A Mente das Plantas

O indiano Sri Jagadis Chandra Bose, bacharel em ciências pela Universidade de Londres, físico, químico e gênio, foi contemporâneo e fez trabalhos famosos com Pauli e Einstein. Pertencia ao grupo de sábios internacionais que compunham a “Real Sociedade de Londres”, e em 1899 Bose descobriu a “fadiga” dos metais e a sua recuperação por um processo semelhante ao que acontece com os seres humanos e animais. Percebeu nos gráficos que as curvas apresentadas pelo óxido de ferro magnético levemente aquecido eram muito semelhantes às dos músculos. A fadiga podia ser rechaçada e a recuperação adquirida, fazendo-se o uso de massagens leves ou imersão em um banho quente. Outros componentes metálicos procederam de forma semelhante. Bose também providenciou uma experiência de “envenenamento” dos seus metais. Perplexo, descobriu que a reação era análoga às reações dos tecidos musculares aos venenos.

Escreveu Chandra: “Lidando com tais fenômenos, como traçarmos uma linha de demarcação e dizer aqui termina o físico e além começa o fisiológico? Não, não existem as barreiras absolutas. Foi quando me deparei com o mudo testemunho desses registros autônomos e neles percebi uma fase da unidade abrangente que sustenta em seu âmago todas as coisas – as partículas que dançam sob um raio de luz, a vida fecunda que reveste o planeta, os sóis radiantes que brilham sobre nós – foi então que pela primeira vez compreendi um pouco da mensagem proclamada por meus antepassados às margens do Ganges há 30 séculos: Àqueles que na mutação incessante do universo vêem apenas uma coisa, e só a eles, só a eles, pertence a Verdade Eterna.”

A partir dos metais, Chandra Bose chegou às plantas. Em uma série de experiências, Bose mostrou como elas reagem a estímulos tais como toque, música, veneno, calor e choques elétricos da mesma maneira que animais. Cansam-se quando são superestimuladas. Também mediu reações ao álcool que chegaram perto da embriaguez.

Examinando a “planta-telégrafo” (Desmodium Gyrans) cujas folhas simulam os movimentos dos braços da sinalização semafórica, Bose descobriu que o veneno que interrompe esta movimentação também faz parar o coração de um animal. O seu antídoto, em um e outro caso, restaura a vida de todos estes organismos.

Bose encontrou respostas conclusivas de que as plantas se embebedam também com o gim, uísque e outros tipos de bebidas alcoólicas, e de que sob o efeito do álcool cambaleiam como cambaleiam os seres humanos e os animais e aves sob o mesmo estímulo. Também sofrem “ressaca” posterior e necessitam ser ajudadas a se recomporem.

O cientista anestesiou plantas com clorofórmio e suas reações à anestesia e a recuperação delas quando levadas ao ar fresco eram idênticas às dos animais. Bose usou clorofórmio para anestesiar um pinheiro e replantá-lo, evitando qualquer dano à planta.

Nos anos 60, outro cientista pioneiro, o Dr. Clive Backster, conseguiu assombrosos resultados de suas experiências com o auxílio de detectores de mentira, certificou-se de que as plantas reagiam a ameaças concretas e potenciais, mutilações, esmigalhamentos, cortes ou aos perigos potenciais representados por cachorros e pessoas que as machucam.

Um galvanômetro é a parte de um detector de mentiras que, quando ligado a um ser humano por fios que conduzem uma baixa corrente elétrica, faz com que uma agulha se mova – e sua ponta trace um gráfico num papel móvel – em resposta às mais sutis oscilações emocionais. A maneira mais eficaz de provocar num ser humano uma reação tão forte a ponto de causar um salto no galvanômetro é ameaçá-lo em seu bem estar. E foi justamente isso que Backster resolveu fazer com uma Dracena. Ele colocou uma folha da Dracena na xícara de café quente que tomava. Nenhuma reação notável foi registrada pelo medidor. Backster considerou a situação por alguns minutos e concebeu então uma ameaça maior: queimar a folha à qual os eletrodos haviam sido ligados. No instante em que lhe veio à mente a idéia do fogo, antes que ele pudesse se locomover para apanhar um fósforo, ocorreu no gráfico uma mudança dramática, sob forma de uma prolongada ascensão da ponta que realizava o traçado. Poderia a Dracena ter lido a sua mente? Saindo finalmente da sala e voltando com uma caixa de fósforos, ele notou que outra súbita alteração se registrara no gráfico, evidentemente causada pela sua determinação em levar a cabo a ameaça. Mais tarde, enquanto ele assumia atitudes fingidas, como se realmente fosse colocar fogo na planta, já nenhuma reação se notava.

Evidenciava-se que a planta era capaz de distinguir entre a intenção real e a simulada.

Em 1969, na universidade de Yale, e diante de um grande número de universitários, Backster realizou o “experimento da aranha”. As plantas reagiram à entrada de uma aranha no recinto, mesmo antes do fato de que a aranha começasse a correr de alguém que combatia veementemente os seus movimentos. “A impressão que se tinha é de que cada decisão da aranha para escapulir era apreendida pela planta, causando assim uma reação na folha”, disse Backster, que viria a afirmar: “talvez as plantas sem olhos consigam enxergar melhor do que nós”.

Outra descoberta feita: a de que as plantas talvez se afinem umas com as outras e que, diante da vida animal, parecem dar menos atenção às suas companheiras. “A última coisa que uma planta espera é que outra lhe crie problemas”, disse Backster. O “controle” que as plantas exercem ao seu redor diz respeito aos bichos e seres humanos porque eles “se movem”, merecendo, portanto, um controle atento da sua parte.

Backster observou também que, ameaçada por um perigo eminente ou um dano grave, uma planta “apaga” ou “desmaia” por autodefesa, semelhante ao procedimento de alguns animais que fingem-se de mortos, como o Gambá. Um caso assim se deu quando Backster recebeu em seu laboratório a visita de um fisiologista canadense, que veio presenciar a reação das plantas. As cinco primeiras plantas testadas não deram sinal algum. Backster esmerou-se na verificação da aparelhagem e em outros expedientes, em vão. A sexta planta, testada após toda esta trabalheira, corajosamente demonstrou as suas habilidades, ainda que de forma fraca. Interessado em saber o que poderia ter influenciado as outras plantas, Backster perguntou ao visitante:
– Por acaso seu trabalho o força a fazer mal às plantas?
– Sim, eu as torro no forno para obter o seu peso seco para minha análise.

Quarenta e cinco minutos após a saída do fisiologista rumo ao aeroporto, todas as plantas responderam aos testes de Clive Backster.

Observando os fatos acima, Backster chegou à conclusão de que as plantas podem ser levadas ao “desmaio” ou “mesmerizadas” pelos seres humanos, assim como acontece no ritual dos carrascos antes de um animal ser abatido de forma correta (por exemplo, na alimentação Kosher, de origem judaica, procura-se proporcionar ao animal o menor sofrimento possível no abate, para que ele não tenha tido tempo, como defesa, de expelir resíduos químicos nocivos ao paladar e à saúde de quem irá ingerir a sua carne). Este pensamento levou Backster a raciocinar que as plantas e frutos que consumimos “queiram” de fato ser consumidos, mas só numa espécie de ritual amoroso, como uma comunicação real entre o que come e o que é comido – numa “comunhão” do tipo religiosa – e não com a costumeira matança desapiedada. Diz Backster: “Pode ser que um vegetal prefira passar a fazer parte de outra forma de vida a apodrecer no chão, assim como, à sua morte, uma pessoa pode experimentar alívio por encontrar-se num plano de existência mais alto.”

Outra descoberta interessante foi a de que as plantas não toleram mentiras e falsidades, apontando o falsário através das reações às suas mentiras. O Objetivo do teste era o de provar que “tanto as plantas quanto as células individualizadas captavam sinais através de algum meio de comunicação inexplicado pela ciência”. Na experiência foram utilizados um jornalista e um Philodendron (Imbé). A partir da segunda pergunta, após ter revelado a data do seu nascimento de forma correta, o jornalista devia dizer sempre não às perguntas formuladas sobre a sua vida entre os anos de 1925 a 1931. A planta reagiu, de forma veemente, a todas as falsidades ouvidas.
O psiquiatra Aristides H. Esser, diretor do centro de pesquisas do Hospital Estadual Orangeburg-Rockland, não acreditando nas conclusões de Backster, resolveu repetir o mesmo teste. Com o auxílio um químico, Douglas Dean, da Escola de Engenharia de Newark, realizou a pesquisa com um criador de Philodendros. O Imbé reagiu a todas as respostas falsas, através do galvanômetro, fazendo com que o Dr. Esser se rendesse aos fatos.

Backter demonstrou também que existe um forte vínculo entre as plantas e quem cuida delas, independente das distâncias ou da proximidade da pessoa com a planta. Retornando de uma viagem a Nova York, constatou que as suas plantas manifestaram alegria pela sua volta no exato momento em que, inesperadamente, decidira (ainda lá) a voltar para casa. Sempre que Backster viajava para um ciclo de palestras e falava de suas observações, mostrando um slide da sua “deusa” iniciadora – a Dracena com o qual iniciou seus trabalhos – no mesmo momento ela reagia de forma exuberante, em seu laboratório.

Na véspera do Ano Novo em Nova York, Backster adentrou-se no barulho da Times Square, munido de um caderno e um cronômetro. À medida que se movia entre a massa, anotou suas varias ações, os passos que deu, a pressa que o invadiu ao descer as escadas do metrô, a iminência de ser pisoteado, a ligeira alteração que teve com o vendedor de jornais. Quando voltou ao laboratório, verificou que três de suas plantas, controladas separadamente, tinham mostrado reações similares às suas corriqueiras “aventuras emocionais” na Times Square.

Em um teste efetuado com seis alunos, cada um deles, de olhos vendados, tirou de um recipiente um papelzinho dobrado. Um dos papéis continha a ordem de torturar e depois destruir completamente uma das duas plantas que estavam na sala. O “criminoso” deveria agir em segredo e nem Backster ou qualquer um dos seus colegas saberia a sua verdadeira identidade. Depois de tudo feito, com o polígrafo ligado na planta sobrevivente, esta planta, através de uma manifestação feroz, indicou o “assassino”. Backster excluiu do resultado desta experiência a possibilidade de que a planta houvesse captado a culpa do assassino, uma vez que ele assumira, sem culpas, o seu trabalho em prol da ciência.

Um dia, ao cortar acidentalmente um dedo e se tratar com Iodo, Backster notou que a planta então submetida ao polígrafo reagiu de imediato, aparentemente afetada por esse fato: a morte de algumas células digitais; sendo que um mesmo padrão se repetia no gráfico sempre que uma planta testemunhava a morte de tecidos vivos.

Poderia a planta, a um nível tão minimizado, ser sensível a todo processo de morte celular que ocorria em seu meio ambiente?

O padrão típico reapareceu, noutra ocasião, quando Backster se preparava para tomar uma porção de iogurte. Ele acabou se dando conta de que o que misturara ao iogurte continha um preservativo químico que exterminava os bacilos vivos presentes no ultimo. Outro padrão inexplicável no gráfico foi finalmente esclarecido ao evidenciar-se que as plantas reagiam também à água quente que escorria pelo esgoto e dava morte às bactérias do esgoto.

Nem Backster e nem ninguém, até hoje, sabe ao certo o tipo de onda energética que leva às plantas os sentimentos e idéias de um ser humano ou mesmo de uma célula. O citologista Dr Howard Miller concluiu que uma espécie de “consciência celular” deveria ser comum a toda a vida. Baseado nesta opinião abalizada, Backster pesquisou uma forma de conectar eletrodos a diferentes tipos de células: amebas, paramécios, levedo, culturas de mofo, raspas da boca humana e esperma. A inteligência e sagacidade maior foram demonstradas pelas células do esperma, que foram capazes até de identificar os seus doadores, ignorando a presença de outros. “O resultado obtido leva à hipótese de que uma espécie de memória total possa integrar a simples célula. Sendo assim, talvez, o cérebro seja apenas um mecanismo comutador – e não necessariamente um órgão de armazenamento de lembranças”.

“A senciência” não parece interromper-se ao nível celular. É provável que desça ao molecular, ao atômico, e mesmo ao subatômico. Todas as coisas já convencionalmente tomadas por inanimadas podem nos impor agora a sua reavaliação”. Posteriormente, hipótese parecida recebeu os avais do inventor, engenheiro e bioquímico Itzhak Bentov e do físico teórico Amit Goswami.

Pushkin, um professor moscovita, admitiu que as células vegetais da flor reagem a processos ocorridos no sistema nervoso de seres humanos, ou o que vagamente se define como seus “estados emocionais”. No encalço de um significado para a reação da flor, ele escreveu: “Talvez entre esses dois sistemas de informações, as células vegetais e o sistema nervoso, exista um vínculo específico. A linguagem da célula vegetal pode estar relacionada à célula nervosa. Embora totalmente diversas, essas células vivas parecem capazes de se compreender mutuamente”. Estaria aí o segredo das essências florais?

O TESTE DOS CAMARÕES

Ciente de que só poderia despertar o interesse da ciência para as suas descobertas se as publicasse numa publicação especializada, expondo-as às críticas e ao conhecimento dos cientistas, Clive Backster colocou as mãos na massa. Financiado pela Fundação Parapsicológica da paranormal e célebre Eileen Garret, e com a colaboração de diversos cientistas de diversas áreas, foi concebido um elaborado sistema de controles experimentais que consistia em “Matar células vivas com um mecanismo automático, num momento casual em que ninguém se encontrasse no escritório ou adjacências, e ver como as plantas reagiam”.

