04/10 – Dia de São Francisco de Assis

São Francisco nasceu em 1182 em Assis, Itália. Filho de um comerciante rico, ele teve tempo e dinheiro para gastar com leituras e hospedar banquetes para os jovem nobres, que o proclamaram “O Rei de Banquetes”. Jovem e bonito, ansiou por uma vida de aventuras como cavaleiro. Assim, aos 20 anos entrou na guerra entre Assis e Perugia. Ao partir, jurou voltar consagrado cavaleiro. Foi ferido e feito prisioneiro. Passou um ano em um calabouço, onde contraiu malária. Resgatado por seu pai, voltou a Assis mais reflexivo. Ainda assim, o desejo de lutar pela “justiça” através das armas não o abandonou. Quando soube das vitórias militares do Conde Walter de Brienne voltou a querer ser um cavaleiro. A caminho de juntar-se a Brienne, Francisco parou em Spoleto e ouviu as notícias da morte de seu futuro ex-líder. Tomado pela depressão, sua malária retornou.

Uma noite, uma voz misteriosa perguntou a ele: “Quem você pensa que pode melhor recompensar você, o Mestre ou o empregado?” Francisco Respondeu, “O Mestre.” A voz continuou, “Então por que você deixa o Mestre pelo empregado?” Francisco percebeu que o empregado era o Conde Walter. Ele deixou Spoleto seguro de que Deus havia falado com ele. Durante os próximos dois anos Francisco sentiu uma força interna que o estava preparando para uma mudança. A visão de leprosos causava uma convulsão na alma sensível de Francisco. Um dia, enquanto montava seu cavalo, ele encontrou um leproso. Seu primeiro impulso era o de lançar uma moeda e esporear seu cavalo pra sair dali o mais rápido possível. Ao invés disso, Francisco desmontou, abraçou e beijou o leproso, dando-lhe uma bolsa de moedas. Muito depois, em seu leito morte, ele recordou o encontro como o momento de coroamento de sua conversão: “O que antes parecia amargo pra mim se converteu em doçura de alma e corpo”.

Passou a evitar a vida de banquetes e esportes ao lado de suas companhias habituais, que, em tom de brincadeira, perguntavam se ele estava pensando em casar. Ele respondeu “sim, com a mais formosa dama que vocês já viram”. Mais tarde saberíamos que ele se referia à Madonna Povertà – a Senhora Pobreza – como costumava dizer. Ele passou muito tempo em locais solitários, pedindo a Deus por Iluminação.

Após uma peregrinação à Roma, onde clamava pelos pobres nas portas das Igrejas, São Francisco volta a Assis e ora ante a imagem do Cristo Crucificado nas ruínas da Igreja de São Damião. No que pareceu-lhe ouvir claramente: “Francisco, Francisco, vai e repara minha casa, que, como podes ver, está em ruínas” Pensando tratar-se do velho templo onde se achava, agiu de pronto, vendendo o cavalo e os tecidos de seu pai, que tinha em mãos. Seu pai, indignado com o novo gênero de vida adotado por Francisco, após ameaças e castigos, queixou-se ao bispo Dom Guido III e, diante dele, pediu a Francisco que lhe devolvesse o dinheiro gasto. A resposta foi uma renúncia total à vultosa herança: tirou, ali mesmo na Igreja, as próprias vestes, e exclamou: “… doravante não direi mais pai Bernardone, mas Pai nosso que estás no céu…”

Ele se tornou um mendigo, e com o dinheiro dos viajantes ajudou a reconstruir mais três pequenas igrejas abandonadas: a de São Pedro, a de Porziuncola e a de Santa Maria dos Anjos, sua preferida (e lugar onde morreu).

Por essa época ouve um sermão que mudou sua vida. Era sobre Mateus 10:9, no qual Cristo fala aos seus seguidores que eles deveriam ir adiante e proclamar que o Reino de Céu estava neles, que não deveriam levar nenhum dinheiro com eles, nem mesmo uma bengala ou sapatos para a estrada. Assim, Francisco foi inspirado por esse sermão a se dedicar completamente a uma vida de pobreza. Suas humildes túnicas amarradas por um simples cordão levam até hoje três nós, são seus votos de: Pobreza, Obediência e Castidade. Começa a atrair outras pessoas com seus sermões, e em 1209 já são 11 companheiros de jornada. Frascisco recusa o título de padre, e a comunidade se dá o nome de Fratres minores (irmãos menores, em Latim). Eles vivem uma vida simples e alegre perto de Assis, sempre com muitas canções, embora fossem bastante sérios em suas pregações. Viviam em cabanas de taipa; suas igrejas eram modestas e pequenas; dormiam no chão. Não tinham cadeiras ou mesas, e possuíam poucos livros.

AS ORDENS

Em 1209 Francisco foi com seus 11 novos irmãos à Roma, buscar a permissão do Papa Inocêncio III para fundar uma ordem religiosa. O biógrafo Frei Boa Ventura conta que o Papa não quis aprovar logo a regra de vida proposta por Francisco, porque parecia estranha e por demais penosa às forças humanas no parecer de alguns cardeais. Mas o cardeal João de São Paulo, bispo de Sabina, intercedeu e disse a Francisco: “Meu filho, faze uma oração fervorosa a Cristo para que por teu intermédio nos mostre a sua vontade. Assim que a tivermos conhecido com maior clareza, poderemos aceder com mais segurança aos teus pedidos”.

Francisco o fez, e com suas humildes súplicas obteve do Senhor que lhe revelasse o que deveria falar ao Pontífice e que este sentisse em seu íntimo os efeitos da inspiração divina. Contou então ao Pontífice a parábola de um rei muito rico que, feliz, desposara uma bela senhora pobre e dela tivera vários filhos com a mesma fisionomia do rei, pai deles, e que por isso forem educados em seu palácio. E acrescentou: “Não há nada a temer que morram de fome os filhos e herdeiros do Rei dos céus, os quais, nascidos por virtude do Espírito Santo, à imagem de Cristo Rei, de uma mãe pobre, serão gerados pelo espírito da pobreza numa religião sumamente pobre. Pois se o Rei dos céus promete a seus seguidores a posse de um reino eterno, quanto mais seguros podemos estar de que lhes dará também todas aquelas coisas que comumente não nega nem aos bons nem aos maus!” O Papa ficou maravilhado e já não duvidava de que Cristo havia falado pela boca daquele homem. Especialmente porque tivera, pouco tempo antes, um sonho onde a basílica do Latrão estava prestes a ruir e um homem pobre, pequeno e de aspecto desprezível, a segurava nos ombros para não cair. Ainda assim, o Papa aprova as regras só verbalmente (um ano depois a aprovaria no papel). Surge assim a Fraternidade dos Irmãos Menores, a Primeira Ordem.

No Domingo de Ramos de 1212, uma nobre senhora, chamada Clara de Favarone (hoje conhecida por Santa Clara ou Clara de Assis), foi procurar Francisco para abraçar a vida de pobreza. Alguns dias depois, Inês, sua irmã, segue-lhe o caminho. Surge a Fraternidade das Pobres Damas, a Segunda Ordem. Aqueles que eram casados ou tinham suas ocupações no mundo e não podiam ser frades ou irmãs religiosas, mas queriam seguir os ideais de Francisco, não ficaram na mão: por volta de 1220, Francisco deu início à Ordem Terceira Secular para homens e mulheres, casados ou não, que continuavam em suas atividades na sociedade, vivendo o Evangelho.

NO ORIENTE

A parábola que Francisco contou ao Papa para convencê-lo a reconhecer a Ordem guarda uma fantástica semelhança com a história do Islã, pois Abraão (o patriarca do judaísmo) tinha duas esposas: Sarah e Hagar. Sarah deu a luz a Isaac, e Hagar a Ismael (futuro patriarca do povo árabe, não apenas dos islâmicos). Sarah, enciumada, pediu o banimento de Hagar e seu filho, e Abraão a mandou da Palestina para o deserto Árabe, crendo que Deus cuidaria deles. Quando acabaram as provisões (água especialmente), Hagar correu enlouquecida pelo deserto, até que Deus milagrosamente fez um poço (o Zam-Zam, que existe até hoje) e com ele se sustentaram. Uma cidade (Meca) se desenvolveu neste local, e hoje ela é O local sagrado para todo o povo árabe. A semelhança aqui é que os sufis podem ser considerados, por isso, os filhos pobres de Abraão.

A atmosfera e organização da Ordem franciscana é mais parecida com os Dervixes (Ordem sufi) que qualquer outra coisa. Além dos contos sobre Francisco serem muito parecidos com os dos professores sufis, todos os tipos de pontos coincidem. Como os sufis, os franciscanos não se preocupam com sua salvação pessoal (considerado uma vaidade). Francisco iniciava suas pregações com a frase “Que a paz de Deus esteja com você”, que ele disse ter recebido de Deus, mas que era (obviamente) uma saudação árabe. Até a roupa, com seu capote coberto e mangas largas, é a mesma dos dervixes de Marrocos e da Espanha, por onde Francisco se aventurou em 1212, plena época das cruzadas, dedicando-se a tentar converter os Sarracenos pela não-violência. O próprio nome da Ordem, “Fraternidade dos Irmãos Menores”, pressupõe haver os Irmãos maiores, e os únicos com esse nome na época eram os “Grandes Irmãos”, uma Ordem sufi fundada por Najmuddin Kubra, “o Grande”. As conexões impressionam. Uma das maiores características deste grande sufi era sua misteriosa influência sobre os animais; Desenhos o mostram cercado de pássaros; Ele amansou um cachorro feroz apenas olhando para ele (exatamente como Francisco fez com um lobo). Todas essas histórias eram conhecidas no ocidente 60 anos antes de Fracisco nascer.

Por tudo isso, não é de se espantar que, em Damietta, no Egito, de alguma forma Francisco e seus companheiros tenham conseguido cruzar a linha de batalha onde os Cruzados lutavam com os Árabes e se encontrar pessoalmente com o sultão Malik el-Kamil. E ser bem recebido. Diz-se que Francisco desafiou os líderes religiosos muçulmanos a um teste de fé através do fogo, mas eles recusaram. Então Francisco propôs entrar no fogo primeiro e, se ele saísse de lá incólume, o sultão teria que reconhecer o Cristo como o verdadeiro Deus. O sultão não aceitou, mas ficou tão impressionado com a fé deste homem que permitiu aos franciscanos acesso livre aos locais sagrados para os cristãos, como a sagrada sepultura. Deu um salvo-conduto para que eles pudessem trafegar e até mesmo PREGAR em terras árabes, e ainda pediu para que ele o visitasse novamente.

Entretanto, Francisco de Assis não teve sucesso convertendo o sultão, e as últimas palavras de Malik para Francisco foram: “Reze para que Deus me revele qual Lei e fé é a mais agradável para Ele”. Francisco recusou todos os ricos presentes oferecidos pelo sultão e voltou aos exércitos cristãos. No entanto, essa viagem parece ter causado uma transformação (conversão) maior em Francisco de Assis do que no sultão, como se ele tivesse encontrado no Oriente (e no sufismo) suas raízes. Tanto é que, ao retornar aos Cruzados, tentou dissuadi-los de atacar os Sarracenos. Ele gastou alguns meses peregrinando na Terra santa, até que ele foi chamado urgentemente por notícias de mudanças que tinham acontecido na Ordem que ele tinha fundado.

DE VOLTA PRA CASA

A Ordem Franciscana tinha crescido com o passar dos anos. Em 1219 houve uma grande expansão para a Alemanha, Hungria, Espanha, Marrocos e França. Durante sua ausência, vigários modificam algumas regras da Ordem e no mesmo ano Francisco se demite da direção da mesma. Com o crescimento – quase 5.000 frades em 1221 – uma nova regra foi escrita por São Francisco em 29 de novembro de 1223 que foi aprovada pelo Papa Honório. É a que vigora até hoje.

Por volta de 1220 Francisco celebra o Natal na cidade de Greccio (perto de Assis) com uma novidade: O presépio. Ele usou animais de verdade para recriar a cena do nascimento de Jesus, de forma que as pessoas podiam experimentar sua fé fazendo uso dos sentidos, especialmente a visão.

A Ordem tinha passado para as mãos de Pietro Cattini. Entretanto, um ano depois o irmão Cattini morreu e foi enterrado em Porziuncola. Quando numerosos milagres foram atribuídos ao falecido, várias pessoas começaram a peregrinar para Porziuncola, perturbando o dia-a-dia dos frades franciscanos. Francisco, então, rezou a Pietro, pedindo que ele parasse com os milagres, obedecendo em morte do mesmo jeito que ele obedecia em vida. Os milagres então cessaram.

COM OS ANIMAIS

A proximidade de Francisco com a natureza sempre foi a faceta mais conhecida deste santo. Seu amor universalista abrangia toda a Criação, e simbolizava pra muitos um retorno a um estado de inocência, como Adão e Eva no Jardim do Éden. Entretanto, esta não foi uma característica apenas de Francisco, havendo casos semelhantes de santos ingleses e irlandeses. Muitas histórias com animais cercam a vida de Francisco de Assis. Elas estão contadas no Fioretti (pequenas flores, em italiano), uma coleção póstuma de contos populares sobre este santo. Certa vez ele viajava com seus irmãos e eis que viram ao lado da estrada árvores lotadas de passarinhos. Francisco disse a seus companheiros: “aguarde por mim enquanto eu vou pregar aos meus irmãos pássaros”. Os pássaros o cercaram, atraídos por sua voz, e nenhum deles voou. Francisco falou a eles:

“Meus irmãos pássaros, vocês devem muito a Deus, por isso devem sempre e em todo lugar dar seu louvor a Ele; porque Ele lhe deu liberdade para voar pelo céu e Ele o vestiu. Vocês nem semeiam nem colhem, e Deus os alimenta e lhes dá rios e fontes para sua sede, montanhas e vales para abrigo e árvores altas para seus ninhos. E embora vocês nem saibam como tecer, Deus os veste e a suas crianças, pois o Criador os ama grandemente e o abençoa abundantemente. Então, semprem busquem louvar a Deus.”

Outra lenda do Fioretti nos fala que na cidade de Gubbio, onde Francisco viveu durante algum tempo, havia um lobo “terrível e feroz, que devorava homens e animais”. Francisco teve compaixão pela população local e foi para as colinas achar o lobo. Logo, o medo do animal fez todos os seus companheiros fugirem, mas Francisco continuou e, quando achou o lobo, fez o sinal da cruz e ordenou ao animal para vir até ele e não ferir ninguém. Milagrosamente, o lobo fechou suas mandíbulas e se colocou aos pés de Francisco. “Irmão lobo, você prejudica a muitos nestas paragens e faz um grande mal” disse Francisco. “Todas estas pessoas o acusam e o amaldiçoam. Mas, irmão lobo, eu gostaria de fazer a paz entre você e essas pessoas”. Então Francisco conduziu o lobo para a cidade e, cercado pelos cidadãos assustados, fez um pacto entre eles e o lobo. Porque o lobo tinha “feito o mal pela fome”, a obrigação da população era alimentar o lobo regularmente e, em retorno, o lobo já não os atacaria ou aos rebanhos deles. Desta maneira Gubbio ficou livre da ameaça do predador.

Também se conta que, quando Francisco agradeceu ao seu burrinho por tê-lo carregado e ajudado durante a vida, o burrinho chorou.

ÚLTIMOS ANOS

Enquanto rezava no Monte La Verna, em 1224, durante um jejum na quaresma, Francisco teve a visão de um Seraph, um anjo de seis asas numa cruz. Este anjo deu a ele um “presente”: as cinco chagas de Cristo (relativas às marcas feitas pelos pregos na cruz). Foi o primeiro caso de stigmata (estigma) registrado na história. Entretanto, Francisco manteve segredo e o caso só ficou conhecido dos próprios franciscanos dois anos depois, após sua morte, quando uma testemunha resolveu contar.

Logo após receber as chagas, Francisco ficou muito doente, e no ano seguinte ficou cego. Sofreu muito com as formas primitivas de cirurgias e tratamentos medievais, mas foi por esta época que ele escreveu seus mais belos textos – sendo considerado por muitos o primeiro poeta italiano – deixando registrado seu amor universal em lindos versos (assim como os sufis o fazem), como o O cântico do Sol (também conhecido como “Cântico das criaturas”), escrito em companhia de sua alma gêmea, Clara, em São Damião, por volta de 1224/1225, quando já sofria muitas dores e estava quase cego. A estrofe que fala da paz foi acrescentada um mês depois, a fim de reconciliar o bispo e o prefeito de Assis, que estavam em discórdia. Francisco defendia que o povo devia poder rezar a Deus em sua própria língua, por isso ele escreveu sempre no dialeto da Umbria, ao invés de Latim.

Agradeço a Sergio Scabia pela oportunidade de ler o Cântico numa tradução quase literal, sem o floreio encontrado nas versões em português:

O Cântico do Sol

Altíssimo, todo-poderoso bom Senhor

Seus são os louros, a gloria, a honra e todas as bênçãos

Somente a Ti são reservadas

e homem algum é digno de te mencionar

Louvado seja, meu Senhor, com todas suas criaturas

principalmente com o senhor irmão sol,

que é dia e ilumina por isso.

E ele é belo irradiando imenso esplendor;

de ti, traz o significado.

Louvado seja, meu Senhor, pelas irmãs lua e estrelas,

que no céu criaste claras, preciosas e belas

Louvado seja, meu Senhor, pelo irmão vento

e pelo ar e as nuvens e o céu azul e para qualquer tempo,

pelos quais às tuas criaturas fornece alimento.

Louvado seja, meu Senhor, pela irmã água,

a qual é muito útil e humilde e preciosa e pura.

Louvado seja, meu Senhor, pelo irmão fogo,

pelo qual iluminas as noites,

e ele é belo, brincalhão, robusto e forte.

Louvado seja, meu Senhor, pela irmã nossa mãe terra,

que nos sustenta e governa,

e produz diversos frutos, com flores coloridas e grama.

Louvado seja, meu Senhor, por aqueles que perdoam pelo seu amor,

e suportam infinitas tribulações.

Abençoados os que as suportarão em paz,

que por ti, Altíssimo, serão coroados.

Louvado seja, meu Senhor, pela irmã morte corporal,

à qual nenhum homem vivo pode escapar

Ai dos que morrerão em pecado mortal;

abençoados aqueles que se encontrarão nas tuas santíssimas vontades,

que a segunda morte não lhes fará mal

Louvem e abençoem o meu Senhor,

e agradeçam e sirvam-no com grande humildade

Uma oração que sempre me impressionou pela beleza e singeleza foi a Oração da Paz, atribuída a São Francisco de Assis e comumente denominada de “Oração de São Francisco”. Na verdade trata-se de uma oração anônima, escrita em 1912, tendo aparecido inicialmente num boletim paroquial na Normandia (França), e em menos de dois anos foi impressa em Roma numa folha onde, no verso, estava impresso uma figura de São Francisco; por isto e pelo fato de que o texto reflete muito bem o franciscanismo, esta oração começou a ser divulgada como se fosse de autoria do santo.

Senhor,

Fazei de mim um instrumento de vossa paz!

Onde houver ódio, que eu leve o amor,

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.

Onde houver discórdia, que eu leve a união.

Onde houver dúvida, que eu leve a fé.

Onde houver erro, que eu leve a verdade.

Onde houver desespero, que eu leve a esperança.

Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.

Onde houver trevas, que eu leve a luz!

Ó Mestre,

fazei que eu procure mais.

Consolar, que ser consolado.

Compreender, que ser compreendido.

Amar, que ser amado.

Pois é dando, que se recebe.

Perdoando, que se é perdoado e

é morrendo, que se vive para a vida eterna!

Francisco morreu ouvindo o Evangelho de João, onde se narra a Páscoa do Senhor. Isso foi em 03 de outubro de 1226, num sábado, aos 45 anos. Foi sepultado no dia seguinte, na Igreja de São Jorge, na cidade de Assis. Em 1230 seus ossos foram levados para a nova Basílica construída para ele, a Basílica de São Francisco, hoje aos cuidados dos Frades Menores Conventuais.

São Francisco de Assis foi canonizado em 1228 por Gregório IX e seu dia é comemorado em 04 de outubro.

Na tradição teosófica, Francisco de Assis é o Mestre Kuthumi, da Grande Fraternidade Branca, e na linha espírita, é a reencarnação de João Evangelista (enquanto Clara fora Joana de Cusa).

#Religião

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/04-10-dia-de-s%C3%A3o-francisco-de-assis

A Casa de d.’.E.’.U.’.s.’.

Estive certa vez no mausoléu sem paredes que eles ergueram em homenagem ao Deus difuso. Como um cão faminto, percorri seus labirintos empoeirados, e como um insano, gastei inconcebíveis horas observando os complexos quadros pendurados em suas paredes inexistentes – todos iguais.

Não sei ao certo como cheguei ao mausoléu: lembro-me apenas de, alguns momentos antes, estar passando perto da velha ferroviária de Piranguinho. Já algumas vezes ouvira alguém comentar que naquela barraca vermelha se escondia a entrada do mausoléu. Mais curioso que incrédulo, desde aquele dia, sempre tive vontade de averiguar por mim mesmo a verossimilidade do boato.

Não me recordo, entretanto, de haver sequer comprado uma única unidade do afamado pé-de-moleque. Um segundo depois de caminhar na suja calçada, me vi observando as abóbadas celestiais do castelo viciante. demorei um pouco a perceber que estava parado à porta gigante do hall de entrada. Ali, havia uma placa de ouro diminuta, cujas letras mal pude ler. Demorei alguns segundos, mas finalmente reconheci aqueles versos, aliás, inesquecíveis – Os Lusíadas, intercalados com trechos de A Divina Comédia.

Sabia ser um intruso na casa do Deus disperso, de quem sempre tive medo. Todos os aposentos eram absurdamente iguais e diferentes, ensangüentados, feitos de ossos ou às vezes de legumes cozidos, não raro com pedaços de cortiça espalhados pelo chão. Desesperei-me; a idéia de vaguear assustado pelos antigos corredores que me eram totalmente esquerdos fazia com que eu me sentisse inferior a um racoon ladrão. A princípio, pensei estar andando pela casa de Asterion, mas não podia afirmar com certeza, uma vez que nunca conheci nenhum de seus pátios e cisternas.

Várias vezes, em vários cantos da casa, encontrei mulheres que diziam ser Marple. Uma delas, entretanto, me pareceu ser a verdadeira: estava sentada embaixo do batente de uma porta, e dizia aquilo que queria, sempre.

Continuei minha ronda, e vi as coisas mais estranhas que já havia pensado. Numa das salas, vi crianças, naquela idade em que tornam-se horrorosas, com os joelhos inchados e os nódulos dos dedos sobressalentes, a gritar por pessoas desconhecidas, residentes no Japão, na Indonésia, na Tanzânia e na Noruega.

Havia um corredor principal. Parecia infinitamente maior do que qualquer corredor que eu já havia visto. Os olhos das estátuas em mármore carrara me seguiam e vez ou outra eu sentia rirem de minha curiosa feição. Ao lado destas estátuas, pude ver muitas pedras, que enquanto me perseguiam, pulavam gritando, todas elas, em uníssono:

– Pilhas! Quero pilhas!

Cheguei então a uma ala que me trouxe uma sensação estranha, conhecida, da qual eu já não me lembrava. Após alguns minutos, dormi ali mesmo, e sonhei que estava vendendo vasos numa feira qualquer, em algum canto da Arábia. Quando acordei, vi que ali estava localizada a feira. Acabei acordando de novo e vi que meus sonhos se encaixavam, como se minha mente fosse um arquivo antigo e eu estivesse procurando alguma coisa útil dentro de suas numerosas e intermináveis gavetas. Finalmente, sonhei que era novamente um mercador, novamente vendendo vasos numa feira qualquer, em algum canto da Arábia. Acordei, e pude perceber, não sem uma pequena vergonha, que a feira estava localizada ali mesmo, naquele aposento, onde eu dormia. Foi o que me disse um outro vendedor de vasos – mas não pude entender, uma vez que não domino a língua árabe.

Com alguma polidez e um tanto de desculpas destinadas a todos – mas que ninguém ouviu -, larguei a barraca de vasos e resolvi continuar a conhecer o lugar. Assim que saí, outro jovem foi colocado em meu lugar, e não parecia fazer a menor diferença a nenhum de nós. Me dirigi à varanda da sacada que enxerguei ali mesmo do corredor onde me encontrava, e, chegando lá, pude ver que não havia sacada alguma. Me deparei com um salão, cujo teto, chão e paredes eram feitos de espelhos que não refletiam nada, a não ser o reflexo do espelho à sua frente. Casais maltrapilhos dançavam ao som de uma música inexistente que há muito parou de ser tocada pelo que era antes uma orquestra – agora, eram nada mais que alguns esqueletos já não tão bem vestidos, segurando violino, harpa, flauta e enfim, toda a pompa que o tempo nos tomou. Passei algum tempo ali e agora, somente agora, entendo: não mais precisavam de música – o silêncio das eras já tinha se tornado valsa para sua ébria eternidade.

Uma das mulheres largou o seu par na dança e se dirigiu a mim, com os olhos vermelhos, como se estivesse chorando desde o começo da dança. Perguntei o motivo de sua tristeza e ela nada me disse; apenas me levou a um lugar, onde vi a coisa mais absurda com a qual já havia me deparado: numa sala, humanos com caudas, desenhados primitivamente, cujos corpos eram coroados com um único e imenso olho, em vez de crânios recheados de idéias. Andavam apressados pelo corredor, até que me perceberam. Largaram de seus afazeres e se agruparam ao meu redor, ferindo-me com seu corpo-olhar maldito.

