O Mapa Astral de Friedrich Nietzsche

Nietzsche, sem dúvida considera o Cristianismo e o Budismo como “as duas religiões da decadência”, embora ele afirme haver uma grande diferença nessas duas concepções. O budismo para Nietzsche “é cem vezes mais realista que o cristianismo” (O anticristo). Religiões que aspiram ao Nada, cujos valores dissolveram a mesquinhez histórica. Não obstante, também se auto-intitula ateu.

Para Nietzsche o homem é individualidade irredutível, à qual os limites e imposições de uma razão que tolhe a vida permanecem estranhos a ela mesma, à semelhança de máscaras de que pode e deve libertar-se. Em Nietzsche, diferentemente de Kant, o mundo não tem ordem, estrutura, forma e inteligência. Nele as coisas “dançam nos pés do acaso” e somente a arte pode transfigurar a desordem do mundo em beleza e fazer aceitável tudo aquilo que há de problemático e terrível na vida.

Nietzsche passou os últimos 11 anos da sua vida sob observação psiquiátrica, inicialmente num manicômio em Jena, depois em casa de sua mãe em Naumburg e finalmente na casa chamada Villa Silberblick em Weimar, onde, após a morte de sua mãe, foi cuidado por sua irmã. Como diria o Datena, “Falta de Deus no coração”.

O Mapa de Nietzche possui Sol em Libra; Lua, Ascendente e Caput Draconis em Sagitário (por “enorme coincidência” justamente as energias mais voltadas para a filosofia e academia). Uma pessoa com facilidade para se comunicar e entender os outros e cujo mapa é voltado para Filosofia. A inclinação para observar o mundo ao redor e tirar conclusões é extremamente marcante no Mapa de Nietzche (Stellium de Lua, Ascendente e Caput Draconis com menos de 2 graus entre eles). Some a isso Marte e Mercúrio em Virgem-Libra (Rainha de Espadas, a energia mais fria e cínica do zodíaco, manifestada nele na forma de pensar e de lutar/gastar energia) e Saturno em Capricórnio-Aquário (Cavaleiro de Espadas, a pessoa que consegue enxergar as regras do mundo ao redor e quebrá-las influenciano o planeta ranzinza).

Uma Aspectação importante a ser destacada neste Mapa é a Oposição de Urano (seu Planeta mais forte com nada menos do que 9 Aspectações) em Peixe-Áries (Rainha de Bastões, que indica energia relacionada com conselheiros filosóficos) com Marte (em Virgem-Libra, a energia cínica que falei acima).

Resumindo o Mapa: o tio Bigodudo era mesmo um filósofo osso duro de roer mas, no final da vida seu ceticismo e ateísmo exagerados entraram em conflito com seu Júpiter em Peixes (facilidade para entrar em contato com o Astral). Os biografos de sua vida dizem que ele se tornou esquizofrênico por conta da Sífilis, embora esta avaliação seja controversa… é possível que um ateu de pedra como ele tenha simplesmente ficado louco com as coisas que via e ouvia como médium, já que não acreditava em nada espiritual…

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mapa-astral-de-friedrich-nietzsche

Síntese da Vontade Vampírica

F
*Estudo do Livro da Maestria Diurna do Templo do Vampiro

Os Vampiros Diurnos são distintos por sua força pessoal de caráter. Possuem sábio discernimento para escolha de empreendimentos verdadeiramente valiosos e a determinação necessária para o alcance de tais objetivos. Este desenvolvimento do eu é a base para ser bem-sucedido em todas as áreas da vida:

  • A determinação pessoal permite que você ignore os hábitos ineficazes de pensamento e aja de forma a se preparar para o futuro próximo.
  • Você desenvolverá imunidade aos medos e irracionalidades que incomodam os
  • A clareza da mente que você aprimora acalmará seus nervos e vitalizará sua saúde.
  • Você se tornará mais responsivo mentalmente e mais capaz de ignorar a dor, permitindo que você aja de forma eficaz em emergências.
  • Você desenvolverá a paciência necessária para ver sua independência financeira se

Todas as coisas estão ao alcance de um vampiro desenvolvido.

As duas áreas-chaves para o desenvolvimento do eu são: Primeira área- o fortalecimento da sua força de vontade, compreendendo como essa funciona, desenvolvendo uma consciência de seus desejos e estabelecendo e enfrentando desafios pessoais, intencionalmente; segunda área- aprender a comandar a sua mente, desenvolvendo um amor pela vida, uma paciência profunda e um ceticismo saudável, o que leva tempo para acontecer, requerendo, portanto, diligência.

As seções a seguir fornecem Segredos essenciais para o desenvolvimento eficaz dessas áreas- chave. Leia todo o material com atenção e siga as instruções dadas. Este é um começo essencial para a implementação de todos os outros Segredos do Lado Diurno.

A vontade é requisito essencial para o sucesso em qualquer coisa. Alcançar qualquer fim, conquistar qualquer inimigo, superar qualquer obstáculo, alcançar qualquer destino desejado depende e não pode ocorrer à parte da Vontade. Seja o desejo de uma xícara de café ou as glórias do império conquistado, tudo se resume a este elemento vital: Vontade.

A princípio devemos compreender que o conceito de vontade e força de vontade, entre os humanos, é mal definido e obscuro, descrevendo “algo”. A maioria das pessoas poderiam reconhecer o poder da vontade no outro. Eles podiam sentir admiração pela força de vontade do soldado heroico que enfrentou probabilidades impossíveis de arriscar tudo para derrotar seus inimigos. Eles podiam reconhecer o exercício da Vontade no inventor que nunca desistiria até que tivesse conseguido resolver o problema da lâmpada elétrica ou do voo motorizado. Mas, acima de tudo, as massas vagamente conscientes da  humanidade foram rápidas em definir a Força de Vontade como algo que elas mesmas não possuem.

“Eu poderia perder peso, mas simplesmente não tenho força de vontade.” “Eu poderia parar de fumar, mas não tenho força de vontade.”

Como eles sabem o que lhes falta? O que é essa qualidade heroica chamada Vontade? Por que tão poucos demonstram sua presença e tantos sabem que não têm?

A força de vontade é a capacidade de escolher fazer algo, apesar dos obstáculos que estão em seu caminho. Pense assim:

SEUS DESEJOS -> OBSTÁCULOS -> REALIZAÇÃO

Primeiro você tem um desejo. Você deseja algum objetivo, algum destino, alguma recompensa a ser alcançada. Mas à espreita diante de você, entre você e seu desejo, estão obstáculos, bloqueios, problemas.

Na solução de problemas cabe analisar se o problema é realmente um problema ou não, pois as vezes trata-se de uma percepção equivocada da situação.

Superada esta fase, sendo o problema real, existem apenas duas opções: lidar com os obstáculos e superá-los ou falhar. A maioria dos humanos falha. Eles já esperam falhar. Desistem ao considerarem um objetivo, porque raramente ou nunca, superaram ou resolveram problemas importantes em suas vidas. Eles esperam que Deus ou o governou a mamãe ou o papai os acudam , resolvam tudo e consigam o que desejam.

O Vampiro age de forma diferente. Determinado o objeto, o Vampiro trabalha na identificação dos obstáculos no caminho. Então bate neles. Ele usa soluções semelhantes às usadas na resolução de problemas anteriores os Aborda com novos métodos que funcionaram para outros ou que ele tenha inventado por conta própria.

O seguinte esclarecimento sobre nosso processo para atingir metas, esclarecerá o fato da maioria dos humanos nunca tentar alcançar seus objetivos.

SEUS DESEJOS à DOR OU TRABALHO à REALIZAÇÃO

O Vampiro, pelo fato de entender e desenvolver sua Vontade, segue em frente através da dor ou esforço necessários ao alcance de seus objetivos. O humano médio, não. Está condicionado em não ir e não poder.

Essa dor pode assumir formas variadas. Pode ser a dor de se sentir sozinho para atingir o objetivo de abandonar um velho amigo que se tornou um inconveniente. Pode ser a dor de recusar um prato delicioso para atingir a meta para perder excesso de peso. Pode ser a dor de ter que suportar o estresse em vez de fumar um cigarro para atingir o objetivo de parar de fumar.

Em cada objetivo desejado há um preço a ser pago para alcançá-lo.

A maioria dos humanos se vitimizam e alegam carregar um fardo muito pesado, decorrente de situações que lhe foram impostas durante a infância, o que cria uma incapacidade de lidar com suas emoções em situações sociais corriqueiras. Ao se identificar com um problema ele se torna uma vítima inevitável, especialmente quando este problema é imutável por definição, como por exemplo “filhos adultos de alcoólatras”, que apesar de que já estarem crescidos , se tornando adultos, continuam se rotulando e se vitimizando, sentindo-se confortável com tal posição.

O Vampiro por sua vez, constrói sua vontade reconhecendo primeiro a verdade sobre qualquer situação. A primeira verdade é que você não é seus problemas, diferentemente de alguns humanos que estão convencidos de que são os seus problemas. Esta situação dos filhos adultos de alcoólatras, não se configura em condicionamento emocional inicial, uma vez que a experiencia dolorosa os ensinam a não confiar ou acreditar nas pessoas. Tal atitude de desconfiança, ao contrário, são necessárias a realidade, na qual a maioria das pessoas tem que esconder seus sentimentos e já espera se surpreender com as atitudes dos outros, bem como espera que mintam. Assim, teoricamente tais vítimas deveriam estar mais bem preparadas que os demais para a realidade da vida já que tiveram experiencias difíceis outrora.

Fato comum são tais vítimas buscarem repetir o passado, se colocando constantemente em uma situação similar a situação dolorosa da infância, tendo por objetivo manter o status de “vítima” de forma a ter a simpatia e a atenção de outras pessoas. Eles se abstêm de usar a sua Vontade para decidir fazer algo a respeito e sentir a dor de desistir de suas desculpas por todos os seus fracassos.

Esta é uma aplicação direta da teoria fundamental para identificar e utilizar a Vontade Vampírica, o Processo de Desidentificação. Compreender e usar esse processo criará a Vontade Vampírica e permitirá que você supere qualquer obstáculo para alcançar qualquer objetivo. É a pedra angular no edifício criativo da arte do mago e o primeiro passo necessário na criação do ego verdadeiramente Vampírico.

Passei a compreender este Processo através da dor. Em qualquer situação que exija um esforço extraordinário para sobreviver, há dor a ser superada ou o ser humano morre. Em situações específicas dessa natureza, em circunstâncias em que minha sobrevivência física dependia da superação da dor do frio, do fogo ardente, do ferimento de bala, da carne rasgada e do osso quebrado, aprendi a crua verdade do segredo da Vontade Vampírica.

Muitas vezes é na guerra que o homem se torna forte e se sente verdadeiramente vivo. Por que as pessoas em paz procuram experiências perigosas, como paraquedismo, escalada e assim por diante?

O que é enfrentar e superar desafios que ameaçam a morte, velada ou visível, que atrai os vibrantes que levam a vida em grandes mordidas?

O treinamento básico militar permaneceu essencialmente inalterado desde os dias de Alexandre, o Grande. O processo de converter o filho da mamãe medroso em uma

máquina de matar obediente não foi alterado com os tempos modernos. Um campo de treinamento ainda leva o novo recruta e retira seus antigos símbolos de identidade pessoal (seu cabelo, suas roupas, suas joias, até mesmo seu nome), e então lhe dá um novo conjunto de símbolos para criar uma nova identidade. O recruta recebe desafios diariamente, de hora em hora, sem aviso prévio. Espera-se que ele renuncie ao sono. Espera-se que ele exceda os limites físicos anteriores de força, velocidade e resistência. Espera-se que ele mate sob comando, obedeça sem hesitação.

À medida que o recruta confronta e supera a dor que o separa de suas novas realizações, ele está exercitando e desenvolvendo sua Vontade. Ele descobre que pode tolerar a dor e o desconforto. Ele descobre que pode superar suas limitações anteriores, superá-las e alcançar objetivos. Não é de admirar que por milênios a maioria dos heróis tenha vindo dos campos de batalha, a maioria dos líderes, primeiro liderou as tropas. Não é de admirar que a guerra tenha sido um lugar de testes.

O que torna tais transformações de presas em predadores, pelo menos dentro da vida militar, é o Processo de Desidentificação. Em suma, o Processo de Desidentificação é baseado em um princípio único e evidente:

VOCÊ NÃO É SUA EXPERIÊNCIA.

Pegue o papel que você está lendo agora. Como você sabe que não é este papel? Eu fiz essas perguntas de homens e mulheres em todo o mundo por anos e recebeu muitas, muitas respostas incorretas:

“Eu não sou este papel (ou outro objeto) porque está lá e eu estou aqui.”

— E como você sabe que isso é verdade? Eu vou perguntar. “Porque eu sei!”

Novamente pergunto como eles sabem disso. “Porque eu sou um ser humano e não um papel.”

Mais uma vez vou perguntar: “Mas mesmo que você seja essa coisa que você chama de ‘ser humano’, como você sabe que não é este papel?”

Apenas vampiros me deram a resposta correta. A maneira pela qual você sabe que não é algum outro objeto, seja esse objeto um papel, um lápis, um submarino ou o planeta Júpiter, é devido ao fato de você experimentar o objeto e o que isso implica.

Você pode ver este papel. Você pode potencialmente ouvi-lo produzir um som ao tocá- lo. Da mesma forma, você pode sentir o papel e possivelmente até cheirá-lo ou saboreá- lo. Em outras palavras, você pode experimentar este papel por meio de seus cinco sentidos. A questão é: “Quem sabe sobre este papel?” e se a resposta for : “Sim!”, então você acabou de empregar o Processo de Desidentificação.

Em termos mais simples, o processo de desidentificação é o seguinte: Posso saber sobre X?

 

Se for possível, então não sou X.

Outra maneira de expressar essa ideia é afirmar que o observador não é o observado, o ouvinte não é o som, o que toca não é o sentimento ou, mais globalmente, o experimentador não é a experiência.

Por favor, esteja ciente de que a metafísica vampírica sustenta que toda experiência é real e não tem níveis de “realidade” para a experiência. Em vez disso, temos três dimensões pelas quais definimos precisamente a experiência. No entanto, observe que você, o experimentador, não é a experiência.

Para ter Vontade de superar a dor da luta contra os obstáculos entre você e seus objetivos existe um truque. Você deixa de se identificar com a dor.

No início dos anos 70, a pesquisa sobre os limites externos do potencial humano foi conduzida pelo Dr. Elmer Greene no Instituto Menninger em Topeka, Kansas. Um sujeito verdadeiramente incomum, um americano chamado Jack Schwartz, demonstrou repetidamente uma capacidade extraordinária de suportar a dor e controlar outras funções corporais. Ele geralmente pegava uma grande agulha de tricô e a enfiava completamente no bíceps superior, sem demonstrar desconforto ou tensão. Quando perguntado mais tarde como ele fez isso, Schwartz explicou que usou um pequeno truque mental. Ele não consideraria o braço perfurado como seu braço, mas apenas como um braço. Assim, a dor experimentada não era sua dor, mas, simplesmente, dor.

Isto não significa que o Processo de Desidentificação remova a experiência da dor. O Processo de Desidentificação simplesmente permite que você encontre e use a Vontade Vampírica para a dor não o interrompa.

No clássico do cinema vencedor do Oscar, “Lawrence da Arábia”, minha cena favorita consiste em Lawrence acendendo dramaticamente um fósforo e deixando-o queimar contra seus dedos. Outro oficial britânico presente experimentou e, quando a chama se aproximou da ponta dos dedos, sentiu a dor, largou o fósforo e exigiu saber de Lawrence qual era o “truque”.

“O truque”, respondeu Lawrence, “é não se importar que doa.”

A maioria das pessoas se identifica com suas experiências. Elas não têm um senso de si separado ou superior às dores e prazeres que as conduzem, chutando e gritando, choramingando, implorando e reclamando, pelos corredores de suas vidas até chegarem ao matadouro e, em silêncio ou gritando, finalmente expirarem.

O Vampiro é aquele que percebe que o mundo está quase vazio de pessoas. Ele vê bilhões de corpos sem alma! Em vez de entidades sencientes e conscientes, ele vê máquinas humanóides seguindo a atração do prazer e movidas pelo medo da dor; autômatos estúpidos e fracos que proclamam em voz alta seu “livre arbítrio” enquanto fumam cigarros que matam; robôs pré-programados afirmando que sua “natureza divina” lhes concede a imortalidade em um paraíso robótico dirigido por um Deus robô.

O Processo de Desidentificação permite ao Vampiro descobrir o mistério do que ele realmente é e quão vitalmente poderoso e importante é seu verdadeiro Eu no esquema cósmico.

Como acontece essa descoberta? Primeiro, o Vampiro apreende a essência do Processo de Desidentificação e coloca em prática. Ele identifica seus objetivos e os obstáculos para alcançar esses objetivos. Então, percebendo que, se ele sabe o que precisa ser feito, ele só precisa fazer, o Vampiro toma as ações necessárias para atingir seus objetivos. Não importa para ele o grau de dificuldade. Ele entende que a dor é algo que ele pode experimentar e não algo que ele é. Ele pode “não se importar” que isso doa. Ele pode fazê-lo de qualquer maneira, o que for necessário. Ele pode agir enquanto experimenta a dor!

Essa é a chave para a Vontade Vampírica e o exercício e desenvolvimento, o fortalecimento dessa Vontade.

De repente, os problemas da vida tornam-se desafios. Os obstáculos à realização tornam- se oportunidades para fortalecer a Vontade. A vida se torna uma série especial de jogos para o Vampiro até que, finalmente, o fortalecimento da Vontade se torna mais gratificante do que a conquista de qualquer outro objetivo! Esses vampiros produzem um comportamento bastante bizarro, visto pelas massas humanas.

Um Vampiro desta ordem pode praticar um esporte ou arte marcial não com o propósito primário de meramente ganhar ou aumentar as habilidades de autodefesa, mas porque tal arena lhe permite desafiar e fortalecer sua Vontade cada vez mais. Por exemplo, o fisiculturista pode ver a dor envolvida em certas repetições de levantamento de peso como o preço a pagar para alcançar o crescimento muscular que ele procura. O Vampiro pode, em vez disso, ver cada instante de agonia física como uma oportunidade momento a momento para ele triunfar sobre a dor, fortalecendo assim sua Vontade, sendo o crescimento muscular como apenas um efeito colateral. O boxeador pode correr longas distâncias, amaldiçoando o desconforto, percebendo que é o preço necessário a pagar para construir a resistência necessária para vencer uma próxima luta. O boxeador Vampírico pode correr ainda mais longe, colocando a exaustão que está experimentando em seu corpo contra a Vontade que o impulsiona e, como um fator que também o capacitará a construir o vento necessário para vencer melhor uma luta de box.

A diferença é invisível, mas gigantesca. O ser humano inconsciente é impedido por evitar a dor em tentativas geralmente fúteis de alcançar objetivos difíceis.

O Vampiro usa objetivos não apenas como recompensas, mas como oportunidades para a adversidade, para aprimorar e fortalecer sua Vontade.

Em tudo isso, não estamos descrevendo masoquismo, a propósito. Masoquismo é encontrar prazer na dor. O masoquista gosta da dor. O Vampiro não é um masoquista. O Vampiro não gosta da dor. Ele usa a dor. Assim como um vampiro é um mestre do prazer e não é dominado pelo prazer, ele também é um mestre da dor, e não um escravo dela.

 

E o que vem dessa exploração peculiar do poder sobre a dor? Qual é o propósito final desse esforço heroico? Não se engane sobre isso! Todos os heróis são aqueles que encontram a Vontade de desafiar e seguem até o limite máximo de seu ser a intenção de esmagar a dor para alcançar seus objetivos.

O propósito final é a criação de um verdadeiro ego, a criação de um Ser imortal. Assim como a Vontade Vampírica, o Ser é tanto uma descoberta quanto uma criação. O nome dado a este Ser é o Dragão.

Pouco tempo depois de explorar o significado do Processo de Desidentificação, a maioria dos Vampiros perguntará: “Mas se não sou nada que posso experimentar, o que sou?”

A armadilha aqui é tentar responder a essa pergunta de forma definitiva. Obviamente, qualquer coisa que você possa conhecer não pode ser você. Você sempre pode se perguntar: “Sei sobre isso?” e responda: “Sim”. A diferença é invisível, mas gigantesca.

O experimentador não é a experiência.

É aqui que as distorções distorcidas do misticismo levantam suas cabeças vazias para falar de “Deus” como este Eu que não pode ser conhecido. Existem alguns exemplos limitados de valor que vêm dos pensadores difusos do misticismo aqui. Um exemplo é o velho ditado Zen: “Se você encontrar o Buda (o Eu) na estrada, mate-o!” Esta é apenas outra maneira de repetir o fundamento do Processo de Desidentificação de que o experimentador não é a experiência. Outras cabeças de alfinete místicas nos fariam então abandonar todo pensamento consciente para “buscar” esse Eu, que, por definição, não pode ser “encontrado” (com experiência).

Sem experimentador, sem experiência!

O famoso filósofo, Descartes, afirmou: “Cogito ergo sum” (“Penso, logo existo”). Descartes estava errado. O pensamento pode ser realizado pelo mais estúpido de todos os autômatos, o computador eletrônico. Não, a afirmação correta é: “Eu experimento, logo existo.

Você é o experimentador. No entanto, na doença da religião mística encontramos a depravação final. O Budismo Theraveda afirma que o Self, o próprio experimentador, é uma ilusão. Eles afirmam que o que chamamos de Self é o resultado de um erro na linguística. Eles propõem a ideia de que a experiência e somente a experiência existe enquanto o conceito errôneo de um “experimentador” surge da própria sintaxe da linguagem. Eles acreditam que quando um homem diz “eu vejo a cobra”, essa frase cria a ilusão de um “eu”. Eles afirmam que o que está realmente acontecendo é simplesmente uma experiência de “serpente” com a reflexão tardia de um “eu”.

O Budismo Theraveda acredita que a iluminação consiste em perceber que o Self é uma ilusão resultante de um erro de pensamento.

O Vampiro simplesmente responderia: “E daí? Se você está certo e não existe o Eu, como isso ajuda? Qual é a vantagem?”

 

O budista falará conscientemente sobre se libertar da dor e da frustração. O Vampiro usa a dor para criar um Eu forte.

O budista quer escapar do mundo. O Vampiro quer possuí-lo! Esta é a diferença vital!

A visão Theravédica é míope. A verdade é que o “ponto de vista” ao qual nos referimos como o Ser é um Dragão adormecido até e a menos que haja uma Vontade poderosa o suficiente para apoiar o despertar desse Dragão. O Self requer uma mente consciente que, por meio do desenvolvimento da Vontade (por meio do Processo de Desidentificação), possa refletir sobre o mistério do Self incognoscível e se elevar acima das limitações do universo da experiência. É este despertar do Dragão através da Vontade que é a chave para a magia, bem como para a criação de um Eu duradouro e poderoso.

O Dragão desperto consiste no Ser quando conscientemente refletido por uma forte Vontade Vampírica.

O dragão desperto caminha pela vida, sem medo das dores e armadilhas da humanidade adormecida. O budista quer escapar do mundo. O Vampiro quer possuí-lo! Esta é a diferença vital!

O Dragão desperto foi e continua sendo o objetivo supremo de toda verdadeira atividade oculta, seja pintada nas descrições coloridas do alquimista ou nas lutas sangrentas de um guerreiro de espada em treinamento.

