Hermes na Alquimia

Referir-nos-emos agora a Hermes, deidade chave na tradição egípcia, grega e romana. Thot, o Hermes egípcio, que na Alexandria é conhecido como Hermes Trismegisto, ou seja, o possuidor das três quartas partes da sabedoria universal, é identificado igualmente com o Hermes grego e com o Mercúrio romano. Sempre se considerou este deus como uma imagem da transmissão, e a isso se deve que os atributos com os quais é identificado, capacetes e sandálias aladas, estejam relacionados com o vento. Uma de suas características é a rapidez de seu deslocamento, o que na Alquimia pode ser observado, de forma análoga, quanto ao metal do mesmo nome, que conhecemos como Mercúrio em sua versão latina.

Bem se diz que Hermes é eterno, seja este ou aquele o nome que lhe dispensaram os distintos povos. Unanimemente é transmissor de ensinos e segredos, chame-se Thot, Enoch, Elias ou Mercúrio, como já dissemos. Sua revelação pelo batismo da inteligência se produz naqueles que encararam sem preconceitos nem muletas o Conhecimento e se filiam intelectualmente a seu patrocínio; sua invocação, a concentração e a aplicação dos distintos métodos de sua ciência estabelecem uma comunicação direta com esta altíssima entidade, que se manifesta internamente em qualquer grau nas individualidades dispostas a isso. Como se sabe, esta deidade se manifestou –e o segue fazendo– na história do Ocidente por meio da Tradição Hermética e das disciplinas que a conformam.

Espírito protetor dos viajantes, dos comerciantes e peregrinos, sua influência se faz sentir como a própria energia que nos transmite as mensagens mais rápidas e ligeiras no caminho iniciático. Seu poder é tal que sem ele nada seria, já que, como iniciador nos mistérios da vida e do Cosmo, suas vibrações protetoras –e também dissolventes– atuam como um catalisador dos efeitos da viagem do Conhecimento. Mercúrio é sutil e ligeiro, mas ao mesmo tempo leva em sua mão a vara do caduceu, símbolo do eixo e das duas correntes que se enroscam simultaneamente nele. Sua missão é específica e nos aguarda em todas as encruzilhadas de nossos caminhos. Seu pensamento é sábio e revelador, como bem o atesta o Corpus Hermeticum, um dos documentos mais excelsos da Antigüidade, emanado da Alexandria nos primeiros tempos do cristianismo, e do qual queremos extrair este texto:

“Já que o Demiurgo criou o mundo inteiro, não com as mãos, senão pela palavra, concebe-lhe, pois, como sempre presente e existente, e tendo feito tudo e sendo Um Só, e como tendo formado, por sua própria vontade, os seres, porque, verdadeiramente, é este seu corpo, que não se pode tocar, nem ver, nem medir, que não possui dimensão alguma, que não se parece a nenhum outro corpo. Já que não é nem fogo, nem água, nem ar, nem alento, mas todas as coisas provêm dele. Agora bem, como é bom, não quis dedicar-se esta oferenda só a si mesmo nem enfeitar a terra só para ele, senão que enviou aqui para baixo, como ornamento deste corpo divino, o homem, vivente mortal, ornamento do vivente imortal.”

#hermetismo

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BIG NUMBERS: Uma conversa com Alan Moore e Bill Sienkiewicz

Há um ano atrás eu conversei com Bill Sienkiewicz sobre o  que, então, era entitulado de The Mandelbrot Set. Era no que ele estava envolvido, em mais uma parceria com Alan Moore, e tratava de Matemática Fractal e a Teoria do Caos. Desde então, o trabalho teve seu título alterado para Big Numbers, levemente mais acessível que o primeiro, evitando perguntas como “mandelbrot o quê ? ”

Bem, mas que diabos é Matemática Fractal? Não é uma pergunta de resposta fácil, não é um assunto de fácil explanação. Basicamente trata-se de uma nova ciência que transcende limitações filosóficas, científicas, religiosas, econômicas…tudo. E que quer nos prover de uma nova forma de enxergar o mundo a nossa volta. Soa claro? Não? Então deixemos o próprio Bill tentar nos explicar:

“Fractais é um jeito de compreendermos que existe um ritmo e uma fórmula para o Caos; que há uma ordem nele. Se voce tem um padrão de onda cerebral que é rítmica e outra desconexa, qual voce prefereria?  Presumo que a primeira, à primeira vista. Mas se pensármos direito, a outra, a caótica, seria a correta. Porque a mente e a memória são fractais por excelência, elas não seguem uma linha reta, uma aparente ordem, uma sequência… Por exemplo, quando voce pensa na primeira vez que teve um cigarro aceso em seus dedos, que foi num jogo de futebol que assistiu, aí voce se lembra de um dia chuvoso, depois num acidente que voce presenciou quando tinha 13 anos…e por aí vai, de associação em associacão, de forma lógica ou ao acaso. A coisa não funciona digamos, sob controle, cronlogicamente, ordenadamente. É aos saltos e, para isto, para a nossa mente trabalhar assim, é preciso que exista o Caos e , simultaneamente, alguma espécie de ordem. O coração e os pulmões são rítmicos mas a mente é caótica. E quando voce toma alguma coisa, como cocaína, ela faz a mente ficar ritmica e o cárdio-respiratório virar um caos…Tudo se espalha em volta. E é disto que estamos tentando tratar em Big Numbers.”

“É baseado num narrativa dentro da história, que mostra que,por mais que as coisas se modifiquem, elas permanecem as mesmas. Temos 45 personagens, cada um com sua história pessoal e quero que as pessoas realmente se importe com elas, mas que, ao mesmo tempo, a estória seja o foco maior de suas atenções. Depois de ter feito minha própria graphic-novel Stray Toasters, agora eu quero que os leitores abracem a vida como algo afirmativo e não como uma coisa que está se esgarçando irremediavelmente. Que se inteirem que tudo é uma questão de conexão, de ligação entre todos nós…Eu realmente amo as pessoas. ”

Mas e sobre trabalhar com Alan Moore, quando todos sabemos que ele é minucioso e até mesmo ditador ao extremo com seus roteiros – embora também saibamos que voces juntos já nos brindaram maravilhosamente com o docudrama Brought To Light?
“Bem, minha definição de Alan é que ele é um autor altamente controlador. Mas não é uma coisa negativa e o que percebo é que os artistas que trabalham com ele, confiam no seu taco e o seguem fielmente. É mais como se eles estivessem trabalhando para ele e não com ele. Já de minha parte, é um pouco diferente. Gosto de jogar coisas novas para ele, coisas que ele não tinha lidado antes. Sou um artista mais abstrato, até no campo das idéias, enquanto que ele é mais concreto, se podemos descrever assim.  Deste modo eu tento soltá-lo mais…E também  não posso negar que, com ele, também aprendi a me controlar um pouco. Ou seja, ele também se dobrou um pouco a mim e aí temos uma simbiose profíqua, quando os opostos se complementam.”

Recentemente eu tive a chance de conhecer ainda mais desta intrigante e instigante obra, ao conseguir contatar o próprio Alan Moore que deixou claro pretender causar um impacto profundo nos leitores de Quadrinhos ao ponto de extrapolar ao gênero, muito mais do que alcançou antes, com Watchmen.

Seu entusiasmo era visível e ele está convencido que será o melhor trabalho que já fez. Entende os fractais como uma chave para se lidar com o estado em que o mundo se encontra.

Mas , primeiro, a mudança de nome. Porque isto ocorreu?

“Depois que decidimos chamar a obra de The Mandelbrot Set, lembramo-nos que deveríamos, até por respeito, informar ao Dr. Mandelbrot – o autor francês da Teoria – sobre nosso propósito. Assim, escrevemos a ele e recebemos uma resposta muito amável. Basicamente ele nos informava que desejava muito ver a Matemática Fractal ser divulgada maciçamente, tanto pelo seu valor educacional quanto de entretenimento. Mas que, naquele momento, devido ao idiossincrático e críptico conservadorismo reinante no meio  matemático – que chegou a lhe considerar um egomaníaco e auto-promotor e atacaram  veementemente os Fractais – ele preferia não ter o seu nome envolvido. Infelizmente, para toda comunidade científica, a popularização da ciência é confundida com banalização, com o decréscimo de sua importância.”
De todo modo, Big Numbers soa melhor e é mais abrangente.”

Quando consideramos o que Alan pretende, ou seja, tornar acessível uma nova teoria científica, mostrar que todos podem aplicá-la para entender melhor o mundo em que vive e mais, apresentando-a num veículo ainda muito discriminado – como infelizmente ainda são as HQs – um título mais fácil faz grande diferença.

Mas vamos às próprias explicações de Alan Moore sobre os Fractais, bem mais complexas e profundas que as de Bill. Está sentado confortavelmente?   É melhor que esteja.

“A melhor maneira de descreve-los é através de exemplos palpáveis. Se voce tem uma folha de papel e risca uma linha nela, em termos matemáticos esta linha tem só uma dimensão, é unidimensional. Ignora-se a sua largura e consideramos somente seu comprimento. Agora, se voce começa a ziguezaguear esta linha pela folha de papel, voce cobrirá mais superfície do papel, podendo chegar até mesmo a cobri-la inteiramente. Chegaremos então ao ponto em que a linha continua unidimensional, mas não totalmente. E se ao mesmo tempo não é bidimensional, ou seja, continua não tendo uma  largura, podemos dizer que ela é de uma dimensão-e- meia. O mesmo se aplica a uma folha de papel, esta sim, bidimensional – tem largura e comprimento . Se a embolamos na mão até formar uma bola – e bolas são sólidos tridimensionais, com largura, comprimento –  teremos na verdade um objeto de duas dimensões que foi forçado a quase ser tridimensional. Portanto podemos
dizer que aquela bola de papel é de duas-dimensões-e-meia.  Assim que voce consegue entender este conceito de meias dimensões, de frações de dimensões, isto nos abre toda uma nova área de Geometria possível. As pessoas que começaram a explora-la, estão concluindo que as equações que abordam essas dimensões fracionadas, geram estas novas formas peculiares chamadas Fractais. E daí a perceberem que muitas das formas encontradas na natureza, ao acaso, são  perfeitamente idênticas àquelas geradas em seus computadores, foi um pulo. E tudo isto nos indicando que aquilo que considerávamos até então casual, caótico e turbulento, é de fato expressão perfeita de uma forma mais elevada de Geometria que não tínhamos condição de perceber antes.’

