Contemplando o invisível

Por Gilberto Antônio Silva

Vivemos em um mundo cada vez mais materialista e cientificista. Qualquer coisa que sobressaia da atividade normal (ou reconhecida como tal) automaticamente é rejeitada e atacada. Apenas o que é visível, mensurável, demonstrável e “cientificamente comprovado” pode ser aceito. Mas sabemos que o Universo não se limita a isso.

Já tive oportunidade de mencionar anteriormente que a filosofia oriental é, em grande parte, ignorada pelo Ocidente, que acredita que se trata de meras superstições, crenças religiosas ou pensamentos irracionais (como se isso fosse possível). Apenas a filosofia ocidental, baseada na objetividade e na análise intelectual minuciosa de cada fragmento de pensamento ou ideia, é realmente uma “filosofia”.

Ocorre que a filosofia oriental possui esse mesmo enfoque racional, porém acrescido de uma dimensão subjetiva que não existe no pensamento ocidental moderno. Para os chineses, em especial, mesmo que algo não seja visível ou mensurável, ainda pode ser sentido, percebido e interpretado, portanto é real. Basta que aquilo faça algum sentido, em um sistema que Lin Yutang chama de “Espírito do Razoável”. É uma espécie de “bom senso chinês”, onde uma coisa é aceita se fizer sentido, independente de algum tipo de comprovação material. A reencarnação explicaria várias coisas sobre a vida humana na Terra, portanto é algo válido. Possessão por um Demônio das Águas seria real? Uma criança começa a manifestar atitudes estranhas e alheias à sua personalidade, junto com conhecimentos que não deveria ter e força sobre-humana, sendo que depois da sessão de exorcismo feita por um sacerdote taoista, ela volta ao seu normal. Por que isso não seria real?

Esse tipo de atitude perante o invisível, ao que não é testável nem mensurável, alarga em muito nossos horizontes. Repentinamente o Universo se expande para muito além do visível e palpável, até dimensões infinitas. Logo, perceber e acreditar no invisível enriquece nossa vida. Um aluno me perguntou um dia se isso não poderia ser apenas uma ilusão. Claro, o nosso próprio mundo sensorial poderia ser todo ele uma grande ilusão, como atestam hinduístas, budistas e taoistas. O que diferencia o pensamento oriental do ocidental é que no Taoismo e seus primos próximos você pode experimentar o invisível. Isso deixa de ser uma mera crença vazia para se tornar uma realidade palpável. Para isso existem meditações, rituais sagrados, livros enigmáticos que precisam de mais do que a mera intelectualidade para serem decifrados, mas uma imersão completa do corpo e da alma no contexto definido. Além das tradições orientais como o Taoismo, isso também é verdade para a Magia, a Umbanda, o Xamanismo e todas as doutrinas e escolas de pensamento esotéricas. Estamos todos juntos, mergulhados em um universo extremamente mais vasto do que aquele da ciência ocidental.

Não existe espiritualidade sem uma relação próxima com o invisível. Na medida em que seu progresso espiritual aflora, sua sensibilidade se amplia e sua consciência começa a reconhecer o invisível. Não existe outro caminho. Uma pessoa que se diz espiritualista e tem toda sorte de ceticismos tóxicos e negações vazias é, na verdade, uma mentirosa.

Espero que não esteja achando que eu estimulo algum tipo de credulidade cega. De modo algum. Eu mesmo tenho um ceticismo saudável graças à Parapsicologia. Mas devemos manter uma atitude chinesa e não duvidar de algo se aquilo fizer algum sentido. Se quiser mais comprovações pessoais, basta praticar. Absolutamente TUDO o que é dito sobre o Mundo Invisível pode ser experimentado. Claro que com muita dedicação, persistência e orientação adequada, o que nem todo mundo está disposto a fazer. É mais fácil e rápido rejeitar. Acho que isso é a cereja do “bolo esotérico”: você pode comprovar tudo o que é dito por experiência própria, desde que mantenha a mente aberta. Algumas experiências não são recomendáveis, mas podem ser feitas. Então não estamos falando sobre ilusão, crenças religiosas ou dogmas, mas sobre a realidade. Uma realidade maior do que se percebe no cotidiano, mas que afeta decisivamente nossas vidas, quer você creia ou não. Na verdade, os “descrentes” não fazem mais do que barulho, pois o Universo segue seu caminho, eterno e insondável.

No caso particular do Taoismo percebemos que Laozi já chuta o balde no primeiro capítulo do Tao Te Ching afirmando que “O Tao que pode ser expresso não é o Tao constante” e que “O Tao é o nome do inominável”. Pronto, se sua intenção é usar o puro raciocínio objetivo já pode se considerar derrotado, pois o intelecto puro não pode abranger o Tao. Ele transcende esse aspecto puramente mental e precisa ser experimentado pessoalmente.

A Tradição Taoista é extremamente rica em considerações sobre o mundo invisível. Isso é parte de nossa herança e de nossa força. E se você deseja realmente conhecer o Universo em toda a sua profundidade, deve se preparar para contemplar o invisível.

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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, é um dos mais importantes pesquisadores e divulgadores no Brasil dessa fantástica cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#Tao #taoísmo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/contemplando-o-invis%C3%ADvel

A Filosofia do Templo da Chama Ascendente

O CAMINHO DO DRAGÃO:

O Caminho Draconiano é baseado na magia auto-iniciativa do Lado Noturno. Ele contém o mistério da transição iniciática da alma de um ser mortal para a forma de Deus encarnada através da morte espiritual e renascimento no Ventre do Dragão e na lareira do Fogo Draconiano. Através do trabalho sucessivo e da comunhão com os Deuses e Espíritos da Corrente, a consciência se expande e a alma desenvolve seu potencial para receber, manter e ancorar esta energia. Cada passo no Caminho revela novos segredos, novas possibilidades, novos mistérios a serem perseguidos. No Caminho do Dragão, o Iniciado é continuamente desafiado e testado. À medida que as chaves para a transmutação da alma são reveladas e os portais para os poderes esquecidos são desbloqueados, a mente é gradualmente sintonizada com as energias da Corrente e a alma é forjada no Fogo Draconiano, para que possa entender e aproveitar esse poder. O Iniciado do Caminho Draconiano é um emissário e uma manifestação viva do Dragão, um mensageiro dos Deuses primordiais.

Este é o trabalho de auto-capacitação e ascensão da alma. Ajuda na compreensão da Gnose de Lúcifer e Suas manifestações no mundo. Ela prepara o corpo, a mente e a alma para a quantidade de poder e conhecimento que serão liberados durante o trabalho com essas forças primordiais. Eleva a alma além de todas as expectativas. O Caminho do Dragão abrirá as portas para os poderes que você deseja alcançar e para muitos mais. Através do trabalho sucessivo, sua alma se integrará totalmente com a Corrente e você se tornará uma manifestação viva do Dragão, o Deus Encarnado. Uma vez abertos, esses portais estarão para sempre conectados à sua alma. Este é um caminho para a origem da Corrente, a fonte de todo poder e todo conhecimento, a descida ao Vazio para enfrentar o Dragão e se tornar uma manifestação da força draconiana primordial.

O Caminho Draconiano é individual e diferente para cada viajante. Você está convidado a entrar em contato conosco e participar de nossos projetos abertos e do Curso Introdutório que preparará seu corpo e mente para o fluxo da Corrente e para a abertura dos portões da alma para a força do Dragão. Nosso Trabalho é abrir as portas da alma para o Fogo transformador do Portador da Luz, as Chamas do Dragão. Quando isso for feito, você será guiado pelo próprio Lúcifer, Lilith, a Rainha da Noite, e pelos Deuses e Espíritos da Corrente. No entanto, se você quiser continuar seu trabalho de auto-iniciação participando de nossos projetos internos, você também receberá assistência do Templo e terá a oportunidade de conversar com Iniciados mais avançados no Caminho, compartilhando e trocando sua experiência em sucessivos níveis de sua ascensão pessoal.

Templo da Chama Ascendente é um templo de Lúcifer. Ele é o símbolo e o patrono da Era do Despertar. Ele permanece como o portão e o guia para o Caminho da Auto-Deificação, iluminação, liberdade do espírito, despertar da alma do sono da ignorância. Ele é a fonte de toda iluminação e um dos deuses draconianos primitivos. Ele é o Iniciador da Chama Ascendente (Desejo Humano de Transcendência que potencializa a ascensão espiritual) e o Deus patrono do Templo que foi fundado para trazer a Corrente do Portador da Luz e a Gnose do Vazio. Esta é a Gnose do Dragão que ao longo dos tempos foi esquecida, perdida, mal interpretada e distorcida, e agora está sendo trazida de volta ao mundo na forma da Corrente Draconiana primordial que está sendo aterrada através de indivíduos capazes de receber e canalizando esse conhecimento.

OS DEUSES DRACONIANOS E O CAMINHO DO LADO NOTURNO:

Deuses e Espíritos Draconianos são nossos aliados e guias no Caminho. Eles revelam e abrem os Portões da Alma e os Caminhos do Lado Noturno através do processo iniciático individual, para que o Homem possa se tornar Deus Encarnado. A Obra iniciática do Templo está, portanto, centrada em abrir a consciência para a natureza de seu poder e preparar a alma para a comunhão com suas energias primordiais.

O Dragão do Vazio é Leviathan, a Serpente Primal enrolada ao redor do Universo, segurando-o em um abraço atemporal. O próprio Vazio é o Ventre do Dragão, vomitando mundos e devorando-os em um ciclo interminável de morte e renascimento. É a força primordial existente fora das estruturas da Criação, sem nome e indefinida, pois não tem forma e todas as formas ao mesmo tempo, sua forma e nome diferem dependendo de uma tradição mágica e sistema iniciático. O Dragão existe fora da Árvore Cósmica, que é o Pilar da Ascensão Espiritual. A Árvore, tanto em seu aspecto brilhante quanto na negatividade do lado escuro, é uma manifestação da consciência humana, projeção da mente consciente e interior, de acordo com o antigo princípio “Como acima é abaixo”: Tudo o que existe Dentro também existe Fora. O homem é Deus em potencial, manifestação do Dragão, parte dessa força eterna e atemporal que permeia toda a Criação e se expande além, no Infinito. O propósito da jornada iniciática através do Pilar da Ascensão é perceber e compreender este potencial e, consequentemente, transformá-lo em Divindade. Vista como a “emanação da Divindade”, a Árvore constitui a percepção humana da consciência deificada. A conclusão do Caminho é o coroamento do processo de Auto-Deificação. A Árvore também é uma manifestação do Dragão, pois a força Draconiana é a fonte de toda a Criação. Mas o Dragão é mais do que a Árvore em si. E para alcançar a própria fonte desse poder primordial, o Homem tem que dar um passo além da Árvore, no Vazio, o Ventre do Dragão. Enquanto trabalhamos com determinados caminhos e zonas da Árvore Cósmica, às vezes temos vislumbres dessa força atemporal, e podemos encontrar portas para o Útero do Dragão no Abismo Cabalístico, mas o verdadeiro Portal para o Vazio existe no reino de Thaumiel, dentro do Trono de Lúcifer, onde o Homem se torna Deus completando a Ascensão através do Pilar da Elevação da Alma. O último passo da humanidade para a Divindade é o passo além da Árvore, na liberação final da ilusão do mundo manifestado.

O Trono de Lúcifer existe em Thaumiel, o último reino antes de entrar no Vazio. Portanto, Ele é o Portão e o Símbolo da Alma Deificada, o Deus patrono do Caminho. Ele é a força solar e iluminadora que tem alimentado a evolução da consciência humana desde o nascimento da humanidade. Ele é Força, Fogo e Fúria. Ele capacita e eleva a alma através de Seu Pilar de Ascensão de fogo. Sua contraparte feminina na magia iniciática draconiana é Lilith. Ela é Paixão, Desejo e Sedução. Ela seduz as almas e as atrai da Luz para o Lado Noturno, o lado avesso da Árvore, desperta a Luxúria e a Fome por conhecimento e poder que só crescem a cada passo no Caminho, e acende a centelha da Divindade que progressivamente se torna a Chama Ascendente de Lúcifer. É o Fogo da Transformação, a própria essência da Divindade. Ambos constituem o Arquétipo do Adversário: O Diabo e o Salvador.

PORTANTO, OS FUNDAMENTOS DA MAGIA DRACONIANA DENTRO DO TEMPLO ESTÃO CENTRADOS NESSES TRÊS ARQUÉTIPOS PODEROSOS: LÚCIFER – O SENHOR DAS CHAMAS, FORÇA DA EVOLUÇÃO E ASCENSÃO; LILITH – O FOGO DRACONIANO DA TRANSFORMAÇÃO, PRINCÍPIO DA PAIXÃO E DESEJO; E LEVIATÃ – O DRAGÃO DO VAZIO, FONTE PRIMORDIAL DE TODA MANIFESTAÇÃO.

A Corrente de Lilith é uma parte do Trabalho iniciado em 2002 pelo grupo ritual draconiano anteriormente conhecido como Loja Magan e continuou ativamente ao longo da década seguinte. O propósito do Trabalho foi o Re-Despertar do Dragão, a força primordial Dentro e Fora, auxiliando nas iniciações e introduzindo potenciais Iniciados na Tradição Draconiana. Em 2012, esta tarefa foi assumida pelo Templo da Chama Ascendente e estendida pela conjugação da Corrente Draconiana de Lilith com a Corrente Adversarial de Lúcifer e Deuses Draconianos das Qliphoth. A Obra central do Templo é introduzir o aspirante a Iniciado no Caminho Draconiano e na magia Qlifótica e auxiliar no processo iniciático no Caminho do Dragão.

OUTROS ARQUÉTIPOS USADOS DENTRO DO TEMPLO:

HÉCATE: A professora de feitiçaria e a guia para o “submundo” pessoal, as profundezas da psique.

ARACHNE: A Deusa Aranha da Atlântida e a rainha dos labirintos Qliphóthicos sob a Árvore Cósmica.

BELIAL: O intermediário entre os espíritos do Lado Noturno e o mago, a porta de entrada para o poder de Goetia.

SET: O Arquétipo do Adversário, o Deus da Tempestade e da Mudança, o princípio da transformação dinâmica.

O OBJETIVO DO TRABALHO:

O objetivo do Trabalho com a Corrente Draconiana é abrir os portões da alma e despertar a consciência, para que o Iniciado possa contemplar o Infinito e viajar ao Coração do Vazio para abrir o Olho de Lúcifer, o Olho do Dragão, e ilumine o Caminho que conduz à Divindade. O Trabalho iniciático do Templo o ajudará a recuperar a consciência primordial e o poder draconiano primordial que detém o potencial de toda criação e toda destruição. Nosso Curso Introdutório irá prepará-lo para a Iniciação na Corrente Draconiana e para o trabalho adicional no Caminho da Auto-Deificação e projetos mais avançados inspirados na Tradição Draconiana e Magia Atlante. Nossos projetos e trabalhos individuais irão ensiná-lo a manifestar sua Vontade no mundo e formar manifestações de seu Desejo a partir de energias primordiais do Vazio.

Para viajar ao Ventre do Dragão e não ser consumido pela imensidão do Vazio, você precisa fortalecer sua alma invocando e se tornando a Chama Ascendente de Lúcifer. Isso prepara sua consciência para o Trabalho com a Corrente. O propósito do Templo é auxiliar o Iniciado neste processo e preparar sua alma para o fluxo do poder transformador do Dragão e a visão do Vazio no processo de transformação iniciática através das energias dos Deuses primordiais.

