As origens do culto de Cosme e Damião

Júlio Cesar Tavares Dias
juliocesartdias@hotmail.com

“Aqui queremos lembrar
Dois Dois a biografia
Pouco vamos encontrar
Porque pouco se escrevia
O que pude pesquisar
Só resolvi publicar
Porque muitos me pediam”
– Frei Urbano de Souza (1991, p. 7)

Nós compartilhamos o sentimento de Frei Urbano de Souza expresso nos seus versos de cordel que vêm à epígrafe deste artigo. No Brasil existe a prática de distribuir balas e doces como pagamento de promessas aos Santos Cosme e Damião, padroeiros das crianças. Em 2010, quando resolvemos escrever sobre este tema (Dias, 2010), frisávamos que o modo de distribuir o doce de Cosme e Damião vem sofrendo mudanças devido à recusa dos evangélicos em receber o doce. Mas, além do fato de que Cosme e Damião foram sincretizados no Brasil com os Ibeji e que os evangélicos rejeitavam o doce justamente por conta desse sincretismo, praticamente nada sabíamos sobre essa devoção e suas origens. Pesquisar as origens do culto desses santos é encarado por nós, então, como um desafio.

Celeno de Figueiredo (1953, p. 5), na introdução de sua obra, afirma que escrever sobre os santos gêmeos é um desejo da mocidade, não realizado há mais tempo, “em virtude da inegável escassez de literatura”. Acreditamos que, ainda hoje, embora passadas décadas desde o seu trabalho, há escassa biografia sobre esse tema em relação à força que essa devoção continua demonstrando no Brasil.

O culto aos santos

Como sabemos, nos inícios do cristianismo, o termo “santo” (que significa separado) era usado de forma geral para se referir aos cristãos. Para se verificar isso basta dar uma olhada rápida nas saudações das epístolas (BÍBLIA, 1993, 1 Coríntios 1: 2 e Efésios 1: 1, e. g.). Com o tempo, esse termo passou a designar as pessoas na comunidade cristã dignas de admiração por alguma virtude ou feito particular. O problema, como coloca Bárbara Lucas (1969, p. 417), ocorre porque “com o tempo, grande número de lendas […] começou a envolver alguns dos santos”, como resultado disso, “a Igreja decidiu que no futuro só se deveriam aceitar como santas as pessoas que fossem formalmente declaradas como tais pelo Papa. Dá-se a isso o nome de Canonização”. O processo visa constatar se o candidato possui uma “virtude verdadeiramente heroica” (Lucas, 1969, p. 418).

As honrarias católicas dos santos e o próprio processo de canonização, a nosso ver, devem-se muito a heroização que os romanos faziam de seus entes falecidos: “tais crenças eram largamente tributárias aos usos tradicionais por meio dos quais os pagãos honravam seus defuntos e especialmente aquêles que criam promovidos à heroização” (Danieloo; Marrou, 1966, p. 320, sic).

O culto dos mártires

Luiz Mott (1994, p. 4) propõe uma tipologia dos santos adorados no Brasil Colonial: “Mártires, Clérigos e Religiosos, Santas Mulheres, concluindo com uma relação dos que tiveram a má sorte de serem considerados Falsos Santos”. A devoção a Cosme e Damião se enquadra no culto aos mártires, pois “chama-se mártir quem derrama seu sangue pela causa de Cristo” (Martins, 1954, p. 5). Claro que não só no cristianismo existem mártires, o mártir cristão seria caracterizado por uma atitude especial ao enfrentar o martírio. Mondoni (2001, p. 56) procede à caracterização do mártir cristão:

[…] não procurava o perigo, mas quanto possível o evitava, […] enfrenta a morte não como cortejo triunfal, mas numa via solitária e em pleno abandono […]; sua fortaleza aparecia não do desejo do sofrimento, mas da serenidade com que ia ao encontro do fim inevitável.

Para o estudo da vida dos mártires, podemos contar com os seguintes documentos: Acta, Passio, Gesta (narrações posteriores às perseguições com justaposição de elementos históricos e lendários) (Mondoni, 2001, p. 56). São critérios para historicidade de um mártir: testemunho direto (Acta, Passio3), inscrição tumular com o qualificativo ‘mártir’, traços seguros de um antigo culto (basílica, cemiterial), menção nos antigos martirológios (Mondoni, 2001, p. 56-57).

Martirológio era, basicamente, “um fichário ou catálogo daqueles que com, com sangue, abonaram o testemunho de sua fé em Cristo. Os antigos martirológios constituíam uma espécie de calendário litúrgico” (Martins, 1954, p. 5). O Martirológio Romano consiste da junção dos vários martirológios regionais, sendo considerado definitivo o texto de Barônio, que depois foi muitas vezes revisto, corrigido e ampliado, tendo sido atualizado pela última vez em 1922, por ordem de Bento XV. Ele é um dos livros litúrgicos oficias da igreja, os quais são, a saber: Missal, Breviário, Ritual Pontifical, Cerimonial e Martirológio.

Claro que no Martirológio Romano “Alguns dados são passíveis de revisão histórica […]. A Santa Igreja desde muito procura escoimá-lo de erros e inexatidões históricas” (Martins, 1954, p. 6). Aliás, “A Igreja é a primeira a querer a verdade histórica. Mas convenhamos. Corrigir não é arrasar, sem mais nem menos, textos venerandos” (Martins, 1954, p. 7).

Foxe4 (2005, p. 13) lembra que ao fundar sua igreja Cristo deixou claro que haveria perseguição, mas que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. Assim deve-se ler a história dos mártires como “proveito do leitor e da edificação da fé cristã” (Foxe, 2005, p. 14). Para esse autor:

As causas de tanta perseguição aos Cristãos por parte dos imperadores romanos foram principalmente estas: o medo e o ódio. Primeiro o medo, porque os imperadores e o senado, por ignorância cega, […] temiam e desconfiavam que ele (Cristo) pudesse subverter o seu império. Por isso buscaram todos os meios possíveis […] para extirpar totalmente o nome e a memória dos cristãos. Em segundo lugar, o ódio em parte porque este mundo […] sempre odiou e tratou com maldade o povo de Deus […] Em parte, porque os cristãos, tendo uma natureza e uma religião contrária às dos imperadores […] desprezavam os seus falsos deuses […] e muitas vezes detiveram o poder de Satanás que agia nos seus líderes […]. Por isso, Satanás […] instigou os príncipes romanos e os idólatras cegos a nutrir contra eles um ódio e despeito cada vez maiores (Foxe, 2005, p. 25)

O mais seguro documento acerca de um mártir são as atas: “Para nosso objeto é importante notar uma formalidade que não faltava em nenhum processo: as atas”5 (Bueno, 2003, p. 136, tradução livre). Convém-nos aqui esclarecer, portanto, de que se constitui esse documento:

“As atas dos mártires não são outra coisa que a transcrição exata, ou pouco menor, dos processos verbais redigidos pelos pagãos e conservados nos arquivos oficiais, transcrição que os cristãos recuperavam por diversos meios, por exemplo, a compra a os agentes do tribunal”6 (Bueno, 2003, p. 136, tradução livre).

Essas atas eram obtidas pelas comunidades cristãs através da compra. Mas uma ata, claro, como tudo que é valioso, “era objeto de engano e falsificação”7 (Bueno, 2003, p. 137, tradução livre).

Para Danieloo e Marrou (1966, p. 320), “não resta dúvida que já se conhecia [o culto aos mártires] […] desde o final do segundo século, e de alguma forma se oficializara na Igreja Cristã”, mas sublinham que no quarto século “O fato mais considerável é o desenvolvimento realmente exuberante do culto dos mártires”, desenvolvimento motivado pelo fim das grandes perseguições e pela paz constantiniana.

O arquétipo dos gêmeos

Divindades duplas, gêmeas ou não, aparecem na cultura e na literatura de muitos povos da Antiguidade: Castor e Polux entre os gregos, Osíris e Seth no Egito, Rômulo e Remo em Roma, Vishnu e Lakshmi, na Índia (cf. Araújo, 2010, p. 1); “estes seres costumam ser divindades benfeitoras” (Cirlot, 1984, p. 274). Aliás, “todos os heróis gêmeos da cultura indo-européia são benéficos” (Chevalier, 1997, p. 466). No Candomblé também existe o orixá Ibeji, “representado pelos gêmeos na África, sendo estes sagrados” (Cacciatore, 1988, p. 141), com quem Cosme e Damião foram sincretizados. Ibeji8 significa gêmeos, sendo o orixá Ibeji, o único permanentemente duplo.

Então, Cosme e Damião seriam mais uma manifestação do arquétipo dos gêmeos, presente “na maioria de tradições primitivas e de mitologias relativas às altas culturas” (Cirlot, 1984, p. 273), o que haveria permitido seu sincretismo com os Ibeji. Isso nos levaria a pensar o sincretismo, como fez Pedro Iwashita (1991), a partir de conceitos jungianos. Mais exatamente a partir da psicologia dos arquétipos. Isso significa que foi possível o sincretismo entre os santos e orixás, por serem equivalentes “para a experiência humana, no seu sentido profundo e existencial” (Iwashita, 1991, p. 247). Assim, perguntar pelas origens do culto de Cosme e Damião não significaria apenas estabelecer e fixar uma data, mas verificar a força desse arquétipo.

Para Cirlot (1984, p. 274), “O sentido simbólico mais geral dos gêmeos é que um significa a porção eterna do homem […], a alma; e o outro a porção mortal”. Isso faz muito sentido em relação a Cosme e Damião, pois se, como médicos, buscavam a cura do corpo, essas curas objetivavam a conversão, ou seja, a cura também da alma.

Essa recorrência da figura dos gêmeos em várias lendas e mitologias teria origem em personagens históricos que foram depois mitologizados? Acreditamos que possa ter tido origem em diversos personagens históricos em diversas culturas. Entendemos que a pergunta pela motivação dessa recorrência possa ser respondida não na perspectiva histórica, mas na esfera existencial. “Todas as culturas e mitologias testemunham um interesse particular pelo fenômeno dos gêmeos” (Chevalier, 1997, p. 465). O nascimento de gêmeos envolvia um mistério que causava espanto nos povos antigos.

A Vida de Cosme e Damião

Cosme e Damião são santos católicos que foram médicos9 e, por isso, são tidos como protetores das crianças. Eles teriam exercido a medicina sem nunca cobrar nada, por isso são chamados de “anargiros”, ou seja, que não são comprados por dinheiro. Conforme Figueiredo (1953, p. 7), teriam conhecido o cristianismo através de sua mãe Teódota, que os criou na fé cristã. Nos livros litúrgicos ocidentais10 sua festa foi fixada a 27 de setembro11. Uma reforma litúrgica no ano de 1969 moveu sua comemoração para o dia 26 de setembro, contudo o povo mantém a devoção no dia 27. O padre Michelino Roberto explica que “pelo calendário oficial da igreja, a festa é celebrada no dia 26. Mas o povo prefere 27, data da inauguração da basílica que o papa Félix IV mandou erguer para os dois em Roma, no ano 500” (Roberto, 2000). Na fala do padre Josevaldo, pároco da Igreja de Cosme e Damião na Liberdade, Salvador (BA), parece haver a necessidade de frisar a diferença das datas para combater o sincretismo com as religiões afro:

No candomblé, explica o padre, o dia de homenagear as crianças ou seja a falange de Ibejí é dia 27, enquanto que na igreja católica o dia de Cosme e Damião é 26. Mas, no imaginário popular ficou marcado mesmo o dia 27, explicou o padre. (Sodré, 2012).

São santos do século III cuja data de nascimento é incerta, como, aliás, vários outros aspectos de suas vidas. “Devemos, pois, contentar-nos com as poucas noticias que a seu respeito se extrahiram de varios autores de reconhecida probidade”, como lemos na obra Vidas de S. Cosme e Damião e S. Cesário, Médicos da Federação das Congregações Marianas de São Paulo (1935, p. 3, sic), na qual temos essa descrição de como eles procediam para ocorrer a cura: “começavam por fervorosa oração. Informando-se da natureza do mal, faziam sobre o enfermo o signal da cruz, e com isto, em geral, sem necessidade de remédios, […] o paciente via-se restituído a saúde” (Federação de…, 1935, p. 4, sic) . Essa obra, de cunho devocional, tem, na verdade, por pressuposto, que “As enfermidades do corpo vêm por castigo das desordens da alma”, assim, “Aplaque-se a ira de um Deus ofendido e recobrará saúde o enfermo” (Federação…, 1935, p. 6), e, assim, seu intento é o incentivo à prática da confissão.

Seus atos caridosos que eram motivo de conversões ao cristianismo “não passaram despercebidos aos inimigos da fé cristã” (Basacchi, 2003, p. 7). Denunciados pelo procônsul Lísias, acusados de serem “inimigos dos deuses”, foram mortos por ordem do imperador Diocleciano por não se curvarem diante dos deuses pagãos. Uma tradição diz que foram alvejados por dardos, mas miraculosamente os dardos se desviaram deles, por isso depois foram decapitados12. “O Passio descreve-os como sendo queimados, apedrejados, serrados, e finalmente decapitados13, mas isto é pura lenda14” (Cosmas…, 1967, p. 361, tradução livre). Outra tradição conta que eles foram atirados de sobre um despenhadeiro. “Seus restos mortais, segundo consta, encontram- se em Ciro na Síria, repousando numa basílica a eles consagrada. Da Síria o seu culto alcançou Roma e dali se espalhou por toda a Igreja do Ocidente” (Cosme…, 2013, s/p). Depois, no século VI, uma parte das Relíquias foi levada a Roma e está na igreja que adotou seus nomes. “Outra parte foi guardada no altar-mor da igreja de São Miguel, em Munique, na Baviera” (Encyclopedia…, 1997, p. 449).

Embora muitas lendas tenham sido agregadas a história de seu martírio, podemos acreditar que tenham realmente sofrido muitas torturas15, conforme afirma Foxe (2005, p. 26):

Os tiranos […] não se contentavam apenas com a morte […]. Tudo o que a crueldade da invenção do homem pudesse conceber para castigar o corpo humano era posto em prática contra os cristãos […] os seus corpos eram amontoados e junto a eles deixavam cães para guardá-los a fim de que ninguém pudesse vir dar-lhes sepultura.

Mas a ênfase dada nos relatos da igreja sobre a intensidade do sofrimento por que eles passaram mostra a clara intenção de impressionar os fiéis. No Martirológio Romano (Vaticano, 1954, p. 222), sobre o dia 27 de setembro, lê-se sobre eles:

Em Egéia, o natalício dos santos irmãos mártires Cosme e Damião, que, com o auxílio de Deus, aturaram muitos tormentos, grilhões, cárceres, águas, fogueiras, cruzes, pedras, e flechas, antes de serem degolados na perseguição de Diocleciano. Conta-se que, com eles, padeceram três irmãos seus: Ântimo, Leôncio e Euprébio.

Conforme Danieloo e Marrou (1966, p. 400, 401), “Nos anos que seguem ao Concílio de Éfeso16, desenvolve-se o culto, até então estritamente local dos Santos Cosme e Damião”. Assim, o desenvolvimento dessa devoção segue o grande crescimento do culto aos mártires, ocorrido com o fim das grandes perseguições.

Conforme a historiadora Ignez Aquiar o culto aos irmãos foi introduzido no catolicismo pelo papa São Félix que mandou trazer os corpos dos santos para Roma, colocando-os no cemitério da igreja de Santa Cecília, dando início à veneração dos santos na Itália e por toda a Europa. A fé dos devotos nos santos gêmeos era tanta, que apareceu uma relíquia curadora – o óleo de São Cosme e Damião, cuja distribuição nas igrejas católicas predominou até 1780. Como ritual para curar-se, […] o doente ia à igreja, expunha a parte afetada diante da imagem junto ao altar dos santos, uma rezadeira esfregava o óleo no local doente, rezando: Per intencessionem beati Cosmi, liberetabomni malo. Amém, destaca a pesquisadora. (Aquiar apud Pernambuco…, 2011, s/p).

O óleo também serviria para dar filhos a mulheres estéreis (Basacchi, 2003, p.8

O culto na Europa e a Basílica de Cosme e Damião em Roma

Ainda que seja difícil precisar uma data de início do culto, “Sabemos que o culto aos dois irmãos é muito antigo, pois no século V já existiam escritos sobre eles” (Basacchi, 2003, p. 8). Conforme o Dicionário Patrístico (Di Berardino, 2002, p. 347), “Teodoreto de Ciro (458 d. C.) é o primeiro a falar do culto dos santos ‘anárgiros’, culto prestado na cidade sede de seu episcopado”, conforme ele menciona em uma carta, havia, em 434, um local dedicado aos santos em Ciro, no norte da Síria (Harrold, 2007, 28). Harrold (2007, p. 26, tradução livre) considera que:

Sem nenhuma prova histórica dos verdadeiros santos denominados Cosme e Damião, as origens do culto são impossíveis de identificar com absoluta certeza, mas um quadro pode ser construído da evidência proveniente pelas notações litúrgicas, documentos históricos e os primeiros lugares de adoração e as coleções associadas de milagres. Além disso, o rápido alastramento do culto popular obscureceu suas origens17.

A primeira data disponível aos hagiógrafos é, portanto, uma omissão (Harrold, 2007, p. 27). Mas sabe-se que “os santos doutores eram certamente conhecidos bem o bastante no início do século quinto para um santuário ter sido construído em honra deles18” (Harrold, 2007, p. 28, tradução livre). A autora segue citando várias construções feitas aos gêmeos e, então, levanta uma hipótese:

[…] dentre estas primeiras dedicações é possível levantar a hipótese de um ponto geográfico inicial para o culto […] há alguma evidência apoiando a crença na existência da tumba dos dois na região de Ciro, no norte da Síria de uma data antiga”19 (Harrold, 2007, p. 30, tradução livre).

