Elementos Internos do Templo Rosacruz

Thiago Garcia Tamosauskas

Após a abertura do templo a primeira coisa que se vê é uma sala de preparação, geralmente escura, na qual os membros da loja podem deixar seus pertences pessoais e munirem-se de seus aventais ritualísticos.  Para entrar entretanto é preciso provar suas credenciais ao Guardião Externo que abriu as portas.  Daqui se prossegue para a Antecâmara do Templo.

Antecâmara do Templo: Esta sala é muito querida pelos iniciados pois representa a passagem da escuridão para a luz, da ignorância para o conhecimento, do finito para o infinito. É um cômodo que existe entre a entrada do templo e a loja. Possui luz suave e decoração agradável (geralmente de estética egípcia da época de Akhenaton). A partir daqui os membros da loja já devem manter especial referência e seguir algumas regras de conduta, evitando conversas, mantendo silêncio, portando-se dignamente e demonstrando retidão em todos os níveis, incluindo meios simbólicos.  Na antecâmara há uma entrada para a loja.

Antecâmara rosacruz

A Câmara do Templo: Esta é uma outra sala que dá acesso a loja mas que permanece oculta acessível por uma passagem secreta na Antecâmara. Aqui entre outras coisas ocorre a primeira parte da primeira iniciação é conduzida. É a tumba do Silêncio, o Abismo das Trevas, o Local do Terror. Isso é tudo que pode ser dito.

A Loja Rosacruz

 

 

A loja é o recinto central no interior de um Templo Rosacruz dedicado a convocações gerais, estudos e praticas místicas. Suas quatro estações representando os quatro elementos e também os pontos cardeais fazendo desta uma réplica tanto do micro quanto do macrocosmo. Acima dela o teto remete ao céu e as estrelas do mundo imaterial.

LESTE

O Leste (topo da ilustração) é o primeiro ponto do horizonte de onde provém a Luz Maior da qual todos os irmãos e irmãs buscam a iluminação. Por essa razão o leste recebe uma saudação especial quando os membros entram na loja.

Para o rosacruz observando o Leste o ser humano testemunhou o “símbolo da vida” e soube que as Leis de Deus seguem uma lógica e perfeita. O nascer do sol todos os dias com infinita exatidão sugeriu ao ser humano a continuidade e imortalidade da vida e a regularidade matemática cosmos. É no leste que ficam o altar, a estação do o Mestre da loja, bem como a Columba e a urna do fogo vestal. Veremos estes elementos mais adiante.

SUL

O Sul é lugar onde simbolicamente o Sol brilha com máxima Luz e intensidade. Por esta razão, no templo rosacruz é daqui que partem as preces e sagradas bênçãos do serviço pela voz do Capelão. É aqui também que fica o representante masculino da dupla de cantores.

OESTE

A estação Oeste é onde o Sol da vida lentamente se abandona ao término da sua jornada. Por esta razão é mais ligada as coisas materiais do que espirituais.  É neste local que fica a Mater, que simboliza a mãe espiritual de todos os membros da Fraternidade.

NORTE
A estação Norte representa onde o Sol não lança a luz com toda sua força. É o abismo do mal e o vale da morte, o reino das trevas e das horas noturnas. Por essas razões é simbolicamente é por aqui que entram os neófitos em busca da Iniciação. Aqui também ficam o Guardião Interno e a representante feminina da dupla de cantores.

O Shekinah

No centro do templo temos o coração e o quinto ponto da loja, o lugar onde todas as linhas se cruzam e onde fica o altar triangular denominado Shekinah, equivalente a rosa da cruz. ‘Shekinak’ é uma antiga palavra egípcia que foi incorporada no vocabulário hebraico com o mesmo simbolismo de ser o fogo, o calor, o fervor, a flama e a luz  da presença divina. No templo é também símbolo do poder concentrado da Assembleia de frateres e sorores.

O Shekinah é um altar triangular de cerca de um metro de altura e igual medida em cada um dos seus três lados. Seus topo é coberto com cetim vermelho e suas bordas enfeitadas com um cordão dourado. Cada uma das laterais trás ainda uma cruz rosacruz dourada com cerca de 50 cm de altura e 30 cm de largura. No topo do altar – que pode ter um vidro para proteger o cetim vermelho há três velas, cada uma em uma das pontas do triangulo que quando acesas pela Columba simbolizam as a Luz, a Vida e Amor do Sagrado Triângulo Rosacruz. As três velas nos lembram ainda a lei sagrada de que não menos do que três ‘pontos’ são necessário para uma perfeita manifestação existir. Uma de suas pontas aponta para Oeste e as outras duas para o Norte e o Sul. Incenso pode ser queimado no centro do triangulo.

O SANCTUM

O Shekinah recebe seu poder pelas vibrações místicas e sagradas geradas no leste da Loja Desta forma o Sanctum – o local mais sagrado de cada templo – é a área entre o Skekinah e a plataforma Leste. Este local, salvo raras oacsiões só pode ser atravessado pelo Mestre da loja e pela Columba. Na ponta oeste do sanctum, de frente parao altar, está a Urna do Fogo vestal: símbolo de luz, vida e amor. Desta forma a “Presença de Deus” é levada pado Leste para ‘O Coração da alma do templo”.

Arquétipos dentro da Loja Rosacruz

Toda loja rosa cruz depende do bom serviço de seus membros para funcionar. Alguns deles assumem dentro da loja papeis arquétipos importantes. Enquanto estiverem servindo devem ser tratados como de fato sendo aqueles papeis. Uma soror deixa de ser chamada pelo seu nome para ser a MATER, um frater deixa de atender pelo seu nome para ser de fato o Guardião.

O Mestre

Embora esse papel possa ser ocupado por homens ou mulheres, ele representa o arquétipo do Grande Pai. É ele que do altar conduz as cerimônias e dirige os membros do templo durante os rituais e iniciações. Representa  simbolicamente a luz maior dentro do templo e serve como um meio e um mensageiro das irradiação desta luz.

Deve-se dizer que o status de Mestre da loja rosacruz segue o princípio de que “aquele que for o maior entre vós deve ser o que mais serve”. Seu título e posição surgem de seu valor, habilidade, caráter e desejo de servir e sua atuação está limitada pelos regulamentos da ordem e pelos decretos do imperator.

A Matre

Simboliza o arquétipo da Grande Mãe dentro do templo e tem uma autoridade como a do Mestre, mas uma forma diferente de atuação. É a mãe no sentido material e espiritual de todos os membros da loja e a ela devem ser confiados aqueles problemas íntimos e pessoais que só uma figura materna pode entender e confortar. Ela busca a ajuda necessária nos demais membros da loja para que o auxilio espiritual ou material seja feito. É a mãe que entende, que simpatiza e que sabe e confia, que ama e se sacrifica por nossa felicidade.

O Cantor e Cantora

Posicionados nas estações Norte e Sul a dupla de cantores tema importante missão de guiar e liderar os demais membros em na evocação de uma série de sons vocálico que possuem diferentes porem sempre benéficos propósitos.

Capelão

Situado no Sul da loja, onde simbolicamente o Sol brilha mais forte o capelão é o porta voz de Deus no templo. Dele partem as preces, as sagradas bênçãos e os discursos da iniciação. É o representante do arquétipo do sábio eloquente.

Guardiões

Estes símbolos de força e autoridade são responsáveis por manter a ordem e a regra do templo. O Guardião Interno cuida dos procedimentos de dentro da loja, enquanto que o Guardião Externo cuida da entrada e da saída adequada dos membros.

Columba

Sendo a representante do arquétipo da Pureza esta figura análoga as virgens vestais dos romanos e sacerdotisa egípcias tem uma grande importância dentro da loja rosacruz, mantendo o fogo sagrado aceso, purificando o templo e servindo de guia para todos nas iniciações e nas operações ritualísticas

A palavra columba de fato significa pomba, um importante símbolo místico e religioso rosacruz. Ela possui uma cadeira permanente ao Leste do Templo que só pode ser ocupado por ela. Ela representa a Consciência Pura de cada frater ou soror da loja. Quando ela fala todos devem se calar pois da boca da inocência vem a sabedoria e do florescer da consciência vem a verdade. As meninas indicadas como columbas devem ter entre 13 e 18 anos de idade e podem servir até os 21 anos enquanto mantiverem a virgindade.

Além desses citados a equipe ritualística possui outros cargos e papeis importantes como o Portador do Archote, o Sonoplasta, o Guia e o Arauto, mas o conhecimento aqui exposto basta para uma compreensão inicial do que se passa dentro de um templo rosacruz,

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/elementos-do-templo-rosacruz/

Ser Gente Nunca Sai de Moda

A necessidade de andar na moda, a aflição inconsciente de estar em sintonia com o que se imagina ser moderno, revela uma busca por identificação e aceitação, uma vontade, em geral não percebida, de encontrar um lugar para se viver em paz. A moda nasce da necessidade cultural das pessoas de entender quem são e aonde caminham. Roupas, acessórios, carros, ideias enlatadas, maneiras de agir e falar tentam desesperadamente rotular o ser na tentativa de fazê-lo acreditar que pela casca se reconhece o valor da fruta. Em vão.

Perde-se a beleza de inventar a si próprio e a força de ser único. A moda traz consigo o perigo de projetar um suposto ideal que com certeza não somos.

O limite da forma estabelece fronteiras. Qualquer modelo pronto a ser usado rouba a originalidade do indivíduo, a beleza dos voos solos em altitudes inimagináveis, onde, só então, se defrontará com mundos e possibilidades apenas acessíveis a quem ousa ir além da normalidade e das permissões mundanas. O exercício da criatividade desenvolve as asas da liberdade.

Nada contra a indústria de consumo, como roupas, carros ou entretenimento que precisa produzir e vender para gerar riqueza e empregos que movimentam o planeta. Beleza e conforto, quando atingidos e usufruídos de maneira digna, são bem-vindos. Para ser feliz não é preciso ser um asceta no sentido original da palavra. Porém, há que se entender o limite de todas as coisas e o sentido da busca de cada um.

A moda costuma servir de referência para o sujeito se situar em determinado grupo social seja atrás de aceitação ou destaque. Um jeito ingênuo de imaginar quem é ou gostaria de ser, um lugar na tribo que admira, na tentativa de se impor e encontrar o seu canto no mundo. Em suma, a moda tenta acomodar nos porões da mente as mitológicas indagações de quem somos e para aonde vamos. Mas de que adianta um espelho se não se quer ver? De que serve mapa e bússola se não se sabe para aonde ir? Pode a forma ganhar mais importância do que a essência?

Inconscientemente a moda ilude o consciente, vendendo o que não pode entregar.

Ainda que não esteja claramente decodificado no entendimento de cada indivíduo, caminhamos, invariavelmente, em busca da plenitude do ser, onde, só então, conseguiremos encontrar toda a paz que precisamos e, em análise honesta, é o que importa. Entretanto, chegar até esse paraíso é a pergunta que não se cala.

Por ainda não terem decodificado o processo, muitos ainda procuram desesperadamente na moda signos de identificação, na ilusão de não se sentirem perdidos, como se a felicidade estivesse disponível na vitrine ou na prateleira das lojas ao alcance do cartão de crédito. É bem mais simples e confortável trabalhar a forma do que a essência. Porém, o resultado nunca será o mesmo. Trocar de vestido não cicatriza as feridas do coração; o brilho de uma jóia não ilumina os vãos escuros da tristeza; um belo e caro carro pode despertar admiração dos outros e te levar a um confortável passeio, mas as angústias mal resolvidas te acompanharão por toda a parte; o acesso as modernas tecnologias não te dão resposta às questões profundas da alma. Adiar o mergulho no autoconhecimento é ficar sentado na estação vendo passar o trem da plenitude. É necessário coragem de se ver e entender quem realmente é, encarar as próprias dores e frustrações, assumir as responsabilidades, lamber as feridas para curá-las. E, então, se transformar. A busca é árdua, mas o encontro é mágico. Extrair e vivenciar o que há de melhor em si, como diamante que precisa lapidar o cascalho até refletir perfeita luz, define a sua roupa.

Na medida que vamos nos conhecendo e transmutando sombras em luz, trocamos o paletó da inteligência, o vestido do coração, o guarda-roupa da alma. Saber quem somos é fundamental para entender os outros e o mundo. Se a vida oferece andrajos ou prêt-à-porter, lembre-se que somos os nossos próprios alfaiates. Cabe a cada um escolher os tecidos do amor, costurar com as linhas da compaixão, abotoar com sabedoria, vestir com a paciência da eternidade. Depois basta distribuir os lenços da alegria por onde passar, a qualquer um, sem distinção. Encontrar brilho na trajetória de todas as pessoas revela a luz que há em ti. A beleza de suas novas vestes vai encantar inimagináveis passarelas e todos desejarão estar por perto, desfilar ao seu lado, independente da cor da calça, do modelo do carro ou da marca do sapato. A elegância não está na grife, porém no estilo.

Não é o que se usa, mas um jeito de ser.

Ser gente nunca sai de moda.

Publicado originalmente em http://yoskhaz.com/pt/2015/06/26/ser-gente-nunca-sai-de-moda/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/ser-gente-nunca-sai-de-moda

Magia Sexual: uma visão caótica

Phil Hine

Para começar, algumas definições:

“Magia Sexual tenta unificar paixão com consciência.”

“Magia Sexual é Amor sob o direcionamento da Vontade.”

Ambas as definições foram retiradas do trabalho do Dr. Christopher S. Hyatt, que combina prática mágica com psicoterapia e técnicas de trabalho corporal.

“O aproveitamento da própria experiência sexual com intencionalidade, para trazer a vontade da mudança.”

Esta terceira definição é minha tentativa inicial de encapsular as características essenciais da magia sexual. No mais, todas as três definições colocam a ênfase na Vontade. Dr. Hyatt salienta a importância do Amor e da Paixão, considerando a minha forma de ampliar todos os aspectos da nossa experiência sexual. Então, para resumir, magia sexual se trata de explorar e utilizar a própria consciência e a experiência da sexualidade com o intuito de provocar mudanças, de acordo com a vontade. Isto ajuda, se você for capaz de se apaixonar, em todos os sentidos da palavra, por todo este processo, pois sem o Amor é difícil haver mudanças.

