A linguagem hermética dos alquimistas

A cripto linguagem utilizada pelos alquimistas tem objetivos bem claros. O primeiro deles é confundir os impuros de coração. Quem se aproxima da grande arte com fins poucos ambiciosos, terminará fervendo líquidos tóxicos e lustrando pedras sem valor. O segundo motivo é histórico, pois pretendia proteger os alquimistas de figuras de autoridade ou da ignorância da massa, que não queriam ou sequer podiam entender os objetivos maiores do alquimistas.

Animais normalmente tem um significado especial, como por exemplo, a representação dos quatro elementos. O unicórnio ou o veado representam a terra, peixes a água, pássaros o ar e a salamandra o fogo. O corvo simboliza a fase de putrefação do processo, que fica da cor negra. Enquanto que um tonel de vinho representa a fermentação.

A caverna representa a fase de dissolução, quando a matéria se aprofunda, se racha e se abre. Em muitos textos os metais estão representados pelos planetas correspondentes (veja os sete metais) pois eram preparados elixires de outros metais, além do ouro e da prata. A balança representa o ar, a sublimação, as proporções naturais. A figura de um andrógino ou de Adão e Eva, representam a matéria prima, composta do mercúrio e do enxofre.

O anjo simboliza a água – “Espírito da Pedra” A matéria-prima, bem como o próprio alquimista, podem ser representados pelo bobo, pelo peregrino ou pelo viajante. A imagem de uma rocha, cavernas, montanhas e outras representações de grandes blocos de pedra, sob o qual encontram-se tesouros. A cena ainda pode conter uma árvore, uma nascente, um dragão montando guarda, mineiros trabalhando, isto tudo evoca a matéria-prima, que também é comparada à virgem, pois ainda não recebeu o princípio masculino, ou com uma prostituta que é capaz de receber todos os princípios masculinos, comparando assim a matéria-prima com a facilidade de unir-se aos metais. Ë capaz de abrigar dentro de si todos os metais, apesar de não ser metálica. Os alquimistas também chamavam a matéria-prima de lobo cinzento.

Uma mendiga ou uma velha representa o aspecto desprezível e repulsivo da matéria-prima ou raiz metálica. O leite da virgem designa o mercúrio comum ou primeiro mercúrio por fluir sem cessar de uma coisa a outra, alimentar tudo e passando de um ser a outro, até mesmo da vida para a morte e vice-versa. O eixo do mundo ou o eixo do trabalho do alquimista é representado pela árvore em que a matéria-prima constitui a raiz.

Uma luta entre o dragão alado contra o dragão áptero, de um cão com uma cadela ou da salamandra com a rêmora, representam o combate entre o volátil e o fixo, o feminino e o masculino, ou o mercúrio e o enxofre, os dois princípios que estão contidos na matéria. Enquanto que a união entre estes dois princípios é representada pelo casamento do rei e da rainha, do homem de vermelho com a mulher de branco, do irmão com a irmã (pois eles provém de uma mesma matéria mãe), de Apolo e Diana, do sol e da lua ou juntar a vida à vida. Normalmente a este casamento precede morte e tristeza.

Apanhar um pássaro significa fixar o volátil. O leão verde normalmente é associado ao sal. A pessoa iniciável ou a substância inicial (matéria-prima) pode ser representada pelo filho mais jovem de uma viúva (que representa Ísis) ou de um rei, um soldado que já cumpriu o serviço militar, um aprendiz de ferreiro, um jovem pastor, o filho de um rei em idade de se casar e outros casos semelhantes. O abismo, um recife e outros perigos de uma viagem representam os cuidados ou os perigos que o fogo conduzido inadequadamente podem causar.

O dissolvente universal tanto é associado ao sal como ao mercúrio normalmente é representado por uma fonte, leão verde, água da vida ou da morte, água ígnea, fogo aquoso, água que não molha as mãos, água benta, vento, espada, lanterna, cervo, um velho, um servidor, o peregrino, o louco, mãe louca, dragão, serpente, Diana, cão, dentre outros. Os alquimistas utilizam também alfabetos secretos, codificados, anagramas e criptografia. Além de simples sinais que identificam uma operação, substância ou objeto.

A alquimia além do aspecto espiritual, constituí uma verdadeira ciência que tem como finalidade compreender a matéria e o cosmo, ou seja, o microcosmo e o macrocosmo, além de tentar reproduzir de forma mais rápida o que a natureza leva milênios para conseguir. Como em qualquer área de conhecimento, a alquimia possuía uma linguagem própria. Para tentar transmitir conhecimentos que não haviam palavras específicas para expressar eles utilizaram termos conhecidos, que transmitia uma idéia rudimentar de algum evento. Assim utilizavam os termos Água, Terra, Ar e Fogo para explicar os quatro elementos, correlacionando-os respectivamente com o estados líquido, sólido, gasoso e a energia. O fogo simbolizava todos os tipos de energia, inclusive a energia imaterial dos corpos, o “éter”, ou estado “etéreo”. O conceito de estado gasoso não ficou conhecido pelo ocidente até o século XVIII com as pesquisas de Lavoisier. Isto demonstra o quanto os Alquimistas estavam adiantados em relação aos sábios de seu tempo.

Água – penetrante, dissolvente e nutritiva Terra – solidez que estabiliza a matéria, suporte para o líquido Ar – gasoso, expansivo, volátil Fogo – energia que acelera o processo, aquece, ilumina A Quintessência – Éter – equilibra e penetra nos corpos, é a força viva A terra e a água constituem estados visíveis, enquanto o fogo e o ar são estados invisíveis.

Os quatro elementos porém não eram suficientes para expressar todas as características e assim os alquimistas adotaram os termos Enxofre, Mercúrio e o Sal para expressar os três princípios e, da mesma maneira que os quatro elementos, não representavam as substâncias mencionadas em si, mas sim as suas propriedades materiais que poderiam ser retiradas ou acrescentadas as substâncias, possivelmente por reações químicas ou transmutações.

Enxofre – princípio fixo – representa as propriedades ativas – combustibilidade, a ação corrosiva, o poder de atacar os metais, e também o princípio ativo ou masculino, o movimento, a forma, o quente. É considerado o embrião da pedra e alimentado pelo mercúrio, pois está contido em seu ventre. Também é considerado a energia animadora e constitui o objetivo da Grande Obra.

Mercúrio – princípio volátil – representava as propriedades passivas – maleabilidade, brilho, fusibilidade, a fraca tensão de vapor, o escorregadio que toma várias formas e o fugidio. Além de designar a matéria, designa também outros aspectos como: o princípio passivo ou feminino, o inerte, o frio. O mercúrio também pode designar a matéria-prima, é considerado a mãe dos metais ou a água primitiva que deu origem a todos eles. Este é o mercúrio segundo, mercúrio filosófico ou mercúrio duplo que contém os dois princípios, o mercúrio e o enxofre. O primeiro mercúrio ou mercúrio comum também é chamado de dissolvente universal.

O mercúrio é ao mesmo tempo o caminho e o andarilho, com a Grande Obra representando uma viagem. Estes dois princípios possuem as propriedades contrárias e a mistura de propriedades contrárias é muito importante na alquimia, ou seja, o dualismo enxofre-mercúrio de todas as coisas.

O mercúrio também é chamado de sal dos metais. Na realidade o mercúrio no final da obra adquire a tríplice qualidade. Sal – também conhecido por arsênico – é o meio de união entre as propriedades do Mercúrio e as do Enxofre, como uma força de interação, muitas vezes associado a energia vital, que une a alma ao corpo. No ser humano, o enxofre seria o corpo físico; o mercúrio, a alma e o sal, o espírito mediador. Esse sal normalmente é relatado como sendo um fogo aquoso ou uma água ígnea e é obtido a partir do mercúrio comum em conjunção com o fogo, obtendo assim a chamada “água que não molha as mãos”. Assim como o mercúrio, o sal também é relatado como sendo o dissolvente universal. Na verdade o fixo e o volátil nunca podem estar separados, não existe mercúrio que não contenha o enxofre, por isso, as vezes o sal aparece com o nome de um deles dependendo da fase da operação. O sal protege os metais para que no processo não sejam totalmente destruídos e reste assim a semente, que por seu intermédio nascerá algo novo.
Os sete metais:

Na natureza, a terra contém “sementes” que dão origem aos metais por um processo de evolução e aperfeiçoamento. Todos os metais, com o tempo, transformar-se-ão em ouro que contém o equilíbrio perfeito dos quatro elementos. Na alquimia não existe matéria morta e todas as substâncias, animal, vegetal ou mineral, são dotadas de vida e movimento, ou seja, possuem suas energias características.

Ouro – representado pelo Sol.

Prata – representado pela Lua.

Mercúrio – representado pelo planeta Mercúrio.

Estanho – representado por Júpter.

Chumbo – representado por Saturno, por ser considerado pesado e lento.

Cobre – representado por Vênus, maleabilidade, sossego, beleza e prazer.

Ferro – representado por Marte.

Laboratorio do Alquimista

A prática alquímica, de maneira extremamente resumida, consiste em pegar a prima materia (matéria-prima primordial) eliminar as suas impurezas (morte e renascimento), separar seus componentes (mercúrio e enxofre) e reuni-los novamente (por intermédio do sal) fixando os elementos voláteis, formando assim a pedra filosofal. Seria como “libertar o espírito por meio da matéria e a própria matéria por meio do espírito”, ou ainda, fazer do fixo, volátil e do volátil,o fixo, onde não se pode fazer cada etapa independentemente.

O alquimista é uma peça fundamental nos experimentos e não somente um simples observador. O experimento e o experimentador constituem uma única coisa na alquimia. Este ponto de vista do experimentador como participante está agora sendo retomado pela física quântica, alterando o termo observador para participante. Portanto, mesmo tendo o conhecimento prático do processo, se tiver perdido a pureza do espírito, a Grande Obra não poderá ser concluída.

Vários alquimistas relatam doze processos, em três etapas ou três obras, para a realização da Grande Obra que, contudo, não correspondem literalmente aos nomes conhecidos. São eles: Calcinação – constitui a purificação do primeiro material pelo fogo, sem contudo diminuir seu teor de água. Solução ou dissolução – a parte sólida é dissolvida na água, porém é relatado que esta água não molha a mão. A água pode ser o próprio mercúrio. Esta é uma “dissolução filosófica” em que o solvente mata os metais, portanto esta fase é um símbolo da morte para os três reinos.

Separação – o mercúrio é separado do enxofre. Fornecendo um calor externo adequado, o mercúrio que contém o enxofre interno coagula a si mesmo graças a um artificio que constitui um segredo, o secretum secretorum, que é uma marca divisória entre a alquimia e a química. Este artifício consiste, metaforicamente, em capturar um raio de sol, condensá-lo, aprisioná-lo em um frasco hermeticamente fechado e alimentá-lo com o fogo. A terra fica em baixo enquanto o espírito sobe. Esta etapa completa a primeira obra e quando concluída corretamente pode se ver a formação de uma estrela dentro do frasco. Conjunção – o mercúrio e o enxofre são novamente unidos. Toda a operação deve ser realizada no mesmo recipiente, sendo que nesta fase o frasco é hermeticamente fechado.

Putrefação – o calor mata os corpos e a putrefação ocorre. Aparece uma coloração escura, enegrecida. Congelamento – nesta fase aparece uma coloração esbranquiçada, um calor brando é quem promove esta mudança. Cibação – à matéria seca deve ser adicionado os componentes necessários para alimentá-la.

Sublimação – fase em que o corpo torna-se espiritual e o espírito corporal, ou seja, volatilizar o fixo e fixar o volátil, sendo que um processo depende do outro e não é possível fixar um sem volatilizar o outro. Para esta fase é relatado uma duração de quarenta dias. Porém, todo esse processo que se encerra com a sublimação teve início na conjunção e constitui a segunda obra. Fermentação – adiciona-se ouro para tornar o já existente mais ativo.

Exaltação – processo semelhante a sublimação, seria uma ressublimação. Multiplicação – uma quantidade maior de energia é acrescida nesta etapa, porém não é necessariamente a matéria que aumenta. Projeção – teste final da pedra em seus usos normais, como a transmutação. O agente da dissolução é convertido em paciente que sofre a operação na fase da coagulação. Por isso a operação é comparada a brincadeira de criança de “pular carniça” em que ora um pula o outro e ora é pulado.
A matéria-prima:

Esta primeira matéria que dará origem a pedra filosofal constitui um dos grandes segredos da alquimia. Normalmente é descrita como algo desprezado, inferior e sem valor. Pode ser encontrado em todos os lugares, é conhecido por todos, é varrido para fora de casa, as crianças brincam com ele, porém possui o poder de derrubar soberanos.

Dentre os não iniciados, cada um aposta em um tipo de material tanto do reino animal, vegetal como mineral. ários utilizaram minérios (especialmente os de chumbo, o cinabre que contém enxofre e mercúrio, o stibine um raro mineral sulfuroso, a galena que é magnética), cinzas, fezes, barro, sangue, cabelos. A maioria deles emprega a própria terra, recolhida em local preservado. A terra estaria impregnada de energia cósmica, com a água que contém.

