Anjos de acima, demônios de abaixo

» Parte 4 da série “Para ser um médium” ver a introdução | ver parte 1 | ver parte 2 | ver parte 3

Estudos místicos trazem consigo, assim como a música ou poesia – embora em grau muito mais elevado –, uma estranha euforia, como se nos levassem para mais perto de uma poderosa fonte de Ser, como se estivéssemos finalmente na iminência de desvendar o segredo que todos buscamos. (William James em Variedades da experiência religiosa)

O termo misticismo é uma das palavras mais mal empregadas na linguagem popular. O filósofo americano William James, um dos fundadores da psicologia, observou que ele se tornou abusivo, geralmente sendo aplicado a “qualquer opinião que tomemos como vaga, exagerada e sentimental, e sem base nos fatos ou na lógica”. Em Mysticism, a escritora britânica Evelyn Underhill nos trouxe uma explicação mais profunda acerca do termo [1]:

“O misticismo […] não é uma opinião: não é uma filosofia. Nada tem em comum com a busca de conhecimento oculto. Por um lado, tampouco é apenas o poder de contemplar a Eternidade: por outro, não se deve identificá-lo com qualquer tipo de esquisitice religiosa. É o nome desse processo orgânico que envolve a perfeita consumação do Amor a Deus: a realização aqui e agora da herança imortal do homem. Ou, se preferirem – pois significa a mesmíssima coisa –, a arte de estabelecer nossa relação consciente com o Absoluto.”

Podemos, talvez, dizer que os transes mediúnicos, em seus diferentes graus, fazem parte do misticismo conforme delineado por Underhill. Pode parecer estranho que o contato com outros seres seja algo análogo ao contato com Deus – mas, no fundo, um dia talvez você também compreenda: o Reino de Deus já preenche a tudo desde sempre, e ao nos dedicarmos ao contato, a amizade, a compaixão, ao amor, com outros seres, vivos ou “mortos”, estamos aos poucos nos aproximando cada vez mais de Deus, mesmo que não o compreendamos muito bem.

Ainda assim, é preciso analisar cuidadosamente os pensamentos e sentimentos que nos assaltam a mente durante tais experiências, ou mesmo fora delas. Pois é preciso nos assegurar que estamos nos dedicando a mediunidade por uma boa razão, e não por uma razão egoísta – que ao contrário de nos aproximar do Absoluto, nos afasta. O maior perigo para um médium é algo que costumeiramente nos passa de forma desapercebida, de modo que mesmo os médiuns com décadas de atividade podem estar ainda afundados nesse problema sem que o percebam. Na falta de um nome melhor, eu o chamo de “complexo de santo”…

Você pode achar que isso só ocorre com os médiuns “ignorantes”, mas mesmo Divaldo Pereira Franco, um dos grandes expoentes do espiritismo no Brasil, admitiu que no início de sua mediunidade queria “se sacrificar pela causa”, até mesmo com a própria vida… Esse tipo de pensamento é muito próprio do meio religioso, particularmente no cristianismo e islamismo – parece haver um “céu assegurado” para os mártires, os profetas, os santos, e para ser um santo todo sacrifício seria válido!

Mas a questão é que, infelizmente, muitos recaem no “complexo de santo” não por um sentimento genuíno de entrega aos desígnios da espiritualidade, mas simplesmente por um motivo bem mais mundano e egoísta: ora, da mesma forma que um aspirante a ator quer ser um grande astro de Hollywood, um aspirante a espiritualista quer ser um grande santo. Desnecessário dizer: é o talento e a ardorosa dedicação que constrói um grande artista e, da mesma forma, é a disciplina e a lenta e constante afloração do amor que constrói um santo. De modo que um santo jamais se considera um santo – são os outros que o chamam assim. Pense nisso: quanto antes perceber que os espíritos de cima querem amor, e não sacrifício, tanto melhor…

Além deste conselho primordial aos que se iniciam na mediunidade, acredito que alguns outros sejam também importantes, embora secundários:

Não se vira médium ativo da noite para o dia

Apesar de já ter tocado neste assunto ao longo da série de artigos, é algo importante de ser lembrado: se você é um médium iniciante, principalmente se for ainda ignorante da parte teórica de sua doutrina espiritualista (seja espiritismo, umbanda sagrada ou outras) e/ou se sua mediunidade lhe causa desequilíbrio e desconforto emocional (nos mais variados graus) [2], jamais aceite convites de dirigentes ou coordenadores de casas espiritualistas para “começar a trabalhar na semana seguinte” (ou em qualquer período de tempo muito curto).

Rejeite respeitosamente a oferta, e não se sinta desafiado se lhe disserem que “precisa começar a trabalhar logo, pois seu mentor espiritual assim o quer”, ou ainda que “precisa começar a trabalhar, do contrário coisas ruins se sucederão na sua vida”, etc. Na verdade, se insistirem muito, seria melhor você procurar alguma outra casa espiritualista… O ideal é que procure primeiro as aulas teóricas, caso existam, ou pelo menos informações acerca de alguns livros que poderia ir lendo em casa enquanto frequenta a casa espiritualista (notadamente, os de Kardec, que em todo caso você já pode ler por conta própria desde hoje).

Mas, independente da parte teórica, que nem sempre é a essencial, é preciso que desenvolva sua mediunidade de forma gradual. Ou seja: em reuniões frequentadas apenas por médiuns experientes e “discípulos”, de modo que algum “mestre” possa lhe auxiliar no afloramento gradual de sua mediunidade. Assim, quem sabe após uns 6 a 12 meses, você já possa efetivamente começar a atender o público como um médium da casa. E, quem sabe, após uns 10 a 15 anos, você descubra coisas dentro de você mesmo, e no Cosmos ao redor, que jamais teria imaginado conhecer um dia…

Não se vira um médium comprando manuais de conhecimento oculto

Apesar de acreditar que a maioria das casas espiritualistas seja idônea, não podemos ignorar que existem “espertalhões” por aí, principalmente no meio religioso. Fuja de qualquer casa que procure lhe vender “manuais de conhecimento oculto” (do tipo que não se encontra em livrarias comuns) e/ou cobre quantias fora do normal por suas aulas teóricas… Na verdade, a imensa maioria das casas espiritualistas sequer cobrará alguma coisa. Algumas podem lhe pedir uma contribuição mensal de, quem sabe, até uns 20 reais, para cobrir despesas com manutenção e contas de água e luz. Outras podem lhe pedir que compareça a almoços beneficentes ou a palestras pagas de tempos em tempos – mas desconfie de quaisquer valores exorbitantes, dízimos (valores percentuais baseados em sua renda mensal) ou pedidos extraordinários de doações materiais (como doar uma TV LED, ou qualquer coisa relativamente cara).

Dito isso, se você por acaso goza de boa situação financeira e sente a vontade genuína de ajudar materialmente a casa espiritualista que frequenta, sinta-se a vontade (doações de ar condicionado, por exemplo, seriam muito bem-vindas na maioria das casas).

Faça caridade

Alguns médiuns podem, pelas mais variadas razões, se abster de desenvolver sua mediunidade, e não há nenhum problema específico nisso (nem nenhuma futura “punição” de Deus ou de algum mentor espiritual). No entanto, a caridade é algo que todos, sem exceção, podem e deveriam pensar seriamente em fazer.

A grande maioria das casas espiritualistas tem atividades semanais, quinzenais ou mensais de caridade. Seja visitar um hospital, um asilo, uma creche, uma instituição de doentes mentais, etc. Embora não necessariamente a caridade seja “a única salvação” – embora muitos espíritas a entendam dessa forma –, ela é sem dúvida muito, muito importante para o afloramento da empatia e, por consequência, de nossas potencialidades no amor. E são essas potencialidades, mais do que quaisquer outras, o grande objetivo, o grande sentido de estarmos retornando a Terra por tantas vezes, aprendendo a amar: uma vida de cada vez.

A visita a instituições de doentes mentais pode ser particularmente reveladora para os que ainda têm dúvidas do alcance efetivo da própria mediunidade. Afinidades quase que instantâneas poderão surgir, e talvez um dia compreendam toda a beleza que há nisso tudo.

Esteja preparado para a descida…

No atendimento aos “mortos”, mesmo durante as sessões de desenvolvimento mediúnico, e particularmente nas que envolvem médiuns de incorporação total [3], desde o início ficará muito claro que a intensidade da dor e da angústia trazidos pelos espíritos em desequilíbrio é alguns graus de magnitude superior a toda a dor e angústia que você algum dia pensou existir na Terra. As dores da alma não se comparam as dores do corpo físico, sobretudo quando o espírito passa para o outro lado do véu ignorante, sem fazer ideia do sistema de reencarnação e, muitas vezes, crendo piamente que suas dores serão eternas…

Não acho necessário entrar em detalhes, até porque palavras são apenas cascas de sentimento, e seriam incapazes de lhe transmitir o tipo de dor de que estou falando. Mas, esteja preparado para a descida ao pântano negro e pegajoso de desejos desenfreados e escuridão da alma – ou, em outras palavras, esteja preparado para descer ao inferno.

Dependendo da casa espiritualista e do tipo de trabalho espiritual realizado nela, pode ser que esse tipo de coisa jamais ocorra, ou ocorra raramente – por outro lado, principalmente nas casas mais engajadas na real caridade espiritual, esse tipo de coisa é até mesmo trivial, de modo que, infelizmente, somos obrigados com o tempo a aceitar que os seres fazem suas escolhas, e arcam com as consequências… Simples assim.

Para os seres aturdidos com seus pensamentos obsessivos, complexos de culpa e lembranças contínuas de seus atos pregressos de ignorância do bem, toda e qualquer luz que chega do alto é, quase sempre, muito bem vinda – ainda que eles muitas vezes não aceitem tal luz de início, se não os julgarmos, se tivermos a devida compaixão que efetivamente merecem (a compaixão que Deus têm nos ensinado), com o tempo aceitarão beber de nossa água, e quem sabe, poderão mesmo ter uma nova chance ainda antes do previsto.
Para os demônios de baixo, nós seremos os anjos de cima. E, ainda que isso seja obviamente um absurdo – pois sabemos que de anjos não temos nada (ou deveríamos saber) –, de certa forma, nos pântanos lodosos das dores antigas, nós de alguma forma somos mesmo anjos. Nessas ocasiões divinas, é importante lembrar que um dia, nalguma vida, estivemos em situação muito semelhante, ou até pior, a situação daqueles seres que naquele momento nos imploram ajuda… Então talvez percebamos que é o inferno, e não o céu, o local de trabalho de todos os anjos do Cosmos.