Isto implica muito mais do que a simples ondulação de varinhas, bastões, taças e as rosas que alguns autores ocultistas sugerem. A decisão de manter o celibato por um tempo pode ser tanto um ato de magia sexual quanto qualquer ritual de cópula ou o ato da masturbação. Há uma tendência entre os magistas modernos em enxergar a magia 148sexual apenas como um meio ‚mais poderoso‛ de entrar em transe (gnose) na intenção de provocar mudanças. É mais ou menos como diz Zachary Cox em Aquarian Arrow ,  usar um computador como peso de porta.

Além disso, é muito fácil ficar preso em uma definição estreita, ou limitar as impressões do que a magia sexual envolve. Uma das invocações mais intensas de‚tensão erótica‛ que eu já participei aconteceu em uma sala lotada de pessoas festejando. Tudo começou com olhares se trocando pela sala. Nós seguramos o olhar de cada um por longas rajadas. Esta ‚dança‛ de estímulos não-verbais progrediu lentamente, com o estudo das mudanças corporais, grifos vocais de palavras significativas, um não-muito-toque dos dedos,até que a tensão sexual na sala começasse a aumentar, até a maioria das pessoas começarem a se afagar, de alguma maneira, que a atmosfera se tornou propícia, e então eles foram embora.Entre nós foi ‚levantada‛ uma intensa atmosfera erótica, ‚altamente carregada‛, sem que qualquer coisa sexual tivesse acontecido. Visto que nós todos tínhamos dividido um mesmo amante no passado (sem que as pessoas na sala soubessem), nós pudemos fazer isso como um jogo lúdico, reconhecendo o poder de sedução um do outro, mas confortavelmente por saber que não tínhamos a intenção de transar. Isto, para mim, é um ato de magia sexual tanto quanto copular enquanto se recita um mantra ou se concentra em um sigilo.

Sexo é poderoso e perigoso. É um dos aspectos mais intimidadores da experiência humana e, assim como um cavaleiro inexperiente que monta em um cavalo arisco, nós sentimos com freqüência que nossa sexualidade pode, de repente, deslizar do nosso controle e nos carregar, engasgados, para o caos do desconhecido.Às vezes, a  sexualidade pode ser tão escorregadia como uma enguia –justamente quando pensamos que entendemos tudo sobre isso, ela se reviravolta e nos surpreende. A sexualidade é caótica de forma que poucas pessoas são capazes de admitir. Afinal de contas, a cultura ocidental é obcecada pela ordem –experiências lineares e tudo cuidadosamente etiquetado. Mas o caosnos énatural, incluindo, é claro, a nossa própria natureza intrínseca,que nos cantos é bagunçada e meio ‚blobby‛. Nossa sexualidade pode, aparentemente e a qualquer momento, se tornar borbulhante, sem limites,mesmo quando tentamos contê-la –instituições sociais, preferências de gênero e teorias psicológicas. Vamos encarar que a Sexualidade é uma coisa esquisita. Magia é uma coisa esquisita.Portanto, quando damos início à Magia Sexual, a dose é dupla.Sexo e mágica são experiências entrelaçadas –sexo é um tipo de magia (e pode se tornar ainda mais mágico ao não se preocupar com o sexo-mágico toda hora), e a magia, enquanto erótica e excitante,não precisa sernecessariamente sexual do modo como entendemos isto. Há uma crença comumente aceita de que aqueles que praticam magia sexual incluem a si mesmos em ritos orgásticos selvagens emqualquer oportunidade que surgir. Isto é raramente o caso. Depois de tudo isso, se você precisar passar por toda essa baboseira ocultista apenas pra transar, então a sua vida é um pouco triste, não é? Ea subcultura ocultista é abarrotada de pessoas TRISTES, desesperadas pra conseguir transar eque tentamtransformar a magia sexual em um último recurso pra isso

Nesta última metade do século XX, houve um aumento pelo interesse em magia sexual. Isto tem conseqüências negativas e positivas. Sim, um interesse renovado em magia sexual significa que haverá uma nova geração de livros e escritores, saindo dos velhos clichês e explorando tabus, mas isto também significa que o sexo-mágicko se torna algo como um tendência, e tendências tendem a se tornar, em algum ponto, trivializadas. Disciplinas esotéricas resumiam-se em oficinas de final de semana. Tudo tinha o rótulo ‚Xamânico‛ –travestis eram‚ xamãs‛, rainhas do couro eram ‚xamãs‛, qualquer um com mais de um piercing era um ‚xamã‛–até que o termo ‚xamã‛ se desassociou do seu significado, e,pior ainda, as pessoas começaram a pensar que tudo que eles precisavam fazer para ganhar o respeito e o status de um xamã era ter um par de piercing e usar um vestido. Pat Califia ilustrou espirituosamente, na revista Skin Two, onde esta situação poderia chegar:

“Onde está o Altar? Vocês nunca me deram tempo para meditar antes de me amarrarem. Podemos fazer uma respiração tântrica e cantar juntos antes de começar a brincar? É o Equinócio Primaveril, sabe. As velas deveriam ser amarelas e azuis… Se você vai me mumificar, você deve colocar cristais sobre os meus chakras. E se você vai me bater, eu realmente gostaria de dedicar a minha dor à Kali, porque ela é minha deidade tutelar durante este ciclo lunar. Isto são grampos de plástico? Eu nunca vou deixar plástico tocar o meu corpo. Madeira absorve a vibração aural muito melhor. Espera, deixe-me olhar pra tatuagem no seu braço. Ó. Não tem muito, bem, a aparência de tribal, não é mesmo?”

Não se deve nunca esquecer que a magia sexual é uma disciplina, e qualquer coisa que venha da exploração das técnicas de magia sexual surge como conseqüência da sua disciplina.Deveria ser óbvio que para chegar a qualquer lugar com magia sexual, você deve praticar com todos os outros aspectos da obra mágicka.

PORQUE FAZER MAGIA SEXUAL?

Há uma suposição comum de que todos os magistas realizam práticas indizíveis por trás das portas fechadas. Mas só por isto ser uma crença popular não a torna verdadeira, nãoé? Quando as pessoas começam a manifestar interesses pela magia sexual, eu costumo questioná-la do ‚Por quê?‛. Geralmente, assume-se que todo mundo está interessado em magia sexual, do mesmo modo como se assume que todo mundo está extremamente curioso e interessado sobre sexo. Assim, todos os magistas sexuais precisam ser magistas, mas nem todo magista precisa ser um magista sexual.

PONTOS GERAIS A SEREM CONSIDERADOS

A)Você está ‚fazendo‛ magia sexual quando você começa a entender e explorar seus próprios sentimentos e comportamentos sexuais a partir de uma perspectiva mágica.

B)Você está ‚fazendo‛ magia sexual quando você começa a desembaraçar as suas atitudes, hábitos e projeções sobre suas experiências sexuais com outras pessoas.

C)Magia sexual se preocupa tanto com a aprendizagem do ‚deixar ir‛ como com a do ‚controlar‛.

D) Se você não pode praticar magia sexual com você mesmo, então provavelmente não se sairá bem com um parceiro.

E) Você é o responsável por suas próprias emoções.

F) Assim como qualquer outro tipo de magia, a sexual pode, em alguns casos, ser inapropriada, entediante ou não ser o melhor método para alcançar o intento.

G) Cuidado com os Adeptos ou Bruxas-Rainhas que fazem ofertas para acordar o seu Kundalini, elas podem atiçar seus chakras ou borrar sua aura!

H) Nunca faça magia sexual com alguém mais louco do que você mesmo.

Muito bom

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/magia-sexual-uma-visao-caotica/

O Necronomicon e a Antiga Magia Árabe

Os relatos de HPL do Necronomicon fornecem um número de paralelos dramáticos com mitos árabes verdadeiros e técnicas mágicas (Magick). Estes paralelos são muito específicos e detalhados para serem considerados um caso de coincidência. Muito do material nesta seção NÃO estava disponível em livros publicados em inglês antes de 1930. Isso parece significar que ou a informação foi dada à Lovecraft por alguém iniciado em tradições mágicas árabes ou Lovecraft tinha uma fonte escrita de informação sobre mitos e magia árabes não publicamente disponível. A segunda opção é um tanto plausível já que Lovecraft era um bibliófilo extraordinariamente erudito que amava mitologia árabe quando jovem.

Lovecraft quase que certamente tinha um livro não publicado, provavelmente raro, sobre mitos e magia árabes. Esta é a explicação mais econômica de como informações TÃO OBSCURAS sobre magia árabe podem ter aparecido em suas histórias. Lovecraft provavelmente possuiu um livro muito parecido com o Al Azif (Necronomicon) em conteúdo se não no título. Para algumas pessoas isto pode soar uma declaração difícil de se aceitar sem provas. Eu sou este tipo de pessoa. O motivo de eu estar fazendo esta declaração é porque eu sinto que é bem comprovada. Eu espero que você tenha esse sentimento quando terminar de ler este texto. Eu vou agora detalhar algumas destas raras informações, referidas acima, que conectam os relatos de HPL do Necronomicon e seus mitos com tradições místicas árabes reais.

HPL escreveu que o Necronomicon foi escrito por Abdul Alhazred, que era chamado de “Poeta Louco”. Alhazred visitou a cidade perdida “Irem dos Pilares” (o centro ou o culto de Cthulhu) e lá encontrou muitas coisas estranhas e mágicas. Lovecraft localizou Irem em Rub al Khali. Quando velho, Alhazred registrou o que ele lembrava em seu livro de poesia “Al Azif” (depois renomeado como Necronomicon).

Irem é muito importante para a magia árabe. “Irem Zhat al Imad” (Irem dos Pilares) é o nome da cidade em árabe. É popularmente acreditado pelos árabes que Irem foi construída pelo Jinn sob a direção de Shaddad, Senhor da tribo de Ad. A tribo de Ad, de acordo com a lenda, foi uma raça aproximadamente equivalente aos “Nefilins” (gigantes) hebraicos. Em uma versão deste mito Shaddad e o Jinn construíram Irem antes da época de Adão. Os Muqarribun (magos árabes) tem crenças importantes a respeito de Irem e seu significado. Os Muqarribun, cujas tradições pré-datam o Islamismo, acreditam que Irem é um local em outro nível de realidade, em vez de um lugar físico como Nova York ou Tóquio. (Porquê Irem é tão importante para os Muqarribun e como eles a usam será melhor explicado logo). Os pilares em “Irem dos Pilares” têm um significado secreto. Entre os místicos árabes, “pilar” é um nome-código para “ancião” ou “antigo”. Deste modo “Irem dos Pilares” é na verdade “Irem dos Antigos” (é digno de nota que vários estudiosos de Lovecraft erroneamente afirmam que HPL criou Irem, assim como dizem que ele criou o Necronomicon, como parte de sua ficção).

Nas lendas árabes, Irem está localizado em Rub al Khali assim como HPL disse que estaria. Para os Muqarribun, o Rub al Khali tem um significado “secreto” (incidentemente a arte de codificar e decodificar significados “secretos” na escrita árabe mística ou mágica é chamada de Tawil). Rub al Khali se traduz como “Quarteirão VAZIO”. Neste caso “Vazio” se refere à VAZIO como em AIN nas tradições cabalísticas. Rub al Khali é a porta “secreta” para o Vazio nas tradições mágicas árabes. É o exato equivalente árabe para DAATH na Cabala. Para os Muqarribun, o Rub al Khali é o portal (Daath) secreto para o Vazio (Ain) no qual se encontra a “cidade dos Antigos”. Isto é incrivelmente próximo de Lovecraft, que fez muitas referencias a um portal de conexão com os “Antigos”. Mais, Lovecraft, afirma que os Antigos vieram do Exterior (outra dimensão de realidade) e os ligou ao “vazio infinito”. Ao fazer essas afirmações a respeito dos “Antigos” e conectá-los ao Irem e ao Rub al Khali penetrou na justa essência de uma quase desconhecida (porém importante) área da antiga magia árabe. O que faz disso ainda mais interessante é que não há forma de saber sobre o significado “secreto” de Irem, a não ser que você faça alguma pesquisa séria sobre tradições místicas e mágicas árabes.

Desta forma Lovecraft ou fez uma das suposições mais sortudas da história ou de fato fez alguma pesquisa sobre os aspectos mais profundos das tradições mágicas dos Muqarribun (pelo que eu saiba não havia nenhum livro publicamente disponível com esta informação na época de Lovecraft). O “Rub al Khali” (não o deserto físico, mas o equivalente árabe de Daath) foi penetrado em um estado alterado de consciência pelos Muqarribun. Irem representa aquela parte do “Quarteirão Vazio” que age como uma conexão para O Vazio. É desse lugar (Irem) que a comunhão com o Vazio e no que ele habita acontece. Os “monstros da morte” e espíritos protetores que Lovecraft menciona são os Jinns (veja abaixo). O Muqarribun pode interagir com essas entidades quando ele está no “Rub al Khali” ou “Irem”. Quando o Muqarribun passa através de Irem para o Vazio ele alcança a Aniquilação (fana). Aniquilação é a suprema realização nos misticismos Sufi e Muqarribun. Durante a Aniquilação, o ser inteiro do mago é devorado e absorvido para dentro do Vazio. O “eu” ou a “alma” (nafs i ammara) é totalmente e completamente destruída no processo. Essa é provavelmente a fonte de histórias à respeito de demônios comedores de alma (associados à Irem) nas lendas árabes. Isso deve ser comparado à Lovecraft em “Through the Gates of the Silver Key” no qual Irem é um tipo de portal para o Exterior. Uma comparação próxima desta história com as idéias dos Muqarribun, discutidas acima, mostrará novamente que HPL tinha um conhecimento de magia árabe não disponível publicamente. Agora vamos considerar o título designado à Alhazred. HPL escreveu que o título de Alhazred era “Poeta Louco”. “Louco” é normalmente escrito como “majnun” em árabe. Majnun significa “louco” atualmente. Entretanto, no século oitavo (época de Alhazred) significava “Possuído por Jinn”. Ser chamado de Louco ou Possuído por Demônios era altamente ofensivo para um muçulmano ortodoxo. Os Sufis e os Muqarribun consideravam “Majnun” um título lisonjeiro. Eles até chegavam a ponto de chamar certos heróis Sufi de “Majnun”.