Esta matéria não está somente no reino do psiquismo, como afirmava Jung, ela tem também sua expressão no reino material através de um mineral que possui propriedades vegetativas. Descobrir a matéria-prima não é o principal, mas sim erguê-la a um ponto privilegiado para as operações subseqüentes. Esta abordagem só será conseguida quando o alquimista deixa de lado a fronteira fictícia entre os elementos constitutivos de sua personalidade (física e espiritual) e o universo.

Ela normalmente é relacionada ao caos da gênese, a base de todo o processo, que tanto é material como imaterial. Para descobrir a matéria-prima mineral o operador e o objeto, observador e o observado, devem estar unidos. Isto significa se abstrair da visão lógica e desenvolver uma visão intuitiva. Esta visão pode aparecer após um longo período de reflexão sobre os impasses insolúveis da alquimia, após um estímulo externo como o barulho do vento, das ondas do mar, do trovão e outros. Caso contrário ela permanecerá escondida por uma roupagem ou uma casca como o ovo.
O orvalho:

O orvalho normalmente é utilizado para umedecer (banhar e nutrir) a matéria-prima. Como se condensa lentamente e desce da atmosfera está impregnado da energia cósmica. A melhor época de recolher o orvalho vai do equinócio de primavera ao solstício de verão, pois possui uma maior energia. Normalmente é recolhido com lençóis estendidos sobre vegetação rasteira sem, no entanto, tocá-la.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-linguagem-hermetica-dos-alquimistas/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-linguagem-hermetica-dos-alquimistas/

Resultados da Hospitalaria – Março 2010

Desculpem o atraso para postar, era para este post ter ido ao ar dia 5, mas com o projeto Mayhem e depois a bagunça no site, acabou atrasando tudo. Os que pediram Mapas no começo de abril estão atrasados, tenham um pouquinho mais de paciência que devo pegar os nomes/Sigilos este final de semana.

Em Fevereiro tivemos 25 mapas e 18 sigilos.

Entidades auxiliadas este mês:

– Creche Santo Antonio de Caraguatatuba

– Associação das Mães Solteiras da Vila Papirus

– Caixa de AMRA da AMORC Barueri

– APAE (Sumaré)

r. Salvador Lombardi neto, 630

– ICI-RS – Instituto do Câncer Infantil – RS

R. Francisco Ferrer, 276 – Bairro Rio branco – Porto alegre
http://www.ici-rs.org.br/

– Centro Espírita Nosso Lar – Casas André Luiz
http://www.andreluiz.org.br

– Instituição “Asas Brancas”
http://adhemaralmeida.sites.uol.com.br/asasbrancas/

– Federação de Resistência da Cultura Afro-Brasileira (FRECAB)

– Hospitalaria da Loja Aleister Crowley, 3632

Tivemos 2 doações de Sangue…

E pretendemos continuar o projeto de Hospitalaria. Quem estiver a fim de participar, é só seguir as instruções e pegar seu Mapa Astral ou Sigilo Pessoal via o TdC.

Quem puder ajudar, especialmente no RJ, as doações de sangue para a fundação Pró-Sangue e outras (na mesma proporção: 2 doações para mapa ou sigilo, 3 para mapa+sigilo) continuarão valendo!

#Hospitalaria

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/resultados-da-hospitalaria-mar%C3%A7o-2010

O Círculo Mágico

Todos autores de livros que lidam com magia cerimonial que dão relatos sobre conjuração e invocação de seres de qualquer espécie apontam que o círculo mágico tem nisto o mais importante papel. Centenas de instruções podem ser encontradas de como fazer círculos mágicos para alcançar os mais variados objetivos, por exemplo com Albertus Magnus, na Clavícula Salomonis, na Goethia, em Agripa, na Magia Naturalis, na Magia Naturalis de Fausto e nos velhos grimórios. É dito em todos lugares que quando invocando ou chamando um ser, deve-se ficar dentro do círculo mágico. Mas uma explicação do simbolismo esotérico do círculo mágico é raramente dada. Conseqüentemente eu tenho a intenção de dar ao estudioso e ao mago impaciente uma descrição completa e satisfatória do círculo mágico de acordo com as leis e analogias universais.

Um verdadeiro círculo mágico representa o layout simbólico do macrocosmo e do microcosmo, ou seja, do homem perfeito. Ele fica para o início e o fim como para o alfa e o Omega, assim como para a eternidade, que não tem início nem fim. O círculo mágico, conseqüentemente, é um diagrama simbólico do infinito, da divindade em todos seus aspectos, e pode ser compreendida pelo microcosmo, i. e. pelo adepto verdadeiro, o perfeito mago.

Desenhar um círculo mágico significa simbolizar o divino na sua perfeição, para obter contato com ele. Acontece, acima de tudo , no momento que o mago está no centro do círculo mágico, pois por este ato o contato com a divindade está demonstrada graficamente. É o contato do mago com o microcosmo em seu “maior passo” de consciência Conseqüentemente, do ponto de vista da magia verdadeira, é muito lógico que ficar no centro do círculo mágico é equivalente a ser, na consciência de quem fica, em unidade com a divindade universal. Disto pode-se ver claramente que um círculo mágico não é somente um diagrama para proteção de influências negativas não desejadas, mas segurança e inviolabilidade são trazidas através desta consciência e contato espiritual com o altíssimo.

O mago que fica no centro do círculo mágico é protegido de qualquer influência, não importa que seja má ou boa, pois ele próprio está, de fato, simbolizando o divino no universo. Adicionalmente, por permanecer no centro do círculo mágico, o mago também representa a divindade no microcosmo e controla e governa os seres do universo em um modo totalitário.

A essência esotérica do mago que permanece no centro do círculo mágico é, conseqüentemente, muito diferente da qual os livros de evocação usualmente mantém. Se um mago que está no centro do círculo mágico não estiver consciente do fato que ele está, no momento, simbolizando Deus, o divino e o infinito, ele não estará apto a praticar qualquer influência em qualquer ser de qualquer espécie. O mago é, naquele momento, uma perfeita autoridade mágica a quem todos poderes e seres devem obedecer de modo inquestionável, definitivo e completo.

Sua vontade e as ordens que ele dá a seres e poderes são equivalentes à vontade e ordens do infinito, do Divino, e devem conseqüentemente ser incondicionalmente respeitada por todos os seres e poderes que o mago conjurou.

Se o mago, durante tais operações, não tiver a atitude correta sobre seus atos, ele degrada a si mesmo para um feiticeiro, um charlatão, que simplesmente gesticula e não tem contato verdadeiro com o mais elevado. A autoridade do mago, em tal caso, seria certamente duvidosa.

Além disto, ele estaria em perigo de perder seu controle sobre tais seres e poderes, ou , o que seria pior, ser zombado por eles, não falando das outras surpresas não desejadas e previstas e dos fenômenos acompanhantes que ele estaria exposto, principalmente se forças negativas estiverem envolvidas. O modo no qual o círculo mágico é formado depende do grau de maturidade e da atitude individual do mago. O diagrama, que é o desenho pelo qual a divindade é expressa no círculo, é sujeito aos conceitos religiosos do Mago.

O procedimento seguido por um mago oriental quando forma um círculo mágico não tem utilidade para um mago ocidental, porque suas idéias de divino e infinito são bem diferentes daquelas de um mago do Oeste. Se um iniciado ocidental desenha um círculo mágico de acordo com instruções orientais, com todos nomes divinos correlatos a este sistema, se tornaria inefetivo e completamente deficiente de seu propósito.

Um mago cristão nunca deve desenhar um círculo mágico de acordo com os indianos ou quaisquer outras religiões se ele quer salvar a si mesmo de um esforço desnecessário. A construção do círculo mágico depende, desde o princípio, das idéias e crenças individuais e da concepção individual das qualidades da Divindade, que deve ser simbolizada graficamente por este círculo. Este é o motivo pelo qual um mago autêntico nunca desenhará um círculo, procederá com rituais, ou seguirá instruções sobre magia cerimonial com as quais ele próprio não esteja identificado em sua prática individual. Isto seria semelhante a vestir roupas orientais no ocidente.

Conduzindo-se com estes fatos em mente, torna-se natural que o círculo mágico deve ser desenhado em completa concordância com os pontos de vista e maturidade do mago. O iniciado que está consciente da harmonia do universo e sua hierarquia exata irá, certamente, fazer uso de seu conhecimento quando estiver desenhando o círculo mágico.

Tal mago pode, se desejar, e se a circunstancia permitir, desenhar dentro de seu círculo mágico diagramas representando a inteira hierarquia do universo e assim entrar em contato (acordando sua consciência do fato) com o universo muito mais rapidamente.

Ele é livre para desenhar, se necessário, muitos círculos a uma certa distância um do outro de modo a usá-lo para representar a hierarquia do universo na forma dos nomes divinos, gênios, príncipes, anjos e outras potências.

Deve-se, com certeza, meditar apropriadamente e levar o conceito dos aspectos divinos em questão na consideração quando do desenho do círculo. O mago verdadeiro deve conhecer que os nomes divinos são designações simbólicas das qualidades e poderes divinos.

Isto é devido ao motivo de que enquanto desenha o círculo e entra os nomes divinos o mago deve também considerar as analogias correspondentes ao poder em questão, tais como cor, número e direção, se ele não quiser permitir que uma brecha em sua consciência venha à existência devido a ele não apresentar o universo em sua completa analogia.

Cada círculo mágico, não importando se um desenho simples ou um complicado, sempre servirá ao seu propósito, dependendo, claro, na faculdade do mago de trazer sua consciência individual em completa concordância com a universal, à consciência cósmica. Mesmo um largo barril de madeira faria o trabalho, com a condição de o mago ser capaz de encontrar o relevante estado mental e estar completamente convencido que o círculo em cujo centro ele está permanecendo representa o universo, o qual é em conseqüência, uma representação de Deus.

O mago irá perceber que quanto mais extensas suas leituras, maior sua capacidade intelectual e maior sua bagagem de conhecimento será, mais complicado seu ritual e seu círculo mágico será de modo a construir o suporte suficiente para sua consciência espiritual, a qual então tornará possível uma conexão mais facilitada do microcosmo e do macrocosmo no centro do círculo. Para os círculos propriamente ditos, eles podem ser desenhados de vários modos para adequar-se às circunstancias, à situação prevaleceste, ao propósito, as possibilidades, não importando se eles são simples ou se eles seguem um complicado sistema hierárquico.

Quando trabalhando ao ar livre, uma arma mágica, adaga ou espada deve ser usada para desenhar o círculo no chão. Quando trabalhando em uma sala, o círculo pode ser desenhado no chão com um pedaço de giz. Uma grande folha de papel pode ser usada para o círculo. O circulo mais ideal, entretanto, é o bordado ou costurado em um pedaço de tecido, flanela ou seda, pois tal círculo pode ser posto no chão de uma sala ou fora da casa. Os círculos desenhados em papel tem a desvantagem que o papel logo irá gastar-se e rasgar-se em pedaços.

De qualquer modo, o círculo deve ser largo o suficiente para habilitar o mago mover-se nele livremente.

Quando desenhar o círculo, o estado mental apropriado e completa concentração são essenciais. Se um círculo fosse desenhado sem a concentração necessária, o resultado seria um círculo sem dúvida, mas não seria mágico.

O círculo mágico que foi feito em um pedaço de tecido ou seda deve ser redesenhado simbolicamente com o dedo ou bastão mágico, ou com outra arma mágica; não esquecendo a necessária concentração, meditação e estado mental. O mago deve, em tal caso, estar totalmente consciente do fato que não é a arma mágica em uso que desenha o círculo, mas as faculdades divinas simbolizadas por aquele instrumento mágico. Além disso, ele deve estar ciente que não é ele que está desenhando o círculo mágico no momento de concentração, mas o Espírito Divino que está realmente guiando sua mão e instrumento para desenhar o círculo.

Entretanto, antes de desenhar o círculo mágico, um contato consciente com o todo poderoso, com o infinito, tem de ser trazido à tona pelo auxílio da meditação e identificação.

O mago treinado, tendo um comando através dos exercícios práticos da primeira carta de taro, como explicado em meu primeiro trabalho “Iniciação ao hermetismo”, aprendeu durante os passos daquele livro como se tornar totalmente consciente do espírito e como agir conscientemente como um espírito.

Não é difícil para ele imaginar que não foi ele, mas o espírito divino em todos seus aspectos elevados que está realmente desenhando o círculo mágico que ele deseja ter. O mago tem conseqüentemente aprendido também que no mundo do invisível não é o mesmo embora duas pessoas possam estar fazendo fisicamente o mesmo, pois um feiticeiro, que não possui a maturidade necessária, nunca estará apta a desenhar um verdadeiro círculo mágico.

O mago que está também familiarizado com Cabala pode desenhar outro círculo assemelhado a uma cobra dentro do círculo interior e dividi-lo em 72 campos, dando a cada um destes o nome de um gênio. Estes nomes de gênios, juntamente com suas analogias, deve ser desenhado magicamente através da pronúncia correta.

Se estiver trabalhando com um círculo bordado em um pedaço de tecido, os nomes inseridos nos vários campos devem também estar em latin ou hebreu. Eu deverei dar detalhes exatos sobre os gênios e suas analogias, uso e efeito no meu próximo trabalho chamado “A chave para a verdadeira cabala”.

