A Loucura de Cthulhu

Cada deus traz sua própria loucura. Para conhecer o deus—ser aceito por ele—sentir os seus mistérios, bem, você tem que deixar que a loucura seja derramada sobre você e através de você. Isto não está nos livros de magia, por que? Por um lado, por ser muito facilmente esquecido, e por outro, por você ter que encontrar isso por si mesmo. E àqueles que esterilizariam a magia, desbotando a selvageria com explicações emprestadas da psicologia ou da ciência popular, bem, a loucura é algo que ainda tememos… o grande tabu. Então, por que eu escolhi Cthulhu? Sumo Sacerdote dos Grandes Antigos. Que repousa sonhando “sonhos mortais” na cidade submersa, esquecido através das camadas do tempo e da água. Parece muito simples apenas dizer que eu ouvi o seu “chamado”—mas eu ouvi. Deuses, geralmente, não têm muito a dizer, mas vale a pena escutar o que eles dizem.

Lembro-me de uma noite hospedado no apartamento de um amigo. Eu estava “trabalhando” com Gaia. Não a mamãe nova era com uma canalização sobre salvar as baleias ou captando risinhos. Eu senti uma pressão dentro de minha cabeça acumulando-se—algo enorme tentando derramar-se em mim. Sensações de uma era geológica—camadas caindo através de minha consciência. O calor do magma; lentamente moendo a mudança dos continentes, uma infinidade de zumbido de insetos. Nada remotamente humano. Este tipo de experiência me ajuda a esclarecer meus sentimentos acerca de Cthulhu. Alienígena, mas não extraterrestre. Uma grande massa revolvendo-se em algum lugar ao redor do poço de meu estômago. Um lento batimento cardíaco, muito lento, quebrando através das ondas. Pálpebras que se abrem completamente por detrás da escuridão, completamente por detrás do mundo, das cidades, das pessoas andando na rua, abrindo-se lentamente. Abrindo-se completamente detrás de minha vida inteira, todas as lembranças e esperanças colidem-se neste momento. Acordando deste sonho para sentir uma agitação—uma persistente inquietação; a total fragilidade de mim mesmo me empurrou de volta através do quebrar das ondas do silêncio. Este é o sentido da loucura de Cthulhu.

Caminhando através de uma floresta. Elá está alagada pela chuva. As árvores estão sem folhas, viscosas, ha lama sob os pés. Eu estou vendo-as como dedos tentando agarrar o céu, como tentáculos retorcidos. Cthulhu é tudo que nos rodeia. É uma coisa-lula, bestial, dragão-alado—uma imagem animalesca, mas tais coisas estão à nossa volta, como árvores, insetos, plantas, e dentro de nós como bactérias e vírus; nascem instantaneamente através das transformações alquímicas que tomam lugar em meu corpo à medida que escrevo. Ocultos. Sonhando. Continuando a existir sem o nosso conhecimento. Seres desconhecidos, com objetivos desconhecidos. Esse pensamento se edifica em intensidade e me joga ao lado de sua realização. Esta Natureza nos é estranha. Não há nenhuma necessidade de olhar para as dimensões ocultas, elevados planos da existência ou mitológicos mundos perdidos. Ela está aqui, se pararmos para olhar e sentir.

Os Deuses antigos estão por toda parte. Suas feições delineadas nas rochas debaixo de nossos pés. Suas assinaturas rabiscadas nas fractais curvas dos litorais. Seus pensamentos ecoando através do tempo, cada tempestade de raios uma erupção de flashes neurais. Sou tão pequeno, e ele (Cthulhu) é tão vasto. Tal ser insignificante torna-se o foco deste olho fechado, abrindo-se através dos aeons do tempo—bem, ele me põe em meu lugar, não é. Meu cuidadosamente nutrido ser-mágico (“Eu posso comandar estes seres, eu posso!”) se esgota momentaneamente e então entra em colapso, exaurido pelo influxo da eternidade. Fuja. Se esconda.

Ter tentado sair do molde, só me fez consegui rachá-lo. Eu grito internamente por minha inocência perdida. De repente, o mundo é um lugar ameaçador. As cores são muito brilhantes e eu não posso confiar nelas de forma alguma. Janelas são particularmente fascinante, mas elas também se tornam objetos a serem suspeitados por você (eu) não pode confiar no que chega através das janelas. Podemos olhar para fora delas, mas outras coisas podem olhar para dentro. Eu ponho minha mão no vidro. Que segredos são bloqueados por estas finas folhas de matéria? Eu seria como vidro, se eu pudesse, mas eu estou com medo.

Sono não traz alívio. A pálpebra começa a abrir-se, mesmo antes de eu dormir. Eu sinto como se eu estivesse caindo, como a cabeça de uma criança que esbarra em algo… Eu não sei o que é. Toda a pretensão em ser um mago falhou. Essa coisa é tão imensa. Eu não posso bani-la e mesmo que eu pudesse, tenho uma forte sensação de que eu não deveria. Eu abri a porta e não-intencionalmente entrei por ela, como caminhar deliberadamente em uma poça apenas para descobrir que eu estou me afogando repentinamente. O pulsar do coração de Cthulhu ecoa lentamente à minha volta. Cthulhu está sonhando comigo. Eu não sabia disso, e agora eu estou perfeitamente consciente disso, e desejo que o que eu não fui vá para o inferno, que afunde de volta na inconsciência. Eu não quero saber disso. Eu encontrei a mim-mesmo desenvolvendo rituais habituais. Verificando tomadas elétricas para não me concentrar em efusões de eletricidade, evitando árvores particularmente perigosas, você conhece esse tipo de coisa.

Eu pensei que era uma estrela em ascensão mas ainda estou reduzido ás quatro paredes do meu quarto. Mas mesmo elas não manterão esses sentimentos do lado de fora. Lentamente, algum mecanismo de auto-preservação entra em ação. Loucura não é uma opção. Eu não posso ficar assim para sempre—outra casualidade do que nunca é mencionado nos livros de magia. Eu começo a recolher os padrões que eu deixei escapar—comendo regularmente (mais ou menos nos momentos certos), tomando um banho, saindo para passear. Conversando com as pessoas—este tipo de coisa. Eu sinto a sensação do olho sem pálpebras espreitando fora dos abismos do tempo e da memória, e acho que posso encontrar esse olho (“eu”) continuamente. O meio-ambiente deixa de ser uma ameaça. Os rituais de auto-protecão (obsessões) esvaem-se, e depois de tudo, o que está lá para proteger? Os sonhos mudam. É como se eu tivesse passado através de algum tipo de membrana. Talvez eu tenha me tornado vidro afinal. Os pensamentos de Cthulhu revolvendo-se na escuridão já não são mais assustadores. Acho que posso, afinal de contas, cavalgar na pulsação do sonho. O que era aquele olho arregalado senão o meu próprio “eu” espelhado através do medo e das auto-identificações? Não sou mais assombrada por ângulos estranhos. Toda a resistência desmoronou, e eu achei em mim mesmo uma cota de poder em seu lugar.

É claro que este tema é familiar para um e para todos—a viagem iniciática para dentro e para fora da escuridão. Familiar por causa dos mil e um livros que a traçam, a analisam e, em alguns casos, oferecem placas de sinalização ao longo do caminho. O que me traz de volta para o motivo pelo qual eu escolhi Cthulhu, ou melhor, pelo qual escolhemos um ao outro. Há algo de muito romântico acerca de H. P. Lovecraft. O mesmo romantismo que traz as pessoas para a magia através da leitura de Dennis Wheatley. Como Lionel Snell uma vez escreveu: “Quando o ocultismo se dissociou dos piores excessos de Dennis Wheatley, ele castrou-se pois os piores excessos de Dennis Wheatley estão onde ele está.” Há algo arrasador, terrível—romântico— a cerca da magia de Lovecraft. Que a contrasta com a infinidade de livros disponíveis sobre diferentes sistemas “mágicos” que abundam em livrarias modernas. Símbolos em toda parte—todas as coisas se tornaram símbolos, e de alguma forma, (para minha mente, ao menos), menos reais. Impressionantes experiências tiveram todo o sentimento escaldado delas, em curtas descrições e catálogos—sempre mais catálogos, tabelas, e as tentativas de banir o desconhecido com explicações, equações e estruturas abstratas para outras pessoas usarem.

A magia lovecraftiana é elementar, tem um aspecto iminente, e ressoa com os medos enterrados, anseios, aspirações e sonhos.

Os Grandes Antigos e seus parentes podem ser apenas fragmentos do desconhecido, nunca codificados ou dissecados por estudiosos que estão sempre a catalogar. Sim, você pode calcular gematria à sua volta até que você tenha equacionado este deus com esse conceito, e eu sinto que gematria, se utilizada adequadamente, pode se tornar um fio com o qual você pode começar a tecer a sua própria loucura de Cthulhu, esbarrando a si mesmo em significados sub-esquizóides. Não há nenhum Necronomicon—tudo bem, vou alterar isso, existem vários necronomicons publicados, mas nenhum deles me faz juz à essa acepção de um “tomo totalmente blasfemo”, que o leva à insanidade depois de uma minuciosa leitura. Se ele existe, ele está em uma biblioteca em algum lugar onde você terá que passar pela loucura para pegar a chave, apenas para descobrir que o que funciona para você, provavelmente não fará muito sentido para todos os outros. Afinal de contas, para algumas pessoas, Fanny Hill era blasfema. O ponto central do necronomicon é que ele é uma cifra para esse tipo de experiência que torce toda a sua visão de mundo, e embora os insights desta iluminação estejam dançando ao redor de sua cabeça, ele o impele a agir sobre ele—para fazer o que “deve” ser feito no fogo da gnosis—quer seja ele o Dr. Henry Armitage expondo-se à Dunwich ou a conversão dos gregos por Saul, as chamas de sua visão na estrada de Damasco dançando em seu coração. Esta experiência, este âmago, a partir dos quais o—poder—dos magos irrompe, para mim é o cerne da magia, o mistério central, se preferir. A Gnosis da presença de um deus rasga os véus e deixa você ofegante, sem fôlego. A armadura do personagem é desintegrada (até que ela lentamente acumula-se em uma concha novamente) e momentaneamente, você toca o coração desse mistério incognoscível, vindo ao longe com um élitro incorporado. Ele cai ao longe, ele trabalha seu caminho interior, torna-se uma dor incômoda, por isso temos que fazer de novo. Na maioria dos rituais mágicos “estereotipados” que eu tenho feito ou participado, não cheguei nem sequer perto disso. No entanto, todos os atos mágicos que eu tenho feito, respondendo à circunstâncias externas, acidente de eventos ou à alguma necessidade interior sobrecarregada, têm me impulsionado ao primeiro plano do mistério. Eu ainda lembro de ter visto uma sacerdotisa bruxa “possuída” por Hécate. Os olhos … não eram humanos. Este ano, em resposta ao meu pedido de confusão e tormento, o selvagem deus Pasupati inclinou-se para baixo e olhou para para mim, uma visão de brancura resplandescente, a pós-queimadura que ainda está brilhando nas bordas.

A verdadeira magia é selvagem, à noite eu posso sentir a íntima-presença dos Grandes Antigos. Quando o vento sacode as vidraças. Quando escuto o rugido de um trovão. Quando subo uma encosta e reflito sobre a idade daquele lugar. Para senti-los perto de mim, tudo o que eu tenho que fazer é ficar lá até a noite cair. Fique longe das habitações dos homens. Longe de nossa frágil ordem e racionalidade, e dentro da selvageria da natureza, onde até os olhos de uma ovelha podem parecer sobrenaturais ao luar. Lá fora, você não precisa “chamar as coisas”—elas estão apenas a um sopro de distância. E Cthulhu está mais perto do que você pode imaginar. Novamente, é uma coisa pequena, e raramente mencionada, mas há uma diferença entre um “magista” achar que ele tem o direito de “invocar os Grandes Antigos”, e um magista que sente uma sensação de parentesco com eles, e desta forma não precisar chamá-los. Qualquer pessoa pode chamá-los, mas poucos podem fazê-lo sem um assentimento familiar nascido do parentesco. Há uma grande diferença entre realizar um rito, e ter o direito. Mas uma vez que você esteja diante de um deus, deixando sua loucura ser derramada através de você, e mudar você, então haverá um vínculo que é verdadeiro, além de toda a explicação ou racionalização humana. Nós forjamos laços com os deuses que escolhemos e com os deuses que nos escolhem. É uma troca de duas vias, cujas consequências podem demorar anos para se manifestarem em sua vida. Exatamente por isso, os deuses tendem a ser pacientes. Sonhos de Cthulhu.

Phil Hine. Tradução Lorkshem

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-loucura-de-cthulhu/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/a-loucura-de-cthulhu/

Dia de Atargatis

Celebração de Atargatis, a deusa síria do céu, do mar, da chuva e da vegetação, também cultuada pelos romanos como Dea Syria. Deusa poderosa com atributos muito complexos, Atargatis podia ter várias representações. Como deusa celeste, ela surgia cercada de águias, viajando sobre as nuvens. Como regente do mar, poderia ser uma deusa serpente ou peixe. Podia ainda ser a essência fertilizadora da chuva, com a água vindo das nuvens e das estrelas. Ainda podia aparecer como a própria deusa da terra e da vegetação, cuidando da sobrevivência de todas as espécies.

Um mito antigo descreve a descida de Atargatis do céu como um ovo, do qual surgiu uma linda deusa sereia. Por ser considerada a Mãe dos Peixes, os sírios recusavam-se a comer peixes ou pombos, considerados seus animais sagrados.

Festa celta do Pão Fresco, reverenciando a Deusa Mãe. Em fogueiras feitas com madeira de árvores sagradas (carvalho, bétula, freixo, espinheira e sorveira), assava-se o pão feito com o trigo recém-colhido. As pessoas agradeciam a colheita com cânticos, orações e oferendas para as divindades da Terra.

Trung Thu, celebração vietnamita da Lua. As famílias se reúnem, as ruas são decoradas com lanternas coloridas e as crianças, usando máscaras variadas, seguem em procissão pelas ruas. Os dançarinos realizam a dança dos unicórnios e todos comem doces em forma de lua ou de peixe. Os adultos homenageiam os familiares falecidos queimando incenso e notas falsas de dinheiro para enviar boa sorte pela fumaça.

Na Polônia, festa de Nossa Senhora de Czestochowa, a Virgem Negra, cujo mosteiro era um antigo local de culto à Matka Boska Zielna, a Deusa das Ervas.

A Igreja Católica aproveitou a egrégora formada nesta data pelas antigas celebrações dos dias doze, treze e quatorze e criou a comemoração da morte e assunção de Maria, o aspecto “cristão” da Grande Mãe.

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#Festividade #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/dia-de-atargatis

A Greve dos Signos

Por Carlos Hollanda

Num dado momento da Eternidade, os signos do Zodíaco se reuniram perante o Ser Supremo. Sentados em torno de sua távola de estrelas, reclamavam que, apesar de conferirem ao Homem seus atributos (conforme o Ser assim havia dito), a espécie, a máxima criação divina, não se harmonizava e não estava conseguindo chegar ao ponto de relação com a Fonte de Luz. Um signo acusava o outro de impedir a harmonia e a felicidade humana. Cada um achava ser o senhor da verdade e que a humanidade deveria agir conforme seu padrão. A discussão aumentou até que o Ser Supremo, com infinita sabedoria, sugeriu: “Façam uma greve.” Todos ficaram estupefatos. Silêncio total na Eternidade. O Ser continuou: “Aqueles cuja ausência puder ser equilibrada pelos outros serão retirados do Zodíaco e passarão a fazer parte das outras constelações. A greve será para um de cada vez, de forma que todos vejam os efeitos. Para que a vida no Universo não sofra as conseqüências, vamos fazer isso no plano das idéias. Se vocês acharem que tudo estará bem, faremos no plano físico logo em seguida”.

Todos se aprumaram, prontos para começar nessa empreitada do “o que aconteceria se?”.

Áries tomou a dianteira e declarou: “Sem mim, nada no Universo poderá ser iniciado”.

E assim começou um período onde crianças permaneciam presas no útero, nenhuma semente brotava e nem surgia nas plantas, ninguém saía mais de suas casas, não havia mais nada que interessasse na Terra, pois sem a energia e a iniciativa de Áries a realidade se tornara estagnada, sem movimento. Além disso, não era possível decidir coisa alguma, tal era a dificuldade de optar por um caminho a seguir. Todos esperavam a aprovação de todos, o que levava a mais e mais estagnação. Ninguém conseguia sacrificar-se o suficiente para reverter a situação, não havia mais honestidade nem nobreza para enfrentar as vicissitudes. A falta de energia era tão grande que os planetas pararam de se movimentar. Na Terra, em um dos hemisférios só havia dia e calor causticante. No outro só a noite e o frio congelante. A locomotiva do Zodíaco parara.

Com o mundo à beira da destruição devido à inatividade total, os arquétipos se reuniram e decidiram afagar o ego do Carneiro pedindo-lhe para retornar a seu posto. Orgulhoso, ele atendeu o pedido.

“Que Touro se apresente”, disse o Ser em sua voz de mil trovões.

Touro então inicia sua greve. Logo tudo passa a cheirar mal, a terra seca e as pessoas empobrecem. Miséria espalhada por todo canto, colapso econômico, ganância e falta de contenção de impulsos geraram ondas de violência sem igual. A paz taurina havia sido banida. Todas as coisas mudavam repentinamente e sem parar. Não se podia mais esperar nada do futuro. As crianças nasciam e morriam logo em seguida, devido à dificuldade de manter as coisas por um certo período. Aliás, os organismos perdiam a resistência tão rapidamente que qualquer alteração (e haviam muitas), provocava uma catástrofe.

Os arquétipos, convencidos do problema, pediram o retorno de Touro, que recusou-se a fazê-lo. Depois de muitas vezes e com muita insistência, os arquétipos se reuniram e pediram o retorno de Touro, que, relutante, sentou-se em seu lugar.

Chegou a vez de Gêmeos. Todos sentiram o ar ficar rarefeito, houve silêncio novamente, mas tal silêncio era involuntário e sepulcral. Ninguém mais concatenava as idéias, nada podia ser dito e quando era dito se tornava dogma, sem lógica, sem flexibilidade, sem humor. As coisas se repetiam infinitamente, pois nunca houve tanta falta de variedade no Universo. Se alguma coisa era ensinada de um jeito, ninguém mais podia ter outra opção. A falta de comunicação, com as pessoas não querendo mais ouvir e muito menos ponderar questões mesmo as simples, estava criando o ambiente perfeito para a guerra, isso sem falar nos problemas respiratórios e de sistema nervoso que afetaram a todos.

Após uma série de controvérsias, discussões, mudanças de assunto e muito falatório, Gêmeos resolveu voltar ao seu lugar.

A primeira medida de Câncer foi extingüir todos os alimentos. Isso por si só já acabaria com toda a vida existente, mas Câncer, como sempre, nunca deixa as coisas pela metade. Além da ameaça de morte por inanição, as mães largavam seus filhos a esmo, mesmo os recém-nascidos. Não havia mais famílias. Todas as pessoas decidiram ser independentes demais, apesar de a maioria estar despreparada para enfrentar a vida sem apoio emocional, um lar e gente que nos quer bem por perto. Todos esqueceram o passado, portanto nem mesmo sabiam porque estavam fazendo tudo aquilo e porque tudo estava horrível.

Assim, a pedidos imersos em lágrimas e com um pouco de chantagem emocional, Câncer retornou ao seu lugar.

Leão não se manifestou. Por causa disso, todos estavam se perdendo na animalidade, sem contato consigo mesmos. Ninguém queria mais saber o impacto que tinha sobre as outras pessoas, daí que nem valia a pena viver. Suicídios. Não havia mais nenhuma procriação, nenhum auto-respeito e muito menos personalidades integradas. Esquizofrenia geral, frieza nas relações. Todos os seres vivos pereciam devido à isenção de contato e à inexistência de vontade de se sentir vivo. Tudo estava se perdendo numa horrenda rotina, com sistemas para tudo, sem participação do indivíduo naquilo que deveria trazer satisfação. A incidência de enfartes aumentou 1000% a cada dia. O Sol começava a perder seu calor, e o sistema solar entrava na era da escuridão e do frio eternos.

Para evitar isso, Leão, exprimindo seu desejo de ser apreciado e de demonstrar sua importância, por vontade própria, voltou a ocupar seu lugar.

Virgem não gostou muito da idéia de interromper suas atividades, mas seguiu as ordens. Sem ele, todas as ações terminavam em obras extremamente mal feitas, perigosíssimas para a saúde e integridade física de todos no Universo. Ninguém mais se importava se havia necessidade de trabalhar, todos só queriam as coisas boas sem nenhum sacrifício. Isso gerou sérios problemas, pois novamente não havia comida. As pessoas ficaram doentes e não havia médicos. As crendices sem sentido imperavam. O caos tomou conta de tudo e nenhum ser existente conseguia mais digerir o que restou dos alimentos, que por sinal estava muito sujo e estragado. Nenhum conhecimento era aprofundado, tudo era fútil e sem sentido. Não se estabelecia rotinas nem mesmo no corpo dos seres viventes, pois a química do organismo estava suspensa. Houve mortalidade sem igual pela falta de higiene.

Terrivelmente arrependido pelo engano, resmungando muito e se criticando (e também ao Supremo, por fazer as coisas de um jeito que ele não achava certo), Virgem voltou correndo a seu lugar.

Libra não sabia se entrava na greve ou se permanecia no lugar onde estava. Com muito custo e chateado por ser desagradável, retirou-se. Num instante tudo perdeu o brilho, as pessoas ficaram horripilantes, os animais, tudo. Nem mesmo a vegetação era verde, mas de uma cor desbotada, indefinível. Guerra por todos os lados, ninguém mais tinha vontade de unir e reunir, somente os egos eram importantes e a vontade de cada ente tinha de prevalecer. Ninguém tinha mais medo de nada, mas também não tinha bom senso, que é um tipo de medo. Não se podia mais usar roupas, porque elas feriam a pele, o chão feria os pés, o sol queimava sem trégua e até os planetas perderam o rumo de suas órbitas, chocando-se uns com os outros, tal era a falta de equilíbrio. Divórcios eram tão comuns que as pessoas nem mesmo se casavam mais – até porque todos estavam horríveis.