Isso pode parecer abstrato no início, mas a Iniciação Draconiana é uma experiência íntima e pessoal e é diferente para cada Iniciado. A Mudança sempre se manifesta nas áreas mais pessoais de sua vida. A cerimônia de Iniciação será conduzida por outro Iniciado Draconiano e abrirá os portais internos de sua mente para a Gnose da Corrente. A auto-iniciação também é possível e igualmente válida como uma iniciação presencial e nós o ajudaremos e orientaremos tanto nos preparativos quanto nos procedimentos de iniciação. Então você estará livre para perseguir sua própria Visão e receberá mais orientação dos Deuses e Espíritos do Caminho, que atuarão como iniciadores e aliados em estágios específicos de sua Ascensão. Uma vez que os portais sejam abertos, a Corrente fluirá através de sua consciência, aprimorando suas habilidades mágicas e transformando sua vida.

Há apenas uma Iniciação feita pelo Templo – preparação e iniciação na Corrente Draconiana. Este é o Objetivo Primário do Templo. Assim que você alinhar sua alma com a Corrente, Deuses e Espíritos irão guiá-lo e inspirá-lo. O Caminho Draconiano faz parte da tradição do Caminho da Mão Esquerda, que é em sua essência solitária e pessoal. O núcleo principal da Obra é feito individualmente, como uma comunhão solitária e pessoal com os Deuses e Espíritos da Corrente. No entanto, compartilhar e discutir o Trabalho com outras pessoas também oferece uma oportunidade de aprender e progredir mais rápido e evitar certos erros na prática mágica.

O QUE ACONTECE DEPOIS DA INICIAÇÃO?

Após a Iniciação você tem duas opções:

1) Você é bem-vindo para ficar e trabalhar conosco – para explorar e fortalecer a Corrente de Lúcifer, ou para iniciar o processo de ascensão pessoal no Caminho do Dragão de acordo com nossos projetos internos que o introduzirão na auto-iniciação draconiana magia e ensiná-lo a projetar e desenvolver seus próprios rituais, meditações e todos os aspectos necessários do Trabalho.

2) Você pode seguir caminhos separados e trabalhar com a Corrente como um praticante solitário.

O INICIADO DRACONIANO:

Ser um Mago Draconiano é viver sua vida de acordo com o Caminho. Não é algo que você faz no seu tempo livre, de vez em quando, em eventos sociais ou como meio de recreação. É a vida, vivendo o Caminho e estando ciente de sua Visão e Desejo em cada momento da existência. Trilhar o Caminho é uma escolha para toda a vida. Cabe a você optar por permanecer um diletante, sempre procurando desculpas para pular a prática diária, atrasar ou desistir da busca de sua Visão, deixar de lado o trabalho com a magia do Caminho quando não a encontrar conveniente, ou se você foca sua vida, tempo e energia na verdadeira evolução espiritual. Não é nada fácil. A maioria de nós tem emprego e família, todos nós lutamos com problemas ocasionais de saúde ou problemas financeiros, etc. Mas a chave para ter sucesso no Caminho é encontrar o equilíbrio entre sua vida mundana e espiritual e não deixar que essas coisas atrapalhem. Isso pode significar que você terá que reorganizar toda a sua vida para se adequar ao Caminho, e se você não estiver pronto para tal mudança, provavelmente não terá sucesso além do nível básico de avanço mágico. Esteja ciente disso quando der seus primeiros passos no Caminho do Dragão. Mesmo que essa mudança não seja necessária desde o início, ela se tornará uma necessidade em etapas posteriores de sua evolução pessoal. Como você faz isso, depende exclusivamente de você. Mas uma vez que você esteja no caminho certo, quando você deixar sua alma voar nas asas do Dragão e ascender com a Chama de Lúcifer, todas as coisas começarão a se encaixar, trazendo-lhe mais saúde, prosperidade, amor, emoção e alegria. inspiração do que você já teve em sua vida. Este é um processo difícil, muitas vezes doloroso e traumático, mas também emocionante e recompensador.

Não há restrições para que ninguém tenha sucesso na ascensão espiritual. A maioria dos magos falha em seu Caminho iniciático quando escolhe existência passiva, preguiça e auto-piedade em vez de desafio, paixão e experiência; segurança sobre o risco; o limitado sobre o infinito; o mundano sobre o espiritual; o sono da alma e a ignorância irracional sobre o despertar e a iluminação. Você terá que encontrar novas maneiras de interagir com o mundo, as antigas serão quebradas no processo. Mas, novamente, este é um caminho para poucos, não para muitos.

Você não precisa de experiência prévia ou habilidades mágicas avançadas, mas precisa de potencial e vontade para desenvolver ambos. Você precisa ser dedicado e apaixonado pelo seu trabalho mágico. É importante ter cuidado, mas é ainda mais importante deixar-se conduzir pelo Desejo, manter o coração aberto para novas experiências, novas missões a perseguir, novos mistérios a descobrir. Sem ele, você NÃO terá sucesso no Caminho do Dragão. Ser cuidadoso não deve, no entanto, ser confundido com medo, relutância ou ceticismo em trilhar o Caminho. Você precisa ser capaz de deixar ir, deixar-se consumir pelo Fogo de Lúcifer e inflamar seu Caminho através da Escuridão do Vazio. Abrace a nova experiência e divirta-se. Aproxime-se com antecipação e excitação, não com medo, ceticismo ou nervosismo. O Caminho Draconiano é duro e difícil, mas também é uma bela aventura espiritual. É extático, desafiador e inspirador em todos os níveis possíveis de existência. Deixe sua alma voar através de mundos e dimensões em êxtase extático. Não perca a emoção e o entusiasmo concentrando-se apenas em treinos duros e exigentes, deixe-se fascinar e inspirar por cada mudança no mundo que ocorre por sua Vontade, por cada manifestação de seu Desejo. Não tenha medo de ser autoconfiante em seu trabalho, mas, novamente, não confunda autoconfiança com arrogância e auto-ilusão. É uma armadilha fácil de cair no Caminho da Mão Esquerda, que está em sua essência centrado no desenvolvimento de uma poderosa autoconsciência.

A magia draconiana tem tudo a ver com Trabalho: praticar, treinar, desenvolver, moldar, polir, aperfeiçoar, experimentar, descer às profundezas mais escuras do Inferno e subir até o Sol para derrubar as ilusões do mundo e alcançar poderes que podem parecer imaginários e míticos para o Ignorante, mas para o Iniciado eles podem ser ferramentas reais e tangíveis, se ao menos aprendermos como aproveitá-los e controlá-los. Não existe um mago draconiano teórico ou passivo. A magia draconiana é sobre invocar, canalizar e absorver o poder e manifestá-lo no mundo. Trata-se de reconhecer fraquezas e inibições e transformá-las em veículo de ascensão pessoal. Não há lugar para filosofias vazias que apenas estimulam o ego, mas não são fundamentadas na experiência real.

Além disso, todos os métodos e ferramentas de prática são bons se ajudarem em seu avanço espiritual, se puderem lhe dar acesso ao poder genuíno. Sacrifício, feitiçaria sexual, oferendas de sangue, instrumentos de dor e prazer, intoxicação, etc. fazem parte da Obra, em menor ou maior extensão. Alguns deles serão ensinados pelo Templo e empregados em certos projetos mágicos, outros serão deixados à escolha individual dos praticantes. VOCÊ NUNCA SERÁ FORÇADO A NADA COM O QUAL NÃO SE SINTA CONFORTÁVEL. O que é recomendado, no entanto, é não rejeitar nenhum desses métodos, pois eles podem ser úteis ou até necessários em etapas posteriores do seu Caminho. Você não será forçado a nada no decorrer do Trabalho, mas será constantemente desafiado a questionar seus valores e princípios, superar inibições e transformar seus medos e hesitações em força e ferramentas de poder.

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Fonte:

Philosopy of Temple of Ascending Flame.

http://ascendingflame.com/philosophy.html

Temple of Ascending Flame © 2012-2021

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-filosofia-do-templo-da-chama-ascendente/

A Sombra na vida cotidiana

CONNIE ZWEIG e JEREMIAH ABRAMS

Em 1886, mais de uma década antes de Freud sondar as profundezas da escuridão humana, Robert Louis Stevenson teve um sonho altamente revelador: um homem, perseguido por um crime, engolia um certo pó e passava por uma drástica mudança de caráter, tão drástica que ele se tornava irreconhecível. O amável e laborioso cientista Dr, Jekyll transformava-se no violento e implacável Mr. Hyde, cuja maldade ia assumindo proporções cada vez maiores à medida que o sonho se desenrolava.

Stevenson desenvolveu o sonho no seu famoso romance The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde [O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde]. Seu tema integrou-se de tal modo na cultura popular que pensamos nele quando ouvimos alguém dizer, “Eu não era eu mesmo”, ou “Ele parecia possuído por um demônio”, ou “Ela virou uma megera”. Como diz o analista junguiano John Sanford, quando uma história como essa nos toca tão a fundo e nos soa tão verdadeira, é porque ela contém uma qualidade arquetípica — ela fala a um ponto em nós que é universal.

Cada um de nós contém um Dr. Jekyll e um Mr. Hyde: uma persona agradável para o uso cotidiano e um eu oculto e noturna) que permanece amordaçado a maior parte do tempo. Emoções e comportamentos negativos — raiva, inveja, vergonha, falsidade, ressentimento, lascívia, cobiça, tendências suicidas e homicidas — ficam escondidos logo abaixo da superfície, mascarados pelo nosso eu mais apropriado às conveniências. Em seu conjunto, são conhecidos na psicologia como a sombra pessoal, que continua a ser um território indomado e inexplorado para a maioria de nós.

A apresentação da sombra

A sombra pessoal desenvolve-se naturalmente em todas as crianças. A medida que nos identificamos com as características ideais de personalidade (tais como polidez e generosidade) que são encorajadas pelo nosso ambiente, vamos formando aquilo que W. Brugh Joy chama o “eu das decisões de Ano Novo”. Ao mesmo tempo, vamos enterrando na sombra aquelas qualidades que não são adequadas à nossa autoimagem, como a rudeza e o egoísmo. O ego e a sombra, portanto, desenvolvem-se aos pares, criando-se mutuamente a partir da mesma experiência de vida.

Carl Jung viu em si mesmo a inseparabilidade do ego e da sombra, num sonho que descreve em sua autobiografia Memories, Dreams, Reflections [Memórias, Sonhos, Reflexões]: Era noite, em algum lugar desconhecido, e eu avançava com muita dificuldade contra uma forte tempestade. Havia um denso nevoeiro. Eu segurava e protegia com as mãos uma pequena luz que ameaçava extinguir-se a qualquer momento. Eu sentia que precisava mantê-la acesa, pois tudo dependia disso.

De súbito, tive a sensação de que estava sendo seguido. Olhei para trás e percebi uma gigantesca forma escura seguindo meus passos. Mas no mesmo instante tive consciência, apesar do meu terror, de que eu precisava atravessar a noite e o vento com a minha pequena luz, sem levar em conta perigo algum.

Ao acordar, percebi de imediato que havia sonhado com a minha própria sombra, projetada no nevoeiro pela pequena luz que eu carregava. Entendi que essa pequena luz era a minha consciência, a única luz que possuo. Embora infinitamente pequena e frágil em comparação com os poderes das trevas, ela ainda é uma luz, a minha única luz.

Muitas forças estão em jogo na formação da nossa sombra e, em última análise, determinam o que pode e o que não pode ser expresso. Pais, irmãos, professores, clérigos e amigos criam um ambiente complexo no qual aprendemos aquilo que representa comportamento gentil, conveniente e moral, e aquilo que é mesquinho, vergonhoso e pecaminoso.

A sombra age como um sistema imunológico psíquico, definindo o que é eu e o que é não-eu. Pessoas diferentes, em diferentes famílias e culturas, consideram de modos diversos aquilo que pertence ao ego e aquilo que pertence à sombra. Por exemplo, alguns permitem a expressão da raiva ou da agressividade; a maioria, não. Alguns permitem a sexualidade, a vulnerabilidade ou as emoções fortes; muitos, não. Alguns permitem a ambição financeira, a expressão artística ou o desenvolvimento intelectual; outros, não.

Todos os sentimentos e capacidades que são rejeitados pelo ego e na sombra contribuem para o poder oculto do lado escuro da natureza humana. No entanto, nem todos eles são aquilo que se considera traços negativos. De acordo com a analista junguiana Liliane FreyRohn, esse escuro tesouro inclui a nossa porção infantil, nossos apegos emocionais e sintomas neuróticos bem como nossos talentos e dons não-desenvolvidos. A sombra, diz ela, “mantém contato com as profundezas perdidas da alma, com a vida e a vitalidade — o superior, o universalmente humano, sim, mesmo o criativo podem ser percebidos ali”.

A rejeição da sombra

Não podemos olhar diretamente para esse domínio oculto, A sombra é, por natureza, difícil de ser apreendida. Ela é perigosa, desordenada e eternamente oculta, como se a luz da consciência pudesse roubar-lhe a vida.

O analista junguiano James Hillman, autor de diversas obras, diz: “O inconsciente não pode ser consciente; a Lua tem seu lado escuro, o Sol se põe e não pode iluminar o mundo todo ao mesmo tempo, e mesmo Deus tem duas mãos. A atenção e o foco exigem que algumas coisas fiquem fora do campo visual, permaneçam no escuro. Não se pode olhar em duas direções ao mesmo tempo.”

Por essa razão, em geral vemos a sombra indiretamente, nos traços e ações desagradáveis das outras pessoas, lá fora, onde é mais seguro observá-la. Quando reagimos de modo intenso a uma qualidade qualquer {preguiça, estupidez, sensualidade, espiritualidade, etc.) de uma pessoa ou grupo, e nos enchemos de grande aversão ou admiração — essa reação talvez seja a nossa sombra se revelando. Nós nos projetamos ao atribuir essa qualidade à outra pessoa, num esforço inconsciente de bani-la de nós mesmos, de evitar vê-la dentro de nós.

A analista junguiana Marie-Louise von Franz sugere que essa projeção é como disparar uma flecha mágica. Se o destinatário tem um “ponto fraco” onde receber a projeção, então ela se mantém, Se projetamos nossa raiva sobre um companheiro insatisfeito, ou nosso poder de sedução sobre um atraente estranho, ou nossos atributos espirituais sobre um guru, então atingimos o alvo e a projeção se mantém. Daí em diante, emissor e receptor estarão unidos numa misteriosa aliança, como apaixonar-se ou encontrar o herói (ou vilão) perfeito.

A sombra pessoal contém, portanto, todos os tipos de potencialidades nãodesenvolvidas e não-expressas. Ela é aquela parte do inconsciente que complementa o ego e representa as características que a personalidade consciente recusa-se a admitir e, portanto, negligencia, esquece e enterra… até redescobri-las em confrontos desagradáveis com os outros.

O encontro com a sombra

Embora não possamos fitá-la diretamente, a sombra surge na vida diária. Por exemplo, nós a encontramos em tiradas humorísticas (tais como piadas sujas ou brincadeiras tolas) que expressam nossas emoções ocultas, inferiores ou temidas. Analisando de perto aquilo que achamos engraçado (como alguém escorregando numa casca de banana ou se referindo a uma parte “proibida” do corpo), descobrimos que nossa sombra está ativa. John Sanford diz que é possível que as pessoas destituídas de senso de humor tenham uma sombra muito reprimida.