» A seguir, concluindo a série: a reforma íntima…

***
[1] Este livro será o próximo lançamento digital da Editora Alta Cultura, uma tradução de meu amigo Alfredo Carvalho. O título traduzido, como era de se esperar, será Misticismo.
[2] A mediunidade é uma potencialidade sagrada, e não deve jamais ser compreendida como um “fardo”. Existe a mediunidade e o desequilíbrio mental, e embora eles possam andar juntos, particularmente nos médiuns iniciantes, não devem ser compreendidos como “a mesma coisa”, nem mesmo como “coisas que não existem em separado”.
[3] A incorporação total é uma forma de mediunidade ativa que, ironicamente, pode envolver a passividade total do próprio médium. Muitos sequer se lembram do que ocorreu enquanto estavam “desligados de si”, ou seja, enquanto outros espíritos ocupavam suas mentes e boa parte das funções motoras de seus corpos. Mas o ideal seria tentar manter a consciência, ou semiconsciência, de tudo o que ocorre durante a incorporação.

Há muitas casas espiritualistas mais “ortodoxas” (principalmente as casas espíritas) que não irão aceitar incorporações de seus médiuns – apesar de às vezes elas ocorrerem de maneira “forçada”, ou sem que os próprios coordenadores percebam (em médiuns particularmente hábeis)… Se você tem algum receio de participar de sessões onde há incorporação (ainda que você mesmo não seja, de forma alguma, “obrigado” a incorporar), a melhor coisa é procurar uma casa espiritualista onde não exista esta prática. Ou seja, usualmente o trabalho envolverá apenas orações, música, passes magnéticos e, por vezes, psicografia ou psicopictografia.

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Crédito da imagem: Jari Schroderus

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#Espiritismo #Mediunidade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/anjos-de-acima-dem%C3%B4nios-de-abaixo

As escolas brasileiras de parapsicologia

A parapsicologia como ciência, teve inicio estudando os fenômenos paranormais: acontecimentos que extrapolam o convencional, o comum ou o normal. Esses fenômenos existiram em todos os tempos e todas as épocas da história da humanidade. O Brasil é apontado como o maior celeiro de Paranormais no mundo, por ser um País subdesenvolvido (sofrimento) e onde as pessoas vivem com mais liberdade. 

Observa-se a presença marcante de três grandes centros ou correntes, de pesquisa em Parapsicologia. Todos em busca de entendimento para os mistérios da vida, na tentativa de libertar-se do medo do desconhecido e satisfazer a perene necessidade de segurança. Todas buscam fundamentar cientificamente suas análises e conclusões: 

a) Escola Católica de Parapsicologia;

b) Escola Espírita de Parapsicologia;

c) Escola Científica e Independente de Parapsicologia

Escola Católica de Parapsicologia 

Tem como objetivo combater a expansão do espiritismo, a umbanda, a macumba e outros ritos africanos, que ameaçavam a estabilidade da Fé Cristã do maior país católico do mundo – o Brasil. Destacam-se o IBRAP – Instituto Brasileiro de Parapsicologia, mantido pelos franciscanos no Rio de Janeiro., e o CLAP – Centro Latino-Americano de Parapsicologia, em São Paulo, sendo o seu principal líder o Padre Quevedo. Sua tenacidade, brilhante inteligência, como um pesquisador sério, levantou um documentário riquíssimo sobre os fenômenos paranormais. 

Escola Espírita de Parapsicologia 

O Engenheiro Hernani Guimarães Andrade fundou em São Paulo o IBPP – Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas, objetivando provar através da Parapsicologia, que as teses espíritas (Mediunidade) têm fundamento científico. Um grande defensor do espiritismo e com reconhecimento nos EUA e Europa.   

Escola Científica e Independente de Parapsicologia 

Foi o Dr. Osmard Andrade Faria quem fundou a escola, com o objetivo de formarem profissionais e instituições despreocupados com a “polêmica moral-ideológica” entre espíritas e católicos e descobrir efetivamente como funcionam os fenômenos paranormais.  

Destacam-se → Inst. Internacional de Kirliangrafia – Newton Milhomens, Brasil e Portugal;  

IPAPPI – SISTEMA GRISA, o mais importante e atual Instituto de Parapsicologia Independente da América do Sul. Fundado em 1984, em Florianópolis – SC, o IPAPPI – Instituto de Parapsicologia e Potencial Psíquico, cumpre a missão de transmitir os conhecimentos científicos da parapsicologia, resultados de anos de estudos e pesquisas, realizadas sob a direção do Dr. Pedro Antonio Grisa. 

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/as-escolas-brasileiras-de-parapsicologia/

A gravidez do mundo

Como muitos devem saber, eu não entendo nada de política, nem me interesso muito por ela. Talvez exatamente por isso os analistas queiram ouvir um pouco do que eu tenho a dizer sobre a Primavera…

Primeiramente há a questão polêmica da “direita vs. esquerda”. Lhes digo que o cartaz mais interessante que vi na última semana de movimentos nas ruas dizia assim: “Esquerda? Direita? Eu quero é ir para frente!”. Isto não é algo que se limita ao Brasil; mesmo na Primavera da Espanha e da Turquia vimos manifestações parecidas de quase toda a juventude. Dizem que a juventude é apolítica porque não se alinha nem a “esquerda” nem a “direita”, será mesmo?

Segundo Denis Russo Burgierman, diretor de redação da Superinteressante e ativista pró-descriminalização de certas drogas, “esquerdo-direitistas são pessoas que acreditam que todo o bem que existe no mundo provém de apenas uma fonte. Há dois tipos de esquerdo-direitistas – aqueles que acham que a fonte de todo o bem é o Mercado e aqueles que acham que é o Estado. A estes chamamos esquerdistas, aqueles são os direitistas”. Pois bem, eu chamo a ambos de esquerdo-direitistas, pois que são apenas dois lados de uma mesma moeda, dois pontos extremos que ainda insistem numa espécie de maniqueísmo (“bem vs. mal”) que inexiste na Política.

De Política, com “P” maiúsculo, eu até acho que entendo alguma coisa. Desde que surgiu a Democracia na Antiguidade, sua essência se baseou exatamente num debate público que busca não a unanimidade de opiniões, mas a busca do entendimento e da reconciliação dos opostos em prol de uma certa ordem e uma certa direção conjunta a ser seguida pela Nação. Dessa forma, a Política existe não para que todos concordem em tudo, mas para que convivam em harmonia apesar de suas discordâncias.

É por isso que todo o extremista é anti-Político a priori. Ele não busca a Política para um entendimento, mas busca a política para a supressão das opiniões contrárias, custe o que custar… São os extremistas que devem ser combatidos e reeducados na medida do possível, pois foi através deles que surgiram regimes autoritários de “esquerda” e de “direita”, ainda que pudessem se auto intitular democráticos. Mas a Democracia só existe na Política, e não na política.

Você pode achar que o Brasil é uma Democracia, mas eu não posso concordar inteiramente com isso. Não tem nada a ver com o fato de termos o PT no governo – o PT não é o único culpado pelo que foi feito na política brasileira, mas talvez se arrependa amargamente pelo que deixou de fazer. Eu explico: numa Democracia, deve valer a máxima “1 pessoa, 1 voto”. No entanto, o que temos no Brasil e em diversos países que se dizem democráticos é uma outra máxima que nos contaminou desde meados do século passado: “X reais, 1 voto” (ou “X dólares, 1 voto”; “X euros, 1 voto”; etc).

Não estou querendo dizer que no nosso país exista compra direta de votos, mas sim indireta. O voto é obrigatório e qualquer partido para ter alguma chance de chegar ao poder precisa gastar milhões em gigantescas campanhas de marketing. O que isto tudo tem a ver com Política? Quase nada… Isto tudo tem a ver com algo que chamo, na falta de um nome melhor, “negócio eleitoral”.

Afinal, não se enganem, nenhuma empreiteira, nenhum banco, nenhuma multinacional financia um partido por ideologia, nem muito menos para melhorar a qualidade da educação e da saúde de um país. Eles fazem um investimento de risco, a médio e longo prazo. Alguns até conseguem eliminar todo o risco do investimento, ao investir em todos os partidos com chance de chegar ao poder. A última vez que um Político teve alguma chance de se eleger para um cargo majoritário com uma campanha financiada por pessoas físicas, e não jurídicas (ou seja, grandes empresas), foi na última eleição para a prefeitura do Rio de Janeiro, em 2012. Não por acaso, o candidato do PSOL foi massacrado pelos “marketeiros” tanto da “esquerda” quanto da “direita”. Isto não quer dizer que ele seja um santo messias, quer dizer apenas que era o único que realmente tinha uma ideologia não comprada!

Então não é a toa que os que entendem alguma coisa de Política defendem uma Reforma Política urgente no Brasil, com financiamento público e exclusivo de campanhas, sem voto obrigatório, etc. Assim teremos a chance de ver diversos Políticos com suas ideologias próprias (e não compradas pelas empreiteiras) se candidatando e tendo chances reais de vencer eleições. Assim teremos, eventualmente, o ressurgimento da Política e da Democracia neste país.

E isto ainda seria só o primeiro passo… Com o ressurgimento da Democracia, então tanto a Esquerda quanto a Direita, tanto os defensores do Estado quanto os defensores do Mercado, poderiam debater e chegar a concordâncias possíveis para o nosso avanço sempre à frente. Isto seria muito mais saudável para o debate público do que o “combate a corrupção” (os únicos que são favoráveis a corrupção são os próprios corruptos, então de que vale defender o óbvio?).

Pois um Mercado totalmente livre, sem nenhuma regulamentação e intervenção do Estado, descamba para uma sociedade extremamente consumista (que pode eventualmente consumir tantos recursos naturais, que a própria espécie humana se veja ameaçada [1]) e para períodos de crises e “estouros de bolhas especulativas” na economia (sendo que os banqueiros jamais pagam a conta, exceto talvez na Islândia). Da mesma forma, um Estado totalmente controlador do Mercado, longe de corresponder a teoria de Marx, na prática tem descambado mais para uma espécie bizarra de “feudalismo moderno” (embora ainda existam todos os tipos de lendas acerca de como “o Comunismo na verdade deu certo”).

