Arkanun completa 24 anos!

arkanun

24 anos de Arkanun… Um RPG que mistura Mitologia Medieval com Hermetismo, Kabbalah, Anjos e Demônios; um dos poucos RPGs nacionais Blue Label.

Em 1995 o RPG vivia a Era de Ouro no Brasil. Com a publicação de Dungeons & Dragons pela Editora abril em bancas de jornal, Shadowrun pela Ediouro e os livros-jogos pela Marques Saraiva, os Role Playing Games viveram de 1993 a 2001 seu período de maior venda e divulgação no Brasil, com Eventos patrocinados pela Coca-Cola, prefeitura de São Paulo, SECS, Banco do Brasil e outras grandes empresas. No final de 1994, fui convidado por Marcelo Cassaro, na época editor da Dragão Brasil, revista que acabou durando mais de dez anos no mercado, a escrever algumas aventuras como colaborador. Em 1995 estávamos pensando em fazer um RPG de Fantasia Medieval pela Trama, nos moldes do D&D mas seguindo a linha de Mitologia Medieval, com uma pegada de Hermetismo, alquimia, templários, anjos, demônios e Kabbalah.

Nascia assim ARKANUN, que em sua primeira edição esgotou 3.000 exemplares em pouco menos de 3 anos, o que foi considerado um sucesso enorme. No ano seguinte, a DB lançaria TREVAS (Que chegou ao magnífico número de 20 mil unidades vendidas, algo completamente impensável no mercado de RPG de hoje), INVASÂO (um RPG baseado no livro “Espada da Galáxia”, do Cassaro, e o GRIMÓRIO, um suplemento com rituais para Arkanun e Trevas. O público formado pelas vendas de Trevas garantiu as bases para o lançamento da segunda edição de Arkanun, em capa dura e uma tiragem de 5 mil livros, que competia de igual para igual com pesos pesados americanos como Vampiro: a Máscara, GURPS e AD&D.

O Sistema Daemon foi liberado para uso por qualquer editora/mestre/jogador em 2001 e, até hoje, teve mais de 560 livros em pdf/netbooks e adaptações disponíveis no site da Editora e espalhados em centenas de sites e blogs. Ao todo, mais de 60 títulos foram publicados. Trevas e Arkanun foram considerados os Melhores RPGs Brasileiros de todos os tempos em uma pesquisa feita entre mais de 12 mil jogadores em 2015.

Em sua versão 3.5, após mais de 6 reimpressões e versões, Arkanun já vendeu 18 mil exemplares, o que o torna um dos campeões de venda de todos os tempos em termos de RPGs nacionais, ficando atrás somente de Trevas, 3D&T e Tormenta. Mais um motivo para comemorar!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/arkanun-completa-24-anos

As Rainhas Dragão

Lord A .’. (RedeVamp)
Excerto do livro Mistérios Vampyricos

Existe um relato intitulado “As Rainhas Dragão” que fala sobre os mitos de origem da Transilvânia, o qual descobri ainda na década passada, escrito pelo pesquisador David Wilson – mais conhecido como Awo Falokun Fatunmbi, um oraculista especializado no “Ifa” dos africanos. O artigo foi escrito como uma revelação recebida da parte de seus parentes, originários de Arad na Transilvânia, e que tinham o sobrenome Fenyes, cujo significado é “portador da luz”, mais ou menos como o “cohen” hebreu – tal sobrenome pode indicar uma função ritual nas respectivas culturas citadas. Logo no começo do artigo, somos apresentados ao avô Carlos Fenyes, advogado da família Habsburg, e seu filho Adelbert (Adelburt), que era médico da mesma família nos tempos que antecederam a Primeira Guerra Mundial – este também foi embaixador austríaco no Egito. Para quem não conhece os Hapsburg, eles foram a última família que ocupou o trono do Sacro Império Romano-Germanico; alegavam descendência de Cristo, bem como lhes era atribuída a posse da lança de Longinus, a qual inclusive teria perfurado o peito do Messias crucificado e tornava invencível quem a detivesse, tanto que na Segunda Guerra o próprio Hitler não sossegou até consegui-la. A lança também pertence aos mistérios do Graal e tem muita história – sua aparição mais recente foi na trama do filme Constantine, com Keanu Reeves.

Segundo consta, o título de Sagrado Imperador doado à tal família Hapsburg pela Igreja Católica comprou o silêncio deles em sua peculiar história familiar. Particularmente, dado o tom germânico, eu pensaria em Balder como ancestral totêmico e deus sacrificado, mas isso não importa. Segundo o próprio autor, ele detém provas externas acumuladas ao longo de quatro décadas de pesquisa e acredita que a história como nos é ensinada nas escolas, condicionada por interesses de controle político e filtrada pelo academismo e o pensar moderno, e bastante diferente daquilo que realmente aconteceu – e isso tem a ver com a posse de uma tecnologia espiritual que deveria ser um presente para todos e jamais monopolizada em benefício de poucos. E tudo isso pode ser encontrado na história da própria Transilvânia.

Historiadores dizem que a linguagem escrita começou na Europa há quase 5 mil anos; na Transilvânia, há amostras encontradas em sítios arqueológicos que datam de 10 mil anos atrás – estranho intervalo que parece ser ignorado pelos acadêmicos por romper a conformidade de suas ideias. Na mesma região, também foi encontrado um mapa de porcelana com características topográficas exatas. O mapa é impossível de ser datado, mas itens que estavam enterrados juntamente ao mapa foram datados como tendo 20 mil anos de idade. Então, no tempo em que os europeus supostamente estariam fabricando ferramentas toscas de pedra, também estariam forjando mapas em ajuste exato de escala. Alguma coisa está faltando aí, pois o mito da Criação da Transilvânia diz que um caçador seguia um antílope do norte da África até a região das montanhas do que agora é a Roménia.

Segundo David Wilson, existem evidências de que essa região era uma colônia de mineração do antigo Egito. Os egípcios sabiam, compreendiam e usavam os segredos da alquimia como base para o processamento do metal e a transformação do espírito humano. A história acadêmica tende a dispensar a noção da alquimia como uma ciência real, e a matéria recebe pouco estudo sério nos tempos de hoje. Alquimia, da palavra alkemit ou Ala kemit, significa “luz da terra de kemit” ou “luz da terra negra”. A terra do Egito ao longo do Rio de Nilo é rica em platina. Por um processo de fundição, os egípcios conseguiam extrair irídio da platina e, para Wilson, tal elemento assumia importante caráter sagrado nos ritos iniciáticos – permitindo que os adeptos pudessem ver Deus em um arbusto ardente, ou seja, ver através dos véus e realizar jornadas em duplo etéreo.

Na Transilvânia, os segredos da alquimia e desses mistérios eram guardados pelas misteriosas “Rainhas Dragão”, assim como no Egito – um curioso sacerdócio que se mistura com os dragonistas (escrevia assim há quase 20 anos, mas hoje prefiro draconiano) nesse estranho artigo. Suas origens jazem no imaginário atribuído aos “vigias” e “anjos caídos”, para os místicos, e nas estrelas cadentes e meteoritos, para os míticos.

Aparentemente, houve um dilúvio universal que teria exterminado tais sacerdotisas ou quem sabe uma raça com sangue de dragão. Mas aquelas que moravam na Transilvânia conseguiram escapar para as regiões que atualmente pertencem ao Iraque e ao Egito, conforme é narrado no próprio mito da criação da Transilvânia.

Todo mito de criação tende a ser etnocêntrico e especulativo. Em todo caso, a tradição das Rainhas Dragão existia nas regiões montanhosas da Romênia, na antiga cultura acadiana da Suméria e no começo das dinastias egípcias.

Bárbara von Cilli

David também aponta que o escopo de influência dessas mulheres abrangeu o sul da Europa, o norte da África e porções do Oriente Médio, que possuíam uma cultura única, composta de uma confederação solta de Cidades-Estados. Essa cultura recebeu nomes diferentes por historiadores pronomes que refletem a influência do deslocamento de poder entre Cidades-Estados mas falham na precisão da apreciação espiritual comum, ligações científicas e culturais que sustentaram o desenvolvimento desta região. As Rainhas Dragão eram responsáveis pela consagração ritual de reis na Bacia Mediterrânea. Elas possuíam templos no atual Iêmen, no oeste da Nigéria e no sul da França.

Antigamente um rei não podia reinar a menos que fosse ungido pelas Rainhas Dragão, o processo de unção era feito com uma mistura de gordura de crocodilo e sangue menstrual. As Rainhas Dragão tinham abundância de certos hormônios, que podiam ser usados para abrir o terceiro olho, dando ao rei ungido o dom da clarividência. A habilidade de se produzirem os hormônios necessários era considerada genética, então para ser uma Rainha Dragão era necessário também ser filha de uma Rainha Dragão.

Essas mulheres tinham poder de veto efetivo sobre aquele que iria reinar e, como consequência, a tradição desenvolvida fez com que as Rainhas Dragão se tornassem a primeira esposa do rei e, para proteger sua herança genética, elas se casariam com seus irmãos. Esta é a origem do termo sangue azul. Para manter o terceiro olho aberto, os reis ungidos precisavam ingerir regularmente um ritual preparado de sangue menstrual das Rainhas Dragão, assim eles fariam parte do tribunal real.

No Oriente Médio, as Rainhas Dragão viviam em comunidades chamadas Haréns, mas não eram as rameiras descritas na literatura ocidental. A tradição de beber sangue menstrual era chamada “fogo da estrela”, e tal cerimônia foi denegrida pela Igreja Católica pelas histórias de vampiros.

As Rainhas Dragão não eram mordidas por regentes demoníacos; elas preparavam suas poções com carinho e gostavam de beneficiar a comunidade. Acreditava-se que se o rei estivesse alinhado com seu mais alto self como resultado de contato com outras dimensões, ele reinaria em benefício do povo para manter-se alinhado com o plano original da Criação. Em outras palavras, a vida era feita para o benefício de todos. As Rainhas Dragão também eram as guardiãs do mistério da alquimia. A arte ancestral da alquimia foi tanto usada para transformar o metal quanto como medicina para iniciação. A alquimia é essencialmente o aquecimento da platina para fazer irídio.

Na Bíblia o “irídio” é chamado “maná”, que significa “o que é?”. O irídio ou mana era ingerido como parte de um processo ritual. O iniciado jejuava por 30 dias e ingeria mana por dez dias. No fim do processo, o iniciado era descrito como aquele que podia ver Deus em um arbusto em chamas. Essa iniciação é descrita no Livro do Gênesis, quando Moisés recebe os Dez Mandamentos. O processamento do “maná” exige fornos que geram grande calor, e as Rainhas Dragão podiam abrir portais interdimensionais para criar uma chama azul usada para fazer o “mana”. Essa chama tinha um tremendo calor, mas não queimava a carne humana, era chamada de “a chama eterna” e, uma vez acesa, não se apagava. O processo para fazer tal chama é descrito na literatura alquímica como a linguagem dos pássaros. Quando um portal interdimensional é criado vem a relampejar como um flash de câmera, e este lampejo é simbolicamente descrito como um espírito de pássaro. As Rainhas Dragão tiveram vários nomes que dependiam da cultura e região em que elas atuavam.

Esses nomes incluíam Isis, Hator, Maria e Sheba (como a Rainha de Sabá). Acredito que tenha existido um Jesus histórico, mas sua vida não possui uma precisão refletida na Bíblia. “Messias” quer dizer o “Ungido”, e esta é a palavra hebraica usada para descrever as iniciações das Rainhas Dragão.

Na cultura judaica, as Rainhas Dragão eram chamadas de “Maria”. Então, Jesus foi iniciado por Maria, sua mãe, e por Maria Madalena, sua irmã e esposa. Se olharmos para as tumbas dos faraós egípcios, notaremos que seus órgãos internos eram colocados em jarros separados. As Rainhas Dragão usavam esses órgãos como parte do processo de unção. A alquimia do “mana” é tal que, se você ingerir um órgão interno de alguém que faleceu, absorverá suas memórias e experiências de vida. Esta era a base para a crença de que os reis eram divinos. Eles literalmente recebiam a experiência coletiva de todos os seus predecessores. Por essa razão, o corpo de um rei ungido era importante para a instalação do próximo rei.

Alguns filmes e romances vampirescos até hoje trazem releituras dessa curiosa ideia ligada à antropofagia ritualística de certas culturas – incluindo algumas previamente mencionadas em outras páginas, tais como Schytes (Cítas) e os Getae.

Conforme anunciei é, sem dúvida alguma, um artigo que explora a mitologia e a história de forma audaciosa, embora duvido de que haja acadêmicos dispostos a fundamentá-lo ou oferecer algum detalhamento sobre os muitos tópicos lá presentes.

Reproduzi apenas a parte mais convergente para nosso estudo e com o tema deste livro. Mas aqueles que encontrarem o artigo na íntegra observarão apontamentos do autor que demonstram como o Império Romano decidiu criar imperadores sem a dependência das Rainhas Dragão o que os levou às suas políticas de extermínio ao longo do Crescente Fértil e da região da Galileia, para assegurar que nenhum novo rei ungido surgisse naquela região.

O autor também acredita que o corpo de Jesus foi removido da região e levado para o sul da França, para evitar que este caísse nas mãos romanas, o segredo da atual posse do corpo inclusive é guardado pela família do autor, no caso o David Wilson. Ele também explica que a história europeia é pautada no conflito entre os que regiam por iniciação obtida com as Rainhas Dragão e aqueles que regiam sob as bênçãos do papa que comandava a nova regra divina – sua aceitação levou um milênio e meio de confrontos e programas de extermínio em massa daqueles que estiveram reunidos com as “Rainhas Dragão”. Todas as cruzadas e mesmo a caça inquisitorial às bruxas teriam sido os tentáculos desse plano para assegurar o extermínio de todas as Rainhas Dragão e suas descendências.

Mas elas sobreviveram, mesmo que poucas, e seu alcance era longo, Wilson acredita que os Templários e algumas Ordens Monásticas ou de Cavalaria tenham sido criações veladas delas para preservar descendentes e recuperar artigos importantes do seu culto.

Eleanor de Aquitania

Gosto de pensar que talvez algumas rainhas, como Eleanor de Aquitânia (velada criadora do romance de cavalaria e por extensão do tantra ocidental incluso nessas obras) tivesse sido uma delas. Bem como muitas outras damas que vestiram o manto azul de Nossa Senhora e foram patronas de muitas dessas ordens; sincretismo é sempre uma ferramenta curiosa ao lançarmos nossos olhares rumo ao passado. Sábias dragonistas, hábeis em sua invisível arte, jamais se deixariam pegar fácil e certamente estariam por detrás dos meandros do poder. O que não me deixa esquecer de Bárbara von Cilli e até mesmo Elizabeth e Zsofia, da Famila Bathory, ao menos próximo do contexto vampírico que exploramos neste livro.

Como atribuir elementos míticos e místicos às chamadas Catedrais Góticas é tema recorrente no ocultismo, e próprio David Wilson aponta que elas foram construídas para guardar os segredos dessa alquimia das Rainhas Dragão e que sua grande Deusa era Ísis, velada nos subsolos como uma Madona Negra, onde povos nômades da Transilvânia secretamente iam rezar em suas rotas de peregrinação pelo mundo.

A beleza e a importância do culto das Madonas Negras bem como sua expressão da força maior são exploradas no blog Cosmovisão Vampyrica, em, www.redevamp.com.

Infelizmente, os Templários foram destruídos, como bem sabemos, e seu legado e sabedoria tomados pelos membros ávidos de poder do clero e da monarquia não iniciada nos mistérios das “Rainhas Dragão” e acabaram sendo desvirtuados em muitos lugares. O sacrifício de garotas virgens (e que ainda não houvessem menstruado) atos de pedofilia acabaram sendo algumas das práticas erróneas e criminosas mais comuns associadas com esse contexto.

As acusações de nobres beberem o sangue de terceiros – comum da parte dos protestantes para com algumas famílias no Leste Europeu – podiam ser verdadeiras, talvez fossem apenas propaganda política para intimidar adversários ou, ainda, quem sabe, tentativas posteriores dos descendentes do “Sangue do Dragão” tentando recuperar fundamentos que apenas sentiam o potencial para obter, mas que agora estavam fragmentados ou não acessíveis.

Em todo caso, o artigo de David Wilson se encerra com o autor em tom pesaroso pelo descaso dos administradores do museu criado por seu avô na velha mansão Fenyen em Pasadena, Califórnia, para com a rica história de sua família, que tem no brasão a imagem do Dragão Alado, das antigas Rainhas Dragão.

Um fato relevante é que no transcorrer dos séculos tanto a Igreja Católica romana, como a Reforma e o Protestantismo, e mais recentemente o partido comunista fizeram o possível para denegrir e destruir a herança pré-cristã da Transilvânia. Há uma perene influência ou sincronicidade com a cultura dos dragões da Suméria através dos Cárpatos.

O próprio David Wilson aponta em uma das postagens do seu blog que atualmente existem mais de 26 famílias que carregam o dragão vivendo na região. Vale observar que dragões e povos serpentes intervindo e interagindo com humanos existem em diversas eras e culturas – mais recentemente esses mitos são explicados como os anunnaki e outros alienígenas reptilianos na linguagem moderna – será que eles passaram por Marte antes de chegarem aqui?

Particularmente prefiro o tom conotativo dos mitos e ritos mais antigos.

Um epílogo ao Morte Súbita

Lord A:. em 31.05.2022

Meu livro Mistérios Vampyricos foi pesquisado e redigido entre os anos de 2003-2012 e publicado em agosto de 2014 como sabem. Ainda hoje o lançamento dele no stand da Madras Editora na Bienal do livro, em São Paulo, foi uma marca indelével – lembramos até o sabor do vinho chileno da festa. A obra foi bem sucedida. Reencontrar este trecho do livro em 2022 (quase uma década depois da minha última revisão) é como achar uma garrafa selada com uma mensagem dentro a beira mar. Agradeço ao Thiago Tamosauskas por reviver este trecho aqui no Morte Súbita.

Dragões, anjos caídos ou simplesmente estrelas cadentes e meteoritos? Todos são fascinantes per se! Eles encarnam aqueles relatos atribuídos a “Memória” ou a “Ancestralidade” que é escrita na pedra e no sangue; diametralmente oposta à história escrita em papel ou pergaminho.Que sempre serviu na maior parte das vezes para justificar alguns babacas possuírem as chaves do arsenal, da biblioteca, da prisão e do palácio – e quase sempre essa última chave sempre foi a mais importante para eles. Sem tudo isso esses caras são e sempre serão o que foram um bando de estúpidos. Essa abstração chamada humanidade sempre e em sua maioria foi composta por eles. Desde o neolítico e estes serviam para morrerem como água. E para alguns dos “nossos” transmitirem e ressurgirem através de nós em tempos melhores. Dizem que todas obras ocultistas da modernidade oscilam entre dois pólos – Phil Hine e Michael W Ford para iniciantes versus Kenneth Grant e Michael Bertiaux para quem manja. É o que dizem. No entanto, se ouvidam de uma Maria de Naglowska da vida e outras mulheres muito mais interessantes.

Ainda hoje uma taça de vinho a beira de uma fogueira na floresta em noite de lua negra oferece algo; que jurisprudentes e sacerdotes (abraâmicos) da história escrita pelos povos do livro jamais conseguirão apagar.Sejam generosos com o que lhes direi: ainda assim prefiro interpretar tais assuntos por viés do conotativo, do subjetivo, da alegoria, do simbólico e metafórico tão caro e precioso a alquimia. Então, ao concluírem a apreciação dos meus livros ou este texto não saiam por aí buscando no Mercado Livre por irídio, banha de crocodilo ou fazendo propostas pouco usuais para vossas mulheres. Sejam, digamos, mais razoáveis. Saber o mito não implica ter a receita do rito e do seu preparo ou condução. A vida adulta implica saber disso. E saboreiem mais noites de vinho e a luz de uma fogueira, com limões vermelhos jogados dentro dela antes de acender as chamas.

No livro falei e pontuei bastante o relato do grande David Wilson, ele usava seu nome civil nas redes sociais, na época que escrevi Mistérios Vampyricos; mas hoje é mais conhecido por seu nome religioso como Awo Falokun Fatunmbi e tem um trabalho extraordinário promovendo o Ifá e sendo babalawo na América do Norte. Para investigar e entender as origens de sua família húngara, seguiu curiosas visões de seus ancestrais que o levaram inesperadamente à África. Dentre muitos de seus livros Ancestral Memories, aprofunda seu relato sobre as Rainhas Dragões. Todas as suas obras publicadas falam por si e se encontram disponíveis, lá na Amazon e podem ser conhecidas neste link.

As tais Rainhas Dragões foram aquelas que nos primórdios eram avatares de grandes deusas em tribos notáveis e impérios destacáveis.Sua descendência, sua criação e suas dinastias eram de outra estirpe. O que nos leva a um “Sangue” ou ainda o papo de “Sangue-Bruxo” caro aos tradicionalistas bruxos ingleses. Também falamos de uma raça humana em aparência que figura em histórias de Lovecraft, Yeats, Machen e antes deles nas fábulas onde há seres feéricos. E que depois da idade média foram sintetizadas meramente como bruxas ou vampiras. É uma história talhada na pedra e no “Sangue”, não em pergaminhos delicados ou feitos para evitarem diálogos com o velho norte. O que mais posso lhes dizer sobre tais diálogos é o seguinte – quando o resultado dele parecer biografia e cronologia da editora Marvel, você já perdeu o fio da meada. É sobre lampejos e conexões.

Vocês podem chamar as Rainhas Dragões por outros nomes também, elas estarão lá como sempre estiveram. Estão aqui desde o início, como me confessaram incontáveis vezes.

Contos de fadas antigos e o folclore podem falar melhor disso do que textos acadêmicos – ou tabelas de ocultistas protestantes que juram saber até o cep de Lúcifer na Vila Madalena em São Paulo. Parem com isso! Falamos do que vem desde (pelo menos) o neolítico e jaz nos estratos e camadas cerebrais igualmente primitivas que habitam a camada dos imperativos do nosso cérebro, desvelando como somos mais irracionais e movidos por desejos realizados (ou não realizados) do que gostamos de pontuar e assumir nas redes sociais. Curtam o calor e a luz da fogueira, em uma floresta nas noites sem luar – saboreiem o vinho! Quem sabe no céu escuro anjos caídos, dragões ou estrelas cadentes e meteoritos não lhe contem tudo que estiver preparado para receber?


Lord A.’. é autor de diversos livros entre eles, Mistérios Vampyricos, Deus é um Dragão e a série Codex Strigoi. Desenvolve ainda uma série de iniciativas e eventos culturais para a divulgação da Cosmovisão Vampyrica e da comunidade vamp no Brasil bem como as transmissões da RedeVamp, o site redevampyrica.com, o podcast Vox Vampyrica, e a comunidade Campus Strigoi

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-rainhas-dragao/

Casos pesquisados pela OPUs

A Organização de Pesquisas Ufológicas (OPUs) foi fundada em 19 de janeiro de 1999 e foi formada por pessoas com um grande interesse no fenômeno OVNI (Objetos Voadores Não Identificados). Tratou-se de uma organização sem fins lucrativos, mantida por contribuições de seus membros. A entidade não possuiu vínculos de caráter religioso, político, filosófico, racial ou social. Seus principais objetivos foram:

1. Estudar a hipótese de presença extraterrestre em perspectiva social, histórica e psicológica, considerando sua relação com a mídia, os avanços científicos e os processos mentais individuais e coletivos.