A psicanalista inglesa Molly Tuby sugere seis outras maneiras pelas quais, mesmo sem saber, encontramos a nossa sombra no dia-a-dia:

  • Em geral, é a sombra que ri das piadas.
  • Nos nossos sentimentos exagerados em relação aos outros (“Eu simplesmente não acredito que ele tenha feito isso!”, “Não consigo entender como ela é capaz de usar uma roupa dessas!”)
  • Na opinião negativo que recebemos daqueles que nos servem de espelhos (“Já é a terceira vez que você chega tarde sem me avisar.”)
  • Nas interações em que continuamente exercemos o mesmo efeito perturbador sobre diversas pessoas diferentes (“Eu e o Sam achamos que você não está sendo honesto com a gente.”)
  • Nos nossos atos impulsivos e não-intencionais (“Puxa, desculpe, eu não quis dizer isso!”)
  • Nas situações em que somos humilhados (“Estou tão envergonhada com o jeito que ele me trata.”)
  • Na nossa raiva exagerada em relação aos erros alheios (“Ela simplesmente não consegue fazer seu trabalho em tempo!”, “Cara, mas ele perdeu totalmente o controle do peso!”)
  • Em momentos como esses, quando somos dominados por fortes sentimentos de vergonha ou de raiva, ou quando descobrimos que nosso comportamento é inaceitável, é a sombra que está irrompendo de um modo inesperado.

E em geral ela retrocede com igual velocidade; pois encontrar a sombra pode ser uma experiência assustadora e chocante para a nossa autoimagem, Por essa razão, podemos mudar rapidamente para a negação, deixando de prestar atenção a fantasias homicidas, a pensamentos suicidas ou a embaraçosos sentimentos de inveja, que revelariam um pouco da nossa própria escuridão. O falecido psiquiatra R. D. Laing descreve de modo poético o reflexo de negação da nossa mente: O alcance do que pensamos e fazemos é limitado pelo que deixamos de notar. E por deixarmos de notar que deixamos de notar pouco podemos fazer para mudar, até que notemos como o deixar de notar forma nossos pensamentos e ações.

Se a negação permanecer, então, como diz Laing, talvez nem sequer notemos que deixamos de notar. Por exemplo, é comum encontrarmos a sombra na meia-idade, quando nossas mais profundas necessidades e valores tendem a mudar de direção, talvez até fazendo um giro de 180 graus, Isso exige a quebra de velhos hábitos e o cultivo de talentos adormecidos. Se não pararmos para ouvir atentamente o chamado e continuarmos a nos mover na mesma direção anterior, permaneceremos inconscientes daquilo que a meia-idade tem a nos ensinar.

A depressão também pode representar uma confrontação paralisante com o lado escuro, um equivalente moderno da “noite escura da alma” do místico. Nossa exigência interior para que desçamos ao mundo subterrâneo pode ser suplantada por considerações de ordem externa (como a necessidade de trabalhar por longas horas), pela interferência dos outros ou por drogas antidepressivas que amortecem a nossa sensação de desespero. Nesse caso, deixamos de apreender o propósito da nossa melancolia.

Encontrar a sombra pede uma desaceleração do ritmo da vida, pede que ouçamos as indicações do nosso corpo e nos concedamos tempo para estar a sós, a fim de podermos digerir as mensagens misteriosas do mundo oculto.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-sombra-na-vida-cotidiana/

Taoismo e os Cavaleiros Jedi

Por Gilberto Antônio Silva

A série de filmes de Guerra nas Estrelas (a trilogia original) foi um marco na história do cinema, não apenas pela sua importância cinematográfica, mas por criar uma mitologia que apenas cresce nesses quase 40 anos. Dentro dessa mitologia existe um grupo que se destaca: os Cavaleiros Jedi. Uma ordem de guerreiros-filósofos destinados a manter a paz e o equilíbrio na Galáxia e que possuem uma cultura com forte influência oriental, especialmente próxima ao Taoismo

A Força é o elemento principal dos Jedi. É ela que conduz as atitudes dos cavaleiros e lhes confere enormes poderes. Conforme Obi-Wan Kenobi em Guerra nas Estrelas: “A Força é o que dá ao Jedi seu poder. É um campo de energia criado por todas as coisas vivas. Ela nos cerca e nos penetra e une toda a Galáxia”. Essa descrição já nos fornece uma prova de sua essência: Qi. Todos que estudam ou trabalham com técnicas taoistas conhecem o poder do Qi. Com ele, os Jedi podem manipular objetos à distância (Psicocinese), ler e influenciar mentes (Telepatia), pressentir perigos e se manter em harmonia com o Universo. A Força é a base de sustentação dos Cavaleiros Jedi. Podemos ter um vislumbre da Força em ação nos vídeos de demonstrações e aulas do Grande Mestre Morihei Ueshiba. Principalmente no final de sua vida, Mestre Ueshiba não precisava sequer tocar fisicamente em seus alunos para poder dominá-los e repeli-los. A importância e o poder da Força foram claramente mencionados por Darth Vader em Guerra nas Estrelas: “A capacidade de destruir um planeta é insignificante perto do poder da Força”.

A filosofia dos Jedi também se aproxima bastante do Taoismo. O Mestre Yoda afirma, em O Império Contra-Ataca: “Um Jedi usa a força para ter conhecimento e para defesa. Nunca para o ataque”. A utilização dos conhecimentos marciais apenas para a defesa é o mote central da grande maioria das artes marciais orientais, com exceção da arte taoista do Xingyi Quan, que possui um forte ímpeto do ataque. Mais tarde, no mesmo filme, quando Luke Skywalker duvida da Força, Yoda diz: “O tamanho não importa. Olhe para mim. Julga-me pelo meu tamanho? E não deve, mesmo, pois a Força é minha aliada. E uma poderosa aliada”. Este é um dos itens básicos da estratégia: nunca subestimar ninguém, não importa se é homem ou mulher, fraco ou forte, alto ou baixo, magro ou gordo. Principalmente quando se utiliza a energia interior, qualquer um pode ser poderoso. Mas a filosofia de vida dos Jedi com a Força é ainda mais profunda, como prossegue Yoda: “A vida a cria e a faz crescer. Sua energia nos cerca e nos une. Somos seres de luz, não de matéria. Precisa sentir a Força em sua volta, aqui, entre você e eu, na árvore, na pedra, em tudo”.

O Taoismo ensina que tudo é feito de Qi e o Qi permeia tudo, fluindo em correntes energéticas por entre todas as coisas e fazendo as ações visíveis do Universo ocorrerem. “Somos todos um” não é apenas um bordão new age, mas uma verdade universal.

Obi-Wan Kenobi inicia o treinamento de Luke explicando o que é a Força e como funciona. Em seguida ele o adestra no manejo do sabre de luz, com técnicas muito similares à espada Samurai. Luke é levado a não confiar no que vê, mas no que sente. Esse tipo de colocação é semelhante à dos orientais. Para eles quem deve manipular a espada é o espírito, não a mente, através do estado mental de quietude (zanchin). Na seqüência final de Guerra nas Estrelas, Luke deixa a tecnologia de lado e usa a sua percepção desenvolvida para disparar os torpedos que destroem a Estrela da Morte. O Taoismo coloca que a arma se integre com o portador, tornando-se um só. Nas artes marciais taoistas o fluxo de Qi sobe pelo braço e não para na mão, prosseguindo até tomar conta da arma toda. Existe uma unicidade energética entre arma e guerreiro, que flui pelo Qi do universo. Você não luta com uma arma, mas com o Qi e, portanto, com o universo todo.

Quando Luke inicia seu treinamento com Yoda, este se ressente da teimosia e impaciência de seu aluno e de sua idade, muito avançada para os padrões Jedi de treinamento. As artes marciais também pregam o treinamento precoce como forma de desenvolver o verdadeiro guerreiro. E qual faixa branca não é descrente, impaciente e teimoso? Em meio a corridas com obstáculos, Yoda leva seu jovem aluno a uma determinada parte da floresta. Ali ele é deixado para que enfrente seus medos e temores, que assumem a forma de seu oponente, Darth Vader. Esse tipo de confronto mental é largamente utilizado pelos tibetanos no treinamento de seus discípulos e pelos japoneses do budismo esotérico Shingon, que denominam essa técnica de combates mentais como Dojutsu-Sempo. O medo, para os taoistas, é manifestação do desconhecimento. Só tememos o que não conhecemos, e ele está ligado ao sistema do Rim, que é sede da Essência (Jing). Então o medo não é apenas um problema em si, mas afeta todo o sistema energético humano. Esse desequilíbrio pode levar a um afastamento do Tao, neste caso, um mergulho no Lado Negro da Força.

O Taoismo também apregoa a existência de duas polaridades complementares: o Yin e o Yang. Para os Jedi também a força possui dois lados: o claro e o escuro. Embora tenhamos propensão a considerar o lado escuro como o mal, devemos nos lembrar que isto depende de um referencial e não pode ser considerado como uma verdade absoluta. Na realidade todos nós temos ambos os lados em nosso próprio íntimo. Isso é colocado de maneira muito clara na saga de Guerra nas Estrelas: qualquer um, a qualquer momento, pode se voltar para o Lado Negro da Força. Segundo Yoda, o Lado Negro é mais fácil, por isso mais atrativo. Realmente, na vida real podemos observar que fazer as coisas de forma considerada não-correta pela sociedade não é tão difícil quanto seguir as regras. Roubar é mais fácil do que trabalhar. Enganar é mais fácil do que fazer um trabalho sério. Esse é o grande atrativo do Lado Negro (que está cada vez mais seguido, hoje em dia…). Mas da mesma forma como é fácil cair no Lado Negro, o retorno ao Lado Claro é muito penoso. Em O Retorno de Jedi, Luke consegue finalmente trazer seu pai, Anakin Skywalker, de volta para o Lado Claro apelando para os bons sentimentos que ele ainda guarda dentro de si. Dessa forma, ele deixa de ser Darth Vader e volta a ser Anakin, o Jedi. Isso é mostrado no final do filme, quando aparecem Obi-Wan, Yoda e Anakin em forma astral. Ele finalmente conseguiu seu lugar ao lado dos Jedi.

Dentro do Taoismo, o mal existe como um afastamento do Tao. Isso está bem claro no Tao Te Ching:
Por isso, à perda do Caminho segue-se então a Virtude
À perda da Virtude segue-se então a Bondade
À perda da Bondade segue-se então a Justiça
À perda da Justiça segue-se então a Polidez
Assim a Polidez é o empobrecimento da fidelidade e da confiança

É o princípio da confusão
Daodejing, Cap 38
Perceba que ao afastamento do Caminho (Tao) segue-se uma contínua regressão moral. A Virtude, a Bondade e a Justiça nada mais são do que recursos utilizados para tentar compensar a perda do contato com o Absoluto. Essa passagem poderia ser mais claramente compreendida dessa forma: ao afastamento do Tao segue-se a Virtude; quando a Virtude não é suficiente, é necessário se apoiar na Bondade; quando a Bondade não é suficiente, é necessário prescrever leis e criar a Justiça; quando a Justiça e as leis não são suficientes e nem respeitadas, é necessário ao menos se apoiar na Polidez, uma polidez superficial que mesmo assim não é suficiente para manter alto o padrão moral humano. Quando a pessoa tem que se apoiar na superficialidade da Polidez, se instaura a “confusão”, ou seja, o caos na vida da pessoa, que passa a viver de aparências e sem o apoio de suas virtudes maiores.
O mergulho no Lado Negro da Força é um caminho que se profunda facilmente e do qual é muito difícil regressar.
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Gilberto Antônio Silva é Parapsicólogo, Terapeuta e Jornalista. Como Taoista, atua amplamente na pesquisa e divulgação desta fantástica cultura chinesa através de cursos, palestras e artigos. É autor de 14 livros, a maioria sobre cultura oriental e Taoismo. Sites: www.taoismo.org e www.laoshan.com.br

#StarWars #Tao #taoísmo

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O Caminho do Pólen

» Parte final da série “Reflexões sobre a perfeição” ver parte 1 | ver parte 2 | ver parte 3

Se há algo de comum em todas as doutrinas religiosas, é a idéia do retorno, de re-conexão com Deus, o Cosmos, um Éden perdido nos confins de nossas origens… Alguns de nós podem sentir a fornalha cósmica que arde em nosso ser, e vislumbram a perfeição na totalidade da obra divina, em eterna vibração, em eterna construção, em belas simetrias e assimetrias, em leis imutáveis… Entretanto, onde estará o Éden. Onde se encontra o Reino de Deus?

Esse sentimento, entretanto, não é exclusividade dos religiosos. Aqueles que não conheceram pouca ciência também o expressam. Carl Sagan, apesar de ter sido agnóstico, foi uma dos autores com maior espiritualidade expressa e evidente em seus textos:

“Recentemente, aventuramo-nos um pouco pelo raso (do Cosmos), talvez com água a cobrir-nos o tornozelo, e essa água nos pareceu convidativa. Alguma parte de nosso ser nos diz que essa é a nossa origem. Desejamos muito retornar, e podemos fazê-lo, pois o Cosmos também está dentro de nós. Somos feitos de matéria estelar, somos uma forma do próprio Cosmos conhecer a si mesmo.”

Sim, existem seres que não conheceram pouca religião, e buscam o Reino de Deus em todas as formas e todos os campos, pois que sabem que em nenhum lugar estaremos nalguma dia fora dele… Mas decerto também existem seres que não conheceram pouca ciência, e O buscam nos limites dos átomos e nas ondas luminosas mais antigas do Cosmos. Buscam-No mesmo sem acreditar Nele? Que seja – como julgar? Deixem que busquem o próprio Cosmos!

Mas então, como se religar? Como retornar ao Éden perdido? Talvez o primeiro passo seja reconhecer que o julgamento da perfeição, a reconciliação com tal paradoxo, esteja ainda além de nossa compreensão atual…

Existe um conto espiritualista, de autoria desconhecida, que fala da importância da espontaneidade:

“Agora, eu lhe pergunto, quão longe você acha que uma flor chegaria se de manhã ela virasse sua face para o céu e dissesse:

“Eu exijo o Sol. E agora eu preciso de chuva. Então eu a exijo. E exijo que as abelhas venham e tomem meu pólen. Eu exijo, portanto, que o Sol deva brilhar por certo número de horas, e que a chuva deva verter-se por certo número de horas… E que as abelhas venham – as abelhas A, B, C, D e E, pois não aceito que nenhuma outra abelha venha.

Eu exijo que a disciplina opere, e que o solo deva seguir meu comando. Mas eu não permito ao solo qualquer espontaneidade própria. E não permito ao Sol nenhuma espontaneidade própria. E não concordo em que o Sol saiba o que está fazendo. E exijo que todas estas coisas sigam minha idéia de disciplina”

E quem, eu lhe pergunto, iria ouvir? Pois, na espontaneidade milagrosa do Sol, há uma disciplina que lhe escapa totalmente, e um conhecimento além de qualquer um que você conheça.

E na espontaneidade da atuação das abelhas, de flor em flor, colhendo ao pólen mesmo sem saber, há uma disciplina além de qualquer uma que você conheça, e leis que seguem o conhecimento delas, e contentamento que está além de seu comando.

Pois a verdadeira disciplina, veja, é encontrada apenas na espontaneidade. E a espontaneidade conhece sua própria ordem.”

