As Colméias e a Maçonaria

Esse importante símbolo maçônico foi ignorado (ou talvez seja desconhecido) por praticamente todos os escritores maçons brasileiros. Até mesmo a literatura internacional versa pouco sobre esse símbolo, presente desde a cultura egípcia, passando pelos romanos, usado pelos cristãos primitivos, e que posteriormente inspirou imperadores, como Napoleão.

Com exceção do ser humano, qual o outro ser vivo trabalha muito e em equipe, vive em comunidade, produz diferentes tipos de materiais, constrói casa para milhares de iguais, e tem forte hierarquia e disciplina?

A abelha trabalha duro e sem descanso, não para ela, mas para todas. Ela produz e ela constrói. Ela vive em harmonia com a natureza. A colméia é o grande emblema do resultado do trabalho da abelha, da sua capacidade de construir algo em prol de todos. A abelha é o ser construtor, assim como o maçom pretende ser. A partir disso é fácil compreender como a colméia se tornou um símbolo maçônico presente em antigos estandartes e aventais, e no grau de Mestre Maçom dos rituais mais antigos de nossa Ordem.

Não se sabe a partir de quando a Colméia passou a constar nos rituais maçônicos, mas já estava presente na Maçonaria desde, pelo menos, o início do século XVIII, como evidencia um catecismo maçônico irlandês datado de 1724:

“Uma abelha tem sido, em todas as épocas e nações, o grande hieróglifo da Maçonaria, pois supera todas as outras criaturas vivas na capacidade de criação e amplitude de sua habitação. Construir parece ser da própria essência ou natureza da abelha”.

Há vários registros de colméias como parte integrante e de destaque de templos e rituais maçônicos na Inglaterra, Irlanda, Escócia e EUA no século XVIII. Porém, com a renovação dos rituais em boa parte do Reino Unido a partir de 1813, esse importante símbolo foi de certa forma ignorado, surgindo vez ou outra em Lojas de Pesquisa, com exceção da Maçonaria Americana, que manteve sua importância no Ritual.

Para se ter uma melhor compreensão do significado maçônico da Colméia, segue pequeno trecho adaptado do Monitor de Webb:

“A Colméia é um emblema de indústria e operosidade. Ela nos ensina a prática dessas virtudes a todos os homens. Viemos ao mundo como seres racionais e inteligentes. Como tais, devemos sempre ser trabalhadores, jamais nos entregando à preguiça quando nossos companheiros necessitarem, se estiver em nosso poder auxiliá-los. …Aquele que não buscar trazer conhecimentos e entendimento ao todo, merece ser tratado como um membro inútil da sociedade, indigno de nossa proteção como Maçons.”

Enfim, um dos símbolos maçônicos com significado e ensinamentos mais profundos, simplesmente perdido nas brumas do tempo e nas páginas das incontáveis “revisões” promovidas pelos “sábios” de outrora. Esse é o verdadeiro “símbolo perdido” da Maçonaria.

#Maçonaria

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Inugami – como criar um deus – inugami no noroi – 犬神の呪い

Por Robson Bélli

O feitiço de Inugami é uma arte negra que consagra o espírito de um cachorro como o deus da casa e manipula o espírito livremente para roubar a riqueza dos outros, tornando sua casa rica.

O feitiço do inugami, que é ensinado no estilo magico da família Izanagi de Shikoku, segue chamado método de envenenamento (sim existe toda uma tradição desse tipo de magia na Ásia) praticado na China, manipulando o espírito do cão para prejudicar os outros e tornar a casa do dono rica. O Inugami é um espírito possuído pela casa, e aqueles que possuem a casa devem o adorar como um deus para a satisfação do Inugami por gerações. Desde que o Inugami traga riqueza para a casa, mas não a trate mal. Se algo acontecer a cabeça, isso trará desastre para as pessoas na casa. Dizem que você pode obter o Inugami fazendo o seguinte:

[Nota do Editor: Apesar de tradicional e histórico este procedimento é inaceitável hoje em dia. Maltratar animais é crime no Brasil previsto pela lei nº 9.605/98. Nem o autor nem o portal incentivam ou apoia quaisquer atos criminosos.]

  1. Pegue um cachorro vivo e enterre-o no chão até o pescoço para matá-lo de fome.
  2. Coloque comida na frente dele e corte o pescoço do cachorro quando a fome for extrema.
  3. A cabeça deve ser enterrada em uma estrada movimentada, por onde passam muitas pessoas.
  4. Então desenterre a cabeça e a adore-o como parte do feitiço.
  5. Isso por si só torna o Inugami seu, e o mestre pode manipular o espírito à vontade e, se assim o desejar, pode matar seu odiado oponente.

No entanto, se o Inugami for manipulado uma única vez dessa maneira, o Inugami se estabelecerá em sua casa pelo resto da primavera. Tal casa é chamada Inugami-suji, e todos os descendentes e famílias dessa casa poderão controlar Inugami. Uma vez que você possui um inugami. Você terá que adorar o Inugami por gerações.

Diz-se que o espírito de um cão, que é consagrado como um inugami, ele costuma ter o tamanho de um rato ou de uma doninha.

E, na linhagem familiar que possui um Inugami, diz-se que quando nasce uma menina, o número de espíritos de Inugami aumenta em 75. Além disso, se você conseguir uma noiva da casa de uma casa que possui um Inugami, o Inugami seguirá junto com a noiva, e o Inugami se estabelecerá na casa da noiva. Portanto, a nova casa (família) também tem que cultuar o Inugami.


Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/inugami-como-criar-um-deus-inugami-no-noroi-%e7%8a%ac%e7%a5%9e%e3%81%ae%e5%91%aa%e3%81%84/

Meditação é tão eficaz contra depressão quanto remédios

Um tipo de meditação é tão eficaz em evitar a recaída dos portadores de depressão quanto antidepressivos, revelou um estudo publicado no inicio de dezembro pela Archives of General Psychiatry.

A pesquisa foi feita pelo Centro de Saúde Mental e Dependência (CAMH, na sigla em inglês), no Canadá, em parceria com o Departamento de Psiquiatria do St Joseph’s Healthcare, a Universidade de Toronto e Universidade de Calgary, todas também no país canadense.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores analisaram pacientes tratados inicialmente com o medicamento até o desaparecimento dos sintomas da doença e, posteriormente, separados em três grupos.

O primeiro continuou com a medicação tradicional, o segundo seguiu tomando placebos e o terceiro adotou a Psicoterapia Cognitiva Baseada na Atenção Plena (MBCT, na sigla em inglês).

Aqueles que seguiram à técnica participavam de oito sessões em grupo semanais e praticavam a meditação em casa, como parte de seu tratamento.

As avaliações clínicas foram realizadas em intervalos regulares e durante um período de 18 meses de estudo, as taxas de recaída dos pacientes no grupo MBCT não diferiram dos índices de pacientes que recebem antidepressivos (ambos na faixa de 30%).

Por outro lado, 70% dos pacientes que receberam placebos voltaram a apresentar sintomas da depressão.

Opção de tratamento

De acordo com o diretor do Departamento de Terapia Cognitiva da CAMH, Dr. Zindel Segal, muitos pacientes com depressão interrompem o tratamento com medicação antes do período indicado devido aos efeitos colaterais ou à indisposição de tomar um remédio durante anos.

“Com o reconhecimento crescente de que a depressão é um transtorno recorrente, os pacientes precisam de opções de tratamento para prevenção da doença e assim voltarem às suas vidas”, disse o Dr. Segal. Com isso, a Psicoterapia Cognitiva Baseada na Atenção Plena torna-se uma opção eficiente de tratamento de longo prazo.

Ainda de acordo com Segal, a terapia é uma abordagem não farmacológica que ensina como controlar as emoções para que o paciente possa monitorar possíveis desencadeadores de recaídas, bem como adotar mudanças de estilo de vida favoráveis ao equilíbrio do humor.

“As implicações destes resultados tem relação direta com o tratamento de linha de frente da depressão. Para esse grupo considerável de pacientes que estão relutantes ou são incapazes de tolerar o tratamento de manutenção, o MBCT oferece proteção igual contra a recaída”, afirma o Dr. Zindel Segal.

Essa não é a primeira vez que os benefícios da meditação no combate à depressão são comprovados cientificamente. Outro estudo, publicado em Londres, em 2008, sugere que a mesma técnica pode ser tão eficiente quanto os antidepressivos na prevenção de recaídas e mais eficaz na melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

Além disso, a MBCT é uma alternativa de baixo custo se comparada com as drogas antidepressivas. Ao contrário da maioria das terapias psicológicas, a MBCT pode ser ensinada em grupos por um único terapeuta, e os pacientes podem continuar a praticar as habilidades que aprenderam em casa, sozinhos.

Muitos dos exercícios realizados durante o estudo foram baseados em técnicas de meditação budista e ajudaram o indivíduo a focar no presente, em vez de dedicar a atenção a acontecimentos passados, ou tarefas futuras. Os exercícios impactaram de forma diferente cada paciente, mas muitos relataram maior aceitação e mais controle sobre os pensamentos e sentimentos negativos.

Fonte: Archives of General Psychiatry

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/medita%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-t%C3%A3o-eficaz-contra-depress%C3%A3o-quanto-rem%C3%A9dios

Cowboys form Hell, Pantera

O editor musical James Rotondi já disse tudo: “Mesmo aqueles que zombam da idéia de que o rock’n’roll é a música do diabo vão pensar duas vezes quando ouvirem Pantera. O álbum é voltado a  um rumo diferente da proposta original da banda, onde praticava um som mais Heavy/Power e onde começou a adotar mais um estilo Thrash/Groove. Apresentando o grande Dimebag Darrell, Como um dos maiores guitarristas da história do metal, que tinha como inflûencias bandas como Iron Maiden, Black Sabbath, Van Halen, Judas Priest, Metallica entre outros grandes nomes da cena metalica.