2. Divulgar de maneira crítica e objetiva os fatos relacionados à hipótese de presença extraterrestre.

3. Esclarecer, quando possível, relatos e ocorrências que possam ter explicações em fenômenos naturais, tecnológicos (aviões, satélites, etc) e psicológicos.

A OPUs encerrou suas atividades em julho de 2007. O atual web site [http://www.ufologia.org/], que reúne seus artigos, alguns casos investigados e a colaboração de cientistas e acadêmicos, é atualmente mantido na Internet por Rodolpho Gauthier e Fernando Caldas.

Caso do Balão estratosférico

Investigação de um OVNI

Araraquara, 21 de março de 2001. Uma quarta-feira ensolarada. Três horas da tarde. Um objeto luminoso não identificado é avistado sobre a cidade. A informação é confirmada pelo aeroporto local, de onde também pode ser visto. O mistério aumenta. De acordo com o Jornal O Imparcial, sua presença não era detectada pelos radares da Aeronáutica em Pirassununga. Mas desta base militar vem também a possibilidade de se tratar de um balão meteorológico.

Em colaboração com a reportagem d´O Imparcial, o pesquisador da OPUs Tiago Vital entra em contato com o IPMet – Instituto de Pesquisas Meteorológicas da Unesp, em Bauru e o mistério é solucionado. Trata-se mesmo de um balão estratosférico. O web site deste instituto contém dados detalhados sobre o projeto, rota e lançamento do artefato.

Abaixo, fotos do balão a mais de 30 km de altitude (Reportagem do Jornal O Imparcial)

Abaixo, o mesmo balão em terra, sendo preparado para subida (Grupo de Lançamento de Balões do IPMet – Instituto de Pesquisas Meteorológicas ligado a UNESP, em Bauru – SP)

Interessado em conhecer mais sobre balões meteorológicos?

Visite a página do Grupo de Lançamento de Balões (GLB) do IMPMet: www.ipmet.unesp.br/glb/index.htm

Conclusão: Artefato de tecnologia humana (balão estratosférico)

Pesquisador: Tiago Vital, em colaboração com a reportagem do jornal O Imparcial (Araraquara – SP)

Relatório elaborado por: Fernando Caldas


OVNIs na estrada Batatais-Franca

1. Relato (caso ocorrido em junho de 2001)

O avistamento ocorreu no início da estrada que vai de Ribeirão Preto a Franca, próximo a Batatais. Eram 17h30min e o tempo estava bom. Não havia vento. A testemunha viajava de carro.

Iniciou-se um trecho curto, de aproximadamente 3 km, no qual havia uma chuva fraca. Ali o tempo ficou bem nublado, com nuvens bem densas. A testemunha reduziu a velocidade e ligou o pára-brisa no temporizador, devido a pouca chuva. Fora da área chuvosa na qual o OVNI foi avistado (incluindo também o trecho à frente na estrada), havia sol.

O objeto estava à direita da pista, abaixo do topo de um grupo de eucaliptos, estando posicionado atrás destas árvores. Parecia um avião agrícola, como se estivesse pousando (visto de frente, com os faróis acesos). Tinha forma discóide, com luzes nas extremidades.

A testemunha não parou o carro. Seguiu em velocidade reduzida passando pelas árvores à sua direita. Observando melhor, percebeu que o objeto tinha o tamanho aproximado de um ônibus no comprimento (porém era mais fino). Estava a cerca de 50m da estrada. As luzes das extremidades eram claras. Não eram faróis, mas sim constituíam o corpo do OVNI. Na parte central não havia nenhuma luz, mas a superfície parecia levemente reflexiva como os papéis laminados de ovos de páscoa. Também foram observadas certas nuvens de vapor ou coisa parecida que encobria a forma exata do objeto.

À medida em que o carro se deslocava (passava ao lado), o objeto começou a girar sobre o próprio eixo central, enquanto se elevava lentamente.

A testemunha relatou o nervosismo que sentiu. Quando chegou a um posto de gasolina mais à frente, telefonou para a esposa. Contou o avistamento a um frentista.
Ouviu “Não é o primeiro”.

1. A testemunha concorda com a ilustração, com relação à posição do Sol, do veículo em que trafegava e do OVNI;

2. Da Nova Enciclopédia Ilustrada Folha vol 1 – pág 62: “os arco-íris só podem ser vistos quando se está de costas para o Sol e de frente para as gotas de chuva iluminadas”;

3. O horário e as posições relativas do Sol, observador e do OVNI, favoráveis à observação de um arco-íris, coincidem com as da ilustração;

4. Mesmo quando passava ao lado do OVNI, as posições relativas do Sol, observador e OVNI ainda eram as mesmas da ilustração, devido à posição da estrada no mapa do Estado de São Paulo;

5. No final do 4º parágrafo do relato, a testemunha descreve “nuvens de vapor”. Chovia pouco (o limpador do para-brisa estava apenas no temporizador);

6. Sabe-se “que cada observador vê seu próprio arco-íris”. No 5º parágrafo “À medida em que o carro se deslocava (passava ao lado), o objeto começou a girar sobre o próprio eixo central, enquanto se elevava lentamente.”. Não estaria a testemunha visualizando outros ângulos do mesmo arco-íris? Como o carro se deslocava devagar, o OVNI “girava” devagar;

3. Conclusão

As considerações sobre a possibilidade de tratar-se de um fenômeno meteorológico ainda permanecem no terreno das hipóteses. A posição atual para este caso é não conclusivo.

Caso Santa Lúcia – Araraquara

1. Relato (caso ocorrido em julho de 2001)

A ilustração abaixo apresenta a trajetória de um OVNI avistado durante um percurso de carro na estrada que liga as cidades de Santa Lúcia e Araraquara. Era noite e a esposa, que viajava no banco dianteiro do passageiro, viu “uma luz que piscava prateado, mudando para verde, vermelho, prata, piscando várias vezes. Pelo tamanho, parecia uma estrela. Este ponto luminoso voava baixo, aproximadamente na altura que anda um helicóptero, mas não emitia nenhum ruído”. Dentro da cidade de Américo Brasiliense, perderam o OVNI de vista, voltando a vê-lo na estrada para Araraquara.

A ilustração abaixo mostra a trajetória do OVNI sobre a cidade de Araraquara.

2. Análise

2.1 Trajetória: as duas ilustrações mostram uma trajetória regular, compatível com a de uma aeronave. Não são relatados quaisquer movimentos bruscos ou incomuns.

2.2 Cores das luzes: a testemunha relata luz prateada, verde e vermelha. Considerando que a luz prateada poderia ser, na realidade, uma luz branca, estas cores (branca, verde e vermelha) podem estar presentes em aeronaves (fato confirmado à OPUs por um especialista em aeronáutica).

2.3 Ausência de ruído: considerando a possibilidade de uma aeronave, a direção do vento, o fato do casal estar dentro de um automóvel em movimento e até a distância do solo, podem ter dificultado a percepção de ruídos.

2.4 Velocidade: o objeto foi avistado durante todo o trajeto entre Santa Lúcia e Araraquara. Considerando uma velocidade do automóvel de cerca de 80 km/h, esta seria, teoricamente, a velocidade do OVNI.

2.5 Um especialista em helicópteros de Brasília consultado pela OPUs, após ouvir o relato, afirmou que tratou-se, com certeza, de um helicóptero de pequeno porte.

3. Conclusão

Provavelmente um helicóptero de pequeno porte. Buscamos junto ao especialista em helicópteros uma reconfirmação de que uma aeronave deste tipo poderia mesmo voar a uma velocidade tão baixa (80 km/h). Ele foi taxativo afirmando que sim.

OVNIs no Bairro Santa Júlia

Os dois casos abaixo foram relatados pela mesma pessoa, residente no bairro Santa Júlia em Araraquara-SP. A investigação dessas ocorrências só foi possível graças ao site Painel OVNI, que nos passou um dos casos. Ao webmaster do site, nosso necessário agradecimento.

1º Relato

Ocorido no quarto bimestre de 2001. Durante a noite, a testemunha estava deitada no chão do quintal observando as estrelas quando viu um “ponto de luz extremamente rápido” cruzar o céu. Chegou a pensar quer era um avião, mas percebeu que o OVNI não tinha luz piscante, estava muito alto e a uma velocidade maior que a um avião convencional. A trajetória do objeto parecia a de uma bexiga perdendo ar.

Análise

Mostramos a passagem de um satélite artificial à testemunha e ela concluiu que o que viu era isso. O movimento como o de uma bexiga perdendo ar, fazendo zigue-zague no céu pode ser explicado pelas variações na atmosfera que, nesse caso, confundiram o olho humano.

Conclusão: satélite artificial

2º Relato

O relator estava deitado no chão do quintal, brincando com a filha. As testemunhas viram dois objetos passando. O primeiro apareceu, cruzou o céu e desapareceu. Pouco tempo depois disso apareceu o outro. Se esses dois objetos deixassem um rastro seria formada uma cruz. Eles estavam a uma grande velocidade, “trocavam de cor às vezes” e não havia qualquer luz piscante. Em nossa primeira conversa a testemunha disse que tais objetos eram semelhantes aos do primeiro avistamento e que ele sempre eram vistos ali.

Análise

Segundo a testemunha, este caso “pode ter sido um satélite também”. O “cruzamento” das rotas não é um fato extraordinário, pois membros da OPUs já presenciaram satélites em circunstâncias parecidas. O fato de que “trocavam de cor às vezes” pode ser causado por variações atmosféricas.

Conclusão: satélite artificial

OVNI no Clube Náutico de Araraquara

1. Relato

Neste caso não há propriamente um relato. Trata-se de uma foto. A testemunha só percebeu a semelhança com um “disco-voador” depois da revelação. No momento, não observou nenhum movimento estranho ou qualquer tipo de ruído.

É importante enfatizar que houve perda de qualidade na imagem digitalizada. Na foto original, o OVNI destacado pela seta vermelha se parece muito com a forma típica de “disco-voador”. A seta amarela indica a direção aproximada dos raios solares (Araraquara, novembro de 2001, 16h30min, horário de verão – equivalentes a 15h30min no horário normal).

2. Análise

Na ampliação realizada por um amigo da testemunha fica mais clara a semelhança com um “disco-voador” (abaixo). Esta mesma pessoa tem bons conhecimentos de fotografia e analisou os negativos em busca de manchas, tendo descartado esta hipótese.

1. A parte interna está mais escura, o que indica uma maior concentração de água. As áreas externas da nuvem contém menos água (e são mais claras) devido à evaporação pela luz solar e convecção (das correntes de ar);

2. A maioria de regiões claras nesta nuvem ocorre na parte superior esquerda, lado pelo qual incide a luz solar e é natural que haja uma evaporação um pouco maior ali;

3. A nuvem aparece mais escura na foto porque, além de saturada, está em um ponto do céu onde pode estar recebendo sombra de outra nuvem (a que aparece à esquerda bem próxima à seta amarela, na foto mais ao alto);

4. Não são raras nuvens pequenas e carregadas no céu, aparecendo ao lado de outras maiores e mais claras. O curioso neste caso é que o contorno lembra um “disco voador”. Há certas nuvens que lembram animais ou objetos.

As fotos foram analisadas por um meteorologista que declarou não haver nada de anormal.

3. Conclusão

Tratava-se mesmo de uma nuvem com formato sugestivo de “disco-voador”.

Caso “Amor aos pedaços”

1. Relato

Aluguei o filme “Amor aos Pedaços” é um lançamentocomédia/romance tem em qualquer locadora, Bom no começo do filme acho que 15mim/20mim, quando a moça personagem principal começa a falar de seus relacionamentos, tem uma cena em que ela fica sentada com o cara que também é personagem principal num banco de praça que ao fundo mostra a cidade. Então aparece uma estrela cadente, e eu comentei da estrela, más ninguém viu!! Então voltei a fita para mostrar para os demais, foi ai que percebemos que não era uma estrela cadente.Bom não sei o que era más (sic) parece uma bola de luz, pequena que sai do Chão (sic) parte a 45 graus, depois muda para direita e muda de novo quando some na tela, numa felocidade (sic) incrível. Após ver varias vezes, não descobrimos o que era, más não era helicóptero, nem balão, nem dirigível, nem se lá!!! Acho que fale (sic) a pena alugar para ver!!! Se tiverem, alguma duvida do filme me fala que eu pego todos os dados e passo para vocês e se descrobrirem (sic) o que!

2. Análise

Na cena indicada, é noite e o casal protagonista se beija, sentados em um banco de jardim, com luzes da cidade ao fundo.

Nesta cena ocorre por duas vezes um efeito especial de “jogar” a imagem do casal “mais para longe” (abrindo o ângulo de enquadramento), mantendo por alguns instantes (décimos de segundos) a imagem anterior.

Durante toda a cena, a testa do rapaz está muito iluminada. Na segunda vez em que o efeito especial acontece, a luminosidade da testa do rapaz permanece ao fundo, combinada com as luzes da cidade, dando a impressão de um objeto luminoso deslocando-se no céu noturno.

3. Conclusão

Engano do observador ao interpretar imagens do filme.

Caso São José I

1. Introdução

O caso a seguir foi relatado à OPUs pela mesma testemunha dos casos São José 2 e 3, que identificaremos por Sr. LF, residente no bairro São José, na cidade de Araraquara.

2. Relato

Em uma noite de céu limpo e claro, por volta de 21h30min, o Sr. LF estava dentro de sua casa quando resolveu ir até a varanda para fumar um cigarro. A testemunha tem o hábito de sempre olhar para o céu. Desta forma, quando olhou para o lado sul, avistou uma luz laranja, com luminosidade opaca, classificada – pela própria testemunha – como estranha.

A luz, de tamanho comparável ao tamanho da lua cheia, estava parada no céu e repentinamente começou a aumentar seu tamanho de modo rápido. Em menos de dez segundos, após crescer, a luz sumiu.

Do ponto de vista do observador, a luz não se movimentou, mas o Sr. LF disse que o desaparecimento sugeriu movimento no sentido oposto ao de sua observação: “não foi uma luz que apagou. Foi uma luz que se distanciou”.

3. Análise

No artigo Questão UFO 15, a OPUs explica que pontos luminosos no céu, avistados aproximadamente até 20h00min no horário normal e até 21h00min no horário de verão, podem ser satélites, ônibus espacial ou a estação espacial ISS.

Considerando a hora (21h30min) e também o fato de que o horário de verão, naquele ano, começou em 8 de outubro, portanto cerca de um mês depois do avistamento, pode-se descartar o avistamento incomum da luz de um artefato humano em órbita.

Não conhecemos relatos astronômicos de um corpo celeste que fosse avistado tão rapidamente aqui na Terra e tivesse o tamanho comparável ao de uma lua cheia.

Uma outra possibilidade de brilho incomum no céu noturno é o surgimento de estrelas supenovas. Mas este brilho geralmente não surge e desaparece tão rapidamente. Dura semanas ou meses.

4. Conclusão

Considerando a hipótese de que a testemunha não fez relatos fantasiosos ou teve um episódio de falsa memória, este caso permanece, até o momento sem explicação.

Caso São José II

 

1. Introdução

O caso a seguir foi relatado à OPUs pela mesma testemunha dos casos São José 1 e 3, que identificaremos por Sr. LF, residente no bairro São José, na cidade de Araraquara.

2. Relato

Em outubro de 2000, O Sr. LF, acompanhado de sua ex-esposa, estava sentado na varanda, por volta de 21:30 (aproximadamente no mesmo horário do relato do caso São José 1, como salientou a testemunha), quando avistou um objeto na parte sul do céu, com tamanho de uma lua cheia e com luminosidade “néon e opaca”, de cor laranja.

Além do tamanho que a impressionou, um outro fator que causou espanto à testemunha foi a velocidade do objeto em percorrer o trajeto relatado: a luz, proveniente da parte sul-leste, movimentou-se em linha reta, fez uma parada e passou a descrever um semi-círculo no céu, dirigindo-se novamente para o sentido sul-leste.

Todo o trajeto foi calculado pela testemunha em aproximadamente quinze segundos.

3 Análise

O Sr. LF não soube precisar o dia exato do ocorrido. Portanto não podemos determinar se o horário de verão daquele ano já tinha se iniciado.

No artigo Questão UFO 15, a OPUs explica que pontos luminosos no céu, avistados aproximadamente até 20h00min no horário normal e até 21h00min no horário de verão, podem ser satélites, ônibus espacial ou a estação espacial ISS.

De forma semelhante ao Caso São José 1, não conhecemos relatos astronômicos de um corpo celeste que fosse avistado tão rapidamente aqui na Terra e tivesse o tamanho comparável ao de uma lua cheia.

Uma outra possibilidade de brilho incomum no céu noturno é o surgimento de estrelas supenovas. Mas este brilho geralmente não surge e desaparece tão rapidamente. Dura semanas ou meses.

4.  Conclusão

Considerando a hipótese de que a testemunha não fez relatos fantasiosos ou teve um episódio de falsa memória, este caso permanece, até o momento sem explicação.

Caso São José III

1. Introdução

O caso a seguir foi relatado à OPUs pela mesma testemunha dos casos São José 1 e 2, que identificaremos por Sr. LF, residente no bairro São José, na cidade de Araraquara.

2. Relato

Dia 6 de janeiro de 2001. Costumeiramente, o Sr. LF acorda cedo. Neste dia, ao sair de casa, por volta de 5h30min da manhã, notou ao sul da cidade, do lado direito de uma aeronave que acabara de decolar, a presença de uma luz de cor laranja.

Segundo a testemunha, a luz não acompanhou a aeronave: simplesmente apareceu e logo em seguida sumiu rapidamente, sem esboçar qualquer tipo de movimentação.

3. Análise

O ponto de luz avistado pela testemunha sugere como explicação um avião.

Dado o horário e a forma como o Sr. LF descreveu o ponto luminoso (um ponto de luz laranja próximo ao avião), existe a possibilidade de ser um outro avião a uma distância vários quilômetros, movimentando-se no sentido oposto ao da observação, dando a impressão de estar parado no céu.

Próximo ao nascer do Sol e dependendo da altura da aeronave, é provável que esta tenha sido iluminada pela estrela. Dada a grande distância do provável avião e o sentido percorrido em relação ao observador, este poderia ter visto a aeronave apenas como um ponto de luz parado no céu.

Além disso, o fato de o céu estar limpo no dia favoreceria o avistamento das luzes pertencentes a uma possível aeronave.

4. Conclusão

Pela análise deste terceiro relato, a OPUs sugere que se tratou de um avião a vários quilômetros de distância.

Um episódio muito semelhante já foi devidamente esclarecido como sendo um avião. Na Amazônia, uma luz misteriosa, praticamente parada no céu, assustando moradores da região, era um Boeing 737 da Varig pousando em Porto Velho, a 32 km de distância do local do avistamento. Este caso foi apresentado em uma série de TV do jornalista Bill Curtis, no canal de TV por assinatura A&E Mundo.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/casos-pesquisados-pela-opus/

Fausto, de Goethe

Após muita reflexão e planejamento, as Edições Textos para Reflexão decidiram que era hora de trazer para vocês os maiores clássicos da literatura mundial, pelo preço de um café!

Decidimos começar com a obra-prima de Johann Wolfgang von Goethe, Fausto. Nesta edição digital revisamos cuidadosamente a gramática da célebre e secular tradução de Antônio Feliciano de Castilho, de modo a tornar o português antigo o mais legível possível, sem no entanto interferir no contexto dos versos. Você já pode começar a ler em poucos minutos:

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***

À seguir, explicamos melhor do que se trata a nossa nova coleção:

Embora tenhamos escrito incontáveis obras desde o advento da escrita, há alguma arte que parece vencer o próprio fluxo do tempo, algumas histórias que se tornaram já mitologia por onde passaram, e que já foram lidas e encenadas pelas mentes de milhões e milhões de seres humanos.

A Coleção clássicos eternos reconhece a importância de trazer esta luz para ser refletida no maior número de espelhos possível, e cada um de nós é um espelho, e a luz foi criada para ser refletida.

Assim sendo, temos o compromisso de trazer edições cuidadosamente elaboradas dos grandes gênios de outrora, por um preço acessível – principalmente por se tratar de material em domínio público.

Também os tradutores são citados e lembrados. Ora, visto que nos valemos de traduções em linguagem já secular, foi necessário revisar o português, sobretudo com relação à gramática, procurando interferir o mínimo no contexto original da tradução.

Compreendemos que o português antigo pode trazer alguma complexidade no entendimento da obra, mas recomendamos que aproveitem dos recursos tecnológicos modernos dos e-readers ou aplicativos de leitura de e-books, que já possuem dicionários embutidos, assim geralmente basta clicar na palavra desconhecida para aprender o que significa. Se tudo correr bem, além da leitura de uma obra grandiosa, ainda sairão desta aventura sabendo um pouco mais acerca do seu próprio idioma.

Nalguns casos, onde a gramática pode ser aplicada tanto no português de Portugal quanto no do Brasil, preferimos manter o original – por exemplo, entre “génio” e “gênio”, optamos por manter a grafia original, isto é, “génio”.

E agora, fiquem com mais um clássico da literatura humana…

O editor.

#eBooks

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/fausto-de-goethe

Ectoplasma – Descobertas de um Médico Psiquiatra

O mercado editorial brasileiro de esoterismo e ocultismo encontra-se muito bem servido com o livro “Ectoplasma – descobertas de um médico psiquiatra”, publicado pela Editora Conhecimento em 2008. Frutos de intensa experiência clínica do Dr. Luciano Munari, as pesquisas e hipóteses trazidas à baila na obra são estimulantes para o estudioso do oculto, embora o próprio autor abrace claramente o espiritismo kardecista como se deduz do seu “ferramental” conceitual. A feliz coincidência dos objetivos dos militantes espiritas – calcados na caridade e na assistência ao próximo – e a ambição nitidamente ocultista de conhecer a fundo os fenômenos não explicados da natureza realizaram bodas felizes nesta ocasião, sendo conveniente anunciar a “boa nova” (nem tão nova assim mas cuja qualidade só agora se percebeu) aqui neste blog.

O raciocínio do Dr. Munari desenvolve-se com peculiar elegância e sem afetação desnecessária de estilo em torno do caráter do “ectoplasma”(de “ektos”, fora e “plasma”, formação) segundo a doutrina espírita. Desfia sucintamente o histórico dos casos de materialização no mundo e no Brasil, papel cumprido pelo ecotoplasma enquanto fluído vital – por meio do qual se manifestavam “aparições”-; sua bioquímica e vinculação com doenças psicossomáticas e, como corolário, sua “fabricação” indevida no organismo – o que possibilita inorportuno manuseio por formas desencarnadas ou “presenças do passado” que desejam se vingar do indivíduo vivo como ajuste de “contas cármicas” de vidas anteriores.