Os Jinns eram criaturas poderosas dos mitos árabes. Os Jinns, de acordo com a lenda, desceu do paraíso (o céu) antes do tempo de Adão. Portanto, eles existiram antes da humanidade e conseqüentemente são chamados de “Pré-adamitas”. “Pagãos gentios” veneravam estes incrivelmente poderosos seres. Os Jinns podem “gerar filhos com a humanidade”. Os Jinns são comumente invisíveis aos homens normais. Eles aparentemente querem grande influência na Terra. Muita da magia praticada concerne os Jinns (feitiços para se proteger deles, ou feitiços para chamá-los). Os Jinns são deste modo virtualmente idênticos aos Antigos de Lovecraft. Vamos analisar o título “Poeta Louco” um pouco mais. Os Jinns inspiram poetas nos mitos árabes populares. Por isso que Maomé foi tão veemente em negar que ele era um poeta. Ele queria sua revelação fosse compreendida como vinda de “Deus” e não dos Jinns. Então o título “Poeta Louco” indica que Alhazred fez “Contato” com os Jinns (Os Antigos).

Isso também sugere que seus escritos foram diretamente inspirados por eles. Isso é inteiramente consistente com o que Lovecraft escreveu sobre Alhazred. Qualquer um que não está familiarizado com magia e misticismo árabes não poderia saber o significado de “O Poeta Louco” em árabe. Isso de novo parece indicar que Lovecraft provavelmente teve uma fonte de informações raras sobre magia árabe. Lovecraft escreveu que o Necronomicon de Alhazred era um livro de poesia originalmente intitulado “Al Azif”. Isto também mostra uma conexão profunda com magia e misticismo árabes que não seriam aparentes à alguém não familiarizado com estes assuntos. Al Azif traduzido é “o livro dos uivos dos Jinns”. Este título é notavelmente consistente com o significado de “Poeta Louco” em árabe (Aquele Possuído pelos Jinn e Cujas Escritas São Inspiradas Pelos Jinns). É também importante que o Al Azif foi dito ser escrito em verso poético. O Necronomicon (Al Azif) dizia a respeito de assuntos religio-mágicos e místicos. Quase todos o livros em árabe sobre religião ou misticismo foram escritos como poemas. Isso inclui trabalhos ortodoxos (como o Alcorão) assim como escritos Sufistas e Muqarribun. O nome Cthulhu provê um paralelo importante e fascinante com a prática mágica árabe. Cthulhu é muito parecido com a palavra árabe Khadhulu (também soletrada “al quadhulu”). Khadhulu (al qhadhulu) é traduzido como “Desertor” ou “Abandonador”. Muitos Sufis e Muqarribun fazem uso deste termo (Abandonador). Em escritos Sufistas e Muqarribun, abandonador refere ao poder que estimula as práticas de Tajrid “separação externa” e Tafrid “solidão interior”. Tajrid e Tafrid são formas de “yoga” mental, usados em sistemas árabes de magia, para ajudar o mago a livrá-lo (abandonar) da programação imposta por sua cultura. Nos textos Muqarribun, Khadhulu é o poder que faz as práticas do Tafrid e Tajrid possíveis para o mago. Apesar de eu estar familiarizado com o uso de “abandonador” nos escritos árabes místicos e mágicos, eu não sabia que (até dois anos atrás) que Khadhulu aparece no Alcorão. Eu devo o conhecimento de que Khadhullu aparece no Alcorão à William Hamblin. No Alcorão, cápitulo 25 verso 29 (“Porque me desviou da Mensagem, depois de ela me ter chegado. Ah! Satanás mostra-se aviltante para com os homens!”), está escrito. “Humanidade, Shaitan é Khadhulu”. Este verso tem duas interpretações ortodoxas.

A primeira é que Shaitan vai abandonar os homens. A outra interpretação ortodoxa é que Shaitan causa os homens à abandonarem o “caminho correto do Islão” e aos “bons” costumes de seus ancestrais. O muçulmano ortodoxo veria esquecer a cultura Islâmica como algo pecaminoso e afrontoso. Entretanto, os Muqarribun e os Sufis, como já discutido, sentem que abandonar sua cultura é vital para o crescimento espiritual. A identificação de Shaitan da tradição Islâmica é muito importante. No tempo em que Maomé escrevia, Shaitan era chamado de “a Velha Serpente (dragão)” e o “Senhor das Profundezas”. A Velha Serpente ou Velho Dragão é, de acordo com especialistas como E.A. Budge e S.N. Kramer, Leviatã. Leviatã é Lotan. Lotan é ligado até Tietan. Tietan, como nos é falado pelas autoridades em mitologia do Antigo Oriente, é uma forma tardia de Tiamat. De acordo com especialistas o Dragão das Profundezas chamado Shaitan é o mesmo Dragão das Profundezas chamado Tiamat. Estudiosos especializados em mitologia do Antigo Oriente já declararam isso dessa vez e novamente. Porque isso é importante? Sua importância jaz no fato de que HPL descreveu Cthulhu como uma criatura draconiana e que está dormindo nas profundezas (oceano). Leviatã/Tiamat é também falado estar dormindo ou hibernando. A identificação de Shaitan, o Senhor Dragão das Profundezas, com Khadhulu no Alcorão é deste modo um paralelo muito fascinante com Lovecraft. A conexão de o “Abandonador” com o Dragão é um tanto fortalecido por uma linha do “Book of Anihilation”, um texto em árabe sobre magia. Esta linha traduz “o dragão é um abandonador pois ele abandona tudo que é sagrado. O dragão vai para lá e para cá sem pausa.” Enquanto esta linha é obviamente simbólica (provavelmente se refere à prática do Tafrid) ela de fato serve para estabelecer uma conexão entre o mito do Dragão do Antigo Oriente e Khadhulu na magia árabe. O antigo dragão das profundezas (Tiamat) tem origens que chegam até à Suméria. Suméria foi a mais antiga civilização que se saiba ter existido.

Se Khadhulu do misticismo árabe é sinônimo do Dragão da mitologia (cuja evidência sugere que possa ter sido) então Khadhulu foi venerado por um longo tempo. O numerosos paralelos entre Cthulhu e Khadhulu dos Muqarribun são fortes o bastante para sugerir que Lovecraft expandiu-se nos mitos árabes para criar sua divindade Cthulhu. Existem outras informações interessantes relacionadas ao Dragão das Profundezas (que se originou na Suméria) e Khadhulu. Esta informação possivelmente é uma simples coincidência. Por outro lado, pode não ser coincidência; simplesmente não há como confirmar ainda. É sobre um dos títulos do Dragão, nomeado Senhor das Profundezas. O título Senhor das Profundezas traduzido para o sumério é “Kutulu”. Kutu significa “Submundo” ou “Profundezas” e Lu é sumério para “Senhor” ou “Pessoa de Importância”. Vamos considerar isto por um momento: o Kutulu sumério é bem similar ao Khadhulu em árabe. Khadulu é associado com o Dragão em textos mágicos árabes.

Khadhulu também é identificado com o Antigo Dragão (Shaitan) no Alcorão. Um dos títulos deste Dragão (Senhor das Profundezas) é Kutulu em sumério. A palavra Kutu (“profundezas” ou “abismo”) é conectada com o dragão da mitologia suméria. De fato, o governante das Profundezas (kutu) na Suméria era o Antigo Dragão Mumu-Tiamat. Existe, como deve parecer, um bocado de conexão aqui e talvez isso indique que Kutulu e Khadhulu estejam na mesma categoria. Eu fiquei ciente pela primeira vez da similaridade “Porque me desviou da Mensagem, depois de ela me ter chegado. Ah! Satanás mostra-se aviltante para com os homens!” de Cthulhu e “Kutulu” lendo uma publicação de L.K. Barnes. Eu estava um pouco cético no começo, mas não descartei a informação. Em vez disso, eu pesquisei até eu conseguir confirmar todas as informações acima, relacionadas á palavra Kutulu. O fato de que a informação acima sobre Kutulu é exata e bastante sugestiva não PROVA nada. Isso, entretanto, por via de regra APÓIA a idéia que Kutulu /Khadhulu fez parte das tradições mágicas do Antigo Oriente por um longo tempo. A única coisa que poderia ser aceita como prova seria a descoberta, em um texto sumério, de uma menção direta do nome ou palavra Kutulu no contexto discutido. Até onde eu saiba, isso ainda não aconteceu. Até que aconteça (se acontecer) a equivalência Kutulu/Khadhulu terá que permanecer como tentativa.

Vamos examinar melhor o material sobre magia árabe.

Eu acredito isso leva a uma conclusão. Lovecraft tinha acesso à material raro sobre magia e mitos árabes. Ignorando a possível equivalência coincidente de Kutulu e Khadhulu, ainda existem evidências esmagadoras que sustentam essa proposta. Lovecraft empregou Irem de uma maneira que forma paralelos com o modo como os Muqarribun a empregavam antes desta informação estar geralmente disponível. O Rub al Khali (Roba al Khalye) é de verdadeira importância para os Muqarribun. Os Jinns são as exatas parelhas dos “Antigos”. A descrição de Lovecraft de Alhazred é BEM consistente com o significado árabe de “Poeta Louco” mesmo isso sendo geralmente desconhecido nos anos 1930. O Al Azif (o uivado dos Jinns) é obviamente relacionado ao título de Alhazred: “Aquele que é Possuído pelos Jinns e Cujos Escritos São Inspirados Pelos Jinns”. Al Azif sendo um livro de poesia é consistente com o fato de que quase todo escrito árabe místico ou profético eram poesias. A associação de Khadhulu com o adormecido Dragão das Profundezas é MUITO próxima do Cthulhu e Lovecraft que se deita Sonhando nas Profundezas (oceano). Até aonde eu sei, não havia nada disponível (impresso) sobre Khadhulu em inglês nos anos 1930. Tudo isso parece indicar que Lovecraft tinha uma fonte de informação sobre magia e mitos árabes não comumente acessível.

Parece que HPL se expandiu nesse material, dessa fonte, em sua ficção. Por favor, note que isso de jeito algum diminui sua considerável criatividade. As histórias de HPL são ótimas não por causa de poucos elementos isolados mas por causa do modo como Lovecraft pode juntar pedaços individuais em um só. Em adição do material acima, existem numerosas outras instâncias em que Lovecraft apropria-se das mitologias Árabe e do Antigo Oriente. Lovecraft provavelmente se expandiu sobre mitos Árabes e orientais quando criou seus Profundos e Dagon. Mitos árabes mencionam misteriosos homens-peixe vindos do mar de Karkar. Estes homens-peixe são provavelmente derivados dos mitos relacionados com o real deus do Antigo Oriente, Dagon. Dagon é a divindade filistina que se apresenta como um gigante homem-peixe. Dagon é a versão posterior do Oannes babilônio. Oannes (Dagon) era o dirigente de um grupo de homens-peixe divinos. O zoótipo do homem-peixe ainda tem um grande papel em alguns sistemas mágicos. Claramente Dagon e os Profundos são expansões diretas das mitologias Árabe e orientais que eram familiares à Lovecraft.

O Ghoul é outro óbvio exemplo de mitologia árabe inserida na ficção de Lovecraft. O Ghoul é derivado do Ghul árabe. O Ghul é uma criatura humanóide com traços faciais monstruosos. Habitam lugares desertos e desolados como cemitérios. Os Ghuls que habitam cemitérios se banqueteiam de cadáveres do local. Isso obviamente é a fonte dos Ghouls de Lovecraft. Até este dia o Ghoul comedor de cadáveres tem um papel dinstinto em práticas mágicas dos Árabes e outros.

A Cabra Negra dos Bosques com Mil Jovens pode ser traçada até o antigo Egito e Suméria. Enquanto tanto Egito como Suméria tiveram cultos à bodes, provavelmente a versão egípcia foi a mais influente. A então chamada Cabra de Mendes era uma encarnação “negra” de Asar. O culto era baseado na fertilidade. Aspectos destes cultos caprinos foram absorvidos por sistemas mágicos árabes. Por exemplo, a tribo Aniz era designada como a Cabra Anz. (Anz e Aniz são cognatos). Os Aniz eram chamados de Cabra porque seu fundador praticava magia baseada na fertilidade. O Símbolo deste culto é uma tocha entre dois chifres de Cabra. Este símbolo se torno importante para tradições mágicas ocidentais.

Texto Parker Ryan, Tradução A. Valente

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/o-necronomicon-e-a-antiga-magia-arabe/

Ensinamento Autorizado

(Ensinamento Adequado)

[…] no céu […] dentro dele […] qualquer um aparecer […] os céus escondidos […] aparecerem, e antes dos aeons invisíveis e inefáveis aparecerem. Destes, a alma invisível de honradez surgiu, sendo um membro companheiro, e um corpo companheiro, e um espírito companheiro. Esteja ela descendo, ou no Pleroma, ela não está separada deles, mas eles a veem e ela olha para eles no mundo invisível.

Secretamente o noivo dela mandou vir. Ele apresentou para a boca dela para fazê-la comer como alimento, e ele aplicou a palavra nos olhos dela como um remédio para fazê-la ver com a mente dela, e perceber o parente dela, e aprender sobre a raiz dela, para que ela possa se agarrar ao ramo dela, do qual ela veio no princípio, para que ela possa receber o que é dela e renunciar a matéria.

[…] ele [habitou…] tendo […] filhos. Os filhos […] verdadeiramente, aqueles que vieram da semente dele, chamam os filhos da mulher de “nossos irmãos”. Deste mesmo modo, quando a alma espiritual foi lançada dentro do corpo, ele se tornou um irmão da lascívia e do ódio e da inveja, e uma alma material. Então, portanto, o corpo veio da lascívia, e lascívia veio da substância material. Por esta razão a alma se tornou um irmão deles.

E por hora eles são estranhos, sem poder de herdar do Pai, mas eles herdarão apenas da mãe deles. Então, quando quer que a alma deseje herdar junto com os estranhos – pois as posses dos estranhos são paixões orgulhosas, os prazeres da vida, invejas detestáveis, coisas vangloriosas, coisas absurdas, acusações […] por ela […] prostituição, ele a exclui e coloca ela dentro de um bordel. Pois […] devassidão para ela. Ela deixou a modéstia para trás. Pois a morte e a vida são colocadas diante de cada um. Quaisquer desses que eles desejarem, portanto, eles escolherão para si mesmos.

