo em 22 de Dezembro de 1970, iniciando nós próprios estes estudantes. No dia 24 de Abril de 1971 Sanders deu-nos o Terceiro Grau, e o nosso Coventículo tornou-se então independente. Temos razões para acreditar que o Alex, pelo menos mais tarde, desejou que o cordão umbilical não tivesse sido cortado tão cedo. Mas aconteceu, e sem malícia estamos preparados para aguardar o resultado.)

 

A tradição, pelo menos na Arte Gardneriana, é que a nova base do Coventículo deve estar a pelo menos 5 quilómetros do antigo e que os seus membros devem evitar qualquer contacto com os membros do antigo Coventículo. Qualquer contacto necessário deve existir apenas entre o Sumo-Sacerdote e a Sumo-Sacerdotisa dos dois Coventículos. Esta prática é chamada de “fora do Coventículo” e obviamente tem as suas raízes nos séculos de perseguição.

 

Seria muito difícil observá-lo na prática nos nossos dias, particularmente em condições urbanas; esta regra, por exemplo, seria quase impraticável em locais como Londres, Nova Iorque, Sydney ou Amesterdão. Mas ainda há muito a dizer acerca de “voiding the Coventículo” no sentido da prevenção deliberada e da sobreposição de trabalho entre o Coventículo antigo e o novo. Se isto não for feito, as fronteiras esbater-se-ão, e o novo grupo terá muitas dificuldades em estabelecer a sua própria identidade e em construir o seu próprio espírito de grupo. Pode mesmo existir uma tendência, entre os membros mais fracos do novo Coventículo, de “fugir para a Mamã” com críticas aos seus líderes que a “Mamã”, se for sábia, desencorajará firmemente.

 

A Maxime impôs a regra do “fora do Coventículo” rigorosamente no seu recém-formado grupo; e, em retrospectiva, estamos satisfeitos que o tenha feito.

 

Dois ou mais Coventículos (incluindo os Coventículos com estas relações e seus “frutos”) podem sempre juntar-se, por convite ou por acordo mútuo, para um dos Festivais do Ano, e estes Festivais combinados podem ser muito agradáveis; mas são ocasiões de celebração e não de trabalho. Trabalhos combinados, por outro lado, não são geralmente muito boa ideia, excepto com objectivos específicos e em circunstâncias especiais (o exemplo clássico é talvez o famoso esforço em tempo de guerra dos Bruxos do Sul de Inglaterra de frustrar os planos de invasão de Hitler no entanto o “objectivo específico”, a motivação não tem de ser tão forte como esta.)

 

Os bruxos de Segundo e Terceiro Grau formam os “anciães” do Coventículo. Como, e quantas vezes, são estes chamados nesta qualidade, é da responsabilidade da Sumo-Sacerdotisa. Mas, por exemplo, num assunto disciplinar em que a Sumo-Sacerdotisa sinta que não deve apenas agir com a sua autoridade pessoal, os “anciães” fornecem um “júri” natural. A Sumo-Sacerdotisa deve ser a líder inquestionável do Coventículo e dentro do círculo, absolutamente; se alguém tem dúvidas honestas acerca das suas decisões, a questão pode ser calmamente levantada depois do Círculo ter sido banido. Mas ela não deve ser uma tirana prepotente. Se ela e o seu Sumo-Sacerdote tiverem respeito e depositarem confiança suficientes em membros específicos do seu Coventículo para os fazerem anciães, devem dar o devido valor aos seus conselhos quanto às decisões do Coventículo e ao trabalho a ser feito.

 

Todas estas questões parecem desviar o assunto da Iniciação de Segundo Grau para tópicos mais gerais; mas é extremamente relevante para esta questão decidir quem está e quem não está pronto para o Segundo Grau.

 

É como diz o próprio ritual de Iniciação: os Textos B e C do Livro das Sombras de Gardner são idênticos. A primeira parte do ritual de segundo grau segue um padrão similar ao do primeiro (apesar das diferenças próprias): o acto de atar o Iniciado, a apresentação aos pontos cardeais, as chicotadas rituais, a consagração com óleo, vinho e lábios, o desatar, a apresentação dos instrumentos de trabalho (mas desta vez para serem utilizados ritualmente pelo Iniciado de imediato) e a segunda apresentação aos pontos cardeais.

 

Existem três elementos que pertencem ao ritual de Segundo Grau que não são parte do ritual de Primeiro Grau.

 

Primeiro, é atribuído ao Iniciado um nome de Bruxo (nome mágico), que ela ou ele escolheu previamente. A escolha é inteiramente pessoal. Pode ser um nome de um Deus ou de uma Deusa que expresse uma qualidade a que o Iniciado aspire, como Vulcano, Thétis, Thoth, Poséidon ou Ma’at. (Os nomes mais elevados de cada panteão particular, como Zeus ou Ísis, devem, sugerimos, ser evitados; eles podem ser interpretados como arrogância implícita do Iniciado). Ou pode ser um nome de uma figura histórica ou lendária, de novo implicando um aspecto particular, como Amerfin o Bardo, Morgana, a Feiticeira, Orpheus, o Músico, ou Pythia, o Oráculo. Pode mesmo ser um nome sintético construído com as letras iniciais de aspectos que criem um equilíbrio desejável no Iniciado (um processo desenhado a partir de um certo tipo de magia ritual). Mas, qualquer que seja a escolha, não deve ser casual ou apressada; uma consideração e meditação aprofundadas antes da escolha é em si um acto mágico.

 

Segundo, depois do Juramento o Iniciador ritualmente envia todo o seu poder para o Iniciado. Também isto não é uma cerimónia, mas um acto de concentração mágica deliberada, em que o Iniciador aposta tudo o possível em manter e lidar com a continuidade do poder psíquico na Arte (Craft no original).

 

E em terceiro lugar, o uso ritual das cordas e do chicote é a ocasião para dramatizar uma lição acerca do que é muita vezes chamado de “efeito boomerang”; nomeadamente, que qualquer esforço mágico, quer para fazer o bem ou fazer o mal, retorna a triplicar para a pessoa que o faz. O Iniciado usa as cordas para amarrar o Iniciador da mesma forma que o Iniciado(a) foi amarrado anteriormente, e então dá ao Iniciador três vezes as chicotadas rituais que o Iniciador lhe deu. Isto é ao mesmo tempo uma lição e um teste para verificar se o Iniciado amadureceu o suficiente para reagir às acções de outras pessoas com a necessária contenção. Um aspecto mais subtil da lição é que, apesar de o Iniciador estar no comando, este não é fixo nem eterno, mas é antes uma confiança o tipo de confiança que agora está depositada também no Iniciado; porque ambos (Iniciador e Iniciado) têm por último posição igual no plano cósmico, e ambos são canais para o poder ser invocado, não a sua fonte.

 

A segunda parte do ritual é a leitura, ou aprovação, da Lenda da “Descida da Deusa do Mundo do Subterrâneo”. Temos esta em completo detalhe, acompanhado com os movimentos a executar, na Secção XIV dos Oito Sabbats para Bruxas; assim tudo o que aqui fazemos é transmitir o texto em si, como surge nos Textos B e C do Livro das Sombras. A Doreen Valiente comenta que o nosso texto no Oito Sabates para Bruxas “é um pouco mais cheio que este (e incidentalmente aponta que a palavra “Controlador” na p.171, linha 7, da primeira edição devia ser “Consolador” (trad.à letra!).) Gardner dá uma versão ligeiramente diferente no Capítulo III da Witchcraft Today(1); mas aqui mantivemo-nos no conteúdo do Texto C (com duas pequenas excepções ver p. 303, notas 10 e 11.)

 

A Doreen diz-nos que no Coventículo de Gardner, “esta Lenda era lida depois da Iniciação de Segundo Grau, quando todos estavam calmamente sentados no Círculo. Se existissem suficientes pessoas presentes, poderia ser também dramatizada, com os intervenientes fazendo os gestos enquanto uma pessoa lê alto a Lenda.”

 

No nosso representamos sempre a Lenda enquanto um narrador a lê e é possível que tenhamos os actores a ler as suas próprias falas. Pensamos que a Lenda dramatizada, com o Iniciado no papel de Senhor do Submundo se for um homem, ou de Deusa se for uma mulher, é muito mais eficaz que uma mera leitura da Lenda. É uma questão de opção; mas aqueles que partilham a nossa preferência por uma representação são referidos no “Oito Sabates para Bruxas”.

 

No ritual que se descreve abaixo, uma vez que o Iniciado já é bruxo(a), referimo-nos sempre como “Iniciado”; e voltamos a referir-nos ao Iniciador como “ela”, o Iniciado como “ele”, e o Companheiro como “ele”, por uma questão de simplicidade apesar de, como antes, poder ser ao contrário.

 

Queríamos referir que os bruxos Americanos usam agora universalmente o pentagrama direito isto é, apenas com uma ponta para cima como sigla do Segundo Grau, porque o pentagrama invertido é associado com o pensamento americano sobre o satanismo. Os bruxos europeus, no entanto, ainda usam o tradicional pentagrama invertido, com as duas pontas para cima, mas sem implicações sinistras. O simbolismo europeu significa que, não obstante os quatro elementos de Terra, Ar, Fogo e Água estarem agora em equilíbrio, ainda dominam o quinto, o Espírito. O pentagrama direito do Terceiro Grau simboliza que agora o Espírito domina, rege os outros. Dada a diferença entre o uso Europeu e o Americano, damos duas alternativas no procedimento da unção no ritual que se segue.

 

A Preparação

Tudo é preparado como para um Círculo normal, com os seguintes itens adicionais também preparados:

  • Uma venda;
  • Três comprimentos de corda vermelha: uma com 2,75m e duas com 1,45m;
  • Óleo de unção;
  • Uma vela branca nova não acesa;
  • Um pequeno sino de mão;
  • Algumas jóias;
  • Um colar no Altar;
  • Um véu;
  • Uma coroa;

As jóias são para a mulher fazer o papel de Deusa; assim, se o ritual for de “Véu do Céu” estas devem obviamente ser coisas como pulseiras, anéis e brincos, e não alfinetes de peito! A coroa é para o homem que representa o papel de Deus do Submundo e pode ser tão simples como um círculo de arame se nada melhor estiver disponível.

A venda deve ser de algum material opaco, como para o primeiro grau; mas o véu deve ser leve, fino e bonito, e preferentemente numa das cores da Deusa azul, verde ou prateado.

O Ritual

O ritual de abertura é o usual até ao fim da invocação do “Grande Deus Cernunnos”, com o Iniciado a tomar o seu lugar normal no Coventículo. No fim da invocação de Cernunnos, o Iniciado vai para o centro do Círculo e é atado e vendado pelos bruxos do sexo oposto, exactamente como na Iniciação de primeiro grau.

O Iniciador conduz o Iniciado aos pontos cardeais em volta e diz:

“Ouçam ó Poderosos do Este [Sul, Oeste, Norte], ___________(nome vulgar), um Sacerdote e Bruxo consagrado, está agora devidamente preparado para ser Sumo Sacerdote e Mago [Sumo Sacerdotisa e Rainha Feiticeira](2)

O Iniciador conduz o Iniciado de volta para o centro do Círculo e vira-o para o altar. Ele e o Coventículo dão as mãos e rodeiam-no três vezes.(3)

Os bruxos que ataram o Iniciado completam agora a tarefa desapertando as pontas soltas das cordas do joelho e tornozelo e apertando os joelhos e tornozelos juntos. Podem então ajudá-lo a ajoelhar-se em frente ao altar.

O Iniciador diz:

“Para atingir este sublime grau, é necessário sofrer e ser purificado. Estás disposto a sofrer para aprender?”

O Iniciado diz:

“Estou.”

O Iniciador diz:

“Purifico-te para que tomes acertadamente este grande Juramento.”

O Iniciador vai buscar o chicote ao altar, enquanto o Companheiro toca o sino três vezes e diz: “Três.”

O Iniciador dá três chicotadas leves ao Iniciado.

O Companheiro diz: “Sete.” (Não volta a tocar o sino)

O Iniciador dá sete chicotadas leves ao Iniciado.

O Companheiro diz: “Nove.”

O Iniciador dá nove chicotadas leves ao Iniciado.

O Companheiro diz: “Vinte e Um.”

O Iniciador dá vinte e uma chicotadas leves ao Iniciado. Então dá o chicote ao Companheiro (que o recoloca junto com o sino no altar) e diz:

“Dou-te agora um novo nome,_________[o seu nome mágico escolhido]. Qual é o teu nome?” Ele dá-lhe uma pequena pancada enquanto pergunta(4).

O Iniciado responde:

“O meu nome é __________(repetindo o seu novo nome mágico.)

Cada membro do Coventículo em volta dá então ao Iniciado uma pequena pancada ou empurrão, perguntando “Qual é o teu nome?” e o Iniciado responde sempre “O meu nome é________.” Quando o Iniciador decide que é suficiente, dá um sinal ao Coventículo para parar, tomando os seus membros os respectivos lugares

O Iniciador então diz (frase a frase):

“Repete o teu nome depois de mim, dizendo: “Eu,_________, juro sobre o ventre da minha mão, e pela minha honra entre os homens e entre os meus Irmãos e Irmãs da Arte, que nunca revelarei, a qualquer pessoa, algum dos Segredos da Arte, excepto se for uma pessoa merecedora, devidamente preparada, no centro de um Círculo Mágico como este onde agora estou. Isto eu juro pelas minhas esperanças na salvação, pelas minhas vidas passadas, e pelas minhas esperanças nas vidas futuras ainda para vir; e destino-me e à minha medida à destruição se eu quebrar este meu Juramento solene.” O Iniciador ajoelha-se ao lado do Iniciado e põe a sua mão esquerda sob o seu joelho e a sua mão direita na sua cabeça, para formar a Ligação Mágica.

Então diz:

“Deposito em ti todo o meu poder.”

Mantendo as mãos na posição da Ligação Mágica ele concentra-se pelo tempo que julgar necessário para depositar todo o seu poder no Iniciado.(5)

Depois disto, levanta-se.

Os bruxos que amarraram o Iniciado avançam, libertam os joelhos e tornozelos do Iniciado e ajudam-no a levantar-se. O Companheiro traz o cálice de vinho e o óleo de unção.

O Iniciador molha a ponta do dedo no óleo e diz:

“Consagro-te com óleo.”

Então toca no Iniciado com o óleo mesmo acima do pêlo púbico, no seu peito direito, na sua anca esquerda, na sua anca direita, no seu peito direito e novamente acima do pêlo púbico, completando o pentagrama invertido do Segundo Grau.6

(No uso Americano: garganta, anca direita, peito esquerdo, peito direito, anca esquerda, e garganta novamente.)

Molha então o dedo no vinho, diz “Consagro-te com vinho”, e toca-lhe nos mesmos locais com o vinho.

Então diz “Consagro-te com os meus lábios”, beija-o nos mesmos locais e continua: “Sumo Sacerdote e Mago (Sumo Sacerdotisa e Rainha Feiticeira).”

As bruxa que amarraram o Iniciado avançam e removem a venda para o cumprimentar e lhe dar os parabéns, beijando-o ou apertando a mão conforme apropriado. Uma vez isto feito, o ritual continua com a apresentação e uso dos instrumentos de trabalho. À medida que cada instrumento é nomeado, o Iniciador trá-lo do altar e dá-o ao Iniciado com um beijo. Outro bruxo do mesmo sexo que o Iniciador espera, e à medida que cada ferramenta acaba de ser apresentada, recebe-a do Iniciado com um beijo e recoloca-a no altar.

Para começar, o Iniciador diz:

“Agora irás usar os Instrumentos de Trabalho. Primeiro, a Espada Mágica.”

O Iniciado pega na espada e reabre o Círculo, mas sem falar.

O Iniciador diz: “Em segundo lugar, o Athame.”

O Iniciado pega no Athame e novamente reabre o Círculo sem falar.

O Iniciador diz: “Em terceiro lugar, a Faca de Cabo Branco.”

O Iniciado pega na faca de cabo branco e vai buscar a vela branca por acender ao altar. Então usa a faca para inscrever um pentagrama na vela, que recoloca depois no altar.(7)

O Iniciador diz: “Em quarto lugar, a Varinha.”

O Iniciado pega na varinha e agita-a aos quatros pontos cardeais em volta.(8)

O Iniciador diz: “Em quinto lugar, o Cálice.”

Então o Iniciado e o Iniciador consagram juntos o vinho no cálice.(9)

O Iniciador diz: “Em sexto lugar, o Pentáculo.”

O Iniciador pega no Pentáculo e mostra-o aos quatro pontos cardeais em volta.

O Iniciador diz: “Em sétimo lugar, o Incensário.”

O Iniciado pega no Incensário e transporta-o à volta do perímetro do Círculo.

O Iniciador diz: “Em oitavo lugar, as Cordas.”

O Iniciado pega nas cordas e, com a ajuda do Companheiro, amarra o Iniciador da mesma maneira que ele próprio foi amarrado. Iniciado e Companheiro ajudam então o Iniciador a ajoelhar-se em frente ao altar.

O Iniciador diz:

“Em nono lugar, o Chicote. Para que aprendas, na Arte (Witchcraft) deves sempre dar como receber, mas sempre a triplicar. Por isso onde te dei três, devolve nove; onde dei sete, devolve vinte e um; onde dei nove, devolve vinte e sete; onde dei vinte e um, devolve sessenta e três.”

O bruxo que espera entrega o chicote ao Iniciado com um beijo.

O Companheiro diz: “Nove.”

O Iniciado dá nove chicotadas leves ao Iniciador.

O Companheiro diz: “Vinte e Um.”

O Iniciado dá vinte e uma chicotadas leves ao Iniciador.

O Companheiro diz: “Vinte e Sete.”

O Iniciado dá vinte e sete chicotadas leves ao Iniciador.

O Companheiro diz: “Sessenta e Três.”

O Iniciado dá sessenta e três chicotadas leves ao Iniciador.

O Iniciador diz:

“Obedeceste à Lei. Mas lembra-te bem, quando receberes o bem, também estás incumbido de devolver o bem triplamente.”

O Iniciado, com a ajuda do Companheiro, ajuda o Iniciador a levantar-se e desamarra-o.

O Iniciador leva agora o Iniciado a cada um dos pontos cardeais em volta, dizendo: “Ouçam, ó Poderosos do Este [Sul, Oeste, Norte]: __________ [nome mágico]foi devidamente consagrado Sumo Sacerdote e Mago [Sumo Sacerdotisa e Rainha Feiticeira].”

O Coventículo prepara-se agora para a Lenda da “Descida da Deusa do Mundo do Subterrâneo”. O Iniciador nomeia um Narrador para ler a Lenda, se não for ele próprio a ler. Se a Lenda também for dramatizada, então nomeará actores para a Deusa, o Senhor do Submundo, e o Guardião dos Portais. É usual que o Iniciado represente o papel ou de Deusa ou de Senhor do Submundo, de acordo com o sexo, e que o seu companheiro de trabalho (se existir um) represente o outro. Na tradição mitológica restrita, o Guardião deve ser um homem, mas não é essencial.(Nos textos de Gardner, “Guardiães” é plural, mas este facto parece colidir com a mitologia.)

A Lenda da Descida da Deusa do Mundo do Subterrâneo (10)

A nossa Senhora a Deusa nunca amou, mas Ela resolvia todos os Mistérios, até o Mistério da Morte; então fez uma viagem ao Submundo.(11)

Os Guardiães dos Portais desafiaram-na: “Despe os teus trajes, tira as tuas jóias; porque não os podes trazer para esta nossa Terra.”

