A História de José, O Carpinteiro

Esta é a história da morte de José, conforme foi narrada pelo Senhor Jesus a seus apóstolos. Escrita no Egito, por volta do século IV, chegou até os tempos atuais apenas em uma versão copta e uma outra árabe, com algumas poucas diferenças.

Neste texto, o Senhor Jesus conta a história de José, o carpinteiro, cujo ofício era o de manufaturar arados e cangas. Fala de seus sentimentos, quando da aproximação da morte, avisado que foi por um anjo.

A narração da agonia e da morte de José é enriquecida por detalhes interessantes, como o da aproximação da morte, juntamente com seu séquito, inclusive com a presença do diabo.

Alguns detalhes importantes são apresentados, como o nome dos filhos e a idade de José, quando de seu casamento com Maria, enquanto que outros, como episódios da infância de Cristo, confirmam o que é apresentado nos Evangelhos de Pedro, Tiago e Tomé, sobre a Infância do Salvador. Importante alusão, no final do texto, é feita ao Anticristo, cuja vinda convulsionará todas as nações.

Quando nosso Salvador contou a vida de José, o Carpinteiro, a nós, os apóstolos, reunidos no monte das Oliveiras, nós escrevemos sua palavras e depois guardamo-las na biblioteca de Jerusalém. Além disso, deixamos consignado que o dia no qual o santo ancião separou-se do seu corpo: foi do dia 26 de Epep[1] , na paz do Senhor. Amém.

Jesus Fala a Seus Apóstolos

Estava um dia nosso bom Salvador no monte das Oliveiras, com os discípulos a sua volta e dirigiu-se a eles com estas palavras:

– Meus queridos irmãos, filhos de meu amado Pai, escolhidos por Ele entre todos do mundo! Bem sabeis o que tantas vezes vos repeti: é necessário que eu seja crucificado e que experimente a morte, que ressuscite de entre os mortos e que vos transmita a mensagem do Evangelho para que vós, de vossa parte, o pregueis por todo o mundo.

Eu farei descer sobre vós uma força do alto, a qual vos impregnará com o Espírito Santo, para que vós, finalmente, pregueis para todas as pessoas desta maneira: fazei penitência! Porque vale mais um copo de água na vida vindoura do que todas as riquezas deste mundo. Vale mais pôr somente o pé na casa de meu Pai que toda a riqueza deste mundo.

Mais ainda: vale mais uma hora de regozijo para os justos que mil anos para os pecadores, durante os quais hão de chorar e lamentar, sem que ninguém preste atenção nem console seus gemidos. Quando, pois, meus queridos amigos, chegue a hora de ir-vos, pregai, que meu Pai exigirá contas com balança justa e equilibrada e examinará até as palavras inúteis que possais haver dito.

Assim como ninguém pode escapar à mão da morte, da mesma maneira ninguém pode subtrair-se de seus próprios atos, sejam eles bons ou maus. Além disso, vos tenho dito muitas vezes, e repito agora, que nenhum forte poderá salvar-se por sua própria força e nenhum rico, pelo tamanho da sua riqueza. E agora, escutai, que narrar-vos-ei a vida de meu pai José, o abençoado ancião carpinteiro.

Viuvez de José

Havia um homem chamado José, que veio de Belém, essa vila judia que é a cidade do rei Davi. Impunha-se pela sua sabedoria e pelo seu ofício de carpinteiro. Este homem, José, uniu-se em santo matrimônio com uma mulher que lhe deu filhos e filhas: quatro homens e duas mulheres, cujos nomes eram: Judas, Josetos, Tiago e Simão. Suas filhas chamavam-se Lísia e Lídia.

A esposa de José morreu, como está determinado que aconteça a todo o homem, deixando seu filho Tiago ainda menino de pouca idade. José era um homem justo e dava graças a Deus em todos os seus atos. Costumava viajar para fora da cidade com freqüência para exercer o ofício de carpinteiro, em companhia de dois de seus filhos mais velhos, já que vivia do trabalho de suas mãos, conforme o que estabelecia a lei de Moisés.

Esse homem justo, de quem estou falando, é José, meu pai segundo a carne, com quem se casou na qualidade de consorte, minha mãe, Maria.

Maria no Templo 

Enquanto meu pai José permanecia viúvo, minha mãe, a boa bendita entre as mulheres, vivia por sua parte no templo, servindo a Deus em toda a santidade.
Havia já completado doze anos. Passara os seus três primeiros anos na casa de seus pais e os nove restantes no templo do senhor.

Ao ver que a santa donzela levava uma vida simples e plena de temos a Deus, os sacerdotes conservaram entre si e disseram:

– Busquemos um homem de bem e celebremos o casamento com ele, até que chegue o momento de seu matrimônio. Que não seja por descuido nosso que lhe sobrevenha o período da sua purificação no templo, nem que venhamos a incorrer em um pecado grave.

Bodas de Maria e José

Convocaram, então, as tribos de Judá e escolheram entre elas doze homens, correspondendo ao número das doze tribos. A sorte recaiu sobre o bom velho José, meu pai, segundo a carne.

Disseram os sacerdotes a minha mãe, a Virgem:

– Vai com José e permanece submissa a ele, até que chegue a hora de celebrar teu matrimônio.
José levou Maria, minha mãe, para sua casa. Ela encontrou o pequeno Tiago na triste condição de órfão e o cobriu de carinhos e cuidados. Esta foi a razão pela qual a chamaram Maria, a mãe de Tiago.

Depois de tê-la acomodado em sua casa, José partiu para o local onde exercia o ofício de carpinteiro. Minha mãe Maria viveu dois anos em sua casa, até que chegou o feliz momento.

A ENCARNAÇÃO 

No décimo quarto ano de idade, Eu, Jesus, vossa vida, vim habitar nela por meu próprio desejo. Aos três meses de gravidez o solícito José voltou de suas ocupações. Ao encontrar minha mãe grávida, preso à turbação e ao medo, pensou secretamente em abandoná-la.

Foi tão grande o desgosto, que não quis comer nem beber naquele dia.

Visão de José

Eis, porém, que durante a noite, mandado por meu Pai, Gabriel, o arcanjo da alegria, apareceu-lhe numa visão e lhe disse:

– José, filho de Davi, não tenhas cuidado em admitir Maria, tua esposa, em tua companhia. Saberás que o que foi concebido em seu ventre é fruto do Espírito Santo. Dará, então, à luz um filho, a quem tu porás o nome de Jesus. Ele apascentará os povos com o cajado de ferro.

Dito isso, o anjo desapareceu. José, voltando do sono, cumpriu o que lhe havia sido ordenado, admitindo Maria consigo.

Viagem a Belém 

Então o imperador Augusto fez proclamar que todos deveriam comparecer ao recenseamento, cada um conforme seu lugar de origem. Também o bom velho se pôs a caminho e levou Maria, minha virgem mãe, até a sua cidade de Belém.
Como o parto já estava próximo, ele fez o escriba anotar seu nome da seguinte maneira:

– José, filho de Davi, Maria, sua esposa, e seu filho Jesus, da tribo de Judá.
Maria, minha mãe, trouxe-me ao mundo quando retornava de Belém, perto do túmulo de Raquel, a mulher do patriarca Jacó, a mãe de José e Benjamim.

Fuga para o Egito 

Satanás deu um conselho a Herodes, o Grande, pai de Arqueleu, aquele que fez decapitar meu querido parente João. Ele me procurou para tirar-me a vida, porque pensava que meu reino era deste mundo. Meu Pai manifestou isso a José, numa visão, e este pôs-se imediatamente em fuga levado consigo a mim e a minha mãe, em cujos braços eu ia deitado.

Salomé também nos acompanhava. Descemos até o Egito e ali permanecemos por um ano, até que o corpo de Herodes foi presa da corrupção, como castigo justo pelo sangue dos inocentes que ele havia derramado e dos quais já nem se lembrava.

Retorno à Galiléia

Quando o iníquo Herodes deixou de existir, voltamos a Israel e fomos viver em uma vila da Galiléia chamada Nazaré. Meu pai José, o bendito ancião, continuava exercendo o ofício de carpinteiro, graças a que podíamos viver.

Jamais poder-se-á dizer que ele comeu seu pão de graça, mais sim que se conduzia de acordo com o prescrito na lei de Moisés.

Velhice de José

Depois de tanto tempo, seu corpo não se mostrava doente, nem tinha a vista fraca, nem havia sequer um só dente estragado em sua boca.

Nunca lhe faltou a sensatez e a prudência e sempre conservou intacto o seu sadio juízo, mesmo já sendo um venerável ancião de cento e onze anos.

Obediência de Jesus

Seus dois filhos Josetos e Simão casaram-se e foram viver em seus próprios lares. Da mesma forma, suas duas filhas casaram-se, como é natural entre os homens, e José ficou com o seu pequeno filho Tiago.

Eu, da minha parte, desde que minha mãe trouxe-me a este mundo, estive sempre submisso a ele como um menino e fiz o que é natural entre os homens, exceto pecar.

Chamava Maria de minha mãe e José de meu pai. Obedecia-os em tudo o que me pediam, sem ter jamais me permitido replicar-lhes com uma palavra, mas sim mostrar-lhes sempre um grande carinho.

Frente à Morte

Chegou, porém, para meu pai José, a hora de abandonar este mundo, que é a sorte de todo homem mortal.

Quando seu corpo adoeceu, veio um de Deus anjo anunciar-lhe:

– Tua morte dar-se-á neste ano.

Sentindo sua alma cheia de turbação, ele fez uma viagem até Jerusalém, entrou no templo do Senhor, humilhou-se diante do altar e orou desta maneira:

ORAÇÃO de José

– Ó Deus, pai de toda misericórdia e Deus de toda carne, Senhor da minha alma, de meu corpo e do meu espírito! Se é que já se cumpriram todos os dias da vida que me deste neste mundo, rogo-te, Senhor Deus, que envies o arcanjo Micael para que fique do meu lado, até que minha desditada alma saia do corpo sem dor nem turbação. Porque a morte é para todos causa de dor e turbação, quer se trate de um homem, de um animal doméstico ou selvagem, ou ainda de um verme ou um pássaro.

Em uma palavra, é muito dolorosa para todas as criaturas que vivem sob o céu e que alentam um sopro de espírito para suportar o transe de ver sua alma separada do corpo. Agora, meu Senhor, faz com que o teu anjo fique do lado da minha alma e do meu corpo e que esta recíproca separação se consuma sem dor. Não permitas que aquele anjo que me foi dado no dia em que saí de teu seio volte seu rosto irado para mim ao longo deste caminho que empreendi até vós, mas sim que ele se mostre amável e pacífico.

Não permitas que aqueles cujas faces mudam dificultem a minha ida até vós. Não consintas que minha alma caia em mãos do cérbero e não me confundas em teu formidável tribunal. Não permitas que as ondas deste rio de fogo, nas quais serão envolvidas todas as almas antes de ver a glória de teu rosto, voltem-se furiosas contra mim. Ó Deus, que julgais a todos na Verdade e na Justiça, oxalá tua misericórdia sirva-me agora de consolo, já que sois a fonte de todos os bens e a ti se deve toda a glória pela eternidade das eternidades! Amém.

Doença de José

Aconteceu que, ao voltar a sua residência habitual de Nazaré, viu-se atacado pela doença que havia de levá-lo ao túmulo. Esta apresentou-se de forma mais alarmante do que em qualquer outra ocasião de sua vida, desde o dia em que nasceu.

Eis aqui, resumida, a vida de meu querido pai José: ao chegar aos quarenta anos, contraiu matrimônio, no qual viveu outros quarenta e nove.

Depois que sua mulher morreu, passou somente um ano. Minha mãe logo passou dois anos em sua casa, depois que os sacerdotes confiaram-na com estas palavras:

– Guarda-a até o tempo em que se celebre vosso matrimônio.

Ao começar o terceiro ano de sua permanência ali – tinha nessa época quinze anos de idade – trouxe-me ao mundo de um modo misterioso, que ninguém entre toda a criação pode conhecer, com exceção de mim, de meu Pai e do Espírito Santo, que formamos uma unidade.

O Início do Fim

A vida de meu pai José, o abençoado ancião, compreendeu cento e onze anos, conforme determinara meu bom Pai. O dia em que se separou do corpo foi no dia 26 do mês de Epep.

O ouro acentuado de sua carne começou a desfazer-se e a prata da sua inteligência e razão sofreu alterações. Esqueceu-se de comer e de beber e a destreza no desempenho de seu ofício passou a declinar.

Aconteceu que, ao amanhecer do dia 26 de Epep, enquanto estava em seu leito, foi tomado de uma grande agitação. Gemeu forte, bateu palmas três vezes e, fora de si, pôs-se a gritar dizendo:

Lamentos de José

– Ai, miserável de mim! Ai do dia em que minha mãe trouxe-me ao mundo! Ai do seio materno do qual recebi o germe da vida! Ai dos peitos que me amamentaram! Ai do regaço em que me reclinei! Ai das mãos que me sustentaram até o dia em que cresci e comecei a pecar! Ai de minha língua e de meus lábios que proferiram injúrias, enganos, infâmias e calúnias! Ai dos meus olhos, que viram o escândalo! Ai dos meus ouvidos que escutaram conversações frívolas! Ai das minhas mãos que subtraíram coisas que não lhes pertenciam!

Ai do meu estômago e do meu ventre que ambicionaram o que não era deles! Quando alguma coisa lhes era apresentada, devoravam-na com mais avidez do que poderia fazê-lo o próprio fogo! Ai dos meus pés que fizeram um mau serviço ao meu corpo, já que o levaram por maus caminhos! Ao do meu corpo todo que deixou a minha alma reduzida a um deserto, afastando-a de Deus que a criou! Que farei agora? Não encontro saída em parte alguma! Em verdade é que pobres dos homens que são pecadores! Esta é a angústia que se apoderou de meu pai Jacob em sua agonia, a qual veio hoje a ter comigo, infeliz. Mas, ó Senhor, meu Deus, que és o mediador de minha alma e de meu corpo e de meu espírito, cumpre em mim a tua divina vontade.

Jesus Consola seu Pai

Quando terminou de dizer estas palavras, entrei no local onde ele se encontrava e, ao vê-lo agitado de corpo e de alma, disse-lhe:

– Salve, José, meu querido pai, ancião bom e abençoado.

Ele respondeu, ainda tomado por um medo mortal:

– Salve mil vezes, querido filho. Ao ouvir tua voz, minha alma recupera sua tranqüilidade. Jesus, meu Senhor! Jesus, meu verdadeiro rei, meu salvador bom e misericordioso! Jesus, meu libertador! Jesus, meu guia! Jesus, meu protetor! Jesus, em cuja bondade encontra-se tudo! Jesus, cujo nome é suave e forte na boca de todos! Jesus, olho que vê e ouvido que ouve verdadeiramente: escuta-me hoje, teu servidor, quando elevo meus rogos e verto meus lamentos diante de ti.

Em verdade tu és Deus. Tu és o Senhor, conforme tem-me repetido muitas vezes o anjo, sobretudo naquele dia em que suspeitas humanas se aninharam em meu coração, ao observar os sinais de gravidez da Virgem sem mácula e eu havia decidido abandoná-la. Mas, quando eu estava pensando nisto, um anjo apareceu-me em sonhos e me disse: José, filho de Davi, não tenhas receio em receber Maria como esposa, pois o que há de dar à luz é fruto do Espírito Santo. Não guardes suspeita alguma a respeito de sua gravidez. Ela trará ao mundo um filho e tu dar-lhe-ás o nome de Jesus. Tu és Jesus Cristo, o salvador da minha alma, de meu corpo e de meu espírito. Não me condenes, teu servo e obra de tuas mãos.

Eu não sabia nem conhecia o mistério de teu maravilhoso nascimento e jamais havia ouvido que uma mulher pudesse conceber sem a obra de um homem e que uma virgem pudesse dar à luz sem romper o selo de sua virgindade. Ó, meu Senhor! Se não tivesse conhecido a lei desse mistério, não teria acreditado em ti, nem em teu santo nascimento, nem rendido honras a Maria, a Virgem, que te trouxe a este mundo. Recordo ainda aquele dia em que um menino morreu, por causa da mordida de uma serpente. Seus familiares vieram a ti, com intenção de entregar-te a Herodes.

Mas tua misericórdia alcançou a pobre vítima e devolveste-lhe a vida para dissipar aquela calúnia que te faziam, como causador da sua morte. Pelo que houve uma grande alegria na casa do defunto. Então eu te peguei pela orelha e disse-te: não sejas imprudente, meu filho. E tu me ameaçaste desta maneira: se não fosses meu pai, segundo a carne, dar-te-ia a entender que é isso o que acabas de fazer. Sim, pois, ó meu Senhor e Deus, esta é a razão pela qual vieste em tom de juízo e pela qual permitiste que recaíssem sobre mim estes terríveis presságios.