Foram escolhidos para as pesquisa camarões de água salgada em estado ótimo de vitalidade, já que havia evidências que o tecido doente ou moribundo não responde aos estímulos remotos e não transmite mensagens. Os camarões seriam colocados em uma tigelinha e esta os despejaria, automaticamente, numa panela de água fervendo. Um programador mecânico acionaria um dispositivo num momento selecionado ao acaso e isto impediria que Backster e seus comandados soubessem a hora exata da ocorrência. Seriam despejadas aleatoriamente outras tigelas de água sem camarões, para servir de controle.

As plantas selecionadas (Philodendrum Cordatum) foram ligadas ao galvanômetro, três delas em salas separadas. Um quarto galvanômetro foi plugado a uma resistência de valor fixo, para indicar as possíveis variações causadas por intermitências no fornecimento de energia ou por perturbações eletromagnéticas ocorridas perto ou dentro da área da experiência.

A Hipótese de Backster era de que “existe uma percepção primária ainda não definida na vida das plantas, que o extermínio da vida animal pode servir de estímulo localizado para demonstrar essa capacidade perceptiva, e que é possível comprovar que a percepção das plantas funciona independentemente do envolvimento humano”.

O resultado é que as plantas se comportaram como de costume, reagindo sincronizadamente ao afogamento dos camarõezinhos na água fervente. Cientistas examinaram o sistema automatizado, que lhes revelou que essa reação das plantas se processou de forma consistente – na proporção de cinco para um – contra a possibilidade do “acaso”. Foi então publicado um ensaio científico em 1968, no volume X do The International Journal of Parapsycology, so o título: “Evidência sobre a percepção primária na vida vegetal”.

Estava dada a partida para que outros cientistas testassem o efeito Backster e repetissem os mesmos resultados. Sete mil cientistas e alunos de 20 universidades reproduziram o experimento, e algumas fundações se ofereceram para propiciar o financiamento das pesquisas. A reação pública se iniciou com um artigo pioneiro publicado pela National Wildlife – em fevereiro de 1969 – apelidando a planta Dracena massangeana de “pop star”, pois ela rompera a barreira que nos separava da vida secreta das plantas.

Backster prosseguiu e aprimorou o seu equipamento, com a aquisição de eletrocardiógrafos e eletroencefalógrafos que produziam leituras muito mais aperfeiçoadas do que as obtidas através do polígrafo e 10 vezes mais fiéis.

Aberto o primeiro véu que nos separa do incogniscível, veio a segunda etapa. O “acaso”, mais uma vez, propiciou a Clive Backster uma nova fonte de pesquisas. Tratando do seu cachorrinho, Backster estava no ato de quebrar a casca de um ovo cru, quando uma das suas plantas (que estava “ligada” aos aparelhos), reagiu de forma vigorosa. Backster repetiu a dose no dia seguinte e obteve o mesmo resultado. Nove horas se passaram com ele elaborando gráficos pormenorizados, desta vez tendo os eletrodos ligados ao ovo. Obteve-se a freqüência situada entre 160 e 170 batidas por minuto: correspondente à batida do ritmo cardíaco de um embrião de galinha com três ou quatro dias de incubação. O interessante é que o ovo não estava fertilizado. Dissecando o ovo, Backster verificou que ele não possuía estrutura física circulatória alguma que correspondesse àquela estranha pulsação. “O ovo parecia ter um campo de força situado além donosso conhecimento científico”, escreveu.

Itzahk Bentov, engenheiro, cientista, inventor e místico, fez algumas medições num ovo, e constatou: “Se tomarmos um ovo de galinha e abrirmos nele duas janelas, uma na parte superior e outra na inferior – com cuidado para não danificarmos a sua membrana – e então utilizarmos um voltímetro muito sensível, equipado com dois eletrodos de prata, para tocarmos as regiões expostas da membrana, registraremos, em cima, carga positiva e, embaixo, negativa. No ovo não fertilizado essa voltagem terá um valor constante de 2,40 milivolts. Bentov aconselha mais duas janelas na lateral do ovo, uma oposta a outra, e constataremos que não existe nenhuma diferença de potencial semelhante a dos pólos longitudionais. O que isto indica? A existência de um campo elétrico “disposto ao longo do eixo maior do ovo e que, pelos lados leste, se volta sobre si mesmo”. É ao longo da linha que a espinha do pintinho irá se desenvolver.

Há estudos do professor Harold Saxton Burr, professor de anatomia em Yale, sobre organismos vivos, a respeito desta área (Blue Print for Immortality). Burr criou o nome “campos organizadores” da vida, sustentando que eles vêm em primeiro lugar dispondo os átomos e as moléculas do organismo em crescimento para que se modelem na forma adequada. Bentov chama a este processo de “holograma eletromagnético” e após considerações conclui: “Confirmando a idéia de que a nossa matéria (nossos corpos vivos) é mantida junta, coesa, por meio de um padrão de interferência quadridimensional”.

TSUNAMI

As ondas que devastaram o sudeste asiático em dezembro de 2004 invadiram cerca de 3,5 Km do Parque Nacional Yala, a maior reserva de vida selvagem do Sri Lanka e lar de centenas de elefantes, leopardos e outros animais. Entretanto, segundo o diretor do Departamento de Vida Selvagem do Sri Lanka, H.D. Ratnayake, nenhum animal selvagem foi morto. Não foi possível encontrar nem mesmo uma lebre morta no parque por conta da enchente repentina. Segundo especialistas em comportamento animal do Zoologico de Johannesburg, na África do Sul, apesar da falta de comprovação científica, os animais parecem ter um “sexto sentido” capaz de “sentir” e prever terremotos e erupções vulcânicas, procurando instintivamente um local seguro.

Ou teria sido as plantas a soar o alarme psíquico, captado pelos animais?

#espiritualismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-mente-das-plantas

Austin Osman Spare, H.R.Giger e Rosaleen Norton: Três Artistas Malditos

Se a arte visionaria brota dos íntimos refolhos assombrados da consciência, não nos surpreende que alguns artistas também sejam magos. Sua arte se torna uma espécie de invocação, um chamado uterino ‘as energias arquetipicas a “presenças” que povoam a imaginação. Para esses artistas, as imagens que conjuram provêem uma espécie de espiada ‘as profundas – e talvez mais ameaçadoras – realidades que se acotovelam alem dos limites de nossa consciência conhecida.  É mágico como artistas dessa estirpe  nos “relembram”  de potencialidades visionarias que filtram através do psíquico, como ecos do Grande Vazio. Os três artistas que vamos tratar aqui são exemplos exponenciais desses gênios criativos e excêntricos; artesãos visuais que, de alguma forma, conseguiram explorar estas realidades inomináveis, mantendo-se no contexto da cultura ocidental do século XX e, sobretudo, preservando a sua sanidade.  Os três podem ser considerados “marginais”, ou alternativos. E somente um, o suíço H.R.Giger, conseguiu atrair a si considerável notoriedade do establishment, alem de ser o único ainda vivo: Austin Osman Spare morreu abandonado em Londres em 1956 e Rosaleen Norton – a Bruxa de King Cross – deixou esta vida em um hospício de Sidney, Austrália, em 1979.  Mas o que especificamente nos desperta o interesse nestes três artistas? Penso que o trio consubstancia justamente o conceito de Arte como Magia, de artista como mago. Eles nos mostraram, através de suas imagens fantásticas, que o Universo realmente é algo misterioso, milagroso e ‘às vezes, aterrorizante, e que a nossa consciência existe e transita em vários níveis. O artista-mago é pois, por definição, um avatar de diversos mundos paralelos.

Austin Osman Spare

O visionário do transe britânico Austin Osman Spare (1886-1956) nos legou exemplos intrigantes da fusão  criativa da Magia com a Arte. Valendo-se de um sistema todo seu de encantamentos e civilizações (mandingas), ele era capaz de focar determinada e controladamente a sua consciência, que evocava energias primais poderosas de sua psique, na técnica que ele cunhou de ressurgencias atavistica.  Ele foi alem dos conhecidos rituais práticos da Magia, ao ponto de suas peças-de-arte representarem uma desapaixonada confrontação com o próprio Universo – ou, como ele próprio gostava de descrever o ato, “roubavam o fogo dos céus”.  Inspirado nos deuses egípcios clássicos e também em sua ligação intima com uma velha bruxa chamada apenas de Sra. Paterson – e com uma entidade dos círculos interiores apelidada de Águia Negra – Spare evoluiu rapidamente de uma arte figurativa conhecida para um estilo inspirado de surrealismo mágico.  Sua carreira iniciou-se de um modo impressionante, mas ortodoxo, quando ele conseguiu uma bolsa para estudar no famoso Colégio Real de Arte, com apenas 16 anos de idade.  Admirado por Augustus John, George Bernard Shaw e John Sargent, ele foi considerado um prodígio artístico e foi logo depois contratado para ilustrar uma porção de livros expressivos, inclusive “Atrás do Véu”, de Ethel Wheeler (1906) bem como um livro de aforismos intitulado “Lodo Queimado nas Estrelas” (1911).

No inicio dos anos 20 ele já era o co-editor de um excelente jornal literário ilustrado, O Golden Hind (Corça de Ouro), junto com Clifford Bax, que atingiu oito números quadrimestrais (1922-24), estampando artigos de verdadeiros papas da cultura de então, como Aldous Huxley, Alex Waugh e Havelock Ellis.  Os desenhos de Spare para o jornal eram em sua maioria de mulheres nuas e suntuosas, apenas levemente insinuando todo o mundo mágico que já começava a inspirá-lo. Se ele tivesse continuado no metier, trafegando meio aos círculos literários convencionais, certamente que se tornaria bem mais conhecido como artista – pelo menos ao nível de outro notado ilustrador, Edmund J.Sullivan, autor das imagens que embelezava O Rubaiyat de Omar Khayyam e cujo estilo gráfico assemelhava-se ao estilo inicial de Spare.  Mas Spare já estava decidido a auto-publicar seus escritos e desenhos, que lidavam com a exploração da consciência mágica. Na verdade, suas inclinações esotéricas  o encaminharam mesmo foi  para longe do mainstream cultural.  Sua cosmologia é complexa, mas instrutiva. Ele acreditava na Reencarnação e afirmava categoricamente que todas as suas pretéritas vidas, seja humana ou até animal, estiveram igualmente imersas na mente subconsciente.  O propósito místico do homem seria justamente rastrear todas essas existências até  ‘a sua fonte primal, e isto poderia ser feito num estado de transe, no qual estaria se sujeito a ser possuído pelos atavismos de algumas dessas vidas.  Ele chegou a nomear essa fonte primal e universal do ser como “Kia” e se referia ao corpo humano como “Zos”. Para ele, este era o veiculo ideal para a manifestação das energias espirituais e ocultas desse universo que, em assim não sendo, permaneceria “oculto”.  Considerava este nível mental como “a epítome de toda experiência e maravilhamento, encarnações passadas como homem, animal, passaro, vida vegetal…tudo o que existe, existiu ou existira´  Sua técnica para fazer aflorar essas imagens primais – a ressurgencia atavistica – envolvia focar sua vontade ferrenhamente em sigilos mágicos que ele própria criava – um simples anagrama gráfico composta por letras de uma sentença que manifestava uma vontade.  Atingido o ponto maximo da sigilizaçao, Spare então fechava seus olhos e concentrava-se tanto no sigilo quanto na vontade a ele associada. De acordo com seu amigo e colega ocultista Kenneth Grant, o efeito era dramático: quase que imediatamente ele percebia a “resposta interior”. Sentia então uma tremenda efusão de energia a percorrer o seu corpo, as vezes com a força até de uma ventania a dobrar uma vara de bambu. Com um esforço supremo, ele se mantinha firme e conseguia canalizar essa energia ao seu objetivo.  Spare visitou o Egito durante a Primeira Guerra e ficou sensivelmente impressionado pelo magnetismo imanado dos deuses clássicos ali representados por esculturas monumentais. Para ele, os egípcios da antiguidade já demonstravam um grande conhecimento da complexa mitologia da mente subconsciente: “Eles simbolizaram este conhecimento em um grande monumento, a Esfinge, a qual retrata pictograficamente o homem evoluindo de uma existência animal”.  Seus numerosos deuses, todos parcialmente animal, passaro, peixe…constatam a totalidade de seus conhecimentos da ordem evolucionaria, os complexos processos iniciados apenas num simples organismo”.

