A Jornada do Herói e a Kabbalah

Aproveitando o aniversário do Joseph Campbell e o início do financiamento coletivo do jogo RPGQuest, que é baseado no conceito da Jornada do herói e da Kabbalah, aproveito para falar um pouco de como estes dois conceitos importantíssimos estão intimamente ligados.

O monomito (às vezes chamado de “Jornada do Herói”) é um conceito de jornada cíclica presente em mitos, de acordo com o antropólogo Joseph Campbell. Como conceito de narratologia, o termo aparece pela primeira vez em 1949, no livro de Campbell The Hero with a Thousand Faces (“O Herói de Mil Faces”). No entanto, Campbell era um conhecido estudioso da obra de James Joyce (em 1944 publicara, em co-autoria com Henry Morton Robinson, a resenha A Skeleton Key to Finnegans Wake, “Uma Chave-Mestra para Finnegan’s Wake”) e tomou emprestado o termo monomyth (monomito) do conto Finnegan’s Wake, do autor irlandês.

Campbell e outros acadêmicos, tais como Erich Neumann, descrevem as narrativas de Gautama Buddha, Moisés e Cristo em termos do monomito e Campbell afirma que mitos clássicos de muitas culturas seguem esse padrão básico. O padrão do monomito foi adotado também por George Lucas para a criação da saga Star Wars, tanto na trilogia original quanto suas sequencias.

O roteirista de Hollywood e executivo da indústria cinematográfica Christopher Vogler também usou as teorias de Campbell para criar um memorando para os estúdios Disney, depois desenvolvido como o livro “The Writer’s Journey: Mythic Structure For Writers” (A Jornada do Escritor: Estrutura Mítica para Roteiristas). Este trabalho influenciou os 10 filmes produzidos pela empresa entre 1989 (A Pequena Sereia) e 1998 (Mulan), além da trilogia Matrix dos irmãos Wachowski, Harry Potter de JK Rowlings, o Senhor dos Anéis de JRR Tolkien e muitos outros.

Arquétipos dentro da Jornada do Herói

Herói: é aquele que se sacrifica por um bem coletivo. É com ele que o espectador se identifica. Podem haver vários tipos de heróis com interesses distintos, como por exemplo o Anti-Herói, que se sacrifica não por bondade, mas por motivações próprias.

Mentor: é uma figura mais experiente que motiva e fornece dons ou ferramentas para o Herói durante sua Jornada.

Guardião de Limiar: Personagem ou situações que impedem a entrada do Herói na Jornada. Guardam o limite entre o cotidiano do Herói e sua aventura.

Arauto: este personagem anuncia para o Herói o chamado à aventura. Pode ser o Mentor, o Vilão ou simplesmente um objeto como, por exemplo, uma carta.

Camaleão: é o personagem com personalidade dúbia, ou seja, nunca se sabe ao certo se ele está do lado do bem ou do mal. Por exemplo, o aliado que se revela inimigo no final ou o inimigo que salva o Herói em algum momento, revelando-se um aliado.

Sombra: Normalmente é o Vilão da história e deseja a destruição do Herói. É a personificação dos monstros internos de medos e traumas do subconsciente.

Pícaro: este personagem surge como um alívio cômico para equilibrar a seriedade da história. Serve também para derrubar o status quo do Herói e quebrar seu orgulho.

Estágios dentro da Jornada do Herói

Estágio Um: Mundo Comum (Malkuth)
Cotidiano do Herói, sua zona de conforto.

Os estágios 2 a 8 ocorrem dentro das esferas de Hod, Netzach, Tiferet, Geburah e Chesed. São as interações do Personagem Solar com os Arquétipos do Mestre, Guerreiro, Intelecto, Emocional e a figura protetora, bem como o confronto saturniano com o Inimigo e a sombra.

Estágio Dois: Chamado à Aventura
Herói recebe um chamado a uma aventura inesperada.

Estágio Três: Recusa do Chamado
Herói normalmente recusa ao chamado pois prefere ficar em sua zona de conforto.

Estágio Quatro: Encontro com o Mentor
Herói encontra um Mentor que o motiva e fornece dons para a aventura.

Estágio Cinco: Travessia do Primeiro Limiar
Herói enfrenta os guardiões entre seu mundo comum e o mundo da aventura.

Estágio Seis: Testes, Aliados, Inimigos
Herói conhece o mundo especial, suas regras, amigos, inimigos e enfrenta diversos testes.

Estágio Sete: Aproximação da Caverna Oculta
Neste momento o herói se aproxima da grande provação

Estágio Oito: Provação
Na grande provação o herói chega no limite entre a vida e a morte na luta contra o Vilão, mas é salvo milagrosamente.

Os Estágios 9 a 12 estão relacionados com o Cruzamento do Abismo e o retorno de Kether a Malkuth

Estágio Nove: Recompensa (Apanhando a Espada)
Por vencer a provação, Herói conquista uma recompensa.

Estágio Dez: Caminho de Volta
Voltando para casa o herói se depara com uma ameaça muito maior. Aqui ele morre.

Estágio Onze: Ressurreição
Como recompensa pelo seu sacrifício, o herói ressuscita dos mortos e vence a grande ameaça final, tornando-se um ser superior.

Estágio Doze: Retorno com o Elixir
O herói então volta para casa (mundo comum) ou fica no mundo especial, porém agora como uma nova pessoa, com novos conceitos e totalmente diferente do que era no início.

Um Jogo da Jornada do Herói

Após mais de uma década estudando a Kabbalah Hermética e a Jornada do herói, estruturamos um Jogo de Tabuleiro com o objetivo de contar histórias épicas. Nele, os participantes controlarão cada um um pequeno grupo de Heróis e Aventureiros que são chamados de suas vilas e cidades para uma Grande Aventura. Durante uma tarde, os Jogadores controlarão o destino destes Personagens, conduzindo-os através de florestas, colinas, montanhas, desertos e pântanos em busca de Artefatos de Grande Poder, Criaturas perigosas a serem enfrentadas, Ruínas de Templos abandonados e missões arriscadas enquanto cada personagem no grupo vai desenvolvendo suas melhores qualidades interiores. Há mentores, há provações e há o elixir. Como Grandes Desafios, Monstros destruidores aguardam os heróis que irão enfrentá-los. E NUNCA haverá uma partida remotamente parecida com outra! Cada elemento do jogo torna aquela tarde única e divertida!

Os Territórios do jogo são formados pelas Esferas da Árvore da Vida (Kether, Hochma, Binah, Chesed, Geburah, Tiferet, Netzach, Hod, Yesod e Malkuth), os Reinos são os 4 Naipes do tarot (Reino de Bastões, Taças, Espadas e Moedas) e os Conselhos de Classe são baseados nos 4 Elementos da alquimia (Terra, os Guerreiros; Ar, os ladinos; água, os clérigos e Fogo, os Magos) e todos os personagens do tarot estarão presentes (o Louco, o Mago, a Sacerdotisa, o Eremita, o Diabo, o imperador, a Imperatriz…)

Faremos apenas 500 unidades do jogo e, em menos de dez dias, já vendemos mais de 150. Se você é um estudante ou entusiasta da Jornada do herói, quer escrever roteiros para quadrinhos ou livros de fantasia Medieval, curte Hermetismo, ja jogou de RPG (mesmo se não tiver mais tempo para jogar – o RPGQuest não precisa de Mestre/narrador) ou tem filhos pequenos e quer ensinar a eles sobre como contar Grandes Histórias e desenvolver a imaginação, este jogo foi feito para você!

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Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-jornada-do-her%C3%B3i-e-a-kabbalah

James Randi e seu Famigerado Desafio Paranormal…

Carl Sagan, um falecido cético membro fundador do CSICOP e amigo de James Randi, se referiu a Randi nesses termos em seu livro “O Mundo Assombrado Pelos Demônios” (1995): “Como todos nós, ele (Randi) é imperfeito: às vezes Randi é intolerante e arrogante, incapaz de empatia para com as fraquezas humanas que estão por baixo da credulidade.” (páginas 226 e 227 da edição brasileira, Companhia das Letras, 1997).

Isso dito acima é a chave para a decifração do Enigma James Randi.

Randi tem tido uma atuação bastante benéfica sobre a sociedade, ao militar feroz e diligentemente contra os pseudo paranormais tipo Thomas Green Morton e Uri Geller. Há uma outra face de Randi que não é benéfica para a sociedade. A face onde ele atua como pseudo cético, exagerando das críticas e deboches às alegações de paranormalidade.

Randi possui o famoso “Desafio Paranormal“, onde oferece um milhão de dólares para quem provar ser um paranormal real. Há muitos problemas nesse desafio. Os termos do desafio deixam o candidato em uma situação por demasiado frágil, pois que ele terá que permitir que Randi use o material (colhido por Randi nas investigações) da maneira que Randi quiser e, ao mesmo tempo, se comprometer a não processar Randi por nada do que vier a ser feito (cláusulas 3 e 7 do documento do desafio paranormal, neste link). Isso escancara as portas para o deboche, o escárnio, e, na linguagem da malandragem, o “esculacho” de Randi para com os “paranormais” incautos… (coisas que Randi simplesmente adora fazer!). Que problema há nisso? Bem, na verdade nenhum problema se Randi estiver testando o Super Homem, o Quarteto Fantástico, ou mesmo o Uri Geller e o Thomas Green Morton. Contudo, se Randi estiver testando as “alegações de anomalia estatística em sistemas aleatórios subatômicos hipoteticamente devido a psicocinese da mente humana sobre tais sistemas” (como é alegado pelos pesquisadores psi do PEAR), então a coisa fica bem complicada. Os esculachos de Randi passam a ser altamente danosos para o avanço do conhecimento científico nessas áreas já tão maculadas por preconceitos indevidos. O aval de Randi também não significaria nada nessas áreas, pois que mesmo Ray Hyman, amigo cético de Randi e consultor dele para questões estatísticas, lembra que em ciência não se estabelece uma verdade com apenas um teste, seja ele ministrado por Randi, Einstein, ou George Bush.

E o grande problema é que Randi tenta se meter em pesquisas como as do PEAR e similares, levando junto toda a sua cabedal bagagem esculachante.

