A verdade sobre as evocações

Por: Aaron Leitch

Fonte: https://aaronleitch.wordpress.com/2021/01/13/the-truth-about-evocation/ Tradução e notas: Frater Goya (Anderson Rosa)

Saudações caminhantes com espíritos!

Percebi que as pessoas tendem a ter um mal-entendido geral sobre o que é evocação e para que se destina. Muitas pessoas parecem acreditar que a evocação é o objetivo da Magia Salomônica. Não é.

Eu entendo por que essa visão existe. Em ocultismo e ficção de fantasia, é necessário fazer as coisas parecerem interessantes – então o padrão é sempre mostrar um mago em pé dentro de seu Círculo protetor, cercado por fumaça de incenso, varinha ou espada na mão, cantando em línguas misteriosas, evocando criaturas assustadoras ou inspiradoras das névoas astrais. Não é diferente de – por exemplo – um programa policial que apenas mostra as perseguições emocionantes e técnicas de detetive impressionantes, mas nunca mostra as horas de papelada e espera que realmente constituem a maior parte do trabalho. O mesmo ocorre com a representação popular da magia dos grimórios. E, como você só vê o mago fazendo aquela única coisa – evocação – ele tende a se tornar o que você imagina quando pensa no assunto.

Outro culpado, acredite ou não, são os próprios grimórios. Ou, devo dizer, a má interpretação popular dos grimórios. Como eu explico em Segredos dos Grimórios Mágicosi e em meu curso online para iniciantes, os grimórios de fato não apresentam toda a tradição salomônica. São apenas os manuais iniciais (por isso são chamados de “gramáticas”), que dão instruções sobre como estabelecer o primeiro contato com os anjos e espíritos da tradição. E como você faz isso é (em grande medida) realizando as evocações. Depois de estabelecer esse contato, não é necessário realizar a evocação repetidamente. A partir daí, os espíritos assumem e ensinam a magia real – e não é apenas mais evocação.

A evocação tem dois objetivos principais:

1) estabelecer contato com um ser espiritual (ou grupo de seres). Assim que tiver esse contato, você nunca mais precisará realizar a evocação daquele ser novamente. Claro, você precisará realizá-lo novamente para quaisquer novas entidades que deseja conhecer. Portanto, de forma alguma estou sugerindo que você nunca fará outra evocação! No entanto, você não precisará repetir para o(s) espírito(s) que você já contatou. Isto é, contanto que você vincule aquele ser a um talismã, anel, tábua, altar, etc. e tenha meios de continuar trabalhando com ele.

2) Para assuntos importantes que requerem questionar diretamente um ser espiritual. Mais especificamente quando você tem uma série de perguntas que precisam ser feitas. É por isso que os grimórios costumam usar a evocação com o propósito de descobrir informações ocultas, encontrar itens ou pessoas perdidas ou roubadas, receber instruções específicas para algo, para encontrar um tesouro enterrado, etc., etc. Eu disse no passado que a evocação – significando seu uso para este propósito específico – é em si uma forma de adivinhação. Você está falando com o espírito para aprender algo que não sabia anteriormente. Caso contrário – por que você pedindo informações?

Portanto, a evocação é algo que é feito muito mais raramente do que outros aspectos da Tradição. Para a maioria dos propósitos, você pode fazer uma petição a um anjo ou criar um talismã para o que for necessário, sem passar pelo processo de semanas ou meses de evocação completa. Isto é, se você já fez o trabalho de evocar os espíritos com os quais está trabalhando e dedicou seu tempo e esforço para construir uma relação de trabalho com eles. Em nossa casa, temos altares para todos os sete Arcanjos Planetários (os mesmos caras que você vê no Heptâmeronii), sem mencionar meu SAG e Familiares, as Prendas de Carrie, seu Altar Ancestral e alguns outros também. Não precisamos passar meses fazendo evocações completas deles quando precisamos pedir algo – porque já fizemos isso e agora eles moram aqui!

Outra coisa a se considerar: NÃO há necessidade de evocar dezenas de espíritos! Já vi pessoas se gabando de convocar todos os 72 espíritos da Goetiaiii. Ou que eles evocaram todos os Shem haMephoreshiv e / ou Anjos da Árvore da Vida. Mas, gente, não é assim que funciona essa tradição! Você poderia ser um mago salomônico de sucesso durante toda a sua vida e apenas contatar um ou dois espíritos. Você tem que encontrar um espírito que trabalhe bem com você, que goste de você e obtenha resultados – e continuar trabalhando com esse espírito. Esse espírito pode ou não ser capaz de fazer tudo que você precisa – e, se não, pode direcioná-lo (ou mesmo apresentá-lo a) outro espírito que pode, e agora esse espírito se torna parte de sua tripulação. Os anjos e espíritos dos grimórios não são Pokémons! Você não precisa coletar todos eles. Seu exército espiritual deve ser algo que você constrói muito lenta e deliberadamente ao longo dos anos, e não deve ser tratado como uma lista de chamadas em uma empresa de vendas de telefones.

Sim, temos MUITOS altares em nossa casa – principalmente porque fazemos isso profissionalmente. Mas, mesmo conosco, há um número menor de entidades às quais recorremos para a maioria das coisas. Para mim, é primeiro o meu SAGv, depois os meus familiares. Se instruído a fazer isso, posso levar um problema para um dos Sete Arcanjos – e que geralmente tende a ser Sachiel e Iophiel, porque em algum lugar ao longo do caminho me tornei um mago de Júpiter. Para Carrie, ela frequentemente irá para Anael ou Samael porque ela tem uma relação especial com eles. Isso não quer dizer que nunca vamos aos outros Arcanjos, apenas que é uma ocorrência mais rara em relação àqueles com quem mais trabalhamos.

E é ainda mais raro fazermos evocações completas para eles. Em vez disso, gastamos nosso tempo cuidando de seus altares e ícones, fazendo oferendas a eles, acendendo velas decoradas e fazendo petições a eles, e conversando com eles diretamente ou por meio de uma forma de adivinhação ou de outra. Desculpe se isso soa mais como trabalho do que a fantasia incrível de ser um mago – mas é a verdade. E agora você tem.

NOTAS

i No original Secrets of the Magickal Grimoires: The Classical Texts of Magick Deciphered https://www.amazon.com.br/Secrets-Magickal-Grimoires-Classical-Deciphered/dp/0738703036

ii O Heptâmeron é um dos quatro maiores livros de magia na história da humanidade. Acompanhada de “A chave de Salomão”, o Grimorium Verum e “A Constituição do Papa Honório”, forma uma linha de tratados sobre Magia Negra, escritos na Antiguidade e na Idade Média. Também é chamado de Quarto Livro de Cornélio Agrippa. Porém, a autoria foi atribuída a ele sem que, no entanto, fosse citado por seu pretenso autor em nenhuma outra obra. Este livro foi dividido em duas partes: a primeira ensina a comunicar-se com os espíritos do Ar, através de invocações a serem realizadas durante os sete dias da semana. Na Segunda parte, uma série de fórmulas ensina como conjurar entidades para descobrir tesouros, escutar segredos, fazer alguém se apaixonar, abrir cadeados e mais uma série imensa de utilidades práticas do cotidiano.

iii Goetia ou Goëtia é uma prática mágica que inclui a conjuração de demônios ou gênios. Apalavra grega antiga γοητεία (goēteía) significa “encanto, malabarismo, feitiçaria”, de γόης (góēs) “feiticeiro, mago” (plural: γόητες góētes). Durante a Renascença, a goëtia foi às vezes contrastada com magia, como “magia do mal” vs. “magia boa” ou “Magia natural”, ou às vezes com teurgia. Heinrich Cornelius Agrippa, em seus Três Livros de Filosofia Oculta, escreve “Agora, as partes da magia cerimonial são goetia e teurgia. Goetia é infeliz, pelos comércios de espíritos impuros compostos de ritos de curiosidades perversas, encantos iníquos, e depreciações, e é abandonado e execrado por todas as leis.”

iv O Shem HaMephorash (hebraico: שם המפורש, alternativamente Shem ha-Mephorash ou Schemhamphoras), significando o nome explícito, é um termo originalmente tannaítico que descreve um nome oculto de Deus na Cabala (incluindo variantes cristãs e herméticas), e em algumas mais discursos judaicos convencionais. O “nome dobrado 72 vezes ” é altamente importante para o Sefer Raziel, e um componente chave (mas frequentemente ausente) para as práticas mágicas na Chave Menor de Salomão. É derivado de Êxodo 14: 19–21, lido de forma a produzir 72 nomes de três letras. Este método foi explicado por Rashi. As lendas cabalistas e ocultistas afirmam que o nome 72 formado foi usado por Moisés para cruzar o Mar Vermelho, e que pode conceder aos santos mais tarde o poder de expulsar demônios, curar os enfermos, prevenir desastres naturais e até matar inimigos.

v Sagrado Anjo Guardião – considerado a própria Voz de Deus dentro do indivíduo. Uma vez obtida a cooperação do Santo Anjo da Guarda, o aspirante poderia passar a controlar todos os espíritos da natureza e infernais.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-verdade-sobre-as-evocacoes/

Como Identificar Picaretas e Charlatões

Texto original de Yuri Motta

O TDC sempre foi um Blog voltado para fornecer material de confiança para os iniciados, buscadores, estudantes e estudiosos. Nos últimos anos, acabamos, por força da confiança depositada em nós, nos tornando um farol para denunciar picaretas, esquisotéricos e charlatões que infestam o meio.

Aos poucos, acabamos percebemos que é um trabalho inútil. Denunciávamos um pacto picareta, no mesmo dia alguém mandava um email perguntando “Parabéns pelo post. Agora que vc falou do pacto picaretum, pode indicar um pacto sério com Lúcifer?” e por ai vai… ou seja, nas palavras de P.T. Barnum, “nasce um otário a cada minuto” e esses idiotas às vezes precisam passar pela experiência kármica de serem dilapidados por uma amarração caríssima, uma cabala ginecológica, um falso rabino ou um tratamento de mesa positrônica quântica para que possa aprender pela dor da perda monetária ou humilhação de se tornar uma “noiva do rabino”.

A partir de 2015 estaremos retornando para nossas origens e postaremos mais textos sobre hermetismo, espiritualidade, investigação cética do ocultismo e textos clássicos. Deixarei então, este post sobre o assunto para que vocês coloquem nos favoritos e quando alguém pedir recomendações sobre algum “mestre”, “rav”, “professor” ou “bruxo” qualquer coisa vocês mandem a pessoa olhar aqui.

COMO IDENTIFICAR UM CHARLATÃO

Google

A indicação mais simples de todas. Entre com o nome do sujeito no Google. Normalmente você já cairá em sites de pessoas que foram enganadas ou alguma postagem antiga daqui. Esse procedimento simples já ajuda a resolver 80% dos casos. Contudo, muitos picaretas trocam de sobrenome ou reformulam seus sites de tempos em tempos, justamente para tentar escapar deste procedimento.

Títulos Mirabolantes

O picareta na maior parte das vezes vai ter um título na frente do nome, embora usar um título na frente do nome não seja razão para você chamar alguém de picareta, é quase sempre certeza que o picareta vai ter algo na frente do nome para dar certeza de que ele é alguma coisa (que quase sempre não é).