Ao fim de outro um longo corredor, havia uma janela que se abria de quatorze em quatorze minutos. Dava para uma espécie de cozinha na qual pude ver uma imensa fornalha, onde homens vestidos de operários carregavam, de um lado para o outro, barras e mais barras de açucarados. Vez por outra, um deles parava e comia um pedaço do doce proibido. Mas a audácia lhe era premiada com açoites venosos de formigas gigantes. Logo, desfaziam-se em pó, para no átimo seguinte, nascerem de novo do teto – sim, do teto choviam crianças, que aterrissavam adultas.

Parei defronte a uma janela encardida de poeira e gordura. Do lado de fora, pude observar um desfiladeiro cheio de varandas de cristal. Em algumas delas, generais reformados em seus trajes de gala atiçavam a curiosidade de gatos vagabundos e leprosos das varandas vizinhas e então escarravam sangue tuberculoso sobre os animais. Cada tiro certo era uma gargalhada rouca que ecoava na infinita profundeza do desfiladeiro, que devia ter 14 metros de profundidade.

Tive nojo desta atitude e resolvi caminhar mais um pouco, rumo à biblioteca. Chegando lá, vi que não se tratava de um depósito de livros, mas de um enorme freezer onde, a muitos graus abaixo de zero, estavam congelados demônios, deuses e fiéis, talvez aguardando sua vez de vir ao mundo. Quando chegava a hora de um deles, retiravam-no das gavetas e o jogavam numa tina com água fervente, fazedo com que sofressem um ligeiro choque mental que abalava suas mentes – o que fazia com que se imaginassem imortais.

Já disse que os quadros eram todos iguais, mas me recordo apenas de um deles. Talvez me recorde pelo fato de diante dele, ter chorado sem saber por quê. Me lembro inclusive que embaixo deste quadro, encostado na parede, estava um espantalho que, a despeito de todos os pedidos de silêncio, gritava, esbaforido, que haviam lhe roubado o coração.

Percebi então que aquela ala funcionava mais ou menos como um setor de reclamações. As placas em pedido de silêncio talvez fossem apenas mais uma ironia de 4d4d, sempre caprichoso. Também pudessem ser um blefe das atendentes (todas sardinhas saídas de uma lata enferrujada, ainda com os hematomas da apertada locomoção), que não agüentavam mais aqueles gritos desesperados.

Após um tempo, percebi que nem eu os agüentava, mas seria interessante prestar atenção em alguns deles: uma mulher segurava a barriga grávida de outra, insistindo que aquele filho era seu e havia sido roubado; um velho, corcunda e muito gordo, segurava um cardápio de lanchonete, gritando que sua coxinha havia vindo sem catupiry. Mais adiante, uma velha reclamava que sua revista de ponto-de-cruz havia vindo sem agulha. Pobres inocentes… Enquanto ali havia gente sem olhos, dentes e esôfagos! Pra não comentar do pobre, que só queria um coração.

Só neste minuto percebi que a torturante onda da excitação acenava ao longe, dando lugar ao pavor da incerteza. Duas damas maltrapilhas prenderam-me pelos braços e me conduziram a sala de jantar. “- Ponham a mesa!” – essas foram as palavras de ordens para que serviçais surgissem do nada trazendo em suas bandejas frangos dançarinos. Fui jogado contra uma cadeira, levando 14 segundos para me recompor perante meus 14 convidados – encaravam-me com ódio e de seus olhos cheios de cólera brotavam vermes famintos. Era uma visão dantesca: garrafas soluçavam, pratos deixavam a comida cair, talheres corriam pela mesa. E foi justamente tentado prender um deles, que fui parar embaixo da mesa… Mais uma faceta do masoléu se mostrava ao meu olhar mundano. No centro tinha um buraco por onde escoavam metros de água carregando porta-aviões e submarinos.

EPÍLOGO

Até hoje não entendi se fui empurrado ou nadei até lá, só me lembro de ter acordado dentro de uma privada, em um banheiro nauseante, tendo como testemunhas apenas viciados à espera da felicidade bandida. Mais tarde fui saber que estava no México, na antiga zona de meretrício de Tijuana, e, confesso, fui muito bem atendido por uma prostitua gorda com um lindo buço suado – a única que me demonstrou uma compaixão comprada.

Muitas vezes, acordo no meio da noite, medroso de que minhas roupas cheias de suor sejam uma ilusão, e minha cama, mais uma faceta daquele palácio peculiar. Já não sei mais se é sonho, se é verdade, se é ilusão. Pra ser sincero, depois que estive no mausoléu do deus difuso, já não sei mais o que significam estas três palavras, pois percebi que podem ser unidas, num mistério mais escancarado do que qualquer outro. Sei, apenas, que nunca esquecerei aquele lugar.

Texto achado num envelope laranja numa escada de acesso à estação do Metrô Carioca no Centro do Rio de Janeiro (Obs: A carta estava escrita à mão, em papel amarelo e com tinta dourada. Era datada do dia vinte e dois de agosto do ano dois mil, em São Paulo e ao final da epopéia, assinava-se A.C.J.F.N.).

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-casa-de-d-e-u-s/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/realismo-fantastico/a-casa-de-d-e-u-s/

‘O Livro das Sombras

Gerald Gardner

Este é o Livro das Sombras (Book of Shadows) com os rituais e procedimentos compilados por Aidan A. Kelly entre 1949 e 1957 do material bruto de Gerald Gardner, criador do movimento Wicca e percursor de todo neo-paganismo posterior. Longe da wicca popular resumida a traçar pentagramas e admirar a natureza, o Livro das Sombras trazia práticas de açoite, drogas e magia sexual.

Segundo a lenda, o material do Livro das Sombras Gardneriano foi entregue de uma geração de Bruxas para outra, através de várias centenas de anos. Isto não é completamente verdade, sabemos hoje que muito deste material foi baseado no trabalho da Golden Dawn, de Charles Leland (Aradia, O Evangelho das Bruxas), de Robert Graves (A Deusa Branca) e de Ross Nicols (Fundador do Druidismo Moderno).  Os textos que aparecerem entre [parênteses] são adições ou comentários feitos pelo Mr. Kelly 

Aqui estão descritas  as principais operações seguidas pelo Bricket Wood coven, o primeiro grupo wicca da história. Seu conteúdo foi também aproveitado também pelas tradições mohsianisma e alexrandrina  fazendo deste um importante documento histórico e prático para todos os praticantes do neo-paganismo atual.

ÍNDICE

Bases da Bruxaria

Rituais de Iniciação

As Cerimônias

A Prática Mágica

Referências Importantes

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/o-livro-das-sombras/

Dhikr e Darshan

O único pecado praticado pela humanidade é o esquecimento, 7,2 bilhões de pessoas e poucas delas realmente tem alguma ideia do que é viver como um humano de fato. Nossa sociedade estimula uma rotina totalmente contrária a natureza humana, nós que buscamos internamente as respostas para as dúvidas universais (Quem sou? Da onde Eu vim? Para onde Eu vou? Qual o sentido da vida? Entre outros) rapidamente percebemos que o estilo de vida moderno dificulta a resposta dessas perguntas e até nos oferece respostas muito rasas.

Por que o mundo moderno falha ao responder essas perguntas?

Falha, pois ao indicar respostas no mundo externo, mostra que seus valores são temporais e for a de nosso controle, fala sobre uma realidade material e isso é uma grande mentira. Mentira essa que nos aprisiona.

O que é Dhikr?

Dhikr é um termo da tradição Sufi, porém esse conceito foi muito bem exposto pelos platonistas de forma de direta e todas as tradições mistico-religiosas de uma forma ou de outra tem alguma doutrina que pode ser chamada de Dhikr. Dhikr é praticar conscientemente a lembrança da nossa natureza divina até que isso se torne nosso estado de vigília.

No contexto religioso Dhikr é lembrar o nome de Deus sempre, os muçulmanos eles tem dois mantras principais para isso “La Ilaha Illallah” (Não há divindade além de Allah, ou numa tradução mais livre, Não há divindade além de Deus) e quando o praticante começa a ter as experiências extáticas esse mantra é substituído por “Allah”, onde o nome do Senhor será repetido sempre. Tais técnicas advém da crença de que os anjos vivem num estado eterno de adoração a Deus e que a encarnação na Terra tem como objetivo fazer os humanos lembrarem de Deus.

No contexto místico o foco da lembrança é despertar a consciência na Alma, que é o local adequado para um humano. De acordo com a tradição grega a Alma é pura e incorruptível, contudo é de sua natureza corrigir tudo que é inferior e isso que nos levou ao esquecimento dela, pois a natureza da matéria (com seus apegos, desejos, etc) dificulta a comunicação com estados superiores de consciência.

Agora, vamos falar sobre Darshan.

É compreensível a onda crescente de ateísmo, por diversos fatores, entre eles gostaria destacar a falta de uma conexão com o divino. Muitas pessoas vão para as suas congregações, missas, cultos, etc. contudo poucos apresentam sinais de terem vidas diferentes das pessoas que não fazem o mesmo e o fato é que poucas estão tendo experiências válidas. Talvez a pista para o porquê disso ocorrer esteja no meu post anterior.

Diferentemente da nossa situação, as culturas mais antigas guardam registros de fatos extraordinários ocorridos com os devotos sinceros e hoje pretendo lançar luz sobre uma doutrina interessante. Darshan é o nome na filosofia Indiana para “visão”, visão de algo que abençoe aquele que vê. O termo é extremamente vago, contudo meu interesse aqui é falar sobre Teofania (Theophaneia, em grego significa aparição de deus).

Certa vez ouvi falar de um sábio que disse “Até que você tenha uma experiência direta com Deus, a melhor escolha é ser um agnóstico, afinal você não tem certeza da existência ou da inexistência de algo divino”. É razoável dizer que essa postura é uma postura equilibrada, porém o paradoxo mora em que é, de certo modo, difícil ter uma experiência poderosa como uma Teofania sem estar aberto para isso. Por aberto eu me refiro a sinceridade e entrega completa.

Dito isso, é correto supor que uma experiência de tamanha magnitude não pode ser colocada em palavras, contudo Darshan sempre é acompanhado de uma mudança de vida que tem como raiz a mudança mental (metanoia) profunda que ocorre. Afinal é naturalmente inevitável uma transformação quando o véu cai.

Texto de Aurílio Santos, um dos autores do blog O Alvorecer.

#Religiões

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/dhikr-e-darshan

A Arte da Conjuração: Hodu, Trabalho com Raízes, e Conjuração para o Século 21.

Por Stephanie Rose Bird

História do Hodu:

Era uma vez, éramos africanos, envolvidos em um léxico único de crenças, tradições, histórias e costumes destinados a ajudar a nos integrar em um ambiente repleto de plantas, animais, elementos e uma gama complexa de espíritos. Com o advento da escravidão, aqueles que permaneceram mais tempo cortaram a ligação física com a Pátria Mãe, mas como sementes retiradas de uma flor pelo vento, encontramos um terreno fértil em terras distantes. As sementes recém semeadas tomaram mais força em climas ensolarados que lembram a nossa Pátria.

Separados fisicamente, permanecemos unidos como irmãos e irmãs em espírito. Os vários híbridos de religiões tradicionais africanas continuam a prosperar no litoral do Brasil, República Dominicana e Cuba na forma de Candomblé, Shango, Lucumi, Umbanda e Santeria. Na Louisiana e no Haiti, nossa espiritualidade próspera sob a forma de Vodoun. No sul dos Estados Unidos, o Hodu criou raízes no Alabama, Mississippi, Geórgia, Flórida, Carolina do Norte e Carolina do Sul. O Hodu foi estabelecido durante a escravidão, utilizando os tipos de plantas disponíveis nos Estados Unidos. Nosso conhecimento do herbalismo africano foi aprimorado através da generosidade de tribos nativas americanas como os Cherokee, Chickasaw, Chocktaw e Seminole, que compreenderam intimamente nosso sofrimento. Muitos índios negros foram o resultado deste intercâmbio. A prova disso está em nossas receitas, em nossa aparência e, é claro, no Hodu.

Com a imigração e as migrações de escravos libertados na América do Norte e do Sul, as religiões de base africana se espalharam dos centros culturais mais antigos da Bahia, Brasil; Havana, Cuba; e Yorubalândia, África Ocidental. Nos estabelecemos em centros industriais dinâmicos como Nova Iorque, Miami, Los Angeles e Chicago. Algumas de nossas práticas tradicionais foram transformadas em sistemas que incorporaram o catolicismo. Por exemplo, o elaborado sistema de santos, sacerdotes e sacerdotisas, deidades e cerimônias honradas pelos católicos está integrado em Santeria dos países de língua espanhola e Vodoun em áreas predominantemente de língua francesa. Santeria, Shango e Vodoun são misturas únicas de rituais religiosos, cerimônias, orações, invocações e bênçãos ocidentais e não ocidentais, mas também estão abertas para incluir o lado mais escuro do mundo, incluindo maldições, feitiços e banimentos.

Hodu e Candomblé são principalmente tradições curativas envolvidas com ervas, plantas, raízes, árvores, animais, ímãs, minerais e águas naturais combinadas com amuletos mágicos, cantos, cerimônias, rituais e objetos de poder feitos à mão, que capacitam o praticante a tomar o controle de seu próprio destino em vez de colocar o poder nas mãos de deidades ou líderes religiosos como sacerdotes ou sacerdotisas. Hodu e Candomblé são distintamente americanos (Norte e Sul); portanto, são multiculturais e refletem fortes laços entre vários grupos indígenas, o judaico-cristão das culturas dominantes, e o herbalismo mágico e medicinal da África Ocidental dos Iorubás, Fon, Ewe, e outros.

Como o Hodu é uma tradição americana amplamente praticada nas áreas onde meus ancestrais americanos mais antigos se estabeleceram e se misturaram com o povo Cherokee e Chickasaw, foi o principal africanismo que me foi transmitido. A palavra “Hodu”, no entanto, raramente foi falada pelos afro-americanos, embora tenha sido passada adiante. Esta eclética coleção de mantenedores das tradições hodu africanas sobreviveu à passagem intermediária e à escravidão através de canções, receitas e rituais. Popularmente chamado tanto de hodu quanto de vodu pelos desinformados, o termo é de origens misteriosas, muito provavelmente a criação da mídia como uma adulteração de Vodoun. A palavra “Hodu” não era falada em minha casa, mas seus princípios eram evidentes em minha criação. O termo é uma forma útil de dar forma às crenças folclóricas coloridas e específicas praticadas por uma ampla gama de crentes, incluindo o Gullah dos povos da Geórgia e das Carolinas, os negros nas principais áreas metropolitanas, os brancos dos Apalaches e outras áreas rurais, os imigrantes europeus e os grupos indígenas americanos, principalmente das regiões costeiras do sudeste.

Como não é uma religião, o Hodu sempre foi praticado por uma variedade de pessoas. Seu atrativo reside no fato de ser natural, não dogmático e prático. As principais preocupações incluem abençoar o lar e manter o ambiente doméstico funcionando sem problemas. Outras preocupações são ganhar um companheiro fiel que seja amoroso e não traia ou abandone seu cônjuge; saúde geral e felicidade; prever o futuro; controlar as pessoas quando necessário e libertar-se de um controle indesejado; usar os feitiços e os desenfeitiços para aliviar situações; atrair a sorte no emprego, carreira, escola, prosperidade, sorte e felicidade; preocupações comuns para a humanidade. É também um dos poucos caminhos que contém trabalho que se dirige especificamente aos gays, lésbicas e bissexuais diretamente.

“Cultivar um grande respeito pela natureza é o objetivo final de todos os costumes relativos à madeira sagrada”.

-Excerto de The Healing Drum de Yallo Diallo e Mitchell Hall

Este caminho leva da e para a África:

Paus, pedras, raízes e ossos são os ingredientes básicos encontrados no saco de mojo do Hodu. Para entender o conceito de Arte da Conjuração, vamos explorar as raízes africanas do Hodu. Até muito recentemente, a relação entre o Hodu e o folclore europeu, o misticismo e a magia, bem como suas semelhanças com a espiritualidade nativa americana, tem sido um foco principal de estudo. Quando comecei a explorar minha ascendência e herança, fiquei imediatamente impressionado com o quão muito africano é o Hodu. Como estudioso, achei o estudo do Hodu de uma perspectiva africana extremamente oblíquo, já que a pesquisa existente veio através de um filtro europeu. Para complicar ainda mais as coisas, não se pode pesquisar o Hodu buscando fontes sobre a magia africana ou afro-americana ou mesmo como espiritualidade alternativa; tais categorias não são culturalmente relativas.

Por sorte, pude usar minha formação como artista e professor de arte com interesses no folclore, algum trabalho de campo em antropologia cultural e uma paixão pela linguística para encontrar respostas. Ao examinar as palavras não-inglesas usadas em tesouros Hodu como a coleção de volumes finos de Anna Riva, encontrei pistas valiosas que me levaram não só à África Ocidental, mas a todo o caminho de volta ao Antigo Egito. As palavras em feitiços, óleos, pós e encantamentos incluem divindades egípcias (Sol Rá, Ísis, Osíris e Hathor). Egípcias sagradas ou misturas de ervas como Kyphi, Khus Khus (capim-limão), incenso e mirra são ingredientes frequentemente necessários para o Hodu. Pessoas lendárias do Oriente Médio e do Norte da África como a Rainha de Sabá e o Rei Salomão são homenageados com incenso com seus nomes. Muitos pós usam termos baseados na África Ocidental como Nyama, Ngama e Nganga e invocam os Sete Poderes da África (Ifa Orisha). Superstições sobre vassouras; a encruzilhada; reverência aos guerreiros, água, metalurgia e pedras estão implícitas no Hodu; cada uma delas é derivada principalmente da espiritualidade tradicional africana. Estas ligações foram apenas o início da minha mágica jornada.

O livro seminal que une a cultura africana com a das Américas é Flash of the Spirit de Robert Farris Thomas. Thomas fornece algumas das relações mais bem documentadas e bem ilustradas disponíveis. Construindo sobre os alicerces fornecidos por Flash of the Spirit, mergulhei em livros e catálogos dedicados à arte africana. Tive uma epifania enquanto explorava a escultura figurativa africana, encontrando a herança africana do Hodu bem preservada dentro do saco do mojo.

Antes que você possa apreciar o reservatório cultural que um saco mojo representa, é melhor entender alguns dos conceitos que ele encarna. O mojo bag é uma coleção de ashe. Ashe (Axé) é o poder invisível da natureza representado em todos os produtos naturais e objetos orgânicos. O povo Igala da Nigéria é um dos muitos grupos africanos que consideram qualquer tipo de vida vegetal como preenchida com poderes medicinais. O termo medicina é holístico, portanto não é apenas para tratar as queixas físicas, mas também as espirituais. Objetos de poder como escudos, máscaras, esculturas, amuletos e encantos são conglomerados de ashe. As máscaras da Sociedade Bamani Komo e as esculturas figurativas de Boli são incrustadas com penas e penas. Isto capta os poderes místicos tanto do pássaro quanto do porco-espinho. A incrustação é um tipo de alimento para um objeto de poder. O alimento sustenta a vida do objeto de poder. A alimentação consiste de pedras moídas ou ervas; folhas; penas; ossos; peles de animais, dentes; órgãos sexuais ou chifres; sangue de galinha; sêmen ou saliva.

Os povos Yaka, Kongo, Teke, Suku e Songhai embalam uma cavidade na barriga de suas esculturas com uma grande variedade ou materiais orgânicos: ossos, pelos, garras, sujeira de pegadas de animais; escamas, órgãos sexuais, excrementos de relâmpagos, unhas, peles de animais, e muito mais. Os povos Kongo, Suku e Yaka da África Central criam alguns excelentes exemplos destas esculturas. Estes grupos de pessoas preparam sachês feitos de conchas, cestas, panelas, garrafas ou latas de alimentos, sacos plásticos ou bolsas de couro. Estas bolsas de remédios são carregadas com materiais naturais e feitos pelo homem, como pólvora ou vidro.

As figuras do Kongo são chamadas de minkisi ou nkisi (plural). Os nkisi incorporam os elementos e são considerados como encantos movidos pela natureza. Eles ajudam as pessoas a curar e proporcionam um lugar seguro ou esconderijo para a alma. Às vezes, elas contêm conchas, penas, nozes, bagas, pedras, ossos, folhas, raízes ou galhos.

Os Bamana do Sudão Ocidental usam objetos de poder, como bolsas de remédios que estão imbuídos de ashe para tratar de vários males. Esses objetos são usados para expressar proezas como guerreiro, para combater o mal-estar sobrenatural e para frustrar as más intenções. As bolsas contêm bilongo (remédio) e um mooyo (alma).

O Kongo escravizado e a medicina angolana juntaram o conceito de bilongo e mooyo nas Américas como bolsas de mojo. Estas bolsas de mojo são preparadas por um especialista parecido com o Banganga (sacerdotes/sacerdotisas) chamados de rootworker (trabalhador de raízes) ou conjurador em Hodu. Os objetos dentro de cada bolsa guiam os espíritos para entender a razão pela qual sua ajuda é procurada.

Materiais com pegadas fortes como pegadas humanas ou animais sobreviveram à escravidão e continuam a ser usados em sacos mojo dentro do Hodu e Santeria também. Outros ingredientes de um saco mojo incluem objetos associados com os mortos: pregos de caixão, ossos moídos ou terra de cemitério. Os objetos, sejam pau, pedra, folha ou osso, têm um espírito correspondente e um remédio particular atribuído a eles. Os sacos mojo são considerados vivos, possuindo uma alma; assim, eles, como seus antepassados africanos, devem ser alimentados em dias específicos. O hoodoo americano alimenta seus mojos com ervas em pó, pó magnético, óleos de ervas, pó e sujeira da pista do pé, isoladamente ou combinados. O herbalismo africano chamado Daliluw é usado para atingir o equilíbrio correto dos ingredientes junto com a invocação de várias divindades. O Daliluw é realçado por rituais que ativam ou controlam a energia. Os sacos Mojo variam de acordo com a região, finalidade e até mesmo com o gênero que os cria. Eles são chamados alternativamente de mão, flanela, toby, gris-gris, ou Joe mow.

Aqui está uma receita para um saco mojo projetado para atrair prosperidade:

Um saco de dinheiro:

A [árvore] Alto João, a Raiz do Conquistador encarna o espírito de um heroico e destemido sobrevivente da escravidão. O Alto João Conquistador representa a coragem, força, bravura e o espírito de esperança.

Comece este trabalho na lua de cera em uma quinta-feira. Selecione cuidadosamente uma raiz do Alto João Conquistador que chame o seu espírito. Usando sua mão dominante (a mão mais poderosa), crie raízes em um copo de óleo de girassol. (Os girassóis possuem energia positiva por causa de sua intimidade com Sol Rá). Mexa em sete gotas de atar de rosas (óleo de fragrância de rosas substituto, se necessário). As rosas são plantas calmantes, curativas, que nos ajudam a receber bênçãos do universo. Feche bem a tampa. Rodar diariamente durante quatorze dias. Óleo com excesso de mancha. Colocar o Alto João perfumado, noz moscada, alguns cravos e um pequeno pau de canela dentro de um pedaço de flanela verde de quatro por seis polegadas. Mergulhe a agulha de costura na mistura de óleo de girassol e rosa. Coser flanela junto com fio de algodão verde. Saco de alimentação no início da lua de cera e na lua cheia.

Alimentos: polvilhar saco com uma mistura de hortelã-pimenta em pó, cal e manjericão (seco), areia magnética, e óleo essencial de sândalo. (Armazenar a mistura em recipiente de aço inoxidável quando não estiver em uso). Você também pode alimentar seu dinheiro com raiz de High John em pó para extrair prosperidade ou polvilhar com manjericão.

A Arte da Conjuração: A Arte do Hodu Contemporâneo
Agora que você entendeu um pouco da história da Hodu, gostaria de mergulhar na Arte da Conjuração. Meu trabalho enfatiza a ideia de trabalhar com a natureza e não apenas usar o que ela tem para nos oferecer. Uma maneira fácil de realizar isto é assegurar um equilíbrio adequado na relação de dar e receber:

– Usar mas não abusar, causar dor, ou destruir seus dons no processo

– Aproximar-se da Mãe Terra como ela existe hoje

– Evitar o uso excessivo ou a negligência da natureza, dos animais, do oceano e das plantas frágeis

Para conseguir a ajuda da Terra, trabalhe em estreita colaboração com ela:

– Ouça seus sussurros à noite, sob a luz da lua

– Ouça suas chamadas no início da manhã carregadas nas asas de pássaros e borboletas

– Observe seu suspiro e ondular com o refluxo e fluxo das correntes

– Procure seus conselhos quando trabalhar com ervas e raízes

– Tenha em mente que existem limitações aos dons terrenos quando se toca na fonte

– Abra seus olhos.

– Trabalhe com ela e não contra ela.

Isto é Hodu para o século 21 – chamo-lhe a Arte da Conjuração.