Já o famoso criminologista italiano e tardio prócer do espiritismo, Cesare Lombroso, considerava o ectoplasma como um tipo de substância ou protoplasma gelatinoso, inicialmente amorfo, que saía do medium e tomava forma mais tarde. A análise de diversos autores e a experiência e as demonstrações em centenas de sessões espiritas demonstrava que esta substância saía pelos orifícios humanos e um caso tornado célebre fora analisado pelo próprio Lombroso em sua “opus magna”, “Hipnotismo e Mediunidade: o da médium italiana Eusápia Paladino. O ectoplasma era visto, enfim, como substância manipulada por espíritos, geralmente inodora, frio, húmido, por vezes vezes viscoso e semilíquido, raramente apresentando-se seco e duro e neste estado formando cordões fibrosos e nodosos de modo a dilatar-se e expandir-se como uma “teia de aranha”.

Em sua vida como profissional o Dr. Munari testemunhou que vários pacientes exibiam quadros de transtorno de somatização como “nós na garganta”, que se davam em situações de tensão emocional. Outros sintomas  recorrentes eram tonturas, angústias no peito, falta de ar súbita (com sensação de sufoco), dores articulares ou generalizadas além de sensação de peso nos ombros e nas panturrilhas e também era dores de cabeça, embaçamento visual, náuseas ou dor abdominal. Observando a caso da paciente que apelidou de “Senhora Gioconda”, o médico decidiu em certo momento abandonar sua renitente postura ortodoxa, realizando um curso de terapia passada em que, pela primeira vez, tomou contato com a ideia das chamadas “presenças do passado”, as quais poderiam manipular os ectoplasma e produzir diversos síntomas. Diz então que:

O que seria esse tal de ectoplasma? Uma substância semi material/semi-espiritual que, portanto, permeia tanto o mundo material como mundo espiritual; faz a ponte entre os dois mundos. È ele que permite a atuação dos espíritos sobre o mundo físico. Ele é a substância de que eles os espíritos se utilizam para impressionar o mundo físico e causar, por exemplo, os fenômenos de poltergeist, ou de materialização

Ao aproximar-se de conhecido médium e espírita, o Sr. Manoel Saad e ao utilizar com mais intensidade a técnica de regressão, tornou-se paulatinamente evidente para nosso autor que “uma gama enorme de sintomas físicos era decorrente da ação espiritual sobre o corpo físico. Eram os mais variados sintomas: dores nas diversas partes do corpo, falta de ar, palpitações, ou mesmo sintomas que eu associava a uma doença orgânica, como por exemplo as dores articulares da jcitada artrite reumatóide”. A mais clássica dor era aquela que afetava a região da cabeça, mas havia inúmeras outras, como já mencionamos.

Neste ponto, aliando novas teorias à constatação clínica, Munari cunha o termo “Síndrome Ectoplasmática” para dar conta deste espectro de sinais e sintomas que englobaria até mesmo a síndrome de tensão pré-menstrual. A produção de ectoplasma parecia, a princípio, ligada à ingestão de carboidratos, principalmente vinculada à alimentação artificial (refrigerantes, enlatados, alimentos benefeciados ou “refinados”, dieta carnívora etc). Ao voltar-se para a literatura de medicina ortomolecular, notou a correlação entre a deficiência de vitaminas do complexo B e a população que se alimenta de produtos artificiais ou industrializados, deduzindo que, de certa maneira, a produção excessiva de ectoplasma poderia estar associada deficiência de vitaminas desta classe, obtendo resultados palpáveis ao usar megadoses deste complexo vitamínico em pacientes. Outra constação do Dr. Munari foi de que muitos pacientes com quadro depressivo apresentavam a síndrome ectoplasmática.

Como consequência do relativo êxito na comprovação destas hipóteses, passou a tomar força para o autor a tese de que o órgão-chave do ectoplasma talvez fosse o fígado, responsável pela oxidação existente no corpo, pela síntese proteica (albumina), lipídica (e o responsável pela produção de 70% do colesterol circulante no sangue) e metabolização e desintoxicação de substâncias, como, por exemplo, os medicamentos. A água, veículo portador de fluidos etéricos que vitalizam o corpo segundo a medicina antroposófica talvez tivesse também alguma correlação com o ectoplasma, sendo notável que muitos depressivos exibissem ingestão reduzida de água. Assim, escreve Munari:

O fígado é o principal responsável pela produção de ectoplasma. Vitaminas do Complexo B e estimulantes da secreção da bile aliados a uma dieta saudável são os principais responsáveis pela produção de ectoplasma em níveis adequados e pela ausência dos sintomas típicos da “síndrome ectoplasmática”.

Evidências empurravam para se pensar no fígado. Decidi, então, baseado no pensamento de que hnum fígado preguiçoso nos portadores da síndrome ectoplasmática, utilizar medicamentos que pudessem estimular suas funções, quer fossem da antroposofia ou da halopatia. Utilizei medicamentos chamados de coleréticos e colagogos (eles estimulam a produção de bile pelo figado, assim como sua secreção pela vesícula biliar que onde fica armazenada para do duodeno), e observei uma diminuição nas queixas sintomáticas: o paciente sentia-se mais “leve”. Estavam então formadas associações entre síndrome ectoplasmática, trantorno de somatização, depressão, síndrome da tensão pré-menstrual e insuficência funcional hepática”.

O fígado assume a condição ímpar de “grande usina de fabricação” do ectoplasma. Munari explica esta “dinâmica ectoplasmática” ao longo do trajeto de produção desta misteriosa substância. Em termos simples, os alimentos provenientes de diversos reinos da natureza (mineral, vegetal ou animal) portam qualidades diferentes de ectoplasma, que passa ser aproveitado no reino “hominal” quando é “humanizado” ou transformado por algum órgão do corpo, a fim de que seja utilizado pelos espíritos como no fenômeno de poltergeist que depende de “doador” ou epicentro para ocorrer. Faz-se necessário para que algo desta magnitude se dê que esteja presente no ser humano um tipo mais “refinado” de ectoplasma do que o encontrado de forma bruta nos alimentos, ou na natureza.

Uma vez ingerido o alimento e ainda no tubo gastrintestinal, este sofrerá a ação dos sucos gástrico, pancreático e bile, sendo transformado em açúcares, lipídeos e aminoácidos. Tais nutrientes de ordem física, bem como o ectoplasma que ‘acompanha” as suas moléculas “serão conduzidos pelo sangue até o fígado pela veia porta, onde serão “desintoxicados” e “humanizados”, como se diz na medicina antroposófica, para que não sejam rejeitados pelo sistema imunológico. Do fígado é que o sangue os levará (nutrientes e ectoplasma) para o coração, para que sejam distribuídos ao restante do corpo”. Para autores como o Dr. Jorge Andréa, citado por Munari, há participação do elemento fósforo na composição do ectoplasma, tal como é utilizado pelo organismo, como forma de armazenagem energética (adenosina trifosfato, também denominada ATP, o “combustível” da célula).

A produção de ectoplasma pode ser normal ou não. Do grau de “normalidade” neste processo  – como descrito pelo autor – depende a intensidade da “síndrome ectoplasmática” ou mesmo a sua manifestação. Estes níveis de produção normal de ectoplasma ocorrem quando há nutrição celular adequada em termos de micro e macronutrientes, registrando-se ausência de fatores intervenientes no metabolismo da glicose para gerar o ATP. Pelo contrário, se há deficiência qualitativa e quantitativa de nutrientes para a formação do ATP (ou presença de produtos tóxicos) produzir-se-ia “um desvio para uma via ectoplasmática que levaria a uma produção anormal, podendo chegar a nível prejudicial”.

Mas como se observa a ocorrência da “síndrome ectoplasmática” no cotidiano? Ela é mais comum do que se pensa, podendo-se associá-la a determinados tipos de indivíduos segundo o local em que se deposita o ecotoplasma no corpo humano. Como veremos logo adiante, a maneira como este ectoplasma é conduzido e direcionado para determinada parte do organismo físico do homem depende da influência das denominadas “presenças do passado” e da qualidade de nossas vibrações pois a atuação destas “presenças” é influenciada sobremodo pela raiva ou emoções negativas.

Com efeito, Munari acentua que existe no homem um “(…) corpo espiritual que sobrevive à morte do corpo físico, e é nele que ficam registradas nossas vidas passadas. Como tivemos vários experiências, e nelas podemos ter apresentadas lesões físicas (Por exemplo, a enxaqueca ou um traumatismo craniano), estas ficam registradas no corpo espiritual. É o que chamamos “cicatrizes do corpo espiritual”. Justamente nestas cicatrizes concentra-se o ectoplasma, retransmitindo lesões do passado para o corpo físico ao fazer a ligação deste como “corpo espiritual”, isto é, “reativa-se a dor do traumatismo de uma existência pretérita”.

Construída por Munari, a tabela seguinte relaciona os subtipos de ectoplasma ao tipo de temperamento do homem, elemento predominante, órgão chave e níveis de densidade.

Subtipo de Ectoplasma

Tipo de Temperamento

Elemento

Órgão Chave

Densidade de Ectoplasma

Craniano

Colérico

Fogo

Coraçao

Aérea

Torácico

Sanguíneo

Ar

Rins

Líquida

Gastrintestinal

Melancólico

Água

Fígado

Muscular

Sural

Fleumático

Terra

Pulmões

Óssea

Em síntese pode-se assim definir os termos constantes do quadro:

A) Subtipos de Ecotoplasma quanto à localização

  • Craniano – expressões alérgicas no revestimento nasal e oral e na trompa de Estáquio (o canal que comunica a garganta com o ouvido medido) e no ouvido médio. Favorece fenômenos como rinites, sinusites, otires e laringite e também a alergia do conduto auditivo externo.-

  • Torácico – expressão do ectoplasma ocorre como se fosse algo que “sobe”, como uma onda que se origina na região entre o abdome e o tórax e segue ascendente para a cabeça; contudo, localiza-se em nível cardíaco, levando a uma dor opressiva, constritiva, e às vezes até com caráter “esmagante”.

  • Gastrintestinal – costuma causar impressão de abdome distendido entre outros sintomas (gases etc).

  • Sural – depósito de ectoplasma ocorre mais na região sural, que nada mais é senão que a região das panturrilhas (batatas da perna)

B) Classificação baseada na maior ou menor afinidade do ectoplasma por áreas de maior ou menor densidade orgânica

  • Aérea – sensação de falta de ar e/ou nó ou bola na garganta, dando impressão de asfixia

  • Líquida – deposita-se no líquido sinovial (líquido entre as articulações), causando dores articulares ou próximo a estas, sem sinais inflamatórios,(fibromialgia). Pode também depositar-se no sangue, acometendo órgãos mais sensíveis como o labirinto.

  • Muscular/parenquitomosa : deposição nas “batatas da perna”.

  • Óssea – mais rara, ocasionando as dores do crescimento nas crianças, ou dores de friagem nos idosos.

    C) Classificação quanto aos Tipos de Temperamentos

    – Colérico – comportamento enérgico,

    –  Sanguíneo – pessoa alegre, não se atêm a determinado fim;]

    – Melancólico – indivíduo de ar tristonho e cansado, tendendo revolver o passado (preocupado e negativista).

    – Fleumático – indivíduos “lentificados”, possuem forma facial arrendonda, ou “duplo queixo”; com olhar alegre e simpático. Apreciam o bom paladar e desfrutam com enorme satisfação da alimentação.

Do ponto de vista da interação dos sintomas da “síndrome ectoplasmática”, verifica-se que a concentração de ectoplasma em determinado órgão ou área do organismo depende da convergência de fatores como:

  1. Ingestão de alimentos com maior quantidade de ectoplasma;

  2. Tipo de alimentação que produziria maior ou menor quantidade de ectoplasma;

  3. “Leveza/peso” do ectoplasma;

  4. Sua afinidade por locais de maior ou menor densidade;

  5. Cicatrizes espirituais;

  6. Atuação de “presenças” espirituais, manipulando o ectoplasma para concentrá-lo em determinada cicatriz espiritual.

O ponto “f” é de suma importância neste elenco de fatores. O ecotoplasma pode ser compreendido como “matéria-prima” da síndrome, ao passo que as “’presenças’ são a ‘mão-de-obra’ a trabalhar para a construção do sintoma num ambiente propício – a cicatriz espiritual”. O fator desencadeante destes “males” está vinculado a um profundo desequilíbrio entre o “pensar e agir” na pessoa que é afetada por entidades deste tipo, possuindo vínculos estreitos com a idéia da mediunidade do paciente que recebe os efeitos da atuação destas “presenças” devido a seu mal uso ou desconhecimento de suas leis de atuação.

Tomando a analogia com aparelho de TV, o autor chega a advertir-nos ser preciso, portanto, evitar uma mesma “freqüência no modo de pensar e sentir e que se assemelha ao das “presenças” (que cobram do desafeto encarnado a ação errônea por ele cometida)”. Este é um caminho básico para evitar-se a contaminação pela “doença”. Mas há outros abertos a quem humildemente progrida na senda individualíssima da espiritualidade.

O mercado editorial brasileiro de esoterismo e ocultismo encontra-se muito bem servido com o livro “Ectoplasma – descobertas de um médico psiquiatra”, publicado pela Editora Conhecimento em 2008. Frutos de intensa experiência clínica do Dr. Luciano Munari, as pesquisas e hipóteses trazidas à baila na obra são estimulantes para o estudioso do oculto, embora o próprio autor abrace claramente o espiritismo kardecista como se deduz do seu “ferramental” conceitual. A feliz coincidência dos objetivos dos militantes espiritas – calcados na caridade e na assistência ao próximo – e a ambição nitidamente ocultista de conhecer a fundo os fenômenos não explicados da natureza realizaram bodas felizes nesta ocasião, sendo conveniente anunciar a “boa nova” (nem tão nova assim mas cuja qualidade só agora se percebeu) aqui neste blog.

O raciocínio do Dr. Munari desenvolve-se com peculiar elegância e sem afetação desnecessária de estilo em torno do caráter do “ectoplasma”(de “ektos”, fora e “plasma”, formação) segundo a doutrina espírita. Desfia sucintamente o histórico dos casos de materialização no mundo e no Brasil, papel cumprido pelo ecotoplasma enquanto fluído vital – por meio do qual se manifestavam “aparições”-; sua bioquímica e vinculação com doenças psicossomáticas e, como corolário, sua “fabricação” indevida no organismo – o que possibilita inorportuno manuseio por formas desencarnadas ou “presenças do passado” que desejam se vingar do indivíduo vivo como ajuste de “contas cármicas” de vidas anteriores.

Já o famoso criminologista italiano e tardio prócer do espiritismo, Cesare Lombroso, considerava o ectoplasma como um tipo de substância ou protoplasma gelatinoso, inicialmente amorfo, que saía do medium e tomava forma mais tarde. A análise de diversos autores e a experiência e as demonstrações em centenas de sessões espiritas demonstrava que esta substância saía pelos orifícios humanos e um caso tornado célebre fora analisado pelo próprio Lombroso em sua “opus magna”, “Hipnotismo e Mediunidade: o da médium italiana Eusápia Paladino. O ectoplasma era visto, enfim, como substância manipulada por espíritos, geralmente inodora, frio, húmido, por vezes vezes viscoso e semilíquido, raramente apresentando-se seco e duro e neste estado formando cordões fibrosos e nodosos de modo a dilatar-se e expandir-se como uma “teia de aranha”.

Em sua vida como profissional o Dr. Munari testemunhou que vários pacientes exibiam quadros de transtorno de somatização como “nós na garganta”, que se davam em situações de tensão emocional. Outros sintomas  recorrentes eram tonturas, angústias no peito, falta de ar súbita (com sensação de sufoco), dores articulares ou generalizadas além de sensação de peso nos ombros e nas panturrilhas e também era dores de cabeça, embaçamento visual, náuseas ou dor abdominal. Observando a caso da paciente que apelidou de “Senhora Gioconda”, o médico decidiu em certo momento abandonar sua renitente postura ortodoxa, realizando um curso de terapia passada em que, pela primeira vez, tomou contato com a ideia das chamadas “presenças do passado”, as quais poderiam manipular os ectoplasma e produzir diversos síntomas. Diz então que:

O que seria esse tal de ectoplasma? Uma substância semi material/semi-espiritual que, portanto, permeia tanto o mundo material como mundo espiritual; faz a ponte entre os dois mundos. È ele que permite a atuação dos espíritos sobre o mundo físico. Ele é a substância de que eles os espíritos se utilizam para impressionar o mundo físico e causar, por exemplo, os fenômenos de poltergeist, ou de materialização

Ao aproximar-se de conhecido médium e espírita, o Sr. Manoel Saad e ao utilizar com mais intensidade a técnica de regressão, tornou-se paulatinamente evidente para nosso autor que “uma gama enorme de sintomas físicos era decorrente da ação espiritual sobre o corpo físico. Eram os mais variados sintomas: dores nas diversas partes do corpo, falta de ar, palpitações, ou mesmo sintomas que eu associava a uma doença orgânica, como por exemplo as dores articulares da jcitada artrite reumatóide”. A mais clássica dor era aquela que afetava a região da cabeça, mas havia inúmeras outras, como já mencionamos.

Neste ponto, aliando novas teorias à constatação clínica, Munari cunha o termo “Síndrome Ectoplasmática” para dar conta deste espectro de sinais e sintomas que englobaria até mesmo a síndrome de tensão pré-menstrual. A produção de ectoplasma parecia, a princípio, ligada à ingestão de carboidratos, principalmente vinculada à alimentação artificial (refrigerantes, enlatados, alimentos benefeciados ou “refinados”, dieta carnívora etc). Ao voltar-se para a literatura de medicina ortomolecular, notou a correlação entre a deficiência de vitaminas do complexo B e a população que se alimenta de produtos artificiais ou industrializados, deduzindo que, de certa maneira, a produção excessiva de ectoplasma poderia estar associada deficiência de vitaminas desta classe, obtendo resultados palpáveis ao usar megadoses deste complexo vitamínico em pacientes. Outra constação do Dr. Munari foi de que muitos pacientes com quadro depressivo apresentavam a síndrome ectoplasmática.

Como consequência do relativo êxito na comprovação destas hipóteses, passou a tomar força para o autor a tese de que o órgão-chave do ectoplasma talvez fosse o fígado, responsável pela oxidação existente no corpo, pela síntese proteica (albumina), lipídica (e o responsável pela produção de 70% do colesterol circulante no sangue) e metabolização e desintoxicação de substâncias, como, por exemplo, os medicamentos. A água, veículo portador de fluidos etéricos que vitalizam o corpo segundo a medicina antroposófica talvez tivesse também alguma correlação com o ectoplasma, sendo notável que muitos depressivos exibissem ingestão reduzida de água. Assim, escreve Munari:

O fígado é o principal responsável pela produção de ectoplasma. Vitaminas do Complexo B e estimulantes da secreção da bile aliados a uma dieta saudável são os principais responsáveis pela produção de ectoplasma em níveis adequados e pela ausência dos sintomas típicos da “síndrome ectoplasmática”.

Evidências empurravam para se pensar no fígado. Decidi, então, baseado no pensamento de que hnum fígado preguiçoso nos portadores da síndrome ectoplasmática, utilizar medicamentos que pudessem estimular suas funções, quer fossem da antroposofia ou da halopatia. Utilizei medicamentos chamados de coleréticos e colagogos (eles estimulam a produção de bile pelo figado, assim como sua secreção pela vesícula biliar que onde fica armazenada para do duodeno), e observei uma diminuição nas queixas sintomáticas: o paciente sentia-se mais “leve”. Estavam então formadas associações entre síndrome ectoplasmática, trantorno de somatização, depressão, síndrome da tensão pré-menstrual e insuficência funcional hepática”.

O fígado assume a condição ímpar de “grande usina de fabricação” do ectoplasma. Munari explica esta “dinâmica ectoplasmática” ao longo do trajeto de produção desta misteriosa substância. Em termos simples, os alimentos provenientes de diversos reinos da natureza (mineral, vegetal ou animal) portam qualidades diferentes de ectoplasma, que passa ser aproveitado no reino “hominal” quando é “humanizado” ou transformado por algum órgão do corpo, a fim de que seja utilizado pelos espíritos como no fenômeno de poltergeist que depende de “doador” ou epicentro para ocorrer. Faz-se necessário para que algo desta magnitude se dê que esteja presente no ser humano um tipo mais “refinado” de ectoplasma do que o encontrado de forma bruta nos alimentos, ou na natureza.

Uma vez ingerido o alimento e ainda no tubo gastrintestinal, este sofrerá a ação dos sucos gástrico, pancreático e bile, sendo transformado em açúcares, lipídeos e aminoácidos. Tais nutrientes de ordem física, bem como o ectoplasma que ‘acompanha” as suas moléculas “serão conduzidos pelo sangue até o fígado pela veia porta, onde serão “desintoxicados” e “humanizados”, como se diz na medicina antroposófica, para que não sejam rejeitados pelo sistema imunológico. Do fígado é que o sangue os levará (nutrientes e ectoplasma) para o coração, para que sejam distribuídos ao restante do corpo”. Para autores como o Dr. Jorge Andréa, citado por Munari, há participação do elemento fósforo na composição do ectoplasma, tal como é utilizado pelo organismo, como forma de armazenagem energética (adenosina trifosfato, também denominada ATP, o “combustível” da célula).

A produção de ectoplasma pode ser normal ou não. Do grau de “normalidade” neste processo  – como descrito pelo autor – depende a intensidade da “síndrome ectoplasmática” ou mesmo a sua manifestação. Estes níveis de produção normal de ectoplasma ocorrem quando há nutrição celular adequada em termos de micro e macronutrientes, registrando-se ausência de fatores intervenientes no metabolismo da glicose para gerar o ATP. Pelo contrário, se há deficiência qualitativa e quantitativa de nutrientes para a formação do ATP (ou presença de produtos tóxicos) produzir-se-ia “um desvio para uma via ectoplasmática que levaria a uma produção anormal, podendo chegar a nível prejudicial”.

Mas como se observa a ocorrência da “síndrome ectoplasmática” no cotidiano? Ela é mais comum do que se pensa, podendo-se associá-la a determinados tipos de indivíduos segundo o local em que se deposita o ecotoplasma no corpo humano. Como veremos logo adiante, a maneira como este ectoplasma é conduzido e direcionado para determinada parte do organismo físico do homem depende da influência das denominadas “presenças do passado” e da qualidade de nossas vibrações pois a atuação destas “presenças” é influenciada sobremodo pela raiva ou emoções negativas.