“Rav”, “Mago”, “Bruxo”, “professor”, “Babalorixá”, “Pai”, “Mãe” e outros, são títulos que eles pegam de religiões ou práticas espirituais para usar a favor deles próprios, as vezes desvirtuando religiões que eles próprios não conhecem, como exemplo a Umbanda e o Candomblé e especialmente a Quimbanda, muitos se dizem pai ou mãe de santo, mas não dirigem nenhum terreiro, o que é, para quem entende do assunto uma grande piada (de mal gosto). Ou seja, se a pessoa se intitula “pai-de-santo” mas não dirige nenhum terreiro, é certeza de ser furada…

Entidades “do bem”

Todo picareta da espiritualidade que se preze vai se gabar por ter um monte de entidades (do bem ou do mal, vai por conta do freguês) à sua disposição para qualquer feitiço, amarração “do amor” ou pacto “da prosperidade” de lúcifer/goécia que queira, e essas entidades vão “falar no ouvido dele” o que deve ser feito e até QUANTO DEVE SER COBRADO. Amigos, entidades sérias tem coisas muito mais importantes para fazer no mundo espiritual do que auxiliar o picareta a trazer um marido de volta ou uma coisa insignificante do tipo. Qualquer um que prometer “trazer a pessoa amada” É PICARETA. Ponto final. Não há “prazo”, “mais caro”, “amarração do bem”, “alguém fez trabalho contra”, “demanda” ou o caraio de judas… existe apenas um patife querendo abusar da sua fragilidade emocional.

História Espetacular

Todo charlatão tem um passado espetacular, as histórias deles são quase sempre iguais, eles são pessoas que tinham dons latentes desde pequenos e faziam coisas que pessoas normais não faziam.

Alguns inventam viagens mirabolantes para Israel, Curas milagrosas de câncer, avós milionárias que o sustentam, etc… Para resumir, de uma forma ou de outras eles são incríveis e melhores que eu, você ou qualquer um no mundo, mas perdem seu tempo fazendo “caridade” em lhe trazer a mulher amada (em troca de algum dinheiro, claro!).

Nos sites do charlatão sempre diz que ele tem “reconhecimento e fama sem limites”, mas ele nunca fala DE ONDE, nem QUANDO, nem QUEM o reconhece, pois quase ninguém o conhece realmente e não há nada sobre ele em nenhum lugar que não seja o próprio site.

Ordens Falsas

Geralmente as ordens falsas são sempre semelhantes: os líderes delas não são líderes por trabalharem duro e subirem os degraus, são líderes porque INVENTARAM as tais ordens com nomes cada vez mais mirabolantes e que nunca ninguém ouviu falar.

Quase sempre vão se manter às custas do dinheiro dos que são afiliados delas; como são poucos a mensalidade tende a ser alta, nem sempre é mensalidade, a criatividade não tem limites, pode ser cursos, livros, materiais, taxas para iniciação, etc.

Geralmente o objetivo central é o dono da tal “ordem” viver do dinheiro dela, assim como algumas igrejas, mas quase nenhum consegue.

Nunca um charlatão vai falar que é da Maçonaria, AMORC, TOM, FRA, CALEN, Astrum Argentum, Arcanum Arcanorum ou Círculo Iniciático de Hermes, por exemplo, pois nas Ordens sérias os membros são identificados facilmente pelos outros membros, às vezes com um simples telefonema para confirmar a veracidade da informação.

MUITO CUIDADO com “Maçonarias” que fazem SPAM, anunciam no Google, Facebook ou Orkut… NENHUMA ordem séria faz recrutamento por Spam. Não importa o quão lindo e maravilhoso seja o site ou o quanto falem que é “regular”…

Preços

Preços altos são um grande indício, por quê?

Porque se ele conseguir tirar 1.000 reais ou mais de você, não tem problema você sumir depois, afinal você já pagou quase um salário mínimo então se pagar mais para o farsante já é lucro para ele.

E por mais engraçado que pareça se a coisa for cara as pessoas automaticamente botam mais fé que pode dar certo.

ESTE TÓPICO É ESPECIALMENTE IMPORTANTE EM RELAÇÃO A ORDENS “MAÇÔNICAS” de internets… se tem “regular” no nome, pode ter certeza que NÃO é… as “iniciações” podem chegar a R$ 5.000,00 nesses verdadeiros caça-níqueis de curiosos.

Os Produtos e Serviços

Os produtos são diversos, não importa se for alguma coisa material, ou algum ritual, todo produto e serviço nada mais é que uma Promessa, geralmente em cima do seu desespero… seja de trazer amor ou riqueza, não importa o que seja, o que o charlatão vende é sempre algum “resultado”.

Estranhamente eles sempre vão vender promessas de coisas que eles não possuem: quase sempre os que vendem riqueza são golpistas pobres e desesperados, geralmente os que prometem amor de volta são solteironas ou solteirões largadas, o que promete “alma gêmea” é casado e trai a mulher sistematicamente, e os que prometem “dar mediunidade”, capacidades especiais, poderes mágicos geralmente são os que não possuem nada disso, por isso sabem enrolar bem que tem as mesmas necessidades que eles.

Pactos, Almas Gêmeas e outras coisas sem Sentido

Como a pessoa vende um pacto para te deixar rico ou ter prosperidade se ela mesma que vende o pacto não consegue isso e precisa vender pactos para ganhar dinheiro?

Se fosse real, a própria pessoa estaria morando em uma ilha particular ou casado com alguém especial.

Quando acusados, eles sempre se fazem de vítimas

Se tem uma verdade sobre o picareta, é que ele nunca está errado, quando sua amarração não funcionar, vai ser culpa sua, pois não teve fé, ou até pode ser que existia uma energia negativa impedindo o trabalho e ele vai precisar de mais dinheiro.

Se alguma aluna assediada o encurralar ou uma classe inteira descobrir que o “professor” não mora em Copacabana, mas na Vila Penha, ele diz que ela é louca e que ele é um pobre coitado vítima da inveja dos outros. Mas não consegue desmentir… e no final do dia, retorna para a favela de onde nunca vai sair…

Se alguém acusar o charlatão, muito raramente ele vai ameaçar a pessoa com magia, a não ser que tenha certeza que a pessoa acredita nos poderes dele. Nessas horas as diversas “entidades” que são empregadas dele não poderão fazer nada, o charlatão vai te ameaçar com outras coisas, como processo por exemplo ou vai sair chorando aos quatros cantos que é uma pessoa injustiçada e seus acusadores são pessoas invejosas.

No mais, na maior parte das vezes, quando o charlatão estiver com seu dinheiro, ele vai sumir.”

REPASSEM ESTE POST. Publiquem em listas pequenas de Facebook ou grupos, pois os charlatões gostam de lugares ermos, onde as pessoas sejam crédulas ou não possuam acesso à informação. VERIFIQUEM A PROCEDÊNCIA DE QUALQUER PROFESSOR DE QUALQUER COISA ESOTÉRICA.

#Fraudes

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/como-identificar-picaretas-e-charlat%C3%B5es

Atlântida e Lemúria, Continentes Desaparecidos

Para os leitores não familiarizados com o progresso alcançado recentemente pelos diligentes estudantes de ocultismo ligados à Sociedade Teosófica, o significado do relato aqui contido seria mal compreendido sem uma explanação preliminar.

A civilização ocidental, em sua pesquisa histórica, sempre dependeu de algum tipo de registro escrito. Quando os dados literários são escassos, às vezes monumentos de pedra e restos fósseis têm sido encontrados, fornecendo-nos algumas evidências confiáveis, ainda que inarticuladas, a respeito da antiguidade da raça humana; mas a cultura moderna perdeu de vista ou tem negligenciado possibilidades relacionadas com a investigação de eventos passados que independem das evidências falíveis que nos foram transmitidas pelos antigos escritores. Sendo assim, atualmente, a humanidade em geral é tão pouco sensível aos recursos da capacidade humana que, até agora, para a maioria das pessoas, a própria existência, mesmo enquanto potencialidade de poderes psíquicos, que alguns de nós exercem conscientemente o dia todo, é desdenhosamente negada e ridicularizada. A situação é lamentavelmente ridícula do ponto de vista daqueles que apreciam as probabilidades da evolução, pois, desse modo, a humanidade mantém-se obstinadamente distante de um conhecimento que é essencial para seu próprio progresso ulterior. O desenvolvimento máximo de que é suscetível o intelecto humano, enquanto ele próprio negar todos os recursos da sua consciência espiritual mais elevada, nunca poderá ser mais do que um processo preparatório, comparado com aquele que poderá atingir quando as faculdades forem suficientemente ampliadas para entrar em contato consciente com os planos ou aspectos superfísicos da Natureza.

Para qualquer pessoa que tenha paciência para estudar os resultados divulgados pela investigação psíquica durante os últimos cinqüenta anos, a realidade da clarividência como fenômeno ocasional da inteligência humana deve estabelecer-se numa base sólida. Para estes que, mesmo sem serem ocultistas – isto é, estudantes dos aspectos mais sublimes da Natureza, em posição de obter melhor ensino do que alguns livros podem oferecer -, somente se utilizam de dados registrados, uma declaração da parte de outros acerca da incredulidade na possibilidade da clarividência estará no mesmo nível da notória incredulidade africana em relação ao gelo. Mas as experiências de clarividência, que se acumularam nas mãos dos que a estudam em conexão com o mesmerismo, nada mais fazem senão provar a existência, na natureza humana, da capacidade de conhecer fenômenos físicos distantes no espaço ou no tempo, de um modo que nada tem que ver com os sentidos físicos. Os que têm estudado os mistérios da clarividência em conexão com o ensinamento teosófico são capazes de perceber que os recursos básicos dessa faculdade colocam-se além de suas mais humildes manifestações, abordadas pelos pesquisadores mais simples, tal como os recursos dos grandes matemáticos superam os do ábaco. Há, de fato, muitas espécies de clarividência, as quais, sem exceção, assumem facilmente seus lugares quando apreciamos a maneira como a consciência humana atua nos diferentes planos da Natureza. A faculdade de ler as páginas de um livro fechado, de discernir objetos com os olhos vendados ou objetos que estão distantes do observador é uma faculdade completamente diferente daquela empregada no conhecimento de eventos passados. A respeito deste último, fazem-se necessárias aqui algumas palavras a título de esclarecimento, a fim de que o verdadeiro caráter do presente tratado sobre a Atlântida possa ser compreendido. Contudo, aludo às outras formas simplesmente para que esta necessária explicação não corra o risco de ser interpretada como uma teoria completa da clarividência, em todas as suas variedades.

