A Luz que não é

Por Kenneth Grant, Nightside of Eden, Capítulo III.

SEGUNDO A sabedoria oculta a Consciência Cósmica se manifesta na humanidade como sensibilidade que se concentra em um centro individualizado de consciência e divide-se em sujeito e objeto. O sujeito se identifica com o princípio consciente como ego, e o objeto é o seu mecanismo de consciência. Esta identificação de consciência com ego é ilusória e portanto o Princípio de Consciência é velado. [68] O ego se imagina como sendo uma entidade distinta dos objetos que ele sente e, ao invés de pura sensação, audição, visão, gustação, conhecimento, existe a falsa suposição que ‘eu sinto’, ‘eu ouço’, ‘eu vejo’, ‘eu experimento’, ‘eu conheço’. É assim que o mundo fenomenal (o mundo das aparências) é representado para nós como Malkuth. O processo inteiro, de Kether a Malkuth, é o de coberturas sucessivas acompanhado de uma perda crescente de consciência do Princípio de Consciência, sendo o pleno propósito da encarnação a ‘redenção’ e reintegração do Princípio perdido.

Budistas e Advaitas consideram estes véus como totalmente ilusórios, ao passo que outros os consideram como modificações do Princípio original. Sob quaisquer pontos de vista em que estes sejam considerados o problema continua inalterado: como resolver o perpétuo jogo de esconde esconde [69] que Kether joga através dos véus primários de sujeito e objeto (Chokmah e Binah), sendo o nexo deste localizado em Daäth. A causa do mistério, glamour, ou ignorância como os Budistas o chamam, é a identificação inicial e mal entendida do Self com seus objetos. Isto é causado principalmente pelo fato que, como os Qabalistas reivindicam, “Kether está em Malkuth e Malkuth está em Kether, porém de uma maneira diferente’. A presença de Kether em Malkuth [70] cria uma ilusão de realidade em todos os objetos. Este glamour engendra sensibilidade a qual desnorteia e submerge o Self em ilusão. Srí Ramakrishna compôs e cantou muitos hinos de transcendente beleza à sua ‘Maya encantadora do mundo’ ou jogo mágico de glamour e ilusão gerada nos sentidos da humanidade que confunde o irreal com o Real.

Kether é o foco da Consciência Cósmica, e a sua primeira manifestação é Luz [71]. O Ain, que é sua fonte, não é Escuridão mas a Ausência de Luz, e portanto a verdadeira essência da Luz. Kether é o ponto infinitesimal no espaço-tempo no qual a Ausência de Luz se torna sua Presença ao virar o Vazio (Ain) no avesso (de dentro para fora). Kether, e a Árvore da Vida resultante, podem portanto ser concebidos como o interior do Vazio [se] manifestando em Espaço, que é o mênstruo da Luz.

No microcosmo esta Luz se manifesta como a luz da consciência que ilumina a forma. Ela é a luz pela qual, e na qual, um pensamento pode ser visualizado na escuridão da mente; como os sonhos aparecem na escuridão do sono. Na esfera celestial, a consciência se manifesta como luz física, o sol. No reino mineral ela se manifesta como ouro. Biológicamente considerada ela é o falo que perpetua a semente de luz (consciência) no reino animal. Estas luzes são Uma Luz (Kether) e elas provém de uma infinita ausência de luz (Ain). Ao se derramar através de Kether ela é dividida em três raios que formam os três ramos supernos da Árvore. Estes possuem três pylons (portais_?): Chokmah, Daäth, e Binah, assim concentrando 16 kalas [72] que, com seu reflexo no mundo da anti-matéria (o Ain) constituem os 32 Caminhos ou Kalas da Árvore da Vida.

Escuridão é ausência de luz, uma ausência que torna possível a presença de tudo que parece ser. Não-ser, cujo símbolo é a escuridão, é a fonte do Ser, e entre estes dois terminais existe uma solution de continuité (solução de continuidade) representada pelo Abismo que separa o mundo numênico de Kether, com seus terminais gêmeos, [73] do mundo fenomenal de Malkuth. O ponto exato de discontinuité (descontinuidade) é marcado pelo Pylon de Daäth no meio do Abismo. Daäth é conhecimento do mundo fenomenal refletida para baixo através dos Túneis de Set na parte posterior da Árvore. Este conhecimento, ou Daäth, é a morte do Self. Ele representa o estágio primário no qual as mortalhas são tecidas em volta da múmia que entra em Amenta no Deserto de Set. Ele aparece na frente da Árvore como a semelhança aparentemente viva do ego com o qual ele se identifica em sua descida gradual para dentro da matéria (Malkuth). Seu despertar para a consciência mundana é em realidade um sono e uma morte dos quais o Princípio de Consciência original pode ser salvo apenas atravessando os Caminhos de Amenta em reverso. Esta jornada para trás através dos Túneis de Set começa no Tuat, a passagem preliminar ou 32o Caminho que conduz de volta de Malkuth (consciência mundana) até as esferas astrais de Yesod.

As tradições orientais tem tipificado esta descida de Consciência nos termos dos três estados de consciência sushupti (sono), svapna (sonho), e jagrat (vigília), e sua reintegração em um quarto estado – turiya – que não é realmente um estado definitivamente, mas o substrato dos outros três e o único elemento real naqueles três. Turiya se iguala com Kether (Consciência Indiferenciada), Sushupti se iguala com Daäth, Svapna com Yesod, e Jagrat com Malkuth. Este esquema se iguala à doutrina cabalista: O estado de sono profundo e sem sonhos (sushupti) é um estado no qual a mente não está consciente do universo objetivo ou fenomenal. Ele é vazio no sentido em que está isento de pensamento (imagens), e escuro no sentido em que dentro deste a luz está ausente. Sushupti funde-se em Svapna, o estado de objetividade subjetiva, ou sonho, porque Kether cria no vazio de Sushupti uma tensão que se manifesta como vibração. Esta tensão é refletida no mundo dos sonhos (Yesod) como sensibilidade latente nas zonas de poder micro cósmicas (chakras) nos quais ela assume formas elementais de éter, fogo, ar, água, e terra. Em outras palavras, esta vibração se manifesta como os seis sentidos que, por sua vez, são projetados como fenômenos objetivos no estado de vigília (jagrat; Malkuth). Desta maneira um estado ou mundo de consciência funde-se em outro. Similarmente, um estado ou nível de Consciência Cósmica se desenvolve e evolui em outro até que o Princípio de Consciência original seja objetivado com densidade crescente. Desta maneira o mundo do ‘nome e forma’ parece ao ego (o pseudo sujeito) como ‘realidade’, enquanto que no fato real a Realidade se retira enquanto o Princípio de Consciência retrocede e retorna ao ponto de sua ausência original.

Daäth como [sendo] o ego é a sombra-shakti ou poder ocultador de Kether no momento ultra rápido (como o raio) de sua bifurcação em Chokmah (sujeito) e Binah (objeto). O ego é uma sombra, mas ele é a sombra da realidade. É impossível expressar este conceito na linguagem da dualidade. Realidade é Não-Ser, e o ego é o reflexo ou reverso da Realidade nas águas do Abismo; mas a imagem não está apenas revertida, ela está também invertida. [74] Nos termos da Tradição Draconiana o ego é a miragem que aparece no Deserto de Set.

A exaltação do ego em Daäth e sua reivindicação em ser a Coroa [75] é a blasfêmia contra a divindade, e aqueles que estabeleceram este falso ídolo tem sido chamados de Irmãos Negros (Black Brothers). Por este ato eles banem a si mesmos para o Deserto de Set pela duração de um aeon; ou, se profundamente comprometidos com a hierarquia inversa, eles podem manter esta soberania de sombra durante ‘um aeon e um aeon e um aeon’, um kalpa inteiro ou Grande Ciclo de Tempo. O falso rei dura até que o kalpa seja eliminado por um Mahapralaya. [76] Contudo, tais Irmãos Negros não devem ser confundidos com os Irmãos Negros cujo ídolo não é o ego mas um certo Chefe secreto de uma hierarquia verdadeiramente inversa que resume todos os 777 [77] caminhos na parte posterior da Árvore. Eliphas Lévi indicou esta hierarquia em termos de ‘magia negra’ e do Chefe Bafomético iluminado com o enxofre do inferno e adorado pelos Templários. Outra Adepta que teve um breve vislumbre desta Hierarquia Negativa foi H.P.Blavatsky, embora sua imensa luta para retirar através do véu algum fragmento(?) de seus negros mistérios resultou apenas na confusão volumosa de suas duas obras monumentais. [78] Talvez a Ísis que ela buscou desvelar não fosse a Ísis da natureza manifesta na matéria, mas a Nova Ísis do Não Natural, da antimatéria, com seus vazios do ser e buracos negros no espaço. Antes de explorar os Túneis de Set temos que estabelecer o fato de que os mistérios do Não Ser, embora não interpretados nos tempos antigos no modo pelo qual nós os interpretamos hoje, foram não obstante considerados como possuindo um significado que era tanto vital como ameaçador. Isso é o mais surpreendente uma vez que é apenas dentro dos cinqüenta anos passados ou mais que estes assuntos obscuros tem sido iluminados através de descobertas surpreendentes nos campos da física nuclear e sub-nuclear e psicologia, nenhuma das quais tendo sido demonstrada cientificamente quando a doutrina cabalística estava sendo evoluída.

Ainda assim outro adepto dos tempos recentes, Salvador Dali, sugeriu através das ausências negras que surgem abruptamente em algumas de suas pinturas a doutrina do não-ser, do negativo,do numênico que é a Realidade subjazendo a existência fenomenal. [79]

Embora haja uma solução de continuidade entre os dois mundos – representados pelas partes anterior e posterior da Árvore – existe nada mais do que uma copula, e ela reside em uma função peculiar da sexualidade. Ela não é uma ponte em qualquer sentido positivo, e portanto ela não pode ser descrita, contudo ela pode ser pressagiada através da analogia de um raio brilhando entre eletrodos invisíveis de eletricidade positiva e negativa. As dimensões interiores do não-ser podem ser iluminadas pelo brilho ofuscante liberado pela energia sexual descarregada em conexão com certas técnicas de magia(k) Tifoniana na qual a energia pré- conceitual é capturada pelos mais tênues tentáculos da consciência assim que ela vaza através do véu do vazio a partir do olho transplutônico (Ain) além de Kether.

O Livro de Dzyan, O Livro da Lei, e os Livros Sagrados Thelêmicos, todos os quais tem sido disponibilizados durante o século passado, contém fórmulas mágicas que tem sido utilizada desde tempos imemoriais, mas não existe ainda nenhum comentário adequado à qualquer um deles, pois ambos Blavatsky e Crowley – avançados como eles indubitavelmente eram – estavam limitados por uma atitude basicamente de velho aeon perante o Vazio. Crowley, talvez em virtude de uma identificação consciente com a Corrente Draconiana (através dos mistérios do número 666), tinha compreendido intuitivamente a possibilidade de um anti-Cristo e um anti-Espírito embora ele não pudesse, ao que parece, confrontar a idéia de anti-Logos! Isto é evidenciado pelo horror com que ele se referiu ao Aeon que não possui nenhuma Palavra, um aeon ainda por vir ao qual ele atribui a letra Zain. [80] Apenas um Adepto, que eu saiba, estava atento ao fato de que Crowley não pronunciou uma Palavra, porque, sendo identificado com a Besta ele era incapaz de formulá-la [81]. Mas a reversão à falta de fala e incapacidade bestial de pronunciar uma palavra não explica a falha de Crowley que estava enraizada em sua inabilidade de sondar a dimensão atemporal onde a verdadeira anti-palavra (anti-cristo) verdadeiramente se obteve. [82]

Um exame sobre a versão de Dion Fortune sobre a Doutrina Cósmica revela uma relutância similar, ou talvez uma inabilidade genuína em perceber interiormente (insee_?) a questão a qual é a de que a Magia(k) da Luz (LVX) não se relaciona nem com magia branca nem com magia negra mas com uma corrente oculta que, como Austin Spare corretamente assumiu, vibra nos espaços intermediários [entre os espaços]; nos interstícios, por assim dizer, da ausência de espaço espiritual que existe em um vazio necessariamente atemporal por detrás, ou em algum lugar fora, da Árvore.

Se Daäth, cujo número é onze, [83] for contada junto com as quatro sephiroth remanescentes do Pilar do Meio, [84] o número 37 será obtido. Este é um número primo significando a plena manifestação da corrente mágica simbolizada por Set ou Shaitan. [85]

Aquilo que era conhecido pelos Cabalistas como a Árvore da Morte era de fato o outro lado da Árvore da Vida, e as qliphoth eram forças ‘demoníacas’, os anti-poderes ocultados nos túneis de Set que formavam a rede interior e reflexo reverso dos Caminhos.

O célebre Cabalista Isaac Luria (1534-1572) compôs as seguintes linhas as quais Gershom Scholem [86] descreve como um ‘exorcismo dos “cães insolentes”, os poderes do outro lado’:

Os cães insolentes devem ficar do lado de fora e não podem entrar, Eu chamo o ‘Antigo dos Dias’ à noite até que eles sejam dispersados, Até que sua vontade destrua as ‘conchas’. Ele os lança de volta para dentro de seus abismos, eles devem se esconder profundamente em suas cavernas. [87]

Os cães insolentes são, em um sentido muito especial, ‘os cães da Razão’ (i.e. de Daäth) mencionados em AL, capítulo 2, verso 27. A atribuição do cão aos reinos infernais deriva do Egito onde o chacal ou raposa do deserto é o típico habitante do Abismo, sendo ambos estes animais totens de Set. O simbolismo ilumina o capítulo 2, verso 19: ‘Deve um Deus viver em um cão? Não! mas os mais elevados são de nós . . .’ Cão, que é a palavra Deus ao contrário, indica o Pylon de Daäth através do qual o cão da razão entra no Abismo e ‘perece’. Um deus não deve ‘viver em um cão’, mas os ‘mais elevados são de nós’. O mais elevado é a altura representada pela oitava cabeça da Serpente que habita no Abismo. Os ‘mais elevados são de nós’ implica que existem outros três: a tríada superna ou mais elevada da Árvore, consistindo de Kether, Chokmah e Binah. Junto com o oitavo (ou mais elevado) estes três formam onze. A deusa Nuit (que é Não) proclama no capítulo 1, verso 60: ‘Meu número é 11, como todos os seus números que são de nós’. Estas palavras fornecem a chave para o mistério do Oito e do Três, ou o Um e o Três, [88] pois a Serpente é Uma embora ela tenha oito cabeças. [89] Onze é o número da magia(k), ou ‘energia tendendo à mudança’, e é no pylon de Daäth que esta morte ou modificação mágica ocorre. Daäth é o único ponto na Árvore que dá acesso ao mundo de Nuit (Não). A palavra ‘nós’, em ambos os versos, é cabalisticamente igual a 66 que é o ‘Número Místico das Qliphoth e da Grande Obra’. [90] Então aqui há uma chave para o real significado das Qliphoth que tem iludido cabalistas e ocultistas do mesmo modo, pois poucos tem sondado a função das qliphoth com relação à Grande Obra. Entretanto quando se percebe que o ‘mundo das conchas’ é formado pelo lado reverso da Árvore é possível compreender porque ele tem sido considerado como inteiramente maligno.

As qliphoth não são apenas as conchas dos ‘mortos’ mas, de forma mais importante elas são as anti-forças por trás da Árvore e o substrato negativo que subjaz toda vida positiva. Como no caso do Livro dos Mortos egípcio, cujo título significa seu oposto preciso, [91] assim também a Árvore da Morte judaica é a fonte numênica da existência fenomenal. É a última que é falsa pois o mundo fenomenal é o mundo das aparências, como seu nome implica. A fonte numênica por si É, porque ela NÃO é. Uma vez que esta verdade seja compreendida torna-se evidente que os antigos mitos sobre o mal, com sua demoníaca e terrificante parafernália de morte, inferno, e o Demônio, são sombras distorcidas do Grande Vazio (o Ain) que persistentemente assombra a mente humana. Estes mistérios são explicados em termos cabalísticos pelo número 66 que é a soma da série de números de um a onze. 66 é o número da palavra LVL que significa ‘torcer’ ou ‘circundar’(o outro lado da Árvore). Como já foi notado, a humanidade está ‘reservada a fazer um giro ao redor das costas da Árvore’ durante o Aeon de Zain. Este é o Aeon que não possuirá nenhuma Palavra porque este é o Aeon do anti-logos que será vivido no reino do cão, o que é um modo simbólico de denotar as costas da Árvore. Além do mais, Zain está conectado com o simbolismo ‘gêmeo’ de Gemini, e uma espada denotou a mulher, ou o que parte em dois (?), como mostrado na oitava chave do Taro. Esta chave também contém a fórmula do Amor através da polarização, pois no Aeon de Zain a humanidade terá transcendido as ilusões de tempo e espaço, tendo compreendido a base numênica da consciência fenomenal.

Segundo a tradição oculta o homem alcançará a iniciação final pelo Fogo antes do fechamento ou retirada final do presente Mahakalpa. [92] Sessenta e seis é também o número de DNHBH, o nome de uma Cidade de Edom que é a sombra da Cidade das Pirâmides (Binah, ) no Deserto de Set (). Seu pylon, Daäth, é o santuário daquele Chefe Secreto (o Oitavo) que os Templários adoravam sob a imagem de Baphomet, o Deus do Nome Óctuplo, Octinomos. Crowley assumiu a forma-deus de Baphomet como ‘Chefe’ da O.T.O. [93] Oito mais três (a Tríada Superna) constitui o Sagrado Onze: o número daqueles ‘que são de nós’. ‘Nós’ (66) é também o número de ALHIK que é interpretado em Deuteronômio, iv, 24, como ‘O Senhor teu Deus (é um fogo que consome)’. Pode ser demonstrado que este fogo é a Serpente de Fogo ou Corrente Ofidiana. 66 é o número de Gilgal (GLGL) ‘uma roda’ ou ‘espiral’ e é instrutivo notar que a tradição hindu dos chakras, ou rodas de força, confirma a interpretação egípcio-caldaica dos mistérios de Daäth.

Se um diagrama da Árvore da Vida for superposto de ponta cabeça sobre uma forma correta desta, vários fatos significativos virão à tona. Tiphareth permanece central, o pivô ao redor do qual nós giramos a Árvore invertida; mas ao invés do Fogo Branco do Sol nós agora temos o Fogo Negro de sua anti-imagem; e Kether se tornou Malkuth como se para ilustrar, literalmente, o texto ‘Kether está em Malkuth e Malkuth está em Kether, mas de uma maneira diferente’. Esta ‘maneira diferente’ se refere à um modo mágico associado com a fórmula do cão que, segundo meu conhecimento, foi indicada apenas em um exemplo – a saber: no Liber Trigrammaton. [94] Este livro é descrito por Crowley como um informe sobre o processo cósmico correspondente às stanzas de Dzyan em outro sistema’. [95] Finalmente, porém mais significativamente, Yesod agora cobre Daäth. Yesod é o assento das forças sexuais e do aspecto mais denso das energias eletromagnéticas da Serpente de Fogo. Ele é a morada de Shakti e o local ou centro especial de culto dos devotos de Shaitan (Set) entre os Yezidis. [96] Daäth potencializada por Yesod se torna portanto a Palavra energizada, o linga ao invés da língua, pois Daäth se equaciona com o Visuddha Chakra, como Yesod se equaciona com o Muladhara. [97] A ligação entre linguagem, [98] representada pela Palavra (Visuddha Chakra) e o linga, representado pelo Muladhara, é óbvia porque o Logos é a forma assumida pelo linga quando ele pronuncia sua Palavra suprema. [99]

A característica peculiar de Daäth sózinha é que as condições de iniciação obtidas nesta esfera requerem a total desintegração da Palavra. Em outras palavras: O Muladhara encontra seu anti-estado em Daäth, e a Palavra permanece não pronunciada. Isto em si mesmo inicia o Aeon de Zayin, que é um aeon subjetivo que começa se e quando um Adepto salta os vazios por trás da Árvore. Esta é a Grande Obra implicada pela fórmula de viparita como tipificada pelo reverso da Árvore.

Notas:

68 Isso é descrito no Liber LXV (verso 56, capítulo IV) como o ‘Erro do Início’. Esta é a falha essencial notada pelos Árabes, a ‘Queda’ original.

69 No Hinduísmo, este Jogo é descrito como um ‘Lila’ que tem sido traduzido como ‘esporte divino’, ‘máscara’ ou a eterna Dança de Shiva e Shakti. Esta ilusão básica mais tarde fez surgir o conceito de ‘pecado original’ que foi pervertido pelos cristãos se tornando uma doutrina de importância moral.