É por isso que devemos agradecer esta Primavera. Se vamos citar um trecho do nosso hino nacional, que seja antes este: “E o Sol da Liberdade, em raios fúlgidos, brilhou no céu da Pária nesse instante”. Afinal, ninguém parece ter compreendido e resumido melhor o sentimento e o sentido de esperança trazido pelos jovens da Mansão do Amanhã do que Eduardo Galeano. Foi numa breve entrevista dada aos jovens espanhóis na praça Catalunya que ele deu a mais profunda declaração Política deste início de século, e é com ela que eu encerro este artigo:

Aqui vejo reencontro, energia de dignidade e entusiasmo. O entusiasmo vem de uma palavra grega que significa “ter os deuses dentro”. E toda vez que vejo que os deuses estão dentro de uma pessoa, ou de muitas, ou de coisas, ou da Natureza, eu digo para mim mesmo: “Isto é o que faltava para me convencer de que viver vale a pena”.

Então estou muito contente de estar aqui, porque é o testemunho de que viver vale a pena. E que viver está muito, muito mais além das mesquinharias da realidade política e da realidade individual, onde só se pode “ganhar ou perder” na vida! E isso importa pouco em relação com esse outro mundo que te aguarda. Esse outro mundo possível.

Este mundo de merda está grávido de um outro!

O mundo a espera de nascer é diferente, e de parto complicado. Mas com certeza pulsa no mundo em que estamos. O mundo que “pode ser” pulsando no mundo que “é”. Eu o reconheço nessas manifestações espontâneas, como as desta praça.

Alguns me perguntam “o que vai acontecer?”; “e depois, o que vai ser?”. Pela minha experiência, eu respondo: “Não sei o que vai acontecer… Não me importa o que vai acontecer, mas o que está acontecendo!”. Me importa o tempo que “é”.

***
[1] Se todo o mundo tivesse os padrões de consumo dos EUA (do início deste século), precisaríamos de uns 3,5 planetas para dar conta da demanda por recursos naturais. Dizem que o equilíbrio do consumo sustentável demandaria que todo o globo tivesse os padrões de consumo aproximados da Paris da década de 60. Nada mal.

Crédito da imagem: Google Image Search + Gibran + raph

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#Economia #política

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-gravidez-do-mundo

Magia Rúnica

A magia rúnica básica é essencialmente talismânica e consiste em atrair as propriedades de uma Runa ou de uma combinação delas para a esfera pessoal do mago, operação que se realiza com a gravação das Runas apropriadas nos objetos/locais que devem ser imantados e a invocação dos deuses a elas relacionados para que estes abençoem a sua intenção. No passado, podíamos ver Runas gravadas nas paredes das casas, em canecas, espadas e escudos, só para citar alguns exemplos. Bernard King, no livro Elementos das Runas, cita um exemplo tirado do Sigrdrifomál:

Runas de triunfo, se desejar

Você irá gravar no punho da espada,

Algumas na bainha, algumas na lâmina,

E evocar Tyr duas vezes.

Originalmente, os diferentes povos de língua germânica formavam o que denominamos formalmente de religião teutônica mas que pode ser conhecida pelos nomes Galdr ou Odinismo, Ásatrú (um termo do nórdico antigo para “fé nos Æsir”), Seiðr (grupo voltado especificamente ao culto da deusa Freyja) ou simplesmente Troth, que pode ser traduzido por “fé” ou, mais especificamente, “lealdade”). Estes grupos também se utilizam das Runas em seus rituais mágicos mas, neste caso, existem alguns “pré-requisitos”, como a iniciação em um grupo apropriado, chamado gild, para se tornar um vitki, ou seja, um mago teutônico.

Magia, na definição de Aleister Crowley, é “a arte de causar mudanças através da vontade”. McGregor Mathews, de uma forma não muito diferenciada, afirma que magia é “a ciência do controle das forças na natureza”. Ao se referirem ao conceito de wyrd (destino), Marijane Osborn e Stella Longlans, autoras do livro O Jogo de Runas (Ed. Siciliano), fazem um comentário interessante, alegando que o destino só controla a vida de um homem quando ele, por algum tipo de limitação, não assume a responsabilidade pelo seu futuro. Seja como for, todos os princípios morais e mágicos do Troth estão presentes nos textos tidos como clássicos na mitologia nórdica, como é o caso do Edda, que existe numa versão prosa, escrito por Snorri Sturluson por volta de 1235, e numa versão verso, datada de aproximadamente 900 DC. O Hávamál, por exemplo, faz parte do Edda em Verso, também conhecido como Edda Antigo.

Enquanto o anel pode ser considerado um poderoso talismã de proteção, reunindo todas as energias do Fuþark, o pingente com Wunjo poderia ser utilizado para atrair a alegria, a harmonia e a camaradagem por onde quer que você passe. Eu o recomendaria, por exemplo, para alguém que não consegue ver nada de bom na sua vida ou para alguém novo em um grupo de trabalho ou de estudo. No primeiro caso a pessoa aprenderia a ver a beleza presente em todas as coisas e a se abrir para as oportunidades que talvez existam mas que ela não consegue perceber com o seu pessimismo. No segundo caso, o objetivo é evitar o isolamento, seja por causa da atitude das outras pessoas ou dela própria.

Uma outra forma de atrair a energia das Runas é utilizando o próprio corpo como “antena”, o que pode ser feito através de asanas específicos que procuram reproduzir a forma de cada Runa. O termo asana é de origem sânscrita e se refere às posturas yogues. Dentro da tradição rúnica, contudo, uma única postura é chamada de Stádhagaldr e uma seqüência delas é chamada de Stöður. Na ilustração ao lado temos apenas a postura Raiðo mas se você acessar o site de Aufsteigender Adler será possível visualizar através de fotos o alfabeto inteiro.

Depois de alguns minutos de interiorização, a recomendação é que o mago assuma a posição da sua escolha , entoe o respectivo mantra (o valor fonético da letra) e recite o Antigo Poema Rúnico Inglês logo em seguida. O próximo passo, de olhos fechados, é visualizar a Runa à sua frente refletindo sobre os seus significados. Se tudo der certo, é possível que se sinta de imediato alguma “vibração diferente” em todo o corpo, por isso o exercício exige acompanhamento e moderação. O Stöður não é diferente. Muito semelhantes à prática do Tai Chi Chuan, o importante é ter em mente a seqüência correta (o Fuþark completo, por exemplo) e desenvolver uma “coreografia” harmoniosa.

Para quem prefere meditar sentado a opção é reproduzir os símbolos rúnicos apenas nas mãos. Na tradição oriental é dado o nome de mudra para estes gestos. Não sei se existe um nome específico em alemão para isso.

Antes de passar para as propriedades mágicas de cada Runa, devemos considerar, em alguns casos, a utilização de outros instrumentos para a invocação e canalização destas energias. Um altar Troth, por exemplo, não difere muito de um altar Wicca, com as representações do Deus (Óðinn), da Deusa (Freyja) e dos Quatro Elementos. Um produto muito simpático da Tara Hill Designs é um bastão rúnico (elemento Fogo) em madeira com o Fuþark entalhado, muito embora este tipo de sofisticação não seja realmente necessário. Apenas como esclarecimento, o nome da esposa de Óðinn é Frigg, e não Freyja. Contudo, é esta, e não a primeira, que divide com Óðinn os atributos de natureza mística.

#Runas

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/magia-r%C3%BAnica

Livre Arbítrio

Jean Dubuis

Existe ou não livre arbítrio para os humanos?

A resposta depende do ponto de Evolução do indivíduo. Como qualquer coisa resultante da incorporação da Eternidade e do espaço-tempo, a questão do livre-arbítrio na Evolução é uma questão difícil de explicar. No entanto, como é uma chave principal, tentaremos entender como ela funciona.

Tudo na Natureza passa primeiro por uma fase de involução e depois por uma fase de evolução. Na origem, o homem é um ser eterno em potencial, mas pode, de repente, partir do ponto-semente primordial para o Ser realizado do fim dos tempos. Essa mudança ocorre em etapas. O homem necessariamente desce a mundos mais densos até chegar ao nosso: é a fase de involução. Quando as estruturas apropriadas estiverem preparadas, o homem pode iniciar a viagem de retorno. Esta é a fase evolutiva, o caminho da reintegração. Esta viagem, em ambas as direções, é realizada em dez passos que correspondem a dez níveis de consciência no homem, os dez níveis de energia da Criação.

O Homem Verdadeiro é, portanto, de Essência Eterna (Energia Primal). Essa Essência, como tudo que vem do Universo, passa por uma série de preparativos no tempo. Portanto, o Ser de Essência Eterna eleva-se gradativamente até sua realização através do tempo, parte ativa da Eternidade. Esta preparação é realizada em três ciclos:

  • Involução-evolução mineral,
  • Involução-evolução da planta,
  • Involução-evolução animal.

Então o foco da Energia Primordial, o ponto-semente do Ser atinge a autoconsciência, o primeiro passo decisivo para a Realização. A diferença essencial que causará a involução e a evolução é que o homem onisciente mas passivo do começo se torna o homem onisciente ativo do retorno, ou seja, livre.

Na Essência Eterna, o determinismo não existe. Não pode existir porque o elemento tempo ainda não se manifestou. Ele se manifestará em 3-4 (veja o diagrama acima). Na Criação há duas áreas: a do infinito, a da Eternidade; e a do Espaço-tempo do mundo finito e determinado. É neste último que o homem adquirirá a liberdade.

A Primeira Energia, quando brota, envolve três estágios:

  • Emanação no manifesto,
  • Diferenciação que cria dualidade em energia,
  • Condensação ou coagulação da energia em matéria.

Essa diferenciação de energia, ao criar dualidade, separa as polaridades passiva e ativa do homem andrógino.

Concomitantemente ocorre a diferenciação do espaço-tempo. Aparece então uma possibilidade de ação, ou iniciativa, de que o ser ativo seja capaz de agir sobre o passivo. O livre arbítrio pode começar a se manifestar.

Durante a descida (ou involução), essa dualidade vai aumentando, e com ela a possibilidade de aumentar a ação. Mas, ao mesmo tempo, o esquecimento abrange a onisciência da Origem e o determinismo aumenta sua aderência. Vamos esclarecer esse fenômeno.

A parte eterna do homem, livre em sua essência, não pode atuar em seu mundo de eternidade por falta de espaço-tempo. Seu domínio das leis da Natureza só pode ser expresso através do vínculo com a parte encarnada do homem. À medida que o ser progride para mundos cada vez mais densos, o ser é cada vez mais forçado a agir sob a pressão de forças mecânicas determinísticas da matéria. Assim, o vínculo entre o ser Eterno e o eu na Terra se estica e enfraquece. O livre arbítrio do homem depende da qualidade da conexão entre seu ser Eterno e seu ser na Terra.

No nível mais baixo, o nosso (nível 10), as leis dos vários planos limitam o campo de ação do homem, e ele não pode mudar isso antes do início de sua ascensão ao seu estado original. Dentro da área do “mundo finito”, o homem é livre, ou seja, livre dentro desse quadro finito. Ele pode, portanto, aprender a ser ativo, a empreender.