Podemos ter uma melhor compreensão da clarividência relacionada com eventos passados considerando, em primeiro lugar, os fenômenos da memória. A teoria da memória que a relaciona com uma imaginária reorganização de moléculas físicas de matéria cerebral, que prossegue a cada instante de nossas vidas, não se apresenta como plausível a ninguém que possa ascender um degrau acima do nível de pensamento do inflexível materialista ateu. A todos os que aceitam, mesmo como uma hipótese razoável, a idéia de que o homem é algo mais do que uma carcaça em estado de animação, deve ser razoável a hipótese de que a memória tem que ver com aquele princípio suprafísico no homem. Em suma, sua memória é uma função, não do plano físico, mas de algum outro plano. As imagens da memória imprimem-se, sem dúvida, em algum agente não-físico e são acessíveis, em circunstâncias comuns, ao pensador incorporado, graças a algum esforço que este faça, embora tão inconsciente de seu caráter preciso quanto o é acerca do impulso cerebral que aciona os músculos do seu coração. Os eventos com os quais ele teve relação no passado estão fotografados pela Natureza em alguma página imperecível, de substância suprafísica, e, através de um esforço interior apropriado, ele é capaz de trazê-los de volta, quando deles necessita, para dentro do campo de algum sentido interior, o qual reflete sua percepção no cérebro físico. Nem todos somos capazes de fazer esse esforço igualmente bem, tanto que a memória às vezes é obscura mas, mesmo na experiência da pesquisa mesmeriana, a ocasional superexcitação da memória sob a ação do mesmerismo é um fato conhecido. As circunstâncias demonstram claramente que o registro da Natureza é acessível, caso saibamos como recuperá-lo, mesmo quando nossa capacidade de empreender um esforço para essa recuperação estiver, de algum modo, aperfeiçoada, sem que tenhamos um conhecimento aperfeiçoado do método empregado. E, a partir dessa reflexão, podemos chegar, através de uma simples transição, à idéia de que os registros da Natureza não são, de fato, coleções isoladas de propriedade individual, mas constituem a memória universal da própria Natureza, sobre a qual diferentes pessoas estão em condições de traçar esboços, de acordo com suas respectivas capacidades.

Não estou afirmando que esta conclusão seja uma consequência lógica, necessária, dessa reflexão. Os Ocultistas reconhecem-na como uma realidade, mas o meu propósito atual é mostrar ao leitor não-Ocultista o modo como o Ocultista talentoso chega aos seus resultados, sem pretender resumir todos os estágios do seu progresso mental nesta breve explanação. A literatura Teosófica deve ser consultada detalhadamente por aqueles que procuram uma elucidação mais ampla das perspectivas magníficas e das demonstrações práticas de seu ensino em muitas direções que, no decorrer do desenvolvimento Teosófico, têm sido expostas ao mundo para benefício de todos os que são aptos a delas tirar proveito.

A memória da Natureza é de fato uma unidade estupenda, assim como, num outro sentido, toda a Humanidade poderá constituir uma unidade espiritual, se ascendermos a um plano suficientemente elevado da Natureza, em busca da esplêndida convergência onde se alcança a unidade sem a perda da individualidade. No entanto, para a Humanidade comum representada no momento pela maioria, no primitivo estágio de sua evolução, as capacidades espirituais interiores, que se estendem além daquelas das quais o cérebro é um instrumento de expressão, encontram-se ainda muito pouco desenvolvidas para habilitá-la a entrar em contato com quaisquer outros registros nos vastos arquivos da memória da Natureza, exceto aqueles com os quais tiveram contato individual no ato de sua criação. O cego esforço interior que essas pessoas são capazes de fazer, não evocará, via de regra, quaisquer outros. Contudo, temos conhecimento, ha vida ordinária, de esforços que são um pouco mais eficazes. A “Transmissão de Pensamento” é um exemplo modesto. Nesse caso, as “impressões na mente” de uma pessoa, as imagens da memória da Natureza com as quais ela está em conexão normal, são captadas por outra que, em condições favoráveis, embora inconsciente do método utilizado, tem o poder de 4 atingir a memória da Natureza um pouco além do âmbito com o qual ela própria está em conexão normal. Embora superficialmente, essa pessoa começou a exercitar a faculdade da clarividência astral. Este termo pode ser usado convenientemente para denotar a espécie de clarividência que ora me empenho em elucidar; a espécie que, em alguns de seus mais magníficos desenvolvimentos, foi empregada para levar a cabo as investigações que serviram de fundamento à compilação deste relato acerca da Atlântida.

Na verdade, não há limite para os recursos da clarividência astral nas investigações concernentes à história do passado da Terra, quer estejamos interessados nos eventos que sobrevieram à raça humana em épocas pré-históricas, quer no desenvolvimento do próprio planeta ao longo dos períodos geológicos que antecederam o advento do homem, ou mesmo nos eventos mais recentes, cujos relatos em voga têm sido distorcidos por historiadores negligentes ou perversos. A memória da Natureza é totalmente exata e precisa. Tempo virá, tão certamente quanto a precessão dos equinócios, em que o método literário da pesquisa histórica será posto de lado como obsoleto em relação a toda obra original. As pessoas entre nós que são capazes de exercitar a clarividência astral com plena perfeição – mas que ainda não foram chamadas às funções mais elevadas, vinculadas ao fomento do progresso humano, a respeito do qual as pessoas comuns, nos dias atuais, sabem ainda menos do que um camponês hindu sabe acerca de uma reunião ministerial – são ainda muito poucas. Aqueles que estão a par do que essas poucas pessoas podem fazer e a que processos de treinamento e autodisciplina elas têm se submetido na busca de ideais interiores, dentre os quais a obtenção da clarividência astral é apenas uma circunstância individual, são muitos, mas ainda uma pequena minoria, se comparados com o mundo culto moderno. Mas com o passar do tempo, e dentro de um futuro mensurável, alguns de nós têm razão para acreditar que o número dos que são capazes de exercer a clarividência astral aumentará bastante para ampliar o círculo dos que estão conscientes de suas capacidades, até que este venha a abranger, daqui a umas poucas gerações, toda a inteligência e cultura da humanidade civilizada. Entrementes, este volume é o primeiro a se evidenciar enquanto ensaio pioneiro do novo método de pesquisa histórica. É divertido, para todos os que se preocupam com ele, pensar em como, inevitavelmente, será confundido – embora por um curto espaço de tempo e pelos leitores materialistas, incapazes de aceitar a franca explicação aqui fornecida a respeito do princípio sobre o qual ele foi elaborado – com um produto da imaginação.

Para benefício dos que são capazes de ser mais intuitivos, talvez fosse bom dizer uma palavra ou duas que possam impedi-los de supor que a pesquisa histórica feita por meio da clarividência astral é um processo que não envolve problemas e nem se depara com obstáculos, pelo fato de lidar com períodos centenas de milhares de anos distantes do nosso. Cada fato relatado neste volume foi obtido pouco a pouco, com muito cuidado, no curso de uma investigação na qual mais de uma pessoa qualificada vem se empenhando, nos intervalos de outras atividades, há alguns anos. E para favorecer o sucesso de seu trabalho, foi-lhes permitido o acesso a alguns mapas e a outros registros que foram preservados dos remotos períodos em questão – aliás, em custódia mais segura do que a daquelas turbulentas raças que, nos breves intervalos de lazer entre guerras, ocupavam-se, na Europa, com o desenvolvimento da civilização, duramente perseguida pelo fanatismo que, por tanto tempo durante a Idade Média, considerou sacrílega a ciência.

A tarefa tem sido árdua mas, de qualquer modo, o esforço será reconhecido como amplamente compensador por todos os que forem capazes de reconhecer o quanto uma compreensão apropriada de épocas antigas, tal como a época da Atlântida, faz-se necessária para uma compreensão adequada do mundo atual. Sem este conhecimento, todas as especulações

concernentes à etnologia são fúteis e enganosas. Sem a chave fornecida pelo caráter da civilização atlante e pela configuração da Terra nos períodos atlantes, o processo de desenvolvimento da raça humana é caótico e confuso. Os geólogos sabem que as superfícies da terra e dos oceanos devem ter mudado repetidamente de lugar durante o período em que, como é sabido pela localização de vestígios humanos em vários estratos, as terras eram habitadas. E, contudo, por falta de um conhecimento preciso sobre as datas em que essas mudanças ocorreram, eles rejeitam toda a teoria de seu pensamento prático e, à exceção de certas hipóteses postuladas pelos naturalistas que se dedicam ao Hemisfério Sul, geralmente se empenham em conciliar a migração das raças com a configuração atual da Terra.

Desse modo, o absurdo se instala em todo o retrospecto; e a sinopse etnológica permanece tão vaga e obscura que não consegue substituir as concepções incipientes a respeito do início da Humanidade, as quais ainda dominam o pensamento religioso e retardam o progresso espiritual da nossa era. A decadência e o desaparecimento final da civilização atlante são, respectivamente, tão instrutivos quanto sua ascensão e glória; creio assim ter atingido o principal propósito para o qual fui solicitado: apresentar esta obra para o mundo, através de breve explanação introdutória; e se o seu conteúdo for insuficiente para fornecer uma compreensão de sua importância aos leitores a quem ora me dirijo, esse efeito dificilmente seria atingido através de ulteriores recomendações minhas.

A. P. SINNETT 1896

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/atlantida-e-lemuria-continentes-desaparecidos-prefacio-a… […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/atlantida-e-lemuria-continentes-desaparecidos-prefacio-atlantida/

Noé – o que merece ser salvo? (parte 1)

Nos primeiros meses de 2014 estreou no país mais um filme supostamente “bíblico”, narrando a famosa história da Arca de Noé. Darren Aronofsky, entretanto, não parecia a primeira vista um diretor ou roteirista com muita inclinação a temas demasiadamente religiosos. E, de fato, o seu Noé passa longe de ser uma história “fiel a Bíblia Sagrada”, tanto que gerou comentários como este, de um missionário cristão “enganado pelo trailer do filme”:

O filme tem muitas coisas de mau gosto e interpretações sem nenhum fundamento religioso ou bíblico. Penso que o autor da obra poderia ter respeitado, pelo menos, o essencial da narração do texto bíblico […] A verdade é que o longa-metragem é uma afronta e uma distorção da beleza da revelação divina. Ele não merece ser visto nem apreciado por quem tem a Bíblia como um Livro Sagrado, fonte da revelação divina e inspiração primeira de fé. Existem filmes mais sérios e de roteiros mais qualificados.

Enquanto, ao mesmo tempo, vimos esta “sinopse do filme Noé, escrita por um ateu” fazer certo sucesso nas mídias sociais:

O filme conta a história de um ancião chamado Noé, de 600 anos, que resolve construir um barco após ouvir Deus dizer que mandaria um dilúvio para afogar toda a humanidade. Noé e seus filhos passam a ser responsáveis por acomodar na embarcação quase 5 milhões de casais de animais, incluindo os de continentes ainda desconhecidos. Após serem os únicos sobreviventes do dilúvio, a família de Noé tem um novo desafio: repovoar o planeta através do incesto, e dar origem a povos de diferentes etnias, como negros, pardos, asiáticos, etc.

Ah, nada como o choque de extremos! Enquanto os fanáticos da crença não suportam ouvir a sua querida história fossilizada num livro milenar com sequer uma vírgula fora do lugar, os fanáticos da descrença caçoam ferozmente de qualquer um que tenha ido ao cinema “ver tamanho absurdo ilógico”.

Pois bem, a vantagem de não sermos fanáticos, senão pelo bom senso, é que podemos muito bem ir ao cinema ver o filme de Aronofsky sem nos sentirmos escandalizados nem pelo fato de o roteiro se afastar em muito do Gênesis, nem pelo fato de a história não ser nem um pouco verossímil – pois que se trata de mitologia!