A imagem do Dragão é a concepção mais antiga do caos incognoscível que existe à parte da experiência.

TIAMAT era a mãe dragão do grande mar salgado do caos para os sumérios. O símbolo do Oroborus, a cobra que engole a própria cauda, encontra-se nas esculturas mais antigas do nosso mundo. O Ser que não pode ser conhecido, mas surge em sombras escuras na presença de uma crescente Vontade Vampírica é o Dragão. Aqui encontramos a fonte de muitos dos símbolos do Vampirismo. O Poço das Trevas é o mesmo Dragão e esse mesmo Eu é o Príncipe das Trevas e o Rei do Mundo.

À noite podemos ver a verdade do universo, os bilhões de estrelas brilhantes piscando no veludo negro. De dia, o sol impetuoso, representando a mente tagarela e sem Vontade das massas, lança a ilusão de uma tigela azul e opaca e esconde as verdadeiras glórias daquilo que é. O cérebro mais antigo, o cérebro do réptil, também é o Dragão. Escondido na escuridão no âmago do nosso ser, controlando os impulsos e instintos básicos necessários para permanecer vivo, o Dragão biológico espreita escondido e incognoscível. No entanto, todas as suas ações são visíveis na continuação da vida física, na respiração, no movimento e no sexo.

Então, o Vampiro pode usar a mente por meio do Processo de Desidentificação para revelar o Eu escuro para sempre oculto, mas sempre presente. O Vampiro pode usar as técnicas diretas de Andar pelo Mundo (WTW) ou Atrás dos Olhos (BTE) para ter uma experiência imediata desse estado alterado de consciência e percepção que é a Vontade Vampírica em ação.

 

BTE está lembrando a cada momento que você existe… em algum lugar. Esse “algum lugar” está localizado diretamente atrás de seus olhos físicos. Esta técnica é executada simplesmente posicionando-se do ponto de vista de que o piscar de suas pálpebras é o abaixamento de uma grande cortina diante da ampla janela de sua visão. Consiste em lembrar (1) que você está e (2) onde você está. Cerca de vinte anos atrás, eu sabia de excelente autoridade que uma hora de BTE remanescente era superior em seus efeitos poderosos à ingestão da droga mescalina.

WTW estende BTE com qualquer movimento físico. Imagine que você estava dando um passeio em algum lugar. Em vez de imaginar que seu corpo estava se movendo, você teria a sensação de que seus pés estavam puxando a estrada sob você. Você imaginaria que sua posição permanecesse imóvel e que os músculos de seu corpo estivessem movendo o mundo da experiência ao seu redor.

Outro exemplo disso é virar a cabeça. Em vez de acreditar que é sua cabeça que está girando, você presta atenção ao que sua experiência real está apresentando aos seus sentidos. Na verdade, o que você vê é que o cenário ao seu redor está se movendo. Os músculos do pescoço estão literalmente girando a parte inferior do corpo e o resto do universo experiencial em torno de sua perspectiva visual imóvel.

Ainda outro exemplo é se sentar em uma cadeira enquanto percebe que o que você realmente vê e está fazendo é permitir que a cadeira e o resto do universo se movam em sua direção! Ficar de pé é exatamente o contrário, pois você está usando as pernas para pressionar o resto do universo.

Com a prática, esses exercícios fazem com que a Vontade Vampírica “clique”, ative. Alterando sua perspectiva interna em relação à sua experiência para reconhecer o que seus sentidos estão dizendo você o tempo todo usando WTW ou BTE, e usando diretamente o Processo de Desidentificação para alcançar objetivos difíceis, você descobre e pode usar sua Vontade Vampírica.

Com a descoberta e fortalecimento de sua Vontade Vampírica, você expandirá cada vez mais seu controle sobre o universo da experiência enquanto descobre o mais oculto e recompensador de todos os segredos: o despertar do Dragão interior! Apenas um dragão desperto pode produzir a mais poderosa magia através do ritual vampírico.

 

Desafiando sua Força de Vontade

Desenvolver Força de Vontade requer esforço. Você tem que encontrar uma dificuldade que faça você querer se afastar e então escolher continuar. Nunca se torna fácil como andar de bicicleta acaba ficando com a prática contínua. Você também descobrirá com o tempo que o desenvolvimento da Força de Vontade é sua própria recompensa gloriosa. Eventualmente, você deve ver cada obstáculo como uma oportunidade para se tornar mais forte, e não como algo a ser perdurado. Você deve desafiar sua Força de Vontade todos os dias. Com a prática, você encontrará continuamente oportunidades para fortalecer sua Vontade, mas quando começar, precisará reservar uma parte de cada dia para se esforçar.

 

É somente através desse tipo de prática regular que você pode entender como usar a Vontade Vampírica de maneira pragmática. No entanto, sua habilidade aumentará e você se verá cada vez mais capaz de ignorar qualquer inclinação para desistir. É essa resolução que trará todos os seus desejos ao seu alcance.

As formas potenciais de desafiar a si mesmo são incontáveis. Abaixo, oferecemos apenas algumas possibilidades. Você pode escolher qualquer um ou todos esses, ou usar seus próprios métodos, se desejar. O que quer que você escolha deve ser extremamente desafiador e útil para você praticar. Deve ser desafiador para fortalecer sua Vontade, e deve ser útil porque tudo que você fizer daqui em diante deve ter como objetivo melhorar a qualidade de sua vida.

  • Um método clássico de fortalecimento da Força de Vontade é através do exercício físico. No entanto, não basta apenas se exercitar. O ponto em que seu corpo implora para você parar e descansar é o momento em que seu treinamento de Força de Vontade começa. Mantenha o rosto relaxado, não cerre os dentes e apenas escolha continuar. Experimente a dor completamente, mas desidentifique-se dela. Cada momento excruciante torna-se uma oportunidade para fortalecer sua Vontade. Tome cuidado para se alongar antes e depois do exercício e tome cuidado para não causar danos físicos
  • Enfrente seus Se você está nervoso em conversar com membros do sexo oposto, apenas faça isso. Se você tem medo de altura, vá para algum lugar alto e olhe ao redor, escolhendo relaxar fisicamente enquanto faz isso. A função do medo é prepará-lo para lidar com ameaças físicas reais e imediatas. Claro, se a ameaça é real, você não deve ignorá-la. No entanto, muitas vezes você descobrirá que os medos habituais que não são imediatos e ameaças físicas reais desaparecem após apenas alguns confrontos usando a Vontade Vampírica, principalmente se você fizer questão de relaxar fisicamente.
  • Quando sentir uma emoção extremamente negativa (raiva, depressão, ), opte por não reagir. Apenas experimente a emoção. Reagir à emoção gritando, ficando fisicamente tenso, perdendo-se em pensamentos sombrios ou qualquer outra resposta habitual imediata impedirá que você experimente a emoção em si. Seja sensato quanto a isso: o medo e a raiva podem mantê-lo vivo em emergências reais e imediatas. No entanto, tais emergências são muito raras na era moderna. É quase sempre melhor manter a calma para poder lidar com a situação em questão de forma eficaz.
  • Mantenha-se completamente imóvel. Assim como no exercício, o treinamento da Força de Vontade começa apenas quando você começa a ter dificuldade em fazer isso. A dificuldade geralmente não é a exaustão, no entanto. O tédio, a ansiedade sobre as coisas que devem ser feitas, o medo de parecer bobo ou até mesmo a discussão de que você está sentado há tempo suficiente podem instigá-lo a se mexer.

Faça algo agora para desafiar sua vontade antes de continuar lendo. Isso é necessário para entender a Vontade Vampírica como mais do que apenas uma teoria. É somente através da experiência pessoal que você pode apreciar o poder do Processo de Desidentificação. Isso não precisa levar muito tempo; por exemplo, a maioria das pessoas pode atingir o limite de sua Força de Vontade em menos de um minuto fazendo flexões.

 

Escolha uma maneira de se desafiar, use BTE e WTW e aplique o Processo de Desidentificação para obter seu primeiro gosto da verdadeira Vontade Vampírica agora mesmo. Apenas continue. Eventualmente, você pode atingir um estado de quietude mental e consciência perfeita do seu entorno – e você deve se sentir totalmente confortável permanecendo lá. Se você acha que chegou a esse estado e pode, portanto, parar, provavelmente está enganado. A maioria das pessoas desiste muito antes de atingir esse estado por razões que serão discutidas nos Segredos para aprender a comandar sua mente.

 

 

Desenvolvendo seus desejos

O ponto de partida para a aplicação séria da Vontade Vampírica é o desejo. Embora o Processo de Desidentificação permita que você supere qualquer obstáculo, é o desejo que o leva a vencer o obstáculo em primeiro lugar.

Abaixo estão as instruções que devem ajudá-lo a definir seus desejos com clareza e estabelecer um plano de realização. Leia esta lista e, em seguida, aplique cada instrução na ordem dada. Isso significa que você deve começar a implementar os dois primeiros pontos antes de ler qualquer outra coisa. Isso permitirá que você use os outros Segredos de uma maneira que lhe permita alcançar tudo o que deseja.

  • Crie e mantenha uma lista escrita de experiências específicas que você deseja. Cada desejo que você escreve deve ter quatro atributos:
  1. Deve referir-se a uma experiência específica (“Quero viajar regularmente”) e não a uma experiência vaga (“Quero ser feliz”);
  2. deve referir-se a uma experiência que você deseja (“eu quero ir para a escola de culinária”) em vez do banimento de uma experiência (“eu quero ficar livre de dívidas”);
  3. deve basear-se na realização pessoal (“Quero iniciar uma organização de caridade porque me sinto bem ajudando as pessoas”) em vez de um exercício de pura moralidade (“Quero iniciar uma organização de caridade porque é a coisa certa a fazer” ); e
  4. deve ser tão extremo quanto você desejar, reconhecendo que mais pode ser possível para você do que você sabe

Há uma excelente razão para cada atributo, mas tudo o que importa agora é que você gere esta lista. Você deve retornar a esta lista uma vez por mês para atualizá-la conforme necessário, pois muitas vezes você descobrirá que entende melhor o que deseja ao longo do tempo.

  • Revise seus hábitos e compare-os com seus desejos. Isso inclui seu trabalho, seus hobbies, suas interações com amigos e familiares e tudo sobre sua rotina diária. Anote tudo o que você faz regularmente e pergunte a si mesmo: “Como exatamente isso me ajuda a realizar meus desejos?” Você não precisa fazer nada sobre isso ainda. Apenas classifique suas práticas habituais em duas categorias: aquelas que claramente o ajudam

 

a alcançar seus desejos e aquelas que não o fazem. Mais tarde, você melhorará a eficácia do primeiro e substituirá o último por hábitos mais úteis.

  • Leia todos os Segredos do Por enquanto, você deve apenas lê-los para saber o que está disponível. Comece lendo o restante dos Segredos intrapessoais neste capítulo, pois eles ajudarão a contextualizar as outras cinco áreas. Depois disso, você pode ler os Segredos restantes na ordem que desejar. Certifique-se de pelo menos iniciar a lista de desejos e sua revisão de seus hábitos regulares antes de fazer isso.
  • Desenvolva e siga um plano para implementar cada um dos Segredos do Lado Diurno, um de cada Os Segredos são ferramentas poderosas para alcançar qualquer objetivo. Os meios para fazer isso requerem alguma elaboração dada na próxima página. Leia depois de escrever sua lista de desejos.

 

Implementando os segredos

Neste ponto, você deve ter começado sua lista de experiências desejadas. Você também deve ter alguma ideia de quais de suas práticas habituais realmente o ajudam a alcançar esses objetivos e quais simplesmente o distraem. Em seguida, você construirá seu plano de realização. Isso lhe dará uma direção para aplicar sua Vontade Vampírica recém- crescida. Alguns Segredos são ações únicas, como fazer alguma pesquisa essencial ou obter recursos vitais. Você deve definir uma data específica para implementar cada um desses segredos.

Por exemplo, aconselhamos a preparar um kit de emergência para o caso de ter de evacuar a sua casa, pelo que deve definir uma data em que obterá todos os componentes necessários para tal e juntá-los numa espécie de embalagem.

A sequência pode ser importante; por exemplo, você pode precisar de tempo para construir os recursos financeiros necessários para comprar todo o equipamento que você determinar que precisa para seu kit de emergência. Portanto, você deve planejar a partir da conclusão para determinar qual sequência de esforços você precisa fazer para implementar esses Segredos.

Outros Segredos são habilidades que você vai querer usar, porém apropriadas a situações específicas. Por exemplo, esperamos que nossos membros aprendam a se defender de agressões físicas. Você deve descobrir uma maneira de praticar cada um desses Segredos baseados em habilidades regularmente, para que cada um se torne um recurso para você.

Sugerimos que liste todos esses Segredos em ordem de importância para você, desenvolva um plano de treinamento para cada um e comece a treiná-los um de cada vez. Por exemplo, você pode decidir começar em autodefesa e treinar regularmente por um mês, e então, no segundo mês, começar a praticar mensagens “eu” além de seu treinamento em autodefesa. Ao adicionar a prática de cada Segredo baseado em habilidades à sua rotina regular, um de cada vez, você pode facilmente dominar todos eles.

 

O restante dos Segredos descreve práticas contínuas, como meditações diárias ou exercícios regulares. O truque aqui é iniciar apenas um deles de cada vez. É quase impossível começar dois novos hábitos ao mesmo tempo. Em vez disso, liste as práticas contínuas dadas nos Segredos na ordem em que você deseja começar a praticá-las. Então comece com o primeiro hoje e pratique até que esteja integrado à sua rotina regular. Quando isso acontecer, continue essa prática e passe para a segunda. Faça apenas uma alteração de cada vez. Você deve começar com a prática de desafios diários à Força de Vontade, embora você deva descobrir que isso se integra muito bem com outros Segredos.

Mantenha seus objetivos em mente ao decidir sobre um plano para implementar os Segredos do Dia. Se você considera a admiração dos outros mais importante do que a maioria dos outros objetivos, considere colocar alguns Segredos interpessoais no topo da sua lista de implementação. Se você acha que sentir-se fisicamente confortável e saudável é mais valioso, faça alguns dos Segredos de Saúde de maior prioridade.

No entanto, há dois pontos a serem lembrados. Primeiro, todos os segredos estão intimamente entrelaçados. Você será mais capaz de ganhar a admiração dos outros se aprender a controlar sua própria mente. Você terá mais recursos para se tornar saudável se tiver uma renda passiva respeitável.

Quaisquer que sejam seus objetivos, todos eles serão mais fáceis de alcançar, independentemente de quais Segredos você implemente. Por outro lado, eles serão mais difíceis de alcançar se você for fraco em qualquer área. Portanto, tome cuidado para não negligenciar nenhuma área por muito tempo.

Em segundo lugar, a maioria das pessoas subestima a importância dos Segredos da imortalidade. Eles não têm como prever o imenso impacto pessoal que garantir a imortalidade física prática terá sobre eles. Aconselhamos vivamente a colocar os Segredos da imortalidade o mais alto possível na sua lista de prioridades. Não podemos subestimar a importância disso.

Com isso dito, leia os Segredos intrapessoais restantes, que explicam como desenvolver o comando de sua mente. Continue lendo os Segredos restantes e depois desenvolva seu plano.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/sintese-da-vontade-vampirica/

O Narrativa do Horoscopo Chines

Conta a lenda que, antes de partir da Terra para a Eternidade, Buda convidou todos os animais para uma festa de Ano Novo. Só que apenas doze animais compareceram: o rato, o boi, o tigre, o coelho, o dragão, a serpente, o cavalo, o carneiro, o galo, o cão e o javali.

Para agradecê-los, Buda ofereceu a cada animal um ano, de acordo com a ordem de chegada dos convidados. Assim, cada ano lunar passou a pertencer a um animal, e as pessoas nascidas no período por ele regido herdam características inerentes à essência de seu caráter.

Assim, os nativos de Rato são curiosos, os de Serpente são fascinantes e misteriosos, os nativos de Cão são fiéis, etc.

O Narrativa do Horoscopo Chines

Abaixo segue as principais características e quadro astral de cada um dos signos chineses

Rato (Zi)

O primeiro ramo da astrologia chinesa é simbolizado pelo signo de Rato (Zi). As características mais marcantes dos nativos desse signo são o pioneirismo, o espírito de liderança, a curiosidade e o senso estratégico. Sociável e ativo, o nativo de Rato tem facilidade para estabelecer contatos com pessoas novas e adora ocupar o centro das atenções. Além disso, sabe cultivar os relacionamentos, com sua amabilidade e inteligência sutil. Costuma se apaixonar com facilidade e não poupa elogios ao objeto de sua veneração. Porém, a fidelidade não é seu forte, e provavelmente ele vai ter muitos casos de amor ao longo de sua vida. Está sempre ocupado com novos projetos e se dedica incansavelmente à luta pelo crescimento profissional e pela melhoria financeira. Gosta de enfrentar desafios, pois adora saborear o gostinho da vitória.

Quadro astral do Rato

Classificação chinesa: Zi, o iniciador
Signos complementares: Dragão e Macaco
Signo oposto: Cavalo
Palavra-chave: Começo
Desafio: Realizar seus projetos

Boi (Chou)

O segundo ramo da astrologia chinesa é simbolizado pelo Boi (Chou). Forte e persistente, alcança seus objetivos graças a muito empenho e trabalho duro. Ponderado ao extremo, demora a tomar decisões, mas raramente se arrepende de seus atos. É conservador e tem enorme resistência a tentar coisas novas ou a aceitar mudanças em sua vida. Desde criança, revela-se responsável, equilibrado e submisso às regras e aos superiores hierárquicos. E, embora não persiga o poder, acaba alçando boas posições sociais, pois seus esforços são reconhecidos. Seu jeito inflexível às vezes prejudica sua vida social. Seus desafios são desenvolver a tolerância e aprender a conviver com as diferenças.

Quadro astral do Boi

Classificação chinesa: Chou, o forte
Signos complementares: Galo e Serpente
Signo oposto: Carneiro
Palavra-chave: Persistência
Desafio: Vencer os obstáculos materiais

Tigre (Yin)

O terceiro ramo da astrologia chinesa é simbolizado pelo Tigre (Yin). O nativo de Tigre é dotado de coragem e senso de justiça. Não tolera abusos e costuma lutar pelos interesses dos mais fracos, podendo participar de grupos de defesa da natureza ou em favor dos direitos das minorias. Seu caráter é uma combinação de timidez e valentia, paixão e integridade. É eloqüente e nunca se retrai diante das controvérsias. Na verdade, adora uma boa polêmica, pois sempre consegue convencer os outros a seguirem suas idéias. Fascinante, cativante e entusiasmado, é o tipo de pessoa que se destaca em qualquer meio. Pode ser premiado por alguns “golpes de sorte”, ganhando somas inesperadas de dinheiro, vencendo concursos ou arranjando soluções para quaisquer problemas.

Quadro astral do Tigre

Classificação chinesa: Yin, o idealista
Signos complementares: Cavalo e Cão
Signo oposto: Macaco
Palavra-chave: Objetivo
Desafio: Perseguir seus sonhos de forma realista

Coelho (Mao)

O quarto ramo da astrologia chinesa é simbolizado pelo Coelho (Mao). Os nativos desse signo são extremamente diplomáticos: dão mil voltas numa situação até obter os resultados que desejam. Não confiam nas pessoas com facilidade e podem tornar-se solitários por opção. Aparentam serenidade, autoconfiança e sofisticação, mas no fundo são bastante ambiciosos e nunca deixam de lutar pelas coisas que querem. Graças ao seu notável jogo de cintura, as pessoas que nascem sob o signo de Coelho raramente cultivam inimizades e conseguem se sair bem das mais diversas situações. São estudiosas e é provável que se interessem pelo ramos das artes. Nunca se precipitam e por isso mesmo costumam ser bem-sucedidas em todos os seus projetos.

Quadro astral do Coelho

Classificação chinesa: Mao, o conformista
Signos complementares: Carneiro e Javali
Signo oposto: Galo
Palavra-chave: Sensibilidade
Desafio: Manter em equilíbrio a razão e a emoção

Dragão (Chen)

O quinto ramo da astrologia chinesa é simbolizado pelo signo de Dragão (Chen). Idealista, criativo e entusiasmado, o nativo deste signo é dotado de notável poder de liderança e consegue contagiar aqueles que o cercam com sua alegria e vitalidade. Graças ao seu poder de persuasão, quase sempre atinge seus objetivos. Também costuma se revelar responsável e, desde muito jovem, aprende a arcar com as conseqüências de seus atos. Mas isso não o torna uma pessoa ponderada: ele prefere correr riscos a levar uma existência morna. É generoso e benevolente, mas espera ser recompensado por seus gestos. Nas amizades, exige lealdade e dedicação. Quando descobre que foi traído ou prejudicado por alguém, pode ter reações explosivas e até violentas, mas em algumas ocasiões consegue se controlar.

Quadro astral do Dragão

Classificação chinesa: Chen, o visionário
Signos complementares: Rato e Macaco
Signo oposto: Cão
Palavra-chave: Ideal
Desafio: Realizar seus sonhos

Serpente (Si)

O sexto ramo da astrologia chinesa é simbolizado pelo signo de Serpente (Si). O senso de estratégia é seu ponto forte. Cada um de seus passos é cuidadosamente planejado – por isso, costuma ter sucesso em seus empreendimentos. Os nativos desse signo mantêm um ar misterioso que os torna absolutamente fascinantes, sobretudo para o sexo oposto. Ambição, sabedoria, habilidade para extrair o melhor de cada situação, dignidade e calma são seus mais importantes atributos. Dotada de um certo ceticismo, a pessoa que nasce sob o signo de Serpente não se impressiona com facilidade e não se entusiasma com inovações ou promessas de mudança. Tem natureza introspectiva, mas valoriza as amizades verdadeiras. É organizada, sensata e inteligente.

Quadro astral do Serpente

Classificação chinesa: Si, a estrategista
Signos complementares: Boi e Galo
Signo oposto: Javali
Palavra-chave: Sutileza
Desafio: Não abusar dos próprios encantos

Cavalo (Wu)

O sétimo ramo da astrologia chinesa é simbolizado pelo signo de Cavalo (Wu). Aventura é a palavra-chave do nativo deste signo, que tem verdadeira sede de liberdade. Ousado, impetuoso, impulsivo e independente, ele vive com pressa. É movido por uma tal sede de emoção que parece estar sempre em brusca de algo mais. Ele aprecia as experiências estimulantes, as grandes novidades, e acha muito difícil agir de maneira sutil ou controlada. Geralmente segue o que o coração dita, mesmo sabendo que corre o risco de se arrepender. A pessoa nascida sob este signo desperta admiração por sua honestidade e franqueza. Entretanto, é bom que não exagere na sinceridade, ou acabará dizendo coisas que podem ferir e ofender. O raciocínio do nativo de Cavalo é ágil, mas talvez ele não seja capaz de fazer análises profundas. É desprendido, alegre e sedutor.

