A iluminação das trevas

Ainda hoje me lembro da primeira vez em que fomos apresentados, nalguma convenção de Role Playing Games (RPGs) em São Paulo. Ele, o criador e editor de alguns dos melhores ambientes de RPG no Brasil; eu, somente um cara que havia criado um mundo de fantasia que havia feito certo sucesso na web.

Foi somente um aperto de mão, mas foi a forma como ele me olhou que chamou minha atenção. Sabe, nós místicos temos um sério problema em sermos compreendidos por todos aqueles que, para resumir, mal sabem o que significa propriamente o termo “misticismo”.

Não se trata de algum sentimento de “superioridade” em relação aos outros, mas tanto o oposto disso – é como se existisse uma rede a preencher todo o Cosmos, e como se os seus longos fios etéreos passassem por todos os corações e os conectassem num mesmo tecido eterno. A isto alguns também chamam amor. Não somos superiores, portanto, somos iguais, somos amantes, amantes do Tudo.

Dessa forma, é como se habitássemos algum lugar, algum campo de relva, fora do tempo e do espaço mas, ao mesmo tempo, dentro de nossa própria mente. Descrevê-lo seria inútil, pois ele também se encontra além das palavras; mas há alguma coisa no olhar daqueles que por lá caminharam, algum brilho que faz com que os místicos, esses loucos, possam reconhecer uns aos outros… Foi só um aperto de mão, mas alguma intuição me dizia que ainda iríamos cruzar nossos caminhos de novo…

Naquela altura eu nem havia iniciado meu blog, Textos para Reflexão, e ele nem havia sido convidado para ser colunista do Sedentário & Hiperativo, um dos blogs de variedades com maior audiência do país. Mas, quem sabe onde e quando no Infinito, uma ponta da longa teia era já puxada, e nós, tal qual pequeninas formigas, marchávamos sem saber em direção a um ponto de intercessão.

Em sua coluna, Teoria da Conspiração, ele abordou a mitologia, as religiões, a história antiga e medieval, e até mesmo o ocultismo, de uma forma surpreendentemente didática, livre de dogmas (religiosos ou científicos), e capaz de conquistar uma boa parcela de um público em sua maioria jovem – quem sabe, com um ou outro místico adormecido, prestes a despertar…

Com o tempo, ficou claro para ele que seria necessário criar um outro canal menor, afluente da grande audiência do Sedentário, para poder dizer coisas mais “ocultas” a um público menor, mais preparado para absorver tais ideias mais profundas. Não se trata de nenhuma “ordem secreta”, mas tão somente de um outro blog, homônimo da sua coluna, aberto a visita de todos, mas logicamente com uma audiência bem mais restrita que a do Sedentário. Mal comparando, seria como um canal de documentários que nasceu de um canal de variedades – uma audiência menor, mas com pessoas mais interessadas e dispostas em aprender.

Assim, mesmo sendo um dos ocultistas mais conhecidos na web brasileira, ele ainda teve a sabedoria, ou intuição, de convocar outros blogueiros espiritualistas para serem colunistas do seu Teoria da Conspiração, que acabou se tornando uma espécie de blog coletivo, com místicos de todas as áreas, da psicologia a mitologia oriental, contribuindo em conjunto para tornar o blog algo maior, um projeto de iluminação das trevas da pior ignorância – a ignorância da própria alma.

Foi assim que nossos caminhos voltaram a se cruzar. Não somente na virtualidade da minha coluna em seu blog, mas também nas poucas e proveitosas ocasiões em que tive o prazer de me encontrar e trocar algumas ideias com Marcelo Del Debbio, que se revelou um místico tão nerd quanto eu.

Não é que ele esteja no controle total de toda essa situação. Ele pode ser um espírito antigo, mas até mesmo por isso tem sabedoria e bom senso suficientes para compreender que existem espíritos muito, muito mais antigos do que todos nós, e muito mais sábios, puxando a ponta dessa grande teia… Até onde ela nos levará, nenhum de nós parece saber ao certo – mas que ela se inclina para a luz, nenhum de nós parece ter alguma dúvida…

E a luz foi criada para ser refletida. Este livro é tão somente a porta de entrada para um campo cheio de espelhos voltados para o alto. O que eu e o Marcelo temos feito é tão somente tentar posicioná-los na direção certa.

Esta é uma edição dos primeiros artigos do Teoria da Conspiração.

Rafael Arrais

***

O texto acima fará parte da Introdução de O Grande Computador Celeste, um livro digital que estará eventualmente disponível para download gratuito nos formatos epub (Kobo) e mobi (Amazon Kindle). Poderá ser lido tanto em eReaders quanto tablets, laptops e smartphones, bastando para tal instalarem os aplicativos de leitura gratuitos da Amazon ou da Kobo. Vejam como ficou a capa:

#Livros

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-ilumina%C3%A7%C3%A3o-das-trevas

Conspiração por trás das guerras mundiais

Um ex-agente dos Serviços Secretos Britânicos, Willian Guy Carr, publicou em seu livro Paws in The Game (Peões no Jogo) parte da correspondência mantida entre 1870 e 1871 entre Giuseppe Mazzini e Albert S. Pike, que hoje se conserva nos arquivos da Biblioteca do British Museum, em Londres. Em uma das cartas, datada de 15 de agosto de 1871, Pike comunica a Mazzini o plano a ser seguido pelos Illuminati durante os séculos 20 e 21: “Fomentaremos 3 guerras que envolverão o Mundo inteiro: a primeira delas (1ª Guerra Mundial) permitiria derrotar o poder dos czares na Rússia e transformar esse país na Fortaleza do Socialismo ateu de Karl Marx, necessária como antitese na Teoria Dialética Hegeliana” (ver capítulo sobre Guerra Fria). Um Mundo esgotado pelo conflito não interferirá no processo de constituição da “Nova Rússia”, que futuramente será utilizada para “destruir outros governos e debilitar as religiões”.

O segundo conflito (2ª Guerra Mundial) seria desencadeado aproveitando as diferenças entre o nazi-fascismo e o movimento sionista judeu. Em primeiro lugar, seria dado apoio financeiro e político aos regimes europeus para que se transformassem em ditaduras férreas, opondo-se à Democracia e provocando uma nova convulsão mundial, cujo fruto mais importante será o estabelecimento do Estado de Israel na Palestina, como foi determinado pela ONU no pós-guerra, representando um evento que tem repercussões graves até hoje. As comunidades judaicas reivindicam este território desde há tempos imemoriais.

A terceira e definitiva guerra mundial (3ª Guerra Mundial), prognosticada por Pike, se desencadearia a partir dos enfrentamentos entre sionistas judeus e dirigentes muçulmanos (Judaismo X Islamismo). Este conflito deve orientar-se de tal forma que o Islã e o sionismo político destruir-se-ão mutuamente, obrigando outras nações a entrar junto na luta, até o ponto de haver esgotamento físico, mental, espiritual, financeiro e político absoluto no planeta. Ao final da terceira guerra, os Illuminati terão desencadeado o maior cataclisma social jamais visto no Mundo, lançando uma onda revolucionária que, comparativamente, reduzirá a Época do Terror na França a uma ingênua brincadeira de criança.

As massas, então, decepcionadas diante da ausência de reação das autoridades políticas e religiosas, serão levadas a um nível tal de desespero que destruirão o cristianismo e o ateísmo simultaneamente, destruirão o capitalismo e o socialismo, vagando sem direção em busca de um novo ideal. Somente ai então, segundo Pike, ” a verdadeira luz com a manifestação universal da doutrina pura de Lúcifer virá à tona. Os Illuminati apresentarão ao Mundo um novo líder capaz de devolver a paz e a normalidade ao planeta e todo o processo desembocará finalmente no Governo Síntese.

Nos últimos anos de sua vida, Mazzini se correspondeu com Albert S. Pike, advogado e general sulista durante a Guerra de Secessão. Mas sabemos que, além disso, foi um dos dirigentes máximos da maçonaria do rito escocês no novo continente e um membro ativo, com o cargo de chefe de justiça do Ku Klux Klan, ou Clã do Círculo. O KKK foi fundado por outro maçom, chamado Nathan Bedford Forrest. A importância de Pike entre as sociedades secretas do século XIX nos EUA é bem comprovada por alguns de seus títulos, como o de Soberano Pontífice da Maçonaria Universal ou Profeta da Franco-Maçonaria. Especialmente fascinado pela possibilidade de ver em vida um governo mundial, sua intensa atividade e sua eficácia o levaram, em 1859, a alcançar o cargo de responsabilidade máxima dos Illuminati.

Um documento de junho de 1889 e intitulado Associação do Demônio e dos Iluminados, em que Pike dirigia algumas instruções secretas aos 23 conselhos supremos da maçonaria mundial, traz alguns detalhes desse novo rito, partindo da primeira advertência a seus membros: “A vós, Instrutores Soberanos do Grau 33, os décimos: Tens que repetir aos irmãos de graus inferiores que veneramos um só Deus, a quem oramos sem superstição. Só nós, os iniciados do Grau Supremo, devemos conservar a verdadeira religião maçônica, preservando pura a doutrina de Lúcifer”.

No mesmo documento, Pike fala: Ele sim, Lúcifer, é Deus! Desgraçadamente, Adonai (referindo-se ao Deus judaico-cristão) também é Deus, porque segundo a lei eterna, não há luz sem escuridão, beleza sem feiura, branco sem preto. O absoluto só pode existir na forma de duas divindades diferentes, assim como a escuridão funciona como fundo para a luz, a estátua requer uma base e a locomotiva necessita de um freio”. E acrescentou: ” A verdadeira e pura religião é a fé em Lúcifer”. Essa é a fé Illuminati.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/conspiracao-por-tras-das-guerras-mundiais/

A’ano’nin (Túneis de Set)

Por Kenneth Grant, O Lado Noturno do Éden.

 

O 26º Túnel está sob a égide de A’ano’nin, cujo número é 237. Seu nome deve ser pronunciado num tom áspero e gritante na clave de ‘A’. Seu sigilo deve ser pintado em negro dentro de um pentagrama de cor índigo e invertido.

 

Seu túnel passa por baixo do 26º caminho que transmite o 16º kala na série de kalas microcósmicos começando com o 11º caminho. Deveria ser lembrado neste ponto que as zonas de poder Cósmico ou Aeônico constituem as dez sephiroth, não sendo Daäth um kala no sentido estrito do termo porém um portal de Ingresso e Regresso de Aiwass (78) via Kether.667 As zonas de poder microcósmicas ou sexuais são os 22 Caminhos que, junto com as 10 zonas de poder Aeônico ou macrocósmico, perfazem 32 no total.

 

Os 22 Caminhos são reflexos na consciência humana das zonas de poder da consciência cósmica. Os aeons podem também ser considerados em relação aos centros cerebrais no homem, e os kalas em relação aos centros sexuais.668 O mecanismo psicossexual dos 16 kalas na humanidade (8 na mulher; 8 no homem) é refletido dos centros aeônicos ou zonas de poder cósmico dentro do fluido cérebro-espinhal e do sistema endócrino. O 16º  kala, em um sentido macrocósmico, é igualado ao Caminho 16, o Caminho da Har ou Criança (Horus). Ele é nascido da Deusa 15, representada no Caminho 15 como A Estrela cujo emblema místico é o décimo-primeiro signo zodiacal, Aquário. Este simbolismo foi explicado em Aleister Crowley e o Deus Oculto, ao qual o leitor é convidado a examinar.

 

O reflexo de Hórus no 16º kala microcósmico, que é numerado como 26, é O Diabo, ou Duplo, de Hórus, i.e. Set. Uma perfeita fusão ou equilíbrio de forças nos macro e micro cosmos é então obtida neste 26º kala, que é regido pelas energias de Capricórnio. O Bode é o astro- glifo da Mulher Escarlate cujo OLHO (Ayin) é atribuído a este caminho via o simbolismo do Atu XV, O Diabo. Este ain, ou olho, alcança sua mais completa extensão no nome da Sentinela deste túnel, i.e. A’ano’nin. Seu número é 237 que é também aquele de Ur-He-Ka, o Poder Mágico(k) da Deusa ShPhChH (Sefekh), 393.669 237 é também o número de IERAOMI, ‘ser um sacerdote ou sacerdotisa’, o que confirma a natureza sagrada deste número.

 

O sigilo de A’ano’nin mostra o Ur-heka encimado pela cabeça do sacerdote e cercado pelas letras BKRN, que somam em 272. Este é o número de Aroa, ‘Terra’, e de Bor, ‘consumir’, ‘ser bestial’, ‘bruto’, etc. Ele é também o número de Orb, significando ‘a noite’, ou um Arab, i.e. uma pessoa vivendo no Oeste. O Oeste é o local de Babalon. Seu totem, o bode, é o glifo da terra no oeste como o local do sol poente. Obr, uma metátese de Orb denota ‘lágrimas’, ‘gotejamento de mirra’, da palavra egípcia abr, ‘ambrosia’, ‘unguento’, e de aft, significando ‘transpirando’, ‘destilando’.

 

Os poderes mágicos do Caminho 26 se relacionam ao Sabá das Feiticeiras e ao Olho Mau e este kala é aquele que é destilado pelo rito do XIo, pois o Olho Mau é o Olho da Noite (i.e. a lua), e a unção, o ungüento, ou gotejamento de mirra é o Vinum Sabbati preparado no por do sol no caldeirão da Mulher Escarlate. Capricórnio é a Chama Secreta sobre a qual ferve o caldeirão, portanto sua conexão com Vesta, que, junto com as divindades Khem, Set, Pan, e Príapo, é atribuída ao Caminho 26.

 

A doença típica deste kala é o priapismo, e os animais sagrados à ele são a ostra, o bode, e o asno. O último é o totem específico da mulher e das qliphoth associadas à Lua de Yesod, o Gamaliel ou ‘Asno Obsceno’.

 

O túnel de A’ano’nin é povoado por sátiros, faunos, e demônios do pânico, e a Ordem de Qliphoth associada à ele é a dos Dagdagiron, significando ‘os Fishy’ (‘piscosos’- relativo à peixe), o que denota a natureza feminina. A Arma Mágica correspondente é a Força Secreta representada pela lâmpada, que é uma alusão ao olho oculto dentre as nádegas do bode.

 

A atribuição do Tarô a este Caminho 26 é o Trunfo intitulado O Diabo, O Senhor dos Portões da Matéria; pois a corrente lunar é o mênstruo de reificação que ferve dentro do Cálice de Babalon. Ela é a noiva de Choronzon pois ele é em verdade Senhor dos Portões da Matéria.