Após um diálogo com contrato assinado dividindo as responsabilidades de tudo, Libra concordou em retornar.

Escorpião saiu e com ele saíram todas as possibilidades de reciclagem do Universo. As coisas apodreciam, mas não se desintegravam. Nada morria. Cadáveres andavam pelas ruas putrefatos, sem alma, mas com os corpos funcionando tal como máquinas ligadas indefinidamente. As emoções mais primitivas desapareceram também, mas com elas se foi tudo o que a vida tem de importante. Não havia mais intensidade de propósitos e tudo se tornou rotina pura, sem sentido. Todos os seres agiam como autômatos e os dias, horas, minutos, etc., tudo era o mesmo. O Universo não mais se destruiria, devido à falta de Escorpião, mas também não mais seria reconstruído e melhorado. Tudo passou a ser superficial e falso, apenas cascas sem vida com movimento. Nos seres humanos todo o processo orgânico de excreção foi interrompido, gerando grande sofrimento.

Satisfeito com a lição que dera, mas já entrando em depressão, Escorpião voltou a seu lugar.

Repentinamente as coisas diminuíram de tamanho e a desesperança tomou conta de todos os seres. EraSagitário entrando em greve. As mentalidades se tornaram tacanhas, regionalistas, sem o mínimo senso de amplitude. Nada no Universo se expandia ou crescia mais. A humanidade definhava, emagrecia, como que acometida por mil e uma doenças e isso acontecia mesmo com aqueles que ainda podiam conseguir alimentos. O ceticismo imperava a tal ponto que não se acreditava mais nem mesmo que a pessoa ao lado respirava também. Tudo tinha de ser comprovado cientificamente, o que gerava muita confusão, pois não havia tempo para ter certeza de tudo nos mínimos detalhes. Não havia mais significado em nada, tudo era aleatório. Quanto mais banal o conhecimento e quanto menos ele levasse a alguma coisa melhor. Estava instaurada a era da futilidade total, enquanto que o mundo se destruía pelo descaso e pela falta de pessoas dedicadas a ensinar.

Sagitário rapidamente voltou ao convívio daqueles que considerava o que de melhor o Universo poderia oferecer, pois não agüentava mais estar perdendo as novidades do high society celestial.

Chegando a vez de Capricórnio, toda a ordem cronológica das coisas perdeu o sentido. Coisas que deveriam acontecer em seqüência, tinham sua lógica alterada. Morria-se antes de nascer, os jovens se tornavam velhos aos 20 anos e quem chegava aos 50 anos estava à beira da morte ou já estava reencarnando, não importava se houvesse problemas de saúde ou não. Não havia mais sistema e ordem. Não bastasse isso, em todos os outros pontos do Universo a irresponsabilidade tomava conta. Tudo era feito de forma passional, sem ponderação. Depois de tudo isso a destruição final seria fazer tudo o que era sólido se tornar líquido, até mesmo as rochas e os esqueletos.

Os arquétipos precisaram intervir, “depondo” Capricórnio de seu “status” de grevista. Só assim ele retornou a seu lugar.

Aquário em greve resultou em perda total da liberdade. Todo o fluxo e refluxo universal cessara e todas as pessoas passaram a pensar, agir, sentir e viver do mesmo jeito. A preocupação maior de cada um era consigo mesmo, nada era feito em prol da comunidade. Alguns conseguiram viver durante um tempo em castelos feitos de ouro, mas em volta desses castelos havia um oceano de excrementos, lixo humano e devastação. A conseqüência foi a destruição gradativa desses monumentos ao egoísmo pela própria ignorância de seus donos a respeito da necessidade de disseminar recursos para que pudessem tê-los de volta. Todos esqueceram do ciclo da vida, da Lei do Retorno. A palavra amizade foi banida de todos os dicionários. Não chovia mais em lugar nenhum, pois a chuva distribui água para todos sem exceção, portanto as nuvens desapareceram. A humanidade quase se extinguiu, pois Aquário é o signo da Humanidade. Até mesmo as estrelas pararam de emitir luz, uma vez que ela banha a todos e isso faz farte da tarefa de Aquário.

Cansado da rotina de nada fazer, Aquário voltou repentinamente ao seu lugar, pois estava bolando uma revolução para modificar tudo o que se julgava bom até aquele momento.

Peixes, retirado como de costume, simplesmente deixa de se importar com o sofrimento humano. As crueldades infligidas são incontáveis. Não há mais compaixão no Universo, apenas regras rígidas. Qualquer desvio, por mínimo que seja, é punido com severidade sem igual. A Graça Divina deixa de descer sobre a Criação, pois preza-se sobremaneira a execução exata das tarefas e rotinas (orgânicas, sociais ou cósmicas), não havendo lugar para o incognoscível ou para a possibilidade de adequar qualquer anomalia à vida cotidiana. Por causa disso, as formas viventes são violentamente forçadas a desenvolver-se dentro dos padrões de perfeição absoluta. O resultado foi a extinção da maioria dos seres , inclusive os humanos, pois nenhum ser vivente é uma cópia fiel do protótipo do Criador, daí que fez-se necessária a interrupção desta última greve o quanto antes.

Após o retorno lacrimejante de Peixes, que, por sinal, sentia muita piedade e auto-piedade daquilo que só aconteceu na imaginação, ouviu-se a pergunta do Ser Supremo: “Então? Já decidiram quais são os signos que podem ser retirados? Há algum que não tenha feito falta?”

Os doze entreolharam-se cabisbaixos e, agora mais sábios, responderam em uníssono: “Senhor, percebemos que somos partes de um imenso mecanismo cósmico que jamais sobreviveria desfalcado, mesmo de apenas um de nós. Pedimos perdão por nossa ignorância. Decidimos, portanto, dar como missão ao Homem a mesma tarefa que deste a nós, fazendo com que ele, a cada geração, harmonize nossos aspectos dentro de si mesmo. Dessa maneira, concedemos a ele, Senhor, aquilo que recebemos de Ti: o Livre-Arbítrio e a capacidade de superar até mesmo o que nós, como símbolos, representamos. O Homem jamais será uma marionete das estrelas se não quiser sê-lo.”

Satisfeito, o Ser deu por concluída sua obra e irradiou sua energia divina à espera daqueles que por ela procuram.

#Astrologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-greve-dos-signos

‘Grimorium Verum

Conteúdo completo do mais perigoso dos grimórios medievais

ALIBECK O EGÍPCIO – 1517

Quando decidiu-se que traríamos uma tradução profissional do Grimorium Verum para nosso portal, a equipe do Morte Súbita se dividiu. Alguns achavam que este seria um trabalho impossível dada as dificuldade de acesso a algumas fontes originais e as diferenças gritantes das versões em francês e italiano. Realmente, esta minoria estava certa, o trabalho durou mais de um ano, e por vezes sugeriu-se trancá-lo na gaveta. Entretanto, dado o valor histórico do livro para o ocultismo e em especial para a demonologia, após várias noites em claro o trabalho foi finalmente concluído.

“Grimorium Verum” significa em latim ‘Grimório Verdadeiro’. É um livro de demonologia supostamente escrito por “Alibeck, o Egípcio”, em Mênfis no ano de 1517. Contudo, as edições mais antigas que encontramos foram impressas em Roma apenas no século XVIII. MacGregor Mathers, fundador da Golden Dawn e destacado ocultista do século XIX chegou a incluir parte do Grimorium Verum em seu “As Clavículas de Salomão: Livro 3”, mas os retirou das edições mais recentes sob a alegação de que os selos e nomes pertencem a um sistema irmão, mas distinto da Goetia.

Sem falsa modéstia, podemos dizer que esta é a primeira versão em português digna de nota. Não apenas devido as traduções pobres (e algumas vezes automáticas), mas também porque todas as versões disponíveis hoje em dia vem da tradução da cópia francesa do livro, que é em muitos aspectos inferior ao original italiano. O que ocorre é que ao ser levada para a frança, apenas parte do documento foi copiada, a segunda e terceira parte foram pobremente traduzidas e para se criar um volume maior inseriram partes de outros grimórios. A versão trazida até você pela equipe Morte Súbita inc vem diretamente da tradução do texto original italiano, que o torna de certa forma inédito na internet.

Comparado com Goetia, o Grimorium Verum apresenta um sistema mais simples, e por isso mesmo mais acessível, mas igualmente interessante de se explorar. Quando ele surgiu, no renascimento, era um livro raro e muito procurado por ocultistas que chegavam a pagar pequenas fortunas para conseguirem uma cópia, geralmente falha ou feita do texto francês que estava incompleto. Hoje nós a apresentamos para os pesquisadores que desejam poupar as economias de sua vida e que preferem ter em mãos um texto mais próximo do concebido originalmente. Os magistas nostálgicos pelos sistema medievais de magia, assim como os pós-modernos que não tem medo de experimentação encontrarão neste grimório um sistema fascinante de onde sem dúvida tirarão algumas histórias para contar.

GRIMORIUM VERUM

ALIBECK O EGÍPCIO – 1517

Aqui se inicia o Sanctum Regnum, chamado o Rei do Espíritos ou as Clavículas de Salomão, um erudito necromante e grande feiticeiro e mestre hebreu. No Primeiro Livro estarão dispostos vários selos e símbolos, usados para invocar as Potências, os espíritos ou, mais apropriadamente, os Demônios, para que venham quando for do agrado do operador. Cada um destes Demônios, de acordo com o próprio domínio, responderão a tudo o que lhes for questionado e obedecerão em tudo o que lhes for ordenado. E nisto não deve haver nenhum medo ou hesitação por parte do operador, pois deve-se levar em conta que eles também ficam satisfeitos com a operação, desde que também recebam aquilo que pedirem, pois esta classe de criaturas não oferece seus serviços para receber nada em troca. Ainda neste Primeiro Livro serão ensinados meios de dispensar estes espíritos sem que causem mal ou dano algum ao operador, sejam espíritos do Ar, da Terra, da Água ou das profundezas infernais, como você mesmo poderá atestar através dos médotos aqui ensinados.

No Segundo Livro

Onde são revelados os segredos Naturais e Sobrenaturais, para o espanto e maravilha do estudioso, segredos que são operados através do poder dos Demônios. Aqui você será ensinado a usá-los de forma a se servir deles sem o risco de ser ludibriado ou se decepcionar.

No Terceiro Livro

Onde o operador encontrará a Chave da Obra e a forma correta de utilizá-la; mas antes de prosseguir o estudioso deve ser instruído sobre a natureza dos seguintes símbolos:

LIBER PRIMUS

Livro Primeiro

Aquele onde serão expostos os Mistérios referentes aos Símbolos dos Espíritos, seus sigilos e selos.

LIBER SECUNDUS

Livro Segundo

Aquele onde será revelado o real poder dos espíritos infernais.

LIBER TERTIUS

Livro Terceiro

Aquele onde será revelado a maneira correta de se preparar as ferramentas mágicas, de se realizar os rituais e de chamar os espíritos infernais.

Raros e Surpreendentes Segredos Magicos

 

FIM DO GRIMORIUM VERUM

 

[…] ao Santo por sua ajuda e assistência. Pense no Santo, como sendo semelhante a Scirlin do Grimorium Verum, ou qualquer um dos outros espíritos intermediários de qualquer grimório ou sistema. O Santo, […]

[…] ao Santo por sua ajuda e assistência. Pense no Santo, como sendo semelhante a Scirlin do Grimorium Verum, ou qualquer um dos outros espíritos intermediários de qualquer grimório ou sistema. O Santo, […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/grimorium-verum/

As Fadas e o Amor

Por Cassandra Eason

(Nota do Tradutor: O nome “Fadas” (em inglês: Faeries, Faery, Faes, etc.) neste e em outros textos designa os seres feéricos de modo geral, tanto masculinos quanto femininos).

A tradição do reino das fadas tem, como o mundo dos humanos, tradicionalmente focado no amor – tanto contos de amantes de fadas quanto de seres feéricos que se apaixonaram por mortais e às vezes tentaram mantê-los para sempre em seus reinos de fadas. Essas histórias, sejam percebidas como pura sabedoria ou usadas como uma maneira de explicar ocorrências mortais passadas, contam histórias de amor verdadeiro, de fadas sedutoras, de brigas de amantes e muito mais.

Talvez a história de amor feérica mais trágica seja a da história celta de Cliodna do Cabelo Dourado. A filha de Manannan mac Lir, que governava o mar, Cliodna tinha a fama de ser a mulher mais bonita do mundo em forma mortal. Ela amava tanto o jovem mortal Ciabhan que deixou o reino das fadas para viver com ele. No entanto, enquanto Ciabhan estava caçando, o pai de Cliodna enviou um menestrel feérico para encantá-la; ela foi levada de volta à terra das fadas em um sono mágico. Ela ainda é vista à beira-mar, seja como uma enorme onda ou uma ave marinha, em busca de seu amor perdido; diz-se que ela ajuda os amantes mortais separados a se reunirem.

Abaixo estão dois métodos de invocar Cliodna se você deseja se reunir com um amor separado.

•       Dê um nome ao seu amor perdido enquanto segura conchas iguais, encontradas na praia ou em um lago, amarradas com algas marinhas ou ervas secas. Lance suas conchas na nona onda enquanto ela se move para a costa. Chame o nome do seu amor perdido nove vezes.

•       Se você estiver sem litoral, improvise com cristais de água-marinha correspondentes lançados em qualquer corpo de água corrente. Conte nove antes de jogar os cristais juntos na água. Chame o nome do seu amor perdido nove vezes.

Os Casamentos das Fadas:

Alguns contos de noivas fadas que se casaram com mortais parecem ter comprovação terrena.

As Gwragedd Annwn são lindas, galesas, mulheres fadas de cabelos louros, do mesmo tamanho que os humanos, vivendo em palácios subaquáticos em lagos próximos às Montanhas Negras. Essas donzelas do lago, de vez em quando – de acordo com o folclore da região – tomaram maridos humanos, embora raramente ficassem com eles. Algumas famílias locais ainda reivindicam herança feérica.

Uma Dama do Lago em Llyn y Fan Fach é, no entanto, considerada a fada ancestral de uma linha ininterrupta de curandeiros e médicos galeses. Ainda mais incomum, essa lenda das fadas pode ser datada. Por volta de 1230, os registros contam que um jovem fazendeiro viu três belas mulheres dançando na praia. A mais bela concordou em ser sua esposa e seu pai, o rei das fadas do lago, veio de debaixo do lago para conceder um dote de gado de fadas. No entanto, o rei das fadas impôs uma série de condições para que sua filha ficasse com seu marido mortal. Uma condição era que ela nunca deveria ser tocada com ferro, outra que ela não deveria ir à igreja, e uma terceira que se seu marido a batesse três vezes ela e seu dote retornariam ao lago.

O casal teve três filhos, mas o fazendeiro quebrou sua barganha batendo em sua esposa fada três vezes (embora de acordo com contadores de folclore menos esclarecidos, o pobre marido apenas bateu levemente na fada e por boas razões). Uma barganha feérica sendo uma barganha feérica, lá se foram o gado e a donzela feérica, embora ela tenha retornado para ensinar a seus filhos o conhecimento de ervas e cura. Eles se tornaram os médicos de Myddfai, curandeiros dos reis galeses. Quando morreram, deixaram um tratado médico, cujas cópias existem até hoje. Acredito que haja um no Museu do Castelo de Cardiff.

As Noivas em Faeryland (A Terra das Fadas):

Mulheres mortais que se casaram ou foram abduzidas por fadas parecem ter tido um destino ainda menos feliz.

Uma mulher no dia ou na noite de seu casamento era, segundo o mito celta, considerada um grande prêmio pelas fadas, pois ainda era virgem, mas no auge da fertilidade. Por esta razão, até os tempos medievais, uma mulher era acompanhada à igreja por damas de honra vestidas de forma idêntica, de modo que as fadas que observavam não poderiam identificar a verdadeira noiva.

Algumas dessas abduções de fadas podem ter uma explicação menos etérea. Em partes da Europa durante a Idade Média, o senhor local da mansão foi oficialmente autorizado a usar as noivas de seus servos na noite de núpcias. O estupro cometido por ricos proprietários de terras e seus filhos era uma ameaça real para as mulheres do campo, mesmo na época vitoriana, especialmente entre os servos das grandes casas. Pode ser que a história de um retorno tradicional da noiva sequestrada das fadas depois de um ano e um dia dando à luz um bebê de vários meses fosse uma maneira aceitável para um marido camponês não parecer traído pelo escudeiro, se a infeliz noiva se tornasse grávida durante este rapto. Uma noiva despojada pode ter sido colocada em um asilo distante durante a gravidez, com o conluio do marido ou do pai no caso de uma moça solteira.

Uma típica história de abdução de noivas transformada em balada era a de Colin, um escocês, cuja esposa foi levada pelas fadas. Sua esposa, dizia-se, voltava invisível todos os dias para ordenhar as vacas e fazer as tarefas; apenas seu canto podia ser ouvido. Em outras versões ela retorna depois de um ano e um dia com um bebê. Colin estava mantendo sua noiva trancada porque descobriu na noite de núpcias que ela estava grávida de outra pessoa, embora por estupro? Ou ela era realmente uma noiva das fadas?

Algumas abduções de fadas tiveram consequências mais sérias. Uma esposa que consistentemente produziu meninos doentes que não sobreviveram ou filhos femininos para um homem que precisava desesperadamente de um herdeiro, pode desaparecer de repente; a explicação oficial e muitas vezes inquestionável de seu desaparecimento era que ela foi levada para sempre pelas fadas. Ainda há partes do mundo onde o valor de uma mulher, exceto como portadora de filhos, é baixo; este é um lembrete de que não tem sido de outra forma na sociedade ocidentalizada também.

Bridget Cleary:

Registros de séculos passados ​​são obviamente escassos, e o rapto de fadas como desculpa para assassinato ou espancamento de esposas pode parecer pura especulação. Dito isso, sabemos que em Tipperary, na Irlanda, em 1895, uma mulher chamada Bridget Cleary foi torturada e queimada até a morte por seu marido Michael. Ele alegou que sua esposa havia sido roubada pelas fadas e fora substituída por uma changeling (uma pessoa-réplica encantada da sua esposa). Michael insistiu que, destruindo a forma encantada de sua esposa, a verdadeira Bridget retornaria em um cavalo branco à meia-noite. Sete de seus vizinhos e parentes, incluindo o pai e a tia de Bridget, estavam envolvidos e mais tarde condenados pelo crime. Cem anos depois, Angela Bourke, professora do University College de Dublin e autora de The Burning of Bridget Cleary (A Queima de Bridget Cleary), afirmou que o caso demonstrava o choque entre duas visões de mundo diferentes, duas formas de lidar com pessoas problemáticas, duas formas de explicar o irracional, em um momento de profunda mudança social, econômica e cultural.

O crime de Bridget Cleary foi que ela era econômica e socialmente independente por seus próprios esforços, e não por nascimento. Presumivelmente, se o caso ficasse impune, sua morte teria sido muito lucrativa para o marido e a família, que herdariam seu dinheiro.

As Tentadoras Rainhas das Fadas:

À medida que as deusas foram rebaixadas a fadas, algumas adquiriram o papel de sedutoras e sequestradoras de machos inocentes. Na Escócia, os mitos falam do Bean chaol a chot uaine’s na gruaige buidhe, “A mulher esbelta com túnica verde e cabelos amarelos” – uma rainha das fadas que tinha a habilidade de transformar água em vinho tinto e tecer os fios das aranhas em tartan. A fada tentadora, tocando sua flauta mágica de junco, atrairia os jovens para sua colina de fadas. A menos que eles deixassem um pedaço de ferro sobre o lintel da entrada, eles seriam forçados a dançar e servir o prazer da rainha das fadas até que ela se cansasse deles e os mandasse para casa. Diz-se que esses jovens descobririam que, embora parecesse que apenas uma noite havia se passado no reino das fadas, décadas poderiam ter se passado no mundo mortal e a namorada leiteira de rosto fresco a quem ele jurou sua fidelidade eterna era agora uma avó envelhecida.

O mais famoso abduzido do sexo masculino que parece ter realmente ganho com sua visita ao reino das fadas foi Thomas the Rhymer, cuja balada ainda é tocada em clubes folclóricos com conexões celtas. O verdadeiro Thomas era Thomas de Earlston (Erceldoune), um poeta do século XIII que alegou ter conhecido a Rainha de Elfland (Terra dos Elfos) sob uma árvore mágica de sabugueiro. Em troca de um beijo, ele conta como foi forçado a ir para a terra das fadas com ela, embora outras versões sugiram que Thomas estava mais do que disposto a ser seduzido. Em alguns relatos, a rainha se torna uma bruxa feia e o ritual de acasalamento da juventude com a antiga deusa anciã ocorreu para manter o ciclo das estações e garantir a fertilidade da terra. Thomas permaneceu na terra das fadas por sete anos, embora fossem apenas três dias no tempo das fadas. Ele foi recompensado com os dons da poesia, profecia e uma harpa mágica.

Argumentou-se nos últimos anos que Thomas foi de fato iniciado em um culto de bruxas local e que suas visões da terra das fadas eram xamânicas.

Uma Fuga das Fadas:

Nem todos os cativos estavam tão dispostos quanto Thomas, nem a rainha das fadas tão disposta a se separar de seu amante mortal. Um dos contos mais famosos, registrado pelo poeta escocês Robert Burns, bem como vários outros poetas, é o de Tam Lin, um cavaleiro escocês que caiu de seu cavalo e foi capturado pela Rainha das Fadas. Ela o amarrou com magia e o colocou para guardar uma das entradas para o mundo dos humanos no poço de Carteraugh, perto das fronteiras da Escócia.

As jovens donzelas foram avisadas para não beber no poço, pois cada vez que o fizessem e colhiam uma das rosas que o penduravam, Tam Lin aparecia e exigia que a garota lhe desse um manto verde ou oferecesse sua virgindade.

Uma jovem ousada, Janet, decidiu ver se o mito era verdade e arrancou uma rosa do poço. Ela e Tam Lin se apaixonaram, e ele queria escapar do Reino das Fadas para se casar com Janet.

A noite seguinte era o Halloween, e Tam Lin explicou que havia uma oportunidade que só ocorria a cada sete anos para ele escapar. O Passeio das Fadas aconteceria, quando então as fadas se mudassem para seus aposentos de inverno (em algumas versões vistas como o inferno). A tropa de fadas teve que cavalgar ao longo da estrada. Tam Lin disse a Janet para esperá-lo na encruzilhada à meia-noite e segurá-lo, qualquer que fosse a forma que tomasse.

