O Livre Pensar não é só Pensar

Por Yoskhaz

As piores prisões são as que não têm grades. A ilusão da liberdade é o mais cruel dos cárceres por não te permitir a consciência dos limites da suas escolhas, de não perceber que suas fronteiras estão cada vez mais estreitas e, ao contrário do que parece, apenas limita o tamanho e empalidece as cores do seu mundo. O livre pensar, a autonomia das ideias, o espaço para aceitar o diferente exige esforço, ousadia e coragem, mercadorias raras nas prateleiras dos corações e mentes.

O mundo sempre olhou esquisito para vozes e atitudes dissonantes que atrapalham a administração, controle e negócios daqueles que pensam que os outros não estão ali para dividir, mas para servir. Quem não se adequa fica à margem do mundo, são marginais.

Não falo dos que confundem coragem com violência, dos que enveredam pelas raias da criminalidade por ignorância ou covardia. Refiro-me aos homens mais sábios e corajosos da História, aqueles que tiravam o sono de generais sem desferir um único tapa ou mesmo palavra agressiva. Jesus foi o melhor exemplo, porém temos outros mais contemporâneos como Martin Luther King. Mahatma Gandhi colocou o poderoso Império Britânico de joelhos tendo como armas a sabedoria de pensar diferente, a ousadia de desobedecer, concomitante com o amor de caminhar pelos trilhos da não violência. Arrebatou multidões, pois tocou em seus corações e mentes. Emprestou cores às suas almas.

O convívio social cria a falsa sensação de que para ser aceito é necessário pertencer a alguma tribo, pois, além de cômodo, facilita o controle da administração ao te encaixar em modelos já estabelecidos e com limites definidos. E existem várias já preestabelecidas. Você escolhe uma e faz uma espécie de contrato de adesão, tácito e inconsciente, igual a esses que já estão prontos para operadoras de telefonia ou TV a cabo, aceitando os conceitos e preconceitos, ideias formatadas e enlatadas, definindo certo e errado, o permitido e o proibido. Veste-se como eles, passa a usar um vocabulário próprio e frequentar os mesmos lugares. Você até mesmo pensa que é feliz e encontrou o seu lugar. Um processo de uniformização, homogeneização e, pior, pasteurização. Você abre mão do seu melhor para ser aceito sem problemas no grupo e supostamente feliz. Assim, abre mão de você mesmo. Lembrou de Fausto? Pois é, guardadas as devidas proporções é exatamente isso. Você abdica do livre pensar em troca de aceitação e pseudo-felicidade. A administração agradece.

Homens livres pensam globalmente, são cidadãos planetários, são solidários, mas sabem que cada qual é único. Não há outro igual a você. E existe beleza em cada um de nós, cada qual do seu modo, do seu jeito, como peças distintas que compões um maravilhoso mosaico.

O afã das muitas novidades de cgada dia te fazem esquecer o novo. O verdadeiro novo é o que de fato é diferente, capaz de provocar transformações estruturais e não apenas mudanças aparentes das novidades.

Na verdade a História nos mostra que foram aqueles que acreditaram que tudo pode ser diferente e melhor, deram a cara a tapa – afinal a administração não gosta de ser incomodada – que transformaram o mundo, pois eram o exemplo vivo da mudança. Usaram suas próprias vidas como matéria-prima de uma obra de arte maior. E desmoronaram os alicerces do status quo, fazendo com que o mundo avançasse. Essas pessoas fazem a diferença porque ousam a pensar diferente. Transformam-se em heróis pelo simples fato de não aceitarem o papel de figurante, os limites que lhe foram impostos, as amarras que lhe impediam de voar. Por vezes somos como a lagarta que se maravilha com a beleza e voo da borboleta sem saber que também temos asas.

Será que não está na hora de passar a limpo todos os seus conceitos e ideias? Transformar-se no protagonista da sua vida? Você tem este poder. Uma insurreição no seu modo de pensar, uma análise cuidadosa do que de fato é seu e o que te foi imposto sem que você percebesse. Pondere principalmente sobre o que te faz agir por automatismo e pense se faz realmente sentido. Se, do fundo do coração, você de fato concorda com essas ideias ou apenas as acompanha por simples comodidade ou medo de rejeição social.

Um bom truque é perceber se o seu jeito de pensar e agir traz dor e sofrimento aos outros. Se trouxer, está na hora de mudar. Semear a alegria por onde passar é uma maneira inteligente tê-la dentro de nós.

Durante esse processo você vai se conhecer melhor e, apesar das flores e espinhos que fazem parte de todo caminho, é maravilhoso. Afinal você é a sua melhor companhia. Não estranhe se as pessoas começarem comentar sobre um brilho estranho nos seus olhos. É pura luz!

Seja o herói da sua própria revolução, da transformação da sua alma. A única maneira de mudar o mundo é mudando a si próprio.

Publicado originalmente em http://yoskhaz.com/pt/2015/05/23/o-livre-pensar-nao-e-so-pensar-2/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-livre-pensar-n%C3%A3o-%C3%A9-s%C3%B3-pensar

A guerra dos 50 anos

» Parte 2 da série “Intoxicados” ver parte 1

Parece cocaína, mas é só tristeza… Muitos temores nascem do cansaço e da solidão; Descompasso, desperdício – herdeiros são agora da virtude que perdemos… (Legião Urbana)

Se você quer afastar seu filho, filha, ou algum familiar querido, ou amigo, das drogas, fará bem em começar por desiludi-los da lenda de que as drogas fazem sempre mal… Não é verdade, obviamente: se fosse assim, na primeira dose de cachaça um adolescente iria cuspir aquele terrível gosto amargo no chão e nunca mais pensaria em beber novamente. Porém, se esta fosse à regra, não haveriam bebidas alcoólicas sendo vendidas quase como água pelo mundo afora. Pode ser amargo no início, mas depois fica doce, e depois, se exagerarmos na dose, fica amargo de novo; Só que uma amargura muito mais triste – a amargura que anestesia a alma.

Outras drogas podem ser doces desde a primeira dose, gerando “grandes viagens psíquicas” que já chegaram até a inspirar alguns grandes artistas, contanto que sejam usadas com parcimônia – o que raramente é o caso. Você pode subir no pedestal da moralidade e avisar aos desavisados: “Tomem muito cuidado, pois o caminho das drogas é doce somente no início, depois provoca grande tristeza!” – Mas, devemos considerar que há alguns seres civilizados e cultos da pós-modernidade, assim como muitos miseráveis e oprimidos, que, de uma forma ou de outra, constataram que na vida só existe tristeza – Se pelo menos nas drogas conseguem um pouco de doçura aqui e ali, ainda estarão saindo no lucro… São essas tais máquinas tristes, com tendências suicidas, que não veem nenhum problema em se suicidar aos poucos, uma bala, uma cheirada, uma seringa de cada vez.

O vício em drogas produz verdadeiros zumbis psíquicos, incapazes de sentir quase nada de realmente profundo (ou seja, capaz de lhes tocar a alma) no transcorrer de sua fase viciada. Pode parecer terrível, mas ainda assim conseguem o que queriam desde o princípio: não sentir mais aquela melancolia, aquela angústia de terem de cuidar das próprias almas… Ainda que assim também se abstenham de sentir felicidade, está tudo bem: podem então “viajar” nas drogas, até que sua viagem pela vida, uma viagem que não veem muito sentido de ser, em todo caso, finalmente chegue ao fim.

Porém, o mais incrível em toda essa história é o fato de que alguns dos maiores governos do mundo, influenciados ou não pelas grandes doutrinas religiosas, acreditem até hoje que a repressão é o melhor caminho para se resolver o problema, deixando o tratamento dos zumbis em (décimo) segundo plano, como que se eles fossem efetivamente zumbis, e não mais seres; Não mais pessoas em busca de alguma doçura real nessa vida; Não mais almas atormentadas, mas que podem ainda ser curadas.

A chamada lei seca total entrou em vigor nos EUA em 1920, promulgada durante o segundo mandato de Woodrow Wilson. Seu cumprimento foi amplamente burlado pelo contrabando e fabricação clandestina de bebidas alcoólicas. A lei seca foi abolida em 1933, já no primeiro mandato de Roosevelt. Permaneceu ativa por quase 14 anos… Enquanto esteve efetiva, veio contribuir para o aumento das fortunas de vários mafiosos, dos quais o mais conhecido é, sem dúvida, Al Capone. A sua revogação veio ajudar a débil recuperação econômica (devido ao “crash” da Bolsa em 1929), mas essencialmente contribuiu para o final do período de ouro da máfia norte-americana. Esta década e meia de proibição do álcool em uma sociedade capitalista – e que preza a liberdade – nos ensinou muito acerca da natureza humana, e de sua propensão para a ilegalidade e violência, se for o caso, para conseguir chegar aos seus objetos de desejo ou, pelo menos, aos seus anestesiadores de almas…

No Corão (5:91) é dito que “Satã apenas deseja suscitar a inimizade e o ódio entre vós com intoxicantes e jogo, e impedir-vos de lembrardes de Alá e da prece. Sendo assim, não ireis vos abster?”; Não chega a ser uma proibição cabal, mas uma espécie de aconselhamento… Mesmo assim, ainda que as bebidas alcoólicas tenham sido largamente consumidas no mundo islâmico (e principalmente no período de ouro do Islã, em Al-Andalus), ainda hoje há inúmeros países islâmicos que punem o tráfico de entorpecentes mais pesados, como cocaína e heroína, com a pena de morte. Aparentemente funciona: com a pena de morte em estados totalitários, o tráfico de drogas ilegais é quase nulo nos países do Islã. A questão é que não apenas os traficantes são punidos e perseguidos, mas também os usuários. Aqui está a solução: matar todos os zumbis (que, em todo caso, já buscam a morte)… E então estaremos supostamente seguindo o desejo de algum deus estranho. Para os islâmicos, parece ter resolvido, ou pelo menos enquanto mantém sua população sob o jugo totalitário de seus estados teocráticos. Até que venham as primaveras árabes.