Aquela então irá cair em bebedeira de muito vinho em devassidão. Pois vinho é o depravador. Por isso ela não se lembra dos irmãos dela e do pai dela, pois prazer e proveitos doces iludem ela.

Tendo deixado a sabedoria para trás, ela caiu em bestialidade. Pois uma pessoa insensata existe em bestialidade, desconhecendo o que é correto dizer e o que é correto não dizer. Mas, por outro lado, o filho gentil herda do pai dele com prazer, enquanto o pai dele se alegra por ele, porque ele recebe honra a respeito dele de todos, ao que ele olha de novo por um meio de duplicar as coisas que ele recebeu. Pois os estranhos […].

[…] para misturar com o […]. Pois se um intento de sensualidade entra em um homem virgem, ele já se tornou contaminado. E a voracidade deles é incompatível com a prudência. Pois se o joio se mistura com o trigo, não é o joio que fica contaminado, mas o trigo. Pois já que eles estão misturados um com o outro, ninguém comprará o trigo dele, porque está contaminado. Mas eles irão levá-lo na conversa, “Dê-nos este joio!”, vendo que o trigo está misturado com ele, até que eles consigam e joguem junto com todo o outro joio, e o trigo se misture com todos os outros materiais. Mas uma semente pura é mantida em armazéns que são seguros. Sobre todas estas coisas, portanto, nós conversamos.

E antes de qualquer coisa surgir, era o Pai somente quem existia, antes dos reinos que estão nos céus aparecerem, ou os reinos que estão na terra, ou poder supremo, ou autoridade, ou os poderes. […] aparecer […] e […] E nada surgiu sem o desejo dele.

Ele, então, o Pai, desejando revelar sua abundância e sua glória, realizou esta grande competição neste mundo, desejando fazer os competidores aparecerem, e fazer todos aqueles que contendem deixarem para trás as coisas que surgiram, e desprezarem-nas com uma sabedoria imponente e incompreensível, e fugirem para Aquele Que Existe.

E (quanto) àqueles que disputam conosco, sendo adversários que disputam contra nós, nós seremos vitoriosos sobre a ignorância deles através da nossa sabedoria, já que nós já conhecemos O Inescrutável de quem nós viemos. Nós não temos nada neste mundo, a fim de que a autoridade do universo que surgiu não nos detenha nos domínios que estão nos céus, aqueles nos quais a morte universal existe, rodeada pelo individual […] mundano. Nós também nos tornamos envergonhados dos seres do mundo, embora nós não nos interessamos por eles quando eles nos maldizem. E nós ignoramos eles quando eles nos xingam. Quando eles jogam vergonha na nossa face, nós olhamos para eles e não falamos.

Porque eles trabalham nos assuntos deles, mas nós prosseguimos com fome e com sede, ansiando pela nossa morada, o lugar que a nossa conduta e a nossa consciência almeja, não nos prendendo às coisas que surgiram, mas nos afastando delas. Nossos corações estão determinados nas coisas que (realmente) existem, embora estejamos doentes (e) fracos (e) em dor. Mas há uma grande força escondida dentro de nós.

Nossa alma está de fato doente porque ela habita numa casa de pobreza, enquanto a matéria golpeia a vista dela, desejando cegá-la. Por esta razão ela procura a palavra e a aplica nos olhos dela como um remédio (abrindo) eles, livrando-se completamente […] pensamento de um […] cegueira em […] posteriormente, quando aquele está novamente na ignorância, ele é completamente escurecido e é material. Deste modo a alma […] uma palavra a cada hora, para aplicá-la nos olhos dela como um remédio para que ela possa enxergar, e a luz dela possa calar as forças hostis que lutam com ela, e ela possa cegá-las com a luz dela, e cercá-las na presença dela, e fazê-las cair em insônia, e ela possa agir bravamente com a força e com o cetro dela.

Enquanto os inimigos dela em desonra olham para ela, ela corre para cima adentro da sua casa de fortuna – aquela na qual a mente dela está – e dentro do seu armazém que é seguro, já que nada dentre as coisas que surgiram capturou ela, tampouco ela recebeu um estranho dentro da casa dela. Pois muitos são os que nasceram na casa dela que lutam contra ela de dia e de noite, não tendo descanso de dia nem de noite, pois a lascívia deles os oprime.

Por esta razão, então, nós não dormimos, nem nos esquecemos das redes que estão estendidas e escondidas, esperando sorrateiramente por nós para capturar-nos. Pois se nós somos capturados por uma única rede, ela irá nos sugar para baixo adentro de sua boca, enquanto a água transborda sobre nós, batendo em nossa face. E nós seremos levados para baixo, dentro da rede varredoura, e nós não seremos capazes de emergir dela, porque as águas estão altas sobre nós, fluindo de cima para baixo, submergindo nosso coração dentro da lama imunda. E nós não seremos capazes de escapar deles. Pois devoradores de homens irão nos capturar e nos engolir, se alegrando como um pescador jogando um anzol dentro da água. Pois ele lança muitos tipos de comida dentro da água porque cada um dos peixes tem o seu próprio alimento. Ele sente o cheiro e segue o odor. Mas quando ele come, o anzol escondido dentro da comida fisga ele e puxa ele para cima com força para fora das águas profundas. Nenhum homem é capaz, portanto, de pegar esse peixe dentro das águas profundas, exceto pela armadilha que o pescador faz. Pelo artifício da comida ele trouxe o peixe para cima no anzol.

Deste mesmo modo nós existimos neste mundo, como peixes. O adversário nos espia, esperando sorrateiramente por nós como um pescador, desejando capturar-nos, se alegrando que ele possa nos engolir. Pois ele coloca muitas comidas diante dos nossos olhos, (coisas) que pertencem a este mundo. Ele deseja fazer com que nós queiramos uma delas e provemos só um pouco, para que ele possa nos capturar com seu veneno escondido e levar-nos para fora da liberdade e para dentro da escravidão. Pois quando quer que ele nos pegue com uma única comida, é de fato necessário que desejemos o resto. Finalmente, então, tais coisas se tornam a comida da morte.

Agora estas são as comidas com as quais o demônio tenta nos emboscar. Primeiro ele injeta uma dor no seu coração até que você tenha angústia por uma coisa pequena desta vida, e ele te captura com os venenos dele. E em seguida ele injeta o desejo por uma túnica, para que você se vanglorie dentro dela, e amor por dinheiro, orgulho, vaidade, inveja que rivaliza outra inveja, beleza do corpo, fraudulência. As maiores de todas elas são ignorância e despreocupação.

Agora todas estas coisas o adversário prepara graciosamente e espalha diante do corpo, desejando fazer a mente da alma incliná-la para uma delas e oprimi-la, como um anzol, atraindo ela pela força para a ignorância, enganando ela até que ela conceba o mal, e gere fruto da matéria, e conduza a si mesma na impureza, procurando muitos desejos, cobiça, enquanto prazeres carnais a atraem para a ignorância.

Mas a alma – ela que provou destas coisas – percebeu que as paixões doces são transitórias. Ela aprendeu sobre o mal; ela abandonou eles e entrou numa nova conduta. Subsequentemente ela despreza esta vida, porque é transitória. E ela procura pelas comidas que lhe trarão para a vida eterna, e deixa para trás de si aquelas comidas enganosas. E ela aprende sobre a luz dela, ao que ela vai se despindo deste mundo, enquanto a vestimenta verdadeira dela veste-a por dentro, (e) a roupa nupcial dela é colocada sobre ela em beleza da mente, não em orgulho da carne. E ela aprende sobre a profundidade dela e corre para dentro de seu envoltório, enquanto o pastor dela espera na porta. Em recompensa por toda a vergonha e escárnio, então, que ela recebeu neste mundo, ela recebe dez mil vezes em graça e glória.

Ela devolveu o corpo para aqueles que o haviam dado para ela, e eles se envergonharam, enquanto os negociantes de corpos sentaram e choraram porque eles não foram capazes de fazer qualquer negócio com aquele corpo, nem eles encontraram qualquer outro produto exceto ele. Eles aturaram grandes trabalhos até terem formado o corpo e sua alma, desejando derrubar a alma invisível. Eles ficaram, portanto, envergonhados do trabalho deles; eles sofreram a perda daquele pelo qual eles aturaram trabalhos. Eles não perceberam que ela tem um corpo espiritual invisível, achando, “Nós somos o pastor dela que a alimenta.” Mas eles não perceberam que ela conhece outro caminho, que está escondido deles. Este o pastor verdadeiro dela ensinou a ela em sabedoria.

Mas estes – aqueles que são ignorantes – não buscam a Deus. Nem eles investigam sobre a morada deles, que existe em descanso, mas eles perambulam em bestialidade. Eles são mais perversos do que os pagãos, porque, em primeiro lugar, eles não investigam sobre Deus, pois a dureza do coração deles os atrai para baixo para fazerem suas crueldades. Além disso, se eles encontram outra pessoa que pergunta sobre sua salvação, a dureza do coração deles começa a trabalhar sobre aquela pessoa. E se ele não para de perguntar, eles matam ele pela crueldade deles, achando que eles fizeram uma coisa boa para si mesmos.

De fato, eles são filhos do demônio! Pois até mesmo os pagãos fazem caridade, e eles sabem que o Deus que está acima dos céus existe, o Pai do Todo, elevado acima dos ídolos deles, os quais eles veneram. Mas eles não ouviram a palavra, que eles deveriam investigar sobre os caminhos dele. Deste modo o homem insensato ouve o chamado, mas ele é ignorante a respeito do lugar ao qual ele foi chamado. E ele não perguntou durante a pregação, “Onde é o templo no qual eu devo ir e cultuar a minha esperança?”

Por causa de sua insensatez, então, ele é pior que um pagão, pois os pagãos sabem o caminho para ir até o templo de pedra deles, que irá perecer, e eles cultuam o ídolo deles, enquanto os corações deles estão determinados nele por causa da esperança deles. Mas para este homem insensato a palavra foi pregada, ensinando a ele, “Busque e investigue sobre os caminhos que você deve ir, já que não há nada tão bom quanto isto.” O resultado é que a substância da dureza do coração dá um golpe na mente dele, junto com a força da ignorância e o demônio do erro. Eles não permitem que a mente dele se eleve, porque ele estava se fatigando na busca para que ele pudesse aprender sobre sua esperança.

Mas a alma racional que também se fatigou buscando – ela aprendeu sobre Deus. Ela trabalhou investigando, suportando aflições no corpo, desgastando o pé dela atrás de evangelizadores, aprendendo sobre O Inescrutável. Ela encontrou sua ascensão. Ela veio a repousar naquele que está em repouso. Ela se reclinou na câmara nupcial. Ela comeu do banquete pelo qual ela tinha fome. Ela compartilhou do alimento imortal. Ela encontrou o que ela procurava. Ela recebeu descanso dos trabalhos dela, visto que a luz que brilha adiante sobre ela não diminui. A isto pertence a glória e o poder e a revelação para todo o sempre. Amém.

Ensinamento Autorizado.

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Fonte:

Ensinamento Autorizado. Biblioteca de Nag Hammadi. Tradução por: http://misteriosantigos.50webs.com. Mistérios Antigos, 2018. Disponível em:<https://web.archive.org/web/20200220130216/http://misteriosantigos.50webs.com/ensinamento-autorizado.html>. Acesso em 16 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/ensinamento-autorizado/

Os Espíritos e Os Espelhos

Espelhos sempre foram fonte de mistério e magia, no imaginário popular foram sempre alvo de encantamento, primeiramente por reconhecimento, encanta-se ao reconhecimento, encanta ao trazer a tona o desejo de ser e de estar. Em “A Branca de Neve” a Madrasta usa um espelho como ferramenta de comunicação entre mundos, um espírito é seu aliado e oráculo; em versões mais recentes como “Espelho, espelho meu” o oráculo é o próprio reflexo, de maneira mais verdadeira e autentica.

O plano astral assim como o próprio inconsciente está ligado intimamente com o símbolo da água e da lua, ambas ligadas entre si, pelo fluxo e refluxo das marés, com isto o próprio espelho sintetiza as características mágicas e físicas dos elementos a ele relacionados. Seu brilho prateado os conecta com a lua, espelho do sol, e seu reflexo o liga a água, o primeiro espelho dos humanos.

Para se trabalhar com espelhos e e magia eu preciso ter um espelho consagrado e especial para este fim? Sim e não… Tudo é ferramenta mágica na mão daquele que sabe usar, ou seja, todo espelho pode ser utilizado com fins mágicos, mas magicamente falando, tudo carrega em si impregnações de ações passadas, por isso uma limpeza física e energética se faz necessária antes de seu uso, principalmente quando o objetivo é acessar o mundo dos espíritos.

Sem mais delongas, partindo para a parte prática, neste texto vou colocar um pouco da minha prática e experiência com espelhos e o contato com os espíritos e planos espirituais, os fins são os mais diversos: conselhos, favores, contato, ajuda, investigação e etc. Eu costumo usar um espelho negro, por estar afinado com a lenda de criação Feri “A Grande Deusa Estrela ao olhar seu reflexo no espelho negro do Universo, fez amor consigo mesma e deu origem a tudo e a todos…” (Resumidamente), e onde consigo um espelho negro? Bem, pegue um porta retrato de vidro, tire a foto e coloque um pano negro atrás do vidro, pronto! Seu espelho negro está pronto. Caso não tenha porta-retratos em casa, use uma tigela de vidro com água e um pano preto em baixo, apague as luzes, deixe o ambiente somente a luz de velas e Voilá! Seu espelho negro está pronto!

Bem, antes de mais nada, criar um clima é sempre muito necessário para acessar nosso self jovem. Acenda velas, incensos, apague as luzes, coloque um som ambiente legal, tenha em mente que vamos adentrar planos onde nem sem existem seres amigáveis então tenha consigo um amuleto de proteção, trace o círculo e abra os portais entre-mundos. Eu gosto de trabalhar com Hécate neste processo, normalmente na lua nova, Ela por ser uma Deusa do entre-mundos e por estar ligadas a chaves, estradas e a orientação, acaba sendo uma Deusa de proteção, já que seu nome e encantos eram amplamente usados em exorcismos. Crie um encanto simples, altere seu estado de consciência e deixe que seu inconsciente aflore, ele é a ponte entre o real e o surreal. Isto acaba sendo percebido por sinais sutis: sono, frio, lembrança de sonhos… mas não deixe sua mente vagar, a mente sem controle é como uma carruagem sem cavalheiro, deixa-se ser conduzida por qualquer um que tiver um pouco de experiência, e numa destas um destes espíritos podem conduzir seu transe para um local nem um pouco agradável e fazer coisas que sua mãe não iria gostar, rs.