Com efeito, Munari acentua que existe no homem um “(…) corpo espiritual que sobrevive à morte do corpo físico, e é nele que ficam registradas nossas vidas passadas. Como tivemos vários experiências, e nelas podemos ter apresentadas lesões físicas (Por exemplo, a enxaqueca ou um traumatismo craniano), estas ficam registradas no corpo espiritual. É o que chamamos “cicatrizes do corpo espiritual”. Justamente nestas cicatrizes concentra-se o ectoplasma, retransmitindo lesões do passado para o corpo físico ao fazer a ligação deste como “corpo espiritual”, isto é, “reativa-se a dor do traumatismo de uma existência pretérita”.

Construída por Munari, a tabela seguinte relaciona os subtipos de ectoplasma ao tipo de temperamento do homem, elemento predominante, órgão chave e níveis de densidade.

Subtipo de Ectoplasma

Tipo de Temperamento

Elemento

Órgão Chave

Densidade de Ectoplasma

Craniano

Colérico

Fogo

Coraçao

Aérea

Torácico

Sanguíneo

Ar

Rins

Líquida

Gastrintestinal

Melancólico

Água

Fígado

Muscular

Sural

Fleumático

Terra

Pulmões

Óssea

Em síntese pode-se assim definir os termos constantes do quadro:

A) Subtipos de Ecotoplasma quanto à localização

  • Craniano – expressões alérgicas no revestimento nasal e oral e na trompa de Estáquio (o canal que comunica a garganta com o ouvido medido) e no ouvido médio. Favorece fenômenos como rinites, sinusites, otires e laringite e também a alergia do conduto auditivo externo.-

  • Torácico – expressão do ectoplasma ocorre como se fosse algo que “sobe”, como uma onda que se origina na região entre o abdome e o tórax e segue ascendente para a cabeça; contudo, localiza-se em nível cardíaco, levando a uma dor opressiva, constritiva, e às vezes até com caráter “esmagante”.

  • Gastrintestinal – costuma causar impressão de abdome distendido entre outros sintomas (gases etc).

  • Sural – depósito de ectoplasma ocorre mais na região sural, que nada mais é senão que a região das panturrilhas (batatas da perna)

B) Classificação baseada na maior ou menor afinidade do ectoplasma por áreas de maior ou menor densidade orgânica

  • Aérea – sensação de falta de ar e/ou nó ou bola na garganta, dando impressão de asfixia

  • Líquida – deposita-se no líquido sinovial (líquido entre as articulações), causando dores articulares ou próximo a estas, sem sinais inflamatórios,(fibromialgia). Pode também depositar-se no sangue, acometendo órgãos mais sensíveis como o labirinto.

  • Muscular/parenquitomosa : deposição nas “batatas da perna”.

  • Óssea – mais rara, ocasionando as dores do crescimento nas crianças, ou dores de friagem nos idosos.

    C) Classificação quanto aos Tipos de Temperamentos

    – Colérico – comportamento enérgico,

    –  Sanguíneo – pessoa alegre, não se atêm a determinado fim;]

    – Melancólico – indivíduo de ar tristonho e cansado, tendendo revolver o passado (preocupado e negativista).

    – Fleumático – indivíduos “lentificados”, possuem forma facial arrendonda, ou “duplo queixo”; com olhar alegre e simpático. Apreciam o bom paladar e desfrutam com enorme satisfação da alimentação.

Do ponto de vista da interação dos sintomas da “síndrome ectoplasmática”, verifica-se que a concentração de ectoplasma em determinado órgão ou área do organismo depende da convergência de fatores como:

  1. Ingestão de alimentos com maior quantidade de ectoplasma;

  2. Tipo de alimentação que produziria maior ou menor quantidade de ectoplasma;

  3. “Leveza/peso” do ectoplasma;

  4. Sua afinidade por locais de maior ou menor densidade;

  5. Cicatrizes espirituais;

  6. Atuação de “presenças” espirituais, manipulando o ectoplasma para concentrá-lo em determinada cicatriz espiritual.

O ponto “f” é de suma importância neste elenco de fatores. O ecotoplasma pode ser compreendido como “matéria-prima” da síndrome, ao passo que as “’presenças’ são a ‘mão-de-obra’ a trabalhar para a construção do sintoma num ambiente propício – a cicatriz espiritual”. O fator desencadeante destes “males” está vinculado a um profundo desequilíbrio entre o “pensar e agir” na pessoa que é afetada por entidades deste tipo, possuindo vínculos estreitos com a idéia da mediunidade do paciente que recebe os efeitos da atuação destas “presenças” devido a seu mal uso ou desconhecimento de suas leis de atuação.

Tomando a analogia com aparelho de TV, o autor chega a advertir-nos ser preciso, portanto, evitar uma mesma “freqüência no modo de pensar e sentir e que se assemelha ao das “presenças” (que cobram do desafeto encarnado a ação errônea por ele cometida)”. Este é um caminho básico para evitar-se a contaminação pela “doença”. Mas há outros abertos a quem humildemente progrida na senda individualíssima da espiritualidade.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/ectoplasma-descobertas-de-um-medico-psiquiatra/

Antonin Artaud

1896 -1948

Rodrigo Emanoel Fernandes com Liege Seraphin e Maíra Silvestre

Artigo originalmente escrito para a disciplina “Interpretação II” do curso de Graduação em Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina – UEL, sob orientação da Prof. Thaís D’Abronzo.

Onde outros propõem obras eu não pretendo senão mostrar o meu espírito.

A vida é queimar perguntas.

Não concebo uma obra isolada da vida. Não amo a criação isolada. Também não concebo o espírito isolado de si mesmo. Cada uma de minhas obras, cada um dos planos de mim próprio, cada uma das florações glaciares da minha alma interior goteja sobre mim.

Reconheço-me tanto numa carta escrita para explicar o estreitamento íntimo do meu ser e a castração insensata da minha vida, como num ensaio exterior a mim próprio, que me surja como uma gestação indiferente do meu espírito.

Sofro por o espírito não estar na vida e por a vida não ser o espírito, sofro por causa do espírito-órgão, do espírito-tradução ou do espírito-intimidação das coisas para as fazer entrar no espírito.

Este livro, suspendo-o na vida, quero que seja mordido pelas coisas exteriores, e em primeiro lugar por todos os sobressaltos cortantes, todas as cintilações do meu eu por vir.

Todas estas páginas se arrastam como pedaços de gelo no espírito. Perdoe-se-me a minha liberdade absoluta. Recuso-me a estabelecer diferenças entre qualquer um dos momentos de mim mesmo. Não reconheço no espírito nenhum plano.

É preciso acabar com o espírito, tal como com a literatura. Afirmo que o espírito e a vida comunicam a todos os níveis. Gostaria de fazer um livro que perturbasse os homens, que fosse como uma porta aberta e os conduzisse onde nunca teriam consentido ir, uma porta simplesmente conectada com a realidade.

E isso é tão pouco um prefácio a um livro, quanto, por exemplo, os poemas que o balizam ou a enumeração de todas as raivas do mal-estar.

Isto não é senão um pedaço de gelo mal digerido.

(Artaud: O Umbigo dos Limbos, in: O Pesa-Nervos; 1991, pg.13-14)

1. DOR… TEATRO… SOLIDÃO…

Antonin Maria Joseph Artaud (um nome completo raramente mencionado e surpreendentemente sugestivo), nasceu em 4 de setembro de 1896 na cidade de Marselha. Primogênito de uma família de nove irmãos, dos quais apenas três chegaram a idade adulta, em 1901 é acometido de uma grave meningite, da qual não se salvará sem seqüelas. Apenas o início de uma vida de constantes sofrimentos físicos e psíquicos originados de distúrbios no sistema nervoso central. Esse sofrimento, que Artaud nunca desistiu de tentar descrever das mais variadas formas, é de fundamental importância para a compreensão de seu teatro e suas idéias. Constantemente afligido por dores e uma sensação de opressão na cabeça, ombros e pescoço, Artaud afirmava ter sérias dificuldades em ordenar seus pensamentos e dar-lhes uma forma exterior.

A horrível compressão da cabeça e do alto da coluna vertebral, o peito opresso, as visões de sangue e de morte, os torpores, as fraquezas sem nome, o horror geral em que me encontro mergulhado com um espírito no fundo intacto, tornam inútil esse espírito.

(Artaud citado por Virmaux: Artaud e o Teatro;1978, pg10)

Esse “espírito intacto” era o que lhe garantia a lucidez necessária para a criação e para a capacidade de expor seu mal sem, entretanto, conseguir alivia-lo. Com o passar dos anos, Artaud torna-se obcecado com a idéia de que sua agonia (que não deixou de ser um estímulo cruel à sua necessidade imperativa de expressão que acabaria por leva-lo à arte e ao teatro) tinha uma origem metafísica:

Eu não tenho vida!!! Minha efervescência interna está morta! (…) Asseguro-te que não há nada em mim, nada naquilo que constitui a minha pessoa, que não seja produzido pela existência de um mal anterior a mim mesmo, anterior à minha vontade, nada em nenhuma das minhas mais hediondas reações, que não venha unicamente da doença e não lhe seja, em qualquer dos casos, imputável.

(Artaud citado em: Artaud e o Teatro;1978, pg.11)

Essa deterioração corporal e psíquica tornava extremamente difícil seu convívio social e a criação de elos verdadeiros com seus semelhantes. Artaud usa o teatro e sua capacidade única de expressão física, intelectual e – como não cansa de reiterar – metafísica, como seu meio privilegiado de comunicação, de grito. Sua prática teatral é permanentemente voltada para a idéia de uma “cura cruel”, para si mesmo e para a raça humana. Seu “corpo sem órgãos”, seu corpo novo, reconstruído, imortal, finalmente senhor de seu próprio destino e de sua própria anatomia.

Os primeiros passos no teatro dão-se a partir de 1920, quando muda-se para Paris, depois de passar por constantes internamentos em sanatórios, particularmente para desintoxicações, necessárias para manter em níveis aceitáveis a dependência do ópio, adquirida por ocasião dos primeiros tratamentos.

Preciso encontrar uma certa quantidade cotidiana de ópio. (…) pois tenho o corpo ferido nos nervos das medulas e isto é irremediável, incurável, absolutamente irremissível, não existe operação cirurgical que possa restituir ao organismo os nervos que ele perdeu.

(Artaud citado em: O Artesão do Corpo Sem Órgãos; 1999, pg.79)

Apesar de seu estado de quase miséria, sobrevivendo muitas vezes graças à cortesia de amigos que lhe ofereciam abrigo e comida, Artaud mantém uma atividade intelectual e profissional frenética, atuando em diversos espetáculos, publicando artigos e poesias e obtendo uma posição de destaque no movimento surrealista (que, posteriormente, criticaria por seu posicionamento político, de forma lúcida, porém cortante). O período de 1920 até 1932 viu o nome da Artaud crescer como uma figura ímpar e polêmica do teatro e da poesia francesas. Trabalhou em todas as frentes da atividade teatral: ator, encenador, cenógrafo, iluminador, escritor, sonoplasta e produtor, participando de inúmeras companhias sem pertencer realmente a nenhuma, exceto – em termos – o conhecido experimento do “Teatro Alfred Jarry”, cujos frutos foram quatro espetáculos e oito representações, entre 1926 e 1930. Além disso, não lhe faltaram oportunidades para trabalhar no cinema, em filmes notórios e raros como “A Paixão de Joana d’Arc”, de Dreyer (1928) e “Napoleão”, de Gance (1925-1927), interpretando Marat. Sem contar o desenvolvimento de roteiros de sua própria autoria, como “A Concha e o Clérigo”, mas suas relações com cinema serão sempre tumultuadas e frustrantes.

Em meros doze anos, Artaud notabilizou-se como um artista enérgico ao defender suas idéias. Suas críticas ao teatro de cunho psicológico, centrado no texto, deixando a encenação em último plano, eram correntemente reiteradas em seus artigos e manifestos, publicados nos periódicos artísticos da época.

(…) apresso-me em dize-lo desde já, um teatro que submete ao texto a encenação e a realização, isto é, tudo o que é especificamente teatral, é um teatro de idiota, louco, invertido, gramático, merceeiro, antipoeta e positivista (…)

(Artaud: O Teatro e Seu Duplo; 1993, pg.35)

Evidentemente, idéias defendidas de forma tão apaixonada e agressiva raramente passavam despercebidas, mesmo quando rechaçadas por críticos tão veementes quanto antiquados. Apesar das polêmicas, Artaud era um artista respeitado, muito embora esse reconhecimento não tornasse as coisas mais fáceis para um homem eminentemente solitário, morando em quartos alugados e tendo pouquíssimos amigos e, muito menos, amores (seu relacionamento com a atriz Génica Athanasiou teria sido sua paixão mais intensa e, em muitos aspectos, a mais frustrante).

Evocando o comportamento quotidiano de Artaud durante a época de sua participação no grupo surrealista, André Masson enfatizou “seu lado dandy, seu lado não gregário que o fazia chegar após os outros, partir antes de todo mundo, sempre só” (…). É também o testemunho de Anaïs Nin: “Irritável. Gagueja em alguns momentos. Sempre sentado em algum canto isolado, ele se afunda em uma poltrona como em uma caverna, como se estivesse na defensiva”(…)

(Virmaux: Artaud e o Teatro; 1978, pg. 161)

Esses fatores contribuíram para que, até o fim de sua vida, as cartas fossem uma de suas formas favoritas de expressão e onde sutilezas de sua obra podem ganhar aspectos esclarecedores.

2. CRUELDADE… ORIENTE… PESTE… TEATRO… E SEUS DUPLOS…

Mas foi a partir de 1931 que a crescente carreira de Antonin Artaud começou a tomar o rumo que o tornaria uma figura única na História do Teatro. Durante a Exposição Colonial, em Paris, assiste a uma apresentação de um grupo teatral de Bali. Esse contato com o Teatro Oriental marcará profundamente seu pensamento, quase como uma revelação. Nas evoluções dos “atores/bailarinos”, nos gestos perfeitamente codificados e nas temáticas de caráter metafísico e arquetípico, Artaud encontra os elos que faltam na formulação de suas próprias idéias sobre o Teatro e seu papel na Arte. Para Artaud, um teatro eficaz é aquele capaz de refazer a vida, o que não seria possível sem refazer profundamente a cultura no Ocidente. Toda a sua obra é guiada pelo desejo incessante de reencontrar um ponto de utilização mágica das coisas, recusando uma consciência estética fundada em simulacros e aparências face à realidade empírica das coisas. Ele coloca a questão da linguagem e da manipulação de signos em termos de forças mágicas e da relação mantida, através deles, com o cosmos e com o divino. Para Artaud, o Ocidente europeu é doente pois perdeu sua ligação com o divino, com a consciência cósmica.

Entre 1932 e 1935 publica em diversas revistas os textos que seriam futuramente organizados na forma do livro “O Teatro e Seu Duplo”, editado em 1938. Neles Artaud desenvolve seu projeto maior de refazer o Teatro Ocidental, apontando de maneira contundente os seus vícios, camisas de força e denunciando o abandono dos espetáculos por um público ansioso por emoções verdadeiras que não mais consegue encontrar num teatro que não representa verdadeiramente sua época.

O teatro de Bali revelou-nos uma noção de teatro física, não verbal, na qual o teatro está contido nos limites de tudo o que pode acontecer num palco, independentemente do texto escrito, enquanto que, tal como nós o concebemos no Ocidente, o teatro se aliou ao texto e por ele se encontra limitado. Para o teatro ocidental a Palavra é tudo e não há, sem ela, possibilidade de expressão; o teatro é um dos ramos da literatura, uma espécie sonora da linguagem e mesmo que admitamos uma diferença entre o texto falado no palco e o texto lido pelos olhos, se restringirmos o teatro ao que acontece entre as deixas, não conseguimos, mesmo assim aparta-lo da noção de um texto representado.

(Artaud: O Teatro e Seu Duplo; 1999, pg. 75)

Diante dessa “ditadura do texto”, Artaud responde com uma proposta ampla de reestruturação da linguagem teatral, devolvendo ao teatro os elementos que considera “naturais” (no sentido de “primordiais”) na encenação e que foram, pouco a pouco, abandonados por um ocidente por demais atado às limitações do racionalismo.

Para mim, a questão que se impõe é de se permitir ao teatro reencontrar sua verdadeira linguagem, linguagem espacial, linguagem de gestos, de atitudes, de expressões e de mímicas, linguagem de gritos e onomatopéias, linguagem sonora, mas que terá a mesma importância intelectual e significação sensível que a linguagem das palavras. As palavras serão apenas empregadas em momentos determinados e discursivos da vida como uma luz mais preciosa e objetiva aparecendo na extremidade de uma idéia”

(Artaud:Linguagem e Vida; 2004, pg. 80)

Refazer a linguagem teatral para trazer o teatro de volta as suas origens ritualísticas. Nada de espetáculos de entretenimento, nada de psicologismos e narrativas sobre indivíduos. Artaud concebe um teatro para além do imediatismo político, social, psicológico ou moral, um teatro que expresse questões metafísicas (termo constantemente empregado em “O Teatro e Seu Duplo”).

Enquanto a alquimia, através de seus símbolos, é como um duplo espiritual de uma operação que só tem eficácia no plano da matéria real, também o teatro deve ser considerado como o duplo não dessa realidade cotidiana e direta da qual ele aos poucos se reduziu a ser apenas uma cópia inerte, tão inútil quanto edulcorada, mas de uma outra realidade perigosa e típica, onde os Princípios, como os golfinhos, assim que mostram a cabeça apressam-se a voltar à escuridão das águas.

(Artaud: O Teatro e Seu Duplo; 1999, pg 49)

No “Manifesto do Teatro da Crueldade”, Artaud propõe a sua visão à comunidade teatral. De forma compacta e desconcertantemente direta, oferece os enunciados básicos de uma prática teatral que sempre se apressou a considerar “mais fácil de fazer do que de dizer”. Um teatro que utilizaria de uma linguagem de imagens e signos para oferecer uma “cura cruel” ao público, numa experiência mágica coletiva, na qual cada elemento da encenação – voz, corpo, iluminação, som, figurino, cor – seria meticulosamente planejado para levar o espectador a um estado de transe, uma transformação. Artaud concebe um espetáculo circular, através de um palco giratório, onde os espectadores ficam no centro e toda ação se dá ao redor, não havendo espaços vazios, integrando o espectador à própria encenação. Temas de caráter universal, uso de textos clássicos (como tragédias) como uma simples base para uma total re-criação em cena, personagens ampliadas à dimensão de deuses, de heróis, monstros, presença no palco de manequins gigantes, máscaras e objetos desproporcionais representando os duplos de ações, eventos e personagens acentuando o caráter metafísico da encenação, um jogo cuidadosamente planejado aonde nada pode ser deixado ao acaso, sob pena de sacrificar os efeitos mágicos específicos que o espetáculo deve provocar. Artaud, portanto, defende veementemente o domínio do encenador para orquestrar cada pequeno aspecto de uma montagem, numa época em que aquilo que se refere como parte da encenação, em contrapartida ao texto, costumava ser alvo de desprezo pela comunidade teatral. Para além dos temas e objetivos, o teatro de Artaud é um teatro que começa e se realiza no palco, com uma linguagem que se dá exclusivamente no palco, sendo o encenador (e não o autor de um texto pré-escrito) o responsável pela “escrita” dessa linguagem.

Nesse contexto, o ator é um elemento essencial mas passivo, já que sua iniciativa pessoal deve estar submetida às exigências da encenação.

O ator é, ao mesmo tempo um elemento de primeira importância, pois é da eficácia de sua interpretação que depende o sucesso do espetáculo, e uma espécie de elemento passivo e neutro, pois toda iniciativa pessoal lhe é rigorosamente recusada. Este é, aliás, um domínio em que não há regras precisas; e, entre o ator a quem se pede uma simples qualidade de soluço e aquele que deve pronunciar um discurso com suas qualidades de persuasão pessoais, há toda a distância que separa um homem de um instrumento.

(Artaud: O Teatro e Seu Duplo; 1995, pg. 95)

Nos capítulos “Um atletismo afetivo” e “O Teatro de Seraphin”, Artaud procura esboçar as técnicas e qualidades que o ator do Teatro da Crueldade deve buscar. No ator existe uma musculatura de atleta físico e uma outra musculatura que corresponde a localizações físicas dos sentimentos. Essa musculatura afetiva funciona como um duplo da outra, embora não atue no mesmo plano, e deve ser exercitada através da respiração. Para cada alteração dos sentimentos, existe uma respiração apropriada.

O ator, ao mostrar um sentimento, um estado de espírito, fisicamente pode parecer estar delirando, mas na verdade está consciente de tudo o que está fazendo, mantendo o controle através da respiração. O uso da memória emotiva ocorre apenas num primeiro momento, guardando as imagem das reações físicas e da respiração provocadas no corpo para usa-las num segundo, num terceiro, e em vários momentos, constituindo um repertório para o ator. Os sentimentos não devem ser interpretados como abstrações, mas como elementos “materiais”, palpáveis, sob as quais ele pode ter um domínio. “Através da respiração o ator pode representar um sentimento que ele não tem”, ou seja, ele pode chegar num sentimento através da respiração, e a respiração pode nascer de um sentimento.

Saber que a paixão é matéria, que ela está sujeita às flutuações plásticas da matéria (…) Alcançar as paixões através de suas forças ao invés de considerá-las como puras abstrações, confere ao ator um domínio que o iguala a um verdadeiro curandeiro. Saber que existe uma saída corporal para a alma permite alcançar essa alma num sentido inverso e reencontrar o seu ser através de uma espécie de analogia matemática.

(Artaud: O Teatro e Seu Duplo; 1995, pg. 131)

Saber reconhecer o tempo do sentimento é saber reconhecer o tempo da respiração, e essa respiração pode ser dividida em três tempos, que Artaud denominou NEUTRO, MASCULINO e FEMININO.

A respiração FEMININA é uma respiração mais prolongada, interiorizada, baseada no diafragma, que se localiza na região do plexo solar, tendo várias características que essa região contém, como abandono, angústia, apelo, invocação, súplica. A respiração MASCULINA ou melhor, de tempo masculino, é uma respiração mais pesada, rápida, torácica, focada na localização dos rins, que é fisicamente, onde o homem joga a força multiplicada de seus braços. As características que correspondem aos rins, no físico afetivo são: culpa, depressão, humor, impaciência, indecisão, isolamento, obsessão, paranóia, solidão, vitimização e heroísmo.

Esse treinamento baseado na respiração, que Artaud formulou tanto a partir de suas experimentações pessoais quanto de seus estudos da cabala, alquimia e disciplinas orientais, foi constantemente praticado por Artaud até o fim de sua vida e através dele o ator seria capaz de reconstruir não apenas sua arte mas sua própria constituição física e espiritual, tornando possível as visões de Artaud para seu Teatro.

Como Craig, Artaud baseia a sua teoria do ator no princípio da despersonalização. Não só o personagem, no sentido tradicional da palavra, é expulso desse teatro, mas também a personalidade do ator é ocultada pelo tipo de intervenção (não se ousa mais falar em desempenho) que ele exige. Em última instância, o ator artaudiano não é mais um indivíduo de carne e emoções, mas suporte e veículo de um complexo sistema semiótico articulado em torno de uma convenção hieroglífica – a expressão é freqüentemente repetida nos escritos de Artaud – do figurino, do gesto, da voz, etc.