Um círculo bordado tem a vantagem de que pode ser facilmente estendido e dobrado novamente sem ter que ser desenhado e carregado novamente cada vez que deve ser usado.

A cobra presente no centro não é somente a cópia de um círculo interior, mas acima disto, é o símbolo da sabedoria. Além disto, outros significados podem ser atribuídos a este símbolo da cobra, por exemplo, a força de uma cobra, o poder da imaginação, etc. Não é possível dar uma completa descrição disto, pois iria muito além do objetivo deste livro. Um mago budista desenhando sua mandala, colocando suas cinco deidades na forma de figuras ou diagramas no topo da emanação relevante, está, no momento, meditando sobre cada deidade única cuja influência ele está tentando evocar. Esta cerimônia mágica é também em nossa opinião equivalente ao desenhar um círculo mágico, embora realmente seja uma oração autêntica às divindades budistas.

Dizer mais sobre este assunto neste livro é certamente desnecessário pois material suficiente já foi publicado na literatura oriental sobre este tipo de práticas mágicas, tanto em manuscritos exotéricos ou secretos.

Um círculo mágico pode servir a muitos propósitos. Pode ser utilizado para evocações de seres ou como meio protetivo contra influências invisíveis. Não é necessário em todos os casos que seja desenhado ou posto no chão. Pode ser desenhado no ar com uma arma mágica, como a espada mágica ou bastão mágico, sobre a condição de que o mago esteja completamente consciente da qualidade universal de proteção, etc. Se nenhuma arma mágica estiver à mão, o círculo pode também ser efetuado com o dedo ou com a mão somente, considerando que isto é feito com o espírito reto, em concordância com Deus. É mesmo possível formar um círculo mágico através da mera imaginação.

O efeito de tal círculo no plano mental ou astral, indiretamente e também neste mundo material depende, neste caso, no grau e força de tal imaginação. A força agregante do círculo é geralmente conhecida na magia magnética. Além disso, um círculo mágico pode ser produzido pela acumulação de elementos ou pela condensação de luz. Quando praticando evocação ou invocação de seres, é desejável desenhar dentro do círculo em que se deve ficar outro círculo menor ou pentagrama com uma de suas pontas para cima, o símbolo que representa o homem. Isto é então o simbolismo do pequeno mundo, do homem como mago autêntico.

Os livros que lidam com a construção do círculo mágico claramente sustentam que durante o ato de invocação o mago nunca deve deixar o círculo, o qual, em seu senso mágico, significa nada mais do que a consciência ou contato com o Absoluto (i. e . o macrocosmo) não deve ser interrompida.

Desnecessário dizer que o mago, durante sua operação mágica com o auxílio do círculo mágico e com os seres ficando em pé em sua frente, não deve pisar fora do círculo com seu corpo físico ao menos que ele tenha terminado seu experimento e dispensado o ser relevante.

Tudo isto claramente mostra que o verdadeiro círculo mágico é realmente o melhor para praticar magia cerimonial. O mago irá sempre descobrir que o círculo mágico é, em cada aspecto particular, o mais elevado símbolo à mão.

É dificilmente necessário mencionar que o specimen de um círculo mágico, desde que cada mago irá agora saber do que o que eu disse acima como ele tem que proceder, e é agora por sua conta fazer uso das instruções dadas aqui.

Ainda ele nunca deve esquecer o principal, que é a orientação que ele precisa quando trabalha com um círculo mágico, pois somente se ele alcançou o contato cósmico necessário através da meditação e imaginação, i.e. a conexão pessoal com seu deus, estará ele qualificado para entrar no círculo e começar a trabalhar dentro dele.

Franz Bardon

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-c%C3%ADrculo-m%C3%A1gico

Baladeva Vidyabhusana

Srila Baladeva Vidyabhusana [Sri Govinda Dasa] apareceu no século XV perto de Remuna, Orissa. Na sua juventude, dominou gramática, poesia sânscrita e lógica. Após cuidadosamente estudar os comentários de Shankara [encarnação de Shiva] e Madhva, foi iniciado na sucessão discipular Tattva-vadi do mestre Sripad Madhvacharya. Baladeva Vidyabhusana se tornou um conquistador de todos oponentes [dig vijaya pandit] e começou a visitar os locais santos. Onde quer que fosse derrotava os sábios, estudiosos e renunciados [sannyasis] locais.

Em Jagannatha Puri, aprendeu a superexcelente filosofia de Sri Krishna Caitanya através do mestre Sri Radha-Damodara Goswami, e foi iniciado após converter-se a religião dos devotos de Deus [Gaudiya Vaisnavismo]. Em Vrindavana, estudou a coleção Srimad Bhagavatam [o Purana imaculado] com o mestre Srila Visvanatha Chakravarti Thakura e adorou a forma de Deus no altar Shyamasundara e Sua maior devota Radha [Radha-Shyamasundara].

Em 1706 D.C. Visvanatha Chakravarti Thakura enviou-o para perto de Jaipur, Rajasthan [Gulta] para manter a credibilidade do movimento de Mahaprabhu. Um grupo de devotos de Deus locais [Ramanandis] estavam asseverando que os devotos de Deus [Vaisnavas] Bengalis não tinham direito de adorar a forma de Deus no altar Govindaji porque não tinham nenhum comentário sobre o Vedanta-sutra.

O próprio Deus o Senhor Govindaji, revelou diretamente um comentário dos devotos de Deus [Vaisnava] sobre o Vedanta [Govinda-bhasya] a Baladeva Vidyabhusana. Usando-o, Baladeva estabeleceu solidamente a religião dos devotos de Deus [Gaudiya Vaisnavismo] como uma filosofia independente. Ele também restabeleceu os devotos de Deus [Vaisnavas] Bengalis no serviço a forma de Deus Govindaji em Jaipura. O comentário dos devotos sobre o Vedanta chamado Govinda bhasya é o único comentário de serviço prático, transcendental e amoroso a Deus [bhakti] sobre o Vedanta-sutra.

Sri Baladeva Vidyabhusana era, o mais elevado devoto totalmente renunciado do Senhor Krishna [niskincana-parama bhagavata]. Seus mais de vinte e quatro livros e comentários tem auxiliado milhares de devotos de Deus [Vaisnavas] a compreender a sublime filosofia da consciência de Krishna e os escritos íntimos do seis principais renunciados autorrealizados de Vrndavana [Goswamis]. Como ele era isento de falso prestígio, nunca escreveu sobre seu nascimento, pais, linhagem, vida pessoal. Segundo Sri Bhaktivinoda Thakura em Navadvipa-dhama Mahatmyam, nos passatempos eternos de Deus [Caitanya-lila] Baladeva Vidyabhusana e Sri Gopinatha Acharya, o cunhado de Sri Sarvabauma Bhattacharya. Em Vraja ele serve como a vaqueirinha Ratnavali Devi, a serva eterna de Sri Radha.

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Fonte: Hare Krishna. Baladeva Vidyabhusana. Biografia Vaishnava, 2019. Disponível em:  <https://biografia-vaishnava.blogspot.com/2019/06/baladeva-vidyabhusana.html>. Acesso em: 27 de fevereiro de 2022.

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Texto revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/baladeva-vidyabhusana/

Arte & Maçonaria

Visto por muitos como a melhor representação do espanhol da Idade do Ouro, esse quadro tem sido alvo da atenção dos historiadores da arte ao longo dos séculos. O interesse pela pintura não se deveu apenas pela sua relevância histórica, mas principalmente pelos mistérios que a circundam: a identidade do homem e o significado do seu gesto.

Apesar das suspeitas de que se trata de Juan de Silva ou mesmo de Miguel de Cervantes, não há como confirmar tais teorias. Por tal motivo, oficialmente é um retrato de um “nobre espanhol não identificado”. Mas o mistério que mais curiosidades, estudos, pesquisas e teorias gerou é do sinal que o homem faz: com sua mão direita sobre o peito, como em sinal de respeito ou juramento, mas com os dedos médio e anelar unidos e os demais afastados.

Apesar de teorias como a de que o retratado possuía uma deficiência que mantinha os dedos grudados, ou que o pintor retratou o gesto dessa forma exatamente para alimentar a curiosidade da sociedade, a teoria mais comum entre os historiadores é de ser um “sinal de ritual, apenas inteligível aos iniciados”.?

?Como mineiro e maçom, é com orgulho que afirmo que essa teoria de que o gesto do cavaleiro é um sinal ritualístico, mais precisamente um sinal maçônico, pode ser reforçada por outro artista, também mineiro e também maçom: Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Estudos e pesquisas sobre a vida e a obra de Aleijadinho já mostraram que nosso artista incluiu, de forma discreta, sinais maçônicos em muitas de suas obras, entre elas as esculturas dos profetas, concluídas em 1805 e localizadas em Congonhas. Uma dessas esculturas, a de Jeremias, apresenta a mão direita com os dedos médio e anelar unidos e os demais afastados, assim como na pintura de El Greco.

Há indícios de que esse gesto, formando um “M” com os dedos, era um sinal comum na Maçonaria “latina” (Itália, Espanha, França, Portugal e as originadas dessas), usado para identificação em lugares públicos, já que outros sinais eram restritos ao uso em locais “livres dos olhos profanos”. Com o tempo, teria entrado em desuso, assim como outros sinais similares.

Talvez nunca descubram quem é o cavaleiro retratado naquela pintura, mas uma coisa parece ser certa: ele tinha orgulho de ser maçom e queria que os outros maçons soubessem disso.

#Maçonaria #NoEsquadro

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Memes para reflexão (parte 4)

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Sois deuses

Este meme foi de longe o que causou a maior polêmica, como era de se esperar…

Todos devem saber que a Igreja Católica deve muitíssimo ao imperador romano Constantino, que ao final da vida se converteu ao cristianismo e, o que é mais importante, o estabeleceu como a religião oficial do Império Romano.

Há quem creia que foi ele próprio quem examinou todos os textos religiosos cristãos da época e decidiu quais deles formariam o Novo Testamento da bíblia cristã, juntamente com os textos judaicos mais antigos. Ora, ainda que Constantino fosse o maior especialista em cristianismo do seu tempo, e não um governante imperial com inúmeras responsabilidades, ele sozinho jamais teria dado conta de tal seleção, organização e edição monumentais.

De fato, ele jamais participou desse processo. É bem provável que ao instaurar o cristianismo como nova religião, tenha contado com uma vasta equipe de monges e escribas para escolher os livros que mencionavam a vida de Jesus. Segundo a história oficial da Igreja, no entanto, a versão final do Novo Testamento só ficou pronta entre os concílios de Hipona, em 393, e de Cartago, em 397, mais de meio século após a morte de Constantino.

Muita gente no dia de hoje questiona se os ensinamentos de Jesus não se perderam em tantas seleções, edições e traduções. Outros, ainda, sequer creem que Jesus de fato existiu… Ora, ao meu ver, é bem provável que Jesus de Nazaré tenha de fato existido, mas a possibilidade de sua vida ter sucedido exatamente como foi descrita na bíblia, em cada ponto e vírgula, já é consideravelmente mais remota.

No entanto, uma das descobertas mais extraordinárias do século passado foram os chamados “evangelhos apócrifos”, encontrados em jarros enterrados no deserto, em Nag Hammadi, na região do Alto Egito, em 1945. Tais textos pertencem inequivocamente ao período do cristianismo primitivo, e alguns deles, particularmente o Evangelho de Tomé, mencionam muitos ensinamentos de Jesus que casam ou se assemelham enormemente com as parábolas do Novo Testamento. Apesar de Jesus não haver sido crucificado nesse texto (nem, obviamente, ter ressuscitado), fato é que a sua existência é um dos maiores indícios modernos de que “existiu algum Jesus”.

Porém, ainda que não tenha existido, o que importa no final das contas é a mensagem bíblica, e a junção do que Jesus diz em João 10:34-35 e 14:12 é, no meu entendimento, um dos seus ensinamentos mais essenciais, que conseguiu sobreviver ao tempo, as edições e as traduções: Sois deuses, e dia virá que farão tudo o que tenho feito, e ainda muito mais.

O “sois deuses” a que Jesus se refere também se encontra nos Salmos do Antigo Testamento (Sl 82:6-7) e até mesmo em antigos ensinamentos do misticismo egípcio e do orfismo grego, como na célebre frase, “Eu também sou da raça dos deuses”… De fato, a ideia de que somos “deuses em formação”, cujo potencial é incalculável, está presente em diversas doutrinas espiritualistas, mas a ideia passa longe de querer significar que seremos como que “rivais de Deus”, o que seria uma ideia absurda.

Da mesma forma, seria absurdo considerar que um ser humano, por mais iluminado e sábio que seja, possa ser “Deus encarnado”… Daí a extrema importância desse belo resumo que o próprio Jesus faz de sua vida, e do sentido do seu ensinamento. Ora, se “um dia faremos tudo o que ele fez, e muito mais”, isto significa obviamente que o seu anseio não era que “substituíssemos algum deus”, mas que, através da nossa fé e do nosso amor ao Deus que paira acima de todas as coisas, chegássemos a amar da mesma forma que o Rabi da Galileia amava – que este sim, seria o maior dos milagres, e o objetivo mais grandioso de uma vida religiosa.