Daí, a “adoção dos santos em muitos lugares seguiu rapidamente. Por exemplo, por meados do século V, ao mínimo duas igrejas dedicadas aos SS. Cosme e Damião tinham sido erguidas em Constantinopla20” (Harrold, 2007, p. 28, tradução livre).

Porém, como se sabe, há uma basílica que o “papa Félix IV mandou construir em honra deles no Foro Romano […]. Da Síria o seu culto alcançou Roma e dali se espalhou por toda a Igreja do Ocidente”, sendo que com a “meta mais de turistas que de devotos, pelo esplêndido mosaico que lhe decora a abside” (Cosme…, 2013, s/p). Assim, a Basílica de SS. Cosme e Damião em Roma21 é importante para o estudo do desenvolvimento e expansão da devoção. Teodorico, o Grande, rei dos Ostrogodos e a sua filha Amalasunta, doou ao papa Félix IV, em 527 d. C., a biblioteca do Templo da Paz (Bibliotheca Pacis) e também uma parte do Templo de Rómulo. Félix IV uniu os dois edifícios e criou a basílica dedicada aos dois santos gregos Cosme e Damião, um contraste ao culto pagão a Castor e Pólux, outrora adorados num templo situado no Fórum Romano (Basilica…, s/d)22. A fundação da igreja está descrita no LiberPontificalis:

“Aqui ele erigiu a basílica dos Santos Cosme e Damião no lugar chamado Via Sacra, perto do templo da cidade de Roma”(apud Harrold, 2007, 34, tradução livre)23.

Como coloca Harrold (2007, p. 34, 35), não se sabe as razões exatas porque essa igreja foi construída nessa área, mas podem-se levantar algumas especulações. Aliás, a área em que foi construída a Basílica não era populosa. No começo do quinto século mostrava-se interesse pelos santos orientais (uma igreja à Santa Anastácia é dedicada também nessa época). Acreditamos que é bom o argumento de que a igreja intencionava competir e combater cultos pagãos de cura que ocorriam na mesma área. “A locação da igreja, no lado oposto do fórum para os centros devocionais dedicados a Dioscuri e Asclépio, pode ter intentado providenciar uma alternativa cristã a  estes lugares” 24 (Harrold, 2007, p. 35, tradução livre).

O culto de Cosme e Damião em Portugal

Augusto da Silva Carvalho, em 1928, escreveu O Culto de Cosme e Damião em Portugal e no Brasil – História das Sociedades Médicas Portuguesas. Segundo ele, a devoção a esses santos em Portugal está muito  ligada ao  fato das confrarias se constituírem naquele país principalmente reunindo pessoas de uma mesma profissão em volta de um santo protetor. A escolha pelos médicos dos santos Cosme e Damião como patronos entre tantos outros santos médicos (Carvalho faz uma longa lista) deve-se ao fato de que eles, além de terem sido médicos, foram santos. Por isso, para Carvalho, acompanhar essa devoção em Portugal termina por desembocar em falar da história das sociedades médicas.

Conforme Carvalho (1928, p. 3), “Nos séc. XII e XIII o culto dos dois santos espalhou-se pela Europa Central e Ocidental”. Como padroeiros dos médicos, nota-se que o prestígio da medicina e dos santos estão relacionados. Carvalho (1928, p. 7) nota que “Na Itália o culto dos dois irmãos foi muito extenso”, extensão relacionada “a alta consideração que na Itália tinham pelos médicos”. Assim, a manutenção do culto dos santos e crescimento por obra de confrarias não é algo peculiar ao país lusitano.

Por serem padroeiros dos médicos, um dos materiais para pesquisa dessa devoção em Portugal é um tanto inusitado: os livros de medicina. “Nos livros de medicina publicados em Portugal encontram-se muitas referências aos patronos dos médicos e algumas vezes até esses livros lhes foram dedicados” (Carvalho, 1928, p. 17). Contudo, estudar em Portugal esse culto a partir da devoção às relíquias não é tão promissor porque Portugal é “muito pobre em relíquias dos dois santos” (Carvalho, 1928, p. 15).

Conforme Carvalho (1928, p. 9), “Em Portugal o culto dos dois santos data dos primeiros tempos da monarquia, ou melhor, começou antes da constituição do nosso reino”. Vestígios disso são quadros, monumentos e documentos, incluindo testamentos onde o falecido deixava alguma imagem de santos para um herdeiro. Devoção realmente muito antiga, já em 568, numa freguesia de Azar ou Azere, “no actual concelho dos Arcos de Val houve um mosteiro de frades bentos dedicado a Cosme e Damião” (Carvalho, 1928, p. 21, sic). Em Portugal também “Foi uso em tempos dar a gémeos os nomes dos dois santos” (Carvalho, 1928, p. 17), uso que continua no Brasil. Parece mesmo que os pais portugueses destinavam os filhos à medicina desde o berço dando-lhes o nome desses santos, e “Algumas vezes os médicos e cirurgiões escolhiam para seus filhos os mesmos nomes” (Carvalho, 1928, p. 18), demonstrando não só sua devoção aos santos, mas o desejo de que os filhos seguissem na mesma devoção. Assim, uma família de médicos seria também uma família de devotos.

No entanto, a veneração dos patronos dos médicos não é encontrada somente nos grandes centros, onde haveria concentração tanto de médicos como dos cursos de medicina, mas também “nas mais humildes aldeias, em tôscas e pobres capelas, onde os oragos são representados por ingénuas imagens, em que os sapateiros de província consubstanciaram as lendas e tradições do povo humilde daqueles lugarejos” (Carvalho, 1928, p. 20, sic). Assim, outros profissionais responsáveis pela popularidade dos santos são os sapateiros, que se não têm o mesmo prestígio que os médicos estão mais próximos do povo das aldeias do que aqueles.

Carvalho segue em seu livro listando várias localidades, pequenas aldeias, com nomes dos gêmeos ou nomes derivados dos deles (Cosmode, por exemplo), assim, ele nos mostra que a toponomia e a antroponomia são estudos importantes para acompanhar a expansão da devoção, o que serve certamente também para o caso brasileiro. Aliás, “No Brasil ha várias localidades com o nome dos dois mártires” e “Nos nomes de homens tambêm se encontra vestígio do culto dos mesmos santos” (Carvalho, 1928, p. 54, sic).

A origem do culto de Cosme e Damião em Igarassu e no Brasil

Como sabemos o catolicismo brasileiro é santorial, a ponto de que em “certas casas mais devotas, podemos encontrar folhetos de cordel, quadros ou até imagens reproduzindo a figura de alguns destes santos mais populares” (Mott 1994, p. 3). E catolicismo santeiro brasileiro tem suas origens na religiosidade ibérica, pois “Portugal e Espanha costumavam disputar entre si para saber qual dos reinos ostentava o maior número de santos e beatos reconhecidos” (Mott, 1994, p. 4). Assim, é um tanto natural que a devoção aos santos gêmeos, trazida pelos portugueses, tenha se fixado e se expandido em solo brasileiro.

A Matriz dos Santos Cosme e Damião de Igarassu25, Pernambuco, de 1535, “considerada uma das principais relíquias da arte colonial brasileira” (Basacchi, 2003, p. 9), é a igreja mais antiga26 do Brasil ainda em atividade.

No dia 27 de setembro de 1530, dia dos Santos Cosme e Damião, com a expulsão dos índios, pelos portugueses, das terras margeantes ao Rio Igarassu, inicia-se o processo de ocupação de Pernambuco. A Construção da Vila de Igarassu é, assim, a marca original da cultura portuguesa nesta região do país. (Programa…, 1979, p. 15).

As despesas para sua edificação correram por conta do Capitão Afonso Gonçalves, que, em carta ao rei de Portugal, datada de 10 de maio de 1548, diz textualmente: “Senhor eu quisera os dízimos desta igreja para os gastar nela e em coisas necessárias para o culto divino e ornamentos, pois sou fundador dela e a fiz à minha custa própria” (Pereira da Costa, 1983, p. 248, 249).

A capela primitiva, provavelmente em taipa, ruiu por volta de 1590/94, segundo informação contida no livro “Primeira Visitação do Santo Ofício: Denunciações e Confissões de Pernambuco”. No mesmo sítio e obedecendo a um alvará real datado de 11 de novembro de 1595, foi construída entre 1595/97, uma nova capela, desta vez de pedra e cal. Hoje, após processo de restauração iniciado em 1958, a igreja recuperou suas características primitivas (Prefeitura de Igarassu, 2010, p. 9).

O professor C. Smith, titular da Cadeira de História da Arte na Universidade da Pensilvânia, nos informa: “A igreja paroquial dos Santos Cosme e Damião, fundada em 1535, foi ampliada no século XVIII por ter sido considerada como a mais antiga do Brasil e o dinheiro usado proveio dos cofres reais” (Biblioteca…, 2011, p. 14). Nos Anais Pernambucanos lemos acerca da conquista dessa terra e acerca dessa igreja:

Dêste porto dos marcos, escreve Jaboatão, saiu Duarte Coelho, e deixando esse braço do rio que cerca a ilha de Itamaracá pelo poente e buscando outra vez o mesmo rio para o sul pouco mais de uma légua, navegando por êle acima duas ao mesmo poente ou meio dia, deram fundo e saltaram em terra, não sem grande oposição do gentio, que no alto, à margem daquele porto tinha uma mui forte e abastada aldeia, que depois de larga resistência, combates e pelejas, foram vencidos e afugentados os seus habitadores. Foi a última vitória a vinte e sete de setembro, dia dos gloriosos mártires Santos Cosme e Damião, e a sua memória consagraram logo aquêle lugar, levantando nêle igreja sua e dando princípio a uma povoação, que depois passou a vila com os nomes dos santos mártires, e foi a primeira da capitania de Pernambuco. […] Aquela igreja, com a invocação dos referidos santos, já estava construída em 1548, como se vê de uma carta de Afonso Sanches, seu fundador, dirigida ao rei a 10 de maio daquele ano, e teve depois a categoria de matriz com a criação da paróquia de Igarassu, em época porém desconhecida; mas como se vê da Informação da Província do Brasil, do Padre José de Anchieta, escrita em 1585, já então estava ereta e canônicamente provida […].(Pereira da Costa, 1983, p. 170-176, sic).

Num dos painéis27 da igreja28 retratando a vitória sobre os índios caetés lê-se:

Vencidos os índios pelos Portuguezes em o dia dos Santos Cosme e Damião, em reconhecimento de tão grande benefício, no mesmo lugar da vitória, que he este de Iguaraçú, fundarão logo este templo, o primeiro que houve em Pernambuco, e o consagrarão aos gloriosos Santos, d’onde forão sempre continuas suas victorias e maravilhas, e debaixo da proteção dos mesmos Santos fundarão esta villa, que também foi a primeira que houve (Igreja…, 1729, s/p, sic).

Augusto da Silva Carvalho (1928), porém, no seu O Culto de S. Cosme e S. Damião em Portugal e no Brasil, não faz nenhuma referência a essa igreja, o que é uma grande falha em sua pesquisa, que a respeito do culto desses santos em Portugal é tão rica de detalhes. Uma das riquezas da obra de Carvalho, no entanto, sobre essa devoção no Brasil, é recuperar a memória da existência de confrarias dedicadas aos gêmeos. Conforme ele, as confrarias “constituíram-se e mantiveram-se durante muito tempo com a designação do santo patrono de cada profissão” (Carvalho, 1928, p. 1).

A escolha dos santos gêmeos para serem os patronos dos médicos no meio de tantos santos que também se dedicaram a medicina (entre os quais S. Lucas, evangelista) explica- se por serem eles mártires. Por extensão, se tornaram santos de todos profissionais da área da saúde. Interessante terem sido tomados também como padroeiros dos sapateiros. Jaime Sodré, em vídeo a TVE Bahia, explica que isso se deve a eles, como médicos, terem feito botas de funções ortopédicas (na azulejaria portuguesa do interior da capela do Convento de Santo Antônio em Igarassu, há a figura deles cuidando da perna de um homem usando desse artifício). Acreditamos que também se deva a associação feita entre Cosme e Damião e Crispim e Crispiniano29, mártires também do século III, patronos dos sapateiros devido a um trocadilho feito entre seus nomes e a palavra grega para sapatos (Di Berardino, 2002, p. 358).

Diferente de Portugal, no Brasil não perecia ter havido confrarias dedicadas a Cosme e Damião, já que o autor não encontrara memória30 delas na população que investigara; “no entanto existem documentos que provam sua existência” (Carvalho, 1928, p. 56). Trata-se dos documentos do Santo Ofício referentes a Manuel Mendes Morforte e Francisco de Siqueira Machado. O primeiro veio à baía em 1698, e lá se tornou irmão da Confraria de S. Cosme e S. Damião e mandou dourar o retábulo da capela desses santos. O segundo, cristão novo, natural do Rio de Janeiro, para provar sua crença na religião católica, lembra, durante o interrogatório, que quando no Rio de Janeiro estava quase extinta a irmandade dos gêmeos, ele que se esforçou para que ela se restabelecesse (Carvalho, 1928, p. 56,57). Em entrevista, o professor Jorge Barreto, diretor do Museu Histórico de Igarassu, afirmou-nos haver nas dependências do Museu, onde funciona o Departamento de Pesquisa Histórica, uma prestação de contas, datada de 1854, da Irmandade de São Cosme e Damião, já dando sinais de falência. Segundo ele, a Irmandade não alcançou a República31.

No Rio de Janeiro32 pareceria “haver uma devoção por estes santos na Igreja de Gonçalo Garcia e S. Jorge, sita na Praça da República. Mas noutros estados a devoção é mais viva e sobretudo na população portuguesa é conservada como grande amor” (Carvalho, 1928, p. 57). É na Bahia, contudo, onde a devoção é mais intensa, onde “não ha casa de gente do povo que não tenha as imagens dos santos, muito tóscas e ingénuas” (Carvalho, 1928, p. 58, sic). Em Salvador, a devoção aparece ligada ao candomblé, onde se distribui o caruru, iguaria feita de quiabo e camarão. Como explica o professor Jaime Sodré (apud Caruru…, 2012), por serem vistos como meninos nas religiões afro, Cosme e Damião têm uma ligação muito especial com os orixás, pois “não tem orixá que não vá ouvir o canto de um menino”. Na zona rural da Bahia, como mostra o documentário Bahia Singular e Plural (Cosme…, 2012), é comum a prática do “Lindro Amor”, quando homens e mulheres saem33 de casa em casa cantando, usando chapéus enfeitados com folhas de seda, e duas crianças à frente levando uma caixa enfeitada contendo a imagem dos santos e flores, para arrecadar donativos (dinheiro, mantimentos, velas…) para fazer a festa.

Como frisamos, a devoção foi trazida ao Brasil de Portugal, onde em muitas de suas localidades “os santos eram invocados para proteger os que faziam longas viagens”, como a devoção aqui chegou “pelos que os tinham como patronos dos navegantes […] o seu culto se radicou sobretudo na beira-mar” (Carvalho, 1928, p. 58). Devoção trazida pelos portugueses e que se espalhou pelo litoral, depois se interiorizou com o garimpo. Os negros eram a grande “máquina” produtiva do garimpo, e, reduzidos a “coisa”, tinham que – como forma de resistência cultural – “sincretizar seus orixás com os santos católicos que lhe foram impostos” (Araújo, 2010, p. 2). Sincretismo esse que perdurou até os dias de hoje, fazendo parte da religiosidade popular do povo brasileiro.

Conclusão

Como no início deste texto, gostaríamos de novamente lembrar a literatura de cordel do Frei Urbano de Souza (1991, p. 23):

É religiosidade
De roupagem popular
Espiritualidade
Com certeza aí está
Toda a criatividade
De nossa modernidade
Muito tem a escutar

O que achamos importante destacar, ao chegar agora ao final desse texto, é que a devoção a Cosme e Damião, tão antiga, como mostramos, no Brasil ainda permanece viva, principalmente na religiosidade popular.

Notas:

Notas:

1 Texto referente a uma comunicação apresentada na 2ª Semana de Ciência da Religião da UFJF realizada entre os dias 16 e 19 de setembro de 2013.

2 Doutorando em Ciência da Religião pela UFJF. Bolsista CNPq

3 Interessante que Acta e Passio sejam atribuídos como os “verdadeiros” nomes de Cosme e Damião.

4 Foxe escreve de dentro do seio protestante, assim, é claro que ele assume o pensamento de o protestantismo é o verdadeiro herdeiro da fé dos mártires, por isso, ele inclui no seu “livro dos mártires” nomes como os de William Tyndale, John Wyclif e John Huss.

5“Para nuestro objeto es importante notar uma formalidade que no faltaba em ningún processo: las actas”.

6 “Las actas de los mártires no son otra cosa que la transcripcion exacta, o poco menor, de los procesos verbales redactados por los paganos y conservados em los archivos oficiales, transcripción que los cristianos reprocuraban por diversos médios, por ejemplo, la compra a los agentes del tribunal”

7“era objeto de trampa e falsificación”

8 Conforme Cacciatore (1988, p. 141) o termo advém do iorubá: “ìbi” – parto; “èji” – dois. A Enciclopédia Barsa (Encyclopedia…, 1997, p. 449) informa que “No Rio Grande do Sul, os Ibejis são denominados Beifes”.

9 Conforme Figueiredo (1953, p. 8), eles se dedicaram a curar não apenas os homens, mas também os animais.

10 Estes são “O Liberorationum visigodo, dos inícios do séc. VIII, o sacramentário Leonino, o Gregoriano de Pádua, o Calendário de Nápoles” (Di Berardino, 2002, p. 347).

11 Já “O sinaxário de Constantinopla contém a 1º de julho três pares de santos homônimos”, ao passo que numa paixão grega sua data aparece como 25 de novembro (Di Berardino, 2002, p. 347).