(Roubine: A Linguagem da Encenação Teatral;1998, pg189)

Paralelamente à escrita e organização desses textos, Artaud dedica-se de maneira apaixonada a pôr em prática seu projeto, mas esbarra constantemente nas crescentes dificuldades. Primeiramente as de cunho filológico, os mal-entendidos e acusações a respeito do uso do termo “crueldade”, que Artaud responde de maneira clara na primeira das “Cartas sobre a Crueldade” em “O Teatro e Seu Duplo”. Mas o pior e mais incisivo são as dificuldades técnicas e financeiras de uma proposta teatral de tamanha complexidade. Desde as montagens do Teatro Alfred Jarry até as tentativas frustradas de tirar do papel sua encenação de “A Conquista do México”, mencionada no “Segundo Manifesto do Teatro da Crueldade”, suas tentativas de convencer o público (e, particularmente, os investidores) eram constantemente mal-entendidas embora representassem experimentos “performáticos” notáveis numa visão retroativa, particularmente a conferência que resultaria no texto de “O Teatro e a Peste” que foi relatada por Anaïs Nin, em seus diários:

De forma quase imperceptível Artaud largava o fio que seguíamos e começava a interpretar o papel de um homem a morrer de peste. Ninguém viu em que momento começou a faze-lo. Para ilustrar a conferência, representava uma agonia. (…) Tinha o rosto em convulsões e os cabelos ensopados de suor. (…) Estava em plena tortura. Berrava. Delirava. Representava a sua própria morte, a sua própria crucificação. As pessoas começaram a ficar com a respiração cortada. Depois desataram a rir. Toda a gente ria! Assobiava. Por fim as pessoas foram saindo uma a uma em meio a um grande ruído, a falar alto, a protestar. Ao saírem batiam com a porta. (…) Mais protestos. E vaias também. Mas Artaud continuava até o último suspiro. E lá ficou, no chão.

(Nin citada por Virmaux em sua introdução para: História Vivida de Artaud-Momo; 1995, pg.17)

Tudo isso para fazer a platéia compreender – fisicamente, portanto efetivamente – o que linhas como essas pretendem expressar:

Tal como a peste, o teatro é uma crise, que tem o desenlace na morte ou na cura. E a peste é um mal superior porque é crise completa e depois da qual não resta mais nada do que a morte ou uma extrema purificação. De igual forma, o teatro é um mal porque equilíbrio supremo só alcançável com destruição. Convida o espírito a um delírio que lhe exalta as energias; e, para terminar, podemos ver que a ação do teatro, como a da peste, sob o ponto de vista humano é benéfica porque levando os homens a verem-se como são faz cair a máscara, põe a mentira à mostra, e a baixeza, a hipocrisia; sacode a inércia asfixiante da matéria que tudo ganha até às mais claras certezas dos sentidos; e revelando às coletividades o seu poder sombrio, a sua força oculta, convida-as a assumir perante o destino uma atitude heróica e superior que, sem isso, nunca teriam tido.

(Artaud: O Teatro e Seu Duplo; 1999, pg 28-29)

O ápice dessas tentativas de materialização do “Teatro da Crueldade” foi a montagem de “Os Cenci” (1935), projeto ambicioso de uma tragédia na qual os preceitos da visão artaudiana de um teatro que constituísse uma “cura cruel” revelou-se uma grande decepção, para o público, para os envolvidos e, acima de tudo, para o próprio Artaud, que viu-se incapaz de enfrentar os inúmeros percalços financeiros, materiais e humanos que se interpuseram à realização de seus ideais numa montagem real.

3. PEYOTE… MAGIA… ELETRICIDADE… TEATRO… JULGAMENTO DE DEUS…

Essa frustração acabou servindo de combustível para a concretização de um antigo sonho: uma viagem ao México em busca de contato com o culto do Peyote com os índios Tarahumaras, que resultaria na publicação do apaixonado livro “Viagem ao País do Tarahumaras”, editado em 1945. Artaud desde cedo dedicara-se ao estudo de disciplinas esotéricas, cabala, alquimia, magia (estudos que sempre apareceram de maneira clara e sem disfarces nas suas atividades teatrais, sendo largamente citados em “O Teatro e Seu Duplo”) e sua estadia entre os Tarahumaras foi quase uma conseqüência natural desse pensamento, bem como uma tentativa violenta de encontrar respostas para seus tormentos existenciais indizivelmente vivenciados no plano físico.

E foi no México, no alto da montanha, entre Agosto e Setembro de 1936, que eu comecei a me encontrar completamente…Eu procurava o peyote não como um curioso mas, ao contrário, como um desesperado…, contrariamente ao que se podia pensar, eu nunca busquei o supra-normal. Ora, eu não ia ao peyote para entrar, mas para sair… sair de um mundo falso. Vivemos num odioso atavismo fisiológico que faz com que mesmo no nosso corpo, e sozinhos, nós não somos mais livres, pois, cem pai-mãe pensaram e viveram por nós, antes de nós, o que poderíamos em um dado momento, na idade da razão, encontrar por nós mesmos, a religião, o batismo, os sacramentos, os rituais, a educação, o ensino, a medicina, a ciência se apressam em nos tirar. Eu ia, pois, ao peiote para me lavar.

(Artaud citado em: O Artesão do Corpo Sem Órgãos; 1999, pg.96-97)

Recebido com simpatia pelos escritores mexicanos, Artaud faz conferências em universidades e, após vários percalços consegue participar das cerimônias sagradas com os índios. A experiência leva-o a um processo que os místicos chamariam de transfiguração, uma iniciação nos mistérios sagrados, um retorno a um vazio primordial do qual ele retorna permanentemente transformado.

Enquanto isso, na França, amigos dão prosseguimento à editoração de “O Teatro e Seu Duplo”, livro que, mesmo em meio às suas viagens místicas, Artaud nunca relega ao abandono, tendo oportunidade, inclusive, de corrigir os originais quando de seu retorno à Paris. A obra, uma vez publicada, torna-se uma referência importante para os realizadores de teatro, para o bem ou para o mal, alimentando de maneira incontrolável o chamado “mito-artaud” que começara a crescer desde o momento em que partiu da França até muito além de sua morte. Artaud, o “homem-teatro”, Artaud, o bruxo, Artaud, o louco, Artaud que ganhou uma espada mágica de um feiticeiro em Cuba, Artaud que vagou entre os índios e viu a face de Deus, Artaud, o profeta da fecalidade, Artaud que empunhou o cajado mágico de São Patrick, patrono dos irlandeses, na cidade de Dublin.

Anaïs Nin fala, no seu Diário, de uma visão que Artaud teve, nessa época, em Paris,no restaurante Dôme: “Ele levanta, vociferando, brandindo sua bengala mágica mexicana, como um bruxo”.

(Lins: O Artesão do Corpo Sem Órgãos; 1999, pg.98)

Entre o mito e a realidade, sabe-se que Artaud retornou à França, uma figura ainda mais excêntrica e imprevisível do que era então. Suas dores físicas e o consumo de ópio continuam a crescer, obrigando-o a submeter-se a desintoxicações sempre que tem condições de pagar. Seu interesse em astrologia e tarô acentua-se, chegando a fazer consultas para figuras ilustres da intelectualidade parisiense. Em 1937, Artaud parte para a Irlanda “guiado” pelo cajado de São Patrick, afim de devolvê-lo ao seu lugar de origem e de encontrar traços da cultura celta. Vivendo em condições precárias, em um país onde ele mal domina o idioma, Artaud vive pregando nas ruas com seu bastão, em condições de quase indigência.

Passeava eu tranqüilamente ao pé do jardim público de Dublin, quando um polícia provocador à civil me agrediu de repente e esmagou a coluna vertebral e a dividiu em duas com uma terrível pancada de barra de ferro.

Cambaleei mas não caí.

Houve qualquer coisa que deve ter parecido um milagre porque ainda agora pode ver-se em mim a fractura, mas nem sequer caí no chão, e os dois pedaços soltos voltaram instantaneamente a ficar colados.

Voltei-me para trás, com uma bengalada deitei o polícia provocador ao chão e a batalha ficou acesa. Apareceram polícias fardados que tomaram o meu partido contra os polícias à civil e às ordens do Intelligence Service.

(Artaud: História Vivida de Artaud-Momo; 1995, pg.50-51)

Acusado de ser um agitador e vadio, é preso e extraditado para a França. Um incidente ocorrido durante a viagem de barco faz com que seja internado como louco em estabelecimentos psiquiátricos. Do sofrimento pelo isolamento, brutalidades e privações da vida em um manicômio, adicionou-se com a Ocupação alemã em maio de 1940, as carências alimentares. Assim, em Ville-Évrard, além de sua dignidade e de sua liberdade, Artaud começou a ser privado de seu corpo. Subnutrido, ele se torna um esqueleto vivo, uma sombra dolorosa que tenta manter a vida.

Passei nove anos num asilo de alienados.

Fizeram-me ali uma medicina que nunca deixou de me revoltar.

Essa medicina chama-se eletro-choque, consiste em meter o paciente num banho de eletricidade, fulmina-lo

e pô-lo bem esfolado a nu

e expor-lhe o corpo tão externo como interno à passagem de uma corrente

que vem do lugar onde se não está nem deveria estar para lá estar.

O eletro-choque é uma corrente que eles arranjam sei lá como,

Que deixa o corpo, o corpo sonâmbulo interno, estacionário

para ficar sob a alçada da lei

arbitrária do ser,

em estado de morte

por paragem do coração.

(Artaud: Eu, Antonin Artaud; 1988, pg.76)

Artaud passou por diversos asilos até ser transferido para Rodez, em 1943 de onde só foi libertado três anos depois. Durante esse período escreveu as célebres “Cartas de Rodez”, na maioria endereçadas ao seu médico e diretor do asilo, Dr. Gaston Ferdière.

No Hospital Psiquiátrico de Rodez, quando esteve internado por três anos, depois de passar por vários manicômios franceses, Artaud escreve cartas a seu médico, dr. Ferdière. Aprisionado e maltratado por eletrochoques que prejudicaram sua memória, seu corpo e seu pensamento, “as cartas escritas de Rodez são, para Artaud, um recurso para não perder a lucidez. São o diálogo de um desesperado com seu médico e, através dele, com toda sociedade”.

(Programa da peça “Cartas de Rodez”, dirigida por Ana Teixeira, com atuação de Stephane Brodt. Prêmio Shell, direção e ator, e Mambembe, melhor espetáculo 98.)

Até sua chegada em Rodez o paradeiro de Artaud era desconhecido na França. Sua mãe visitou a maioria dos sanatórios do país em busca do filho desaparecido, os amigos escreveram cartas às autoridades buscando notícias. A guerra assolava a Europa e Antonin Artaud (cujo “Teatro da Crueldade” espalhava-se pelas ruínas, quartéis e campos de concentração) jazia isolado entre loucos e tratamentos desumanos que mais torturavam do que curavam. Até mesmo o psiquiatra Jacques Lacan estudou o “caso Artaud” e seu veredicto não poderia ser mais catedrático: “Viverá até oitenta anos, não escreverá mais uma linha”. Futuramente, o autor de “Para Acabar de Vez com o Juízo de Deus” fez cair por terra as previsões lacanianas.

Apesar das condições em Rodez serem um tanto quanto mais toleráveis (principalmente por Ferdière ser um admirador da obra de seu paciente e procurar encoraja-lo a produzir – embora isso não o tenha impedido de também aplicar-lhe sessões de eletrochoque), foi com horror que os amigos reencontraram um Artaud completamente distinto da figura insolente e carismática de outrora.

Marthe e eu decidimos ir visitar Antonin Artaud, esquecido por todos, isolado no hospício de Rodez desde o começo da guerra. Encontramos Artaud muito fraco, aterrado. A certa altura caem à nossa frente alguns livros que pertencem ao Dr. Ferdière (…), Artaud quer apanhar os livros mas não consegue, todo seu corpo treme, temos que ajuda-lo. Conta-nos seu cotidiano em Rodez, acusa o Dr. Ferdière de o aterrorizar: – “Se não se porta bem, Sr. Artaud, temos de voltar a dar-lhe eletrochoques”. No trem de regresso Marthe chora e juramos tirar Artaud de Rodez.

(Arthur Adamov citado por Lins: O Artesão do Corpo Sem Órgãos; 1999, pg. 108)

Finalmente, em 28 de maio de 1946, Artaud foi libertado e retornou a Paris onde procurou dar continuidade aos escritos e práticas já iniciados em Rodez. Seu projeto de um “Teatro da Cura Cruel”, evolução natural de seu “Teatro da Crueldade” crescia e assumia novas formas em meio à uma prática vocal intensa e quotidiana, na qual Artaud exercitava sua respiração e seu corpo, praticando cantos e giros conjuratórios (que também lhe serviam como proteção contra as “bruxarias” de que sentia-se vítima). A energia que ele produzia, as forças que emanavam de seu corpo enfraquecido, as incríveis variações de altura que obtinha de sua voz, a intensidade e a duração dos gritos aconteciam como um fenômeno de operação mágica. Uma prática teatral que dispensava tanto o palco quanto os recursos técnicos que Artaud sempre quis utilizar de maneira plena e constituir como parte de uma legítima linguagem para o Teatro, mas cujo controle escapou de suas mãos nos tempos do Teatro Alfred Jarry e “Os Cenci”. Cantos, gritos, gestos que pareciam absolutamente insanos para os médicos dos hospitais psiquiátricos, ignorantes das teorias que o próprio Artaud já tentara esboçar nos anos 30 nos textos “Um Atletismo Afetivo” e “O Teatro de Seraphin”, avidamente lidos por uma classe teatral que, pouco a pouco, transformava “O Teatro e Seu Duplo” em objeto de culto enquanto seu autor permanecia isolado do mundo. Não foram poucas as ocasiões em que essas práticas serviram de justificativa para as alegações de insanidade de médicos, autoridades e mesmo de leigos, fato que enfurecia Artaud, mas que, após sua libertação, levou-o a assumir tal “carapuça”. De fato, Artaud não deixou de divertir-se fazendo-se de louco e usando do choque e do horror (que ele sempre apreciou utilizar para tirar seu público da apatia, sendo num palco, num restaurante ou na rua) para dizer as verdades que acreditava.

Afirmaria que o próprio corpo do Homem, “desconectado” de suas origens, é o resultado de uma manipulação perpétua e perversa de forças malignas que oprimem a espécie humana (tais forças podem ser entendidas de várias maneiras, podem ser interpretadas como políticas, sociais, culturais, morais, enfim, mas fica claro em seus escritos que Artaud as entendia de maneira mais absoluta e cósmica, num sentido metafísico), em conseqüência a anatomia humana, ao deixar de corresponder à sua natureza, deve ser refeita. No fim de sua vida, Artaud amplia suas concepções do “Teatro da Crueldade” para um grandioso projeto ético-político de insurreição física: trata-se de transformar não apenas o Teatro, mas o Homem. A revolução não é apenas social ou cultural, mas física. O ator (e o Homem) torna-se senhor de seu destino, capaz de refazer sua própria anatomia, juntamente com seu espírito, erigir o “corpo sem órgãos”, invulnerável aos miasmas e “feitiços” do mundo contra a essência individual do ator. Decomposição e recomposição do corpo, desarticulação dos automatismos que condicionam e bloqueiam o indivíduo e o impedem de agir realmente, de modo consciente e voluntário, em cena ou na vida.

A necessidade de afirmar seu pensamento foi o combustível que moveu Artaud nesses últimos anos. Por sua própria natureza, esse pensamento não pode ser expresso meramente com palavras, verdade que Artaud sempre repetiu desde a juventude ao denunciar a limitação do texto como centro da encenação e do discurso. Suas pesquisas de linguagem ganham um ímpeto novo, a busca de uma expressão vocal primitiva, anterior à linguagem articulada, sons que remetem a sentimentos, idéias e forças metafísicas. São inúmeros os exemplos registrados dessa pré-linguagem:

ratara ratara ratara

atara tatara rana

otara otara katara

otara retara kana

ortura ortura konara

kokona kokona koma

kurbura kurbura kurbura

kurbata kurbata keyna

pesti anti pestantum putara

pest anti pestantum putra

São poemas que vão além da significação, apelando para a força dos sons e vocábulos por si mesmos, constituindo verdadeiros “encantamentos” que Artaud utilizava de maneira mística e causava um efeito profundo nas testemunhas. Durante a gravação de sua novela radiofônica “Para Acabar de Vez com o Juízo de Deus”, em 1948, Artaud deu grandes mostras de seu “humor louco”, um humor que provocava medo. Maria Casarès, testemunha da gravação, deixou o seguinte depoimento:

Artaud começou a gritar. Começou a falar como “um cachorro” ou como um “galo” e Roger Blin respondia-lhe, imperturbavelmente, na mesma linguagem. Tudo isso deveria fazer rir a platéia. Ora, nem mesmo um só técnico ria. Estavam paralisados. Num canto da sala, uma mulher chorava.

(Casarès citada por Lins: O Artesão do Corpo sem Órgãos; 1999, pg.120)

A emissão da novela radiofônica foi proibida pela censura pouco antes de ir ao ar. Mais um dos inúmeros fracassos das tentativas de Artaud de tornar real o seu pensamento e seu Teatro. Mas, como Alain Virmaux continuamente repete em seu livro “Artaud e o Teatro”, o fracasso, em Artaud, é tão revelador quanto o sucesso poderia ser. Mesmo interditada, a novela constitui um elemento importantíssimo no “mito-Artaud”, tanto quanto foi “Os Cenci” ao ser visto retroativamente e guardando as limitações impostas pelas circunstâncias. Depois dos internamentos, Artaud tornou-se uma quase vedete da intelectualidade francesa. Mostras foram realizadas em sua homenagem, o “Teatro e Seu Duplo” era reeditado e ganhava cada vez mais atenção, nunca antes Artaud foi tão ouvido, embora o estado doentio em que se encontrava tenha causado o afastamento de velhos amigos que não suportavam lidar com sua presença e o efeito que provocava. Ainda assim, como a solidão já era parte integrante de sua existência desde jovem, Artaud trabalhava freneticamente, escrevendo, compondo, ciente de que a morte rondava, aos 50 anos de idade, com um estado de saúde cada vez mais precário. “Para Acabar de Vez com o Juízo de Deus” foi seu projeto concreto mais ambicioso no período. Na gravação é possível identificar, de maneira subjetiva e indistinta (como não poderia deixar de ser) o essencial de seu pensamento: o trabalho do ator, a visão do encenador, o feiticeiro, o peregrino regresso das terras do tarahumaras. No “Rito do Sol Negro”, na “Procura da Fecalidade”, Artaud expressa seu ideal de reconstrução do homem e do corpo.

Onde cheirar a merda

cheira a ser.

O homem poderia muito bem deixar de cagar,

deixar de abrir a bolsa anal,

mas preferiu cagar

como poderia ter preferido viver

em vez de consentir em viver morto.

É que para não fazer cocô

teria que aceder

a não ser,

mas ele é que não foi capaz de se resolver a perder o ser,

isto é a morrer vivo.

(Artaud: Para Acabar de Vez com o Juízo de Deus; 1975, pg 29)

Idéias indigestas, expressas de modo ainda mais indigesto, que Artaud já havia desistido de, tentar explicar verbalmente desde a histórica conferência no Vieux-Colombier, um ano antes, quando um recém libertado Antonin Artaud surgiu diante de um público parisiense de artistas, intelectuais e curiosos (entre os quais, Sartre, Picasso, Camus, além dos amigos Blin, Adamov e Gide) num evento preparado para reintroduzi-lo no universo das letras francesas. O texto dessa conferência sobreviveu e foi editado como “A História Vivida de Artaud-Momo”, narrando desde as experiências com o peyote até a violência dos tratamentos nos sanatórios e suas idéias metafísicas. Mas Artaud jamais terminou a conferência, abandonando-a quando os papéis caíram de suas mãos e ele não quis (ou não pôde) reorganiza-los, partindo para um aparente improviso recheado de silêncios, ofensas, gritos e feitiços. O que ocorreu nessa conferência é assunto controverso. Fala-se tanto de um fracasso deprimente quanto de um êxito soberbo. Virmaux (que assina o texto introdutório de “A História Vivida de Artaud-Momo”) defende que foi no Vieux-Colombier que Artaud, pela primeira e única vez, encenou o “Teatro da Crueldade”, vivido por um único homem, o personagem Antonin Artaud, e todas as testemunhas concordam que, entre vaias e ovações, ninguém saiu indiferente do teatro. Em um testemunho célebre, Gide descreve o evento com as seguintes palavras:

A razão batia em retirada; não unicamente a sua mas a razão de toda a assistência, de todos nós, espectadores desse drama atroz, reduzidos ao papel de comparsas malévolos, debochados e grosseiros. Oh! não, mais ninguém na platéia, tinha vontade de rir (…) Artaud nos havia atraído para seu jogo trágico de revolta contra tudo aquilo que, admitido por nós, para ele permanecia mais puro e inadmissível:

Nós ainda não nascemos.

Ainda não estamos no mundo.

Ainda não existe mundo.

As coisas ainda não se fizeram.

A razão de ser não foi achada…”

Ao sair dessa memorável sessão o público se calava. Que se poderia dizer? Acabávamos de ver um homem miserável, atrozmente sacudido por um deus, como que no liminar de uma gruta profunda, antro secreto da sibila, onde nada de profano é tolerado, onde, como em um Carmelo poético, um vate é exposto, oferecido aos raios, aos abutres vorazes, ao mesmo tempo sacerdote e vítima… Todos se sentiam envergonhados de retomar lugar em um mundo no qual o conforto é formado de compromissos.

(Gide in Virmaux: Artaud e o Teatro; 1978, pg 366)

Embora talvez supervalorizando os fatos através de uma veia poética, o testemunho passa uma noção do impacto da sessão, que o próprio Artaud em parte teria explicado numa carta ao amigo André Breton:

Não creio que o palco do Vieux-Colombier ou outro palco de teatro já tivesse visto o que mostrei e dei a ouvir naquela noite; tanto mais que acresce o facto de toda a gente ter podido verificar, de se ter podido ver como o suposto conferencista que eu realmente não era, de qualquer forma o suposto homem de teatro, renunciava ao seu espetáculo, fazia as malas e ia-se embora; porque, na verdade, eu tinha reparado que já bastava de palavras e até mesmo de rugidos, e o necessário eram bombas; ora, eu não as tinha nas mãos nem nos bolsos.