O Dilúvio

São tantas as mitologias que falam de um Grande Dilúvio que cobriu a Terra, que muitos historiadores creem que, de fato, nossos ancestrais devem ter atravessado não uma, mas diversas inundações catastróficas. Pense numa época sem internet, TV, jornais ou telégrafos, onde muitas vezes tudo o que um povo conhecia eram os arredores de sua floresta ou campina… Ora, qualquer inundação capaz de cobrir uma área extensa o suficiente poderia muito bem lhes parecer como se o mundo todo estivesse sendo inundado!

E, de fato, relatos como este não faltam nos mitos dos mais variados povos – muitos deles mais antigos que os hebreus:

Na Epopéia de Gilgamesh, o mais antigo poema épico de que se tem notícia na história, encontrado no Iraque (que, há cerca de 5 mil anos atrás, foi o berço de uma grandiosa civilização antiga, quando a região era então conhecida como Mesopotâmia) por arqueólogos modernos, temos a passagem onde o herói Gilgamesh pergunta a Siduri (deusa do vinho e da sabedoria) como encontrar Utnapishtim, o sobrevivente do Grande Dilúvio e único humano a receber a imortalidade. Ao finalmente encontrá-lo, ouve de sua boca o relato de como os deuses, zangados com o comportamento barulhento e desregrado dos humanos, resolveram destruir os mortais com um dilúvio. Utnapishtim afirma que só foi salvo porque Ea (deus da água) o visitou num sonho e lhe mandou construir um barco. Como fora o único a sobreviver à grande tempestade, os deuses lhe concederam a vida eterna como prêmio (ele provavelmente trouxe algumas mulheres em seu barco).

O conceito de dilúvio como punição divina aparece também na história clássica da Atlântida. No mito da Grécia Antiga, Zeus enviou um dilúvio para punir a arrogância dos primeiros homens. O titã Prometeu advertiu Deucalião, seu filho, da catástrofe eminente. Ele então construiu uma arca e nela se refugiou com a esposa, Pirra. Por nove dias e nove noites ficaram à mercê das águas (um dilúvio mais curto que o bíblico), até pararem no monte Parnaso. Quando as chuvas cessaram, Deucalião ofereceu um sacrifício a Zeus, que em troca lhe concedeu um desejo. O seu desejo foi simplesmente pedir por mais homens e mulheres para os ajudar a repovoar e Terra (um homem prático).

Há muitos mitos parecidos espalhados pelos povos antigos. Em muitos mitos de criação o mundo era formado por um oceano quando em seu estado primitivo; dessa forma, pela sua inundação, os deuses o devolvem ao seu estado inicial, permitindo um recomeço.

Nos contos dos chewongs da Malásia, o criador Tohan transforma o mundo de tempos em tempos, quando submerge todas as pessoas, exceto as que foram prevenidas, e cria uma nova Terra no fundo das águas. Na mitologia nórdica, temos o conto do Choro de Baldur, quando o malvado Loki faz o arqueiro cego e sua flecha de visgo assassinarem o benevolente Baldur, e todas as coisas que existem choraram por ele, causando um dilúvio. Na mitologia hindu, um peixe disse a Manu que as águas cobririam a terra e, novamente, temos uma arca salvando a continuidade da humanidade. Entre os celtas, os poemas do Ciclo de Finn narram a ocupação da Ilha após o Grande Dilúvio. Nos índios americanos, temos a história de Kwi-wi-sens e como ele e seu amigo corvo escaparam do dilúvio causado pelos deuses dos céus… Acho que já deu para entender né? Essa história simplesmente não será esquecida…

O mito de cada um

O que nos leva a questão de compreender o que diabos é exatamente a mitologia. Segundo Joseph Campbell, “um mito é algo que não existe, mas existe sempre”. Com isso, ele queria dizer que os mitos são nada mais que os fatos da mente, os sonhos e pesadelos do consciente e inconsciente humano, encenados “do lado de fora”. O lado exterior, que um cético poderia, quem sabe, chamar de “mundo real”, é o lado que existe no tempo. Mas o lado interior, apesar de também computar a passagem dos dias e noites, faz algo que vai além da capacidade das máquinas e tecnologias mais avançadas: os interpreta!

É na interpretação da vida que sentimos emoções como o amor, o medo, a raiva, a tranquilidade e a angústia. É na constante lembrança e reinterpretação de tais emoções que terminamos por produzir a arte, e toda arte precisa contar uma história – e toda grande arte acaba por tocar na essência atemporal do ser humano, acaba por conceber um mito…

No entanto, como também dizia Campbell, “qualquer deus, qualquer mitologia ou qualquer religião são verdadeiros num sentido – como uma metáfora do mistério humano e cósmico: Quem pensa que sabe, não sabe.

Quem sabe que não sabe, este sim, sabe. Há uma velha história que ainda é válida. A história da busca. Da busca espiritual… Que serve para encontrar aquela coisa interior que você basicamente é. Todos os símbolos da mitologia se referem a você: Você renasceu? Você morreu para a sua natureza animal e voltou à vida como uma encarnação humana? Você venceu o Grande Dilúvio para recomeçar numa nova Terra? Na sua mais profunda identidade, você é um desses heróis, você é também um deus”.

Dessa forma, quando uma criança ouve falar do Homem-Aranha ou do Super-Homem, e logo quer uma fantasia para poder brincar de ser o Homem-Aranha ou o Super-Homem, isto diz mais sobre a mente humana e sobre a mitologia do que julga a vã filosofia.

O que Aronofsky fez em seu filme foi nada mais do que reinterpretar o mito da Arca de Noé. Podemos não gostar da sua interpretação, mas seria realmente infantil (no mal sentido) julgarmos a sua obra “heresia” ou “absurdo ilógico” de antemão, apenas porque, provavelmente, ainda não fazemos a mais vaga ideia do que vem a ser, de verdade, a mitologia.

A mensagem ecológica do filme é clara e evidente. Se no Gênesis a humanidade era punida pelo Criador pelo fato de haverem procriado com “os filhos de Deus” e de, por alguma razão, a maldade haver se espalhado pelo mundo (Ge 6:1-5), no Noé do cinema o homem arrasou com os recursos naturais do planeta, ao ponto de não vermos sequer uma única árvore remanescente até que Noé tenha plantado uma das sementes do Éden que foram guardadas pelo seu avô.

Além disso, Aronofsky também incorre em uma arriscada crítica ao fanatismo religioso, a tornar o próprio Noé um advogado do fim de toda a raça humana, desejando deixar apenas os animais “inocentes” para o novo mundo. A maneira como este enredo de desenrola no filme é um dos pontos mais originais e que mais se afastam da narrativa bíblica – no entanto, se formos analisá-lo do ponto de vista da nossa época atual, se trata de uma adição totalmente válida ao mito.

Que bom que Aronofsky soube interpretar a história do Dilúvio a sua maneira. Porque não podemos, então, fazer o mesmo?

» Em seguida, os mares internos da alma…

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Bibliografia: Guia Ilustrado Zahar de Mitologia (Philip Wilkinson e Neil Philip); Enciclopédia de Mitologia (Marcelo Del Debbio); O Poder do Mito (Joseph Campbell e Bill Moyers)

Crédito da imagem: Noé – O filme (Divulgação)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

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#Cinema #Cristianismo #Gênesis #Mitologia #Judaismo

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Pactum Pactorum

pactum-pactorum

Venha Participar de um ritual de Alta Magia que tem por objetivo abrir os portais da Riqueza e da Prosperidade para o praticante. Este é um ritual sério que nada tem a ver com Pactos Demoníacos e entidades maléficas.

Só que não!

Praticamente uma vez por mês recebo estes SPAMS inúteis vindo de Estelionatários ávidos por separar os trouxas de seu dinheiro, prometendo pactos mirabolantes, cursos de magia e rituais de riqueza fantasiosas. P.T.Barnum estava coberto de razão quando dizia que “Nasce um otário a cada minuto!”. No caso de Pactos com Lúcifer, parece que essa cota aumenta…

Vamos observar o email:

Sabemos que existem muitos mitos que rodeiam sobre rituais de Alta Magia e Pactos e que assim povoam o consciente da maioria das pessoas com pensamentos assustadores e tenebrosos. Não são medos infundados, pois desde a Inquisição muitas estórias foram inventadas para colocar medo naqueles que ousassem desobedecer as ordens da Igreja Romana. Além disso, são comuns em nossos tempos, pessoas praticarem ritos absurdos com entidades do plano inferior oferecendo a própria alma em troca de poucos anos de riqueza.

Nosso Ritual não tem nada a ver com isso!

Trata-se de um ritual sério, bonito, fundamentado em conhecimento, não na fé cega. Nosso Ritual não ofende a nenhuma religião, não blasfema contra nenhum Deus, não é um ritual de cunho sexual, não há nudismo, não há venda de almas e nem sacrifícios de sangue. E, além disso, funciona melhor que qualquer outro ritual que se possa ter notícias. Simplesmente porque não há nenhuma entidade superior à do nosso ritual na função de distribuir riquezas em nosso planeta -Nosso Ritual é para Reis – Venha Reinar Conosco!

Podemos perceber a marmotagem logo no primeiro parágrafo… o cara é mais escorregadio que um pastor evangélico. Não fala quem faz o ritual, o que faz, o que fará, nada… a idéia de que exista um ritual “que não blasfema contra nenhum Deus” ou “que não ofenda nenhuma religião” já mostra a total picaretagem do sujeito e já deveria levantar todas as bandeiras de suspeita… mesmo os bananas satanistas de orkutbook e seus “rituais de prosperidade do diabo” sabem que os crentes se melindram até com as velas dos rituais dos wiccas.

Outra indicação forte de picaretagem está em anunciar “segredos proibidos, rituais de reis, coisas que apenas o nosso grupinho secreto sabe para dominar o mundo”. Curiosamente, continuam pobres e desesperados por vender pactos da prosperidade.

Ora, qualquer meio-cérebro sabe que, se um ritual de prosperidade luciferiana funcionasse, a pessoa só precisaria fazê-lo uma vez e seria próspero… se a pessoa tem de mandar spams vendendo pactos a cada dois meses, é mais do que óbvio que eles não funcionam.

· O ritual é realizado individualmente em nosso Castelo (de forma secreta), ou seja, sem que ninguém mais necessite saber que vós realizou o ritual (isso será entre você e os Mestres Magos possuidores do Rito (e somente com tal discrição existirá o retorno esperado – não prossiga sem total discrição) ’Para obter algo que você nunca teve, precisa fazer algo que nunca fez’. Através desse ritual, nós vos apresentamos à uma Poderosa Entidade Espiritual, incumbindo-lhe a missão de trazer-lhe riquezas e bens materiais. Você obterá também aumento da percepção, da influência, do poder e fortuna pessoal.