Randi também é muito citado pela sua participação “decisiva” na investigação que a prestigiada revista científica Nature fez em 1988 nos laboratórios do pesquisador francês Benveniste, que alegava ter evidências empíricas da validade das medicações homeopáticas. Na verdade, a participação de Randi no episódio foi nula. Ele se limitou a atestar que não havia fraude do tipo detectável por ele. Além disso, ele mesmo agiu em um momento da investigação onde ele poderia ter fraudado os resultados de Benveniste, por ter sido ele (Randi) que abriu o envelope com os códigos. A atuação de Randi no episódio além disso se limitou a ficar fazendo brincadeirinhas no laboratório. Os artigos que demonstram isso que eu digo estão disponíveis nestes PDFs abaixo:

Artigo 1
Artigo 2 – O Mais Importante!
Artigo 3

Um caso também interessante é o livro de Randi, Flim Flam. O pesquisador Puthoff alegou que havia 24 erros de Randi ao comentar as pesquisas parapsicológicas de Puthoff com Uri Geller. Randi rebateu dizendo que só havia um erro (e ainda prometeu mil dólares caso estivesse errado). De minha leitura da página de Randi onde ele explica o caso, fica claro que Randi cometeu bem mais que um erro somente (ainda que bem menos que 24). Pinóquio Puthoff. Pinóquio Randi…

Vejam como Randi começa a falar do caso em um de seus artigos em seu site:

http://www.randi.org/jr/042304seven.html#10

a very silent PHD

Ah, but wait! Puthoff says, “[Randi] admitted he was wrong on all the points.” That’s a lie, Dr. Puthoff, and it’s a knowing lie, a purposeful deception, a mendacity. I said no such thing, and today, as then, I stand by the 24 points you refer to — ALL of them. E pouco mais àfrente: Still dealing with just the above two paragraphs by Puthoff, so chock-full of misinformation: “[Randi] said that a film of the Geller experiment made at SRI by famed photographer Zev Pressman was not made by him, but by us and we just put his name on it.” Nowhere in my writing does such a statement or even an inference to that effect, appear. I’ve always believed that Pressman filmed the farce, and have never made the statement that Puthoff quotes.

O escritor Michael Prescott investigou esse caso, leu o livro de Randi, Flim Flam segunda edição, e contactou algumas pessoas envolvidas nisso. Segundo ele no link abaixo:

http://michaelprescott.freeservers.com/FlimFlam.htm

Randi certainly does make this an issue in Flim-Flam. According to Randi, Targ and Puthoff “appended to [the film] – without his knowledge or permission – the name of Zev Pressman, the SRI photographer who had shot the film…. Pressman, said Targ and Puthoff, was present during [a particular series of] experiments. Not so, according to Pressman…. Most damning of all, Pressman said to others at SRI that he had been told the successful [tests] were done after he (Pressman)* had gone home for the day. So it appears the film was a reenactment … Pressman did not even know that Targ and Puthoff were issuing a statement, he did not sign it, and he did not give them permission to use his name. He knew nothing about most of what appeared under his name, and he disagreed with the part that he did know about.” (Italics in original.)

Prescott ainda informa que no livro The Geller Effect, o autor Playfair atesta que Pressman de fato desmentiu Randi. Neste livro está escrito: , “[Randi] turned, in a later book, Flim-Flam, to the professional photographer who had made the film, a Stanford employee named Zev Pressman, with an extraordinary series of unfounded allegations…. “Pressman flatly denied all of Randi’s allegations in two public statements, neither of which was even mentioned in the 1982 reissue of the book. ‘I made the film,’ said Pressman, ‘and my name appeared with my full knowledge and permission . . . Nothing was restaged or specially created . . . I have never met nor spoken to nor corresponded with Randi. The ‘revelations’ he attributes to me are pure fiction.‘”

Prescott ainda informa que obteve de Scott Rogo, famoso pesquisador parapsicológico, confirmação de que Rogo também perguntou a Pressman sobre o caso, obtendo confirmação da mentira de Randi.

Prescott obteve uma terceira fonte que confirma Puthoff nisso, contra Randi.

O caso é que Randi se baseou em informações que lhe foram passadas, segundo Randi, por pessoas que trabalhavam no SRI. Randi nunca disse quem eram essas pessoas, pessoas essas que, misteriosamente, temem imensamente serem identificadas… (apesar de se tratar de um caso bem trivial).

O link onde Randi trata a questão mais completamente é o abaixo:

http://www.randi.org/jr/043004bad.html#4

boring boring boring

É nesse link acima que aparece uma carta de Puthoff, de abril de 2004, onde Puthoff reproduz a fala de Randi prometendo mil dólares a uma instituição de caridade se Puthoff provasse estar certo em um ponto qualquer dos 24. Randi não negou que tivesse prometido isso!

Além disso, nos quatro pontos abaixo eu achei que Randi de fato errou, e bastante… (do mesmo link acima, boring boring boring):

Acusação 7 de Randi em Flim Flam (p 34): After reprinting the Nature editorial Randi claims that he must give his own version of SRI paper, as SRI did not make paper available to him.

Puthoff rebate: SRI paper to which he refers was in same magazine as the editorial he reprinted, a few pages later … a document in the public domain, available in any technical library, permission for the use of which is obtained from the magazine as was done for the editorial.

Randi apresenta sua tréplica: I was not aware the paper was “public domain.” I would rather have published the original. It was damning. I asked permission of SRI, but was never answered. That says something, I think.

Meu Comentário: É impossível que Randi não soubesse que a revista Nature possui os direitos autorais do artigo, e que ele poderia conseguir junto a ela qualquer permissão que fosse necessária. Randi está mentindo nesse ponto.

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Acusação 8 de Randi (p. 37): There was no way that I could get to see the SRI film. Only the elite of the world of science and journalism were invited (to the Columbia symposium).

Puthoff rebate: The Columbia symposium was widely known to be an open symposium to which any interested individual could come and for which no invitations were required.

Randi apresenta sua tréplica: Hearing of the film, I tried to contact Dr. Gerald Feinberg, at Columbia, who sponsored the showing. I was unable to do so, and was unaware that it was an open showing. In any case, I certainly was not invited, in spite of my widely known interest.

Meu Comentário: Randi está reclamando de não ter recebido um convite formal e personalizado para o evento. Ele diz, em Flim Flam, que não houve maneira dele conseguir ver o filme, e que somente uma elite foi convidada. Se ele de fato tivesse tentado ver o filme, tivesse se interessado e se informado a respeito do evento no “Columbia Symposium”, ele teria sabido que é um evento público ao qual ele poderia ir. O argumento de Randi é infantil e mentiroso.

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Acusação 9 de Randi (p 37): Randi would have the reader believe that the compass sequence and spoon-bending sequence of the SRI film “Experiments with Uri Geller” are examples of where SRI scientists were taken in by magic tricks.

Puthoff rebate: With regard to the compass sequence the film narration states: “The following is an experiment which in retrospect we consider unsatisfactory as it didn’t meet our protocol standards. Here the task is to deflect the compass needle . . . However, according to our protocol, if we could in any way debunk the experiment and produce the effects by any other means, then that experiment was considered null and void even if there were no indications that anything untoward happened. In this case, we found later that these types of deflections could be produced by a small piece of metal, so small in fact that they could not be detected by the magnetometer. Therefore, even though we had no evidence of this, we still considered the experiment inconclusive and an unsatisfactory type of experiment altogether.”

With regard to the spoon-bending sequence, the film states: One of Geller’s main attributes that had been reported to us was that he was able to bend metal. . . In the laboratory we did not find him able to do so. . . [It] becomes clear in watching this film that simple photo interpretation is insufficient to determine whether the metal is bent by normal or paranormal means . . . It is not clear whether the spoon is being bent because he has extraordinarily strong fingers and good control of micro-manipulatory movements, or whether, in fact, the spoon ‘turns to plastic’ in his hands, as he claims.”

Randi apresenta sua tréplica: Yes, the film contains a disclaimer. Then why, gentlemen, were these “inconclusive and . . . unsatisfactory” sequences included in a “scientific” film at a leading university in this official unveiling of the wonders of the “Psychic World” discovered at Stanford Research Institute, a leading center of scientific endeavor? To add glamour and to fluff up a very poor effort, obviously. The film belongs with the Mack Sennett epics.

Meus Comentários: Randi admite que o filme continha o alerta de que nem o dobramento da colher e nem o desvio da bússola haviam sido comprovados pelos pesquisadores. Ficou claro que Randi exagerou, mentiu, nesse ponto em seu livro Flim Flam. Mas… ele não quer admitir. Veja que ele substitui a acusação inicial (to be taken in by Geller, ou seja, foram enganados por Geller) pela acusação de sua tréplica (to add glamour, ou seja, os pesquisadores não estavam mais sendo enganados, e sim estavam querendo adicionar glamour ao filme…). A diferença da acusação inicial, to be taken in, para a acusação final, to want to add glamour, é simplesmente astronômica. Randi mente.

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Acusação 16 de Randi (p. 59): In previous tests in Israel, a psychologist agreed to examine Geller’s claims, with the agreement that if the results were not positive, no report would be issued . . . Did Geller have the same arrangement with the boys at SRI before he agreed to be tested there? I’ll bet he did!

Puthoff rebate: Negative results on compass deflection and metal bending are reported in the SRI film “Experiments with Uri Geller,” Columbia Physics Colloquium, March 6, 1973, and negative results on metal bending and 100-envelope clairvoyance test are reported in Nature, October, 1974.

Randi apresenta sua tréplica: Notice that T&P refuse to answer direct questions! Here they skirt the implication, never saying that they did not have any such arrangement with Geller. To have no negative tests — a 100 percent success — would be too good. (I’ll still bet that Geller had the boys over a barrel with such an arrangement!)

Meus Comentários: Puthoff claramente prova que não tinha nenhum acordo com Geller de ocultar resultados insatisfatórios. Ele diz que relatou o insucesso de Geller em atuar sobre uma bússola. Isso é altamente importante, se lembrarmos que Geller é o homem que conserta relógios quebrados só de olhá-los… Apesar disso, Randi insiste como se Puthoff tivesse tal acordo de ocultação de insucessos com Geller. Randi mente mais uma vez.

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Randi mentiu nos quatro itens acima, e mentiu também com relação ao fotógrafo Pressman. Além disso, ele mesmo admitiu estar errado em um dos 24 pontos. Isso dá seis erros dele (ou seis mentiras, se formos rigorosos). Em 24 pontos isso não é nada discreto… (e as instituições de caridade ainda estão esperando pelos mil dólares que ele prometeu dar).

Quer dizer então que de cada quatro afirmações de Randi podemos esperar que pelo menos uma seja mentira? A mim fica claro que sim.

Randi então é uma pessoa que possui virtudes, e que possui uma atuação social importante. Mas também é uma pessoa que incorre em grosserias contraproducentes, desnecessárias, e perigosas, e é também uma pessoa que manipula informações, joga com mentira, etc.

Esse é James Randi. O resto, é Ilusionismo…

Autor: Julio Cesar de Siqueira Barros

#Ceticismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/james-randi-e-seu-famigerado-desafio-paranormal

Ritual de Aniversário

A Origem deste Ritual remota o Antigo Egito. Ele é realizado por magistas em todo o mundo (e imitado praticamente por todas as pessoas do Planeta, sem que estas tenham conhecimento do que poderiam realizar se soubessem o que estão fazendo).

