Palavras de Exu Rei

Vocês, irmãos da África, me tratam como um rei.

Como se homem e natureza fossem coisa à parte.

Como se eu não houvesse caminhado faminto e exausto pela mesma planície do tempo.

Como se eu não houvesse resvalado nas mesmas pedras e sufocado nos mesmos desertos sem vida.

Como se nossas tribos fossem diferentes de qualquer outra tribo.

E nossos reinos mais ou menos ilusórios do que as brumas que prometem chuva, e não trazem…

Vocês me saudam como um deus, mas eu sou apenas antigo.

Tão antigo quanto à luz que ainda hoje ilumina as festas de suas tribos.

E traz a herança de outras moradas na noite infinita.

Há sim, irmãos, muitas áfricas nessa imensidão…

Se sou um deus, saibam que também são!

E quando virem um de nossos irmãos suplicando por pão e água na soleira de suas portas, ajudem-no.

Tratem-no como a um rei.

Que todos somos reis de nossa própria história.

E cabe somente a nós comandar aos exércitos da alma.

E desbravar os territórios desconhecidos de nós mesmos…

Se sou um deus, saibam que também sofro!

E quando ouvirem um de nossos irmãos expirando o último tanto de ar dos pulmões, saudem sua morte.

Pois é um deus quem vai.

Mais um deus que segue seu caminho, como a água das chuvas e dos rios…

Se sou um deus, saibam que também amo!

E quando ouvirem um de nossos irmãos inspirando o primeiro tanto de ar nos pulmões, saudem seu nascimento.

Pois é um deus quem chega.

Mais um deus que segue seu caminho, como as estrelas cadentes a bailar pelas galáxias…

Vocês, irmãos da África, me tratam como um rei.

Mas em toda essa imensidão de tribos e estrelas da noite eterna, há somente um Rei.

Aquele que é Pai e é Mãe.

Aquele que joga sua rede no rio do Cosmos, e aguarda pacientemente.

E fisga um tanto de almas de cada vez…

Laroiê Exu Rei, Laroiê Exu Odara!

Um conto inspirado em Exu. Através de raph em 2010.

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Obs: Acho conveniente citar um breve trecho do artigo de Marcelo Del Debbio sobre Exu:

“Assim como Hermes, Exu é o mensageiro dos deuses, seu poder é o de receber e transportar os pedidos e oferendas dos seres humanos ao Orum, o Mundo dos Deuses. É o Senhor dos Caminhos, das encruzilhadas, das trocas comerciais e de todo tipo de comunicação. Ele representa também a fertilidade da vida, os poderes sexual, reprodutivo e gerativo. Não podemos nos esquecer de que o sexo, diferentemente do que os católicos e evangélicos dizem (uma coisa de luxúria, de pecado), é na verdade um ato sagrado. Talvez por isso, por ele ser o poder sexual, os cristãos o comparem com o Demônio.

A origem do mito de associação de Exu com o Diabo vem dos Jesuítas. Quando os escravos estavam fazendo o sincretismo de suas religiões africanas com os Santos Católicos, os Jesuítas desconfiaram que havia alguma coisa errada… nas religiões africanas, não existe a figura do diabo, apenas de deuses com características humanas. Então eles encontraram um símbolo fálico representando o Exu e tiveram a “brilhante ideia” de associar o pênis ereto com o sexo (pecado) com o diabo para completar o panteão católico.

Adicione dois séculos de deturpação católica e (posteriormente) evangélica e temos a imagem do Exu como ela é nos dias de hoje.

Sem falar que normalmente a figura do Senhor Exu é colocada com chifres, rabo, pintado de vermelho, imagem bem parecida com a que os cristãos “desenham” o Diabo… Então, o Exu verdadeiro das religiões africanas nada tem em comum com o diabo lúdico, e as esquisitas estátuas comercializadas e utilizadas arbitrariamente em terreiros são frutos da imaginação de visionários que não enxergam nada além das manifestações dos baixos sentimentos em formas deprimentes, nos seres que lhes são afins.”

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» Parte da série “Voz dos Orixás”

Crédito da imagem: photophilde

Rafael Arrais é autor da coluna Textos para Reflexão no TdC, mas de vez em quando aparece por aqui também…

» Ver todos os posts da coluna Umbanda: Magia Brasileira no TdC

#exu #poesia #UmbandaSagrada

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/palavras-de-exu-rei

A Pluralidade de Ritos Maçônicos no Brasil e no Grande Oriente do Brasil

De fato, é um laurel da Maçonaria Brasileira a Pluralidade de Ritos, porque o exercício de Ritos Regulares faz com que a nossa Obediência abrigue, generosamente, as várias correntes Filosóficas e Doutrinárias do Mundo Maçônico, desde o Agnosticismo até o Teísmo. Seria um atentado à História e à Justiça se, em obediência a imposições ilegítimas e alienígenas, criássemos agora obstáculos aos Ritos” (Álvaro Palmeira, Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil – 1963/1968)

1 – A Gênese dos Ritos

Conceituamos rito como sendo um cerimonial próprio de um culto ou de uma sociedade, determinado pela autoridade competente; é a ordenação de qualquer cerimônia e, por extensão, designa culto, religião ou seita. Maçonicamente é a prática de se conferir a Luz Maçônica a um profano, através de um cerimonial próprio. Em seiscentos anos de Maçonaria documentada, uma imensidade de ritos surgiram. Mas, de 1356 a 1740, existiu um rito apenas, ou melhor um sistema de cerimônias e práticas, ainda sem o título de Rito, que normatizava as reuniões maçônicas. Somente a partir de 1740 é que uma infinidade de ritos varreu o chão maçônico da Europa. Para evitar heresias, um Rito deve ter conteúdo que consagre algumas exigências bem conhecidas: o símbolo do Grande Arquiteto do Universo, o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso sobre o altar dos juramentos, sinais, toques, palavras e a divisão da Maçonaria Simbólica em três graus. Não há nenhum órgão internacional para reconhecer ritos. Acima do 3º Grau, cada Rito estabelece sua própria doutrina, hierarquia e cerimonial.

Um rito maçônico, usando simbolismo próprio, é um grande edifício. Deve ter projeto integrado, dos alicerces ao topo. Cada rito possui detalhes peculiares. A linha maçônica doutrinária, em cada Rito, deve ser contínua, dos graus simbólicos aos filosóficos. Cada Rito é uma Universidade doutrinária.

2 – Os Ritos praticados no Brasil

Conforme observamos, existem muitos Ritos Maçônicos praticados em todo o mundo. No Brasil, especificamente, são praticados seis, alguns deles reconhecidos e praticados internacionalmente e outros com valor apenas regional. São eles, o Rito Schröeder ou Alemão (pouco praticado no Brasil), o Rito Moderno ou Francês, o Rito de Emulação ou York (o mais praticado no mundo), o Rito Adonhiramita, o Rito Brasileiro e o Rito Escocês Antigo e Aceito (o mais praticado no Brasil).

O RITO SCHRÖEDER foi criado por Friedrich Ludwig Schröeder que, ao lado de Fessler, foi um dos reformadores da Maçonaria alemã. De acordo com o prefácio do ritual editado em 1960 pela Loja “ABSALON ZU DEN DREI NESSELN” (Absalão das Três Urtigas), Schröeder introduziu o rito em sua Loja a 29 de junho de 1801 e esse rito, desde logo, conquistou numerosas Lojas em toda a Alemanha e em outros países onde passou a ser praticado, principalmente por maçons de origem alemã. É um rito muito simples e trabalha, como o de York, apenas na chamada “pura Maçonaria” ou seja, na dos três graus simbólicos, já que não possui Altos Graus. No Rito Schröeder a expressão “Grande Arquitetodo Universo” é usada no plural – “Grande Arquiteto dos Universos (G.A.DD.UU.).

O RITO MODERNO, criado em 1761, foi reconhecido pelo Grande Oriente da França em 1773. A partir de 1786, quando um projeto de reforma estabeleceu os sete graus do rito – em contraposição ao emaranhado dos Altos Graus da época -, ele teve grande impulso espalhando-se por toda a França, pela Bélgica, pelas colônias francesas e pelos países latino-americanos, inclusive pelo Brasil. Já no início do século XIX, o Grande Oriente do Brasil – primeira Obediência brasileira – foi fundada em 1822, adotando o Rito Moderno, antes do Rito Escocês que só seria introduzido em 1832. Em 1817 houve a grande reforma doutrinária que suprimiu a obrigatoriedade da crença em Deus e da imortalidade da alma, não como uma afirmação do ateísmo, mas por respeito à liberdade religiosa e de consciência, já que as concepções religiosas de uma pessoa devem ser de foro íntimo, não devendo ser impostas. O Grande Oriente da França, que acolheu a reforma, queria demonstrar com isso o máximo de escrúpulos para com os seus filiados, rejeitando toda e qualquer afirmação dogmática. Essa atitude provocou uma rápida reação da Grande Loja Unida da Inglaterra que rompeu com o Grande Oriente da França. O caso envolveu não apenas uma questão doutrinária como ainda político-religiosa.

O RITO YORK
é considerado bastante antigo. A Grande Loja de Londres, durante muito tempo após a sua fundação, teve uma influência muito limitada, pois a grande maioria das Lojas britânicas continuava a respeitar as antigas obrigações, permanecendo livres sem aderir ao sistema obediencial. O centro de resistência à Grande Loja era a antiga Loja de York, de grande tradição operativa e que dava aos membros da Grande Loja o título de “Modernos”, enquanto eles próprios se autodenominavam “Antigos”, pelo respeito às antigas leis. O que os Antigos censuravam nos Modernos era a descristianização dos rituais, a omissão das orações e da comemoração dos dias santos, contrariando assim os mandamentos da Santa Igreja (Anglicana). O cisma entre os Antigos e Modernos durou até 1813, quando as duas Grandes Lojas fundiram-se formando a Grande Loja Unida da Inglaterra, que adotava o Rito dos Antigos de York. A Constituição desse Supremo Órgão foi publicada em 1815. O rito não possui Altos Graus, tendo além dos três simbólicos, uma quarta etapa designada de “Real Arco”, que é considerada uma extensão do Mestrado. O Rito de York, por ser teísta, está mais ligado aos países onde os cultos evangélicos predominam, pois o clero desses cultos tem dado à Maçonaria o apoio e o suporte necessário para a sua evolução e crescimento.

O RITO ADONHIRAMITA nasceu de uma polêmica entre ritualistas em torno de Hiram Abif, chamado de ADON-HIRAM (Senhor Hiram) e ADONHIRAM, o preposto das corvéias, depois da construção do Templo de Jerusalém, de acordo com os textos bíblicos. O rito, depois de uma época de grande difusão, acabou desaparecendo. Todavia, no Brasil (onde foi o primeiro rito praticado), ele permaneceu, fazendo com que o país seja hoje o centro do rito, que teve seus graus aumentados de treze para trinta e três. O Rito Adonhiramita é deísta.

O RITO BRASILEIRO teria sido criado em 1878, em Pernambuco, mas tem sua existência legal a partir de 23 de dezembro de 1914, quando foi publicado o Decreto nº. 500, do então Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, Lauro Sodré, fazendo saber que, em sessão do Conselho Geral da Ordem havia sido aprovado o reconhecimento e incorporação do Rito Brasileiro entre os que compunham o Grande Oriente do Brasil. Depois o Rito desapareceria, para ressurgir em 1940 e novamente em 1962, praticamente desaparecer, até que em 1968, o Decreto nº. 2.080, de 19 de março de 1968, do Grão-Mestre Álvaro Palmeira, renovava os objetivos do Ato nº. 1617 de 3 de agosto de 1940, como o marco inicial da efetiva implantação do Rito Brasileiro. A partir daí, o rito teve grande crescimento no país.

O RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO, Começou a nascer na França, quando Henriqueta de França, viúva de Carlos I, decapitado em 1649, por ordem de Cromwell, aceitou do Rei Luís XIV asilo em Saint-Germain-en-Laye, para lá se retirando com seus regimentos escoceses e irlandeses e os demais membros da nobreza, principalmente escocesa, que passaram a trabalhar pela restauração do trono, sob a cobertura das Lojas, das quais eram membros honorários, o que evitava que os espiões de Cromwell pudessem tomar conhecimento da conspiração.Consta que Carlos II, ao se preparar para recuperar o trono, criou um regimento chamado de Guardas Irlandeses, em 1661. Esse regimento possuía uma Loja, cuja constituição dataria de 25 de março de 1688 e que foi a única Loja do século XVII cujos vestígios ainda existem, embora os stuartistas católicos devam ter criado outras Lojas. O termo “escocês”, já a partir daquela época, não designava mais uma nacionalidade, mas o partido dos seguidores dos Stuarts, escoceses em sua maioria. Assim, após a criação da Grande Loja de Londres, em 1717, existiam na França dois ramos maçônicos: a Maçonaria escocesa e stuartista, ainda com Lojas livres, e a inglesa com Lojas ligadas à Grande Loja. A Maçonaria escocesa, mais pujante, resolveu, em 1735, escolher um Grão-Mestre, adotando o regime obediencial, o que levaria à fundação da Grande Loja da França (Grande Oriente de 1772), embora esta designação só apareça em 1765. O escocesismo, na realidade, só se concretizou com a introdução daquilo que seria a sua característica máxima, os Altos Graus, através de uma entidade denominada “Conselhos dos Imperadores do Oriente e do Ocidente”. Este Conselho criou o Rito de Héredom, com 25 graus, o qual, incorporado ao escocesismo, deu origem a uma escala de 33 graus, concretizada do primeiro Supremo Conselho do Rito em todo mundo. O REAA, por ter sido um rito deísta, não foi unanimemente aceito nos países onde predominavam as Igrejas Evangélicas e vicejou mais nos países latinos onde predomina o Catolicismo. É necessário explicar que atualmente o caráter deísta do Rito Escocês Antigo e Aceito misturou-se ao teísmo, sendo que este acabou sendo redominante. O REAA tem o mesmo forte caráter teísta do Rito de York.

3 – Conclusão: A Unidade na Diversidade

A Maçonaria se caracteriza pela diversidade e sempre admitiu a pluralidade de ritos. O Sistema do Rito Único, caso existisse, não seria um bom sistema. A Ordem reuniu sistemas diversos formando uma unidade superior, perfeitamente caracterizada que é a Doutrina Maçônica. A Maçonaria convive com muitos ritos, uns teístas, outros deístas sem esquecer os agnósticos. Afinal, há muitas maneiras de se relacionar com Deus. Mas há um detalhe: o maçom não pode ser ateu. Em decorrência deste ecletismo, as manifestações maçônicas disseminadas no mundo ao longo do tempo, apresentam-se com grande diversificação, havendo Unidade na Diversidade. É possível que a máxima “E PLURIBUS UNUM” (A Unidade na Diversidade), inscrita no listel que envolve a parte superior do Selo dos EUA seja de origem maçônica. Afinal, todos os chamados “pais da pátria” daquele país foram maçons, a começar por George Washington.

Referências Bibliográficas:

1. CASTELLANI, José. Curso Básico de Liturgia e Ritualística. Londrina, Ed. “A TROLHA”, 1991;

2. FARIA, Fernando de. Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos. “O SEMEADOR” nº 8 (2ª fase) Jul-Dez 1990;

3. OLIVEIRA, Arnaldo Assis de. Escocesismo. Trabalho para aumento de salário no Ilustre Conselho de Kadosch nº 22, 1992;

4. “EGRÉGORA” nº. 1/Jul-Ago 1993; nº. 2/ Set-Nov 1993; nº. 3/Dez 93-Fev 1994; nº. 4/Mar-Mai 1994; nº. 5/Jun-Ago 1994.

Ven. Irmão Lucas Francisco GALDEANO – Venerável Mestre da Loja “Universitária-Verdade e Evolução” nº.3492 do Rito Moderno (2005-2007), ex-Venerável da Loja Miguel Archanjo Tolosa nº.2131 do R.E.A.A.(1991-1993), ex-Grande Secretário Geral de Educação e Cultura do Grande Oriente do Brasil (1993-2001), Presidente do Conselho Editorial do Jornal Egrégora – Órgão Oficial deDivulgação do Grande Oriente do Distrito Federal.

Por Ven. Irmão Lucas Francisco GALDEANO

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-pluralidade-de-ritos-maconicos-no-brasil-… […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-pluralidade-de-ritos-maconicos-no-brasil-e-no-grande-oriente-do-brasil/

Princípios da Engenharia Mágica

Thiago Garcia Tamosauskas

Nomes podem ser trapaceiros. O Nacional Socialismo não é socialista, a República Democrática do Congo não é democrática e a República Federativa do Brasil não é federativa. Este não é um problema exclusivo da política: A Teoria da Relatividade trata de absolutos nada-relativos como a constante cosmológica e velocidade da luz e a teoria do caos, por sua vez encarrega-se, na verdade, de lidar com a ordem que surge em meio à complexidade. O mesmo pode ser dito da corrente conhecida como Magia do Caos, que ao contrário do que pode soar, na verdade é uma corrente ordenadora que consegue unificar os mais diferentes campos da prática mágica, muitos dos quais seriam paradoxais e contraditórios caso ela não existisse.

A magia, assim como outras expressões da natureza – como a música por exemplo – pode ser convertida em linguagem matemática para medir sua harmonia, seus padrões e assim ser estudada, observada e desenvolvida. É justamente isso que Peter J. Carroll propôs, em seu livro Liber Kaos, editado pela primeira vez em 1992. Carroll se utilizou da matemática formal para ordenar a mecânica mágica em uma série de equações. Não é minha intenção, repetir sua explicação e suas justificativa, nem mostrar o porquê e o como destas equações. Ele mesmo já fez um trabalho fenomenal na seção intitulada ‘Chaos Mathematics’, logo no primeiro capítulo da obra acima citada. Sendo assim irei apenas citar rapidamente as três equações básicas e fornecer uma rápida legenda para elas  na esperança de que o praticante perceba novas ramificações da prática mágica e vá imediatamente atrás da fonte original. Feito isso entrarei na real proposta deste artigo.

Pm = P + (1-P) M^(1/P)

A primeira equação calcula a Probabilidade de Sucesso Mágico (Pm).

Entre as centenas de definições existentes de magia uma das mais acuradas é a “Ciência de manipular as probabilidades”, isso porque ela abarca tanto a definição de Alta Magia como de Baixa Magia manipulativa e não se apega a termos de nenhum modelo mágico específico como Vontade, Espírito ou Destino.  Esta equação é uma das maneiras de se calcular a influência do processo mágico em aumentar a probabilidade de algum evento acontecer.

O bom resultado de qualquer operação mágica depende portanto de dois fatores: P, que é a chance de algo acontecer por simples chance e M, o fator que se cria pela operação mágica que aumentando a probabilidade deste algo acontecer. Esta probabilidade varia entre 0 (fracasso, impossibilidade) e 1 (sucesso, certeza). A equação a seguir demonstra como calcular M, segundo o paradigma proposto por Peter Carroll.

M = GL(1-A)(1-R)

Numa explicação rápida, podemos dizer que o fator mágico (M) é o produto do estado de Gnosis (G), pela Ligação com o alvo (L) descontada a ansiedade (A) e a resistência subconsciente ao processo todo (R). Resumindo de forma clara: Ansiedade é sua preocupação de que algo aconteça e Resistência é a voz  na sua cabeça dizendo que aquilo não vai acontecer. O fator M, após ser calculado deve ser incluído na primeira equação. Isso entretanto apenas para o caso de tentar-se aumentar a probabilidade de algum evento.

Existe também o caso de querer se utilizar de magia não para aumentar a probabilidade de algo ocorrer, mas o oposto, que a probabilidade de algo caia drasticamente. Um exemplo rápido disso é imaginar que um ritual que seria usado caso você deseje que um conhecido, por exemplo, não consiga arranjar um emprego. Neste caso, do segundo exemplo, você deve utilizar esta terceira fórmula:

Pm = P - PM^[1/(1-P)]

Como pode-se notar, trata-se apenas de uma inversão da primeira equação. Lembrando que o sinal ^ refere-se a exponenciação matemática. A probabilidade resultante nesta fórmula é portanto igual a probabilidade natural subtraída pelo produto de si mesma  com o fator M elevado a 1 dividido por 1 menos esta mesma probabilidade original.

Estas fórmulas, permitem uma série de conclusões interessantes e trazem boas e más notícias aos magistas. A primeira boa notícia é que o Fator de Equilíbrio que mencionei alguns anos atrás no Manual do Satanista é algo matematicamente óbvio e de extrema importância. Qualquer valor M entre 0.5 e 0.7 terá um grande resultado sobre probabilidades na mesma faixa numérica, mas pouco efeito em eventos altamente improváveis onde P é superior ou igual a 0.8. O magista deve portanto sempre tentar alimentar as chances naturais antes de se engajar magicamente. Por outro lado, se M chegar a 1, então mesmo eventos altamente improváveis tornar-se-ão possíveis.

Explicadas as três equações da magia, chegamos ao verdadeiro objetivo deste artigo e minha real contribuição a engenharia mágica iniciada acima.  Não basta apenas ter muita vontade de se trocar uma lâmpada se antes você não tiver uma lâmpada nova em mãos. Creio que Peter Carroll deixou uma grande lacuna em sua obra que pode e deve ser explorada para benefício de todos os praticantes. Trata-se da ausência de fatores bem definidos para as variáveis G, L, A e R. É necessária uma aproximação numérica para cada uma destas partes, pois sem isso as fórmulas não alcançam toda sua utilidade prática, permanecendo apenas no reino da pura especulação subjetiva.

É realmente muito difícil padronizar coisas tão sutis como o funcionamento da mente, contudo considero que graças a experiência pessoal, longas discussões com outros praticantes e muita revisão em cima dos conceitos consegui chegar a um resultado aceitável. As tabelas a seguir são uma pequena aproximação pragmática dos quatro fatores essenciais da equação M:

Fator L = Ligação

Esta primeira tabela é uma sugestão de padrão numérico para a sua ligação com o alvo de seu ato mágico. Ela por si mesma mostra porque rituais de iluminação costumam ser mais efetivos do que rituais de encantamento, pois o vinculo consigo mesmo é sempre mais garantido do que a ligação com terceiros. Eis a tabela do Fator L:

  • 0    Nenhuma forma de vinculo
  • 0.1  Vinculo abstrato/simbólico (símbolos, assinaturas, nomes)
  • 0.2  Vinculo material (sangue, cabelos, roupas, etc.. )
  • 0.3  Vinculo pictórico/representativo (fotos, desenhos )
  • 0.4  Constructo mental ordinário (imaginação não treinada, lembrança vaga que você associe com o alvo)
  • 0.5  Vinculo usando 3 sentidos ( em geral, visual e sonoro + olfativo ou tátil)
  • 0.6  Uso pleno dos cinco sentidos no vinculo
  • 0.7  Cinco sentidos + tempo (filme, teatro, psicodrama)
  • 0.8  Constructo mental elaborado (imaginação bem treinada e realista)
  • 0.9  Contato real com o alvo (entrar em contato com ele)
  • 1    Contato real e interativo com o alvo (entrar em contato e interagir com ele)

Note que os itens 0.9 e  1 são para contatos reais com o seu alvo. Para a maioria das pessoas isso representará uma proximidade espacial, mas não a diferença significativa entre uma mente completamente convencida de um contato físico e uma mente completamente convencida de um contato astral.

Fator A = Ansiedade

A segunda tabela é uma escala da preocupação com o ritual ou trabalho mágico funcionar. A Sigilização, esta grande contribuição do século XX a tradição mágica ,é uma maneira conhecida de reduzir a ansiedade, mas não é a única forma, como prova toda a história anterior do ocultismo. Idiomas bárbaros, pentáculos e chaves enoquianas são alguns dos exemplos comuns. Al;em disso, todo grau avançado de Gnosis reduz a Ansiedade na medida em que a mente fica tão envolvida e/ou satisfeita que não tem motivos para se preocupar e o ritual oblitera qualquer ânsia de resultados. Eis a tabela do Fator A:

  • 0    Não ligo se o resultado for negativo ou positivo.
  • 0.1  Não tenho necessidade, nem urgência. O fracasso é uma opção.
  • 0.2  Não tenho pressa, nem necessidade urgente de um resultado favorável
  • 0.3  Tenho necessidade de um resultado favorável, mas quase não perco tempo pensando nisso
  • 0.4  Tenho necessidade de um resultado favorável e penso nisso ocasionalmente
  • 0.5  Tenho necessidade de um resultado favorável e penso nisso freqüentemente
  • 0.6  Tenho necessidade de um resultado favorável e penso nisso o tempo todo.
  • 0.7  Tenho urgência. Esta é uma das mudanças importante para mim agora.
  • 0.8  De todas esta é a mudança mais relevante para mim atualmente.
  • 0.9  Esta e uma das mudanças mais importantes da minha vida
  • 1    Esta é a mudança mais importante de toda a minha vida

Fator R = Resistência subjetiva

A terceira tabela esquematiza a sua resistência psicológica a magia. A segunda palavra é importante porque lembra que não se trata de uma crença superficial que pode ser facilmente mudada, mas daquilo que interiormente é aceito como verdadeiro. Ela define em última instancia sua opinião sobre um ritual ou um trabalho mágico.