Mesmo porque imagine a vergonha alheia de voce ter de ir na polícia reclamar que foi feito de trouxa porque queria “fazer um pactum pactorum com lucifugo rocambole para ficar rico, mas eles roubaram seu dinheiro e não te deram nada”… o delegado ia mijar de rir da sua cara… Muitos desses pilantras esquisotericos utilizam-se dessa cobertura de “sigilo e segredo” para criar uma aura de mistério e amedrontar os trouxas. Quem os vê no youtube até poderia dar alguma credibilidade (ainda mais porque o alvo desses espertalhões geralmente é a pessoa que não entende nada de hermetismo). Depois, quando nada der certo, o otário vai reclamar com quem? com Satã? hauahauaha

continuando:

O nosso Rito possui alta tensão mágicka e não meras formalidades teatrais ou simbólicas. O que pode ser descrito (é bem limitado, pois não deve ser exposto). Em sua iniciação você passará por algumas preparações fundamentais, que seguem toda uma tradição ritualística, essa cerimônia é individual e realizada somente com sua presença em nosso Castelo, na região de xxxxxxxxxxx; em data específica, com absoluto sigilo. Seu corpo astral receberá ”marcas” que serão reconhecidas por outros seres astrais, além do recebimento de alguns ”itens” (que não podemos descrever aqui).

Para participar do ritual é preciso antes fazer o Curso Preparatório e também uma preparação pessoal antes do rito. Além disso, nós temos que confeccionar a jóia ritualística, os utensílios mágickos, vestimenta e pergaminho sagrado que será usado por vós na realização do ritual.

Dercy Gonçalves, grande illuminati, dizia sempre que “alta tensão mágicka de cu é rola!” e, na verdade, todo o teatrinho desses vigaristas era feito pensando justamente em deixar o infeliz assustado. Os crentes em suas centenas de anos de propaganda já criaram um diabo super-hiper-duper-poderoso, e nada mais bacana do que aproveitar dessa fama para pegar alguns trouxas. Além do mais, se o camarada já ficar com medo, melhor ainda, porque não vai reclamar depois. O lance de inventar um “curso preparatório para ritual de prosperidade” é coisa de Jênio! Espremer cada trocado da carteira do mané.

*Existem diversos custos que envolvem esse forte ritual e portanto esse custo é repassado ao interessado(a) que também deve contribuir com o Grande Templo, assim sendo, a taxa de participação é um investimento único de R$3.000,00 (Três Mil Reais) = um único investimento para uma nova vida de absoluto sucesso.

*pagamento no valor acima à vista e antecipado ao agendamento do ritual.

*consulte opções de parcelamento da taxa – com cheque – valor diferenciado.

Aceitamos vale-transporte e ticket restaurante também!

O nosso ritual é um rito de Alta Magia somente para os Reis!

Os Reis são aqueles que tem a mente aberta e têm coragem de encarar o mundo como ele realmente é!

Os Reis são aqueles que se responsabilizam pelos seus atos ao invés de compadecer-se de suas próprias dôres!

Os Reis são guerreiros, conquistadores e ambiciosos…

Os Reis compreendem que não ser escravo da matéria não significa viver na pobreza e sim possuir e dominar todo o qualquer bem que vier a desejar. Os Reis reinarão sobre todas as coisas materiais. E os escravos servirão!

Se você realmente tem interesse e está preparado para vir reinar conosco;

Obviamente, qualquer um que tenha o mínimo dessas qualidade passa longe dos picaretas. A única coisa certa que disseram é que os escravos servirão…

Felizmente, a polícia já começou a desbaratar essas quadrilhas de espertalhões. Alguns já foram, outros continuam agindo por ai. Fique esperto!

#Fraudes

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/pactum-pactorum

Contos do Vigário – O Guia Anti-Estelionato

Wagner Tomás Barba, Jorge Rodrigues da Silva

Sabe aquela pessoa cheia de boa vontade para ajudar no caixa eletrônico do banco? E aquela cota já contemplada de consórcio? E aqueles sorteios e prêmios oferecidos por uma famosa loja, será que vão mesmo acontecer? Muito cuidado. Você pode estar sendo vítima de mais um conto do vigário. Existem maneira antigas e novas de se aplicar um golpe, mas todas elas têm um único objetivo: separar você do seu dinheiro. Esse é o livro mais completo sobre como esses golpes funcionam e como se blindar contra estas pessoas mal intencionadas..

Aqui você encontrará dezenas de modalidades de contos do vigário e o que fazer para se proteger contra eles. Os autores, profissionais consagrados no setor da segurança pública explicam aqui como agem os vigaristas por meio de numerosas descrições de casos comuns. O livro foi escrito com base na experiência no combate ao crime de estelionato dos dois autores, assim como pela colaboração e consulta de dezenas de outros policiais.

Às vezes os golpistas agem sozinhos, as vezes em duplas e às vezes em grupos e muitas vezes existe uma conivência, mais ou menos explícita das vítimas. A leitura desta obra será um ótimo investimento do seu tempo para proteger o seu patrimônio e até impedir que você e seus familiares e amigos sejam vítimas de amargas ( e as vezes merecidas) gozações. Ninguém gosta de ser enganado então aprenda como não ser.

O que é estelionato?

Qualquer um de nós, a qualquer instante pode ser vítima de estelionato. No aconchego do lar, no trabalho, no comércio e particularmente dentro das agências bancárias. O nome estelionato nasceu do direito romano stellionatus que vem de stellio onis, que é o nome em latim para o camaleão, o réptil que muda de cor. Da mesma forma o estelionatário conforme o instante tem de agir de forma teatral efetuando performances para conseguir que seus golpes alcancem o sucesso.

Para definirmos segundo o Código Penal Brasileiro, estelionato é crime contra o patrimônio que consiste em obter para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento. A lei impõe uma descrição elástica de modo que os casos mais diferentes podem ser enquadrados nesta definição. Tornou-se sinônimo de falcatrua e fraudes diversas.

A Lei de Gerson

A lei de Gerson é aquela que diz que algumas pessoas querem levar vantagem em tudo. Muitas vezes o crime de estelionato se consuma exatamente quando a suposta vítima também é levada a acreditar que poderá usufruir de vantagens ilícitas ou imorais. Muitos golpes usam da malícia da vítima em levar vantagem ilícita. Isso faz com que,envergonhadas, poucas delas procurem a polícia. Veremos vários exemplos disso a seguir. Isso não significa entretanto que todas as vítimas de golpes são também vigaristas. Muitos outros golpes acontecem baseados simplesmente na inocência de suas vítimas.

O Conto do Prêmio

Neste tipo de conto é necessária a participação de dois estelionatários. Um deles, quase sempre uma mulher, observa dentro de uma agência bancária verificando quem efetua uma retirada grande de dinheiro. Após identificar a vítima, corre atrás dela e propositalmente deixa cair uma folha de cheque devidamente preenchida com alto valor.  Aproxima-se e pergunta se tal documento é dela. A vítima responde negativamente e então surge o comparsa dizendo ser proprietário do cheque. De tão agradecido dá uns telefonemas e diz sentir-se na obrigação  de oferecer aos outros dois um prêmio. A vítima cala-se no sentido de levar vantagem.Para retirar o prêmio cada um deve ir só em um endereço para retirar o prêmio e adverte que deverá deixar algum valor para comprovar sua honestidade. A mulher deixa a bolsa e vai retirar o prêmio retornando, por exemplo, com um belo calçado.  Agora é a vez da vítima que sabendo que ganhará o prêmio, não hesita em deixar seus pertences como  a desconhecida fez. Ao chegar na loja indicada descobre que não tem prêmio algum esperando e que ninguém conhece o homem. Ao retornar ao banco descobre que ambos os estelionatários já foram embora.

Conto do bilhete premiado

Este é um dos golpes mais antigos mas até hoje faz vítimas e também são necessários dois criminosos. Um estelionatário, geralmente vestindo roupas simples aproxima-se da vítima dizendo que veio do interior e que teria comprado um bilhete mas não sabe dizer se ganhou ou não. Quando a pessoa se dispõe a ajudá-lo surge o segundo estelionatário e entra na conversa sugerindo que todos entrem juntos na lotérica. Lá dentro ele chama a vítima de lado e diz: “Esse bilhete é premiado e vai dar uma fortuna.. Vamos conversar com o caipira e conseguir comprar dele pagando bem menos e então dividimos o prêmio, que tal?”

Convencendo a vítima o estelionatário diz ao seu comparsa disfarçado que o prêmio é muito pequeno e que deve ser retirado em Brasília. O comparsa fica feliz e diz que estava precisando do dinheiro mesmo para pagar uma dívida, dando o valor correspondente aos dois. O segundo estelionatário se afasta e diz que não tem todo aquele dinheiro, mas se a vítima puder dispor daquela quantia todos ficariam felizes, pois o caipira quitaria sua dívida e a vítima dividiria um prêmio de grande valor. Com o dinheiro o caipira agradece e vai embora muito feliz. O segundo estelionatário entrega o bilhete e diz que vai buscar o carro para irem juntos retirar o grande prêmio.

Conto do Stradivarius

Este golpe é mais raro, mas bastante curioso. Novamente dos estelionatários adquirem um violino usado por um valor irrisório. Em seguida um deles se aproxima de um bar, lanchonete ou ponto de ônibus dizendo que está doente e por isso precisa vender este violino. O comerciante como sempre ocorre nega-se a comprar. Parecendo frustrado e doente o estelionatário pede então somente o dinheiro para uma condução deixando o violino no estabelecimento como garantia de que retornará para devolver o valor da passagem. No dia seguinte o comparsa aparece  e começa a conversar fazendo com que o assunto gire em torno de música, instante em que se diz colecionador de instrumentos musicais antigos.  Quando o comerciante mostra o violino o estelionatário com ares de quem conhece o assunto e depois de minuciosa vistoria diz tratar-se de um Stradivarius de grande valor e após conversa oferece ao comerciante o valor de dez mil reais. O comerciante topa, mas o especialista diz que não gosta de coisa errada e que precisa ter certeza que o instrumento é mesmo dele. Diz que se o comerciante conseguir comprar o instrumento até a semana seguinte ele pagará o valor combinado.Quando o primeiro vigarista retorna ele diz que não deseja mais vender o violino, mas como se acha em estado de necessidade  pede pelo menos a quantia de três mil reais. Apesar do valor alto o comerciante acredita que vai ganhar muito dinheiro com a revenda. O que, é claro, jamais acontece.

Conto do Baú da Felicidade

Este golpe já fez muita vítimas no Brasil e precisa de cerca de quatro estelionatários.  Com documentos falsos eles alugam uma Kombi e decoram ela com adesivos  de forma a imitar a identidade visual do famoso carnê de premiação. Então escolhem uma área  e distribuem de casa em casa panfletos do grupo noticiando uma grande venda com prêmios diversos na data X. Quando o dia chega passam pelo local com a perua e de casa em casa oferecem o carnê com a primeira prestação quitada. Dizem que as pessoas já estariam concorrendo aos prêmios imediatamente e receberiam um desconto de 30% do total pago se comprassem com eles. Tudo é claro não passa de uma farsa, os carnês são falsos e o sorteio nunca acontece.

Conto da Bíblia

Neste golpe o criminoso primeiro pesquisa nos obituários os nomes e endereços de falecidos recentes.  Com estes dados cerca de três dias depois da morte comparece em suas casas levando uma bíblia (de cerca de 50 reais). Ao ser recebido diz que o falecido havia encomendado. Quando é informado do falecimento demonstra pesar e pergunta se a pessoa é parente e qual o nome. Fingindo consultar uma lista diz que aquela bíblia era justamente um presente para esse parente e que o produto seria pago na retirada. Alega ainda que infelizmente não poderia devolver o produto deixando a pessoa em uma situação constrangedora. As pessoas fragilizadas podem levadas por este golpe pagar cerca de quatro vezes mais pela bíblia (em torno de 200 reais). Nem todos escolhem realizar a compra, mas visitando quatro ou cinco casas por dia o estelionatário consegue uma bela quantia.