É fundamental que levemos em consideração a grande população de humanos que reside em nosso planeta e os efeitos desses números sobre as reservas da Mãe Terra. Precisamos ser donos até a natureza urbana de nossa existência. Além disso, devemos estar atentos aos recentes desenvolvimentos em nossa cultura. Para nos mantermos fiéis às origens do Hodu, tentaremos incorporar tanta tradição quanto for realisticamente viável. À medida que nos misturamos, buscamos um equilíbrio entre os caminhos antigos com a ética moderna e a tecnologia contemporânea. Nosso objetivo é honrar a Mãe Terra e nossos ancestrais enquanto trabalhamos nossas raízes de uma forma respeitosa.

Plantas em Risco:

A United Plant Savers é um grupo importante que mantém herboristas, jardineiros e outros informados sobre o estado frágil de certas plantas. É importante perceber que hoje em dia muitas plantas Hodu tradicionais estão em risco e algumas estão em perigo de extinção, inclusive:

– Uva-de-urso (Arctostaphylos uva-ursi), também chamado kinnickinnick;
– Acteia, ou cohosh negra (Cimicifuga racemosa);
– Sanguínea (Sanguinaria Canadensis), também chamada de raiz Rei ou Ele raiz;
– Cohosh Azul (Caulophyllum thalictroides);
– Cáscara Sagrada (Frangula purshiana), também chamada casca sagrada;
– Hidraste (Hydrastic canadensis); o gengibre é um substituto seguro;
– Selo de Salomão (Polygonatum biflorum);
– Trílio (Trillium spp.), Raiz da Índia e Raiz de Beth;
– Casca de carvalho-branco (Quercus alba);
– Sálvia branca (Salvia apiana), amplamente utilizada em bastões de borrão.

Animais:

Pode ser uma surpresa que certas plantas estejam em perigo ou em risco, mas há muito tempo sabemos que isso é verdade em relação aos animais e criaturas marinhas. Uma variedade de partes de animais: peles, dentes, ossos, chifres e garras têm sido úteis para o Hodu e caminhos similares da África. Vamos examinar alguns dos animais mais proeminentes usados de uma perspectiva africana para entender porque foram usados no Hodu e depois descobrir uma maneira de substituí-los na Arte da Conjuração.

Texugos: Os dentes dos texugos eram e em alguns casos ainda são usados em sacos mojo. O texugo é uma criatura fantástica – baixa à terra, hábil em cavar, e extremamente agressiva quando cruzada. Eles são simbólicos do espírito caçador/guerreiro, já que podem enfrentar animais tão ferozes quanto ursos ou cães. Existem cerca de quinze subespécies de texugo nas Américas. Na África Ocidental, há a espécie Mellivora capensis, também chamada de texugo de mel ou ratel. Esses caras têm uma aparência semelhante à doninha – eles têm pelo marrom ou preto com uma cobertura branca, amarelo-pálido ou cinza distinta no topo. Os texugos de mel são encontrados na floresta de Ituri, no norte do Zaire. Uma característica útil a ser considerada em relação a todas as espécies de texugos é que sua pele é tão dura que até mesmo uma pena de porco-espinho, uma picada de abelha africana ou uma mordida de cachorro mal consegue penetrar sua pele. Eles parecem ser completamente desprovidos de medo. Eles atacam animais como cavalos, antílopes, gado, até mesmo búfalos, embora não sejam maiores do que um guaxinim.

Aligátores e crocodilos: Os dentes de crocodilo têm sido um componente dos sacos de mojo. Os crocodilos estão em um grupo de répteis aparentados chamados Crocodylidae que povoam tanto as Américas quanto a África Ocidental na forma de O. t. tetraspis e O.t osborni, também chamados de Crocodilo Anão da África Ocidental e Crocodilo Anão do Congo. O jacaré americano e o Crocodilo Anão da África Ocidental são crocodilos que compartilham características chave admiradas por guerreiros africanos, caçadores e Hodus. Os crocodilos são resistentes, tenazes, astuciosos e difíceis de penetrar.

Guaxinins: Os guaxinins são omnívoros cujas espécies vivem na Europa, Ásia e Américas. Há muito folclore em torno do guaxinim no folclore indígena americano. O nome guaxinim deriva da palavra algonguina arachun, ou aquele que se arranha. Outras palavras nativas americanas para guaxinim indicam que eles são considerados bruxos, feiticeiros ou demônios. O guaxinim é outro sobrevivente astuto que admiramos. O pênis do guaxinim é procurado por amor e atrai magia.

Serpentes: Serpentes de vários tipos têm um papel de destaque no mito africano, na lenda e na vida cotidiana. As qualidades das cobras que são admiradas são sua habilidade de sobreviver na terra e na água; sua habilidade de se camuflar e se misturar calmamente em seu ambiente; sua habilidade de caçar e comer presas muito maiores e mais poderosas; e a potência de seu veneno.

Dr. Buzzard, um renomado Hodu, é lembrado como alguém que poderia implantar cobras e outros répteis em suas vítimas humanas com o poder de sua mente, um aperto de mão ou um golpe de pó. Esta é uma prática bem documentada na África. O antropólogo e autores Paul Stroller e Cheryl Olkes documentam a feitiçaria do veneno da cobra em seu livro, In Sorcery’s Shadow (University of Chicago Press, Chicago, Londres, 1987), centrado em torno da República do Níger.

O guizo da cascavel é um emblema das antigas Deusas Egípcias Hathor e Isis. Ísis usou seu sistro, um chocalho parecido com uma cascavel, para motivar deuses e humanos, a se tornarem ativos em vez de passivos. Ísis, ou Auset como era chamada no Egito, trouxe a cobra à existência. Os guizos de pele de cobra e cascavel são usados em várias fórmulas de Hodu, incluindo o infame pó de Gopher.

Histórias fascinantes, traços e mitologia à parte, meu conselho em utilizar animais para conjurar é trabalhar com os animais sem tirar suas vidas. Você pode encontrar uma pele de cobra, penas caídas, caveiras encontradas e jacarés, guaxinins e texugos mortos para utilizar suas várias partes. Você pode usar um escaravelho em cerimônias e rituais para capturar o poder das serpentes. Se você comer carne, colete e depois alveje (para higienizar) ossos e penas de suas refeições e use-os em sacos mojo.

Encontrar substitutos:

Outra coisa a fazer é usar substitutos artísticos. Estes incluem réplicas de brinquedos de plástico; moldes de metal de aranhas, escorpiões, cobras e tigres; e pequenas esculturas. Na África do Sul, há uma viva tradição de criar animais de poder a partir do barro. Eu gosto particularmente de usar as esculturas sul-africanas por magia, já que os africanos negros as tiram da Mãe Terra.

Tribos da África Ocidental, antigos khemetianos (egípcios) e vários caminhos espirituais africanos apoiam fortemente a noção de trabalhar com animais totêmicos. Em Wicca e Feitiçaria, trabalhar de perto com os animais está alinhado com o conceito do familiar.

Na Arte da Conjuração, sugiro que se abstenha de prejudicar todos os animais, inclusive os humanos.

Substitutos para ofertas de sangue animal e sacrifício ainda melhoram os truques (feitiços) se você os abençoar e os carregar com poder. Experimente qualquer um destes:

Pedras ou contas de cornalina, granadas ou pedras de rubi são representativas do sangue.

– Cidra de maçã, suco de arando, suco de romã ou suco de tomate é recomendado em vez de sangue real na Enciclopédia de Ervas Mágicas de Cunningham de Scott Cunningham (Llewellyn 1985).

– Os ossos fósseis oferecem outra rica possibilidade, mas minha preferida de todas é trabalhar com a generosa pureza dentro da força vital de vários animais. Eu acompanho e cuido de quatro animais dentro de casa e muitas criaturas selvagens no exterior – todos eles servem como companheiros espirituais e mensageiros.

Criaturas marinhas:

O Hodu gira em torno da veneração da água, dos espíritos da água e das divindades da água; consequentemente, olhamos para os rios, lagos, e especialmente para o mar em busca de ingredientes para o trabalho das raízes. Há duas criaturas marinhas das quais eu desmotivo o uso: o coral e as pérolas. Pérolas cultivadas são criadas e depois extraídas de criaturas vivas de forma violenta. O uso de pérolas pode fazer com que seus truques ou trabalhos sejam negativos e mau carma à sua maneira. Os corais estão vivos. Se você puder encontrar uma peça lavada na praia ou em um antiquário, isso pode trazer alguns benefícios à sua conjuração. Não é aconselhável comprar corais contemporâneos colhidos comercialmente, tendo em vista o estado ameaçado dos recifes mundiais de coral.

Os cauris, musgo irlandês, algas e especialmente o sal marinho são úteis para invocar a presença purificadora, protetora e amorosa do mar. As vacas são um instrumento tradicional de adivinhação na África. Elas têm sido úteis como moeda e na ornamentação – e por que não? Afinal de contas, eles são o símbolo da yoni.

Bastões, Pedras, Raízes e Ossos:

A esta altura, é claro que a Arte da Conjuração e seus ancestrais, Hodu, são construídos em torno da natureza. Estas tradições compartilham alguns pontos em comum com as mais europeias Bruxaria e Wicca. O praticante da Arte da Conjuração ou Hodu tem muito em comum com os Wiccanas, os Bruxas Verdes (Green Witches) e as Bruxas Solitárias (Hedge Witches). Todos nós empregamos a natureza, os elementos, o universo e o poder de dentro para provocar mudanças poderosas.

O título do meu livro inovador Sticks, Stones, Roots and Bones (Paus, Pedras, Raízes e Ossos). Este livro é uma compilação de canções, receitas, truques, trabalhos, rituais, feitiços, histórias, lembranças e folclore que se concentram em torno da cultura africana e americana. O livro dá mãos práticas sobre formas de denotar ritos de passagem e ciclos de vida usando o herbalismo mágico e as tradições africanas. Informações amplas, feitiços, encantamentos e amuletos são compartilhados para ajudar o leitor a lidar com as preocupações comuns e cotidianas.

O Hodu foi quase ridicularizado pela existência daqueles que não tinham a menor ideia do que haviam tropeçado. Ele continua a sofrer de mal-entendidos, um excesso de interpretações europeias, capitalismo e interesses comerciais. A elaboração das fórmulas e receitas requer um ingrediente essencial – o TLC (terno cuidado amoroso) para aproveitar as forças mágicas e as energias do universo. Sticks, Stones, Roots and Bones enfatiza uma abordagem prática, faça você mesmo; assim, as receitas são centrais.

Felizmente, Hodu e conjuração estão atualmente desfrutando de um renascimento.

Sou grato que os ancestrais e os espíritos da natureza me acharam um canal adequado para contribuir para a criação da Arte da Conjuração. Deixo-os com alguns projetos e inspirações, por isso arregacem as mangas e se empenhem!

Espírito de Renovação Sachê de Banho:

As clareiras e o combate à negatividade podem ter seu preço. Para combater a fadiga, tente este sachê revigorante. Ele renovará seus recursos espirituais e psíquicos.

1 colher de chá cada milefólio seco, camomila e hortelã-pimenta.
2 colheres de sopa de leite integral em pó
1/8 colher de chá de cada óleo essencial de lavanda, alecrim e agulha de pinheiro branco
3 colheres de sopa de gel de aloe vera (babosa)
Duas flores de calêndula (calendula officinalis)
1 colher de sopa de areia magnética

Coloque ervas secas e leite em um grande saquinho de chá. (Você também pode usar um pedaço de pano de queijaria preso com um elástico de borracha). Correr banho. Pendure o sachê sob a torneira. Mexa os óleos essenciais em gel de aloe vera. Despeje na banheira. Misturar. Colocar pétalas de calêndula na água enquanto se concentra em suas intenções. Polvilhe em areia magnética, imaginando que são grãos de energia.

Entre, relaxe, e aproveite!

Uma Tigela de Sujeira:

Um lembrete importante de nossa conexão com os antepassados e com a Mãe Terra é manter uma tigela de cristal ou metal cheia de terra em casa. Esta pode ser terra de cemitério coletada de um terreno de um membro amoroso da família, terra de um jardim fértil, ou simplesmente terra de vaso. Coloque a tigela cheia em seu altar pessoal sobre um pedaço de pano africano como pano de lama, pano de kente, ou índigo.

Um Amuleto da Prosperidade:

Pressione um trevo de cinco folhas (Trifolium spp.) entre dois livros pesados. Quando estiver liso e seco (cerca de uma semana), remover o trevo e laminá-lo. Recorte dois pedaços de papel parafinado com cerca de dois centímetros quadrados. Trevo de sanduíche entre os papéis. Ferro em baixo. Uma vez frio, coloque o trevo prensado em um medalhão e use-o todos os dias ou carregue-o na carteira prensado entre seu dinheiro de papel.

Poção do Amor:

Numa sexta-feira à noite da lua nova, coloque três cápsulas de cardamomo branco em suas mãos, sopre nelas, beije-as, diga a elas para lhe trazerem amor. Coloque cardamomo em duas taças de vinho tinto com algumas fatias de laranja. Ferva, não ferva (picar o dedo com uma agulha e adicionar algumas gotas de sangue à poção, se você ousar!) Beba isto com a pessoa desejada.

Amor, prosperidade, saúde, fertilidade, lembrança, sucesso, empoderamento, autoajuda e tudo o que você deseja pode ser alcançado através do emprego atencioso dos dons da Mãe Natureza: paus, pedras, raízes e ossos.

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Fonte:

BIRD, Stephanie Rose. Conjure Craft: Hoodoo, Rootwork, and Conjuring for the 21st Century. The Lllewellyn’s Journal, 2003. Disponível em: <https://www.llewellyn.com/journal/article/504>. Acesso em 9 de março de 2022.

COPYRIGHT (2003). Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-arte-da-conjuracao-hodu-trabalho-com-raizes-e-conjuracao-para-o-seculo-21/

A Batalha pela sua Mente

Eu sou Dick Sutphen e esta fita (aqui transcrita) é uma gravação de estúdio, uma versão expandida de uma conferência que fiz na Convenção do Congresso Mundial de Hipnotizadores Profissionais em Las Vegas, Nevada. Embora a fita traga um copyright para protegê-la de duplicações e vendas ilegais, neste caso, eu convido os indivíduos a fazer cópias e dá-las aos amigos ou qualquer pessoa em posição de divulgar esta informação * .

Embora eu tenha sido entrevistado acerca deste assunto em muitos locais, rádios e programas de entrevistas em TV, os meios de comunicação de massa parecem estar bloqueados, porque isto poderia resultar em desconfiança e investigações dos meios de divulgação e de seus patrocinadores. Algumas agências governamentais não querem que esta informação seja divulgada. Nem os movimentos de Novos Cristãos, os cultos, e mesmo muitos treinadores de potencial humano.

Cada uma das coisas que vou relatar apenas exporá a superfície do problema. Eu não sei como o abuso destas técnicas pode ser parado. Eu não penso que seja possível legislar contra algo que freqüentemente não pode ser detectado; e se os próprios legisladores estão usando estas técnicas, há pouca esperança de o governo usar leis assim. Sei que o primeiro passo para iniciar mudanças é gerar interesse. Neste caso, apenas um movimento subterrâneo poderia provocar isto.

Falando deste assunto, estou falando acerca de meu próprio negócio. Eu sei disto, e sei quão efetivo isto pode ser. Eu faço fitas de hipnose e [de técnicas] subliminares, e, em alguns de meus seminários, uso táticas de conversão com os participantes para torná- los independentes e auto-suficientes. Mas, sempre que uso estas técnicas, eu ressalto que estou usando-as, e todos podem escolher entre participar ou não. Eles também sabem qual será o resultado desejado.

Então, para começar, eu quero declarar o que é o fato mais básico de todos acerca de lavagem cerebral: EM TODA A HISTÓRIA DO HOMEM, NINGUÉM QUE TENHA SOFRIDO LAVAGEM CEREBRAL ACREDITARÁ OU ACEITARÁ QUE SOFREU TAL COISA. Todos aqueles que a sofreram, usualmente, defenderão apaixonadamente os seus manipuladores, clamando que simplesmente lhes foi “mostrada a luz”…ou que foram transformados de modo miraculoso.

O Nascimento da Conversão

CONVERSÃO é uma palavra “agradável” para LAVAGEM CEREBRAL…e qualquer estudo de lavagem cerebral tem de começar com o estudo do Revivalismo Cristão no século dezenove, na América. Aparentemente, Jonathan Edwards descobriu acidentalmente as técnicas durante uma cruzada religiosa em 1735, em Northampton, Massachusetts. Induzindo culpa e apreensão aguda e aumentando a tensão, os “pecadores” que compareceram aos seus encontros de reavivamento foram completamente dominados, tornando-se submissos. Tecnicamente, o que Edwards estava fazendo era criar condições que deixavam o cérebro em branco, permitindo a mente aceitar nova programação. O problema era que as novas informações eram negativas. Ele poderia então dizer-lhes, “vocês são pecadores! vocês estão destinados ao inferno!”. Como resultado, uma pessoa tentou e outra cometeu suicídio. E os vizinhos do suicida relataram que eles também foram tão profundamente afetados que, embora tivessem encontrado a “salvação eterna”, eram também obcecados com a idéia diabólica de dar fim às próprias vidas.

Uma vez que um pregador, líder de culto, manipulador ou autoridade atinja a fase de apagamento do cérebro, deixando-o em branco, os sujeitos ficam com as mentes escancaradas, aceitando novas idéias em forma de sugestão. Porque Edwards não tornou sua mensagem positiva até o fim do reavivamento, muitos aceitaram as sugestões negativas e agiram, ou desejaram agir, de acordo com elas.

Charles J. Finney foi outro cristão revivalista que usou as mesmas técnicas quatro anos mais tarde, em conversões religiosas em massa, em Nova Iorque. As técnicas são ainda hoje utilizadas por cristãos revivalistas, cultos, treinadores de potencial humano, algumas reuniões de negócios, e nas forças armadas dos EUA, para citar apenas alguns. Deixem-me acentuar aqui que eu não creio que muitos pregadores revivalistas percebam ou saibam que estão usando técnicas de lavagem cerebral. Edwards simplesmente topou com uma técnica que realmente funcionou, e outros a copiaram e continuam a copiá-la pelos últimos duzentos anos. E o mais sofisticado de nosso conhecimento e tecnologia tornou mais efetiva a conversão. Sinto fortemente que esta é uma das maiores razões para o crescimento do fundamentalismo cristão, especialmente na variedade televisiva, enquanto que muitas das religiões ortodoxas estão declinando.

As Três Fases Cerebrais

Os cristãos podem ter sido os primeiros a formular com sucesso a lavagem cerebral, mas teremos de ir a Pavlov, um cientista russo, para uma explicação técnica. Nos idos de 1900, seu trabalho com animais abriu a porta para maiores investigações com humanos. Depois da revolução russa, Lênin viu rapidamente o potencial em aplicar as pesquisas de Pavlov para os seus próprios objetivos.

Três distintos e progressivos estados de inibição transmarginal foram identificados por Pavlov. O primeiro é a fase EQUIVALENTE, na qual o cérebro dá a mesma resposta para estímulos fortes e fracos. A segunda é a fase PARADOXAL, na qual o cérebro responde mais ativamente aos estímulos fracos do que aos fortes. E a terceira é a fase ULTRA-PARADOXAL, na qual respostas condicionadas e padrões de comportamento vão de positivo para negativo, ou de negativo para positivo.

Com a progressão por cada fase, o grau de conversão torna-se mais efetivo e completo. São muitos e variados os modos de alcançar a conversão, mas o primeiro passo usual em lavagens cerebrais políticas ou religiosas é trabalhar nas emoções de um indivíduo ou grupo, até eles chegarem a um nível anormal de raiva, medo, excitação ou tensão nervosa.

O resultado progressivo desta condição mental é prejudicar o julgamento e aumentar a sugestibilidade. Quanto mais esta condição é mantida ou intensificada, mais ela se mistura. Uma vez que a catarse, ou a primeira fase cerebral é alcançada, uma completa mudança mental torna-se mais fácil. A programação mental existente pode ser substituída por novos padrões de pensamento e comportamento.

Outras armas fisiológicas freqüentemente utilizadas para modificar as funções normais do cérebro são os jejuns, dietas radicais ou dietas de açúcar, desconforto físico, respiração regulada, canto de mantras em meditação, revelação de mistérios sagrados, efeitos de luzes e sons especiais, e intoxicação por drogas ou por incensos.

Os mesmos resultados podem ser obtidos nos tratamentos psiquiátricos contemporâneos por eletrochoques e mesmo pelo abaixamento proposital do nível de açúcar no sangue, com a aplicação de injeções de insulina.

Antes de falar sobre exatamente como algumas das técnicas são aplicadas, eu quero ressaltar que hipnose e táticas de conversão são duas coisas distintas e diferentes — e que as técnicas de conversão são muito mais poderosas. Contudo, as duas são freqüentemente misturadas … com poderosos resultados.

Como os Pregadores Revivalistas Trabalham

Se você desejar ver um pregador revivalista em ação, há provavelmente vários em sua cidade. Vá para a igreja ou tenda e sente-se acerca de três-quartos da distância ao fundo. Muito provavelmente uma música repetitiva será tocada enquanto o povo vem para o serviço. Uma batida repetitiva, idealmente na faixa de 45 a 72 batidas por minuto (um ritmo próximo às batidas do coração humano) é muito hipnótica e pode gerar um estado alterado de consciência, com olhos abertos, em uma grande porcentagem das pessoas. E, uma vez você esteja em um ritmo alfa, você está pelo menos 25 vezes mais sugestionável do que você estaria, em um ritmo beta, de plena consciência. A música é provavelmente a mesma para cada serviço, ou incorpora a mesma batida, e muitas das pessoas irão para um estado alterado de consciência quase imediatamente após entrarem no santuário. Subconscientemente, eles recordam o estado mental quando em serviços religiosos anteriores, e respondem de acordo com a programação pós- hipnótica.

Observe as pessoas esperando pelo início do serviço religioso. Muitas exibirão sinais exteriores de transe — corpo relaxado e olhos ligeiramente dilatados. Freqüentemente, eles começam a agitar as mãos para diante e para trás no ar, enquanto estão sentadas em suas cadeiras. A seguir, o pastor assistente muito provavelmente virá, e falará usualmente com uma simpática “voz ritmada”.

Técnica da Voz Ritmada

Uma “voz ritmada” é um estilo padronizado, pausado, usado por hipnotizadores quando estão induzindo um transe. É também usado por muitos advogados, vários dos quais são altamente treinados hipnólogos, quando desejam fixar um ponto firmemente na mente dos jurados. Uma voz ritmada pode soar como se o locutor estivesse conversando ao ritmo de um metrônomo, ou pode soar como se ele estivesse enfatizando cada palavra em um estilo monótono e padronizado. As palavras serão usualmente emitidas em um ritmo de 45 a 60 batidas por minuto, maximizando o efeito hipnótico.

Agora, o pastor assistente começa o processo de “acumulação”. Ele induz um estado alterado de consciência e/ou começa a criar excitação e expectativas na audiência. A seguir, um grupo de jovens mulheres vestidas em longos vestidos brancos que lhes dão um ar de pureza, vêm e iniciam um canto. Cantos evangélicos são o máximo, para se conseguir excitação e ENVOLVIMENTO. No meio do canto, uma das garotas pode ser “golpeada por um espírito” e cai, ou reage como se estivesse possuída pelo Espírito Santo. Isto efetivamente aumenta a excitação na sala. Neste ponto, hipnose e táticas de conversão estão sendo misturadas e o resultado é que toda a atenção da audiência está agora tomada, enquanto o ambiente torna-se cada vez mais tenso e excitado.

Exatamente neste momento, quando a indução ao estado mental alfa foi conseguido em massa, eles irão passar o prato ou cesta de coleta. Ao fundo, em uma voz ritmada a 45 batidas por minuto, o pregador assistente poderá exortar, “dê ao Senhor…dê ao Senhor…dê ao Senhor…dê ao Senhor”. E a audiência dá. Deus pode não obter o dinheiro, mas seu já rico representante, sim.

A seguir, vem o pregador fogo-e-enxôfre. Ele induz medo e aumenta a tensão falando sobre “o demônio”, “ir para o inferno”, e sobre o Armageddon próximo.

Na última dessas reuniões que assisti, o pregador falou sobre o sangue que brevemente escorreria de cada torneira na terra. Ele também estava obcecado com um “machado sangrento de Deus”, o qual todos tinham visto suspenso sobre o púlpito, na semana anterior. Eu não tinha nenhuma dúvida de que todos o tinham visto — o poder da sugestão hipnótica em centenas de pessoas assegura que entre 10 a 25 por cento verão o que quer que lhes seja sugerido ver.

Na maioria da assembléias revivalistas, “depoimentos” ou “testemunhos” usualmente seguem-se ao sermão amedrontador. Pessoas da audiência virão ao palco relatar as suas histórias. “Eu estava aleijado e agora posso caminhar!”. “Eu tinha artrite e ela se foi!”. Esta é uma manipulação psicológica que funciona. Depois de ouvir numerosos casos de curas milagrosas, a pessoa comum na audiência com um problema menor está certa de que ela pode ser curada. A sala está carregada de medo, culpa e intensa expectativa e excitação.

Agora, aqueles que querem ser curados são freqüentemente alinhados ao redor da sala, ou lhes é dito para vir à frente. O pregador pode tocá-los na cabeça e gritar “esteja curado!”. Isto libera a energia psíquica, e, para muitos, resulta a catarse. Catarse é a purgação de emoções reprimidas. Indivíduos podem gritar, cair ou mesmo entrar em espasmos. E se a catarse é conseguida, eles possuem uma chance de serem curados. Na catarse (uma das três fases cerebrais anteriormente mencionadas), a lousa do cérebro é temporariamente apagada e novas sugestões são aceitas.