12 Na imaginação do poeta Frei Urbano de Souza (1991, p. 18), eles morreram abraçados: “Eles então se abraçam/ No auge da santidade/ A Deus do céu adoraram/ Em espírito e em verdade”. Lembrando a clássica distinção aristotélica entre poesia e história, como poeta, ele tem o direito de cantar o que poderia ter sido, diferente do historiador, que tem o dever de contar o que foi.

13 Um dos milagres dos santos doutores teria sido que após serem decapitados, a cabeça deles voltou a se encaixar sobre o pescoço. Esse milagre seria para gente “não perder a cabeça”, ou seja, não perder o juízo.

14 “The Passio describes them as being burnt, stoned, sawed, and finally decapitated, but it is pure legend”

15 Harrold (2007, p. 26) propõe dividir o estudo sobre esses santos entre a tradição latina e bizantina, conforme Harrold (2007, p. 28), no Ocidente desenvolveram-se menos lendas do que na tradição do Oriente.

16 O Primeiro Concílio de Éfeso foi realizado em 431 na Igreja de Maria em Éfeso, na Ásia Menor. Foi convocado pelo imperador Teodósio II e debateu sobre os ensinamentos cristológicos e mariológicos.

17“With no historical proof of actual saints named Cosmas and Damian, the beginnings of the cult are impossible to identify with absolute certainty, but a picture can be built up from the evidence provided by liturgical notices, historical documents and the earliest locations of worship and associated collections of miracles. The rapid spread of the popular cult further obscured its origins”.

18 “doctor saints were certainly known well enough by the early fifth century for a sanctuary to have been built in their honour”

19 “From amongst these early dedications it is possible to hypothesize a geographic starting point for the cult (…) there is quite a bit of evidence supporting the belief in the existence of the tomb of the saints in the region of Cyrrhus in northern Syria from an early date”.

20“The adoption of the saints in many places quickly followed. For example by the mid fifth century at least two churches dedicated to SS. CosmasandDamianhadbeenbuilt in Constantinople.”

21                       Há                       várias                       imagens                          disponíveis         em:

<http://www.franciscanfriarstor.com/archive/theorder/Basilica/index.htm>. Acesso em 21 nov. 2014.

22 As pinturas e o texto desta página da internet são a reprodução permitida do livro The Basilica of Santi Cosma e Damiano e é propriedade da FranciscanFriars.

23″Hic fecit basilicam sanctorum Cosmae et Damiani in urbe Roma, in loco qui appellatur II Via Sacra, iuxta templum urbis Romae.”

24“The location of the church, on the opposite side of the forum to devotional centres dedicated to the Dioscuri and Asklepios, could have been intended to provide a Christian alternative to these places”

25 “A localidade que recebeu o nome de Igarassu, corruptela de Ygara-açu, barco grande, navio, canoa grande, originário dos índios, vem do fato, como escreve Teodoro Sampaio, de ser o porto, desde os primeiros anos da colônia, visitado por barcos que o atingiam com o percurso da maré” (Silva; Alheiros, 1986, p. 10).

26 Silva (2011) haverá de negar essa afirmação advogando em favor da Igreja de Nossa Senhora do Monte em Olinda.

25 “A localidade que recebeu o nome de Igarassu, corruptela de Ygara-açu, barco grande, navio, canoa grande, originário dos índios, vem do fato, como escreve Teodoro Sampaio, de ser o porto, desde os primeiros anos da colônia, visitado por barcos que o atingiam com o percurso da maré” (Silva; Alheiros, 1986, p. 10).

26 Silva (2011) haverá de negar essa afirmação advogando em favor da Igreja de Nossa Senhora do Monte em Olinda.

27 São quatro painéis, todos de 1729: o primeiro retrata vitória sobre os índios caetés, marco da fundação da cidade; o segundo, a construção da Igreja; o terceiro, a invasão e saque de Igarassu pelos holandeses, (ocorrida em 1632, os holandeses ao terem tentado saquear as telhas do telhado da Igreja de Cosme e Damião, teriam sido surpreendidos pela aparição dos santos numa nuvem e, pelo esplendor dos santos, caíram cegos); o quarto painel retrata a peste de febre amarela de 1685 (Igarassu, diferente das cidades suas vizinhas, esteve ilesa a esta peste, o painel retrata várias cidades sendo invadidas pela morte – retratada como tradicionalmente com um esqueleto com uma foice, enquanto em Igarassu os santos, postos nas fronteiras, barram a entrada da morte na cidade. Esses painéis foram transferidos para o Museu Pinacoteca de Igarassu, que funciona no Convento de Santo Antônio, em 1969, para fins de melhor preservação.

28 Não é acessível a todos viajar para Igarassu para conhecer essa igreja, mas é possível “visitar” seu interior         virtualmente   através    de              um                        vídeo                       disponível       em:

<http://www.youtube.com/watch?v=8szLsX1HV2M>. Acesso em 21 nov. 2014.

29 Na Bahia, Crispim e Crispiniano também foram sincretizados com os Ibêjis, por isso, no dia 25 de outubro, dia desses santos, ocorre comemorações como as feitas a Cosme e Damião, porém, com menor intensidade.

30 Seria o caso de perguntarmos quais forças operaram ou contribuíram para que operasse esse esquecimento. Quais razões e circunstâncias motivaram o apagamento das reminiscências?

31 Não pude ter acesso a esse documento porque quando estive em Igarassu (19/09/2013 – 28/09/2013) para minha pesquisa de campo, o acesso ao Departamento de Pesquisa Histórica estava suspenso devido às festividades dos santos. As visitas ao museu aumentam nessa época.

32 No Rio de Janeiro, como o policiamento é feito por duplas de soldados, essas duplas ganharam do povo a alcunha de “Cosme e Damião”, gesto que foi recebido com simpatia pelos policiais, assim “os santos gêmeos tornaram-se também patronos da Polícia Civil da Guanabara” (Basacchi, 2003, p. 9).

33 Já que São Cosme e Damião são vistos como crianças, é natural que eles gostem de passear. Uma das músicas de tradição do “Lindro Amor” chama a dona da casa: “Ô minha senhora/ abra essa porta/ porque São Cosme é tradição/ é coisa nossa”. Como a caixa é levada ao interior da residência ninguém fica sabendo o valor exato que a pessoa depositou, o que evita constrangimento.

Referências

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Disponível                                                                                                         em:

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/as-origens-do-culto-de-cosme-e-damiao/

Obesidade Mental

Por João César das Neves

O prof. Andrew Oitke, catedrático de Antropologia em Harvard, publicou em 2001 o seu polêmico livro “Mental Obesity”, que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.

Nessa obra introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna. Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física decorrente de uma alimentação desregrada. É hora de refletir sobre os nossos abusos no campo da informação e do conhecimento, que parecem estar dando origem a problemas tão ou mais sérios do que a barriga proeminente. “

Segundo o autor, “a nossa sociedade está mais sobrecarregada de preconceitos do que de proteínas; e mais intoxicada de lugares-comuns do que de hidratos de carbono.

As pessoas se viciaram em estereótipos, em juízos apressados, em ensinamentos tacanhos e em condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. “

“Os ‘cozinheiros’ desta magna “fast food” intelectual são os jornalistas, os articulistas, os editorialistas, os romancistas, os falsos filósofos, os autores de telenovelas e mais uma infinidade de outros chamados ‘profissionais da informação'”.

“Os telejornais e telenovelas estão se transformando nos hamburgers do espírito. As revistas de variedades e os livros de venda fácil são os “donuts” da imaginação. Os filmes se transformaram na pizza da sensatez.”

“O problema central está na família e na escola. “

“Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se abusarem dos doces e chocolates. Não se entende, então, como aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, por videojogos que se aperfeiçoam em estimular a violência e por telenovelas que exploram, desmesuradamente, a sexualidade, estimulando, cada vez com maior ênfase, a desagregação familiar, a permissividade e, não raro, a promiscuidade. Com uma ‘alimentação intelectual’ tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é possível supor que esses jovens jamais conseguirão viver uma vida saudável e regular”.

Um dos capítulos mais polêmicos e contundentes da obra, intitulado “Os abutres”, afirma:

“O jornalista alimenta-se, hoje, quase que exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, e de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.”

O texto descreve como os “jornalistas e comunicadores em geral se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polêmico e chocante”.

“Só a parte morta e apodrecida ou distorcida da realidade é que chega aos jornais.”

“O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem teto, mas ninguém suspeita para quê ela serve. Todos acham mais cômodo acreditar que Saddam é o mau e Mandella é o bom, mas ninguém se preocupa em questionar o que lhes é empurrado goela abaixo como “informação”.

Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um “cateto.”

Prossegue o autor:

“Não admira que, no meio da prosperidade e da abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se e o folclore virou “mico”. A arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce, entretanto, a pornografia, o cabotinismo (aquele que se elogia), a imitação, a sensaboria (sem sabor) e o egoísmo.

Não se trata nem de uma era em decadência, nem de uma ‘idade das trevas’ e nem do fim da civilização, como tantos apregoam. “

“Trata-se, na realidade, de uma questão de obesidade que vem sendo induzida, sutilmente, no espírito e na mente humana. O homem moderno está adiposo no raciocínio, nos gostos e nos sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa sobretudo de dieta mental.”

@MDD – Quando eu fiz especialização em semiótica, um dos meus professores, em uma conversa informal, me contou que, a pedido de alguns produtores, certa vez foi feita uma pesquisa aqui no Brasil que chegou à conclusão que o brasileiro (uma porcentagem alta, do tipo 80-85%) acredita que, quando um apresentador ou ator/atriz recomenda uma marca em um programa de auditório, ele realmente está fazendo uma recomendação e não um merchandising pago e que realmente usa aquele produto! Dê um salto especulativo e pense em como isso foi usado nas Igrejas Pentecostais… As pessoas não sabem mais nem quando estão sendo manipuladas ou como. É a “preguiça mental” que acompanha a “obesidade mental”.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/obesidade-mental

A Transmissão da Cabalá

Por Aryeh Kaplan.

A palavra “Cabala” deriva da raiz hebraica “kabal”, que significa “receber”. O termo implica que é um certo tipo de sabedoria que é recebida.

A Mishná diz: “Moisés recebeu [kibel] a Torá no Sinai e [posteriormente] a transmitiu a Josué, Josué a transmitiu aos Anciãos. Os Anciãos a transmitiram aos Profetas. Os Profetas a transmitiram aos “Homens da Grande Assembleia”. ”

Moisés era o mestre de todos os profetas. Ele entendeu a Torá completamente. Nesse sentido, sua visão profética estava no nível de um vaso aberto que sempre poderia receber mais. Talvez o segredo de Moisés receber fosse, quanto mais ele transmitia, mais ele era capaz de receber. A Mishná diz assim, “Moisés ‘kibel’ Torá” porque ele era o paradigma da cabalá completa e total – receptividade à experiência profética.

A ideia da Cabalá, então, é tornar-se completamente infundida com a Torá e conectar-se com ela em todos os níveis possíveis. Sem a Cabalá, uma pessoa poderia entender a Torá em vários níveis. A única maneira de compreender cada nuance da Torá, no entanto, é através da sabedoria profética contida na Cabalá.

Podemos agora entender o que Moisés “transmitiu a Josué e Josué transmitiu aos Anciãos, etc.” De acordo com a Torá, D’us disse a Moshê que colocasse seu espírito sobre Josué (Nm 27:20). Em outras palavras, Moisés deveria investir Josué com seu próprio espírito de profecia. De acordo com um antigo Midrash, isso incluía os métodos e disciplinas necessários para adquirir profecia. Assim, Moisés transmitiu as chaves para entrar no estado profético a Josué. Essas chaves constituíam a tradição Cabalística.

Durante todo o período dos Profetas, a Cabala foi guardada pelos mestres profetas e transmitida a discípulos selecionados. Durante este tempo, o Santuário, e mais tarde o Primeiro Templo, serviu como ponto focal para toda a experiência profética. Quando o Templo estava prestes a ser destruído, o profeta Ezequiel teve uma visão que sinalizaria o fim de um período de mil anos de profecia. Esta visão é conhecida como Maaseh Merkava, a Disciplina (ou Funcionamento) da Carruagem. Embora se refira especificamente ao capítulo de abertura do livro de Ezequiel, o termo Maaseh Merkava também é uma denominação geral para toda a tradição Cabalística.

Na época da construção do Segundo Templo, as chaves da tradição da Cabala haviam sido confiadas aos últimos profetas do povo judeu, bem como aos seus maiores sábios. Juntos, eles constituíam os 120 Homens da Grande Assembleia. Foi este corpo de sábios que formulou a Mishna no Tractate Chagigah, afirmando: “O Maaseh Merkava pode ser ensinado apenas a estudantes individuais [um de cada vez], e eles devem ser sábios, compreendendo com seu próprio conhecimento.” Eles assim asseguraram a transmissão contínua da tradição da Cabala, restringindo suas práticas ao menor círculo possível de mestres. Fora desse círculo essas práticas permaneceriam quase totalmente desconhecidas. Essa política continuou até depois da destruição do Segundo Templo em 70 EC. Foi só então que as coisas começaram a mudar.

Após a revolta de Bar Kochba em 132-135 EC, as coisas pioraram drasticamente. Nessa época, os romanos se empenharam em arrancar os últimos vestígios da Torá do povo judeu. As perseguições de Adriano atingiram tal crescendo que todos os mestres da Torá foram condenados à morte. Este foi o tempo dos Dez Mártires, entre os quais estavam os transmissores finais da tradição Cabalística.

Como resultado dessas perseguições, a tradição oral do Sinai, em particular a tradição da Cabala, corria o risco de ser esquecida. Nesta época, Rabi Akiva (50-135 EC) recebeu sua tradição. Ele foi considerado o maior sábio de sua geração, um mestre da Torá revelada, bem como da oculta. Rabi Akiva possuía a tradição Merkava (Carruagem). Muitas fontes atribuem a Rabi Akiva a autoria do Sefer Yetzira (Livro da Formação), um dos textos cabalísticos mais antigos e obscuros. Assim como a grande maioria do Talmud traz a marca do rabino Akiva, o mesmo acontece com o Sefer Yetzira. Foi Rabi Akiva quem transmitiu esses ensinamentos de forma bem definida.

Neste momento, Rabi Nehunia ben Hakanah e seu discípulo, o Sumo Sacerdote Rabi Yishmael ben Elisha, escreveram o Sefer Bahir (Livro da Iluminação) e o Pirkey Hekhalot Rabatai (O Livro Maior das Câmaras Divinas). Esses dois sábios redigiram as tradições que receberam para preservá-las do esquecimento durante os tempos violentos em que viveram. Comentando a Mishná citada acima, Rashi (Rabi Shlomo Yitzchaki-Yarchi 1040-1105) afirma que um dos principais textos para o estudo de Maaseh Merkava foi o Pirkei Hekhalot Rabatai. Este texto contém exercícios meditativos reais, disciplinas e instruções para entrar no estado profético.

O Zohar (Livro do Esplendor), um dos principais pilares da Cabala, foi ensinado por Rabi Shimon bar Yochai por volta de 135 EC. tradições reveladas e ocultas. Durante os treze anos que Rabi Shimon passou escondido em uma caverna com seus discípulos, ele ensinou o que havia recebido de seus professores. Durante este tempo também, ele recebeu Inspiração Divina (Ruach HaKodesh) e mereceu a revelação do profeta Elias. Havia uma tradição de que se a Torá Oral fosse ameaçada a ponto de ser esquecida, era permitido colocá-la por escrito. Portanto, todos os mestres, Rabi Akiva, Rabi Nehunia, Rabi Yishmael e Rabi Shimon, abriram um precedente. Eles começaram a escrever partes da tradição oral. Apesar disso, no entanto, todos esses textos não receberam forma final por várias gerações depois desses professores. Esta seria a tarefa de seus discípulos.

Todos esses textos principais, o Yitzira, o Bahir, o Hekhalot Rabatai, o Zohar e as várias partes da Torá revelada, continham os ensinamentos básicos que foram transmitidos pelos profetas e sábios de Moisés. Chegou a hora de comprometer esses ensinamentos por escrito. Curiosamente, todas essas obras são obscuras a ponto de levantar a questão: o que foi ganho? O que foi escrito permaneceu, como a Torá em seu tempo, um livro fechado. As chaves deveriam permanecer orais. Apenas o suficiente havia sido escrito para garantir que apenas alguém familiarizado com a tradição entenderia. Todo esse corpus de escritos, desde a compreensão prática dos mandamentos até a mais sublime experiência da profecia, permaneceu um livro fechado. No entanto, a tradição da Cabala foi salva.

Mencionamos que um dos principais pilares da Cabala era o Zohar, da escola de Rabi Shimon bar Yochai. Foi sobre os ensinamentos do Zohar que os dois maiores cabalistas dos tempos modernos construíram seus sistemas inteiros: Rabi Moses Cordovero (falecido em 1570), conhecido como Ramak, e Rabi Isaac Luria (1534-1572), universalmente referido como o Ari, um acrônimo para “Elo-hi Rabi Yitzchak”, “O Divino Rabi Isaac”.

O Zohar é opaco. A principal relação entre os escritos do Ari (Kitvei Ari) e o Zohar é que sem os ensinamentos do Ari o Zohar não faz sentido algum. Você poderia estudar o Zohar, que é um texto muito poético, mas não pode detectar nenhum sistema ou estrutura. Uma vez que você conhece o Kitvei Ari, todo o Zohar se torna um livro aberto.

A principal obra do Kitvei Ari é o Etz Chaim (“Árvore da Vida”). Este trabalho expõe a fundamentação teórica da Cabala. Para quem domina o conteúdo desta obra, o resto é essencialmente revelado. Então, o Pri Etz Chaim (Fruto da Árvore da Vida) e Sha’ar HaKavanot mostram como aplicar os vários ensinamentos do Etz Chaim a todos os tipos de situações diárias; meditações quando você coloca tzitzit ou tefilin, quando você reza ou quando você come matsá. Eles também mostram como desenvolver técnicas meditativas baseadas nos ensinamentos do Ari.