O Conto do Supermercado

Essa equipe de estelionatários prepara uma kombi adesivada como se fosse de um supermercado famoso. Passam então em bairros de classe média alta dizendo que estão fazendo uma pesquisa para ver a possibilidade de inaugurar uma nova unidade naquela região. A cada visita deixam um cupon de um sorteio promocional de inauguração, uma televisão de última geração por exemplo. Dias depois retornam a algumas residências  e informam que ela foi a felizarda ganhadora do sorteio. A felicidade é grande  e eles usam essa alegria para fazer uma falsa propaganda do  supermercado, recolhem um depoimento e batem uma foto para registrar o acontecido. Em seguida informam que como o equipamento é grande  não puderam trazer com eles e será necessário que a pessoa acerte o custo do frete de digamos 50 reais.  Geralmente a vítima paga de imediato e após visitar algumas casas a gangue recupera o dinheiro investido no golpe com grande lucro

Conto do Banco Eletrônico

Munido de cartões de crédito e débito conseguidos por meio do crime comum este estelionatário ronda filas de banco. Eventualmente alguém na sua frente demonstrará dificuldades em usar os menus do caixa automático. Nesse momento o estelionatário se oferece para ajudar com toda simpatia do mundo. Ele realiza o saque necessário e entrega o dinheiro para a pessoa junto com um cartão trocado. Possuindo o cartão da pessoa ele espera a vítima ir embora e com  a senha memorizada realiza um grande saque. A vítima raramente desconfia e só percebe que seu cartão foi trocado na próxima vez que precisar usá-lo.

Golpe do Fiscal

Bem vestido e munido de documentos falsos e um crachá esse estelionatário percorre a cidade fingindo ser um fiscal da prefeitura. Esse golpe é aplicado geralmente aos sábados quando não há fiscais de verdade circulando. Ao chegar em um estabelecimento ele procura o proprietário e pede uma série de documentos. Aparenta fazer uma vistoria e ao encontrar um erro informa que o dono será notificado de que o estabelecimento terá que ser interditado por quinze dias ou mais até que os encargos e multas sejam devidamente pagos na prefeitura. Nosso falso fiscal fica incitando o proprietário até que esse comece a procurar alternativas menos honestas de se livrar do problema. O estelionatário pode mostrar uma falsa relutância mas acaba saindo de lá com o bolso cheio.

Conto do concurso

Estes estelionatários ficam atentos as listas gerais de resultados de concursos públicos e em seguida vão atrás dos concursados. Após um pouco de conversa insuspeita levam o assunto para o concurso e então dizem ter um amigo que teria um esquema para colocar pessoas dentro. Um conhecido dentro do governo com poder o bastante para definir o resultado do concurso. Ele deixa o contato, que é de outro estelionatário. Muitas pessoas têm caráter e não aceitam tal tipo de coisa. Infelizmente muitos não agem assim e acabam procurando a pessoa para seu próprio prejuízo. Essas pessoas são levadas a acreditar que conseguirão uma boa colocação, mas que deverão pagar uma certa quantia ao farsante. Para ganhar confiança são levados a acreditar que podem pagar metade agora e metade quando estiverem empregados.

Um golpe semelhante é o golpe da aposentadoria, no qual uma pessoa é levada a acreditar que se pagar uma certa quantia não precisará mais trabalhar e passará a receber uma aposentadoria não merecida do INSS.

Conto da Pirâmide

Apesar de muito conhecido esse golpe continua a fazer vítimas todos os anos. Quem inicia o golpe é quem ganha a maior bolada. Geralmente junta alguns amigos ( que também ganharão alguma coisa), combinam um regulamento e montam uma organização. O criador, sem gastar nada faz com que dois conhecidos entreguem a ele um quantia de digamos 10 reais. Estes dois amigos estão no segundo bloco da pirâmide e cada um deles fará mais dois amigos entregarem a ele 10 reais cada. Ou seja, cada um deles gastou 10 reais e ganhou 20. Cada novo integrante da pirâmide deve procurar mais dois conhecidos para continuar o esquema. Tudo parece perfeito, mas o problema é que as pirâmides são insustentáveis e acabam de desestruturando e os blocos se perdem deixando em sua base muitas pessoas no prejuízo. Existem várias modalidades deste golpe, que apesar de disfarçado com outros nomes são a mesma coisa.

O Golpe do Baú

Este é um golpe muito antigo. Apesar de demorado de ser executado pode ser muito lucrativo para o vigarista. O golpista tem que ter uma beleza física acima da média, saber se produzir e frequentar festas da alta roda da sociedade. Ali procura se aproximar de pretendentes solteiros, separados ou viúvos. Geralmente procura idosos para tentar jogar seu charme e assim conquistar seu coração sofrido. Após a conquista busca conseguir o noivado o mais rápido possível. Depois do noivado vem o casamento com Comunhão Universal de Bens. A chantagem emocional é usada para driblar a desconfiança. Por fim, após alguns meses vem a separação e o golpista leva um lucro enorme para casa.

Conto da Rifa Premiada

Inicialmente o vigarista ganha a amizade de algum comerciante. Após conquistar sua confiança o criminoso diz que vende rifas e propõe que o comerciante as revenda, sendo que como pagamento ganhará a mesma mercadoria que o ganhador da rifa. Periodicamente o vigarista passa pelo estabelecimento com o pretexto de perguntar como está a venda da rifa e pegar sua porção do dinheiro. Isso se repete até que perceba que já lhe foi entregue uma boa quantia do dinheiro e então não mais retorna. Como o comerciante não sabe que se trata de um golpe continua a venda das rifas, sendo que no final ele mesmo abre a rifa a fim de ver quem ganhou, chegando a entrar em contato com vencedor. O prêmio nunca será dado e a vítima ficará com um grande problema nas mãos.

Uma variação desse golpe é quando um vigarista cria uma rifa um determinado prêmio, como um carro ou uma moto. Tudo parece ir bem e a premiação realmente ocorre. O problema é que após receber o prêmio o  ganhador do mesmo, ao fazer o levantamento dos documentos para fins de transferência descobre que o veículo está bloqueado por uma financeira ou repleto de multas. O ganhador fica assim com uma terrível dor de cabeça em suas mãos.  Quando vai reclamar o ganhador não chega até o estelionatário mas sim com a entidade que bloqueou o veículo. Diante disso o vigarista sai ileso.

Conto da venda e troca da joia

Neste golpe o estelionatário  sai a procura de uma vítima que geralmente são encontradas em estabelecimentos bancários retirando uma boa quantia em dinheiro. O vigarista ultrapassa essa pessoa e deixa cair em sua frente um relógio ou pulseira de ouro. Ao ser avisado do falso acidente o criminoso se mostra muito agradecido e inicia uma conversa. Após curto tempo diz que estava indo vender a jóia que havia deixado cair por um preço muito atrativo. Trata-se de uma jóia real, que pode ser avaliada, mas valendo de habilidades manuais o estelionatário em dado momento troca por uma joia falsa. Muitas vítimas ao se descobrirem enganadas  não prestam queixas por vergonha ou pelo fato de terem comprado de forma clandestina.

Conto da Agiotagem

Devido a situação econômica desfavorecida, muitas pessoas tornam-se vítimas deste golpe. O estelionatário se aproveitando das necessidades financeiras de alguém empresta uma quantia em dinheiro, cobrando juros tão altos que não poderão ser pagos. Essas vítimas são levadas a se manterem eternamente em dívida ou como alternativa tomando seus bens e imóveis. Há um fator de perigo a mais nesse conto pois durante as cobranças são  comuns ameaças e extorsões chegando muitas vezes a agressão física das vítimas.

Conto da Entrevista

Inicialmente o vigarista escolhe um bairro e visita casas de famílias com o pretexto de entrevistar a dona de casa, fazendo-a preencher um formulário. Neste formulário a dona de casa responde várias perguntas. Ao final da entrevista o estelionatário, que como sabemos é um mestre em convencer as pessoas, convence a dona de casa a assinar o questionário. Ela não sabe, mas acabou de assinar um contrato afirmando que comprou e recebeu do vigarista uma determinada mercadoria que nunca chegará em suas mãos. O estelionatário vai embora e procura um advogado que fará a cobrança das promissórias. Muitas vítimas intimidadas pelo advogado acabam pagando a conta com medo de terem seus nomes protestados junto aos cartórios.

Conto do Boi Gordo

Os estelionatários montam uma empresa cuja atividade será a criação de bois e vacas. Montada a empresa iniciam uma campanha promocional nos meios de comunicação, jornais, rádio e televisão divulgando o funcionamento e as atividades da empresa. Em seguida, iniciam a venda de ações da empresa para as vítimas.  A alta procura gerada pela campanha faz as ações apresentarem um grande rendimento para os acionistas que raramente se preocupam em conhecer a empresa de perto. O golpe pode se prolongar por  meses ou mesmo anos e os vigaristas apresentam a seus acionistas o balanço anual de como suas ações se valorizaram devido ao grande montante de bois e propriedades que a empresa adquire. O objetivo é fazer os investidores confiantes e animados convencerem seus amigos e parentes a também fazer parte do negócio. O golpe só chega ao fim quando alguém investiga a empresa a fundo e descobre que não existe propriedade alguma, nenhuma cabeça de gado sequer. Quando isso acontece os estelionatários desaparecem com o dinheiro antes das ações caírem.

Conclusão

  • Muitos golpes ocorrem fazendo a vítima pensar que conseguirá alguma vantagem ilícita para si mesma, fazendo com que se sinta envergonhada de procurar a polícia ao se ver enganada.
  • Dobre a atenção contra qualquer ajuda não solicitada ao lidar com seu dinheiro e patrimônio.
  • Cuidado redobrado em agências bancárias e locais de comércio.
  • Se for convidado a participar de esquemas de pirâmide ou outras formas de enriquecimento ilícito, caia fora. Apenas o trabalho dignifica o homem e traz as riquezas que perduram durante a vida.
  • Não deixe a vergonha de ter sido enganado te impedir de recorrer às autoridades se for vítima de um golpe. Procure sempre um Delegacia de Polícia e faça um Boletim de Ocorrência para que seja instaurado um inquérito policial.
  • Se for necessário procure também ajuda no Procon e na Promotoria Pública.

 

 

 

 

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/contos-do-vigario-o-guia-do-estelionato/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/contos-do-vigario-o-guia-do-estelionato/

Igreja da Eutanásia: Salve o planeta, se mate.

Todo mundo têm um amigo eco-chato. Alguém que insiste em nos lembrar a cada oportunidade os danos que nosso comportamento causa ao meio ambiente. A pior parte disso, é que todos sabemos que este amigo geralmente tem razão no que diz. Mas se você acha que reciclar o lixo doméstico e reduzir o consumo de carne muito difícil, está na hora de conhecer Church of Euthanasia, a Igreja da Eutanásia, cujo lema não poderia ser mais extremo: Salve o planeta, mate-se.