  • 0    Tudo é possível, indivíduos podem afetar até as leis da realidade.
  • 0.1  As leis da natureza podem ser temporariamente quebradas
  • 0.3  Existem leis cósmicas que fazem a magia funcionar
  • 0.2  Tudo é possível sob certas condições raras
  • 0.4  É possível. Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia
  • 0.5  A Magia é real mas está restrita à natureza e às suas leis. Funciona em alguns casos e em outros não.
  • 0.6  As leis da natureza as vezes de comportam de modo a parecer mágicas.
  • 0.7  Magia é apenas uma maneira de conseguir estar no lugar certo na hora certa.
  • 0.8  Magia tem um poder limitado a consciência individual ligado apenas a psicologia, neuro-linguistica, etc.
  • 0.9  Magia é um nome pomposo para auto-ilusão, placebo e sorte
  • 1    Magia não existe.

Fator G = Gnosis

A última variável é calculada de maneira diferente. Realizei alguns experimentos com algumas  escalas lineares para a Gnosis  e todas elas mostraram-se insatisfatórias e imprecisas. Este problema foi contornado pelo aperfeiçoamento da escala original que resultou na criação de uma quarta equação da magia:

G = S T

Gnosis é portanto, o produto do fator Spare (S) pelo Tempo (T). O conceito importante aqui é o fator S central. Ele se refere a Tabela Spare que desenvolvi, (em homenagem a Austin Spare) e que será relacionada abaixo.

O Tempo, T não é uma escala cronológica de segundos ou horas. Isso não faria sentido uma vez que o tempo linear é por si só ilusório e se torna cada vez mais irrelevante a medida que nos aprofundamos da realidade psíquica interior. Trata-se portanto da percepção subjetiva que a consciência tem da duração do estado de Gnosis.  De 0.1 a 0.3 são experiências rápidas e fugazes, como um espirro, um susto ou uma topada no pé. Valores T iguais a 0.4 a 0.6 são para experiências moderadas como auto-flagelação, os giros dervixes ou uma corrida em uma montanha russa. De 0.7 a 0.9 são experiências relativamente longas, como um transe xamânico, uma seção sado-masoquista ou um exorcismo neo-pentecostal. O fator 1.0 é reservado apenas a aquelas experiências onde a noção de tempo é completamente superada e o adepto experimenta a atemporalidade como no caso do Samadi yogui, das Experiências Culminantes de Abraham Maslow e das visões descritas no Apocalipse de João.

A Tabela Spare, por sua vez, não é uma escala progressiva mas sim a soma ponderada de diversos sintomas específicos. Cada um deles com seu valor. Ela foi criada com base no trabalho de Austin Spare e dos Círcuitos de Consciência de Timothy Leary e enriquecida com as experiências de minha prática mágica pessoal.  A unidade de medida do estase eu chamo de spare. A Tabela foi estrategicamente concebida de maneira a evitar trapaças evitando acúmulos desleais na contagem. Assim, qualquer soma superior a 1 spare é indício claro de que você está enganando a si mesmo na hora de estimar o fator.

A Tabela Spare

  • 0.1   Sensações intensas de Prazer/Dor física.
  • 0.1   Privação/Estase dos sentidos.
  • 0.1   Privação/Sobrecarga do organismo  (jejum, fastio, insônia, imobilidade, exaustão)
  • 0.1   Emoções atávicas, fortes ou significativas.
  • 0.1   Estímulos abstratos complexos (música, dança, matemática, teatro, etc…)
  • 0.1   Libertação socio-cultural. Entrega completa. (perda de auto-censura, alivio de normais cotidianas, quebra de tabus tribais)
  • 0.1   Memórias Simultâneas/Amnésia
  • 0.1   Consciência não-local. Transcedência da noção de espaço.
  • 0.1   Superação conceito de individualidade.
  • 0.2   Pensamento único extremamente concentrado
  • 0.2   Vacuidade. Ausência absoluta de pensamentos.

Para exemplificar a consulta da Tabela Spare: Um orgasmo de má qualidade acumularia o estado de vacuidade, 0.2 spares (sp), ao prazer físico 0.1 sp, a perda de auto-censura 0.1 sp e a emoção da luxúria 0.1 sp num total de 0.5 spares. Já um orgasmo tântrico acumularia ainda, o estase dos sentidos 0.1 sp, os estímulos sensórios complexos próprios do ritual 0.1 sp, a consciência expandida não-local resultante 0.1 sp e a superação do conceito do Eu ordinário 0.1. num total de 0.9 sp.

Aplicando a equação G=ST teríamos que uma seção tântrica longa de T=0.9 que atinja 0.9 spares resultaria em uma Gnosis na ordem de 0.8.

Fator P = Probabilidade

Agora, voltando às duas fórmulas, não adianta nada se ter todas os elementos mágicos calculados se não temos o fator P (a chance de algo acontecer por simples chance) na equação também. O fator P é a probabilidade natural de algo acorrer sem a influência do magista ainda, é a probabilidade simples que deve ser calculada antes de mais nada. Nossas duas fórmulas dependem deste fator como podemos ver:

Pm = P + (1-P) M^(1/P)
Pm = P - PM^[1/(1-P)]

Vamos ver então como chegar a este número agora. Para se calcular a probabilidade de qualquer evento acontecer podemos nos valer de três regras principais de cálculo. A primeira delas afirma que a probabilidade de dois eventos ocorrerem nunca pode ser maior do que a probabilidade de que cada evento ocorra individualmente. Essa é a primeira lei da probabilidade. Trocando em miúdos ela simplesmente afirma que em um caso onde temos dois eventos possíveis, evento A e evento B, a chance do evento A acontecer = chance que evento A e B ocorram + chance que evento A ocorra e evento B não ocorra.

Um exemplo mais visual para isso é: A chance de a primeira pessao entrar numa sala ser uma garota de vestido vermelho nunca pode ser maior do que a chance da primeira pessoa que entrar na sala seja uma garota. Que evento você acha que tem uma probabilidade maior de acontecer, qual acha mais provável:

  1. A) Que uma pessoa se forme em aconomia
  2. B) Que uma pessoa se forme em economia e vá trabalhar em um banco
  3. C) Que uma pessoa se forme em economia, vá trabalhar em um banco e depois de 3 anos seja promovida à vaga de gerente

Resposta certa: A

Em casos mais complexos a lei permanece. Por exemplo a probabilidade de um garoto ser destro é sempre maior do que a probabilidade dele ser destro e ter cabelos pretos e maior do que ele ser destro. Para isso basta calcular a probabilidade de um garoto ser destro (GD), a probabilidade dele ter cabelo preto(CP) e colocar na fórmula: (GD + CP) + (GD + Cabelo qualquer outra cor).

A segunda lei da probabilidade importante para chegarmos no fator P é a lei da combinação de probabilidades: Se dois eventos possíveis, A e B, forem independentes, a probabilidade de que A e B ocorram é igual ao produto de suas probabilidades individuais.

Hoje com o advento da compra de ingresso pela internet para assitir a filmes no cinema, suponha que um cinema exibindo o último filme comentado esteja quase lotado, tenha apenas mais uma cadeira disponível e dois ingressos tenham sido reservados pelo site do cinema. Suponha que, a partir da experiência, o atendente do cinema saiba que existe uma chance de 2/3 de alguém que reserva um ingresso apareça para ver o filme, ou seja de cada 3 pessoas que reservam ingressos 2 pelo menos aparecem para ver o filme. Então ele sabe que, caso essas últimas duas reservas que faltam ser preenchidas, se tiverem sido feitas por pessoas independentes, podem resultar em uma chance de 2/3 X 2/3 de terminar com um cliente puto porque reservou um lugar e quando chegou não tinha cadeiras, ou seja a chance do cliente 1 aparecer, multiplicada pela chance do cliente 2 aparecer, que é de aproximadamente 44%. Ao mesmo tempo existe uma chance de 1/3 (probabilidade da pessoa reservar e não aparecer) X 1/3 do filme começar com uma cadeira vazia apesar das reservas, ou seja: 11%.

E existem ainda casos onde aplicamos outra lei: se um evento pode ter diferentes resultados possíveis, A, B, C e assim por diante, a possibilidade de que A ou B ocorram é igual à soma das probabilidades individuais de A e B, e a soma das probabilidades de todos os resultados possíveis (A,B,C e assim por diante) é igual a 1 (ou seja 100%). Esta lei serve para calcular a probabilidade de que um dente dois eventos mutuamente excludentes, A ou B, ocorra. Como exemplo vamos voltar para o caso do cinema. Suponha que o atendente queira calcular a chance de que as duas pessoas que reservaram a cadeira apareçam ou que nenhuma delas apareça. Calculando com os números acima, e somando ao invés de multiplicar, terminamos com o resultado de 55% aproximadamente.

Essas três leis são basicamente tudo o que você precisa para poder chegar ao fator P e adicioná-lo à fórmula. Agora para isso você precisa saber a sutileza do que quer saber para descobrir que fórmula usar.

A seguir faremos uma sugestão de uma abordagem experimental para tudo o que foi explicado até agora. A Engenharia Mágica que propomos deve ser baseada em resultados práticos e acima de tudo mensuráveis.

Provas Experimentais

A prática mágica só se distingue da religião e das demais crenças na medida em que coloca a si mesmo a prova. Por enquanto tenha toda a teoria passada até agora apenas como uma hipótese a ser testada. Para isso vou propor um experimento simples para a utilização da formula sem que o adepto perca-se com números e possa por sua própria experiência pessoal cruzar a linha entre o mito e o método. Além disso este será exercício fundamental para você “afinar” a sua percepção sobre si mesmo e superar suas limitações enquanto magista.

Você vai precisa de papel e caneta, ou alguma outra forma de registro e dois dados de 6 lados cada.

O espaço amostral, ou seja o conjunto de todos os resultados possíveis do resultado de um lance de dois dados são:

[1-1], [1-2], [1-3], [1-4], [1-5], [1-6]

[2-1], [2-2], [2-3], [2-4], [2-5], [2-6]

[3-1], [3-2], [3-3], [3-4], [3-5], [3-6]

[4-1], [4-2], [4-3], [4-4], [4-5], [4-6]

[5-1], [5-2], [5-3], [5-4], [5-5], [5-6]

[6-1], [6-2], [6-3], [6-4], [6-5], [6-6]

Existem 36 resultados possíveis, logo a chance de qualquer combinação é de 1 para cada 36 jogadas ou 1/36, P = 0,027. Em outras palavras, sando o espaço amostral do resultado do jogo de dois dados, temos uma chance de 2,7% de saírem 2 números 6 em cada jogada.

Atire 200 vezes os dois dados e anote os resultados. Atire 500, 1000 vezes, lembre-se que quanto maior o número de resultados melhor você vai poder mensurar os seus atributos mágicos. Caso tenha a possibilidade, você pode simular rapidamente estas jogadas usando softwares próprios de sorteio, isso não influenciará em nada o resultado da experiência.

Depois de anotar todos os resultados, veja quantos duplos 6 você tirou. Tabule esta informaçao.

Realize então o sua prática mágica de preferência. Evoque espíritos antigos, assuma uma forma-deus, canalize as linhas Leis, faça pactos com demônios, etc. Exercite sua magia dentro de sua área de expertise desejando que os próximos resultados da experiência sejam apenas duplos 6. Se possivel passe uma semana realizando rituais ou se preparando antes das próximas jogadas e então faça o mesmo exercício de jogar os mesmos dados.