Durante cerca de 15 minutos por ano, o Sol entra em Conjunção Perfeita (zero graus) com o Sol do Mapa de cada pessoa da Terra. Isto ocorre no dia do aniversário de cada um e é o período mais forte do ano para a realização deste ritual de transmutação.

Para ampliar ainda mais o poder do magista para este ritual, neste dia ele reúne seus melhores amigos que, através de presentes (que normalmente são pequenos objetos feitos pelas mãos de quem presenteia, de maneira a serem receptáculos da emanação da Thelema de cada um dos convidados) emprestam sua energia pessoal para que o magista realize uma evocação.

Os presentes funcionam como transmissores da energia daquela pessoa para o magista (objetos ficam impregnados com as intenções de quem os tocam), mas podem ser substituídos por abraços (com intenção magística). O importante é que cada convidado saiba o que está fazendo; que a INTENÇÃO e vontade seja sincera.

No instante da conjuração, imbuído da energia emprestada de TODOS os convidados, o Magista poderá “fazer os seus pedidos” (evocar um Elemental do Fogo que, durante o próximo ano, tentará realizar o desejo expresso pelo magista no melhor de suas habilidades).

Esta conjuração é feita acendendo uma vela (magia do elemento fogo)e expressando o desejo do mago, da maneira tradicional. A vela não deve ser apagada e é removida para o altar ou para algum outro local na residência e deixada queimar até o final.

Após este pedido, o Magista devolve a energia emprestada aos convidados, através do verbo (sopro), para o bolo ou pão que será repartido entre eles (é a origem das comemorações envolvendo bolos e velas, com a diferença que não é a vela que se deve assoprar, mas o bolo). Esta parte do ritual chama-se “ágape”.

Todo o processo é um fluxo de energia vindo de todos os convidados para o Magista; usada na evocação e depois a devolução desta energia repartida entre todos os convidados.

Claro que hoje em dia praticamente todo este significado está perdido… presentes viraram meras formalidades, compradas sem nenhuma intenção ou amor ou amizade, mais como obrigação do que como desejo de prosperidade para a pessoa; a comemoração propriamente dita virou uma algazarra e a vela é assoprada no final, para que desejo seja apagado junto com o elemental (que nem chega a ser invocado, já que quem acende a vela não faz a menor idéia do que está fazendo ali ou do por quê está acendendo aquela vela).

O bolo também virou apenas um evento gastronômico, sem nenhuma meditação ou entendimento do que está sendo feito naquele momento entre todas aquelas pessoas ou que energias poderiam ser trabalhadas ali.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ritual-de-anivers%C3%A1rio

As energias Mana, Mana-Mana e Mana-Loa

Na natureza encontramos diversos teores energéticos, se estamos falando de energia elétrica, temos os pólos positivo e negativo, mas quando falamos em energia espiritual tornamos o leque um pouco mais amplo.

Basicamente as energias que trabalhamos na nossa tradição (Trina Luna Solaris) são aqueles provenientes dos 3 selves: Unihipili, Uhane e Aumakua. Com isso temos então 3 energias básicas: Mana, Mana-Mana e Mana-Loa, cada uma se relacionando com cada self. Temos dois extremos muito poderosos de energia, Mana que é armazenado no Unihipili e Mana-Loa que é proveniente do Aumakua. O manuseio de ambas energias deve ser feito com muito cuidado, já que o excesso e a falta de direcionamento podem gerar conseqüências desastrosas.  A energia fluíatravés de nossos selves pelos cordões de Aka e é através deles que podemos impregnar objetos e até mesmo transformá-las neste processo.

Mana é a energia que sustenta a vida, é a aquela animação que sentimos em uma festa, é a energia para se movimentar, é a pique de um jogo de futebol e é a energia do sexo, o impulso e o orgasmo, mas como estes mesmos exemplos podem ilustrar, é uma energia que se queima muito rápido e que quando não direcionada gera ansiedade, nervosismo e irritabilidade. Mana é uma energia ótima para direcionar à causas físicas, para o corpo, para a saúde imediata, é a forma mais densa de energia que podemos lidar, o mana é gerado durante o cone de poder e que pode ou não ser transformado em Mana-Mana. Geralmente produzimos Mana naturalmente quando nos alimentamos corretamente, quando praticamos exercícios físicos com uma certa regularidade, quando nos divertimos, damos risadas, quando fazemos sexo de maneira saudável, mas um ritual ou um trabalho mágico pode exigir mais Mana do que podemos oferecer, por isso então a importância de conseguir gerar esta energia com sucesso. Uma das maneiras mais eficazes de se gerar Mana é através da respiração consciente com o fogo azul, induzir seu corpo a produzir um “mini cone de poder” e até mesmo dançar e cantar ajudam na produção desta forma de energia. Para nosso corpo sustentar tanta energia é preciso prática e muito controle que é alcançado através da concentração e visualização. Quando mais Mana, mais forte e mais eficaz seus trabalhos mágicos serão.

Mana-Mana é a energia Mana transformada através da intenção, está ligada ao Uhane e a todas as formas de comunicação, intelecto e relacionamentos. Quando passamos a energia armazenada no Unihipili para o Uhane essa força toma outra nuance, outra forma, é o que acontece quando colocamos uma intenção, quando damos um foco para esta energia. Mana-Mana é aquela sensação que temos quando estamos escrevendo um conto, uma música, uma poesia, é aquela sensação de ter as idéias fluindo meio que fora de controle, como se o pensamento estivesse correndo muito mais rápido do que seus dedos podem digitar ou sua mão pode escrever. Quando realizamos um encantamento com rimas, estamos transformando Mana em Mana-Mana, quando cantamos uma música com determinada letra com determinada intenção estamos utilizando Mana-Mana também. Mana-Mana é uma das formas mais sutis e mais complexas de serem trabalhadas, pois exige muito trabalho mental e vigília pois pode se transformar facilmente em Mana-Loa ou voltar a ser Mana, é também uma energia de relacionamento, em grandes grupos, em comunidades, em escolas e até num relacionamento a dois, é importante transformar parte da energia Mana em Mana-Mana através de conversa e de comunicação clara, senão começam a acontecer brigas frequentes decorrente do Mana gerado e não direcionado.  Mana-Mana pode ser manuseado como sendo um fogo amarelo vivo, claro e brilhante, amarelo do sol nascendo, da inspiração e criatividade, começa geralmente com um impulso de Mana ou Mana-Loa.

Mana-Loa é a forma de  energia que, segundo Victor Anderson (porta-voz da Tradição Feri por muitos anos), temos que tomar o maior cuidado, é inerente ao Aumakua, o Self-divino e pode literalmente curar ou matar. É esta energia que deve ser evocada ao se criar um círculo, é a energia que aumenta a vibração do local pois é “celestial”. Quando oramos, quando cantamos com louvor, quando fazemos oferenda aos Deuses recebemos Mana-Loa. Esta energia pode ser gerada tanto através do Mana e Mana-Mana quanto vir de próprias fontes cósmicas. É extremamente potente e transformadora e deve ser direcionada ao invés de contida no corpo. Ela pode ser redistribuída entre os selves com certeza, mas não deve ser mantida no físico. Durante um ritual ou trabalho a quantidade de Mana-Loa investida garante a manifestação, em outros níveis, do objetivo e estabelece comunicação direta com as Divindades pois fala através da divindade em nós.  Mana-Loa é o fogo Branco, da luz cósmica e divina, tão brilhante que não pode ser observado com os olhos físicos.

Ao observarmos uma vela conseguimos compreender um pouco de como é a natureza das energias. Existe o pavio, o centro, nós e nosso corpo e a parte mais baixa desta chama, mais cheia de oxigênio é azul, Mana, conforme a chama sobe o pavio vai se tornando amarelada, Mana-Mana e ao se desgrudar do pavio, no topo, se torna pura luz e calor, brilhante Mana-Loa. Uma das maneiras de se gerar cada energia é através dos Pantáculos de Ferro (Mana), de Pérola (Mana-Mana) e de Bençãos (Mana-Loa) que também estão ligados a cada Self.

Sobre estas questões Valerie Walker escreve em wiggage.com:

Tanto na Tradição Feri quanto nas práticas de Huna, Mana é vista como a energia fundamental presente em tudo, esta mesma energia quando trabalhada pelo Uhane se transforma em Mana-Mana e é usada para manter a nossa consciência e habilidade de raciocínio, já com o Aumakua o processo acontece de maneira um pouco diferente. Enquanto o Unihipili e o Uhane armazenam e utilizam a energia, o nosso Self-Divino recebe Mana e Mana-Mana e os transforma em Mana-Loa, mas esta energia não é gerada no corpo (como com as outras duas) e sim fora dele e para ele enviada, como uma chuva de bençãos que preenche nosso ser e que pode ser direcionada para criar, curar e etc, é algo tão grandioso que parece que iremos nos diluir num amor cósmico, é uma força que parece não caber em nós e isso é verdade, já que nosso corpo não está preparado para sustentar tamanha energia, ela precisa ser direcionada.

Mas qual o objetivo disto tudo? Pra que mover tanta energia? Pode ser sim trabalhoso, mas o objetivo final é conseguir gerar e sustentar Mana e Mana-Mana através da força de vontade além de se tornar mais receptivo a Mana-Loa. A prática mantém os canais abertos e desenvolve a facilidade de mover energia ao redor do corpo e a transmiti-la para objetos (que é o princípio básico de qualquer sistema mágico). Ao trabalhar com estas três energias através da prática com os Pantáculos você irá desenvolver uma sensibilidade energética das diferentes nuances além de fortalecer a conexão com o Aumakua.

Victor Anderson, o grande porta-voz da Tradição Feri discorreu sobre Mana-loa como sendo extremamente perigosa: “Esta energia ocorre durante as cerimônias mágicas, contanto que o Self-Divino esteja no controle, pode ser muito benéfico. É uma força tão grandiosa, tão cheia de vida, tão poderosa, mas manuseá-la sem cuidado, de maneira leviana, respirá-la ou ingeri-la e dizer que é a única coisa que importa é como colocar suas mãos em material radioativo. O resultado é similar ao LSD, você pode começar a alucinar, um sentimento de espiritualidade tão ativo que pode te sobrecarregar e te afastar do que realmente importa, se for seguir este caminho, pode acabar louco.”