Ele também pode se recusar a agir e ignorar momentaneamente a “Pressão Cósmica” que o leva a se tornar. Neste caso, se ele estiver muito atrasado em seu Caminho, o vínculo com a eternidade enfraquecerá ainda mais com sua recusa em estar atento ao que lhe convém. Essa escuta, é verdade, ainda é muito baixa ou inaudível. Assim, o determinismo o obrigará a retomar sua Rota, geralmente de maneira desconfortável.

De fato, o livre-arbítrio para o homem é estar atento às Leis da Natureza e aplicá-las para aumentar seu escopo de ação. Podemos ordenar a Natureza apenas pelo uso de suas leis.

A boa vontade, ou a abordagem inteligente de ir na direção da “Pressão Cósmica” aumentará o livre arbítrio do homem e ao mesmo tempo permitirá que ele retorne (evolução).

Quando a jornada de Retorno estiver completa, o homem recuperará a onisciência original e terá forjado dentro de si a capacidade de usá-la em ciclos contínuos de Criação.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/livre-arbitrio/

Astaroth

Uma Breve Introdução ao Conceito da definição do Ser.

Há muito que se aprender sobre determinadas Inteligências, só que, é sabido pela grande maioria dos estudiosos do Ocultismo, seja este em qualquer ramificação das religiões da mão esquerda, que os detentores dos poderes políticos das religiões de massa e escravistas, fizeram de tudo para que esses conhecimentos não chegassem até nós, nos dias de hoje. Infelizmente a religião judaico-cristã contribuiu para a destruição quase que total de toda fonte verossímil acerca de tais saberes.

O que podemos ainda contar, mas não em grande veracidade são com alguns Grimórios (livro de conhecimentos mágicos, a grosso modo falando), que em 90% dos casos estão propositalmente alterados pela religião, a fim de distorcer, denegrir e ocultar a Gnose ou Sabedoria, como queira, acerca de determinadas Inteligências.

Não usarei de delongas explicando o que é um demônio, pois o Portal Morte Súbita está repleto de informações riquíssimas sobre os mesmos, somente abrirei um parêntese sobre a etimologia do vocábulo a fim de sustentar a minha posição de utilizar Inteligência neste texto em vez de Demônio. É praxe que até a expressão “demônio, foi demonizada” por quem muito astutamente não queria que todos tivessem acesso a estes seres brilhantes e ajudadores em via de regra da humanidade. “Demônio” deriva da língua grega daimónion, ou daimon que quer literalmente dizer Gênio, ramificando-se para a língua árabe, a palavra se dimana para “djjins” que significa gênio. Daí surgira o mito do “Gênio da Lâmpada”, como todos conhecem.

Um Deus, uma Deusa, um Demônio ou uma Inteligência?

Neste caso, o uso da palavra Inteligência tem a denotação de atribuir toda à Sabedoria que um Ser Superior, diferente dos homens, possui em sua totalidade. Pois bem, mais a frente, tentarei sucintamente atribuir Astaroth em relação à sua Esfera Cabalística e em relação à sua Qliffot (sem adentrar a fundo no conceito de Kabbalah), pois se encontram também aqui no Portal, bons materiais que abordam o assunto, mas é através destes textos cabalísticos que Astaroth é mais profundamente conhecido como um Arquedemônio com poderes inimagináveis!
Em 1458, em alguns fragmentos de escritos hebraicos relacionados a demonologia, pode-se encontrar, por exemplo, no Livro de Abramelin,  Astaroth sendo o primeiro conhecido demônio do “sexo masculino” além de Satã, Beelzebuth, dentre outros, o que se popularizou ainda mais nas escritas de outros grimórios ao longos dos séculos conseguintes.

A antiga cidade da Cananéia, ademais de “pertencer” ao povo hebreu, de origem monoteísta, (hoje compreendida entre parte da Faixa de Gaza, talvez a Cisjordânia e a Jordânia) incluíram em suas adorações aos deuses pagãos o culto a esta Divindade como uma Deusa chamada Astarote. Na demonologia antiga, esta Inteligência pôde ser chamada de Astaroth, Astarote, Astarot e Asteroth, todas significando a sua coroação de um Príncipe no Inferno.

Alguns teóricos em demonologia afirmam veementemente que somente a partir do segundo milênio a.C. que o nome Astaroth fora reconhecido, e que fora derivada da Deusa fenícia Astarte, também anteriormente como a sumeriana Ianna e equivalente a babilônica Ishtar.
Ademais disso também temos a questão da antropomorfização, onde queremos atribuir questões inimagináveis ao que imaginável, do impalpável para o palpável, fora as questões culturais da época em relação principalmente do povo hebreu com questões machistas, que não aceitavam nem em suas relações interpessoais que mulheres tivessem algum valor, quanto mais atribuir a uma Deusa, digamos assim, o poder de trazer algum tipo de benção, seja lá qual fosse a este povo. Todavia, deixando de lado o estereótipo sobre a “sexualidade” da Inteligência, daremos curso ao nosso pequeno estudo.

Astaroth e a Bíblia

Astharthe (singular) e Astharoth (plural) vem da tradução da Bíblia Vulgata Latina, tradução essa possivelmente da Deusa Ashtart ou Astarté, conforme dito no tópico anterior.

No livro de Juízes, no capítulo 2, dos versos 11 ao 13 é clara a insatisfação dos hebreus com seu Deus Iavé, o que os faz, quase que repentinamente, e, por toda a bíblia, repetidamente abandoná-lo e seguir aos outros Deuses.

“Então fizeram os filhos de Israel o que era mau aos olhos do senhor; e serviram aos baalins.

E deixaram ao senhor, deus de seus pais, que os tirara da terra do Egito, e foram-se após outros Deuses, dentre os Deuses dos povos, que havia ao redor deles, e adoraram a Eles; e provocaram o senhor à ira.

Porquanto deixaram ao senhor, e serviram a Baal e a Astarote.”

A insatisfação também toma conta do dito Rei mais sábio de Israel Salomão em 1 Reis 11:5:

“Porque Salomão seguiu a Astarote, deusa dos sidônios, e Milcom, a abominação dos amonitas”.

Em guerras entre Filisteus e Hebreus: em 1 Samuel 31:8-10:

“Sucedeu, pois, que, vindo os filisteus no outro dia para despojar os mortos, acharam a Saul e a seus três filhos estirados na montanha de Gilboa. E cortaram-lhe a cabeça, e o despojaram das suas armas, e enviaram pela terra dos filisteus, em redor, a anunciá-lo no templo dos seus ídolos e entre o povo. E puseram as suas armas no templo de Astarote, e o seu corpo o afixaram no muro de Bete-Seã.”

O Deus dos hebreus com crises de ciúmes e consciência em 1 Reis 11:33 :

“Porque me deixaram, e se encurvaram a Astarote, deusa dos sidônios, a Quemós, deus dos moabitas, e a Milcom, deus dos filhos de Amom; e não andaram pelos meus caminhos, para fazerem o que é reto aos meus olhos, a saber, os meus estatutos e os meus juízos, como Davi, seu pai.”

De novo? Em Juízes 10:6:

“Então tornaram os filhos de Israel a fazer o que era mau aos olhos do SENHOR, e serviram aos baalins, e a Astarote, e aos deuses da Síria, e aos deuses de Sidom, e aos deuses de Moabe, e aos deuses dos filhos de Amom, e aos deuses dos filisteus; e deixaram ao SENHOR, e não o serviram.”

Astaroth e a Goétia

Segundo a Arte Goétia (tema bastante controverso e polêmico, particularmente falando), tentarei aqui, ser ao máximo imparcial, apenas apontado relatos de crença e histórico. Através de “A Chave Menor e As clavículas de Salomão”, é “possível” ao magista através de “triângulos” com os nomes de anjos e nomes do deus hebreu, através de um suposto anel com símbolos judaicos, “submeter” esta Inteligência, e, até mesmo sujeitá-la a interrogatórios para diversos fins de proveito próprio, como a arte adivinatória, os segredos da Criação, questões que envolvem o passado, o presente e o futuro, sabedoria ilimitada nas artes liberais e eticétera. Ainda pela Goétia, temos conhecimento de que Astaroth é na contagem dos 72 “Demônios” é o 29º, que aparece montado sobre uma besta, semelhante a um Dragão Infernal, tem a fisionomia de um anjo medonho, e, ainda reina sobre 40 legiões, além de ser um demônio poderosíssimo!


Selo de Astaroth segundo a Goétia

Esta é a descrição de Astaroth segundo o Dicionário Infernal: Usa uma coroa reluzente, vêm sempre montado em sua besta-fera-dragão, que possui uma cauda de serpente e asas, e vem despido, aparentemente tendo algumas penas (provavelmente asas). Outra versão de aparições bem semelhante é a de que Astaroth propriamente é um homem desnudo com asas, possui mãos e pés de dragão e segura uma serpente em uma das mãos, vindo cavalgando sobre um lobo ou cachorro gigante. A possibilidade do livro do Apocalipse estar fazendo menção à Astaroth é segundo ainda outras aparições, onde Ele é um Cavalheiro Negro montado em um grande escorpião.

Existe uma teoria extremamente controversa de que Ele tem como seu principal adversário o “santo” Bartolomeu, porque este último resistiu as suas “tentações” e pode ajudar a quem rogá-lo. Segundo remonta a história, as tentações vencidas foram nada mais nada menos que: a preguiça, a vaidade e as filosofias racionalizadas, isso também é relatado por Sebastien Michaelis.

Já segundo Francis Barret e outros demonologistas do século 16, Astaroth é um dos principais acusadores e inquisidores, onde no mês de Agosto os ataques ao homem por esse demônio são extremamente fortes. Pode ser que o mito da frase: “Agosto o mês do desgosto” tenha alguma relação com o fato narrado.

Outros que afirmam que tiveram contato direto ou indireto com esta inenarrável Inteligência passaram a terem uma desenvoltura absurdamente ampla nas ciências da matemática, no artesanato, na pintura, conseguiram desvendar segredos indecifráveis, além de encontrarem tesouros escondidos por magos e feiticeiros, e, até mesmo a tão almejada arte da invisibilidade. Além de terem recebido poderes para enfeitiçarem serpentes de todos os tipos.

A Influência desta Inteligência em nosso presente século é absurdamente inconfudível!

