A Recrucificação de Jesus

O texto abaixo faz parte do trabalho de Soror Nanay, em organizado por Frater S.R em cima da operação ensinada por Crowley no Liber 70. Trata-se de uma prática de magia cerimonial avançada, que dificilmente será entendida pelo iniciante, por usar entre outros ardis o polêmico sacrifício animal, em seguida consumido como sacramento. Trata-se de um proceder multi-propósito, mas o seu principal objetivo é aniquilar completamente o cristianismo de uma pessoa.

No caso de Crowley ele julgou necessário este procedimento por causa das fortes impressões cristãs que adquiriu durante seu trabalho com tiphareth. Segundo seus diários ele não saiu de seu quarto por alguns dias tamanho o impacto pelo qual passou.

Além disso esta é também uma operação adequada a criação de uma espírito servidor de natureza mercurial que pode ser usado pelo mago para diversos fins. Estas mesmas operações podem ser encontradas de maneira velada no Apocalipse de São João.

O fato do ritual envolver um sacrifício animal causa naturalmente polêmica. Podemos dizer sem medo que com um pouco de criatividade a rã pode ser substituida por algum objeto inanimado. Ma seria desonesto afirmar que o impacto emocional permaneceria o mesmo.

Neste Ritual o Oficial Principal representa uma Serpente, por causa do Mercúrio (a comida adequada de serpentes são rãs). O mistério de concepção é o capturar da rã em silêncio, e a afirmação da vontade para executar esta cerimônia.

A Captura

A rã que é pega é mantida toda a noite em uma arca ou cofre; é escrito:

‘Tu não foste encolhido no útero da Virgem`

Em seguida a rã vai começar a saltar naquela circunstância, e este é um presságio de sucesso. Aproximando-se o amanhecer, tu deverás te aproximar do cofre com uma oferenda de ouro, e se disponível de incenso e de mirra. Tu deverás soltar a rã então do cofre com muitos atos de homenagem e coloca-la em liberdade aparente. Por exemplo, ela pode ser colocada em uma colcha de muitas cores, e coberta com uma rede.

Agora leve uma vasilha de água e aproxime a rã e diga:

`No Nome do Pai e do Filho e do espírito Santo (aqui burrifique água em sua cabeça) eu batizo-vos, ó criatura das rãs, com água, pelo nome, de Jesus de Nazaré.`

Durante o dia tu deverás aproximar-te da rã sempre que conveniente, e falar palavras de adoração. E tu deverás pedi-la que execute aqueles milagres que tu desejas que seja feito; e eles serão feitos de acordo com vossa vontade. Também tu deverás prometer à rã uma elevação que seja adequada a ela; e tudo isso enquanto tu secretamente estarás esculpindo uma cruz para crucificá-la.

A Acusação

Ao cair da noite, tu deverás prender a rã, e a acusar de blasfêmia, sedição e assim sucessivamente, nestas palavras:

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei. Ó, Jesus de Nazaré, como vós fostes pega em minha armadilha. Em toda minha vida vós me infestastes e me enfrentou. Em vosso nome – com todas as outras almas livres na Cristandade – eu foi torturado em minha juventude; todas as delícias foram proibidas sobre mim; tudo aquilo que eu tive foi levado de mim, e queé devido a mim eles não pagam – em vosso nome.

Agora, afinal, eu vos tenho; o Deus-escravo está em o poder do Senhor da Liberdade. Vossa hora chegou; como eu vos destruo desta terra, tão seguramente deverá o eclipse passar; e a Luz, Vida, Amor e Liberdade serão mais uma vez a Lei da Terra.

Dê teu lugar para mim, ó, Jesus; Vosso Aeon é passado; a Idade de Hórus surgiu pela Magick do Mestre, a Besta que é o Homem; e o número dele é seiscentos e sessenta e seis. Amor é a lei, amor sob vontade.

Após um momento de pausa, concluí-se a acusação:

Eu, To Mega Therion [A Grande Besta], então condeno a vós, Jesus o Deus-escravo, a ser escarnecido e cuspido, açoitado e então crucificado.

A Crucificação

Esta sentença é executada então. Depois do escarnecer na Cruz, diga assim: Faça o que tu queres há de ser o todo da Lei. Eu, a Grande Besta, vos matando, Jesus de Nazaré, o Deusescravo, sob a forma desta criatura das rãs, abençôo esta criatura no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

E eu assumo sob mim mesmo e pego a meu serviço o espírito elementar desta rã, para estar sobre mim como um espírito em prontidão, entrar adiante na terra como um guardião para mim no meu trabalho para a Humanidade; aqueles homens que podem falar de minha devoção e de minha gentileza e de todas as virtudes; traga a mim amor e assistência em todo as coisas materiais, de qualquer modo, onde eu possa estar em necessidade.

E esta será sua recompensa, estar ao meu lado e ouvir a verdade que eu dissemino, sobre a falsidade com a qual enganam os homens. Amor é a lei, amor sob vontade.

Então tu deverás apunhalar a rã no coração com o Punhal da Arte, dizendo: Em minhas mãos eu recebo vosso espírito.

O Sacramento

Presentemente tu deverás pegar a rã da cruz e dividi-la em duas partes; as pernas tu deverás coze-las e comer como um sacramento para confirmar vossa união com a rã; e o resto tu deverás queimar totalmente no fogo, para que o Aeon do amaldiçoado finalmente seja consumido. Assim seja!

Aleister Crowley

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Raul Seixas, Thelema, Livro da Lei e a Besta 666 – Toninho Buda

Bate-Papo Mayhem 220 – 16/08/2021 (Segunda) Com Toninho Buda – Raul Seixas, Thelema, Livro da Lei e a Besta 666

Os bate-Papos são gravados ao vivo todas as 3as, 5as e sábados com a participação dos membros do Projeto Mayhem, que assistem ao vivo e fazem perguntas aos entrevistados. Além disto, temos grupos fechados no Facebook e Telegram para debater os assuntos tratados aqui.

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A Pluralidade de Ritos Maçônicos no Brasil e no Grande Oriente do Brasil

De fato, é um laurel da Maçonaria Brasileira a Pluralidade de Ritos, porque o exercício de Ritos Regulares faz com que a nossa Obediência abrigue, generosamente, as várias correntes Filosóficas e Doutrinárias do Mundo Maçônico, desde o Agnosticismo até o Teísmo. Seria um atentado à História e à Justiça se, em obediência a imposições ilegítimas e alienígenas, criássemos agora obstáculos aos Ritos” (Álvaro Palmeira, Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil – 1963/1968)

1 – A Gênese dos Ritos

Conceituamos rito como sendo um cerimonial próprio de um culto ou de uma sociedade, determinado pela autoridade competente; é a ordenação de qualquer cerimônia e, por extensão, designa culto, religião ou seita. Maçonicamente é a prática de se conferir a Luz Maçônica a um profano, através de um cerimonial próprio. Em seiscentos anos de Maçonaria documentada, uma imensidade de ritos surgiram. Mas, de 1356 a 1740, existiu um rito apenas, ou melhor um sistema de cerimônias e práticas, ainda sem o título de Rito, que normatizava as reuniões maçônicas. Somente a partir de 1740 é que uma infinidade de ritos varreu o chão maçônico da Europa. Para evitar heresias, um Rito deve ter conteúdo que consagre algumas exigências bem conhecidas: o símbolo do Grande Arquiteto do Universo, o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso sobre o altar dos juramentos, sinais, toques, palavras e a divisão da Maçonaria Simbólica em três graus. Não há nenhum órgão internacional para reconhecer ritos. Acima do 3º Grau, cada Rito estabelece sua própria doutrina, hierarquia e cerimonial.

Um rito maçônico, usando simbolismo próprio, é um grande edifício. Deve ter projeto integrado, dos alicerces ao topo. Cada rito possui detalhes peculiares. A linha maçônica doutrinária, em cada Rito, deve ser contínua, dos graus simbólicos aos filosóficos. Cada Rito é uma Universidade doutrinária.

2 – Os Ritos praticados no Brasil

Conforme observamos, existem muitos Ritos Maçônicos praticados em todo o mundo. No Brasil, especificamente, são praticados seis, alguns deles reconhecidos e praticados internacionalmente e outros com valor apenas regional. São eles, o Rito Schröeder ou Alemão (pouco praticado no Brasil), o Rito Moderno ou Francês, o Rito de Emulação ou York (o mais praticado no mundo), o Rito Adonhiramita, o Rito Brasileiro e o Rito Escocês Antigo e Aceito (o mais praticado no Brasil).

O RITO SCHRÖEDER foi criado por Friedrich Ludwig Schröeder que, ao lado de Fessler, foi um dos reformadores da Maçonaria alemã. De acordo com o prefácio do ritual editado em 1960 pela Loja “ABSALON ZU DEN DREI NESSELN” (Absalão das Três Urtigas), Schröeder introduziu o rito em sua Loja a 29 de junho de 1801 e esse rito, desde logo, conquistou numerosas Lojas em toda a Alemanha e em outros países onde passou a ser praticado, principalmente por maçons de origem alemã. É um rito muito simples e trabalha, como o de York, apenas na chamada “pura Maçonaria” ou seja, na dos três graus simbólicos, já que não possui Altos Graus. No Rito Schröeder a expressão “Grande Arquitetodo Universo” é usada no plural – “Grande Arquiteto dos Universos (G.A.DD.UU.).