Então Ela despiu os seus trajes e tirou as suas jóias, e foi amarrada, como todos os que entram no Reino da Morte, a Poderosa.(12)

E era tal a sua beleza, que a própria Morte se ajoelhou e beijou os seus pés, dizendo: “Abençoados sejam os teus pés, que te trouxeram para estes caminhos. Fica comigo; mas deixa-me pôr a minha mão fria no teu coração.”

Ela respondeu: “Eu não te amo. Porque é que acabas com todas as coisas que amo e tens prazer em que esmoreçam e morram?”

“Senhora”, respondeu a Morte, “esta idade e destino, contra as quais nada posso fazer. A idade faz com que todas as coisas murchem; mas quando os homens morrem no fim do tempo, eu dou-lhes descanso e paz, força para que eles possam retornar. Mas Tu! Tu és maravilhosa. Não voltes; fica comigo!”

Mas ela respondeu: “Não te amo”.

Então disse a Morte: “Como não recebeste nem a minha mão ou o teu coração, terás de receber o chicote da Morte”.

“É o destino assim seja,” disse Ela. E Ela ajoelhou-se, e a Morte chicoteou-a carinhosamente. E ela chorou, “Sinto as pancadas do amor”.

E a Morte disse, “Abençoada Sejas!” e deu-lhe o Beijo Quíntuplo, dizendo: “Que assim te possas manter na alegria e conhecimento.” E Ele ensinou-Lhe todos os Mistérios, e Eles amaram e foram um, e Ele ensinou-Lhe todas as Magias.

Porque existem três grandes acontecimentos na vida de um homem: Amor, Morte e Ressurreição no novo corpo; e a Magia controla-os todos. Pois para realizar o Amor deves voltar ao mesmo sítio e lugar e na mesma altura que a pessoa que amas, e deves lembrar-te e amá-la novamente. Mas para renascer tens de morrer e estar pronto para um corpo novo; e para morrer tens de ter nascido; e sem amor não podes nascer; e isto é tudo a Magia.

Notas

(1) . Gardner diz que é possível que as histórias de Ishtar e de Siva podem ter influenciado o mito, ‘mas sob o ponto de vista da história é diferente…. eu penso que a sua origem é provavelmente Céltica’. (Witchcraft Today, pp. 41-2.)

(2) . Este é o teor tradicional de apresentação às Atalaias; mas uma Sumo-Sacerdotisa não é por uma lado chamada ‘a Rainha Bruxa’ até ter um coventículo dela pelo menos dois outros enxamearam fora disto. (Ver Oito Sabates para Bruxas, Capítulo 15).

(3) . O Texto C somente diz: ‘Circular três vezes. Em segurança’. Mas se a Sumo-Sacerdotisa preferir, não há razão nenhuma para que a Letra Runa das Bruxas não deveria ser cantada durante o circular, o qual naquele caso continua até a Runa ter acabado.

(4) . Este interrogatório e “espancamento”, pelo Iniciador e pelo coventículo, é uma adição Alexandriana. Nós incluímos isto aqui porque a usamos. Nós encontramos estimulante esta mudança entre as duas solenidades de ritual do açoite e o Juramento e também assegura que todo o coventículo se lembrarão do novo nome. Mas é uma questão de escolha. Texto C corre sem interrupção ‘eu dou para Vós um nome secreto,________ . Repete o teu novo nome depois de mim, dizendo…’ assim Valiente faz um comentário sobre nosso costume: ‘Isto é um antigo costume dos Amarrados, quando as crianças eram determinadas a assoprar a vela ou para mostrar onde eram os limites da paróquia; um costume do antigo povo que acredito, ainda é mantido nalguns lugares’.

(5) . Às vezes é a nossa prática para a Janet chamar Stewart (ou vice-versa) e também o outro lado do Iniciado formar um Vínculo Mágico, assim dará poder a ele ou a ela juntos. Em outras ocasiões, está qualquer um de nós o Companheiro que reforçará há pouco o esforço do Iniciador, com um desses casos nos quais uma sociedade de funcionamento boa vai o que é na ocasião certo, mentalmente.

(6) . Gardner não descreveu em esboço estes cinco pontos em palavras no ritual dele.

(7) . No Texto C diz somente ‘Usa. S.’ (‘S é no Livro das Sombras o beijo). A inscrição na vela é o nosso modo de usar isto. O Iniciado arranja um lugar seguro para a vela, e quando ele funda o próprio coventículo, ele acende a vela no Altar, isto no primeiro Círculo do novo coventículo, e deixa-a queimar completamente. Mesmo que ela não funde o próprio coventículo, mantém a vela como sendo um direito dele.

(8) . A prática Alexandriana é levar a varinha três vez à volta do Círculo dirige-se para os pontos cardeais, somando no total, doze vezes. O resto dos instrumentos são levados para o círculo uma única vez. Desconhecemos a razão disso.

(9) . Nós adicionamos o Cálice na lista de apresentações do Livro das Sombras no Rito do primeiro-grau, pelas razões que nós damos na pág. 258.

(10) . O Texto C é encabeçado ‘The Magical Legend of A.’ e começa: ‘Agora A. Nuca amou, mas ela… ‘. Na Witchcraft Today a versão é encabeçada pelo ‘Mito da Deusa’ e diz: ‘Agora G. nunca tinha amado, mas ela…’. ‘A.’ é o nome da Deusa usado por Gardner, e ‘ G. ‘ deve ser a Deusa, somente há muitos mitos da Deusa, e ‘A Lenda do Descida da Deusa’ melhora como um título identificativo. Os Coventículos podem usar claro o nome de Deusas em vez de ‘nossa Senhora a Deusa’ se preferriem.

(11) . Os textos de Gardner dizem ‘para as Terras Inferiores – um dos raros disparates de Gardner porque soava sempre, comicamente, como ‘para o Países Baixos’ i.e. para a Holanda. Sugerimos realmente que ‘para o Mundo dos Mortos’ é melhor, por essa razão.

(12) . Gardner criou a sua própria nota de rodapé no Livro de Sombras: ‘Costume Céltico de bater nos corpos. A corda que tinha ligado um corpo foi útil para aprender a segunda visão’. Ele repetiu e ampliou esta afirmação em Witchcraft Today em pág. 159, Nota 2.

Janet & Stewart Farrar, A Bíblia das Bruxas

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-iniciacao-ao-segundo-grau-da-bruxaria/

Iniciação no Novo Aeon: O Verdadeiro Eu contém Bem e Mal, O Certo e Avesso

Faça o que tu queres há de ser Tudo da Lei

Nota: originalmente escrito em 14 de abril de 2009

2) O verdadeiro eu contém o bem e o Mau, certo e Avesso

“Meus adeptos ficam de pé ; suas cabeças acima dos céus, seus pés abaixo dos infernos”.

– “Liber Tzaddi”, linha 40

A iniciação no Novo Aeon é “a Criança Crescendo até a Maturidade” pelo assassinato do eu-ego (eu-egóico) cuja “morte é vida por vir” para o Verdadeiro Eu. Mas qual é a natureza desse Verdadeiro Eu? Essencialmente, o Verdadeiro Eu transcende as dualidades. Especificamente, o Verdadeiro Eu transcende a dualidade moral do Bem e do Mau.

As pessoas têm uma tendência comum de imaginar seu objetivo como seu “Eu Superior”, que eles imaginam como Bem Absoluto, cuidadoso, benevolente, etc. Em suma, muitas pessoas constroem um ideal ou uma abstração de seus ideais e crenças mais elevados e acreditam ser essa a sua meta. Crowley afirma em “Magick Without Tears”: “Ele não é, deixe-me enfatizar, uma mera abstração de você mesmo; e é por isso que eu tenho insistido bastante que o termo ‘Eu Superior’ implica uma ‘Maldita heresia e uma perigosa ilusão’”. O termo “Eu Superior” é uma ilusão porque o objetivo da Iniciação no Novo Aeon é fazer com que o indivíduo identifique-se com o “Eu Total” ou “Todo-Eu”, não o “Eu Superior” (ou “Eu Inferior”). Devemos explorar e conquistar os lados “bons” e “maus” de nós mesmos: em termos da psicologia [Junguiana] moderna, não podemos negligenciar nossa própria Sombra. Como Crowley aconselha: “todo mago deve estender firmemente seu império até a profundidade do inferno” (“MIT&P”, capítulo 21). [E] como diz Nietzsche: “As grandes épocas da nossa vida são as ocasiões em que ganhamos a coragem de rebatizar nossas qualidades Malignas como nossas melhores qualidades” (Beyond Good & Evil, Aphorism 116).

Muito do imaginário de Thelema pode ser visto como “sinistro”. Exemplos incluem a “Besta” e “Babalon” do Livro das Revelações (onde eles não aparecem numa ótica favorável); a experiência da divindade como “beijos do Mau [corrompendo] o sangue (…) como um ácido come em aço, como um câncer que corrompe completamente o corpo” (“Liber LXV” I: 13, 16) e “veneno” (“Liber LXV” III: 39 IV: 24-25 V: 52-53, 55-56); o “oculto” dentro de si mesmo em que “todas as coisas são teu próprio Eu” (Liber Aleph, “De Libidine Secreta”) é chamado Inferno ou Satanás (que é identificado com o Sol em Liber Samekh”); etc. Estes [exemplos] poderiam todos ser considerados como tentativas de trazer a psique do indivíduo à aceitação de ambos os aspectos retos e avessos da existência. Poder-se-ia até dizer que é o lado “mais sombrio” do eu que surge por causa de sua negligência nos sistemas do Velho Aeon que se concentram no Bem, Virtude, Graça, etc. e excluem seus opostos. No Novo Aeon afirmamos que o Verdadeiro Eu contém (e portanto transcende) tanto o Bem como o Mau. “Menos que Tudo não pode satisfazer o Homem” (William Blake, “não há nenhuma religião natural”).

Esta idéia do Verdadeiro Eu como contendo tanto o Céu como o Inferno, o Bem e o Mau, certo e Avesso, é capturada sucintamente em “Liber Tzaddi”, linhas 33-42:

“Eu vos revelo um grande mistério. Vocês estão entre o abismo da altura e o abismo da profundidade. Em qualquer um deles vos espera um companheiro; e esse companheiro é Você Mesmo. Você não pode ter outro Companheiro. Muitos se levantaram, sendo sábios. Eles disseram: ‘Buscai a imagem brilhante no lugar sempre dourado e uni-vos a Ela’. Muitos se levantaram, sendo tolos. Eles disseram: ‘Abaixem-se ao mundo sombriamente esplêndido, e se casem com aquela Criatura Cega do Limo’. Eu, que estou além da Sabedoria e da Tolice, me levanto e vos digo: alcançai ambos os casamentos! Unam-se com ambos! Cuidado, cuidado, eu te digo, para que não busques o um e perdeis o outro! Meus adeptos ficam de pé; sua cabeça acima dos céus, seus pés abaixo dos infernos (…) Assim o equilíbrio se torna perfeito”.

Como mencionado na última seção, o Verdadeiro Eu transcende a dualidade da Vida e da Morte. Nesta seção vemos que o Verdadeiro Eu transcende a dualidade de Certo e Avesso, Bem e Mau. O Verdadeiro Eu está mesmo “além da Sabedoria e da Tolice”. Devemos [nos] unir com ambos o Certo, “a imagem cintilante no lugar sempre dourado”, e com o Avesso, “aquela Criatura Cega do Limo.” Somente assim o homem pode vir a conhecer seu verdadeiro Eu: caso contrário, o indivíduo terá uma perspectiva unilateral do eu. Deve-se lembrar que é apenas por causa de suas raízes profundas no chão escuro que uma árvore é capaz de produzir frutos. Como observou o psicólogo Abraham Maslow: “A natureza superior do homem repousa sobre a natureza inferior do homem, precisando dela como fundação e desmoronando sem essa fundação” (Toward a Psychology of Being, 1968).

O método de Iniciação no Novo Aeon é, portanto, um de União de Opostos e Equilíbrio. O equilíbrio não é o da moderação, o Caminho do Meio do Buda (ou a Doutrina da Média de Aristóteles), onde procuramos evitar os extremos e permanecer no centro. O equilíbrio da Iniciação do Novo Aeon é entendido como o equilíbrio alcançado pelo exagero de ambos os extremos de qualquer dualidade. “Vá-te aos lugares mais remotos e subjuga todas as coisas” (“Liber LXV” I: 45). Não tomamos a Certo (“luz branca”) ou avesso (“satânico”) da dualidade Certo/Avesso e miramos apenas para isso; miramos tanto os céus como os infernos. Pode-se dizer, simbolicamente, que o Velho Aeon é como um poste ou uma árvore, onde a seção Certo é reta e estreita, evitando extremos. O Novo Aeon é, então, como um grande edifício ou uma pirâmide onde a base é expandida horizontalmente. Isto mostra simbolicamente que, exagerando os extremos (expandindo a base horizontalmente nessa metáfora), ampliamos nossas fundações, o que nos permite assim suportar melhor os “ventos” da experiência. Como está no Livro da Lei: “A Sabedoria diz: sede forte! Então poderás ter mais alegria. Não seja animal; refina o teu arrebatamento! (…) Mas exceda! Exceda! Esforce-se cada vez mais! “(II: 70-72). William Blake também declarou enigmaticamente: “O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria.”

Novamente, podemos olhar para Hórus (com o Núcleo Infinitamente Contraído em Chama como Seu Coração e o Espaço Infinitamente Expansível como Seu Corpo) como um símbolo Daquilo que transcende as dualidades do Bem e do Mau, do Certo e do Avesso. Ao nos unir tanto com a “imagem cintilante” como com a “Criatura Cega do Limo”, podemos nos conhecer como o Todo que contém, mas transcende ambos: “Posto que duas coisas são feitas e uma terceira coisa é iniciada (…) Hórus pula três vezes armado do ventre de sua mãe” (“Liber A’ash”, linha 8). Como diz Hórus em Visão e a voz: “Eu sou a luz, e eu sou a noite, e eu sou aquilo que está além deles. Eu sou o discurso, e eu sou o silêncio, e eu sou aquilo que está além deles. Eu sou a vida, e eu sou a morte, e eu sou aquilo que está além deles”. Poderíamos acrescentar: “Eu sou bom, e eu sou o Mau, e eu sou aquilo que está além deles”. Hórus, o Sol, é um símbolo Daquilo que contém e transcende as dualidades, uma imagem dos nossos Verdadeiros Eus, idênticos em essência, porém diversos em expressão para cada indivíduo; outros símbolos cognatos incluem o ponto no círculo (o glifo Solar); a Rosa-Cruz; sêmen e fluido menstrual combinados (dois fluidos vivos e generativos combinados em um terceiro que “é uma substância e não duas, não viva e não morta, nem líquida nem sólida, nem quente nem fria, nem macho nem fêmea”- MIT&P, capítulo 20); o Coração circulado pela Serpente “Este meu coração está circundado com a serpente que devora suas próprias espirais” (ver Liber LXV); a cruz no círculo; o círculo ao quadrado (Liber AL II: 47); o Sol e a Lua unidos (chamados “a Marca da Besta” em “Liber Reguli” e “o sigilo secreto da Besta” no 1º Aethyr de Visão e a Voz); o Leão e a Águia; a palavra ABRAHADABRA; e infinitos outros. Em um determinado ritual onde o indivíduo se identifica com Hórus (“Liber XLIV: A Missa da Fênix”), proclamamos nossa transcendência da dualidade moral: “Não há graça: não há culpa:/Esta é a Lei: FAÇA O QUE TU QUERES!”

“Pois a Perfeição não reside nos Pináculos, nem nos Fundamentos, mas na Harmonia ordenada de um com todos”.

– “Liber Causae”, linha 32

Amor é a lei, amor sob vontade.

Link Original: https://iao131.com/2010/08/09/new-aeon-initiation-the-true-self-contains-good-and-evil-upright-and-averse/

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/inicia%C3%A7%C3%A3o-no-novo-aeon-o-verdadeiro-eu-cont%C3%A9m-bem-e-mal-o-certo-e-avesso

Dos Casamentos Secretos dos Deuses com os Homens

“Dos Casamentos Secretos dos Deuses com os Homens” é um estudo de teoremas básicos da Magia Sexual. Foi originalmente publicado sob o juramento de segredo dentro do 8º grau da OTO e é de autoria de Mestre Therion em seu papel como Baphomet, o décimo grau, administrador chefe da ordem na Irlanda, Iona e todo Reino Unido.

O documento usa simbolismo maçônico tradicional e hermético e portanto deve ser estudado alinhado com as tradições ocidentais, embora o assunto ocasionalmente extraia algo das fontes tântricas orientais. Sabendo disto, certas reinterpretações de terminologia são imperativas. Os termos Caminho da Mão Esquerda/Direita, por exemplo, são usados neste documento de acordo com os ditames do pensamento Hermetista e maçônico ao invés de seus significados tântricos originais. Portanto, eles são aqui usados para representar aqueles que dissolvem o ego sob a revelação da Vontade Verdadeira (CMD) e aqueles que usam de meios ocultos para sustentar a substância egóica abaixo do Abismo (CME). Esta segunda classe é vista como aqueles que evitam o Eu Verdadeiro e criam um estado de desequilíbrio e destruição internos. Além destas definições devemos entender que o termo Castidade especificamente refere-se àqueles que usam sua sexualidade alinhada com a meta de atingir a Vontade Verdadeira e não no sentido de abstinência. Mantendo estas definições na mente e examinando o documento em conjunto com seus comentários, o mago descobrirá uma riqueza de informações a respeito da teoria e prática da Magia Sexual, O texto em si está escrito em itálico, com os comentários em fonte normal.

SOBRE OS CASAMENTOS SECRETOS DOS DEUSES COM OS HOMENS

DE NEUPRIIS SECRETIS DEORUM CUM HOMINIBUS

Baphomet Xº OTO do trono da Irlanda, Iona e todo o Reino Unido, que estão no Santuário da Gnosis para os Adeptos Perfeitamente Iluminados do Areopagus Secreto do Oitavo Grau, Pontífice e Epópeta dos Iluminatti, Saudações e Paz.

Sob o selo de obrigação do VIII.

Sobre a Castidade

Queridos amados, na guerra da casta do Caminho da Mão Esquerda contra a Gnosis, cuja primeira fase terminou no estabelecimento daquela tirania e superstição que é chamada de Cristianismo. Muitas verdades foram roubadas pela Loja Negra e pervertidas por seus usos vis. E o mais nocivo em sua corrupção é a castração do homem chamada de Castidade. A atrofia das partes mais nobres do corpo que são os órgãos de redenção adequados, ambos Gaian e Ouranian (terra e céu). Nós que então no sétimo grau juramos solenemente castidade, tanto interna quanto externamente,, que observamos com nossos olhos agora como Epópetas dos Iluminatti e como perfeitos Pontífices de nossa nobre ordem administrada com nossos membros, a iniciação cujo nome é Ressurreição na luz. Logo, nós somos aptos a iluminar os locais mais escuros da terra e considerar sabiamente o que jaz no império dos Maus. Leia, portanto, estas passagens na falsificação chamada a Epístola de Paulo aos Romanos…

‘Não deixe, por esse motivo, nenhum pecado reinar em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões. Nem ofereçais vossos membros ao pecado como instrumentos da iniqüidade, mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus como instrumentos da retidão. Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne, assim como vós oferecestes vossos membros como servos da impureza e de iniqüidade a iniqüidade. Mesmo agora oferecei vossos membros como servos da retidão para a santificação. Pois quando éreis escravos do pecado, vós estivéreis livres a respeito da retidão. Que frutos tivéreis então ainda naquele tempo a não ser as coisas das quais agora vos envergonhais. O fim daquelas coisas é a morte. Mas agora estando livres do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação e, por fim, vida eterna.’