“Veja as nuvens, por exemplo. Suas formas parecem ser completamente caóticas, imprevisíveis, mas quando observadas sob a ótica da Matemática Fractal, o Caos assume um diferente significado, mostrando que há diferentes caminhos para se observar matéria e acontecimentos. E isto está contribuindo até mesmo para reverter a nefasta tendência contemporânea à especialização màxima. Cada vez mais e mais gente sabe mais e mais sobre menos e menos. Até que todos saberão tudo sobre nada…”
“Com os Fractais todos percebem que tudo está conectado, Meteorologia, Economia, Biologia…tudo tem muito  em comum. Cessa o desejo da especialização. O melhor a fazer é estudar quanto mais campos for possível.”
“Foi o que o próprio Maldelbrot fez. E é  o que pretendemos fazer com Big Numbers, mostrar um novo jeito de perdceber o nosso derredor”.
Alan Moore acredita que fomos apanhados num estágio tal de caos e trubulência que não acontecia desde que a Era Industrial suplantou à Agricultural. E afirma que Big Numbers não é uma obra nihilista mas sim até mesmo otimista, “pois ela tornará claro que é possível lidar com tudo isto se temos os métodos corretos”.

E continua: “A sociedade se encontra meio aflita porque as coisas estão acontecendo cada vez mais rápido, levando o Caos aos nossos sistemas políticos, econômicos, vidas emocionais e nas nossas relações interpessoais. Estamos agora no olho  do turbilhão entre a Era Industrial e o “Por Vir”. Na Matemática fractal é um conceito bem aplicável aí, o chamado Período de  Fase de Transição. Por exemplo: se voce fosse um alienígena, olhando para um lago,  nunca conseguiria prever as propriedades do vapor. Isto se dá porque o que acontece entre a água e o vapor é um ponto de Fase de Transição.Um ponto de intensa e incrível turbulência, quando uma coisa deixa de ser ela própria mas ainda não é a outra. Com a água obviamente isto acontece quando ela começa a ferver. Com Big Numbers o que pretendo é captar uma fração de todo este vapor, calor e água em ebulição, uma fração da sociedade quando ela atinge este ponto de fervura,  e
tentar fazer um juizo disto”.

O ROTEIRO DE BIG NUMBERS

Como sempre faz em seus minuciosos roteiros, para Big Numbers Alan Moore criou uma espécie de mapa de cada personagem, uma grande folha de papel dividida em 40 linhas e 12 colunas, totalizando 480 células na qual está destrinchada a vida de cada uma delas no decorrer do 12 números que comporão a série. E tome rabiscos de letra miúda quase imperceptível, garatujas incompreensíveis, quase criptografia,  até mesmo pequenos desenhos, numa espécie de story-board, formando o que o próprio Alan apelidou de Tapeçaria, retratos de cada personagem.
Uma é um professor de História, para termos o ponto de vista histórico; outra, um cara que acha que veio de Netuno, nos oferecendo o angulo social; emfim, está tudo alí , e tudo é revelante.

Alan se concentrou em segmentos sociais que raramente são representados – a terceira idade e a infância quase sempre são relegados em pró dos “mais jovens”, seja na TV, cinema ou mesmo em livros. Big Numbers, no entanto, é sobre gente real.

“Eu estou bem confortável com o fato de não ser uma obra centrada em homens jovens e lindas garotas fazendo e acontecendo “, revela Moore. “Não me pauto pela tendência de juventude exclusiva. Isto é um conceito inventado pela mídia publicitária desde os anos 50. Há um monte de gente de meia-idade, crianças e idosos nesta série, pois eles formam o espectro da nossa sociedade que raramente é representado, servindo até mesmo de motivo de piada. É legal escrever sobre garotas sensuais em roupas sumárias, e até chamar isto de feminista. Mas e as pessoas comuns não particularmente atraentes, indo para o trabalho, cuidando das crianças, cozinhando para os maridos? Elas não têm valor?”

Big Numbers não tem uma estória usual, não é um “suspense”, mas sim uma colcha de retalhos das estórias de cada personagem, de uma comunidade tipicamente interiorana da Inglaterra (sob a ditadura da dama-de-ferro, Margareth Tatcher) afetada em seu dia a dia pela construção de um leviatanesco Shopping , ícone maior do capitalismo turbinado, justo em seu cerne. Se isto não é acessibilidade, me diga entáo o que é.

E Alan continua: “O Shopping nos permite tratar de uma comunidade em crise. Nada impactante e dramático somente pelo dramático, mas paulatino e sutil. Se voce ver uma comunidade sendo erodida, isto te conscientiza de como ela está mudando e nós precisamos de um agente de mudança na história. E com a atual predominância da chamada “geração-Shopping”, acho que fizemos uma boa escolha. Tanto que, naquela enigmática forma com que a vida imita a arte, justamente a área de Northampton que escolhemos como cenário para a nossa estória, já está toda tomada por cadeias de lojas a la Toys R Us.

“O Shopping é o verdadeiro emblema do pico da era industrial. É a representação do que uma sociedade comercial soi poderia terminar:  um bando de zumbis andando para lá e para cá, hipnotizados pelos anúncios luminosos, visual clean de inox-polido- neon-e-vidro, consumindo compulsivamente.”

“”Mas não penso que este será o fim da Civilização. Certas correntes,  seja na Tecnologia, Ciência, Arte,  e mesmo na vida, corações e mentes das pessoas, reverterão esta tendência. Como eu disse antes, o mundo está mudando de forma incrivelmente acelerada e ninguém é capaz de prever ao certo no que isto irá dar. Mas em Big Numbers eu tento ao menos mostrar esta fase de transição, o momento da fervura”.
E eu acredito piamente que Alan conseguirá o seu intento, ainda mais com a parceria de Bill Sienkiewicz  que, segundo Alan, está na sua melhor fase como artista, voltando a uma arte mais naturalista, mais próxima, numa simbiose que tornará Big Numbers tão leível quanto assistir a vida de nossa vizinhança. Por isto, a obra também é permeada de humor…

“É muito engraçada, rizível até”- enfatiza Moore – ” uma verdadeira comédia, que não deixa de ser trágica em certos pontos, como a vida. A nossa inspiração provem de autores como Alan Bleasdale e Alan Bennett, que podem dizer coisas de partir o coração de um forma realmente açambarcadora e engraçada. Eles conseguem expor inconmensuráveis e pungentes dramas humanos de forma simples e direta. E é neste território que eu pretendo que Big Numbers se desenvolva, no qual voce tem simultaneamente toda a riqueza da comédia e da tragédia da nossa mundana existência”.

“Por uma certa ótica também, Big Numbers tentará fazer com que os leitores de Quadrinhos se conscientizem de que não é preciso ser mordido por uma aranha radiativa ou nascer com um gene mutante, para ser interessante. De que cada pessoa a sua volta é tão ou muito mais instigante do que qualquer super-humano de collant. Super Heróis são personagens planos, unidimensionais, tigres de papel. Vigilantes psicóticos demandam quase nenhuma motivação, não têm a riqueza e a complexidade de uma pessoa que voce encontra num ponto de ônibus.”

“Mesmo a idéia de escapismo per si  – motivação maior dos Quadrinhos, Cinema, etç – eu já abominava quando escrevia O Monstro do Pântano. E agora, mais do que nunca, é tempo de ser perguntar: Por que Super  Heróis em primeiro plano? Por que não ir direto ao ponto? Estou completamente fora dos gêneros Fantasia & Ficção Científica, pois atingi aquele estágio no qual o Mundo real parece ser tão fabuloso, fascinante, intrincado e maravilhoso que é até um insulto à realidade tentármos inventar qualquer coisa…”
Esse cara realmente escreveu Watchmen???

(Obs; tradução livre da excelente cobertura de Big Numbers escrita por Liz Evans para a já extinta revista DEADLINE, em seu nº 17, de abril de 1990/ This is a free translation of the excellent article by Liz Evans from the magazine Deadline # 17 – april/1990).

Trad. José Carlos Neves

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/big-numbers-uma-conversa-com-alan-moore-e-bill-sienkiewicz/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/big-numbers-uma-conversa-com-alan-moore-e-bill-sienkiewicz/

Hércules e o Leão da Neméia

O desafio de Hércules foi vencer um leão de pele invulnerável, que devastava rebanhos e devorava todos os que tentavam matá-lo. Aconselhado por Atena, deusa da sabedoria, a não usar a força, o herói estrangula a fera em sua caverna. “Nesse teste, Hércules ensina que a luta pelo aperfeiçoamento começa dentro de nós. Os leões de hoje são a violência e a agressividade e o desafio é buscar a harmonia, procurando antes de mais nada nossos recursos internos”

Mitologia

Na cidade de Neméia vivia no fundo de uma caverna um leão terrível, concebido por Selene uma temida feiticeira. Querendo vingar-se dos habitantes da cidade que a haviam expulsado, fêz surgir esta terrível criatura. Cobrindo a pele do leão com uma poção mágica, a criatura se tornou indestrutível, sendo incapaz de ser transpassada por qualquer arma criada pelos homens. Quando saía da caverna, devorava os habitantes de Neméia. Assim padecia a cidade com a fúria de Selena.

No Olimpo vários heróis eram instruídos pelo centauro Quíron e dentre eles se destacava Hércules, um dos filhos de Zeus. Percebendo sua bravura, lealdade e dignidade apesar de seu orgulho, Zeus resolveu iniciar Hércules nos mistérios do Olimpo, escrevendo com letras de fogo em uma folha de ouro, as 12 tarefas.

O primeiro trabalho iniciático seria matar o Leão de Neméia. Indo em direção a Neméia, Hércules tentou entender o motivo desta tarefa tão simples. Ao encontrar a caverna, Hércules entrou decidido a matar a criatura com inúmeras armas. Ao se aproximar do fundo da caverna, ele percebeu o leão vindo lentamente em sua direção. O Leão era enorme e fixando o olhar em Hércules, com seus olhos brilhantes e enigmáticos, Hércules foi surpreendido pelo ataque do leão travando com ele uma batalha terrível.