70 i.e. Consciência ou Sujeito em todos os objetos.

71 A LVX ou Luz da Gnose.

72 O número de Chokmah é 2; o de Daäth, 11; e Binah é 3; 16 kalas no total.

73 Chokmah (sujeito) e Binah (objeto).

74 Vide o Grande Símbolo de Salomão; figura 1 em Magia Transcendental de Eliphas Lévi.

75 Um título de Kether.

76 Literalmente, Grande Dissolução. O retrocesso para dentro do Vazio [por parte] do Universo após sua manifestação na matéria. Um Mahapralaya ocorre após cada sete fases de existência manifesta. Vide Aleister Crowley e o Deus Oculto, capítulo 4.

77 O número total de Caminhos e Sephiroth da Árvore da Vida.

78 Ísis Sem Véu e A Doutrina Secreta. Estas obras estão repletas com alusões à mistérios que são iluminados pela Tradição Draconiana e são explicadas no presente volume.

79 Vide em particular a pintura entitulada ‘Acomodação dos Desejos’, reproduzida em A Vida Secreta de Salvador Dali, e em outros lugares.

80 Vide capítulo anterior.

81 O adepto em questão era Charles Stansfeld Jones (1886-1950), conhecido como Frater Achad. Vide Cultos da Sombra, capítulo 8.

82 Frater Achad, com sua fórmula de reversão e negação, parece ter chegado mais próximo do verdadeiro significado de AL do que o próprio Crowley, pois os comentários de Crowley revelam uma abordagem consistentemente positiva e consequentemente fenomenal ao seu significado.

83 Daäth é 11 e 20, e portanto 31, AL, a Palavra Chave do Aeon de Hórus. 84 10 + 9 + 6 + 11 + 1 = 37.

85 Três, o número de Set ou Saturno, multiplicado por 37 resulta em 111 que é o número de Samael (Satã), Pan, e Baphomet.

86 A Kabbalah e seu Simbolismo (Routledge, 1965).

87 Velho dos Dias’, usualmente traduzido como ‘Antigo dos Dias’, é um título de Kether. As ‘Conchas’ são as qliphoth.

88 Existe um mistério maior aqui que concerne a letra de fogo – Shin. De acordo com o Sefer há-Temunah esta letra em sua forma completa possui quatro, não três, línguas. Scholem observa (ibid, pagina 81) ‘Em nosso aeon esta letra não é manifestada e portanto não ocorre em nosso Torah’. Também, ‘Todo aspecto negativo está conectado com esta letra ausente’. Shin, é a tripla língua de fogo, e a letra de Set ou Shaitan, também de Chozzar o deus da Magia(k) Atlante, e de Choronzon, a Besta do Abismo.

89 Hadit diz no capítulo 2, verso 30: ‘Eu sou oito, e um em oito’.

90 Liber D. (Vide O Equinócio, volume I, No.8).

91 i.e. O Livro dos Sempre Imortais.

92 Fogo = a chama de 3 línguas representada pela letra Shin. Segundo Crowley (Diário Mágico, p.144) ‘Shin é o Fogo de Pralaya, o “Juízo Final” ‘.

93 Ordo Templi Orientis, A Ordem do Templo do Oriente, da qual Crowley foi em uma ocasião o Grão Mestre.

94 Vide Os Comentários Mágicos e Filosóficos sobre o Livro da Lei. (Ed.Symonds and Grant; 93 Publishing, Montreal, 1974).

95 A referência é ao sistema exposto por H.P.Blavatsky.

96 Vide a Trilogia Tifoniana (Grant/Muller, 1972-75) para um informe completo sobre esta zona de poder.

97 As regiões da garganta e dos genitais respectivamente.

98 Mais corretamente, langage, no sentido de uma língua sagrada.

99 i.e. no momento do orgasmo.

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Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-luz-que-nao-e/

Anatomia do Corpo de Deus – Prefácio

Por Frater Achad.

Embora o título deste pequeno ensaio possa parecer, para aqueles que não leram seu conteúdo, presunçoso e injustificado, espero que eles reservem o julgamento até que tenham dado atenção e consideração ao estudo de um assunto tão importante.

Vivemos em tempos estranhos. A civilização parece estar se dissolvendo rapidamente, enquanto ainda há um impulso interno trabalhando para uma construção melhor e mais equilibrada de alguns setores da vida.

Uma das consequências das grandes guerras foi mudar as mentes de muitas pessoas de concepções estreitas da vida para perspectivas mais amplas. Um espírito de indagação surgiu entre aqueles que anteriormente se contentavam em aceitar afirmações sobre as questões mais profundas da vida baseadas em simples crenças ou rumores. Muitos novos movimentos surgiram sob a orientação de pessoas que ganharam pelo menos uma visão parcial da herança mais ampla do homem, e houve um declínio correspondente no que poderia ser chamado de ortodoxo ou ordem estabelecida das coisas nas igrejas e em outros lugares. Experimentos de vários tipos foram realizados em muitos países; a maioria, entretanto, foi o resultado de “movimentos de reforma” do tipo mais restrito, e rapidamente se mostrou insatisfatória e inadequada. Atualmente, entre todas essas indicações, parece não ter havido uma solução total à vista, e assim parece, com muito pouco entendimento, quanto aos princípios subjacentes envolvidos, mesmo para aqueles que realmente fazem o seu melhor sob as circunstâncias. Aqueles que estão realmente em condições de ajudar são incapazes de fazê-lo pela mesma razão.

Pode parecer um grito distante das atuais condições mundiais de natureza social e política para a Santa Cabala, mas às vezes a ajuda vem das fontes mais imprevistas.

Os judeus, e o problema judeu, representam aspectos muito importantes da dificuldade e de sua solução. Uma grande parte da riqueza mundial está hoje nas mãos dos judeus, embora, como nação, eles não tenham onde se estabelecer. Como “povo escolhido” eles eram uma nação importante, mas a rejeição do Mestre em quem eles esperavam encontrar seu Messias é geralmente considerada a causa de sua peregrinação na Terra. No entanto, a palavra “judeu” vem de IU, o Filho Prometido, o Hórus das primeiras tradições egípcias, cuja influência não está confinada à era cristã, mas se estende a todos os tempos, e de quem todos os verdadeiros Deus-Homens, como Jesus, foram e são os representantes na Terra.

Mas os judeus abandonaram o estudo de sua própria Chokmah Nestorah, ou Tradição da Sabedoria Secreta, como transmitida na Santa Cabala, e assim perderam de vista sua verdadeira vontade como nação e seu fim essencial no Grande Plano da Criação. Foi deixado aos gentios para redescobrir alguns dos mistérios mais profundos de seu Conhecimento Antigo, e concluiu-se que eles são em essência o mesmo que o catolicismo, a maçonaria, a filosofia pitagórica, a hermenêutica e muitos outros; de fato, sempre houve uma tradição universal cujo conhecimento levou as nações ao ápice da civilização, e quando este se perdeu, proclamou seu declínio e declínio.

A atual crise mundial de valores e a dissolução da civilização se devem à necessidade de uma “limpeza” geral que nos preparará para uma concepção maior e mais grandiosa apresentada à humanidade do que tem sido possível durante vários milhares de anos. Todo ser racional percebe que as coisas estão em um estado crítico, e todos devem estar preparados para aproveitar todas as oportunidades razoáveis para obter uma solução que seja de validade permanente e não temporária.

As coisas não podem ser consertadas sem esforço, e a pergunta é: “Em que sentido esse esforço é necessário”?

A solução está no indivíduo; é inútil falar em reformar os outros até que tenhamos nos reformado. É igualmente inútil confiar em outra pessoa para fazer por nós o que somos capazes de fazer e devemos fazer por nós mesmos. A alma do homem – que é o intermediário entre o corpo e o espírito – se deformou; ela tem que aprender a retificar sua estrutura antes de poder obter um esboço claro e um ponto de vista adequado.

Os professores do homem foram em grande parte responsáveis por distorcer sua visão mental e falhar em conter suas ações naturais e impedir seu crescimento natural, que seria de proporções normais se o Espírito Santo dentro dele pudesse se expandir adequadamente. A tendência natural do homem é para a saúde do corpo e da alma sob a ação do espírito. A maioria dos sistemas atuais o fez acreditar de forma diferente de sua primeira infância, incapacitando-o desde o início.

Em certo sentido, a criança é o melhor exemplo do homem ou mulher perfeito, e se a criança pudesse desenvolver inteligência sem ser prejudicada por falsas noções externas, ela cresceria para ser o verdadeiro exemplo do Deus-Homem ou Deus-Homem na maioria dos casos. Arruinamos nossos filhos antes que eles tivessem uma chance de amadurecer; nossos pais bem intencionados, mas ignorantes, e professores da escola primária incutiram em suas mentes subconscientes a maioria dos “complexos” que no futuro só poderão ser erradicados por meio de trabalho árduo e suor e lágrimas.

Mas agradeço a Deus por uma boa mãe, cuja simples fé, que ela me transmitiu, me deu uma calma coragem e perseverança para desvendar pelo menos alguns de seus “laços” e nós inconscientemente transmitidos. Mas, por tudo isso, a humanidade tem complexos que precisam ser desvendados e expulsos antes de serem tomadas medidas.

Antes de tudo, deixe-me fazer um apelo para as crianças, mesmo que neste Novo Aeon elas não precisem tanto do meu apoio, pois elas estão demonstrando uma independência de espírito que confunde a mente de seus pais e tutores, que nasceram e foram criados sob a Antiga Administração. Apelo a esses mesmos pais para que não tentem quebrar de forma alguma a vontade da criança, pois é a vontade de Deus, e a única indicação do curso de ação correto. Uma vez que esta verdadeira vontade é distorcida e o pessoal inferior é retirado do alinhamento, a cidade, por minha escolha, é dividida contra si mesma e não pode suportar. É o conflito interno entre a vontade pessoal e a verdadeira vontade em cada um de nós; esta é a causa de toda a dor e ação errada. Há apenas um remédio: descobrir a vontade verdadeira e desenvolvida, e nosso caminho é apenas um, com o Destino e a Vontade do Universo em nossa consideração.

A repressão nunca deve tomar o lugar do uso correto em nenhum avião. Os justos são aqueles que usam corretamente o que possuem, para seu próprio bem e para o bem da Humanidade da qual nunca poderão ser separados. O homem não pode viver, ou morrer, por si só. O mesmo é válido para as nações.

Todas as coisas vêm de Uma Substância e são motivadas por Um Espírito. Utilizado corretamente, qualquer aspecto desta substância pode tornar-se parte do corpo e da alma do Homem, e ali transmutar nas condições e proporções adequadas para a construção de seu próprio ser de concreto. Os melhores homens e mulheres são aqueles com experiências tão variadas em todos os aspectos que são imunes a todo veneno e toda doença, porque encontraram a proporção e o equilíbrio certos entre o que é chamado de bem e o que forma o Homem Perfeito, feito à imagem e semelhança do Pai Celestial, em Quem todas as coisas têm sua origem.

O homem deve comer da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal antes de chegar à Árvore da Vida no meio do Jardim. É somente quando ele come demais de uma coisa e não o suficiente de outra que sua alma ou seu corpo fica desfigurado. Todo “Cristo” e todo Gênio tem sido amigo dos pecadores e das pessoas vulgares, assim como dos “seletos e exclusivos”. Idealismo e materialismo devem unificar-se e permanecer unidos para que uma nova civilização possa ser criada. A alma da humanidade é o vínculo conectivo. Não há nada de que se envergonhar em nossos corpos materiais, mas eles não seriam de grande utilidade sem o espírito e a vontade que lhes dá vida e movimento. Por outro lado, não devemos ser tão covardes e egoístas que desejemos ser reabsorvidos pelo espírito, como se todo o plano criativo fosse um desperdício de tempo e tivesse sido melhor nunca ter começado. Não! Agradeçamos à nossa alma pelo corpo e pelo espírito, usando-os corretamente e até o limite do nosso poder.

Mas como devemos aprender as proporções corretas de cada um?

Devemos comer do fruto da Árvore da Vida, e veremos como ele nos alimenta perfeitamente, e fará com que todos os elementos de nosso sistema sejam estabelecidos em proporções corretas e em plenitude de caráter. Devemos aprender a superar as ilusões do tempo e das circunstâncias; devemos tomar posse da herança de Liberdade que foi preparada para nós no Reino do Pai na Terra. Sacrificamos a flor da humanidade, não apenas nas grandes guerras, mas de muitas, muitas maneiras aos nossos falsos deuses.

Em nome do Deus verdadeiro e vivo, deixemos de lado o sacrifício sangrento e comecemos a construir um “Templo vivo, não feito com as mãos, eterno nos Céus”, na Terra.

Frater Achad

Collegium ad Spiritum Sanctum

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Fonte:

Preface.

The Anatomy of the Body of God, by Frater Achad.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/anatomia-do-corpo-de-deus-prefacio/

Yesod – Bem-vindo ao Deserto do Real

Publicado no S&H dia 4/jun/2008,

Continuando nossa série sobre desmistificação de demônios, diabos, encostos e afins, precisamos neste momento ao mesmo tempo fazer uma parada e estabelecer uma conexão com a kabbalah. Sem explicar o que é o chamado “Plano Astral”, será muito difícil entrar em detalhes sobre como exatamente funciona a mecânica por trás dos Anjos, Demônios, Devas, Asuras, Elementais, Exus, Anjos Enochianos, Fantasmas e Gênios.
Da mesma maneira, estava devendo para vocês uma explicação gnóstica sobre o filme Matrix, então este período do tempo-espaço em relação à coluna me parece o ponto exato para comentar três coisas aparentemente distintas, mas ao mesmo tempo intrinsecamente conectadas: Yesod, o Plano Astral e Matrix.

Tome a pílula vermelha e siga o tio Marcelo para descobrir o quão funda é a Caverna de Platão.

Yesod
Para os que fizeram os exercícios do Sefira ha Omer já deve estar bastante clara qual é a função de Yesod dentro das emanações divinas. Yesod se situa abaixo de Tiferet e entre Netzach e Hod. É chamada de “Fundamento” ou “Fundação” e funciona como um reservatório onde todas as inteligências emanam seus atributos, que são misturados, equilibrados e preparados para a revelação material. É compilação das oito emanações e forma o Plano dos Pensamentos, Plano Astral, ou a Base da Realidade.
Malkuth é o plano físico puro, chamado de Plano Material, que nossos sentidos objetivos podem ver, ouvir, cheirar, tocar e provar, mas incapaz de perceber qualquer tipo de consciência além disto. Malkuth é o mundo criado das ilusões para nos manter em torpor ou, fazendo nossa comparação, Malkuth é a Matrix.

Em Malkuth vivem os adormecidos. Pessoas que acordam, tomam café, vão para suas baias em seus trabalhos, trabalham, almoçam, trabalham, vão para casa, jantam, assistem novela, assistem futebol, dormem e no dia seguinte acordam de novo… fazem isso durante a vida toda, aposentam-se e morrem, sem nunca terem realmente vivido. Suas almas estão presas em casulos sem imaginação, sugadas pelo sistema que mantém a ilusão funcionando, tal qual é retratado simbolicamente no filme.

Yesod representa os bastidores da realidade. O mundo real na qual são programados os acontecimentos que surgirão no mundo ilusório. Para fazer uma analogia, imaginemos que Malkuth seja um prédio comercial. Yesod será, então, toda a fundação: canos, fios, dutos de ar, fosso do elevador, esgotos, toda a parte elétrica e hidráulica que faz o prédio funcionar. Quando se aperta um interruptor na parede, a luz da sala acende. Os ignorantes chamam isso de “coincidência”, mas qualquer pessoa que tenha um conhecimento maior de ciência sabe que, por trás daquele interruptor correm fios elétricos escondidos na Fundação e que, quando se aperta um botão neste interruptor, uma série de conexões simples são acionadas, fazendo com que a eletricidade chegue até a lâmpada, acendendo-a.
Magia é compreender como os condutores de energia da realidade material funcionam e apertar os botões certos para que as lâmpadas certas se iluminem.

Yesod representa a Intuição; o sexto sentido; o despertar. Infelizmente, assim como Morpheus diz a Neo no começo do filme, ninguém vai conseguir explicar para você o que é o Plano Astral. Você precisa ter esta experiência sozinho para compreender. E a maioria das pessoas passa sua vida toda como gado, inconscientes da realidade ao seu redor, como baterias inertes de um sistema controlado por egrégoras que mantém as pessoas ocupadas demais rezando para deuses externos, com medo de falsos diabos e trabalhando como escravas para mantê-las no poder. As famosas “otoridades”. No filme, são representadas pelos Agentes da Matrix.

Uma das melhores cenas do filme ocorre logo no começo, quando Thomas (Tomé, escritor do principal livro apócrifo) Anderson (Andras [homem]+Son [filho], ou seja, “Filho do Homem”, em uma analogia a Jesus/Yeshua) está dormindo diante da tela e aparece o texto “Acorde, Neo”. Esta cena resume a fagulha que vai despertar dentro de cada um de nós em direção ao Cristo; a Princesa dos contos de fada; a espada presa dentro da pedra, a Branca de Neve adormecida em um caixão de vidro.
Minutos após despertar, um hacker diz a ele “você é meu salvador… meu Jesus Cristo”. Simbolicamente, isto representa que mesmo esta pequena fagulha de controle sobre a realidade é suficiente para despertar seguidores, de tão perdidas que as pessoas estão.
As referências ao caminho do Sábio na Kabbalah continuam: quando Neo chega a nave (que tem o Nome de Nabucodonosor, o rei da Babilônia que no Livro de Daniel teve um enigmático sonho que precisa ser interpretado) cujo número de série é “MARK III NR. 11” (Marcos, Capítulo 3, versículo 11: “E os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus”). Neo passa pela morte e ressurreição e finalmente, no final do filme, chega a Tiferet, “o escolhido”.

Para os gnósticos, o Deus Supremo (Keter) é totalmente perfeito, e, por isso, estranho e misterioso, “inefável”, “inalcançável”, “imensurável luz, pura, santa e imaculada”(Apócrifo de João). Para este Deus existem outros seres menos divinos no Pleroma (similar ao Paraíso, uma divisão desse universo que não é a Terra), que é dotado de um sexo metafórico masculino (Hochma) ou feminino (Binah).
Pares desses seres são capazes de produzir descendência, que são, eles mesmos, emanações divinas perfeitas em si mesmas (a analogia no filme é a criação de múltiplas matrix pelos computadores). O problema surge quando um EON ou Ser chamado SOPHIA (Sabedoria em grego, representado no filme pela Oráculo), uma mulher, decide “levar adiante sua semelhança sem o consentimento do Espírito” – que gera uma descendência sem sua consorte (Apócrifo de João).

A antiga visão era a de que as mulheres oferecem a matéria na reprodução, e os homens, a forma. Por isso, o ato de Sophia produz uma descendência que é imperfeita ou até mesmo mal formada, e ela a afasta dos outros seres divinos do Pleroma, levando-a para outra região isolada do cosmos. Essas deformadas e ignorantes deidades, as vezes denominadas DEMIURGOS (o Arquiteto, no filme), que equivocadamente acreditam ser o único Deus.

Os gnósticos identificam o Demiurgo como o Deus Criador psicopata do Antigo Testamento, o qual decide criar os Arcontes (Anjos), o mundo material (Malkuth/Terra) e os seres humanos. Embora as tradições variem, o Demiurgo normalmente é enganado dentro do alento divino ou espírito de sua mãe Sophia que antigamente vivia nele, dentro do ser humano (especialmente Apócrifo de João, ecos do Gênese 2-3).
Para os gnósticos, somos pérolas no lodo, espíritos divinos (bom) aprisionados num corpo material (mau) e num mundo material (mau). O Paraíso é nosso verdadeiro lar, mas estamos exilados do Pleroma.
Felizmente, para o Gnóstico a salvação está disponível na forma de Gnose ou Conhecimento, dado pelo Redentor Gnóstico, que é o Cristo, a figura enviado pelo Altíssimo para libertar a espécie humana do Demiurgo, tal qual Neo é o “escolhido” para libertar as pessoas do jugo do Arquiteto.