Romanos VI : 12 e 13, 19-22

Considere também estas passagens do Velho Testamento :

‘E o Senhor disse-me : Tome uma grande tábua e escreve nela de maneira inteligível Maher-Shalal-Hash-Baz. E eu tomarei comigo testemunhas fidedignas para testemunhar a Uriah, o sacerdote, e Zacariah, o filho de Jeberequiah. E eu fui à profetisa e ela concebeu e deu à luz um filho. Então o Senhor me disse : Põe-lhe o nome de Maher-Shalal-Hash-Baz.’

Isaías VIII : 1-4

‘Quando o Senhor pela primeira vez falou por meio de Oséias, então o Senhor lhe disse : Vai, tomai uma mulher de prostituição e crianças de prostituição, pois a terra cometeu grande prostituição, desviando-se do Senhor. Ele então se foi e tomou Goher, filha de Diblaim e ela lhe concebeu e deu à luz um filho.’

Oséias I : 2 e 3

‘E disse-me o Senhor : Vai outra vez, ama uma mulher amada de seu amigo e adúltera, como o Senhor ama os filhos de Israel, embora eles olhem para outros deuses e amem bolos e uva-passa. Então comprei-a por quinze peças de prata e um ômer e meio de cevada e lhe disse : Tu me suportarás por muitos dias, tu não deves te prostituir, nem serás de outro homem, assim eu também te suportarei.’

Oséias III : 1-3

O primeiro aspecto deste documento discute como os irmãos do CME são aqueles que corrompem os Mistérios, eles são primariamente vistos como aqueles da fé cristã. Dois aspectos específicos de sua corrupção são a remoção dos ensinamentos dos verdadeiros Mistérios no qual todos os magos são Pontífices, não simplesmente um tolo no Vaticano e a destruição dos Mistérios da Magia Sexual.

O cristianismo é claramente identificado como a pior corrupção da Gnosis, sendo que originalmente detinha os Mistérios mas os deformou e traiu os segredos que estavam em sua possessão. A Igreja desembasou o conceito de sexualidade religiosa e o substituiu com genitais atrofiados e ‘castidade’ como abstinência.

A natureza das iniciações da OTO e em qualquer ordem thelêmica focaliza-se na ressurreição na luz ou, em termos menos religiosos, a invocação da Vontade Verdadeira. Este conhecimento inclui a crença de que todos os corpos devem ser usados como veículos para a manifestação do Eu Verdadeiro, mas mais especialmente o corpo instintivo que reforça o organismo através do sistema Chakras-Kundalini.

Os versos bíblicos sugerem uma interpretação gnóstica da escritura a respeito da Magia Sexual. O primeiro verso descreve a natureza real das forças sexuais. O estado de ‘pecado’ é aquele de não estar em contato com o Verdadeiro Eu. O homem mundanoestá neste estado por não ter entendimento de seu ser interior, o uso de seus instintos pouco lhe importa pois ele não tem tal consciência. Contudo, o mago deve perceber sua posição em relação ao seus instintos, pois estes são uma expressão de seu Eu Verdadeiro e portanto devem ser usados APENAS dentro deste processo de santificação (purificação dos corpos) e retidão (estar ligado ao Universo). Qualquer outro uso está fora de contexto com seu estado de iniciação.

Para o mago, a sexualidade é um foco do status de sua Vontade Verdadeira e portanto é usado de acordo com essas condições, este é o significado real da Castidade e Brahmacharya.

Os versos do Velho Testamento sugerem a fórmula esotérica de Babalon. Por meio da qual o papel real da Sacerdotisa é sexual tanto no papel da Magia Reprodutiva (Gamaísmo) e atos gerais da Magia Sexual. No último verso está óbvio que ela não é uma esposa, mas uma Sacerdotisa dos Mistérios consagrada, usando um arcano sexual. Em todos estes versos vemos uma descrição velada das bases da Magia Sexual como ensinada na Gnosis atemporal e ainda escondida dentro dos ensinamentos do Cristianismo ainda muito tempo após ter perdido a custódia dos Mistérios.

UMA NOTA IMPORTANTÍSSIMA

Nos últimos anos, reclamações ridículas têm sido feitas contra a comunidade ocultista em relação a sacrifícios humanos, particularmente, sacrifícios infantis. Deve ficar claro que nenhum mago, ocultista ou magista que tenha qualquer poder real (ou cérebro) acredita ou usa sacrifícios humanos de qualquer forma. Mesmo o sacrifício animal é abominado pela comunidade ocultista moderna.

O sacrifício é uma virtude primariamente cristã tendo se desenvolvido do conceito judeu de expiação. Nos tempos do Velho Testamento os judeus sacrificavam suas crianças (especialmente seu primeiro filho nascido) e quando isto se tornou inaceitável, substituíram-no por sacrifício animal e circuncisão. Esta ética sacrificial se arrastou até a expiação substitutiva de Jesus através de seu sacrifício de sangue pela humanidade.

As seções seguintes do “De Neupriis Secretis Deorum cum Hominibus” foram escritas sarcásticamente por Mestre Therion. Sendo que a Igreja Católica acredita que ‘derramar a semente’, isto é, masturbar-se, era um desperdício de potencial para as crianças e um pecado contra Deus, Crowley viu isso como uma grande diversão ridicularizar sua ignorância e estupidez; ele assim o fez usando a imagem do sacrifício. Ele afirmou, por exemplo, no ‘Magia em Teoria e Prática’, que ele matava uma criança por dia. O que ele queria dizer ? É óbvio que isto significa que ele se masturbava bastante todos os dias, nada mais, nada menos ! As seções seguintes são obviamente sarcásticas e comentários velados sobre práticas sexuais usando imagens de Igreja Católica contra a mesma.

No jargão da Magia Sexual de Crowley uma criança era um código para os fluidos sexuais masculinos e femininos combinados, enquanto que um adulto representava fluidos de apenas um sexo. Copiamos estas seções com esta consideração em mente. Crowley, nós mesmos e todos os thelemitas modernos ficam desgostosos com sacrifício e deixam isto para qualquer cristão que possa pegar este livro e tentar usá-lo contra nós, para seriamente considerar a virtude de sua própria fé pois eles adoram um humano sacrificado, mutilado e torturado e pendurado numa cruz.

Sobre os Ritos de Sangue

Diz-se que há uma seita judaica chamada Chassidim, cuja prática é o sacrifício do homem. Embora de preferência uma criança, mas também um adulto, é tomado entre os gentios e cerimonialmente imolada, para que nenhuma gota de sangue seja perdida, para que o espírito da vítima não escape ao exorcista, refugiando-se na gota. Seu sangue é então consumido como um sacramento ou empregado para propósitos talismânicos. Pois o espírito do imolado está selado no sangue derramado e reunido,daí é multiplicado em cada parte, como na missa do Corpo de Cristo,onde é dito que esteja igualmente em todas as miríades de hóstias consagradas, e seu sangue em cada gota de vinho consagrado, em qualquer lugar e por sua eficácia.

Considere isto.

Novamente, está bem claro que Crowley está atacando as crenças sacrificiais das comunidades judaica e cristã. Ele tomou a velha lenda de judeus sacrificando crianças e a virou de ponta-cabeça para explicar um conceito esotérico. Para Crowley o código é claro : sangue = fluidos sexuais. Não há sugestão do uso real de sacrifício mas uma clara e precisa análise da lenda judaica e cristã. A mensagem básica é a de que em cada gota de fluido sexual há uma grande concentração de força psíquica (alma) e que este fluido pode ser usado como sacramento afim ao rito da comunidade cristã.

O uso deliberado da imagem sacrificial e o conceito de comunidade nesta seção novamente mostra o forte sarcasmo de Crowley e seu desgosto (se essa for uma palavra suficientemente forte) pela ética sacrificial judaico-cristã.

Sobre Certos Ritos Secretamente Praticados na Rússia

Há um corpo dentro da Igreja Grega que mantém uma doutrina esotérica e pratica um rito secreto. Nos encontros deste corpo, as luzes são extinguidas, os adoradores, liderados por um sacerdote e uma sacerdotisa escolhida e consagrada procuram um pelo outro através do toque e por atração sutil, então eles consumam a caridade pura de seus corações em zelo sagrado. Se pela graça e habitação do Espírito Santo a sacerdotisa deste rito despose, e também virgem conceba e dê a luz, então a criança é batizada por seu pai, o sacerdote para a purificação de água e para a consagração de fogo,assada e dividida entre os adoradores para seu uso como sacramento, como um talismã e como remédio contra todas as doenças.Isto também é dito dos Cavaleiros de nossa própria ordem sagrada do Templo, esta descendência de qualquer um deles através de uma virgem, era assada e um ungüento era feito de sua gordura com o qual o mago untava uma figura inefável de Baphomet.

Considere isto.

Mais uma vez, o sarcasmo flui. Com suficiente conhecimento de Thelema podemos novamente ver a referência codificada. Crowley usava fluidos sexuais combinados como um remédio e acreditava que era usado como agente de unção pelos Cavaleiros Templários. O verdadeiro ungüento era como uma bateria, armazenava o frenesi orgásmico combinado dos Cavaleiros (disparado pelo sexo com uma virgem) numa espécie de ‘acumulador orgônico’. Mais uma vez, torna-se abundantemente claro no texto que sangue = fluidos sexuais, criança = fluidos sexuais combinados, expelidos de maneira ocultista. A consagração do fogo ou Shin no hebraico relaciona diretamente à luxúria ou poder instintivo. Qualquer Mago que acredite que estas referências na verdade condenam o sacrifício ritual devem pôr este livro de lado imediatamente e retornar para seus estudos ocultistas básicos !

Sobre a Missa Negra

Dentro da Igreja Romana têm sido encontrados desde o começo até hoje pessoas e sociedades conformadas na aparência com este culto materialista, internamente revoltadas contra ele, ainda tão freqüentemente ignorantes de nossa Luz e na verdade para eles o alcance da Vida, Liberdade e Amor, parece possível apenas através da profanação de seus próprios Mistérios. Pois eles não sabiam que estes Mistérios eram eles mesmos mas profanação e corrupção dos verdadeiros e perfeitos Mistérios dos Adeptos. Eles estabeleceram portanto um culto cuja fórmula fundamental era o definhamento da hóstia consagrada. O sacerdote portanto tendo feito o pão em Corpo de Cristo (como ele teoricamente poderia fazer pela virtude de seu poder apostólico), como ele pensava, definhava este corpo usando-o como o objeto e veículo da luxúria. Crianças heróicas da liberdade, mas triplamente cegos ! Sanções que perecem com os Filisteus. Pois se a teoria eclesiástica é verdadeira, de fato eles incorrem em danação, se falsa, eles verdadeiramente perdem seu trabalho. Mas pelo menos eles colocam o Homem contra o falso demônio do Cristão, e leva-se em conta para a sua retidão. Mas veja, vós Irmãos, adeptos perfeitamente iluminados, quão grande é o erro deles que por sua revolta devem ser reis. Pois não são na verdade as excentricidades simiescas do sacerdote que consagram o pão mas seu poder masculino que deve tornar sagrada todas as suas ações. Considere isto.

Esta descrição magnificente explica, até mesmo justifica as seções anteriores estranhas e sarcásticas. Aqui, Crowley torna claro que o uso de qualquer forma de profanação (incluindo o sacrifício) é uma tentativa estúpida e vazia de se revoltar contra o cristianismo e portanto é simplesmente uma corrupção de uma corrupção. Esta passagem claramente rejeita não apenas o sacrifício mas a estupidez de ambos o profanador da Igreja ( nas excentricidades da Missa Negra) e a ignorância banal dos próprios sacerdotes. Esta seção mostra como a Missa Negra, embora possa ser uma revolta significante contra a Igreja, termina tornando-se tão bárbara e idiota quanto os ritos do inimigo que objetivou vencer.

A sugestão está no fato de que o poder da Igreja está em sua sexualidade sublimada, o poder do sacerdote está em seu falo, não em suas palavras inconscientes pelas quais ele clama transformar o pão em ‘jantar judeu’. A essência desta seção é a de que todo sacrifício é uma reação a ou produto da ética Cristã e Judaica e da mesma maneira aqueles que praticam a Missa Negra, etc. estão reagindo contra a Igreja e são simplesmente um produto dela. Eles certamente não são dos Mistérios, nem de nós.

Do Sabbath dos Adeptos

Nas horas negras da terra quando a superstição cristã com malogro caído secou malignamente a maioria dos povos da Europa, quando nossa ordem sagrada foi dispersada e a santidade de seus preceitos jazia violada, havia ainda certeza em manter a Verdade em seus corações e amar a luz para guardar a lamparina da virtude sob um manto de sigilo. E estes em certas estações por caminhos abertos ou escondidos, em charnecas ou montanhas, eles dançavam juntos e com estranhas iguarias e feitiços, chamavam ele, cuja energia chamaram ignorantemente de ‘Satã’, que era na verdade o grande deus Pan, Baco, ou até mesmo Baphomet que os Templários adoravam secretamente, e ainda adoram pois no VI todos Cavaleiros ilustres da sagrada ordem do Kodosh, todas as damas de companhia do Santo Graal são ensinados a adorarem; ou BABALON a bela ou até mesmo Zeus, o Apolo dos gregos. E cada um quando primeiramente induzido para a festa era feito parceiro daquele encarnado pela consumação do rito de casamento. Considere isto.

O Sabbath como entendido dentro da tradição tântrica do Santuário é o sobrevivente das formas primordiais de Magia Sexual Gnóstica, quando a Igreja degradou os Mistérios, as formas primevas foram ressuscitadas pelos Magos e ensinadas em florestas e montanhas. A chave para o ensinamento estava no direito divino de casamento através do qual o mago dedicava-se à força criativa do universo e identificava sua sexualidade com aquela dos Mistérios, ao invés de degradá-la na vida rotineira. Este processo é afim ao ensinado dentro do arcano Gama, técnica Qodosh.

Sobre Fábulas Clássicas

Os antigos de qualquer nação relatavam seus heróis como sendo nascidos do casamento dos Deuses com homens mortais. Como Rômulo e Remo nasceram de uma vestal virgem inseminada pelo Deus Marte, Hércules de Zeus, Buddha de Vishnu, na forma de um elefante com seis trombas, Jesus de Jeová com uma virgem e muitos outros. Mesmo Deuses verdadeiros nasciam de mães mortais, como Dionisos de Sêmele. Também eles contam muitos amores do céu pela terra, Diana por Endymion, Zeus por Leda, Dana, Europa e o resto. Mesmo Hades saiu de seu reino de penumbra para desposar a donzela Perséfone. Há também amores de Deuses por ninfas, Baco por Ariadne, Zeus por Io, Pan por Syrinx. Não há limite. E sátiros, faunos, centauros, dríades, milhares de graciosas tribos, brilhante e luxuriosamente pelas lendas. De novo temos os amores de fadas pela humanidade e o comércio dos Beni-Elohim pelas filhas dos homens, e novamente o casamento de Orfeus com Euridice, uma ninfa,e as redes fidedignas que as Laura Melusina, as sereias,, Lilith e muitas outras jogaram para os homens. É até mesmo dito que para cada iniciado da ordem da Astrum Argum podem aparecer na forma de um demônio ou uma mulher para pervertê-lo. Dentro de nosso próprio conhecimento temos que não menos que nove irmãos que foram absolutamente jogados para fora desse modo. Há também amores fúteis como o de Ixion por Hera, de Actaeon por Artemís.

Considere isto.

A primeira mensagem dentro desta seção é a descrição da idéia do uso de congresso sexual com formas astrais. Nesta ilustração, Deuses e Deusas. O propósito chave desse congresso sendo tanto a produção de uma manifestação desta força (crianças espirituais) ou a criação do elixir. Isto é ilustrado de acordo com os diferentes métodos que podem ser usados, Deuses e Ninfas, Fadas e Homens, Deuses e Mortais e por aí vai, cada ilustração oferecendo um tipo levemente diferente de fórmula.

Além dessas fórmulas, há as que as sereias e afins oferecem , a fórmula do aprisionamento através da magia sexual. Uma fórmula que deve ser usada com extremo cuidado, para detalhes desta fórmula, a fórmula de Vampiro de Alhim é encontrada no “De Ars Magica”. Nos últimos versos é dado o aviso de que a criação de uma forma astral não deve ser confundida com um homem ou mulher físicos, embora ele/ela possa tomar o lugar do sacerdote/isa dentro do rito, esta confusão pode levar a obsessão e a perda da vontade mágika.

Sobre Certos Ritos Gregos

Entre os povos da península dos Balcãs e especialmente os gregos, por trás do disfarce de falso cristianismo, está escondido o trigo de Deméter. E como o muçulmano confia estar unido pela morte ao Hur al Ayn do paraíso, também estes outros ainda pensam que casamento mundano não é mais do que fornicação, pois a morte é nupcial posto que a alma está unida àquele Deus ou Deusa para quem na terra sua paixão aspirava. Portanto, mesmo no abraço de seus amantes, seus corações estavam fixos em Artemís ou em Afrodite, ou em Ares ou em Apolo, conforme a tendência interna incita e daí a intuição.

Considere isto.

Esta seção continua com a idéia do uso de imagens astrais em conjunto com as várias formas de magia sexual. A diferença, entretanto, sendo que aqui o processo é moldado numa forma de Bhakti ou yôga devocional. Esta forma de prática yôguica usa o orgasmo sexual (a ‘pequena’ morte) para realizar um estado de união extática com a imagem escolhida. Um extensão natural desta técnica pode ser feita na feitiçaria comum, onde os trabalhos nos caminhos e sephiroth podem ser expandidos através do congresso sexual com os vários habitantes destes locais.

Obviamente isto garante mais sucesso do que as técnicas mais tradicionais de trabalho dos caminhos.

Sobre Súcubos e Íncubos

De todos os tempos a vida do homem agora e novamente caiu no sono, sem vontade e apenas reflete-se vagamente e fantasticamente pelos sonhos e seu conhecimento. Agora sendo que nada pode ser perdido em qualquer plano, mas apenas mudado na aparência, a substância interna dessa forma de vida de fato cria monstros, em parte materiais, que os doutores da Idade Média chamavam íncubos ou súcubos de acordo com suas funções masculina e feminina. Estes também, criaram crianças em mulheres, mas não o contrário, para o súcubo, pois todas suas funções femininas são tão masculinas quanto as de seu irmão. Destes amantes monstruosos alguns até se tornaram famosos na terra como aquele que tentou Santo Antônio, e o anjo que brigou com Jacó num lugar chamado Paniel. Também Merlin era a criança de um íncubo, e assim foram criados muitos heróis da antiguidade.

Considere isto.

As primeiras linhas desta seção descrevem a teoria básica por trás da emissão sexual, também as emissões sexuais ejetam tanto para o reino físico quanto astral um grau de força de vida ou Ojas. Esta força, quando não controlada pela vontade, tende a operar de uma maneira descontrolada, criando uma variedade ampla de formas baseadas no estado de sonho que é associado com o orgasmo sexual. Uma das criações resultantes é o íncubo, que representa uma forma de estímulo sexualque é criado pelos sonhos associados com as emissões sexuais, isto pode ser formado durante o sono ou estados despertos. Se propriamente controladas, tais criações são de grande valor para realizar trabalhos Gama e Epsilon dentro das esferas astrais sem intervenção física bem como outras possibilidades mágikas.