O cientista que estudava de tudo
Sir Isaac Newton é reverenciado como um dos maiores pensadores da ciência moderna, com contribuições inestimáveis para a física clássica e a matemática.

Ora, certamente muitos terão ouvido dizer que, além de cientista e astrônomo, ele também foi alquimista, teólogo e grande estudioso bíblico… O que muitos não devem saber, no entanto, é que ele dedicou mais tempo aos estudos bíblicos e esotéricos do que propriamente as suas célebres equações.

Mas, e o que isso quer dizer em termos práticos, puramente científicos? Absolutamente nada!

Quando criei este meme, a minha intenção não era “forçar adiante” alguma ideia de que as descobertas científicas de Newton surgiram da bíblia ou da voz de algum anjo celeste ou demônio infernal, claro que não, as suas ideias, como aliás todas as ideias do mundo, surgiram dos momentos de inspiração.

E, para vivermos inspirados, precisamos estar sempre buscando realizar aquilo que amamos. Newton certamente amava a física e a matemática, mas a sua grande motivação era “descrever a obra divina”. Não fosse a sua religiosidade, jamais teria sido cientista (ou filósofo da natureza, como eles se auto intitulavam em sua época).

Dessa forma, é preciso tomar cuidado com a “demonização” moderna de todo e qualquer pensamento dito “anticientífico” associado a alguém que faz ciência. Você pode não saber ou não acreditar, mas fato é que é perfeitamente possível ser cientista e religioso, ou cientista e filósofo, ao mesmo tempo, e mesmo assim praticar ciência genuína. Quer alguns exemplos?

(a) A própria ciência moderna deve muito ao hermetismo, que é uma ciência ocultista. A questão da Igreja com o heliocentrismo de Copérnico e Galileu tinha muito mais a ver com um embate religioso do que científico, tanto que o único que foi para fogueira de fato era um monge reformista, Giordano Bruno. Não é essa a “história oficial” nem da Igreja nem da Academia, mas todos que conhecem a fundo a história do hermetismo sabem muito bem qual foi o real motivo da sentença de Bruno.

(b) Albert Einstein, para além de ser o grande continuador da obra de Newton, foi também um profundo admirador da religiosidade latente da Ética de Benedito Espinosa, e jamais escondeu isso de ninguém.

(c) Alfred Russel Wallace, cocriador da teoria da evolução, juntamente com Charles Darwin, ao longo da vida se tornou um grande entusiasta do espiritismo, e é mesmo óbvio que o seu interesse pela evolução também se dava no âmbito espiritualista, particularmente no que tange a reencarnação. Pelo mesmo motivo, foi relegado as notas de rodapé da história da ciência, embora seja no mínimo tão responsável pela teoria da evolução quanto Darwin (há quem diga que até muito mais).

(d) Niels Bohr, Werner Heisenberg e Erwin Schrödinger, todos grandes cientistas do século passado, tinham o Bhagavad Gita, a maior obra espiritual do hunduísmo, como livro de cabeceira. Alguns deles chegaram a der relatos de que muitas vezes se inspiraram diretamente em seus conceitos para alcançarem algumas de suas descobertas.

(e) Richard Feynman, o célebre físico americano, gostava muito de desenhar e tocar bongos!

Tudo bem, este último caso foi mais para exemplificar o que quero dizer: não é que os Vedas, os textos herméticos ou as sessões espíritas tenham servido de inspiração direta para descobertas científicas, mas todos eles têm o mérito de terem mantido todos esses grandes cientistas ativos e curiosos em mais de um campo de conhecimento.

O que seria de Feynman sem as sessões de bongos? Teria sido o mesmo cientista?

Talvez, quem sabe… Mas certamente não traria aquele enorme sorriso no rosto, tampouco aquele brilho peculiar no olhar, toda a vez em que falava sobre a inefável natureza da Natureza!

» Em breve, + memes!

***

Crédito das imagens: Raph/Google Image Search

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Ciência #Cristianismo #memes #Ocultismo

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A Ordem Illuminati

A Ordem Illuminati é uma associação animada por dois princípios: igualdade e justiça. Toda manifestação é baseada nestas duas premissas que são geradoras de luz para a humanidade.

A Ordem se propõe a levar o mundo a uma Nova Ordem Mundial e para isso conta com as forças motrizes da sociedade como um todo, independente de ideologias e religiões. Nossa união é baseada nos mais puros princípios morais, sem esquecer os ensinamentos dos grandes mestres de todos os tempos. Todo iluminado é formado de modo a oferecer o máximo de si, para todos. Sua única vinculação é com a verdade inscrita no templo chamado Natureza.

O mundo em sua atual conjuntura está moralmente falido e socialmente desajustado. Nestas condições somente pode haver guerra, terrorismo e fome, pois os valores fundamentais foram esquecidos. O mundo antes de tudo precisa de ajuda. Não é aceitável que seres humanos assemelhen-se a animais. Os fatores obsoletos desse mundo antigo e decadente devem ser destruídos. Os iluminados podem ajudar e o querem. A felicidade de todos é sua meta, independente de raças ou religiões.

A política, a religião e o estado devem estar a serviço do homem. Não é o homem servo do estado ou da religião; é a religião e o estado servos do homem. A máquina pública deve estar a serviço da igualdade. Justiça e governo devem se equilibrar para gerar a sociedade perfeita. O poder deve ser gerido com responsabilidade, ele é recebido do povo. Numa sociedade igualitária poder a autoridade são sinonimos de pessoas que servem.

A prosperidade deve ser estendida a todos, e todos devem ter acesso aos avanços sociais e tecnológicos. É necesário agir nesta justa distribuição. As palavras nada valem quando não acompanhadas da ação. A ação deve se ajustar as leis universais, ser sua colaboradora. Equilíbrio e igualdade são leis.

Unindo-nos, realizaremos mais. Os grupos que trabalham pela mudança são realmente iluministas num lato sentido de palavra. São focos de luz; geram a luz e trabalham na luz. Nada no tempo e no espaço é inútil. Avançar é preciso. Todos trabalhando, juntos ou individulamente, podemos muito. Todo trabalho é importante, seja a nível científico, nas lutas sociais, políticas ou economicas.

Confiamos na Humanidade e nos seus valores tradicionais, como família, caráter e honra. Seguiremos amparados pelos fatores elevados da luz, e pela nossa crença na vitória do bem. Levaremos adiante nosso projeto de sociedade perfeita. O mundo segue a ação e despreza a inércia. Atingiremos por essa ação e pesquisas um alto grau desenvolvimento espiritual e material. O novo mundo nasce. A Nova Ordem é estabelecida.

História

A Ordem Illuminati foi fundada por Gabriel López de Rojas em Barcelona (Espanha), na primavera de 1995, após contatar em 1994 com dois membros dos Illuminati dos Estados Unidos.

A Grande Loja de Barcelona ergueu colunas em outubro do mesmo ano, após uma viagem ao País Cátaro do fundador e de Rosa Hernández (Soror África). Na viagem, foram comprados objetos e vestimentas ritualísticas para o trabalho na Grande Loja de Baphomet.

Os primeiros anos de existência da Ordem Illuminati (1995-1999) serviram para que seu fundador elaborasse o Rito Operativo dos Iluminados de Baviera e tendo em vista melhorar a infraestrutura da organização. Em julho de 1999, a Ordem Illuminati tinha alguns poucos afiliados na Espanha, em Barcelona, Madrid, Valladolid e Santa Cruz de Tenerife.

Em junho de 1999, a Ordem Illuminati e a OTO se viram envoltas em uma montagem do Poder conservador espanhol repleto de mentiras, recorrendo aos meios de comunicação.

Ainda que, a principio, tudo parecia indicar que os conservadores podiam conseguir o objetivo de causar danos à Ordem Illuminati e à outra ordem, a publicidade que os meios de comunicação deram à montagem e a prisão do fundador da Ordem Illuminati provocaram que ocorresse tudo o contrário e que a Ordem Illuminati se estendesse e incrementasse espetacularmente seu número de afiliados na Europa, América e África, durante os anos seguintes.

Entre os anos 2000 e 2004, a Ordem Illuminati iniciou um crescimento rápido a nível internacional, chegando aos seguintes países: Portugal (março de 2001), Equador (maio de 2001), Bolívia (maio de 2001), Brasil (maio de 2001), Porto Rico (maio de 2001), Honduras (junho de 2001), Estados Unidos (junho de 2001), México (julho de 2001), Colômbia (dezembro de 2001), Chile (fevereiro de 2002), Cuba (maio de 2002), Uruguai (maio de 2002), Panamá (maio de 2002), Venezuela (junho de 2002), Guatemala (julho de 2002), Perú (agosto de 2002), Argentina (outubro de 2002), Alemanha (Novembro de 2002), Itália (março de 2003), Inglaterra (março de 2003), Costa de Marfil (novembro de 2003).

Hoje, a Ordem Illuminati tem mais de 250 membros em todo o mundo, uma central internacional em Barcelona (Espanha), assim como diversos capítulos (lojas) em vários continentes. Ademais, possui uma editora de livros (Ediciones G), uma revista especializada (Baphomet) e o reconhecimento de outras muitas instituições e organizações internacionais.

O Rito

A Ordem Illuminati é uma ordem paramaçônica, herdeira dos Illuminati de Baviera de Adam Weishaupt, fundada em 1º de maio de 1776. Denomina-se paramaçônica, porque não assume os Landmarks (normas) conservadoras da Maçonaria atual, porém tem uma tradição maçônica.

Os Landmarks da Ordem Illuminati são seus Mandamentos e o Liber Zion, revelado por Baphomet a Gabriel López de Rojas nos anos 1999-2000.

A Ordem Illuminati transmite seus ensinamentos e iniciações por meio do Rito Operativo dos Iluminados de Baviera de treze graus, elaborado por Gabriel López de Rojas no período 1995-2000. O Rito ou Sistema de treze graus da Ordem Illuminati se nutriu dos graus do Rito dos Iluminados de Baviera, elaborado por Adam Weishaupt e Adolf von Knigge no século XVIII; do Rito Escocês Antigo e Aceito de 33 graus; e da experiência iniciática de López de Rojas em várias vias tradicionais de iniciação como a Cabala.

Os treze graus do Rito Operativo dos Iluminados de Baviera são:

– Noviciado (Iº);

– Iluminado Minerval (IIº);

– Iluminado Menor e Iluminado Maior (IIIº);

– Cavaleiro Maçom (Aprendiz IVº, Companheiro Vº e Mestre VIº);

– Iluminado Dirigente (Soberano Príncipe da Rosacruz VIIº, Cavaleiro Kadosh VIIIº e Soberano Grande Inspetor Geral IXº);

– Sacerdote Iluminado (Xº)

– Príncipe Iluminado (XIº);

– Mago Filósofo (XIIº)

– Homem Rei (XIIIº).

O Rito Operativo dos Iluminados de Baviera dá importância aos pilares fundamentais da iniciação (vontade, coerência, ordem, despertar da consciência e o Deus Interior); às vias tradicionais de iniciação (Yoga, Tantra, Cabala, Simbolismo, Alquimia), com as quais se culmina a mesma; e à capacidade dos iniciados, nos altos graus, de transformar a si mesmos na própria divindade, no andrógino divino e alquímico, para assim poder transformar toda a realidade que os envolve, sempre buscando um mundo mais justo e livre.

Em dito Rito ou Sistema, ademais, é importante a figura do Deus da Luz, Baphomet. Sobre ele, devemos ter uma idéia básica: somente com Baphomet a iniciação é completa. Com os deuses escravisadores e seus “grilhões”, o trabalho iniciático está “castrado” e a iniciação completa não é possível.

Essa ordem existe hoje? Por o que mais vemos são divulgação de Iluminattis no facebook e se existe qual a séria e como fazer contato com ela? Ela prioriza os ricos?

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-ordem-illuminati/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/a-ordem-illuminati/

Big Bang, outra mera crença

Enquanto o darwinismo ainda cria polêmica entre criacionistas e ateus, o Big Bang tornou-se um ponto de encontro entre céticos e crentes. Os primeiros veem nesta grande explosão primordial uma resposta verdadeiramente científica que torna Deus obsoleto, os segundos enxergam o Big Bang como o “Faça-se a Luz” do seu Deus semita. Como veremos, para variar, ambos estão errados. Considere o seguinte texto de Carl Sagan:

– Um dragão que cospe fogo pelas ventas vive na minha garagem.

– Mostre-me – você diz. Eu o levo até a minha garagem. Você olha para dentro e vê uma escada de mão, latas de tinta vazias, um velho triciclo, mas nada de dragão.

– Onde está o dragão? – você pergunta.

– Oh, está ali – respondo, acenando vagamente. – Esqueci de lhe dizer que é um dragão invisível.

Você propõe espalhar farinha no chão da garagem para tornar visíveis as pegadas do dragão.

– Boa idéia – digo eu –, mas esse dragão flutua no ar.

Então você quer usar um sensor infravermelho para detectar o fogo invisível.

– Boa idéia, mas o fogo invisível é também desprovido de calor.