Enquanto Tam Lin cavalgava na procissão das fadas, Janet o puxou de seu cavalo e o segurou firme. Assim como ele havia avisado Janet, a Rainha das Fadas transformou Tam Lin primeiro em uma salamandra, depois em uma cobra, um tigre, um urso e, finalmente, em metal em brasa. Janet segurou firme e, quando ele se tornou metal derretido, ela o mergulhou no poço mágico.

O feitiço foi quebrado. Tam Lin emergiu da água em forma humana, e ele e Janet logo se casaram.

As Brigas Conjugais das Fadas:

Os casamentos das fadas eram frequentemente tão turbulentos quanto os terrestres.

Titânia é mais famosa na literatura como a esposa de Oberon, rei das fadas, em Sonho de uma noite de verão, de Shakespeare. Nesta peça, ela é retratada como petulante, disposta a deixar as estações irem à ruína enquanto persegue sua vingança contra Oberon, que retaliou fazendo-a se apaixonar por um camponês com cabeça de burro.

Titânia era, antes de ser cristianizada e rebaixada (como muitas deusas pagãs) ao status de fada, conhecida como Themis, a antiga deusa titã grega da justiça e da ordem, e a mãe dos destinos e das estações.

Finvarra ou Fin Bheara, que governava as fadas do oeste da Irlanda, era o marido aparentemente dedicado da rainha Oonagh. Oonagh foi descrito no verdadeiro estilo vitoriano por Lady Wilde, que coletou relatos do folclore das fadas na Irlanda, como tendo cabelos dourados caindo no chão, vestidos com teias de prata brilhando como se fossem diamantes, que na verdade eram gotas de orvalho.

Apesar da beleza etérea de sua esposa, Finvarra era obcecado por mulheres mortais que, dominadas pela música do reino das fadas, foram levadas para viver lá com ele para sempre. Ele também foi dito ter uma segunda rainha, Nuala. Oonagh, sem surpresa, não estava dando boas-vindas às donzelas mortais da corte das fadas.

Outras donzelas seduzidas pela música de Finvarra dançaram a noite toda com ele e pela manhã, encontraram-se em uma colina de fadas, possuindo conhecimento de poções de amor e de magia – e às vezes uma gravidez de fadas.

Feitiço dos Desejos do Amor das Fadas:

1.      Encontre uma árvore das fadas: um espinheiro, ancião, freixo, salgueiro ou carvalho, ou no hemisfério sul, um eucalipto, árvore do chá, acácia dourada ou a manuka espessa.

2.      Sente-se embaixo ou perto de seus galhos em uma noite de lua cheia durante a semana da lua cheia.

3.      O melhor de tudo é a noite de lua cheia. Olhe para cima para a lua e sinta as energias positivas do cosmos e da mãe lua, associadas ao amor fiel e à fertilidade, fluindo para você.

4.      Observe o filtro da luz da lua através das folhas e faça padrões, e você pode estar ciente das energias vivas e em movimento dentro dos galhos e folhas.

5.      Toque o tronco da árvore com as mãos e deixe a força vital do espírito da árvore fluir para dentro de você, para que você possa sentir as energias pulsantes de sua essência como uma leve eletricidade.

6.      De pé e ainda tocando a árvore, pressione os pés em direção às raízes, permitindo que a mãe Terra lhe ofereça sua fertilidade e o poder para que você encontre ou viva com o companheiro certo para sempre.

7.      Agora estenda os braços para cima e atraia para dentro a força e a cura das folhas manchadas de lua.

8.      Afaste-se da árvore e, mantendo a lua à vista, gire a árvore nove vezes no sentido horário (em sentido horário) em círculos cada vez menores, deixando seus pés guiá-lo. Os nove círculos de poder são um antigo dispositivo mágico, e se você estiver agora dentro do anel mais interno, alcançando apenas o tronco com as pontas dos dedos, poderá momentaneamente fazer contato com o espírito da árvore.

9.      Peça à essência dentro da árvore, da terra e da mãe da lua para abençoar seu amor ou para trazer a você a pessoa que o fará feliz. Você também pode pedir fertilidade se estiver tentando conceber uma criança.

10.     Passe um pouco mais observando o filtro do luar através das folhas e amplificando as energias das árvores.

11.     Enterre um brinco de prata ou nove moedas prateadas, o metal da mãe lua, sob as raízes como sinal de agradecimento; sussurre o nome do seu amor ou chame no ar aquele que vai te fazer feliz por te encontrar.

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Fonte:

Faeries and Love, by Cassandra Eason.

https://www.llewellyn.com/journal/article/2353

COPYRIGHT (2013) Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/as-fadas-e-o-amor/

Almas Vintage

Shirlei Massapust

Em mandarim yāo (妖) significa um monstro, geralmente de origem exógena, com corpo formado de ectoplasma modelável, como o ātman (आत्म) do hinduísmo. Este termo passou para o nihongo como prefixo de palavras tais como yōkai (妖怪) ou monstro misterioso, yōma (妖魔) ou monstro mágico, yōtō (妖刀) ou kataná monstruosa, etc. Menos frequentemente yāo pode designar um humano que se tornou feiticeiro ou até um fantasma. Geralmente os imaginamos com má aparência, embora a partícula ocorra também em termos venturosos como yōen (妖艶), que designa uma personagem encantadora, sensual. A palavra utilizada para traduzir o inglês faery (fada) é geralmente yāojing (妖精), em mandarim, yojeong (요정) em hangul e yōsei (妖精) em nihongo.

Um ponto leva a outro. Pelas sílabas de yōkai (妖怪) obtemos os sinônimos yōbutsu (妖物) e kaibutsu (怪物), designando poder de mutação; algo que nos leva em trilha semântica ao bakemono (化け物), um ser com poder de metamorfose, apto a assumir ao menos duas formas distintas. Outras combinações do superlativo honorífico o (お) com bake (化け, mudando, corrompendo)[1] e o substantivo mono (物, objeto) dão-nos as variantes sinônimas obake (お化け) e obakemono (お化け物).[2]

No Japão uma casa mal assombrada é uma bakemono-yashiki (化物屋敷). No folclore oriental o ser humano tem ki (氣), uma força vital que nos sustenta e se espalha pelo meio-ambiente do mesmo modo que deixamos fios de cabelo, células mortas, fragmentos de unhas, suor, etc., para traz. Enquanto nossos restos matérias atraem ácaros que produzem fezes, nossos restos de carga atraem yōkai que, por sua vez, recarregam o ambiente com rastros de sua potência mutagênica e vivificante.

Casas repletas de mobília antiga e objetos que nunca são renovados acumulam carga até as coisas entrarem num estado de existência animista[3] indicativo da corrupção ou mudança, chamado de tamashī (魂), reikon (靈魂), konpaku (魂魄) e hakurei (魄霊)[4] em diferentes épocas. Isto que hoje conhecemos por bakemono é um corpo material (objeto, animal ou pessoa) que prodigiosamente muda daquilo que era antes para algo que vem a ser. Um exemplo: No templo budista Mannenji, localizado em Iwamizawa, Hokkaido, existe uma boneca chamada Okiku (お菊人形), antiga e já bastante erodida.

A tradição oral revela que este item foi comprado por Eikichi Suzuki, um rapaz de dezessete anos, no ano 1918, em Tanuki-Koji, na ilha Sapporo. Eikichi Suzuki deu Okiku à sua irmã de três anos, chamada Kikuko ou Kiyoko. A menina amou o presente e não se separou da boneca até morrer de virose no ano seguinte. Após a cremação do corpo da menina, Okiku foi posta no oratório da família bem ao lado da urna funerária. Com o passar do tempo o corte de cabelo em estilo okappa, antes nos ombros, alongou visivelmente. A família interpretou a mudança como sinal de que a sombra da morta penetrou naquele objeto por osmose, vivificando-o.

Em 1938 a família Suzuki se mudou para Sakhalin e doou Okiku ao templo, onde permanece exposta até hoje, junto à urna contendo as cinzas da falecida. Todos os anos romeiros participam duma cerimônia em memória de Okiku. Dizem que os olhos da boneca causam sensação de vigilância real. Dizem que sua boca abriu e que cabelos continuam a crescer. Graças à boneca, este templo acabou virando atração turística.[5]

É triste quando o bonequeiro, ningyōshi (kanji 人形師, kana にんぎょうし), fabrica o boneco, ningyō (kanji 人形, kanaにんぎょう), com propósitos artísticos e o item acaba na fogueira porque alguém julgou aquele objeto como algo capaz de absorver a moléstia e curar uma criança adoentada quando posto no leito onde ela dorme.

No Japão as bonecas não são apenas brinquedos infantis e muitas vezes representam símbolo da história dos costumes do país. Elas são chamadas de ningyō e ao longo de toda a história do Japão foram sofrendo pequenas modificações. As primeiras referências de bonecos são os haniwa, estatuetas de barro encontradas em tumbas pré-históricas, onde o que menos contava era o apelo decorativo. No período Heian (794-1185) eram usados para afastar demônios.

Inicialmente as bonecas eram muito simples, moldadas em palha ou papel sendo que as primeiras serviam para afastar epidemias e eram colocadas nas fronteiras das antigas aldeias. E para purificar corpo e alma, se usavam bonecas feitas de papel que depois eram jogadas no rio para levar embora os maus fluídos. (…) Durante o fechamento do país para o mundo, no período Edo (1603-1868), o país desenvolveu uma cultura própria. Neste período as bonecas ainda carregavam uma forte superstição pois muitas pessoas as tinham como amuleto para afastar pragas de plantações ou para garantir um bom parto. Mas foi em meio a esta mentalidade que surgiram as karakuri, bonecas que tocavam instrumentos e dançavam através de um sistema simples de cordas retorcidas, roldanas e fios.[6]

Noutro artigo já mencionamos a lenda da yōtō (妖刀), espada de uso bélico que se apega à sua função social, tem sede de sangue e induz qualquer usuário a continuar matando mesmo em tempos de paz. Outros artefatos de uso militar também podem ganhar vida, conforme narrativas folclóricas e artísticas. O abumi-guchi (鐙口) é o estribo de hipismo, utilizado por um comandante militar, que com o tempo se transforma numa criatura peluda.[7] Certa vez Ozamu Tezuka preencheu uma página do gibi Dororo (どろろ) com um único quadro onde equinos sem cabeça, de pescoços flamejantes, galopam assustando o protagonista. Parecem com a mula-sem-cabeça do folclore brasileiro.

Não é normal num gibi que o desenhista gaste uma página inteira com apenas um quadro, especialmente contendo uma cena desprovida de pertinência temática com o roteiro. Na página seguinte o menino sonha com o passado, lembrando de como ele se tornou um órfão predestinado à vida de ladrão.[8] Seriam aqueles cavalos de guerra decapitados anunciadores de pesadelos?[9] Na esperança de obter mais informações procurei pela primeira versão animada de Dororo (どろろ; 1969) cuja música da abertura e encerramento é pausada pela recitação de poemas por uma voz feminina. Na primeira interrupção ela fala sobre as posses do samurai moeru yoroini (燃えるよろいに) ou “armadura flamejante” e moeru uma (燃える馬) ou “cavalo flamejante”:

赤い夕日に照り映えて

燃えるよろいに燃える馬

天下めざしてつきすすむ

 

No crepúsculo vermelho

Armadura em chamas, cavalo em chamas

Correndo veloz, galopando pelo mundo[10]

Na abertura do remake de Dororo (どろろ; 2019) vemos a cena do quadrinho onde vários cavalos sem cabeça galopam numa fração de segundo e não tornam a aparecer no seriado em si, assim como nunca vemos a cena da putrefação do cadáver do protagonista igualmente presente naquela amostragem.

Nossa energia impregna num animal doméstico mimado em excesso do mesmo modo que entra em objetos estimados. Por isso a forma primária dum bakemono pode ser um ser vivo, como o bakeneko (化け猫, gato metamorfo). Um animal selvagem que atinge idade avançada para muito além do normal também se transforma, como o bake-danuki (化け狸, tanuki metamorfo). Isso é o contrário das lendas ocidentais de homens que viram animais (lobisomem, capelobo, etc.) pois no caso nipônico é o gato, o tanuki, a raposa, etc., que vira gente temporariamente ou reencarna como gente.

Quando itens domésticos ganham vida e senciência eles ainda estão apegados aos velhos usos e atuam de modo obsessivo compulsivo. Sendo assim, na China uma zhǒu shén (箒 神), chamada no Japão de wawakigami (ははきがみ), é uma vassoura que, descontroladamente, varre sozinha as folhas que caem em dias de vento frio.[11]

Objetos domésticos de uso regular só se tornam agressivos quando passionais, podendo buscar vingança contra pessoas que os inutilizaram ou os jogaram no lixo. Por conta disso, alguns santuários oferecem o serviço de “consolar” objetos quebrados ou que não são mais usados.[12] Muitos países como a Tailândia, por exemplo, constroem templos para alguns objetos com fama ou origem sobrenatural.[13] No Japão cerimônias de consolação são realizadas em templos budistas e xintoístas. Por exemplo, existe o festival hari kuyō (針供養), celebrado em 8 de fevereiro na região de Kanto, mas em 8 de dezembro nas regiões de Kyoto e Kansai, onde as costureiras levam suas agulhas quebradas para agradecer os préstimos antes do descarte.[14] Assim elas não as furam.

Ningyō kuyō (人形供養) é um serviço de memorial para bonecas antigas, com presença de gueixas e monges, onde as famílias agradecem os préstimos dos objetos que cumpriram sua função social fazendo companhia e protegendo suas crianças, mas que perderam a utilidade e foram entregues à cremação. Isto ocorre desde sempre no templo zen-budista Hōkyō-ji (宝慶寺), em Kyoto, conhecido como Templo dos Bonecos devido ao seu acervo de peças imperiais coletadas e acumuladas durante séculos.[15] Posteriormente o mesmo costume foi introduzido no templo Kiyomizu Kannon-dō (清水観音堂), em Tokyo, e virou matéria da revista Superinteressante (agosto de 1992).

No Japão, até hoje as duas definições (boneca e ídolo) se misturam tanto quanto se misturavam entre romanos e gregos. Há pelo menos 900 anos, todo dia 3 de março, as meninas reverenciam a casa imperial reunindo suas bonecas prediletas numa grande festa. Uma a uma, todas as bonequinhas são visitadas, apresentadas às amigas e, durante o chá, têm o privilégio de serem servidas em primeiro lugar. (…) Para os japoneses, bonecas têm espírito. (…) Ainda hoje, muitos japoneses acreditam que, colocada no leito de uma criança doente, a boneca pode levar a moléstia embora. Se presenteadas no dia do casamento, são consideradas símbolo de prosperidade e felicidade conjugal para o jovem casal. Há pouco mais de vinte anos, o sindicato dos fabricantes e comerciantes de Tóquio aproveitou a deixa dessa crença para promover um grande lance comercial chamado ningyō kuyō. Tradução: “consolo da alma das bonecas”, ritual de cremação que se tornou tradicional na capital japonesa. Todo dia 25 de setembro, as mulheres estéreis que obtiveram a graça de ter um filho levam uma boneca para ser cremada no templo Kiyomizu-Kannon-dō. A ideia é que, queimando a boneca, seu espírito carregado do desejo de maternidade vai embora com a fumaça e a criança pode crescer em paz. Vai-se o espírito infantil, fica o comercial.[16]

Na antologia de poemas Ise monogatari (伊勢物語), seção 63, datada do século IX, lemos a palavra tsukumogami (つくも髪) referente aos cabelos brancos, kami (髪), duma idosa. Setecentos anos depois o autor-ilustrador do pergaminho Tsukumogami emaki (付喪神絵巻) explicou que o intraduzível prefixo tsukumo na palavra tsukumogami (desta vez 付喪神) também poderia ser escrito com o kanji 九十九, que significa um período de noventa e nove anos. Sendo assim uma ferramenta ou utensílio doméstico desenvolveria um espírito evoluído após a passagem de noventa e nove anos. Mas há um problema: A truncagem de kami (髪, cabelo) por kami (神, divindade) sugere que ele não entendia o sentido original de tsukumogami ou formulou um homônimo homófono.            Segundo o pergaminho do século XVI, à época as pessoas descartavam objetos antes de completarem o período chamado de susu-harai (煤払い). Conforme exposto, se demorassem mais a ferramenta “mudaria e adquiriria um espírito, e enganaria o coração das pessoas”. Tal ensinamento constaria no livro Onmyō Zakki (陰陽雑記), livro que também informaria sobre a coisa vivificada que assume aparência humana, tanto masculina quanto feminina, tanto idosa quanto jovem; bem como “a semelhança de chimi akki” (aparência de oni) e “a forma de korō yakan” (forma de animais), entre outras. Seu aspecto após a mutação é referido com palavras como youbutsu (妖物).[17]

Há dúvidas sobre se o susu-harai é, de fato, um período de exatos noventa e nove anos porque tsukumo (九十九) pode se referir literalmente a um número ou, menos precisamente, a uma hipérbole no sentido de muito tempo. A boneca Okiku só precisou de um ano para adquirir uma natureza espiritual pois isso representou um terço da vida de sua dona, que a amou com intensidade, agonizou e morreu com ela. No primeiro volume do romance gráfico Tokyo Babylon (東京BABYLON), do grupo CLAMP, editado pela Shinshokan, em 1990, uma personagem adoece e apresenta comportamentos estranhos após comprar uma jaqueta numa liquidação de roupas. Subaru descobre que a jaqueta ficou carregada de energia negativa por conta da competição da clientela por aquele objeto, ao ponto de aquilo necessitar de exorcismo.[18]

Papéis encantados

No Japão, em templos da religião xintó, são vendidos ofuda (御札), que são amuletos de papel produzidos por monges para atrair o amor, a saúde, a prosperidade financeira e até proteger contra mal olhado e fantasmagorias. Do mesmo modo, no taoísmo e noutras religiões chinesas, existe o jufu (呪符) ou gofu (護符), amuleto de papel ou madeira produzido para finalidades que mudam conforma a inscrição.

Os ofuda tem efeito imediato porque o monge xintó é competente para canalizar a energia dos kami (神) aos quais ele presta culto. Porém existem métodos para o leigo carregar papel com os eflúvios energéticos de origem humana, de modo voluntário ou involuntário. Hoje há todo um ritual construído em torno da tradição de confeccionar, expor e descartar o washi ningyō (和紙人形); um ningyō (人形) ou boneco feito de washi (和紙), tipo de papel artesanal feito a partir das cascas das árvores das amoreiras.

Livro de arte com fotografias de washi ningyō produzidos pela artesã japonesa Eika Ito.[19]

Dizem que o washi ningyō teria o poder de remover a dor quando posto no leito dum enfermo que dorme. Logo depois, o boneco descartável carregado pela energia da enfermidade deve ser cremado ou levado para longe e dissolvido em água.

Fotos: 1) washi ningyō produzidos pela fábrica Kyugetsu representando Shinzo Abe, o Primeiro Ministro do Japão, e Caroline Kennedy, Embaixatriz dos Estados Unidos no Japão. (Foto © 2014, The Japan Times). 2) Monges levando um barco cheio de bonecos para o rio.

Com o passar dos séculos este rito individual originou uma festa coletiva. Hina-ningyō (雛人形) é um washi ningyō introduzido no festival Hinamatsuri (雛祭り), o “Dia das Meninas”, realizado anualmente por japoneses e italianos descendentes de japoneses. Neste festival inúmeros bonecos são expostos sobre carpete vermelho.

Bonecos de papel ou palha representando a corte imperial, com roupinhas em estilo antigo, são levados para templos onde ficam expostos ao público desde meados de fevereiro até o dia três de março. Depois o excesso é cremado pelos monges. Contudo, muitos ainda chegam ao fim do procedimento onde as pequenas figuras humanas são postas para navegar à deriva em barquinhos de madeira, empurrados pela correnteza dos rios ou pelo movimento das ondas.  Estes se tornam hina-nagashi (雛流し), bonecos flutuantes, que levam as doenças e problemas com eles para longe.

No Brasil existe um costume parecido onde, no dia do Réveillon, os umbandistas pulam sete ondas na Praia de Copacabana e enviam oferendas para Iemanjá dentro de réplicas de barcos em miniatura que podem ou não conter uma imagem da santa.

No Japão até um maço de papel pode ser imbuído de poder mágico. Kyōrinrin ( 経凛々) é um bakemono resultado da transmutação de pergaminhos, livros, etc., que foram negligenciados e deixados sem leitura[20] por bastante tempo. Antigamente o papel branco era produzido com fibras da planta chamada asa (麻) ou o (苧), conhecida em botânica como Cannabis sativa. Havia grandes campos de plantações destinadas a este fim. Na ausência de nanquim a tinta era obtida de materiais biológicos, como gema de ovo e sangue animal. Segundo Aline Ribeiro, durante o shogunato de Tokugawa (1853-1867) os samurais eram submetidos a um rito de passagem:

A lealdade tinha certos rituais muito profundos, como um “contrato” firmado entre o guerreiro e seu daimyō. O documento era escrito com o sangue do próprio samurai, assinado e, logo em seguida, queimado. As cinzas eram dissolvidas em água e bebidas, fazendo com que se criasse um laço eterno entre a linhagem do samurai e a do senhor.[21]

Coisas estranhas acontecem quando um papel impregnado de energia aleatória não é cremado nem exposto aos elementos. Muitos acreditam que o shōji – tipo de porta deslizante feita de papel de arroz, – assim como as fechaduras e outras benfeitorias necessárias do lar, se transmutam em mokumokuren (目目連) e tendem a criar muitos olhos quando deteriorados e esburacados pelo tempo ou pela má conservação.[22]

A lanterna chōchin (提灯お), feita de bambu ou papel de seda, é um objeto de grande beleza, onipresente na decoração nipônica. O yóuzhǐ sǎn (油纸伞), um guarda chuva de papel em estilo chinês, é estruturalmente semelhante ao kasa (傘), o guarda-chuva comum, porém se trata dum item decorativo que os noivos carregam na cerimônia de casamento. Se alguém decidir guardar estes apetrechos perecíveis e descartáveis, em algumas décadas eles se tornarão os monstros folclóricos chōchin-obake (提灯お化け) e kasa-obake (傘おばけ)[23]. Assim como um gato doméstico muito mimado pode se tornar um bakeneko (化け猫), um tanuki eventualmente evolui para bake-danuki (化け狸) e outros animais da fauna local se convertem nas mais variadas fantasmagorias.