Mas, estranho de se pensar, a grande diversão dos bares islâmicos é fumar narguilé enquanto conversamos com os amigos… Lá, na terra onde quase todos os entorpecentes são proibidos, fuma-se tabaco (e outras especiarias) com essa espécie de cachimbo d’água, à vontade… Então, talvez nem lá, nem lá a questão esteja totalmente resolvida. Hoje a ciência sabe que o tabaco é bem mais prejudicial à saúde do que, por exemplo, a cannabis, entretanto a cannabis é ilegal em quase todo mundo, e a grande fonte de renda dos traficantes de drogas ilegais, enquanto que o tabaco é perfeitamente aceito (com algumas ressalvas) em todo o mundo, inclusive no islâmico…

Segundo a AVAAZ, nos últimos 50 anos as políticas atuais de combate às drogas falharam em toda a América Latina, mas o debate público está estagnado no lodo do medo, da corrupção e da falta de informação. Todos, até o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, que é responsável por reforçar essa abordagem, concordam – organizar militares e polícia para queimar plantações de drogas em fazendas, caçar traficantes, e aprisionar pequenos traficantes e usuários – tem sido completamente improdutivo. E ao custo de muitas vidas humanas – do Brasil ao México, e aos Estados Unidos [1], o negócio ilegal de drogas está destruindo nossos países, enquanto as mortes por overdose continuam a subir.

Enquanto isso, países com uma política menos severa – como Suíça, Portugal, Holanda e Austrália – não assistiram à explosão no uso de drogas que os proponentes da guerra às drogas predisseram. Ao invés disso, eles assistiram à redução significativa em crimes relacionados a drogas, e são capazes de focar de modo direto na destruição de impérios criminosos.

Lobbies poderosos impedem o caminho da mudança, inclusive militares, polícias e departamentos prisionais cujos orçamentos estão em jogo. E políticos de toda nossa região temem ser abandonados por seus eleitores se apoiarem abordagens alternativas. Mas pesquisas de opinião mostram que cidadãos de todo o mundo sabem que a abordagem atual é uma catástrofe.

Parece complexo, mas pode ser simples como uma partida de futebol: em time que esta ganhando não se mexe, mas em time que está perdendo ou, no máximo, amargando um empate em 0 a 0 ou 1 a 1, devemos pensar em mudanças, nem que sejam provisórias, nem que sejam apenas para que ganhemos o primeiro jogo deste longo campeonato… Se pararmos de dar murro em prego nos próximos anos, a guerra de 50 anos do combate às drogas no mundo ocidental poderá ficar conhecida por nossa história como a primeira tentativa, mas que não deu certo, e nos levou as próximas. Mas, se não pararmos para reavaliar a situação, poderemos chegar a um século de guerra inútil, com máquinas tristes cada vez mais tristes, grandes cidades cada vez mais violentas, playboys cada vez mais alienados, e zumbis cada vez mais aterrorizantes… Para um filme de horror, não está nada mal.

Nós pedimos que vocês acabem com a guerra às drogas e o regime de proibição, e movam-se em direção a um sistema baseado em descriminalização, regulamentação, saúde pública e educação. Essa política de 50 anos falhou, abastece o crime organizado violento, devasta vidas e está custando bilhões. É hora de uma abordagem humana e efetiva (AVAAZ; Manifesto endereçado a ONU, que neste momento conta com mais de 650 mil assinaturas online).

» Na continuação – um passeio pelo Inferno.

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[1] Recentemente, até mesmo os EUA, o país que iniciou a malfadada “guerra as drogas”, se rendeu a política de legalização da maconha, a grande responsável pelos lucros dos traficantes (em alguns países, chega a representar 80% do mercado):

“Por muito tempo – décadas – outros países corretamente entenderam que seriam criticados pelos EUA se tomassem medidas para liberalizar as suas leis. Mas no caso do Uruguai, os EUA se deram conta de que não estão na posição de criticar abertamente o governo uruguaio, e de fato não criticaram.”

– trecho de artigo da BBC Brasil

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» Veja também o post Intoxicados: o fim da guerra, que complementa esta parte da série.

Crédito da foto: Mauricio Abreu/JAI/Corbis

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Islamismo #Drogas #Medicina #política #Economia

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Teoria da Magia – parte I

E essas mudanças, ocorrem aonde, em que Esfera ou Plano?

Segundo o mesmo Aleister Crowley, elas ocorrem no mundo material, portanto, no plano físico. Segundo Dion Fortune, uma das mais conhecidas ocultistas britânicas deste século, porém, essas mudanças ocorrem na consciência individual do Mago.

De qualquer corrente que abracemos, temos três coisas distintas e de suma importância:

Não importa qual definição usada para “Magia”, o resultado real é o mesmo;

O resultado obtido é de aparente mudança no mundo material, pouco importando se a mudança ocorreu no mundo material ou somente na psique do operador;

Magia funciona.

Para se ter uma idéia mais ampla do que exprime a palavra “Magia”, devemos separá-la da feitiçaria ou bruxaria. E como fazê-lo? Simples. Na feitiçaria/bruxaria, não se compreende a forma de operação dos Elementos da natureza, não se busca desenvolver adequadamente e de forma equilibrada o conjunto de qualidades herméticas do homem (e da mulher), além do que se busca nos elementos materiais mais densos (pedras, folhas, fogo material, etc.) a essência dos Elementos dos quais emanam. Quer dizer, usa-se uma fogueira para atrair a energia do Elemento Fogo, e assim por diante.

Para termos a Magia bem definida, deveremos compreender que a mesma não se divide simplesmente em “branca” ou “negra”, egoísta ou altruísta, e outras definições de cunho moral: divide-se, isto sim, em DOGMÁTICA e PRAGMÁTICA.

DOGMÁTICA é a forma de Magia que faz uso de símbolos alheios aos pessoais, simbologia essa díspar daquela pertencente ao sub-consciente do operador.

É a forma de Magia ensinada nas obras tradicionais do assunto, e nas Escolas idem.

PRAGMÁTICA é a que faz uso apenas dos símbolos pessoais, do fator de ressurgência atávica, do simbolismo presente no sub-consciente do operador.

Muitas Escolas de Magia têm-se mantido no sistema Dogmático, enquanto as mais modernas buscam no sistema Pragmático uma saída inteligente. Entre estas, podemos citar os seguidores dos Mestres FRANZ BARDON, PASCAL BEVERLY RANDOLPH, AUSTIN OSMAN SPARE e ALEISTER CROWLEY. Entre os seguidores de Aleister Crowley, que se auto-denominam “THELEMITAS” ou seguidores de Thélema (Vontade), há os que não entenderam bem seus ensinamentos, criando sistemas Dogmáticos. Há, porém, os que seguem de forma inteligente seus ensinamentos, pois ser Thelemita é ter sua própria “religião”, seu próprio Deus, posto que Aleister Crowley dizia “não existe Deus senão o homem”. Entre os mais brilhantes seguidores dos citados Mestres acima, destaco um grupo que se denomina “Círculo do Caos” ou I.O.T. (Illuminates of Thanateros, Iluminados de Thanateros), fundado pelo meu amigo Peter James Carroll, com a colaboração de outras cabeças especiais como Isaac Bonewitz, Adrian Savage, Frater U.: D.:, entre tantos outros.

Creio firmemente que a Magia Pragmática permitirá o resgate completo da “Ciência Sagrada”.

Os dois tipos de Magia, Dogmática e Pragmática, podem estar presentes em quaisquer dos Níveis Operacionais de Magia, como veremos abaixo:

1) Os “Cinco Atos Mágicos Clássicos”:

A) Evocação;

B) Divinação;

C) Encantamento;

D) Invocação;

E) Iluminação.

Os “Cinco Atos Mágicos Clássicos” podem estar presentes nos “Cinco Níveis de Atividade Mágica”:

2) Os “Cinco Níveis de Atividade Mágica”:

A) Feitiçaria;

B) Shamanismo;

C) Magia Ritual;

D) Magia Astral;

E) Alta Magia.

Para definir melhor o que foi dito nos dois itens acima, vejamos a seguir breves definições de ambos: (versão livre do “Liber KKK”, contido na obra “Liber Kaos”, de autoria de Peter James Carroll).

“Nível de Feitiçaria”

– Evocação – o Mago cria, artesanalmente, uma imagem, uma escultura, um assentamento; as funções podem ser as mais diversas, definidas pelo Mago; o fetiche é tratado como um ser vivo; pode ou não conter elementos do Mago.

– Divinação – um modelo simples do universo é preparado pelo Mago, para usá-lo como ferramenta divinatória; Runas parecem adequadas; Geomancia é o ideal; I-Ching e Tarot são bons também; usar bastante, em todas as situações, mantendo um diário com todos os resultados obtidos sendo anotados.

– Encantamento – para essa função pode-se utilizar uma série de instrumentos, mas em especial deve-se obter uma ferramenta especial, de significado distinto para o Mago; para fazer o encantamento, o Mago faz uma representação física do objeto do desejo, usando as ferramentas mágicas para realizar a teatralização do ato; por exemplo, o bonequinho representando a pessoa, é batizado ou coisa que o valha, depois roga-se pragas sobre o mesmo, então se espeta ele todo com alfinetes, representando ferimentos na vítima.

– Invocação – aqui o Mago testa os limites de sua habilidade de criar mudanças arbitrárias causadas por modificações estudadas do ambiente e de comportamento; por exemplo, decorar todo o Templo como se fosse um Templo de um Deus Egípcio, vestir-se como tal Deus, personificando-o durante determinado período de tempo. É o que os iniciados fazem quando “incorporam” seu Orixá.

– Iluminação – aqui o Mago busca a eliminação das fraquezas e o concomitante fortalecimento de suas virtudes. Algo como uma introspecção deve ser realizada, para conhecer as próprias qualidades e os próprios defeitos.