Quadro astral do Cavalo
Classificação chinesa: Wu, o aventureiro
Signos complementares: Tigre e Cão
Signo oposto: Rato
Palavra-chave: Ação
Desafio: Levar seus projetos até o fim

Carneiro (Wei)

O oitavo ramo da astrologia chinesa é simbolizado pelo signo de Carneiro (Wei), que tem a paz e a harmonia como seus principais atributos. Tranqüilo, compreensivo e sensível, ele é o tipo de pessoa com quem vale a pena lidar e conviver. Os amigos apreciam sua conduta e freqüentemente recorrem aos seus sábios conselhos. O problema do Carneiro é o fato de ser muito influenciável. Magoa-se com facilidade e não tolera ser pressionado, o que pode prejudicar sua vida profissional. Mas isso não significa que ele tenha poucas chances de ser bem-sucedido: engenhoso, o Carneiro sempre encontra meios de fazer alguma coisa interessante e ganhar dinheiro. Avesso a mudanças, esse nativo sentimental não se sente à vontade em situações que ofereçam doses excessivas de risco ou aventura. É disciplinado e faz questão de cuidar bem da própria saúde.

Quadro astral do Carneiro
Classificação chinesa: Wei, o pacificador
Signos complementares: Javali e Coelho
Signo oposto: Boi
Palavra-chave: Diplomacia
Desafio: Adaptar-se às novidades

Macaco (Shen)

O nono ramo da astrologia chinesa é simbolizado pelo signo de Macaco (Shen), que tem os atributos da inovação, da energia criativa, da curiosidade e da independência. A versatilidade e o talento para se expressar também são qualidades inerentes a este nativo, cuja personalidade inquieta e fascinante o instiga a estar sempre em busca de novos desafios. Em geral, as pessoas nascidas sob este signo nutrem vivo interesse pela informática, pois apreciam a modernidade e se deixam seduzir pela idéia de transpor todos os limites. Os pontos negativos do caráter do Macaco ficam por conta da imaturidade e da tendência a agir de forma astuciosa, valendo-se de métodos nada ortodoxos para atingir seus objetivos. É importante, portanto, que as pessoas do signo de Macaco cultivem um procedimento ético e procurem agir sempre com honestidade.

Quadro astral do Macaco

Classificação chinesa: Shen, o inovador
Signos complementares: Rato e Dragão
Signo oposto: Tigre
Palavra-chave: Pioneirismo
Desafio: Lidar com a rotina

Galo (You)

O décimo ramo da astrologia chinesa é simbolizado pelo signo de Galo (You). Suas principais qualidades são a eficiência, o acentuado senso de responsabilidade, a disciplina, a autoconfiança, a seriedade, a disposição para construir e realizar, além de uma inegável coragem frente às adversidades. O nativo deste signo costuma ser crítico e exigente, cobrando demais de si mesmo e também dos outros. Tem uma mente ágil e habilidade para se expressar. Por isso, ele sempre faz questão de ressaltar as próprias proezas. O aspecto negativo da pessoa nascida sob o signo de Galo é a arrogância, pois ela tem plena consciência de seu próprio valor e chega a ser impiedosa com o resto do mundo. Também pode se mostrar inflexível, apegada demais a idéias e valores, o que dificulta sua vida nos momentos em que se faz necessário um pouco mais de versatilidade.

Quadro astral do Galo

Classificação chinesa: You, o coordenador
Signos complementares: Boi e Serpente
Signo oposto: Coelho
Palavra-chave: Eficiência
Desafio: Aprender a fazer concessões

Cão (Xu)

O décimo-primeiro ramo da astrologia chinesa é simbolizado pelo signo de Cão (Xu). A pessoa nascida sob este signo é leal, companheira, autêntica, devotada, racional, valente, modesta e íntegra. Defende com unhas e dentes as coisas e as pessoas que lhe são caras. Não tolera distúrbios e chega a ser inflexível quando se trata de defender a obediência a certas regras. É muito difícil conquistar a confiança do nativo de Cão, mas, depois que isso acontece, pode-se contar com seu apoio incondicional e sua fidelidade. Nobre, honesto, verdadeiro, o Cão sempre coloca seus valores e suas convicções em primeiro lugar. Seus relacionamentos costumam ser firmes e duradouros. Os pontos negativos de sua personalidade ficam por conta da atitude defensiva – ele é reservado e custa a se soltar – e da tendência a agir de maneira preconceituosa.

Quadro astral do Cão

Classificação chinesa: Xu, o protetor
Signos complementares: Tigre e Cavalo
Signo oposto: Dragão
Palavra-chave: Lealdade
Desafio: Libertar-se e não se reprimir

Javali (Hai)

O décimo-segundo ramo da astrologia chinesa é simbolizado pelo signo de Javali (Hai). A generosidade é a característica mais marcante da pessoa nascida sob este signo. Ela faz o que pode para ajudar as pessoas queridas e está sempre aberta para ouvir os problemas dos outros e oferecer conselhos. É bondosa, amorosa e nutre uma profunda necessidade de se sentir aceita. Aliás, para conquistar o afeto dos outros, ela chega a fazer sacrifícios e a passar por cima dos próprios interesses. Ao mesmo tempo, o Javali tem também um lado ávido e egoísta, que preza demais os bens materiais e os prazeres, em todas as suas formas – o sexo, o conforto, a boa mesa… Apesar do seu coração puro e quase infantil, o nativo de Javali pode revelar uma faceta negativa, caracterizada pelo espírito de vingança e pela dificuldade em aceitar as limitações impostas pela vida.

Quadro astral do Javali

Classificação chinesa: Hai, o unificador
Signos complementares: Coelho e Carneiro
Signo oposto: Serpente
Palavra-chave: Generosidade
Desafio: Controlar as paixões

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/introducao-a-astrologia-chinesa/

Apoteose Humana

(clique para ampliar)

Langdon se virou de costas para Katherine, encarou a parede curva e sussurrou bem baixinho:

– Katherine, aqui é sua consciência falando. Por que você abandonou Robert?

Katherine parecia já conhecer as espantosas propriedades acústicas da cúpula… pois a parede sussurrou de volta.

– Porque Robert está sendo um medroso. Ele deveria vir até aqui comigo. Ainda temos muito tempo (…)

Langdon sabia que ela estava certa e, com relutância, foi contornando a galeria, mantendo-se grudado à parede o tempo todo.

– Este teto é absolutamente incrível – comentou Katherine maravilhada, com o pescoço esticado para abarcar o imenso esplendor da Apoteose acima dela. – Deuses míticos misturados com inventores e suas criações? E pensar que esta é a imagem no centro do nosso Capitólio.

Langdon voltou os olhos para cima na direção das gigantescas formas de Franklin, Fulton e Morse ao lado de seus inventos tecnológicos.

Um arco-íris brilhante se projetava a partir desses personagens, guiando o olhar de Langdon para George Washington, que subia aos céus em cima de uma nuvem. A grande promessa do homem que se torna Deus.

– É como se toda a essência dos Antigos Mistérios estivesse pairando sobre a Rotunda – disse Katherine.

Langdon tinha de admitir que não havia muitos afrescos no mundo que fundiam invenções científicas com deuses míticos e apoteose humana. A espetacular coleção de imagens do teto era de fato uma mensagem dos Antigos Mistérios e estava ali por um motivo. Os pais fundadores tinham imaginado os Estados Unidos como uma tela em branco, um campo fértil sobre o qual poderiam lançar as sementes dos mistérios. Hoje, aquele ícone sublime – o pai da nação subindo as céus – pairava silenciosamente sobre os legisladores, líderes e presidentes do país… um lembrete arrojado, um mapa para o futuro, a promessa de um tempo em que o homem iria evoluir rumo à maturidade espiritual completa.

– Robert – sussurrou Katherine com os olhos ainda fixos nas enormes figuras dos grandes inventores norte-americanos acompanhados por Minerva -, esse afresco é profético. Hoje em dia, as invenções mais avançadas estão sendo usadas para estudar as idéias mais antigas. A noética pode ser uma disciplina nova, mas é a ciência mais antiga do mundo: o estudo da mente humana. – Ela se virou para Langdon, maravilhada. – E estamos aprendendo que os antigos compreendiam o pensamento de modo mais profundo do que compreendemos hoje.

– Faz sentido – retrucou o professor. – A mente humana era a única tecnologia à disposição dos antigos. Os primeiros filósofos a estudaram de forma incansável.

– Isso mesmo! Os textos antigos são obcecados pelo poder da mente humana. Os Vedas descrevem o fluxo da energia mental. A Pistis Sophia fala sobre a consciência universal. O Zohar explora a natureza da mente-espírito. Os textos xamanísticos predizem a “influência remota” de Einstein em termos de cura a distância. Está tudo lá! E olhe que eu nem comecei a falar da Bíblia.

– Você também? – brincou Langdon. – Seu irmão tentou me convencer de que a Bíblia está cheia de informações científicas cifradas.

– Mas está mesmo – disse ela. – E, se você não acredita em Peter, leia alguns dos textos esotéricos de Newton sobre as Escrituras. Quando começar a entender as parábolas crípticas, Robert, você vai perceber que a Bíblia é um estudo da mente humana.

Langdon encolheu os ombros.

– Acho que vou ter que ler tudo de novo.

– Deixe-me fazer uma pergunta – disse ela, obviamente sem apreciar seu ceticismo. – Quando a Bíblia nos diz que devemos “construir nosso templo” e fazer isso “sem ferramentas e sem ruído”, de que templo você acha que ela está falando?

– Bem, o texto diz que o nosso corpo é um templo.

– Sim, em Coríntios 3:16. Vós sois o templo de Deus. – Ela sorriu. – E o Evangelho segundo João diz exatamente a mesma coisa. Robert, as Escrituras sabem muito bem o poder que existe latente em nós, e nos incentivam a dominar esse poder… a construir os templos de nossas mentes.

– Infelizmente, acho que grande parte do mundo religioso está esperando que um templo de verdade seja reconstruído. Isso faz parte da Profecia Messiânica.

– Sim, mas deixa de lado um ponto importante. O Segundo Advento é o do homem, o instante em que a humanidade finalmente constrói o templo de sua mente.

– Não sei – disse Langdon, esfregando o queixo. – Não sou nenhum estudioso da Bíblia, mas tenho quase certeza de que as Escrituras descrevem em detalhes um templo físico que precisa ser construído. Segundo a descrição, a estrutura seria dividida em duas partes: um templo externo chamado Santo e um santuário interno chamado Santo dos Santos. As duas partes estão separadas uma da outra por um fino véu.

Katherine sorriu novamente.

– Bela memória bíblica para um cético. Aliás, você já viu um cérebro humano de verdade? Ele é constituído por duas partes: uma externa, chamada dura-máter, e outra interna, chamada pia-máter. Essas duas partes são separadas pela membrana aracnóide, um véu de tecido que parece uma teia de aranha.

Langdon inclinou a cabeça, surpreso.

Com delicadeza, ela ergueu a mão e tocou a têmpora de Langdon.

– Existe um motivo para temple, em inglês, significar tanto “têmpora” quanto “templo”, Robert.

Enquanto Langdon tentava processar o que Katherine acabara de dizer, lembrou-se inesperadamente do Evangelho gnóstico segundo Maria: Onde a mente está, lá está o tesouro.

– Talvez você tenha ouvido falar – disse Katherine, baixando o tom de voz – nos exames de ressonância magnética feitos em iogues meditando. Quando em estado avançado de concentração, o cérebro humano produz, por meio da glândula pineal, uma substância parecida com cera. Essa secreção cerebral não se parece com nenhuma outra substância do corpo. Ela tem um efeito incrivelmente curativo, é capaz de regenerar células e talvez seja um dos motivos por trás da longevidade dos iogues. Isso é ciência, Robert. Essa substância tem propriedades inconcebíveis e só pode ser criada por uma mente em estado de profunda concentração.

– Eu me lembro de ter lido sobre isso alguns anos atrás.

– E, falando nisso, você conhece o relato da Bíblia sobre o “maná dos céus”? Langdon não via ligação alguma entre os dois assuntos.

– Está se referindo à substância mágica que caiu do céu para alimentar os famintos?

– Exatamente. Dizia-se que essa substância curava os doentes, dava a vida eterna e, estranhamente, não produzia dejetos depois de consumida. – Katherine fez uma pausa, como se estivesse esperando que ele entendesse. – Robert – insistiu ela -, um alimento que caiu do céu? – Ela cutucou a própria têmpora. – Que cura o corpo por magia? Que não gera dejetos? Ainda não entendeu? São palavras em código, Robert! Templo é um código para “corpo”. Céu é um código para “mente”. A Escada de Jacó é a sua coluna vertebral. E o maná é essa rara secreção produzida pelo cérebro. Quando você vir essas palavras cifradas nas Escrituras, preste atenção. Elas muitas vezes são sinais de um significado mais profundo escondido sob a superfície.

Katherine passou a falar rápido, explicando como a mesma substância mágica aparecia em todos os Antigos Mistérios: néctar dos deuses, elixir da vida, fonte da juventude, pedra filosofal, ambrosia, orvalho, ojas, soma. Depois começou a dar uma longa explicação sobre como a glândula pineal representava o olho de Deus que tudo vê.

– Segundo Mateus 6:22 – disse ela com animação -, “Quando o teu olho for bom, todo o teu corpo terá luz”. Esse conceito também é representado pelo chacra ajna e pelo pontinho na testa dos hindus que…

Katherine se deteve abruptamente, parecendo encabulada.

– Desculpe… sei que estou falando sem parar. Mas é que acho tudo isso tão emocionante! Passei anos estudando as afirmações dos antigos sobre o incrível poder mental do homem, e agora a ciência está nos mostrando que o acesso a esse poder se dá, na verdade, por meio de um processo físico. Se usado corretamente, nosso cérebro pode invocar poderes literalmente sobre-humanos. A Bíblia, como muitos textos antigos, é uma exposição detalhada da máquina mais sofisticada de todos os tempos… a mente humana. – Ela deu um suspiro. – Por incrível que pareça, a ciência ainda não alcançou todo o potencial da mente.

– Parece que seu trabalho com a noética vai representar um salto à frente nessa área.

– Talvez seja um salto para trás – disse ela. – Os antigos já conheciam muitas das verdades científicas que estamos redescobrindo atualmente. Em questão de anos, o homem moderno será forçado a aceitar algo hoje impensável: nossas mentes podem gerar energia capaz de transformar a matéria física. – Ela fez uma pausa. – As partículas reagem aos pensamentos… o que significa que nossos pensamentos têm o poder de mudar o mundo.

Langdon abriu um leve sorriso.

– Minha pesquisa me fez acreditar nisto: Deus é muito real… uma energia mental que permeia tudo – disse Katherine. – E nós, seres humanos, fomos criados a essa imagem…

– Como assim? – interrompeu Langdon. – Criados à imagem de… uma energia mental?

– Exatamente. Nossos corpos físicos evoluíram com o tempo, mas nossas mentes é que foram criadas à semelhança de Deus. Nós estamos levando a Bíblia muito ao pé da letra. Aprendemos que Deus nos criou à sua imagem, mas não são nossos corpos físicos que se assemelham a Deus, são nossas mentes.

Langdon se calara, totalmente fascinado.

– É esse o verdadeiro presente, Robert, e Deus está esperando que entendamos isso. Pelo mundo todo ficamos olhando para o céu à procura de Deus… sem nunca perceber que Ele está esperando por nós. – Katherine fez uma pausa, dando tempo para aquelas palavras serem absorvidas. – Nós somos criadores, mas ainda assim ficamos ingenuamente fazendo o papel de criaturas. Vemos a nós mesmos como ovelhas indefesas, manipuladas pelo Deus que nos criou. Mas, quando percebermos que somos realmente feitos à imagem do Criador, vamos começar a entender que nós também devemos ser criadores. Assim que entendermos esse fato, as portas do potencial humano irão se escancarar.

Langdon se lembrou de um trecho da obra do filósofo Manly P. Hall: Se o infinito não quisesse que o homem fosse sábio, não teria lhe dado a faculdade de saber. Langdon tornou a erguer os olhos para A Apoteose de Washington – a ascensão simbólica do homem à divindade. A criatura… se transformando em Criador.

– O mais incrível de tudo – disse Katherine – é que, assim que nós, humanos, começarmos a dominar nosso verdadeiro poder, teremos enorme controle sobre o mundo. Seremos capazes de projetar a realidade em vez de simplesmente reagir a ela.

Langdon baixou os olhos.

– Parece… perigoso.

Katherine ficou surpresa… e impressionada.

– Isso, exatamente! Se os pensamentos afetam o mundo, então precisamos tomar muito cuidado com a maneira como pensamos. Pensamentos destruitivos também têm influência, e todos sabemos que é muito mais fácil destruir do que criar.

Langdon pensou em todas as histórias sobre a necessidade de proteger o antigo saber dos não merecedores e de compartilhá-lo apenas com os iluminados. Pensou no Colégio Invisível e no pedido do grande cientista Isaac Newton a Robert Boyle para que guardasse “total silêncio” sobre seu estudo secreto. Ele não pode ser divulgado, escreveu Newton em 1676, sem imensos danos para o mundo.

– Houve, no entanto, uma reviravolta interessante – disse Katherine. – A grande ironia é que, durante séculos, todas as religiões do mundo incentivaram seus seguidores a abraçar os conceitos de fé e crença. Agora a ciência, que passou muitos séculos desprezando a religião ao considerá-la mera superstição, está sendo obrigada a admitir que sua próxima grande fronteira é literalmente a ciência da fé e da crença… o poder da convicção e da intenção. A mesma ciência que erodiu nossa fé nos milagres está agora construindo uma ponte para atravessar o abismo que criou.

Langdon passou um bom tempo pensando nas palavras dela. Bem devagar, tornou a erguer os olhos para a Apoteose.

– Quero fazer uma pergunta – falou, olhando de volta para Katherine. – Mesmo que eu conseguisse aceitar, apenas por um instante, que tenho o poder de modificar matéria física com a mente e de criar tudo aquilo que desejo… como poderia acreditar nisso se, infelizmente, não vejo nenhum indício desse poder na minha vida?

Ela deu de ombros.

– Então você não está procurando direito.

– Calma lá, quero uma resposta de verdade. Isso está parecendo uma resposta de padre. Quero uma de cientista.

– Você quer uma resposta de verdade? Aqui está. Se eu lhe der um violino e disser que você tem a capacidade de usá-lo para tocar músicas lindas, não estarei mentindo. Você tem essa capacidade, mas vai precisar treinar muito para que ela se manifeste. Aprender a usar a mente é a mesma coisa, Robert. O pensamento bem direcionado é uma habilidade que se adquire. Manifestar uma intenção requer um foco digno de um raio laser, uma visualização sensorial completa e uma crença profunda. Nós demonstramos isso no laboratório. E, como no caso do violino, existem pessoas que demonstram uma aptidão natural maior que outras. Olhe para a história. Veja os relatos de mentes iluminadas que realizaram feitos milagrosos.

– Katherine, por favor, não me diga que você realmente acredita nesses milagres. Quer dizer, francamente… transformar água em vinho, curar os doentes com um toque da mão?

Katherine inspirou fundo e soltou o ar lentamente.

– Eu já vi pessoas transformarem células cancerosas em células saudáveis apenas pensando nelas. Vi mentes humanas afetando o mundo físico de inúmeras formas. E quando você testemunha isso, Robert, quando essas coisas se tornam parte da sua realidade, a única diferença entre elas e alguns dos milagres sobre os quais já lemos passa a ser a intensidade.

Langdon estava pensativo.

– É um jeito inspirador de ver o mundo, Katherine, mas fico com a sensação de que isso é um salto de fé impossível. E, como você sabe, a fé nunca foi uma coisa fácil para mim.

– Então não pense nisso como fé. Pense que é apenas uma mudança de perspectiva: aceitar que o mundo não é exatamente como você imagina. Historicamente, todos os grande avanços científicos começaram com uma idéia simples que ameaçou virar todas as crenças de cabeça para baixo. A simples afirmação “A Terra é redonda” foi desprezada e taxada de impossível porque a maioria das pessoas acreditava que, se fosse assim, os oceanos se derramariam do planeta. O heliocentrismo foi chamado de heresia. As mentes medíocres sempre atacaram aquilo que não entendem. Há aqueles que criam… e aqueles que destroem. Essa dinâmica existe desde que o mundo é mundo. Mas os criadores sempre acabam encontrando quem acredite neles. Então a quantidade de seguidores cresce até que alcança um número crítico e, de repente, o mundo se torna redondo, ou o sistema solar passa a ser heliocêntrico. A percepção se transforma e uma nova realidade nasce.

Langdon aquiesceu, agora com o pensamento longe.

– Você está com uma cara engraçada – disse ela.

– É, sei lá. Por algum motivo, estava me lembrando de como eu costumava pegar um pequeno barco e ir até o meio do lago à noite, só para ficar deitado debaixo das estrelas pensando nesse tipo de coisa.

Ela assentiu, compreendendo.

– Acho que todos nós temos uma lembrança parecida. Ficar deitado olhando para o céu… isso de alguma forma abre a mente. – Ela ergueu os olhos para o teto e então falou: – Me dê seu paletó.

– O quê? – Ele tirou o paletó e o entregou a ela.

Katherine o dobrou duas vezes, estendendo-o no chão da galeria como um travesseiro comprido.

– Deite-se.

Langdon se deitou de costas e Katherine ajeitou a cabeça dele sobre metade do paletó dobrado. Então ela se deitou ao lado dele – duas crianças, com os ombros colados sobre aquela passarela estreita, olhando para o enorme afresco de Brumidi.

– Muito bem – sussurou Katherine. – Procure entrar naquele mesmo estado de espírito… uma criança deitada em um barco… observando as estrelas… com a mente aberta e cheia de assombro.

Langdon tentou obedecer, embora, naquele instante, deitado e à vontade, uma súbita onda de exaustão tomasse conta de seu corpo. À medida que sua visão se embaçava, ele percebeu uma forma difusa lá em cima que o despertou na mesma hora. Será possível? Não conseguia acreditar que não tivesse percebido isso antes, mas os personagens de A Apoteose de Washington estavam obviamente posicionados em dois círculos concêntricos – um círculo dentro de um círculo. Será que a Apoteose também é um circumponto? Langdon se perguntou que outro detalhe deixara passar naquela noite.

– Tenho uma coisa importante para dizer a você, Robert. Existe outra peça que considero o aspecto mais espantoso da minha pesquisa.
Ainda tem mais?

Katherine se apoiou no cotovelo.

– E juro… se nós, seres humanos, formos capazes de apreender de forma honesta essa única verdade simples… o mundo vai mudar da noite para o dia.

Ela passou a ter toda a sua atenção.

– Para começar – disse ela – , eu deveria lembrá-lo dos mantras maçônicos que nos incitam a “reunir o que está disperso”, “criar ordem a partir do caos” e encontrar a “união”.

– Continue. – Langdon estava intrigado.

Katherine sorriu para ele.

– Nós provamos cientificamente que o poder do pensamento humano cresce exponencialmente em proporção à quantidade de mentes que compartilham um mesmo pensamento.

Langdon continuou em silêncio, perguntando-se aonde ela queria chegar com essa idéia.

– O que estou dizendo é o seguinte: duas cabeças pensam melhor do que uma, mas não são duas vezes melhor, e sim muitas vezes melhor. Várias mentes trabalhando em uníssono ampliam o efeito de um pensamento… de forma exponencial. É esse o poder inerente aos grupos de oração, aos círculos de cura, aos cantos coletivos e às devoções em massa. A idéia de uma consciência universal não é um conceito etéreo da Nova Era. É uma realidade científica palpável… e dominar essa consciência tem o potencial de transformar o mundo. Essa é a descoberta fundamental da ciência noética. E o que é mais importante: isso está acontecendo agora. É possível sentir essa mudança à nossa volta. A tecnologia está nos conectando de formas que jamais imaginamos: veja o Twitter, o Google, a Wikipédia e tantas outras coisas… tudo isso se une para criar uma rede de mentes interconectadas. – Ela riu. – E garanto a você: assim que eu publicar meu livro, todo mundo vai começar a postar no Twitter coisas do tipo “aprendendo sobre ciência noética”, e o interesse por essa disciplina vai explodir de forma exponencial.