Para alguns, a cura pode ser permanente. Para muitos, irá durar de quatro dias a uma semana, que é, incidentalmente, o tempo que dura normalmente uma sugestão hipnótica dada a uma pessoa. Mesmo que a cura não dure, se eles voltarem na semana seguinte, o poder da sugestão pode continuamente fazer ignorar o problema… ou, algumas vezes, lamentavelmente, pode mascarar um problema físico que pode se mostrar prejudicial ao indivíduo, a longo prazo.

Eu não estou dizendo que curas legítimas não aconteçam. Acontecem. Pode ser que o indivíduo estava pronto para largar a negatividade que causou o problema em primeiro lugar; pode ser obra de Deus. Mas afirmo que isto pode ser explicado com o conhecimento existente acerca das funções cérebro/mente.

As técnicas e encenações variarão de igreja para igreja. Muitos usam “falar línguas” para gerar a catarse em alguns, enquanto o espetáculo cria intensa excitação nos observadores.

O uso de técnicas hipnóticas por religiões é sofisticado, e profissionais asseguram que elas tornaram-se ainda mais efetivas. Um homem em Los Angeles está projetando, construindo e reformando um monte de igrejas por todo o país. Ele diz aos ministros o que eles precisam, e como usá-lo. Sua fita gravada indica que a congregação e a renda dobrarão, se o ministro seguir suas instruções. Ele admite que cerca de 80 por cento de seus esforços são para o sistema de som e de iluminação.

Som potente e o uso apropriado de iluminação são de importância primária em induzir estados alterados de consciência — eu os tenho usado por anos, em meus próprios seminários. Contudo, meus participantes estão plenamente conscientes do processo, e do que eles podem esperar como resultado de sua participação.

Seis Técnicas de Conversão

Cultos e organizações [que ensinam] potencial humano estão sempre procurando por novos convertidos. Para conseguí-los, eles precisam criar uma fase cerebral. E geralmente precisam fazê-lo em um curto espaço de tempo — um fim-de-semana, até mesmo em um dia. O que se segue são as seis técnicas primárias usadas para gerar a conversão.

O encontro ou treinamento tem lugar em uma área onde os participantes estão desligados do resto do mundo. Isto pode ser em qualquer lugar: uma casa isolada, um local remoto ou rural, ou mesmo no salão de um hotel, onde aos participantes só é permitido usar o banheiro, limitadamente. Em treinamentos de potencial humano, os controladores darão uma prolongada conferência acerca da importância de “honrar os compromissos” na vida. Aos participantes é dito que, se eles não honram seus compromissos, sua vida nunca irá melhorar. É uma boa idéia honrar compromissos, mas os controladores estão subvertendo um valor humano positivo, para os seus interesses egoístas. Os participantes juram para si mesmos e para os treinadores que eles honrarão seus compromissos. Qualquer um que não o faça será intimado a um compromisso, ou forçado a deixá-los. O próximo passo é concordar em completar o treinamento, deste modo assegurando uma alta porcentagem de conversões para as organizações. Eles terão, normalmente, que concordar em não tomar drogas, fumar, e algumas vezes não comer…ou lhes são dados lanches rápidos de modo a criar tensão. A razão real para estes acordos é alterar a química interna, o que gera ansiedade e, espera-se, cause ao menos um ligeiro mal-funcionamento do sistema nervoso, que aumente o potencial de conversão.

Antes que a reunião termine, os compromissos serão lembrados para assegurar que o novo convertido vá procurar novos participantes. Eles são intimidados a concordar em fazê-lo, antes de partirem. Desde que a importância em manter os compromissos é tão grande em sua lista de prioridade, o convertido tentará trazer à força cada um que ele conheça, para assistir a uma futura sessão oferecida pela organização. Os novos convertidos são fanáticos. De fato, o termo confidencial de merchandising nos maiores e mais bem sucedidos treinamentos de potencial humano é “vender com fanatismo!”

Pelo menos muitos milhares de pessoas se graduam, e uma boa porcentagem é programada mentalmente de modo a assegurar sua futura lealdade e colaboração se o guru ou a organização chamar. Pense nas implicações políticas em potencial, de centenas de milhares de fanáticos programados para fazer campanha pelo seu guru.

Fique precavido se uma organização deste tipo oferecer sessões de acompanhamento depois do seminário. Estas podem ser encontros semanais ou seminários baratos dados em uma base regular, nos quais a organização tentará habilmente convencê-lo — ou então será algum evento planejado regularmente, usado para manter o controle. Como os primeiros cristão revivalistas descobriram, um controle de longo prazo é dependente de um bom sistema de acompanhamento.

Muito bem. Agora, vamos ver uma segunda dica, que mostra quando táticas de conversão estão sendo usadas. A manutenção de um horário que causa fadiga física e mental. Isto é primariamente alcançado por longas horas nas quais aos participantes não é dada nenhuma oportunidade para relaxar ou refletir.

A terceira dica: quando notar que são utilizadas técnicas para aumentar a tensão na sala ou meio-ambiente.

Número quatro: incerteza. Eu poderia passar várias horas relatando várias técnicas para aumentar a tensão e gerar incerteza. Basicamente, os participantes estão preocupados quanto a serem notados ou apontados pelos instrutores; sentimentos de culpa se manifestam, e eles são tentados a relatar seus mais íntimos segredos aos outros participantes, ou forçados a tomar parte em atividades que enfatizem a remoção de suas máscaras. Um dos mais bem sucedidos seminários de potencial humano força os participantes a permanecerem em um palco à frente da audiência, enquanto são verbalmente atacados pelos instrutores. Uma pesquisa de opinião pública, conduzida a alguns anos, mostrou que a situação mais atemorizante na qual um indivíduo pode se encontrar, é falar para uma audiência. Isto iguala-se à lavar uma janela externamente, no 85º. andar de um prédio. Então você pode imaginar o medo e a tensão que esta situação gera entre os participantes. Muitos desfalecem, mas muitos enfrentam o stress por uma mudança de mentalidade. Eles literalmente entram em estado alfa, o que automaticamente os torna mais sugestionáveis do que normalmente são. E outra volta da espiral descendente para a conversão é realizada com sucesso.

O quinto indício de que táticas de conversão estão sendo usadas é a introdução de jargão — novos termos que tem significado unicamente para os “iniciados” que participam. Linguagem viciosa é também freqüentemente utilizada, de propósito, para tornar desconfortáveis os participantes.

A dica final é se não há nenhum humor na comunicação…ao menos até que os participantes sejam convertidos. Então, divertimentos e humor são altamente desejáveis, como símbolos da nova alegria que os participantes supostamente “encontraram”.

Não estou dizendo que boas coisas não resultem da participação em tais reuniões. Isto pode ocorrer. Mas afirmo que é importante para as pessoas saberem o que aconteceu, e ficarem prevenidas de que o contínuo envolvimento pode não ser de seu maior interesse.

Através dos anos, tenho conduzido seminários profissionais para ensinar às pessoas a serem hipnotizadores, treinadores e conselheiros. Tive [como alunos] muitos daqueles que conduzem treinamentos e reuniões, que vêm a mim e dizem, “estou aqui porque eu sei que aquilo que faço funciona, mas não sei o por quê”. Depois de mostrar-lhes o como e o por quê, muitos deles tem deixado este negócio, ou decidido abordá-lo diferentemente, de uma maneira mais amorosa e humana.

Muitos destes treinadores tem se tornado meus amigos, e marcou-nos a todos ter experimentado o poder de uma pessoa com um microfone na mão em uma sala cheia de pessoas. Some um pouco de carisma, e você pode contar com uma alta taxa de conversões. A triste verdade é que uma alta porcentagem de pessoas quer ceder o seu poder – eles são verdadeiros “crentes”!

Reuniões de culto e treinamentos de potencial humano são um ambiente ideal para se observar em primeira mão o que é tecnicamente chamado de “Síndrome de Estocolmo”. Esta é uma situação na qual aqueles que são intimidados, controlados e torturados começam a amar, admirar e muitas vezes até desejar sexualmente os seus controladores ou captores.

Mas permitam-me deixar aqui uma palavra de advertência: se você pensa que pode assistir tais reuniões e não ser afetado, você provavelmente está errado. Um exemplo perfeito é o caso de uma mulher que foi ao Haiti com Bolsa de Estudos da Guggenheim para estudar o vudu haitiano. Em seu relatório, ela diz como a música eventualmente induz movimentos incontroláveis do corpo, e um estado alterado de consciência. Embora ela compreendesse o processo e pudesse refletir sobre o mesmo, quando começou a sentir-se vulnerável à música ela tentou lutar e fugir. Raiva ou resistência quase sempre asseguram conversão. Poucos momentos mais tarde ela sentiu-se possuída pela música e começou a dançar, em transe, por todo o local onde se realizava o culto vudu. A fase cerebral tinha sido induzida pela música e pela excitação, e ela acordou sentindo-se renascida. A única esperança de assistir tais reuniões sem sentir-se afetado e ser um Buda, e não se permitir sentimentos positivos ou negativos. Poucas pessoas são capazes de tal neutralidade.

Antes de prosseguir, vamos voltar às seis dicas de conversão. Eu quero mencionar o governo dos Estados Unidos, e os campos de treinamento militar. O Corpo de Fuzileiros Navais (the Marine Corps) afirma que quebra o moral dos homens antes de “reconstruí-los” como novos homens – como fuzileiros (marines)! Bem, isso é exatamente o que eles fazem, da mesma maneira que os cultos vergam o moral das pessoas e as reconstróem como felizes vendedores de flores nas esquinas. Cada uma das seis técnicas de conversão é usada nos campos de treinamento militar. Considerando as necessidades militares, não estou fazendo um julgamento quanto a se isto é bom ou ruim. É UM FATO, que as pessoas efetivamente sofrem lavagem cerebral. Aqueles que não querem se submeter devem ser dispensados, ou passarão muito de seu tempo no quartel.

Processo de Decognição

Uma vez que a conversão inicial é realizada, nos cultos, no treinamento militar, ou em grupos similares, não pode haver dúvidas entre seus membros. Estes devem responder aos comandos, e fazer o que estes lhes disserem. De outra forma, eles seriam perigosos ao controle da organização. Isto é normalmente conseguido pelo Processo de Decognição em três passos.

O primeiro passo é o de REDUÇÃO DA VIGILÂNCIA: os controladores provocam um colapso no sistema nervoso, tornando difícil distinguir entre fantasia e realidade. Isto pode ser conseguido de várias maneiras. DIETA POBRE é uma; muito cuidado com Brownies e com Koolaid. O açúcar `desliga’ o sistema nervoso. Mais sutil é a “DIETA ESPIRITUAL”, usada por muitos cultos. Eles comem somente vegetais e frutas; sem o apoio dos grãos, nozes, sementes, laticínios, peixe ou carne, um indivíduo torna-se mentalmente “aéreo”. Sono inadequado é outro modo fundamental de reduzir a vigilância, especialmente quando combinada com longas horas de intensa atividade física. Também, ser bombardeado com experiências únicas e intensas consegue o mesmo resultado.

O segundo passo é a CONFUSÃO PROGRAMADA: você é mentalmente assaltado enquanto sua vigilância está sendo reduzida conforme o passo um. Isto se consegue com um dilúvio de novas informações, leituras, discussões em grupo, encontros ou tratamento individual, os quais usualmente eqüivalem ao bombardeio do indivíduo com questões, pelo controlador. Durante esta fase de decognição, realidade e ilusão freqüentemente se misturam, e uma lógica pervertida é comumente aceita.

O terceiro passo é PARADA DO PENSAMENTO: técnicas são usadas para causar um “vazio” na mente. Estas são técnicas para alterar o estado de consciência, que inicialmente induzem calma ao dar à mente alguma coisa simples para tratar, com uma atenta concentração. O uso continuado traz um sentimento de exultação e eventualmente alucinação. O resultado é a redução do pensamento, e eventualmente, se usado por muito tempo, a cessação de todo pensamento e a retirada de todo o conteúdo da mente, exceto o que os controladores desejem. O controle é, então, completo. É importante estar atento que quando membros ou participantes são instruídos para usar técnicas de “parar o pensamento, eles são informados de que serão beneficiados: eles se tornarão “melhores soldados”, ou “encontrarão a luz”.

Há três técnicas primárias usadas para parar o pensamento. A primeira é a MARCHA: a batida do tump, tump, tump literalmente gera auto-hipnose, e grande susceptibilidade à sugestão.

A segunda técnica para parar o pensamento é a MEDITAÇÃO. Se você passar de uma hora a uma hora e meia por dia em meditação, depois de poucas semanas há uma grande probabilidade de que você não retornará à consciência plena normal beta. Você permanecerá em um estado fixo alfa tanto mais quanto você continue a meditar. Não estou dizendo que isto é ruim – se você mesmo o faz. Pode então ser benéfico. Mas é um fato que você está levando a sua mente a um estado de vazio. Eu tenho testado quem medita, com máquinas EEG, e o resultado é conclusivo: quanto mais você medita, mais vazia se torna a sua mente, principalmente se usada em excesso ou em combinação com decognição; todos os pensamentos cessam. Alguns grupos espiritualistas vêem isto como nirvana – o que é besteira. Isto é simplesmente um resultado fisiológico previsível. E se o céu na terra significa não-pensamento e não-envolvimento, eu realmente pergunto por que nós estamos aqui.

A terceira técnica de parar o pensamento é pelo CÂNTICO, e freqüentemente por cânticos em meditação. “Falar em línguas” poderia também ser incluído nesta categoria.

Todas as três técnicas produzem um estado alterado de consciência. Isto pode ser muito bom se VOCÊ está controlando o processo, porque você também controla o que vai usar. Eu pessoalmente use ao menos uma sessão de auto-hipnose cada dia, e eu sei quão benéfico isto é para mim. Mas você precisa saber, se usar estas técnicas a ponto de permanecer continuamente em estado alfa, embora você permaneça em um estado levemente embriagado, você estará também mais sugestionável.

Verdadeiros Crentes & Movimentos de Massa

Antes de terminar esta seção de conversão, eu quero falar sobre as pessoas que são mais susceptíveis a isto, bem como sobre os Movimentos de Massa. Eu estou convencido que pelo menos um terço da população é aquilo que Eric Hoffer chama “verdadeiros crentes”. Eles são sociáveis, e são seguidores… são pessoas que se deixam conduzir por outros. Eles procuram por respostas, significado e por iluminação fora de si mesmos.

Hoffer, que escreveu O VERDADEIRO CRENTE, um clássico em movimentos de massa, diz: “os verdadeiros crentes não estão decididos a apoiar e afagar o seu ego; têm, isto sim, uma ânsia de se livrarem dele. Eles são seguidores, não em virtude de um desejo de auto-aperfeiçoamento, mas porque isto pode satisfazer sua paixão pela auto-renúncia!”. Hoffer também diz que os verdadeiros crentes “são eternamente incompletos e eternamente inseguros”!

Eu sei disto, pela minha própria experiência. Em meus anos de ensino e de condução de treinamentos, eu tenho esbarrado com isto muitas vezes. Tudo que eu quero fazer é tentar mostrar-lhes que a única coisa a ser buscada é a Verdade interior. Suas respostas pessoais deverão ser encontradas lá, e solitariamente. Eu sempre digo que a base da espiritualidade é a auto-responsabilidade e a auto-evolução, mas muitos dos verdadeiros crentes apenas respondem que eu não possuo espiritualidade, e vão em seguida procurar por alguém que lhes dará o dogma e a estrutura que eles desejam.

Nunca subestime o potencial de perigo destas pessoas. Eles podem facilmente ser moldados como fanáticos, que irão com muito prazer trabalhar e até morrer pela sua causa sagrada. Isto é um substituto para a sua fé perdida, e freqüentemente lhes oferece um substituto para a sua esperança individual. A Maioria Moral é feita de verdadeiros crentes. Todos os cultos são compostos de verdadeiros crentes. Você os encontrará na política, nas igrejas, nos negócios e nos grupos de ação social. Eles são os fanáticos nestas organizações.

Os Movimentos de Massa possuem normalmente um líder carismático. Seus seguidores querem converter outros para o seu modo de vida ou impor um novo estilo de vida – se necessário, recorrendo a uma legislação que os force a isto, como evidenciado pelas atividades da Maioria Moral. Isto significa coação pelas armas ou punição, que é o limite em se tratando de coação legal.

Um ódio comum, um inimigo, ou o demônio são essenciais ao sucesso de um movimento de massas. Os Cristão Renascidos tem o próprio Satã, mas isto não é o bastante – a ele se soma o oculto, os pensadores da Nova Era, e mais tarde, todos aqueles que se oponham à integração de igreja e política, como evidenciado pelas suas campanhas políticas contra a reeleição daqueles que se oponham às suas opiniões. Em revoluções, o demônio é usualmente o poder dominante ou a aristocracia. Alguns movimentos de potencial humano são bastantes espertos para pedir a seus graduados para que associem-se a alguma coisa, o que o etiquetaria como um culto – mas, se você olhar mais de perto, descobrirá que o demônio deles é quem quer que não tenha feito o seu treinamento.

Há movimentos de massa sem demônios, mas eles raramente alcançam um maior status. Os Verdadeiros Crentes são mentalmente desequilibrados ou mesmo pessoas inseguras, sem esperança e sem amigos. Pessoas não procuram aliados quando estão amando, mas eles o fazem quando odeiam ou tornam-se obcecados com uma causa. E aqueles que desejam uma nova vida e uma nova ordem sentem que os velhos caminhos devem ser destruídos antes que a nova ordem seja construída.

Técnicas de Persuasão

Persuasão não é uma técnica de lavagem cerebral, mas é a manipulação da mente humana por outro indivíduo, sem que o sujeito manipulado fique consciente do que causou sua mudança de opinião. Eu somente tenho tempo para apresentar umas poucas das centenas de técnicas em uso atualmente, mas a base da persuasão é sempre o acesso ao seu CÉREBRO DIREITO. A metade esquerda de seu cérebro é analítica e racional. O lado direito é criativo e imaginativo. Isto está excessivamente simplificado, mas expressa o que quero dizer. Então, a idéia é desviar a atenção do cérebro esquerdo e mantê- lo ocupado. Idealmente, o agente gera um estado alterado de consciência, provocando uma mudança da consciência beta para a alfa; isto pode ser medido em uma máquina de EEG.

Primeiro, deixem-me dar um exemplo de como distrair o cérebro esquerdo. Políticos usam esta poderosa técnica todo o tempo; advogados usam muitas variações, as quais eles chamam “apertar o laço”.

Assuma por um momento que você está observando um político fazendo um discurso. Primeiro, ele pode suscitar o que é chamado “SIM, SIM”. São declarações que provocarão assentimentos nos ouvintes; eles podem mesmo sem querer balançar suas cabeças em concordância. Em seguida vem os TRUÍSMOS. Estes são, usualmente, fatos que podem ser debatidos, mas uma vez que o político tenha a concordância da audiência, as vantagens são a favor do político, que a audiência não irá parar para pensar a respeito, continuando a concordar. Por último vem a SUGESTÃO. Isto é o que o político quer que você faça, e desde que você tenha estado concordando todo o tempo, você poderá ser persuadido a aceitar a sugestão. Agora, se você ler o discurso político a seguir, você perceberá que as três primeiras sentenças são do tipo “sim, sim”, a três seguintes são truísmos, e a última é a sugestão.

“Senhoras e senhores: vocês estão indignados com os altos preços dos alimentos? Vocês estão cansados dos astronômicos preços dos combustíveis? Estão doentes com a falta de controle da inflação? Bem, vocês sabem que o Outro Partido permitiu uma inflação de 18 por cento no ano passado; vocês sabem que o crime aumentou 50 por cento por todo o país nos últimos 12 meses, e vocês sabem que seu cheque de pagamento dificilmente vem cobrindo os seus gastos. Bem, a solução destes problemas é eleger-me, John Jones, para o Senado dos E.U.A.”

Eu penso que você já ouviu isto antes. Mas você poderia atentar também para os assim chamados Comandos Embutidos. Como exemplo: em palavras chaves, o locutor poderia fazer um gesto com sua mão esquerda, a qual, como os pesquisadores tem mostrado, é mais apta para acessar o seu cérebro direito. Os políticos e os brilhantes oradores de hoje, orientados pela mídia, são com freqüência cuidadosamente treinados por uma classe inteiramente nova de especialistas, os quais estão usando todos os truques – tanto novos quanto antigos – para manipulá-lo a aceitar o candidato deles.

Os conceitos e técnicas da Neuro-Lingüística são tão fortemente protegidos que eu descobri que, mesmo para falar sobre ela publicamente ou em impressos, isto resulta em ameaça de ação legal. Já o treinamento em Neuro-Lingüística está prontamente disponível para qualquer pessoa que queira dedicar o seu tempo e pagar o preço. Esta é uma das mais sutis e poderosas manipulações a que eu já me expus. Uma amiga minha que recentemente assistiu a um seminário de duas semanas em Neuro-Lingüística descobriu que muitos daqueles com quem ela conversou durante os intervalos era pessoal do governo.

Uma outra técnica que eu aprendi há pouco tempo é inacreditavelmente escorregadia; ela é chamada de TÉCNICA INTERCALADA, e a idéia é dizer uma coisa com palavras, mas plantar um impressão inconsciente de alguma outra coisa na mente dos ouvintes e/ou observadores.

Quero dar um exemplo: suponha que você está observando um comentarista da televisão fazer a seguinte declaração: “O SENADOR JOHNSON está ajudando as autoridades locais a esclarecer os estúpidos enganos das companhias que contribuem para aumentar os problemas do lixo nuclear”. Isto soa como uma simples declaração, mas, se o locutor enfatiza a palavra certa, e especialmente se ele faz o gesto de mãos apropriado junto com as palavras chaves, você poderia ficar com a impressão subconsciente de que o senador Johnson é estúpido. Este era o objetivo subliminar da declaração, e o locutor não pode ser chamado para explicar nada.

Técnicas de persuasão são também freqüentemente usadas em pequena escala com muita eficácia. O vendedor de seguro sabe que a sua venda será provavelmente muito mais eficaz se ele conseguir que você visualize alguma coisa em sua mente. É uma comunicação ao cérebro direito. Por exemplo, ele faz uma pausa em sua conversação, olha vagarosamente em volta pela sua sala, e diz, “Você pode imaginar esta linda casa incendiando até virar cinzas?”. Claro que você pode! Este é um de seus medos inconscientes, e quando ele o força a visualizar isto, você está sendo muito provavelmente manipulado a assinar o contrato de seguros.

Os Hare Krishna, ao operarem em um aeroporto, usam o que eu chamo técnicas de CHOQUE E CONFUSÃO para distrair o cérebro esquerdo e comunicarem-se diretamente com o cérebro direito. Enquanto estava esperando no aeroporto, uma vez eu fiquei por uma hora observando um deles operar. A sua técnica era a de saltar na frente de quem passasse. Inicialmente, sua voz era alta; então ele abaixava o tom enquanto pedia para que a pessoa levasse um livro, após o que pedia uma contribuição em dinheiro para a causa. Usualmente, quando as pessoas ficam chocadas, elas imediatamente recuam. Neste caso, eles ficavam chocados pela estranha aparência, pela súbita materialização e pela voz alta do devoto Hare Krishna. Em outras palavras, as pessoas iam para um estado alfa por segurança, porque elas não queriam confrontar-se com a realidade à sua frente. Em alfa, elas ficavam altamente sugestionáveis, e por isto aceitavam a sugestão de levar o livro; no momento em que pegavam o livro, sentiam-se culpadas e respondiam a uma segunda sugestão: dar dinheiro. Nós estamos todos condicionados de tal forma que, se alguém nos dá alguma coisa, nós temos de dar alguma coisa em troca – neste caso, era dinheiro. Enquanto observava este trabalhador incansável, eu estava perto o bastante para perceber que muitas das pessoas que ele parara exibiam um sinal externo de que estavam em alfa – seus olhos estavam dilatados.

Programação Subliminar

Subliminares são sugestões ocultas que somente o nosso subconsciente percebe. Podem ser sonoras, ocultas por entre a música; visuais, disfarçadas em cada quadro e mostrados tão rapidamente na tela que não são vistos; ou espertamente incorporados ao quadro ou desenho.

Muitas fitas de áudio de reprogramação subliminar oferecem sugestões verbais gravadas em baixo volume. Eu questiono a eficácia desta técnica – se as subliminares não são perceptíveis, elas não podem ser efetivas, e subliminares gravadas abaixo do nível de audição são, por esta razão, inúteis. A mais antiga técnica de áudio subliminar usa uma voz que segue o volume da música de tal modo que as subliminares são impossíveis de detectar sem um equalizador paramétrico. Mas esta técnica é patenteada, e, quando eu quis desenvolver minha própria linha de audiocassetes subliminares, negociações com os detentores desta patente provaram ser insatisfatórias. Meu procurador obteve cópias das patentes, as quais eu dei a alguns talentosos engenheiros de som de Hollyhood pedindo-lhes para criarem uma nova técnica. Eles encontraram um modo de modificar psico- acusticamente e sintetizar as subliminares de tal modo que elas fossem projetadas no mesmo acorde e freqüência que a música, assim dando- lhes o efeito de fazerem parte da música. Mas nós descobrimos que usando estas técnica, não há maneira de reduzir as freqüências para detectar os subliminares. Em outras palavras, embora eles possam ser ouvidos pela mente subconsciente, não podem ser monitorados mesmo pelos mais sofisticados equipamentos.