“Nível Shamânico”

– Evocação – o Mago busca estabelecer uma visualização de uma entidade por ele projetada, para realizar seus desejos; muitas vezes, pode-se visualizar a mesma Entidade que se “assentou” no nível de feitiçaria. Pode-se interagir com essas entidades em sonho, donde se tira o conceito do “parceiro astral”.

– Divinação – consiste, basicamente, em visões respondendo a questões específicas; o Mago interpreta a visão de acordo com seu simbolismo pessoal.

– Encantamento – o Mago tenta imprimir sua vontade no mundo exterior por uma visualização simbólica ou direta do efeito desejado.

– Invocação – aqui o Mago retira conhecimento e poder do atavismo, em geral do atavismo animal; para isso, o Mago deve ser “tomado” por alguma forma de atavismo animal. A imitação da atitude do animal em questão ajuda muito esta operação.

– Iluminação – o Mago visualiza sua própria morte, seguido do desmembramento de seu corpo; então, deve visualizar a reconstrução de seu corpo e a seguir seu renascimento. É a chamada “jornada” dos Shamãns.

“Nível de Magia Ritual”

– Evocação – o Mago pode evocar a Entidade já trabalhada nos dois níveis anteriores, ou então qualquer outra. Em geral, um sigilo desenhado em papel, simbolizando a Entidade evocada, é o que basta para criar o vínculo necessário entre a mente do Mago e a Entidade que se deseja evocar.

– Divinação – qualquer instrumento de divinação serve, mas o Mago deve, antes da prática, sacralizar os instrumentos da divinação, por meio de algum tipo de prática. Métodos complexos servem tão bem quanto os simples, mas uma atitude da mente, mantendo um estado de consciência algo alterado, é imprescindível.

– Encantamento – aqui entram em ação as “Armas Mágicas”, que variam de acordo com o Mago, dentro, é claro, de um simbolismo universal. A concentração deve ser no ritual, ou no sigilo, ao invés de na realização do desejo; o sigilo é traçado com a ferramenta mágica, no ar, e a mente é levada a um estado alterado de consciência. Assim, entra em ação a mente inconsciente, mais poderosa nessas operações.

– Invocação – o Mago busca saturar seus sentidos com as experiências correspondentes a, ou simbólicas de, alguma qualidade particular que busca invocar; no caso, pode ser dos Arquétipos Universais, através da decoração do Templo e de sua pessoa com côres, aromas, símbolos, pedras, plantas, metais e sons correspondentes aquele Arquétipo desejado. O Mago tenta ser “possuído” pela Entidade em questão; as clássicas Formas-Divinas ou Posturas-Mágicas tem uso aqui; antes de qualquer Evocação Mágica, o Mago deve Invocar Deus, tornando-se ele.

– Iluminação – tem a característica de buscar (e encontrar) esferas de poder dentro de nós mesmos; aqui cabe o sistema de iniciação hermética ensinado por Franz Bardon em seu “Initiation Into Hermetics”.

“Nível de Magia Astral”

Todas as operações deste nível são idênticas a todas as praticadas nos três níveis anteriormente descritos, exceto que são realizadas apenas em âmbito mental, isto é, na mente do Mago. Portanto, tudo ocorre nos planos interiores do Mago, desde a construção de seu Templo, até as OPERAÇÕES mais práticas.

“Nível de Alta-Magia”

As operações neste nível são elevadas, devendo ser praticadas somente por quem já seja um Iniciado pelo sistema de Franz Bardon; as OPERAÇÕES neste nível são as cobertas pelos três trabalhos subseqüentes de Franz Bardon (Frabato The Magician; The Practice Of Magical Evocation, The Key To The True Quabbalah).

Se quisermos definir como o “Fluído Vital” emana e donde emana, permitindo a materialização das Energias Mágicas, deveremos estudar as três únicas formas de produzí-lo:

1) Emanação individual do Fluído Vital;

2) Sacrifício Vital;

3) Orgasmo Sexual.

E para compreender o alcance da Magia, poderemos definir sua envergadura de poder:

1) Microcosmos Interno – visando provocar transformações no próprio operador;

2) Microcosmos Externo – visando transformações em outros seres vivos;

3) Macrocosmos – visando transformações sociais ou globais (Cosmos, meio-ambiente, comportamento de grupos de animais ou de vegetais, coletividades, etc.).

Retirado do Site: http://www.mortesubita.org

autor: J. R. R. Abraão

#MagiaPrática

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/teoria-da-magia-parte-i

A Maturidade, a Religião e os Iniciados

Há ocultistas e iogues entoando mantras demais e vivendo de menos. Tentam o despertar da Kundalini, mas não se preocupam tanto com o despertar do coração.

Elaboram rituais variados e seguem “cartilhas iniciáticas”. Contudo, enrolam-se no mais simples: Viver!

Trajam indumentárias iniciáticas ou mantos de renúncia, mas não se vestem com a luz da modéstia.

Mortificam o corpo físico, através da repressão sexual, jejuns forçados ou perfurando-o com objetos exóticos. No entanto, o corpo mental (morada da consciência, o eu real) e o corpo espiritual (o verdadeiro corpo de luz), continuam obscurecidos pela falta de discernimento e compaixão.

Praticam um misticismo exacerbado e costumam apresentar credenciais e títulos iniciáticos, que, na verdade, não provam grau de espiritualidade alguma, mas sim grande grau de vaidade.

Gostam de usar senhas esotéricas (herméticas), mas não notam que a própria vida é amplamente exotérica (aberta, clara, explícita).

Almejam o samadhi, mas o seu corpo físico lhes reclama a justa atenção: são obrigados a ir ao banheiro todos os dias.

Falam muito em união espiritual e consciência cósmica. No entanto, muitos são nacionalistas ferrenhos. Alguns, inclusive, são racistas. Apesar desse absurdo, dizem que estão trilhando a senda da luz.

É por essas e outras que o meu amigo espiritual, Rama, disse certa vez: “A grande iniciação não é realizada dentro de nenhum obscuro templo esotérico, mas sim dentro do templo luminoso do coração, onde mora o maior mestre de todos: o amor!”

Geralmente o fanático religioso quer impor a sua doutrina a ferro e fogo aos outros. Perante o seu olhar turvo de radicalismo, ele só vê infiéis a serem convertidos. Não admite a liberdade de expressão do pensamento alheio e, se precisar, é capaz até de brigar para impor o seu ponto de vista.

O fanatismo leva geralmente à intolerância, e esta, fatalmente ao combate.

O fanatismo nada tem a ver com Jesus, Krishna e Buda, pois esses mestres ensinaram o “amai-vos uns aos outros” (Jesus), a alegria de viver (Krishna) e o respeito pelos outros (Buda).

O fanático demonstra pela sua própria postura agressiva que a compreensão não é o seu forte. Aliás, é curioso o estranho paradoxo em que vive o fanático religioso: se por um lado ele prega a compaixão, a união, o respeito e a religiosidade, por outro lado ele ameaça, ataca, excomunga e até briga com aqueles que não partilham seu ponto de vista.

É de se perguntar então:

– Há algo em comum entre amor e excomunhão? Entre respeito e intolerância? Entre liberdade de expressão e doutrinação repressiva?

“Ide e pregai“, como ensinava o apóstolo, não significa “ide e ameaçai”, como faz o fanático.

“Amai-vos uns aos outros” não significa amai uns e não a outros.

Na etimologia do termo “religião“, vemos que a sua origem vem de “religar-se“, que significa “religar” o homem ao seu Criador. Em outras palavras, “Unir“!

Infelizmente, parece que o fanático não entende assim. O seu radicalismo o torna ácido, antipático e chato ao extremo. Já não lhe importa tanto religar, ele quer mesmo é converter o infiel, não importa o quanto isso custe.

É por essas e outras que se diz por aí que o fanático não tem discernimento, pois se tivesse, não seria fanático, mas sim um livre pensador. Ou seja, uma pessoa interessante e criativa no mundo.

Ainda agora, dando uma olhadinha no material desse curso, fiquei pensando se esses escritos guardados há sete anos seriam interessantes para reflexões ponderadas de outros estudantes espiritualistas. De todo modo, serve como exercício de discernimento no estudo espiritual e também de alerta consciencial sadio.

Inclusive, há um texto excelente da pesquisadora italiana Angela Maria La Sala Batä que foi entregue aos alunos do curso citado como correspondência do tema “Maturidade consciencial”. Reproduzo-o logo abaixo como excelente complemento dos temas aqui escritos.

“Ouvi dizer que maturidade é o conhecimento, cada vez maior, de não sermos nem tão extraordinários nem tão incapazes como antes acreditávamos”.
“Maturidade significa saber conciliar aquilo que é com aquilo que poderá ser”.
“A maturidade não é uma meta, mas sim uma estrada”.
“O nível da maturidade de cada criatura é avaliado pelos limites das possibilidades que ela apresenta no momento”.
“O melhor método para se alcançar a maturidade ainda é a espiritualização do homem”.
“Um dos sinais fundamentais que distinguem o homem maduro é que ele não é fixo, não é estático, mas continua a crescer, a caminhar para frente, qualquer que seja a sua idade”.
“Não se pode definir a maturidade porque ela não é um ponto fixo, não é um ponto estático, mas é, antes de tudo, uma atitude interior”.
“Não se pode falar de homem maduro se ele é unilateral, fechado num único setor da vida e falho sob alguns aspectos”.
“Uma das maiores imaturidades do ser humano é a presunção (ou senso crítico de superioridade) que nasce do fato, quase inevitável, de que com o desenvolvimento do intelecto vem acentuar-se o senso do eu pessoal e da auto-afirmação. O senso de superioridade também gera o criticismo e a separatividade”.
“Dar não significa ‘privar-se’ de qualquer coisa, mas significa expandir-se, irradiar a própria energia, expressar a si mesmo, romper o muro da separação e da solidão que circunda os outros seres, vivificando-os com a força do próprio amor”.
“Que coisa alguém dá quando ama? Dá a si mesmo, aquilo que possui de mais precioso, dá uma parte de sua vida… Dá a própria alegria, o seu próprio bom humor, a própria tristeza, todas as expressões e manifestações daquilo que possui de mais vital”.