A agressividade do grupo é usada como combustível para a criação de um verdadeira obra de arte. Em Satanomicon Lord Ahriman aponta para esse processo como uma das bases da alquimia negra: “Não é fácil controlar as emoções, principalmente porque as emoções não são para serem controladas, mas canalizadas” e em outro momento o autor ainda diz “Reprimir emoções  negativas é a maior causa das doenças psicossomáticas, que muitas vezes explodem da pior forma possível.” Infelizmente alguns fãs não conseguiram aprender nada com o exemplo do uso criativo da agressividade da banda e um deles deixou sua emoção explodir em compulsão. Cinco vezes, no peito do guitarrista.

Em dezembro de 2004 Dimebag foi baleado em pleno palco e faleceu em pleno palco onde atuava com um dos seus projetos, os Damageplan. O criminoso está preso e esquecido, mas este álbum se imortalizou. Faziam parte dos Pantera também, o excelente baterista Vinnie Paul Abbott, irmão de Dimebag, o poderoso e controverso vocalista Phil Anselmo e ainda o baixista Rex Brown.

A faixa título é um clássico como poucos. Desde o início, marcando satanicamente seu poderio de domínio entre uma rajada e outra, com a fenomenal ‘Cowboys From Hell’ onde ficamos delirados com a sonoridade da guitarra de Dimebag e o ritmo de Vinnie Paul com suas saraivadas e técnicas de bumbo, os excelentes vocais de Anselmo ou então o espetacular uso do baixo por parte de Rex Brown. Lançado em 1990, Cowboys from Hell trouxe Pantera para o topo da lista do Trash Metale foi um dos grandes responsáveis por manter o próprio metal vivo e agressivo numa época em que o próprio metal passou eclipsado pelo rock alternativo.

Cowboys from Hell

 

Under the lights where we stand tall

Nobody touches us at all

Showdown, shootout, spread fear within, without

We’re gonna take what’s ours to have

Spread the word throughout the land

They say the bad guys wear black

We’re tagged and can’t turn back

You see us comin’

And you all together run for cover

We’re takin over this town

Here we come reach for your gun

And you better listen well my friend, you see

It’s been slow down below,

Aimed at you we’re the cowboys from hell

Deed is done again, we’ve won

Ain’t talking no tall tales friend

‘Cause high noon, your doom

Comin’ for you we’re the cowboys from hell

Pillage the village, trash the scene

But better not take it out on me

‘Cause a ghost town is found

Where your city used to be

So out of the darkness and into the light

Sparks fly everywhere in sight

From my double barrel, 12 gauge,

Can’t lock me in your cage

You see us comin’

And you all together run for cover

We’re takin over this town

Here we come reach for your gun

And you better listen well my friend, you see

It’s been slow down below,

Aimed at you we’re the cowboys from hell

Deed is done again, we’ve won

Ain’t talking no tall tales friend

‘Cause high noon, your doom

Comin’ for you we’re the cowboys from hell

Revolution, IDK the rest

Here we come reach for your gun

And you better listen well my friend, you see

It’s been slow down below,

Aimed at you we’re the cowboys from hell

Deed is done again, we’ve won

Ain’t talking no tall tales friend

‘Cause high noon, your doom

Comin’ for you we’re the cowboys from hell

ahhh step aside for the cowboys from hell

Tradução de  Cowboys from Hell
(Cowboys do Inferno)

Sob as luzes em que estamos, altosNinguém nos toca de maneira alguma

Duelo, tiroteio, nós espalhamos o medo dentro e fora

Nós vamos pegar o que é nosso

Espalhar a palavra por toda parte

Eles dizem que caras maus se vestem de preto

Somos procurados e não podemos voltar

Vocês nos vêem chegando

E todos correm juntos para o abrigo

Estamos tomando essa cidade

Aqui chegamos, alcance sua arma

E é melhor você ouvir bem meu amigo, você vê

A descida tem sido devagar

Mirados em você nós somos os cowboys do inferno

Contrato cumprido novamente, nós vencemos

Chega de conversa fiada amigo

Porque bem ao meio dia, seu destino

Está chegando pra você, nós somos os cowboys do inferno

Saqueio a vila, destruo o lugar

Mas é melhor não me matar

Porque tem uma cidade fantasma

Onde sua cidade costumava ficar

Então saia da escuridão e entre na luz

Faíscas voam em todo lugar à vista

Da minha espingarda cano duplo, calibre 12

Você não consegue me trancar em sua jaula

Vocês nos vêem chegando

E todos correm juntos para o abrigo

Estamos tomando essa cidade

Aqui chegamos, alcance sua arma

E é melhor você ouvir bem meu amigo, você vê

A descida tem sido devagar

Mirados em você nós somos os cowobys do inferno

Contrato cumprido novamente, nós vencemos

Chega de conversa fiada amigo

Porque ao meio dia, seu destino

Chegará para você, nós somos os cowobys do inferno

Abra caminho nós somos os cowobys do inferno

 

Nº 25 – Os 100 álbuns satânicos mais importantes da história

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/cowboys-form-hell-pantera/

Demonstração Científica do Reiki

Seus praticantes acreditam nos efeitos benéficos da energia das mãos do terapeuta colocadas sobre o corpo do paciente contra doenças. Para entender as alterações biológicas do reiki, o psicobiólogo Ricardo Monezi testou o tratamento em camundongos com câncer. “O animal não tem elaboração psicológica, fé, crenças e a empatia pelo tratador. A partir da experimentação com eles, procuramos isolar o efeito placebo”, diz. Para a sua pesquisa na USP, Monezi escolheu o reiki entre todas as práticas de imposição de mãos por tratar-se da única sem conotação religiosa.

No experimento, a equipe de pesquisadores dividiu 60 camundongos com tumores em três grupos. O grupo controle não recebeu nenhum tipo de tratamento; o grupo “controle-luva” recebeu imposição com um par de luvas preso a cabos de madeira; e o grupo “impostação” teve o tratamento tradicional sempre pelas mãos da mesma pessoa.

Depois de sacrificados, os animais foram avaliados quanto a sua resposta imunológica, ou seja, a capacidade do organismo de destruir tumores. Os resultados mostraram que, nos animais do grupo “impostação”, os glóbulos brancos e células imunológicas tinham dobrado sua capacidade de reconhecer e destruir as células cancerígenas.

“Não sabemos ainda distinguir se a energia que o reiki trabalha é magnética, elétrica ou eletromagnética. Os artigos descrevem- na como ‘energia sutil’, de natureza não esclarecida pela física atual”, diz Monezi. Segundo ele, essa energia produz ondas físicas, que liberam alguns hormônios capazes de ativar as células de defesa do corpo. A conclusão do estudo foi que, como não houve diferenças significativas nos os grupos que não receberam o reiki, as alterações fisiológicas do grupo que passou pelo tratamento não são decorrentes de efeito placebo.

A equipe de Monezi começou agora a analisar os efeitos do reiki em seres humanos. O estudo ainda não está completo, mas o psicobiólogo adianta que o primeiro grupo de 16 pessoas, apresenta resultados positivos. “Os resultados sugerem uma melhoria, por exemplo, na qualidade de vida e diminuição de sintomas de ansiedade e depressão”. O trabalho faz parte de sua tese de doutorado pela Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp).

E esses não são os únicos trabalhos desenvolvidos com as terapias complementares no Brasil. A psicobióloga Elisa Harumi, avalia o efeito do reiki em pacientes que passaram por quimioterapia; a doutora em acupuntura Flávia Freire constatou melhora de até 60% em pacientes com apnéia do sono tratados com as agulhas, ambas pela Unifesp. A quantidade pesquisas recentes sobre o assunto mostra que a ciência está cada vez mais interessada no mecanismo e efeitos das terapias alternativas.

#Reiki

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/demonstra%C3%A7%C3%A3o-cient%C3%ADfica-do-reiki

Magia Celta – Com Narhair (Ordem Walonom)

Bate-Papo Mayhem 188 – Com Narhair (Ordem Walonom) – Magia Celta

https://projetomayhem.com.br/

O vídeo desta conversa está disponível em: https://youtu.be/JB0q0qFIhuU

Bate Papo Mayhem é um projeto extra desbloqueado nas Metas do Projeto Mayhem.

Todas as 3as, 5as e Sabados as 21h os coordenadores do Projeto Mayhem batem papo com algum convidado sobre Temas escolhidos pelos membros, que participam ao vivo da conversa, podendo fazer perguntas e colocações. Os vídeos ficam disponíveis para os membros e são liberados para o público em geral três vezes por semana, às terças, quartas e quintas feiras e os áudios são editados na forma de podcast e liberados duas vezes por semana.