 

Segundo o Liber CCXXXI:

 

O Senhor Khem surgiu, Ele que é santo entre os mais elevados, e posicionou seu bastão coroado para redimir o universo.

 

Isto significa que Set ou Pan ergue o falo para redimir o universo, de cuja redenção a fórmula técnica está resumida no XIo O.T.O. O Diamante Negro é o símbolo secreto deste operação que envolve os poderes totais da geração, pois o diamante brilha na escuridão da matéria como o Olho de Set.

 

O panteão africano é representado neste túnel por Legba, o fetiche da ‘vara nodosa’, i.e. o falo. Ele é algumas vezes conhecido como Echu, o ‘rejeitado’; rejeitado, isto é, pelo não iniciado que é incapaz de compreender o valor da Primeira Matéria e sua relação com os aspectos mais sutis da consciência. Primeira Matéria, neste contexto, é uma alusão àquele fluido excremental que forma parte do Vinum Sabbati. Isto é destilado no Banquete de Legba que é conhecido como Odun, e que é indubitavelmente o precursor do Sabá das Feiticeiras. Odun quer dizer ‘o ano’ e significa um ciclo de tempo completo, portanto conectando o simbolismo ao ciclo periódico da mulher. A referência é à serpente lunar que confere riqueza perpétua, então sua associação com o Diabo e Poder Material.

 

Como é importante fazer uma distinção entre a magia do XIo tal como praticada pelos membros contemporâneos da O.T.O., e a interpretação daquele grau fornecida por Crowley em seus Diário Mágico,670 eu me sinto justificado em citar a seguinte passagem de Aleister Crowley e o Deus Oculto com relação ao simbolismo deste túnel:

 

Este simbolismo revela a fórmula do XIo O.T.O., que é o rito reverso e complementar do IXo. Ele não envolve o uso sodomítico do sexo, como Crowley supunha, porém o uso da Corrente lunar como indicado em seu Diário Mágico pela frase El.Rub. (Elixir Rubeus).

 

Os antigos Mistérios Draconianos de Khem sobre os quais o Culto de Shaitan-Aiwass está por fim baseado são silentes a respeito de qualquer fórmula sodomítica exceto como uma perversão da prática mágica. Naquela Tradição – a mais antiga do mundo – Horus e Set representavam originalmente Norte e Sul; o calor de Set era simbolizado pelo poder escurecedor ou enrubescente do sol no sul, também por Sothis a estrela que anunciava a inundação periódica do Nilo, interpretada místicamente como um fenômeno dos Mistérios Femininos. A lama vermelha, a inundação, o Horus ‘cego’, o Osíris atado em faixas, o sol choroso ou eclipsado, todos eram igualmente simbólicos do ciclo periódico da natureza feminina. Set, como o assento, não simbolizava o fundamento literal, mas a fundação no sentido lunar e Yesódico do fluxo fisiológico que é a base verdadeira de manifestação e estabilidade. Similarmente, o simbolismo regressivo da paródia medieval destes antigos Mistérios, com seu assim chamado Sabá das feiticeiras e os obscaenum, era uma referência ainda legível à fórmula lunar. A interpretação errônea destes Mistérios em termos anais é, para o Iniciado, tanto uma perversão de doutrina (e, como tal, uma blasfêmia sacramental) quanto é a recitação do Pai Nosso de trás para frente e a violação dos sacramentos para o cristão ortodoxo.671

 

667 Existem 78 chaves ou chamadas no Livro de Thoth e todas elas tem uma posição na Árvore da Vida. 78 é um número de Aiwass, a Inteligência extra-terrestre que comunicou a Crowley a Lei do presente Aeon de Horus. Ele é também o número de Mezla, a influência do alto, ou do além. Note que 26 (o número deste túnel) vezes 3 (o número de Saturno ou Set) é igual a 78. Note também que o Atu XVI é entitulado A Torre ou Fortaleza de Deus. Compare com os ‘onze templos dos Yezidi’ com o ‘Aeon de onze torres’ mencionados por Crowley em O Trabalho Cephaloedium. Vide Mezla (editado [por]Ayers e Siebert), Nos. 5 e 6, onde este Trabalho está publicado.

 

668 Vide Cultos da Sombra, capítulos 1 e 2, para uma explicação sobre estes assuntos.

 

669 Vide notas na página 166, supra.

 

670 Vide O Diário Mágico da Besta 666 (Ed. Symonds e Grant), 1972.

 

671 Aleister Crowley e o Deus Oculto, págs.109-10.

 

***

 

Texto adaptado, revisado e editado por Ícaro Aron Soares.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/aanonin-tuneis-de-set/

Chymical Wedding – Casamento Alquímico

Aqui está o estudante no começo da Grande Obra alquímica (seus instrumentos ainda estão no chão). A caveira aponta para a morte de tudo o que é velho e precisa ser deixado para trás na transformação que irá acontecer. A fênix sobre a mesa representa o resultado desta transformação. A vela debaixo da mesa representa a luz divina que está sempre acesa nas pessoas, mesmo que elas não a percebam.

O estudante está lendo um livro; geralmente é sempre assim que começa a transformação (ele deseja conhecimento). Um anjo o visita com uma mensagem, um convite, este é o chamado espiritual e pode acontecer de diversas maneiras: uma visão, um acidente, etc. e o estudante sente que deve seguir a trilha espiritual.

As asas do ajo são feitas de penas de pavão, outro símbolo alquímico (Cauda Pavonis), quando a luz do estudante começa a brilhar.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/chymical-wedding-casamento-alqu%C3%ADmico

Aleksandr Dugin – Eurasianismo, a Ideologia da Nova Rússia e a “Civilização Ocidental”

C. Baptista
No Brasil que alcançou o “sexto PIB do mundo” pouquíssimas pessoas conhecem sua própria história, muito menos a história universal ou a de um país como a Rússia, milenar e decisivo no jogo político internacional. Não falo simplesmente do seu passado remoto, muito menos de sua herança cultural herdada de Bizâncio. Sequer me refiro à URSS e, fazendo justiça ao acervo cultural do brasileiro médio, nem mesmo ao período recente de Yeltsin e Putin. Seria pedir demais, muito pedantismo “pequeno-burguês” de nossa parte. Bobagem conhecer a história ou se informar sobre acontecimentos de outros países.

Um traço “diretor” do caráter do brasileiro é a compulsão em se enxergar como discriminado e diminuído pelo “preconceito” europeu e americano, mas ele mesmo, como apedeuta e preguiçoso que é, esquiva-se de estudar e nem se esforça, – minimamente que seja – para compreender realidades externas ao seu torrão natal. Neste quesito fica atrás dos EUA, onde ao menos existe uma elite intelectual que por trás de uma massa de nulidades se aprofunda criticamente sobre os dilemas mundiais, o que não ocorre no Brasil onde o próprio Itamaraty se transformou em aparelho barato do governo de ocasião.  Mas, este artigo, pouco original e simplório, é direcionado ao restrito clubinho de compatriotas sequiosos de alcançar a verdade, para os quais nunca há limites para a obtenção de novas informações.

Através de um amigo que freqüenta os cursos do filósofo Olavo de Carvalho, tomei conhecimento há algum tempo da obra e ação política do russo Aleksandr Dugin. Para alguém que há mais de 20 anos estuda a história e economia soviética e escreveu há muitos anos atrás um análise sobre o que era a economia russa antes de 1917 (sem contar que minha monografia de graduação em economia em 1994 foi centrada na história recente da URSS e as reformas no início dos anos 90), embora um pouco afastado do tema, foi uma indicação oportuna, sobretudo pelo avanço no neo-comunismo russo de Guenady Zyuganov sobre Putin que se avizinha do ocaso esperado.

Expoente maior na atualidade do “Eurasianismo”, Aleksandr Dugin é alguém bastante próximo da linha dura comunista pós-soviética, de poderosos elementos das agências de (des) informação, membros da Duma (Parlamento) e do Executivo russo. Além disso, é quadro do Partido Político “Eurasia” é autor de “Fundamentos de Geopolítica”, um dos manuais empregados em cursos da Academia Militar Russa sob chancela do Alto Comando das Forças Armadas. Adicionalmente, participou recentemente de um debate com o pensador brasileiro radicado nos EUA, Olavo de Carvalho, que merece ser avaliado por todos que busquem melhor compreensão das implicações do “Eurasianismo”.

Resta um paralelo indelicado com o Brasil. Enquanto nosso país adota um “modelo” de crescimento ancorado no mercado externo e exportações de commodities (o que nos torna uma economia baseada em um tipo de especialização produtiva escravizada pela nova “divisão internacional do trabalho”, para usar termo emprestado de reconhecidos economistas marxólogos) de curto prazo e vulnerável a oscilações da economia internacional (ora, ao acusador cabe o ônus da prova, esta não é a tese cepalina?), a Rússia não só tem crescido como recuperado parte do seu capital humano, sendo capaz de modernizar seu setor militar-industrial. A “sonolenta” Rússia e os países da “ex-URSS”, antigas repúblicas soviéticas, são mais diretamente responsáveis pela queda das potências centrais no “ranking” do PIB que a suposta ascenção de países do “futuro” como o Brasil.

Voltando ao tema principal, não tenho conhecimento de títulos subscritos por Dugin em língua portuguesa. Apenas traduções amadoras na internet e parcas referências biográficas. Em inglês o interessado, entretanto, pode fazer o download de alguns “papers” que abordam com metodologia de qualidade variável o conceito de “eurasianismo” e filigranas de seu pensamento, uma mescla assaz inventiva e inteligente da religiosidade e misticismo russos (a “alma” da Velha Rússia) e leituras de Karl Schmidt,  Karl Haushofer, Guido Von Lizt, René Guénon e uma pequena plêiade de autores que estão longe de pertencer ao “mainstream” de abobalhados e papagaios de pirata que vêm arruinando a academia ocidental.

Bem, nos comentários à biografia e idéias de Aleksandr Dugin do Sr. John Dunlop pudemos encontrar uma apreciação global do que é o “Eurasianismo” e suas implicações como fundamento ideológico do imperialismo pós-soviético. Não podemos crer “in totum” nem no Sr. Dunlop (um defensor aberto da ‘sociedade atlanticista’) nem no que atribui ao Sr. Dugin, assim como não poderíamos, ao que tudo indica, depositar fé irrestrita em um intelectual russo que prega a desinformação sistemática como técnica de enfraquecimento do Ocidente. È pois crucial à política preconizada por Dugin o conceito de “revolução conservadora” que restaure os valores heróicos de uma tradição renovada. Mas, enfim, o que é o “Eurasianismo”? O que faz dele uma doutrina importante na Rússia atual e como sua gradual penetração entre as elites daquele país (onde tem se tornado uma “moda de salão”) impacta de forma preocupante a sociedade ocidental.

Recorrendo à extensa literatura do século XX sobre geopolítica – e especialmente a escola alemã do entre-guerras de Karl Haushofer – Dugin coloca um conflito dualístico entre o “Atlanticismo” (países “do mar” e civilizações com os Estados Unidos e a Grã Bretanha) e “Eurasianismo” (estados baseados na terra e civilizações como a Eurásia-Rússia). Como Wayne Allensworth percebeu, uma vez que se penetra a linguagem aparentemente reacional e acadêmica em “Fundamentos de Geopolítica”, tornamo-nos cientes de que ‘A geopolítica de Dugin é mística e oculta em essência, o formato das civilizações mundiais e os vetores conflitantes do desenvolvimento histórico são retratados como formatados por forças espirituais invisíveis além da compreensão do Homem
A partir de abril de 2001, um Dugin antes anônimo tornou-se uma personalidade política famosa na Rússia com a fundação do Movimento Político e Social Eurásia, que passava a atender inúmeras expectativas políticas voltadas para a primazia do Estado sobre o indíviduo, através de uma fórmula que combinava autocracia, submissão ao regime e xenofobia. Seu foco não é o recurso a meios militares para que a Rússia passe a predominar na “Eurásia”, mas um programa de desestabilização dos potenciais inimigos através da desinformação patrocinada pelos agentes do regime russo e seus aliados. O objetivo final é reestabelecimento de um império pós-soviético, após a capitulação de Gorbachev diante do Oeste, que sucumbiu à estratégia dos “atlanticistas”, particularmente os Estados Unidos da América. Neste sentido, Dugin enxerga a Federação Russa de 1991 não como um Estado em sentido lado, mas como uma “formação transicional no amplo e dinâmico processo geopolítico global”.

 

No enredo escrito pelos teóricos da “Grande Eurásia”, os russos étnicos cumprem o papel de sustentáculos de uma civilização única, um povo messiânico e “portador de significância pan humana”. Este povo deve funcionar como o substrato étnico do novo império (o que não difere muito do que ocorrera na extinta URSS). Ignorar o povo russo como um “fenômenos civilizacional” equivaleria do fim da Rússia enquanto civilização. Os russos, diz Dugin, são em primeiro lugar ortodoxos, russos em segundo e apenas no terceiro lugar, pessoas.

 

O maior inimigo a atacar seria a “Anaconda Americana”, uma metáfora da pressão que os EUA e seus aliados exercem sobre sobre as zonas costeiras da Eurasia, reduzindo o papel da Rússia ao de uma potência regional tão somente. Atacá-la significaria negar em bloco a doutrina do “Atlanticismo”, repudiar o controle estratégico dos Estados Unidos e refutar firmamente a supremacial valores econômicos liberais e favoráveis ao mercado, criando-se uma “base civilizacional comum” que impulsionasse a união dos povos eurasianos.

 

A tática, segundo diz Dugin, consiste em “introduzir a desordem geopolítica na atividade americana interna, encorajando todos os tipos de separatismo e conflitos étnicos, sociais e raciais, apoiando ativamente todos os movimentos dissidentes – extremistas, racistas e grupos sectários, de modo a desestabilizar processos políticos internos aos EUA. Isto só iria fazer sentido caso fosse combinado ao suporte às tendências isolacionistas na política americana”. Um aliado importante do projeto eurasiano seria a América Latina e propõe “a expansão eurasiana nas Américas Central e do Sul com o objetivo de libertá-las do controle do Norte. Como resultado destes esforços de desestabilização, os Estados Únicos e seu aliado mais próximo, a Grã Bretanha, iriam eventualmente ser forçados a deixar as orlas da Eurasia (e África) e ‘o edificio inteiro do Atlanticismo’ iria ao colapso”.