Astaroth e as Artes

Na Música:

  • Referência na música da Banda de Back Metal Mercyfull Fate – “No som do sino do demônio”.
  • Referência na música da Banda de Doom Metal Candlemass – “Anão Negro”.
  • Referência na música da Banda de Doom Metal Draconian – “Embrace the Gothic” e Serenade of Sorrow”
  • A Banda Testament contém uma referência à Astaroth na música “Alone in the Dark”
  • A Banda Behemoth de Death Metal menciona-O na canção “Mate os Profetas Ov Isa”
  • Em  “Abrahadabra” de Dimmu Borgir o selo de Astaroth está lustrado  na capa do álbum.
  • Astarte é uma Banda feminina de Black Metal grega, formada em 1995 – aonde um dos hits que mais fizeram sucesso foi uma louvação própria a esta Inteligência – nome da música: Mutter Astarte – do Álbum Demonized, de 2007.
  • Mägo de Oz é uma banda espanhola de folk metal – diante de muitas músicas, possui uma de Adoração Explícita à Astaroth, inclusive informações de como invocar a Inteligência.
  • Dentre muitas outras bandas…

No Cinema:

  • Uma Filha para o Diabo de 1976 – O filme é sobre um duelo entre um escritor de livros sobre ciências ocultas e o demônio, com quem a filha de um casal de amigos fez um pacto. A chave do mistério está nos códigos de Astaroth, num livro satânico.
  • Der Golem, wie er in die Welt Kam  de 1920, Adaptado por Heinrik Galeen e Paul Wegener é sobre uma lenda do gueto de Praga. O rabi Low, para proteger o seu povo de uma ameaça dá vida a uma estátua de barro com a ajuda das forças das trevas. Mas, depois de cumprida a sua missão, o “demônio” é de novo animado para satisfazer a vingança de um rapaz apaixonado pela filha do rabi, e destrói tudo à sua volta. Este é um dos mais famosos títulos do cinema alemão dos anos 10 e 20, de que se fizeram várias versões. A de 1920 é a segunda representação do cinema. Livros esotéricos de consultoria surgiram posteriormente para encontrar o segredo de como criar o tal “monstro de barro”, que segundo muitos apreciadores da obra, atribuem este ser “criado” advindo do submundo a Astaroth.
  • Em 1971 Bedknobs e Broomsticks, é um filme musical onde “A Estrela de Astaroth ‘é um artefato que os protagonistas começam a utilizar a partir da cena da “Ilha de Naboombu”.

Na TV:

  • Num episódio de um seriado chamado “Não ao Exorcista”, no primeiro episódio aparece um demônio que possuía um adolescente, e este demônio “foi” Astaroth.
  • Na 3ª temporada de Friday the 13th: The Series o episódio chamado “As Profecias”, quem está incumbido de abrir a porta de entrada de Lúcifer para a Terra, contada em seis profecias, é Astaroth que aparece como um dos “anjos caídos”.
  • Em Blood Ties, o selo de Astaroth aparece magicamente tatuado nos pulsos da personagem principal.
  • Em “Trials of the Demon”, episódio de Batman: The Brave and the Bold, Astaroth aparece como um demônio, a fim de buscar as almas que tentam escapar de suas mãos.
  • Dentre muitas outras aparições, que tornaria exaustivo a explanação completa aqui.

Nos Games:

  • O Arquidemônio Astaroth é o “chefe” final no game original Ghosts ‘n Goblins e um “chefão” em Ghouls e Super Ghouls ‘n Ghosts . Um personagem similar em aparência e ataque a Ele também aparece como um chefe mediano em Rosenkreuzstilette Freudenstachel .
  • Em MapleStory , Astaroth é um chefe no final do desafio das aventuras
  • No Never Dead , o principal vilão é Astaroth, que mata seu amado e das lágrimas de seus olhos, faz um Demônio Lord Imortal que vai sofrer por toda a eternidade.
  • Em Dungeons & Dragons jogo RPG, Astaroth aparece como uma divindade para aqueles de alinhamento com o “mal caótico”.
  • No game Castlevania: Portrait of Ruin, Astaroth aparece como um nobre egípcio.
  • Em Soul Calibur série de jogos de games, um demônio chamado Astaroth é um personagem jogável.
  • E assim, continua…

Na Literatura:

  • Astaroth aparece como um demônio brevemente no Warhammer 40.000 em Daemonifuge (quadrinhos).
  • É a personagem de Luigi Pulci ‘s Renascença, Épico de Morgante .
  • É o nome de um Romance escrito pelo croata escritor Ivo Brešan .
  • Astaroth aparece como um personagem de apoio / vilão de Marlon Pierre-Antoine de Wandering Stars .
  • É o vilão de Henry H. Neff na Tapeçaria (série).
  • Fez várias aparições como um demônio na história em quadrinhos Hellboy .
  • Dentre outras muitas dezenas de relatos.

Segundo um segmento religioso da “mão esquerda”, Astaroth possui:

  • Posição no Zodíaco de 10 a 20º de Capricórnio
  • Dias concernentes à Inteligência: de 31 de Dezembro a 09 de Janeiro
  • Dentro das Cartas de Tarô é o Ás de Copas
  • Planeta associado: Vênus
  • Cor de vela predileta: Marrom ou Verde
  • Metal: Cobre
  • Elemento: Terra
  • Hierarquia: Grão-Duque das Regiões Ocidentais do Inferno.

 

De todas as informações “colhidas” e expostas em nível de conhecimento e até mesmo como objeto de estudo e verificação anterior, ademais das muitas linhas de raciocínio e compreensão desta Inteligência, sem querer ser pretensioso, o ponto de vista a seguir explanado, é o que tem maior coerência, pois tem extrema relação e compromisso com a Verdade na qual é compreendido Astaroth, Ele pertence e tem relação com a Esfera Planetária de Júpiter, a Porta Obscura associada às suas Evocações chama-se Abbadon e sua Esfera Cabalística é a de Gha´aghsheblah.

Sigilo de Gha´aghsheblah

Os favores daqueles que comungam a verdadeira essência deste Magnífico Deus são:

Misantropia, Aristocracia Satânica, Inteligência, Filosofia, Sabedoria, Riqueza, Luxúria Sangrenta e Fatal, a Manipulação, a Divulgação do Suicídio, a Sorte, a Honra e Descoberta de Novos Aliados, assim como a Canalização das Energias “Sinistras” e a Abertura do “Olho do Holocausto”.

Ele habita / está composto no Quarto Ângulo de Sitra AHRA, simploriamente falando sobre as esferas Qliffóticas da “Árvore da Morte”.
Devido o Seu Portal Obscuro ser Abbadon, Astaroth também é capaz de abrir a 3ª visão e dar poderes de Clarividência ao Magista que o busca, além de fortalecê-lo cada vez mais, a fim de que as falsas luzes demiúrgicas sejam cada vez mais diminuídas, e o adepto da Religião da Mão Esquerda recebe mais ascensão na Luz Negra.

Esses “novos aliados” citados acima, tanto podem ser seres humanos quanto espirituais (espíritos familiares e/ ou daemons), e, a sabedoria não deriva somente da humana, mas também a Satânica (Emancipação do Intelecto), e, quem se aproxima desta Inteligência com o intuito de contemplá-la e não somente usufruir de seus Incontáveis Poderes, poderá ter neste Deus um Verdadeiro amigo, companheiro, e uma fonte inenarrável de Gnose e avanços em amplos sentidos na vida.


Sigilo de Astaroth segundo a Tradição Anticósmica da Corrente dos 218

“Astaroth Nisa Chenibranbo Calevodium Barzotabrasol!”

Hail Astaroth!

Bibliografia: Wikipédia, a enciclopédia livre, A Chave Menor de Salomão, As Clavículas de Salomão, Bíblia Sagrada – Versão Corrigida e Atualizada, Joy of Satan, MLO (Misantropic Luciferian Order), T.O.T.B.L (Templo of the Black Light) e o Liber Azerate – O Livro do Caos Irado 2002.

 

Bruxo Του Βάαλ – A’ arab Zaraq

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/astaroth-2/

O Fim do Tempo

» Parte final da série “Reflexões sobre o tempo” ver parte 1 | ver parte 2

Igne Natura Renovatur Integra (INRI) – Pelo Fogo a Natureza se Renova Inteiramente.

De tempos em tempos acontece, e nem precisa ser uma “data cheia”, como o ano 1.000 ou o 2.000 (esquecem-se de que o milênio novo se iniciou em 1.001 e 2.001, respectivamente), a última data “prevista” foi 21/05/2011, precisamente às 18h do horário local de cada país do mundo… Segundo o pastor protestante Harold Camping, os bons seriam arrebatados aos céus de acordo com seu respectivo fuso-horário: na Nova Zelândia teriam a oportunidade de se aventurar aos céus mais cedo, na ilha de Samoa seriam alguns dos últimos, já que o governo ainda não efetuou a troca de fuso-horário [1].

E para quem os portões do céu não se abrissem, restaria o inferno na Terra até 21/10/2011, data em que um deus colérico poria fim não somente ao planeta, mas a toda criação – o fim do Cosmos, o fim de todo o espaço-tempo!

Não é a primeira vez que Camping foi ridicularizado por uma previsão errada do fim do mundo. Ele chegou a escrever um livro sobre como o arrebatamento ocorreria em 1994, e já estava errado desde aquela época. Interessante como eles parecem não se importar… O ocultista (e ultimamente, especialista em desmistificar lendas do fim dos tempos, como a baseada no calendário maia) Marcelo Del Debbio costuma dizer que não tem coisa mais inútil do que se prever o fim do mundo – se o sujeito errar, será ridicularizado; se acertar, não restará ninguém para lhe dar atenção (há não ser aqueles poucos que conseguirem se encontrar no céu, supondo que quem previu não tenha cometido o pecado da falsidade em previsões anteriores).

Saibam que a previsão de Camping nem de longe soa tão absurda quanto a que Charles Russell realizou para 1914, e sobre a qual as Testemunhas de Jeová depositaram toda sua fé… O absurdo não é por ter se equivocado, mas porque existem Testemunhas que creem que o mundo acabou em 1914. O que vivenciamos hoje é uma espécie de sonho, uma ilusão que nos impede de perceber que o mundo já acabou. Sim, não faz sentido, mas e daí?

Um dia recebi em minha caixa de correio uma carta de uma Testemunha me convidando para visitar uma de suas igrejas. A carta era muito amável, mas o que realmente me surpreendeu é que foi escrita a mão! Fiquei imaginando quantas cartas aquela senhora escreveria toda semana, de próprio punho, provavelmente para serem descartadas antes mesmo de terem sido lidas… Os religiosos gostam de se sacrificar por suas causas, e que maior sacrifício, que maior evento divino, cósmico, que o próprio fim dos tempos?