Para Spare, lembranças e até impressões de encarnações previas bem como todos os impulsos míticos, podiam ser despertados da mente subconsciente:” Todos os deuses já viveram na Terra, sendo nos próprios” – escreveu – ” e quando mortos, suas experiências, ou Karma, comandam nossas açoes em parte”.  O artista aprendeu sua técnica de atavismo ressurgente da Sra. Paterson, que por sua vez creditava uma ligação intima com o Culto das Bruxas de Salem.  Ele também começou a fazer “desenhos automáticos” em transe, através da mediunidade de uma manifestada presença que ele chamava de Águia Negra e que tomava a forma de um índio americano.. Afirmava que o via muitas vezes, e até que já vivia em um mundo perceptual em que  se misturavam a realidade circundante, as alucinações e o mundo do transe.  Certa vez, viajando num  ônibus de dois andares, ele afirmou se ver cercado de repente por um grupo de passageiros imaginários, uma turma de bruxas indo para um Sabbath.  A sua atração pela idosa Sra. Paterson era compreensível se levarmos em conta o contexto mágico da relação do casal. Para Spare, ela era capaz de transformar-se perceptualmente de uma encarquilhada feiticeira a uma atraente sereia. Sua concepção de mulher sem uma forma fixa, finita, lhe era de grande apelo – e a Deusa Universal era, acima de tudo, um aspecto central de sua cosmologia mágica. E não abria mão de sua crença de que essa deusa não podia ser limitada nem cultural nem miticamente e nem também nomeada como Astarte, Isis, Cybele, Kali, Nuit, já que, em assim procedendo, estaríamos desviando-nos do “caminho” e,  idealizar um conceito tão sagrado seria falso porquanto incompleto, irreal porquanto temporal.   Spare usou diversas técnicas para entrar em estados de transe; algumas vezes, a exaustão absoluta, como um meio para lhe “abrir o estado de vácuo total”; outras, o orgasmo, para atingir a mesma espécie de êxtase místico. Acreditava que a sigilizaçao, a mandinga, representando um ato de vontade consciente, podia ser plantada como uma semente na mente subconsciente durante estes estados de pico do êxtase, momentos especiais quando o ego e o espírito universal se fundem: “Nesse momento, o qual ocorre a geração do Grande Desejo “ – escreveu – “ a inspiração flui livremente da fonte do sexo da deusa primordial , que existe no coração da matéria…a inspiração vem sempre do grande momento do vazio”.  Diversos dos desenhos mágicos de Spare exibem a Dama Divina guiando o artista pelo labirintico mundo da magia. Um dos seus mais importantes e singulares trabalhos, “ A Ascençao do Ego do Êxtase ao Êxtase” – o qual foi incluso em sua obra-prima auto-publicada , “O Livro dos Prazeres”, em 1913 – mostra a Deusa dando as boas vindas ao próprio artista que, na ocasião,  era apropriadamente provido de asas brotadas de sua cabeça.  Seu ego, ou identidade pessoal, e´ mostrada emergindo na forma de uma encarnação primal animalesca e as duas formas transcendem a si mesmas conjuradas numa caveira atávica – união com Kia.  Em outro  trabalho igualmente importante , “Agora pela Realidade”, a Dama aparece novamente, levantando o véu que revela a misteriosa realidade alem. No primeiro plano, pululam toda forma de criatura – uma coruja, um rato do mato, um diabo com chifres – mas, claramente, a realidade esta´ alem, nas regiões inferiores reveladas pela Deusa.  Indubitavelmente, um dos principais intentos de Spare ao usar os seus transes era liberar energias as quais ele acreditava serem a fonte de genialidade. E ele próprio comentava “ êxtase, inspiração, intuição e sonho…cada estado destampa memórias latentes e as apresenta na imagética de suas respectivas linguagens”. O  gênio, de acordo com ele, era justamente  experimentar diretamente o “atavismo ressurgente” durante” o êxtase da Serpente de  Fogo do Kundalini.

Rosaleen Norton

Nascida na Nova Zelândia e criada na Austrália, a artista Rosaleen Norton (1917-1979) e´ uma das poucas a  fazerem par com Austin Spare. Boemia, excêntrica e extraordinariamente talentosa, ela marcou indelevelmente o folclore urbano de Sidnei como “ a Bruxa de Kings Cross”, por suas pinturas sobrenaturais, prenhas de satanismo e pornografia, numa presumida era de conservadorismo social moralistico, nos anos 50. Mas este era apenas um julgamento estreito que a cercou e que, infelizmente, a perseguiu durante toda a vida.  Seu pai foi um capitão da marinha mercante e primo do compositor Vanghan Williams, que emigrou com a família para a maior cidade da Austrália em 1925. Enquanto eles  comungavam de crenças religiosas ortodoxas, a jovem Rosaleen já fazia seus primeiros contatos com o mundo da magia.

Seu talento para o desenho se revelou precoce, pois aos 3 anos já rabiscava fantasmas com cabeças de animais e aos cinco jurou ter visto um dragão brilhante voando na cabeceira de sua cama.  Mais tarde, na escola secundaria, ilustrou “Dança Macabra” do conjunto Saint Saens, completo com vampiros, lobisomens e gárgulas.  Sua orientação pagã  foi logo notada pela direção da escola que não tardou em expulsá-la, sob a alegação de que “sua natureza depravada poderia corromper as outras garotas inocentes”.  Na adolescência, depois de curta temporada como escritora do Semanario Smith, Rosaleen estudou arte com o famoso escultor Rayner Hoff,  se tornou a primeira artista australiana de rua e começou a saltar de trabalho em trabalho – desenhista para uma industria de brinquedos, “assistente” em clubes noturnos, e até recepcionista e modelo. E foi nessa época que começou a se interessar e pesquisar Psicologia, Magia e Metafísica, indo fundo nas obras de Carl Gustav Jung, William James e ocultistas como Eliphas Levi, Madame Helena Blavatsky, Dion Fortune e Aleister Crowley.  Também descobriu técnicas para elevar a sua percepção artística: através da auto-hipnose, por exemplo, aprendeu a transferir voluntariamente a sua atenção para “planos interiores de excitamento místico”. Esses experimentos, como escreveu mais tarde, “produziram um numero de resultados peculiares e inesperados…e culminaram num período de percepção extra-sensorial  mesclado a uma prolongada serie de visões simbólicas”.  A seguir, algumas passagens de uma entrevista de Rosaleen ao psicologo L.J.Murphy, conduzida na Universidade de Melbourne em 1949, que  provê fascinante insight de sua exploração visionaria de estados alterados da consciência.

“Eu decidi experimentar o transe auto-induzido com o fito de atingir um estado anormal de consciência e poder manifestá-lo, representá-lo de alguma forma, de preferência, desenhando. Queria ir fundo nesses estados da mente subconsciente, explorá-la totalmente e se possível ir ainda mais alem. Tinha a sensação, mais intuitiva que intelectual , de que em algum lugar das profundezas do inconsciente, o individuo contem, em essência, todo o conhecimento acumulado da humanidade; da mesma forma que o nosso corpo manifesta o somatório de nossas experiências como raça, na forma de instintos e de reação automática a estímulos.  No sentido de” contatar” essa fonte hipotética do saber, decidi aplicar estímulos psíquicos ao subconsciente; estímulos que a razão consciente poderia rejeitar, mas que apelaria aos instintos enterrados há gerações, e os quais, eu esperava, causariam reflexos psíquicos automáticos (cultos religiosos usam rituais, incensos, musicas etc,como mesmo objetivo).   Conseqüentemente juntei uma variedade grande de “instrumentos” como folhas, vinho,  uma pata mumificada, etc…e um fogareiro , todas potentes estímulos a parte do inconsciente que eu desejava invocar. Deixei o quarto no escuro, foquei meus olhos na pata, esmaguei as folhas, bebi algum vinho e tentei exaurir minha mente de todo e qualquer pensamento. Assim foi o começo de tudo – e eu fiz varias outras experiências progressivamente bem sucedidas.  Seguindo uma corrente de curioso excitamento, meu cérebro ficou limpo de todo pensamento consciente e, de olhos fechados, comecei simplesmente a desenhar na folha de papel branco a minha frente…me senti liberada do mundo a minha volta, para um estado onde não havia tempo, experimentei uma considerável intensificação de minhas faculdades intelectuais, criativas e intuitivas, e comecei a ver coisas com muito mais clareza e encantamento do que no “meu normal”.

Quando eu próprio entrevistei Rosaleen Norton em 1977, ela me contou que seus visionários encontros com as criaturas mágicas que passaram a povoar as suas pinturas eram extremamente reais. Mesmo sendo entidades como Zeus, Júpiter e Pan, usualmente associados a mitos e lendas da mitologia, portanto bem “longínquos” da realidade da maioria das pessoas, para ela eles representavam forças sobrenaturais, passiveis inclusive de casualidades, não eram simplesmente uma projeção da mente subconsciente ou da imaginação criativa.  Rosaleen inclusive veio a ter uma especial reverencia ao Grande Deus Pan, ao qual ela considerava ” a totalidade de todo o ser , o verdadeiro Deus do Mundo e o Super-Deus do Equilíbrio da Natureza”. Haviam outros também, Lúcifer, Bafomet, Ecate e até  Júpiter, mas de acordo com ela, esses somente se manifestavam em suas visões de transe ao seu próprio bel prazer. “Não atendiam a qualquer invocação ou aceno de qualquer um”, explicou .  Também haviam as chamadas “forças menores”  na sua hierarquia do oculto, incluindo certo numero de demônios, seres espirituais e formas astrais. Algumas das entidades mágicas que apareciam em seus trabalhos artísticos parecem representar híbridos atávicos – metade humano, metade animal, quase sempre nus –  revelando os aspectos primevos da evolução espiritual da humanidade.

Certa vez, como Austin Spare, Rosaleen Norton começou a considerar sua arte como um veiculo para apresentar uma realidade alternativa e potencialmente muito mais impressionantes do que o mundo de aparências familiares. Numa de suas primeiras citações em seu diário oculto, ela chegou a marcar: “ Há sentidos, formas de arte, atividades e estados de consciência que não tem nenhum paralelo na experiência humana…verdadeiro cataclismo envolvente tanto do auto-conhecimento  como do conhecimento universal, presentes (quase sempre em forma alegórica) em todo e quaisquer aspectos concebíveis..metafísico, matemático, cientifico, simbólico…. Compõem um desconcertante espectro de experiências, cada uma completa em si própria, embora ainda assim interdependentes em significância com todas as outras facetas.  Uma experiência dessas poderia ser comparada a assistir e simultaneamente tomar parte de uma peça teatral em que todas as formas de arte estão presentes, a musica, o drama, os rituais cerimonialisticos, formas, sons e padrões, tudo formando um todo sinergistico  Grande parte da arte de Rosaleen foi influenciada pelas escolas cubistas e modernistas, mas detêm uma imagética visionaria muito forte e singular.  Suas imagens foram publicadas inicialmente em 1952, num volume controverso intitulado “A Arte de Rosaleen Norton”, de co-autoria do poeta Gavin Greenles.  Embora atualmente seus desenhos não pareçam tão “confrontacionais”, na época causaram furor nos meios tradicionais e tradicionalistas dos anos 50, já que seu editor, Wally Glover, chegou a ser convocado as barras da Lei e processado por tornar publico “imagens ofensivas a castidade e decência humanas”.  Examinado atualmente esta situação, fica claro que a admitida arte pagan de Rosaleen atingiu fundo toda a estreita e reacionária sensibilidade  judaica-crista de então  O que e´ indubitável e´que  seu melhor trabalho  emanava todo um poder arquétipo e próprio. Nos estudos esotéricos, por exemplo, um demônio furioso olha com lascívia a partir de uma realidade Qliptica, contrabalançado por uma forma de diamante de radiante brilho, enquanto que em Individualização, somos confrontados com um ser mítico resultado de uma fusão de elementos humano, animal e divino.  Similarmente, suas representações de Gebura´ – um vortex de poder dinâmico da Cabala – mostra um poderoso torso humano com uma cabeça alada de um falcão. Esse deus tem ainda um rabo de escorpião e patas  providas de garras, emanando uma agressividade crua e guerreira. Segura uma esfera em sua destra, que bem poderia ser o débil globo terrestre – envolvido pelo seu domínio.  Como Austin Spare, Rosaleen Norton foi uma adepta da exploração de estados alterados de consciência nos quais ela teria seus visionários encontros com deuses. Quando morreu em 1979, entrou para a lenda, embora por razoes errôneas. Em seus dias, perseguida por acusações de obscenidade – e também de “manipular massas negras” em seu abrigo da rua Kings Cross – Rosaleen Norton foi considerada uma marginal pagã e sua arte julgada bizarra e pornográfica.  Mas hoje podemos reavaliar seu trabalho sobre uma nova luz.  Sua imagistica nos parece querer escapar de nossos parcos limites, dar forma a realidades visionarias e arquetipicas que, para a maioria das pessoas, não pertencem a estados conscientes. Talvez foi esta a característica que fez sua arte tão chocante nos anos 50: ela ousou trazer a luz imagens vindas das camadas mais profundas do nosso psíquico, imagens que, para a maioria de nos, seria muito melhor que fossem reprimidas ou esquecidas.

H.R.Giger

hrgiger.jpgMais conhecido por ser o criador do Alien, O Oitavo Passageiro, Han-Ruedi Giger é nativo de Chur, na  Suíça, onde veio ao mundo em 1940.   Diferente de Spare e de Rosaleen,  não desenvolveu inicialmente sua arte visionaria a partir de um tradicional  conhecimento esotérico consciente.   Ao invés disso, as formas artísticas evocadas de sua psique e´ que o guiaram crescentemente em direção a realidade mágica.  As imagens conjuradas por Giger freqüentemente tomam forma sob uma iluminação nebulosa e etérea, levando o observador a cavernas de pesadelo ou espaços mágicos de onde não há nenhum meio tangível de se escapar.  Nos últimos anos, Giger vem se transformando num mago de grande intuição, com sua arte provendo  um assombrado testemunho das potentes energias que nascem do mais profundo da psique.

