A Nova Aurora do Alquimista

Cambridge, 1936 : lord Rutherford, o maior físico experimental de seu tempo, que descobriu e realizou a transmutação dos elementos, dá os últimos retoques ao manuscrito que publicará no ano seguinte, nas edições da Universidade de Cambridge. É o cômputo geral de todas as suas descobertas. Dá o título: The Newer Alchemy (A Mais Recente Alquimia).

Marrakech, 1949 : na praça Djema el Fna, um velho árabe, usando turbante verde dos hadj, está atarefado perto do forno que aquece uma bola de vidro hermeticamente fechada. A seu lado, o professor Holmyard (Oxford) segue a experiência com atenção e respeito; por fim, diz:

— Mestre, agradeço por me deixar ver o que podia ser visto por um profano sobre a muito santa alquimia.

Paris, 1967: o editor Jean-Jacques Pauvert reimprime o Livre Muet de l’Alchimie (Mutus Liber). Na primeira página lê-se: “Primeira impressão integral da edição original de La Rochelle, 1677. Introdução e comentários por Eugène Cànseliet, F. C. H., discípulo de Fulcanelli”. Ontem, hoje, em todos os países, os homens não deixaram de estudar a alquimia. Mas que alquimia, e para quê?

Há quem veja na alquimia uma idéia ultrapassada, uma espécie de pré-química ingênua do tempo em que os conhecimentos eram raros e confusos. Essa foi a atitude do nacionalismo clássico no século 19. Pré-química ingênua? Seria mais ou menos tão exato como dizer que a Paixão de Cristo foi a primeira forma ingênua do Grand Guignol. Não. A alquimia é outra coisa. Uma grande coisa. Sem entrar em detalhes, ten-taremos esclarecer seu sentido, que é também seu objetivo.

Todos nós acreditamos saber o que é a matéria. Por toda parte ela nos envolve. Impõe-se a nós. Mas, que é matéria? O drama é que no mais das vezes os filósofos ignoram tudo sobre a ciência, e por muito tempo não viram na matéria senão uma coisa morta, sem propriedades suscetíveis de interessá-los. Enquanto isso, a ciência progredia a passos de gigante e depois do começo do século começou a descobrir os segredos — pelo menos alguns deles — da matéria. Teria sido necessário criar uma nova filosofia, mas isso não foi feito. Um homem — Lenine — teria podido realizar essa tarefa capital, se tivesse vivido mais tempo e não tivesse outras coisas para fazer.

Em Materialismo e Empiriocriticismo escreveu que a matéria era inesgotável e que nem uma eternidade de pesquisas científicas chegaria a revelar todos os segredos. As pesquisas atuais confirmam essa asserção. Fred Hoyle, em Frontières de 1’Astronomie, disse que a matéria é o domínio mais fascinante, mais milagroso, mais extraordinário sobre o qual o pensamento humano pode se exercitar. E que nossa medíocre vida terrestre é bem pouca coisa ao lado do que se passa na matéria universal, tanto no seio das es-trelas, nas regiões longínquas do cosmo, como no grande vazio que separa as estrelas das estrelas, as galáxias das galáxias e talvez as metagaláxias ou universos de outros universos.

Sim, teria chegado o tempo de conceber uma nova filosofia, materialismo verdadeiro ao lado do qual o materialismo ingênuo do século 19 seria apenas caricatura. Porque nós vemos — como escrevia o grande sábio e grande alquimista Isaac Newton — que até agora nada fizemos senão “apanhar algumas pedras na praia”. Para além, encontra-se um imenso oceano de saber.

Ora, esse oceano foi explorado e alguns homens traçaram o mapa dos continentes desconhecidos da ciência que aí se encontram. É esse saber, ao lado do qual nossa ciência é bem pouca coisa, que se chama alquimia.

De onde provêm esses conhecimentos? Não se sabe, e o adágio afirma: — “Aqueles que sabem não falam, aqueles que falam não sabem”. Darei simplesmente minha opinião nacionalista: a alquimia é o resíduo da ciência e da tecnologia pertencentes á uma civilização desaparecida. Não creio absoluta-mente em outras hipóteses: revelação divina, extraterrestre, que trouxe aos homens o fogo, o arco, o martelo, a alquimia etc.

Penso que a civilização desaparecida desencadeou forças fantásticas que perturbaram os continentes, derreteram os gelos e destruíram aquele mundo altamente evoluído. Traços de cultura teriam, contudo, subsistido por muito tempo, explicando certa permanência de conhecimentos até nossa própria civilização. Assim Newton certamente teve contato com os últimos mantenedores dos grandes segredos.

Newton foi o último mágico.

Este aspecto pouco conhecido de sua vida foi especialmente estudado pelo célebre economista e filósofo inglês John Maynard Kaynes, que escreveu:

“Newton não foi o primeiro nacionalista. Foi o último mágico, o último sobrevivente da época da Suméria e da Babilônia, o último grande espírito que olhou o mundo visível e invisível com os mesmos olhos que começaram a reunir nossa herança intelectual há pouco menos de 10 mil anos. Por que chamei-o mágico? Porque ele via o universo inteiro como um enigma, como um segredo que pode ser compreendido, aplicando o pensamento puro a certas provas. Ele pensava que os indícios que podem conduzir à solução do enigma estavam parcialmente no céu e na constituição dos elementos (por essa razão, ele é erroneamente tomado por experimentador cientifico), mas também em certos documentos e certas tradições que percorreram os tempos, sem interrupção, como uma corrente que nunca foi partida desde as primeiras revelações enigmáticas feitas na Babilônia”.

Depois de Newton, houve uma espécie de brecha no conhecimento. A orientação da pesquisa científica mudou e, em particular a partir dessa época, a idéia de que o conhecimento implica em perigo, como acreditavam fundamentalmente os alquimistas, foi completamente negligenciado.

Hoje retorna-se a essa atitude. Inúmeros sábios acreditam que a difusão de certos conhecimentos pode pôr em perigo toda a humanidade. Assim, no Science Journal, revista científica das mais influentes de nossa época, de dezembro de 1967, o editorialista Gordon Rattray Taylor cita uma carta do dr. E. Orowan :

“A grande maioria da população da Terra considera a ciência e a tecnologia como perigo mortal crescente para sua vida. Sentem-se impotentes, à mercê de uma minoria, como se, numa mesa de operações, estivessem entre as mãos, não de pessoas que curam, mas de irresponsáveis levados pela curiosidade ou o que é ainda pior — pelo desejo de prestígio e promoção … Seria bom os sábios entenderem que estão em vias de dançar sobre um depósito de pólvora”. E Gordon Rattray Taylor acrescenta : “A desculpa habitual dos sábios, segundo a qual ninguém é obrigado a aplicar as descobertas científicas senão o desejar, não é mais válida . . . Os sábios chocam-se a responsabilidades inquietantes, que deverão enfrentar cada vez mais”.

Vê-se, pois, reaparecerem no mundo científico contemporâneo as velhas idéias dos alquimistas: ciência e moral são associadas e o segredo é às vezes uma necessidade.

Mas, em seu tempo, como poderiam os alquimistas saber que a ciência podia conduzir à ruína? Não se sabe; contudo, a idéia desse perigo parece ter sempre sido de seu conhecimento. A alquimia é, em todo caso, muito antiga; já existia na China, 4 500 anos antes de Cristo. Célebre texto, muito mais recente deve datar mais ou menos do século 12 —, A Mesa de Esmeralda, retoma os grandes princípios dessa “ciência” merece ser citado por extenso:

“Ë verdade, sem mentira, certo e muito verdadeiro: o que está embaixo é como o que está em cima, e o que está em cima é comoque está embaixo, para realizar os milagres de uma só coisa.E assim como todas as coisas provieram e provêm do Um, assim todas as coisas nasceram da coisa única, por adaptação. O Sol é o pai, a Lua é a mãe, o vento a carregou em seu ventre, a Terra é a nutriz. O Thelema (telesma, perfeição) de todo o mundo está aí.Seu poder não tem limites sobre a Terra. Tu separarás a terra do fogo, o sutil do espesso, cuidadosamente, com grande habilidade. Ele sobe da terra para o céu, e torna a descer para a terra e reúne a força das coisas superiores e inferiores. Terás assim toda a glória do mundo, eis por que toda a obscuridade se afastará de ti : é a força forte de toda força, pois ela vencerá toda coisa sutil e penetrará toda coisa sólida. Assim o mundo foi criado.Eis a origem de admiráveis adaptações aqui indicadas. Foi assim que fui chamado Hermes Trismegista, possuindo as três partes da filosofia universal. O que eu disse da operação do Sol está completo”.

Este texto é importante, mesmo se à primeira vista parece obscuro, porque expõe a teoria da unidade cósmica, ao mesmo tempo que a “receita” da obra filosofal. O autor parece saber que as estrelas tiram sua energia da transmutação dos elementos. O que chama “operação do Sol” é a própria base da construção da bomba 3 F (fissãofusão-fissão), que ameaça destruir a humanidade hoje. Ora, se podemos realmente fabricar tais bombas por meios relativa-mente simples, é preferível que a “receita” permaneça secreta. Os alquimistas são desconfiados. Nossos sábios, enfim, encontram-se com eles nesse ponto.

Mas pode-se dizer que os alquimistas escreviam muito. É verdade: há milhares, centenas de milhares de livros de alquimia. É assim que se preservam os segredos? Na minha opinião, os livros de alquimia não contêm qualquer segredo diretamente transmissível. Formam apenas a “biblioteca do alquimista”, e aí uma iniciação seria inutilmente procurada. Quer dizer, esses livros não são úteis e compreensíveis senão àqueles que já conhecem a alquimia. Um exemplo esclarece a idéia. Quem quer que se ocupe atualmente de energia atomica aplicada possui em sua biblioteca o livro fundamental de John R. Lamarsh , Introduction to Nuclear Reactor Theory (Addison-Wesley Publishing Company Inc.). Mas o livro básico não pode ser compreendido senão por aqueles que já conhecem a matemática; foi feito para leitores especializados. Em nenhum lugar se apresenta como tratado, retomando os princípios básicos. Somente os atomistas podem tirar proveito. Assim também, somente os alquimistas podem compreender e utilizar os livros de alquimia.

É a pedra filosofal a alegoria da radioatividade?

Mas então como pode alguém tornar-se alquimista?

Como se chega a esse conhecimento? Como aí chegaram os alquimistas se não há livros de iniciação?

Aqui só posso emitir minha opinião pessoal. Não sou um iniciado, não faço parte de qualquer sociedade secreta, mas estudei a alquimia durante perto de 40 anos. Fiz alguns contatos, procedi a algumas experiências. No total, que sei?

Como já disse, minha convicção profunda é de que, antes de nós, em nosso planeta existia uma civilização muito adiantada, que desapareceu. Os mapas de Piri Reis são alguns dos últimos vestígios, a alquimia é um outro. Não temos senão indícios e algum pouco mais para nos guiar.

Essa civilização havia se elevado a nível muito alto e devia certamente possuir conhecimentos, sobre a estrutura da matéria, mais adiantados que os nossos. Essa é a opinião de Frederick Soddy, Prêmio Nobel, grande físico atómico, que descobriu os isótopos e lhes deu o nome. Em seu livro O Rádio, Interpretação e Ensinamento da Radioatividade, escreveu:

“É interessante refletir, por exemplo, sobre a notável lenda da pedra filosofal, uma das crenças mais antigas e universais; por mais longe que acompanhemos seus traços no passado, nunca encontraremos a verdadeira fonte. Atribui-se à pedra filosofal o poder não só de efetuar a transmutação dos me-tais, mas também de agir como elixir da vida. Ora, qualquer que seja a origem dessa associação de idéias aparentemente despida de qualquer sentido, ela se mostra, na realidade, como expressão muito correta e apenas alegórica de nossa atual maneira de ver. Não é necessário grande esforço de imaginação para se chegar a ver na energia a própria vida do universo físico: e hoje sabemos que é graças à transmutação que surgiram as primeiras fontes da vida física do universo.Não é, então, simples coincidência, esta antiga aproximação do poder de transmutação e o elixir da vida? Prefiro crer que seria antes um eco vindo de uma das inúmeras idades quando, nos tempos pré-históricos, antes de nós, os homens seguiram a mesma estrada por onde hoje caminhamos. Mas esse passado é provavelmente tão longínquo que os átomos seus contemporâneos tiveram tempo de desintegrar-se totalmente”.

Antigamente a ciência levou a imenso desastre E o grande sábio (com quem mais de uma vez falei sobre alquimia) prossegue: “Deixemos ainda um instante nossa imaginação vagar livremente por essas regiões ideais. Suponhamos que seja verdadeira essa hipótese que a nós se apresente por si própria, e que podemos confiar no tênue fundamento constituído pelas tradições e superstições transmitidas até nós através dos tempos pré-históricos. Não poderíamos neles ver justificativa para a crença de que homens de alguma raça extinta e esquecida alcançaram não só os conhecimentos recentemente por nós adquiridos, mas ainda capacidades que ainda não possuímos?”

Por meu lado, compartilho a opinião de Soddy, de que uma civilização muito evoluída existiu antes dos tempos históricos. Mas, que pode ter acontecido para que esse mundo desaparecesse sem nos deixar a totalidade de sua herança? Creio que em certo momento essa ciência levou a um imenso desastre. Deve ter havido um conflito, no qual foram utilizadas armas muito mais poderosas que nossas melhores bombas atômicas: armas cujo efeito fizeram deslizar os continentes, rasgando-os na face da Terra, deslocando os pólos magnéticos, modificando as cinturas de radiação que protegem do vento solar, suprimindo a camada de ozone que antepara os raios ultra-violeta, enfim, perturbando o campo gravitacional da Terra.

Todos os estudos atuais parecem com efeito mostrar que, em dado momento, produziram-se importantes modificações ou perturbações das leis naturais que conhecemos. É mesmo provável que até o fim do século 20 possamos datar a grande catástrofe com a margem de alguns ,mil anos. Provavelmente será colocada a uns 100 mil anos.

Por mais grave que tenha sido a catástrofe, por mais graves que fossem seus efeitos em todos os sentidos, alguns homens devem ter sobrevivido, que possuíam fragmentos do saber antigo: conhecimentos positivos, a idéia de que a ciência era perigosa, lendas também. O “pecado original” da religião cristã seria assim explicado.

Depois passaram dezenas de milhares de anos, as geleiras invadiram uma parte do mundo, depois, por sua vez, recuaram. As civilizações que conhecemos começaram a formar-se. Há 10 mil anos ainda existiam guardas do segredo, quer dizer, detentores da tradição. A alquimia na fonte, e desde então, não cessou de fazer sonhar os homens. São inúmeros os que tentaram reencontrar o grande segredo, que quiseram “fabricar o ouro”.

Mas a lenda apagou o famoso segredo. Muitas fábulas identificaram a alquimia com a fabricação do ouro, quando parece que os verdadeiros iniciados não faziam muito caso desse metal. Para eles, o ferro era muito mais importante. Entre os sábios que estudaram a questão, o historiador francês de origem romena, Mircea Eliade, foi um dos raros a notá-lo. Em seu livro Forgerons et A lchimistes chamou a atenção para a importância do ferro nas operações de alquimia. Contudo não sabia, na época em que escreveu, o que logo iria ser demonstrado pela astrofísica e pela química destes últimos anos: que o ferro é uma espécie de eixo à volta do qual gira o mundo.

O ferro, sabemos agora, é com efeito o único elemento do qual não se pode tirar qualquer energia: nem por fissão, nem por fusão. Em termos técnicos está no zero da ausência de massa. O que quer dizer que se pode obter energia dos elementos mais leves que ele, adicionando-os por fusão: assim funciona o Sol… ou a bomba de hidrogênio. E pode-se obter energia de ele-mentos mais pesados que o ferro, decompondo-o por fissão: é o caso da pilha de urânio ou da bomba A. Mas do próprio ferro, que é zero, nada se pode tirar. Ele está na origem da alavanca do universo. Um alquimista alemão escreveu: “Eisen trãgt das Geheiminis des Magnetismus und das Geheiminis des Blutes”. Quer dizer: “O ferro é portador do mistério do magnetismo e do mistério do sangue”.