Antes de mais nada tenha um propósito, a curiosidade matou o gato e você não quer ser a bola da vez, quer? Com um objetivo em mente, explore e questione, investigue. Reconheça os sinais de seu corpo e uma vez o portal aberto, certifique-se de fechá-lo ao terminar, você não quer nenhum espírito com livre acesso ao seu quarto ou casa. Você pode convidar um espirito a ser seu familiar no espelho, te ajudar com feitiços e viagens, mas eles sempre querem algo em troca e seus acordos são sempre nas entrelinhas. Caso decida utilizar-se deste meio, certifique-se de selar seu espelho e de reservá-lo para esta prática somente.

Alguns símbolos desenhados na parte de trás do espelho ajudam a prática a se tornar mais focada: Triângulo, olho, espirais. Óleo de sândalo, mirra e almíscar também aguçam os sentidos, água de arruda é ótimo para abrir os sentidos.

O lance com espelhos é especial, uma vez que você abre sua consciência para o trabalho com eles todo espelho acaba se tornando uma porta, um olhar para outro mundo. Olhe fixamente para eles ou coloque um espelho no chão e circule por sua volta, mude o foco, explore, aos poucos não existirão barreiras que você não poderá adentrar se tiver um espelho por perto.

Por Pythio

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/os-espiritos-e-os-espelhos/

Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei

O dicionário Webster classifica religião como “o serviço e veneração a Deus ou ao sobrenatural; um conjunto de leis ou um sistema institucionalizado de atitudes religiosas, crenças e práticas; a causa, princípio ou sistema de crenças efetuada com ardor e fé”. Ele também coloca a palavra Ritual como sendo “uma forma estabelecida de cerimônia; um ato ou ação cerimonial; qualquer ato formal ou costumeiro realizado de maneira seqüencial”.

Porém, nenhum dicionário vai conseguir dar a vocês a verdadeira definição de Magia. Magia é um processo deliberado no qual eventos do desejo do Mago acontecem sem nenhuma explicação visível ou racional. Os católicos/evangélicos chamam estes eventos de Milagres quando são produzidos por eles e de “coisas do demônio” quando são produzidos por outras pessoas. As religiões ortodoxas acabaram presas em uma armadilha que elas mesmas criaram a respeito dos rituais e da magia. Embora a Igreja Católica (e as Evangélicas por extensão, com seus óleos sagrados, águas do rio Jordão e círculos de 318 pastores) use e abuse de rituais de magia baixa em seus cultos, o mero comentário que seus fiéis estejam usando rituais de magia pode te arrumar confusão.

Então… como os magos definem magia? Um Ritual de Magia é apenas e tão somente a canalização de energias de outros planos de existência, através de pensamentos, gestos, ações e vocalizações específicas, em uma forma manifestada no Plano Físico. O nome que se dá a isso é Weaving (tecer), de onde se originam as palavras Witch (bruxa) e Wiccan (bruxo). Não confundir com a baboseira new age que se difundiu no Brasil e que chamam de “wicca” por aí. Estou falando de coisas sérias.

A idéia por trás da magia é contatar diversas Egrégoras (chamadas de Deuses ou Deusas) que existem em uma dimensão não material. Os magos trabalham deliberadamente estas energias porque as Egrégoras adicionam um poder enorme ao Mago para a manifestação de sua vontade (Thelema, em grego).

O primeiro propósito de um ritual é criar uma mudança, e é muito difícil realizá-las apenas com a combinação dos arquétipos e de nossa vontade solitária. Para isto, precisamos da assistência destas “piscinas de energia” que chamamos de Divindades.

Tudo o que é usado durante a ritualística é um símbolo para uma energia que existe em outro plano. O que define se o contato irá funcionar ou não depende do conhecimento que o Mago possui destas representações simbólicas usadas no Plano Material. O estudo e meditação a respeito da simbologia envolvida nas ritualísticas é vital para o treinamento de um mago dentro do ocultismo.

Para conseguir trazer estas energias das Egrégoras para o Plano Físico, os magos precisam preparar um circuito de comunicação adequado, de maneira a permitir o fluxo destas energias. Isto é feito através da ritualística, do uso de símbolos, da visualização e da meditação.

Para manter este poder fluindo em direção a um objetivo, é necessário criar um Círculo de Proteção ao redor da oficina de trabalho. Este circuito providencia uma área energética neutra que não permitirá que a energia trabalhada escoa ou se dissipe. Este círculo pode ser imaginário, traçado, riscado ou até mesmo representado por cordas (como a famosa “corda de 81 nós” usadas nas irmandades de pedreiros livres na Idade Média).

O círculo de proteção também pode ser usado para limpar um ambiente, para afastar energias negativas ou entidades astrais indesejadas.

Para direcionar este controle e poder, o mago utiliza-se de certas ferramentas de operação, para auxiliar simbolicamente seu subconsciente a guiar os trabalhos no plano mental e espiritual. É por esta razão que a maioria das escolas herméticas utiliza-se dos mesmos instrumentos, como taças, moedas, espadas, adagas, incensos, caldeirões, ervas e velas. O uso de robes e roupas consagradas especialmente para estas cerimônias também é necessário para influenciar e preparar a canalização das energias destas egrégoras.

Para contatar corretamente cada egrégora, o Mago necessita da maior quantidade possível de símbolos para identificar e representar corretamente a divindade, poder ou arquétipo que deseja. Apenas despertando sua mente subconsciente o Mago conseguirá algum resultado prático em seus experimentos. E como o subconsciente conversa apenas através de símbolos, somente símbolos podem atrair sua atenção e fazer com que funcionem adequadamente.

Podemos fazer uma analogia destas egrégoras como sendo cofres protegendo vastas somas de recursos, cujas portas só podem ser abertas pela chave correta. Rezas, orações, práticas mágicas e venerações “carregam” estes cofres e rituais específicos “abrem” estes cofres. Cada desenho, imagem, vela, cor, incenso, plantas, pedras, símbolo, gestos, movimentos e vocalização adicionam “dentes” para esta chave, como um verdadeiro chaveiro astral (qualquer semelhança com o Keymaker do filme Matrix NÃO é mera coincidência). De posse da simbologia correta do ritual e da realização precisa de cada passo da ritualística, o Mago é capaz “girar a chave”, contatar a egrégora e acessar estes recursos.

Ao final do ritual, estes deuses ou formas arquetipais são liberados para que possam manifestar o desejo para qual foram chamados durante o ritual e também permite que o Mago volte a funcionar no mundo normal. Manter os canais de conexão com os poderes ativos após o ritual ter sido completado tornaria impossível para uma pessoa viver uma vida normal.

Os magos enxergam o universo como um organismo infinito no qual a humanidade o moldou à sua imagem. Tudo dentro do universo, incluindo o próprio universo, é chamado de Deus (Keter). Por causa desta interação e interpenetração de energias, os iniciados podem estender sua vontade e influenciar o universo à sua volta.

Para conseguir fazer isto, o iniciado precisa encontrar seu próprio Deus interior (chamado pelos orientais de atmã e pelos ocidentais de EU SOU, ou seja, o seu verdadeiro EU). Este é o verdadeiro significado da “Grande Obra” para a qual nós, alquimistas, nos dedicamos. Tornar-se um mestre da Grande Obra pode demorar uma vida inteira, ou algumas vidas.

A magia ritualística abre as portas para sua mente criativa e para o seu subconsciente. Para conseguir realizar apropriadamente os rituais de magia, o magista precisa desligar o seu lado esquerdo do cérebro (chamado mente objetiva ou consciente, que lida com o que os limitados céticos chamam de realidade) e trabalhar com o lado direito (ou criativo) do cérebro. Isto pode ser conseguido através de meditação, visualização e outras práticas religiosas ou ocultistas para despertar.

O lado esquerdo do cérebro normalmente nos domina. Ele está conectado com a mente objetiva e lida apenas com o mundo material denso (chamado de Malkuth pelos cabalistas). É o lado do cérebro que lida com lógica, matemática e outras funções similares e também o lado do cérebro responsável pela culpa e por criticar tudo o que fazemos ou pretendemos fazer. Na Kabbalah chamamos este estado de consciência de Hod.

O lado criativo do cérebro pertence ao que chamam de “imaginação”. É artístico, visualizador, criativo e capaz de inventar e criar apenas através de uma fagulha de pensamento. Com o desequilíbrio entre as energias da Razão e da Emoção, o indivíduo pode pender tanto para o lado “cético-ateu” quanto para o lado “fanático religioso”. Os verdadeiros ocultistas são aqueles que dominam ambas as partes de sua consciência.

Uma das primeiras coisas que alguém que pretende enveredar por este caminho precisa fazer é aprender a eliminar qualquer sensação de falha, insatisfação ou crença materialista no chamado “mundo real”. Esta é a esfera do gado e dos rebanhos.

Diariamente, todos nós somos bombardeados com estas mensagens negativas na forma de “essas coisas não existem”, “imaginação é faz-de-conta”, “só acredito no que posso tocar”, “magia é coisa de filme”” e outras baboseiras, condicionando o gado desde pequeno a se comportar desta maneira. Esta é a razão pela qual amigos e companheiros devem ser escolhidos cuidadosamente, não importa a idade que você tenha. Diga-me com quem andas e te direi quem és.

Idéias a respeito de limitações ou falhas devem ser mantidas no nível mínimo e, se possível, eliminadas completamente. Para isto, existem certas técnicas de meditação que ensinarei nas colunas futuras.

Desligando o lado esquerdo

Durante um ritual, o lado esquerdo do cérebro é enganado para sua falsa sensação de domínio pelos cantos, gestos, ferramentas, velas e movimentações. Ele acredita que nada ilógico está acontecendo ou envolvido e se torna tão envolvido no processo que esquece de “fiscalizar” o lado direito. Ao mesmo tempo, as ferramentas se tornam os símbolos nas quais nosso lado direito trabalhará.

Existem diversas maneiras de se treinar para “desligar” a mente objetiva durante uma prática mágica. Os mais simples são a meditação, contemplação, rezas e mantras, mas também podemos usar a dança, exercícios físicos até a beira da exaustão, atividades sexuais e orgasmos, rodopios, daydreaming, drogas alucinógenas ou até mesmo bebedeira até o estado de semi-inconsciência. O exercício da Vela que eu passei em uma das primeiras matérias é um ótimo exercício para treinar este desligamento da mente objetiva.

Emoções

O lado esquerdo do cérebro não gosta de emoções (repare que a maioria dos fanáticos céticos parecem robozinhos, ao passo que os fanáticos religiosos parecem alucinados), pois emoção não é lógica. Mas as emoções são de vital importância na realização dos rituais. A menos que você esteja REALMENTE envolvido de maneira emocional e queira atingir os resultados, eu recomendo que você feche este browser e vá procurar uma página com mulheres peladas, porque não vai atingir nenhum resultado prático na magia. Emoções descontroladas também não possuem lugar na verdadeira magia, mas emoções controladas são VITAIS para a realização correta de rituais. O segredo é soltar estas emoções ao final da cerimônia (eu falarei sobre isso mais para a frente).

O primeiro passo para realizar magias é acreditar que você pode fazer as coisas mudarem e acontecerem. A maioria do gado do planeta está tão tolhido de imaginação e visualização que não é capaz nem de dar este primeiro passo, pois acreditam que “estas coisas não existem”. Enquanto você não conseguir quebrar a programação que as otoridades colocaram em você desde criança, as manifestações demorarão muito tempo para acontecer.

É o paradoxo do “eu não acredito que aconteça, então não acontece”.

Para começar a fazer as mudanças que você precisa, é necessário matar hábitos negativos. Falarei sobre a Estrela Setenária e os Sete defeitos capitais da alquimia (ou “sete pecados” da Igreja) mais para a frente. Conforme você for mudando seus hábitos, descobrirá que você gostará mais de você mesmo e os resultados mágicos começarão a fluir.

Esta é a origem dos famosos “livros de auto-ajuda” que nada mais são do que a aplicação destes princípios místicos travestidos de explicações científicas. O livro “O segredo” nada mais é do que uma compilação de ensinamentos iniciáticos desde o Antigo Egito. Ele não funciona para a maioria dos profanos simplesmente porque o gado não possui a disciplina mental, a imaginação e a vontade (Thelema) para executar o que deve ser executado.

O Bem e o Mal

Algumas Escolas iniciáticas, religiões judaico-cristãs e filosofias de botequim irão te dizer que realizar magias para você mesmo é egoísta e “magia negra”. Esqueça estas besteiras… se você não é capaz de operar e manifestar para você mesmo, você nunca conseguirá manifestar nada para os outros.

Não existe “magia branca” ou “magia negra”. O que existe é a INTENÇÃO. A magia é uma ferramenta, como um martelo. Você pode usá-lo para construir uma casa ou para abrir a cabeça de um inocente a pancadas. Quando Aleister Crowley disse “Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei”, ele disse isso para iniciados que já tinham total noção do que deviam ou não fazer dentro da Grande Arte, não para um zé mané iniciante. Cansei de ver misticóides do orkut interpretando esta frase como sendo “vou fazer o que minhas paixões de gado me dizem para fazer”, usando as palavras do grande Crowley para justificar suas imbecilidades.

O Karma é uma Lei Imutável. Assim como a Lei da Gravidade, a Lei do Karma não dá a mínima se você acredita nela ou não, ela simplesmente existe: você sofrerá suas ações. Ponto final.

Por esta razão, é essencial pensar nisso quando se fala em magia. Normalmente, utilizar este tipo de conhecimento para causar o mal gratuito não vale o preço kármico a se pagar depois. Simples assim.

Willpower, baby

A força de vontade humana é uma força real e muito poderosa. Ela é possível de ser disciplinada e produzir o que a uma primeira vista parecem resultados sobrenaturais. A força de vontade é direcionada pela imaginação, que é o domínio do lado direito do cérebro. O universo não é aleatório. “Tudo o que está em cima é igual ao que está embaixo”. Ele é constituído de padrões e conexões, como um fractal multidimensional de ações. Através das correspondências, do conhecimento dos padrões e da força de vontade, você será capaz de utilizar as forças arquetipais para seus próprios propósitos, sejam eles bons ou malignos.