Hércules fugiu da caverna assustado mas resolveu retornar com suas armas, porém percebeu que elas não serviam para matar o leão. Mais uma vez ele foi surpreendido pelo ataque feroz do monstro e fugiu. Fora da caverna Hércules refletiu sobre a tarefa e decidiu enfrentar o leão sem armas, talvez fosse essa a tarefa: usar sua razão em lugar de sua força.

Aproximando-se do fundo da caverna viu novamente o leão se aproximando e fixando seu olhar em Hércules. Surpreso, Hércules viu que o brilho nos olhos do leão era um espelho que refletia sua imagem. Ferozmente o leão avançava contra Hércules. Depois de uma longa luta, Hércules estrangulou o leão que caiu morto.

Levando seu corpo para fora da caverna, Hércules viu o tamanho real do animal, que não lhe parecia tão grande assim. Resolveu olhar mais uma vez em seus olhos e viu que nada havia lá dentro. Ele havia conseguido vencer a si mesmo e ao seu orgulho. Arrancou o pelo do animal e dela fez uma túnica, que o tornou indestrutível. E com a cabeça fez um capacete, que passou a usar em todas as outras tarefas, para sempre se lembrar que a força nunca deveria superar a razão.

Simbologia

A luta de Héracles ou Hércules com as feras representa a constante luta que temos para conter a fera que mora dentro de nós, ao mesmo tempo que preservamos nosso instinto vital e criativo. O leão está sempre associado à realeza e, mesmo em sua forma destrutiva, é o rei dos animais, egocêntrico e selvagem, o princípio infantil. Dessa forma, sempre que derrotamos e vestimos a pele do leão, as opiniões dos outros que antes nos intimidavam, já não tem mais valor pois estamos vestidos com uma poderosa couraça, nossa própria identidade.

No entanto, por mais heróica que seja, a pele do leão sempre representa o egocentrismo, a dificuldade de lidar com a frustração e com a raiva contida. Não sabemos lidar com a frustração por não conseguirmos o que queremos, pela auto-importância inflamada e o orgulho desmedido. Entretanto quando dominamos essa fera que mora em nós, podemos utilizá-la de forma construtiva. As conquistas e vitórias exigem que deixemos para trás as couraças, que carregam uma alma sem paixão.

Caminho de Iniciação

O Leão de Neméia é a viva alegoria das variadas e incontáveis forças instintivas e passionais existentes nos infernos da Lua (o Astral Inferior). Morto o Leão de Neméia, deve o adepto desintegrar sucessivamente o Demônio do Desejos (Judas), o Demônio da Mente (Pilatos) e, por fim, o Adepto prossegue seus trabalhos nesses infernos libertando partes de sua Consciência aprisionadas nos átomos do Demônio de Má Vontade (Caifás), que é o mais detestável dos três.

Esses três demônios são as três Fúrias dos Mistérios Buddhistas; em seu conjunto formam o Dragão das Trevas do Apocalipse de São João. No Apocalipse, o Dragão das Trevas é representado como um monstro de sete cabeças. Essas sete cabeças são os sete pecados capitais, portanto, o Leão de Neméia é o símbolo de todas essas forças diabólicas que vivem nos infernos da Lua psicológica.

Todo o trabalho de desintegração dos demônios que vivem nesses infernos planetários é executado pela Mãe Divina Individual. “Que teria sido de mim sem o auxílio de minha Divina Mãe Kundalini”, exclama Samael Aun Weor. “Desde o fundo do abismo chamava por minha mãe, e ela surgia empunhando a Lança de Eros…”. “Afortunadamente soube aproveitar ao máximo o coitus reservatus, para fazer minhas súplicas a Devi Kundalini”, diz Samael falando de seu próprio processo na Segunda Montanha (Caminho de Iniciação).

Terminado o Primeiro Trabalho de Hércules, o Iniciado ganha direito de ingressar no Céu da Lua, a morada dos Anjos, o Astral Superior. Ao término dos trabalhos nos infernos da Lua, o iniciado une-se com sua Buddhi. Esclarecemos: na Sexta Iniciação Maior, Buddhi nasce dentro do Iniciado. Mas ainda não ocorrem as núpcias, a união entre Manas e Buddhi, o que só ocorre ao fim do Primeiro Trabalho de Hércules interno, viva alegoria de Manas.

“Descer ao Inferno é fácil: difícil é retornar depois”, adverte a Sabedoria Oculta. A última etapa do trabalho nessas regiões inferiores é acabar com as bestas secundárias, expulsar as malignas inteligências de suas moradas nucleares. Quando esses átomos ficam livres dessas inteligências diabólicas, convertem-se em veículo de inteligências luminosas. Por isso dizemos que:

“O Cristo não desce aos infernos para destruir, se não para redimir.”

Resumindo, para subir ao Céu Lunar, Morada dos Anjos, e celebrar as núpcias com nossa Noiva Imortal (Buddhi), antes é preciso descer ao correspondente inferno lunar com o intuito de dominar e eliminar todas as paixões animais, instintos bestiais, desejos, medos, processos passionais, a má vontade, a Besta de Sete Cabeças, enfim, transformar as águas pestilentas e negras em águas claras, limpas e transparentes. Trata-se de uma tarefa multifacetada porque incontáveis são os defeitos de natureza emocional, sentimental e instintiva que vivem nessa esfera inferior, especialmente nossos defeitos mais antigos; por isso, são de difícil eliminação; sempre surgem como monstros gigantescos e milenares diante da visão interna. Na Segunda Montanha (Caminho de Iniciação), a paciência e a serenidade precisam ser elevadas a infinitos graus porque o trabalho se torna extremamente delicado e sutil.

Biblioteca de Antroposofia.

#Hércules #Mitologia

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A História da Sexualidade

A sociedade vive desde o século XVIII, com a ascensão da burguesia, uma fase de repressão sexual. Nessa fase, o sexo se reduz a sua função reprodutora e o casal procriador passa a ser o modelo. O que sobra vira anormal – é expulso, negado e reduzido ao silêncio. Mas a sociedade burguesa – hipócrita – vê-se forçada a algumas concessões. Ela restringe as sexualidades ilegítimas a lugares onde possam dar lucros, como nas casas de prostituição e hospitais psiquiátricos. A justificativa para isso seria que, em uma época em que a força de trabalho é muito explorada, as energias não podem ser dissipadas nos prazeres. Certo?

Segundo Michel Foucault, filósofo francês, está quase tudo errado. A hipótese descrita acima é chamada por ele de hipótese repressiva e vem sendo aceita quase como uma verdade absoluta. Mas Foucault descontrói esse pensamento e formula uma nova e desconcertante hipótese, mostrando a seus leitores que ainda que certas explicações funcionem, elas não podem ser encaradas como as únicas verdadeiras, pois, segundo ele, a verdade nada mais é do que uma mentira que não pode contestada em um determinado momento.

De certa forma, a hipótese repressiva não pode ser contestada, já que serve bem à sociedade atual. Foucault afirma que, para nós, é gratificante formular em termos de repressão as relações de sexo e poder por uma série de motivos. Primeiramente, porque, se o sexo é reprimido, o simples fato de falar dele e de sua repressão ganham um ar de transgressão. Segundo, porque, aceitando-se a hipótese repressiva, pode-se vincular revolução e prazer, pode-se falar num período em que tudo vai ser bom: o da liberação sexual. Sexo, revelação da verdade, inversão da lei do mundo são, hoje, coisas ligadas entre si. Finalmente, insiste-se na hipótese repressiva porque aí tudo que se diz sobre o sexo ganha valor mercantil. Por exemplo, certas pessoas (psicólogos) são pagas para ouvirem falar da vida sexual dos outros.

Esse enunciado da hipótese repressiva vem acompanhado de uma forma de pregação: a afirmação de uma sexualidade reprimida é acompanhada de um discurso destinado a dizer a verdade sobre o sexo. Foucault, no livro História da Sexualidade I, interroga o caso de uma sociedade que há mais de um século se “fustiga ruidosamente por sua hipocrisia, fala prolixamente de seu próprio silêncio, obstina-se em detalhar o que não se diz e promete-se liberar das leis que a fazem funcionar”. A questão básica não é “por que somos reprimidos, mas por que dizemos, com tanta paixão, com tanto rancor contra nosso passado mais próximo, contra nosso presente e contra nós mesmos que somos reprimidos?”.

A partir daí, o autor nos propõe uma série de questionamentos: a repressão sexual é mesmo uma evidência histórica, como tanto se afirma por aí? Serão os meios de que se utiliza o poder mesmo repressivos? Será que não se utilizam de formas mais ardilosas e discretas de poder? A crítica feita à repressão quer mesmo acabar com esta ou faz parte da mesma rede histórica que denuncia? Existe mesmo uma ruptura histórica entre Idade da repressão e a análise crítica da repressão? Não seria para incitar a falar sobre ele que o sexo é exibido como segredo que é indispensável desencavar?

Não é que Foucault diga que o sexo não vem sendo reprimido; afirma, sim, que essa interdição não é o elemento fundamental e constituinte a partir do qual se pode escrever a história do sexo a partir da Idade Moderna. Ele coloca a hipótese repressiva numa economia geral dos discursos sobre sexo a partir do século XVII. Mostra que todos esses elementos negativos ligados ao sexo (proibição, repressão etc.) têm uma função local e tática numa colocação discursiva, numa técnica de poder, numa vontade de saber.

A hipótese de Foucault é que há, a partir do século XVIII, uma proliferação de discursos sobre sexo. Diz ele que foi o próprio poder que incitou essa proliferação de discursos, através de instituições como a Igreja, a escola, a família, o consultório médico. Essas instituições não visavam proibir ou reduzir a prática sexual. Visavam, sim, o controle do indivíduo e da população.

A explosão discursiva sobre sexo de que trata Foucault veio acompanhada de uma depuração do vocabulário sobre sexo autorizado, assim como de uma definição de onde e de quando podia se falar dele. Regiões de silêncio – ou, pelo menos, de discrição – foram estabelecidas entre pais e filhos, educadores e alunos, patrões e serviçais etc.

A Igreja Católica, com a Contra-Reforma, deu início ao processo de incitação dos discursos sobre sexo ao estimular o aumento das confissões ao padre e também a si mesmo. As “insinuações da carne” têm de ser ditas em detalhes, incluindo os pensamentos sobre sexo. O bom cristão deve procurar fazer de todo o seu desejo um discurso. Ainda que tenha havido uma interdição de certas palavras, esta é apenas um dispositivo secundário em relação a essa grande sujeição, é apenas uma maneira de tornar o discurso sobre sexo moralmente aceitável e tecnicamente útil.