Um kasa-obake não precisa necessariamente evoluir de um yóuzhǐ sǎn, mas suponhamos que assim seja. Como todo bakemono ele é um objeto imbuído da força vital projetada por alguém que congelou sentimentos experimentados à época de sua posse. Quem não deseja mudar de atitude ou de opinião faria bem em ter um bakemono amigo. As emoções impregnadas na memorabilia nupcial carregariam e vivificariam o objeto de estimação que transmuta a haste de sua alma artificial num corpo sutil e abre as asas na forma do animal que lhe é mais semelhante: Um elegante morcego.

Este quiróptero etéreo promoveria a união do casal evocando a lembrança daqueles momentos felizes. Enquanto o objeto existisse, ele faria tudo para não deixar seus proprietários se separarem, brigarem ou pararem de desejar um ao outro. Contudo, se fosse jogado fora ou acabasse nas mãos de outrem, por herança ou mero acaso, tumultuaria a vida alheia tentando controlar sua vontade para realizar sua função social. Enfim, o novo dono viraria um mulherengo, um libertino, ou se apressaria a casar.

Ilustração de Hokusai representando um chōchin-obake (1826/1837) e detalhe de uma ilustração de Yoshitoshi (1839-1892) figurando um provável kasa-obake ou morcego associado ao guarda-chuva. Ele pode ser a alma do objeto porque, em nihongo, uma das palavras sinônimas tanto de quirópteros quanto de guarda-chuvas é kōmori (コウモリ ou こうもり), por causa dos dedos e estruturas que suportam tecidos esticados. Cesar Gordon observou que em mebêngôkre, o idioma dos indígenas Kayapó, os guarda-chuvas também são chamados de morcegos (njêp).[24]

No início não havia nenhuma padronização da aparência de objetos mutantes na arte nipônica. E nem seria lógico se houvesse; afinal, eles têm poder de mutação. Hoje, contudo, a variação na aparência depende do tipo de item que os originou, assim como as condições de como o objeto estava. [25] Imagens da lanterna chōchin-obake (提灯お化け), do guarda-chuva kasa-obake (傘おばけ), do chinelo de palha bakezōri (化け草履) e doutros objetos que viram obake muitas vezes os mostram fazendo careta, com língua de fora, certamente por influência do padrão iconográfico estabelecido na era Kanei (1848-1853) pelo bonequeiro Hikoshichi Nishijinya (西陣屋彦七), natural da cidade Kumamoto, criador do boneco mecânico obake no Kinta (おばけの金太).

Arte em de papel machê: 1) Cabeças vermelhas e outros brinquedos obake no Kinta que exibem as línguas na Loja de Bonecos Atsuga (厚賀人形店), em Kumamoto, Japão.[26] 2) Máscara “O Linguarudo” representando o diabo, produzia por Dionísio (1909-2007), em Niterói, RJ, Brasil.

Este brinquedo folclórico tem aspecto duma cabeça humana ou animal de papel machê, fixada sobre haste de bambu, com engrenagens internas que permitem mover os globos oculares, abrir a boca e mostrar a língua quando puxamos uma corda.[27] Os descendentes de Hikoshichi Nishijinya ainda fabricam o brinquedo e explicam que seu nome era Kinta, porém alguém se assustou com o movimento e supôs ser um obake.

Oposição entre valores morais e pecuniários

Uma antiga lenda diz que Bodhidharma () atingiu o nirvana meditando durante nove anos numa caverna. Durante esse exercício meditativo ele permanecia imóvel, observando fixamente o vazio numa posição chamada bìguān (壁觀) ou “olhar perene” até suas pupilas ficarem reduzidas ao tamanho mínimo. Depois que o fundador do zen-budismo na China se mumificou em vida, os chineses começaram a esculpir santos e brinquedos verdadeiros sem pupilas em sua homenagem, transmitindo a tradição aos japoneses que hoje fabricam o boneco-amuleto Darumá (だるま).

Diz a lenda que Bodhidharma meditou em uma caverna por 9 anos sem nem ao menos piscar. Sua persistência foi tão forte, que ele continuou sem parar mesmo depois de seus braços, pernas e pálpebras caírem. Essa lenda (…) é a origem do formato redondo do Darumá. Os Darumás possuem mais peso na parte inferior para que fiquem de pé, não importa quantas vezes sejam derrubados.[28]

Na tradição zen-budista japonesa o devoto compra o Darumá cego, pinta uma pupila no olho esquerdo e faz um desejo. Quando o Bodhidharma atende este desejo o devoto retribui concedendo a visão do olho direito, desenhando a pupila que falta. Esses são bonecos inarticulados, humildes, feitos de materiais baratos, geralmente vendidos em feiras e festivais religiosos, mas também em lojas de souvenir. Ao fim de um ano é preciso devolver o Darumá para qualquer templo, onde ele será queimado num ritual, liberando o seu espírito. Esse ritual pode ser individual ou coletivo. Em razão da enorme demanda, desde 1954 o templo budista Nishiarai Daishi (西新井大師) promove o festival Darumá kuyō (だるま供養) onde milhares de exemplares são queimados juntos.

No Japão, China e Coréia do Sul é comum encontrar bonequeiros e vidraceiros produtores de olhos para bonecos de Resina PU com opções de íris monocromática, sem pupilas, disponíveis inclusive em cores fantasia como salmão e vermelho vivo. A artesã chinesa Heise Jin Yao (黑色禁药) é uma entre os muitos comerciantes de olhos para BJD que parodiam a iconografia do Darumá. Porém seus bonecos não são santos conservadores e ninguém os queimaria em sã consciência, pois hoje cada um chega a valer mil dólares americanos. Eles são personagens fantásticos de novelas de temática BDSM. Um deles, Huika (毁卡), teve o nome inspirado por Huìkě (慧可), discípulo de Bodhidharma, segundo patriarca da escola de zen-budismo na China, historicamente conhecido por haver sido um nobre de pouca virtude, pouca sabedoria, coração raso e mente arrogante, descendente direto de Sidarta Gautama.

O filme de horror coreano The Doll Master (인형사; 2004), dirigido por Yong-ki Jeong, foi patrocinado pela Ai Dolls, atual Custom House. Imagine como seria se a indústria estadunidense Mattel, produtora da boneca Barbie, patrocinasse um filme protagonizado por uma Bárbie assassina. Foi exatamente isto que a Custom House fez com seus preciosos produtos! Estariam decretando a obsolescência e recomendando aos proprietários que cremem todos os modelos antigos, a serem substituídos pela nova coleção? No Brasil juristas formulariam hipóteses de crime contra a economia popular; pois, se não destruir, papões com mãos geladas puxarão seus pés para baixo da cama!

Verificamos que o filme The Doll Master retrata fielmente a antiquíssima crença oriental de que certos objetos inanimados podem prejudicar seus donos quando tratados de modo irregular. Ou seja, que “se você se apegar a um objeto e andar sempre com ele a coisa pode formar uma alma”, e que objetos inanimados “como uma rocha, uma boneca ou uma casa” pela qual alguém se apega desmesuradamente, obsessivamente, acabam carregados de sentimentos deletérios que eles reproduzem e irradiam.

Esta obra de ficção apresenta vários resultados para o que acontece quando objetos feitos de Resina PU desenvolvem alma por culpa de seus donos: Damian, um boneco articulado por elásticos internos (BJD), foi adotado e transportado pela mesma pessoa durante dezenove anos, sete meses e vinte e oito dias. Esta mulher tímida se tornou ouvidora de vozes e dialogava com a coisa. Virou uma excluída social. No mesmo filme uma designer de bonecos encontrou um manequim sentado sobre um túmulo. O espírito vingativo do manequim passou para o corpo da mulher e começou a perseguir todos os descendentes do assassino do seu criador. A artesã possessa disse:

Eu acredito que meu trabalho da vida aos objetos inanimados. (…) Você nunca possuiu coisas às quais era apegado? Você já ficou triste após perder aquelas coisas? Eu penso que quando os objetos perdem seus donos, eles ficam tristes também. Você sabia que quando algo está perdido, há algumas ocasiões em que parece que ele nunca desapareceu do seu local de origem? Eles retornam para os seus antigos donos.

Mina, outra BJD, ganhou alma quando sua dona sofreu um acidente. Com o tempo a menina enjoou da boneca e jogou fora, mas a boneca não enjoou da menina. Mina passou a perseguir sua dona, inconformada com o descarte e esquecimento. A boneca era capaz de projetar seu espírito em forma humana diante da antiga proprietária, fazendo-a acreditar que dialogava com uma menina de verdade enquanto os outros a viam falar sozinha. Por isso aquela mulher deixou de ser uma modelo desinibida e bem sucedida. Ela acabou igualmente rotulada como louca.

O exemplo da BJD Mina, de The Doll Master, é idêntico ao da pequena boneca de porcelana Mary, que aparece no episódio 11 do anime Histórias de Fantasmas (学校の怪談; Japão, 2000), Mary reencontrou o caminho de casa e voltou, querendo brincar, mas só achou a filha órfã da sua falecida dona, que era bastante madura e não gostava de bonecas. O brinquedo problemático assombrou a adolescente até ser entregue a um templo budista onde um monge explicou que o certo teria sido cremar os pertences da falecida junto ao corpo na data do óbito. Enfim, nestas obras de ficção as almas dos brinquedos amados sempre requerem mais amor e as dos brinquedos maltratados devolvem a violência às pessoas. Assim todos continuam absorvendo energia alheia.

Propaganda da microempresa sul-coreana HyperManiac, onde são comercializados personagens da designer de bonecos Ka-Hyun.

No sexto episódio da série Witch Hunter Robin (2002), criada por Sunrise e pelo diretor de animação Shūkō Murase, uma jovem bruxa diagnosticada com transtorno de personalidade múltipla transfere suas personalidades para várias bonecas até restar só uma delas em sua mente.  No seriado Another (アナザー; 2012) a filha duma bonequeira extrai um olho tomado pelo câncer e equipa um olho de vidro, um olho de boneca, que transmuta e lhe dá capacidade de ver o mundo sob a perspectiva de um bakemono.

No segundo episódio da primeira versão do seriado Vampire Princess Miyu (吸血姫美夕; 1988), de Narumi Kakinouchi e Toshiki Hirano, algumas pessoas foram transformadas em bonecos articulados por uma criatura de mesma espécie que lhes prometeu beleza eterna. A energia emitida pelos embonecados sustentava o bakemono, porém a Princesa Miyu nada obteve ao mordiscar um aparentemente saboroso menino de plástico. No meio de tudo um personagem coadjuvante se recusou a comprar um brinquedo para sua filha: “Você não acha que as bonecas japonesas são assombradas? O folclore diz que o cabelo das bonecas cresce, e outras coisas deste tipo”.

No desenho animado Dantalian no Shoka (ダンタリアンの書架), sexto capítulo Funsho kan (焚書官), que foi ao ar no Japão pelo canal TV Tokyo, em 19/08/2011, os personagens protagonistas descobrem que todos os coadjuvantes moradores duma cidade misteriosa são bonecos articulados transformados por meios mágicos em shikigami (式神) para servirem de receptáculo das almas dos mortos.[29]

Isto parece uma versão em roteiro de horror da história real da aldeia Nagoro, situada na ilha de Shikoku, Japão, onde a artesã Tsukimi Ayano (月見綾乃) enfeitou áreas públicas e prédios vazios com centenas de bonecos de pano forrados com palha, jornal, etc., para combater a solidão, de modo que sua arte ocupa hoje os lugares dos mortos e dos moradores abduzidos pelo êxodo rural. Esses bonecos são mantidos limpos e substituídos quando se deterioram. Quando a quantidade de falsas pessoas superou a população humana na proporção de dez para um, agências de turismo passaram a chamar Nagoro de Kakashi No Sato (かかしの里), a Vila dos Espantalhos.[30]

Bonecos para um vampiro

Na primeira vez em que assisti ao filme Higanjima (彼岸島; Japão, 2010) pensei que Miyabi (雅) fosse um baquemono tsukumogami pois este personagem, interpretado pelo ator e modelo fashion Louis Kurihara (栗原 類), têm uma presença estética bastante diferenciada da dos demais vampiros. O seu nome significa elegância, refinamento ou cortesania, podendo designar um metrossexual, um destruidor de corações. Enfim, ele parece um boneco e foi achado num templo repleto de bonecos. Além do mais, o jogo Ragnarök Online apresenta uma versão da futa-kuchi-onna (二口女) chamada Miyabi Ningyō (雅人形) vivendo num mapa que obviamente inspirou a criação do labirinto que aparece no capítulo 295 do primeiro romance gráfico da outra franquia.

Miyabi (Louis Kurihara) em Higanjima (彼岸島; Japão, 2010).

Porém tudo se explica no capítulo 39 do romance gráfico, com roteiro e desenho de Kōji Matsumoto (松本 光司).[31] Uma mutação genética ocorrida numa família nobre criou os vampiros. Miyabi foi aprisionado num frigorífico. Durante os cinquenta e sete anos em que esteve preso os ilhéus oraram e construíram ao seu redor. Fizeram um altar para oferendas de alimentos e prosseguiram com as benfeitorias até o local virar um templo ornamentado com estantes de bonecos representando vampiros. No exterior erigiram um torii[32], uma escadaria e tudo que um templo tem direito. Enfim, tentou-se de tudo para apaziguar o vampiro exceto deixa-lo escapar do confinamento.  Foi assim até que um turista desinformado e curioso cometeu o erro de abrir a prisão.

Às vezes os seres humanos imaginam que deuses abstratos precisam de olhos e corpos para representação. O mesmo acontece com fantasmas. Em Chihuahua, México, uma loja de roupas chamada La Popular se transformou em atração turística por ostentar a mesma manequim na vitrine desde 25 de março de 1930. Esta manequim com olhos de vidro está sempre vestida de noiva e foi chamada de Pascualita por parecer com Pascuala Esparza, filha da primeira proprietária da loja, que morreu envenenada pela picada duma aranha viúva negra bem no dia do seu casamento.

Desde o início as pessoas espalharam a lenda urbana de que Pascualita observa os clientes da loja e muda de posição à noite. No Japão, a desenhista Naoko Takeucki parodiou uma lenda urbana semelhante: Até 1992 existia uma loja de vestidos de noiva num shopping de Minami Aoyama, que, para chamar atenção, posava uma manequim prestes a pular da janela do terceiro andar. Muitos transeuntes se assustaram pensando ser uma suicida e contaram estórias. Na versão fictícia do quinto ato do romance gráfico Sailor Moon esta noiva manequim[33] foi animada pela yōma (妖魔) do corpo redivivo do avatar dum shitenōu (四天王) controlado por poderes das trevas e pulava da sacada à noite procurando noivos para extrair energia (精力) e, com isso, nutrir o Dark Kingdom[34].

O sepultamento da cultura

Na vida real enquanto milhares de pessoas comparecem ao Darumá kuyō, dispondo peças para consolação e cremação, e bastante gente leva washi ningyō ao festival Hinamatsuri, como deve ser, somente poucas dezenas participam do ningyō kuyō. E mesmo assim a maioria leva washi ningyō, evitando o desapego de bens duráveis e dispendiosos que são o verdadeiro foco desta bonita cerimônia religiosa.

Fica óbvio que japoneses têm dó de entregar qualquer item superior a bichos de pelúcia. Coisas boas são revendidas, pois a maioria entende que o ideal é cremar no templo aquilo que se faz pelo templo e para o templo. Ou então os próprios monges preservam brinquedos seletos para a não-cremação conforme critérios misteriosos.

Se o problema ainda não ficou claro observem o polêmico artesão chinês Ryo Yoshida (吉田 凌) cremando duas bonecas de terracota que ele mesmo esculpiu, numa ilustração da monografia Articulated Doll, Anatomy of the Ball-Jointed Maiden (2007). Tenha em mente que seis bonecas articuladas, em tamanho humano, esculpidas por Ryo Yoshida entre os anos 1986 e 1999 constam na exposição permanente 球体関節人形展・Dolls of Innocence, do Museu Nacional do Japão.[35] Estando o artista vivo e atuante, o valor mínimo para essa categoria de arte gira em torno do equivalente a quatro mil dólares americanos. Então são pelo menos oito mil dólares em obras de arte com qualidade de museu crepitando no fogo. (Pense no Coringa queimando dinheiro).

O que acontece quando monges pedem para cremar uma categoria de bonecos que custa vários salários mínimos? O homem médio obedece ou questiona? Um artista consagrado como Ryo Yoshida pode se dar ao luxo de capitalizar a religião vendendo livro e postais com foto do rito secular, porém os colecionadores guardam itens valiosos mesmo que sejam objetos agourentos. Geralmente, quando solicitado, o colecionador leva qualquer treco dizendo “este é meu boneco”, os monges educadamente fingem que foram enganados e os bonequeiros se divertem desconstruindo o dogma.

A ideia duma dimensão espiritual intrinsecamente relacionada à produção de bonecos aparece ludicamente sugerida nos nomes-fantasia de microempresas sul-coreanas e chinesas, surgidas no século XXI, fabricantes de peças em Resina PU, a exemplo da Loong Soul (龙魂人形社; alma de dragão), Immortality of Soul (imortalidade da alma), Resin Soul (alma de resina), Souldoll (boneca com alma), Angel Studio (fábrica de anjos), Illusion Spirit (espírito ilusório), etc. No catálogo da Souldoll o nome do modelo Kagel vem de kage (影, sombra) e ele existe nas versões humano e vampiro.

O ateliê chinês ★ANother Secret★ produz cabeças para montagem de bonecos e possui uma coleção chamada Hyakki Yakō (百鬼夜行) que leva o nome duma folclórica parada onde uma centena de yōkai percorre as ruas à noite, aterrorizando os humanos.

Esses bonecos orientais de Resina PU destinados ao nicho do hobby específico já não são tão enormes e dispendiosos quanto as peças de terracota e porcelana fria em escala 1/1, mas ainda são maiores que a escala 1/6 adotada perlo padrão ocidental, custando em média de trezentos a setecentos dólares, salvo casos excepcionais.

Por que os bonequeiros do século XXI descontroem e subvertem a religiosidade popular? Quem fabrica peças para consumo em território nacional e internacional são predominantemente mulheres vivendo em países onde a lei e os costumes estabelecem salário diferenciado para o sexo masculino, a fim de assegurar a posição hierárquica do homem como arrimo de família. A existência de artistas de sexo feminino ganhando mais do que o homem médio nas indústrias de publicação de mangás shoujo e josei, nas fábricas de bonecos, etc., quebra todos os tabus. Elas chefiam os seus negócios.

A classe conservadora se mostra hostil às mulheres trabalhadoras e seus iguais, que retribuem com deboche e – no caso das bonequeiras – chegam a utilizar o ônus do folclore como propaganda indireta ao promover produções de horror, como The Doll Master (2004) e Rozen Maiden – Träumend (2005). Afinal, já dizia o velho bordão: “falem mal, mas falem de mim”. Entretanto, não podemos descartar a possibilidade de às vezes estarmos importando objetos feitos por algumas pessoas que sinceramente acreditam na tradição local e tiveram a intenção de nos vender seus receptáculos de programação energética sujeitos ao ganho de vida artificial.

Resumo geral: fluxo e refluxo energético

A queima de artefatos não é uma realidade apagada no ocidente. No Brasil, nos Estados Unidos e noutros lugares onde organizações religiosas cristãs possuem grande influência no ambiente cultural, existe uma ostensiva propaganda de “batalha espiritual” ordenando o exorcismo de pessoas e a queima de determinados objetos passíveis de canalizar a possessão demoníaca (normalmente brinquedos, revistas em quadrinhos, filmes, discos de vinil, camisetas com estampa de banda musical, livros de biologia lecionando sobre os princípios da seleção natural e da ancestralidade comum, etc.).

Isso é diferente do que acontece no oriente porque o cristão queima os objetos proscritos com desdém, em nome Jesus, lutando contra o Diabo, enquanto o zen-budista crema com respeito. O bakemono do folclore nipônico não é um objeto possuído por anjo rebelde. Ele ficou impregnado de energia desprendida por um ou mais humanos e fixou-a como uma espécie de programação, passando então a reproduzi-la e irradiá-la. Ou seja, qualquer objeto pode adquirir o poder de congelar sentimentos havidos à época de seu uso. Por isso quando qualquer coisa absorve um malefício o prejuízo se torna parte da coisa e ela precisa ser destruída, mesmo que seja uma estátua de santo.

A sabedoria oriental aconselha a consolar e cremar, como se morto fosse, quase tudo que vira bakemono porque não é possível transformar tantas coisas em artigos de devoção. Se uma coisa dessas for doada para caridade ou jogada no lixo ela continuará amando e sofrendo, ficará ressentida e retornará ao usuário, podendo expressar desejo de vingança. Depois, em caso de morte do usuário, a herança buscará os herdeiros.

O ser humano exala grandes quantidades de energia durante momentos de angústia, stress, paixão, etc. A energia exalada por um estressado, por exemplo, ficaria impregnada na casa como a poeira que se acumula atrás dos móveis. Isso faria com que os objetos inanimados se transformassem em verdadeiros depósitos de stress. Visitas que sentassem num sofá estressado perderiam a alegria e ficariam estressadas em decorrência da contaminação. Nem o proprietário da coisa conseguiria melhorar e mudar de humor, pois ele continuaria a absorver e exalar o seu próprio baixo astral.

Todos nós conhecemos contos folclóricos sobre imóveis que influenciam novos habitantes porque, no passado, houve ali algum crime violento ou alguém morreu de doença grave, em intensa agonia. Antigos hospícios enlouquecem visitantes. Antigas prisões e cemitérios geralmente são mal assombrados. Museus também. Todavia nem todos as coisas são tão grandes ou carregam experiências tão intensas. A diferença entre uma boneca carregada, uma memorabilia nupcial e uma espada de guerra é que a boneca quer brincar, a memorabilia quer presenciar o amor e a espada quer matar.