O ferro é portador de um terceiro mistério, o da alquimia, e não é sem motivo que se fala da pirita de ferro na elaboração da pedra filosofal. Pode-se compreender o interesse que os alquimistas demonstravam pelo ferro, pelo cálculo cabalístico que há em Les Noces Chimiques (1616) : A = 1, L= 12, C=3, H = 8, I=9, M= 13, I = 9, A = 1, total = 56. Ora, 56 é precisamente o peso atômico do principal isótopo de ferro. Poderíamos objetar que o autor de Noces Chimiques devia provavelmente ignorar os pesos atômicos. Nem por isso deixa de ser uma coincidência bastante curiosa, que, se em lugar de indicar que a alquimia = o ferro, o autor tivesse desejado indicar que a alquimia = o ouro, ser-lhe-ia fácil encontrar no arsenal das metáforas de seu tempo uma imagem para fazê-lo compreender.

Mais curioso ainda é notar que o ferro é indiscutivelmente um elemento capital do universo. Qualquer livro de ciência elementar ensina que assim é: o ferro contém magnetismo, é um elemento essencial da hemoglobina, quer dizer, da vida, e constitui material básico do cosmo. É encontrado por toda parte. La Table d’Emeraude diz muito justamente: “O que está no alto é como o que está em-baixo”. Quer dizer, o universo não foi construído ao acaso, feito aos pedaços. É altamente organizado e obedece a leis que podem ser encontradas tanto no exame de uma gota de orvalho, de um grão de areia, como no corpo humano. Essa é a grande lição da alquimia. E isso os homens já sabiam há 10 mil anos, antes dos zigurates e das pirâmides.

Em todas as civilizações encontramos homens que conservaram vestígios do segredo. Mas, à medida que o tempo passou, o segredo diluiu-se, misturado de misticismo, associado a diversas religiões. Alguns sub-produtos foram, contudo, entregues aos homens: a porcelana, a pólvora, os ácidos, os gases. A eletricidade era conhecida no século 2 antes de Cristo, pelos alquimistas de Bagdá. Os da China produziram o alumínio no século 2 por método absolutamente desconhecido. E Newton pôde escrever em carta datada de 1676: “Existem outros segredos além da transmutação dos metais, e os grandes mestres são os únicos a compreendê-los”.

O grande público, como os príncipes, não se interessou senão por uma possibilidade: a dissociação da matéria em elementos muito pequenos que chamaremos partículas elementares, depois sua reconstituição para a fabricação do ouro. Essa operação de dissociação tem, na tradição, o nome de “preparação das trevas”. Foi ao estudá-la que, na China, descobriram a pólvora para canhão. Os livros asseguram, naturalmente, que a invenção deve-se a certo monge chamado Berthold Schwartz. Mas é um gracejo: schwartz quer dizer preto em alemão, e é certamente o símbolo da “preparação das trevas”. Preto também (ou azul-preto) é ainda a cor do gás eletrônico, estrutura quase imaterial que é a própria base dos metais e confere suas propriedades. Podemos observá-lo dissolvendo um metal no amoníaco líquido, a muito baixa temperatura. Vê-se a cor azul-preto que é comum a todos os metais, e qualquer um pode assistir hoje à “preparação das trevas”.

Em alquimia a fase seguinte consiste em juntar alguns grãos de ourio para se obter certa quantidade desse metal . A operação é chamada “sementeira”. Quanto ao catalisador que serviu para dissociar a matéria em subelementos, sabemos que os alquimistas chamam-no pedra filosofal. Pode ser obtido pela pirita de ferro, e já emiti a hipótese de que se tratava do elemento 310, de número atômico 136. A teoria dos números mágicos mostra que esse elemento deve ser estável.

Mas, à medida que se espalhava o boato de que era possível fabricar ouro à vontade, os príncipes deram caça aos alquimistas. Logo começaram a ser torturados e mortos. Barbárie das épocas recuadas, diriam. Não estou certo. O mundo vibra de novo pelo ouro. A libra foi desvalorizada, o dólar vascila, por toda parte as Bolsas vêem importantes negociações em torno do precioso metal. Se aparecesse um homem asseverando poder fabricar ouro, posso apostar que em breve encontrariam seu corpo em alguma floresta ou no fundo de um lago. Os interesses em jogo são por demais importantes.

Então, qual pode ser o destino do alquimista? Sob os governos atuais, como sob os faraós ou os imperadores da China, o alquimista é, foi, permanecerá, um homem só. Quer isto dizer que existem hoje (ou existiram) sociedades secretas de alquimia? Para responder à pergunta, precisamos lembrar em algumas palavras a história dos rosa+cruzes.Quando se fala nos rosa+cruzes, é preciso, para começar, citar suas origens. Com efeito, há dois séculos que se delira a esse respeito. Por meu lado, referir-me-ei ao livro de Arthur Edward Waite, The Brother-hood of the Rosy Cross, edição de 1966 (University Books, New York).

Waite, que morreu em 1940, publicou seu livro pela primeira vez em 1924. Cético feroz, atacou com bastante violência aqueles que se diziam representantes dos rosa-cruzes em sua época. Mas sua obra foi e continua apreciada pelos especialistas, graças à seriedade da informação e à fidelidade das referências. Cito-o por minha vez com a maior exatidão. Segundo Waite, nos séculos 16 e 17 houve um surgimento de avisos, panfletos e livros anunciando que detentores dos segredos dos alquimistas estavam prontos a admitir novos membros e a compartilhar de seus conhecimentos. Esses homens davam-se o nome de rosa+cruzes. Pretendiam vir de Damasco, de Fez e de “certa cidade oculta” (Waite, p. 37). Nada prova que esses indivíduos pertencessem a uma sociedade secreta, mas Waite salientou certos fatos perturbadores, mostrando que não eram simples escroques.

Esses desconhecidos demonstravam gran-de interesse por certas estrelas, principalmente pelas novas das constelações da Serpente e do Cisne (pp. 17, 42, 149). Na época, ninguém havia manifestado a idéia sacrílega (os astros eram tidos como eternos) de que as estrelas pudessem explodir. Certamente a nova da Serpente foi observada em 1604, e a do Cisne, em 1602, mas foi a ciência de hoje que, ao analisar tais explosões, descobriu as fontes de rádio no céu e os quásars. Ora, os rosa+cruzes sustentaram formalmente que essas estrelas novas eram uma das chaves da alquimia. Isto autoriza a pensar que possuíam conhecimentos mais avançados que os dos sábios oficiais de seu tempo.

Os rosa+cruzes pretendiam possuir dois instrumentos excepcionais (p. 261). O “cosmoloterentes” que permitia .destruir qualquer fortaleza com um só golpe, e a “astroniquita”, com a qual podiam ver as estrelas através das nuvens. Esses “instrumentos” são hoje nossos conhecidos. O primeiro é o explosivo nuclear; o segundo, um aparelho que utiliza a luz polarizada, como a pedra mágica dos vikings. Como os rosa+cruzes possuíam esses conhecimentos?

Os rosa+cruzes haviam construído uma miniatura da Terra, reproduzindo com exatidão todos os movimentos do nosso globo (p. 135). Isto não era inteiramente novo: fragmento de mecanismo .semelhante foi encontrado em uma ânfora do século 2, ao largo da ilha Anticitara, e o professor Dereck J. Solla Price, que o reconstituiu, escreveu no Scientific American que a perfeição da invenção era espantosa e abalava as nossas idéias sobre as tecnologias do passado. Mas tanto no século 2 como nos séculos 17 e 18, de onde provinha o conhecimento dos rosa+cruzes sobre os movimentos da Terra?

A 28 de maio de 1776, os rosa+cruzes fizeram uma demonstração de transmutação da água por efeito de radiação. Para isso utilizaram água que cristalizou a temperatura ordinária, formando cristais semelhantes a flores, que emitiam luz insustentável. Como esse alótropo do gelo pôde ser obtido?

No final somos levados a pensar que o saber dos rosa+cruzes vinha do passado. . . uma vez que não podia vir do futuro. Que saber era esse? Seus possuidores sempre afirmaram que o essencial de tais conheci-mentos residia na alquimia, uma alquimia tomada, bem entendido, no sentido lato, da qual a transmutação dos metais não era senão um aspecto:

Nos séculos 16 e 17 parece ter havido o renascimento desse antigo saber. As lendas sobre os rosa-cruzes dizem que possuíram até lâmpadas de luz fria que ficavam acesas sem interrupção, e registros mecânicos da música e da voz humana. Estes últimos pontos são, contudo, contestados, notadamente por Waite. Segundo um manifesto de 1623, Instruction à la France sur la Vérité de l’Histoire des Frères de la Rose-Croix (Instrução à França Sobre a Verdade da História dos Irmãos da Rosa-Cruz), esse ressurgimento visava ao recrutamento: queriam aumentar o número de iniciados. Depois veio de novo o silêncio, com uma exceção: sempre segundo Waite, no século 18 entraram em contato com Leibniz, que teve que passar por um exame e foi nomeado secretário de um grupo de estudos ocultos, em Nuremberg. Fontenelle conta o fato em Eloges des Académiciens.

Enfim, é preciso atribuir aos rosa+cruzes o impulso que permitiu criar duas companhias muito importantes: a Sociedade Real de Ciências, da Inglaterra. . . e a franco-maçonaria. Mas afastamo-nos do assunto.Ainda mais importante — pelo menos para a história da alquimia — parece ter sido a publicação em 1677 do Livre Muet de l’Alchimie, espécie de estenograma ou tábua de logaritmos para uso daqueles que realizaram a grande obra da alquimia. A obra estava assinada Altus, pseudônimo que não foi desvendado. E. Canseliet, no prefácio que acaba de dar à reedição do livro, aproxima o autor a Joseph Duchene, que desde 1609 compreendeu que havia azoto no nitrato pois, afirmava,
“Há um espírito no sal de pedra que é da natureza do ar e que, contudo, não pode manter a chama, sendo-lhe antes contrária”.

O misterioso Altus, representando Duchêne ou outros sábios desconhecidos, foi, de qualquer maneira, violentamente atacado pelos racionalistas da época. O Journal des Savants, da segunda-feira, 26 de agosto de 1677, menciona nestes termos a publicação do Mutus Liber:”O autor da obra é um desses homens que cavam a quimera para precipitar-se na indigência. Teimando na descoberta da pedra filosofal, possuem ciência bastante para se arruinar, e não bastante, como é preciso, para ver os limites do espírito humano que jamais atingirá a transmutação dos metais”. Contudo, para os alquimistas modernos o Mutus Liber continua precioso. Como todos os outros livros que tratam da grande obra, este não é um conjunto de receitas. É apenas um conjunto de sinais destinados àqueles que já sabem. Esses sinais foram, aliás, espalhados por toda parte pelos alquimistas, principalmente nas catedrais. Hoje continuam a escrever secretamente, um pouco por toda parte. Eis por que, nos anos 20, Pierre Dujols, o famoso livreiro especializa-do em ciências ocultas, podia afirmar: “Os reis reinam, mas não governam, segundo célebre aforismo. E parece, às vezes, que há ainda nos bastidores alguma eminência cinzenta que puxa os cordéis. As famosas águas-furtadas do templo talvez não este-jam destruídas como se supõe. E poderia ser escrito um livro surpreendente sobre a filigrana das notas de dinheiro e das siglas das moedas”. Quer dizer, nossa sociedade, como a do passado e como a natureza toda, é uma vasta mensagem que pode ser decifrada.

O Mutus Liber é uma arte dessa mensagem, uma espécie de memorando para os inicia-dos de ontem e de amanhã. O aviso ao leitor, que o precede, afirma claramente: “E também o mais belo livro jamais impresso sobre o assunto, pelo que dizem os sábios, contendo coisas que nunca foram ditas por ninguém. E preciso ser verdadeiro filho da arte para conhecê-lo. Aí está, caro leitor, aquilo que acreditei dever dizer-lhe”.

O livro não é inteligível por completo senão para os filhos da arte, assim como os dia-gr amas de circuitos de um aparelho de televisão só são compreensíveis às pessoas familiarizadas com eletrônica. Quer dizer que ninguém jamais escreverá um livro sobre alquimia ao alcance do comum dos mortais? No prefácio do Mutus Liber, Canseliet responde desta forma:

“Pediram-me muitas vezes e continuam pedindo para escrever um livro elementar que exponha simples e claramente em que consiste a alquimia.Não desejaria ser descortês, mas parece que muitos dos que nos fazem o pedido não leram os livros de Fulcanelli, Deux Logis Alchimiques, Les Douze Clés de la Philosophie e, recentemente, o nosso Alchimie, que ainda pode ser interrogado sobre a natureza, os meios e o fim da antiga ciência de Hermes. E preciso compenetrar-se plenamente, e não esquecermos jamais que a alquimia é, antes de tudo, a disciplina esotérica por excelência, que exige, por base, um estado de alma e de consciência onde o desapego seja igual ao constante desejo de amar e de conhecer. Amoroso da ciência! É a expressão familiar muitas vezes utilizada pelos mais antigos autores e que designa da mesma forma o filósofo, o alquimista e especialmente o artista”.
Canseliet esclarece aqui esta profunda e terrível verdade: a manipulação da matéria pela alquimia, resíduo de uma civilização mais adiantada que a nossa, distingue-se de nossas ciências e técnicas, da mesma maneira que a arte se distingue da decoração mecânica feita por meio de moldes. Há a mesma diferença entre a alquimia e nossa ciência atual, que entre a Gioconda e um papel pintado. . . E por isso que não se deve esperar ver um dia a alquimia industrializada. Não seria possível. Não seria útil.

Historicamente vê-se que os alquimistas entregam ao público, de vez em quando, algumas parcelas de seu saber, ajudando o progresso científico e técnico. A próxima parcela, que nos será assim atirada como alimento, penso que será a manipulação da matéria: não mais a simples transmutação (agora conhecemos o segredo), mas a receita de substâncias novas que não constam de nenhuma tábua periódica dos elementos.

Partindo do ferro, sabemos que Fulcanelli havia obtido metaelementos que não cor-respondiam a nada conhecido pelos químicos. Nossos sábios agora fabricam alguns desses metaelementos: o positrônio, os átomos muônicos etc. São, infelizmente, corpos instáveis, de vida muito curta. Alguns gramas de metaelemento estável fariam progredir nossa ciência de um século. No dia apropriado, tenho certeza, um alquimista nos fará essa revelação.

Enquanto esperamos, não poderíamos pelo menos fabricar ouro? Já dissemos o quanto seria perigoso, impossível mesmo, através das vias da alquimia promovidas à categoria de técnica industrial. Uma operação de alquimia, por definição, não é reproduzível. É uma obra de arte e um pintor não pode pintar duas vezes o mesmo quadro.

Mas àqueles que conservam a paixão pelo ouro, posso assinar a técnica descoberta já há 30 anos, por André Helbronner e eu próprio ( Jacques Bergier ). Podemos seguramente fabricar ouro, partindo do boro e do tungstênio.

A reação é escrita: 5 B 11 + 74 W 186 = 79 Au 197.

Estou persuadido de que, com a técnica moderna do plasma, esse método poderia ser industrializado e o ouro seria produzido por aproximadamente 60% de seu preço de custo ordinário. Seriam necessários, evidentemente, meios consideráveis para montar uma indústria, mas um governo poderia tomar essa iniciativa. Os Estados Unidos, talvez, se seu problema de reservas metálicas se agravasse. . .