Texto de Wagner Borges

Veja também, no blog O Alvorecer:

– Diferenças entre Ricos e Pobres

– A História de uma Folha

– A Força da Vida

– Pesquisa revela energia liberada pelas mãos

– Acarajé não é de Jesus, é de Iansã

#Espiritualidade #oalvorecer

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-maturidade-a-religi%C3%A3o-e-os-iniciados

O Poder Oculto da Música

Pelo Centro de estudos espíritas Paulo Apóstolo, de Mirassol – CEEPA

A harmonia coloca a alma sob o poder de um sentimento que a desmaterializa.

(Rossini, a Allan Kardec)

“Visto que nos encontramos neste estado degradado de imperfeição moral, será melhor sermos práticos, harmonizarmos nossa música e, pelo mesmo processo, começarmos a compor uma nova e melhor forma de arte. Uma arte de acentuada sublimidade poderá, por si só, levar-nos de volta aos céus.”

(Bach)

“Sinto-me obrigado a deixar transbordar de todos os lados as ondas de harmonia provenientes do foco da inspiração. Procuro acompanhá-las e delas me apodero apaixonadamente; de novo me escapam e desaparecem entre a multidão de distrações que me cercam. Daí a pouco, torno a apreender com ardor a inspiração; arrebatado, vou multiplicando todas as modulações, e venho por fim a me apropriar do primeiro pensamento musical. Tenho necessidade de viver só comigo mesmo. Sinto que Deus e os anjos estão mais próximos de mim, na minha arte, do que os outros. Entro em comunhão com eles, e sem temor. A música é o único acesso espiritual nas esferas superiores da inteligência.”

(Beethoven)

O presente estudo pretende refletir sobre a influência que a música, assim como as artes em geral, exerce sobre o comportamento espiritual do ser humano.

A música e sua origem divina

De acordo com escrituras e mitologias de todos os povos a música, assim como as demais expressões da arte, foram trazidas aos homens pelos deuses. Na remota antiguidade, a música era empregada com a sagrada finalidade de reverenciar o Ser Supremo. Sua finalidade era a de expressar as cosmogonias, elevar a alma humana às alturas das esferas espirituais. Todas as expressões artísticas desenvolveram-se á luz dos ritos iniciáticos, com a finalidade de expandir a consciência dos inciados durante as cerimônias sagradas, abrindo-lhes a captação psíquica para experiências transcendentes.

Com o tempo a arte saiu do âmbito dos templos e do sagrado, vulgarizou-se, caiu na banalização das massas, passando a refletir seus instintos inferiorizados, anseios embrutecidos e a desmesurada ambição pelo lucro e a fama.

O poder oculto da música

Atualmente a ciência, sobretudo no campo da medicina e da psicologia, vêm redescobrindo verdades e conhecimentos que os antigos sábios detinham sobre o poder oculto da música.

Hoje sabemos que basta estarmos no campo audível da música para que sua influência atue constantemente sobre nós, acelerando ou retardando, regulando ou desregulando as batidas do coração; relaxando ou irritando os nervos; influindo na pressão sanguínea, na digestão e no ritmo da respiração, exercendo alterações sobre os processos puramente intelectuais e mentais.

Modernos pesquisadores estão começando a descobrir que a música influi no caráter do indivíduo e, ao influir em seu caráter, significa alterar o átomo ou unidade básica – a pessoa – com a qual se constrói toda a sociedade.

Os grandes sábios da China antiga até o Egito, desde a Índia até a idade áurea da Grécia acreditavam que há algo imensamente fundamental na música que lhe dá o poder de fazer evoluir ou degradar completamente a alma do indivíduo e, desse modo, fazer ou desfazer civilizações inteiras.

Assim, “uma inovação no estilo musical tem sido invariavelmente seguida de uma inovação na política e na moral”, conclui um estudioso moderno.

O Messias, de Handel

A influência da música sobre o nosso comportamento é algo que desperta cada vez mais o interesse dos estudiosos. Ela pode influenciar no comportamento de toda uma nação, como por exemplo ocorreu com o rei George III, na Abadia de Westminster, durante uma apresentação de Handel. A certa altura da apresentação da obra o Messias (o coro da Aleluia) o rei se pôs em pé, sinal para que todo o público se levantasse. Ele estava chorando. Nada jamais o comovera tão vigorosamente. Dir-se-ia um grande ato de assentimento nacional às verdades fundamentais da religião.

Os diferentes tipos de música levam-nos a manifestar comportamento mentais-emocionais específicos. Em certas circunstâncias, somos induzidos a alterar procedimentos em função dos diferentes estados de consciências que a música, involuntariamente, pode nos levar a alcançar. Assim, sob sua influência, podemos tomar a decisão impulsiva e decisiva para iniciar ou terminar um determinado relacionamento amoroso, ou ainda, quem sabe, aumentar ou diminuir a velocidade de nosso carro num lugar inapropriado.

Rossini fala a Kardec sobre a música espírita

Em contatos com Allan Kardec, nas reuniões da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, o espírito do músico e compositor clássico Gioachino Rossini, por solicitação do codificador, falou sobre alguns aspectos espirituais da música e sua influência no comportamento espiritual do homem.

Rossini fora um músico extremamente bem sucedido, tendo recebido do rei de França os cargos de Primeiro Compositor do Rei e Inspetor Geral de Canto, recebendo um salário invejável. Esbanjou talento – foi contratado exclusivo do Teatro de Milão durante vinte anos, autor de 30 óperas, reconhecido como a “personalidade mais brilhante que jamais dourou as páginas do livro musical do mundo contemporâneo”.

Mas, no além, diante da solicitação de Allan Kardec, ele se julga incapacitado para discorrer a respeito da finalidade transcendente da música, prometendo estudar o assunto, lá, nos domínios espirituais para, numa outra oportunidade, voltar a falar aos membros da Sociedade.

Lembra Rossini ao codificador do espiritismo que a embriaguez do êxito, a complacência dos amigos e as lisonjas dos cortejadores muitas vezes lhe tiraram o meio de reconhecer suas fraquezas morais, turvando-lhe o discernimento sobre a sublime finalidade da arte musical.

Numa posterior comunicação ele volta para expor suas novas idéias. Começa redefinindo o conceito de harmonia, comparando-a com a luz. Assim ele se expressa: “Fora do mundo material, isto é, fora das causas tangíveis, a luz e a harmonia são de essência divina. A posse de uma e outra está na razão dos esforços empregados para adquiri-las, elas que são duas sublimes alegrias da alma, filhas de Deus e, portanto, irmãs”, querendo dizer com isso que um refinado executante ou ouvinte de música, do ponto de vista espiritual, é alguém que conquistou algo de luz e harmonia em si mesmo.

A harmonia é um sentido íntimo da alma

O espírito de Rossini inicia sua mensagem propondo um novo conceito sobre a expressão HARMONIA, comparando-a com a luz. Para ele, ambas são uma espécie de sentidos íntimos da alma, estados transcendentes do ser. Explica que a alma é apta a perceber a harmonia, mesmo sem o auxílio de qualquer instrumentação, como é apta a perceber a luz sem o concurso das combinações materiais.

“Quanto mais desenvolvidos são esses sentidos íntimos da alma, tanto melhor percebe ela a luz e a própria harmonia”, ensina.

As diferentes harmonias do espaço

O espírito do grande maestro se diz espantado ao contemplar as diferentes harmonias do espaço. Diz serem constituídas por inúmeros e diferentes graus, conhecidos e desconhecidos, dispersos e ocultos no éter infinito. Essas diferentes harmonias, percebidas separadamente, constituem a harmonia particular de cada grau.

Explica que, nos graus inferiores, essas harmonias são elementares e grosseiras. Nos graus superiores, levam ao êxtase. Revela que “quando é dado ao espírito inferior deleitar-se com os encantos das harmonias superiores, o êxtase o arrebata e a prece lhe penetra o íntimo”. Informa que a música é um tipo de “encantamento que o transporta às elevadas esferas do mundo moral”. Imerso nas vibrações de uma música superior, o espírito então “entra a viver uma vida superior à sua e assim deseja continuar a viver para sempre”. Contudo, cessada a harmonia que o penetra, “ele desperta para a realidade da sua situação e, dos lamentos que lhe escapam por haver descido, nasce-lhe o desejo de adquirir forças para de novo elevar-se – e aí tem ele um grande motivo de emulação”.

Concluímos, portanto, que a música superior contribui para a elevação espiritual do ouvinte – ou do executante – quando dela sabe-se tirar bom proveito.

O espírito do músico atua sobre o fluido universal (ou energia cósmica) através de seu sentimento

O maestro Rossini ressalta que o espírito produz os sons que é capaz de saber e não consegue querer o que não sabe. “Assim, aquele que compreende muito, que tem em si a harmonia, que se acha dela saturado, que goza do seu sentido íntimo, desse nada impalpável, dessa abstração que é a concepção da harmonia, atua quando quer sobre o fluido universal que, instrumento fiel, reproduz o que ele concebe e deseja. O éter vibra sob a ação da vontade do espírito. A harmonia que o espírito traz em si concretiza-se, por assim dizer, evola-se, doce e suave, como o perfume da violeta, ou ruge como a tempestade, ou estala como o raio, ou solta queixumes como a brisa. É rápida como o relâmpago, ou lenta como a neblina; tem os despedaçamentos de um soluço, ou é contínua como a relva; é precipitada qual catarata, ou calma como um lago; murmura como um regato, ou ronca como uma torrente. Ora apresenta a rudeza agreste das montanhas, ora a frescura de um oásis; é alternativamente triste e melancólica como a noite, leda e jovial como o dia; caprichosa como a criança, consoladora como uma paixão, límpida como o amor e grandiosa como a Natureza. Quando chega a este último terreno, confunde-se com a prece, glorifica a Deus e leva ao arroubamento aquele mesmo que a produz, ou a concebe”, esclarece poeticamente o maestro.