Os deuses, demônios, devas, elementais, anjos enochianos, djinns, exús, emanações divinas, qlipoths e entidades astrais são amorais. O poder simplesmente está lá. COMO você vai utilizá-lo é que se torna responsabilidade dos magos. Tanto a magia branca quanto a magia negra trazem resultados, mas no final das contas, todos teremos de nos acertar com a Balança de Anúbis e os preços devem ser pagos. Infelizmente, a maioria das pessoas tem esta idéia errada de que Karma significa “punição” ou “recompensa”. Isto vem de um sincretismo com as religiões judaico-cristãs. Karma significa apenas que cada ação traz uma reação de igual força. E que as pessoas são responsáveis por aquilo que fazem.

A simbologia dos deuses per se são apenas estímulos para serem usados pela humanidade como catalisadores para uma elevação da consciência e a melhoria do ambiente ao redor do mago. Os rituais, em seu senso mais puro, lidam com transformações no mundo. O conhecimento destas ações é o motivo pela qual as Ordens (a maioria delas) trabalha em ações globais além das ações locais. E esta também é a razão pela qual as otoridades tanto temem e perseguem os magos, bruxos e membros de ordens secretas. Eles não querem que o status quo se modifique, pois perderiam todo o poder e o controle sobre o rebanho que possuem.

Carl Jung disse que experiências espirituais são diferentes de experiências pessoais, sendo que a segunda estaria em um nível mais elevado. Isto acontece porque normalmente nem todos em um grupo possuem a concentração ou a dedicação necessária para elevar todo o grupo ao mesmo patamar de consciência (uma corrente é tão forte quanto o mais fraco de seus elos). ESTA é a razão pela qual as ordens secretas (especialmente as invisíveis, já que as discretas já estão sendo contaminadas faz um tempo pelo gado de avental) escolhem com tanto cuidado seus membros.

Muita gente choraminga a respeito do porque as Ordens Iniciáticas serem tão fechadas, e do porquê este conhecimento ficar preso nas mãos de poucas pessoas, mas a verdade é que pessoas perturbadas ou cujo grau de consciência não esteja no mesmo nível do grupo acabarão agindo como sifões de energia ou criarão caos suficiente para estragar a egrégora das oficinas.

Meditação

O conceito de participar de um ritual ou entrar em um templo sagrado (seja ele um círculo de pedra, uma pirâmide ou uma igreja católica) é o de atingir um estado de consciência conhecido na Índia como “a outra mente”. Durante um ritual, todos os participantes são ao mesmo tempo atores e platéia, ativando áreas da mente que não são usadas durante o dia-a-dia. Através deste jogo, conseguimos libertar nossas mentes e espíritos destes grilhões e alcançar que está além.

93, 93/93

#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/faze-o-que-tu-queres-h%C3%A1-de-ser-o-todo-da-lei

Pé Grande

Apesar de sua existência ser discutida, o grande, também conhecido pelos seus nomes em inglês de “Bigfoot” ou “Sasquatch” (termo derivado do halkomelem, um idioma do grupo linguístico salishan, natural do sudoeste da Columbia Britânica), é descrito como uma criatura na forma de é um animal bípede de aspecto humanóide, forte odor, coberto de grossa pelagem e principalmente grande, com mais de dois metros de altura e 200 quilos. Suas pegadas medem 61cm de comprimento e 20 de largura (em média), dai o apelido. Provavelmente um primata do mesmo gênero ou família da espécie humana, seria similar a um de nossos parentes antigos, apropriadamente chamado Gigantopithecus, que se acredita ter sido extinto por volta de 200.000 anos atrás. Estudiosos afirmam que ele, ou parentes próximos, podem ser encontrados ao redor do mundo, mudando-se apenas o seu nome na região onde é encontrado, o Yeti no Nepal, o Yeren na China, Orang Pendek na Indonésia e o Yowie na Austrália.

A história do Grande se divide em dois momentos, antes de 1958 e depois deste ano.

Antes desta data, encontramos vários relatos sobre “homens selvagens” em diversos grupos indígenas. A origem dessas histórias é difícil de precisar, já que elas existiam antes que a criatura que elas descreviam recebesse um nome. Curiosamente elas existem em todos os continentes, menos na Antártica.

A maoir parte dos membros dos Lummi conhecem histórias sobre os Ts’emekwes, a versão local do Grande. Apesar da semelhança dos detalhes a respeito da aparência das criaturas as histórias acabam mostrando divergências a respeito do comportamente e dieta delas. Algumas versões mostram criaturas nefastas, outras mais dóceis. Desde os Stiyaha, uma raça noturna que assustava crianças, que eram instruídas a não dizer os nomes em voz alta ou seriam carregadas pelos monstros ou os Skoocooms, uma tribo de homens selvagens canibais que viviam no topo do monte Sta. Helena até os relatos dos índios de Spokane, EUA, documentados pelo Reverendo Elkanah Walker em 1840, que afirmavam que esses gigantes viviam nos topos de montanhas próximas e roubavam salmão da rede dos pescadores.

Algumas dessas criaturas, por sua vez, ainda possuiam uma aura sobrenatural, como os Skoocooms.

Em 1920, J.W. Burns juntou várias dessas lendas em uma série de artigos em um jornal canadense. Cada grupo tribal dava um nome para a criatura em seu próprio indioma, mas todos tinham o significado de “homem selvagem” ou “homem peludo”, além de alguns nomes relativos às atividades da criatura, como “Garras devoradoras” (Eating Claws). O próprio Burns cunhou o termo Sasquatch que quer dizer “homem selvagem” (sésquac), para tentar agrupar as criaturas das diferentes lendas em uma única espécie, uma única criatura que hipoteticamente seria descrita nas diferentes lendas. Graças a Burns as lendas e o nome Sasquatch se popularizaram no Canadá anos antes de se tornar popular nos EUA.

A idéia do grande havia então sido unificada por Burns em seus artigos, coletando lendas que já existiam a décadas, se não há séculos, dentre as tribos de diferentes regiões do globo. Mas foi apenas na década de 1950 que o Grande ficou famoso de verdade, graças a Eric Shipton, um fotógrafo.

Em 1951 Eric fotografou o que declarou ser uma pegada de um Yeti. A fotografia foi então publicada e ganhou muita atenção da midia.

Durante aquela década a notoriedade do homem-macaco ganhou novas proporções até que em 1958 Gerold Crew encontrou várias pegadas enormes no condado de Humboldt, na Califórnia. Vários grupos das pegadas estavam espalhadas ao redor de uma estrada que estava sendo construída em Bluff Creek. Chocado com a descoberta, Gerold procurou outras pessoas para descrever o ocorrido, mas não foi levado a sério, foi então que levou um amigo, Bob Timus, para o local onde estavam as pegadas para que ele fizesse moldes de gesso delas. A história foi publicada no Humbolt Times, junto com uma foto de Gerold segurando um dos moldes feitos no local. O autor da matéria, Andrew Genzoli, deu a ela o título de Big Foot, por causa do tamanho das pegadas, que tinham aproximadamente 41cm. O Sasquatch recebeu um novo nome e ganhou a atenção do mundo quando chamou a atenção da agência de notícias americana Associated Press.

Foi neste mesmo ano que surgiram os primeiros caçadores de Pés-Grandes. Não apenas a história do Grande começou a se desenvolver, mas toda cultura ao seu redor. Tom Slick, um caçador que já havia organizado caçadas ao Yeti no Himalaia começou a organizar buscas pelo Grande nos arredores de Bluff Creek. E então, como fogo em palha seca, avistamentos do grande começaram a se espalhar pelos estados unidos.

Em setembro de 2002 Jane Goodall, uma reconhecida estudiosa de primatas afirmou durante uma entrevista de rádio: “Vocês ficarão surpresos quando eu lhes disser que estou certa de que eles existem”. Falando sobre sua crença na existência de grandes primatas ainda não descobertos. “É claro, a grande, grande crítica é ‘Onde está o corpo?’”, disse ela. “Você sabe, por que não há um corpo [para analisarmos]? Eu não posso responder isto, e talvez eles não existam, mas eu quero que existam”.

Até hoje existem várias explicações científicas para a existência de criaturas como o Grande, ou ao menos para explicar relatos sobre eles em formas de lendas. Deixando as possíveis fraudes de lado muitos afirmam que os avistamentos de pés-grandes são causados pela confusão do observador, que acaba acreditando que um animal ou a trilha de animais que ele não reconhece seja um exemplo desses homens selvagens. Enquanto criptozoólogos se apegam na crença de espécies desconhecidas de primatas existem aqueles que não pensam duas vezes antes de associá-los com discos voadores, ou mesmo afirmar que seriam sobreviventes de civilizações passadas hoje desconhecidas, como Atlântida, por exemplo. Existem ainda aqueles que atribuíram o grande à espécies de animais que nem sequer são símios como a preguiça gigante.

Algumas das hipóteses mais aceitas pelos céticos é a de que os grandes na verdade sejam:

Ursos

Quando se erguem e ficam de , apenas nas patas traseiras, ursos ficam com a mesma altura que um grande teria. Além disso, ursos são habitantes naturais das regiões onde surgem a maior parte dos relatos de pés grandes.

Gigantopithecus

Alguns defensores da existência do Grande como Grover Krantz e Geoffrey Bourne, acreditam que ele seja um Gigantopithecus. Bourne nos lembra que grande parte dos fósseis de Gigantopithecus foram encontrados na China e que muitas espécies de animais migraram pelo estreito de Bering, e que não seria um absurdo afirmar que os Gigantopitheci teriam seguido o mesmo caminho.

A hipotese Gigantopithecus, como é conhecida, é considerada completamente epeculativa. Como os únicos fósseis desta espécie são mandíbulas e dentes, fica difícil saber como eles se locomoviam. Krantz argumentou, baseado em seus estudos no formato das mandíbulas, que o Gigantopithecus poderia ser um bípede, entretanto a parte relevante da mandíbula não foi encontrada em nenhum fóssil. A crença popular na comunidade científica é de que o Gigantopithecus era um quadrúpede, e que por causa de seu tamanho ele dificilmente conseguiria andar em suas patas traseiras.

Matt Cartmill apresenta outro problema com essa teoria: o Gigantopithecus não era um hominídeo, e as evidências físicas apontam que o Grande é um bípede que anda ereto. Dificilmente o Gigantopithecus teria dado origem a uma raça com essas características e características hominídeas. Bernard G. Campbellin escreveu que a extinção do Gigantopithecus é algo que está sendo posto em dúvida por aqueles que acreditam que ele sobreviveu como o Yeti ou o Sasquatch. Mas as evidências dessas criaturas não são convincentes.

Hominídeos extintos

Uma espécie de Paranthropus, como o Paranthropus robustus, com o seu crânio desenvolvido e postura bípede, foi a sugestão dada por primatologistas como John Napier e antropologistas como Gordon Strasenburg como possíveis candidatos para a origem do Grande. Alguns estudiosos do Grande ainda propõe um ancestral em comum com o do homem moderno como o Neandertal ou o Homo erectus, mas nenhuma evidêncie dessas espécies foram encontradas no continente Norte Americano.

Independente das explicações dadas por céticos ou entusiastas, milhares de avistamentos foram registrados nas últimas décadas, dentre elas a de Fred Beck que afirmou em um livro em 1967 que ele e outros quatro mineiros foram atacados em uma noite em julho de 1924 por vários “homens macacos”, que atiraram rochas na cabana em que eles se encontravam na região conhecida como Ape Canyon (Canyon dos Macacos). Os homens saíram da cabana e atiraram no que Beck descreveu como “gorilas montanheses”. Na manhã seguinte encontraram várias pegadas enormes ao redor da cabana. O Espelologista William Halliday argumentou em 1983 que a história teve origem em um incidente envolvendo um grupo de exploradores que estavam acampando na proximidade e atiraram as pedras no Canyon. Existem rumores locais que alguns engraçadinhos locais pregaram peças nos minaradores deixando marcas falsas de pegadas gigantes.

Em 1941 Jeannie Chapman e seus filhos disseram ter que fugir de casa quando um Sasquatch gigante, com mais de dois metros e quarenta de altura, se aproximou de sua residência em Ruby Creek.

Em 1967 Roger Patterson e Robert Gimli afirmaram que em no dia 20 de outubro eles conseguiram filmar um Sasquatch em Bluff Creek, na califórnia. Esse filme passou a ser conhecido pelo nome de Patterson-Gimlin Film, que se tornou a melhor evidência da existência do grande.

O Filme Patterson Gimlin

Também conhecido simplesmente como o Filme Patterson é um curta metragem mostrando um espécime não identificado, gravado no dia 20 de outubro de 1967. Os dois responsáveis pelo filme afirmam que ele é legítimo e que de fato conseguriam filmar um grande. O filme foi sujeitado a inúmeras análises tanto para provar uma fraude quanto sua autenticidade. Alguns cientistas afirmaram que o filme é uma farsa, mostrando um homem em uma fantasia de macaco, mas existem outros tantos que afirmam que o filme mostra um criptidio, ou seja, um animal desconhecido pela ciência.

 

Ambos os cinegrafistas sempre desmentiram afirmações de que o filme era uma fraude, mostrando uma pessoa fantasiada. Patterson, que morreu de cancer em 1972, chegou a jurar em seu leito de morte que a filmagem era autêntica, que ele havia encontrado e registrado em filme um bípede desconhecido da ciência. Da mesma forma ele supostamente disse pra o dono da loja Yakima camera store que havia forjado o filme para arrecadar dinheiro para sua mulher, que stava morrendo de câncer. Seu amigo Gimlin sempre declarou que nunca tomou parte de nenhuma fraude cinematográfica e que ele e seu colega encontraram um grande real. Mesmo assim ele evitou discutir isso publicamente até o ano 2000 quando passou a dar entrevistas e a aparecer em convenções de pés grandes para dar palestras.

Depois de tanto tempo a evidência do filme permanece inconclusiva, seja como fraude ou registro real. Depois de três anos de um exame rigoroso Jeff Glickman publicou em um estudo em 1998 a impossibilidade de provar que o filme era uma fraude. Diversas fontes foram categóricas em afirmar possuírem evidências da fraude, simplesmente para serem refutadas uma a uma.