Anote todos os resultados e veja como a sua magia influencia a probabilidade natural dos resultados. Estes serão os dados de controle para o restante da experiência.

Na próxima semana, utilizando as fórmulas e tabelas fornecidas neste artigo tente melhorar o resultado matemático do seu fator M. Munido deste ajuste fino prepare-se mais uma semana e repita a experiência. Estas três semanas devem bastar para convencer o magista sobre o poder desta abordagem magica. Entretanto alguns praticantes podem desejar realizar este exercício por um tempo mais longo devido aos benefícios óbvios que ele fornece. Se este for o seu caso, aproveite para comparar os resultados com o passar das semanas, se possível mantendo alguma espécie de registro gráfico ou tabular.

Isso é interessante por vários motivos, por um lado você pode ter uma “prova” real de como pode influenciar a probabilidade natural de algo com o sua magia, e outro é ver porque você não influencia tanto quanto gostaria. Use os princípios ensinados neste artigo e afine os parâmetros de suas experiências. Depois da segunda amostragem realize outro tipo de ritual buscando variar os elementos fundamentais das fórmulas e repita o experimento, veja como isso afeta de forma diferente os resultados. Será que sua Gnose não é tão intensa quanto você acha que é? Será que é extremamente ansioso e não consegue relaxar depois? Será ainda que no fundo acredita que magia é besteira e só funciona com coisas que apresentem um resultado vago o bastante para poder ser atribuído ao acaso? Estas são perguntas que só você poderá responder e mestre ou guru nenhum no mundo poderão substituir.

Conclusão

Como conclusão resta dizer que estas ferramentas dadas acima servem não apenas para se calcular o quanto a interação mágica pode afetar a chance de algo ocorrer, mas também como forma de ver como o praticante deve evoluir ou se adaptar para que essa probabilidade mude. Identifique suas forças e fraquezas. Trabalhe com os pontos das tabelas para ver como aumentar a chance de sucesso vendo como sua crença e sua ansiedade, por exemplo, afetam os resultados de suas práticas trabalhando então de forma a mudar a balança a seu favor.

Da mesma forma este estudo pode ser usado como uma excelente arma de ataque mágico. Sabendo como funcionam essas engrenagens você pode afetar outros magistas usando os elementos da tabela de forma que afetem o sucesso de seus trabalhos. Aumentando a ansiedade de seus oponentes, fazendo com que o seu fator R aumente ou diminuindo a ligação dele/a com o alvo, etc… Essas informações são tão mais poderosas conforme a ignorância de seu oponente chegando a perfeição no caso de magos naturais que sequer sabem o que estão fazendo.

Eu estimulo meus irmão da prática mágica a explorar sutilezas dos métodos aqui ensinados. Isso é não apenas aceitável, mas bastante recomendado, inclusive tentando acrescentar ou mudar elementos de acordo com sua própria experiência. Devo destacar ainda que é necessária completa honestidade consigo mesmo na hora de avaliar cada um dos fatores. No caso de G devemos ser francos com o grau de alteração de consciência que realmente conseguimos atingir. Em L os graus 0.4 e 0.8 devem ser judiciosamente distinguidos, pois existe uma tendência entre os iniciantes de achar que suas imagens mentais fracas sejam como aquelas que uma mente treinada consegue projetar. Como distinguir? Tente fazer uma descrição de uma pessoa para alguém e então peça para a pessoa tentar adivinhar de quem você está falando. Em A e R, é necessário que escolhamos com sinceridade nossa posição, buscado aquilo que realmente pensamos e não aquilo que gostaríamos de pensar.

Uma nota se faz necessária quanto a possibilidade de drogas e substâncias químicas para melhorar o desempenho das variáveis que compõem o fator M. Não existem evidências de que nenhuma substância química possa ajudar no elemento R, isso porque trata-se da resistência subconsciênte. O uso de Álcool por exemplo, para esse fim se prova impróprio pois ele apenas aflora as mesmas crenças subjetivas. A variável A, de ansiedade pode ser melhorada pelo uso haxixe e de ansiolíticos em geral como os derivados da morfina. Por fim spares podem ser acumulados pelos uso de uma grande variedade de substâncias químicas, e notadamente o LSD, a Psilocibina e o Ayahuasca.

Agora devemos estar atentos quando formos inserir qualquer forma de consumo de drogas em rituais por um motivo simples: a banalização que se tornou o consumo deste tipo de substância.

Gregos e romanos antigos, e xamãs muito antes deles, era famosos de substâncias em seus rituais, de ópio a anticolnérgicos, passando por toda uma gama de cogumelos e outros vegetais ou substâncias biológicas excretadas por animais. E esse uso de drogas era feito de forma precisa e “sagrada”, ou seja, consciente. O uso de drogas, mesmo o álcool, em trabalhos mágicos tem 3 estágios claros. O primeiro é aquele em que a droga é necessária para se atingir certos níveis de percepção que apenas a mente não atinge sozinha sem muita prático, é o estágio da droga como auxiliar. Esse estágio pode evoluir para o uso da droga sempre que se deseja atingir aquele estágio, já que é mais fácil do que exercitar a mente, este é o estágio da droga como muleta. E finalmente existe o estágio onde você pode usar drogas para seus rituais da mesma forma que usa para escovar os dentes, assistir tv ou sair na rua que é o estágio “eu sou um drogado que gosta de fazer rituais”.

Acredito que o objetivo da magia é a evolução do praticante para um estágio onde apenas a própria vontade seja capaz de causar alterações na realidade sem o uso de muletas. Desta forma, até algum estudo provar o contrário afirmo que as substâncias químicas não constituem substitutos seguros para o treinamento mágico. É por este motivo que os treinamentos mentais e as práticas de iluminação constituem a parte inicial de qualquer tradição mágica competente. Ansiedade, Resistência, Ligação e os estados alterados de consciência da Gnosis são elementos que podem sem dúvida ser aprimorados com treino e persistência. É a alquimia interna que acaba servindo como exercícios para melhorar cada um destes fatores consideravelmente.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/principios-da-engenharia-magica/

Carta a um evangélico

Olá Sr. Evangélico, aqui quem fala sou eu, o Sr. Espiritualista.

Antes de mais nada, preciso lembrar-lhe de que somos irmãos, ou pelo menos não há nada explícito em nossas doutrinas que afirme o contrário…

Vejamos, então, a questão da espiritualidade africana. Tenho visto o senhor dizer que os orixás são demônios e que toda macumba é necessariamente coisa do Capeta… No entanto, é preciso que saiba: para o pessoal lá dos terreiros, macumba é só um instrumento musical, tipo reco-reco, sabe como é? Nem tem tanta importância assim, o som dos tambores é bem mais importante no ritual deles; E, já que falamos nos rituais, são coisas bem antigas, bem antigas mesmo! Muito antes dos termos “demônio” e “Capeta” terem sido inventados, já se faziam rituais para os orixás na África. Se ler um pouco de ciência e antropologia, saberá o que os cientistas já dão por quase certo: que viemos todos da África, o homo sapiens surgiu em algum ponto entre a parte sul e central do continente mãe.

O próprio deus bíblico deve muito ao deus que era cultuado na Mesopotâmia por povos que já eram bisnetos milenares dos primeiros africanos que batiam tambores em homenagem a Natureza. Sem El, Javé não seria muito mais do que o espírito ancestral de alguma tribo de hebreus perambulando por Canaã. Javé foi cultuado como um patriarca de homens, El foi compreendido como um deus cósmico, criador de tudo o que há [1]… Mais ou menos como Olorun, que criou o mundo, mas está tão acima de nosso plano de existência que não há nenhum xamã africano que tenha tido coragem de tratar diretamente com ele [2].

Foi muita engenhosidade dos hebreus esta que associou Javé a El, e com isso criou a ideia de um deus cósmico que, não obstante, poderia ser contatado como qualquer outro grande patriarca. O problema é supor que somente os rabinos podiam contatá-lo… Não foi exatamente por isto que Lutero lutou toda sua vida? Para que as pessoas comuns pudessem ler os textos sagrados e conhecer a Deus por si mesmas, sem a intermediação de Roma? Pois bem, pois os nossos irmãos africanos já falavam com Deus há muito mais tempo que a gente, e nem precisavam de livros para isso.

Quer dizer que todo o ritual que evoca orixás é coisa do bem? Claro que não, mas a maioria é. Maçãs podres, temos em qualquer pomar, e tenho certeza de que mesmo o neopentecostalismo tem as suas… Ou o senhor acha que abençoar talismãs com óleo ungido, ou derrubar fileiras inteiras de pessoas ao chão, é algo perfeitamente baseado nas Escrituras?

Tudo bem, vamos ser honestos: o que achamos um barato é essa tal experiência religiosa. Decerto Pentecostes foi uma loucura do Espírito Santo, mas quem garante que foi a primeira? Se até hoje os senhores procuram falar a língua dos anjos, porque encrencar com o caboclo que fala a língua dos espíritos da Natureza? Por mim, anjos e rios, cachoeiras e carruagens de fogo, florestas e sarças ardentes, se foram vistas pelas mentes que creem, se fizeram o bem para elas, que mal há? Onde o senhor vê o Capeta nessa história toda?

Por mim, se existe um ser assim, condenado a ser mal por toda a eternidade, ele não iria atuar sobre os verdadeiramente religiosos, mas antes optar pela via mais simples: tentar aqueles que já não creem, que não se dedicam, que nunca se arriscaram realmente a mergulhar neste Oceano de Amor que permeia todo o espaço e todos os tempos…

Me perdoe, eu tenho certeza que não é o seu caso, mas acaso nunca viu um cristaozão desses que bate no peito dentro da Igreja e diz: “Sou de Cristo!”, mas que começa a falar mal da sogra 5 minutos depois de terminar a oratória do pastor? De que adianta se achar um grande cristão ao chutar imagens de santos e orixás por aí, se ao chegar em casa chuta o seu cachorro e esbofeteia sua esposa? Será que Cristo falou numa espada para matar os infiéis, ou em oferecer a outra face para o agressor?

Os índios das Américas, coitados, também nunca tinham ouvido falar em Cristo. Os colonizadores europeus não deram muitas escolhas para eles: ou se convertiam, ou eram exterminados [3]. Até mesmo muitos que disseram ter se convertido foram exterminados do mesmo jeito, pois não serviam para o trabalho escravo… E o que há de cristão nisso tudo? Nas Cruzadas, o general francês perguntou ao representante do Papa como iriam identificar os cristãos dos não cristãos, na invasão de uma cidade onde cristãos, judeus e cátaros viviam em harmonia; Ele apenas disse isto: “Matem todos, que Deus escolherá os seus”… Ao que lhe pergunto: e quais deles não eram “de Deus”?

Ainda hoje, no Centro-Oeste do Brasil, há tribos indígenas sendo evangelizadas. Evangelizar não é o problema, pois ao menos estão dando a oportunidade para que esses indígenas se tornem parte de alguma outra comunidade que não a sua, e não vivam isolados, como párias, em um país construído sobre a invasão e o extermínio de suas terras ancestrais… O problema, este sim, é proibi-los de pintar o corpo de vermelho. “Vermelho é a cor do Capeta!”, seus colegas dizem… Mas, e o que diabos os índios tem a ver com o Capeta? Na maioria das mitologias indígenas, sequer existe um ser representante do mal, quanto mais um anjo caído… Eles nem sabem o que é um anjo! Se não podem se pintar de vermelho, vão se pintar de branco? Ou de verde? Ou lilás? Convenhamos, isso não faz o menor sentido.

Vamos tentar ser mais seguidores de El, e menos seguidores de Javé. Javé era um espírito ancestral, e precisava de barganhas e favores, e tinha ciúmes dos cultos de espíritos e deuses alheios, como foi o caso com Baal. Mas El não, El não tinha um oposto, pois o Tudo não tem oposto – o Nada não existe.