Ainda no século XVIII e principalmente no século XIX, houve uma dispersão dos focos de discurso sobre o sexo, que antes eram restritos à Igreja. Houve uma explosão de discursos sobre sexo, que tomaram forma nas diversas disciplinas, além de se diversificarem na forma também. A medicina, a psiquiatria, a justiça penal, a demografia, a crítica política também passam a se preocupar com o sexo. Analisa-se, contabiliza-se, classifica-se, especifica-se a prática sexual, através de pesquisas quantitativas ou causais.

Esses discurso são, realmente, moralistas, mas isso não é o essencial. O essencial é que eles revelam a necessidade reconhecida de superar esse moralismo. Supõe-se que se deve falar de sexo, mas não apenas como uma coisa que se deve simplesmente coordenar ou tolerar, mas gerir, inserir em sistemas de utilidade, regular para o bem de todos, fazer funcionar segundo um padrão ótimo. O sexo não se julga apenas, mas administra-se . Portanto, regula-se o sexo não pela proibição, mas por meio de discursos úteis e públicos, visando fortalecer e aumentar a potência do Estado (que não significa aqui estritamente República, mas também cada um dos membros que o compõe).

Um dos exemplos práticos dos motivos para se regular o sexo foi o surgimento da população como problema econômico e político, sendo necessário analisar a taxa de natalidade, a idade do casamento, a precocidade e a freqüência das relações sexuais, a maneira de torná-las fecundas ou estéreis e assim por diante. Pela primeira vez, a fortuna e o futuro da sociedade eram ligados à maneira como cada pessoa usava o seu sexo. O aumento dos discursos sobre sexo pode, então, ter visado produzir uma sexualidade economicamente útil.

Da mesma forma em que o sexo passou a ser um problema para a demografia, também passou a despertar as atenções de pedagogos e psiquiatras. Na pedagogia, há a elaboração de um discurso acerca do sexo das crianças, enquanto, na psiquiatria, estabelece-se o conjunto das perversões sexuais. Ao se assinalar os perigos, despertam-se as atenções em torno do sexo. Irradiam-se discursos, intensificando a consciência de um perigo incessante – o que incita cada vez mais o falar sobre sexo.

O exame médico, a investigação psiquiátrica, o relatório pedagógico, o controle familiar, que aparentemente visam apenas vigiar e reprimir essas sexualidades periféricas, funcionam, na verdade, como mecanismos de dupla incitação: prazer e poder. “Prazer em exercer um poder que questiona, fiscaliza, espreita, espia, investiga, apalpa, revela; prazer de escapar a esse poder. Poder que se deixa invadir pelo prazer que persegue – poder que se afirma no prazer de mostrar-se, de escandalizar, de resistir.” Prazer e poder se reforçam.

Pode-se afirmar, então, que um novo prazer surgiu: o de contar e o de ouvir. É a obrigação da confissão, que se difundiu tão amplamente, que já está tão profundamente incorporada a nós, que não a percebemos mais como efeito de um poder que nos coage. A confissão se diversificou e tomou novas formas: interrogatórios, consultas, narrativas autobiográficas. O dever de dizer tudo e o poder de interrogar sobre tudo se justificam no princípio de que a conduta sexual é capaz de provocar as conseqüências mais variadas, ao longo de toda a existência. O sexo aparece como uma superfície de repercussão para outras doenças. Mas pressupõe-se que a verdade cura quando dita a tempo e quando dita a quem é devido.

Michel Foucault constrói, portanto, uma nova hipótese acerca da sexualidade humana, segundo a qual esta não deve ser concebida como um dado da natureza que o poder tenta reprimir. Deve, sim, ser encarada como produto do encadeamento da estimulação dos corpos, da intensificação dos prazeres, da incitação ao discurso, da formação dos conhecimentos, do reforço dos controles e das resistências. As sexualidades são, assim, socialmente construídas. Assim como a hipótese repressiva, é uma explicação que funciona. Cada um que aceite a verdade que mais lhe convém. Ou invente novas verdades.

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/a-historia-da-sexualidade/

Prece de Cáritas

A prece, denominada De Cáritas, tem sido querida e constantemente orada por várias gerações de espíritas, umbandistas e espiritualistas. quando recitada com a entonação correta, é uma das mais eficazes proteções, mesmo para iniciantes.

CÁRITAS era um espírito que se comunicava através de uma das grandes médiuns de sua época – Mme. W. Krell – em um grupo de Bordeaux (França), sendo ela uma das maiores psicografas da História do Espiritismo, em especial por transmitir poesia (que se constitui no ácido da psicografia), da lavra de Lamartine, André Chénier, Saint-Beuve e Alfred de Musset, além do próprio Edgard Allan Poe. Na prosa, recebeu ela mensagens de O Espírito da Verdade, Dumas, Larcordaire, Lamennais, Pascal, e dos gregos Ésopo e Fenelon.

A prece de Cáritas foi psicografada na noite de Natal, 25 de dezembro, do ano de 1873, ditada pela suave Cáritas, de quem são, ainda, as comunicações: “Como servir a religião espiritual”e “A esmola espiritual”.

Todas as mensagens que Mme. W. Krell psicografada em transe, e, que chegaram até nós, encontram-se no livro Rayonnements de la Vie Spirituelle, publicado em maio de 1875 em Bordeaux, inclusive, o próprio texto em francês (como foi transmitido) da Prece de Cáritas.

Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àquele que passa pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade!

Deus, Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.

Pai, Dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, e ao órfão o pai!

Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Piedade, Senhor, para aquele que vos não conhece, esperança para aquele que sofre. Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte, a paz, a esperança, a fé.

Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.

E um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh Poder!, oh Bondade!, oh Beleza!, oh Perfeição!, e queremos de alguma sorte merecer a Vossa Divina Misericórdia.

Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, afim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Divina e Santa Imagem.

Assim Seja.

#Espiritismo #MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/prece-de-c%C3%A1ritas

A Mitologia do Necronomicon de acordo com H.P Lovecraft

O Necronomicon talvez seja o mais infame livro relacionado à magia (seja real ou ficcional). Por favor, note que não estou afirmando que a informação apresentada em parte seja fato histórico. Mais propriamente estou apenas resumindo o que HPL tinha a dizer em sua ficção e outras fontes sobre o Necronomicon. Depois de ler TODAS as partes deste texto e FAZER sua própria pesquisa, você será o juiz sobre se pode ser fato histórico ou não. Talvez a melhor maneira de começar é citando HPL do “The History and Chronology of the Necronomicon”: “O título original ‘Al Azif’ – ‘Azif’ sendo a palavra usada pelos árabes para designar aquele barulho noturno (feito por insetos) atribuído à uivos de demônios. Redigido por Abdul Alhazred, um poeta louco de Sana’a, em Iêmen, que dizem ter vivido no tempo dos Califas Omíadas, aproximadamente 700 A.C. Ele visitou as ruínas da Babilônia e os segredos subterrâneos de Mênfis e passou dez anos sozinho no grande deserto do sul da Arábia – o Roba el Khaliye ou ‘Espaço Vazio’ dos antigos e ‘Dahna’ ou ‘Deserto Carmesim” para os árabes modernos, onde se afirma ser habitado por espíritos malignos e monstros da morte. Deste deserto, muitas estranhas e inacreditáveis maravilhas são contadas por aqueles pretendem ter penetrado nele. Em seus últimos anos Alhazred morou em Damasco, onde o Necronomicon (Al Azif) foi escrito… Sobre sua loucura, muito é falado. Ele declarou ter visto a fabulosa Irem ou cidade dos Pilares, e ter achado por debaixo das ruínas de uma certa cidade deserta sem nome os chocantes anais e segredos de uma raça mais antiga que a humanidade”.

Posteriormente o Al Azif foi traduzido para o grego sob o título de Necronomicon (o título definitivamente não é latino como é muitas vezes declarado). Este título é traduzido como “o Livro (ou imagem) das Práticas dos Mortos”; Necro sendo grego para “Morto” e Nomos significando “práticas”, “costumes” ou “regras” (como em “astronomia”). O título Necronomicon absolutamente não se traduz para Livros dos Nomes Mortos (como Colin Wilson erroneamente e repetitivamente falou). Para que significasse Nomes Mortos teria que ser um híbrido latim/grego (apesar de HPL ter superficialmente indicado que a primeira tradução é a correta). Mais tarde (possivelmente na década de 1200) foi traduzido para o Latim mas manteve seu titulo grego. O texto latino veio a ser possuído por Dr. John Dee no século dezesseis. Dr. Dee fez a única tradução inglesa conhecida do Necronomicon.

O Necronomicon contêm segredos sombrios sobre a verdadeira natureza da Terra e do Universo. De acordo com o Necronomicon, a Terra foi uma vez reinada pelos Antigos, seres poderosos de outros mundos ou dimensões. HPL em “O Horror de Dunwich” atribui esta citação ao Necronomicon: “Também não é para se pensar que o homem é o mais velho ou último dos mestres da Terra, nem que a massa comum de vida e substância caminha sozinha. Os Antigos , os Antigos são e os Antigos serão. Não nos espaços que conhecemos, mas entre eles. Caminham serenos e primitivos, sem dimensões e invisíveis para nós. Yog-Sothoth conhece o portal. Yog-Sothoth é o portal. Yog-Sothoth é a chave e o guardião do portal. Passado, presente e futuro, todos são um em Yog-Sothoth. Ele sabe por onde os Antigos entraram outrora e por onde Eles entrarão de novo. Ele sabe por quais campos da Terra Eles pisaram, onde Eles ainda pisam e por que ninguém pode vê-los quando pisam. Por seu cheiro, os homens podem saber que estão próximos, mas ninguém conhece seu aspecto exterior, a não ser pelos traços daqueles que Eles geraram na humanidade; daqueles há muitos tipos, diferindo em aparência do mais verdadeiro modelo de homem para aquela forma que não se vê ou que não tem substância que são les.Caminham invisíveis e fétidos em locais solitários onde as Palavras foram proferidas e os

Ritos ressoaram em seus Períodos. O vento algaravia com Suas vozes, e a Terra murmura com Sua consciência. Eles dobram a floresta e esmagam a cidade, entretanto nenhuma floresta ou cidade pode ver a mão que castiga. Kadath, no deserto frio, conheceu-Os, mas qual homem conhece Kadath? O deserto gelado do Sul e as ilhas submersas do Oceano contêm pedras onde Sua marca está gravada, mas quem já viu a profunda cidade congelada ou a torre lacrada e toda coroada com algas e crustáceos? O Grande Cthulhu é Seu primo, entretanto só pode espiá-Los obscuramente. Iäl Shub-Niggurath! Como uma vileza vocês Os conhecerão. A mão deles está em suas gargantas, entretanto vocês não os vêem, e Sua morada é mesmo única com a entrada guardada. Yog-Sothoth é a chave para o portal, pnde as esferas se encontram. O homem reina agora onde Eles reinaram um dia; em breve, Eles reinarão onde o homem reina agora. Depois do verão vem o inverno, e depois do inverno, o verão. Eles esperam pacientes e fortes, porque aqui reinarão de novo”.