Ele explica que o sentimento da harmonia é como o espírito que tem a riqueza intelectual: um e outro possuem constantemente da propriedade inalienável que conquistaram pelo esforço esforço.

“Pela música, o espírito faz ressoar no éter a harmonia que traz em si”, define o maestro.

Assim como o espírito inteligente, que ensina a sua ciência aos que ignoram, experimenta a ventura de ensinar, porque sabe que torna felizes aqueles a quem instrui, também o espírito que faz ressoar no éter os acordes da harmonia que traz em si experimenta a felicidade de ver satisfeitos os que o escutam.

Para ele, “a harmonia, a ciência e a virtude são as três grande concepções do espírito: a primeira o arrebata, a segunda o esclarece, a terceira o eleva. Possuídas em toda a plenitude, elas se confundem e constituem a pureza”.

A música é o médium da harmonia

Explica o maestro que “o compositor que concebe a harmonia a traduz na grosseira linguagem chamada música, concretiza a sua idéia e a escreve e, embora desvirtuada pelos agentes da instrumentação e da percepção, a música sempre causa impressões nos que a ouvem traduzida. Essas sensações são a harmonia. A música as produz. As sensações são efeito da música. Esta é posta a serviço do sentimento para ocasionar a sensação. O sentimento, na composição, é a harmonia; a sensação. No ouvinte, é também a harmonia, com a diferença de que é concebida por um e recebida pelo outro. A música é o médium da harmonia. Ela a recebe e a dá, como o refletor é o médium da luz, como tu és o médium dos espíritos. É concebida pela alma e transmitida à alma”.

Os sentimentos da música

Extraordinária diferença há na concepção e apreciação da música entre homens e espíritos: enquanto na terra tudo é grosseiro, os espíritos, contudo, possuem a percepção direta.

“É possível expor os fatos que os sentimentos íntimos provocam, defini-los, descrevê-los, mas, os sentimentos, esses se conservam inexplicados. A música pode provocar sentimentos diferentes em cada pessoa porque as mesmas causas geram efeitos contrários. Em física isto não existe, mas em metafísica existe. Existe, porque o sentimento é propriedade da alma e as almas diferem de sensibilidade entre si, de impressionabilidade, de liberdade. A música, que é a causa segunda da harmonia percebida, penetra e transporta a um, deixando frio e indiferente a outro. É que o primeiro se acha em estado de receber a impressão que a harmonia produz, ao passo que o segundo se acha em estado oposto: ele ouve o ar que vibra, mas não compreende a idéia que lhe traz. Este chega a entediar-se e a adormecer, enquanto que aquele outro se entusiasma e chora. Evidentemente, o homem que goza as delícias da harmonia é muito mais elevado, mais depurado, do que aquele em quem ela não logra penetrar. Sua alma, mais apta a sentir, desprende-se mais facilmente e a harmonia lhe auxilia o desprendimento, transporta-a e lhe permite ver melhor o mundo moral. Deve-se concluir daí que a música é essencialmente moralizadora, uma vez que traz a harmonia às almas e que a harmonia as eleva e engrandece”.

A música exerce influência sobre a alma e seu progresso

O grande músico traz a Allan Kardec um interessante conceito sobre o poder espiritualizador da música: “A harmonia (expressa pela música) coloca a alma sob o poder de um sentimento que a desmaterializa”. Isto significa que a harmonia, expressa pela boa música, acelera nossas vibrações, permitindo-nos sentimentos de acesso espiritual a dimensões que não conseguimos alcançar comumente.

“Este sentimento existe em certo grau, mas desenvolve-se sob a ação de um sentimento similar mais elevado. Aquele que esteja desprovido de tal sentimento é conduzido gradativamente a adquiri-lo, acaba deixando-se penetrar por ele e arrastar ao mundo ideal, onde esquece, por instantes, os prazeres inferiores que prefere à divina harmonia”.

Podemos refletir aqui o poder e a responsabilidade que possui um artista espiritualizado e consciente, pois que lhe é dado arrebatar, pela emoção superior, as almas dos homens às alturas das esferas transcendentes, assim como ele próprio pela mesma música é arrebatado.

A música reflete a alma do compositor

Rossini lembra que se considerarmos que a harmonia sai do concerto do espírito, podemos deduzir que a música exerce salutar influência sobre a alma (que é, em verdade, o espírito encarnado) e a alma que a concebe também exerce influência sobre a música. Há uma simbiose entre o artista e sua obra, uma vez que eles se confundem no resultado final. “A alma virtuosa, que nutre a paixão do bem, do belo, do grandioso e que adquiriu harmonia, produzirá obras-primas capazes de penetrar as mais endurecidas almas e de comovê-las. Se o compositor é terra-a-terra, como poderá exprimir a virtude de que desdenha, o belo que ignora e o grandioso que não compreende? Suas composições refletirão seus gostos sensuais, sua leviandade, sua negligência. Serão, ora licenciosas, ora obscenas, ora cômicas, ora burlescas, comunicando aos ouvintes os sentimentos que exprimem e os perverterão, em vez de melhorá-los”.

Essa dissertação nos faz meditar que é melhor termos mais cuidado com o nosso cardápio musical, muitas vezes digerido, involuntariamente, por coação dos meios de comunicação alienadores. É bom perguntar: em que tipo de música andamos refletindo os nossos gostos íntimos?

Fonte:

Estudo intitulado “Música Espírita”, contido no livro Obras Póstumas, de Allan Kardec

#Música

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Ciência e Hermetismo

A Antigüidade não estabelecia diferenças nítidas entre Ciência, Arte e Filosofia. Igualmente os alquimistas medievais se autodenominavam tanto artistas como filósofos, e ao se referirem a suas atividades, faziam-no chamando-as Ciência. Desse modo a vinculavam com a Ciência sagrada e tradicional que não excluía as disciplinas cosmológicas nem a meditação Metafísica, e tampouco o rito e a oração, segundo pode se ver em todos os documentos emanados de suas mãos, que unanimemente o atestam.

A Ciência, tal qual a conheciam os antigos, não tinha nada que ver com um método literal, como a concebem nossos contemporâneos (nascida esta idéia com Descartes no Discurso do Método, aparecido recém no século XVII) e menos ainda pensavam em sua substituição pela “técnica” ou “técnicas”, modos de ver estes exclusivamente empíricos e racionais, em contraposição com a universalidade da autêntica Ciência. A chamada ciência moderna, fundamentada na estatística e na comprovação de um mesmo fenômeno em circunstâncias “ideais” não é de nenhuma maneira exata, como bem o sabiam os alquimistas medievais (que repetiam um mesmo experimento centos de vezes, sabendo que as circunstâncias eram sempre distintas, para obter finalmente resultados palpáveis de transmutação natural), pois é sabido que as mesmas coordenadas espaço-temporais não se dão de uma mesma maneira indefinida num suposto mundo imóvel, frio e irreal (o que se entende equivocadamente como “matemático”), e a melhor comprovação disso é a observação atenciosa da terra e do céu, do macrocósmico e microcósmico, sempre em contínuo movimento e perpétua geração de novas formas de vida.

Por outro lado, queremos destacar que esta ciência “moderna”, à qual estamos nos referindo, é na verdade um esquema “antiquado” do século XIX, que paradoxalmente permanece vigente nas casas de estudo oficiais. No entanto, as comprovações da mais moderna ciência, ocorridas aproximadamente desde uns 50 anos para cá, com uma concepção absolutamente diferente do racionalismo mecânico, tocam-se com as concepções da Antigüidade e descrevem uma cosmologia análoga à das doutrinas tradicionais de todos os lugares e tempos, segundo daremos algum exemplo em subseqüentes séries e capítulos.

#Ciência #hermetismo

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Alta Magia Extrema – Amarração

@MDD – Um leitor me enviou o email de resposta de um desses templos picaretas kimbandistas de amarração LTDA, a qual passo a decifrar, para deleite geral da nação.

Boa noite,

Sou XXXXXXXX sacerdote intermediário entre você e as entidades espirituais ( Exu e Pombagira ) de nosso templo de forma sigilosa e responsável. Sua consulta foi realizada através do oráculo Ngombo ( Oráculo dos ossos ) por 2 sacerdotes e 2 entidades espirituais e lhe foi revelado que está pessoa está ligada diretamente em sua vida pois é a sua alma gêmea.

@MDD – boa noite,

Sou o Marcelo Del Debbio, sacerdote intermediário entre você e o bom senso. Eu não costumo agir de forma sigilosa nesses casos de amarrações picaretas, mas se meus leitores não contarem para ninguém o que vou falar de vocês, eu também não contarei.

O maior problema é que a pessoa em questão não estava procurando ninguém em especial, apenas mandou o email para trolá-los, ou seja, se as entidades e o oráculo fossem um mínimo confiáveis, deveriam ter percebido isso na hora… Além disso, foram mandados 3 emails diferentes relatando situações diferentes e sua resposta foi padrão para as três… FAIL.

No momento em que estava sendo realizado a sua consulta surgiu em nosso templo um forte cheiro de rosas o que indica que você poderá ter está pessoa junto com você da forma que deseja mas é necessário realização de trabalho de magia pois existe uma energia negativa gerada de pragas e inveja de terceiros que tem interesse por esta pessoa.

@MDD – Uma alma gêmea é um assunto muito complexo e sério dentro do hermetismo real. É necessário ter o MERECIMENTO para que se consiga afinar as Verdadeiras Vontades a tal ponto que seja possível cruzar os caminhos de duas pessoas que tenham estas afinidades e MESMO assim não vai ser um mar-de-rosas para eles. Uma mulher que se preste a ir atrás de um charlatão para fazer uma amarração não está nem 1% próxima do grau de consciência necessário para realmente ter passado perto de sua alma gêmea…

Eu sinto um cheiro por aqui, mas não é de rosas…

Para ter este homem como deseja te amando e sendo o homem de sua vida, você deve realizar um trabalho de amarração magia Kibundo atrativa para o amor.