Quando criança, Giger costumava construir esqueletos de papelão, arame e gesso e tinha “um considerável mal gosto por e vermes e serpentes” – repugnância esta que até  hoje se manifesta em sua pintura. Depois, já aluno da Escola de Artes Aplicadas de Zurique, ele começou a ficar fascinado por imagens de tortura e terror – um fascínio estimulado pela precoce visão de fotografias tétricas do cadáver do Imperador da China, assassinado em 1904,   e ainda pelas lendas de Vlad, o Impalador – a figura histórica na qual Drácula, o Príncipe das Trevas, foi baseado  Mais tarde, o artista foi impressionado indelevelmente pelos textos macabros de H.P;Lovecraft, especialmente seu Mito de Cthulhu e o Necronomicon.  Parte desse apelo, como ele mesmo admite, e´ que o Necronomicon,  clamava ser “…um livro de magia  que ocasionaria grande sofrimento a humanidade se caísse em mãos erradas. Isso inclui a lenda de grandes deuses de nomes impronunciáveis, como Cthulhu e Yog-Sothoth,  adormecidos nas profundezas da terra e dos oceanos, esperando o alinhamento de certas estrelas para despertarem e tomarem posse de seus domínios, o nosso mundo”.  O amigo e mentor de Giger, Sergius Golowin, foi quem sugeriu mais tarde justamente o titulo de Giger´s Necronomicon ao seu primeiro livro de arte,  uma coleção de suas imagens visionarias e esotéricas, inicialmente publicado pela Basle, em 1977 – e depois com outras edições na Inglaterra.  Muitas das mais distintas pinturas de Giger retratam sua modelo principal, a linda atriz Li Tobler, com quem ele se encontrou em 1966, quando ela tinha 18 anos e vivia com outro homem. Giger foi morar no apartamento de sótão dela e se tornaram amantes. Ele recorda que ela “tinha enorme vitalidade e um grande apetite pela vida” e que ela também desejava “uma  vida curta, mas intensa”.  Li Tobler e´ o protótipo para as muitas mulheres torturadas, mas etéreas, que habitam suas pinturas, fazendo par atormentado a serpentes, agulhas e sufocantes cavernas-prisão formada por estruturas ósseas – já prenunciando seu estilo “biomecânico” que o tornou famoso mais tarde.  O próprio e belo corpo jovem e voluptuoso de Li serviu varias vezes de tela aos aerógrafos de Giger e existem diversas fotos mostrando a posando nua, como uma mulher misteriosa emergindo de um pesadelo que possuiu a sua alma.  Infelizmente, a vida de Li Tobler foi realmente curta. Atormentada por uma estressante vida de viagens com seu grupo de teatro por todo o pais e perturbada emocionalmente pela sucessão de outros amantes, ela interrompeu tragicamente sua vida numa segunda-feira de 1975, com um tiro de revolver.  Quando eu encontrei Giger em sua casa de Zurique  em 1984, para filmar uma seqüência ao documentário de TV “A Experiência do Oculto”, ficou claro para mim o quanto ele ainda estava assombrado por Li Tobler: a simultânea agonia e trabalho de viver com ela, contribuiu para impingir  uma dinâmica de medo e transcendência   em suas pinturas, como um legado perene da tumultuada relação que mantiveram.

Giger vive hoje numa atmosfera que evoca simultaneamente um senso de magia e de paranóia. A sala principal de escadarias em sua casa de dois andares e terraço, tem as paredes cobertas por telas impressionantes, exibindo  mulheres tipo Medusa, de peles fantasmagoricamente alvas, cabelos de serpente e com seres estranhos se enroscando em volta de seus voluptuosos corpos.  Garras, agulhas, metralhadoras, espinhas e outras estruturas ósseas também constituem o aspecto central da iconografia visual de Giger.  No meio da mesa monumental que ocupa o seu living, esta´ gravado um pentagrama, bruxuleantemente iluminados pela luz de velas compridas  de um conjunto de castiçais próximos.  Uma fileira de altíssimas estantes em um canto, revela um amontoado de crânios, caveiras e até autenticas cabeças encolhidas e mumificadas de uma tribo canibal.  Uma prateleira exibe o Oscar que premiou H.R. Giger  pelos efeitos especiais de Alien, num verdadeiro tributo a sua bizarra imaginação.  Escada acima e chegamos ao seu estúdio, verdadeiro caos de tintas, pinceis e trabalhos inacabados e descartados.  Aqui, ele experimenta suas técnicas de aerografia, espreiando tinta através de grades e peças de metal funcionando como mascaras –  para obter padrões repetidos de design, luz e sombra, e texturas, tonica de sua imagistica biomecanoide tão característica.  Ao final de uma comprida sala toda aberta existe uma enorme mesa negra, sustentada por pernas em bulbo, com tampo de impressionante polimento, quase um espelho. Modelada em plástico pesado, ela e´ ladeada por cadeiras altas, decoradas com caveiras e construídas para darem a impressão de vértebras distorcidas. Na cabeceira, a cadeira principal, cor cinza grafite, esta sim, construída de ossos verdadeiros.  Pairando sobre todo o cenário, um grande painel apresentando um demônio com chifres, um pentagrama prateado e muitas serpentes negras e hostis.  Indagado sobre suas “afiliações com o ocultismo” ele confirmou que, embora tenha estudado os escritos de Aleister Crowley, não pratica rituais nem se envolve com invocações de espíritos.  De toda forma ninguém poderia encontrar um templo para pratica de magia melhor que esta sala de Giger e os seres astrais que habitam suas pinturas compõem por si mesmos verdadeira legião de demônios.  Parece na verdade e´que Giger pratica a magia espontânea .  “Eu tento ir o mais próximo possível da minha imaginação” expressa o artista em seu inglês gaguejante. “Tenho alguma coisa na mente e tento trabalhar isto, numa espécie de exorcismo”.  E´ quando o débil véu que cobre sua mente e´ levemente descortinado que supitam as visões tempestuosas e impressionantes, como se os deuses da escuridão mais uma vez emergissem dos pesadelos de seu passado.

Conclusão

Como destacado desde o inicio, existe distintivos paralelismos entre Austin Osman Spare e Rosaleen Norton. Ambos foram influenciados por feitiçaria e tradições ocultas da magia oriental, ambos valeram-se de estados de transe e ambos acreditavam que o mundo dos deuses tem a sua própria intrínseca existência – servindo o artista apenas como veiculo de manifestação das energias arquetipicas, um canal inspirado. E e´ interessante que ambos empregaram técnicas de enfoque mental – usando mandingas e objetos físicos específicos para induzir o estado de transe. Como nas tradições de meditação oriental,  que utiliza um enfoque centralizado da mente e  da consciência numa intenção, como uma valorosa pratica para liberar energias psíquicas armazenadas.  H.R.Giger por sua vez,  nos prove com uma orientação de alguma forma diferente. Sua arte não deriva de estados transe  per si, mas flui de toda forma, de um tipo de exorcismo da alma.  Na Introdução a uma recente coleção de trabalhos de Giger publicada em 1991, o guru do LSD Timothy Leary confirmou o impacto da arte evocativa do pintor suíço: “ Giger, você retalha com navalha partes do meu cérebro e os molda, ainda pulsantes, sobre suas telas…Gostemos disto ou não, nos somos todos alienígenas insetóides encravados dentro de nossos corpos urbanóides. Seus cenários, seus slides microscópicos, são sinais para mutação”.

Nota: este é um trecho traduzido de  “Echoes from the Void: Writings about Magik, Visionary Art and the New Counsciousness”. Shadowplay zine – Austrália
Cortesia: www.alanmooresenhordocaos.hpg.com.br

Por Nevill Drury, Tradução: José Carlos Neves

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/austin-osman-spare-h-r-giger-e-rosaleen-norton-tres-artistas-malditos/

Katarsis e Miasmas

miasma

Miasma significa poluição, mas não no sentido que hoje lhe damos. Miasma é toda a sujidade associada ao mundano, a sujidade que este gera: quando corremos e transpiramos estamos a criar miasma, quando sangramos temos miasma, se caímos numa poça de lama geramos miasma.

Mas o miasma não se limita à sujidade física, incluindo também a sujidade espiritual, ética e mental. Assim, quando matamos algo de forma injusta criamos miasma, se ofendemos alguém também é miasma, se cometemos um crime aos Deuses fizemos miasma, os próprios pensamentos geram miasma.

Em suma, o miasma resulta da actividade humana. Situações especiais que geram miasma são o contacto com a morte, quer sejamos nós a matar ou morra alguém próximo de nós, um familiar ou amigo, e o sexo e nascimento. De realçar que nem o nascimento nem o sexo são considerados menos sagrados, mas quando acontecem as pessoas envolvidas ficam fisicamente sujas, pelo que é necessário um banho.

No caso do nascimento e da morte são também efectuados rituais especiais porque ambos representam as duas transições mais importantes da vida e, como tal, podem comportar forças que geram poluição.

De referir ainda que o miasma e as actividades que o geram não são consideradas negativas, profanas ou más, antes pelo contrário, há Deuses que estão directamente envolvidos nelas e muitos participam nelas e tanto o nascimento como a morte são simultaneamente as maiores geradoras de miasma e duas das coisas consideradas mais sagradas. O que se passa é que ir limpo a um ritual é uma espécie de etiqueta e os Deuses podem ficar ofendidos se desrespeitamos a etiqueta, porque isto mostra que os desrespeitamos a eles.

Finalmente, para as mulheres, a gravidez e a menstruação não são consideradas miasma, pelo que não há qualquer restrição nessas alturas – apenas se deve realizar a katarsis normal, incluindo um banho para remover a sujidade física que se acentua nessas ocasiões se não forem tomadas precauções.

Katarsis são todas as acções rituais que realizamos para nos livrarmos do miasma, quer seja porque vamos a um templo ou ritual e, portanto, não queremos desrespeitar os Deuses, quer porque apanhámos uma dose muito grande e queremos livrar-nos dela. Por vezes o miasma que temos é tão grande que é transmitido a outras pessoas, como acontece com os assassinos, e, por isso, devem realizar-se rituais para nos livrarmos dele.

Mas a katarsis não é apenas uma forma de remover a sujidade, ela também prepara a nossa mente e o nosso espírito, para além do corpo e do espaço, para um ritual, focando os nossos pensamentos e distinguindo a situação ritual de outras.

Ir a um ritual sem katarsis é um enorme desrespeito: seria como ir a um casamento sujo, ou a uma reunião de escritório com calções de banho e bikini. Tanto a sujidade como os calções de banho e o bikini não são negativos em si – é a sua presença em determinado contexto que os torna negativos, que os torna miasma. Realizarmos a katarsis, nestes exemplos, seria tomar banho e vestir roupas lavadas para o casamento e vestir algo formal para a reunião.

Por outro lado, se um dos noivo nos encontrar no dia a dia e nós formos mecânicos não se ofenderá da sujidade, do mesmo modo que um chefe que encontre o subordinado na praia não tomará por ofensa ele estar com fato de banho: até é provável que ele mesmo esteja.

Também os Deuses não se ofendem se no dia a dia os contactarmos com preces ou devoções espontâneas e tivermos miasma, mas em rituais a situação é mais distinta pelo que devem ser tomadas precauções.

Antes do Ritual

Limpeza da Pessoa

Antes de ir para o ritual devem-se efectuar acções específicas para se purificar a si mesmo, numa espécie de transição do mundano para o ritual. A principal acção é o banho, a limpeza física da pessoa através da água e, no caso moderno, dos sabonetes, champôs, géis de banho, perfumes, etc. Para festivais e grandes rituais é sempre necessário que a pessoa se arranje, tomando banho e perfumando-se e também vestindo roupas limpas ou especiais. Para devoções mais pequenas convém sempre lavar as mãos e a cara e os dentes, enquanto que para simples preces no momento não é necessário tomar qualquer destas atitudes.

Relativamente às roupas, estas podem ser especiais para nós, quer sejam roupas que só usamos em ocasiões especiais, ou mesmo exclusivas para os rituais, quer sejam gregas, latinas, ou modernas. Roupas normais também servem, desde que nos esmeremos para causar “boa impressão” é suficiente. O único requisito é que, tal como a pessoa, as roupas sejam limpas: não serve a roupa com que andámos no dia anterior, por exemplo.

Actualmente muitos helenistas gostam de acrescentar outras formas de preparação para o ritual que não eram praticadas na antiguidade, mas que preparam melhor a mente e acalmam o espírito, permitindo que nos foquemos apenas no ritual e nos Deuses. Refiro-me, é claro, a meditações. Estas são inteiramente opcionais, mas na minha opinião acrescentam muito valor e profundidade a um ritual.

Na antiguidade existiam muitas formas de katarsis, incluindo o jejum, total ou parcial, purificação pelo sangue, purificação pelo fogo, banhos no mar ou rios, purificação pelos cereais, entre outras, quer realizadas antes quer depois do ritual, mas não vou referir-me a elas mais neste artigo.

Limpeza do Espaço

A limpeza do espaço antes do ritual era efectuada pelo neokoros que mantinha o templo sempre limpo, literalmente, varrendo-o e esfregando-o. Antes de um grande ritual a divisão deve sempre ser meticulosamente limpa, mas para rituais normais basta a limpeza normal, não é preciso que a divisão esteja “um brinco”. Para além disso, existem técnicas de limpeza rituais, hoje praticadas pela pessoa que efectuará o ritual.

Várias horas antes efectua-se a fumigação com enxofre. Esta consiste em queimar enxofre e deixar que este encha o ar, purificando-o. Pode ser feita uma prece a Apolo, Deus da purificação. Pessoalmente, quase nunca uso enxofre porque os meus rituais são de manhã e não dá tempo para que o cheiro do enxofre desapareça completamente, isto para além de os fumos serem tóxicos e se entranharem, especialmente em sofás ou camas. Eu prefiro usar o incenso, deixando o quarto completamente às escuras com vários paus de incenso acesos para que o encham completamente, abandonando-o depois das acções rituais para que fique numa espécie de incubação, que é o método porque Apolo mais se manifesta. O quarto permanece assim, completamente fechado, sem que nada nem ninguém lá entre antes do ritual, e a luz só volta aquando do ritual, nomeadamente da segunda acção purificante antes do ritual, para que se possa ver o que se faz, quer seja através de luz solar, de lâmpadas ou de velas.

Antes dos convidados chegarem, ou antes de entrar no quarto com as oferendas para fazer o ritual, a pessoa entra carregando consigo o khernips, uma taça com água. Então acende-se a chama sagrada e prepara-se o khernips, tornando a água sagrada. As formas de o fazer são muito variadas, pois não se conhece a forma usada na antiguidade, e não estão no propósito deste artigo. Após acender a chama e se preparar o khernips, coloca-se este à entrada para que todos os participantes se limpem antes de entrar.