Quando Neo é desconectado e desperta pela primeira vez em Nabucodonosor, em meio a um brilhante espaço branco iluminado (linguagem cinematográfica para indicar o despertar), seus olhos ardem, conforme explica Morpheus, porque ele nunca os havia usado antes. Tudo que Neo havia visto até aquele ponto o foi através do olho da mente, como num sonho, criado através de um software de simulação. Tal como um antigo Gnóstico, Morpheus explica que a respiração (prana, chi-kung, tai-chi, reiki) conduz Neo pelo programa de treinamento de artes marciais e que não há nada a fazer com seu corpo, a velocidade ou sua força, os quais são todos ilusórios. Mais ainda, eles dependem unicamente de sua mente, que é real.

Ainda outro paralelo com o Gnosticismo, ocorre na figura dos Agentes, como o Agente Smith e seu opositor, o equivalente gnóstico de Neo e todos os demais que tentam sair de MATRIX. A IA criou esses programas artificiais para funcionarem como “porteiros” – os Guardas das portas – que possuem todas as chaves. “Esses Agentes são parentes dos ciumentos Arcontes criados pelo Demiurgo para bloquearem a ascensão do Gnóstico quando tentam deixar o mundo material. Eles defendem as portas em sucessivos níveis ao paraíso (e.g. Apocalipse de Paulo, Divina Comédia de Dante, textos Babilônicos narrando os sete infernos, a estrela setenária dos alquimistas e assim por diante).

Sobre a questão do Samsara, até mesmo o título do filme evoca a visão budista de mundo. MATRIX é descrita por Morpheus como “uma prisão para a mente”. É uma “construção” dependente feita de projeções digitais interconectadas de bilhões de seres humanos (egrégoras) que desconhecem a natureza ilusória da realidade na qual vivem, e são completamente dependentes do “hardware” implantado em seus corpos reais e dos programas (softwares/mapas astrais) elaborados (para fazer a máquina funcionar), criados pelo Demiurgo. Essa “construção” é parecida com a idéia budista do SAMSARA, a qual ensina que o mundo, no qual vivemos nossas vidas diárias, é feito unicamente de percepções sensoriais formuladas por nossos próprios desejos.
O problema, então, pode ser examinado em termos budistas. Os humanos são aprisionados no ciclo da ilusão (Maya), e sua ignorância acerca do ciclo os mantém atados a ele, totalmente dependentes de suas próprias interações com o programa e com as ilusões da experiência sensorial que ele provê, bem como das projeções sensoriais dos demais. Essas projeções são consolidadas pelos enormes desejos humanos de acreditarem que o que eles percebem como real é real de fato (para eles). É o mundo dos materialistas, ateus e céticos.
Este desejo é tão forte que derruba Cypher, que não pode mais tolerar o “deserto do real”, e procura uma maneira de ser reinserido na Matrix. Tal como combina com o Agente Smith num restaurante fino, fumando um charuto com um copo grande de brandy, Cypher diz: “Eu sei que este bife não existe; eu sei que quando eu o levo a minha boca Matrix está dizendo ao meu cérebro que ele é suculento e delicioso. Depois de 9 anos você sabe o que está mais claro para mim? Que a ignorância é a felicidade!” (Ignorance is Bliss).
A contrapartida é a vida monástica dentro da nave: comem uma gororoba vegetariana, vestem-se com trapos, não possuem bens materiais e treinam um kung fu que beira o sobrenatural. Possuem a humildade de quem já se despojou dos bens materiais, tal qual os monges do monastério de Shaolin.
Em determinada parte do filme, Morpheus diz a Neo, “há uma diferença entre conhecer o caminho e percorrer o caminho”. E como Buda ensinou aos seus seguidores, “vocês, por vocês mesmos, devem fazer o esforço; só os Despertos são Mestres”.
Para quem já está no Caminho da Iluminação, Morpheus é somente um Guia. Em última instância, Neo precisará reconhecer a Verdade por ele mesmo.

Reinos Subterrâneos
Na Antiguidade, o estado de consciência de Yesod era representado por Hades, o Reino Subterrâneo. Como tal, podia ser acessado apenas pelos seres chamados Psychopompos (“Condutores das Almas”), que eram apenas cinco: Hermes, Hecate, Caronte, Morpheus e Thanatos. Cada um deles descreve exatamente os estados de consciência que habitam o Plano Astral.

Comecemos por Morpheus, o senhor dos sonhos e o nome do Personagem de Lawrence Fishburn como condutor de Neo (que representa nossa consciência crística que deve ser trabalhada até nos tornarmos “o Escolhido”). Morpheus é o senhor dos sonhos, indicando que uma das maneiras de acessarmos o Plano Astral é durante o sono, quando conseguimos atingir os estados de ondas teta e alfa, necessários para atingirmos a chamada superconsciência (ou meditação profunda, ou transe, dependendo para quem você pergunta). Anote ai no seu caderno: Sonhos.

A segunda Psychopompos é chamada de Hecate, deusa dos Templos Lunares. Ela representa os aspectos da consciência atingidos através do Ajna Chakra (o sexto chakra). Hecate representa as danças sagradas, o sexo mágico, o tantra, o despertar da kundalini, os oráculos (tarot, runas…) e todos os Templos que lidam com a energia lunar/feminina dentro da magia. Hecate também é conhecida como a “Deusa Tríplice” (Trinity).
Anote ai no seu caderno: Oráculos e Magia Sexual.

O terceiro deus condutor de almas é Caronte. Caronte é o barqueiro que conduz os viajantes até os Reinos de Hades. A lenda de Caronte deriva das histórias do Barco de Ísis e das antigas iniciações egípcias onde os sacerdotes e iniciados eram colocados em transe nas pirâmides e tinham sua alma liberta do corpo para que vissem a si mesmos deitados aos pés dos outros sacerdotes e tomassem consciência de que eram espíritos habitando temporariamente um corpo físico. Quando fazemos Viagens Astrais induzidas, a sensação de se desligar do corpo no momento em que saímos do Plano Material é muito semelhante ao deslizar que sentimos quando estamos dentro de um barco. Desta maneira, Caronte representa as Viagens Astrais Conscientes. Tanto a lenda de Orfeu quanto a de Hércules (e também Dionísio, Psique e Enéias) representam iniciados em cultos Dionísicos e o despertar da consciência. Os Barcos Espirituais (tanto de Caronte quanto de Ísis) estão representados na forma dos Hovercrafts. Anote no caderno: Viagens Astrais Conscientes.

Hermes representa o Templo Solar, a magia atuando sobre a Luz Astral. Hermes representa o mensageiro dos Deuses, aquele que domina o caduceu (kundalini) e trabalha com a imaginação de maneira racional. Ele representa os grandes magos e conjuradores, os grimórios que lidam com a conjuração de espíritos, o contato consciente entre os que estão no Plano Material e os que estão no Plano Astral. Assim como Salomão, Eliphas Levi e Crowley, Hermes representa todos os iniciados e médiuns capazes de estabelecer contatos entre o Plano Material e o Plano Espiritual.
Como veremos na próxima coluna, o Caduceu e os Chakras representam a porta de entrada e o controle sobre as energias que atuam sobre Yesod e o Plano Astral. Hermes aparece no filme Matrix na forma de “Mercúrio”, como o espelho que engloba Neo e o guia através da jornada que fará o despertar final.
Anote no seu caderno: Mediunidade, Imaginação e Vontade atuando sobre a Luz Astral.

Por fim, temos Thanatos, deus da morte. Irmão de Hypnos (o sono), Thanatos representava a morte e os espíritos dos mortos, que eram transportados por ele até o Reino Subterrâneo. O Reino dos Mortos. Thanatos está representado na máquina que descarta Neo nos esgotos assim que ele desperta e Thanatos o reconhece como não pertencente àquele local. Anote ai como o quinto item: Espíritos dos Mortos.

A partir destas alegorias, podemos compreender que o Plano Astral é habitado por diversas criaturas, objetos, egrégoras, seres e entidades que possuem uma complexa e intrincada estrutura de organização, a partir das quais explicaremos todas as lendas, contos e bases de muitas religiões e filosofias espiritualistas.

Homens e Espíritos
Começaremos nossa jornada da comunicação entre homens e espíritos pelo Xamanismo. Há mais de 40.000 anos as tribos mais antigas conseguiam entrar em contato com o Mundo Astral de diversas maneiras. Seus sacerdotes comunicavam-se com os espíritos dos antepassados em busca de conselhos e indicações enquanto dormiam ou durante rituais envolvendo ervas capazes de alterar o estado de consciência dos participantes no ritual. Os xamãs também eram capazes de entrar em contato com o Reino Espiritual através de oráculos e rituais de conjuração de seres que eles chamam de Elementais.
Nas religiões Aborígenes (Austrália) e Tribais (Africanas), os nativos possuem o mesmo nome para designar o “Reino dos Sonhos” e o “Reino dos Mortos”. Nestas religiões, os deuses e os espíritos iluminados conseguem se comunicar com os sacerdotes através da mediunidade deles (fazendo conexões entre seu corpo astral e os chakras dos médiuns, os espíritos conseguem agir através do corpo de um médium). Além dos espíritos, outras entidades astrais (chamadas de Devas pelos hindus, Orixás pelos africanos e Elementais pelos celtas) também são capazes de incorporar um médium capaz de recebê-los.
Na Babilônia, os cultos a Astarte envolviam danças sagradas, sexo sagrado e contato com os mortos através dos oráculos.
Entre os hindus, o tantra fazia a ponte entre o despertar da kundalini e a iluminação do ser humano através do sexo sagrado. Com a abertura e desenvolvimento dos chakras, os praticantes tornavam-se canais poderosos de conexão com o cósmico, despertando habilidades consideradas sobrehumanas.
Os Egípcios conheciam como ninguém os desdobramentos astrais, potencialidades dos chakras, telepatia e diversas outras habilidades que são preservadas até os dias de hoje dentro das Ordens Iniciáticas como a Rosacruz, Templários e Maçonaria.
Entre os gregos, as sacerdotisas de Hecate também eram conhecidas pelo nome de Ptionísia ou Oráculo (mais uma conexão com o filme Matrix) e conseguiam estabelecer um contato entre os vivos e os mortos para obter conselhos e previsões.
Do ponto de vista ocultista, praticamente não há diferença entre um oráculo grego da antiguidade e um centro espírita Kardecista, salvo pela ritualística. Os princípios e os mecanismos envolvidos são rigorosamente os mesmos.
O rei Salomão utiliza seu conhecimento sobre o astral para deixar um dos maiores legados ocultistas, o Ars Goetia, ou os 72 espíritos (falarei sobre eles mais adiante, quando retornarmos aos trilhos dos posts sobre demônios). Chamavam estes conhecimentos de Arte Real. Paralelamente, temos os judeus e seu vasto estudo sobre a kabbalah e os 72 nomes de Deus (chamados vulgarmente de “anjos cabalísticos”). Salomão compartilha estes conhecimentos com a rainha de Sheba, que os leva para os Reinos africanos e mistura este conhecimento com as religiões tribais, dando origem aos cultos africanos que muitos séculos mais tarde dariam origem indireta ao Candomblé, Umbanda, Santeria, Vodu e Quimbanda. (explicarei em detalhes cada um deles em posts futuros).

Da Grécia, os oráculos chegavam até praticamente todos os pontos do mundo conhecido. Rituais de magia que lidavam com o astral são descritos em diversos poemas e praticados por comandantes, soldados e sacerdotes iniciados.
Dos romanos e dos celtas, este conhecimento também chegou até a Europa, onde as bruxas utilizavam-se deste contato para conversar com os antepassados, conjurar elementais e adquirir conhecimento e iluminação. As belíssimas obras de arte deixadas por todos estes povos são um retrato claro da interação entre vivos e mortos, espíritos e sonhadores, deuses e mortais.
Os nórdicos possuíam lendas a respeito das Valkírias, dos Einherjar, das runas e de toda a estrutura de contato entre os vivos e os mortos. Suas lendas refletem um profundo conhecimento dos iniciados a respeito da Árvore da Vida. Um dos cursos que mais gosto de ministrar é justamente o de runas, pois cada uma das 24 pedras do Oráculo encerra uma lenda rica e profunda; desde a famosa “Ponte do arco Íris”, guardada por Heimdall, que representa o caminho de Tav na Árvore da Vida, até a própria estrutura da origem das runas, provenientes do sacrifício de Odin durante nove dias (nove esferas fora do mundo material na Kabbalah).

Semana que vem: Vampiros, Encostos, Espíritos do Mal e Poltergeists.

#Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/yesod-bem-vindo-ao-deserto-do-real

Cursos de Hermetismo – Março/Abril 2010

Este é um post sobre um Curso de Hermetismo já ministrado!

Se você chegou até aqui procurando por Cursos de Ocultismo, Kabbalah, Astrologia ou Tarot, vá para nossa página de Cursos ou conheça nossos cursos básicos!

Março

06/03 (sab) – Astrologia Hermética I (básico)

07/03 (dom) – Kabbalah

20/03 (sab) – Astrologia Hermética II (Intermediário) [pré-requisito Astrologia I ]
21/03 (dom) – Magia Prática [pré-requisitos Kabbalah e Astrologia I ]

Abril

02/4 – Runas e Magia Rúnica

03/4 – Estudo Magístico da Umbanda (prof. Fernando Maiorino)

04/4 – Chakras, Kundalini e Magia Sexual

24 e 25 – Florais (Voltado para Médicos, Veterinários e Terapeutas)

Houve uma pequena mudança para Abril. Consegui uma data livre na agenda do Fernando Maiorino (Pai de Santo com mais de 10 anos de experiência e um dos maiores conhecedores da Umbanda, Candomblé e suas ligações com a Árvore da Vida aqui no Brasil) para dar um curso que envolva desde os básicos das religiões afro (o que são, como surgiram, sincretismo, orixás, exús, bombo-giras, ciganas, etc) até as correspondências entre a magia Afro e o Hermetismo. Na verdade, eu marquei este curso porque eu e alguns amigos vamos fazê-lo, mas acho que vários leitores vão se interessar pelo tema, então decidi postar aqui no TdC. Só que são poucas vagas, então quem estiver a fim, fica esperto.

(o Curso dos 72 Nomes de Deus vou deixar para Maio).

Informações no: marcelo@daemon.com.br

#Cursos

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cursos-de-mar%C3%A7o-abril-2010

Anatomia do Corpo de Deus – Introdução

Por Frater Achad.

Em 14 de abril, tendo acabado de terminar o manuscrito do meu tratado sobre O Renascimento Egípcio ou o Filho Prometido, no qual meu esforço foi demonstrar que A Ordem Restabelecida dos Caminhos da Árvore da Vida Cabalística estava provavelmente correta, pois indicando a tradição universal simbolizada pelas chaves de Hermes, fui recompensado pela descoberta de uma possibilidade surpreendente no que diz respeito ao desenho da Árvore da Vida.

Foi entre 8h30 e 9h30 na noite da mesma data, quando a árvore começou a crescer e provou ser a verdadeira anatomia de Ra- Hoor- Khuit, o Prometido, entre os dois Infinitos.

Esta nova revelação me deixou estranhamente silenciosa; parecia maravilhosa demais para ser verdade, mas provou ser – como estou escrevendo estes dias depois – uma possibilidade ainda maior, a mais extraordinária de todas revelada a mim naquela noite, depois de discutir o assunto com W.R.

Por enquanto não pretendo escrever sobre a descoberta em si, apenas preparar um pequeno ensaio sobre a cabala usando uma luz mais esclarecedora que eu mesmo acabo de receber. Isto servirá como uma introdução à explicação mais completa de todo o assunto que, a fim de torná-lo mais compreensível para meus leitores, exigirá uma série de diagramas mostrando os diferentes níveis de seu desenvolvimento.

Comecemos pelo início. Como foi dito na Cabala, os Cabalistas postularam AIN ou NOTHING (NADA) como o Zero do qual, de uma forma misteriosa, o Universo surgiu. Em seguida, de acordo com eles, AIN SUPH, ou Espaço Ilimitado, tornou-se a natureza de AIN, e esta concepção foi seguida por AIN SUPH AUR ou a Luz Ilimitada do Caos.

Foi somente quando a luz sem limites foi concentrada em um centro que surgiu a Primeira Ideia Positiva, que se chamou Kether e foi atribuída ao número um.

A partir desta surgiu sucessivamente as outras emanações numéricas ou Sephiroth de duas a dez, e assim a escala decimal de números foi completada. Diz-se que o número dez representa o retorno de um a zero e assim completa o ciclo de manifestação.

Estas ideias podem ser encontradas descritas com mais detalhes na Cabala e em outros escritos, mas eu gostaria de adotar uma abordagem um pouco diferente, que será desenvolvida com mais detalhes mais adiante neste livro.

A mente limitada do homem não pode compreender o infinito exceto de uma certa maneira mística e espiritual, mas, através da Luz do Espírito, faremos nosso melhor para compreender este grande mistério da Origem.

Aceitemos o termo AIN como representando aquilo que nada é conhecido, nem pode ser conhecido, exceto através das manifestações positivas que dele derivam. Quando tentamos imaginar AIN SUPH – espaço limitado – nossa mente tende a acelerar, e apenas recuar na profundidade da grande profundidade; no entanto, temos que admitir a possibilidade da extensão infinita do espaço. Em minha opinião, isto se deve ao fato de que só somos capazes de estender a substância material fina da mente até um certo limite, depois de alcançarmos o nada para nós mesmos, a menos que consigamos desenvolver o poder de impulsionar ainda mais nossa limitação e assim estender a substância real de nosso ser.

Se a vida é a substância da luz, então a vida tem que ser considerada como a substância mais sutil em nossa composição; e daí se concluiria que quanto mais a substância se estender, maior será a iluminação, mais distante será nosso campo de visão, e mais ampla será nossa esfera de consciência.

Com estas ideias em mente, vamos tentar obter uma compreensão mais completa do processo primordial, que ainda está acontecendo aqui e agora.

Quando o AIN SUPH AUR se concentrou em um único elemento, ele reduziu a luz à substância da luz, que é a vida. Em outras palavras, a luz concentrada tornou-se uma força ou energia de poder inconcebível no centro de Kether. Este ser puro, ou esta substância viva, devido a sua reação a partir do centro invisível, tende a se estender até o infinito. Isto nos dá uma ideia da substância sempre em expansão do universo, ocupando cada vez mais o espaço ilimitado do AIN SUPH, enquanto o impulso primordial centralizador ainda continua a se apertar sobre o Infinitamente Pequeno, ou o AIN.

Kether, então, é a junção entre esses dois infinitos, mas em particular representa a concentração de luz em um ponto em seu caminho para o infinitamente pequeno, enquanto Malkuth, a décima Sephira e a Esfera dos Elementos – que os Cabalistas dizem ser uma só com Kether – é a substância que está em contínua expansão e, por assim dizer, preenchendo gradualmente o nada de AIN SUPH. Assim, devemos considerar Kether como a luz e Malkuth como a substância, enquanto toda a esfera é composta de substância viva. Isto representa o universo macrocósmico, mas está até se tornando cada vez maior, e recuando, por assim dizer, para o vazio do caos.

O homem, feito à imagem e semelhança de Deus e do universo, tem as mesmas infinitas possibilidades de crescer em consciência, pois a força do espírito estende a substância de sua mente para campos cada vez mais amplos de pensamento.

O universo inteiro, entretanto, é o resultado do pensamento de Deus, e progride de acordo com a ordem pura da razão, como indicado na Cabala.

Todos as Sephiroth e os Caminhos têm seu lugar, de acordo com esta ordem, dentro da esfera da substância, e representam múltiplas possibilidades de ação da força vital sobre a substância e as várias manifestações de substância sob a influência da força vital.

Em outras palavras, sem o universo manifestado está o corpo infinito de Nuit; no centro de tudo está o Infinitamente Pequeno e a essência da vida não-expandida, ou Hadit. A contração e expansão do Hadit em Nuit são forças constantes. O universo finito, ou Ra-Hoor-Khuit, O Filho Prometido, é delimitado pela circunferência sempre crescente que fica exatamente entre o Infinitamente Grande e o Infinitamente Pequeno.

Kether e Malkuth juntos – espírito e matéria – representam esta esfera universal, enquanto Tiphereth, a esfera central da árvore da vida, deve sempre corresponder a Ra-Hoor-Khuit dentro deles; uma esfera a meio caminho entre o centro e a circunferência.

Na natureza podemos considerar as representações finitas desses dois infinitos como o menor átomo da matéria conhecido como centro, o Universo Estelar mais expandido como circunferência, e o Sol Central como criança.