Se nós pudemos criar esta técnica tão facilmente como o fizemos, eu posso somente imaginar quão sofisticada a tecnologia se tornou, com fundos ilimitados do governo e da publicidade. E eu estremeço só de pensar na manipulação dos comerciais de propaganda a que estamos expostos diariamente. Não há simplesmente nenhuma maneira de saber o que há por trás da música que você ouve. E pode mesmo ser possível esconder uma segunda voz por trás da voz que você está ouvindo.

As séries de Wilson Bryan Key, Ph.D., sobre subliminares em publicidade e campanhas políticas documentam bem o abuso em muitas áreas, especialmente na publicidade impressa em jornais, revistas e posters.

A grande questão sobre subliminares é: eles funcionam? Eu garanto que sim. Não somente devido àqueles que usaram minhas fitas, mas também dos resultados de tais programas subliminares por trás das músicas das lojas de departamentos. Supostamente, a única mensagem eram instruções para não roubar: uma cadeia de lojas de departamentos da Costa Leste reportou uma redução de 37 por cento em furtos nos primeiros nove meses do teste.

Um artigo de 1984 no jornal “Brain-Mind Bulletin” declara que até 99 por cento de nossa atividade cognitiva pode ser “não-consciente”, de acordo com o diretor do Laboratório de Psicofisiologia Cognitiva da Universidade de Illinois. O longo relatório termina com a declaração, “estas ferramentas apoiam o uso de abordagens subliminares tais como sugestões gravadas em fita para perder peso, e o uso terapêutico da hipnose e Programação Neuro-Lingüística”.

Abuso das Massas

Eu poderia relatar muitas histórias que apoiam a programação subliminar, mas eu gastaria muito tempo para falar mesmo dos mais sutis usos de tal programação.

Eu experimentei ir pessoalmente, com um grupo, a reuniões no auditório de Los Angeles, onde mais de dez mil pessoas se reúnem para ouvir uma figura carismática. Vinte minutos depois de entrar no auditório eu percebi que estava indo e vindo de um estado alterado de consciência. Todos que me acompanhavam estavam experimentando a mesma coisa. Como este é o nosso negócio, nós percebíamos o que acontecia, mas os que nos rodeavam nada percebiam. Por cuidadosa observação, o que parecia ser uma demonstração expontânea era, de fato, uma astuta manipulação. A única maneira que eu podia imaginar pela qual se poderia fazer a indução ao transe era por meio de uma vibração de 6 a 7 ciclos por segundo que soava juntamente com o som do ar condicionado. Esta vibração em particular gera um ritmo alfa, a qual tornará a audiência altamente susceptível às sugestões. De 10 a 25 por cento da população é capaz de ir para um estado alterado de consciência sonambúlico; para estas pessoas, as sugestões do locutor, se não-ameaçadoras, podem potencialmente ser aceitas como “comandos”.

Vibrato

Isto nos leva a mencionar o VIBRATO. Vibrato é o efeito de trêmulo feito por alguma música instrumental ou vocal, e a sua faixa de freqüências conduz as pessoas a entrarem em um estado alterado de consciência. Em um período da história inglesa, aos cantores cuja voz possuía um vibrato pronunciado não era permitido cantarem em público, porque os ouvintes entravam em um estado alterado de consciência, quando então tinham fantasias, inclusive de ordem sexual.

Pessoas que assistem à ópera ou apreciam ouvir cantores como Mário Lanza estão familiarizados com os estados alterados induzidos pelos cantores.

ELF

Agora, vamos levar esta condição um pouco mais longe. Há também ondas de freqüência extra-baixa (ELFs) inaudíveis. Elas são eletromagnéticas por natureza. Um dos usos básicos das ELFs é a comunicação com nossos submarinos. O dr. Andrija Puharich, um altamente respeitado pesquisador, em uma tentativa de alertar os oficiais americanos acerca do uso pelos russos das ELFs, realizou uma experiência. Voluntários tinham conexões ligadas aos seus cérebros de modo a que as ondas pudessem ser medidas em um EEG. Eles eram isolados em uma sala de metal que era imune à penetração de qualquer sinal normal.

Puharich então irradiou ondas ELF para os voluntários. As ondas ELFs passam direto através da Terra, e, claro, atravessam paredes de metal. Os que estavam isolados não sabiam se o sinal estava ou não sendo enviado, e Puharich observou as reações em um aparelho: 30 por cento dos que estavam na sala acusavam o sinal de ELF em seis ou dez segundos.

Quando eu digo “acusavam”, eu quero dizer que o seu comportamento seguia as mudanças prevista para freqüências muito precisas. Ondas abaixo de seis ciclos por segundo causavam perturbações emocionais e até a interrupção de funções físicas. Para 8.2 ciclos, eles sentiam um bem alto…um elevado sentimento, como se estivessem em uma poderosa meditação, aprendida à custa de muitos anos. Onze até 11,3 ciclos induziam ondas de depressão e agitação, que conduziam a um comportamento turbulento.

O Neurofone

O dr. Patrick Flanagan é um meu amigo pessoal. No início dos anos 60, como um adolescente, Pat foi listado como um dos maiores cientistas do mundo pela revista Life. Entre os seus muitos inventos havia um dispositivo que ele chamou Neurofone – um instrumento eletrônico que podia, com sucesso, transmitir sugestões diretamente através do contato com a pele. Quando ele tentou patentear o dispositivo, o governou demandou para que ele provasse que era dele o invento. Quando ele o fez, a Agência de Segurança Nacional confiscou o neurofone. Pat levou dois anos de batalha legal para ter sua invenção de volta.

Usando o dispositivo, você não ouve ou vê nada; ele é aplicado à pele, a qual Pat afirma que é a fonte de sentidos especiais. A pele contém mais sensores de calor, toque, dor, vibração e campos elétricos do que qualquer outra parte da anatomia humana.

Em um de seus recentes testes, Pat conduziu dois idênticos seminários para uma audiência militar – um seminário em uma noite e outro na seguinte, porque a sala não era bastante grande para acomodar todos ao mesmo tempo. Quando o primeiro grupo provou ser muito pouco receptivo e relutante em responder, Patrick passou o dia seguinte fazendo uma fita de áudio especial para tocar no segundo seminário. A fita instruía a audiência a ser extremamente calorosa, sensível e para que as suas mãos “formigassem”. A fita foi tocada através do neurofone, o qual foi conectado por um fio que ele colocou ao longo do teto da sala. Não havia locutores, e assim nenhum som podia ser ouvido, e ainda assim a mensagem foi transmitida com sucesso através do fio diretamente para a mente dos que assistiam o seminário. Eles foram calorosos e receptivos, suas mãos formigaram e eles responderam à programação, com reações que não posso mencionar aqui.

Quanto mais procuramos descobrir sobre como os seres humanos agem, através da altamente avançada tecnologia de hoje, tanto mais aprendemos a controlá-los. E o que provavelmente mais me assusta é que o meio para dominá-los já está aí! A televisão em sua sala e quarto está fazendo muito mais do que apenas dar-lhe entretenimento.

Antes de continuar, deixem-me ressaltar alguma coisa a mais acerca do estado alterado de consciência. Quando você vai para um estado alterado, você passa a usar o lado direito do cérebro, o que resulta na liberação dos opiáceos internos do corpo: encefalinas e beta-endorfinas, que quimicamente são quase idênticas ao ópio. Em outras palavras, dá uma boa sensação, a qual você sempre irá querer mais.

Testes recentes feitos pelo pesquisador Herbert Krugman mostraram que enquanto as pessoas assistem à TV, a atividade do cérebro direito excede em número a atividade do cérebro esquerdo por uma relação de dois para um. Colocando de maneira mais simples, as pessoas estão em um estado alterado … e muito freqüentemente, em transe. Elas estão conseguindo a sua beta-endorfina “fixa”.

Para medir a extensão da atenção, o psicofisiologista Thomas Mulholland, do Hospital de Veteranos de Bedford, Massachusetts, ligou telespectadores jovens a uma máquina EEG que estava ligada a um fio que interrompia a TV sempre que o cérebro dos jovens produzisse uma maioria de ondas alfa. Embora lhes fosse pedido que se concentrassem, somente uns poucos puderam manter o aparelho ligado por mais do que 30 segundos!

Muitos telespectadores já estão hipnotizados. Aprofundar o transe é fácil. Um modo simples é colocar um quadro preto a cada 32 quadros do filme que está sendo projetado. Isto cria uma pulsação de
45 batidas por minuto, percebida somente pela mente subconsciente – o ritmo ideal para provocar uma hipnose profunda.

Os comerciais ou sugestões apresentados pelas emissoras seguindo esta indução ao transe-alfa são muito mais comumente aceitas pelos telespectadores. A alta porcentagem da audiência que atinge o sonambulismo profundo pode muito bem aceitar as sugestões como comandos – pelo menos enquanto estes não contrariarem suas convicções morais, a religião ou sua auto-preservação.

O meio para dominar está aqui. Até a idade de 16 anos, as crianças terão passado de 10.000 a 15.000 horas vendo televisão – o que é mais tempo do que ele passam na escola! Na média dos lares, o aparelho de TV fica ligado seis horas e 44 minutos por dia – um acréscimo de nove minutos sobre o ano passado, e três vezes a média de crescimento durante os anos 70.

Isto obviamente não está melhorando…nós estamos rapidamente nos movendo para um mundo nível alfa – muito possivelmente o mundo Orwelliano de “1984” – plácido, olhar vítreo e resposta obediente às instruções.

Um projeto de pesquisa de Jacob Jacoby, um psicólogo da Universidade Purdue, descobriu que de 2.700 pessoas testadas, 90 por cento entenderam mal até mesmo simples opiniões mostradas em comerciais e “Barnaby Jones”. Apenas alguns minutos depois, o típico telespectador esquece de 23 a 36 por cento dos assuntos que ele ou ela vê. É claro que eles estavam entrando e saindo do transe! Se você for para um transe profundo, pode ser instruído para relembrar – do contrário, automaticamente esquece tudo.

Eu toquei unicamente a ponta do iceberg. Quando você começa a combinar mensagens subliminares por trás da música, projetar cenas subliminares na tela, produzir efeitos ópticos hipnóticos, ouvir batidas musicais a um ritmo que induz ao transe…você tem uma extremamente eficaz lavagem cerebral. Cada hora que você passa assistindo a TV deixa-o cada vez mais condicionado. E, no caso de você pensar que exista uma lei contra tudo isto, esqueça. Não há! Existem muitas pessoas poderosas que obviamente preferem que as coisas permaneçam exatamente como estão. Será que elas planejam algo?

Dick Sutphen

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/a-batalha-pela-sua-mente/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/baixa-magia/a-batalha-pela-sua-mente/

Olimpo

Viviam eternamente em um local que chamavam de Olimpo, primitivamente localizada no alto do Monte Olimpo, na Tessália. Logo, porém, passou a ser situada entre as nuvens, em algum misterioso lugar do céu, e a palavra “Olimpo” tornou-se uma verdadeira abstração. No Olimpo, os deuses passavam o tempo em maravilhosos palácios, eternamente em festa. Comiam a ambrosia e bebiam o néctar, alimentos exclusivamente divinos, ao som da lira de Apolo, do canto das Musas e da dança das Cárites. Os ventos, a chuva ou a neve não perturbavam a placidez e a tranquilidade dos deuses eternos e bem-aventurados… as perturbações decorriam, via de regra, de sua teimosia em interagir com os mortais e se imiscuir constantemente nos assuntos humanos.

– Bernardo Gregorio

#Mitologia #MitologiaGrega

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/olimpo

Nix, a Deusa da Noite

A noite sempre foi o maior dos mistérios para o Ser Humano e seu maior medo. Qual criança nunca sentiu medo do escuro? Para mostrar que a noite não é algo tão ruim assim, os gregos antigos criaram um belo mito sobre a deusa Nix (que em grego quer dizer “noite”). Nix é uma deusa-mãe muito antiga que habita o espaço conhecido como “nível telúrico” (este espaço terrestre onde vivemos) ao lado de Heméra (o dia), Éter (os espaços aéreos) e Deméter (a Natureza).

Os gregos diziam que a luz é eterna e jamais se apaga nas alturas dos montes sagrados e dos céus. Porém, nós, os mortais, não conseguimos nos manter acordados todo o tempo, como fazem os deuses. Nós necessitamos de descanso… É exatamente por isso que diariamente no fim da tarde Nix, bondosa e cuidadosa para com seus filhos, os mortais, estende por sobre todo o mundo seu enorme manto de veludo azul-escuro: o manto de Nix. Este manto é noite que nos aquece, protege e propicia tranqüilidade e conforto para dormirmos em paz. De manhãzinha, a filha querida de Nix, Aurora, com seus belos dedos cor-de-rosa retira lentamente o manto de Nix e traz novamente a claridade ao mundo. No entanto, este manto está sendo usado há muito tempo e já está velho e puído. Durante a noite pode-se ver os pequenos furinhos que este manto tem e, através deles, perceber que por trás do veludo a luz brilha eternamente. Estes furinhos são as estrelas.

Há quem considere o povo grego como que um gênio que realizou o milagre do nascimento da Razão. Há quem pense, no entanto, que não há mais que um eterno retomar, sempre fundamentado na origem ocidental. Há quem considere que deste gênio, simplista, harmônico e luminoso, emergiu a Filosofia, como culminância de um povo. Há, no entanto, quem imagine que os gregos sempre estiveram imersos em guerras contínuas e em desespero, “dilaceramento trágico e desmedido, de tal forma que a Filosofia exprime a obscuridade do gênio helênico”. A Razão é então um libertar da obscuridade mítica, “libertado do mito, como as escaras caem dos olhos do cego”, ou seria ela tão-somente a continuação do próprio mito e da religião, como herdeira inevitável?

Oriente e Ocidente

Sobre o tema, introduz-nos Pessanha: “durante muito tempo o problema do começo histórico da Filosofia e da Ciência Teórica foi colocado em termos de relação Oriente-Grécia. Desde a própria antiguidade, confrontaram-se duas linhas de interpretação: a dos orientalistas, que reivindicaram para as antigas civilizações orientais a criação de uma sabedoria que os gregos teriam depois apenas herdado e desenvolvido; e a dos ocidentalistas, que viam na Grécia o berço da Filosofia e da Ciência Teórica. (…) As disputas continuariamindefinidamente em termos da relação empréstimo ou herança entre Oriente e Grécia, examinada freqüentemente com bases apenas conjeturais, se dois fatores não viessem, a partir do final do séc. XIX, deslocar o eixo da questão: a expansão das pesquisas arqueológicas e o interesse pela natureza da chamada mentalidade primitiva ou arcaica”

Quando Hesíodo descreve os Persas, há a descrição da cultura oriental com fatos tais como o estudo dos astros pelos babilônicos, o da matemática pelos egípcios, o dos céus pelos caudeus ou a criação da moeda pelos fenícios. Platão e Aristóteles insistem que tais idéias foram apropriadas pelos gregos, poré isto não quer que necessariamente dizer que a Filosofia é oriental. O primeiro motivo é a idéia de que o Oriente é um lugar mítico e especial, por ter sido lá que o ser humano apareceu, como criação direta dos deuses, na metáfora da idade do ouro. O segundo, é que o pensamento filosófico é perturbador por questionar os deuses e as instituições; assim, uma idéia de tradição, funciona como uma espécie de salvaguarda contra possíveis ataques. As cosmogonias orientais são então, retomadas pelas cosmologias gregas.

As cosmogonias orientais contém, então, idéias que seriam retomadas pelos cosmologistas. São elas: 1.a ) Unidade universal e divina que engendra de dentro de si mesma, todos os seres (o uno). 2.a) Passagem do Chaos ao Kósmos; de uma unidade primordial indiferenciada, à diferenciação dos seres existentes; das trevas à luz. 3.a) Mundo como processo contínuo de geração e diferenciação dos seres; quer pela força do uno ou por interação de forças inteligentes que discriminam. 4.a) Conexão ou sympathia que une todos os seres; daí existir o mundo, enquanto órganon e kósmos: a ordem. 5.a) Lei e/ou necessidade que governa a geração, a transformação e a corrupção de todos os seres em movimento circular e cíclico. 6.a) Dualismo entre um corpo mortal e uma alma imortal, que nasceu da purificação feita pelos gregos, de uma felicidade perene oriental.

Em Homero e Hesíodo, as idéias orientais se fazem presentes, guardando-se porém, cuidados em fazer as devidas adaptações ao pensamento helênico: 1.a) Afastamento de monstruosidades e irracionalidades; fundamentalmente a ausência de uma ordem cósmica em que se possa confiar. 2.a) Aproximação dos homens e dos deuses, com uma função de antropomorfização das forças primordiais. A diferença entre os conhecimentos orientais é, portanto, a própria racionalidade imprimida aos conhecimentos antigos. O “milagre grego”revela-se, na verdade, como uma organização do conjunto de conhecimentos empíricos e práticos, em conhecimentos sistemáticos e lógicos. A matéria prima é oriental, e sobre ela, os gregos aplicaram o gênio do logos. Um conjunto de estudos (História, Arqueologia, Filosofia, Lingüística) mostraram que uma série de mitos e cultos religiosos, danças e músicas, poesia, objetos, técnicas e utensílios; demonstra um contato intenso entre o Ocidente e o Oriente. Fica então evidente que a simples rejeição da tese oriental é absurda. Se o termo “milagre” for tomado em sentido de mutação, então tal termo pode ser usado enquanto mudança qualitativa sobre o material do Oriente.

O Gênio Grego

O pensamento do séc. XVIII assume a Filosofia como um fenômeno grego, enquanto espírito do povo grego. O gênio grego caracterizar-se-ia pois, pela liberdade e qualidade racional de espírito. Quando comparada ás demais culturas, a cultura grega explicitaria que na cultura oriental, falta a liberdade frente a natureza; na cultura cristã, falta a memória do espírito e do corpo; na cultura muçulmana, falta a harmonia entre a forma e a matéria e na cultura moderna, que é fruto do cristianismo, os gregos figuram como o povo da luz, da medida, da proporção e do equilíbrio. A objetividade pesa pela razão, sobre as paixões; a simplicidade é racional.

Por causa deste tal gênio grego, enquanto conseqüência e expressão do caráter racional, a imagem de harmonia orgânica grega foi questionada no séc. XVIII por Rousseau e no séc. XIX, por Nietzsche. Para Rousseau, a origem da Filosofia foi a perenidade do conflito entre as cidades. Nietzsche diz que os gregos criaram a Filosofia, porque temiam aquilo que sabiam ser: o dilaceramento trágico, o lado cruel e sombrio da natureza humana. Para Nietzsche, os gregos eram o povo da hýbris, da luta entre os opostos, agonísticos em si, competitivos. A origem de outra expressão do mesmo gênio grego é a tragédia, culto a Dionýsos, culto à demésure. A criação e a separação de todos os seres do uno, traduz-se dor. O principio do sofrimento, da dor, da paixão e da demésure, é o principio dionisíaco. Em contraponto, há um principio racional, luminoso e diferenciador, representado por Apólon. A Filosofia nasce como negação do próprio gênio grego. O fim deste movimento, dá-se com Sócrates, com a vitória apolínea sobre o principio dionisíaco.

Ambas as teses são igualmente abstratas, porque não são históricas. Ambas referem-se aos gregos como entidade abstrata e atemporal. A cultura grega, no entanto, possui efetivamente tais caracterizações, porém tais aspectos estão ligados ás condições sociais, políticas e culturais determinantes. O ideal de harmonia não traduz a realidade grega, pelo contrário, a contrapõe.

Filosofia e Filósofos

Historicamente temos então, o surgimento da democracia e da sociedade estruturada como Estado, e não mais como simples clã ou família. Tais gene eram dominados por um patriarca, o despótes, que era senhor absoluto sobre todos os bens e sobre todas as pessoas de sua família. No entanto, com o crescimento populacional e com o não equivalente crescimento da produção, o sistema autárquico dos gene tornou-se inviável, pela generalizada diminuição das rendas familiares. Além disso, a subdivisão progressiva dos gene em famílias menores, gerou um enfraquecimento do poder centrado nos laços sanguíneos. Os bens foram divididos e apareceu a propriedade privada e, com ela, disputas pela posse e pelo poder. Um período de desordens sociais seguiu-se.

Os aristocratas, aqueles mais favorecidos cm o fim do sistema de génos, passaram a unirem-se com finalidade de autoproteção. Apareceram então tribos que acabaram por fundirem-se em pequenos agrupamentos, mais tarde em vilarejos e, finalmente, em cidades. Fortificações surgiram e, à volta delas, os primeiros núcleos urbanos. A polis surgiu daí e a forma monárquica de poder deu lugar á oligárquica, baseada no comércio e em bens privados. Apareceu, pela primeira vez na história da humanidade, a idéia de indivíduo e a de individualismo. Isto marca a passagem da poesia épica, que canta os grandes heróis e os feitos do génos, para a poesia lírica, que canta o individuo. Estes foram os efeitos básicos que culminariam com o surgimento da Democracia e da Filosofia; e da união delas surgiria a Política.

Com o advento da colonização, ampliaram-se os contatos do mundo grego. Atenas foi extremamente beneficiada devido sua privilegiada localização geográfica e transformou-se em importante centro de redistribuição comercial no meio do mar Egeu. Os comerciantes e artesãos tornaram-se numerosos, ricos e poderosos. Houve uma crise política e uma luta entre a aristocracia e os novos comerciantes enriquecidos. Tornou-se imperiosa uma mudança política em Atenas e surgiram legisladores como resposta à crise que se instalava. Dracon elaborou a primeira legislação de Atenas, extremamente severa e que impunha a pena de morte para a maioria dos crimes; mas, no plano político não houve mudanças substanciais e a aristocracia mantinha para si o poder. A crise continuou, portanto. Sólon foi nomeado legislador e operou reformas sociais em Atenas: estimulou o desenvolvimento da indústria e das artes; estabeleceu pesos, medidas e moeda estável; reviu a legislação de Dracon, amenizando-a e abolindo a escravização por divida; o poder foi retirado da aristocracia e introduziu um sistema político com a participação geral, de acordo as riquezas dos cidadãos. Tais reformas foram feitas no sentido de estabelecer uma justiça correta e válida para todos, sem que fossem favorecidos nem os aristocratas,nem as classes em ascensão, nem as reivindicações extremas das camadas empobrecidas. No entanto as reformas de Sólon não foram totalmente aplicadas, devido aos interesses que se contrapunham. Houve o aparecimento de homens que tomaram o poder pela força e à revelia das leis, apareceu a figura do týrannos.

Um novo movimento de reforma do sistema político surgiu em Atenas com Clístenes. Este legislador reorganizando os espaços físicos e geográficos, aproveitou-se da situação para criar a democracia. Clístenes estabeleceu direitos iguais de participação no poder para os cidadãos, isto é, homens gregos, nascidos na polis, adultos e livres. Apareceu a idéia de demos, com o agrupamento de antigos gene em povos de acordo com sua região de origem na península Ática. Estava instituída de forma estável, a democracia ateniense. Desta forma, a política era exercida pelos cidadãos que se reuniam em assembléia, a ekklesia, para discutir e resolver os problemas políticos. Da necessidade de discussão e de debate, surgiu a oratória, a retórica e o pensamento político grego. Pouco a pouco, a Filosofia que originalmente voltava-se somente para questões cosmológicas e perseguia a idéia de natureza, isto é, a unidade que garante a ordem do mundo; voltou-se para questões ligadas ao individuo e á cidade, fundando a Antropologia e a Política. Nesta fase antropológica da Filosofia grega, temos como expoentes máximos e antagônicos, em um extremo Sócrates e em outro, os sofistas, já aqui, uma Filosofia absolutamente grega e ocidental, não mais guardando resquícios das cosmogonias orientais.

A palavra “política” tem origem na palavra grega politiké, guardando, enquanto substantivo masculino, o significado de homem do Estado; enquanto substantivo neutro, os de cidadania, negócios públicos, política; enquanto substantivo feminino, o de ciência ou arte dos negócios do Estado e enquanto adjetivo, os sentidos de cívico, civil; composto de cidadãos; político, público, do Estado. Por sua vez, são as formas genitivas da palavra, que designa cidade, imediações da cidade, região habitada; reunião dos cidadãos, Cidade-Estado; também refere-se ao Estado e, finalmente, à democracia. Isto quer dizer que o idioma grego associa, de maneira inseparável, a idéia de “cidade”, dupla entidade, tanto física quanto social, à de Estado, e é desta associação que emerge a idéia de “ciência política”.

Da necessidade da discussão em assembléia e do afã de fazer prevalecer uma idéia sobre as demais, nasceu a sofistica. A controversa figura do sofista, correspondia então aquele que se propunha a ensinar e a definir conhecimentos gerais, principalmente a arte da oratória e da retórica; isto, mediante remuneração. A palavra grega designava originalmente apenas sábio, sem cunho filosófico, tendo sido inclusive aplicada a legisladores e políticos (os Sete Sábios). Mas, com o advento da Filosofia e da Democracia, passou a ser sinônimo de homem que sobressai em alguma coisa, engenhoso;mestre de eloqüência e no vocabulário de Sócrates, assumiu caráter pejorativo, significando impostor, charlatão, sofista. Apareceu então, um duplo sentido para a idéia de Sophia: conhecimento, saber ciência; prudência e penetração, persuasão; sagacidade, astúcia. Escreve Abbagnano: Os sofistas não podem relacionar-se com as investigações especulativas dos filósofos jônicos, mas com a tradição educativa dos poetas, a qual se desenvolvera ininterruptamente de Homero e Hesíodo, a Sólon e a Píndaro. Todos eles orientaram a sua reflexão para o homem, para a virtude e para o seu destino e retiraram, de tais reflexões, conselhos e ensinamentos.

