O Ritual da Missa e a Igreja Gnóstica

A plena compreensão deste texto só será alcançada por aqueles que entenderem que existe uma diferença abissal entre Catolicismo e Cristianismo.

O ato de ir à Missa para a maioria das pessoas é um ato mecânico, descompromissado de qualquer compreensão ritualística, um ato social para atender aos pedidos de esposa/marido, pai/mãe. Desconfio sinceramente daqueles que dizem com orgulho ter prazer em ir à Missa e que não sabem exatamente o que esta acontecendo ali. É para muitos uma manhã perdida, uma atividade cansativa, isso quando a nossa mãe/avó carola nos obriga a ir às Missas noturnas, para fazer companhia. É escutar coisas que muitas vezes não fazem sentido, um senta, levanta, ajoelha que aparentemente não tem objetivo nenhum.

A razão disso é que a grande maioria das pessoas vai à Missa por obrigação, e essa obrigação começa na infância quando fazemos a primeira comunhão também obrigados pelos nossos pais, e não somos informados do real significado dos simbolismos da Missa. Tudo é empurrado goela abaixo.

A Missa é um ritual de prosperidade e de comunhão com o divino, é um ritual solar, por isso só pode ser realizado durante o dia e por homens, diferente dos rituais de fertilidade que são femininos e realizados a noite. As mulheres têm grande importância na realização do ritual auxiliando na sua preparação e desenvolvimento, não tendo de maneira nenhuma uma função menor.

O simbolismo do pão e do vinho existiu comprovadamente em varias culturas, (Maia, Asteca, Egípcia) não sendo um monopólio ou criação da ICAR.

A cruz também como elemento religioso já era usado muito antes da criação da ICAR.

Na ritualística antiga da Igreja, o sacerdote quando ficava em alguns momentos de costas para o publico estava na realidade evocando energias, (isso jamais foi explicado aos participantes da Missa) isso acabou por pressão do publico que pela ausência da explicação da real função dos atos, se sentia excluído do ato litúrgico, assim o sacerdote virou um animador. Restando apenas a homilia.

É preciso coragem para entender, que Catolicismo e Cristianismo são duas coisas bem diferentes, como a água e o vinho, ambos são líquidos, mas com características bem diferentes. É preciso entender também que a ICAR foi criada pelo Imperador Constantino para dar sustentáculo ao regime de então, e na raiz de sua criação estava à subjugação e o controle do povo e não simplesmente a divulgação do evangelho. Tudo era secreto, o conhecimento devia ser escondido, até mesmo de membros da igreja (vejam o filme O Nome da Rosa). Com o passar do tempo como forma de aumentar seu publico, a Igreja começa a incorporar rituais e festas já existente simplesmente mudando o nome (o Natal). O objetivo sempre foi o de divulgar uma “verdade” que fizesse as pessoas ficarem calminhas e obedientes.

Muitas vezes para atender conveniências, um símbolo ou ritual anteriormente aceito passa a ser desmoralizado (A Astrologia), outros são interpretados de uma maneira totalmente diversa (O Tridente de Poseidon, quem viu O Código da Vinci sabe disso). Um bom exemplo também é a criação do purgatório. Leiam O Pecado e o Medo de Jean Delumeau.

E ai daqueles que questionassem os erros ou as mudanças de opinião da Igreja, certamente iria para a fogueira. É para isso que existe a infabilidade Papal (Conheçam ao lado o Papa Gelasio I). Com o passar dos anos, e muitas ameaças, após algumas gerações aquilo virava uma verdade inquestionável aceita por todos, e a verdade antiga esquecida.

Com o ritual da Missa aconteceu isso, todo seu simbolismo real se perdeu com o tempo.

O ritual da Missa da igreja Gnóstica tem seu simbolismo explicado freqüentemente aos membros postulantes da FRA, pois entendemos que a presença na Missa deve ser um ato de amor e devoção, e não um ato forçado. Ali por meio da transubstanciação daquele pão (hóstia) e daquele vinho (suco de uva), o participante recebera energias angelicais que o ajudaram a se modificar da melhor maneira possível que é de dentro para fora, coisas boas acontecem aqueles que participam da Missa Gnóstica com amor no coração.

Abaixo explicação de alguns símbolos da igreja gnóstica, sendo que muitos são os mesmos para a ICAR, que na realidade bebeu na mesma fonte.

A Patena: (O prato dourado colocado sob a hóstia) é a representação do Sol, o doador da Vida, por isto sempre é colocada sob a hóstia, feita de farinha de trigo, cujos grãos dourados representam a materialização do Sol na Terra. Ao oferecê-la como “Meu corpo” depois de se consagrar, o sacerdote passa a ser o Representante do Logos (Cristo) durante o Ritual.

O Cálice: Simboliza o Aspecto Materno de Deus, o útero Divino onde é gestada toda a criação. É também o coração, onde se coloca ou está o Espírito Divino no homem, ou seja, o vinho.

O Vinho: Simboliza o Espírito Divino.

O Cibório: (local onde ficam os paramentos) é a gruta que recebe o Corpo de Cristo ao nascer e quando ele “morre”, ou seja, onde ele passa o período dos 3 meses do inverno para ressurgir dentre os mortos em cada Primavera.

A Lâmpada Votiva: Representa a Luz do Espírito Santo.

O Óleo: É o Amor Divino que ilumina toda a congregação e o trabalho do próprio sacerdote

O Azeite Sagrado: É o que consagra os móveis e instrumento do Templo para a execução do ofício da Santa Missa. Como elemento ígneo, é o AMOR DIVINO que serve de base para a iluminação do Templo.

A Cruz: Representa o corpo de um homem, com os braços abertos na horizontal. Significa o sacrifício do Espírito na Matéria. Este símbolo foi usado no Egito Antigo, na Grécia (mistérios de Eleusis), entre os Gnósticos e Hebreus-kabalistas. Entre os Toltecas simbolizava o sacrifício de Quetzalcoatl. Somente no Concílio de 692 é que um homem foi pregado na cruz, representando o Cristo. Anteriormente, o símbolo era apenas a Cruz. O formato usado é o da Cruz do Calvário, firmada sobre três degraus que representam a subida de Jesus ao calvário, essa cruz exalta a fé, a esperança e o amor em sua simbologia

A Pedra Branca que serve de base para o altar: É o símbolo das energias criadoras purificadas, ou seja, as energias sexuais consagradas à Divindade. “Pois também eu te digo que tu és Pedra (=kepha), e sobre esta pedra (=kepha) edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela – Mateus 16:18”.

O Incenso: é o elemento aéreo do Ritual da Missa e a queima do mesmo visa modificar as vibrações ambientes (nisto incluso os apetrechos, móveis e da própria congregação), adequando-as para a descida de nossos Irmãos das Evoluções Angélica e Arcangélicas. É o elemento purificador por excelência do ambiente. (e não coisa de macumba como muitos dizem, principalmente evangélicos)

Diferente da Igreja onde a Missa é celebrada por apenas um sacerdote, na igreja gnóstica na celebração trabalham três pessoas o Acolito, o Diácono e o Sacerdote, que simbolizam o Pai o Filho e o Espírito Santo.

A Lança o Cajado e o Bastão (na entrada do Sacerdote para o início do ritual): simboliza a coluna vertebral, onde está o poder do Homem Iluminado. Representa o sustentáculo de seu trabalho, onde ele se apóia, pois é, acima de tudo, o símbolo da vontade do Iniciado.

O Circulo na Cruz: representa o 3°. Aspecto da Trindade (O Espírito Santo, o ovo cósmico, Maria, Maia, Isis, etc.) A Rosa-Cruz é o triunfo do indivíduo sobre si mesmo, por si mesmo. Esta palavra é puramente simbólica e ao mesmo tempo alegórica. Alude a Consciência (A Rosa) que surge sobre A Arvore da Vida (A Cruz) e da qual urge emancipar-se.

As 7 Rosas Dentro do Circulo, na Cruz: simbolizam os 7 chacras do corpo humano. Os 3 acima da barra horizontal correspondem ao Coronário (Sahasrara), Frontal (Ajna) e Laríngeo (Vishudda) e os 4 abaixo da barra horizontal ao Cardíaco (do coração), do plexo solar (Manipura), do plexo genésico (Swasdhitanna) e do plexo coccídeo (mulahara).

O desenvolvimento das sete flores na Cruz representa para o Iniciado a conquista das seguintes qualidades: Pureza, Coragem (valor), Fé, Conhecimento, Amor, Sacrifício e Verdade.

INRI: IGNI NATURA RENOVATUR INTEGRA (O Fogo Renova Integralmente a Natureza) IN NECIS RENASCOR INTEGER (Na Morte, Renasceremos Intacto e Puro)

As Pétalas da Flor de Liz na Ponta dos Braços da Cruz: representam as três energias, PINGALA, SHUSHUMNA E IDA e se observado corretamente a extremidade dos braços da cruz, verificamos que a flor de lis nasce de uma concavidade com pequenos “chifres” que representam o osso Cóccix, onde se apóia a coluna vertebral.

As 7 Velas do altar: (3 de Cada Lado e uma Chama Central) simbolizam os 7 princípios humanos iluminados. (notar que estão sobre a Pedra Branca, ou seja, o Altar). Quando são em número de 3 simbolizam a trindade.

O Sinal do Bom Pastor: é um símbolo muito antigo, que antecedeu ao Cristianismo e servia para identificar àqueles que reconheciam a Presença do Cristo em Si.

O Cordeiro foi o símbolo da Era de Áries da mesma forma como os Peixes são os símbolos da Era de Peixes e permaneceu durante mais de 700 anos durante a Era Cristã e seu símbolo durante muitos anos foi aceito como representação de Jesus que era conhecido como “O CORDEIRO DE DEUS”. Ao descobrir a conotação com a Era de Áries, os Padres Católicos o aboliram. Até hoje a Igreja Gnóstica o utiliza, pois simboliza o mesmo Cristo, independente das Eras Zodiacais.

Existem outros símbolos, mas esses são os principais, e como podem ver muitos são comuns ao ritual da ICAR.

A Igreja Gnóstica da FRA, funciona ininterruptamente há 78 anos com Missas aos domingos as 9:00 da manhã, (por ser domingo o dia do sol, Sunday em Inglês), realizando alem da Missa batizados e Casamentos. Missa a noite é ficção.

Para compreender essa presença de criaturas angelicais na Missa vejam ao final do filme de Chico Xavier já nos créditos, quando passa um trecho do programa pinga fogo onde Chico fala que quando ia a Missa criança via essas criaturas em forma de luz na hóstia e na Igreja e que ultimamente, já não via tal fenômeno.

É patético ver pessoas que ao irem à Missa gnóstica levadas por alguém, se recusam a comungar alegando não terem se confessado. A confissão nada tem de religioso. Em sua origem, foi uma coisa inventada pela ICAR para saber de tudo o que acontecia nos povoados, e só era permitida a comunhão para aqueles que se confessassem.

Ninguém deve ir à Missa forçado. O ato de ir a Missa deve ser um ato de prazer, amor e fé. Da compreensão do sagrado, da compreensão do ato e da compreensão do momento, ninguém deve forçar seus filhos ou conjugues a ir à Missa, a eles deve ser explicado o que esta acontecendo ali, e a eles deve ser dado o direito de escolher ir ou não, sem transformar a ida em obrigação, e em conflito familiar (a iluminação é dada de acordo com a evolução e a capacidade de cada um, cada um tem o seu tempo). Como freqüentador eventual da Missa gnóstica posso dizer que é uma experiência prazerosa.

Enviado pelo Frater Mozart: M + R

#FRA #Gnosticismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-ritual-da-missa-e-a-igreja-gn%C3%B3stica

Contando Meus Gêneros: Uma Visão Neo-Cabalística Queer da Contagem do Ômer

Pela Rabi Jane Rachel Litman.

Um comentário sobre a contagem do ômer. A autora explica as sefirot cabalísticas (emanações de Deus) para contar o ômer. Cada sefira tem uma identidade sexual e de gênero complicada, explicada pelo autor. A neocabalística queer nos ensina que através da contemplação das possibilidades de gênero/eróticas das sefirot durante o Ômer, alcançamos um crescimento pessoal e moral diferente, mas igualmente importante.

Torah Queeries

Feriado: Contando o Ômer

Levítico 23:15-16, Contando o Ômer

“Como eu te amo? Deixe-me contar os caminhos.”

A Torá ensina (Levítico 23:15) que é uma mitsvá contar cada dia das sete semanas entre a Páscoa e Shavuot. Em termos agrícolas, este é o período de amadurecimento da colheita do trigo. Em termos míticos, é o tempo da jornada entre o Êxodo de Mitzrayim – a libertação da escravidão e constrição – e o Sinai, a revelação da Torá. As semanas são antecipatórias, tanto da colheita do campo como da colheita da alma.