No homem encontramos estas possibilidades, infinitas e finitas. O verdadeiro centro de seu ser é Hadit, cujo representante é a pequena centelha da Pura Luz Espiritual; a substância de seu corpo mental é limitada apenas pelos limites do universo, e estes nunca recuam ao infinito. Seu corpo físico é, entretanto, bastante pequeno, enquanto seu coração, que regula a vida daquele corpo, é, em um sentido místico, capaz de compreender a luz em extensão do sol de seu ser, que é sua alma.

O homem é assim composto de corpo, alma e espírito, e a alma é o mediador entre o espírito e a matéria.

O universo é composto por Malkuth e Kether, com Tiphereth como mediador entre eles, enquanto, ainda num sentido mais amplo, Nuit e Hadit, os dois infinitos, juntamente com o universo manifesto da vida de Ra-Hoor-Khuit, podem ser considerados como seus filhos, a criança coroada e senhor do Aeon.

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Fonte:

Introduction.

Anatomy of the Body of God, by Frater Achad.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/anatomia-do-corpo-de-deus-introducao/

A Cruz Cabalística

Praticamente toda cerimônia esotérica ou ritual de magia começa com a limpeza do ambiente onde se vai operar. Da mesma maneira que um médico não vai fazer uma cirurgia em um local contaminado, um magista não fará uma cerimônia em um ambiente astralmente sujo.

Um dos rituais mais importantes de todos, se não for “O” mais importante de todos, é o chamado Cruz Cabalística. É este ritual que demarcará no Plano Físico, espiritual, emocional e mental os limites do trabalho magístico e da vontade do mago naquele momento.

A Cruz Cabalística serve como elo de ligação entre o Magista e o Universo, buscando energias de todas as sephiroth para abastecer todos os rituais que serão realizados em seguida. Provavelmente este será o post mais importante que escreverei este ano.

Começando

– Fique de pé, no centro do local onde você irá traçar o círculo, voltado para o LESTE.

– Feche os olhos, respire fundo e devagar por três vezes, sentindo todo o seu corpo e o ambiente ao seu redor.

– Com a mão direita fechada, os dedos indicador e médio estendidos e o dedão sobre o anular e mindinho, formando a chamada “posição de Athame” (ou, se você estiver responsável pela abertura do círculo, pode ser o próprio athame mesmo).

– Visualize um raio de luz intenso, descendo do topo da Árvore da Vida, descendo do alto do macrocosmos sobre você. esta luz tem de ser tão forte que ilumine o local onde você estiver, fazendo sombra nas paredes ao redor e banhando totalmente o magista.

– Toque o Ajna Chakra (frontal, terceiro olho, etc…) com a ponta dos dedos e pronuncie de maneira vibrante “ATAH” (“para ti”).

Visualize agora este raio de luz atravessando o chão, formando um pilar de luz que passa através do corpo do magista, até o centro da Terra.

Este pilar, assim formado, ficará encarregado de trazer a energia que for necessária de Keter para o ritual, e ao mesmo tempo dissipar qualquer excesso negativo em Malkuth.

– Enquanto imagina este pilar de luz descendo, desça também com a mão da testa até o ventre/genitais, posicionando a mão na forma de uma figa e vibre “Mal-kuth” (“O Reino”).

Visualize agora, um dos braços da cruz (no mesmo formato da imagem que eu coloquei ao lado), expandindo-se para a direita enquanto o magista desloca a mão direita para ombro direito, formando um dos braços da cruz (a cruz dourada luminosa deve ter a altura aproximada do magista, e seus braços o mesmo tamanho dos braços abertos).

– Toque o ombro direito e vocalize “Ve-Geburah” (“O Poder”).

Visualize o outro braço da cruz luminosa, traçando a trave de luz enquanto desloca a mão direita do ombro direito para o ombro esquerdo.

– Toque o ombro esquerdo e vocalize “Ve-Gedulah” (“e a Glória”). Neste momento, visualize a cruz cabalistica completa, brilhante em um dourado quase branco, iluminando toda a sala onde você estiver. Sinta a sombra que esta fonte de luz faz nos objetos ao seu redor.

– Abra os dois braços até formar por um segundo a cruz com o seu corpo, depois junte as duas mãos sobre o chakra cardíaco em posição de prece. Este movimento é acompanhado da vocalização “LE OLAM” (“Para todo o mundo”). O timing é importante nesta parte do ritual. Enquanto você abre os braços, vocalize o “LEeeeee” até esticá-los. Então começe a vocalizar “OLAaaaammm” enquanto junta as mãos em prece sobre o chakra cardíaco.

Com a cruz dourada brilhando sobre o magista, é o momento de se fazer a conexão com as egrégoras que irão trabalhar. Os iniciados na senda rosacruz podem visualizar a rosa vermelha no centro da cruz, os maçons visualizam o esquadro e compasso aberto no grau em que estão (como disposto sobre o L:. L:.), os membros de ordens martinistas visualizam a cruz Patté e assim por diante. Todas as egrégoras nas quais você foi iniciado podem ser invocadas para que estas energias protejam o ambiente e façam a esterilização astral do recinto em conjunto com o magista. Esta visualização dura aproximadamente um ou dois segundos, seguindo o timing.

– Por fim, junte seus dedos polegar, indicador e médio da mão direita no kubera mudra, como se estivesse segurando um “giz invisível” e trace o seu sigilo pessoal na sua frente, na altura do chakra cardíaco, na cor verde esmeralda (a mão esquerda permanece na posição de prece). Não esqueça de fazer as respirações de acordo com o traçado!

– Junte novamente as duas mãos em prece e vocalize “AMEM”.

Parece complicado, mas não é. A parte difícil é fazer a vocalização (tem de sentir o som vibrando na garganta) e o timing da visualização e desenho da cruz no formato certo… Com a prática, você vai memorizar tudo em menos de uma semana.

Este ritual é a origem do famoso “sinal da cruz” dos cristãos, que seria uma versão bem mais simples e reduzida de poder deste ritual de proteção e invocação de energias. A Cruz começa e termina qualquer trabalho dentro da Árvore da Vida, inclusive os rituais do pentagrama, hexagrama, rubi estrela e safira, além do exercício do pilar central e outras meditações.

Quem for fazer o Sefirat ha Omer, pode fazer a cruz cabalística Antes e Depois da meditação noturna, para abrir e fechar os trabalhos na egrégora.

#Kabbalah #MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-cruz-cabal%C3%ADstica

Enochiano: bases, estruturas, conceitos e fontes.

Em meio a todo o movimento hermético e suas ramificações, iniciadas pela metade do século XV, podemos notar uma série de similaridades, que podem muito contribuir em nossa apreciação do posterior trabalho de John Dee.
Marsilio Ficino, por exemplo, foi o primeiro a dar impulso a este movimento, pois procurou polarizar o platonismo com o cristianismo, e em seus esforços procurou demonstrar que haveria uma sólida e consistente tradição, vinda desde Hermes Trimegistus até Platão, tendo passado por zoroastristas, órficos e pitagóricos afirmando a necessidade do homem de atingir a autoconsciência de sua própria imortalidade e divindade, através iluminação através de uma iluminação racional (ratio), intelectual (mens) e imaginativa (spiritus e fantasia), e procurando determinar via esta polarização, que todas as coisas existem no deus afirmado na bíblia, ou emanam do deus ali citado.
Já Giovanni Pico della Mirandola, que foi discípulo de Ficino, resolveu estudar a cabala e a torah e combiná-las a filosofia, e dentre outros detalhes afirmava que o deus citado na bíblia, torah, corão e talmud criou o homem para apreciar sua obra, sendo que Mirandola afirma que o homem ascende ao status angélico, sempre que folosofa e cai no estágios de vegetal e animal, quando falha em usar sua filosofia.
Giordano Bruno que nasceu em 1548 e.v., ou seja 50 anos após a morte de Ficino, desenvolveu conceitos bem peculiares, e foi perseguido ao extremo por conta dos mesmos.
Na teoria de Bruno, o Universo é infinito, povoado por incontáveis sistemas solares, e por vezes povoados por vida inteligente, sendo que deus citado no monoteísmo, seria em sua concepção a alma universal do mundo, da qual todas as coisas materiais são manifestações que teríam justamente nascido deste principio infinito.
Estes movimentos tem todos em comum o fato de terem nascido sob o período humano chamado de Renascimento, e serem imbuídos em muito dos conceitos dos filósofos antigos, mas que principalmente continham muito de Plotino – considerado o pai do neo-platonismo – como sua mola propulsora.
Mas haviam outras coisas movendo-se sob o pano de fundo da sociedade daquela época.
Um sentimento imenso de desconforto com o fato de que, em todos os textos observados e estudados, sempre pairava a sombra da impotência perante o povo eleito, conforme citações dos livros que afirmam o dógma monoteísta. Pois não importando o esforço feito em busca do entendimento e desenvolvimento do conhecimento, dentro da temática apresentada por Bruno, Ficino, Mirandolla e outros que os seguiram, sempre aos olhos dos estudantes e mestres fica a idéia da superioridade do povo eleito, sobre os demais povos.
Isso produziu em muitos um sentimento que por vezes se reveza a vergonha com a ira, ou mesmo a inveja com o ciúme, pois para um seguidor dos preceitos do dógma, mesmo quando se tratava de um filósofo, este empecilho sempre se fazia presente. O que em suas próprias concepções era algo inadmissível, uma vez que em maioria esmagadora dos casos, os estudantes e mestres, eram todos eles de ascedência celtica ou setentrional.
E foi sob a óptica das bases acima relatadas que John Dee, que viveu entre 1527 até 1609 da vulgar era cristã, ergueu seu tratado sobre o Enochiano.
No entanto, antes mesmo de alicersarmos nossa atenção sobre as notas deixadas por Dee, voltemos a mesma para o Hermetismo e suas estruturas.
A base deste movimento está no textos que teríam sido atribuidos a Hermes Trimegistus, chamados de “Corpore Hermeticum”, que originalmente foram traduzidos para o grego por Miguel Psellus e Ulf Ospaksson, em Bizâncio, e que depois sofreram uma posterior tradução ao latim por parte de Marsilio Fisino, acima citado, sendo que muito provavelmente o texto que procede dos Sabeanos sofreu consideráveis alterações, quando passou pelas mãos de seus tradutores, sobre tudo pelas mãos de Fisino.
Sabe-se que o “Corpore Hermeticum” é um texto de características similares aquelas encontradas por exemplo entre os trabalhos dos essênios e seus antecessores, os judeus hassídicos.
Os essênios professaram culto a mítica figura de Hermes Trimegistus, por eles identificado com Enoche, sendo que o texto apócrifo que cita o contato dos anjos com as mulheres humanas, que acaba gerando os Néphelins, é creditado a figura de Enoche.
Somado a isto, devemos notar um dado interessante eu somente vem somar informações a nossos objetivos.
Houve outro povo que adotou os costumes dos essênios, cuja cidade foi originalmente usada como um posto avançado da cidade suméria de Uruk, sendo portadores dos costumes astronômicos, religiosos e simbólicos naturais dos Sumérios e Babilônicos.
Este povo era o dos harranitas ou sabeanos, também conhecidos como sabinos, como depois foram conhecidos na região atualmente chamada de Iraque.
Sua cidade, Harran, situada no norte da Mesopotâmia, foi conquistada
pelos árabes entre 633 e.v. e 643 e.v., mas apesar de convertidos ao islã, os
harranitas mantiveram suas práticas pagãs, adorando a Lua e os sete planetas
então conhecidos. Tidos como neo-platônicos, escolheram, por imposição, da
religião dominante, a figura de Hermes Trimegistus para representá-los como
profeta. Um grupo de harranitas mudou-se para Bágdá, onde mantiveram uma
comunidade distinta denominada sabinos.
Devemos notar que a isto soma-se o fato de que ali já viviam os Curdos, que em sua origem eram Yezidis, e que ofereceram forte resistência aos árabes em toda a sua história, fato este que foi tomado como estratégico para os harranitas se estabelecerem na região de Bagda – e como sabemos os Yezidis contém elementos gnósticos e mitraicos em seu culto.
Tanto Harran como a comunidade dos sabeanos em Bagdá, eram constituídas de pessoas instruídas, que dominavam o grego e tinham grande conhecimento e literatura, filosofia, lógica, astronomia, matemática, medicina, além de ciências secretas relativas a culturas dos árabes e dos gregos. Os sabinos mantiveram sua semi-independência até o século XI, quando provavelmente foram aniquilados pelas forças ortodoxas islâmicas, pois não se ouve mais falar deles à partir do ano 1000 da era vulgar.
Por volta de 1041 da era vulgar, Miguel Psellus recebeu em Bizâncio uma grande quantidade de documentos dos Sabeanos e bem como de Harran, possivelmente levados para Bizâncio por parte de caravanas de mercadores, que sabiam da imensa biblioteca que havia na cidade.
Dentre os textos harranitas que para lá foram levados, havia o “…Corpore Hermeticum…”, que é a base para o conhecimento chamado de hermético nos tempos atuais.
John Dee que foi várias vezes acusado de bruxaria, entre tantas outras formas de perseguição, veio a estreitar laços de amizade com a então princesa Elisabeth, que viria a ser Elisabeth I, a primeira rainha protestante da Inglaterra, e depois tornou-se seu conselheiro, astrólogo particular, e trabalhou como um espião para o Império Britânico, durante a guerra anglo-espanhola – termo aliás que é de sua autoria.
Foi astrônomo, astrólogo, diplomata e em particular era especialista em línguas, e sua ascendência era galesa.
Nacionalista extremado, Dee procurou em toda a sua vida servir ao seu país, e devotar seu tempo livre ao estudo do que a seu ver, seria considerada a ciência sagrada e suprema, sendo que a parte final de sua vida foi designada exclusivamente para este último.
Neste contexto, entregou-se ao estudo do hermetismo e foi grandemente influenciado pelo seu sentimento de nacionalismo em seu trabalho.
Um caso que não é único, se observarmos que pouco tempo após a morte de Dee, os presbiterianos ligados a maçonaria, vieram a promulgar o Confessio Fraternitatis – publicado na cidade alemã de Kassel em 1615 e.v. – e os outros dois documentos que são a base do Rosacrucianismo, e procuraram refúgio contra igreja, em meio ao solo Boêmio.
Na verdade, a Inquisição foi uma mola propulsora para muitos descontentes procurarem refúgio em meio a protestantes, e em meio a estes fomentarem filosofias que embora atreladas ao dogma cristão, se opusessem em alguma medida ao vaticano.
John Dee, como foi citado acima, era Gales o que por si só nos leva a apontamentos diferentes do que pretendem a maioria.
Este povo permaneceu usando o idioma nativo, o galês, e permaneceu céltico jamais sendo invadido pelos anglo-saxões, devido a belicosidade de si e bem como da natureza montanhosa daquela região.
O nome da região provém do termo germânico Wales, que significa “estrangeiro”, ligando a região e o povo dali, a uma grande quantidade de contatos com migrações setentrionais vinculadas a célticas, que por ali tenham passado.
Este termo contém em si mesmo uma série de chaves para compreensão das bases do conhecimento, e da tradição antiga.
Fixemos nossa atenção para começarmos a entender este dado na sociedade celta.
A base da sociedade celta é a família no sentido extenso da palavra, comparável ao que foi observado nas cidades gregas e romanas. Essa família se chama “fine” entre os antigos gaélicos, e se observará que dito nome procede da mesma raiz que “Gwynedd”, nome do noroeste do País de Gales, e da palavra “veneti”, nome do povo gaulês que habitava o país de Vannes, Gwened em bretão.
Veneti ou Venedotia, é também como se conhece o termo para a Britânica Veneti, que é um nome tribal pelo qual os povos Belgas da costa do Atlântico foram conhecidos e citados até mesmo por Cesar, em seu intenso contato com as Ilhas Britânicas.
Seus ancestrais vieram dos Alpes à Norte, do Lago Venetico parte dos Bodensee, e da Bavária, potencialmente também dos Thuringios – que são a fonte dos mitos modernos sobre os Anões “…dwarfs…”, que são chamados de “…Walen…”.
Também há a sequência etimológica: Wealas que resulta em “…Welshmen…”, ou “Venezianer/Venediger/Veneder” na Suiça, Austria, Bavaria e Thuringia.
Os Illyrianos conheciam o nome também, possivelmente eles trouxeram-no como “…Veneti…”, que ocorre no Norte da Itália na região de Veneza.
Estes Vannen, de características célticas e vinculados ao Gwennwed, são a fonte regional para os Deuses Vanes da tradição Nórdica, os chamados Deuses da Terra.
Como sabemos, a presença dos germânicos e dos celtas implica em uma relação de inimizade respeitada, na qual a proximidade das culturas nunca superou a belicosidade de uma para com a outra, mesmo sendo esta proximidade vívida em meio as similaridades de sua cultura e religião, como é o caso da semelhança dos deuses Vanires dos Nórdicos, com os Sdhee dos Celtas, e bem como o uso do Oghimius, originado do contato com o Elder Futhark nórdico, por parte dos celtas, que ancestralmente já usavam o oghame para si.
Estes elementos somados aos dados acima citados, todos eles fortemente solidificados na natureza tanto inventiva quanto reticente de John Dee, formaram a base para que no devido tempo em sua vida, viesse a ganhar corpo aquilo que foi conhecido como “Sistema Angélico” ou “Sistema Enochiano.
O ardente desejo de reconhecimento por parte dos esforços intelectuais, para dar sentido ao sem sentido, que foi presente marca dentro do renascimento, e que foi freqüente meio usado pelos pensadores de então, para buscar uma solução filosófica para lidar com o dogma presente na bíblia, talmud e por vezes no corão, levaram ao aparecimento e desenvolvimento do hermetismo, mas também resultaram em um beco sem saída para estas mesmas mentes ardorosas.
Pois se é fato que seus esforços acabaram por levar em consideração os povos taxados de inferioridade pelo dogma, como é o caso dos helênicos, fonte da filosofia usada por Mirandola, Marcílio Fisino e outros. E que estes mesmos esforços somente foram possíveis, graças àqueles que fazem parte de povos que jamais guardaram qualquer contato com os povos descritos nos livros do monoteísmo, e mais, que foram terminantemente taxados de inferiores por estes mesmos livros, tamanha a quantidade de bruxos e bruxas que foram parar nas fogueiras, e em uma imensa maioria dos casos, por apresentarem Inteligência se contrapondo ao Fanatismo.

Como seria possível a qualquer ser munido dos princípios da filosofia supor a si inferior, por usar-se do que é chave para dar sentido ao dogma, por mais tortuoso e inconsistente que este o seja?

