Arcano 2 – Sacerdotisa – Gimmel

Uma mulher sentada, com um livro aberto sobre a saia e uma coroa tripla na cabeça.

Olha para a esquerda e veste uma túnica vermelha sobre a qual se desdobra um manto azul (em algumas versões as cores são opostas). Duas partes da sua tiara estão ornadas de florões, mas a parte superior é uma simples abóbada. Um véu, que lhe cai sobre os ombros, cobre totalmente os seus cabelos; na mesma altura desse véu, por trás, aparece uma cortina cujos pontos de fixação não são visíveis. Tampouco se podem ver os pés da mulher, assim como a base do trono. Fato curioso, que é reencontrado somente no arcano XXI, é que a figura ultrapassa a margem superior do quadro: o extremo da tiara supera a linha negra, um pouco à direita do número II.

Significados simbólicos
A Sabedoria, a Gnose, a Casa de Deus e do homem, o santuário, a lei, a Cabala, a igreja oculta, a reflexão.

Fala também do binário, do princípio feminino, receptivo, materno.

Mistério. Intuição. Piedade. Paciência, influência saturnina passiva.

Interpretações usuais na cartomancia
Reserva, discrição, silêncio, meditação, fé, confiança atenta. Paciência, sentimento religioso, resignação. Favorável às coisas ocultas.

Mental: Grande riqueza de idéias. Responde a problemas concretos melhor do que a questões vagas.

Emocional: É amistosa, recebe bem. Mas não é afetuosa.

Físico: Situação garantida, poder sobre os acontecimentos, revelação de coisas ocultas, segurança de triunfo sobre o mal. Boa saúde, mas com um ritmo físico lento.

Sentido negativo: Dissimulação, hipocrisia, intenções secretas. Mesquinharia, inação, preguiça. beatice. Rancor, disposição hostil ou indiferença. Misticismo absorvente, fanático. Peso, passividade, carga. As intuições que traz invertem seu sentido e se tornam falsas. Atraso, lentidão nas realizações.

História e iconografia
A tradução exata do nome que o Tarô de Marselha dá a este arcano (La Papesse) é A Papisa. Outras versões, como A Sacerdotisa ou A Alta Sacerdotisa, vêm do nome que lhe é dado em inglês (The High Priestess).

A figura da Papisa faz alusão a um fato histórico, ou melhor, lendário, que ocupa um lugar notável na literatura da Idade Média: a pretensa existência de um Papa do sexo feminino. A tradição popular diz que uma mulher ocupou a cadeira de São Pedro durante alguns anos sob o nome de João VIII.

Várias versões aparecem, mas o mais antigo testemunho que chegou até nós é bastante posterior à data de seu suposto reinado.

De qualquer modo, para o estudo tradicional e iconográfico do Tarô, não importa estabelecer alguma fidelidade histórica. Embelezada com o correr do tempo, uma de suas versões combina admiravelmente com o simbolismo maternal que se atribui à estampa: segundo tal versão, a papisa teria ficado grávida de um dos seus familiares e, como não se recolheu à época do parto, o acontecimento teria se dado em plena rua, durante uma procissão entre a igreja de São Clemente e o palácio de Latrão.

Com a dramática descoberta do embuste, o enfurecido séquito papal teria assassinado Joana e seu filho. Antigas tradições romanas asseguram que, no lugar do homicídio, permaneceu durante séculos um túmulo ornado por seis letras P, que podiam ser lidas de três maneiras diferentes (jogando com a inicial comum a Papa, Pedro, pai e parto).

Ainda com relação a essa lenda, deve-se assinalar um fato notável: na célebre Bíblia ilustrada alemã do ano de 1533, a grande prostituta do Apocalipse está representada com uma tiara na cabeça, A tradição afirma que foi desenhada deste modo por desejo expresso e sugestão de Martinho Lutero.

Enquanto o Mágico não poderia permanecer em repouso (numa unidade andrógina onde tudo é impulso e estímulo), a Sacerdotisa é o próprio repouso: sentada, majestosa, receptiva, seu reino é binário, uma etapa na distinção da polaridade do universo. Se o binário equivale a conflito, no sentido de rompimento da unidade, de abandono do caos essencial onde não existem as magnitudes nem os nomes, é também a primeira etapa dolorosa e imprescindível das vias iniciáticas, o começo da busca da identidade.

A Sacerdotisa representa a submissão majestosa às exigências dessa iniciação, o equilíbrio que a repartição elementar de forcas produz no conflito.

O que o Arcano I era para a encarnação das energias espirituais o Arcano II o é quanto à aceitação dessa metamorfose: o reconhecimento prévio da luta entre os princípios branco-negro, dia-noite, Yang-Yin.

Alguns autores vêem na Sacerdotisa a representação de Isis, com todas as suas conotações noturnas e ocultas. Também a associam a Cassiopéia, a rainha negra da Etiópia e mãe da constelação Andrômeda, e a Belkis, a belíssima rainha de Sabá, para quem Salomão teria composto o Cântico dos Cânticos. Essa relação da Sacerdotisa com deusas e rainhas negras (ou escuras) não parece casual e acentua a contrapartida com a carta a seguir: o simbolismo branco, luminoso e diurno do Arcano III (A Imperatriz), com quem a Sacerdotisa forma a dupla oposta e complementar da feminilidade.

Este símbolo subterrâneo, que se refere ao aspecto esotérico da revelação, teria passado para o cristianismo sob a forma das virgens negras, cujo ritual se realiza com freqüência numa cripta ou num lugar inacessível.

Mãe, esposa celeste, senhora do saber esotérico, a Papisa ou Sacerdotisa ocupa na estrutura do Tarô o lugar da porta, da passagem entre o exterior e o interior, do ponto imóvel e comum entre a Casa e a rua.

Por Constantino K. Riemma
http://www.clubedotaro.com.br/

#Tarot

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arcano-2-sacerdotisa-gimmel

Como montar um altar taoísta

KUMANTONG (Taoist Sorcery)

Dia a dia, mais e mais ocidentais estão se interessando em aprender mais sobre o taoísmo, ou já se proclamam taoístas e querem montar um altar taoísta em casa, ou instalá-lo em seu próprio salão de treinamento de Tai Chi ou Arte Marcial Chinesa .

Este artigo é destinado a ensinar as pessoas ocidentais, que estão planejando começar a orar para divindades taoístas, ou já estão orando, mas não tem certeza de como montar o altar taoísta corretamente.

Altar Taoísta – com estátuas de divindades não consagradas

A maioria dos ocidentais e chineses que migraram para os países ocidentais e os chineses filipinos, muitas vezes colocam as estátuas de divindades não consagradas em seus altares taoístas.

Não há nada de errado em montar este tipo de Altar Taoísta, mas é  bom notar que dentro do taoismo estas não tem poder espiritual e nem fornecem nenhuma proteção espiritual. Este tipo de altar é bom para você sentar perto  e ter ao lado enquanto lê alguns livros taoístas, ouve música taoísta e aprecia o Tao.

Montando um altar taoísta

1) Divindades Celestiais devem sempre ser colocadas juntas em Números Ímpares – 1 divindade, 3 divindades, 5 divindades etc. Deidades do Inferno, pode ser em Números Pares, exemplo: Tua Ya Peh e Di Yah Peh são sempre adorados juntos. Coloque a Divindade ou Divindades no meio do Altar. Se pretende rezar para Divindades Celestiais e também Divindades Infernais, separe-as. As divindades celestiais no topo e as divindades do inferno abaixo do altar ou divindades do inferno também podem estar no seu lado direito.

2) Postes de Iluminação ou Lâmpadas (formato de velas) são colocados em cada extremidade, à esquerda e à direita do Altar. E deve ser ligado 24 horas todos os dias. Quando as luzes de casa/escritório são desligadas, as luzes das lâmpadas no altar ainda devem brilhar.

3) A Urna de Incenso será colocada bem na frente e no meio do altar. Quando estiver de frente para o Altar, certifique-se de que a Urna de Incenso não cubra os corpos e rostos das Estátuas de Divindades. Se a urna de incenso cobrir a visão dos corpos e rostos das Estátuas da Divindade, adicione um bloco de madeira abaixo da Estátua da Divindade para levantá-las acima da urna de incenso.

4) Para orar às Divindades no Caminho Taoísta, o uso de incensos deve ser em números ímpares. 1 , 3 , 5… 3 incensos são a norma. Para a maneira budista, uma pequena urna de incenso pode ser usada para conter os incensos de forma circular ou cones de incenso.

Altar Taoísta com estátuas de divindades consagradas

O Altar Taoísta é espiritualmente fortalecido apenas quando as Estátuas da Divindade são consagradas. Altar taoísta espiritualmente fortalecido é obrigatório para pessoas que querem ter sua casa abençoadas pelas divindades. Somente o Altar Taoísta espiritualmente fortalecido pode proteger a família dos espíritos nefastos, livrá-los de ataques de magia negra e trazer prosperidade e riqueza para casa, escritório e negócios.

Antes de configurar seu altar taoísta, certifique-se de que as estátuas de divindades taoístas sejam consagradas. Um Altar Taoísta, sem Estátuas de Divindades consagradas, é apenas bonito de se olhar, mas não tem poder espiritual nem proteção espiritual.

Consagração de estátuas de divindades taoístas

Cerimônia de Abertura dos Olhos

Uma cerimônia de “abertura dos olhos” é uma 开光点眼 (Consagração de Estátuas de Divindades) realizada por um sacerdote taoísta ou diretamente pela Deidade (enquanto em transe de um médium taoísta) em esculturas recém-esculpidas de divindades para dotá-las de propriedades espirituais.

O mestre ou medium taoísta usará Cinnabar ou Sangue de Crista de galo branco de várias formas diferentes. Aqui temos alguns modelos de consagração:

1. Coletar o sangue da crista de um galo branco (cortando a crista do galo com uma espada ritual) ou apenas o cinábrio e pontilhar partes específicas da estátua da divindade, enquanto canta o encantamento de consagração e queima de talismãs.

2. A mistura de cinábrio e sangue de galo e então usar o processo de pontilhamento.

3. Inserir os “5 tesouros” e, em alguns casos, incluir insetos vivos (geralmente vespas) na estátua da divindade e, em seguida, pontilhar partes específicas da estátua da divindade com o sangue da crista de galo branco ou apenas cinábrio, enquanto canta o encantamento de consagração e queima de talismãs. Os zangões são inseridos principalmente apenas em estátuas de divindades guerreiras.

4. Use apenas o cinábrio para pontilhar partes específicas da estátua da divindade, enquanto canta encantamento de consagração e queima  talismãs, sem usar o sangue da coroa de galo branco e sem inserir insetos ou ingredientes sagrados na estátua.

Altar Taoísta Todo Consagrado

Os chineses no Sudeste Asiático (Cingapura, Malásia, Indonésia e Tailândia) podem trazer seus não-consagrados a um Mestre Taoísta ou Templo Taoísta para que suas Estátuas de Divindades não consagradas passem pela cerimônia de consagração. Você pode ter que pagar uma taxa pelo serviço de consagração por um Mestre Taoísta, ou, se você fizer isso por uma Divindade (enquanto estiver em transe de um médium taoísta) no templo, você pode simplesmente doar qualquer quantia que desejar.

Se você não pretende substituir suas estátuas de divindades taoístas não consagradas por novas consagradas, ou não tem acesso a templos e mestres, há um remédio simples para “ativar espiritualmente” todo o altar imediatamente: emoldurar e pendurar o Talismã multifuncional chamado “36 Guerreiros Celestiais”

O único revés é uma vez que depois de colocado, se o Talismã “36 Guerreiros Celestiais” for retirado do Altar Taoísta, torna-se espiritualmente impotente novamente. O Altar Taoísta portanto depende exclusivamente do Talismã para fortalecer seu Altar.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/como-montar-um-altar-taoista/