Existem até rumores em Hollywood de que a criatura seria um homem vestindo uma fantasia criada por John Chambers, que ganhou o Oscar de maquiagem pelo seu trabalho no filme O Planeta dos Macacos, coincidentemente filmado no mesmo ano, em 1967. O escritor Mark Chorvinsky investigou o tema em 1996, e diversos profissionais de efeitos especiais da atualidade lhe confirmaram que Chambers era o responsável pela criatura no filme Patterson-Gimlin, incluindo Dave Kindlon, Howard Berger, Bob Burns e John Vulich. Um ano depois o diretor John Landis (Um Lobisomem Americano em Londres) assegurou o mesmo em uma revista de cinema. Mas em uma entrevista pouco antes de sua morte, o próprio John Chambers negou ter sido responsável pela criatura do filme Patterson-Gimlin.

A melhor e mais famosa evidência da existência do Grande permanece inconclusiva. Depois de mais de três décadas, este é um verdadeiro feito, justamente o que se poderia esperar de uma filmagem autêntica embora polêmica. Mas sérias suspeitas de fraude e a falta de evidências corroboradoras em mais de três décadas impedem uma maior aceitação.

Cientistas descartam a existência do grande afirmando que não existem quase evidências arqueológicas da existência de bípedes pré-históricos de características simiecas de tais dimensões. Além da falta de evidências eles afirmam que o grande grande. Da mesma forma, afirmam, que a população desses animais seria tão grande que teríamos hoje um número de avistamentos muito maior do que os que surgem atualmente, o que tornaria a existência deste animal uma impossibilidade.

supostamente habita regiões que dificilmente abrigariam primatas não humanos com dimensões como as suas, ou seja, latitudes temperadas no hemisfério norte. Todos os símeos não humanos são encontrados nos trópicos da áfrica e ásia. Grandes macacos já foram encontrados fossilizados nas amércias mas nunca foi encontrado um fóssil do

Por outro lado hoje temos em são paulo notícias como esta:

“Bicho-preguiça mora no parque da Luz em São Paulo,

Camuflados nas árvores e com movimentos lentos característicos, quatro bichos-preguiça passam quase despercebidos pelos visitantes de um dos parques mais conhecidos de São Paulo, o jardim da Luz, em pleno centro.

Até os mais atentos precisam ser alertados da existência deles. Na sexta-feira (21), um grupo de observadores de aves, com binóculos na mão, foi avisado pelos seguranças do parque de que no local havia um casal e dois machos de bicho-preguiça. “Nosso foco principal são os pássaros, mas sempre que encontramos animais diferentes colocamos em nosso relatório”, disse Luiz Fernando Figueiredo, do Centro de Estudos Ornitológicos da USP, que desconhecia a presença de preguiças na área.

Há mais de uma versão para o fato de os bichos-preguiça habitarem o jardim da Luz. Segundo a veterinária Vilma Clarisse Geraldi, da divisão de fauna da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, havia um zoológico no local. Os outros animais foram retirados do parque, mas os preguiças não foram resgatados.

Já o biólogo André Dias, administrador do parque, diz que o bicho sempre existiu na área. A espécie, preguiça-de-bentinho, também pode ser vista na serra da Cantareira. “A informação que eu tenho é que os bichos ocorriam na cidade e, com a expansão urbana, formou-se uma ilha de preservação na Luz. Então, eles ficaram por lá”, afirma.

O número de animais, entretanto, está diminuindo com o passar dos anos. Até 2000, segundo Geraldi, havia sete preguiças no parque. Com a revitalização do espaço, poda e corte de árvores, três morreram.

De acordo com Dias, os bichos já estavam debilitados na época. Ele tem esperança, entretanto, de que o único casal consiga se procriar neste ano. “Já faz muito tempo que não temos um filhote”, diz. De acordo com o Ibama, a espécie preguiça-de-bentinho não está ameaçada de extinção. Já a preguiça-de-coleira está na lista das que correm risco. (Folha Online)”

Se bichos preguiça passam desapercebidos em um parque relativamente pequeno e fechado, o que dizer de espécies em florestas abertas e áreas montanhosas ao redor do mundo? Esses bichos preguiça foram descoberto por causa de suas fezes ao redor das árvores, antes de um estudo com observação direta.

Hoje, 80% dos avistamentos de pés-grandes são considerados fraudes por estudiosos como Loren Coleman e Diane Stocking, o que cria uma margem 20% de relatos, que como o filme patterson, não podem ser classificados como fraude.

Pé-Grandes pelo mundo

Apesar de ser o mais famoso, o Grande é apenas o mais recente dos mitos e lendas de grandes hominídeos primitivos pelo mundo. Ele mesmo parece ter sido inspirado diretamente pelo segundo hominídeo elusivo mais famoso, com o qual começamos um giro por algumas das lendas espalhadas ao redor do planeta.

Yeti, o “Abominável Homem das Neves”, Himalaia

A criatura gigante de pelagem escura é parte do folclore da região do Himalaia há gerações, sendo chamada pelos guias Sherpas de meh-teh. As notícias sobre o Yeti chegaram ao Ocidente em 1921, quando uma expedição de trinta e seis membros liderada pelo explorador Charles Kenneth Howard-Bury, em uma das primeiras tentativas de escalar o monte Everest, teria avistado com binóculos objetos escuros se movendo à distância. Ao chegarem ao local encontraram pegadas enormes, e seus guias teriam chamado o ser de Metoh-Kangmi, ou ‘Besta das Montanhas’, um termo que acabaria sendo traduzido de forma mais colorida como “Abominável Homem das Neves”.

O Yeti causou maior sensação quando uma pegada foi fotografada em 1951 pelos exploradores Eric Shipton e Michael Ward a mais de cinco quilômetros de altitude perto do Everest. Ela tinha quase 50 centímetros de tamanho, apresentando apenas quatro dedos. Chegou-se a sugerir que poderia ser a pegada de um urso, ou uma pegada inicialmente menor na neve que ao derreter teria aumentado seu tamanho aparente. Em 1990 o jornalista Peter Gillman defendeu que a pegada seria uma brincadeira de Shipton. Em suas fotos, há uma trilha de pegadas e o close de uma delas, mas em uma entrevista Michael Ward declarou que a pegada em close não faria parte da trilha, algo que Shipton nunca mencionou. O escritor Audrey Salkeld contou duas peças pregadas por Shipton: em uma ele teria dito que um colega sofrendo de falta de oxigênio teria tentado comer pedras pensando que eram um sanduíche, o que foi negado pelo próprio. Também contaria sobre como teria encontrado o corpo de Maurice Wilson na neve, junto de um bizarro diário de fetiches sexuais e roupas femininas. Charles Warren, que encontrou o corpo junto com Shipton, negou tais elementos.

Ao final, Shipton poderia ter simplesmente mexido em uma pegada normal e tirado a famosa fotografia. O Yeti, contudo, permanece uma lenda nativa e deve continuar a ser por muito tempo.

Yehren, China

O ‘Homem Selvagem’ ou Yehren é uma antiqüíssima criatura lendária da China central e do sul. Em torno do século III AC o poeta Qu Yuan teria escrito um poema sobre o ‘monstro das montanhas’. Também uma criatura gigante e peluda, com a diferença de que sua pelagem seria marrom ou vermelha. Ao contrário do Yeti, não há nem uma suposta fotografia do Yehren, embora muitas de suas pegadas tenham sido registradas.

Além dos muitos relatos, alguns dos quais incríveis, incluindo o do biólogo Wang Tseling, que em 1940 conta ter examinado um Yehren fêmea morto a tiros pelos locais; ou o de que soldados chineses no Himalaia teriam comido a carne de um Yeti em 1962, a primeira evidência física relevante do Yehren chinês foi analisada em 1980. Em 1957 aldeões da montanha Jiolong teriam matado um “homem-urso” e um professor de biologia local conservou suas extremidades. O exame por Zhou Guoxing das mãos e pés preservados apontou que pertenceriam a um macaco, embora enorme e possivelmente de um “primata desconhecido”, apesar de não ser compatível com uma criatura de dois metros de altura.

Sasquatch, Canadá e norte dos EUA

Várias tribos indígenas norte-americanas possuem histórias antigas a respeito de gigantes selvagens, mas quando os jornais relataram encontros com tais seres o termo escolhido foi Sasquatch, que na linguagem de uma das tribos significava “homem louco nas florestas”. Tais avistamentos registrados datam de até 200 anos atrás. O missionário americano Elkanah Walker conta em seu diário em 1840 sobre as crenças indígenas: “Eles acreditam em uma raça de gigantes que habita uma certa montanha a oeste. Ela é coberta por neve perene. As criaturas habitam os picos de neve. Elas caçam e fazem todo seu trabalho à noite. Suas pegadas têm um e meio de tamanho. Roubam salmão das redes dos índios e comem o peixe cru como os ursos. Se as pessoas estão acordadas, sempre sabem quando as criaturas estão muito próximas pelo seu forte cheiro que é quase intolerável”.

John Burns, agente da reserva indígena Chehalis em British Columbia, escreveu em um artigo em 1940, cem anos depois: “estou convencido de que sobreviventes do Sasquatch ainda habitam o inacessível interior de British Columbia. Apenas por grande sorte contudo um homem branco poderia avistá-los, já que como animais selvagens, eles instintivamente evitam qualquer contato com a civilização”. Segundo ele, os nativos eram receosos de contar suas histórias sobre o Sasquatch, pois o ‘homem branco’ não acreditaria nelas. Tais lendas em Chehalis contariam sobre duas tribos inimigas de Sasquatches na região e que teriam exterminado uma a outra. Burns também conta a surpreendente história de uma mulher nativa chamada Serephine Long, que quando criança teria sido seqüestrada por um “gigante selvagem” e vivido com os “monstros peludos” por quase um ano! Tudo contado diretamente a ele por Long, agora uma mulher idosa.

Mapinguari, Amazônia

Coberto de um longo pêlo vermelho, com um odor horrível e medindo em torno de dois metros quando de sobre as patas traseiras, o Mapinguari seria um animal temido na floresta amazônica por índios e mesmo garimpeiros e moradores locais. Seus pés seriam virados ao contrário, suas mãos possuiriam longas garras e a criatura evitaria a água, tendo uma pele semelhante a de um jacaré. Há similaridades com relatos de hominídeos, mas a especulação mais corrente entre os cientistas que acreditam na realidade do Mapinguari é de que poderia ser relacionado à preguiça gigante, que se acredita extinta. Já no fim do século XIX o paleontólogo argentino Florentino Ameghino defendia a hipótese, que mais recentemente levou o ornitólogo David Oren a empreender expedições em busca de provas da existência real da criatura. Mas infelizmente sem nenhum resultado conclusivo. Pêlos recolhidos mostraram ser de uma cutia, amostras de fezes de um tamanduá e moldes de pegadas não serviriam muito, já que como declarou à revista Discover, “podem ser facilmente forjadas”.

Dossiê de Criptozoologia de Herman Flegenheimer Jr.

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Giordano Bruno

Filipe Bruno nasceu em Nola, Itália, em 1548. O nome com que ficou conhecido, Giordano, lhe foi dado quando, ainda muito jovem, ingressou no convento de São Domingos, onde foi ordenado sacerdote, em 1572.

Mente inquieta e muito independente, Bruno teve sérios problemas com seus superiores ainda quando estudante no convento. Sabemos que já em 1567 um processo foi instaurado contra ele, por insurbordinação, mas Bruno já granjeara admiração por seus dotes intelectuais, o que possibilitou a suspensão do processo. Era tão séria a largueza de visão de Bruno quanto aos defeitos do pensamento intelectual de sua época, que em 1576 teve de fugir de Nápoles para Roma devido à peseguições de toda espécie e, depois, para a Suíça, onde freqüentou ambientes calvinistas, que logo abandonaria julgando o pensamento teológico dos protestantes tão restrito quanto o dos católicos.

A partir de 1579, Bruno passa a viver na França, onde atraiu as simpatias de Henrique III. Em meados da década seguinte, Bruno vai para a Inglaterra. Mas logo ele entra em atrito com os docentes de Oxford. Vai, então, depois de um curto período de retorno à França, para a Alemanha luterana. Após um período de vivência no meio dos seguidores de Lutero (de onde seria expulso posteriormente), Bruno parte para Frankfurt, onde publica sua trilogia de poemas latinos. Recebe um conviente (que lhe seria fatal) para ensinar a arte da memória ao nobre (na verdade, um interesseiro ) veneziano João Mocenigno. Assim, selando seu destino, Bruno parte para a Itália em 1591. No mesmo ano, Mocenigno (que esperava aprender as artes da magia com Bruno) denuncia o mestre ao Santo Ofício.

No ano seguinte, começa o dramático processo contra Bruno, que se conclui com sua retratação. Em 1593, é transferido para Roma, onde é submetido a novo processo. Depois de extenuantes e desumanas tentativas de convencê-lo a retratar-se de algumas de suas teses mais básicas e revolucionárias pelo método inquisitorial, Bruno é, por fim, condenado à morte na fogueira, em 16 fevereiro de 1600.

Giordano Bruno morreu sem renegar seus pontos de vista filosófico-religiosos. Sua morte acabou por causar um forte impacto pela liberdade de pensamento em toda a Europa culta. Como diz A. Guzzo: “Assim, morto, ele se apresenta pedindo que sua filosofia viva. E, desse modo, seu pedido foi atendido: o seu julgamento se reabriu, a consciência italiana recorreu do processo e, antes de mais nada, acabou por incriminar aqueles qua o haviam matado”.

A Filosofia de Bruno

A característica básica da filosofia de Giordano Bruno é a sua volta aos princípios do neoplatonismo de Plotino, e ao hemetismo da Europa pré-crstã, notadamente nos trabalhos que conhecemos como “O Corpus Hermeticum”.