Tal função de exegetés, desempenha pelos sofistas, reconhecedores do valor formativo e educacional do saber, atraiu sobre si a critica de Sócrates, que viu na paidéia a elevada função de acordar a psyché para o conhecimento, a partir da admissão do não conhecer. Ensinar é pois lembrar a alguém, inicialmente, de que nada sabe, para exercer uma função destrutiva e libertadora, anulação de qualquer saber fictício e preconceituoso. Mais tarde, há que se lembrar, como quem faz um parto, aquilo que já se sabia; fazendo vir á luz a ânsia pelo saber e o interesse pela pesquisa. Assim ninguém pode ensinar ou proferir doutrina, não é possível o conhecimento e, por isso, não se deve escrever para que não se crie a falsa idéia de que existam tais coisas: Sócrates limitava-se a nada saber. Escreve Abbagnano: aqueles que dele (Sócrates) se aproximam, a principio parecem completamente ignorantes, mas depois a sua pesquisa torna-se fecunda, sem que todavia nada recebam dele.

Radicalmente contrário a qualquer presunção de sabedoria, Sócrates via nos sofistas, indivíduos que pretendiam-se detentores de um saber; saber este, fictício, desprovido de verdade e corruptor em sua prepotência. Filosofar é o exame incessante de si mesmo e dos outros, de si próprio em relação aos outros e dos outros em relação a si. Se a profissão sofística apoiava-se na sabedoria e no ensinamento, a profissão socrática erguia-se da própria ignorância e fazia ver à psyché, a verdade contida no pneûma. Ambas igualmente antropocêntricas, ambas em busca da areté, ambas uma paidéia em si, é certo. Entretanto, em extremos opostos localizavam-se: uma na ânsia de conhecer-se a si mesmo e saber o dever ser e a verdade, outra na ânsia pelo sucesso na discussão através do influenciar e da persuasão. Há que se dizer ainda que, por todos estes motivos, Sócrates, ao contrário dos sofistas, identificava a areté á sabedoria e á ciência e nunca á opinião, á aparência ou á fama.

Ainda em Abbagnano encontramos: O homem não pode ver claro por si só. A investigação de que se ocupa não pode começar e acabar no recinto fechado da sua individualidade: pelo contrário, só pode ser o fruto de um dialogar contínuo com os outros, como consigo mesmo. É aqui que reside, verdadeiramente, a sua antítese polêmica em relação à sofística. A sofística é um individualismo radical. O sofista não se preocupa com os outros a não ser para arrancar a todo custo, e sem se preocupar com a verdade, o consenso que lhe assegura o sucesso; mas nunca chega à sinceridade consigo próprio e com os outros. Jaeger comenta: Na época dos sofistas, a paidéia converte-se pela primeira vez em um problema consciente e situa-se no centro do interesse geral, sob a pressão da própria vida e da evolução do espírito, que sempre colaboram. Surge uma cultura superior e aparece e desenvolve-se, como sua representante, uma profissão especial: a dos sofistas, que abraçam como missão o ensino da virtude. Mas agora põe-se manifesto que, apesar de todas as meditações sobre os métodos pedagógicos e as formas de ensino e apesar da riqueza vertiginosa da matéria didática de que dispõe esta cultura superior, ninguém tem uma idéia clara sobre suas premissas. Sócrates não teve a pretensão de educar aos homens como Protágoras (…) Mas mesmo que estivéssemos instintivamente convencidos desde o primeiro momento, como estavam todos seus discípulos, de que Sócrates é o verdadeiro educador que sua época busca, Platão põe em destaque no “Protágoras” que sua pedagogia não se baseia somente em outros métodos de natureza distinta ou no mero poder misterioso da personalidade; mas sim, fundamentalmente no feito de que, ao reduzir o problema moral a um problema de saber, assenta pela primeira vez aquela premissa que á pedagogia sofística faltava. O postulado da primazia da formação do espírito proclamado pelos sofistas não pode justificar-se pelo simples fato de triunfar na vida. Esta época vacilante em seus fundamentos reclama o conhecimento de uma norma suprema que obrigue e vincule a todos, por ser expressão da natureza mais íntima do homem, e apoiando-se nela, que possa a educação enfrentar sua tarefa suprema: formar ao homem para sua verdadeira arete. A este resultado não podem conduzir os conhecimentos e o training dos sofistas, mas aquele saber profundo sobre que versa o problema de Sócrates.

Considerações Finais

Concluamos então, com o próprio Vernant: “Como a Filosofia se desenvolve do mito, como o filósofo deriva do mago, assim também a Cidade se constitui a partir da organização social: ela a destrói, mas ao mesmo tempo conserva o quadro; transpõe a organização tribal em uma forma que implica um pensamento mais positivo e abstrato.

Deste eterno transformar do pensamento humano: do mito oriental ao mito ocidental, da religião à Filosofia e da Filosofia á ciência, a psyché humana processa sua jornada rumo a Sophia, a Mnemósine, numa metempsicose que faz revelar a verdade em meio a conflitos e paradoxos impostos pelo próprio pensamento. Assim como o poeta, o adivinho possui o privilégio de ver a realidade imutável e permanente, põe-no em contato com o seu original, do qual o tempo, na sua marcha, só descobre uma ínfima parte aos humanos, e para a ocultar logo após.

Um dia chegará em que Nix retirará de sobre tal verdade seu manto e em um apokalypsis o divino aither, de que são formadas as estrelas, mostrará sua face mais brilhante ao ser humano.

Texto de Bernardo de Gregório.

#Mitologia #MitologiaGrega

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/nix-a-deusa-da-noite

‘Kama Sutra (texto completo)

Antes de ser uma livro de imagens, o kama sutra é um poema. Este poema divertido e instrutivo doi criado para a nobreza da Índia por um nobre Vatsyayana, em alguma época entre 100 e 400 d.C. Originalmente em sânscrito, está inserido na concepção de mundo da religião hindu. Seus ensinamentos, embora conduzam seus praticantes ao orgasmo intenso e ao prazer visam, antes disso, à elevação espiritual do casal.

Kama significa sexo, amor, prazer, satisfação. É um dos três sustentáculos da religião hindu. Os outros são Dharma e Artha. Dharma é o mérito religioso e Artha a aquisição de riquezas e bens materiais..

Os hindus acreditavam que aquele que praticar Dharma, Artha e Kama, sem se tornar escravo das paixões, conseguirá êxito em todos os seus empreendimentos. Em outras palavras, deve-se desfrutar as riquezas e os prazeres sexuais sem jamais perder a virtude religiosa.

Estas três metas possuem suas contrapartes modernas. Muitos de nós não somos tão voltados para a religião, mas buscamos desenvolvimento pessoal e realização; muitos de nós não aspiram grandes riquezas, mas sim ter o dinheiro suficiente para viver confortavelmente; e a maioria de nós quer um relacionamento sexual carinhoso.

Não é apenas um manual de posições sexuais. Além de trazer detalhadamente 64 formas de amar consideradas essenciais, pretende também desenvolver o erotismo e sensualidade de ambientes, situações e pessoas. Velas e óleos aromáticos, comidas afrodisíacas, perfumes e músicas, fazem parte de todo o ritual. Os amantes são encorajados a estarem sempre enfeitados com tecidos leves, coloridos e sensuais e cheios de adornos como colares e brincos. O sexo vai além do simples prazer genital e explodia em todas as direções dos cinco sentidos.

Segue a tradução do poema original para o português:

Os Beijos

Beijar, com unhas marcar,

as mordidas de amor,
sempre devem o acto do amor preceder,
enquanto os golpes e gritos de amor
são usados apenas para apressar o orgasmo.

Mas Vatsyayana diz: a paixão desperta,
pouco tempo resta para a etiqueta.
Faça o que bem quiser,
quando lhe aprouver,
pois Kama não respeita convenções.

Na primeira vez que se deitar com uma mulher,
não exagere nos beijos, unhas e dentes,
melhor sempre é uma coisa de cada vez.
A confiança dela aumentando, recorra a tudo,
que neste livro há, para alimentar o desejo.

Os Beijos

Dê os seus beijos na fronte,
olhos, cabelos, nas faces e lábios,
no pescoço e nos seios,
que sua língua peregrine
pelos sagrados recônditos da suave boca.

Um homem de Lat também beijaria
os tufos de macaco nas axilas, o umbigo,
as coxas, os lábios secretos.
Essa demonstração exuberante de paixão
reflecte a nacionalidade, não é para todos.

Três beijos têm encanto especial
quando dados pelas jovens em flor.
São o Quase-não-um-beijo,
o Beijo Trémulo,
e refinado Primeiro-toque-de-sua-língua.

O primeiro ocorre com a nervosa jovem,
importunada por um beijo,
um abraço relutante lhe permite,
aceita a homenagem de seus lábios,
mantendo os dela fechados firmemente.

Depois que ganha confiança,
ela pode permitir que os lábios se entreabram.
Se você então lhe mordiscar o lábio inferior,
sentir que treme, o prazer ao medo surpreende,
a vitória conquistou, pelo segundo beijo.

Um dia os olhos dela vão fechar,
aos seus olhos as mãos dela cobrirão
e uma língua furtiva indagará
se pode prosseguir por aventuras mais ousadas:
é o terceiro beijo, que o aprendizado encerra.

Mais quatro beijos há nos textos de amor,
Lábios se encontrando em cheio formam o Beijo
Recto, se inclinados, o Beijo de Viés.
Ao queixo dela levante para o Beijo Alteado;
qualquer deles, se ardente, é Beijo Esmagado.

Há quem chame Sorver o Vinho
quando, ao queixo dela se levanta,
a boca se comprime para um “O” formar,
cautela para com os dentes não feri-la
se dá um beijo sôfrego, com força.

Jogos de Beijar

Façam apostas sobre quem, os lábios só usando,
primeiro pode ao lábio inferior do outro
capturar. Se ela perder, há de gritar,
a mão lhe sacudindo, clamando que é injusto,
que você a enganou, outra chance vai querer.

Quando você por direito recusar,
seu nariz ela deve morder e magoar,
até levá-lo a concordar com suas exigências.
E se você ganhar outra vez,
um rebuliço maior ela deve criar.

Se desprevenido ela pegá-lo
o seu lábio captura entre os dentes,
entre os risos declarando
vitória maior ter conquistado,
morder ameaçando, se tentar escapar.

A vitória ela deve proclamar, exuberante,
provocando com gracejos refinados,
recorrendo às nuanças de expressão
que os lindos olhos e sobrancelhas forjam,
no desafio a seu orgulho lançar em nova prova.

Invente outros jogos de beijar,
competições de unhas, de dentes,
quem perder fazendo o que foi apostado.
Esses jogos o desejo aguçam,
por muitas horas o prazer do amor prolongam.

Se, ao beijar ela seu lábio superior,
você suga seu lábio inferior, é o Beijo Alto.
Se os dois lábios dela pelos seus são apanhados
(a esse beijo ela pode retribuir
apenas com você raspado), então é o Broche.

Se nesse beijo as duas línguas,
os dentes explorando, o céu da boca,
se encontrarem em feroz justa,
então se chama Torneio das Línguas.

Outras batalhas se travam com lábios e dentes.
Quatro beijos usam lábios, dentes, língua,
tudo junto. O Sama nos seios se dá,
nas sensíveis curvas de joelho e cotovelo,
onde as coxas ao corpo encontram:
mordisque delicado, a língua faça cócegas.

Pidita se reserva para as faces,
seios, quadris, barriga, a bunda,
seus dentes na carne afundando,
sem chegar a machucá-la,
lábios, língua, em massagem vigorosa.

Anchita é o beijo da língua,
as curvas sob os seios percorrendo,
sondando o umbigo, perdurando
no secreto lótus,
o desejo atiçando, sem propor alívio.

Mridu é usar os lábios no alívio
da comichão nas costas, seios, braços,
nos quadris, por dentro das coxas dela,
depois que suas unhas por lá roçaram, de leve,
levando os cabelos a se arrepiar, assim ficar.

Quando ela olha o seu rosto adormecido
e sua boca beija,
para despertá-lo, o desejo incendiar,
o beijo longo, tão ardente, tem o nome
Ragadipa, Amor-em-chama-se-tornando.

Se você ignora por estar absorvido
em música, pintura ou discussão,
porque os dois discutiram,
e ela o surpreende com um longo beijo,
será Chalita, o Beijo do Desvio.

Se tarde em casa chega, adormecida encontra,
você a beija com ternura,
é Pratibodlha, o Beijo que Desperta.
E ela deve fingir que está dormindo
quando a sua voz ouvir à porta.

Os Abraços

Homens e mulheres que pouco se conhecem
os sentimentos podem transmitir
usando o Toque ou Pontada.
A Carícia e o Aperto
são dos amantes que os desejos se conhecem.

Quando ela se aproxima,
como se você não existisse,
e sua mão ou corpo, na passagem,
deixa roçar contra, o seu, de leve,
é o abraço que se chama Toque.

Quando uma mulher avança, ao vê-lo
exclamando que algo deixou cair
e se abaixa para pegar,
os seios duros em seu corpo espetam
(furtivamente acaricie), é a Pontada.

Quando à noite saem juntos,
num bazar apinhado,
ou passeiam pelos campos,
os corpos se aninham em suas curvas,
a sensação que os percorre é a Carícia.

Quando a comprime contra uma coluna
ou de costas num portal,
o fôlego de seu corpo extraindo,
as mãos se pondo a explorar
os corpos mútuos, é o Aperto.

Babhravya mais quatro abraços dá
para amantes de experiência.
Trepadeira e Árvore de pé são feitos,
Sésamo e Arroz, Leite e Água,
muitas vezes se convertem no ato do amor.

Quando ela entrança os braços em seu pescoço,
como a trepadeira que a sal envolve,
o rosto erguendo para o beijo,
depois recua um pouco, respirando fundo,
seu rosto ansiosa olhando, é a Trepadeira.

Quando ela põe os pés entre os seus,
pelo seu corpo subindo, como liana,
sua cintura com as coxas agarrando,
seus ombros apertando, gemidos soltando,
sua cabeça aos beijos inclinando, é a Árvore.

Quando se deitam de frente um para outro,
as coxas entrelaçadas, os seios comprimidos
contra você, as mãos buscando lugares novos
para acariciar, cabeças em beijos se unindo,
o braço é como a mistura de Gergelim e Arroz.

Quando ela trança as pernas em sua cintura,
o peito contra o seu se comprimindo
em tão violento abraço que seus corpos,
à dor indiferentes, parecem quase
se penetrar, é chamado Leite e Água.

São esses os oito abraços de Babhravya.
Suvarnanabha dá mais quatro
em que partes do corpo diferentes
despertam para o amor: os abraços
das coxas, virilhas, seios e testa.

Deitados nos braços um do outro,
ela prende uma de suas coxas,
apertando com força entre as dela,
os músculos se encharcando de prazer:
os conhecedores chamam de Abraço de Coxa.

Quando ela ergue as lindas coxas
e sua virilha puxa contra a colina do amor,
as unhas lhe crava, belisca, em beijos suga
os seus lábios, os cabelos derramados
soltos por seu rosto, é o Abraço da Virilha.

Quando ela o monta,
o seu peito suportando todo o peso
dos seios cheios,
que trançam círculos em seu corpo,
quem conhece chama Abraço dos Seios.

Os três abraços também podem
pelo homem serem iniciados.
Quando as testas se unem, olho no olho,
nariz em nariz, lábio em lábio, os rostos
em carícias mútuas, é o Abraço de Testa.

Alguns mestres a massagem incluem nos abraços
pelo prazer físico que proporciona
mas Vatsyayana diz: a massagem visa
ao cansaço remover, não atiçar o desejo,
assim não pode entrar nas artes do amor.

Mesmo os que indagam, ouvem ou falam
de tais abraços
hão de sentir, na descrição correcta,
o desejo em seus corpos despertar.

Quem usar, maior prazer terá.
São muitas as carícias adoráveis
que os textos jamais mencionaram.
Descubra-as com quem ama,
use quando puder,
se aguçar o prazer e o desejo.

Os textos do amor podem se úteis
só quando o desejo está sereno,
mas com a roda do oleiro em movimento,
joguem fora até o Kama Sutra,
pois não há, nem ciência.

Dentes e Unhas

A paixão, se ateada,
que as unhas entrem em cena.
Electrizante é o efeito:
sob as unhas da mulher, o tímido amante
sente o corpo lentamente de desejo impregnar.

O jogo das unhas mais excita
a primeira vez em que juntos deitam,
nas noites antes e depois de longa separação,
depois de briga furiosa,
e quando ela bebeu além da conta.

Boas unhas são compridas, bem talhadas,
ao contacto bem suaves,
limpas, firmes, refulgentes,
os arranhões devem ser
tão rosados quanto as unhas.

Os ardorosos deixam as unhas
da mão esquerda crescer, longas, afiadas.
Há quem lixe em duas pontas, às vezes três,
como a lâmina da serra,
outros lixam em crescente, em bico de papagaio.

Textos de amor aconselham a se marcar
da amante apenas seios, axilas,
garganta, costas, coxas e virilha.
Mas no amor, lembra Suvarnanabha,
de tais coisas ninguém se recorda.

Marcas de Unhas

As oitos técnicas se aprendam:
Rasgar Seda, a Meia-Lua,
Círculo, Sulco, Garra do Tigre,
o Pé do Pavão,
Salto da Lebre, a Pétala do Lótus Azul.

Passe as unhas afiadas
pelas faces, seios, lábio inferior,
tão de leve que marca alguma fique,
mas ao contacto a pele se arrepie de prazer,
no som da seda que se rasga.

Esta carícia torturante use
quando ela pedir que lhe massageie o corpo,
o couro cabeludo, que lhe arranhe as costas,
que uma bolha impertinente fure, sempre
que quiser deixá-la ardente de desejo.

A Meia-Lua é suave crescente
com uma unha feito na garganta e seios.
Um par de crescentes fundo impressos,
na barriga, quadris, bunda ou virilha,
como marcas de um parêntesis, são o Círculo.

O Sulco é a linha vermelha
que unha afiada estende pela pele,
do corpo, em qualquer parte.

Se curvo, é uma Garra de Tigre,
quase sempre nos seios e pescoço.

Quando o mamilo se pega
entre as cinco unhas, comprimindo,
na explosão de suaves raios vermelhos,
é o famoso Pé de Pavão,
difícil de fazer, tão do gosto das mulheres.

Se ela roga, despudorada,
o Pé de Pavão, num dos seios,
e você usa as cinco unhas,
sobre um seio, depois no outro,
é o virtuoso Salto da Lebre.

A Pétala do Lótus Azul
se faz nos seios, na cintura, tão-somente,
moldada sempre na sugestão do nome.
Tal marca em elogio é,
equivalente a jóias de presente dadas.

É falta de cavalheirismo
sair de casa, em viagem longa,
sem marcar seios e coxas da esposa,
com três ou quatro pelo menos,
pequenas linhas, momentos do seu amor.

Novas marcas sempre invente
a praticar com quem ama.
Sejam de flores, passarinhos,
vasos, folhas, trepadeiras,
tudo é possível, não se pode enumerar.

Tentar sequer catalogar
o potencial infinito de marcas e técnicas,
para não falar dos sinais bizarros
que amantes ardentes improvisam,
é pura perda de tempo, dizem os sábios.

Há de se ressaltar, diz Vatsyayana,
a importância de variar no amor.
Qualquer tolo sabe: variar é o tempero
da vida, mas só cortesãs bem sucedidas
sabem, ao que parece, se a essência do amor.

Para acabar, jamais crave as suas unhas
na esposa de outro homem.
A discretos crescentes se limite,
ocultos onde ela apenas vai observar,
a se lembrar dos encontros secretos com você.

Mordidas de Amor

Cada parte do corpo, que se beija,
tirando a língua, olhos, lábio superior,
também aceitará mordidas de amor.
Até lugares que os Latas muito beijam
são alvos certos para dentes hábeis.

Bons dentes são limpos, brilhantes, iguais,
afiados, bem formados, com paan se colorindo.
Dentes lascados, rudes, sujos, gastos,
sobrepostos, salientes,
melhor ficam se ocultos, são insultos ao amor.

Prática é preciso par oito mordidas
bem famosas: a Secreta e a Inchada,
o Ponto e a Linha de Pontos,
o Coral e o Colar de Coral,
a Tempestade e o Javali.

Quando o lábio inferior morder,
avermelhando, mas sem marca, é a Secreta.
Se morder até o lábio machucar,
é a Inchada (só depois vem o Inchar),
e também se faz na face esquerda.

Quando a pele mordisca tão de leve
que marca é do tamanho da semente
de sésamo, fez um Ponto, incha de Pontos
bonita há de ficar na macia pele
do pescoço, seios, dentro das coxas.

A vermelha curva, irregular, do Coral,
se faz mordendo apenas com os incisivos
de cima. No seios começando, nas coxas,
Colares de Coral se vão fazendo,
as laçadas pelo corpo se espalhando.

Tempestade é um círculo de marcas
que no seio suave se imprime.
Se profundo, ardentes marcas,
no centro violeta, é Javali.
Que só agrada aos ardorosos.

Quando unha e dente marcas fazem
na folha de bhurja, flor de lótus azul,
que as mulheres nas orelhas usam,
são convites amorosos,
a se fazer com o esmero das cartas de amor.

Se um homem ignora os gritos da amada
de que unhas e dentes a machucam,
na mesma espécie ela deve revidar,
Garra de Tigre pelos Sulcos,
Javali à Tempestade confrontando.

Na paixão, que a mulher agarre
os cabelos do amado, lábio prenda
entre os dentes, qual a borda de uma xícara,
sorvendo sempre, de desejo se inebrie,
mordendo a esmo, de frenesi, em mil lugares.

Quando ele mostra, orgulhoso, manhã seguinte,
aos amigos tantas marcas
que unhas, dentes em seu corpo deixaram,
que ela o fite, impassível,
rindo apenas ao lhe virar as costas.

Censurá-lo ela pode, furiosa,
sendo amarrado exibindo mas próprias marcas.
Se um ao outro amam,
a censura é sempre afectuosa,
o amor nem em cem anos se esvai.

Golpes e Gritos

Como o amor, por natureza,
é quase uma batalha entre os sexos,
os vários golpes de amor,
que podem o prazer acentuar,
são analisados nos textos de amor.

Quando golpes, Apahasta (Costa da Mão),
Prasritaka (o Capuz), Mushti (o Punho)
e Samatal a(a Palma),
usados são na cabeça, ombros, costas,
flancos, no espaço entre os seios.

A amada, claro, há de sentir
dor quando você a golpear,
mas os gritos que à garganta lhe subirem,
se cada tipo você puder reconhecer,
vão dizer o quanto ela se encontra excitada.

Hinkara é o ar que se suga bruscamente,
como um sobressalto repentino.
Stanita é mais profundo, som ressonante,
que vem dos tímbales dos pulmões dela.
Kujita é suave arrulho, como a pomba.

Rudita é o soluço gutural da mulher
que o orgasmo alcança.
Sutrita é o ofego áspero.
Dutkrita é abafado chocalhar.
Phutrita é o morango que na água cai.

Sitkrita são palavras, sons,
que seus golpes dela arrancam,
exclamações de dor, lutando com prazer.
A sequência, que aprender se deve,
vai do prazer à dor ao prazer maior.

A princípio, soluçando, ela dirá:
“Mamãe”, “Pare!”, “Já chega!”,
“Deixe-me em paz!”, Estou morrendo!”,
mas os sons que em sua garganta adejam
logo se tornam gritos sem palavras.

Os tímidos gritos do início
podem ser como o choro de uma pomba,
o chamado do cuco entre as folhas,
o suspiro sonolento dos pardais,
o grito estridente do papagaio.

Mas logo a amada, gemendo como abelha,
gritando qual galinha assustada,
emitindo gritos baixos, que soam,
como gansos e patos no voo chamando,
acaba choramingando, como a perdiz .

Quando deitada ela está sob você,
com as costas da mão deve bater-lhe
entre os seios, gentilmente,
a paixão crescendo, deixe que os golpes
sejam mais fortes e rápidos: é Apahasta.

Se hábil aplicado, este golpe
há de arrancar uma raga
de arrulhos, gritos e soluços.
Se você a machucar, que ela fique furiosa,
revidando golpe a golpe.

Os gritos de amor não precisam
obedecer a qualquer ordem:
que ela tudo faça de improviso,
mas cada golpe desferido
deve arrancar um grito de prazer.

Se satisfação ela não tem
de Apahasta e outro lhe pedir,
na cabeça da amada bata
com os dedos encurvados:
é Prasritaka (o Capuz).

O alvo é excitá-la
tanto que os gritos “Hare Rama”
se prendam na garganta, virando
um trinado de vogais abertas e fechadas,
terminando em soluços estrangulados.