 

Algumas alianças são propostas por Dugin: 1) Um eixo Moscou-Berlim, em que a tarefa de Moscou seria retirar a Europa da OTAN (leia-se EUA), amparar a unificação européia e estreitar laços com a Europa Central sob a égide do “eixo fundamental externo”, gestando uma Europa unida e amigável, sob o princípio do inimigo comum, os Estados Unidos; 2) a formação de um “bloco franco-germânico, com raízes na Itália e Espanha, isolando ainda mais a Inglaterra; 3) o exercío de dominância política da Alemanha sobre Estados católicos e protestantes na Europa Central; 4) A junção da Finlândia e da República Autônoma da Karelia; 5) a inserção da Estônia na esfera de influência alemã; 6) a manutenção da existência da Ucrânia apenas como “mero cordão sanitário”; 7) a criação do Eixo Moscou-Japão e estreitamento de laços com a Índia; 8) a caracterização da China como um “factotum atlanticista” e maior ameaça ao Eurasianismo e as regiões do Tibete, Sinkiang, Mongolia e Manchuria, em seu conjunto, como um “cinto de segurança” para a Rússia e estabelecimento de uma legítima de influência para o país como “compensação geográfica, adstrita às Filipinas, Indonésia e Austrália; 9) a ideia da “aliança continental russo-islâmica” delineada no eixo Moscou-Teerã, fundada em uma estratégia antiatlanticista comum enraizada na “total incompatibilidade espiritual com a América; 10) o emprego estratégico de um tradicional aliado russo contra potencial agressão turca, a Armênia.

 

Misto de receituário político eficaz e desinformação de guerra, o arsenal geopolítico de Dugin precisa ser levado mais a sério. Parte de sua tática vem se concretizando, como o afastamento político e econômico da Grã-Bretanha do Continente capitaneado pela Alemanha e França, como se testemunhou mês passado nos desdobramentos das discussões acerca de um programa de estabilização na zona do Euro. Outras medidas podem ser abertamente diversionistas (ou não, não se pode trabalhar neste terreno mas no do cálculo de probabilidades) como a “ameaça” chinesa. Tudo depende do grau de importância e credibilidade que o analista ocidental, calçando as sandálias da humildade, possa atribuir aquilo que despreza por não compreender, ou estudar.
Last, but not least“, a pergunta que não quer calar é: será que a sociedade ocidental atlanticista do Oeste, moralmente podre e com valores em frangalhos poderá resistir ao assédio e à guerra de fricção movida por povos (não falo do russo, mas em especial os países islâmicos, o budismo e as tradições hinduístas sob a égida do “eurasianismo”) que rejeitam sua programação política desenhada por pequenos grupos de interesses que querem, a todo custo, fazer prevalecer seus próprios “direitos” às custas de toda uma população?

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/aleksandr-dugin-eurasianismo-a-ideologia-da-nova-russia-e-a-civilizacao-ocidental/

A cultura Draco-Luciferiana

Na busca pelo autoaperfeiçoamento, pelo autoconhecimento e pela liberdade psicomental, o iniciado em si mesmo educa sua vontade, exercita o livre-pensar, a psiconáutica e desenvolve a criação visionária. Dentro do contexto filosófico oculto, do gnosticismo ofita esquerdo e do draconismo, o indivíduo procura englobar em sua bagagem cultural as ciências arcanas e “malditas” e os quatro grandes pilares do conhecimento humano, a saber: ciência, religião, filosofia e arte em seus aspectos mais ocultos, criativos e práticos para a experiência da consciência individual.

Mas todo esse conhecimento adquirido deve ser profundamente compreendido e internalizado para que se torne sabedoria. É importante “filtrar” com discernimento a cultura, o conhecimento, as informações que se adquire, pois todo e qualquer conhecimento internalizado pode se converter em néctar ou veneno. O néctar proporciona clareza de pensamento, organização intelectual e consciência iluminada (ou luciférica); o veneno se espalha na constituição humana, dispersando e confundindo todo o conhecimento não compreendido e não assimilado, distorcendo a realidade, distorcendo o entendimento e podendo causar algum nível de distúrbio psicomental.

Assim, a cultura pessoal de cada indivíduo autoconsciente, de cada filósofo livre, de cada luciferiano e de cada draconiano, deveria ser relativamente ampla e abrangente, dentro do possível. Porém, não é o que ocorre com relação à grande maioria das pessoas, geralmente (muito) comuns e correntes. Há pessoas, ou grupos, com matéria mental ainda muito crua e rudimentar, mesmo na atualidade com tantas tecnologias e informações acessíveis a muitos. Por outro lado, há também aqueles de inteligência mediana muito específica, condicionada, um tipo bastante comum de “inteligência de ofício”, útil somente para a atividade profissional estritamente mundana e corriqueira, o que é diferente da inteligência (de “ofídio”) mais expandida daqueles que se interessam por conhecimentos além do comum e corrente, além da prosaica vida mundana cotidiana, limitada, insossa e sem maiores expansões psicomentais.

A inteligência expandida encontra o meio de se manifestar somente no influxo psicomental de indivíduos abertos, receptivos, conectados aos planos “invisíveis” (pode-se ver a mente?) de luz e trevas (a essência de toda manifestação), demonstrando uma avançada compreensão interior devido ao seu próprio grau evolutivo individual. Pessoas tais possuem inquietudes e vontade pelo saber, capacidade de descobrir as coisas por si mesmas e sede de conhecimentos. Essa arte de descobrir, de adquirir conhecimento e experiência, de solucionar problemas por meio da inteligência, etc., é o que se chama de heurística, seja na ciência, na religião, na filosofia ou na arte, os quatro grandes pilares do conhecimento que devem formar um todo na mente e na vida do indivíduo consciente, do gnóstico ofita (ou draco-luciferiano).

Heuristicamente, o pilar da ciência, ou gnosis (conhecimento), representa o fundamento intelectual com a experiência direta das causas e efeitos das coisas, vivenciando as próprias verdades. O método científico é aplicado pelo inciado draconiano em suas próprias experiências, observando, analisando, experimentando e comprovando suas próprias teorias e hipóteses sobre questões ocultistas, expansão da mente, psiconáutica, etc. Isso o leva ao autoconhecimento, à verdadeira gnose pessoal, para além do mero cientificismo “desumano”, mecanoide e meramente materialista. A ciência é a mente elevada autoconsciente (a “com-ciência”), o pensamento livre e esclarecido e o discernimento racional para a aquisição experiência gratificante da mente, das emoções e do corpo, para aquisição de cultura superior e de conhecimento científico útil e prático para o próprio desenvolvimento do indivíduo.

O pilar da religião, ou melhor da autodeificação, representa a experiência direta da emoção superior consciente, algo apenas vivenciado no interior de cada um. É a união da Individualidade (Lúcifer, Logos Luciférico, Daimon) com as forças da natureza e do universo. A religião do verdadeiro agape é o verdadeiro amor devocional por si mesmo enquanto entidade evolutiva autoconsciente, e não tem nada a ver com as inúmeras religiões venenosas, dogmáticas e coercivas instituídas pelo mundo afora. Trata-se de uma experiência supranormal e extremamente marcante vivida e provada para si próprio e para mais ninguém. A religião do verdadeiro agape certamente não é a religião do fanatismo das massas; não é a religião fundamentalista que cultua as guerras, a dor, o sofrimento, a tristeza e dissemina a confusão mental; não é a religião da enfermidade psicomental, da estagnação e da acídia, ou seja, da preguiça e desolação do espírito (supra) humano e da inteligência. A religião do agape é a viagem do indivíduo em seu próprio interior, um mergulho em suas próprias emoções primitivas (e psicomentais) que jazem no próprio abismo (Daath, “Conhecimento”) microcósmico, seja por meio da ritualística ou por meio da psiconáutica neuroquímica controlada, ou seja lá o que for.

O pilar da filosofia, ou sophia (sabedoria), é a busca da verdade individual que só tem fundamento e valor para o próprio buscador; é a busca pela realização do ideal fundamental latente no indivíduo. Ao contrário de muitos filósofos que parecem estéreis, aprisionados em seus labirintos intelectuais, o filósofo oculto pragmático emprega meios tais como sistemas metafísicos, ritualística, meditação, projeção da consciência, psiconáutica, entre outros, para a experiência da Individualidade, para a aquisição de sabedoria acerca de si e do universo, na medida em que isso seja possível. Teoricamente, a filosofia é o sistema que estuda a natureza de todas as coisas e suas relações. Na filosofia oculta e no gnosticismo ofita, sophia conduz à paz ataráxica, impertubável, do espírito, ao bem-estar, à alegria, à satisfação e ao prazer.

O pilar da arte, ou thelema (vontade) é o fundamento das ideias intuitivas, da vontade criadora e realizadora. A arte só pode expressar a criatividade se houver verdadeira vontade, impulso e ousadia, livre de limitações impostas e oriundas das repressões sociorreligiosas. Arte é a capacidade de realizar a obra sobre si mesmo, de aperfeiçoá-la com vontade forte. Na filosofia oculta e no draconismo, arte é o conjunto de conhecimentos, capacidades e talento para concretizar ideias, sentimentos e visões de maneira estética e “viva” por meio de imagens (pintura, escultura), sons (música) e palavras (literatura). A verdadeira arte realizada através de thelema (vontade) está muito longe da pseudoarte grosseira, antiestética, de mau gosto e desonesta que “artistas” estereotipados e pedantes produzem sem nenhuma inspiração autêntica. A verdadeira arte se realiza sob vontade para manifestar porções do próprio Ser (a Individualidade luciférica).

Assim, no draconismo (ou gnosticismo ofita, ou luciferianismo, como se queira definir) os quatro pilares do conhecimento, como demonstrados aqui, sustentam o indivíduo e o conduzem ao autoaprimoramento, ao autoconhecimento e à evolução contínua…
Adriano Camargo Monteiro é escritor de Filosofia Oculta, Draconismo, Mão Esquerda e é estudioso de simbologia e mitologia comparadas. Possui diversos livros publicados e escreve também para a Revista Universo Maçônico, para o Jornal Madras, para o site Morte Súbita, para o Zine Lucifer Luciferax e para blogs pertinentes. Contatos com autor pelo site: http://adrianocamargomonteiro.blogspot.com

Fr.’. Adriano Camargo Monteiro

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-cultura-draco-luciferiana/

Mapa Astral de Bento Gonçalves

Bento Gonçalves da Silva (Triunfo, 23 de setembro de 1788 — Pedras Brancas, 18 de julho de 1847) foi um militar, maçom e revolucionário brasileiro, e um dos líderes da Revolução Farroupilha, que buscava a independência da província do Rio Grande do Sul do Império do Brasil.

Incorporado na Companhia de Ordenanças de D. Diogo de Sousa, Bento cedo demonstrou sua vocação, ao engajar-se nas guerrilhas da primeira campanha cisplatina (1811-1812). Na segunda campanha cisplatina (1816-1821), seu prestígio como militar se confirmou. Em 1817 foi nomeado capitão, participou das batalhas em Curales, Las Cañas (1818), Cordovez, Carumbé (1819) e Arroio Olimar (1820).[2] Em 1824 foi promovido a tenente-coronel.

Na Guerra da Cisplatina ou Guerra del Brasil contra as Províncias Unidas do Rio da Prata, foi comandante de cavalaria na batalha de Sarandi, em 12 de outubro de 1825, logo depois foi promovido a coronel de 1a linha. Participou também da Batalha do Ituizangó, também chamada de batalha do Passo do Rosário (20 de Fevereiro de 1827), cobrindo a retirada das tropas brasileiras.

Em 1829, pelos serviços prestados na campanha de 1825-1828 e que terminou com a independência do Uruguai, D. Pedro I nomeou Bento Gonçalves coronel de estado-maior, confiando-lhe o comando do 4° Regimento de Cavalaria de Linha e, no ano seguinte da fronteira meridional. Em 1830 recebeu o diploma da maçonaria.

O Mapa Astral de Bento Gonçalves, com sua combinação maior de forças entre Libra e Leão, mostra um Diplomata e Líder por Coragem e Bravura. Com Sol em Libra-Virgem (Rainha de Espadas); Lua em Câncer; Ascendente em Escorpião; Mercúrio, Netuno e Marte em Libra (sendo Netuno seu Planeta mais forte); Júpiter em Câncer e Saturno em Peixes.

Esta combinação de Netuno e Marte no mesmo signo faz com que a pessoa gaste enorme quantidade de energia e determinação para lutar pelas coisas em que acredita; no caso dele, na liberdade e independência. Este texto dele exprime bem esta idéia:

“Toma na extensa escala dos estados soberanos o lugar que lhe compete pela suficiência de seus recursos, civilização e naturais riquezas que lhe asseguram o exercício pleno e inteiro de sua independência, eminente soberania e domínio, sem sujeição ou sacrifício da mais pequena parte desta mesma independência ou soberania a outra nação, governo ou potência estranha qualquer.Faz neste momento o que fizeram tantos outros povos por iguais motivos, em circunstâncias idênticas.” (29/8/1838).

Sua Lua em Câncer foi trabalhada no aspecto familiar. Energias cancerianas dizem muito respeito à família e Bento Gonçalves teve ao todo oito filhos com a mesma mulher. Combinado com Saturno em peixes (responsabilidade na espiritualidade), sua energia de companheirismo era tão intensa que é dito que em 15 de março de 1837, quando estava preso, em uma tentativa de fuga da prisão, seu colega Pedro Boticário não conseguiu passar por uma janela, por ser muito gordo. Em solidariedade Bento Gonçalves também desistiu da fuga, na qual escaparam Onofre Pires e o Coronel Corte Real.

E completando esta mistura energética, Júpiter em Câncer, que intensifica todas as suas ações com um viés emocional. Pode-se afirmar que ele agia sempre com o coração (esta combinação, apesar de complicada para um juiz, porque tenderia a levar suas decisões para suas crenças pessoais, é melhor utilizada em um líder revolucionário…)

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-bento-gon%C3%A7alves

Estigmatas e Dermografia: Chagas que não se curam

A dermografia é um fenômeno caracterizado por sinais símbolos, letras ou palavras que inexplicavelmente aparecem na pele de certos sensitivos. Em alguns aspectos é semelhante ao dos estigmas que surgem nas mãos, pés, testa e peito simbolizando as chagas da Paixão de Cristo. O que diferencia os dois fenômenos é a efemeridade da dermografia que aparece e desaparece em poucos minutos, sem deixar cicatrizes. Os estigmas contudo constumam aparecer em datas certas, por vezes sangram e muitas vezes não desaparecem, deixa do cicatrizes profundas para o resto da vida.