Segundo os eutanatos, cada aspecto da crise ambiental, incluindo as mudanças climáticas, contaminação da água, o desmatamento, a produção de lixo e redução da biodiversidade são resultado direto de um único agente biológico: o homo sapiens. A população humana cresce numa taxa de um milhão de pessoas a cada quatro dias, que corresponde uma nova população do México, 95 milhões, por ano.

A visão de mundo defendida pelo grupo é idêntica a colocação do Agente Smith no filme The Matrix: “Todos os mamíferos do planeta instintivamente entram em equilíbrio com o meio ambiente. Mas os humanos não. Vocês vão para uma área e se multiplicam e se multiplicam, até que todos os recursos naturais sejam consumidos. A única forma de sobreviverem é indo para uma outra área. Há um outro organismo neste planeta que segue o mesmo padrão. Você sabe qual é? Um vírus. Os seres humanos são uma doença. Um câncer neste planeta. Vocês são uma praga. E nós somos a cura”.

Com esta lógica simples a Igreja da Eutanásia é uma fundação educacional sem fins lucrativos com a missão de restaurar o equilíbrio entre Humanos e as demais espécies pertencentes ao planeta Terra. Segundo eles, isso só poderá ser feito com uma diminuição drástica e voluntária da população humana. Assim os eutanatos só possuem um mandamento: “Não procriarás.” e este mandamento é sustentado pelos quatro pilares fundamentais da igreja: suicídio, aborto, sodomia e canibalismo.

Os Pilares da Igreja da Eutanásia

Pilares da DorSuicídio

É claro que a Igreja da Eutanásia não quer que seus membros se matem. Entretanto defendem que as pessoas que desejam morrer devem ser ajudadas nesta tarefa. Eles orientam doentes terminais e pessoas que simplesmente não querem mais viver sobre como proceder da forma mais rápida e menos dolorosa possível. Também orientam as pessoas na parte burocrática e legal estimulando-as a prepararem um testamento a seus entes queridos. Qualquer pessoa que se matar se torna automaticamente um santo da igreja.

Aborto

Neste aspecto a Igreja da Eutanásia é bastante ativa, defendendo o direito político a prática do aborto. Em seu objetivo de diminuir a população mundial os membros acreditam que o aborto deveria não apenas ser legalizado, mas que deveria receber todo suporte do governo, estando disponível inclusive como parte do planejamento de saúde pública a qualquer mulher que desejar passar pelo procedimento.

Sodomia

Na definição da Igreja da Eutanásia, sodomia é qualquer forma de ato sexual que não tem a intenção de procriar: fellatio, cunnilingus, sexo anal, entre outras. Por razões óbvias o homossexualismo é não apenas aceito, mas estimulado dentro da Igreja. Podemos dizer que os heterossexuais são aceitos, desde que aceitem o uso de métodos contraceptivos. Sua principal porta voz Chris Korda é, ela mesma, um transexual.

Canibalismo

O princípio orientador é não se alimentar de carne não humana. Na prática os membros da Igreja da Eutanásia são vegetarianos estritos. Entretanto Advogam o canibalismo como a única forma ética de alimentação carnívora uma vez que, dentro da Igreja é ensinado que deve ocorrer apenas em seres humanos que já estejam mortos.

 

Atividades dos eutanatos

O mandamento principal da igreja e seus quatro pilares são promovidos pela Church pf Eutanásia através de ações patrocinadas por seus membros, incluindo aparições públicas na mídia norte americana, manifestações , passeatas, promoção de palestras e campanhas de propaganda usando slogans ácidos como: “7 milhões de humanos não podem estar errados”, “Por favor, pare de respirar.” e “Coma um feto por Jesus.”. Eles também produzem e distribuem um periódico impresso “Snuff it” onde todos os aspectos de sua doutrina são explorados.

A lógica dos extremados

Talvez haja uma sutil estratégia em todo este barulho. Sendo extremos os eutanatos redesenham a discussão ambiental e redefinem o meio-termo. Ao defender que deveriamos colocar produtos que causem infertilidade em massa nos reservatórios de água eles, de repente, os eco-chatos não parecem mais assim tão chatos. Hoje sabemos que o planeta terra é um organismo vivo , capaz de defender a si mesmo se necessário.

A Igreja da Eutanásia diz que é propositadamente polêmica e que não vê problemas nisso se este for o preço a ser pago para que os seres humanos parem de enxergar a si mesmo apenas como indivíduos pertencentes a uma raça ou nacionalidade e despertarem para uma consciência de espécie. O site oficial da organização http://churchofeuthanasia.org  está no ar a mais de dez anos e está hoje repleto de materiais de apóio aos eutanatos, assim como informações detalhadas de filiação aos interessados.

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Mapa Astral de Aleister Crowley

Aleister Crowley (12 de Outubro de 1875 – 1 de Dezembro de 1947), nascido Edward Alexander Crowley, foi um influente ocultista inglês, responsável pela fundação da doutrina Thelema. Ele é conhecido hoje em dia por seus escritos sobre magia, especialmente o Livro da Lei, o texto sagrado e central da Thelema, apesar de ter escrito sobre outros assuntos esotéricos como magia cerimonial e a cabala.

Libriano com Lua em Peixes, Ascendente em Leão e Caput Draconis em Áries. Uma pessoa que possui uma percepção dos outros e o íntimo em estreito contato com o Plano astral, que gosta de aparecer e de se mostrar e ao final de sua vida, terá se tornado um líder.

O gosto de Crowley pelo oculto vem da combinação forte de Júpiter em conjunção a Mercúrio (em Escorpião), que indica não apenas que a mente de Crowley procurava buscar o que há de mais profundo nos mistérios como seu facilitador natural também o impulsionava para tal. Mercúrio em Escorpião é a mente daqueles que desejam desvendar mistérios, encontrada tanto em céticos quanto em ocultistas.

O Planeta mais forte do Mapa de Crowley é Plutão (em Touro), que indica uma pessoa voltada para experimentar tudo o que a vida pode oferecer. Sua combinação com a Lua em Peixes (em sextil de 0,2 graus) faz com que ele canalize estas experiências para o Plano Astral e escapismo da realidade. Esta combinação é comum em viciados em jogos ou drogas (o caso do Crowley). Some-se esta energia com sua curiosidade e facilidade para buscar o que há de experiências mais profundas (Mercúrio e Júpiter em escorpião) e você tem um mapa de alguém que está disposto a testar todos os limites da experimentação.

Marte é o Planeta que mostra como a pessoa briga, planeja e executa suas ações. Marte em Capricórnio é o guerreiro-planejador-estratégico, muito encontrado em militares de carreira e também em jogadores de xadrez ou outros esportes que exijam calma, planejamento e disciplina (alpinismo, por exemplo).

Uma Aspectação interessante no Mapa de Crowley é a Oposição Urano em Leão (facilidade em exibir-se para os outros) e Saturno em Aquário (facilidade para organizar/controlar/estar responsável por grupos de pessoas). Com Sol e Vênus em Libra (diplomacia), fica fácil entendermos como Aleister conseguiu mesclar e utilizar todos estes recursos e se tornar “o homem mais perverso do mundo” segundo os jornais sensacionalistas…

Engraçado notar que, ao contrário de outros ocultistas como Arthur Waite (que tinha Marte/Vênus em Virgem) ou este que vos escreve (Marte/vênus em Virgem) que abordam o ocultismo de uma maneira mais enciclopédica (pesquisar, anotar, comparar, catalogar…) Crowley era um verdadeiro porra-louca, que precisava experimentar e testar tudo em sua própria pessoa para obter o conhecimento direto em primeira mão.

Acabou quebrado e falido, mas deixou seu legado para toda a posteridade.

#Astrologia #Biografias

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/mapa-astral-de-aleister-crowley

Curso de Tarot e História da Arte – Dezembro

Este é um post sobre um Curso de Hermetismo já ministrado!

Se você chegou até aqui procurando por Cursos de Ocultismo, Kabbalah, Astrologia ou Tarot, vá para nossa página de Cursos ou conheça nossos cursos básicos!

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Cursos de Hermetismo de Dezembro:

– Arcanos Maiores – 02/12 (Sábado) das 10h às 18h

– Arcanos Menores – 03/12 (Domingo) das 10h às 18h

– Magia Prática – 10/12 (Domingo) das 10h as 18h

No Curso de Tarot fazemos o estudo de 12 decks diferentes, comparando a simbologia de cada um dos Arcanos ao longo da História da Arte; desde os trionfi do século XIV até os mais modernos como o Rider-Waite, Thoth (Aleister Crowley) e Mitológico, passando por Marselha, Oswald Wirth, Tarô dos Boêmios, Tarô alquímico e Egípcio (Kier).

Informações e reservas: marcelo@daemon.com.br

#Cursos #Tarot

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A Ciência do Sonho Lúcido: Entrevista com Dr. Keith Hearne

Dr Keith Hearne é um psicólogo britânico conhecido como a primeira pessoa a conseguir provar cientificamente a existência de sonhos lúcidos. Nesta entrevista exclusiva, ele fala sobre como fez para conseguir sua prova, bem como as descobertas fisiológicas e psicológicas que o seguiram até a conquista do seu PhD sobre sonhos lúcido

Pergunta: Como foi que você conseguiu captar sinais vindos de uma mente desperta dentro de um corpo que dorme?

Ninguém antes tinha testemunhado o que vi naquele laboratório de pesquisas do sono da Universidade de Hull, Inglaterra. Era por volta de 08:00 da manhã do dia 12 de abril de 1975.

Na noite anterior, eu havia conversado o voluntário, um indivíduo chamado Alan Worsley que relatara ter com muita frequência os chamados sonhos lúcidos (nos quais o sonhador se torna plenamente consciente e tem faculdades cognitivas completas). Esse indivíduo foi instruído para que fizesse sete movimentos com os olhos no sentido esquerda-direita, no momento em que despertasse dentro do sonho.

Entenda, ao dormir nosso sistema nervoso desliga certas funções motoras para que não saiamos andando ou nos mexendo demais. Esse estado é conhecido como atonia do sono, mas não afeta nosso controle do diafragma nem dos olhos. Além disso, tenha em mente que o período do sono em que os sonhos ocorrem é conhecido como REM (Rapid Eye Movement) e se caracteriza justamente pelo movimento errático dos globos oculares.

Disso eu inventei o método de sinalização em uma tentativa de contornar a profunda paralisia corporal e assim criar um meio de comunicação entre o mundo dos sonhos e o mundo real. O indivíduo foi também equipado com registradores encefálicos gráficos sensíveis que garantiram que ele estava dormindo e registradores capazes de captar e registrar o movimentos dos olhos.

Com grande expectativa, eu observei cada um dos  vários períodos REM que ele teve durante a noite. E então pouco antes das 8:00 o indivíduo já tinha entrado em vários REM ‘s e sonhado por cerca de meia hora.

Houve então uma explosão de um longo período de REM, quando, de repente, fora da aleatoriedade esperada deste estado, houve uma seqüência deliberada de sete grandes movimentos de zig zag dos olhos da direita para a esquerda, exatamente como combinado. O movimento foi registrado graficamente por nossos equipamentos:

 

A sequencia dos sinais oculares no sentido direita e esquerda está em exposição na Liverpool University.
EEG – Eletroencefalograma
EOG – Eletroftalmograma (movimento dos olhos)
EMG – Eletromiograma (atividade muscular)

 

Ao acordar, o indivíduo confirmou o fato e descreveu como ele, de repente, percebeu que estava sonhando e então conscientemente fez os sinais esperados. E assim foi que temos hoje a prova, já repetida em laboratório de que é realmente possível tornar-se plenamente consciente enquanto se está sonhando.