Você quer borrifar o dragão com tinta para tomá-lo visível.

– Boa idéia, só que é um dragão incorpóreo e a tinta não vai aderir…

O trecho acima refere-se a infame falácia Ad Hoc. A falácia Ad Hoc é a tentativa de explicar uma observação após ela ter ocorrido de modo que todo novo fato seja encaixado na teoria já que ela sozinha sempre falha em acertar qualquer tipo de previsão. Ela acontece quando alguém quer tanto que uma crença seja aceita que para isso encontra uma nova explicação para cada novo fato observável que inicialmente a refutava. Essa tática é usado por homeopatas para defender a homeopatia, por espíritas para defender o espiritismo e por “céticos” para defender o Big Bang.

A hipótese do universo em expansão depende de pelo menos dois pressupostos não confirmados: Em primeiro lugar que a força da Gravidade, a mais fraca de todas as forças elementares do universo, é quem determina a estrutura e o comportamento dos astros. Só a título de comparação a força eletromagnética é um trilhão de trilhão de trilhão de vezes mais forte que a gravidade. Se acha isso motivo de espanto basta pegar um pequeno ímã e uma moeda. Coloque o ímã logo acima da moeda e veja como você conseguiu presenciar uma força muito mais forte do que a da gravidade. Pense nisso um pequeno imã venceu toda a força gravitacional do planeta Terra… Mas quando Issac Newton lançou as bases da astrofísica James Maxell estava longe de nascer. Talvez se Newton tivesse empinado a pipa de Benjamin Franklin nossa visão de mundo não estaria hoje tão estagnada.

O segundo pressuposto arbitrário dos defensores do Big Bang é que o Desvio para o Vermelho implica que as galáxias estão se afastando.

O Desvio para o Vermelho

O problema não é o desvio em si, mas assumir que ele implica em distânciamento. Ele ocorre realmente. Mas não ocorre sempre da forma homogênia necessária a um universo em expansão. Alguns astros inclusive apresentam desvios para o azul, ou seja, estão se aproximando. Tudo começou em 1929 quando Hubble observou o desvio pela primeira vez. Essa descoberta lançou as bases da hipótese do Big Bang, afinal se as galáxias estão se afastando elas devem ter estado juntas algum tempo atrás. Contudo Hubble era muito mais cauteloso que seus continuadores. Em um artigo chamado “The Problem of the Expanding Universe,” Hubble escreveu para a American Scientist: ““Parece improvável que o desvio para o vermelho seja devido a um universo em expansão e muitas das especulações sobre a estrutura do universo devem ser re-examinadas.”

Entretanto o consenso se estabeleceu de que o desvio ocorre por conta do “Efeito Doppler” – no qual objetos afastando-se do observador esticam as ondas luminosas emitidas por eles. Isso permitiria aos astrónomos calcular a velocidade dos corpos celestes e descobrir suas distâncias em relação a Terra. E como as galáxias estariam se afastando elas devem ter estado juntas no início e assim dataram o Big Bang como tendo ocorrido a 13.7 bilhões de anos atrás. A teoria era linda, mas tinha um problema. Os matemáticos esqueceram de avisar o Universo sobre ela.

O primeira cientista que apontou que o rei estava nú foi Halton Arp. Ele constatou inicialmente que uma série de objetos conectados fisicamente e interagindo entre si possuem desvios diferentes e segundo a teoria deveriam estar a milhões de anos luz de distância. Seu exemplo mais gritante seja talvez o dos quasares, que baseados no desvio para o vermelho deveriam ser os objetos mais distantes de nós de todo universo visível, mas que nos telescópios aparecem na frente de galáxias vizinhas. No exemplo abaixo temos  a NGC 7319 de desvio 0.0225 e um quasar de desvio 2.114. Segundo a teoria padrão o quasar deveria estar muito mais distante e não na frente da galáxia:

Outro exemplo típico do trabalho de Arp é o caso das galáxias NGC 3808A e NGC 3808B, duas galáxias espirais em colisão. O fato de existirem galáxias colidindo em um universo onde supostamente todas as galáxias estão se afastando umas das outras já é algo que precisa de explicação. Mas o problema nem é esse. O que ocorre é que a NGC 3808A apresenta um desvio para o vermelho bem diferente da NGC 3808 B. Ou seja, embora vejamos as galáxias colidindo a teoria do desvio nos diz que elas estão separadas por milhares de anos luz de distância. (foto abaixo)

Outro exemplo gritante é o testemunho dado pelos aglomerados de galáxias do tipo globular..  Segundo os teóricos do Big Bang o universo tem cerca de 13,73 bilhões de anos de idade. A parte embaraçosa é que se pressupomos que o desvio para o vermelho é uma medida de distância temos que admitir que os aglomerado de galáxias globulares tem mais de 16 bilhões de anos. Ou seja, cerca de 5 bilhões de anos mais velhas que o próprio universo. Como agora os matemáticos não pode mudar a data do Big Bang senão suas contas não fecham, a resposta padrão é que este é um “erro de observação.” Na época foi dito que Hubble estava velho e suas lentes gastas. Contudo, quando novas medições feitas em 1999 pioraram a situação, tornando as galáxias 10 bilhões de anos mais velhas que o próprio cosmos onde estão. {(1999), Nature 399, 539-541 e (1999); Sky&Tel. 98 (Oct.), 20.}

Para finalizar, existem inclusive galáxias com desvios para o azul, o que nos obrigada a artificialmente distribuir os clusters de galáxias como linhas, ironicamente chamadas por alguns astronomos de “os dedos de Deus”, apontando para a Terra como se fossemos o centro do universo. Isso porque os aglomerados visíveis incluem muitos corpos com desvios diferentes fazendo com que os teoricos do universo em expansão tenham que forçosamente espalhá-los gradualmente, conforme se afastam de nós observadores.

Halon Arp preparou em 1966 um atlas com estes e outros exemplos de anomalias num total de 338 “galáxias que não deveriam estar lá“. Ninguém, entretanto, balança o status quo impunemente, especialmente quando tantas pesquisas baseadas no universo em expansão são financiadas com dinheiro público. Assim o California Institute of Technology  recompensou Arp por suas descobertas cortando suas horas de uso do telescópio. O boicote ao seu trabalho o obrigou a finalmente abandonar os Estados Unidos e ir trabalhar no Instituto Max Planck, na Alemanha, talvez a Caltech não tenha se recuperado até hoje dos experimentos de Jack Parsons realizados lá décadas atrás.

Radiação de Fundo

Quando o satélite COBE apresentou a medida da “Radiação Cósmica de Fundo em Micro-ondas” – RCFM – como sendo de 2.7 Kelvin em 1992 a notícia foi alardeada pela mídia como uma confirmação da teoria do Big Bang. Mas o resultado de medição realmente corrobora o modelo padrão? A verdade não alardeada é que as previsões feitas por físicos que não se basearam na hipótese do Big Bang chegaram muito mais perto dos dados coletados pelo satélite.

Em 1896, Charles Eduard Guillaume previu que o próprio calor das estrelas daria um RCFM de 5.6K e Arthur Eddington refinou estes calculos em 1926 e chegou a 3K. Isso, é claro, antes sequer da hipótese do Big Bang ser lançada. Em 1933 Eric Regener estimou uma radiação de fundo de 2.8K e em 1941 Andrew McKellar calculou que a RCFM seria de  2.3K, nenhum dos dois apoiava o modelo de universo em expansão. Na verdade os defensores do Big Bang foram os que fizeram as piores previsões. O primeiro deles foi Robert Dicke que baseado na idéia do universo inflacionário sugeriu em 1946 um RCFM de 20K. Em um trabalho posterior ele corrigiu esse número para 45K. Em 1961 George Gamow estimou uma temperatura de fundo de 50K. Agora, compare estes números com o que foi realmente revelado (2.7K) pelo COBE e responda se isso pode ser usado como prova para alguma coisa. Enquanto Regener chegou à cifra assustadoramente próxima de 2.8K, o grande pai do Big Bang esperava uma temperatura 12 mil vezes maior do que a que foi encontrada.  O que realmente acontece é que apenas em 1992, com os novos dados consolidados da Radiação Microondas de Fundo, os cálculos dos teóricos do Big Bang foram refeitos para bater com o que estava sendo descoberto.

Sem tempo para se explicar

Sem poder negar que existem aglomerados de galáxias lá fora (que deveriam ter sido espalhadas pelo Big Bang) os defensores do modelo atual dizem que esses acúmulos de matéria são formados pela mera ação da gravidade. Ok, vamos admitir que essa explicação faz sentido. O problema é que temos encontrados acúmulos que são grandes demais e que demorariam um período de tempo para ser formado que excede em muito a própria idade do universo.

Os dados recolhidos pelo satélite ROSAT em 2003 são um ótimo exemplo. Uma investigação por meio de raios-x encontrou um cluster de matéria tão grande que equivale a 120.000 Via Lácteas. Seus 12 bilhões de anos luz de extensão só poderiam ser formados pelo processo de aproximação gravitacional em um período de tempo muito maior do que aquele que nos separa do Big Bang. Simplesmente não tivemos tempos para isso, pois uma formação deste tamanho demoraria 300 bilhões de anos  para se formar, enquanto que todo universo sem apenas cerca de 10 a 20 bilhões de anos segundo o modelo do Big Bang.

O fator tempo também mostrou-se um problema quando em 2004  uma reunião da American Astronomical Society mostrou que o universo observável é muito parecido em suas várias partes, seja nas com alto ou baixo desvio para o vermelho, que supostamente indicariam áreas mais antigas e mais recentes. Em outras palavras, as estruturas de grande porte que existem hoje também existem nas áreas onde o desvio para o vermelho corresponderiam a três bilhões de anos após a data hipotética do Big Bang. Tais regiões teriam apenas um quarto do tempo para crescer e formar praticamente as mesmas estruturas, com uma distribuição similar de idades estelares e uma quantidade similar de elementos químicos produzidos por suas estrelas. 

Se o Big Bang realmente tivesse acontecido, quando olhássemos para o passado, em regiões das quais a luz está chegando apenas agora, estas regiões deveriam se aparecer com um universo mais jovem, com poucos metais pesados e em sua maioria recheado de jovens estrelas. Em vez disso, eles se parecem exatamente como as que temos hoje. Um grande problema para uma teoria que defende que o universo era muito diferente quando criança.

 

Os Invisíveis ao resgate

A refeitura dos cálculos da RCFM indica o comportamento padrão de quem quer defender uma teoria – é o chamado Dragão na Garagem mencionado no começo do artigo. A própria existência de aglomerados de galáxias é um desafio para o modelo padrão. Outro desafio é responder porque as galáxias em si não se fragmentam já que a força da gravidade não bastaria para mantê-las unidas em um universo em expansão. Para isso foi inventada a “Matéria Escura”‘ um tipo de matéria que não pode ser observada de forma alguma, mas que permitiria as galáxias não se fragmentarem. E já que elas não se fragmentam a Matéria Escura deve estar lá, dizem os defensores do Big Bang. Totalmente invisível, sem deixar pegadas ou rastros, desprovida de calor e incorpórea.

Você entendeu bem, a “Matéria Escura” só existe porque sem ela teríamos que abandonar o modelo atual de como o universo funciona.

Assim desde 1932/1933 quando a idéia surgiu pela primeira vez basta adicionar Matéria Escura sempre que fosse necessário salvar o modelo padrão contra o testemunho das estrelas.

Mais tarde quando foi observado o comportamento de certas supernovas, os cosmologistas foram forçados à desconfortavel conclusão de que o universo estaria além de expandindo, acelerando esta expansão. O problema é que com a Matéria Escura engrossando o caldo do universo, sua massa gravitacional deveria estar desacelerando esta expansão. Então, o problema causado por um amigo invisível foi solucionado por outro amigo invisível. Nasceu assim a “Energia Escura”, um tipo de energia igualmente não detectável, mas que fazia as contas baterem novamente e, mais importante, salvava as bolsas de pesquisa dos físicos teóricos.

Assim enquanto ridicularizam outras teorias e crenças mais antigas, os defensores do Big Bang não percebem que eles mesmos moram em um castelo de cartas. Estas abstrações de matéria e energia escuras feitas para salvar um modelo que não se sustenta diante das observações criou um universo onde 95% de tudo o que existe não pode ser visto, medido, detectado ou mesmo entendido. Não é de se admirar que os astronomos de hoje prefiram olhar para seus modelos computadorizados do que para os céus. Eles sabem que quando olharem para cima serão surpreendidos novamente.