A questão acima torna-se ainda mais inquietante, quando levamos em consideração a natural perseguição contra discordantes, assim como contra concorrentes diretos, que foi muito utilizada pela igreja católica, e que foi assim absorvida e mantida pelos movimentos presbiterianos, protestantes e neo-pentecostais que se seguiram.
Notemos que Lutero foi responsável direto pela morte de 100.000 pagãos somente em solo alemão, e que ele mesmo atacou publicamente e estimulou a perseguição contra judeus, como podemos observar em “Von den Juden und ihren Lügen” – Sobre os judeus e suas mentiras, escrito em 1543, quando Lutero tinha 60 anos, ou “Vom Schem Hamphoras und vom Geschlecht Christi” – Sobre o schem Hamphoras e sobre o sexo de Cristo – de 1544.
Este ponto de vista de perseguição contra as correntes concorrentes e contra os opositores, este sempre presente em todas formas de monoteísmo, e ocorre entre elas umas com as outras – fervorosamente – e entre elas e religiões e formas de pensamento que sejam divergentes.
No caso do protestantismo que foi absorvido pelos ingleses, esta forma de sectarismo enraizou-se severamente, na mente das pessoas que formaram aquilo que pouco depois veio a ser chamado de Império Britânico por John Dee.
Desta forma o germe da discórdia do maior de todos os pontos considerados lugar comum, por parte de hermetistas e ocultistas mesmo nos tempos modernos, foi lançado no fértil solo da mente de John Dee.
O Sistema Enochiano, estava em gestação na mente de Dee já haviam muitos anos, houveram picos do que viria a ocorrer depois durante sua vida em várias ocasiões, sendo que talvez o maior destes tenha sido aquele que ocorreu em 1564 da era vulgar, quando desenvolveu um muito conhecido e importante trabalho seu chamado “Mônada Hieroglífica”, por volta dos tempos em que serviu como um conselheiro às viagens de descoberta da Inglaterra, fornecendo auxílio técnico na navegação e o no apoio ideológico à criação de sua maior ideal de devoção o nascente Império Britânico.
Quando Dee em meados de 1582 da era vulgar, veio a desenvolver este sistema de magia, com base no que foi acima exposto podemos tranquilamente dizer que estava imbuído do máximo de seus ideais de nacionalismo, combinados aos seus pontos de vista descontentes com o tratamento deferido a seu povo, a seu ver o mais elevado, por parte tanto do dógma religioso oficial, quanto das bases do hermetismo em si.
Desta forma, torna-se tanto interessante quanto mais fácil de entender, todos os apelos “angélicos” existentes no enochiano, contra o Goétia!
Estes apelos são muito similares a outro texto vinculado ao hermetismo, que muitas pessoas até o presente momento tem em alta conta, mesmo que seja mais um manual de sectarismo do que uma obra para desenvolvimento espiritual.
Trata-se do livro da “Magia Sagrada de Abramelin” do rabino Yaakov Moelin o qual viveu aproximadamente entre 1365 e 1427, da era vulgar.
Podemos citar a respeito deste texto, alguns dados que podem esclarecer estes fatos, uma vez que logo no início o praticante é incitado com as seguintes passagens:

“…Possa o único e santíssimo deus conceder a todos a graça necessário a serem aptos a compreender e penetrar os altos mistérios da cabala e da lei, mas devem se contentar com aquilo que o senhor lhes conferir…”!
“…Em Praga encontrei um homem malvado de nome Antonio, com vinte e cinco anos de idade, que efetivamente mostrou-me coiss maravilhosas esobrenaturais, mas preserve-nos deus de cair em tão grande erro, pois o infame asseverou-me ter feito pácto com o demônio, e a este se entregara de corpo e alma, enquanto Leviatã o ludibriador lhe prometere quarenta anos de vida para agir ao seu bel-prazer…”

Um pesquisador atento, ou um praticante cauteloso, saberão nos dias de hoje que o monoteísmo é tão somente uma invenção moderna perante tantas outras modalidades de tradições antigas, e foi galgado sobre os conhecimentos das mesmas, e bem como terá em mãos os meios de determinar a veracidade de quaisquer afirmações a respeito de páctos com demônios, que em verdade são uma renomada tolice em meios ocultistas menores, uma vez que demônio é tão somente um termo de origem grega que implica em espírito, e que Leviatã é uma expressão tardia reaproveitada na tradição rabínica, cuja fonte se encontra na luta de Baal contra Lotan, e de Marduk contra Tiamat.
Se ocorrer por parte do pesquisador ou do praticante, a idéia de voltar sua atenção para dados históricos, verá que a mais antiga citação sobre “…Daemoniun…” reside no demônio socrático ou platônico, que é um gênio inventivo ligado a genialidade humana e seu desenvolvimento, tal e qual o moderno conceito de Santo Anjo Guardião dentro do ocultismo mais esclarecido, que lida com o mesmo em grande parte, na mesma medida com a qual tratamos de assuntos ligados a individuação como era vista por Jung.
Voltando então a John Dee, verifiquemos agora os meandros que residem em seus inscritos, para podermos nos instruir na melhor forma de lidar com os mesmos.
Iniciemos então os mesmos pelo parceiro de estudos e práticas de John Dee, Edward Kelly.
Edward Kelly, ou Edward Talbot, viveu entre os anos de 1555 a 1597 da era vulgar, e foi considerado como um charlatão ou mesmo criminoso pela maioria das pessoas de sua época.
Em meados de 1582 e.v., entrou em contato com John Dee que por volta desta época já estava descontente com os sistemas ritualísticos de seu tempo, pois desejava ardentemente tomar contato apenas com o conhecimento sagrado e mais elevado, desdenhando imediatamente tudo que pudesse estar correlacionado com baixa magia ou demonologia, por seu ponto de vista pessoal.
Dee já se utilizava de uma vidente, procurando respostas a suas questões, mas não estava produzindo bons resultados em seu empreendimento naquele período.
Ocorre que Kelly soube que Dee desejava encontrar um médium para seus experimentos, e bem como sabia da influência e das vantagens que Dee possuía perante a corte britânica, por conta de sua ligação pessoal com a Rainha Elisabeth I.
Havia também outros pretendentes ao cargo de auxiliar para o Doutor Dee, mas Kelly aproveitou-se de uma distração e fez com que uma pedra escura aparecesse em um local estratégico, no momento mais oportuno, levando então John Dee a acreditar que ele seria a escolha perfeita para desenvolver seus experimentos. Esta pedra veio a ser o cristal usado nos experimentos vinculados a “Pedra da Observação”, usada no Sistema Enochiano, que inclusive é fonte para tantos e tantos livros e filmes contendo “…Bolas de Cristal…”, que chegaram ao conhecimento de toda a sociedade, até os dias de hoje.
É dito que ele fingiu estar em transe sob influência do Anjo Michael, e desta forma ter influência Dee a pagar-lhe uma verdadeira fortuna mensal, que seria o devido pagamento pelo julgamento do anjo, para honrar os serviços de “tão nobre auxiliar”, e bem como se diz que Kelly chegou a conversar via um espelho, com os 72 anjos herméticos, vinculados a um texto chamado “Chave Maior de Salomão”, que aborda os quinários da astrologia, sob o ponto de vista rabínico e hermético menor.
A maioria das pessoas sempre se pergunta, perguntou mesmo perguntará como é possível que alguém tão esclarecido para tantos assuntos como John Dee, pôde ser enganado tanto e por tanto tempo, pelas artimanhas de Kelly.
Quanto a isso, temos o talento de Edward Kelly – também conhecido como Edward Talbot, quando falsificava documentos – com um verdadeiro mestre na arte de representar, e também que no decorrer do tempo ocorreram coisas durante o contato de Dee e de Kelly, que fizeram até mesmo com que Kelly o mais conhecido falsário de sua época, sucumbisse a arroubos de insanidade, no final de sua vida.
Durante as etapas que se desenrolaram, sob a mediunidade de Kelly começaram a transcorrer contatos com várias entidades diferentes, taxadas por Dee e Kelly no transcurso do nascimento do Enochiano como anjos, como foi o caso de “…Ave…”, que instruiu Dee através de Kelly em vários momentos e em várias seções de invocação.
Em dado momento, os anjos assustaram tanto Kelly, que ele instigou Dee a desistir, dizia que na verdade estavam tomando contato com demônios, pois o que propunham era algo absurdo em todos os sentidos, tanto para época quanto para o dogma que regia a vida de ambos, pois através de Kelly chegou a deixar uma suspeita de que deveriam os dois deitarem-se juntos – coisa que acabou se desenvolvendo na famosa troca de esposas entre Dee e Kelly – e no último contato propriamente dito, o “anjo” se apresentou e deixou bem claro a ambos que “…o conhecimento que estavam desfrutando destruiria completamente a sociedade humana…”!
Este último golpe foi demais para tanto para Kelly quanto para Dee, sendo que ambos definitivamente se separaram em 1588 e.v. .
John Dee morreu em 1609 da era vulgar, não estando mais nas graças da coroa, pois o Rei James não era favorável as práticas de Dee, como foi o caso da Rainha Elisabeth I.
Kelly, contudo, faleceu bem antes em 1597 e.v., tendo vivido uma opulenta vida sob a corte do Rei Rudolf II em Praga, prometendo-lhe por muitos anos que produziria “…Ouro Alquímico…”, que se gabava constantemente saber produzir.
Rudolf cansou-se de Kelly e atirou-o em uma masmorra até que este viesse a produzir o tal “…Ouro Alquímico…”, quando falhou pela segunda vez foi novamente preso, desta vez no Castelo de Hněvín, e é da opinião da maioria que a corda que usou para tentar fugir era muito curta, e ele quebrou uma perna ao cair da torre, morrendo em decorrência dos ferimentos.
Dentre os mais interessantes detalhes do Enochiano e dos contatos que Dee e Kelly tiveram por meio dele, podemos citar as severas advertência contra o uso do Goétia, que pela óptica dos supostos anjos “foi o motivo da queda da humanidade”.
Isso é inquietante, por muitos motivos, e o mais interessante deles é que o ponto de vista comum sobre os assim chamados demônios, apresenta aos mesmos como sendo portadores de doenças, desvios de comportamentos e depravações, que são os meios usuais pelos quais em teoria arrastariam a alma dos humanos para o inferno.
Isso se choca diretamente com as observações dos ditos “anjos enochianos” que apareceram para Dee e Kelly, pois ambos afirmaram categoricamente que “nada seria motivo de pecado” e os instigaram a deitarem-se unidos, coisa que é inadmissível pelo dogma bíblico, talmúdico, corânico e bem como rabínico.
Outra coisa que é inquietante no texto, e que nos faz muito especular, são as afirmações que de que as adorações jamais deveriam se voltar a “Iaseus Christus” e sim a deus único, dentro do ponto de vista dos seres que tomaram contato com Kelly e Dee. Pois sabemos que houveram cultos heréticos que foram perseguidos com violência pela igreja católica, que afirmavam justamente isto, como foi por exemplo o caso do arianismo pregado pelo padre ário, que foi absorvido como culto pelos Visigodos quando vieram a entrar em decadência e se converteram ao monoteísmo, mas que não aceitavam em nenhuma hipótese prestar culto a “cristo”. E justamente este fato em si, encaixa-se como uma luva com o sentimento de ultra-nacionalismo de John Dee, assim como outros motivos acima citados.
Agora observemos a natureza essencial do enochiano, na forma como Dee e Kelly o apresentaram e destrincharam, pois por meio disto poderemos entender muitas chaves e elementos que até hoje não foram combinados aos mesmos, e que os explicam em todos os sentidos.
Durante os contatos com os “seres enochianos”, foram destilados extensos relatórios que Dee minuciosamente copiava, acerca de tudo que Kelly proferia ao observar o cristal escuro escolhido para as práticas, que foi acima citado.
Dentro destes relatórios que geraram detalhados grimórios e documentos, foram organizadas Letras do Alfabeto Enochiano, Chaves de Invocação, Detalhes sobre as Regiões Celestes Enochianas ou Aethyrs, Seres e Séquitos ou Cortes Enochianas, e metodologia que em todos os sentidos estava vinculada aos detalhes mais conhecidos do Hermetismo.
Quanto as Chaves Enochianas, foram organizadas em número de 19, sendo que a última serve exclusivamente para abrir os Aethyrs Enochianos, e as duas primeiras servem, na temática usada dentro da Golden Dawn e Aurum Solens por exemplo, para convocar todos os Aetryrs – Segunda Chave Enochiana – e a primeira para invocar os quatro Reis Enochianos e seus respectivos séquitos.
Esta visão também é partilhada por thelemitas.
No entanto, estudos mais apurados também apontam para formas diferentes de agir quanto ao enochiano, como por exemplo demonstra Donald Tyson ao lembrar aos leitores de seus trabalhos sobre este tema, de que nunca os ditos “anjos” deram permissão de uso e invocação da maioria dos detalhes que eram passados para Dee e Kelly, e que o método de trabalho se faria especificamente de forma invocativa, e sem círculo mágico, na versão original que ambos receberam dos seres enochianos, e que Dee e Kelly jamais usaram por não lhes ter sido dada a permissão para tanto.
Ambos os métodos, o original e o de uso das organizações mágicas, funcionam e atendem aos objetivos dos que praticam via o método enochiano, e isto muitos dizem que se deve a força da fonética da língua e mesmo dos símbolos vinculados ao caracteres do enochiano, que desencadeiam uma cadência naturalmente gutural em sua entonação, sem mencionar a violência natural contida na leitura da tradução das Chaves Enochianas, como por exemplo é o caso da Décima Chave Enochiana:
“…Coraxo chis cormp od blans lucal aziazor paeb sobol ilonon chis OP virq eophan od raclir, maasi bagle caosgi, di ialpon dosig od basgim; Od oxex dazis siatris od saibrox, cinxir faboan. Unal chis const ds DAOX cocasg ol oanio yorb voh m gizyax, od math cocasg plosi molvi ds page ip, larag om dron matorb cocasb emna. L Patralx yolci matb, nomig monons olora gnay angelard. Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Ohio! Noib Ohio! Casgon, bagle madrid i zir, od chiso drilpa. Niiso! Crip ip Nidali…”
“…Os Trovões do Juízo da Ira estão numerados e descansam no Norte, semelhantes a um carvalho cujos ramos são ninhos, 22, de lamentações e lágrimas, caídas sobre a Terra, que queimam noite e dia, e vomitam cabeças de escorpiões e enxofre ardente misturado com veneno. Estes são os Trovões que 5678 vezes na 24ª parte de um momento rugem com centenas de poderosos terremotos e milhares de vezes tantas ondas que não descansam, e não conhecem qualquer tempo de calmaria. Aqui uma pedra produz 1000, da mesma forma que o coração do homem produz seus pensamentos. Maldita, maldita, maldita, maldita, maldita, maldita! Sim, maldita seja a Terra, pois a iniqüidade é, foi e será grande. Ide! Mas não vossos ruídos!…”
No entanto, exatamente aqui começamos a usar de outros métodos de entendimento, que podemos afirmar com razoável chance de êxito, terem sido os mesmos de John Dee e Edward Kelly, para compor a tradição enochiana.
Sabemos que tanto Dee quanto Kelly se interessavam por estudos sobre Hermetismo e sobre o Sobrenatural, mais especificamente voltados para a natureza dogmática que habitava em ambos.
E sabemos que Dee em seus estudos sobre hermetismo, como por exemplo atesta seu texto “Mônada Hieroglífica”, conhecia bem os documentos que engendraram o hermetismo, bem como o pensamento dos que foram seus progenitores nos tempos na verdade muito próximos aos dele mesmo, sendo que Marsilio Fisino fez uma cópia e tradução do “Corpore Hermeticum” – apenas 100 anos antes de Dee começar a suas pesquisas com Hermetismo – e que Miguel Psellus já havia traduzido para o grego este texto com o auxílio de Ulf Ospaksson, meio milênio antes.
Sabendo então que Hermes Trimegistus é chamado de Enoche pelos essênios e pelos que adotaram muitos dos costumes dos essênios em suas peregrinações até Bagda – os Harranitas ou Sabeanos – sem mencionar a própria natureza ligada ao mitraísmo e gnosticismo dos Curdos e Yezidis sob os quais foram se proteger dos árabes.
E principalmente que foram estes mesmos harranitas ou sabeanos que escreveram o texto que Psellus e posteriormente Marsilio Fisino, viriam a traduzir e que tem por nome “…Corpore Hermeticum…”.
Começa a ficar muito claro qual foi o principal ponto de motivação de John Dee para nomear seu sistema como “Enochiano”, ou angélico – dado o já conhecido fato ligando os Nefelins com as mulheres humanas creditado a história de Enoche, em um apócrifo.
Mas devemos ir muito além disto, devemos penetrar na mente do Doutor Dee, e seguir seus pontos de motivação pessoal, sua indignação, seu nacionalismo extremado e bem como sua idiossincrasia arraigada em seu ser, e cuja origem se mostrou presente em seu trabalho.

Como sabemos Dee era de origem “Wale” ou Galês , ou seja estrangeiro, e que este povo foi o último a perder o seu sentido de identidade e de língua em todo o império britânico, o que implica em Dee conhecer bem por parte de sua família a língua de seus ancestrais, coisa que deve lhe ter muito valido, pois ele era um especialista em línguas, e por conta disto e de seus conhecimentos em várias áreas, foi escolhido como diplomata e espião pela Rainha.
A necessidade natural de provar o próprio valor e o valor do povo, e da identidade fervorosamente arraigada naquilo que foi chamada de reforma protestante que começou com Lutero, para este mesmo conceito de império britânico, com o conteúdo de pleitear que o mesmo fosse entendido como a verdadeira nação sagrada, como verdadeiro povo eleito, são as peças de encaixe final que nos faltam para compreender uma parte do Sistema Enochiano.
Pois Dee ao entender melhor do que muitos em sua época, das raízes semânticas e lingüísticas de seus ancestrais, e de outros povos, viu a necessidade de expressar uma língua sagrada e um verbo sagrado, que fossem mais precisos a seu ver para demonstrar a natureza do povo eleito, conforme nossas suposições avançam – embora o façam embasadas na lógica e no raciocínio.
Desta forma não somente os textos e contatos acima, que parecem se alinhar ou com os processos da assim chamada reforma protestante, ou com os caminhos de cultos taxados como heréticos pela igreja católica. Mas também, muito do simbolismo usado, parece ter caminhado neste sentido.
Se observarmos outro ponto forte do Enochiano, seu Alfabeto, notaremos algumas coisas no mínimo estranhíssimas.
Vejamos que “Une”, que corresponde a fonética do “A”, liga-se a perspectiva de espírito e leveza, ao mesmo tempo que “Veh” que corresponde a fonética do “C” implica em fogo e criatividade.
E que este Alfabeto foi dividido em 3 grupos de 7 letras em cada um.
Até aqui tudo parece extremamente original, e para a maioria das pessoas assim o é.
Mas será que as coisas são assim mesmo?
Como já foi dito, John Dee conhecia muito bem línguas e bem como a língua de seus ancestrais, e que os mesmos eram os “Wales” uma palavra de origem Nórdica ou Germânica, que implica em estrangeiro, e que este povo foi o mais feroz em guardar sua língua e suas tradições, em meio a outros povos como os Escoceses e os Ingleses.
Se levarmos em consideração estes dados, e nos atermos simplesmente a história e etimologia, veremos que há também outro alfabeto que possuí um caractere de fonética “A” ligado a vento, espírito e leveza, da mesma forma que seu caractere de fonética “C”, liga-se ao fogo e a criatividade. E que este mesmo alfabeto igualmente se divide em 3 grupos, contudo de 8 letras, que são chamados na língua deste povo setentrional que dele se usa, de Aetts – extremamente similar a fonética Aethyr por sinal – e que inclusive tanto este povo é aparentado com os “Wales”, quanto influenciou na formação geral dos caracteres do Oghimius dos celtas na Europa.
Mas muitas questões serão levantadas contra isto, se não fosse a problemática da similaridade das afirmações enochianas sobre “Iaseus Christos” não dever ser adorado em nome de Iaida, termo enochiano para a palavra “Altíssimo”, como ocorreu com o arianismo abraçado pelos Viosigodos, que foi um fato de conhecimento apenas dos homens que puderam ter cultura na época de Dee, o que o incluí entre os mesmos.
Altíssimo é também um termo usado para designar o deus pai maior dos povos setentrionais, contudo ali chamado de “Har”, mas que se liga justamente ao caractere que dá nome aos deuses ali cultuados, aos “Ases” ligados ao caractere “As”, que foi absorvido e usado pelos Boêmios e outros hermetistas, para dar nome a raiz dos poderes de fogo, ar, água e terra dentro da temática do taro, e das permutações da escala platônica de fogo, ar, água e terra chamadas pelos herméticos de “Tetragrammaton”.
Em meio ao Enochiano nos deparamos com muitos termos e colocações, que em si mesmos não parecem corroborar com este ponto de vista – a primara vista é claro – mas logo chegamos ao termo enochiano “Mikaleso”, cuja raiz está no Old Norse “Miklas”, que tanto em enochiano quanto em Nórdico, quer dizer “Poderoso”.
Desta forma, John Dee procurou usar da temática que lhe era comum tanto por herança de família, como por julgar que esta seria a natureza mais acertada para dar impulso a sua visão de um império britânico, movido por um povo com uma verdadeira palavra e verbos divinos, que o movessem em direção a glória que em seu nacionalismo fervoroso, considerava como sendo de seu direito, e relegando o velho testamento e o novo testamento a uma visão ultrapassada, sob suas perspectivas, que deveria dar passagem a uma revelação mais coesa com os pontos de vista que estavam se formando na Europa daquele período, como acima foi citado, e sob a regência do nascente império britânico.
Notando a organização enochiana, onde aparecem Reis, príncipes e citações sobre o séquito dos mesmos, organizados e orientados nas 4 Tábuas Elementais somadas a Tábua da União, taxada como sendo a Tábua de Espírito, podemos perceber os elementos herméticos completamente dispostos nas mesmas.
Notando que 3 Chaves Enochianas já foram citadas acima, e a grosso modo seus usos dentro do enochiano, sobram então as Chaves que vão de 3 a 18, perfazendo um total de mais 16 Chaves Enochianas.
Pela óptica adotada dentro das organizações do passado e das atuais, e pela origem em grande parte hermética do trabalho do Doutor Dee, estas 16 Chaves Enochianas, se posicionam na escala de fogo, ar, água e terra usada dentro do hermetismo com base no cabalismo, cuja origem é neo-platônica em todos os sentidos.
E desta forma temos da 3ª até a 6ª Chaves justamente a escala de Ar do Ar, Água da Água, Terra da Terra e Fogo do Fogo.
Da 7ª até a 9ª Chaves teremos Água do Ar, Terra do Ar e Fogo do Ar.
Da 10ª até a 12ª Chaves teremos Ar da Água, Terra da Água e Fogo da Água.
Da 13ª até a 15ª Chaves teremos Ar da Terra, Água da Terra e Fogo da Terra.
Da 16ª até a 18ª Chaves teremos Ar do Fogo, Água do Fogo e Terra do Fogo.
Que são escalas totalmente atreladas ao desenvolvimento conseqüente das 20 letras entre as 4 Torres de Vigília Enochianas, as Tábuas Elementais, que foram utilizadas mais recentemente aos trabalhos de Dee, para formarem a Tábua da União, que encerra o maior segredo dentro das práticas cabalístico herméticas dos tempos atuais.
Estas letras foram organizadas de tal forma que formam os nomes de Ar (Exarp), Água(Hcoma), Terra (Nanta) e Fogo (Bitom).
As primeiras letras de cada um dos nomes em enochiano acima, são representações dos Reis Elementais e de sua Corte, e são explicitamente ativados pela entonação da Primeira Chave Enochiana, pela aplicação das Ordens.
As outras 16 letras, correspondem justamente as permutações de fogo, ar, água e terra que foram acima citadas, vinculadas a escala platônica que aparece na cabala com algumas diferenças, e que ao se utilizar de uma das 16 Chaves Elementais acima relatadas, ativam-se uma das Letras da Tábua da União no mesmo instante.
Que se vinculam por sua vez aos 16 sub-quadrantes elementais das 4 Torres de Vigília Enochianas, ou 4 Tábuas Elementais.
Estas quatro Tábuas Elementais, vinculadas as letras da Tábua da União, são dividias em uma proporção 12×13 quadrados em cada uma, 156 no total. Cada tábua é atribuída a um dos quatro elementos: Ar, Água – da esquerda para direita na área superior – Terra e Fogo – da esquerda para direita na área inferior.
Adicionalmente, cada Tábua possui quatro sub-quadrantes. Estes são arranjados em 5×6 e posicionados em cada canto da tábua em questão. Também são atribuídos aos quatro elementos.
Por exemplo, na Tábua do Ar, você terá um sub-quadrante do Ar correspondendo ao Ar do Ar; o sub-quadrante correspondente a Água do Ar; o sub-quadrante da Terra representando a Terra do Ar; e o sub-quadrante do Fogo para Fogo do Ar.
Cada sub-quadrante contém uma Cruz Sephirotica que é a 3ª Coluna e 2ª Linha do sub-quadrante. Contém os Nomes de Deus do sub-quadrante. Os quadros com letras na Cruz são chamados Quadros Sephiroticos.
A primeira linha de um sub-quadrante (com exceção da 3ª coluna) é chamado os Quadros dos Querubins.
Linhas 3-6 de um sub-quadrante (com exceção da Coluna 3) são chamadas os Quadros Servientes.
Com os sub-quadrante destacados, uma cruz é revelada no centro da Tábua. Esta cruz é atribuída ao elemento místico do Espírito e contém os nomes de Deus, o Rei (cujo nome obrigatoriamente tem 8 letras), e os 6 Senhores Enochianos (cujos nomes obrigatoriamente tem 7 letras), da Tábua em questão.
A 7ª Linha da tábua é chamada a Linha do Espírito Santo ou Linea Spiritus Sancti.
A 6ª Coluna da tábua é chamada a Linha do Pai ou Linea Patris.
A 7ª Coluna da tábua é chamada a Linha do Filho ou Linea Filii.
Quando as quatro tábuas elementares são colocadas junto como as Torres de Vigia, a divisórias entre as tábuas são chamadas a Cruz Negra e são atribuídas ao Espírito (Tábua da União).