Viver o aqui e agora – esta é a condição para que possamos visualizar os portais do Éden… Mas como adentrá-lo finalmente?

Epicteto e os estóicos diziam que não devemos nos preocupar com aquilo que não nos é dado escolher. No entanto, ao que nos é dado escolher, devemos nos portar da melhor forma possível. Devemos reconhecer nossa imperfeição, mas devemos também ter sempre em nossos horizontes a perfeição do “vir a ser”…

E nesse momento, admirando a perfeição estendida pelo horizonte, poderemos dar os primeiros passos no caminho do pólen – apenas um dentre tantos outros cantos sagrados dos indígenas (ou de qualquer outro povo) que servirá para nos guiar nessa trilha:

Na casa da vida eu me aventuro
No caminho do pólen
Com um deus enevoado eu me aventuro
No caminho do pólen
Para uma dimensão sagrada
Com um deus à frente eu me aventuro
E um deus atrás de mim
Na casa da vida eu me aventuro
No caminho do pólen

Ah! A beleza à minha frente
A beleza atrás de mim
A beleza a minha direita, e a minha esquerda
A beleza acima e a beleza abaixo
Eu estou no caminho do pólen!

O Éden não foi, nem será, mas o Éden é este momento – o único momento que sempre existiu. A eternidade irradia-se por todos os cantos do espaço e do tempo, todos os pontos estão igualados – eis a bela simetria que a ciência vislumbra…

Mas o caminho para o centro, para a essência, para a divina flor que espalhou todo esse pólen pelo infinito – este está e sempre esteve em nossa própria consciência. Quando adentramos esse caminho, pouco importa quanto tempo resta para chegar ao céu, pois que compreendemos que a perfeição se encontra no caminhar, e não no chegar. Eis que mesmo este paradoxo pode ser reconciliado. Eis que todas essas meias-verdades apontam para uma única verdade – que infelizmente não pode ser descrita por cascas de sentimento…

É preciso se aventurar no caminho!

***

Crédito das imagens: [topo] Lauren Bishop, [ao longo] Joel Nakamura (ilustração baseada no mito do caminho do pólen, dos índios navajo)

#Espiritualidade #perfeição #sabedoriaindígena

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H.P. Lovecraft e suas Tendências Xamanistas

Os sonhos de Lovecraft desempenharam um papel importante em sua ficção. HPL transformou vários de seus sonhos em histórias. Por exemplo,  “O Depoimento de Randolph Carter”  recontou um dos sonhos de HPL. Nesse sonho, ele fez o papel de Randolph Carter, enquanto seu amigo, Samuel Loveman, fez o papel de Harley Warren.

 Após a morte de Lovecraft, o grito de Lovecraft para a ficção foi tão grande que Bernard Austin Dwyer, um discípulo de HPL, publicou um dos relatos dos sonhos do autor como  “O Clerigo Maligno”.

Além das histórias que eram supostamente seus sonhos, os sonhos também tinham lugar proeminente como dispositivos de enredo nas narrativas de HPL.

Às vezes, Howard colocava seu sonho dentro de uma história. Em outros casos, o sonho contado era uma releitura do esboço de um sonho real em um conto. Por exemplo, em  “O chamado de Cthulhu” , o sonho de Henry Anthony Wilcox com um monólito feito em barro fresco, esculpido em baixo-relevo, é levado para um professor da Universidade para sua interpretação, representando em substância, senão em detalhes, uma parte de um sonho de Lovecraft.

No entanto, não se deve saltar para a conclusão de que todos os contos da ficção de Lovecraft vieram de seus sonhos. Em Lovecraft, o autor WH Pugmire observou:

Lovecraft produziu um mundo que fundiu prontamente com os muitos mundos de seus sonhos e fantasias, mas seus sonhos não eram, ao contrário de uma crença que se espalhou entre seus leitores, completamente traduzidos na ficção”.

Não importa o quão as imagens de seus sonhos eram fantásticas, eles eram difíceis de serem encaixados em um enredo coerente com um clímax.

Neste artigo, vamos explorar três questões que cercam os sonhos de Lovecraft:

1) Será que os sonhos fantásticos de Lovecraft provam, já que alguns ocultistas afirmam, que ele era um ocultista no armário? 

2) Quais os fatores que permitiram HPL acessar as fabulosas ilhas do sonhos (“dreamscapes”, referidos em seus contos), e que não estão disponível para dormentes comuns?

3) O que Timothy Leary, os nativos americanos, a Medicina Popular e os sonhos de Lovecraft têm em comum?

  • O fantástico mundo dos sonhos e as reivindicações do Ocultismo de Lovecraft.

Com base na fabulosa vida dos sonhos de Lovecraft e sua utilização do lendário  Necronomicon , alguns entusiastas ocultistas pintam Lovecraft como um ocultista de armário ou um feiticeiro secreto.

No entanto, ao longo da vida, Howard argumentou contra a aceitação da magia e do sobrenatural.O Ateísmo e materialismo de HP Lovecraft foram exaustivamente documentados. Por exemplo, Lovecraft proclamou:

“Tudo o que eu digo é que eu acho estupidamente improvável que qualquer coisa como uma “vontade fundamental cósmica”, um mundo espiritual, ou uma sobrevivência eterna da personalidade, possam existir. Essas suposições são as mais absurdas e injustificadas de todas as suposições que podem ser feitas sobre o universo, e eu não posso fingir que eu não considero-nas como insignificantes. Em teoria, eu sou agnóstico, mas enquanto aguardo o surgimento de evidências radicais que devem ser classificadas, de forma prática e provisoriamente, eu me mantenho como um ateu “. [H.P. Lovecraft’s Letter to Robert E. Howard, August 16, 1932]

Apesar do ateísmo declarado de Lovecraft, alguns ocultistas ainda implicam que Howard viveu uma vida dupla – e seu lado oculto é o de um praticante da alta magia.

Com certeza, algumas das opiniões de Lovecraft evoluíram ao longo do tempo. Por exemplo, as relações de HPL com os judeus – Seu casamento com Sonia Greene (uma mulher judia) e sua amizade ao longo da vida com Samuel Loveman – desafiou elementos de seu viés racial. Esse amolecimento pode ser refletido na maneira diferente que ele via estrangeiros como em sua descrição empática dos Antigos  em  “Nas Montanhas da Loucura”  (1931):

“Não tinham sido sequer selvagens… pois, na verdade, o que tinham feito? Aquele horrível despertar no frio de uma época desconhecida… talvez um ataque dos quadrúpedes peludos, que latiam com frenesi, e uma defesa atônita contra eles e contra os igualmente frenéticos símios brancos com estranhos envoltórios e equipamentos… Pobre Lake, pobre Gedney…. e pobres Antigos! Cientistas até o fim… o que haviam feito que não faríamos em seu lugar? Deus, que inteligência, que persistência! Com que denodo haviam enfrentado o inacreditável, da mesma forma como aquelesparentes e ancestrais esculpidos haviam enfrentado coisas só um pouco menos inacreditáveis! Radiados, vegetais, monstruosidades, progênie das estrelas… não importa o que tivessem sido, eram homens!”.

Surge a pergunta: “Ao longo dos anos, teria o severo ateísmo de Lovecraft se atenuado da mesma forma?”

  • Será que o uso de Lovecraft do Necronomicon provaria seu Ocultismo?

Uma lenda urbana sugere que a iniciação esotérica de Lovecraft veio através de sua esposa, Sonia Greene.

Sra. Greene supostamente teve um caso antes com um assistente notório, Aleister Crowley:

“Em 1918, Crowley estava em Nova York. Como sempre, ele estava tentando estabelecer sua reputação literária, e estava contribuindo para a Feira Internacional da Vaidade. Sonia Greene era uma emigrante judia enérgica e ambiciosa, com ambições literárias, e ela se juntou a um jantar e palestra em um clube chamado ‘Walker’s Sunrise Club’; foi lá que ela encontrou pela primeira vez Crowley, que havia sido convidado para dar uma palestra sobre poesia moderna … Crowley não perdeu tempo na medida em que se preocupava com mulheres; eles se encontraram de forma irregular por alguns meses “. [The Necronomicon Anti-FAQ, “Why did the novelist H.P. Lovecraft claim to have invented the Necronomicon?” by Colin Low, 1995].

Fora a suposta conexão entre Greene-Crowley, Lovecraft adquiriu conhecimento do temido livro. Alguns ocultistas cibernautas que acreditam que “se está na internet, deve ser verdade”, acabam espalhando esta idéia.

Mais tarde, a fonte da lenda “Crowley-Greene-Lovecraft-Necronomicon” desmentiu a história:

“Apesar de muitas tentativas de mostrar que o  Necronomicon é nada mais do que invenção literária de Lovecraft, um grupo de autores proeminentes e ocultistas alegou fornecer a confirmação da parte da reivindicação de Lovecraft … essa explicação [onde Lovecraft adquiriu o  Necronomicon ] (promovido pela autor em um momento prolongado de maldade), que a mulher de Lovecraft Sonia Greene associada com o ocultista famoso e poeta Aleister Crowley durante sua residência em Nova York, em 1918, é completamente plausível e coerente com ambos os personagens, mas inteiramente falsa “.

Ainda assim, os teóricos do Necronomicon inventam outros meios para provar a existência do Grimório da temida fábula. Para ser justo, Lovecraftianos gostam de especular se o  Necronomicon  teve sua base na realidade.

Um escritor comparou o Necronomicon de Lovecraft com a sacada de mestre de Orsons Wells:

“O Necronomicon de Lovecraft  é equivalente a transmissão de rádio Orson Wells de “Guerra dos Mundos” em 1938, onde todos acreditaram ser uma invasão alienígena real. Como o próprio Lovecraft escreveu: “Nenhuma história estranha pode realmente produzir terror se não for planejada com todo o cuidado e verisimilitude de uma farsa real ‘”[Dr. John Dee, the Necronomicon & the Cleansing of the World – A Gnostic Trail”, by Colin Low, 2000].

Assim, a existência muito debatida do ficcional Necronomicon fornece nenhuma evidência da noção igualmente fictícia que Lovecraft se envolveu com o ocultismo.

  • Ainda assim, o Ateísmo impede a crença no sobrenatural?

Algumas pessoas, no mesmo passo que são ateus estridentes em relação aos deuses tradicionais, começam a crer em uma infinidade de crenças New Age.

O Sistema New Age muitas vezes favorece o subjetivo sobre o objetivo. A experiência supera evidências. Se algo parece verdadeiro, é, mesmo que você não possa descobrir isso. A intuição substitui intelecto. O que se sente verdadeiro torna-se um fato funcional.

A velha declaração de Arquivo X que a “Verdade está lá fora”, em vez de estar entre suas orelhas, simboliza essa ética.

Em contraste com o dualismo metafísico, Lovecraft manteve-se intratável sobre o tema do paranormal ao longo de sua vida. Quando ele veio para o sobrenatural com o uso de ocultismo em suas histórias, HPL declarou:

“Não. Eu nunca li ou usei o jargão de” ocultismo ” na escrita formal … O “estranho” é mais eficaz, pois ele evita as superstições vulgares e fórmulas populares de culto. Eu sou … um materialista absoluto … não ponho um pingo de credibilidade em qualquer forma de sobrenaturalismo, espiritualismo, transcendentalismo, psicose, ou imortalidade. Pode ser, porém, que eu pudesse obter os germes de algumas boas idéias do tamborilar atual da orla lunática psíquica; E eu tenho frequentemente pensado de obter alguma idéia do lixo vendido em uma loja ocultista de livros na 46th St. O problema é que isso custa muito no meu estado atual. Quanto custou o folheto que você acabou de ler? Se qualquer um desses cultos de “crack cerebral” tem livretos gratuitos e “literatura” com uma matéria descritiva sugestiva, eu não me importaria de ter o meu nome em suas listas de ‘otário’. A idéia de que a magia negra existe em segredo hoje, ou que os ritos antigos infernais ainda sobrevivem na obscuridade, é a que eu tenho trabalhado… “[H.P. Lovecraft’s Letter to Clark Ashton Smith, October 9, 1925].

No máximo, Howard usou referências a livros como o  Necronomicon e seu panteão de Antigos como adereços para suspender a descrença a quem lesse sua ficção.

É preciso ter cuidado em tirar conclusões precipitadas. Por exemplo, só porque alguém conhece o  Necronomicon não faz dessa pessoa um ocultista.

  • O Xamanismo “acidental”:

Em seguida, eu gostaria de explorar as facetas do estilo de vida de Lovecraft que espelham as práticas ascéticas de um xamã. Como HPL seguiu disciplinas de um xamã, ele inconscientemente despertou os motivos inconscientes para que visões xamânicas tradicionais surgissem.

A palavra “acidental” é de primordial importância em nossa discussão. Como já observamos, Lovecraft não tinha mais espaço para o xamanismo do que para qualquer prática espiritual em sua sã consciência em vigília. E eu sinto que qualquer artigo sobre Lovecraft deva respeitar suas crenças declaradas.

No entanto, algumas excentricidades do estilo de vida de HPL fornecem terreno fértil para os seus sonhos xamânicos. Essas tendências são:

1) A privação do sono. 

2) Jejum. 

3) O celibato. 

4) Isolamento.

  • 1#Tendência Xamânica: A privação do sono.

Primeiro, Lovecraft era um insone completo.

Em tenra idade, HPL experimentou os terrores noturnos, uma série de pesadelos vívidos especialmente quando uma pessoa acorda rapidamente do sono profundo em um estado apavorado. O jovem Howard teria sido perseguido por aquilo que ele chamou de “Night Gaunts” – criaturas enormes aladas como morcegos sem rosto – que agarravam-lhe pelo estômago, levantando-o a alturas vertiginosas, em seguida, soltando-o sobre a terra abaixo. HPL tomou medidas para evitar o sono, desde que o sono representou a porta de entrada para as bestas escuras de seu inconsciente.

Na idade adulta, Lovecraft era conhecido por ficar sem dormir em muitas de suas viagens para se encontrar com seus correspondentes. Às vezes HPL passou três dias sem dormir. Para ser justo com Lovecraft, ele passou longo tempo sem noites de sono para maximizar o tempo e tirar o máximo proveito de suas viagens. Suas excursões para descobrir a arquitetura de antiquário foram uma das paixões de HPL. Os passeios pela arquitetura em êxtase muitas vezes deixava-o com os pés doloridos.

Um biógrafo observou: “Embora todas as suas queixas sobre a falta de energia, Lovecraft, quando passeava, ultrapassava a resistencia de seus companheiros” [Lovecraft: A Biography, by L. Sprague de Camp, 1976, p. 385.]

Hart Crane, um conhecido de Lovecraft, escreveu sobre a capacidade de HPL em ficar sem dormir, em uma carta para sua mãe no dia 14 de setembro de 1924:

“… Howard Lovecraft, (o homem que visitou Sam em Cleveland num verão quando Galpin também estava lá) manteve Sam perambulando ao redor das favelas e ruas do cais até as quatro da manhã à procura de exemplares da arquitetura colonial, até que Sam me disse que ele gemeu com fadiga e implorou para que fossem para o metrô! [Ibid., p. 237].

Edgar Hoffman Price também lembrou que um dos passeios sem dormir de Lovecraft:

No ano seguinte, [1933], HPL e eu nos encontramos em Providence, em 66 College Street. Sra. Gamwell, foi, então, no hospital, de modo que não havia ninguém para nos convencer a manter-lo em sãs horas. Minha lembrança é que desta vez, estávamos em viagem por 34 horas … “[ Ibid., p. 403].