Em rituais solitários costumo sair com o khernips, após o ter usado para me limpar a mim e ao espaço ritual, em sentido oposto ao do ponteiro dos relógios, e salpico todas as oferendas, deixando depois o khernips fora do quarto e entrando com as oferendas. No caso de rituais colectivos é normal que o khernips seja salpicado sobre os outros pela pessoa que o preparou e também sobre as oferendas, sendo depois novamente depositado fora do local do ritual, já que absorveu todas as impurezas e miasma e convém que esteja fora do espaço e das pessoas agora sagrados.

Durante o Ritual

Limpeza da Pessoa

A limpeza da pessoa durante o ritual propriamente dita é efectuada por ela mesma antes de entrar no espaço sagrado e pelo sacerdote, que a salpica novamente com khernips. Depois a pessoa é que se deve esforçar por manter os pensamentos centrados no ritual e por dar o melhor de si.

Limpeza do Espaço

Quando as pessoas entram no espaço sagrado, percorrem-no no sentido oposto ao ponteiro dos relógios, às vezes sob a forma de uma dança, que demarca claramente o espaço sagrado. Depois dá-se a oferta inicial de grão, em que cada pessoa tira um pouco de grão do cesto onde a faca sacrificial se encontra escondida, e segurando o grão todos o atiram para o chão, ficando em completo silêncio. O efeito é demarcar claramente o começo do sagrado e é fantástico, principalmente se foi antecedido por música e depois só se ouve o salpicar dos grãos que gradualmente é substituído por silêncio.

Então, o ritual propriamente dito começa.

Depois do Ritual

Quando o ritual acaba o espaço fica cheio de grão no chão e com as ofertas. Caso seja numa floresta deixa-se a área e o ritual está concluído. Mas quando o ritual se dá em espaços do interior convém que o espaço seja limpo, algumas horas depois, para que os Deuses possam apreciar totalmente as ofertas antes de as retirarmos. As ofertas perecíveis e libações são deixadas numa floresta ou parque, sendo as ofertas enterradas. Quando não há hipótese de o fazer podem ser simplesmente deitadas fora, mas embrulhadas num saco em separado.

Outras ofertas podem ficar no local por mais tempo, como por exemplo flores, estátuas, jóias, entre outras.

Lista

E aqui fica uma pequena lista para verificar antes do ritual:

– Fumigação do Espaço

– Ocasião especial (morte e nascimento) = purificação especial (jejum, ritual, entre outros)

– Banho e roupas novas/especiais

– Outras formas de preparação: meditação

– Khernips e Chama Sagrada

– Circumbalação

– Purificação por cereais e silêncio

Está em Português de Portugal, mas é muito bom. Espero que não tenham problemas em entender.

#Rituais

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/katarsis-e-miasmas

A iluminação é um caminho

Eu já não me interesso mais. Rafael Arrais se tornou desimportante, transbordou para olhares alheios, de transeuntes e andarilhos, de toda a gente que passa, dos que se hospedam aqui por alguns dias, algumas vidas, ou dos que somente acenam da estrada, e até dos que sequer me viram.

Não me interessa ser visto, mas ver. Contemplar as pétalas douradas que pairam pelo ar, deslizando suavemente, viajantes das copas das alturas, capazes de embelezar as raízes mais grotescas.

Não que meus bosques também não escondam monstros ocultos nas folhagens, e abominações a se esgueirar no lodo dos lagos e no fundo das cavernas. Mas eu já não me interesso mais.

Me interessa mesmo é perceber até onde se aventura essa luz que vem do Alto, e reflete em pequenos espelhos, perpassando olhares e sorrisos e lágrimas. Todo homem e toda mulher é um espelho. Cada poema, cada conjunto de cascas deste sentimento antigo, nada disso é realmente meu: me interessa a reflexão da luz, Rafael Arrais se tornou desimportante.

Não me interessa ser visto, mas ver. Já singrei por este mundo muitas e muitas vezes, trafegando dentre olhares que nada veem, nada sentem, nada imaginam… Já sangrei por dentro e cheguei a crer que a Criação não tinha mais salvação. Mas tudo isso perdeu a importância no momento em que saí de mim, em que transbordei, em que sangrei e gargalhei e dancei com o Tudo…

Um dia acreditei que entraríamos no céu de mãos dadas, mas agora, vendo toda esta cena do Alto, creio que chegaremos dançando e cantando, celebrando a Alvorada, e é precisamente esta música que irá atrair a todos os demais. A sua melodia e a sua luz ecoará em todos os territórios, e vencerá até mesmo os seres mais acinzentados e entediados. Me interessa é ouvir esta canção de chamamento! Vem, seja você um idólatra ou adorador do fogo, vem assim mesmo…

É verdade que a iluminação é um caminho, não um ponto de chegada. Nesta estrada há muitas vidas e muitas noites, é certo, mas também há muitos archotes a indicar a próxima estalagem, muitos faróis a indicar a próxima ilha. Me interessa é esta procissão galáctica. Não sou o guia de ninguém, somente o mensageiro.

Eu já não me interesso mais. E de tanto me desinteressar de mim, acabei rodopiando junto com tudo o que vibra, tudo o que jamais esteve parado, nem sequer por um piscar de olhos. E foi precisamente aqui, nesta dança em turbilhão, neste movimento eterno em direção a Fonte, é que cheguei a estas palavras:

Rafael Arrais, você que é todo o amor do mundo, você que é o Uno em Tudo, o centro de gravidade deste giro, diga: Eu sou você.

raph’16’A.’.A.’.SG

***

Nota: Este texto trata essencialmente sobre aquilo que nos conecta a todos numa imensa rede de almas. Você pode muito bem ler este texto substituindo o nome “Rafael Arrais” pelo seu próprio nome, não faz diferença, ele apenas chegou por mim.

Crédito da imagem: Irmãos Hildebrandt (Lothlorien)

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Contos #Espiritualidade #sufismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-ilumina%C3%A7%C3%A3o-%C3%A9-um-caminho

Asclépio (da biblioteca de Nag Hamadhi)

“E se você (Asclépio) deseja ver a realidade deste mistério, então você deve ver a maravilhosa representação da relação sexual que ocorre entre o homem e a mulher. Pois quando o sêmen atinge o clímax, ele salta para fora. Nesse momento, a fêmea recebe a força do macho; o macho, por sua vez, recebe a força da fêmea, enquanto o sêmen o faz.

“Portanto, o mistério da relação sexual é realizado em segredo, para que os dois sexos não se desgracem diante de muitos que não vivenciam essa realidade”. Para cada um deles (os sexos) contribui com sua (própria parte na) iniciação. Pois se isso acontece na presença daqueles que não compreendem a realidade, (é) risível e inacreditável. E, além disso, são mistérios sagrados, tanto de palavras quanto de obras, porque não só não são ouvidos, mas também não são vistos.

“Portanto, tais pessoas (os incrédulos) são blasfemadores. Eles são ateus e impiedosos. Mas os outros não são muitos; ao contrário, os piedosos que são contados são poucos. Portanto, a maldade permanece entre (os) muitos, já que o aprendizado a respeito das coisas que são ordenadas não existe entre eles. Pois o conhecimento das coisas que são ordenadas é verdadeiramente a cura das paixões da matéria. Portanto, o aprendizado é algo derivado do conhecimento.

“Mas se há ignorância, e o aprendizado não existe na alma do homem, (então) as paixões incuráveis persistem nela (a alma)”. E um mal adicional vem com elas (as paixões), sob a forma de uma ferida incurável. E a ferida rói constantemente a alma, e através dela a alma produz vermes do mal, e fede. Mas Deus não é a causa destas coisas, pois Ele enviou aos homens o conhecimento e o aprendizado.

“Trismegisto, Ele as enviou aos homens sozinho?”
“Sim, Asclépio, Ele os enviou a eles sozinho. E é justo que lhe digamos por que ele concedeu aos homens sozinhos o conhecimento e a aprendizagem, a distribuição de seu bem.

“E agora escutem! Deus e o Pai, mesmo o Senhor, criou o homem depois dos deuses, e ele o tirou da região da matéria. Como a matéria está envolvida na criação do homem, de […], as paixões estão nela. Portanto, elas fluem continuamente sobre seu corpo, pois esta criatura viva não teria existido de outra forma, a não ser que ele tivesse tomado este alimento, pois ele é mortal. É também inevitável que desejos inoportunos, que são prejudiciais, habitem nele. Pois os deuses, desde que nasceram de uma matéria pura, não precisam de aprendizagem e conhecimento. Pois a imortalidade dos deuses é aprendizado e conhecimento, já que eles surgiram de uma matéria pura. Ela (imortalidade) assumiu para eles a posição de conhecimento e de aprendizagem. Por necessidade, ele (Deus) estabeleceu um limite para o homem; ele o colocou no aprendizado e no conhecimento.

“A respeito destas coisas (aprendizagem e conhecimento) que mencionamos desde o início, ele (Deus) as aperfeiçoou para que por meio destas coisas pudesse conter as paixões e os males, de acordo com sua vontade. Ele trouxe sua existência (do homem) mortal à imortalidade; ele (homem) se tornou bom (e) imortal, assim como eu disse. Pois ele (Deus) criou (a) uma natureza dupla para ele: o imortal e o mortal.

“E aconteceu assim por causa da vontade de Deus de que os homens sejam melhores que os deuses, já que, de fato, os deuses são imortais, mas os homens sozinhos são tanto imortais quanto mortais”. Portanto, o homem se tornou semelhante aos deuses, e eles conhecem os assuntos um do outro com certeza”. Os deuses conhecem as coisas dos homens, e os homens conhecem as coisas dos deuses. E estou falando dos homens, Asclépio, que alcançaram o aprendizado e o conhecimento. Mas (sobre) aqueles que são mais vaidosos do que estes, não é apropriado que digamos nada de base, pois somos divinos e estamos introduzindo assuntos sagrados.

“Já que entramos na questão da comunhão entre os deuses e os homens, saiba, Asclépio, aquilo em que o homem pode ser forte! Pois assim como o Pai, o Senhor do universo, cria deuses, assim também o homem, este ser vivo, mortal, terreno, aquele que não é como Deus, também ele mesmo cria deuses”. Ele não só se fortalece, mas também se fortalece. Ele não só é deus, mas também cria deuses. Você está surpreso, Asclépio? Você mesmo é outro incrédulo como muitos?”.

“Trismegisto, eu concordo com as palavras (faladas) para mim. E eu acredito em você enquanto fala. Mas também fiquei surpreso com o discurso sobre isso. E decidi que o homem é abençoado, já que ele desfrutou deste grande poder”.

“E o que é maior que todas essas coisas, Asclépio, é digno de admiração. Agora está claro para nós a respeito da raça dos deuses, e nós a confessamos juntamente com todos os outros, que ela (a raça dos deuses) surgiu de uma matéria pura. E seus corpos são apenas cabeças. Mas o que os homens criam é a semelhança dos deuses. Eles (os deuses) são da parte mais distante da matéria, e ela (o objeto criado pelos homens) é do exterior (parte) do ser dos homens. Não somente eles (o que os homens criaram) são cabeças, mas (eles são) também todos os outros membros do corpo, e de acordo com sua semelhança. Assim como Deus quis que o homem interior fosse criado de acordo com sua imagem, da mesma forma, o homem na Terra cria deuses de acordo com sua semelhança”.

“Trismegisto, você não está falando de ídolos, está?”.
“Asclépio, você mesmo está falando de ídolos”. Você mesmo, Asclépio, é também um descrente do discurso. Você diz sobre aqueles que têm alma e amplitude, que são ídolos – estes que trazem estes grandes eventos. Vós dizeis daqueles que dão profecias de que são ídolos – daqueles que dão doenças e cura aos homens que […] eles.

“Ou você é ignorante, Asclépio, que o Egito é (a) imagem do céu? Além disso, ele é a morada do céu e de todas as forças que estão no céu. Se é próprio para nós falar a verdade, nossa terra é (o) templo do mundo. E é próprio de vocês não ignorarem que um tempo virá (nossa terra, quando) os egípcios parecerão ter servido à divindade em vão, e toda sua atividade em sua religião será desprezada. Pois toda divindade deixará o Egito, e fugirá para o céu. E o Egito ficará viúvo; será abandonado pelos deuses. Pois os estrangeiros entrarão no Egito, e eles o governarão. Egito! Além disso, os egípcios serão proibidos de adorar a Deus. Além disso, eles entrarão no castigo final, especialmente quem entre eles for encontrado adorando (e) honrando a Deus.

“E naquele dia, o país que era mais piedoso do que todos os países se tornará impiedoso”. Não estará mais cheio de templos, mas estará cheio de túmulos”. Tampouco estará cheio de deuses, mas (estará cheio de) cadáveres. Egito! O Egito se tornará como as fábulas. E seus objetos religiosos serão […] as coisas maravilhosas, e […], e se suas palavras forem pedras e forem maravilhosas. E o bárbaro será melhor que você, egípcio, em sua religião, seja (ele é) um cita, ou os hindus, ou algum outro deste tipo.

“E o que é isto que eu digo sobre o egípcio? Pois eles (os egípcios) não vão abandonar o Egito. Pois (no) tempo (quando) os deuses abandonaram a terra do Egito, e fugiram para o céu, então todos os egípcios morrerão. E o Egito será feito um deserto pelos deuses e pelos egípcios. E quanto a você, River, haverá um dia em que você fluirá com mais sangue do que água. E os cadáveres serão (empilhados) mais altos do que as represas. E aquele que está morto não será lamentado tanto quanto aquele que está vivo. De fato, este último será conhecido como egípcio por causa de sua língua no segundo período (de tempo). – Asclépio, por que você está chorando? – Ele parecerá como (a) estrangeiro em relação aos seus costumes. O Egito divino sofrerá males maiores do que estes. O Egito – amante de Deus, e morada dos deuses, escola de religião – se tornará um exemplo de impiedade.