O RITO MODERNO, criado em 1761, foi reconhecido pelo Grande Oriente da França em 1773. A partir de 1786, quando um projeto de reforma estabeleceu os sete graus do rito – em contraposição ao emaranhado dos Altos Graus da época -, ele teve grande impulso espalhando-se por toda a França, pela Bélgica, pelas colônias francesas e pelos países latino-americanos, inclusive pelo Brasil. Já no início do século XIX, o Grande Oriente do Brasil – primeira Obediência brasileira – foi fundada em 1822, adotando o Rito Moderno, antes do Rito Escocês que só seria introduzido em 1832. Em 1817 houve a grande reforma doutrinária que suprimiu a obrigatoriedade da crença em Deus e da imortalidade da alma, não como uma afirmação do ateísmo, mas por respeito à liberdade religiosa e de consciência, já que as concepções religiosas de uma pessoa devem ser de foro íntimo, não devendo ser impostas. O Grande Oriente da França, que acolheu a reforma, queria demonstrar com isso o máximo de escrúpulos para com os seus filiados, rejeitando toda e qualquer afirmação dogmática. Essa atitude provocou uma rápida reação da Grande Loja Unida da Inglaterra que rompeu com o Grande Oriente da França. O caso envolveu não apenas uma questão doutrinária como ainda político-religiosa.

O RITO YORK
é considerado bastante antigo. A Grande Loja de Londres, durante muito tempo após a sua fundação, teve uma influência muito limitada, pois a grande maioria das Lojas britânicas continuava a respeitar as antigas obrigações, permanecendo livres sem aderir ao sistema obediencial. O centro de resistência à Grande Loja era a antiga Loja de York, de grande tradição operativa e que dava aos membros da Grande Loja o título de “Modernos”, enquanto eles próprios se autodenominavam “Antigos”, pelo respeito às antigas leis. O que os Antigos censuravam nos Modernos era a descristianização dos rituais, a omissão das orações e da comemoração dos dias santos, contrariando assim os mandamentos da Santa Igreja (Anglicana). O cisma entre os Antigos e Modernos durou até 1813, quando as duas Grandes Lojas fundiram-se formando a Grande Loja Unida da Inglaterra, que adotava o Rito dos Antigos de York. A Constituição desse Supremo Órgão foi publicada em 1815. O rito não possui Altos Graus, tendo além dos três simbólicos, uma quarta etapa designada de “Real Arco”, que é considerada uma extensão do Mestrado. O Rito de York, por ser teísta, está mais ligado aos países onde os cultos evangélicos predominam, pois o clero desses cultos tem dado à Maçonaria o apoio e o suporte necessário para a sua evolução e crescimento.

O RITO ADONHIRAMITA nasceu de uma polêmica entre ritualistas em torno de Hiram Abif, chamado de ADON-HIRAM (Senhor Hiram) e ADONHIRAM, o preposto das corvéias, depois da construção do Templo de Jerusalém, de acordo com os textos bíblicos. O rito, depois de uma época de grande difusão, acabou desaparecendo. Todavia, no Brasil (onde foi o primeiro rito praticado), ele permaneceu, fazendo com que o país seja hoje o centro do rito, que teve seus graus aumentados de treze para trinta e três. O Rito Adonhiramita é deísta.

O RITO BRASILEIRO teria sido criado em 1878, em Pernambuco, mas tem sua existência legal a partir de 23 de dezembro de 1914, quando foi publicado o Decreto nº. 500, do então Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, Lauro Sodré, fazendo saber que, em sessão do Conselho Geral da Ordem havia sido aprovado o reconhecimento e incorporação do Rito Brasileiro entre os que compunham o Grande Oriente do Brasil. Depois o Rito desapareceria, para ressurgir em 1940 e novamente em 1962, praticamente desaparecer, até que em 1968, o Decreto nº. 2.080, de 19 de março de 1968, do Grão-Mestre Álvaro Palmeira, renovava os objetivos do Ato nº. 1617 de 3 de agosto de 1940, como o marco inicial da efetiva implantação do Rito Brasileiro. A partir daí, o rito teve grande crescimento no país.

O RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO, Começou a nascer na França, quando Henriqueta de França, viúva de Carlos I, decapitado em 1649, por ordem de Cromwell, aceitou do Rei Luís XIV asilo em Saint-Germain-en-Laye, para lá se retirando com seus regimentos escoceses e irlandeses e os demais membros da nobreza, principalmente escocesa, que passaram a trabalhar pela restauração do trono, sob a cobertura das Lojas, das quais eram membros honorários, o que evitava que os espiões de Cromwell pudessem tomar conhecimento da conspiração.Consta que Carlos II, ao se preparar para recuperar o trono, criou um regimento chamado de Guardas Irlandeses, em 1661. Esse regimento possuía uma Loja, cuja constituição dataria de 25 de março de 1688 e que foi a única Loja do século XVII cujos vestígios ainda existem, embora os stuartistas católicos devam ter criado outras Lojas. O termo “escocês”, já a partir daquela época, não designava mais uma nacionalidade, mas o partido dos seguidores dos Stuarts, escoceses em sua maioria. Assim, após a criação da Grande Loja de Londres, em 1717, existiam na França dois ramos maçônicos: a Maçonaria escocesa e stuartista, ainda com Lojas livres, e a inglesa com Lojas ligadas à Grande Loja. A Maçonaria escocesa, mais pujante, resolveu, em 1735, escolher um Grão-Mestre, adotando o regime obediencial, o que levaria à fundação da Grande Loja da França (Grande Oriente de 1772), embora esta designação só apareça em 1765. O escocesismo, na realidade, só se concretizou com a introdução daquilo que seria a sua característica máxima, os Altos Graus, através de uma entidade denominada “Conselhos dos Imperadores do Oriente e do Ocidente”. Este Conselho criou o Rito de Héredom, com 25 graus, o qual, incorporado ao escocesismo, deu origem a uma escala de 33 graus, concretizada do primeiro Supremo Conselho do Rito em todo mundo. O REAA, por ter sido um rito deísta, não foi unanimemente aceito nos países onde predominavam as Igrejas Evangélicas e vicejou mais nos países latinos onde predomina o Catolicismo. É necessário explicar que atualmente o caráter deísta do Rito Escocês Antigo e Aceito misturou-se ao teísmo, sendo que este acabou sendo redominante. O REAA tem o mesmo forte caráter teísta do Rito de York.

3 – Conclusão: A Unidade na Diversidade

A Maçonaria se caracteriza pela diversidade e sempre admitiu a pluralidade de ritos. O Sistema do Rito Único, caso existisse, não seria um bom sistema. A Ordem reuniu sistemas diversos formando uma unidade superior, perfeitamente caracterizada que é a Doutrina Maçônica. A Maçonaria convive com muitos ritos, uns teístas, outros deístas sem esquecer os agnósticos. Afinal, há muitas maneiras de se relacionar com Deus. Mas há um detalhe: o maçom não pode ser ateu. Em decorrência deste ecletismo, as manifestações maçônicas disseminadas no mundo ao longo do tempo, apresentam-se com grande diversificação, havendo Unidade na Diversidade. É possível que a máxima “E PLURIBUS UNUM” (A Unidade na Diversidade), inscrita no listel que envolve a parte superior do Selo dos EUA seja de origem maçônica. Afinal, todos os chamados “pais da pátria” daquele país foram maçons, a começar por George Washington.

Referências Bibliográficas:

1. CASTELLANI, José. Curso Básico de Liturgia e Ritualística. Londrina, Ed. “A TROLHA”, 1991;

2. FARIA, Fernando de. Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos. “O SEMEADOR” nº 8 (2ª fase) Jul-Dez 1990;

3. OLIVEIRA, Arnaldo Assis de. Escocesismo. Trabalho para aumento de salário no Ilustre Conselho de Kadosch nº 22, 1992;

4. “EGRÉGORA” nº. 1/Jul-Ago 1993; nº. 2/ Set-Nov 1993; nº. 3/Dez 93-Fev 1994; nº. 4/Mar-Mai 1994; nº. 5/Jun-Ago 1994.

Ven. Irmão Lucas Francisco GALDEANO – Venerável Mestre da Loja “Universitária-Verdade e Evolução” nº.3492 do Rito Moderno (2005-2007), ex-Venerável da Loja Miguel Archanjo Tolosa nº.2131 do R.E.A.A.(1991-1993), ex-Grande Secretário Geral de Educação e Cultura do Grande Oriente do Brasil (1993-2001), Presidente do Conselho Editorial do Jornal Egrégora – Órgão Oficial deDivulgação do Grande Oriente do Distrito Federal.

Por Ven. Irmão Lucas Francisco GALDEANO

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A Comunhão do Nosferatu

Este ritual é baseado em certas tradições de Magia Negra da Romênia, que, segundo a  lenda, haveriam sido legadas aos seguidores de Vlad Dracul, que as teria recebido do  Príncipe das Trevas.  Diz a lenda que Vlad, um Cristão revoltado contra as mentiras da Igreja, escolheu  identificar-se com o Diabo. Este ritual se baseia nas conexões entre vampiros e o Príncipe  das Trevas.

O “Self” na tradição dos Vampiros

O conceito de “Self” nas tradições vampirescas é geralmente o de “não-morto”, com suas  conotações de imortalidade e Segredo da vida e morte. Vampiros freqüentemente possuem  poderes físicos e mentais supra-normais, além de um certo gosto excêntrico.

A imortalidade é freqüentemente confundida com a recusa de morrer. O Vampiro/Magista  escolhe viver completa e intensamente esta vida, e não permitir que a sua consciência se  desintegre após a sua morte física. Esta sobrevivência da consciência não depende de  símbolos mágicos, nomes ou participação em diversos rituais. Depende apenas do  reconhecimento do próprio “Self” e da vontade de continuar a existir, o que ou onde quer  que seja.

O Sangue é muito importante nas tradições de Vampiros. Hoje, é visto como simbólico. No satanismo comtemporâneo de grupos como, a Ordem do Vampiro, a Igreja de Satã e o Templo de Set, não vêem significado no consumo ou no  escorrimento de sangue em sacrifícios.