Mas tudo isso não passa de alquimia, e a lição que ela nos dá hoje ainda é de outra natureza. Há mais e melhor a fazer do que ouro. Neste mundo cruel, onde a morte ronda a todos, resta ao homem encontrar as fontes da vida. A atitude da alquimia é sempre um exemplo. Ela pode ser um guia, tornar-se uma esperança.

Dia virá, talvez, em que os homens chegarão à plena consciência da alquimia, quer dizer, não apenas a uma ciência, mas a uma ética. Sempre que se pretendeu separar esses dois fatores do progresso humano, a humanidade caminhou com um pé só. Lindos pulos, às vezes, mas também escorregões!

Sim, um dia, talvez. . . A humanidade fará sem dúvida a grande mutação predita por Stapledon ou Teilhard de Chardin. Então a alquimia progredirá a descoberto. Terá conseguido sua última vitória.

 

Extraido de um texto de Jacques Bergier – 1974


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[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-nova-aurora-do-alquimista/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-nova-aurora-do-alquimista/

Anjos Fósseis

Considere o mundo da magia. Uma diversidade de ordens ocultas que, quando não tentam refutar a procedência da outra, ou ficam criogenicamente suspensas na sua raiz ritual, seu jogo de Aiwaz diz, ou então parecem perdidas em alguma expansão canalizada por spam do Dungeons & Dragons, fora do mapa, em algum novo universo injustificável e completamente sem valor, até que eles demonstrem que é como um adesivo preto de unhas colado sobre o antigo. Autoconscientes de estranhas transmissões vindas de entidades com síndrome de Touret, martelando um glossário de horrores. Paralisados olhando bolas de cristal que de alguma forma, recebem trailers do canal Sci-Fi. Muito longe dos chefes secretos, e, no mesmo contexto, muito longe também dos índios secretos.

Além disso, os que passam pelos portões rangentes das sociedades ilustres, são os cinquentões babacas que começam com planos de ingressar no palácio celestial, mas inevitavelmente acabam no Bates Motel, e fora disso estão as massas. Os videntes. Um eco incoerente do nosso superlotado circulo hermético, os Akashicos, Anoraks, os autoproclamados Wiccans e o templo dos quarentões- qualquer- coisa, convencendo pré-adolescentes, para mais tarde vender a eles uma franquia do reino das fadas, o famigerado reino de Potersville.

Exatamente como isso confirmaria um aeon de Hórus, esse aeon de nada exceto mais aparências, consumismo, status de gangster, a pedra filosofal do materialismo¿ Como pode uma aquiescência instintiva a ideias conservadoras ser um sinal de Thelema¿ Cthulhu esta voltando á qualquer momento, há maldições bárbaras das trevas que alguns iluministas tentam encontrar com suas lanternas¿ O ocultismo ocidental contemporâneo não possui nenhum talento em mensurar resultados além de truques de salão¿ A magia tem algum uso definido para a raça humana, fora oferecer a oportunidade de se vestir bem¿

Iguarias tântricas e sacerdotes em noites temáticas thelemicas. Pentagramas em seus olhos. “Esta noite Matthew, eu sou o logos do Aeon”. A magia tem demonstrado um proposito, justificando sua existência da mesma forma que a arte, ou a ciência, ou a agricultura se justificam¿ Resumindo, alguém tem alguma pista do que estamos fazendo, ou precisamente pra que estamos fazendo isso¿.

Certamente, a magia nem sempre foi tão aparentemente separada de toda a função humana básica. Suas origens xamânicas no Paleolítico certamente representaram, naquele momento, os únicos meios humanos de mediação com um universo em grande parte hostil sobre o qual ainda havia muito pouca compreensão ou controle. Dentro de tais circunstâncias, é fácil de conceber a magia como representando originalmente uma realidade, um ponto de apoio, uma visão de mundo em que todas as outras vertentes da nossa existência… a caça, a procriação, elementos com os quais lidam as pinturas nas paredes das cavernas… eram fundidos. A ciência do todo, a sua relevância para as preocupações dos mamíferos comuns eram tanto óbvias, como inegáveis.

Este papel, de uma “filosofia natural” incluída no todo, obtido ao longo do surgimento da civilização clássica podia ainda ser ainda ser vista, de forma mais furtiva, até o final do século 16, quando as ciências ocultas e mundanas não eram tão distinguíveis como são hoje. Seria surpreendente, por exemplo, que John Dee não permitisse que seu conhecimento da astrologia desse contribuições inestimáveis para a arte da navegação, ou vice-versa. Não até a Idade da Razão, que gradualmente limitou a nossa crença e, assim, entrar em contato com os deuses que tinham sustentado nossos antepassados, fariam nosso senso incipiente de racionalidade identificar o sobrenatural como um mero órgão vestigial no corpo humano, obsoleto e, possivelmente, falecido, melhor então que fosse retirado rapidamente.

A Ciência cresceu fora da magia, embora fosse descendente dela, a sua aplicação era mais prática e, portanto, materialmente rentável, muito em breve decidiu-se que o ritual e toda a matéria simbólica da sua cultura-mãe, a alquimia era redundante, um estorvo e um atraso. Orgulhosa em seu novo jaleco branco, usando canetas como medalhas no peito, a ciência veio a ter vergonha de seus companheiros (história, geografia, P.E) não queria se pega fazendo compras com a mamãe, resmungando e cantando. Seu terceiro mamilo. Melhor então que ela fosse escondida em algum local seguro, um asilo para de paradigmas idosos e decadentes.

O abismo que isso causou na família humana das ideias parecia intransponivell, com duas partes do que tinha sido um único organismo, substituído pelo reducionismo, uma “ciência do todo” inclusive ao tornarem-se dois pontos de vista, cada um, aparentemente, em amarga e feroz oposição ao outro. A Ciência, no processo deste divórcio amargo, pode, eventualmente, ter perdido o contato com a sua componente ética, com a base moral necessária para evitar a reprodução de monstros. A Magia, por outro lado, perdeu toda sua utilidade e finalidade comprovada, como acontece com muitos pais quando o bebe cresceu e deixou o ninho. Como preencher o vazio? A resposta é, se estamos falando de magia e do mundo deprimido de mães e pais com ninhos vazios, é, com toda a probabilidade, “com o ritual e nostalgia”.

O ressurgimento da magia no século XIX, com a sua natureza retrospectiva e essencialmente romântica, parece ter sido abençoada com esses dois fatores em abundância. Enquanto é difícil exagerar as contribuições feitas á magia como um campo por, digamos, Eliphas Levi ou os vários magistas da Golden Dawn, é tão difícil argumentar que essas contribuições não foram esmagadoramente sintéticas, na medida em que aspiravam criar uma síntese do conhecimento já existente, para formalizar as sabedorias variadas dos antigos.

Não podemos menosprezar esta realização considerável se observarmos que a magia, durante essas décadas, beirava uma proposital corrida pela caracterização pioneira, como por exemplo, nos trabalhos de Dee e de Kelly. Em seu desenvolvimento do sistema Enochiano, a magia renascentista apareceria com uma urgência criativa e experimental, voltada para o futuro. Em compensação, os ocultistas do século XIX também parecem quase ter-se deslocado no tempo para reverenciar a magia do passado, fazendo uma exposição de museu, criando um acervo, um arquivo, onde cada qual era um curador individual.

Todos os robes e as insígnias, com o seu ar da reencenação histórica para multidões, as sociedades ultra secretas, apenas uma engrenagem fracionada para os menos imbecis verem. O consenso preocupante sobre os valores de direita e o número de vítimas confusas tropeçando umas nas outras do outro lado, provavelmente teria sido idêntica. Os ritos das ordens mágicas, também são semelhantes às bandas de cromwell exaltando homicidas bêbados, a alegria da gravidez se opondo ao sombrio rodízio, implacável frente á realidade industrial. Varinhas lindamente pintadas, obsessivamente levantam piquetes autênticos, contra o avanço sombrio das chaminés. Quanto disto pode ser descrito com mais precisão como fantasias compensatórias para a era das máquinas? role-playing games que só servem para sublinhar o fato brutal que essas atividades não têm relevância humana contemporânea. Uma recriação melancólica de momentos eróticos pela mente de um impotente.

Outra distinção clara entre os magistas do século XVI e os do século XIX encontra-se em sua relação com a ficção de sua época. Os irmãos do inicio da Golden Dawn parecem ser inspirados mais pelo puro romance da magia do que por qualquer outro aspecto, com S.L McGregor Mathers atraído para a arte pelo seu desejo de viver a fantasia de Bulwer-Lytton Zanoni. Incentivando Moina para se referir a ele como “Zan”, alegadamente. Woodford e Westcott, por outro lado, ansiosos para estar dentro de uma ordem que tinha ainda mais parafernália do que Rosacruz e a Maçonaria, e de alguma forma adquirir um contato nas (literalmente)   lendárias fileiras de the Geltische Dammerung, o que significa algo como “a sagrada hora do chá”. Eles esperam para receber seus diplomas vindos de Nárnia, em fila atrás do armário. Como Alex Crowley, irritantemente tentando persuadir seus colegas de escola a se referir a ele como Alastor de Shelley, como alguns que se acham os góticos de Nottingham, um cara chamado Dave insistindo que seu nome vampiro é Armand. Ou, um pouco mais tarde, todos os antigos cultos de bruxas, todos os clãs de linha de sangue brotando como pétalas de dentes do dragão, onde quer que escritos de Gerald Gardner estivessem disponíveis. Os ocultistas do século XIX e início do século XX pareciam todos quererem ser o gênio de Aladdin, de alguma pantomima interminável. Para viver o sonho.

John Dee, por outro lado, era talvez mais consciente do que qualquer outra pessoa de sua época. Mais focado no propósito. Ele não precisou procurar por antecedentes nas ficções e mitologias disponíveis, porque John Dee não estava em nenhum sentido fingindo, não estava jogando jogos. Ele inspirou, ao invés de ser inspirado pelas grandes ficções mágicas de seu tempo. Prospero de Shakespeare. Fausto de Marlow. Ben Johnson foram todos molhados com o mijo do Alquimista. A magia de Dee era uma força inteiramente viva e progressiva de seu tempo, ao contrario de algumas que eram exemplares empalhados de coisas extintas, já não existiam salvo em histórias ou contos de fadas.  A sua era, um capítulo novo, escrito inteiramente no tempo presente, uma aventura mágica em curso. Em comparação, aos ocultistas que se seguiram cerca de três séculos  abaixo na linha do tempo, onde mostram apenas um apêndice elaborado, ou talvez uma bibliografia, após o fato. A liga da preservação, dublando rituais de mortos. versões cover.  Magos de karaoke . A Magia, tendo desistido ou usurpado a sua função social, tendo perdido a razão de ser, por sua vez, tentando arrastar multidões, encontrou apenas o teatro vazio, as cortinas misteriosas e empoeiradas, cabides de vestidos esquecidos, adereços insondáveis de dramas cancelados. Na falta de um papel definido, cresceu incerta de suas motivações, a magia parece não ter economizado nenhum recurso para furar obstinadamente o roteiro estabelecido, consagrando cada última tosse e gesto, tendo um desempenho oco e liofilizado, devidamente embalado; artisticamente enlatada para o Património Inglês.

Como foi infeliz este momento na história da magia, com o conteúdo e função perdidos sob um verniz ritual muito detalhado, calças boca-de sino, sobre as quais as ordens posteriores escolheram se a cristalizar. Sem um objetivo ou missão facilmente perceptível, que não fosse produzir uma mercadoria comercializável, o ocultista do século XIX parece derramar uma quantidade excessiva de sua atenção sobre o papel de embrulho, a fantasia. Possivelmente incapaz de conceber qualquer grupo não estruturado na forma hierárquica das lojas que estavam acostumados, Mathers e Westcott obedientemente importado todas as antigas heranças maçônicas quando vieram a fornecer sua ordem incipiente. Apenas roupas, qualificações e implementos. A mentalidade de uma sociedade secreta de elite. Crowley, naturalmente, pegou toda esta bagagem cara e pesada, e levou com ele quando pulou fora do barco para criar a sua OTO, e todas as ordens, desde então, até os empreendimentos supostamente iconoclastas, como, digamos, a IOT, parecem finalmente ter adotado o mesmo modelo da alta sociedade vitoriana. Armadilhas do drama, teorias complicadas o suficiente para chamar a atenção, e esconder o que a faltava em caridade, e como podem perceber, a falta de qualquer resultado prático, qualquer efeito sobre a condição humana.

O número XIV (e talvez final?) Da estimável revista KAOS de Joel Biroco contou com a reprodução de uma pintura, uma obra surpreendente e assombrosamente bela, o retrato de Marjorie Cameron, ruiva assustadora, Dennis Hopper e seu companheiro de casa Dean Stockwell, retratavam a suposta Mulher Escarlate, Pilar Thelêmico. Quase tão intrigante quanto o trabalho em si, no entanto, é o título: Fóssil de anjo, com suas conjuras contraditórias de algo maravilhoso, inefável e transitório, combinado com aquilo que é, por definição, morto, inerte e petrificado. Existe uma metáfora para nós nisso, tanto decepcionante quanto instrutiva? Não é possível, que todas as ordens mágicas, com suas doutrinas e seus dogmas, interpretaram erroneamente como restos calcificados e inertes de algo que uma vez foi imaterial e cheio de graça, vivo e mutável? Como energias, como inspirações e ideias que dançavam de mente para mente, evoluindo até que, finalmente o gotejamento de calcário do ritual e da repetição congelou-os em seus caminhos, obstruindo-os, deixando-os para sempre no meio do caminho, o final inalcançável, um gesto incompleto? Iluminações, tribulações. Anjos fósseis.

Algo imperfeito e etéreo uma vez desceu rapidamente, quicando como uma pedra na superfície da nossa cultura, deixando a sua fraca impressão tênue no barro humano, uma pegada que nós deixamos endurecer no concreto e, aparentemente, permanecemos ajoelhados perante ela durante décadas, séculos, milênios. Recitar os encantamentos, como canções de ninar familiares e calmantes palavra por palavra, em seguida, resgatando cuidadosamente os velhos e amados dramas, talvez faça algo acontecer, como fez antes.  Colocando bobinas de papel alumínio e palitos de algodão doce em que a caixa de papelão, para que se pareça vagamente com um rádio e então talvez John Frum venha, trazendo os helicópteros de volta? A ordem oculta, inundada de fetiches, um concurso para alguns, há meio século, sentan-se como Miss Haversham e se perguntam se os besouros do bolo de casamento de alguma forma confirmam Liber Al vel Legis.

Mais uma vez, nada disso tem a intenção de negar a contribuição que as várias ordens e suas obras fizeram a magia como um campo, mas apenas observar que essa contribuição reconhecidamente considerável é, em grande parte, uma privação de liberdade em sua natural preservação do folclore passado e ritual, ou então que a sua elegante síntese de ensinamentos diferentes é a sua principal ( e talvez única) conquista. Além dessas realizações, no entanto, o legado duradouro da cultura ocultista do século XIX parece principalmente, a antítese da saudável e continuada evolução, a proliferação contínua viável da magia, que, como uma tecnologia, certamente superou á muito tempo essa ornamentação do final da era vitoriana e tem extrema necessidade de mudança. Toda a mobília maçônica importada por Westcott e Mathers, basicamente, por incapacidade de imaginar qualquer outra estrutura válida, é hoje, pelas características da atualidade, uma limitação e impedimento para a promoção da magia.  Gerando engodos jamais vistos, linhas cerimoniais demasiado restritas que condicionam todo o crescimento, restringem todo o pensamento, ao limitar as maneiras em que nós concebemos ou podemos conceber a magia. Imitar-se as construções do passado, pensando em termos de hoje, não é necessariamente aplicável – talvez nunca realmente fosse – o que parece ter tornado o ocultismo moderno totalmente incapaz de enxergar diferentes métodos pelos quais possa organizar-se; incapaz de imaginar qualquer progresso, qualquer evolução, qualquer futuro, o que provavelmente é uma forma perfeita de garantir que ele não tenha um.