Suplico-te que não me coloques diante do teu tribunal para lutar comigo. Eis que eu sou teu servo e filho de tua escrava. Se houveres por bem romper meus grilhões, oferecer-te-ei um santo sacrifício, que não será outro senão a confissão da tua divina glória, de que tu és Jesus Cristo, filho verdadeiro de Deus e, por outro lado, filho verdadeiro do homem.

AFLIÇÃO de Maria

Quando meu pai disse essas palavras, eu não pude conter as lágrimas e pus-me a chorar, vendo como a morte vinha apoderando-se dele pouco a pouco e ouvindo, sobretudo, as palavras cheias de amargura que saíam da sua boca.

Naquele momento, meus queridos irmãos, veio-me ao pensamento a morte na cruz que haveria de sofrer pela vida de todo mundo. Então Maria, minha querida mãe, cujo nome é doce para todos os que me amam, levantou-se e disse-me, tendo seu coração inundado na amargura:

– Ai de mim, filho querido! Está à morte o bom e abençoado ancião José, teu pai querido e adorado?

Eu lhe respondi:

– Minha mãe querida, quem entre o humanos ver-se-á livre da necessidade de ter de encarar a morte? Esta é dona de toda a humanidade, mãe bendita! E mesmo tu hás de morrer como todos os outros homens. Nem tua morte nem a de meu pai José, porém, podem chamar-se propriamente morte, mas vida eterna ininterrupta. Também eu hei de passar por este transe por causa da carne mortal com a qual estou revestido. Agora, mãe querida, levanta-te e vai até onde está o abençoado ancião José para que possas ver o lugar que o aguarda lá no alto.

As Dores de José

Levantou-se, entrou no local onde ele se encontrava e pôde apreciar os sinais evidentes da morte que já se refletiam nele. Eu, meus queridos, postei-me em sua cabeceira e minha mãe aos seus pés. Ele fixava seus olhos no meu rosto, sem poder sequer dirigir-me uma palavra, já que a morte apoderava-se dele pouco a pouco.

Elevou, então, seu olhar até o alto e deixou escapar um forte gemido. Eu segurei suas mãos e seus pés durante um longo tempo e ele me olhava, suplicando-me que não o abandonasse nas mãos dos seus inimigos.

Eu coloquei minha mão sobre seu peito e notei que sua alma já havia subido até a sua garganta para deixar seu corpo, mas ainda não havia chegado o momento supremo da morte. Caso contrário, não teria podido agüentar mais.

Não obstante, as lágrimas, a comoção e o abatimento que sempre a precedem já faziam presentes.

A Agonia

Quando minha mãe querida viu-me apalpar o seu corpo, quis ela, de sua parte apalpar, os pés e notou que o alento havia fugido juntamente com o calor.

Dirigiu-se a mim e disse-me ingenuamente:

– Obrigada, filho querido, pois desde o momento em que puseste tua mão sobre seu corpo, a febre o abandonou. Vê, seus membros estão frios como o gelo.

Eu chamei os seus filhos e filhas e lhes disse:

– Falai agora com o vosso pai, que este é o momento de fazê-lo, antes que sua boca deixe de falar e seu corpo fique hirto.

Seus filhos e filhas falaram com ele, mas sua vida estava minada por aquela doença mortal que provocaria sua saída deste mundo. Então,

Lísia, filha de José, levantou-se para dizer aos seus irmãos:

– Juro, queridos irmãos, que esta é a mesma doença que derrubou a nossa mãe e que não voltou a aparecer por aqui até agora. O mesmo acontece com o nosso pai José, para que não voltemos a vê-lo senão na eternidade.

Então os filhos de José irromperam em lamentos. Maria, minha mãe, e eu, de nossa parte, unimo-nos ao seu pranto pois, efetivamente, já havia chegado a hora da morte.

A Morte Chega

Pus-me a olhar para o sul e vi a morte dirigir-se a nossa casa. Vinha seguida de Amenti, que é seu satélite, e do Diabo, a quem acompanhava uma multidão de esbirros vestidos de fogo, cujas bocas vomitavam fumaça e enxofre.

Ao levantar os olhos, meu pai deparou-se com aquele cortejo que o olhava com rosto colérico e raivoso, do mesmo modo que costuma olhar todas as almas que saem do corpo, particularmente aquelas que são pecadoras e que considera como propriedade sua.

Diante da visão desse espetáculo, os olhos do bom velho anuviaram-se de lágrimas. Foi neste momento em que meu pai exalou sua alma com um grande suspiro, enquanto procurava encontrar um lugar onde se esconder e salvar-se. Quando observei o suspiro de meu pai, provocado pela visão daquelas forças até então desconhecidas para ele, levantei-me rapidamente e expulsei o Diabo e todo seu cortejo. Eles fugiram envergonhados e confusos. Ninguém entre os presentes, nem mesmo minha própria mãe Maria, apercebeu-se da presença daqueles terríveis esquadrões que saem à caça de almas humanas.

Quando a morte percebeu que eu havia expulsado e mandado embora as potestades infernais, para que não pudessem espalhar armadilhas, encheu-se de pavor. Levantei-me apressadamente e dirigi esta oração a meu Pai, o Deus de toda misericórdia:

ORAÇÃO de Jesus

– Meu Pai misericordioso, Pai da verdade, olho que vê e ouvido que ouve, escuta-me, que eu sou teu filho querido! Peço-te por meu pai José, a obra de vossas mãos. Envia-me um grande corpo de anjos, juntamente com Micael, o administrador dos bens, e com Gabriel, o bom mensageiro da luz, para que acompanhem a alma de meu pai José até que se tenha livrado do sétimo éon tenebroso, de forma que não se veja forçado a empreender esses caminhos infernais, terríveis para o viajante por estarem infestados de gênios malignos e saqueadores e por ter de atravessar esse lugar espantoso por onde corre um rio de fogo igual às ondas do mar. Sede, além disso, piedoso para com a alma de meu pai José, quando ela vier repousar em vossas mãos, pois é este o momento em que mais necessita da tua misericórdia.

Eu vos digo, veneráveis irmãos e abençoados apóstolos, que todo homem que, chegando a discernir entre o bem e o mal, tenha consumido seu tempo seguindo a fascinação dos seus olhos, quando chegue a hora de sua morte e tenha de libertar o passo para comparecer diante do tribunal terrível e fazer sua própria defesa, ver-se-á necessitado da piedade de meu bom Pai.

Continuemos, porém, relatando o desenlace de meu pai, o abençoado ancião.

José Expira

Quando eu disse amém, Maria, minha mãe, respondeu na língua falada pelos habitantes do céu. No mesmo instante Micael, Gabriel e anjos, em coro, vindos do céu, voaram sobre o corpo de meu pai José.

Em seguida, intensificaram-se os lamentos próprios da morte e soube, então, que havia chegado o momento desolador. Sofria meu pai dores parecidas com as de uma mulher no parto, enquanto que a febre o castigava da mesma maneira que um forte furacão ou um imenso fogo devasta um espesso bosque.

A morte, cheia de medo, não ousava lançar-se sobre o corpo de meu pai para separá-lo da alma, pois seu olhar havia dado comigo, que estava sentado a sua cabeceira, com as mãos sobre suas têmporas.

Quando me apercebi de que a morte tinha medo de entrar por minha causa, levantei-me, dirigi meus passos até o lado de fora da porta e encontrei-a só e amedrontada, em atitude de espera.

Eu lhe disse:

– Ó tu, que vens do Meio-dia, entra rapidamente e cumpre o que ordenou-te meu Pai. Porém, guarda José como a menina dos teus olhos, posto que é meu pai segundo a carne e compartilhou a dor comigo, durante os anos da minha infância, quanto teve de fugir de um lado para outro por causa das maquinações de Herodes e ensinou-me como costumam fazer os pais para o proveito dos seus filhos.

Então Abbadão entrou, tomou a alma de meu pai José e separou-a do corpo no mesmo instante em que o sol fazia sua aparição no horizonte, no dia 26 do mês de Epep, em paz.

A vida de meu pai compreendeu cento e onze anos. Micael e Gabriel pegaram cada qual em um extremo de um pano de seda e nele depositaram a alma de meu querido pai José depois de tê-la beijado reverentemente.

Enquanto isso, nenhum dos que rodeavam José havia percebido a sua morte, nem sequer minha mãe Maria. Eu confiei a alma do meu querido pai José a Micael e Gabriel, para que a guardassem contra os raptores que saqueiam pelo caminho e encarreguei os espíritos incorpóreos de continuarem cantando canções até que, finalmente, depositaram-no junto a meu Pai no céu.

Luto na Casa de José

Inclinei-me sobre o corpo inerte de meu pai. Cerrei seus olhos, fechei sua boca e levantei-me para contemplá-lo. Depois disse à Virgem:

– Ó Maria, minha mãe, onde estão os objetos de artesanato feitos por ele desde sua infância até hoje? Neste momento todos eles passaram, como se ele não tivesse sequer vindo a este mundo.

Quando seus filhos e filhas ouviram-me dizer isto a Maria, minha mãe virginal, perguntaram-me com vozes fortes e lamentos:

– Será que nosso pai morreu sem que nós nos apercebêssemos?

Eu lhes disse:

– Efetivamente, morreu, mas sua morte não é morte, porém vida eterna. Grandes coisas esperam nosso querido pai José. Desde o momento em que sua alma sai do seu corpo, desapareceu para ele toda espécie de dor. Ele se pôs a caminho do reino eterno. Deixou atrás de si o peso da carne, com todo este mundo de dor e de preocupações, e foi para o lugar de repouso que tem meu Pai nesses céus que nunca serão destruídos.

Ao dizer a meus irmãos que o nosso pai José, o abençoado ancião, havia finalmente morrido, eles se levantaram, rasgaram suas vestes e o choraram durante um longo tempo.

Luto em Nazaré

Quando os habitantes de Nazaré e de toda a Galiléia inteiraram-se da triste nova, acudiram em massa ao lugar onde nos encontrávamos. De acordo com a lei dos judeus, passaram todo o dia dando sinais de luto até que chegou a nona hora.

Despedi, então todos, derramei água sobre o corpo de meu pai José, ungi-o com bálsamo e dirigi ao meu Pai amado, que está nos céus, uma oração celestial que havia escrito com meus próprios dedos, antes de encarnar-me nas entranhas da Virgem Maria.

Ao dizer amém, veio uma multidão de anjos. Mandei que dois deles estendessem um manto para depositar nele o corpo de meu pai José para que o amortalhassem.

BÊNÇÃO de Jesus

Pus minhas mãos sobre o seu corpo e disse:

– Não serás vítima da fetidez da morte. Que teus ouvidos não sofram corrupção. Que não emane podridão de teu corpo. Que não se perca na terra a tua mortalha nem a tua carne, mas que fiquem intactas, aderidas ao teu corpo até o dia do convite dos dois mil anos. Que não envelheçam, querido pai, esses cabelos que tantas vezes acariciei com minhas mãos. E que a boa sorte esteja contigo. Aquele que se preocupar em levar uma oferenda ao teu santuário no dia de tua comemoração, eu o abençoarei com afluxos de dons celestiais. Assim mesmo, a todo aquele que der pão a um pobre em teu nome, não permitirei que se veja agoniado pela necessidade de quaisquer bens deste mundo, durante todos os dias de sua vida.

Conceder-te-ei que possas convidar ao banquete dos mil anos a todos aqueles que no dia de tua comemoração ponham um copo de vinho na mão de um forasteiro, de uma viúva ou de um órfão. Hei de dar-te de presente, enquanto vivam neste mundo, a todos os que se dediquem a escrever o livro da tua saída deste mundo e a consignar todas as palavras que hoje saíram de minha boca. Quando abandonarem este mundo, farei com que desapareça o livro no qual estão escritos seus pecados e que não sofram nenhum tormento, além da inevitável morte e do rio de fogo que está diante do meu Pai, para purificar toda a espécie de almas. Se acontecer que um pobre, não podendo fazer nada do que foi dito, ponha o nome de José em um de seus filhos em tua honra, farei com que naquela casa não entre a fome nem a peste, pois o teu nome habita ali de verdade.

A Caminho do Túmulo

Os anciãos da cidade apresentaram-se na casa enlutada, acompanhados daqueles que procediam ao sepultamento à maneira judia. Encontraram o cadáver já preparado para o enterro. A mortalha se havia aderido fortemente ao seu corpo, como se houvessem atado com grampos de ferro e não puderam encontrar sua abertura, quando removeram o cadáver.

Em seguida, passou-se a conduzir o morto até seu túmulo. Quando chegaram até ele e estavam já preparados para abrir sua entrada e colocá-lo junto aos restos de seu pai, veio-me à mente a lembrança do dia em que me levou até o Egito e das grandes preocupações que assumiu por mim.

Não pude deixar de atirar-me sobre o seu corpo e chorar por um longo tempo, dizendo:

EXCLAMAÇÕES de Jesus

– Ó morte, de quantas lágrimas e lamentos és causa! Esse poder, porém, vem d’Aquele que tem sob o seu domínio todo o universo. Por isso tal reprovação não vai tanto contra a morte senão contra Adão e Eva. A morte não atua nunca sem uma prévia ordem de meu Pai.

Existem aqueles que viveram mais de novecentos anos e outros ainda muito mais tempo. Entretanto, nenhum deles disse: eu vi a morte ou a morte vinha de tempos em tempos atormentar-me. Senão que ela traz uma só vez a dor e, ainda assim, é meu bom Pai quem a envia. Quando vem em busca do homem, ela sabe que tal resolução provém do céu. Se a sentença vem carregada de raiva, a morte também se manifesta colérica para cumprir sua incumbência, pegando a alma do homem e entregando-a ao seu Senhor.

A morte não tem atribuições para atirar o homem ao inferno nem para introduzí-lo no reino celestial. A morte cumpre de fato a missão de Deus, ao contrário de Adão, que ao não submeter-se à vontade divina, cometeu uma transgressão. Ele irritou meu Pai contra si, por haver preferido dar ouvidos a sua mulher, antes de obedecer à sua missão.

Assim, todo ser vivo ficou implacavelmente condenado à morte.

Se Adão não houvesse sido desobediente, meu Pai não o teria castigado com esta terrível sina. O que impede agora que eu faça uma oração ao meu bom Pai para que envie um grande carro luminoso para elevar José, a fim de que não prove das amarguras da morte e que o transporte ao lugar de repouso, na mesma carne que trouxe ao mundo, para que ali viva com seus anjos incorpóreos? A transgressão de Adão foi a causa de sobreviverem esses grandes males sobre a humanidade, juntamente com o irremediável da morte. Embora eu mesmo carregue também esta carne concebida na dor, devo provar com ela da morte para que possa apiedar-me das criaturas que formei.

O Enterro

Enquanto dizia essas coisas, abraçado ao corpo de meu pai José e chorando sobre ele, abriram a entrada do sepulcro e depositaram o cadáver junto ao de seu pai Jacob. Sua vida foi de cento e onze anos, sem que ao fim de tanto tempo um só dente tivesse estragado em sua boca ou sem que seus olhos se tornassem fracos, senão que todo o seu aspecto assemelhava-se ao de um afetuoso menino.

Nunca esteve doente, senão que trabalhou continuamente em seu ofício de carpinteiro, até o dia que sobreveio a doença que haveria de levá-lo ao sepulcro.

CONTESTAÇÃO dos Apóstolos

Quando nós, os apóstolos, ouvimos tais coisas dos lábios de nosso Salvador, pusemo-nos em pé, cheios de prazer e passamos a adorar suas mãos e seus pés, dizendo com o êxtase da alegria:

– Damos-te graças, nosso Senhor e Salvador, por te haveres dignado a presentear-nos com essas palavras saídas de teus lábios. Mas não deixamos de admirar, ó bom Salvador, pois não entendemos como, havendo concedido a imortalidade a Elias e a Enoch, já que estão desfrutando dos bens na mesma carne com que nasceram, sem que tenham sido vítimas da corrupção, e agora, tratando-se do bendito ancião José, o Carpinteiro, a quem concedeste a grande honra de chamá-lo teu pai e de obedecê-lo em todas as coisas, a nós mesmos nos encarregaste:

quando fordes revestidos da mesma força, recebereis a voz de meu Pai, isto é, o Espírito Paráclito, e sereis enviados para pregar o evangelho e pregai também ao querido pai José. E ainda: consignai estas palavras de vida no testamento de sua partida deste mundo e lê as palavras deste testamento nos dias solenes e festivos e quem não tiver aprendido a ler corretamente, não deve ler este testamento nos dias festivos.

Finalmente, quem suprimir o adicionar algo a estas palavras, de maneira a fazer-me embusteiro, será réu de minha vingança. Admira-nos, repetimos, aquele que, havendo chamado teu pai segundo a carne, desde o dia em que nasceste em Belém, não lhe tenhas concedido a imortalidade para viver eternamente.