O sangue simboliza “Vida”. O Mago Negro Vampiro é, portanto, visto como um magista  que deseja e pratica a mais alta Vida, enquanto reconhece as energias da Besta interior – as  energias primevas da Licantropia e da mutação, que formam outro aspecto da magia dos  Vampiros.

O ritual que se segue simboliza um despertar solitário e isolado para um estado  Vampiresco, e uma auto-iniciação ao Caminho da Mão-Esquerda. É um ritual que pode ser  adaptado ou alterado conforme as circunstâncias ou a inspiração de cada um. Como em  todo ritual mágico, cada um deve assumir seu próprio risco, já sabendo que uma prática  como esta não é adequada aos instáveis ou imaturos.

0 – Preparatio

  • Robe negro.
  • Vela negra.
  • Sino.
  • Cálice com líquido avermelhado.

Local: Um local em que você não seja perturbado.
Uma câmara escura, ou pintada ou coberta em  preto ou similar (ex: azul muito escuro). Ou uma floresta afastada. A escolha é sua.

Vestimenta: o ideal é o robe negro. A idéia é que você se torne o próprio modelo de  vampiro que existe na sua mente. Preste atenção em cada um dos seus sentidos: perfume,  vestimenta, música, oferendas.

Dê nove badaladas no sino. Nove, nas tradições de Magia Negra, simboliza a evolução  dinâmica até a perfeição.

Acenda a chama negra.

I – Invocatio

“Nesta noite negra, eu me torno um Vampiro: um mestre da vida e da morte.  Eu acendo a Chama Negra em honra ao Príncipe das Trevas, e me torno o Vampiro que  minha mente cria, ardendo em paixões na perseguição de tudo o que eu desejo.  Eu abandono as restrições do Caminho da Mão Direita, e com Vontade eu me dedico a  controlar o meu próprio destino. Eu agora encaro os testes e as tribulações do Caminho da  Mão Esquerda!

Eu me encho de Poder com a Essência do Vampiro: ser invisível, mesmo sob o dia  escaldante; saber quando ser silencioso, e quando orar; saber explorar por completo minha  psique!

Eu me desfaço desta maldição! Eu, o Vampiro (__nome__,) percorro o Caminho da Mão  Esquerda, e a minha Vontade é impenetrável!  Eu honro o Sangue, que é a minha Vida, e me torno mais do que fumaça e sombras.

Abram-se os Portais do Inferno! Diante da nobre presença do Senhor Negro, eu proclamo o  Juramento que me torna um Vampiro, juro ser verdadeiro para com meu próprio Ser e meu  Caminho escolhido  Salve, Vampiro! Salve, Senhor das Trevas!”

II – Graal Nigrum

O Cálice é o Graal Negro, ou a Taça Herética: a que é sempre buscada, mas raramente  encontrada.  O Graal deve estar cheio de líquido vermelho, simbolizando o sangue, como suco de  tomate, frutas vermelhas ou vinho. Sangria é um ótimo elixir!  Enquanto bebe o elixir, visualize-se apoderando-se dos Poderes das Trevas.  Você está comungando da sua própria essência e do Vampiro que é parte da divindade que  há em seu interior.

III – Fechando os Portais do Inferno  

Feche o ritual tocando novamente o sino, nove vezes.

IV – O despertar

Agora, iniciado nos mistérios dos Vampiros, você pode ver o mundo com olhos diferentes.  Após o primeiro ritual, você poderá ter algumas intuições sobre a natureza dessa magia e do  seu controle sobre ela, e de como moldar o seu destino. Contudo, alguma prática pode ser  necessária.

Algumas pessoas podem apenas se sentir tolas, por estarem se prestando a essa tarefa, ou  mesmo entediadas. Para essas pessoas, desejamos uma vida feliz e temos certeza de que  terão a vida que merecem.

Um Trabalho de Auto-Criação

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-comunhao-do-nosferatu/ […]

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Runas e Thelema – Germânia Gonçalves

Bate-Papo Mayhem 241 – gravado dia 09/10/2021 (Sabado) Marcelo Del Debbio bate papo com Germânia Gonçalves – Runas e Thelema

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Combustão Espontânea Humana

Pelo menos 200 casos de combustão humana, ao redor do mundo, já foram reconhecidos e registrados, mas isso não diminui o enigma que isso representa até hoje para médicos e outros especialistas. O mais intrigante é que, séculos depois dos primeiros casos serem divulgados e estudados, ainda não existe uma explicação conclusiva para o que pode fazer uma pessoa, simplesmente, pegar fogo.

O primeiro caso de combustão humana espontânea registrado pela ciência, aliás, aconteceu em 1470. A vítima foi um italiano chamado Polonus Vorstius, que tomava vinho e, do nada, começou a vomitar fogo. As chamas, então, não demoraram para consumir seu corpo, exceto pés e mãos.
Pés e mãos: mistério na combustão humana

Este último detalhe bizarro, aliás, parece ser uma das características comuns à combustão humana espontânea. Na maioria dos casos, o corpo fica quase completamente incinerado, exceto os membros que acabamos de citar; mas o ambiente em volta também não dá vestígios de que algo errado tenha acontecido, já que apenas o chão embaixo do corpo e o teto, acima de onde estava a vítima, costuma ficar mais danificados depois de uma combustão humana.

Um outro caso também emblemático de combustão humana, que apresenta todas essas características em comum com o primeiro registro, é o que aconteceu em 1725. Conforme os relatos, o dono de uma pousada, em Paris, na França, acordou e viu sua esposa, madame Millet, queimando, já com a parte superior do corpo carbonizada.

Dizem que a polícia tentou incriminar o marido pela a morte da mulher, mas o testemunho de um hóspede que dormia ali, naquela noite, salvou o francês. A testemunha era um cirurgião que conhecia sobre combustão humana e explicou à Justiça o que poderia ter acontecido com madame Millet. Na época, como nenhum indício de início de incêndio foi encontrado no local da morte, o legista responsável pelo caso chegou a afirmar que a mulher havia recebido uma “visita de Deus”.
Teorias da combustão humana

Muitas teorias foram criadas ao longo dos séculos para explicar a combustão humana espontânea, incluindo hipóteses sobrenaturais, mas nenhuma delas foi realmente convincente. Diziam até que pessoas alcoólatras tinham mais chances de morrer por essas chamas misteriosas, mas a quantidade de álcool no sangue necessária para que a pessoa começasse a arder em fogo já desbanca essa explicação.

Hoje em dia, a teoria mais aceita para a combustão humana, e a mais racional de todas até agora, diz que o corpo humano pode sofrer um “efeito pavio”. Isso significa que algum tipo de faísca externa, por menor que seja, como a ponta de um cigarro, por exemplo; tem o poder de queimar as roupas o suficiente para chegar à pele.

A pele humana, por sua vez, libera gordura, o que funcionaria como combustível para o fogo, assim como a cera de uma vela. Essa foi a única teoria sobre combustão humana testada até agora e, embora não seja amplamente aceita, ficou provado que o corpo humano tem gordura suficiente para garantir a própria combustão. Além disso, como é no tórax que está a maior parte da gordura de nosso corpo, é ele e as partes mais próximas a eles, que queimam primeiro.

O canal de TV Discovery Channel chegou a fazer documentários tratando sobre o assunto. Eles abordaram o tema da combustão humana por diversos ângulos, levantando várias possibilidades para essas tragédias naturais. Abaixo, você confere um dos vários vídeos sobre isso. Mas, cuidado, pode conter imagens e relatos perturbadores.

 

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O Poder Curativo da Música

Texto de Max Heindel

Vibração é vida manifestada, é a origem de todas as coisas que existem ou sempre existiram. Inércia, seu oposto, resulta em separação, desintegração e deterioração. Música e cor são ambas o produto de certos graus do poder vibratório. Graus vibratórios harmoniosos são saudáveis, criadores e construtivos; os discordantes são destrutivos, desintegrantes e suscetíveis de dissolução. Som é a origem da cor. Somente um som claro e melodioso pode produzir uma cor bela, atraente, inspiradora.

O espectro solar reflete sete cores distintas: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo e violeta. Existem sete sons produzidos no teclado do piano pelas teclas brancas de uma oitava . Dó corresponde ao vermelho, Ré ao laranja, Mi ao amarelo, Fá ao verde, Sol ao azul, Lá ao índigo, Si ao violeta. Quando uma oitava musical termina, outra começa e progride exatamente com duas vezes mais vibrações que as usadas na primeira oitava. Conseqüentemente, as mesmas notas são repetidas em uma escala mais delicada. O mesmo sucede com a escala das cores. Quando esta escala, visível ao olho comum, é completada no violeta, outra oitava das mais delicadas cores, invisíveis com duas vezes mais vibrações, terá início e progredirá de acordo com a mesma lei.

Áries exerce controle geral sobre a cabeça e os vários órgãos dentro da cabeça, e também sobre os olhos. Mas o nariz está sob a regência de Scorpio. Assim, uma doença de algum destes órgãos, exceto o nariz, será beneficiada por música tocada suavemente na escala de Réb maior. As doenças de Áries são dor-de-cabeça, nevralgia, coma e condições de transe, doenças do cérebro e hemorragias cerebrais. O tratamento para minimizar estas doenças é música tocada suavemente no tom de Réb maior.

Taurus rege o pescoço, a garganta, o pálato, a laringe, as amigdalas, a mandíbula inferior, os ouvidos, a região ocipital do cérebro, o atlas, as vértebras cervicais, as artérias carótidas, as veias jugulares e alguns vasos sanguíneos menores. Música tocada suavemente no tom de Mib maior é de grande benefício quando um destes órgãos começa a mostrar sinais de doença. As doenças de Taurus são bócio, difteria, crupe e apoplexia. Como cada signo sempre reage sobre o signo oposto, aflições em Taurus podem também produzir doenças venéreas, constipação ou menstruações irregulares.