Se a Golden Dawn é muitas vezes apontada como um modelo, um exemplar radiante da ordem perfeita e bem sucedida, isto acontece quase certamente porque suas fileiras incluíam muitos escritores conhecidos de capacidade comprovada, cuja adesão emprestava a sociedade mais credibilidade, que ela nunca teria como pagar a eles. O brilhante John Coulthart sugeriu que a Golden Dawn pode ser caridosamente considerada uma sociedade literária, onde escribas renomados procuravam uma magia que poderiam ter encontrado demonstrável e evidente, já viva e funcionando em seus próprios trabalhos, eles não eram cegados pelo brilho de toda aquela cerimônia, pelo kit fantástico. Um autor que claramente contribuiu com algo que era de valor real mágico para o mundo através de sua própria ficção, muito mais do que através de quaisquer operações na loja foi Arthur Machen. Embora admitindo ter grande prazer em todo o mistério e maravilha das cerimônias secretas da ordem, Machen se sentiu compelido a adicionar ao escrever sobre a Golden Dawn em sua autobiografia, Coisas do tipo “como qualquer coisa vital na ordem secreta, por qualquer coisa não tinha mais importância que dois pedaços de palha para qualquer ser razoável, não havia nada nela, e às vezes menos do que nada”… a sociedade como uma sociedade era pura loucura preocupada com o impotente e imbecil abracadabra. Eles não sabiam nada sobre qualquer coisa e ocultavam o fato debaixo de um ritual impressionante e uma fraseologia sonora. Astutamente, Machen observa a relação aparentemente inversa entre o conteúdo genuíno e inventado, dos elaborados formulário que caracterizavam as ordens desta natureza, uma crítica tão relevante hoje, como era em 1923.

O território de magia, em grande parte abandonada como demasiado perigosos desde o período de Dee e Kelly, foi demarcado e recuperado (quando isso se tornou seguro) por entusiastas do ocultismo do século XIX, por suburbanos de classe média que transformaram a relva ressecada e negligenciada em uma série de requintados jardins ornamentais.  Inventando elementos decorativos, estátuas e adereços de grande complexidade, a imitação de um passado imaginado por sacerdotes hiperativos. Deuses terminais entre as camas arrumadas com azaleias.

O problema é que os jardineiros, por vezes brigavam. Disputas de fronteira. Vinganças e despejos de inquilinos lunáticos. Propriedades invejáveis estão fechadas, são muitas vezes ocupadas por novas famílias problemáticas, novos clas. Apegando-se a antiga placa de identificação, mantendo o mesmo endereço, e permitindo que seus fundamentos caíssem em estado de abandono. Lesmas nojentas e ervas-daninhas espalhando-se entre as rosas de vinte e duas pétalas. Nos anos noventa, a paisagem cansada do jardim da magia se tornou uma expansão mal conservada de loteamentos baratos, com infiltrações e pintura descascada, as casas de veraneio agora se tornam meros galpões onde paranoicos vigilantes se sentaram acordados a noite toda, com suas espingardas esperando vândalos adolescentes. Não há nenhum produto que vale a pena mencionar. As flores perderam o perfume e não mais conseguem encantar. Sabe, eram todos lamens extravagantes e xadrez Enoquiano por aqui , e agora ao olhar para ele, as sebes de topiaria Gótica estão ressecadas como estopa, a podridão toma conta desse gazebo Rosacruz, as madeiras estão secas. Este lugar agora só serve para receber o seguro quando pegar fogo.

Não, é sério. Terra queimada. É tudo o que dá para recomendar. Pense como ficaria quando todos os mantos e estandartes fossem capturados. Pode até mesmo ser que toda mente, corpo e Espírito monstruoso do vento vá na direção certa. Perda de vidas e meios de subsistência seria, evidentemente, inevitável, alguns danos colaterais no setor empresarial, mas com certeza seria muito bonito. As vigas do templo desmoronando em meio às faíscas. “Esqueça-me! Salve os manuscritos cifrados!” Entre as inúmeras missas gnósticas, juramentos, conjuras e banimentos, o que os levou a esquecer de seu péssimo treinamento contra incêndios? Ninguém está completamente certo sobre como eles devem evacuar o circulo interno, nem sei quantos ainda podem estar lá. “Finalmente, surgirão historias de cortar o coração sobre a bravura individual.” E-Ele voltou para resgatar o desenho LAM, e nós não pudemos impedi-lo. “Após um momento de lágrimas, para aconselhamento”. Enterrar os mortos, nomear sucessores. Abrir o selo do Himeneu Gamma. Lançar um olhar triste as nossas terras enegrecidas. Viver um dia de cada vez, Santo Deus. Assoar nossos narizes, nos recompor. De alguma forma, nós vamos superar.

E então? Terra queimada, é claro, é rica em nitratos e fornece uma base para a agricultura de corte e queima. Em terra carbonizada, aparecem os pontos verdes da recuperação. A vida revolve-se indiscriminadamente, agitando a terra preta. Poderíamos sacrificar esses gramados outrora imponentes e terraços á sua volta para o deserto. Por que não? Pense nisso como o ambientalismo astral, a recuperação de um cinturão verde psíquico debaixo da pavimentação, oculto pelas lajes vitorianas rachadas, como um incentivo para o aumento da biodiversidade metafísica. Considerado como um princípio organizador para o trabalho de mágica, a estrutura fractal complexa e autogerada de uma selva parece tão viável como toda a ordem do tabuleiro de xadrez imposta e espúria de um piso preto e branco; parece, de fato, consideravelmente mais natural e vital. Afinal de contas, o tráfego de ideias é que é a essência e a alma de magia é mais naturalmente transacionado nos dias de hoje pelo trafego de informações de um tipo ou outro, em vez de segredos como rituais solenemente alcançados após longos anos de cursinhos em Hogwarts. Não tem sido este jeitão de floresta tropical, de fato, a configuração padrão do ocultismo ocidental prático há algum tempo? Por que não sair e admitir isso, destruir todos estes clubinhos que não são tem mais qualquer utilidade nem beleza, e abraçar a lógica de lianas? Dinamitar as barragens, enfrentar a inundação, permitir a nova vida florescer nos habitats onde anteriormente estava moribunda e ameaçada de extinção.

Em termos de cultura oculta, nova vida equivale a novas ideias. Frescas e se contorcendo nas sombras, possivelmente girinos conceituais venenosos, essas pragas de cores vivas devem ser estimuladas em nosso novo ecossistema imaterial, para que ele floresça e permaneça em saúde. Vamos atrair as pequenas e frágeis ideias que brilham como néon, e as mais resistentes e grandes ideias muito mais fortes, que se alimentam delas. Se tivermos sorte, o frenesi alimentar pode chamar a atenção dos grandes paradigmas-raptor, que atropelarão tudo e agitarão a terra. Lutas ferozes, da mais minúscula bactéria ao incrivelmente grande e feio monstro, todos travando uma luta gloriosa e sangrenta, sem supervisão, pela sobrevivência, uma bagunça darwiniana espetacular.

Doutrinas esfarrapadas encontram-se incapazes de superar o argumento assassino, elegante e cheio de dentes. Dogmas Mastodontes e velhos vão escorregando para baixo na cadeia alimentar, e entrando em colapso sob seu próprio peso servindo de refeição para os carniceiros, virando historia, e em algum lugar há o zum-zum-zum do bate-papo na sala das moscas que colocam seus ovos. Trufas miméticas crescidas a partir da decomposição dos Aeons. Revelações vivas surgiram como um foguete em Londres, do seu meio natural, a expansão bombástica e desordenada. Pânico em Arcádia, cheia de abelhas assassinas. Seleção sobrenatural. Os mais fortes teoremas, os melhores adaptados estão autorizados a prosperar e se propagar, os fracos são sushi. Certamente esta é Thelema hardcore em ação, além de representar uma old-school produtiva e autêntica, o caos que deve aquecer o coração de qualquer um. De tal aplicação vigorosa do processo evolutivo, é difícil ver como a magia que é um campo de conhecimento poderia colher benefícios ao fazer o contrário.

Por outro lado, ao aceitar um meio menos cultivado, menos refinado onde a concorrência pode ser feroz e barulhenta, magia estaria fazendo não mais do que expor-se às mesmas condições que dizem respeito aos seus parentes mais socialmente aceitos, a ciência e a arte. Apresentar uma nova teoria para explicar a massa faltante do universo, ao apresentar alguma instalação conceitual difícil para o Prêmio Turner, é preciso aceitar sem dúvida que a sua ideia vai ser submetida ao escrutínio intenso, em grande parte hostil e proveniente de algum campo rival. Cada partícula de pensamento que desempenhar um papel na construção de sua teoria será desmembrada e examinada. Apenas se nenhuma falha for encontrada o seu trabalho será recebido no cânone cultural. Em toda a probabilidade, mais cedo ou mais tarde o seu projeto de estimação, a sua teoria de estimação vai acabar obsoleta e só servira para decorar as paredes manchadas dessas velhas, arenas públicas impiedosas. Assim é como deve ser. Suas ideias são transformadas e atropeladas, mas o próprio campo é reforçado e melhorado por este teste incessante. Ele avança e sofre mutações. Se o nosso objetivo é verdadeiramente o avanço da visão de mundo mágica (em vez de avanço de nós mesmos como seus instrutores), como alguém poderia opor-se a tal processo?

A menos, claro, que o avanço desta natureza não seja realmente o nosso objetivo, o que nos traz de volta às nossas perguntas de abertura: o que exatamente estamos fazendo e por que estamos fazendo isso? Sem dúvida, alguns de nós estão envolvidos na busca legítima de entendimento, mas isso levanta a questão de como fazemos isso. Temos a intenção de usar essa informação de alguma maneira, ou apenas de acumular conhecimento exclusivamente para seu próprio bem, para nossa satisfação particular? Será que desejamos, talvez, ser vistos como sábios, ou melhorar nossas personalidades sem brilho com notas de conhecimento secreto? Buscamos algum status que pode ser alcançado mais facilmente por uma perseguição do ocultismo, onde convenientemente, não existem padrões mensuráveis para que possamos ser julgados? Ou será que nós nos alinhamos com a definição de Crowley das artes mágicas como trazer mudanças de acordo com a sua vontade, o que quer dizer alcançar alguma medida de poder sobre a realidade?

Esta última, suponho que seria o motivo atualmente mais popular. O crescimento da Magia do Caos na década de 1980 centrado em uma série de promessas que o promoveram, como o mais notável, entre elas a entrega de um sistema de magia baseado em resultados que era prático e fácil de usar. O desenvolvimento único e altamente pessoal de Austin Spare da magia com sigilos, foi-nos dito, poderia ser adaptado para aplicação quase universal, iria fornecer um simples, infalível meio pelo qual o desejo do coração de alguém poderia ser tanto fácil e como imediatamente cumprido. Pondo de lado a questão “Isso é verdade?” (E a resposta gritante “Se for, então por que todos os seus defensores Ainda mantem seus dias de trabalho, em um mundo globalizado, certamente cada vez mais longe dos desejos do coração a cada semana que passa?”), talvez devêssemos perguntar se a prossecução desta atitude pragmática, causal com trabalho oculto é realmente um uso digno de magia.

 

Se formos honestos, a maior parte da feitiçaria causal como é praticado provavelmente é feita na esperança de realizar alguma mudança desejada em nossas duras circunstâncias materiais. Em termos reais, isso provavelmente envolve pedidos de dinheiro (mesmo Dee e Kelly não estavam acima chamando os anjos por um centavo de vez em quando), os pedidos de alguma forma de gratificação emocional ou sexual, ou talvez em algumas ocasiões um pedido para que aqueles que sentimos ter nos menosprezado ou ofendido sejam punidos. Nesses casos, mesmo em um cenário menos cínico, onde o propósito da magia é, digamos, ajudar um amigo em sua recuperação de uma doença, podemos alcançar nossos objetivos muito mais, certa e honestamente, bastando cuidar dessas coisas em um plano material não divino?

Se, por exemplo, é o dinheiro que exigem, por que não imitar o verdadeiro exemplo dado por Austin Spare (quase o único entre os magos que aparentemente viu o uso da magia para atrair mera riqueza como uma anátema) em relação a tais preocupações? Se quisermos dinheiro, então por que não podemos magicamente levantar nossas bundas gordas, e executar magicamente algum trabalho pela primeira vez em nossas vidas mágicas sedentárias, e ver se as moedas solicitadas não são magicamente algum tempo depois somadas as nossas contas bancárias? Se for o afeto de algum objeto de amor não correspondido que estamos buscando, a solução é mais simples ainda: sorrateiramente esperá-la em alguma esquina, e então estuprá-la. Afinal, a miséria moral de que você fez não será pior, e pelo menos você não vai ter arrastado o transcendental j, pedindo que os espíritos a segurem para você. Ou se há alguém a quem você realmente vê como merecedor de alguma retribuição terrível, ao invés de colocar seu nome embaixo de uma clavícula de Salomão porque não avançar direto sobre ele, como um cão pegando um osso, cortando-o com uma navalha do Frankie ou do Big Stan. O capanga contratado representa a decisão ética de escolha quando comparado com o uso de anjos caídos para com o trabalho sujo (isto é assumindo que o que vai volta para casa do cara que mandou, e talvez mesmo, você sabe, ficando com ele e seguindo em frente, não são opções viáveis). Mesmo o exemplo do amigo doente citado anteriormente: basta ir lá e visitá-lo. Apoiá-lo com o seu tempo, o seu amor, o seu dinheiro ou a sua conversa. Cristo! Enviar-lhe um cartão com um coelho de aparência triste dos desenhos animados na parte dianteira só fara você se sentir melhor, não ele. Magia intencional e causal poderia muitas vezes parecer ser sobre a realização de um fim bastante comum sem fazer o trabalho normal associado a ele. Podemos muito bem fazer melhor ao afirmar, como Crowley, que as nossas melhores e mais puras ações são aquelas realizadas “sem ânsia de resultado”.

Talvez sua máxima famosa, onde ele defende que nós devemos procurar “o objetivo da religião” utilizando “o método da ciência”, por mais bem intencionada que pareça, poderia ter levado a comunidade mágica (como é) a esses erros fundamentais. Afinal, o objetivo da religião, se examinarmos as origens latinas da palavra em religare (a raiz compartilhada com outras palavras como “ligamento” e “ligadura”), parece implicar que é melhor que todo mundo esteja “preso em uma crença”. Este impulso à evangelização e conversão deve, em qualquer aplicação no mundo real, chegar a um ponto onde aqueles vinculados por uma ligação virem para cima e contra aqueles ligados a outro conceito. Neste ponto, inevitavelmente, e historicamente, ambas as facções irão prosseguir a sua vontade programando-se para vincular e engolir a outra em sua única e verdadeira crença. Então nós vamos massacrar os taigs, os aguilhões, os goys, os Yids, os kuffirs e os ragheads. E quando isso historicamente e, inevitavelmente, não funciona, nós sentamos e pensamos sobre as coisas por um ou dois séculos, nós deixamos um intervalo decente, e então nós fazemos tudo de novo, o mesmo que antes. O objetivo da religião, enquanto claramente benigno, parece errar o alvo por uma ou duas milhas, lançada pelo recuo. O alvo, a coisa que eles estavam querendo acertar, fica lá ilesa, e as únicas coisas atingidas são Omagh ou Cabul, Hebron, Gaza, Manhattan, Bagdá, Kashmir, Deansgate, e assim por diante, e assim por diante, e assim por diante, para sempre.