Quando, em 1722, o explorador holandês Jakob Roggeveen alcançou, num domingo de Páscoa, aquela distinta ilha isolada do resto do mundo por muitos quilômetros de oceano, encontrou apenas alguns nativos miseráveis, com barcos de pesca precários, numa terra árida… Mas viu também os gigantes de pedra, os moais de formas humanas, que chegavam a ter até 10m e em torno de 270 toneladas. Como aquele povo miserável conseguira erguer tamanhas maravilhas?

Os moais da ilha da Páscoa nada mais eram que a testemunha de um pequeno fim do mundo local… Se hoje o cenário da ilha é desolador, fósseis encontrados na lava vulcânica de Terevaka, um deus vulcão, revelam que a ilha chegou a abrigar a maior espécie de palmeira do mundo e uma floresta tropical com mais de 21 espécies de grandes árvores. Essa foi a grande fonte de matéria prima da civilização dos Rapanui em seu apogeu.

Nessa época, entre 1400 e 1600, a sociedade se dividia em 12 clãs. Eles compartilhavam pacificamente os recursos naturais da ilha. A competição se resumia à fabricação dos moais, a partir das rochas vulcânicas. Eles representavam membros mortos das elites dos clãs. Ao longo da história da ilha, o tamanho dos moais foi aumentando, o que sugere um acirramento na competição ente os clãs ou um maior apelo aos deuses. As árvores da ilha precisavam ser derrubadas para a construção de trenós, trilhos e alavancas para a construção dos moais (além, é claro, para as canoas de pesca e residências). Infelizmente, para os Rapanui, a natureza tinha um limite…

O desmatamento desenfreado teve impactos profundos na ilha. As poucas aves marinhas que não foram extintas pela caça predatória dos Rapanui ou dos ratos, migraram. Erosões no solo dificultavam o plantio. Em 1500, já não haviam mais árvores para a construção de canoas, e então a pesca de peixes grandes desapareceu. Por volta de 1680, explodiram guerras civis, e os clãs começaram a derrubar as estátuas dos rivais (Roggeveen já encontrou a maior parte delas no chão). Nobres e sacerdotes das elites já não conseguiam justificar seus status junto aos deuses, e foram eliminados por uma milícia que assumiu o poder na ilha.

Os novos donos da ilha adotaram um deus menor do antigo panteão e começaram a desenhar homens-pássaros e genitais femininos nos antigos moais, representando a nova divindade. Faminta, a sociedade se degradou até o canibalismo – muitos foram morar em cavernas. Em 1700, 70% da população de Páscoa havia desaparecido. No lugar dos imensos moais, escultores agora faziam pequenas estátuas (os moais kavakava) que mostram pessoas famintas, com o rosto fundo e as costelas à mostra.

Após a chegada de Roggeveen, vieram às epidemias de doenças europeias, os sequestros de insulares para trabalhar como escravos no Peru, e em 1864, com a vinda dos missionários católicos, o que restava da tradição oral dos antigos Rapanui foi perdido. Em 1872, restavam 111 habitantes de um povo que um dia, estimasse, contou 15 mil pessoas. Os moais, restaurados, são a testemunha petrificada do fim do tempo de um povo – na maior parte, causado por ele mesmo [2].

Teriam os sacerdotes Rapanui previsto um fim do mundo? Nesse caso, teriam eles acreditado que o fim da ilha da Páscoa significava o fim de toda a criação? Teria sido a construção de moais cada vez maiores uma tentativa desesperada de barganhar com os deuses em troca de alguma espécie de salvação, de arrebatamento dos “puros” aos céus?

O tempo e o espaço da ilha da Páscoa soa assustadoramente como um espaço-tempo contido, uma bolha temporal, de nossa civilização como um todo… Em nossa ignorância, em nossas desavenças, cremos que deuses virão para salvar somente um pequeno grupo, uma pequena elite, “preparada” para a salvação. Para estes, estranhamente, o fim dos tempos não é uma coisa ruim. O fim de toda a vida no Cosmos se justificaria se, em troca dessa catástrofe, alguns poucos se encontrassem com algum deus estranho nos céus, para fazer “não se sabe o que”.

A história dos Rapanui, entretanto, nos traz lições de como tudo poderia ter sido diferente… Prosperaram por séculos dividindo de forma harmônica os recursos da natureza ao seu alcance. Foi o desejo de competição, de parecer “mais especial” perante aos deuses, que fez com que se arriscassem a ir além dos limites de seu ecossistema, apenas para erguer estátuas de pedra. Erguidas não para os deuses, mas para eles próprios, para que o clã ao lado se sentisse inferiorizado.

E o que tem sido a história de nosso tempo, e de nossas igrejas, senão um reflexo do tempo de Páscoa em maior escala? Senão uma tentativa desesperada para fazer os infiéis, os escolhidos dos “outros deuses”, se sentirem inferiorizados perante as conquistas e a “verdade” de suas próprias igrejas?

Houvessem eles lido nas entrelinhas da natureza, houvessem eles se apercebido que vivemos numa pequena ilha cercada de infinito por todos os lados, saberiam que todo o tempo do mundo se resume ao momento em que o ser se encara, face a face com Deus, com o Cosmos, com a substância que permeia todo o tecido do espaço-tempo… Esse momento é eterno, e se faz na consciência, no paradoxo da mente que sabe de cada momento de sua ascensão, mas ainda assim os encena com maestria, passo a passo, rumo ao que quer que seja que os gigantes de pedra estão a observar – mas não houve tempo para nos contar.

Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de edificar, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de saltar de alegria, tempo de espalhar pedras e tempo de juntar pedras, tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar, tempo de buscar e tempo de perder, tempo de guardar e tempo de deitar fora, tempo de rasgar e tempo de coser, tempo de estar calado e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de guerra e tempo de paz (Eclesiastes 3:1-5).

***

[1] O artigo foi escrito antes desta mudança, em 2011 (ver parte 1 desta série).

[2] Ver o artigo “As testemunhas de pedra”, de Pedro Pracchia, na edição especial da Superinteressante sobre “O fim do mundo” (Maio/2011).

Obs: Me enviaram, pelos comentários, uma reportagem recente da Scientific American que traz uma nova visão acerca das causas do colapso ecológico dos rapanui. Veja aqui o artigo. O fato de possivelmente não terem sido responsáveis diretos pelo colapso de sua própria ilha não invalida a questão religiosa e existencial envolvida em sua relação com “o fim do mundo”. Há também que se considerar que a colonização europeia também foi importante na extinção de sua cultura. Vejam meu adendo sobre o assunto.

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#Cristianismo #ecologia #Religiões #Tempo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-fim-do-tempo

O que se pode esperar dos Aethyr enoquianos

© Oliver St. John 2014, 2019

Às vezes é dito, e com grande convicção, que o sistema dos Trinta Aethyrs não pode ser equiparado aos graus mágicos. A visão é surpreendente, pois isso foi feito e provou funcionar de forma muito eficaz.

O trabalho espiritual e mágico dos graus além de Tiphereth é mapeado e explorado através do sistema Enochiano dos Trinta Aethyrs. No entanto, às vezes ainda podemos ouvir coisas como “Somente Jesus Cristo atingiu realmente o grau de Tiphereth”, ou “Nenhum ser humano pode cruzar o Abismo”. Em certo sentido, tais afirmações são verdadeiras. Para todos os propósitos práticos, porém, podemos considerar esse conselho transmitido como um aviso para não reivindicar graus de iniciação aos quais não temos direito. Em qualquer caso, os graus de iniciação são relativos a cada pessoa e não têm nenhum significado fora de uma estrutura interna da Ordem mágica.

Os graus pós-Tiphereth não podem ser experimentados em nenhum sentido pleno através do conhecimento comum, exploração astral ou pathworking. O sistema enoquiano, no entanto, fornece uma base prática satisfatória para as experiências mágicas, espirituais e de vida que correspondem a títulos de grau grandiosos como Adeptus Major e Adeptus Exemptus.

Os Trinta Aethyrs devem ser trabalhados sistematicamente. É imprudente tentar “saltar” para os Aethyrs superiores antes que os inferiores tenham sido completamente explorados. Primeiramente, examinaremos como os planos mágicos funcionam em relação aos Trinta Aethyrs. Então veremos como todo o curso de iniciação, tudo o que é possível para o mago conhecer e compreender, pode ser ligado ao sistema enoquiano.

O Plano Terrestre e as Torres de Vigia

O plano material é a chamada realidade objetiva, percebida pelos sentidos comuns do homem. O plano material é governado pela matéria e pelo tempo. Para os não iniciados, este mundo é absolutamente verdadeiro e não há nada além dele. No sistema enoquiano, o universo terrestre é limitado e fechado por Quatro Torres de Vigia. Além destes, em círculos cada vez maiores, estão os Trinta Aethyrs. Estes podem convenientemente ser pensados ​​como níveis de consciência.

O Plano Etérico: 30º Aethyr (TEX)

O mais baixo ou mais material dos Aethyrs é o reino imediatamente atrás do da matéria física. Ele se expande para a matéria em certo sentido, enquanto as partes superiores do Plano Etérico tocam as regiões inferiores do Plano Astral. O Plano Etérico é a morada tradicional de fantasmas, carniçais, fantasmas e vampiros, e é o principal reservatório do que é frequentemente chamado de sobrenatural. É o principal campo de atuação de médiuns, médiuns profissionais e afins, que frequentemente imaginam estar trabalhando com inteligências espirituais “superiores”. Em teoria, um Neófito deve ser capaz de entrar e experimentar o TEX, o 30º Aethyr, mas não aqueles além dele.

O Plano Astral: 29º (RII) ao 24º (NIA) Aethyr

As regiões inferiores do Plano Astral são idênticas aos reinos do céu e do inferno que são o esteio das religiões do mundo. Esses Aethyrs são relativamente escuros. Eles são permeados por um pesado senso de julgamento e pecado, mas incluem zonas de intenso desejo e anseio. Uma vez alcançado o NIA, o 24º Aethyr, o mago se acostuma a viajar em um corpo de luz. O contato foi obtido com forças espirituais ou inteligências que ajudarão a progredir ainda mais. O Limiar entre o Plano Astral e o Plano Hermético está entre NIA e TOR, o 23º Aethyr. Isso é mais ou menos idêntico ao Véu de Paroketh e ao grau mágico de Dominus Liminis.