Gemini rege os braços e as mãos, os ombros, os pulmões, a glândula timo, e também a caixa torácica superior. Qualquer doença em uma destas partes pode ser controlada por música tocada suavemente no tom de Fá# maior. As doenças de Gemini são pneumonia, doenças pulmonares, pleurisia, bronquite, asma e inflamação do pericárdio. Música tocada suavemente na nota-chave de Fá# maior é benéfica para neutralizar a atividade dessas doenças.

Câncer rege o esôfago, o estômago, o diafragma, o pâncreas, as mamas, os vasos lácteos, os lóbulos superiores do fígado e o duto torácico. As doenças são indigestão, flatulência, tosse, soluço, hidropisia, melancolia, hipocondria, histeria, cálculos na vesícula e icterícia. Doenças mencionadas sob a regência de Câncer são neutralizadas por música tocada suavemente em Sol# maior.

Leo rege o coração, a região dorsal, a região torácica da coluna, a medula espinhal e a aorta. As aflições de Leo são regurgitação, palpitação, desmaios, aneurisma, meningite, curvatura da espinha, arteriosclerose, angina pectoris, hiperemia, anemia e hidremia. Música tocada suavemente em Lá# maior traz alívio a estas doenças.

Virgo governa a região abdominal, os intestinos grosso e delgado, os lóbulos inferiores do fígado e o baço. Aflições de Virgo produzem peritonite, tênia, subnutrição, interferência na absorção do quilo, febre tifóide, cólera e apendicite. A melhor música para aliviar qualquer uma das aflições mencionadas é a de Dó natural e deve ser suavemente interpretada.

Libra rege os rins, as supra-renais, a região lombar da espinha, o sistema vasomotor e a pele. As doenças de Libra são poliúria ou supressão da urina, inflamação dos uréteres que ligam os rins com a bexiga, doença de Bright, lumbago, eczema e outras doenças de pele. A música para o tratamento destas doenças deve ser tocada suavemente na tonalidade de Ré maior.

Scorpio rege a bexiga, a uretra, os órgãos genitais em geral, o reto e o colon descendente, a dobra sigmóide, a glândula próstata e os ossos nasais. As doenças de Scorpio são catarro nasal, adenóides, pólipos, doenças do útero e dos ovários, várias doenças venéreas, estrangulamento e aumento da glândula próstata, irregularidades da menstruação, leucorréia, hérnia, pedras e areias renais. A nota-chave de Scorpio é Mi maior. Música tocada suavemente neste tom dissolve as doenças de Scorpio.

Sagittarius rege os quadris, as coxas, o fêmur, o íleo, as regiões do cóccix e sacral da espinha, as artérias e veias ilíacas e nervos ciáticos. Música tocada suavemente na tonalidade de Fá# maior é o melhor tratamento para estas doenças.

Capricornus governa a pele, os joelhos e tem também uma ação reflexa sobre o estômago que é governado pelo signo oposto, Câncer. Música tocada suavemente na tonalidade do Sol# maior ajuda a curar doenças de Capricornus que são: eczema e outras doenças de pele, erisipela, lepra e perturbações digestivas.

Aquarius rege os tornozelos, as pernas desde os joelhos até os tornozelos, e também tem uma ação reflexa sobre seu signo oposto, Leo; daí aflições em Aquarius produzirem varizes, entorse de tornozelo, irregularidades da atividade do coração e hidropisia. A nota-chave de Aquarius é Lá maior. Música tocada suavemente neste tom alivia as doenças comuns de Aquarius.

Pisces governa os pés e os dedos. Exerce também um efeito reflexo sobre a região abdominal governada pelo signo oposto Virgo. Portanto, aflições neste signo indicam, além de problemas e deformações dos Pés, doenças dos intestinos e hidropisia, desejo por bebida e drogas que podem levar ao delirium-tremens. Música tocada suavemente em Si maior é o melhor lenitivo para as doenças mencionadas.

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#Astrologia #Música

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-poder-curativo-da-m%C3%BAsica

A improvável história do macaco que virou gente

Em algum momento entre o período Paleolítico Médio (antes de 40 mil anos) e o Paleolítico Superior (40 mil anos atrás em diante) algo de extraordinário aconteceu.

Algo tão surpreendente quando o próprio surgimento da vida na terra ou do próprio nascimento do universo e suas leis. Mas assim como o Cosmos e a Vida este algo está tão presente que, como a água que não é enxergada pelos peixes que nadam nela, também passa desapercebida por nós, que raramente questionamos o que é ou de onde vem.

Este período, que antecede e prepara a Revolução Neolítica, é claramente tão mais diferente e bizarro de tudo o que houve antes que faz a explosão do cambriano parecer um passeio no parque.

Antes, dele, por muitíssimo tempo, vivíamos não muito diferente de qualquer outro primata de cérebro razoavelmente desenvolvido. Nossa única preocupação era nos manter vivos e nos reproduzir. Por dezenas de milhares de anos usamos as mesmas ferramentas simples de pedra e nos escondemos nos mesmos buracos em montanhas. Mas então algo aconteceu, começamos a apresentar um comportamento único.

Esse período marca o nascimento da arte, da guerra e da religião. Começamos a fazer rituais, praticar magia e a enterrar os mortos . Onde antes só haviam conchas começamos a fazer colares e criamos moedas de troca. Onde antes só havia cavernas começamos a fazer pinturas dos céus e dos animais e dos deuses. E mais importante ainda, onde antes só havia pedra começamos a fazer estátuas de mulheres peitudas peladas. Foi quando nasceu a Inteligência.

Não me refiro à inteligência cotidiana e vulgar, essa sempre existiu tanto em nós quanto em praticamente tudo o que existe. Assim como nos antepassados dos cães, sempre que alguém maior, mais forte e com uma voz mais alta ordenava SENTE, nós nos sentávamos. Tínhamos a mesma noção aritmética de pássaros e outros mamíferos. Também conseguíamos prever as estações e migrar ou nos proteger de acordo. Quando falo do Nascimento da Inteligência falo daquilo que nos separou de praticamente todas as formas de vida nativas deste planeta. Falo daquilo que até hoje é motivo de discussão entre macacos que conseguiram diplomas: “o que nos diferencia dos outros macacos?”. Ora, são os diplomas!

A primeira coisa curiosa quando tentemos responder essa questão é o período em que esta explosão cultural da macacada aconteceu; Pois embora o Homo Sapiens tivesse atingido o pico de sua modernidade anatômica cerca de 200 mil anos atrás foi só a 40 mil anos que aparentemente adquirimos uma mente moderna. Trocando em miúdos: se é nosso cérebro que nos permite usar o fogo para cozinhar a carne e o computador para criar o jogo de Tetris, por que passamos mais de 150 mil anos com o mesmo cérebro e corpo que temos sem nenhuma grande inovação, vivendo praticamente como um animalzinho social não muito mais esperto do que os outros que nos rodeavam? Não quero com isso dizer que o nascimento da cultura humana aconteceu do dia para noite e que não houve nenhum a evolução no período anterior. Contudo é inegável que alguma coisa aconteceu em nossas mentes, algo que se acendeu em nossos cérebros apenas depois de 150 mil anos de ócio e tédio e que nos fez dominar o fogo, a pesca e a pornografia.

 

Espertos para a idade

 

Os antropólogos de hoje, graças ao registro fóssil existente, conseguem desenhar os estágios da pré-história humana, mas são incapazes de explicar qualquer coisa além disso, como por exemplo, o momento do nascimento ou a causa para este fenômeno acontecer. O melhor que podem fazer é dizer coisas como “O homem desenvolveu sua inteligência porque isso era necessário para sua sobrevivência”. Vamos dissecar esta idéia, preparem-se pois a cena pode não ser muito bonita.

De acordo com essa teoria os proto-homens não possuíam velocidade, força, dentes e garras ou outros atributos necessários a sobrevivência. De acordo com o Cânon da Genética Moderna, Mutantes com mais inteligência teriam mais chances de sobreviver, procriar e sustentar seus descendentes, enquanto os grupos menos inteligentes seriam eliminados no processo. Este processo repetido por cinco milhões de anos resultou no homo sapiens que conhecemos hoje. A este cânon damos o nome de teoria antropogênica.

Pois bem, existem pelo menos três problemas com a crença antropogênica moderna. O primeiro deles é esta dependência do tempo. Algum cientista deve ter deixado um prato de comida, digamos um sanduíche de aliche, em cima de sua mesa de trabalho durante o fim de semana e, quando voltou para o escritório dias depois, descobriu que aquilo havia praticamente ganhado vida. Se alguns dias são o suficiente para transformar um delicioso sanduíche em algo pavoroso, peludo e verde, com certeza um macaco esperto depois de cinco milhões de anos se tornaria um humano como nós. Mas cinco milhões de anos é um período grande o bastante para qualquer coisa se transforme em qualquer outra coisa. Além disso os antropólogos dirão que o processo inteiro deve ter demorado cerca de cinquenta milhões de anos pois o despertar da inteligência seria lento e gradual e não do dia para a noite.

Se criamos cérebros porque não tínhamos garras e presas não seria muito mais prático criar garras e presas? Por que viramos nerds e não gorilas?

O segundo problema é que o proto-humano era apenas um entre muitos animais lutando para sobreviver a cinco milhões de anos. Se seu cérebro cresceu tanto pelo processo de seleção natural por que o de outras criaturas não se desenvolveu da mesma maneira? Se isso é verdade, então por que não temos por ai outros humanos que evoluíram de outros animais sem velocidade, garras e força? Por que além de humanos que vieram do macaco não temos humanos que evoluíram de gambás, de Guaxinins ou de Ratos do Campo?