Se é tão perigoso mexer com esta energia, por que se preocupar em conhecê-la? Está se tornando cada vez mais necessário aprender a manusear tais energias como uma maneira de se conectar com o sagrado em tudo. Oferecer Mana e Mana-Mana como uma forma de devoção espiritual e reverência ao invés da busca por poder ou auto-afirmação, este é o verdadeiro caminho mágico. Se nosso objetivo for bem orientado (para cura ou o que quer que seja) e de valor o suficiente, os Deuses irão retribuir nos enviando Mana-Loa se assim eles quiserem. Por isso que trabalhar com os pentagramas, principalmente com o Pentagrama de Bençãos se faz extremamente necessário neste processo, nos ajuda a nos manter focados no que realmente importa e a canalizar esta energia. O trabalho com os Pantáculos nos serve de ferramenta para acessar tais energias. Até as pontas mais gentis do Pentagrama de Bençãos podem ser assustadoramente transformadoras, só acessamos Mana, Mana-Mana e Mana-Loa quando incorporamos os conceitos que os Pentagramas expressam. A prática de Kala é muito importante durante este processo pois permite que a energia flua livremente pelo nosso corpo, Kala nesta questão serve como um escape para qualquer energia que por algum motivo (ou em algum complexo) se acumulou. Victor já dizia “Existem pessoas que podem curar, ela colocam suas mãos sobre as pessoas e simplesmente rezam. O Deus-Interior delas ouve, pois os Deuses não são tão exigentes, não importa o que se passa pela cabeça das pessoas, desde que seu coração seja genuíno os resultados aparecem. Mas se a voz do Deus-Interior for ignorada, a energia Mana será aos poucos drenada. Em outras palavras, o Reino dos Deuses está dentro de Você!”

Mas qual a importância de se saber sobre as nuances energéticas? Bem, ao reconhecer como cada energia age em seu corpo, mente e espirito podemos direcionar a sua ação e também criar situações nas quais elas possam ocorrer e fluir livremente. Em um ritual por exemplo, pode-se gerar cada tipo de energia em pontos chaves para que se alcance o objetivo esperado, um ritual pode ser muito mais elaborado e focado na eficácia quando se tem consciência de qual energia você está manejando. Estas três formas de energia já se manifestam naturalmente em um ritual, mas o que pode acontecer (e que acontece) é de uma delas fugir do controle, sendo um momento muito prolongado ou muito curto. Em nossas práticas diárias é importante termos consciência de que energia e de que self queremos estimular. Pela manhã muitas vezes é interessante se encher de Mana, para estar desperto, ativo e produtivo, durante o expediente as vezes precisamos de uma injeção de Mana-Mana, a noite é interessante terminar o dia com uma oração ou mesmo uma devoção, gerar energia Mana-Loa para reconhecer a divindade manifesta no seu dia a dia. Ou mesmo para situações mais práticas: Auto defesa psíquica, é eficaz quando se abrange as três energias, para uma cura, para um feitiço, para os relacionamentos cotidianos, para os relacionamentos amorosos, para o desenvolvimento pessoal. Muitas são as suas aplicações, mas o mais importante é reconhecer os momentos em que elas são geradas e aproveitá-los da maneira mais eficaz possível.

Por Pythio

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/as-energias-mana-mana-mana-e-mana-loa/

Uma Fábula Medieval – Fidelidade e Interesses

Era uma vez um jovem que recebeu do rei a tarefa de levar uma mensagem e alguns diamantes a outro rei de uma terra distante. Recebeu também o melhor cavalo do reino para carregá-lo na jornada.

”Cuida do mais importante e cumprirás a missão!” Disse o soberano ao se despedir. Assim, o jovem preparou o seu alforje. Escondeu a mensagem na bainha da calça e colocou as pedras numa bolsa de couro amarrada na cintura, por baixo das vestes.

Pela manhã, bem cedo, sumiu no horizonte. E não pensava sequer em falhar. Queria que todo o reino soubesse que era um nobre e valente rapaz, pronto para desposar a princesa. Aliás, esse era o seu sonho e parecia que a princesa correspondia às suas esperanças.

Para cumprir rapidamente sua tarefa, por vezes deixava a estrada e pegava atalhos que sacrificavam sua montaria. Dessa forma, exigia o máximo do animal. Quando parava em uma estalagem, deixava o cavalo ao relento, não lhe tirava a sela nem a carga, tampouco se preocupava em lhe dar de beber ou comer.

Assim, meu jovem, acabas perdendo o animal, disse alguém. Não me importo, respondeu ele. Tenho dinheiro. Se este morrer, compro outro. Nenhuma falta fará!

Com o passar dos dias e sob tamanho esforço, o pobre animal não suportou mais os maus tratos e caiu morto na estrada. O jovem simplesmente o amaldiçoou e seguiu o caminho a pé. Mas como naquela região havia poucas fazendas e eram muito distantes uma das outras, em poucas horas o moço se deu conta da falta que lhe fazia o animal.

Estava exausto e sedento. Já tinha deixado pelo caminho toda a tralha, com exceção das pedras, pois lembrava da recomendação do rei: “cuida do mais importante!” Seu passo se tornou curto e lento e as paradas, freqüentes e longas.

Como sabia que poderia cair a qualquer momento e temendo ser assaltado, escondeu as pedras no salto de sua bota. Mais tarde, caiu exausto no pó da estrada onde ficou desacordado por longo tempo. No entanto, uma caravana de mercadores que seguia viagem para o seu reino, o encontrou e cuidou dele.

Quando o jovem recobrou os sentidos, estava de volta em sua cidade. Imediatamente foi ter com o rei para contar o que havia acontecido e sem remorso jogou toda a culpa do insucesso no cavalo “fraco e doente” que recebera.

Porém, majestade, conforme me recomendaste, “cuida do mais importante”, aqui estão as pedras que me confiaste. Devolvo-as a ti. Não perdi uma sequer. O rei as recebeu de suas mãos com tristeza e o despediu, mostrando completa frieza diante de seus argumentos.

Abatido, o jovem deixou o palácio arrasado. Em casa, ao tirar a roupa suja, encontrou na bainha da calça a mensagem do rei, que dizia: “Ao meu irmão, rei da terra do norte! O jovem que te envio é candidato a casar com minha filha. Esta jornada é uma prova. Dei a ele alguns diamantes e um bom cavalo.

Recomendei que cuidasse do mais importante. Faz-me, portanto, este grande favor e verifica o estado do cavalo. Se o animal estiver forte e viçoso, saberei que o jovem é fiel e sabe reconhecer quem o auxilia na jornada.

Se, porém, perder o animal e apenas guardar as pedras, não será um bom marido nem rei, pois terá olhos apenas para o tesouro do reino e não dará importância à rainha nem àqueles que o servem”.

 Pense nisso!

 Saber reconhecer aqueles que verdadeiramente nos auxiliam no dia-a-dia é, sem dúvida, um grande desafio para muitos de nós.

Ser fiel aos amigos sinceros que caminham conosco e até dividem o peso da nossa cruz, para nos aliviar os ombros a fim de que recobremos as forças.

Agindo assim, estaremos realmente cuidando do mais importante, que são esses diamantes raros que não têm preço e que ladrão nenhum tem interesse em nos roubar.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/uma-f%C3%A1bula-medieval-fidelidade-e-interesses

Magia Sexualis de P.B. Randolph

Por Spartakus FreeMann

Nós nos propomos aqui através destas poucas linhas, traçar a vida e ensinamento de um dos principais iniciadores da Magia Sexual. Pascal Beverly Randolph, um homem do século XIX, ousará escrever e publicar livros que tratam da sexualidade e especialmente da magia sexual dentro de uma nação e de um século ainda muito puritanos.

Conteúdo:

P.B. Randolph

Pascal Beverly Randolph nasceu em 8 de outubro de 1825 em Nova York, ele era filho de uma mãe mestiça – de origem franco-malgaxe – Flora Beverly, e de um pai médico, Edmund Randolph. O casamento não duraria e Flora teve que criar o seu filho sozinha. Com a sua morte, ele seria criado por uma meia-irmã que iria negligenciar a sua educação e o deixaria por sua própria conta.

Por volta dos 15 anos, ele saiu de casa para se juntar à marinha. Ele viaja todos os oceanos em poucos anos. Ele forma o seu caráter através de vários contatos com marinheiros de diferentes origens e nações.

Aos 20 anos, Randolph sofre um acidente que o obrigou a deixar a marinha. Começou então a estudar medicina. Ao mesmo tempo, na atmosfera do nascente espiritualismo das irmãs Fox, Randolph começa se interessar pelo magnetismo de Mesmer, cujas reflexões sobre a polaridade animal teriam impacto nas suas próprias teorias sobre condensadores fluídicos e votos.

Em 1850, casou-se com uma índia chamada Mary Jane e ao mesmo tempo foi iniciado na Hermetic Brotherhood of Luxor, a Irmandade Hermética de Luxor, (então chefiada por Peter Davidson). Em 1855, vai para a Alemanha, onde entra em contato com a Fraternidade Rosae Crucis, na qual logo seria iniciado. Parece que não há nenhum documento conhecido sobre esta iniciação. Só se pode adivinhar a data exata e a cerimônia em si. No entanto, de acordo com Clymer, um dos sucessores de Randolph, ninguém poderia atingir o grau de Filósofo Iniciado dentro da F.R.C sem ter sido previamente recebido em uma Cúpula e ter sido reconhecido como Neófito lá e colocado sob a orientação e a instrução de um mestre. Diz-se que Randolph se tornou Supremo Grão-Mestre da Suprema Grande Cúpula na América em 1858.

Randolph passaria alguns meses em Paris em 1854, durante os quais conheceria Eliphas Levi, um dos maiores ocultistas de seu tempo. Ele estudaria as obras de Saint-Germain e Cagliostro. Lá ele descobre as obras escritas sobre os Ansaireth ou Nusairis da Síria, esse povo misterioso que não é judeu, nem cristão, nem mesmo muçulmano. Eles seriam os famosos Yezidis, adoradores do deus Pavão. Segundo o próprio Randolph, o líder dos Ansaireth, Narek El Gebel, que chegou à terceira Cúpula Rosa-Cruz em Paris com cartas de apresentação, reconhecendo em Randolph as aptidões exigidas, o convidou a vir à Síria para lá estudar com os Ansaireth. Pouco depois, Randolph empreendeu uma viagem iniciática na Turquia, Grécia e Oriente Médio para aprofundar os ensinamentos secretos dos Ansaireth.

Em 1860, Randolph fundou seu próprio Conselho Americano da FRC e logo retornou a Londres para ali encontrar Bulwer Lytton e Kenneth Mackenzie. De volta aos Estados Unidos, Randolph participou da Guerra Civil que acabara de estourar ao se alistar nas fileiras da União e levantar uma tropa de soldados negros, conhecida como “Fremont Legion (Legião Fremont)”. Ao final das hostilidades, Randolph milita pelos direitos dos negros. O assassinato de Lincoln o enoja com a política e ele decide se estabelecer como médico em Boston. Ele logo abriu uma nova loja de sua ordem lá.