Faça parte do projeto Mayhem:

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/magia-celta-com-narhair-ordem-walonom

Aromagick: Aplicação Mágica da Aromatica

Pouco foi escrito sobre a prática ritual da aromatica. Os poucos itens que apareceram impressos sobre o tema são dogmáticos e terrivelmente imprecisos. As poucas pessoas envolvidas com  magick e habilitadas em aromática apenas plagiaram fontes duvidosas anteriores ao invez de pesquisar e testar o que ensinam. O sentido do olfato é grosseiramente subestimado por qualquer um que não tenha se dedicado a deliberadamente considerar seus efeitos. Para estas pessoas a habilidade de sentir cheiros é meramente um acessório para o que são consideradas os mais importantes portas da percepção – os outros quatro sentidos. Nenhum magista deve se permitir cair nesta armadilha. O sentido do olfato pode ser uma fonte sutil de condicionamento, intencional ou acidental e o uso magico ritual de incensos e óleos não pode ser ignorado, o sentido do olfato pode ser mais evocativo do que qualquer outro, por exemplo:

Ferormônios conseguem acionar funções hormonais pelo sistema olfativo sem nem ao menos notarmos a existência do seu odor… Cheio de hospital espalhado em um recinto em pouquíssimas quantidades de modo a sequer ser notado pode mensuravelmente aumentar o nível de ansiedade dos indivíduos ali presentes… alguns anos atrás um profissional do meu distrito trabalhando com almiscares sintéticos descobriu uma substância capaz de aprimorar o sentido do olfato em cem vezes. O governo do meu pais (EUA) confiscou seu trabalho, fechou seu laboratório e censurou-o para não repetir a experiência. Este episódio sinistro claramente demonstra a seriedade que o olfato tem para o ‘establishment’, provavelmente com propósitos de controle das massas. Em um nível mais cotidiano, anos de trabalho com óleos essenciais demonstrou para mim que certas vibrações do espectro dos perfumes têm repetidamente, quase universalmente sido reconhecidos pelos mesmos efeitos. Por exemplo, sândalo, não importa quem o cheire experimenta um efeito sedativo. Capim-Limão sempre acorda as pessoas. Aromas possuem ainda o poder de sugestionar  e em sistemas mágicos pragmáticos é a combinação destes dois princípios – natureza e associação é sempre usada em magia individual ou coletiva.

A construção de um “Olfabeto”… um sistema artificial de atribuições olfativas é algo que só pode ser feito a nível individual – nunca é a função do grupo. Esse sistema deveria ser constituído a partir de tantos cheiros evocativos de experiências passadas quanto for possível ao indivíduo recriar.

Por exemplo, quando criança o magista brigou com outro menino em seu caminho para a escola. A luta ocorreu em um lugar repleto de alho selvagem, e desde então sempre que ele sente o cheiro de alho a emoção da ocasião retorna a sua mente. Ele interpreta esta emoção como um aspecto da energia de Marte e consequentemente usa alho nos incensos do tipo marcial. O mesmo magista busca em si o mesmo para todas as suas emoções. Cocô de cavalo é usado para Vênus, porque lembra-lhe do estábulo onde ele perdeu a virgindade. Incenso de olíbano é usado apenas quando não deseja produzir emoções violentas porque ele sempre o considerou calmante.

Magos tradicionais ou cabalistas desaprovam este tipo de sistema, não percebendo que eles gastam uma grande quantidade de tempo para convencer suas mentes da validade destes sistemas arbitrários ao invés de criar sistemas que se adequem a eles próprios.

Na confecção de incensos para trabalhos em grupo há alguns elementos de consenso que devem ser lembrados.
É claro que aromas como o do sândalo são apreciados por quase todas as pessoas como prazeroso ao passo que Assa-fétida e Cauchu são sem exceção considerados detestáveis. Um incenso de Hathor é um bom exemplo; ele deve ser doce e pesado e criar o ambiente necessário para o ritual sem usar substâncias que eram desconhecidas pelos antigos egípcios. O Chamado incenso de outono é outro exemplo e deve ser composto de elementos coletados do lugar onde o trabalho será feito, originalmente sendo composto de resina de pinha, folhas, flores e frutos do campo e cabeças de camomila. Ele produz um perfume abundante e doce e sem duvida carrega a mensagem da colheita bem feita.

Alguém sem nenhuma experiência com incensos faria muito bem a si mesmo se comprasse alguns incensos prontos nas lojas.

Adquira alguns de vários lugares diferentes, compare-os e identifique seus ingredientes. Se o vendedor não está preparado para lhe dizer os ingredientes do incenso não compre mais nada deste lugar. Certamente não se trata se segredo, mas sim ignorância ou no pior dos casos quer dizer que a pessoa está cobrando muito mais do que o incenso realmente vale. Enquanto isso comece a coletar matérias primas que você ache útil. Isso inclui as gomas, resinas, mas você também achara úteis algumas ervas aromáticas, madeiras e raízes.

Sequer pense em começar a fazer seus próprios incensos se você não tem em estoque e não sabe diferenciar estes elementos básicos:

Olibano
Dammar
Mirra
Louro
Musgo do Carvalho
Raiz Galanga
Benjoim
Colofônia
Sândalo
Goma copal
Lavanda
Pinha

Queime cada um destes separadamente para se familiarizar com a natureza de cada um.

Alguns líquidos são importantes para se adaptar a fragrância de sólidos misturados. Estes vêm na forma de resinas ou óleos essenciais e devem ser comprados de comerciantes respeitáveis já que podem ser facilmente adulterados. Eu ficaria relutante em começar com menos do que os seguintes itens:

Benjoim
Cássia
Ylang Ylang
Cedro
Copiaba
Gerânio
Rosa
Jasmi

Incensos podem ser secos ou pegajosos de acordo com o gosto pessoal. Para um produto seco, não adicione mais de 1ml de óleo para cada 25mg da essência do incenso. Para resina basta adicionar um pouco mais de óleo essencial e ter certeza que a gomas e resinas foram, pelo menos em parte, finamente moídas. Os líquidos adicionado irão ligar o pó gomas e resinas, juntamente com os materiais de ervas e flores. Se a fragrância está certa, mas o produto não esta suficientemente resinosa, adicione amêndoa doce ou azeite para obter a textura desejada. Estes são inodoras e muito menos caro do que os óleos essenciais.

Uma mistura de incenso precisa de tempo para amadurecer. Fórmulas não devem ser descartadas antes de pelo menos, dois meses, pois é somente quando a mistura está madura que o Turiferário (pessoa encarregada de fazer incenso) pode decidir se ele é apropriado para o seu fim ou se é necessária uma nova adaptação. A fórmula final deve ser mantida seguro. Não há turiferário no mundo que não tenha alguma vez criado o melhor incenso do mundo para logo deopis extraviar a fórmula e, em seguida, esquecer de como ela era originalmente.

Para o trabalho coletivo de um templo é necessário um especialista turiferário. Muito pouca fumaça ou incenso não serão fortes o suficiente para causar qualquer efeito – fumaça e incenso demais tornará o ritual impossível de ser completado por alguns dos celebrantes que tentarão sair do templo o mais rápido que puderem. Infelizmente é impossível passar orientações sobre isso,  pois é uma questão de experiência. Como alternativa para as essências de incenso, óleos podem ser evaporados em um prato de metal sobre uma fonte de calor suave, como uma vela, mas é necessário um cuidado ainda maior ao medi-los pois são bem mais caros.

Óleos de Unção são bem mais simples. Para fazer, simplesmente misturamos óleos essenciais e os diluímos em um óleo fixo, como a amêndoa ou azeite doce. Algumas das velhas fórmulas tinctures2 estipulam que devem ser usados, mas estes são inferiores aos óleos essenciais e sua preparação é extremamente demorado.  Algumas das fórmulas tradicionais estipulam que algum tipo de tintura deva ser usados, mas isto torna o trabalho inferiores aos óleos essenciais e torna sua preparação extremamente demorada.

Vinhos aromáticos possuem uma vantagem sobre um simples bordeaux ou claret pois possuem sabores distintos que não são encontrados facilmente fora do ritual. Há duas formas com a qual eles podem ser preparados. A mais fácil é macerar as ervas no vinho a ser usado de sua própria adega. Este não é um método totalmente satisfatório já que os únicos elementos sobre os quais você tem controle são as propriedades e, em certa medida, o sabor. O segundo método envolve a fermentação de leveduras e açúcar com ervas adicionadas no início, e é muito superior. O controle pode ser exercido sobre suas propriedades, teor de álcool, corpo e sabor. A única desvantagem desse método é que o processo precisa ser iniciado no mínimo três meses antes do vinho ser consumido.

Algumas fórmulas de exemplo:

VINHOS:

O álcool nos vinhos é um produto da ação de leveduras (Saccharomyces elipsoidius) de algum tipo de açúcar. Quanto mais açúcar você adicionar mais álcool o vinho terá (dentro da tolerância da levedura utilizada). Fermentos de uso geral genéricos podem ser encontrados em qualquer loja de bebida, este possui uma tolerância relativamente elevada ao álcool e é adequado para qualquer vinho de ervas. Ervas devem ser escolhidas por suas propriedades, em vez de seu sabor tão pouca fruta pode ser necessária em alguns casos, assim é normal a inclusão de alguma fruta no processo para fazer a bebida saborosa. Como regra geral, 100g de erva para 4 litros de vinho, é a proporção certa. O exemplo a seguir é de um vinho afrodisíaco.

Equipamento:
2 garrafões, um com uma câmara
Um tubo de plástico para ser usado como um sifão
1 funil
1 ou 2 papéis de filtro

Ingredientes:
2k de açúcar ou mel
75 gramas de Damiana
25g de folhas de Louro
Fermento de uso geral
1 limão
1 saquinho de chá

Metodo:

Ferver as ervas em 2 litros de água por aproximadamente 45 minutos e tenha a água no garrafão. Derreta o açúcar em uma panela de água e adicionar à água da erva. Esprema o limão no garrafão e adicione o saquinho de chá. (Estes são adicionados para fornecer o ácido cítrico e tanino, respectivamente). Outros commodities poderiam ser usados, por exemplo, casca de laranja para o ácido cítrico e folhas da erva do salgueiro para tanino, estes ingredientes auxiliam a ação do fermento no açúcar.