Os cabalistas, místicos judeus, deram novos significados à contagem diária do Ômer. De acordo com a Cabalá, o universo foi criado através de 10 sefirot, emanações de Deus, atributos sagrados que conectam as esferas físicas e transcendentes da existência. As três “emanações superiores” estão um pouco além da plena compreensão humana. As sete sefirot inferiores, no entanto, são particularmente manifestadas durante as sete semanas do Ômer, então os cabalistas fazem uma prática espiritual meditar nesses atributos divinos durante o Ômer.

Por favor, tenha paciência comigo enquanto explico este sistema bastante complexo: de acordo com os cabalistas, cada uma das sete semanas do Ômer está associada a uma sefirah específica ou atributo divino. As sete sefirot/atributos inferiores são as seguintes: chesed/bondade amorosa; gevurah/coragem ou julgamento; tiferet/harmonia; netzach/triunfo ou conquista; hod/glória; yesod/fundação; malchut/soberania. Cada um dos sete dias de cada semana também está associado a uma sefirá específica. Assim, cada dia dos quarenta e nove dias do Ômer está associado tanto à sua sefirá/atributo semanal quanto à sua sefirah/atributo diário. Ou seja, o primeiro dia do Ômer, que este ano foi sexta-feira, 14 de abril, foi um dia em que os Cabalistas contemplaram a natureza e as implicações da pura bondade amorosa, uma vez que chesed/bondade amorosa era o atributo semanal e diário.

Este shabbat, 20 de maio, é o trigésimo sétimo dia do Ômer. A sefirah sagrada semanal é yesod/fundação e o atributo diário é gevurah/coragem. Muitos cabalísticos associam yesod com o profundo senso do eu ou com o apego ou vínculo interpessoal básico. Assim, os cabalistas deste shabbat refletirão sobre os aspectos do eu e do vínculo que requerem coragem, julgamento e autodisciplina. Você também pode se tornar um meditador do Omer. Há vários livros, artigos e calendários maravilhosos (alguns dos quais podem ser encontrados na Web) que tratam da meditação cabalística espiritual durante o período do Ômer.

Agora vem a parte interessante: além de seu aspecto espiritual, cada sefirah tem uma complicada identidade de gênero e sexualidade! As sefirot estão conectadas umas às outras em uma grade, ou “árvore” de cabeça para baixo, com suas raízes no céu. O lado direito da árvore é masculino (o que quer que isso signifique). Chesed/bondade amorosa e netzach/realização ficam deste lado da árvore. O lado esquerdo da árvore é feminino. Gevurah/coragem e hod/glória ficam deste lado da árvore. Assim, em termos das sefirot, a bondade amorosa é masculina e a coragem é feminina, uma contra-perspectiva interessante para as suposições de nossa sociedade. O meio da árvore, tiferet/harmonia, yesod/fundação e malchut/soberania, são equilibrados entre tendências masculinas e femininas. Essas sefirot são tweeners (“interpoladores”, podem assumir tanto um papel masculino como feminino). MAS… também depende da relação das sefirot dentro da árvore. Em relação a chesed/bondade amorosa, netzach/realização transita para ser feminino, uma vez que chesed está situado diretamente acima de netzach na árvore. E… cada sefirah também possui um “gênero” individual (principalmente masculino) que não está relacionado à sua posição na árvore ou a qualquer outra sefirah.

Muitas das imagens sexuais mais óbvias na Cabala refletem a união de homem e mulher. Mas as relações das sefirot não são tão simples ou heterossexuais. Como aprendemos, durante o Ômer, cada dia está associado aos valores espirituais das sefirot específicas e sua relação entre si, como a relação deste shabbat entre yesod/fundação e gevurah/coragem. Cada dia também traz uma nova e diferente constelação de gênero/sexualidade de sefirah! Assim, por exemplo, neste shabbat, o casal de sefirot é yesod e gevurah. Yesod é um tweener (interpolador) e gevurah é uma mulher. No domingo, as sefirot são yesod e tiferet. Tiferet é um tweener (interpolador) e acoplado a tiferet, yesod muda de gênero de tweener (interpolador) para feminino, sugerindo assim novas complexidades para ambas as sefirot. De muitas maneiras, as sefirot são mais criativas e fluidas em termos de gênero do que uma parada do Orgulho Gay! Através do Ômer, as relações de gênero/sexuais em mudança diária das sefirot oferecem uma ampla gama de possibilidades contemplativas.

Os cabalistas nos ensinam que através da contemplação dos valores morais das sefirot durante o Ômer, alcançamos crescimento pessoal e moral. À medida que nos aproximamos de Shavuot, nos tornamos mais humanos e buscamos o melhor de nós mesmos. A neocabalística queer nos ensina que através da contemplação das possibilidades de gênero/eróticas das sefirot durante o Ômer, alcançamos um crescimento pessoal e moral diferente, mas igualmente importante. Tornamo-nos mais humanos, mais abertos, mais receptivos a nós mesmos e aos outros e, assim, alcançamos o melhor de nós mesmos.

O Omer tem um começo – deixando Mitzrayim, nossos lugares de estreiteza e constrição. Tem um destino – chegar ao Sinai, nosso senso de Deus e o propósito de Deus para nós. Há muito o que pensar ao longo do caminho.

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Fonte:Counting My Genders: A Neo-kabbalistic view of the Omer (Counting the Omer), by Rabbi Jane Rachel Litman.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/contando-meus-generos-uma-visao-neo-cabalistica-queer-da-contagem-do-omer/

Górgias

6 (em grego antigo: Γοργίας; Leontinos, ca. 485 a.C. — Lárissa, ca. 380 a.C.) foi um retórico e filósofo grego, natural de Leontinos, na Sicília, parte da primeira geração de sofistas.

Durante o período grego arcaico – 800 a.C. a 500 a.C – observamos que as transformações econômicas de Atenas induziram a uma série de conflitos políticos entre os tradicionais aristocratas e outros grupos da sociedade ateniense. Comerciantes enriquecidos, artesãos, pequenos proprietários e cidadãos endividados reivindicavam a ampliação da participação política ou a quebra de antigas leis que beneficiavam estritamente as parcelas mais enriquecidas da população de Atenas.

Nesse contexto, os reformadores Drácon e Sólon empreenderam medidas que abriram caminho para o atendimento de uma boa parte dessas reivindicações. A adoção de leis, o fim da escravidão por dívidas e a reorganização das assembleias foram pontos significativos nesse processo de transformação. Contudo, essas transformações atingiam diretamente o interesse dos eupátridas – grupo social da Grécia Antiga detentor de altas posições, constituindo a nobreza da região da Ática (correspondente a Atenas e regiões circunvizinhas), em grego, o termo significa algo como “aqueles bem nascidos”, ou “os de pais nobres” – enquanto não atendiam prontamente os defensores de mudanças políticas mais profundas.

Foi nesse contexto que os governos tirânicos apareceram na cidade-estado de Atenas.

O primeiro a chegar ao poder foi Pisístrato (561 – 527 a.C.), que tinha grande prestigio junto às classes populares da região. Em seu governo, impôs a divisão das grandes propriedades e a distribuição de terras para aqueles que tivessem poucas posses. Além disso, estabeleceu várias obras públicas que deram emprego aos atenienses e organizou diversos eventos esportivos e religiosos. Com a morte de Pisístrato, o governo ateniense foi delegado para seus filhos Hípias e Hiparco. O governo de ambos seguiu um tom moderado, sem muitas ações de impacto. Entretanto, em 514 a.C., a morte de Hiparco pelas mãos de um aristocrata acabou fazendo com que Hípias empreendesse diversas ações de perseguição contra as elites da cidade. Seu comportamento acabou promovendo a sua expulsão de Atenas, no ano de 510 a.C..

Tempos depois, Iságoras assumiu o posto de tirano restabelecendo os antigos privilégios dos aristocratas atenienses. Suas ações acabaram acendendo uma violenta reação dos populares na cidade. Visando manter-se no cargo, Iságoras convocou os espartanos para intervirem na cidade, mas acabaram sendo expulsos pelos atenienses. Nessa nova situação de conflito, o aristocrata Clístenes Alcmeônida acabou mobilizando o apoio necessário para que ascendesse ao poder a fim de desenvolver uma ordem política democrática à cidade.

Na época de Górgias o mundo grego vivia outra transição: o dizer deixava de ser uma prerrogativa divina, um dom concedido pelas musas mediante reverências: basileus (a palavra grega para “soberano” que, de início, era utilizada para identificar qualquer rei nas regiões helenófonas no Império Romano. Era também usada em relação aos imperadores do Império Sassânida), poetas, adivinhos, sacerdotes, e passa a ser examinado e manipulado de outro ângulo muito próximo à téchne. A passagem da oralidade para a escrita se difunde e a retórica, enquanto uso racionalizado d palavra, liga-se mais ao momento da escrita do que da oralidade, pois o rétor não discursava inspirado pelas Musas, mas de acordo com regras previamente aprendidas, pensadas, escolhidas.

Nos séculos V e IV a.C. o sistema político ateniense tinha como um de seus pilares o uso público do lógos – lógos reúne numa só palavra quatro sentidos principais: (1) linguagem; (2) pensamento ou razão; (3) norma ou regra; (4) ser ou realidade íntima de alguma coisa – por todo cidadão nas assembléias e nos tribunais que tinha o poder e dever de se expressarem sobre os problemas da cidade. Assim, o lógos, se constitui como fator primordial de igualdade entre os cidadãos como fator principal para as decisões políticas.

Todo cidadão tinha direito a discursar nas assembléias e defender-se nos tribunais, e aqueles mais persuasivos se sobressaíam e faziam vencer seus pontos de vista por meio de bons argumentos aprendidos segundo certas técnicas do bom falar. Tal sociedade se torna solo fértil para o estudo dos poderes e limites do pensar-dizer argumentativos (lógos) e, assim, os gregos se apropriam do lógos como força argumentativa e persuasiva paradigmática para a história do desenvolvimento humano.

O desenvolvimento da Retórica foi impulsionado de modo particular pelas querelas jurídicas que se desenvolviam nas cidades. Nos processos públicos, cada cidadão deveria apresentar a própria defesa e não eram admitidos advogados. No entanto era possível decorar um discurso previamente escrito por um profissional especializado, o logógrafo. Com o surgimento de uma categoria de profissionais do lógos, surgiram manuais para a Oratória, que foram divulgadas por pensadores que passaram à história como sofistas – raramente se faz a diferenciação entre um logógrafo, um sofista, um rétor e um orador.

Dentre esses chamados sofistas encontra-se Górgias. Platão parece não considerar a importância de Górgias, mas a visão negativa da Retórica não significa que Platão deixe de lado todas as suas características, pois Sócrates se vale dos artifícios que critica na arte de persuadir. No texto vamos que Platão não reprova a arte da persuasão na Retórica, mas a falta de conhecimento do justo e injusto, carência que impede de tornar os cidadãos melhores. Com esse foco, o que parece digno de nota é que, para Platão, um bom “retórico” não necessariamente será um bom educador se não souber distinguir valores contrários para fundamentar seu discurso, como é o caso do justo e injusto. E como poderia então Górgias criar defesas ou acusações em tribunais sem saber o que é justiça, justo e injusto. Como ele poderia praticar o lógos sem saber do que ele essencialmente trata?

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/gorgias/

O Caminho da Sabedoria – Diálogo entre Mitra e Zoroastro

Uma vez foi visitar o célebre sábio persa, Zoroastro, um dos seus amigos dos tempos da juventude, de nome Mitra. Depois de se abraçarem e saudarem, perguntou o sábio:

– Que é o que te conduz a mim, querido amigo? Feriu-te, por acaso, o mundo e desejas fortalecer-te ao lado do companheiro da tua juventude ? Ou vens trazido pela curiosidade de veres pessoalmente o que há de verdade das coisas que o povo conta a meu respeito?

Respondeu Mitra:

– Tu mesmo te referes à causa da minha vinda; não te ofenderá, portanto, a minha sinceridade.

Interesso-me por ti e pela tua sorte; e decidi vir para ver quem tem razão: se aqueles que afirmam que chegaste ao conhecimento dos segredos da Natureza, tornando-te sábio, ou aqueles que dizem que és charlatão, que abusas da ignorância da multidão, a fim de seres considerado homem célebre.

Alegra-me que fales sinceramente – disse Zoroastro. – Mas qual é a tua propria opinião a meu respeito ?

Confessou Mitra:

– Ainda não a formei. Se é verdade que os outros afirmam, que és iluminado pela luz da Sabedoria, quero pedir-te que comigo comparti-lhes a tua felicidade; se, porém, tem razão os que falam mal de ti, desejo tentar desviar-te do meu caminho e conseguir que voltes a ti mesmo e a senda da virtude.