As pálpebras de Langdon estavam incrivelmente pesadas.

– Sabe que até hoje eu não aprendi a mandar um twitter?

– Um tweet – corrigiu ela, rindo.

– Como?

– Deixe para lá. Feche os olhos. Eu acordo você quando chegar a hora.

(…)Engolido por uma nova onda de exaustão, fechou os olhos. Na escuridão de sua mente, se surpreendeu pensando na consciência universal… nos escritos de Platão sobre “a mente do mundo” e o “deus da união”… no “inconsciente coletivo” de Jung. O conceito era ao mesmo tempo simples e espantoso.
Deus está na união de Muitos… e não em Um só.

– Elohim – falou Langdon de repente, reabrindo os olhos ao perceber um vínculo inesperado.

– Como? – Katherine ainda o olhava de cima.

– Elohim – repetiu ele. – A palavra hebraica usada no Antigo Testamento para se referir a Deus! Ela sempre me intrigou.

Katherine abriu um sorriso de cumplicidade.

– Sim. A palavra está no plural.
Exatamente! Langdon nunca tinha entendido por que os primeiros trechos da Bíblia se referiam a Deus como um ser plural. Elohim. O Deus Todo-Poderoso do Gênesis era descrito não como Um… mas como Muitos.

– Deus é plural – sussurrou Katherine – porque as mentes dos homens são plurais.

Os pensamentos de Langdon estavam a mil… sonhos, lembranças, esperanças, medos, revelações… tudo rodopiava acima dele no domo da Rotunda. À medida que seus olhos começavam a se fechar novamente, ele se viu encarando três palavras em latim que faziam parte da Apoteose.

E PLURIBUS UNUM.
De muitos, um só, pensou, pegando no sono.

***

Trecho retirado do livro “O Símbolo Perdido”, de Dan Brown (Rio de Janeiro: Sextante, 2009).

#Maçonaria #mente #pensamento

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/apoteose-humana

Entrevista com John Mack

John Mack (1928 – 2004) foi médico, escritor ganhador do Prêmio Pulitzer e professor chefe do departamento de psiquiatria da Harvard Medical School. Foi também o maior pesquisador de sua geração sobre os impactos psicológicos das experiências de abdução por alienígenas. A entrevista foi cedida a revista eletrônica NOVA Online em 2002.

NOVA: Vamos falar sobre sua evolução pessoal, talvez do ceticismo à crença…

MACK: Quando eu encontrei esse fenômeno pela primeira vez, ou particularmente antes de ter visto as próprias pessoas, eu tinha muito pouco espaço em minha mente para levar isso a sério. Eu, como a maioria de nós, fui criado para acreditar que, se quiséssemos descobrir outra inteligência, o faríamos por meio de ondas ou sinais de rádio ou ou algo do gênero.

A ideia de que poderíamos ser alcançados por algum outro tipo de ser, criatura, inteligência que pudesse realmente entrar em nosso mundo e ter efeitos físicos, bem como efeitos emocionais, simplesmente não fazia parte da visão de mundo em que fui criado. Com muita relutância, cheguei à conclusão de que esse era um verdadeiro mistério. Em outras palavras, que eu … fiz tudo o que pude para descartar outras fontes, traumas ou abuso sexual. Algumas dessas pessoas são abusadas. Mas eles são capazes de dizer, distinguir claramente o trauma de abdução de outras formas de abuso.  Há também algumas formas de psicose ou pessoas inventando histórias – mas eu poderia rejeitar isso com base no fato de que não há ganho nisso – inclusive há perdas – para a vasta maioria dessas pessoas.

Já trabalhei intensamente com mais de uma centena de abduzidos. O que envolve uma entrevista inicial de duas horas ou mais antes de fazer qualquer outra coisa. E caso após caso, fiquei impressionado com a consistência da história, a sinceridade com que as pessoas contam suas histórias, o poder dos sentimentos relacionados a isso, a dúvida – todas as respostas apropriadas que essas pessoas tem para suas experiências.

NOVA: Então diga-nos, por favor, quão literalmente você pretende que as pessoas entendam isso? Você está sugerindo que as pessoas estão realmente sendo arrancadas de suas camas por alienígenas e sendo levadas a bordo de uma nave espacial?

MACK: Como interpretar isso literalmente, é um dos aspectos mais interessantes e complexos do assunto. E eu quero passar por isso o mais claramente possível. Existem aspectos  que eu acredito que nos deixa justificados em interpretar literalmente. Ou seja, os OVNIs são de fato observados, filmados por as câmeras ao mesmo tempo que as pessoas estão tendo suas experiências de abdução.

Na verdade, observou-se que havia pessoas desaparecidas no momento em que relatavam suas experiências de abdução. Eles voltam de suas experiências com cortes, úlceras no corpo, lesões triangulares, que seguem a descrição das experiências que eles recuperam, do que foi feito a elas no decorrer da atividade cirúrgica desses seres.

Tudo isso tem um aspecto físico literal e é vivenciado e relatado com sentimento apropriado, pelas pessoas abduzidas, com ou sem hipnose ou exercício de relaxamento.

Há uma – eu acredito – gradação de experiências e que vão desde os tipos físicos mais literais de feridas, cortes, pessoas removidas, espaçonaves que puderam ser fotografadas, até experiências que são mais psicológicas, espirituais, envolvem o extensão da consciência. A dificuldade para a nossa sociedade e para a nossa mentalidade é que temos uma espécie de mentalidade que nos obriga ou isso ou a aquilo. Ou é literalmente físico ou está em outro reino espiritual, o reino invisível. O que parecemos não ter lugar para – ou perdemos o lugar para – são fenômenos que podem começar no reino invisível, e cruzar e se manifestar e aparecer em nosso mundo físico literal.

Portanto, a resposta simples seria: Sim, são os dois. Literalmente, algo fisicamente está acontecendo até certo ponto; e também é algum tipo de experiência psicológica espiritual ocorrendo e se originando talvez em outra dimensão. E assim o fenômeno nos abre, ou nos pede para nos abrir a realidades que não são simplesmente o mundo físico literal, mas para estendermos a possibilidade de que existem outras realidades invisíveis das quais nossa consciência, nossa alma, se você quiser, está aprendendo a experimentar ao longo das últimas centenas de anos.

NOVA: Eu me pergunto, se nesse sentido, você pode falar sobre o que você acha que se trata dessa experiência?

MACK: …. Existem vários efeitos que essas experiências têm para aqueles que passam por encontros de abdução alienígena. O primeiro é o aspecto ou ajuste mais familiar, que é um evento traumático no qual uma luz azul ou algum tipo de energia paralisa a pessoa, esteja ela em sua casa ou dirigindo um carro. Elas não podem se mover.

Eles se sentem removidos de onde quer que estejam. Eles flutuaram através de uma parede ou de um carro, levados por esse feixe de luz para uma nave e lá submetidos a uma série de procedimentos agora familiares que envolvem os seres que os encaram; sondagem de seus corpos e orifícios corporais; e um processo complexo pelo qual eles sentem, no caso dos homens, o esperma removido; nas mulheres, os óvulos são removidos; algum tipo de prole híbrida criada que eles são trazidos de volta os visitar em abduções posteriores. Esse é o tipo de experiência literal.

Agora, o efeito disso é – ou o que parece estar acontecendo lá, em uma série de abduções – não apenas as pessoas que entrevistei, mas aquelas que Budd Hopkins e outras pessoas pesquisaram – é produzir algum tipo de nova espécie ou espécie híbrida que – às vezes é dito aos abduzidos – povoará a terra ou estará lá para levar a evolução adiante, depois que a raça humana tiver concluído o que está fazendo agora, ou seja, a destruição da terra como um sistema vivo. Portanto, é uma espécie de forma futura. É uma reunião estranha com uma espécie menos corporificada do que nós, para um propósito evolutivo.

No entanto, isso pode não ser literalmente verdade. Pode ser que esta seja uma comunicação para nós. Que talvez precisemos mudar nossos hábitos. Pode não ser que sejam literalmente nossos bebês. Pode ser uma espécie de expressão de imagens de bebês; ou pode ser que esses híbridos que nos disseram sejam o que tenhamos que ser. É uma espécie de apólice de seguro se a terra continuar a ser sujeita à exploração de seu ambiente vivo a ponto de não poder sustentar a vida humana e outras como está ocorrendo agora. Mas pode não ser literalmente o que vai acontecer. Então essa é uma área em aberto.

Outra área é todo o aspecto visual, ambiental e informacional disso, em que as pessoas são mostradas nas telas de televisão uma enorme variedade de cenas de destruição ambiental da terra poluída; de uma espécie de cena pós-apocalíptica em que até os espíritos foram expulsos de seu ambiente porque vivem no mesmo ambiente físico e espiritual que nós; e os campos são mostrados com árvores destruídas; pedaços da terra são vistos como se separando, a terra em colapso.

NOVA: ….. Híbrido alienígena. O que isso significa?

MACK: Às vezes, ao longo do caminho, conforme você se aprofunda cada vez mais na consciência da pessoa, na experiência dela, ela descobrirá … o que é chamado de identidade dupla. Em outras palavras, que ambos são humanos – em uma dimensão; mas eles também são eles mesmos, têm uma identidade estranha. Que participam desse programa reprodutivo híbrido, como se fossem parte dele. E que eles podem, de fato, até se sentir como alienígenas. Uma versão sua melhorada que vive em um mundo maior.

Um dos homens em meu livro na verdade foi um participante ativo em levar uma mulher do Texas para uma nave e ser abduzida, e desempenhando a função reprodutiva de um ser alienígena, sentiu que ele próprio era um alienígena. E muitas vezes as abduzidas sentirão que seu trabalho, em termos de desenvolvimento, é integrar essas duas dimensões ou esses dois aspectos de si mesmas: o humano e o alienígena. E que a dimensão alienígena é uma parte de nós mesmos, nossas almas, se você preferir, das quais fomos ou fomos isolados ao longo dos séculos de seres humanos que vivem nesta terra nesta forma densamente incorporada.

NOVA: Você e outros disseram que não há outra explicação psicológica. Mas que há alguma realidade nisso. O que você acha do trabalho de pessoas como Michael Persinger e Robert Baker, que têm essas teorias complicadas sobre neurologia ou afirmam que as alucinações hipnogógicas estão na raiz dessas experiências percebidas?

MACK: Essas experiências geralmente ocorrem na consciência literal. Não em um estado hipnogógico ou onírico. A pessoa pode estar em seu quarto bem acordada. Os seres aparecem. E aí estão eles e a experiência começa. Que está ocorrendo frequentemente não é nenhum estado de sonho. Agora, às vezes eles ocorrem quando uma pessoa está cochilando ou em estado hipnogógico. Mas freqüentemente não.

Além disso, qualquer teoria que considere isso um fenômeno puramente endógeno, ou seja, gerado puramente a partir da psique da própria pessoo é uma espécie de arrogância também. Porque significa que simplesmente não podemos aceitar a noção de que pode haver outra inteligência trabalhando. O que é uma explicação muito mais econômica. Mas se devemos encontrar uma teoria dentro de nós mesmos, devemos ter em mente que qualquer teoria que comece a abordar isso deve levar em consideração cinco fatores:

Número um, a extrema consistência das histórias de pessoa após pessoa. O que você não obteria simplesmente estimulando os lobos temporais. Você obteria respostas idiossincráticas muito variáveis, que diferiam muito de caso em caso.

Número dois, você teria que lidar com o fato de que não existe uma base experiencial comum para isso. Em outras palavras, não há nada em sua experiência de vida que poderia ter dado origem a isso, a não ser o que eles dizem. Em outras palavras, não há nenhuma condição mental que possa explicar isso.

Terceiro, é preciso levar em conta os aspectos físicos: os cortes e outras lesões em seus corpos, que não seguem nenhuma distribuição psicodinâmica, como os estigmas associados à identificação com a agonia de Cristo.

Em quarto lugar, a forte associação com OVNIs, que muitas vezes são observados na comunidade local, pela mídia, independentemente da pessoa que está tendo a experiência de abdução ter ou não avistado o OVNI, mas lê ou vê na televisão no dia seguinte que um OVNI passou perto de onde eles estavam quando tiveram uma experiência de abdução.

E, finalmente, o fenômeno ocorre em crianças a partir de dois, dois e meio, três anos de idade. E qualquer teoria que simplesmente atribua isso à atividade do cérebro, não leva em conta pelo menos três dessas cinco dimensões fundamentais …

NOVA: Você realmente não corre o risco de se prejudicar um pouco, pessoal e profissionalmente, devido as críticas ?

MACK: Acho que, de certa forma, ganhei mais do que perdi em termos de convidar as pessoas para esse mistério, tendo um diálogo com todos os tipos de pessoas maravilhosas, abertas, inteligentes e brilhantes de muitos campos diferentes. Foi muito emocionante. Quer dizer, fui atacado, mas os ataques não foram realmente tão sérios para mim quanto a franqueza que encontrei entre muitas pessoas em toda a cultura e internacionalmente, que estão dizendo: Sim, sempre suspeitei que algo assim era está acontecendo, e fico feliz que você esteja disposto a se apresentar e relatar sobre isso.

Costuma-se dizer que sou um crente e que perdi minha objetividade. Eu realmente contesto isso. Porque não se trata de acreditar em nada. Eu não acreditava em nada quando comecei, eu realmente não acredito em nada agora. Eu vim para onde vim clinicamente. Em outras palavras, trabalhei com pessoas por mais de cem centenas de horas e fiz um trabalho tão cuidadoso quanto pude para ouvir, peneirar e considerar explicações alternativas. E nenhum ase apresentou. Ninguém encontrou uma explicação alternativa em um único caso de abdução.

NOVA: Muitos dizem que isso é apenas uma função de imagens culturais.

MACK: Tenho observado esse fenômeno conforme ele se manifesta nos povos indígenas, nos nativos americanos – os Cherokee, os Hopi, que conhecem esses seres como o povo das estrelas. Já vimos isso na África do Sul, particularmente ao entrevistar em profundidade um importante sangoma sul-africano, ou curandeiro, que chama esses seres de “mandingdas”.

Investigamos isso no Brasil com um fazendeiro em – fora de Belo Horizante, que teve experiências de abdução idênticas ao que foi relatado neste país. Recentemente recebi uma carta sobre experiências de abdução de uma pessoa na Malásia. Em outras palavras, este é – pelo que podemos dizer – um fenômeno mundial. Isso não se restringe, como algumas pessoas pensaram, à cultura ocidental ou, em particular, à cultura americana.

Eu descobri que quanto mais alto ou maior o interesse que uma pessoa tem nesta sociedade, em sua posição ou em seu trabalho, mais relutante ela fica em admitir que teve experiências de abdução. Quando abduzidos foram à televisão comigo durante a primavera de 1994, durante minhas turnês de livros, e queriam se comunicar e educar sobre isso, vários deles receberam ameaças de seus empregos. Alguns deles os perderam, temos um homem em consultoria de gestão que perdeu um contrato importante. Uma mulher que trabalhava para o governo federal, que foi abduzida, foi ameaçada de perder o cargo. Em outras palavras, isso não é algo considerado aceitável.

Entrevistei pilotos de avião que tiveram avistamentos – avistamentos de OVNIs de perto. Eles não vão denunciar, porque serão afastados de seu trabalho. Mesmo que eles tenham tido experiência de abdução, eles não vão falar sobre isso. E 25 a 30 por cento dos pilotos de avião, de acordo com uma pesquisa que uma das pessoas com quem conversei, tiveram avistamentos de perto, mas não vou discutir o assunto.

Isso simplesmente não é algo aceito aceitavel para falar, mas isso pode estar mudando. Recentemente, vi um aluno da Harvard Divinity School e fiz-lhe essas perguntas. Eu disse: você fala sobre isso entre seus colegas estudantes? E ele disse: ‘Oh, sim.’ E descobriu-se que vários deles também tiveram experiências de abdução. E mesmo os que não tinham, ficaram fascinados, interessados, não os ridicularizaram. Então, talvez o clima esteja mudando.

Livros de ou sobre Dr. John Mack, M.D.

  • Abduction: Human Encounters with Aliens
  • Passport to the Cosmos
  • The Believer: Alien Encounters, Hard Science, and the Passion of John Mack

Postagem original feita no https://mortesubita.net/ufologia/entrevista-com-john-mack/

Os Axiomas de Zurique

Os Axiomas de Zurique

A Suíça é um país curioso. Não tem grandes riquezas minerais nem capacidade de cultivo e tem uma área menor que a do Rio de Janeiro.  Mesmo assim os suíços estão entre os povos mais ricos do mundo. Em renda per capita se comparam  aos norte-americanos, alemães e japoneses. Como isso pode ser possível? O livro “Os Axiomas de Zurique” ensina que isso acontece porque, mais do que qualquer outro povo, os suíços sabem como investir. A Suíça possui sólidas instituições financeiras e os suíços são ótimos especuladores e jogadores. Em outras palavras eles sabem como fazer uma boa aposta.

Os “Axiomas de Zurique” é um livro sobre como calcular riscos. Mas você não vai precisar ser um matemático para entender. Ele traz axiomas, regras criadas por um clube de investidores suíços, que fizeram a história de Wall Street.

O livro ensina como especular o seu dinheiro. Mas assim como outro clássico, “A Arte da Guerra”, seus princípios podem ser levados para outras áreas, como sua vida pessoal, carreira e até relacionamentos. Para ter qualquer espécie de ganho você tem que se arriscar. E este livro vai ajudar você a fazer as melhores apostas possíveis.

Primeiro Axioma: O Risco

Quem não arrisca não petisca. Para conquistar grandes coisas é preciso se arriscar. Riscos, é claro, trazem preocupações, mas preocupações não são necessariamente algo ruim. Elas nos impulsionam e nos fazem ficar atentos ao que fazemos. As pessoas agarram-se à segurança como se fosse a coisa mais importante do mundo. Elas gostam da sensação de tranquilidade. Mas a filosofia dos Axiomas de Zurique ensina o oposto. Nos casos de amor, por exemplo, quem tem medo de se expor ou de se comprometer jamais encontrará seu par. Outro exemplo são os esportes, área em que tanto os atletas como seus torcedores se expõem a riscos de perder em troca do sentimento de aventura pela vitória.

Realmente precisamos de momentos de tranquilidade, mas deixemos isso para o descanso e para quando formos dormir.  Para o especulador é a aventura que dá sabor à vida e ela só acontece quando nos expomos a riscos. Os mais célebres operadores de Wall Street nunca esconderam que um estado de constante preocupação é parte do seus estilos de vida. Eles gostam e buscam isso. A verdade é que não existe investimento sem riscos e não existem riscos sem preocupações.

Só aposte no que vale a pena

A única maneira de derrotar o sistema é apostar quantias que valham a pena. Se você apostar pouco vai ganhar pouco. Isso não significa apostar somas que se perdidas levariam você a falência, mas sim que você deve superar o medo de se machucar.  Se a quantia for tão pequena que sua perda não apresenta grandes diferenças  provavelmente os ganhos também serão insignificantes. Você pode começar disposto a se ferir pelo menos um pouquinho e, à medida que ganhar experiência, vá aumentando a sua dosagem de preocupação.

Resista a tentação das diversificações

Gerentes de banco sabem que as pessoas são geralmente avessas a perdas. Por isso, sugerem o  clichê de “colocar seus ovos em várias cestas”. A diversificação reduz os riscos mas também reduz qualquer esperança de ficar rico. Ao diversificar você cria uma situação e em que perdas e ganhos acabam se cancelam. Além disso, quanto mais investimentos simultâneos você tem mais difícil e confuso será gerênciá-los.  Um pouco de diversificação não fará mal, mas o autor sugere três ou menos investimentos ao mesmo tempo. Se possível, coloque todos os seus ovos no mesmo cesto e tome conta desse cesto.

Segundo Axioma: Realize o lucro sempre cedo demais

Não é fácil parar quando se está ganhando. Sempre queremos mais e essa ganância, muitas vezes, pode nos fazer perder tudo o que conquistamos. Não podemos saber de antemão quanto tempo nosso período de sorte vai continuar. Pode durar muito, mas pode durar muito pouco. Dessa forma, a melhor estratégia é presumir que qualquer conjunto de eventos lucrativos terá breve duração. Assim que estiver com um bom lucro caia fora.

Não force sua sorte tentando espremer até o último centavo e não tenha medo de se arrepender. Não olhe para trás. De vez em quando você realmente lamentará ter saído. É uma experiência deprimente ver que seus lucros poderiam ter sido maiores. Mas a cada duas ou três decisões erradas haverá dúzias de acertos. Na maior parte das vezes sair será a melhor opção.

Defina sua meta de chegada

Em uma negociação tenha claro quais concessões quer conquistar antes de começar a conversa. Não force o relacionamento pedindo mais do que queria no começo. A melhor hora para definir a linha de chegada é antes de a corrida começar, afinal, não existe gongo ou pessoas batendo palma na vida real. Você mesmo é que precisa definir sozinho quando o lucro é razoável e o melhor momento para fazer isso é antes de começar o investimento. Ao chegar lá, caia fora. Uma boa maneira de reforçar essa sensação final é estabelecendo alguma premiação para si próprio quando o objetivo inicial for conquistado. Reduzir a ganância é lucrativo a longo prazo.

Terceiro Axioma: Quando o barco começar a afundar abandone-o.

Tenha certeza que mais da metade das suas operações especulativas irão pro brejo antes da linha de chegada. Metade das suas esperanças está condenada a não se realizar. A maneira sugerida pelos Axiomas de Zurique para lidar com isso é abandonar o barco assim que ele começar a afundar. Não espere que até metade esteja submersa. Não reze nem cubra seus olhos. Calma e decididamente saia antes que o pânico se instaure.

Saber aceitar as pequenas perdas é o segredo para se proteger das grandes. E não se engane, isso vai doer.  É provável que algumas vezes as coisas melhorem depois de você sair e o sentimento de arrependimento se instaurar. Mas, novamente, não olhe para trás. Com frequência uma situação ruim permanece ruim antes de voltar a melhorar. Nesse meio tempo seu dinheiro poderia estar rendendo mais em outros lugares.

Os bons jogadores de poker conhecem bem esse fenômeno. Por essa razão, o autor sugere que você, se possível, organize alguns jogos entre seus amigos. Há muito a se aprender neste jogo – sobre especulações e sobre si mesmo.

 

Aceite pequenas perdas

Conte incorrer em várias perdas pequenas enquanto espera um grande ganho. Se uma operação não está funcionando, caia fora e procure outra.  Existe um mecanismo na bolsa de valores conhecido como stop-loss. Com ele seus papéis são automaticamente vendidos assim que um determinado nível de perdas seja atingido. Isso é bom porque poupa você da angústia de decidir quando vender. Mas o autor sugere que você use sua própria capacidade de decisão e visite pessoalmente o fundo do poço. Isso fará você, aos poucos, entender que perdas são apenas fatos desagradáveis da vida, assim como impostos e contas a pagar. Superar o apego e a falsa esperança e admitir seus próprios erros são lições valiosas que você pode levar para a vida toda.