E é precisamente aqui que encontramos o maior fator de surpresa no hermetismo e no Sistema Enochiano, quando observamos a estrutura do universo que é apresentada no organograma das Torres e da Tábua da União, e na conjugação de seus símbolos.
É dito que um caractere enochiano que está sobrando na Torre Elemental da Água, cujo som seria o mesmo de “L” e a designação enochiana seria “Ure”, na verdade ali subsiste para entrar em União com as 20 letras da Tábua da União, e gerar desta forma os 3 nomes de 7 letras dos 3 Governadores do Aetryr do Abismo, cujo nome é Zax, e que é o maior terror dos praticantes de hermetismo, cabalismo e tradições ligadas ao ocultismo, pois o mesmo é tal e qual a Daath citada pela cabala, sobretudo a hermética, e mais, este abismo enochiano é o lar daquilo que se descreve como o mais poderoso “demônio” da criação, pelo ponto de vista monoteísta, ou seja “Choronzon”, a dissolução.
Em outras palavras, ao se lidar com cada parte do Enochiano, com cada elemento, cada ser ou cada letra, o estudante e praticante estão invocando a própria natureza do Abismo para dentro de si, e para sua volta, pois o lar de Choronzon, o abismo Zax, é e subsiste em cada uma e todas as coisas a sua volta, e pela óptica do Enochiano, assim o é mesmo quando não se está consciente do mesmo.
Se o abismo é tamanha fonte de terror para as mentes dos hermetistas praticantes ou não de enochiano, podemos então imaginar o horror dos mesmos quando finalmente se deparam em seus estudos e práticas com estes dados, e quando pesquisam a vida de John Dee e de Edward Kelly, e desembocam diretamente nas incitações dos ditos “anjos”, levando-os a práticas consideradas imorais para seu tempo, e afirmando blasfêmias inimagináveis para suas mentes dogmáticas, tais como a já citada frase que afirma a total destruição da sociedade que Dee e Kelly conheciam.
O que nos leva a concepção de que em meio aos esquemas e estratagemas de Kelly, e do fervor nacionalista de Dee, entremeado ao dogmatismo de ambos, o sistema que serviu de âncora para gerar o enochiano, justamente a raiz germânica acima citada, começou a resvalar na psique de ambos, e veio a se manifestar depois de algum tempo de invocações e usos de linguagem aproximada, causando os choques acima citados, e bem como os temores ligados aos mesmos.
Pois é fato conhecido que o puritanismo e preconceitos sexuais exigidos dentro do dogmatismo do monoteísmo, em verdade não existiam na sociedade original dos “Wales”e dos Nórdicos, e na verdade justamente os costumes destes povos nos dão uma pista muito interessante a respeito dos meios usados por Dee, para suas técnicas de observação e viagem pelos Aethyrs Enochianos, e bem como a respeito das tais advertências contra as práticas Goéticas, uma vez que por goéticas entendam-se todas as formas não monoteístas ou não cristãs, tanto para Kelly quanto para Dee.
Dentre os Celtas podemos encontrar o culto aos Sdhee, que é o termo pelo qual os deuses célticos são efetivamente conhecidos, sendo que os mesmos são também chamados pelos ingleses de Elfos, que é uma derivação do Old Norse do termo Alf, que implica exatamente na mesma coisa.
Este culto aos Sdhee é extremamente próximo e aparentado ao culto Vanir, inclusive a mais conhecida deusa setentrional vinculada ao panteão dos deuses da terra, entre os povos setentrionais, é Freija, que é chamada de Vanadis e bem como de Seidh Lady ( Senhora do Seidhr).
Seidhr é uma técnica de transe para viagem a outros mundos na tradição nórdica, e sua raízes é a mesma da palavra Sdhee, como acima citada, bem como da raiz da palavra indo-ária siddhi – que quer dizer virtude ou poder.
O transe seidhr implica em êxtase sexual como catalisador dos eventos em si.
Isto explica o motivo pelo qual o ser enochiano que tomou contato com Kelly e Dee, ter exigido que os dois se deitassem juntos, ou que suas esposas fossem trocadas. Pois havia entre os nórdicos ligados aos povos vanires, sacerdotes de Freir – deus vanir irmão de Freija – e de Freija que eram taxados como “Erg”, que quer dizer homossexual, e que se afeminavam para efetuar o transe seidhr como as seidkhonas – feiticeiras – o faziam.
Mas nos é muito interessante que um certo tema seja básico, tanto nos trabalhos ligados ao Enochiano, quanto naquilo que acima foi citado como o “…Abramelin…”. Este tema, como já se pode perceber é o que aborda os trabalhos acerca do Santo Anjo Guardião!
É comum que em todos os trabalhos ligados a gnose, hermetismo, ocultismo, thelemismo e bem como enochiano, o assunto do S.A.G. venha a tona.
É dito que sem o S.A.G., fazer uma invocação de qualquer tipo ligada tanto a ditos anjos quanto a ditos demônios, resultaria em auto destruição ou loucura para o praticante.
No entanto sabemos que todos os seres goéticos e demais seres que foram taxados de demônios pelas formas de monoteísmo que existem desde os atos de akhenaton, tendo-o como sua fonte, nada mais são do que as fontes reais para a sustentação do monoteísmo, uma vez que o politeísmo é o tema básico que com suas tradições, veio a alimentar os símbolos do monoteísmo, via os atos de sacerdotes inconseqüentes e inescrupulosos.
Desta forma, torna-se senão ridículo inútil permanecer com os pensamentos voltados a estes temas, ao abordar as artes cerimoniais.
S.A.G. liga-se aos assuntos abordados por Jung no que tratava como sendo o conceito de Individuação, apenas que em um nível muito mais intenso e mais alto do que ele mesmo poderia chegar a supor, apesar de ter usado o Bardo Todol, como uma de suas fontes principais de inspiração. E se viéssemos a estabelecer um procedimento para aferir o desenrolar do desenvolvimento de cada praticante, e bem como os efeitos disto em seu ser, teríamos necessariamente tanto que aferir quanto do cérebro o praticante passa a utilizar, quando o contato com seu inconsciente superior passa a banhar a relação do inconsciente inferior com o consciente, quanto aferir quanto do inconsciente passou a ser tanto conhecido como conscientemente experimentado pelo praticante.
Nesta conceituação entraríamos então na essência do que os atavismos se despertando no ser, realmente fazem ao mesmo, e isto em verdade lida com o que trazemos de herança antiga de nossos antepassados, o que em si é a fonte e a explicação para o Enochiano, que em si é uma criação com vistas ao nacionalismo extremado, pode tanto ser forte como é, quanto ser potente para várias modalidades invocativas, evocativas e experimentais, inclusive podendo ser combinado aos estilos que lidam com a temática dos centros psíquicos humanos.
Ou seja, que Kelly e Dee despertaram via seus trabalhos baseados na língua antiga dos “Wales” e em suas fontes etimológicas, e pelo uso do transe frente o cristal escuro, traços dos cultos antigos, que paulatinamente ganharam força e vida no decorrer dos trabalhos feitos, tanto no caso original de John Dee e Edward Kelly, quanto nos de tantos outros praticantes, como e principalmente é o caso de Aleister Crowley, que fez a façanha de percorrer e catalogar tudo o que pôde ver nos 30 Aethyrs Enochianos.
Desta forma, o Santo Anjo Guardião é plenamente compreendido quando se tem em mente suas ligações com os termos que geram a palavra Self – Sdhee e Alf – pois tal e qual o Xintoísmo, a tradição setentrional alerta para o fato de que tudo guarda vida em si, e bem como um wyrd próprio – destino próprio, aproximadamente como o carma – e tudo tem vida ou essência, sendo o Alf que dá vida a uma planta ou animal o conceito aqui citado. Fato este que colabora em muito para o nosso entendimento das correlações dos atavismos ligados as fontes do Enochiano, com as forças em si que ganharam passagem e vida por outras vias, emprestando-lhes sentido e força, exatamente como fizeram com o Sistema Mágico que John Dee e Eward Kelly “revelaram” ao mundo.
Agora, voltando a Aleister Crowley, poderemos estender esta abordagem sutil ao enochiano, contudo munidos do necessário para alçar entendimento além dos limites impostos até então.
Como foi acima citado, Crowley é celebrado como o primeiro – alguns dizem que o único – que viajou por todos os 30 Aethyrs, catalogou o que viu, e deixou indicações claras para quem quisesse se arriscar a seguir seus passos.
Contudo, notamos que o trabalho de Crowley seguiu a temática proposta por Dee, de guiar-se em direção a formula nacionalista apresentada por este, com base no conceito do império britânico.
Podemos dizer inclusive que ambos possuíam outros pontos em comum, além do fato de serem ingleses, pois se John Dee foi aceito entre os membros fundadores do Trinity College d Cambridge, Aleister Crowley, estudou no mesmo a partir de 1.985 e.v e lá se destacou em meios aos estudantes.
No Liber 418, Crowley cita a fórmula cabalística em meio a todos os Aethyrs, entremeados de recomendações e detalhes que são posicionados de tal forma que criem a temática da queda do Aeon de dos deuses dos escravos, o Aeon de Osiris, e bem como lentamente mostrem a ascensão do Aeon da Criança conquistadora e Orgulhosa, que é o centro de seus trabalhos mágicos, e por fim complementa os receios e temores vinculados ao abismo, quando aborda o Décimo Aethyr, ZAX, para apresentar uma ascensão pelos aspectos derivados da escala de atziluth, briah, yetzirah e assyah presentes na cabala, e que são mais uma vez uma apresentação da escala dos elementos platônicos de fogo, ar, água e terra.
Se apreciarmos as passagens abaixo, que são excertos retirados das citações contidas no Aethyr ZAX, dentro do Liber 418, poderemos compreender mais:
“…Se tu não podes comandar-me pelo poder do Altíssimo, saiba que eu indubitavelmente tentá-lo-ei e isso me causará arrependimento. Eu me curvo ante os grandes e terríveis nomes que usaste para me conjurar e confinar. Todavia, teu nome é misericórdia e eu brado por perdão. Que eu ponha então minha cabeça entre teus pés para que possa servi-lo. Porém, se tu me mandas obedecer pelos Sagrados nomes, eu não posso me curvar assim, pois seus primeiros sussurros são maiores que o ribombar de todas as minhas tempestades. Peça-me então para que chegue a ti e assim adorar-te e partilhar de tuas bênçãos. Não é infinita a tua misericórdia?…”
“…Eu me alimento nos nomes do Altíssimo. Eu esmago-os em minhas mandíbulas eu evacuo do meu fundamento. Eu não temo o poder do Pentagrama, pois sou o Mestre do Triângulo. Meu nome é trezentos e trinta e três que é três vezes um. Atentai, pois te previno que estou preste a ludibriar-te. Proferirei palavras que tu usarás para invocar o Aethyr e as escreverás pensando serem grandes segredos de poder Mágico todavia, não passarão de escárnio…”
Tal passagem acima teria sido citada por Choronzon, o Arqui-demônio que habita em ZAX, e que é a dispersão em si mesmo, encarnando em si todos os terrores que são citados a respeito da temática da Sephirah Daath, vista como uma entrada que dá diretamente no que a cabala chama de Árvore da Morte, composta por Qlipoth, que são os lares dos demônios citados dentro da bíblia, corão, talmud e torah.
As Sephiroth são citadas em uma tradução mais aproximada, como “…os papiros…”, e as Qlipoth, são citadas em tradução mais aproximada, como sendo “…as cascas…”, sendo que o termo rabínico usado para se referir as primeiras é “…Esposas…” e em relação as Qlipoth “…Prostitutas…”.
Sabe-se que isto implica apenas e tão somente no fato de que as ditas “…esposas…” são somente tocadas e manipuladas pelo esposo – dando margem a idéia cabalística de ruach e nephesh, alma e corpo, esposo e esposa – que é o sacerdote dentro da temática cabalística, e as “…prostitutas…” necessariamente são aquelas que vem a ser manipuladas pelas mãos de todos os outros, e que não tem vínculos exclusivos com o sacerdote, e mais que em nenhum momento o obedecem.
O Talmud vai além, e afirma que Qlipoth é o nome que é dado a alma dos que não fazem parte do povo eleito – coisa que explica em muito o antagonismo gerado contra o mesmo, por parte de outros estilos de monoteísmo, e presente na temática de muitos hermetistas, mesmo que sutilmente.
Desta forma, entenderemos que houve uma forma de adulteração na temática do contato coligado com o Enochiano, tanto em sua raiz quanto nos movimentos que posteriormente usaram-se dele.
Após o Aethyr 10º, vem a descrição de um Aethyr de nome ZIP que lida com a temática do adentrar na cidade das pirâmides, que é uma representação daquele que foi além da Daath da cabala, e entrou no local onde reside Aima Helohim e Ama Helohim, vistas como Babalon, ali mais uma vez ocorre referência ao tema da Rosa e da Cruz, que em verdade formam o Brasão de Armas de Luthero, algo que escapa aos usuários e que deveria ter sido repensado pelo modelo thelemico do período, por representar um modelo do Aeon dos Escravos.
Da mesma forma que houve sobreposições de muitos símbolos para compor as estruturas psicológicas da “…Visão e da Voz…”, precisamente as descrições do Liber 418, o modelo cabalístico serviu de suporte em alguns momentos, e a simbologia ligada ao número 8 e seu contexto em tanto quanto um modelo que se encaixa nos padrões, estruturas e natureza de Hermes o mensageiro dos deuses, também aqui o Aethyr Oitavo ZID, é descrito como o mensageiro dos deuses para o praticante, pois as instruções o coligam com a experiência do Santo Anjo Guardião, como acima foi citado, e isto é muito estranho uma vez que muito abaixo da escala do que é chamado de Três Sephiroth Supremas, o Contato e a Conversação com o Santo Anjo Guardião, são exigência mínima para conhecer a verdadeira vontade, e poder desta forma atravessar o Abismo ou ZAX.
No entanto, lembramo-nos que o “…Sdhee Alf…”, mensageiro da Lei pessoal e intransferível da divindade de cada homem ou mulher que o podem convocar, tem a missão de serem os portadores da Lei, e não a mesma, e desta forma o entendimento de que se trata do comprometimento final do ser com sua verdadeira vontade, brinda aos que estão atentos.
Em DEO, o Aethyr seguinte, citada é a Estrela Vespertina, Lúcifer, que é o planeta Vênus e bem como um símbolo do que é chamado de Netzach na cabala, em total sintonia com a idéia numérica do cabalismo, como acima já foi alertado, e que saturno exaltado em Libra contém também o seu contrário, no segundo decanato de capricórnio, regido por Astaroth, o qual é Astarte e Inanna, Deusa Suméria da Cidadela de Uruk, senhora escarlate da guerra, sexo e magia, celebrada também como Deusa-Mãe, e sendo venerada como Athirat, também chamada Asherah, Astarte ou Anat e, da mesma forma que no culto de Inanna, seus sacerdotes transexuais, os Qedshtu, extraíam seus órgãos sexuais para executarem os ritos, muitas vezes sexuais ligados a deusa da Estrela da Manhã.
O amor ali citado contém sua fonte nesta deusa e a chave real disto, que como podemos ver também se conecta nos conceitos ligados a Freia e a Freir, como foi acima citado, explica-nos todos os detalhes vinculados a idéia conectada com os chamados Irmãos Negros, ligados a este Aethyr, que dizem ser aquele até onde os mesmos podem atingir, pois estes que se negam a deixar seu sangue adentrar na copa das abominações de Babalon, na temática da visão do décimo primeiro grau como foi explanado por Crowley, não podem ser “…tais e quais noivas…”, que é um termo que conecta todos os praticantes dentro da Argentum Astrum, e muitos mistérios ligados a esta fórmula mágica do Amor, ou Ágape, correlacionam-se com o sacerdócio de Freir, e bem como o Sacerdócio Masculino de Inanna, que é a Senhora das Abominações da Babilônia. Desta forma as chaves ocultas para adentrar os sacramentos como Crowley os via, passam necessariamente pelo entendimento destes símbolos e em sua aplicação.
No entanto, esta é apenas uma visão a respeito dos sacramentos superiores, e não é nem a melhor e nem a única.
No Aethyr seguinte, MAS, Crowley usa-se de uma passagem bíblica retirada do genesis – 19:32-33,35 – sobre as filhas de Ló, que o embriagaram para se deitarem com ele, a título de “…povoar a terra…”:
“…Vem, demos de beber vinho a nosso pai, e deitemo-nos com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai. E deram de beber vinho a seu pai naquela noite; e veio a primogênita e deitou-se com seu pai, e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou. E sucedeu, no outro dia, que a primogênita disse à menor: Vês aqui, eu já ontem à noite me deitei com meu pai; demos-lhe de beber vinho também esta noite, e então entra tu, deita-te com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai…E deram de beber vinho a seu pai também naquela noite; e levantou-se a menor, e deitou-se com ele; e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou…”
Notemos a similaridade contida no texto deste Aethyr, para representar as ditas 3 Tradições Mágicas – Branca, Amarela e Negra – que na teoria hermética e cabalística, abrangeriam o mundo:
“…E uma voz diz: Maldito seja aquele que desnudou o Altíssimo, pois ele embriagou-se do vinho que é o sangue dos adeptos. E BABALON embalou-o, no seu colo e no sono ela sumiu e deixou-o nu chamando o seu filho para junto dizendo: Acompanha-me para zombarmos da nudez do Altíssimo. E o primeiro dos adeptos cobriu Sua vergonha com um pano, caminhando para trás e era da cor branca. E o segundo dos adeptos cobriu Sua vergonha com um pano, caminhando lateralmente e era amarelo. E o terceiro dos adeptos zombou de Sua nudez, caminhando para frente e era negro. Essas são as três grandes escolas dos Magi que também são os três Magi que dirigiram-se ao Local Sagrado e, por não possuir sabedoria, tu não saberás qual escola predomina, ou se as três escolas são uma. Pois os Irmãos Negros não ergueram suas cabeças na Sagrada Chokmah já que foram afogados no grande mar que é Binah, antes que a verdadeira vinha pudesse ser plantada no sagrado monte Sião…”
O mar de Binah é o Mar que subsiste citado na Lámina do Enforcado, e é uma representação das Qlipoth, implicando na incapacidade de ir além da Menstruação, que é símbolo da inexistência de vida na mulher, que na tradição monoteísta e fálico solar, é vista como tendo alma somente quando está preenchida pelo sêmen, que é o portador de Ruach – alma e símbolo para o “…esposo…”, acima citado – e está contido em Yod – letra hebraica que o cabalismo usa para identificar o elemento fogo e o falo.
Desta forma os finalmente entenderemos que os Irmãos Negros, como citados por Crowley, são os que não tem o que é entendido como sendo “…LUX, ou, LUZ…”, que implica em uma fórmula totalmente voltada para o espírito solar como algo solar, como foi dito pelo criador do monoteísmo, Akhenaton, e pelo ponto de vista da cidadela de “ON” ou “Heliópolis”, no Egito.
As 3 cores citadas como representantes da alquimia não estão aqui por conivência, mas antes devem ser necessárias para dar pano de fundo para o conceito de alquimia, e do elixir alquímico que é citado nas linhas acima. Desta forma Negro lida com os que ainda perfazem a fórmula levando em consideração o conceito de mulher e das Kalas do Tantrismo ligado aos Drávidas e a deusa Kali; Amarelo lida com o ponto que seria intermediário entre este primeiro e o seguinte, o qual é Branco, por lidar apenas e tão somente com a Luz ou os mistérios sexuais puramente masculinos, ocorre que isto lida com o antigo Aeon, pois o cristo do monoteísmo se auto proclama “…a luz, o caminho a verdade e a vida…”.
Destrinchados assim os símbolos aqui presentes, podemos avançar ainda mais a cerca da “…Visão e da Voz…”.
Lit desvela-se com o entendimento claro da atmosfera fálica espiritual da flecha, cuja ponto é Argentum Astrum , a Estrela de Prata ali mencionada.
O trocadilho de não há deus com “…Lá…”, o qual é a mesma composição de “…AL…”, que é o termo hebraico para deus, e que é o nome divino usado na Sephiroth de Chesed, a sephiroth da misericórdia, e que na verdade é o nome do deus pai supremo dos Fenícios “…AL…” que foi absorvido para uso pelos rabinos, dentro da temática do hebraico, nos dá o entendimento necessário, de que ali á afirmado que “…Lá…” o nada, é o deus naquele Aethyr, e que está é a chave do Aethyr dando a entender outro trocadilho simbólico com o Olho de Shiva, que aniquila o universo no “…Nada…”, e daí somos levados ao conceito da cabala que lida com “…Ayin…” o nada universal, representado também na lâmina de Baphometh, na Lâmina do Diabo, cuja letra hebraica é justamente “…Ayin…”, e sendo que o olho ali citado, também vai na direção de Horus, pois há o conceito dos dois olhos de Horus, o direito e o esquerdo, um deles os métodos de Crowley citam em combinação com o Ajna Chacra, que é o Olho de Shiva, e o outro é citado como sendo o Muladhara Chacra, vinculado a ponta do cóccix e que participa da fórmula dos sacerdotes de Freir e dos sacerdotes homossexuais do culto de Inanna, como acima foi citado.
Mesmo em PAZ, ocorre este fenômeno de justaposição pois os elementos da rosa e da cruz voltam a entrar em sena, e mais, caos e trevas cosmos e luz são ali citados, sendo o caos algo como uma representação do Olho de Ayin que é acima citado.
Há o trocadilho da palavra “…PAX…” com o nome do Aethyr “…PAZ…”, e no entanto ao colocar os dados acima mesclados a isto, a chave do que Crowley expressa como sendo a essência deste Aethyr esta neste excerto:
“…Abaixo de seus pés está o reino e em sua cabeça a coroa. Ele é o espírito e matéria, ele é paz e poder, nele está Caos e Noite e Pan e sobre BABALON sua concubina, que embriagou-se dos sangues dos santos que ela coletou em sua taça dourada tem ele originado a virgem que agora ele deflorou. E isso é o que está escrito: Malkuth será elevada e colocada no trono de Binah. E essa é a pedra dos filósofos que é posta como um selo na tumba do Tetragrammaton e o elixir da vida que é destilado do sangue dos santos e a força rubra opressiva dos ossos de Choronzon…”
Pois já foi citado no texto da “…Visão e a Voz…”, que a chave do termo hebraico para adão está em “…Adm…”, visto como um anagrama para a palavra enochiana “…Mad…”, que quer dizer deus.
Desta forma o “…Adm Kadmon…”, é a chave de entendimento para aquele que é cavalgado por Babalon no trecho acima citado, e que nele habita a essência do Aethyr “…PAZ…”, que é o Caos ou a Noite de Pan, isto se liga a emanação de Aiyn Soph Aour, “…LUZ…”, que se contrai para gerar Kether e dela gerar todo o restante da Ortz Chaim, Árvore da Vida, que é o próprio “…Adm Kadmon…”. Porém a pedra dos filósofos é mais uma vez um anagrama do Velho Aeon, ligada a cristo, que é citado como a pedra, ou a rocha, no cristianismo, e é dito do mesmo como o elixir e o selo do tetragrammaton, pelas conexões que o filho tem para com o pai, dentro do monoteísmo, em tanto quanto a relação de Ruach e Yod, vista na fórmula fálico solar acima citada.
Em “…ZOM…” o seguinte Aethyr, vemos uma fórmula vinculada a ascensão em direção a Kether, passando por Chokimah que é o falo e liga-se com o ponto de vista de Yod, Ruach e da fórmula fálico solar – uma vez que Marah o grande mar, é ligado a Binah e é o Mar de Sangue e Trevas que impropriamente e indevidamente o sistema fálico solar taxou de incorreto ou daninho.
Observemos então estes trechos:
“…E o olho de Sua benevolência se fecha. Que não seja aberto sobre o Æthyr para que as severidades sejam abrandadas e a casa desmorone”. A casa não cairá e o Dragão descerá? Todas as cousas foram de fato engolidas pela destruição; e Chaos abriu suas mandíbulas e esmagou o Universo como um Adorador de Baco esmaga uma uva entre seus dentes. A destruição não engolirá a destruição e a aniquilação confundirá aniquilação? Vinte e duas são as mansões da Casa de meu Pai, porém lá vem um boi cabeceando a Casa que cairá. Todas essas cousas não passam de brinquedos do Magista e o Criador de Ilusões que barra a Compreensão da Coroa…”
“…E por isso BABALON está sob o poder do Magista submetendo-se a obra e guardando o Abismo. Nela está uma perfeita pureza superior; ainda que seja enviada como o Redentor para os que se encontram abaixo. Não existe outro caminho para o Mistério das Supremas além dela e da Besta na qual cavalga; e o Magista é colocado além dela para ludibriar os irmãos das trevas para que eles não façam de si mesmos uma coroa; pois se houvessem duas então Yggdrasil, a antiga árvore, seria lançada no Abismo, extirpada e lançada no Mais Distante Abismo profanando o Arcanum que é o Adytum* e a Arca seria tocada e a Loja profanada por aqueles que não mestres e o pão do Sacramento seria as fezes de Choronzon e os vinho do Sacramento a água de Choronzon e o incenso seria espalhado e o fogo sob o Altar odiado. Erga-te, todavia, firma, goze o homem e contemplai! Será revelado a ti o Grande Terror, o inominado temor…”.
Acima vemos que nem mesmo Crowley pôde escapar dos símbolos mais antigos do conhecimento, pois em lugar do uso do termo comum da cabala para a Árvore da Vida, ele se usou do nome Setentrional e mais antigo da mesma, Yggdrasil, também conhecida como Eomersyl ou Yrminsul, o Pilar do Mundo.
Todos os símbolos de destruição lidam com o ponto onde ocorre a elevação em direção ao Nada, o Caos, saindo do ponto de Ordem mais próximo deste, que é o caos espermático do que chokimah é e representa, na teoria dos cabalistas.
Tolices são ditas sobre Taumiel, o dragão de duas cabeças que seria o oposto na árvore da morte, a árvore das qlipoths – que já vimos acima, que nada tem haver com os conceitos citados sobre ela pelo hermetismo comum – e a alegação de que O Magus estaria comandando-a para negar a força dos que não se curvam a luz de cristo, por ser este o caminho correto, desaba sobre si mesma, pois de fato são dois os potenciais mais altos que engendraram o universo, e são opostos e infinitos em si mesmos, e quando se tocam encontram limite, o qual é vida e o que os gregos chamaram de Cosmos, e são amplamente vislumbrados na antiga tradição original que a Yggdrasil que Crowley citou no texto deste Aethyr, apresenta como as mais antigas forças, anteriores ao universo conhecido.
No Aethyr seguinte, temos gratas surpresas!
Crowley cita a lenda suméria sobre os Sibilli Azag Aphikalluh, liderados por U-Na, ou Dagon, cuja forma é a do homem peixe que leva os códigos da civilização em amor aos humanos, e mantém relações com as mulheres, sendo esta a fonte original para os Nephelins citados no texto de Enoch. Notemos que o termo Azag é aparentado com Az, Ases e Aesir ou Ansjus, que já nos referimos acima.
Diz Crowley que a chave deste Aethyr está na idéia de Cain ser filho da Serpente e não de Adm, citando este último como um culto externo e destituído de vida, e tendo Cain uma marca em sua testa – que lida com o Olho de Shiva e com a temática acima citada sobre o mesmo – e que elimina Abel, de acordo com o texto da “…Visão e da Voz…” usando do Mjollnir o Martelo de Thor, e devemos nos lembrar que este deus é saudado tradicionalmente como o inimigo do cristo branco invasor, em uma das línguas dos povos setentrionais.
Crowley jamais suspeitou – ou jamais deixou que os que estavam a sua volta suspeitassem – que o símbolo que aparece neste Aethyr, das 3 flechas cruzadas nada mais é do que a Runa Gótica Hagalaz, que tem exatamente aquele diagrama, e que implica na idéia de despertar, desagregação do que é velho para dar lugar ao que é novo, e lida com a idéia de Hagal e de Haimdall, que é chamado de Aesir Branco.
E em seguida, somos brindados com as mesmas idéias implícitas, presentes no próprio texto deste Aethyr:
“…Então o fogo cobriu-me e ressecou-me, uma tortura. E o meu suor está amargo como veneno. E todo o meu sangue torna-se agro em minhas veias, como gonorréia. Parece que estou apodrecendo rapidamente e os vermes devorando-me vivo. Uma voz, não minha ou externa diz: Lembrai de Prometeus; lembrai de Ixion. Estou rasgando o nada. Não darei atenção. Pois até esse pó deve ser consumido pelo fogo. Embora não exista imagem ainda pelo menos resta uma sensação de obstrução, como se houvesse alguém puxando próximo a fronteira do Æthyr. Mas estou morrendo. Não consigo avançar ou esperar. Meus ouvidos agonizam, bem como minha garganta, e meus olhos parecem tão cegos há muito que não consigo lembrar que existe visão…”