Comovido e entusiasmado, tomou Zoroastro pela sua a mão do amigo e lhe disse:

– Abençoada a hora que te trouxe a mim; e sete vezes abençoada, se tens a força e coragem de aproximar-te da Luz, de quem unicamente emana a vida, a felicidade e a sabedoria.

– Como? – exclamou o amigo. – Quererias introduzir-me no teu templo, que com tanto cuidado fechas a outros?

Contestou Zoroastro:

– O meu templo é a Natureza, e, nem que eu quisesse, o que seria loucura, não poderia nunca fecha-lo a pessoa alguma.

– Porém contam muitíssimos casos que repeles àqueles que desejam aprender de ti alguma coisa.

Perdoa-me se te digo o que penso. Se conseguiste conhecer a Sabedoria Superior – suponho que ela existe – por que a ocultas? Por que não a expões claramente ao povo, mas encobres a Verdade com véus de enigmas, alegorias e símbolos, que raras vezes um de muitas centenas de homens pode solver e compreender?

– Falas, Mitra, como todos aqueles que não tem idéia exata do assunto. De que utilidade ser-te-á, se te expuser o perfume de uma flor ? Poderás, de tal exposição, sentir esse perfume e conhecer a flor?

De que te servirá se te descrever um banquete? Servir-te-á a minha descrição para matares tua fome? Analogamente, como posso fazer que alguém conheça a Sabedoria, se ele se recusa a procura-la? Há Sabedoria morta e Sabedoria viva. A Sabedoria morta nos vem dos livros, das narrações, dos cálculos, das medições e considerações. Esta Sabedoria pode nos ser dada e pode nos ser tomada. Mas a Sabedoria Viva emana da eterna Fonte da Vida, dessa Fonte que, uma vez aberta, nunca desaparece e sempre nos fornece bases imperecíveis para nossas construções no domínio da Razão. Porém, é impossível explicar e ensinar esta Sabedoria; é mister apropriar-nos dela sim como nos apropriamos do perfume da flor ou da comida; ou melhor dito, é mister que a despertemos em nós, assim como, pelo perfume, da flor, se desperta em nós o sentido do olfato. Vês como é difícil dar uma explicação, mesmo geral. E quando se passa às minuciosidades, a dificuldade cresce, pois a nossa linguagem é demasiado pobre e o nosso ouvido é demasiado cru para essas coisas tão delicadas. È necessário procurar e achar a Sabedoria em si mesmo; outro caminho não conduz a ela.

Mas espero que tudo isso se torrne mais claro se quiseres acompanhar-me na minha ida à maravilhosa Fonte que existe lá, nas montanhas que daqui se pode avistar.

E, dizendo isso, Zoroastro apontou além de uma serra, ao Oriente, duas montanhas mais altas, e continuou:

– Lá, entre aquelas duas montanhas elevadas emana uma Fonte que contém qualidades maravilhosas; purifica o coração, dissipa as evaporações e névoas que se acumularam na cabeça e na mente, e retira de nós a impureza das grandes cidades e as fuligens que a fumaça do mundo depositou em nosso interior. Depende de ti querer acompanhar-me até lá. Daqui a algumas semanas mostrarei o caminho que conduz a essa Fonte, há alguns que desejam conhece-la e com sua água se saciar. Verás, então, como sou liberal na distribuição da minha doutrina, como também te convencerás que pouquíssimos são os que, verdadeiramente e com seriedade, almejam atingir a verdadeira Sabedoria.

E Zoroastro foi preparando o seu novo discípulo para a viagem. Quando chegou o dia determinado, reuniram-se setenta discípulos ao redor do Mestre, para ouvirem ainda alguns conselhos relativos a viagem. Dando-se fraternais abraços, prometeram eterna fidelidade à Sabedoria, e puseram-se a caminho, separadamente, cada um escolhendo o caminho que mais lhe agradava: um a estrada larga e outro um caminho estreito; um em companhia de um amigo, outro sozinho; um preferia o campo, outro o bosque. Não caminharam em grandes grupos, para não chamarem a atenção do povo, porque a Sabedoria não quer, se a procuramos, ser objeto de conversações e críticas das multidões.

Quando os viajantes tinham caminhado desta forma durante três dias, reuniram-se todos numa grande cidade, onde floresciam o comércio, as ciências e as artes, e onde existiam numerosas instituições de educação, asilos e hospitais, como atestados do amor da cultura e humanidade dos seus cidadãos. De todos os países, ali se reuniram muitas pessoas, para observarem e estudarem os sistemas políticos, sociais, humanitários, e educacionais dessa cidade, considerados superiores aos demais conhecidos. O fato mais admirável, porém, era o de já haver ali a água da fonte da Sabedoria, embora apenas imitada; pois os químicos haviam estudado a composição natural da água genuína da dita fonte e conseguiram compor uma imitação, que os peritos consideravam tão boa, e talves até melhor do que a fonte da montanha.

Muitos dos discípulos de Zoroastro encontraram ali seus conhecidos, outros formaram novas amizades; assim, aconteceu que, após três dias, devendo continuar a viagem, sentiram-se tristes por se despedirem dos amigos; alguns decidiram ficar, pois haviam provado daquela água e, apesar de ser apenas uma imitação da água verdadeira, acharam-na muito gostosa e não sentiram mais vontade de procurar a verdadeira fonte.

Depois de outros cinco dias de viagem, durante os quais não encontraram lugares importantes, mas sim alguns lugarejos que apenas ofereciam divertimentos e gozos sensuais, os discípulos de Zoroastro que ainda continuavam a peregrinação, chegaram a uma cidade que excedia a anterior, tanto na grandeza, como no progresso. Ao se reunirem os viajantes, perceberam que novamente alguns companheiros haviam ficado para trás, atraídos e seduzidos pelos gozos e divertimentos encontrados no lugar acima mencionado. Alguns tinham encarregado seus condiscípulos que os desculpassem alegando necessidade de descanso e prometendo seguir viagem logo depois de renovarem as forças. Ouvindo isso, Zoroastro chamou a atenção dos presentes para os perigos que o discípulo encontra ao procurar a Sabedoria nas atrações das ilusões sensuais e admoestou os companheiros para que não perdessem a coragem de combater tais ilusões.

A cidade onde agora se achavam era um quase paraíso das ciências e das artes. Ali soavam todos os nomes célebres; as riquezas locais; lindíssimos jardins, edifícios majestosos, danças, cantos, esportes, jogos, lutas e festas divertiam os estrangeiros. Todos os talentos estavam agindo e recebiam suas recompensas. E, o que era mais admirável, vendia-se ali, por preço elevado a água da sabedoria, recolhida da própria fonte; mas não era pura; porque, para fazer dela um verdadeiro néctar, misturavam-lhe partículas de sabedoria de outros lugares.

– Esta é a verdadeira água da sabedoria – clamava o vendedor – a sua composição é a maior e a mais sublime arte e o mais profundo segredo. Zoroastro mesmo tem se esforçado por descobrir este segredo e não o conseguiu, pois aqui nada pode conseguir a razão humana; só a tradição fielmente conservada pelos adeptos, conservou a receita para o bem da humanidade.

Fácil é compreender que o vendedor dessa água fazia ótimos negócios, e até alguns dos companheiros de Zoroastro deixaram-se iludir, pois compraram e tomaram essa água, e julgaram-se desobrigados de continuar a viagem. Quando, no sexto dia se reuniram num lugar isolado a fim de prosseguirem em sua peregrinação, o número de discípulos havia diminuído sensivelmente.

Zoroastro exortou-os, com palavras sinceras, paternais e sérias, a que persistissem, vencendo obstáculos e ilusões, quaisquer que fosse sua forma. Parecia como se temesse que chegaria sozinho à fonte. Mas aqueles que ainda o acompanhavam prometeram que continuariam até chegar ao alvo de sua viagem, apesar de todos os obstáculos possíveis.

Depois de novos sete dias de viagem, entraram numa cidade vasta, porém diferente das anteriores; não havia ai nada que lembrasse divertimentos; tudo respirava serenidade e reflexão. Havia ali uma universidade, onde professores, uns sentados, outro parados de pé, outro passeando, enchiam as cabeças dos seus discípulos com os conteúdos de todos os livros e ensinamentos dos mestres eruditos de todo o mundo e de todos os séculos. Havia também um templo da sabedoria, onde era fornecida a água da maravilhosa fonte, e essa água era pura, genuína e sem mistura alguma. Era trazida diretamente, carregada em vasos especialmente fabricados para este fim, impermeáveis, para não se perder nem uma gota; e esses vasos eram lacrados com um selo, de que se afirmava que fora usado já por Enoque, para defender da morte corporal. Nestes vasos, debaixo do selo, ficava a água durante sete semanas, sete dias e sete horas, guardada para desenvolver as qualidades perfeitas que não podia manifestar – assim se dizia – na fonte e no momento em que era retirada. Essa água era vendida por um pequeno preço e aqueles que a bebiam aguardavam com paciência e esperança, o efeito prometido; e quando este se manifestava, ninguém tinha a coragem de confessar que havia sido iludido, porque não queria causar inimizades nem prejudicar a boa fama da água.

Depois de passarem ali sete dias, os viajantes continuaram a jornada. Faltavam ainda nove dias para chegarem a almejada fonte.

Depois de três dias, deviam novamente reunir-se todos num certo lugar.

Já estava pondo-se o Sol naquele dia e só quatro estavam no lugar designado.

Zoroastro olhou o pequeno resto do séqüito e disse apenas:

– Vamos descansar.

No dia seguinte passaram por um riacho que caia de um rochedo.

– Vede! – Disse Zoroastro – Aqui está aquela água, cuja fonte procuramos. Daqui a tiram aqueles que a vendem na cidade que visitamos. Vamos adiante!

O caminho subia íngrime e em alguns lugares apenas as fendas das rochas serviam para se seguraremo. Finalmente, os caminhantes chegaram ao lugar onde viram elevar-se nos ares dois altos montes, um à direita e outro à esquerda.

– Estes dois montes – explicou Zoroastro – formam o vale onde encontraremos nossa fonte. O caminho até lá é perigoso, e cada um de nós tem que passa-lo sozinho, para devidamente se preparar e provar que seriamente deseja beber dessa fonte da verdade. Quem, durante a viagem se deixou seduzir, bebendo da água imitada ou selada, ficou para trás, porque não suportaria o caminho. E, apontando a cada um dos quatro o caminho a seguir, afastou-se deles.

Então, os quatro acharam crítica a situação. Com surpresa olharam ao redor de si, e sentiram-se com pouca coragem de prosseguir. Finalmente um deles disse:

– Irmãos, avante! Não nos servirá a vacilação. Eu confio na proteção da Sabedoria, em cuja proximidade estamos e com coragem irei adiante. Desejo-vos êxito; tornaremos a ver-nos juntos à fonte.

E segiu na direção que Zoroastro lhe havia apontado. O nome deste corajoso era Ali. Mitra também continuou a viagem, tendo adquirido mais energia com as palavras de Ali. Os outros que tinham provado da água milagrosa na cidade por onde ultimamente passaram, julgaram inútil prosseguir, e rataram de voltar. Assim, pois, só Ali e Mitra continuaram a viagem à fonte. Ambos tinham-se abstido de experimentar, nas ocasiões oferecidas, a água imitada ou selada; ambos estavam animados de um vivo desejo de alcançar a fonte da verdadeira, pura e livre água da sabedoria. E quem descreverá a alegria que ambos sentiram nos seus corações, quando, vindo um de um lado, e o outro do outro lado, ambos se encontraram, no dia seguinte num vale, diante de uma pirâmide, formada pela Natureza; no centro dessa pirâmide manava, de um triângulo de ouro, a mais pura, a mais clara água. E no mesmo instante, apareceu ao lado deles Zoroastro, abraçando-os e dizendo:

– Ao menos vós dois chegastes! Graças ao Dirigente do Destino! Mas, ainda não bebais desta água, tão pura. É preciso que vos prepareis dignamente, para que os seus efeitos vos sejam benéficos e duradouros.

E, umedecendo com a água da Sabedoria as testas dos dois companheiros, e dando-lhes frutas para que comessem, disse-lhes:

– Ainda por três dias terei que esperar-vos e a cada um lhe será dada uma tenda, e ali cada um deverá observar-se a si mesmo. Evocai os dias da vossa infância, vossa pura inocência. Unindo esses dias com o presente, esquecei todo o tempo que está entre essa infância e hoje. Elevai em seguida, os vossos pensamentos para o eterno futuro, para que o passado da inocência o presente e o futuro se unam num só pensamento e vos tornem dignos de receberdes a suprema consagração!

E, levando-os as suas tendas, recomendou a proteção da Eterna e Onipresente Divindade. Três dias depois estiveram novamente ao pé da pirâmide. Zoroastro encheu um cálice de água para cada um.