Quarto Axioma: O futuro não pode ser conhecido

O comportamento do ser humano não é previsível. Esqueça todos os prognósticos. Sempre que o fator humano está presente, como no caso da economia, ninguém tem a remota ideia do que acontecerá. Por mais que tentem nos convencer do contrário ninguém sabe o que vai acontecer no ano que vem, semana que vem ou sequer amanhã. Por essa razão os axiomas enfatizam que devemos largar o vício de prestar atenção em previsões. Às vezes, os oráculos financeiros, economistas e especialistas de mercado estão certos, mas é justamente por isso que são tão perigosos. Depois de passar anos bancando um profeta qualquer um consegue exibir meia dúzia de palpites que se realizaram. O que nunca aparece na publicidade dos profetas são as vezes em que ele errou.

Economistas tendem a tratar assuntos econômicos como se fossem eventos físicos. A economia, no entanto, é resultado do comportamento humano e não existe nada capaz de prever eventos humanos. As altas e baixas da bolsa de valores, por exemplo, são resultado das emoções de homens e mulheres que estão reagindo uns aos outros. O mesmo ocorre com índices e números com os quais  os especialistas gostam de brincar, tais como PNB, nível da construção civil e taxas de inflação. Recessões, recuperações, bolhas, altas e baixas de mercado, tudo isso é causado por pessoas. Ao explicarem porque uma previsão falhou os oráculos vão sempre alegar “fatores imprevisíveis” . Mas é exatamente esse o problema. Os fatores imprevisíveis superam, em muito, os fatores que podem ser previstos.

 

Os especuladores de sucesso não baseiam suas jogadas no que vai acontecer. Eles reagem ao que realmente acontece. Trace seu projeto especulativo em reações rápidas a eventos que você vê acontecendo à sua frente e, quando atingir seu objetivo pré-determinado ou quando as coisas começarem a dar errado, caia fora.

Quinto Axioma: Até começar a parecer ordem, o caos não é perigoso

Devemos sempre buscar apostas vantajosas e investimentos promissores. Quando topar com algo que pareça bom, aposte. Mas não se deixe hipnotizar pela ilusão da ordem.  É improvável que seus estudos tenham criado uma situação “certa” de lucro. Ainda mais improvável é que tenha encontrado alguma fórmula de como o mercado funciona. Todos gostariam de ter esta fórmula. Infelizmente ela não existe.

O mundo é uma desordem sem padrões confiáveis, um absoluto caos. O mundo do dinheiro é um reflexo disso. De vez em quando padrões ou desenhos parecem se formar mas são tão efêmeros como as imagens que vemos nas nuvens. Não existe, por exemplo, nenhum especialista de arte que possa dizer qual o próximo artista obscuro que entrará na moda. Conselheiros econômicos e especialistas financeiros geralmente apresentam algum tipo de “ilusão de ordem” e acham que descobriram como as peças se encaixam. Elas não se encaixam.

Cuidado com a Armadilha do Historiador

Uma suposta fórmula que deu certo no passado não vai, obrigatoriamente, dar certo da próxima vez. É fácil acreditar que a repetição ordenada da história pode fazer previsões corretas. Mas a história nunca se repete exatamente do mesmo jeito e, na maioria das vezes, não se repete de modo algum.

Cuidado com a ilusão do grafista

Um gráfico tem sempre um ar confortável de ordem, mas por trás dele esconde-se o caos.  Além disso, os gráficos raramente se repetem e quando o fazem nunca é de forma confiável.  Fazer gráficos dos preços das ações é como fazer gráficos da espuma do mar.

Cuidado com a ilusão da causalidade

A mente racional  busca sempre relações de causa e efeito. O problema é que quando não as encontramos  acabamos inventando algumas. Na busca por ordem a mente humana  refugia-se em um mundo de fantasias. Quando ocorrem dois eventos pertos um do outro vamos logo costurando elos causais entre eles para o nosso próprio conforto. E uma vez que uma ligação causal seja inventada e estabelecida ela é capaz de fazer com que um fenômeno pareça mais ordenado do que realmente é. Assim, ao menos que você realmente constate uma causa operando, considere sempre todas as relações causais com o maior dos ceticismos.

Cuidado com a falácia do jogador

Outra espécie de ilusão de ordem é aquela que se volta para a própria pessoa. Quando alguém diz que está “em um dia de sorte” ou numa “maré de sucesso”. Na realidade, o que  pessoa está dizendo é que se encontra, temporariamente, em um estado de acasos favoráveis. Jogue uma moeda um número suficiente de vezes  e não demorará para conseguir uma  sequência de caras. O problema é que não dá para saber com antecedência quando essa sequência vai começar nem o quanto durará. A falácia do jogador é perigosa porque vende uma sensação temporária de invencibilidade, e ninguém é invencível.

Sexto Axioma: Evite lançar raízes

Raízes tolhem seu movimento. Preserve sua mobilidade e jamais se apegue ou crie um investimento de estimação. Sentimentos de lealdade a algum investimento são prejudiciais e você deve estar sempre pronto para pular fora quando surgir alguma oportunidade melhor. Isso não quer dizer que você tenha que ficar pulando sem parar e sem motivo. Seus movimentos devem ser antecedidos por cuidadosa avaliação dos prós e dos contras. Mas quando aparecer algo mais promissor corte as raízes e siga em frente.

Numa operação que não deu certo não se deixe apanhar por sentimentos como lealdade ou saudade. Há momentos em que você  terá que escolher entre raízes e dinheiro. Lembre de ser fiel a pessoas e não às coisas sem personalidade como investimentos e especulações. Não caia na armadilha de que um investimento ainda deve algo para você ou, ainda pior, que você deva algo ao investimento. Jamais hesite em sair de um negócio se algo mais atraente aparecer.

Apegar-se prejudica sua mobilidade e rapidez quando as circunstâncias exigem. Ter raízes em empresas, imóveis ou ações prejudica demais sua eficiência de especulador. Esteja sempre atento sobre onde estão suas melhores chances e então corra atrás.

Sétimo Axioma: Só se pode confiar em um palpite que possa ser explicado

Intuições e palpites são eventos mentais em que sabemos algo mas não sabemos como sabemos. Em geral, as pessoas têm duas posturas diante da intuição. Ou desprezam completamente ou confiam cegamente nesses lampejos. O método dos Axiomas de Zurique é entendê-los e separar os palpites que têm valor dos que não valem nada.

Para isso é importante saber de onde vem nossa intuição. Diariamente, absorvemos quantidades colossais de informações, muito mais do que somos capazes de arquivar conscientemente. A maior parte de tudo o que captamos vai para algum reservatório do inconsciente.

Assim, quando ocorrer um palpite você deve sempre se perguntar se em seu arquivo inconsciente há informações grandes o suficiente para justificá-lo. É por isso que a intuição de especialistas geralmente acerta dentro de seus campos de atuação. É também por isso que a intuição materna não deve ser desprezada, afinal, toda mãe é uma especialista em seus filhos. Se seu palpite é sobre um mercado pergunte-se. Você tem um banco de dados grande o suficiente sobre esse mercado? Se é sobre uma pessoa,  você a conhece o suficiente?  Submeter os palpites a esses critérios rigorosos é importante para separar os palpites que vêm de algum lugar daqueles que não levam a lugar nenhum. Não tendo o banco de dados, descarte o palpite.

Além disso, jamais confunda palpite com esperança. Quando você quer muito alguma coisa é fácil acreditar que aquilo acontecerá. Esse axioma ensina que quando temos um palpite de alguma coisa que queremos que ocorra devemos manter um alto nível de ceticismo. Em contrapartida, quando a intuição diz que algo que não queremos vai ocorrer ela é um pouco mais confiável. Tenha cuidado especial com lampejos que confirmam algo que você quer muito.

Oitavo Grande Axioma: Cuidado com o sobrenatural

É improvável que entre os desígnios de Deus para o Universo se inclua o de fazer você ficar rico. Dinheiro e sobrenatural são uma mistura perigosa.  É melhor manter esses dois mundos separados sob o risco de perder tanto seu dinheiro como sua fé. Se Deus existe – questão sobre a qual os Axiomas não têm opinião – não existe nada que prove que Ele se importe se você morrerá rico ou pobre. Deus, ou qualquer outra força ou entidade sobrenatural, não deve ter nenhum papel a desempenhar em seu comportamento como especulador. Apoiar-se no sobrenatural  tem o mesmo efeito de apoiar-se em previsões ou ilusões de ordem e pode fazer com que você seja atraído para um estado perigosamente despreocupado. Especule partindo do princípio de que você está absolutamente só e apoie-se, exclusivamente, em seus próprios talentos.

Se Astrologia funcionasse, todos os astrólogos seriam ricos

Os Axiomas de Zurique criticam o uso da Astrologia, mas isso apenas porque é uma crença sobrenatural muito popular. De toda forma, o cuidado serve para qualquer outra doutrina mística de profecia ou clarividência. O mesmo se aplica ao tarô, poderes da mente ou sistemas místicos, pseudocientíficos ou religiosos, no que se refere a dinheiro.

Você entretanto não precisa exorcizar todas as suas superstições. Como vimos, esse tipo de crença pode representar um risco ao seu patrimônio. Mas não há problema em acreditar em algumas desde que essas crenças tenham um papel menor, trivial  e que elas sejam usadas na hora e do jeito certo. O jeito certo é fazê-lo é rindo e a hora certa é quando se está em uma situação que não se presta a nenhum tipo de análise racional. Se tudo o que você tem é um número apostado na loteria não faz mal algum cruzar os dedos.

Nono Axioma: Cuidado com o otimismo

Otimismo significa esperar o melhor, mas confiança significa saber como lidar com o pior. Jamais faça um jogada por otimismo apenas. O otimismo é da nossa natureza, sem ele é impossível começar qualquer especulação. O próprio ato de se arriscar em um especulação é uma afirmação de otimismo. O paradoxo está no fato de que otimismo demais pode nos levar à catástrofe. Quando se sentir otimista examine se essa sensação gostosa se justifica nos fatos. Tenha sempre um plano de como sair do negócio e do que fazer no caso de as coisas começarem a dar errado.  O uso construtivo do pessimismo vai te dar mais do que apenas otimismo, vai te dar confiança.

Décimo Axioma: Fuja da opinião da maioria. Provavelmente está errada

Com frequência a melhor hora para comprar alguma coisa é quando ninguém quer. ” A melhor hora para comprar é quando todo mundo está gritando “quero vender!”. A melhor hora de vender é quando todo mundo está gritando “quero comprar!”. Mas é difícil pensar quando todo mundo está gritando.

Em nossa era democrática tendemos a aceitar sem críticas a opinião da maioria. Temos também a tendência psicológica em concordar com as pessoas ao nosso redor. Essa humildade pode ter sua importância em outros aspectos da vida, mas pode, também, ter efeitos perversos em sua saúde financeira. Basta observar que a maioria das pessoas não é rica. Isso não significa que a opinião da maioria esteja automaticamente errada.  Algumas vezes a maioria acerta. O truque aqui é não cair na ilusão de ordem e esquecer que a realidade não é democrática.

Não se deve ir, automaticamente, nem contra nem a favor da maioria. Em vez disso os Axiomas nos estimulam a pensar por nós mesmos. Cada caso é um caso e você tem que aprender a pensar com a própria cabeça antes de envolver-se em riscos calculados. Jamais embarque cegamente nas especulações da moda.

Décimo Primeiro Axioma: Cuidado com a teimosia

Ser teimoso e perseverante pode ser algo bom em diversas situações da vida, mas em termos de especulações precisamos traçar um limite para que não nos leve à ruína. Nada mais prejudicial do que insistir em algo que está dando errado. O maior erro é imaginar que um investimento que fez você perder dinheiro de alguma forma tem o dever de lhe pagar de volta. Também nunca engula a ideia de que é sempre possível melhorar uma situação ruim. Você precisa superar sua tendência à teimosia sempre que a perseverança o estiver levando para o buraco.

Não caia na armadilha do preço médio

Jamais tente salvar um mau investimento fazendo o “preço médio”. Essa armadilha funciona assim. Imagine que você comprou 100 ações de uma empresa pagando 100 dólares por ação, ou seja 10.000 dólares. Mas as coisas vão mal e o preço da ação cai para 50 dólares fazendo você perder metade do investimento. A armadilha do “preço médio” diz que se você comprar mais 100 ações terá agora 15000 e o preço médio das suas ações agora será de 75 dólares. Parece mágica, mas é ilusão. Você só parece ter mais dinheiro porque colocou mais dinheiro na roleta. Para fugir dessa armadilha pergunte-se sempre: se eu já não tivesse essas ações estaria comprando-as agora?

Décimo Segundo Axioma: Cuidado com o planejamento de longo prazo

Planejamentos de longo prazo saem sempre do pressuposto de que sabemos como o mundo será no futuro. Como vimos, ninguém conhece o futuro e um planejamento de longo prazo cria a perigosa crença de que o futuro está sob controle. É importante jamais levar muito a sério os seus planos de longo prazo nem os de quem quer que seja.

Em vez de se iludir com planos longínquos foque em  sua rapidez de resposta. Aprenda a realizar alterações necessárias de acordo com as mudanças que forem ocorrendo. Ponha seu dinheiro, tempo, atenção e esforços nas oportunidades conforme elas se apresentem e tire-as dos riscos assim que os riscos aparecerem. Valorize sua mobilidade e jamais assine qualquer papel que comprometa sua liberdade.

Investimentos de longo prazo apresentam muitos encantos. O maior deles é que você só precisa tomar a decisão uma vez. Isso traz um alívio das tensões que muitas pessoas abominam e atrai os preguiçosos e os covardes. Eles pensam: “Compro isso e esqueço”. Raramente essas pessoas pensam no custo de oportunidade, aquele dinheiro que você não vai ganhar porque trancou seu capital em algum investimento de longo prazo. A única coisa que podemos dizer sobre o futuro é que, quando chegar, chegou. Não dá para ver a cara que terá, mas você pode ao menos se preparar para reagir às oportunidades e acasos. Na verdade, o único planejamento que você deve fazer no longo prazo é o de ficar rico. Mas como chegar lá é algo que você deve repensar a todo momento.

Notas Finais

  • Aprenda a correr riscos. Quem aposta pouco ganha pouco.
  • Defina o quanto quer ganhar antes de começar a investir e quando chegar lá pule fora.
  • Pequenas perdas podem proteger-lhe das grandes. Saia do barco assim que as coisas começarem a dar errado.
  • Não caia nas ilusões de ordem: ninguém realmente sabe comos será o futuro.
  • Seus investimentos não são pessoas. Eles não devem nada a você nem você a eles.
  • Confie na sua intuição apenas se você tiver experiência na área.
  • Cuidado com planos de longo prazo. Valorize sua capacidade de reagir a mudanças.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/os-axiomas-de-zurique/

Contemplando o invisível

Por Gilberto Antônio Silva

Vivemos em um mundo cada vez mais materialista e cientificista. Qualquer coisa que sobressaia da atividade normal (ou reconhecida como tal) automaticamente é rejeitada e atacada. Apenas o que é visível, mensurável, demonstrável e “cientificamente comprovado” pode ser aceito. Mas sabemos que o Universo não se limita a isso.

Já tive oportunidade de mencionar anteriormente que a filosofia oriental é, em grande parte, ignorada pelo Ocidente, que acredita que se trata de meras superstições, crenças religiosas ou pensamentos irracionais (como se isso fosse possível). Apenas a filosofia ocidental, baseada na objetividade e na análise intelectual minuciosa de cada fragmento de pensamento ou ideia, é realmente uma “filosofia”.

Ocorre que a filosofia oriental possui esse mesmo enfoque racional, porém acrescido de uma dimensão subjetiva que não existe no pensamento ocidental moderno. Para os chineses, em especial, mesmo que algo não seja visível ou mensurável, ainda pode ser sentido, percebido e interpretado, portanto é real. Basta que aquilo faça algum sentido, em um sistema que Lin Yutang chama de “Espírito do Razoável”. É uma espécie de “bom senso chinês”, onde uma coisa é aceita se fizer sentido, independente de algum tipo de comprovação material. A reencarnação explicaria várias coisas sobre a vida humana na Terra, portanto é algo válido. Possessão por um Demônio das Águas seria real? Uma criança começa a manifestar atitudes estranhas e alheias à sua personalidade, junto com conhecimentos que não deveria ter e força sobre-humana, sendo que depois da sessão de exorcismo feita por um sacerdote taoista, ela volta ao seu normal. Por que isso não seria real?

Esse tipo de atitude perante o invisível, ao que não é testável nem mensurável, alarga em muito nossos horizontes. Repentinamente o Universo se expande para muito além do visível e palpável, até dimensões infinitas. Logo, perceber e acreditar no invisível enriquece nossa vida. Um aluno me perguntou um dia se isso não poderia ser apenas uma ilusão. Claro, o nosso próprio mundo sensorial poderia ser todo ele uma grande ilusão, como atestam hinduístas, budistas e taoistas. O que diferencia o pensamento oriental do ocidental é que no Taoismo e seus primos próximos você pode experimentar o invisível. Isso deixa de ser uma mera crença vazia para se tornar uma realidade palpável. Para isso existem meditações, rituais sagrados, livros enigmáticos que precisam de mais do que a mera intelectualidade para serem decifrados, mas uma imersão completa do corpo e da alma no contexto definido. Além das tradições orientais como o Taoismo, isso também é verdade para a Magia, a Umbanda, o Xamanismo e todas as doutrinas e escolas de pensamento esotéricas. Estamos todos juntos, mergulhados em um universo extremamente mais vasto do que aquele da ciência ocidental.

Não existe espiritualidade sem uma relação próxima com o invisível. Na medida em que seu progresso espiritual aflora, sua sensibilidade se amplia e sua consciência começa a reconhecer o invisível. Não existe outro caminho. Uma pessoa que se diz espiritualista e tem toda sorte de ceticismos tóxicos e negações vazias é, na verdade, uma mentirosa.

Espero que não esteja achando que eu estimulo algum tipo de credulidade cega. De modo algum. Eu mesmo tenho um ceticismo saudável graças à Parapsicologia. Mas devemos manter uma atitude chinesa e não duvidar de algo se aquilo fizer algum sentido. Se quiser mais comprovações pessoais, basta praticar. Absolutamente TUDO o que é dito sobre o Mundo Invisível pode ser experimentado. Claro que com muita dedicação, persistência e orientação adequada, o que nem todo mundo está disposto a fazer. É mais fácil e rápido rejeitar. Acho que isso é a cereja do “bolo esotérico”: você pode comprovar tudo o que é dito por experiência própria, desde que mantenha a mente aberta. Algumas experiências não são recomendáveis, mas podem ser feitas. Então não estamos falando sobre ilusão, crenças religiosas ou dogmas, mas sobre a realidade. Uma realidade maior do que se percebe no cotidiano, mas que afeta decisivamente nossas vidas, quer você creia ou não. Na verdade, os “descrentes” não fazem mais do que barulho, pois o Universo segue seu caminho, eterno e insondável.

No caso particular do Taoismo percebemos que Laozi já chuta o balde no primeiro capítulo do Tao Te Ching afirmando que “O Tao que pode ser expresso não é o Tao constante” e que “O Tao é o nome do inominável”. Pronto, se sua intenção é usar o puro raciocínio objetivo já pode se considerar derrotado, pois o intelecto puro não pode abranger o Tao. Ele transcende esse aspecto puramente mental e precisa ser experimentado pessoalmente.

A Tradição Taoista é extremamente rica em considerações sobre o mundo invisível. Isso é parte de nossa herança e de nossa força. E se você deseja realmente conhecer o Universo em toda a sua profundidade, deve se preparar para contemplar o invisível.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, é um dos mais importantes pesquisadores e divulgadores no Brasil dessa fantástica cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#Tao #taoísmo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/contemplando-o-invis%C3%ADvel

A Filosofia do Templo da Chama Ascendente

O CAMINHO DO DRAGÃO:

O Caminho Draconiano é baseado na magia auto-iniciativa do Lado Noturno. Ele contém o mistério da transição iniciática da alma de um ser mortal para a forma de Deus encarnada através da morte espiritual e renascimento no Ventre do Dragão e na lareira do Fogo Draconiano. Através do trabalho sucessivo e da comunhão com os Deuses e Espíritos da Corrente, a consciência se expande e a alma desenvolve seu potencial para receber, manter e ancorar esta energia. Cada passo no Caminho revela novos segredos, novas possibilidades, novos mistérios a serem perseguidos. No Caminho do Dragão, o Iniciado é continuamente desafiado e testado. À medida que as chaves para a transmutação da alma são reveladas e os portais para os poderes esquecidos são desbloqueados, a mente é gradualmente sintonizada com as energias da Corrente e a alma é forjada no Fogo Draconiano, para que possa entender e aproveitar esse poder. O Iniciado do Caminho Draconiano é um emissário e uma manifestação viva do Dragão, um mensageiro dos Deuses primordiais.

Este é o trabalho de auto-capacitação e ascensão da alma. Ajuda na compreensão da Gnose de Lúcifer e Suas manifestações no mundo. Ela prepara o corpo, a mente e a alma para a quantidade de poder e conhecimento que serão liberados durante o trabalho com essas forças primordiais. Eleva a alma além de todas as expectativas. O Caminho do Dragão abrirá as portas para os poderes que você deseja alcançar e para muitos mais. Através do trabalho sucessivo, sua alma se integrará totalmente com a Corrente e você se tornará uma manifestação viva do Dragão, o Deus Encarnado. Uma vez abertos, esses portais estarão para sempre conectados à sua alma. Este é um caminho para a origem da Corrente, a fonte de todo poder e todo conhecimento, a descida ao Vazio para enfrentar o Dragão e se tornar uma manifestação da força draconiana primordial.

O Caminho Draconiano é individual e diferente para cada viajante. Você está convidado a entrar em contato conosco e participar de nossos projetos abertos e do Curso Introdutório que preparará seu corpo e mente para o fluxo da Corrente e para a abertura dos portões da alma para a força do Dragão. Nosso Trabalho é abrir as portas da alma para o Fogo transformador do Portador da Luz, as Chamas do Dragão. Quando isso for feito, você será guiado pelo próprio Lúcifer, Lilith, a Rainha da Noite, e pelos Deuses e Espíritos da Corrente. No entanto, se você quiser continuar seu trabalho de auto-iniciação participando de nossos projetos internos, você também receberá assistência do Templo e terá a oportunidade de conversar com Iniciados mais avançados no Caminho, compartilhando e trocando sua experiência em sucessivos níveis de sua ascensão pessoal.

Templo da Chama Ascendente é um templo de Lúcifer. Ele é o símbolo e o patrono da Era do Despertar. Ele permanece como o portão e o guia para o Caminho da Auto-Deificação, iluminação, liberdade do espírito, despertar da alma do sono da ignorância. Ele é a fonte de toda iluminação e um dos deuses draconianos primitivos. Ele é o Iniciador da Chama Ascendente (Desejo Humano de Transcendência que potencializa a ascensão espiritual) e o Deus patrono do Templo que foi fundado para trazer a Corrente do Portador da Luz e a Gnose do Vazio. Esta é a Gnose do Dragão que ao longo dos tempos foi esquecida, perdida, mal interpretada e distorcida, e agora está sendo trazida de volta ao mundo na forma da Corrente Draconiana primordial que está sendo aterrada através de indivíduos capazes de receber e canalizando esse conhecimento.