O Necronomicon FORTEMENTE sugere que existe um culto ou grupo de cultos que idolatra os Antigos e procura auxílio deles para ganhar controle sobre este planeta. Uma das táticas empreendidas por este culto é criar prole de humanos com Antigos que irão se multiplicar e ingressar para vida terrestre até os Antigos retornarem para sua pré- determinada posição. Algumas ramificações do culto veneram uma divindade chamada Cthulhu. Cthulhu é um deus semelhante à um dragão com uma face que é uma massa de tentáculos. Cthulhu está morto (adormecido), mas sonhando nas profundezas (o Oceano Pácifico). Não está certo se Cthulhu é ou não é um Antigo. Em certo ponto, Cthulhu é referido como primo dos Antigos. Em outro, a divindade é chamada de grande sacerdote dos Antigos; ambos os rótulos podem sugerir que Cthulhu talvez não seja exatamente como os Antigos. O culto procurar ressuscitar Cthulhu para então antecipar o dia quando os Antigos controlarão o mundo. Quando Cthulhu renascer, os homens serão selvagens e livres além do bem e do mal. Se Cthulhu levantar parcialmente do oceano, mas sem ser o tempo correto ocorrerão terríveis surtos de loucura. O centro do culto a Cthulhu “situa- se entre os ínvios desertos da Arábia, aonde Irem, Cidade dos Pilares, sonha escondida e intocada”.O culto põe ênfase especial nos sonhos, que, dizem eles, podem às vezes conter os pensamentos da “divindade”.

Existem muitos outros deuses importantes mencionados no Necronomicon. Um grupo dessas divindades, os Outros Deuses parecem ser verdadeiros Deuses (não como os Antigos e Cthulhu que parecem ser simplesmente entidades muito poderosas). Os mais importantes entre os Outros Deuses são Yog-Sothoth e Azathoth. Yog-Sothoth é contérmino com TODO espaço e tempo. Em “Through the Gates of the Silver Key” Lovecraft (que, apesar do fato de E. Hoffman Pric aparecer como co-autor,escreveu aproximadamente cada palavra deste conto) descreve Yog-Sothoth da seguinte maneira: “Um em Todos, Todos em Um de ser e caráter ilimitados – a última, absoluta extensão que não tem confins e que ultrapassa tanto imaginação como a matemática.” Passado, presente, futuro, todos são um em Yog-Sothoth. De igual ou superior importância é Azathoth. Evidência de que Azathoth é pelo menos equivalente à Yog-Sothoth é que Azathoth é “Senhor de Tudo” enquanto Yog-Sothoth é “Tudo em Um, Um em Tudo” Azathoth é o “ultimo caos nuclear” no “centro do infinito”. É do Trono de Azathoth que ondas sem direção “cuja possibilidade combinada dá a cada frágil cosmos suas leis eternas”, se originam. É extremamente digno de nota que Azathoth é bem próximo dos últimos modelos em Física Quântica. Também existem alguns paralelos notáveis entre as ideias de Lovecraft sobre Caos e a nova Matemática do Caos. Azathoth, o último caos nuclear que emite ondas aleatórias que governam o universo, parece ser o principio oposto de Yog-Sothoth, que abrange as expansões do infinito. Enquanto que Yog-Sothoth é infinitamente extenso, Azathoth parece ser infinitamente compacto (e.g., o centro quântico). Pesquisador de Lovecraft, Philip A. Shreffer afirma em “The H.P. Lovecraft
Companion” que os princípios atuantes de Yog-Sothoth e Azathoth são “expansão infinita e contração infinita” respectivamente.

O coração e alma dos Outros Deuses é Nyarlathotep, o poderoso mensageiro. É como seu mensageiro que Nyarlathotep faz a vontade dos Outros Deuses ser conhecida na Terra. É através d’Ele que todo tráfego vindo de Azathoth precisa passar. Nyarlathotep tem mil formas. Ele é chamado de Caos Rastejante. Shub-Niggurath, a Cabra Negra dos Bosques, é um tipo de “divindade perversa da fertilidade”. Shub-Niggurath também é chamada de Cabra Com Mil Jovens. Ela é aparentemente uma divindade muito importante na mitologia do Necronomicon, julgando pela freqüência que Ela é mencionada. Existe obviamente uma conexão entre o culto à Shub-Niggurath e os muitos cultos a bodes da antiguidade.

Além de Cthulhu, os Antigos e os Outros Deuses, existem numerosas raças menores de criaturas no Necronomicon como os shoggoths. Um shoggoth é uma congérie amorfa de “bolhas protoplasmáticas”. Os shoggoths foram criados pelos Antigos como servidores. Eles podem assumir qualquer forma que eles precisarem para executar tarefa designada. Eles são serventes teimosos, se tornando mais inteligentes com o tempo eventualmente ganhando uma força de vontade própria. Shoggoths são as vezes, de acordo com HPL, vistos em visões induzidas por drogas.

Outra raça são os Profundos, que são um tipo de criatura anfíbia semelhante a uma mistura de peixe, sapo e homem. Os Profundos veneram um deus chamado Dagon. Dagon é uma divindade parecida com um Profundo gigante. Dagon e os Profundos parecem estar aliados em alguma forma com Cthulhu. Outra raça menor é o Ghoul. Ghouls são monstros comedores de cadáveres que parecem muito com os humanos, exceto por seus traços caninos ou monstruosos. É possível para um homem ser transformado em um ghoul sob certas circunstancias.

Isso conclui meu curto resumo das principais idéias de H.P. Lovecraft sobre o Necronomicon e seus mitos associados. Este resumo não é de forma alguma exaustivo, mas deve proporcionar à você informações gerais suficientes para dedicar-se ao resto do texto com um bom ponto de referências.

Texto Parker Ryan, Tradução A. Valente

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-mitologia-do-necronomicon-de-acordo-com-h-p-lovecraft/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-mitologia-do-necronomicon-de-acordo-com-h-p-lovecraft/

A Bíblia Proíbe A Magia?

Por Aaron Leitch

A Tradição de Mistério Ocidental está bastante impregnada de literatura e imagens bíblicas. Gnosticismo , Hermetismo, Rosacrucianismo , Maçonaria , Aurora Dourada e Thelema têm laços extremamente estreitos com a tradição espiritual cristã. (Isso não deve ser confundido com a cooptação política do cristianismo a partir do segundo século EC.) Sem mencionar meus amados grimórios salomônicos , que certamente são uma expressão do misticismo cristão medieval. Mesmo as formas indígenas de feitiçaria e magia popular em todo o mundo agora carregam a marca da influência cristã (embora estes sejam casos em que o cristianismo foi meramente adotado em uma visão de mundo existente, em vez de sobrepujá-la e substituí-la). Podemos ver isso especialmente em lugares como África e América do Sul, onde as formas católicas de feitiçaria são bastante comuns.

A questão da magia entre essas tradições surge de vez em quando. Normalmente, é solicitado por recém-chegados que sentem um chamado para praticar as artes da magia, mas foram criados com a crença de que é diretamente proscrito por sua religião. Seu medo é muito real – eles se preocupam se mergulhar nas artes resultará na perda de sua alma imortal. Lembro-me de me preocupar com isso, de vez em quando, há muito tempo. Não importa o que eu pensasse intelectualmente, ainda havia uma criança dentro de mim perguntando: “Mas e se estivermos errados? E se tudo o que me ensinaram for verdade e eu tiver que explicar a Deus algum dia por que me tornei uma bruxa antes que Ele me envie para sofrer no inferno?” Afinal, eu só poderia ser uma bruxa por algumas décadas na melhor das hipóteses, mas eu poderia queimar no inferno por toda a eternidade!

Sim, superei isso – e sim , o aprendizado intelectual ajudou muito. (Quando você conhece a história de como o cristianismo realmente obteve suas ideias estranhas, é mais fácil colocá-las em perspectiva.) No entanto, essa não é uma questão que afeta apenas novatos inseguros que ainda precisam abalar a programação de sua criação. Na verdade, há um componente literário nesse problema que é um pouco mais difícil de ignorar. Você vê, aquela Bíblia que muitos de nós gostamos de usar como um livro mágico por si só (e, nunca duvide por um segundo que ele *é* um livro mágico) na verdade nos diz que a magia é má e nunca deve ser praticada . Como vocês provavelmente são predominantemente pagãos , você provavelmente já teve algumas dessas passagens citadas antes:

Levítico 19:31 : Não se volte para médiuns ou necromantes ; não os procureis, para vos tornardes impuros por eles: eu sou o Senhor vosso Deus.

Êxodo 22:18 : Não permitirás que uma feiticeira viva.

Deuteronômio 18:9-12: Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te dá, não aprenderás a seguir as práticas abomináveis daquelas nações. Não se achará entre ti quem queime seu filho ou sua filha em oferenda, quem pratique adivinhação , ou adivinhe, ou interprete augúrios, nem feiticeiro, nem encantador, nem médium, nem necromante, nem quem consulte os mortos, pois quem faz essas coisas é abominação ao Senhor. E por causa dessas abominações o Senhor teu Deus os expulsa de diante de ti.

Levítico 20:27 : Um homem ou uma mulher que for médium ou necromante certamente será morto. Eles serão apedrejados com pedras ; o seu sangue cairá sobre eles.