Várias narrativas descrevem coisas dotadas de pouca inteligência, emotividade excessiva e inclinação ao cometimento de crimes passionais. Quem descarta algo que foi um dia muito amado deixa a coisa saudosa, indignada, ciumenta e enraivecida.  Um bakemono criado a partir dum objeto superestimado será intensamente passional. Quando um homem vive intensamente a paixão por uma companheira ele está feliz, mas quando o sentimento acaba e a mulher rejeitada demonstra um ciúme doentio, ela o persegue e o faz infeliz. Com bakemono é a mesma situação.

Um objeto dotado de espírito precisa ser consolado em sinal de agradecimento e, depois, diluído em água corrente ou cremado para que descanse em paz após a prestação de serviços. Depois que um item não descartável promove uma cura absorvendo um malefício por osmose, a energia negativa absorvida se torna parte da coisa e o objeto precisa receber limpeza espiritual para não causar um refluxo, um efeito reverso, contaminando o ambiente.

Quem não deseja mudar de atitude ou opinião não precisa cremar o bakemono. Ele é literalmente sua alma gêmea (a menos que esteja possuído por um yōkai). Tem gente que programa cristais para catalisar a energia canalizada pelo Eu superior na intenção de auxiliar a si mesmo a manter o foco no serviço ou num objetivo a ser alcançado. Tudo bem se você se apaixonar por um brinquedo, permanecer com ele durante setenta anos e alguém depositar isto no seu túmulo. Provavelmente vocês serão felizes para sempre. O problema não existirá até que você deixe de ter prazer na interação com algo que passou a lhe causar vergonha e incômodo, que te deixa infeliz e escraviza como um vício. Desse jeito este velho amigo pode paralisar a vida do dono.

Não importa se o folclore alerta sobre a possibilidade de o espírito do vampiro de brinquedo sair do baú à noite para penetrar nos seus sonhos e mordiscar seu pescoço. As vezes a carga mitológica só agrega valor ao item de estimação, assim como histórias de fantasmas incitam a curiosidade sobre prédios históricos. Certa vez, no programa Trato Feito, o proprietário duma estátua de cavalo forjada no velho oeste estadunidense ficou feliz por encontrar nela um furo porque no que diz respeito às antiguidades do velho oeste “buracos de bala sempre deixam a coisa interessante”.

Bibliografia recomendada:

AMBROSIUS, Mario. 球体関節人形展・Dolls of Innocence. Tokyo, Nippon Television Network Corporation, 2004. 152p.

ITO, Eika (伊藤 叡香). Washi ningyō o tsukuru和紙人形を創る」. Japão, MPC (エムピーシー), 01/06/2002. 140p

YOSHIDA, Ryo. Articulated Doll, Anatomy of the Ball-Jointed Maiden.解体人形 吉田良人形作品集」. Japão, Editions Treville, 2007. 152p.

Notas:

[1] O termo bake (化け), “transformando”, é a forma ren’yōkei (連用形), correspondente ao nosso gerúndio, do verbo bakeru (化ける), “transformar” ou “mudar”.

[2] Todos os catálogos virtuais de folclore escritos em idiomas ocidentais classificam o bakemono dentro da categoria ontológica yōkai (妖怪). Porém na série Natsume Yūjinchō (夏目友人) o protagonista explica que existem diferenças entre bakemono e yōkai. “Se você conseguir beber sem se embebedar, você deve ser um bakemono…”.

[3] O animismo é a cosmovisão em que entidades não humanas possuem uma essência espiritual.

[4] WIKTIONARY, verbete 「霊魂」. URL: <https://en.wiktionary.org/wiki/%E9%9C%8A%E9%AD%82>. Acessado em 19/04/2022 14h16.

[5] TRAVI, Mauricio. A misteriosa lenda da boneca japonesa Okiku. Em: DANJOU, publicado em 08/06/2018. URL: <https://www.danjou.com.br/post/2018/06/08/a-misteriosa-lenda-da-boneca-japonesa-okiku>.

[6] NINGYOO – BONECAS. © 2003 Aliança Cultural Brasil Japão de Joinville. Texto salvo do Geocities em outubro de 2009. Acessado em 28/04/2022 às 19h. <URL: http://www.oocities.org/br/japaojoinville/ningyoo.htm>.

[7] ABUMI-GUCHI. Em: Yōkai Wiki. Acessado em 14/05/2022. URL: <https://yokai.fandom.com/wiki/Abumi-Guchi>.

[8] TEZUKA, Osamu. 無残帖Cruel. Em: TEZUKA, Osamu. Dororo: Volume 2. São Paulo, New Pop, 2011, p 07.

[9] Talvez não seja inútil mencionar o MMORPG coreano Ragnarök Online onde os avatares do jogador combatem cavalos pegando fogo chamados “pesadelos sombrios”.

[10] DORORO WIKI, verbete Dororo no Uta. URL: <https://dororo.fandom.com/wiki/Dororo_no_Uta#English>. Acessado em 18/04/2022 16h02.

[11] TUZI. Tsukumogami: yōkai de objetos antigos. Publicado na Radio Hero em 18/03/2021, 01h23. URL: <https://radiojhero.com/tsukinousagi/2021/03/tsukumogami-yokai-de-objetos-antigos/>.

[12] PAN. O que são os Tsukumogami: Os Objetos Possuídos. Publicado no blog Suco de Manga em 31/10/2021. URL: <https://sucodemanga.com.br/saiba-o-que-sao-os-tsukumogami-os-objetos-possuidos/>.

[13] TUZI. Tsukumogami: yōkai de objetos antigos. Publicado na Radio Hero em 18/03/2021, 01h23. URL: <https://radiojhero.com/tsukinousagi/2021/03/tsukumogami-yokai-de-objetos-antigos/>.

[14] TSUKUMO-GAMI: OS ESPÍRITOS ZOMBETEIROS DE ANTIGOS ARTEFATOS JAPONESES. Publicado em Caçadores De Lendas, 06/2013. URL: <https://cacadoresdelendas.com.br/japao/tsukumo-gami-espirito-de-artefato/>.

[15] DAVE, Ronin. Japanese Doll Memorial with Geisha in Kyoto – Ningyo Kuyo 人形供養. Publicado no canal do autor no Youtube em 16/10/2015. URL: <https://www.youtube.com/watch?v=JwiDg7mMU5Q>.

[16] A MAGIA DAS BONECAS. Em: Super Interessante. Publicado em 31/07/1992, 22h00. Atualizado em 31/10/2016. URL: <Leia mais em: https://super.abril.com.br/historia/a-magia-das-bonecas/>.

[17] WIKIPEDIA, verbete Tsukumogami. URL: <https://en.wikipedia.org/wiki/Tsukumogami>. Acessado em 27/04/2022 17h06.

[18] PAN. O que são os Tsukumogami: Os Objetos Possuídos. Publicado no blog Suco de Manga em 31/10/2021. URL: <https://sucodemanga.com.br/saiba-o-que-sao-os-tsukumogami-os-objetos-possuidos/>.

[19] ITO, Eika (伊藤 叡香). Washi ningyō o tsukuru和紙人形を創る」. Japão, MPC (エムピーシー), 01/06/2002, p 30-31.

[20] Tsundoku (積ん読) é o hábito de comprar livros e deixá-los de lado sem ler.

[21] RIBEIRO, Aline. Guia Conhecer Fantástico Extra: Samurai & Ninja. São Paulo, OnLine, 2015, p 31.

[22] TUZI. Tsukumogami: yōkai de objetos antigos. Publicado em Rádio Hero, em 18/03/2021, 01h23. URL: <https://radiojhero.com/tsukinousagi/2021/03/tsukumogami-yokai-de-objetos-antigos/>.

[23] Um Kasa Obake (傘お化け) é também chamado Karakasa Obake (唐傘お化け) ou Karakasa Kozo (唐傘小僧).

[24] GORDON, Cesar. Economia selvagem: Ritual e mercadoria entre os índios Xikrin – Mebêngôkre. São Paulo SciELO – Editora UNESP, 2006, p 356-357.

[25] TSUKUMO-GAMI: OS ESPÍRITOS ZOMBETEIROS DE ANTIGOS ARTEFATOS JAPONESES. Publicado em Caçadores De Lendas, 06/2013. URL: <https://cacadoresdelendas.com.br/japao/tsukumo-gami-espirito-de-artefato/>.

[26] SHIRAISHI, Yuta (白石雄太). Kumamoto no kyōdo omocha “obakenokinta” (熊本の郷土玩具「おばけの金太」). Publicado em Story Nakagawa, 27/08/2019. URL: <https://story.nakagawa-masashichi.jp/104515>.

[27] OBAKE NO KINTA お化けの金太 KINTA THE GHOST. Publicado na Daruma Pedia, em 26/05/2015. URL: <https://darumapedianews.blogspot.com/2015/05/mingei-kyushu-obake-no-kinta.html>.

[28] NISISHIMA, Leandro. A surpreendente história do boneco Daruma. Em: GO! GO! NIHON, 12/01/2022. URL: <https://gogonihon.com/pt/blog/boneco-daruma/>

[29] ANIME REVIEW: DANTALIAN NO SHOKA – 6. Publicado no blog Population GO, no Tumblr, em 24/08/2011. URL: <https://populationgo.tumblr.com/post/9338032459/anime-review-dantalian-no-shoka-6>.

[30] CONHEÇA NAGORO, A VILA JAPONESA ONDE BONECOS SUBSTITUEM OS MORTOS. Publicado no portal de notícias Mega Curioso. Acessado em 18/05/2022. URL: <https://www.megacurioso.com.br/artes-cultura/114824-conheca-nagoro-a-vila-japonesa-onde-bonecos-substituem-os-mortos.htm>.

[31] Higanjima (彼岸島) foi originalmente publicada na antologia de quadrinhos Shukkan Young Magazine (週刊ヤングマガジン), pela editora Kōdansha (講談社), desde 04/04/2003 até 06/12/2010.

[32] Um torii (鳥居) é um portão tradicional japonês encontrado na entrada ou dentro de um santuário xintoísta, onde simbolicamente marca a transição do mundano para o sagrado.

[33] NAVOK, Jay e RUDRANATH, Sushil K. Warriors of Legend: Reflections of Japan in Sailor Moon. South Carolina, BookSurge, 2006, p 51

[34] TAKEUCHI, Naoko. コードネームはセーラーV— 1. Japão, Kodansha Comics, 1993, ato 5, p 172-173.

[35] AMBROSIUS, Mario. 球体関節人形展・Dolls of Innocence. Tokyo, Nippon Television Network Corporation, 2004, p 66-71.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/almas-vintage/

(i)Manifesto ZosKia – parte 2

Danilo Nobrega*

Conforme exposto anteriormente, neste momento, o autor entende ZosKia como uma experiência magicka e filosófica que emerge da interpretação em prática dos textos de Austin Osman Spare e tem como método, fenômeno e objetivo a criação materializada na arte. É difícil resumir um algo que foi criado com o objetivo de ser não cartesiano, com um forte recorte da perspectiva e um tanto labiríntico, mas enxerga que o “estado de presença” é seu principal sintoma… é como empunhar uma espada samurai, você é a espada, então você é além da espada, você é o corte, o matador, o morto e os pássaros acima. Talvez o mais eficiente pode ser fazer uma provocação: CRIE! Vale ressaltar que esse modelo de trabalho vem sendo tratado contemporaneamente no recorte da “arte visionária”.

Afastamento e aproximações entre ZosKia e magia do caos

ZosKia e Magia do Caos são tão próximos que por vezes são tratados como família, o que eu acho muito divertido, não por uma pretensa árvore genealógica, mas sim por uma série de afastamentos e aproximações muito “familiares”. Destas acho que existem as que são de ordem temporal (das quais eu vou tratar) e as de ordem autoral (que vão ficar para depois). Bom, vamos a lista:

A crença: fundamental para ambas e igualmente dispare. Enquanto no caos a crença é uma ferramenta, um objeto a ser desmontado em partes até um mecanismo primeiro… em ZosKia ela é um tipo de intermédio entre o ser e o comportamento e portanto há uma procura de não se identificar com a mesma, para, com isso Ser em potência. 

Cosmologia: “Nada é verdadeiro, tudo é permitido”. Mesma frase, contornos bem distantes. Enquanto no caos ela pautam tipo de relativismo e generalização estrutural, em ZosKia ela fala que “Estamos todos bêbados de sermos Deuses”, o ponto não é que tudo tem um mínimo divisor comum. É que tudo tem uma ligação macro, como um tipo de “biosfera de Ser em potência” ou um “holismo superlativo”. 

Fazer: O método do Caos é como um cartesianismo “Faça você mesmo” onde existem várias propostas de escadas e você pode formatar os degraus. ZosKia propõe um método sem edifícios. Existe um fluxo e o mergulhar, e nem é um mergulho que anseia a profundeza exclusiva. É um mergulhar onde você se desfaz, se perde.

Postura: O comportamento da magia do Caos é um tipo de contracultura que se agrega a outros objetos, como a magia cerimonial ou a cultura pop para assim se nutrir.

ZosKia se parece mais com um manifesto artístico, onde mediante termos, propostas, instrumentos, técnicas e apreciação…  Cada fazedor, espectador e objeto se expressa no mundo. Bom, depois de tudo isso, nos resta a aproximação. Para além de nomenclaturas, elementos e dadas as particularidades de cada um… a aproximação entre ambos os fazeres é a primazia do criar. CRIE

ZosKia é dificil? Sim e não

ZosKia tem fama de ser algo complicado, parte disso vem da escrita truncada do próprio Spare e parte vem de um fetichismo que acontece dentro da comunidade. Mas apesar desses pontos serem relevantes, eu ainda acho que todo esse estranhamento tem mais motivos. Eu vou listar alguns… Primeiro a incerteza, eu acho que é até uma posição política ter um tipo de fala que não dá a entender uma certeza e concretude absoluta do conhecimento, mas sim uma construção constante do mesmo. Mas isso é algo que também vem de uma proposta de ZosKia em torno de uma leitura que foge ao entendimento cartesiano em prol de uma percepção mais labiríntica, que valoriza a imersão, principalmente para se fazer em contínua formulação. Com isso existe uma preponderância da interpretação. O que me leva ao fato de que ZosKia Cultus é um termo criado pelo Kenneth Grant impactado pelo Spare e que este apenas o aceitou. Com isso e outros fatores, sou levado a pensar ZosKia como uma interpretação que emerge em fazer dado à contemplação da obra artística do Spare. O ponto central disso tudo é que ZosKia não se dá como um sistema, passo a passo ou um método típico das tradições ocultas europeias. ZosKia se aproxima mais da dinâmica das relações artísticas. Com criador, objeto e o espectador como autores de um significado, fazer ou impressão que fica no espaço entre. Nesse sentido, ZosKia é muito mais simples do que parece, ZosKia é sobre ser.

Servidores e Arte Abstrata… não é para tentar entender, mas quem consegue resistir?

Sigilos e servidores são duas faces de um mesmo fenômeno, atenção. Enquanto sigilos trabalham com esquecimento, servidores são fruto do foco, ou da obsessão. Aquilo que captura nossa atenção. Existe toda uma questão terapêutica e psiquica em torno disso, mas eu quero tratar da relação dos Servidores com suas representações. Acontecem uma série de discussões em torno do entendimento da arte, sobretudo a arte abstrata. Todavia em sua origem havia um objetivo de elogio ao não entendimento, a apreciação da forma pela forma, sem a formatação do Saber. Ainda assim existe todo um afã em torno dos significados das abstrações. Um dos motivos disso talvez seja a tendência do nosso olhar procurar formas e motivos que acalmem a nossa ansiedade pelo conhecido, familiar e seguro. É muito fácil ficar obcecado nas figuras incomuns e nos supostos segredos da arte abstrata. Com tudo isso no horizonte, eu me pergunto se, em detrimento da arte figurativa tão popular para servidores, não seria a abstração a forma mais alinhada à função do mecanismo dos mesmos.

Engula o Sigilo!

 ENGULA O SIGILO! Aqui eu pretendo propor uma forma um pouco distinta de operar simbolicamente o sigilo. Saindo das questões em torno da “energização/ carregamento”, afim de fazer um paralelo mais direto com corpo. Seria algo em torno de:

  Você sente fome (1), procura os ingredientes (2),  cozinha (3), come (4), faz a digestão (5) e… caga (6). 

 Para o sigilo, fica bem semelhante… você percebe a vontade (1), escolhe um método (2), “cozinha” (formula) o intento (3) e na hora de comer, mastigar e engolir você vai estar desfazendo o intento no sigilo, ou seja, sigilizando de forma propriamente dita (4) e consequente absorvendo, consumindo, engolindo. Tudo isso através de seu estado de presença. Até que sobre apenas o prazer da saciedade, a satisfação da certeza. Durante a digestão, você já não percebe o sigilo de forma direta (eis o famoso esquecimento) . O corpo está se nutrindo, se potencializando… o sigilo está em processo de manifestação (5). Você só vai “lembrar” do “almoço”, quando for a hora de por ele para fora ou… em outras palavras, no momento que a mudança proposta já foi alcançada. Quando aquele sigilo deixa de ser uma questão a ser tratada e já está manifesto (6).  

O sigilo não se manifesta no mundo, a Sigilização sim

Sigilização, eu trato sigilo como ação de desfazer um intento dentro de um processo artístico, a forma mais tradicional é um grafismo ininteligível, mas eu quero tratar da relação disso com a postura de “nem isso-nem aquilo” necessária para que o sigilo seja no mundo. Essa postura surge de um profundo estado de presença que segue uma impactante Catarse. Seria algo semelhante a uma tontura após rodar seguida de uma confortável sensação de apetite satisfeito. É um afeto no corpo que gera uma mudança de estar. Outro exemplo é o susto, porém o mais comum é o gozo, porém nesse recorte, eu ressalto não apenas ejaculação, mas toda permutação do ato sexual. A grande questão aqui é a alteração. Tendo isso em vista, a principal alteração que nos interessa é  a que se dá pelo é através do processo de criação… Portanto, não fragmentar a produção do sigilo do que chamam de “carregamento”, a meu ver, é a forma mais eficiente de manifestação.


Danilo Nobrega (1993) é artista visual carioca que vive desde a adolescência na cidade de Maricá. Sua arte teve semente nos desenhos de infância, mas foi na vida adulta (e no excesso dela) que se materializou, depois do contato com arte terapia em 2017. Desde então investiga um fazer que abraça uma linguagem mística ampla para tratar do Ser, Existir e Se Tornar no mundo enquanto um fenômeno artístico e para tudo que existe no mesmo. Unindo um abstrato filosófico com cotidiano social, sob esse argumento, possui forte influência de Deleuze. Mistura muitos fazeres, influências e técnicas, arte digital, ilustração, pintura, balonamento, sequencialidade, tabulação, colagem, fotografia, origami, caligrafia e uma série de outros elementos para compor seu trabalho. Tendo isso em vista tem uma dificuldade de se identificar com alguma escola ou semelhante. O mais próximo disso vem de sua referência mística, ZosKia Cultus. Para mais siga em: @danilonobrega23 no instagram, twitter e outros.

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/imanifesto-zoskia-parte-2/

A terra do espantalho crucificado

Dizem que os cruzados queriam retomar a Terra Santa, pela força das armas, em honra ao seu Deus. Mas nem todos seguiram até Jerusalém armados – houve crianças que se dispuseram a libertar sua terra sacra pela força da inocência…

Não se deve subestimar os mitos – os fatos do espírito encenados no mundo. Por vezes, a encenação se torna uma tanto quanto real ou, pelo menos, o tanto quanto é possível “ser real” além da realidade da mente.

Ensinaram a essas crianças os mitos errados. As que não morreram de fome, sede ou doenças pelo caminho, naufragaram no Mediterrâneo ou foram vendidas como escravos por vendilhões pouco entusiasmados com a sua mitologia.

Faz tempo que o homem busca a Deus, seu Reino, ou alguma “santa terra” pelo horizonte… Antes de Maomé, os árabes já circundavam a Ka’bah de Meca. O deus daquela pedra é ainda mais antigo que Allah. De fato, desde a pré-história, toda pedra posta de pé representava algum deus. Desde El Shadai (“o deus da montanha”) até o monólito de 2001 – tudo isso são símbolos que tentam dar conta de falar do que não pode ser dito.

E o que se faz quando um povo é expulso de sua terra estreita, com seus deuses de pedra? Foge-se para o deserto e se atravessa o Mar Vermelho – Moisés foi apenas mais um destes…

Dizem que o povo judeu nunca consegue se estabelecer por muito tempo num mesmo local. Que sua Terra Santa e seu Templo estão sempre sob constante ameaça de invasões e guerras… Besteira! Todo verdadeiro judeu já subiu ao seu próprio Monte Sinai e recebeu sua própria Tábua Sagrada.

Nela, se lê em letras que não devem ser lidas:

“Israel é todo o mundo”.

***

E não obstante, há aqueles que ainda creem que Deus se esconde nalgum palmo de terra ou debaixo do azulejo de algum templo antigo… E não obstante, há aqueles que creem que seu Cordeiro ainda jaz crucificado, a espera da libertação pela força (das armas) – e, dessa maneira, ainda hoje, na Terra Santa, a turba angustiada ainda clama pelo Cristo, mas o que sai de suas bocas (sem que percebam) é um brado de guerra:

“Salvem Barrabás! Salvem Barrabás!”.

O Cristo já saiu da cruz há tempos, e foi libertar aquelas crianças que o perseguiam pela força de sua inocência – pois que nenhum inocente deve ser escravizado…

E não obstante, naquela sacra terra ainda se ergue uma gigantesca cruz com um espantalho crucificado. É este deus, “o deus espantalho”, que os homens ignorantes lutam para libertar.

Mas naquele que teve olhos para enxergar, o Cristo já está liberto, dançando livre por sua terra, por Israel (que é todo o mundo), e dando piruetas dentre os torvelhinhos que também giram, como tudo o mais, dentro do espírito…

raph’13

***

Crédito da imagem: Google Image Search/Anônimo

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

Ad infinitum

Se gostam do que tenho escrito por aqui, considerem conhecer meu livro. Nele, chamo 4 personagens para um diálogo acerca do Tudo: uma filósofa, um agnóstico, um espiritualista e um cristão. Um hino a tolerância escrito sobre ombros de gigantes como Espinosa, Hermes, Sagan, Gibran, etc.