OS DEUSES DRACONIANOS E O CAMINHO DO LADO NOTURNO:

Deuses e Espíritos Draconianos são nossos aliados e guias no Caminho. Eles revelam e abrem os Portões da Alma e os Caminhos do Lado Noturno através do processo iniciático individual, para que o Homem possa se tornar Deus Encarnado. A Obra iniciática do Templo está, portanto, centrada em abrir a consciência para a natureza de seu poder e preparar a alma para a comunhão com suas energias primordiais.

O Dragão do Vazio é Leviathan, a Serpente Primal enrolada ao redor do Universo, segurando-o em um abraço atemporal. O próprio Vazio é o Ventre do Dragão, vomitando mundos e devorando-os em um ciclo interminável de morte e renascimento. É a força primordial existente fora das estruturas da Criação, sem nome e indefinida, pois não tem forma e todas as formas ao mesmo tempo, sua forma e nome diferem dependendo de uma tradição mágica e sistema iniciático. O Dragão existe fora da Árvore Cósmica, que é o Pilar da Ascensão Espiritual. A Árvore, tanto em seu aspecto brilhante quanto na negatividade do lado escuro, é uma manifestação da consciência humana, projeção da mente consciente e interior, de acordo com o antigo princípio “Como acima é abaixo”: Tudo o que existe Dentro também existe Fora. O homem é Deus em potencial, manifestação do Dragão, parte dessa força eterna e atemporal que permeia toda a Criação e se expande além, no Infinito. O propósito da jornada iniciática através do Pilar da Ascensão é perceber e compreender este potencial e, consequentemente, transformá-lo em Divindade. Vista como a “emanação da Divindade”, a Árvore constitui a percepção humana da consciência deificada. A conclusão do Caminho é o coroamento do processo de Auto-Deificação. A Árvore também é uma manifestação do Dragão, pois a força Draconiana é a fonte de toda a Criação. Mas o Dragão é mais do que a Árvore em si. E para alcançar a própria fonte desse poder primordial, o Homem tem que dar um passo além da Árvore, no Vazio, o Ventre do Dragão. Enquanto trabalhamos com determinados caminhos e zonas da Árvore Cósmica, às vezes temos vislumbres dessa força atemporal, e podemos encontrar portas para o Útero do Dragão no Abismo Cabalístico, mas o verdadeiro Portal para o Vazio existe no reino de Thaumiel, dentro do Trono de Lúcifer, onde o Homem se torna Deus completando a Ascensão através do Pilar da Elevação da Alma. O último passo da humanidade para a Divindade é o passo além da Árvore, na liberação final da ilusão do mundo manifestado.

O Trono de Lúcifer existe em Thaumiel, o último reino antes de entrar no Vazio. Portanto, Ele é o Portão e o Símbolo da Alma Deificada, o Deus patrono do Caminho. Ele é a força solar e iluminadora que tem alimentado a evolução da consciência humana desde o nascimento da humanidade. Ele é Força, Fogo e Fúria. Ele capacita e eleva a alma através de Seu Pilar de Ascensão de fogo. Sua contraparte feminina na magia iniciática draconiana é Lilith. Ela é Paixão, Desejo e Sedução. Ela seduz as almas e as atrai da Luz para o Lado Noturno, o lado avesso da Árvore, desperta a Luxúria e a Fome por conhecimento e poder que só crescem a cada passo no Caminho, e acende a centelha da Divindade que progressivamente se torna a Chama Ascendente de Lúcifer. É o Fogo da Transformação, a própria essência da Divindade. Ambos constituem o Arquétipo do Adversário: O Diabo e o Salvador.

PORTANTO, OS FUNDAMENTOS DA MAGIA DRACONIANA DENTRO DO TEMPLO ESTÃO CENTRADOS NESSES TRÊS ARQUÉTIPOS PODEROSOS: LÚCIFER – O SENHOR DAS CHAMAS, FORÇA DA EVOLUÇÃO E ASCENSÃO; LILITH – O FOGO DRACONIANO DA TRANSFORMAÇÃO, PRINCÍPIO DA PAIXÃO E DESEJO; E LEVIATÃ – O DRAGÃO DO VAZIO, FONTE PRIMORDIAL DE TODA MANIFESTAÇÃO.

A Corrente de Lilith é uma parte do Trabalho iniciado em 2002 pelo grupo ritual draconiano anteriormente conhecido como Loja Magan e continuou ativamente ao longo da década seguinte. O propósito do Trabalho foi o Re-Despertar do Dragão, a força primordial Dentro e Fora, auxiliando nas iniciações e introduzindo potenciais Iniciados na Tradição Draconiana. Em 2012, esta tarefa foi assumida pelo Templo da Chama Ascendente e estendida pela conjugação da Corrente Draconiana de Lilith com a Corrente Adversarial de Lúcifer e Deuses Draconianos das Qliphoth. A Obra central do Templo é introduzir o aspirante a Iniciado no Caminho Draconiano e na magia Qlifótica e auxiliar no processo iniciático no Caminho do Dragão.

OUTROS ARQUÉTIPOS USADOS DENTRO DO TEMPLO:

HÉCATE: A professora de feitiçaria e a guia para o “submundo” pessoal, as profundezas da psique.

ARACHNE: A Deusa Aranha da Atlântida e a rainha dos labirintos Qliphóthicos sob a Árvore Cósmica.

BELIAL: O intermediário entre os espíritos do Lado Noturno e o mago, a porta de entrada para o poder de Goetia.

SET: O Arquétipo do Adversário, o Deus da Tempestade e da Mudança, o princípio da transformação dinâmica.

O OBJETIVO DO TRABALHO:

O objetivo do Trabalho com a Corrente Draconiana é abrir os portões da alma e despertar a consciência, para que o Iniciado possa contemplar o Infinito e viajar ao Coração do Vazio para abrir o Olho de Lúcifer, o Olho do Dragão, e ilumine o Caminho que conduz à Divindade. O Trabalho iniciático do Templo o ajudará a recuperar a consciência primordial e o poder draconiano primordial que detém o potencial de toda criação e toda destruição. Nosso Curso Introdutório irá prepará-lo para a Iniciação na Corrente Draconiana e para o trabalho adicional no Caminho da Auto-Deificação e projetos mais avançados inspirados na Tradição Draconiana e Magia Atlante. Nossos projetos e trabalhos individuais irão ensiná-lo a manifestar sua Vontade no mundo e formar manifestações de seu Desejo a partir de energias primordiais do Vazio.

Para viajar ao Ventre do Dragão e não ser consumido pela imensidão do Vazio, você precisa fortalecer sua alma invocando e se tornando a Chama Ascendente de Lúcifer. Isso prepara sua consciência para o Trabalho com a Corrente. O propósito do Templo é auxiliar o Iniciado neste processo e preparar sua alma para o fluxo do poder transformador do Dragão e a visão do Vazio no processo de transformação iniciática através das energias dos Deuses primordiais.

Isso pode parecer abstrato no início, mas a Iniciação Draconiana é uma experiência íntima e pessoal e é diferente para cada Iniciado. A Mudança sempre se manifesta nas áreas mais pessoais de sua vida. A cerimônia de Iniciação será conduzida por outro Iniciado Draconiano e abrirá os portais internos de sua mente para a Gnose da Corrente. A auto-iniciação também é possível e igualmente válida como uma iniciação presencial e nós o ajudaremos e orientaremos tanto nos preparativos quanto nos procedimentos de iniciação. Então você estará livre para perseguir sua própria Visão e receberá mais orientação dos Deuses e Espíritos do Caminho, que atuarão como iniciadores e aliados em estágios específicos de sua Ascensão. Uma vez que os portais sejam abertos, a Corrente fluirá através de sua consciência, aprimorando suas habilidades mágicas e transformando sua vida.

Há apenas uma Iniciação feita pelo Templo – preparação e iniciação na Corrente Draconiana. Este é o Objetivo Primário do Templo. Assim que você alinhar sua alma com a Corrente, Deuses e Espíritos irão guiá-lo e inspirá-lo. O Caminho Draconiano faz parte da tradição do Caminho da Mão Esquerda, que é em sua essência solitária e pessoal. O núcleo principal da Obra é feito individualmente, como uma comunhão solitária e pessoal com os Deuses e Espíritos da Corrente. No entanto, compartilhar e discutir o Trabalho com outras pessoas também oferece uma oportunidade de aprender e progredir mais rápido e evitar certos erros na prática mágica.

O QUE ACONTECE DEPOIS DA INICIAÇÃO?

Após a Iniciação você tem duas opções:

1) Você é bem-vindo para ficar e trabalhar conosco – para explorar e fortalecer a Corrente de Lúcifer, ou para iniciar o processo de ascensão pessoal no Caminho do Dragão de acordo com nossos projetos internos que o introduzirão na auto-iniciação draconiana magia e ensiná-lo a projetar e desenvolver seus próprios rituais, meditações e todos os aspectos necessários do Trabalho.

2) Você pode seguir caminhos separados e trabalhar com a Corrente como um praticante solitário.

O INICIADO DRACONIANO:

Ser um Mago Draconiano é viver sua vida de acordo com o Caminho. Não é algo que você faz no seu tempo livre, de vez em quando, em eventos sociais ou como meio de recreação. É a vida, vivendo o Caminho e estando ciente de sua Visão e Desejo em cada momento da existência. Trilhar o Caminho é uma escolha para toda a vida. Cabe a você optar por permanecer um diletante, sempre procurando desculpas para pular a prática diária, atrasar ou desistir da busca de sua Visão, deixar de lado o trabalho com a magia do Caminho quando não a encontrar conveniente, ou se você foca sua vida, tempo e energia na verdadeira evolução espiritual. Não é nada fácil. A maioria de nós tem emprego e família, todos nós lutamos com problemas ocasionais de saúde ou problemas financeiros, etc. Mas a chave para ter sucesso no Caminho é encontrar o equilíbrio entre sua vida mundana e espiritual e não deixar que essas coisas atrapalhem. Isso pode significar que você terá que reorganizar toda a sua vida para se adequar ao Caminho, e se você não estiver pronto para tal mudança, provavelmente não terá sucesso além do nível básico de avanço mágico. Esteja ciente disso quando der seus primeiros passos no Caminho do Dragão. Mesmo que essa mudança não seja necessária desde o início, ela se tornará uma necessidade em etapas posteriores de sua evolução pessoal. Como você faz isso, depende exclusivamente de você. Mas uma vez que você esteja no caminho certo, quando você deixar sua alma voar nas asas do Dragão e ascender com a Chama de Lúcifer, todas as coisas começarão a se encaixar, trazendo-lhe mais saúde, prosperidade, amor, emoção e alegria. inspiração do que você já teve em sua vida. Este é um processo difícil, muitas vezes doloroso e traumático, mas também emocionante e recompensador.

Não há restrições para que ninguém tenha sucesso na ascensão espiritual. A maioria dos magos falha em seu Caminho iniciático quando escolhe existência passiva, preguiça e auto-piedade em vez de desafio, paixão e experiência; segurança sobre o risco; o limitado sobre o infinito; o mundano sobre o espiritual; o sono da alma e a ignorância irracional sobre o despertar e a iluminação. Você terá que encontrar novas maneiras de interagir com o mundo, as antigas serão quebradas no processo. Mas, novamente, este é um caminho para poucos, não para muitos.

Você não precisa de experiência prévia ou habilidades mágicas avançadas, mas precisa de potencial e vontade para desenvolver ambos. Você precisa ser dedicado e apaixonado pelo seu trabalho mágico. É importante ter cuidado, mas é ainda mais importante deixar-se conduzir pelo Desejo, manter o coração aberto para novas experiências, novas missões a perseguir, novos mistérios a descobrir. Sem ele, você NÃO terá sucesso no Caminho do Dragão. Ser cuidadoso não deve, no entanto, ser confundido com medo, relutância ou ceticismo em trilhar o Caminho. Você precisa ser capaz de deixar ir, deixar-se consumir pelo Fogo de Lúcifer e inflamar seu Caminho através da Escuridão do Vazio. Abrace a nova experiência e divirta-se. Aproxime-se com antecipação e excitação, não com medo, ceticismo ou nervosismo. O Caminho Draconiano é duro e difícil, mas também é uma bela aventura espiritual. É extático, desafiador e inspirador em todos os níveis possíveis de existência. Deixe sua alma voar através de mundos e dimensões em êxtase extático. Não perca a emoção e o entusiasmo concentrando-se apenas em treinos duros e exigentes, deixe-se fascinar e inspirar por cada mudança no mundo que ocorre por sua Vontade, por cada manifestação de seu Desejo. Não tenha medo de ser autoconfiante em seu trabalho, mas, novamente, não confunda autoconfiança com arrogância e auto-ilusão. É uma armadilha fácil de cair no Caminho da Mão Esquerda, que está em sua essência centrado no desenvolvimento de uma poderosa autoconsciência.

A magia draconiana tem tudo a ver com Trabalho: praticar, treinar, desenvolver, moldar, polir, aperfeiçoar, experimentar, descer às profundezas mais escuras do Inferno e subir até o Sol para derrubar as ilusões do mundo e alcançar poderes que podem parecer imaginários e míticos para o Ignorante, mas para o Iniciado eles podem ser ferramentas reais e tangíveis, se ao menos aprendermos como aproveitá-los e controlá-los. Não existe um mago draconiano teórico ou passivo. A magia draconiana é sobre invocar, canalizar e absorver o poder e manifestá-lo no mundo. Trata-se de reconhecer fraquezas e inibições e transformá-las em veículo de ascensão pessoal. Não há lugar para filosofias vazias que apenas estimulam o ego, mas não são fundamentadas na experiência real.

Além disso, todos os métodos e ferramentas de prática são bons se ajudarem em seu avanço espiritual, se puderem lhe dar acesso ao poder genuíno. Sacrifício, feitiçaria sexual, oferendas de sangue, instrumentos de dor e prazer, intoxicação, etc. fazem parte da Obra, em menor ou maior extensão. Alguns deles serão ensinados pelo Templo e empregados em certos projetos mágicos, outros serão deixados à escolha individual dos praticantes. VOCÊ NUNCA SERÁ FORÇADO A NADA COM O QUAL NÃO SE SINTA CONFORTÁVEL. O que é recomendado, no entanto, é não rejeitar nenhum desses métodos, pois eles podem ser úteis ou até necessários em etapas posteriores do seu Caminho. Você não será forçado a nada no decorrer do Trabalho, mas será constantemente desafiado a questionar seus valores e princípios, superar inibições e transformar seus medos e hesitações em força e ferramentas de poder.

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Fonte:

Philosopy of Temple of Ascending Flame.

http://ascendingflame.com/philosophy.html

Temple of Ascending Flame © 2012-2021

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-filosofia-do-templo-da-chama-ascendente/

A Sincronicidade

NOTA: Os números em colchetes referem-se à numeração original dos parágrafos e serve como referência para citação bibliográfica[1].

[959] Talvez fosse indicado começar minha exposição, definindo o conceito do qual ela trata. Mas eu gostaria mais de seguir o caminho inverso e dar-vos primeiramente uma breve descrição dos fatos que devem ser entendidos sob a noção de sincronicidade. Como nos mostra sua etimologia, esse termo tem alguma coisa a ver com o tempo ou, para sermos mais exatos, com uma espécie de simultaneidade. Em vez de simultaneidade, poderíamos usar também o conceito de coincidência significativa de dois ou mais acontecimentos, em que se trata de algo mais do que uma probabilidade de acasos. Casual é a ocorrência estatística — isto é, provável — de acontecimentos como a “duplicação de casos”, p. ex., conhecida nos hospitais. Grupos desta espécie podem ser constituídos de qualquer número de membros sem sair do âmbito da probabilidade e do racionalmente possível. Assim, pode ocorrer que alguém casualmente tenha a sua atenção despertada pelo número do bilhete do metro ou do trem. Chegando à casa, ele recebe um telefonema e a pessoa do outro lado da linha diz um número igual ao do bilhete. À noite ele compra um bilhete de entrada para o teatro, contendo esse mesmo número. Os três acontecimentos formam um grupo casual que, embora não seja freqüente, contudo não excede os limites da probabilidade. Eu gostaria de vos falar do seguinte grupo casual, tomado de minha experiência pessoal e constituído de não menos de seis termos:

[960] Na manhã do dia Iº de abril de 1949 eu transcrevera uma inscrição referente a uma figura que era metade homem, metade peixe. Ao almoço houve peixe. Alguém nos lembrou o costume do “Peixe de Abril” (primeiro de abril). De tarde, uma antiga paciente minha, que eu já não via por vários meses, me mostrou algumas figuras impressionantes de peixe. De noite, alguém me mostrou uma peça de bordado, representando um monstro marinho. Na manhã seguinte, bem cedo, eu vi uma outra antiga paciente, que veio me visitar pela primeira vez depois de dez anos. Na noite anterior ela sonhara com um grande peixe. Alguns meses depois, ao empregar esta série em um trabalho maior, e tendo encerrado justamente a sua redação, eu me dirigi a um local à beira do lago, em frente à minha casa, onde já estivera diversas vezes, naquela mesma manhã. Desta vez encontrei um peixe morto, mais ou menos de um pé de comprimento [cerca de 30 cm], sobre a amurada do Lago. Como ninguém pôde estar lá, não tenho idéia de como o peixe foi parar ali.

[961] Quando as coincidências se acumulam desta forma, é impossível que não fiquemos impressionados com isto, pois, quanto maior é o número dos termos de uma série desta espécie, e quanto mais extraordinário é o seu caráter, tanto menos provável ela se torna. Por certas razões que mencionei em outra parte e que não quero discutir aqui, admito que se trata de um grupo casual. Mas também devo reconhecer que é mais improvável do que, p. ex., uma mera duplicação.

[962] No caso do bilhete do metro, acima mencionado, eu disse que o observador percebeu “casualmente” o número e o gravou na memória, o que, ordinariamente, ele jamais fazia. Isto nos forneceu os elementos para concluir que se trata de uma série de acasos, mas ignoro o que o levou a fixar a sua atenção nos números. Parece-me que um fator de incerteza entra no julgamento de uma série desta natureza e reclama certa atenção. Observei coisa semelhante em outros casos, sem, contudo, ser capaz de tirar as conclusões que mereçam fé. Entretanto, às vezes é difícil evitar a impressão de que há uma espécie de precognição de acontecimentos futuros. Este sentimento se torna irresistível nos casos em que, como acontece mais ou menos freqüentemente, temos a impressão de encontrar-nos com um velho conhecido, mas para nosso desapontamento logo verificamos que se trata de um estranho. Então vamos até a esquina próxima e topamos com o próprio em pessoa. Casos desta natureza acontecem de todas as formas possíveis e com bastante freqüência, mas geralmente bem depressa nos esquecemos deles, passados os primeiros momentos de espanto.

[963] Ora, quanto mais se acumulam os detalhes previstos de um acontecimento, tanto mais clara é a impressão de que há uma precognição e por isto tanto mais improvável se torna o acaso. Lembro-me da história de um amigo estudante ao qual o pai prometera uma viagem à Espanha, se passasse satisfatoriamente nos exames finais. Este meu amigo sonhou então que estava andando em uma cidade espanhola. A rua conduzia a uma praça onde havia uma catedral gótica. Assim que chegou lá, dobrou a esquina, à direita, entrando noutra rua. Aí ele encontrou uma carruagem elegante, puxada por dois cavalos baios. Nesse momento ele despertou. Contou-nos ele o sonho enquanto estávamos sentados em torno de uma mesa de bar. Pouco depois, tendo sido bem sucedido nos exames, viajou à Espanha e aí, em uma das ruas, reconheceu a cidade de seu sonho. Encontrou a praça e viu a igreja, que correspondia exatamente à imagem que vira no sonho. Primeiramente, ele queria ir diretamente à igreja, mas se lembrou de que, no sonho, ele dobrava a esquina, à direita, entrando noutra rua. Estava curioso por verificar se seu sonho seria confirmado outra vez. Mal tinha dobrado a esquina, quando viu, na realidade, a carruagem com os dois cavalos baios.

[964] O sentimento do déjà-vu [sensação do já visto] se baseia, como tive oportunidade de verificar em numerosos casos, em uma precognição do sonho, mas vimos que esta precognição ocorre também no estado de vigília. Nestes casos, o puro acaso se torna extremamente improvável, porque a coincidência é conhecida de antemão. Deste modo, ela perde seu caráter casual não só psicológica e subjetivamente, mas também objetivamente, porque a acumulação dos detalhes coincidentes aumenta desmedidamente a improbabilidade (Dariex e Flammarion calcularam as probabilidades de 1:4 milhões a 1:800 milhões para mortes corretamente previstas). Por isto, em tais casos seria inadequado falar de “acasos”. Do contrário, trata-se de coincidências significativas. Comumente os casos deste gênero são explicados pela precognição, isto é, pelo conhecimento prévio. Também se fala de clarividência, de telepatia, etc, sem, contudo, saber-se explicar em que consistem estas faculdades ou que meio de transmissão elas empregam para tornar acontecimentos distantes no espaço e no tempo acessíveis à nossa percepção. Todas estas idéias são meros nomina [nomes]; não são conceitos científicos que possam ser considerados como afirmações de princípio. Até hoje ninguém conseguiu construir uma ponte causal entre os elementos constitutivos de uma coincidência significativa.

[965] Coube a J. B. Rhine o grande mérito de haver estabelecido bases confiáveis para o trabalho no vasto campo destes fenômenos, com seus experimentos sobre a ESP (extra-sensory-perception). Ele usou um baralho de 25 cartas, divididas em 5 grupos de 5, cada um dos quais com um desenho próprio (estrela, retângulo, círculo, cruz, duas linhas onduladas). A experiência era efetuada da seguinte maneira: em cada série de experimentos retiravam-se aleatoriamente as cartas do baralho, 800 vezes seguidas, mas de modo que o sujeito (ou pessoa testada) não pudesse ver as cartas que iam sendo retiradas. Sua tarefa era adivinhar o desenho de cada uma das cartas retiradas. A probabilidade de acerto é de 1:5. O resultado médio obtido com um número muito grande de cartas foi de 6,5 acertos. A probabilidade de um desvio casual de 1,5 é só de 1:250.000. Alguns indivíduos alcançaram o dobro ou mais de acertos. Uma vez, todas as 25 cartas foram adivinhadas corretamente em nova série, o que dá uma probabilidade de 1:289.023.223.876.953.125. A distância espacial entre o experimentador e a pessoa testada foi aumentada de uns poucos metros até 4.000 léguas, sem afetar o resultado.

[966] Uma segunda forma de experimentação consistia no seguinte: mandava-se o sujeito adivinhar previamente a carta que iria ser retirada no futuro próximo ou distante. A distância no tempo foi aumentada de alguns minutos até duas semanas. O resultado desta experiência apresentou uma probabilidade de 1:400.000.

[967] Numa terceira forma de experimentação o sujeito deveria procurar influenciar a movimentação de dados lançados por um mecanismo, escolhendo um determinado número. Os resultados deste experimento, dito psicocinético (PK, de psychokinesisj, foram tanto mais positivos, quanto maior era o número de dados que se usavam de cada vez.

[968] O experimento espacial mostra com bastante certeza que a psique pode eliminar o fator espaço até certo ponto. A experimentação com o tempo nos mostra que o fator tempo (pelo menos na dimensão do futuro) pode ser relativizado psiquicamente. A experimentação com os dados nos indica que os corpos em movimento podem ser influenciados também psiquicamente, como se pode prever a partir da relatividade psíquica do espaço e do tempo.