“E naquele dia, o mundo não será maravilhado […] e imortalidade, nem será adorado […], pois dizemos que não é bom […]. Não se tornou nem uma única coisa nem uma visão. Mas está em perigo de se tornar um fardo para todos os homens. Portanto, será desprezada – o belo mundo de Deus, o trabalho incomparável, a energia que possui a bondade, a visão formada pelo homem. A escuridão será preferida à luz, e a morte será preferida à vida. Ninguém olhará para o céu. E o homem piedoso será considerado louco, e o homem ímpio será homenageado como sábio. O homem que tiver medo será considerado como forte. E o homem bom será punido como um criminoso.

“E quanto à alma, e às coisas da alma, e às coisas da imortalidade, juntamente com o resto do que eu vos disse, Tat, Asclépio e Ammon – não só serão considerados ridículos, mas também serão considerados como vaidade. Mas acreditem (quando eu digo) que pessoas deste tipo estarão em perigo pelo perigo final para sua alma. E uma nova lei será estabelecida … (faltando 2 linhas) … eles … (falta uma linha) …. boas. Os anjos maus permanecerão entre os homens, (e) estarão com eles, (e) os conduzirão a coisas más imprudentemente, bem como ao ateísmo, guerras e saques, ensinando-lhes coisas contrárias à natureza.

“Naqueles dias, a terra não será estável e os homens não navegarão pelo mar, nem conhecerão as estrelas no céu”. Toda voz sagrada da palavra de Deus será silenciada, e o ar ficará doente”. Tal é a senilidade do mundo: o ateísmo, a desonra e o desprezo pelas palavras nobres.

“E quando estas coisas aconteceram, Asclépio, então o Senhor, o Pai e Deus do único primeiro deus, o criador, quando olhou para as coisas que aconteceram, estabeleceu seu desígnio, que é bom, contra a desordem. Ele tirou o erro, e cortou o mal. Às vezes, ele o submergiu em uma grande enchente; outras vezes, ele o queimou em um fogo abrasador; e outras vezes ainda, ele o esmagou em guerras e pragas, até que ele trouxe … (faltando 4 linhas) … do trabalho. E este é o nascimento do mundo.

“A restauração da natureza dos piedosos que são bons acontecerá em um período de tempo que nunca teve início. Pois a vontade de Deus não tem começo, mesmo como sua natureza, que é sua vontade (não tem começo). Pois a natureza de Deus é a vontade. E a sua vontade é o bem”.

“Trismegisto, é propósito, então, (o mesmo que) vontade?”.
“Sim, Asclépio, já que a vontade está (incluída) no conselho”. Pois <ele> (Deus) não quer o que tem de deficiente”. Já que ele está completo em cada parte, ele quer o que (já) tem plenamente. E ele tem todo bem. E o que ele quer, ele quer. E ele tem o bem que quer. Portanto, ele tem tudo. E Deus quer o que ele quer. E o mundo bom é uma imagem do Bem”.

“Trismegisto, o mundo é bom?”
“Asclépio, é bom, como eu vos ensinarei”. Pois assim como … (faltam 2 linhas) … da alma e da vida […] do mundo […] surgem na matéria, os que são bons, a mudança do clima, a beleza, a maturação dos frutos, e as coisas semelhantes a tudo isso. Por causa disso, Deus tem o controle sobre as alturas do céu. Ele está em todos os lugares, e ele olha por todos os lugares. E (em) seu lugar não há nem céu nem estrela. E Ele está livre do (o) corpo.

“Agora o criador tem o controle no lugar que está entre a terra e o céu”. Ele é chamado de ‘Zeus’, ou seja, ‘Vida’. Zeus Plutônio é senhor da terra e do mar. E ele não possui o alimento para todos os seres vivos mortais, pois (é) a Coroa que dá o fruto. Estas forças são sempre poderosas no círculo da terra, mas as dos outros são sempre d’Ele-quem-é.

“E os senhores da terra se retirarão”. E se estabelecerão em uma cidade que está em um canto do Egito e que será construída em direção ao pôr-do-sol”. Todos os homens entrarão nela, quer venham no mar ou na costa”.

“Trismegisto, onde serão instalados agora?”
“Asclépio, na grande cidade que está na montanha líbia… (faltam 2 linhas) … assusta […] como um grande mal, na ignorância do assunto. Pois a morte ocorre, que é a dissolução do trabalho do corpo, e o número (do corpo), quando ela (morte) completa o número do corpo. Pois o número é a união do corpo. Agora o corpo morre quando não é capaz de sustentar o homem. E isto é a morte: a dissolução do corpo e a destruição da sensação do corpo. E não é necessário ter medo disso, nem por causa disso, mas por causa do que não se sabe, e não se acredita (é um medo)”.

“Mas o que não se sabe, ou se não se acredita”.
“Escute, Asclépio! Existe um grande demônio. O grande Deus o designou para ser supervisor ou juiz sobre as almas dos homens. E Deus o colocou no meio do ar, entre a terra e o céu. Agora, quando a alma sai do (do) corpo, é necessário que ela se encontre com este daimon. Imediatamente, ele (o daimon) cercará este (masc.), e o examinará em relação ao caráter que ele desenvolveu em sua vida. E se ele descobrir que realizou piedosamente todas as suas ações pelas quais veio ao mundo, este (o daimon) lhe permitirá … (falta uma linha) … transformá-lo […]. Mas se ele vê […] neste […] ele trouxe sua vida em más ações, ele o agarra, ao fugir para cima, e o joga para baixo, de modo que ele fica suspenso entre o céu e a terra, e é punido com um grande castigo. E ele será privado de sua esperança, e estará em grande sofrimento.

“E essa alma não foi colocada nem na terra nem no céu, mas entrou no mar aberto do ar do mundo, o lugar onde há um grande fogo, e água cristalina, e sulcos de fogo, e um grande tumulto. Os corpos são atormentados (em) vários (modos). Às vezes são lançados no fogo, a fim de que ele possa destruí-los. Agora, não vou dizer que esta é a morte da alma, pois ela foi libertada do mal, mas é uma sentença de morte.

“Asclépio, é necessário acreditar nestas coisas e temê-las, para que não as encontremos. Pois os incrédulos são impiedosos e cometem pecados. Depois, eles serão obrigados a acreditar, e não ouvirão somente de boca em boca, mas experimentarão a própria realidade. Pois eles continuam acreditando que não suportariam estas coisas. Nem apenas … (falta uma linha). Primeiro, Asclépio, todos os da terra morrem, e aqueles que são do corpo cessam […] do mal […] com estes do gênero. Pois aqueles que estão aqui não são como aqueles que estão lá. Assim, com os daimons que […] homens, eles apesar de […] estarem lá. Portanto, não é a mesma coisa. Mas, na verdade, os deuses que estão aqui punirão mais quem quer que o tenha escondido aqui todos os dias”.

“Trismegisto, qual é o caráter da iniquidade que existe?”
“Agora você pensa, Asclépio, que quando alguém leva algo em um templo, ele é impiedoso. Pois esse tipo de pessoa é um ladrão e um bandido. E este assunto diz respeito aos deuses e aos homens. Mas não compare aqueles aqui com aqueles do outro lugar. Agora quero falar-lhes este discurso confidencialmente; nenhuma parte dele será acreditada. Pois as almas que estão cheias de muito mal não virão e irão no ar, mas serão colocadas nos lugares dos daimons, que estão cheios de dor, (e) que estão sempre cheios de sangue e abate, e sua comida, que é chorar, lamentar e gemer”.

“Trismegisto, quem são estes (daimons)?”.
“Asclépio, são aqueles que são chamados de ‘estranguladores’, e aqueles que rolam almas sobre a terra, e aqueles que os açoitam, e aqueles que lançam na água, e aqueles que lançam no fogo, e aqueles que provocam as dores e calamidades dos homens. Pois estes não são de uma alma divina, nem de uma alma racional do homem. Ao contrário, eles são do mal terrível”.

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Fonte:

<http://gnosis.org/naghamm/asclep.html>.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares

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Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/asclepio/

Ação e o Físico

Por Moshe Miller.

Asiya, o mundo da Ação, é realmente o propósito final da Criação.

A característica mais limitante de todas é a limitação do tempo. A limitação de tempo significa que um objeto não pode estar em dois lugares diferentes simultaneamente. Além disso, o conceito de tempo está vinculado ao de mudança. Isto significa que quando uma coisa deixa de ser e outra começa a ser, ocorre uma mudança. A mudança só pode ocorrer onde a unidade e o infinito de D-us estão ocultos, ou seja, onde a continuidade do ser não é evidente.

O tempo é criado através do processo de extensão e retração da luz e da força vital à medida que ela alcança os vasos abaixo e retorna ao seu lugar original. O “intervalo” entre a extensão e o retorno da luz e da força vital, ao pulsar continuamente de cima, cria o tempo. De momento em momento a luz e a força vital se estende “para baixo”, e depois se retrai, retornando ao seu lugar original. Aquilo que ativou ou vitalizou “morre”, por assim dizer, assim que a força vital é retirada, e então, quando ela alcança novamente para baixo, cria um novo ser. Esta mudança é a origem do tempo, pois o tempo é uma medida de mudança. Este processo é análogo a um filme. A luz que brilha através da constante mudança dos quadros da tira de filme parece criar uma cena contínua. Na realidade, porém, cada quadro da tira de filme é distinto do anterior; é apenas porque o movimento dos quadros é tão rápido que o olho humano desconhece que existem imagens separadas. Assim, a cena parece ser contínua para o olho. Assim também é com a pulsação da força da vida no mundo físico – a “lacuna” entre um pulso e outro é tão ínfima, que a cena parece ser contínua.

Este alcance e retorno da força vital de cima é espelhado no avanço e recuo da força vital de baixo. O pulso que você pode sentir no pulso e no batimento do seu coração é o resultado deste processo. Cada vez que você sente o batimento de seu pulso ou seu batimento cardíaco, isso indica que uma “permutação” diferente da luz e da força vital está lhe animando. Devido a esta constante renovação, você muda de momento em momento.

Na Cabala, esta pulsação ou flutuação contínua se manifesta no mundo de Asiya, ou no mundo da Ação. A essência do mundo de Asiya é a ação. A história da Criação termina com as palavras “que D-us fez para fazer (ou para retificar)”. A palavra “fazer”, em hebraico “la’asot”, é derivada da mesma palavra que Asiya – ação. Este mundo é criado em nome da ação, o que significa retificação. O estado quase perfeito de retificação do mundo de Atzilut (ver acima) precisa ser arrastado para este mundo também. Este mundo é criado “incompleto”. O que lhe “falta” é a revelação de Divindade que se encontra, em maior ou menor grau, nos mundos superiores. A retificação de Asiya é a revelação da mesquinhez neste mundo através das ações do homem.

Portanto, os sábios judeus recomendam que cada pessoa diga a si mesma “para mim o mundo foi criado”. Isto não significa que se deva considerar como o centro do universo e tudo foi criado para servir ao próprio ego. Muito pelo contrário. Ao invés disso, entenda a frase para significar: “Para mim, a ocultação de D-us foi criada para que eu revelasse a Divindade neste mundo e assim o retificasse”. Esta é a tarefa que D-us criou para nós: revelar as dimensões interiores, a Divindade, contidas e ainda escondidas neste mundo. Assim, o mundo de Asiya, o mundo da Ação, é realmente o propósito último da Criação. Pois aqui, mais do que em qualquer outro lugar, a Divindade está escondida. E D-us pode ser revelado aqui ainda mais do que nos mundos acima.

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Fonte:

https://www.chabad.org/kabbalah/article_cdo/aid/431127/jewish/Action-and-the-Physical.htm

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/acao-e-o-fisico/

As Egrégoras e o Carvão

Já recebi este conto várias vezes por email, de diversas Ordens diferentes e acredito que se aplica a qualquer tipo de egrégora. começa mais ou menos assim:

“Um membro de um determinado grupo, ao qual prestava serviços regularmente, sem nenhum aviso deixou de participar de suas atividades.

Após algumas semanas, o líder daquele grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito fria. O líder encontrou o homem em casa sozinho, sentado diante da lareira, onde ardia um fogo brilhante e acolhedor.

Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas-vindas ao líder, conduziu-o a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando. O líder acomodou-se confortavelmente no local indicado, mas não disse nada. No silêncio sério que se formara, apenas contemplava a dança das chamas em torno das achas de lenha, que ardiam.

Ao cabo de alguns minutos, o líder examinou as brasas que se formaram e cuidadosamente selecionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado.

Voltou então a sentar-se, permanecendo silencioso e imóvel. O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto.

Aos poucos a chama da brasa solitária diminuía, até que houve um brilho momentâneo e seu fogo apagou-se de vez. Em pouco tempo o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de um negro, frio e morto pedaço de carvão recoberto de uma espessa camada de fuligem acinzentada.

Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os dois amigos.

O líder, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil, colocando-o de volta no meio do fogo. Quase que imediatamente ele tornou a incandescer, alimentado pela luz e calor dos carvões ardentes em torno dele.

Quando o líder alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse:

-Obrigado. Por sua visita e pelo belíssimo sermão. Estou voltando ao convívio do grupo.”

(Autor desconhecido)

#Contos

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-egr%C3%A9goras-e-o-carv%C3%A3o

Carlos Castañeda

Para entender o fenômeno místico e esotérico mundial das últimas quatro décadas é necessário conhecer Carlos Castañeda, um dos autores mais misteriosos e impactantes dos últimos tempos. Sua obra compreende uma série de ensinamentos mágicos e psicológicos, envolvidos nos relatos de suas experiências vividas com don Juan Matus, um índio Yaqui mexicano.