Começa a escrever suas principais obras: Seership (Vidente), Love and the Master Passion (Amor e a Paixão Mestra), Eulis and the History of Love (Éulis e a História do Amor), bem como sua magistral Magia Sexualis. Em 1872, a publicação deste último livro fez com que fosse preso por incitação ao amor livre, mas foi libertado rapidamente. O grande incêndio que devasta Boston destrói completamente o escritório e o laboratório de Randolph, as placas originais de seus livros se perdem. Ele é denunciado pelos espíritas como libertino e seus próprios amigos começam a se afastar dele.

Em maio de 1873, Randolph sofre um acidente que lhe dá um vislumbre de seu fim iminente. Foi nesse momento mais sombrio de sua vida que ele mais uma vez encontrou o amor na pessoa de uma jovem ativista feminista, Kate Corson. O casamento logo foi celebrado e, em 1874, nasceu um filho, Osíris Budh, a quem Randolph considerava um deus desde que foi concebido segundo seus próprios princípios mágicos. Randolph continua a publicar seus trabalhos e a dar vida a um círculo da Irmandade de Éulis.

Em 29 de julho de 1875, Randolph morre em circunstâncias que permanecem misteriosas: Maria de Naglowska alegará que Blavatsky teria travado uma guerra oculta contra ele causando sua morte, segundo outras pessoas, teria sido um suicídio e, finalmente, para alguns outros, ele teria morrido durante um rito mágico… Parece, no entanto, que quando ele morreu, seu ensinamento mágico de essência puramente sexual desapareceu, oculto, talvez, por aqueles próximos a ele. Quando Clymer faz contato com a esposa e o filho de Randolph, eles alegam não saber nada sobre as instruções especiais e os materiais que tratam de doutrinas sexuais. Eles insistem apenas no caráter espiritual e moral da obra de Randolph, rejeitando o lado sexual mágico.

A Fraternidade de Éulis

A Fraternidade de Éulis foi fundada por volta de 1870 por Randolph como um corpo docente complementar ao da Fraternitas Rosae Crucis.

A chave para entender a Irmandade de Éulis pode estar no panfleto publicado por Randolph em 1875, The Book of the Triplicate Order, Rosicrucia, Eulis, Pythianae, no qual está escrito:

“Somos um organismo triplo, primeiro Rosacruz, pois somos os herdeiros desta Fraternidade e seus sucessores, e como tal cultivamos todas as ciências do conhecimento e para isso nos interessa tudo o que é obscuro, desconhecido e que corresponde ao aspectos mais profundos da natureza e as profundezas mais sutis da insondável alma humana.

Somos Pitianos porque somos pitagóricos que têm a relação mais íntima com a Fundação do Universo – o Deus da Natureza e sua Alma – e com o mundo espiritual e invisível, assim como a sede de maior conhecimento e da amizade mais verdadeira com nossos Irmãos e com o Mundo.

Somos Eulisianos, porque cultivamos os mais preciosos tesouros do pensamento que nos foram transmitidos através dos tempos; e traduzimos nosso nome oriental “Marek Gebel” – Portão da Luz – como Éulis ou o Portão do Amanhecer, nome pelo qual, durante este período o Terceiro Templo, a Ordem Tríplice, a Confraria e a Fraternidade serão doravante conhecidos.”

– Randolph, The Book of the Triplicate Order (O Livro da Ordem Triplicata).

Este texto, destinado ao uso dos membros da Fraternidade e dos candidatos à iniciação, também fornece uma história da Ordem.

Os candidatos são recebidos por votação usando bolas pretas e brancas. A Ordem é mista e tem 3 graus:

•       Construtor,

•       Arquiteto, e Cavaleiro do Templo para homens;

•       Construtora, Matrona e Irmã do Templo para as mulheres.

Há também um corpo supremo: a Loja da Pedra Angular cujo Conselho é composto por Irmãos e Irmãs: Hierarcas ou Melquisedeques, Hierofantes e Senadores.

Após a morte de Randolph em 1875, Freeman B. Dowd assumiu a liderança do F.R.C e da Fraternidade de Eulis. Em 1878, Dowd fundou uma Grande Loja na Filadélfia e em 1907, na época de sua aposentadoria, a sucessão foi assegurada por Edward Brown.

Quando Brown morreu em 1922, R.S. Clymer assumiu. Nascido em 1878, Clymer seria recebido como Neófito dentro da F.R.C e da Fraternidade de Éulis em 1897.

Em 1906 publicou suas duas primeiras obras The Rosicrucians, Their Teachings (Os Rosacruzes, Seus Ensinamentos) e Philosophy of Fire (Filosofia do Fogo).

Em 1911, ele decidiu se estabelecer em Quakertown no local de Beverly Hall, onde estabeleceu a sede da Ordem. Clymer logo entraria em conflito com Lewis e sua A.M.O.R.C. (Antiga e Mística Ordem da Rosa-Cruz). Com outros iniciados, ele cria a F.U.D.O.S.F.I. (Federação Universal das Ordens, Sociedades e Fraternidades Iniciáticas) para combater Lewis e a influência da F.U.D.O.S.I. (Federação Universal das Ordens e Sociedades Iniciáticas).

Magia Sexualis

Nas linhas seguintes, procuraremos descrever muito brevemente alguns pontos da doutrina mágica, ou Magia Sexualis, de Randolph.

“Após uma introdução apresentando os apetites espirituais da comunidade de Éulis, Magia Sexualis oferece inicialmente exercícios que permitem ao mago desenvolver as qualidades necessárias para a prática da magia: volância (emissão de uma intenção por visualização), decretismo (capacidade de emitir ordens peremptórias), posismo (posturas e gestos mágicos) e, finalmente, tirauclairismo, destinado a influenciar uma pessoa à distância. Para isso – que parece ser a obsessão do autor apesar dos grandes discursos sobre a luz celestial e o amor universal -, a parte seguinte intitulada “Magia” é dedicada à confecção de perfumes, cores e números, em adequação ao horóscopo da pessoa que você deseja sugestionar.” – Melmothia, La Magia Sexualis de Pascal B. Randolph

Os Fluidos e a Polarização dos Sexos

O Universo, assim como todos os seres vivos, sem exceção, são regidos pelo princípio das forças contrárias que exercem um poder absoluto de atração uns sobre os outros. Alguns os chamam de força positiva e força negativa e outros redescobrem neles o bom e o mau, a emissão e a recepção, a vida e a morte, o homem e a mulher. Assim, o polo feminino atrai o masculino e pode-se assim atrair para si as coisas desejadas pela criação de seu modelo oposto: criando o negativo para obter o oposto e, portanto, o positivo!

O falo do homem positivamente polarizado e o ktéis negativamente polarizados da mulher e o cérebro do homem é negativamente polarizado e de essência magnética enquanto o da mulher é positivamente e de essência elétrica.

As Operações Sexuais Mágicas ou Magia Sexualis

De acordo com o ensinamento de Randolph, as operações de magia sexual realizadas de acordo com as regras perseguem 7 objetivos principais :

1.      carregamento de condensadores fluídicos e os “Votos”;

2.      produção de uma influência e de um fluido magnético;

3.      realização de um projeto específico;

4.      determinação do sexo da criança a ser concebida;

5.      refinamento dos sentidos;

6.      regeneração da Energia Vital;

7.      provocação de visões sobre-humanas.

Randolph também fornece alguns princípios que são importantes conhecer para melhor entender e realizar os exercícios de magia:

1.      A união sexual considerada como oração. O homem que vive com sua esposa em sutil e perfeita harmonia e que pratica um ato sexual perfeito como casal consegue obter a realização de certos desejos. Mas é necessário que o pedido seja claro e formulado de forma clara pelos dois operadores.

2.      É aconselhável praticar o ato sexual com uma mulher de nível moral elevado, nunca se deve usar uma prostituta ou uma virgem ignorante ou uma menor de 18 anos. Buscaremos sempre realizar esses atos com nossos parceiros. É necessário que o espasmo masculino e feminino ocorram ao mesmo tempo, porque então resulta uma corrente mental que pode modificar o astral. O prazer compartilhado sofre então a lei da polarização oposta do casal: no homem o sexo é positivo e a cabeça negativa e na mulher o sexo é negativo e a cabeça positiva. Assim, o homem fertiliza fisicamente a mulher e a mulher fertiliza espiritualmente o homem.

3.      A união carnal deve ser inocente e não uma simples busca de prazer físico.

4.      O corpo deve ser saudável e a higiene respeitada como uma prática sagrada.

5.      As operações mágicas devem ser mantidas em segredo e deve-se tentar evitar o contato mundano ao se preparar para operações mágicas.

6.      Deve-se formular seus desejos com antecedência e não esquecer de formulá-los na hora do coito.

7.      Antes, durante e depois do ato de amor, deve-se ter em mente uma imagem clara do que se deseja.

8.      É necessário comer de forma simples e preferir alimentos naturais.

9.      Tome o ar duas vezes por semana: inspire profundamente e mantenha o ar o maior tempo possível.

10.     Não procure contato com seu parceiro com muita frequência. Faça amor uma ou duas vezes por semana.

11.     Não procure o ato se estiver doente ou com raiva.

12.     Durma bem.

13.     Nunca se esqueça do axioma: O amor é a base da vida.

14.     O momento em que o esperma entra no corpo da mulher é o momento mais fértil, de maior poder e de maior emoção.

15.     Se um homem deseja algo e o mantém em mente desde o momento em que entra até o momento em que se afasta da mulher, esse desejo será concedido todas as vezes.

16.     Todas as forças e o poder emanam do lado feminino de Deus.

Randolph aconselha 5 posições para atos de magia sexual

1.      O homem estendido sobre a mulher com a sua testa encontrada contra a testa dela. Esta posição destina-se a corrigir os sentidos e as habilidades dos operadores.

2.      De quatro, o homem mantendo o peito reto para penetrar por trás da mulher prostrada. Acredita-se que essa posição favoreça a projeção da influência para fora sobre uma pessoa escolhida, um voto…

3.      O homem e a mulher estão sentados frente a frente, sexos entrelaçados, bustos inclinados para trás enquanto dão as mãos. Esta posição reforça as influências mágicas sobre o exterior.

4.      O homem e a mulher estão sentados de frente um para o outro, a mulher cruzando as pernas ao redor dos lombos do homem, ambos testa com testa. Esta posição permite a realização de desejos comuns.

5.      De quatro, mas o homem se abaixa sobre as costas da mulher e apoia o queixo no pescoço dela. Esta posição permite influenciar a mulher.

Condensadores fluídicos

A magia é uma ciência, a única ciência que estuda, teórica e praticamente, as maiores forças da Natureza, aquelas que estão ocultas. Ela declara e prova que o Universo está, em suas menores partes, sujeito à influência de certos fluidos que são a base de todos os fenômenos físicos e psíquicos.