A noção de unir está na raiz etimológica da religião é também, de forma reveladora, encontrada no ícone simbólico de varas amarradas, na aparência, o que gera o fascismo á longo prazo. O fascismo, com base em conceitos místicos como sangue e ‘volk’, é mais apropriadamente visto como religião do que como uma postura política, política supostamente baseada em alguma forma de razão, no entanto equivocada e brutal. A ideia compartilhada de presos a uma fé, uma crença; que na unidade (assim, inevitavelmente, na uniformidade) existem linhas de força, parece antitético à magia, que de alguma forma, é certamente pessoal, subjetiva e pertencente ao indivíduo, à responsabilidade de cada criatura sensível por chegar ao seu próprio entendimento, e assim, fazer a sua própria paz com Deus, o universo e tudo mais. Então, se a religião pode ser usada para encontrar um equivalente político próximo no fascismo, pode ser dito que a magia tem como equivalente politico mais natural à anarquia, o oposto do fascismo (decorrente de archon ou “nenhum líder”)? Que, naturalmente, nos leva de volta aos templos queimados e postos a baixo, despossuídos e sem espaço para os cabeças de ordem, a terra queimada e a abordagem anárquica e desértica natural à magia, como sugerido anteriormente.

A outra metade da máxima de Crowley, em que ele promove a metodologia da ciência também parece ter suas falhas, mais uma vez, por mais bem intencionada. Baseando-se nos resultados materiais, a ciência é talvez o modelo que levou as artes mágicas a sua causal decadência, como descrito acima. Além disto, se aceitarmos os caminhos da ciência como um ideal processual a que nossos trabalhos de magia podem aspirar, não caímos no perigo de também adotar uma mentalidade materialista e científica no que diz respeito às inúmeras e diferentes forças que preocupam o ocultista? Um cientista que trabalha com eletricidade, por exemplo, irá justamente considerar a energia como um valor neutro, um poder irracional que pode ser facilmente usado para executar os trabalhos de um hospital, ou acender um lava-lamp, ou para fritar um negro com mentalidade de nove anos de idade, no Texas. Magia, por outro lado, na experiência pessoal, não parece ser neutra em sua natureza moral, nem parece sem sentido. Pelo contrário, ao que parece, é um modo de estar ciente e ativamente inteligente, viva, em vez de viver em cima do muro. Ao contrário da eletricidade, há a sugestão de uma personalidade complexa, com características quase humanas, tais como, por exemplo, um aparente senso de humor. Ainda bem, quando se considera o desfile de truques pomposos de entretenimento que tem sido realizados e tolerados ao longo dos séculos. Magia, em suma, não parece estar lá apenas para ativar sigilos, que são versões astrais do gadget economizando o trabalho ou o aparelho. Ao contrário da eletricidade, pode se pensar que tem a sua própria agenda.

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Fossil Angels foi escrito por Alan Moore em dezembro de 2002, para ser publicado na KAOS # 15. KAOS # 15, na verdade nunca foi publicado, e o artigo ficou sem espaço desde então. (Mais informações sobre KAOS e por que não foi publicado estão neste artigo no Bleeding Cool.) Eu tive a sorte de receber vários textos de Alan Moore do próprio Alan, há alguns anos, e este estava entre eles. Perguntei se poderia publicá-lo e, quando apareceu outra publicação interessada nele, Alan me disse que eu estava livre para ir em frente. Então, eu tenho muito orgulho de ser autorizados a apresentar este artigo aqui na Glycon para a sua primeira publicação.  Foi escrito em duas partes, com um link para a segunda, no final desta página. Este artigo é e continua sendo, de propriedade exclusiva, com todos os direitos autorais pertencentes ao seu criador, Alan Moore.

Texto de Alan Moore. Tradução Giuliana Ricomini

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/anjos-fosseis/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/anjos-fosseis/

Mapa Astral de Gustav Klimt

O Mapa de Klimt possui Sol e Mercúrio em Câncer; Lua em Peixes-Aquário (Rei de Taças); Vênus e Urano em Gêmeos; Marte e Netuno em Áries; Júpiter e Saturno em conjunção em Virgem. Não temos o Ascendente por não conseguir localizar seu horário de nascimento.

O Mapa indica alguém que trabalha com facilidade com o emocional, ao mesmo tempo extremamente metódico e regrado (júpiter e saturno em conjunção no signo de Virgem). Os aspectos de originalidade e muito de sua maneira de pensar refletem as características de Rei de Taças.

“Em 1883, com a inauguração do novo edifício da Universidade de Viena, encomendou-se a Gustav Klimt uma série de painéis que descrevessem o triunfo da luz sobre as trevas. Os afrescos deveriam ser alusivos às quatro faculdades: Teologia, Filosofia, Medicina e Jurisprudência. O primeiro painel, representando a Filosofia, foi de certa forma um choque. Em vez da descrição da Escola de Atenas, Platão ou Aristóteles, Klimt, influenciado por Schopenhauer, representa o mundo como Vontade, em que os seres vagueiam“.

Outros exemplos de sua metodologia que ao mesmo tempo em que era composta de traços precisos e extrema beleza e elegância, causavam problemas por chocarem conceitos estabelecidos.
“A arte de Klimt não pretendia representar o papel racional e otimista da ciência universitária. Membros da faculdade colocaram-se contra os seus esquissos. A princípio, o ministro von Hartel ignorou a reação – protestos dos professores e ataques da imprensa conservadora – porém, a apresentação do projeto de Klimt para o segundo quadro (A Medicina) na “10ª Exposição da Secessão” (1901) reavivou a discussão. A ciência médica não estava ali representada segundo a corporação dos médicos. Nesta fase, Klimt revela a relação existente entre a cultura patriarcal e o elemento feminino, expõe a sua concepção do mundo como “…um protesto, uma contradição do passado, mas também como um projecto do futuro, de uma nova cultura feminina.”. Juntamente com a corporação dos médicos, os meios estéticos dirigiam aos quadros de Klimt maldosas críticas contra a representação do nu, chegando a provocar o confisco de um número do Ver Sacrum, onde um projeto de A Medicina tinha sido publicado. O Ministério Público não viu razão para perseguir judicialmente a representação do nu, mas a reação pública com a exposição de A Medicina incomodou o “conselho imperial”, que pretendia utilizar a arte como estratégia política”.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-gustav-klimt

Como o homem foi feito? – Uma Perspectiva Vaishnava

(Texto retirado da seção de cartas da revista Back to the Godhead, em abril de 1982, segue o texto da carta contendo a dúvida do leitor da revista bem como a resposta da revista).

Congratulamo-nos com suas cartas. Escreva para
BACK TO GODHEAD
51 West Allens Lane
Filadélfia, Pensilvânia 19119

Carta:

Eu sou um aluno da quinta série da Arábia Saudita. Nasci em Nova Jersey, EUA. Meus pais são hindus. Eu também sou hindu. Eu gostaria de saber como o homem foi feito e como a terra foi feita também. Eu adoraria se você me escrevesse uma carta e me contasse como eles foram criados.

Senhorita Anjna Nain
Riyadh, Arábia Saudita

Nossa resposta:

Os cientistas modernos inventam muitas teorias sobre a criação, mas como os cientistas da matéria são limitados e defeituosos de muitas maneiras, nenhum de seus relatos é confiável. No Ocidente, as pessoas são atraídas por essas teorias especulativas porque a descrição da criação na Bíblia é tão escassa que não satisfaz sua curiosidade. Mas se nos voltarmos para o Srimad-Bhagavatam, a principal das antigas literaturas védicas da Índia, encontraremos um relato da criação que é completo e confiável, porque é entregue pelo próprio Criador, que está na melhor posição para saber.

O cosmos material é muito mais antigo e muito mais vasto do que poderíamos descobrir com nossas próprias observações. O universo em que vivemos tem agora cerca de 155 ½ trilhões de anos e tem aproximadamente a mesma quantidade de tempo restante antes de ser destruído. Mas a criação do nosso universo não foi a primeira criação, nem será a última. Nem o nosso é o único universo.

Na verdade, os universos materiais são criados e destruídos em ciclos regulares, e esses ciclos continuam interminavelmente, desde tempos imemoriais. Durante cada ciclo de criação, centenas de bilhões de universos surgem. No entanto, toda essa criação material é apenas uma pequena parte do reino de Deus. Porque esta parte é material, ela é criada e destruída, mas além disso está o mundo espiritual eterno, onde não há criação ou destruição. Lá as almas liberadas vivem eternamente em planetas espirituais em associação direta com a Personalidade de Deus. Esta criação material, como uma prisão no reino de Deus, é o lugar para almas condicionadas que querem esquecer Deus e ser independentes Dele. Mas aqui eles também podem ser reformados e aprender a retornar à sua pátria esquecida e eterna. morada pessoal de Deus.

No início da criação forma-se em um canto do céu espiritual ilimitado uma espécie de nuvem chamada mahat-tattva, a energia material de Deus, onde todos os elementos e forças materiais se fundem. Mais tarde, eles são separados um por um (isso é descrito em detalhes no Srimad-Bhagavatam), assim como creme, soro de leite, coalhada, manteiga, ghee e assim por diante podem ser separados do leite. Dentro desta nuvem uma gigantesca expansão de Krishna chamada Maha-Vishnu repousa em um sono místico. Sempre que Ele expira, bilhões de universos de sementes brotam de Suas narinas e poros da pele. Esses universos se desenvolvem em bolas ocas que flutuam no oceano mahat-tattva como aglomerados de bolhas de sabão. Eles duram muitos trilhões de anos, até que Maha-Vishnu inspire e os atraia de volta para Si mesmo. Depois de muitos trilhões de anos, Ele expira novamente, e há uma nova criação como antes.

Depois que os universos saem de Maha-Vishnu, uma expansão Dele chamada Garbhodakashayi Vishnu entra no interior oco de cada um e o enche até a metade de água. Garbhodakashayi Vishnu então se deita nesta água, flutuando em uma cama feita por uma expansão de Sua chamada Ananta Sesa, que aparece como uma serpente de muitas cabeças. Do umbigo de Garbhodakashayi Visnu cresce um lótus; o botão se abre e no centro fica o Senhor Brahma, o primeiro ser criado. Ele é o engenheiro do universo.

Após eras de penitência severa, Brahma torna-se inspirado por Krishna com o conhecimento para completar a criação. Krishna também fornece as sementes da criação, bem como os ingredientes, e Brahma então cria todos os sistemas planetários, divindades controladoras e espécies de vida. (Assim, os atos de criação descritos no início da Bíblia são realizados não pelo próprio Deus, mas por Seu agente, Brahma.) planetas do nosso universo. Brahma também ajuda o Senhor a recuperar as almas caídas do mundo material, formando um grupo espiritual para pregar a consciência de Krishna em todo o universo. Este grupo, chamado Brahma-sampradaya, ainda está ativo hoje na forma do movimento da consciência de Krishna.

Claro, este é apenas um breve resumo da criação. Esperamos que você continue a ler mais sobre isso no Srimad-Bhagavatam.

***

Tradução e adaptação do espanhol para o português por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/como-o-homem-foi-feito-uma-perspectiva-vaishnava/

As Rainhas Dragão

Lord A .’. (RedeVamp)
Excerto do livro Mistérios Vampyricos

Existe um relato intitulado “As Rainhas Dragão” que fala sobre os mitos de origem da Transilvânia, o qual descobri ainda na década passada, escrito pelo pesquisador David Wilson – mais conhecido como Awo Falokun Fatunmbi, um oraculista especializado no “Ifa” dos africanos. O artigo foi escrito como uma revelação recebida da parte de seus parentes, originários de Arad na Transilvânia, e que tinham o sobrenome Fenyes, cujo significado é “portador da luz”, mais ou menos como o “cohen” hebreu – tal sobrenome pode indicar uma função ritual nas respectivas culturas citadas. Logo no começo do artigo, somos apresentados ao avô Carlos Fenyes, advogado da família Habsburg, e seu filho Adelbert (Adelburt), que era médico da mesma família nos tempos que antecederam a Primeira Guerra Mundial – este também foi embaixador austríaco no Egito. Para quem não conhece os Hapsburg, eles foram a última família que ocupou o trono do Sacro Império Romano-Germanico; alegavam descendência de Cristo, bem como lhes era atribuída a posse da lança de Longinus, a qual inclusive teria perfurado o peito do Messias crucificado e tornava invencível quem a detivesse, tanto que na Segunda Guerra o próprio Hitler não sossegou até consegui-la. A lança também pertence aos mistérios do Graal e tem muita história – sua aparição mais recente foi na trama do filme Constantine, com Keanu Reeves.

Segundo consta, o título de Sagrado Imperador doado à tal família Hapsburg pela Igreja Católica comprou o silêncio deles em sua peculiar história familiar. Particularmente, dado o tom germânico, eu pensaria em Balder como ancestral totêmico e deus sacrificado, mas isso não importa. Segundo o próprio autor, ele detém provas externas acumuladas ao longo de quatro décadas de pesquisa e acredita que a história como nos é ensinada nas escolas, condicionada por interesses de controle político e filtrada pelo academismo e o pensar moderno, e bastante diferente daquilo que realmente aconteceu – e isso tem a ver com a posse de uma tecnologia espiritual que deveria ser um presente para todos e jamais monopolizada em benefício de poucos. E tudo isso pode ser encontrado na história da própria Transilvânia.

Historiadores dizem que a linguagem escrita começou na Europa há quase 5 mil anos; na Transilvânia, há amostras encontradas em sítios arqueológicos que datam de 10 mil anos atrás – estranho intervalo que parece ser ignorado pelos acadêmicos por romper a conformidade de suas ideias. Na mesma região, também foi encontrado um mapa de porcelana com características topográficas exatas. O mapa é impossível de ser datado, mas itens que estavam enterrados juntamente ao mapa foram datados como tendo 20 mil anos de idade. Então, no tempo em que os europeus supostamente estariam fabricando ferramentas toscas de pedra, também estariam forjando mapas em ajuste exato de escala. Alguma coisa está faltando aí, pois o mito da Criação da Transilvânia diz que um caçador seguia um antílope do norte da África até a região das montanhas do que agora é a Roménia.

Segundo David Wilson, existem evidências de que essa região era uma colônia de mineração do antigo Egito. Os egípcios sabiam, compreendiam e usavam os segredos da alquimia como base para o processamento do metal e a transformação do espírito humano. A história acadêmica tende a dispensar a noção da alquimia como uma ciência real, e a matéria recebe pouco estudo sério nos tempos de hoje. Alquimia, da palavra alkemit ou Ala kemit, significa “luz da terra de kemit” ou “luz da terra negra”. A terra do Egito ao longo do Rio de Nilo é rica em platina. Por um processo de fundição, os egípcios conseguiam extrair irídio da platina e, para Wilson, tal elemento assumia importante caráter sagrado nos ritos iniciáticos – permitindo que os adeptos pudessem ver Deus em um arbusto ardente, ou seja, ver através dos véus e realizar jornadas em duplo etéreo.

Na Transilvânia, os segredos da alquimia e desses mistérios eram guardados pelas misteriosas “Rainhas Dragão”, assim como no Egito – um curioso sacerdócio que se mistura com os dragonistas (escrevia assim há quase 20 anos, mas hoje prefiro draconiano) nesse estranho artigo. Suas origens jazem no imaginário atribuído aos “vigias” e “anjos caídos”, para os místicos, e nas estrelas cadentes e meteoritos, para os míticos.

Aparentemente, houve um dilúvio universal que teria exterminado tais sacerdotisas ou quem sabe uma raça com sangue de dragão. Mas aquelas que moravam na Transilvânia conseguiram escapar para as regiões que atualmente pertencem ao Iraque e ao Egito, conforme é narrado no próprio mito da criação da Transilvânia.

Todo mito de criação tende a ser etnocêntrico e especulativo. Em todo caso, a tradição das Rainhas Dragão existia nas regiões montanhosas da Romênia, na antiga cultura acadiana da Suméria e no começo das dinastias egípcias.