A História da Alquimia Ano a Ano

250000 aC – Possível origem da humanidade (homo sapiens) de acordo com pesquisas genéticas recentes
30000 aC – Idade de ouro do ciclo equinocial anterior. Data das lendas de Lemúria e Atlântida
15000 aC – Idade de ouro e início da descida na escuridão do atual ciclo equinocial.
12000 aC – País indiano de Rama, resquicios da civilização védica
8000 aC – Esfinge foi construída, acredita-se que os atlantes tenham levado seu conhecimento para o continente africano
5000 aC – 2000 aC – A Suméria se torna o berço da civilização no Ocidente
3000 aC – Unificação do Alto e Baixo Egito pelo Rei Menes, Capital está em Memphis
2900 aC – 2500 aC – Antigo Reino do Egito: Dinastias 3-6
2900 aC – Minas de ouro núbias em operação.
2100 aC – Epopeia de Gilgamesh fala sobre uma planta da Imortalidade
2160 aC – 1.800 aC –  Império Médio: Dinastias 11-12
2000 aC – 1.600 aC – Proto-alquimia é praticada na Caldéia
1800 aC – 500 dC – Os mistérios de Elêusis surgiram em Elêusis
1500 aC – 1.100 aC – Novo Reino, ou Império: Dinastias 18-20
1300 aC – Zaratustra funda o zoroastrismo
1150 aC – Provavel origem do  I-Ching
624 a.C – Tales de Mileto inicia a filosofia naturalista pré-socrática
600 aC – 492 aC – A Escola Pitagórica é fundada em Crotona, Itália
525 aC – 430 aC – Empédocles: Doutrina dos quatro elementos
300 aC – Teofrasto: Filósofo e naturalista
300 aC – Lao Tzu, fundador do taoísmo filosófico
249 aC – 210 aC – Shih Huang Ti, imperador, lendário fundador da alquimia na China
240 aC  – Papiro de Ani (versão do livro egípcio dos mortos)
200 aC – Bhagavad Gita
200 aC – Bolus de Mende: ‘Virtudes’ de animais, plantas e pedras
200 aC – 100 dC – Os essênios
200 aC – 500 dC – Mithraic Mysteries – Uma escola de mistérios iniciática na qual os alunos foram gradualmente introduzidos às verdades astronômicas através de símbolos, e como o conhecimento delas poderia levar o buscador à união com o poder por trás de toda a existência. Esta combinação de estudo científico, iniciação simbólica e união cósmica é uma característica do trabalho Rosacruz.
156 aC – 87 aC – Wu Ti, imperador chinês, patrono da alquimia e artes aliadas.
145 aC – 87 aC – Ssu-ma Ch’ien, historiador, mencionando pela primeira vez a alquimia na literatura cinesa
100 aC – 150 dC – Wei Po-yang, chamado de “Pai da Alquimia”, autor do primeiro tratado dedicado inteiramente à alquimia
4 aC – 33 dC – Jesus funda o cristianismo
1 aC – presente tradição hermética
23-79 —  Plínio, o Velho: História Natural
46 – São Marcos encontra Ormus, o sábio egípcio. Juntos, eles fundaram a Igreja Copta e os primórdios da Irmandade da Rosa Cruz (de acordo com a lenda maçônica)
100 – Demócrito: Receitas para colorir ou ligar metais básicos
100 – Maria, A Judia:  Líder Alquimista Operativa
100 – 200 – Cleópatra: Alquimista Operativa
100 – 300 –  Composição do Corpus Hermeticum, uma coleção de vários textos gregos dos séculos II e III, sobreviventes de uma literatura mais extensa, conhecida como Hermetica.
276 – Mani, sumo sacerdote persa de Zoroastro crucificado (Manichaesim)
281 – 361  – Jin Ge Hong, o principal alquimista chinês
296 – Diocleciano: Suposta proibição da alquimia
300 – Zósimo de Panópolis (alquimista helenístico) escritor de um dos mais antigos tratados alquímicos sobreviventes
500 – Conquista árabe do Egito. Árabes redescobrem a Alquimia e a Hermética
600 – O Sefer Yetzirah, um importante texto cabalístico, é editado. É o primeiro livro existente sobre esoterismo judaico.
610 a 632 – Muhammad recebe o Alcorão.
650 – Khalid ibn Yazid, alquimista árabe
700 – Século VIII. Cópia de um Ms alexandrino dá a primeira menção registrada da palavra Vitriol. A mesma senhora dá a primeira menção ao cinábrio (sulfeto de mercúrio)
721 – Jabir ibne Haiane
776 – Geber, o alquimista árabe cujo nome verdadeiro foi afirmado como Jabir Ben Haiyan ou Abou Moussah Djafar al Sofi, está ativo. De acordo com o Kitab-al-Fihrist do século X, Geber nasceu em Tarso e viveu em Damasco e Kufa.
796 – Lü Dongbin escreve o Segredo da Flor de Ouro
854 – Abu Bakr al’Rāzī
900 – Muḥammad ibn Umayl al-Tamīmī, alquimista árabe
920 – Rhazes, um médico árabe
940 – Ibn Wahshiyh, Abu Baker, alquimista árabe e botânico
950 – A- Majrett’ti Abu-alQasim, alquimista e astrólogo árabe
954 – Alfarabi, um alquimista árabe
1000 – Codex Marciano 299: Primeiro MS alquímico grego sobrevivente
1030 – Avicena, um médico árabe
1054 – Roma se separa da igreja ortodoxa, forma a igreja católica
1063 – Al Tughrai, poeta e alquimista 
1099 – Godfri de Bouillion toma Jerusalém
1100 – Fundação da Ordem de Sion por Godfri de Bouillion. Sua sede foi estabelecida no Monte Sião, fora da cidade de Jerusalém
1100 – Al-Tuhra-ee, Al-Husain Ibn Ali, alquimista árabe
1110 – EC Kalid, um rei no Egito
1128 –  Cavaleiros Templários obtêm Carta Papal e se tornam Ordem Monástica.
1141  – Robertus Ketenensis, tradutor latino da alquimia árabe
1144 – Primeiro tratado alquímico ocidental datado – Robert de Chester Depositione alchemiae
1150 – Turba philosophorum traduzido do árabe
1160 – Artephius (alquimista) afirma em seu ‘Livro Secreto’ que ele viveu por 1000 anos antes desta data devido ao uso do Elixir da Vida.
1188 –  Cavaleiros Templários se separam da Ordem de Sion no corte do Elm. Ordre de Sion muda seu nome para L’Ordre de la Rose Croix Veritas e adota o segundo título de “Ormus”.
1199 – Data aproximada Romances do Graal apareceram na Europa Ocidental
1200 – O Picatrix (O Objetivo do Sábio) é um grimório de origens incertas com orientações talismânicas e astrológicas, o texto vem claramente de um ethos não europeu. Foi atribuído a al-Majriti (um matemático andaluz), mas essa atribuição é duvidosa, e o autor às vezes é listado como Pseudo-Majriti.
1214 – Roger Bacon, alquimista, ocultista e frade franciscano, nasce. Bacon, também conhecido como Doutor Mirabilis (latim: “professor maravilhoso”), eventualmente coloca uma ênfase considerável no empirismo e se torna um dos primeiros defensores europeus do método científico moderno.
1231 – Primeira menção de alquimia na literatura francesa – Roman de la Rose. William de Loris escreve Le Roman de Rose, auxiliado por Jean de Meung, que também escreveu The Remonstrance of Nature to the Wandering Alchemist e The Reply of the Alchemist to Nature
1232 – Abraham Abulafia, cabalista siciliano, fundador da cabala extática, nasce em Saragosa.
1232 – Raymond Lull, um alquimista que se acredita possuir uma energia física e mental titânica, que se jogou de corpo e alma em tudo o que fez, nasce. Os escritos atribuídos a Lull incluem vários trabalhos sobre alquimia, mais notavelmente Alchimia Magic Naturalis, De Aquis Super Accurtationes, De Secretis Medicina Magna e De Conservatione Vitoe.
1234 – Albertus Magnus – alquimista, estudioso, filósofo e cientista nasce. Nada menos que 21 volumes de fólio alquímicos são atribuídos a ele
1235 – Robert Grosseteste, Bispo de Lincoln, discute a transmutação de metais em De artibus liberalibus e De generatione stellarum.
1256- O rei Alfonso, o Sábio de Castela, ordena a tradução de textos alquímicos do árabe. Supõe-se que ele tenha escrito Tesoro um tratado sobre a pedra filosofal
1270 – Roger Bacon, populariza o uso da pólvora
1270 – Tomás de Aquino é simpático à ideia de transmutação alquímica em sua Summa theologia. Em seu Thesaurus Alchimae, Aquinus fala abertamente dos sucessos de Albertus e de si mesmo na arte da transmutação.
1272  – Capítulo Provincial em Narbonne proíbe os franciscanos de praticar a alquimia.
1275 – Ce Ramon Lull Ars Magna.
1280 – Sefer Ha-Zohar, um texto cabalístico essencial, faz sua primeira aparição escrita, escrita por Moses de León, mas atribuída a Simon ben Yohai.
1280 – 1368 – Dinastia Yuan (Mongol) , trazendo a China e a Europa em contato direto por quase um século,
1289 – Albertus Magnus, Bispo de Ratisbona
1298 – Alain de Lisle. Há também relatos anteriores de Alanus de Insulis, nascido em Rijssel em 1114 EC na Holanda, mais tarde abade de Clairvaux e bispo de Auxerne
1300 – Sefer Raziel HaMalakh “Livro de Raziel, o Anjo”
1300 – Pedro de Abano ou Apone
1300 – Arnald de Villanova escreve uma série de tratados importantes sobre alquimia Quaestiones tam esseentiales quam acidentales, Epistola supe alchemia ad regem Neapolitanum, De secretis naturae, Exempla de arte philosophorum
1307 – Templários se estabelecem ou buscam refúgio na Escócia
1310 – Al-Jildaki, Muhammad Ibn Aidamer, alquimista árabe que compartilhou conhecimento com certos Templários
1310 –  Jean de Roquetaillade
1312 –  Os Cavaleiros Templários são extintos, exceto alguns, quando a ordem é dissolvida pelo Conselho de Vienne. Toda a propriedade dos Templários é transferida para os Cavaleiros de São João (Os Hospitalários)
1314 – Raymond Lully, um prelado espanhol
1314 – Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Cavaleiros Templários, é queimado na fogueira
1315 – Raimundo Lulio
1317 – A primeira ordem Rosacruz é formada: a francesa Ordre Souverain des. Frères Aînés de la Rose Croix
1317 – A Bula Papal do Papa João XXII, Spondet quas non exhibent, é emitida contra aqueles que praticam a alquimia. Os cistercienses proíbem a alquimia.
1317 – Fundada a Frères Aînés de la Rose + Croix
1323 – Os dominicanos na França proíbem o ensino de alquimia na Universidade de Paris e exigem a queima de escritos alquímicos
1329 – Rei Edward III pede a Thomas Cary para encontrar dois alquimistas que escaparam, e para encontrar o segredo de sua arte
1330 d.C. – Nasce Nicolas Flamel. Flamel torna-se um escritor de sucesso, vendedor de manuscritos e alquimista. Flamel é atribuído como o autor do Livre des Figures Hiéroglypiques, um livro alquímico publicado em Paris em 1612 e depois em Londres em 1624 como “Exposição das Figuras Hieroglíficas”. fizeram a Pedra Filosofal que transforma chumbo em ouro, e alcançaram a imortalidade em uma única encarnação, juntamente com sua esposa Perenelle. O Papa João XXII dá fundos ao seu médico para montar um laboratório para um ‘certo trabalho secreto’.
1338 – Hospitalários adquirem Templar Holdings na Escócia
1340 – Jean de Meung, autor of o Romance da Rosa
1356 – Papa Inocêncio VI aprisiona o alquimista catalão João de Rupescissa, que insiste que o único propósito real da alquimia é beneficiar a humanidade. As obras de Rupescissa estão repletas de preparações medicinais derivadas de metais e minerais e ele enfatiza os processos de destilação que aparentemente separam as quintessências puras da matéria bruta das substâncias naturais.
1357 – Comentário de Hortulanus sobre a Tábua de Esmeralda de Hermes
1376 – O Directorium inquisitorum dominicano, o livro-texto para inquisidores, coloca alquimistas entre magos e magos.
1380 – EC Rei Carlos V, o Sábio, emite um decreto proibindo experimentos alquímicos
1380 – Bernardo de Trevisa
1388 – Geoffrey Chaucer Canterbury Tales discutiu a alquimia no Canon’s Yeoman’s Tale
1394  – Christian Rosenkreuz começa sua peregrinação aos dezesseis anos. Isso o leva à Arábia, Egito e Marrocos, onde entra em contato com sábios do Oriente, que lhe revelam a “ciência harmônica universal”
1396 – Ordem do Dragão é confirmada para existir neste momento, embora a data de fundação não seja clara
1398 – Suposta data em que Christian Rosencruez funda a Ordem Rosacruz
1403 – Rei Henry IV da Inglaterra emite uma proibição de alquimia e para parar dinheiro falsificado
1415 – Nicholas Flamel, um benfeitor dos pobres de Paris
1450 – Basílio Valentim, prior de um mosteiro beneditino
1452 – Leonardo da Vinci
1453 – Joost Balbian, alquimista holandês nascido em Aalst
1456 – 12 homens pedem a Henrique VI da Inglaterra uma licença para praticar alquimia
1470 – Der Antichrist und die funfzehn Zeichnen (o livro do anticristo) associa alquimistas com demônios e Satanás
1471 – George Ripley Composto de alquimia. A tradução de Ficino do Corpus Hermeticum
1476 – George Ripley escreve Medula alchemiae.
1484 – Christian Rosenkreutz, Frater C.R.C., o fundador da tradição Rosacruz, passa de acordo com a Confessio Fraternitatis. Avicena escreve De anima.
1484 – De anima de Avicena. Hieronymous Bosch Jardim das delícias terrenas
1485 – Summa perfectis, atribuída a Geber, é publicada. Neste importante texto alquímico, a teoria enxofre-mercúrio forma a base teórica para a compreensão dos metais, e o alquimista é informado de que deve dispor essas substâncias em proporções perfeitas para a consumação da Grande Obra. Geber descreve em detalhes consideráveis ​​os processos de laboratório e equipamentos do alquimista
1493 – Nasce Phillip von Hohenheim, ele mais tarde assume o nome de Philippus Theophrastus Aureolus Bombastus von Hohenheim, e mais tarde recebe o título de Paracelsus, que significa “igual ou maior que Celsus”.
1505 – Levinus nascido em Zierikzee, Holanda
1516 – Trithemius de Spanheim
1519 – Braunschweig’s Das Buch zu destillieren
1527 – John Dee, notável matemático galês, astrônomo, astrólogo, geógrafo, ocultista e consultor da rainha Elizabeth I, nasce em Londres.
1530 – Georgius Agricola Bermannus, livro sobre mineração e extração de minérios
1532 – A versão mais antiga do Splendor Solis, um dos mais belos manuscritos alquímicos iluminados. A obra consiste em uma sequência de 22 imagens elaboradas, dispostas em bordas e nichos ornamentais. O processo simbólico mostra a clássica morte e renascimento alquímico do rei e incorpora uma série de sete frascos, cada um associado a um dos planetas. Dentro dos frascos é mostrado um processo envolvendo a transformação de símbolos de pássaros e animais na Rainha e Rei, na tintura branca e vermelha.
1533 – Cornélio Agripa publica dos Três Livros de Filosofia Oculta
1541 – In hoc volumine alchemia primeiro compêndio alquímico
1550 – O Rosarium philosophorum, atribuído a Atribuído a Arnoldo di Villanova (1235-1315), é publicado pela primeira vez, embora tenha circulado em forma de manuscrito por séculos.
1552 – Nasce o imperador Rudolph II. A astronomia e a alquimia tornaram-se a ciência dominante na Praga renascentista e Rudolf era um devoto firme de ambas. Sua busca ao longo da vida é encontrar a Pedra Filosofal e Rudolf não poupa gastos para trazer os melhores alquimistas da Europa à corte, como Edward Kelley e John Dee. Rudolf até realiza seus próprios experimentos em um laboratório alquímico privado.
1555 – Agrícola
1560 – Denis Zachaire
1560 – Heinrich Khunrath nasce em Leipzig. É evidente que o primeiro manifesto rosacruz, o Fama Fraternitatis, é influenciado pela obra deste respeitado filósofo hermético e autor de “Amphitheatrum Sapientiae Aeternae” (1609), uma obra sobre os aspectos místicos da alquimia, que contém o gravura intitulada ‘A Primeira Etapa da Grande Obra’, mais conhecida como o ‘Laboratório do Alquimista’.
1561 – Jacopo Peri cria a Opera
1566 – Michael Maier, alquimista rosacruz e filósofo, médico do imperador Rudolph II, nasce Meier torna-se um dos mais destacados defensores dos Rosacruzes, transmitindo com clareza detalhes sobre os “Irmãos da Rosa Cruz” em seus escritos.
1571 – Johannes Pontanus, nascido em Hardewijk, Holanda, estudou o caminho de Artepius junto com Tycho Brahe. Morreu em 1640
1589 – Edward Kelley embarca em suas transmutações alquímicas públicas em Praga
1599 – A primeira aparição de uma obra de Basílio Valentim, o adepto alemão e monge beneditino, na filosofia alquímica é comumente suposta ter nascido em Mayence no final do século XIV. Suas obras eventualmente incluirão o Triumphant Chariot of Antimony, Apocalypsis Chymica, De Microcosmo degue Magno Mundi Mysterio et Medecina Hominis e Practica un cum duodecim Clavibus et Appendice.
1608 – Seton o cosmopolita, Isaac Hollandus
1608 – John Dee
1609 -André Libavius
1612 – Flamel figuras hierogliphiques (primeira publicação). Ruland’s Lexicon alchemiae.
1614 -A Fama Fraternitas, o primeiro manifesto Rosacruz é publicado. 1615 – Publicado o Confessio Fraternitatis
1616 – Publicado o Bodas Químicas de Christian Rosenkreutz
1617-  Oswald Croll
1620 – Jean d’Espagnet, autor do Arcano Hermético
1626 – Goosen van Vreeswyk, o mestre da montanha holandês. Morreu em 1690
1628 – Theodor Kerkring, bron em Amsterdã,
1629 – George Starkey (Irineu Filaleto)
1636 – -Michael Sendivogius
1638 – Robert Fludd, teólogo e místico
1640 – Albaro Alonso Barba Arte dos metais
1643 – Johannes van Helmont
1643 – Isaac Newton
1646 – George Starkey
1648 – Elias Ashmole, o antiquário
1650 – Rudolf Glauber, médico
1652 – Georg von Welling, um escritor alquímico e teosófico bávaro, nasce. Von Welling é conhecido por seu trabalho de 1719 Opus Mago-Cabalisticum et Theosophicum.
1666 – EC Relato de Helvécio sobre a transmutação em Haia. Crassellame Lux obnubilata
1668 – Rober Boyle, químico
1667 – Johan de Monte Snijder realizou uma transmutação em 1667 para Guillaume em Aken, Holanda
1667 – Eirenaeus Philalethes Uma entrada aberta para o palácio fechado do Rei
1675 – EC Olaus Borrichius
1677 – EC Mutus Liber
1690 – Publicação da tradução inglesa do Casamento Químico de Christian Rosenkreutz
1691 – Nascimento de Saint Germain
1710 – Samuel Richter começa a formar a Ordem da Cruz Dourada e Rosada Lascaris, um adepto/monge grego que viveu na Holanda por um tempo, e depois foi para Berlim, onde deu a J.F. Böttger a pedra
1717 – Grande Loja da Maçonaria Inglesa fundada
1719 – Georg von Welling “Opus Mago-Cabalisticum et Theosophicum” é publicado. Esta é uma obra esotérica importante e influente, que influencia vários autores subsequentes, incluindo Goethe, que a examinou durante seus estudos alquímicos.
1723 – Auera Catena Homeri , escrita ou editada por Anton Josef Kirchweger, é emitida pela primeira vez em Frankfurt e Leipzig em quatro edições alemãs em 1723, 1728, 1738 e 1757. Uma versão latina é emitida em Frankfurt em 1762 e outras edições alemãs Segue. Este trabalho tem uma enorme influência na alquimia Rosacruz e na Ordem Dourada e Rosacruz. No final do século XVIII
1735 – Abraham Eleazar Uraltes chymisches Werck
1737 – Jean Christophe Kunst, um professor alemão
1739 – Matthieu Dammy, um dos últimos famosos alquimistas parisienses, publicou suas obras em Amsterdã
1743 – Alessandro Cagliostro
1750 – Nasce o Dr. Sigismond Bacstrom, médico que também era alquimista e Rosacruz. Acredita-se que seja de origem escandinava, passou algum tempo como cirurgião de navio.
1751 – Tarot de Marselha
1776 – Adam Weishaupt forma a Ordem dos Illuminati da Baviera
1780 – A ordem dos Irmãos Asiáticos (Fratres Lucis) é fundada por Hans Heinrich von Ecker und Eckhoffen como uma ordem cismática da Cruz Dourada e Rosada. Os Irmãos Asiáticos admitem judeus e as doutrinas teosóficas e regulamentos cerimoniais da Ordem são baseados na Cabala
1785 – Geheime Figuren Os Símbolos Secretos dos Rosacruzes
1791 – Dr. Sigismund Bacstrom é iniciado em uma sociedade Rosacruz pelo Conde de Chazal na Ilha de Maurício. O conde, então um venerável ancião de cerca de 96 anos, parece ter visto em Bacstrom sua grandeza de estudante hermético e se ofereceu para aceitá-lo como aluno e ensinar-lhe a grande obra. Durante este período, Bacstrom foi autorizado a realizar uma transmutação sob a orientação de Chazal e usando suas substâncias. O conde de Chazal estava ligado à corrente francesa do rosacrucianismo, provavelmente ligada ao conde de St Germain.
1798 – Ethan Hitchcock
1813 – Operas de Richard Wagner
1817 – Mary Anne Atwood
1858 – Pascal B. Randolph funda a Irmandade Hermética de Luxor
1875 – Carl Gustav Jung
1877 – Fulcanelli
1887 – Fundação da Hermetic Order of the Golden Dawn
1889 – Lilly Kolisko
1891 – Fundação da Ordem Martinista
1898 – Rubellus Petrinus, alquimista português
1908 – Publicação do Kybalion
1909- Max Heindel funda a Fraternidade Rosacruz
1911 – Frater Albertus
1914 – Herbert Silberner publica Problems of Mysticism and its Symbolism.
1915 – Harvey Spencer Lewis funda a Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis
1915 – Marie-Louise von Franz
1919 –  Jean Dubuis
1920 – Timoth Leary
1921 – Pansophia Lodge é fundado por Heinrich Traenker
1929 – Manfred M. Junius
1931 – Stanislav Grof
1932 – Robert Anton Wilson
1959 – Paracelsus Research Society é fundada
1960 – Inicio da publicação do anuário Alchemical Laboratory Bulletins
1970 – Roger Caro revela a existência do Frères Aînés de la Rose-Croix
1979 – Les Philosophes de la Nature (LPN) é fundada
1980 – A Sociedade de Pesquisa Paracelsus é renomeada para Paracelsus College
1984 – A Biblioteca Ritman (Bibliotheca Philosophica Hermetica) é criada.
1990 – O grupo Gallaecia Arcana Philosophorum é fundado
1995 – Publicado o The Alchemical Tarot de Robert Place
2003 – The Alchemy Guild é estabelecida
2007 a 2009 – Primeira, Segunda e Terceira Conferência Internacional de Alquimia
2010 – Inner Garden Foundation é fundada
2011 – Quarta Conferência Internacional de Alquimia
2018 – Quinta Conferência Internacional de Alquimia

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-historia-da-alquimia-ano-a-ano/

Bruce Dickinson e Aleister Crowley

Por Adriano Camargo.

Todos sabem que o mago inglês Aleister Crowley (1875-1947) tem influenciado o mundo do rock (e as artes em geral). E todos sabem também que o cantor inglês Bruce Dickinson é um cara multitalentoso e uma das personalidades mais inteligentes do heavy metal. Mas é possível que nem todos saibam que Bruce Dickinson sempre teve um grande interesse por história da magia, ocultismo e… Aleister Crowley!

E, ao contrário do que a maioria pensa, Crowley não era satanista, mas sim um filósofo e ocultista praticante assíduo envolvido em diversos ramos da magia (magick) e da filosofia oculta, desde a bruxaria europeia e o paganismo até a cabala, alquimia, magia sexual, hinduísmo, budismo, etc. Contudo, Crowley ficou muito conhecido e mal-afamado devido ao seu comportamento “inadequado” e “chocante” para a época (a Era Vitoriana) e às difamações de fundamentalistas religiosos; nos dias de hoje provavelmente ele não chamaria tanta atenção…

Por outro lado, nos dias de hoje, certamente que Bruce Dickinson chama muita atenção devido ao seu trabalho artístico e suas outras habilidades, interesses e inteligência. Como músico e letrista, o trabalho de Bruce é repleto de referências ao mago inglês e a diversas áreas da filosofia oculta, desde as letras de sua carreira solo e do Iron Maiden até o seu filme Chemical Wedding (2008).

Do álbum solo de Bruce Dickinson Accident of Birth, a música Man of Sorrows fala do próprio Crowley quando menino, profetizando o seu futuro quando iria então estabelecer a vinda de um Novo Mundo, de uma Nova Era. Em Man of Sorrows, podemos encontrar também a frase “do what thou wilt”, que significa “faze o que tu queres”, uma referência mais direta e explícita a Crowley e à sua Lei de Thelema. Entretanto, tal lema thelêmico tem uma origem anterior a Crowley, remontando à obra Gargântua e Pantagruel, do escritor francês François Rabelais (1494-1553), na qual uma abadia fictícia chamada Abadia de Thelema apresenta esse lema como uma de suas “leis”. Esse famoso lema posteriormente também foi adotado por um dos clubes ingleses pseudo-satanistas do século XVIII chamados de Hellfire Club (“Clube do Fogo do Inferno”), no qual se reuniam os aristocratas para praticar orgias, bebedeiras, comilanças, jogatinas e discutir arte e literatura. Porém, na filosofia de Crowley, e de acordo com a letra de Man of Sorrows, “faze o que tu queres” se refere à Vontade do Eu Superior de cada indivíduo e não a meros desejos descontrolados. Esse Eu (ou a Individualidade, o Logos individual, o SAG, o Daimon socrático, etc.), de acordo com a letra da música, supostamente sofre por estar preso em um corpo carnal e por não se fazer conhecido pelo indivíduo que também sofre perdido, desorientado na vida, sem conhecer a Si mesmo e seu verdadeiro destino.