Dessa forma, se existe um Capeta, seria injustiça da parte de Deus que ele pudesse controlar a mente dos seres puros, corrompendo-os… Acho que faz mais lógica, além de estar mais de acordo com o que vemos na Natureza e na psicologia humana, considerarmos que o mal existe na alma de cada um de nós, e que é somente lá, precisamente lá, que precisamos fazer uso desta espada de que Cristo falou…

Para cortar a trave que obstruí nosso próprio coração. Para que nossa luz de amor transborde, e englobe os irmãos a nossa volta. Para que evangelizemos realmente uma boa nova, uma notícia de uma nova era, de uma nova sociedade, uma nova espiritualidade, uma nova religião… Assim, quem sabe, também poderemos ler, dentro de nossa alma, conectada a Alma do Mundo: “também eu sou da raça dos deuses, também eu trago o Pai dentro de mim, também eu farei tudo aquilo que o Cristo realizou, e talvez até mais”. E nem sequer precisaremos de um livro para guardar tal Verdade.

Cristo salva, afinal, todos aqueles que o encontram dentro de si mesmos… Mas Cristo é apenas uma palavra. O que salva é a fé, e não há fé mais profunda do que a fé no Amor. Pense nisso meu amigo, meu irmão. Pense, e reflita esta boa nova adiante!

***

[1] Maiores detalhes na série A roda dos deuses (esta teoria não é minha, mas de Mircea Eliade, um dos maiores especialistas em mitologia do séc. XX).

[2] Na mitologia Iorubá, talvez a de maior influência no Brasil, Olorun ou Olodumare é o criador do universo e mora no Orun (Céu). Embora reconhecido como Ser Supremo, não existe um culto ou templo que lhe é dedicado exclusivamente. Os orixás são os seus representantes em Aiye (Terra).

[3] Michel de Montaigne dá sua opinião, bem mais embasada do que a minha, nesta série de Reflexões sobre o sexo.

***

#Cristianismo #Candomblé #sabedoriaindígena #Protestantismo #UmbandaSagrada #ecumenismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/carta-a-um-evang%C3%A9lico

Cursos de Hermetismo – Março/Abril 2010

Este é um post sobre um Curso de Hermetismo já ministrado!

Se você chegou até aqui procurando por Cursos de Ocultismo, Kabbalah, Astrologia ou Tarot, vá para nossa página de Cursos ou conheça nossos cursos básicos!

Março

06/03 (sab) – Astrologia Hermética I (básico)

07/03 (dom) – Kabbalah

20/03 (sab) – Astrologia Hermética II (Intermediário) [pré-requisito Astrologia I ]
21/03 (dom) – Magia Prática [pré-requisitos Kabbalah e Astrologia I ]

Abril

02/4 – Runas e Magia Rúnica

03/4 – Estudo Magístico da Umbanda (prof. Fernando Maiorino)

04/4 – Chakras, Kundalini e Magia Sexual

24 e 25 – Florais (Voltado para Médicos, Veterinários e Terapeutas)

Houve uma pequena mudança para Abril. Consegui uma data livre na agenda do Fernando Maiorino (Pai de Santo com mais de 10 anos de experiência e um dos maiores conhecedores da Umbanda, Candomblé e suas ligações com a Árvore da Vida aqui no Brasil) para dar um curso que envolva desde os básicos das religiões afro (o que são, como surgiram, sincretismo, orixás, exús, bombo-giras, ciganas, etc) até as correspondências entre a magia Afro e o Hermetismo. Na verdade, eu marquei este curso porque eu e alguns amigos vamos fazê-lo, mas acho que vários leitores vão se interessar pelo tema, então decidi postar aqui no TdC. Só que são poucas vagas, então quem estiver a fim, fica esperto.

(o Curso dos 72 Nomes de Deus vou deixar para Maio).

Informações no: marcelo@daemon.com.br

#Cursos

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/cursos-de-mar%C3%A7o-abril-2010

A Quimbanda e o Povo Cigano

por T.Q.M.B.E.P.N

A sobrevivência da etnia cigana segue, como os lobos, as leis instintivas da horda!” (Oswaldo Macedo. Ciganos, natureza e cultura).

​Apesar da Quimbanda ter um domínio próprio para os espíritos ciganos, não existe uma liturgia sobre a extensão real do mesmo. Tudo que temos são fragmentos de experiências pessoais ou relatos recebidos por outros quimbandeiros. Dificilmente vemos um adepto da Sagrada Quimbanda Brasileira desenvolver a Linha Cigana e isso ocorre porque existem muitos terreiros de Umbanda que ‘praticam’ a Quimbanda e quando se desenvolvem com a Linha Cigana iniciam um ‘teatro’, onde médiuns maquiados, carregando sotaques latinos e expressões corporais que mesclam dança do ventre, cigana e indiana, interagem com as pessoas, entretanto, são proibidos de exercerem a verdadeira Magia Cigana e acabam atrelados à uma suposta Lei ordenada pelos Orixás.

​Entendemos que a Quimbanda é uma religião sem pré-conceitos, dessa forma temos liberdade para buscarmos dentro do Reino da Lira a Legião de Ciganos e Ciganas que serão encantados com a Lei do Sangue e poderão emanar plenamente suas essências. Temos plena ciência que os Ciganos são poderosos feiticeiros capazes de modificar o fluxo dos caminhos. Fechados, ardilosos e sábios, o Povo Cigano tem muito a contribuir com o desenvolvimento dos adeptos.

​O ícone dessa linha é a Pombagira Cigana. Glorificada em todas as casas de Quimbanda, esse espírito trás um movimento único quando é evocada para um ambiente. Senhora das Estradas e da Boa Sorte se divide por nomes que representam suas qualidades. Junto a essa Senhora, o responsável pela gestão é o Exu Cigano. Dono das rodas, esse espírito determina a evolução e o comércio de um grupo. Por vezes é agressivo e violento, mas torna-se cordial depois de alguns contatos. Todo Povo Cigano é cercado de mistérios e adoram exaltá-los como forma de confundir aqueles que não são parte de sua linhagem. Eles nos ensinam que existem formas diversas (manifestas pelas muitas cores que eles trabalham) de ludibriarmos o destino, imposições e limitações que consequentemente nos abatem.

​Existe um véu obscuro de cobre o grupo cigano: A descendência Caiinita. Segundo as lendas, os ciganos são os descendentes diretos de Cain. Por tal motivo vagam pela Terra em busca de seu espaço sagrado, donde edificarão o Reino do Primeiro Assassino. Outra lenda é que os ciganos foram responsáveis pela confecção dos pregos que prenderam Jesus na cruz. Se associarmos o Povo Cigano com a linhagem de Cain encontraremos a Tradição da forja, ensinada pelo Mestre Tubal-Cain (descendente) nos Ciganos Kovatsa. Isso não significa que os Ciganos fizeram os pregos, mas que certas relações esotéricas possivelmente estavam ocultas nas brumas dessa lenda.

​Uns alegam que são ladrões e prostitutas que vagam pela Terra, outros que são os mais poderosos magos, ninguém sabe exatamente quem são os não os ciganos, pois não existe um controle de inserção nas comunidades. “Ou é Cigano de Sangue ou é Cigano de Alma, porém, sempre Cigano!” (Exu Cigano)

A história é marcada de passagens onde o sofrimento do Povo Cigano tomou proporções assustadoras. Assim como os Judeus, esse Povo foi perseguido na segunda guerra e morto em campos de extermínio, mas antes disso foi escravizado, perseguido e humilhado. Muitos Ciganos tinham que fingir serem cristãos para poder ter acesso às cidades, haja vista que na Europa as cidades tinham medo deles. Alguns grupos tinham dons musicais e promoviam-se através de espetáculos, outros mesclavam música com misticismo promovendo a leitura de cartas, quiromancia e trabalhos espirituais sentimentais, entretanto, dentro desses grupos temos relatos de ciganas que se prostituiam. Os homens ciganos acabaram se tornando mestres nos negócios, pois levavam novidades em suas carroças para todas as partes do mundo.

“Sua religião era desconhecida, apesar de se dizerem cristãos, mas sua ortodoxia era mais que duvidosa. De onde vinham eles? De que mundo maldito e desaparecido…? Eram os filhos das feiticeiras e dos demônios? Que salvador moribundo e traído os condenara a marchar para sempre? Era a família do judeu errante? Não seria o resto das dez tribos de Israel perdidas…?” LEVI, Eliphas (Alphonsus Louis Constant). História da Magia. [Trad. Rosabis Camayasar]. São Paulo: Pensamento, 2005.

​A pressão que o mundo exerceu sobre esse Povo foi tão intensa que dificilmente não iriam sucumbir. O cigano aprendeu sobreviver usando todas as artimanhas possíveis que vão desde a falsificação de documentos, roubos, venda de ouro e joias falsas, enfim, usam de todos os meios lícitos ou não para assegurarem sua existência. Não podemos generalizar essa questão, pois todos os documentos oficiais que encontramos para dar embasamento nesse texto assim apontam. Sabemos que não existe uma história oficial sobre eles e que quase tudo que foi escrito veio de pessoas que não eram ciganos, dessa forma relatamos com parcimônia certas questões.

​“Mas deixando de lado a correção noética dessas práticas, no que diz respeito aos ciganos, é um traço cultural revelador que permite afirmar com certeza: 1. a antiguidade desses nômades na escala do passado histórico. O conhecimento e domínio desses Oráculos, desses métodos divinatórios que, sabe-se são de origem bem remota, essas “artes” sendo mantidas como forte tradição entre os ciganos significa que muito possivelmente todas as hipóteses dos estudiosos estão certas: os Ciganos transitaram pelo mundo, na Antiguidade, desde a Índia, Mesopotâmia, Egito, oriente Médio e depois, Grécia, leste europeu, Ásia Menor, até buscarem as terras mais ao Ocidente da Europa já entre meio-fim da Idade Média.

“De cada lugar visitado, país, região, de cada terra que lhes serviu de pouso, eles absorveram um tanto de cultura. Ou seja, adotaram práticas, fizeram escolhas e apropriaram-se delas de acordo com sua própria necessidade e conveniência. Práticas, saberes, do linguajar, da religiosidade, das tecnologias, dos costumes alimentares, vestuário, artes (especialmente musicalidade), convenções sociais.” VILAS-BOAS DA MOTA, Ático. Ciganos: Antologia de ensaios. Brasília: Thesaurus, 2004

​Para a Quimbanda a história tem uma importância fundamental, pois sem fatos não poderíamos alicerçar nossas práticas e condutas. Assim, entendemos que devemos apresentar o Povo Cigano como mais uma Tradição vítima de pressão por parte do Sistema Vigente. Assim como africanos e nativos, os ciganos se dividiram entre aqueles que aceitaram e se adaptaram às imposições e os que se rebelaram e confrontaram o Sistema à sua forma. Chegaram em Terra Brasileiras através das naus portuguesas como condenados da Justiça ou do Santo Ofício por volta do século XVI. A primeira leva era da etnia calon e somente no século XIV vieram os romani, porém, de forma voluntária ou para se esconder de condenações.

​Esse dado é importantíssimo, pois desmistifica apenas a aparição de espíritos que mesclam língua espanhola com língua portuguesa, haja vista que os Calon adotaram a língua como oficial e apenas inseriram parte de um dialeto particular para diferenciá-los.

​Em Terras Brasileiras, apesar de chegarem extraditados, não foram escravizados como ocorreu em outras partes do mundo. Alguns Ciganos, ao contrário do que as pessoas pensam, dedicaram-se ao comércio de escravos e atingiram grandes fortunas. Mas essa não é a regra. Até a atualidade são um Povo excluído, analfabeto e que sofre pelas diferenças sociais.

​Os espíritos ciganos que foram atraídos pela imantação da Quimbanda certamente foram e são os mais arredios à pressão material. Esses foram assassinos, ladrões, estelionatários, vagantes sem fé, magos negros, feiticeiras implacáveis, curandeiros, prostitutas, chefes intransigentes e violentos que lutavam pela sobrevivência de um Povo massacrado pelo Sistema. Esses espíritos jamais se submeteriam às Leis da Umbanda ou de qualquer outra expressão religiosa que não fornecesse a verdadeira Luz de Lúcifer. Os Ciganos da Quimbanda são a máscara mais perfeita dentro do Culto de Exu, pois ludibriam, enfeitiçam, praguejam, amaldiçoam e libertam enquanto dançam e bebem.