Bárbara von Cilli

David também aponta que o escopo de influência dessas mulheres abrangeu o sul da Europa, o norte da África e porções do Oriente Médio, que possuíam uma cultura única, composta de uma confederação solta de Cidades-Estados. Essa cultura recebeu nomes diferentes por historiadores pronomes que refletem a influência do deslocamento de poder entre Cidades-Estados mas falham na precisão da apreciação espiritual comum, ligações científicas e culturais que sustentaram o desenvolvimento desta região. As Rainhas Dragão eram responsáveis pela consagração ritual de reis na Bacia Mediterrânea. Elas possuíam templos no atual Iêmen, no oeste da Nigéria e no sul da França.

Antigamente um rei não podia reinar a menos que fosse ungido pelas Rainhas Dragão, o processo de unção era feito com uma mistura de gordura de crocodilo e sangue menstrual. As Rainhas Dragão tinham abundância de certos hormônios, que podiam ser usados para abrir o terceiro olho, dando ao rei ungido o dom da clarividência. A habilidade de se produzirem os hormônios necessários era considerada genética, então para ser uma Rainha Dragão era necessário também ser filha de uma Rainha Dragão.

Essas mulheres tinham poder de veto efetivo sobre aquele que iria reinar e, como consequência, a tradição desenvolvida fez com que as Rainhas Dragão se tornassem a primeira esposa do rei e, para proteger sua herança genética, elas se casariam com seus irmãos. Esta é a origem do termo sangue azul. Para manter o terceiro olho aberto, os reis ungidos precisavam ingerir regularmente um ritual preparado de sangue menstrual das Rainhas Dragão, assim eles fariam parte do tribunal real.

No Oriente Médio, as Rainhas Dragão viviam em comunidades chamadas Haréns, mas não eram as rameiras descritas na literatura ocidental. A tradição de beber sangue menstrual era chamada “fogo da estrela”, e tal cerimônia foi denegrida pela Igreja Católica pelas histórias de vampiros.

As Rainhas Dragão não eram mordidas por regentes demoníacos; elas preparavam suas poções com carinho e gostavam de beneficiar a comunidade. Acreditava-se que se o rei estivesse alinhado com seu mais alto self como resultado de contato com outras dimensões, ele reinaria em benefício do povo para manter-se alinhado com o plano original da Criação. Em outras palavras, a vida era feita para o benefício de todos. As Rainhas Dragão também eram as guardiãs do mistério da alquimia. A arte ancestral da alquimia foi tanto usada para transformar o metal quanto como medicina para iniciação. A alquimia é essencialmente o aquecimento da platina para fazer irídio.

Na Bíblia o “irídio” é chamado “maná”, que significa “o que é?”. O irídio ou mana era ingerido como parte de um processo ritual. O iniciado jejuava por 30 dias e ingeria mana por dez dias. No fim do processo, o iniciado era descrito como aquele que podia ver Deus em um arbusto em chamas. Essa iniciação é descrita no Livro do Gênesis, quando Moisés recebe os Dez Mandamentos. O processamento do “maná” exige fornos que geram grande calor, e as Rainhas Dragão podiam abrir portais interdimensionais para criar uma chama azul usada para fazer o “mana”. Essa chama tinha um tremendo calor, mas não queimava a carne humana, era chamada de “a chama eterna” e, uma vez acesa, não se apagava. O processo para fazer tal chama é descrito na literatura alquímica como a linguagem dos pássaros. Quando um portal interdimensional é criado vem a relampejar como um flash de câmera, e este lampejo é simbolicamente descrito como um espírito de pássaro. As Rainhas Dragão tiveram vários nomes que dependiam da cultura e região em que elas atuavam.

Esses nomes incluíam Isis, Hator, Maria e Sheba (como a Rainha de Sabá). Acredito que tenha existido um Jesus histórico, mas sua vida não possui uma precisão refletida na Bíblia. “Messias” quer dizer o “Ungido”, e esta é a palavra hebraica usada para descrever as iniciações das Rainhas Dragão.

Na cultura judaica, as Rainhas Dragão eram chamadas de “Maria”. Então, Jesus foi iniciado por Maria, sua mãe, e por Maria Madalena, sua irmã e esposa. Se olharmos para as tumbas dos faraós egípcios, notaremos que seus órgãos internos eram colocados em jarros separados. As Rainhas Dragão usavam esses órgãos como parte do processo de unção. A alquimia do “mana” é tal que, se você ingerir um órgão interno de alguém que faleceu, absorverá suas memórias e experiências de vida. Esta era a base para a crença de que os reis eram divinos. Eles literalmente recebiam a experiência coletiva de todos os seus predecessores. Por essa razão, o corpo de um rei ungido era importante para a instalação do próximo rei.

Alguns filmes e romances vampirescos até hoje trazem releituras dessa curiosa ideia ligada à antropofagia ritualística de certas culturas – incluindo algumas previamente mencionadas em outras páginas, tais como Schytes (Cítas) e os Getae.

Conforme anunciei é, sem dúvida alguma, um artigo que explora a mitologia e a história de forma audaciosa, embora duvido de que haja acadêmicos dispostos a fundamentá-lo ou oferecer algum detalhamento sobre os muitos tópicos lá presentes.

Reproduzi apenas a parte mais convergente para nosso estudo e com o tema deste livro. Mas aqueles que encontrarem o artigo na íntegra observarão apontamentos do autor que demonstram como o Império Romano decidiu criar imperadores sem a dependência das Rainhas Dragão o que os levou às suas políticas de extermínio ao longo do Crescente Fértil e da região da Galileia, para assegurar que nenhum novo rei ungido surgisse naquela região.

O autor também acredita que o corpo de Jesus foi removido da região e levado para o sul da França, para evitar que este caísse nas mãos romanas, o segredo da atual posse do corpo inclusive é guardado pela família do autor, no caso o David Wilson. Ele também explica que a história europeia é pautada no conflito entre os que regiam por iniciação obtida com as Rainhas Dragão e aqueles que regiam sob as bênçãos do papa que comandava a nova regra divina – sua aceitação levou um milênio e meio de confrontos e programas de extermínio em massa daqueles que estiveram reunidos com as “Rainhas Dragão”. Todas as cruzadas e mesmo a caça inquisitorial às bruxas teriam sido os tentáculos desse plano para assegurar o extermínio de todas as Rainhas Dragão e suas descendências.

Mas elas sobreviveram, mesmo que poucas, e seu alcance era longo, Wilson acredita que os Templários e algumas Ordens Monásticas ou de Cavalaria tenham sido criações veladas delas para preservar descendentes e recuperar artigos importantes do seu culto.

Eleanor de Aquitania

Gosto de pensar que talvez algumas rainhas, como Eleanor de Aquitânia (velada criadora do romance de cavalaria e por extensão do tantra ocidental incluso nessas obras) tivesse sido uma delas. Bem como muitas outras damas que vestiram o manto azul de Nossa Senhora e foram patronas de muitas dessas ordens; sincretismo é sempre uma ferramenta curiosa ao lançarmos nossos olhares rumo ao passado. Sábias dragonistas, hábeis em sua invisível arte, jamais se deixariam pegar fácil e certamente estariam por detrás dos meandros do poder. O que não me deixa esquecer de Bárbara von Cilli e até mesmo Elizabeth e Zsofia, da Famila Bathory, ao menos próximo do contexto vampírico que exploramos neste livro.

Como atribuir elementos míticos e místicos às chamadas Catedrais Góticas é tema recorrente no ocultismo, e próprio David Wilson aponta que elas foram construídas para guardar os segredos dessa alquimia das Rainhas Dragão e que sua grande Deusa era Ísis, velada nos subsolos como uma Madona Negra, onde povos nômades da Transilvânia secretamente iam rezar em suas rotas de peregrinação pelo mundo.

A beleza e a importância do culto das Madonas Negras bem como sua expressão da força maior são exploradas no blog Cosmovisão Vampyrica, em, www.redevamp.com.

Infelizmente, os Templários foram destruídos, como bem sabemos, e seu legado e sabedoria tomados pelos membros ávidos de poder do clero e da monarquia não iniciada nos mistérios das “Rainhas Dragão” e acabaram sendo desvirtuados em muitos lugares. O sacrifício de garotas virgens (e que ainda não houvessem menstruado) atos de pedofilia acabaram sendo algumas das práticas erróneas e criminosas mais comuns associadas com esse contexto.

As acusações de nobres beberem o sangue de terceiros – comum da parte dos protestantes para com algumas famílias no Leste Europeu – podiam ser verdadeiras, talvez fossem apenas propaganda política para intimidar adversários ou, ainda, quem sabe, tentativas posteriores dos descendentes do “Sangue do Dragão” tentando recuperar fundamentos que apenas sentiam o potencial para obter, mas que agora estavam fragmentados ou não acessíveis.

Em todo caso, o artigo de David Wilson se encerra com o autor em tom pesaroso pelo descaso dos administradores do museu criado por seu avô na velha mansão Fenyen em Pasadena, Califórnia, para com a rica história de sua família, que tem no brasão a imagem do Dragão Alado, das antigas Rainhas Dragão.

Um fato relevante é que no transcorrer dos séculos tanto a Igreja Católica romana, como a Reforma e o Protestantismo, e mais recentemente o partido comunista fizeram o possível para denegrir e destruir a herança pré-cristã da Transilvânia. Há uma perene influência ou sincronicidade com a cultura dos dragões da Suméria através dos Cárpatos.

O próprio David Wilson aponta em uma das postagens do seu blog que atualmente existem mais de 26 famílias que carregam o dragão vivendo na região. Vale observar que dragões e povos serpentes intervindo e interagindo com humanos existem em diversas eras e culturas – mais recentemente esses mitos são explicados como os anunnaki e outros alienígenas reptilianos na linguagem moderna – será que eles passaram por Marte antes de chegarem aqui?

Particularmente prefiro o tom conotativo dos mitos e ritos mais antigos.

Um epílogo ao Morte Súbita

Lord A:. em 31.05.2022

Meu livro Mistérios Vampyricos foi pesquisado e redigido entre os anos de 2003-2012 e publicado em agosto de 2014 como sabem. Ainda hoje o lançamento dele no stand da Madras Editora na Bienal do livro, em São Paulo, foi uma marca indelével – lembramos até o sabor do vinho chileno da festa. A obra foi bem sucedida. Reencontrar este trecho do livro em 2022 (quase uma década depois da minha última revisão) é como achar uma garrafa selada com uma mensagem dentro a beira mar. Agradeço ao Thiago Tamosauskas por reviver este trecho aqui no Morte Súbita.

Dragões, anjos caídos ou simplesmente estrelas cadentes e meteoritos? Todos são fascinantes per se! Eles encarnam aqueles relatos atribuídos a “Memória” ou a “Ancestralidade” que é escrita na pedra e no sangue; diametralmente oposta à história escrita em papel ou pergaminho.Que sempre serviu na maior parte das vezes para justificar alguns babacas possuírem as chaves do arsenal, da biblioteca, da prisão e do palácio – e quase sempre essa última chave sempre foi a mais importante para eles. Sem tudo isso esses caras são e sempre serão o que foram um bando de estúpidos. Essa abstração chamada humanidade sempre e em sua maioria foi composta por eles. Desde o neolítico e estes serviam para morrerem como água. E para alguns dos “nossos” transmitirem e ressurgirem através de nós em tempos melhores. Dizem que todas obras ocultistas da modernidade oscilam entre dois pólos – Phil Hine e Michael W Ford para iniciantes versus Kenneth Grant e Michael Bertiaux para quem manja. É o que dizem. No entanto, se ouvidam de uma Maria de Naglowska da vida e outras mulheres muito mais interessantes.

Ainda hoje uma taça de vinho a beira de uma fogueira na floresta em noite de lua negra oferece algo; que jurisprudentes e sacerdotes (abraâmicos) da história escrita pelos povos do livro jamais conseguirão apagar.Sejam generosos com o que lhes direi: ainda assim prefiro interpretar tais assuntos por viés do conotativo, do subjetivo, da alegoria, do simbólico e metafórico tão caro e precioso a alquimia. Então, ao concluírem a apreciação dos meus livros ou este texto não saiam por aí buscando no Mercado Livre por irídio, banha de crocodilo ou fazendo propostas pouco usuais para vossas mulheres. Sejam, digamos, mais razoáveis. Saber o mito não implica ter a receita do rito e do seu preparo ou condução. A vida adulta implica saber disso. E saboreiem mais noites de vinho e a luz de uma fogueira, com limões vermelhos jogados dentro dela antes de acender as chamas.

No livro falei e pontuei bastante o relato do grande David Wilson, ele usava seu nome civil nas redes sociais, na época que escrevi Mistérios Vampyricos; mas hoje é mais conhecido por seu nome religioso como Awo Falokun Fatunmbi e tem um trabalho extraordinário promovendo o Ifá e sendo babalawo na América do Norte. Para investigar e entender as origens de sua família húngara, seguiu curiosas visões de seus ancestrais que o levaram inesperadamente à África. Dentre muitos de seus livros Ancestral Memories, aprofunda seu relato sobre as Rainhas Dragões. Todas as suas obras publicadas falam por si e se encontram disponíveis, lá na Amazon e podem ser conhecidas neste link.

As tais Rainhas Dragões foram aquelas que nos primórdios eram avatares de grandes deusas em tribos notáveis e impérios destacáveis.Sua descendência, sua criação e suas dinastias eram de outra estirpe. O que nos leva a um “Sangue” ou ainda o papo de “Sangue-Bruxo” caro aos tradicionalistas bruxos ingleses. Também falamos de uma raça humana em aparência que figura em histórias de Lovecraft, Yeats, Machen e antes deles nas fábulas onde há seres feéricos. E que depois da idade média foram sintetizadas meramente como bruxas ou vampiras. É uma história talhada na pedra e no “Sangue”, não em pergaminhos delicados ou feitos para evitarem diálogos com o velho norte. O que mais posso lhes dizer sobre tais diálogos é o seguinte – quando o resultado dele parecer biografia e cronologia da editora Marvel, você já perdeu o fio da meada. É sobre lampejos e conexões.

Vocês podem chamar as Rainhas Dragões por outros nomes também, elas estarão lá como sempre estiveram. Estão aqui desde o início, como me confessaram incontáveis vezes.

Contos de fadas antigos e o folclore podem falar melhor disso do que textos acadêmicos – ou tabelas de ocultistas protestantes que juram saber até o cep de Lúcifer na Vila Madalena em São Paulo. Parem com isso! Falamos do que vem desde (pelo menos) o neolítico e jaz nos estratos e camadas cerebrais igualmente primitivas que habitam a camada dos imperativos do nosso cérebro, desvelando como somos mais irracionais e movidos por desejos realizados (ou não realizados) do que gostamos de pontuar e assumir nas redes sociais. Curtam o calor e a luz da fogueira, em uma floresta nas noites sem luar – saboreiem o vinho! Quem sabe no céu escuro anjos caídos, dragões ou estrelas cadentes e meteoritos não lhe contem tudo que estiver preparado para receber?