A Ciência como uma putinha

Mas qual o problema com isso, você se pergunta? A ciência, diferente da religião que se baseia na fé, é isenta de dogmas e fanatismo. Se algo se mostra diferente do que foi observado, ela muda para abraçar essa mudança! Mas será mesmo? Vamos fingir que diferentes dos outros seres humanos, cientistas são criaturas puras, desprovidas de ego e vaidade e que são movidas pela curiosidade e atraídas pela Verdade, com V maiúsculo. Apesar de não parecer, nem para mim nem para você, a ciência é algo caro. Muito caro. Nós que temos a comodidade de um PC ou de um Laptop na nossa frente não imaginamos que ainda hoje a hora de uso de um supercomputador seja algo extremamente caro. Peguemos o exemplo do LHC – o Large Hedron Colider – construído na Europa. Em 10 anos foram gastos mais de 4.75 bilhões de dólares em sua construção. Mas uma vez construído o LHC não faz dinheiro, ele continua gastando dinheiro, na busca do Boson de Higgs apenas, o custo ultrapassa os 5.5 bilhões de dólares por ano. Apenas o uso dos computadores para analisar os dados coletados custa 286 milhões de dólares por ano. A conta de eletricidade dos caras ultrapassa os 23.5 milhões de dólares por ano. O gasto com seres humanos, produtos de limpeza, cafezinho e outras trivialidades ultrapassa os 1 bilhão de dólares anuais. Tenha em mente que eles já estão funcionando há 4 anos. Tirando algumas falhas e pausas para corrigir falhas já foram gastos mais de 13.25 bilhões de dólares na busca da tal partícula de Deus.

Agora imagine o que acontece com qualquer pessoa que de repente surja do “nada” dizendo que possue evidências de que a tal partícula não existe. Claro que quando você pára para pesar os avanços militares, médicos e tecnológicos que o LHC pode trazer, 13.25 bilhões de dólares se torna uma barganha, mas as pessoas tendem a começar a ficar tensas quando surge a possibilidade de estarem gastando rios de dinheiro com algo que não existe. No caso do Big Bang, a busca por esse algo não dura apenas 4 anos, e sim alguns séculos. Agora pegue aquele cientista hipotético que discutimos e coloque nele algumas pitadas de egoismo, vaidade e orgulho. Consegue imaginar o que uma reviravolta como essa faria no meio científico?

No final das contas a maneira com a qual os cientístas fazem dinheiro é idêntica a dos pastores neo-pentecostais. Quanto mais as pessoas acreditarem na sua crença, mas dinheiro você vai fazer.


Bibliografia

 

 

Tamosauskas

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/big-bang-outra-mera-crenca/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/big-bang-outra-mera-crenca/

As raízes judaicas da Magia Sexual

Excerto de “Modern Sex Magick” de Donald Michael Kraig

Para aqueles que não estão familiarizados, a história da magia sexual começa com os Cavaleiros Templários. Fundado em 1118 EC, o propósito declarado dos Templários era proteger os peregrinos que iam para o Oriente Médio durante a Segunda Cruzada. A história dos Templários é bastante fascinante, mas para nossos propósitos basta dizer que eles foram suprimidos em 1312 por autoridades religiosas e temporais que tinham inveja de seu poder e riqueza. Vários dos seus membros foram presos ou mortos. Seu líder, Jacques DeMolay, foi queimado vivo. Os Templários, como outros acusados ​​de heresia, feitiçaria e prática de magia, foram acusados ​​de uma litania de crimes. Essas acusações provavelmente foram apenas um ardil perpetuado pela igreja e pelo estado para obter a imensa riqueza e amplas propriedades que os Templários possuíam. A história aceita é que os templários aprenderam magia sexual com os sufis do Oriente Médio, que a aprenderam com os tântricos da Índia. Os alquimistas medievais receberam esta informação dos Templários e a codificaram em alguns ensinamentos em suas obras. Eventualmente, Aleister Crowley, que aprendeu sobre magia sexual em suas viagens à Índia e à África, começou a experimentar tanto as técnicas tradicionais quanto as suas próprias técnicas recém-criadas.

Enquanto isso, um homem chamado Pascal Beverly Randolph havia descoberto os segredos da magia sexual ou inventado algumas novas técnicas também. Nascido em 1815, era filho de um médico e de uma dançarina de salão. Tornou-se grumete e aprendeu o ofício de marinheiro, tornando-se em seguida mestre de embarcação. Ser marinheiro permitiu-lhe viajar muito. Aos vinte e cinco anos, foi iniciado na Irmandade Hermética de Luxor. Em 1868 (depois de várias viagens à França), fundou a Irmandade de Eulis, que acabou tendo muitos seguidores. Ele publicou um livro (Magia Sexual) que postulava um tipo de bissexualidade espiritual junto com a ideia de que o orgasmo era mágico e sagrado. Randolph influenciou as pessoas que recriaram os Cavaleiros Templários na forma da Ordo Templi Orientis (OTO). Crowley se juntou a esta Ordem e, eventualmente, após uma batalha divisória, tornou-se seu chefe. Hoje, assim como a maioria dos ensinamentos sobre magia cerimonial foi filtrada pelas lentes dos membros da Golden Dawn, também a maioria dos ensinamentos sobre magia sexual foi filtrada através da lente de Aleister Crowley e da OTO.

A história acima é precisa, mas representa apenas uma parte da corrente. É uma versão um tanto quanto limitada da história da magia sexual ocidental – uma visão de túnel que ignora a realidade mais ampla e falha em duas áreas:  Primeiro, não identifica onde e como a magia sexual se desenvolveu originalmente. Em segundo lugar, implica que a magia sexual permaneceu relativamente inalterada ao longo do tempo (especialmente no último século) e simplesmente transportada para o presente. De fato, há ampla evidência de que a magia sexual tem uma história muito mais ampla do que é comumente reconhecida. Para entender essa história mais profunda, no entanto, devemos primeiro examinar a natureza da Cabala.

Nos últimos anos, tive a sorte de dar palestras em todos os EUA, da Flórida a São Francisco e de San Diego a Nova York. Uma das coisas que faço agora perto do início de cada palestra, não importa o assunto, é escrever as seguintes letras no quadro-negro: T F Y Q A

As letras representam as palavras em inglês para “Pense por si mesmo. Questione a autoridade”. Continuo explicando que simplesmente porque eu ou qualquer outra “autoridade” ou autor escreve ou diz algo não o torna verdadeiro. Eu sempre peço aos meus alunos que ouçam o que eu tenho a dizer, mas depois que verifiquem. Encorajo as pessoas a confiar em si mesmas em vez de acreditar em um líder ou professor, mesmo quando esse professor seja eu.

Muitos de vocês, sem dúvida, estão familiarizados com a Cabala. São os fundamentos místicos do judaísmo, do cristianismo e até, até certo ponto, do islamismo. Aqueles de vocês familiarizados com a Cabala usada em grupos ocultistas conhecem suas teorias sobre a Árvore da Vida com suas correspondências, bem como os sistemas numerológicos como a gematria. Na minha biblioteca, tenho bem mais de 1.000 livros especificamente relacionados à Cabala ou associados a ela. A maioria deles são semelhantes em conteúdo, simplesmente expressando as mesmas coisas de maneiras diferentes. Todos eles alegam explicar as bases do que é a “A” Kabalah.

Todos eles estão errados.

Para aqueles de vocês que foram estudantes da Cabala, eu lhes peço que reflitam sobre estas questões: Não é possível que a Cabala seja muito mais do que gematria, notarikon, temurah e a Árvore da Vida e suas correspondências? Se sim, então por que tão pouco se sabe de outros aspectos da Cabala? Para responder isso temos que olhar um pouco de história.

Nos anos 1700, um grupo de judeus ortodoxos e piedosos se formou na Europa Oriental. A palavra para “piedoso” em hebraico é Hasid (pronuncia-se: “RASSID”). Assim, essas pessoas ficaram conhecidas como os “Piedosos” ou os Hasidim.

Anteriormente, o judaísmo místico incluía muitas maneiras de desenvolver poder sobre o ambiente: o que hoje chamaríamos de magia. Mas os hassidim não queriam nada disso. Eles buscavam a exaltação espiritual, não a capacidade de mudar o mundo. Eles queriam aumentar o poder de suas orações, não o poder sobre as coisas ao seu redor. Como resultado, eles se concentraram nos aspectos mentais da Cabala, incluindo correspondências sobre a Árvore da Vida, meditação sobre como Deus criou o mundo e as manipulações de letras e números, uma versão moderna (para a época) de formas místicas mais antigas do que é chamado de “magia das letras”.

Como essa informação era mística, era inevitável que ela chegasse ao mundo oculto local (alemão), onde se tornou parte da tradição maçônica daquele país. Esses ensinamentos foram posteriormente traduzidos para as línguas românicas e acabaram se tornando, para muitas pessoas, os ensinamentos centrais da Cabala.

Mesmo depois dessa história, muitas pessoas vão duvidar do que estou dizendo sobre a Cabala. Peço-lhe, então, que olhe para o único trabalho publicado que é aceito como talvez o texto cabalístico mais importante – o Zohar. Há muito pouco lá sobre tal numerologia. O mesmo ocorre no pequeno mas importante livro cabalístico primitivo, o Sepher Yetzirah.

Para resumir, a versão da Cabala que é mais amplamente aceita entre os ocultistas hoje é basicamente nada mais do que parte dos ensinamentos místicos dos hassidim alemães. Isso não torna tais estudos de forma alguma “ruins” ou “errados” ou mesmo incompletos. Em vez disso, simplesmente indica que tais estudos são apenas uma abordagem em um tipo ou escola da Cabala,  e não na coisa toda.

Quando comecei a estudar a Cabala, ou melhor, o que é comumente conhecido entre os ocultistas ocidentais por esse nome, eu era como um cachorro faminto na loja de um açougueiro de bom coração. Eu queria provar e experimentar tudo.

Para quem não conhece a gematria, sua ideia básica é simples. Cada letra hebraica está associada a um número. Soma-se os números das letras de uma palavra e, se forem iguais ou tiverem relação com os números de outra palavra, há uma relação entre as duas palavras. Em Magia Moderna dei o famoso exemplo que mostrava como, em hebraico, a enumeração da palavra “amor” era igual ao valor numérico da palavra “unidade” e como, quando suas numerações são somadas, o total é igual a o valor numérico de uma palavra hebraica para “Deus”. É um sistema numerológico simples que, neste caso, indica que Deus é uma unidade e que Deus é amor.

Muitas noites eu ficava acordado até as primeiras horas da manhã seguinte me debruçando sobre cálculos para tentar provar alguma coisa. Analisei meu nome mágico de três letras escolhido em um papel que tinha várias páginas. Da mesma forma, tenho visto pessoas analisando seções das obras de Aleister Crowley, rituais da famosa Ordem Hermética da Golden Dawn, seções da Bíblia, etc., por mais páginas do que gostaria de lembrar.

Mas um dia percebi que faltava algo. Fiquei com a pergunta atormentadora que Peggy Lee fez em sua música: “Isso é tudo o que existe?” Depois de anos de manipulação numerológica cabalística, cheguei à conclusão de que – para mim, pelo menos – uma exploração mais aprofundada já não provava nada de importante. Percebi que havia se tornado uma estrada falsa, como um falso vidente que parece dar muitas informações, mas na verdade fala pouco.

Claro, eu poderia passar horas provando que as palavras estavam relacionadas. Esse tipo de trabalho ainda é feito hoje (veja, por exemplo, os livros de Kenneth Grant) e pode ser de grande valia para pessoas que sentem que precisam desse tipo de prova. Para eles, esse trabalho é importante e valioso. Eu também precisei disso no passado e recebi isto muitas recompensas e insights espirituais.

Mas para mim, os ensinamentos comumente considerados o núcleo da Cabala agora pareciam nada mais do que uma forma de masturbação mental. Para o exemplo de “amor mais unidade é igual a Deus”, eu disse: “E daí? Isso já não é aceito por muitos (inclusive eu)?” Eu já sabia disso. Eu não precisava “provar” isso para mim ou para qualquer outra pessoa. Sei que a Declaração da Independência foi assinada em 1776. Não preciso passar horas tentando provar que esse evento aconteceu. Não preciso ler centenas de livros para saber que esse evento ocorreu em um determinado ano. Fazer tal estudo neste momento da minha vida seria chato e uma perda de tempo. Um dos tipos de pessoas que encontramos no caminho oculto é o “mago de poltrona” que fará alguma magia assim que “acabar com mais um livro” ou “construir mais uma ferramenta mágica”. Ele não consegue nada prático porque nunca faz mágica. Sim, ele ganha conhecimento, o que certamente é um objetivo digno em si. Mas o conhecimento por si só não é o objetivo de um mago praticante. Para todos os efeitos práticos, ele está fazendo o mesmo trabalho que os do místico hassídico do século XVIII. Isso não era o suficiente para mim. Um mágico de poltrona não era alguém que eu queria ser. Esta foi uma grande crise. Eu estava prestes a perder completamente meu interesse pela Cabala – algo que havia me transformado e tinha sido o maior interesse da minha vida por mais de vinte anos. Eu hibernei, fiz leituras de tarô para mim mesmo e meditava. Então, um dia, ficou claro.

Experiência! Era isso que faltava em todas as manipulações numerológicas. Cheguei à conclusão de que pensar em algo não era suficiente para mim. Eu sou ação. E embora muitas das técnicas cabalísticas que usam a numerologia cabalística para fazer talismãs bem-sucedidos, por exemplo, proporcionassem uma gratificação tardia quando o talismã atingia seu objetivo, eu queria algo mais imediato. Eu conhecia apenas uma técnica que forneceu a aventura, ação e experiência que eu desejava: Pathworking cabalístico.