​Muitos feitiços e práticas que usamos na Quimbanda Brasileira possuem fundamentos ciganos. Não temos a exata noção do tamanho dessa influencia, mas ao estudarmos a Magia Cigana antiga começamos vislumbrar muitas similaridades. O mais impressionante é que as influencias já haviam ocorrido antes do descobrimento do Brasil, principalmente na Europa e Ásia. O culto lunar, o uso de talismãs, objetos de poder (chaves, ferraduras, moedas, etc.), quiromancia, cartas, runas, enfim, a Magia Cigana está fortemente presente em muitas Tradições de Bruxaria. Para a formação da Quimbanda Brasileira destacamos a Tradição Ibérica e, consequentemente, as Bruxas e Bruxos extraditados pelo Santo Ofício para as Terras colonizadas por Portugal e Espanha. Também encontramos referencias ciganas na Tradição Stregheria (Italiana). Certo é que os Ciganos absorvem tudo que podem sobre a Cultura e religião dos lugares onde estão e direta ou indiretamente em suas andanças e peregrinações acabam influenciando outros Povos. Esotericamente, são portadores das sementes do conhecimento proibido que só comercializam-nas para as pessoas que tem a coragem de procura-los e desnuda-los.

​Desenvolver a Linha Cigana na Quimbanda não significa que os adeptos deverão zelar de mais um espírito, tampouco, incorpora-lo. O adepto deverá ser apresentado ao Exu Cigano e Pombagira Cigana – chefes do Sub-Reino (esses representam o Rei e a Rainha Cigana) e reverenciar esse Povo. Após fazer as oferendas corretas, serão iniciados nos mistérios do ‘Baralho Cigano’ que, dentro da Quimbanda Brasileira, é um poderoso oráculo.

​Existem casos em que o adepto deseja se aprofundar na Magia Cigana. Para esses, após um estudo profundo sobre sua espiritualidade, um espírito da corrente Cigana deverá ser eleito como Mentor (a). Se essa relação enraizar demasiadamente, o adepto deverá zelar desse espírito da mesma maneira que zela de seus Mestres Pessoais. É uma grande responsabilidade. Por isso, só fazemos essa apresentação nos adeptos que tenham controle sobre sua espiritualidade e já estejam em graus elevados de ‘simbiose’ com seus Mestres Pessoais.

​Para os adeptos que possuem uma ancestralidade espiritual emanada pela corrente Cigana os feitiços e magias desse Povo fluem com imensa facilidade. Geralmente esses adeptos tem uma boa intuição e conseguem se desenvolver nos oráculos muito melhor do que os demais adeptos. Mas a contraparte é que da mesma maneira que dons são favorecidos, outros aspectos nocivos podem aflorar se o adepto não aprender filtrar as energias canalizadas. O Povo Cigano é a expressão máxima de Liberdade, mas essa tem muitos níveis e em alguns deles o adepto pode se perder e criar labirintos psíquicos. Esse também é um dos motivos que Nossa Tradição entende como fundamental para só fazer o desenvolvimento Cigano nos adeptos mais experientes.

​Fonte: https://quimbandabrasileira.wixsite.com/ltj49/povo-cino

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-quimbanda-e-o-povo-cigano/

Palestras de Março em Lojas Teosóficas

Loja Teosófica Unidade – FORTALEZA-CE

03.03 – Geometria Sagrada – O Lado Oculto da Teoria dos Fractais, de Sésio Santiago – 08:30

07.03 – O Vegetarianismo visto por dentro, de Gilson Azevedo – 19:00

10.03 – O Milagre do Nascimento, de Alessandra Mororó – 08:30

17.03 – Baghavad Gita: História e Simbologia, de Phillipe Gidon – 08:30

21.03 – O Lado Oculto da Pascoa, de Gerson Aragão – 19:20

24.03 – O Lado Oculto da Pascoa, de Gerson Aragão – 08:30

30.03 – Os Mistérios da Arqueologia, de Sésio Santiago – Livraria Saraiva Iguatemi – 20:00

Rua Rocha Lima, 331 (A) – Centro

Fortaleza – CE

www.lojateosoficaunidade.com.br

Reuniões às Quintas 19:20 e as Domingos a partir de 8:30

Loja Teosófica Raja Yoga

01.03 – Reflexões Teosóficas, de Jorge Carneiro

08.03 – O Espírito Santo e a Kundalini, de Ismael Morales de Jesus

15.03 – As Profecias Papais de São Malaquias, de Carlos Brasilio Conte

22.03 – A Influência dos Princípios Éticos do Yoga e do Budismo na Meditação, de Carlos Adriano.

RUA MITUTO MIZUMOTO 301- LIBERDADE-SP

LOJA RAJA YOGA – REUNIÕES AS 6AS. FEIRAS- 20 HS

FONE: 011- 32713106

Loja Teosófica São Paulo

03.03 – As Profecias Papais de São Malaquias, de Carlos Brasilio Conte

10.03 – Estudos do livro “Luz no Caminho”, de Celia Petean

17.03 – A História Oculta do Brasil, de Antonio Carlos Jorge

RUA EZEQUIEL FREIRE, 296 – SANTANA

REUNIÔES AOS DOMINGOS – 17h30

Lojas Rosacruzes, Teosóficas e Maçônicas que lêem o blog, Peço que me enviem seus cronogramas de Palestras e atividades para que eu possa divulgá-las no começo de cada mês (em todo o Brasil).

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/palestras-de-mar%C3%A7o-em-lojas-teos%C3%B3ficas

O Caminho Sinistro – Parte 1

Preparação

Diante da crescente torrente de absurdos vistos na internet envolvendo o Caminho da Mão Esquerda (que prefiro chamar de Caminho Sinistro, por motivo fonético e abreviativo apenas, vide adiante), nasceu a necessidade de trazer luz ao tema. E não se trata de mero jogo de palavras, há uma errônea associação compulsória do caminho sinistro com as trevas e a malignidade que deve ser desfeita durante a nossa caminhada juntos.

Não tenhamos pressa, contudo. Vamos lidar aqui com temas e conceitos que se opõem ao status quo e elementos fortemente enraizados no inconsciente coletivo, e isto NÃO é sinônimo de lesar a integridade física, a humanidade, as leis básicas ou a propriedade, de si mesmo ou de outrem. Se você entende a associação a uma ordem ou culto sinistro como um facilitador para a prática de más ações, saiba que o Código Penal brasileiro prevê tal intenção em seu artigo 288. E se você tem inclinação criminal, peço encarecidamente que pare por aqui.

Uma coisa que talvez decepcione alguns de vocês é que eu não vou dar carteirada. Não vou me esconder atrás de um nome mágico de demônio milenar, nem apresentar cargos, graus iniciáticos e títulos, pois creio ser desnecessário nesse momento. Espero que você se contente, por hora, em saber que sou uma pessoa relativamente acessível, apesar de introvertido.

Bom, vamos ao que interessa.

Meta-Percepção

Antes de qualquer coisa pare e se pergunte por que você está aqui, lendo isso. O Ego destreinado tende a responder que está aqui “porque quer”, porque assim o decidiu baseado em uma escolha pessoal qualquer, e a estes eu surpreendo dizendo que estão aqui porque eu quero. Claramente não escolhi cada leitor deste artigo, mas escolhi ter leitores, escolhi transmitir um conhecimento, escolhi a forma, o conteúdo, o veículo, enfim, criei este instante, este continuum do qual você agora faz parte para, apenas posteriormente, existir algum exercício da sua vontade. Não se trata, neste caso, de um conflito de vontades, visto que elas não se contrapõem, mas curiosamente a minha se faz manifesta e predominante desde antes da existência da sua.

Essa diferença sutil em como percebemos as coisas e seus significados é a forma que escolhi para começar nossa caminhada, pois dela vai depender não só nossa compreensão como nosso sucesso no caminho sinistro. E eis aqui a primeira grande oportunidade de exercitar a semântica.

O Caminho Sinistro
Sinistrum, forma neutra do latim clássico, significando apenas… esquerdo. Oposto a destro. As sinonímias referentes a “impróprio”, “adverso”, “desafortunado”, “funesto” e congêneres são do período pós-clássico. É perfeitamente possível um caminho sinistro ser ensolarado, florido e cheio de vivacidade, como também é perfeitamente possível que seja desolado, pútrido e nefasto. Sinistro, neste caso, apenas alude ao fato dele se encontrar à esquerda de outro.

Mas porque estamos falando de esquerda mesmo?

O ocultismo moderno pegou emprestados os termos usados no Tantra indiano para caracterizar duas correntes doutrinárias: O Caminho da Mão Direita (Righ-Hand Path; RHP; Dakshinachara) refere-se a doutrinas e/ou grupos que seguem princípios éticos, morais e filosóficos mais rígidos e conservadores, com forte tendência ortodoxa e o Caminho da Mão Esquerda (Left-Hand Path; LHP; Vamachara) refere-se a doutrinas e/ou grupos com práticas heterodoxas em sua maioria, que reforçam e induzem o questionamento e a oposição moral, não adotando estruturas éticas e filosóficas complexas.

Contudo, perceba que é um erro grotesco presumir e associar de imediato o caminho destro ao bem e o caminho sinistro ao mal, cabendo aqui lembrar que a prática do bem ou do mal é uma escolha humana individual, independente do caminho trilhado.

Os Aghori

Muitas definições em pouco tempo, certo? Para bem entender o termo, vamos evoluir com ele in loco, com praticantes do Vamachara, o caminho sinistro tântrico.

Os Aghori são devotos de Kala Bhairava, uma manifestação de Shiva associada à aniquilação… do mal. Eles se submetem em sua rotina ritualística à necrofagia, coprofagia, urofagia, caminham entre cadáveres e fazem utensílios com ossos humanos, justificando tal comportamento como uma prática não-dual, o contato com o Advaita Vedanta, o verdadeiro Eu, transcendendo através dos tabus sociais. Apesar de não serem considerados “hindus” pelos indianos em geral, os Aghori têm curandeiros reconhecidos por seus poderes ditos milagrosos. Pense na prática Aghori como uma vacina, em que você se contamina com o que quer evitar e a diferença entre imunização e infecção está simplesmente na dose e na manipulação do agente.

Fatores Históricos

Note, caro leitor, não haver menção sobre o caminho sinistro em época anterior à adoção do termo pelos textos védico e simplesmente não há outros fatores que definam com firmeza a existência da corrente antes das definições tântricas.

Mas não teriam Ahriman ou Baal seus cultos bem antes disso? Por certo que sim, mas neste momento peço encarecidamente que, se ainda não entendeu o motivo da minha pergunta, volte a ler este artigo do início. Um culto a Ahriman pode ser extremamente organizado, ortodoxo, conservador e fundamentalista (nenhuma dessas características se opõe às da entidade e, na verdade, até fazem sentido no contexto histórico e social), classificando-o na corrente doutrinária da Mão Direita. Insisto que, na grande maioria das vezes, “bem” e “mal” são definições e escolhas humanas.

E o que isso quer dizer? Quer dizer que o Caminho Sinistro não é exatamente uma “tradição”. Pra ser bem franco, é um caminho ainda em exploração e formação. Não existem ordens medievais assumidamente sinistras, por exemplo. Faço pequena ressalva para stregheria, druidismo e semelhantes, de forte inclinação heterodoxa que ainda hoje vivem se escondendo por causa dos traumas da… bom, você sabe porque.

Existem pouquíssimas ordens e/ou cultos sinistros que transpuseram ou sequer se aproximaram do seu primeiro século de existência, como a controversa Ordem Tifoniana, antiga O.T.O. Tifoniana (T.O.T.O.), que tem como base o mesmo Thelema e graus iniciáticos de outras ordens Crowleyanas não-sinistras.

Portanto, atenção redobrada com o termo “tradição sinistra” e seus semelhantes, em geral eles não são literais e não são usados para nossa geração, mas embasam e fundamentam a credibilidade dos textos para gerações futuras, quando a tradição de fato existir. Ou não.

Fatores Antropológicos

O ser humano, especialmente o moderno, tem uma forte tendência ao oportunismo, e isso é lamentavelmente notável na área do ocultismo sinistro. O conceito de oposição moral acabou por fazer pessoas de moral intrínseca duvidosa aderirem às fileiras da corrente doutrinária (vide observação sobre crime em Preparação), e fatores psicológicos e sociais deram continuidade a essa prática transformando-a em uma espécie de tendência. Hoje não é completamente errado afirmar que o caminho sinistro é trilhado por outcasts, proscritos e misantropos.