Para poder operar essas forças, é preciso concentrá-las num determinado ponto e depois redirecioná-las de acordo com a sua vontade. Estas operações de condensação podem ser realizadas de 4 maneiras diferentes:

1.      O operador pode usar sua própria energia;

2.      Pode utilizar as forças externas por indução;

3.      Pode vincular forças externas a um indivíduo que foi escolhido para esse propósito;

4.      Pode vincular essas forças a um objeto fornecido para esse fim.

Este último é conhecido há milênios como a “carga dos votos”. Existem diferentes tipos de materiais que podem ser usados para condensar fluidos: dois líquidos (tintas aplicadas a um talismã e líquidos guardados em garrafas) e um sólido (votos e estatuetas).

Os Votos e estatuetas

A utilização dos votos vem da observação das leis de correspondência, simpatia e polarização.

Votos são estatuetas que são preparadas de uma maneira particular, com a ajuda das leis de correspondência e simpatia, e que são carregadas com a força psíquica de um indivíduo para obter um resultado positivo ou negativo.

Deve-se notar que todas essas operações mágicas não são de forma alguma uma questão de libertinagem ou sexo vulgar ritualizado, mas uma busca espiritual. O orgasmo é santificado e se torna mágico. Segundo Randolph: “…Além da união carnal, busque a união das almas.”

Fonte:

FREEMANN, Spartakus. La Magia Sexualis, de Randolph à Naglowska. EzoOccult, publicado em 2001, atualizado em 2020. Disponível em: https://www.esoblogs.net/3318/la-magia-sexualis. Acesso em: 28 de fev. de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/a-magia-sexualis-de-pascal-beverly-randolph/

Os Quatro Sudários

Este post foi publicado no S&H dia 29/02/2008.

Como esperado, o programa foi bem tumultuado e gerou bastante polêmica. Mas uma coisa é certa: Acho que nunca mais teremos uma oportunidade de ter lado a lado um ocultista, um cético e um pastor evangélico defendendo o mesmo ponto de vista. E que raios de Jesus-cristo-super-explosão-galáctica foi aquela do Padre Quevedo???

O ponto central do programa foi o famoso Sudário de Turim. Todos colocaram várias teorias que aparentemente eram conflitantes, mas que o tio Marcelo irá demonstrar acima de qualquer dúvida razoável que todos os 6 participantes do debate estavam certos (inclusive a “explosão galáctica” do padre Quevedo).

Afinal de contas, quem está ali no sudário?

Para começar, devemos ter em mente que existem QUATRO sudários relacionados com esta história, ao longo do tempo. Vou falar sobre cada um deles e depois traçaremos nossas conclusões:

O Primeiro Sudário, e o único que realmente pode ser chamado de “Sudário”, é um pano com cerca de 60cm de lado, de linho branco, que foi usado para enxugar o sangue no rosto de Yeshua por uma mulher chamada Berenice, enquanto ele caminhava em direção ao calvário. Seu rosto ficou marcado em sangue neste pano e ele ficou de posse dos Essênios e mais tarde passou para a proteção dos Templários. Chamam este pano de “Effigies Domenici vultus quae Veronica nuncupatur’, ou a Efígie da face do senhor que é considerado Vero ico. Vero-ico significa “Vero” (verdade) “Ico” (imagem) ou “Imagem verdadeira”. Desta corruptela surgiu Santa Verônica.

De acordo com a tradição o pano ficou com a impressão da imagem da face de Jesus. Assim a historia de Santa Verônica tornou-se uma das mais populares da tradição Cristã e o seu véu é uma das mais amadas relíquias da Igreja. De acordo com os templários, Verônica levou o véu para fora da Terra Santa e teria usado para curar o Imperador Tibérius de uma doença. O véu foi subseqüentemente visto em Roma no século oitavo e mais tarde foi levado pelos templários, tendo percorrido a Europa inteira junto de seus Grãos Mestres. Quando a Inquisição acusou os templários de “venerar uma cabeça decepada barbada”, era sobre esta imagem sagrada que eles estavam se referindo.

Com a captura dos templários em 1307, o sudário foi levado de Paris em segurança e ninguém sabe onde ele se encontra hoje em dia. As melhores teorias dizem que o paradeiro atual deste sudário está na capela de Rosslyn, na Escócia, sendo protegido por Templários.

O segundo Sudário é, na verdade, um lençol mortuário que foi colocado sobre Yeshua enquanto ele descansava e se recuperava.

O Evangelho de Mateus (27:59) refere que José de Arimateia envolveu o corpo de Jesus com um pano de linho limpo. João (19:38-40) também descreve o evento, e relata que os apóstolos Pedro e João, ao visitar o túmulo de Jesus após a ressurreição, encontraram os lençóis dobrados (Jo 20:6-7). Embora depois desta descrição evangélica o sudário só tenha feito sua aparição definitiva no século XIV, para não mais ser perdido de vista, existem alguns relatos anteriores que contêm indicações bastante consistentes sobre a existência de um tal tecido em tempos mais antigos.

A primeira menção não-evangélica a ele data de 544, quando um pedaço de tecido mostrando uma face que se acreditou ser a de Jesus foi encontrado escondido sobre uma ponte em Edessa. Suas primeiras descrições mencionam um pedaço de pano quadrado, mostrando apenas a face, mas São João Damasceno, em sua obra anti-iconoclasta Sobre as imagens sagradas, falando sobre a mesma relíquia, a descreve como uma faixa comprida de tecido, embora disesse que se tratava de uma imagem transferida para o pano quando Jesus ainda estava vivo (o que mais uma vez serve de evidência para nossa história sobre Yeshua não ter morrido na cruz).

Em 944, quando esta peça foi transferida para Constantinopla, Gregorius Referendarius, arquidiácono de Hagia Sophia pregou um sermão sobre o artefato, que foi dado como perdido. Neste sermão é feita uma descrição do sudário de Edessa como contendo não só a face, mas uma imagem de corpo inteiro, e cita a presença de manchas de sangue. Outra fonte é o Codex Vossianus Latinus, também no Vaticano, que se refere ao sudário de Edessa como sendo uma impressão de corpo inteiro.

Em 1203 o cruzado Robert de Clari afirmou ter visto o sudário em Constantinopla nos seguintes termos: “Lá estava o sudário em que nosso Senhor foi envolto, e que a cada quinta-feira é exposto de modo que todos possam ver a imagem de nosso Senhor nele“. Seguindo-se ao saque de Constantinopla, em 1205 Theodoros Angelos, sobrinho de um dos três imperadores bizantinos, escreveu uma carta de protesto ao papa Inocêncio III, onde menciona o roubo de riquezas e relíquias sagradas da capital pelos cruzados, e dizendo que as jóias ficaram com os venezianos e relíquias haviam sido divididas entre os franceses, citando explicitamente o sudário, que segundo ele havia sido levado para Atenas nesta época. Dali, a partir de testemunhos de época de Geoffrey de Villehardouin e do mesmo Robert de Clari, o sudário teria sido tomado por Otto de la Roche, que se tornou Duque de Atenas. Mas Otto logo o teria transmitido aos Templários, que o teriam levado para a França.

Com a captura dos Templários, o sudário verdadeiro desapareceu nas brumas do tempo e está protegido pelos Templários e pelas Ordens Invisíveis até os dias de hoje.

O Terceiro Sudário tem uma história muito interessante. Quando Jacques deMolay foi capturado pelas tropas de Filipe, o rei da França, ele passou sete anos sendo torturado para entregar os segredos templários e não os entregou. O Grão Mestre sofreu toda sorte de torturas físicas e psicológicas que a Inquisição conhecia, sem ceder um milímetro em sua convicção.

Uma das maiores torturas que sofreu foi ser obrigado a passar por todos os tormentos de Cristo. Colocaram sobre ele a coroa de espinhos, pregaram-no no batente de uma porta, que os inquisidores golpeavam suas costas com muita força, chegando a quase quebrar seus ossos, furaram-no com uma lança e chicotearam suas costas e seu corpo com aquelas armas próprias da Igreja.

Conta-se que durante uma das sessões de tortura, ele esteve a ponto de morrer e precisaram parar com as torturas. Neste dia, uma de suas amas, a condessa de Champagne, preparou um tecido de linho para envolvê-lo, como um lençol mortuário, pois achava que ele iria falecer. Mas Jacques de Molay foi forte e conseguiu agüentar estas terríveis torturas.

Isto explica claramente a posição dos braços do morto, como demonstrada pelo Daniel Sottomaior durante o programa. A imagem do Sudário de Turim (que não é este que estamos falando!) mostra uma pessoa com os braços sobre os genitais, de uma posição que seria impossível para um morto ficar, pois deixaria os braços em uma posição “deformada”. Isto também mostra o porquê da imagem do Sudário ser a de um senhor barbado, com feições européias.

Jacques deMolay morreu queimado na fogueira em 1314, sem nada revelar aos Inquisidores.

O Lençol marcado com a imagem de Jacques deMolay ficou em posse dos Templários do sul da França, guardado como prova das torturas às quais o Grão Mestre havia sido submetido e venerado como objeto de admiração pela coragem e bravura de Jacques, por agüentar o sofrimento sem entregar seus segredos. Então começa a parte da história do sudário que é bem documentada. O Sudário aparece publicamente pela primeira vez em 1357, quando a viúva de Geoffroy de Charny, um templário francês, a exibiu na Igreja de Lirey. Não foi oferecida nenhuma explicação para a súbita aparição, nem a sua veneração como relíquia foi imediatamente aceite. Henrique de Poitiers, arcebispo de Troyes, apoiado mais tarde pelo rei Carlos VI de França, declarou o sudário como uma impostura e proibiu a sua adoração (porque eles sabiam que o Sudário era de Jacques deMolay e não de Jesus).

A peça conseguiu, no entanto, recolher um número considerável de admiradores que lutaram para a manter em exibição nas igrejas. O papa Clemente VII declarou a relíquia sagrada e ofereceu indulgências a quem peregrinasse para ver o sudário.