Lovecraft reforçou a sua capacidade de ficar sem dormir com café. Ele bebeu grandes quantidades de Java – café cujos grãos são produzidos na ilha de Java na Indonésia – atado com grandes quantidades de açúcar – até quatro colheres por xícara.

Um detalhe auxiliar a práticas de sono de Lovecraft era que ele dormia durante o dia e ficou acordado até tarde da noite.

Os ritmos circadianos em humanos regulam a temperatura do núcleo do corpo, a atividade das ondas cerebrais, a produção de hormônios, a regeneração celular, secreções endócrinas e outras atividades biológicas. Um dos ritmos circadianos é modulado em ciclos de 24 horas de luz solar e trevas.

O rompimento de padrões de sono leva à interrupção do sono REM – o período do sono em que ocorrem os sonhos. Quando os sonhos são negados em uma tomada inconsciente, eles buscam expressões conscientes. Assim, as alucinações podem ocorrer.

Que efeito teve um curto-circuito dos ritmos circadianos sobre Lovecraft? Talvez a pergunta deva ser: “Onde termina o sonho do sono, e o sonhar acordado começa?”

  • #2 Tendência Xamânica: O jejum.

Em segundo lugar, Lovecraft praticou uma severa medida de jejum.

HPL foi, em grande parte, indiferente aos alimentos em geral. Ele não era tentado pelos gourmets, e se gabava de quão pouco custava-lhe comer.

Exceto para os dois anos em que ele viveu com Sonia Green, onde o peso de Lovecraft inchou de seu ideal aristocrático, HPL mal comia o suficiente para se manter vivo.

A idiossincrasia de alimentos não promovia sua saúde. A desnutrição causada pela dieta espartana de Howard, levou a um colapso em seu sistema imunológico que promoveu o câncer oportunista que depois o matou.

Mas Howard acreditava que seu cérebro funcionava melhor quando era um pouco desnutrido. Ele experimentou sua dieta frugal para aumentar a freqüência e a intensidade de seus sonhos misteriosos.

  • #3 Tendência Xamânica: O celibato .

Em terceiro lugar, Lovecraft praticou o celibato sexual. Os benefícios ascéticos de celibato em tradições esotéricas e religiosas são discutíveis. Além do casamento de Howard com Sonia Greene, a partir de minha leitura de vários biógrafos, Lovecraft viveu os costumes sexualmente repressivos engendrados por uma forte ética vitoriana.

Mais que o reconhecimento, a sexualidade de Lovecraft parece ser como a mancha de tinta de Rorschach – o que cada pessoa vê depende da orientação que pretende encontrar.

Em um nível prático, como muitos intelectuais: “Lovecraft focou suas atenções e esforços em atividades mentais, em vez de físicos, e, simplesmente, não tinha fortes interesses sexuais em tudo” [“H.P. Lovecraft Misconceptions”, by Donovan K. Loucks,http://www.hplovecraft.com/, May 14,  2011].

Da mesma forma, a abstinência de Lovecraft de beber e fumar também permitiu-lhe uma perseguição indivisada ou não diluída de seus interesses acadêmicos.

  • #4 Tendência Xamânica: Isolamento.

Em quarto lugar, Lovecraft ironicamente às vezes se comparou a um asceta ou eremita. Mais uma vez, HPL não viu seu ascetismo surgir a partir de uma noção religiosa ou espiritual.

No entanto, períodos de isolamento físicos e psicológicos foram marcantes na vida de Lovecraft.

Em algum nível, Lovecraft sentiu como se estivesse fora de passo com a vida. Ele sentiu-se um estranho em seu próprio mundo. Às vezes, HPL vivia como um eremita. Entre 1908-1914, Howard se retirou da vida social, devido a um colapso nervoso relatado. Em casos contrários, apesar do estereótipo, Howard envolvia-se socialmente, através de seu grande círculo de amigos literáriose e suas freqüentes viagens para visitá-los.

Apesar de seu compromisso com a vida, Lovecraft muitas vezes sentiu-se estranho, devido às suas limitações financeiras, a incapacidade de mudar as circunstâncias, a sua predisposição para a depressão, entre outros fatores. HPL falou de seus sentimentos na terceira pessoa, que muitas vezes é um sinal de sentimento distanciado da vida:

No entanto, posso garantir-vos que este ponto de vista é associado a uma das mais simples  e, mais discretamente, antiquada personalidade a se aposentar um dia: a do velho eremita e asceta que ainda não conhece o tempo contemporâneo que lhe cerca com festas e atividades joviais, e que durante o próximo inverno, provavelmente, não irá resistir as suas sentenças consecutivas: salvo por duas tias idosas!” [H.P. Lovecraft’s Letter to August Derleth: November 21, 1930].

  • O Efeito Sinérgico do Ascetismo acidental de Lovecraft

Quais são os efeitos que as práticas xamânicas acidentais de Lovecraft induzem?

Um dos resultados da privação de sono prolongada inclui vários tipos de psicoses. Lovecraft ficou muitas vezes em dias sem dormir. Um estudo relata que um total de 80% das pessoas, que passaram longas crises de insônia, também sofrem alucinações visuais [Can Sleep Deprivation Cause Hallucinations? Seeing Things May Occur with Extreme Sleep Loss” By Brandon Peters, M.D., About.com, September 01, 2011.]

O comportamento alcança seu limite quando uma pessoa experimenta um estado de sonho ou alucinação que parece tão real quanto se o evento realmente ocorresse.

Lovecraft afirmou que seus sonhos eram tão genuínos que ao acordar, a impressão de sua “verdade” o atormentava:

Eu tenho relacionado isso em detalhes, porque me impressionou muito vividamente. Isto não é um romance sobre reencarnação de Co [abreviação para Ira A. Cole] , você vai ver que esse sonho não tem clímax ou ponto, mas era muito real … Neste ponto você me perguntará de onde vêm estas histórias! Eu respondo de acordo com o seu pragmatismo que o sonho era tão real quanto a minha presença nesta mesa, com a caneta na mão! Se a verdade ou a falsidade de nossas crenças e impressões são imateriais, então eu sou, ou era, na verdade, e, indiscutivelmente, um espírito sem carroçaria pairando sobre uma cidade muito singular, muito silenciosa, e muito antiga em algum lugar entre cinzentas colinas mortas. Eu pensei que estava na hora, então o que mais importa? Você acha que eu era tão verdadeiro em espírito como estou agora como HP Lovecraft? Eu não “[H.P. Lovecraft’s Letter to Maurice W. Moe, May 15, 1918].

Para recapitular, os elementos do estilo de vida de Lovecraft incluíram:

1) Perturbação Ritmo circadiano porque HPL dormia de dia e percorriam as ruas de noite. 

2) Uma auto-imposta privação de sono que durou três dias, muitas vezes ao mesmo tempo. 

3) Jejum que lhe abstia de clareza mental e valorizava seu sonho. 

4) A abnegação em áreas – sexo, fumo e bebida forte – que se concentravam suas energias na criatividade.

5) Os períodos de isolamento físico e emocional que fomentaram o sentimento de separatividade.

Como Lovecraft viveu esses fatores, o lado esquerdo do cérebro intelectual agitou acidentalmente os motivos inconscientes para as visões xamânicas tradicionais surgirem.

HPL descreveu a escala de suas visões imaginativas:

“… Como meros fios, essas fantasias misturadas não valem a pena; mas sendo sonhos de boa-fé, eles são bastante pitorescos. Dá uma sensação de experiência estranha, fantástica, sobrenaturalde ter visto estas coisas estranhas, aparentemente, com o olho visual. Eu sonhei assim desde que eu era velho o suficiente para lembrar dos sonhos, e provavelmente serei até eu descer ao Averno … Na verdade, eu viajei para lugares estranhos que não estão sobre a terra ou em qualquer planeta conhecido. Tenho sido um piloto de cometas, e um irmão para as nebulosas … “[H.P. Lovecraft’s Letter to Rheinhart Kleiner, May 21, 1920]

  • Sonhos Caleidoscópicos e Visões Psicodélicas:

O que os xamãs modernos, como Timothy Leary e xamãs mais velhos, como os nativos americanos, têm em comum?

Ambos usaram drogas para lançar chaves químicas em seus cérebros que levaram-lhes em suas viagens vibrantes e visões. Dr. Leary usou LSD, enquanto algumas pessoas costumavam se dirgir até a Medicina mescalina. Quando numa dessas viagens psicodélicas foi utilizado o elemento químico certo, LSD, o que se procede é algo assim:

“… Altera profundamente e expande a consciência, soltando ou apagando completamente os filtros normais e telas entre sua mente consciente e o mundo exterior. Com estes filtros para baixo, mais informações correm para dentro. Você sente mais, pensa mais. Você se torna consciente das coisas normalmente filtradas por sua mente – visuais, auditivas, sensoriais e emocionais. Os intrincados detalhes em superfícies, a riqueza de som, o brilho das cores, e a complexidade de seus próprios processos mentais são todos trazidos para o primeiro plano de sua consciência. Em doses mais elevadas, a pressa de informação torna-se uma inundação e os seus sentidos, na verdade, começam a se fundir e se sobrepõem … até que você pode ver sons ou cheirar cores “. [LSD Effects”, The GoodDrugsGuide.Com]

LSD também altera o sentido do tempo e da percepção visual:

Efeitos primários do LSD são visuais. As cores parecem mais fortes e as luzes parecem mais brilhantes. Os objetos que são estáveis podem parecer se mover ou ter um halo de luz em torno deles. Às vezes, os objetos têm trilhas de luz provenientes deles ou parecem menores ou maiores do que realmente são. Usuários de LSD muitas vezes veem padrões, formas, cores e texturas. Às vezes parece que o tempo está correndo para trás, ou se movendo muito rapidamente ou lentamente. Em ocasiões muito raras … tropeços podem causar sinestesia – uma confusão de sensações entre diferentes tipos de estímulos. Algumas pessoas descreveram isso como ver cores quando ouvem sons específicos “[How LSD Works”, by Shanna Freeman,]

Eu nunca usei uma droga psicodélica, então eu não posso descrever um LSD ou mescalina a partir da experiência pessoal. É por isso que eu incluí descrições de como um agente alucinógeno afeta a percepção e as sensações de uma pessoa.

O que eu proponho é o seguinte: Como Lovecraft praticou os estilos de vida com traços de xamanismo acidental, ele tropeçou nas mesmas chaves químicas do cérebro que outros precisariam usar alucinógenos para ativar.

O resultado foi que os sonhos e a imaginação de Lovecraft expressavam a mesma experiência de outro mundo de alguém que usou drogas psicodélicas. Tristan Eldritch primeiro comparou os escritos de Lovecraft para experiências psicodélicas. No entanto, a pesquisa não explorou o estilo de vida ascético de Lovecraft como contribuindo para a psicodélica magnitude de sonhos e prosa de HPL.

Além da semelhança em experiências fantasmagóricas, gostaria de salientar a percepção de distorção de tempo que Lovecraft procurou esteticamente e a perturbação de tempo em uma viagem alucinógena.

Lovecraft procurou êxtases estéticos:

“… Que … invariavelmente implica uma derrota total das leis de tempo, espaço, matéria e energia, ou melhor, uma independência individual dessas leis da minha parte, em que eu possa navegar através dos universos variados de espaço-tempo como um invisível vapor que possa perturbar … nenhum deles, no entanto, é superior aos seus limites e formas locais de organização material “[H.P. Lovecraft’s Letter to August Derleth, December 25, 1930]

Observe que Lovecraft buscava um estado de ser, que incluiu um senso de independência das leis da época. A descrição de HPL corresponde à distorção de tempo que faz parte de uma experiência psicodélica:

… Às vezes parece que o tempo está correndo para trás, ou se movendo muito rápido ou devagar …”[ “How LSD Works,” by Shanna Freeman]

  • Houve uma predisposição genética para as “Dreamscapes” de Lovecraft?

Antes de prosseguir, gostaria de afirmar que Lovecraft também poderia ter sido geneticamente predisposto ao mundo fantástico dos sonhos.

Existem semelhanças entre as alucinações visuais e sensoriais de esquizofrenia e paisagens oníricas vívidas de Lovecraft.

Eu acredito que a ligação genética poderia ter sido materna. Embora o pai de Lovecraft morreu em uma instituição mental, sua loucura foi, provavelmente, devido a complicações de uma doença – sífilis. Por outro lado, Susie Lovecraft, em seus últimos anos, experimentou alucinações visuais envolvendo figuras sombrias. As alucinações pareciam ser de natureza orgânica.

Lovecraft experimentou surtos de doença mental, embora ele pensasse ser em grande parte depressão bipolar. No entanto, o racismo irracional do HPL, apesar de sua racionalidade, ocorreu de forma delirante e orgânica.

Da mesma forma, quando as telas genéticas habituais – aquelas que diminuem os estímulos conscientes recebidos para uma realidade gerenciável – são defeituosas, experiências sensoriais de uma pessoa assumem o caráter de viagens psicodélicas.

Telas de Howard, por falta de uma melhor metáfora, podem ter sido poucas e com defeitos. Isso não significa que as faculdades do HPL eram deficientes cada momento de cada dia. Mas elas eram suficientemente menores, e ainda mais enfraquecidas por suas tendências ascéticas, por transformar seus sonhos em titânicas visões ciclópicas de outros mundos e outras épocas.

Essa facilidade imperfeitamente semelhante permitiu Vincent Van Gogh ver cores brilhantes em torno de cenas naturais prosaicas que os outros não vêem, e despejou-as em suas telas assombrando os admiradores. Talvez Lovecraft viu coisas em seus sonhos e nas vigílias de suas crises de imaginação, devido a uma disfunção similar de algumas de suas acuidades mentais.

  • Para queimar a mente do leitor com uma grandeza cósmica

Eu acredito que existia uma constelação de fatores – tanto comportamentais e orgânicos – predispostos em Lovecraft para acessar mundos de sombras imaginativas. Lovecraft, assim como outros grandes artistas, era um indivíduo único na história. De nenhuma maneira podemos traçar todos os fatores ilusórios que vieram a ser concretizadas nos momentos criativos quando HPL escreveu grandes nomes como “Nas Montanhas da Loucura”.

Espero que tenhamos sugerido algumas razões para Lovecraft ter produzido os contos impressionistas que queimavam a mente do leitor com sua grandeza cósmica.

 

 

Por: John de laughter em LovecraftZine. Tradução: Nathalia Claro

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/h-p-lovecraft-e-suas-tendencias-xamanistas/

Dante Alighieri e o Esoterismo Templário

Jacques DeMolay nascido entre 1240 e 1244 na região de Borgonha na França, consagrado Monge Cavaleiro da Ordem dos Templários na Capela dos Templários em Beaune em 1265. Morto em 18 de Março de 1314 em Paris junto com seu companheiro Geoffroy de Charney.

Diante da fogueira armada para receber o ultimo Grão Mestre Templário e seu companheiro estava um representante de uma importante linhagem iniciática que revelaria segredos e mistérios do Templo as gerações futuras.

Jacques DeMolay antes de morrer amaldiçoou o Rei e o Papa por terem conspirado contra a Ordem. E essa figura foi o responsável por registrar tal maldição que conhecemos hoje.

Essa pessoa era Dante Alighieri, autor do famoso conto A Divina Comédia.