O registro fóssil mostra que o cérebro das outras criaturas permaneceu praticamente do mesmo tamanho enquanto que a cavidade cerebral do ser humano quase dobrou entre o Pitecantropus Erectus e o Cro-Magnon em um pulo de de 900 cc para 1700 cc. Se a seleção natural e a evolução são processos cegos e aleatórios, deveríamos ter mais algumas espécies apresentando a mesma evolução. Mas mesmo outros mamíferos de cérebros grandes como os paquidermes não mostram um crescimento expressivo entre os mamutes e os elefantes de hoje, por acaso eles também não precisaram lutar para sobreviver?

Uma terceira problemática surge quando aplicamos um dos bastiões do próprio Darwinismo. A regra de que a natureza sempre escolhe o caminho mais fácil, ou seja, a regra de que a seleção favorece as adaptações mais simples e econômicas em lugar das mais complexas e custosas. Isso é tão importante que vou rescrever de forma de que até mesmo eu possa entender: Tudo o que existe necessita de energia para existir. Um ovo largado em um balcão não vira uma omelete do nada, é preciso que energia seja aplicada ao ovo, seja essa energia um cozinheiro ou um terremoto que o faça rolar e cair dentro de uma frigideira que está no fogo. Da mesma forma uma semente não vira uma árvore sem energia. Um feto não vira um animal adulto sem energia. Você não consegue se levantar da poltrona e ir ao banheiro sem energia. De acordo com o Darwinismo, se você mora a uma quadra de uma padaria e precisa de pão, você sai de casa e ruma para a padaria usando o caminho mais curto, ou seja, a linha com a distância de duas quadras, ao invés de ir na direção oposta onde teria que dar a volta ao mundo para chegar nela, porque isso faria a energia gasta não compensar o pãozinho que você precisava. Da mesma forma, qualquer mudança evolutiva que ocorra segue a lei do uso mínimo de energia: uma girafa não precisa de um pescoço retrátil, precisa de um pescoço grande. Não é estranho termos gasto uma quantidade enorme de energia para desenvolver um cérebro capaz de criar computadores e compor sinfonias quando tudo o que precisávamos era nos manter vivos e procriar?

Não há explicações dentro da mera seleção natural que justifique a evolução da inteligência, porque ela mesma (a evolução) não é nada inteligente. A seleção natural não é e, de acordo com darwinistas, geneticistas e os outros istas diplomados, não pode ser criativa – caso isso acontecesse teriam que começar a sustentar a idéia de uma criatividade existente antes da vida surgir, que está presente em todos os lugares e é responsável por tudo o que acontece, e como sabemos esses istas não se sentem muito confortáveis com este tipo de idéia. Ela apenas age no sentido de promover ou eliminar as mutações que surgem aleatoriamente. Desta forma ela não chega a ser um processo ativo ou dinâmico, apenas a confirmação de que uma espécie continua viva enquanto outras não. Poderíamos então tentar admitir, para nossa sanidade, que algum evento de especiação estritamente neurológico e estritamente focado ocorreu há cerca de 40 mil anos e que fez surgir uma entidade nova, com capacidades cognitivas únicas e simbolicamente expressiva. O problema com essa teoria é que a escala de tempo que resta até digamos o Neolítico, não nos permite isso. Pois isso exigiria que uma nova espécie humana fisicamente idêntica, mas intelectualmente superior aparecesse e começasse a se disseminar por todo velho mundo e eliminasse totalmente a espécie predecessora em um período muitíssimo curto de tempo.

 

Essa boa vida vai te te transformar em um molengão

Um Homo Sapiens já evoluído tentado sobreviver a um ambiente hostil valendo-se de suas novíssimas e custosas mutações cerebrais morreria muito antes de seu infinitésimo acréscimo de inteligência lhe dar alguma vantagem competitiva.

Sim, caros ouvintes, é isso mesmo. Até hoje, todas as explicações que temos para sermos capazes de nos reconhecer em espelhos, de questionarmos “quem sou eu?”, de usarmos calças é a de que nosso cérebro se desenvolveu para que sobrevivêssemos ao meio ambiente hostil. Mas faça um teste simples: pegue um amigo seu – um homo sapiens moderno que tem a vantagem de cinqüenta mil anos de evolução cerebral – e coloque dentro da jaula com um leão. Para deixar o experimento mais próximo da realidade dê a seu amigo todos os materiais que teria acesso durante o Paleolítico Superior. Depois forneça um anti-ácido ao grande felino. Se o a mente racional é tão poderosa que um pequeno crescimento dela valeria mais do que a força bruta por que ela ainda sucumbe à força bruta?

Na verdade conforme nossa inteligência tornou nossa vida mais fácil, nos tornamos ainda mais fracos e vulneráveis fisicamente. Nossa vida é confortável e longa porque nossa inteligência nos permitiu produzir remédios e nutella de ovomaltine. Mas arranque essa inteligência e a humanidade estaria extinta em poucas gerações ou ainda pior nossa inteligência está tão pouco ligada à sobrevivência que se amanhã houver uma explosão solar que causa um pulso eletromagnético grande o suficiente para fritar todo e qualquer circuito elétrico da face da terra, nos veríamos em um planeta sem dinheiro e sem computadores, por quanto tempo acha que você conseguiria sobreviver? Por causa de nosso cérebro a evolução natural do resto do nosso corpo não só foi desacelerada mas invertida como mostra este estudo. A regra da natureza é uma constituição física cada vez mais forte e uma fisiologia cada vez mais imune as doenças. Novamente nós fugimos à regra.

Desta forma, mesmo que queiramos acreditar na explicação padrão de que a inteligência é fruto da evolução natural somos obrigados a admitir que a adquirimos de uma maneira que foge completamente aos padrões evolutivos aceitos hoje. Somos uma verdadeira aberração na natureza. O surgimento da inteligência é algo tão improvável quanto o surgimento da vida e do universo. Entretanto aqui estamos nós nos questionando, vivos, no universo.

Mas um cérebro grande aliado a um polegar opositor é realmente tudo o que precisamos? Temos alguma prova de que foi nosso poderoso poder mental que nos permitiu chegar onde chegamos? Como já foi dito no começo do artigo nosso cérebro já estava pronto cerca de 150 mil anos antes da inteligência aparecer, incluindo o tamanho do nosso cérebro, nossa estrutura vocal complexa e nosso polegar opositor. Além disso, temos um registro histórico que nos deixa claro que existe algo além nessa história. Quando os Tasmanianos foram contatados pelos europeus no século XVI eles não tinham descoberto o fogo, não tinham escrita, crenças, nem qualquer conceito de música. Era cerca de 1600 depois de cristo, mas isolados do resto do mundo eles não tinha sequer desenvolvido ferramentas feitas de pedras. E eles tinham o mesmo cérebro e corpo que o nosso e muitas, muitas pedras.

Por outro lado sabemos de casos de macacos que aprenderam a falar a linguagem de surdos mudosproduzir ferramentas e jogar video-games. Curiosamente, em todos os casos de sucesso não foi feito um esforço concentrado para aumentar a inteligência dos animais, mas simplesmente eles foram colocados em um ambiente onde a linguagem e a inteligência eram usados ao seu redor. Quando isso aconteceu cada um destes estudos mostrou que a inteligência têm algo de contagioso. Mas quem teria nos contagiado?

Tamosauskas

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-improvavel-historia-do-macaco-que-virou-gente/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-improvavel-historia-do-macaco-que-virou-gente/

Maçonaria para Não-Maçons / Parte 1

Bem, ao começar a falar da Maçonaria, gostaria de começar esse Post na certeza de que este será um dos mais importantes para quem deseja compreender melhor o funcionamento da Maçonaria.

Os Mistérios e Segredos da Maçonaria são sempre temas de demoradas discussões que, na grande totalidade das vezes, não leva a lugar algum.

Tentarei abordar, de forma clara, como se Aprende e se Estuda dentro da Maçonaria. A grande verdade é que, entendendo isso, muitas outras coisas ficarão mais claras de se entender.

É muito comum, para quem não é membro, pensar na Maçonaria como uma Escola no sentido “acadêmico”, como se houvesse uma grade curricular que envolvesse todo o conhecimento que existe ali dentro.

Quem pensa isso acaba acreditando, logicamente que, ao atingir o Grau 33, o Maçon passa a ser detentor de todo o conhecimento que existe dentro da Ordem. No entanto, nada poderia estar mais distante da realidade.

Mas, vamos por partes, para que você possa entender melhor o porque isso acontece.

Existe um site Cristão, bem conhecido (A Espada do Espírito), do qual irei utilizar de um de seus Artigos, como base, para explicar algo muito importante para você, que não é Maçon, entender melhor como funciona a Ordem.

O nome do texto é justamente esse: Maçonaria: Duas Organizações, Uma Visível, Outra Invisível (dê uma lida, vale a pena).

O artigo, resumidamente, tenta demonstrar que existe uma “Maçonaria Invisível”, dentro da própria Maçonaria, onde estão os verdadeiros Maçons (que, para eles, são os Satanistas que preparam o Anticristo).

O argumento mais forte é uma citação do autor Manly Hall, que diz haver uma sociedade visível, que se dedica às atividades “éticas, educacionais, fraternais, patrióticas e humanitárias”, enquanto, a sociedade invisível “é uma fraternidade secreta e augustíssima (de majestosa dignidade e grandiosidade), cujos membros dedicam-se ao serviço dos arcanos”.

Ele diz a verdade, mas não da forma como é interpretada nesse artigo.