Ergueu o seu e bebeu, brindando ao passado ao presente e ao futuro. Os dois amigos seguiram o seu exemplo. Com sublime seriedade levantou os braços e pronunciou uma prece em nome de

Aquele que sempre foi, que é e que será e disse:

– Está feito, caia o véu! Vós abandonastes a multidão mutável e elevaste-vos as regiões do que é imutável, onde não domina mais o acaso, mas onde reina a Verdade, e onde a claridade da Luz Eterna nos torna conhecidos às leis da Eternidade.

Abençoada seja esta hora! Duas almas foram trazidas a Imortalidade! Abraçai-me, irmãos; continuaremos sendo irmãos. O Mestre é Um só e Ele vos conduzirá no futuro.

– Os três passaram mais alguns dias naquele lugar Sagrado. Depois saíram dali juntos e, sem dificuldade, alcançaram o lugar de sua partida e, quando Zoroastro chegou à sala de reuniões, eis que ali estavam reunidos todos os setenta discípulos, muito alegres que podiam agradecer ao Mestre a felicidade que encontraram na viagem. Zoroastro falou com amistosa seriedade e explicou como é fácil considerar como verdade uma ilusão. Exortou-os que evitassem toda ilusão e não se cansassem de procurar a Verdade, até encontrá-la. Depois de se despedirem, ficou com os dois companheiros vitoriosos, Ali e Mitra, e levou-os a sua casa e lhes disse:

– A vós nada mais tenho a ensinar. Conhecestes a Verdade e a sua fonte. Ide cada um pelo vosso próprio caminho, e, se encontrardes ouvidos capazes de vos ouvir e compreender, ensinai-lhes o modo de conhecer o Espírito. Que o vosso ensino seja calmo e dado em rodas de irmãos. Nunca pregueis vossas doutrinas nos lugares públicos, no movimento das massas nas lutas dos partidos nem onde se procura poder político, honras ou riquezas. Na arte dissolvente dos discursos públicos foge o espírito e, assim, o orador apresenta-nos um alimento que podemos perceber, mas não comer.

– E se não encontrarmos ouvintes – Perguntaram os dois amigos, – Que deveremos fazer?

– Então tomai por vosso modelo a fonte no deserto – respondeu Zoroastro -– Ela corre incessantemente e, se em um século matou a sede de um só viajante sedento, não ficou sem utilidade, e não fluiu em vão.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-caminho-da-sabedoria-di%C3%A1logo-entre-mitra-e-zoroastro

Hipótese de Sekhmet: Onde Estão os Hippies Quando Precisamos Deles

Bem vindos ao passado

Em 1610, logo após observar o sol através de seu recém inventado telescópio, Galileu Galilei fez as primeiras observações européias sobre as manchas solares. Desde 1749, as médias mensais dos números de manchas solares tiradas nos mostram que o número de manchas visíveis na superfície do sol aumenta e diminui em ciclos de aproximadamente 11 anos.

Bem vindos ao presente.

Não precisamos de uma bola de cristal para saber que algo vem acontecendo com a cultura jovem ocidental desde os embalos dos anos 1960. Antes deste período os jovens tinham que obedecer a 3 regras básicas:

1- Ficar de boca fechada;
2- Obedecer cegamente a líderes religiosos e governamentais;
3- Adotar uma aparência extremamente discreta e nacionalista (caso já imagine suásticas troque esse adjetivo por “patriótica”)

A partir da metade da década de 1960 houve uma espécie de reviravolta, a cultura jovem passou a rejeitar a grande massa, valores antiquados e se viam como parte de uma nova comunidade global. Algumas pessoas cultas, como o sociólogo Marshall McLuhan, sugeriram que isso aconteceu porque essa juventude foi criada, desde o nascimento, pelos aparelhos de televisão. Na década anterior, os distantes anos 1950, os adolescentes encontraram liberdade e uma forma de se rebelar ouvindo rock ‘n’ roll, mas vamos encarar, assim que Elvis se alistou no exército ele deixou claro que a cultura que estava representando ainda estava sob a tutela do governo patriarcal. E então surgiu a geração Beat, mas para a sociedade de forma geral, esse sempre foi um movimento quase que exclusivamente underground.

Outros movimentos surgiram e desapareceram como os Mods e os motoqueiros Rockers londrinos mas foi apenas em 1967 que o primeiro arquétipo global de uma natureza forte e atávica emergiu da cena Beat underground.

Esse arquétipo foi o da Criança Flor, ou como ficou mundialmente conhecido: o Hippie. Danças como o Monkey Jive eram um guia visual que mostrava de maneira clara a mutação do puro e cru rock ‘n’ roll para um tipo de ânimo baseado na psicodelia gentil. Diferente de outros movimentos jovens do passado a cultura Hippie tranformou completamente a sociedade ocidental, anunciando uma era de alegria, otimismo e expensão da mente.

Onze anos depois do surgimento, ou emersão se preferir, social das Crianças Flor surgiu a próxima corrente atavística jovem, o Punk explodiu no mainstream social em 1977. A espansão da mente da última parte da década de 1960 foi substituída por um sentimento de contração da mente, separatismo e  um ódio e apatia destrutivos, tudo isso celebrado de forma muito divertida e prazeirosa. O prazer de compartilhar a mente foi substituído pela repulsão súbita de cuspir a mente. Algumas pessoas, como John Peel, se referiram a esse novo movimento como uma possível reação contra os Hippies, os anti-corpos sociais para sanar a doença do paz e amor; outras afirmaram que o Punk era a polaridade inversa que complementava a doçura e gentileza das Crianças Flor, algo que seria não apenas natural, mas obrigatório aparecer como forma de equilíbrio.

Visualmente o espírito do tempo foi encapsulado por um tipo diferente de dança, o “ataque epilético”. Adolescentes se jogavam no chão e convulsionavam em espasmos acompanhando o ritmo da música. As pessoas que testemunhavam isso sentiam estar presenciando algo que ia muito além de uma simples modinha ou movimento. A postura do “luto de morte” – onde a pessoa se encolhia de maneira convulsiva – havia substituído a postura sexual e extática dos Hippies. Essa mudança possuia similaridades com os sentimentos expressos em nível pessoal quando defrontados com os extremos emocionais da vida. Quando nos apaixonamos nós erradiamos uma grande quantidade de alegria e otimismo e sentimos alegria em compartilhar isso com o resto do mundo, quando nós somos afligidos pela perda de um ente querido, tendemos a nos encurvar quando nos sentamos, ou nos enrolar como fetos e ficar chorando, deitados. O sentido de tempo celebrado por cada uma dessas culturas jovens também se relacionava com o espírito sentido na esfera pessoal: eterno, relaxado, expansivo quando apaixonado; acelerado, comprimido quando aflito ou quando nos deparamos com nossa morte evidente.

Assim como a cultura Punk começou a se desenvolver de forma cada vez mais acelerada, o gentil e suave Reggae fou complementado com o surgimento do Rap nervoso (desenvolvido de forma pioneira pela retórica rápida e esbaforida de Muhammad Ali), que curiosamente também desenvolveu de forma separada uma versão do “ataque epilético” junto com o break, uma dança constritiva e espiralada. Assim que a cultura Punk-Rap estava a pleno vapor, algumas pessoas começaram a levantar algumas questões, a maior delas sendo: poderia haver alguma razão por trás dessa ação combinada e recíproca de jovens celebrando um otimismo dócil, expansivo e construtivo, e então celebrarem o pessimismo a contração e a destruição?

Muitos tentaram responder isso de maneira sociológica, cultural, criativa, evolutiva. Mas nenhuma das respostas foi muito interessante, isso até Peter Carroll decidir se dedicar um pouco à questão. Carroll sugeriu que esse afluente cultural global estava se tornando receptivo, e assim influenciado, pelo ciclo de 11-22 anos de nosso astro local. Para muitos isso foi como ver no meio de uma festa de aniversário infantil um velho tio bêbado e um velho professor italiano se beijarem de maneira não tão púdica – um acontecimento óbvio, mas dificil de ser digerido, por mais aberta que seja sua mente.

Peter Carroll sugeriu que o movimento psicodélico que surgiu na segunda parte da década de 1960 aconteceu junto com o pico de atividade de manchas solares, que também ocorreu na segunda metade dos anos 1960. A celebração complementar de pessimismo ocorreu onze anos depois, a partir de 1977. Deste padrão Peter deduziu que conforme nos aproximássemos de outro pico de atividade solar, no fim de 1989, um novo ânimo, ou estado de espírito iria se expressar de forma social em 1988. Essas previsões foram feitas no início da década de 1980 em seu livro Psychonaut, muitos antigos Hippies leram o livro de Carroll e se pegaram aguardando maravilhados… enquanto muitos céticos apenas torceram o nariz e aguardaram por quase dez anos, preparados para rir de todos e preencher o mundo com suas teorias cínicas sobre como o mundo realmente funciona. Quem de fato acreditaria que o ciclo de manchas solares teria algo a ver com o comportamente cultural e musical dos mamíferos deste planeta? É de se admirar que depois de Newton, Darwin, Freud e outros as pessoas ainda dêem atenção a esse tipo de propaganda pseudo científica.

É claro que na vida nem tudo acontece como esperamos que aconteça e mesmo idéias que se baseiam em fatos aparentemente sólidos acabam indo por água abaixo, e foi isso o que aconteceu quando em 1988 a cultura Rave emergiu do underground. O novo movimento jovem chegou mesmo a desenvolver sua própria droga: Ecstasy, a primeira droga desenvolvida de natureza empática. E junto com essa nova leva jovem o slogam Paz e Amor estava de volta, exatamente como Carroll havia predito.

Se fôssemos extrapolar a premissa de Carroll, poderíamos esperar então uma nova celebração saudável de pessimismo e contração da mente para o ano de 1999. E de fato esta complementação surgiu, mas permaneceu underground. O que teria acontecido?

O novo ícone cultural revolucionário surgiu com a combinação do movimento NU Metal, que fundia influências do grunge e do metal alternativo com o rap e os vários subgêneros do heavy metal, e que começava a deixar o underground e a despontar em grandes festivais como o Ozzyfest, e da estética cultural e filosófica exposta no filme Matrix. Grant Morrison apontou que a nova juventude desejava absorver a cultura do filme, com seu imperialismo, sobretudos e visão niilista de que toda a liberdade existente hoje é apenas uma forma de controle vindo de “poderes ocultos” e assim não é uma liberdade real, mas poucos artistas e ícones da mídia quiseram participar desse movimento. Muitos não entenderam o porquê disso, já que outras culturas emergentes do passado não precisaram desse suporte da mídia para se desenvolverem, quando não haviam artistas elas criavam os próprios artistas.

Desta vez, a nova onde cultural veio carregada com uma dose extra de violência e o sentimento de morte foi muito mais extremo. Apenas vinte dias após o lançamento do filme Matrix nos EUA ocorreu o massacre na escola de Columbine. O crime logo foi associado com video games violentos, bandas de música pesada e particularmente ligada ao filme Matrix, a mídia inclusive afirmou que os dois estudantes responsáveis pelo crime estavam ligados a um grupo local auto denominado a Máfia do Sobretudo. A estética mostrada no filme passou a ser combatida por pais e professores, e muitos jovens, abalados pelo acontecimento não resistiram.

Além disso, dois anos após o lançamento do filme houve o ataque de 11 de Setembro nos EUA. O uso de aviões civis para se derrubar o World Trade Center, além de outros alvos fez com que a cultura global passasse não apenas a evitar, mas a combater qualquer forma cultural que exaltasse a morte e a violência criando uma guerra mundial ao terror, fosse qual fosse a forma de terror, impedindo o surgimento de um novo arquétipo cultural jovem.

Esses fatos fizeram com que muitos observadores culturais concluissem que a próxima onda cultural ainda estava para acontecer. Outros concluíram que essas mudanças culturais, ainda que influenciadas pelos ciclos de manchas solares começavam a ser também influenciadas pela mídia global que estava surgindo.

Considerando que o ciclo solar pode causar disturbios visuais, de rádio e até metereológicos, é possível que ele cause também influências de padrões sociais de natureza global. Mas se formos de fato buscar evidências que apoiem esta visão exótica, nós teríamos que buscar não só por padrões que atinjam seu ápice a cada 11 e 22 anos como também padrões que invertam de polaridade a cada 11 anos.

Que bom seria se as intensificações de caos social dentro da cultura jovem não possuíssem esse valor periódico.

Bem, deixemos de papo e vamos à prática. Um estudo dos ciclos solares no site de clima espacial da NASA nos oferecem os dados para criarmos a seguinte tabela de co-relações entre a atividade solar e os movimentos culturais:

Maio de 1967 – Cultura Hippie decola, um ano antes da máxima solar.