Deixar o conteúdo do garrafão esfriar. Prepare uma garrafa colocando uma colher de sopa de fermento em um frasco contendo ¼ litro de água quente.  A mistura inicial estará pronta para ser adicionada no conteúdo no garrafão quando se estiver à temperatura ambiente. O processo levará algumas horas e desde que não esteja muito frio a fermentação continuará sozinha. Quando a câmara parar de borbulhar teste a força e o sabor do vinho. Quando pronto leve o garrafão par algum lugar fresco e deixe descansar por duas ou três semanas para permitir que as partículas finas se dissolvam e depois filtre o líquido para o garrafão final. Quanto mais tempo o vinho for guardado melhor será. Uma alternativa a esse processo é curtir as ervas em álcool e diluir a substância resultante se necessário.

UNGUENTOS:

Existem dois tipos de óleos de unção: um trabalha por associação de cheiro, o outro, faz a pele formigar ou “queimar” de leve. A inclusão de uma pequena porcentagem do óleo de folha de canela fará com que o último efeito se manifeste – a primeira é mais difícil pois é a síntese de todos os aspectos da fragrância até agora discutidos. A fórmula seguinte é retirado da tradução de  S.L. Mathers’  da Magia Sagrada de AbraMelin O Mago:

Você deve preparar o óleo sagrado desta maneira: Tome da mirra em lágrimas, uma parte; da canela fina, duas partes; de galanga meia parte e metade do peso total destas drogas do melhor azeite.

Essas referências são, evidentemente, para uma receita feita de sólidos, mas é mais conveniente que produto seja feito de óleos essenciais. O azeite pode ser substituído por amêndoa doce e, como gosto pessoal, eu gosto de utilizar o incenso olíbano, em vez de canela, que é levemente tóxica.

Um dos óleos de unção favoritos frequentemente usado para  atração sexual é o que foi favorecido por Aleister Crowley. Eu suspeito que o seu nome – Ruthvah – é uma corruptela de ruh hiyat, árabe que significa “sopro de vida”e seu nome alternativo,”O Perfume da Imortalidade” em certa medida, corrobora isso. Um verdadeiro ruthvah seria composto de almíscares e âmbar, mas o produto dessas secreções animais seriam injustificadamente caro. Passei alguns anos trabalhando neste problema e acabei por decidir usar a fórmula a seguir como o fornecimento de um perfume quase exatamente igual ao original mas por uma fração do custo:

2g de almíscar
3g algália.
3g gálbano.
6g de óleo mineral.

Estes são batidos juntos em um pilão até que uma consistência uniforme seja obtida, (isso pode levar dois ou três dias). Se um líquido claro é necessário a mistura pode ser filtrada, mas a fragrância é mais forte se o todo é mantido.

ÓLEO DE EVAPORAÇÃO:

Os dois óleos acima podem ser usados como evaporação assim como para unção. O exemplo dado aqui é de um óleo criado para aprimorar momentos de meditação. Quando evaporado ele também eliminará bactérias e esporos de fungo que estejam, suspensos no ar.

2 ml Lavanda
2 ml Geranium
1 ml Laranja Doce (Israeli)

INCENSOS

As fórmulas dadas a seguir são para os incensos de Hathor e Baphomet que são os mais eficaz para um bom ritual. Como preâmbulo devo dar também a fórmula dada por Deus a Moisés tal como registrado em Êxodo 30:34.

Disse mais o Senhor a Moisés: Toma especiarias aromáticas: estoraque, e ônica, e gálbano, especiarias aromáticas com incenso puro; de cada uma delas tomarás peso igual; e disto farás incenso, um perfume segundo a arte do perfumista, temperado com sal, puro e santo; e uma parte dele reduzirás a pó e o porás diante do testemunho, na tenda da revelação onde eu virei a ti; coisa santíssimá vos será.

HATHOR

25g de mirra
25g Incenso (Olibano)
25g de Benjoim
25g Copal
25g Filipêndula
25g Colofônia
25g Dammar
3g Benjoim resinoide (líquido)
3g Óleo de Amêndoas Doces

Moer e misturar as gomas e ervas e em seguida, adicionar os líquidos. Deixe guardado pelo menos, um mês antes de usar.

BAPHOMET

25g de flores dos cactos
25g de pinho
25g de Filipêndula
50g de Mirra
12g de Goma-laca
25g de Bagas de zimbro
25g de Sândalo
50g Colofônia
25g de Benjoim
10g Óleo do Patchouli
5g Óleo de Amêndoas Doces

Use o mesmo método do incenso de Hathor.

Excerto de The Book Of Results por Ray Sherwin

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/aromagick-aplicacao-magica-da-aromatica/

Compreensão e Relacionamento

Paulo Jacobina*

Excertos de A Senda Infinita

Compreensão

Compreender significa viver aquilo que se sabe sem espaço para dúvidas ou quaisquer indagações mentais. É agir de forma fluida e sem retenção, por menor que seja, em consonância com o que se sabe. E apenas se alcança o estado de compreensão, quando se vive por intermédio do Livre-Arbítrio, no Dharma.

Ao se deparar com uma situação, o Livre-Arbítrio permite ao Eu realizar uma escolha, optar por seguir o Instinto ou a Intuição. Optando pelo Instinto, seguirá o caminho das escolhas pretéritas, no qual é “vítima” das condições externas, dos comportamentos passados, sejam seus, da coletividade, da ilusão do acaso, de achar que toda a manifestação só existe por ele.

Contudo, ao optar pela Intuição, o Eu começa a ver a realidade na qual se encontra. Vislumbra que o acaso inexiste, visto que toda manifestação se encontra em sintonia. Questiona-se o que aquela situação simboliza. Busca o símbolo, e quando o encontra, entende o que gerou a situação vivenciada; que o Eu é parte integrante da manifestação e não vítima; e que, por ser parte, pode aprender com a situação e transmutá-la.

Ao entender o que simboliza a situação, começa a enxergar o lugar das coisas na manifestação e a entender o significado desta; que tudo o que existe e o que não existe tem um propósito, incluindo o próprio Eu. Compreende que as situações vivenciadas são símbolos que, como tais, possuem um significado, um propósito. E, assim, passa a se manifestar segundo este propósito, distribuindo a todos o necessário para se alcançar o Sattva e, dessa forma, todos os envolvidos se deslocarem na Consciência.

Tendo em vista que o Sattva é o equilíbrio harmônico entre os opostos Rajas e Tamas, ao vivenciar uma situação e passar a entender a causa, isto é, o aspecto da manifestação que ali predomina, desperta para aplicar o aspecto oposto: ao se deparar com o Ódio, aplicar o polo oposto, o Amor; ao se deparar com a intolerância, fazer uso da tolerância; frente à agressão, aplicar a mansidão; com a Incompreensão, buscar a Compreensão. É fornecer o outro polo, a face oposta à que se manifesta naquele momento.

Relacionamento

Ao compreender a Verdade, o Eu deixa de vivenciar a Heresia da Separatividade e se vê em um Relacionamento. Um estado no qual entende a essência de tudo o que existe e o que não existe, inclusive a própria, e passa a contribuir para o organismo como um todo, livrando-se das ilusões do ego, que estabelece a falsa necessidade de realizar algo visando o próprio interesse.

Relacionar-se é contribuir para a jornada do próximo sem autoindulgência, autoaprimoramento ou autoproteção, sem ego. É entender a essência da manifestação e fornecer aquilo que pode, visando o desenvolvimento do outro sem esperar nada em troca. E o ato de se relacionar está presente em todas as esferas da jornada existencial do Eu.

Ao olhar, por exemplo, uma árvore e se livrar da Heresia da Separatividade, o Eu a vê como árvore e passa a atuar de forma com que a árvore possa se desenvolver em seu inteiro potencial, fornecendo água para irrigá-la, adubo para melhorar os nutrientes do solo etc. Da mesma forma, a árvore vê a manifestação ao seu redor, a compreende em essência e, por isso, livre de ego e sem desejar nada em troca, atua de forma a contribuir para o desenvolvimento da manifestação, fornecendo sombra, frutos, um ambiente mais ameno etc.

Ao olhar o Corpo no qual se manifesta, o Eu Central compreende que outros Eus ali se encontram em suas jornadas existenciais. Entende as suas essências e contribui para o seu desenvolvimento fornecendo os nutrientes para isso, em formato da prática salutar de exercício, alimentação e pensamentos.

Ao olhar a sociedade na qual a Persona se encontra, seja ela em qualquer formato que se manifeste[1], procurar o que pode oferecer à sociedade e não o que a sociedade pode lhe dar.

 

[1] Sociedade familiar, de condomínio, de bairro, cidade, estado, país, empresarial etc.


 

Paulo Jacobina mantêm o canal Pedra de Afiar, voltado a filosofia e espiritualidade de uma forma prática e universalis

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/compreensao-e-relacionamento/

Arcano 11 – Justiça – Lamed

Uma mulher, sentada num trono, tem em sua mão direita uma espada desembainhada com a ponta virada para cima, e na esquerda uma balança com os pratos em equilíbrio. A mão que segura a balança encontra-se à altura do coração.

Este personagem, que é visto de frente, está vestido com uma túnica cujo panejamento sugere uma mandorla (como a do arcano 21 – O Mundo), espaço de conciliação das polaridades.