Os sensitivos que produzem a dermografia nunca foram numerosos, mas assim mesmo existem registros de casos surgidos no séculos XIX e XX. A senhora Seymour, uma médium americana da cidade de Waykeegan foi observada pelo pesquisador Manuel Eyre.

Diz ele em seus relatórios que Seymour quando ficava em estado de transe, esticava o braço e, com o indicador da outra mão fazia movimentos como se escrevesse no ar. O braço estava coberto pela manga da blusa e o dedo ficava a cerca de 30cm de distância dele, mas quando ela arregaçava a manga via-se na pele a assinatura da entidade espiritual que daria a mensagem durante a seção. Segundo o jornal Spiritual Telegraph, a escrita aparecia em relevo podendo ser sentida ao se passar a mão sobre a pele. As palavras ficavam visíveis por 20 minutos e depois desapareciam sem deixar cicatrizes ou marcas. A senhora Seymour foi pesquisada não só por Manuel Eyre, mas por comissões  de Parapsicologia da época que investigaram estes e outros  fenómenos.

Explicando o fenômeno o professor Richet, presidente honorário da Sociedade Univeral de Estudos Psíquicos de Paris, diz que as emoções fortes e o delírio religioso podem provocar processos circulatórios envolvento trocas metabólicas de tecidos que por fim eclodem como feridas. O pesquisador inglês Hereward Carrington concorda com Richetno no aspecto de que uma forte emoção pode influenciar a parte física. Para provar sua hipótese , ele relatou um caso ao jornal Pychic Research: este indivíduo preparava-se para sair quando reparou que a maçaneta da porta da frente estava girando. A porta então se abriu e ele viu um homem que percebendo sua presença, fugiu. Era um assaltante. A parte curiosa é que este homem sentiu, naquele momento, como se o ladrão estivesse segurando seu braço, e a sensação foi de horror inexplicável. No dia seguinte, o braço estava dolorido  examinando o lugar notou que estava repleto de manchas roxas como se alguém realmente lhe tivesse apertado com força.

Stigmatas

Um tipo particular de dermografia são os estigmatas. Neles, em vez de simbolos aleatórios e palavras, os aflitos enfrentam feridas semelhantes as chagas de cristo na crucificação, nas mãos ou pulsos, nospés e entre costelas. As chagas se abrem espontaneamente, sangram durante um período de tempo em que nada que se faça é capaz de fazer o sangue parar, e de repente desaparecem ou cicatrizam. Curiosamente, os estimatas são um fenômeno que ocorre somente entre os membros da Igreja Católica. Segue o nome de alguns dos casos relatados:

  •   São Francisco de Assis (1186-1226)
  •   Santa Lutgarda (1182-1246), cisterciense
  •   Santa Margarete de Cortona (1247-1297)
  •   Santa Gertrude (1256-1302), beneditina
  •   Santa Clara de Montefalco (1268-1308), agostiniana
  •   Santa Angela de Foligno (1248-1309), terciária franciscana
  •   Santa Catarina de Siena (1347-1380), terciária dominicana
  •   Santa Lidwina (1380-1433)
  •   Santa Francisca de Roma (1384-1440)
  •   Santa Colette (1380-1447), franciscana
  •   Santa Rita de Cássia (1386-1456), agostiniana
  •   Beata Osana de Mântua (1499-1505), terciária dominicana
  •   Santa Catarina de Genova (1447-1510), terciária franciscana
  •   Beata Batista Varani (1458-1524), irmã clarissa
  •   Beata Lucia de Narni (1476-1547), terciária dominicana
  •   Beata Catarina de Racconigi (1486-1547), dominicana
  •   São João de Deus (1495-1550), fundador da Ordem da Caridade
  •   Santa Catarina de Ricci (1522-1589), dominicana
  •   Santa Maria Madalena de Pazzi (1566-1607), carmelita
  •   Beata Maria da Encarnação (1566-1618), carmelita
  •   Beata Mariana de Jesus (1557-1620), terciária franciscana
  •   Beato Carlos de Sezze (falecido em 1670), franciscano
  •   Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690), monja da Visitação (teve somente a Coroa de Espinhos)
  •   Santa Veronica Giuliani (1600-1727), capuchinha
  •   Santa Maria Francisca das Cinco Chagas (1715-91), terciária franciscana
  •   Ana Catarina Emmerich (1774-1824), agostiniana
  •   Bem-Aventurada Elizabeth Canori Mora (1774-1825), terciária trinitariana
  •   Bem-Aventurada Ana Maria Taigi (1769-1837)
  •   Maria Dominica Lazzari (1815-48)
  •   Maria de Moerl (1812-1868)
  •   Luisa Lateau (1850-1883), terciária franciscana

Nos casos mais recentes que puderam ser estudados de perto, como o do Frade James Bruce de 1992 em Washington, observou-se que as chagas de um estigmático cicatrizam em poucas horas, e retornam a aparecer com certe periodicidade. Embora seja fenômeno religioso, os estimas não estão relacionados a sensação de júbilo e felicidade, pelo contrário, as pessoas que sofrem de estigmas dizem se sentir profundamente tristes e deprimidas nos momentos que antecedem os sangramentos. Entretanto a agonia é seguida de um imenso alívio, e em alguns casos do chamado “odor de santidade”, um perfume inexplicável que apenas o estigmata relata sentir.

A visão cética do fenômeno diz que todos estes casos tratam-se de auto-mutilação consciente ou inconsciente. Um caso que dá razão a hipótese da auto-agressão é o de Teresa Neumann. Teresa nasceu numa sexta-feira da Paixão, e ao cmpletar 38 anos no dia 2 de abril de 1926 as cicatrizes da crucificação apareceram nas partes externas de suas mãos e pés. O mesmo fenômeno passou a se repetir anualmente e passou a se acompanhada de hemorragia ocular. Uma investigação profunda, feita pela própria Igreja Católica revelou contudo que as feridas eram feitas pelo próprio pai da moça.

Além disso, feridas auto-infligidas existem em certas desordens comportamentais. Se no passado, a estigmatização tinha um significado elevado e religioso, atualmente ela é vista como um sinal de perturbação psicológica. As úlceras, os antrazes, as verrugas e outras dermatites podem aparecer de forma simétrica nas mãos dando impressão de estigmatização e a infecção nas mãos pela coceira repetida pode ser aplicada aos místicos que ansiavam pela graça divina. Ou seja, eles praticavam a meditação sobre a crucificação e criavam estigmas a partir de escoriações de caráter neurótico, resultante de coceiras, até mesmo durante o sono.

Entretanto, a afirmação de que todo caso é resultado disso, sem nem sequer investigar cada um separadamente é tão ingénua quanto a de qualquer crente.  Existe ainda a possibilidade das feridas serem expressões psicossomáticas de uma fé extremamente interiorizada.

Alberto Grosheniark

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/estigmatas-e-dermografia-chagas-que-nao-se-curam/

A Natureza da Consciência (parte-3)

Alan Watts

Na sessão de ontem à noite, eu estava discutindo um mito alternativo aos modelos Cerâmicos e Totalmente Automáticos do universo, que chamarei de Mito Dramático. A ideia de que a vida como a experimentamos é um grande ato, e que por trás desse grande ato está o jogador, e o jogador, ou o eu, como é chamado na filosofia hindu, o atman, é você. Só você está brincando de esconde-esconde, pois esse é o jogo essencial que está acontecendo. O jogo dos jogos. A base de todos os jogos, o esconde-esconde. E como você está brincando de esconde-esconde, você está deliberadamente, embora não possa admitir isso – ou não queira admitir – você está deliberadamente esquecendo quem você realmente é, ou o que você realmente é. E o conhecimento de que seu eu essencial é o fundamento do universo, o ‘fundo do ser’ como Tillich o chama, é algo que você tem que os alemães chamam de hintengedanka. Hintengedanka é o pensamento bem, bem , bem,bem bem no fundo da sua mente. Algo que você conhece no fundo, mas não pode admitir.

Então, de certa forma, para trazer isso para a frente, para saber que é o caso, você tem que ser enganado. E então o que eu quero discutir esta manhã é como isso acontece. Embora antes de fazê-lo, eu deva ir um pouco mais longe em toda a natureza deste problema.

Você vê, o problema é este. Identificamos em nossa experiência uma diferenciação entre o que fazemos e o que nos acontece. Temos um certo número de ações que definimos como voluntárias e nos sentimos no controle delas. E então, contra isso, há todas aquelas coisas que são involuntárias. Mas a linha divisória entre esses dois é muito inarbitrária. Porque, por exemplo, quando você move a mão, sente que decide se abre ou fecha. Mas então pergunte a si mesmo como você decide? Quando você decide abrir sua mão, você primeiro decide decidir? Você não faz isso, não é? Você apenas decide, e como você faz isso? E se você não sabe como fazer, é voluntário ou involuntário? Vamos considerar a respiração. Você pode sentir que respira deliberadamente; você não controla sua respiração. Mas quando você não pensa sobre isso, ela continua. É voluntário ou involuntário?

Assim, chegamos a ter uma definição muito arbitrária do eu. Muito da minha atividade que sinto que faço  não inclui respirar na maior parte do tempo; não inclui os batimentos cardíacos; não inclui a atividade das glândulas; não inclui digestão; não inclui como você molda seus ossos; circula seu sangue. Você faz ou não faz essas coisas? Agora, se você ficar consigo mesmo e descobrir que você é todo você mesmo, uma coisa muito estranha acontece. Você descobre que seu corpo sabe que você é um com o universo. Em outras palavras, a chamada circulação involuntária do seu sangue é um processo contínuo com as estrelas brilhando. Se você descobrir que é VOCÊ quem circula seu sangue, você descobrirá ao mesmo tempo que está brilhando o sol. Porque seu organismo físico é um processo contínuo com tudo o que está acontecendo. Assim como as ondas são contínuas com o oceano. Seu corpo é contínuo com o sistema total de energia do cosmos, e é tudo você. Só você está jogando o jogo que você é apenas um pouco disso. Mas, como tentei explicar, na realidade física não existem eventos separados.

Então. Lembre-se também de quando tentei trabalhar em direção a uma definição de onipotência. Onipotência não é saber como tudo se faz; é só fazer. Você não precisa traduzi-lo para o idioma. Supondo que quando você acordasse de manhã, você tivesse que ligar seu cérebro. E você tivesse que pensar e fazer como um processo deliberado despertando todos os circuitos que você precisa para uma vida ativa durante o dia. Ora, você nunca terminaria! Porque você tem que fazer todas essas coisas ao mesmo tempo. É por isso que os budistas e os hindus representam seus deuses como muitos armados. Como você pode usar tantos braços ao mesmo tempo? Como uma centopéia poderia controlar cem pernas de uma só vez? Porque não pensa nisso. Da mesma forma, você está realizando inconscientemente todas as várias atividades do seu organismo. Só que inconscientemente não é uma boa palavra, porque soa meio morta. Superconscientemente seria melhor. Dê-lhe uma mais em vez de uma a menos.

A consciência é uma forma bastante especializada de percepção. Quando você olha ao redor da sala, você está consciente de tudo o que pode notar e vê um enorme número de coisas que não percebe. Por exemplo, eu olho para uma garota e alguém me pergunta depois ‘O que ela estava vestindo?’ Posso não saber, embora tenha visto, porque não prestei atenção. Mas eu estava ciente.  E talvez se eu pudesse responder esta pergunta sob hipnose, onde eu tiraria minha atenção consciente do caminho por estar em estado hipnótico, eu poderia lembrar que vestido ela estava usando.

Então, da mesma forma que você não sabe – você não foca sua atenção – em como você faz sua glândula tireoide funcionar, da mesma forma, você não tem nenhuma atenção focada em como você faz o sol brilhar. Então, deixe-me conectar isso com o problema do nascimento e da morte, que intriga enormemente as pessoas, é claro. Porque, para entender o que é o eu, você precisa se lembrar de que ele não precisa se lembrar de nada, assim como você não precisa saber como funciona sua glândula tireoide.

Então, quando você morrer, você não terá que tolerar a inexistência eterna, porque isso não é uma experiência. Muitas pessoas têm medo de que, quando morrerem, fiquem trancadas em um quarto escuro para sempre, e meio que passarão por isso. Mas uma das coisas interessantes do mundo é – isso é uma ioga, isso é uma realização – tente imaginar como será dormir e nunca mais acordar. Pense sobre isso. As crianças pensam nisso. É uma das grandes maravilhas da vida. Como será dormir e nunca mais acordar? E se você pensar o suficiente sobre isso, algo vai acontecer com você. Você descobrirá, entre outras coisas, que ele fará a próxima pergunta para você. Como seria acordar depois de nunca ter ido dormir? Foi quando você nasceu. Veja, você não pode ter uma experiência do nada; a natureza abomina o vácuo. Então, depois que você morre, a única coisa que pode acontecer é a mesma experiência, ou o mesmo tipo de experiência de quando você nasceu. Em outras palavras, todos nós sabemos muito bem que depois que outras pessoas morrem, outras pessoas nascem. E todas elas são você, só que você só pode experimentar uma de cada vez. Todo mundo sou eu, todos vocês sabem que são vocês, e onde quer que todos os seres existam em todas as galáxias, não faz a menor diferença. Você é todos eles. E quando eles vêm a ser, é você que vem a ser.

Você sabe muito bem disso, só que não precisa se lembrar do passado da mesma forma que não precisa pensar em como trabalha sua glândula tireoide, ou o que quer que seja em seu organismo. Você não precisa saber como brilhar o sol. Você apenas faz isso, como você respira. Não é realmente surpreendente que você seja essa coisa fantasticamente complexa, e que esteja fazendo tudo isso e nunca tenha tido nenhuma educação sobre como fazê-lo? Nunca aprendeu, mas você é esse milagre. A questão é que, do ponto de vista estritamente físico e científico, este organismo é uma energia contínua com tudo o que está acontecendo. E se sou meu pé, sou o sol. Só que temos essa pequena visão parcial. Temos a ideia de que ‘Não, eu sou algo NESSE corpo’. O ego. Isso é uma piada. O ego nada mais é do que o foco da atenção consciente. É como o radar de um navio. O radar em um navio é um solucionador de problemas. Há algo no caminho? E a atenção consciente é uma função projetada do cérebro para escanear o ambiente, como um radar faz, e observar quaisquer mudanças que causem problemas. Mas se você se identificar com seu solucionador de problemas, naturalmente você se definirá como estando em um estado perpétuo de ansiedade. E no momento em que deixamos de nos identificar com o ego e nos conscientizamos de que somos o organismo inteiro, percebemos de primeira como tudo é harmonioso. Porque seu organismo é um milagre de harmonia. Todas essas coisas funcionando juntas. Mesmo aquelas criaturas que estão lutando entre si na corrente sanguínea e se devorando. Se elas não estivessem fazendo isso, você não seria saudável.