Janeiro de 1977 – Cultura Punk decola dois anos e meio antes da máxima solar.

Maio de 1988 –  Cultura Rave decola um ano antes da máxima solar.

1999 – Cultura de força hostil lúdica emerge (Nu Metal, Matrix, etc) logo antes da máxima. Mas curiosamente não surge um novo arquétipo jovem.

(As datas usadas são aproximações de quando os movimentos underground atingiram o mainstream da mentalidade contemporânea principalmente via as ruas, a imprensa sensacionalista e a televisão.)

Bem, agora é a hora de pararmos de simplesmente olhar par aa tomada e enfiar o dedo molhado nela par aver o que acontece.

Logo de cara os números parecem promissores, mas o primiro tropeço acontece quando olhamos o que o sol estava fazendo em janeiro de 1977. Nesta data o que aconteceu é que o sol estava em um período de atividade mínima e de repente ele resolveu, do nada, mudar para uma máxima solar no curto espaço de dois anos e meio. Não houve, então, uma máxima solar quando a cultura Punk foi sensacionallizada pelos tabloides.

Se combinarmos isso com o fato de a próxima cultura jovem ter perdido completamente a hora, aproximadamente 12 anos, começamos a sentir um cheiro estranho de peixe largado no sol quando paramos para pensar na hipótese da Cultura Jovem Solar. Afinal, sejamos francos, quem de fato acreditaria que o sol e as manchas solares poderiam influenciar que tipo de música irá surgir na terra?

Bem vamos olhar novamente para a foto de Peter Carroll e Galileu Galilei se beijando. Manchas solares são definidas como “regiões relativamente frias na fotosfera solar que aparecem como áreas escuras. Essas áreas contém campos magnéticos intensos que fornecem energia para as explosões solares. Manchas solares aparecem em grupos”.

Logo, estamos falando de magnetismo, magnetismo da pesada. Mas como esse magnetismo afetaria a cultura jovem? Bem, esse magnetismo poderia causar mudanças na eletrofisiologia do cérebro, afetar nossos neuro transmissores (o que afetaria nossa percepção de motivação/prazer e dor); o magnetismo poderia causar um decréscimo na memória, causar um défict de atenção maior e de quebra causar reações mais lentas no cérebro de crianças na escola, afetando o grau e a qualidade do aprendizado da lavagem cerebral que pagamos para essas instituições fazerem em nossas crianças 5 dias por semana, cinco horas por dia.

Então podemos dizer que os estilos psicodélicos, punk, raver e nu metal foram o resultado de doses massissas de magnetismo solar em cérebros jovens? Bem vamos trabalhar com outro gráfico e uma idéia divertida.

Sendo completamente raso, sem me aprofundar e tratando o assunto de maneira genérica o bastante para quase esbarrar na heresia, acho seguro dividir o comportamento, ou estado de espírito, do ser humano comum em quatro tipos. Imagine um círculo, cortado ao meio por uma linha horizontal e então novamente por uma linha vertical e… espere, deixe que eu faço isso pra você:

Os diferentes tipos de estado de espírito podem ser divididos em dois grupos, e cada um desses grupos em mais dois grupos menores influenciados pela personalidade geral das pessoas. Vejamos:

– Amigável – Delicado
– Hostil – Delicado
– Amigável – Força
– Hostil – Força

Entenda Delicado e Força da seguinte forma:

Delicado = passivo, sossegado
Força = ativo, energético

Assim, temos duas novas tabelas para adicionar ao nosso problema solar:

Tabela 1 = Evolução Cultural

1967 – 1976 -> Hippie
1977 – 1987 -> Punk
1988 – 1999 -> Rave
2000 – 2011 -> ?

Vamos entender essa interrogação como a falta de um arquétipo tão poderoso quanto o das outras 3 culturas anteriores. Podemos colocar o Nu Metal ai? Sim, mas estamos trabalhando com a possibilidade da carga criativa/energética/magnética ter se dissipado e o movimento ter começado forte e morrido alguns anos depois.

Tabela 2 = Desenvolvimento dos 4 tipos de estado de espírito

Amigável/Delicado -> Adiquirido aproximadamente entre 0 e 1 ano;
Hostil/Delicado -> Adiquirido aproximadamente entre 1 e 2.1 anos;
Amigável/Força -> Adiquirido aproximadamente entre 2.2 e 4 anos;
Hostil/Força -> Adiquirido aproximadamente entre 4 e 5.8 anos;

Para aqueles que não estão familiarizados com essas diferentes fases do desenvolvimento humano aguardem um artigo mais completo, por hora, basta saber que cada estado de espírito é a incorporação de um comportamento no desenvolvimento da criança e não uma única forma de comportamento. Ou seja, quando você nasce e é um bebê quando chora recebe um peito e você dita a rotina da família. Quando cresce impõe limites para você, primeiro de forma sutil, já não te alimentam sempre que quer e sim nas horas certas; ainda trocam suas frladas sempre que você se suja, mas você começa a ser incorporado na rotina, além disso não deixam você ir para onde quiser para não rolar uma escada engatinhando, ou não despencar da cama. Na fase seguinte, você já foi incorporado na rotina, mas está aprendendo as coisas, um novo universo se abre para você, que já caminha e já é parte da família; ainda trocam suas fraldas, mas você tem mais liberdade do que antes já que pode ir para onde quiser. Na quarta fase você já entende a diferença de sim e não, e os ‘não’ começam a chegar. Agora não querem mais trocar suas fraldas, estão te ensinando a ir ao banheiro, agora você entrou na hierarquia da família e tem chefes para obedecer.

Vamos fingir que o sol não existe, tire Galileu e vamos ficar apenas com Carroll.

Analisando os diferentes tipos, ou personalidades, das culturas jovens, ligadas à música que surgia, e comparando-os com os estágios do desenvolvimento humano temos novamente um padrão interessante surgindo. Uma experiência divertidas é tocar os diferentes tipos de músicas em festas de aniversários de crianças que ainda não fizeram 5 anos e observar a reação dos pimpolhos. Não, não vou descrever aqui as reações, eu disse que isso é uma experiência divertida, então a realize e se divirta. Para apenas de ler e tente aprender algo na prática.

Voltando ao assunto, temos então um quadro interessante. Se as mudanças são causadas pelo sol ou não, elas possuem um paralelo com o desenvolvimento da programação que tranforma um bebê em alguém que irá passar a maior parte da vida longe da família, dos amantes e dos filhos, trancado em algum lugar lutando por cada vez mais papel colorido com númeors impressos distribuídos pelo governo e guardados em bancos que tentam fugir do tédio lendo coisas na internet.

Assim, como podemos prever o próximo movimento cultural jovem? Se levarmos em conta que o do início deste século simplesmente se evaporou, qual seria o movimento cultural/musical que irá se tornar o avatar a partir de 2011?

Merda. Estamos em 2011!

O último grande arquétipo cultural aceito por nossos pesquisadores, foi a cultura Rave, enquadrada como Amigável-Força. A que se seguiria seria Hostil-Força, mas alunos se mataram, o World Trade Center agora é uma praça e não mais prédios. O Nu Metal trazia um aspecto hostil e energético, mas ele não se tornou um arquétipo. A nova onda energética que deve estar acontecendo este ano ou ano que vem (alarmistas de 2012, comecem a sorrir) deve adotar a postura Hostil-Força ou será que veremos um próximo pulo evolutivo?

Estilos como Stormer (pense nos storm troopers de Starwars), Valkie (pense em Wagner) ou Panzer (aqueles belos tanques alemães) estão sendo sussurrados por aqueles que gostam de falar de coisas como nanotecnologia usada para implantar propaganda corporativa em sonhos, assim sempre que você sonhar que está com sede vai se ver bebendo uma coca-cola.

Caso de fato tenhamos perdido o ônibus dormindo e tenhamos uma nova cultura jovem hostil agressiva podemos esperar algo como o inferno vindo para a terra. Ela provavelmente será demonizada pelos fundamentalistas religiosos, pela imprensa de tabloides e por uma série de DJ’s que perderam os empregos nos últimos anos por teram saído de moda. E claro, com cada cultura uma nova droga. Se antes o Ecstasy era a droga do amor, esperemos o surgimento de uma nova droga que trabalhe com um aspecto violento agressivo.

A idéia divertida mencionada acima é uma forma de tentar entender: se de fato o eletromagnetismo do sol pode influenciar nossa cultura jovem, nossa “nova onda”, o que poderia ter bloqueado a última, de 2000, e que poderia continuar fazendo com que nossa criatividade simplesmente brochasse eternamente? Que fontes de eletromagnetismo nós teríamos ao nosso redor constantemente o tempo todo?

Em 1888 Hitler foi o pioneiro na transmissão de códigos pelo ar. Claro que não era exatamente pelo ar, afinal qualquer pessoa que grite está transmitindo códigos pelo ar, mas estou falando do tipo de transmissão que acabou dando origem ao rádio transmissor. Bem, logo todo mundo decidiu que precisavam mandar informações de forma rápida. Em 1914 aconteceu a primeira ligação telefonica trans oceânica. Em 1947 os laboratórios Bell, nos Estados Unidos, pegaram a invenção de uma atriz hollywoodiana, Hedwig Kiesler (conhecida também por Hedy Lamaar) e desenvolveu em cima dela – da invenção não da atriz – um sistema telefônico de alta capacidade inteligado por diversas antenas espalhadas por ai, cada antena recebeu o nome de célula porque isso era bacana pra caralho e fazia o trabalho parecer coisa de ficção científica. Assim nascia a telefonia celular. O primeiro celular foi desenvolvido pela Ericsson, que ainda nem imaginava que temrinaria na cama com a Sony, em 1956, ele pesava 40 quilos e foi criado para ser instalado em porta malas de carros. A Motorola entrou na dança lançando o seu modelo de celular em 1973, que já pesava 1 quilo e tinha o prático tamanho de um tijolo. Em 1979 o Japão e a Suécia entraram no jogo e os EUA em 1983. Isso, em números, significa que até 1989 existiam 4 milhões de assinantes do serviço móvel em todo o mundo. Em 2009 esse número subiu para 4.600 milhões. Para 2013 se antecipam 6000 milhões.

1947-1956 – desenvolvimento do primeiro celular -> 1967 – 1976 -> Hippie
1979-1989 produção se espalha pelo mundo -> 1977 – 1987 -> Punk
1989 – 2009 – produção em massa de celulares populares -> 1988 – 1999 -> Rave e 2000 – 2011 -> ?

Celulares usam uma energia eletromagnética. Estão cada vez mais populares e mais difundidos. As antigas “células” estão sendo trocadas por satélites que vão recolher e disparar de volta outros feixos de energia eletromagnética. Teria esse magnetismo influenciado o magnetismo solar e o Nu Metal não se desenvolveu? Será que o movimento Emo seria uma mutação causada por nosso eletromagnetismo artificial? Existe eletromagnetismo artificial?

Nós podemos discartar tudo o que foi escrito até agora e simplesment assumir que é muito rasoável dizer que a cultura jovem está caindo em um ciclo por causa da substituição do antigo controle patriarcal-governamental e o substituindo por um controle corporativo-capitalista-
comercial. Pergunta a um jovem o que é o comunismo, ele pode não saber dizer o que é, mas em algum ponto da história o Mac Donald’s lutou contra ele e venceu. Isso se torna claro na cada vez mais alarmante falta de respeito por instituições religiosas e da cada vez mais falha capacidade de controle de diferentes agências governamentias que está culminando com o fim do nacionalismo/patriotismo.

Agora o que dita essas mudanças? Eletromagnetismo? De quando em quando elas ocorrem? Como definimos que ela é um arquétipo? Afinal qualquer pessoa com um mínimo de cérebro já notou duas coisas: o movimento Grunge, por exemplo, sequer foi citado neste ensaio. Porque o sol ou seja lá o que for, apenas afeta o ocidente? E o Japão?

Bem, sendo um bom adorador de gráficos inúteis e tabelas comparativas esdrúxulas, o grunge pode ser classificado como uma mistura do hippie com um punk melancólico, banhado em óleo de motor usado. Seria como vermos um bando de Punks patetas chapados em um verão ensolarado, ou hippies sombrios em um inverno escuro. Assim mesmo essa subcultura poderia ser encaixada como o resultado de duas culturas dinâmicas. Podemos apontar, de maneira óbvia, que um movimento não surge do nada, ele é formado pela interação de culturas prévias se mesclando e se influenciando de forma dinâmica.

Antes que você resolva começar a perguntar sobre Hip Hop e outras coisas, só porque leu acima que uma pessoa inteligente notaria que várias culturas jovens não foram citadas, tenha em mente primeiro que no início o Rap era considerado o ‘Punk Negro’, com certeza o rap possuia aspectos de composição mais trabalhados do que o Punk, não era exatamente um touro bravo, mas um touro bravo com óculos escuros, se é que me entendem. E depois, eu sou branco, acreditem ou não, então qualquer insight que eu possa oferecer sobre isso seria algo falso e artificial visando apenas aumentar os lucros da empresa.