The Chemical Wedding, seguinte álbum de Bruce, é em parte baseado na obra literária e artística do poeta inglês William Blake (1757- 1827), que por sua vez também influenciou a filosofia de Crowley a ponto deste acreditar ser uma reencarnação daquele. Contudo, o título do álbum se refere à outra obra, um manifesto rosacruz intitulado The Chemical Wedding of Christian Rosenkreutz (“O Casamento Alquímico de Christian Rosenkreutz”) publicado em 1616 e que narra o casamento alquímico de um rei e uma rainha. Esse “casamento” é basicamente uma alegoria para a união sexual do masculino com o feminino (Sol e Lua; Fogo e Água; Espada e Cálice) por meio da magia sexual devidamente ritualizada a fim de expandir a consciência, assim como a união das duas partes da alma (psique) conhecidas na psicologia junguiana como animus (masculino) e anima (feminino); a magia sexual era uma prática central na filosofia thelêmica de Aleister Crowley.

Na letra de The Chemical Wedding encontramos no refrão:

“We lay in the same grave/ Our chemical wedding day”

(Nós nos deitamos no mesmo túmulo/Nosso dia do casamento alquímico”).

O túmulo é uma representação para o caldeirão na alquimia, no qual a matéria-prima densa é putrefata, desintegrada, ou seja, transformada, para em seguida dar surgimento a algo novo; ou seja, o casamento do homem e da mulher (os alquimistas) que “morrem” no êxtase alquímico-sexual para dar surgimento a uma nova consciência, expandida, cheia de alegria e livre no infinito.

The Tower, também do álbum The Chemical Wedding, é uma das letras do álbum mais ricas em referências alquímico-sexuais e relativamente crowleyanas. Sendo assim, vamos analisar alguns pontos. A música fala especialmente sobre as imagens alquímicas do tarô e do zodíaco (ambos de suma importância no sistema de Crowley). O próprio título da música se refere a uma das cartas mais “sinistras” do tarô: A Torre, que é referida no Livro da Lei (Liber AL), de Crowley. Na letra da música os versos “There are twelve commandments/ There are twelve divisions” (“Há doze mandamentos/ Há doze divisões”) aludem aos doze signos astrológicos dispostos divididos em casas de 30º no cinturão (imaginário) do zodíaco com seus “mandamentos”. A frase “The pilgrim is searching for blood” (“O peregrino está à procura de sangue”) diz que o alquimista buscador, em sua senda solitária está buscando sua iluminação; o sangue é uma referência à fase “vermelha” da alquimia chamada rubedo. Nessa última fase alquímica a Pedra Filosofal é “encontrada” e o alquimista (ou qualquer iniciado) se torna um sábio “imortal” autoconsciente, realizando sua própria Vontade livre, uma referência direta à Lei de Thelema e que está presente no seguinte verso da letra: “To look for his own free Will” (“Buscar por sua própria Vontade livre”).

E no refrão temos os versos:

“Lovers in the tower/ The moon and sun divided/ the hanged man smiles/ Let the fool decide/the priestess kneels/ the magician laughs”

(“Amantes na Torre/ A Lua e o Sol divididos/ o Enforcado sorri/ Deixe o Louco decidir/ a Sacerdotisa se ajoelha/ o Mago dá risada”),

nos quais podemos encontrar referências diretas a várias cartas do tarô: The Lovers (Os Amantes), The Tower (A Torre), The Moon (A Lua), The Sun (O Sol), The Hanged Man (O Enforcado), The Fool (O Louco), The Priestess (A Sacerdotisa) e The Magician (O Mago). Para não nos alongarmos demais na letra de The Tower, podemos dizer que ela contém alguns segredos alquímico-ritualísticos de magia sexual.

Há outras músicas interessantes em The Chemical Wedding, incluindo aquelas inspiradas diretamente por William Blake: Book of Thel, Gates of Urizen e Jerusalem. Do álbum Tyranny of Souls, podemos destacar alguns versos. O título da música Navigate the Seas of the Sun significa a libertação de restrições e a expansão da consciência, já que o Sol é um símbolo da cabeça humana, da inteligência e da consciência. Nessa letra, encontramos “Our children will GO on and on to navigate the seas of the sun” (“Nossas crianças continuarão a navegar os mares do sol”), que na filosofia thelêmica diz respeito ao arcano d’O Sol no qual duas crianças gêmeas, inocentes e livres “navegam” os raios solares, representando a humanidade em mais uma fase evolutiva, com seus aspectos masculinos e femininos assimilados e harmonizados pelo Eu.

Na música-título A Tyranny of Souls, encontramos os versos

“Who rips the child out from the womb?/ Who raise the dagger, who plays the tune?/At the crack of doom on judgment day”

(Quem arranca a criança do útero?/ Quem ergue a adaga, quem toca a música?/ À beira da condenação no dia do julgamento”).

É uma descrição do Aeon (Era, Idade, Tempo) de Crowley, retratado no arcano O Aeon (no tarô comum é conhecido como O Julgamento). Esse Aeon é marcado pela destruição do velho Aeon de Osíris e pelo nascimento do novo Aeon de Hórus. A criança arrancada do útero, conforme a letra da música, é Hórus, filho de Osíris e Ísis; a adaga erguida significa a morte do Aeon passado, o Aeon de Osíris ou Era de Peixes, considerado tirano, repressor, restritivo e opressor; a música referida nos versos é tocada por meio de uma trombeta tradicionalmente por um ser angélico que anuncia a Nova Era, o Novo Aeon, com o julgamento e condenação do velho. Mas no Novo Aeon, Hórus mantém silêncio para representar a “perfeição” do Novo Tempo. Com relação ao Iron Maiden, Bruce Dickinson tem colaborado razoavelmente nos processos de composição. Do álbum Piece of Mind, a letra de Revelations apresenta alguns “mistérios”. O verso “Just a babe in a Black abyss” (“Apenas um bebê em um abismo negro”) é um referência ao conceito crowleyano de “bebê do abismo”, um termo para designar aquele que mergulha e atravessa o Vazio. Trata-se de um abismo metafísico e psíquico entre o universo real e o universo ilusório, entre a “insana” dimensão do espírito e a igualmente insana (e aparentemente segura) dimensão da matéria; o magista ou iniciado que fracassa em cruzar o Abismo (e em assimilar o conhecimento nele contido) geralmente enlouquece. O verso

“No reason for a place like this”

(“Nenhuma razão para um lugar como este”)

mostra que, uma vez no Abismo, a razão humana como se conhece é completamente abolida.

Do álbum Powerslave a música-título fala sobre um faraó, tido como um deus, que não quer morrer, mas continuar governando no mundo material. Na filosofia thelêmica de Crowley, Osíris representa a Era decadente que insiste em continuar, mas que deve ser destruída para dar lugar ao Aeon de Hórus (filho de Osíris). Por outro lado, o faraó é uma representação de todo mago que fracassa em cruzar o Abismo, tornando-se assim um “escravo do poder da morte” (como diz a letra), psicoespiritualmente. Isso pode ser visto especialmente nos versos

“Into the abyss I’ll fall – the eye of Horus/ Into the eyes of the night – watching me go”

(“no abismo eu cairei – o olho de Hórus/ Nos olhos da noite – olhando-me ir”).

E no verso

“Shell of a man god preserved”

(“A casca de um homem-deus preservado”)

o faraó/deus/magoestá morto fisicamente, com seu cadáver mumificado ou não, ao mesmo tempo em que ele se torna um ser vazio e insano, sem conexão com o seu Eu, ou seja, uma “casca” no mundo qliphótico (do hebraico “qlipha”, que significa “casca”, “concha”) cujos portais estão no próprio Abismo, segundo outro verso: “But open the gates of my hell” (“Mas abra os portais de meu inferno”).

Moonchild, do álbum Seventh Son of a Seventh Son, é uma referência direta a uma das obras de Crowley de mesmo nome. A letra da música fala sobre a união de dois magistas (homem e mulher) e o nascimento de um ser supra-humano (entendido também como uma supraconsciência). Na letra, o homem é representado por Lúcifer, o Portador da Luz, o não-nascido, e a mulher é a Prostituta Escarlate, Babalon (nome derivado de Babylon), como aparece nos versos “The fallen angel watching you/ Babylon, the Scarlet whore” (“O anjo caído observando você/ Babilônia, a prostituta escarlate”).

Os nomes Babalon e Mulher Escarlate, apesar de derivados da Bíblia, são próprios do sistema mágico thelêmico de Crowley e equivalentes à deusa Lilith (mesopotâmica), Hécate (grega), Kali (hindu), entre outras, representando ainda os aspectos femininos da Natureza e a Grande Mãe do universo, livre dos dogmáticos conceitos morais sobre bem e mal. O álbum Seventh Son of a Seventh Son é todo “profético”, com colaborações de outros membros da banda em torno de temas como magia, alquimia, ocultismo, bem e mal, etc.

Por fim, vamos falar sobre alguns trechos do último álbum do Iron Maiden, The Final Frontier, que novamente traz alguns temas sobre alquimia, magia crowleyana e expansão da consciência. Na música Starblind, podemos ler o verso “Let the elders to their parley meant to satisfy our lust” (“deixar os anciãos às suas barganhas significa satisfazer nosso desejo”). Lust é o título de uma das cartas do tarô de Crowley, que se refere, entre outras coisas, a tudo o que é dos sentidos e que provoca êxtase, pois, nas palavras de Crowley, “não tema que deus algum lhe negue isso.” Os anciãos representam a religião dogmática e repressora do Aeon passado, que oferecem “liberdades de carcereiros” e que “parlamentam” aquilo que lhes traz vantagens ilícitas.

Enquanto eles falam e negociam e ficam no passado, os desejos (lust) do novo Aeon, ou seja, a Vontade livre e o desejo pela vida são satisfeitos naqueles que se libertaram do dogmatismo e que estão sem “o dispositivo cruel da religião”, conforme o verso “Religion’s cruel device is gone”. A frase “You are free to choose a life to live” (“Você é livre para escolher uma vida para viver”) é outra referência à Lei de Thelema, ao cumprimento da Vontade. Ainda do álbum The Final Frontier, a letra da música The Alchemist pode parecer óbvia, mas ela fala sobre algo mais do que um mero alquimista. O trecho “My dreams of empire from my frozen queen will come to pass” (“Os sonhos de império da minha rainha congelada irão passar”) refere-se à rainha inglesa Elizabeth, que protegia o também multitalentoso, suposto espião e mago John Dee (1527-1608), citado no verso “Know me, the Magus I am Dr. Dee” (“Conheça-me, o Mago Dr. Dee sou eu”). John Dee é conhecido especialmente por seu trabalho sobre magia enochiana e por sua associação com o alquimista e clarividente Edward Kelley (1555-1597), com quem “criou” esse poderoso sistema de magia, posteriormente praticado por Crowley (que acreditava ser também a reencarnação de Edward Kelley).

A letra da música de modo geral descreve as práticas de John Dee e Edward Kelley com a magia enochiana, considerada um sistema angélico, descrevendo também os contatos com os anjos, isto é, os “demônios”. Enquanto Edward Kelley se comunicava com os seres enochianos, conforme o verso da letra “Know you speak with demons” (“Sei que você fala com demônios”), John Dee ia anotando todo o sistema. O termo “angélico” aqui, entretanto, não diz respeito às imagens populares de anjinhos rechonchudos ou anjos esbeltos e delicados, mas a seres considerados alienígenas terríveis e demoníacos (no sentido original da palavra grega “daimonos”, quer dizer, “espírito”, “gênio”), conhecidos popularmente como “anjos caídos”, os supostos instrutores e doadores do conhecimento nos primórdios da espécie humana. Tais anjos enochianos foram contactados por Crowley, que fez as invocações pelas chaves enochianas, resultando em sua obra chamada Liber 418 – A Visão e a Voz. As invocações enochianas de Dee/Kelley e Crowley são referidas no seguinte verso de Bruce: “Hear the master summon up the spirits by their names” (“Ouça o mestre chamar os espíritos por seus nomes”)…

O Iron Maiden sempre carregou uma forte aura de intelectualismo, profetismo e mistério, contando muitas vezes com as inteligentes e valiosas contribuições de Bruce Dickinson. Por afinidades intelectuais e de interesses, independentemente do tempo cronológico, Crowley sempre esteve presente, ou apenas “pairando”, no trabalho de Bruce. E diferentemente do trabalho de Ozzy Osbourne, cuja letra da música Mr.Crowley é um tanto sarcástica e superficial, Bruce Dickinson tem se interessado muito mais seriamente pelas questões que envolvem a magia de Aleister Crowley. Ambos, Bruce e Crowley, sempre buscaram ir mais além, demonstrando que é possível chegar à “última fronteira” entre a consciência e a supraconsciência…

#LHP

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/bruce-dickinson-e-aleister-crowley

A comprida sacola que arrastamos atrás de nós

ROBERT BLY

Diz uma antiga tradição gnóstica que não inventamos as coisas, apenas as relembramos. Dentre os europeus que conheço, aqueles que melhor relembram o lado escuro são Robert Louis Stevenson, Joseph Conrad e Carl Jung. Vou retomar algumas de suas idéias e acrescentar uns poucos pensamentos meus.

Falemos primeiro sobre a sombra pessoal. Com um ou dois anos de idade, temos uma “personalidade de 360 graus”. A energia se irradia de todas as partes do nosso corpo e de todas as’ partes da nossa psique. Uma criança correndo é um globo vivo de energia. Quando crianças, somos uma bola de energia; mas um dia percebemos que nossos pais não apreciam certas partes dessa bola. Eles dizem; “Você não consegue ficar quieto?” ou “Não é bonito tentar matar seu irmãozinho”. Atrás de nós temos uma sacola invisível e, para conservar o amor de nossos pais, nela colocamos a parte de nós que nossos pais não apreciam. Quando começamos a ir à escola, nossa sacola já é bastante grande, E aí nossos professores nos dizem: “O bom menino não fica bravo com coisinhas à-toa”, e nós guardamos nossa raiva na sacola. Quando eu e meu irmão tínhamos doze anos cm Madison, Minnesota, éramos conhecidos como “os bons meninos Bly”. Nossas sacolas já tinham um quilômetro de comprimento!

Depois fazemos o colegial e passamos por outro bom processo de guardar coisas na sacola. Agora quem nos pressiona não são os malvados adultos e, sim, o nosso próprio grupo etário. A paranóia dos jovens em relação aos adultos talvez esteja deslocada. Eu mentia automaticamente, durante todo o colegial, para me tornar mais parecido com os jogadores de basquete. Qualquer parte de mim que fosse mais “lenta” ia para a sacola. Meus filhos passam agora por esse processo, que eu já tinha observado nas minhas filhas, mais velhas que eles. Minha mulher e eu olhávamos, consternados, quantas coisas elas colocavam na sacola, mas não havia nada que pudéssemos fazer. Minhas filhas pareciam tomar suas decisões com base na moda e nos ideais coletivos de beleza, e sofriam tanta pressão das amiguinhas quanto dos rapazes.

Por isso sustento que o jovem de 20 anos conserva uma simples fatia daquele globo de energia. Imagine um homem que ficou com uma fina fatia — o restante do globo está na sacola — e que ele conhece uma mulher; digamos que ambos têm 24 anos de idade. Ela conservou uma fina e elegante fatia. Eles se unem numa cerimônia e essa união de duas fatias chama-se casamento. Mesmo unidos, os dois não formam uma pessoa! É exatamente por isso que o casamento, quando as sacolas são grandes, acarreta solidão durante a lua-de-mel. Claro que todos nós mentimos a esse respeito. “Como foi sua lua-de-mel?” “Fantástica, e a sua?”

Cada cultura enche a sacola com conteúdos diferentes. Na cultura cristã, a sexualidade geralmente vai para a sacola. E, com ela, muito da espontaneidade. Por outro lado, MarieLouise von Franz nos alerta para não sentimentalizarmos as culturas primitivas assumindo que elas não tinham nenhuma sacola. Ela diz que, na verdade, essas culturas tinham sacolas diferentes das nossas e, às vezes, até maiores. Talvez colocassem nelas a individualidade ou a inventividade. Aquilo que os antropólogos conhecem como “participação mística” ou “a misteriosa mente comunal” pode parecer muito bonito, mas talvez signifique apenas que todos os membros da tribo conhecem exatamente a mesma coisa e nenhum deles conhece nada além disso. E possível que as sacolas de todos os seres humanos sejam mais ou menos do mesmo tamanho.

Passamos nossa vida até os 20 anos decidindo quais as partes de nós mesmos que poremos na sacola e passamos o resto da vida tentando retirá-las de lá. Algumas vezes parece impossível recuperá-las como se a sacola estivesse lacrada. Vamos supor que a sacola está lacrada — o que acontece?… Uma grande novela do século XIX ofereceu uma idéia a respeito. Certa noite, Robert Louis Stevenson acordou e contou para a mulher um trecho do sonho que acabara de ter. Ela o convenceu a escrevê-lo, ele o fez e o sonho tornou-se o “Dr, Jekyll e Mr. Hyde”. O lado agradável da personalidade torna-se, na nossa cultura idealista, cada vez mais agradável, O homem ocidental talvez seja, por exemplo, um médico liberal que só pensa em fazer o bem. Em termos morais e éticos, ele é maravilhoso. Mas a substância na sua sacola assume personalidade própria; ela não pode ser ignorada. A história conta que a substância trancada na sacola aparece, certo dia, em uma outra parte da cidade. Ela está cheia de raiva e, quando finalmente é vista, tem a forma e os movimentos de um gorila.

O que essa história conta é que quando colocamos uma parte de nós na sacola, essa parte regride. Retrocede ao barbarismo. Imagine um rapaz que lacra a sacola aos 20 e espera uns quinze ou vinte anos para reabri-la. O que ele irá encontrar? É triste, mas toda a sexualidade, selvageria, impulsividade, raiva e liberdade que ele colocou na sacola regrediram; não apenas seu temperamento se tornou primitivo como elas agora são hostis à pessoa que abre a sacola. O homem ou a mulher que abrem a sacola aos 45 anos sentem medo. Eles dão uma olhada e vêem a sombra de um gorila se esgueirando contra a parede; ora, qualquer pessoa que veja uma coisa dessas fica aterrorizada!

Pode-se dizer que, na nossa cultura, a maioria dos homens coloca o seu lado feminino (a mulher interior) na sacola. Quando ele quer, lá pelos 35 ou 40 anos, entrar novamente em contato com o seu lado feminino, a mulher interior talvez lhe seja bastante hostil. Nesse meio tempo, ele está enfrentando a hostilidade das mulheres no mundo exterior. A regra parece ser: o lado de fora é um espelho do lado de dentro. É assim que as coisas são neste nosso mundo. E a mulher que queria ser aceita pela sua feminilidade e para isso guardou seu lado masculino (o homem interior) na sacola, talvez descubra, vinte anos mais tarde, que ele lhe é hostil. Talvez ele também seja insensível e brutal em suas críticas. Essa mulher estará em apuros. Viver com um homem hostil dará a ela alguém a quem censurar e aliviará a pressão, mas não resolverá o problema da sacola fechada. Nesse meio tempo, ela está propensa a uma dupla rejeição: a do homem interior e a do homem exterior. Existe muita dor nisso tudo.

Cada parte da nossa personalidade que não amamos tornar-se-á hostil a nós. Ela também pode distanciar-se de nós e iniciar uma revolta contra nós. Muitos dos problemas sofridos pelos reis de Shakespeare desenvolveram-se a partir daí. Hotspur, lá “no País de Gales”, rebela-se contra o rei. A poesia de Shakespeare é maravilhosamente sensível ao perigo dessas revoltas interiores. O rei, no centro, sempre está em perigo.