Em seguida, vêm as obras conhecidas como Shemona Shearim (Oito Portais). O primeiro portal, Shaar HaHakdamot, (Portal das Introduções), cobre o mesmo fundamento teórico do Etz Chaim. O segundo é Shaar Maamarei Rashbi, o Portal dos Ensinamentos Zoharicos; o terceiro é Shaar Maamarei Chazal, o Portal dos Ensinamentos Talmúdicos, o quarto é Shaar HaPesukim, o Portal dos Versículos Bíblicos; o quinto é Shaar HaMitzvot, o Portal dos Mandamentos; o sexto é Shaar HaKavanot, o Portal das Meditações; o sétimo é Shaar Ruach HaKodesh, o Portal da Inspiração Divina, que é uma recapitulação geral e descreve como usar o sistema do Ari como uma disciplina meditativa. De muitas maneiras, o Shaar Ruach HaKodesh é a chave para todo o Kitvei Ari, porque todos os portais anteriores lidam com a teoria, enquanto o Shaar Ruach HaKodesh ensina como colocar isso em prática. O oitavo portal é Shaar HaGilgulim, o Portal das Reencarnações.

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Fonte:

The Transmission of Kabbalah – The study of Kabbala today is a tradition dating back to the most ancient of Jewish sages.

By Aryeh Kaplan.

https://www.chabad.org/kabbalah/article_cdo/aid/380324/jewish/The-Transmission-of-Kabbalah.htm

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-transmissao-da-cabala/

Vibração

 “Nada está parado; tudo se move; tudo vibra.”

O som é uma forma de energia causada por vibração; combinando com o ritmo, resulta em música. As vibrações passam para a atmosfera sob a forma de propagação ondulatória quando então o ouvido humano torna-se capaz de captá-las, resta o cérebro para fazer a interpretação para dar sentido.
O número de vibrações na unidade de tempo chama-se freqüência. As unidades de medida de freqüência sonora são representadas pelo Hertz. Por sua vez, notas musicais são vibrações sonoras comunicadas através do ar e as freqüências de todas as notas de uma escala musical ficam definidas quando se fixa a freqüência de uma delas. Os músicos de hoje fixam a freqüência da nota La com 440Hz, mas sabemos que em outras épocas não havia esse padrão.

Há muitos outros mistérios a serem compreendidos nesta passagem, no entanto, quando estudamos física, mais especificamente sobre o movimento ondulatório, descobrimos que o som ritmado, como a marcha dos soldados, pode determinar uma sobrecarga vibratória por ressonância suficientemente forte para acarretar o desmoronamento de uma ponte. 

Dentre muitos outros exemplos que poderiam ser citados há o caso de um edifício na França onde funciona o Instituto de Pesquisas Físicas de Ultra-sons que começou a apresentar rachaduras, embora ninguém escutasse som algum, foi confirmado que o problema tinha como causa as vibrações sonoras em nível de ultra-sons. 

#Arte

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/vibra%C3%A7%C3%A3o

Boris Kipriyanovich

Kipriyanovich gosta de falar como seu parto, em 1996, foi especial. Além de ter acontecido muito rápido, ela disse que não sentiu dor alguma. Isso seria um sinal de que seu filho, Boris, seria extraordinário.

Dito e feito. Com 4 meses o bebê falava suas primeiras palavras, com 2 anos já lia e assustava os professores com sua inteligência. Aos 7 dizia que vinha de Marte para salvar a vida na Terra.

Para comprovar o que dizia descreveu como era sua vida em Marte, a tecnologia que usavam no planeta e que marcianos paravam de envelhecer com 30 anos. Dizia que na Terra envelhecemos por causa do oxigênio e como a disputa pelo poder marciano levou a uma guerra devastadora, um destino para o qual nosso planeta parece caminhar.

Descreveu a nave que pilotava quando vinha para a Terra em missões científicas, construída com ligas metálicas, borracha e superfícies magnéticas, que navegava através de diferentes dimensões, como forma atalhos para chegar aqui mais rápido.

Ele também afirmava que a vida na Terra mudaria quando “a Esfinge for aberta”, através de um mecanismo secreto atrás de sua orelha. Também previu uma câmara com tecnologia avançada nas Pirâmides de Gizé.

Em 2017, 15 anos após as conversas sobre o assunto, foi descoberta uma sala secreta em uma das pirâmides com a ajuda de aparelhos, porém, ainda não fomos capazes de adentrá-la.

Boris também afirmou que antigamente a Terra possuía um único continente, chamado Lemúria, habitado por pessoas que mediam até nove metros.

Seus pais terráqueos garantem que jamais ensinaram astronomia a ele o menino não tinha contato com ficção científica quando começou a contar suas histórias.

Boriska desapareceu junto com sua mãe e uma série de tentativas de jornalistas ocidentais para localizá-lo falharam. Um deles foi informado que o menino vive hoje em uma vila remota sob a proteção do governo russo e, por isso, qualquer tentativa de contatá-lo seria inútil.

Inúmeros médiuns confirmam a história, dizendo se comunicar com o garoto telepaticamente, e que ele diz estar seguro em um lugar remoto e isso é obra do governo Russo.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/boris-kipriyanovich/

O Jubileu da Feiticeira

Christopher James Stone

Muitas pessoas estão desfrutando de quatro dias de licença remunerada às custas do estado. Há bandeiras do Reino Unido em todos os lugares, bandeiras hasteadas e fotos da rainha em quase todas as vitrines. Ontem meus vizinhos mais próximos sentaram-se no gramado comunitário em frente à minha casa fazendo uma festa do chá.

Eu os observei da minha janela da frente. Eles tinham um bule de chá de porcelana marcado com o brasão real e xícaras de chá de porcelana com pires e, quando alguém passava, eles os chamavam para se juntar a eles. Não tive coragem de dizer a eles que sou republicano, então, em vez de enfrentar a discussão inevitável, fiquei dentro de casa.

A palavra “Jubileu” é um equívoco. É do capítulo 25 de Levítico , que declara a cada sétimo ano um ano sabático, e o 50º ano o Jubileu. Também afirma que todas as terras arrendadas ou hipotecadas deveriam ser devolvidas aos seus proprietários originais, todos os escravos e trabalhadores em servidão deveriam ser libertados e todas as dívidas canceladas. Esse era o verdadeiro motivo do júbilo daqueles tempos: não que o monarca tivesse alcançado um certo número de anos no trono, mas que o povo estivesse liberado de suas dívidas.

Se o Jubileu moderno fosse acompanhado de tais bônus financeiros, eu também poderia ser um monarquista. Do jeito que está, uma rainha muito, muito rica domina a vida de uma população cada vez mais empobrecida, e o forte contraste entre a opulência da casa real e o desespero de seus súditos torna essas demonstrações de adoração real desconcertantes.

Muitas vezes me perguntei por que deveria ser assim: por que meus vizinhos menos afortunados deveriam ter a monarquia em tão alta estima. Não é como se eles fossem ajudados por ela de alguma forma. A rainha leva uma vida tão estranha e antinatural, longe das vidas e preocupações de seus súditos. Ela tem servas e serviçais que realizam tarefas em seu nome, que a vestem, lavam e colocsm todas aquelas jóias ridículas nela para todas as ocasiões de estado. Ela brilha como uma estrela no topo de uma árvore de Natal. O que essa exibição de riqueza e poder faz pela vida da maioria da população, espremida em seus guetos superlotados, comendo comida de marca barata da prateleira de liquidação do supermercado, recheados de cerveja enlatada e antidepressivos e reality shows para distração?

A rainha tem sete residências oficiais, incluindo o Castelo de Windsor , seu luxuoso chalé de fim de semana, contendo centenas de quartos e situado em um extenso jardim do tamanho de uma vila média. O Windsor Great Park , que fica de frente para o castelo, já foi terra comum, mas foi expropriado pela monarquia no século 11, quando foi reservado ao rei para caçar e fornecer ao castelo madeira, veados, javalis e peixes. No início da década de 1970 havia três festivais gratuitos ali organizados pelo autoproclamado anarquista do ácido, Bill “Ubi” Dwyer. O festival final, em 1974, foi atacado pela polícia, provavelmente por instigação de Sua Majestade. Podemos imaginá-la olhando pela janela para ver seus próprios súditos tomando de volta a terra que um dia lhes pertenceu e, indignada, telefonando para o comissário de polícia da Scotland Yard para limpar o local; o que a polícia o fez devidamente, com grande selvageria, na manhã de quarta-feira, 28 de agosto de 1974. Muitas cabeças foram quebradas e muitas pessoas presas naquela manhã em uma demonstração conspícua da violência que realmente sustenta a prerrogativa real.

Outras residências incluem o Palácio de Buckingham, Sandringham House, Holyroodhouse Palace e Balmoral na Escócia. Isso para não listar as várias residências de sua ninhada, incluindo o príncipe Charles, a princesa Anne, o príncipe Andrew e o príncipe Edward, todos com várias casas. Deve haver milhares de quartos vagos em todos esses palácios espaçosos e milhares de acres de terra, o que deveria ser um tapa na cara das legiões de sem-teto que lotam nossas ilhas e dos milhões que são forçados a usar bancos de alimentos para alimentar eles mesmos. O fato de metade dos sem-teto estarem levantando copos para a rainha neste fim de semana, enquanto comem em lixeiras, é um quebra-cabeça. Como diabos alguém pode explicar um senso tão estranho de lealdade? É um culto?

Acho que tenho a explicação: sim, é um culto. A razão pela qual a Rainha mantém a população sob seu poder é que ela lançou um feitiço sobre eles. É um encantamento. A Família Real está envolvida em práticas ocultas, em feitiçaria ritual, usando feitiços e encantamentos retirados de grimórios de linhagem antiga. Para todos vocês que pensam que a magia está morta, basta observar a família real britânica em seus atos diários para saber que ela não apenas não está morta, mas detém um poder imenso e contínuo na era atual.

Precisamos definir nossos termos. O que é “magia”?

De acordo com o dicionário online Merriam-Webster, a magia é:

1a: o uso de meios (como encantos ou feitiços) que se acredita terem poder sobrenatural sobre as forças naturais.

b: ritos mágicos ou encantamentos .

2a: um poder extraordinário ou influência aparentemente de uma fonte sobrenatural.

b : algo que parece lançar um feitiço : encantamento “todo o mistério, magia e romance que pertencem apenas à realeza” — JEP Grigg.

3 : a arte de produzir ilusões por prestidigitação efetuada com atos de malabarismo e ilusionismo.

JEP Grigg, na definição acima, parece implicar que a magia é o princípio preservado da realeza, algo que espero demonstrar aqui. Aleister Crowley , o mais notório dos magos rituais, define “Magick” – sua própria grafia particular da palavra – como “a Ciência e a Arte de fazer com que a Mudança ocorra em conformidade com a Vontade”. Crowley acrescentou o K extra porque era a grafia original no famoso dicionário do Dr. Johnson, mas também para distingui-la da magia de encenação praticada por artistas de prestidigitação como Houdini .

A definição de Magick do Dr. Johnson é “Agir ou fazer por poderes superiores ao poder conhecido da natureza; encantamento; necromancia.”

Agora minha própria definição: “Magia é a manipulação ritual de símbolos para causar uma mudança no mundo”; com isso quero dizer que o mago usa a simbologia como seu principal meio, a fim de focalizar a atenção, mudar a realidade em algum nível fundamental. Os símbolos são os meios pelos quais o mago lança seu feitiço. O ritual é o método pelo qual a atenção é focalizada. Ao combinar o foco ritual com o significado simbólico, forças ocultas podem ser desencadeadas.

A palavra “oculto” significa escondido. As forças secretas estão ocultas, o que significa que não podem ser vistas. Isso sugere duas possibilidades: ou os poderes ocultos são um segredo que o mago guarda para si mesmo – a interpretação preferida de todos os pomposos magos autoproclamados do mundo todo – ou estão ocultos da vista, o que significa que mesmo o mago não pode vê-los. Prefiro a última interpretação. Por “oculto” estou me referindo ao inconsciente. Esse é o meio pelo qual o mago realmente assume o controle, não pelo poder sobrenatural, mas pelo poder sobre a mente e inconsciente. Esta é uma força que é muito maior do que qualquer ciência da razão. As pessoas não são motivadas por preocupações racionais, apenas por pão e circo, mas também e muito mais pelos segredos ocultos da mente inconsciente, que é governada por símbolos.

É assim que a Rainha comanda e controla as massas, não pela lei, mas pela magia. Todas as suas ações públicas estão impregnadas de símbolos. Dê uma olhada no filme que gravou a coroação. É puro ritual em um nível avançado. Parece nada menos que um casamento. A rainha é a noiva da nação. Todo homem que assistiu à coroação naquele dia teria sentiu, em algum nível, que esta linda jovem noiva estava se casando com eles. Toda mulher teria sentido uma identidade com ela, como se também compartilhassem de seu leito conjugal. O anel é chamado de “Anel de Casamento da Inglaterra”. Há algo sexual lá. O orbe e a maça, a vara e o cetro, são símbolos sexuais claros. O óleo com o qual ela é ungida é uma forma de sêmen sacralizado. A unção ocorre atrás de cortinas fechadas, sugerindo algo ilícito e oculto. As palavras são entoadas como um encantamento. É o hieros gamos da alma britânica. Quem pode duvidar, vendo isso, que é Alta Magia, um feitiço sendo lançado, um encantamento no coração da psique nacional?

É tudo teatro, mas o teatro também tem suas origens na magia. As primeiras produções teatrais registradas, na Idade do Bronze em Atenas, eram um evento ritual destinado a invocar ou aplacar os deuses e se baseavam fortemente em temas inconscientes. É por isso que Édipo Rei, a peça de Sófocles, ainda exerce tanto fascínio, por que ainda a admiramos e a tememos: por que artistas modernos como WB Yeats e Stravinsky foram atraídos para ele, e por que Freud o usou como seu tema principal. No inconsciente, os deuses ainda residem. O mundo ainda é movido por forças primitivas. O assassinato ritual ainda é decretado. O sacrifício humano ainda acontece. Édipo é um herói cultural, pois carrega nas costas os pecados da humanidade. Melhor ele do que nós, pensamos. Deixe Édipo ser sacrificado para que o resto de nós possa continuar vivendo.

O que a mera razão pode fazer para se proteger de forças como essas? Ainda fazemos nossos sacrifícios aos deuses, só que hoje em dia eles estão disfarçados de guerras. Nossas vidas ainda são governadas pela superstição e pelo medo. A escuridão ainda nos invade todas as noites em nossos sonhos. Deuses imortais assumem a forma de corporações hoje em dia, cujos sacerdotes, sem rosto e oniscientes, nos governam por decreto.

Aqui no Reino Unido adoramos a Rainha, em todo o seu esplendor real. Não mais a noiva da nação, ela se tornou a Mãe espiritual. Seus netos são nossos filhos, sua família é nossa. O primeiro-ministro governa pela prerrogativa real, não pelo mandato democrático. Somos súditos, não cidadãos. O ato de reverência ou reverência, que ainda é exigido na presença da Rainha, significa que a reconhecemos como um ser superior e nossa própria inferioridade em sua presença. As Joias da Coroa são objetos sagrados imbuídos de poder divino.

Mesmo os republicanos não podem deixar de admirar o feitiço que a realeza lança, e é por isso que existem tantos monarquistas nos Estados Unidos. Apesar de derrubar um rei, você ainda se curva à autoridade real. Você também é governado pela magia: a magia da propaganda e da publicidade, a magia da TV e de Hollywood, a magia da riqueza e da celebridade, a magia da arte e do dinheiro.

Fonte: https://www.splicetoday.com/politics-and-media/jubilee-magic

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/o-jubileu-da-feiticeira/

Línguas são seres vivos?

A Língua de Darwin – A seleção natural aplicada às línguas naturais

O que é, de fato, a vida? O que é que caracteriza um ser vivo e o diferencia da matéria inanimada?

Para os biólogos, a vida é caracterizada por alguns fatores: metabolismo, homeostase, capacidade de crescer e responder a estímulos, a capacidade de se reproduzir e, finalmente, a capacidade de se adaptar ao meio em que está inserida, por meio da seleção natural.

Podemos dizer que a vida é a transformação constante de uma estrutura básica e estável.

Há muito se discute se às línguas naturais pode ser conferido o título de “vivas”. De um lado, temos os que defendem as semelhanças entre elas e os seres vivos, e, de outro, temos aqueles que afirmam serem as línguas apenas mais um fenômeno social.

Apesar de a semelhança entre línguas e entidades vivas parecer evidente, é necessária uma breve comparação entre essas duas existências.

O metabolismo pode ser definido como o conjunto de reações químicas que ocorre nos organismos vivos para sustentar sua vida; a homeostase é a propriedade que mantém um sistema regulado e estável internamente; o crescimento é a capacidade de se desenvolver e se transformar em algo maior e/ou mais complexo; a resposta a estímulos é a capacidade de responder a alterações no ambiente externo ou interno, e a capacidade de reprodução é a possibilidade de gerar descendentes; por fim, a adaptação é o processo por meio do qual, com o correr do tempo, a vida se torna mais bem “configurada” ao ambiente em que está inserida, aumentando assim as chances de sobrevivência.

As línguas naturais têm, se não todas, pelo menos a maioria das características que atribuímos à vida.

Notaremos que o metabolismo das línguas se constitui na língua falada. Esta é a realização da língua, isto é, sem ela não existe nada que seja observável ou passível de estudo no campo da linguística. Sem a fala não há uma língua de facto, não há “vida” na língua: apenas um sistema estático, “inorgânico”.

A homeostase da língua se caracteriza pela estrutura lingüística subjacente: sua gramática. Não é possível conceber a existência de uma língua agramatical. Sentenças ditas agramaticais, ou seja, que não estejam de acordo com a gramática da língua por fugirem do “equilíbrio linguístico” que garante a ordem do sistema, não encontram sustentação e simplesmente desaparecem, sem sequer terem sido pronunciadas.