Resposta de Jesus

Nosso Salvador respondeu, dizendo-nos:

– A sentença pronunciada por meu Pai contra Adão não deixará de ser cumprida, já que este não foi obediente aos mandamentos. Quando meu Pai destina a alguém ser justo, este vem a ser imediatamente o seu eleito. Se um homem ofende a Deus por amar as obras do demônio, acaso ignora que um dia virá a cair em suas mãos se seguir impenitente, mesmo se lhe concederem longos dias de vida?

Se, ao contrário, alguém vive muito tempo, fazendo sempre boas obras, serão exatamente elas que o farão velho. Quando Deus vê que alguém segue o caminho da perdição, costuma conceder-lhe um curto prazo de vida e o faz desaparecer na metade dos seus dias. Quanto aos demais, hão de ter o exato cumprimento das profecias ditadas por meu Pai acerca da humanidade e todas as coisas hão de suceder de acordo com elas. Haveis citado o caso de Enoch e Elias. Eles, dizeis, continuam vivendo e conservam a carne que trouxeram a este mundo. Por que, então, em se tratando de meu pai, não lhe permiti conservar seu corpo?

Então eu digo que, mesmo que houvesse chegado a ter mais de dez mil anos, sempre incorreria na mesma necessidade de morrer.

Mais ainda, eu asseguro que sempre que Enoch e Elias pensam na morte, desejariam já havê-la sofrido a verem-se assim, livres da necessidade que lhes é imposta, já que deverão morrer num dia de turbação, de medo, de gritos, de perdição e de aflição. Pois haveis de saber que o Anticristo há de matar esses homens e de derramar seu sangue na terra como água de um copo por causa das incriminações que lhe imputarão, quando os acusarem.

Epílogo

Nós respondemos, dizendo:

– Nosso Senhor e Deus, quem são esses dois homens, dos quais disseste que o filho da perdição matará por um copo de água?

Jesus, nosso Salvador e nossa vida, respondeu:

– Enoch e Elias.

Ao ouvir essas palavras da boca de nosso Salvador, se nos encheu o coração de prazer e de alegria. Por isso lhe rendemos homenagens e graças como nosso Senhor, nosso Deus e nosso Salvador, Jesus Cristo, por meio de quem vão para o Pai toda a glória e toda a honra juntamente com Ele e com o Espírito Santo vivificador, agora, por todo o tempo e pela eternidade das eternidades.

Narrada por Jesus a seus apóstolos

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-historia-de-jose-o-carpinteiro/

A Goetia do Dr. Rudd

O livro “Goetia do Dr. Rudd” é um dos livros do financiamento Tomos Goéticos da Editora Via Sestra, participe


A Goetia é o grimório mais famoso depois da Chave de Salomão. Este volume contém uma transcrição de um manuscrito inédito do Lemegeton que inclui quatro grimórios completos:

  1. Ars Paulina
  2. Ars Almadel
  3. Theurgia-Goetia
  4. Lemegeton Clavicula Salomonis
  5. Liber Malorum Spiritum seu Goetia

Este manuscrito era propriedade do Dr. Thomas Rudd, um mago erudito praticante do início do século XVII. Existem muitas edições da Goetia, das quais a mais definitiva é a de Joseph Peterson, mas aqui estamos interessados ​​em como a Goetia foi realmente usada por magos praticantes nos séculos XVI e XVII, antes que o conhecimento da magia prática desaparecesse na obscuridade.

Muitas técnicas práticas usadas no passado foram esquecidas. Os autores as restauram usando o manuscrito do Dr. Rudd. Por exemplo, evocar os 72 demônios listados aqui sem a capacidade de restringi-los seria realmente temerário. Era bem conhecido em tempos passados ​​que invocatio e ligatio, ou restrição, eram uma parte chave da evocação, mas nas edições modernas da Goetia esta técnica chave é expressa em apenas uma palavra ‘Shemhamphorash’, e seu uso não é explicado.

Este volume explica como os 72 anjos do Shemhamphorash são usados ​​para amarrar os espíritos e o procedimento correto para invocá-los com segurança usando selos duplos que incorporam o necessário anjo Shem controlador, cujo nome também está gravado no Peitoral e no Vaso de Bronze.

RESENHAS DE A GOETIA DO DR. RUDD:

Uma ‘Obra Obrigatória’ para Estudantes e Praticantes

Resenha de Thabion (Orange, CA EUA), 25 de fevereiro de 2008:

Este livro é uma “obra obrigatória” para qualquer pessoa que esteja seriamente interessada na Magia Cerimonial Salomônica, seja do ponto de vista acadêmico ou prático. Está no mesmo nível do Lemegeton de Joseph Peterson — que complementa e amplifica com uma riqueza de materiais autênticos do século XVII inéditos do famoso mago Thomas Rudd (ver o Tratado sobre Magia dos Anjos, McLean 1982). Rudd não era um seguidor escravo de textos antigos. Ele até tentou uma síntese do sistema enoquiano do século 16 do Dr. John Dee e da Goetia. No interesse da pureza, Joseph Peterson recusou qualquer uso importante da versão pessoal particular de Rudd da Goetia (e os livros restantes do Lemegeton: B.L. Harley MS. 6483) por causa das adições e modificações criativas de Rudd – com exceção da próprio importante amostra das invocações e sigilos de Shemehamphorash que Rudd usara para controlar com segurança seus espíritos goéticos.

Como Skinner e Rankine apontam, Rudd também incluiu material do Heptameron anterior, atribuído a Pedro de Abano, em sua versão da Goetia. Parece também que Rudd pode não ter usado um triângulo em suas operações goéticas, embora ele fosse consciencioso o suficiente para não excluir nenhuma das inúmeras instruções para seu uso nos textos que estava empregando. Neste caso, os autores-editores encontram significado na ausência de uma representação gráfica do triângulo na versão de Rudd da Goetia. (É possível que Rudd simplesmente tivesse sua própria versão do triângulo que ele não desejava registrar, ou que estivesse faltando um fólio do Manuscrito.) Os autores-editores também sugerem que Rudd usou o Vaso de Bronze como um dispositivo de conjuração primário. Eles prudentemente se abstêm de conjeturar como poderia ter sido empregado (veja a página 185, não 181), mas citam as notas de Rudd seguindo as conjurações padrão: “Você pode comandar esses espíritos no Vaso de Bronze como você faz no Triângulo. Dizendo isso você faz imediatamente aparecer diante deste Círculo, neste Vaso de Bronze em uma forma bela e graciosa & etc. como é mostrado (sic) antes nas conjurações.”

Somos deixados à nossa própria engenhosidade sobre como exatamente isso seria feito, mas, com base na experiência passada, sugiro que um amortecedor e um bom grau de polimento de bronze possam ser essenciais…

Como uma nota lateral, Skinner e Rankine apontam que o desenho do século XVII de Peter Smart do que eu supunha ser a parte de trás de um suporte de espelho era na verdade um desenho do Vaso de Bronze. Eu acho que eles estão certos sobre isso, mas eu estava em boa companhia com Adam McLean neste caso, então não me sinto muito chateado com meu erro…

Com esta pequena reclamação, gostaria de mencionar algumas outras contribuições muito importantes neste volume. Os autores-editores fizeram o melhor trabalho até agora em desvendar a complexidade rosnante das atribuições planetárias e astrológicas goéticas que atormentaram estudiosos e magos sérios por séculos. Obviamente, temos espíritos marcianos (condes), embora não tenhamos lamens de ferro ou aço para eles. (Embora não esteja claramente declarado neste livro, devemos assumir que o ferro não é usado porque tradicionalmente repele e controla os demônios – especialmente na tradição árabe do Anel de Salomão, que os autores mencionam).

Rudd aparentemente não usa o tradicional Selo Goético Secreto de Salomão para fechar seu Vaso de Bronze. Este dispositivo é familiar a todos os estudantes da arte e está representado no desenho de Peter Smart mencionado acima. Mostra o Vaso de Bronze em corte transversal, tampado com uma camada de ferro (Marte) e selado com uma camada de chumbo (Saturno). O ferro controla os espíritos e Saturno é o limite planetário/sefirótico externo do universo cabalístico que os espíritos goéticos habitavam antes da Queda (rebaixados até Yesod, se você tomar nossa interpretação – rebaixados até as Klippoth se você seguir Steve Savedow).

Rudd prefere usar outro desenho que encontramos em Trithemius e Agripa. Os autores-editores fornecem uma riqueza de tabelas extrapoladas, apêndices e notas de rodapé copiosas. Este é um trabalho muito valioso e, com minhas pequenas objeções, sou compelido a admirar e apreciar sua erudição. Como eu disse no início desta revisão. Este livro é “obrigatório” se você leva a sério o estudo e/ou a prática na escola da Magia Salomônica.

Carroll “Poke” Runyon, editor do The Seventh Ray.

***

Um Livro que Todos os Magos Precisam Ler e Possuir

Resenha por Mark Stavish, do Instituto para Estudos Herméticos de Wyoming, Pensilvânia, 14 de novembro de 2007:

Ao publicar “A Goetia do Dr. Rudd”, Skinner e Rankine forneceram à comunidade de magos operativos uma porta de entrada para as práticas mágicas medievais e renascentistas tradicionais que até agora só haviam sido parcialmente abertas. Embora muitos livros tenham sido escritos sobre a Goetia, é aqui, neste livro, que temos uma visão do funcionamento real de um mago que era uma conexão direta com o círculo de Dee, e parte da transmissão contínua dessas ideias em forma OPERATIVA para o período pós-renascentista. A primeira seção do livro é uma introdução geral ao mundo da magia e uma base importante para entender as diferenças significativas entre as práticas modernas e tradicionais. Há também uma discussão sobre ‘por que outro livro sobre goetia’ e os detalhes significativos que diferenciam este dos outros – ser parte de um diário operatório da obra, bem como a inclusão de materiais não vistos anteriormente com goetia, como o Heptameron, sugerindo uma ligação direta entre os dois. Embora de interesse para o mago de poltrona e ocultista acadêmico, são os magos práticos que mais se beneficiarão deste trabalho, bem como os dois volumes anteriores da série – Magia Angélica: Prática das Tabelas Enochianas do Dr. Dee e Chaves para o Portal da Magia: Convocando os Arcanjos Salomõnicos e os Princípes Demônios, também um manuscrito raro de Rudd. Não posso falar o suficiente desses trabalhos e estou em dívida com os editores por disponibilizá-los e estou ansioso para futuras adições à série.

Um Histórico Brilhante e Instantâneo do Lemegeton em Ação!

Resenha de M. Stone “Frater Iustitia Omnibus” de San Antonio, Texas, 14 de outubro de 2007:

A primeira pergunta que vem à mente quando se vê mais uma “Goetia” no mercado, obviamente, é: “Por que devo considerar esta edição?” Nesse caso, a resposta é um pouco complexa demais para ser resumida em um único slogan.

A primeira coisa que quero deixar claro é que não é apenas a Goetia, como o título sugere, mas todo o Lemegeton! Além disso, é baseado na versão manuscrita inédita compilada pelo Dr. Thomas Rudd. (Harley MS 6483)

Enquanto o Lemegeton de Joseph Peterson é claramente a versão definitiva, Skinner e Rankine usam este livro como uma mesa de operação para descobrir como este material foi usado por magos reais dos séculos XVI e XVII. O processo, de acordo com os autores, é de dualismo, onde o mago controla entidades básicas pelo uso de suas contrapartes divinas correspondentes. Esse é um conceito que é mencionado, mas nunca desenvolvido no próprio Lemegeton. Este volume entra em muitos detalhes sobre o uso dos 72 nomes do Shemhamphorash para prender e controlar os 72 “demônios” da Goetia. Este conceito não é apenas explicado, são ilustrados nestas páginas, os verdadeiros selos de dupla face como empregados pelo Dr. Rudd e presumivelmente seus contemporâneos.

Outros detalhes que não foram publicados anteriormente, como o uso adequado do Vaso de Bronze e do Peitoral, serão suficientes para tirar até os teóricos goéticos de poltrona da cerca, para fazer essa compra.

Os magos enoquianos podem estar interessados ​​em ver a versão do Dr. Rudd da Tabula Sancta cum Tabulis Enochi (A Mesa Santa com as Tábuas Enochianas) de Dee.

Este trabalho maciço de 448 páginas (no original em inglês) tem muitas notas de rodapé, e o estudante de Magia Salomônica apreciará o amplo material posterior.

O conteúdo no original em inglês está dividido da seguinte forma:

  • Matéria de Capa – 14 páginas, incluindo a introdução.
  • História e Origens – 43 páginas.
  • Métodos de Evocação – 24 páginas explorando restrições, nomes, anjos adversários, invocações, equipamentos e cerimônias.
  • Os Manuscritos – tratamento de 241 páginas do Lemegeton completo do Dr. Rudd, que ele mesmo chamou de Goetia por razões que me escapam. Deve-se entender que, na verdade, a Goetia é apenas um dos livros do Lemegeton completo.

Os Apêndices estão divididos da seguinte forma:

Apêndice 1 – Theugia-Goetia em Sloane 3824.

Apêndice 2 – Tabelas de Demônios do Lemegeton (24 páginas de tabelas!) Este é um trabalho dos sonhos de estudo comparativo sobre as entidades goéticas e sua classificação. Também estão incluídas as grafias hebraicas dos nomes, grafias alternativas, e se algum lugar for montado, outras qualidades, anjo governante, número de legiões, planeta (com base no metal associado à classificação do espírito) aparência evocada e poderes atribuídos.

Apêndice 3 – Síntese de Thomas Rudd de Goetia e Enochiano.

Apêndice 4 – Rudd descreve 61 demônios.

Anexo 5 – Fontes para o material no Lemegeton.

Apêndice 6 – Selos da Goetia de Sibley.

Apêndice 7 – Anjos Shem ha-Mephorash

Apêndice 8 – Horas Planetárias Eclesiásticas

Apêndice 9 – Esta é uma peça estranha, mas realmente fala com a mentalidade do século 16 da Goetia e auto justificação. É uma explicação dos nomes usados ​​na Goetia, com alguma outra Cabala aleatória lançada. Mas se você precisar dizer, a oração consagradora de Vênus, bem, aí está.

Anexo 10 – Estudo de algumas das palavras utilizadas na evocação. Esta seção é uma lista grega e hebraica de derivações de palavras usadas em evocações goéticas.

Apêndice 11 – Narrativa do Dr. Rudd, Sir John Heydon e um espírito “Como um homem pode ter a sociedade contínua de um gênio guardião”

Apêndice 12 – Formas variantes de círculos ao estilo do Heptameron.

Anexo 13 – Observações de metais e tempos de restrição.

Anexo 14 – Diagramas de equipamentos. Eu estava esperando por mais aqui, mas serve ao seu propósito.

Apêndice 15 – A forma do comando de espíritos dada no livro A Descoberta da Bruxaria, de Reginald Scot.

Se você deseja ter um currículo completo de estudo salomônico, sugiro que compre este volume junto com o Lemegeton de Joseph Peterson. A edição de Peterson é um trabalho comparativo erudito, enquanto o presente trabalho é um instantâneo da Magia Salomônica sendo colocada em prática. Esses dois volumes não apenas se complementam, mas são igualmente vitais para construir uma imagem precisa do escopo e do impacto deste ciclo de magia.

Sr. Skinner e eu discutimos a teoria do funcionamento goético no passado. Deve-se notar que os autores não apenas relatam o modelo dualista do funcionamento goético, eles defendem a teoria por trás dele. Eu mesmo tenho uma visão diferente, vendo o Lemegeton como um “Livro dos Mortos” para os vivos, movendo o Alto Xamanismo para a Europa do século XVI (para não mencionar as Américas do século XXI). Considere quantos desses seres começam como um espírito-animal, apenas assumindo uma formosa forma humana após uma batalha de vontades com o exorcista da Arte. Mesmo assim, eu mal conseguia largar esse volume. Há muitas pérolas nestas páginas para qualquer estudante de Magia Salomônica.

Em uma nota final, o autor afasta um pouco o véu sobre por que não há espíritos goéticos associados a Marte e levanta a questão de haver um único demônio atribuído a Saturno. Eu havia feito um comentário semelhante em minha revisão da reformulação do Goetia por Runyon há algum tempo.

***

Espero que as resenhas precedentes tenham dado uma boa ideia do que está contido no livro – recomendo-o sem reservas aos interessados na área, tanto como um texto histórico interessante quanto principalmente como um sistema de evocação completo e prático. Termino com a citação de Rudd que adorna o início do livro As Chaves para o Portal da Magia: Convocando os Arcanjos Salomônicos e os Príncipes Demônios, de Stephen Skinner & David Rankine:

“Aquele que é um verdadeiro mago, é gerado como um mago desde o ventre de sua mãe; e aquele que foi gerado de outra forma, deve compensar esse defeito da Natureza pela Educação”.