(Artaud: A História Vivida de Artaud-Momo; 1995, pg 26)

Um basta às palavras, portanto, um último ato em “Para Acabar com o Juízo de Deus”, um recolhimento para aguardar o fim. Diagnosticado um câncer inoperável no reto, Artaud sabia que tinha seus dias contados. Ainda assim não deixava de trabalhar e fomentar projetos, mesmo sofrendo cada vez mais agudamente com as dores. A morte, que Artaud nunca deixou de afirmar ser um estado inventado, apenas mais uma máscara a que o homem se submete por renunciar a ser o senhor de seu destino, chegou num quarto da clínica de Ivry, em 14 de março de 1948, poucos meses após a proibição da peça radiofônica. O fim através de um câncer – uma falência do organismo que muitos médicos e místicos afirmam ter uma origem psicossomática – ou, talvez por um suposto suicídio, parece fazer um estranho sentido para um homem que afirmava ter tido a espinha partida e depois recomposta na Irlanda e ter morrido e voltado numa mesa de eletro-choque em Rodez:

(…) Simplesmente te disse e repito que eu, Antonin Artaud, com os cinqüenta que já cá cantam, me lembro do Gólgota. Lembro-me dele como me lembro de estar no asilo de Rodez no mês de Fevereiro de 1943, morto por um eletrochoque que me foi imposto contra vontade.

– Se estivesse morto, não continuaria lá.

– Estou morto, realmente morto, e a minha morte foi clinicamente verificada

E voltei depois, como um homem que regressa do além.

Eu também me lembro desse além.

(Artaud: A História Vivida de Artaud-Momo; 1995, pg 53)

De qualquer forma, Artaud faleceu deixando um legado praticamente mítico. Suas idéias, seus textos, especialmente “O Teatro e Seu Duplo” se tornaram uma referência obrigatória para encenadores do mundo inteiro, sendo aceitas ou não. Os anos 60 e 70 testemunharam o surgimento de um verdadeiro culto à imagem do criador do “Teatro da Crueldade”, um culto muitas vezes exagerado e desprovido de bases sólidas, movido muito mais pela paixão e o pseudo-misticismo ligado ao pensamento artaudiano do que a uma real compreensão de suas idéias. As últimas décadas testemunharam uma releitura mais atenta e menos delirante de sua obra, devolvendo as contribuições de Artaud, tanto para o Teatro quanto para os estudos de linguagem, de volta à sua real proporção.

São inúmeros os grupos, atores e teóricos que deram continuidade aos trabalhos de Artaud, de forma direta ou indireta. Autores como Ionesco e Beckett mostram uma clara influência, bem como às origens do conceito de happening. Peter Brook e o Living Theatre desenvolveram grandes espetáculos assumidamente dentro de uma estética artaudiana, bem como o teatro-laboratório de Jerzy Grotowski, que de forma hábil e lúcida, ajudou a criticar e esclarecer muitas das propostas teatrais de Artaud e lhe dedicou um dos capítulos de “Em Busca de Um Teatro Pobre”: “Ele não era inteiramente ele”.

Deve-se repetir mais uma vez: se Artaud tivesse tido à sua disposição o material necessário, suas visões teriam se desenvolvido do indefinido para o definido. Ele poderia tê-las convertido numa forma, ou, melhor ainda, inclusive numa técnica. Estaria então em condições de antecipar todos os reformadores, pois teve a coragem e o poder de ir além da corrente lógico-discursiva. Tudo isso poderia ter acontecido, mas não aconteceu.

(Grotowski: Em Busca de um Teatro Pobre; 1976, pg.71-72)

Mas aconteceu nos anos que seguiram a morte do “homem-teatro”. É fascinante notar que hoje muito do que era polêmico e alvo de estranhamento nas propostas de Artaud é prática corrente e “comum” nas atividades teatrais: o uso de espaços alternativos, o cuidado especial na composição da iluminação e sonoplastia, o domínio do encenador como regente máximo do espetáculo, o fim do domínio absoluto do texto, o uso de signos, a integração do público à cena, enfim, se o Teatro da Crueldade” só pôde se tornar real em raríssimas e pontuais ocasiões (se é que realmente o foi, ao menos na forma pura que Artaud pregava) ao menos seus diversos elementos integraram-se de maneira efetiva no fazer teatral.

Assim, as palavras finais de Artaud a respeito do Teatro, escritas na “Última Carta Sobre o Teatro”, endereçada à Paule Thévenin em 25 de fevereiro de 1948 (tendo Artaud morrido em 4 de março), definitivamente não ficaram sem um eco:

Paule, estou muito triste e desesperado

meu corpo dói de todos os lados

mas sobretudo tenho a impressão de que todos se decepcionaram

com a minha emissão radiofônica.

Lá onde está a máquina

é sempre o abismo e o nada

há uma interposição técnica que deforma e aniquila aquilo que se faz.

As críticas de M. e A. são injustas mas devem ter tido sua base em um defeito de transmissão

é por isso que eu jamais voltarei ao Rádio

e consagrarei doravante exclusivamente ao teatro

como o concebo

um teatro de sangue

um teatro que a cada representação proporcionará

corporalmente

alguma coisa a quem representa

como a quem vem assistir a representação

aliás,

não se representa,

age-se

o teatro é na realidade a gênese da criação.

Isto se fará.

Tive uma visão hoje à tarde

vi aqueles que me seguirão e aqueles que ainda não tem um corpo

porque os porcos como aqueles dos restaurante de ontem a noite comem demais.

Existe quem como demais

e outros como eu que não podem mais comer sem escarrar

em vocês.

(Artaud citado em Virmaux: Artaud e o Teatro, 1978, pg 334-335)

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

ARANTES, Urias Corrêa. Artaud: Teatro e Cultura. Campinas: Editora da UNICAMP. 1988. 212 p.

ARTAUD, Antonin (1896-1948). Linguagem e Vida. Org. J. Guinsburg, Sílvia Fernandes Telesi, Antonio Mercado Neto. São Paulo: Perspectiva. 2004

ARTAUD, Antonin (1896-1948). O Pesa-Nervos. Trad. Joaquim Afonso. Lisboa: Hiena Editora. 1991. 91p.

ARTAUD, Antonin (1896-1948). O Teatro e Seu Duplo. Trad. Teixeira Coelho. 2.ªed. São Paulo: Martins Fontes. 1999.

ARTAUD, Antonin (1896-1948). Para Acabar de Vez com o Juízo de Deus – seguido de O Teatro da Crueldade. Trad. Luiza Neto Jorge e Manuel João Gomes. Lisboa: Publicações Culturais. 1975.

ARTAUD, Antonin (1986-1948). Eu, Antonin Artaud. Trad. Aníbal Fernandes. Lisboa: Hiena Editora. 1988. 111 p.

ARTAUD, Antonin (1986-1948). História Vivida de Artaud-Momo. Lisboa: Hiena Editora. 1995. 73 p.

ARTAUD, Antonin (1986-1948). Os Sentimentos Atrasam. Trad. Ernesto Sampaio. Lisboa: Hiena Editora. 1993. 73 p.

ASLAN, Odette. O Ator no Século XX. São Paulo: Perspectiva, 1994

COELHO, Teixeira. Antonin Artaud – Posição da Carne. São Paulo: Brasiliense. 1982, 120p. (Coleção Encanto Radical; 16)

FELÍCIO, Vera Lúcia. A Procura da Lucidez em Artaud. São Paulo: Perspectiva, FAPESP. 1996, 202p. (Coleção Estudos; 148)

GROTOWSKI, Jerzy. Ele não era inteiramente ele, in: Em Busca de um Teatro Pobre. Trad. Aldomar Conrado. 2.ªed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 1976. (Coleção Teatro Hoje, Série: Autores Estrangeiros/Vol.19)

LINS, Daniel. Antonin Artaud: O Artesão do Corpo Sem Órgãos. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1999. (Coneções/2)

ROUBINE, Jean-Jacques. As Metamorfoses do Ator, in: A Linguagem da Encenação Teatral. Trad. Yan Michalski. 2.ªed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1998.

SONTAG, Susan. Abordando Artaud, in: Sob o Signo de Saturno. São Paulo: L&PM. 2.ªed. 1973.

VIRMAUX, Alain. Artaud e o Teatro. Trad. Carlos Eugênio Marcondes de Moura. São Paulo: Perspectiva, FAPESP. 1978, 388p. (Coleção Estudos; 58)

“Quem sou eu?

De onde venho?

Sou Antonin Artaud

e basta que eu o diga

Como só eu o sei dizer

e imediatamente

hão de ver meu corpo

atual,

voar em pedaços

e se juntar

sob dez mil aspectos

diversos.

Um novo corpo

no qual nunca mais

poderão esquecer.

Eu, Antonin Artaud, sou meu filho,

meu pai,

minha mãe,

e eu mesmo.

Eu represento Antonin Artaud!

Estou sempre morto.

Mas um vivo morto,

Um morto vivo.

Sou um morto

Sempre vivo.

A tragédia em cena já não me basta.

Quero transportá-la para minha vida.

Eu represento totalmente a minha vida.

Onde as pessoas procuram criar obras

de arte, eu pretendo mostrar o meu

espírito.

Não concebo uma obra de arte

dissociada da vida.

Eu, o senhor Antonin Artaud,

nascido em Marseille

no dia 4 de setembro de 1896,

eu sou Satã e eu sou Deus,

e pouco me importa a Virgem Maria.”

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/antonin-artaud/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/antonin-artaud/

Engenharia Social

Engenharia Social significa entender o funcionamento do comportamento social humano e aplicar esse conhecimento para conseguir algum benefício. Se você já viu alguém fingindo falar no telefone para escapar de uma reunião já sabe do que se trata. Esse termo nasceu dentro da cultura hacker nos anos 90 mas que cresceu a ponto de ser incorporado no arsenal de técnicas da espionagem industrial/governamental.

A premissa por trás da engenharia social é a de que os seres humanos são, de longe, o elo mais fraco de qualquer sistema de segurança. Assim antes de um hacker fazer qualquer ataque aos sistemas passa um bom tempo garimpando todas as informações úteis que conseguir sobre seu alvo ao ponto de muitas vezes nem precisar de ferramentas tecnológicas para conseguir os segredos que procurava. Sendo assim um engenheiro social é basicamente alguém que sabe stalkear como um profissional.

De fato um dos hackers mais famosos de todos os tempos tinha como principal habilidade a boa conversa. Kevin Mitnick com talento para a dissimulação enganou empresas como Nokia e Samsung e até o FBI. Ele começou sua carreira simplesmente se fazendo passar por funcionários de empresas de telefonia para convencer a telefonista a fazer ligações gratuitas mas suas técnicas foram avançando ao ponto de infiltrar funcionários em grandes corporações afim de extrair informações. Entre outros gênios da trapaça podemos citar o nova yorquino Frank Abagnale Jr e o brasileiro Marcelo Nascimento da Rocha.

Mas antes de tudo devemos ter em mente que muitas vezes, mas nem sempre, o engenheiro social é um criminoso. Isso porque ele tende a apelar para fraude, impostura e falsidade ideológica para conseguir o que quer. Muitos engenheiros sociais são enquadrados como estelionatários. Nesses casos a pena é de reclusão de 1 a 5 anos além da multa. Por outro lado entender as técnicas utilizadas é importante tanto para se proteger como para pensar nas possibilidades de usá-las de outro modo. Vamos a elas.

Pesquisa Prévia

O primeiro passo é fazer uma varredura e conhecer tudo o que puder sobre o alvo. Esse alvo pode ser uma pessoa ou uma organização. Se for uma organização, o primeiro passo é conhecer ela por meio de uma visita ao seu site e contato com seus integrantes. Mas seja como for a verdadeira engenharia social se dá com seres humanos. Então a maior parte da pesquisa prévia será focada em descobrir quais são os membros importantes desta coletividade e em seguida se aprofundar neles.

Redes Sociais

As redes sociais facilitam muito a vida dos engenheiros sociais. É possível conhecer muito de uma pessoa simplesmente xeretando seu perfil público. A primeira regra é nunca stalkear em público, por exemplo no seu ambiente de trabalho ou educacional. Não se limite a uma única rede social, uma pessoa pode ser mais presente no instagram, outra no twitter. Além disso cada rede tem informações diferentes para passar:

  • Twitter – Personalidade, visão política
  • Instagram – Interesses pessoais
  • Facebook – Vida pessoal, laços parentescos
  • Linkedin – Situação profissional, contatos profissionais, empresas em que trabalhou

Lembre-se de verificar não só os dados publicados, mas especialmente os relacionamentos com outras pessoas, seguidores e conexões interpessoais existentes. Liste os contatos mais participativos que geralmente são familiares e pessoas mais íntimas.

Sites de Pesquisa

Além das redes sociais alguns sites podem oferecer muitas informações relevantes.  O Google sozinho pode falar muito sobre a história e presença online de uma pessoa, sem falar de menção em diários oficiais e na imprensa. Mas não se limite a buscar o nome da pessoa. Buscar se email por exemplo pode revelar sites, fóruns em que a pessoa está registrada e reclamações que ela possa ter feito em sites de serviços.

Além do google outros sites podem oferecer informações complementares:

Pesquisa Material

Outro ataque de engenharia social é feito pela pesquisa material que é a aquisição de todo material que pode conter informações relevantes do alvo e geralmente se inicia com uma boa espiada nas redes sociais e na presença online da pessoa. Nesse caso se coleta nomes de pessoas importantes, datas de nascimento, endereços e outros dados pessoais.

O lixo também é uma grande fonte de informações. É muito comum pessoas jogarem fora pedaços de papel com senhas depois de term memorizado ou passado para as agendas pessoais. Em empresas o lixo pode conter informações sobre fornecedores, funcionários, patrimônio e sistemas usados. O mesmo é claro vale para o lixo eletrônico quando pode ser recuperado da lixeira.

No caso de pessoas isso inclui:

  • Correspondências
  • Contas a pagar
  • Notas fiscais
  • Anotações
  • Cópias de documentos
  • Recados telefonicos
  • Etiquetas de revistas de assinatura

Para empresas temos adicionalmente:

  • Relatórios anuais
  • Lista de pagamentos
  • Organogramas
  • Fluxogramas
  • Lista de ramais/telefones

Ataques de engenharia social

Até aqui o engenheiro social fez o máximo para conhecer tudo o que puder sobre seu alvo. No caso das empresas e organizações maiores ele já deve saber é o depositário das  informações que procura. Após determinar quais são as informações relevantes e  quem  são as pessoas com essas informações é hora de pensar nos meios para se extrair esses dados. Os ataques a seguir tem justamente este objetivo.

Inflitração

A técnica da infiltração não é propriamente um tipo de ataque, mas um facilitador para os ataque seguintes. Consiste em criar a sensação de confiança por parte do alvo. Em geral envolve integrar-se a ao alvo de modo a ganhar segurança ou desinteresse/negligência, sempre que possível protegendo a verdadeira identidade do atacante. Uma pessoa surgir do nada é pedir uma informação é algo bem diferente e muito mais suspeito do que uma pessoa surgir e depois de muita interação ela “por acaso” precisar de uma informação relevante.

A infiltração, quando eficaz não precisa ser demorada. Um caso clássico é a do falso cliente que liga elogiando um atendimento extraordinário que teve. De fato uma experiência tão boa que gostaria de enviar uma carta de agradecimento. Uma infiltração rápida e muito mais eficiente do que ligar para a loja do nada e pedir o nome completo e endereço do gerente.

De posse desses dados ele pode ganhar ainda mais confiança de uma outra filiar da rede. Veja o exemplo dado por Mitnick em seu livro “A Arte de Enganar”

“Obrigada por ligar para a Studio Video. Meu nome é Ginny, posso ajudar?”

“Oi, Ginny”, disse o interlocutor com voz entusiasmada, como se ele falasse com Ginny todas as semanas. “Aqui é Tommy Allison, gerente da Loja 863, Forest Park. Temos
um cliente aqui que quer alugar Rocky 5 e estamos sem nenhuma cópia. Você pode
verificar se vocês têm uma?”

Após alguns momentos ela voltou ao telefone e confirmou: “Sim, temos três cópias.”

“Muito bem. Vou ver se ele quer passar aí. Olha, obrigado. Se precisar de alguma ajuda
da nossa loja. é só ligar e pedir para falar com Tommy. Vou ficar feliz em ajudar
como puder.”

Três ou quatro vezes nas próximas semanas Ginny recebeu ligações de Tommy pedindo
ajuda com uma ou outra coisa….

Com o tempo ele migrou para conversa informal perguntando sobre o tempo e comentando trivialidades para o caixa do outro lado.  Veremos mais sobre esse tipo de teatro mais a frente neste artigo. Estes são alguns dos métodos personificação remota usados para se ganhar confiança das vítimas.

Para pessoas:

  • Fingir ser uma das prestadora de serviços (empresa telefônica, internet, etc..)
  • Fingir interesse romântico ou pessoal
  • Fingir ser do RH de uma empresa interessada em contratar a pessoa
  • Fingir ser um vizinho novo
  • Fingir ser um membro novo do grupo que participa (igreja, clube, etc.)

Para organizações:

  • Fingir ser um colega de trabalho (empresas grandes)
  • Fingir ser de uma consultoria importante (empresas pequenas)
  • Fingir ser um representante de autoridade legal
  • Fingir ser um cliente que precisa de ajuda
  • Fingir ser um empregado de um fornecedor
  • Fingir ser alguém da alta hierarquia
  • Fingir ser um parente de um colega em emergência
  • Fingir ser um empregado novo que solicita ajuda

Websites

Uma outra forma de se conseguir informações é por meio de emails falsos ou formulários na internet oferecendo brindes, prêmios e promoções. Assim geralmente é possível conseguir dados como CPF, RG, Telefone, perfis em redes sociais e em alguns casos até números de cartão de crédito. Não é necessário mais do que oferecer um brinde ou desconto interessante para conseguir estas e outras informações.

Outra ferramenta utilizada é conhecida como Evil twin ou Gêmeo Maligno. Consiste na criação de emails e sites falsos que se passam por sites que a pessoa conhece e confia e que lhes leve a uma falsa página de login que na verdade reconhe informações antes de direcionar ao site verdadeiro. Os profissionais do ramo criam seus próprios gêmeos malignos, mas sites como https://xploitz.net fornecem ferramentas que permitem emular entradas de redes sociais e serviços de email famosos.

Ataque por telefone

Um típico ataque por telefone envolve a ideia de se fazer passar por alguém para ter acesso a informações restritas. Se você já conhece a cultura e organização de uma empresa pode simplesmente ligar se passando por alguém de outro setor e solicitar as informações que precisa. Lembra do exemplo do falso gerente dado acima? Um dia ele, no exemplo de Mitnick soando um pouco mais estressado:

Ele perguntou: Vocês estão tendo problemas com seus computadores?”

“Não”. Ginny respondeu. “Por quê?”

“Alguém bateu o carro contra um telefone público e o pessoal da empresa de telefonia disse que grande parte da cidade vai perder seus telefones e conexão com a Internet até eles resolverem o problema.”

“Ah, não. O homem se machucou?”

“Eles o levaram em uma ambulância. De qualquer maneira, você poderia me ajudar?

Tenho um cliente seu aqui que queria alugar O poderoso chefão II e está sem o cartão. Você poderia verificar essas informações para mim?”

“Sim, é claro.”

Tommy deu o nome e endereço do cliente e Ginny o encontrou no computador, Ela deu
a Tommy o número da conta.

“Ele tem alguma devolução a fazer ou saldo devedor?, tommy perguntou.

“Não consta nada”

“Muito bem, ótimo. Vou abrir uma conta para ele aqui a mão e o coloco no nosso banco de dados mais tarde quando os computadores voltarem a funcionar. Ele quer pagar com o cartão Visa que ele usa na sua loja e também está sem ele. Qual é  o número do seu cartão e dada de vencimento?

“Ela também forneceu essas informações. Tommy agradeceu: “olha obrigado pela ajuda. Falo com você depois, e desligou.”

Mas nem toda personificação precisa ser complicada. Muitas vezes, uma vez que você tenha dedicado tempo a técnica da infiltração basta agora pedir as informações de modo natural. É da natureza humana confiar em nossos colegas, se seu pedido não for nenhum absurdo as informações serão tranquilamente passadas para você.

Um exemplo clássico é ligar para um funcionário de uma grande corporação e fazer se passar pelo administrador de sistema explicando que houve um problema com sua conta. A vítima é solicitada a deslogar e relogar sua estação de trabalho. O empregado enfatiza que não parece haver nada errado então depois de várias tentativas o falso administrador começa a parecer frustrado e pede a senha do usuário para que possa verificar o problema com a conta. Após mais um pouco de teatro o empregado é informado que o problema foi resolvido.

Outro exemplo típico é usado por criminosos para roubar informações de cartão de crédito. O ladrão liga para a pessoa e explica que é da operadora do seu cartão e que recentemente várias compras suspeitas foram feitas com o seu cartão. O falso operador então inicia o ataque dando algumas informações da vítima como se quisesse confirmar alguns dados como nome, endereço e cpf e outras informações que podem ser adquiridas por pesquisa prévia. Então ele tenta confirmar algumas compras fictícias. Quando a pessoa explica que não comprou um televisor pela internet o falso funcionário então diz que terá que confirmar algumas informações como número do cartão e data de expiração ou outra informação que desejar. Como requinte de crueldade a pessoa pode ser solicitada a destruir seu cartão e informada que um novo será enviado por correio.

Ataque presencial

O último recurso do engenheiro social é a personificação ao vivo. Ela envolve a visita real ao ambiente da pessoa que está sendo atacada. O engenheiro social deve ser um bom ator. Ele deve entrar em contato seja por e-mail, telefone ou redes sociais e conseguir se fazer passar por outra pessoa. Deve ter talento para conseguir se fazer passar por cliente em potencial ou CEO e saber interpretar várias idades, níveis de maturidade, contextos culturais e gêneros.  A forma mais simples de personificação ao vivo é vestir uma roupa social, pegar uma prancheta e caneta e tocar a campainha da pessoa fingindo estar fazendo uma pesquisa para o IBOPE ou IBGE. No caso da vítima ser uma pessoa conhecida será necessário nesses casos a contratação de alguém para fazer a pesquisa para você.

Muitas empresas por exemplo recebem consultores de empresas famosas e nestes casos um terno basta para convencer a maioria das pessoas. Um uniforme e um crachá pode ser outra boa abordagem dependendo do caso.  Este ataque é particularmente eficaz em médias e pequenas empresas. Além disso muitas vezes senhas genéricas e informações de uso interno podem ser vistas em lousas ou anotações fáceis de ver uma vez que você esteja dentro.

Shoulder Surfing

Não há mistério nesse ataque, mas ele só está disponível depois de um ataque presencial bem sucedido ou se você está atacando a própria organização a qual de fato pertence. Ele consiste em simplesmente assistir a vítima incluir em algum sistema suas informações pessoais, inclusive senhas de cartão e PIN de cartão de crédito. A ideia deste tipo de aproximação é que as pessoas, especialmente em ambiente corporativo, geralmente tendem a evitar conflitos e assim não questionam as intenções de outros funcionários. Raramente alguém questiona e reclama quando precisa entrar com seu usuário e senha pessoal na presença de outra pessoa. Para evitar um ambiente hostil as pessoas assumem que as intenções do atacante são benignas.