Então, o que é discórdia em um nível do seu ser é harmonia em outro nível. E você começa a perceber isso, e começa a ter consciência também, que as discórdias de sua vida e as discórdias da vida das pessoas, que são uma discórdia em um nível, em um nível superior do universo, são saudáveis ​​e harmoniosas. E de repente você percebe que tudo o que você é e faz está nesse nível tão magnífico e tão livre de qualquer defeito quanto os padrões das ondas. As marcações em mármore. A maneira como um gato se move. E que este mundo está realmente bem. Não pode ser outra coisa, porque senão não poderia existir. E não quero dizer isso no sentido de Pollyanna ou Christian Science. Eu não sei o que é ou sobre o que é a Ciência Cristã, mas é uma coisa certinha. Tem uma sensação engraçada; veio da Nova Inglaterra.

Mas a realidade sob a existência física, ou que realmente é a existência física – porque na minha filosofia não há diferença entre o físico e o espiritual. Estas são categorias absolutamente desatualizadas. É tudo processo; não é ‘coisa’ por um lado e ‘forma’ por outro. É apenas um padrão – a vida é um padrão. É uma dança de energia. E por isso nunca invocarei conhecimento assustador. Ou seja, que eu tive uma revelação particular ou que tenho vibrações sensoriais em um plano que você não tem. Tudo está bem exposto, é apenas uma questão de como você olha para isso. Então você descobre quando percebe isso, a coisa mais extraordinária que eu nunca deixo de ficar boquiaberto sempre que  acontece comigo. Algumas pessoas usarão um simbolismo do relacionamento de Deus com o universo, no qual Deus é uma luz brilhante, apenas de alguma forma velada, ocultando-se sob todas essas formas enquanto você olha ao seu redor. Até agora tudo bem. Mas a verdade é mais engraçada do que isso. É que você está olhando diretamente para a luz brilhante agora que a experiência que você está tendo que você chama de consciência cotidiana comum – fingindo que você não é isso – essa experiência é exatamente a mesma coisa que ‘isso’. Não há diferença nenhuma. E quando você descobre isso, você ri de si mesmo. Essa é a grande descoberta.

Em outras palavras, quando você realmente começa a ver as coisas, e olha para um velho copo de papel, e entra na natureza do que é ver o que é visão, ou o que é cheiro, ou o que é tato, você percebe que essa visão do copo de papel é a luz brilhante do cosmos. Nada poderia ser mais brilhante. Dez mil sóis não poderiam ser mais brilhantes. Só que eles estão escondidos no sentido de que todos os pontos da luz infinita são tão pequenos quando você os vê na xícara que não explodem seus olhos. Veja, a fonte de toda luz está no olho. Se não houvesse olhos neste mundo, o sol não seria luz. Então, se eu bato o mais forte que posso em um tambor que não tem pele, ele não faz barulho. Então, se um sol brilha em um mundo sem olhos, é como uma mão batendo em um tambor sem pele. Sem luz. VOCÊ evoca a luz do universo, da mesma forma que você, por natureza de ter uma pele macia, evoca a dureza da madeira. A madeira só é dura em relação a uma pele macia. É o seu tímpano que evoca o ruído do ar. Você, sendo este organismo, chama à existência todo este universo de luz e cor e dureza e peso e tudo mais.

Mas na mitologia que nos venderam no final do século 19, quando as pessoas descobriram o quão grande era o universo, e que vivemos em um pequeno planeta em um sistema solar na borda da galáxia, que é uma galáxia menor , todo mundo pensou, ‘Uuuuugh, nós somos realmente sem importância, afinal. Deus não está lá e não nos ama, e a natureza não dá a mínima.’ E nós nos colocamos para baixo. Mas, na verdade, é esse pequeno micróbio engraçado, coisinha, rastejando neste pequeno planeta que está em algum lugar, que tem a ingenuidade, por natureza dessa magnífica estrutura orgânica, de evocar todo o universo do que de outra forma seriam meros quantas. Há jazz acontecendo. Este pequeno organismo engenhoso não é apenas um estranho. Este pequeno organismo, neste pequeno planeta, é todo o show que está crescendo, e assim percebendo sua própria presença. Faz isso através de você, e você é isso.

Quando você coloca o bico de uma galinha em uma linha de giz, ela fica presa; está hipnotizada. Então, da mesma forma, quando você aprende a prestar atenção, e quando criança você sabe como todos os professores estravam na aula: ‘Preste atenção!!’ E todas as crianças olham para o professor. E temos que prestar atenção. Isso é colocar o nariz na linha de giz. E você ficou preso com a ideia de atenção, e pensou que atenção era o Eu, o ego. Então, se você começar a prestar atenção na atenção perceberá qual é a farsa. É por isso que no livro ‘Ilha’ de Aldous Huxley, o Roger havia treinado os pássaros myna na ilha para dizer ‘Atenção! Aqui e agora, rapazes!’ Vê? Perceba quem você é. Venha, acorde!

Bem, aqui está o problema: se este é o estado de coisas que é assim, e se o estado consciente em que você está neste momento é a mesma coisa que poderíamos chamar de Estado Divino. Se você fizer qualquer coisa para torná-lo diferente, isso mostra que você não entende que é assim. Portanto, no momento em que você começa a praticar ioga, orar ou meditar, ou se entregar a algum tipo de cultivo espiritual, você está entrando de novo em seu próprio caminho.

Agora este é o truque budista: o buda disse ‘Nós sofremos porque desejamos. Se puder desistir do desejo, não sofrerá. Mas ele não disse isso como última palavra; ele disse isso como o passo inicial de um diálogo. Porque se você disser isso a alguém, eles vão voltar depois de um tempo e dizer ‘Sim, mas agora estou desejando não desejar’. E assim o buda responderá: ‘Bem, finalmente você está começando a entender o ponto.’ Porque você não pode desistir do desejo. Por que você tentaria fazer isso? Já é desejo. Assim, da mesma forma você diz ‘Você deveria ser altruísta’ ou desistir de seu ego. Deixe ir, relaxe. Por que você quer fazer isso? Só porque é outra maneira de vencer o jogo, não é? No momento em que você levanta a hipótese de que você é diferente do universo, você quer colocar um em cima do outro. Mas se você tenta se destacar no universo e está competindo com ele, isso significa que você não entende que você É ele. Você acha que há uma diferença real entre ‘eu’ e ‘outro’. Mas ‘eu’, o que você chama de si mesmo, e o que você chama de ‘outro’ são mutuamente necessários um para o outro, como frente e verso. Eles são realmente um. Mas, assim como um ímã se polariza no norte e no sul, mas é tudo um ímã, a experiência se polariza como eu e outro, mas é tudo um. Se você tentar fazer com que o pólo sul derrote o pólo norte, ou conseguir dominá-lo, você mostra que não sabe o que está acontecendo.

Portanto, existem duas maneiras de jogar o jogo. A primeira maneira, que é a maneira usual, é um guru ou professor que quer passar isso para alguém porque ele mesmo sabe disso, e quando você sabe, gostaria que os outros também vissem. Então, o que ele faz é fazer você ser ridículo com mais força e assiduidade do que o normal. Em outras palavras, se você está em uma disputa com o universo, ele vai provocar essa disputa até que se torne ridícula. E então ele lhe dá tarefas como dizer: Agora, é claro, para ser uma pessoa verdadeira, você deve desistir de si mesmo, ser altruísta. Então o senhor desce do céu e diz: ‘O primeiro e grande mandamento é ‘Amarás o senhor teu deus’. Você deve me amar.’ Bem, isso é uma ligação dupla. Você não pode amar de propósito. Você não pode ser sincero de propósito. É como tentar não pensar em um elefante verde enquanto toma remédio.

Mas se uma pessoa realmente tenta fazer isso – e é assim que o cristianismo é manipulado – você deve se arrepender muito de seus pecados. E embora todos saibam que não são, mas acham que deveriam ser, eles andam por aí tentando ser penetrantes. Ou tentando ser humilde. E eles sabem que quanto mais assiduamente a praticam, mais e mais falsa fica a coisa toda. Assim, no Zen Budismo, acontece exatamente a mesma coisa. O mestre Zen desafia você a ser espontâneo. “Mostre-me o verdadeiro você.” Uma maneira que eles fazem isso é fazer você gritar. Grite a palavra ‘Mu’. E ele diz ‘Eu quero ouvir VOCÊ nesse grito. Quero ouvir todo o seu ser nele. E você grita com seus pulmões e ele diz ‘Pfft. Isso não é bom. Isso é apenas um grito falso. Agora eu quero ouvir absolutamente todo o seu ser, direto do coração do universo, vindo neste grito.’ E esses caras gritam até ficarem roucos. Nada acontece. Até que um dia eles ficam tão desesperados que desistem de tentar e conseguem fazer aquele grito passar, quando não estavam tentando ser genuínos. Porque não havia mais nada a fazer, você só tinha que gritar.

E assim, desta forma – é chamada de técnica de reductio ad absurdum. Se você acha que tem um problema, e é um ego e está em dificuldade, a resposta que o mestre Zen lhe dá é ‘Mostre-me seu ego. Eu quero ver essa coisa que tem um problema.’ Quando Bodidharma, o lendário fundador do Zen, veio para a China, um discípulo veio até ele e disse: ‘Não tenho paz de espírito. Por favor, pacifique minha mente. E Bodhidharma disse ‘Traga sua mente aqui antes de mim e eu a pacificarei.’ “Bem”, disse ele, “quando procuro, não encontro.” Então Bodhidharma disse ‘Pronto, está pacificado.’ Porque quando você procura sua própria mente, isto é, seu próprio centro particularizado de ser que é separado de tudo o mais, você não será capaz de encontrá-lo. Mas a única maneira de você saber que não está lá é se você procurar com afinco, para descobrir que não está lá. E então todo mundo diz ‘Tudo bem, conheça a si mesmo, olhe para dentro, descubra quem você é’. Porque quanto mais você olhar, você não será capaz de encontrá-lo, e então você perceberá que ele não está lá. Não existe um você separado. Sua mente é o que existe. Tudo. Mas a única maneira de descobrir isso é persistir no estado de ilusão o mais forte possível. Essa é uma maneira. Eu não disse o único caminho, mas é um caminho.

Assim, quase todas as disciplinas espirituais, meditações, orações, etc, etc, são maneiras de persistir na loucura. Fazendo resoluta e consistentemente o que você já está fazendo. Então, se uma pessoa acredita que a Terra é plana, você não pode dissuadi-la disso. Ele sabe que é plano. Olhe pela janela e veja; é óbvio, parece plano. Então, a única maneira de convencê-lo de que não é dizer ‘Bem, vamos encontrar o limite’. E para encontrar a borda, você tem que ter muito cuidado para não andar em círculos, você nunca vai encontrar desse jeito. Então, temos que seguir consistentemente em uma linha reta para oeste ao longo da mesma linha de latitude e, eventualmente, quando voltamos para onde começamos, você convenceu o cara de que o mundo é redondo. Essa é a única maneira que vai ensiná-lo. Porque as pessoas não podem ser convencidas.

Há outra possibilidade, no entanto. Mas isso é mais difícil de descrever. Digamos que tomemos como suposição básica – que é a coisa que se vê na experiência do satori ou do despertar, ou como você quiser chamar – que este momento agora em que estou falando e você está ouvindo, é eternidade. Que embora de alguma forma tenhamos nos enganado na noção de que este momento é comum, e que podemos não nos sentir muito bem, estamos meio que vagamente frustrados e preocupados e assim por diante, e que deve ser mudado. É isso. Então você não precisa fazer absolutamente nada. Mas a dificuldade de explicar isso é que você não deve tentar não fazer nada, porque isso é fazer alguma coisa. É do jeito que é. Em outras palavras, o que é necessário é uma espécie de super relaxamento; não é um relaxamento comum. Não é apenas soltar, como quando você se deita no chão e imagina que está pesado para entrar em um estado de relaxamento muscular. Não é desse jeito. É estar consigo mesmo como você é sem alterar nada. E como explicar isso? Não há nada para explicar. É do jeito que está agora. Veja? E se você entender isso, isso o acordará automaticamente.

Então é por isso que os professores Zen usam o tratamento de choque, às vezes batem ou gritam com os discípulos ou criam uma surpresa repentina. Porque é aquele solavanco que de repente te traz aqui. Veja, não há caminho para aqui, porque você já está lá. Se você me perguntar ‘Como vou chegar aqui?’ Será como a famosa história do turista americano na Inglaterra. O turista perguntou a algum caipira o caminho para Upper Tuttenham, uma pequena vila. E o caipira coçou a cabeça e disse: ‘Bem, senhor, não sei onde fica, mas se eu fosse você, não começaria daqui.’

Então você vê, quando você pergunta ‘Como eu obtenho o conhecimento de Deus, como eu obtenho o conhecimento da liberação?’ Tudo o que posso dizer é que é a pergunta está errada. Por que você quer obtê-lo? Porque o próprio fato de você querer obtê-lo é a única coisa que o impede de chegar lá. Você já tem. Mas claro, depende de você. É seu privilégio fingir que não. Esse é o seu jogo; esse é o jogo da sua vida; é isso que te faz pensar que você é um ego. E quando você quiser acordar, você vai, simples assim. Se você não está acordado, isso mostra que você não quer. Você ainda está jogando a parte oculta do jogo. Você ainda é, por assim dizer, o eu fingindo que não é o eu. E é isso que você quer fazer. Então você vê, dessa forma, também, você já está lá.

Então, quando você entende isso, uma coisa engraçada acontece, e algumas pessoas interpretam mal. Você descobrirá enquanto isso acontece que a distinção entre comportamento voluntário e involuntário desaparece. Você perceberá que o que você descreve como coisas sob seu controle parecerá exatamente o mesmo que as coisas que acontecem fora de você. Você observa outras pessoas se movendo e sabe que está fazendo isso, assim como está respirando ou circulando seu sangue. E se você não entende o que está acontecendo, você pode ficar louco neste ponto, e sentir que você é deus no sentido de Jeová. Dizer que você realmente tem poder sobre outras pessoas, para que possa alterar o que está fazendo. E que você é onipotente em um sentido bíblico muito grosseiro e literal.  Muitas pessoas sentem isso e ficam loucas. Eles os colocaram de lado. Eles pensam que são Jesus Cristo e que todos deveriam se prostrar e adorá-los. Isso é só porque eles têm seus fios cruzados. Essa experiência aconteceu com eles, mas eles não sabem como interpretá-la. Então tome cuidado com isso. Jung chama isso de inflação. Pessoas que têm a síndrome do Homem Santo, que de repente descubro que sou o senhor e que estou acima do bem e do mal e assim por diante, e por isso começo a me dar ares e graças. Mas o ponto é que todo mundo também é. Se você descobrir que você é isso, então você deve saber que todo mundo é.