Quando visitei Bali há alguns anos, percebi que essa antiga cultura hindu utiliza a mitologia para trazer à luz do dia os elementos da sombra. Os templos encenam, quase todos os dias, representações do Ramayana. Algumas peças aterrorizantes são encenadas como parte do cotidiano da vida religiosa. Diante da maioria das casas balinesas existe uma figura esculpida em pedra: hostil, feroz, agressiva e com grandes dentes aguçados. Sua intenção não é fazer o bem. Visitei um fabricante de máscaras e vi seu filho, de 9 ou 10 anos, sentado diante da casa a esculpir, com seu cinzel, uma figura hostil e raivosa. O objetivo desse povo não é dissipar as energias agressivas — tal como nós fazemos com o nosso futebol ou os espanhóis com as suas touradas. Seu ideal é fazer essas energias emergirem na arte. Os balineses talvez sejam violentos e brutais na guerra mas, na vida cotidiana, parecem ser bem menos violentos que nós. O que isso significa? As pessoas do Sul dos Estados Unidos colocam no jardim anõezinhos negros de ferro forjado, como ajuda; nós, no Norte, fazemos o mesmo com pacíficos veadinhos. Gostamos de rosas no papel de parede, Renoir sobre o sofá e John Denver no aparelho de som. Então a agressividade escapa da sacola e ataca a todos.

Abandonemos o contraste entre as culturas balinesa e americana e sigamos em frente. Quero falar sobre a ligação entre as energias da sombra e o projetor de cinema. Vamos supor que miniaturizamos algumas partes de nós mesmos, as enrolamos como um filme e colocamos dentro de uma lata, onde elas ficarão no escuro. Então uma noite — sempre à noite — as formas reaparecem, imensas, e não conseguimos desviar nossos olhos delas. Estamos dirigindo à noite, fora da cidade, e vemos um homem e uma mulher numa enorme tela de cinema ao ar livre; paramos o carro e observamos, Algumas formas que foram enroladas dentro da lata (duplamente invisíveis, por estarem só parcialmente “reveladas” e por terem sido mantidas na escuridão) existem, durante o dia, apenas como pálidas imagens numa fina tira de celulóide cinzento. Quando uma certa luz se acende por trás de nós, formas fantasmagóricas aparecem na parede à nossa frente. Elas acendem cigarros: ameaçam os outros com revólveres. Nossa psique, portanto, é uma máquina natural de projeção; podemos recuperar as imagens que guardamos enroladas na lata e projetá-las para os outros ou sobre os outros.

O marido pode rever sua raiva, enrolada na lata por vinte anos, no rosto da mulher, A mulher que sempre vê um herói no rosto do marido, certa noite, vê ali um tirano. A Nora de A Doll’s House [Casa de Bonecas] via essas duas imagens alternadamente. Um dia desses encontrei meus velhos diários e peguei, ao acaso, o de 1956. Naquele ano eu estava tentando escrever um poema sobre a natureza dos publicitários. Lembrei-me como a lenda de Midas era um fator importante para a minha inspiração. Tudo o que Midas tocava se transformava em ouro. No meu poema, eu dizia que todas as coisas vivas nas quais o publicitário tocava se transformavam em dinheiro e que era por isso que os publicitários tinham a alma tão faminta. Eu escrevi pensando nos publicitários que conhecia e me diverti atacando-os às escondidas. Mas, conforme fui relendo esses velhos escritos, senti um choque ao ver o filme que eu estava projetando. Entre a época em que escrevi tudo aquilo e o agora, eu tinha descoberto como comer sem ingerir alimento: a comida que os amigos me ofereciam se transformava em metal antes de chegar na minha boca. A imagem ficou clara? Ninguém pode comer nem beber metal. E por isso Midas era importante para mim. Mas o filme que mostrava o meu Midas interior estava enrolado na lata. Os publicitários, perversos e tolos, apareciam à noite sobre uma tela imensa e me fascinavam. Logo depois desse poema, escrevi um livro chamado Poems for the Ascension of J. P. Morgan [Poemas para a Ascensão de J. P. Morgan]; meus poemas sobre o mundo das finanças alternavam-se com anúncios discutíveis reproduzidos de jornais e revistas. A seu modo, é um livro vivo. Ninguém quis publicá-lo, mas tudo bem. De toda maneira, eram só projeções. Vou ler um poema que escrevi nessa época. Chama-se “Inquietação”.

Estranha inquietação paira sobre a nação.
E a última contradança, o bramir das ondas do mar de Morgan,
A divisão do espólio. Uma lassidão
penetra os diamantes do corpo.
Na escola, uma explosão; uma criança semimorta;
quando a batalha finda, terras e mares arruinados,
duas formas emergem em nós, e se vão.

Mas o babuíno assobia nas praias da morte —
subindo, caindo, jogando cocos e calhaus,
bamboleia na árvore
cujos ramos contêm a vastidão do frio,
planetas em órbita e um sol negro,
o zumbido dos insetos e os vermes escravizados
na prisão da casca.
Carlos Magno, aportamos às tuas ilhas!

Voltamos às árvores cobertas de neve
e à profunda escuridão enterrada na neve, através
da qual viajaste toda a noite
com as mãos a congelar; agora cai a escuridão
na qual dormimos e despertamos — uma sombra onde
o ladrão estremece, o insano devora a neve,
negra laje sepulta no sonho o banqueiro
e o negociante cai de joelhos no calabouço do sono.

Há cinco anos, comecei a suspeitar desse poema. Por que dei destaque especial aos banqueiros e aos negociantes? Se tivesse que substituir “banqueiro”, o que eu diria? “Um estrategista, alguém que planeja muito bem”… ora, eu planejo muito bem. E “negociante”? “Um homem impiedoso, de rosto duro”… olhei-me ao espelho. Reescrevi esse trecho do poema, que agora está assim:

… uma sombra onde
o ladrão estremece, o insano devora a neve,
negra laje sepulta no sonho o estrategista
e o impiedoso cai de joelhos no calabouço do sono.

Agora, quando vou a uma festa, sinto-me diferente do que costumava me sentir ao conhecer um homem de negócios. Pergunto a um homem, “O que você faz?” e ele responde, “Negocio com ações”. E ele tem ar de quem pede desculpas. Digo para mim mesmo, “Veja só: algo de mim que estava no fundo de mim está exatamente ao meu lado”. Sinto até uma estranha vontade de abraçar o homem de negócios. Não todos eles, é claro!

Mas a projeção também é uma coisa maravilhosa. Marie-Louise von Franz observou num de seus escritos: “Por que assumimos que a projeção é sempre uma coisa ruim? ‘Você está projetando’ tornou-se uma acusação entre os junguianos. As vezes a projeção é útil, é a coisa certa.” Sua observação é sábia. Eu sabia que estava me matando de inanição, mas esse conhecimento não conseguia sair diretamente da sacola para a minha mente consciente. Ele precisava antes passar pelo mundo. “Como são perversos os publicitários”, eu dizia para mim mesmo. Marie-Louise von Franz nos faz lembrar que, se não projetarmos, nunca conseguiremos estabelecer uma conexão com o mundo. As mulheres reclamam que o homem pega seu lado feminino ideal e o projeta sobre elas. Mas se não fizesse isso, como poderia ele sair da casa da mãe ou do apartamento de solteiro? A questão não é tanto o fato de projetarmos, mas sim por quanto tempo mantemos a projeção sobre o outro. Projeção sem contato pessoal é perigoso. Milhares, milhões de homens americanos projetaram seu feminino interior sobre Marilyn Monroe. Se um milhão de homens deixou suas projeções sobre ela, o mais provável era que Marilyn morresse. Ela morreu. Projeção sem contato pessoal pode causar danos à pessoa que a recebe.

Seja dito também que Marilyn Monroe precisava dessas projeções como parte de sua ânsia de poder, e que sua perturbação certamente retrocedia a problemas na infância. Mas o processo de projetar e recolher a projeção — feito com tanta delicadeza, face a face, na cultura tribal — foge de controle quando entra em cena a comunicação de massa. Na economia da psique, a morte de Marilyn era inevitável c até mesmo certa. Nenhum ser humano pode receber tantas projeções — isto é, tanto conteúdo inconsciente — e sobreviver. Por isso é da maior importância que cada pessoa traga de volta suas próprias projeções.

Mas por que abrir mão ou colocar na sacola tanto de nós mesmos? Por que o fazemos ainda tão jovens? E se colocamos de lado tantas das nossas raivas, espontaneidades, fomes, entusiasmos, nossas porções rudes e feias, como podemos viver? O que nos mantêm vivos? Alice Miller analisou esse ponto no seu livro Prisioners of Childhood [Prisioneiros da Infância], publicado em brochura com o título The Drama of the Gifted Child [O Drama da Criança BemDotada].

O drama é este. Chegamos como bebês “trilhando nuvens de glória” e vindos das mais distantes amplidões do universo, trazendo conosco apetites bem preservados da nossa herança de mamíferos, espontaneidades maravilhosamente preservadas dos nossos 150 mil anos de vida nas árvores, raivas bem preservadas dos nossos 5 mil anos de vida tribal — em suma, irradiando nossos 360 graus — e oferecendo esse dom aos nossos pais. Eles não o queriam, Queriam uma linda menininha ou um lindo garotinho. Esse é o primeiro ato do drama. Não quer dizer que nossos pais fossem perversos; é que eles precisavam de nós para alguma coisa. Minha mãe, imigrante de segunda geração, precisava de meu irmão e de mim para dar um toque de classe à família. Fazemos o mesmo aos nossos filhos; é parte da vida neste planeta. Nossos pais rejeitaram aquilo que éramos antes de podermos falar e, assim, a dor da rejeição está provavelmente guardada em algum local pré-verbal dentro de nós.

Quando li o livro de Alice Miller, fiquei deprimido por três semanas. Com tantas coisas perdidas, o que podemos fazer? Podemos construir uma personalidade que seja mais aceitável aos nossos pais. Alice Miller concorda que traímos a nós mesmos mas diz, “Não se culpe por isso. Não há nada mais que você pudesse ter feito”. Nos tempos antigos, é provável que as crianças que se opunham aos pais fossem condenadas à morte. Fizemos, enquanto crianças, a única coisa sensata diante das circunstâncias. A atitude adequada, diz Alice Miller, é o luto.

Falemos agora dos outros tipos de sacolas. Quando colocamos muita coisa na nossa sacola particular, o resultado é nos sobrar pouca energia. Quanto maior a sacola, menor a energia. Algumas pessoas têm, por natureza, mais energia que outras; mas todos nós temos mais energia do que nos é possível usar. Para onde ela foi? Se colocamos nossa sexualidade na sacola enquanto somos crianças, é lógico que perdemos bastante energia. Quando coloca o seu lado masculino na sacola ou o enrola como um filme e guarda na lata, uma mulher perde energia. Assim, podemos imaginar que a nossa sacola pessoal contém energia que agora não está à nossa disposição, Se um homem diz que não é criativo, quer dizer que ele guardou sua criatividade na sacola. O que ele quer dizer com “Eu não sou criativo”? Não seria “Deixe para o especialista”? Ora, é exatamente isso que ele está dizendo! O que ele quer é um poeta de aluguel, um mercenário caído dos céus. Ele deveria, isso sim, estar escrevendo os seus próprios poemas.

Já falamos da nossa sacola pessoal, mas parece que cada cidade ou comunidade também possui a sua sacola. Vivi muitos anos nos arredores de uma cidadezinha agrícola de Minnesota. Esperava-se que cada habitante daquela cidade tivesse os mesmos objetos na sacola; ora, qualquer aldeia grega teria objetos diferentes na sacola! E como se a cidade, por uma decisão psíquica coletiva, colocasse certas energias na sacola e tentasse impedir que alguém as tirasse de lá. Nesse assunto, as cidades interferem com nossos processos particulares e é por isso que é mais perigoso viver nas cidades do que junto à natureza. Por outro lado, certos ódios ferozes que sentimos numa cidade pequena às vezes nos ajudam a ver para onde foram as nossas projeções. A comunidade junguiana, como a cidade, tem a sua sacola; ela geralmente recomenda aos junguianos que mantenham a vulgaridade e o amor ao dinheiro na sacola. Mas a comunidade freudiana geralmente exige que os freudianos mantenham sua vida religiosa na sacola.

Existe também uma sacola nacional, e a nossa é bem comprida. A Rússia e a China têm defeitos dignos de nota; mas se um cidadão americano tiver curiosidade de saber o que existe na nossa sacola nacional neste instante, basta ouvir com atenção algum funcionário do Departamento de Estado criticando a Rússia. Como dizia Ronald Reagan, nós somos nobres; as outras nações têm impérios. As outras nações suportam lideranças estagnadas, tratam as minorias com brutalidade, fazem lavagem cerebral em seus jovens e rompem tratados. Um russo poderá descobrir a respeito da sacola russa lendo algum artigo do Pravda sobre os Estados Unidos. Estamos lidando com uma rede de sombras, um padrão de sombras projetado por ambos os lados e todos se encontrando em algum ponto no ar. Não estou dizendo nada de novo com esta metáfora, mas quero tomar bem clara a distinção entre a sombra pessoal, a sombra da cidade e a sombra nacional.

Usei três metáforas aqui: a sacola, a lata de filme e a projeção. Já que a lata (ou sacola) está fechada e suas imagens permanecem na escuridão, só podemos ver o seu conteúdo quando o lançamos — com a maior inocência, como costumamos dizer — lá fora no mundo. E então as aranhas se tornam más, as serpentes astuciosas e os bodes libidinosos; os homens tornam-se lineares, as mulheres passam a ser fracas, os russos deixam de ter princípios e todos os chineses se parecem. Apesar de tudo, é precisamente através desse “mar de lama” dispendioso, prejudicial, ruinoso e confuso que acabaremos por entrar em contato com a lama sob nossos pés.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-comprida-sacola-que-arrastamos-atras-de-nos/

A Paráfrase de Sem

SOBRE O NÃO-CONCEBIDO:

A paráfrase sobre o espírito não-concebido; o que Derdekeas me revelou, Sem, de acordo com a vontade da majestade.

SEM TEM UMA VISÃO:

Meu pensamento, que estava em meu corpo, me arrancou da minha raça. Ele me levou até o topo do mundo, que está próximo à luz que brilhava sobre toda a região. Não vi nenhuma semelhança com a terra, mas havia luz.  E meu pensamento se separou do corpo de escuridão como se estivesse dormindo.

DERDEKEAS FALA A SEM SOBRE OS PODERES DO UNIVERSO:

Ouvi uma voz que me dizia: “Sem, como você é de um poder não misturado e é o primeiro ser sobre a terra, ouça e entenda o que lhe direi primeiro a respeito dos grandes poderes que existiam no início antes de eu aparecer. Havia luz e escuridão, e havia espírito entre elas.  Como sua raiz caiu no esquecimento – o que era o espírito não concebido – eu lhe revelo a verdade sobre os poderes.  A luz era pensada, cheia de atenção e razão; eles estavam unidos em uma só forma. E a escuridão era o vento nas águas. Ele possuía a mente envolta em fogo caótico. E o espírito entre eles era uma luz suave e humilde. Estas são as três raízes. Elas reinavam cada uma em si mesmas, sozinhas. E se cobriam mutuamente, cada uma com seu poder.

“Mas a luz, como possuía grande poder, conhecia a humilhação das trevas e sua desordem, ou seja, que a raiz não era reta”. A tortuosidade da escuridão era a falta de percepção, ou seja, a ilusão de que não há ninguém acima dele. E enquanto ele foi capaz de conter seu mal, ele estava coberto pela água. E ele se agitava. E o espírito se assustou com o som.  Ele se elevou até seu posto, e viu uma grande e escura água. E ele ficou enjoado. O pensamento do espírito olhou para baixo; ele viu a luz infinita. Mas ele foi negligenciado pela raiz pútrida. E, pela vontade da grande luz, a água escura se separou. A escuridão surgiu envolta em ignorância vil, e isto foi para que a mente pudesse se separar dele, porque ele se orgulhava disso.

A ESCURIDÃO VÊ O ESPÍRITO:

“Quando as trevas se agitaram, a luz do espírito lhe apareceu. Quando ele a viu, ficou espantado. Ele não sabia que outro poder estava acima dele. E quando viu que sua semelhança era escura em comparação com o espírito, sentiu-se magoado. E em sua dor ele levantou, acima da altura dos membros da escuridão, sua mente, que era o olho da amargura do mal. Ele fez com que sua mente tomasse forma em um membro das porções do espírito, pensando que, olhando para baixo para seu mal, ele seria capaz de igualar o espírito.  Mas ele não era capaz, pois queria fazer uma coisa impossível, e isso não aconteceu. Mas para que a mente das trevas, que é o olho da amargura do mal, não fosse destruída, já que ele foi feito parcialmente semelhante, ele se levantou e brilhou com uma luz ardente sobre todo o Hades, para que a igualdade da luz impecável pudesse se tornar aparente. Pois o espírito se beneficiou de toda forma de escuridão, pois ele apareceu em sua majestade.

“E a luz exaltada e infinita apareceu, pois ele estava muito alegre. Ele desejava revelar-se ao espírito. E a semelhança da luz exaltada apareceu para o espírito não percebido. Eu apareci.  Eu sou o filho da luz incorruptível e infinita. Eu apareci à semelhança do espírito, pois sou o raio da luz universal. E sua aparência para mim era para que a mente das trevas não permanecesse no Hades. Pois a escuridão se fez semelhante a sua mente em uma porção dos membros. Quando eu, ó Sem, apareci à semelhança, para que as trevas se tornassem escuras para si mesmo, de acordo com a vontade da majestade, e para que as trevas se tornassem desprovidas de todos os aspectos do poder que possuía, a mente atraiu o fogo caótico, com o qual estava coberta, do meio das trevas e da água. E da escuridão a água se tornou uma nuvem, e da nuvem o ventre tomou forma.  O fogo caótico, que era um desvio, foi para lá.

A ESCURIDÃO EJACULA A MENTE PARA DENTRO DO ÚTERO DA NATUREZA:

“E quando a escuridão viu o útero, ele se tornou incasto. E quando ela despertou a água, ela esfregou o útero. Sua mente se dissolveu até as profundezas da natureza. Misturou-se com o poder da amargura da escuridão. E o olho do útero rompeu com a maldade, para que ela não voltasse a trazer a mente à tona. Pois era uma semente da natureza a partir da raiz escura. E quando a natureza tinha tomado para si a mente por meio do poder das trevas, todas as semelhanças tomaram forma nela. E quando as trevas haviam adquirido a semelhança da mente, ela se assemelhava ao espírito. Pois a natureza se levantou para expulsá-la; ela era impotente contra ela, já que não tinha uma forma da escuridão. Pois ela a trouxe à tona na nuvem. E a nuvem brilhava. Uma mente aparecia nela como um fogo assustador e nocivo. A mente colidiu contra o espírito não concebido, pois possuía uma semelhança dele, a fim de que a natureza pudesse se esvaziar do fogo caótico.

E imediatamente a natureza foi dividida em quatro partes. Elas se tornaram nuvens que variavam em sua aparência. Eram chamadas de hímen, pós-parto, poder e água.  E o hímen, o pós-nascimento e o poder eram fogos caóticos. E a mente foi tirada do meio da escuridão e da água – já que a mente estava no meio da natureza e do poder das trevas – para que as águas nocivas não se apegassem a ela. Por causa disso, a natureza foi dividida, de acordo com minha vontade, para que a mente pudesse retornar ao seu poder, que a raiz escura, misturada com a mente, havia tirado dela. E a raiz escura apareceu no ventre. Na divisão da natureza, a raiz escura separou-se do poder escuro, que ela possuía da mente. A mente foi para o meio do poder – esta era a região do meio da natureza.