Mas e quanto ao japão e ao oriente médio? Bom, o Japão teve uma sobrecarga de eletromagnetismo e um pais para se reconstruir depois da segunda Guerra. O oriente, bem ou mal, esteve em conflitos que fariam o 11 de Setembro americano parecer uma pegadinha do Mallandro, mas até ai… além de branco eu sou ocidental, não vou nem tentar começar a criar metáforas para uma cultura que o mais perto que chegamos foi Spectreman, Chance Man e cavaleiros do Zodíaco.

E, para isso não virar um pingue-pongue mental, vou deixar claro que esta hipótese trata apenas de tribalismos atávicos nascidos de traços do psicodelismo e psicoesferismo da cultura jovem.

Isso pode descartar então de fato a ligação entre o surgimento desses movimentos com a atividade solar? Ou mesmo indicar um padrão que mimetize o desenvolvimento neural de um bebê em uma criança?

Pense o seguinte: Nu Metal aconteceu, ele pode não ter chegado por aqui, mas da mesma forma que o movimento Hippie inundou os EUA e o movimento Punk inundou a inglaterra e o movimento tecno/rave pareceu começar a inundar o Brasil, ele teve lá seu momento de fama. Paralelo a isso de acordo com Dean Pesnell, o físico solar do Goddard Space Flight Center da NASA, “nada tem acontecido no Sol há algum tempo, pelo menos quando discutimos sobre a presença (ou melhor: ausência) das manchas solares; estamos experimentando um mínimo solar muito profundo”. Assim teríamos uma nova eclosão cultural que se seguiria à Hostil-Força do Nu Metal e que iria para um próximo passo, sem nenhuma influência do Sol e banhada pelo eletromagnetismo de celulares.

Bem, veja o que acontece quando se mescla elementos de hard core “alegre” com elementos emo.

As novas bandas de Rock Colorido continuam sendo motivo de risadas para muitos, ao menos aqui no Brasil, mas… para cada pessoa que sacaneia a #famíliarestart, ou qualquer coisa que o valha, tem centenas que elogiam e fazem juras de amor para eles. E essas bandas estão se multiplicando. Várias dessas bandas estão fazendo turnês pelo nosso país de uma maneira que faria grandes bandas das culturas passadas se assustarem, já que falamos do Restart, eles já viajaram mais de 3.000 quilómetros para realizar show só no mês de março do ano passado. Outras como Hori, Cine, Fake Number, Hevo 84 crescem a cada dia. Isso não significa que você vai gostar do som. Os Hippies não eram muito amigo dos Punks. Os punks não tem críticas boas para os Revaers e Clubbers, esses não tem uma queda especial pelo som Nu Metal, e ninguém, mas ninguém mesmo, gosta dessas bandas de rock colorido, a não ser os milhares cada vez maiores de fãs. Isso pode ser um indicativo do que vai ser a juventude, ou como ela vai se desenvolver nos próximos anos.

Enquanto isso podemos apenas clamar para a Deusa: Precisamos de manchas solares!

por LöN Plo

Postagem original feita no https://mortesubita.net/musica-e-ocultismo/hipotese-de-sekhmet-onde-estao-os-hippies-quando-precisamos-deles/

KALI YUGA – A época em que vivemos

Como escreveu Alain Daniélou em seu livro “Shiva e Dioniso”, que tomei como base para esse texto: “A evolução do mundo é submetida a ciclos. Cada um desses dividido em quatro períodos denominados yugas. Essa divisão das idades do mundo era conhecido por todo mundo antigo”.

Existem muitas contradições sobre o início e a duração desses ciclos e não vou me prender a essa questão.

Apenas os últimos acontecimentos me fizeram lembrar do período que a Terra atravessa.

Kali Yuga (Sânscrito: कलियुग) “Idade do Vício” também denominada a “Idade de Ferro” e “Idade dos Conflitos” é a última das quatro etapas que o mundo atravessa ciclicamente; E ONDE NÓS ESTAMOS AGORA!!! E onde a humanidade trabalha para a sua própria destruição.

Escrituras Antigas geralmente apresentam a Kali Yuga como uma era de crescente degradação humana, cultural, social, ambiental e espiritual, onde a desordem no equilíbrio natural vai aumentando num ritmo cada vez mais acelerado, sendo simbolicamente referida como Idade das Trevas.

A supremacia do homem sobre o mundo terrestre e a destruição gradual por ele das outras espécies vivas provocam a vingança do deus, manifestada pela loucura que inspira àqueles que se opõem a ele, loucura muito evidente no comportamento da humanidade moderna, formada por massas inconscientes conduzidas por dirigentes irresponsáveis e maléficos”. (A. Daniélou)

Alguns textos antigos realmente previram as condições que agora existem no crepúsculo da Kali Yuga. Destes, os mais antigos são os Hindus.

“Mergulhados nos recônditos da ignorância e pensando: Somos pessoas sábias e instruídas; esses loucos, expostos a mil males, erram em aventuras como cegos conduzidos por um cego.” (Mundaka Upanishad)

Os homens serão atormentados pela inveja, irritáveis, sectários, indiferentes às consequências de seus atos. São ameaçados pela doença, pela fome, pelo medo e terríveis calamidades naturais. Seus desejos são mal orientados, seu saber utilizado para fins maléficos. São desonestos. Muitos perecerão. A classe dos nobres e dos agricultores declinam. A classe operária, durante a Idade de Kali, pretende governar… os chefes de estado são em sua maioria de origem inferior. São ditadores e tiranos.”

Matam-se os fetos e os heróis. Os trabalhadores querem assumir papéis intelectuais, os intelectuais o dos trabalhadores. Os ladrões tornam-se reis e os reis ladrões. As mulheres virtuosas são raras. A promiscuidade propaga-se. A estabilidade e o equilíbrio desaparecem. A terra não produz quase nada em certos lugares e muito em outros. Os poderosos apropriam-se do bem público e deixam de proteger o povo. Cientistas de origem inferior são honrados como brâmanes e entregam, a pessoas que não são dignas, os segredos perigosos das ciências. Os mestres aviltam-se vendendo o saber.”

 Os homens de bem retiram-se da vida pública. Comida já cozida é vendida em praça pública. Os sacramentos e a religião também estão à venda.”

A chuva é errática. Os comerciantes, desonestos. As pessoas que mendigam ou que procuram um emprego são cada vez mais numerosas. A linguagem é grosseira, a palavra não é mantida, a inveja é crescente. Pessoas sem moralidade pregam a virtude aos outros. A censura reina… associações criminosas formam-se nas cidades e nos países. Faltará água assim como alimentos. Os homens perderão o sentido dos valores”.

 Os ritos perecerão nas mãos de homens sem virtude. Pessoas praticando ritos transviados espalhar-se-ão por toda parte. Pessoas não qualificadas estudarão os textos sagrados e tornar-se-ão supostos peritos. Os homens matar-se-ão uns aos outros e matarão também as crianças, as mulheres e os animais. Os sábios serão condenados à morte”. (Linga Purâna)

Lembrem-se… são textos antigos… muito antigos. E é triste ver que eles acertaram em suas previsões.

Veremos no final da Idade de Ferro um fenômeno bem característico: o aparecimento de falsas religiões que, no dizer de Daniélou, afastam os homens de seu papel na criação e servem como desculpa para suas depredações… as religiões da cidade sobrepujam a religião da natureza.

A impertinência e o orgulho com que os “crentes” atribuem a “deus” seus preconceitos sociais, alimentares, sexuais, que, aliás, variam de uma região a outra, seriam cômicos se não resultassem inevitavelmente em formas de tirania, de caráter puramente temporal. A obrigação de conformar-se com crenças e modos de ação arbitrários é um meio de aviltar e submeter a personalidade do indivíduo, do qual todas as tiranias, sejam elas religiosas ou políticas, de direita ou de esquerda, sabem servir-se muito bem”. (Alain Daniélou em Shiva e Dioniso – A Religião da Natureza e do Eros)

Mas o Kali Yuga é também um período privilegiado, onde alguns podem alcançar a perfeição em curto tempo. E excelentes mestres continuarão a praticar os ritos corretos da maneira correta. Apesar de serem um tanto difícil de serem encontrados em meio a tanta falsidade…

Oliver St John, em seu excelente artigo The Aeon of Hormaku (publicado em Stella Tenebrae – Journal of Hermética Magick Volume One Number 2 (Ordo Astri)) diz que o solstício de 21/12/2012 viu “uma reificação na Terra das forças cósmicas de um Novo Aeon.” E de acordo com os escritos do falecido Kenneth Grant, o ano de 2012 foi de grande importância para os Iniciados.

Nas palavras de St John: “Com toda a probabilidade o mundo vai acordar na manhã seguinte após o solstício, 21 de dezembro de 2012, sem perceber quaisquer mudanças notáveis​​. Os trens vão funcionar na hora, o lixo será recolhido e cartões de Natal serão entregues. É duvidoso que os canais de televisão e estações de rádio transmitam notícias de uma nova Ordem Mundial,ou de uma intervenção extraterrestre. Profecia não é o mesmo que previsão, e não temos nenhuma ideia de qualquer resultado material, ou se de fato deve haver um. Kenneth Grant alertou aos adeptos mágicos que eles devem preparar-se, e isso é precisamente o que estamos fazendo. Trabalho mágico Hermético exige que o aspirante fique acordado, mesmo se desconsiderarmos as teorias completamente indefinidas, o conselho é ouvido”. (Oliver St John – Welcome to the Aeon of Hormaku,2012)

Como bem me disse um dos verdadeiros sábios de nossa era: “O fim da Kali Yuga é eminente, e uma nova corrente está varrendo em nossa direção, não sem seus perigos concomitantes…. A única coisa que você pode fazer é segurar seu chapéu, pois muito possivelmente poderá estar neste planeta quando a fase inicial da Mudança ocorrer”.

Afinal, a Manifestação de Nuit está em um fim.

SOCIEDADE LAMATRONIKA® 2013 – Todos os direitos reservados.

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Fonte: KALI YUGA – A época em que vivemos

Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/kali-yuga-a-epoca-em-que-vivemos/

Linha do tempo histórica da comunidade vampyrica

Malcaius Davion

Este projeto foi iniciado na esperança de construir uma linha do tempo definitiva da Comunidade de Vampiros ao longo da história, esperamos obter e registrar qualquer informação das ações passadas da comunidade de Vampiros enquanto esperamos registrar quaisquer ações de mérito que virão.

1966 – Anne de Molay estabelece a “Ordem de Maidenfear”, sem dúvida a mais antiga “House” vampírica conhecida no mundo.

1976 – House Sahjaza formada em Nova York.

1985 – os membros fundadores da Casa Sahjaza, sob a orientação de Godess Rosemary formam a Sociedade Z/n.

1989 – O sigiloso; internacional, o Templo do Vampiro (ToV) é fundado.

1991 – O primeiro protótipo do The Vampire Codex é escrito por Michelle Bellanger para uso como texto instrucional da Casa Kheperu.

1993 – O Sanguinarium é fundado pelo Father Sebastian (Todd) van Houten.

1994 – Lançamento do “The vampire book” de Gordon Melton

1995 – A Sociedade Z/n encerra atividades.

Início de 1995 – Uma versão impressa especial do The Vampire Codex é publicada para selecionar estudantes em conjunto com a Sociedade Internacional de Vampiros.

Final de 1996 – The Black Veil é escrito por Father Sebastian (Todd) van Houten como um código de conduta para o primeiro Noir Haven de Gotham Halo, o Long Black Veil, e os membros do Clan SABRETOOTH.

Primavera de 1997 – Sanguinarius.org for Real Vampires é estabelecido como um site de suporte para todos que se consideram vampiros reais. www.sanguinarius.org/vampire.shtml

1997 – O Long Black Veil (LBV) começa a ser realizado no MOTHER na segunda quarta-feira de cada mês.

1997 – The Black Veil V1.0 lançado para a comunidade em geral, escrito pelo Padre Sebastian (Todd) van Houten, Esta versão inicial foi apresentada à comunidade real de vampiros então em formação, mas foi recebida em grande parte com críticas e rejeição por causa de seu seus conceitos e linguagem de rpg

Abril de 1999 – vampire-church.com registrado.

28 de julho de 1999 – Página de suporte de vampiros reais do SphynxCat vai ao ar

2000 – MOTHER fecha e o LBV é transferido para a boate True por 2 anos.