Por exemplo, vamos ver de outras maneiras como você pode perceber isso. A maioria das pessoas pensa quando abre os olhos e olha ao redor, que o que está vendo está do lado de fora. Parece, não é, que você está atrás de seus olhos, e que atrás dos olhos há um vazio que você não consegue ver. Você se vira e há outra coisa na sua frente. Mas por trás dos olhos parece haver algo que não tem cor. Não é escuro, não é claro. Está lá do ponto de vista tátil; você pode senti-lo com os dedos, mas não pode entrar nele. Mas o que é isso atrás de seus olhos? Bem, na verdade, quando você olha lá fora e vê todas essas pessoas e coisas sentadas ao redor, é assim que se sente dentro de sua cabeça. A cor desta sala está aqui no sistema nervoso, onde os nervos ópticos estão na parte de trás da cabeça. Está lá. É o que você está experimentando. O que você vê aqui é uma experiência neurológica. Agora, se isso o atinge, e você sente sensualmente que é assim, você pode sentir, portanto, que o mundo externo está todo dentro do meu crânio. Você tem que corrigir isso, com o pensamento de que seu crânio também está no mundo externo. Então você de repente começa a sentir ‘Uau, que tipo de situação é essa? Está dentro de mim, e eu estou dentro dele, e está dentro de mim, e eu estou dentro dele.’ Mas é assim que é.

Isso é o que você poderia chamar de transação, em vez de interação entre o indivíduo e o mundo. Assim como, por exemplo, na compra e venda. Não pode haver um ato de compra sem que haja simultaneamente um ato de venda e vice-versa. Então a relação entre o ambiente e o organismo é transacional. O ambiente desenvolve o organismo e, por sua vez, o organismo cria o ambiente. O organismo transforma o sol em luz, mas é necessário que haja um ambiente contendo um sol para que haja um organismo. E a resposta é simplesmente que eles são todos um processo. Não é que os organismos por acaso vieram ao mundo. Este mundo é o tipo de ambiente que desenvolve organismos. Foi assim desde o início. Os organismos podem, com o tempo, entrar ou sair de cena, mas a partir do momento em que se deu o BANG! no começo foi assim que começou o processo e organismos como nós estão sentados aqui. Estamos envolvidos nisso.

Perceba, tomamos a propagação de uma corrente elétrica. Eu posso ter uma corrente elétrica passando por um fio que percorre toda a Terra. E aqui temos uma fonte de energia, e aqui temos um interruptor. Um pólo positivo, um pólo negativo. Agora, antes que esse interruptor se feche, a corrente não se comporta exatamente como água em um cano. Não há corrente aqui, esperando, para correr assim que o interruptor for fechado. A corrente nem começa até que a chave seja fechada. Ele nunca começa a menos que o ponto de chegada esteja lá. Agora, levará um intervalo para que a corrente comece a circular em seu circuito se ela estiver percorrendo toda a Terra. É um longo prazo. Mas o ponto de chegada tem que ser fechado antes mesmo de começar do começo. De maneira semelhante, embora no desenvolvimento de qualquer sistema físico possa haver bilhões de anos entre a criação da forma mais primitiva de energia e a chegada da vida inteligente, esses bilhões de anos são exatamente a mesma coisa que a viagem dessa corrente ao redor do fio. Leva um pouco de tempo. Mas já está implícito. Leva tempo para uma bolota se transformar em carvalho, mas o carvalho já está implícito na bolota. E assim em qualquer pedaço de rocha flutuando no espaço, há inteligência humana implícita. Em algum momento, de alguma forma, em algum lugar. Todos eles vão juntos.

Portanto, não se diferencie e diga: ‘Sou um organismo vivo em um mundo feito de um monte de lixo morto, pedras e outras coisas.’ Tudo vai junto. Essas pedras são tanto você quanto suas unhas. Você precisa de pedras. Em que você vai se apoiar?

O que eu acho que um despertar realmente envolve é um reexame do nosso senso comum. Temos todos os tipos de ideias embutidas em nós que parecem inquestionáveis, óbvias. E nosso discurso os reflete em suas frases mais comuns. ‘Encare os fatos.’ Como se estivessem fora de você. Como se a vida fosse algo que eles simplesmente encontrassem como estrangeiros. ‘Encare os fatos.’ Nosso senso comum foi manipulado, entende? Para que nos sintamos estranhos e alienígenas neste mundo, e isso é terrivelmente plausível, simplesmente porque é com isso que estamos acostumados. Essa é a única razão. Mas quando você realmente começar a questionar isso, diz ‘É assim que eu tenho que assumir que a vida é? Eu sei que todo mundo tem feito isso, mas isso o torna verdade?’ Não necessariamente. Não é necessariamente tem que ser assim. Então, ao questionar essa suposição básica subjacente à nossa cultura, você descobre que obtém um novo tipo de bom senso. Torna-se absolutamente óbvio para você que você é contínuo com o universo.

Por exemplo, as pessoas costumavam acreditar que os planetas eram sustentados no céu por estarem embutidos em esferas de cristal, e todos sabiam disso. Ora, você podia ver as esferas de cristal ali porque podia olhar através delas. Era obviamente feito de cristal, e algo tinha que mantê-los lá em cima. E então, quando os astrônomos sugeriram que não havia esferas de cristal, as pessoas ficaram apavoradas, porque pensaram que as estrelas iriam cair. Hoje em dia, não incomoda ninguém. Eles também pensaram que, quando descobrissem que a Terra era esférica, as pessoas que viviam nas antiguidades cairiam, e isso era assustador. Mas então alguém navegou ao redor do mundo, e todos nós nos acostumamos, viajamos em aviões a jato e tudo mais. Não temos nenhum problema em sentir que a Terra é globular. Nenhuma. Nós nos acostumamos com isso.

Assim, da mesma forma que as teorias da relatividade de Einstein – a curvatura da propagação da luz, a ideia de que o tempo envelhece à medida que a luz se afasta de uma fonte, em outras palavras, as pessoas olhando para o mundo agora em Marte, estariam vendo o estado do mundo um pouco mais cedo do que estamos experimentando agora. Isso começou a incomodar as pessoas quando Einstein começou a falar sobre isso. Mas agora estamos todos acostumados a isso, e a relatividade e coisas assim são uma questão de bom senso hoje. Bem, em alguns anos, será uma questão de senso comum para muitas pessoas que eles são um com o universo. Vai ser tão simples. E então talvez se isso acontecer, estaremos em condições de lidar com nossa tecnologia com mais sentido. Com amor em vez de ódio pelo nosso meio ambiente.

parte 2

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-natureza-da-consciencia-parte-3/

A Iniciação ao Primeiro Grau da Bruxaria

Formalmente a iniciação de primeiro grau torna-a uma bruxa(o) comum. Mas é claro que é um pouco mais complicado que isso.

Como todos os bruxos experientes, existem algumas pessoas que são bruxas (ou bruxos) de nascimento muitas vezes podem tê-lo sido desde uma encarnação passada. Uma boa Sumo-Sacerdotisa ou Sumo-Sacerdote costuma detectá-las. Iniciar um destes bruxos não é “fazer uma bruxa”; é muito mais um gesto bi-direccional de identificação e reconhecimento e claro, um Ritual de boas-vindas de uma mais-valia de peso ao Coventículo.

No outro extremo, existem os que são mais lentos ou menos aptos muitas vezes boas pessoas, sinceras e trabalhadoras que o iniciador sabe que têm um longo longo caminho a percorrer, e provavelmente muitos obstáculos e condições adversas a ultrapassar, antes de se poderem chamar verdadeiros bruxos. Mas mesmo para estes, a Iniciação não é um mero formalismo, se o iniciador conhecer a sua Arte. Pode dar-lhes uma sensação de integração, um sentimento que um importante marco foi ultrapassado; e apenas por lhes atribuir a qualidade de candidato, (apesar de não parecer terem qualquer dom), o direito de se auto-denominarem bruxos, encoraja-os a trabalhar arduamente para merecerem esta qualidade. E alguns menos aptos podem tomá-lo de surpresa com uma aceleração súbita no seu desenvolvimento após a iniciação; então saberão que a iniciação resultou.

No meio, encontra-se a maioria; os candidatos de potencial médio e forte capacidade de evolução que, se apercebem de uma forma mais ou menos clara que a Wicca é o caminho que têm procurado e porquê, mas que ainda estão no início da exploração das suas capacidades. Para estes, uma Iniciação bem conduzida pode ser uma experiência poderosa e incentivante, um genuíno salto dialéctico no seu desenvolvimento psíquico e emocional. Um bom iniciador tudo fará para que isso aconteça.

Na verdade, o iniciador não está sozinho na sua tarefa (e não nos estamos apenas a referir ao apoio de algum companheiro ou dos outros membros do Coventículo). Uma Iniciação é um Ritual Mágico, que evoca poderes e deve ser conduzido com a confiança plena que esses poderes invocados se irão manifestar.

Toda a iniciação, em qualquer religião genuína, é uma morte e renascimento simbólicos, suportados de forma consciente. No Ritual Wicca este processo é simbolizado pela venda e amarração, o desafio, a provação aceite, a remoção final da venda e das amarras é a consagração de uma nova vida. O iniciador deve manter este objectivo claro na sua mente e concentrar-se nele, e o Ritual em si deve provocar a mesma sensação na mente do candidato.

Em séculos mais remotos a imagem de morte e ressurreição era sem dúvida ainda mais notória e explícita e provavelmente desenrolava-se ainda com muito menos palavras. A famosa bruxa de Sheffield, Patricia Crowther, refere até que ponto ela teve esta experiência durante a sua Iniciação por Gerald Gardner. O Ritual era Gardneriano normal, basicamente da mesma forma que o descrevemos nesta secção, mas antes do Juramento, Gardner ajoelhou-se ao seu lado e meditou durante um bocado. Patricia enquanto esperava entrou subitamente em transe (que veio a descobrir mais tarde ter durado 40 minutos) ao que parece recordou uma reencarnação passada. Ela viu-se a ser transportada por um grupo de mulheres nuas numa procissão de archotes que se dirigia para uma caverna. Elas saíram, deixando-a aterrorizada no meio da escuridão absoluta. Gradualmente conquistou o seu medo, acalmou e no devido tempo as mulheres voltaram. Ficaram em linha com as pernas abertas e ordenaram-lhe que passasse, amarrada como estava, através de um túnel de pernas que se assemelhavam a uma vagina, enquanto que as mulheres uivavam e gritavam como se tivessem a ter um filho. Enquanto ela passava, foi puxada pelos pés e as amarras foram cortadas. A líder encarando-a “ofereceu-me os seus seios, simbolizando que me iria proteger como ela o faria aos seus próprios filhos. O corte das amarras simbolizava o corte do cordão umbilical”. Ela teve que beijar os seios que lhe foram oferecidos, tendo sido depois salpicada com água ao mesmo tempo que lhe diziam que tinha renascido no sacerdócio dos Mistérios da Lua.

Gardner comentou, quando ela voltou à consciência: “durante muito tempo eu tive a ideia que se costumava fazer algo como aquilo que tinhas descrito e agora sei que não estava longe da verdade. Deve ter acontecido há séculos atrás, muito antes dos rituais verbais terem sido adoptados pela Arte.”

A morte e o renascimento com todos os seus terrores e promessas, dificilmente poderia ser muito dramatizado; e temos a sensação que a recordação de Patricia era genuína. Ela obviamente é uma bruxa nata de há muito tempo atrás.

Mas vamos retornar ao Ritual Gardneriano. Para este efeito não tínhamos apenas três textos mas quatro; somados aos textos A, B e C (ver pág. 3?) existe a obra de Gardner denominada High Magic’s Aid. Esta obra foi publicada em 1941, antes da cessação da lei Witchcraft Acts na Inglaterra e, antes dos seus livros Witchcraft Today (1954) e The Meaning of Witchcraft (1959). Neste, Gardner revelou pela primeira vez em ficção algum do material que tinha aprendido com o seu Coventículo. No Capítulo XVII a bruxa Morven faz o herói Jan atravessar a sua iniciação do 1º Grau e o Ritual é descrito em detalhe. Pensamos que essa descrição foi muito útil para a clarificação de um ou dois pontos obscuros, por exemplo, a ordem de “os pés nem estarem amarrados nem livres”, que conhecíamos da nossa própria Iniciação Alexandrina, mas suspeitávamos estar deslocada. (5).

O Ritual de 1º Grau, provavelmente foi alterado pelo menos à data em que o Livro das Sombras, atingiu a fase do texto C. Isto acontece porque de entre o material incompleto na posse do Coventículo de New Forest teria sido naturalmente a parte que sobreviveu mais completa na sua forma original. Gerald Gardner não teria necessidade de preencher as falhas com material Crowleiano ou outro material não wiccano e desta forma Doreen Valiente não teve que sugerir o tipo de transcrição que era necessário “por exemplo para o da energia exortação”.

Na prática wiccana, um homem é sempre iniciado por uma mulher e uma mulher por um homem. E apenas uma bruxa de 2º ou 3º Grau pode conduzir uma Iniciação. Existe uma excepção especial a cada destas regras.

A primeira excepção, uma mulher pode iniciar a sua filha ou um homem o seu filho, “porque são parte deles”. Alex Sanders ensinou-nos que isto poderia ser feito numa emergência, mas o Livro das Sombras de Gardner não apresenta esta restrição.

A outra excepção, refere-se a única situação em que uma bruxa(o) de 1º Grau (e uma totalmente nova), pode iniciar outra. A Wicca põe grande ênfase na parceria de trabalho homem/mulher e muitos Coventículos ficam deliciados quando um casal avança para a Iniciação juntos. Um método muito agradável de levar a cabo uma dupla Iniciação como esta, é exemplificado pelo caso de Patricia e Arnold Crowther (que na altura ainda eram casados) por Gerald Gardner.

Gardner, começou por Iniciar Patricia enquanto Arnold esperava fora do quarto, então ele pôs o Livro das Sombras nas mãos dela incitando-a enquanto ela própria iniciava Arnold. “Esta é a forma que sempre foi feita”, disse-lhe Gardner mas temos que admitir que esta forma era desconhecida para nós até lermos o livro de Patricia.