Que as línguas crescem, ou seja, que se tornam maiores e mais complexas com o passar do tempo, é inquestionável. Basta que observemos a quantidade de neologismos surgidos quase diariamente em qualquer língua existente.

No que se refere à resposta a estímulos, talvez a língua seja o melhor exemplo para estudo, uma vez que mudamos nossa forma de expressão a todo momento: conforme os estímulos são alterados (mudanças de situação, interlocutores, o tom de um texto etc.), a língua também se altera, tendo uma espécie de sensibilidade, própria de seres vivos.

Outro ponto inquestionável é a capacidade de reprodução das línguas naturais. O português é uma das muitas línguas-filhas do latim, bem como o italiano, o francês, o espanhol, o romeno, o catalão e outras 42 línguas. A família do indo-europeu, da qual as línguas itálicas fazem parte, consiste em quase 450 línguas diferentes.

Associada à capacidade de reprodução, encontramos a capacidade de adaptação das línguas naturais. Uma vez separadas do ramo principal e isoladas geograficamente de sua língua-mãe, as variantes linguísticas se tornarão maiores e mais maduras até constituírem línguas próprias e distintas, como ocorreu com o português e o francês, por exemplo, após a queda do Império Romano e o consequente enfraquecimento do latim.

Dessa forma, as línguas merecem, sim, o título de “vivas”, ainda que, evidentemente, com reservas.

Como Darwin nos ensina em seu “A origem das espécies”, os seres vivos estão sujeitos a transformações em si próprios e no ambiente em que vivem. Não fosse assim, jamais teríamos a maravilhosa diversidade ao nosso redor, com criaturas perfeitamente adaptadas a certos ambientes e funções, como a famosa Xanthopan morgani, a “mariposa que Darwin previu”.

Darwin descobriu um mecanismo natural que preserva as características úteis à sobrevivência de um indivíduo e descarta as prejudiciais. Esse mecanismo – a seleção natural – é tão poderoso e universal que pode ser aplicado a praticamente qualquer sistema complexo.

A língua de Darwin é afiada e poderosa, já que descreve o funcionamento da Natureza com precisão espantosa. É a língua da variação e da adaptação, da vida e da maravilha que nos cerca neste mundo.

Realmente, “há grandeza nessa forma de ver a vida”.

*Paulo Manes é pesquisador-bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPT) na área de estudos linguísticos.

Maria Flávia Figueiredo é doutora em lingüística pela Unesp.

Fonte: http://www2.uol.com.br/sciam/artigos/a_lingua_de_darwin.html

@MDD – Línguas são seres vivos; apenas vivem no Plano Mental, e não no Material. A Linguagem vai sendo construída na Esfera de HOD e, sem ela, tudo o que está acima na Árvore da Vida pode apenas ser SENTIDO; Daí a analogia de se qualificar Hermes, Toth e Exú como “Intermediários entre os Deuses e os Homens”… porque sem a linguagem, não se compreende os atributos dos Deuses. Daí a dificuldade em se catalogar a Magia, Astrologia e os Símbolos usados em Ordens Iniciáticas no Modelo Científico vigente.

#Egrégoras

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/l%C3%ADnguas-s%C3%A3o-seres-vivos

A Magia dentro da Quimbanda – com Bruno Gerfilli

Bate-Papo Mayhem #089 – gravado dia 15/10/2020 (Quinta) Marcelo Del Debbio bate papo com Bruno Gerfilli – A Magia dentro da Quimbanda.

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

Parzifal Publicações: https://www.facebook.com/PARZIFAL777/

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#Batepapo #Quimbanda #Religiões

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-magia-dentro-da-quimbanda-com-bruno-gerfilli

As figuras da corte e suas associações elementais

Leonora Dias

Para entendermos melhor as figuras da corte, precisamos buscar nas raízes de sua significância, o número 4. A estrutura numérica dos chamados Arcanos Menores é totalmente baseada nesse número – são cinquenta e seis cartas, divididas em quatro grupos de catorze cartas – os naipes. Dessas catorze cartas, dez são numeradas e quatro são figuras da corte. Ao que se sabe, a estrutura quaternária dos naipes existe desde a origem das cartas – ao menos, quando cartas de jogar surgiram na Europa, no final do século 14, já seguiam um sistema de quatro naipes. Experiências com mais naipes e figuras da corte foram feitas, mas o que realmente perdurou foi o esquema de quádruplo. Não se sabe ao certo a razão da existência desse princípio, mas isso não é exatamente estranho, se considerarmos que o número 4 acompanha a humanidade desde tempos ancestrais.

Os Quatro Elementos (da esquerda para a direita: terra, água, ar e fogo
Tratato alquímico “Viridarium chymicum”, 1624, Francfort-sur-le-Main

Nossa consciência é quaternária. Nossos corpos, com dois braços e duas pernas, naturalmente sugerem o número quatro. Percebemos quatro direções básicas – frente, atrás, direita e esquerda; essa consciência espacial é reproduzida naturalmente em nossas construções – nossas casas têm quatro paredes. Também são quatro os pontos cardeais. A percepção da natureza como se modificando através de quatro estações também pode figurar entre outro fator quaternário que ficou gravado no pensamento humano desde seus primórdios, tendo suas origens na percepção dos solstícios, também em número de quatro. Além disso, a cruz figura entre os símbolos mais antigos desenhados em cavernas.
Os elementos primordiais tradicionais, que servem de base para a existência de todas as coisas no universo, são um grupo de quatro – Fogo, Água, Ar e Terra. No mundo ocidental, a tradição dos elementos surgiu na filosofia grega antiga e, consolidada por Aristóteles, permeou todo o pensamento científico do ocidente desde a Antiguidade até o século 17, marcado pelo início da Era Moderna, que introduziu uma concepção de mundo mais calcada no pensamento racional, ligado aos fatos e seus desdobramentos lógicos – concepção essa que permanece em voga até hoje.

O sistema de associações entre as cartas do Tarot e a tradição dos quatro elementos é um dos fundamentos do entendimento esotérico do Tarot. Nesse sentido, as Figuras da Corte são um caso à parte. Além de estar associada ao elemento de seu respectivo naipe, cada figura da corte relaciona-se também a um dos quatro elementos por meio de sua posição hierárquica. O cruzamento entre esses dois fatores abre uma ampla dimensão de significado para as cartas da corte. Esse esquema de associações elementais, junto com as associações das figuras da corte com a Astrologia e com elementos cabalísticos, formam a tríade dos principais elementos na atribuição de significado a essas cartas. Sendo assim, entender esse esquema de associações elementais é entender melhor as próprias figuras da corte no contexto do Tarot.
Cada naipe é associado a um dos quatro elementos, que determina o tema tratado no naipe. As associações elementais de cada naipe e os temas tratados em cada um podem ser sumariamente esquematizados na tabela abaixo:

Naipe
Elemento
Tema
Paus
Fogo
  Movimento, ação, as lutas (e conflitos) da vida, realização pessoal
Copas
Água
  Emoções, relacionamentos, sonhos
Espadas
Ar
  Lições de vida, valores, aprendizado, compreensão da vida,
(daí) conflitos, sofrimento, dificuldades
Ouros
Terra
  Assuntos materiais, o vai-e-vem do dinheiro, os resultados da
nossa energia aplicada

As cartas que compõem o naipe falam do desenvolvimento da experiência no tal tema. Começando com o ás, que é a energia do elemento em seu estado bruto, vamos subindo até o dez, passando por diversas situações que representam um aspecto específico da experiência com o tema em questão, de forma progressiva. Sucedendo a ordem das cartas numeradas, as cartas das figuras da corte representam um estágio a mais no desenvolvimento da experiência no tema – o desenvolvimento da relação com a energia elemental no âmbito do indivíduo. Em outras palavras, as figuras da corte são personificações sucessivas de cada elemento, desde seu estado embrionário ou infantil em nós (os Pajens) até seu estado maduro e completamente desenvolto (os Reis/Rainhas). Enquanto as cartas numeradas representam a ação das forças elementais em nossas vidas, as figuras da corte representam a manifestação de tais energias em nós. É só pensar nas cartas numeradas como as situações do enredo de uma estória, e as figuras da corte como os personagens. Cada figura da corte é, portanto, um estágio de desenvolvimento da relação com a energia elemental no campo pessoal. Tal desenvolvimento é representado na progressão das quatro posições hierárquicas dentro do sistema da corte:
• os Pajens representam essa energia manifestando-se na personalidade em seu estado primário, pouco desenvolvido e bruto. Eles são as bases do naipe;
• os Cavaleiros personificam a energia do naipe se desenvolvendo a pleno vapor, com toda sua força. Representam a intensidade da energia do naipe crescendo;
• as Rainhas representam essa energia já desenvolvida, de forma madura e profunda. São a energia do naipe amadurecida;
• os Reis também representam o completo desenvolvimento dessa energia. Eles são os reis do naipe, o estágio mais alto que eles podem alcançar em seu desenvolvimento.
Até agora, descobrimos então que:
1. cada naipe, relacionado a um dos quatro elementos, trata sobre as experiências em um determinado tema da vida;
2. enquanto as cartas numeradas falam de situações nas quais a energia desses elementos se manifesta, as figuras da corte representam a manifestação dessa energia no indivíduo;
3. tanto no caso das cartas numeradas quanto no caso das figuras, a ordem numérica imprime um senso de progressão na experiência com as energias elementais, que vai da inexperiência à experiência.
O ocultista inglês MacGregor Mathers, em seu livro Book T, escrito no final do século 19, baseou-se na Qabalah, astrologia e geomancia para traçar os paralelos entre os elementos e as figuras da corte. Seu sistema vigora até hoje, servindo de base para a maior parte de novos esquemas de associação. Um dos traços mais marcantes do sistema de Mathers foram as mudanças feitas por ele na hierarquia da corte do Tarot. Acreditando estar fazendo uma retificação, Mathers modificou os nomes e importância das posições, trocando os títulos tradicionais de Rei, Rainha, Cavaleiro e Pajem por Rei, Rainha, Príncipe e Princesa. Sua modificação mais discutida foi a alteração da importância de certas figuras na dinâmica da corte – Mathers colocou o Cavaleiro no posto mais alto, e rebaixou o Rei à posição de príncipe. Os motivos para tais mudanças baseiam-se no que supôs como uma melhor associação do Tarot com a Qabalah.
Mathers foi um dos fundadores da Ordem Hermética da Golden Dawn. Os criadores dos dois baralhos de Tarot mais famosos da modernidade foram membros dessa Ordem – Aleister Crowley, que junto com Lady Frieda Harris criou o baralho de Thoth, entre 1938 e 1943; e Arthur Waite e Pamela Smith, criadores do baralho Waite-Smith, lançado em 1909. Ambos os baralhos exibem claramente influências do sistema esotérico e mágico da Golden Dawn em vários pontos, sendo um deles a associação elemental das Figuras da Corte. Dada a sua popularização através dos dois baralhos acima mencionados, o sistema desenvolvido pela Golden Dawn é hoje o mais aceito e reproduzido. Abaixo, a título de informação, uma tabela com as variações das figuras da corte, de acordo com os Mathers, Crowley e Waite:

Mathers
Crowley
Waite
    Rei (antigo Cavaleiro)
    Cavaleiro
    Rei
    Rainha
    Rainha
    Rainha
    Príncipe (antigo Rei)
    Príncipe (antigo Rei)
    Cavaleiro
    Princesa (antigo Pajem)
    Princesa (antigo Pajem)
    Pajem

Percebemos pela tabela que, enquanto Crowley adotou mais inteiramente o sistema de Mathers nas figuras da corte, Waite preferiu manter-se fiel à estrutura tradicional de Rei-Rainha-Cavaleiro-Pajem. O esquema tradicional faz mais sentido para mim, talvez por eu usar o Waite-Smith e estar habituado a esse esquema de hierarquia. Portanto, é dele que vamos tratar aqui. Contudo, é importante mencionar que não há um sistema certo e absoluto; tais associações foram feitas de acordo com a forma de pensar de cada ocultista, fazendo sentido no contexto do sistema de pensamento dele. Cabe a cada estudante escolher o sistema com o qual se sentir mais confortável, o que fizer mais sentido para ele.
Isto posto, agora temos as bases para estabelecer as associações elementais a cada posição hierárquica da corte.
As associações elementais e as quatro funções da psique
Usando a imagem da ascensão social, o caminho progressivo do Pajem ao Rei ilustra o desenvolvimento da energia elemental dentro de nós. Da manifestação primária dos Pajens ao completo desenvolvimento dos Reis, cada figura da corte representa um dos quatro estágios de manifestação dessas qualidades. A ideia esotérica por trás disso é a de que a manifestação do espiritual ao material é quaternária, e cada estágio subdivide-se em quatro estados, num total de dezesseis. Entendendo que a manifestação ocorre do mais sutil ao mais bruto, a ascensão ou retorno ao espírito faz logicamente o caminho inverso, do mais bruto ao mais sutil, onde está o Uno, a fonte primordial de tudo. De acordo com o pensamento místico, esse conceito serve como molde para o desenvolvimento de qualquer coisa existente, incluindo as pessoas e as coisas que elas produzem, os acontecimentos, a natureza e o cosmos. Vale lembrar que nenhum estágio é mais importante ou sagrado que o outro. Cada um tem sua própria importância e seu papel, fundamentais no processo de manifestação/ascensão.
Uma maneira de abordar a relação das figuras da corte com os quatro elementos é através da teoria das funções do ego, desenvolvida na primeira metade do século 20 pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. Segundo Jung, o ego tem quatro funções, quatro formas fundamentais diferentes de perceber e interpretar a realidade e de lidar com o mundo; são elas Sensação, Intuição, Sentimento e Pensamento. Esse grupo de quatro funções consiste em dois pares de elementos opostos. De um lado temos o par Sensação-Intuição, que Jung chamou de funções irracionais, caracterizando-se pela percepção e simples resposta a estímulos . Do outro, temos o par Sentimento-Pensamento. Jung chamou as duas funções que compõem esse segundo par de racionais, pois ambas envolvem o ato de tomar decisões ou fazer julgamentos, mais do que simplesmente receber estímulos.
A função da Sensação consiste na recepção de informação por meio dos sentidos físicos. A função da Intuição define-se por uma percepção que funciona fora do processo consciente comum, consistindo numa complexa integração de grandes quantidades de informação, mais do que simplesmente ver ou ouvir. Ambas são irracionais, no sentido de que não envolvem julgamento. A Sensação é uma percepção mais voltada para o exterior, enquanto que a Intuição é uma percepção de estímulos psíquicos, interiores.
No segundo par, ambas as funções Sentimento e Pensamento são formas de avaliar a informação recebida, ou seja, dar a ela um valor, atribuir-lhe um sentido. Sentimento é a capacidade de fazer julgamentos baseando-se nas respostas emocionais, seguindo valores de bom/mau, agradável/desagradável. A função do Pensamento distingue-se de sua função oposta por basear-se na lógica e na razão para avaliar informações. Enquanto Emoção é voltada para dentro, ou seja, para a realidade interior dos sentimentos, Pensamento volta-se para o exterior, isto é, para as evidências e os fatos do mundo objetivo.
O próprio Jung baseou-se nas tradições antigas dos quatro elementos, através da teoria dos quatro humores de Hipócrates, para formular seu esquema de quatro funções psíquicas. Hipócrates, por sua vez, baseou-se na teoria dos quatro elementos de Empédocles, onipresente no pensamento filosófico grego antigo desde 600 a.C.

Os Pajens

Elemento
Função Psíquica
Fase de desenvolvimento humano
Terra
Sensação
Infância

O Pajem é o estágio inicial do desenvolvimento. Nele, a energia do naipe está em seu estado bruto, não desenvolvido e primário. Como crianças, relacionam-se com o mundo de maneira bem simples e direta. Ligado ao elemento Terra, o Pajem no Tarot mostra que tudo começa no chão, e a ele está incondicionalmente ligado.