Não se vêem os pés da mulher nem a cadeira propriamente dita. Aparece, em compensação, com toda nitidez, o espaldar do trono: as esferas que o arrematam estão talhadas de maneira diferente.

Significados simbólicos

Justiça, equilíbrio, ordem.

Capacidade de julgamento.

Conciliação entre o ideal e o possível. Harmonia. Objetividade, regularidade, método.

Balança, avaliação, atração e repulsão, vida e temor, promessa e ameaça.

Interpretações usuais na cartomancia

Estabilidade, ordem, persistência, normalidade. Lei, disciplina, lógica, coordenação. Flexibilidade, adaptação às necessidades. Opiniões moderadas. Razão, sentido prático. Administração, economia. Obediência.

Soluções boas e justas; equilíbrio, correção, abandono de velhos hábitos.

Mental: Clareza de juízo. Conselhos que permitem avaliar com justeza. Autoridade para apreciar cada coisa no momento oportuno.

Emocional: Aridez, secura, consideração estrita do que se diz, possibilidade de cortar os vínculos afetivos, divórcio, separação. Este arcano representa um princípio de rigor.

Físico: Processo, reabilitação, prestação de contas. Equilíbrio de saúde, mas com tendência a problemas decorrentes de excessos (obesidade, apoplexia), devido à imobilidade da carta.

Sentido negativo: Perda. Injustiça. Condenação injusta, processo com castigo. Grande desordem, perigo de ser vítima de vigaristas. Aburguesamento.

História e iconografia
A representação da Justiça como uma mulher com balança e espada (ou livro) data provavelmente de um período remoto da arte romana.

Durante a primeira parte da Idade Média, espada e balança passaram a ser atributos do Arcanjo Miguel, comumente designado por Micael ou São Miguel, que parece ter herdado as funções do Osíris subterrâneo, o pesador de almas.

Mais tarde estes elementos passam para as mãos da impassível dama, da qual há figurações relativamente antigas na arte medieval: um alto-relevo da catedral de Bamberg, datado de 1237, a representa deste modo. Pelo que parece, a iconografia do Arcano VIII seguiu com bastante fidelidade a tradição artística.

A espada e a balança são, para Aristóteles, os elementos representativos da justiça: a primeira porque se refere à sua capacidade distributiva; a segunda, à sua missão equilibradora. Ao contrário das alegorias inspiradas na Têmis grega, a Justiça do Tarô não tem venda sobre os olhos.

É comum relacionar este arcano ao signo zodiacal de Libra. Ele representa, como aquele, nem tanto a justiça exterior ou a legalidade social, mas sim a função interior justiceira que põe em movimento todo um processo psíquico (ou psicossomático) para determinar o castigo do culpado, partindo já da idéia de que “a culpa não é, em si, diferente do castigo”.

Também se atribui à balança uma função distributiva entre bem e mal, e a expressão do princípio de equilíbrio. A espada, por sua vez, representa a sentença, a decisão psíquica, a palavra de Deus.

Na divisão do Tarô em três setenários, a ordem que Wirth estabelece é descendente, correspondendo aos arcanos I-VII a esfera ativa do Espírito; aos VIII-XIV, a esfera intermediária, anímica; aos arcanos XVI-XXI, a esfera passiva do Corpo.

O segundo setenário – que se inicia com a Justiça – corresponde à Alma ou ao aspecto psicológico da individualidade.

“O primeiro termo de um setenário – diz Wirth – desempenha necessariamente um papel gerador. Assim, o espírito emana da Causa Primeira (O Prestidigitador), a alma procede do Arcano VIII, e o corpo, do XV (O Diabo)”.

Examinado do ponto de vista dos ternários, a Justiça (8), ocupa o segundo termo do terceiro ternário, sendo precedida pelo Carro (7), que cumpre aí a função geradora, enquanto ela, a Justiça, passa a exercer a função de organizadora.

Por Constantino K. Riemma
http://www.clubedotaro.com.br/

@MDD – O Tarot de Marselha troca a numeração da Justiça (11) com a Força (8). De acordo com a Kabbalah, o caminho de Lamed / Libra, que conecta Tiferet a Geburah, é o correto para o Arcano do tarot da Justiça.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arcano-11-justi%C3%A7a-lamed

Bibliografia nacional sobre lobisomens

João Ribeiro, em O Folklore, publicação de 1919, no capítulo VI, escreve que “O pan-animismo da natureza não distingue os seres, nem os classifica; nem os compreende senão como inteiramente humanos. A Lua, o Sol, a folha, a montanha ou a pedra, tudo é humano. Se um rochedo acaso afeta qualquer parecença com outro ser, logo surge uma história etiológica que nos explica a metamorfose. Dessas mutações que passaram depois à poesia e à ficção, algumas ficaram como superstições resistentes, tenazes e refratárias à morte. Tal é o caso do Lubisomem, da transformação do homem em lobo, que se funda realmente num estado de loucura melancólica e religiosa, caso patológico bem averiguado desde os médicos antigos. A licantropia ou a cinantropia é freqüentemente confessada pelos próprios doentes como uma possessão pelos demônios. No Brasil, certas vítimas do amarelão, quando esgotadas de anemia, são havidas por Lubisomens. Uivam, ladram, e amam as excursões noturnas fora de horas. Tal é o caso da legenda arcádica de Licaon entre os gregos. Na Índia, desde os Vedas, há a moléstia mental dos homens-tigres, homens-cobras, convictos da própria metamorfose. O licantropo acredita que vira a pele para dentro e a parte interna para fora, ficando ora homem, ora lobo, e por isso entre os latinos lhe chamavam versipellio… por essa inversão do tegumento. O Lubisomem começa a tremer, a ganir e a ladrar, no momento da transformação, com aquele ar estranho e hórrido do Dr. Jekill, o homem duplo, do terrível conto de Stephenson. Também Sachetti, numa das suas Novelle, 122, escreve: “E come io sona per diventare lupo, comincia a sbagliare e a tremare forte”.1… O povo acredita ainda nos que viram Lubisomem, durante a noite.”

Leoncio C. de Oliveira, em Vida Roceira, edição de 1918, SP., descreve o Lobisomem como “caboclo opilado, extremamente descorado, ressequido e de sombrio aspecto, produto de sétimo parto, que às sextas-feiras, à meia noite, procura os galinheiros, onde se espoja nas fezes e alimenta-se das mesmas, metamorfosea-se em um grande cão, de enormes e pendentes orelhas que estralam no calor da carreira na qual sai o desgraçado para percorrer sete cidades antes do nascer do dia, em cumprimento do seu triste fado

…Sendo uma mulher casada com um Lobisomem, só lhe soube a sina quando, certa noite, despertou sobressaltada com enorme cão dentro do quarto. Gritou apavorada pelo marido, que julgava a dormir e o cão, enfurecido, atacou-a, esfacelando-lhe a dentes a saia de baeta vermelha que vestia. Na manhã seguinte, ao surpreender entre os dentes do marido filamentos de lã de sua saia, compreendeu-lhe, horrorizada, o desgraçado destino. Abandonou-o e levou o resto da vida a penitenciar-se do tempo que coabitou com o horrível duende.”

Cornélio Pires, em 1927, apresenta o Lobisomem através da descrição de um caipira. “O Lubisóme é um cachorrão grande, preto, que sai tuda a sexta-fera comê bosta de galinha, ‘daquelas preta, mole, que nem sabão de cinza… Ele sai e garra corrê mundo nu’a toada, cabeça-baxa, esganado e triste… Você arrepare in tuda a casa de sítio; in baxo das jenela tá tudo ranhado de Lubisóme. Ele qué íntrá p’ra cumê as criança que inda num fôro batizado…”

Aluísio de Almeida, em 142 Histórias Brasileiras, relata uma variante paulista da Estória do Labisomem: “Uma moça casou-se com um rapaz que tinha o fadário de ser Lobisome; viviam em harmonia, porém ela, muito simples, nada percebia, porque o marido costumava sair sempre à noite dar uma prosa com amigos que moravam um pouco retirados, e a convidava. Às vezes, ela ia também; e de outras não, e quando não, ia deitar-se e quando o marido voltava a encontrava dormindo, de modo que às sextas-feiras ele saia cumprir o fadário sem que ela desconfiasse. Uma sexta-feira, sem pensar, ele a convidou para saírem, e ela eceitou; mas, quando foram passando por uma tapera, lembrou-se que era noite de cumprir o fadário, mas estava com a mulher. Que fez ele? disse para a mulher que o esperasse ali, porque precisava dar um recado a um amigo que morava ali perto; e seguiu por um trilhozinho que ficava no fundo da tapera. Como estava escuro e a mulher ficasse com medo de cobras ou aranhas, pois era um gramado, achou melhor trepar em um galho arcado de uma árvore, à pequena altura do chão. Já ia alta a noite, o marido não aparecia, ela com muito medo, pois nunca ficara assim sozinha em tapera. De repente, ela ouviu um bater de orelhas que vinha pela estrada para aonde deviam caminhar, e um cachorrão farejando o chão veio onde ela estava e, enxergando-a, começou a dar pulos para mordê-la, e nesses botés só conseguia pegar a barra da saia de baeta e tirava pedaços nos dentes.