@MDD – Hmmm dar a Kibundo pode ser um fetiche que atrai a maioria dos homens, é até capaz de deixar o indivíduo interessado… mas o caminho não é por ai…

Este trabalho irá fazer este homem lhe amar e te desejar sem que terceiros possam interferir no amor de vocês dois. Este trabalho é muito forte e deve ser feito somente se você realmente gosta desta pessoa pois está magia faz com que ele te deseje sexualmente, fique

louco por você, pense em você o dia inteiro apaixonado sem ter sossego na vida enquanto não estiver com você.

@MDD – o sonho de dez em cada dez mulheres desesperadas em busca de um príncipe encantado… conte-me mais…

É claro que esta magia tem custo com material religioso que é usado no trabalho. Se quiser fazer o trabalho nos envie uma colaboração de R$ 1.480,00 reais que será utilizado para a aquisição do material religioso que é utilizado na realização do trabalho.

@MDD – WAIT WHAT? 1.480 dilmas?!?!? Não tem desconto se a pessoa não for a alma gêmea? Tipo cobrar umas 500 dilmas se for uma alma afim, umas 300 dilmas se for uma alma mais-ou-menos a fim… que “material religioso” seria esse que custa esse absurdo?

O resultado do trabalho é garantido e imediato após a sua realização.

Somos uma instituição segura e realizamos trabalhos de magia a mais de 34 anos, somos a XXXXXXX federação mimimi-mimimi por isso você pode confiar.

@MDD – Seems Legit. Por quê não falou antes? Já me sinto seguro de confiar 1500 dilmas nas mãos de vocês… só que não. Entrei no google e fui até o site de vocês… é um pardieiro de vendas de porcarias milagreiras, consultas e vidências que deixaria o Bispo Valdomiro com inveja. Parece um Telexfree de “pai-de-santo” picareta.

Que ( Olorun ) Deus lhe de saúde, força para seguir em frente e assim

alcançar os seus sonhos.

@MDD – Olorum e Jesus estão morrendo de vergonha do desserviço que picaretas como vocês fazem com a Umbanda e o Candomblé.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/alta-magia-extrema-amarra%C3%A7%C3%A3o

Morpheus – Dream a little dream of me

Publicado no S&H dia 7/jul/2008,

Mr. Sandman, bring me a dream
Make him the cutest that I’ve ever seen
Give him two lips like roses and clover
Then tell him that his lonesome nights are over.
Sandman, I’m so alone
Don’t have nobody to call my own
Please turn on your magic beam
Mr. Sandman, bring me a dream.

É engraçado como funciona a sincronicidade. Este final de semana, enquanto Neil Gaiman estava autografando na Feira Literária de Parati (FLIP), todo o nosso projeto de textos sobre os Psycopompos (os deuses que representam a interação do Plano Físico com o Plano Astral), após passar por Thanatos, Hecate e Hermes, chega justamente a Morpheus, personagem que foi imortalizado na forma de Sandman por este autor.
A seguir, o que o mundo dos espíritos e o mundo dos sonhos tem em comum?

Morpheus
Morpheus, ou Morfeus em português (palavra grega cujo significado é “aquele que forma, que molda”) é o deus grego dos sonhos. Morpheus possui a habilidade de assumir qualquer forma humana e aparecer nos sonhos das pessoas como se fosse a pessoa amada por aquele determinado indivíduo. Seu pai é o deus Hipnos, do sono. Os filhos de Hipnos, chamados de Oneiroi, são personificações de sonhos, sendo eles Phobetor (que os deuses chamavam de Icelus), e Phantasis (de cujo nome originou a palavra “fantasia”). Morfeu foi mencionado pela primeira vez no texto Metamorphoses de Ovídio como um deus vivendo numa cama feita de ébano numa escura caverna decorada com flores, mas também aparece na Odisséia, na Eneida e na Teogonia.
Morpheus representa a presença da alma humana nos Reinos de Hades (Yesod) durante o sono. Sua alegoria nos demonstra o conhecimento que os iniciados possuem sobre este aspecto da interação do corpo físico com o astral. A partir do conhecimento da ligação entre estes pontos, podemos explicar facilmente alguns mitos que com certeza muitos de vocês já passaram:

Sono e Sonhos
Antes de mais nada, precisamos definir alguns parâmetros e termos:
Sono é um estado em que cessam as atividades físicas motoras e sensoriais.
Sonho é a lembrança dos fatos, dos acontecimentos ocorridos durante o sono.
A ciência ortodoxa, analisando tão somente os aspectos fisiológicos das atividades oníricas, ainda não conseguiu conceituar com clareza e objetividade o sono e o sonho. Sem considerar a emancipação da alma, sem conhecer as propriedades e funções do duplo-etérico (perispírito para os Kardecistas), fica, realmente, difícil explicar a variedade das manifestações que ocorrem durante o repouso do corpo físico. Alguns psiquiatras e psicólogos já analisam os sonhos como atividades do psiquismo mais profundo.
Assim temos em Freud, o precursor dos estudos mais avançados nesta área. Ele julgava que os instintos, quando reprimidos, tendem a se manifestar e uma destas manifestações seria através dos sonhos. Isto numa linguagem simbólica representativa do desejo.
Adler introduziu em Psicologia o “instinto do poder” . Nossa personalidade gravitaria em torno da auto-afirmação, do desejo do domínio.
Jung considerou válidas as duas proposições. Descobriu que nos recessos do inconsciente, existe uma infra-estrutura feita de imagens ou símbolos que integram a mitologia de todos os povos. São os arquétipos, reminiscências de caráter genérico que remontam a fases muito primitivas da evolução.
Mas foi mesmo o irmão Allan Kardec, através da Codificação Espírita, quem realmente, analisou amplamente os sonhos em seus aspectos fisiológicos e espirituais.

Citando o livro dos Espíritos, Cap. VIII, analisando a emancipação espiritual, coloca o sono como a primeira fase deste fenômeno, que antecede ao sonambulismo e ao êxtase que seriam estados mais profundos de independência pelo desprendimento parcial do Espírito.
Por exemplo, na questão 400, do Livro dos Espíritos, ele indaga:

“O espírito permanece voluntariamente no seu envoltório corporal ?”
R : “É como se perguntasse se o prisioneiro está satisfeito sob as chaves. O Espírito encarnado aspira incessantemente à libertação e quanto mais grosseiro é o envoltório, mais ele deseja ver-se desembaraçado.”

Na questão 401 :
“Durante o sono, a alma repousa como o corpo ?”
R : “Não. O Espírito jamais está inativo. Durante o sono, os liames que o unem ao corpo se afrouxam e o corpo não mais necessitando do Espírito, ele percorre o espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos.”

Na questão 402, Kardec indaga :
“Como podemos julgar a liberdade do Espírito durante o sono ?”
R : “Pelos sonhos.”

E chegamos a um ponto muito interessante: Quantos de vocês sonham?

Divisões e tipos de sonhos
Sonhos estão divididos em três tipos básicos:
Comum, ou cerebral: São aqueles que refletem nossas vivências do dia a dia. O Espírito desligando-se, parcialmente, do corpo, absorve as ondas e imagens de sua própria mente, das que lhe são afins e do mundo exterior, já que nos movimentamos num turbilhão de energias e ondas vibrando sem cessar nas egrégoras a que somos diariamente submetidos. Nos sonhos comuns, quase não há exteriorização perispiritual. São muito freqüentes dada a condição da humanidade.
A maioria das pessoas nem chega a lembrar-se dos sonhos, acreditando que simplesmente “não sonha”. Boa parte destas pessoas passa a noite inteira com o duplo-etérico deitado ao lado do corpo imaginando estar descansando, pois seu corpo está tão cansado e sua mente tão vazia que simplesmente não consegue exteriorizar sua vontade para lugar nenhum.

Sonhos reflexivos: Nesta segunda etapa, há maior exteriorização que nos sonhos comuns. O corpo astral e mental registra acontecimentos, impressões e imagens, arquivadas no subconsciente, isto é, no cérebro do corpo fluídico, duplo-etérico ou perispírito.
Esses sonhos poderão refletir fatos remotos, imagens da atual encarnação, imagens captadas das egrégoras que estejam influenciando mais intensamente a pessoa e assim por diante. Contudo, é mais freqüente revivenciar acontecimentos de outras vidas, cujas lembranças nos tragam esclarecimentos, lições ou advertências, se orientados por mentores espirituais.

Eventualmente, é neste nível de exteriorização que ocorrem as comunicações entre os seres astrais e os seres humanos. Como o duplo-etérico flutua muito próximo ao corpo (às vezes sem deixar a mesma área onde ele se encontra), os seres astrais é que precisam se aproximar das pessoas para transmitir qualquer tipo de comunicação.
Infelizmente, dada a completa falta de preparo e treinamento da maioria das pessoas, nesta etapa os sonhos acabam sendo confusos, com pouco aproveitamento e poucas recordações.
Mas neste tipo de sonho acontece um dos fenômenos mais comuns e que com certeza boa parte dos leitores já deve ter passado pelo menos uma vez na vida: a Catalepsia Projetiva.
Falarei mais sobre isso daqui a pouco.

Exteriorização do Duplo-Etérico: Neste tipo de sonho, há mais ampla exteriorização do perispírito. Desprendendo-se do corpo e adquirindo maior liberdade, a alma terá uma atividade real no plano espiritual. Léon Denis chama a estes sonhos de etéreos ou profundos, por suas características de mais acentuada emancipação da alma.