A figura do Pajem representa o aprendiz. Na Idade Média, o pajem era o servo de um cavaleiro, um aprendiz a escudeiro. Após sete anos servindo o cavaleiro, o pajem tornava-se um escudeiro que, depois de mais sete anos, poderia vir a ser ele mesmo um cavaleiro. O pajem executava as funções mais básicas, como cuidar da organização e limpeza dos aparatos de seu cavaleiro, ou levar e trazer mensagens. Simbolicamente, o pajem do Tarot representa o estágio mais básico do desenvolvimento no naipe. Ele é a experiência direta com o naipe, sem abstrações ou sofisticações. Sendo uma criança, o Pajem é neutro – pode ser tanto masculino quanto feminino.
O elemento Terra é o plano material, o mundo objetivo ao nosso redor, e o nosso próprio corpo. No ser humano, a experiência mais primária é a relação com nosso próprio corpo, que percebe o mundo que nos circunda através dos estímulos de nossos sentidos. Relacionados ao elemento terra, os Pajens representam essa experiência sensória, táctil, básica a todo ser humano. Eles estão em contato direto com a energia do elemento ao qual pertencem, sem abstração nenhuma. Psicologicamente, a figura do Pajem equivale à função da sensação, que se caracteriza pela consciência dos estímulos físicos.
As características dos pajens incluem:
• Curiosidade
• Criatividade
• Dedicação
• Inocência
• Sensitividade (no sentido de fisicalidade)
• Inexperiência
• Certa arrogância inocente
• Visão limitada

Os Cavaleiros

Elemento
Função Psíquica
Fase de desenvolvimento humano
Fogo
Intuição
Juventude

O Cavaleiro é um impulso de energia; retrata o estágio de ascensão da intensidade da energia do naipe. Nele, a energia está subindo, ficando cada vez mais intensa. Os Cavaleiros são cheios de si. Enquanto os pajens são dedicados, quase despersonalizados (tal como as

crianças, os pajens, estão ainda desenvolvendo sua personalidade), os cavaleiros são personalidades desenvoltas; eles sabem quem são, e sabem o que querem – ou melhor dizendo, pensam que sabem. Relacionados ao elemento Fogo, os cavaleiros são o impulso da vida, que brota da terra em direção ao céu.
Na Idade Média, os cavaleiros eram os representantes da classe militar. Assim, a figura do cavaleiro é naturalmente associada à guerra, à missão, à luta por um ideal, uma crença (típicos do elemento Fogo). No Tarot, os cavaleiros tipicamente agem por impulso, seguindo seu coração e perseguindo os ideais onde depositam sua fé. No contexto evolutivo ilustrado na corte, a figura do cavaleiro representa o impulso criador fecundo, o ímpeto rumo ao progresso. Se os pajens são associados à infância, os cavaleiros estão ligados à juventude. Assim como os jovens, os cavaleiros são cheios de energia e disposição para negar, questionar e contestar tudo, preferindo sempre seguir seu próprio caminho.
O elemento Fogo corresponde à força criativa. Ele é a vida, o espírito que preenche a estrutura física formada pelo elemento Terra. Sem a vida do Fogo, toda a estrutura do elemento Terra torna-se um mero objeto inanimado. Psicologicamente, esse impulso vital traduz-se pela intuição, a função psíquica que se caracteriza pela
manifestação de uma experiência espontaneamente trazida à consciência, em vez de provir de atividade mental (ou seja, pensamentos e emoções), ou de estímulos físicos (sensações). Trata-se de um sentimento instintivo, a fonte da inspiração, criatividade e ideias espontâneas. Psicologicamente, os cavaleiros também se relacionam à vontade. As características dos cavaleiros incluem:
• Ação
• Coragem
• Idealismo
• Impulsividade
• Iniciativa
• Paixão
• Entusiasmo
• Egocentrismo
• Imaturidade
• Teimosia

O Casal Monárquico

Existe uma tênue divisão na corte do Tarot entre o casal monárquico (o Rei e a Rainha) e os par de servos, o Cavaleiro e seu Pajem. Enquanto entre o Pajem e o Cavaleiro existe um movimento de ascensão perceptível (a diferença entre eles é comparável à diferença entre um aluno do ensino fundamental e um estudante universitário), as figuras do casal monárquico são mais estáticas e semelhantes. Nelas, o processo de desenvolvimento não é tão evidente como entre o Pajem e o Cavaleiro. A diferença está no fato de que o Rei e a Rainha são como as duas faces de uma mesma moeda. Seu poder é similar – o que distingue um do outro é o foco onde tal poder exerce sua força. Os Reis focam-se no mundo exterior, além das fronteiras de seu reino; as Rainhas concentram sua atenção ao mundo interior, dentro das fronteiras de seu reino.
Psicologicamente, poderíamos dizer que o Rei e a Rainha são os dois aspectos de uma mesma entidade, que personifica a maturidade da manifestação do elemento na personalidade, em seus aspectos ativo e passivo, yang e yin. O poder real das duas figuras do casal monárquico pode servir como metáfora para o domínio que uma pessoa completamente amadurecida tem sobre sua vida e a influência que exerce sobre os outros ao seu redor.
Na teoria jungiana das funções do ego, o grupo de quatro funções divide-se em dois pares; o par sensação-intuição caracteriza-se pela percepção de experiências irracionais, enquanto o segundo par, pensamento-sentimento se destaca por experiências racionais. A exemplo das funções psíquicas, o primeiro par de figuras da corte, Cavaleiro e Pajem, exibe formas mais imediatas de perceber a realidade; já o segundo par, Rei e Rainha, caracteriza-se pela abstração do julgamento.
O casal monárquico faz as decisões, enquanto os dois subalternos cuidam de executá-la. A exemplo do Rei e a Rainha, o par de subalternos também exibe a dicotomia de ativo/passivo, exterior/interior. O Cavaleiro é mais voltado ao mundo exterior ao reino, enquanto o Pajem ocupa-se principalmente das tarefas domésticas e cotidianas.

As Rainhas

Elemento
Função Psíquica
Fase de desenvolvimento humano
Água
Emoção
Idade adulta/maturidade

A Rainha representa o completo desenvolvimento do naipe, voltado para o interior. É o entendimento de si mesmo. E, através da compreensão de si mesma, ela é capaz de compreender o outro. O estágio da Rainha é um contraponto ao estágio anterior do Cavaleiro.
Ela representa o processo de internalização da energia do naipe, a transcendência da individualidade, e a percepção do outro. Enquanto o Cavaleiro está preocupado em se auto-afirmar, seguir seu próprio caminho e ser dono da sua própria vida (ou seja, sua individualidade), a Rainha já tem sua posição conquistada, e já tem sua identidade completamente estabelecida.

A rainha encarna a figura da matrona, da mãe, do feminino superior e autoritário. As Rainhas têm a mesma energia da Imperatriz, a carta 3, porém manifestada em um nível mais humano e imediato. De fato, é como se cada Rainha fosse um aspecto da Imperatriz.
O elemento Água é o responsável pela união, pela associação. A água serve de meio para a combinação de diversos elementos para o surgimento de algo novo. Ela é responsável pela manutenção da vida. Esse é o motivo devido ao qual o naipe de Copas se associa ao elemento Água – através de sua propriedade fluida, a Água aproxima e une as pessoas pelo que elas têm em comum, suas emoções. Por pertencerem a esse elemento, as Rainhas são sensíveis e conciliadoras.
Elas enxergam as pessoas por dentro, conhecem e compreendem suas necessidades. Empédocles, o primeiro filósofo grego a propor a ideia de quatro elementos primordiais, já associava o elemento Água a Perséfone, a Rainha dos mundos inferiores, o mundo dos mortos. Nesse sentido, note-se a relação de Perséfone com a Sacerdotisa da carta 2 dos arcanos maiores. Por trás da Sacerdotisa, no tarô de Waite,
há uma cortina estampada de romãs. Após ser raptada por Hades, o Rei dos mundos inferiores, Perséfone não pôde mais voltar por ter comido algumas sementes de romã. Através desse paralelo, a Sacerdotisa do Tarot pode ser também uma alusão a Perséfone, a Rainha dos mundos inferiores – do inconsciente, por assim dizer.
Psicologicamente, o elemento Água equivale à função psíquica da emoção. As características das Rainhas incluem:
• Autoridade
• Sensibilidade
• Percepção
• Sentimentalidade
• Conhecimento
• Receptividade
• Experiência
• Auto-segurança
• Possessividade
• Controle excessivo
• Mutabilidade

Os Reis

Elemento
Função Psíquica
Fase de desenvolvimento humano
Ar
Pensamentoo
Idade adulta/maturidade

O Rei representa o estágio de máximo desenvolvimento do naipe, voltado para o exterior e para a ação. Esse é o estágio do domínio, do poder total sobre as forças do naipe. Imagine cada naipe como um reino, então entenderá melhor o papel do Rei. Ele é a autoridade em seu campo.


Enquanto as figuras do Pajem e do Cavaleiro estão mais vinculadas a um momento específico da história, as figuras de rei e rainha estão presentes em todas as culturas, de todas as épocas. De certa forma a figura do rei era um reflexo maior da figura do pai em sua sociedade; assim como o pai era o chefe da família, o rei era chefe do povo. O papel do rei é comandar, e isso significa estabelecer as leis e dizer o que deve ser feito, e quando. Frequentemente, o rei detinha o papel de juiz máximo de seu povo, sendo responsável por definir o que era certo e o que era errado. O Rei é capaz de julgar e avaliar o exato valor de cada coisa, porque ele tem a experiência necessária para fazer um julgamento acertado, e a autoridade para ter sua palavra seguida.
Assim como as Rainhas dos naipes estão relacionadas à Imperatriz do Tarot, cada Rei representa a manifestação da energia do Imperador no nível humano e tangível. A diferença é que, enquanto o poder do Imperador é absoluto, a autoridade de cada Rei se delimita ao seu campo, ou seja, ao naipe ao qual ele pertence.
A figura do Rei é associada ao elemento Ar. Empédocles associou o elemento Ar a Zeus, o Rei dos deuses. Psicologicamente, o elemento Ar traduz-se pelo intelecto – a capacidade de combinar informações e criar abstrações a partir disso.
O aspecto intelectual do Ar está relacionado ao papel do Rei como juiz. A palavra “pensar tem origens em comum com a palavra “pesar” – ambas vêm do latim pendere, significando “pesar”.
A função psíquica associada ao elemento Ar é o pensamento, a capacidade de emitir julgamentos e tomar decisões através do raciocínio. O raciocínio, por sua vez, consiste na habilidade de alcançar a verdade através de um processo de comparações e abstrações dos fatores existentes em uma certa questão. As principais características dos Reis são:
• Autoridade
• Poder
• Liderança
• Domínio
• Julgamento
• Razão
• Discernimento
• Experiência

Cruzamentos dos elementos e seus significados

O Tarot é um jogo, um conjunto de elementos que seguem regras e têm cada qual sua função definida. Uma das “regras” do jogo do Tarot é a doutrina dos quatro elementos. Tal doutrina funciona como um denominador comum entre a quadruplicidade dos naipes e a quadruplicidade das figuras da corte. Observando a dinâmica dos quatro elementos através das cartas, podemos identificar o lugar delas no jogo do Tarot, ou seja, seu papel.
A coisa mais importante que deve ser entendida sobre esse processo de atribuição de significado é que ele acontece do geral ao específico, isto é, do âmbito simbólico do naipe ao âmbito simbólico de cada posição hierárquica. Cada figura da corte é um dos quatro aspectos de seu elemento e, como tal, incorpora um papel único entre as dezesseis figuras. Assim, todas as quatro figuras do naipe de Copas, por exemplo, pertencem ao elemento Água – são do “reino da Água”, por assim dizer; o que difere uma das outras é a associação elemental específica de sua função/posição. Todos os Pajens são de Terra, todos os Cavaleiros são de Fogo, todas as Rainhas são de Água e todos os Reis são de Ar. O Rei de Copas seria então “Ar de Água”, ou seja, a “parte ar” do elemento Água. Algumas pessoas preferem usar a fórmula “elemento do naipe + comportando-se como + elemento da posição, ou seja, “Água comportando-se como Ar”, no exemplo citado anteriormente.
Abaixo, uma tabela listando as associações para cada figura da corte:

Ouros/Terra
Paus/Fogo
Copas/Água
Espadas/Ar
Pajem/Terra
Terra de Terra
Terra de Fogo
Terra de Água
Terra de Ar
Cavaleiro/Fogo
Fogo de Terra
Fogo de Fogo
Fogo de Água
Fogo de Ar
Rainha/Água
Água de Terra
Água de Fogo
Água de Água
Água de Ar
Rei/Ar
Ar de Terra
Ar de Fogo
Ar de Água
Ar de Ar

Isto tudo pode ser confuso no começo, mas fica fácil à medida que percebemos o sentido das denominações dos elementos. Os quatro elementos da tradição ocidental são na verdade símbolos-raiz. Quando dizemos Fogo, não nos referimos apenas ao fogo que queima na lareira; no sentido esotérico, o elemento Fogo diz respeito a todo um complexo de conceitos, que, por convenção e economia, resumem-se na palavra-símbolo “Fogo”, do qual o fogo da lareira é a manifestação física.
Quando percebemos que, no lugar dos nomes dos elementos, podemos colocar outras palavras pertencentes a uma mesma categoria, as coisas começam a ficar mais fáceis. Por exemplo, em vez de dizermos que o Pajem de Copas é “Terra de Água” ou “Água comportando-se como Terra”, podemos dizer que ele é Emoção em Desenvolvimento. O elemento Terra nos Pajens traduz-se por um estado receptivo de desenvolvimento primário e inicial; o naipe de Copas caracteriza-se pela temática emocional. No Pajem de Copas temos a manifestação da emoção, do sentimento, de forma primária, direta, bruta e espontânea. É isso que faz de tal Pajem um personagem sonhador, delicado, sensível, doce, brincalhão, romântico e inocente; o contato direto que ele tem com suas emoções o faz vivenciá-las em sua forma pura. É isso também que faz o Pajem de Copas simbolizar o início de um sentimento ou sonho, ou a inspiração, ou uma afeição desapegada e espontânea. Através das chaves de dois elementos combinadas, podemos extrair uma infinidade de associações de significado. Esse sistema foi desenvolvido do final do século 19 ao começo do século 20, e perdura até hoje como uma base para a avaliação das figuras da corte.

Uma representação de conjunto dos quatro elementos
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O diagrama acima resume, em forma de imagem, os princípios que acabei de expor. No lado esquerdo temos o diagrama dos elementos, contendo em si seus aspectos quaternários; no lado direito vemos, como exemplo, o elemento Ar em destaque e, ressaltando dele, o seu aspecto Fogo – em outras palavras, Fogo de Ar, a configuração elemental correspondente ao Cavaleiro de Espadas.
Tipos de combinações
A forma que os elementos se combinam determina traços da personalidade que emerge de tal combinação. As regras das combinações são as mesmas usadas no método de Elemental Dignities
Combinações entre elementos opostos (Água + Fogo e Ar +Terra), caracterizam-se por um conflito entre o elemento geral (do naipe) e o elemento especifico (da posição hierárquica). Isso resulta em uma personalidade ambivalente e conflitante, altamente mutável e imprevisível.
Combinações entre elementos amigáveis (Fogo + Ar, Água + Terra) resultam em uma personalidade poderosa, que se destaca no naipe ao qual pertencem.
Combinações entre elementos complementares (Água + Ar, Fogo + Terra) são equilibradas, flexíveis e adaptáveis.
As personificações puras
Observando o diagrama dos elementos, abaixo, percebemos que, em cada ponta do quadrado, a parte do elemento permanece a mesma.

Esquema representativo da força específica de cada elemento
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Na tabela das associações, tais combinações estão em negrito. Esses são os aspectos puros de cada elemento, nos quais o estado de manifestação que ele representa e um dos seus próprios estados de manifestação coincidem. São o lado do elemento que permanece inalterado e puro. No Tarot, as figuras da corte relacionadas a esses aspectos personificam cada um dos quatro elementos de forma integral. Sua presença numa leitura indica – a) que a energia bruta dos ases está se manifestando no próprio consulente ou; b) que existe alguém, ou um acontecimento onde ele entrou em contato com essa energia. Tais cartas assemelham-se aos quatro ases, com a diferença de que elas não são impessoais como os ases; elas são os próprios elementos em forma de entidades.
Finalização: por que estudar tudo isso?
Quem chegou até aqui, depois de ler o texto todo, pode estar perguntando-se qual a utilidade de tanta complexidade. E a resposta é bem simples – esses sistemas são o paradigma fundamental na atribuição de significado às cartas. É neles que se baseiam os significados que geralmente lemos nos livros. Mesmo as definições populares, em última instância, têm como referência esses paradigmas. Mas isso é definitivo? É mesmo necessário estudar essas coisas para entender melhor as cartas? Bem, depende.
Ao contrário do que muita gente pode imaginar, o Tarot não surgiu como um sistema divinatório. De acordo com a grande maioria das evidências de que dispomos hoje, seu uso original foi em jogos de cartas comuns. Registros de um uso divinatório/oracular das cartas datam de cerca de 300 anos após o seu surgimento. Até que, no final do século 18, as cartas do Tarot começaram a chamar a atenção de ocultistas Europeus mais influentes, que não demoraram a incluí-lo em seu sistema esotérico. Foi a chamada redescoberta do Tarot – ou invenção, de acordo com o seu ponto de vista. Os primeiros a olharem o Tarot como portador de um conhecimento secreto encararam-no como um sistema simbólico universal. Na crença de estarem descobrindo sua grandiosidade, tais estudiosos acabaram por inventar um novo Tarot, em muitos aspectos. Esse sistema serviu de base para os voos mais altos que fazemos hoje em dia, como associar o Tarot à psicologia jungiana, por exemplo.
Qualquer pessoa que estuda o Tarot entra em contato com um conhecimento que foi estabelecido, a princípio, por essas pessoas. Independentemente do uso que fazemos das cartas, maior ou menor que seja nosso embasamento teórico, todos nós incorporamos, conscientes disso ou não, elementos das doutrinas desses estudiosos no nosso processo de entender e extrair significado das cartas. Pessoas como Court de Gébelin, Eliphas Lévi ou MacGregor Mathers são os responsáveis pela associação das cartas com a Astrologia, a Qabalah e a Tradição dos Quatro Elementos, as três doutrinas mais fortemente associadas ao Tarot. Tal união foi tão forte que o sistema imagético de versões novas do Tarot passou a ser produzido de acordo com esses novos parâmetros de significado. Não há, portanto como negar a importância de tais figuras na conceitualização e uso modernos do Tarot. Exceto no caso de usar um baralho anterior as inovações introduzidas por essas pessoas, alguém que deseja ter uma relação mais próxima com seu baralho de trabalho, bem como uma compreensão mais profunda dos símbolos contidos nele, certamente conseguirá isso melhor buscando a informação de onde ela veio, ou seja, na produção literária dessas pessoas.
Isso nos leva à seguinte conclusão – as associações das cartas com Astrologia, Qabalah ou elementos são um sistema artificial, mais inventado do que descoberto, ou percebido. Apesar do fato de a Astrologia e a doutrina dos quatro elementos terem feito parte do corpo de pensamento filosófico na época da criação do Tarot, não há hoje evidências apontando para uma profunda associação delas com as cartas que não seja anterior ao século 18. Isso quer dizer que os significados dados às cartas são sim relativos e particulares, o que significa basicamente que eles fazem total sentido quando inseridos em um sistema maior, que lhes dá a referência.
Mas, é possível não se basear nessas tradições para compor o corpo de significados das cartas? Sim, claro. Temos hoje uma infinidade de baralhos disponíveis, que se baseiam mais ou menos nos sistemas tradicionais – isso quando há algum embasamento tradicional sequer. Novos artistas, novos teóricos – e novos tarólogos – têm abordado as cartas por outros viés, contribuindo para uma nova concepção do Tarot – uma nova invenção do Tarot, por assim dizer. E eu acredito que a validade dessas novas teorias e visões não é algo que possa ser decidido objetivamente, cabendo a cada um que estuda as cartas decidir se elas cabem ou não no seu universo de concepção tarológica. Para alguém que amadurece sua comunicação com as cartas, as interpretações tradicionais servem mais como trampolins para uma relação mais íntima com as cartas. O Tarot é uma linguagem entre o tarólogo e seu próprio sistema de valores, símbolos e significados. Em última instância, o único compromisso que cada estudante de Tarot deve ter, é consigo mesmo.