Devido a muitos trabalhos publicados, o termo pathworking perdeu seu significado original. Hoje, pathworking significa qualquer tipo de meditação guiada em que se faz uma viagem mental ou astral visualizada ou algum tipo de viagem. Eu uso a expressão “pathwork cabalístico para representar o significado original da palavra pathworking: andar na Árvore da Vida cabalística enquanto estiver no plano astral. A chave aqui é ser capaz de separar a consciência do corpo e viajar no plano astral. Em outras palavras, esta técnica cabalística requer que você alcance um estado alterado de consciência. Exceto pelos métodos fornecidos em fontes como The Golden Dawn de Regardie e as várias versões dessas instruções que foram publicadas, pouca informação apareceu de um antigo ponto de vista cabalístico. Se o pathworking cabalístico requerer acesso ao plano astral através de um estado alterado de consciência, segue-se que deve haver métodos cabalísticos tradicionais para alcançar tal estado.

Um método que descobri nas obras de Aryeh Kapi era simplesmente colocar a cabeça entre os joelhos. Isso muda o fluxo de sangue para o cérebro, resultando em um estado alterado. No entanto, ao investigar mais, descobri outro método para alcançar um estado alterado, uma técnica que Marsha Schuchard chama de transe sexual. Este método faz parte da teoria cabalística, embora tenha sido ignorado pela maioria dos pesquisadores e praticantes, pois não era uma parte publicada do movimento hassídico alemão. E enquanto esta chave cabalística para o mistério tem estado no subsolo por mais de 2.500 anos, ela vazou ou foi redescoberta de tempos em tempos e formou a base da magia sexual ocidental, em todas as suas formas, como existe hoje. Eu precisava daquilo.

Se você ler a Bíblia como um tipo de história, verá que os profetas de todas as gerações criticaram os hebreus por não adorarem os deuses e deusas de outras culturas. A implicação disso é que os hebreus não eram monoteístas desde a época de Abraão, mas eram tão politeístas quanto suas culturas vizinhas. De fato, em The Hebrew Goddess, o respeitado antropólogo Raphael Patai mostra que os hebreus adoravam uma deusa tanto em suas casas quanto no templo sagrado em Jerusalém até a destruição do segundo templo em 70 EC, você encontrará frequentemente nos artigos sobre as práticas religiosas dos primeiros hebreus, práticas que incluíam a adoração tanto de um Deus quanto de uma Deusa.

Na maioria dos templos judaicos de hoje, o local onde reside a Torá – os primeiros cinco livros da Bíblia em forma de pergaminho – está localizado em uma plataforma elevada. Essa plataforma geralmente tem a forma de um tipo de palco onde o Rabino (o líder das orações) e o Cantor (o líder dos cantos ) também têm suas posições rituais. Esta área é conhecida como bimah (pronuncia-se: bee-mah). A palavra “bimah” significa uma plataforma ou palco. No entanto, a origem da palavra é bamah (bah-mah) que se refere à ideia de um “lugar alto”. No Oriente Médio, uma área elevada era comumente onde várias divindades, não apenas o Deus judeu, eram adoradas. Outros resquícios de tempos pagãos anteriores – incluindo a adoração da Lua como uma forma da Deusa Lunar Levanah (que agora é o próprio nome da Lua em hebraico) – também são encontrados em várias tradições folclóricas judaicas.

As primeiras formas de paganismo tinham vários propósitos, talvez o mais importante fosse a fertilidade. Os primeiros pagãos praticavam ritos para garantir a fertilidade das colheitas, rebanhos e pessoas. Freqüentemente, esses ritos incluíam comportamento sexual. Por exemplo, em algumas culturas, os pagãos teriam ritualizado a relação sexual em cima de colheitas recém-plantadas. Acreditava-se que a energia levantada durante seu rito, através da imitação de sua magia sexual elementar, ajudaria as plantações a crescer.

Existe alguma evidência de que os primeiros hebreus, como seus vizinhos politeístas, tinham ritos e mistérios sexuais? A resposta é sim. Na verdade, alguns desses ritos têm até versões modernas.

Um exemplo é a prática da circuncisão. Antes que essa prática fosse fixada no judaísmo para oito dias após o nascimento de um menino, provavelmente fazia parte dos ritos da puberdade. Em outras palavras, era realizada quando um menino atingia a maioridade como sinal de maturidade sexual. Os ritos de puberdade para meninos e meninas são comuns nas culturas pagãs. Em algumas culturas, os ritos de circuncisão masculina na puberdade ainda são praticados como parte dos “Mistérios Masculinos”. No judaísmo, os meninos ainda têm um tipo de tal rito (embora sem a circuncisão) quando passam pelo ritual de entrada na idade adulta conhecido como Bar Mitzvah. Mais recentemente, as meninas foram adicionadas a essa tradição quando passam por um Bat Mitzvah semelhante.

Na Torá, a circuncisão é um sinal de um pacto entre Deus e os judeus. Nisto se insinua a ligação entre sexualidade e espiritualidade. Outras vezes, você lerá sobre situações em que colocar a mão na “coxa” é sinal de acordo, geralmente entre um humano e o Divino. “Coxa” é um eufemismo para “pênis” (assim como a Bíblia usa o verbo “conhecer” para significar “coito”). Essa ideia foi adotada ou emprestada de outras culturas onde um homem juraria colocando a mão sobre os testículos do outro. De fato, nossa palavra “testemunhar” (derivada, é claro, da palavra “testes”) vem dessa prática.

Há mais evidências de ritos sexuais no antigo judaísmo. O livro de Raphael Patai, “The Hebrew Goddess “, mostra claramente que não havia apenas um forte componente sexual no misticismo judaico mais antigo, mas que era algo muito importante.

Desde a realização do filme Caçadores da Arca Perdida, muitas pessoas se familiarizaram com a forma da Arca da Aliança. Em cima dela estavam dois Querubins. De acordo com Patai, há uma tradição talmúdica de que “… enquanto Israel cumpriu a vontade de Deus, os rostos dos querubins estavam voltados um para o outro: no entanto, quando Israel pecou, ​​eles viraram os rostos um do outro. ” O que isso pode significar?

A Arca da Aliança foi mantida no “Santo dos Santos”, a parte mais privada e sagrada do templo em Jerusalém. Já o famoso historiador primitivo dos judeus, Flávio Josefo (37 D.C.–100 D.C.), escreveu que não havia nada no Santo dos Santos. Por quê? É bem aceito que ele queria representar o judaísmo como “anti-icônico”, uma religião livre da adoração de ídolos ou ícones. Mas haveria algo mais? Algo que Josefo poderia até ter vergonha de mencionar?

A resposta vem de um historiador ainda mais antigo, Filo (30 A.C-45 D.C ). Ele escreveu que na parte mais interna do templo, na parte mais sagrada do local judaico mais sagrado, havia as estátuas dos Querubins. E esses Querubins estavam “entrelaçados como marido e mulher”. Ou seja, eles foram mostrados tendo relações sexuais.

Isso foi verificado mais tarde pelo relato de um talmudista conhecido como Rabi Qetina, que afirmou que nos dias santos, quando as pessoas iam em peregrinação para ir ao templo, os sacerdotes realmente mostravam os Querubins a eles e diziam: “Vejam! o amor diante de Deus é como o amor do homem e da mulher”. Várias centenas de anos depois, o famoso Rashi escreveu: “Os Querubins estavam unidos, agarrados e abraçados, como um macho que abraça uma fêmea”.
Em outras palavras, o segredo final do Santo dos Santos não era que ele continha a Arca da Aliança, a Torá ou as tábuas dos Dez Mandamentos. Em vez disso, era a natureza espiritual do sexo. A tradição talmúdica mencionada anteriormente implicaria que os querubins estariam envolvidos em relações sexuais constantes enquanto Israel cumprisse a vontade de Deus, mas eles se separariam de seu abraço se Israel pecasse. Além disso, acreditava-se que Deus “falava” entre os Querubins.

Lembre-se, de acordo com a Torá e a Cabala, Deus cria através da fala: “E o Senhor disse: “Haja luz.” E eis que havia luz.” Esta, então, é a revelação do segredo cabalístico da magia sexual: profecia, adivinhação e invocação que podem resultar do sexo espiritualizado.  De fontes talmúdicas também sabemos que um dos maiores feriados para os antigos judeus ocorreu cerca de duas semanas após o Ano Novo Hebraico. Os peregrinos vinham ao templo em Jerusalém de todas as partes para este feriado que era considerado uma festa alegre. No entanto, ao final dos sete dias desta festa, que era celebrada tanto por homens como por mulheres, as festividades se tornariam tão intensas que homens e mulheres se misturariam e cometeriam atos que eufemisticamente chamavam de “vertigem”. Em termos modernos, a multidão corria sexualmente desenfreada. Este comportamento terminou algo entre cerca de 100 AEC. e 70 d.C.

Outra fonte que indica que o judaísmo primitivo tinha ritos sexuais é encontrada no livro O Cântico dos Cânticos, de Carlo Suares, que é sua interpretação desse pequeno texto bíblico (conhecido também por seu título mal traduzido, Cantares de Salomão). Na introdução, Suares descreve brevemente o honrado Rabi Akivah (também conhecido como Akiba), que nasceu em 40 D.C e foi executado no ano 135.
D.C. depois de passar muitos anos na prisão por ser um apoiador da guerra judaica contra Roma. Hoje, Rabi Akivah é homenageado por judeus em todo o mundo. Poemas e orações atribuídos a ele são recitados por judeus fiéis. Ainda me lembro da bela e ritmada oração cantada que começa com “Amar Rabi Akivah…” (assim falou Rabi Akiba…). Ele é considerado o pai da versão escrita das leis orais judaicas conhecidas como Mishná. Ele também é considerado por muitos como o pai da Cabala.

Assim como as principais seitas cristãs têm divisões entre si, também houve divisões no judaísmo. No primeiro século EC, o rabino Ismael assumiu uma posição semelhante à de alguns cristãos fundamentalistas modernos de hoje. Ele e seus apoiadores sustentavam que os escritos sagrados judaicos foram escritos em uma linguagem que falava diretamente aos homens e deveriam ser aceitos literalmente. Rabi Akivah discordou e sustentou que as palavras eram apenas a forma da mensagem. O verdadeiro significado da Torá deveria ser encontrado em sua interpretação mística, sua essência interior. Assim, quando uma discussão sobre quais livros deveriam ser considerados parte da Bíblia judaica estava ocorrendo entre os principais Rabinos, a maioria deles queria excluir o aparentemente profano poema de amor que é o Cântico dos Cânticos. Afinal, como poderia um judeu hoje em dia ter frases como “beije-me com os beijos de sua boca” e “seus seios são como dois filhotes” em seu livro sagrado?

Rabi Akivah foi um dos rabinos mais honrados de seu tempo e assim permanece até os dias atuais. Em seu tempo, ele foi mantido em grande respeito e era considerado uma autoridade poderosa no judaísmo. Akivah exerceu sua reputação e autoridade para mudar a atitude dos outros rabinos. “O universo inteiro não vale o dia em que aquele livro… [foi] dado a Israel”, disse ele, “porque todas as escrituras são sagradas, mas o Cântico dos Cânticos é o mais sagrado”.

Quando li pela primeira vez esta citação, fiquei fascinado e intrigado. Não é estranho que um dos rabinos mais importantes da história judaica tenha defendido a canção de amor não apenas como um bom livro, não (como alguns diriam) porque é Deus dizendo como Ele ama Israel (ou vice-versa), mas porque é a “santíssima” de todas as escrituras?

Lembre-se, Akivah é considerado o pai da Cabala. Não poderia a razão para a defesa do livro de Akivah ser que ele retinha o segredo sagrado do judaísmo, o segredo da magia sexual? Este segredo teria então sido passado para seus seguidores e de lá para muitas das escolas da Cabala.

Mesmo o bastante enfadonho e pedante AE Waite, em The Holy Kabbalah, refere-se ao fato de que os judeus místicos consideravam o casamento um sacramento e que praticavam um “ensino em caminhos pouco freqüentados, algo herdado do passado … [dos quais ] há algum vestígio de ensino no Oriente.” Isso aparece na seção do livro de Waite intitulada “O Mistério do Sexo”, e indica que entre os cabalistas havia um ensinamento de magia sexual que era de certa forma semelhante aos ensinamentos sexuais dos taoístas e tântricos. Em uma nota de rodapé ele diz que os magos sexuais cabalísticos:

… tinham um ideal interior, espiritual e divino, no qual eles habitavam, e pelo qual eles parecem ter realizado transmutações abaixo. Isto é, sua magia sexual (que era tanto um ato físico quanto espiritual) e produzia mudanças – magia – no plano físico.

Como nota final para esta seção, eu acrescentaria que entre os judeus devotos de hoje é uma mitsvá (uma palavra que significa tanto um mandamento de Deus quanto uma bênção) fazer sexo com seu cônjuge no sábado. Isso porque Deus é considerado um andrógino Divino e ao fazer sexo, unindo homem e mulher, eles estão simulando Deus. Uma interpretação alternativa é que eles estão imitando Deus em união com sua consorte, a Shekhina (semelhante à noção pagã ocidental do Deus unido à Deusa ou à noção hindu de Shiva unida a Shakti).