ESOTERISMO TEMPLÁRIO

A Ordem do Templo foi fundada, miticamente, em 1118 por nove monges oriundos de famílias nobres que lutaram ao lado de Godofredo de Bulhão na Primeira Cruzada. Porém essa é uma história envolta de mistérios.

Hughes de Payns e São Bernardo de Claraval, figuras chaves no nascimento dos Templários, são descendentes de famílias nobres da Casa de Borgonha na França. Essa é uma dinastia que na Idade Média a sua origem foi tida envolta de mitos e mistérios como sendo descendente da Linhagem Bíblia do Rei Davi e Salomão passando por Jesus de Nazaré e Maria Madalena.

Essa e muitas outras teorias que envolvem o nascimento dos Templários não são nada atuais. Esses mistérios remontam antes mesmo da sua fundação em 1118. Porém é necessário muito cuidado ao estudar o misticismo que envolve a Ordem dos Templários que é pouco verdadeiramente explorado e muito deturpado.

Antes de tudo os Templários eram – e continuam sendo – uma Ordem Monástica Cristã. Os Templários, assim como os Cistercienses, Dominicanos, Franciscanos e Beneditos, foram os detentores do Esoterismo Cristão que inclui estudos como Astrologia, Alquimia, Rabdomancia, Magnetismo, entre outras ciências herméticas. E no caso dos Templários teorias e relatos medievais sugerem que eles eram detentores da verdadeira história de Jesus de Nazaré e protetores do Santo Graal.

O Cristianismo Esotérico é o conhecido como Tradição Joanita. Enquanto o apóstolo São Pedro se tornou a cabeça do cristianismo fundando (também miticamente) a Igreja e a sucessão apostólica, São João tornou-se o coração. Pedro representa o cristianismo externo, João o interno – exotérico e esotérico.

Os Templários eram praticantes em sua Ordem interna da Tradição Joanita. Tinham uma especial devoção tanto a São João Evangelista como a São João Batista – os padroeiros do Esoterismo Cristão.

O Hermetismo Cristão nasceu dentro do pensamento de grandes Iniciados que existiram dentro da Igreja e que faziam parte desse Joanismo. A astrologia cristã, assim como qualquer outra linha da astrologia, consiste em estudar, compreender e vencer a influência dos astros sobre nós, assim como a ler a “mensagem dos céus”. Não por acaso diz a lenda que 3 Reis Magos viram a estrela que indicava o nascimento de Jesus brilhar no céu.

A Alquimia Cristã não se preocupa em criar ouro sólido, mas sim fazer com que o homem possa morrer para se transmutar em uma Imitação de Cristo. A rabdomancia fazia parte da Arquitetura Sagrada, com ela os Monges Arquitetos escolhiam o lugar apropriado para a construção que iriam erguer.

Esses são alguns dos pontos em que consiste o Hermetismo Cristão, que faz parte da Tradição Joanita ou Esotérica. Isso é um pouco do que consiste o Esoterismo Templário, aqueles que eram os guardiões do Santo Graal.

Nesse meio nasce também a doutrina primordial dos Construtores Livres ou dos Monges Construtores que formaram a Maçonaria Operativa, intimamente ligada a Ordem dos Templários e dos Cistercienses. Devido a tradição Joanita, os Construtores se reuniam nas “Lojas de São João”.

DANTE E O FIM DOS TEMPLÁRIOS

Dante Alighieri nasceu em 1265 próximo a cidade de Florença. Florença era palco de grandes correntes esotéricas e foi lá que Dante conheceu seu principal mestre espiritual: Brunetto Latini, um hermetista iniciado nos mistérios Templários, companheiro dos grandes alquimistas Alberto Magno que introduziu a Tábuas de Esmeralda no Hermetismo Cristão, e Tomás de Aquino.

Penetrou no mundo iniciático do seu tempo e acabou se tornando um importante guardião do Esoterismo Cristão, registrando em suas obras suas descobertas e experiências metafísicas.

Em 1314 Dante estava em Paris e assistiu a todo o processo de Jacques DeMolay e Godfrey de Charney, assim como presenciou na tarde de 18 de Maço a fogueira queimar lentamente com o ultimo Grão Mestre Templário e seu companheiro amarrados a ela.

Dante comparou o martírio de Jacques DeMolay como um crime tão grave como a crucificação de Jesus de Nazaré.

Jacques DeMolay era de origem nobre da Casa de Borgonha. Teria Dante conhecido a verdade sobre os Templários e a morte de DeMolay para realizar tal comparação?

Jacques DeMolay nunca entregou o paradeiro do tesouro do Templo ou dos monges fugitivos que escaparam do Rei e do Papa, e nunca revelou nem mesmo sob tortura os segredos que sua Ordem detinha.

Dante era extremamente religioso e era Católico, porém sabia que os culpados pela morte dos Templários era o Rei e o Papa. Durante sua jornada no Inferno relatado na Divina Comédia, viu o Papa Clemente V no local do inferno reservado aos que foram fraudulentos em vida. Se hoje ainda é absurda a ideia de um Papa ir ao inferno para o Católico, imaginem na Idade Média com o domínio da Igreja com a força da Santa Inquisição sobre o povo. Porém mesmo sob essa Tirania, Dante faz o seu relato.

O legado da Ordem do Templo não morreu com Jacques DeMolay na fogueira. DeMolay provou naquele momento que nenhuma tirania pode superar a fraternidade entre os homens. Numa visão esotérica, Jacques DeMolay vivenciou o que o Nazareno fez antes dele: exemplificou a lição do Companheirismo e da Fidelidade com sua própria vida.

Dante Alighieri legou a nós o Esoterismo Templário em sua obra prima: A Divina Comédia.

Nessa obra, Dante realiza uma viagem espiritual em que conhece o Inferno, o Purgatório e o Céu. Primeiramente penetra nas esferas inferiores do Inferno que representam a queda que a humanidade faz em sua própria consciência através dos seus vícios mal controlados. E após conhecer todos os níveis de abominações humanas, entra no Purgatório onde se purifica de todos seus pecados para poder conhecer os Céus.

A ascensão de Dante sobre os Dez Céus é análoga as Esferas da Árvore da Vida, – Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter, Saturno e então aos três Céus superiores. Dante encontra-se com Tomás de Aquino, Alberto Magnus, Rei Salomão, São Francisco e Carlos Magno – todos Grandes Iniciados. Tem também uma visão especial de Godofredo de Bullion, o planejador da Ordem dos Templários e também detentor de uma importante linhagem iniciática.

As referências alquímicas, astrológicas, herméticas e também da Kabalah são extensas na obra de Dante. Foi também nessa época em os Iniciados Cristãos começaram a penetrar na tradição oculta judaica, nascendo a Kabalah Cristã e Kabalah Hermética. Dante era iniciado nesses estudos e dizia que a escritura sagrada deve ser aprendida nos “quatro sentidos”: literal, simbólica, por comparações metafóricas e a oculta ou secreta, que são os quatro níveis de aprendizado da Kabalah sobre os Livros Sagrados conhecido como PaRDeS.

No décimo Céu, Dante encontra-se com o próprio São Bernardo de Claraval – o poder espiritual por trás da Ordem do Templo. São Bernardo mostra a Dante diversos mistérios do cosmos e da terra e fazem juntos uma devoção a Virgem Maria, a figura santa mais sagrada para os Cavaleiros Templários que representa a Shekinah na tradição esotérica cristã.

Na alquimia cristã Maria – Shekinah – deu luz à Pedra Filosofal em forma humana: Yashua Bar Yoseph.

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Lembremos do testamento de Fernando pessoa, um iniciado nos mistérios da Ordem do Templo: “Ter sempre na memória o mártir Jacques DeMolay, Grão-Mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos – a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.”

#Demolay #Templários

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/dante-alighieri-e-o-esoterismo-templ%C3%A1rio

A Maçã Atômica

» Parte 2 da série “Reflexões sobre o materialismo” ver parte 1

Fusão Nuclear – é o processo no qual dois ou mais núcleos atômicos se juntam e formam um outro núcleo de maior número atômico. A fusão nuclear requer muita energia para acontecer, e geralmente liberta muito mais energia que consome. Até o início do século XXI, o ser humano ainda não conseguiu encontrar uma forma de controlar a fusão nuclear como acontece com a fissão.

Conforme vínhamos dizendo, a filosofia de Demócrito não despertou tanto interesse, na época, quanto as de Pitágoras, Sócrates ou Platão. Mas coube a Aristóteles resgatar suas ideias décadas após sua morte.

Aristóteles dizia que o raciocínio que guiou Demócrito para afirmar a existência dos átomos foi o seguinte: o movimento pressupõe o vazio no qual a matéria se desloca, mas se a matéria se dividisse em partes sempre menores infinitamente no vazio, ela não teria consistência, nada poderia se formar porque nada poderia surgir da diluição sempre cada vez mais infinitamente profunda da matéria no vazio. Daí concluiu que, para explicar a existência do mundo tal como o conhecemos, a divisão da matéria não pode ser infinita, isto é, que há um limite indivisível, o átomo. “Há apenas átomos e vazio”, disse ele. Observando um raio de sol que penetrou numa fresta de um recinto escuro, Demócrito viu partículas de poeira num movimento de turbilhão, levando-o à ideia de que os átomos (os indivisíveis da matéria) se comportariam da mesma maneira, colidindo aleatoriamente, alguns se aglomerando, outros se dispersando, outros ainda nunca se juntando com outro átomo.

Talvez seja mais conveniente ilustrar o pensamento de Demócrito por seu experimento mental onde imaginamos cortar uma maçã com uma faca (claro, o experimento não necessariamente precisa ser apenas mental, mas em sua época só era possível visualizar aos átomos através da imaginação pura – guardem isso):

“Quando cortamos a maçã” – afirmou Demócrito – “a faca deve passar pelos espaços vazios entre os átomos. Se não houvessem tais lacunas, então a faca iria encontrar algum átomo impenetrável, e a maçã não seria cortada. Em uma escala muito pequena, a matéria exibe uma aspereza irredutível – o mundo dos átomos.” Segundo Carl Sagan, os argumentos de Demócrito não são os mesmos que usamos hoje, mas são elegantes, sutis, e derivados da experiência do dia a dia, a observação da natureza – suas conclusões estavam fundamentalmente certas.

Para Demócrito, nada ocorria aleatoriamente, tudo advinha de alguma causa material. Ele sabiamente afirmava “que preferia conhecer uma causa do que ser o rei da Pérsia.” Ele acreditava que a pobreza em uma democracia era muito melhor do que a riqueza em uma tirania. Foi essencialmente um livre-pensador, um observador meticuloso da natureza.

O atomismo foi essencial para o desenvolvimento da física ao longo da história da ciência, mas hoje se sabe que os átomos são muito, muito menores do que poeira flutuando num facho de luz, ou pequeníssimas lascas de poupa de maçã… Os átomos são constituídos por um núcleo de prótons e nêutrons com elétrons girando ao redor, porém mesmo estas partículas ainda são constituídas de grupamentos de partículas ainda menores, os quarks. Atualmente os quarks são o limite do “muito pequeno” observável por instrumentos, mas através de elegantes teorias matemáticas os físicos postulam que as menores unidades materiais podem ser cordas cuja vibração produziria partículas de maior ou menor massa – mas isso já é uma outra história.

Demócrito estava fundamentalmente correto quando postulava sobre a quantidade de vazio que existe entre os átomos, mas certamente não pôde vislumbrá-la em toda sua magnitude… Para se ter uma ideia básica, consideremos o hidrogênio, o elemento mais abundante do universo. A maior parte dos átomos de hidrogênio é bem simples: um único próton com um único elétron girando ao redor (é também o único elemento que não necessariamente possuí nêutrons). Caso o núcleo do hidrogênio fosse do tamanho aproximado de uma maçã, o elétron a orbitá-lo estaria vagando a cerca de 3Km de distância… Isso demonstra um universo bastante vazio!

Mas não para por aí: felizmente os elétrons jamais se chocam na natureza, a não ser em condições extremas como no núcleo das estrelas… Graças a força de repulsão eletroestática, os elétrons não se chocam (como quando aproximamos dois imãs de mesma carga). Não fosse por isso, ao cortarmos maçãs ou apertarmos a mão uns dos outros, causaríamos verdadeiros incidentes nucleares com a fusão nuclear de nossos átomos…

Se tudo que existe é, de fato, átomos e vazio, consideremos quão bizarro é este mundo onde seres constituídos de átomos deslizam para cá e para lá, e julgam estar caminhando, tocando o solo; e julgam estar realmente tocando a água ao mergulharem no mar; e julgam realmente estar tocando uns aos outros nas relações sexuais… Não, toda a matéria é intangível, e tudo o que há são átomos a deslizar em turbilhão pelo vazio infinito.

Mas e o que isso tudo tem a ver com nossa questão em relação ao materialismo? Ora, é muito comum vermos seres ignorantes responderem abruptamente quando afirmamos, enquanto espiritualistas, que não somos materialistas – eles dizem mais ou menos assim:

“Ora, então você não crê na matéria? Então vá chutar uma parede para ver se a sua perna não te convence!” – Como se o mero ato de caminhar contra o vento já não provasse algo semelhante… Ou ainda, de fato, o mero fato de estarmos aqui inteiros, sem termos explodido em uma reação nuclear, levando conosco boa parte de nossa cidade (a bomba de Hiroshima tinha apenas 0,6g de urânio enriquecido).

O que ocorre é essencialmente uma confusão de nomenclaturas e conceitos, o que, aliás, parece ser a principal razão das discussões inúteis no ramo da filosofia, da ciência ou mesmo da religião… De fato, todos somos materialistas, no sentido de crer em átomos, ah não ser talvez os mais alienados ou alucinados. Há mesmo muitos religiosos que são extremamente materialistas. Mas, então, que espécie de materialismo se opõe ao espiritualismo?

» Para responder essa pergunta, primeiro teremos de analisar a grande aposta do materialismo científico…

***

Crédito da imagem: Igor Kostin/Sygma/Corbis (maçãs contaminadas por radiação em Chernobyl)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#Ciência #Filosofia #materialismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-ma%C3%A7%C3%A3-at%C3%B4mica

Carl Gustav Jung

1875 – 1961

Carl Gustav Jung nasceu a 26 de julho de 1875, em Kresswil, Basiléia, na Suíça, no seio de uma família voltada para a religião. Seu pai e vários outros parentes eram pastores luteranos, o que explica, em parte, desde a mais tenra idade, o interesse do jovem Carl por filosofia e questões espirituais e o pelo papel da religião no processo de maturação psíquica das pessoas, povos e civilizações. Criança bastante sensível e introspectiva, desde cedo o futuro colega de Freud demonstrou uma inteligência e uma sagacidade intelectuais notáves, o que, mesmo assim, não lhe poupou alguns dissabores, como um lar algumas vezes um pouco desestruturado e a inveja dos colegas e a solidão.

Ao entrar para a universidade, Jung havia decidido estudar Medicina, na tentativa de manter um compromisso entre seus interesses por ciências naturais e humanas. Ele queria, de alguma forma, vivenciar na prática os ideais que adotava usando os meios dados pela ciência. Por essa época, também, passou a se interessar mais intensamente pelos fenômenos psíquicos e investigou várias mensagens hipoteticamente recebidas por uma médium local (na verdade, uma prima sua), o que acabou sendo o material de sua tese de graduação, “Psicologia e Patologia dos Assim Chamados Fênomenos Psíquicos”.