Ela começou a gritar pelo marido, mas ele não aparecia; depois de muito tempo ele apareceu e perguntou o que eram aqueles gritos? ela disse: – você vai e não voltava mais; apareceu um bruto cachorrão e queria me morder, mas só alcançou o meu vestido e a saia de baeta. Não querendo descobrir-se, e para disfarçar, disse: – eu fui lá e convidaram-me para cear; eu aceitei e me entretive na prosa, e quando vinha vindo ouvi vossos gritos e vim depressa; como já é tarde, eles aonde nós iamos já estarão dormindo; voltaremos uma outra noite qualquer; é a mesma coisa. No outro dia ele não foi trabalhar; e quando o sol estava um pouco alto, disse: – fulana! ponha uma esteira no terreiro e traga uma tripeça, e você senta-se, e eu ponho a cabeça no vosso colo e me faz um cafuné. A mulher fez o que ele disse; e pondo a cabeça no seu colo e ela fazendo cafuné, começou a roncar com a boca aberta, e então a mulher viu os fiapos de baeta nos vãos dos dentes do marido, e ficou muito assustada, mas nada lhe disse. Chamou depois um seu irmão, e contou o caso todo muito direitinho. O irmão disse: fulana! teu marido é Lobisome; mas não se assuste, eu vou cortar-lhe o fadário; sexta-feira eu vou esperá-lo; levo meu facão folha de espada e quando ele passar, eu o cotuco com a ponta do facão para tirar sangue, e ficará cortado o fadário; não tenha medo, não vou matá-lo. No dia determinado o rapaz foi esperá-lo; levou o facão, uma garrucha de dois canos, vestiu o poncho e pôs um chapéu de abas largas, e ficou na beira da estrada. A horas tantas o rapaz ouviu o paca, paca, das orelhas e quando o Lobisomem ia passando, riscou-Ihe as costelas com a ponta do facão; ele deu um salto e virou homem outra vez; e encarando o cunhado disse: ah! você cortou o meu fadário, espere aí que eu vou em casa buscar um presente para te dar, em agradecimento! O rapaz, que sabia o que era o presente, tirou o poncho e o vestiu em uma arvorezinha, pôs o chapéu em cima e ficou do outro lado, esperando. Dai a pouco volta o homem e diz: – meu amigo! aí vai o presente! e descarrega os dois canos da espingarda, que só atingiu o poncho, e o rapaz respondeu: Amigo! quem dá presente recebe um ‘Deus Ihe pague’ – e descarregau ambém os dois canos da garrucha, mas sem intenção de atingi-lo.

Ele fugiu, de carreira. No outro dia se encontraram, e o cunhado mostrou o poncho furado pelos bagos de chumbo e disse: eu tenho o corpo fechado; chumbo não cala no meu corpo, e nem bala também; vamos fazer as pazes, porque comigo você não pode; o outro acreditou e fizeram as pazes e o casal continuou vivendo em harmonia. Nota: Era crença que os Lobisomens, quando conheciam os seus desencantadores, tratavam de vingar-se, porquanto, desencantados daquela maneira, teriam de cumprir o fadário depois da morte com tempo dobrado. Contada por Eugênio Pilar França.”

Em 50 Contos Populares de São Paulo, o mesmo autor relata que “num certo lugar do qual não é preciso dizer o nome, houve há tempos um homem mau, que judiava muito da mulher, a ponto de causar-lhe a morte, por ruins tratos. O castigo que ele teve foi de virar Lobisomem todas as noites de sextas para sábados. Resolvendo casar-se de novo, tratou de ser melhor para a segunda mnlher, a ver se acabava o seu fadário. Era mesmo uma coisa triste paraele, sair à noite, chovesse ou fizesse frio, pelos caminhos silenciosos, com as grandes orelhas caídas, procurando baeta para mastigar. Depois do casório, continuou a mesma coisa. A mulher percebeu logo que nas noites de sextas-feiras ele saía, e voltava cedo, noutro dia, muito cansado e triste, amarelo, sem ânimo para o trabalho. Uma noite dessas, portanto, ficou acordada, e viu o marido, mastigando a baeta do cobertor, com uma cara tão feia que nem teve coragem para lhe dizer nada. Quando deu meia noite, ele procurou a chave, mas estava tudo bem trancado, por artes da mulher. Então, ele foi ficando fininho, que nem uma linha, e passou pelo buraco da fechadura. A mulher não pôde dormir mais. Chamou gente. O homem apareceu de madrugada com uns fiapos de baeta vermelha nos dentes e muito envergonhado. Era a hora. Mal ele acabava de entrar, a mulher, sem dizer nada, zás! joga-lhe água benta em cima. Depois fizeram sete rezas, sete noites, com sete velas acesas, e ele desecantou e viveu feliz”…

Ruth Guimarães, em Os Filhos do Medo, escreve que “não pode o Lobisomem ver os olhos nem as unhas de alguém, porque isso o irrita.” E conta que “um menino foi mordido por um grande cão negro. Um dia, quando o boi do carro que estava guiando, urinou, ele tirou a roupa e se espojou no chão sobre a urina. Na mesma hora virou Lobisomem.”

No Estado de São Paulo (Mogi das Cruzes e Laranjal Paulista) existe a versão do Lobisomem como homem que vem pedir ou aceita sal, na sexta-feira.

Quem nascer no dia 12 do mês 12, às 24 horas, quando tiver 12 e 24 anos, vira Lobisomem, escreve Geraldo Brandão, em Monografia Folçlórica – Mogi das Cruzes.

Em Minas Gerais, Hermes de Paula apresenta o Lobisomem como Fantasma da Quaresma, em Montes Claros: Sua História, Sua Gente E Seus Costumes.

“O nosso Lobisomem apresenta-se em duas formas: de cachorro; ou lobo e porco. Vagueia nas noites das sextas-feiras da Quaresma; os cachorros latem para ele de longe, mas de perto encolhem-se ganindo baixinho, transidos de medo. Eles não vêm do outro mundo; são homens que viram. Rolam na areia ou chiqueiro três sextas-feiras seguidas para conseguir a transformação; quando se utilizam da areia transformam-se em cachorro; no caso do chiqueiro viram porcos. Vários individuos daqui eram apontados, às escondidas, como viradores de Lobisomens. O cego Ventura mesmo era um deles; vivia amarelo… Em um sábado da Quaresma chegamos a enxergar entre seus dentes os fiapos da baeta vermelha – sinal insofismável de que ele virara Lobisomem. Contam que balas não lhe entram no corpo; o único lugar vulnerável é o dedo mindinho do pé (5° artelho); ferido neste ponto, o encanto se quebra e o Lobisomem vira homem, na mesma hora e fica com muita raiva. Antonio Xavier de Mendonça, passando pela vargem às duas horas da madrugada de uma sexta-feira da Quaresma, foi agredido por um porco enorme e alvejou o ponto fraco do animal. Foi a conta; o bicho desvirou e, para surpresa sua, era um seu compadre e amigo, que muito alegre se mostrou, reconhecido pelo bem a ele sucedido e pediu-lhe que esperasse ali, que ele iria em casa buscar-lhe um presente. O velho Mendonça desconfiou da pressa do compadre em lhe retribuir o favor; com o paletó e o chapéu vestiu um tronco seco de árvore existente ali e escondeu-se para observar melhor. Daí a pouco veio chegando o compadre com uma espingarda e tacou fogo no tronco vestido…”

Saul Martins, em Os Barranqueiros, dá o Lobisomem como “Bicho resultante da metamorfose de pessoa do sexo masculino condenada em razão da sua própria origem; ou em razão de transformação voluntária. Para tanto, despe-se numa encruzilhada ou debaixo de um pé de goiabeira, à meia noite, Sexta-feira da Paixão, espojando-se na roupa às avessas.”

O pé de goiabeira, como local propício à transformação; não apareceu, nesta pesquisa, em outro lugar. O mesmo com referência à transformação voluntária, no Brasil.

Em Folclore da Januária, Joaquim Ribeiro diz que “O Lubisono é o sétimo filho macho de um casal que só tinha fêmeas. Tem de cumprir sina. As sextas-feiras mete-se no chiqueiro, espoja-se e grunhe como porco. Para quebrar o encanto, é necessário tirar sangue. Quem é Lubisono é pálido, magro, sorumbático e tristonho. Quando vira bicho, os dentes aumentam, os pêlos crescem e o corpo toma a forma de um quadrúpede monstruoso. Não há uniformidade na descrição do Lubisono: é um monstro proteico, de várias formas.” Essa descrição é resultante de pesquisa em São João das Missões.

No Boletim Trimestral da Comissão Catarinense de Folclore Ano I n° l, lê-se que, no município de Caçador, “O sétimo filho quando não batizado, vira Lobisomem – ou quando casa será estéril” e em Biguaçu, “criança que nasce com os dedos tortos fica lobis-homem.” Na mesma publicação, Ano III n° 12 e em Aspectos Folclóricos Catarinenses, Walter F. Piazza denomina o Lobisomem Uma Velha Assombração e diz que no município de Tijucas, “se nascerem consecutivamente, numa família, sete filhos varões, o último deverá ser chamado Bento, do contrário ficará Lobisomem.”… ” Já em outros lugares são apontados como inimigos da honra, tal como nos afiançou velho caboclo: é indivíduo de má índole, autor de algum bárbaro crime, especialmente contra a honra ou contra gente fraca: crianças, mulheres grávidas e velhos.” No oeste catarinense, em Caçador, surge como “um horrendo Lobisomem-dragão, com cerca de três metros de comprimento, tem dorso de dragão e formidável boca provida de agudíssimos dentes. Pelas ventas dilatadas lança um bafio nauseabundo.” Esse monstro, conhecido como Lobisomem dos Correias, alimenta-se do sangue dos que morreram sem confissão e quem ouvir seus uivos morrerá dentro de curto prazo. A perversidade é característica desses amaldiçoados e “os cachorros uivam e o perseguem, latindo e mordendo; o gado, quando solto nos pastos, corre que nem louco e quando está preso torna-se inquieto e procura disparar das mangueiras… e toda a pessoa que tiver a infelicidade de ser mordido pelo excomungado do bicho, não tem que ver, na primeira sexta-feira de lua cheia, vira em seguidinha Lobisomem. Isso bem perto da capital catarinense, no município de Biguaçu.” E continua: “mas o nosso pescador de camarões da Ilha de Santa Catarina pede a Deus que o livre do coisa-ruim!” No interior catarinense dizem que ele “suga o sangue das criancinhas, especialmente das que, ainda, se amamentam. Desvirgina as donzelas.” E, para a maior parte do povo, do que ele gosta, mesmo, é de sangue. No município catarinense de Porto Belo, “se tem algum inimigo, homem, andando pela estrada; pega-o na certa para a sangria mais violenta no pé do ouvido. Ou na batata da perna.” Quanto à forma como se apresenta, informa o A., que, “em NovaTrento, parte do território catarinense, é um homem de olhos afogueados, pêlo eriçado, ventre aberto e sangrando, unhas aguçadas e que expele fogo pela boca.”