Você deve provocá-la
seus gritos imitando,
até que ela ria, e depois,
com unhas e dentes espicaçando,
lhe arranque efeitos mais extravagantes.

Quando sentir que o orgasmo se aproxima,
nas coxas dela bata e nos lados,
de mãos abertas, palmadas de Samatala.
Se o momento for exacto, há de ouvir
o ganso e a perdiz chamando o orgasmo dela.

Por natureza, os homens são mais duros,
mais cruéis e violentos que as mulheres,
sempre delicadas e tímidas,
daí porque o homem geralmente bate
e a mulher é quem grita.

Mas se a paixão a sufoca,
se uma postura especial a excita
ou se tal é o costume do país,
a mulher pode chover golpes no amado.
Mas tal coisa raramente acontece.

Quatro outros golpes são usados
às vezes: Kila (Cunha) no peito,
Kartai (Tesoura) na cabeça,
Vidram (Espeto) nas faces,
Samdanshikam (Tenaz) nos seios .

Tais golpes perigosos
são bem populares pelo sul.
Nos peitos dos sulistas e esposas
as marcas às vezes são visíveis
dos golpes desferidos no estilo Kila.

Mas os costumes do sul
não devem ser copiados por nortistas
curiosos. Vatsyayana diz: esses golpes
são antiarianos e impróprios ao homem de bem,
que deve encarar tal violência com desdém.

Nenhuma dúvida pode haver
que práticas que a membros quebrados levem,
à mutilação e à morte,
não podem ser justificadas, nem mesmo
aos que se recusam a vê-las como barbarismo.

Não é segredo que o Rei Chola
matou há pouco a cortesã Chitrasena,
ao golpeá-la no estilo Kila.
O Rei Shatkarni dos Kuntalas matou
sua rainha, Malyavati, com a Tesoura.

Naradeva, o supremo comandante
dos exércitos de Pandya,
de mão esquerda deformada,
um dia bateu à Vidvam numa dançarina,
errando o alvo, cegou-a de um olho.

Mas quando os homens a paixão inflama,
pouco se lembram de pensar
nos shastras ou nas consequências
de tão louca violência:
a paixão causa tais calamidades.

O sexo perturba o equilíbrio:
os anseios e loucas fantasias
que afloram à imaginação de um homem,
quando o amor faz, são mais estranhos
que os sonhos mais grotescos.

Como um cavalo, em pleno galope,
não percebe valas, muros e os poços
que margeiam seu caminho,
a fúria da paixão cega os amantes
aos males que unhas, dentes, punhos causam.

Procure sempre recordar
que a amada é bem mais fraca que você,
que paixão é bem mais forte.
E como nem todas gostam de apanhar,
duas vezes pense para usar golpes de amor.

Prazeres Orais

Os sábios condenam o prazer oral,
alegando que não é civilizado
e rigorosamente proibido pelos shastras.
Os homens doenças contraem, dizem eles,
ao beijar mulheres e eunucos após a felação.

Mas Vatsyayana diz que os shastras
não se aplicam no caso dos eunucos
(com o sexo oral a vida ganham)
nem em países de costumes diferentes.
Quanto às doenças, evitá-las é bem fácil.

Os shastras dizem ainda que são quatro
as bocas puras: do bezerro a mamar,
do cão de caça pegando a sua presa,
o bico do pássaro a fruta arrancando
e a boca da mulher enquanto faz amor.

Mas nesta questão tão delicada,
os shastras são contraditórios.
O conselho de Vatsyayana é agir
de acordo com os desejos, sua consciência,
os costumes da terra em que nasceu.

As oito técnicas da felação
normalmente se praticam na seguinte ordem:
Nimitta (Contacto),
Parshvatoddashta (Morder nos Lados),
Bahiha-samdansha (Pinça Externa).

Antha-samdansha (Pinça Interna),
Chumbitaka (Beijar),
Parimrshtaka (Golpear a Ponta),
Amrachushita (Chupar a Manga)
e Sangara (Engolir Tudo).

Quando a amada seu pénis captura
na mão dela, os lábios forma
num “O”, de leve os pousa na ponta,
a cabeça mexendo em círculos pequenos,
é o primeiro estágio, Nimita (Contacto).

Pegando a glande em sua mão,
ela comprime os lábios pela haste,
primeiro de um lado, depois no outro,
evitando que os dentes lhe machuquem:
é Parshvatoddashta (Morder nos Lados).

A ponta do pénis ela pega,
gentilmente, entre os lábios,
ora apertando, ora beijando ternamente,
a pele macia puxando:
é Bahiha-samdansha (Pinça Externa).

Ela deixa agora a cabeça deslizar
inteiramente para a sua boca,
a haste entre os lábios comprime firmemente,
por um momento parando, antes de puxar:
é Antaha-samdansha (Pinça Interna).

Quando ela pega o pénis em sua mão
e os lábios bem redondos
beijos dão por toda a extensão,
sugando qual faria com seu lábio inferior,
o nome que se dá é Chumbitaka (Beijar).

Se, ao beijar, ela deixa que a língua
por todo o pénis se esbata
e depois, em ponta, ataca insistente
a glande tão sensível,
vira Parimrshtaka (Golpear a Ponta).

Agora, pela paixão inflamada, o pénis
ela enfia bem fundo em sua boca,
puxando e sugando com vigor,
como se fosse da manga o caroço:
é Amrachushita (Chupar a Manga).

Quando ela sente que o seu orgasmo
é iminente e engole todo o pénis,
sugando, trabalhando, com os lábios,
com a língua, até o momento final,
é Sangara (Engolir Tudo).

Técnicas de Cunilíngua – Ratiratnapradipika
O santuário da amada venere
com as oito técnicas de cunilíngua:
Adhara-sphuritam (Beijo Trémulo),
Jihva-bhramanaka (Língua Circulando)
Jihva-mardita (Massagem da Língua).

Chushita (Sugar), Uchchushita (Sugar para
Cima), Kshobhaka (Remexer),
Bahuchushita (Sugar com Força) e Kakila
(o Corvo); improvisar com os dentes
produz infindáveis variações ao amor.

Com as pontas dos dedos, delicado,
aperte os lábios arqueados da casa do amor
e devagar, bem lentamente, os una,
beijando qual faria com o lábio inferior:
é Adhara-sphuritam (Beijo Trémulo).

Agora a arcada abra com o nariz,
deixe que a língua entre,
a yoni explore gentilmente,
o nariz girando, os lábios e o queixo:
é Jihva-bhramanaka (Língua Circulando).

Deixe a língua descansar por um momento
na arcada do templo o amor,
antes de entrar para o culto vigoroso,
fazendo a seiva dela escorrer:
é Jihva-mardita (Massagem da Língua).

Prenda agora os seus lábios
nos lábios da yoni da amada,
a beijos profundos se entregue,
mordiscando, ao clitóris sugando:
é Chushita (Sugar).

Com as mãos suspenda a bela bunda,
a língua o umbigo sonde, resvale
para girar suavemente na arcada
do templo do amor, e lamber a seiva:
é Uchchushita (Sugar para Cima).

Remexendo as lindas coxas,
que ela própria com as mãos segura
e abre o mais que pode,
sua língua adeja, a seiva sorve:
é Kshobhaka (Remexer).

Sua amada num divã estenda,
os pés dela em seus ombros, a cintura
pegue, sugue com força, deixe a língua
remexer o templo do amor a transbordar:
é Bachuchushita (Sugar com Força).

Se de lado deitados,
em direcções opostas,
as partes íntimas beijam mutuamente,
usando as 15 técnicas descritas,
é Kakila (o Corvo).

Comentários finais- Kama Sutra
Tão grande é o prazer que o corvo
às mulheres oferece que por sua causa
muitas cortesãs abandonaram
respeitáveis cidadãos e se ligaram
a escravos, machuts , a homens inferiores.

As mulheres encerradas em haréns
o Corvo acabam praticando.
Depravados praticam em segredo
com outros homens, íntimos seus,
deitados lado a lado, em mútua felação.

Jovens dândis que se exibem,
com brincos e outros ornamentos,
não são avessos a chuparem outros;
mas os mais hábeis nas artes orais
são eunucos, cortesãs ou as escravas.

O intercurso oral deve se evitado
por altos sacerdotes, brahmins, reais
ministros, reis, políticos, por quem tenha
posição e por sua reputação zele,
pois a ética é extremamente duvidosa.

Não é suficiente alegar que práticas
não são condenadas pelos shastras,
estes são conselhos para os casos todos
e inevitavelmente encerram ideias
que corrompidas ficam, se fora de contexto.

Nos textos médicos de Ayurvedic,
vai se encontrar a declaração
de que carne de cão é saborosa, nutritiva,
mas sinceramente isso implica
todos passarem a come-la?

Os shastras podem aconselhar com sensatez
em quase todas as questões sexuais,
mas se em dúvida estiver, respeite
as convenções de tempo, costume e lugar,
na própria consciência se apoie.

Como tais coisas na intimidade se fazem
e são mantidas em segredo absoluto,
como a paixão sobre a razão predomina,
quem pode saber o que alguém fará,
por quê, como, onde, quando, com quem?

Compatibilidade

Os textos sagrados divide
os homens em quatro classes,
mas Ama apenas três conhece,
a casta determinada pelo tamanho do pénis:
lebre, touro, cavalo.

Kama às mulheres classifica
como corça, égua ou elefanta,
a profundeza da yoni sendo a medida.
Corça com lebre, égua com touro,
elefanta com cavalo: são os pares ideais.

Com casais de dimensões
que bem não correspondam,
há seis graus de inadequação:
elefanta e lebre ou touro, égua
e lebre ou cavalo, corça e touro ou cavalo.

Uniões iguais são melhores:
conjunções extremas (elefanta com lebre,
corça ou cavalo) raramente satisfazem.
Com os pares restantes, o sucesso depende
em grande parte de temperamento e perícia.
Os temperamentos sexuais são três:
ardoroso, moderado e frio.

Um homem de fria natureza pouco desejo tem;
o sémen esguicha sem vigor;
sempre evita unhas e dentes da amada.
Homens ardentes o desejo não escondem,
os moderados sabem manter o controle.

Cada tipo tem o equivalente feminino,
às conjunções físicas acrescentando
nove possíveis relações de temperamento.
A perícia de amante, diga-se agora,
se avalia na medida
em que sabe prolongar o prazer do amor.

Amantes podem ser peritos, adequados e inábeis,
em mais nove aumentando as relações.

Falácia

No papel da mulher é que se concentra
a controvérsia pela necessidade de perícia.
Auddalaki diz: as mulheres
não encontram satisfação no amor,
apenas alegria de satisfazer os amantes.

A perícia no beijo e na carícia,
variação de posturas, o amor prolongado,
são coisas que aumentam o prazer de um homem;
mas as mulheres não precisam,
seu prazer é muito diferente.

Nenhum homem ou mulher saberá jamais
o que sente o outro exactamente no amor;
palavras jamais vão descrever,
mas o prazer do homem se encerra com o orgasmo
enquanto jamais termina o prazer da mulher.

Resposta

Por que então é um fato
que a mulher adora um homem que uma hora fica
e despreza aquele que se vai
em duas ligeiras investidas?
Não prova que o orgasmo ela também quer?

Falácia

Seria anormal, os cépticos dizem,
para uma mulher experimentar
prazer intenso, emocional, no amor,
mas não querer que continue.

E citam até os versos de Auddalaki:
“Na paixão do homem se abate
o desejo da mulher feliz,
não há beijo, carícia, arremetida
do falo que sua paixão sacie.
O prazer do homem é seu único prazer.”

Ao contrário do homem, diz Babhravya,
cujo sémen esguicha, ao final do prazer,
a seiva da mulher flui do início,
a toda fibra inundando de alegria;
não precisa assim de um longo amor.

Resposta

É Auddalaki em disfarce.
Se tal prazer ela sente, desde o início,
por que tão quieta fica no começo,
o corpo só aos poucos à paixão se entregando,
o que tanto a abala ao final?

A paixão da mulher não seria
como a roda do oleiro, a piorra da criança,
a princípio girando lentamente,
a velocidade aumentando, até explodir
na beleza indescritível do orgasmo?

O próprio Babhravya escreveu:
“O orgasmo dele é o final do seu prazer,
o ardor intenso dela não tem fim,
pois ambos devem se gastar na batalha do amor
e a seiva misturar, antes que a paz ela encontre.”

Como homem e mulher são humanos,
ambos absorvidos no mesmo ato,
por que o prazer seria diferente?
Vatsyayana conclui
que a mulher tem orgasmo, como o homem.

Falácia

Mas homem e mulher não são iguais!
Um homem é para a mulher
o que a mó para o moinho é:
são feitos de forma diferente,
naturezas opostas, papéis separados.

Não é absolutamente ridículo
dizer que homem e mulher,
divergindo um do outro,
tanto no corpo como no temperamento,
experimentam o prazer de formas diferentes.

Resposta

É mais que óbvio, até para Vatsyayana,
que homem e mulher são diferentes.
Ele também aceita que, por costume,
homens dominam, mulheres são dominadas,
o que há de se reflectir no ato do amor.

A natureza do homem é apregoar
“Estou fazendo o amor!”
A mulher arrulha: “Este homem me faz o amor!”
Mas o prazer, quando chega,
não sabe quem é a mulher, quem é o homem.

Quando os carneiros se chocam, de cabeça,
quando os galos se agridem,
quando lutadores se engalfinham,
o choque pelos dois se distribui;
assim também é, quando homem faz amor à mulher.

Não se alegue que carneiros são carneiros,
lutadores, lutadores, mas homens não são mulheres.
Homem e mulher o mesmo nervo são, mesmo sangue,
mesmo músculo, osso, tendão e alma:
não há diferença, por baixo da pele.

Linga e shaki feitos são um para o outro,
de que outro jeito vida nova nasceria?
O desejo junta homem e mulher num só amor,
numa ardente união,
criando um filho do choque partilhado do prazer.

Vatsyayana diz: toda mulher
a alegria do orgasmo deve conhecer.
Todo homem deve aprender as artes do amor,
o beijo, carícia, asanas, jogos de dentes
e das unhas, o prazer da amante antes do seu.

Como dois amantes jamais poderão
em tamanho, temperamento e arte se igualar,
não existem regras que governem o amor.
Só a experiência pode lhe dizer
que técnicas satisfarão que amantes.

O sábio também sabe que o prazer físico
não é o fim exclusivo do acto do amor.
Pode ser como música, atiçando emoções,
intensificando sentidos, dissolvendo
pensamento em ritmo, até que um só ritmo exista.

Vai fluindo, corações acelerando,
os lábios tremem na batida
de tambores na mais rápida marcha,
até que a própria música se dissolve
na sagrada e longa nota de silêncio.

O amor tem muitas yogas:
o contacto de dois corpos; virilhas presas;
a ruptura na separação;
o acalmar da respiração violenta;
a serenidade de corpo e mente.

Pessoas de inteligência e sensibilidade
vão achar tais comentários
suficientes para esclarecer o delicado assunto.
Para quem precisa de mais esclarecimento
as artes do amor agora são descritas.

Posições Sexuais

Se a amada é menor do que você,
posições de amor escolha
em que as coxas dela bem abertas fiquem.
Se ela puxa ao generoso,
use aquelas que as coxas se unem.

Se ela muito o sobrepuja,
o prazer lhe dê com um falo de ouro ou prata.
Mas se os dois à perfeição combinam,
cada postura conhecida se pode exaltar
nesta yoga deslumbrante de dois corpos.

Se a amada é menor do que você,
posições de amor escolha
em que as coxas dela bem abertas fiquem.
Se ela puxa ao generoso,
use aquelas que as coxas se unem.

Se ela muito o sobrepuja,
o prazer lhe dê com um falo de ouro ou prata.
Mas se os dois à perfeição combinam,
cada postura conhecida se pode exaltar
nesta yoga deslumbrante de dois corpos.

Posições Deitadas 

Grupo Utphullaka- Kama Sutra
A mulher corça mais prazer encontra
nas abertas posturas do grupo Utphullaka:
Utphullaka (Flor em Botão),
Vijrimbhitaka (Bocejo Largo)
e Indranika, da deusa Indrani a postura.

Em Utphullaka a mulher usa uma almofada,
quadris bem alto erguendo,
as coxas abre, o mais largo que puder.
Gentilmente a penetre,
sem ferir a ela, magoar a si mesmo.

Em Vijrimbhitaka as coxas são abertas,
as pernas se estendem para o alto,
os quadris na cama permanecem.
A yoni assim se expande, mas se inclina
para baixo, cuidado na entrada.

Indrani os joelhos ergue,
nas curvas dos seios se aninham,
os pés encontram as axilas do amado.
Quem é pequena esta postura adora,
mas uma deusa se faz com muita prática.

Grupo Utphullaka- Textos Medievais
Com as palmas ela pega e ergue a bunda,
as coxas abre, o mais possível,
põe ao lado dos quadris,
enquanto você os seios lhe acarinha:
assim é Utphullaka (a Flor em Botão).
(Ratirahasya)

Os tornozelos pegando
da mulher de quadris cheios, bunda
como abóboras maduras,
as lindas coxas erga
e bem estenda na abertura.

De desejo impregnado, em palavras doces,
dela se aproxime, seu corpo rígido,
arremeta direito para frente,
penetre o lótus, os corpos se unindo:
é Madandhvaja (a Bandeira de Cupido).
(Panchasayaka)

Os dois pés da amada agarre,
suspenda até os seios comprimirem,
as pernas dela um círculo formando.
Pelo pescoço a enlace e faça o amor:
é Ratisundara (Delícia de Afrodite).
(Smaradipika)

Os pés da amada erga até as solas
se encontrem paralelas
nos dois lados do pescoço esguio,
os seios pegue, o amor faça:
é técnica é Uthkana (Alto do Pescoço).
(Ratimanjari)

A linda esposa, na cama deitada,
os próprios pés segura
e levanta até os cabelos,
você lhe pega os seios e faz amor:
assim é Vyomapada (Pé no Céu).
(Ananga Ranga)

Seus próprios joelhos, segurando, sua esposa,
na cama estendida,
estica as pernas, os pés erguendo,
enquanto você comprime os seios juntos:
assim é Vyomapada (Pé no Céu).
(Panchasayaka)

A mulher de coxas roliças, na cama,
os tornozelos agarra, os pés bem alto ergue,
você crava até a raiz, beijando,
batendo com as palmas entre os seios:
assim se faz Markata (o Macaco).
(Srnararasaprabandhadipika)

De costas ela deita,
você senta entre os joelhos e suspende,
os pés dela engancha em suas coxas,
os seios pegue, faça o amor:
é Manmathpriya (Caro a Cupido).
(Smaradipika)

Entre as coxas da esposa sente,
as mãos na cama ponha, junto à cintura dela,
gire os quadris, ao fazer amor:
é Smarachakra (a Roda do Amor),
tão do grado de mulher mais ardentes.
(Ananga Ranga).

No leito do amor se estende,
braços, pernas estendidos, qual estrela-do-mar,
você se abate sobre ela, achatando
os seios, juntos os comprimindo:
é Ratimarga (Estrada do Amor).
(Srngararasaprabandhadipika)

Grupo Samputa- Kama Sutra
Se tem o pénis para uma mulher pequeno,
então use as posturas do grupo Samputa:
Samputa (a Caixa de Jóia),
Pidita (o Aperto), Veshtita (Entrelaçado)
e Vadavaka (o Truque da Égua).

Em Samputa suas pernas se estendem
junto às delas, em carícia de alto a baixo.
Sua amada põe por baixo,
ou os dois de lado estendidos,
mas neste caso que ela fique à sua esquerda.

Em Pidita as coxas dos amantes
se entrelaçam e se apertam, ritmadas.
Em Veshtita as coxas ela cruza
ou cada rola para dentro,
assim forçando o aperto da yoni.

Quando a amada como a égua
que , cruel, agarra o garanhão,
pretende e suga o seu pénis com vagina,
é Vadavaka (o Truque da Égua),
que só a longa prática aperfeiçoa.

Grupo Samputa – Textos Medievais
Quando amantes, as pernas estendidas,
rígidos, pés acarinhando,
fazem amor pelo desejo em seus corações,
sábios em Tantra chamam Samapada (Pés Iguais),
todos concordam se caminho para o êxtase.
(Ratikallolini)

Como estaca rígida, no meio da cama,
ela se estende no ato do amor,
arrulhando e gorjeando como a pomba,
a jóia do clitóris bem polida:
isto é Mausala (o Pilão).
(Srngararasaprabandhadipika).

Quando de costas ela deita,
as coxas juntas, comprimidas,
você lhe faz amor,
suas coxas além das coxas dela,
é Gramya (o Rústico).
(Ratirahasya)

Se envolvendo, aprisionando,
as coxas dela com as suas,
tão forte aperta que ela grita em dor,
é Ratipasha (o Nó do Amor),
que às mulheres sempre agrada.
(Smaradipika)

Os membros dela, nos seus entrelaçados,
como tentáculos de jasmim fragrante,
se contraem e relaxam lentamente,
no ritmo suave de linga e yoni:
é Lataveshta (Trepadeira Ardente).
(Ratimanjari/Ananga Ranga)

As pernas ela junta,
os joelhos contra os seios comprimindo,
a yoni, como o botão que desabrocha,
em oferenda ao prazer:
quem conhece chama de Mukula (o Botão).
(Srngararasaprabandhadipika)

Se ela ergue os joelhos
e os seus se prendem nas coxas levantadas,
um nó bem firme se formando,
enquanto a monta pela bunda sedutora,
ardente a beija, é Shankha (a Concha).
(Srngararasaprabandhadipika)

Grupo Bhugnaka – Kama Sutra
Suvarnanabha tem sequência de posturas
que derivam de Bhugnaka (Ascendente),
a mulher de costas se deitando,
as pernas alto levantando
e juntas, comprimidas.

Se ela cruza as pernas levantadas,
a postura vira Piditaka (o Aperto).
Se, alternativamente, os pés ela põe
sobre os seus ombros,
vira Jrimbhitaka (o Bocejo).

Se os pés em seu peito se apoiam e você comprime contra os seios
os joelhos dela, é Utpiditaka (Aperto Alto).
Se agora ela estende uma das pernas,
é Ardhapiditaka (Meio Aperto).

Se ela solta um pé, em Jrimbhitaka,
lentamente a perna estende até o fim,
torna a puxar, a outra perna estende
pela cama, até onde pode ir,
é Venudaritaka (Bambu Rachado).

Se o calcanhar ela põe em sua cabeça,
a outra perna estendida para fora,
alternando como acima,
é Shulachita (Assado no Espeto):
você o assado, ela o espeto.

Grupo Bhugnaka – Textos Medievais
Quando ela ergue os pés bem alto,
você ajoelha entre as coxas separadas
e faz amor, vigorosamente,
acariciando e comprimindo os seios,
é Ardhasamputa (Meia Caixa de Jóia).
(Ratimanjari)

Quando sua amada ergue as coxas cruzadas
e os calcanhares põe
num dos seus ombros, a bunda
ardentemente golpeada por seu pénis,
bem depressa, é Nagara (O Caminho da Cidade).
(Panchasyaka).

Quando, de costas estendida,
a bela amada os pés levanta aos seus ombros
e os mantém cruzados
ao ritmo de suas invertidas,
é Vanshadaraka (as Varas de Bambu).
(Smaradipika)

De costas ela deita,
as coxas se enganchando em sua cintura,
e você senta para entrar:
é Nagara (o Caminho da Cidade),
tão do agrado entre as chitrini.
(Ananga Ranga).

Se os pés você coloca
da amada no seu colo
e faz amor enquanto
a enlaça no pescoço,
é Ratilila (Jogo da Deusa).
(Ratikallolini).

Os pés dela junte,
contra o seu coração comprima,
a outra mão vagueando
por vales e picos do país dos seios:
assim é Priyatoshana (Delícia da Amada).
(Smaradipika).

Se agora ela balança, para a frente, para trás,
os pés contra o seu peito empurrando,
suas mãos entre as dela segurando,
enquanto a yoni se golpeia ardentemente,
então é Prenkha (o Balanço).
(Ratirahasya/Ratimanjari).

Se deitada de costas ela ergue
um pé para o seu ombro
e o outro você aninha em sua palma,
a mão livre lhe afagando os seios,
é Ekapada (Um Pé).
(Smaradipika).

A perna esquerda recta estendida,
ela ergue a direita e puxa para trás,
até que os dedos no colchão encostem, além
de sua cabeça. Faça amor, sem que o seu peso
a force: é Traivikrama (Passo Largo)
(Ananga Ranga)

Lado a lado estendidos, na cama,
um pé dela ao seu coração levante,
deixando a outra perna recta:
assim é Vinasana (o Alaúde),
postura que a mulher experimente adora.
(Ananga Ranga)

De lado deitados,
os corpos em carícia,
dos pés aos lábios,
levante um pé ao coração da amada,
assim penetre a sua yoni:
é Ratibana (Flecha do Amor)
(Ratikallolini).

Grupo Karkata – Yoga – Kama Sutra
Como um caranguejo, cruzando as pernas,
sobre a barriga, a sua amada
os pés levanta ao seu umbigo,
as solas se encontrando,
a postura é Karkata (o Caranguejo).

Grupo Karkata – Yoga- Textos Medievais
De costas ela deita,
membros estendidos, como o caranguejo,
braços e pernas se contraem, a puxá-lo,
com força apertando,
é Karkata (o Caranguejo).