2000 – O Black Veil V2.0 “as 13 regras da comunidade” é lançado para a comunidade geral composta por Michelle Belanger da Casa Kheperu, Padre Sebastiaan (Todd) van Houten da Casa Sahjaza, e COVICA como um código de ética voluntário para vampiros na comunidade a seguir. O documento recebeu reações mistas mais uma vez devido à sua encenação como redação.

Outubro de 2000 – The Vampire Codex, edição Sanguinarium é publicado pela Sanguiarium Press. O Vampire Codex tem um impacto significativo na comunidade mundial de vampiros psíquicos, tornando-se o texto fundamental usado por inúmeras Casas, Ordens, Covens e Clãs. Influenciou os ensinamentos de grupos de vampiros nos Estados Unidos, Canadá e Europa Ocidental.

Julho de 2001 – Rules of Thumb é composto por Sarah Dorrance como uma lista de conselhos sensatos para membros que se juntam à comunidade

Outubro de 2003 – The Black Veil v3.0 é criado e lançado para a comunidade, após uma revisão por representantes da Vampire Church, Bloodlines, Sanguinarium e indivíduos de muitas outras organizações independentes deu origem a uma segunda revisão do Black Veil. Esta versão foi lançada algumas semanas depois. Reduzido de treze e de volta para sete regras, o novo Black Veil foi simplificado para remover a linguagem pretensiosa e excessivamente “gótica” para mais uma vez aumentar seu apelo à comunidade em constante evolução. A ideia principal por trás dessa revisão final foi expressar, em linguagem clara e simples, a ética já inatamente valorizada pela maioria daquela comunidade.

2005 – A Atlanta Vampire Alliance (AVA) é formada como uma verdadeira casa de vampiros cobrindo a área de Atlanta

2005 – A New Orleans Vampire Association (NOVA) é fundada, foi estabelecida para fornecer suporte e estrutura para as subculturas de vampiros e outros parentes e para fornecer educação e caridade aos necessitados. www.neworleansvampireassociation.org/

2006 – É fundada a Suscitatio Enterprises, LLC. www.suscitatio.com/

Janeiro de 2006 –  Voices of the Vampiric Community (VVC)  é fundada para desenvolver relações amistosas entre as várias Casas, Covens, Ordens, organizações e líderes individuais da comunidade vampírica. www.veritasvosliberabit.com/vvc.html

Março de 2006 – A Vampire & Energy Work Research Survey (VEWRS) é divulgada ao público, 955 membros da comunidade respondem.

Agosto de 2006 – A The Advanced Vampirism & Energy Work Research Survey (AVEWRS) é divulgada ao público, 515 membros da comunidade respondem.

23 de junho de 2007 – Os primeiros resultados das pesquisas VEWRS e AVEWRS são divulgados com muitos gráficos de pizza e gráficos fornecidos para interpretação dos dados.

Julho de 2007 – O site da comunidade de vampiros Sanguinox fica offline devido a custos financeiros e problemas entre o proprietário e os moderadores.

2008 – O Vampire Community News (VCN) é lançado www.facebook.com/groups/vampirecommunitynews

2009 – O Tucson Otherkin Community Group é fundado por Sagunarius como um grupo social e de apoio para vampiros, doadores, otherkin, therians e wiccanos

2010 – Real Vampire News é concebido e iniciado por John Reason. O objetivo é se tornar um recurso do tipo “jornal” para a comunidade online de vampiros reais.

2010 – A Atlanta Vampire Alliance e a Suscitatio LLC iniciam uma segunda série de estudos para complementar as pesquisas VEWR e AVEWR de 2006-2009. Esse esforço incluirá a coleta de exames e informações médicas.

Maio de 2011 – A South African Vampire Alliance (SAVA) é fundada como uma expressão formalizada da South African Vampire Community (SAVC) savampyrealliance.wordpress.com/

Julho de 2012 – Goddess Rosemary e Temple House Sahjaza divulgam a declaração intitulada “Taking back the night” de retorno aos modos cavalheirescos.

1 de outubro de 2012 – John Reason’s Real Vampire Life E-Zine inicia uma pesquisa de um ano sobre a subcultura de vampiros real intitulada “The Living Vampire – A social survey”, destinada a reunir informações sociais e demográficas sobre a subcultura.

8 de fevereiro de 2013 – o Sínodo publica The Official Black Veil (black veil v4.0), esta versão atualizada do documento de longa data que teve inúmeras revisões é declarada a versão final do documento a ser adotado pelo Ordo Strigoi vii e o sanguinário, e afirma-se ser a única versão agora aceita pelo autor original Padre Sebastian (Todd) van Houten. Encontrou pesada censura de muitos membros proeminentes da comunidade Vampira por sua exclusão de Sanguinários e seus tons excessivamente religiosos.

31 de setembro de 2013 – A pesquisa Real Vampire Life de John Reason, “The Living Vampire – A social survey” é concluida.

Setembro de 2013 – Goddess Rosemary e Temple House Sahjaza lançam ao público a versão grafica do “13 Nightside Commandments”

3 de novembro – I.C.E formado por anciãos da comunidade que querem ver mudanças para melhor trazidas para o OVC.

31 de setembro de 2013 – A pesquisa Real Vampire Life de John Reason, “The Living Vampire – A social survey”, conclui.

30 de dezembro de 2013 – Primeira publicação da primeira parte dos resultados de “The Living Vampire – A social survey” é publicada no E-Zine Real Vampire Life de John Reason ( realvampirenews.com)

Fonte: https://vchistoricalsociety.freeforums.net/thread/2/historical-timeline-vampire-community

Postagem original feita no https://mortesubita.net/vampirismo-e-licantropia/linha-do-tempo-historica-da-comunidade-vampyrica/

A Respeito das Tradições da ONA

Por um longo tempo, as tradições eram divulgadas em uma base individual – do Mestre ou Senhora ao iniciado. Uma ‘Ordem’ não existira. Havia somente, alguns adeptos que ensinaram alguns pupilos sobre um longo período de tempo.

Não se realizava até a sexta década deste século atual com a mudança deste padrão. Até aqui, a tradição foi secreta e reservada, e os pupilos em perspectiva eram sujeitos aos testes e as severas provações, de uma natureza física, mental e magicka. As tradições eram orais, com uma ou duas exceções. Estas que estão sendo concernidas com determinados rituais magickos e canto esotérico. Mas mesmo estes foram escritos no código ou nos certificados simbólico/magickos planejados para escondê-los dos não iniciados.

A própria tradição concerniu: a) determinados ritos e cerimônias de ‘Magia Negra’ – por exemplo: A Cerimônia do Sacrifício; A Chamada Sinistra; Os Ritos dos Nove Ângulos [Nota: Estes são uns títulos mais atrasados para o que era sem título]; b) determinadas crenças/legendas que se relacionam aos Deuses Escuros; c) determinados métodos que foram acreditados para ser necessários à realização de recebimento de adeptos [por exemplo, o que se tornou mais tarde conhecido como os ‘Rituais de Grau’]; d) determinado conhecimento esotérico por exemplo Canto Esotérico, o sistema septenário de correspondência; e) determinadas práticas de uma natureza sinistra [descrito em MSS tal como ‘Seleção’; ‘Linhas de Guia para teste dos opfers’].

Havia também uma opinião que se tornasse mais tarde sabida como ‘A Sinistra Dialética da História’ – uma tentativa de compreender Aeons e os rudimentos de o que se transformou mais tarde Magicka Aeonica.

Ocasionalmente, os rituais cerimoniais foram empreendidos para as finalidades específicas em que a maioria, se não todos, aqueles que pertenceram à tradição participarem dentro. Às vezes, este era assim pouco que outro teve que ser recrutado, assunto aos testes usuais e assim por diante. Mas este ‘recrutamento’ era para uma finalidade específica, e não era a política geral.

Na sexta década deste século atual isto, entretanto, mudou – sob a orientação da Senhora que representou até então a tradição. Ela deu forma a diversos grupos cerimoniais, todos autônomos. Estes, entretanto, não eram grandes, e o número combinado de pessoas nestes grupos nunca excedeu dos trinta. Alguns dos indivíduos assim que recrutados vieram de grupos existentes do trajeto de Magia Negra ou Caminho da Mão Esquerda (como o OTP, o Templo do Sol, e a Ordem Negra). Devido a esta mudança, alguma estrutura foi dada à tradição – e um nome, além àqueles já existentes que serviram para identificar os aderentes desta tradição. Os nomes descritivos existentes eram ‘ Satanismo Tradicional, o Sistema Septenário, e hebdomadária. O novo nome, adotado pela Senhora, foi Ordem dos Nove Ângulos. Os grupos autônomos adotaram também seus próprios nomes, como sub-Templos secundários dentro da ordem. Um destes era ‘Camlad’; outro era ‘Templo do Sol’ (quase todos os membros que tinham sido chamados por este nome tinham se juntado a ONA).

Alguns anos seguintes, os sunedriões da ordem foram prendidos, e as iniciações cerimoniais foram empreendidas. Isto continuou por mais alguns anos, após a Senhora ter-se retirado. Sua decisão era o resultado de uma estratégia sinistra – para empreender atos específicos da magicka sinistra de um tipo cerimonial; para aumentar o número de adeptos genuínos e para criar formulários temporais para dirigir determinadas energias magickas e para provocar assim determinadas mudanças, preparando o caminho para o estágio seguinte.

Entretanto, a realidade era um tanto diferente da teoria. Alguma qualidade tinha sido perdida. Havia uma concentração nos aspectos externos da magicka em contraste com o interno e o aeonico. Conformemente, após alguns anos mais, a pessoa que representou então a ordem dispersou os grupos, e retornou aos métodos tradicionais. Os métodos foram refinados e estendidos, e transformou-se a prática para que os Adeptos Externos dêem forma e controlem a seu próprio Templo, com liberdade completa. Mais, uma decisão foi feita exame para fazer gradualmente disponível todas as tradições da ordem junto com as técnicas novas desenvolvidas. As novas técnicas incluem ‘O Jogo da Estrela’. Os Rituais de Grau da classe foram revisados, e uns métodos mais adicionais foram desenvolvidos, junto com um sistema teórico detalhado ao explicar a natureza verdadeira dos métodos e da magicka própria. Assim, um sistema puramente prático do treinamento foi criado, para receber adeptos e as classes além de disponível a qualquer um. Este sistema foi chamado ‘O Caminho do Septenário’ [mais tarde ‘O Caminho Sinistro Septenário’]. A base deste sistema foi descrita em um MS da ordem intitulado ‘Naos’.

De acordo com a tradição, as tradições herdadas pelo Grande Mestre atual da Senhora que o iniciou, foram ditas ser uma sobrevivência de o que foi chamado ‘O Terceiro Caminho da Magicka’; uma sobrevivência da civilização que floresceu em Albion. Estas tradições foram limitadas a alguma área geográfica. Isto foi limitado no norte pelo Stiperstones; no oeste pelo longo Mynd; no leste por esse caminho neolítico sabido agora como o kerry Ridgway; e no sul pelo rio Clun.

Esta, entretanto, é somente uma tradição, com nenhuma evidência direta para suportá-la.

 

Tal, momentaneamente, é a ‘história’ da ONA. No presente, a função da ordem é:

(a) indivíduos apropriados de guia para e além de receber adeptos; (b) trabalhar a Magicka Aeonica em acordo com a estratégia sinistra; (c) executar, via várias táticas, essa estratégia.

Uma excessiva tática usada passados poucos anos, está fazendo a tradição se tornar accessível, como bem os desenvolvimentos novos que estenderam e refinaram essa tradição, dando forma ao sistema prático mencionado acima.

ONA 1990 eh
———

[Nota Editorial: Eu sei que a história dos sixties atrasados, como explicados acima, é factual, desde que eu participei nela. A respeito de o que foi antes – por exemplo, entregar a tradição de Mestre/Senhora ao pupilo sobre um período de tempo longo, e a associação da área mencionada com a tradição – Eu tenho somente a palavra da Senhora que me iniciou. Quando eu for ainda inclinado, depois de todos os anos de intervenção, para aceitar sua palavra, não remanescem lá nenhuma prova, ou ao menos nenhuma de que eu estou ciente. Tudo que eu sei é que me ensinou muito conhecimento esotérico, indisponível naquele tempo em todos os livros publicados ou manuscritos accessíveis. Este conhecimento inclui o Canto Esotérico (qv. ‘Naos’), o sistema septenário de correspondência, e os ensinamentos divulgados no MSS ‘Seleção – Um Guia ao Sacrifício’; ‘Linhas Guia para Teste dos Opfers’; ‘Um Presente para o Príncipe’ etc.**

Cada pessoa deve fazer sua própria avaliação.