A LUZ DO ESPÍRITO ESTÁ NOS CONFINS DA NATUREZA:

“O espírito de luz, quando a mente o sobrecarregou, ficou espantado. E a força de seu assombro o tirou do fardo. E ele voltou ao seu calor. Ele acendeu a luz do espírito. E quando a natureza se afastou do poder da luz do espírito, o fardo voltou. E o assombro da luz novamente lançou fora o fardo. Ela se agarrou à nuvem do hímen.  E todas as nuvens das trevas gritaram, elas que haviam se separado do Hades, por causa do poder alienígena.

“Este é o espírito de luz que entrou nelas”. E pela vontade da majestade o espírito olhou para a luz infinita, para que sua luz possa ser piedosa e a semelhança possa ser trazida para cima do Hades. E quando o espírito tinha olhado, eu fluí para fora – eu, o filho da majestade – como uma onda de luz e como um redemoinho do espírito imortal. E eu soprei da nuvem do hímen sobre o espanto do espírito não percebido. A nuvem separou e lançou luz sobre as nuvens. Estas se separaram para que o espírito pudesse retornar. Por causa disso, a mente tomou forma. Seu descanso foi despedaçado. Pois o hímen da natureza era uma nuvem que não podia ser agarrada; é um grande fogo. Da mesma forma, o resplendor da natureza é a nuvem do silêncio; é um fogo augusto. E o poder que se misturou com a mente – foi também uma nuvem da natureza que se uniu à escuridão que havia despertado a natureza para o descaso. E a água escura era uma nuvem assustadora. E a raiz da natureza, que estava abaixo, era tortuosa, pois era pesada e prejudicial. A raiz estava cega para a luz amarrada, o que era insondável porque tinha muitas aparências.

DERDEKEAS APELA EM NOME DO ESPÍRITO:

“Tive piedade da luz do espírito que a mente tinha recebido”. Voltei à minha posição para rezar à luz exaltada e infinita para que o poder do espírito pudesse aumentar ali e pudesse ser preenchido sem impurezas escuras. E reverentemente eu disse: “Você é a raiz da luz”. Sua forma oculta apareceu, ó exaltada, infinita. Que todo o poder do espírito se espalhe e que seja preenchido com sua luz, ó luz infinita. Então não poderá unir-se ao espírito não concebido, e o poder do espanto não poderá misturar-se com a natureza. De acordo com a vontade da majestade, minha oração foi aceita.

“E a voz da palavra foi ouvida dizendo através da majestade do espírito não-concebido, ‘Vejam, o poder foi completado’. Aquele que foi revelado por mim apareceu no espírito”.

“Novamente eu aparecerei”. Eu sou Derdekeas, o filho da luz incorruptível e infinita.

“A luz do espírito infinito desceu à natureza fraca por um curto período de tempo até que toda a impureza da natureza se tornou nula, e para que a escuridão da natureza pudesse ser exposta. Vesti meu traje, que é o traje da luz da majestade – que eu sou”.  Vim na aparência do espírito para considerar toda a luz, que estava nas profundezas das trevas, segundo a vontade da majestade, a fim de que o espírito, por meio da palavra, pudesse ser preenchido com sua luz independentemente do poder da luz infinita. E, segundo meu desejo, o espírito surgiu por seu próprio poder. Sua grandeza lhe foi concedida para que pudesse ser preenchido com toda sua luz e se afastar de toda a carga da escuridão. Pois o que estava por trás era um fogo escuro que soprava e pressionava o espírito. E o espírito se regozijou porque ele estava protegido da água assustadora. Mas sua luz não era igual à majestade. O que lhe foi concedido pela luz infinita foi dado para que em todos os seus membros ele pudesse aparecer como uma única imagem de luz. E quando o espírito se levantava sobre a água, sua semelhança escura se tornava aparente. E o espírito honrou a luz exaltada: “Certamente só tu és o infinito, porque estás acima de tudo o que não é concebido, pois me protegeste das trevas”. E a teu desejo eu me levantei acima do poder das trevas”.

“E para que nada se escondesse de ti, Sem, surgiu o pensamento, que o espírito da grandeza havia contemplado, já que as trevas não eram capazes de conter seu mal. Mas quando o pensamento apareceu, as três raízes ficaram conhecidas como eram desde o início. Se as trevas tivessem sido capazes de conter seu mal, a mente não teria se separado dele, e outro poder não teria surgido.

DERDEKEAS ILUMINA A LUZ DO ESPÍRITO:

“Mas desde o momento em que parecia que eu era visto, o filho da majestade, para que a luz do espírito não se desvanecesse, e que a natureza não reinasse sobre ela, porque ela me olhava fixamente.

“E pela vontade da grandeza minha igualdade foi revelada, que o que é do poder poderia se tornar aparente. Você é o grande poder que surgiu, e eu sou a luz perfeita que está acima do espírito e das trevas, aquele que envergonha as trevas pelo coito da fricção impura”. Pois através da divisão da natureza a majestade desejava ser coberta de honra até o auge do pensamento do espírito. E o espírito recebeu o descanso em seu poder. Pois a imagem da luz é inseparável do espírito inconcebível. E os legisladores não o nomearam depois de todas as nuvens da natureza, nem é possível nomeá-lo. Pois cada semelhança em que a natureza se dividiu é um poder do fogo caótico, que é a semente material. Aquele que tomou para si o poder das trevas o aprisionou no meio de seus membros. E pela vontade da majestade, para que a mente e toda a luz do espírito pudessem ser protegidas de toda carga e do trabalho da natureza, uma voz saiu do espírito para a nuvem do hímen. E a luz do espanto começou a se alegrar com a voz que lhe foi concedida. E o grande espírito da luz estava na nuvem do hímen. Ele honrou a luz infinita e a semelhança universal, que eu sou, o filho da majestade, dizendo: ‘Anasses Duses, tu és a luz infinita que foi dada pela vontade da majestade para estabelecer cada luz do espírito sobre o lugar, e para separar a mente da escuridão’. Pois não era correto que a luz do espírito permanecesse no Hades. Pois, conforme vosso desejo, o espírito surgiu para contemplar vossa grandeza”.

DERDEKEAS PERTURBA OS PODERES DA NATUREZA:

“Porque eu te disse estas coisas, Sem, para que saibas que a minha semelhança, o filho da majestade, é do meu pensamento infinito, pois sou para ele uma semelhança universal que não mente, e estou acima de toda verdade e sou a origem da palavra. Sua aparência está em minha bela veste de luz, que é a voz do pensamento imensurável. Nós somos aquela única e única luz que surgiu. Ele apareceu em outra raiz, a fim de que o poder do espírito pudesse ser elevado da natureza débil. Pois pela vontade da grande luz eu saí do espírito exaltado até a nuvem do hímen sem a minha veste universal.

“E a palavra me tomou para si, do espírito, na primeira nuvem do hímen da natureza”. E eu me vesti com isto, do qual a majestade e o espírito inconcebível me fizeram digno”. E a tríplice unidade de minha veste apareceu na nuvem, pela vontade da majestade, em uma única forma. E minha semelhança foi coberta com a luz da minha veste. E a nuvem foi perturbada, e não foi capaz de tolerar minha semelhança. Ela derramou o primeiro poder, que havia tirado do espírito – o que brilhou sobre ele desde o início, antes que eu aparecesse na palavra ao espírito. A nuvem não teria sido capaz de tolerar os dois. E a luz que saía da nuvem passou pelo silêncio até chegar à região do meio. E pela vontade da majestade, a luz se misturou com ele, ou seja, o espírito que existe no silêncio, que havia sido separado do espírito da luz. Ela foi separada da luz pela nuvem do silêncio. A nuvem foi perturbada. Foi ele quem deu descanso à chama do fogo. Ele humilhou o ventre escuro para que ela não revelasse outras sementes da escuridão. Ele os manteve de volta na região central da natureza em sua posição, que era na nuvem. Ficaram perturbados porque não sabiam onde estavam. Pois ainda não possuíam a compreensão universal do espírito.

“E quando rezei para a majestade, para a luz infinita, para que o poder caótico do espírito pudesse ir e vir, e o ventre escuro pudesse ser estéril, e que minha semelhança pudesse aparecer na nuvem do hímen, como se eu estivesse envolto na luz do espírito que me precedeu, e pela vontade da majestade e através da oração, eu vim na nuvem para que através da minha veste – que era do poder do espírito – o pleroma da palavra pudesse trazer poder aos membros que o possuíam na escuridão. Pois por causa deles eu apareci neste lugar insignificante. Pois sou um ajudante de todos que receberam um nome. Quando apareci na nuvem, a luz do espírito começou a se salvar da água assustadora e das nuvens de fogo que haviam sido separadas da natureza escura. E eu lhes dei a honra eterna de não se envolverem novamente na fricção impura.

“E a luz que estava no hímen foi perturbada pelo meu poder, e passou pela minha região do meio. Estava repleta do pensamento universal. E, através da palavra da luz do espírito, voltou ao seu descanso. Recebeu forma em sua raiz e brilhou sem deficiência. E a luz que tinha surgido com ela do silêncio foi para a região do meio e voltou ao lugar. E a nuvem resplandeceu. E dela saiu um fogo insaciável. E a porção que se separava do espanto se revestia de esquecimento.  Ela foi enganada pelo fogo das trevas. E o choque de seu assombro lançou fora o fardo da nuvem. Era o mal, pois era impuro. E o fogo se misturou com a água para que as águas pudessem se tornar prejudiciais.

“A natureza, que havia sido perturbada, surgiu imediatamente das águas ociosas. Pois sua ascensão era vergonhosa. E a natureza tomou para si o poder do fogo. Ela se tornou forte por causa da luz do espírito que estava na natureza. Sua semelhança apareceu na água na forma de uma besta assustadora com muitos rostos, que está torturada abaixo. Uma luz desceu ao caos cheia de névoa e poeira, a fim de prejudicar a natureza. E a luz do espanto na região do meio veio a ela depois que ele lançou fora o fardo da escuridão.  Ele se regozijou quando o espírito se levantou. Pois ele olhou das nuvens para as águas escuras sobre a luz que estava nas profundezas da natureza.

“Então eu parecia ter a oportunidade de descer para o mundo inferior, para a luz do espírito que estava sobrecarregado, para protegê-lo do mal do fardo”. E, através de seu olhar para a região escura, a luz mais uma vez veio à tona, para que o ventre pudesse novamente subir da água. O ventre veio à tona por minha vontade. Guiadamente, o olho se abriu. E a luz, que tinha aparecido na região do meio e que se tinha separado do espanto, descansou e brilhou sobre ela. E o ventre viu coisas que ela não tinha visto antes, e ela se alegrou alegremente com a luz, embora esta que apareceu na região do meio, em sua maldade, não seja dela. Quando a luz brilhou sobre ela, e o ventre viu coisas que ela não tinha visto, e ela foi levada até a água, ela pensou que tinha alcançado o poder da luz. E ela não sabia que sua raiz estava ociosa pela semelhança da luz, e que era para a raiz que ele havia corrido.

A LUZ REZA POR MISERICÓRDIA:

“A luz estava espantada, a que estava na região do meio e que estava no começo e no fim. Por isso, seu pensamento olhava diretamente para a luz exaltada. E ele chamou e disse: “Senhor, tem piedade de mim, pois minha luz e meu esforço se desviaram”. Pois se vossa bondade não me estabelece, eu não sei onde estou”. E quando a majestade o ouviu, ele teve piedade dele.

“E eu apareci na nuvem do hímen, em silêncio, sem minha santa vestimenta”. Com minha vontade honrei minha veste, que tem três formas na nuvem do hímen. E a luz que estava no silêncio, aquela do poder regozijante, me conteve. Eu a usei.  E suas duas partes apareceram em uma única forma. Suas outras partes não apareceram por causa do fogo. Tornei-me incapaz de falar na nuvem do hímen, pois seu fogo era assustador, levantando-se sem diminuir. E para que minha grandeza e a palavra aparecessem, coloquei igualmente minha outra veste na nuvem do silêncio. Entrei na região do meio e coloquei a luz que estava nela, que estava afundada no esquecimento e que estava separada do espírito de espanto, pois ele havia lançado fora o fardo. A meu desejo, nada de mortal lhe apareceu, mas todas elas eram coisas imortais que o espírito lhe concedeu. E ele disse na mente da luz: “AI EIS AI OU FAR DOU IA EI OU, eu vim em grande descanso para que ele possa dar descanso à minha luz em sua raiz, e possa tirá-la da natureza nociva”.

DERDEKEAS TRAZ UMA ROUPA ARDENTE E FAZ SEXO COM A NATUREZA:

“Então, por vontade da majestade, eu tirei minha roupa de luz. Coloquei outra veste de fogo, que não tem forma, que é da mente do poder, que foi separada, e que foi preparada para mim, de acordo com minha vontade, na região do meio.  Pois a região do meio a cobriu com um poder escuro para que eu pudesse vir e vesti-la. Eu desci ao caos para salvar dela toda a luz. Pois sem o poder da escuridão eu não poderia me opor à natureza. Quando cheguei à natureza, ela não podia tolerar meu poder. Mas eu me apoiei em seu olhar fixo, que era uma luz do espírito. Pois ela havia sido preparada para mim como uma vestimenta e descansada pelo espírito. Através de mim, ele abriu seus olhos para o Hades. Ele concedeu à natureza sua voz por um tempo.

“E minha veste de fogo, segundo a vontade da majestade, desceu ao que é forte, e à porção impura da natureza que o poder das trevas estava cobrindo. E minha vestimenta esfregou a natureza em sua cobertura.  E a sua feminilidade impura era forte. E o útero irado surgiu e secou a mente, assemelhando-se a um peixe que tem uma gota de fogo e um poder de fogo. E, quando a natureza se livrou da mente, ela ficou perturbada e chorou.  Quando ela se machucou e em suas lágrimas, ela lançou fora o poder do espírito e permaneceu como eu estou. Coloquei a luz do espírito e descansei com minha roupa por causa da visão do peixe. E que os feitos da natureza poderiam ser condenados, já que ela é cega, de acordo com o número dos ventos fugazes, saíram dela múltiplos animais.  Todos eles surgiram no Hades, em busca da luz da mente que tomou forma. Eles não foram capazes de se opor a ela. Eu me regozijei com a ignorância deles.

DERDEKEAS ENGANA A NATUREZA, E A CRIAÇÃO COMEÇA:

“Eles me encontraram, o filho da majestade, em frente ao útero que tem muitas formas. Coloquei sobre a besta e lhe fiz um grande pedido para que o céu e a terra pudessem vir à existência, para que toda a luz pudesse se levantar.  Pois de nenhuma outra forma o poder do espírito poderia ser salvo da escravidão, exceto que eu lhe aparecesse em forma animal. Portanto, ela foi graciosa comigo como se eu fosse seu filho. E por causa do meu pedido, a natureza surgiu, pois ela possui o poder do espírito e a escuridão e o fogo. Pois ela havia tirado suas formas. Quando ela a jogou fora, ela soprou sobre a água.  O céu foi criado. E da espuma do céu surgiu a terra. E a meu desejo, ela produziu todo tipo de alimento de acordo com o número dos animais. E trouxe o orvalho dos ventos por causa de você e daqueles que serão concebidos pela segunda vez sobre a terra. Pois a terra possuía um poder de fogo caótico. Por isso, ela produziu cada semente. E quando o céu e a terra foram criados, minha veste de fogo surgiu no meio da nuvem da natureza e brilhou sobre o mundo inteiro até que a natureza se tornou seca. A escuridão que era a vestimenta da terra foi lançada nas águas nocivas. A região do meio foi limpa da escuridão. Mas o ventre se entristeceu por causa do que havia acontecido. Ela percebeu, em suas partes, a água como um espelho. Quando ela a percebeu, ela se perguntou como ela havia surgido. Portanto, ela permaneceu viúva. Também se espantou que não estivesse nela. Pois as formas ainda possuíam um poder de fogo e de luz. O poder permaneceu, que poderia estar na natureza até que todos os poderes lhe fossem tirados. Pois assim como a luz do espírito foi completada em três nuvens, é necessário também que o poder que está no Hades seja completado no momento designado. Pois, por causa da graça da majestade, eu saí da água para ela pela segunda vez. Pois meu rosto a agradou. Seu rosto também estava contente.

DERDEKEAS ORDENA À NATUREZA QUE DÊ À LUZ:

“E eu lhe disse: ‘Que a semente e o poder venham de vós sobre a terra’.  E ela obedeceu à vontade do espírito para que ela pudesse ser levada a nada. E quando suas formas voltaram, eles esfregaram a língua uns com os outros e copularam; produziram ventos e demônios e o poder que vem do fogo e da escuridão e do espírito.  Mas a forma que permaneceu sozinha expulsou a besta de si mesma. Ela não teve relações sexuais, mas foi ela quem se esfregou sozinha. E ela trouxe um vento que possuía um poder do fogo, da escuridão e do espírito.

“E para que os demônios também pudessem ficar desprovidos do poder que possuíam através das relações sexuais impuras, um ventre estava com os ventos que se assemelhavam à água. E um pênis impuro estava com os demônios de acordo com o exemplo da escuridão, e na forma como ele esfregou com o ventre desde o início”. E após as formas da natureza terem estado juntas, elas se separaram umas das outras. Eles se livraram do poder, ficando espantados com o engano que lhes havia acontecido. Eles sofreram com um luto eterno. Cobriram-se com seu poder.

“E quando os envergonhei, levantei-me com minha veste no poder – que está acima da besta, o que é uma luz – para que eu pudesse tornar a natureza desolada. A mente que tinha aparecido na natureza das trevas, e que era o olho das trevas, ao meu desejo reinou sobre os ventos e os demônios.  E eu lhe dei uma semelhança de fogo, luz e atenção, e uma quota-parte de razão sem astúcia. Portanto, ele foi dado da grandeza para ser forte em seu poder, independente do poder, independente da luz do espírito e do coito das trevas, para que, no final dos tempos, quando a natureza for destruída, ele possa descansar no lugar de honra. Pois ele será encontrado fiel, pois odiou o descaso da natureza com a escuridão. O forte poder da mente surgiu da mente e do espírito não-concebido. Mas os ventos, que são demônios da água e do fogo e das trevas e da luz, tiveram relações sexuais até a perdição. E através deste coito os ventos receberam em seu ventre espuma do pênis dos demônios. Eles conceberam um poder em seu ventre. Desde a respiração, os ventres dos ventos se cingiram até chegar o momento do nascimento. Eles desceram para a água. E o poder foi dado, através da respiração que causa o nascimento, no meio da fricção. E cada forma do nascimento recebeu forma nele. Quando os tempos do nascimento estavam próximos, todos os ventos eram colhidos da água que está perto da terra. Eles deram à luz todos os tipos de desencanto. E o lugar para onde apenas o vento ia era permeado pela falta de castidade. Dele saíram as esposas estéreis e os maridos estéreis. Pois assim como elas nascem, assim elas suportam.

OS DEMÔNIOS TRAZEM A INUNDAÇÃO E A TORRE DE BABEL:

“Por sua causa, a imagem do espírito apareceu na terra e na água”. Pois você é como a luz. Vocês possuem uma parte dos ventos e dos demônios e um pensamento da luz do poder do espanto. Pois tudo o que ele trouxe do ventre sobre a terra não foi uma coisa boa para ela, mas foi seu gemido e sua dor, por causa da imagem que em você apareceu do espírito. Pois você está exaltado em seu coração. E é uma bênção, Sem, se uma porção é dada a alguém e ele se afasta da alma para ir ao pensamento da luz. Pois a alma é um fardo para as trevas, e aqueles que sabem de onde veio a raiz da alma poderão apalpar atrás da natureza também. Pois a alma é uma obra de descortesia e um objeto de desprezo para o pensamento da luz. Pois eu sou aquele que revelou sobre tudo o que não é percebido.