Nos primeiros séculos da era imperal romana durante o desenvolvimento do movimento cristão, veio à tona uma surpreendente literatura de caráter filosófico-religioso, cujo traço de união era, segundo seus autores, as revelações trazidas po Thot, o deus escriba dos egípcios, que os gregos identificaram com Hermes Trismegisto, de onde o nome de literatura hermética. Parece que o Thot egípcio foi, realmente, uma figura religiosa histórica real que o tempo se incubiu de envolver nos véus da lenda. Seja como for, temos conhecimento desses escritos filosófico-religiosos que remontam à tradição inicada pelo movimento de Thot-Hermes, e que nos chegaram, em parte. O suporte doutrinário dessa literatura, segundo Reale e Antiseri (1990), é uma forma de metafísica inspirada em fontes do medioplatonismo, do neopitagorismo, da tradição de Apolônio de Tiana, e do nascente neoplatonismo. A iluminação pessoal, com a conseguinte salvação da alma, segunda esta doutrina, depende do grau de conhecimento (gnosi) e maturidade a que chega o homem em sua luta por compreender o porquê da existência terrena, que é a ante-sala do mundo supra-sensível, além do plano físico. Em virtude da profundidade destes escritos, alguns pais da Igreja (Tertuliano, Lactâncio e outros), consideraram Hermes Trismegsito um tipo de profeta pagão anterior e preparador dos ensinos de Cristo, embora esta história tenha sido abafada pelo fanatismo católico posterior da Idade Média. Resgatando parte desta tradição, Bruno se coloca na trilha dos magos-filósofos que ressurgiram na renascença, que, embora procurando manter-se dentro dos limites da ortodoxia cristã, leva-o às últimas consequências. O pensamento de Bruno é gnóstico em essência, profundamente mesclado ao pensamento hermético e neoplatônico que o sustenta. Ele conduz a magia renascentista às suas fontes pré-cristãs e as demonstra serem tão válidas e ricas quanto a cristã, tendo, inclusive, o mérito de se enriquecerem mutamente. É necessário aceitar o diferente, segundo Bruno, com suas riquezes e pontos de vista complementares ao modo de ver do mundo cristão. Bruno, tal como antes fizera Plotino, considerava a religiosidade pré-Cristã uma forma de exercício para uma vivência plena, mística e direta com o Uno. Isso foi fatal para Bruno, que surgiu uma época de extrema intolerância relgiosa ( e que – sejamos honestos – ainda perdura de forma sutil e ainda mais cruel na Igreja Católica, como no exemplo da condenação da Teologia da Libertação e de seus formuladores, como Leonardo Boff, e no falso discurso ecumênico que esconde interesses políticos, em que é cegamente seguida por sua filha pródiga: o universo das igrejas e seitas evangélicas), e que buscava no hermetismo um refúgio à cegueira fanática da inquisição. E Bruno vem à tona pregando um reconhecimento da herança pagã antiga e da liberdade de pensamento filosófico-relgioso, o que, por si, era uma ameaça e uma atitude por demais revolucionárias para serem suportadas pelo poder de Roma.

O pensamento de Bruno era holista, naturalista e espiritualista. Dentre suas idéias especulativas, destacamos a percepção de uma sabedoria que se exprime na ordem natural, onde todas as coisas, quer tenhamos idéia ou não, estão interligadas e se interrelacionam de maneira mais ou menos sutil (holismo); a pluralidade dos mundos habitados, sendo a Terra apenas mais um de vários planetas que giram em volta de outros sistemas, etc. Por tudo isso, por essa ousadia em pensar, Bruno – que estava séculos adiante de seu tempo – pagou um alto preço. Mas sua coragem serviu de estopim e incentivo ao progresso científico e filosófico posterior.

por Carlos Antonio Fragoso Guimarães

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Excerto de `Le Visage Vert´

A chave que nos tornará mestres da natureza interior ficou enferrujada desde o dilúvio.

Ela chama-se: velar.

Velar é tudo.

O homem está firmemente convencido de que vela; mas na realidade, é apanhado numa rede de sono e de sonho que ele próprio teceu. Quanto mais apertada é essa rede, mais poderosamente reina o sono, Aqueles que estão presos nas suas malhas são os adormecidos que caminham através da vida como rebanhos de animais levados para o matadouro, indiferentes e sem pensamentos.

Os sonhadores vêem através das malhas um mundo quadriculado, só distinguem aberturas enganadoras, agem em consequência  e não sabem que esses quadros são apenas os fragmentos insensatos de um todo enorme. Esses sonhadores não são, como talvez o suponhas, os lunáticos e os poetas; são os trabalhadores, os sem repouso do Mundo, os possessos da loucura de agir. Assemelham-se a escaravelhos feios e laboriosos que se arrastam ao longo de um cano liso para nele mergulharem ao chegar lá acima. Dizem que velam, mas aquilo que julgam uma vida não é em realidade senão um sonho, determinado antecipadamente nos mínimos pormenores e subtraído à influência da sua vontade.

Existiram e ainda existem alguns homens que souberam que sonhavam, os pioneiros que avançaram até aos baluartes atrás dos quais se esconde o eu eternamente desperto – videntes como Descartes, Schopenhauer e Kant. Mas eles não possuíam as armas necessárias para a tomada da fortaleza e o seu apelo ao combate não acordou os adormecidos.

Velar é tudo.

O primeiro passo para esse objectivo é tão simples que qualquer criança o pode dar. Só aquele que tem o espírito falsificado esqueceu como se caminha, e mantém-se paralisado sobre os seus dois pés, pois não se quer privar das muletas que herdou dos seus antecessores.

Velar é tudo.

Vela em tudo o que fazes! Não te julgues já desperto. Não, tu dormes e sonhas.

Reúne todas as tuas forças e espalha um instante pelo teu corpo este sentimento: agora, eu vejo!

Se o conseguires, reconhecerás imediatamente que o estado no qual te encontravas surge então como uma modorra e um sono.

É o primeiro passo hesitante do longo, muito longo percurso que leva da servidão ao completo poder.

Desta forma avança, de despertar em despertar.

Não existe pensamento tormentoso que desta maneira não possas banir. Ele fica para trás e já não te pode atingir. Estendeste sobre ele como a copa de uma árvore se eleva por sobre os ramos secos.

As dores afastam-se de ti como folhas mortas quando essa vigília se apossa igualmente do teu corpo.

Os banhos gelados dos brâmanes, as noites de vigília dos discípulos de Buda e dos ascetas cristãos, os suplícios dos faquires não são mais que os ritos estereotipados indicando que ali se erguia outrora o templo daqueles que se esforçavam por velar.

Lê as escrituras Sagradas de todos os povos da Terra. Em cada uma delas passa como um fio vermelho a ciência dissimulada da vigília. É a escada de Jacob, que combate toda a “noite” com o anjo do Senhor, até que chegue o “dia” e obtenha a
vitória.

Deves subir, um após outro, os degraus do despertar, se queres vencer a morte.

O degrau inferior já se chama: génio.

Como devemos nós chamar os degraus superiores? Ficam desconhecidos da multidão e são tidos como lendas.

A história de Tróia foi considerada uma lenda, até que finalmente um homem arranjou coragem de investigar por si próprio.

Sobre esse caminho da vigília, o primeiro inimigo que encontrarás será o teu próprio corpo. Ele lutará contigo até ao primeiro cantar do galo. Mas se vislumbrares a luz da vigília eterna que te afasta dos sonâmbulos que supõem ser homens e ignoram que são deuses adormecidos então o sono do teu corpo desaparecerá também e o Universo submeter-se-á a ti.

Então poderás operar milagres, se quiseres, e já não estarás reduzido, como um humilde escravo, a esperar que um cruel e falso deus seja suficientemente amável para te cumular de presentes ou te cortar a cabeça.

Há evidentemente a felicidade do bom cão fiel: servir um amo. Ela deixará de existir para ti – mas sê franco para contigo próprio: gostarias tu, mesmo agora, de trocar o lugar com teu cão?

Não te deixes apavorar pelo medo de não atingires o objectivo nesta vida. Aquele que descobriu este caminho regressa sempre ao mundo com uma maturidade interior que lhe torna possível a continuação do seu trabalho. Ele nasce como “génio”.

O caminho que te mostro está semeado de acontecimentos estranhos: mortos que conheceste hão-de erguer-se e falar-te! São apenas imagens. Silhuetas luminosas aparecer-te-ão para te abençoar. São apenas imagens, formas exaltadas pelo teu corpo que, sob a influência da tua vontade transformada, morrerá de uma morte mágica e se tornará espírito, tal como o gelo, atingido pelo fogo, se dissolve em vapor.

Quando tiveres abandonado em ti o cadáver é que então poderás dizer: agora o sono afastou-se de mim para sempre.

Então dar-se-á o milagre em que os homens não acreditam – porque, enganados pelos seus sentidos, não percebem que matéria e força são a mesma coisa – nem compreendem, esse milagre que, mesmo se o enterrarem, não haverá cadáver no
caixão.

Só então poderás diferenciar o que é realidade ou aparência. Aquele que tu encontrares só poderá ser um dos que seguiram o caminho antes de ti.

Todos os outros são sombras.

Até ali tu não sabes se és a criatura mais feliz ou a mais infeliz. Mas nada receies. Nem um sequer dos que seguiram pelo caminho da vigília, mesmo se alguma vez se perdeu, jamais foi abandonado pelos seus guias.

Quero dar-te um sinal pelo qual poderás reconhecer se uma aparição é realidade ou miragem: se ela se aproxima de ti, se a tua consciência se perturba, se as coisas do mundo exterior são vagas ou desaparecem, desconfia. Acautela-te! A aparição não passa de uma parte de ti próprio. Se não a compreendes, é apenas um espectro sem consistência, um gatuno que conssome uma parte da tua vida.

Os gatunos que adquirem a força da alma são “piores do que os gatunos do Mundo. Atraem-te como fogos-fatus nos pântanos de uma esperança enganadora, para te deixarem só nas trevas e desaparecerem para sempre.

Não te deixes enganar por nenhum milagre que eles pareçam fazer por ti, por nenhum nome sagrado que se derem, por nenhuma profecia que exprimam, nem mesmo se esta se realizar; eles são os teus inimigos mortais, expulsos do inferno do teu próprio corpo e com os quais tu lutas pelo domínio.

Sabe que as forças maravilhosas que eles possuem são as tuas próprias – desviadas por eles para te manterem na escravatura. Eles não podem viver fora da tua vida, mas se os venceres ficarão aniquilados, como ferramentas mudas e dóceis que poderás empregar segundo as tuas necessidades.

Inúmeras são as vítimas que eles fizeram entre os homens. Lê a história dos visionários e dos sectários e compreenderás que o caminho que segues está semeado de crânios.

Inconscientemente a humanidade ergueu contra eles um muro: o materialismo. Esse muro é uma defesa infalível, é uma imagem do corpo mas é também o muro de uma prisão que dissimula a vista.

Actualmente estão dispersos e a fénix da vida interior ressuscita das cinzas nas quais esteve deitada durante muito tempo, como morta, mas os abutres de outro mundo também começam a bater as asas. É por isso que deves tomar cuidado. A balança sobre a qual deporás a tua consciência mostrar-te-á quanto podes ter confiança nessas aparições. Quanto mais desperta ela estiver, mais se inclinará a teu favor.

Se um guia, um irmão de outro mundo espiritual te quer aparecer, deve poder fazê-lo sem despojar a tua consciência. Podes pousar a mão sobre ele como Tomé o incrédulo.

Seria fácil evitar as aparições e seus perigos. Basta conduzires-te como um homem vulgar. Mas que ganhas com isso? Continuas a ser um prisioneiro na jaula do teu corpo até que o carrasco “Morte” te conduza ao cadafalso.

O desejo dos mortais de verem os seres sobrenaturais é um grito que desperta até os fantasmas do inferno, porque semelhante desejo não é puro; – porque é mais avidez do que desejo, porque quer “tomar” de qualquer maneira em vez de gritar para aprender a “dar”.

Todos aqueles que consideram a Terra como uma prisão, todas as pessoas piedosas que imploram a libertação evocam sem se aperceberem o mundo dos espectros. Fá-lo igualmente tu próprio. Mas conscientemente.

Para aqueles que o fazem inconscientemente existirá uma mão invisível que os possa retirar do pântano onde se atolam? Eu não o acredito.

Quando sobre o caminho do despertar atravessarás o reino dos espectros, reconhecerás pouco a pouco que eles são simplesmente pensamentos que de súbito poderás ver com os teus próprios olhos. Eis porque te são estranhos e parecem ser criaturas, pois a linguagem das formas é diferente da do cérebro.

Então chegou o momento em que a transformação se dá: os homens que te rodeiam transformar-se-ão em espectros. Todos aqueles que amaste serão, de súbito, larvas. Mesmo o teu próprio corpo.

Não se pode imaginar mais terrível solidão que a do peregrino no deserto, e quem não sabe encontrar aí a fonte da vida ? morre de sede!

Tudo o que aqui te digo se encontra nos livros dos homens piedosos de todos os povos: a vinda de um novo reino, a vigília, a vitória sobre o corpo e a solidão.

E no entanto um abismo intransponível nos separa dessas pessoas piedosas: elas supõem que se aproxima o dia em que os bons entrarão no paraíso e os maus serão atirados para o inferno. Nós sabemos que um tempo virá em que muitos despertarão e serão separados dos adormecidos que não podem compreender o que significa a palavra vigília. Nós sabemos que não existe o bom e o mau, mas apenas o exacto e o falso. Eles crêem que velar significa manter os seus sentidos lúcidos e os olhos abertos durante a noite, de forma que o homem possa fazer as suas orações. Nós sabemos que a vigília é o despertar do eu imortal e que a insónia do corpo é uma consequência natural. Eles crêem que o corpo deve ser descurado e desprezado porque é pecador. Nós sabemos que não existe pecado; o corpo é o começo da nossa obra e vimos à Terra para transformar em espírito. Eles crêem que deveríamos viver na solidão com o nosso corpo para purificar o espírito. Nós sabemos que o nosso espírito deve primeiramente isolar-se para transfigurar o corpo.

Só a ti te cabe a escolha do caminho a tomar: ou o nosso ou o deles. Deves agir segundo a tua própria vontade. Não tenho o direito de te aconselhar. É mais salutar colher segundo a tua própria decisão um fruto amargo sobre uma árvore, do que ver pendurar um fruto doce aconselhado por outrem.

Mas não faças como muitos que sabem que está escrito: examinai tudo e só conservai o melhor. É preciso ir, nada examinar e agarrar a primeira coisa que aparecer.

GUSTAV MEYRINCK

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