Sobre o Trabalho dos Adeptos

Não é apenas uma provação e como uma preparação para, a maior chave que é dada ao iniciado do Santuário da Gnosis é o IX OTO, mas por sua própria graça e o valor prático e permanente de seus efeitos como um trabalho menor para ser realizado por Epópetas – e muito mais por Pontífices – dos Iluminatti. E este trabalho é triplo …

1. Devoção ao mais alto intensificada em todos os planos até que se acumule em união conjugal ratificada por todos Deuses tão firmemente que a própria morte é o portal para seu mais pleno e permanente desfrute. E a alma é para criar-se como uma criança para a nova encarnação sobre o corpo da grande Deusa. Como está escrito, assim deve ser falado sobre ti!

“Ó Tu tens formado teu pai e feito fértil tua mãe.”

2. Aceitação da devoção de um ser inferior ou parcial tal como uma ninfa ou um elemental de tal maneira que por meio desta seja redimida e feita uma perfeita alma através da morte que deve ser paga como preço pela união com o homem.

3. A creação deliberada e bem considerada de novas ordens de seres.

Esta seção, descrevendo o trabalho do adepto, resume os trabalhos básicos que devem ser completados com sucesso como parte das aplicações práticas primordiais da Magia Sexual. A primeira seção descreve o procedimento por meio do qual, através de congresso sexual com formas astrais, relacionados aos caminhos e às Sephiroth, uma nova forma é criada, um novo eu; o Eu Verdadeiro é criado e moldado e nasce através da consciência do velho eu. A seguir, o mago usando as técnicas de íncubos e súcubos toma um elemental ou ser parcial para atingir certas tarefas, reforçar sua vontade e explorar os mundos inferiores. O resultado final deste processo sendo a aceleração do crescimento do elemental e sua graduação, na morte, aos rincões inferiores da corrente de vida humana.

A seção final sugere todo o trabalho realizado pelo mago durante os estágios primários de seu treinamento tântrico, mesmo o processo inteiro, a criação de novas ordens de seres.

Casamentos Maiores

1. O meio supremo está plenamente declarado nas publicações da fraternidade augusta mais sagrada Astrum Argum – Liber XI e Liber DLV.

2. Seu outro método é sugerido a cada ocasião antes do sono : que o adepto imagine sua Deusa diante dele, mantendo-a ardentemente na imaginação e exaltando-se com toda a intensidade em direção a ela. E que ele considere todos movimentos involuntários da mente como adultério, vil e criminal. Logo, com ou sem assistente, que ele purifique-se livre e plenamente, ao final do comedimento treinado e ordenado até a exaustão, concentrando-se sempre ardentemente sobre o corpo de sua grande Deusa e que a oferenda seja preservada em seu templo consagrado ou num talismã especialmente preparado para essa prática. E não deixe o desejo por qualquer outro entrar em seu coração. Então será no final que a Grande Deusa descerá e vestirá sua beleza em véus de carne rodeando sua fortaleza casta do Olimpo para teu assalto, Ó Titã, filho da terra ! Ou pelo menos isto sendo negado a ti, ainda que toda tua vida em coração e espírito sendo Dela tua morte será a consumação desses noivados, uma entrada no palácio fechado de tua dama. E de tais desposamentos deves tu ler no Liber CCCXVIII, mais especificamente no nono e segundo Aethyres. É de se notar de tudo isso que tanto Deus quanto a Alma são macho ou fêmea conforme a conveniência requerer. Veja, por um curioso exemplo, o tratrado místico chamado Bagh I Muattar.

Os métodos básicos de magia devocional estão descritos no Liber Nu e no Liber Had, eles são a base para todos os trabalhos devocionais dentro da Astrum Argum como sugere a seção acima. O segundo método de magia devocional está então descrito para estudantes mais avançados, sendo baseado no uso de técnicas Beta ou magia masturbatória. Por meio da qual a imagem formada é a do Deus(a) para o qual o iniciado aspira, como sugere o último verso esta figura pode, na realidade, ser de qualquer sexo ou forma que a preferência ditar. (O Bagh I Muattar é um texto místico homossexual). Este método é apenas bem sucedido se todos os pensamentos forem focalizados na imagem da devoção e se o orgasmo for disparado apenas quando a mente estiver totalmente consumida pela forma divina. Embora uma ampla variedade de formas divinas possa ser usada, sendo que o treino é o aspecto devocional de Hadit e Nuit, todas imagens usadas devem refletir a relação entre Ain e Kether, de acordo com o entendimento pessoal de sua interação.

No Liber CCCXVIII : A Visão e A Voz, a matéria de devoção às supernais através de meios sexuais e místicos é discutida no segundo e nono Aethyres.

Casamentos Menores

Esta matéria é fácil, pois as almas dos elementos constantemente desejam esta salvação. Mas que o adepto esteja alerta.

1. Que ele escolha sabiamente uma alma razoável, dócil, apta, bela e de todas as formas merecedora de amor.

2. Que ele nunca caia do amor para com a Grande Deusa em amor a esse inferior, mas dê apenas como mestre e de sua compaixão, sabendo que isso também é serviço a sua alta Dama acima.

3. Que de tais espíritos familiares, ele tenha apenas quatro. E que ele regule seu serviço, apontando horas para cada um.

4. Que ele os trate com gentileza e firmeza, estando de guarda contra seus truques.

Estando dito isto, é suficiente, ou tê-los é, mas as dores de chamá-los de seus lares. E os espíritos das tábuas elementais dadas pelo Dr. Dee e Sir Edward Kelley são os melhores, sendo muito perfeitos em sua natureza e fiéis, afetivos (sic) pela raça humana. E se não tão poderosos, eles são menos perigosos do que os espíritos planetários, pois estes são tempestuosos e distraindo-se as estrelas são facilmente perturbáveis e afligíveis. Logo, chame-os pelas chaves de Enoch como estão escritas no livro que conhecemos e que seja após as chamadas e evocação pela varinha e que a essência da varinha seja preservada dentro da pirâmide de letras que fazem o nome do espírito. Agora a menos que seja bem experiente na arte mágika, tu não deves ousar convocar os três grandes Deuses da grande tábua ou o rei serpente, ou os seis senhores majestosos, ou até mesmo os Deuses das cruzes do calvário nos ângulos menores. Mas o governantes Querúbicos, tu na verdade e amen, há teus parceiros, e tu podes mais seguramente convocar os assistentes dos ângulos menores. E aqueles que forem noviços nesta arte devem mais sabiamente convocar apenas o trigrammaton ou os sub-elementos.

Aqui temos uma clara descrição para o trabalho com elmentais, quer entendamos eles como forças externas ou facetas internas da consciência externalizadas, devemos tratar com cuidado e compreensão. Pois em troca por seus serviços eles atingirão uma medida de consciência humana através de sua experiência com nossas naturezas. Associado a isto os quatro requisitos são listados claramente acima bem como um lembrete de que estes são seres inferiores e eles nunca devem ser colocados numa posição que obstrua nossas metas e ganhos espirituais.

Para o tipo de elemental ou espírito que é melhor usado, é sugerido o sistema de trabalho Enochiano de John Dee , este sistema está descrito em muitos textos derivados da Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn) com outras versões preferidas no quinto volume de “Filosofia Mágika” (Magickal Philosophy), de Denning e Phillips e num estilo mais teatral e menos preciso, na Bíblia Satânica de Anton LaVey. Sistemas planetários tais como o de Franz Bardon (Practical Evocational Magic) também são úteis mas devem ser usados com extremo cuidado, pois como mencionado acima, os espíritos são mais tempestuosos e facilmente perturbadas e aflitas estrelas no preparo.

Sobre o Novo Santo Reino

Está escrito no papiro de Nes Min que o sol falou em seu nome Tum e disse: ‘Eu copulei com meu punho, eu emiti sêmen na sombra, eu ejaculei na minha boca, eu emanei prole como Shu, eu verti identidade como Tefnut. Shu e Tefnut revelaram a meu olho…eu chorei sobre eles, a humanidade veio à existência das lágrimas que corriam de meu olho. Shu e Tefnut revelaram Keb e Nut, Keb e Nut revelaram Osíris e o cego Hórus e Set e Ísis e Nephthys da barriga, um após o outro, e eles revelaram suas multidões nesta terra.’ e novamente ‘Eu copulei com meu punho, meu coração veio a minha mão, o sêmen caiu em minha boca. Eu emanei prole como Shu, eu verti identidade como Tefnut, de um deus eu era três deuses…’

Portanto o sol formou macho e fêmea, cujas crianças são a terra e o céu, cujas crianças são os cinco elementos ou Tattvas, dos quais todas as coisas visíveis são feitas, que os adeptos façam dois talismãs, puro masculino e feminino, sem mistura de qualquer dos princípios inferiores que eles consagrem-se como o sol, e vertam vida sobre eles vivificando eles desta maneira, então eles devem se unir, fazendo sobre eles um novo céu e uma nova terra, cuja união deve originar elementos e multidões de seres para viverem e amarem em liberdade debaixo de sua luz, como um grupo de vrigens cantando louvores entre as chamas da glória pelas quais o Senhor abriu sua boca, cujos trabalhos devem ser uma canção de honra e o louvor de seus Deuses em sua creação.

O trabalho do adepto como descrito nesta seção é baseado na simples formação de dois talismãs, nos quais são isolados os arquétipos masculino e feminino pelo uso de Alfaísmo estes são ativados e trazidos à vida. Portanto quando eles são unidos uma união dos arquétipos masculino e feminino é experimentada na consciência. Esta união realiza a união de várias faculdades dos lados esquerdo e direito do cérebro que até agora estiveram separadas devido às limitações sexuais da fórmula de Osíris. Esse processo pode levar um longo período de trabalho mágiko mas o resultado é a androginização da consciência, o despertar interno de Baphomet.

Sobre a Danação

Lembrem-se, queridos amados, adeptos perfeitamente iluminados do Aeropagus Secreto, que do começo dos votos de sua iniciação têm invocado sobre vocês a mais amedrontadora de todas as penalidades de desobediência. Pois tão logo vós tenheis erigido qualquer coisa natural e comum numa fórmula de magia, tão logo vós excitais a corrente contrária. Portanto, enquanto cada criança lê e fala livremente dos pilares do templo do rei Salomão pelo nome, os maçons ousam não mais do que letrá-los sem precaução. E enquanto o homem privado possa falar mal do rei blasfêmia de Deus sem risco, ainda o servo do rei, e o ministro de Deus, podem agasalhar-se com reverência mesmo que esta possa não estar em seu coração, por esta razão que eles invocaram o rei e Deus como espada e escudo de sua própria autoridade.

“Ó você, então,se ousou usar essa força do falo sagrado, seu abuso é fidedigno e mortal. Para o homem da terra pouco importa se ele sofre polução noturna ou entrega-se a indolências, para vocês que são adeptos é ruína absoluta ou toda aquela força que passa sob seu controle, a menos que tão dirigida e fortificada pela sua vontade é como um soldado leal, fiel até a morte é como artilharia abandonada que é capturada pelo inimigo e jogada contra vocês, um tiro certeiro sobre vocês e toda a fortaleza que sua herança de Deus, e sua própria arte sagrada que a construiu sobre vocês, não tem força para resistir este assalto traiçoeiro. Estejam alerta portanto, por obsessão, desperdício corpóreo e doença, loucura e mesmo assassinato sobre vocês pode ser inflingido pelos motores que vocês forjaram para o serviço da humanidade e para a glória do Senhor, deixados à malignidade do demônio que pode voltá-los para sua própria destruição.”

Esta seção é clara, qualquer mago que pisa no caminho da Magia Sexual e então abusa de sua sexualidade planta a semente de sua própria destruição. Dois dos abusos mais comuns são o uso da sexualidade por desejos mundanos ao invés de finalidades espirituais e permitir ocorrerem emissões noturnas que poderiam ser controladas através de técnicas Alfa.

Uma reprovação

Escuta então, queridos amados, esta reprovação, primeiro, reforça o máximo poder de comedimento pela prática diária como é ensinado pelos hindus e árabes, mestres desta ciência, em seus livros.

Shiva Sanhita

Hatha Yoga Pradipika

Kama Sutra

Anaga Ranga

O Jardim Perfumado do Sheik Nefzzawi e muitos outros.

Segundo, evite os perigos da inadvertência pela prática constante e regular dos trabalhos maior e menor do Epópeta e Pontífice dos Iluminatti e do Mistério do Reino Novo e Santo.

Terceiro, durma sempre num círculo consagrado ou numa sala cheia de imagens sagradas diante de cuja glória os poderes da escuridão tremem todos os dias. Tais imagens são :

1. O Sol

2. O Falo Sagrado

3. O Grande Selo de Babalon

4. A Estéla da Revelação

5. O Grande Selo da OTO

6. O Grande Selo de Baphomet

7. A Imagem de Babalon

8. O Olho com o Triângulo

9. A Rosa Cruz

10. As Imagens de Harpócrates sobre a lótus ou de pé sobre crocodilos

11. A Imagem de Babalon com a referência fálica ‘Om Mani Padme Hum’

12. A Figura de Ísis com Hórus

13. O Crucifixo, mas apenas se seu significado solar-fálico esteja firmemente aparente e seja um escudo sigiloso contra o vulgar.

14. Talismãs apropriados para a questão.

15. Uma chama viva

16. Os símbolos e insígnias da OTO que seu grau intitula-te a usar. Anéis mágikos e colares também podem ser vestidos noite e dia.

Os rituais de defesa e proteção devem ser praticados com perfeição. Todos as excreções corporais, como unhas e cabelos cortados devem ser queimados, a saliva deve ser destruída ou exposta ao sol, a urina e fezes devem ser descartadas de maneira que nenhuma outra pessoa obtenha a posse delas. também é desejável, na teoria, que o linho não deve ser lavado por estranhos e que roupas velhas não devem ser dadas aos pobres até algum tempo após seu último uso. Mas muitas vezes estas precauções não são necessárias, apenas se estiver engajado em operações de maior importância é indispensável observá-las.

Esta seção descreve, em síntese, as facetas básicas do mestre da Magia Sexual dentro das tradições tântricas do Santuário, no começo sugere-se que um conhecimento mais forte da teoria e prática da Magia Sexual é imperativo, os textos esquematizados ainda são alguns dos melhores livros disponíveis, alguns outros incluem os de Sir John Woodroffe (Arthur Avalon) e os trabalhos de Kenneth Grant (exemplos de seus trabalhos incluem o Culto das Sombras, Aleister Crowley e o Deus Oculto, O Lado Noturno do Éden, A Revivência Mágika, Imagens e Oráculos de Austin Spare, Os Círculos do Tempo e a Fonte de Hecate) estes últimos textos devem ser estudados com uma visão crítica, embora eles tenham grande valor, eles tendem a abundar com cegueiras e, por assim dizer, erros deliberados. Além do conhecimento destes assuntos o mago deve estar em trabalho constante, especialmente a respeito da magia sexual devocional (Bhakti Yôga ou Casamento Maior), trabalhos com elementais (Casamento Menor) e androginização (Reino Sagrado).

A respeito de seu modo de vida, o mago deve saturar sua vida com estudos e imagens relacionadas ao seu trabalho para programar sua consciência com a carga correta de informação esotérica. Listadas acima estão as imagens que são melhor usadas em tal processo, seria notado o fato de que nenhum dos sigilos da Astrum Argum são listados, isto é porque este documento foi publicado pela OTO e não pela Estrela de Prata. Contudo, quaisquer sigilos da OTO/AA ou ordens correlatas podem ser incluidos na lista acima.

Seguindo-se disto, autodefesa psíquica é uma boa idéia, mas como sugerido, medidas extremas apenas são úteis durante trabalhos de maior importância. A paranóia não é uma boa companheira da prática mágika.

Sobre a Dissimulação desta Instrução

Agora a respeito desta investida, pode ser que certos julgamentos aqui contidos tenham coisas monstruosas ou extravagantes, deixe-os considerar isso como um deleite de sua própria intuição e apreensão e mais ainda, como a grossura do véu que ainda está entre este aerópago e o Santuário da Gnosis. Pois perfeitamente iluminados vós sois, amada irmandade, pense nisso, que possa haver mais escuridão do que toda vossa luz. Amen. E amen. E amen de amen. Vós sois grandes pelo sinal, eu troco com vocês o símbolo, eu sussurro a palavra como eu a recebi e não de outra maneira, eu invoco sobre vós a luz de nosso Senhor, o Sol, eu confiro sobre vós a benção de nosso Senhor Therion, pelo nome de ON e pelo nome de AMEN, eu convoco os poderes da Vida, do Amor e da Liberdade sobre vós. E possa a glória do Santuário da Gnosis brilhar através do véu e a ostentação do banquete Graal passar novamente diante de vossos olhos ! Ave, Irmandade, amados do mais alto, Ave, Adeptos perfeitos e iluminados do nosso aerópago secreto, triplo Ave, Pontífices e Epópetas dos Iluminatti, Ave e adeus ! Pelo nome de Babalon e da Besta unidos, do salvador secreto e de IAO.

Apêndice

Nos livros sagrados de Thelema constantemente aparecem as núpcias de Deus e do homem.

Veja o Liber LX (1): 20, 22-28, 47-48, 64-65; (2) : 4-16, 30-31,45-46, 50-54, 57-61; (3) : 31-36, 40-54, 60, 63-65; (4) : 1-5, 7-9, 24, 30-40, 42-56, 61-65 e (5) : 8-12, 21-24.

Conclusão

O documento ‘Dos Casamentos Secretos dos Deuses com os Homens’ foi originalmente publicado como um documento do 8º grau da OTO e deve ser entendido neste contexto. Originalmente a Astrum Argum era uma ordem de treinamento em Magia, a OTO ensinava um sistema religioso de Magia Sexual e a Igreja Gnóstica Católica era uma aplicação religiosa dos ensinamentos de ambas estas ordens em conjunto. Após o óbito de Aleister Crowley e várias mudanças antes de sua morte, a Astrum Argentum tornou-se uma ordem astral e vários clamaram seguir com a tradição da OTO. Não temos nenhum interesse de entrar num debate a respeito de linhagem exceto dizer que a experiência é mais importante do que qualquer clamor histórico de fama. O vórtice astral da Astrum Argum ensina Magia Sexual, que é um sistema científico do Tantrismo, enquanto que o Tantrismo religioso é deixado para aplicação pessoal.

Este novo sistema permite a plena aplicação da injunção “O Método da Ciência, a Meta da Religião” e uma completa exposição da Magia Sexual era encontrada dentro deste grau. Os títulos religiosos tais como Casamentos Maior e Menor, o Novo Reino e tal são usados dentro da ordem mais por prática simbólica do que verdadeiramente religiosa. Portanto, o Casamento Maior é mais aplicável dentro dos Libri Nu e Had, o Casamento Menor com as instruções do Betaísmo e o Novo Reino como uma combinação de Gama e Epsilon de acordo com a interpretação talismânica. O material de fonte dentro deste documento deve ser estudado diligentemente, não menos, pois oferece um resumo excelente da teoria tântrica bem como algumas novas instrospecções interessantes sobre os procedimentos da Magia Sexual. Todo mago deve mergulhar profundamente em todas fontes disponíveis bem como realizar um estudo dos vários textos disponíveis sobre Tantrismo, usando as chaves do Santuário providas dentro deste estudo, para que todos os magos possam sentir a luz da Verdadeira Vontade e verdadeiramente tornarem-se adeptos perfeitamente iluminados.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/dos-casamentos-secretos-dos-deuses-com-os-homens/

Os Templários e o Baphomet

Baphomet (do grego), o andrógeno bode-cabra de Mendes. Segundo os cabalistas ocidentais, especialmente os franceses, os Templários foram acusados por adorar Baphomet. Jacques de Molay, Grão-Mestre da Ordem do Templo, com todos os seus irmãos, morreram por causa disso. Porém, esotérica e filosoficamente falando, tal palavra nunca significou “bode” nem qualquer outra coisa tão objetiva como um ídolo. O termo em questão quer dizer, segundo Von Hammer, “batismo” ou iniciação na sabedoria, das palavras gregas Baph e Metis, significando “Batismo de Sabedoria”, e da relação de Baphometus com Pã.