Bibliografia
Livros:
The Tarot: History, Mystery and Lore – Cynthia Giles, 1992, Paragon House
Understanding the Tarot Court – Mary K. Greer & Tom Little, 2004, Llewellyn
Seventy Eight Degrees of Wisdom: a Book of Tarot – Rachel Pollack, 1980), Weiser Books
Tarot Symbolism – Robert O’Neill, 1986 (ed. 2004), ATS
The Complete New Tarot: Theory, History, Practice – Onno & Rob Docters van Leeuwen
Sites:
Taroteachings.com, de Avia Venefica – www.tarotteachings.com/tarot-court-cards-elements.html
Llewellyn.com: artigo Hidden and Secret Meanings – The Court Cards, part II, de David Allen Hulse – www.llewellyn.com/journal/article/387
Kheper.net – artigo The Four Ego Functions, M. Alan Kazlev – www.kheper.net/topics/Jung/typology.html
Wikipedia.com – verbetes Aristotle, Carl Jung, Knight, Queen, King, Page
Taroteca.multiply.com (imagens)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/as-figuras-da-corte-e-suas-associacoes-elementais/

Uma Introdução Inicial aos Mistérios Matemágicos – que são muito interessantes

Não vos percais com os preceitos da Ordem
– O LIVRO DO ÚTERO 1:5

NO PRINCÍPIO

Olhe para o céu em um dia ensolarado, sem núvens e diga o que vê. Se conseguir descrever algo é porque está olhando para o lugar errado. Procure no céu algo que perturbe o olhar, é uma forma esférica e luminosa, quando a encontrar, olhe diretamente para ela e diga o que vê. É o Caos. A Maçã da Discórdia em sua forma mais pura. É o sorriso da Deusa. Os macacos chamam esse Glorioso Explendor simplesmente de sol, ou ainda estrela, ou ainda astro, numa tentativa cada vez maior de enterrar Sua Sorriso Esquisofrenicamente Belo. Mas para poder compreender os macacos, temos que falar sua língua, e assim nós começamos nosso mergulho.

Macacos, perdão, cientistas, acreditam que o sol, e outras estrelas, mas vamos nos focar apens no sol, nada mais é do que uma bola gigante de gás. Mas não bastando acreditar nisso eles foram além, eles acreditam que os gases que formam essa bola ficam no lugar por causa do próprio peso. De cara já percebemos que existem duas palavras que não se encaixam em um descritivo de uma dama: bola e peso. Mesmo assim, continuemos.

Cada parcela do sol é atraída para todas as parcelas restantes pela força da gravidade[1], se precisar de uma imagem para conseguir entender isso, pense na atmosfera da terra sendo atraída para a terra. Agora, se temos uma quantidade discretamente chamativa, de gases sendo forçados em direção a um único ponto, o lógico seria que o sol fosse do tamanho da cabeça de um alfinete, certo? Isso poderia ser o caso, caso não fosse por outra força.

Imagine que está em um show. Imagine que é um show do AC/DC e você quer chegar perto da banda para vê-los tocar. Você tem duas opções:

A) Chega cedinho, assim que abrem os portões corre para a grade perto do palco, abraça a grade e espera.

B) Chega minutos antes da banda entrar, com o estádio lotado e força caminho rumo a grade.

Estou falando por experiência própria. Num show cheguei cedo e fui para a grade. A Banda entrou. Em dois minutos estava sendo pisoteado e meu braço estava sendo quebrado. Foi um show do cacete. No outro cheguei logo antes da banda entrar, forçando passagem consegui assistir a tudo a menos de 3 metros de distância do palco. Qual a licão que tirei dessas duas experiências?

No jogo da vida é melhor ser o gás sendo levado rumo ao centro do sol do que o gás que está no centro e não tem por onde sair.

Para o sol não desmontar sobre si mesmo a pressão em seu interior cresce de acordo com a força pela qual os gases são atraídos para o centro. Isso faz com que no centro a temperatura seja mais alta, a pressão maior, o número de coisas ocorrendo ao mesmo tempo loucamente incalculável. Faz com que quem está fora queira entrar e quem está dentro comece a desejar não estar naquele miolo. O sol de fato é muito semelhante a um show do AC/DC. Todo astrofísico deveria realizar este experimento para se aproximar daquilo que estuda de longe.

Aumente a pressão de algo, a temperatura aumenta, e qualquer pessoa que já esqueceu uma panela de pressão no fogão ligado conhece um dos fatos básicos da vida: você pode estar cercado de alumínio, pode estar cercado por ferro, pode estar cercado por uma liga metálica criada pela NASA, quando o calor resolve sair, ele sai. Assim essa energia que existe dentro do sol de pressão empurrando pra fora, gravidade puxando para dentro resulta, num primeiro momento em luz e calor. Mas num segundo momento resulta em muito mais.

Para resumir uma longa e chata história esse ciclo é cíclico, muito gás, muito peso, muita pressão no núcleo, essa pressão empurra tudo para fora, onde o peso faz voltar para o núcleo, etc… Mas afirmarmos que o sol é feito de gás é um erro, e como já demos várias explicações científicas desde o começo do texto vamos corrigí-la. O calor dentro do sol é tão descomunal e a pressão tão fodasticamente forte que, como no show do AC/DC, qualquer coisa lá no meio não tem forma. Se não possui uma forma básica que seja composta de alguma coisa menor não podemos nem dizer que aquilo é um gás. Por isso usam o nome plasma ou, trocando em miudos, aquilo que quando for deixado em paz vai virar a base para se formar átomos. O centro do sol é uma enorme sopa de energia nem em estado líquido, nem gasoso, nem sólido.  Quando se afastam do centro essas partículas começam a se formar e do meio do Caos surge a primeira forma, poderíamos chamar de a primeira informação. Só que essas partículas estão alucinadas, como se tivessem passado o dia numa fissura atrás de crack e tivesse acabado de cheirar meio quilo de cocaína cada uma. Isso faz com que essas partículas recém formadas já saiam para bater cabeça umas com as outras, novamente, como no show. Quando partículas sub atômicas batem uma de frente com a outra numa velocidade grande o bastante o que acontece?

Bem, poderíamos dizer agora que Chernobyll foi não um acidente, mas uma homenagem à Deusa.

O núcleo do sol é como um reator nuclear boiando no espaço. Mas nem tudo é simplesmente bate cabeça. Quanto mais distantes do núcleo, mas as formas aparecem. Eventualmente várias partículas fogem do núcleo do sol, vários prótons e neutrons e elétrons, assim que a força do núcleo diminui um pouco sobre eles, graças à distância as forças nucleares fortes e fracas e o eletromagnetismo entra em ação e voilá, um elétrom fica preso na órbita de um prótom e ai você tem seu primeiro átomo da tabela periódica, o Sr. Hidrogênio. Quando eventulamente as estrelas entram em colapso, suas áreas cheias de hidrogênio são esmagadas em cima de si mesmas, o sol explode e nisso começa a fabricar hélio, que tem dois prótons e dois elétrons, e a coisa continua, cada vez que uma estrela entra em colapso ela começa a fazer os átomos que a constituem se fundir em átomos mais pesados, chegando no urânio que é a baleia dos átomos e serve pra fazer bombas. Eventualmente esses átomos são cuspidos para longe das estrelas quando elas explodem e vão para o universo, onde sob certas condições começam a se combinar em moléculas, e as moléculas se combinam em coisas maiores e logo logo surgem gases, líquidos e minérios. Por isso, sim! A culpa de você estar sem ter o que fazer na frente do computador é do sol – isso do ponto de vista do macaco. Do ponto de vista correto isso significa que todos viemos d’Ela, cada micro parte de nosso ser, vomitado por suas maçãs espalhadas pelos cosmos.

Esse processo explica como um bando de matéria solta se une, forma uma estrela e começa a cuspir átomos que viram outras coisas como gasosas, planetas e você ou eu. Acredita-se que no início do universo havia apenas hidrogênio e hélio, por um lado esses dois elementos partiram de uma sopa violenta de energia, que só existia por causa do Caos e por outro esses dois elementos, depois de milhões e milhões de anos de abuso, foram transformados em outros elementos. Como a Deusa sorri para sua criação de todos os ângulos que podemos perceber não é surpresa descobrir que isso vem acontecendo pelos últimos 17 bilhões de anos.

Se chegou até aqui ótimo, você acabou de me ver explicando dois processos interessantes:

1- Fusão Nuclear

2- Matemática

APÓS O PRINCÍPIO

Resolvi sair na rua e brincar um pouco. Escolhi a rua porque ela fica mais longe da wikipedia do que a casa e locais de trabalho dos outros. Também escolhi a rua porque vivemos em uma sociedade onde as pessoas tendem a despirocar quando aparece dentro de suas casas e locais de trabalho uma pessoa estranha. E assim sai pelas calçadas com uma prancheta na mão, um crachá no bolso do paletó e meu melhor sorriso de vendedor de carros usados perguntando para as pessoas coisas como nome, número do rg, endereço, idade, telefone, grau de escolaridade e o que é matemática. Descobria algumas coisas interessantes com isso.

Primeiramente descobri que mesmo vivendo em uma sociedade onde as pessoas despirocam quando aparece dentro de suas casas e locais de trabalho uma pessoa estranha, elas não tem problemas para dar seus dados para uma pessoa estranha se ela está segurando uma prancheta e sorrindo para elas.

Segundamente descobri que quanto mais velhas e supostamente instruidas, mais estúpidas ficam as pessoas. Vejam, as pessoas mais velhas e com maior grau de instrução respondiam que a matemática é O ESTUDO DOS NÚMEROS. As mais jovens e com menos instrução respondiam que a matemática é A CIÊNCIA DOS NÚMEROS. As crianças de até 7 anos que responderam a pesquisa afirmaram que NÃO SEI O QUE É MATEMÁTICA, mesmo quando o responsável presente insistia em querer contaminar a jovem mente com a idiotice da maturidade.

Ponto para as crianças. Não há como explicar o que é a matemática.

Cientistas são por definição pessoas preguiçosas. Sempre que vão fazer estudos com animais perdem anos ensinando a eles como se comunicar de forma humana para tentar entender o que os bichos pensam ao invés de simplesmente aprender a línguagem dos bichos e experienciar o que eles pensam. Tente ler Finnegan’s Wake do Joyce em qualquer tentativa de tradução e logo vai entender o problema com essa preguiça científica.

Para evitar cair no mesmo erro eu dediquei horas e dias aprendendo a linguagem dos macacos e transcrevo aqui exatamente o que eles pensam sem traduções grosseiras.

O Dogma Simiesco afirma que:

“É fato sabido que a espécie humana já conhece os números abstratos há cerca de 8.000 anos. A matemática formal, simbólicam com equações, teoremas e provas, tem pouco mais de 2.500 anos. O cálculo infinitesimal foi desenvolvido no século 17; os números negativos passaram a ser usados comumente no século 18, e a álgebra abstrata moderna, onde símbolos como x,y e z denotam entidades arbitrárias, tem apenas 150 anos.”

O macaco que disse isso não é um macaco qualquer, ele é Keith Devlin, um macaco que atingiu o cargo de diretor executivo do Centro de Estudos de Linguagem e Informação, além de professor do Departamento de Matemática da Universidade de Stanford, assim como pesquisador da Universidade de Pittsburgh, nas horas vagas ele é membro da American Association for the Advencement of Science. Como eu disse, parece qu equanto mais velha e instruída, mais estúpidas ficam as pessoas.

Nosso amigo prossegue com uma rápida linha do tempo da matemática que tenta explicar do que ela se trata:

Até 500 a.C. a matemática era algo que tratava de números. A matemática do antigo Egito, Babilônia e China consistia quase que inteiramente em aritmética. Era largamente utilitária e de uma variedade bem do tipo “livro de receitas” (Faça isso e aquilo com um número e você terá a resposta).

– Entre 500 a.C. e 300 d.C. a matemática se expandiu além do estudo dos números. Os matemáticos da antiga ©récia se preocupavam mais com a geometria. Na verdade eles viam os números de uma perspectiva geométrica, como medidas de comprimento, e quando descobriram que havia comprimentos aos quais não correspondiam seus números (chamados comprimentos irracionais), o estudo do assunto praticamente estancou. Para os gregos, com sua ênfase em geometria, a matemática era números e forma. Foi somente com os gregos que a mamtemática realmente passou de um conjunto de técnicas para se medir, contar e calcular para uma disciplina acadêmica, que tinha tanto elementos estéticos quanto religiosos.

– Depois dos gregos, embora a matemática progredisse em diversas partes do mundo – notavelmente na Arábia e na China -, sua natureza não mudou até meados do século 17, quando sir Isaac Newton (na Inglaterra) e Gottfried Leibniz (na Alemanha) inventaram, independentemente, o cálculo infinitesimal. O cálculo infinitesimal, em essência, é o estudo do movimento e da mudança. A matemática tornou-se o estudo dos números, da forma, do movimento, da mudança e do espaço.

– A partir de 1750 houve um interesse crescente na teoria matemática, não apenas em suas aplicaçnoes, à medida que os matemáticos procuravam compreender o que estava por trás do enorme poder do cálculo infinitesimal. Ao final do século 19, a matemática havia se transformado no estudo dos números, forma, movimento, mudança, espaço e das ferramentas matemáticas que são usadas nesse estudo. Este foi o início da matemática moderna.

Bem, vocês sentiram esse cheiro? Parece comida digerida, descolorada e largada ao vento? Aquele cheiro fresco de merda?

SIM!!! É chegado o momento do selo.

Como qualquer um pode ver, toda essa exposição é uma grande pilha de merda. Mas não há motivos para nos chatearmos. Qualquer jardineiro sabe que é na merda que crescem as flores.

Vejamos que flores podemos colher dai.

1ª Flor

No post anterior vimos que números são coisas sinistras, vamos expandir aqui essa noção baseadas em fatos. Números são invenção de nossas mentes, a matemática, como veremos, não precisa em absoluto de números para ser conduzida.

2ª Flor

Não houve um período em que a matemática adquiriu elementos religiosos, ela teve sua origem na religião, como veremos.

3ª Flor

Essa evolução da matemática parte de um ponto de vista técnico e não natural. Veja porque agora.

Muitos construtores, fossem arquitetos, engenheiros, agrimensores, artesãos, perceberam que para se fazer qualquer coisa é preciso se trabalhar com proporções. Para se erguer uma coluna de tantos metros precisamos de pedras de tal tamanho. Para se fazer uma ponte assim e assado, precisamos de tanta madeira e tanta corda. Para se construir pássaros metálicos autômatos que cantam sozinhos, precisamos de tanta água e tanto metal, e as coisas precisam ser montadas de tal forma para que o sopro do ar imite o canto dos pássaros.

Logo eles descobriram que a matemática tinha uma forma de fazer essas proporções se tornarem perceptíveis e maleáveis, e passarma a usá-la como ferramenta de trabalho, da mesma forma que a Igreja Católica passou a usar Deus e Jesus e Maria como ferramentas de trabalho.

Assim não é de se espantar que quando Newton e Leibnitz começaram a brincar de cálculo que os cientistas da época resolvessem criar uma modinha de se usar matemática pra tudo. Como a física era o ramos da ciência que mais dava status, todos queriam ser físicos, e assim a matemática, coitada, ficou presa à física. Veja que na época quase tudo que era considerado matemática tinha a ver com a física. Depois disso ela evoluiu e tomou outros rumos, como matemática pura por exemplo, que descarta a necessidade de um mundo para a ciência existir.

Por isso, sempre que procuramos uma história da matemática, quase sempre encontramos uma descrição de seu desenvolvimento e evolução do ponto de vista que vai do primitivo e supersticioso, e também inteiramente prático até o século XVII e XVIII, e ai se torna uma arte física, e a partir dai o quanto ela se distancia da física. Assim temos uma noção primitiva e mística/supersticiosa de matemática, temos a criação da matemática moderna por homens brancos e religiosos e depois temos a evolução da matemática nas mãos desses homens brancos e religiosos que agora gostam de se intitular de Ateus para poder dizer que eles inventam a matemática, e não algum Deus de barbas brancas.

Bom, em um ponto esses homens brancos acertaram, a matemática não veio de um Deus de barbas brancas, veio de uma Deusa com sérios problemas bipolares – como toda deusa que se preze tem que ter.

4ª Flor

E talvez a mais importante. Por mais cavalhereisco que você seja, nunca foda com um alemão que inventa uma forma nova de se usar a matemática. Ele com certeza vai descobrir onde sua mãe mora. A fama nem sempre vale o preço que estamos dispostos a pagar.

Amarrando nosso lindo buquê

Temos então a visão clara de que grande parte do estudo matemático e da história da matemática é racista e chauvinista. Mas não se preocupe, vamos começar a corrigir isso agora.

Já vimos que um dos efeitos colaterais de nosso sistema nervoso, isso para não dizer da vida, é a capacidade de reconhecer pequenos grupos e notar pequenas diferenças de mudanças nesses grupos. Essa capacidade é aquilo que evoluindo se torna a capacidade de contar. Essa capacidade de reconhecer grupos e mudanças é facilmente confundida não apenas com contagem como com uma persepção ou senso de números. Vejamos alguns experimentos interessantes realizados com bebês e pessoas acidentadas.