“E para que o pecado da natureza pudesse ser preenchido, eu fiz o ventre, que foi perturbado, agradado – a sabedoria cega – que eu poderia ser capaz de trazê-lo a nada.  E, a meu desejo, ele conspirou com a água das trevas e também com as trevas, para que ferissem todas as formas de seu coração. Pois pela vontade da luz do espírito eles o cercaram; eles o amarraram na fé. E para que sua mente se tornasse ociosa, ele enviou um demônio, para que o plano de sua maldade fosse proclamado. E ele causou uma inundação, e destruiu sua raça, para tirar a luz e tirar-lhe a fé. Mas eu proclamei rapidamente pela boca do demônio que uma torre chegava até a partícula de luz, que ficou nos demônios e em sua raça – que era água – que o demônio poderia ser protegido do caos turbulento. E o ventre planejou estas coisas de acordo com minha vontade, para que ela pudesse derramar completamente. Uma torre veio a ser através dos demônios.  A escuridão foi perturbada por sua perda. Ele afrouxou os músculos do útero. E o demônio que ia entrar na torre foi protegido para que as raças pudessem continuar e pudessem adquirir coerência através dele. Pois ele possui o poder de todas as formas.

“Voltai doravante, ó Sem, e regozijai-vos muito sobre vossa raça e vossa fé, pois sem corpo e sem necessidade está protegida de todo corpo de trevas, dando testemunho das coisas santas da grandeza que lhes foram reveladas em seu pensamento pela minha vontade. E descansarão no espírito não concebido, sem luto. Mas vós, Sem, por causa disso, permanecestes no corpo fora da nuvem de luz, para que permanecêsseis com fé.  E a fé virá até você. Seu pensamento será tomado e dado a você com a consciência da luz. Eu lhe disse estas coisas para o benefício de sua raça, a partir da nuvem de luz. E da mesma forma, o que eu vos direi a respeito de tudo, eu vos revelarei completamente, para que o reveleis àqueles que estarão sobre a terra pela segunda vez.

UMA PERTURBAÇÃO DESFAZ O PODER DA NATUREZA:

“Ó Sem, a perturbação que ocorreu em meu desejo aconteceu para que a natureza pudesse ficar vazia.  Pois a cólera da escuridão diminuiu. Ó Sem, a boca da escuridão estava fechada. Já não aparece nela a luz que brilhava para o mundo, de acordo com minha vontade. E quando a natureza disse que seu desejo tinha sido realizado, então toda forma foi engolfada pelas águas na ignorância orgulhosa. A natureza transformou sua vagina escura e lançou dela o poder do fogo, que estava nela desde o início, através da fricção da escuridão. Ela se levantou e brilhou sobre o mundo inteiro ao invés do justo. E todas as suas formas enviaram um poder como uma chama de fogo para o céu, como uma ajuda à luz corrompida, que se elevou a si mesma. Pois eles eram membros do fogo caótico. E ela não sabia que havia se machucado. Quando ela lançava o poder, o poder que possuía, ela o lançava para fora dos genitais. O demônio, que é um enganador, despertou o ventre em todas as suas formas.

“E na sua ignorância, como se estivesse fazendo uma grande coisa, ela concedeu aos demônios e aos ventos uma estrela cada um. Pois sem vento e sem estrela nada acontece sobre a terra. Pois cada poder é preenchido por eles depois que são libertados das trevas e do fogo e do poder e da luz. Pois no lugar onde suas trevas e seu fogo se misturaram entre si, animais foram trazidos à luz. E no lugar das trevas e do fogo, e do poder da mente, e da luz, os seres humanos vieram à existência. Sendo do espírito, o pensamento da luz, meu olho, não existe em todas as pessoas. Pois antes que a inundação viesse dos ventos e dos demônios, a chuva vinha para as pessoas. Mas então, para que o poder que está na torre pudesse ser trazido e descansar sobre a terra, a natureza, que tinha sido perturbada, quis prejudicar a semente que estará sobre a terra depois do dilúvio. Foram-lhes enviados demônios, e um desvio dos ventos, e um fardo dos anjos, e um medo do profeta, uma condenação da fala, para que eu possa ensinar-lhes, ó Sem, de que cegueira sua raça é protegida. Quando eu vos tiver revelado tudo o que foi dito, então o justo brilhará sobre o mundo com a minha veste. E a noite e o dia serão separados.  Pois eu me apressarei a descer ao mundo para levar a luz daquele lugar, aquele que a fé possui. E eu irei aparecer àqueles que vão adquirir o pensamento da luz do espírito. Pois por causa deles apareceu minha majestade.

SODOMA, CIDADE DA GNOSE, É INJUSTAMENTE QUEIMADA:

“Quando ele tiver aparecido, ó Sem, sobre a terra, no lugar que se chamará Sodoma, então salvaguarde o discernimento que eu lhe darei”.  Pois aqueles cujo coração era puro se congregarão a vós, por causa da palavra que revelareis”. Pois quando aparecerdes no mundo, a natureza escura tremerá contra vós, juntamente com os ventos e um demônio, para que destruam o discernimento. Mas vós, proclamai rapidamente aos sodomitas vosso ensinamento universal, pois eles são vossos membros. Pois o demônio da forma humana se separará daquele lugar por minha vontade, uma vez que ele é ignorante. Ele guardará este enunciado. Mas os Sodomitas, segundo a vontade da majestade, darão testemunho do testemunho universal. Descansarão com a consciência pura no lugar de seu repouso, que é o espírito inconcebível. E como estas coisas acontecerão, Sodoma será queimado injustamente por uma natureza básica. Pois o mal não cessará, para que Vossa Majestade possa revelar esse lugar.

“Então o demônio partirá com fé. E então ele aparecerá nas quatro regiões do mundo. E quando a fé aparecer na última semelhança, então sua aparência se tornará manifesta. Pois o primogênito é o demônio que apareceu na união da natureza com muitas faces, para que a fé apareça nele.  Pois quando ele aparecer no mundo, surgirão paixões malignas, terremotos, guerras, fomes e blasfêmias. Pois por causa dele, o mundo inteiro será perturbado. Ele buscará o poder da fé e da luz; ele não o encontrará. Pois naquele momento o outro demônio aparecerá no rio para batizar com um batismo imperfeito e para perturbar o mundo com uma escravidão da água.  Mas é necessário que eu apareça nos membros do pensamento de fé para revelar as grandes coisas do meu poder. Vou separá-lo do demônio, que é Soldas.  E a luz que ele possui do espírito misturar-me-ei com minha veste invencível, bem como com aquele que revelarei nas trevas para vosso bem e para o bem de vossa raça, que será protegido das trevas malignas.

A LITANIA:

“Sabe, ó Sem,

que sem Elorchaios e Amoias

e Strofaias e Chelkeak

e Chelkea e Elaios,

ninguém poderá passar por aqui

esta região perversa.

Pois este é o meu testemunho,

que através dela eu tenho sido vitorioso

a região malvada.

E eu tomei a luz do espírito

da água assustadora.

Para quando os dias designados do demônio…

aquele que batizará erroneamente…

chegar perto, então eu aparecerei

no batismo do demônio

para revelar com a boca da fé

um testemunho para aqueles que lhe pertencem.

Testemunho de vocês, centelha, insaciável,

Osei, o eleito da luz, o olho do céu,

e a fé, a primeira e a última,

e Sofia, e Safaia, e Safaina,

e a centelha justa,

e a luz impura.

E você, ao leste, ao oeste, ao norte e ao sul,

ar superior e ar inferior,

e todos os poderes e autoridades,

você está na criação.

E você, Moluchtha e Soch,

são de todos os trabalhos

e todo esforço impuro da natureza.

“Então, eu irei através do demônio até a água”. E redemoinhos de água e chamas de fogo se erguerão contra mim. Então eu subirei da água, tendo acendido a luz da fé e o fogo insaciável, para que, com minha ajuda, o poder do espírito possa atravessar, ela que foi lançada no mundo pelos ventos, pelos demônios e pelas estrelas”. E neles serão preenchidos todos os inquebrantáveis.

“Finalmente, ó Sem, considera-te agradável no pensamento da luz. Não deixe que seu pensamento tenha relação com o fogo e o corpo de escuridão, que foi uma obra impura”. Estas coisas que eu te ensino estão certas.

A PARÁFRASE:

“Esta é a paráfrase: pois você não se lembrou que é do firmamento que sua raça tem sido protegida. Elorchaios é o nome da grande luz, o lugar de onde eu vim, a palavra que não tem igual. E a semelhança é a minha honrosa vestimenta. E Derdekeas é o nome de sua palavra na voz da luz. E Strofaia é o olhar abençoado, que é o espírito. E Chelkeach é minha veste, que veio do espanto, que estava na nuvem do hímen que apareceu como uma nuvem com três formas. E Chelkea é minha veste que tem duas formas, aquele que estava na nuvem do silêncio. E Chelke é a minha veste que lhe foi dada de cada região; foi dada de uma única forma da grandeza, e ele estava na nuvem da região do meio. E a estrela da luz que foi mencionada é minha veste invencível, que usei no Hades; esta, a estrela da luz, é a misericórdia que supera o pensamento e o testemunho daqueles que dão testemunho. E o testemunho foi mencionado: o primeiro e o último, a fé, a mente do vento das trevas. E Sofaia e Safaina estão na nuvem daqueles que foram separados do fogo caótico. E a centelha justa é a nuvem de luz que brilhou no meio de vocês. Pois na nuvem de luz, minha roupa descerá ao caos. Mas a luz impura, um poder, apareceu na escuridão e pertence à natureza escura. E o ar superior e o ar inferior, e os poderes e as autoridades, os demônios e as estrelas, estes possuíam uma partícula de fogo e uma luz do espírito. E Moluchthas é um vento, pois sem ele nada é trazido sobre a terra. Ele tem a semelhança de uma serpente e de um unicórnio. Suas protuberâncias são múltiplas asas. E o restante é o ventre que foi perturbado.

A BÊNÇÃO DE SEM E DO POVO DE ESPÍRITO:

“Você é abençoado, Sem, pois sua raça foi protegida do vento negro, que é de muitas caras”. E eles darão testemunho do testemunho universal e da fricção impura da natureza”. E eles se tornarão mais elevados de espírito, lembrando-se da luz.

“Ó Sem, ninguém que usa o corpo será capaz de completar estas coisas”. Mas através da lembrança, ele será capaz de compreendê-las, para que, quando sua mente se separar do corpo, estas coisas possam então ser-lhe reveladas”. Elas foram reveladas à sua raça. Ó Sem, é difícil para alguém que usa um corpo completar estas coisas, como eu disse a você. E é um pequeno número que as completará, aqueles que possuem a partícula da mente e o pensamento da luz do espírito. Eles vão manter sua mente longe da fricção impura. Para muitos na raça da natureza, buscarão a segurança do poder. Não a encontrarão, nem serão capazes de fazer a vontade da fé. Pois eles são a semente da escuridão universal. Eles serão encontrados em muito sofrimento. Os ventos e os demônios os odiarão. E a escravidão do corpo é severa. Pois onde os ventos, e as estrelas, e os demônios são expulsos do poder do espírito, aí vem sobre eles o arrependimento e o testemunho, e a misericórdia os conduzirá ao espírito inconcebível. E aqueles que estão arrependidos encontrarão descanso na consumação e na fé, no lugar do hímen. Esta é a fé que encherá o lugar que foi deixado vazio. Mas aqueles que não participam do espírito de luz e da fé dissolver-se-ão na escuridão, o lugar onde não veio o arrependimento.

“Fui eu quem abriu os portões eternos que estavam fechados desde o início. Aos que anseiam pelo melhor da vida, e aos que são dignos de descanso, ele os revelou. Eu concedi percepção àqueles que percebem. Eu lhes revelei todos os pensamentos e os ensinamentos dos justos. E não me tornei inimigo deles de modo algum. Mas quando eu tinha suportado a ira do mundo, eu saí vitorioso. Não havia nenhum deles que me conhecesse. As portas de fogo e a fumaça sem fim se abriram contra mim. Todos os ventos se levantaram contra mim. Os trovões e os relâmpagos por um tempo se levantarão contra mim. E eles trarão sua ira sobre mim. E por minha causa, em relação à carne, eles governarão sobre eles de acordo com sua raça.

O BATISMO IMPURO LEVA À ESCRAVIDÃO:

“E muitos que vestem carne errante descerão às águas prejudiciais através dos ventos e dos demônios. E eles estão presos pela água.  E a água se curará com um remédio fútil”. Ela desviará, e ligará o mundo. E aqueles que fazem a vontade da natureza … duas vezes no dia da água e das formas da natureza. E não lhes será concedida, quando a fé os perturbar para tomar para si o justo.

“Ó Sem, é necessário que o pensamento seja chamado pela palavra para que a escravidão do poder do espírito possa ser salva da água assustadora”. E é uma bênção se for concedido a alguém contemplar o que é exaltado e conhecer o tempo exaltado e a escravidão”. Pois a água é um corpo insignificante. E as pessoas não são libertadas porque estão presas na água, assim como desde o início a luz do espírito estava presa.

“Ó Sem, eles são enganados por diversos demônios, pensando que através do batismo com a imundícia da água, que é escura, fraca, ociosa e perturbadora, a água tirará os pecados. E eles não sabem que da água para a água há escravidão, erro, desconchavo, inveja, assassinato, adultério, falso testemunho, heresias, roubos, cobiças, balbucios, ira, amargura. . . . Portanto, há muitas mortes que sobrecarregam seus pensamentos. Pois eu o predigo àqueles que têm compreensão. Eles se absterão do batismo impuro. E aqueles que têm compreensão da luz do espírito não terão relações com a fricção impura. E seu coração não desmaiará, nem amaldiçoará, nem honrará a água. Onde está a maldição, há a deficiência. E a cegueira é onde está a honra. Pois se eles se misturam com os maus, tornam-se vazios na água escura. Onde a água foi mencionada, há a natureza, o juramento, a mentira e a perda. Pois somente no espírito não concebido, onde a luz exaltada descansou, a água não foi mencionada, nem pode ser mencionada.

“Pois esta é minha aparência: quando tiver completado os tempos que me são atribuídos sobre a terra, então lançarei de mim minha veste de fogo”. E minha inigualável vestimenta brilhará sobre mim, e todas as minhas outras vestimentas que eu colocarei em todas as nuvens que foram do assombro do espírito. Pois o ar rasgará minha vestimenta. Minha roupa brilhará, e dividirá todas as nuvens até a raiz da luz. O descanso é a mente e minha vestimenta. E minhas roupas restantes, as da esquerda e as da direita, brilharão nas costas a fim de que a imagem da luz possa aparecer. Pois no último dia minhas peças de vestuário que coloco nas três nuvens descansarão em sua raiz, ou seja, no espírito não concebido, já que não têm culpa, através da divisão das nuvens.

Portanto, eu apareci, sem culpa, por causa das nuvens, porque elas são desiguais, para que a maldade da natureza pudesse acabar. Pois ela desejava, naquele momento, me enganar. Ela estava prestes a deter Soldas, que é a chama escura, que foi colocada no alto, na árvore do erro, para que ela pudesse me prender. Ela cuidava de sua fé, sendo vaidosa.

REBOUEL É DECAPITADA:

“E naquela época a luz estava prestes a se separar da escuridão, e uma voz foi ouvida no mundo, dizendo: ‘Bênçãos no olho que te viu e a mente que apoiou tua majestade a meu desejo’.  Será dita pela exaltada, ‘Bênçãos sobre Rebouel entre todas as raças de pessoas, pois só você viu’.  E ela escutará. E eles decapitarão a mulher que tem a percepção, a qual você revelará sobre a terra. E de acordo com minha vontade, ela dará testemunho, e cessará de todo esforço vaidoso da natureza e do caos. Pois a mulher que eles decapitarão naquele momento é o suporte do poder do demônio que batizará a semente das trevas com severidade, para que a semente possa se misturar com a desconstrução. Ele gera uma mulher. Ela foi chamada de Rebouel.

“Veja, ó Sem, como todas as coisas que eu lhe disse foram cumpridas. . . . E as coisas que te faltam, segundo a minha vontade, aparecer-te-ão naquele lugar sobre a terra, para que as reveles como elas são. Não deixe que seu pensamento tenha relações com o corpo. Pois eu vos disse estas coisas, pela voz do fogo, pois entrei no meio das nuvens. E falei de acordo com a língua de cada um. Esta é a minha língua que falei com vocês.  E ela será tirada de vocês. E você falará com a voz do mundo sobre a terra.  E ela vos aparecerá com essa aparência e voz, e tudo o que eu vos disse. A partir de agora proceda com fé para brilhar nas profundezas do mundo”.

SEM RETORNA DE SUA EXTASIANTE JORNADA:

E eu, Sem, acordei como se fosse de um sono profundo. Eu me maravilhei quando recebi o poder da luz e todo o seu pensamento. E prossegui com fé para brilhar comigo. E o justo nos seguiu com minha vestimenta invencível. E tudo o que ele me havia dito que aconteceria sobre a terra aconteceu. A natureza foi entregue à fé, para que a fé a derrubasse e para que a natureza pudesse permanecer na escuridão. Ela produziu um movimento de viragem enquanto vagueava noite e dia, não descansando com as almas. Estas coisas completaram seus atos.

Então me regozijei com o pensamento da luz. Saí da escuridão e caminhei na fé onde as formas da natureza estão, até o topo da terra, até as coisas que estão preparadas. Sua fé está sobre a terra o dia inteiro. Por toda noite e dia ela envolve a natureza para tomar para si a justa. Pois a natureza está sobrecarregada, e ela está perturbada. Pois ninguém será capaz de abrir as formas do ventre, a não ser a mente sozinha a quem foi confiada sua semelhança. Porque assustadora é sua semelhança com as duas formas da natureza, a que é cega.

Mas aqueles que têm uma consciência livre se afastam do balbuciar da natureza. Pois darão testemunho do testemunho universal; despirão o fardo das trevas; porão a palavra da luz; e não serão mantidos de volta no lugar insignificante. E o que eles possuem do poder da mente, eles darão à fé. Eles serão aceitos sem pesar. E o fogo caótico que eles possuem deixarão na região central da natureza. E serão recebidos por minhas vestes, que estão nas nuvens. São eles que guiam seus membros. Eles descansarão no espírito sem sofrimento. E por causa disso, o termo de fé designado apareceu sobre a terra por um curto período de tempo, até que a escuridão lhe seja tirada, e seu testemunho seja revelado que foi revelado por mim. Eles, que provarão ser de sua raiz, despojarão as trevas e o fogo caótico. Eles colocarão a luz da mente e darão testemunho. Por tudo o que eu disse deve acontecer.