Von Hammer deve estar certo, Baphomet era um símbolo hermético-cabalístico, mas a história, tal como foi inventada pelo clero, é falsa. Pã é o deus grego da Natureza, do qual deriva a palavra Panteísmo; o deus dos pastores, caçadores, lavradores e habitantes das campinas.

Segundo Homero, é filho de Hermes e Dríope; seu nome significa “Todo”. Foi inventor da chamada flauta do deus Pã, e uma ninfa que ouvisse o som desse instrumento não resistia ao fascínio do grande Pã, apesar de sua figura grotesca. Pã tem certa relação com o bode de Mendes, no que este representa, como um talismã de grande potência oculta, a força criadora da Natureza.

Toda a filosofia hermética se baseia nos segredos ocultos da Natureza e, assim como Baphomet, era inegavelmente um talismã cabalístico. O nome de Pã era de grande virtude mágica naquilo que Eliphas Levi chamava de “Conjuração dos Elementais”. Outra teoria nos leva a uma composição do nome de três deuses: “Baph”, que seria ligado ao deus Baal; “Pho”, que derivaria do deus Moloc; e “Met”, advindo de um deus dos egípcios, Set. Para conhecê-los, sugiro a leitura do livro Maçonaria – Escola de Mistérios – Seus Símbolos e Tradições, de Wagner Veneziani Costa, lançamento da Madras Editora.

A palavra “Baphomet” em hebraico é como segue: Beth-Pe-Vav-Mem-Taf. Aplicando-se a cifra Atbash (método de codificação usado pelos cabalistas judeus), obtem-se Shin-Vav-Pe-Yod-Aleph, que se soletra Sophia, palavra grega para Sabedoria.

O símbolo do Baphomet é fálico, haja vista que em uma de suas representações há a presença literal do falo, devidamente inserido em um vaso (símbolo claro da vulva). O Baphomet de Levi possui mamas de mulher, e o pênis é metaforicamente representado por um caduceu (símbolo de Mercúrio, usado hoje na Medicina). Esse tipo de simbologia sexual aparece com freqüência na alquimia (o coito do rei e da rainha), com a qual o ocultismo tem relação. O Sol e a Lua ou, até mesmo, o Sol e Vênus, a Estrela matutina e vespertina, Phosforus, Lúcifer, o Portador da Luz…

Pode ser interpretado em seu aspecto metafísico, no qual pode representar o espírito divino que “ligou o céu e a terra”, tema recorrente na literatura esotérica. Isso pode ser visto no Baphomet de Eliphas Levi, que aponta com um braço para cima e com o outro para baixo (em uma posição muito semelhante a representações de Shiva na Índia). No ocultismo, isso representaria o conceito que diz: “Assim é em cima, como é embaixo”.

Antes, porém, quero apresentar um personagem muito importante: Eliphas Levi Zahed é tradução hebraica de Alphonse Louis Constant, abade francês, nascido no dia 8 de fevereiro de 1810 em Paris. O maior ocultista do século XIX, como muitos o consideram, era filho do modesto sapateiro Jean Joseph Constant e da dona de casa Jeanne-Agnès Beaupurt. Tinha uma irmã, Paulina-Louise, quatro anos mais velha que ele. Apesar de mostrar desde menino aptidão para o desenho, seus pais o encaminharam para o ensino religioso.

Foi assim que, aos 10 anos de idade, ingressou na comunidade do presbitério da Igreja de Saint-Louis em L´lle, onde aprendeu o catecismo sob a direção do abade Hubault, que selecionava os garotos mais inteligentes que demonstravam alguma inclinação para a carreira eclesiástica. Desse modo, Eliphas foi encaminhado por ele ao seminário de Saint-Nicolas du Chardonnet, para concluir seus estudos preparatórios. A vida familiar cessou para ele a partir desse momento. No seminário, teve a oportunidade de se aprofundar nos estudos lingüísticos e, aos 18 anos, já era capaz de ler a bíblia em seu texto original.

Após 15 anos de estudos, Eliphas Levi deixou o grande seminário para ingressar no mundo; tinha então 26 anos de idade. Sua mãe, ao saber disso, suicidou-se. Abalado e sem nenhuma experiência do mundo, teve muitas dificuldades para encontrar um emprego. Essa barreira aumentava ainda mais pelo boato que correu, segundo o qual ele teria sido expulso do seminário. Após ter percorrido o interior da França, trabalhando em um circo, Eliphas encontrou em Paris alguns trabalhos como pintor e jornalista. Fundou, com seu amigo Henri-Alphonse Esquirros, uma revista intitulada As Belas Mulheres de Paris, na qual se aplicava como desenhista e pintor, e Esquirros atuava como redator.

Eliphas Levi passou por vários empregos, sempre perseguido pelo clero que via nele um apóstata. Foi então que escreveu sua Bíblia da liberdade, desejando dividir com seus irmãos as alegrias de suas descobertas (1841). Essa publicação lhe custou oito meses de prisão e 300 francos de multa! Foi acusado de profanar o santuário da religião, de atentar contra as bases da sociedade, de propagar o ódio e a insubordinação.

Ao sair da prisão, realizou pequenos trabalhos, principalmente pintura de quadros e murais de igrejas, e fez colaborações jornalísticas. Apesar dos contratempos materiais, não deixou jamais de aperfeiçoar seus conhecimentos e enriquecer sua erudição. Foi após Emanuel Swedenborg que encontrou os grandes magos da Idade Média, os quais o lançaram definitivamente no Adeptado: Guillaume Postel, Raymond Lulle, Henry Corneille Agrippa. Assim, em 1845, aos 35 anos de idade, escreveu sua primeira obra ocultista, intitulada O Livro das Lágrimas ou o Cristo Consolador.

Em 1855, fundou a Revista Filosófica e Religiosa (cujos artigos principais se encontram em seu livro A Chave dos Grandes Mistérios. Nesse mesmo ano, publicou seu Dogma e Ritual da Alta Magia e o poema Calígula, identificando no personagem o imperador Napoleão III. Por causa disso, foi preso imediatamente. No fundo da prisão escreveu uma réplica, o Anti-Calígula, retratando-se. Foi então posto em liberdade.

No dia 31 de maio de 1875, faleceu Eliphas Levi. Aqueles que o acompanharam até o último momento testemunharam sua grande coragem e resignação. No momento de expirar, estava bastante calmo. Sua vida tinha sido plena de realizações espirituais. Havia cumprido a missão de iniciado e de iniciador.

“Toda intenção que não se manifesta por atos é uma intenção vã,

e a palavra que a exprime é uma palavra ociosa. É a ação que prova a vida, e é também a ação que prova e demonstra a vontade.

Por isso está escrito nos livros simbólicos e sagrados que os homens serão julgados, não conforme seus pensamentos e suas idéias, mas segundo suas obras.

Para ser é preciso fazer…”

A ilustração mais famosa de Eliphas Levi sobre Baphomet, que muitos conhecem, seja de cartas de Tarot, como o demônio, seja como símbolo ocultista, é esta: “Figura panteística e mágica do absoluto. O facho colocado entre os dois chifres representa a inteligência equilibrante do ternário; a cabeça de bode, cabeça sintética, que reúne alguns caracteres do cão, do touro e do burro, representa a responsabilidade só da matéria e a expiação, nos corpos, dos pecados corporais. As mãos são humanas, para mostrar a santidade do trabalho; fazem o sinal do esoterismo em cima e em baixo, para recomendar o mistério aos iniciados e mostram dois crescentes lunares, um branco que está em cima, o outro preto que está em baixo, para explicar as relações do bem e do mal, da misericórdia e da justiça. A parte baixa do corpo está coberta, imagem dos mistérios da geração universal, expressa somente pelo símbolo do caduceu. O ventre do bode é escamado e deve ser colorido em verde; o semicírculo que está em cima deve ser azul; as pernas, que sobem até o peito, devem ser de diversas cores. O bode tem peito de mulher e, assim, só traz da humanidade os sinais da maternidade e do trabalho, isto é, os sinais redentores. Na sua fronte e em baixo do facho, vemos o signo do microcosmo ou pentagrama de ponta para cima, símbolo da inteligência humana que, colocado assim, embaixo do facho, faz da chama deste uma imagem da revelação divina”.

Esse panteu deve ter por assento um cubo e, para estrado, uma bola e um escabelo triangular. É uma boa representação; no entanto, peca historicamente e não deve ser tomado como “verdadeiro” Baphomet, pois essa figura é muito parecida com a curiosa representação do Diabo, esculpida alguns anos antes da sua “tese”, em 1842, no pórtico da igreja de Saint-Merri, em Paris.

Em relação aos Templários, encontramos uma gárgula que poderia ter servido de inspiração a Levi na comendoria de Saint Bris le Vineux que pertencia à Ordem.

Spectrum nos dá alguns esclarecimentos: “…Em meio às diversas polêmicas que compõem o tema do satanismo, alguns pontos não ficam totalmente esclarecidos. Por exemplo, a representação de uma cabra com corpo humano encontrada nos cultos do satanismo religioso é denominada Baphomet, que já era conhecida desde os tempos pré-cristãos. Portanto, não possui nenhuma relação com o demônio conhecido no cristianismo. Para os satanistas, Baphomet é uma energia da natureza que os motiva a conseguir nossos objetivos. Nesse caso, a cabra com corpo humano e asas simboliza força, fertilidade e liberdade, características muito valorizadas pelos povos pagãos.

O pentagrama é um símbolo encontrado originalmente nas culturas pré-cristãs com diversos significados. No caso do satanismo religioso, é utilizado com duas pontas voltadas para cima, representando a face de Baphomet.

A origem da cruz invertida nos remete a São Pedro, que não se julgava digno de morrer como Jesus e pediu para ser crucificado de cabeça para baixo. Esse símbolo é encontrado na Basílica do Vaticano, no trono ocupado pelo Papa. Porém, a cruz invertida também foi adotada por grupos que se intitulam satanistas ou anticristãos”.

Na época dos celtas, o homem reconhecia o espírito animador dos seres vivos. Ele era geralmente descrito como o Deus Cornudo, um homem com chifres. Era uma força sem moralidade, que não podia ser aplacada e com ela não se podia barganhar. Era simbolizada como o Deus Cornudo porque conferia certos poderes sobre os animais, e um homem com chifres porque representava algo extra que o homem poderia conquistar. Os chifres duplos simbolizavam a natureza bipolar da força que era tanto boa quanto má, luz e escuridão, beleza e terror, positivo e negativo. Ainda mais, a imagem do Deus Cornudo dava uma impressão da espantosa e temível natureza desse tipo de poder.

Blavatsky relaciona Baphomet a Azazel, o bode expiatório do deserto, de acordo com a Bíblia Cristã, cujo sentido original – segundo a célebre ocultista russa – foi deploravelmente deturpado pelos tradutores das Sagradas Escrituras. Ela ainda explica que Azazel vem da união das palavras Azaz e El, cujo significado assume a forma de um interessante “Deus da Vitória”. Não obstante a essa definição, Blavatsky vai além em seus preceitos, quando equipara Baphomet – O Bode Andrógino de Mendes – ao puro Akasha, a Primeira Matéria da Obra Magna.

O Akasha é o princípio original, o espaço cósmico, o éter dos antigos, o quinto elemento cósmico. Ele é o substrato espiritual do Prakriti diferenciado. Segundo a Teosofia, ele está relacionado a uma força chamada Kundalini. Eliphas Levi o chamou de Luz Astral. Na Filosofia Hindu é um lugar, o elemento éter. Também significa ar, atmosfera, luz. Designa o espaço sutil onde estão armazenados todos os conhecimentos e feitos humanos, desde os primórdios. É a memória da humanidade. Corresponde ao Inconsciente Coletivo de Carl Jung.

O deus Pã, antiqüíssima divindade pelágica especial para Arcádia, é o guarda dos rebanhos que ele tem por missão fazer multiplicar. Deus dos bosques e dos pastos, protetor dos pastores, veio ao mundo com chifres e pernas de bode. Pã é filho de Mercúrio. Era muito natural que o mensageiro dos deuses, sempre considerado intermediário, estabelecesse a transição entre os deuses de forma humana e os de forma animal. Parece, contudo, que o nascimento de Pã provocou certa emoção em sua mãe, ela ficou assustadíssima com tão esquisita formação. As más línguas diziam que, quando Mercúrio apresentou o filho aos demais deuses, todo o Olimpo desatou a rir. Mas como é provável que haja nisso um pouco de exagero, convém restabelecer os fatos na sua verdade, e eis o que diz o hino homérico sobre a estranha aventura: “Mercúrio chegou a Arcádia, que era fecunda em rebanhos; ali se estende o campo sagrado de Cilene. Nesses páramos, ele, deus poderoso, guardou as alvas orelhas de um simples mortal, pois concebera o mais vivo desejo de se unir a uma bela ninfa, filha de Dríops. Realizou-se então o doce enlace matrimonial. Por fim, a jovem ninfa deu à luz o filho de Mercúrio, menino esquisito, de pés de bode e testa armada de dois chifres. Ao vê-lo, a nutriz abandona-o e foge. Espantam-na aquele olhar terrível e aquela barba tão espessa. Mas o benévolo Mercúrio, recebendo-o imediatamente, colocou-o no colo, cheio de júbilos. Chega assim à morada dos imortais ocultando o filho, cuidadosamente, na pele aveludada de uma lebre. Depois, apresenta-lhes o menino. Todos os imortais se alegram, sobretudo Baco, e dão-lhe o nome de Pã, visto que para todos foi considerado um objeto de diversão”.

Conta-se que as ninfas zombavam incessantemente do pobre Pã em virtude do seu rosto repulsivo, e o infeliz deus, ao que se diz, tomou a resolução de nunca amar. Mas Cupido é cruel, e afirma uma tradição que Pã, desejando um dia lutar corpo a corpo com ele, foi vencido e abatido diante das ninfas que se riam.

O deus Pã, entidade silvestre extremamente lúbrica (por isso é metade homem, metade bode), assedia a deusa Afrodite, personificação do amor carnal, com um sorriso maroto; Eros, que personifica o impulso amoroso, empurra com ar brincalhão e malicioso os chifres de Pã, ocultando-os. Eros era considerado filho de Afrodite e de Ares, deus da guerra. Sua forma também me faz lembrar de outro deus, um deus Egípcio, AMON, que muitas vezes é representado também como um bode, com chifres grandes. Amon era o deus do oculto, do escuro… da noite… do invisível…

No século XX, o controvertido ocultista inglês Aleister Crowley desenvolveu um culto e uma religião que têm como um de seus principais fundamentos exatamente o referido ídolo templário, segundo sua própria e peculiar concepção de Baphomet. O entendimento de Crowley por certo lançará mais matérias à reflexão sobre este discutível tema, bem como ajudará a avaliar o modo polêmico de abordagem desse mistério, modo este que é típico de uma crescente vertente de ocultistas contemporâneos.

Ao longo das obras de Crowley, são fartas as referências a Baphomet, chamado por ele de “Mistério dos Mistérios”, no cânone central de sua religião, composto na forma de um missal denominado Liber XV – A Missa Gnóstica. Tal era sua identificação com Baphomet, que esse nome foi adotado como um de seus mais importantes pseudônimos, ou motes mágicos.

O assunto é tão relevante que nos Rituais de Iniciação da Ordo Templi Orientis, uma das Ordens lideradas por Crowley, praticamente todas as consagrações são feitas em nome de Baphomet, não importando se os consagrados estejam conscientes ou não a respeito do sentido de tal ato e muito menos de suas implicações futuras. Tamanha é a proeminência do conceito implícito ao termo que no VI Grau da referida Ordem, a título de ilustração, numa clara referência a suas supostas raízes orientais, a palavra Baphomet é declarada como aquela que comporta os Oito Pilares (as oito letras que formam a palavra) que sustentam o Céu dos Céus, a Abóbada do Templo Sagrado dos Mistérios, no qual está o Trono do Rei Salomão.

Ainda em sua Missa Gnóstica, Crowley identifica Baphomet com um símbolo chamado “Leão-Serpente”, que, assim como Baphomet, é a representação do andrógino ou hermafrodita. Mais especificamente, ele é um composto que possui em si mesmo o equilíbrio das forças masculinas e femininas transmu-tadas num só elemento.

O Leão-Serpente, na verdade, é uma forma cifrada de mencionar a concepção humana, a união dos princípios masculinos (Leão) com os femininos (Serpente), ou do espermatozóide com o óvulo, formando o zigoto. Há, seguindo com os preceitos de Crowley, diversos modos de mencionar essa dualidade: Sol e Lua, Fogo e Água, Ponto e Círculo, Baqueta e Taça, Sacerdote e Sacerdotisa, Pênis e Vagina, além de várias outras duplas de eternos polares. E eu tomo a liberdade de acrescentar A Espada e o Graal.

Originalmente, o símbolo representado pelo Leão-Serpente consta em alguns dos mais antigos documentos gnósticos, os quais remontam ao começo do século II d.C. Apresentado sob a forma de uma figura arcôntica com cabeça de leão e corpo de serpente, o Leontocéfalo era a própria imagem do Demiurgo do Mundo, sendo a versão gnóstica para o Jeová mosaico. Crowley, ao se utilizar desse mesmo simbolismo, pretendia resgatar os cultos de um cristianismo hoje considerado primitivo.

Crowley e seus adeptos, entretanto, não se detêm apenas em demonstrar o Mistério de uma forma puramente alegórica. A “Luz da Gnose”, como é chamada, é celebrada de modo literal. Assim, o ponto máximo da encenação de seu missal consiste na celebração do Supremo Mistério, ou seja, durante a realização das Missas Gnósticas ocorre a comunhão, por parte de todos os partícipes da cerimônia, das hóstias, também chamadas de hóstias dos céus, ou bolos de luz, preparadas com sêmen e fluido menstrual. De acordo com Crowley, Baphomet, sob o nome Leão-Serpente, surge desse composto, da matéria primeva, oriunda da grande obra, ou seja, do ato sexual entre Sacerdote e Sacerdotisa.

Por meio dos poderes mágicos dos operantes do rito da grande obra, a matéria primeva é transmutada em “Elixir”, ou “Amrita”. A grande obra, contudo, por meio das propriedades mágicas da fórmula de Baphomet, ainda teria a capacidade de transmutar os operantes do rito e não apenas as substâncias que o compõem. Baphomet, assim como concebido por Crowley, é então o Elixir ou tintura da sabedoria, o veículo da Luz da Gnose, a qual compõe o Mistério Místico Maior, também chamado segredo central de sua Ordo Templi Orientis.

Crowley considerava Baphomet como o supremo Mistério Mágico dos Templários, segredo este que estaria concentrado nos graus superiores de sua Ordem. Da mesma forma, ele clamava que esse era o mesmo mistério oculto nos graus superiores da Maçonaria. Será que ele se enganou? Ou conhecia um outro rito na Maçonaria?