Para entender porque isso não é verdade, é preciso explicar algo muito triste, porém, muito verdadeiro, dentro da Ordem Maçonica. A maioria dos membros são altamente despreparados e a estrutura das Potências Maçonicas (GOB, COMAB, CMSB) não oferece nada que possa instruir seus membros com relação à tudo que a Ordem pode lhes oferecer.

Como eu dizia no começo, ser Grau 33 não garante que o membro seja detentor do conhecimento pleno da Maçonaria.

É porque não existe cobrança, de um Grau para outro, que exija estudo e conhecimento da Ordem (até existem alguns trabalhos, mas não são passíveis de “reprovação”). Ou seja, não existindo essa exigência, não há motivo para que as Potências Maçonicas organizem qualquer tipo de estudo referente aos Graus.

Tudo isso faz com que, para cada Grau que o Maçom avance, ele tenha contato com um novo Ritual, novos Símbolos e uma nova percepção da Filosofia Maçonica, sem que lhe seja fornecido um Material para lhe explicar (e, posteriormente, lhe cobrar) o MÍNIMO que ele – na condição de maçon daquele grau – deveria saber.

Devido a isso é compreensível que os não-maçons (como esses que escreveram o artigo em questão) acreditem, verdadeiramente, que existem duas ordens distintas dentro da Maçonaria, afinal, o que mais justificaria existirem maçons que conhecem tanto sobre a Ordem e outros que, praticamente, não conhecem nada?

Quando isso acontece é REALMENTE compreensível que fique a impressão de que estes maçons (que são bem distintos) fazem parte de Ordens diferentes, onde uma é realmente muito séria e instrui os seus membros, e outra, apenas o “clubinho” da cidade.

Era sobre isso que o Maçon Manly Hall se referia ao dizer que existe uma “outra ordem” onde os maçons conheciam os “verdadeiros arcanos”. São aqueles realmente dedicados, que estudam, debatem e frequentam as “academias maçonicas de estudos” para se aprimorarem no estudo dessa magnífica Ordem.

Mas, você deve estar se perguntando: “Como então os Maçons dedicados da Ordem fazem para se instruir”? Bem, material de qualidade é o que não falta (mas, isso será assuntos para próximos posts).

Por fim, para os que leram o Artigo do “Espada do Espírito” e acharam estranha a citação de Manly Hall (ao citar Lúcifer), não irei tratar dela agora. Haverá um post só para citações, similares a essas, em livros de renomados Maçons da história.

Para os que não leram, a citação foi:

“Quando o maçom aprende que o segredo para o guerreiro é a correta aplicação do dínamo do poder da vida, ele aprendeu o mistério de sua Arte. As energias ardentes de Lúcifer estão em suas mãos e antes que ele possa avançar para frente e para cima, precisa provar sua capacidade de aplicar corretamente a energia.”

Polêmico, não?

Continue acompanhando. Chegaremos lá…

[No Blog original, na categoria Maçonaria, você pode conferir a “parte 2” desse Post – e os textos posteriores]

#Maçonaria #satanismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ma%C3%A7onaria-para-n%C3%A3o-ma%C3%A7ons-parte-1

A Espiritualidade Queer na Europa Pagã: Os Celtas e Os Vikings

A CULTURA QUEER NA EUROPA PAGÃ:

Gênero e sexualidade na Europa pagã são frequentemente vistos hoje com emoções misturadas. Existem muitas evidências sobre as tendências LGBT+ das tribos e pessoas originais do continente, mas muitas dessas evidências vêm de fontes externas e observadores terceirizados. Normalmente, esses historiadores estrangeiros eram os gregos e os romanos, que relacionavam a natureza queer da Europa “bárbara” em termos de sua própria rígida dicotomia “ativo/passivo”, ou eram os cristãos imperiais, que difamavam qualquer forma de sexo não procriativo que testemunhassem. pagãos fazendo.

Ainda assim, há pouca menção às tendências LGBT+ dos próprios indígenas. Isso significa que sexualidade e gênero não eram um grande problema e eles estavam vivendo em uma utopia queer? Isso significa que qualquer coisa queer era um tabu tão terrível que ninguém ousava registrar sua existência em detalhes? Bem, ninguém realmente sabe com 100 por cento de certeza. Mas, como a maioria das histórias maculadas escritas por rivais e conquistadores, a verdade provavelmente está em algum lugar no meio. O que se preserva, no entanto, é a inegável natureza queer nas religiões de várias tribos pagãs, especialmente as dos celtas e dos vikings. Então, vamos novamente levar alguns grãos de sal conosco e começar olhando para os celtas.

A ESPIRITUALIDADE QUEER DOS CELTAS:

Os vários grupos de europeus pré-cristãos nativos fora da Grécia e Roma clássicas são comumente agrupados e conhecidos como os celtas (pronuncia-se “kelts”). Nesse sentido da palavra, os celtas eram as tribos da Europa que não falavam nem grego nem latim e adoravam divindades não greco-romanas. Em sua maior extensão, o povo celta compreendia muitas culturas e vivia em uma grande faixa de terra que se estendia desde os atuais Portugal e Espanha até a França, as Ilhas Britânicas, a Alemanha, a Escandinávia, as fronteiras da Europa Oriental do Mar Negro e até bolsões de Peru. Em vez de um único povo unificado, os celtas eram compostos por numerosas tribos que compartilhavam certos graus de semelhança cultural, e uma grande semelhança era o uso predominante da tradição oral para transmitir lendas, ensinamentos e modos de vida. Hoje em dia, porém, os celtas são principalmente associados ao povo da Irlanda, Escócia, País de Gales e à província francesa da Bretanha, onde suas culturas sobrevivem de forma mais vibrante.

Como mencionado anteriormente, muitos dos escritos sócio- e antropológicos sobreviventes que temos dos celtas vêm de outras pessoas que os encontraram. E no mundo clássico, os líderes militares gregos e romanos eram as principais pessoas a ter esses encontros múltiplos e contínuos. Com certeza pode ser esse o motivo pelo qual os celtas da antiguidade sempre foram descritos como guerreiros, já que era através da guerra que essas culturas se encontravam, mas o jeito do guerreiro também aparece bastante em sua própria mitologia. Na mitologia irlandesa em particular, figuras masculinas lendárias muitas vezes tinham um irmão de armas masculino especial ao lado de quem lutavam e com quem amavam ternamente.

As culturas celtas, como as sociedades humanas ao longo do tempo, tinham um sistema de classes estratificado da elite aristocrática e subdivisões de praticamente todo mundo. As classes superiores da sociedade celta masculina, de acordo com os gregos e romanos que os encontraram, eram conhecidas por terem relações sexuais com outros homens, mas como os gregos e romanos não queriam parecer semelhantes a esses “bárbaros”, os escritores da época enfatizavam que a aristocracia celta preferia outros homens a mulheres e até se envolvia em três vias masculinas. 112 Aristóteles até fez menção especial para apontar como essa homossexualidade preferida também tinha um viés para os homens dentro da mesma classe social – um severo não-não na sociedade grega. 113 Novamente, no entanto, a verdade está em algum lugar no meio.

Outra verdade intermediária é o desdém social deles por homens homossexuais “no fundo”. A suposição moderna para isso vem de como a cultura machista predominante dominou a sociedade celta. Ser fraco era ruim e, portanto, para um homem agir como o sexo fraco era ruim. Na verdade, ser um “passivo” homossexual era uma das piores coisas de que se poderia acusar um homem celta. Ironicamente, a frequência dessa acusação (especialmente no norte da Europa) prova que a homossexualidade era uma coisa na Europa pagã, uma vez que tal insulto só poderia ser entendido se fosse praticado com bastante frequência para que as pessoas comuns pudessem reconhecer a acusação.

Evidências semelhantes da semelhança da homossexualidade celta foram escritas nas Leis Brehon dos celtas irlandeses do século VII como uma razão legal pela qual uma mulher pode se divorciar de seu marido. A lei não menciona a homossexualidade em si, mas concede o divórcio legal a mulheres cujos maridos preferem fazer sexo com outros homens do que com ela. Estudiosos modernos acreditam que isso não é uma punição legal para homens gays, pois é uma garantia legal para as mulheres terem o direito de ter filhos, como evidenciado pela lei que continua a listar uma série de outros fundamentos legais para o divórcio, todos os quais giram em torno da incapacidade de um homem de engravidar sua esposa, como ser muito obeso para fazer sexo e infertilidade masculina total. Ainda assim, um homem preferindo a cama de outro homem deve ter ocorrido com frequência suficiente para que os celtas irlandeses o incluíssem em seu código de leis. 114

Quanto às próprias mulheres, não há muita evidência de lesbianismo romântico entre senhoras celtas. O mesmo vale para indivíduos transgêneros e bissexuais. A razão para isso é, novamente, os romanos. A maior parte da história sobrevivente dos celtas que nós, pessoas modernas, temos que continuar são os escritos dos militares romanos, que, em geral, tiveram contato principalmente com homens guerreiros celtas. E, além de não interagir muito com as mulheres celtas, os generais e historiadores romanos não teriam interesse particular nos assuntos privados dessas mulheres “bárbaras”, como evidenciado pela pouca estima que tinham por suas próprias mulheres “civilizadas”.