O mesmo vale para o que é dito. Um homem sábio pode ouvir o lucro no vento diz um antigo provérbio árabe. Realmente em muitos casos basta um bom ouvido e paciência para conseguir informações relevantes. Nos casos de ataques internos vindo de funcionários de dentro das organizações não é difícil escutar por exemplo funcionários insatisfeitos falando algo que pode prejudicar seus superiores. É importante contudo saber ler o discurso nas entrelinhas.

Conclusão

Os métodos da engenharia social estão sempre a disposição. Não há tecnologia capaz de controlá-las pois o elemento humano sempre está presente em sua fragilidade. Com eles você pode descobrir tudo sobre uma pessoa, incluindo seus segredos íntimos, senhas pessoais e dados bancários. Ninguém está completamente a salvo.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/engenharia-social/

Feng Shui – 風水 – Acupuntura para ambientes

Feng Shui 風水, (pronuncia-se fon-suei) significa, em chinês, literalmente “Vento” e “Água”.

O Feng Shui é uma espécie de Acupuntura dos Ambientes ou medicina das habitações e imóveis; ele propõe um método de vida baseado num relacionamento harmonioso com o meio ambiente e suas linhas de energia, e relaciona-se intimamente com a busca de lugares ideais para a instalação do ser humano, que, segundo os chineses, pode alterar sua sorte, trazendo o conceito de que uma casa tem um “funcionamento metabólico” o qual deve ser estudado, respeitado e modificado segundo determinados critérios. As influências invisíveis explicam por que certas edificações ou áreas em uma cidade que são bem ocupadas enquanto outras são evitadas pelos habitantes, viram guetos, etc. Em sumo, ela é uma técnica que ajuda a obtermos espaços agradáveis e energeticamente harmonizados.

O Feng Shui opera com o princípio de que a paisagem é animada por forças ocultas e linhas de energia que são causadas pelas formas dos objetos que nos cercam, pelas dimensões e cores das estruturas físicas que constituem essa mesma paisagem [“A forma é que dá qualidade à energia, mas por outro lado, a forma sem a energia também é neutra” (Carl Gustav Jung, “Psicologia do Inconsciente”, p. 71). “(…) A idéia de energia não é de uma substância que se movimenta no espaço, mas um conceito abstraído das relações de movimento. (…)”em “A Energia Psíquica”.

Alguns tipos de energia são auspiciosas, favoráveis e causadoras de condições harmoniosas (a que os chineses se referem como “Respiração Cósmica do Dragão” ou Sheng Chi), outras perniciosas, insalubres e geradoras de discórdias (que representam com o termo “Sopro da Morte” ou Shar Chi). A posição de nossa residência, ou lugar de trabalho e a distribuição, cor material etc. dos objetos com que nos rodeamos podem afetar nossa atitude e inclusive nossa psique [para um aprofundamento no conceito das Energias das Formas recomendamos um estudo sobre Radiônica].

Nesse sistema tradicional, tudo o que seja construção, habitação ou comércio é desenhado, instalado e decorado em função de certos critérios topográficos e magnéticos.

Segundo o princípio essencial do Feng Shui, tudo o que há no Universo emana energia, e tem um importante papel de troca. O padrão desta troca acompanha o ritmo da Natureza e pode ser expresso de forma análoga entre as áreas e partes das edificações e as partes, órgãos e funções do organismo com áreas da vida em geral. Assim, modificando o design e a distribuição interna e externa dos móveis nos ambientes, estamos interagindo com o Fluxo Energético que nos banha e nos cerca, alterando os rumos que nossa vida seguirá a curto, médio e longo prazo.

Toda mudança externa no ambiente proporciona uma mudança interna em nós mesmos. A casa não é estática, ela tanto influência seus moradores como é influenciada por eles; ela acompanha suas transformações e influi sobre elas! Quando mudamos algo em nossas casas estamos trabalhando com nossas emoções, com nosso estado de humor, com nossa percepção a nível inconsicente. Cada objeto novo que entra ou cada objeto velho que sai está intimamente relacionado a mudanças interiores profundas, que podem ser detectadas pelo método psicanalítico das associações de idéias. Utilizando determinados objetos, cores, formas, distribuição, direções, texturas, plantas, luzes, sons… Podemos criar um ambiente equilibrado e vitalizante. Alguns objetos são arquétipos, e requerem maior atenção (mesa, cama, espelho etc) .

A forma e as cores dos ambientes, dos objetos e dos móveis têm grande influência sobre as energias. Por isso, podemos melhorar alguns aspectos de nossa vida apenas com a mudança de certas coisas de lugar ou adicionando e eliminando outros objetos. Estamos ligados a todo sistema da vida, e nossa experiência não pode ser separada das forças vitais à nossa volta (por isso o consultor de Feng Shui examina toda a área externa próxima ao imóvel). Mesmo quando não podemos perceber isso, cada parte da vida depende de outra para criar o todo. Quando uma parte é destruída, toda a unidade se desfaz. Não ter essa ligação prejudica a nossa vida.

Interiores com bom Feng Shui alimentam o Chi dos moradores, e com isso eles progredirão no mundo exterior e darão conta de lidar com circunstâncias hostis. A harmonia universal deve começar pelo seio familiar…

As orientações obtidas através de uma análise do Feng Shui ambiental exerce um profundo efeito sobre a família, melhorando o relacionamento entre todos, atraindo boa saúde, promovendo prosperidade, protegendo as crianças e animais de estimação. Nos negócios, traz novas oportunidades, aumenta o fluxo de clientes, eleva o prestígio, estimula a criatividade.

Por isso propomos algumas modificações ao adotarmos o Feng Shui Oriental. Não somos chineses, de modo que a simbologia que lembra o som em chinês do nome de um objeto nada terá a nos retratar – assim como a simbologia do som em português do nome de um objeto não terá nenhuma implicação no Feng Shui oriental! É um abuso do bom senso pretender que um ideograma qualquer tenha algum efeito sobre as condições psíquicas de um ocidental que sequer sabe diferenciar um destes símbolos gráficos de outro. OS IDEOGRAMAS* NÃO TÊM EFEITO SOBRE A PSÍQUE OCIDENTAL, ou melhor, se o têm, melhor seria usarmos símbolos análogos mas que sejam representantes da nossa cultura, da nossa religião. A maioria dos assim chamados “Instrumentos de Cura do Feng Shui”** são, por este e outros motivos, ineficientes ou ineficazes, simplesmente porque estão imbuídos de elementos religiosos, simbólicos, fonéticos, etc de outra cultura, e muitas vezes têm atributo distinto em nossa cultura. Exemplo? A figura do dragão (que no Oriente e um ente divino, e no Ocidente representa o demônio – basta ver as imagens de São Jorge matando o dragão).

Nosso universo possui uma linguagem simbólica, por vezes inconsciente para nós. O Feng Shui evidencia os “diálogos” entre o ser e o ambiente e todo processo pessoal que isso implica. Os símbolos são imagens ligadas ao indivíduo através de uma verdadeira ponte de emoções, por isso ele é significativo e possui o poder da transformação. O F.S. utiliza elementos simbólicos como estimulação inconsciente e usufrui de seus poderes transformadores. Encontramos argumento similar ao adotado pela Teoria do Feng Shui na Psicologia, através dos seus psicotestes projetivos, em especial no teste denominado H.T.P. (House-Tree-Person, ou teste do desenho da Casa, da Árvore e da Figura Humana – criado por John N. Buck, em 1948), especialmente no que diz respeito ao significado simbólico dos elementos contidos no desenho da casa (portas, janelas, cortinas, jardim chaminé, etc). Cada elemento do desenho da casa, no caso, representa uma estrutura psíquica, e os adornos que se coloca nos desenhos retratam as condições destas estruturas.

Ao mudarmos elementos externos do nosso cotidiano estamos (potencialmente) modificando aspectos internos e ao trabalharmos com elementos simbólicos estamos ativando nosso inconsciente e buscando transformações [várias formas de terapia trabalham com esse contexto. A exemplo a Grafoterapia, que modificando os traços da escrita pretende implementar os respectivos traços de caráter, personalidade, humor etc.. no paciente]. Utilizando determinados objetos, cores, formas, distribuição, direções, texturas, plantas, luzes, sons… Podemos criar um ambiente equilibrado e vitalizante.

Para nós o mais importante é a “engenharia psicológica” envolvida na criação e na disposição dos móveis num determinado ambiente. Por isso somos, pessoalmente, defensores da causa da criação de conceitos para um Feng Shui Brasileiro. Os argumentos e razões para isso consideram:

A questão do idioma

Não faz o menor sentido usarmos quadros com ideogramas chineses de prosperidade, amor, sorte… Uma vez que tais símbolos não têm nenhuma conexão com nossa cultura, com a estruturação da nossa linguagem e com o simbolismo do nosso inconsciente coletivo. Tomemos como exemplo o símbolo do Dragão; considerado sagrado pela maioria dos povos do oriente, mas símbolo representativo do mal no mundo Ocidental Cristão. Imaginemos agora uma pessoa devota de São Jorge com uma imagem de um dragão chinês exposta na sua sala… Certamente a vida dessa pessoa irá “desandar”. Precisamos respeitar e usar os símbolos próprios de nossa cultura, ou daquela que descendemos ou que tomamos contato (nesse caso podemos usar os símbolos hebreus, druidas, etc.). Uma grande dificuldade encontrada no estudo de alguns conceitos orientais é que às vezes o mesmo termo pode significar conceitos diferentes, em função do contexto onde se insere.

A questão topográfica

Se para a economia da China Antiga as condições climáticas (ventos) e fluviais (rios) eram essenciais, na economia do nosso país outros critérios são mais importantes, e consideramos também que embora o fluxo magnético da Terra sirva igualmente para todos, há variações no fluxo desse campo segundo a localização hemisférica e a latitude terrestre.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/feng-shui-%e9%a2%a8%e6%b0%b4-acupuntura-para-ambientes/

VI Simpósio Brasileiro de Hermetismo

Hermes é a figura associada à divulgação das Ciências Ocultas. Quer seja histórico, quer seja mitológico, sua influência foi tão grande que até hoje as ciências ocultas são chamadas de Hermetismo.

N’A Tábua Esmeralda, Hermes avoca o título de Trimegistos, o Três Vezes Grande, por possuir as três partes da Filosofia Universal, que receberam, dentre outros, os nomes de Magia, que é a arte de causar a mudança de acordo com a Vontade, Misticismo, que é o estudo da(s) divindade(s) e das leis que aproximam o ser humano dela(s), e a Alquimia, que é o estudo da natureza humana e sua transformação.

De Magos mitológicos, capazes de controlar os elementos, o clima e os animais, aos Alquimistas com seus fornos, capazes de transformar chumbo em ouro, passando por aqueles aptos a ver a face da(s) divindade(s), conhecer seus nomes e invocá-las, o Hermetismo chegou aos nossos dias imerso em um véu de mistério.

Sem a pretensão de solucionar esses mistérios (Seria o Nome de Deus uma Palavra? A transformação do chumbo em ouro é literal? É possível viver para sempre e eternamente jovem?) o Hermetismo fala sobre a Mudança: Mudar o Mundo, Mudar a Si Mesmo e a Mudança em direção ao Divino.

Nada mais coerente, portanto, que se debruçar sobre as mudanças que o Hermetismo proporciona aos seus praticantes.

E é com essa proposta que a Associação Educacional Sirius-Gaia (AESG) tem a alegria de apresentar o VI Simpósio Brasileiro de Hermetismo e Ciências Ocultas: O Hermetismo como Instrumento da Transformação do Ser.

Nos dias 11 e 12 de novembro poderemos ouvir alguns daqueles que, de uma forma ou de outra, trilhando o caminho das ciências ocultas, puderam observar em sua vida a mudança que lhes aproximou um pouco mais de sua Verdade Individual.

O local escolhido é o Century Plaza, na Rua Teixeira da Silva, 647, próximo a avenida Paulista.

Inscrições:

As inscrições são efetuadas somente pelo site do Simpósio e valem para assistir todas as palestras nos dias 11 e 12 de novembro de 2017. O valor da inscrição no momento é de R$ 180,00.

O calendário das inscrições segue a seguinte progressão:

Inscrições realizadas de 21/05 a 10/06 – R$ 180,00

Inscrições realizadas de 11/06 a 10/07 – R$ 200,00

Inscrições realizadas de 11/07 a 10/08 – R$ 225,00

Inscrições realizadas de 11/08 a 10/09 – R$ 250,00

Inscrições realizadas de 11/09 a 10/10 – R$ 275,00

Inscrições realizadas de 11/10 a 09/11 – R$ 300,00

Esteja atento aos prazos e antecipe sua inscrição!

http://simposiohermetismo.com.br/

#Blogosfera #Simpósio

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/vi-simp%C3%B3sio-brasileiro-de-hermetismo

Casos de mortes na ufologia

Cosmo , o Pescador

Este evento teve lugar por volta do dia 23 de setembro de 1984, entre 18h30 e o alvorecer, José Morais da Silva , apelidado de Zé Cosmos , saíra para pescar no largo rio Parnaíba acompanhado pelo filho de 10 anos.  No início tentaram pescar as iscas. Por volta das 18h30 os dois avistaram uma luz que piscava, clara como um raio, muito longe. Continuaram a pescar.

Por volta das 20 horas a luz apareceu de novo, desta vez diretamente sobre o rio. Cosmo recolheu a linhada e subiu pela margem ingreme , o mais rápido possivel, para chegar onde o filho dormia. Cosmo perdera a capacidade de usar o joelho muitos anos antes, em um acidente que fraturara a articulação. A fratura nunca se consolidou adequadamente, e ele precisava de uma bengala para caminhar . Deve ter sido muito dificil para ele subir o barranco  e avisar o filho do perigo. Quando conseguiu, começou a chover, e a luz foi embora. Cosmo resolveu voltar à margem do rio e continuar a pescar, enquanto o filho continuava dormindo.

Quando estava com água pela cintura, ele viu, de repente , que a luz se encontrava atrás dele, projetando a sombra na agua. A luz brilhava a cerca de 20 mts acima da margem, iluminano um trecho bem grande. Cosmo subiu outra vez para avisar o filho, que dormia no pé de uma arvore. Eles ficaram deitados no chão, observando o objeto, que periódicamente aumentava e diminuia , por vezes encolhendo até ficar do tamanho de uma estrela. A coisa ficou assim até às 22 hs , quando já tinham mudado de lugar, observando a luz obrigados atrás de uma pedra na beira do rio.

A luz  se moveu às 22 hs, posicionando-se em outro ponto da margem, rio abaixo , no caminho que elesteriam de seguir, como se os esperasse. Depois moveu-se para o outro lado do rio, onde ficavam os outros pescadores . Passou para vermelho forte e dançou, oscilando por cima da água . Cosmo ouviu quando os pescadores gritaram e fugiram correndo.

O objeto ficou no mesmo lugar até as 4 hs, quando ergueu-se cerca de 70 graus acima deles, fazendo um som “como o do dínamo que gera corrente na bicicleta”. Passou lentamente, mantendo aquela altura.

—    Chovia direto   —   Cosmo nos contou quando estavámos sentados em uma roda defronte a sua casa.   —   A coisa foi e voltou em cima do rio , pondo o facho na nossa direção, mas a gente ainda estava escondido atrás da pedra , no rio. Ficamos ali,
cobertos com folhas de palmeira. Ela jogou areia sobre nós. Ouvimos umbarulho parecido com uma porta de carro fechando.
Também ouvimos vozes , mas não dava para entender a lingua. Lá pelas seis da manhã ela foi embora, e depois a gente achou
uns rastros grandes onde tinha pousado.

Perguntamos ao pescador quais foram as sensações ou reações do momento. Suas observações eram precisas e detalhadas. Quando o facho de luz o atingiu, não conseguiu abrir os olhos, e sentiu uma dor muito intensa. Ficou tonto. Ele não tem problemas na vista nem mudou seus padrões de sono. Por outro lado, a dor não desapareceu nos ultimos quatro anos. Ela retorna diáriamente começando pela cabeça, passando depois para as pernas e quadris. Quando isso acontece ele precisa parar de trabalhar. Os dedos ficam entorpecidos, formigando. Necessita de massagens nas mãos , para que voltem ao normal. De vez em quando não pode nem erguer uma colher.

As informações acima foram obtidas e conferidas em duas entrevistas com Cosmo. Nas duas vezes o encontramos trabalhando, rebocava com barro as paredes do casebre onde vivia, auxiliado pelos filhos. Os vizinhos se amontoavam em torno de nós, enquanto porcos pretos miúdos corriam e soltavam grunhidos pela rua de terra e áreas vazias , cobertas de lixo. Uma moça passou altiva , saindo da mata, com uma espingarda de cano longo no ombro.

Esta gente nunca ouviu falar de Contatos Imediatos, nem de Steven Spielberg. Pescam e caçam porque são pobres demais para comprar a comida que necessitam. A região , à noite, é completamente escura. A unica linha de alta tensão passa a 30 quilometros a oeste dali.

Caminhamos até o rio, para entender melhor as circunstancias da experiencia de Cosmo. A margem cai praticamente na vertical, formando um barranco com 5 a 10 metros de altura, mas com o passar dos anos a árvore sob a qual se escondeu com o filho fora arrancada e levada pela correnteza  das enchentes de verão.

Cosmo não bebe nada, a não ser água. Antes de voltar tentamos marcar consulta para ele com um médico de Fortaleza, a quem explicáramos os sintomas de doenças provocadas pelo contato com OVNIs, mas havia apenas cinco telefonemas para atender aos 3 mil habitantes da cidade, e Fortaleza ficava muito longe. Deixamos sua casa convencidos de que ele dizia a verdade, e que era impossivel para mim aliviar sua dor.


Manuel   –   O Garimpeiro

Manuel , 46 anos, é garimpeiro. Um sujeito rijo, acostumado a viver sózinho no meio do mato durante semanas, ou até mesmo meses a fio. Tinha 40 anos na época do incidente, no outono  de 1982.

Ele não se encontrava em Parnarama quando visitamos a região, mas conseguimos conversar longamente com sua esposa e filhos, que se lembravam nitidamente do evento e suas consequencias.

Quando Manuel avisou que sairia para caçar , a esposa tentou fazer com que mudasse de idéia: um homem , morador da mesma rua (ver adiante o caso de Ramon) morrera em um encontro com um chupa, segundo os vizinhos. Manuel deu risada dela, retrucando com o típico machismo latino que não acreditava naquelas histórias.

Manuel atirou e matou um veado no começo da noite, Quando deitou na rede para ver se dormia um pouco, dois objetos
sobrevoaram o lugar onde se encontrava e o iluminaram com um facho. Ele não hesitou um segundo, apontou a arma e disparou contra as luzes. Percebendo que isso não dava resultado algum, ele desceu da árvore e começou a correr, um dos objetos o perseguiu, focalizando a luz em sua direção, enquanto ele cambaleava pelo mato. Sempre que a luz o atingia, sentia-se fraco e caía . Além disso, notou um cheiro ruim.

Ele conseguiu correr até uma caverna , esgueirou-se para dentro e pensou que o local daria um bom abrigo. Mas o objeto
posicionou-se de tal maneira que o atingiu em cheio com seu brilho. Ele saiu novamente, tonto com a luz, as roupas rasgadas pelo mato, os sapatos perdidos na carreira. Ele correu das 22 horas até às 5 da manhã, descansando de quando em quando debaixo das árvores, até ser localizado pela luz. No final conseguiu entrar em uma casa de Lagoa de Dentro, uma pequena vila no meio da floresta. O menino que abriu a porta viu o objeto que seguia Manuel. Tinha a forma de uma geladeira, com um facho de luz vermelha saindo do meio de um dos lados. Manuel atribui sua sobrevivencia ao fato de ter usado um pedaço da camisa para cobrir o nariz, evitando assim aspirar o gás malcheiroso expelido pelo chupa.

Quando voltou para casa, depois de passar dois dias recuperando-se dos ferimentos em Lagoa de Dentro ( tinha um corte fundo na perna, arranhões e cortes pelo corpo e um ferimento infeccionado no pé), relutou em discutir os acontecimentos . Ele fora obrigado a mudar de idéia quanto à existencia de OVNIs, e a experiencia o deixara morto de medo. Vendeu sua coleção de armas e nunca mais voltou a caçar.Acomodado na espaçosa casa de Manuel no centro da cidade , rodeado por seus filhos e vizinhos, comecei a pedir detalhes do incidente.

—    O que aconteceu com a arma?    —   perguntei a sua esposa.
—    Ficou lá, na rede. E o veado ficou lá também. O pessoal daqui foi buscar depois.
—    Como ele descreveu a luz?
—    Era maior do que a Lua , branca como mercurio, tão brilhante que não se podia olhar direto para ela. Era firme, não piscava
nem mudava de cor.
—    Como ele errou o tiro? Dizem que era um bom caçador.
—    A luz pulou de repente. Pode ter errado de nervoso, também.
—    E quanto a cor? Porque disseram que era vermelha?
—    Isto que é estranho    —    ela admitiu    —   A luz não era vermelha quando ele ficava embaixo, mas ao longe parecia ser
vermelha.
—    O gás saia do objeto?
—    Não, ele calculou que soltava nuvens de gás por causa do cheiro
—    O que ele sentiu naquele momento?
—    Ele sentiu calor, e queimaduras.
—    Voce notou algum efeito estranho no corpo, ou reações diferentes, quando ele voltou para casa?
—    Ele tinha marcas nos ombros, nos braços , no pescoso, nas costas e no peito.
—    Quando elas surgiram?
—    No dia seguinte ao caso, quando ele ainda estava em Lagoa de Dentro.
—    Como eram as marcas?
—    Eram vermelhas e roxas, redondas. Não doíam.
—    Pode descrever as beiradas?
—    Eram nítidas, mais escuras nas bordas do que no centro. Eram redondas, e não irregulares. Uns 5 ou 10 centimetros de
diametro.
—    As marcas eram chatas ou protuberantes?
—    A pele ficou meio inchada.
—    Havia marcas de picadas?
—    Nenhuma. Eu olhei bem de perto.
—    Poderiam ser comparadas a um hematoma?
—    Não, pareciam mais com queimaduras de vapor.
—    O que acontecia quando se apertava o local?
—    O lugar ficava branco quando a gente apertava, depois a cor voltava.
—    Como as marcas desapareceram?
—    Elas ficaram da mesma cor, porém mais claras a cada momento, até sumir completamente em dez dias.
—    Havia bolhas, ou a pele saía?
—    Nenhuma bolha, nada do genero.
—    E os olhos dele?
—    Estavam vermelhos quando ele voltou. Depois disso só conseguia ler bem de perto, e seus olhos se cansavam com facilidade.