[969] O postulado da energia é inaplicável no experimento de Rhine. Isto exclui a idéia de transmissão de força. Também não se aplica a lei da causalidade, circunstância esta que eu indicara há trinta anos atrás. Com efeito, é impossível imaginar como um acontecimento futuro seja capaz de influir num outro acontecimento já no presente. Como atualmente é impossível qualquer explicação causal, forçoso é admitir, a título provisório, que houve acasos improváveis ou coincidências significativas de natureza acausal.

[970] Uma das condições deste resultado notável que é preciso levar em conta é o fato descoberto por Rhine: as primeiras séries de experiência apresentam sempre resultados melhores do que as posteriores. A diminuição dos números de acerto está ligada às disposições do sujeito da experimentação. As disposições iniciais de um sujeito crente e otimista ocasionam bons resultados. O ceticismo e a resistência produzem o contrário, isto é, criam disposições desfavoráveis no sujeito. Como o ponto de vista energético é praticamente inaplicável nestes experimentos, a única importância do fator afetivo reside no fato de ele ser uma das condições com base nas quais o fenômeno pode, mas não deve acontecer. Contudo, de acordo com os resultados obtidos por Rhine, podemos esperar 6,5 acertos em vez de apenas 5. Todavia, é impossível prever quando haverá acerto. Se isto fosse possível, estaríamos diante de uma lei, o que contraria totalmente a natureza do fenômeno, que tem as características de um acaso improvável cuja freqüência é mais ou menos provável e geralmente depende de algum estado afetivo.

[971] Esta observação, que foi sempre confirmada, nos mostra que o fator psíquico que modifica ou elimina os princípios da explicação física do mundo está ligado à afetividade do sujeito da experimentação. Embora a fenomenologia do experimento da ESP e da PK possam enriquecer-se notavelmente com outras experiências do tipo apresentado esquematicamente acima, contudo uma pesquisa mais profunda das bases teria necessariamente de se ocupar com a natureza da afetividade. Por isto, eu concentrei minha atenção sobre certas observações e experiências que, posso muito bem dizê-lo, se impuseram com freqüência no decurso de minha já longa atividade de médico. Elas se referem a coincidências significativas espontâneas de alto grau de improbabilidade e que conseqüentemente parecem inacreditáveis. Por isto, eu gostaria de vos descrever um caso desta natureza, para dar um exemplo que é característico de toda uma categoria de fenómenos. Pouco importa se vos recusais a acreditar em um único caso ou se tendes uma explicação qualquer para ele. Eu poderia também apresentar-vos uma série de histórias como esta que, em princípio, não são mais estranhas ou menos dignas de crédito do que os resultados irrefutáveis de Rhine, e não demoraríeis a ver que cada caso exige uma explicação própria. Mas a explicação causal, cientificamente possível, fracassa por causa da relativização psíquica do espaço e do tempo, que são duas condições absolutamente indispensáveis para que haja conexão entre a causa e o efeito.

[972] O exemplo que vos proponho é o de uma jovem paciente que se mostrava inacessível, psicologicamente falando, apesar das tentativas de parte a parte neste sentido. A dificuldade residia no fato de ela pretender saber sempre melhor as coisas do que os outros. Sua excelente formação lhe fornecia uma arma adequada para isto, a saber, um racionalismo cartesiano aguçadíssimo, acompanhado de uma concepção geometricamente impecável da realidade. Após algumas tentativas de atenuar o seu racionalismo com um pensamento mais humano, tive de me limitar à esperança de que algo inesperado e irracional acontecesse, algo que fosse capaz de despedaçar a retorta intelectual em que ela se encerrara. Assim, certo dia eu estava sentado diante dela, de costas para a janela, a fim de escutar a sua torrente de eloqüência. Na noite anterior ela havia tido um sonho impressionante no qual alguém lhe dava um escaravelho de ouro (uma jóia preciosa) de presente. Enquanto ela me contava o sonho, eu ouvi que alguma coisa batia de leve na janela, por trás de mim. Voltei-me e vi que se tratava de um inseto alado de certo tamanho, que se chocou com a vidraça, pelo lado de fora, evidentemente com a intenção de entrar no aposento escuro. Isto me pareceu estranho. Abri imediatamente a janela e apanhei o animalzinho em pleno vôo, no ar. Era um escarabeídeo, da espécie da Cetonia aurata, o besouro-rosa comum, cuja cor verde-dourada torna-o muito semelhante a um escaravelho de ouro. Estendi-lhe o besouro, dizendo-lhe: “Está aqui o seu escaravelho”. Este acontecimento abriu a brecha desejada no seu racionalismo, e com isto rompeu-se o gelo de sua resistência intelectual. O tratamento pôde então ser conduzido com êxito.

[973] Esta história destina-se apenas a servir de paradigma para os casos inumeráveis de coincidência significativa observados não somente por mim, mas por muitos outros e registrados parcialmente em grandes coleções. Elas incluem tudo o que figura sob os nomes de clarividência, telepatia, etc, desde a visão, significativamente atestada, do grande incêndio de Estocolmo, tida por Swedenborg, até os relatos mais recentes do marechal-do-ar Sir Victor Goddard a respeito do sonho de um oficial desconhecido, que previra o desastre subseqüente do avião de Goddard.

[974] Todos os fenômenos a que me referi podem ser agrupados em três categorias:

1. Coincidência de um estado psíquico do observador com um acontecimento objetivo externo e simultâneo, que corresponde ao estado ou conteúdo psíquico (p. ex., o escaravelho), onde não há nenhuma evidência de uma conexão causal entre o estado psíquico e o acontecimento externo e onde, considerando-se a relativização psíquica do espaço e do tempo, acima constatada, tal conexão é simplesmente inconcebível.

2. Coincidência de um estado psíquico com um acontecimento exterior correspondente (mais ou menos simultâneo), que tem lugar fora do campo de percepção do observador, ou seja, especialmente distante, e só se pode verificar posteriormente (como p. ex. o incêndio de Estocolmo).

3. Coincidência de um estado psíquico com um acontecimento futuro, portanto, distante no tempo e ainda não presente, e que só pode ser verificado também posteriormente.

[975] Nos casos dois e três, os acontecimentos coincidentes ainda não estão presentes no campo de percepção do observador, mas foram antecipados no tempo, na medida em que só podem ser verificados posteriormente. Por este motivo, digo que semelhantes acontecimentos são sincronísticos, o que não deve ser confundido com “sincrônicos”.

[976] Esta visão de conjunto deste vasto campo de observação seria incompleta, se não considerássemos aqui também os chamados métodos mânticos. O manticismo tem a pretensão, senão de produzir realmente acontecimentos sincronísticos, pelo menos de fazê-los servir a seus objetivos. Um exemplo bem ilustrativo neste sentido é o método oracular do I Ging que o Dr. Helmut Wilhelm descreveu detalhadamente neste encontro. O I Ging pressupõe que há uma correspondência sincronística entre o estado psíquico do interrogador e o hexagrama que responde. O hexagrama é formado, seja pela divisão puramente aleatória de 49 varinhas de milefólio, seja pelo lançamento igualmente aleatório de três moedas. O resultado deste método é incontestavelmente muito interessante, mas, até onde posso ver, não proporciona um instrumento adequado para uma determinação objetiva dos fatos, isto é, para avaliação estatística, porque o estado psíquico em questão é demasiadamente indeterminado e indefinível. O mesmo se pode dizer do experimento geomântico, que se baseia sobre princípios similares.

[977] Estamos numa situação um pouco mais favorável quando nos voltamos para o método astrológico, que pressupõe uma “coincidência significativa” de aspectos e posições planetárias com o caráter e o estado psíquico ocasional do interrogador. Ã luz das pesquisas astrofísicas recentes, a correspondência astrológica provavelmente não é um caso de sincronicidade mas, em sua maior parte, uma relação causal. Como o prof. KnolI demonstrou neste encontro, a irradiação dos prótons solares é de tal modo influenciada pelas conjunções, oposições e aspectos quartis dos aspectos que se pode prever o aparecimento de tempestades magnéticas com grande margem de probabilidade. Podem-se estabelecer relações entre a curva das perturbações magnéticas da terra e a taxa de mortalidade — relações que fortalecem a influência desfavorável Â, Ã e Å [aspectos quartis] e as influências favoráveis de dois aspectos trígonos e sextis. Assim é provável que se trate aqui de uma relação causal, isto é, de uma lei natural que exclua ou limite a sincronicidade. Ao mesmo tempo, porém, a qualificação zodiacal das casas, que desempenha um papel no horóscopo, cria uma complicação, dado que o Zodíaco astrológico coincide com o do calendário, mas não com as constelações do Zodíaco real ou astronômico. Estas constelações deslocaram-se consideravelmente de sua posição inicial em cerca de um mês platônico quase completo, em conseqüência da precessão dos equinócios desde a época do 0º  [ponto zero de Áries] (em começos de nossa era). Por isto, quem nascer hoje, em Aries, de acordo com o calendário astronômico, na realidade nasceu em Pisces. Seu nascimento teve lugar simplesmente em uma época que hoje (há cerca de 2.000 anos) se chama “Áries”. A Astrologia pressupõe que este tempo possui uma qualidade determinante. É possível que esta qualidade esteja ligada, como as perturbações magnéticas da Terra, às grandes flutuações sazonais às quais se acham sujeitas as irradiações dos prótons solares. Isto não exclui a possibilidade de as posições zodiacais representarem um fator causal.

[978] Embora a interpretação psicológica dos horóscopos seja uma matéria ainda muito incerta, contudo, atualmente há a perspectiva de uma possível explicação causal, em conformidade, portanto, com a lei natural. Por conseguinte, não há mais justificativa para descrever a Astrologia como um método mântico. Ela está em vias de se tornar uma ciência. Como, porém, ainda existem grandes áreas de incerteza, de há muito resolvi realizar um teste, para ver de que modo uma tradição astrológica se comportaria diante de uma investigação estatística. Para isto, foi preciso escolher um fato bem definido e indiscutível. Minha escolha recaiu no casamento. Desde a antiguidade a crença tradicional a respeito do casamento é que este é favorecido por uma conjunção entre o Sol e a Lua no horóscopo dos casais, isto é,  com uma órbita de 8º em um dos parceiros, e em  com  no outro parceiro. Uma segunda tradição, igualmente antiga, considera   também como uma característica do casamento. De importância são as conjunções dos ascendentes com os grandes luminares.

[979] Juntamente com minha colaboradora, a Dra. L. Frey-Rohn, primeiramente procedi à coleta de 180 casamentos, ou 360 horóscopos individuais, e comparamos os 50 aspectos astrológicos mais importantes neles contidos e que poderiam caracterizar um casamento, isto é, as  Â (conjunções) e  (oposições) entre  (Sol),  (Lua),  (Marte),  (Vênus), asc. e desc. O resultado obtido foi um máximo de 10% em   . Como me informou o Prof. Markus Fierz, que gentilmente se deu ao trabalho de calcular a probabilidade de meu resultado, meu número tem a probabilidade de cerca de 1:10.000. A opinião de vários físicos matemáticos consultados a respeito do significado deste número, é dividida: alguns acham-na considerável, outros acham-na questionável. Nosso número parece duvidoso, na medida em que a quantidade de 360 horóscopos é realmente muito pequena, do ponto de vista da Estatística.

[980] Enquanto analisávamos estatisticamente os aspectos dos 180 casamentos, esta nossa coleção se ampliava com novos horóscopos, e quando havíamos reunido mais 220 casamentos, esse novo “pacote” foi submetido a uma investigação em separado. Como da primeira vez, agora também o material era avaliado justamente da maneira como chegava. Não era selecionado segundo um determinado ponto de vista, e foi colhido nas mais diversas fontes. A avaliação do segundo “pacote” produziu um máximo de 10,9% para   . A probabilidade deste número é também aproximadamente de 1:10.000.

[981] Por fim, foram acrescentados mais 83 casamentos, a seguir estudados também separadamente. O resultado foi de um máximo de 9,6% para   ascendente. A probabilidade deste número é aproximadamente de 1:3.000.

[982] Um fato que logo nos chama atenção é que as conjunções são todas conjunções lunares, o que está de acordo com as expectativas astrológicas. Mas estranho é que aquilo que logo se destaca aqui são as três posições fundamentais do horóscopo, a saber:  (Sol),  (Lua) e o ascendente. A probabilidade de uma coincidência de    com    é de 1:100 milhões. A coincidência das três conjunções lunares com  (Sol),  (Lua) e o ascendente tem uma probabilidade de 1:3×10; em outros termos: a improbabilidade de um mero acaso para esta coincidência é tão grande, que nos vemos forçados a considerar a existência de um fator responsável por ela.  Como os três “pacotes” eram muito pequenos, as probabilidades respectivas de 1:10.000 e 1:3.000 dificilmente terão alguma importância teórica. Sua coincidência, porém, é tão improvável, que se torna impossível não admitir a presença de uma necessidade que produziu este resultado.

[963] Não se pode responsabilizar a possibilidade de uma conexão cientificamente válida entre os dados astrológicos e a irradiação dos prótons por este fato, pois as probabilidades individuais de 1:10.000 e 1:3.000 são demasiado grandes, para que se possa considerar nosso resultado, com um certo grau de certeza, como meramente casual. Além disto, os máximos tendem a se nivelar, quando aumenta o número de casamentos com a adição de novos pacotes. Seriam precisas centenas de milhares de horóscopos de casamentos para se determinar uma possível regularidade estatística de acontecimentos tais como as conjunções do Sol, da Lua e dos ascendentes, e, mesmo neste caso, o resultado seria ainda questionável. Entretanto, o fato de que aconteça algo de tão improvável quanto a coincidência das três conjunções clássicas só pode ser explicado ou como o resultado de uma fraude, intencional ou não, ou mais precisamente como uma coincidência significativa, isto é, como sincronicidade.

[964] Embora mais acima eu tenha sido levado a fazer reparos quanto ao caráter mântico da Astrologia, contudo, agora sou obrigado a reconhecer que ela tem este caráter, tendo em vista os resultados a que chegou meu experimento astrológico. O arranjo aleatório dos horóscopos matrimoniais colocados seguidamente uns sobre os outros na ordem que nos chegavam das diversas fontes, bem como a maneira igualmente aleatória com que foram divididos em três pacotes desiguais, correspondia às expectativas otimistas do pesquisador e produziram um quadro geral melhor do que se poderia desejar, do ponto de vista da hipótese astrológica. O êxito do experimento está inteiramente de acordo com os resultados da ESP de Rhine, que foram favoravelmente influenciados pelas expectativas, pela esperança e pela fé. Mas não havia uma expectativa definida com referência a qualquer resultado. A escolha de nossos 50 aspectos já é uma prova disto. Depois do resultado do primeiro pacote havia certa esperança de que a    se confirmasse. Mas esta expectativa frustrou-se. Na segunda vez, formamos um pacote maior com os horóscopos acrescentados antes, a fim de aumentar a certeza. Mas o resultado foi a    . Com o terceiro pacote havia apenas leve esperança de que a    se confirmasse, o que também, mais uma vez, não ocorreu.

[985] O que aconteceu aqui foi reconhecidamente uma curiosidade, aparentemente uma coincidência significativa singular. Se alguém se impressionasse com esta coincidência, poderíamos chamá-lo de pequeno milagre. Hoje, porém, temos de considerar a noção de milagre sob uma ótica diferente daquela a que estávamos habituado. Com efeito, os experimentos de Rhine nos mostraram, nesse meio tempo, que o espaço e o tempo, e conseqüentemente também a causalidade, são fatores que se podem eliminar e, portanto, os fenómenos acausais ou os chamados milagres, parecem possíveis. Todos os fenómenos naturais desta espécie são combinações singulares extremamente curiosas dos acasos, unidas entre si pelo sentido comum de suas partes o resultando em um todo inconfundível. Embora as coincidências significativas sejam infinitamente diversificadas quanto à sua fenomenologia, contudo, como fenómenos acausais, elas constituem um elemento que faz parte da imagem científica do mundo. A causalidade é a maneira pela qual concebemos a ligação entre dois acontecimentos sucessivos. A sincronicídade designa o paralelismo de espaço e de significado dos acontecimentos psíquicos e psicofísicos, que nosso conhecimento científico até hoje não foi capaz de reduzir a um princípio comum. O termo em si nada explica; expressa apenas a presença de coincidências significativas, que, em si, são acontecimentos casuais, mas tão improváveis, que temos de admitir que se baseiam em algum princípio ou em alguma propriedade do objeto empírico. Em princípio, é impossível descobrir uma conexão causal recíproca entre os acontecimentos paralelos, e é justamente isto que lhes confere o seu caráter casual. A única ligação reconhecível e demonstrável entre eles é o significado comum (ou uma equivalência). A antiga teoria da correspondência se baseava na experiência de tais conexões — teoria esta que atingiu o seu ponto culminante e também o seu fim temporário na idéia da harmonia preestabelecida de Leibniz, e foi a seguir substituída pela doutrina da causalidade. A sincronicidade é uma diferenciação moderna dos conceitos obsoletos de correspondência, simpatia e harmonia. Ela se baseia, não em pressupostos filosóficos, mas na experiência concreta e na experimentação.

[986] Os fenômenos sincronísticos são a prova da presença simultânea de equivalências significativas em processos heterogêneos sem ligação causal; em outros termos, eles provam que um conteúdo percebido pelo observador pode ser representado, ao mesmo tempo, por um acontecimento exterior, sem nenhuma conexão causal. Daí se conclui: ou que a psique não pode ser localizada espacialmente, ou que o espaço-é psiquicamente relativo. O mesmo vale para a determinação temporal da psique ou a relatividade do tempo. Não é preciso enfatizar que a constelação deste fato tem conseqüências de longo alcance.

[987] Infelizmente, no curto espaço de uma conferência não me é possível tratar do vasto problema da sincronicidade, senão de maneira um tanto corrida. Para aqueles dentre vós que desejam se informar mais detalhadamente sobre esta questão, comunico-vos que, muito em breve, aparecerá uma obra minha mais extensa, sob o título de Sincronicidade como Princípio de Conexões Acausais. Será publicada juntamente com a obra do Prof. W. Pauli, num volume denominado Naturerklärung und Psyche.

 

Notas:

[1] Publicado pela primeira vez no Eranos-Jahrbuch XX (1951). Tratava-se originariamente de uma conferência que o autor pronunciou perante o Círculo Eranos de 1951, em Ascona na Suíça.

[2] O material aqui recolhido provém de diversas fontes. Trata-se de horóscopos de pessoas casadas. Não se fez nenhuma seleção. Utilizamos indiscriminadamente todos os horóscopos de que pudemos lançar mão.

Tradução de Pe. Dom Mateus Ramalho Rocha, OSB. Petrópolis: Vozes, 2000, 10ª edição, volume VIII/3 das Obras Completas.

Carl Gustav Jung

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-sincronicidade/

Cagliostro

1743 – 1795

O mistério envolve os homens que passam suas vidas a serviço da humanidade e mantêm-se extremamente dedicados somente aos seus superiores. Os padrões de julgamento social e a moralidade convencional não podem ser separados de seus caracteres. O mistério que envolve Alessandro, Count di Cagliostro, foi montado por boatos e calúnias sem fundamento a uma tal extensão que, “Sua história aceita é muito bem conhecida para precisar ser repetida, e sua verdadeira história nunca foi contada”. A pesquisa conscienciosa tem dissipado as nuvens dos boatos e da difamação o suficiente para revelar à análise imparcial uma vida nobre permeada com sabedoria e envolvida pela compaixão.

“Não posso”, testemunhou Cagliostro, “falar positivamente com relação ao lugar onde nasci, nem dos pais de quem nasci”. Seus inimigos diziam que ele era José Balsamo, um famoso aventureiro e criminoso da Sicília, mas suas palavras e atos negam essa identificação. Ninguém que reconhecesse Balsamo veio a público para estabelecer a relação. De acordo com o próprio Cagliostro, ele viveu como uma criança chamada Acharat no palácio do Mufti Salahayyam em Medina. Seu governador, um Adepto Oriental chamado Althotas, disse-lhe que ele nascera de nobres pais cristãos, porém se recusou a falar mais. Referências casuais, contudo, levaram Cagliostro a acreditar que ele nascera em Malta. Althotas tratava-o como um filho e cultivava sua aptidão para as ciências, especialmente botânica e química. Cagliostro aprendeu a respeitar a religião e a lei em cada cultura e região. “Ambos nos vestimos como Maometanos e estamos externamente de acordo com a devoção do Islam, mas a verdadeira religião foi impressa em nossos corações”. Quando criança, aprendeu os idiomas árabe e orientais e também muito sobre o Egito antigo.

Aos doze anos, Althotas levou-o a Mecca, onde permaneceram por três anos. Quando Acharat encontrou o Sharif, ambos imediatamente sentiram uma forte ligação e choraram na presença um do outro. Embora passassem muito tempo juntos, o Sharif recusou-se a discutir a origem de Acharat, embora uma vez o tivesse avisado de que “se algum dia eu deixasse Mecca, estaria ameaçado com as maiores infelicidades, e acima de tudo ordenou-me cautela com a cidade de Trebizond”. A uniformidade da vida no palácio falhou em saciar a sede por conhecimento e experiência de Acharat e a tempo ele decidiu ir para o Egito com Althotas. Na hora da partida, o Sharif despediu-se dele chorando, com as palavras, “Filho infeliz da natureza, adeus”.

No Egito, ele aprendeu que as pirâmides continham segredos desconhecidos pelo turista. Foi admitido pelos sacerdotes do templo “a lugares tais, que nenhum outro viajante comum jamais havia entrado antes”. Após três anos de viagem “pelos principais reinos da África e da Ásia”, ele chegou a Rhodes em 1766, onde pegou um navio francês para Malta. Enquanto estava hospedado no palácio de Pinto, Grão Mestre de Malta, o Cavalheiro d’Aquino de Caramanica apresentou-o à ilha. “Foi aqui que eu pela primeira vez assumi o modo de vestir Europeu e com ele o nome de Conde Cagliostro”. Althotas apareceu com a roupa e a insígnia da Ordem de Malta.

“Tenho todas as razões para acreditar que o Grão Mestre Pinto estava familiarizado com minha verdadeira origem. Freqüentemente me falava do Sharif e mencionava a cidade de Trebizond, porém jamais consentiria em entrar em outros detalhes particulares sobre o assunto.” Com base nesta referência, alguém especulou que Cagliostro era o filho do Grão Mestre Pinto e uma nobre senhora de Trebizond, mas Cagliostro, ele mesmo, jamais expressou esta opinião. Enquanto ainda em Malta, Althotas faleceu. Minutos antes de sua passagem, ele declarou a Cagliostro: “Meu filho, conserve para sempre diante de seus olhos o temor a Deus e o amor de suas pequenas criaturas; logo você estará convencido, pela experiência, de tudo aquilo que tenho lhe ensinado”.

Com a permissão relutante do Grão Mestre, Cagliostro deixou Malta na companhia do Cavalheiro d’Aquino para a Sicília, as Ilhas Gregas, e finalmente, Nápoles, o lugar natal do Cavalheiro. Enquanto o Cavalheiro se ocupava com assuntos pessoais, Cagliostro prosseguiu para Roma. Retirou-se para um apartamento para melhorar seu italiano, mas logo o cardeal Orsini solicitou sua presença e, através dele, conheceu vários cardeais e príncipes romanos.