Há, é claro, uma exceção, embora controversa: Boudica, a lendária rainha guerreira ruiva dos celtas britânicos que liderou uma revolta bem-sucedida contra os exércitos romanos invasores. A polêmica está no fato de sabermos muito pouco sobre ela. O que sabemos é que Boudica era casada com o rei de uma tribo celta aliada de Roma. Após a morte de seu marido, o exército romano saqueou suas terras, estuprou suas filhas e a açoitou impiedosamente. Agora um inimigo declarado de Roma, ela foi eleita líder de uma resistência celta unida contra os invasores. Sob sua liderança, os celtas britânicos obtiveram sucesso militar após sucesso militar contra a máquina de guerra da Roma Imperial até que o exército romano obteve uma vitória decisiva em um local estratégico na Watling Street (principal rodovia de Roma na Grã-Bretanha). Após esta derrota irrecuperável, os relatos divergem quanto ao destino da rainha celta. Alguns escritos dizem que ela adoeceu na campanha e morreu, e outros dizem que ela cometeu suicídio por envenenamento auto-ingerido para não ser capturada e se tornar uma escrava romana. 115

Além das associações óbvias e estereotipadas de lesbianismo possuídas por Boudica, como ser um líder marcial, um guerreiro agressivo e impiedoso e dominar os homens tanto por comando direto quanto por conquista, os historiadores modernos acreditam que é bastante lógico que, após a morte de seu marido, Boudica tenha tido relações sexuais com outras mulheres, embora não cheguem a dizer que ela realmente o fez. O raciocínio é que, como líder de jure de sua tribo, o costume celta britânico de seu povo ditava que ela se deitasse com mulheres. 116 É verdade que esse costume foi provavelmente estabelecido com a suposição de que todos os seus líderes seriam homens, então era possível que o costume fosse ignorado devido ao gênero dela? Sim, é uma possibilidade. Mas também era possível que Boudica seguisse esse costume para manter as aparências como líder de seu povo? Sim, isso também é uma possibilidade. A verdade pode nunca ser totalmente conhecida.

O único outro relato da sexualidade feminino-feminina, além da suposta bissexualidade de Boudica, vem em uma breve passagem do antigo conto irlandês de “Niall Frossach” como escrito no Livro de Leinster do século XII. No conto, há menção direta de duas mulheres fazendo sexo uma com a outra, e é descrito como “acasalamento brincalhão”. Nada é dito sobre isso ser algo abominável ou mesmo estranho e incomum, e os personagens dentro do conto não reagem a isso de nenhuma maneira particular além de uma questão de fato/ ou um tipo de atitude de é-o-que-é-é. atitude. 117

A CONTRIBUIÇÃO CELTA:

A Comunicação Intrapessoal e Interpessoal:

A história queer dos vários povos celtas é escassa devido ao uso predominante da tradição oral, mas aí também está a lição: comunicar-se com as pessoas diretamente. Somos tímidos muitas vezes na magia e na vida queer. Não sabemos como alguém pode reagir se dissermos que praticamos magia ou que somos queer. Além disso, tanto praticantes de magia quanto pessoas queer são minorias, então há menos de nós com quem conversar. Isso leva a muita prática de magia solitária e aprendizado sobre a vida queer através de várias mídias. Agora, não me entenda mal, essas duas coisas são ótimas, mas não há nada como ser capaz de falar sobre coisas com pessoas reais ali mesmo.

O povo celta tinha uma grande consideração pela comunicação oral direta, mas hoje em dia a vemos como uma espécie de último recurso. Por que lidar com outras pessoas e suas falhas quando podemos obter todas as informações do mundo no conforto do nosso próprio quarto? Bem, a razão é porque a interação humana é uma parte mágica da vida. Além de sermos animais sociais, há uma certa sensação mágica e “saber” em falar diretamente com as pessoas. Comumente é chamado de “vibe” – aquele sentimento sutil e inexplicável que você tem sobre uma pessoa que só pode ser recebido pessoalmente. Você também pode pensar em qualquer data que você teve.

Conversando on-line por meio de texto, fotos ou vídeos, todos eles não podem dizer tanto sobre uma pessoa quanto estar na sala com ela em uma conversa. É aí que nossos sentidos mágicos entram em ação e nos permitem conhecer verdadeiramente uma pessoa.

Então, para sua próxima atividade mágica, saia e teste o quão bem você pode ler magicamente as vibrações de uma pessoa. Escolha uma pessoa aleatória que você vê e faça uma avaliação rápida de sua personalidade com base nas vibrações que você capta. Em seguida, converse com eles cara a cara. Uma escolha segura é fazer isso em uma loja e abordar um funcionário com o pretexto de ter algumas perguntas.

Aproximar-se de pessoas aleatórias pode colocá-las em um clima defensivo ou desdenhoso, mas um funcionário espera isso e tecnicamente terá que responder a você. Quanto mais você fizer isso, melhor você se tornará em captar instintivamente e com precisão as energias das pessoas.

Consequentemente, ser capaz de ler essas energias irá ajudá-lo a fazer feitiços para outras pessoas, bem como dar-lhe um aviso na vida diária sobre em quem confiar e quem está apenas jogando.

A ESPIRITUALIDADE QUEER DOS VIKINGS:

Durante os séculos VIII a XI, as sociedades escandinavas da Europa pagã eram um povo belicoso. Famosos por seus ataques, ferocidade na batalha e agressão extrema, esses guerreiros do norte valorizavam a masculinidade alimentada pela testosterona e o poder físico que a acompanhava. Então, sem surpresa, eles não pareciam muito favoráveis à natureza queer. Muito parecido com os celtas ao sul, os vikings eram uma sociedade machista que valorizava a dureza masculina e desprezava a efeminação. Em certo sentido, não era a natureza queer em si que os nórdicos odiavam, mas sim a feminização de seus homens, que eles equiparavam à fraqueza.

No entanto, sabemos que a homossexualidade masculina era praticada pelos vikings. Além do fato óbvio de que pessoas LGBT+ existiram ao longo do tempo em todas as sociedades, o escárnio comum de homens homossexuais pelos vikings prova que eles estavam cientes disso e que era comum o suficiente para ser um insulto entendido. De fato, duas palavras em particular foram usadas como tal insulto: ergi e argr. Traduzidas grosseiramente, elas significam “não-masculinidade” e “não-masculinidade”, respectivamente. Em uma cultura tão machista, a masculinidade carregava consigo poder e influência social, então ser chamado desses nomes era um insulto extremo que poderia destruir permanentemente a reputação de um homem. Tão severas eram essas acusações que ser chamado assim era motivo para um duelo conhecido como holmganga. Se o acusado ganhou, então ele obviamente não era “não-masculino” e tinha direito a compensação, mas se ele perdesse, então era supostamente sua falta de masculinidade que o havia perdido no duelo. 118

Claro, porém, havia exceção à regra. Se você fosse o “ativo” penetrante durante uma rodada de relações sexuais masculinas, então você não era considerada feminina. E no rescaldo de uma batalha, esperava-se que um nórdico penetrasse sexualmente em seus inimigos derrotados. Nas conquistas vikings, o estupro era uma arma de guerra. Afirmava o domínio sobre o perdedor e efetivamente o feminizava, além de quebrar psicologicamente seu espírito. Fora da guerra, também era visto como certo que os machos vikings fizessem sexo com seus escravos/servos do sexo masculino, uma vez que afirmava seu domínio masculino, desde que fossem os “ativos”. Assim, não era a homossexualidade que os vikings abominavam, mas sim a falta de masculinidade associada a assumir o papel feminino durante o sexo e ser dominado por outro homem.

E não nos esqueçamos das senhoras. Assim como as outras culturas que discutimos anteriormente, não se sabe muito sobre a vida sexual privada das mulheres vikings porque as mulheres não eram vistas como importantes o suficiente para documentar suas vidas com tanta profundidade. Mas há evidências indiretas que sugerem que as mulheres vikings se envolveram no amor feminino do mesmo sexo com frequência suficiente para que os homens decretassem leis contra a masculinização das mulheres. Os sociólogos dizem que isso se deve ao valor escasso das mulheres; a proporção de mulheres para homens era drasticamente desigual, com muito menos mulheres e uma superabundância de homens — um importante efeito colateral de uma sociedade que valorizava fortemente os filhos em detrimento das filhas.

Semelhante à notoriedade outrora causada pela política do filho único da China moderna, as famílias vikings que davam à luz meninas muitas vezes as deixavam no deserto para morrer de exposição como uma maneira de apagar o “erro” e tentar novamente um filho. tendo poucas mulheres, e se algumas dessas escassas mulheres tinham aversão ao sexo heterossexual, isso deixava ainda menos mães em potencial para os homens se casarem e engravidarem. 119 Assim, foram promulgadas leis que desencorajavam as mulheres de assumir características masculinas, como cortar o cabelo curto, usar roupas masculinas, portar armas, etc. Basicamente, as mulheres precisavam agir como o sexo mais fraco para atrair um companheiro e gerar filhos, já que nenhum homem viking macho iria querer uma mulher que fosse mais masculina e dominante do que ele. Por outro lado, isso significava que as mulheres detinham muita autoridade no casamento, pois se se divorciassem do marido, a escassez de mulheres disponíveis dificultava encontrar outra esposa, um poder sobre os homens refletido em inúmeras sagas vikings. 120

Mas, novamente, do ponto de vista lógico da política sexual, se uma mulher viking realmente era lésbica ou mesmo bissexual, realmente não havia nada que seu marido pudesse fazer sobre isso. Afinal, seria imprudente divorciar-se dela devido à escassez de mulheres casáveis por aí. E se ele reclamasse disso, ela poderia ameaçá-lo com o divórcio, efetivamente calando-o. Realisticamente, desde que a mulher cumprisse seu dever de gerar os filhos do marido, quaisquer outras ligações que ela tivesse com mulheres eram sua prerrogativa. 121

Quanto aos indivíduos bissexuais e transgêneros na sociedade viking, quase nada se sabe. A noção viking de natureza queer não é a mesma que a nossa hoje. Para eles, a sexualidade era uma questão de posicionamento sexual e domínio psicológico, não os anseios internos e a identidade de um indivíduo. No entanto, é seguro presumir que, apesar da efemifobia desenfreada exibida na cultura nórdica, todos provavelmente eram um pouco bissexuais. Se você considerar que os guerreiros vikings machistas eram socialmente esperados para gerar filhos e dominar sexualmente seus inimigos de batalha, bem como a permissividade generalizada de escravos/servos masculinos sexualmente “passivos para os ativos”, então a bissexualidade era a norma para os homens vikings, pelo menos. Ainda assim, as façanhas e aventuras dos deuses nórdicos revelam uma boa quantidade de transexualismo e natureza queer geral, como testemunharemos daqui a pouco.