Para mim foi como receber sinais do SETI de inteligências de outro sistema solar. Eu estava em êxtase, mas tive que manter a calma para não acordar o sujeito! Foi uma situação incrível. Eu estava testemunhando a primeira comunicação de uma pessoa que estava dormindo em outro quarto, sonhando, em seu próprio mundo mas perfeitamente consciente e capaz de interagir. Ele estava em sua realidade e eu estava em minha realidade. Mas fizemos um canal de comunicação entre estas duas realidades.

O registro gráfico original, assim como minha Máquina dos Sonhos2 estão agora em exposição permanente no Museu de Ciência de Londres. A propósito , toda a tese de PhD e meu livro The Dream Machine pode ser baixado gratuitamente no meu site KeithHearne.com.

 

 

Dr Keith e seu protótipo da Máquina do Sonho

 

A técnica abriu uma porta para toda uma nova área na pesquisa. Um sonhador foi capaz de enviar informações em tempo real e portanto podia agora realizar experimentos conduzidos no estranho ambiente do seu universo particular.

Poucos meses depois, ganhei meu próprio laboratório de pesquisas do sono na Universidade de Liverpool, com o qual três anos depois descobrimos vários fenômenos fisiológicos e psicológicos básicos por trás dos sonhos lúcido que culminou em meu PhD1.

Entre estas descobertas estão:

  • Os sonhos lúcidos são reais.
  • Os sonhos lúcidos ocorrem durante o a fase REM (até então essa era apenas uma hipótese).
  • Os eventos do sonhos lúcidos acontecem em tempo real (descobrimos isso comparando o testemunho dos indivíduos pesquisados com os registros gráficos do maquinário)
  • A lucidez  nos sonhos é geralmente precedido por uma explosão REM.
  • Experimentos podem ser realizados dentro dos sonhos e os resultados enviados para fora do sonho. (Inclusive realizei o primeiro experimento em telepatia no laboratório do sono em minha pesquisa de doutorado).
  • Muitos fenômenos físicos estão correlacionados com o sonho lúcido e foram revelados a partir dos dados fisiológicos coletados e questionários.
  •  A criação da “máquina dos sonhos”, capaz de produzir estímulos artificiais nos sonhos e induzir a lucidez onírica
  • A descoberta do ‘efeito interruptor de luz “(abordado no filme seminal de Richard Link, Waking life3).

Enviei o resumo da minha descoberta a dois bem conceituados pesquisadores do sono: Professor Allan Rechtschaffen da Universidade de Chicago, e Professor William Dement na Universidade de Stanford. Rechtschaffen enviou uma resposta bastante encorajadora. Em 1978 uma outra pesquisa realizada em Standford confirmou minhas conclusões. Estou muito honrado aquele 12 de abril está agora está sendo reconhecido por algumas pessoas como o Dia do Sonho Lúcido como uma forma de marcar esta pesquisa sem precedentes.  Curiosamente assim como Alan Worsley mandou seu sinal em 1975, em outro 12 de abril, em 1961, Yuri Gagarin foi o primeiro ser humano a se comunicar de fora do nosso planeta Terra.

P: Você pode nos contar um pouco sobre o seu trabalho paralelo sobre premonições?

Sou fascinado por premonições. Ao lado de meu trabalho principal com sonhos lúcidos eu já havia realizado alguns experimentos em parapsicologia com equipamentos bem avançados aos quais tive acesso com o laboratório. Estes porém sempre no muito artificial ambiente do laboratório – e mesmo assim já tinha alguns resultados interessantes – até que um dia tive uma experiência na “vida real”.

Eu estava prestes a fazer uma viagem de rotina bastante familiar pela Humber quando eu “soube” com toda a certeza que algo desagradável ia acontecer naquele navio. Eu nunca tinha tido essa sensação antes. Parei e pensei, mas decidiu ir a bordo. Na viagem ficou escuro, e depois houve um grito de ‘Homem ao mar! ” Alguém tinha realmente caído na água. Depois de um longo tempo de busca, o passageiro foi arrastado a bordo. Eu assisti reanimação sendo realizada. O evento me estimulou a investigar premonições da vida real. Mais tarde, eu escrevi um livro sobre minha pesquisa bastante extensa chamado Visions of the Future4.

Na análise dos casos identificamos um sub-grupo de premonições que parecem ser muito preciso, que eu denominei ‘Tipo de Anúncio de Mídia’ – ou seja anúncios feitos pela TV, rádio, jornal que são vistos ou ouvidos antes do evento inesperado. Um desses casos dizia respeito à Flixborough o desastre fábrica de produtos químicos no Reino Unido. Estes tipos são bastante interessantes pois por sua natureza são sempre documentados e registrados.

Essas anomalias devem ser considerados em nossas tentativas de dar sentido a esse incrível mundo em que nos encontramos. Explicações simples não são mais suficientes.

P: O que sua investigação lhe disse sobre a interpretação dos sonhos não-lúcidos?

Eu acho que os sonhos comuns pode ser efetivamente entendidos como “metáforas em movimento” (5,6,7) uma maneira pela qual inconsciente fornecer informações úteis para o sonhador.

Eu recomendaria os leitores o livro The Dream Oracle8 que escrevi com David Melbourne. David veio com essa técnica extraordinária, que é baseado nas letras do alfabeto, e fornece um método completamente novo – facilitando em muito a comunicação.

P: Como um compositor prolífico você encontra inspiração musical em seus sonhos?

Gosto de escrever música – e me diverti muito compondo a música para um ballet de longa-metragem chamado a Princesa do Povo, em conjunto com Dame Gillian Lynne (que coreografou fantasma de Andrew Lloyd Webber de The Opera e Cats). Algumas peças foram gravadas para um CD pela Orquestra Sinfônica de Moscou.

Outras composições incluem um Requiem completo, um musical, uma concerto de guitarra, uma peça Memorial do Holocausto, um hino para a Arménia, e várias músicas (incluindo peças religiosas separadas do Requiem – Ave Maria, Pie Jesu, Nunc Dimittis, Magnificat, Nosso Pai), e um concerto para ‘Cello’. Atualmente estou trabalhando em uma ópera bastante emocionante.

Algumas das minhas músicas originam-se da fonte maravilhosamente criativa que é o mundo dos sonhos. Ao acordar, eu corro para o sintetizador para gravar o fragmento que me veio!

P: O que fez você se interessar pela imaginação e sonhos?

Eu sei exatamente o gatilho que despertou o meu interesse por isso. Quando ainda uma criança de cerca de seis anos, minha professora me disse: “Você sabe quando sonha acordado, Keith e vê imagens …”. Fiquei intrigado com o que ela estava dizendo, porque eu nunca tinha isso e não tinha nenhuma imagem visual (em vigília) Outras crianças, porém, diziam “Sim senhorita!”. Percebi naquele idade precoce que existem grandes diferenças individuais nas pessoas.

A ideia ficou na minha mente. Mais tarde, quando uma irmã mais velha estava na faculdade, ela trouxe livros para casa de Freud, Jung, etc. Eu os li avidamente, de modo isso também cimentou meu interesse em sonhos.

Como estudante de graduação na Universidade de Reading, na Inglaterra, eu desenvolvi uma técnica de “rastreamento” que permita pessoas em hipnose, externalizar o que viam. Chamei o método de Hipno-Onirografia”

A pessoa se senta na frente de uma grande mesa de desenho em hipnose, e é instruída a ter um sonho hipnótico vívido (ou mesmo para explorar uma ‘vida passada’). As imagens dos sonho é interrompida por um comando e então o sujeito abre seus olhos, a imagem fica enquadrada-congelada na mesa e o desenho é feito. As cores são descritas, e depois as pintamos. Sequencias de imagens congeladas podem revelar cenas de toda uma experiência imagética.

A ‘Efeito Mudança de Cena” foi imediatamente descoberto assim. Parece que os ‘pixels’ da imagem anterior é quase sempre re-arranjada na formação de nova cena, como que seguindo uma “lei do mínimo esforço”. Este efeitos ocorrem em sonhos comuns também. Eu gostaria de ver o meu efeito em um filme de Hollywood!

 

Exemplo do Efeito Mudança de cena usando a Hipno-Onirografia

P: Existe alguma coisa que você gostaria de compartilhar com os interessados em sonhos lúcidos?

Quando alguém é pioneiro em um novo campo, alguns indivíduos muito entusiasmados vão tentar “pegar o bonde andando’, e fazer reivindicações de associação e até mesmo prioridade. Então, algumas pessoas (principalmente na América) têm uma ideia completamente errada sobre o início da pesquisa do sono em laboratório em sonhos lúcidos, e ignoram meu trabalho pioneiro. Jornalistas preguiçosos têm perpetuado sem querer esse tipo de desinformação.

As coisas estão mudando agora, tenho o prazer de dizer. A Internet tem sido boa para isso – toda a informação está lá, para que todos poderem ver. Esses novos escritores modernos que exigem mais precisão na história da ciência (como Daniel Amor) estão superando esse passado.

P: Com o que você está trabalhando agora?

Estou escrevendo um livro importante agora, que introduz novos conceitos. Ele vai perturbar algumas pessoas. Além disso, estou compondo uma ópera dramática baseado em uma pessoa real da história. Eu também estou contribuindo para a tradução em Inglês do livro marco Hervey St Denys ‘no sonho lúcido, um projeto chamado Traduzindo Sonhos, que está agora em fase de captação de recursos no Kickstarter. Eu tenho ainda algumas invenções que eu gostaria de trabalhar, também – mas preciso racionar o meu tempo!

Referências

1. Hearne, KMT (1978) Lucid-sonhos: um estudo eletrofisiológico e psicológica. Tese de doutorado da Universidade de Liverpool (Reino Unido). Submetido maio de 1978.
2. Hearne, K. (1990) The Dream Machine. Aquarian Press. Reino Unido
3. Hearne, KMT (1981) Um fenômeno Light-chave em sonhos lúcidos. Journal of Mental Imagery, 5 (2): 97-100.
4. Hearne, K. (1989) Visões do futuro. Aquarian Press. Reino Unido
5. Melbourne, D. & Hearne, K. (1997) Interpretação de Sonhos: The Secret. Blandford Press. Reino Unido
6. Melbourne, D. & Hearne, K. (1999) O significado dos seus sonhos. Blandford Press.
7. Hearne, K. & Melbourne, D. (2001) entendimento dos sonhos. New Holland Press.
8. Melbourne, D. & Hearne, K. (2002) The Dream Oracle. Foulsham Publishers. Reino Unido
9. Hearne, K. (1990) The Dream Machine. Aquarian Press. Reino Unido. Páginas 69-72.

Por Rebecca Turner. Tradução Tamosauskas

[…] aspectos do sonho, e até mesmo mover-se de lugar em lugar dentro dele. Hoje conhecemos isso como sonho lúcido, mas o termo não estava em uso quando Lovecraft sonhou com Cthulhu, Nyarlathotep, Yuggoth e o […]

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-ciencia-do-sonho-lucido-entrevista-com-dr-keith-hearne/ […]

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