O Plano Hermético: 23º (TOR) ao 14º (UTA) Aethyr

O Plano Hermético é um reino de pura consciência desconhecida do corpo astral de luz. No 22º Aethyr de LIN, o Sagrado Anjo Guardião prepara o Adeptus Minor para a realização da ausência de forma por trás de todas as formas. Quando o 20º Aethyr de KHR foi explorado, o Adeptus Major se acostumou com o Plano Hermético e obteve um certo domínio dos processos de pensamento. POP, o 19º Aethyr, traz a primeira indicação do limiar do Abismo. Em ZEN, o 18º Aethyr, o Adeptus Major é preparado para a iniciação ao próximo grau de Adeptus Exemptus. O nível mais alto do Plano Hermético é encontrado no 14º Aethyr de UTA, que é o último Aethyr a ser explorado antes que o Juramento do Abismo seja feito.

O Plano Espiritual: 13º (ZIM) ao 1º Aethyr (LIL)

Os graus mais altos envolvem toda a experiência da vida. O Magister Templi é preparado gradualmente para a travessia do Abismo. É imprudente tentar entrar nos Aethyrs superiores sem o grau ou nível correspondente de iniciação e experiência.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/o-que-se-pode-encontrar-nos-aethyr-enoquianos/

Esquecimento de Vidas Passadas

Um dos grandes “vilões” da teoria da reencarnação é o esquecimento. Muita gente pergunta “se esse negócio existe, por que não lembro de nadinha das vidas passadas?” ou “Como vou pagar um karma se eu não lembro do que fiz?”.

Ora, basta analisar a natureza humana pra saber que o esquecimento das vidas passadas é mais do que justificável: é essencial. Muitos rezam todo dia o pai nosso. Mas quantos perdoam de verdade as ofensas? Durante UMA vida fazemos muitas besteiras das quais nos arrependemos. Imagine isso multiplicado por várias vidas! Outro detalhe: o mente (não o cérebro, já que usamos muito pouco da capacidade dele) não “processaria” adequadamente a existência de múltiplas realidades/personalidades coexistindo (quem já teve um deja vu sabe que é quase uma pane na mente, tudo fica em câmera lenta, você fica desorientado…). Seria inviável e pouco prático, e a natureza em suas obras é evidentemente prática, embora não simplória.

Segundo Emmanuel (mentor de Chico Xavier) a sede da memória fica no corpo astral. Lá temos o registro de todas as vidas, todas as experiências, e como o corpo astral fica sobreposto ao corpo físico, ele equivale na psicologia ao inconsciente (ID), um manancial de informações inacessível normalmente ao consciente (daí que vem as técnicas de regressão, etc). Mas mesmo assim há limitações ao quanto se pode acessar. Um outro espírito que saiba como fazê-lo pode ver suas vidas como quem vê um filme (e isso me lembra o modo como o cérebro armazena suas informações, como num holograma, mas isso é assunto pra outro post), mas a pessoa desencarnada não fica automaticamente com lembranças de todas as vidas, pois ainda está sob efeito da última encarnação. É preciso um trabalho de “despersonalização” pra pessoa assimilar as outras vidas, coisa que aqui na Terra muitos já o fazem, e assim descobrem até aqui mesmo fragmentos de outras vidas. Quando reencarnamos, o acesso às informações do corpo astral é magneticamente limitado (algo como colocar uma senha) e, se tal informação não pode ir pro consciente, não irá nem com hipnose ou reza braba. Isso é essencial pra missão aqui, porque muitas vezes essas missões são de reconcilização (harmonização, como chamam do “lado de lá”) e isso se faz com aqueles que você odiou ou prejudicou em vidas passadas.

É possível que os pais recebam um filho com todos um “gênio ruim”. Vão olhar pro alto e dizer “Deus, fomos excelentes pais! Que fizemos pra merecer isso?!” quando a resposta está no fato de que um dos dois (ou os dois) foi responsável pelo que esse garoto é hoje, OU até mesmo responsável pela pessoa que ensinou/levou esse espírito a ser o que ele é hoje. Se formos ver o Karma pelo Taoísmo, se você for responsável por causar uma desarmonia, ela vai interferir no sistema de tal forma que as ondas de choque desarmônicas vão acabar chegando a você muito maiores, como uma bola de neve descendo pela montanha.

Perguntarão: “Mas, como vou ser amigo, pai ou filho de uma pessoa que odiei (ou que me odeia) em vidas passadas? Como vou transformar isso em amor?”. A resposta é “Pelo condicionamento na carne”. O ser humano é como um microcomputador com a “casca” de um rádio de válvula. Uma mente com potencial enorme (talvez até ilimitado, embora não saibamos disso) mas limitada por uma veste biológica não muito diferente da de um macaco (o DNA dos dois é apenas 1,5% diferente). Pra que? Pra ser influenciado pelos instintos, se apaixonar, se apegar, criar laços familiares, sentir fome e dores no físico (e assim aprender a não fazer certas coisas, como um rato num laboratório).

O “amor à primeira vista” é resultado de vivências passadas, afinidades espirituais, acentuadas pelo instinto de conservação da espécie. Essas pessoas podem se juntar para dar apoio na missão uma da outra, pra orientar, e também pra resolver certas “pendências”, harmonizar-se. Uma união que começa como apoio, sem dívidas, mas que acaba tragicamente VAI TER de ser refeita em outra vida, até que não haja mágoas. Os dois vão se apaixonar, porque lá no íntimo (no “coração”, como dizem) vai haver uma ressonância da vibração de um no outro. A lembrança e o sentimento dos bons momentos juntos voltarão à tona (sem que percebam isso no consciente, obviamente), mas, se certos hábitos do passado voltarem, sentimentos negativos também aflorarão (inconscientemente, também) e pode começar tuuuudo de novo. É justamente essa desarmonia que deve ser combatida, não com fingimento de que está tudo OK, não com tolerância de um lado apenas, mas com UNIDADE, com diálogo, como AMOR de ambas as partes. Um lado cede, o outro cede também, os dois lados se respeitam, mas também contribuem pra melhorar o que acham errado um no outro (não com acusações, mas com “toques”, pois somente a própria pessoa – com o aflorar da consciência e maturidade – é que pode mudar o próprio jeito, pois de outra forma será fingimento ou condicionamento).

Então, estamos “condicionados” a sermos uma individualidade, em prol da missão de restaurar o equilíbrio que nós mesmos afetamos. Mas ainda perguntarão: “Digamos que minha missão não seja com alguém específico que me odeie, digamos que seja construir casas pra uma comunidade que mandei destruir na 2ª guerra. Não seria mais fácil que eu lembrasse pelo menos disso pra eu construir logo essas malditas casas?” Não. Não há mérito algum nesse tipo de “bondade” dirigida. Do ponto de vista terreno e materialista seria ótimo, mas não pra quem pensa em termos de milênios de evolução do espírito, pois que seria uma solução imediatista, e não haveria aprendizado real. É como alguém que ficou devendo ao banco por causa do vício da bebida, se mata de trabalhar pra pagar as dívidas, mas continua um viciado, pronto pra se endividar novamente.

Ficaremos pra sempre reencarnando nesse corpo quase símio? Não. Existem muitas outras “moradas na casa do Pai”, de acordo com o tipo de aprendizado necessário para o espírito. O planeta Terra é lindo como infra-estrutura, mas é um Carandiru, em termos de população (não é preciso ser um grande observador pra notar isso). Oráculo mesmo já não precisa reencarnar aqui (apenas se ela quiser), e ela mencionou que não é tão difícil assim tirar esse “passaporte”. Basta deixar de se comportar como um elemento perigoso aos seus semelhantes pra sair da prisão (e se você está aqui… bem, não foi por “erro de Deus”).

#Espiritualidade #kardecismo #Reencarnação

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/esquecimento-de-vidas-passadas

Introdução à Psiônica: Meditação Focal e Cineses

Meditação Focal

Meditação é fundamental para a prática psiônica. O controle significativo de suas habilidades psi só virá através da meditação constante e regular.

Existem duas classes principais de meditação: meditação no vazio e meditação focal. Meditação no Vazio é uma supressão prolongada da mente, em que se tenta não ter nenhum pensamento e nenhuma consciência a fim de limpar a mente e abrir-se para um novo entendimento. Meditação Focal é uma profunda concentração da mente, em que se tenta concentrar todo o pensamento e consciência sobre uma única coisa, um objeto ou um conceito.

Para efeitos psiônicos, a meditação focal é a forma de meditação que é de interesse primordial. Psiônica utiliza a meditação focal para ganhar a profundidade interior e auto-controle necessário para alcançar clareza nas capacidades de detecção e controle das habilidades psíquicas.

É plenamente possível realizar um ato psiônico sem qualquer meditação. É ainda possível a realização de um ato psiônico completamente por acidente. Mas qualquer um psion (aquele que treina psiônica) que deseja ganhar o controle consistente e profundo das habilidades psi deve usar a meditação focal para o conseguir.

A meditação focal mais básica é consiste simplesmente em selecionar um objeto e olhar para esse objeto, concentrando todos os seus pensamentos e consciência sobre esse objeto. Qualquer objeto vai servir para isso, ele pode ser tão simples como um ponto na parede ou um ponto desenhado no papel. Os melhores objetos para selecionar são os que ajudam a chamar a sua atenção. Um exemplo de um objeto que faz isso para muitas pessoas é um cristal. No entanto, o melhor objeto de meditação focal em psi parece ser a chama da vela.

Meditação da Vela

O exercício a seguir será descrito em termos de uma chama da vela. Você deve procurar uma vela e fazer isso com uma chama de vela real, como a chama faz um excelente trabalho de tirar sua atenção e prepará-lo para trabalho em psi. Se você é incapaz de fazer isso, substituir a chama na seguinte descrição para o objeto focal de sua escolha.

Pegue uma vela. Em um quarto escuro e silencioso, coloque-a em algum lugar livre da desordem, assim você não se distrai facilmente enquanto medita. Acenda a vela e, em seguida, sente-se confortavelmente a um ou dois metros de distância da vela.

Relaxe o corpo e a mente, tanto quanto possível, e veja a chama da vela. Não forçar seus olhos enquanto se concentra na chama da vela, pois o foco é feito em sua mente e não em seus olhos. Limpar todos os seus pensamentos e concentrá-los apenas na chama. Quando os pensamentos vêm a sua mente, ser passivo para com os seus pensamentos, permitindo-lhes passar sobre você e através de você, mas não reconhecer os pensamentos. Mantenha a totalidade de sua consciência apenas na chama da vela.

Continuar a concentrar-se na chama da vela por cerca de 45-60 minutos consecutivamente. Se você estiver distraído e perder o foco, simplesmente corrija o seu foco e volte a consciência para a chama da vela, continuando a sua prática. Com a prática, a meditação focal se tornará mais fácil, e você será capaz de chegar a estados de meditação profunda muito mais rapidamente.