Em Santa Catarina o encantamento dá-se, de preferência, nos dias de lua cheia, principalmente durante a Quaresma e no dia 13; também em quarto-minguante. O Lobisomem desencanta no final da fase lunar, ou quando o galo canta no terreiro.

Walter Piazza, em Aspectos Folclóricos Catarinenses, apresenta o seguinte documento versificado sobre o Lobisomem:

I

Quando aqui era deserto
Poucos moravam neste sertão.
Existiam brancos e negros cativos
Era tempo de escravidão
Branco era batizado.
E preto morria pagão.

II

O povo já tinha mêdo
Que isto desse confusão
Apareceu logo um gritadô
Já viram que era visão,:
Era o tal do “Lubizóme”
Esprito de negro pagão.

III

Tinha uma negra sete filhos,
Todos os sete bem negrinhos
Se o mais velho não fosse batizado
O mais moço virava lubizomezinho;
O mais velho morreu sem batismo
E deu destino ao pequenininho.

IV

A mãe dos meninos – chorando
Sem êste destino podê cortá.
Viu o mais velho virá lubizôme
E o menorzinho boitatá:
O resto não digo nada
Tenho medo inté de contá!

V

Contando um pouco desta história
Ví êsse monstro aqui no sertão
Não sei se morto ou vivo
Só sei que horrível visão
Estava em um cemitério
Sexta feira da paixão.

VI

Eu fui pagá promessa.
Que há muitos anos devia:
Ir a um cemitério, em horas mortas
Quando todo o povo já dormia
E sem ouvir o cantar do galo
Perguntá ao morto o que queria.

VII

O povo já me prevenira
Uns quantos dias atrás
Que nestas encruzilhadas transitava
O Pé Redondo ou Satanaz;
Que por êstes lados à noite
Ninguém pode caminhar, em paz.

VIII

Eu devia essa promessa
E só tinha que pagar
Por mais que custasse a vida
Prá Deus não me castigar
Ir sozinho ao cemitério
Chamar mortos e ouvi êles falar

IX

Afinal foi chegando o tempo
Até chegou o dia –
Sexta feira da paixão,
Serrando as aves-marias;
Era noite, a noite de falá c’os mortos
De ir pagar o que eu devia
Promessa era de salvar minha vida,
Por outro nêste mundo eu não fazia.

X

A cidade já silenciosa dormia
Escura noite trovejando
Com meu aparelho de fotografia
Fui pouco a pouco caminhando;
Relâmpagos alumiavam; aos poucos
Do cemitério fui me aproximando.

XI

Abrí a porta do cemitério
E sobre cruz ajoelhei no chão,
Acendi umas velas; fechei os olhos
E silencioso pensei no Irmão;
Sepulto moveu-se e um gemido ouvi,
Estou perdido, Deus meu Deus, perdão!

XII

Que assombro, que medo, que horror
Um rosnar, um gemido escutei!
Uma estranha visão acenava
Qué isso, meu Deus, eu não sei.
No correr disparou-me uma chapa,
Corri pelo escuro e afinal escapei.

XIII

Eu contando direito esta história
Representa inté um sonho,
A fótografia é que lhe vai provar
Si é lubizôme ou demonho.
Não caminho mais de noite, e promessa não faço
Nestas embrulhadas nunca mais me ponho!

Caçador, 22 de Maio de 1946.

(ass.) Altino Bueno de Oliveira

Ainda na publicação citada, Ano 8 n ° 23/24, Carlos George du Pasquier em Notas ‘Folclóricas Sobre o Município de Biguaçu diz que “É difícil saber-se ao certo quando se encontra um Lobisomem, pois nem sempre ele toma a forma de um porco preto: dizem que a forma do primeiro animal em cuja cama ainda quente se rebola. Alguns afirmam que para mordida de Lobisomem não há cura, e na primeira sexta-feira de lua cheia, nas proximidades do anoitecer, a pessoa que foi mordida principia a mostrar-se inquieta até sair em desabalada carreira rumo ao mato, onde se embrenha para tomar a forma do maldito.” Conta ainda que há muitos anos existia no Alto Biguaçu uma família vinda da Alemanha, que não era completamente feliz, porque sabia o destino do caçula, sétimo filho: Certa noite; quando jantavam, foram surpreendidos pelos latidos de um cãozinho, que para eles avançou tentando mordê-los. A mãe, agoniada, correu ao berço do menino; mas encontrou-o vazio, como pressentia. Apanhou o cachorrinho nos braços e espetou um alfinete na sua patinha. O sangue brotou em pequenas gotas e então; aos poucos, entre gemidos e contorsões, o animalzinho retornou à forma humana, na figura do nenê da família. Para a mordida do Lobisomem não há cura, segundo dizem, mas para evitá-la, pode-se usar o alho”.

Seguem-se estes versos:

1

“O povo do lugá
por valente conhecido,
tem medo que se pela
do bicho desconhecido

2

É sempre ao meio dia
que falam no danado;
quando anoitecer principia
fica tudo bem calado

3

Pois não é brincadeira
encontrar um lobisome
o bicho que morde gente
e inté criança come

4

O bicho só despenca
do alto da morraria
perseguido pelos cachorros
em terrível gritaria

5

Correndo como doido,
se cortando nos espinho,
ele não respeita nada
que encontra no caminho

6

Na sua triste sina
de correr a noite inteira,
Deus livre quem o encontra
numa escura sexta-feira

7

Mordido vira logo
lobisomem também
e na outra sexta-feira
é um outro que o mundo tem

Em Poranduba Catarinense, Lucas Alexandre Boiteux oferece esta variante da Estória do Lobisomem: “Os praieiros de Canavieira dizem que existia, no distrito de Ratones, uma senhora casada que tinha um filho. Todos os dias, logo que o marido se ausentava, ia ela banhar a criança numa gamela. Na ocasião, aproximava-se um cachorrinho que tentava morder o menino. Enxotava-o, mas ele teimava em voltar. Certo dia, bateu no animal que; enfurecido, avançou e estraçalhou-lhe a saia de baeta. Ao levantar-se, na manhã seguinte, viu com grande assombro os dentes do marido cheios de fiapos do tecido. Foi assim que ele, sendo um Lobisomem, perdeu o encantamento.” Lá, o Lobisomem ou Lambisome pode ser o primeiro ou o sétimo filho.

Em 1913, J. Simões Lopes Netto, em Lendas do Sul, descreve o Lobisomem segundo a voz do povo. “Diziam que eram homens que havendo tido relações impuras com as suas comadres, emagreciam; todas as sextas-feiras, alta noite, saíam de suas casas transformados em cachorro ou em porco, e mordiam as pessoas que a tais desoras encontravam; estas, por sua vez, ficavam sujeitas atransformarem-se em Lobisomens…”

No Guia do Folclore Gaúcho, Augusto Meyer descreve o homem que se transforma em Lobisomem como “magro, alto, macilento e doente do estômago. Metamorfosea-se em animal semelhante ao cachorro ou porco.”

Walter Spalding, em Tradições e Superstições do Brasil Sul, diz que “ser Lobisomem é conseqüência de pragas rogadas ou produto de maldades de homem ou mulher que nunca procuraram fazer o bem. Transforma-se em conseqüência de pragas rogadas ou malefícios feitos pela vítima.” É um grande cão negro que aparece às sextas-feiras, principalmente na primeira de cada mês.

Francisco Augusto Pereira da Costa, em Folk-lore Pernambucano, edição de 1908, escreve que “O Lobisomem, que no maravilhoso da imaginagão popalar é um homem extremamente pálido, magro e de feia catadura, é produto, ou de um incesto, ou nasceu logo depois de uma série de sete filhos. Este infeliz… cumpre o seu fadário em certos dias, saindo de noite e, ao encontrar com um lugar onde um cavalo ou um jumento se espojou, espoja-se também, toma a sua forma, e começa a divagar em vertiginosa carreira. Nesse tristíssimo fadário, que começa à meia-noite e se prolonga até quase o amanhecer do dia, ao ouvir o cantar do galo, percorre o Lobisomem sete cidades e chegando, de volta já ao lugar do seu encantamento, espoja-se de novo, retoma a sua forma humana e recolhe-se a casa, abatido e extenuado de forças…” Oferece ainda estas estrofes, mencionadas por Silvio Romero, de um conto intitulado O Lobisomem e a menina.