Levítico 20:6: Se uma pessoa se volta para médiuns e necromantes, prostituindo-se após eles, eu me voltarei contra essa pessoa e a eliminarei do meio de seu povo.

Miqueias 5:12 : E cortarei as feitiçarias da tua mão, e não terás mais adivinhos;

2 Reis 17:17: E queimaram seus filhos e suas filhas como oferendas e usaram adivinhações e augúrios e se venderam para fazer o mal aos olhos do Senhor, provocando-o à ira.

Levítico 19:26 : Você não deve interpretar presságios ou contar fortunas.

Apocalipse 21:8: Mas quanto aos covardes, aos infiéis, aos detestáveis, aos homicidas, aos imorais, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua porção será no lago que arde com fogo e enxofre, que é o segunda morte.

Parece que a Bíblia é extremamente clara neste ponto, e acredite em mim, o que foi dito acima é apenas um arranhão na superfície das advertências bíblicas contra bruxaria, feitiçaria, adivinhação, etc. Talvez aqueles de nós com mais experiência tenham deixado de temer ser lançado no “lago que arde com fogo e enxofre” pela ofensa de fazer um talismã e manter uma conversa com um espírito desencarnado. No entanto, ainda nos deixa com um grande problema: usamos um livro que claramente proíbe o uso de magia para fins mágicos. Elevamos o livro a uma posição de autoridade oculta – baseando-nos em suas passagens (como os Salmos) em nosso próprio trabalho. Não estou sugerindo que os ocultistas que se baseiam na Bíblia sejam “batedores da Bíblia” que tomam o livro como fato absoluto, mas aceitamos sua autoridade mitológica dentro de nossas tradições.

Por exemplo: a Bíblia mostra dois anjos sentados com Abraão para partir o pão . Por causa dessas passagens, sabemos que os anjos aceitarão pão como oferendas. Nós a aceitamos como uma verdade espiritual porque está no Livro. Da mesma forma, ao invocar anjos para nos ajudar em nossas vidas diárias, muitas vezes fazemos referência a atos que eles realizaram na Bíblia (ou nos apócrifos) – como se esses eventos realmente tivessem acontecido e, portanto, esperamos que os anjos façam o mesmo por nós.

Portanto, podemos simplesmente ignorar o fato de que o mesmo livro enfatiza, repetidamente, que a magia é uma abominação à mesma Divindade que invocamos nos Salmos? Não é muito provável que a Divindade se ofenda por estarmos chamando-a para algo em que ela declarou claramente que não quer fazer parte?

Para responder a essa pergunta, vamos dar outra olhada na própria Bíblia. Certamente não podemos descartar o fato de que os escribas e profetas que escreveram a literatura bíblica estavam profundamente preocupados com as pessoas usando magia, e estavam fazendo tudo ao seu alcance para afastar as pessoas da prática. No entanto, quando os profetas não estavam escrevendo sobre quão maus eram seus vizinhos pagãos, o que exatamente eles estavam fazendo?

Êxodo 7 :10-12: E Moisés e Arão foram ter com Faraó, e fizeram como o Senhor ordenara; e Arão lançou a sua vara diante de Faraó, e diante de seus servos, e ela se tornou uma serpente. Então Faraó também chamou os sábios e os feiticeiros: agora os magos do Egito, eles também fizeram o mesmo com seus encantamentos. Porque lançaram cada um a sua vara , e tornaram-se serpentes; mas a vara de Arão tragou as suas varas.

Êxodo 7:20 : E Moisés e Arão fizeram assim, como o Senhor ordenara; e levantou a vara, e feriu as águas que estavam no rio, diante de Faraó, e diante de seus servos; e todas as águas que estavam no rio se tornaram em sangue.

Êxodo 8:6: E Arão estendeu a mão sobre as águas do Egito; e as rãs subiram e cobriram a terra do Egito.

Êxodo 8:17 : E assim fizeram; porque Arão estendeu a mão com a sua vara e feriu o pó da terra, e ele se tornou em piolhos nos homens e nos animais; todo o pó da terra se tornou em piolhos em toda a terra do Egito.

Êxodo 9:10 : E eles tomaram as cinzas da fornalha e se apresentaram diante de Faraó; e Moisés aspergiu para o céu; e tornou-se um furúnculo que irrompeu em feridas nos homens e nos animais.

Êxodo 9:23 : E Moisés estendeu a sua vara para o céu; e o Senhor enviou trovões e saraiva, e o fogo correu sobre a terra; e o Senhor fez chover saraiva sobre a terra do Egito.

Êxodo 10:13 : E estendeu Moisés a sua vara sobre a terra do Egito, e o Senhor trouxe sobre a terra um vento oriental todo aquele dia e toda aquela noite; e quando amanheceu, o vento leste trouxe os gafanhotos.

Êxodo 10:22 : E Moisés estendeu a mão para o céu; e houve uma espessa escuridão em toda a terra do Egito por três dias.

Êxodo 14:21 : E Moisés estendeu a mão sobre o mar; e o Senhor fez recuar o mar com um forte vento oriental durante toda aquela noite, e fez do mar uma terra seca, e as águas foram divididas.

Êxodo 17:5-6 ″ E o Senhor disse a Moisés: Vai adiante do povo, e leva contigo … a tua vara com que feriste o rio, toma na tua mão e vai. Eis que estarei diante de ti ali sobre a rocha em Horebe; e ferirás a rocha, e dela sairá água, para que o povo beba. E Moisés o fez aos olhos dos anciãos de Israel.

Êxodo 17:9-11: E Moisés disse a Josué: Escolhe-nos homens, e sai, peleja com Amaleque; amanhã estarei no cume do monte com a vara de Deus na mão. Então Josué fez como Moisés lhe dissera , e pelejou com Amaleque; e Moisés, Arão e Hur subiram ao cume do monte. E aconteceu que, levantando Moisés a mão, prevalecia Israel; e , baixando a mão, prevalecia Amaleque.

Números 17:6-8: E falou Moisés aos filhos de Israel, e cada um dos seus príncipes lhe deu uma vara cada um, para cada príncipe, segundo as casas de seus pais, doze varas; e a vara de Arão foi entre suas varas. E Moisés pôs as varas diante do Senhor no tabernáculo do testemunho. E aconteceu que no dia seguinte Moisés entrou no tabernáculo do testemunho; e eis que a vara de Arão para a casa de Levi brotou, e deu brotos, e desabrochou flores, e deu amêndoas.

Números 21:9: E Moisés fez uma serpente de bronze, e colocou-a sobre um poste, e aconteceu que, se uma serpente mordesse alguém, quando ele via a serpente de bronze, vivia.

Josué 6:20 : Então o povo gritou quando os sacerdotes tocaram as trombetas; e aconteceu que, quando o povo ouviu o som da trombeta, e o povo gritou com grande brado, que o muro caiu ao chão, de modo que que o povo subiu à cidade, todo homem diante dele, e eles tomaram a cidade.

1 Reis 17:21-22: E [Elias] estendeu-se três vezes sobre o menino, e clamou ao Senhor, e disse: Ó Senhor meu Deus, peço-te, deixa a alma deste menino tornar a entrar nele. E o Senhor ouviu a voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e ele reviveu.

2 Reis 6:5-6: Mas, quando alguém estava derrubando uma viga, a cabeça do machado caiu na água; e ele clamou e disse: Ai, mestre! pois foi emprestado. E o homem de Deus disse : Onde caiu? E ele mostrou-lhe o lugar. E ele cortou uma vara, e a lançou ali; e o ferro nadou.

Juízes 6: 36-38 : E disse Gideão a Deus: Se por minha mão salvares a Israel, como disseste: Eis que porei na eira um velo de lã; e se o orvalho estiver somente sobre o velo, e estiver seco sobre toda a terra, então saberei que salvarás a Israel pela minha mão, como disseste. E foi assim: porque ele se levantou de manhã cedo, e juntou o velo, e torceu o orvalho do velo, uma tigela cheia de água.

Então, o que vemos nessas passagens? Ora, vemos os profetas usando magia — muito . Eles comandam os elementos da natureza; quebrar as leis da física; e realizar curas, adivinhações e muito mais. Se eu disse que a lista anterior de proscrições bíblicas contra a magia estava “apenas arranhando a superfície”, então a lista acima de milagres bíblicos é a ponta de um enorme iceberg de exemplos de magia bíblica. E essa lista cobre apenas uma parte do Antigo Testamento , então eu nem toquei nos assuntos de Jesus, os Apócrifos, nem os volumes e mais volumes de lendas bíblicas (hebraico: midrashim ) em que todo patriarca bíblico é retratado engajado nisso. tipo de magia profética. (Veja , por exemplo, Legends of the Bible de Louis Ginzberg.)

O que podemos colher de tudo isso não é realmente surpreendente. Ao longo da história, os tipos políticos foram fanaticamente e orgulhosamente hipócritas. Assim como vemos hoje: quando alguém quer que um direito ou liberdade seja retirado, ele só quer que ele seja retirado de você , não de si mesmo. Ativistas anti-aborto raramente veem qualquer problema em conseguir um para um jovem membro da família que cometeu um erro. Ativistas anti-gays estão – quase universalmente – praticando homossexuais em particular. Aqueles que gritam que o bem-estar está destruindo nosso país são os primeiros a se inscrever para assistência pública quando precisam – enquanto ainda proclamam que é errado alguém aceitá-la. Não é certo para você , mas tire minhas liberdades pessoais!

Os profetas que escreveram a Bíblia não foram diferentes. Eles eram tipos políticos, e seus escritos eram politicamente motivados. Na época, realmente não havia separação entre “Igreja e Estado” – e os escritos que vemos na Bíblia eram mais sobre poder político do que sobre espiritualidade. Grande parte de seu poder político residia em sua capacidade de desempenhar o papel de xamã para o rei e seu povo.

E eles não gostavam de competição.

Portanto, muito espaço na Bíblia é desperdiçado em discursos contra os males da feitiçaria, necromancia e adivinhação – mesmo que os mesmos autores estivessem realizando tudo isso eles mesmos. Estava tudo bem para eles fazerem isso, entende, mas não estava tudo bem para você – pelo menos a menos que você se juntasse ao grupo deles e recebesse seu selo de aprovação política. Então sua magia se tornou “milagre” – o que todos nós sabemos que é totalmente diferente de feitiçaria.