Por Frater WLUX 11

Bibliografia:

BANZHAF, Hajo e THELER, Brigitte. O Tarô de Crowley – Palavras-Chave. São Paulo: Madras Editora, 2006.

BORGES, Jorge Luis. O Livro dos Seres Imaginários. Rio de Janeiro: Editora Globo, sd.

CARROLL, Peter James, texto traduzido por Pássaro da Noite.

CROWLEY, Aleister. O Livro de Thelema. São Paulo: Madras Editora, 2000.

KING, Francis. Sexuality, Magic & Pervesion, p. 98. Los Angeles: Feral House, 2002.

–. The Secrets Rituals of the O.T.O., p. 164. Nova York: Samuel Weiser, 1973.

LEVI, Eliphas. Dogma e Ritual de Alta Magia. São Paulo: Madras Editora, 2004.

–. A Chave dos Grandes Mistérios. São Paulo: Madras Editora, 2005.

RAPOSO, Carlos. In: “Baphomet”, Revista Sexto Sentido.

STANLEY, Michael (coordenação). Emanuel Swedenborg. São Paulo: Madras Editora, 2006.

#Maçonaria #Ocultismo #Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-templ%C3%A1rios-e-o-baphomet

Fantasmas na Antiga Mesopotâmia

A epopéia Gilgamesh, que relata a criação do mundo, o dilúvio e o pós-dilúvio, escrita em tabuletas de argila, em caracteres cuneiformes, considerados marco do princípio História propriamente dita [o tempo anterior, sem escrita, é classificado como pré-histórico], inclui, possivelmente, o mais antigo relato de aparição de um fantasma: Gilgamesh, o herói da aventura encontra o espírito de seu amigo Enkidu, ali descrito como uma forma transparente.

Na Mesopotâmia dos babilônicos [pois ali habitaram várias nações: acádios, sumérios, caldeus, assírios etc..] havia a crenças em diferentes categorias de espíritos porém, os mais representativos, vistos com temor pois eram considerados inimigos dos viventes, eram espíritos de homens e mulheres mortos. Certos fantasmas eram considerados como particularmente perigosos, hostis, capazes de afetar as afeições humanas, transformando amor em ódio. Estes, especialmente, teriam deixado o corpo em condições impuras, do ponto de vista cerimonial.

Os mais terríveis fantasmas da Babilônia eram os de mulheres que tinham morriam em trabalho de parto. Inspiravam piedade mas, também, medo; o sofrimento, acreditava-se, tornava-as dementes, insanas e por isso, eram amaldiçoadas, destinadas a se lamentar na escuridão. A dor que sofreram em seus últimos momentos de vida tornava-se um veneno para alma, uma impureza. Entre todos os fantasmas, estes eram os que mais trabalhavam contra a raça humana causando toda a sorte de infortúnios. Essa crença é compartilhada por outros povos: no norte da Índia e no México, os fantasmas de mulheres grávidas e parturientes são apavorantes. Na Europa existem existem muitas lendas de mães que morreram e voltam para  se vingar quando os parceiros e/ou pais negligenciam suas crianças.

Também se tornavam espíritos errantes e desconsolados, os homens que viveram solteiros, as mulheres que não tiveram filhos, os mortos em batalha ou em viagens que não foram convenientemente sepultados, os afogados, os condenados à morte, os prisioneiros que pereciam de fome e outros mais, vítimas de mortes violentas, como se vê, crenças que perduram até os dias atuais. Para descansar em paz, os mortos precisavam de libações, alimentos [tal como faziam os antigos egípcios] a fim de que não se transformassem em espectros destinados a vagar pelas ruas ou invadir as casas em busca de comida e água. Esses cuidados funerários eram obrigação dos parentes mais próximos.

por Ligia Cabús

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/fantasmas-na-antiga-mesopotamia/

Arquétipos da Umbanda – Linha de Pomba Gira

O mistério Pombojira é regido por uma divindade cósmica feminina que tanto gera quanto irradia o desejo, atuando como elemento mágico e agente cármico, nos limites estabelecidos pela Lei Maior, à disposição dos Orixás. Como elemento religioso, ela atua como esgotadora de carmas individuais e como ativadora ou estimuladora das pessoas. Como elemento mágico, só é ativada ou desativada se devidamente paga, com oferendas rituais simbólicas. Enquanto Linha de Esquerda na Umbanda, incorpora em suas médiuns e dá consultas gratuitas, aconselhando, orientando, defendendo, ajudando a superar as dificuldades materiais ou espirituais, familiares, profissionais etc., mas, sempre a partir de sua visão cósmica das situações, de seu senso e de seu entendimento pessoal de como deve proceder para atender a quem a solicitou. Elas tomam a defesa de seus médiuns quando algo ou alguém os está prejudicando.

Ela é portadora de um poderoso mistério, ligado à sexualidade feminina. Mas, se Pombojira transpira desejo por todos os seus sentidos, não vibra o fator vitalidade, vigor, e os desejos não se concretizam. Por não vibrar esse fator, polariza com Exu, que emana o fator vitalidade, o qual, se juntando com o fator desejo, cria as condições para que as coisas aconteçam. Exu e Pombojira são indispensáveis um para o outro. As Pombojiras atuam como agentes esgotadores de negativismos ou criadores de vontades que atuam no emocional humano, induzindo o ser a mover-se em busca do “alto”. São regidas pelo mistério “Trono Neutro”, que não é bom nem mau, e responde segundo é invocado. Através do seu fator vontade, elas tanto estimulam como desestimulam os mistérios dos orixás: amor, conhecimento, religiosidade, geração, equilíbrio, ordem e evolução.

Na Umbanda, a entidade espiritual que se manifesta incorporada em suas médiuns está fundamentadas em um arquétipo desenvolvido a partir da entidade Bombogira, originária do culto angola.

Pombagira foi logo no início de sua incorporação dizendo ao que viera e construiu um arquétipo forte, poderoso e subjugador do machismo ostentado por exu e por todos os homens vaidosos de sua força sobre as mulheres.

Pombagira construiu o arquétipo da mulher livre das convenções sociais, liberal, liberadas, exibicionista provocante, insinuante e desbocada, sensual e libidinosa, quebrando todas as convenções que ensinavam que todos os espíritos tinham que ser certinhos e incorporar de forma sisuda, respeitável e aceitável pelas pessoas e por membros de uma sociedade repressora da feminilidade.

Pombagira é isso. É um dos mistérios do nosso divino criador que rege a sexualidade feminina. Critiquem-na os que se sentirem ofendidos com seu poderoso charme e poder de fascinação.

Amem-na e respeitem-na os que entendem que o arquétipo é liberador da feminilidade tão reprimida na nossa sociedade patriarcal.

A espiritualidade superior que arquitetou a Umbanda sinalizou a todos que não estava fechada para ninguém e que, tal como Cristo havia feito e não encobriria com uma suposta religiosidade a hipocrisia das pessoas que, “por baixo dos panos”, gostam mesmo é de tudo o que a Pombagira representa com seu poderoso arquétipo.

Aos hipócritas e aos falsos puritanos, pombagira mostra que, no íntimo, ela é a mulher de seus sonhos… ou pesadelos, provocando-o e desmascarando seu falso moralismo, seu pudor e seu constrangimento diante de algo que o assusta e o ameaça em sua posição de dominador.

Esse arquétipo forte e poderoso já pôs por terra muito falso moralismo, libertando muitas pessoas que não teria sido atormentado com suas descobertas sobre a personalidade oculta dos seres humanos.

A Umbanda tem nas suas pombagiras ótimas psicólogas que, logo de cara, vão dando o diagnóstico e receitando os procedimentos para a cura das repressões e depressões íntimas.

É o espírito que “baixa” em seu médium e, entre um gole de champanhe e uma baforada de cigarrilha, orienta e ajuda a todos os que o respeitam e o amam, confiando-lhe seus segredos e suas necessidades.

Guias: Pombagira

Mistério sustentador: Mãe Oxum

Cor: Vermelho e dourado

Erva: Patchouli, hibisco.

Frutas: Morango, cereja e maçã

Saudação: Laroiê pombagira – pombagira é mojubá!

Bebida: Champanhe rose, branca e uísque

Elemento: Punhal, alguidar envernizado, pedras (coralina, ametista, pirita, quartzo rosa), coração de galinha cru, moedas (cobre e dourada)

Fumo: Cigarro branco longo

Velas: Vermelha e dourada

Flores: Rosa vermelha

Semente: ?

Alimento: ?

Atua: Desejo e Estímulo.

Fontes: www.luzdourada.org e www.seteluzesdivinas.org

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Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/arquetipos-da-umbanda-linha-de-pomba-gira/

Compreensão e Relacionamento

Paulo Jacobina*

Excertos de A Senda Infinita

Compreensão

Compreender significa viver aquilo que se sabe sem espaço para dúvidas ou quaisquer indagações mentais. É agir de forma fluida e sem retenção, por menor que seja, em consonância com o que se sabe. E apenas se alcança o estado de compreensão, quando se vive por intermédio do Livre-Arbítrio, no Dharma.

Ao se deparar com uma situação, o Livre-Arbítrio permite ao Eu realizar uma escolha, optar por seguir o Instinto ou a Intuição. Optando pelo Instinto, seguirá o caminho das escolhas pretéritas, no qual é “vítima” das condições externas, dos comportamentos passados, sejam seus, da coletividade, da ilusão do acaso, de achar que toda a manifestação só existe por ele.

Contudo, ao optar pela Intuição, o Eu começa a ver a realidade na qual se encontra. Vislumbra que o acaso inexiste, visto que toda manifestação se encontra em sintonia. Questiona-se o que aquela situação simboliza. Busca o símbolo, e quando o encontra, entende o que gerou a situação vivenciada; que o Eu é parte integrante da manifestação e não vítima; e que, por ser parte, pode aprender com a situação e transmutá-la.

Ao entender o que simboliza a situação, começa a enxergar o lugar das coisas na manifestação e a entender o significado desta; que tudo o que existe e o que não existe tem um propósito, incluindo o próprio Eu. Compreende que as situações vivenciadas são símbolos que, como tais, possuem um significado, um propósito. E, assim, passa a se manifestar segundo este propósito, distribuindo a todos o necessário para se alcançar o Sattva e, dessa forma, todos os envolvidos se deslocarem na Consciência.

Tendo em vista que o Sattva é o equilíbrio harmônico entre os opostos Rajas e Tamas, ao vivenciar uma situação e passar a entender a causa, isto é, o aspecto da manifestação que ali predomina, desperta para aplicar o aspecto oposto: ao se deparar com o Ódio, aplicar o polo oposto, o Amor; ao se deparar com a intolerância, fazer uso da tolerância; frente à agressão, aplicar a mansidão; com a Incompreensão, buscar a Compreensão. É fornecer o outro polo, a face oposta à que se manifesta naquele momento.

Relacionamento

Ao compreender a Verdade, o Eu deixa de vivenciar a Heresia da Separatividade e se vê em um Relacionamento. Um estado no qual entende a essência de tudo o que existe e o que não existe, inclusive a própria, e passa a contribuir para o organismo como um todo, livrando-se das ilusões do ego, que estabelece a falsa necessidade de realizar algo visando o próprio interesse.

Relacionar-se é contribuir para a jornada do próximo sem autoindulgência, autoaprimoramento ou autoproteção, sem ego. É entender a essência da manifestação e fornecer aquilo que pode, visando o desenvolvimento do outro sem esperar nada em troca. E o ato de se relacionar está presente em todas as esferas da jornada existencial do Eu.

Ao olhar, por exemplo, uma árvore e se livrar da Heresia da Separatividade, o Eu a vê como árvore e passa a atuar de forma com que a árvore possa se desenvolver em seu inteiro potencial, fornecendo água para irrigá-la, adubo para melhorar os nutrientes do solo etc. Da mesma forma, a árvore vê a manifestação ao seu redor, a compreende em essência e, por isso, livre de ego e sem desejar nada em troca, atua de forma a contribuir para o desenvolvimento da manifestação, fornecendo sombra, frutos, um ambiente mais ameno etc.

Ao olhar o Corpo no qual se manifesta, o Eu Central compreende que outros Eus ali se encontram em suas jornadas existenciais. Entende as suas essências e contribui para o seu desenvolvimento fornecendo os nutrientes para isso, em formato da prática salutar de exercício, alimentação e pensamentos.

Ao olhar a sociedade na qual a Persona se encontra, seja ela em qualquer formato que se manifeste[1], procurar o que pode oferecer à sociedade e não o que a sociedade pode lhe dar.

 

[1] Sociedade familiar, de condomínio, de bairro, cidade, estado, país, empresarial etc.


 

Paulo Jacobina mantêm o canal Pedra de Afiar, voltado a filosofia e espiritualidade de uma forma prática e universalis

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/compreensao-e-relacionamento/

Bibliografia nacional sobre lobisomens

João Ribeiro, em O Folklore, publicação de 1919, no capítulo VI, escreve que “O pan-animismo da natureza não distingue os seres, nem os classifica; nem os compreende senão como inteiramente humanos. A Lua, o Sol, a folha, a montanha ou a pedra, tudo é humano. Se um rochedo acaso afeta qualquer parecença com outro ser, logo surge uma história etiológica que nos explica a metamorfose. Dessas mutações que passaram depois à poesia e à ficção, algumas ficaram como superstições resistentes, tenazes e refratárias à morte. Tal é o caso do Lubisomem, da transformação do homem em lobo, que se funda realmente num estado de loucura melancólica e religiosa, caso patológico bem averiguado desde os médicos antigos. A licantropia ou a cinantropia é freqüentemente confessada pelos próprios doentes como uma possessão pelos demônios. No Brasil, certas vítimas do amarelão, quando esgotadas de anemia, são havidas por Lubisomens. Uivam, ladram, e amam as excursões noturnas fora de horas. Tal é o caso da legenda arcádica de Licaon entre os gregos. Na Índia, desde os Vedas, há a moléstia mental dos homens-tigres, homens-cobras, convictos da própria metamorfose. O licantropo acredita que vira a pele para dentro e a parte interna para fora, ficando ora homem, ora lobo, e por isso entre os latinos lhe chamavam versipellio… por essa inversão do tegumento. O Lubisomem começa a tremer, a ganir e a ladrar, no momento da transformação, com aquele ar estranho e hórrido do Dr. Jekill, o homem duplo, do terrível conto de Stephenson. Também Sachetti, numa das suas Novelle, 122, escreve: “E come io sona per diventare lupo, comincia a sbagliare e a tremare forte”.1… O povo acredita ainda nos que viram Lubisomem, durante a noite.”

Leoncio C. de Oliveira, em Vida Roceira, edição de 1918, SP., descreve o Lobisomem como “caboclo opilado, extremamente descorado, ressequido e de sombrio aspecto, produto de sétimo parto, que às sextas-feiras, à meia noite, procura os galinheiros, onde se espoja nas fezes e alimenta-se das mesmas, metamorfosea-se em um grande cão, de enormes e pendentes orelhas que estralam no calor da carreira na qual sai o desgraçado para percorrer sete cidades antes do nascer do dia, em cumprimento do seu triste fado

…Sendo uma mulher casada com um Lobisomem, só lhe soube a sina quando, certa noite, despertou sobressaltada com enorme cão dentro do quarto. Gritou apavorada pelo marido, que julgava a dormir e o cão, enfurecido, atacou-a, esfacelando-lhe a dentes a saia de baeta vermelha que vestia. Na manhã seguinte, ao surpreender entre os dentes do marido filamentos de lã de sua saia, compreendeu-lhe, horrorizada, o desgraçado destino. Abandonou-o e levou o resto da vida a penitenciar-se do tempo que coabitou com o horrível duende.”

Cornélio Pires, em 1927, apresenta o Lobisomem através da descrição de um caipira. “O Lubisóme é um cachorrão grande, preto, que sai tuda a sexta-fera comê bosta de galinha, ‘daquelas preta, mole, que nem sabão de cinza… Ele sai e garra corrê mundo nu’a toada, cabeça-baxa, esganado e triste… Você arrepare in tuda a casa de sítio; in baxo das jenela tá tudo ranhado de Lubisóme. Ele qué íntrá p’ra cumê as criança que inda num fôro batizado…”

Aluísio de Almeida, em 142 Histórias Brasileiras, relata uma variante paulista da Estória do Labisomem: “Uma moça casou-se com um rapaz que tinha o fadário de ser Lobisome; viviam em harmonia, porém ela, muito simples, nada percebia, porque o marido costumava sair sempre à noite dar uma prosa com amigos que moravam um pouco retirados, e a convidava. Às vezes, ela ia também; e de outras não, e quando não, ia deitar-se e quando o marido voltava a encontrava dormindo, de modo que às sextas-feiras ele saia cumprir o fadário sem que ela desconfiasse. Uma sexta-feira, sem pensar, ele a convidou para saírem, e ela eceitou; mas, quando foram passando por uma tapera, lembrou-se que era noite de cumprir o fadário, mas estava com a mulher. Que fez ele? disse para a mulher que o esperasse ali, porque precisava dar um recado a um amigo que morava ali perto; e seguiu por um trilhozinho que ficava no fundo da tapera. Como estava escuro e a mulher ficasse com medo de cobras ou aranhas, pois era um gramado, achou melhor trepar em um galho arcado de uma árvore, à pequena altura do chão. Já ia alta a noite, o marido não aparecia, ela com muito medo, pois nunca ficara assim sozinha em tapera. De repente, ela ouviu um bater de orelhas que vinha pela estrada para aonde deviam caminhar, e um cachorrão farejando o chão veio onde ela estava e, enxergando-a, começou a dar pulos para mordê-la, e nesses botés só conseguia pegar a barra da saia de baeta e tirava pedaços nos dentes.

Ela começou a gritar pelo marido, mas ele não aparecia; depois de muito tempo ele apareceu e perguntou o que eram aqueles gritos? ela disse: – você vai e não voltava mais; apareceu um bruto cachorrão e queria me morder, mas só alcançou o meu vestido e a saia de baeta. Não querendo descobrir-se, e para disfarçar, disse: – eu fui lá e convidaram-me para cear; eu aceitei e me entretive na prosa, e quando vinha vindo ouvi vossos gritos e vim depressa; como já é tarde, eles aonde nós iamos já estarão dormindo; voltaremos uma outra noite qualquer; é a mesma coisa. No outro dia ele não foi trabalhar; e quando o sol estava um pouco alto, disse: – fulana! ponha uma esteira no terreiro e traga uma tripeça, e você senta-se, e eu ponho a cabeça no vosso colo e me faz um cafuné. A mulher fez o que ele disse; e pondo a cabeça no seu colo e ela fazendo cafuné, começou a roncar com a boca aberta, e então a mulher viu os fiapos de baeta nos vãos dos dentes do marido, e ficou muito assustada, mas nada lhe disse. Chamou depois um seu irmão, e contou o caso todo muito direitinho. O irmão disse: fulana! teu marido é Lobisome; mas não se assuste, eu vou cortar-lhe o fadário; sexta-feira eu vou esperá-lo; levo meu facão folha de espada e quando ele passar, eu o cotuco com a ponta do facão para tirar sangue, e ficará cortado o fadário; não tenha medo, não vou matá-lo. No dia determinado o rapaz foi esperá-lo; levou o facão, uma garrucha de dois canos, vestiu o poncho e pôs um chapéu de abas largas, e ficou na beira da estrada. A horas tantas o rapaz ouviu o paca, paca, das orelhas e quando o Lobisomem ia passando, riscou-Ihe as costelas com a ponta do facão; ele deu um salto e virou homem outra vez; e encarando o cunhado disse: ah! você cortou o meu fadário, espere aí que eu vou em casa buscar um presente para te dar, em agradecimento! O rapaz, que sabia o que era o presente, tirou o poncho e o vestiu em uma arvorezinha, pôs o chapéu em cima e ficou do outro lado, esperando. Dai a pouco volta o homem e diz: – meu amigo! aí vai o presente! e descarrega os dois canos da espingarda, que só atingiu o poncho, e o rapaz respondeu: Amigo! quem dá presente recebe um ‘Deus Ihe pague’ – e descarregau ambém os dois canos da garrucha, mas sem intenção de atingi-lo.