A Disseminação da Cabala Após a destruição do Segundo Templo no ano 70 d.C., os judeus foram dispersos por toda a Ásia e Europa. Muitos judeus consideravam isso um castigo de Deus sobre eles por não seguirem as tradições do judaísmo. Especificamente, eles não estavam seguindo as muitas leis judaicas e estavam adorando outros deuses e deusas. Mas os cabalistas alegaram que, ao dispersar os judeus, a sabedoria da Cabala se espalhou por todo o mundo. Deste ponto de vista, a diáspora não era uma maldição para os judeus, mas uma bênção para o resto do mundo. E essa bênção, a Cabala, consistia, pelo menos em parte, nos segredos da magia sexual. À medida que os judeus se moviam pela Europa, formavam pequenas comunidades. Em alguns deles havia escolas de cabalistas. A separação entre as comunidades acrescentou diversidade, e muitos dos ensinamentos cabalísticos, incluindo aqueles relativos à magia sexual, devem ter mudado e evoluído. Mas como os ensinamentos foram além das escolas do judaísmo místico? A resposta, acredito, vem da própria natureza do judaísmo e sua longa tradição de judeus sendo o povo do livro. À medida que a Igreja Católica se fortaleceu, a educação secular (incluindo leitura, escrita e matemática) dos fiéis foi desaprovada e limitada à realeza, aos ricos, escribas da Igreja e certos membros das forças armadas. Mas porque muitos judeus sabiam ler, escrever e sabiam matemática, agiam como mensageiros viajantes ou como cobradores de impostos para os ricos. Com alguns deles veio junto Cabala e a magia sexual.

Eles se comunicavam com outros que viajavam, incluindo os músicos errantes conhecidos por nomes como trovadores, menestreis, bardose os posteriores minicantores e meistersingers que vagavam por partes da Europa ocidental nos séculos XII e XIII d.C.  Não eram apenas homens como como registrado por historiadores do sexo masculino que, durante séculos, subestimaram a importância das mulheres na história, algumas mulheres também atuavam assim.

No século XIII, um livro pouco conhecido chamado Iggeret Ha Kodesh (A Carta Sagrada) foi difundido entre os judeus na Espanha. Foi por muitos anos atribuído ao famoso rabino chamado Nachmanides, mas os estudiosos hoje concordam que o rabino provavelmente não foi o autor. O livro era tão popular que três manuscritos variados deste livro são conhecidos. Foi dito que todos os livros verdadeiramente sagrados podem ser lidos em três níveis: físico, espiritual e místico. No nível físico, este livro parece ser um manual de casamento judaico. Em um nível espiritual, este livro é visto como uma “obra cabalística que descreve o relacionamento de Deus” com os judeus. Mas em um nível místico revela virtualmente todos os mistérios e técnicas de magia sexual que estão em uso até hoje. É minha opinião que os menestréis errantes medievais tinham alguma familiaridade com este livro ou com aqueles que usaram suas técnicas e ajudaram a difundir o conhecimento.

Até então, os casamentos não eram muito conhecidos. As pessoas viveriam juntas e se chamariam de marido e mulher. Eles eram considerados casados ​​mesmo sem um ritual de casamento. Nas Ilhas Britânicas, as regras para proteger as mulheres tornaram-se parte do que era conhecido como “lei comum [principalmente não escrita]”. Assim, após um certo período de tempo de convivência e alegando ser marido e mulher (e aceito como tal pela comunidade), uma mulher seria legalmente reconhecida como esposa de direito comum de um homem. Daquele ponto em diante, ele não poderia simplesmente jogá-la na rua quando estivesse cansado dela. Ela tinha direitos sob as leis do divórcio, embora eles não tivessem passado por uma cerimônia formal de casamento. O direito comum é inda hoje uma das bases do sistema jurídico americano.

Geralmente, na sociedade ocidental, controlada pelos cristãos, eram apenas os ricos e a realeza que se casavam. O objetivo dessa exibição pública era mostrar a todos que apenas os filhos dessa mulher seriam os herdeiros legítimos de um determinado homem. Na verdade, o casamento era mais um contrato legal do que um desejo de se unir por amor. Às vezes, pinturas eram feitas para mostrar a cena do casamento para provar que um casamento havia sido realizado.

Governantes e homens ricos queriam saber que seus filhos, na verdade, eram seus filhos de sangue. Acreditava-se que o sangue tinha qualidades mágicas inatas. Existe até uma crença hoje entre alguns bretões no “Toque do Rei” – que o próprio toque de um rei (que também foi aprovado pelo Deus cristão, ou então como ele poderia ser rei?) poderia curar várias doenças. Para garantir uma linhagem contínua, a monogamia tornou-se a regra para as esposas dos ricos e da realeza. Mesmo assim, há ampla evidência de que tanto as esposas quanto os maridos costumavam fazer sexo fora do casamento.

Eventualmente, a ideia de amor tornou-se um acessório do casamento. Foi uma conseqüência da noção de “amor cortês” que foi difundida pelos bardos viajantes. Eles até tinham regras para o amor cortês, algumas das quais escondiam os segredos da magia sexual. Por exemplo, a regra 30, de acordo com Andreas Capellanus cerca de 1.500 anos atrás, diz: “Um verdadeiro amante é continuamente é ininterruptamente obcecado pela imagem de sua amada”.

Dentro dessas palavras está um segredo de magia sexual que alguns dizem ter sido “descoberto” por A. O. Spare neste século. Como pode ser visto, este aspecto da magia sexual antecedeu Spare em mais de um milênio!

Outro grupo de viajantes eram os comerciantes, artesãos capazes de muitas habilidades valiosas. Eles vieram desde os primeiros tempos (quando cada ofício também estava associado a uma divindade) e continuaram no Renascimento. Na Roma antiga, essas guildas eram conhecidas como collegia (a fonte de nossa palavra “faculdade”). Eles tinham seus próprios edifícios onde eles compartilhariam os segredos de sua guilda. Os membros realizavam festas conhecidas como ágape, provavelmente a fonte das festas ágape cristãs do primeiro século. Para identificar outros membros ou permitir entrada nos limites das casas de guildas, eles tinham sinais de mão, gestos e toques especiais, incluindo beijos especiais e ritualísticos. Dessa forma, eles eram os elos entre as antigas escolas de mistérios e as modernas lojas ocultistas. De fato, os collegia foram influenciados pelos gregos, que, por sua vez, foram influenciados por uma variedade de culturas do Oriente Médio, incluindo os ensinamentos dos egípcios, dos sírios e dos antigos Hebreus.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/as-raizes-judaicas-da-magia-sexual/

Chamando Cthulhu: O Realismo Fantástico de H.P. Lovecraft

“Neste livro falaremos sobre […] espíritos e conjurações; em deuses, esferas, levitação, e muitas outras coisas que podem ou não existir. Isto é imaterial, o fato de existir ou não. Agindo-se de certas maneiras, certos resultados irão surgir; estudantes são seriamente alertados sobre não atribuir realidades objetivas ou validações filosóficas para qualquer um destes.”

– Aleister Crowley, Liber O

 

Consumido pelo câncer em 1937, com 46 anos de idade, o último descendente de uma decadente família aristocrática da Nova Inglaterra, o escritor de ficção fantástica Howard Phillips Lovecraft deixou um dos legados literários mais curiosos da América. A maior parte de seus contos apareceram na revista Weird Tales, uma publicação dedicada a histórias a respeito do sobrenatural. Mas preso nesses limites modestos, Lovecraft trouxe a fantasia sombria gritando para dentro dos séculos XX e XXI, levando o gênero, literalmente, a uma nova dimensão.

Em nenhum lugar isso é mais evidente do que no ciclo de histórias interligadas conhecido como o Mito de Cthulhu – batizado assim em homenagem a um monstro tentacular alienígena que espera sonhando sob o mar na cidade submersa de R’lyeh. O Mito abrange a trajetória cósmica de uma variedade de entidades extraterrestres horríveis que incluem Yog-Sothoth, Nyarlathotep, e o deus cego e idiota Azazoth, que se esparrama no centro do Caos Derradeiro, “cercado por sua horda contorcida de dançarinos estúpidos e amorfos, e embalado pelo sibilo monótono de flautas demoníacas ostentadas por patas inomináveis”. Sempre espreitando, nas margens de nosso continuum espaço-tempo, este grupo alegre de Deuses Exteriores e Grandes Antigos estão tentando, neste exato momento, invadir o nosso mundo através da ciência, de sonhos e rituais abomináveis.

Como um escritor popular marginal, trabalhando no equivalente literário da sarjeta, Lovecraft não recebeu muita atenção durante sua vida. Mas enquanto a maioria dos escritos de ficção pulp dos anos 1930 se tornaram insonsos e intragáveis nos dias de hoje, Lovecraft continua a atrair a atenção. Na França e no Japão, seus contos sobre fungos cósmicos, cultos degenerados e pesadelos realmente ruins são reconhecidos como obras de um gênio transtornado, e os célebres filósofos franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari, elogiam seu abraço radical de multiplicidade em sua obra prima “A Thousand Plateaus”. Já, em território anglo-americano, uma cabala apaixonada de críticos preenche revistas como Lovecraft Studies e Crypt of Cthulhu com suas pesquisas quase talmúdicas. Enquanto isso, tanto hackers quanto talentosos discípulos continuam a criar histórias que desenvolvem ainda mais o Mito de Cthulhu. Há até uma convenção de Lovecraft – a NecronomiCon, que recebeu seu nome do mais famoso de seus grimórios proibidos. Assim como o escritor de ficção científica gnóstico Philip K. Dick, HP Lovecraft se tornou o epítome do autor cult.

A palavra “fã” se deriva do latim Fanaticus, um termo antigo para um devoto do templo, e os fãs de Lovecraft exibem a devoção incansável, fetichismo e debates sectários que caracterizaram as seitas religiosas populares ao longo das eras. Mas o status “cult” de Lovecraft tem uma dimensão curiosamente literal. Muitos magos e ocultistas tomaram seu Mito como fonte de material para a suas práticas. Atraídos das regiões mais obscuras da contracultura esotérica – Thelema, Satanismo e Magia do Caos – estes magos Lovecraftianos buscam ativamente gerar os terríveis e atávicos encontros do tipo que os protagonistas de Lovecraft parecem tropeçar compulsivamente, cegamente ou contra a própria vontade.

Fontes ocultas secundárias para a magia lovecraftiana incluem várias edições “falsas” do Necronomicon, rituais presentes no livro de Rituais Satânicos de Anton Szandor LaVey – criador da Igreja de Satã -, obras de magos britânicos como Kenneth Grant, Phil Hine, Peter Carroll e outros. Além da O.T.O. Tifoniana de Grant e da Ordem do Trapezóide do Templo de Set, outros grupos mágicos que também trabalham com a corrente Cthulhiana incluem A Ordem Esotérica de Dagon, a Cabala Bate, o Coven Lovecraftiano de Michael Bertiaux e o grupo da Sabedoria Estrelar, nomeado assim em homenagem ao grupo homônimo do século XIX presente no conto “O Assombro das Trevas”. Magos Caóticos se uniram às fileiras, costurando na internet retalhos de mistérios arcanos lovecraftianos remixando o Mito em seus (anti) trabalhos ctônicos de código aberto.

 

Este fenômeno torna-se ainda mais intrigante pelo fato de que o próprio Lovecraft era um “materialista mecanicista”, filosoficamente contrário à espiritualidade e à magia de quaisquer espécie. Entender esta discrepância é apenas um dos muitos problemas curiosos levantados pelo poder aparente da magia Lovecraftiana. Por quê e como essas visões marginais “funcionam”? O que pode ser definido como um ocultismo “autêntico”? Como é que a magia se relacionam com a tensão entre fato e fábula? Como espero mostrar, a magia Lovecraftiana não é uma alucinação pop, mas uma “leitura” criativa e coerente posta em movimento pela dinâmica dos próprios textos de Lovecraft, um conjunto de estratégias temáticas, estilísticas e intertextuais que constituem o que chamo de Realismo Mágico Lovecraftiano.

 

O realismo mágico já denota uma cepa de ficção latino-americana – exemplificado por Borges, Gabriel Garcia Marquez, e Isabel Allende – em que uma lógica onírica fantástica mescla perfeitamente e deliciosamente com os ritmos do quotidiano. O Realismo Mágico Lovecraftiano é muito mais sombrio e convulsivo, já que nele forças antigas e amorais pontuam violentamente a superfície realista de seus contos. Lovecraft constrói e, em seguida, destrói uma série de polaridades intensas – entre o realismo e a fantasia, livro e sonho, razão e sua caótica contraparte. Ao jogar com essas tensões em sua escrita, Lovecraft também reflete as transformações que o ocultismo sinistro sofreu, uma vez que confronta a modernidade em formas tais como a psicologia, fa ísica quântica, e a falta de fundamento existencial do ser. E, incorporando tudo isso em um Mito intertextual de profundidade abismal, ele chama o leitor para o caos que se encontra “entre os mundos” de magia e realidade.

 

 

por Shub-Nigger, A Puta dos Mil Bodes

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/chamando-cthulhu-o-realismo-fantastico-de-h-p-lovecraft/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/chamando-cthulhu-o-realismo-fantastico-de-h-p-lovecraft/