Lançados no final da década de 1960, os escritos de Castañeda logo se tornaram uma referência para espiritualistas e antropólogos, o mesmo ocorrendo com sua figura pessoal. Muitos de seus leitores queriam reviver as experiências fantásticas narradas nos livros, ou mesmo travar conhecimento pessoal com Castañeda, quando não com o próprio don Juan.

Este interesse era motivado também pelas sombras que cercavam – e ainda cercam – sua estranha biografia. Alguns afirmam que Castañeda nasceu no Peru em 1925, naturalizado-se norte-americano em 1957.

Mas há quem diga que Carlos Cesar Salvador Arana Castañeda na verdade nasceu no Brasil, na cidade de Mairiporã, no ano de 1935. A única certeza é que estudou antropologia nos Estados Unidos e aprendeu os segredos naguais no México, onde se tornou discípulo do bruxo don Juan Matus.

Sua naturalidade parece ser assunto que jamais será elucidado. No entanto, um fato curioso depõe contra sua nacionalidade peruana. Curiosamente, seus quatro primeiros livros teriam sido escritos em espanhol, mas foi necessária a contratação de um tradutor para a publicação das edições naquela que seria sua língua natural. Portanto, até mesmo uma foto que pretenda ilustrar a imagem real de Castañeda pode ser equivocada.

Publicou doze livros, os quais foram traduzidos para cerca de vinte idiomas e venderam aproximadamente dez milhões de cópias. Castañeda se converteu em um ícone do espiritualismo a partir da década de 70, e foi assunto de uma matéria de capa da revista Time, em março de 1973, cuja imagem ilustra este texto. Seus ensinamentos atraíram uma legião de seguidores, mas também críticos severos, que questionam a veracidade de seus relatos.

Seus três primeiros livros – A Erva do Diabo, Uma Estranha Realidade e Viagem à Ixtlan – foram escritos enquanto Castañeda ainda era aluno de Antropologia na Universidade da Califórnia. O conteúdo destas obras descreve os ensinamentos que recebeu de Don Juan, e serviu para que alcançasse sua graduação e seu doutorado nesta mesma instituição.

Castañeda narra os acontecimentos que o levaram a conhecer o bruxo Don Juan Matus no ano de 1960, com quem teve diversas experiências a respeito de realidades alternativas e de possibilidades adormecidas do ser humano. Don Juan é tratado como um autêntico Nagual, um homem que possui certos conhecimentos que o colocam na posição de líder de um grupo de sábios.

Através da narrativa de Castañeda é possível conhecer os variados poderes de um Nagual. Vivendo constantemente entre aquilo que chamamos realidade convencional e uma realidade alternativa – ou Estranha Realidade – um Nagual é capaz de assumir a forma física de um animal, através do emprego de elementos mágicos e ritualísticos de antigas civilizações do continente americano.

Quando encerrou sua aprendizagem com don Juan, num episódio narrado em seu querto livro, Porta para o Infinito, no qual apresenta completo domínio da ciência Jinas ao se atirar de um penhasco, Castañeda se retirou para uma casa em Los Angeles, onde reuniu um pequeno grupo de aprendizes, entre os quais se encontravam as “três bruxas”, suas discípulas mais próximas, cujos nomes fictícios são Florinda Donner-Grau, Taisha Abelar e Carol Tiggs.

Na década de 1990 deu início à divulgação da Tensegridade, uma série de movimentos que promovem mudanças físicas, energéticas e psicológicas, cujo objetivo seria conduzir o praticante a mais altos estados de consciência. Castañeda afirmava que tais exercícios faziam parte da antiga sabedoria dos Xamãs Toltecas, transmitida através de uma tradição composta por 25 gerações de sábios.

Também nesta época fundou uma instituição chamada Cleargreen, cujos objetivos seriam promover a Tensegridade através de seminários, além de cuidas das publicações do autor. Castañeda morreu em abril de 1998, devido à um câncer hepático. A obscuridade que o circundou durante toda a vida o acompanhou também durante a morte, que se tornou pública apenas em junho do mesmo ano.

Texto de Giordano Cimadon

 

1925 – 1998

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/carlos-castaneda/

As Musas

Para todo povo há entidades intermediárias, às vezes são os próprios deuses, outras semideuses. As Musas, habitantes do Olimpo, são deusas.

Filhas de Zeus e Mnemósine, sua quinta esposa, com a qual se uniu sob a aparência de um pastor, foram engendradas em nove noites distintas, longe dos demais imortais, com o objeto de que tivesse quem celebrasse a vitória dos Olímpicos sobre os Titãs.

Deusas da Memória (do céu) e da inspiração poética, atribui-se-lhes o poder de dar os nomes convenientes a todos os seres. Guardiãs do oráculo de Delfos , dizem “o que é, o que será e o que foi”.

Ainda que tenham nascido no morro Pierio, e ainda que visitem o Olimpo, onde alegram as festas dos imortais com seus cantos com que fazem resplandescer o palácio de seu pai, gostam de se reunir no cume do monte Helicão, de onde se aproximam na noite até a morada dos homens, que podem ouvir assim, na quietude, a melodia de suas vozes. Elas comunicam também aos olímpicos os males e sofrimentos destes, o canto de cuja criação é uma alegria para Zeus.

Estas entidades femininas, capazes de tomar indefinidas formas, e de não as tomar, e de revelar aos homens –se assim elas o desejarem–, seja através da harmonia daquelas, ou mediante o ritmo e o número, ou diretamente de sua própria voz, os mistérios da geração dos deuses, da ordem da Cosmogonia, das façanhas dos heróis em procura do céu e da cosmificação da terra, têm o poder de transformar a realidade, pois a audição de seus cantos faz do sensível símbolo da harmonia da Alma do mundo, manifestação e imagem do deus polar, Apolo.

Elas unem o homem com o sagrado porque estão diretamente vinculadas com o segredo e a harmonia da Criação (Cosmogonia) que revelam na alma humana, onde a reproduzem (poiésis = criação), e que conduzem assim ao pé do eixo que une os mundos, simbolizado na fonte, na pedra, na azinheira1, que aparecem no começo do canto de Hesíodo, a Teogonia. Como no Museu, onde se acham os produtos daquela audição e, portanto, da Memória, ao abrir um livro inspirado se abre também seu templo, ou mansão.

Ainda que apareçam como virgens, algumas tiveram filhos com deuses e homens; no entanto os destinos desta descendência assinala como o verdadeiro fim a geração espiritual, supracósmica, às vezes de forma trágica, como é o caso de Lino, filho de Urânia e de um mortal, ou, segundo alguns, de Apolo e Calíope –ou Terpsícore–, a quem este matou ao ser desafiado no canto; outras, como exclusiva geração do amor, como o de Himeneo, nascido da união de Apolo e Calíope.

Sendo ao começo três, quando nos tempos arcaicos, seu número ficou fixado em nove segundo a Teogonia de Hesíodo, a quem elas mesmas a revelaram, e seus próprios nomes estão unidos a sua função:

Clío: que preside a História, e que canta a “glória” dos homens e a “celebração” dos deuses, sendo seus atributos a trombeta heróica e a clepsidra.

Eutherpe: “a que sabe agradar”, e que preside a música de flauta e outros instrumentos de sopro.

Thalía: a comédia, “a que traz flores”, ou “a que floresce”, nome também de uma das três Graças, representada com a máscara da comédia e o bastão de pastor.

Melpómene: a tragédia, a que canta “o que merece ser cantado”, representada com a máscara trágica e a clava de Hércules.

Terpsícore: a música em geral e a dança, a que “ama a dança”, cujo atributo é a cítara.

Erato: a poesia lírica e os cantos sagrados, acompanhada pela lira e o arco, cujo nome procede de Eros, o primeiro deus que apareceu após Gea, nascida de Caos e geradora dos demais deuses.

Polimnia: a arte mímica, a que inspira a união dos “múltiplos hinos”, e se vinculam a ela a retórica, a eloqüência, a persuasão, representando-a com um dedo nos lábios.

Urânia: a “celeste”, a astronomia, a contemplação da harmonia do céu, representada com um trípode junto a ela.

Calíope: a poesia épica, a de voz “mais bela” ou “verdadeira”, a que reproduz a imagem do som primordial que se ouve no centro de todo ser, e que só depois de determinado estádio do ciclo se acha na cúspide da Montanha (Helicão), que deve ascender aquele que realiza o caminho de retorno, haja vista que o Olimpo é o lugar dos deuses imortais (os estados supra-individuais do ser), montanha celeste à qual elas mesmas se dirigem desde a anterior, após ter presenteado os homens, enquanto deixam ouvir depois de si um “encantador som que surge de seus passos”.

1 N.T. – Azinheira = Quercus ilex – Árvore de até 27 metros, de copa ovóide ou arredondada. Ritidoma não suberoso e escamoso-gretado. Ramos principais eretos. Raminhos estreitos e tomentosos. Folhas persistentes, orbiculares. As juvenis são serradas, as adultas são inteiras. Bolotas de maturação anual, aquénios e cúpula, com escamas imbricadas mais ou menos aplicadas e tomentosas.

#hermetismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/as-musas

A Filosofia do Templo da Chama Ascendente

O CAMINHO DO DRAGÃO:

O Caminho Draconiano é baseado na magia auto-iniciativa do Lado Noturno. Ele contém o mistério da transição iniciática da alma de um ser mortal para a forma de Deus encarnada através da morte espiritual e renascimento no Ventre do Dragão e na lareira do Fogo Draconiano. Através do trabalho sucessivo e da comunhão com os Deuses e Espíritos da Corrente, a consciência se expande e a alma desenvolve seu potencial para receber, manter e ancorar esta energia. Cada passo no Caminho revela novos segredos, novas possibilidades, novos mistérios a serem perseguidos. No Caminho do Dragão, o Iniciado é continuamente desafiado e testado. À medida que as chaves para a transmutação da alma são reveladas e os portais para os poderes esquecidos são desbloqueados, a mente é gradualmente sintonizada com as energias da Corrente e a alma é forjada no Fogo Draconiano, para que possa entender e aproveitar esse poder. O Iniciado do Caminho Draconiano é um emissário e uma manifestação viva do Dragão, um mensageiro dos Deuses primordiais.

Este é o trabalho de auto-capacitação e ascensão da alma. Ajuda na compreensão da Gnose de Lúcifer e Suas manifestações no mundo. Ela prepara o corpo, a mente e a alma para a quantidade de poder e conhecimento que serão liberados durante o trabalho com essas forças primordiais. Eleva a alma além de todas as expectativas. O Caminho do Dragão abrirá as portas para os poderes que você deseja alcançar e para muitos mais. Através do trabalho sucessivo, sua alma se integrará totalmente com a Corrente e você se tornará uma manifestação viva do Dragão, o Deus Encarnado. Uma vez abertos, esses portais estarão para sempre conectados à sua alma. Este é um caminho para a origem da Corrente, a fonte de todo poder e todo conhecimento, a descida ao Vazio para enfrentar o Dragão e se tornar uma manifestação da força draconiana primordial.

O Caminho Draconiano é individual e diferente para cada viajante. Você está convidado a entrar em contato conosco e participar de nossos projetos abertos e do Curso Introdutório que preparará seu corpo e mente para o fluxo da Corrente e para a abertura dos portões da alma para a força do Dragão. Nosso Trabalho é abrir as portas da alma para o Fogo transformador do Portador da Luz, as Chamas do Dragão. Quando isso for feito, você será guiado pelo próprio Lúcifer, Lilith, a Rainha da Noite, e pelos Deuses e Espíritos da Corrente. No entanto, se você quiser continuar seu trabalho de auto-iniciação participando de nossos projetos internos, você também receberá assistência do Templo e terá a oportunidade de conversar com Iniciados mais avançados no Caminho, compartilhando e trocando sua experiência em sucessivos níveis de sua ascensão pessoal.

Templo da Chama Ascendente é um templo de Lúcifer. Ele é o símbolo e o patrono da Era do Despertar. Ele permanece como o portão e o guia para o Caminho da Auto-Deificação, iluminação, liberdade do espírito, despertar da alma do sono da ignorância. Ele é a fonte de toda iluminação e um dos deuses draconianos primitivos. Ele é o Iniciador da Chama Ascendente (Desejo Humano de Transcendência que potencializa a ascensão espiritual) e o Deus patrono do Templo que foi fundado para trazer a Corrente do Portador da Luz e a Gnose do Vazio. Esta é a Gnose do Dragão que ao longo dos tempos foi esquecida, perdida, mal interpretada e distorcida, e agora está sendo trazida de volta ao mundo na forma da Corrente Draconiana primordial que está sendo aterrada através de indivíduos capazes de receber e canalizando esse conhecimento.

OS DEUSES DRACONIANOS E O CAMINHO DO LADO NOTURNO:

Deuses e Espíritos Draconianos são nossos aliados e guias no Caminho. Eles revelam e abrem os Portões da Alma e os Caminhos do Lado Noturno através do processo iniciático individual, para que o Homem possa se tornar Deus Encarnado. A Obra iniciática do Templo está, portanto, centrada em abrir a consciência para a natureza de seu poder e preparar a alma para a comunhão com suas energias primordiais.