A CONTRIBUIÇÃO VIKING:

A Sacralidade do Masculino Divino:

Agora, antes que você dê um pulo e comece a gritar que sou um agente do patriarcado, é importante entender que qualquer coisa levada ao extremo é ruim, mas isso não significa que a coisa em si seja ruim. O culto da masculinidade reverenciado pelos vikings ainda está conosco em nossa cultura moderna, e a feminilidade ainda é vista como fraca. Embora isso seja lamentável e não seja uma coisa boa para a sociedade, temos que ter em mente que ser masculino ou gostar de pessoas e coisas masculinas não é ruim. Como falamos sobre juventude e beleza, a posse e atração pela masculinidade não é ruim, mas a expectativa de ser masculino certamente é.

No nível do dia-a-dia, temos que estar bem com a afinidade pessoal das pessoas pela masculinidade, seja em sua identidade ou no que as atrai. Hoje em dia, como um movimento reacionário ao patriarcado, homens queer envergonham outros homens queer que têm preferência sexual por homens masculinos. Supõe-se erroneamente que gostar de algo significa automaticamente não gostar de seu oposto. Afinal, um homem gay pode ter uma forte preferência por homens com barba, mas isso não significa que ele odeia ou não se sente atraído por caras barbeados. E uma lésbica pode ter preferência por mulheres com cabelo comprido, mas isso não significa que ela odeie ou não seja atraída por mulheres de cabelo curto.

Se um homem heterossexual prefere mulheres masculinas, isso não significa que ele tenha desdém por mulheres efeminadas. Se uma mulher heterossexual prefere homens efeminados, isso não significa que ela tenha desdém por homens masculinos. Se uma lésbica prefere sexualmente mulheres masculinas, isso não significa que ela tenha desdém por mulheres efeminadas. Se uma pessoa bissexual tem uma leve preferência sexual por homens, mesmo que ainda haja atração sexual por mulheres, isso não significa que haja desdém pelas mulheres. Se um transexual de mulher para homem prefere sexualmente homens, isso não significa que haja desdém pelas mulheres. Se um homem gay prefere sexualmente homens masculinos, isso não significa que ele tenha desdém por homens efeminados. Você vê onde eu estou indo com isso?

Todo mundo gosta de alguma coisa, e envergonhar nossa própria família queer por gostar do que eles gostam só nos derruba como um todo. E só porque alguém é atraído pela masculinidade não significa que odeia a efeminação; os dois não estão de mãos dadas. Desde que não prejudique ninguém, deixe as pessoas gostarem do que elas gostam. E magicamente, não seja adverso ao masculino divino só porque as religiões monoteístas dominantes mostram desdém pelo feminino divino.

Então, para sua próxima atividade mágica, faça um ritual com sua tradição que honre e adore a divindade mais estereotipada masculina em seu panteão. O próprio paganismo atrai muitas pessoas porque sua adoração ao feminino divino é uma lufada de ar fresco em um mundo que cultua o culto da masculinidade tóxica, mas o masculino divino é igualmente importante e não deve ser ignorado ou visto com aversão. Todas as divindades, mesmo as ultra-masculinas, podem nos ensinar algo se estivermos abertos ao aprendizado.

DIVINDADES E LENDAS QUEER:

Cú Chulainn:

Cú Chulainn é sem dúvida a mais homoerótica das divindades celtas irlandesas na consciência moderna, apesar de tecnicamente nunca ter sido oficialmente descrita como tal na tradição sobrevivente. O que o torna um membro do panteão internacional de divindades queer é seu relacionamento com o melhor amigo e irmão adotivo, Ferdiad. Eles cresceram juntos, treinaram juntos, experimentaram o amor físico juntos, e dizem que eram iguais em todas as coisas, exceto que Cú Chulainn era mais naturalmente adequado para “ofensiva” em batalha devido ao seu talento com uma lança, enquanto Ferdiad era mais natural. “defensivo” devido à sua pele dura e dura como armadura.

Através de uma série de eventos, eles são forçados a lutar uns contra os outros em uma batalha até a morte. A batalha se arrasta por dias até que um dia Cú Chulainn desfere o golpe mortal, enfiando sua “arma misteriosa” no ânus de Ferdiad, uma parte de seu corpo onde Cú Chulainn convenientemente sabia que a pele impenetrável de Ferdiad não cobria. Depois de sacar sua arma, Cú Chulainn lamenta muito o cadáver de seu querido amigo, uma cena imortalizada em inúmeras obras de arte. 122

Na adoração, os cães são sagrados para Cú Chulainn, assim como a lança e os aspectos do masculino divino.

Loki:

De todos os deuses nórdicos, Loki é talvez o mais reconhecido por possuir traços queer. Nas lendas, ele é frequentemente descrito como uma divindade trapaceira mercurial e que muda de forma e um agente do caos. A primeira coisa reveladora sobre ele é seu nome completo, Loki Laufeyjarson, que é único, pois mostra que ele recebeu o nome de sua mãe, em oposição à tradição machista viking de crianças recebendo o nome de seus pais.

Sua aparência é descrita como muito bonita, mas muitas vezes ele é encontrado se metamorfoseando em vários animais e, em três ocasiões, uma mulher. Uma história específica conta como Loki se transformou em uma égua e se permitiu engravidar do garanhão Svadilfari, eventualmente dando à luz o cavalo de Odin, Sleipnir. Diz-se também que ele engravidou comendo o coração meio cozido de uma mulher e deu à luz os demônios que atormentam a humanidade.

Em muitos outros contos, Loki vai além de mostrar sua habitual indiferença pelos papéis de gênero e revela seu desrespeito por sua própria identidade de gênero. Um dos exemplos mais populares disso conta como, em um esforço para fazer a giganta Skadi rir, Loki amarrou seus genitais à barba de uma cabra e começou a se castrar. Na cultura machista viking, onde o pênis de um homem era seu símbolo de poder, a tentativa de Loki de se castrar fisicamente para rir resume perfeitamente sua atitude em relação ao sexo e ao gênero. 123

Na adoração, as correspondências de Loki são cobras, sabugueiros e faias, chumbo, azeviche, incenso apimentado, a cor preta e participando de brincadeiras práticas e transgressoras.

Odin:

Uma das divindades escandinavas mais populares, Odin é principalmente um deus xamânico da batalha, morte e sabedoria espiritual que é cego de um olho e é o mestre da vida após a morte do guerreiro paradisíaco de Valhalla. Suas associações com a natureza queer são basicamente duplas. Primeiro, ele é frequentemente considerado um patrono dos párias por estar ideologicamente em desacordo com outros deuses devido ao seu apoio à amoralidade frenética, seja no campo de batalha como um berserker através da ingestão de plantas psicotrópicas ou mesmo como um fora-da-lei. Em segundo lugar, ele pratica as artes mágicas das mulheres. Em um conto famoso, Odin ridiculariza a efeminação de Loki chamando-o do insulto proibido argr, mas Loki então contra-ataca apontando que Odin também não é masculino porque ele é um praticante de seidr (um tipo de magia feminina), efetivamente colocando Odin em seu lugar porque era verdade. Embora as lendas não entrem em detalhes sobre o envolvimento ativo de Odin em seidr, o verdadeiro impulso do contra-ataque de Loki foi uma implicação irônica de que Odin não apenas abraçou sua feminilidade interior, mas também “foi passivo” durante o sexo. 124

Na adoração, suas correspondências são lobos, corvos, as cores preto, laranja e vermelho, incenso de sangue de dragão, samambaias, mandrágoras, teixos, cornalina, ônix e participando das artes de cura, bem como atos de altruísmo.

As Samodivi:

As Samodivi são divindades celtas da Europa Oriental que podem ser melhor descritas como um cruzamento entre uma ninfa, uma sereia e uma harpia. Visualmente, elas são altos, atraentes, loiros e usam vestidos longos, esvoaçantes e etéreos, semelhantes aos de Stevie Nicks da era Rumours, exceto cravejados de penas. Elas têm nomes diferentes dependendo de onde você está: Samodivi na Bulgária, Iele na Romênia, Vila na Polônia e Veelas nos Balcãs.

Elas são conhecidas por serem muito bonitas e muitas vezes são retratadas como bissexuais que flertam abertamente umas com as outras para atrair os homens para sua perdição.

As lendas folclóricas variam, mas geralmente contam como sua beleza e dança sedutora sem fim encantam os homens para se tornarem seus servos luxuriosos. Elas também são conhecidas por atrair mulheres propositalmente com sua linguagem corporal sáfica e sugestiva, mas ao contrário de suas vítimas masculinas, as vítimas femininas ficam tão ciumentas (por nunca possuir tanta beleza ou por alguém com tanta beleza) que se matam. Quem conhece a série Harry Potter vai ver que é das Samodivi que J. K. Rowling tirou sua inspiração para as personagens das Veela. A personagem Fleur Delacour, que representa a Escola de Beaubattons no Torneio Tribruxo é neta de uma Veela. 125

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Fonte: Queer Magic, por Tomás Prower.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/queer/a-espiritualidade-queer-na-europa-paga-os-celtas-e-os-vikings/