E quando o texto cita Leviatã e o Mar, nos perguntamos se Crowley perversamente não escondeu os termos a cerca de Jourmungand ou Niddhog, a descrição que ali é dada afirma um, mas se expressa por meio dos outros dois.
Finalmente no Primeiro Aethyr, LIL, é apresentada a fórmula do Senhor do Aeon, Rá Hoor Khuit, apresentado ali apenas como Horus, e uma informação incorreta é ali dada.
“… Iaida…” não quer dizer “…Eu Sou…” e sim quer dizer “…Altíssimo…”.
Hoor ou Har, é o Senhor Altíssimo dos Céus de Leste a Oeste em meio a tradição mais antiga dos Egípcios, antes das bobagens osirianas corromperem o culto e apresentarem a Har como o filho de Osiris posteriormente, inclusive como as formulas usadas em Heliópolis apresentam.
No entanto esta primeira parte do texto em si nos dá outros elementos:
“…Eu sou o filho de tudo que é o pai de tudo, pois de mim veio tudo o que eu posso ser. Eu sou a fonte nas neves e sou o mar eterno. Eu sou o amante e sou o amado e sou os primeiros frutos do amor deles. Eu sou primeiro débil tremor da Luz e eu sou a roca onde a noite tece o seu impenetrável véu…”
“…Eu sou o capitão das hostes da eternidade, dos espadachins e dos lanceiros e dos arqueiros e dos aurigas. Eu liderei as forças do leste contra as forças do oeste e as forças do oeste contra as forças do leste. Porque eu sou Paz…”
“…Eu sou luz e sou noite e eu sou aquilo além deles. Eu sou a fala e eu sou o silêncio e eu aquilo além deles.Eu sou vida e eu sou morte e eu sou aquilo além deles. Eu sou guerra e eu sou paz e eu sou aquilo que está além deles. Eu sou a fraqueza e eu sou a força e eu sou aquilo que está além deles. Assim por nenhum deles pode o homem chegar a mim. Assim por cada um deles deve o homem chegar a mim…”

Crowley vê a força do Senhor do Aeon neste Aethyr e o descreve como o poder anterior a criação, e que move a tudo e todos inclusive causando guerra e paz, e bem como dando vida e morte a bel prazer.
Em seus elementos descritivos, somos forçados a questionar se os usos do Enochiano, que tem fortíssima descarga atávica dos elementos dos “…Wales…” e de suas tradições, usados por John Dee para dar corpo a esta tradição, não afetaram a Crowley a ponto de trazer finalmente os elementos profundos do senhor do Salão dos Eleitos, deus de guerra e de vida e morte, para dentro da descrição de “…Iaida…” o Altíssimo, como acima citado, uma vez que também seu nome é Har, e igualmente ao Har Egípcio ele é cego de um olho, sacrificado em nome do conhecimento?
O que podemos concluir de mais elementar em tudo isto, é que o poderio mágico do enochiano se deve a suas fontes atávicas serem tão fortes, que estão drenando usos das tradições antigas de onde retiram suas bases e essências, e que isto intoxica e causa êxtase a quem quer que o seja que use-se deste sistema, e que acabará se destruindo em Choronzon, ou antes disto, por conta de sua teimosia em lidar com pontos de vista do Aeon dos Escravos, quando deveria liberar-se disto e empunhar sua espada em função do Aeon dos Fortes e Orgulhosos, pois esta é a essência deste Aeon.
Desta forma, todos os trabalhos mágicos que tem sido praticados com o Enochiano, levaram seus praticantes ao portal do terror da negação do dogma, em função do poder e da veracidade, que sejam tanto históricas quanto espirituais, e alinhadas em si mesmas, de tal forma que por mais que o texto lide com uma direção, o praticante será encaminhado para outra, ou se destruirá no processo.
Visto desta forma, o alinhamento das fontes antigas do Enochiano, com os elementos thelemicos, torna-se mais que natural por mais que seja incidental sob certos aspectos, e nãos e choca em sua essência, por mais que se choque em sua aparência, uma vez que tanto uma realização espiritual quanto a outra, abominam o subserviente e miserável culto dos escravos, e contém entre si elementos de conexão que tanto são claros e visíveis a qualquer um, com contém também segredos velados que podem ser experimentados tanto pelo estudo, quanto pela prática, o mesmo se dando com o avanço do thelemismo em meio ao solo Enochiano, ou em meio ao núcleo ou tema central do thelemismo em si mesmo.

Por Grimm Wotan

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/enochiano-bases-estruturas-conceitos-e-fontes/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/enochiano-bases-estruturas-conceitos-e-fontes/

Cursos de Hermetismo em EAD

Salve

Desde 2020 estamos realizando apenas os cursos via EAD, na plataforma própria dentro do nosso site, como na netflix.

Os cursos são estruturados em módulos de 6-8h que podem ser divididos e assistidos a qualquer tempo e horário, quantas vezes você quiser, ficando libertados na plataforma de maneira vitalícia para nossos alunos (sabemos que muitos gostam de rever os cursos antigos conforme vão aprendendo novas matérias).

A ordem indicada para começar é a seguinte:

ESSENCIAL

0 – Kabbalah Hermética

Este é a base para entender como funcionam todos os sistemas mágicos e a partir dele você pode escolher quais assuntos te interessam mais para aprofundar os estudos:

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BÁSICOS

1 – Astrologia Hermética

Tudo o que você precisa saber para conseguir interpretar seu Mapa Natal. Planetas, Signos, Casas e Aspectos

1 – Tarot Completo

Arcanos Maiores e Menores e sua correspondência direta com a kabbalah e a astrologia.

Ensina o uso oracular, simbólico e o trabalho ritualístico com os arcanos.

1 – Geomancia

O Oráculo da Terra. Um dos mais simples e apaixonantes métodos, que pode ser feito em qualquer lugar e com quaisquer materiais. Também é a base para o xamanismo urbano e a conversa com os elementos de sincronicidade ao nosso redor.

1 – Runas e Talismãs Rúnicos

As Runas estudadas sob a perspectiva da Árvore da Vida e seu uso magístico, ritualístico e oracular. Você aprenderá como criar e utilizar talismãs e amuletos rúnicos, bem como o uso em conjunto com o tarot e a Kabbalah.

1 – Consagrações (Magia Prática)

O primeiro passo na Magia ritualística é saber como consagrar e imantar objetos, armas e ferramentas para uso dentro do altar pessoal e no dia-a-dia.

1 – Mitologia Grega e a Kabbalah Hermética

Um curso de mitologia amparado pelas bases do hermetismo e pela árvore da vida.

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INTERMEDIÁRIOS

2 – Alquimia

Pré-requisito: Kabbalah

O curso com as bases filosóficas da alquimia, para se compreender os símbolos a partir da Cabala Judaica, com o prof. Rafael Daher.

2 – Especialização em Tarot de Thoth (Curso Completo)

Pré-Requisitos: Kabbalah, Tarot

Como utilizar os Arcanos maiores e menores da obra prima de Aleister Crowley. Uso oracular e magístico. O curso explana as diferenças deste tarot para os outros tarots e como se utilizar das cartas para fins magickos.

2 – Qlipoth, a Árvore da Morte

Pré-Requisitos: Kabbalah

Um dos cursos mais importantes, estuda as cascas da Árvore da Morte e os Túneis de Set. Todo o trabalho de NOX nas Ordens Iniciáticas é pautado pelo estudo da Árvore da Morte. Compreenda as engrenagens pelo qual o mal funciona, como identificá-lo e como trabalhar o abismo dentro do autoconhecimento.

2 – Magia dos Quatro Elementos

Pré-Requisitos: Consagrações

A magia natural e seus quatro elementos: Fogo, terra, Água e Ar em seu uso magístico, prático e utilitário no dia-a-dia. Como criar e utilizar as ferramentas de cada um dos elementos e suas combinações.

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AVANÇADOS

3 – Magia do Ar e Fabricação de Incensos

Pré-Requisitos: Consagrações, Magia dos 4 Elementos

O estudo das ferramentas de trabalho com o elemento ar; plantio, colheita e preparo de ervas para a confecção de incensos para trabalhos planetários

3 – Magia Planetária

Pré-Requisitos: Kabbalah, Astrologia, Consagrações

A Magia Planetária é parte da bruxaria tradicional; este curso ensina como trabalhar os sete planetas na magia, incluindo preparação de ferramentas, horas mágicas, incensos, influências, regências, invocações e como utilizar cada tipo de energia para qual tipo específico de ritual.