Lord A.’. é autor de diversos livros entre eles, Mistérios Vampyricos, Deus é um Dragão e a série Codex Strigoi. Desenvolve ainda uma série de iniciativas e eventos culturais para a divulgação da Cosmovisão Vampyrica e da comunidade vamp no Brasil bem como as transmissões da RedeVamp, o site redevampyrica.com, o podcast Vox Vampyrica, e a comunidade Campus Strigoi

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/as-rainhas-dragao/

A Rectificação do Calendário Thelêmico

O Evento tecnicamente conhecido como “Equinócio dos Deuses” ocorreu a 20 de março de 1904 e.v. Uma vez que o Calendário Thelêmico inicia a sua contagem a partir desta data conclui-se naturalmente que o período entre 20 de março de 1904 e.v. e a mesma data de 1905 e.v. corresponda ao ano I do Aeon de Hórus . Assim temos que:

20/03/1904 e.v. a 21/03/1905 e.v. = ano I
20/03/1905 e.v. a 21/03/1906 e.v. = ano II
20/03/1906 e.v. a 21/03/1907 e.v. = ano III
………………………………………………………….
20/03/1996 e.v. a 21/03/1997 e.v. = ano XCIII
20/03/1997 e.v. a 21/03/1998 e.v. = ano XCIV
20/03/1998 e.v. a 21/03/1999 e.v. = ano XCV

Existe, portanto, uma defasagem de um ano em relação ao Calendário em voga, que afirma encontrarmo-nos no ano XCIV do Aeon de Hórus quando uma contagem mais correta seria a de XCV, como acima demonstrado. Temos perfeita ciência de que nada expusemos no presente trabalho além de uma simples operação de aritmética ao alcance de qualquer um que possua o curso primário ainda que incompleto e, se existe algo de intrigante ou misterioso aqui, é como um raciocínio tão simples não terá ocorrido a ninguém em quase um século desde a Promulgação da Lei. Se isto não é um indício bastante claro da situação lastimável em que o movimento dito Thelêmico haverá mergulhado, sinceramente não sabemos o que poderá ser.

Por Frater Sinn

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-rectificacao-do-calendario-thelemico/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/a-rectificacao-do-calendario-thelemico/

A Vida exige Leveza

“De quanto menos eu preciso mais livre sou. A liberdade traz consigo a leveza do espírito”, me disse um velho e sábio xamã do Povo Nativo do Caminho Vermelho sentado ao redor de uma fogueira em uma noite às vésperas do Pothlach. Canção Estrelada, como passou a ser conhecido depois que descobriu seu dom de iluminar o caminho das pessoas do seu clã através da palavra, cantada ou não, como uma lanterna de proa que mostra as ondas que estão por vir, explicava com paciência, para mim, a cerimônia do dia seguinte, onde cada um doaria objeto que lhe fosse precioso.

O despego a bens materiais é um bom exercício para ajudar na renovação de ideias e conceitos que, às vezes, por estarem obsoletos, nos atrapalham na jornada. O simbolismo do ritual consiste em que cada um veja e entenda a necessidade de se renovar emocional, intelectual e espiritualmente. Ao abrir mão de algo de que somos apegados, aprendemos a transformar sentimentos e pensamentos que, por guardarmos inutilmente, se tornam pesados e atrapalham a caminhada. Entendemos que tudo pode ser diferente. A vida exige leveza.

Para seguir adiante na infinita e fantástica estrada da vida temos que entender o seu fluxo para nunca o interromper. Ou nos tornaremos amargos ao perceber os demais seguindo viagem enquanto nos aprisionamos no emaranhado de importantes desnecessidades.

“Oferecer um objeto que não seja de fato valioso é manchar a própria dignidade, fraudar o ritual e a vida. É como fingir um sentimento. Pode-se enganar a um irmão, mas jamais enganamos o Universo, que em resposta nos nega permissão para prosseguir adiante até que o erro seja desfeito. Viver é aprender, transformar, compartilhar e seguir. Dividir o que se tem de melhor é a única forma de se preparar para as novas riquezas que a vida tem a te ofertar”.

Provocar a si próprio para se desfazer de um objeto que lhe seja caro é preparar a transformação do olhar. Alinhar os desejos primários do ego com as necessidades sutis da alma exigem desapego e coragem; sabedoria e amor. É pura luz.

“Nosso verdadeiro tesouro é apenas aquilo que dividimos. Não se pode dar o que não se tem e o anseio em acumular demostra apenas o medo em relação a eterna generosidade e capacidade de amor incondicional do Grande Mistério. Fazemos o nosso melhor e entregamos o amanhã em Suas mãos, assim como não nos preocupamos se o sol vai raiar no dia seguinte”, explicou o sábio ancião enquanto tragava o bom cachimbo com fornilho de pedra.

Talvez por perceber meu olhar perdido nas labaredas do fogo que crepitava e aquecia a noite, Canção Estrelada continuou com sua fala mansa a explicar que o Pothlatch também traz a lição de que a única coisa que nós verdadeiramente possuímos é o amor. “É fundamental para encerrar a lição da cerimônia que o objeto seja oferecido com generosidade. Você dá amor ou não estará oferecendo nada que de fato seja seu. Todos os bens materiais apenas estão emprestados pelo Grande Espírito para serem usados como ferramentas de evolução de todos os povos. Já estavam aqui e ficarão aqui, ao cuidado de outros irmãos, quando partirmos com o vento para cavalgar com nossos ancestrais. Apenas o amor que você compartilha poderá ser levado em sua sacola sagrada. Todo o resto é secundário”.

Sacola sagrada? Nunca tinha ouvido a expressão. “A sacola sagrada que carrega no peito e rufa como um tambor”, explicou Canção Estrelada e após uma pequena pausa, concluiu. “É o seu coração”.

“Não que a ajuda material seja irrelevante, ao contrário, ela é importante”, continuou o ancião, “pois quem tem frio anseia por um cobertor. Mas qualquer irmão da Terra que esteja acossado pelo vento gelado do abandono carece, ainda mais, ser agasalhado pelo divino manto do abraço amoroso de outro irmão. A compaixão espiritual é infinitamente mais profunda e valiosa do que a material”.

“Só assim conseguiremos Caminhar em Beleza”, encerrou o velho sábio enquanto observávamos a noite lentamente virar dia.

Publicado originalmente em http://yoskhaz.com/pt/2015/06/19/a-vida-exige-leveza/

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-vida-exige-leveza

Consciências entre Lincoln x Kennedy

Quem reparou nesses detalhes em comum entre esses presidentes nos faz agora pensar que quem matou Kennedy bolou um belo plano pra escapar do real motivo sobre esse assassinato

Se você acha que coincidências não existem, depois de ler o texto abaixo você não irá mais “achar”, irá ter certeza.

* Abraham Lincoln foi eleito para o congresso em 1846.
* Jonh F. Kennedy foi eleito para o congresso em 1946.

* Abraham Lincoln foi eleito presidente em 1860.
* J.F.K. foi eleito presidente em 1960.

* Os nomes Lincoln e Kennedy tem sete letras.

* Ambos estavam comprometidos na defesa dos direitos civis.

* A esposa de ambos perderam filhos enquanto viviam na Casa Branca.

* Ambos os presidentes foram baleados numa sexta feira.

* A secretaria de Lincoln se chamava Kennedy.
* A secretaria de Kennedy se chamava Lincoln.

* Ambos os presidentes foram assassinados por sulistas.

* Ambos os presidentes foram sucedidos por sulistas.

* Ambos os sucessores se chamavam Johnson.

* Andrew Johnson que sucedeu a Lincoln, nasceu em 1808.
* Lyndon Johnson que sucedeu a Kennedy, nasceu em 1908.

* Jonh Wilkes Booth, que assassinou Lincoln, nasceu em 1839.
* Lee Harvey Oswald, que assassinou Kennedy, nasceu em 1939.

* Ambos os assassinos eram conhecidos pelos seus três nomes.

* Os nomes de ambos os assassinos tem 15 letras.

* Booth saiu correndo de um teatro e foi apanhado em um deposito.
* Oswald saiu correndo de um deposito e foi apanhado em um teatro.

* Booth e Oswald foram assassinados antes de seu julgamento.

E a parte mais estranha:

* Uma semana antes de Lincoln ser morto, ele estava em Monroe, Maryland.
* Uma semana antes de Kennedy ser morto, ele estava em Monroe, Maryland.

* Lincoln foi morto na sala Ford, do teatro Kennedy…
* Kennedy foi morto num carro Ford, modelo… Lincoln

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/consciencias-entre-lincoln-x-kennedy/

A Lei da Atração e o Poder do Pensamento

William Atkinson

Somos uma parte daquilo que pensamos ser. Nossa atitude mental geral determina o caráter das ondas de pensamentos que recebemos dos outros assim como os pensamentos que emanam de nós mesmos.  Essas são as premissas deste livro que foi uma das principais inspirações para a Lei da Atração apresentada em best sellers como “O Segredo”.

A pessoa que acredita piamente em si mesma e mantém uma atitude mental forte de confiança e determinação não será afetada por pensamentos adversos e negativos de desânimo e fracasso que vêm de outras pessoas.  Por outro lado quando tais pensamentos negativos  alcançam alguém cuja atitude mental está num tom mais baixo isso aprofunda ainda mais seu estado negativo.

Neste livro William Atkinson mostra como direcionar nossos pensamento para com eles atrair em nossa vida apenas coisas positivas e, assim, por meio da Lei da Atração, conquistar todos os seus objetivos.

A Lei da Atração no mundo do pensamento

Quando pensamos emitimos vibrações. Essas vibrações são tão reais quanto as vibrações que se manifestam em luz, calor ou som, mas de uma natureza muito mais sútil. Somente agora a ciência começa a avançar a ponto de poder detectar algo dela por meio de seus instrumentos mais avançados como a ressonância magnética e o eletroencefalograma. Quando entendemos completamente as leis que governam a produção e transmissão dos pensamentos podemos usar estas vibrações no dia a dia como fazemos com outras formas mais conhecidas de energia como a luz, o magnetismo e a eletricidade.

A intensidade de nossos pensamentos varia o tempo todo. Nossas ondas de pensamentos influenciam a nós mesmos e aos demais e tem em si um poder de atração. A forma como pensamos atrai  pensamentos ao nosso redor. Pensamentos amorosos atrairão para nós o amor dos outros, assim como circunstâncias e ambientes amorosos. Pensamentos de raiva, ódio, crueldade, maldade e ciúme, atraem todo tipo de pensamentos e comportamentos semelhantes. Seja qual for nosso pensamento,  se ele for forte ou de longa duração isso nos tornará um centro de atração para as correntes de pensamentos correspondentes produzidas pelas outras pessoas.

Um exemplo simples de entender isso é o do homem rabugento que consegue deixar a família toda com o mesmo humor antes do final do café da manhã. Por outro lado o homem – ou a mulher – cheio de amor verá amor por toda parte e atrairá o amor de sua família. Quem aprende o funcionamento das Leis da Atração do Pensamento consegue se manter calmo e positivo mesmo em ambientes desarmônicos. Estas pessoas permanecem tranquilas e seguras mesmo nas piores tempestades e pela força de sua disciplina mental transformam todo o ambiente ao seu redor. A consequência lógica disso é que apesar de muitas vezes gostarmos de jogar a culpa nos outros  no fundo somos realmente responsáveis pelo ambiente que nos cerca.

As ondas de pensamento e seu processo de produção

Assim como estamos rodeados por um grande mar de ar na Terra, também estamos cercados por um grande mar da Mente. Estas ondas de pensamento se movem por meio desse vasto oceano em todas as direções, exatamente como as ondas sonoras. Sua intensidade fica cada vez menor de acordo com a distância percorrida, pois sua jornada entra em choque com outras ondas que também foram emitidas.

Assim como uma nota de violino pode fazer um cristal vibrar e “cantar”, um pensamento forte também pode despertar vibrações similares nas mentes afinadas para recebê-los. Muitos dos pensamentos errantes que chegam até nós foram assim emitidos por outras pessoas.Mas a não ser que entendamos como nos tornar afinados para receber estes pensamentos é quase certo que estes pensamentos não nos afetarão. Nossa postura mental é o que em geral que define a qualidade das ondas mentais que absorvemos.

A Auto Sugestão

Quando sua mente opera de maneira positiva você se sente forte, esperançoso, brilhante, animado, feliz, confiante e corajoso e se permite trabalhar bem, cumprir seus objetivos  e progredir em sua estrada para o sucesso. Esses pensamentos positivos, se forem fortes, afetam outras pessoas e fazem com que elas cooperem com você. Por outro lado pensamentos negativos fazem você se sentir deprimido, fraco, passivo, inerte, medroso e incapaz.

Mas lembre-se de que você possui o poder de tornar seus pensamentos positivos com a força de vontade. Há mais pessoas vibrando no plano negativo do pensamento e portanto mais vibrações negativas em nossa atmosfera mental. Mas felizmente, isso é contrabalanceado pelo fato de um pensamento positivo ser infinitamente mais poderoso do que um negativo; e se pela força ou pela vontade quisermos podemos excluir os pensamentos depressivos e receber as vibrações correspondentes a nossa atitude mental já modificada. Esse é o poder das Auto-Sugestões e das Afirmações.

Auto-Sugestões servem a uma dupla função:

  • Tendem a estabelecer novas atitudes mentais em nós e assim nos transformar
  • Tendem a aumentar o tom mental para receber ondas de pensamentos positivos na mesma vibração

Não se permita ser afetado pelos pensamentos negativos daqueles que o cercam. Você aprenderá a seguir como fazer isso.

Uma conversa sobre a mente

Na ciência mental temos que aprender a distinguir entre esforço ativo e esforço passivo: um esforço ativo é o resultado de um impulso mental direto e proposital feito no momento do esforço. Um esforço passivo é o resultado de um esforço ativo anterior da própria mente, da mente de outras pessoas ou de um pensamento ancestral.

Em outras palavras, o esforço ativo traça seu próprio caminho enquanto o esforço passivo segue o caminho mais percorrido. O esforço ativo é sempre recém-nascido, novo, enquanto que o esforço passivo é o eco de uma criação anterior e na verdade, muitas vezes resultado de impulsos vibratórios de eras longínquas.

A função ativa cria, transforma ou destrói. A passiva  cumpre a função dada  e obedece ordens e sugestões. Na verdade todos os impulsos de pensamento depois de lançados a uma tarefa continuam a vibrar passivamente até que sejam corrigidos ou excluídos por impulsos subsequentes. Mas a continuidade desse impulso original reforça o pensamento e torna sua correção ou eliminação cada vez mais difícil.

Essa é a origem tanto dos hábitos como dos vícios, pois um esforço ativo original pode se tornar uma repetição contínua estritamente automática.  Por outro lado pensamentos continuados passivamente podem ser neutralizados ou corrigidos por um esforço ativo.

A constituição da Mente

O ser humano pode construir sua mente e fazer dela o que desejar. Na verdade todos nós estamos construindo nossas mentes a cada hora de nossas vidas conscientemente ou não.  A maioria de nós por meio de nossas escolhas acabamos formando uma condição mental da qual não temos nenhum controle. Mas aqueles de nós que conseguem ver um pouco além da superfície nos tornamos criadores conscientes de nossa mentalidade.Não nos sujeitamos mais a influência dos outros, mas nos tornamos mestres de nós mesmos.

Mas antes de poder se beneficiar dessa força poderosa é preciso primeiro desenvolver um domínio sobre o eu inferior que criamos sem consciência até aqui. Um homem ou mulher que é escravo de seus humores, paixões, desejos animais e faculdades inferiores não estão aptos ainda a reivindicar os benefícios do controle da própria mente. Não se trata de ascetismo mas auto-controle. É a primeira afirmação do Eu Superior sobre as partes subordinadas de uma pessoa.

Um Auto-Sugestão poderosa

Repita essa frase para si mesmo: “Eu estou afirmando o controle do meu Eu Verdadeiro.”

Repita essas palavras de maneira positiva durante o dia por pelo menos uma hora, especialmente quando estiver confrontado com condições que deixem tentado a agir por impulso. Repita essa frase ao acordar e ao ir dormir mas não meramente como um papagaio. Construa a imagem mental do Eu Verdadeiro impondo seu controle sobre os planos inferiores da mente.

Como exercício concentre sua mente no Eu Superior e se inspire nele quando sentir-se tentado a se render as induções da parte inferior da sua natureza. Quando sentir que vai explodir de raiva, afirme o “Eu” e sua voz se baixará. Quando se sentir aborrecido ou mal-humorado lembre-se quem você é e supere esses sentimentos inferiores.

Não permita que seus pensamentos controle você. O Eu Verdadeiro é o Rei e os pensamentos são seus súditos, não seus mestres. Se você seguir essas práticas será uma pessoa completamente diferente ao final de um ano.