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#Contos #Cristianismo #Espiritualidade

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-terra-do-espantalho-crucificado

‘Liber Al vel Legis

Tecnicamente chamado LIBER AL vel LEGIS svb figura CCXX
qual foi ditado por XCIII = 418 a DCLXVI

A.’. A.’.

Publicação em Classe A – B

COMENTO

Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

O estudo deste Livro é proibido. É sábio destruir esta cópia após a primeira leitura.

Quem não presta atenção a isto incorre em perigo e risco pessoais. Estes são dos mais pavorosos.

Aqueles que discutem o conteúdo deste Livro devem ser evitados por todos, como focos de pestilência.

Todas as questões da Lei devem ser decididas apenas por apelo aos meus escritos, cada qual por si mesmo.

Não existe lei além de Faze o que tu queres.

Amor é a lei, amor sob vontade.

O sacerdote dos príncipes,
ANKH-F-N-KHONSU

I

1 – Had! A manifestação de Nuit.

2 – A desvelação da companhia do céu.

3 – Todo homem e toda mulher é uma estrela.

4 – Todo número é infinito; não há diferença.

5 – Ajuda-me, ó guerreiro senhor de Tebas, em minha desvelação diante das Crianças dos homens!

6 – Sê tu Hadit, meu centro secreto, meu coração e minha língua!

7 – Vede! É revelado por Aiwass o ministro de Hoor-paar-kraat.

8 – O Khabs está no Khu, não o Khu no Khabs.

9 – Identificai-vos pois com o Khabs, e vede minha luz derramada sobre vós!

10 – Que meus servidores sejam poucos e secretos: eles regerão os muitos e conhecidos.

11- Estes são tolos que os homens adoram; seus Deuses e seus homens são tolos.

12 – Aparecei, ó crianças, sob as estrelas, e tomai vossa fartura de amor!

13 – Eu estou sobre vós e em vós. Meu êxtase está no vosso. Minha alegria é ver vossa alegria.

14 –
Acima, o enfeitado azul
É de Nuit o esplendor nu
Curvado em prazer taful;
Hadit secreto é beijado.
Céu de estrela e globo alado
São meus, Ó Ankh-af-na-Khonsu!

15 – Agora sabereis que o escolhido vate e apóstolo do espaço infinito é o sacerdote-príncipe a Besta; e em sua mulher chamada a Mulher Escarlate é todo poder dado. Eles juntarão minhas crianças em seu cercado: eles trarão a glória das estrelas para dentro dos corações dos homens.

16 – Pois ele é sempre um sol, e ela uma lua. Mas a ele é a alada chama secreta, e ela a descendente luz estrelar.

17 – Mas vós não sois assim escolhidos.

18 – Queima sobre suas testas, ó serpente esplendorosa!

19 – Ó mulher de pálpebras azuis, curva-te sobre eles!

20 – A chave dos rituais está na palavra secreta que eu dei a ele.

21 – Com o Deus e o Adorante eu nada sou; eles não me vêem. Eles são como sobre a terra; eu sou no Céu, e não há ali outro Deus além de mim, e meu senhor Hadit.

22 – Agora, portanto, eu vos sou conhecida por meu nome Nuit, e dele por um nome secreto que eu lhe darei quando ele por fim me conhecer. Desde que eu sou o Espaço Infinito e as Infinitas Estrelas de lá, fazei vós assim também. Nada amarreis! Que não haja nenhuma diferença feita entre vós entre qualquer uma coisa e qualquer outra coisa; pois daí vem dor.

23 – Mas quem quer que valha nisto, seja ele o chefe de tudo!

24 – Eu sou Nuit, e minha palavra é seis e cinqüenta.

25 – Dividi, somai, multiplicai e compreendei.

26 – Então diz o profeta e escravo da bela: Quem sou eu, e qual há de ser o sinal? Assim ela lhe respondeu, curvando-se, uma lambente chama azul, tudo-tocando, tudo penetrando, suas mãos amoráveis sobre a terra negra, e seu corpo flexível arqueado para o amor, e seus pés macios não machucando as pequeninas flores: Tu sabes! E o sinal será meu êxtase, a consciência da continuidade da existência, a onipresença do meu corpo.

27 – Então o sacerdote respondeu e disse à Rainha do Espaço, beijando sua amoráveis sobrancelhas, e o orvalho da luz dela banhando o corpo inteiro dele em um doce perfume de suor: Ó Nuit, contínua mulher do Céu, que seja assim sempre; que os homens não falem de Ti como Uma mas como Nenhuma; e que eles não falem de ti de todo, desde que Tu és contínua!

28 – Nenhuma, respirou a luz, tênue e encantada, das estrelas, e dois.

29 – Pois eu estou dividida por amor ao amor, pela chance de união.

30 – Esta é a criação do mundo, que a dor de divisão é como nada, e a alegria da dissolução tudo.

31 – Por estes tolos dos homens e suas penas de todo não te cuides! Eles sentem pouco; o que é, é balançado por fracas alegrias; mas vós sois meus escolhidos.

32 – Obedecei meu profeta! Cumpri as ordálias do meu conhecimento! Buscai-me apenas! Então as alegrias do meu amor vos redimirão de toda a pena. Isto é assim; eu juro pela cúpula do meu corpo; por meu sagrado coração e língua; por tudo que eu posso dar, por tudo que eu desejo de vós todos.

33 – Então o sacerdote caiu em um profundo transe ou desmaio, e disse à Rainha do Céu; escreve para nós as ordálias; escreve para nós os rituais; escreve para nós a lei!

34 – Mas ela disse: as ordálias eu não escrevo: os rituais serão metade conhecidos e metade escondidos: a Lei é para todos.

35 – Isto que tu escreves é o tripartido livro de Lei.

36 – Meu escriba Ankh-af-na-Khonsu, o sacerdote dos príncipes, não mudará este livro em uma só letra; mas para que não haja tolice, ele comentará a respeito pela sabedoria de Ra-Hoor-Khu-it.

37 – Também os mantras e encantamentos; o obeah e o wanga; o trabalho da baqueta e o trabalho da espada; estes ele aprenderá e ensinará.

38 – Ele deve ensinar; mas ele pode fazer severas as ordálias.

39 – A palavra da Lei Q E L H M A Q E L H M A.
(Thelema, formada pelas letras gregas teta-epsilon-lambda-eta-mu-alfa).

40 – Quem nos chama Thelemita não fará erro, se ele olhar bem de perto na palavra. Pois há ali Três Graus, o Eremita, e o Amante, e o Homem da Terra. Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.

41 – A palavra de Pecado é Restrição. Ó homem! Não recuses tua esposa, se ela quer! Ó amante, se tu queres, parte! Não existe laço que possa unir os divididos a não ser o amor: tudo mais é maldição. Maldito! Maldito! Seja para os eons! Inferno.

42 – Deixa estar aquele estado de multiplicidade amarrado e odiando. Assim com teu tudo: tu não tens direito a não ser fazer a tua vontade.

43 – Faze aquilo, e nenhum outro dirá não.

44 – Pois vontade pura, desembaraçada de propósito, livre da ânsia de resultado, é toda via perfeita.

45 – O Perfeito e o Perfeito são um Perfeito e não dois; não, são nenhum!

46 – Nada é uma chave secreta desta Lei. Sessenta e um os Judeus a chamam; eu a chama oito, oitenta, quatrocentos e dezoito.

47 – Mas eles têm a metade: une por tua arte para que tudo desapareça.

48 – Meu profeta é um tolo com seu um, um, um; não são eles o Boi, e nenhum pelo Livro?

49 – Abrogados estão todos os rituais, todas as ordálias, todas as palavras e sinais. Ra-Hoor-Khuit tomou seu assento no Oriente ao Equinócio dos Deuses; e que Asar seja com Isa, que também são um. Mas eles não estão em mim. Que Asar seja o adorador, Isa o sofredor; Hoor em seu secreto nome e esplendor é o Senhor iniciando.

50 – Existe uma palavra a dizer a respeito do trabalho Hierofântico. Vede! Existem três ordálias em uma, e pode ser dada em três caminhos. O grosseiro deve passar por fogo; que o fino seja provado em intelecto, e os elevados escolhidos, no altíssimo. Assim vós tendes estrela e estrela, sistema e sistema; que nenhum conheça bem o outro!

51 – Há quatro portões para um palácio; o chão daquele palácio é de prata e ouro; lápis-lazúli e jaspe estão ali; e todos os perfumes raros; jasmim e rosa, e os emblemas da morte. Que ele entre sucessiva ou simultaneamente pelos quatro portões; que ele fique de pé no chão do palácio. Não afundará ele? Amn. Ho! Guerreiro, se teu servo afunda? Mas há meios e meios. Sede bons portanto: vesti-vos finamente; comei comidas ricas e bebei vinhos doces e vinhos que espumejam! Também, tomai vossa fartura e vontade de amor como quiserdes, quando, onde e com quem quiserdes! Mas sempre em mim.

52 – Se isto não for correto; se confundis as marcas do espaço, dizendo: Elas são uma; ou dizendo Elas são muitas; se os ritual não for sempre para mim: então esperai os terríveis julgamentos de Ra-Hoor-Khuit!

53 – Isto regenerará o mundo, o mundozinho minha irmã, meu coração e minha língua, a quem eu mando este beijo. Também, ó escriba e profeta, se bem que tu és dos príncipes, isto não te redimirá nem absolverá. Mas êxtase seja teu e alegria da terra: sempre a mim! A mim!

54 – Não mudes nem mesmo o estilo de uma letra; pois vê! Tu, ó profeta, não verás todos estes mistérios escondidos aí.

55 – A criança das tuas entranhas, ele os verá.

56 – Não o esperes do Oriente, nem do Ocidente; pois de nenhuma casa esperada vem aquela criança. Aum! Todas as palavras são sagradas e todos os profetas verdadeiros; salvo apenas que eles compreendem um pouco; resolvem a primeira metade da equação, deixam a segunda inatacada. Mas tu tens tudo na luz clara e algo, mas não tudo, na escuridão.

57 – Invocai-me sob minhas estrelas! Amor é a lei, amor sob vontade. Nem confundam os tolos o amor; pois existem amor e amor. Existe o pombo, e existe a serpente. Escolhei bem! Ele, meu profeta, escolheu, conhecendo a lei da fortaleza, e o grande mistério da Casa de Deus.

Todas essas velhas letras de meu Livro estão certas; mas * não é a Estrela. Isto também é secreto: meu profeta o revelará aos sábios.

(o símbolo * é a letra Hebraica Tzaddi)

58 – Eu dou alegrias inimagináveis sobre a terra; certeza, não fé, enquanto em vida, sobre a morte; paz inominável, descanso, êxtase; nem exijo eu coisa alguma em sacrifício.

59 – Meu incenso é de madeiras resinosas e gomas; e não existe sangue ali: por causa de meu cabelo as árvores da Eternidade.

60 – Meu número é 11, como todos os seus números que são de nós. A Estrela de Cinco Pontas, com um Círculo no Meio, e o círculo é Vermelho. Minha cor é negra para os cegos, mas azul e ouro são vistos dos videntes. Também eu tenho uma glória secreta para aqueles que me amam.

61 – Mas amar-me é melhor que toda a coisa: se sob as estrelas da noite no deserto tu presentemente queimas meu incenso diante de mim, invocando-me com um coração puro, e a chama Serpentina ali contida, tu virás deitar-te em meu seio um bocadinho. Por um beijo tu então quererás dar tudo; mas quem quer que dê uma partícula de pó perderá tudo naquela hora. Vós ajuntareis mercadorias e quantidade de mulheres e espécies; vós usareis ricas jóias; vós excedereis as nações da terra em esplender e orgulho; mas sempre no meu amor, e assim vireis à minha alegria. Eu te urjo seriamente a que venhas diante de mim em uma vestimenta única, e coberto com um rico diadema. Eu te amo! Eu te desejo! Pálido ou púrpura, velado ou voluptuoso, eu que sou todo prazer e púrpura, e embriaguez do senso mais íntimo, te desejo. Põe as asas, e acorda o esplendor enroscado dentro de ti: vem a mim!

62 – Em todos os meus encontros convosco a sacerdotisa dirá – e seus olhos queimarão com desejo enquanto ela está de pé nua e regozijante em meu templo secreto – A mim! A mim! Evocando a flama dos corações de todos em seu cântico de amor.

63 – Cantai a canção de amor feliz para mim! Queimai perfumes para mim! Usai jóias para mim! Bebei a mim, pois eu vos amo! Eu vos amo!

64 – Eu sou a filha do Poente, de pálpebras azuis; eu sou o brilho nu do voluptuoso Céu noturno.

65 – A Mim! A Mim!

66 – A manifestação de Nuit está em um fim.

II

1 – Nu! O esconderijo de Hadit.

2 – Vinde! Todos vós, e aprendei o segredo que ainda não foi revelado. Eu, Hadit, sou o complemento de Nu, minha noiva. Eu não sou estendido, e Khabs é o nome de minha Casa.

3 – Na esfera eu sou em toda a parte o centro, enquanto Ela, a circunferência, em parte alguma é encontrada.

4 – No entanto ela será conhecida e eu nunca.

5 – Vede! Os rituais do velho tempo são negros. Que os ruins sejam jogados fora; que os bons sejam purgados pelo profeta! Então este Conhecimento irá corretamente.

6 – Eu sou a flama que queima em todo coração de homem, e no âmago de toda estrela. Eu sou Vida, e o doador de Vida, no entanto por isto conhecer-me é conhecer a morte.

7 – Eu sou o Mago e o Exorcista. Eu sou o eixo da roda, e o cubo no círculo. “Vinde a mim” é uma palavra tola; pois sou eu que vou.

8 – Quem adorou Heru-pa-kraath adorou-me; erro, pois eu sou o adorador.

9 – Lembrai-vos todos vós de que existência é pura alegria; de que todos os sofrimentos são apenas como sombras; eles passam e estão acabados; mas existe aquilo que resta.

10 – Ó profeta! Tu tens má vontade de aprender esta escritura.

11 – Eu te vejo odiar a mão e a pena; mas eu sou mais forte.

12 – Por causa de Mim em ti que tu não conhecias.

13 – Por que? Porque tu eras o conhecedor, e eu.

14 – Agora haja um velar deste sacrário: agora que a luz devore os homens e os engula com cegueira!

15 – Pois eu sou perfeito, não sendo; e meu número é nove pelos tolos; mas o justo eu sou oito, e um em oito: o que é vital, pois eu nenhum sou de fato. A Imperatriz e o Rei não sou eu; pois existe um outro segredo.

16 – Eu sou a Imperatriz e o Hierofante. Assim onze, como minha noiva é onze.

17 –
Ouvi, vós que suspirais!
As dores de pena infinda
Queda aos mortos e mortais,
Quem me não conhece ainda.

18 – Estes são mortos, esta gente; eles não sentem. Nós não somos para os pobres e tristes: os senhores da terra são nossos parentes.

19 – Há um Deus de viver em um cão? Não! Mas os mais elevados são de nós. Eles se regozijarão, nossos escolhidos: quem se amargura não é de nós.

20 – Beleza e vigor, rigor contínuo e delicioso langor, força e fogo, são de nós.

21 – Nós nada temos com o incapaz e o expulso: deixai-os morrer em sua miséria. Pois eles não sentem. Compaixão é o vício dos reis: calcai aos pés os desgraçados e os fracos: esta é a lei do forte: esta é a nossa lei e a alegria do mundo. Não penses, ó rei, naquela mentira: Que Tu Deves Morrer: em verdade, tu não morrerás, mas viverás. Agora seja isto compreendido: Se o corpo do Rei se dissolve, ele permanecerá em puro êxtase para sempre. Nuit! Hadit! Ra-Hoor-Khuit! O Sol, Força e Visão, Luz; estes são para os servidores da Estrela e da Cobra.

22 – Eu sou a Cobra que dá Conhecimento e Deleite e brilhante glória, e movo os corações dos homens com embriaguez. Para adorar-me tomai vinho e estranhas drogas das quais eu direi ao meu profeta, e embriagai-vos deles! Eles não vos farão mal de forma alguma. É uma mentira, esta tolice contra si mesmo. Sê forte, ó homem! Arde, usufrui todas as coisas de senso e raptura: não temas que qualquer Deus te negará por isto.

23 – Eu sou só: não existe Deus onde eu sou.

24 – Vede! Estes são graves mistérios; pois há também de meus amigos quem são eremitas. Agora não penseis encontrá-los na floresta ou na montanha; mas em camas de púrpura, acariciados por magníficas bestas de mulheres com longos membros, e fogo e luz em seus olhos, e massas de cabelo flamejante em volta delas; lá vós os encontrareis. Vós os vereis governando, em exércitos vitoriosos, em toda a alegria; e haverá neles uma alegria um milhão de vezes maior que isto. Cuidado para que algum não force outro, Rei contra Rei! Amai-vos uns aos outros com corações ardentes; nos homens baixos pisai no enérgico ímpeto do vosso orgulho, no dia de vossa cólera.

25 – Vós sois contra o povo, ó meus escolhidos!

26 – Eu sou a secreta Serpente enroscada a ponto de pular: em minhas roscas há alegria. Se eu levanto minha cabeça, eu e minha Nuit somo um. Se eu abaixo minha cabeça, e ejaculo veneno, então há raptura da terra, e eu e a terra somos um.

27 – Existe um grande perigo em mim; pois quem não compreende estas runas fará uma grande falha. Ele cairá dentro do mundéu chamado Porque, e lá ele perecerá com os cães da Razão.

28 – Agora uma maldição sobre Porque e seus parentes!

29 – Seja Porque amaldiçoado para sempre!

30 – Se a Vontade pára e grita Por Que, invocando Porque, então a Vontade pára e nada faz.

31 – Se o Poder pergunta Por Que, então o Poder é fraqueza.

32 – A Razão também é uma mentira; pois existe um fator infinito e desconhecido; e todas as suas palavras são meandros.

33 – Bastante de Porque! Seja ele danado para um cão!

34 – Mas vós, ó meu povo, levantai-vos e acordai!

35 – Que os rituais sejam retamente executados com alegria e beleza!

36 – Há rituais dos elementos e festas das estações.

37 – Uma festa para a primeira noite do Profeta e sua Noiva!

38 – Uma festa para os três dias da escritura do Livro da Lei!

39 – Uma festa para Tahuti e a criança do Profeta-Secreta, ó Profeta!

40 – Uma festa para o Supremo Ritual, e uma festa para o Equinócio dos Deuses!

41 – Uma festa para o fogo e uma festa para a água; uma festa para a vida e uma festa maior para a morte!

42 – Uma festa diária em vossos corações na alegria de minha raptura!

43 – Uma festa toda noite para Nu, e o prazer do mais transcendente deleite!

44 – Sim! Festejai! Regozijai-vos! Não existe pavor no além. Existe a dissolução, e eterno êxtase nos beijos de Nu.

45 – Há morte para os cães.

46 – Falhas? Arrependes-te? Há medo em teu coração?

47 – Onde eu sou estes não são.

48 – Não tenhais piedade dos caídos! Eu nunca os conheci. Eu não sou para eles. Eu não consolo: eu odeio o consolado e o consolador.

49 – Eu sou único e conquistador. Eu não sou dos escravos que perecem. Sejam eles danados e mortos! Amém. (Isto é dos 4: existe um quinto que é invisível, e ali sou eu como um bebê em um ovo.)

50 – Azul sou eu e ouro na luz de minha noiva: mas o brilho vermelho está nos meus olhos; e minhas escamas são púrpuras e verde.

51 – Púrpura além do púrpura: é a luz mais alta que a visão.

52 – Existe um véu; e este véu é negro. É o véu da mulher modesta; e o véu de sofrimento, e o companheiro da morte: e nenhum sou eu. Rasgai abaixo aquele mentiroso espectro dos séculos: não veleis vossos vícios em palavras virtuosas: estes vícios são meu serviço; vós fazeis bem, e eu vos recompensarei aqui e no além.

53 – Não temas, ó profeta, quando estas palavras forem ditas, tu não te arrependerás. Tu és enfaticamente meu escolhido; e abençoados são os olhos que tu contemplares com alegria. Mas eu te esconderei em uma máscara de sofrimento: eles que te verem recearão que tu és caído: mas eu te levanto.

54 – Nem valerão aqueles que gritam alto sua tolice que tu não significas nada; tu o revelarás; tu vales: eles são os escravos de Porque: eles não são eu. A pontuação como quiseres; as letras? Não as mudes em estilo ou valor!

55 – Tu obterás a ordem e valor do Alfabeto Inglês: tu acharás novos símbolos aos quais atribuí-las.

56 – Ide! Vós escarnecedores; apesar de que rides em minha honra vós não rireis longamente: então quando estiverdes tristes sabei que eu vos abandonei.

57 – Ele que é correto será correto ainda; ele que é imundo será imundo ainda.

58 – Sim! Não penseis em mudança: vós sereis como sois, e não outro. Portanto os reis da terra serão Reis para sempre: os escravos servirão. Nenhum existe que será derrubado ou elevado: tudo é sempre como foi. No entanto existem uns mascarados meus servidores: pode ser que aquele mendigo ali seja um Rei. Um Rei pode escolher sua roupa como quiser: não existe teste certo: mas um mendigo não pode esconder sua pobreza.

59 – Cuidado portanto! Amai a todos, pois pode ser que haja um Rei escondido! Dizeis assim? Tolo! Se ele é um Rei, tu não podes feri-lo.

60 – Portanto, golpeia duro e baixo, e para o inferno com eles, mestre!

61 – Existe uma luz diante dos teus olhos, ó profeta, uma luz indesejada, muito desejável.

62 – Eu estou erguido em teu coração; e os beijos das estrelas chovem forte no teu corpo.

63 – Tu estás exausto na fartura voluptuosa da inspiração; a expiração é mais doce que a morte, mais rápida e cheia de riso que uma carícia do verme do Inferno.

64 – Ó! Tu estás sobrepujado: nós estamos sobre ti; nosso deleite está sobre tu todo: salve! Salve: Profeta de Nu! Profeta de Had! Profeta de Ra-Hoor-Khu! Agora regozija-te! Agora vem em nosso esplendor e raptura! Vem em nossa paz apaixonada, e escreve doces palavras para os Reis!

65 – Eu sou o Mestre: tu és o Santo Escolhido.