E este livro, A Goetia do Dr. Rudd, certamente faz parte dessa educação.

Resenhas originais em inglês.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.


O livro “Goetia do Dr. Rudd” é um dos livros do financiamento Tomos Goéticos da Editora Via Sestra, participe

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-goetia-do-dr-rudd/

As Palavras de Set

MICHAEL AQUINO

As Palavras de Set são a tradução feita por Michael Aquino do sentido oculto das Chaves Enoquianas para uso dentro do Temple of Set. Comparar esta obra com as outras traduções disponíves certamente levará o leitor a um entendimento mais profundo das chaves. 

LaVey oferece ao leitor o que chama de versão não-expurgada das chaves enoquianas com uma tradução satânica bastante poderosa livre de interpretações angelicais. Da mesma forma antes dele Aleister Crowley traduziu às chaves com uma leitura thelêmica e MacGregor Mathers com uma interpretação hermética e cabalista tal como usada na Golden Dawn. A Tradução de Michael Aquino nas Palavras de Set trazem portanto uma tradução setiana da essência de cada chave. Nenhuma tradução é mais verdadeira do que outra. 

Mesmo a própria tradução inicial feita por John Dee  para o inglês é feita segundo às influências e a visão judaico-cristã elizabetana na qual estava imerso. Seja como for nos diários de Dee os “anjos” são enfáticos em dizer que aquilo não era para eles e que não poderiam nem deveriam usar este tipo de magia que estava destinada a um outro momento da humanidade. De fato nos três anos de diários registrados após o recebimento não há nenhuma menção que nem Dee nem seu companheiro Kelly tenham feito qualquer uso deste sistema.  ~Morbitvs Vividvs

 As Palavras de Set

A PRIMEIRA PALAVRA DE SET

Ol sonf vorsg, goho Iad balt lansh calz vonpho Sobra zol ror i ta Nazpsad Graa ta Malprg Ds hol q Qaa nothoa zimz od commah ta nobloh zien Soba thil gnonp prge aldi Ds urbs oboleh grsam. Casarm ohorela caba pir Ds zonrensg cab erm Iadnah Pilah farzm u znrza adna gono Iadpil Ds hom toh Soba Ipam lu Ipamis Ds loholo vep zomd Poamal od bogpa aai ta piap piamol od vooan ZACARe ca od ZAMRAN odo cicle qaa zorge, lap zirdo noco MAD Hoath Iaida.  

Eu sou dentro e além de você, o Ápice da Vida, em majestade maior do que as forças do universo; cujos olhos são como a Face do Sol e o Fogo Escuro de Set; que criou vossa inteligência como sua própria e avançou para exaltá-lo; que lhe confiou a dignidade da consciência; que abriu os olhos para que você pudesse ver a beleza; que trouxe a chave do conhecimento de todas as coisas menores; e que infundiu em você a Vontade de Vir a Ser. Levantem suas vozes e reconheçam o Ápice de Vida que proclama vosso triunfo; cujo ser é além da vida e morte naturais; que como uma flama em seu mundo ilumina vosso desejo por perfeição e verdade. Eleve então e vossa glória, contemple o gênio de sua criação, e orgulhe-se, pois Eu sou o mesmo – Eu que sou o Ápice da Vida. 

A SEGUNDA PALAVRA DE SET

 Adgt upaah zongom faaip sald, viiv L Sobam Ialprg Izazaz piadph Casarma abramg ta talho paracleda qta lorslq turbs ooge Baltoh. Giui chis lusd orri Od micalp chis bia ozongon Lap noan trof cors tage, oq manin Iaidon. Torzu gohel ZACAR ca, Cnoqod, ZAMRAN micalzo od ozazm urelp lap zir Ioiad.  

 

Podem as asas do vento entender suas vozes maravilhosas? O iluminados que brilham como fogo nas presas do caos, a quem Eu preparei como taças para um casamento, ou como flores em sua beleza para uma câmara de retidão. Mais forte são seus pés do que a rocha sólida, e mais poderosas são vossas vozes do que multidões de ventanias, pois tornaram-se um Templo como não há senão na mente de Set. Eleve-se, diz o Primeiro de vosso tipo, movam-se portanto ao Eleito, mostre a eles o fogo dentro de vós, e os despertem para que possam ganhar força para viver para sempre. 

 A TERCEIRA PALAVRA DE SET

 Micma goho Piad zir Comselh azien biab Os Londoh Norz chis othil Gigipah undl chis tapuim qmospleh teloch quiin toltorg chis i chis ge m ozien dst brgda od torzul ili Eol balzarg, od aala Thiln os netaab, dluga vomsarg lonsa Capmiali vors Cla homil cocasb fafen izizop od miinoag de gnetaab vaun nanaeel panpir Malpirgi caosg Pild noan unalah balt od vooan dooiap MAD Goholor gohus amiran Micma Iehusoz cacacom od dooain noar micaolz aaiom Casarmg gohia ZACAR uniglag od Imuamar pugo plapli ananael qaan. 

Conceba o cosmos como um círculo de doze divisões alternando entre a vida e morte, cobrindo todas as criaturas salvo aqueles que Eu toquei. Vocês receberam poderes maiores do que aqueles ordenando estas divisões estendendo-se pelas eras do tempo, que com vossa visão e vossa vós podem exercer os Poderes das Trevas, avançando a Flama Negra pela Terra e a expandindo pelo tempo. Assim vós sois os Guardiões da perfeição e da verdade. Elevem-se e testemunhem as criações de sua sabedoria, assim como  Eu estou próximo e a essência do meu ser brilha em vós. 

 A QUARTA PALAVRA DE SET

 Othil lasdi babage od dorpha Gohol Gchisge auauago cormp pd dsonf vivdiv Casarmi Oali Mapm Sobam ag cormpo crpl Casarmg croodzi chis od vgeG dst capimali chis Capimaon od lonshin chis talo cla Torgu Norquasahi od Fcaosga Bagle zirenaiad Dsi od Apila Dooaip qaal ZACAR od ZAMRAN Obelisong restel aaf Normolap.  

 Dos confins do sul Eu vi os selvagens da segunda ordenação da vida aos milhares, e Eu avistei um a quem Eu preparei para eles para uma existência mais elevada e para empunhar um grande poder para o tempo que está por vir. E agora eu tenho toda Terra para desfrutar, e para desfrutar daqueles a quem eu acordei o Dom do meu consciência, em meu nome, por todas as gerações. 

 A QUINTA PALAVRA DE SET

Sapah zimii dugv od noas toquams adroh dorphal caosg od faonts peripsol tablior Casarm amipzi nazarth af od dlugar zizop zlida caosgi toltorgi od zchis esiasch L taviu od iaod thild ds hubar Peoal Soba cormfa chis ta la vls od qeocasb Ca niis od Darbs qaas Fetharzi od bliora iaial ednas cicles Bagle Geiad iL. 

 Minha Palavra para a terceira ordem da vida trás os frutos das delícias para a terra, reflete o brilho das estrelas e as dezenove partes desta Palavra. Ao compreendê-la eles vêm a saber de sua relação com a primeira e a segunda ordem, assim como a inspiração de sua própria criação e aquele fogo imortal que queima pelo passado, presente e futuro. Eu trago este conhecimento para vossa criação; Eu estou com vocês em paz e conforto. e Eu confio a vocês minha essência, porque assim nós somos o mesmo. 

 A SEXTA PALAVRA DE SET

Gah sdiu chis em micalzo pilzin sobam El harg mir babalon od obloc samvelg dlugar malprg arcaosgi od Acam canal sobolzar tbliard caosgi odchis anetab od miam taviv od d Darsar Solpeth bien Brita od zacam gmicalzo sobhaath trian Luiahe odecrin MAD qaaon.  

Além de vós que estão na terceira ordem serão os da quarta, poderosos no Universo, que devem novamente vir a ser por um Primeiro, para recordar os altas ordens do passado e testemunhar os de ordens inferiores em seu trabalho e auto-aniquilação irracional, e para continuar a tradição exaltada da segunda e terceira ordens. Lembre-se da minha Palavra, porque é para você e do poder dentro de você e por meio delas você deve criar obras de glória para você e para mim. 

A SÉTIMA PALAVRA DE SET

Raas isalman paradizod oecrimi aao ialpirgah quiin enay butmon od inoas ni paradial Casarmg vgear chirlan od zonac Luciftian corsta vaulzirn tolhami Sobalondoh od miam chis tad odes vmadea od pibliar Othilrit od miam C noquol Rit ZACAR ZAMRAN Oecrimi qadah od Omicaolzod aaiom Bagle papnor idlugam lonshi od umplif ugegi Bigliad.  

O amanhecer do Sol, sempre constante e glorioso ao longo do ciclo da Lua, preserva e embeleza todas as criaturas; veja-o também como o amanhecer da terceira e quarta ordens do ser, aqueles que guardam e encorajam sabedoria e iluminação. Ó Guardiões, levantem-se no meu nome, pois por ele e através de seu vínculo comigo a você é dado o poder e a força e um entendimento do que você faz. 

 A OITAVA PALAVRA DE SET

Bazmelo ita piripson oln Nazavabh ox casarmg vran chis ugeg dsa bramg baltoha gohoiad Solamian trian talolcis Abaiuonin Od aziagier rior Irgilchisda dspaaox bufd Caosgo dschis odipuran teloah cacrg oisalman loncho od Vouina carbaf Niiso Bagle auauago gohon Niiso bagle momao siaion od mabza Iadoiasmomar poilp Niis ZAMRAN ciaofi caosgo od bliors od corsi ta abramig.  

 No zênite de seu poder, a terceira ordem habitará dentro do meu Templo, cuja resistência significará minha própria moradia em suas terras e um santuário da adoração da morte. Pois os Eleitos não morrerão a menos que meu Templo pereça e eu parta. Cuidado, pois a aniquilação ameaça; cuidado, pois a majestade da minha existência está dividida contra si mesma. Manifeste sua força na terra para sua preservação e para aqueles que podem procurar sua compania. 

 A NONA PALAVRA DE SET

 Micaoli bransg prgel napta ialpor ds brin efafafe P vonpho olani od obza sobca vpaah chis tatan od tranan balye alar lusda soboln od chisholq Cnoquodi cial vnal aldon mom caosgo ta lasollor gnay limlal Amma chiis Sobca madrid zchis, ooanoan chis auiny drilpi caosgin, od butmoni parm zumvi Cnila Daziz cthamz a childao od mirc ozol chis pidiai Collal Ulcinin asobam vcim Bagle Iadbaltoh chirlan par Niiso od ip ofafafe Bagle acocasb icorsca unig blior. 

 E no crepúsculo do seu tempo, você enfrentará os sacerdotes e exércitos da morte, enfurecidos pelos intoxicantes da destruição, que se matam mesmo como fariam com você e cuja piedade é a de decadência e dissolução. Eles apreciam os frutos da decadência terrena como os mais ricos dos tesouros. Amaldiçoados são eles por esta falta! Você deve conhecê-los pelo tédio de seus olhos e pela selvageria de seu discurso, apesar das joias com as quais eles se enfeitam e o mármore que podem ter. Olhe para eles e tenha orgulho de não adorar seu deus da morte. Cuidado com eles e com seu intoxicante! Sua resistência depende de sua essência. 

A DÉCIMA PALAVRA DE SET

 Coraxo chis cormp od blans Lucal aziazor paeb Soba Lilonon chis virq op cophan od raclir maasi bagle caosgi ds ialpon dosig od basgim od ox ex dazis siatris od salbrox cynxir faboan Vnal chis Const ds daox cocasg ol Oanio yor vohim ol gizyax od eors cocasg plosi molui ds pageip larag om droln matorb cocasb emna Lpatralx yolci matb nomig monons olora gnay angelard Ohio ohio ohio ohio ohio ohio noib Ohio Caosgon Bagle madrid i zirop chiso drilpa Niiso crip ip nidali.  

 A ameaça de sua destruição cresce como uma árvore no norte; seus ramos alcançam para cobrir a Terra com miséria e desespero; consome seres noite e dia; mata como o escorpião; envenena o ar com seu fedor. Esta é a desgraça cujo triunfo destruiria você, assim como a ruptura da própria Terra. Então esse crescimento alimentaria milhares, assim como uma falta do coração perverte a mente. E então dor, dor, dor, dor, dor, dor, sim, dor da Terra, pois sua falta será grande. Preste atenção ao aviso desta Palavra. 

A DÉCIMA PRIMEIRA PALAVRA DE SET

 Oxiayal holdo od zirom O coraxo ds zildar raasy od vabzir camliax od bahal Niiso Salman teloch Casarman holq od ti ta zchis soba cormf iga Niisa Bagle abramg Noncp ZACARe ca od ZAMRAN odo cicle qaa zorge Lap zirdo Noco Mad Hoath Iaida.  

 O Templo cai, o pentagrama desaparece para aguardar um novo amanhecer, e meu Outro Rosto alertou alto. Pois a terceira ordem confronta o perigo da morte, assim como aqueles que a adoram. Cuidado, pois sou eu quem avisa. Levante-se assim em sua glória, contemple a genialidade de sua criação e tenha orgulho de ser, pois eu sou o mesmo – eu que sou o Ápice Vida. 

A DÉCIMA SEGUNDA PALAVRA DE SET

 Nonci dsonf Babage od chis ob hubaio tibibp allar atraah od ef drix fafen Mian ar Enay ovof Soba dooain aai iVONPH ZACAR gohus od ZAMRAN odo cicle qaa, zorge, Lap zirdo Noco MAD Hoath Iaida.  

 Ó Guardiões do sul, que esta Palavra o fortaleça e, portanto, nosso vínculo. Fale com o seu pedido, para que eu possa ser conhecido por eles como Set. Peço-lhe que se levante em sua glória, contemple o gênio de sua criação e tenha orgulho de ser, pois sou o mesmo – eu que sou o Ápice da Vida. 

 A DÉCIMA TERCEIRA PALAVRA DE SET

Napeai Babagen dsbrin vx ooaona lring vonph doalim eolis ollog orsba ds chis affa Micma isro MAD od Lonshitox ds ivmd aai GROSB ZACAR od ZAMRAN odo cicle qaa, zorge Lap zirdo Noco MAD Hoath Iaida.  

 Ó guerreiros do sul, não relaxe sua vigilância nem sua determinação, para que no esquecimento você fique intoxicado pelas promessas e pelas ameaças do deus da morte, a quem você agora conhece como uma picada amarga. Levante-se em sua glória, veja o gênio de sua criação e tenha orgulho de ser, pois eu sou o mesmo – eu que sou Ápice da Vida. 

A DÉCIMA QUARTA PALAVRA DE SET

 Noromi bagie pasbs oiad ds trint mirc ob thil dods tolham caosgo Homin ds brin oroch quar Micma bial oiad aisro tox dsivm aai Baltim ZACAR od ZAMRAN odo cicle qaa, zorge, Lap zirdo Noco MAD, hoath Iaida.  

 Ó filhos da fúria e filhas da perfeição que não têm idade entre as criaturas da Terra, ouçam minha Palavra que é uma promessa daquele que te trouxe o conhecimento de toda perfeição. Levante-se em sua glória, veja o gênio de sua criação e tenha orgulho de ser, pois eu sou o mesmo – eu que sou o Ápice da Vida. 

A DÉCIMA QUINTA PALAVRA DE SET

Ils Tabaan Lialprt casarman vpaahi chis darg dsocido caosgi orscor ds omax monasci Baeouib od emetgis iaiadix ZACAR od ZAMRAN, odo cicle qaa zorge Lap zirdo Noco MAD, hoath Iaida.  

 Ó seres sagrados que vivem e têm sido protetores da Chama sagrada, que cumprem minha Palavra e o Selo da minha promessa, e que olham para a Terra com clareza de visão: Levantem-se em sua glória, contemplem o gênio de sua criação, e tenha orgulho de ser, pois sou o mesmo – eu que sou Ápice da Vida. 

 A DÉCIMA SEXTA PALAVRA DE SET

 Ils viuialprt Salman balt ds acroodzi busd od bliorax balit dsinsi caosg lusdan Emod dsom od tliob drilpa geh yls Madzilodarp ZACAR od ZAMRAN odo cicle qaa zorge Lap zirdo Noco MAD hoath Iaida. 

 Ó iniciados que agora entram neste Templo da perfeição, que nascerão em glória e que proclamarão a perfeição, que olharam para a Terra e compreenderão suas criaturas: Vocês serão como eu, que sou o Poder Supremo. Levante-se em sua glória, veja o gênio de sua criação e tenha orgulho de ser, pois eu sou o mesmo – eu que sou o Ápice da Vida. 