Gostamos desta fórmula; cria uma ligação especial, no sentido wiccano da palavra, entre os dois Iniciados desde o princípio no trabalho do Coventículo. Doreen Valiente confirmou-nos que esta era a prática frequente de Gardner, e acrescenta: “De outra forma, no entanto, mantinhamos a regra que apenas um bruxo de 2º ou 3º Grau poderia fazer uma Iniciação”.

Gostavamos de mencionar aqui duas diferenças “para além dos pequenos pontos que se notam no texto”, entre o Ritual de Iniciação Alexandrino e o Gardneriano, este último temos tomado como modelo. Não mencionámos estas diferenças com algum espírito sectário todos os Coventículos vão e devem fazer o que sentem melhor para eles mas apenas para registar qual é qual e expressar as nossas próprias preferências, aquelas que nos servem de modelo.

Primeiro, o método de trazer o Postulante para o Círculo. Na tradição Gardneriana ele é empurrado para o Círculo, por trás; depois da declaração do Iniciador, “Eu dou-te uma terceira para passares através desta Porta do Mistério”, ele apenas acrescenta de forma misteriosa “dá-lhe”.

O livro High Magic’s Aid é mais específico: “Abraçando-o por trás com o seu braço esquerdo à volta da cintura e põe o braço direito dele à volta do seu pescoço e vira-se para ela e diz: “Eu dou-te a terceira senha; “Um beijo”. Ao dizer isso, ela empurra-o com o seu corpo através da porta para dentro do Círculo. Uma vez lá dentro ela liberta-o, segredando: “Esta é a forma que todos são trazidos pela primeira vez para o Círculo” (High Magic’s Aid, pág. 292).

É claro que, o acto de pôr o braço direito do Iniciador à volta do pescoço não é possível se os pulsos destes estiverem amarrados; e rodar a sua cabeça com a sua mão para o beijar sobre o ombro, é quase impossível se ele for muito mais alto que ela. Esta é a razão por que sugerimos que ela o beije antes de passar por detrás dele. É o acto de empurrar por trás que é a tradição essencial; por certo que o Coventículo de Gardner sempre o fez.

“Penso que a intenção original era ser uma espécie de teste”, diz-nos Patricia, “porque alguém podia perguntar, como no High Magic’s Aid, quem te trouxe para um Círculo?” a resposta era “Eles trouxeram-me por trás”.

A prática Alexandrina era segurar os ombros do iniciado à sua frente, beijá-lo e então puxá-lo para dentro do Círculo, rodando-o em sentido deosil. Esta foi a forma como fomos os dois Iniciados e não nos sentimos pior por isso.

Mas não vemos nenhuma razão, agora, para partir da tradição original especialmente porque ela tem um interesse histórico inerente; por isso, viramo-nos para o método Gardneriano.

Quando Stewart visitou o Museu das Bruxas na Ilha de Man em 1972 (à data aos cuidados de Monique Wilson, a quem Gardner deixou a sua colecção insubstituível que ela mais tarde de forma imperdoável vendeu à América), Monique disse-lhe que como não tinha sido empurrado por trás para dentro do Círculo na sua Iniciação, “nenhuma verdadeira bruxa se associaria a ele”. Então ela ofereceu-se para o iniciar “da forma devida”. O Stewart agradeceu-lhe educadamente mas declinou o convite. As precauções e os formalismos poderiam ter um fundamento válido nos tempos das perseguições; insistir no assunto agora é mero sectarismo.

O segundo maior afastamento Alexandrino da Tradição reside no acto de tirar as medidas. Os Coventículos Gardnerianos retém a medida; os Alexandrinos da Tradição devolvem-nas ao Postulante.

No Ritual Alexandrino, a medida é tirada com um fio vermelho de linho, não composto, apenas da coroa aos calcanhares, omitindo as medidas da cabeça, peito e ancas. O Iniciador diz: “Agora vamos tirar-te as medidas e medimos-te da coroa da tua cabeça até às solas dos teus pés. Nos tempos antigos, quando ao tirarem a tua medida também retiravam amostras do cabelo e unhas do teu corpo. O Coventículo guardaria então a medida e as amostras e se tentasses sair do Coventículo trabalhariam com eles para te trazer de volta e nunca mais de lá sairias. Mas como vieste para o nosso Círculo com duas expressões perfeitas, Amor Perfeito e Confiança Perfeita, devolvemos-te a medida, e ordenamos-te que a uses no teu braço esquerdo”.

A medida é atada à volta do braço esquerdo do Postulante até ao fim do Ritual, depois do qual, poderá fazer aquilo que entender com ela. A maior parte dos Iniciados destroem-nos, outros guardam-nos como recordação, outros põe-nos em medalhões e dão-nos de presentes aos seus companheiros de trabalho.

O simbolismo do “Amor e Confiança” no costume Alexandrino é claro, e alguns Coventículos podem preferi-lo. Mas sentimos que há ainda mais a dizer acerca do Coventículo guardar a medida, não como chantagem, mas como uma lembrança simbólica da nova responsabilidade do Iniciado perante o Coventículo. De outra forma não parece fazer sentido algum tirá-la.

Doreen diz-nos: “A ideia de devolver a medida é, na minha opinião, uma inovação de Sanders. Na tradição de Gerald, era sempre retida pelo Iniciador. Nunca, no entanto, existia alguma intenção que a medida fosse utilizada na forma chantagista descrita no Ritual Alexandrino. Ao invés, se alguém quisesse sair do Coventículo, eram livres de o fazer, desde que respeitassem da confiança dos outros membros e mantivessem os Segredos. Afinal de contas, qual é a lógica de manter alguém no Coventículo contra a sua vontade? As suas más vibrações só estragariam tudo. Mas nos tempos antigos a medida era usada contra qualquer pessoa que deliberada e maliciosamente traísse os Segredos. Gerald disse-me que “a medida era então enterrada num local lamacento, com a maldição de que apodrecesse, assim como o traidor”. Lembrem-se, traição naqueles tempos era uma questão de vida ou de morte literalmente!”

Sublinhamos de novo perspectivas das diferenças em detalhe, podem ser fortemente mantidas, mas no final é a decisão do Coventículo que interessa quanto a uma forma particular, ou até em encontrar uma forma própria. A validade de uma Iniciação não depende nunca dos pormenores. Depende apenas, da sinceridade e efectividade psíquica, espiritual do Coventículo, e da sinceridade e potencial psíquico do Iniciado. É como diz a Deusa na Exortação: “E aquele que pensa em procurar-me, saiba que procurar apenas e ter compaixão não o ajudará, a menos que conheça o Segredo: que aquilo que não procure e não encontre dentro dele, então nunca o encontrará sem ele. Para verem, eu tenho estado contigo desde o Início; E Eu sou aquilo que se alcança no fim do desejo”.

Dar importância demasiado aos pormenores tem sido, infelizmente, a doença de muitas doutrinas cristãs, incluindo aquelas que tinham as suas origens na beleza; os bruxos não devem cair na mesma armadilha. Somos tentados a dizer que as doutrinas deviam ser escritas por poetas e não por teólogos.

Uma palavra para os nomes Cernunnos e Aradia, os nomes de Deuses usados no Livro das Sombras de Gardner. Aradia, foi adoptada dos bruxos da Toscânia (ver o livro de Charles G. Leland, Aradia, O Evangelho do Bruxos); sobre as suas possíveis ligações celtas, ver o nosso livro Oito Sabbats para Bruxas, p. 84. Cernunnos (ou como lhe chama Jean Markale no seu Mulheres Celtas, Cerunnos) é o nome dado pelos arqueólogos ao Deus Cornudo celta, porque não obstante terem sido encontradas muitas representações deste, em todo o lado desde o Caldeirão Gundestrop até ao monte Tara (ver fotografia 10), apenas uma destas tem um nome inscrito um baixo relevo encontrado em 1710 na Igreja de Notre Dame em Paris, que se encontra agora no Museu de Cluny na mesma cidade. O sufixo “-os”sugere ter sido uma helenização de um nome celta; os druidas são conhecidos por serem familiares com o grego e terem usado este alfabeto para as suas transacções em assuntos vulgares, apesar neste caso as letras actuais serem romanas. Note-se também que o grego para “corno” é (Keras). Doreen Valiente sugere (e concordamos com ela) era na verdade Herne (como em Herne o Caçador, do Windsor Great Park). “Alguma vez ouviram o choro de um Veado (Fallow deer) no cio?” pergunta ela. “Ouvirão sempre durante o cio outonal do Veado na New Forest, e soa exactamente como “HERR-NN… Herr-rr-nn…” repetido vezes sem conta. É um som emocionante e nunca o esqueceremos. Agora, das pinturas rupestres em grutas e estátuas que encontramos dele, Cernunnos era eminentemente um Deus-Veado. Então como é que os mortais o denominaram melhor? Certamente pelo som que da forma mais intensa lembra um dos grandes Veados da Floresta”.

Para cada um deles podemos acrescentar que o intercâmbio dos sons “h” e “k” é sugerido pelos nomes de lugares como Abbas em Donset, local do famoso Gigante de Hillside. Existe um número razoável de lugares denominados Herne Hill em Inglaterra, bem como duas Herne Villages, uma Herne Bay, uma Herne Drove, uma Hernebridge, uma Herne Armour, uma Herne Pound, e por aí fora. Herne Hill é algumas vezes explicado como significando “Monte da Garça” mas, como Doreen explica, as garças procriam junto aos rios e lagos e não em montes; “parece mais provável para mim que Herne Hill era sagrado para o Velho Deus”.

No Livro Alexandrino das Sombras, o nome é “Karnayna” mas esta forma não surge em mais nenhum local, que quer eu quer a Doreen tenhamos visto. Ela pensa que “é provavelmente não concerteza uma confusão auditiva com Cernunnos. O nome actual pode ter sido omitido no livro de onde Alex copiou, e ele teve que se apoiar numa recordação verbal de alguém”. (conhecendo o Alex, diriamos “quase de certeza”!)

No texto que se segue, o Iniciador pode ser a Sumo-Sacerdotisa ou o Sumo-Sacerdote, dependendo se o Iniciado for homem ou mulher; assim, referimo-nos ao Iniciador como “ela” por uma questão de simplicidade, e ao “Postulante” (mais tarde “Iniciado”) como “ele” apesar de poder ser ao contrário, obviamente. O companheiro de trabalho do Iniciador, quer seja Sumo-Sacerdotisa ou o Sumo-Sacerdote, tem certamente também deveres a desempenhar, e é referido como o “Companheiro”.

A Preparação

Tudo é preparado como para um Círculo normal, com os itens adicionais seguintes também preparados:

  • Uma venda;
  • Uma distância de fio ou corda fina (pelo menos 2,50m);
  • Óleo de unção;
  • Um pequeno sino de mão;
  • Três comprimentos de corda vermelha: uma com 2,75m e duas com 1,45m.

Também é usual, mas não essencial, que o Postulante traga o seu próprio novo Athame, e corda vermelha, branca e azul para serem consagradas imediatamente após a sua Iniciação(1). Devem dizer-lhe, logo que saiba que vai ser Iniciado, que tem de adquirir qualquer faca de cabo preto com que se identifique. A maior parte das pessoas compra um punhal com bainha vulgar (a bainha é útil, para transportá-lo de e para o local de encontro) e pintam o cabo de preto (se já não for, claro). Pode não haver tempo para ele gravar os Símbolos tradicionais no cabo (ver Secção XXIV) antes de ser consagrado; isto pode ser feito mais tarde nos tempos livres. Alguns bruxos nunca chegam a inscrever quaisquer Símbolos, preferindo a Tradição alternativa, que diz que os instrumentos de trabalho não devem ser identificáveis como tal para algum estranho(2); ou porque o padrão do cabo do punhal escolhido não permite gravações. (O Athame do Stewart, agora com 12 anos, tem os Símbolos inscritos; o de Janet, com a mesma idade mas com um cabo com padrão, não tem; e temos outro Athame feito à mão por um artesão amigo que tem um cabo de pé de Veado que obviamente não dá para gravar). Sugerimos que as lâminas dos Athames sejam cegas, uma vez que nunca são usadas para cortar seja o que for mas são usadas para gestos rituais no que pode ser um Círculo apertado e populoso:

As três cordas que o iniciado tem que trazer devem ter 2,75m de comprimento cada. Gostamos de evitar que as pontes das cordas se desfaçam usando fita ou atando-as com fio da mesma cor. No entanto, Doreen diz: “Atamos nós às pontas para evitar que se soltem e a medida essencial calcula-se de nó em nó.”

Também se lhe deve dizer para levar a sua própria garrafa de vinho tinto até para lhe dar a entender logo de princípio que as despesas de comida e bebida para o Coventículo, quer seja vinho para o Círculo ou alguma comida para antes ou depois do Círculo, não devem cair inteiramente para a Sumo-Sacerdotisa ou o Sumo-Sacerdote!

Quanto aos itens adicionais listados em cima qualquer lenço servirá para utilizar como venda, mas deve ser opaco. E a escolha do óleo de unção cabe à Sumo-Sacerdotisa; o Coventículo de Gardner usava sempre Azeite virgem. O costume Alexandrino diz que o óleo deveria incluir um toque do suor da Sumo-Sacerdotisa e do Sumo-Sacerdote.

O Ritual

Antes do Círculo ser fechado, o Postulante é posto fora do Círculo a Nordeste, vendado e amarrado, por bruxos do sexo oposto. O acto de atar é feito com as três cordas vermelhas(3) – uma com 2,75m e as outras duas com 1,45m. A corda maior é dobrada ao meio para os pulsos serem amarrados juntos atrás das costas e as duas pontas são trazidas para a frente por cima dos ombros e atadas em frente ao pescoço, com as pontas caídas a formar uma pega por onde o Postulante pode ser dirigido(4). Uma corda pequena é atada no tornozelo direito e a outra por cima do joelho esquerdo cada uma com as pontas bem escondidas para que o não magoem. Enquanto se estiver a corda no tornozelo, o Iniciador diz:

“Pés nem presos nem livres.”(5)

O Círculo está agora aberto, e o Ritual de Abertura procede como normalmente, exceptuando o “Portão” a Nordeste que não está ainda fechado e o exortação não ter sido dita. Depois do Atrair a Lua(6), o Iniciador dá a Cruz Cabalística(7), como se segue: “Ateh” (tocando na testa), “Malkuth” (tocando no peito), “ve-Geburah” (tocando no ombro direito), “ve-Gedulah” (tocando o ombro esquerdo), “le-olam” (apertando as mãos à altura do peito).