Em 1770, com a idade de vinte e dois anos, ele conheceu e se apaixonou por Seraphina Feliciani. Embora ela fosse a dona do seu amor e devoção pelo resto de suas vidas, ela nunca foi capaz de totalmente romper com a Igreja e seria usada como “a ferramenta dos Jesuítas”. Aconteceu que a natureza de Cagliostro, boa ao extremo, e a total confiança que colocava em seus amigos foram a causa de seus desapontamentos. A generosidade de Cagliostro logo esgotou suas fontes e o casal foi desfeito quando viajavam para visitar amigos em Piemonte e Genova. Mas em julho de 1776, quando chegaram a Londres, estavam outra vez em boas situação, porém a causa de seu progresso fica, como sempre, perdida em mistério.

Eles se hospedaram e logo atraíram admiradores, ainda que ninguém tivesse certeza de onde se originavam, ou qual era seu itinerário recente. Um laboratório foi montado num aposento para estudos de Física e Química. A grande generosidade de Cagliostro levou um grupo de impostores gananciosos a tentar trapaceá-lo através de processos legais que exigiam dinheiro, acusando-o de praticar bruxaria. Esta última acusação foi retirada imediatamente, mas uma coalizão de advogados e juízes desonestos arrancaram-lhe cada centavo que puderam antes que o Conde ficasse livre de suas intrigas. Suas intenções ficaram evidentes pelo fato de que, finalmente, todos eles, de alguma forma, morreram na prisão ou foram executados por fraude, perjúrio e outros crimes. Cagliostro recusou a oportunidade de propor recursos reparatórios, mas decidiu deixar a Inglaterra.

Antes da partida, contudo, tanto ele como a condessa foram admitidos na Loja Esperança da ordem da Estrita Observância. Seu lema era “União, Silêncio, Virtude”, seu trabalho filantropia e seu estudo, ocultismo. Através desta Ordem, Cagliostro espalharia a Maçonaria Egípcia por toda a Europa. Deixando Londres em Novembro de 1777 com apenas cinqüenta guinéus, viajou para Bruxelas “onde encontrei a Providência esperando que enchesse meu bolso outra vez”. Esta é sempre a história de Cagliostro. Quando ele aparece na história, ele tem tudo, não pede nada e deixa tudo generosamente.

Veio para Hague, onde foi recebido como um Franco-maçom pela loja local da Ordem da Estrita Observância. Seu discurso sobre Maçonaria Egípcia, a mãe do puro impulso Maçônico, motivou a Loja a adotar o Rito Egípcio tanto para homens como para mulheres. A Condessa Cagliostro foi instalada como Grã-Mestra. Aqui emergiu a missão de Cagliostro de purificar, restaurar e elevar a Maçonaria ao nível de verdadeiro ocultismo. Esta tarefa comanda o centro das atenções pelo do resto de sua vida. Como suas numerosas profecias sobre grandes e pequenos assuntos indicavam, ele tinha uma visão clara da iminente arrancada da ordem social, política e religiosa da Europa. Ele antevia que somente nas Lojas unificadas os servidores dos homens sábios do Oriente poderiam, poderiam atuar junto tanto os nobres e os homens comuns em mútua lealdade aos mais altos ideais e guiar a Europa através da transição em direção a uma era iluminada.

Ao passar por Nuremberg, ele trocou sinais secretos com um Franco-Maçom, hospedando-se no mesmo hotel. Quando indagado quem era, Cagliostro desenhou num papel a serpente mordendo sua cauda. O hóspede, imediatamente, reconheceu um grande ser numa missão importante e, tirando um rico anel de diamante de sua mão, investiu-o em Cagliostro. Quando ele chegou a Leipzig, a Ordem estava preparada para homenageá-lo com um lauto banquete preparado para um dignitário visitante, mas havia chegado a época de ser colocada a Maçonaria Egípcia em sua verdadeira perspectiva. Após o jantar, Cagliostro fez um discurso sobre o sistema e seu significado. Ele convocou os Maçons reunidos para adotarem o Rito, porém a direção da Loja hesitou. Cagliostro avisou que o momento da escolha para Maçonaria havia chegado e profetizou que a vida do chefe – Herr Scieffort – estava na balança: se a Maçonaria Egípcia não fosse abraçada, Scieffort não sobreviveria durante aquele mês. Scieffort recusou a aceitar modificações em sua Loja, e cometeu suicídio poucos dias depois. Abalados e intrigados, os membros da Loja aclamaram Cagliostro, e seu nome foi ouvido pela cidade. Enquanto ele continuava a viagem, as Lojas da Ordem da Estrita Observância calorosamente lhe davam boas vindas.

Seguiu para Mittau, capital de Duchy de Courland e centro de estudos ocultos, ali chegando em março de 1791. Cagliostro explicou o significado da Maçonaria Egípcia em termos de regeneração moral da humanidade. Embora o homem tenha conhecido a natureza da deidade e o mundo, os profetas, apóstolos e padres da Igreja apropriaram-se deste conhecimento para seus próprios fins. A Maçonaria Egípcia continha as verdades que poderiam restaurar este conhecimento numa humanidade renovada. O Marechal Von Medem e sua família convidaram Cagliostro para ficar em Courland e apresentaram-no às pessoas de influência. O longo interesse de Von Medem pela alquimia logo se voltou para outros fenômenos, e ele pediu insistentemente a Cagliostro que demonstrasse os poderes que, segundo boatos, ele possuía. A princípio relutante, ele finalmente produziu uma quantidade de fenômenos, além suas curas medicinais universalmente aclamadas.

Cagliostro agora deixou que soubessem que ele era o Grande Cophta da Loja, um sucessor na linhagem de Enoch, e que ele, obedientemente, recebia ordens de “seus chefes”. Infelizmente, a vontade de apoiar a Maçonaria Egípcia alimentava-se da insaciável fome por mais fenômenos. Cagliostro mostrou seus poderes em numerosas ocasiões, mas recusava-se a ser empurrado para um mercado atacadista de milagres. E pela primeira vez ele se viu chamado de impostor, quando não atendia aos pedidos. “O espiritismo nas mãos de um Adepto se torna magia”, H.P.Blavatsky escreveu, “pois ele é versado na arte de entremesclar as leis do Universo, sem quebrar nenhuma delas e sem por isso violar a natureza”. Ela disse que homens tais como Mesmer e Cagliostro “controlam os Espíritos, em vez de permitir que seus assuntos sejam controlados por eles; e o Espiritismo está a salvo nas suas mãos”. Mas, Cagliostro explicou, tais poderes eram para serem usados para o bem do mundo e não para a gratificação da curiosidade ociosa.

Ele decidiu ir para São Petersburg, onde foi aceito na Loja e inúmeras curas foram testemunhadas, mas não receberam com calor a idéia da Maçonaria Egípcia. Recusando-se a produzir os fenômenos, pensaram que era um curador, não um mago. Varsóvia respondeu melhor, contudo. Lá ele encontrou o Conde Moczinski e o Príncipe Adam Poninski, que insistiu com Cagliostro para ficar em sua casa. Ele aceitou a Maçonaria Egípcia e uma grande parte da sociedade polonesa o seguiu. Dentro de um mês, uma Loja para o Rito Egípcio foi fundada. Em 1780 ele foi recebido em várias ocasiões pelo Rei Stanislaw Augustus. Descreveu o passado e predisse o futuro de uma senhora da Corte que duvidou de seus poderes. Ela, imediatamente, atestou o passado, enquanto a história provou a verdade no futuro.

Cagliostro deixou Varsóvia em 26 de junho e não foi visto até 19 de setembro, quando chegou a Strasburgo. Multidões aguardavam na Ponte de Keehl para ver sua carruagem e ele foi aclamado quando entrou na cidade. Imediatamente, começou a atender aos pobres, libertando devedores da prisão, curando os doentes e fornecendo remédios gratuitamente. Tanto os amigos quanto os inimigos concordavam que Cagliostro se recusava a receber qualquer remuneração ou benefício por seus incansáveis trabalhos. Embora a nobreza se tornasse interessada, ele se recusava a produzir fenômenos, salvo em seus próprios e estritos termos. Logo ficou íntimo do Cardeal de Rohan, para quem ele previu a hora exata da morte da Imperatriz Maria Theresa. O cardeal convidou-o a se hospedar em seu palácio e mais tarde declarou que ele havia testemunhado em várias ocasiões Cagliostro produzir ouro num vaso alquímico. “Posso dizer-lhe com certeza”, ele insistiu com uma senhora que duvidava da habilidade de Cagliostro, “que ele nunca pediu ou recebeu qualquer coisa de mim”.

O General Laborde escreveu que nos três anos que Cagliostro viveu em Strasburgo ele atendeu quinze mil pessoas doentes, das quais apenas três morreram. Sua reputação foi confirmada quando ele salvou o Marquês de Lasalle, Comandante de Strasburgo, de um caso desesperador de gangrena. Durante este período, o primo do Cardeal, Príncipe de Soubise, adoeceu em Paris. Os médicos não lhe deram nenhuma esperança de cura e o Cardeal, alarmado, suplicou a ajuda de Cagliostro. Este viajou incógnito a Paris com o Cardeal, e o Príncipe recuperou a saúde em uma semana. Somente após a cura foi sua identidade anunciada, para espanto da faculdade de medicina parisiense.

Quando estava em Strasburgo, Cagliostro recebeu a visita de Lavater, o fisiognomonista de Zurique, que indagou acerca da fonte do grande conhecimento de Cagliostro. “In verbis, in herbis, in lapidibus”, ele respondeu, sugerindo três grandes tratados de Paracelso. Foi naquela época que Cagliostro foi tocado pela condição de pobreza de um homem chamado Sacchi e empregou-o em seu hospital. No espaço de uma semana, Cagliostro descobriu que o homem era um espião de alguns médicos invejosos e havia extorquido dinheiro de seus pacientes a fim de torná-lo desacreditado. Posto para fora do hospital, Sacchi ameaçou a vida de Cagliostro e foi imediatamente expulso de Strasburgo pelo Marquês de Lasalle. Sacchi inventou e publicou uma história difamatória na qual afirmava que Cagliostro era um filho criminoso de um cocheiro napolitano. Esse absurdo estava destinado a ser usado contra Cagliostro pelo resto de sua vida.

O Cardeal de Rohan, que havia instalado um busto de Cagliostro talhado pelo escultor Houdon em seu estúdio em Saverne, surgiu em sua defesa. Três cartas chegaram em março de 1783 da Corte de Versalhes, para o Real Baylor de Strasburgo. A primeira, do Conde de Vergennes, Ministro dos Negócios Estrangeiros, dizia: “O Sr. Di Cagliostro pede apenas por paz e segurança. A hospitalidade lhe assegura ambas. Conhecendo as inclinações naturais de V.S., estou convencido de que se apressará a cuidar para que desfrute de todos os benefícios e amenidades que ele pessoalmente merece”. A segunda veio do Marquês de Miromesnil, Guardador do Selo: “O Conde di Cagliostro tem estado comprometido ativamente no auxílio dos pobres e infelizes, e sou conhecedor de um fato notavelmente humanitário desempenhado por esse estrangeiro, que merece lhe seja garantida proteção especial”. A terceira, do Marechal de Segur, Ministro da Guerra, dizia: “O Rei encarrega V.S. que cuide não somente de que ele não seja atormentado em Strasburgo, como também que deva receber nessa cidade toda consideração totalmente merecida pelos serviços que tem prestado aos doentes e aos pobres”.

Em junho chegou uma carta de Nápoles, informando-lhe de que o Cavalheiro d’Aquino, seu companheiro em Malta, estava seriamente doente. Apressou-se a ir para Nápoles, apenas para encontrar o Cavalheiro morto. A Loja União Perfeita saudou-o com homenagens e ali ficou por vários meses, já que o governo napolitano tinha acabado de remover o banimento da Franco-Maçonaria. Bordeaux convidou-o a ir para lá, e ele decidiu assim fazer, viajando em lentas etapas.

O Conde de Saint-Martin já havia preparado terreno em Bordeaux e Lyons para instituir o Rito Retificado de Saint-Martin, que havia purificado e enobrecido a idéia da Maçonaria. O Duque de Crillon e Marechal de Mouchy pessoalmente lhe deram as boas vindas, mostrando-lhe a cidade e homenageando-o em banquetes. Os pobres afluíam até ele e eram curados. Em Bordeaux, Cagliostro teve um sonho no qual era levado a uma brilhante câmara, na qual sacerdotes egípcios e nobres Maçons estavam sentados. “Esta é a recompensa que você terá no futuro”, uma grande voz anunciou, “mas por enquanto você deve trabalhar ainda com mais diligência” Havia chegado o tempo de enraizar firmemente a Maçonaria Egípcia.

Alquier, Grão Mestre em Lyons, chefiou um grupo de delegações solicitando que ele se estabelecesse ali permanentemente. Aceito com toda a cerimônia dentro da Loja Lyons, foi convidado a fundar uma Loja para a Maçonaria Egípcia. Uma captação feita entre Maçons forneceu fundos para construírem um belo prédio, de acordo com as instruções de Cagliostro. Logo teve início a construção da Loja da Sabedoria Triunfante, a qual foi a Loja Mãe de todos os Maçons Egípcios, e a Cagliostro foi dado completo gerenciamento da Loja de Alquier.

Cagliostro instruiu seus novos discípulos a se retirarem em meditação por três horas diariamente, pois o conhecimento é adquirido pelo “preenchimento de nossos corações e mentes com a grandeza, a sabedoria e o poder da divindade, aproximando-nos dela através de nosso fervor”. Cada um deve cultivar a tolerância por todas as religiões, uma vez que existe a verdade universal em seus âmagos; segredo, porque é o poder da meditação e a chave da iniciação; e o respeito pela natureza, pois ela contém o mistério do divino. Com estas três diretrizes como base, o discípulo poderia esperar pela imortalidade espiritual e moral. A motivação que deverá estar sempre em mente é “Qui agnoscit mortem, cognoscit artem” – aquele que tem conhecimento sobre a morte, conhece a arte de dominá-la.

Tendo estabelecido a Maçonaria Egípcia sobre as firmes fundações erigidas por Saint-Martin, Cagliostro não estava destinado a testemunhar seu florescimento no grande templo para ela construído. O Cardeal de Rohan insistiu com veemência que ele viesse a Paris. A Ordem dos Philaléthes tinha organizado a Convenção Geral da Maçonaria Universal. Maçons proeminentes de todas as Lojas da Europa tinham vindo para a primeira assembléia realizada em novembro de 1784. Mesmer e Saint-Martin foram convidados. Agora era a chance para a bênção final do Rito Egípcio – “onde A Sabedoria triunfará” – fosse confirmada. Cagliostro decidiu ir em janeiro de 1785. Deixando os negócios da Loja em ordem, ele escolheu os oficiais permanentes e lembrou-lhes de seus compromissos.

“Nós, os Grandes Cophtas, fundadores e Grão Mestres da Suprema Maçonaria Egípcia em todas as quadrantes orientais e ocidentais do globo, damos ciência a todos aqueles que verão o que está aqui presente,que em nossa estada em Lyons muitos membros deste Oriente que seguem o rito ordinário, e que carregam o título de “Sabedoria”, tendo manifestado a nós seu ardente desejo de se submeterem ao nosso governo e de receberem de nós a iluminação e os poderes necessários para conhecerem e propagarem a Maçonaria em sua verdadeira forma e pureza original, atendemos aos seus pedidos, persuadidos de que, aos lhes fornecermos sinais de nossa boa vontade, conheceremos a grata satisfação de termos trabalhado para a glória do Eterno e para o bem da humanidade. Em aditamento, instruímos cada um dos irmãos que andem constantemente no estreito caminho da virtude e que mostre, pela propriedade desta conduta, que conhecem e amam os preceitos e o propósito de nossa Ordem.”

Quando Cagliostro chegou a Paris, tentou viver uma vida retirada, de modo a trabalhar pela união das Ordens Maçônicas. Mas os doentes irromperam em sua casa e ele outra vez passou longas horas curando-os. Panfletos surgiram por toda Europa com um retrato do divino Cagliostro, desenhado por Bartolozzi, sob o qual se escreveram as seguintes palavras: “Reconheçam as marcas do amigo da humanidade. Cada dia é marcado por novo benefício. Ele prolonga a vida e socorre o indigente, o prazer de ser útil é sua única recompensa.”

Cagliostro veio para auxiliar o progresso da Maçonaria Egípcia. Rapidamente fundou duas Lojas. Savalette de Langes convidou-o a se unir à Philaléthes, junto com Saint-Martin. Este último recusou, com base em que a Ordem seguia práticas espíritas, porém Cagliostro aceitou provisoriamente, e declarou sua missão:

“O desconhecido Grão Mestre da verdadeira Maçonaria lançou seus olhos sobre os Philalétheanos… Tocado pelo sincero reconhecimento de seus desejos, ele se digna estender sua mão sobre eles, e consente em conceder-lhes um raio de luz dentro da escuridão de seu templo. É o desejo do Desconhecido Grão Mestre provar a eles a existência de um Deus – a base de sua fé; a dignidade original do homem, seus poderes e destino… É por atos e fatos, pelo testemunho dos sentidos, que eles conhecerão DEUS, O HOMEM e as coisas espirituais intermediárias (princípios) existentes entre eles: dos quais a verdadeira Maçonaria dá os símbolos e indica o verdadeiro caminho. Que eles, os Philaléthes abracem as doutrinas desta verdadeira Maçonaria, submetam-se às normas de seu chefes, e adotem sua constituição. Mas, acima de tudo, que o Santuário seja purificado; saibam os Philaléthes que a luz pode apenas descer dentro do Templo da Fé (baseada no conhecimento), não dentro daquele do Ceticismo. Que se dediquem às chamas as vaidades acumuladas em seus arquivos; pois é apenas sobre as ruínas da Torre da Confusão que o Templo da Verdade pode ser erigido.”

Após infrutíferas negociações, ele enviou a seguinte mensagem: “Saibam que não estamos trabalhando para um homem, porém para toda a humanidade. Saibam que desejamos destruir o erro – não somente um simples erro, porém todos os erros. Saibam que esta política é dirigida não contra exemplos isolados de perfídia, porém contra todo um arsenal de mentiras.”

Finalmente, após ter ficado claro que a grande Convenção não chegaria a nenhum acordo, ele enviou a última e triste carta: “Já que vocês não têm fé nas promessas do Deus Eterno ou de Seu ministro na terra, eu os abandono a vocês mesmos, e lhes digo esta verdade: não é mais minha missão ensinar-lhes. Infelizes Philaléthes, vocês semearam em vão; vocês colherão apenas ervas daninhas”. Assim, foi perdida a maior possibilidade de lançar as fundações da Fraternidade Universal à época de Cagliostro.

O restante da vida de Cagliostro é trágico. O cardeal de Rohan desejou obter um lugar na corte, porém Maria Antonieta não gostava dele. Madame de Lamotte, desconhecida da Rainha, viu uma chance para um grande ganho pessoal na frustração do Cardeal. Fazendo-se de confidente da Rainha, ela forjou cartas de Maria Antonieta para de Rohan e fingiu que levava respostas de volta a Versalhes. Finalmente ela induziu o Cardeal a comprar um ostentoso colar no valor de um milhão e seiscentos mil livres para a Rainha, colocando o valor em sua conta. Quando a primeira prestação venceu, a Rainha, que não sabia nada do negócio, não pagou e de Rohan foi forçado a honrá-lo. A batalha que se seguiu na Corte viu Madame de Lamotte defendendo-se e acusando a Rainha de trapaça e Cagliostro de roubar o colar que ela mesma havia quebrado e vendido.

A Rainha ficou furiosa, e todas as partes envolvidas no caso foram encarceradas na Bastilha. Embora Cagliostro fosse completamente inocente, tanto ele como Seraphina passaram seis meses na prisão. O caso alcançou tão horríveis proporções que a velha e abusiva denúncia de Sacchi veio a público e lida contra Cagliostro, mas o Parlamento de Paris ordenou sua supressão por ser “injuriosa e caluniadora”. Finalmente Cagliostro foi declarado inocente e libertado diante de dez mil parisienses que esperavam por ele. O “Caso do Colar de Diamantes” é em geral admitido como sendo o prólogo da Revolução [francesa]. Maria Antonieta considerou a libertação de Cagliostro e do Cardeal como um ataque à sua reputação. O Rei ordenou que Cagliostro deixasse a França e afastou o Cardeal de suas atribuições.

Cagliostro viajou para a Inglaterra, porém seus inimigos, agora completamente cientes da total natureza de sua missão, viram a chance de destruí-lo. Mal havia chegado à Inglaterra quando o famoso editor do vicioso Correio da Europa o atacou. Cagliostro alojou Seraphina com o artista de Loutherbourg e viajou para a Suíça em 1787. Seraphina juntou-se a ele na companhia de Loutherbourg imediatamente depois. A Maçonaria Egípcia era praticada por pequenos grupos em Bale e Bienne, mas não puderam apoiar o casal Cagliostro. Já que seus próprios poderes somente poderiam ser usados para os outros e não para si mesmo, e agora que os outros o rechaçavam, ele era forçado a viajar sem repouso.

Por volta de 1789 ele chegou a Roma para encontrar-se em segredo com Franco-Maçons da Loja Verdadeiros Amigos. A Igreja, porém, totalmente ciente da ameaça espiritual que Cagliostro apresentava para ela, enviou dois Jesuítas fazendo-se de convertidos para a Maçonaria Egípcia. Na ocasião em que eram admitidos à Ordem, eles convocaram a policia papal, e o casal os Cagliostro foi levado para a prisão no Castelo Santo Ângelo em 17 de dezembro. Se Seraphina se voltou contra Cagliostro ou sucumbiu por medo diante da Inquisição, não está claro. Mas seus depoimentos foram prejudiciais. Após dúzias de interrogatórios, nos quais a trama foi ameaçadoramente disposta, a Inquisição soube apenas o que todo mundo sabia: que Cagliostro era um Maçom, um herege pela sua crença de que todas as religiões são iguais, e que desprezava a intolerância religiosa. A farsa terminou em 21 de março de 1791, quando a Inquisição condenou Cagliostro à morte. Entretanto, antes de o Papa assinar a sentença, um estrangeiro apareceu no Vaticano. Dando uma palavra ao Secretário do Cardeal, foi imediatamente admitido em audiência. Após sua saída, o Papa comutou a sentença para prisão perpétua.

Seraphina foi libertada apenas para ser presa por novas acusações e internada no convento de Santa Apolônia de Trastevere. Nada mais se soube sobre ela e seu corpo nunca foi encontrado. Cagliostro foi enviado ao Castelo São Leo e colocado no topo inacessível de um rochedo. Lá ele pereceu até 1795. Uma inscrição que fez na parede de sua cela tem a data de 15 de março. Roma reportou que ele morreu em 26 de agosto. Aqui acaba a história, mas a tradição maçônica sussurra que Cagliostro escapou da morte. Endreinek Agardi de Koloswar relatou que o Conde d’Ourches, que quando criança havia conhecido Cagliostro, jurou que o Senhor e a Senhora de Lasa, saudados em Paris em 1861, não eram ninguém menos que o Conde e a Condessa Cagliostro. Com o nascimento envolto em mistério, Cagliostro saiu desta vida também em mistério, conquanto sua existência tenha sido dedicada ao serviço da humanidade e à esperança da imortalidade espiritual.

Autor: Elton Hall
Tradução: Maurilena Ohana Pinto

 

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