 A DÉCIMA SÉTIMA PALAVRA DE SET

 Ils dialprt soba vpaah chis nanba zixlay dodsih odbrint Taxs hubaro tastax ylsi, sobaiad Ivonpovnph Aldon daxil od toatar: ZACAR od ZAMRAN odo cicle qaa, zorge lap zirdo Noco MAD hoath Iaida.  

Ó aspirantes que virão, que arcarão com a Chama e exercerão os Poderes das Trevas em nome da minha vingança, despertem e ouçam: Levante-se em sua glória, contemple a genialidade de sua criação e tenha orgulho de ser, pois eu sou o mesmo – Eu quem sou o Ápice da Vida. 

  A DÉCIMA OITAVA PALAVRA DE SET

Ils Micaolz Olpirt ialprg Bliors ds odo Busdir oiad ouoars caosgo Casarmg Laiad eran brints cafafam ds ivmd aqlo adohi MOZ od maoffas Bolp Comobliort pambt ZACAR od ZAMRAN odo cicle qaa, zorge Lap zirdo Noco MAD Hoath Iaida.  

Ó tu poderosa luz e chama ardente de conforto que traz a Majestade de Set à Terra; em que residem os segredos dos princípios da perfeição; cujo nome é o de uma pedra sempre procurada, nunca encontrada, salvo através do Portão das Trevas: Levante-se em sua glória, observe a genialidade de sua criação e tenha orgulho de ser, pois eu sou o mesmo – eu que sou o Ápice da Vida. 

  A DÉCIMA NONA PALAVRA DE SET

  Madriax dspraf [# AEthyr] chis Micaolz Saanir Caosgo odfisis balzizras Iaida nonca gohulim Micma adoian MAD Iaod bliorb Sabaooaona chis Luciftias peripsol ds abraasa noncf netaaib Caosgi od tilb adphaht damploz tooat noncf gmicalzoma lrasd tofglo marb yarry IDOIGO od torzulp iaodaf gohol Caosga tabaord saanir od Christeos yrpoil tiobl Busdirtilb noaln paid orsba od dodrmni zylna Elzaptilb parmgi peripsax od ta Qurlst booapiS Lnibm ov cho symp, od Christeos Agtoltorn mirc Q tiobl Lel Ton paombd dilzmo aspian, Od Christeos Agltortorn parach asymp, Cordziz dodpal fifalz lsmnad, Od fargt bams omaoas, Conisbra od auauox tonug Orscatbl noafmi tabges Leuithmong vnchi omptilb ors Bagle Moooah olcordziz Lcapimao ixomaxip odcacocasb gosaa Baglen pii tianta ababalond odfaorgt telocvovim Madriiax torzu Oadriax orocha aboapri Tabaori priaz artabas Adrpan corsta dobix. Yolcam priazi arcoazior Odquasbqting Ripir paaoxt sagacor Vml od prdzar cacrg Aoiveae cormpt TORZU ZACAR od ZAMRAN aspt sibsi butmona ds Surzas tia baltan: Odo cicle qaa: od Ozazma plapli Iadnamad.  

Ó visão do [# AEthyr], cujo poder está sobre a Terra e reflete uma perfeição da Mais Elevada da Vida: convoco você para que eu possa ver com os olhos de Set seu criador, os Olhos da Luz das Estrelas. Ele foi quem o concebeu para uma compreensão do universo, para tornar inteligíveis todas as coisas das quais você participa; contra a falta de objetivo da natureza da existência inferior. A Terra é apenas uma parte dessa natureza: seu curso é sem propósito; suas criaturas sempre mudam. Mesmo aqueles da segunda ordem da natureza são confusos e sem rumo; eles esqueceram seu passado e suas maiores obras são desfiguradas e destruídas, para finalmente se tornarem moradias dos animais da primeira ordem. Por quê? A segunda ordem foi um mero acidente de sorte. Por um momento, a Terra se torna consciente, depois se torna esquecida e selvagem, e finalmente será uma terra de morte. Ó visão, apareça! Manifeste a existência que participa de você. Crie o que é novo em você; abandona o que te afasta; fortaleça aquilo que lhe aumenta; e destrua o que não conhece em você. Não deixe nada da natureza escapar do seu toque; entre e parta pelos confins do Universo. Levante-se em sua glória e honre a Palavra de Set, que ele nos falou em sua perfeição. Veja o gênio da sua criação e participemos da sabedoria imaculada.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/as-palavras-de-set/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/as-palavras-de-set/

A Cabala e a fábrica de cadeiras de Jeová

Rabi Baruch Habas

A origem e objetivo da Cabala é voltar ao mundo real. Partimos do princípio que nossa vida cotidiana cheia de leis de trânsito, bolachas de chocolate e amores de verão não é tudo a única que temos para viver. Não que vivamos em um mundo completamente falso, mas ele é longe de ser completamente verdadeiro.

Os cabalistas ensinam que entre as causas originais e nossa experiência regular existem cinco fases, cincos camadas, cinco véus, ou se quiser, cinco mundos. É como se cada mundo superior deixasse sua marca no mundo inferior. Desta forma não podemos dizer que o mundo dos nossos cinco sentidos sejam falsos, assim como uma marca de papel carbono da nota fiscal não é falsa, mas é uma impressão de algo anterior.

Uma forma de entender isso é imaginar que o mundo das causas é uma festa de aniversário. Só quem está lá pode interagir e experenciar a festa. Mas ess afesta é tão legal que alguém resolve gravar com uma câmera do celular; o vídeo não é a festa em si, mas não existiria sem ela. Esse vídeo vai para alguma rede social e viraliza, até que alguém dá um print em uma parte do vídeo e posta como uma foto. A foto não é nem o vídeo, nem a festa mas não existiria sem ela.

  • Atzilu, Mundo da Emanação
  • Beriá, Mundo da Criação
  • Ietzirá, Mundo da Formação
  • Assiá, Mundo da Ação

O Rabino Lamed Ben Clifford em seu livro ‘The Chicken Qabalah’, descreve uma forma muito boa de entender estes quatro mundo. Uma forma boa mas que eu mudarei um pouco para atender meus propósitos aqui. Imagine que estamos entrando na fábrica de cadeiras: “Cadeiras JHVH”, um edifício de quatro andares que faz cadeiras de todos os tipos além de ser uma ótima metáfora para o que chamamos de mundo real.

Assiá: O Chão de Fábrica

O primeiro andar é o chão da fábrica. Assiá, o Mundo da Ação. Quando entramos vemos inúmeras linhas de montagem quase completamente automatizadas cuspindo a mais recente criação da ‘Cadeiras JHVH ltda’: uma série de cadeiras de balanço ultra-confortáveis. Este andar é o que a maioria das pessoas conhece como “Natureza” e integra em si a logística de distribuição sendo responsável por responder duas perguntas muito importantes: “Onde?” e “Quando?”. Somente Assiá pode responder estas questões por uma razão muito simples: nos andares superiores o espaço-tempo não existe.  Os peões recebem instruções via malote e email do departamento logo acima e sua equipe projeta tudo segundo os padrões que recebeu.

Ietzirá: Departamento de TI

O andar de cima Ietzirá está repleto de nerds (também chamados por alguns de anjos) que fazem os projetos das cadeiras que são enviadas para baixo. Em vez de chão de fábrica temos aqui cubiculos e salas de reuniões. Estes engenheiros abastecidos de café usam o AutoCAD e o pacote Office para criar novas cadeiras segundo seus elevados padrões de qualidade. Aqui eles respondem uma pergunta valiosa: “Como?” e para isso isso eles usam não só o alfabeto hebraico, mas muitas outras linguagens de programação além de muita, muita matemática. Mas eles só projetam aquilo que recebem do andar de cima, geralmente de modo vago por telefone.

Beriá: O Departamento de Criação

O andar acima é Beriá, onde está a equipe de criação. A pergunta respondida em Beriá é “O que?” Os cubiculos são substituidos por uma ambiente mais criativo e os funcionários parecem estar eternamente fazendo brainstorm. Muitas idéias morrem aqui mesmo sendo descartadas por alguns dos funcionários mais realistas, mas eventualmente uma ideia parece tão boa que é enviada para os andares de baixo. Recentemente o pessoal se divertiu muito imaginando uma cadeira com amarras e circuito elétrico capaz de matar um ser humano. Mas porque eles, neste caso, gostariam de matar um ser humano? A ideia é deles, mas todas as vontades vem do andar de cima.

Atzilu: A Diretoria

Atzilu é o nome do andar onde está o poderoso chefão, o dono da empresa, cujo nome é Adam Kadmon. Foi ele que decidiu que ‘morte’ e disse as 17:50 da sexta feira que a equipe de Criação teria que varar a noite até terem uma ideia de cadeira apropriada. Mas ele não quer só morte. Foi graças a ele que temos hoje as cadeiras de rodas também. Embora tenha fama de mal, ele não é nem bom nem mal, mas quando quer algo, esse algo acontece e ponto final. A pergunta que Atzilu responde é “Por que?” e ao contrário dos departamentos abaixo geralmente a resposta é uma só: “Porque Eu Quero.”

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/cadeiras-cabala/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/cadeiras-cabala/

Astrologia Cabalística

A Astrologia que chamamos hoje “Cabalística” sempre existiu, sendo caracterizada como o conhecimento que D´us propiciou para que os primeiros seres humanos entendessem não só os fenômenos da natureza, como a finalidade da existência dos astros, a sucessão de dias e noites, as estações, mas sobretudo a perfeição da criação Divina. Com o tempo, e o desenvolvimento da humanidade muito deste conhecimento se perdeu, sendo mantido basicamente por aqueles que hoje chamamos de Cabalistas.

Não há neste texto o objetivo de traçar paralelismos profundos entre a Astrologia Cabalística e a convencional, já que este é um assunto mais extenso, para ser tratado num livro, o que de fato acontecerá mais à frente. A intenção aqui é familiarizar o leitor com as dinâmicas de mudanças de meses, para que possam entender com maior facilidade termos como Rosh Chodesh e Kidush Levaná, que são de vital importância no estudo e prática da Cabala Maassit (Iniciática).

Nos livros sagrados da Cabala existem inúmeras citações de nossa astrologia, através da Torá, do Talmud, além de tratados como o Zohar e os Midrashim, porém, nenhum deles vai tão longe quanto o Sêfer Yetzirá. Este livro que foi escrito pelo Patriarca Abraham é o mais antigo e misterioso de todos os textos cabalísticos, sendo a revelação Divina de como D´us iniciou o processo de criação, através das letras hebraicas, formando combinações de extremo poder e realização.

APLICAÇÃO:

Abraham como é sabido, era filho de Terach, um iminente ocultista. O Zohar então nos revela, que baseado no que aprendeu com o pai, o futuro patriarca do Povo de Israel, preveu que jamais poderia ser pai de um filho da mulher que amasse. De fato, quando Abraham conheceu Sarah, foi o que aconteceu, ela era estéril, o que dificultava com que cumprisse sua missão nesta existência. No entanto, tudo isso mudou, ao Abraham desenvolver sua consciência à níveis mais elevados.

Então, segundo a Torá o Eterno diz: “Olha para os céus, e conta as estrelas, se podes contá-las. E disse: assim será tua semente. E acreditou em D´us Abraham” (Bereshit 15:05). De maneira literal, ficamos simplesmente com a versão da promessa que o Criador faz em gerar descendência para Abraham, porém os cabalistas estão sempre preocupados em entender o sentido “Sod” (secreto) das escrituras. Cruzando o entendimento de nossos sábios, com os tratados percebemos que a intenção do Criador é ensinar ao futuro patriarca a cosmogonia do universo, além de dar proeminência à ele sobre os astros. Fato evidenciado pelo “He”, que adiciona à seu nome mudando de Abram, para Abraham.

Isto significa, que D´us concede a Abraham um conhecimento capaz de suplantar às previsões negativas que ele tinha feito para ele mesmo, o que se configurou em verdade, quando Sarah se torna mãe de Isaac. Nossos sábios nos revelam que justamente os seres humanos daquele tempo eram governados pela Mazal ou “sorte”, mas que no sentido “Sod”, significa “Conjunção Astrológica”. Este conceito descoberto e aplicado por Abraham, é algo fundamental na Astrologia Cabalística, até os dias de hoje, o poder do Livre-Arbítrio.

Este poder justamente é concedido pela letra “He”, já que seu valor numérico de Gemátria é “5? e alude justamente ao “Chumash”, que são os cinco livros da Torá e significa que aquele que estuda e pratica os princípios que nela estão contidos justamente ganha “poder sobre as estrelas”. Isto significa sair da condição de influenciado para influenciador, já que nos é expressado que “os anjos são como almas para as estrelas”. Através disso, a sabedoria da Cabala nos informa que realmente somos influenciados não pela energia do astro em si, mas sim pela energia das criaturas que estão vinculadas àquele astro, tanto anjos como Criaturas do Sitra Achrá (“Outro Lado”).

ASTROLOGIA CABALÍSTICA HOJE:

A sabedoria que temos hoje, não é aprendida através de manuais, mas vem da vivência entre o Rav (Mestre) e seus Chaverim (Discípulos), como evidenciado através por Abraham, que legou esta sabedoria à seu filho, Isaac, que depois a transmitiu para Yacoov. Posteriormente, foi transmitido à Yossef, servindo como base da implementação das 12 Tribos de Israel, que são hoje fundamentais no entendimento e aplicação de nossa astrologia. Depois de toda a perseguição sofrida no Egito, o Criador legará a sabedoria a Moshê (Moisés), que reconstruirá a linha sucessória de transmissão, até os dias de hoje.

O Calendário Hebreu se diferencia do calendário convencional, por ser Lunar e, apesar de se referir aos 12 signos do zodíaco que são amplamente conhecidos por todos, a grande verdade é que o entendimento, interpretação e esoterismo da Astrologia Cabalística estão totalmente relacionados às 12 Tribos de Israel. Sua características e particularidades são evidenciadas no nível “Pshat” ou “literal”, quando Yacoov “abençoa” cada fundador destas tribos, dotando-as com características específicas, o que é entendido de maneira profunda, através do estudo dedicado da Torá, Talmud, Sêfer Yetzirá, demais tratados e, sobretudo, do Rav.

Então, cada mês cabalístico representa uma energia nova, capaz de impulsionar o ser humano a realizar sua missão na terra. Para isso, é fundamental que a pessoa conheça a força daquele mês, suas características e especificidades, para utilizá-lo como uma “catapulta”, rumo à níveis mais elevados de consciência. Sem este conhecimento, como Hashem criou tudo “macho e fêmea”, ou seja dual, a pessoa pode ser envolvida pelas forças Klipóticas, sendo afetada negativamente pela influência do mês.

MAPA CABALÍSTICO E AS CONEXÕES CABALÍSTICAS:

É por isso, que os antigos cabalistas criaram duas forças capazes de dotar o ser humano com o mesmo poder de Abraham para suplantar a Mazalot: o Mapa Astral Cabalístico e a Conexão do Mês. O primeiro é o entendimento que da mesma forma que o DNA nos transmite características daquilo que somos funcionalmente, os astros nos passam nosso “DNA Espiritual”. Assim, quando eu estou fazendo o Mapa Cabalístico de alguém, é como estivesse olhando a sua alma, com o objetivo de proporcionar à pessoa o seu autoconhecimento, que logo, propiciará à mesma tomar as melhores decisões para si.

Já as conexões cabalísticas, a maneira que temos de sintonizar no aspecto positivo da energia mensal, com o objetivo de nos harmonizarmos com mesma. Para os sábios cabalistas, a força entre a saída e a entrada de um novo mês é tão forte, que é como se literalmente mudássemos de signo à cada variação. Por isso, sabendo que tudo foi criado à partir das letras hebraicas, nós realizamos meditações nas duas letras regentes de cada mês, que nos permite literalmente dominar aquela energia.

Os pontos altos são o Rosh Chodesh (Cabeça do Mês), que é o primeiro dia de um mês cabalístico, onde se apresenta a Lua Nova de cada signo, além da Kidush Levaná (Santificação da Lua), num ritual onde nós cabalistas agradecemos ao Eterno por nos ter dado a Lua, astro fundamental para o entendimento do sistema criado por D´us. Afinal a lunação está vinculado não só aos astros, mas à vida, desde a influência das marés, da procriação de animais, além do próprio ciclo menstrual das mulheres.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/astrologia-cabal%C3%ADstica

O Anjo Metatron

Texto do frater Matheus Saraiva

Metatron é o anjo supremo que rege a mais alta ordem angelical, sendo líder de todos os outros anjos, tal Hierarquia sendo a original Cabalista chamada de Haioth Hakadosh e que se situa na Sephira de Kether, mas no nosso mundo ocidental sendo conhecida pela nomenclatura dada pelo Pseudo Dionioso o Areopagita em sua Teologia Mística de Serafins. Metatron é o anjo mais misterioso e enigmático de todos, ninguém sabe ao certo quem Ele é e nem a etimologia do seu nome, até mesmo o modo de escrever seu nome. Mas uma coisa é certa Metatron é o Ser que mais se iguala a manifestação da Divindade no Plano Espiritual.