As ordens muitas vezes abraçam alguma espécie de fundamentalismo injustificado, às vezes disfarçado, o que separa ainda mais seus probandos, neófitos e (sic) adeptos do convívio social saudável. Tenha em mente neste ponto, caro leitor, que a misantropia mística exige um nível de concentração, dedicação e domínio mental altíssimos, sendo totalmente contra-indicada para o caminho sinistro sem rígida supervisão.

De uma forma geral, as pessoas buscam o caminho sinistro pelos motivos errados, buscando os objetivos errados e são, invariavelmente, enganadas. Isso tem corroborado para a rápida degeneração da corrente original, desaparecimento das ordens sérias (p.e. O.T.O. Tifoniana deixar de usar o nome O.T.O., círculos internos de outras ordens se desassociarem, recrutamento cancelado, atividades públicas canceladas, etc…), multiplicação de pequenas ordens e cultos oportunistas, crescimento e migração de egrégoras nefastas e a invariável ridicularização geral dos praticantes.

Considerações

Por hora, caro leitor, eu o convido a ficar com a imagem dos Aghori na mente para reflexão. Um povo religiosamente proscrito? Sim. Com hábitos sanitários perigosos? Sem dúvida. Mas qual é o valor prático disso? Note que eu ainda não me atenho ao valor místico, mas o prático mesmo. Quanto sabe de anatomia um Aghori em relação a um hindu que nada faz além de orar? Qual tem melhor sistema imunológico? Qual tem medo do escuro? Qual é o real valor da contaminação física e moral a que se expõem os praticantes? E talvez a questão mais pertinente de todas: você se imagina um Aghori ou ficaria satisfeito em conhecer um curandeiro Aghori quando um familiar adoecesse?

Como este é o nosso primeiro contato, vou ser breve e deixar o que está aqui pra ser digerido e debatido. Procurei usar exemplos de fácil pesquisa para aqueles que queiram se aprofundar em quaisquer dos elementos abordados no artigo.

Gostaria de aproveitar o ensejo e agradecer ao Marcelo pelo espaço e pela oportunidade, e a você leitor pela companhia.

Até breve.

#LHP

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-caminho-sinistro-parte-1

Abracadabra

Assim como acontece com as salsichas, ninguém sabe a origem da paralavra Abracadabra. Essa palavra, que hoje é vista como a caricatura da magia, teve o seu registro mais antigo, pelo que sabemos atualmente, no livro De Medicina Praecepta, um livro escrito pelo médico Dr. Serenus Sammonicus no século II d.C.

Assim como aconteceu com o avião, depois que aquela tralha decolou todo mundo começou a disputar para si os créditos do primeiro vôo – americano, francês, brasileiro – hoje todo mundo disputa a origem da palavra Abracadabra. Como o crédito do primeiro vôo não faz com que brasileiros viajem com desconto ou não precisem de passaporte para entrar em outros países, essa discussão parece mera perda de tempo. Também não vamos nos perder aqui com um lista interminável que mostraria mais e mais significados e origens históricas da palavra – e também mostraria o que eu fico fazendo enquanto vocês trabalham, estudam, assistem televisão de tela plasma ou fazem sexo – e vou me concentrar apenas em uma, a mais foda: a aramaica. Mais foda porque o aramaico é que deu origem ao que conhecemos hoje como hebraico e como árabe. Mais foda porque essa foi provavelmente a língua que Jesus falava quando xingava as pessoas na rua. Mais foda porque “Aramaico” parece o nome de um robo gigante japonês que tem motosserras descomunais no lugar das mãos e solta lasers de fogo pelos olhos. Lasers de fogo, pensem nisso.

No aramaico as palavras  אברא כדברא – ou avra kedabra para vocês que são ignorantes – significam “Eu crio enquanto falo”.

Acredito que depois disso não restaria nada a ser dito, mas pouco me importa o que eu acredito. Digamos mais coisas.

Nós, enquanto seres humanos, somos pequenos milagres bizarros do Cosmos. Sejamos sinceros, se soubéssemos como criar vida a partir do nada sem usar nossos pintos, provavelmente já estaríamos criando toneladas de vida do nada. Nosso planeta é uma massa sólida que se formou graças à condensação de matéria no universo se agrupando em um ponto. Matéria essa que é constituída principalmente de moléculas, que por sua vez vem de átomos que por sua vez vem de estrelas. Todo mundo comigo?

Se a vida como a conhecemos quando olhamos no espelho ou assistimos national geographic fosse parte do processo normal de regurgitação estrelar – ou astrorregurgitação para aqueles que gostam de nomes científicos – então provavelmente haveriam outras formas de vida próximas a nós por todo o lado. Isso é fato. Para aqueles que pretendem começar a argumentar que é necessário que “na verdade” uma série de condições primárias exista, como temperatura, atmosfera, água, etc… um aviso. Este artigo se desenvolve em uma zona completamente livre de merda. Se duvida disso olhe o selo abaixo.

Viu? Livre de merda. Assim como não acatamos ao Papa dos cristãos, não acataremos a Papas de outras religiões bizarras como por exemplo o Ateísmo ou o Evolucionismo.

Parem para pensar. Se em 2008 vocês conseguissem a brochura do CERN sobre o LHC, veriam que o custo total para por o LHC em funcionamento, incluindo material e pessoal para trabalhar lá, o acelerador por completo, cerca de 15% de todos os detetores, e o cluster de computadores ficaria estimado em US$ 5.6 bilhões. Obviamente isso não é muito dinheiro para paises inteiros, mas já dá pra fazer uma festinha. O LHC foi criado com o objetivo de observarmos e constatarmos coisas que infelizmente não influenciam no aumento que você quer ganhar nesse emprego meia boca que tem, no preço dos ovos no mercado, nem no valor do seguro da sua casa. Claro que muitos dirão que o que for descoberto lá é impresncindível para nosso conhecimento e evolução enquanto macacos pelados, mas o ponto não é esse. Se gastam U$5.600.000.000 e mais alguns quebrados de dólares em um canudo gigante que anda em círculos e tem computadores medindo coisas que ninguém pode ver correndo dentro, não acha que não teriam investido já algo em se criar vida a partir do nada?

Nós estamos na Terra, onde a vida foi criada – a não ser que você acredite que fomos semeados aqui por cientistas de fora do nosso sistema – logo, já estamos com uma base das condições ideais. Se gastássemos os últimos 40 anos tentando recriar, por tentativa e erro, as condições primitivas, com certeza já teríamos esbarrado nelas. Sejamos realistas, hoje se é possível dizer qual a composição química, temperatura e estado de humor de nebulosas que estão a um porrilhão de quilómetros daqui, não é dificil usar espectrômetros e outras bugigangas, além de lógica científica e tentativa e erro para se chegarmos a uma estimativa se não correta muito próxima de como era nosso planeta alguns bilhões de anos atrás, e assim fazer surgir da lama de algum tubo de ensaio células famintas e taradas.

Além disso, se a vida já tivesse sido criada em tubos de ensaio a partir do nada, usando apenas uma combinação de minérios e de diferentes condições atmosféricas, para mostrar como se conseguimos as condições ideais ela simplesmente aparece, Richard Dawkins estaria hoje desfilando sem camisa, com piercings nos mamilos gritando THE POPE CAN KISS MY MONKEY ASS! em um megafone com um adesivo com a foto do Darwin. Isso não aconteceu ainda.

Assim voltamos à nossa idéia. Ninguém sabe como a vida surgiu, ou como a vida surge,Todos nós , por conseguinte, somos um milagre bizarro da cosmos. E quando digo nós estou falando de eucariontes e protozoários, de abelhas e formigas, de nós mesmos e tortas de maçã quente derretendo uma bola de sorvete. Não sabemos como surgimos, claro que muitos de nós, presos a nossa massa encefálica simiesca logo concluem que se não sabemos o “como” abviamente não sabemos o “por que”, e como existem perguntas devem haver respostas e assim todo mundo procura um sentido para a vida, já que logicamente deve haver um porquê. Como chegamos nisso é algo que me assuta, portanto deixemos isso de lado.

Logo que surgimos nesta bola de terra, começamos a nos replicar. Replica, replica, replica e logo houve a necessidade de sair da água porque nem todo mundo é peixe e não dá pra respirar dentro do mar. E passando por poucas e boas aqui estamos pagando dinheiro a uma companhia qualquer para termos o prazer de usar ondas de rádio que existem de graça ao nosso redor para nos comunicarmos.

O problema é que entre aquela primeira coisa que se dividiu pela primeira vez e o tataraneto do Kadafi que ainda não nasceu, algo de errado aconteceu! (se rima é porque é verdade)

Nós decidimos que éramos especiais porque resolvemos usar calças. Decidimos que éramos especiais porque proibimos mulheres de sair sem camisa na rua. Decidimos que éramos especiais porque começamos a vender comida, que não criamos do nada já que ela simplesmente brota do chão e literalmente nasce em árvores, para nossos iguais. E no meio disso tudo nos programamos para ser esses bostas que estão aqui hoje. Eu e você!

– Muito prazer bosta, eu também sou bosta!

Vamos… isso não é exagero. Um exemplo claro e prático: uma mulher sair sem blusa e soutien para ir trabalhar é algo inaceitável, mas ao mesmo tempo assinar PlayBoy não é. Ir a inferninhos ainda é algo meio cabreiro para se comentar com a família num almoço de domingo, mas ainda é mais aceitável do que ir trabalhar pelado, e pegar o ônibus ou o trem pelado. Proibimos algo para criar um mercado que venda isso. Isso é algo que só pode sair de bosta.

Nós somos milagres bizarros e grotescos do cosmos que por algum motivo deixou de se comportar como um milagre. Pegamos filas de bancos, vamos para o trabalho ou procuramos um trabalho, discutimos o preço da gasolina e pra quê?

Bem, está na hora de nos lembrarmos que somos milagres. Tortos, com um senso de humor péssimo. Com cáries e seborréia, mas ainda assim milagres.

Não importa o como surgimos, mas sim o como viramos isso que viramos, para que possamos reverter esse processo bostificador.

Para isso vamos encarar nossos cérebros como processadores, ao invés de software ou hardware vamos usar o termo wetware, porque sempre que tiramos o cérebro da cabeça de alguém com quem estamos conversando ele é meio molhado. Deixemos isso como uma homenagem a nossos profetas cyberpunk da década de 1980.

Assim como Deus criou o Homem à sua imagem, nós criamos os computadores à nossa imagem, ou algo póximo disso. Nosso wetware funciona como um computador electro-coloidal.

Quero deixar claro, antes de prosseguir, que ele não é um computador, muito menos um computador elétro-coloidal. Ele simplesmente funciona como um. Sempre que for usar comparativos lembre-se de que você não está dizendo que aquilo que está compando é a coisa com a qual está sendo comparada. Se queimar a língua bebendo café você vai dizer CARALHO ESSA MERDA TÁ QUENTE!, agora imagine se seu corpo, com você dentro, fosse atirado no sol. Esse “quente” a que nos referimos quando olhamos com raiva para a xícara fumegante de café é apenas um comparativo que quer dizer “é mais do que eu posso suportar!”. Você não trabalha com absolutos. Da mesma forma quando olhamos a planta de uma casa, não temos a ilusão de que aquela planta é a casa. Nunca ouvi falar de ninguém que olhando para a o desenho feito no papel começou a pular e rir e a pensar: “mas que idiotas… pra que pagar para pedreiros e engenheiros se o arquiteto já resolveu meu problema?”

Assim, quando digo que o cérebro funciona como uma computador eletro-coloidal, estou criando uma imagem vaga para continuar usando metáforas que possam ser compreendidas facilmente. E agora seguem as metáforas.

Para para pensar um instante. Apenas por um segundo na seguinte questão. A comparação do ser humano com um computador é válida correto? Assim como o computador temos partes físicas (o hardware) e partes não físicas (o software que o hardware lê). Se você parasse para pensar que parte sua associaria com o hardware do computador e que parte associaria com o software do computador?

Depois que pensar nisso pare para pensar no seguinte: sabe essa parte que pensou na questão anterior? Ela é o seu hardware ou é o seu software? Onde você, que está compreendendo este texto, se encontra? Essa questão já foi feita de forma mais poética no passado: quem enxerga aquilo que meus olhos vêem?