A DESOLAÇÃO FINAL:

Depois que eu deixar de estar sobre a terra e me retirar para o meu descanso, um grande e maligno erro virá sobre o mundo, e muitos males de acordo com o número das formas da natureza. Os tempos malignos virão.  E quando a era da natureza se aproximar da destruição, a escuridão virá sobre a terra. O número será pequeno. E um demônio surgirá do poder que tem uma semelhança de fogo. Ele dividirá o céu, e descansará nas profundezas do oriente. Pois o mundo inteiro tremerá. E o mundo enganado será lançado em confusão. Muitos lugares serão inundados por causa da inveja dos ventos e dos demônios que têm um nome que não faz sentido: Forbea, Chloerga. Eles são os que governam o mundo com seus ensinamentos. E eles desviam muitos corações por causa de sua desordem e seu descaso. Muitos lugares serão aspergidos de sangue. E cinco raças sozinhas comerão seus filhos. As regiões do sul receberão a palavra da luz. Mas eles que são do erro do mundo e do oriente. . . .  Um demônio surgirá da barriga da serpente. Ele estava escondido em um lugar desolado. Ele realizará muitas maravilhas. Muitos o abominarão. Um vento sairá de sua boca com uma semelhança feminina. Seu nome será chamado Abalfe. Ele reinará sobre o mundo do leste para o oeste.

Então a natureza terá uma última oportunidade. E as estrelas cessarão do céu. A boca do erro será aberta para que a escuridão maligna possa se tornar ociosa e silenciosa. E no último dia as formas da natureza serão destruídas com os ventos e todos os seus demônios; eles se tornarão um nódulo escuro, assim como eram desde o início.  E as águas doces que foram sobrecarregadas pelos demônios perecerão. Pois para onde o poder do espírito foi, existem as minhas águas doces. As outras obras da natureza não serão manifestadas. Elas se misturarão com as infinitas águas das trevas. E todas as suas formas cessarão a partir da região média.

SEM ASCENDE, EM MENTE, E RECITA A LITANIA:

Eu, Sem, já completei estas coisas. E minha mente começou a se separar do corpo de escuridão.  Meu tempo foi completado. E minha mente colocou sobre o testemunho imortal. E eu disse,

“Declaro seu testemunho,

que vocês me revelaram:

Elorchaios,

e você, Amoiaias,

e você, Sederkeas,

e sua inocência, Strofaias,

e você, Chelkeak,

e você, Chelkea,

e Chelke e Elaios,

você é o testemunho imortal.

Eu testemunho a vocês,

centelha, a insaciável,

que é um olho do céu e uma voz de luz,

e Sofaia, e Safaia, e Safaina,

e a centelha justa,

e a fé, a primeira e a última,

e o ar superior e o ar inferior,

e todos os poderes e autoridades que estão no mundo.

E você, luz impura,

e você também, leste e oeste, e sul e norte,

vocês são as zonas do mundo habitado.

E você também, Moluchtha e Essoch,

você é a raiz do mal

e todo trabalho e esforço impuro da natureza”.

Estas são as coisas que eu completei enquanto testemunhava. Eu sou Sem. No dia em que eu deveria sair do corpo, quando meu pensamento permaneceu no corpo, acordei como se fosse de um sono profundo. E quando me levantei como que do peso do meu corpo, eu disse: “Assim como a natureza envelheceu, assim é também no dia dos seres humanos”. Bênçãos sobre aqueles que sabiam, quando dormiam, em que poder descansava seu pensamento”.

E quando as Plêiades se separaram, eu vi nuvens, que eu vou passar. Pois a nuvem do espírito é como um berilo puro. E a nuvem do hímen é como uma esmeralda brilhante. E a nuvem do silêncio é como um florescente amaranto. E a nuvem da região do meio é como um jacinto puro.

“E quando o justo apareceu na natureza, então, quando a natureza estava zangada, ela se sentiu ferida, e concedeu à Morfaia de visitar o céu. O justo visita durante doze períodos para poder visitá-los durante um período, para que seu tempo seja completado rapidamente e a natureza se torne ociosa.

IDE EM GRAÇA E FÉ:

“Bênçãos para aqueles que se guardam contra a herança da morte, que é a água pesada da escuridão”. Pois não será possível conquistá-las em poucos momentos, já que elas se apressam a sair do erro do mundo”. E se forem conquistados, serão afastados deles e atormentados na escuridão até o momento de sua consumação.  Quando a consumação tiver chegado e a natureza tiver sido destruída, então seus pensamentos se separarão da escuridão. A natureza os sobrecarregou por um curto período de tempo. E eles estarão na luz inefável do espírito inconcebível, sem uma forma. E assim é a mente, como eu disse desde o início.

“Doravante, ó Sem, ide em graça e continua na fé sobre a terra”. Pois cada poder de luz e fogo será completado por mim por causa de ti”. Pois sem ti não serão revelados até que fales deles abertamente. Quando deixardes de estar sobre a terra, eles serão dados aos dignos. E, além desta proclamação, que falem de vocês sobre a terra, pois eles tomarão a terra despreocupada e agradável.

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Fonte:

<http://www.gnosis.org/naghamm/para_shem-barnstone.html>.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

 

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-parafrase-de-sem/

HermetiCAOS – Tradição, Ciência, Arte e Cultura

PARTE 1: TRADIÇÃO*

Você quer praticar Magia. Quer se tornar um Mago. Tomou a decisão e está determinado.

Ótimo, que bom pra você. Mas e agora? Qual o próximo passo?

Descobrir que diabos é “Magia” e como é que se pratica isso é, logicamente, o caminho a seguir. E daqui a pouco você vai entender por quê. O que interessa agora é que as respostas mais acessíveis — seja em livrarias, seja na internet — vão te levar, conforme aponta o mago inglês Alan Chapman, ao “quase impenetrável transcendentalismo de textos mágicos do início do século XX, o moralismo ambientalista do movimento Pagão moderno, o sentimentalismo ingênuo e popular da Nova Era e o materialismo prático e bobo de alguns autores pós-modernos”. A escolha é difícil. O que existe por detrás das cortinas da realidade que dá fundamento à Magia e se encontra na base de qualquer “Tradição”? E por que elas são tão diferentes entre si? Este é o primeiro de uma série de textos que buscarão responder a essas e outras perguntas.

Antes de mais nada, é preciso esclarecer um ponto: qualquer coisa que se diga a respeito do assunto aqui tratado é, no fim das contas, uma interpretação pessoal. Cada indivíduo vive a partir de uma perspectiva que foi construída nele/por ele/com ele durante toda a sua vida, como um conjunto de suas impressões psíquicas derivadas de experiências vividas. É aquilo que o psicólogo e romancista (e mago) discordiano Robert Anton Wilson chamou de “túnel de realidade”. As experiências com a realidade podem se dar de forma direta ou indireta: quando a porção de realidade experienciada vai além de nossa capacidade de traduzí-la, para nós mesmos, a partir de uma lógica que nos pareça coerente, estamos diante de uma experiência direta; a indireta acontece quando, por conta de paradigmas que adotamos (consciente ou inconscientemente), já experienciamos a realidade a partir de uma leitura, ou explicação, prévia do fenômeno observado, ou seja, antes de obtermos o resultado de nossa experiência, já sabíamos exatamente o que esperar dela.

Pois bem. Ocorre que, mesmo na forma direta, a experiência é interpretada com a linguagem que conhecemos. Parece-me que está além da capacidade humana viver uma experiência sem elaborar uma explicação para ela. Por que isso aconteceu? Como aconteceu? Quais são as condições de possibilidade dessa experiência? Tudo isso vai ser elaborado a posteriori, sempre a partir do jogo de linguagem da pessoa, para usar uma expressão do filósofo Ludwig Wittgenstein. Vamos analisar um exemplo qualquer.

Algo na vida de uma determinada pessoa vai muito mal. Pode ser em qualquer âmbito: financeiro/profissional, sentimental/amoroso, saúde física ou mental, ou sei lá mais o quê. Se a pessoa é cristã — e especialmente se for evangélica –, é bem provável que ela atribuirá a culpa dos seus males ao Diabo ou a alguns de seus demônios enviados à Terra para espalhar o Mal (aquele, com letra maiúscula). Se, entretanto, o indivíduo foi criado dentro da crença espírita (e concorda com ela, veja bem), então será natural que ela atribua a origem de seus males a algum espírito obsessor que se alimenta de seu sofrimento (o famoso “encosto”) e não passa de alguém que morreu, mas se encontra num estado de ignorância sobre sua condição e como melhorá-la, seja, como “evoluir espiritualmente”. Ainda existe a possibilidade, mais complexa e rara, do indivíduo em questão ser um psicólogo junguiano ou transpessoal; se for esse o caso, a chance é a de que ele compreenda as dificuldades que está passando como uma projeção externa de complexos inconscientes que se colocam como obstáculos ao processo de individuação.

Cada um deles pode ter tido a mesma experiência. Entretanto, a interpretam de forma radicalmente diferente. Por que essa volta toda? Para esclarecer que, mesmo em Magia do Caos, as diferentes explicações para os diferentes fenômenos podem variar em abordagem. Mais sobre isso será discutido em textos vindouros. O que interessa aqui é que, no tocante à palavra MAGIA, ela diz respeito, diretamente, a uma determinada tradição sagrada de ensinamentos sobre a Mente e o Universo, típica do Ocidente. Em seu famoso diagrama, Peter Carroll liga os Grandes Mistérios Antigos diretamente ao Xamanismo, supostamente o Pai de toda a Magia. A partir daí, passamos pelas Escolas de Mistérios do Egito, da Babilônia e da Grécia, como os Pitagóricos, Órficos, Elêusis e Essênios. As transformações seguem, com influência do Cristianismo Primitivo (Gnosticismo) e do Sufismo, uma doutrina derivada do Islã.

A partir daí, passa pela Idade Média, através dos Cavaleiros Templários e da Alquimia, escondendo-se nas sociedades secretas rosacruzes e maçônicas, até encontrar Aleister Crowley e Austin Osman Spare.

Essas associações procedem muito mais por uma relação temática do que propriamente com base em evidências históricas (exceto talvez nos documentos secretos das Ordens iniciáticas, acessíveis a poucos — mas isso, por óbvio, é mera especulação). Os conhecimentos do passado parecem nunca haver estado completamente à disposição de todas as pessoas; o poder estabelecido geralmente encontra uma forma de exterminar aqueles que tentem libertar o povo da ignorância, tão necessária ao exercício da dominação das massas. Na Modernidade, com o advento do Estado laico, o problema parece ter mudado: como aprendemos no filme Matrix, as pessoas carregam o Sistema dentro de si e lutarão por ele quando o perceberem ameaçado. As pessoas lutam para se manterem aprisionadas. Assim, os conhecimentos que foram ocultos em sociedades secretas e transmitidos por baixo dos panos para sobreviver aos períodos mais sombrios da civilização, agora estão mais acessíveis que nunca. Só não os alcança quem não quer.

Na essência dos ensinamentos está a compreensão de que nossa realidade é moldada pela nossa mente e, a partir daí, a utilização de fórmulas, símbolos, palavras, rituais, canto, música, meditação, dança e até mesmo substâncias psicoativas para provocar impressões na mente e obter mudanças de acordo com a Vontade. O que muda de uma Tradição para a outra é a escolha de que elementos serão utilizados e de que maneira. O que determina essa escolha? Os fatores variam e têm diferentes graus de complexidade. Os mais simples apontam para uma mera apreciação estética, ou seja, pratica-se a Tradição que se considera mais bonita; os mais complexos sugerem um comprometimento ideológico a partir da dinâmica da crença. Em textos futuros pretendo abordar a questão da crença, sua função e sua disfunção.

No fim das contas, qual a importância de se adotar uma determinada Tradição e como escolher entre elas? Esse é, afinal, o objetivo desse texto. O objetivo de uma Tradição é oferecer um conjunto de associações simbólicas coerentes, testadas ao longo do tempo por determinado grupo de pessoas e, por isso, com condições de oferecer ao praticante um método de alcançar a sabedoria. Não se comprometer com uma Tradição pode significar, em muitos casos, uma vida inteira de doloroso aprendizado no esquema tentativa-erro, sem nunca atingir um bom nível de proficiência em Magia.

Seguem minhas recomendações pessoais para uma boa decisão:

Primeiramente, escolha uma Tradição pela estética. Pode parecer um motivo superficial, mas é fundamental que você veja beleza na sua prática mágica. Isso influencia diretamente no quanto o seu ato mágico é capaz de te impressionar e provocar os efeitos desejados na sua mente. Em segundo lugar, certifique-se que sua relação com a Tradição escolhida não impossibilite que você experimente coisas que não se encaixam necessariamente no paradigma escolhido; ou seja, esteja aberto para a possibilidade de estar errado sobre o que quer que seja. Três: atente-se para a possibilidade de a Tradição te oferecer o devido amparo nos momentos de dificuldade, sem que ela precise te escravizar por isso. Busque conhecer os fundamentos da Tradição ANTES de se comprometer com ela. Se houver liderança do tipo “sacerdotal”, desconfie severamente. A enorme maioria dos sacerdotes busca um séquito de admiradores e bajuladores; preste atenção, por exemplo, à enorme quantidade deles que afirma que você vai se dar muito mal se abandonar aquela Tradição. Não se meta em nenhum grupo que tenta se promover desvalorizando outro.

E, por último, confie sempre na sua intuição e na sua experiência acima de qualquer dogma. O que significa dizer que, se a sua experiência contradiz o dogma da sua Tradição, o melhor a fazer é, geralmente, abandonar a Tradição.

Uma vez que você tenha escolhido, é necessário também fazer alguns apontamentos:

Leve a sério sua escolha; conduzí-la de forma leviana significa desrespeitá-la e desvalorizá-la. Se isso acontecer, ela não poderá fazer mais nada por você. Estude bastante; somente um conhecimento aprofundado te dará a segurança necessária para conduzir um ritual que produza os efeitos desejados. Não desconsidere nenhum requisito da sua Tradição até que entenda perfeitamente seu sentido e propósito; as consequências podem ser nefastas.

No mais, tudo o que você leu aqui eu aprendi com minhas próprias experiências e erros e acertos, com experiências de amigos e conhecidos e, também, com relatos de pessoas em quem eu aprendi a confiar. Nesse último caso, essas pessoas não sabem o quanto sou grato pela disposição que elas tiveram em compartilhar com o mundo (e comigo, por tabela) aquilo que aprenderam. Minha forma de expressar essa gratidão é passar o ensinamento adiante. Por isso, se a Tradição que você escolheu (ou vier a escolher) for a Magia do Caos ou o Hermetismo, apareça por aí toda segunda-feira que vai ter texto novo.

É minha Vontade que minhas palavras levem Luz. Assim seja!

* Essa é a Parte 1 do texto em 4 partes abordando a Magia enquanto Tradição, Ciência, Arte e Cultura. Cada conceito desse, um texto. Mas não sei se eles serão publicados em sequência, porque pode ser que segunda que vem eu escreva sobre outra coisa, se me der na telha.

Publicado originalmente no Blog HermetiCaos

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hermeticaos-tradi%C3%A7%C3%A3o-ci%C3%AAncia-arte-e-cultura

Como praticar magia Neo-enochiana, sem errar muito!

Por Robson Bélli
abril de 2022

A magia Neo-enochiana é muito vasta e está crescendo a cada dia graças as contribuições modernas de seus praticantes, o que pode ser bom ou não, vemos adições a pratica que são muito positivas e interessantes, de certa maneira bem fundamentadas ou mesmo reveladas, que por sua vez não se distanciam muito de outras praticas magicas de outros sistemas, contudo temos adições sem o devido bom senso, o objetivo deste material é ser um guia de boas praticas básicas.

Vamos aqui então dividir a magia Neo-enochiana em três tipos de praticas distintas das quais o material de nosso grupo visa cobrir cada uma de maneira adequada, a seu devido tempo e possibilidade, a seguir como dividimos as três boas praticas fundamentais da magia Neo-enochiana:

  1. Skrying (vidência).
  2. Viagem na visão espiritual.
    1. Para os éteres enochianos.
    2. Pelas pirâmides truncadas.
  3. Construção de ferramentas, amuletos e talismãs.

A pratica do skrying ou vidência é a pratica de evocação dos anjos, sejam eles os 49 da heptarquia mística, os numerosos anjos da grande tabela ou ainda dos 92 governadores dos éteres (Aethyr’s), a única recomendação que faço aqui e deve ser seguida para todo este material é para não trabalhar com os Cacodaemons enochianos e o motivo disso esta no titulo deste capitulo, no apêndice deste material haverá uma liturgia neutra e básica para cada uma das praticas portanto fique tranquilo (a), o objetivo dessa pratica é a comunicação com os anjos enochianos, sejam com finalidades Teurgicas ou Taumaturgicas.

A viagem na visão espiritual tem outro nome mais popular no Brasil, viagem astral, um detalhe é que a viagem astral é feita dormindo e a viagem na visão espiritual é feita com o praticante desperto, então de qualquer forma é bom separar uma coisa da outra, apenas para que não haja confusão quanto ao como se pratica a viagem na visão espiritual enochiana, o que não impede que um projetor experiente o faça durante a projeção astral dormindo.

Outros fenômenos psíquicos podem ser comparados a viagem na visão espiritual, tal como a visão remota, Bilocação em projeção astral ou de consciência, e talvez tenham até mais relação com a viagem na visão espiritual, contudo o motivo pelo qual sempre comparamos a viagem astral a nossa viagem na visão espiritual é muito simples, por que não é apenas uma visão passiva, é algo interativo, você vai a estes lugares para interagir com essas entidades.

A principal diferença entre você ir para um éter e ir para uma priamide é muito simples, um deles (os éteres) você esta se conectando com uma das 30 camadas do paraiso, na outra pratica (viagem as priamides truncadas) você esta indo/visitando como que nas casas/moradas dos anjos da magia Neo-enochiana, portanto se em um éter você precisa demonstrar respeito nas pirâmides este respeito tem de ser muito maior, e eu diria a você até não ser muito educado ir até lá sem antes conhecer as entidades que ali habitam.

O objetivo dessa pratica da viagem na visão espiritual não é único, o primeiro é aprender a colocar sua consciência em seu corpo solar e exercitar a mudança de plano de existencia através desse veiculo (isso será muito útil no pós vida a fim de obter a liberação da consciência da roda da vida e da morte), o segundo objetivo é a pratica da magia Teurgica e Taumaturgica através de pedidos e acordos (palavra bonita para pacto) feitos com as entidades encontradas nestes planos.

A ultima das primeiras praticas recomendáveis é a criação de ferramentas, talismãs e amuletos com finalidades especificas, sendo ferramentas muito uteis no uso diário ou até mesmo com finalidade ritualística, e isso encerra e resume as praticas da magia neo-enochiana que podem ser recomendadas como boas praticas, contudo entenda que a pratica disso pode levar a vida toda, não sendo necessário ir além disso para se ter absoluto sucesso e o beneficio total que a pratica da magia Neo-enochiana tem a lhe oferecer.

Contudo é fundamental informar que você não deveria tentar as praticas sem o devido preparo e conhecimento para tal, sendo necessários algumas habilidades fundamentais em cada pratica, que são muito mais do que necessárias para o sucesso destas operações, dificilmente um magista que não tenha sido treinado nestas habilidades fundamentais conseguira qualquer sucesso na pratica da magia neo-enochiana, não se considere especial, você precisará fazer um trabalho duro antes de executar as praticas.