Em 1900, Jung tornou-se interno na Clínica Psiquiátrica Bugholzli, em Zurique, onde estudou com Pierre Janet, em 1902, e onde, em 1904, montou um laboratório experimental em que criou seu célebre teste de associação de palavras para o diagnóstico psiquiátrico. Neste, uma pessoa é convidada a responder a uma lista padronizada de palavras-estímulo; qualquer demora irregular no tempo médio de resposta ou excitação entre o estímulo e a resposta é muito provavelmente um indicador de tensão emocional relacionada, de alguma forma, com o sentido da palavra-estímulo. Mas tarde este teste foi aperfeiçoado e adaptado por inúmeros psiquiatras e psicólogos, para envolver, além de palavras, imagens, sons, objetos e desenhos. É este o princípio básico usado no detector de mentiras, utilizado pela polícia científica. Estes estudos lhe granjearam alguma reputação, o que o levou, em 1905, aos trinta anos, a assumir a cátedra de professor de psiquiatria na Universidade de Zurique. Neste ínterim, Jung entra em contato com as obras de Sigmund Freud (1856-1939), e, mesmo conhecendo as fortes críticas que a então incipiente Psicanálise sofria por parte dos meio médicos e acadêmicos na ocasião, ele fez questão de defender as descobertas do mestre vienense, convencido que estava da importância e do avanço dos trabalhos de Freud. Estava tão enstusiasmado com as novas perspectivas abertas pela psicanálise, que decidiu conhecer Freud pessoalmente. O primeiro encontro entre eles transformou-se numa conversa que durou treze horas ininterruptas. A comunhão de idéias e objetivos era tamanha, que eles passaram a se corresponder semanalmente, e Freud chegou a declarar Jung seu mais próximo colaborador e herdeiro lógico, e isso é algo que tem de ser bem frisado, a mútua admiração entre estes dois homens, frequentemente esquecida tanto por freudianos como por junguianos. Porém, tamanha identidade de pensamentos e amizade não conseguia esconder algumas diferenças fundamentais, e nem os confrontos entre os fortes gênios de um e de outro. Jung jamais conseguiu aceitar a insistência de Freud de que as causas dos conflitos psíquicos sempre envolveriam algum trauma de natureza sexual, e Freud não admitia o interesse de Jung pelos fenômenos espirituais como fontes válidas de estudo em si. O rompimento entre eles foi inevitável, ainda que Jung o tenha, de certa forma, precipitado. Ele iria acontecer mais cedo ou mais tarde. O rompimento foi doloroso para ambos. O rompimento turbulento do trabalho mútuo e da amizade acabou por abrir uma profunda mágoa mútua, nunca inteiramente assimilada pelos dois principais gênios da Psicologia do século XX e que ainda, infelizmente, divide partidários de ambos os teóricos.

Aterior mesmo ao período em que estavam juntos, Jung começou a desenvolver uma sistema teórico que chamou, originalmente, de “Psicologia dos Complexos”, mais tarde chamando-a de “Psicologia Analítica”, como resultado direto de seu contato prático com seus pacientes. O conceito de inconsciente já está bem sedimentado na sólida base psiquiátrica de Jung antes de seu contato pessoal com Freud, mas foi com Freud, real formulador do conceito em termos clínicos, que Jung pôde se basear para aprofundar seus próprios estudos. O contato entre os dois homens foi extremamente rico para ambos, durante o período de parceria entre eles. Aliás, foi Jung quem cunhou o termo e a noção básica de “complexo”, que foi adotado por Freud. Por complexo, Jung entendia os vários “grupos de conteúdos psíquicos que, desvinculando-se da consciência, passam para o inconsciente, onde continuam, numa existência relativamente autônoma, a influir osbre a conduta” (G. Zunini). E, embora possa ser frequentemente negativa, essa influência também pode assumir caracterísiticas positivas, quando se torna o estímulo para novas possibilidades criativas.

Jung já havia usado a noção de complexo desde 1904, na diagnose das associações de palavras. A variância no tempo de reação entre palavras demonstrou que as atitudes do sujeito diante de certas palavras-estímulo, quer respondendo de forma exitante, quer de forma apressada, era diferente do tempo de reação de outras palvras que pareciam ter estimulação neutra. As reações não convencionais poderiam indicar (e indicavam de fato) a presença de complexos, dos quais o sujeito não tinha consciência.

Utilizando-se desta técnica e do estudo dos sonhos e de desenhos, Jung passou a se dedicar profundamente aos meios pelos quais se expressa o inconsciente. Os sonhos pessoais de seus pacientes o intrigavam na medida em que os temas de certos sonhos individuais eram muito semelhantes aos grandes temas culturais ou mitológicos universais, ainda mais quando o sujeito nada conhecia de mitos ou mitologias. O mesmo ocorria no caso dos desenhos que seus pacientes faziam, geralmente muito parecidos com os símbolos adotados por várias culturas e tradições religiosas do mundo inteiro. Estas similaridades levaram Jung à sua mais importante descoberta: o “inconsciente coletivo”. Assim, Jung descobrira que além do consciente e inconsciente pessoais, já estudados por Freud, exitiria uma zona ou faixa psíquica onde estariam as figuras, símbolos e conteúdos arquetípicos de caráter universal, frequentemente expressos em temas mitológicos. Por exemplo, o mito bíbilico de Adão e Eva comendo do fruto da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e, por isso, sendo expulosos do Paraíso, e o mito grego de Prometeu roubando o fogo do conhecimento dos deuses e dando-o aos homens, pagando com a vida pelo sua presunção são bem parecidos com o moderno mito de Frankenstein, elaborado pela escritora Mary Schelley após um pesadelo, e que toca fundo na mente e nas emoções das pessoas de forma quase “instintiva”, como se uma parte de nossas mentes “entendesse” o real significado da história: o homem sempre paga um alto preço pela ousadia de querer ser Deus.

Enquanto o inconsciente pessoal consiste fundamentalmente de material reprimido e de complexos, o inconsciente coletivo é composto fundamentalmente de uma tendência para sensibilizar-se com certas imagens, ou melhor, símbolos que constelam sentimentos profundos de apelo universal, os arquétipos: da mesma forma que animais e homens parecem possuir atitudes inatas, chamadas de instintos, também é provável que em nosso psiquismo exista um material psíquico com alguma analogia com os instintos. Talvez, as imagens arquetípicas sejam algo como que figurações dos próprios insitintos, num nível mais sofisticado, psíquico. Assim, não é mais arriscado admitir a hipótese do inconsciente coletivo, comum a toda a humanidade, do que admitir a existência instintos comuns a todos os seres vivos.

Assim, em resumo, o inconsciente coletivo é uma faixa intrapsíquica e interpsíquica, repleto de material representativo de motivos de forte carga afetiva comum a toda a humanidade, como, por exemplo, a associação do femino com características maternas e, ao mesmo tempo, em seu lado escuro, crueis, ou a forte sensação intuitiva universal da existência de uma transcendência metaforicamente denominada Deus. A mãe boa, por exemplo, é um aspecto do arquétipo do feminino na psique, que pode ter a figura de uma deusa ou de uma fada, da mãe má, ou que pode possuir os traços de uma bruxa; a figura masculina poderá ter uma representação num sábio, que geralmente é representado por um ermitão, etc. As figuras em si, mais ou menos semelhantes em várias culturas, são os arquétipos, que nada mais são que “corpos” que dão forma aos conteúdos que representam: o arquétipo da mãe boa, ou da boa fada, representam a mesma coisa: o lado feminino positivo da natureza humana, acolhedor e carinhoso.

Este mundo inconsciente, onde imperam os arquétipos, que nada mais são que recepientes de conteúdos ainda mais profundos e universais, é pleno de esquemas de reações psíquicas quase “instinitvas”, de reações psíquicas comuns a toda a humanidade, como, por exemplo, num sonho de perseguição: todas as pessoas que sonham ou já sonharam sendo perseguidas geralmente descrevem cenas e ações muito semelhanes entre si, senão na forma, ao menos no conteúdo. A angústia de quem é perseguido é sentida concomitantemente ao prazer que sabemos ter o perseguidor no enredo onírico, ou a sua raiva, ou o seu desejo. Estes esquemas de reações “instintivas” (uso esta palavra por analogia, não por equivalência) também se encontram nos mitos de todos os povos e nas tradições religiosas. Por exemplo, no mito de Osires, na história de Krishna e na vida de Buda encontramos similiradades fascinates. Sabemos que mitos encobrem frequentemente a vida de grandes homens, como se pudessem nos dizer algo mais sobre a mensagem que eles nos trouxeram, e quanto mais carismáticos são esses homens, mais a imaginação do povo os encobrem em mitos, e mais esses mitos têm em comum. Estes padrões arquetípicos expressos quer a nível pessoal que a nível mitológico relacionam-se com caracterísiticas e profundos anseios da natureza humana, como o nascimento, a morte, as imagens parterna e materna, e a relação entre os dois sexos.

Outra temática famosa com respeito a Jung é a sua teoria dos “tipos psicológicos”. Foi com base na análise da controvérsia entre as personalidades de Freud e um outro seu discípulo famoso, e também dissidente, Alfred Adler, que Jung consegue delinear a tipologia do “introvertido” e do “extrovertido”. Freud seria o “extrovertido”, Adler, o “introvertido”. Para o extrovertido, os acontecimentos externos são da máxima importância, ao nível consciente; em compesação, ao nível insconsciente, a atividade psíquica do extrovertido concentra-se no seu próprio eu. De modo inverso, para o introvertido o que conta é a resposta subjetiva aos acontecimentos externos, ao passo que, a nível insconsciente, o introvertido é compelido para o mundo externo.

Embora não exista um tipo puro, Jung reconhece a extrema utilidade descritiva da distinção entre “introvertido” e “extrovertido”. Aliás, ele reconhecia que todos temos ambas as características, e somente a predominância relativa de um deles é que determina o tipo na pessoa. Seu mais famoso livro, Tipos Psicológicos é de 1921. Já nesse período, Jung dedica maior atenção ao estudo da magia, da alquimia,das diversas religiões e das culturas ocidentais pré-cristãs e orientais (Psicologia da Religião Oriental e Ocidental, 1940; Psicologia e Alquimia, 1944; O eu e o inconsciente, 1945).

Analisando o seu trabalho, Jung disse: “Não sou levado por excessivo otimismo nem sou tão amante dos ideais elevados, mas me interesso simplesmente pelo destino do ser humano como indivíduo – aquela unidade infinitesimal da qual depende o mundo e na qual, se estamos lendo corretamente o signficado da mensagem cristã, também Deus busca seu fim”. Ficou célebre a controvertida resposta que Jung deu, em 1959, a um entrevistador da BBC que lhe perguntou: “O senhor acredita em Deus?” A resposta foi: “Não tenho necessidade de crer em Deus. Eu o conheço”.

Eis o que Freud afirmou do sistema de Jung: “Aquilo de que os suíços tinham tanto orgulho nada mais era do que uma modificação da teoria psicanalítica, obtida rejeitando o fator da sexualidade. Confesso que, desde o início, entendi esse ‘progresso’ como adequação excessiva às exigências da atualidade”. Ou seja, para Freud, a teoria de Jung é uma corruptela de sua própria teoria, simplificada diante das exigências moralistas da época. Não há nada mais falso. Sabemos que foi Freud quem, algumas vezes, utilizou-se de alguns conceitos de Jung, embora de forma mascarada, como podemos ver em sua interpretação do caso do “Homem dos Lobos”, notadamente no conceito de atavismo na lembrança do coito. Já por seu turno, Jung nunca quis negar a importância da sexualidade na vida psíquica, “embora Freud sustente obstinadamente que eu a negue”. Ele apenas “procurava estabelecer limites para a desenfreada terminologia sobre o sexo, que vicia todas as discussões sobre o psiquismo humano, e situar então a sexualidade em seu lugar mais adequado. O senso comum voltará sempre ao fato de que a sexualidade humana é apenas uma pulsão ligada aos instintos biofisiológicos e é apenas uma das funções psicofisiológicas, embora, sem dúvida, muitíssimo importante e de grande alcance”.

Carl Gustav Jung morreu a 6 de junho de 1961, aos 86 anos, em sua casa, à beira do lago de Zurique,em Küsnacht após uma longa vida produtiva, que marcou – e tudo leva a crer que ainda marcará mais – a antropologia, a sociologia e a psicologia.

Freud e Jung: Estudos Críticos

A fecunda e tumultuada amizade entre Freud e Jung, nas palavras de Paul Roazen, é um dos marcos da história do pensamento e da cultura ocidental.

O rompimento dessa amizade entre os dois maiores cientistas e sábios do século impediu a continuação de  uma parceria que poderia ter contribuído para um desenvolvimento ainda maior da ciência da psique e para o alargamento dos horizontes de conhecimento da interioridade do homem.

Muito já se disse e se escreveu sobre o assunto. Mas não há conclusão que se imponha de modo a silenciar a polêmica que se arrasta e prossegue entre os discípulos menos avisados de cada um dos mestres.

Relacionamos a seguir textos que iluminam a questão, embora alguns dos seus aspectos permaneçam obscuros e possivelmente nunca venham a ser completamente elucidados. Talvez porque sejam manifestações cujas origens estão fincadas nas mais abissais regiões do inconsciente dos protagonistas.

De qualquer sorte, talvez seja necessário àqueles que se propõem seguir as orientações teóricas de Freud ou de Jung ou, ainda, de Freud e Jung – mergulhar na história dessa turbulenta amizade e extrair as suas próprias conclusões. É possível que esse mergulho termine por ser um encontro pessoal de cada um com a sua própria verdade. Um confronto rico e saudável com o seu inconsciente. Então, quem sabe, talvez tenhamos aprendido a lição maior desses mestres segundo a qual pessoa alguma pode acompanhar ou orientar uma jornada que ela mesmo não a tenha feito.

O confrontar-se com o inconsciente e o defrontar-se com a própria sombra parece ser o exemplo maior de coragem pessoal e honestidade intelectual que Freud e Jung legaram às gerações de estudiosos da alma humana que os sucederam.

Esse entendimento poderá ser útil à compreensão aprofundada das teorias do Dr. Sigmund Freud e do Dr.Carl Gustav Jung.

E, parafraseando o bardo inglês, o resto é silêncio!

  • AMIGOS ÍNTIMOS, RIVAIS PERIGOSOS – A turbulenta convivência de Freud e Jung
    Duane Schultz
    Rio de Janeiro: Rocco, 1991 – 274 p.
    O autor, psicólogo e pesquisador da história da psicologia e da psicanálise, apresenta um relato claro e objetivo da turbulenta convivência entre Freud e Jung.

  • CORRESPONDÊNCIA COMPLETA DE SIGMUND FREUD E CARL G. JUNG
    William McGuire (org.)
    Rio de Janeiro: Imago, 1993 – 651 p.
    Contém a correspondência de Freud e de Jung no período de 1906 a 1914.

  • FREUD E JUNG – Anos de amizade, anos de perda
    Linda Donn
    Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991 – 358 p.
    Percorrendo a trajetória da amizade de Freud e Jung, desde o início até o tempestuoso conflito que levou ao seu rompimento, a autora mostra o trabalho que os dois cientistas realizaram para dar forma e substância à psicanálise e, por fim, focaliza o lastimável conflito que impediu a continuação da amizade e da colaboração científica entre os dois maiores estudiosos da mente humana de todos os tempos.