Ele fugiu, de carreira. No outro dia se encontraram, e o cunhado mostrou o poncho furado pelos bagos de chumbo e disse: eu tenho o corpo fechado; chumbo não cala no meu corpo, e nem bala também; vamos fazer as pazes, porque comigo você não pode; o outro acreditou e fizeram as pazes e o casal continuou vivendo em harmonia. Nota: Era crença que os Lobisomens, quando conheciam os seus desencantadores, tratavam de vingar-se, porquanto, desencantados daquela maneira, teriam de cumprir o fadário depois da morte com tempo dobrado. Contada por Eugênio Pilar França.”

Em 50 Contos Populares de São Paulo, o mesmo autor relata que “num certo lugar do qual não é preciso dizer o nome, houve há tempos um homem mau, que judiava muito da mulher, a ponto de causar-lhe a morte, por ruins tratos. O castigo que ele teve foi de virar Lobisomem todas as noites de sextas para sábados. Resolvendo casar-se de novo, tratou de ser melhor para a segunda mnlher, a ver se acabava o seu fadário. Era mesmo uma coisa triste paraele, sair à noite, chovesse ou fizesse frio, pelos caminhos silenciosos, com as grandes orelhas caídas, procurando baeta para mastigar. Depois do casório, continuou a mesma coisa. A mulher percebeu logo que nas noites de sextas-feiras ele saía, e voltava cedo, noutro dia, muito cansado e triste, amarelo, sem ânimo para o trabalho. Uma noite dessas, portanto, ficou acordada, e viu o marido, mastigando a baeta do cobertor, com uma cara tão feia que nem teve coragem para lhe dizer nada. Quando deu meia noite, ele procurou a chave, mas estava tudo bem trancado, por artes da mulher. Então, ele foi ficando fininho, que nem uma linha, e passou pelo buraco da fechadura. A mulher não pôde dormir mais. Chamou gente. O homem apareceu de madrugada com uns fiapos de baeta vermelha nos dentes e muito envergonhado. Era a hora. Mal ele acabava de entrar, a mulher, sem dizer nada, zás! joga-lhe água benta em cima. Depois fizeram sete rezas, sete noites, com sete velas acesas, e ele desecantou e viveu feliz”…

Ruth Guimarães, em Os Filhos do Medo, escreve que “não pode o Lobisomem ver os olhos nem as unhas de alguém, porque isso o irrita.” E conta que “um menino foi mordido por um grande cão negro. Um dia, quando o boi do carro que estava guiando, urinou, ele tirou a roupa e se espojou no chão sobre a urina. Na mesma hora virou Lobisomem.”

No Estado de São Paulo (Mogi das Cruzes e Laranjal Paulista) existe a versão do Lobisomem como homem que vem pedir ou aceita sal, na sexta-feira.

Quem nascer no dia 12 do mês 12, às 24 horas, quando tiver 12 e 24 anos, vira Lobisomem, escreve Geraldo Brandão, em Monografia Folçlórica – Mogi das Cruzes.

Em Minas Gerais, Hermes de Paula apresenta o Lobisomem como Fantasma da Quaresma, em Montes Claros: Sua História, Sua Gente E Seus Costumes.

“O nosso Lobisomem apresenta-se em duas formas: de cachorro; ou lobo e porco. Vagueia nas noites das sextas-feiras da Quaresma; os cachorros latem para ele de longe, mas de perto encolhem-se ganindo baixinho, transidos de medo. Eles não vêm do outro mundo; são homens que viram. Rolam na areia ou chiqueiro três sextas-feiras seguidas para conseguir a transformação; quando se utilizam da areia transformam-se em cachorro; no caso do chiqueiro viram porcos. Vários individuos daqui eram apontados, às escondidas, como viradores de Lobisomens. O cego Ventura mesmo era um deles; vivia amarelo… Em um sábado da Quaresma chegamos a enxergar entre seus dentes os fiapos da baeta vermelha – sinal insofismável de que ele virara Lobisomem. Contam que balas não lhe entram no corpo; o único lugar vulnerável é o dedo mindinho do pé (5° artelho); ferido neste ponto, o encanto se quebra e o Lobisomem vira homem, na mesma hora e fica com muita raiva. Antonio Xavier de Mendonça, passando pela vargem às duas horas da madrugada de uma sexta-feira da Quaresma, foi agredido por um porco enorme e alvejou o ponto fraco do animal. Foi a conta; o bicho desvirou e, para surpresa sua, era um seu compadre e amigo, que muito alegre se mostrou, reconhecido pelo bem a ele sucedido e pediu-lhe que esperasse ali, que ele iria em casa buscar-lhe um presente. O velho Mendonça desconfiou da pressa do compadre em lhe retribuir o favor; com o paletó e o chapéu vestiu um tronco seco de árvore existente ali e escondeu-se para observar melhor. Daí a pouco veio chegando o compadre com uma espingarda e tacou fogo no tronco vestido…”

Saul Martins, em Os Barranqueiros, dá o Lobisomem como “Bicho resultante da metamorfose de pessoa do sexo masculino condenada em razão da sua própria origem; ou em razão de transformação voluntária. Para tanto, despe-se numa encruzilhada ou debaixo de um pé de goiabeira, à meia noite, Sexta-feira da Paixão, espojando-se na roupa às avessas.”

O pé de goiabeira, como local propício à transformação; não apareceu, nesta pesquisa, em outro lugar. O mesmo com referência à transformação voluntária, no Brasil.

Em Folclore da Januária, Joaquim Ribeiro diz que “O Lubisono é o sétimo filho macho de um casal que só tinha fêmeas. Tem de cumprir sina. As sextas-feiras mete-se no chiqueiro, espoja-se e grunhe como porco. Para quebrar o encanto, é necessário tirar sangue. Quem é Lubisono é pálido, magro, sorumbático e tristonho. Quando vira bicho, os dentes aumentam, os pêlos crescem e o corpo toma a forma de um quadrúpede monstruoso. Não há uniformidade na descrição do Lubisono: é um monstro proteico, de várias formas.” Essa descrição é resultante de pesquisa em São João das Missões.

No Boletim Trimestral da Comissão Catarinense de Folclore Ano I n° l, lê-se que, no município de Caçador, “O sétimo filho quando não batizado, vira Lobisomem – ou quando casa será estéril” e em Biguaçu, “criança que nasce com os dedos tortos fica lobis-homem.” Na mesma publicação, Ano III n° 12 e em Aspectos Folclóricos Catarinenses, Walter F. Piazza denomina o Lobisomem Uma Velha Assombração e diz que no município de Tijucas, “se nascerem consecutivamente, numa família, sete filhos varões, o último deverá ser chamado Bento, do contrário ficará Lobisomem.”… ” Já em outros lugares são apontados como inimigos da honra, tal como nos afiançou velho caboclo: é indivíduo de má índole, autor de algum bárbaro crime, especialmente contra a honra ou contra gente fraca: crianças, mulheres grávidas e velhos.” No oeste catarinense, em Caçador, surge como “um horrendo Lobisomem-dragão, com cerca de três metros de comprimento, tem dorso de dragão e formidável boca provida de agudíssimos dentes. Pelas ventas dilatadas lança um bafio nauseabundo.” Esse monstro, conhecido como Lobisomem dos Correias, alimenta-se do sangue dos que morreram sem confissão e quem ouvir seus uivos morrerá dentro de curto prazo. A perversidade é característica desses amaldiçoados e “os cachorros uivam e o perseguem, latindo e mordendo; o gado, quando solto nos pastos, corre que nem louco e quando está preso torna-se inquieto e procura disparar das mangueiras… e toda a pessoa que tiver a infelicidade de ser mordido pelo excomungado do bicho, não tem que ver, na primeira sexta-feira de lua cheia, vira em seguidinha Lobisomem. Isso bem perto da capital catarinense, no município de Biguaçu.” E continua: “mas o nosso pescador de camarões da Ilha de Santa Catarina pede a Deus que o livre do coisa-ruim!” No interior catarinense dizem que ele “suga o sangue das criancinhas, especialmente das que, ainda, se amamentam. Desvirgina as donzelas.” E, para a maior parte do povo, do que ele gosta, mesmo, é de sangue. No município catarinense de Porto Belo, “se tem algum inimigo, homem, andando pela estrada; pega-o na certa para a sangria mais violenta no pé do ouvido. Ou na batata da perna.” Quanto à forma como se apresenta, informa o A., que, “em NovaTrento, parte do território catarinense, é um homem de olhos afogueados, pêlo eriçado, ventre aberto e sangrando, unhas aguçadas e que expele fogo pela boca.”

Em Santa Catarina o encantamento dá-se, de preferência, nos dias de lua cheia, principalmente durante a Quaresma e no dia 13; também em quarto-minguante. O Lobisomem desencanta no final da fase lunar, ou quando o galo canta no terreiro.

Walter Piazza, em Aspectos Folclóricos Catarinenses, apresenta o seguinte documento versificado sobre o Lobisomem:

I

Quando aqui era deserto
Poucos moravam neste sertão.
Existiam brancos e negros cativos
Era tempo de escravidão
Branco era batizado.
E preto morria pagão.

II

O povo já tinha mêdo
Que isto desse confusão
Apareceu logo um gritadô
Já viram que era visão,:
Era o tal do “Lubizóme”
Esprito de negro pagão.

III

Tinha uma negra sete filhos,
Todos os sete bem negrinhos
Se o mais velho não fosse batizado
O mais moço virava lubizomezinho;
O mais velho morreu sem batismo
E deu destino ao pequenininho.

IV

A mãe dos meninos – chorando
Sem êste destino podê cortá.
Viu o mais velho virá lubizôme
E o menorzinho boitatá:
O resto não digo nada
Tenho medo inté de contá!

V

Contando um pouco desta história
Ví êsse monstro aqui no sertão
Não sei se morto ou vivo
Só sei que horrível visão
Estava em um cemitério
Sexta feira da paixão.

VI

Eu fui pagá promessa.
Que há muitos anos devia:
Ir a um cemitério, em horas mortas
Quando todo o povo já dormia
E sem ouvir o cantar do galo
Perguntá ao morto o que queria.

VII

O povo já me prevenira
Uns quantos dias atrás
Que nestas encruzilhadas transitava
O Pé Redondo ou Satanaz;
Que por êstes lados à noite
Ninguém pode caminhar, em paz.

VIII

Eu devia essa promessa
E só tinha que pagar
Por mais que custasse a vida
Prá Deus não me castigar
Ir sozinho ao cemitério
Chamar mortos e ouvi êles falar

IX

Afinal foi chegando o tempo
Até chegou o dia –
Sexta feira da paixão,
Serrando as aves-marias;
Era noite, a noite de falá c’os mortos
De ir pagar o que eu devia
Promessa era de salvar minha vida,
Por outro nêste mundo eu não fazia.

X

A cidade já silenciosa dormia
Escura noite trovejando
Com meu aparelho de fotografia
Fui pouco a pouco caminhando;
Relâmpagos alumiavam; aos poucos
Do cemitério fui me aproximando.

XI

Abrí a porta do cemitério
E sobre cruz ajoelhei no chão,
Acendi umas velas; fechei os olhos
E silencioso pensei no Irmão;
Sepulto moveu-se e um gemido ouvi,
Estou perdido, Deus meu Deus, perdão!

XII

Que assombro, que medo, que horror
Um rosnar, um gemido escutei!
Uma estranha visão acenava
Qué isso, meu Deus, eu não sei.
No correr disparou-me uma chapa,
Corri pelo escuro e afinal escapei.

XIII

Eu contando direito esta história
Representa inté um sonho,
A fótografia é que lhe vai provar
Si é lubizôme ou demonho.
Não caminho mais de noite, e promessa não faço
Nestas embrulhadas nunca mais me ponho!

Caçador, 22 de Maio de 1946.

(ass.) Altino Bueno de Oliveira

Ainda na publicação citada, Ano 8 n ° 23/24, Carlos George du Pasquier em Notas ‘Folclóricas Sobre o Município de Biguaçu diz que “É difícil saber-se ao certo quando se encontra um Lobisomem, pois nem sempre ele toma a forma de um porco preto: dizem que a forma do primeiro animal em cuja cama ainda quente se rebola. Alguns afirmam que para mordida de Lobisomem não há cura, e na primeira sexta-feira de lua cheia, nas proximidades do anoitecer, a pessoa que foi mordida principia a mostrar-se inquieta até sair em desabalada carreira rumo ao mato, onde se embrenha para tomar a forma do maldito.” Conta ainda que há muitos anos existia no Alto Biguaçu uma família vinda da Alemanha, que não era completamente feliz, porque sabia o destino do caçula, sétimo filho: Certa noite; quando jantavam, foram surpreendidos pelos latidos de um cãozinho, que para eles avançou tentando mordê-los. A mãe, agoniada, correu ao berço do menino; mas encontrou-o vazio, como pressentia. Apanhou o cachorrinho nos braços e espetou um alfinete na sua patinha. O sangue brotou em pequenas gotas e então; aos poucos, entre gemidos e contorsões, o animalzinho retornou à forma humana, na figura do nenê da família. Para a mordida do Lobisomem não há cura, segundo dizem, mas para evitá-la, pode-se usar o alho”.

Seguem-se estes versos:

1

“O povo do lugá
por valente conhecido,
tem medo que se pela
do bicho desconhecido

2

É sempre ao meio dia
que falam no danado;
quando anoitecer principia
fica tudo bem calado

3

Pois não é brincadeira
encontrar um lobisome
o bicho que morde gente
e inté criança come

4

O bicho só despenca
do alto da morraria
perseguido pelos cachorros
em terrível gritaria

5

Correndo como doido,
se cortando nos espinho,
ele não respeita nada
que encontra no caminho

6

Na sua triste sina
de correr a noite inteira,
Deus livre quem o encontra
numa escura sexta-feira

7

Mordido vira logo
lobisomem também
e na outra sexta-feira
é um outro que o mundo tem

Em Poranduba Catarinense, Lucas Alexandre Boiteux oferece esta variante da Estória do Lobisomem: “Os praieiros de Canavieira dizem que existia, no distrito de Ratones, uma senhora casada que tinha um filho. Todos os dias, logo que o marido se ausentava, ia ela banhar a criança numa gamela. Na ocasião, aproximava-se um cachorrinho que tentava morder o menino. Enxotava-o, mas ele teimava em voltar. Certo dia, bateu no animal que; enfurecido, avançou e estraçalhou-lhe a saia de baeta. Ao levantar-se, na manhã seguinte, viu com grande assombro os dentes do marido cheios de fiapos do tecido. Foi assim que ele, sendo um Lobisomem, perdeu o encantamento.” Lá, o Lobisomem ou Lambisome pode ser o primeiro ou o sétimo filho.

Em 1913, J. Simões Lopes Netto, em Lendas do Sul, descreve o Lobisomem segundo a voz do povo. “Diziam que eram homens que havendo tido relações impuras com as suas comadres, emagreciam; todas as sextas-feiras, alta noite, saíam de suas casas transformados em cachorro ou em porco, e mordiam as pessoas que a tais desoras encontravam; estas, por sua vez, ficavam sujeitas atransformarem-se em Lobisomens…”

No Guia do Folclore Gaúcho, Augusto Meyer descreve o homem que se transforma em Lobisomem como “magro, alto, macilento e doente do estômago. Metamorfosea-se em animal semelhante ao cachorro ou porco.”

Walter Spalding, em Tradições e Superstições do Brasil Sul, diz que “ser Lobisomem é conseqüência de pragas rogadas ou produto de maldades de homem ou mulher que nunca procuraram fazer o bem. Transforma-se em conseqüência de pragas rogadas ou malefícios feitos pela vítima.” É um grande cão negro que aparece às sextas-feiras, principalmente na primeira de cada mês.

Francisco Augusto Pereira da Costa, em Folk-lore Pernambucano, edição de 1908, escreve que “O Lobisomem, que no maravilhoso da imaginagão popalar é um homem extremamente pálido, magro e de feia catadura, é produto, ou de um incesto, ou nasceu logo depois de uma série de sete filhos. Este infeliz… cumpre o seu fadário em certos dias, saindo de noite e, ao encontrar com um lugar onde um cavalo ou um jumento se espojou, espoja-se também, toma a sua forma, e começa a divagar em vertiginosa carreira. Nesse tristíssimo fadário, que começa à meia-noite e se prolonga até quase o amanhecer do dia, ao ouvir o cantar do galo, percorre o Lobisomem sete cidades e chegando, de volta já ao lugar do seu encantamento, espoja-se de novo, retoma a sua forma humana e recolhe-se a casa, abatido e extenuado de forças…” Oferece ainda estas estrofes, mencionadas por Silvio Romero, de um conto intitulado O Lobisomem e a menina.

– Menina, você aonde vai?
..Eu vou à fonte.
– Que vai fazer?
..Vou levar de comer
..A minha mãezinha.
– O que levas nas costas?
..meu irmãozinho.
– O que levas na boca?
..cachimbo de cachimbar.
…………………………………..

Ai! meu Deus do céu,
O bicho me quer comer!
O galo não quer cantar,
O dia não quer amanhecer,
Ai, meu Deus do céu!

Escreve Câmara Cascudo, em Geografia das Mitos Brasileiros, que “Para o norte já não há razões morais. O Lobisomem uma determinante do amarelão (ancilóstomo), da maleita (paludismo). Todos os anêmicos são dados como candidatos à licantropia salvadora. Transformados em lobos ou porcos, cães ou animais misteriosos e de nome infixável, correm horas da noite atacando homens, mulheres; crianças, todos os animais recém-nascidos ou novos; como cachorros, ovelhas, cabrinhas, leitões etc. Derribada a vítima, o Lobisómem despedaça-lhe a carótida com uma dentada e suga-Ihe o sangue. Essa ração de sangue justifica, na impressão popular, a licantropia sertaneja. Se o hipoêmico não conseguir a dose de sangue necessária ao seu exausto organismo, morrerá infalivelmente.”

Citando, entretanto, Coriolano de Medeiros, o mesmo autor apresenta outro aspecto dessa assombração, na interpretação do povo, mencionando o Lobisomem paraibano, que conserva a característica da punição, pois é amaldiçoado por pais e padrinhos. “O Lobisómem, crê-se, é sempre um indivíduo excomungado pelos pais, ou por algum padrinho. Pelo fato da maldição, tem instinto de tornar-se animal; principia por segregar-se da sociedade, até que um dia de sexta-feira, à noite, vai na encruzilhada dum caminho, semeia o solo de cascas de caranguejo, tira a camisa, dá um nó em cada ponta, estende-a por sobre os restos dos crustâceos, formando um leito e começa a cambalhotar sobre ele murmurando: ‘encoura mas não enchuxa, diabo?’ repete o estribilho muitas vezes e à proporção que o repete, que dá cambalhotas, a voz vai se tornando átona, o corpo cobre-se de pelos compridos, as orelhas crescem, a cara se alonga tomando a forma de um morcego, as unhas se transformam em garras. Uma vez metamorfoseado sai a correr mundo e suga o sangue de todo menino pagão que encontra e na falta deste ataca qualquer indivíduo. Mas tem um medo terrível do chuço; casa que tem instrumento deste, Lobisomem não vai. As três horas da madrugada; quando o galo canta, o Lobisomem volta à primitiva forma.”