Certo?

***

Fonte: Does the Bible Outlaw Magick?

COPYRIGHT (2015) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-biblia-proibe-a-magia/

Hércules e o Javali de Erimanto

Foram necessários dois anos para Hércules capturar um javali feroz que devastava tudo por onde passava. Esse trabalho está relacionado ao aprendizado da vida em sociedade.

“O javali é um monstro sem fronteiras, que não respeita limites. Cada um de nós tem dentro de si essa fera, que é preciso dominar, aprendendo a reconhecer nosso espaço e o das outras pessoas. É um teste para vencer o egoísmo e a equilibrar os impulsos”.

Mitologia

Hércules é incumbido de capturar o Javali de Erimanto, sem contudo saber que este trabalho era na verdade uma dupla prova: a prova da amizade rara e da coragem destemida. Foi-lhe recomendado que procurasse pelo javali e Apolo que lhe deu um arco novo para usar, porém Hércules disse que não o levaria consigo, porque temia matar. Ele disse:

“Eu não o levarei comigo neste trabalho, pois temo matar. Deixo aqui o arco.”

E assim desarmado, a não ser por sua clava, ele escalou a montanha, procurando pelo javali e encontrando um espetáculo de medo e terror por toda a parte. Mais e mais ele subia e em determinada altura encontrou um amigo, Pholos, que fazia parte de um grupo de centauros, conhecidos dos deuses.

Eles pararam e conversaram e por algum tempo Hércules esqueceu-se do objetivo da sua busca. E Pholos convidou Hércules para furar um barril de vinho, que não era dele mas do grupo de centauros e que viera dos deuses, juntamente com a ordem de que eles jamais deveriam furar o barril, a não ser quando todos os centauros estivessem presentes, já que ele pertencia ao grupo. Mas Hércules e Pholos abriram-no na ausência dos seus irmãos, convidando Cherion, um outro sábio centauro, para se juntar a eles. Assim ele fez, e os três beberam e festejaram e se embebedaram-se e fizeram muito ruído que foi ouvido pelos outros centauros.

Enraivecidos eles vieram e seguiu-se uma feroz batalha e uma vez mais Hércules fez-se mensageiro da morte e matou os seus amigos, a dupla de centauros com quem ele antes tinha bebido.

E, enquanto os demais centauros com altos lamentos choravam as suas perdas, Hércules escapou novamente para as altas montanhas e reiniciou a sua busca pelo javali. Até aos limites das neves ele avançou, seguindo a pista do animal, mas não o encontrava. Depois de muito pensar, Hércules colocou uma armadilha habilidosamente oculta e esperou nas sombras pela chegada do javali.

Quando a aurora surgiu, o javali saiu da sua toca levado por uma fome atroz e caiu na armadilha de Hércules que, no tempo devido, libertou a fera selvagem, tornando-a prisioneira da sua habilidade. Ele lutou com o javali e domesticou-o, e fê-lo fazer o que lhe determinava e seguir para onde Hércules desejava.

Do pico nevado da alta montanha Hércules desceu, regozijando-se no caminho, levando adiante de si, montanha abaixo, o feroz, contudo domesticado javali. Pelas duas pernas traseiras ele conduziu o javali, e todos na montanha se riam ao ver o espectáculo. E todos os que encontrava Hércules, cantando e dançando pelo caminho, também riam ao ver a sua caminhada. E todos na cidade riram ao ver o espectáculo: o exausto javali e o homem cantando e rindo.

Quando reencontrou seu Mestre, este lhe disse: “O Trabalho foi completado. Medita sobre as lições do passado, reflecte sobre as provas. Por duas vezes mataste a quem amavas. Aprende porquê.”

Simbologia

Este trabalho está associado ao signo de Libra e Áries, onde a aprendizagem consiste na capacidade de manter o equilíbrio perante as adversidades (Libra), sendo capaz de manter as necessidades básicas atendidas (Áries).

Libra é o primeiro signo que não tem um símbolo humano ou animal, mas sustentando a balança, está a figura da Justiça – uma mulher com os olhos vendados. Ele apresenta-se com muitos paradoxos e extremos, dependendo de se o discípulo que se voltou conscientemente para o caminho de volta ao Criador segue o zodíaco segundo os ponteiros do relógio, ou no caminho inverso. Diz-se que é um interlúdio, comparável com a silenciosa escuta na meditação; um tempo de cobranças do passado.

Neste ponto percebemos como o equilíbrio dos pares de opostos deve ser atingido. A balança pode oscilar do preconceito até à injustiça ou julgamento; da dura estupidez à sabedoria entusiástica. Neste majestoso signo de equilíbrio e justiça nós verificamos que a prova termina numa explosão de riso, o único trabalho em que isso acontece.

Hércules conviveu, riu e cantou com os amigos, sendo que socializar é uma característica de Libra, e em vez de seguir a recomendação, de abrir o barril para o grupo, abriu-o para celebrar com um único centauro, procurando aqui um espelho, uma identificação com o outro. E embora estivesse determinado a não matar, o seu impulso, primeiro, de Áries, foi mais forte.

No entanto, Hércules conseguiu também entregar o javali ainda com vida e já domesticado, demonstrando que era possível domesticar o animal, devido à sua dedicação e delicadeza no trato, atributo natural de Libra.

Caminho de Iniciação

O Caminho de Iniciação considera o 3º Trabalho – A Captura da Corça Cerínia e o 4º Trabalho – O Javali de Erimanto como um só.

O céu de Vênus é a morada dos Principados. Esses vivem no Mundo Causal. O Iniciado que anela entrar nessa oculta morada interior, antes dve descer aos infernos de Vênus, e ali, como Hércules, capturar a Corça de Cerínia e o Negro Javali de Erimanto. Nesses dois símbolos vemos claramente a delicadeza e a brutalidade, o refinado e o tosco, a bela e a fera.

O Javali, perverso como poucos, é o símbolo vivo de todas as baixas paixões animais, a luxúria mais grosseira e devassa. Portanto, temos aí o contraste entre o denso e o sutil.

Mesmo após haver eliminado os defeitos do Mundo Astral Inferior e do Mundo Mental Inferior (as duas primeiras façanhas de Hércules), as “causas” desses defeitos continuam existindo. Essas causas são eliminadas durante os processos do terceiro e quarto Trabalhos de Hércules: a captura da Corça Cerínia e do Javali de Erimanto.

Se todos os defeitos têm origem sexual (não importa se os defeitos são refinados ou toscos), as maiores provas do Terceiro e Quarto Trabalhos consistem em resistir às tentações da carne, cujo drama foi ricamente descrito pelo patriarca gnóstico Santo Agostinho: Imenso é o número de delitos cujos gérmens causais devem ser eliminados nos infernos de Vênus.

Findo o Trabalho nos infernos do Mundo Causal, o Mundo de Tipheret, o Cristo Cósmico penetra no coração do Iniciado e este, cheio de êxtase, exclama: “Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o Reino dos Céus…”

Biblioteca de Antroposofia.

#Hércules #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/h%C3%A9rcules-e-o-javali-de-erimanto

A Escada de Jacó

Paulo Jacobina

A alegoria da escada, na qual cada degrau corresponde a um nível de consciência, embora não represente realmente os diferentes estágios nos quais cada Eu se encontra, serve para ilustrar o conceito macro dessa ilusória divisão de estágios de consciência.

Assim, no primeiro nível da escada se encontram todos os Eus Inferiores; no último nível, os Eus Superiores; ao passo que nos infinitos degraus estão todos os estágios de consciência intermediários que o Eu pode experimentar, fazendo com que todos os Eus estejam alocados em seus respectivos degraus e que todos os infinitos degraus estejam ocupados pelo grupo de Eus que lhe corresponde.

Porém, diferentemente do que muitos acreditam, todos esses Eus espalhados por esses infinitos degraus encontram-se interligados, pois são parte integrante do Absoluto e, quer tenham consciência disso ou não, fazem parte de um intricado sistema de auxílio mútuo.

Aqueles que se encontram no mesmo degrau compartilham os mesmos tipos de situações, visando adquirir a experiência necessária para, por ressonância, alcançarem o degrau superior. Contudo, as situações nas quais se encontram não estão isoladas, fazendo parte de um sistema no qual recebem o auxílio daqueles que se encontram no degrau imediatamente superior, que, por intermédio, principalmente do exemplo, os orientam[1].

Conforme vão sendo orientados por aqueles que se encontram no degrau superior, também orientam aqueles que se encontram no degrau imediatamente inferior, criando um infinito fluxo de vitalidade e transmutação, com cada um desempenhando a sua função[2] e aprendendo com aqueles que se encontram no degrau superior, no inferior e no mesmo degrau.

Entretanto, como nenhum Eu se apresenta de forma monodimensional, uma vez que manifesta uma ampla gama de características decorrentes dos infinitos graus das polaridades dos atributos que nele atuam, ele não se encontra em apenas um degrau nessa escada alegórica, mas em tantos degraus quanto os números de características que manifesta, fazendo com que cada Eu seja único, de acordo com o Dharma que lhe é próprio.

Desta forma, o Eu se encontra em infindáveis escadas. Em cada uma delas, em um degrau diferente, interagindo com aqueles que se encontram nos mesmos degraus, sendo auxiliado por aqueles que se encontram nos degraus imediatamente superiores e auxiliando aqueles que se encontram nos degraus imediatamente inferiores.

A média desses infinitos degraus e a diferença entre os graus das polaridades dos atributos são o que estabelecem o Mundo de Existência no qual o Eu necessita estar para experimentar as situações indispensáveis para, por ressonância, se deslocar na Consciência.

[1] Muitos acreditam equivocadamente que auxiliar o próximo significa resolver a situação na qual o outro se encontra, como um pai que, ao invés de auxiliar um filho em seu dever de casa, simplesmente o resolve, sem deixar que o filho possa experimentar, pela tentativa e erro, alcançar a sua resolução. “Resolver” uma situação para o próximo lhe é extremamente prejudicial, pois, além de não aprender a resolver aquela situação, acaba por criar o conceito de que as situações, vistas como problemáticas de onde se encontra, podem ser solucionadas por outros e não por ele mesmo. Isso faz com que o “ajudado” permaneça estagnado naquele degrau, fadado a vivenciar aquela situação com roupagens diferentes, até encontrar a compreensão dentro de si e superá-la.