– Menina, você aonde vai?
..Eu vou à fonte.
– Que vai fazer?
..Vou levar de comer
..A minha mãezinha.
– O que levas nas costas?
..meu irmãozinho.
– O que levas na boca?
..cachimbo de cachimbar.
…………………………………..

Ai! meu Deus do céu,
O bicho me quer comer!
O galo não quer cantar,
O dia não quer amanhecer,
Ai, meu Deus do céu!

Escreve Câmara Cascudo, em Geografia das Mitos Brasileiros, que “Para o norte já não há razões morais. O Lobisomem uma determinante do amarelão (ancilóstomo), da maleita (paludismo). Todos os anêmicos são dados como candidatos à licantropia salvadora. Transformados em lobos ou porcos, cães ou animais misteriosos e de nome infixável, correm horas da noite atacando homens, mulheres; crianças, todos os animais recém-nascidos ou novos; como cachorros, ovelhas, cabrinhas, leitões etc. Derribada a vítima, o Lobisómem despedaça-lhe a carótida com uma dentada e suga-Ihe o sangue. Essa ração de sangue justifica, na impressão popular, a licantropia sertaneja. Se o hipoêmico não conseguir a dose de sangue necessária ao seu exausto organismo, morrerá infalivelmente.”

Citando, entretanto, Coriolano de Medeiros, o mesmo autor apresenta outro aspecto dessa assombração, na interpretação do povo, mencionando o Lobisomem paraibano, que conserva a característica da punição, pois é amaldiçoado por pais e padrinhos. “O Lobisómem, crê-se, é sempre um indivíduo excomungado pelos pais, ou por algum padrinho. Pelo fato da maldição, tem instinto de tornar-se animal; principia por segregar-se da sociedade, até que um dia de sexta-feira, à noite, vai na encruzilhada dum caminho, semeia o solo de cascas de caranguejo, tira a camisa, dá um nó em cada ponta, estende-a por sobre os restos dos crustâceos, formando um leito e começa a cambalhotar sobre ele murmurando: ‘encoura mas não enchuxa, diabo?’ repete o estribilho muitas vezes e à proporção que o repete, que dá cambalhotas, a voz vai se tornando átona, o corpo cobre-se de pelos compridos, as orelhas crescem, a cara se alonga tomando a forma de um morcego, as unhas se transformam em garras. Uma vez metamorfoseado sai a correr mundo e suga o sangue de todo menino pagão que encontra e na falta deste ataca qualquer indivíduo. Mas tem um medo terrível do chuço; casa que tem instrumento deste, Lobisomem não vai. As três horas da madrugada; quando o galo canta, o Lobisomem volta à primitiva forma.”

O Lobisomem da Paraíba do Norte aparece também na obra citada de Walter F. Piazza, que recolheu informações referentes ao litoral e sertão paraibanos em Ademar Vidal e referentes ao brejo, em José Leal. São apresentadas três versões da forma usada para a metamorfose. A do litoral: é “preciso procurar uma encruzilhada, cheia de mariscos de praia, onde se despe, dando vários nós na camisa e no lenço. Deita-se no chão; espojando-se como quadrúpede. Uns dizem que ele engole os mariscos do mar. Outros contestam essa versão. Depois entra a fazer desarticulações com as pernas e braços, encostando a cabeça nos pés, remexendo-se para a direita e esquerda, dizendo palavras à-toa. ‘- Encoura, desencoura, encoura, desancoura, encoura’. A do sertão. “Sai de casa à procura de algum recanto de estrada onde se deite. Espoja-se, requebra-se, faz trejeitos, até virar um bezerro negro de longas orelhas.” “……é bezerro negro . . . .. ostenta couro cabeludo de fazer cachos, além de cascos pequeninos, olhar fuzilante e; depois, dotado de força e agilidade extraordinárias.” A do brejo: “. . . rebolando-se o aspirante na cama de um animal, ainda quente do corpo deste, cuja forma tomará. É condição imprescindível para a transformação que, no momento, os raios de Lua incidam diretamente sobre o homem que estiver deitado na cama do irracional, manifestando-se, de início, pelo crescimento dos dentes que dão perfeita semelhança com o animal modelo: Adquire desde logo os instintos animalescos.” No brejo paraibano, “descrevem-no como homem normal, que, em certas horas e em dias determinados e sob determinadas condições, toma o aspecta de um animal e sai a correr o fado, cumprindo o castigo imposto pela Divina Providência, pelo pecado de adultério de compadre com comadre, de devota com padre, dos incestuosos e blasfemos.”

O escritor cearense Gustavo Barroso, mencionado por Câmara Cascudo na obra citada, diz que para se transformarem em Lobisomem; os homens “viram a roupa às avessas, espojam-se sobre o estrume de qualquer cavalo ou no lugar em que este se espojou.”

Um cão sem cabeça, é como a assombração aparece em Alagoas. Lá, para se transformar, “tira a camisa e dá-Ihe sete nós. Esconjura pai, mãe, padrinho e madrinha, o nome de Deus e de Nossa Senhora”, segundo informa Cascudo; calcado em Théo Brandão (Mitos Alagoanos).

Em Geografia dos Mitos Brasileiros, autor já mencionado, lê-se que “Na noite de quinta para sexta-feira, despido, o homem dá sete nós em sua roupa e, em algumas partes, urina em cima.” ‘”Se esconderem a roupa que o Lobisomem deixou na encruzilhada ou desfizerem os sete nós, ficará ele todo o resto da sua existência um bicho fantástico.” Quando corre na praia, evita molhar-se na água do mar, que é sagrada. “O Lobisomem é invulnerável a tiro. Só se a bala estiver metida em cera de vela de Altar onde se haja celebrado três Missas da Noite de Natal.” Na mesma obra, encontram-se dois relatos que, em resumo, vão transcritos:

Francisco Teixeira, apelidado seu Nô, declarava publicamente desacreditar de Lobisomem e até caçoava do assunto. Um seu companheiro de trabalho, João Severino, zangava-se com essa atitude e avisou-o de que qualquer dia se arrependeria. Os companheiros alertaram-no: João Severino virava; ele que se prevenisse e andasse armado. Seu Nô tinha a faca na cintura. Uma noite, atravessava uma pequena várzea, quando lhe pulou em cima um bicho preto, do porte de um bezerro: Lutou furiosamente, conseguindo esfaquear e tirar sangue do animal. Ferida no pescoço, a besta correu para o mato. O homem, morto de medo, voltou para casa. No dia seguinte, sentiu falta do companheiro João Severino. Indagando, soube que estava doente. Foi visitá-lo. Encontrou-o de cama, gemendo e tomando remédios, com a nuca ferida.

O outro é um caso contado pelo próprio protagonista, João Francisco de Paula, de Santa Cruz, RGN. Todas as semanas, na noite de quinta para sexta-feira, era aquele barulhão, ladrar e uivos de cão, assim que a Lua subia; lá pelas onze horas da noite: Certa vez abriu a janela para espiar e vislumbrou o vulto de um animal meio baixo, roncando e batendo as orelhas. Dias depois um comboio arranchou-se na fazenda. Era a noite propicia. Contou o que sabia e os companheiros se dispuseram a caçar o bicho. Um deles tinha, justamente, cera benta consigo. Bezuntou as balas da sua arma com elas e ficaram todos de tocaia. Quando a Lua ia alta, ouviram a trovoada dos cães de caça e o barulho do animal pesado, acuado por eles. O vaqueiro escondeu-se perto da barranca do rio, agora seco pelo verão. De repente, o bicho passou. Descarregou a espingarda; conseguindo atingi-lo. Correram todos para ver. O animal, com terrível ronco, caíra barranca abaixo: A luz dos archotes que levavam, viram um Lobisomem – ainda era meio animal – como um porco com garras, da cintura para baixo; da cintura para cima era um homem moreno claro, cabelos encaracolados. Ali mesmo o enterraram, sem cruz, sob um montão de pedras, marcando o lugar daquela tragédia inacreditável.

A bibliografia consultada declara a inexistência de Lobisomem feminino, nas Américas.

Na verdade, a forma mais comum é a do Lobisomem masculino. Mas não a única. Documento encontrado em Os Barranqueiros, autor citado (A onça cabocla) e o doc. n° 41, de Serra Pelada, MT, comprovam a existência da licantropia feminina, no Brasil e, portanto, nas Américas.

“A Onça Cabloca

Há muitos anos morava numa choça de cascas de pau, a alguns metros do barranco do Rio São Francisco, uma velha tapuia, feiticeira e má. Alimentava-se de sangue humano e comia o fígado de suas vítimas, quando não se fartava de sangue.

Lá um ou outro caçador surpreendia-a, ocasionalmente, no meio da catinga, ou à boca de uma furna, ao pé da serra.

Quando tinha fome, primeiro despia-se, estendendo os trapos no chão, às avessas; depois, deitando-se neles, espojava-se.

Virava onça.

Assim transformada marchava contra pobres criaturas indefesas, de preferência mulheres e crianças. Apaziguada a fome, volvia ao ponto de partida, rebolando-se de novo sobre os andrajos.

Virava gente.

Certa vez, porém, chegou-lhe o castigo, tendo então se arrenegado de quem inventou a mandinga. Um pé de vento arrebatou-lhe os molambos e os atirou nas águas do rio e ela não pôde desencantar-se. Ficou onça para sempre e lá existe.”

1- E como estou para me transformar em lobo, começo a me atrapalhar e a tremer fortemente.

Lobisomem: assombração e realidade
Maria do Rosário de Souza Tavares de Lima

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/bibliografia-nacional-sobre-lobisomens/