Bem, esse “eu” que existe dentro de cada um de nós, essa manifestação de consciência e personalidade, é o resultado direto de como nosso wetware processa os pacotes de programas que rodam nele. Sim, nosso cérebro roda programas como o seu computador roda também. Só que no caso do computador, quando você instala um programa como um Skype ou um Photoshop o maquinário permanece mais ou menos o mesmo. A voltagem dele não muda de 110v para 220v, as letras do teclado não trocam de lugar e o fio que o liga na tomada não fica maior ou menor. Em tese, se o programa for bem feito ele não afeta os outros programas que estão instalados, seu processador de textos continuará funcionando como antes e seu programas de receber e enviar e-mails também. Já nosso wetware… nosso wetware não funciona bem assim. Cada pacote de programas que recebemos muda a maneira como nossa personalidade se desenvolve, afeta a maneira como nosso corpo físico se desenvolve, afeta nossa percepção de certo e errado, de verde e de vermelho.

Hoje você é o que é e quem é porque seu wetware tem sido programado e continua sendo programado desde sempre, desde antes de você nascer. Isso dá um certo frio na espinha. Não é dizer que o indivíduo é um reflexo do meio em que vive, mas é dizer que o indivíduo – você – é reflexo daquilo que programaram na sua cabeça.

Mas não se desespere. Se pudéssemos descobrir a maneira com que nosso wetware é programado, qual a plataforma e a linguagem de programação, não poderíamos nos libertar dos códigos já inseridos e de certa forma passar a nos programar de forma consciente?

SIM!

BINGO!

Isso não seria maravilhoso? Não conseguir apenas controlar o rumo da sua vida, mas da sua própria evolução?

Esse seria um primeiro passo. Mas e quanto ao resto? Começamos a pensar já, pensemos grande então. Que tal não apenas conseguir manipular a própria evolução, mas a própria realidade? O mundo que nos cerca, as pessoas que existem por ai, o espaço tempo? Parece viagem, mas se acha essa proposta absurda não se preocupe. Não é você pensando. São os programas dentro da sua cabeça pensando por você, analisando o que leu e classificando como BESTEIRA. IGNORE. RETORNE À LINHA 12. Acredite, enquanto você não conseguir perceber o mundo como ele realmente é não vai ter idéia do que pode fazer nele e do que pode fazer com ele. Pense que a graças a um bando de gente que enxergava o mundo de um jeito diferente, pedaços de pedra fritaram Nagasaki e Hiroshima. Dá uma cosquinha né?

E se tivéssemos acesso então a esses programas que nos moldam e nos limitam, e se soubéssemos como eles funcionam para que pudéssemos hackeá-los?

Eu serei completamente sincero na resposta. Nós já temos! E já sabemos!

Cada pacote de programas se constituem de quatro partes ou componenetes básicos:

1- Imperativos Genéticos: São programas físicos, como placas de circuitos, nós os chamamos de instintos.

2- Impressões: São programas mais ou menos físicos que nosso wetware foi geneticamente projetado para aceitar, mas somente até certos momentos de nosso desenvolvimento. Esses “momentos” são conhecidos, na etologia, como momentos de vulnerabilidade de impressão.

3- Condicionamento: São programas criados para serem rodados nas Impressões. Eles são independentes e são relativamente fáceis de serem acessados e mudados quando usamos de descondicionamento e contra-condicionamento.

4- Aprendizado: É um programa ainda mais independente e “suave” do que o condicionamento. De forma geral eu já economizei um tempo precisoso para você colocando essas estruturas de programa em uma forma hierárquica. As impressões primordiais podem sempre anular e prevalecer sobre qualquer forma de condicionamento e aprendizado.Uma impressão é uma espécie de programa/software que acabou se tornando um hardware embutido no seu sistema; ela acaba sendo impressionada em nossos neurônios macios quando eles se encontram peculiarmente expostos e vulneráveis. Impressões são os aspectos “não negociáveis” de nossa individualidade. Dentre a infinidade de possíveis programas existentes como softwares potenciais de nosso wetware, a impressão estabelece os limites, parâmetros, perímetros dentro dos quais todos os subsequentes condicionamentos e aprendizados ocorrerão.

Sinistro pra cacete não é?

Saiba que antes da sua primeira impressão, a consciência do jovem infante é como o universo descrito na Bíblia, “vazia e sem forma”. Assim que ocorreu a primeira impressão formasse a primeira estrutura criativa nesse vazia sem forma, a mente em desenvolvimento se torna presa nessas estruturas e acaba se tornando a estrutura.

Cada nova impressão complica ainda mais a vida do software que programa nossa experiência – e que experienciamos como a “realidade”. Condicionamentos e aprendizados apenas servem para tornar essas estruturas mais intrincadas, como galerias de túneis passando por dentro desse leito desoftwares impressos. A estrutura resultante desse circuito cerebral é o que forma o nosso mapa do mundo. Tudo que aprendermos e experienciarmos e decidirmos que é real será limitado por esse mapa.

Por que religiosos acreditam em uma consciência externa a eles capaz de criar o universo?

Por que “céticos” modernos acham impossível que exista uma consciência externa a eles capaz de criar o universo?

Como é que dois tipos tão diferentes e vis de pessoas conseguem viver no mesmo mundo, cada uma tendo 110% de certeza de que sua visão pessoal de mundo é a única correta?

São os mapas mentais. E a maneira com que eles nos obrigam a enxergar o mundo.

Mas como vimos isso pode ser mudado.

Para se ter uma idéia, se nossos imperativos genéticos já foram programados por nossos bisavós, quando começam as primeiras impressões em nosso sistema?

A primeira impressão ocorre assim que a primeira coisa te alimenta na vida. E essa impressão é condicionada então por tudo o que te proteger e te ameaçar. Essa primeira impressão tem uma preocupação básica com sugar, se alimentar, se aconchegar e buscar segurança física para si mesma. Ela se afasta mecamente de qualquer coisa prejudicial ou predatória – ou de qualquer coisa associada (por impressão ou condicionamento) com algo prejudicial ou predatório.

Essas impressões e condicionamentos continuam acontecendo. Quando você começa a engatinhar e usar o penico, BUM! Quando aprende a falar, BUM! Quando aprende a desenhar e escrever, BUM! A primeira vez que se “acasala” ou tem um orgasmo, BUM!

E acredite, esses circuitos, impressões, condicionamentos e aprendizados te seguem pela vida toda, mesmo quando você não percebe, até que ABRACADABRA!

Chega a hora de fazer o computador trabalhar para você e não por você. Eu crio enquanto falo. Pare uma última vez para pensar, pare mesmo, e apenas reflita um tempo sobre o que lerá agora:

Um recém nascido veio ao mundo geneticamente preparado para aprender a compreender  e falar qualquer língua, desenvolver e dominar qualquer habilidade, assumir qualquer papel sexual. Quando é que você começou a se limitar? A mecânica e roboticamente se determinar a aceitar, seguir e mimetizar as ofertas limitadas do seu ambiente social e cultural?

Abracadabra!

Assim que terminar de responder às questões acima, perca mais um minutinho para ler o que o Sr. Robert A. Heinlein escreveu certa vez:

“Um ser humano deveria ser capaz de trocar uma fralda, planejar uma invasão, esquartejar um cachorro, projetar um edifício, invadir um navio, escrever um soneto, fazer um balanço das despesas, construir uma parede, reduzir uma fratura, confortar os moribundos, receber ordens, dar ordens, cooperar, agir sozinho, resolver uma equação, analizar um novo problema, empilhar esterco, programar um computador, cozinhar uma refeição saborosa, lutar com eficiência, morrer de modo galante. Especialização é para insetos.”

por LöN Plo

Muito bom !!!!!

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/abracadabra/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/abracadabra/

Ghost B.C. e o Diabo na Música

Ghost BC

Por Malachi Azi Dahaka

Ghost é uma banda sueca, formada em 2008, que conta até agora com dois CDs (Opus Eponymus e Infestissuman) e alguns EP´s.  O som da banda se destaca por remeter aos anos 80, e indo na contramão de outras bandas com temática “Satanista”, sendo bem suave e tranquilo, com vocais limpos e instrumental muitas vezes calmo.

A banda é formada por Papa Emeritus (Atualmente pelo Papa Emeritus II – valendo lembrar “Emeritus”, do Latim “Aquele que foi eleito, que mereceu”) e pelos “Ghouls sem nome”, que se identificam apenas pelos símbolos alquímicos dos 5 elementos (incluindo o Éter).  Não, eles nunca disseram e nem pretendem dizer quem são. Isso, a meu ver, cria uma atmosfera ainda mais voltada ao Satanismo – não pelo “mistério” das identidades, mas pela ausência total de Ego. Todos sendo iguais e anônimos, destruindo o Ego e gerando uma coletividade que achei muito digna de determinadas correntes satanistas…

Não posso afirmar que a banda de fato é ocultista, mas duas coisas são fato: A primeira é que as letras devem ser cuidadosamente analisadas, pois a banda realmente estudou o que diz. E a segunda, ocultistas/satanistas ou não, Ghost BC passa uma mensagem por si mesmos, criticando a Igreja Católica e religiões em geral e sobre o medo que o homem possui do Sobrenatural.

E é justamente a carga de peso ocultista na banda que fez render uma certa repercussão após o show da banda no Rock In Rio 2013.  A “missa satânica” como o próprio Papa intitulou o show, recebeu vaias, foi chamada de “chata e tediosa”, teatral demais e – segundo alguns repórteres da Rede Globo, a banda foi tida como “nada assustadora, sem nenhuma exigência extravagante nos camarins, pedindo até comida vegetariana”.

Ora, caímos aí na mesma questão que abordei em meu texto “Satanismo Tradicional” publicado no Teoria da Conspiração: Um Satanista deve render-se a estereótipos comportamentais e ser um mau educado, imprestável e exercer de má fé sua função? Críticas infundadas a parte, o visual e as letras da banda, que são bem explícitas, levaram revolta aos “metaleiros que resolveram bancar bons cristãos” enquanto se entorpeciam de maconha durante o show.  E mais revolta ainda nas redes sociais  evangélicas/ católicas. É, dessa vez pisaram no pé dos católicos brasileiros também.

Honestamente eu já esperava por algo assim, em uma sociedade hipócrita a ponto de sexo com menores ser algo incentivado e explicitado, mas meramente dizer as palavras “Hail Satan” em um refrão deva ser totalmente censurado sem piedade! De fato, o Ghost B.C. é a última coisa nisso que realmente assusta.

Há de se mencionar a reação contrária do público, em geral. Enquanto eu (e mais grande parte a minha volta) entoávamos as letras, eu podia ouvir um ou dois a volta dizendo absurdos como “eles só pagam de satanistas pra imitar o Ozzy”, “Slayer que é satanista de verdade” e outras coisas do mesmo valor absurdo.  Ainda assim, essa interferência estúpida e a falta de etiqueta (já esperada) do povão brasileiro não interferiu no grande concerto que aconteceu.  Ver a banda ao vivo é uma experiência muito agradável, realmente.

Quase uma missa satânica verdadeiramente, causando revolta em muitos e agradando a poucos – Exatamente como o Satanismo deve ser!  Se o Ghost queria ser o “Diabo na música“, definitivamente conseguiram essa atenção. A banda mais odiada, comentada e censurada no RiR. Definitivamente, eles merecem os títulos que apresentam.

Eu, aproveitei para durante algumas músicas, erguer um sigilo que pintei em uma folha, para da mesma forma que feito anteriormente em um show do Metallica durante a criação de uma Egrégora, eu captasse a gnose/energia necessária nesse show e canalizasse a um sigilo de intento. O fiz (obviamente de forma discreta) no momento que achei o ápice da apresentação (coincidentemente enquanto Papa Emeritus também ergueu suas mãos em forma de “benção”).

No fim, a noite valeu a pena. Uma ótima apresentação, com muito psicodrama, um som que valeu a pena curtir e uma banda perfeita de se assistir ao vivo. Nota 10 pra essa experiência e – tenho certeza, para este experimento que realizo pela primeira vez em uma oportunidade épica.

Malachi Azi Dahaka

Textos da coluna Música & Magia

#LHP #Música #satanismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ghost-b-c-e-o-diabo-na-m%C3%BAsica