66 – Escreve, e encontra êxtase na escrita! Trabalha, e sê nossa cama trabalhando! Freme com a alegria de vida e morte! Ah! Tua morte será linda: quem a ver se alegrará. Tua morte será o selo da promessa do nosso anciente amor. Vem! Levanta teu coração e regozija-te! Nós somos um; nós somos nenhum.

67 – Firma! Firma! Agüenta em tua raptura; não se perca com os beijos supremos!

68 – Endurece! Conserva-te a prumo! Levanta tua cabeça! Não respires tão fundo – morre!

69 – Ah! Ah! Que sinto eu? Está a palavra exausta?

70 – Existe auxílio e esperança em outros encantamentos. Sabedoria diz: sê forte! Então tu podes suportar mais alegria. Não sejas animal; refina tua raptura! Se tu bebes, bebe pelas oito e noventa regras de arte: se tu amas, excede em delicadeza; e se tu fazes o que quer que seja de alegre, que haja sutileza ali contida!

71 – Mas excede! Excede!

72 – Esforça-te sempre por mais! E se tu és verdadeiramente meu – e não o duvides, e se tu és sempre alegre! – a morte é a coroa de tudo.

73 – Ah! Ah! Morte! Morte! Tu ansiarás pela morte. Morte está proibida, ó homem, para ti.

74 – A duração da tua ânsia será a força da sua glória. Aquele que vive longamente e deseja muito a morte é sempre o Rei entre os Reis.

75 – Sim! Escuta os números e as palavras.

76 – 4 6 3 8 A B K 2 4 A L G M O R 3 Y X 24 89 R P S T O V A L. Que significa isto, ó profeta? Tu não sabes; nem nunca saberás. Vem um para te seguir: ele o exporá. Mas lembra-te, ó escolhido, de ser eu; de seguir o amor de Nu no céu iluminado de estrelas; de contemplar os homens, de dizer-lhes esta palavra alegre.

77 – E sejas orgulhoso e poderoso entre os homens!

78 – Levanta-te! Pois nenhum existe como tu entre homens ou entre Deuses! Levanta-te, ó meu profeta, tua estatura sobrepassará as estrelas. Elas adorarão teu nome, quadrangular, místico, maravilhoso, o número do homem; e o nome de tua casa 418.

79 – O fim do esconderijo de Hadit; e bênção e veneração ao profeta da amável Estrela!

 

III

1 – Abrahadabra: a recompensa de Ra Hoor Khut.

2 – Existe divisão daqui em direção ao lar; existe uma palavra não conhecida. Soletrar é ineficaz; tudo não é alguma coisa. Cuidado! Espere! Levantai o encanto de Ra-Hoor-Khuit!

3 – Agora seja primeiramente compreendido que eu sou um Deus de Guerra e de Vingança. Eu lidarei duramente com eles.

4 – Escolhei uma ilha!

5 – Fortificai-a!

6 – Cercai-a de engenharia de guerra!

7 – Eu vos darei uma máquina de guerra.

8 – Com ela vós golpeareis os povos; e nenhum ficará de pé diante de vós.

9 – Espreitai! Retirai-vos! Sobre eles! Esta é a Lei da Batalha de Conquista: assim será meu culto em volta de minha casa secreta.

10 – Toma os mandamentos da própria revelação; coloca-os em teu templo secreto – e aquele templo já está corretamente disposto – e eles serão o vosso Kiblah para sempre. Eles não desbotarão, mas cor miraculosa voltará a eles dia após dia. Fechai-os em vidro trancado como uma prova para o mundo.

11 – Esta será vossa única prova. Eu proíbo argumento. Conquistai! Isso basta. Eu farei fácil para vós a abstrução da casa mal-ordenada na Cidade Vitoriosa. Tu a transportarás tu mesmo com veneração, ó profeta, se bem que tu não gostas. Tu terás perigo e tribulação. Ra-Hoor-Khu está contigo. Adorai-me com fogo e sangue; adorai-me com espadas e com lanças. Que a mulher seja cingida com uma espada diante de mim; que sangue corra em meu nome. Calcai aos pés os Gentios; sede sobre eles, ó guerreiro, eu vos darei da carne deles para comer!

12 – Sacrificai gado, pequeno e grande: depois uma criança.

13 – Mas não agora.

14 – Vós vereis aquela hora, ó Besta abençoada, e tu a Concubina Escarlate do desejo dele!

15 – Vós ficareis tristes por isto.

16 – Não penseis demasiado avidamente em apossar-vos das promessas; não temais incorrer nas maldições. Vós, mesmo vós, não conheceis este significado todo.

17 – De todo não temais; não temais nem homens nem Fados, nem Deuses, nem coisa alguma. Dinheiro não temais, nem risada da tolice do povo, nem qualquer outro poder no céu ou sobre a terra ou debaixo da terra. Nu é vosso refúgio como Hadit vossa luz; e eu sou a potência, força, vigor, de vossas armas.

18 – Misericórdia esteja fora: amaldiçoai os que se apiedam! Matai e torturai; não poupeis; sede sobre eles!

19 – Aos mandamentos eles chamarão de Abominação da Desolação; contai bem seu nome, e será para vós tal qual 718.

20 – Por que? Por causa da queda do Porque, que ele não é lá novamente.

21 – Coloca minha imagem no Este: tu te comprarás uma imagem que eu te mostrarei, especial, não dessemelhante àquela que tu conheces. E será subitamente fácil para ti o fazer isto.

22 – As outras imagens agrupa em volta minha para suportar-me: sejam todas adoradas, pois elas se reunirão para exaltar-me. Eu sou o objeto visível de adoração; os outros são secretos; para a Besta e sua Noiva são eles: e para os vencedores da Ordenamemto x. O que é isto? Tu saberás.

23 – Para perfume misturai farinha e mel e grossa borra de vinho tinto: então óleo de Abramelin e óleo de oliva, e depois amolecei e amaciai com rico sangue fresco.

24 – O melhor sangue é da lua, mensal: então o sangue fresco de uma criança, ou pingando da hóstia do céu: então de inimigos: então do sacerdote ou dos adoradores: por último de alguma besta, não, importa qual.

25 – Isto queimai: disto fazei bolos e comei em minha homenagem. Isto tem também um outro uso; seja depositado diante de mim, e conservado impregnado com perfumes de vossa prece: encher-se-á de escaravelhos como já o foi e de coisas rastejantes sagradas para mim.

26 – Estes matai, nomeando vossos inimigos; e eles cairão diante de vós.

27 – Também estes criarão o desejo e o poder do desejo em vós ao serem comidos.

28 – Também sereis fortes na guerra.

29 – Ou então, sejam eles longamente conservados, é melhor; pois incham com minha força. Tudo diante da minha presença.

30 – Meu altar é de latão rendado: queimai sobre ele prata ou ouro.

31 – Vem um homem rico do Oeste que derramará seu ouro sobre ti.

32 – Do ouro forja aço!

33 – Sê pronto a fugir ou a golpear!

34 – Mas vosso lugar santo será intocado através dos séculos: ainda que com fogo e espada ele seja queimado e despedaçado, uma casa invisível está de pé ali, e estará de pé até a queda do Grande Equinócio; quando Hrumachis se erguerá e o que possui duas varas assumirá meu trono e lugar. Outro profeta se erguerá, e trará febre nova dos céus; outra mulher despertará o ardor e adoração da Serpente; outra alma de Deus e da besta misturar-se-á no sacerdote englobado; outro sacrifício manchará a tumba; outro rei reinará; e que benção nenhuma seja mais servida ao místico Senhor de Cabeça de Falcão!

35 – A metade da palavra de Heru-ra-ha, chamado Hoor-pa-kraat e Ra-Hoor-Khut.

36 – Então disse o profeta ao Deus:

37 –
Eu te adoro na canção –
Eu sou o Senhor de Tebas, e eu
O vate inspirado de Mentu.
Para mim desvela o véu do céu,
O sacrificado Ankh-af-na-Khonsu
Cujo verbo é lei. Deixa que eu incite
Tua presença aqui, Ó Ra-Hoor-Khuit!
Unidade extrema demonstrada!
Adoro Teu poder, Teu sopro forte,
Deus terrível, suprema flor do nada,
Tu que fazes com que os deuses e a morte
Tremam diante de Ti:
Eu, eu adoro a ti!
Aparece no trono de Ra!
Abre os caminhos do Khu!
Ilumina os caminhos do Ka!
Nas rotas do Khabs sê tu,
Para mover-me ou parar-me!
Aum! Deixe que me preencha!

38 – De forma que tua luz está em mim; e sua flama rubra é como uma espada em minha mão para empurrar tua ordem. Existe uma rota secreta que eu farei para estabelecer tua rota em todos os quadrantes (estas são as adorações, como tu escreves-te), como é dito:

É minha a luz; faz que eu me vá
Com os seus raios. Sou o autor
De oculta porta ao Lar de Ra
E Tum, de Kephra e de Ahathoor.

Eu sou teu Tebano, Ó Mentu,
O profeta Ankh-af-na-Khonsu!
Por Bes-na-Maut bato no peito;
E por Ta-Nech lanço o feitiço.

Brilha, Nuit, ó céu perfeito!
Alada cobra, luz e viço,
Abre-me tua Casa, Hadit!
Mora comigo, Ra-Hoor-Khuit!

39 – Tudo isto e um livro para dizer como tu chegaste aqui e uma reprodução desta tinta e papel para sempre – pois nisto está a palavra secreta e não apenas no Inglês – e teu comento sobre este o Livro da Lei será impresso belamente em tinta vermelha e negra sobre belo papel feito à mão; e a cada homem e mulher que tu encontras, fosse apenas para jantar ou beber a eles, esta é a Lei a dar. Então talvez eles decidam permanecer nesta felicidade ou não; não tem importância. Faze isto rápido!

40 – Mas o trabalho do comento? Aquilo é fácil; e Hadit ardendo em teu coração fará célere e segura tua pena.

41 – Estabelece em tua Kaaba um escritório; tudo deve ser bem feito e com jeito de negócios.

42 – As ordálias tu fiscalizarás tu mesmo, salvo apenas as cegas. Não recuses ninguém, mas tu conhecerás e destruirás os traidores. Eu sou Ra-Hoor-Khuit; e eu sou poderoso para proteger o meu servo. Sucesso é tua prova; não discutas; não convertas; não fales demais! Aqueles que buscam armar-te uma cilada, derrubar-te, esses ataca sem dó nem trégua; e destrói-os por completo. Célere como uma serpente pisada vira-te e dá o bote! Sê tu mais mortífero ainda que ele! Puxa para baixo suas almas a tormento horrível: ri do medo deles: cospe sobre eles!

43 – Que a Mulher Escarlate se precavenha! Se piedade e compaixão e ternura visitarem seu coração; se ela deixar meu trabalho para brincar com velhas doçuras; então minha vingança será conhecida. Eu matarei sua criança eu mesmo: eu alienarei seu coração: eu a expelirei dos homens: como uma encolhida e desprezada rameira ela rastejará por ruas molhadas e escuras, e morrerá fria e faminta.

44 – Mas que ela se erga em orgulho! Que ela me siga em meu caminho! Que ela obre a obra da maldade! Que ela mate seu coração! Que ela seja gritona e adúltera! Que ela esteja coberta de jóias, e ricas roupas, e que ela seja sem vergonha diante de todos os homens!

45 – Então eu a levantarei a pináculos de poder: então eu irei gerar nela uma criança mais poderosa  que todos os reis da terra. Eu a encherei de alegria: com minha força ela verá e  não perderá tempo para adorar Nu: ela alcançará o  Hadit.

46 – Eu sou o guerreiro Senhor dos Quarentas: os Oitenta se acovardam diante de mim, e são afundados. Eu vos trarei a vitória e alegria: eu estarei nas vossas armas em batalha e vós se deleitareis em matar. Sucesso é vossa prova; coragem é nossa armadura; avante, avante em minha força; e vós não retrocedereis diante de ninguém!

47 – Este livro será traduzido em todas as línguas: mas sempre com o original pela mão da Besta; pois na forma ao acaso das letras e sua posição umas com as outras: nestas há mistérios que nenhuma Besta adivinhará. Que ele não procure tentar: mas um vem após ele, de onde eu não digo, que descobrirá a Chave disso tudo. Então esta linha traçada é uma chave; então este círculo esquadrado em seu fracasso é uma chave também. E Abrahadabra. Será sua criança e isso estranhamente. Que ele não procure por isto; pois dessa forma apenas pode ele cair.

48 – Agora este mistério das letras está acabado, e eu quero prosseguir para o lugar mais santo.

49 – Eu estou em uma secreta palavra quádrupla, a blasfêmia contra todos os deuses dos homens.

50 – Maldição sobre eles! Maldição sobre eles! Maldição sobre eles!

51 – Com minha cabeça de Falcão eu bico os olhos de Jesus enquanto ele se dependura da cruz.

52 – Eu bato minhas asas na face de Mohammed e cego-o.

53 – Com minhas garras eu dilacero e puxo fora a carne do Hindu e do Budista, Mongol e Din.

54 – Bahlasti! Ompheda! Eu cuspo nos vossos credos crapulosos.

55 – Que Maria inviolada seja despedaçada sobre rodas: por causa dela que todas as mulheres castas sejam completamente desprezadas entre vós!

56 – Também por causa da beleza e do amor!

57 – Desprezai também todos os covardes; soldados profissionais que não ousam lutar, mas brincam; todos os tolos desprezai!

58 – Mas os mordazes, aqueles que são sutis e os altivos, a realeza e os elevados; vós sois irmãos!

59 – Lutai como irmãos!

60 – Não existe lei além de Faze o que tu queres.

61 – Há um fim da palavra do Deus entronado no assento de Ra, tornando leves as vigas da alma.

62 – A mim reverenciai! Vinde a mim através de tribulações da ordenação, que é o deleite.

63 – O tolo lê este Livro da Lei, e seus comentários; e ele não o compreende.

64 – Que ele passe pela primeira ordenação, e será para ele como prata.

65 – Pela segunda, ouro.

66 – Pela terceira, pedras de água preciosa.

67 – Pela quarta, as extremas fagulhas do fogo íntimo.

68 – No entanto a todos ele parecerá belo. Seus inimigos que não dizem assim, são meros mentirosos.

69 – Existe sucesso.

70 – Eu sou o Senhor de Cabeça de Falcão do Silêncio e da Força; minha nêmesis cobre o céu azul-noturno.

71 – Salve! Vós gêmeos guerreiros em volta dos pilares do mundo! Pois vossa hora está próxima.

72 – Eu sou o Possuidor Das DUas Varas de Poder, a vara da Força de Coph Nia – mas minha mão esquerda está vazia, pois eu esmaguei um Universo; e nada resta.

73 – Juntai as folhas da direita para a esquerda e do topo ao pé: então contemplai!

74 – Existe um esplendor em meu nome oculto e glorioso, como o sol da meia-noite é sempre o filho.

75 – O fim das palavras é a Palavra Abrahadabra.

 

O Livro da Lei está Escrito
e Escondido.

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/liber-al-vel-legis/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/liber-al-vel-legis/

11 de Setembro: Dia da Mentira

Mesmo passados mais de dez anos, ainda é muito difícil enxergar acima da nuvem de medo que a tragédia do World Trade Center levantou, mas as consequências deste evento para o mundo são tão fortes ainda hoje que é nosso dever ao menos tentar. As opiniões variam entre os extremos das mais absurdas teorias da conspiração à passiva aceitação de tudo o que a mídia fala. Talvez a verdade esteja no meio do caminho, pois embora nenhum dos pesquisadores independentes saibam o que realmente aconteceu, qualquer pessoa razoável pode perceber facilmente dezenas de inconsistências na história oficial contada pelo governo americano. Proponho assim que o leitor me acompanhe a um exame objetivo dos fatos desta data que de tão importante, segundo alguns, inaugurou o século XXI.

Mas Por Quê Este Assunto Seria Relevante Nos Dias de Hoje?

Já se passaram mais de dez anos dos atentados e com eles todo o hype de se falar no assunto. As pessoas que ainda insistem em uma investigação séria entram para o grupo dos paranóicos, dos loucos ou desocupados. Os mortos já foram sepultados, as piadas já foram feitas, o tempo passou e as feridas cicatrizaram. Mas uma coisa permanece. Não falo das mudanças do sistema financeiro, da segurança em aeroportos, dos outros ataques que este parece ter gerado e sim de algo mais básico, o respeito pela sua inteligência e pelos seus direitos.

Independente do que possa ou não ter acontecido, os pontos que levantaremos deixa algo patente: alguém tinha um objetivo, algo foi feito para se alcançar esse objetivo e neste processos seus direitos de ser humano básico foram ignorados. Independente de quem possa ser esse alguém, direitos humanos foram atropelados, contas bancárias reviradas, privacidade se tornou sinônimo de tabu. O trabalho e vidas de milhares de pessoas foram descartados, deixados de lado e jogados fora. Felizmente é muito provavel que você não tenha sido uma dessas pessoas, mas isso não significa que não venha a ser. O mais assustador é que, lendo este texto, percebemos que vivemos em uma ilusão muito assustadora. Acreditamos que o governo é eletio por nós, e recebe de nós um salário para nos governar, para gerir o país, para tomar decisões. Acreditamos que nós pagamos um exército e uma força policial federal para nos proteger de pessoas e coisas que atentem contra nossas vidas, nossa liberdade, nossa família. Acreditamos que nós todos fazemos parte de algo chamado pátria, que trabalhamos não apenas para realizar tarefas, mas para garantir qualidade de vida para nós no presente e construirmos uma vida no futuro quando não pudermos mais trabalhar. Acreditamos que existem pessoas ruins e más, e que por mais erros que já tenhamos causado nesta vida somos essencialmente pessoas que estão do lado correto do bem Vs mal, e seremos protegidos desses monstros.

Agora você consegue ainda acreditar nisso quando vê que tudo isso não passa de mentira no maior modelo político, econômico e bélico do mundo? Consegue acreditar nisso quando paramos para tentar enxergar o grande esquema das coisas e vemos que você não passa de um número que pode ser descartado? Que apesar de termos jornalistas e meios de comunicação aparentemente livres isso não influencia nada em sua participação em sua pátria já que te tratam feito um idiota e não lhe dão mais satisfação de nada, apenas te empurrando o que julgam ser o suficiente para você calar a boca?

Esta revisão dos fatos é importante hoje porque estamos afastados do evento, esse afastamento de mais de dez anos nos ajuda a não deixarmos nosso lado afetivo afetar nosso julgamento. Nos permite analizar friamente o que um governo é capaz de fazer quando tem um objetivo próprio para atingir. Nos permite analisar no mundo de hoje, qual a nossa real importância como seres humanos – nenhuma.

Aqueles que acreditamos trabalhar para nós nos fazem de gato e sapato. E calados, mostramos como a idiotice pode ser usada por nós como um diferencial positivo: eu não acredito nessas besteiras, são coisas de malucos! Isso simplesmente pode ser traduzido como: eu nunca vou conseguir reagir contra algo tão maior do que eu, a ignorância é uma bênção!

Uma bênção até os escombros começarem a cair no seu quintal e você se tornar uma casualidade. Pense com cuidado.

 

Como fazer Zumbis e influenciar os impressionáveis

Não se impressione com o título acima, apenas continuae lendo.

No dia 11 de setembro de 2001 os Estados Unidos foram vítimas de uma série de ataques. Os meios de comunicação do mundo todo foram velozes em comunicar que naquela manhã de terça-feira 4 aviões comerciais haviam sido sequestrados por terroristas. Dois deles, o vôo 11 da American Airlines e o vôo 175 da United Airlines se colidiram contra alvos em Nova Iorque, as Torres Gêmeas do World Trade Center. Outro vôo, o 77 da American Airlines foi atirado contra o Pentágono, em Virginia. O quarto avião, o vôo 93 da United Airlines teria como objetivo o capitólio americano em Whashington, mas não atingiu seu alvo pois caiu assim que os passageiros reagiram tentando tomar o controle dos sequestradores. Naquele dia morreram mais de 3000 pessoas, incluindo os 227 passageiros dos aviões.

No momento dos atentados não havia como saber o que estava de fato acontecendo, tudo o que se tinha eram notícias da mídia. Imagens na televisão e suposições de pessoas engajadas em tentar entender o que era aquilo.

Logo começaram a surgir explicações dos órgãos responsáveis, mas curiosamente essas explicações eram obviamente bizarras e inconsistentes, muito vagas. De passaportes que teriam sobrevivido a uma explosão capaz de derrubar torres de aço e concreto a destroços de aviões que misteriosamente desapareciam do local do acidente, como se evaporassem no ar. Logo de cara coisas óbvias começaram a chamar a atenção, como a inexplicável baixa da guarda do imenso arsenal militar norte-americano por mais de uma hora e meia!

Centenas de canais de televisão mostraram a reação do presidente americano, George Bush, ao ser informado dos ataques. Se havia a espectativa de uma reação de alarme e surpresa e então um presidente correndo para defender seu pais e a liberdade e a democracia do ocidente, ela foi completamente frustrada. Todo protocolo do Serviço de Segurança para proteger o Presidente nestes casos, a correria para o levar a um lugar seguro, criarem um perímetro de proteção, etc. foi ignorado, o presidente estava visitando escolas infantis e, depois de uma cara de “ã”, simplesmente continuou na escola que se encontrava, bateu mais algumas fotos tranquilamente e deu alguns telefonemas, ele permaneceu na escola por mais tempo, até as 9:30, como se soubesse que não corria risco algum.

Outra estrela dos ataques foram os destroços dos aviões, uma lembrança das vítimas que tiveram a infelicidade de embarcar naquela manhã para atravessarem o país de avião. Esses destroços foram filmados, fotografados, mostrados ao mundo, até que o mundo percebeu que curiosamente eles não existiam no pentágono, apenas uma cratera cercada por tudo, menos pedaços de aviões. A própria cratera era pequena demais para ter sido causada pelo impacto de um avião. Por isso logo pararam de mostrar qualquer imagem que envolvesse o acidente do pentágono, todas os vídeos e fitas de seguranças de lojas, bancos e prédios das imediações foram confiscadas pelo governo e nunca mais ouvimos falar nada sobre isso.