  • FREUD E A PSICANÁLISE
    Carl Gustav Jung
    Petrópolis: Vozes – Volume IV das Obras Completas
    Reúne os principais escritos de Jung sobre Freud e sobre a psicanálise, destacando principalmente as mudanças do seu ponto de vista sobre a ciência freudiana. Contém uma análise detalhada sobre as suas idéias fundamentais e as suas diferenças em relação a Freud.

  • FREUD E SEUS DISCÍPULOS – Capítulo VI – p. 259-335
    Paul Roazen
    São Paulo: Cultrix, 1978 – 669 p.
    Completo estudo de Freud, contemplando suas idéias, personalidade e as relações com os seus discípulos. No captítulo VI, o autor trata da relação Freud-Jung e da sua importância para psicanálise.

  • FREUD – Uma vida para o nosso tempo – Capítulo 5 – p. 191-231
    Peter Gay
    São Paulo: Companhia das Letras,1989 – 719 p.
    Considerada uma das mais bem documentadas biografias de Freud, Peter Gay dedica praticamente todo o
    seu capítulo 5, que trata da Política Psicanalítica, à análise da amizade Freud e Jung. No começo, Jung
    era o “Principe Herdeiro” , depois transformado no “Inimigo”.

  • UM MÉTODO MUITO PERIGOSO – Freud, Jung e Sabina Spielrein – A história ignorada dos primeiros anos da psicanálise
    John Kerr
    Rio de Janeiro: Imago, 1997 – 643 p.
    Nesse livro, John Kerr apresenta um estudo dos primórdios da história da psicanálise, principalmente sobre o papel que Jung desempenhou nessa etapa do surgimento da ciência freudiana. O autor reexamina a polêmica relação Freud-Jung-Sabina Spielrein e seu impacto na estruturação das idéias de Jung e a importância desse tríplice relacionamento para o movimento psicanalítico.

  • VIDA E OBRA DE SIGMUND FREUD – 3 VOLUMES
    Ernest Jones
    Rio de Janeiro: Imago, 1989
    Tradicional biografia de Freud, escrita por um dos seus contemporâneos e discípulo. No segundo volume da trilogia, Capítulo 5, Ernest Jones trata das dissenções sofridas pelo movimento psicanalítico, dentre as quais inclui o rompimento com Jung ( p. 146-160).

    • VIENA DE FREUD E OUTROS ENSAIOS
      Bruno Bettelheim
      Rio de Janeiro: Campus, 1991 – 273 p.
      Ensaios sobre Freud e a psicanálise. Na primeira parte, no ensaio Uma assimetria secreta, o autor comenta o Diário de uma secreta simetria, que apresenta a correspondência entre Sabina Spielrein, Freud e Jung organizada pelo psicólogo junguiano Aldo Carotenuto.

 

Volume .. Título
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I ESTUDOS PSIQUIÁTRICOS Esse volume reúne os primeiros escritos psiquiátricos de Jung sobre os chamados fenômenos ocultos:
-SOBRE A PSICOLOGIA E PATOLOGIA DOS FENÔMENOS CHAMADOS OCULTOS – (1902)
-ERROS HISTÉRICOS DA LEITURA-(1904)
-CRIPTOMNÉSIA – (1905)
-DISTIMIA MANÍACA-(1903)

Outros trabalho incluídos:
-UM CASO DE ESTUPOR HISTÉRICO EM PESSOA CONDENADA À PRISÃO – (1902)
-SOBRE A SIMULAÇÃO DE DISTÚRBIO MENTAL – (1903)
-PARECER MÉDICO SOBRE UM CASO DE SIMULAÇÃO DE INSANIDADE MENTAL – (1904)
-UM TERCEIRO PARECER CONCLUSIVO SOBRE DOIS PARECERES PSIQUIÁTRICOS CONTRADITÓRIOS (1906)
-SOBRE O DIAGNÓSTICO PSICOLÓGICO DE FATOS

Os estudos que se contém nesse volume expressam a polêmica de Jung com o modelo psiquiátrico vigente e a tendência de seus estudos e pesquisas.

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II ESTUDOS EXPERIMENTAIS Contém as contribuições de Jung aos “Estudos diagnósticos de associações”, cujas principais experiências foram realizadas, sob a sua direção, na clínica psiquiátrica da Universidade de Zurique, a partir de 1902 e publicados entre 1904 e 1910. Outros estudos incluídos referem-se aos trabalhos de “Pesquisas Psicofísicas” (1907-1908).
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III PSICOGÊNESE DAS DOENÇAS MENTAIS Os artigos integrantes desse volume pertencem à fase das primeiras publicações de Jung e, na sua maioria, abordam temas psiquiátricos, de modo particular a esquizofrenia.
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IV FREUD E A PSICANÁLISE Reúne os principais escritos de Jung sobre Freud e sobre a psicanálise, destacando as mudanças do seu ponto de vista sobre a ciência freudiana. Contém uma análise detalhada sobre as idéias fundamentais de Jung e as suas diferenças em relação às de Freud.
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V SÍMBOLOS DA TRANSFORMAÇÃ0-Análise dos primórdios de uma esquizofreniaVersão completa e definitiva de uma das mais importantes e avançadas obras de Jung, publicada em 1952. O texto original, denominado, Símbolos e transformações da libido data de 1911-12. A elaboração da versão definitiva se estendeu por quase 40 anos. Esse escrito, em que Jung abandona a terminologia da psicanálise e da psiquiatria da época, assinala o ponto de sua ruptura com Freud.
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VI TIPOS PSICOLÓGICOS Publicado em 1921, contém a teoria junguiana sobre as diferenças entre as pessoas e suas relações com o mundo. Nele, o autor faz incursões pelo campo da arte, da filosofia, da mitologia, da religião e do simbolismo para fundamentar as suas idéias. É um dos textos mais conhecidos e divulgados de Jung. A sua elaboração, nas palavras do autor, demorou quase vinte anos para ser concluída.
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VII ESTUDOS SOBRE PSICOLOGIA ANALÍTICA Reúne dois estudos publicados independemente:

– Psicologia do Inconsciente – Vol VII/1

Nesse tomo, Jung discute as concepções de Freud e de Adler sobre o inconsciente, ao mesmo tempo em que apresenta uma introdução à psicologia do inconsciente, fundamentada nos arquétipos do sonho. O texto, publicado inicialmente em 1912, foi modificado ampla e sucessivamente ao longo dos anos, inclusive quanto ao título.

– Eu e o Inconsciente – Vol VII/2

Publicado em 1928, resulta de uma conferência proferida em 1916, subordinada ao tema “A Estrutura do inconsciente”. O trabalho original está incluído no apêndice desse tomo. O texto é uma introdução aos conceitos fundamentais da Psicologia Analítica.

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VIII A DINÂMICA DO INCONSCIENTE Os textos desse volume expõem os conhecimentos fundamentais e as hipóteses de trabalho de Jung, o que permite conhecer a sua posição epistemológica. Destacam-se os seguintes trabalhos: a energia psíquica; a função transcendente;,a teoria dos complexos; o significado da constituição e da herança para a psicologia; determinantes psicológicas do comportamento humano; instinto e inconsciente; a natureza do psíquico; psicologia do sonho; os fundamentos psicológicos da crença nos espíritos; o real e o supra-real; as etapas da vida humana; a alma e a morte; sincronicidade.
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IX – 1 OS ARQUÉTIPOS E O INCONSCIENTE COLETIVO Encontra-se em fase de tradução para o português.
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IX – 2 AION – Estudos sobre o simbolismo do Si-mesmoO segundo tomo do volume IX das obras completas de C.G.Jung contém uma extensa monografia sobre o arquétipo do Si-mesmo.
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X PSICOLOGIA EM TRANSIÇÃO Reúne estudos sobre a relação do indivíduo com a sociedade, tendo como ponto de partida o escrito Sobre o Inconsciente(1918), em que Jung expõe a teoria de que o conflito na Europa, naquela época, tinha a sua origem no inconsciente coletivo, influenciando grupos e nações. A partir desse trabalho, o autor escreveu ensaios que retomam e aprofundam os temas abordados. O volume inclui, ainda, o texto Um mito moderno: Sobre coisas vistas no céu(1958). Nesse trabalho, Jung considera o mito como uma compensação pela unilateralidade de nossa era tecnológica, cuja tendência preponderante é cientificista.
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XI PSICOLOGIA DA RELIGIÃO OCIDENTAL E ORIENTAL Contém os principais estudos de Jung sobre o fenômeno religioso e a sua importância para o desenvolvimento psicológico do homem. Os ensaios contidos neste volume abordam a religiosidade oriental e ocidental, por meio dos quais o autor mostra que subjacentes a todas as religiões estão conteúdos arquetípicos, representações primordiais da alma humana.
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XII PSICOLOGIA E ALQUIMIA Reúne os principais estudos de Jung sobre a alquimia, em que faz relação entre os processos alquímicos e o desenvolvimento da personalidade.
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XIII ESTUDOS ALQUÍMICOS Encontra-se em fase de tradução para o português.
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XIV MYSTERIUM CONIUNCTIONIS Publicada em dois volumes (XIV/1 e XIV/2), essa obra contempla os estudos avançados de Jung no campo da alquimia, em que ele mostra que a alquimia antecipa parte da problemática do homem moderno. O subtítulo do volume “Pesquisas sobre a separação e a composição dos opostos psíquicos na Alquimia” indica a idéia central do trabalho: a unificação ou superação dos opostos.
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XV O ESPÍRITO NA ARTE E NA CIÊNCIA Nesse volume estão publicados os ensaios de Jung sobre:
-Paracelso (1929)
-Sigmund Freud, um fenômeno histórico-cultural (1932)
-Sigmund Freud (1939)
-Richard Wilhelm (1930)
-Relação da psicologia analítica com a obra de arte poética (1922)
-Psicologia e poesia (1930)
-Ulisses, um monólogo ( 1932) – Refere-se à obra de James Joyce.
-Picasso (1932)
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XVI A PRÁTICA DA PSICOTERAPIA Contém trabalhos sobre questões relativas à prática da psicoterapia. Na primeira parte trata, o autor trata dos problemas gerais:princípios básicos da prática da psicoterapia; o que é psicoterapia; alguns aspectos da psicoterapia moderna; os objetivos da psicoterapia; os problemas da psicoterapia moderna; psicoterapia e visão do mundo; medicina e psicoterapia; psicoterapia e atualidade; questões básicas da psicoterapia. E na segunda, aborda os temas específicos:o valor terapêutico da ab-reação; aplicação prática da análise dos sonhos; a psicologia da transferência.
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XVII O DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE Esse volume reúne os trabalhos de Jung sobre psicologia infantil, cuja parte mais importante é constituída por três preleções sobre “Psicologia Analítica e Educação” Foram incluídos também os ensaios “O casamento como relacionamento psíquico” texto que tem sido amplamente estudado e debatido nas questões de terapia de casais. Outro estudo incluído:”Sobre a Formação da Personalidade”.
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XVIII ESCRITOS DIVERSOS XVII/1 -Fundamentos de Psicologia Analítica

Reúne as cinco conferências proferidas por Jung, na Clínica Tavistock, em Londres. em 1935. Nessas textos, Jung faz um introdução ampla aos princípios fundamentais de sua psicologia. Dentre os ouvintes dessas conferências encontravam-se médicos, psiquiatras, psicanalistas freudianos, etc. É interesssante registrar que o psicanalista Wilfred R.Bion esteve presente, pelo menos, às duas primeiras exposições.No texto estão registradas as intervenções que fez.  Os demais textos que compõem este volume estão em fase de tradução para o português.

OUTRAS OBRAS DE C.G.JUNG PUBLICADAS EM PORTUGUÊS

  • HOMEM E SEUS SÍMBOLOS (O)
    Editor:Carl G.Jung e, após a sua morte, Marie-Louise von Franz
    Edição especial brasileira
    Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 317 p.
    Nesse livro, Jung acentua que o homem só se realiza através do conhecimento e da aceitação do inconsciente – conhecimento que ele adquire por intermédio dos sonhos e seus símbolos. Trata-se do único trabalho de Jung destinado a explicar ao público leigo a sua maior contribuição ao conhecimento da mente humana: a sua teoria a respeito da importância do simbolismo. Particularmente, o simbolismo dos sonhos.
  • HOMEM À DESCOBERTA DA SUA ALMA (O)
    Porto: Livraria Tavares Martins, 1975.
    Livro publicado originariamente em francês-“L’HOMME À LA DÉCOUVERTE DE SON ÂME”. No prefácio que escreveu, em setembro de 1943, Roland Cohen declara que a obra destinava-se a apresentar ao público francês o essencial da psicologia de Carl Gustav Jung, reunindo os trabalhos que expunham as bases de sua obra:
  • LIVRO I – EXPOSIÇÃO

I – O problema fundamental da psicologia contemporânea
II- A psicologia e os tempos presentes

  • LIVRO II – OS COMPLEXOS

III-Introdução à psicologia analítica – Primeira parte: Psicologia geral
IV-Introdução à psicologia analítica – Segunda parte: Os complexos
V- Considerações gerais sobre a teoria dos complexos

 

  • LIVRO III – OS SONHOS

VI-A psicologia do sonho
VII-A utilização prática dos sonhos
VIII-Introdução à psicologia analítica – Terceita parte: Os sonhos

  • MEMÓRIAS, SONHOS E REFLEXÕES
    Compilação e prefácio de Aniela Jaffé
    Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1989. 361 p.
    Testemunho que Jung dá de si mesmo. No prólogo ele afirma “A minha vida é a história de um inconsciente que se realizou”. A leitura desse livro é imprescindível para uma compreensão adequada da personalidade do criador da psicologia analítica.

 

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/carl-gustav-jung/

Imagens e Símbolos

Existe uma natural e lógica relação entre imagem e símbolo. Quando se tratam de símbolos cujo marco de expressão é o espaço, como por exemplo os geométricos, arquitetônicos e iconográficos, sua vinculação com a imagem é óbvia. E quando se desenvolvem no tempo, como a música ritual e sagrada, a poesia e os relatos orais dos mitos, estes geram, simultaneamente a sua audição, imagens e visões simbólicas. E isso é assim porque, como dizia já Aristóteles, o homem conhece por meio de imagens, ou seja que sua natureza anímica e intelectual está especialmente capacitada para compreender através das representações simbólicas. Desta forma a linguagem sintética e universal das imagens simbólicas libera a psique da dualidade de toda dialética existencial, onde o puramente mental e cerebral prima sobre a verdadeira intuição intelectual que reside no coração, o que equivale a uma purificação regeneradora, cujo fim é nos devolver a pureza mental e a inocência virginal das origens; uma transmutação da consciência tal que harmonize perfeitamente com o ser do mundo e das coisas.

O homem tradicional vê também no universo, e em tudo o que lhe rodeia, uma exteriorização de si mesmo, uma imagem do mundo que habita em seu interior. Isto se deve a que ambos, Cosmo e homem, estão feitos de igual substância vivificada pelo mesmo Espírito. Esta certeza conduz a uma identificação com as forças invisíveis e as energias numinosas que animam a matéria, à que imprimem uma forma ou estrutura inteligível, que devirá o símbolo ou o signo dessas potências criadoras. Eis o erro moderno de considerar o mundo como algo plano e homogêneo, quando na verdade encerra dentro de si uma variedade inesgotável de possibilidades de ser que constantemente manifestam a realidade dos atributos divinos. De maneira velada ou evidente, tudo conserva a impressão do sagrado, pois como diz o Zohar: “o mundo subsiste pelo mistério”.

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