3 – Revolução Solar

Pré-Requisitos: Kabbalah, Astrologia, Magia Planetária (não obrigatório mas recomendado)

Este curso lida com a criação e interpretação do horóscopo trabalhando cada planeta de seu mapa astral com os aspectos de cada planeta ao longo do ano. Os trânsitos dos planetas mais afastados para descobrir os períodos benéficos e complicados do ano e os trânsitos dos planetas rápidos para a escolha de datas mágicas para rituais ao longo do mês, para aproveitar completamente os aspectos zodiacais na magia planetária.

3 – Os 72 Nomes de Deus

Pré-Requisitos: Kabbalah, Astrologia, Consagrações, Magia Planetária

Como trabalhar a Teurgia com o Shem Ha-Mephorash, as 72 emanações que regem a Árvore da Vida. Também conhecidos como “Anjos Cabalísticos”, estas entidades regem os aspectos mais puros do universo e podem melhorar as caracteristicas de cada Carta Natal, auxiliando no trabalho da Verdadeira Vontade de cada magista. Evocações angelicais, magia com salmos e seu uso para o autoconhecimento.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cursos-de-hermetismo-em-ead

Principia Alchimica – Financiamento Coletivo

Dia 04/02 começa o Financiamento Coletivo dos livros de alquimia e Jornada da Alma.

Dos mesmos editores de Kabbalah Hermética, da Enciclopédia de Mitologia, dos Livros Sagrados de Thelema, do Tarot Hermético e dos Livros Essenciais da Cabalá.

Um projeto de Cinco Livros relacionados com a alquimia e a transformação do Ser.

https://www.catarse.me/Principia_alchimica

Principia Alchimica – Da colheita do orvalho ao ouro, o objetivo desta obra é explicar de forma simples e praticável todo processo da alquimia. Trata-se de uma metodologia para a ascensão, ou seja, uma forma de transformar seu eu cotidiano em uma condição mais elevada. Como resultado desta metodologia surge uma nova condição superior de vida física, emocional, intelectual e espiritual. A Alquimia e sua busca pela Pedra Filosofal – cuja receita está neste livro – pode ser entendida como uma metodologia para a expansão da consciência. Aqui toda sua simbologia clássica é esclarecida de maneira definitiva como uma metodologia objetiva e eficaz para a expansão da consciência e dos poderes que surgem com ela. Escrito por Thiago Tamosauskas.

Teodiceia Psíquica – A Alquimia e transformação da alma pelo ponto de vista Martinista. Os princípios psíquicos do bem e do mal no paradigma Junguiano e sua discussão no Midrash judaico-cristão de Martinez de Pasqualy. Escrito por Ivan Corrêa.

Ivan Corrêa, Mestre em Psicologia Clínica pelo Núcleo de Estudos Junguianos do Programa de Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, é psicólogo formado pela PUCSP, estudioso da psicologia junguiana e atua em clínica na cidade de São Paulo. Há anos, dedica-se à pesquisa da mística religiosa do Ocidente, com especial ênfase naquelas tradições que a história teve como heréticas, transitando principalmente entra os mitos gnósticos e herméticos.

O Tarot Egípcio + Deck com 22 Arcanos – Publicado originalmente em 1929, este pequeno tratado explica os Arcanos do Tarot pela visão de R. Falconnier. Traduzido por Rafael Daher e as imagens das lâminas originais de 1929 transformadas em um deck jogável de Tarot pelas mãos de Rodrigo Grola.

LeMULgeton: Os Espíritos Estelares Babilônicos – Publicado originalmente pela editora “Fall of Men” por Leo Holmes. Ao longo das páginas deste trabalho, o autor relaciona o Lemegeton e Mul.Apin (um compêndio babilônico que lida com muitos aspectos diversos da astronomia e astrologia babilônica), atribuindo os Espíritos Goécios às Constelações Sumérias (que incluem estrelas e planetas)

A Sorte do Coveiro – O Coveiro foi um marido zeloso, um pai presente e um professor dedicado. Porém, após um golpe impiedoso ele passa a contestar a ventura dos vivos. Desnorteado, rejeita o fio de existência que lhe resta e se volta completamente para uma busca sinistra. Neste caminho, encontra uma entidade misteriosa conhecida como “O Psicopompo” que passa a figurar como seu mentor. É o desaparecimento de um corpo no cemitério, entretanto, que finalmente dispara uma série de acontecimentos que levará o Coveiro ao confronto final consigo mesmo e com sua sorte.

“A Sorte do Coveiro” é um romance angustiante adornado de elementos fantásticos e macabros. O cemitério é o palco principal do desenrolar da história permeada por elementos de magia e de tradições espirituais do Novo Mundo. Nestas páginas, descortina-se uma narrativa que passeia entre os mundos visível e invisível e que fará o leitor se confrontar com sua própria jornada rumo à sepultura.

Eduardo Regis é praticante de vertentes da tradição esotérica ocidental e ougan de Vodou Haitiano. Ele escreve regularmente no site “Espelho de Circe” e também no site da OTOA-LCN Brasil, onde assina como Frater Vameri. Além disso, é um dos coordenadores do Grupo de Estudos de Espiritualidade Haitiana – Gedeh, em colaboração com o “Espelho de Circe” e com o Instituto Pretos Novos. Ele já publicou contos em antologia e revistas e está trabalhando em livros de religião e magia! “A Sorte do Coveiro” é seu primeiro romance.

Você pode acrescentar qualquer um dos Livros cima ao Apoio, ou uma combinação deles, com um preço promocional e sem precisar adicionar nada ao valor do frete!

– POSTERS da Árvore da Vida + Lamen Rosacruz (+ R$ 30 o conjunto)

– POSTERS de Hermetismo (6 Posters do FC do livro de Kabbalah) (+ R$ 60)

– LIVRO DOS SALMOS (+R$ 60,00): o “Schimmush Sepher Tehillim – Usos mágicos dos Salmos”, faz parte de um Grimório medieval chamado 6° e 7° Livros de Moisés.

– KABBALAH HERMÉTICA (+R$ 250,00) – O melhor trabalho de Kabbalah Hermética já produzido em português. Em suas quase 700 pgs coloridas e ricamente ilustradas, o autor, Marcelo Del Debbio, detalha todos os aspectos da Árvore da Vida, História da Arte e religiões comparadas. Uma obra-prima.

– ENCICLOPÉDIA DE MITOLOGIA (+R$275) – Com 8500 verbetes e 1200 ilustrações, totalmente colorida e capa dura, é o maior e mais completo livro de mitologia comparada em língua portuguesa.

– LIVROS SAGRADOS DE THELEMA (+R$ 175,00) – Coletânea em alta qualidade dos 15 libers mais importantes da Thelema. Edição bilíngue Inglês/Português.

– LIBER 333 (+R$ 60,00) – nas palavras do próprio Crowley: “Esse livro lida com muitos assuntos em todos os planos da mais alta importância. Ele é uma publicação oficial para Bebês do Abismo, mas recomendado até mesmo para iniciantes como altamente sugestivo”

– RPGQUEST (+R$ 275,00) – Um Jogo de RPG/Boardgame baseado na alquimia e na Jornada do Herói. Crie um mundo de Fantasia Medieval com Grandes Desafios e viva uma Campanha Épica de RPG em uma tarde! (versão completa com todas as metas conquistadas no FC).

– RPGQUEST Dungeons (+R$ 275,00) – Um Jogo de Dungeon Crawler baseado nos Túneis de Seth e na Jornada do Herói.

– AS AVENTURAS DE LILITH (+R$ 35,00) – Um livro infantil com a Jornada Iniciática mais antiga da história. Detalha de uma maneira simples as virtudes e defeitos planetários e a jornada da Deusa Lilith através do Mundo Subterrâneo.

– AS AVENTURAS DE ISIS (+R$ 35,00) – Conheça as Aventuras de Isis e Osíris. escrito em uma linguagem simples para crianças. Ideal para presente de natal para crianças que gostam de Mitologia e Aventuras!

– AS AVENTURAS DE HÉRCULES (+R$ 35,00) – Os Doze Trabalhos de Hércules narrados sob a perspectiva do hermetismo. Cada Trabalho é uma tarefa que nós mesmos devemos resolver em nossas vidas para nos aproximarmos de nossa Verdadeira Vontade. Escrito na forma de um livro infantil.

– PEQUENAS IGREJAS, GRANDES NEGÓCIOS (+R$ 175,00) – Kit Pastor com todas as 360 cartas do FC. Um engraçadíssimo Cardgame no qual os jogadores devem representar pastores picaretas e igrejas caça-níqueis com o objetivo de arrecadar o máximo possível em cima da fé alheia enquanto tentam tirar seus oponentes da jogada com acusações absurdas (versão completa com todas as metas conquistadas no FC).

O Frete será calculado e pago apenas quando o Projeto for finalizado. Existem várias razões para isso: a primeira é que ele ficará mais barato 13% pois não teremos de incluir as taxas de FC, a segunda razão é que não sabemos ainda o peso de todas as metas e presentes liberados no decorrer do projeto. Também existe a possibilidade do Mundo voltar ao normal e organizarmos uma confraternização onde os apoiadores poderão pegar seus pacotes pessoalmente. No final da Campanha será enviado email para confirmação dos endereços de envio.

Se conseguirmos os valores estipulados, conseguiremos imprimir 300 Exemplares de cada título e enviar os livros para todos os apoiadores mas, conforme as Metas vão sendo batidas, todos os apoiadores ganham presentes da Editora.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/principia-alchimica-financiamento-coletivo

A História da Árvore da Vida

Por Rachel Pollack
Embora eu tenha crescido em uma casa moderna, minha família pertencia ao ramo ortodoxo do judaísmo. Mantivemos uma casa kosher, observamos os grandes feriados, minha irmã e eu fomos à escola hebraica e ainda assim, nunca ouvi a palavra “Cabala”. Foi só quando fiquei fascinada com o Tarô, e estudei sua história esotérica, que soube até mesmo que tal tradição existia. “Tradição” é certamente a palavra certa, pois é isso que significa Cabala, uma tradição mística transmitida de professor para aluno. Aparentemente, no século XIX e início do século XX, essa passagem oral havia falhado, tornou-se mágica demais para os judeus que desejavam abraçar o mundo moderno.

Mas a Cabala não havia desaparecido, ela havia simplesmente se aberto para o território mais amplo da Cabala “ocidental”, um sistema de imagens e ideias que reunia conhecimento judeu, cristão, pagão e até mesmo mágico dentro de um símbolo enganosamente simples conhecido como a Árvore da Vida. Foi esta Cabala Ocidental que tão brilhantemente conectou as vinte e duas cartas Arcanas Maiores do Tarô com as vinte e duas letras do alfabeto hebraico.

Uma vez que descobri a Cabala, e comecei a mergulhar em sua história e ideias, descobri camadas de significado dentro das antigas tradições. Surpreendentemente, a Cabala, que pensamos ser tão antiga (uma história diz que um anjo a deu a Adão no Jardim do Éden), responde a muitas das perguntas que enfrentamos neste momento. Considere apenas uma questão, nossa reavaliação dos papéis de gênero. Muitas pessoas, tanto homens quanto mulheres, se rebelam contra o que parece ser um status secundário para as mulheres no cristianismo e no judaísmo. Elas apontam que os homens têm usado a história de Eva sendo criada a partir da “costela de Adão” para justificar os maus-tratos dos homens às mulheres. Mas na Cabala encontramos uma interpretação muito diferente, radical mesmo pelos padrões modernos.

Os Cabalistas descrevem Adão e Eva originalmente como um ser, um hermafrodita perfeito, formas masculinas e femininas unidas na costela. Mas este ser, total em si mesmo, não podia aprender com outro. E assim o Criador os separou – na costela – para que eles pudessem explorar a si mesmos e uns aos outros.

E a Cabala vai ainda mais longe. Deus também, nos diz, é hermafrodita, não um Pai só masculino, mas uma espécie de Pai/Mãe (você sabia que a palavra hebraica El Shaddai geralmente traduzida como “Todo-Poderoso” na verdade deriva da palavra para “seios?”). E ainda mais longe – as partes masculina e feminina de Deus se separaram uma da outra, e somente os seres humanos podem reuni-los novamente. Estas ideias nos parecerão radicais e ousadas se vierem de pensadores modernos. Mas na verdade, elas formam apenas uma parte da tradição da Cabala, com milhares de anos.

Cada livro carrega sua própria história, sua própria origem. A Cabala remonta quase vinte anos atrás, quando conheci um artista brilhante e profundamente espiritual chamado Hermann Haindl. Ele havia criado um conjunto impressionante de pinturas de Tarô, e a editora me pediu para escrever um livro para eles. Viajei para a casa de Hermann na Alemanha, e mais tarde para sua antiga casa de campo de pedra na Toscana. Passamos horas todos os dias olhando para a arte de Hermann, compartilhando nossas ideias e experiências espirituais. O livro de quinhentas páginas que escrevi sobre o Tarô de Haindl é possivelmente único na literatura do Tarô, pois vem da intensa colaboração de duas consciências.

Há vários anos Hermann me convidou para ir à Alemanha mais uma vez, para ministrar oficinas sobre o Tarô e sobre a Deusa. Mas ele também quis me mostrar uma obra incrível, uma pintura gigantesca e elaborada daquele símbolo mais famoso de toda a Cabala, a Árvore da Vida. Normalmente, esta imagem consiste em dez “emanações” de energia divina, retratadas como dez círculos com vinte e duas linhas de conexão. Os Cabalistas veem a Árvore como a própria essência da verdade universal. Mas a forma da Árvore aparece com mais frequência como um desenho abstrato, e a discussão de seus significados pode facilmente derivar em ideias elevadas sem a real conexão com a própria vida que a Árvore deve encarnar.

A pintura de Hermann Haindl está repleta de vida. Nela encontramos cobras e pássaros, vacas e cordeiros, pedra erodida e ondas do mar, deusas antigas e rostos sonhadores. Encontramos até mesmo Cristo e Albert Einstein. Vemos a natureza, mas também a mística espiritual – uma verdadeira árvore da vida.

Hermann me pediu para escrever um livro para acompanhar sua pintura. Embora a Cabala tivesse me fascinado durante anos, eu lhe disse que havia pessoas que conheciam o assunto muito melhor do que eu. Sim, disse ele, mas ninguém conhecia sua arte da maneira como eu a conhecia. E assim eu mergulhei na imagem da árvore, sua história e simbolismo, e na própria ideia de uma árvore cósmica que une o céu, a Terra, e o submundo. Através da escrita da Árvore Cabala, descobri as maravilhas de uma antiga tradição, aparentemente murcha por um tempo, mas agora novamente em plena floração, como uma grande árvore em mais uma explosão de primavera.

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Fonte: https://www.llewellyn.com/journal/article/644

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.


Este e-mail foi enviado de um formulário de contato em Morte Súbita inc. (https://mortesubita.net)

Morte Súbita inc. wordpress@mortesubita.net

dom., 20 de mar. 21:11 (há 14 horas)

para mim
De: Ícaro Aron Soares <icaroaronpaulinosoaresdireito@gmail.com>
Assunto: A História da Árvore da Vida

Corpo da mensagem:
A História da Árvore da Vida

Por Rachel Pollack.

Embora eu tenha crescido em uma casa moderna, minha família pertencia ao ramo ortodoxo do judaísmo. Mantivemos uma casa kosher, observamos os grandes feriados, minha irmã e eu fomos à escola hebraica e ainda assim, nunca ouvi a palavra “Cabala”. Foi só quando fiquei fascinada com o Tarô, e estudei sua história esotérica, que soube até mesmo que tal tradição existia. “Tradição” é certamente a palavra certa, pois é isso que significa Cabala, uma tradição mística transmitida de professor para aluno. Aparentemente, no século XIX e início do século XX, essa passagem oral havia falhado, tornou-se mágica demais para os judeus que desejavam abraçar o mundo moderno.

Mas a Cabala não havia desaparecido, ela havia simplesmente se aberto para o território mais amplo da Cabala “ocidental”, um sistema de imagens e ideias que reunia conhecimento judeu, cristão, pagão e até mesmo mágico dentro de um símbolo enganosamente simples conhecido como a Árvore da Vida. Foi esta Cabala Ocidental que tão brilhantemente conectou as vinte e duas cartas Arcanas Maiores do Tarô com as vinte e duas letras do alfabeto hebraico.

Uma vez que descobri a Cabala, e comecei a mergulhar em sua história e ideias, descobri camadas de significado dentro das antigas tradições. Surpreendentemente, a Cabala, que pensamos ser tão antiga (uma história diz que um anjo a deu a Adão no Jardim do Éden), responde a muitas das perguntas que enfrentamos neste momento. Considere apenas uma questão, nossa reavaliação dos papéis de gênero. Muitas pessoas, tanto homens quanto mulheres, se rebelam contra o que parece ser um status secundário para as mulheres no cristianismo e no judaísmo. Elas apontam que os homens têm usado a história de Eva sendo criada a partir da “costela de Adão” para justificar os maus-tratos dos homens às mulheres. Mas na Cabala encontramos uma interpretação muito diferente, radical mesmo pelos padrões modernos.

Os Cabalistas descrevem Adão e Eva originalmente como um ser, um hermafrodita perfeito, formas masculinas e femininas unidas na costela. Mas este ser, total em si mesmo, não podia aprender com outro. E assim o Criador os separou – na costela – para que eles pudessem explorar a si mesmos e uns aos outros.

E a Cabala vai ainda mais longe. Deus também, nos diz, é hermafrodita, não um Pai só masculino, mas uma espécie de Pai/Mãe (você sabia que a palavra hebraica El Shaddai geralmente traduzida como “Todo-Poderoso” na verdade deriva da palavra para “seios?”). E ainda mais longe – as partes masculina e feminina de Deus se separaram uma da outra, e somente os seres humanos podem reuni-los novamente. Estas ideias nos parecerão radicais e ousadas se vierem de pensadores modernos. Mas na verdade, elas formam apenas uma parte da tradição da Cabala, com milhares de anos.

Cada livro carrega sua própria história, sua própria origem. A Cabala remonta quase vinte anos atrás, quando conheci um artista brilhante e profundamente espiritual chamado Hermann Haindl. Ele havia criado um conjunto impressionante de pinturas de Tarô, e a editora me pediu para escrever um livro para eles. Viajei para a casa de Hermann na Alemanha, e mais tarde para sua antiga casa de campo de pedra na Toscana. Passamos horas todos os dias olhando para a arte de Hermann, compartilhando nossas ideias e experiências espirituais. O livro de quinhentas páginas que escrevi sobre o Tarô de Haindl é possivelmente único na literatura do Tarô, pois vem da intensa colaboração de duas consciências.

Há vários anos Hermann me convidou para ir à Alemanha mais uma vez, para ministrar oficinas sobre o Tarô e sobre a Deusa. Mas ele também quis me mostrar uma obra incrível, uma pintura gigantesca e elaborada daquele símbolo mais famoso de toda a Cabala, a Árvore da Vida. Normalmente, esta imagem consiste em dez “emanações” de energia divina, retratadas como dez círculos com vinte e duas linhas de conexão. Os Cabalistas veem a Árvore como a própria essência da verdade universal. Mas a forma da Árvore aparece com mais frequência como um desenho abstrato, e a discussão de seus significados pode facilmente derivar em ideias elevadas sem a real conexão com a própria vida que a Árvore deve encarnar.

A pintura de Hermann Haindl está repleta de vida. Nela encontramos cobras e pássaros, vacas e cordeiros, pedra erodida e ondas do mar, deusas antigas e rostos sonhadores. Encontramos até mesmo Cristo e Albert Einstein. Vemos a natureza, mas também a mística espiritual – uma verdadeira árvore da vida.

Hermann me pediu para escrever um livro para acompanhar sua pintura. Embora a Cabala tivesse me fascinado durante anos, eu lhe disse que havia pessoas que conheciam o assunto muito melhor do que eu. Sim, disse ele, mas ninguém conhecia sua arte da maneira como eu a conhecia. E assim eu mergulhei na imagem da árvore, sua história e simbolismo, e na própria ideia de uma árvore cósmica que une o céu, a Terra, e o submundo. Através da escrita da Árvore Cabala, descobri as maravilhas de uma antiga tradição, aparentemente murcha por um tempo, mas agora novamente em plena floração, como uma grande árvore em mais uma explosão de primavera.

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Fonte: https://www.llewellyn.com/journal/article/644

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-historia-da-arvore-da-vida/