Então deram atenção aos destroços de avião do vôo 93, que rumava a Whashington, e foi corajosamente defendido pelos patriotas americanos que enfrentaram os sequestradores. Só que essa atenção mostrou que os destroços se espalhavam por mais de 8 milhas nas fazendas da Pennsylvânia, o que seria estranho se o avião tivesse caído inteiro e então se espatifado, aqueles destroços pareciam mostrar que o avião se despedaçou no ar, antes de cair, como aconteceria se ele tivesse sido abatido em pleno vôo. Isso se tornou desconfortável também, imaginar que o exército atiraria em aviões cheios de civis que já estavam lutando e supostamente levando vantagem sobre os sequestradores.

E por falar em sequestradores, essa palavra não era forte o suficiente, então resolveram mudar para terroristas. Aquilo não era uma série de ataques, eram atos terroristas. Como se para comprovar isso em menos de 12 horas depois dos ataques encontraram um culpado: Osama Bin Laden. Surgiu até uma fita de vídeo do próprio Osama assumindo a autoria dos ataques. Alguns dias depois Osama Bin Laden, curiosamente exibindo uma aparência bem diferente daquela da primeira fita negou os ataques – que tipo de terrorista faria isso? Existem terroristas bi-polares? Um árabe que finalmente teria conseguido vencer a segurança do Grande Satã Branco, e então destruir aquele que supostamente seria o seu prédio mais indestrutível, além de assustar e matar milhares de americanos de repente diz que não tem nada a ver com aquilo? Mais detalhes aqui.

Desta forma praticamente todo aquele evento passou a ser ligado apenas às Torres Gêmeas do World Trade Center, que também logo começaram a feder. Os vídeos que mostravam os aviões e as Torres colapsando começaram a assustar bombeiros, engenheiros, físicos… mas não por serem imagens fortes demais, simplesmente por mostrarem um estrago que não poderia nunca ser causado por dois aviões se chocando contra prédios. A mídia então passou a se focar apenas em Osama Bin Laden e na guerra contra o terror, e o mundo suspirou aliviado por isso. Os mocinhos estavam indo atrás dos bandidos. Mas se de fato eram mocinhos, por que tantas mentiras?

Para mostrar a quantidade e tamanho das mentiras vou focar este artigo apenas naqueles fatos que não podem ter duas interpretações. Nos fatos que não podem ser manipulados ou mal compreendidos, pois são aqueles reflexo da realidade que vivemos. Assim o que leremos agora será concentrado em um ponto muito importante que não pode ser alterado, interpretado ou analizado de forma ambigüa:  O colapso dos prédios World Trade Center, que quando examinado atentamente nos utilizando de conceitos básicos como forças físicas, gravidade e química, não batem com a história oficial.

 

Word Trade Center 7

Antes de mais nada vamos ver o que de fato era o complexo conhecido como World Trade Center (WTC). Diferente do que a maioria das pessoas acha ele não era composto por apenas dois prédios altos, as famosas Torres Gêmeas, ele era composto de sete edifícios. As Torres Gêmeas eram respectivamente chamadas de Edifícios 1 e 2. Ambos entraram em colapso de forma admirável e voltaremos a eles depois, mas o que chamou a atenção e serviu de estopim para o início desta investigação foi o estranho colapso do World Trade Center Building 7, o sétimo edifício. Provavelmente você nunca ouviu falar dele, e verá agora o porquê disso.

Veja abaixoo desenho do complexo com os edificios numerados.

As Torres Gêmeas eras os quadradinhos WTC1 e WTC2, além dos outros quatro edifícios que ocupavam essa mesma quadra, havia o WTC7 que ficava do outro lado da rua. Ele era uma estrutura de aço e concreto de 47 andares cobrindo uma área de 158.000 m². Ele não foi atingido por nenhum avião e não foi atingido por nenhum destroço do WTC1 e WTC2. Inclusive, se reparar, ele estava protegido não só pela distância, mas haviam o WTC6 e o WTC5 formando uma berreira entre o WTC7 e as Torres Gêmeas. Todos os outros edifícios 3,4,5,e 6, que estavam mais próximos, foram atingidos pelos destroços e nenhum deles caiu. Resumindo, o  WTC7 estava situado em outro quarteirão, era o edifícios do complexo mais distante das Torres Gemeas e estava protegido delas pelos WTC 5 e 6.

O complexo foi inaugurado no dia 4 de Abril de 1973 e os edifícios foram erguidos entre 1975 e 1985. COmo já vimos o WTC1 e 2 eram as torres gêmeas. O WTC3 era o edifício Marriott World Trade Center, um hotel de 22 andares com 825 quartos. O WTC4 era um edifício de escritórios de 9 andares, os dois maiores ocupantes do edifício eram o Deutsche Bank e a New York Board of Trade uma empresa de transações de commodities. WTC5 era um edifício de 9 andares e em seu subsolo havia o acesso à estação de metro do WTC. WTC6 era um edifício de 8 andares e a sede da Alfândega Americana. Já o WTC7 tem uma história tão peculiar quanto seus ocupantes.

Ele era um edifício de 47 andares de altura. Ele foi construído sobre uma sub-estação da Con. Edson, uma das maiores companhias de energia dos Estados Unidos. Essa sub-estação de energia foi desenhada para suportar o prédio que seria construído sobre ela, originalmente um edifício de 15 andares. Quando perceberam que o edifício construído seria muito maior do que o planejado, desenvolveram uma planta especialmente concebida para que o prédio fosse extremamente sólido e seguro. Ele foi criado com a forma de um trapezoide, possuindo um sistema de colunas de transferência de gravidade com treliças e vigas localizadas entre o 5 e 7 andares para que o peso fosse melhor distribuído e absorvido pela base. Os tubulões – fundação, na qual se escava um poço de um determinado diâmetro, revestido de concreto armado, até alcançar terreno firme como rocha sólida, é muito usado em pontes, mas também edifícios sobre terrenos pouco resistente ou para se reforçar estruturas – existentes em 1967 foram usados junto com outros novos para acomodar o prédio. O 5 andar foi criado para funcionar ocmo um diafragma estrutural, criando maior estabilidade lateral e distribuindo o peso entre os tubulões. Do sétimo andar para cima a estrutura do prédio era um típico projeto tubular, com colunas no núcleu e no perímetro, o que aumenta a resistência contra ventos, abalos e terremotos, e cargas laterais de armações de perímetro de momento (perimeter moment frame), que entre outras coisas garantem um maior espaço aberto nos andares (menos peso com bases de concreto internas), vistas desobstruídas, uma grande capacidade de absorção de energía sísmica e uma resistência a colapsos que aumenta progressivamente. O WTC7 foi criado como uma caixa forte, projetada para absorver impactos, terremotos e qualquer coisa que pudesse danificar sua estrutura.

Em junho de 1986, antes que a construção do prédio estivesse completa, o prédio inteiro foi alugado para a Drexel Burnham Lambert, na época uma das maiores, se não a maior firma de investimentos de Wall Street, por um período de 30 anos. Em dezembro do mesmo ano, depois do escândalo do investimento de Boesky, DBL cancelaram o aluguel. Até 1988, como resultado da crise do mercado imobiliário de Manhattan não houveram inquilinos regulares. Em novembro de 1988 os Salomon Brothers fecharam um acordo de alugar os 19 andares superiores do edifício em um contrato de 20 anos. Em 2011, além dos Irmão Salomão outros inquilinos eram a seguradora ITT Hartfort, o American Express Bank International, o Standart Chartered Bank e algumas outras empresas não particulares, como o serviço secreto americano e o Escritório de Gerenciamento de Emergências Novaiorquino, Office of Emmergency Managmente, a OEM, que juntos formavam um dos mais sofisticados centros de comando para emergências do planeta.

Às 17:20, quando o mundo aparentemente não podia ficar mais chocado com o que via os olhos se voltaram para o WTC7 que misteriosamente desabou. A história que saiu instantes após as imagens é que por causa de escombros pesados que atingiram sua face sul, duas coisas aconteceram com o WTC7: sua estrutura foi comprometida e incêndios se iniciaram, queimando durante toda a tarde. Escombros também causaram danos na face sudoeste entre o 7 e 17 andares e na face sul entre o 44 andar e o telhado. Focos de incêndio podiam ser vistos nos andares 6 a 10, 13,14, 19 a 22 e 29 a 30, o fogo dos andares 7,8,9,11,12 e 13 queimou durante toda a tarde. Às 17:20:33 o edifício começou a cair e “oficialmente” às 17:21:10 ele estava completamente no chão.

Ai temos o primeiro mistério, assista o vídeo abaixo:


Veja outros vídeos do WTC7 aqui.

Curiosamente você pode ver pelo vídeo que a estimativa de tempo para a queda do edifício não levou os 47 segundos que foram oficialmente declarados. Pegue um cronômetro se quiser ou use o relógio do próprio vídeo. O WTC7 levou 6,5 segundos para ruir completamente, do momento que começa a dar sinais de ruir até não haver mais nada para ser visto.

Como disse acima, este artigo terá como base apenas fatos, não interpretações. Você pode criar histórias e deturpar verdades, mas ainda não inventaram uma forma de ferrar com o tempo.

Por que esses 6.5 segundos são importantes?

Todos nós somos vítimas da gravidade. É por causa dela que quando pulamos voltamos para o chão, ao invés de irmos parar no espaço. Quando soltamos algo, por exemplo uma maçã, e ela cai, dizemos que isso é uma queda livre, pois a única coisa que interfere na queda é o ar que existe em baixo da maçã. Se retirarmos todo o ar de uma sala e soltarmos a maçã ela realmente sofrerá uma queda livre, pois nem o ar oferecerá resistência. Se pegarmos uma placa de concreto e a colocarmos em um tubo gigante, com aproximadamente 190 metros de altura, tirarmos todo o ar e a soltarmos, sabe quanto tempo ela leva para chegar ao chão? 6 segundos. Isso é física básica, aquela que você usava em provas da sétima série. Um prédio inteiro levar 6.5 segundos para cair completamente é o mesmo que dizer que a cobertura inteira do prédio caiu sem nenhuma resistência. Se você acha que um prédio por ser mais pesado cai mais rápido, está enganado. Lembra-se de Galileu Galilei? Ele provou que não importa o peso, dois corpos sempre caem na mesma velocidade, que é a velocidade da aceleração da gravidade. Para a cobertura do WTC7 chegar no chão em 6.5 segundos isso não significa que ela era pesada demais para o ar segurar, isso significa que nenhum dos andares a segurou. É como se o teto do prédio fosse tocar no chão, o chão não estivesse mais lá, pois também tivesse caido, e o teto de cada andar não tivesse um chão em baixo para bater. Isso poderia acontecer apenas se cada andar caisse por inteiro, todo junto, segundos antes do andar de cima tocar nele.

Os porta-vozes oficiais declararam que o que houve foi um efeito panqueca. O teto do prédio caiu, bateu no chão do último andar, o impacto foi tão forte que fez o chão cair, com o teto em cima, e bater no chão do penúltimo andar e assim por diante até o térreo. Se formos deixar de lado que o WTC7 foi construído para absorver impactos pesados, abalos sísmicos e outras coisas do gênero, cada andar teria que bater no andar debaixo. Colapsar o andar debaixo que cairia, batendo ambos no andar seguinte. Isso faria com que a queda do prédio levasse muito mais tempo do que os 6.5 segundos, mais tempo do que os 47 segundos oficiais. E isso ainda deixaria alguns andares em pé, já que a cada batida de um andar de cima com um debaixo, a força da queda diminuiria. Mas o prédio caiu como se abrissem um buraco no chão e ele simplesmente afundasse. Como se todos os andares estivessem sofrendo uma queda livre.

Isso é realmente plausível? Realmente possível?

Julgue por si mesmo. Assista esses vídeos do WTC7 caindo. Ele leva 6.5 segundos. Use um cronometro se quiser.

 

A Queda das Torres Gemeas

O estranho colapso do WTC7 nos faz reconsiderar todo o episódio. Comecemos portanto, por investigar o modo como as Torres Gemeas cairam.  Se fizermos uma análise detalhada dos vídeos disponíveis, frame a frame, a primeira coisa que nos chama atenção é a forma como o segundo avião bateu no WTC2. O Vôo 175 da United Airlines pesava cerca de 80 toneladas e se deslocava a 350 m/h. Quando houve o impacto não se nota qualquer movimento visível na estrutura do prédio. Pergunte ao seu professor de física favorito: Como pode um edifício que não apresentou nenhum movimento ao ser atingido por um projetil em alta velocidade, colapsar próximo a velocidade de queda livre cerca de trinta minutos depois?

Se voltarmos nossa atenção para as vigas de aço que caem ao lado dos predios  conforme eles ruem. As vigas caem na mesma velocidade das torres. A segunda torre tinha 415 metros. A esta altura, uma queda livre no vácuo (leia-se, sem resistência do ar) deveria ser de 9.2 segundos. Os registros mostram que a torre colapsou em 10 segundos, e os relatórios oficiais atestam que foram 14. Mesmo assim, isso significa que as torres caíram apenas mais 0.8-4.8 segundos a mais do que a queda livre. Assim como o WTC7 esta velocidade parece impossível se cada um dos 110 andares tivessem que colapsar individualmente como insiste o governo.

A física que aprendemos no primário basta para sabermos que é impossível que cada um dos andares tenha sido esmagado pelo andar superior, que é diga-se de passagem, a versão oficial do governo americano. Existe um princípio chamado “Lei da Conservação de Energia” e outro chamado “Lei da Conservação do Momentum.” Se você não lembra destas aulas, eu vou retomá-las brevemente para você. Vamos assumir que dois Honda Civics idênticos estão em uma estrada. Um deles está parado (0 m/h) e outro está correndo a 60 m/s. Este segundo carro bate na traseira do primeiro. As leis acima dizem que o primeiro carro acabará aumentando a velocidade após o choque e o segundo desacelerará. O carro número dois não poderia transferir a energia para o primeiro e continuar na mesma velocidade.

A explicação acima mostra como estes princípios trabalham numa direção horizontal. Para trabalharmos com a direção vertical basta adicionarmos a constante gravitacional. Com física de quinta-série sabemos portanto que um andar não pode destruir o andar de baixo e continuar caindo na mesma velocidade. Jim Hoffman, engenheiro que pesquisou independentemente os eventos do 11 de setembro, publicou uma série de artigos explorando o assunto. Ele calculou que mesmo que a estrutura do prédio não oferecesse nenhuma resistência a teoria da “panqueca” exigiria pelo menos 15.5 segundos para que o edifício chegasse ao chão. Ou seja, isso é o mesmo que dizer que mesmo se os 110 andares de concreto não oferecessem nenhuma resistência, ainda assim o processo de cada andar colapsar o andar abaixo demoraria 15.5 segundos.

Outra observação inescapável ao assistirmos os vídeos é a imensa nuvem de poeira e detritos, incluindo barras de aço, lançadas a dezenas de metros horizontalmente nas torres conforme elas colapsavam. Se formos acreditar na teoria oficial do esmagamento, esse tanto de detritos e concreto pulverizado seriam um indicativo forte de que havia uma resistência massiva ao colapso vertical. Assim, nos deparamos com este conflito impossível. Ou você assume que houve ma histórica, instantânea e miraculosa falha que ocorreu em uma fração de segundo em todos os andares e arremessou destroços e poeira para todo lado ou assume um sólido edifício que não se move depois que um forte projétil o atinge. Ou vocẽ tem um castelo de cartas ou um castelo de pedras. Mas não os dois. Ou o prédio resiste ao colapso ou não.

E como sabemos as torres do WTC eram de aço e concreto reforçado.

Assim posto, a versão oficial se torna insustentável. Os edifícios caíram rápido demais. Para essa velocidade ser atingida todos os andares deveriam cair ao mesmo tempo. Mas como isso é possível?

E Quanto ao Fogo?

A versão oficial dos fatos argumenta que o fogo enfraqueceu a estrutura do prédio. O combustível do avião queimando supostamente derreteu as fortes colunas de aço que sustentavam as torres. De fato houve fogo. Mas uma estrutura de aço de um arranha céu não pode ser destruída por fogo uma vez que Aço só derrete a 1510 ºC. Nenhum combustível, nem mesmo o usado por aviões ( que no fundo é apenas querosene refinado ) chega a sequer a 815 ºC. Apenas fornos industriais de siderúrgicas conseguem bater os 1000 ºC. Aliás no WTC 7 tínhamos um avião, quanto mais combustível.

De acordo com a declaração da Federal Emergency Management Agency (FEMA), já três anos depois do ocorrido: ” As especificidades do fogo no WTC 7 e como ele fez com que o edifício a desmoronasse permanecem desconhecidos neste momento. ”

Além de uma indiferença surpreendente sobre o assunto, essa declaração faz uma afirmação arbitrária. Historicamente, nos 100 anos de história da construção de arranha-céus, que antecederam o 11 de setembro, não existe nem um único caso de edifício colapsando por conta de incêndios. Este fato é um conhecimento comum entre bombeiros. Não é surpresa que eles correram para os arranha-céus para apagar o fogo. Parcialmente isso atesta a bravura da profissão, mas parcialmente é devido ao conhecimento bem estabelecido que arranha-céus não caem por causa do fogo. Entretanto depois de 100 anos, três caíram em um único dia.

Será que os investigadores do FEMA não pensaram em perguntar ao departamento de Bombeiros de Nova Iorque qual a opinião deles sobre o fogo ou como ele pode ter causado este históricos colapsos? Este parece ser um passo elementar em qualquer investigação envolvendo um incêndio. Mas em vez disso eles preferiram deixar a causa do colapso como desconhecida.

Conclusão

Se podemos confiar na física, sabemos que os andares dos três edifícios do WTC não foram esmagados em série por seus respectivos andares superiores. Sabemos também que fogo de querosene é uma explicação insuficiente para causar o colapso de uma estrutura de aço. Então… como os prédios do WTC caíram?

Existe um método capaz de eficazmente derrubar arranha-céus de forma que caiam tão rápidamente quanto os três predios do  World Trade Center. Neste método cada andar é destruído em sequência conforme o andar superior cai. Assim todos os andares ruem simultaneamente. Este método quando usado com precisão, dá uma velocidade bem próxima a queda livre e tem sido usado pelo setor de demolição urbana há algumas décadas. Este método poderia ter derrubado o WTC7 em 6.5 segundos. É a chamada demolição controlada.

Esta hipótese, foi inclusive a primeira a ser traçada por especialistas de segurança e engenharia antes que o governo americano divulgasse a sua versão oficial. Avner Semest, Ex-oficial de inteligência da polícia anti-terror de Israel disse a Revista Isto É logo no dia 11/09: “”Embora tenham sido atingidas lateralmente as duas Torres do WTC caíram na vertical. Isso indica que poderia haver explosivos previamente colocados dentro dos prédios.” A mesma opinião foi dada por José Chacon de Assis, Presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do RJ: “O modo como o prédio caiu principalmente a segunda torre, de forma tão vertical, dá a idéia de uma perfeita implosão, consequência de explosivos colocados na base do edifício.”

Uma demolição controlada arremessa detritos horizontais rapidamente. Uma demolição controlada explicaria a poeira de concreto pulverizado, ao passo que o esmagamento de andares teria pedaços grandes de concreto. Uma demolição controlada explicaria os dois pequenos “terremotos” que os registros sísmicos registram pouco antes da queda de cada um dos prédios (e não no momento do choque dos aviões). E finalmente, um demolição controlada explicaria como três estruturas de aço – duas atingidas por aviões e uma não – ruiram exatamente da mesma maneira.

Questões em aberto

Sabendo que as torres do WTC precisaram de uma ajuda bem planejada para que caíssem. Ficamos com uma incomoda pergunta em mãos. Quem poderia ter implantado os explosivos necessários para explodir os predios em uma demolição controlada? Será que fundamentalistas islamicos conseguiram a planta dos predios, arquitetaram a demolição e implantaram os explosivos em cada um dos andares, para então sequestrar os aviões e fazer parecer que foram eles que derrubaram tudo?

Se isso já lhe parece improvável, talvez saber que o WTC 7 abrigava os escritórios da CIA, do FBI e do OEM, coloque isso na categoria das impossibilidades. Além disso, porque um terrorista se preocuparia com uma implosão controlada quando poderia causar ainda mais dano e terror aos prédios vizinhos explodindo tudo e arremessando destroços para todo lado? E porque se preocupar em disfarçar tudo com os aviões? Talvez o WTC 7 tenha sido demolido justamente para destruir evidências que respoderiam estas questões. Sinceramente, ainda não sabemos as respostas, mas já sabemos que as respostas oficiais não contam.

A resposta financeira empresa pesa muito. Então talvez devêssemos nos perguntar. Quem mais saiu ganhando com todo este desastre? A resposta é que muitas pessoas lucraram com tudo isso. O irmão do então presidente Bush, Marvin Bush por exemplo é sócio de companhia que hoje fornece o esquema de segurança tanto para a United Airlines como para a American Airlines. Outro exemplo é o do poderoso investigor nova-iorquino, Larry Silverstein, que comprou os direitos de arrendamento do complexo do WTC em maio de 2001 por $200 milhões e recebeu quatro meses depois $3.55 bilhões graças ao seguro. Não apenas isso, mas ganhou uma adicional de $7 bilhões pois cada torre foi considerada separamente, sendo portanto contados como dois ataques terroristas.

Concluindo, sob risco de parecer repetitivo. Nenhum dos pesquisadores independentes do 9-11 pode definir com exatidão o que aconteceu naquele dia em setembro de 2001. Mas qualquer pessoa razoável pode facilmente apontar estas inconsistências na história oficial. E fato é, a maior parte das evidências disponíveis aponta para pelo menos algum nível de cumplicidade ou conivência por parte do governo dos estados unidos.

Meu apelo é que você investigue por si mesmo. Não simplesmente acredite no que escrevi. E mais importante ainda, não compre tudo o que a mídia e o governo diz sobre qualquer assunto que seja. sabemos que não pode ser mera coincidência  vários aviões serem sequestrados e apontados para o WTC ao mesmo tempo. Claramente há muitas teorias da conspiração, mas a própria versão oficial dos fatos defende uma conspiração de fanáticos religiosos. A pergunta é, qual das conspirações é real.

Tamosauskas

[…] Teosófica, a Maçonaria e os Assassinos do Afeganistão medieval. Não sei por que deixou de fora George Bush e a Al Qaeda; provavelmente ele só escreveu cedo […]

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/11-de-setembro-dia-da-mentira/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/sociedades-secretas-conspiracoes/11-de-setembro-dia-da-mentira/