No decorrer da conversa , que enveredou por assuntos muito pessoais, descobrimos que a audição de Manuel não fora afetada em função do incidente. Ele começou a beber mais do que seria normal, um fato que pode ser responsável pelo ligeiro tremor das mãos. De todo o incidente, que Manuel chama de “a pior coisa em minha vida”, foi o cheiro que mais o afetou. Era penetrante, como enxofre queimado, e fazia o nariz escorrer. Não impedia a respiração, mas o forçava a limpar a garganta a intervalos frequentes. Ele acredita que o cheiro , e não a luz , provocava suas quedas, e que o pedaço de pano no nariz salvou sua vida.


Ramon , O Escrituário

O caso de Ramon ( ou mais correto, Romão, cujo nome inteiro era José Batista Lima ) nos forneceu a primeira oportunidade de interrogar uma testemunha de uma morte supostamente provocada por um chupa. Conversamos com o filho e a filha da vítima, be como com diversos homens que o conheceram e vida e companheiros de caça que estavam com ele na hora da morte,  além de outros que viram o corpo antes do enterro. Mas não fomos capazes de ligar definitivamente seu falecimento com a ação de um objeto luminosos, de modo que a causa possível da morte permanece sendo um ataque do coração , até  que mais provas possam ser recolhidas.

O testemunho mais importante é o de Pedro Curto, localizado na pequena vila de Jejo, a cerca de quarenta minutos distante de Parnarama de caminhonete com tração nas quatro rodas, em uma estradinha cheia de curvas, esburacada pelas chuvas de verão.

A filha de Ramon , que tinha 11 anos quando o pai morreu, forneceu os dados básicos : no dia 26 de agosto de 1982 ele saiu de casa cedo , levando  a rede e a arma , para passar a noite caçando perto de Cocalinho, com três amigos que conheciam bem a área.

Ele matou um veado a dormiu na rede. No dia seguinte , ao amanhecer, desceu da a’rvore, empacotou a rede e foi procurar o veado abatido. Neste momento ele sentiu-se mal, caiu no chão e morreu às 6 horas. O corpo foi levado para casa ao meio-dia. Também neste caso a familia pedira que não saísse para caçar, por medo dos chupas, e ele deu risada. Um de seus companheiros avistou uma luz muito brilhante no céu naquela noite , mas ninguem sabe se isso ocorreu perto de Ramon ou não.

Pedro Curto deu mais detalhes; os quatro caçadores  se espalharam ao cair da noite, em uma área de vários quilometros , de modo que não mantiveram contato visual ou auditivo durante a noite. Quando Pedro caminhou em direção ao local onde estava Ramon, pela manhã , encontrou-o deitado no chão, e não obteve resposta quando o chamou pelo nome . Depois de algum tempo Ramon ergueu-se. Estava sem fôlego . Ele abraçou Pedro emocionado.

—    Qual o problema?   —   Pedro perguntou. Ramon apenas balançou a cabeça ao ouvir a questão. Pedro ajudou-o a sentar outra vez.

—    Você tem um remédio aí?   —   Pedro perguntou.

A resposta foi sim. Ele tirou uma pílula ( Pedro insiste que era aspirina, e não remédio para o coração) e a engoliu com um pouco de agua. Ramon parecia estar melhor. Ele disse a Pedro para amarrar o veado para que pudessem leva-lo embora.

Ramon sentou-se com uma perna dobrada sob o corpo e a outra esticada, os bbraços dobrados sobre o joelho esquerdo e a cabeça baixa, encostando no braço. Ele permaneceu nessa posição até que os outros dois caçadores, Zézinho e Manuel Eugenio, os alcançaram.

—    O que aconteceu com o Ramon?   —   um deles quis saber .

—    Ele está descansando   —   disse Pedro, ocupado com o veado.  Os outros o examinaram mais de perto .

Zézinho verificou os olhos.

—    Ele não está descansando . Está morto.

Não houve movimento de agonia, nem convulsões. Ele morreu cerca de dez minutos  depois de beber a água. Aparentemente não sentiu dores. Não levou a mão ao peito, nem a nenhuma outra parte do corpo. Ele engolira a pilula e bebera a água normalmente. Antes de tomar a pílua, quando estava sentado no chão, de  acordo com Pedro, Ramon agarrou o mato diversas vezes , tentando se erguer , ou por causa da dor.

Pedro ficou com o corpo, enquanto os outros foram chamar a familia.

O corpo ainda permanecia flexível uma hora após a morte. Não havia sangue na boca. A história de uma luz na área veio de um homem chamado Velho Tonio , que retornava de Cocalinho naqiela noite a cavalo . Mas não havia detalhes sobre a visão , e ela não pode ser vinculada à experiencia de Ramon.

Um aspecto curioso do caso está nas duas marcas redondas, avermelhadas, observadas no pescoço, dos dois lados, 5
centimetros abaixo da orelha, vistas por diversas pessoas. Mais tarde , naquele mesmo dia, Eugênio a segunda testemunha, veio até nosso hotel. Ele nos contou que não concordava com a versão de que Ramon estava prostrado , e já tinha morrido quando ele chegou ao local  com  Zézinho . Ele viu as marcas redondas, vermelho-arroxeadas no pescoço  com cerca de 0,5 centimetro de diametro.

—    Já vi muitos defuntos    —    ele disse    —, mas nada daquele  jeito.

Ele acompanhou o corpo até a cidade , e ao chegar notou que as marcas haviam escurecido, ficando mais roxas, bem escuras. Ele sugeriu que se realizasse uma autópsia , mas a familia não autorizou. Ele examinou o corpo cuidadosamente , mas não encontrou outras marcas.

Na mesma noite, segundo Eugênio, o céu havia sido iluminado  das 22 horas até a meia-noite por uma luz que o fez recordar do brilho de uma cidade. Voltamos para a casa de Ramon, de posse destas informações e entrevistamos  os filhos novamente. O filho , de 20 anos , confirmou que Ramon tinha cerca apenas 40 anos quando morreu , e que jamais teve problemas de coração. Tampouco tomava remédios regularmente. Quando saía para caça levava só um medicamento para dor de cabeça, embora não fosse aspirina , como disseram , e sim algo similar, chamado Fontol.

Os filhos e a mãe foram ao local da morte de Ramon, duas semanas depois do enterro. Ele havia armado a rede em “uma árvore bem alta, no meio da mata fechada“. Estava tudo normal  em volta , a não ser pela folhagem arrancada no local onde ele sentara.

Repassamos novamente a situação de Ramon. Ele era forte, mas não gordo. Não tinha um histórico de cansaço ou falta de ar. Ele não fumava, e a familia não conhecia casos de problemas no coração. Na verdade , o próprio pai de Ramon ainda vivia e gozava de boa saude.

Examinamos detidamente as fotos do rosto de Ramon no caixão, antes do enterro. O angulo da foto não permitia que se verificasse a existencia ou não de marcas circulares no pescoço . Um pouco mais tarde , na mesma noite, encontramos o sr. Barros, ex-prefeito de Parnarama , chefe de Ramon na época do evento. Ele ficou surpreso com amorte; Ramon estava em boa forma, e não tinha problemas no serviço, informou.

Ramon poderia ter morrido de exaustão, tentando tirar a rede da árvore alta durante a madrugada, com o estomago vazio e um nível baixo de açucar no sangue? Ou sua morte teria sido preciptada de algum modo pelo encontro com o chupa no meio da noite?

Encerramos este caso sem as provas concretas que poderiam permitir uma conclusão final.


 

Souza, O Caçador

O caso de Raimundo Souza foi publicado pela primeira vez em dezembro de 1981, em um artigo sensacionalista de um jornal norte-americano intitulado “OVNIs Matam Quatro Homens”. Na reportagem o ex-chefe da policia de Parnarama, tenente Mangela, era citado como testemunha. Ele teria visto os corpos de Souza e outra vítima, e dito que “o sangue havia sido retirado ” dos cadaveres.

Seguimos de avião para São Luiz, onde ele residia , para repassar o caso com o tenente Magela. Logo descobrimos que na verdade ele não vira os corpos, ao contrário do que saíra no tablóide, no estilo hiperbólico típico. Quanto ao sangue removido, ele considerou isso uma sugestão rídicula. Entretanto, ele confirmou outros fatos importantes.

A experiencia de Magela como chefe de polícia durante o periodo chave da onda, entre 1981 e 1982, foi muito interessante . Ele mesmo chegou a observar objetos luminosos voadores , inclusive luzes vermelhas giratórias em torno das torres de televisão no alto da serra de Tarantide. Certa vez um objeto provocou uma falha no gerador da emissora de televisão, movido a diesel , e ele foi chamado para inspecionar o motor fundido.

Ele não só registrou numerosos relatos de testemunhas , falando com pessoas que viram os objetos, como também avistou uma luz brilhante como a lua cheia e um objeto “parecido com a cúpula da catedral de São Pedro“. Nos dois casos os objetos sobrevoaram as testemunhas em pânico, que cairam. Em outra ocasião ele foi chamado para levar uma mulher a Teresina. Ela quebrou a clavícula. Houve um outro caso, de braço fraturado.

Segundo o tenente Magela, Raimundo Souza, 40 anos, era um caçador profissional com boa saúde. Certa noite ele esperava pela caça, em agosto de 1981, e riscou um fósforo para acender o cigarro. Seu companheiro de caçada, Anastacio Barbosa, acredita que a luz do fósforo revelou a posição deles para um objeto , que aproximou-se rápidamente e apontou um facho luminoso em sua direção. Ao ver isso, Barbosa pulou da rede e ocultou-se sob as moitas, observando o objeto que circulou sobre a sua cabeça e depois sumiu. Apavorado, ele permaneceu no meio do mato até amanhecer, quando saiu e encontrou o corpo de Souza. Ele estava deitado no chão, onde caíra da rede, quebrando um braço. Havia diversas marcas roxas. Estas marcas espalhavam-se pela região do peito, braços e pelo resto do corpo, mas não no rosto . Não encontrou marcas de picadas em lugar nenhum.

O tenente Magela, encarregado da investigação criminal, tomou o depoimento de Barbosa e outras doze testemunhas, pessoas que ajudaram a vitima. Ele tem certeza da veracidade dos depoimentos. As marcas eram circulares e lisas como um equimose, variando de tamanho , com 2 a 8 centimetros.

A autópsia não foi feita , mas examinaram o corpo cuidadosamente. As marcas não se alteraram entre o momento da morte e a hora do enterro. Na falta de uma autópsia, Magela concordou não haver provas de que a luz do OVNI provocou os ferimentos fatais . Possivelmente Souza tenha morrido de ataque do coração , quando sentiu o facho de luz sobre sí e entrou em pânico, caindo da rede. As marcas no corpo da vitima são similares às observadas em outros casos em que os atingidos sobreviveram. Dadas as provas, Barbosa não foi considerado suspeito de ter assassinado o companheiro.


Os casos citados acima foram apenas uma amostra dos eventos mais importantes com vítimas, entre os muitos relatos em primeira mão que ouvimos em Parnarama. Em vários outros casos os homens que avistaram OVNIs estavam a cavalo quando foram expostos à luz. Em um incidente ocorrido em 1983, o cavalo ficou assustado e caiu, mas não houve efeitos posteriores. Em uma fazenda remota, os trabalhadores rurais nos disseram que viam a luz com frequencia, ela deixava o solo tão claro que se poderia enxergar uma agulha, como se fosse de dia.

A atividade na região de Parnarama não cessou. No domingo anterior a nossa chegada ( ou seja, no dia 24 de julho de 1988 ) Antonio José de Carvalho pescava no rio Parnaíba quando viu uma luz azul, acompanhada de outra luz branca, contínua. Ele não se assustou om ela, o objeto passou por cima de sua cabeça e desapareceu de repente. Ele nos contou que abandonou a pescaria e correu para casa.

Duas testemunhas falaram sobre os efeitos físicos do facho luminoso. Luís Silveira, 22 anos na época do incidente , caminhava pelo interior , em 1978, quando viu uma luz brilhando no céu. Ele correu para casa, onde desmaiou, sem forças. Teve febre alta durante um ou dois dias, mas não ficou com o corpo marcado, nem mesmo por uma queimadura de sol. Ele disse que havia “diversas cores no mesmo facho” , o que o deixou “esquisito e nervoso”. Ele ficou com dor de cabeça, mas passou logo.

Outra testemunha, Manuel Duarte Pinheiro, deu uma descrição em primeira mão de uma experiencia recente com um facho de luz, no incidente ocorrido numa sexta-feira, dia 15 de julho de 1988, onze dias antes de nossa chegada.

Pinheiro estava do lado de fora, com alguns companheiros, às 4 horas, preparando-se para ir trabalhar, quando viu uma luz vindo do norte, tenteando, “procurando algo” , projetando um facho luminoso no chão. Às oito testemunhas viram o objeto brilhar em um ponto, apagar e acender em outro local. Quando estava apagado, as testemunhas não viram nada no céu. Era como se apenas a luz fosse real. Eles correram para se esconder, enquanto a luz brincava, parecendo querer persegui-los.

Quando Pinheiro foi alcançado pela luz, olhou diretamente para ela.

—    Machuca os olhos    — ele disse. —  Eles se enchem de água. Ficam muito quentes. Sua cor e intensidade são constantes,
brilha muito.

Vale notar que em muitos acidentes as vitimas eram caçadores que se tornam caça , atacados pelo alto por um facho luminoso, em uma paródia de sua própria técnica de caça. Quando caminhávamos pelas estradinhas de terra de Parnarama, no escuro, podíamos facilmente compreender os sentimentos terríveis dos caçadores que viram os chupas e o pânico sentido quando uma luz inesperada surgia repentinamente acima de suas cabeças.

O rio Acarau , como tantos outros, corre em direção ao norte, no Brasil, vindo do interior, para desembocar nos pantanos, salinas e mangues à beira do oceano Atlantico. Após uma hora de carro, no sentido oeste, saindo de Fortaleza, a estrada vira para o norte em Sobral, e se transforma em uma trilha poeirenta até chegar a Santana, onde casebres de pau-a-pique cobertos de folhas de palmeira alinham-se nos dois lados da estrada.

Ao chegar perguntamos o caminho para a casa de uma testemunha que mudara recentemente de endereço, e uma mulher
ofereceu-se para contar sua visão, há um ano, bem ali, na rua em que estávamos. Um objeto redondo como a Lua voou por cima de sua cabeça, iluminando o solo na passagem.

Pegamos a estradinha, que levava à fazenda Santa Rita, um caminho tortuoso que exigiu uma hora para andar 12 quilometros, por entre sombras ocasionais de bananeiras, mangueiras e cajueiros. Perto da fazenda precisamos diminuir ainda mais a velocidade, o caminho era cheio de pedras. Depois de trocar um pneu que não resisitu ao tratamento severo, prosseguimos na poeira levantada por uma manda de bois, conduzida por um vaqueiro com roupas típicas e chapéu de couro, as únicas capazes de permitir a movimentação na área. Eles nos mostraram a casa principal, onde o fazendeiro nos disse que “jamais acreditou naquelas histórias”, até certa noite , quando pescava em um dos açudes. Dois objetos o sobrevoaram.

Um homem chamado Almundo Marie Araújo, 52 anos , contou que no inverno de 1979, por volta da emia noite, ele e seus companheiros viram três objetos atrás deles, do tamanho da lua cheia, quando caçavam tatus. Desligando as lanternas, esconderam-se no mato fechado. Os objetos passaram por cima, com uma luz amarela ou alaranjada, clara como o dia. Não ouviram nenhum ruido. Os cachorros ficaram agitados e permaneceram junto deles até o desaparecimento do objeto.

Existe uma lenda no vale do Acarái, sobre um pequeno ser, similar aos elfos do folclore celta. Ele tem cerca de 1,5 metro de altura e se chama Caipora. Entrevistamos um velho na fazenda Santa Rita que conhecia pessoas ainda vivas que tinham visto o Caipora. Outros dizem que é preciso dar fumo de corda para ele . Os cachorros, quando encontram o Caipora , ficam com medo de caçar novamente. O Caipora é um humanóide, e pode ir instantaneamente de um ponto a outro, sem usar as pernas , como fazem as modernas entidades dos OVNIs.

Voltando à cidadezinha , conversamos com Antonio Gomes, 45 anos. Ele viu, em julho de 1987, duas luzes vermelhas fortes sobre sua cabeça, quando pescava no rio Acaraú . Procurou abrigo debaixo de uma arvore alta, quando as luzes moveram-se juntas no céu, aparentemente ligadas a um unico objeto sólido.

Apontando sua espingarda de cano longo para um ponto entre as duas luzes, ele atirou contra a forma retangular escura, e ouviu um som metálico quando o tiro acertou no objeto. O OVNI foi embora, evidentemente ileso.

Em seguida entrevistamos a filha de “Chico” Chiliano, outra testemunha da presença de um OVNI sobre o rio Acaraú quando pescava , em maio de 1984. A luz era tão forte que iluminava os pedregulhos da margem. Ele fugiu para o seco, mas sentia muita fraqueza, o corpo pesado. Procurou abrigo sob uma grande árvore, ao invés de correr . O objeto voou em torno dele como se o procurasse, desistiu e foi embora.

Criando coragem, Chiliano andou até uma cerca e começou a pular, pretendendo ir para casa, mas subitamente a luz apareceu de novo, e ele sentiu calor, como se “passasse na frente de um forno com a cabeça aberta”. Elechegou em casa todo arranhado, trêmulo e sem folego, mas não sofreu problemas posteriores.

Alguns meses depois, em agosto de 1984, sua esposa Maria Frota encontrou um objeto similar às 22 horas, quando voltava da cidade. Estava escuro, ela fumava um cigarro quando um objeto luminoso voou por cima de sua cabeça. Ela se escondeu no mato, perto da margem do rio. Assim que o objeto passou, ela seguiu seu caminho, chegando na mesma cerca, onde a luz a alcançou. Era maior, desta vez, mudou de amarelo para verde antes de sumir no céu. Maria se agarrou ao tronco de uma arvore até que o objeto desaparecesse.

Ela passou a viver com medo, muito nervosa, depois do evento. Sua filha informou que não sofrera queimaduras, não tinha marcas nem apresentou sintomas posteriores. Ela morreu de causas naturais, em setembro de 1986, aos 46 anos.

Ouvimos muitas histórias de OVNIs na região de Sobral e Santana, mas não havia registro de problemas na saude das
testemunhas   —   um fato que nos ajudou a situar melhor as visãoes de Parnarama e os casos investigados  posteriormente em Belém.

Daquela viagem restou uma lembrança : a hospitalidade das pessoas que abriram as portas de suas casas e de seus corações; uma revoada de periquitos ao longe, quando conversavamos sobre o Caípora com um velho sitiante; um lagarto brilhante correndo pelo mato , na frente do carro, como um dragão multicolorido de outras eras.

E , acima de tudo, a sinceridade das pessoas que narravam suas experiencias! Raramente encontrei tanta siceridade, tanta
franqueza, em minhas viagens pela França e Estados Unidos  , países mais “avançados”. Estou acostumado a encontrar pessoas que dizem,  “Vai achar que estou louco, mas vi um objeto ” ou que simplesmente escondem as informações, admitindo um evento paranormal apenas em ultimo caso. Estou acostumado a testemunhas que sofreram lavagem cerebral por parte de estrelas da ciencia ou academicos de televisão e acredita que tudo no cosmos pode se explicado racionalemnte pela ciencia moderna.

 As pessoas do interior estão mais próximas da natureza do que qualquer cientista. Elas sobrevivem porque observam e prestam atenção, compreendem os padrões da natureza e de seus fenomenos , em uma área equivalente à metade dos Estados Unidos, onde raros cientistas colocaram os pés.

Mortes atribuidas à OVNIs
Caso Data Vitima Tempo de Sobrevivencia  Sintomas
Monte Quenia –  Africa Junho de 1954 Aldeia Inteira Não Registrado Não Registrado
Araçariguama 1946 João Prestes  6 horas Carne solta
Duas Pontes, Brasil  20 de agosto de 1962  Rivalino de Aleluia, 54 Não Registrado Desaparecimento
Niterói, Brasil 20 de agosto de 1966 Miguel Viana, 34
Manuel Pereira, 32
Não Registrado
Não Registrado
Nenhum
Anolaima, Colômbia 5 de julho de 1969 Arcesio Bermudez, 54 7 Dias Diarréia, Vômitos
Colares, Brasil Outubro de 1977 Mulher 12 horas Pele avermelhada, picadas
 Parnarama, Brasil 17 de Outubro de 1981 Abel Boro  1 Hora Desconhecidos
 Parnarama, Brasil    19 de Outubro de 1981 Raimundo Souza  Não registrado Desconhecidos
 Parnarama, Brasil  1981 ou 1982 José Vitório  Não registrado Desconhecidos
Parnarama, Brasil 1981 ou 1982 Dionízio General 3 dias Desconhecidos
Cocalinho, Brasil 26 de Agosto de 1982 Ramon Não registrado Desconhecidos

 

Ninguem jamais ridicularizou estas pessoas. Sua inteligencia nunca foi insultada pelos eruditos do New York Times  nem pelos árbitros do racionalismo do Le Monde. Elas descrevem em uma linguagem simples, direta, aquilo que viram. Admitem ter sentido medo, e quando falam de morte e doenças, conservam a voz calma, pausada, a mesma com que falam da realidade de todos os mistérios que nos rodeiam.

Durante o longo caminho de volta do vale do Acaraú tentamos compreender a natureza das evidencias. Alguém estaria testando uma arma exótica no vasto interior do Brasil, onde as comunicações praticamente inexistem e as chances de observação são mínimas?  A hipótese poderia explicar alguns casos , mas rápidamente conduz a uma contradição lógica: que sistema sofisticado de armas precisaria perseguir um alvo fácil como Manuel durante sete horas no mato, sem conseguir atingi-lo com precisão nem uma unica vez? Já temos helicópetos que não fazem ruído e não deixam que se veja sua luz, e muitos tipo como Rambo,  que acertariam Manuel entre os olhos com uma unica bala de um rifle com mira infravermelha, antes que ele fizesse o primeiro movimento para sair da rede.

As provas, mais uma vez, parecem ser tão claras quanto absurdas. E as lendas locais crescem, adequando-se aos absurdos verificados; algumas pessoas acreditam que os chupas sugam o sangue das vítimas e as levam para a Lua. Ou para os Estados Unidos, que parece ficar mais longe ainda quando o Sol se esconde atrás dos morros escuros.

Ao se estudar o mapa do Nordeste do Brasil percebe-se que a região percorrida durante as investigações vai da Guiana Francesa a Natal. Em outras palavras, do espaçoporto europeu em Kourou, onde novas rampas de lançamento são preparadas para o foguete Ariane 5 ao centro espacial brasileiro na Barreira do Inferno. Mas as maiores concentrações de casos ocorrem em áreas primitivas, longe dos centros tecnológicos. Existe apenas uma correlação com elementos de superfice, e diz respeito a cursos d’água de grande porte; o Parnaíba, o Acaráu e aimensa baía de São Luiz. E, claro, como descobrimos no final de nossa viagem, o oceano , próximo a Bélem.
Extraido do livro Confrontos de Jacques Vallée   –  Editora Best Seller

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/casos-de-mortes-na-ufologia/