Dentro dos significados de seu nome podemos encontrar, O Príncipe do Mundo, Rei dos Anjos, Anjo da Morte, entre outros, porém um dos mais prováveis seria uma corrupção grega do hebreu (meta ton thronón) “Mais próximo do Trono”. Pela Gematria Metatron é comparado a YHVH, pois a correspondência de seu nome é 314 como o nome Divino Shaday. E assim sendo ele tem um nome como do seu Senhor.

Na leitura Talmúdica feita por Karaíta Kirkisani, Metatron é chamado de YHVH menor. Também no Talmude há um incidente com Elisha ben Abuya, conhecido também como Aher (O Outro), qual se dizia ter entrado no Paraíso e visto sentado no trono Metatron, em uma posição que se permitiria apenas ao próprio YHVH. Os Rabinos então explicam que ele tem a permissão de sentar lá por que ele é o escriba celestial, e cabe ao mesmo escrever todos os fatos de Israel.

O Zohar (O Livro do Esplendor) identifica Metatron como ‘O Jovem’ , e o identifica como o anjo que guiou o povo de Israel no deserto, e o descreve como um sacerdote celestial. Existem varias menções de Metatron também nos Apócrifos.

Ele simplesmente é o preferidoe o primeiro emanado de YHVH, e a sustentação da existência do mundo, ele é o que mais tem e distribui a “our” a Luz. O verdadeiro portador da luz, o verdadeiro Lúcifer, mas que nunca caiu como diz a tola lenda cristã. O verdadeiro Demiurgo, afinal ele é o pequeno Senhor, criador do Mundo. Ele é quem nos empoem em principal os testes para provar nosso interior e nossas virtudes e mantém as Leis Karmicas, e muitos tem o karma como algo ruim assim transformando Metatron naquela figura luciferica e sombria. Inclusive muitas ordens tem erroniamente o ‘Ser’ Lúcifer como Demiurgo, pseudo entidade que não passa de um erro da tradução da bíblia no século VII, se tornando apenas uma alegoria da Luz Astral. E o mais sombrio príncipe das trevas, e ‘rival de Deus’ tem seu trono não no inferno, mas no coração dos Homens, e atravez deste cria egregoras de demónios, do próprio Diabo e Lúcifer, e mais infinitas criações mentais sombrias, que só a Verdade e Força de YHVH e Metatron pode reduzir a nada.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-anjo-metatron

Os Corvos de Wotan, parte 1

A chamada tradição oral é a preservação de histórias, lendas, usos e costumes através da fala. Origina-se do primórdio da história humana, quando ainda não havia a escrita e os materiais que pudessem manter e circular os registros históricos. Na atualidade própria das classes iletradas, a tradição oral tem sido, contudo, muito valorizada pelos eruditos que se dedicam ao seu estudo e compilação (as baladas da Edda Poética, por exemplo), ao considerarem que é na tradição oral que se fundamenta a identidade cultural mais profunda de um povo. Supõe-se, por exemplo, que a Ilíada e a Odisseia de Homero foram inicialmente, assim como as Eddas, longos poemas recitados de memória.

Joseph Campbell gostava de dizer que “o mito é algo que nunca existiu, mas que existe sempre”. Esse aparente paradoxo pode ser reconciliado se entendermos a tradição oral, mãe da mitologia, como a melhor forma com a qual o espírito humano pôde passar adiante suas experiências no contato com a essência das coisas, com o que há de eterno no mundo. Dessa forma, todas as variantes de um mesmo mito são, no fundo, uma mesma história. E toda mitologia é, no fundo, uma mesma mitologia, uma mitologia do espírito humano.

Mas hoje não vivemos mais em tribos e aldeias, e nem todos necessitam decorar tais histórias antigas. Além disso, não são os xamãs nem os anciãos quem nos passam os mitos, mas alguns poucos textos sagrados de outrora, que até hoje inspiram inúmeras variações na mente dos contadores de histórias modernos – a quem conhecemos, principalmente, como artistas. Existem mitos sendo recontados em todos os cantos: nos livros de vampiros adolescentes, nos filmes de Hollywood, nas séries de TV de fantasia, e até mesmo num gibi.

O deus que usarei como exemplo de referência neste artigo é hoje um conhecido personagem de histórias em quadrinhos da Marvel. Se você já leu algum gibi, ou viu algum filme recente, de seu filho, certamente o conhece: Odin (ou Wotan, ou Wôdan, variantes hoje menos conhecidas, mas que vieram do original germânico), é o Senhor de Asgard e pai de Thor, o heroico deus do trovão. Você pode achar que não há nada de muito profundo a se falar sobre um velho deus-herói-caçador aposentado que hoje se limita a governar uma cidade mítica, e talvez tivesse razão se considerarmos apenas a forma extremamente diluída deste mito que nos chegou aos dias atuais como um mero personagem de quadrinhos… Mas, não que eu esteja condenando Stan Lee e Jack Kirby, pelo contrário: apesar de terem “diluído” o mito, eles fizeram por ele bem mais do que o cristianismo, que por muitos séculos demonizou o grande deus dos povos nórdicos europeus, a fim de substituí-lo por sua versão bíblica.

Mas, o que exatamente eu quero dizer pelo mito de Odin, será que me refiro a uma entidade sobrenatural real? Bem, com todo o respeito à Freternidade de Odin [1], não é exatamente isso que quero dizer… É óbvio que não existe, na natureza terrestre pelo menos, um homem caolho a cavalgar os céus montado num cavalo de oito patas; mas, por outro lado, a iconografia de Odin é toda ela um imenso conjunto de símbolos, símbolos estes que existem e sempre existirão, ao menos enquanto existirem mentes com vontade de pensar sobre eles.

Os símbolos nada mais são do que imensas quantidades de informação reduzidas a uma única imagem ou história fantástica ou ícone que funcionam como uma chave mental para o acesso dessas informações e sensações, desde que a pessoa saiba, em seu pensamento, como usar esta chave de uma forma consciente. Você pode perfeitamente substituir a imagem (o símbolo) de Odin por uma série de palavras (formadas por conjuntos de símbolos – as letras do alfabeto) a formar uma extensa lista: sabedoria, fúria, excitação, guerra, caçada, mente, magia, poesia, escrita rúnica, etc. É claro que, dependendo da interpretação de cada pessoa, e de cada tradição folclórica, essa lista pode variar imensamente, mas não absolutamente. Odin é um conjunto de símbolos, ele serve para que acessemos tais ideias em nosso pensamento, sentimento e intuição, de forma simplificada e cada vez mais potente (o hábito faz o monge).

O grande problema do “uso dos mitos” é quando os entendemos como seres literais (e não metáforas), dispostos a barganhar conosco em troca de “favores espirituais”, “boa sorte”, “boa saúde”, etc. Isso é um problema porque, exatamente, a grande vantagem dos mitos é poder ativar a nossa vontade para que nós mesmos busquemos tais objetivos, que nós mesmos nos tornemos heróis a vivenciar a grande aventura da vida, que nós mesmos nos tornemos, enfim, deuses (“sois deuses, farão tudo o que faço e ainda muito mais” – disse o grande rabi da Galileia [2]).

Mas, retornando a Odin: é verdade que o que sabemos hoje sobre o seu mito é extensivamente baseado na Edda Poética, um grandioso conjunto de poemas vindos diretamente dos mitos dos povos nórdicos antigos da Europa, e que foi preservado no Codex Regius (“Livro Real”), um códice islandês que provavelmente foi escrito em cerca de 1270 d.C., mas que só se tornou “conhecido na modernidade” quando um bispo o encontrou na Islândia e o enviou como presente ao então rei da Dinamarca, em 1662. A Edda então permaneceu na Biblioteca Real de Copenhagen até 1971, quando foi escoltada por militares por terra e mar (um acidente aéreo poderia a danificar permanentemente), de volta a capital da Islândia, Reykjavík. Lá ela permanece até hoje, como uma legítima relíquia que guardou praticamente sozinha aos séculos da cultura de um povo, e impediu que seus mitos de diluíssem até não mais existirem.

O que os versos da Edda nos trazem, entretanto, são baladas e cânticos bardos de épocas ainda muito mais remotas… Diz-se que Odin já era conhecido desde os primórdios da língua protogermânica, que durou de 500 a.C. há 500 d.C., e que formou a base de diversos idiomas atuais, como o inglês, o escocês, o alemão, o dinamarquês, o norueguês e o islandês, dentre outras. De fato, Odin é tido como o grande responsável por trazer aos homens o conhecimento das runas, a base da escrita germânica antiga, do mundo espiritual (falaremos mais sobre isso na sequência). Ora, como as runas mais antigas encontradas datam dos séculos I e II d.C., podemos dizer que o mito de Odin era tão antigo quanto elas… Mas, talvez seja ainda muito mais antigo do que isso. Porém, como teremos certeza?

Certeza nós jamais teremos, pois a história não é somente uma mera reconstrução moderna dos tempos de outrora: mas uma reconstrução criada primordialmente pelos povos e países vencedores das guerras e dos embates dentre crenças religiosas… O Odin que conhecemos hoje é um Odin sobrevivente aos séculos de domínio romano e cristão, e é mesmo quase um milagre que ele tenha sobrevivido. Apesar das extensivas campanhas de demonização feitas pelos ditos cristãos, o mito mostrou-se persistente: Odin ainda cavalga pelos céus, pelas películas de cinema e pelas histórias em quadrinhos.

Dito isso, é preciso deixar claro que a própria natureza do mito é a de se transformar continuamente, preservando-se apenas sua essência, aquilo que está fora do tempo, e sobrevive exatamente por nos tocar a alma, por ser eterno… Portanto, e interpretação que mais conta é a atual; e, além disso: é a nossa interpretação. Porque os mitos que nos são despejados como dogmas pré-estabelecidos por pretensas figuras de autoridade não são muito mais do que propaganda enganosa. O que nos importa, o que sempre importou, é identificar a essência, a verdade guardada em inúmeras metáforas, percebida sabe-se lá por qual ancestral selvagem em meio ao inverno europeu, e que, espantosamente, ainda está aqui, ainda nos toca a alma, ainda é capaz de nos elevar a estados de consciência que nem sabíamos que existiam.

O que falarei a seguir, portanto, é da minha interpretação do mito de Odin. Baseada num estudo das inúmeras histórias que ainda se contam dele, é claro; mas, não obstante, minha interpretação. Sinta-se a vontade para questioná-la, interpretá-la, vivenciá-la, pois é isso o que os mitos nos pedem…

» Na próxima parte: Odin, seus lobos e seus disfarces…

***

[1] Sociedade secreta neopagã que até os dias atuais celebra os ritos antigos relacionados à Odin e a outros elementos da mitologia nórdica. Segundo eles, “Odin não é um arquétipo psicológico ou uma metáfora para referência as forças naturais, mas uma entidade real”. Eles também são “politeístas a fundo”, e ao contrário de outros politeístas que na realidade compreendem aos deuses como emanações de um único Deus Primordial (o que no caso faria de Odin o Deus, e Thor, por exemplo, um de seus Arcanjos ou Profetas, se formos fazer uma [má] comparação com o catolicismo), para eles não há nenhuma lógica em crer que uma única entidade emana toda a realidade conhecida de si própria. Bem, provavelmente eles nunca leram Espinosa… Por outro lado, existe sempre a possibilidade de terem inventado essa história com o propósito de afastar curiosos indesejados.

[2] João 10:34; João 14:12 (NT).

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Crédito da imagem: Action figure por Randy Bowen (para a Marvel Comics)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#HQ #Mitologia #Odin #Paganismo

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A História da Golden Dawn

A Golden Dawn (ou Aurora Dourada), foi a segunda sociedade ocultista mais importante do século passado (a primeira foi a Sociedade Teosófica de H.P. Blavatsky). Foi criada em 1880 por quatro membros da S.R.I.A. (Societas Rosecruciana in Anglia) chamados:

  • A.F.A. Woodford, membro do Clero Anglicano e Maçon;
  • William Wynn Westcott, médico legista;
  • W.R. Woodman, médico;
  • Samuel Liddell Mac Gregor Mathers, estudioso de ocultismo.

A principal proposta da Ordem Hermética da Aurora Dourada, era colocar em prática os Rituais e Ensinamentos da Magia, fortemente influenciados pelos textos de John Dee, Eliphas Levi e Francis Barret, entre outros.

Sua reivindicação era a de ser a verdadeira herdeira dos primórdios do rosacrucianismo e dos princípios de Cristian Rosenkreutz (misterioso pai do rosacrucianismo), baseando-se num misterioso conjunto de manuscritos cifrados, oriundos de Westcott. De posse desses documentos cifrados, encontraram em meio a estes, uma carta com o endereço da Fraülein Ana Sprengel (Sapiens Dominabitur Astris = O Sábio Será Governado pelas Estrelas) originária de Nuremberg. Mais tarde descobriu-se que esses documentos foram na verdade, criados por eles.

Esses manuscritos estavam em inglês arcaico, transcritos num código “secreto” inventado no séc. XVI pelo Abade Trithemius. Nesses manuscritos encontram-se os rituais e a estrutura hierárquica básica da organização.

Através de um grande volume de cartas remetidas pelos dois lados, o quarteto de magos foi instruído de forma a preencher os rituais esboçados nos manuscritos cifrados. Em 1887 Ana Sprengel deu ao grupo, que até então estava subordinado à ela, autoridade suficiente para poderem abrir a primeira Loja (ou Templo) da Aurora Dourada, o Templo de Ísis-Urânia. Logo após a fundação do Templo foi anunciada a morte de Ana Sprengel.

A Aurora Dourada era fundamenta em Graus de aprimoramento, onde o estudante evoluía de acordo com suas aptidões. O recrutamento de novos membros era feito na maioria das vezes por cooptação, através de um padrinho, que iria cuidar de sua evolução dentro da organização e de sua diligência nos estudos.

A divisão dos Graus era baseada na Árvore da Vida, proveniente da Qabalah. São onze Graus divididos em três classes cada. A partir do Sexto Grau, ao que nos parece, reúne não seres humanos, mas entidades ou seres superiores.

A Grade de Estudos era bastante exigente em relação ao estudante, que, para passar de um Grau a outro necessitava provar seu domínio do Grau ao qual estava preste a abandonar.  Partindo de rituais do Pentagrama, Armas Mágicas, Talismãs, conversas com Anjos e Artes Divinatórias, pretendiam dar ao estudante o domínio do mundo em que este vivia.

A partir de 1892, Mathers começou a chefiar a Aurora Dourada praticamente sozinho, alegando que era iluminado por Mestres Secretos, os quais lhe davam plenos poderes para tanto. Criou-se então a Ordem Interna (Rubrae Rosae et Aurae Crucis = R.R.A.C.).

Os rituais da Ordem eram bem construídos pelo profundo conhecimento que Mathers tinha do ocultismo e eram plenos de poesia e filosofia. Seus efeitos sobre o espírito humano eram inegáveis assim como seus resultados.

Em 1898, Aleister Crowley ingressa na Aurora Dourada, tornando-se discípulo de Alan Bennett. Por seu talento com as artes esotéricas e pela sua perspicácia, adquiriu o respeito de Mathers. Por esse mesmo motivo além de sua independência nos estudos, surgiram atritos com outros membros da ordem. Em 1899, os membros de Londres recusaram-se a dar a Crowley o ingresso na Ordem Interna. Essa atitude contribuiu para a desagragação da Ordem conforme veremos a seguir.

Mathers havia se mudado para Paris com sua esposa Moina, para fundar um ramo continental da organização e lá conferiu a Crowley o grau de Adeptus Minor. Isso causou furor nos membros de Londres que votaram a expulsão de Mathers da Chefia da Organização.

A partir de 1900, a história da Aurora Dourada parecia estar chegando ao fim. Mathers troca insultos com vários membros da Ordem. Expulsou Florence Farr de seu posto de segunda no comando da organização. Mathers então manda Aleister Crowley a Londres para reprimir os rebeldes.

Após vários episódios bastante dramáticos e alguns até tragicômicos, Mathers foi afastado da Ordem. Depois do ano de 1900, a Ordem Hermética da Aurora Dourada deixou de existir na sua forma original, sendo dividida em diversos seguimentos, a saber: A Ordem de São Rafael, A Stella Matutina, Alpha-Omega, A Luz Interior, Builders of the Adytum.

A organização tentou reerguer-se através das mãos de outros grandes nomes do ocultismo, como Yeats, e A.E. Waite, mas seus esforços não conseguiram manter nem uma pálida lembrança dos dias de glória daquela que seria conhecida mais tarde como a maior Sociedade Rosacruz de todos os tempos.

A Ordem separou-se em várias facções que lutavam entre si pelo posto de verdadeira herdeira da Ordem Hermética da Aurora Dourada.