Os pulsos dela agarre, estenda os membros,
sua língua acarinhando
os mamilos, a região entre as coxas,
abrace-a, os seios esmagando
contra seu peito: é Ghattita (Acariciando).
(Srngarasaprabandhadipika)

De costas ela deita,
você a abraça,
os braços passa sob os seus joelhos
para assediá-la, destemido:
é Nagapasha (o Nó de Cobra).
(Smaradipika)

Quando a amada os braços passa
sob as coxas levantadas
e os dedos se enlaçam por trás do seu pescoço,
seu rosto descendo para o beijo,
é Phanabhritpasha (o Nó do Encapuçado).
(Ratiratnapradipika)

Lábios sobre os lábios,
braços sobre os braços,
coxas sobre as coxas,
seu peito esmagando os seios dela:
é Kanakakshaya (Destruidor de Riqueza).
(Smaradipika).

Os dois com pernas e braços estendidos,
numa completa Kaurmasana,
ela por baixo, você por cima,
lábios, braços, coxas juntos, mãos unidas:
é Kaurma (a Tartaruga).
(Ratiratnapradipika)

De costas ela deita, os pés no alto
das coxas opostas;
pelo corpo dela passe as mãos, penetre
de repente, o prazer dê em golpes firmes:
é Padmasana (a Posição do Lótus).
(Ratimanjari).

Quando amantes de costas se deitam,
os membros adoráveis
em flor jungidos (pés cruzados em lótus),
no centro da cama,
se dá o nome de Vriksha (a Árvore).
(Srngararasaprabandhadipika).

De costas deitada, as pernas ela ergue,
os dedões agarra,
com força apertando,
você senta entre as coxas levantadas,
pelo pescoço a enlaça e faz amor.
É a famosa Sanyama
(a Controlada),

tão recomendada no Kama Sutra
de Mallanaga Vatsyayana
e por outros bem versados na arte do amor.
(Ratiratnapradipika)

De costas deitadas, a sua amada
os joelhos leva aos lados do rosto,
calcanhares na cama bem abertos,
expondo o cume triplo e orgulhoso da yoni:
é Shulanka (Trindente de Shiva).
(Ratiratnapradipika).

Posições Sentadas

Grupo Padmasana – Kama Sutra
Quando o pé esquerdo no alto se coloca
por cima da coxa direita,
o pé direito sobre a coxa esquerda sobe,
a postura do amor
é Padmasana (a Posição do Lótus) .

Grupo Padmasana -Textos Medievais
Se sua esposa põe o pé esquerdo
sobre a coxa direita
e vice-versa, as pernas cruzadas ergue
na direcção da barriga,
é Padmasana (Posição do Lótus).

Mas se apenas um dos pés
assim está cruzado,
na coxa oposta bem alta se prendendo,
enquanto a outra perna se estende,
é Ardhapadmasana (Meio Lótus).
(Ananga Ranga).

Quando você erecto senta, na pose do lótus,
as mãos aos pés pegando,
e sua amada os pés coloca em suas coxas,
os seios seu peito perfurando,
e faz amor assim, é Matsya (o Peixe).

Se firme e apertado neste abraço,
ela põe os pés na cama
e lentamente gira a lhe voltar o rosto,
sem romper a união,
é Jvalamukhi (o Rosto em Chama).
(Srngararasaprabandhadipika)

Sentada erecta, na cama,
se ela cruza os pés em prece no umbigo
e faz amor, apoiada
em suas coxas fortes lhe amparando a cintura,
é Kauliraka (Tantra-yoga Kauli).

Se durante Kauliraka
os pés você firma contra a cama,
a jovem amada balançando, gentilmente,
para a frente, para trás, é Prenkhi (o Balanço),
caminho pelo para a perfeita paz.
(Ratiratnapradipika).

Grupo Kaurma – Kama Sutra
Se vocês estão sentados em firme abraço
e ela se vira,
sem romper o ritmo do amor,
para abraça-lo por trás,
é o virtuoso Paravrittaka (Raviravolta).

Paravrittaka também é possível
em algumas posições de penetrar por trás,
mas tão difícil é
de dominar, tanta prática exige,
quanto a versão sentada.

Grupo Kaurma – Textos Medievais
Sentados, boca em boca,
braços coxas em coxas,
assim é o Kaurma (a Tartaruga).
Se as coxas dos amantes, juntas, se levantam,
é Paravartita (Virando).
( Ananga Ranga)

Se dentro da caverna das coxas dela
você senta, os quadris girando, qual abelha ,
é Markata (o Macaco).
Se, nesta pose, você se vira,
é Marditaka (Especiarias Moídas).
(Ratiratnapradika)

Ela senta com as coxas levantadas,
os pés se encaixam nos lados de sua cintura,
linga penetra yoni,
golpes fortes no corpo você lhe inflige:
é Kshudgara (Golpeando).
(Ratimanjari)

Quando sua esposa senta,
com os joelhos ao corpo comprimidos
e você esta postura espelha,
quem é versado na arte do amor chama
Yugmapada (o Jugo dos Pés).
(Ananga Ranga)

Sentada erecta, a bela dama
uma perna dobra contra o corpo,
a outra estende pela cama,
o mesmo você fazendo:
é Yugmapada (o Julgo dos Pés).
(Ratirahasya)

Com a perna esquerda estendida,
se ela lhe enlaça a cintura com a direita,
o tornozelo pondo sobre a coxa esquerda,
e tal postura também você assume,
é Svastika (a Suástica).
(Srngararasaprabandhadipika)

Na cama sentados, frente a frente,
os seios dela no seu peito comprimindo,
os calcanhares se engancham
por trás da cintura do outro,
e para trás se inclinam, pulsos segurando.

O balanço ponha em movimento,
a sua amada, em medo simulado,
a seu corpo aderindo com pernas impecáveis,
de amor arrulha, geme de prazer:
assim é Dolita (o Balanço).
(Srngararasaprabandhadipika)

Sentados frente a frente,
os dedos de seus pés os mamilos dela acariciam,
os pés dela em seu peito comprimidos
e fazem amor, as mãos se dando,
é Kaurma (a Tartaruga).
(Srngararasaprabandhadipika)

Sentada, a mulher ergue
um pé sobre a cabeça, na vertical aponta
e com as mãos o firma,
a yoni ao amor oferecendo:
é Mayura (o Pavão).
(Srngararasaprabandhadipika)

Sentado erecto, a cintura pegue da amada
e a puxe contra você,
as virilhas golpeando sem parar,
com o som do bater de orelhas de elefante:
assim é Kirtibandha (Nó de Fama)
(Panchasayaka)

Entre as coxas dela ajoelhado,
os seios coce, sob os braços,
de “meu querido amor” a chame,
marcas de unha lhe faça nos mamilos:
assim Jaya (Vitória) se consuma.
(Srngararasaprabandhadipika)

Grupo Bandha – Textos Medievais
Quando você senta com seus braços
e pescoço da amada enlaçando
e ela as palmas pressiona
contra o seu coração, batendo forte,
é Nagara (o Caminho da Cidade).
(Smaradipika)

Aos pescoços um do outro segurando,
sorvendo ternos beijos
do lábio inferior, como botão,
as coxas firmemente enredadas,
fazendo amor: é Pallava (a Folha Nova).
(Srngararasaprabandhadipika)

Quando sentado os braços você passa
sob as coxas levantadas da amada,
os dedos se cruzando por trás de seu pescoço
e assim lhe fazer amor,
é Sanyama (a Controlada).
(Ananga Ranga)

As mãos cruzando
sob os próprios joelhos,
os ombros um do outro segurando,
o duplo engate
se chama Bandhura (o Nó Curvo).

(Ratikallolini)

À sua frente sentada,
a amada passa os braços sob as próprias coxas
e dedos entrelaça por trás de seu pescoço,
o mesmo exactamente você faz,
é Bandhurita (o Nó Curvo)
(Ananga Ranga)

Se a amada seu pescoço enlaça
e seus braços entre os dela igual enlaçam,
assim fazem amor, bem juntos,
diz Kalyana Malla, Príncipe dos poetas,
é Phanipasha (Nó da Cobra).
(Ananga Ranga)

Posições de Pé

Do Kama Sutra

Vamos agora às posturas de amor
com que os escultores adoram nossos templos
Quando um casal faz amor de pé
ou se firmando em parede, numa coluna,
se dá o nome Sthita (Firmada)

Quando a mulher senta nas mãos do amado
aninhada, os braços ao pescoço enlaçam,
as coxas a cintura apertam,
os pés contra a parede em balanço,
é Avalambitaka (Suspensa).

Do Textos Medievais
Quando a amada pega e esmaga
na jaula dos seus braços,
os joelhos com os seus força a abrirem
e nela afunda lentamente,
é Dadhyayataka (Coalho Remexido).
(Panachasayaka).

Quando na parede ela se encosta,
os pés abertos, até onde possível,
e você entra na caverna
entre as coxas, ansioso pelo amor,
é Sammukha (Frente a frente).
(Ratiratnapradipika)

Se você numa parede encosta
e a amada as coxas trança pelas suas,
os pés em seus joelhos prende,
e seu pescoço agarra, fazendo amor
ardentemente, é Dola (o Balanço).
(Smaradipika)

Quando sua amada uma perna ergue,
o calcanhar deixando
aninhar-se logo atrás de seu joelho,
e você lhe faz amor, em braço vigoroso,
é Traivikrama (a Longa Passada).
(Ratiratnapradipika)

Se um joelho da amada você pega,
em sua mão, bem firme,
e de pé lhe faz amor,
as mãos por seu corpo acarinhando,
é Tripadam (o Tripé).
(Panchasayaka)

Se uma perna ela ergue
e o mimoso pé você pega,
os seios acarinhando,
dizendo o quanto a ama,
é Ekapada (Um Pé).
(Srngararasaprabandhadipika)

O seu coração o pé da amada pressiona,
seus braços a envolvem e sustentam,
as costas na parede se apoiam
e você desfruta a linda jovem:
assim é Veshta (o Envolvimento).
(Smaradipika)

Na parede ela se encosta,
as mãos em lótus nos quadris,
dedos longos ao umbigo se estendendo,
um pé você lhe pega em sua palma,
a outra mão seu anjo acarinhando.
Ao pescoço da amada passe o braço
e a desfrute, com ela à vontade.

Vatsyayana e muitos outros
que a arte do amor bem conheceram
à postura um nome davam: Tala (a Palma).
(Ratiratnapradipika)

Numa parede encostada,
a amada ao seu pescoço agarra
e os pés levanta,
em suas palmas, para o amor:
é Dvitala (Duas Palmas).
(Ratirahasya)

Se a amada você ergue,
seus cotovelos sob os joelhos dela,
a bunda lhe agarrando,
enquanto ela se pendura em seu pescoço,
é Janukurpara (O Joelho-Cotovelo).
(Ratiratnapradipika)

Sua esposa o pescoço lhe segura,
as pernas trança, na cintura sua:
assim é Kirti (Fama), uma postura
que não se encosta no Kama Sutra.
Jamais a tente se a amada muito pesa.
(Ananga Ranga).

Posições de Penetração por Trás
Do Kama Sutra
Se de quatro ela fica,
as palmas no tapete estendidas,
e você a monta como um touro,
acarinhando as costas, em vez dos seios,
é Dhenuka (a Vaca Leiteira).

Aos animais imitar divertido pode ser,
como cães, veados, bodes,
movimentos copiando, a seus gritos:
atacar abruptamente, como o asno,
as costas arquear, como gatos sensuais.

Como o tigre ataque; nas costas dela
lentamente suba, qual solene elefante;
pode grunhir, qual javali;
com orgulho a cubra, um garanhão:
são jogos que novas coisas ensinam.

Dos Textos Medievais

Para a frente ela se inclina e pega
a armação da cama, a bunda levantada;
suas mãos como serpentes se insinuam
e os seios junto apertam:
é Dhenuka (a Vaca Leiteira).
(Srngararasaprabandhadipika)

Se você a monta como um cão,
sua cintura agarrando,
ela se vira para seu rosto olhar,
quem conhece as artes do amor
chama Svanaka (o Cão).
(Srngararasaprabandhadipika)

Se a amada, pelo amor ansiosa,
de quatro fica, lombo erguido, como a corça,
e por trás você a desfruta,
como se a natureza humana perdesse,
é Harina (o Cervo).
(Panchasayaka)

Os pés em lótus,
no chão bem aparados, ela se inclina,
cada mão sobre uma coxa,
por trás você a toma:
é Gardabha (o Asno).
(Srngararasaprabandhadipika)

Se de barriga ela deita
e com as mãos você lhe agarra os tornozelos,
bem alto levantando e o amor fazendo,
o queixo para trás puxando com a outra mão,
é Marjara (o Gato).
(Srngararasaprabandhadipika)

De frente ela se deita,
com as mãos seus tornozelos pega,
para trás bem alto levantando:
a esta difícil postura quem conhece dá o nome
de Mallaka (o Lutador).
(Panchasayaka)

Quando sua amante deita,
seios, braços, testa no tapete,
a bunda bem alto elevando,
e você guia o pénis à yoni,
é Aibha (a Elefanta).
(Ratirahasya)

Bem alto você ergue os tornozelos dela,
ela se estica,
as pernas estendendo,
como pelo ar a rastejar:
é Hastika (o Elefante).
(Srngararasaprabandhadipika)

De quatro ela fica,
por trás você se põe,
um dos pés ao ombro leva,
a linda jovem desfruta:
é Traivikrama (a Passada).
(Panchasayaka)

Os pés dela alto erga
(como um carrinho de mão),
o pénis na yoni enfie
e a sacie com golpes vigorosos
é Kulisha (o Raio).
(Smaradipika)

De joelhos, como arqueiro,
em seu colo a pegue
e dobre para frente, até que os seios
nas coxas dela se comprimam:
é Ekabandha (Um Nó).
(Smaradipika)

De lado deitada, contra você virada,
a linda jovem, olhos de corça,
a bunda lhe oferece
e seu pénis entra na casa do amor:
é Nagabandha (o Elefante).
(Panchasyaka)

Amor Exótico – Kama Sutra
Suvarnanabha diz ser uma delícia
fazer amor em águas fundas:
os nós mais complexos, contorções,
posturas da yoga e do templo,
com prazer e fáceis se dominam.

Mas o conselho é sem valor,
diz Vatsyayana: contradiz ensinamentos
dos santos sábios, dos smritis,
por Gotama é proibido: “O casal
que na água copula será amaldiçoado.”

Quando você na cama faz um trio
com duas esposas que gostam,
é Sanghataka (o Par).
Se a muitas deleita a um só tempo,
é Goyuthika (a Manada).

Qual manada de elefantes
no calor do verão se refrescando,
uma incursão você faz com as esposas
a algum remanso de um rio, à sombra:
é Varikriditaka (o Jogo da Água).

O papel você assume
de carneiro, garanhão,
entre o rebanho das concubinas.
A mulher que aprecia dois ou mais
amantes desfrutar desse jogo vai gostar.

Nas montanhas em que vivem os Nagas,
em Balkh, Strirajya,
frustadas damas de casas reais
rapazes sempre atraem
e seus haréns, onde os escondem.

Uma rainha no colo de um homem senta,
enquanto outro a penetra
e mais um seu corpo cobre de beijos,
unhadas e mordidas de amor,
os três se revezando, até que ela se canse.

Em terras civilizadas, há que ressaltar,
essas sessões de orgia são prerrogativas
de cortesãs e prostitutas
só bem raro alguém ouve falar
de princesas se entregando aos sirdars.

Os povos das terras do sul
se afeiçoam à sodomia
e praticam livremente com homens e mulheres.
Sexo oral e inversão dos papéis
também aqui serão tratados.

Inversão de Papéis

Primeiro, os meios de excitar e saciar
uma difícil amante.
Comece por atraí-la para a cama
e a enleve com palavras doces,
antes de abrir furtivamente o nó da saia.

Se ela tentar impedi-lo, beije-a,
suplicante, até que o desejo prevaleça.
Quando seu pénis rígido subir,
faça-a senti-lo, gentilmente,
comprimindo e acarinhando as coxas.

Se for a primeira vez em que se deitam,
ela certamente há de protestar
quando a mão entre as coxas você estender
e prontamente as fechará:
acaricie até as coxas tornem a se abrir.

Embale agora as suspeitas
fingindo as mãos pelos seios atraídas,
a garganta, braços, os quadris.
Isto é muito importante com as virgens
que sempre exigem carícias infindáveis.

Se é mulher de experiência,
do recurso terá conhecimento,
pelos cabelos a pegue,
vire a boca para beijos,
nas faces plante mordidas de amor.

Se a amada é virgem,
fechados os olhos e tímida estará,
seu trabalho às cegas deve ser,
pois nos belos olhos das mulheres
quem sabe ler encontra segredos de amor.

Quando a carícia é vibrante,
os olhos dela para cima se reviram
em êxtase, ao que diz Suvarnanabha.
Deixe que os olhos dela a carícia escolham
e sua amada logo ardente há de ficar.

Quando para o amor ela estiver pronta,
as pernas pesadas há de sentir,
os movimentos lentos, langorosos,
os olhos ela fecha e comprime
o templo do amor contra você.

Você sente que o orgasmo dela é iminente
quando os braços começam a tremer,
o corpo de suor se torna lúbrico,
ela morde, arranha,
agita as pernas, incontrolável.

Se ao orgasmo você chega
enquanto ela à beira ronda,
o agarra, não o solta,
a amada em paixão desesperada
continua a arremeter, com frenesi.

Para que tal não aconteça
você deve prepará-la,
antes do amor, formando os dedos
em romba de elefante e acarinhando
a yoni dela, até molhada estar.

Durante o amor, dez golpes você pode
com o pénis desferir,
mas apenas Upasripta (Natural),
instintivo até para quem não conhece,
ao clitóris estimula plenamente.

É um golpe para cima bem suave
que se pode variar na profundidade,
rapidez, em ritmo subtil,
tão espontâneo,
que os outros nove jamais hão de alcançar.

Se o pénis você pega e move
em círculo na yoni,
é Manthana (Batedeira).
Se o pénis comprime, implacável, a yoni,
Quando golpeia bem fundo na yoni,
é Hula (a Faca de Duplo Gume).

Os quadris dela numa almofada erguidos,
se você desfere um golpe vigoroso
para cima, é Avamardana (Pontada).
Se o pénis comprime, implacável,
a yoni, é Piditaka (Pressão).
Se for completo você sai
e depois ataca, violento,
é Nirghata (o Tapa).

Pressão contínua num lado da yoni
é Varahaghata (Golpe do Javali).
Se por todos os lados você arremete,
como um touro os chifres enfiando,
é Vrishaghata (o Golpe do Touro).

Um tremor na yoni é Chatakavilasa
(Canto do Pardal), que o orgasmo anuncia.
À convulsão involuntária do orgasmo
se dá nome de Samputa (Caixa de Jóia).
Mas não há duas mulheres que o amor
igual façam e assim varie seus ritmos
pelos ânimos e cores da raga da amada.

Se o amor longo o esgota
antes que a amada o orgasmo alcance,
você deve permitir
que ela de costas o vire e monte,
a iniciativa tomando.

Se a postura a ela dá prazer
ou se você desfruta a novidade,
ela pode tornar a mudança em rotina,
embora cuidado extremo sempre tome
para a linga não sair do templo do amor.

Uma amante hábil os papéis
troca sem romper os ritmos do amor.
Se o amor você já fez,
ela pode bem fácil despertá-lo,
assumindo o papel de homem desde o início.

Pense um pouco: em você ela monta,
caindo flores dos cabelos desgrenhados,
os risinhos em ofegos se tornando,
a cada vez que se dobra para o beijo,
os mamilos seu peito perfuram.

Os quadris dela se remexem agora,
a cabeça, para trás jogada, mais depressa
se balança, ela arranha, com os punhos
o agride, os dentes lhe crava no pescoço,
em você fazendo o que tantas vezes fez a ela.

Ela grita, conquistadora inebriada:
“Você me doma, agora é humilhado!”
Mas o orgasmo a domina abruptamente,
os lindos olhos fechando,
ela a você se anima, outra vez mulher.

Quando o papel do homem assume,
sua amada escolher pode
três famosas técnicas de amor:
Samdmsha (a Pinça),
Bhramara (a Abelha), Prenkholita (o Balanço).

Se o Truque da Égua ela usa,
seu pénis com a yoni apertando,
comprimindo e afagando,
a mantê-lo por tempo infindável,
é Samdamsha (a Pinça).

Se ela ergue os pés
e os quadris gira, seu pénis
bem fundo na yoni circulando,
e você arqueia o corpo em sua ajuda,
é Bhramara (a Abelha).

Se agora os quadris ela balança
em largos círculos, fazendo oitos,
no seu corpo balançando,
como se andasse de gangorra,
é Prenkholita (o Balanço).

Quando a paixão se esvai,
ela deve repousar, à frente se inclinar,
a testa sobre a sua,
sem romper a união dos corpos:
o desejo logo há de renascer.

Dos Textos Medievais

O seu pénis segurando, a amada,
olhos revirados qual pétalas de lótus,
o guia para yoni,
a você se agarra, a bunda mexe:
é Charunariksshita (Bela Dama no Comando).
(Ratikallolini)

Em seu pénis entronizada,
as mãos na cama a amada põe
e faz amor, enquanto você
as mãos comprime no coração dela:
é Lilasana. (Assento do Amor).
(Smaradipika)

Sobre você ela senta, empertigada,
cabeça para trás, qual égua empinada,
os pés unindo,
na cama, ao lado de seu corpo:
é Hansabandha (o Cisne).
(Srngararasaprandhadipika)

A amada põe um pé
em seu coração, outro na cama.
Mulher ousada adora esta postura,
que no mundo se conhece
por Upavitika (Cordão Sagrado)
(Panchasayaka)

Se com um pé
preso em sua mão
e o outro em seu ombro,
a jovem dama o desfruta,
é Viparitaka (Invertida).

Se a amada, em você sentada,
os pés cruzados em lótus,
o corpo erecto, imóvel,
lhe faz amor,
é Yugmapada (Jugo dos Pés).
(Ratiratnapradipika)

Por cima de você sentada,
os pés cruzados, na pose do lótus,
ela cruza os braços por baixo
e as palmas no chão encosta:
é Kukkuta (o Frango).
(Srngararasapradhadipika).

A cavaleiro em você,
ela se vira e um pé em sua coxa põe,
o outro pé levantando
para um seu peito pôr:
é Viparitaka (Invertida).
(Ratimanjari)

Se em você ela senta,
de frente para os seus pés,
os pés dela às suas coxas conduzindo,
os quadris meneando em frenesi,
é Hansa-lila (o jogo do Cisne).
(Smaradipika).

Se a sua amada um pé coloca
em seu tornozelo, o outro aloja
logo acima de seu joelho,
e assim montada, os quadris mexe,
é Garuda (Garuda)
(Srngararasaprabandhadipika).

Se de costas você deita
com as pernas estendidas
e a amada o monta, ao outro lado
virada, os pés lhe segurando,
é Vrisha (o Touro).
(Srngararasaprabandhadipika).

Com os membros se enlaçando,
a beijar e a brincar,
em mil e um jogos de amor,
a amada seu papel usurpa:
é Valli (a Trepadeira).
(Srngararasaprabandhadipika)

Sobre você deitada, a amada
gira, como uma roda,
as mãos pela cama comprimindo,
seu corpo beijando, enquanto vira:
é Chakrabandha (a Roda).
(Srngararasaprabandhadipika)

Se, por meio de algum mecanismo,
a amada sobre você suspeita fica,
seu linga encaixa em sua yoni
e sobe e desce sem parar,
é Utkalita (Orissana).
(Ananga Ranga)

O Comentário Final

Mesmo a tímida, recatada,
que seus sentimentos oculta,
ao desejo simulando indiferença,
não pode evitar demonstrar sua paixão
quando sentada sobre um homem no amor.

Mas jamais assim brinque
com uma mulher menstruando
ou que acabou de ter um filho,
muito menos com mulher-corça,
grávida ou por demais pesada.

 

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/kama-sutra-texto-completo/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/kama-sutra-texto-completo/

‘A Experiência Psicodélica

Timothy Leary, Ph.D
Ralph Metzner, Ph.D
Richard Alpert, Ph.D.

Ligar-se, sintonizar-se, libertar-se.

Ligar-se significa voltar-se para dentro afim de ativar os equipamentos neurais e genéticos. Tornar-se sensível aos muitos e diferentes níveis de consciência e aos botões específicos que os acionam.

Sintonizar-se significa interagir harmoniosamente com o mundo exterior: exteriorizar, materializar, expressar as novas perspectivas internas.

Libertar-se sugere um processo ativo, seletivo e suave de separação de compromissos involuntários ou inconscientes. Libertar-se significa autoconfiança, descoberta da singularidade individual, compromisso com a mobilidade, escolha e mudança.”

Ligar-se, sintonizar-se e libertar-se! Chegou a hora de acionar a chave interna para força máxima! Ouçam, ou vocês vão passar o resto de suas vidas como figurantes mal pagos em algum documentário barato, preto-e-branco e amador, ou vão se tornar os produtores dos seus próprios filmes.

– Timothy Leary

Índice

I. Introdução Geral

II. O Livro Tibetano dos Mortos

Primeiro Bardo

Segundo Bardo

As Visões Pacíficas:

Terceiro Bardo

Conclusão e Instruções

Ótimo o livro, o achei no momento certo.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-experiencia-psicodelica/