O Lobisomem da Paraíba do Norte aparece também na obra citada de Walter F. Piazza, que recolheu informações referentes ao litoral e sertão paraibanos em Ademar Vidal e referentes ao brejo, em José Leal. São apresentadas três versões da forma usada para a metamorfose. A do litoral: é “preciso procurar uma encruzilhada, cheia de mariscos de praia, onde se despe, dando vários nós na camisa e no lenço. Deita-se no chão; espojando-se como quadrúpede. Uns dizem que ele engole os mariscos do mar. Outros contestam essa versão. Depois entra a fazer desarticulações com as pernas e braços, encostando a cabeça nos pés, remexendo-se para a direita e esquerda, dizendo palavras à-toa. ‘- Encoura, desencoura, encoura, desancoura, encoura’. A do sertão. “Sai de casa à procura de algum recanto de estrada onde se deite. Espoja-se, requebra-se, faz trejeitos, até virar um bezerro negro de longas orelhas.” “……é bezerro negro . . . .. ostenta couro cabeludo de fazer cachos, além de cascos pequeninos, olhar fuzilante e; depois, dotado de força e agilidade extraordinárias.” A do brejo: “. . . rebolando-se o aspirante na cama de um animal, ainda quente do corpo deste, cuja forma tomará. É condição imprescindível para a transformação que, no momento, os raios de Lua incidam diretamente sobre o homem que estiver deitado na cama do irracional, manifestando-se, de início, pelo crescimento dos dentes que dão perfeita semelhança com o animal modelo: Adquire desde logo os instintos animalescos.” No brejo paraibano, “descrevem-no como homem normal, que, em certas horas e em dias determinados e sob determinadas condições, toma o aspecta de um animal e sai a correr o fado, cumprindo o castigo imposto pela Divina Providência, pelo pecado de adultério de compadre com comadre, de devota com padre, dos incestuosos e blasfemos.”

O escritor cearense Gustavo Barroso, mencionado por Câmara Cascudo na obra citada, diz que para se transformarem em Lobisomem; os homens “viram a roupa às avessas, espojam-se sobre o estrume de qualquer cavalo ou no lugar em que este se espojou.”

Um cão sem cabeça, é como a assombração aparece em Alagoas. Lá, para se transformar, “tira a camisa e dá-Ihe sete nós. Esconjura pai, mãe, padrinho e madrinha, o nome de Deus e de Nossa Senhora”, segundo informa Cascudo; calcado em Théo Brandão (Mitos Alagoanos).

Em Geografia dos Mitos Brasileiros, autor já mencionado, lê-se que “Na noite de quinta para sexta-feira, despido, o homem dá sete nós em sua roupa e, em algumas partes, urina em cima.” ‘”Se esconderem a roupa que o Lobisomem deixou na encruzilhada ou desfizerem os sete nós, ficará ele todo o resto da sua existência um bicho fantástico.” Quando corre na praia, evita molhar-se na água do mar, que é sagrada. “O Lobisomem é invulnerável a tiro. Só se a bala estiver metida em cera de vela de Altar onde se haja celebrado três Missas da Noite de Natal.” Na mesma obra, encontram-se dois relatos que, em resumo, vão transcritos:

Francisco Teixeira, apelidado seu Nô, declarava publicamente desacreditar de Lobisomem e até caçoava do assunto. Um seu companheiro de trabalho, João Severino, zangava-se com essa atitude e avisou-o de que qualquer dia se arrependeria. Os companheiros alertaram-no: João Severino virava; ele que se prevenisse e andasse armado. Seu Nô tinha a faca na cintura. Uma noite, atravessava uma pequena várzea, quando lhe pulou em cima um bicho preto, do porte de um bezerro: Lutou furiosamente, conseguindo esfaquear e tirar sangue do animal. Ferida no pescoço, a besta correu para o mato. O homem, morto de medo, voltou para casa. No dia seguinte, sentiu falta do companheiro João Severino. Indagando, soube que estava doente. Foi visitá-lo. Encontrou-o de cama, gemendo e tomando remédios, com a nuca ferida.

O outro é um caso contado pelo próprio protagonista, João Francisco de Paula, de Santa Cruz, RGN. Todas as semanas, na noite de quinta para sexta-feira, era aquele barulhão, ladrar e uivos de cão, assim que a Lua subia; lá pelas onze horas da noite: Certa vez abriu a janela para espiar e vislumbrou o vulto de um animal meio baixo, roncando e batendo as orelhas. Dias depois um comboio arranchou-se na fazenda. Era a noite propicia. Contou o que sabia e os companheiros se dispuseram a caçar o bicho. Um deles tinha, justamente, cera benta consigo. Bezuntou as balas da sua arma com elas e ficaram todos de tocaia. Quando a Lua ia alta, ouviram a trovoada dos cães de caça e o barulho do animal pesado, acuado por eles. O vaqueiro escondeu-se perto da barranca do rio, agora seco pelo verão. De repente, o bicho passou. Descarregou a espingarda; conseguindo atingi-lo. Correram todos para ver. O animal, com terrível ronco, caíra barranca abaixo: A luz dos archotes que levavam, viram um Lobisomem – ainda era meio animal – como um porco com garras, da cintura para baixo; da cintura para cima era um homem moreno claro, cabelos encaracolados. Ali mesmo o enterraram, sem cruz, sob um montão de pedras, marcando o lugar daquela tragédia inacreditável.

A bibliografia consultada declara a inexistência de Lobisomem feminino, nas Américas.

Na verdade, a forma mais comum é a do Lobisomem masculino. Mas não a única. Documento encontrado em Os Barranqueiros, autor citado (A onça cabocla) e o doc. n° 41, de Serra Pelada, MT, comprovam a existência da licantropia feminina, no Brasil e, portanto, nas Américas.

“A Onça Cabloca

Há muitos anos morava numa choça de cascas de pau, a alguns metros do barranco do Rio São Francisco, uma velha tapuia, feiticeira e má. Alimentava-se de sangue humano e comia o fígado de suas vítimas, quando não se fartava de sangue.

Lá um ou outro caçador surpreendia-a, ocasionalmente, no meio da catinga, ou à boca de uma furna, ao pé da serra.

Quando tinha fome, primeiro despia-se, estendendo os trapos no chão, às avessas; depois, deitando-se neles, espojava-se.

Virava onça.

Assim transformada marchava contra pobres criaturas indefesas, de preferência mulheres e crianças. Apaziguada a fome, volvia ao ponto de partida, rebolando-se de novo sobre os andrajos.

Virava gente.

Certa vez, porém, chegou-lhe o castigo, tendo então se arrenegado de quem inventou a mandinga. Um pé de vento arrebatou-lhe os molambos e os atirou nas águas do rio e ela não pôde desencantar-se. Ficou onça para sempre e lá existe.”

1- E como estou para me transformar em lobo, começo a me atrapalhar e a tremer fortemente.

Lobisomem: assombração e realidade
Maria do Rosário de Souza Tavares de Lima

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/bibliografia-nacional-sobre-lobisomens/

A iluminação das trevas

Ainda hoje me lembro da primeira vez em que fomos apresentados, nalguma convenção de Role Playing Games (RPGs) em São Paulo. Ele, o criador e editor de alguns dos melhores ambientes de RPG no Brasil; eu, somente um cara que havia criado um mundo de fantasia que havia feito certo sucesso na web.

Foi somente um aperto de mão, mas foi a forma como ele me olhou que chamou minha atenção. Sabe, nós místicos temos um sério problema em sermos compreendidos por todos aqueles que, para resumir, mal sabem o que significa propriamente o termo “misticismo”.

Não se trata de algum sentimento de “superioridade” em relação aos outros, mas tanto o oposto disso – é como se existisse uma rede a preencher todo o Cosmos, e como se os seus longos fios etéreos passassem por todos os corações e os conectassem num mesmo tecido eterno. A isto alguns também chamam amor. Não somos superiores, portanto, somos iguais, somos amantes, amantes do Tudo.

Dessa forma, é como se habitássemos algum lugar, algum campo de relva, fora do tempo e do espaço mas, ao mesmo tempo, dentro de nossa própria mente. Descrevê-lo seria inútil, pois ele também se encontra além das palavras; mas há alguma coisa no olhar daqueles que por lá caminharam, algum brilho que faz com que os místicos, esses loucos, possam reconhecer uns aos outros… Foi só um aperto de mão, mas alguma intuição me dizia que ainda iríamos cruzar nossos caminhos de novo…

Naquela altura eu nem havia iniciado meu blog, Textos para Reflexão, e ele nem havia sido convidado para ser colunista do Sedentário & Hiperativo, um dos blogs de variedades com maior audiência do país. Mas, quem sabe onde e quando no Infinito, uma ponta da longa teia era já puxada, e nós, tal qual pequeninas formigas, marchávamos sem saber em direção a um ponto de intercessão.

Em sua coluna, Teoria da Conspiração, ele abordou a mitologia, as religiões, a história antiga e medieval, e até mesmo o ocultismo, de uma forma surpreendentemente didática, livre de dogmas (religiosos ou científicos), e capaz de conquistar uma boa parcela de um público em sua maioria jovem – quem sabe, com um ou outro místico adormecido, prestes a despertar…

Com o tempo, ficou claro para ele que seria necessário criar um outro canal menor, afluente da grande audiência do Sedentário, para poder dizer coisas mais “ocultas” a um público menor, mais preparado para absorver tais ideias mais profundas. Não se trata de nenhuma “ordem secreta”, mas tão somente de um outro blog, homônimo da sua coluna, aberto a visita de todos, mas logicamente com uma audiência bem mais restrita que a do Sedentário. Mal comparando, seria como um canal de documentários que nasceu de um canal de variedades – uma audiência menor, mas com pessoas mais interessadas e dispostas em aprender.

Assim, mesmo sendo um dos ocultistas mais conhecidos na web brasileira, ele ainda teve a sabedoria, ou intuição, de convocar outros blogueiros espiritualistas para serem colunistas do seu Teoria da Conspiração, que acabou se tornando uma espécie de blog coletivo, com místicos de todas as áreas, da psicologia a mitologia oriental, contribuindo em conjunto para tornar o blog algo maior, um projeto de iluminação das trevas da pior ignorância – a ignorância da própria alma.

Foi assim que nossos caminhos voltaram a se cruzar. Não somente na virtualidade da minha coluna em seu blog, mas também nas poucas e proveitosas ocasiões em que tive o prazer de me encontrar e trocar algumas ideias com Marcelo Del Debbio, que se revelou um místico tão nerd quanto eu.

Não é que ele esteja no controle total de toda essa situação. Ele pode ser um espírito antigo, mas até mesmo por isso tem sabedoria e bom senso suficientes para compreender que existem espíritos muito, muito mais antigos do que todos nós, e muito mais sábios, puxando a ponta dessa grande teia… Até onde ela nos levará, nenhum de nós parece saber ao certo – mas que ela se inclina para a luz, nenhum de nós parece ter alguma dúvida…

E a luz foi criada para ser refletida. Este livro é tão somente a porta de entrada para um campo cheio de espelhos voltados para o alto. O que eu e o Marcelo temos feito é tão somente tentar posicioná-los na direção certa.

Esta é uma edição dos primeiros artigos do Teoria da Conspiração.

Rafael Arrais

***

O texto acima fará parte da Introdução de O Grande Computador Celeste, um livro digital que estará eventualmente disponível para download gratuito nos formatos epub (Kobo) e mobi (Amazon Kindle). Poderá ser lido tanto em eReaders quanto tablets, laptops e smartphones, bastando para tal instalarem os aplicativos de leitura gratuitos da Amazon ou da Kobo. Vejam como ficou a capa:

#Livros

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-ilumina%C3%A7%C3%A3o-das-trevas

A cultura Draco-Luciferiana

Na busca pelo autoaperfeiçoamento, pelo autoconhecimento e pela liberdade psicomental, o iniciado em si mesmo educa sua vontade, exercita o livre-pensar, a psiconáutica e desenvolve a criação visionária. Dentro do contexto filosófico oculto, do gnosticismo ofita esquerdo e do draconismo, o indivíduo procura englobar em sua bagagem cultural as ciências arcanas e “malditas” e os quatro grandes pilares do conhecimento humano, a saber: ciência, religião, filosofia e arte em seus aspectos mais ocultos, criativos e práticos para a experiência da consciência individual.

Mas todo esse conhecimento adquirido deve ser profundamente compreendido e internalizado para que se torne sabedoria. É importante “filtrar” com discernimento a cultura, o conhecimento, as informações que se adquire, pois todo e qualquer conhecimento internalizado pode se converter em néctar ou veneno. O néctar proporciona clareza de pensamento, organização intelectual e consciência iluminada (ou luciférica); o veneno se espalha na constituição humana, dispersando e confundindo todo o conhecimento não compreendido e não assimilado, distorcendo a realidade, distorcendo o entendimento e podendo causar algum nível de distúrbio psicomental.

Assim, a cultura pessoal de cada indivíduo autoconsciente, de cada filósofo livre, de cada luciferiano e de cada draconiano, deveria ser relativamente ampla e abrangente, dentro do possível. Porém, não é o que ocorre com relação à grande maioria das pessoas, geralmente (muito) comuns e correntes. Há pessoas, ou grupos, com matéria mental ainda muito crua e rudimentar, mesmo na atualidade com tantas tecnologias e informações acessíveis a muitos. Por outro lado, há também aqueles de inteligência mediana muito específica, condicionada, um tipo bastante comum de “inteligência de ofício”, útil somente para a atividade profissional estritamente mundana e corriqueira, o que é diferente da inteligência (de “ofídio”) mais expandida daqueles que se interessam por conhecimentos além do comum e corrente, além da prosaica vida mundana cotidiana, limitada, insossa e sem maiores expansões psicomentais.

A inteligência expandida encontra o meio de se manifestar somente no influxo psicomental de indivíduos abertos, receptivos, conectados aos planos “invisíveis” (pode-se ver a mente?) de luz e trevas (a essência de toda manifestação), demonstrando uma avançada compreensão interior devido ao seu próprio grau evolutivo individual. Pessoas tais possuem inquietudes e vontade pelo saber, capacidade de descobrir as coisas por si mesmas e sede de conhecimentos. Essa arte de descobrir, de adquirir conhecimento e experiência, de solucionar problemas por meio da inteligência, etc., é o que se chama de heurística, seja na ciência, na religião, na filosofia ou na arte, os quatro grandes pilares do conhecimento que devem formar um todo na mente e na vida do indivíduo consciente, do gnóstico ofita (ou draco-luciferiano).

Heuristicamente, o pilar da ciência, ou gnosis (conhecimento), representa o fundamento intelectual com a experiência direta das causas e efeitos das coisas, vivenciando as próprias verdades. O método científico é aplicado pelo inciado draconiano em suas próprias experiências, observando, analisando, experimentando e comprovando suas próprias teorias e hipóteses sobre questões ocultistas, expansão da mente, psiconáutica, etc. Isso o leva ao autoconhecimento, à verdadeira gnose pessoal, para além do mero cientificismo “desumano”, mecanoide e meramente materialista. A ciência é a mente elevada autoconsciente (a “com-ciência”), o pensamento livre e esclarecido e o discernimento racional para a aquisição experiência gratificante da mente, das emoções e do corpo, para aquisição de cultura superior e de conhecimento científico útil e prático para o próprio desenvolvimento do indivíduo.

O pilar da religião, ou melhor da autodeificação, representa a experiência direta da emoção superior consciente, algo apenas vivenciado no interior de cada um. É a união da Individualidade (Lúcifer, Logos Luciférico, Daimon) com as forças da natureza e do universo. A religião do verdadeiro agape é o verdadeiro amor devocional por si mesmo enquanto entidade evolutiva autoconsciente, e não tem nada a ver com as inúmeras religiões venenosas, dogmáticas e coercivas instituídas pelo mundo afora. Trata-se de uma experiência supranormal e extremamente marcante vivida e provada para si próprio e para mais ninguém. A religião do verdadeiro agape certamente não é a religião do fanatismo das massas; não é a religião fundamentalista que cultua as guerras, a dor, o sofrimento, a tristeza e dissemina a confusão mental; não é a religião da enfermidade psicomental, da estagnação e da acídia, ou seja, da preguiça e desolação do espírito (supra) humano e da inteligência. A religião do agape é a viagem do indivíduo em seu próprio interior, um mergulho em suas próprias emoções primitivas (e psicomentais) que jazem no próprio abismo (Daath, “Conhecimento”) microcósmico, seja por meio da ritualística ou por meio da psiconáutica neuroquímica controlada, ou seja lá o que for.

O pilar da filosofia, ou sophia (sabedoria), é a busca da verdade individual que só tem fundamento e valor para o próprio buscador; é a busca pela realização do ideal fundamental latente no indivíduo. Ao contrário de muitos filósofos que parecem estéreis, aprisionados em seus labirintos intelectuais, o filósofo oculto pragmático emprega meios tais como sistemas metafísicos, ritualística, meditação, projeção da consciência, psiconáutica, entre outros, para a experiência da Individualidade, para a aquisição de sabedoria acerca de si e do universo, na medida em que isso seja possível. Teoricamente, a filosofia é o sistema que estuda a natureza de todas as coisas e suas relações. Na filosofia oculta e no gnosticismo ofita, sophia conduz à paz ataráxica, impertubável, do espírito, ao bem-estar, à alegria, à satisfação e ao prazer.

O pilar da arte, ou thelema (vontade) é o fundamento das ideias intuitivas, da vontade criadora e realizadora. A arte só pode expressar a criatividade se houver verdadeira vontade, impulso e ousadia, livre de limitações impostas e oriundas das repressões sociorreligiosas. Arte é a capacidade de realizar a obra sobre si mesmo, de aperfeiçoá-la com vontade forte. Na filosofia oculta e no draconismo, arte é o conjunto de conhecimentos, capacidades e talento para concretizar ideias, sentimentos e visões de maneira estética e “viva” por meio de imagens (pintura, escultura), sons (música) e palavras (literatura). A verdadeira arte realizada através de thelema (vontade) está muito longe da pseudoarte grosseira, antiestética, de mau gosto e desonesta que “artistas” estereotipados e pedantes produzem sem nenhuma inspiração autêntica. A verdadeira arte se realiza sob vontade para manifestar porções do próprio Ser (a Individualidade luciférica).

Assim, no draconismo (ou gnosticismo ofita, ou luciferianismo, como se queira definir) os quatro pilares do conhecimento, como demonstrados aqui, sustentam o indivíduo e o conduzem ao autoaprimoramento, ao autoconhecimento e à evolução contínua…
Adriano Camargo Monteiro é escritor de Filosofia Oculta, Draconismo, Mão Esquerda e é estudioso de simbologia e mitologia comparadas. Possui diversos livros publicados e escreve também para a Revista Universo Maçônico, para o Jornal Madras, para o site Morte Súbita, para o Zine Lucifer Luciferax e para blogs pertinentes. Contatos com autor pelo site: http://adrianocamargomonteiro.blogspot.com

Fr.’. Adriano Camargo Monteiro

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-cultura-draco-luciferiana/