Hoje ainda existem várias Lojas e Templos espalhados pelo mundo que se dizem descendentes daqueles quatro magos. A verdade de sua herança, apenas o tempo será capaz de dizer.

A Aurora Dourada foi o centro onde reuniram-se grandes cabeças da época, sendo que, da totalidade, podemos citar com segurança:

  • Maud Gonna, musa inspiradora de William Butler Yeats;
  • William Butler Yeats, poeta, nobel de literatura de 1924;
  • Jean-Marc Bride, pai de Maud Gonna, político;
  • Florence Farr, atriz, conselheira de Bernard Shaw;
  • William Peck, astrônomo;
  • Gérard Kelly, presidente da Real Academia;
  • Arthur Machen, escritor;
  • Bram Stocker, escritor, autor de Drácula;
  • Violet Wirth, ou seja, Dion Fortune, escritora;
  • Sam Rohmer, escritor;
  • Edita Montés, condessa de Landsfeld, filha bastarda de Luís I da Baviera, e de Lola Montés;
  • Bulwer Lytton, escritor de Zanoni;
  • Aleister Crowley, mago, fundador da Astrum Argentum, mais tarde O.H.O. da O.T.O

“Como um prelúdio ao que sucederá mais adiante, haverá agora uma reforma geral, tanto de coisas divinas como humanas, conforme desejamos, e outros esperam. Pois, é natural que, antes do nascer do Sol, surja a AURORA, ou alguma claridade, ou divina luz, no Céu; e, entretanto, alguns, que darão seus nomes, se reunirão para aumentar o número e o respeito de nossa FRATERNIDADE, dando feliz e tão desejado começo aos nossos Cânones Filosóficos, para nós prescritos pelo nosso irmão R.C., participando então dos nossos tesouros (que nunca se esgotam ou corrompem), com toda humildade, e amor que os alivie do labor e das misérias deste mundo, de modo que não caminhem tão cegamente no conhecimento das maravilhosas obras de Deus.” -FAMA

por Frater Goya

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-historia-da-golden-dawn/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-historia-da-golden-dawn/

A Hipóstase dos Arcontes

(A Realidade dos Regentes)

A respeito da realidade das autoridades, (inspirado) pelo Espírito do Pai da verdade, o grande apóstolo – se referindo às “autoridades da escuridão” – nos disse que “nossa disputa não é contra os seres de carne e sangue; mais propriamente, as autoridades do universo e os espíritos da perversidade.” Eu te enviei isto porque você indaga sobre a realidade das autoridades.

O chefe deles é cego; devido ao poder dele e sua ignorância e sua arrogância ele disse, com o poder dele, “Eu é que sou Deus; não há outro além de mim.” Quando ele disse isto, ele pecou contra a totalidade. E esta declaração chegou até a incorruptibilidade; então houve uma voz que partiu da incorruptibilidade, dizendo, “Você está enganado, Samael” – que é, “deus dos cegos.”

A presunção dele o cegou. E, tendo expelido seu poder – ou seja, a blasfêmia que ele havia dito – ele prosseguiu até o Caos e o Abismo, que é a mãe dele, instigado pela Pistis Sofia. E ela estabeleceu cada um da prole dele de acordo com o poder deles – segundo o padrão dos reinos que estão acima dos céus, pois, a partir do universo invisível, o universo visível foi inventado.

Assim que a incorruptibilidade olhou para baixo na região das águas, sua imagem apareceu nas águas; e as autoridades da escuridão se apaixonaram por ela. Mas eles não puderam se apropriar daquela imagem que havia aparecido para eles nas águas, por causa da fraqueza deles – já que seres que meramente possuem uma alma não podem se apropriar daqueles que possuem um Espírito – pois eles eram do reino inferior, enquanto ela era de cima. Esta é a razão pela qual a “incorruptibilidade olhou para baixo na região (etc.)”: para que, pela vontade do Pai, ela possa trazer a totalidade para a união com a luz.

Os regentes planejaram e disseram, “Venham, vamos criar um homem com o solo da terra.” Eles modelaram a criatura deles como sendo completamente da terra. Agora os regentes são andróginos, seus corpos são iguais aos que eles criaram para a humanidade deles, tendo características de macho e de fêmea, mas com o rosto de um animal. Então quando eles haviam tomado um pouco de solo da terra, eles modelaram o homem deles segundo o corpo deles, e segundo o semblante de Deus que havia aparecido para eles nas águas. Eles disseram, “Venham, vamos dominar ele por meio da forma que nós modelamos, para que ele veja sua aparência neste corpo, se sinta atraído e venha habitar nele, e nós possamos capturá-lo com a forma que nós modelamos” – não compreendendo a força de Deus, por causa da impotência deles. O chefe deles soprou no rosto dele; e o homem obteve uma alma (e permaneceu) no chão muitos dias. Mas eles não puderam fazê-lo se erguer por causa da impotência deles. Como vendavais eles persistiram soprando, tentando capturar aquela imagem que apareceu para eles nas águas. E eles não conheciam a identidade daquele poder.

Agora todas estas coisas decorreram pela vontade do Pai da totalidade. Posteriormente, o Espírito viu o homem dotado de alma no chão. E o Espírito veio adiante da Terra de Adamantina; ele desceu e veio habitar dentro dele, e aquele homem se tornou uma alma viva, e chamou-se Adão. Já que ele foi visto se movendo sobre o chão, uma voz partiu da incorruptibilidade para o auxílio de Adão; e os regentes reuniram todos os animais da terra e todos os pássaros do céu e os trouxeram para Adão, para ver como ele iria chamá-los, para que ele desse um nome a cada um dos pássaros e a todos os animais.

Eles pegaram Adão e colocaram ele no jardim, para que ele o cultivasse e vigiasse. E os regentes emitiram um comando a ele, dizendo, “Você comerá de toda árvore no jardim; mas da árvore do reconhecimento do bem e do mal não coma, nem a toque; pois no dia que você comer dela, com morte você morrerá.”

Eles estavam mentindo quando falaram isto. Eles não entendem o que disseram para ele; pelo contrário, pela vontade do Pai, eles disseram isto de modo que ele de fato coma, e para que Adão não os considerasse do mesmo jeito que um homem de natureza totalmente material consideraria.

Os regentes se consultaram uns com os outros e disseram, “Venham, vamos causar que um sono profundo caia sobre Adão.” E ele dormiu. – Agora o sono profundo que eles “causaram que caísse sobre ele, e ele dormiu” é a Ignorância. – Eles abriram a lateral dele que era como uma mulher viva. E eles montaram a lateral dele com um pouco de carne no lugar dela, e Adão ficou dotado apenas de alma.

E a mulher dotada de Espírito veio até ele e falou com ele, dizendo, “Levante-se, Adão.” E quando ele a viu, ele disse, “Foi você quem me deu vida; você será chamada ‘mãe dos vivos’. – Pois ela que é a minha mãe. Ela que é a obstetra, a mulher, e ela que deu à luz.”

Então as autoridades vieram até o Adão deles. E quando eles viram a contraparte feminina dele falando com ele, eles ficaram agitados com grande agitação; e eles se apaixonaram por ela. Eles disseram uns aos outros, “Venham, vamos espalhar nossa semente nela,” e eles a perseguiram. E ela riu deles pela tolice e cegueira deles; e nas garras deles ela se tornou uma árvore, e deixou diante deles o reflexo indistinto dela aparentando a si mesma; e eles o violaram de forma imunda. – E eles violaram o sinal da voz dela, de modo que, por meio da forma que eles modelaram, junto com a própria imagem deles, eles se tornaram propensos à condenação.

Então o princípio espiritual feminino entrou na águia, que é o instrutor; e ele os ensinou, dizendo, “O que ele disse para você? Foi, ‘Você comerá de toda árvore no jardim; mas – da árvore do reconhecimento do bem e do mal não coma’?”

A mulher carnal disse, “Ele disse não somente, ‘Não coma’, mas até ‘Não a toque; pois no dia que você comer dela, com morte você morrerá.’”
E a águia, o instrutor, disse, “Com morte vocês não irão morrer; pois foi por ciúmes que ele disse isto a vocês. Pelo contrário, seus olhos se abrirão e vocês se tornarão como deuses, reconhecendo o mal e o bem.” E o princípio instrutor feminino foi removido da águia, e ela o abandonou, uma coisa meramente da terra.

E a mulher carnal pegou da árvore e comeu; e ela deu ao marido dela também; e estes seres que possuíam apenas uma alma, comeram, e então eles ficaram sóbrios do esquecimento. Eles perceberam a imperfeição e a falta de sabedoria dos seus criadores; e reconheceram que eles mesmos estavam despidos do elemento espiritual, então eles pegaram folhas de figueira e amarraram em seus quadris.

Então o regente chefe (que é a serpente) veio; e ele disse, “Adão! Onde você está?” – porque ele não entendeu o que tinha acontecido. E Adão disse, “Eu ouvi a sua voz e tive medo porque eu estava nu, e eu me escondi.”

O regente disse, “Por que você se escondeu, a menos que é porque você comeu da única árvore que eu ordenei que você não comesse? E você comeu!”

Adão disse, “A mulher que você me deu, ela me ofereceu e eu comi.” E o regente arrogante amaldiçoou a mulher.

A mulher disse, “Foi a águia que me induziu e eu comi.” Eles se voltaram para a águia e amaldiçoaram o reflexo indistinto dela, […] impotentes, não compreendendo que era uma forma que eles mesmos haviam modelado. Desde aquele dia, a águia ficou sob a maldição das autoridades, até que o regente todo-poderoso viesse, aquela maldição caiu sobre a águia.

Eles se voltaram para o Adão deles, e o tomaram e expulsaram do jardim junto com sua esposa; pois eles não possuem bênção, já que eles também estão sob a maldição. Além do mais, ele jogou a humanidade em grande distração e em uma vida de dificuldades, para que a humanidade deles possa estar ocupada com afazeres mundanos, e não possa ter a oportunidade de se dedicar ao Espírito sagrado.

Agora em seguida, ela gerou Caim, o filho deles, e Caim cultivava a terra. Logo após isso ele reconheceu sua esposa, engravidando novamente, ela gerou Abel; e Abel era um pastor de ovelhas. Agora Caim apresentou das colheitas do campo dele, mas Abel apresentou uma oferenda dentre suas ovelhas. Então Sabaoth, que é chamado Senhor das Forças, olhou sobre as oferendas votivas de Abel; mas ele não aceitou as oferendas votivas de Caim. E o Caim carnal perseguiu Abel, seu irmão.

E Sabaoth disse para Caim, “Onde está Abel, teu irmão?”

Ele respondeu dizendo, “Eu sou, então, zelador do meu irmão?”

Então Sabaoth disse para Caim, “Escute! A voz do sangue do teu irmão está clamando para mim! Você pecou com tua boca. Isto retornará para ti: qualquer um que matar Caim soltará sete vinganças, e você existirá gemendo e tremendo sobre a terra.”

E Adão reconheceu sua contraparte feminina Eva, e ela ficou grávida, e gerou Seth para Adão. E ela disse, “Eu gerei um homem através de Deus, no lugar de Abel.” Novamente Eva engravidou, e ela gerou Norea. E ela disse, “Ele gerou em mim uma virgem como uma assistência para muitas gerações da humanidade.” Ela é a virgem a quem as forças não corromperam.

Então eles começaram a se multiplicar e aperfeiçoar. Os regentes se consultaram uns com os outros e disseram, “Venham, vamos causar um dilúvio com nossas mãos e eliminar toda carne, desde homem até animal.” Mas quando o Senhor das Forças soube da decisão deles, ele disse para Noé, “Construa para vocês uma arca com madeira que não apodreça e se escondam nela – você e os meus filhos, e os anjos do céu, e os animais deles, do pequeno ao grande – e coloque-a sobre o Monte Senhor.”

Então Orea veio até ele, querendo embarcar na arca. E quando ele não a deixou, ela soprou sobre a arca e ocasionou que ela fosse consumida pelo fogo. Novamente ele fez a arca, por uma segunda vez.

Os regentes foram conhecê-la, pretendendo corrompê-la. O chefe supremo deles disse a ela, “A sua mãe Eva foi criada por nós.” Mas Norea virou-se para eles e disse, “São vocês os regentes da escuridão; vocês estão amaldiçoados. E vocês não conheceram a minha mãe; pelo contrário, vocês conheceram a contraparte feminina de vocês. Pois eu não sou descendente de vocês; pelo contrário, é do aeon superior que eu venho.”

O regente arrogante levantou-se contra ela com toda a sua força, e sua aparência era como um enorme dragão preto; e ele disse a ela presunçosamente, “Você deve servir a nós, como a sua mãe Eva também serviu; pois me foi dada autoridade sobre todo este universo!”
Mas Norea virou-se, com o poder da sua fé; e numa voz alta ela exclamou para o alto para o sagrado, o Deus da totalidade, “Resgate-me dos regentes da injustiça e me salve das garras deles – depressa!”

O grande anjo eterno desceu do Oitavo Céu e disse a ela, “Por que você está exclamando a Deus? Por que você age com tanta audácia para com o Espírito sagrado?”

Norea disse, “Quem é você?” Os regentes da injustiça haviam se afastado dela.

Ele disse, “Eu que sou Eleleth, sagacidade, o grande anjo que fica na presença do Espírito sagrado. Eu fui enviado para falar com você e salvá-la das garras dos malfeitores. E eu irei te ensinar sobre a sua raiz.”

(Aparentemente Norea falando agora) Agora quanto a esse anjo, eu não posso expressar o poder dele: sua aparência é como ouro fino e seu traje é como neve. Não, deveras, minha boca não se porta a falar do poder e da aparência do rosto dele!

Eleleth, o grande anjo, falou comigo. “Sou eu,” ele disse, “que sou compreensão. Eu sou um dos quatro doadores de luz, que ficam na presença do grande Espírito invisível. Você acha que estes regentes têm algum poder sobre ti? Nenhum deles pode prevalecer contra a raiz da verdade; pois foi por ela que ele apareceu nos últimos tempos; e estas autoridades serão restringidas. E estas autoridades não podem te corromper nem corromper aquela geração, pois sua residência é na incorruptibilidade, onde o Espírito virgem habita, que é superior às autoridades do Caos e ao universo deles.”

Mas eu disse, “Senhor, me ensine sobre a capacidade destas autoridades – como eles surgiram, e por qual tipo de gênesis, e de que material, e quem criou eles e a força deles?”

E o grande anjo Eleleth, compreensão, falou para mim: “Dentro de domínios ilimitados habita a incorruptibilidade. Sofia, que é chamada Pistis, quis criar algo sozinha, sem o cônjuge dela; e o produto dela foi a abóbada celeste. Ela é um véu que existe entre os grandes aeons superiores e os domínios inferiores. Então uma nuvem surgiu abaixo do véu; e essa nuvem gerou matéria; e a matéria foi expelida e dispersada. E o que ela havia criado foi parido pela nuvem como um feto abortado. E aquilo assumiu uma forma plástica modelada através da matéria, e se tornou uma besta arrogante parecendo um leão. E era andrógino, como eu já havia dito, e ignorante, porque foi da matéria que ele derivou.

Quando ele abriu os olhos, ele viu uma vasta quantidade de água sem limite; e ele se tornou arrogante, dizendo, “Eu é que sou Deus, e não há outro além de mim”. Quando ele disse isto, ele pecou contra a totalidade. E uma voz partiu do alto, do reino de poder absoluto, dizendo “Você está enganado, Samael” – que é, ‘deus dos cegos’.

E ele disse, “Se outra coisa existe antes de mim, que se torne visível para mim!” E imediatamente Sofia esticou o dedo dela e introduziu luz no universo; e ela brilhou até as profundezas do Caos. Então ela recolheu a sua luz; e mais uma vez a escuridão encobriu todo o universo.

Este regente, sendo andrógino, criou para si um vasto reino, um tamanho inimaginável. E ele contemplou criando filhos de si próprio, e criou para ele mesmo sete filhos, andróginos assim como o pai deles. E ele disse à prole dele, “Eu é que sou o Deus da totalidade.”

E Zoe (Vida), a filha de Pistis Sofia, exclamou e disse a ele, “Você está enganado, Saclas!” – cujo nome alternativo é Yaldabaoth. Ela soprou no rosto dele, e a respiração dela se tornou um anjo de fogo para ele; e o anjo prendeu Yaldabaoth e o lançou abaixo dentro do Tártaro, no fundo do abismo.

Agora quando o filho dele Sabaoth viu a força daquele anjo, ele se arrependeu e condenou o pai dele e a mãe dele, a matéria. Ele a repugnou, mas ele cantou canções de louvor para cima para Sofia e a filha dela Zoe. E Sofia e Zoe o ergueram e lhe deram o comando do sétimo céu, para que ele pudesse reger sobre o universo, entre os reinos eternos e o Caos. E ele é chamado ‘Senhor das Forças, Sabaoth’, já que ele está acima das forças do Caos, pois Sofia o estabeleceu.