Depois das Runas das Feiticeiras, o Iniciador vai buscar a Espada (ou Athame) ao Altar. Ela e o Companheiro encaram o Postulante.

Então eles declamam o exortação (ver apêndice B, pp. 297-8).

O Iniciador então diz:

“Ó tu que estás na fronteira entre o agradável mundo dos homens e os Domínios Misteriosos do Senhor dos Espaços, tens tu a coragem de fazer o teste?”

O Iniciador coloca a ponta da Espada (ou Athame) contra o coração do Postulante e continua:

“Porque digo verdadeiramente, é melhor que avances na minha lâmina e pereças, que tentes com medo no teu coração.”

O Postulante responde:

“Tenho duas Senhas. Perfeito Amor e Perfeita Confiança”(8).

O Iniciador diz:

“Todos os que assim estão são duplamente bem-vindos. Eu dou-te uma terceira para passares através desta misteriosa Porta”.

O Iniciador entrega a Espada (ou Athame) ao seu Companheiro, beija o Postulante e passa para trás dele. Abraçando-o por detrás, empurra-o para a frente, com o seu próprio corpo, para dentro do Círculo. O seu Companheiro fecha ritualmente a “porta” com a Espada (ou Athame), que depois recoloca no Altar.

O Iniciador leva o Postulante aos pontos cardeais em volta e diz:

“Tomai nota, ó Senhores do Este[Sul/Oeste/Norte] que_________está devidamente preparado(a) para ser iniciado(a) Sacerdote (Sacerdotisa) e Bruxo(a)”(9).

Então o Iniciador guia o Postulante para o centro do Círculo. Ele e o Coventículo circulam à sua volta em sentido deosil, cantando:

“Eko, Eko, Azarak,
Eko, Eko, Zomelak,
Eko, Eko, Cernunnos(10),
Eko, Eko, Aradia(10)”

Repetido sempre, enquanto empurram o Postulante para a frente e para trás entre eles, virando-o às vezes um pouco para o desorientar, até o Iniciador o mandar parar com um “Alto!”. O Companheiro toca o sino três vezes, enquanto o Iniciador vira o Postulante (que ainda está no centro) para o Altar.

O Iniciador então diz:

“Noutras religiões o Postulante ajoelha-se enquanto o Sacerdote o olha de cima. Mas na Arte Mágica somos ensinados a ser humildes, e ajoelhamo-nos para dar as boas-vindas e dizemos…”

O Iniciador ajoelha-se e dá o “Beijo Quíntuplo” ao Postulante, como se segue:

“Abençoados sejam os teus pés, que te trouxeram para estes caminhos” (beijando o pé direito e depois o esquerdo).

“Abençoados sejam os teus joelhos, que devem ajoelhar perante o Altar Sagrado” (beijando o joelho direito e depois o esquerdo).

“Abençoados sejam o teu falo (ventre) sem o qual não existiríamos” (beijando acima do pêlo púbico).

“Abençoado seja o teu peito, formado na força [seios, formados na beleza]” (11) (beijando o seio direito e depois o esquerdo).

“Abençoados sejam os teus lábios, que irão proferir os Nomes Sagrados” (abraçando-o e beijando-o nos lábios).

O Companheiro passa o comprimento de fio ao Iniciador, que diz:

“Agora vamos tirar a tua medida.”

O Iniciador, com ajuda de outro bruxo do mesmo sexo, estica o fio do chão aos pés do Postulante até ao alto da sua cabeça, e corta esta medida com a faca de cabo branco (que o seu Companheiro lhe traz). O Iniciador então mede-o uma vez à volta da cabeça e ata um nó para marcar a medida; outra (da mesma ponta) à volta do peito e ata outro nó a marcar; outra à volta das ancas atravessando os genitais e dá um nó.

Então retira a medida e pousa-a no altar.

O Iniciador pergunta ao Postulante:

“Antes de jurares a Arte, estás preparado para passar a provação e ser purificado?”

O Postulante responde:

“Estou.”

O Iniciador e outro bruxo do mesmo sexo ajudam o Postulante a ajoelhar-se, e curvar a sua cabeça e ombros para a frente. Eles soltam as pontas das cordas que atam os tornozelos e os joelhos juntos(12). O Iniciador vai então buscar o chicote ao Altar.

O Companheiro toca o sino três vezes e diz: “Três.”

O Iniciador dá três chicotadas leves ao Postulante.

O Companheiro diz: “Sete.” (Não volta a tocar o sino).

O Iniciador dá sete chicotadas leves ao Postulante.

O Companheiro diz: “Nove.”

O Iniciador dá nove chicotadas leves ao Postulante.

O Companheiro diz: “Vinte e Um.”

O Iniciador dá vinte e uma chicotadas leves ao Postulante (a vigésima primeira chicotada pode ser mais vigorosa, como lembrança que o Iniciador tem sido contido propositadamente.)

O Iniciador diz:

“Passaste o teste com valentia. Estás pronto a jurar que serás sempre verdadeiro com a Arte?”

O Postulante responde: “Estou.”

O Iniciador diz (frase a frase):

“Então repete comigo: “Eu,__________, na presença dos Todo Poderosos, de minha livre vontade e da forma mais solene juro manter sempre secreto e nunca revelar os segredos da Arte, excepto se for a uma pessoa adequada, devidamente preparada num Círculo como aquele em que eu estou agora; e nunca negarei os segredos a uma pessoa como esta se ele ou ela provarem ser um Irmão ou Irmã da Arte. Tudo isto eu juro pelas minhas esperanças numa vida futura, ciente que a minha medida foi tirada; e que as minhas armas se virem contra mim se eu quebrar este juramento solene.”

O Postulante repete cada frase depois do Iniciador.

O Iniciador e outro bruxo do mesmo sexo ajudam agora o Postulante a pôr-se de pé.

O Companheiro traz o óleo de unção e o cálice de vinho.

O Iniciador molha a ponta do dedo no óleo e diz:

“Eu por este meio te marco com o Sinal Triplo. Consagro-te com óleo.”

O Iniciador toca o Postulante com óleo logo acima do pêlo púbico, no seu seio direito, no seu seio esquerdo e outra vez acima do pêlo púbico, completando o triângulo invertido do 1.º Grau.

Depois molha a ponta do dedo no vinho, diz “Consagro-te com vinho” e toca-lhe nos mesmos locais com o vinho.

A seguir diz “Consagro-te com os meus lábios”, beija o Postulante nos mesmos locais e continua “Sacerdote (sacerdotisa) e Bruxo(a).”

O Iniciador e outro bruxo do mesmo sexo tiram-lhe a venda e desatam as cordas.

O Postulante é agora um bruxo iniciado, e o ritual é interrompido para cada membro do Coventículo lhe dar as boas-vindas e os parabéns. Quando acabarem, o ritual prossegue com a apresentação dos instrumentos de trabalho. À medida que cada instrumento é apresentado, o Iniciador trá-lo do Altar e dá-o ao Iniciado com um beijo. Outro bruxo do mesmo sexo do Iniciador aguarda, e à medida que se acaba a apresentação de cada instrumento este leva-o de volta ao Altar.

O Iniciador explica as ferramentas como se segue:

“Agora apresento-te os Instrumentos de Trabalho. Primeiro, a Espada Mágica. Com isto, como com o Athame, dás forma aos Círculos Mágicos, dominas, subjugas e punes todos os espíritos rebeldes e demónios, e podes até persuadir anjos e espíritos bons. Com isto na tua mão, lideras o Círculo.”

“A seguir apresento-te o Athame. Esta é a verdadeira arma do bruxo, e tem todos os poderes da Espada Mágica.”

“A seguir apresento-te a Faca de Cabo Branco. É usada para formar todos os instrumentos usados na Arte. Só pode ser usada num Círculo Mágico.”

“A seguir apresento-te a Varinha. A sua utilidade é chamar e controlar certos anjos e génios quando não seja apropriado o uso da Espada Mágica.”

“A seguir apresento-te o Cálice. Este é o receptáculo da Deusa, o Caldeirão de Cerridwen, o Santo Graal da Imortalidade. Neste bebemos em camaradagem, e em honra à Deusa.”(13)

“A seguir apresento-te o Pentáculo. Este tem o objectivo de chamar os espíritos apropriados.”

“A seguir apresento-te o Incensário. É usado para encorajar e dar as boas vindas aos espíritos bons e banir espíritos maus.”

“A seguir apresento-te o Chicote. É o símbolo do poder e do domínio. Também é purificador e iluminador. Por isso está escrito, “Para aprender deves sofrer e ser purificado”. Estás disposto a sofrer para aprender?”

O Iniciado responde: “Estou.”

O Iniciador continua: “A seguir e por fim apresento-te as Cordas. Elas são usadas para prender os Sigilos da Arte; também a base do material; e também são necessárias para o Juramento.”

O Iniciador diz: “Agora saúdo-te em nome de Aradia, novo Sacerdote(Sacerdotisa) e Bruxo(a)”, e beija o Iniciado.

Finalmente, conduz o Iniciado a cada um dos pontos cardeais em volta e diz: “Ouçam ó Todos Poderosos do Este [Sul/Oeste/Norte]; ___________foi consagrado Sacerdote (Sacerdotisa), Bruxo(a) e criança escondida da Deusa.”(14)

Se o Iniciado trouxe o seu novo Athame e/ou as Cordas, ele pode agora, como seu primeiro trabalho mágico, consagrá-los (ver Secção IV) com o Iniciador ou com a pessoa que irá ser o seu Companheiro de Trabalho, se já for conhecido, ou se (como no caso de Patricia e Arnold Crowther) eles foram iniciados na mesma ocasião.

Notas 

(1) Estas cordas são para trabalhar a ‘magia da corda’ e cada bruxa deve ter o seu próprio conjunto pessoal. (Não se deve confundir com a corda longa e duas curtas, mencionados na lista acima, que são usadas para atar o Postulante; sugerimos que coventículo deva manter um jogo destas cordas separadas das outras, para ser usado somente em iniciações). Um modo tradicional de usar uma corda de 2,74 m pode ser, de a atar em laço, pô-la sobre o athame espetado no solo, esticando o laço totalmente (1,36 m) e usa-lo como um compasso para desenhar o círculo mágico. Doreen diz: Este método era realizado antigamente em que os soalhos das casas era, constituídos de terra batida. penso que poderiam ter usado a faca branca ou giz para desenhar o círculo real, dependendo da superfície em que trabalhavam’.

(2) Uma das nossas bruxas, doméstica, que tivesse que realizar as suas práticas de uma forma secreta, tinha como athames, duas facas brancas entre o seu conjunto de cozinha, identificável somente por ela; o seu pentáculo era um determinado prato de prata no seu armário; e assim, por diante. Tal secretismo era necessário, nos dias de perseguição, e naturalmente a vassoura tradicional de bruxa num passe de mágica disfarçada num espanador.

(3) Na prática Alexandrina, utilizam-se somente duas cordas. Uma vermelha para a garganta e os pulsos e uma branca para um dos tornozelos. Ainda segundo Doreen: ‘As nossas cordas eram geralmente vermelhas, a cor da vida, tendo sido também usadas outras cores,como o verde, azul ou preto. Nenhum significado particular foi unido a esta cor, excepto ser uma cor da nossa preferência vermelho apesar de não ser fácil encontrar corda de seda de qualidade apropriada para o efeito.

(4) Isto assemelha-se a uma característica da iniciação Maçónica, apontando ao peito do Postulante.

(5) Dos textos de Gardner, isto aparece somente no Hight Magic’s Aid. O ritual Alexandrino usa-o, mas como uma regra.

(6) Drawing Down The Moon (Atrair a Lua) Se o Iniciador é o Sumo-Sacerdote, pode sentir ser uma altura apropriada para acrescentar o Drawing Down The Sun (ver Secção VI) ao Ritual tradicional.

(7) A Cruz Cabalística é pura prática da Aurora Dourada (ver Israel Regardie, The Golden Dawn, 3ª edição, vol. I, p. 106). Surge nos textos de Gardner, “mas na prática não me lembro de alguma vez termos feito isto” diz-nos Doreen. Incluímo-lo aqui para ficar mais completo, mas também não o usamos nas Iniciações; como muitos bruxos, usamos muitas vezes Magia Cabalística, mas sentimos que está fora do contexto em algo como tradicionalmente wiccano num Ritual de Iniciação. Malkuth, Geburah e Gedulah (de outra forma Chased) são obviamente Sephorith da Árvore da Vida, e a declaração Hebraica significa claramente “porque Teu é o Reino, e o Poder, e a Glória, para sempre” uma pista interessante de que Jesus conhecia a sua Cabala. Alguns cabalistas acreditam que foi este conhecimento, mesmo quando era rapaz, que espantou os doutores do Templo (Lucas II, 46-7).

(8) O High Magic’s Aid dá esta forma; o Texto B descreve “Perfeito Amor para a Deusa, Perfeita Confiança na Deusa”.Preferimos a forma mais curta, porque também significa Amor e Confiança para com o Coventículo, e pode ser citado e guradado como um modelo a manter.

(9) O High Magic’s Aid dá esta forma; o Texto B descreve “Ó Senhores Misteriosos e gentis Deusas”. Uma vez que os Guardiães das Torres de Vigia são os reconhecidos Guardiães dos Pontos Cardeais e foram invocados no ritual de fecho do Círculo, preferimos a forma do High Magic’s Aid. Aqui é utilizado o nome vulgar do Postulante, uma vez que só se toma um nome mágico a partir do Segundo Grau.

(10) Ou qualquer nome de Deus ou Deusa que o Coventículo use (ver os nossos comentárioa aos nomes Cernunnos e Aradia na p.14).

(11) Os textos de Gradner utilizam a mesma expressão para ambos os sexos: “peitos formados na beleza e força.” Doreen explica-nos: “Esta expressão era uma alusão ao corpo humano como uma forma de Árvore da Vida, com Gedulah de uma lado e Geburah do outro.” Preferimos “peitos, formados na beleza” para uma mulher e “peito, formado na força” para um homem; este identifica-se mais com o Beijo Quíntuplo como uma saudação à polaridade homem/mulher, e com o tom essencialmente Wiccano (em vez do Cabalístico) das outras quatro declarações.

(12) Noutro ponto (ver p.54) o Livro das Sombras diz que enquanto se ajoelha a ponta do fio deve estar presa ao Altar.

(13) Esta é a nossa própria contribuição para a lista de apresentações do Livro das Sombras: fazê-mo-lo pelas razões que damos na página 258.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-iniciacao-ao-primeiro-grau-da-bruxaria/