“O Espírito se subtrai à vida física, desprende-se da matéria, percorre a superfície da Terra e a imensidade onde procura os seres amados, seus parentes, seus amigos, seus guias espirituais ( … ) Dessas práticas, conserva o Espírito impressões que raramente afetam o cérebro físico, em virtude de sua impotência vibratória.”
– Livro dos Espíritos

Neste tipo de sonho, teremos que considerar a lei de afinidade. Nossa condição espiritual, nosso grau evolutivo, irá determinar a qualidade de nossos sonhos, as companhias astrais que iremos procurar (ou que irão nos procurar) e os ambientes nos quais permaneceremos enquanto o nosso corpo repousa.
Como tudo mais no astral está ligado às emoções, quando confrontados com situações “importantes” como finais de campeonatos de futebol ou de novelas, o povo eventualmente consegue atingir este estagio mental e desprender-se do corpo para vivenciar alguma experiência extra-material. Muitos chegam a se encontrar nos estádios e sonhar com a partida de futebol.

Creio que todo mundo já sonhou em fazer uma prova ou entregar um trabalho ANTES do dia da tal prova importante realmente acontecer. Ou de chegar atrasado a esta prova ou de perder o trabalho…

Nos sonhos, as pessoas costumam freqüentar locais astrais semelhantes com a sua índole. E isso quer dizer que mesmo os mais recatados pais de família, quando acham que ninguém os está vigiando, podem freqüentar prostíbulos e bares astrais (sim, eles existem, de todos os tipos, cores, tamanhos e formas imagináveis), hotéis e moteis ou até mesmo pontos de drogas astrais (sim, eles também existem, só que neste caso, os duplos-etéricos dos vivos é que vampirizam outros vivos que estejam usando drogas, fumando, fazendo sexo ou bebendo – não existe jantar grátis, crianças).
Claro que enquanto isso, outras pessoas são chamadas para estudar, visitam bibliotecas, centros de pesquisa, lojas maçônicas astrais e templos Rosacruzes nos planos mais sutis. Muitos também colaboram em resgates quando acontecem acidentes naturais, terremotos e inundações, quando há muitos mortos e existe a necessidade de se remover o corpo astral de pessoas (e engraçado que geralmente estas pessoas são ateus e materialistas) que estejam presos no corpo e acreditam que ainda estão vivos e presos em escombros. Normalmente é um tanto complicado convencê-los que estão mortos…

Catalepsia Projetiva
Provavelmente, uma das perguntas mais feitas na história da coluna tem relação com este fenômeno de paralisia (a outra é “por que não se aceitam mulheres na Maçonaria?”).

Ocasionalmente , o projetor pode sentir uma paralisia de seus veículos de manifestação, principalmente dentro da faixa de atividade do cordão de prata. Essa paralisia é chamada de “catalepsia projetiva ou astral”. Não deve ser confundida com a catalepsia patológica, que é uma doença rara.
A catalepsia projetiva pode ocorrer tanto antes como após a projeção. Geralmente, ela acontece da seguinte maneira: a pessoa desperta durante a noite e descobre que não pode se mover. Parece que uma força invisível lhe tolhe os movimentos. Desesperada, ela tenta gritar, mas não consegue. Tenta abrir os olhos, mas também não obtém resultado. Alguns criam fantasias subconscientes imaginando que um espírito lhes dominou e tolheu seus movimentos. Geralmente, esse fenômeno dura apenas alguns instantes, mas para a pessoa parece que decorreram horas de agonia.
Por incrível que pareça, essa catalepsia é benigna e pode produzir a projeção, se a pessoa ficar calma e pensar em flutuar acima do corpo físico.
A essa altura, o leitor que alguma vez tenha sofrido essa experiência, deve estar pensando que essa técnica de saída do corpo é bastante perigosa. Entretanto, ela não apresenta nenhum risco, pelo contrário, é totalmente inofensiva. É um fenômeno que acontece com muitas pessoas, todas as noites, em todo o planeta. Se o leitor questionar as pessoas de seu círculo familiar e de amizades, constatará que muitas delas já passaram por esse tipo de experiência algum dia.
Portanto, se algum dia o leitor se encontrar nessa situação em uma noite qualquer, não tente se mover como um desesperado e nem se afobe. Fique calmo, lembre do tio Marcelo e pense firmemente em sair do corpo e flutuar acima dele. Não tenha medo nem ansiedade e a projeção se realizará.
Caso o leitor não pretenda se arriscar e deseje recuperar o controle de seu corpo físico, basta tentar, com muita calma, traçar um pentagrama com a ponta dos dedos e, imediatamente, irá readquirir o movimento. Entretanto, se a catalepsia projetiva ocorrer, não desperdice a oportunidade e procure sair do corpo.

Cientificamente falando, o cérebro de carne paralisa os músculos para prevenir possíveis lesões, já que algumas partes do corpo podem se mover durante o sonho. A explicação que é dada pela ciência ortodoxa é que se uma pessoa acorda repentinamente, o cérebro pode pensar que ela ainda está dormindo e manter a paralisia, mas não são capazes ainda de explicar as “alucinações” que acontecem muitas vezes neste período.

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Esta semana o post ficou pequeno porque estou com muita coisa para fazer no mundo profano. Voltem aqui mais vezes porque até o final da semana quero escrever um pouco mais sobre Sonambulismo e Sonhos Premonitórios (que fazem parte desta matéria) e darei um Update neste post.

#Kabbalah

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/morpheus-dream-a-little-dream-of-me

Drogas e Plantas Alucinógenas na Psicoterapia e Xamanismo [parte 2/5]

Esta é a segunda parte da tradução do artigo “Drogas e Plantas Alucinógenas na Psicoterapia e Xamanismo” de Ralph Metzner, onde veremos um pouco da história do LSD e seu uso terapêutico, além das principais semelhanças entre as experiências psicodélicas. Para ler a primeira parte, clique aqui.

PSICOTERAPIA DENTRO DOS PADRÕES DO PARADIGMA OCIDENTAL

Quando as fantásticas e potentes qualidades de alterar a mente do LSD inicialmente foram descobertas, no ápice da Segunda Guerra Mundial num laboratório farmacêutico Suíço, elas foram caracterizadas como “psicotomiméticas” e “psicolíticas”. O prospecto de desarticular a mente de seus parâmetros normais por algumas horas para simular a loucura interessou um pequeno número de psiquiatras pesquisadores como uma possível experiência de treino. Previsivelmente, esta possibilidade também intrigou as agências militares e de espionagem de ambas super potencias, especialmente os Americanos. Consideráveis esforços em pesquisas e gastos foram realizados por aproximadamente 10 anos para determinar os mecanismos para surpreender soldados inimigos, agentes ou lideres, para máxima confusão, desorientação ou constrangimento (Lee & Shlain 1985). Ironicamente, e felizmente, foi a capacidade do LSD de escoar para os potenciais místicos latentes da mente humana que arruinou sua aplicabilidade como uma arma de guerra. Mais do que fazer sujeitos previsivelmente submissos a programações de controle de mente, o LSD teve a desconcertante propensão de suspender a programação mental existente, e desta forma liberar o sujeito em incríveis mundos de consciência cósmica. Os militares não estavam preparados para ter soldados ou agentes espiões se transformando em místicos.

Os primeiros estudos que saíram do laboratório Sandoz, onde Albert Hoffmann sintetizou o LSD e acidentalmente descobriu suas propriedades surpreendentes, descritas como trazedoras de “perda ou abertura psíquica”(seelische Auflockerung).Este foi o conceito psicolítico que se tornou o modelo dominante de psicoterapia assistida com LSD na Europa. Na terapia psicolítica, pacientes neuróticos sofrendo de ansiedade, depressão, ou desordens obsessivas-compulsivas ou psicossomáticas, recebiam LSD numa série de sessões em doses gradualmente aumentadas, enquanto se submetiam interações analíticas mais ou menos padrões usando uma perspectiva Freudiana (Passie 1997; Grof 1980).

O pensamento racional era de que através da psycholysis, a perda das defesas, o paciente se tornaria mais vividamente consciente de suas dinâmicas emocionais e padrões de reações inconscientes (presumivelmente adquirido em interações familiares precoces), e tal insight traria a resolução de conflitos internos. O psiquiatra tcheco Stanislav Grof, trabalhando com esse modelo, fez a incível descoberta de que em alguma séries (envolvendo doses maiores) poderia haver uma abertura ainda mais profunda – de memórias de nascimento e pré-nascimento. Depois de resolver seus conflitos decorrentes das dinâmicas Freudianas da primeira infância, pacientes se encontrariam revivendo as características sensório-emocionais significantes de suas experiências de nascimento – padrões que Grof deu o nome de matrizes perinatais (Grof 1985)

Mais ou menos simultaneamente com a abordagem psicolítica sendo desenvolvida na Europa, o modelo psicodélico se tornou a abordagem preferida nos círculos psicológicos e psiquiátricos Anglo-Americanos. O psiquiatra inglês Humphrey Osmond, que trabalhou no Canadá com Abram Hoffer no tratamento de alcoolismo com LSD (e quem forneceu a Aldous Huxley sua primeira experiência com mescalina, imortalizada em Portas da Percepção (Huxley 1954), introduziu este termo numa troca de cartas com Huxley. Primeiramente usada no tratamento com alcoólatras, onde servia para simular a experiência de mudança de vida de “sair do fundo poço”, a terapia psicodélica geralmente envolvia uma ou um número pequeno de sessões com altas doses, durante as quais, os conteúdos da mente inconsciente seriam manifestos na forma de vívidas imagéticas alucinatórias, levando a insights e transformações (Passie 1997). Um segundo centro de terapia e exploração psicodélica se desenvolveu no início dos anos sessenta no Sul da Califórnia, onde Sidney Cohen, Oscar Janiger e outros começara, fornecendo experiências psicodélicas para seus clientes da comunidade de filmes, artes e mídia de Hollywood (Novak 1997) – trabalho que trouxe considerável publicidade e notoriedade para psicodélicos. O termo “psicodélico” foi adotado por Timothy Leary, Frank Barron, Richard Alpert e o projeto de pesquisa de Harvard, que fez um dos seus primeiros estudos de pesquisa na produção de mudança de comportamento em condenados, e começaram publicando a Psychodelic Review.