O Dragão do Vazio é Leviathan, a Serpente Primal enrolada ao redor do Universo, segurando-o em um abraço atemporal. O próprio Vazio é o Ventre do Dragão, vomitando mundos e devorando-os em um ciclo interminável de morte e renascimento. É a força primordial existente fora das estruturas da Criação, sem nome e indefinida, pois não tem forma e todas as formas ao mesmo tempo, sua forma e nome diferem dependendo de uma tradição mágica e sistema iniciático. O Dragão existe fora da Árvore Cósmica, que é o Pilar da Ascensão Espiritual. A Árvore, tanto em seu aspecto brilhante quanto na negatividade do lado escuro, é uma manifestação da consciência humana, projeção da mente consciente e interior, de acordo com o antigo princípio “Como acima é abaixo”: Tudo o que existe Dentro também existe Fora. O homem é Deus em potencial, manifestação do Dragão, parte dessa força eterna e atemporal que permeia toda a Criação e se expande além, no Infinito. O propósito da jornada iniciática através do Pilar da Ascensão é perceber e compreender este potencial e, consequentemente, transformá-lo em Divindade. Vista como a “emanação da Divindade”, a Árvore constitui a percepção humana da consciência deificada. A conclusão do Caminho é o coroamento do processo de Auto-Deificação. A Árvore também é uma manifestação do Dragão, pois a força Draconiana é a fonte de toda a Criação. Mas o Dragão é mais do que a Árvore em si. E para alcançar a própria fonte desse poder primordial, o Homem tem que dar um passo além da Árvore, no Vazio, o Ventre do Dragão. Enquanto trabalhamos com determinados caminhos e zonas da Árvore Cósmica, às vezes temos vislumbres dessa força atemporal, e podemos encontrar portas para o Útero do Dragão no Abismo Cabalístico, mas o verdadeiro Portal para o Vazio existe no reino de Thaumiel, dentro do Trono de Lúcifer, onde o Homem se torna Deus completando a Ascensão através do Pilar da Elevação da Alma. O último passo da humanidade para a Divindade é o passo além da Árvore, na liberação final da ilusão do mundo manifestado.

O Trono de Lúcifer existe em Thaumiel, o último reino antes de entrar no Vazio. Portanto, Ele é o Portão e o Símbolo da Alma Deificada, o Deus patrono do Caminho. Ele é a força solar e iluminadora que tem alimentado a evolução da consciência humana desde o nascimento da humanidade. Ele é Força, Fogo e Fúria. Ele capacita e eleva a alma através de Seu Pilar de Ascensão de fogo. Sua contraparte feminina na magia iniciática draconiana é Lilith. Ela é Paixão, Desejo e Sedução. Ela seduz as almas e as atrai da Luz para o Lado Noturno, o lado avesso da Árvore, desperta a Luxúria e a Fome por conhecimento e poder que só crescem a cada passo no Caminho, e acende a centelha da Divindade que progressivamente se torna a Chama Ascendente de Lúcifer. É o Fogo da Transformação, a própria essência da Divindade. Ambos constituem o Arquétipo do Adversário: O Diabo e o Salvador.

PORTANTO, OS FUNDAMENTOS DA MAGIA DRACONIANA DENTRO DO TEMPLO ESTÃO CENTRADOS NESSES TRÊS ARQUÉTIPOS PODEROSOS: LÚCIFER – O SENHOR DAS CHAMAS, FORÇA DA EVOLUÇÃO E ASCENSÃO; LILITH – O FOGO DRACONIANO DA TRANSFORMAÇÃO, PRINCÍPIO DA PAIXÃO E DESEJO; E LEVIATÃ – O DRAGÃO DO VAZIO, FONTE PRIMORDIAL DE TODA MANIFESTAÇÃO.

A Corrente de Lilith é uma parte do Trabalho iniciado em 2002 pelo grupo ritual draconiano anteriormente conhecido como Loja Magan e continuou ativamente ao longo da década seguinte. O propósito do Trabalho foi o Re-Despertar do Dragão, a força primordial Dentro e Fora, auxiliando nas iniciações e introduzindo potenciais Iniciados na Tradição Draconiana. Em 2012, esta tarefa foi assumida pelo Templo da Chama Ascendente e estendida pela conjugação da Corrente Draconiana de Lilith com a Corrente Adversarial de Lúcifer e Deuses Draconianos das Qliphoth. A Obra central do Templo é introduzir o aspirante a Iniciado no Caminho Draconiano e na magia Qlifótica e auxiliar no processo iniciático no Caminho do Dragão.

OUTROS ARQUÉTIPOS USADOS DENTRO DO TEMPLO:

HÉCATE: A professora de feitiçaria e a guia para o “submundo” pessoal, as profundezas da psique.

ARACHNE: A Deusa Aranha da Atlântida e a rainha dos labirintos Qliphóthicos sob a Árvore Cósmica.

BELIAL: O intermediário entre os espíritos do Lado Noturno e o mago, a porta de entrada para o poder de Goetia.

SET: O Arquétipo do Adversário, o Deus da Tempestade e da Mudança, o princípio da transformação dinâmica.

O OBJETIVO DO TRABALHO:

O objetivo do Trabalho com a Corrente Draconiana é abrir os portões da alma e despertar a consciência, para que o Iniciado possa contemplar o Infinito e viajar ao Coração do Vazio para abrir o Olho de Lúcifer, o Olho do Dragão, e ilumine o Caminho que conduz à Divindade. O Trabalho iniciático do Templo o ajudará a recuperar a consciência primordial e o poder draconiano primordial que detém o potencial de toda criação e toda destruição. Nosso Curso Introdutório irá prepará-lo para a Iniciação na Corrente Draconiana e para o trabalho adicional no Caminho da Auto-Deificação e projetos mais avançados inspirados na Tradição Draconiana e Magia Atlante. Nossos projetos e trabalhos individuais irão ensiná-lo a manifestar sua Vontade no mundo e formar manifestações de seu Desejo a partir de energias primordiais do Vazio.

Para viajar ao Ventre do Dragão e não ser consumido pela imensidão do Vazio, você precisa fortalecer sua alma invocando e se tornando a Chama Ascendente de Lúcifer. Isso prepara sua consciência para o Trabalho com a Corrente. O propósito do Templo é auxiliar o Iniciado neste processo e preparar sua alma para o fluxo do poder transformador do Dragão e a visão do Vazio no processo de transformação iniciática através das energias dos Deuses primordiais.

Isso pode parecer abstrato no início, mas a Iniciação Draconiana é uma experiência íntima e pessoal e é diferente para cada Iniciado. A Mudança sempre se manifesta nas áreas mais pessoais de sua vida. A cerimônia de Iniciação será conduzida por outro Iniciado Draconiano e abrirá os portais internos de sua mente para a Gnose da Corrente. A auto-iniciação também é possível e igualmente válida como uma iniciação presencial e nós o ajudaremos e orientaremos tanto nos preparativos quanto nos procedimentos de iniciação. Então você estará livre para perseguir sua própria Visão e receberá mais orientação dos Deuses e Espíritos do Caminho, que atuarão como iniciadores e aliados em estágios específicos de sua Ascensão. Uma vez que os portais sejam abertos, a Corrente fluirá através de sua consciência, aprimorando suas habilidades mágicas e transformando sua vida.

Há apenas uma Iniciação feita pelo Templo – preparação e iniciação na Corrente Draconiana. Este é o Objetivo Primário do Templo. Assim que você alinhar sua alma com a Corrente, Deuses e Espíritos irão guiá-lo e inspirá-lo. O Caminho Draconiano faz parte da tradição do Caminho da Mão Esquerda, que é em sua essência solitária e pessoal. O núcleo principal da Obra é feito individualmente, como uma comunhão solitária e pessoal com os Deuses e Espíritos da Corrente. No entanto, compartilhar e discutir o Trabalho com outras pessoas também oferece uma oportunidade de aprender e progredir mais rápido e evitar certos erros na prática mágica.

O QUE ACONTECE DEPOIS DA INICIAÇÃO?

Após a Iniciação você tem duas opções:

1) Você é bem-vindo para ficar e trabalhar conosco – para explorar e fortalecer a Corrente de Lúcifer, ou para iniciar o processo de ascensão pessoal no Caminho do Dragão de acordo com nossos projetos internos que o introduzirão na auto-iniciação draconiana magia e ensiná-lo a projetar e desenvolver seus próprios rituais, meditações e todos os aspectos necessários do Trabalho.

2) Você pode seguir caminhos separados e trabalhar com a Corrente como um praticante solitário.

O INICIADO DRACONIANO:

Ser um Mago Draconiano é viver sua vida de acordo com o Caminho. Não é algo que você faz no seu tempo livre, de vez em quando, em eventos sociais ou como meio de recreação. É a vida, vivendo o Caminho e estando ciente de sua Visão e Desejo em cada momento da existência. Trilhar o Caminho é uma escolha para toda a vida. Cabe a você optar por permanecer um diletante, sempre procurando desculpas para pular a prática diária, atrasar ou desistir da busca de sua Visão, deixar de lado o trabalho com a magia do Caminho quando não a encontrar conveniente, ou se você foca sua vida, tempo e energia na verdadeira evolução espiritual. Não é nada fácil. A maioria de nós tem emprego e família, todos nós lutamos com problemas ocasionais de saúde ou problemas financeiros, etc. Mas a chave para ter sucesso no Caminho é encontrar o equilíbrio entre sua vida mundana e espiritual e não deixar que essas coisas atrapalhem. Isso pode significar que você terá que reorganizar toda a sua vida para se adequar ao Caminho, e se você não estiver pronto para tal mudança, provavelmente não terá sucesso além do nível básico de avanço mágico. Esteja ciente disso quando der seus primeiros passos no Caminho do Dragão. Mesmo que essa mudança não seja necessária desde o início, ela se tornará uma necessidade em etapas posteriores de sua evolução pessoal. Como você faz isso, depende exclusivamente de você. Mas uma vez que você esteja no caminho certo, quando você deixar sua alma voar nas asas do Dragão e ascender com a Chama de Lúcifer, todas as coisas começarão a se encaixar, trazendo-lhe mais saúde, prosperidade, amor, emoção e alegria. inspiração do que você já teve em sua vida. Este é um processo difícil, muitas vezes doloroso e traumático, mas também emocionante e recompensador.

Não há restrições para que ninguém tenha sucesso na ascensão espiritual. A maioria dos magos falha em seu Caminho iniciático quando escolhe existência passiva, preguiça e auto-piedade em vez de desafio, paixão e experiência; segurança sobre o risco; o limitado sobre o infinito; o mundano sobre o espiritual; o sono da alma e a ignorância irracional sobre o despertar e a iluminação. Você terá que encontrar novas maneiras de interagir com o mundo, as antigas serão quebradas no processo. Mas, novamente, este é um caminho para poucos, não para muitos.

Você não precisa de experiência prévia ou habilidades mágicas avançadas, mas precisa de potencial e vontade para desenvolver ambos. Você precisa ser dedicado e apaixonado pelo seu trabalho mágico. É importante ter cuidado, mas é ainda mais importante deixar-se conduzir pelo Desejo, manter o coração aberto para novas experiências, novas missões a perseguir, novos mistérios a descobrir. Sem ele, você NÃO terá sucesso no Caminho do Dragão. Ser cuidadoso não deve, no entanto, ser confundido com medo, relutância ou ceticismo em trilhar o Caminho. Você precisa ser capaz de deixar ir, deixar-se consumir pelo Fogo de Lúcifer e inflamar seu Caminho através da Escuridão do Vazio. Abrace a nova experiência e divirta-se. Aproxime-se com antecipação e excitação, não com medo, ceticismo ou nervosismo. O Caminho Draconiano é duro e difícil, mas também é uma bela aventura espiritual. É extático, desafiador e inspirador em todos os níveis possíveis de existência. Deixe sua alma voar através de mundos e dimensões em êxtase extático. Não perca a emoção e o entusiasmo concentrando-se apenas em treinos duros e exigentes, deixe-se fascinar e inspirar por cada mudança no mundo que ocorre por sua Vontade, por cada manifestação de seu Desejo. Não tenha medo de ser autoconfiante em seu trabalho, mas, novamente, não confunda autoconfiança com arrogância e auto-ilusão. É uma armadilha fácil de cair no Caminho da Mão Esquerda, que está em sua essência centrado no desenvolvimento de uma poderosa autoconsciência.

A magia draconiana tem tudo a ver com Trabalho: praticar, treinar, desenvolver, moldar, polir, aperfeiçoar, experimentar, descer às profundezas mais escuras do Inferno e subir até o Sol para derrubar as ilusões do mundo e alcançar poderes que podem parecer imaginários e míticos para o Ignorante, mas para o Iniciado eles podem ser ferramentas reais e tangíveis, se ao menos aprendermos como aproveitá-los e controlá-los. Não existe um mago draconiano teórico ou passivo. A magia draconiana é sobre invocar, canalizar e absorver o poder e manifestá-lo no mundo. Trata-se de reconhecer fraquezas e inibições e transformá-las em veículo de ascensão pessoal. Não há lugar para filosofias vazias que apenas estimulam o ego, mas não são fundamentadas na experiência real.

Além disso, todos os métodos e ferramentas de prática são bons se ajudarem em seu avanço espiritual, se puderem lhe dar acesso ao poder genuíno. Sacrifício, feitiçaria sexual, oferendas de sangue, instrumentos de dor e prazer, intoxicação, etc. fazem parte da Obra, em menor ou maior extensão. Alguns deles serão ensinados pelo Templo e empregados em certos projetos mágicos, outros serão deixados à escolha individual dos praticantes. VOCÊ NUNCA SERÁ FORÇADO A NADA COM O QUAL NÃO SE SINTA CONFORTÁVEL. O que é recomendado, no entanto, é não rejeitar nenhum desses métodos, pois eles podem ser úteis ou até necessários em etapas posteriores do seu Caminho. Você não será forçado a nada no decorrer do Trabalho, mas será constantemente desafiado a questionar seus valores e princípios, superar inibições e transformar seus medos e hesitações em força e ferramentas de poder.

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Fonte:

Philosopy of Temple of Ascending Flame.

http://ascendingflame.com/philosophy.html

Temple of Ascending Flame © 2012-2021

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-filosofia-do-templo-da-chama-ascendente/