Habilidades fundamentais em skrying

  1. Exercícios de desenvolvimento mediúnico
    1. Abertura do terceiro olho para a clarevidencia
    2. Exercícios de Clariaudiencia

Habilidades fundamentais na viagem da visão espiritual

  1. Visualização criativa
  2. Criação de um templo astral
    1. Criação e solidificação de sua forma
    2. Interação dentro dele
  3. Capacidade de ter sonhos lúcidos
  4. Projeção astral

Habilidades fundamentais na criação de ferramentas, amuletos e talismãs

  1. Exercicios respiratórios
  2. Exercícios de manipulação energética
  3. Entendimento das posturas e sinais da GD

LITURGIA PARA SKRYING (VIDENCIA)

  1. Definição do objetivo da ritualística
  2. Escreva o roteiro ritual
  3. Preparação do templo
  4. Preparação do magista
  5. O banimento inicial (RMP)
  6. Pilar do meio
  7. Recitar a obediência fundamental
  8. Recite a 1º. Ou a 2º. Chamada
  9. Chamada  à Torre de Vigia
  10. Conjuração do espirito
  11. Encargo ao Espírito
  12. Fechamento do templo
  13. Agradecimentos e saudação ao criador do universo
  14. Anotações no diário magico

LITURGIA PARA VIAGEM NA VISAO ESPIRITUAL PARA OS ETERES

  1. Definição do objetivo da ritualística
  2. Escreva o roteiro ritual
  3. Preparação do templo
  4. Preparação do magista
  5. O banimento inicial (RMP)
  6. Pilar do meio
  7. Recitar a obediência fundamental
  8. Recite a 1º. Ou a 2º. Chamada
  9. Chamada  à Torre de Vigia
  10. 19ª. Chamada com o nome do plano de entrada (TEX)
    1. Chamada dos governadores
    2. Pedir permissão para passar pelos portões
    3. Ir até o éter desejado
      1. Recitando a 19ª. Chamada e o nome apropriado do próximo éter até chegar ao desejado.
      2. Ao chegar ao éter desejado, pedir permissão aos governadores para permanecer ali.
    4. Encargo ao Espírito
    5. Pedir ao governador permissão partir dos éteres
      1. Abertura do portal (passar por ele)
        1. Gesto de abertura do véu
        2. Retornar a consciência física lentamente
      2. Fechamento do templo
      3. Agradecimentos e saudação ao criador do universo
      4. Anotações no diário magico

LITURGIA PARA VIAGEM NA VISAO ESPIRITUAL PARA AS PIRAMIDES

  1. Definição do objetivo da ritualística
  2. Escreva o roteiro ritual
  3. Preparação do templo
  4. Preparação do magista
  5. O banimento inicial (RMP)
  6. Pilar do meio
  7. Recitar a obediência fundamental
  8. Observação da pirâmide (visualização da expansão)
  9. Visualização de si mesmo diante do portal
  10. Recite a Chamada apropriada.
  11. Vibre os Nomes de Poder na sequência adequada:
    1. Nome divino
    2. Rei
    3. Os 2 Seniores (isolando o quadrante correspondente)
    4. Os 2 Anjos da Cruz do Calvário
    5. Arcanjo e Anjo(s) adequados.
  12. Concentração nos atributos da pirâmide
  13. Entrada no portal através da projeção da consciência no corpo de luz
    1. Gesto de abertura do véu
  14. Busque encontrar uma das divindades comandam o quadrado.
    1. Caso seja um quadrado menor, deverá incluir uma Divindade Egípcia e uma Esfinge.
    2. Perceba cuidadosamente cada detalhe a seu redor.
    3. Se necessário use suas Armas Mágicas e Palavras de Poder caso surja algum demônio do quadrado, para mantê-lo sob controle.
  15. Observe a atmosfera ou vibração principal daquela piramide.
    1. Se possível tente não rotular nada agora, se é bom ou ruim nesse momento. Simplesmente seja um observador do que vier e tente memorizar tudo que perceber.
  16. Retorno
  17. Feche o portal atrás de si
    1. Gesto de fechamento do véu
  18. Retornar a consciência física lentamente
  19. Fechamento do templo
  20. Agradecimentos e saudação ao criador do universo
  21. Anotações no diário magico

 

LITURGIA PARA MAGNETIZAÇÃO DE UMA FERRAMENTA, AMULETOS OU TALISMÃS

  1. Definição do objetivo da ritualística
  2. Preparação do templo
  3. Preparação do magista
  4. O banimento inicial (RMP)
  5. Ritual de Invocação do Hexagrama para invocar as forças necessárias da Torre de Vigia.
  6. Vire a face para a respectiva Torre de Vigia (direção).
  7. Entre no seu Corpo de Luz (conforme ensinado no Livro do Mochileiro dos éteres).
  8. Trace o Hexagrama de Invocação de (do planeta da entidade).
  9. Vibre os nomes:
    1. nome divino de 12 letras da torre adequada
    2. nome do rei da torre adequada
    3. nome do sênior da torre adequada
  10. Assuma o caráter e a forma divina da entidade enochiana que vai atuar no talismã.
    1. Deixe seu Corpo de Luz assumir a aparência deste anjo.
    2. Recite uma invocação:
      1. Ó (nome do anjo), (titulo) da atalia do (elemento), Venha a mim e me ajude.
        Ajude-me a eliminar tudo o que se opõe ao meu progresso.
        Conceda-me sua grande dádiva de (campo de atuação da entidade).
        Ajude-me em minha Vontade Mágica E dilacere meus inimigos.
    3. Assuma o caráter do anjo (veja-se como se fosse o mesmo).
    4. Agindo como se fosse o anjo, estenda sua mão direita sobre o Talismã e veja uma névoa das cores do sigilo da atalaia correspondente. Deixe sua mão e entre no Talismã carregando-o com seus poderes e habilidades.
    5. Retorne a sua própria forma. Retorne ao seu corpo físico.
  11. Trace o Hexagrama de Banimento de (do planeta da entidade).
  12. Conduza o Ritual de Banimento do Pentagrama e depois o Ritual de Banimento do Hexagrama para banir as forças da Torre de Vigia.
  13. Fechamento do templo
  14. Agradecimentos e saudação ao criador do universo
  15. Anotações no diário magico

    Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

     

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/como-praticar-magia-neo-enochiana-sem-errar-muito/

As Aventuras de Pi – Uma análise cabalística

Aparentemente, “As Aventuras de Pi” (The Life of Pi), filme mais premiado do Oscar de 2013 (Melhor Fotografia, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Trilha Sonora e Melhor Diretor), é apenas um filme com fotografia de encher os olhos que conta a história de Piscine Patel, vulgo Pi, que tenta provar a existência de Deus a um escritor desencorajado, relatando sua luta por sobrevivência em um bote salva-vidas, após um naufrágio em alto-mar com seu companheiro de viagem: o tigre Richard Parker. Porém, pode-se considerar redundância fazer uma análise cabalística deste filme, tão óbvio é o viés cabalístico presente em sua essência.

Pi nasce na Índia, filho caçula do dono de um zoológico e de uma botânica. Inabalável em sua crença no sagrado, quando criança, ele encontra espaço o suficiente em seu coração para abraçar as três maiores fés do mundo: o hinduísmo, o cristianismo e o islamismo, ignorando as diferenças de dogmas e preconceitos. Pi entende a unicidade e onipresença da luz de D’us, independente das formas e dos avatares existentes na história da humanidade.

Em um episódio peculiar com Richard Parker, em seu primeiro contato íntimo com o tigre, o protagonista tenta alimentá-lo com a própria mão, encarando-o nos olhos. Pi enxerga a alma do animal e a impressão que temos é que tudo correria bem, se o pai de Pi não o tivesse impedido, com medo do que aconteceria com o filho. Para ensiná-lo uma lição, o Sr. Patel alimenta o tigre com uma cabra, pedindo-o para ficar de olhos abertos, presenciando a selvageria do animal. Pi fica desolado. Seu mundo perde a cor, e sua fé fica completamente abalada. Assim o protagonista cresce, à procura de algo que trouxesse novamente significado em sua vida.

O auge do filme, porém, ocorre após a decisão do Sr. Patel de se mudar com toda a família para o Canadá, embarcando em um navio japonês, denominado Tsimtsum, para vender os animais do zoológico. Depois de quatro dias de viagem, Pi acorda no meio da noite em meio a uma violenta tempestade. Curiosamente, ele pede “mais chuva, mais chuva” ao “Deus da Tempestade”, e o Tsimtsum afunda, deixando-o a deriva no Oceano Pacífico.

O grande cabalista Isaac Luria descreveu um fenômeno curioso. No começo não havia Nada, apenas Luz Infinita. Nesse estágio pré-Criação, não existia lugar onde algo pudesse existir. Quando Ele decidiu criar, sabendo que nada poderia existir onde existisse a Luz Infinita, tamanha sua potência, o Criador retraiu sua Luz em um determinado espaço e o circunda, resultando em um vácuo dentro da Luz Infinita. Só então Ele estendeu para dentro deste vácuo circular um raio de Luz que gerou toda a Criação.

Esse ato de contração de si mesmo para que pudéssemos existir, Luria chamou de Tsimtsum. O Criador, ao criar este espaço, delimitá-lo e enviar um raio de Luz, revela os conceitos de limite e restrição tão necessários à criação, muito similar à função do número irracional Pi.

Pi, durante a tempestade, age como a Criatura foi programada para agir: ele pede mais e mais, pois assim é a criatura em essência, em seu desejo egoísta de receber. E é nesse instante que o Tsimtsum afunda, em uma linda cena com alegorias sobre o momento da Criação para satisfazer qualquer estudante de cabala (talvez até mesmo o próprio Isaac Luria).

Após o naufrágio, o protagonista passa por diversas situações em sua luta para sobreviver. Sozinho, tendo perdido sua família, alimentando e ao mesmo tempo dominando Richard Parker, o que pode claramente ser uma alusão ao nosso Adversário, ao nosso ego e ao constante desejo de receber para si.

Durante toda a viagem de Pi e Richard Parker em alto mar, é possível identificar diversas referências cabalísticas. Em certo ponto, por exemplo, os personagens passam pela esfera de Yesod, antes de terminarem sua jornada, chegando finalmente a Malkuth. Para não entregar o ouro tão facilmente, deixemos aos leitores a percepção destes pormenores.

Ao final de sua história, Pi conta para o jornalista que existem duas versões da história e que ele deve escolher qual é a verdadeira: a que ele acabara de contar, repleta de significados, amor e milagres; e a outra, com fatos realistas e cruéis.

De acordo com Pi, D’us é a “melhor história”. Acreditar em D’us torna a vida mais rica e mais repleta de sentidos – e ainda assim, a vida é a mesma. Ele viveu seu momento pessoal de re-criação do seu universo, sobrevivendo a todas as mazelas e vendo a beleza do Criador em todas elas.

A escolha, na verdade, é sempre nossa: ver apenas o sofrimento e a dor do mundo ou descobrir o significado profundo de todas as coisas.

D’us, ao criar o Universo, oculta sua Luz de nós, para que nós possamos fazer nossas próprias escolhas. Mas Ele permanece imanentemente presente, mesmo estando oculto. De certa forma, ele está mais presente em Sua ausência que em Sua presença.

Do excelente blog CEMEC – Centro de Estudos e Meditação Cabalista

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-aventuras-de-pi-uma-an%C3%A1lise-cabal%C3%ADstica

A Cura Energética com a Cabala

Por Devi Stern.

Pouco poderia eu imaginar quando titulei o primeiro capítulo de meu livro “Reconectando-se ao Divino Feminino” que a Cura Energética com a Cabala seria liberada durante um tempo de tão inigualável despertar feminino. Os movimentos #TimesUp e #MeToo, juntamente com as marchas e ativismo político das mulheres em todos os níveis em todo o planeta, são a reação da sociedade ao que os cabalistas esperam há muitas centenas de anos. Seus ensinamentos sobre a relação entre os sexos, embora escritos há muito tempo, ressoam com os acontecimentos atuais de maneira surpreendente.

Cabala é o nome coletivo dos ensinamentos místicos do judaísmo. A maioria dos ensinamentos cabalísticos são baseados no Zohar (Livro do Esplendor), uma antiga obra de segredos, discussões crípticas e interpretações da Torá (Antigo Testamento). A Cabala era um mundo de homens, e durante séculos foi uma tradição oral transmitida pelos homens aos homens. O Zohar e todos os textos clássicos da Cabala também foram escritos exclusivamente por homens para um grupo muito seleto de homens cultos. Somente no passado recente foi possível a qualquer pessoa, independentemente de idade, sexo ou religião, estudar estes textos. Depois de ter sido estudante de cura cabalística por muitos anos, fui levado a uma brilhante professora de Zohar, Sarah Yehudit Schneider, autora de Kabbalistic Writings on the Nature of Masculine and Feminine (Escritos Cabalísticos sobre a Natureza do Masculino e do Feminino). Que dom foi estudar o Zohar como interpretado por uma mulher!

O judaísmo é uma religião monoteísta. Uma das razões pelas quais os antigos cabalistas mantiveram um baixo perfil foi que, além da tradicional expressão masculina de Deus como Criador, eles abraçaram uma expressão feminina de Deus chamada Shechina. Esta não é uma crença idólatra, embora pudesse ter sido interpretada como tal. Existe um só Deus no judaísmo. A Shechina é o símbolo da expressão imanente da divindade que carregamos dentro de nós mesmos. A Shechina também pode ser simbolizada como a Terra. Ela é a parceira do transcendente Criador divino masculino, o Céu. Juntos eles são Um.

De acordo com o Zohar, a conexão com o Shechina era algo que os homens precisavam lutar conscientemente. Cabalistas honraram suas esposas como expressões humanas do divino feminino. De fato, o maior veículo para esta conexão era através da intimidade sexual sagrada, que refletiria o casamento divino entre o Céu e a Terra. O Zohar na verdade fornece instruções de preliminares, treinando os homens, orientando-os de maneiras que despertassem suas esposas o suficiente para querer ter sexo com eles. Além de dar-lhe elogios, foi sugerido que um homem expressasse seu genuíno sentimento de conexão de coração com seu parceiro. Ele deveria experimentar suas almas unidas e comunicá-lo não apenas através de palavras, mas através de ações. Segundo o Zohar, um homem nunca deve coagir uma mulher a ter relações sexuais. Não é seu direito e ela nunca deve ser forçada, mesmo que seja casada. Esta era uma ideia notável para os tempos e ainda hoje, onde, em alguns lugares, o estupro conjugal não é considerado um crime. Qualquer que seja o poder que um homem possa ter, ele nunca deve usá-lo de forma abusiva.

Este modelo de relação sexual sagrada representa uma situação ideal e que os cabalistas, há centenas de anos, declararam como o passo final na criação da sociedade igualitária do futuro, onde a diversidade e a multiplicidade serão respeitadas e plenamente manifestadas. As convulsões provocadas pelas revelações das mulheres de #TimesUp e #MeToo estão na hora certa, pois estamos nos aproximando do fim de uma era de hierarquia. Vivemos por muito tempo sob a sombra não falada dos erros sexuais, que agora estão sendo revelados a fim de serem curados por indivíduos e sociedades tanto. As consequências de as mulheres se sentirem capacitadas para falar em segurança são necessárias para a cura desta última fronteira, dentro do casamento e relacionamentos de todos os tipos, tanto sexuais como não sexuais.

Este mundo aperfeiçoado, chamado pelos cabalistas de Olam Haba (“o mundo que virá”), embora previsto, não é uma conclusão inevitável. Cada um de nós precisa fazer a sua parteira para torná-la realidade. Isso pode ajudar a reexaminar a história da criação sob uma luz cabalística. Segundo o Livro de Gênesis, o primeiro ser chamado Adão (da palavra hebraica adama, que significa “terra”) foi criado à imagem de Deus como um ser de luz andrógino. O Adão primordial, modelo de nosso DNA original da alma, era tanto masculino quanto feminino. Mesmo depois que as duas partes foram separadas, o Zohar interpreta o “comer da maçã” de Adão e Eva e a consequente expulsão do paraíso como uma responsabilidade mutuamente compartilhada… não apenas a culpa da mulher. Quem criou o mito de que a culpa é da mulher deveria ter estudado o Zohar! Este mito tem colorido a história por milhares de anos e justificou colocar as mulheres sob o domínio dos homens.

Mas, chegou o momento de ver esta história e a nós mesmos sob uma luz mais elevada. Não importa o nosso gênero, todos nós temos aspectos masculinos e femininos. Estas partes de nós são um microcosmo de relacionamentos em todos os níveis, desde nosso corpo físico até a união divina. Trazê-los em equilíbrio com amor e respeito nos ajudará a encontrar nosso caminho de volta aos seres “iluminados” que um dia fomos. As mulheres de #TimesUp e #MeToo, todas mulheres que eu suspeito, estão procurando exatamente este tipo de equilíbrio, relações criadas e mantidas através de respeito e honra genuínos.

Como a Cura Energética com a Cabala se aprofunda em assuntos místicos, talvez eu não devesse ter ficado surpreso que este único tópico, a relação sagrada entre os sexos, tenha escolhido chamar a atenção para si mesmo. Um ensinamento chave apresentado antes da descrição de uma prática sexual sagrada é baseado nas palavras hebraicas para homem/ish e mulher/isha. As palavras ish e isha contêm cada uma a palavra para fogo/aish. As letras restantes, quando combinadas, explicitam a palavra Yah, um nome para Deus que une o masculino e o feminino. A interpretação apresentada é que sem Yah, o fogo da paixão pode reduzir um relacionamento a cinzas. Esta conclusão se separou do resto do tópico e se encontra, na verdade, na primeira impressão do livro, em uma página separada. O leitor deve conscientemente colocar as duas metades juntas. Esta discrepância nos chama claramente a atenção para o quão crucial é este processo de cura atual. Cada um de nós deve se esforçar para estar consciente da natureza sagrada de todas as relações, sexuais ou não.

A Cura Energética com a Cabala proporciona exercícios práticos que ajudam a equilibrar e curar a relação entre o masculino/cabeça e o feminino/terra como representando todos os opostos em cada um de nós. O equilíbrio nos ajudará a navegar mais firmemente através das mudanças turbulentas que estamos enfrentando hoje com a intenção de criar uma sociedade melhor de amanhã.

Comece com uma prática chamada Conectando Céu e Terra, um pico da Cura Energética com a Cabala. O exercício original provavelmente data da antiguidade, já que desenhos dele foram encontrados em hieróglifos egípcios. Versões podem ser encontradas tanto em qi gong como em Eden Energy Medicine (Medicina Energética do Éden). Entre seus muitos benefícios, ele ajuda a mover energia fresca através do corpo, liberar emoções indesejadas, terra e centro, ativar a aura e conectar a força vital da terra com a do céu. É como criar o casamento divino em si mesmo.

Ele é apresentado aqui de forma simplificada.

1. Inspire, descansando as mãos sobre o coração.

2. Segure a respiração, flexione as duas mãos. Estique para cima com uma e para baixo com a outra como se estivesse segurando o céu e a terra ao mesmo tempo.

3. Expire, devolvendo as duas mãos para descansar sobre o coração.

4. Repita do outro lado.

5. Pendure sobre suas pernas, respirar fundo e lentamente rolar para cima.

Atenção: As Partes 2 e 3 da Cura Energética com a Cabala consistem em práticas de energia/Cabala, incluindo uma cura que você pode usar para ajudar outra pessoa. Vídeos de muitos dos exercícios podem ser encontrados em energyandkabbalah.com. Se você estiver interessado em organizar um workshop, aprender e praticar estes exercícios em grupo, ou ser colocado em uma lista de e-mails dos próximos eventos, por favor me envie um e-mail para devi@dragonflyhealer.com.

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Fonte:

#TimesUp, #MeToo, and Kabbalah, by Devi Stern.

https://www.llewellyn.com/journal/article/2695

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-cura-energetica-com-a-cabala/