Em 1418, o sudário entrou na posse de Umberto de Villersexel, Conde de La Roche, que o removeu para o seu castelo de Montfort, sob o argumento de proteger a peça de um eventual roubo. Depois da sua morte, o pároco de Lirey e a viúva travaram uma batalha jurídica pela custódia da relíquia, ganha pela família. A Condessa de La Roche iniciou então uma tournée com o sudário que incluiu as catedrais de Genebra e Liege. Em 1453, o sudário foi trocado por um castelo (não vendido porque a transacção comercial de relíquias é proibida) com o Duque Luís de Sabóia. A nova aquisição do duque tornou-se na atração principal da recém construída catedral de Chambery, de acordo com cronistas contemporâneos, envolvida em veludo carmim e guardada num relicário com pregos de prata e chave de ouro. O sudário foi mais uma vez declarado como relíquia verdadeira pelo Papa Júlio II em 1506. Vamos fazer uma pausa e comentar algumas outras coisas…

O Quarto Sudário possui uma história ainda mais interessante, e ligada ao terceiro sudário: Leonardo di ser Piero da Vinci é considerado um dos maiores gênios da história da Humanidade, além de Grão Mestre de muitas ordens secretas templárias e rosacruzes, incluindo o famoso Priorado do Sião. Não tinha propriamente um sobrenome, sendo “di ser Piero” uma relação ao seu pai, “Messer Piero” (algo como Sr. Pedro), e “da Vinci”, uma relação ao lugar de origem de sua família, significando “vindo de Vinci”. Leonardo da Vinci é considerado por vários o maior gênio da história, devido à sua multiplicidade de talentos para ciências e artes, sua engenhosidade e criatividade, além de suas obras polêmicas. Num estudo realizado por Catherine Cox, em 1926, seu QI foi estimado em cerca de 180, trinta pontos acima do tio Marcelo!

Em 1502, ele ficou a serviço de César Bórgia (também chamado de Duque de Valentino e filho do Papa Alexandre VI) como arquiteto militar e engenheiro, nesse mesmo ano ambos viajaram pelo norte da Itália, é nessa viagem que Leonardo conhece Nicolau Maquiavel (guardem esta informação… retornarei a ela em posts futuros sobre ordens secretas); no final do mesmo ano retorna novamente a Florença, onde recebe a encomenda de um retrato: a Mona Lisa.

Em 1506, voltou a Milão, então nas mãos de Maximiliano Sforza depois de mercenários suíços expulsarem os franceses.

Entre 1502 a 1506, César Bórgia (que, a título de curiosidade, serviu como modelo de inspiração para Maquiavel ter escrito “o Príncipe”) estava planejando tomar o sudário das mãos da família Sabóia e esta informação chegou a Leonardo. O Sudário de Jacques deMolay foi entregue ao Grão Mestre templário, que trabalhou cerca de seis meses nele, para que fizesse uma fraude capaz de enganar os Bórgia.

Com o sudário número 3 em mãos, Leonardo trabalhou com diversas técnicas, incluindo tinturas e sangue, mas para atingir a perfeição, Leonardo usou de seus profundos conhecimentos de alquimia com nitratos e outras químicas e preparou uma câmara escura, de onde colocou o sudário de Sabóia e fez uma cópia FOTOGRÁFICA perfeita dele em um tecido mais ou menos da mesma data (o que explica claramente o porquê a imagem no sudário é um negativo e o porquê dela não ter as medidas totalmente corretas, além de explicar da onde vem o efeito “explosão galáctico” que o padre Quevedo e os especialistas católicos afirmam como prova de milagres de ressurreição). Como vocês podem ver, não há nada de sobrenatural, apenas ciência alquímica.

Após a fotografia, Leonardo trabalha com sangue e tintas, até que a farsa fique perfeita, e devolve a falsificação para os Sabóia, que acabam sendo forçados a negociar o sudário com o Vaticano.

O sudário de Jacques Demolay desaparece nas Ordens Invisíveis, sendo protegido dos olhares profanos até os dias de hoje, em algum lugar do Sul da França.

Em 1506, é declarado como relíquia verdadeira pelo Papa Júlio II (que achava ter em mãos o sudário de Jacques de Molay). César Bórgia acaba morrendo em 1507, sem nunca descobrir que foi vítima de uma falsificação.

Em 1532 o sudário (falso) foi danificado por um incêndio que afetou a sua capela e pela água das tentativas de o controlar. Por volta de 1578 a peça foi transferida para Turim em Itália, onde se encontra até aos dias de hoje na Cappella della Sacra Sindone do Palazzo Reale di Torino. A casa de Sabóia foi a proprietária do sudário até 1983, data da sua doação ao Vaticano. A última exibição da peça foi no ano 2000, a próxima está agendada para 2025. Em 2002, o sudário foi submetido a obras de restauro.

Esta é a razão porque os testes de Carbono-14 apontam o sudário para o século 14, esta é a razão pela qual foram encontrados sangue e resquícios de tinta, esta é a razão pela qual a pessoa no sudário está em uma posição que não seria possível para um morto, esta é a razão pela qual muitos livros afirmam que o sudário tem a imagem de Jacques deMolay e esta é a razão pela qual a imagem do sudário é um negativo, como se tivesse sido atingida por uma “explosão galáctica”. TODOS os participantes do programa estavam certos.

Agora, imagina se eu iria conseguir explicar tudo isso no Superpop?

Bem… no final das contas, foi divertido o programa. Ver o padre Quevedo perdendo totalmente a esportiva (a ponto de ter o microfone dele desligado) e ver um ateu, um ocultista e um bispo evangélico defendendo alegremente as mesmas convicções diante de 400.000 televisores não tem preço. Dizem que eu vi as partes íntimas da Luciana Gimenez quando ela deitou sobre o sudário, mas isso eu vou negar até a morte… podem me pregar no batente da porta se quiserem.

“Non nobis, Domine,

Non nobis, sed nomini

Tuo da gloriam”

#Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-quatro-sud%C3%A1rios

O Nome Al-Azif, De Onde Vem e o Que Significa

Al Azif

Em sua “História do Necronomicon” Lovecraft inicia com: “Título original Al Azif – sendo Azif a palavra usada pelos árabes para designar os sons noturnos (feitos por insetos) que supostamente seriam os lamentos dos demônios”. Novamente em Cartas Selecionadas II ele diz: “O livro foi o resultado da idade avançada de Abdul, durante esse período ele viveu em Damascus e o título orignal, Al Azif — azif sendo o nome aplicado para esses estranhos ruídos da noite (de insetos) os quais eram comparados com os lamentos e bramidos dos demônios pelos árabes.

É curioso, entretanto, que a única vez que usou este nome em sua ficção foi em sua revisão do texto de Adolphe de Castro “The Last Test” (diferente de muitas de suas ‘revisões’, este texto foi realmente escrito por De Castro); no conto o cientista louco grita em determinada parte: “Cuidado, todos vocês–! Existem poderes contra os seus poderes — Eu não fui à China a troco de nada, e existem coisas no AZif de Alhazred que não eram conhecidas em Atlântida!”

O significado de azif nesse contexto não é inteiramente claro. Uma especulação, que indica que o livro foi inspirado pelas vozes ouvidas por Alhazred fazem sentido, se levarmos em conta sua reputação de “Poeta Louco” e as crenças árabes que existiam na época em que ele viveu.

Ainda uma diferente interpretação surge quando se consideramos que Lovecraft sabia da origem do termo. Ele afirma ter derivado a palavra de uma nota escrita sobre a tradução feita por Henley de Vathek de Beckford. O texto comentado pela nota segue abaixo:

Os bons mulçumanos se diziam ouvir o zumbido taciturno dos insetos noturnos como o presságio do Mal, e insitiram a Vathek para ter cuidado com a maneira com a qual sua sagrada pessoa se aventurava .

A nota segue:

É observado que no quinto verso do Nonagésimo Primeiro Salmo, “O Terror à Noite” é apresentado como, na antiga versão inglesa, “the bugge by night” (O Inseto a Noite, O Inseto de Noite). Nas primeiras regiões colonizadas na América do Norte, todos os insetos voadores de qualidades nóxias era (assim como é até o dia de hoje) chamado de ‘Bug’, e foi dai que saiu o termo ‘bugbear’, o bicho papão, que leva o terror por onde passa. Beelzebub, ou Senhor das Moscas, era uma imagem dada ao Demônio e acreditavasse que o som noturno, chamado pelos árabes de azif, era o lamento dos demônios. Análogo a isso existe uma passagem no Comus, como estava presente em sua versão original:

But for that damn’d magician, let him be girt
With all the grisly legions that troop
Under the sooty flag os Acheron,
Harpies and Hydras, or all the monstruous buggs
‘Twixt Africa and Inde, I´ll find him out.

Disso podemos deduzir que os ruidos a que se referem é algo ininteligível, e faria com que a tradução mais acurada do título fosse algo como The Bug (O Inseto); mais precisamente The Hum (O Zumbido), The Humming (O Zumbir), The Buzzing (O Zunido) ou The Rustling (O Ruído Sussurante); ou, não tão literalmente, The Omen (O AUgúrio) ou The Portent (O Mau Presságio). Respeitosamente nós nos abstemos de sugerir Humbug (que significaria A Fraude, A Tapeação, mas não tem nada a ver com insetos [n.t.]), como a verdadeira tradução.

De qualquer forma a palavra não é realmente um termo árabe. A origem da nota de Henley é desconhecida. Existe, entretanto, uma palavra árabe aziz cujo significado é “zunido, ribombo (como o do trovão)” e outros ruídos e zumbidos em geral.

A forma variante Kitab al-Azif nunca foi usada por Lovecraft e aparentemente surgiu nos anos 70. A palavra Kitab simplismente significa “livro” em árabe, e aparece em vários títulos nessa língua. Aqueles que a adicionaram provavelmente tinham um livro específico em mente: Kitab-al-Uhud, ou Livro do Poder, escrito por Abdul-Kadir e identificado com um livro supostamente ditado a Salomão pelo demônio Asmodeus. Hoje só se conhecem uma cópia deste livro, que foi rastreada pelo expert Sufi Idries Shah, que escreveu sobre sua busca em Oriental Magic (1956). Esse texto é mencionado em duas versões do Necronomicon, na de Simon e na de Hay-Wilson-Turner-Langford.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/o-nome-al-azif-de-onde-vem-e-o-que-significa/

Goécia, Kiumbas e os demônios de verdade

Postado no S&H em 3/9/2008.
Já estava com saudades de escrever para o Sedentário. Estas semanas sem parar na correria da Bienal e todas as palestras para lançamento da Enciclopédia de Mitologia praticamente acabaram com o meu (pouco) tempo livre e prejudicaram um pouco o cronograma do Teoria da Conspiração. Para manter a constância, tenho publicado textos de amigos meus e ocultistas famosos no meu Blog pessoal.
Mas esta semana retornaremos às atividades normais.