AL

O outro conhecimento dado incluiu os mitos dos Deuses Escuros (como explicado no MS ‘Os Deuses Escuros’ e ‘HP Lovecraft e os Deuses Escuros’), o significado esotérico dos Nove Ângulos (como explicado no MS ‘Os Segredos dos Nove Ângulos’ – o MS ‘Nove Ângulos – Significativos esotéricos’ dá uma recente extensão do simbolismo), e alguns ritos cerimoniais (explicado em ‘O Livro Negro de Satan’).

– Order of Nine Angles –

Tradução: Frater Maximus Noctulius

Postagem original feita no https://mortesubita.net/satanismo/a-respeito-das-tradicoes-da-ona/

Magia Sexual: uma visão caótica

Phil Hine

Para começar, algumas definições:

“Magia Sexual tenta unificar paixão com consciência.”

“Magia Sexual é Amor sob o direcionamento da Vontade.”

Ambas as definições foram retiradas do trabalho do Dr. Christopher S. Hyatt, que combina prática mágica com psicoterapia e técnicas de trabalho corporal.

“O aproveitamento da própria experiência sexual com intencionalidade, para trazer a vontade da mudança.”

Esta terceira definição é minha tentativa inicial de encapsular as características essenciais da magia sexual. No mais, todas as três definições colocam a ênfase na Vontade. Dr. Hyatt salienta a importância do Amor e da Paixão, considerando a minha forma de ampliar todos os aspectos da nossa experiência sexual. Então, para resumir, magia sexual se trata de explorar e utilizar a própria consciência e a experiência da sexualidade com o intuito de provocar mudanças, de acordo com a vontade. Isto ajuda, se você for capaz de se apaixonar, em todos os sentidos da palavra, por todo este processo, pois sem o Amor é difícil haver mudanças.

Isto implica muito mais do que a simples ondulação de varinhas, bastões, taças e as rosas que alguns autores ocultistas sugerem. A decisão de manter o celibato por um tempo pode ser tanto um ato de magia sexual quanto qualquer ritual de cópula ou o ato da masturbação. Há uma tendência entre os magistas modernos em enxergar a magia 148sexual apenas como um meio ‚mais poderoso‛ de entrar em transe (gnose) na intenção de provocar mudanças. É mais ou menos como diz Zachary Cox em Aquarian Arrow ,  usar um computador como peso de porta.

Além disso, é muito fácil ficar preso em uma definição estreita, ou limitar as impressões do que a magia sexual envolve. Uma das invocações mais intensas de‚tensão erótica‛ que eu já participei aconteceu em uma sala lotada de pessoas festejando. Tudo começou com olhares se trocando pela sala. Nós seguramos o olhar de cada um por longas rajadas. Esta ‚dança‛ de estímulos não-verbais progrediu lentamente, com o estudo das mudanças corporais, grifos vocais de palavras significativas, um não-muito-toque dos dedos,até que a tensão sexual na sala começasse a aumentar, até a maioria das pessoas começarem a se afagar, de alguma maneira, que a atmosfera se tornou propícia, e então eles foram embora.Entre nós foi ‚levantada‛ uma intensa atmosfera erótica, ‚altamente carregada‛, sem que qualquer coisa sexual tivesse acontecido. Visto que nós todos tínhamos dividido um mesmo amante no passado (sem que as pessoas na sala soubessem), nós pudemos fazer isso como um jogo lúdico, reconhecendo o poder de sedução um do outro, mas confortavelmente por saber que não tínhamos a intenção de transar. Isto, para mim, é um ato de magia sexual tanto quanto copular enquanto se recita um mantra ou se concentra em um sigilo.

Sexo é poderoso e perigoso. É um dos aspectos mais intimidadores da experiência humana e, assim como um cavaleiro inexperiente que monta em um cavalo arisco, nós sentimos com freqüência que nossa sexualidade pode, de repente, deslizar do nosso controle e nos carregar, engasgados, para o caos do desconhecido.Às vezes, a  sexualidade pode ser tão escorregadia como uma enguia –justamente quando pensamos que entendemos tudo sobre isso, ela se reviravolta e nos surpreende. A sexualidade é caótica de forma que poucas pessoas são capazes de admitir. Afinal de contas, a cultura ocidental é obcecada pela ordem –experiências lineares e tudo cuidadosamente etiquetado. Mas o caosnos énatural, incluindo, é claro, a nossa própria natureza intrínseca,que nos cantos é bagunçada e meio ‚blobby‛. Nossa sexualidade pode, aparentemente e a qualquer momento, se tornar borbulhante, sem limites,mesmo quando tentamos contê-la –instituições sociais, preferências de gênero e teorias psicológicas. Vamos encarar que a Sexualidade é uma coisa esquisita. Magia é uma coisa esquisita.Portanto, quando damos início à Magia Sexual, a dose é dupla.Sexo e mágica são experiências entrelaçadas –sexo é um tipo de magia (e pode se tornar ainda mais mágico ao não se preocupar com o sexo-mágico toda hora), e a magia, enquanto erótica e excitante,não precisa sernecessariamente sexual do modo como entendemos isto. Há uma crença comumente aceita de que aqueles que praticam magia sexual incluem a si mesmos em ritos orgásticos selvagens emqualquer oportunidade que surgir. Isto é raramente o caso. Depois de tudo isso, se você precisar passar por toda essa baboseira ocultista apenas pra transar, então a sua vida é um pouco triste, não é? Ea subcultura ocultista é abarrotada de pessoas TRISTES, desesperadas pra conseguir transar eque tentamtransformar a magia sexual em um último recurso pra isso

Nesta última metade do século XX, houve um aumento pelo interesse em magia sexual. Isto tem conseqüências negativas e positivas. Sim, um interesse renovado em magia sexual significa que haverá uma nova geração de livros e escritores, saindo dos velhos clichês e explorando tabus, mas isto também significa que o sexo-mágicko se torna algo como um tendência, e tendências tendem a se tornar, em algum ponto, trivializadas. Disciplinas esotéricas resumiam-se em oficinas de final de semana. Tudo tinha o rótulo ‚Xamânico‛ –travestis eram‚ xamãs‛, rainhas do couro eram ‚xamãs‛, qualquer um com mais de um piercing era um ‚xamã‛–até que o termo ‚xamã‛ se desassociou do seu significado, e,pior ainda, as pessoas começaram a pensar que tudo que eles precisavam fazer para ganhar o respeito e o status de um xamã era ter um par de piercing e usar um vestido. Pat Califia ilustrou espirituosamente, na revista Skin Two, onde esta situação poderia chegar:

“Onde está o Altar? Vocês nunca me deram tempo para meditar antes de me amarrarem. Podemos fazer uma respiração tântrica e cantar juntos antes de começar a brincar? É o Equinócio Primaveril, sabe. As velas deveriam ser amarelas e azuis… Se você vai me mumificar, você deve colocar cristais sobre os meus chakras. E se você vai me bater, eu realmente gostaria de dedicar a minha dor à Kali, porque ela é minha deidade tutelar durante este ciclo lunar. Isto são grampos de plástico? Eu nunca vou deixar plástico tocar o meu corpo. Madeira absorve a vibração aural muito melhor. Espera, deixe-me olhar pra tatuagem no seu braço. Ó. Não tem muito, bem, a aparência de tribal, não é mesmo?”

Não se deve nunca esquecer que a magia sexual é uma disciplina, e qualquer coisa que venha da exploração das técnicas de magia sexual surge como conseqüência da sua disciplina.Deveria ser óbvio que para chegar a qualquer lugar com magia sexual, você deve praticar com todos os outros aspectos da obra mágicka.

PORQUE FAZER MAGIA SEXUAL?

Há uma suposição comum de que todos os magistas realizam práticas indizíveis por trás das portas fechadas. Mas só por isto ser uma crença popular não a torna verdadeira, nãoé? Quando as pessoas começam a manifestar interesses pela magia sexual, eu costumo questioná-la do ‚Por quê?‛. Geralmente, assume-se que todo mundo está interessado em magia sexual, do mesmo modo como se assume que todo mundo está extremamente curioso e interessado sobre sexo. Assim, todos os magistas sexuais precisam ser magistas, mas nem todo magista precisa ser um magista sexual.

PONTOS GERAIS A SEREM CONSIDERADOS

A)Você está ‚fazendo‛ magia sexual quando você começa a entender e explorar seus próprios sentimentos e comportamentos sexuais a partir de uma perspectiva mágica.

B)Você está ‚fazendo‛ magia sexual quando você começa a desembaraçar as suas atitudes, hábitos e projeções sobre suas experiências sexuais com outras pessoas.

C)Magia sexual se preocupa tanto com a aprendizagem do ‚deixar ir‛ como com a do ‚controlar‛.

D) Se você não pode praticar magia sexual com você mesmo, então provavelmente não se sairá bem com um parceiro.

E) Você é o responsável por suas próprias emoções.

F) Assim como qualquer outro tipo de magia, a sexual pode, em alguns casos, ser inapropriada, entediante ou não ser o melhor método para alcançar o intento.

G) Cuidado com os Adeptos ou Bruxas-Rainhas que fazem ofertas para acordar o seu Kundalini, elas podem atiçar seus chakras ou borrar sua aura!

H) Nunca faça magia sexual com alguém mais louco do que você mesmo.

Muito bom

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/magia-sexual-uma-visao-caotica/

Autoconhecer é Autodestruir

“A melhor maneira de alcançar o autoconhecimento não é pela contemplação, mas pela ação.” – Goethe

Adentrar no universo do autoconhecimento parece ser algo fácil. “Basta comprar uns livros de auto-ajuda, acender alguns incensos, meditar por algumas horas por dia e está tudo certo” dizem alguns… Ledo engano, digo eu. Mergulhar no âmago de si mesmo é um processo árduo, e sou capaz de afirmar que em 99,99% das vezes é uma tarefa dolorosa, desanimadora, deprimente e, em muitos casos, dura pouquíssimo tempo.

Espera aí, você vem falando todo esse tempo sobre autoconhecimento e agora joga esse balde de água fria?

Muito pelo contrário! O que acontece é que muito se fala de autoconhecimento como se fosse uma coisa fácil de se fazer. Como se revirando o baú interior você só encontrasse boas lembranças, qualidades e oportunidades quando, na maioria das vezes, o que se encontra é justamente aquilo que você insiste em esconder: seus defeitos, pontos fracos, negativismos…

É claro que não é só isso. Autoconhecer-se é também saber quais são suas habilidades, especialidades e apender como utiliza-las a seu benefício. Conhecer as ferramentas que você possui e aprender a utilizá-las a seu favor. Mas essa é a parte ”fácil”, o complicado é retirar os esqueletos do armário e coloca-los para dançar.

Hmmm… Entendi. Então você quer dizer que é muito mais do que ler o mapa astral?

De longe! Astrologia é uma das ferramentas existentes para isso, pois escancara muito daquilo que acontece sem você perceber, mas o desafio é saber interpretar o mapa com isenção e de forma correta, sem se perder nos arquétipos e suas oitavas, e não assumir como seu um comportamento que pode ou não ser tendência no seu mapa.

Buscar o autoconhecimento apenas fora de si mesmo é um erro crasso. Acreditar que uma pessoa além de você mesmo pode lhe dar as respostas que você precisa é pura ilusão. É claro que a visão que os outros possuem de você pode lhe ajudar a refletir em como você se apresenta para o mundo, mas reconhecer sua essência e aprender a dosá-la, em sua grande maioria, é um processo solitário, que exige dedicação, resistência e perseverança, pois a estrada é longa e sinuosa.

O que costumamos ver daqueles que dizem trilhar este caminho é uma exaltação de suas virtudes, escondendo de si mesmo todos os vícios e distorções do seu caminho. Na luz tudo é mais claro e de fácil visualização, muito diferente da escuridão, onde os monstros interiores se escondem e nem todos são fáceis de encontrar. A facilidade de uma leitura superficial ao invés de um mergulho na lama põe muito a perder nesse processo de busca interior… Não é a toa que a preguiça é o primeiro dos 7 “Pecados Capitais”.

Não exagere no otimismo e na superficialidade. Não caia na ilusão de que “o inferno são os outros”, e você é um incompreendido trilhando um caminho de iluminação. Também não busques mestres além do que seus próprios erros e acertos. Não espere que os outros evidenciam seus pontos negativos, pois geralmente o que eles veem são a sua casca, aquilo que você mostra para eles, e quem gosta de mostrar uma casa mal arrumada?

Também não seja pessimista. Utilize suas virtudes a seu favor já na hora de chafurdar na lama e domar seus medos e vícios. Já que elas são mais evidentes, aproveite-as como isca para pescar os tubarões.

Não há segredo senão a busca pelo equilíbrio.

“Busco-me e não me encontro. Pertenço a horas crisântemos, nítidas em alongamentos de jarros. Deus fez da minha alma uma coisa decorativa.” – Fernando Pessoa

Namastê!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/autoconhecer-%C3%A9-autodestruir