Em 1967 Jacques Mehler e Tom Bever decidiram brincar com crianças. Não de uma forma suja e bizarra, mas cientificamente. Até então muitas pessoas não sabiam se bebês podiam contar ou tinham uma mínima noção de grandezas. Até então não havia testes que pudessem dar respostas claras do que os bebês achavam ou pensavam. Até os dois supracitados cientistas perceberem algo.

Eles reuniram crianças entre dois e quatro anos, e apresentaram para elas dois grupos de doces. Ao invés de testes onde haveria qualquer necessidade de comunicação a coisa foi resolvida da seguinte maneira. Na frente de cada criança colocavam dois grupos de doces, um com seis M&Ms, agrupados juntos e outro com quatro M&Ms espaçados. A idéia era criar um grupo de aparência menor, com mais docês e um que ocupasse mais espaço e tivesse menos doces. Então diziam para as crianças escolherem qual grupo de doces queriam. A grande maioria das crianças não pensava duas vezes antes de atacar o grupo mais compacto porém com mais doces.

Em 1980 resolveram ir além e testar crianças ainda mais novas. Prentice Starkey, na Universidade da Pensilvânia, fez um teste com 72 bebês com idades variando entre 16 e 30 semanas de vida. Ela colocou os bebês no colo da mãe e ambos na frente de um monitor. Sem avisar o bebê, como se ele estivesse em uma pegadinha do Mallandro, Prentice filmava os olhos dos bebês para poder cronometrar o tempo que ele investia observando algo. A lógica é muito boa, simples e muito MUITO boa. Se um bebê encara algo por muito tempo está prestando atenção – da forma que bebês prestam atenção – se os olhos ficam vagando de um lado para outro é porque perderam o interesse.

Nas telas exibiam slides, sempre que os olhos do bebê perdiam o interesse um novo slide era mostrado. E o que era mostrado era o seguinte: uma tela com dois pontos dispostos mais ou menos horizontalmente. Assim que o olhar mudava de direção surgia um novo slide com dois pontos em direções diferentes. Ela notou que a cada novo slide o tempo de atenção era menor. De repente, sem aviso, mostravam três pontos. Imediatamente o bebê voltava a se interessar, encarando o monitor por um período grande de tempo de 1.9 segundos, subia para 2.5 segundos.

A mesma experiência era feita ao contrário. Três pontos em posições aleatórias eram mostrados, sendo detectada uma crescente falta de interesse. Assim que era substituído por dois pontos o interesse voltava.

Algum tempo depois foram feitos experimentos que comprovaram que bebês com 2 ou 3 dias de vida conseguiam descriminar mudanças em no tamanho de conjuntos.

Essas e inúmeras outras experiências do tipo provaram que bebês conseguem lidar com mudanças em conjuntos que contenham 1, 2 ou 3 objetos. As crianças com menos de um ano parecem não saber distinguir 4 objetos de qualquer número maior. Mas o interessante é que essa habilidade não é exclusividade de crianças e bebês, em experimentos onde adultos tem que responder quantos pontos, arranjados de maneira aleatória, aparecem em uma tela, o tempo necessário para darem a resposta quando surgem um ou dois pontos é praticamente idêntico, para reconhecer três pontos levam pouco mais de meio segundo, mas quando o número de pontos ultrapassa o três o tempo de reconhecimento começa a subir, e conforme o número de pontos cresce o número de erros cresce também. Isso deixa claro que as respostas são resultados de dois processos cerebrais completamente diferentes. Até três nós reconhecemos imediatamente a quantidade, além de três nós contamos quantos objectos estão presentes. Quando o número de pontos nos slides aumenta, o tempo requerido para que a cobaia cuspa o resultado também aumenta. Linearmente. Ou seja, demora mais porque está contando, e números maiores precisam de mais tempo para serem contados. Duvida? Conte até 10 mentalmente. Que número chega antes? o 7 ou o 3?

1, 2 e 3 são “valores”, “quantidades”, “padrões” que reconhecemos instintivamente. Sem pensar. Da mesma forma que a vespa talvez não fique imaginando que precisa arranjar a raiz quadrado de 25 lagartas para deixar com seus ovos. Isso me faz crer que 1, 2 e 3 não sejam números de fato. Numeração começa além do quatro. Se preferir podemos inverter e eu afirmo que os únicos números que existem em nosso cérebro são o 1, o 2 e o 3, e a partir do 4 são outra coisa qualquer. Desenvolverei essa ideia com o tempo.

Bem, além de preguiçosos, cientistas e homens da razão em geral tem uma diversão depravada curiosa: adoram passar décadas reinventando a roda.

Releia os experimentos antes de prosseguir. Para facilitar a compreensão vamos seguir certa ordem cronológica.

1- A moda hoje é afirmar que o Antigo Testamento foi escrito na época do rei Salomão, que afirmam ter sido por volta de 1009a.C. a 922 a.C. No livro Gênesis 1:26-27 (negritos meus)

E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.

E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.

2- Lao-tsé, em seu Tao-te king, escreveu, na China, no ano 500 a.C:

“Tau a Razão criou Um. Este Um tornou-se Dois, e o Dois produziu o Três, e o Três produziu todos os outros seres”.

3- Platão, que viveu entre os anos 427 a.C. e 348 a.C. (dando ou tirando um ou dois anos), escreveu:

“O ser humano foi criado no início com o homem e a mulher não formando mais do que um só corpo.

Cada corpo tinha quatro braços e quatro pernas. Os corpos eram redondos e rolavam por toda parte, servindo-se dos braços e pernas para se mover. Acabaram por desafiar os deuses. Um deus disse então: “Matemo-los, pois são muito perigosos‖! Um outro disse: “Não, tenho uma idéia melhor.

Vamos dividi-los em dois; assim não terão mais que dois braços e duas pernas; não serão mais redondos. Não poderão rolar; sendo dois oferecerão o dobro de sacrifícios e, o que é mais importante, cada metade estará tão ocupada procurando a outra que não terão tempo para nos desafiar”.

4- Manava Dharma Sastra, antigo livro hindu datado do século 1 a.C. traz o seguinte texto:

“No começo só existia o infinito, chamado aditi. No infinito se encontrava A U M, razão pela qual deve preceder toda prece ou invocação”.

O Livro de Manu, antiga obra hindu, diz: “A sigla A U M significa terra, céu e paraíso”.

5- Uma tábua de argila encontrada por William Niven no México datadas de ?! e batizada como tábua número 150, lemos uma lenda Nacal de como a terra foi povoada:

“O Criador criou Um, Um se tornou Dois”.
“Dois produziram três”.
“Destes três descende toda a humanidade”.

digo datadas de ?! porque alguns entusiastas do impossível chegam a datar as tábuas de mais de 12.000 anos atrás. Investigaremos isso a fundo e talvez coloquemos a data correta.

Ainda entre os Nacals existe o seguinte símbolo:

Ele é um dos três símbolos formando um parágrafo que significa:

O criador é Uno. Ele é dois em um, Lahun. Esses dois formam o Filho – o Homem Mehen.

Este gráfico é chamado também de “o texto misterioso”, porque de qualquer maneira em que seja lido, começando-se de qualquer ponto do triângulo formado pelos símbolos, o significado permanece o mesmo: um, dois,
três.

6- Em 1967 John Lennon compôs uma epifania musical, que se inicia com:

I am he as you are he as you are me and we are all together.

Para ilustrar melhor eu costumo dividir em:

|I am he| as |you are he| as |you are me| and |we are all| to get her!

Agora tentem notar alguma similaridade entre aquilo que foi descoberto com crianças e esses textos citados.

Alguém?

Nos diz muito a respeito de nosso cérebro como podemos pensar “que coincidência a religião e a filosofia tratarem de trindades e termos uma capacidade inata de distinguir grupos de três” mas não achamos coincidência que os isótopos de ferro que são cuspidos por super-novas como isótopos radioativos de níquel e cobalto nas proporções exatas que encontramos no ferro usado para fazer martelos aqui na terra.

Em um primeiro momento essa conexão pode parecer estranha. Mas vamos analisar outras coisas que não tem nada a ver com isso por hora.

Dê uma olhada com calma na figura abaixo. Me diga o que acha que ela é.

O engraçadinho que respondeu que isso se parece com o raio X da mochila de alguma senhora  embarcando para o Paraguai terá a cabeça sodomizada mais tarde. Isso é um Mattang, um mapa. Ele é confeccionado com fibras de palmeira, gravetos ou qualquer coisa que possa ser usada para traçar linhas e curvas.

Para dar uma idéia do que exatamente é uma dessas coisas chamaremos Pablo.

PABLO! TRAGA O MATTANG!

Como podem ver, o Mattang de cima é uma versão do que Pablo, nosso Travesti de estimação segura. Espere.

PABLO! SUA BESTA, VIRE ELE!

Pronto, agora dá pra reconhecer aquele padrão de folha na parte superior direita, as duas retas paralelas no centro e as linhas curvas na esquerda em baixo.

Falemos sobre mattangs agora.

Os ilhéus do pacífico costumavam navegar bastante de uma ilha para outra. Vai ver eles se enchiam das pessoas presas com eles na própria ilha, vai ver eles ouviam sobre festas nas ilhas visinhas. Algumas das ilhas eram próximas umas das outras, algumas estavam distantes centenas de quilómetros. Esses ilhéus eram o que você provavelmente chamaria hoje de “índios”, ou seja, suas viagens eram realizadas em pequenos barcos e sem a ajuda de qualquer  instrumentos de navegação moderno. Por serem “índios” eles não dispunham de bússolas, sextantes, ou mesmo de cartas de navegação. Latitude e longitude deveriam soar como marcas concorrentes de refrigerante para eles. Mesmo assim, eles pegavam seus barquinhos de “índio” e se metiam no mar para ir atrás das outras ilhas. E acredite, eles chegavam onde queriam.

Na falta de civilização para os entreter, esses ilhéus se ocupavam com outras coisas que estavam por perto, como por exemplo o mar. Na verdade o mar não estava apenas por perto, ele estava em volta, se estendia até o infinito e em algumas épocas também estava por cima. Com o tempo esses ilhéus aprenderam a reconhecer o padrão formado pelas ondas. Não apenas as que rebentavam em suas praias, mas as ondas no meio do caminho. Pelo movimento das águas na superfície do mar, mesmo que não houvesse qualquer vestígio de terra à vista, eles sabiam exatamente onde estavam por saber que desenho as ondas se formavam lá.

Como eles dependiam da navegação para muitas coisas, eles tinham “escolas de índios” que ensinavam os jovens a reconhecer esses padrões. Um dos “livros didáticos de índios” que eles usavam eram os mattangs. No mattang eles colocavam a posição de onde estavam, dos desenhos das ondas ao redor, no meio e no final dos vários percursos. Também contavam com a ajuda do sol e das constelações, além de pássaros, mas o mattang era o simulador de vôo que eles dispunham.

Agora pense no seguinte. Se o mar fosse sempre o mesmo, nós seríamos estúpidos de não nos guiar por seus padrões, mas ele não é o mesmo. Para começar ele é feito de água, e água, diferente de concreto, costuma ter uma natureza muito mais maleável e insconstante. Além disso se venta um dia num canto, ou tem um tsunami do outro lado do mundo, as ondas são afetadas e mudam de forma certo? Como conseguir se guiar por padrões que estão constantemente sujeitos a mudanças? Como gravar esses padrões em muttangs para que eles pudessem ser ensinados a jovens e crianças para que eles os reconhecessem quando os vissem? Se o mar muda o tempo todo, como um navegador índio da Oceania consegue saber onde está, a qualquer momento, apenas olhando para o mar?

Deixemos os índios de lado, vamos voltar para a civilização pelo momento. Claramente vocês se lembram de eu ter citado “pessoas acidentadas” mais acima. Vamos a elas.

Esta é Signora Gaddi. Ela sofreu um derrame. Mas males o menor e o derrame deixou sua faculdade de fala e de rascioncíneo, mas fudeu completamente com sua capacidade de reconhecer números. Ela literalmente não conseguia determinar ou avaliar o número de objetos em qualquer conjunto. Ela também só conseguia repetir os “nomes” dos números até o 4, e assim só conseguia contar os elementos de um grupo de quatro ou menos objetos.

Esta é Frau Huber. Ela teve que fazer uma operação. Enquanto a maioria das mulheres de hoje opera para tirar um pouco de gordura ou colocar muito silicone, Frau Huber queria retirar uma parte de seu lobo pariental esquerdo; não era exatamente vaidade, ela tinha um tumor lá. Depois da cirurgia, sua inteligência e capacidade de falar pareciam ter permanecido bastante boas, mas os números não. Ela também conseguiu foder sua capacidade de reconhecer números. Ela não conseguia somar nem multiplicar nem mesmo usando os dedos. Ela repetia a tabuada de multiplicação, mas era como se estivesse recitando um poema, nada daquilo fazia sentido. Ela continuava capaz de aprender que a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa, mas apenas como você consegue decorar que a energia é a massa vezes a velocidade da luz ao quadrado. Não fazia sentido nenhum, se mostrasse um triIangulo retângulo de catetos igual a 3 e 4 e pedisse para dizer quanto media a hipotenusa ela repetiria a fórmula, mas não saberia calcular ou dizer ou entender aquilo.

Em Paris, algum tempo atrás, uma pessoa que vamos identificar aqui como “o paciente” sofreu um acidente. Sim, ele deve ter recebido flores. Sim, ele deve ter usado um daqueles aventais de hospital que deixa a bunda de fora. Não ele não morreu. Na verdade para deixar mais misterioso nem vou dizer se O Paciente é ele ou ela. Ao invés de morrer seu cérebro sofreu uma lesão que deixou o cérebro basicamente intacto, a não ser por sua capacidade de contar. Ele conseguiu foder sua capacidade de reconhecer números. Isso não significa que O Paciente não conseguia somar 2 mais 2. Isso significa que se você colocasse cinco objetos na frente d’Ele, Ele não saberia dizer quantos eram. Se colocasse dez objetos a mesma coisa. Curiosamente quando 3 pontos eram mostrados para ele em um slide ele conseguia repetir corretamente o número de pontos.

Claro que apenas usar acidentados para conseguir ibope pode parecer de mal gosto. Vamos ver pessoas que não precisaram foder sua capacidade de reconhecer números, elas já nasceram com a capacidade fodida.

Este é Charles. Ele é um jovem muito inteligente. Ele é graduado em psicologia. Ele precisa de uma calculadora para somar 2+2. Vejam, ele é de fato inteligente. Ele se graduou em psicologia e não em frentistologia, e ele não consegue somar 5+8. Isso não quer dizer que ele não consiga, ele usa a calculadora, lembra-se? Ele consegue usar a calculadora para fazer as contas e percebe o resultado, mas nada do que ele digita nela ou ela lhe mostra faz sentido algum. Quando a conta é simples e ele tem tempo ele usa os dedos, conhece os nomes dos números, mas não os enxerga. Dê dois números a ele como 20 e 2, ou 14 e 10.937.498 e pergunte qual o maior. Ele não saberá dizer, ele começa a contar nos dedos e vê qual chega primeiro, esse, logicamente, é o menor. Em um teste ele levou oito segundos para somar 8 e 6, em outro levou doze segundos para subtrair 2 de 6. Ele não conseguiu realizar contas mais complexas como 7+5 e 9+4. Obviamente ele levou mais tempo do que seus amigos para se formar, mas se formou.

Aquela ao lado de Charles é Julia. Não eles não tem qualquer parentesco, nem se conhecem. Como Charles, Julia também se graduou e não apenas isso, ela fez pós graduação. Como Charles ela também só conseguia contar usando os dedos e quando os números iam além do 10 ela suava frio e sentia os olhos se encherem de lágrimas, quando os dedos terminavam, também terminava a contagem. Frações para ela eram algo incompreensível, apesar dela ser capaz de cortar um bolo de aniversário em pedaços. Ela não consegue contar de 3 em 3, a não ser na mão, um a um e enfatizando cada terceiro nome: um, dois, TRÊS, quatro, cinco, SEIS, sete, oito, NOVE, etc., etc., ETC. Diferente de Charles, Julia conseguia dizer se um número era maior do que outro.

Que lições podemos tirar disso? Em primeiro lugar parece que um daltonismo para números é possível. Depois que chamamos pessoas que não percebem cores, pessoas que não percebem números, pessoas que não percebem dor de deficientes, mas pessoas que não percebem a Deus de Ateus, e por algum motivo esses “ateus” parecem se colocar em um grupo acima ao dos daltônicos, das pessoas com deficiência no senso numérico e das pessoas acometidas de Alopecia.

Há uma terceira lição que pode ser interessante. As pessoas lesionadas ou que não tem esse senso de número mostram que aquilo que chamamos de números parecem parasitar uma área específica do cérebro. Uma área diferente da parasitada pela linguagem. Dito isso podemos também afirmar que… ok, bando de covardes.

Dito isso eu afirmo que a matemática, assim como a linguagem, possuem circuitos próprios que já vem instalados em nosso sistema nervoso. Quando essas placas de circuito se quebram deixamos de contar ou de falar. Isso separa a matemática de nós, de cara. Nós somos equipados com o hardware, mas o software não vem de nós, nós apenas a descobrimos. E digo mais. Não precisamos de números para realizar matemática. E vou além! Aquilo que chamamos de números, não são o que você acha que são.

Caso você ainda pense que a matemática é inventada ou criada pela mente superior do homem moderno, pense nisso antes de dormir: se o teorema dos quadrados dos catetos não tivesse sido “inventado” antigamente para você calcular uma hipotenusa, ele eventualmente seria inventado em algum ponto da história, exatamente igual. O mesmo para teoremas e fórmulas mais complexas. Se um teorema ou fórmula não depende da mente superior de um “homem” específico para vir a existir como a compartilhamos? Se a matemática é uma invenção da mente, de quem é a mente que a cria?


eis sua MÃO!!!

Por LöN Plo

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/uma-introducao-inicial-aos-misterios-matemagicos-que-sao-muito-interessantes/