Meditação Profunda

Depois de meditar com foco total no chama da vela por um tempo, você vai começar a entrar em estados meditativos mais profundos. A meditação focal primeiramente vai levá-lo em direção a um estado de calma e tranquilidade, seguido mais tarde pela obtenção de um foco mais profundo. Quando o foco se torna mais completo e você entra em estados mais profundos de meditação, você vai começar a sentir formigamento, zumbido, ou sensação de vibrações, que também será seguido por sentimentos de desapego. Quando estas sensações ocorrem, não se assuste com elas, mas sim aceite essas sensações e receba-as. Permita que aquelas sensações faça-o crescer muito mais enquanto você cai em estados mais profundos de meditação.

Relaxando depois da Meditação

Quando terminar de meditar, você deve retornar gradualmente a um estado normal de espírito. Primeiro comece por relaxar a sua mente, para que outros pensamentos possam entrar. Então você deve calma e lentamente inspirar e expirar, de modo a quando você inspirar a sua consciência voltará para dentro, e quando expirar leve sua consciência para fora, colocando qualquer excesso de energia em você para o chão. Quando terminar de inspirar e expirar algumas vezes, volte sua atenção para o seu ambiente normal e volte ao seu dia.

Benefícios adicionais da Meditação Focal

Psions usam a meditação focal para aprender o domínio de psi, mas os benefícios da meditação focal pode fluir durante a maior parte da vida da Psion. A prática regular da meditação focal produz maior foco mental em outras atividades cognitivas. Ele também ensina uma maior disciplina mental e auto-controle diante das lutas diárias. Meditação traz uma profundidade focal de confiança e de conscientização sobre si mesmo, o que aumenta a interação com os outros. E, finalmente, a meditação focal é o começo da filosofia psi, mudar algo no mundo externo começa sempre por mudar algo dentro de si mesmo.

Cineses

Meditação Focal, e que você praticou com sucesso, atingindo estados de meditação profunda.

Cinese é a categoria de habilidades psi que envolvem fazer uma mudança no mundo físico. Isso inclui mudanças “diretas”, como fazer um objeto se mover, e inclui efeitos “indiretos”, como curar alguém, onde o efeito é provocado, sem especificar o mecanismo direto.

“Cinese” (ou “kinesis”) é a palavra usada para descrever a verdadeira causa de tal efeito, e “Cinético” para descrever aquele que está utilizando Cinese.

Existem muitas palavras que foram criadas para tentar descrever Cinese. Uma delas é “macropsicocinese”, aquilo que causa uma alteração directa, e “micropsicocinese”, o que causa uma alteração indirecta. Outro conjunto de termos, mais ilimitado, é formado pelas tentativas de categorizar Cinese pelo alvo sobre o qual está sendo formado. Este conjunto inclui termos como “biocinese”, para a realização de cinese sobre os organismos vivos, e “pirocinese”, para a realização de cinese sobre fogo. No entanto, cada um desses conjuntos de classificações é completamente desnecessária. A escolha do alvo para cinese não tem nenhum efeito sobre a forma como ele é, na verdade, “cinetizado”.

A classificação de Cinese por tipo de alteração ou mudança (direta ou indireta) tanto é algo fundamental para como a Cinese é realizada quanto é também um tanto desnecessária, tal como a um nível fundamental, toda Cinese é realizada da mesma maneira. Mas pode ser conceitualmente mais fácil de aprender e falar sobre Cinese em termos de Cinese Direta ou Indireta.

O Papel da Alma nas Cineses

Há muitas pessoas que se sentem desconfortáveis com a ideia da alma desempenhando um papel na Psiônica. Para essas pessoas, a alma é uma ideia científica, ou uma ideia que está culturalmente associada a ideias religiosas que eles preferem evitar. Os preocupados com as implicações científicas de uma alma invocam frequentemente descrições físicas de Psi que estão diretamente contraditadas pela evidência e experiência de Psi. Os preocupados com suas associações religiosas ou espirituais muitas vezes criam condições mais complicadas para evitar nomeá-la diretamente, como “o eu não físico” ou “a expressão da vontade interna”.

Mas, apesar dessas preocupações e independentemente de renomeação, a Alma é a parte central do eu que é a única parte de nós mesmos capaz de realizar Psi e que faz todo Psi. O termo ”alma” aqui utilizado é entendido como a parte de nós que executa Psi, que se separa do corpo durante experiências fora do corpo, e que continua a existir depois da morte do corpo físico. A frase “será”, no sentido de realizar psi é essencialmente a expressão da ação da alma. A expressão “auto-consciência”, no sentido de Psi refere-se à consciência da alma.

Cinese pode ser realizada e pode ocorrer sem qualquer consciência da alma. Ela pode até mesmo ocorrer sem consciência de que nada está sendo realizado. Mas, nestas condições, a confiabilidade e precisão será tipicamente muito baixa, e a capacidade de desenvolver as tarefas mais complicadas será restrita. Por isso, é essencial para o progresso na Cinese e na Psi que a consciência da alma seja desenvolvida.

A Meditação Focal é um componente valioso de Psi porque a alma é a parte de você que é revelada quando não há consciência de pensamento. A alma é o “você sob o cérebro”. A verdadeira consciência da alma e da compreensão da alma é o melhor obtida através da experiência, e isso é melhor obtido através da meditação e prática de psi. Praticar Meditação Focal vai abrir a porta que lhe permitirá um contato mais direto com a sua alma. Então praticando Cinese pela expressão da alma lhe permitirá ganhar uma consciência experiencial e compreensão de onde e o que a alma realmente é.

Executando Cineses

O procedimento para a realização de Cinese controlada é essencialmente o mesmo para todo o resultado desejado de Cinese.

O primeiro passo deve ser sempre realizar a Meditação Focal, pois isso coloca você no estado mental adequado para exercer o controle focalizado. Quando você está em um estado de meditação profunda, saia do meio objetivo e foque-se em sua alma.

Suas intenções devem estar unica e exclusivamente voltadas para o objeto a ser alvo da Cinese, de tal forma que a sua auto-consciência está centrada no objeto alvo. Quando sua alma muda o seu foco de acordo com sua intenção, ela poderá realizar a Cinese.

Em seguida, você deve formular a intenção de que você vai Cinetizar formulando o resultado desejado. Então, finalmente, você energiza e atualiza o resultado em sua alma, de modo que ele ocorra neste exato momento.

Todo ato cinético é um reflexo da alma. É uma expressão do Eu Interior sendo refletida sobre o mundo exterior. Quando você quer que algo ocorra, você deve voltar-se para dentro de si mesmo e mudar a natureza da realidade dentro de si mesmo, de modo que por sua vez isto reflita na realidade. O ato de expectativa profunda e completa que atualiza uma cinese é realizado mudando inicialmente as suas expectativas internas de modo que elas representam uma expectativa de que o comportamento natural do objeto será o de cumprir o resultado de sua intenção.

Aprender como fazer essas mudanças internas através de suas expectativas interiores não é de todo uma tarefa fácil, e para fazê-lo de forma eficaz e consistente requer que você desenvolva a consciência profunda e auto-controle profundo, o que pode ser desenvolvido com a Meditação Focal e prática de Cinese. Esse nível de consciência e auto-controle vai refletir sobre muitas coisas de sua vida, e que também irá capacitá-lo com a capacidade de Cinético com razoável confiabilidade e consistência. Para começar no caminho para o desenvolvimento desta consciência e auto-controle, você pode praticar de forma bastante eficaz de aprender a usar cinese para inclinar a chama da vela.

Controlando a Chama

Aprender a controlar a chama da vela é um exercício prático e perspicaz para aprender os princípios da Cinese. A chama da vela pode fornecer feedback direto e imediato para mostrar quando você está acessando e utilizando com sucesso a sua alma para controlar as chamas.

Comece como você fez antes, limpando sua mente com a Meditação Focal na chama de uma vela. Medite sobre a chama da vela até que tenha chegado a um estado de meditação profunda, onde você pode começar a se tornar consciente de sua alma. Quando você está focado em que parte de você que está presente em profunda meditação, veja a chama da vela com a sua alma de tal forma que você sinta o seu centro de percepção e consciência estar no mesmo local que o chama, como se você fosse realmente a vela. Praticar apenas esta parte do exercício até que você esteja confortável com isso.

Em seguida, visualize a chama da vela estabilizar na posição vertical, sem cintilação, e espere que ela tome e manter esta forma. Sinta a sua alma no local da chama da vela, formando a forma da chama que você está visualizando, e espere que a chama tome esta forma. Este ato de “expectativa” é crítico. Você deve acreditar completamente e esperar que ela vai trabalhar no preciso momento em que você está tentando fazer isso funcionar. Mantenha a chama vertical e estável desta forma por um tempo.

Depois de ter conseguido estabilizar a chama, você deve visualizá-la inclinando para a esquerda. Molde a sua forma com a sua alma, e espere que isto funcione neste momento, assim como você fez antes. Não empurre a chama, mas module a forma e perceba, no fundo, com a expectativa, de que a chama da vela já está tomando a forma. Isto pode ser útil para alcançar dentro de si mesmo e mudar sua expectativa interior para que a forma nova que a chama irá ter  é a forma “natural” que a chama da vela possui, enquanto permanecer relaxado e confiante de que isso já aconteceu.

Depois de um tempo, torne a inclinação da chama à direita da mesma maneira. Primeiramente, incline a chama um pouco em cada sentido, então, conforme sua confiança vai aumentando, incline-a mais e mais para o lado que você escolheu. Quando você tentar inclinar a chama e ela ficar “piscando”, tente estabilizá-la em uma inclinação mais suave e controlada e quando ela estabilizar novamente, conclua a inclinação para o lado escolhido. Continuar praticando isso até que você seja capaz de inclinar a chama longe para cada lado escolhido e mantê-la estável nesse local.

Pode levar algum tempo para se controlar isso, porque pode ser difícil ir a níveis profundos de si mesmo, ganhar consciência de sua alma, dirigi-la, controlar suas expectativas internas ao que deseja e refleti-las sobre a realidade presente. Mas se você praticar com foco profundo e passos graduais, você vai dominar tal prática e isto vai abrir uma janela de conhecimento para o restante da Psiônica.

Texto do Veritas. Traduzido por Jeff Alves.

 Desejo a todos vocês um Feliz Natal (atrasado, né?), Boas Festas e um Próspero Ano Novo!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/introdu%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0-psi%C3%B4nica-medita%C3%A7%C3%A3o-focal-e-cineses