O segredo da vontade

Todo mundo reconhece o poder da vontade  e como ela pode ser usada para superar os maiores obstáculos.  Uma vontade  incansável esmaga as dificuldades, os perigos e faz o impossível se tornar inevitável. O problema é que a maioria de nós não queremos trabalhar duro. Somos mentalmente fracos e preguiçosos. Mas aos interessados existem algumas coisas práticas que podem ser feitas:

A segunda coisa é exercitar sua vontade como faria com um músculo. Para isso realize todos os dias pelo menos uma tarefa desagradável. Uma vez por dia você deve deixar de fazer algo que gostaria e deve fazer algo que não gostaria.  Não se trata de auto-sacrifício ou submissão, mas um verdadeiro exercício de vontade. Qualquer pessoa pode fazer algo agradável alegremente mas só alguém com a vontade exercitada consegue fazer algo desagradável alegremente. Este deve ser seu objetivo.

Nesses momentos use o poder da auto-sugestão. Repita para si mesmo “Eu estou usando minha força de vontade.” Repita isso com frequência, mas principalmente  quando se deparar com algo que pede o exercício da sua força de vontade. Carregue essas palavras com seus pensamentos. Na verdade o pensamento é tudo e as palavras apenas pinos onde penduramos nossos pensamentos. Diga então com verdade e sentimento.

Como se tornar imune ao pensamento prejudicial

O medo é um hábito da mente que se prende em nós por meio de pensamentos negativos, mas do qual podemos nos livrar com um esforço especial e perseverança. E a melhor maneira de superar o medo é assumir uma atitude mental de coragem, assim como a melhor maneira de se livrar da escuridão é permitir a entrada da luz. Comece a fazer coisas que você já estaria fazendo com maestria se o medo não o impedisse de tentar.

 

Isso é verdadeiro para todos os pensamentos negativos. É uma perda de tempo tentar lutar contra hábitos ruins. Em vez disso deve-se preencher o espaço mental que ocupam com hábitos mentais bons. Não se deve lamentar a tristeza, mas sim alimentar a alegria. Não faça acordos com o medo, a tristeza ou a raiva. Sempre que surgirem eles devem ser expulsos com um sentimento bom de natureza oposta, que por definição possui maior força de manifestação.

A Lei do Controle Mental

Seus pensamentos devem ser fiéis criados de sua vontade não apenas quando você está acordado, mas também quando você dorme. Boa parte de nosso trabalho mental acontece quando nossa mente consciente está em repouso. É por isso que muitas vezes pela manhã temos a solução de problemas que nos atormentaram na noite anterior.

De fato, para quem conhece as leis do pensamento é um absurdo ficar acordado esquentando a cabeça com estes problemas. Depois que você já pensou o suficiente em algo, muitas vezes a melhor coisa a fazer é pensar em algum outro assunto – algo que seja o mais diferente possível do pensamento que o afligia. Deixe-o ir e mantenha sua atenção em algo totalmente diferente pelo esforço da sua vontade. Quando você menos esperar a solução estará nos seus braços. Tente você mesmo.

Treinando o hábito da mente

A melhor coisa que a educação das leis mentais pode nos oferecer é fazer de nosso sistema nervoso um aliado em vez de um inimigo. Para tanto precisamos tornar automáticas e habituais o mais cedo possível o maior número de ações úteis que pudermos e evitar cuidadosamente que elas se desenvolvam de maneira a se tornar desvantajosas.  Ao determinar um novo hábito e abandonar um antigo tenha o cuidado de  fazer com que a iniciativa seja a mais forte e decidida possível. Nunca deixe acontecer uma exceção até que o novo hábito esteja seguramente enraizado em sua vida.

Sempre que tiver que fazer uma escolha, faça a si mesmo a pergunta: “quais dessas ações eu gostaria que se tornasse um hábito em minha vida?”  Devemos sempre estar alerta a formação de hábitos indesejáveis. Pode não haver mal nenhum ao fazer uma coisa insignificante. Mas pode existir um grande perigo em estabelecer o hábito de fazer algo que é prejudicial. Lembre-se: cada vez que você resiste a um impulso sua vontade e resolução se tornam mais fortes.

A Psicologia da Emoção

As emoções se tornam mais profundas pela repetição. Se alguém se permite um estado de sentimento tomar o controle sobre ela, achará ainda mais fácil se render a mesma emoção na segunda oportunidade. Se uma emoção indesejada começar um processo de fazer morada em sua cabeça, expulse-a logo no início. Embora não possamos controlar as emoções podemos sempre controlar a forma como nos expressamos. Recuse-se a expressar uma emoção negativa e ela morrerá. Conte até dez antes de soltar sua raiva e logo a ocasião lhe parecerá ridícula. Por outro lado, se passar o dia se lastimando e respondendo tudo com voz abatida a melancolia não irá embora tão cedo.

A poder da atração e a força do desejo

Para se obter algo é preciso que a mente se apaixone pelo objeto de desejo e esteja consciente de sua existência a ponto de quase eliminar qualquer outra coisa. Você precisa se apaixonar por aquilo que deseja conquistar assim como se tivesse encontrado a mulher ou homem com o qual deseja se casar. Não quer dizer que precise se tornar um monomaníaco pelo assunto, nem perder o interesse pelas outras coisas da vida, pois a mente precisa de recreação, descanso e mudanças. Mas é preciso que tudo adquira uma importância secundária diante do seu objetivo maior.

Se você dispersa sua força de pensamento em vários sonhos, seu subconsciente não saberá como agradá-lo e como resultado você não terá toda a ajuda que poderia ter.  Além disso, você perderá o resultado poderoso do pensamento concentrado para estabelecer os detalhes dos seus planos. A pessoa que tem a mente cheia de interesses e desejos fracassa ao exercer o poder da atração que só é conquistado pelas pessoas cuja paixão é predominante.

Se você for uma pessoa muito ambiciosa selecione qual dos seus objetivos é o maior e então ame-o ardentemente. Mas apaixone-se só por uma coisa de cada vez.

Lei não sorte

Muitas pessoas chamam o sucesso de sorte e o fracasso de azar. A verdade é que tudo no universo funciona baseado em leis imutáveis. Não há sorte ou azar, mas apenas causas e consequências. A Lei da Atração é um nome para uma manifestação da grande Lei única que rege todas as coisas. A lição mais importante deste livro é que pensamentos são coisas reais. Eles partem de você em todas as direções, combinando-se com pensamentos similares emitidos por outras pessoas ou sendo neutralizados por pensamentos de caráter distintos. Você é atraído e influenciado pelos pensamentos que são formados pelos seus hábitos e decisões, mas também pelos pensamentos das pessoas que o rodeiam.

Ao afinar sua mente no tom da coragem, da confiança, força e sucesso você vai atrair pensamentos de natureza semelhante, pessoas de natureza semelhante, e coisas e situações que se encaixam em seus padrões mentais. Pegue o melhor que há no mundo do pensamento. O melhor já está lá esperando você se harmonizar com ele.  Não se conforme com nada menos do que isso. Encontre as vibrações certas e embarque em uma parceria com as outras boas mentes do universo.

Conclusão

A proposta principal deste livro é que pensamentos não são apenas abstrações. São coisas reais que interagem com o mundo a sua volta. Assim como ondas sonoras e eletromagnéticas, os pensamentos uma vez emitidos se propagam em todas as direções. Nossa mente tem a capacidade não só de criar pensamentos mas também de absorver pensamentos semelhantes emitidos por outras pessoas. Vivemos assim em um imenso oceano mental em que tanto influenciam como somos influenciados pelo meio ao nosso redor.

Nossa mente não recebe qualquer tipo de pensamento, mas apenas aqueles que estão afinados com sua própria vibração. Pensamento de otimismo, coragem e alegria atraem e reforçam pensamentos semelhantes. Da mesma maneira pensamentos de tristeza, apatia e covardia atraem e alimentam uns aos outros.

Infelizmente a maioria das pessoas não controla as próprias emoções mentais. O resultado é que se tornam escravas dos pensamentos e não o mestre deles. Essas pessoas acabam sendo emissores contínuos e inconscientes de pensamentos desordenados e quase sempre negativos. A boa notícia é que um pensamento positivo é muito mais forte que um negativo. Uma onda de amor pode afastar muitos pensamentos de ódio, medo e tristeza.

Devemos sempre observar que tipo de pensamento estamos atraindo. Para tomar as rédeas deste mecanismo podemos usar o poder da auto-sugestão. Todos os dias, diversas vezes, ao acordar e ir dormir, devemos afirmar para nós mesmos que somos nós que estamos no controle. Não podemos permitir que sentimentos aleatórios que surgem do nada controlem nossa vida, e assim devemos extirpá-los tão logo se manifestem.

Para fortalecer o poder da força de vontade temos também que exercitá-la assim como fazemos com outras de nossas qualidades físicas e mentais. Todos os dias faça alguma coisa que coloque sua vontade a prova. Pode ser não comer uma sobremesa ou evitar falar palavrões. Não é uma questão moral, mas sim de autocontrole. Também eduque-se para fazer coisas desagradáveis alegremente, simplesmente para tornar sua força de vontade mais poderosa.

Mas temos que ter cuidado não apenas com o tipo de pensamento que atraímos mas também o que emitimos. Isso porque uma vez que nos permitimos algum pensamento ele se torna mais fácil e provável de ser repetido no futuro. Nesse sentido devemos usar a força do hábito ao nosso favor. Diante de toda decisão devemos nos perguntar: esse comportamento é algo que eu gostaria de ver sempre se repetindo em minha vida?

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-lei-da-atracao-e-o-poder-do-pensamento/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-lei-da-atracao-e-o-poder-do-pensamento/

Hipátia de Alexandria

Quando tive a idéia de escrever sobre a vida das Grandes Mulheres do Passado a primeira personagem real que me veio à cabeça foi Hipátia de Alexandria. Me lembro do dia que li sobre ela em um de meus livros relacionado ao Império Romano. Havia apenas um pequeno parágrafo… a sensação que passava era de que só estava ali para preencher espaço e dizia apenas: Hipátia de Alexandria, matemática e filósofa, foi diretora da Academia de Alexandria (Biblioteca de Alexandria) e morreu em 415. Nada mais, apenas essa curta frase, porém foi o suficiente para despertar em mim a curiosidade. Afinal, quem fora essa mulher que não só fora matemática e filósofa numa época impensável para as mulheres exercerem tais funções, como chegou a ser diretora de uma das maiores escolas da antiguidade?! Dali para frente procurei pesquisar tudo o que podia. Infelizmente não nos chegou muito sobre a vida dessa Grande Mulher, mas o que temos vale como lição para se carregar para sempre.

Hipátia nasceu em Alexandria por volta do ano 370 D.C. Para aqueles que não lembram, Alexandria é uma cidade do Egito e foi fundada por Alexandre da Macedônia, popularmente conhecido como Alexandre, O Grande.

Na antiguidade Alexandria foi um grande pólo de cultura e livre expressão, mas, na época em que Hipátia nasceu, a cidade encontrava-se em uma disputa entre a Igreja Católica, que crescia em poder rapidamente, e as correntes filosóficas que punham em cheque as doutrinas da nova religião.

Filha de Theon, filósofo, matemático e astrônomo, diretor do Museu de Alexandria; Hipátia creceu em um ambiente cercado de cultura sendo guiada por seu pai nos estudos da Matemática e Filosofia. Ele acreditava no ideal grego da “mente sã em um corpo sadio” (“men sana in corpore sano”) estimulando a filha a exercitar tanto a mente como o corpo, contam as lendas que ele desejava torna-la “um ser perfeito”.

Ainda jovem viajou a Atenas para complementar seus estudos. Era conhecida na Grécia como “A Filósofa”, já demonstrando cedo sua profunda sabedoria. Sócrates Escolástico relata:

“Havia em Alexandria uma mulher chamada Hipátia, filha do filósofo Theon, que fez tantas realizações em literatura e ciência que ultrapassou todos os filósofos de seu tempo. Tendo progredido na escola de Platão e Plotino, ela explicava os princípios da filosofia a quem a ouvisse, e muitos vinham de longe para receber seus ensinamentos.”

Ainda em Atenas tornou-se discípula na Escola de Plutarco e professava ensinamentos Neoplatônicos. Ao retornar a sua pátria, foi convidada para assumir uma cadeira na Academia de Alexandria como professora. Por volta dos 30 anos, tornou-se diretora da Academia. Seus conhecimentos abrangiam a Filosofia, a Matemática, Astronomia, Religião, poesia e artes. Era versada em oratória e retórica. Escreveu diversos livros e tratados sobre álgebra e aritmética. Seu interesse por mecânica e tecnologia a levaram a conceber instrumentos utilizados na Física e na Astronomia, como o astrolábio plano, o planisfério e um hidrômetro. Infelizmente suas obras foram perdidas durante o incêndio que destruiu a Biblioteca de Alexandria. Tudo o que chegou-nos vem através de suas correspondências.

Um de seus alunos Hesíquio o hebreu, escreveu:

“Vestida com o manto dos filósofos, abrindo caminho no meio da cidade, explicava publicamente os escritos de Platão e de Aristóteles, ou de qualquer filósofo a todos os que a quisessem ouvi-la… Os magistrados costumavam consulta-la em primeiro lugar para administração dos assuntos da cidade”.

Hipátia foi uma Grande Mulher que nasceu na época errada. Sua defesa fervorosa ao livre pensamento, seus ensinamentos Neoplatônicos, sua observação de que o universo era regido pela leis da matemática a caracterizaram como herege em um momento onde o Cristianismo triunfava sobre o Paganismo. Enquanto Orestes, um ex-aluno, fora prefeito da cidade, sua vida estivera protegida. Mas quando Cirilo tornou-se bispo de Alexandria, determinado a destruir todo o movimento pagão, sua morte foi anunciada.

Em uma tarde de 415 D.C. retornando a sua casa, Hipátia foi abordada por uma turba de cristãos furiosos que a arrancaram de sua carruagem, arrastaram-na para uma igreja e lá rasgaram-lhe as roupas deixando-a completamente nua e assim puseram-se a retalhar seu corpo esfolando-lhe a carne de seus ossos utilizando para isso cascas de ostras afiadas. Por fim desmembraram-lhe o corpo e os atiraram as chamas.

Morria com ela toda uma era de liberdade e florescimento filosófico e cultural em Alexandria e certamente para todos que viviam sobre a espada afiada da nova religião.

Carl Sagan escreveu em seu livro Cosmos:

“Há cerca de 2000 anos, emergiu uma civilização científica esplêndida na nossa história, e sua base era em Alexandria. Apesar das grandes chances de florescer, ela decaiu. Sua última cientista foi uma mulher, considerada pagã. Seu nome era Hipátia. Com uma sociedade conservadora a respeito do trabalho da mulher e do seu papel, com o aumento progressivo do poder da Igreja, formadora de opiniões e conservadora quanto à ciências, e devido a Alexandria estar sob o domínio romano, após o assassinato de Hipátia, em 415, essa biblioteca foi destruída. Milhares dos preciosos documentos dessa biblioteca foram em grande parte queimados e perdidos para sempre, e com ela todo o progresso científico e filosófico da época.”

Essa Grande Mulher nutriu toda uma época com a luz do conhecimento e do saber. Calaram-lhe a voz e empurraram sua lembrança para as profundezas do esquecimento. Mas, dois milênios não foram suficientes para apagá-la da memória de todos os famintos pela verdade. Hipátia retorna forte e vibrante ao alcance daqueles que buscam por seus ensinamentos. Ainda há pouco, enquanto terminava minha última pesquisa para esse artigo, me deparei com a notícia de que o diretor Alejandro Amenábar recentemente lançou no festival de Cannes o filme Ágora, que conta ao mundo a vida de Hipátia de Alexandria.

Texto da coluna Alma Mater, do Nerd Somos Nozes

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/hip%C3%A1tia-de-alexandria