Dando continuidade à série “Desmistificando os Demônios”, falaremos agora sobre as entidades hostis que habitam o Plano Astral. Para entender o que se passa, você precisará ler primeiro os textos “O Diabo não é tão feio quanto se pinta”, “Belzebu, Satanás e Lúcifer”, “Zaratustra, Mithra e Baphomet” e “666, the Number of the beast”. Nestes textos, eu explico detalhadamente de onde surgiu cada um dos alegados “demônios” inventados pela Igreja Católica e copiados ad nausea pelas Igrejas evangélicas e caça-níqueis que se vê por ai. Porém, esta explicação precisou fazer um parênteses porque não seria possível continuar a explicação sobre manifestação de entidades astrais no Plano Físico sem explicar primeiro o que é o Plano Astral. Então chegamos a uma “mini-série” onde expliquei o que é e como funciona o Plano Astral. Esta série está nos textos “Yesod – Bem vindo ao Deserto do Real”, “Thanatos”, “Hecate”, “Hermes”, “Morpheus” e “Caronte”, que explicam as cinco interações do Plano Físico com o Astral.
Sei que é um bocado de texto para ler, mas tenho fé em vocês, jovens leitores. E muito do que eu falei em colunas anteriores, sobre Pirâmides, Círculos de Pedra e Chakras estão interligados com estas manifestações físicas das entidades astrais.

A Goécia e os 72 demônios de Salomão
Apesar de ser atribuído ao rei Salomão – que, segundo o folclore judaico, tinha o poder de controlar os demônios do céu, da terra e do inferno -, o texto da Clavícula não tem nada a ver com o legendário soberano judeu. Pela estrutura da composição do texto, ele deve ter sido escrito por volta do sec. XII d.C. provavelmente na região do Império Bizantino, que herdou boa parte do conhecimento clássico e helenístico, inclusive no que se refere ao esoterismo.
Muitos dos títulos usados nos textos (Príncipes, Duques, Barões…) não existiam nos tempos bíblicos e, portanto, não poderiam ter sido usados naquela época.
O Lemegeton Clavicula Salomonis, na minha opinião, se trata de uma compilação dos 72 “espíritos das trevas”, que deveriam fazer a contraparte dos 72 anjos cabalísticos, ou derivados dos nomes de Deus (falarei sobre isso no futuro, por ora chega de textos sobre kabbalah).
Como todos os tratados de magia medieval, a Clavícula descreve um procedimento ritualístico bastante complexo, com a utilização de toda uma parafernália cerimonial de robes, pantáculos, amuletos e talismãs, que devem ser confeccionados seguindo à risca as precisas instruções contidas em cada capítulo. Um leitor moderno que vá ler o texto à procura de um manual prático ficará decepcionado – pode-se dizer o que for dos rituais seguidos pelos magos medievais, menos que eles são práticos. Mesmo problema, aliás, do Livro de Abramelin. E não ajudam nada as constantes advertências de que o menor erro pode fazer com que a alma do mago seja arrastada para o inferno pelas entidades que ele tentam imprudentemente evocar.
E quais seriam estas entidades?

Bem… para entender o que estes magos estavam invocando, precisamos retornar um pouco no tempo e estudar as magias cerimoniais e tribais africanas (ou nossa contraparte moderna da Umbanda, Condomblé, Wodun, Santeria, Vodu e ritos caribenhos de invocação dos mortos). Ou mesmo entender o fenômeno das mesas girantes estudadas pelo maçon Allan Kardec ou as tábuas de Oui-ja do século XVIII-XIX. Embora mais “educados” em suas aparições para a fina nata européia, todos os princípios acima lidam com basicamente a mesma coisa: a manifestação de seres espirituais no Plano Físico.

Sabemos que as entidades que vivem no Astral são basicamente o MESMO tipo de pessoa que vive no Plano Físico; apenas não possuem um corpo de carne ou as limitações que possuímos aqui. Sendo assim, a índole e a moral destas pessoas varia da mesma maneira que a índole e a moral das pessoas que estão vivas. E o trabalho dos feiticeiros ou magistas consiste em chamar e contratar as pessoas certas para realizar o trabalho desejado.

No Plano Material, quando temos um problema de hidráulica em casa, contratamos um encanador para resolver o problema; se o problema é na fiação, chamamos um eletricista; se estamos doentes, chamamos um médico; e assim por diante…
No Plano Astral, a coisa funciona da MESMA MANEIRA.
Quando um xamã indígena realiza um ritual de invocação de um “espírito ancestral” para, por exemplo, ajudar no tratamento de uma pessoa doente, é exatamente isso que ele está fazendo: entrando em comunicação com os antigos médicos da tribo que examinarão a pessoa e dirão o que há de errado com ela.
Quando um Guia em um templo de umbanda ou candomblé examina uma pessoa, ele está observando as alterações e distúrbios na aura (campo eletromagnético) e sugerindo algum tratamento para sanar aquele problema.

No mundo físico, se alguém precisar “eliminar” um oponente, pode contratar os serviços de um matador de aluguel. Claro que isso é considerado criminoso, anti-ético, ilegal, etc… mas é uma possibilidade que existe!
No Mundo Astral, acontece a mesma coisa. Pode-se contratar os serviços de pessoas especializadas em separar casais, manipular a índole das pessoas, quebrar objetos, atrapalhar negócios ou até mesmo aleijar, adoecer ou mesmo matar um outro ser vivente. Nenhuma surpresa.

No mundo físico, os bandidos se agrupam em gangues, com símbolos, ritualísticas próprias (máfia russa, tríade, yakusa, etc.), vestem máscaras para não serem identificados e usam do terror e intimidação para impor respeito e medo nas suas vítimas (como por exemplo, nas armaduras samurai japonesas). No Plano Astral ocorre a exata mesma coisa. Como o duplo-etérico (perispírito) é MUITO mais maleável do que nossa pele física, é possível modificar e transformar nossa estrutura espiritual para ficarmos com a aparência que desejarmos, o que inclui chifres, garras, dentes afiados e qualquer outra coisa que você pensar que vá assustar os crentes. E eles sabem disso e usam destas modificações astrais como maneira de intimidação, desde sempre.

Na antiguidade, os médiuns videntes eram capazes de enxergar estas formas e dos relatos delas surgiram as descrições que tradicionalmente associamos aos demônios, como asas, chifres, dentes, garras, rapo, espinhos e tudo mais. Outros assumem formas animalescas como lobos ou serpentes; outros ainda assumem formas vampíricas, monstruosidades ou deformidades (eu vi certa vez no astral um ser extremamente pálido, quase albino, careca, vestindo um robe negro, que possuía 6 olhos avermelhados no rosto, quatro do lado direito e dois no esquerdo, uns sobre os outros, e que ficavam piscando de maneira desordenada…). Também há entidades que se utilizam de correntes, pregos, ganchos, piercings, espetos e toda forma de agressões e auto-mutilações sado-masoquistas que você puder imaginar (Clive Barker certamente inspirou-se nestes seres para criar os cenobitas nos seus livros da série “Hellraiser”). O Baixo-Astral ou Baixo-Umbral está repleto deste tipo de criaturas.

Nos cultos afros, chamam estas entidades de Kiumbas, de onde vem a palavra quimbanda, ou “magia negra”. No kardecismo, chamam estas entidades de “obsessores” ou “espíritos trevosos”, no hermetismo chamamos estas entidades de “seres goéticos”. Tome muito cuidado com a mistureba que a mídia e os cristitas fazem com os cultos africanos:
UMBANDA , CANDOMBLÉ e QUIMBANDA são religiões bem diferentes entre si, embora os cristitas misturem tudo e chamem de “Macumba”.

E o termo “magia negra” é utilizado errôneamente, pois não há “cor” na magia, existe o uso que se faz da magia. Assim como o gênio da lâmpada na história de Aladin, estas entidades fazem o que o magista as comandar.
O ritual e toda a ritualística envolvida serve para se entrar em conexão com as entidades astrais. Para tanto, os magistas dividem as ritualísticas de invocação e evocação em três tipos: a Teurgia, a Magia Natural e a Goécia.

A Teurgia lida com os anjos e com os seres de luz, lida com os 72 nomes de Deus, com suas manifestações, com as sephiroth da Kabbalah e com os Salmos bíblicos (sim, crianças, mais uma vez a Bíblia se mostra extremamente valiosa para o estudante de ocultismo).
A Magia Natural lida com Elementais (gnomos, ondinas, silfos e salamandras), orixás, Exus, Devas, Asuras, Djinns, Efreetis e outras criaturas da natureza.
E finalmente, a Goécia lida com os seres do baixo-umbral.

Tendo os rituais certos, nos dias e horários certos, consegue-se contatar estas criaturas; mas apenas contatá-las: é como ter à mão o telefone do Cabeleira e do Zé Pequeno. O Ritual apenas chama estas entidades, o segundo passo é negociar com elas o preço do serviço. E não usei o Zé Pequeno de exemplo à toa… negociar com estas entidades é como negociar com os traficantes do “Cidade de Deus”, você nunca sabe o que poderá acontecer.

Acho que com isto conseguimos fechar a série desmistificando os demônios. Se tiverem alguma dúvida deixem nos comentários que eu tento responder aqui mesmo ou, se for o caso, abro uma nova sessão de “Perguntas e Respostas”.

#Goécia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/go%C3%A9cia-kiumbas-e-os-dem%C3%B4nios-de-verdade

Beemot

Porque se lê no capítulo XL de Jó que Beemot come feno como um boi, os rabinos transformaram-no no boi maravilhoso, reservado para o festim de seu messias. Esse boi é tão enorme, dizem eles, que engole todos os dias o feno de mil montanhas imensas com o qual se vem cevando desde o começo do mundo. Jamais abandona suas mil montanhas, onde a forragem que ele comeu durante o dia torna a brotar durante a noite, para o dia seguinte… Os judeus prometem-se muita alegria no festim do qual ele será a iguaria melhor, a mais substancial. É comum jurarem pela parte que lhes caberá do boi Beemot.

COLLIN De PLANCY, dictionnaire infernal, Paris, 1961

Na verdade, esse boi é um hipopótamo e, se come o feno de mil montanhas, não mora nas montanhas, mas sim sob o lótus e as plantas aquáticas dos rios ou dos pântanos. Simboliza o animalesco, o irracional, a força bruta. Foi somente numa tradição posterior que ele passou a simbolizar uma imensa reserva de alimento a ser repartida entre os convivas de futuros festins solenes ou míticos.

Texto do “Dicionário de Símbolos” de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant.

Behemot (hebraico “fera”, ou mais propriamente, “feras”) Animal de proporções gigantescas mencionado na Bíblia (Jó 40), e o equivalente terrestre ao monstro marinho chamado Levitã. Behemot é do tamaho de mil montanhas e bebe tanta água diariamente que um rio especial emana do Paraíso para saciar sua sede. Ele ruge uma vez por ano, no mês de Tamuz, para aterrorizar os animais selvagens do mundo e mantê-los sob controle. Na Idade do Messias, Behemot e Leviatã matar-se-ão um ao outro e sua carne será comida no grande banquete messiânico.

Texto do “Dicionário Judaico de Lendas e Tradições” de Alan Uterman.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/beemot/