E quando estes eventos aconteceram, ele fez para si próprio uma mansão enorme, e uma congregação de deuses para governarem sobre os mundos das pessoas, e muitos infinitos anjos para atuarem como ministros, e também harpas e liras. E Sofia pegou a filha dela Zoe e a fez sentar à direita dele, para ensiná-lo sobre as coisas que existem no Oitavo Céu; e o anjo da ira ela colocou à esquerda dele. Desde aquele dia, a direita dele tem sido chamada ‘vida’, e a esquerda veio a representar a injustiça, para o domínio de poder absoluto acima. Foi antes da sua época que eles surgiram.

Agora quando Yaldabaoth viu ele (Sabaoth) neste grande esplendor e nesta altura, ele o invejou; e a inveja se tornou um produto andrógino, e esta foi a origem da inveja. E inveja produziu morte; e morte produziu a prole dele, e deu para cada um deles o comando de seu céu; e todos os céus do Caos se tornaram repletos de suas multidões. Mas foi pela vontade do Pai da totalidade que eles todos surgiram – segundo o padrão de todas as coisas superiores – para que a quantia do Caos fosse alcançada.

“Assim, eu te ensinei sobre o padrão dos regentes; e a matéria na qual ele foi expressado; e o pai deles; e o universo deles.”

Mas eu disse, “Senhor, eu também sou da matéria deles?””

Você, junto com seus descendentes, são do Pai Imortal, de cima, da luz imperecível é que almas deles são provenientes. Por isso as autoridades não podem se aproximar deles, por causa do Espírito da verdade que está presente dentro deles; e todos que se instruíram sobre estas coisas existem como imortais no meio da humanidade mortal. Mesmo assim, esses fatos não serão conhecidos agora. Pelo contrário, após três gerações é que isto será reconhecido, e esta sabedoria os libertou da escravidão e do erro das autoridades.”

Então eu disse, “Senhor, quanto mais irá demorar?”

Ele me disse, “Até o momento em que o homem verdadeiro, dentro de uma forma modelada, revele a existência do Espírito da verdade, que o Pai enviou.

Então ele ensinará a eles sobre tudo, e ele os ungirá com a unção da vida, dada a ele pela geração sobre a qual não há regente.

Então eles serão libertados do pensamento cego, e eles irão pisar sobre a morte com os pés, pois ela pertence às autoridades, e eles subirão até a luz ilimitada, que é onde os eleitos pertencem.

Então as autoridades irão abandonar suas eras, e os anjos deles prantearão sobre a destruição deles, e os demônios deles irão lamentar suas mortes.

Então todas as crianças da Luz serão verdadeiramente familiarizadas com a verdade e com a raiz deles, e com o Pai da totalidade e o Espírito sagrado. Eles todos dirão com uma única voz, “A verdade do Pai é justa, e o filho preside sobre a totalidade”, e todos louvarão nos aeons dos aeons eternos, “Sagrado – sagrado – sagrado! Amém!’”

A Realidade dos Regentes.

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Fonte:

A Hipóstase dos Arcontes. Biblioteca de Nag Hammadi. Tradução por: http://misteriosantigos.50webs.com. Mistérios Antigos, 2014. Disponível em:<https://web.archive.org/web/20200224151504/http://misteriosantigos.50webs.com/hipostase-dos-arcontes.html>. Acesso em 16 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

 

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-hipostase-dos-arcontes/

As duas Tradições Místicas sobre Enoque, o Profeta

Aaron Leitch

No início, o Criador moldou o mundo através de uma série de palavras divinas. Estas palavras foram então escritas em letras de fogo sobre uma série de tábuas celestiais chamadas de Livro do Discurso de Deus. Esse Livro contém a linguagem celestial da criação, as chaves das portas do céu e todo o conhecimento e sabedoria do universo – passado, presente e futuro. Ele aparece em muitas formas diferentes nas religiões ao redor do mundo – chamadas, em várias ocasiões, de Tábuas Celestiais, Tábuas do Destino, Livro dos Segredos de Deus, Livro da Vida, Livro do Cordeiro, Livro do Toth, Registros Akáshicos e até mesmo Livro T (ou Tarô).

No Jardim do Paraíso, Adão falava fluentemente a linguagem celestial registrada no Livro. Com ela, ele manteve uma conversa familiar com Deus e anjos e também deu nomes verdadeiros a todas as coisas criadas. Entretanto, quando Adão perdeu seu lugar no Paraíso, ele também perdeu seu conhecimento da língua sagrada – ele não podia mais falar facilmente com os anjos. Entretanto, para poder se comunicar com sua família, ele criou uma linguagem humana primordial baseada em suas melhores (ainda que imperfeitas) memórias do discurso celestial.

Sete gerações mais tarde, o profeta Enoque estabeleceu um novo diálogo com os anjos. As criaturas sagradas o consideraram digno de visitar os céus, de ver os coros dos anjos, o Trono de Deus e as tábuas celestiais. Deles, Enoque transcreveu 366 livros terrenos de sabedoria, com os quais esperava restaurar a humanidade à sua antiga glória. Mas, infelizmente, a sabedoria de Enoque logo se perdeu no Grande Dilúvio que destruiu o mundo.

A linguagem reconstruída de Adão persistiu (através da linha de Noé) até a Confusão de Línguas na Torre de Babel. Lá, a língua humana primordial foi dividida em várias línguas diferentes para que os construtores da Torre não pudessem mais se comunicar uns com os outros ou completar o projeto. (Esta é a explicação bíblica para as várias línguas do mundo.) De todas as línguas antigas, a que permaneceu mais próxima da original de Adão foi a que conhecemos hoje como hebraico bíblico. Nenhum conhecimento ou memória da língua celestial dos anjos sobreviveu.

(Ao considerar este mito, observe que ele se concentra em cada ponto do Antigo Testamento onde a língua é o assunto central. Ainda mais importante, ele destaca aqueles casos em que a língua desempenha um papel direto na capacidade – ou inabilidade – do homem de se comunicar com Deus e com as criaturas celestes).

A Magia Enoquiana do Dr. John Dee – O Mito Encontra a História

O estado “bíblico” (ou seja, pós-Babel) da linguagem terrestre durou bem até o século XVI. Entretanto, muitos estudiosos haviam abordado o tema da linguagem celestial, e até mesmo algumas tentativas de reconstruí-la. No entanto, tais tentativas eram geralmente simples deduções do hebraico bíblico escrito com caracteres astrológicos. Foram dados nomes como “Celestial” e “Malachim” (que eram e ainda são usados em talismãs), mas eles eram apenas sombras fracas da linguagem divina da criação. (Para mais informações sobre este assunto, veja meu artigo anterior no Llewellyn Journal, “The Quest for the Divine Language, A Busca Pela Língua Divina”).

Então, no final dos anos 1500, um novo par de profetas – Dr. John Dee e seu “vidente” Edward Kelley- despertaram um grande interesse tanto nos anjos quanto em sua língua perdida. Trabalhando, a princípio, a partir de vários grimórios salomônicos, estes homens estabeleceram contato com os mesmos anjos com os quais Enoque havia falado uma vez. Eles revelaram muitos segredos mágicos aos dois homens, como convocar os anjos dos planetas e das estrelas, descobrir os segredos das nações estrangeiras e visitar espiritualmente os reinos celestiais, como Enoque.

Mais importante ainda, Dee também pediu aos anjos que revelassem o Livro perdido de Enoque, o qual ele quis dizer um texto bíblico apócrifo que preserva a história da vida e da obra de Enoque. (Hoje, este texto é chamado 1 Enoque ou o Livro Etíope de Enoque. Embora tenha sido perdido no tempo de Dee, foi redescoberto no século XVII. Agora você pode encontrá-lo online em muitos lugares e de graça). Os anjos concordaram com o pedido de Dee; no entanto, o que eles trouxeram não era de todo o texto bíblico. Em vez disso, eles revelaram as tábuas celestes – o Livro do Discurso de Deus – do qual Enoque uma vez tinha copiado. Para Edward Kelley o Livro apareceu como um grande livro de quarenta e nove folhas, escrito em sangue (assumimos o sangue do Cordeiro, como mencionado no Livro do Apocalipse) e contendo os quarenta e nove discursos que Deus havia usado para criar o mundo. Os anjos disseram a Dee e Kelley como usar o Livro para abrir as portas do céu, receber revelações diretamente de Deus e falar com os anjos em sua própria língua nativa.

Embora Dee nunca o tenha chamado assim, historiadores posteriores se referiam ao material de Dee como “Magia Enoquiana”, devido ao seu relacionamento com o profeta bíblico Enoque. Este complexo sistema de magia permaneceu em grande parte escondido nos periódicos de Dee por centenas de anos.

Magia Enoquiana da Golden Dawn (ou Neo-Enoquiana)

Quando a Ordem da Golden Dawn (Aurora Dourada) foi formada no final dos anos 1800, eles estavam interessados em incluir o material de Dee em seu currículo de nível superior. Entretanto, eles conheciam apenas alguns dos periódicos de Dee e, portanto, apenas uma parte do sistema mágico de Dee. Eles erroneamente assumiram que tinham encontrado um esboço rudimentar de um sistema incompleto de magia de anjos e, portanto, aplicaram o que tinham ao seu próprio sistema de magia Rosacruz ao estilo de alojamento. O resultado foi um sistema enoquiano  que parece semelhante, mas na verdade é muito diferente do sistema original de Dee. Chamei esta recensão do material da Dee de “Neo-Enoquiano”.

A Ordem não conhecia originalmente a magia planetária de Dee, nem tinha acesso ao aspecto mais importante de seu sistema – o Livro do Discurso de Deus. Eles tinham seus sistemas para espiar vários locais ao redor do mundo e para convocar os anjos das estrelas. Eles também tinham uma série de 48 invocações na linguagem angélica (muitas vezes chamadas de Chaves ou Chamados) que se destinavam a acessar os poderes do Livro celestial, mas não sabiam o verdadeiro propósito das 48 Chaves.

Entretanto, era o sistema de Dee para convocar os anjos das estrelas que formava a espinha dorsal da magia enoquiana da Golden Dawn. Isto foi derivado de um conjunto de quatro grandes quadrados de palavras (chamados “Sentinelas”) que continham os nomes de Deus e dezenas de anjos designados para os quatro quartos do universo. Entretanto, a Golden Dawn usou um arranjo diferente de torres de vigia nas quatro direções cardeais do que Dee havia usado, e eles conceberam um método diferente de decifrar nomes das quatro palavras-quadrado-quadrado – resultando em uma hierarquia de anjos muito maior do que Dee havia pretendido. (A maior parte disto foi esboçada em um documento intitulado Livro H, que provavelmente foi escrito por um dos primeiros fundadores da Ordem).

A Golden Dawn também interpretou os anjos das Torres de Vigia como criaturas dos quatro Elementos: Fogo, Água, Ar e Terra. (Dee nunca associou suas Sentinelas aos Elementos, em vez disso, atribuindo-os apenas às quatro direções cardeais e listando as funções dos anjos como sendo principalmente de natureza alquímica). Finalmente, porque eles não conheciam o Livro do Discurso de Deus e seu sistema mágico, a Golden Dawn assumiu que as Chaves Angélicas deveriam ser usadas para convocar os anjos listados nas Sentinelas. Portanto, eles dividiram as Chaves e as aplicaram aos vários grupos de anjos encontrados ao longo das praças.

Estas coisas – a diferente disposição das Sentinelas nos aposentos, a nova maneira de decifrar os nomes, a aplicação dos quatro Elementos às Sentinelas e o uso das Chaves Angélicas para convocar os anjos das Sentinelas – são as mesmas coisas que fazem da Golden Dawn Neo-Enoquiana uma tradição completamente diferente da original de Dee. Além disso, a Ordem concebeu um sistema profundamente complexo para aplicar suas próprias correspondências a cada praça da Torre de Vigia, juntamente com seus próprios rituais de trabalho com os anjos.

Durante os próximos cem anos, a Alvorada Dourada teria o maior impacto no renascimento do ocultismo moderno e, assim, seu sistema Neo-Enoquiano se tornaria o padrão comum. Cada pedaço deste sistema é exclusivo da tradição da Golden Dawn, embora muitos estudantes modernos acreditem erroneamente que parte dele se originou com Dee. Eles não sabem que existe um sistema de magia maior – e até mesmo completo – encontrado em toda a coleção de periódicos espirituais de Dee. Mesmo aqueles que estão conscientes de que existe mais material de Dee, muitas vezes não entendem as diferenças fundamentais entre a magia de Dee e o que foi posteriormente ensinado pela Golden Dawn.

O Renascimento de Dee

No final dos anos 90, o advento da Internet trouxe uma nova era de pesquisa e comunicação entre os estudiosos. Até aquele momento, o material de Dee tinha sido considerado muito obscuro e difícil de entender. Poucos tiveram a coragem de enfrentar o material sozinhos. Agora, porém, os estudiosos de Dee e praticantes do enoquiano de todo o mundo podiam finalmente reunir seus recursos. Ao longo de cerca de uma década, os diários de Dee foram totalmente examinados e seu obscuro sistema mágico finalmente se uniu novamente. Finalmente, o estudo purista de Dee do enoquiano veio a existir mais de cem anos após a recensão da Golden Dawn ter se tornado padrão.

Hoje, não é raro ver a Magia Enoquiana de Dee ser discutida ao lado da Magia Enoquiana da Golden Dawn como se fossem a mesma coisa. De fato, algumas misturas estão ocorrendo – quase sempre por parte dos magos da Golden Dawn – que tomam emprestados mais elementos dos diários de Dee (como suas ferramentas angélicas de convocação) e aplicando-os a seus rituais Neo-Enoquianos. Você provavelmente não encontrará tais magos mudando as direções ou associações dos Elementais das Torres de Vigia de volta aos originais de Dee, nem é provável que eles removam as Chaves Angélicas de suas invocações da Torre de Vigia. Tais mudanças removeriam o sistema enoquiano da cosmologia da Golden Dawn que tais praticantes adotaram.

Os puristas de Dee, por outro lado, são muito menos propensos a adotar qualquer aspecto do material Enoquiano da Golden Dawn em seu estudo ou prática da magia. Novamente, adotar tais mudanças seria remover o sistema da cosmologia renascentista que eles conhecem. Eles seguem o que está delineado nos diários de Dee, bem como o que está descrito nos grimórios que Dee consultou em seu trabalho (como o Arbatel da Magia, os Três Livros de Filosofia Oculta de Agrippa, o Lemegeton, etc.).

O erro habitual dos puristas de Dee não está em entender mal a magia (ou entendê-la apenas em parte), mas em assumir que a versão da Golden Dawn está de alguma forma “errada”. Embora seja verdade que o sistema Neo-Enoquiano foi criado a partir de uma visão incompleta do material de Dee, isso não o torna inerentemente incorreto. Pelo menos, não mais que o material egípcio da Golden Dawn está incorreto, ou sua Cabala, ou sua Alquimia, etc. Em todos estes casos, a Ordem adotou aspectos de sistemas mais antigos em sua própria estrutura única, criando algo novo no processo. Nenhum deles é puro exemplo dos originais, mas todos eles se encaixam no contexto maior da própria tradição Golden Dawn. O sistema Neo-Enoquiano é “correto” de dentro da Golden Dawn (e aqueles que seguiram seus passos, como Thelema, Wicca, e outros).

Mas, então, o sistema dos puristas de Dee também é correto, pois é um reflexo preciso do que o próprio homem registrou. Nos últimos vinte anos, muito trabalho tem sido feito para decifrar e restaurar o sistema de Dee. Muito esforço foi feito para compreender a linguagem angélica, o Livro do Discurso de Deus, as várias hierarquias de anjos e os métodos mágicos que Dee registrou.

Este novo material só está começando a chegar à comunidade ocultista através de fóruns, blogs e livros publicados. E os estudantes só agora estão começando a tomar consciência das diferenças entre as duas tradições da magia enoquiana (ou, na verdade, que existem de fato duas tradições diferentes). Pela primeira vez em mais de cem anos, material genuinamente novo (ainda mais antigo) enoquiano está se tornando disponível para os estudantes, com mais no horizonte. Sem dúvida, este é um momento emocionante no âmbito do estudo e da prática enoquiana.

Zorge, [Amigavelmente, na língua enoquiana]

Aaron Leitch.

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Fonte: LEITCH, Aaron. What is Enochian Magick? (The Two Mystical Traditions of Enoch the Prophet). The Lllewellyn’s Journal, 2012. Disponível em: <https://www.llewellyn.com/journal/article/2321>. Acesso em 9 de março de 2022.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.


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Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/o-que-e-a-magia-enoquiana-as-duas-tradicoes-misticas-sobre-enoque-o-profeta/