Além do projeto da prisão, o foco do trabalho de Leary não era tanto tratamento ou terapia, mas sim explorar as possibilidades e valores da experiência psicodélica para “normais” (geralmente estudantes de graduação), assim como artistas, músicos, poetas e escritores, quando fornecido num setting caseiro desestruturado mas favorável. O conceito de “expansão da consciência” foi introduzido nessas experiências, que podiam ser utilmente contrastadas com a contraída e fixada consciência de adicção de narcóticos, como também em obsessões e compulsões em geral (Metzner, 1994). Leary também foi responsável por introduzir e popularizar o que ficou conhecido como a hipótese de “set e setting”, na qual as determinantes primárias de uma experiência psicodélica são os conjuntos* (set) internos (intenção, expectativa, motivação) e a configuração* (setting) ou contexto, incluindo a presença de um guia ou terapeuta (Leary, Litwin & Metzner 1963).

A pesquisa psicológica em psicodélicos, assim como as aplicações psicoterapicas com psicolíticos e psicodélicos, foram bem resumidas e revistas por Lester Grinspoon e James Bakalar (1979/1997) no livro Psychodelic Reconsidered (Psicodélicos Reconsiderados). A história da introdução do LSD e outros alucinógenos na cultura Americana com suas muitas extraordinárias e imprevistas consequências sociais e políticas foram bem descritas por Jay Stevens (1987) em seu livro Storming Heaven (Céu Tempestuoso). A própria história de Leary sobre esses eventos nos quais ele estava centralmente envolvido é contada em seu único, provocativo e ardiloso (tricksterish) estilo em suas diversas autobiografias, mas particularmente em High Priest* (1968/1995) e Flashbacks (1983). Uma significante extensão do campo da psicoterapia de psicoativos-assistida ocorreu com a descoberta do químico Alexander Shulgin de uma variedade de fenetilaminas, como MDA, MDMA, 2-CB e outros, que trazem algo como a expansão e centralização da consciência principalmente no nível emocional ou do coração, com mínimas ou nenhuma mudança de percepção (?) ou consciência de outros mundos (Shulgin & Shulgin 1991). Por esta razão, para distingui-los dos clássicos alucinógenos, alguns tem sugerido o nome empatógenos (“gerando um estado de empatia”) para esta classe de substâncias. Em particular, o MDMA (que também ficou conhecido como Ecstasy ou E, e que veio a ter um papel central nas imensamente populares cultura de rave) foi usado com sucesso impressionante em psicoterapia – geralmente facilitando uma abertura significante de relação de comunicação e ajuda na cura de traumas incapacitantes (Saunders 1993; Eisner 1989; Adamson & Metzner 1988).

Apesar das aparentes diferenças teóricas e práticas entre abordagens psicolíticas e psicodélicas, há um número de significantes conclusões fundamentais e direções que elas compartilham, e que eu gostaria de agora sumarizar. Essas são todas as características de psicoterapias psicoativas assistidas que se distinguem nesta categoria de outros usos de drogas alteradoras de humor como tranquilizantes ou antidepressivos, no qual o paciente toma uma pílula e vai para casa:

(1) É reconhecido que psicoterapia com alucinógenos invariavelmente envolve uma experiência de um profundo estado expandido de consciência, em que o indivíduo pode não só obter insights terapêuticos sobre dinâmicas neuróticas ou vícios emocionais e padrões de comportamento, mas pode se questionar e transcender auto conceitos fundamentais e visões de natureza da realidade.

(2) É amplamente aceitado no campo que set e setting são o mais importante determinante de experiências com psicodélicos, enquanto a droga assume o papel de um catalisador ou gatilho. Isto é em contraste às drogas psiquiátricas ou psicoativas (incluindo estimulantes, depressivos e narcóticos) onde a ação farmacológica parece ser suprema, e set e setting tem um papel menos. O modelo de set-setting também pode ser estendido para o entendimento de outras modalidades de estados alterados de consciência, envolvendo gatilhos não drogais, como hipnose, meditação, tambores rítmicos, isolação sensorial, jejum e outros (Metzner, 1989).

(3) Duas analogias ou metáforas para a experiência com droga tem sido repetidamente usada por escritores tanto nos paradigmas psicolíticos e psicodélicos. Uma é a analogia amplificadora, segunda a qual as funções da droga são como um amplificador não específico de conteúdos psíquicos. A amplificação pode ocorrer em parte como o resultado de uma diminuição de tesouros sensoriais, uma “limpeza das portas da percepção”, e em parte pode ser por processos centrais ainda-não-compreendidos envolvendo um ou mais neurotransmissores. A outra analogia é a metáfora microscópia: foi repetidamente dito que psicodélicos poderiam assumir o mesmo papel na psicologia, como o microscópio faz na biologia – abrindo reinos diretamente, repetidamente, e observadamente verificados e processos da mente humana que têm até agora sidos altamente escondidos ou inacessíveis.

(4) Novamente, em contraste com o uso de outras drogas psiquiátricas ou psicoativas, é amplamente reconhecido que a experiência pessoal do terapeuta ou guia é um pré-requisito essencial de uma psicoterapia psicodélica. Sem essa experiência pessoal prévia, a comunicação entre terapeuta e indivíduo há ser severamente limitada Este principio implica também um significante papel para a experiência psicodélica poderia ser no treino de psicoterapeutas. A vasta maioria de terapeutas psicolíticos e psicodélicos evidentemente não sancionariam a tomada da droga pelo terapeuta junto com o cliente.

(5) O acesso a dimensões transcendentais, religiosas ou transpessoais da consciência pode ser alcançado. Que as experiências místicas e espirituais podem e muitas vezes ocorrem com o uso de psicodélicos foi algo reconhecido desde cedo pela maioria dos pesquisadores neste campo, colocando assim desafio e promessa para as disciplinas e profissões psicológicas. Albert Hofmann testemunhou que sua capacidade de reconhecer as propriedades psicolíticas da experiência do LSD se baseava em sua similaridade com suas experiências místicas na infância na natureza (Hofmann, 1979). Stanislav Grof descobriu que depois de resolver os problemas biográficos da infância e, depois, os traumáticos perinatais, os indivíduos encontrar-se-iam frequentemente em reinos de consciência completamente transcendentes do tempo, do espaço e de outros parâmetros da nossa cosmovisão ordinária. Ele deu o nome de “transpessoal” a esses reinos de consciência e “holotrópico” ( “buscando o todo”) à qualidade predominante da consciência nesses reinos, bem como a outros meios de acesso a esses reinos, como certos métodos respiratórios, como a respiração holotrópica). Timothy Leary, estimulado por sua associação com Aldous Huxley, Huston Smith e Alan Watts, dedicou tempo e energia consideráveis para explorar e descrever as dimensões espirituais e religiosas da experiência psicodélica. Este trabalho resultou em adaptações do budista tibetano Bardo Thödol (Leary, Metzner & Alpert 1964) e Taoísta chinês Tao Te Ching (Leary, 1997) como guias para a experiência psicodélica. Com base em sua experiência iniciadora com cogumelos mágicos mexicanos, também seria verdade dizer que Leary foi a primeira pessoa a reconhecer e articular que a visão mística fundamental que emerge nestes estados é uma lembrança evolutiva – uma experiência de reconectar-se com nossa vida biológica e à evolução cosmológica. Em outras palavras, ele percebeu que a experiência ia além das questões de desenvolvimento pessoal e cultural que geralmente preocupam os psicólogos, e que a linguagem dos místicos e dos xamãs em nosso tempo era basicamente a linguagem científica da evolução.

Fim da Segunda Parte!

Ricardo Assarice é Psicólogo, Reikiano, Mestrando em Ciências da Religião, especialista em formação em Teorias e Técnicas Para Cuidados Integrativos e Escritor. Para mais artigos, informações e eventos sobre psicologia e espiritualidade acesse www.antharez.com.br ou envie um e-mail para contato@antharez.com.br

Imagens:

Imagem de Arte Visionária encontrada na internet
Gif do’pai’ do LSD, Albert Hoffman
Stanislav Grof em foto recente
MDMA, conhecido também como ‘bala’ ou ‘ecstasy’

Bibliografia:

METZNER, Ralph. Hallucinogenic Drugs and Plants in Psychotherapy and Shamanism. Journal of Psychoactive Drugs. Volume 30 (4), October – December. 1998.

#Psicologia #xamanismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/drogas-e-plantas-alucin%C3%B3genas-na-psicoterapia-e-xamanismo-parte-2-5

III Simpósio Brasileiro de Hermetismo

A qualidade de vida, sustentabilidade, preocupação com o planeta e com o ser humano, são assuntos bastante em voga no momento. Tudo tem se voltado para que o ser humano busque harmonização consigo mesmo, equilíbrio interno e com o meio em que convive.

Quando abrimos nossa mente, expandindo nossa consciência, nos permitimos adquirir maior conhecimento sobre o universo e nos desenvolvermos como seres humanos, superando as fronteiras tradicionais que a sociedade impõe.

Esta expansão de consciência pode acontecer através da união do conhecimento místico e da ciência, através de métodos milenares, que sempre permaneceram restritos a diversas Ordens e Escolas de mistérios.

Hoje, este conhecimento é aberto para o público em geral.

Em sua terceira edição, o Simpósio Brasileiro de Hermetismo e Ciências Ocultas, realizado pela Associação Educacional Sirius Gaia, tem como objetivo promover e sustentar o debate a respeito das mais diversas práticas ocultistas e filosóficas, unindo diversas correntes e Escolas Ocultistas que compartilharão seus pontos de vista.

Nesta edição, o evento terá uma abordagem temática: Magia Prática, onde será discutido o melhor entendimento da Magia Sagrada enquanto ferramenta de autoconhecimento, abordando seu uso no dia a dia.

Além de palestras, o Simpósio contará com mesas redondas e um dia dedicado a oficinas, permitindo a prática e a vivência.

Inscrições através do site:
www.simposiohermetismo.com.br

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/iii-simp%C3%B3sio-brasileiro-de-hermetismo