A jornada existencial não é cíclica, como muitos acreditam. Os ditos “problemas”, que nada mais são do que as situações vivenciadas em cada degrau, apenas se repetem enquanto o Eu ainda se encontra naquele degrau e, por isso, no mesmo nível daquela ilusória situação e pode vivenciá-la. Ao passo que se muda de degrau, aquela situação deixa de ser vivenciada e, consequentemente, deixa de existir para o Eu, mostrando-se como realmente é, uma ilusão com a capacidade de criar a experiência necessária para, por ressonância, se deslocar na Consciência.

[2] O desempenho da função que lhe corresponde para cada situação é o que faz com que tudo flua naturalmente, como, por exemplo, numa sala de aula, na qual o professor tem a função de conduzir a aula, e não de ensinar como muitos acreditam; enquanto os alunos têm a função de auxiliarem na condução da aula. Quando o professor conduz e os alunos auxiliam, a aula flui de forma com que todas as partes integrantes consigam absorver o conhecimento de que, naquele momento, necessitam.

~ Paulo Jacobina mantêm o canal Pedra de Afiar, voltado a filosofia e espiritualidade de uma forma prática e universalista.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/a-escada-de-jaco/

“I have a Dream inside a Dream”

O filme “A Origem” (Inception – 2010) é muito interessante, bem planejado e nos dá uma dimensão nova, um novo paradigma, uma nova forma de pensar. Mas devemos ponderar qual seria a aplicação disso nos estudos do magista. “I have a dream inside a dream I’m more awake the more I sleep, you’ll understand when you’re dead” (Marilyn Manson). O que resultaria de uma projeção dentro de uma projeção astral?

Primeiro analisemos o contexto de Inception. Num futuro próximo, a ciência criaria uma máquina capaz de colocar uma consciência em contato com outra em estado de sono (inconsciente). Bem, o magista já sabe como fazer isso sem precisar de aparato nenhum. É comum mandarmos mensagens quando em meditação (estado alpha) para outra pessoa, e esta possivelmente recebe-la de forma intuitiva ou em seus sonhos. Essa é uma forma básica de telepatia bem fácil de dominar e inclusive amplamente ensinada pela conscienciologia (www.iipc.org). Então vamos pular essa parte.

The Inception, a inserção, consistiria de uma difícil técnica de inserir uma idéia na mente de outra pessoa, objetivando uma mudança de comportamento baseada na influência dessa idéia na vida da pessoa, e um ponto de grande importância seria que a pessoa acreditaria que essa idéia seria sua, originalmente, nascida de seu próprio livre-arbítrio e meditação sobre sua vida. Pois bem, uma vez que se pode entrar em contato com o inconsciente de uma pessoa enquanto ela dorme – isso seria uma projeção astral consciente indo de encontro com a consciência adormecida de uma outra pessoa – é possível influenciar o inconsciente da mesma, plantando idéias, que podem ser aceitas ou rejeitadas dependendo da personalidade do indivíduo (quanto mais oposta à personalidade da “vítima”, mais difícil seria plantar a idéia). Nada ético e tenho a dizer que possivelmente nunca será visto um magista sério a praticar esse tipo de comportamento, principalmente porque fere a mais alta idéia de se ser um magista, que é a preservação do livre-arbítrio. Mas é possível.

Se várias das idéias do filme são possíveis de serem executadas através da aplicação de nossas disciplinas e técnicas, seriam outras idéias trazidas a tona pelo filme possíveis de serem executadas? No filme vemos que além do mundo real, dentro do sonho, são mostradas quatro camadas, e além destas está o Limbo, onde a noção de realidade daquele que está projetando-se, perde-se dentro de si mesma, ou de outras, pois é algo que não fica muito claro, pois todos que caem no Limbo acabam nos mesmos locais e Cobb mostra a Ariadne o que ele construiu enquanto dentro do Limbo, e o local onde Saito está é o mesmo criado para ele por Arthur. Logo o Limbo seria uma “área coletiva” de todos os sonhos, onde o sonhador se perde, onde a consciência se dilui no todo, não desejando retornar.

Quanto mais fundo o indivíduo vai no sonho, mais tempo ele tem, algumas horas no físico simbolizam dias ou semanas dentro dos níveis do sonho. Isso pode ser explicado e até comprovado através dos experimentos de projeção, sendo que muitos dos que o praticam, acabam relatando ter perdido a noção de tempo a uma certa altura. Certa vez quando questionado sobre como era o reino dos Céus, Jesus teria afirmado que no Reino do Pai não há tempo. Até algumas décadas atrás o tempo era considerado uma constante, porém com a Teoria da Relatividade de Einstein esse pensamente foi totalmente descartado, tendo ele provado que o tempo, assim como o espaço, são relativos e não constantes, podendo variar imensamente dependendo da situação e onde estamos aplicando é muito possível, sendo que não há massa física no astral, o tempo corre de forma diferente, sendo mais rápido lá, e demorando a passar no físico.

A Organização Mundial de Saúde (OMS – www.who.int ) define o ser humano como um ser multidimensional, sendo ao mesmo tempo um ser bio-psico-socio-espiritual, sendo assim englobando quatro aspectos, físico, mental, social e espiritual. Essa história de quatro formas é um tanto conhecida pelos místicos antigos, sendo cada parte, cada ser ou corpo dentro do ser humano relacionado a um dos elementos – terra, ar, água e fogo, respectivamente. Ao realizar a projeção astral o magista tira seu foco do plano material, libertando-se dele temporariamente e vagando pelo astral, onde pode ter certa liberdade e podendo realizar grandes feitos. Ele muda seu foco do elemento Terra, associado ao material e concentra-se no próximo nível de nosso ser, num corpo mais sutil. Uma vez no plano astral, aqueles que já praticaram a projeção e todos os que realizam exercícios de mentalização e visualização sabem que no astral para que algo “se torne real” é importante um bom bocado de força de vontade e o mais importante, sentir como se fosse real, estimular os sentidos, visualizando, sentindo seu peso, sua textura, seu cheiro e seu gosto (quando aplicável), sendo que o tempo de vida de uma mentalização é determinado pela quantidade de energia que foi despendida em sua criação e a quantidade de sentimentos associada a ela. E essa é a palavra chave do astral, sentimento, sendo este associado ao elemento Água.

Agora entramos no tema de nosso post, e quanto a ter “um sonho dentro de um sonho”, uma projeção dentro de outra, seria possível? Sim, é possível, porém muito difícil. Existem poucas pessoas que conseguiram libertar-se, alterando o foco para o próximo nível, assumindo um corpo mais sutil que o anterior, sendo esse o plano mental, associado ao Ar. Os poucos que alcançaram esse nível conseguiram mantê-lo por curtos períodos de tempo, relatando grande dificuldade para alcançá-lo novamente, alguns só conseguindo uma vez em sua existência. Porém as impressões relatadas são maravilhosas e de grande valia para nossos estudos. Sensações de paz, tranqüilidade, a ausência de tempo, espaço ou forma, sendo que as consciências passaram a sentir tudo, saber tudo, como se fossem o tudo, um toque na onisciência de Deus. A maior parte não consegue lembrar de tudo que viu ou absorveu neste plano – como das primeiras vezes que se pratica projeção astral – porém quando retornam (sempre com um baque, como o “coice” usado para acordar em Inception) demonstram habilidades e conhecimentos que não tinham antes desse contato. E já que estamos associando com filmes, porque não associar essa experiência com o atravessar do Portão da Verdade do desenho Fullmetal Alchemist? Sim, seria como no desenho, quando se faz a transmutação humana e se têm acesso ao Portão da Verdade, onde o indivíduo tem acesso a todo conhecimento, porém não consegue retê-lo ao retornar ao corpo, mas vemos que depois de atravessá-lo e voltar os alquimistas conseguem realizar seus feitos sem necessidade de traçar seus diagramas místicos. Não se sabe exatamente o que há no Plano Mental ou como é, os relatos são deveras vagos, mas repletos de significados e sensações.

Mas espere! Inception mostra mais um sonho, e além deste o Limbo! Claro que mostra, pois só passamos por três dos elementos! Porém é aí que a base experimental acaba. Além do plano mental teoricamente está o plano representado pelo elemento Fogo. Mas como seria ou o que ele traria, nunca conheci nenhum magista que tenha estado por lá, nenhum relato. Se teorizarmos que o Plano Mental é um toque na onisciência de Deus, talvez o que esteja além seja a onipresença ou onipotência, vai saber… Não estou escrevendo este texto com o objetivo de ser um guia para a projeção dentro da projeção, muito pelo contrário, sou um pesquisador, um alquimista, um cientista como todos os buscadores, o que estou propondo é uma nova forma de ver a multidimensionalidade humana, estou propondo um novo paradigma, uma nova forma de ver essa questão e recolocando em pauta o Inception, e o Fullmetal Alchemist. E talvez essa nova possibilidade abra uma porta a todos os buscadores que tentam um contato com a Divindade e a descoberta de sua própria espiritualidade.

Só um adendo, quanto ao Limbo, o que vemos em todas as características deste, seria como uma experiência da Morte, algo libertador, acolhedor, de onde o indivíduo não quer retornar. Não a morte do corpo, mas a Morte Final, o diluir da consciência no todo que é Deus, sendo que a consciência do Ser deixa de existir e passa a ser apenas parte do todo que é Deus. Além disso não esqueçamos que falamos dos Quatro Elementos da alquimia, porém os magistas mais experientes sabem que traçamos o Pentagrama pois cada ponta representa um elemento, todas elas abaixo do Espírito que está em tudo, forma tudo é tudo e o princípio ao qual tudo está subjugado, em suma Deus.

PS: Se alguém tiver algum relato sobre os planos mais sutis como o Plano Mental ou o que esteja além dele, estou sempre aberto a novas possibilidades, e aguardo novas experiências para descobrirmos as maravilhas da Criação de Deus.

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O Paradigma Divino é um blog de autoria de Saulo Henrique Alves (Ketalel) e orgulhosamente faz parte do Project Mayhem, com artigos sobre ciência e espiritualidade. Agradeço o espaço no Teoria da Conspiração para difundirmos a cultura e espiritualidade no mundo atual.

#Filmes #PlanoAstral

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/i-have-a-dream-inside-a-dream