Babalon e Therion

As Palavras de Babalon

Deverá se prostar diante de minha estrela e invocando o Caos, iniciará a operação. ‘Glorioso és, CHAOS, Pai de toda vida, em tuas sete cabeças, em toda teu esplendor; torne-me cada vez mais forte e brilhante’.Toda força reside em teu tesão, portanto eleve-o ao máximo. Dedicar-se ao celibato dias antes de se deleitar em minha taça, será, teu sacrificio.

E beijarás, o próprio corpo, ou o corpo de teu consorte inteiramente. Ele é o líquido que inflamará, e tu é a chama. E embriagado de ansia pela penetração, deverás me chamar – ‘Bela És, Prostituta da Babilônia, que teu corpo, seja morada do meu prazer nesse momento. Eu Te louvo, BABALON’ E assim possua ou se deixe possuir.

Eu O levarei aos Infernos e te darei todos os prazeres que nele contem, haverás em ti, apenas a minha Chama e o Corpo de outrem será teu combustivel – deverá dissolver sua substancia, e arder dentro do líquido inflamavel. O dois juntos trarão um novo Inferno para Terra. E tua mente, é a terra fértil de todos os demônios, nela criarás, uma idéia, de algo que deseja trazer.

O incendio causado e a consumação dele deverão estar alinhados á Essa Vontade. Pois não há, outra magia além dessa – ela é o Todo, de tudo aquilo que outros feiticeiros retiram partes. E se entregando as profanas artes, deverá fazer do coito uma arma de guerra – com mente afiada, mentalizará o que deseja com ardor, como se aquilo já fosse uma realidade. E assim o extase virá, e tu se entregarás, deixando aquilo que mentalizou em teu orgasmo, tomar o rumo pra manifestar sobre a realidade.Deixando livre, sem tentar prende-lo com tua mente.

E por fim, invoque-me, trazendo teu pedido qualquer que seja,diferente daquilo ao qual você direcionou tua energia anteriormente.

Eu o Louvarei ao fim da operação, quando retirares os fluidos e dedica-los á mim, peça-me o que desejar que trarei – Seja a morte de um inimigo, a vitória, a prosperidade ou o amor de uma pessoa. Em todos os desejos, eu formo vida, pois sou, a Mãe de todas as Coisas manifestadas, a Terra, e toda Santa Imundicie que nela habita.

As Palavras de Therion

Atente as minhas palavras, pois eu sou o CAOS, o consorte daquela que á Todos servem e a todos Regem, e de minha união, surge todo espaço-tempo. E de minha mente, surge os homens e deuses. Aos quais, através de meu falo, dou vida e força.

Invoque-me pelo nome de Therion, e dedique uma chama á mim, pedindo o meu poder criativo e minha força.

E em tua mente, una em Mim, criarás um novo ser. Darás a eles vida, e forma igual os deuses antigos fizeram do homem. E o nomearás com a palavra que achar adequada, e sua forma, eu deixo sua imaginação reger. E com esse novo ser completo, em tua alma, firmarás no nome dele, e em sua cópula deverás firmar seu pensamento-serpente sobre este ovo. Sobre este nome. O orgasmo deve vir com todo teu poder, e direcionado á preencher uma nova forma de vida, que habitará as regiões astrais, e dali, poderá ser comandada. Visualizando ela com sua força, deverás dar comandos, para que aja em teu nome, assim como Jeová fez com Adão.

E a cada orgasmo, fixe teu poder no nome de teu ser, para que ele se alimente e cresça, assim como a propria vida do homem, ele deverá nascer, crescer , viver para servir ao teu Deus e morrer.  E teu adão astral, deverá seguir as suas ordens, de modo que ele viverá para cumprir a tua vontade.
E como o proprio mistério de vida e morte, tu darás aordem a morte dele – como um ente astral, e você como seu criador, deverás visualiza-lo e em seguida, absorve-lo, imaginando a energia desse ser fluido de volta para ti. E quando desejar, encarnar outro ser, com a mesma energia. Pois este é o misterio dos mistérios, A vida que renasce da morte, o homem que um dia foi oriental renasce ocidental – A criação que Eu faço, Eu destruo, Eu reconstruo. Pois sou THERION e minha palavra é a lei no espaço infinito de Nuit. E Eu estou em você, assim como todos os outros Deuses e Homens.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/babalon-e-therion/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/babalon-e-therion/

O Mago dos Jogos

Eu duvido da tua vida e da tua graça

É a morte a bênção mais linda desse mundo

Achas que por sorte tornou-te tão profundo

Mas sequer aprendeste a amar tua desgraça

JOGOS: Chamam-me Mago dos Jogos. Porque sei jogar, rir e fazer fogos. Queima, queima, coração em chamas! Tu amas somente a mim.

OLHO: Eu não te amo. Sequer te conheço, ó, palhaço trambiqueiro!

JOGOS: Oh! Por isso repudias a Dama Morte? É ela uma eterna desconhecida que te chama e seduz. Por que trocas as trevas pela luz? Assim, tão fácil, desististe de arrancar seu véu, sem titubear? Se amas a terra e o mar, quererás também o despertar e o sono, como mensageiros do céu.

OLHO: Eu quero o poder, a glória e a eternidade de meu corpo de carne, de minha alma de marfim e de meu espírito invencível!

JOGOS: Que tal um chá para acompanhar? Biscoitos para molhar?

OLHO: Um Mago dos Jogos para degolar! Que sabes tu, paspalho trovador, da vida e da morte?

JOGOS: O Olho deseja o poder, mas se esqueceu de rir. Agora só sabe cair e se perder. No meio do caminho derrubou seu sorriso. Jogo de crueldade e saudade do amanhã.

OLHO: Controlas tu também o tempo? Que ousadia sem medida! Doce mentira. Sou eu o mestre das cartas e lâminas arcanas! Comando eu a carta d’ O Mundo!

JOGOS: Não há mundo para aquele que vive somente pela vida. Deverás morrer enquanto vives e viver enquanto morres. Se quiseres tocar o céu, terás que cair. Como poderá levantar aquele que não colocou-se de joelhos? Abraça teu assassino e torna-te também um assassino. Não teme o bem, não teme o mal. Transcende todas as condições e descobrirás a grande mentira: “eu quero viver”.

O Mago dos Jogos lançou seus dados e com eles chamou gigantescas entidades de acordo com o sigilo da face que caía: magníficos servidores coloridos e brilhantes, que gritavam, cantavam e esperneavam.

O Olho tentou matá-lo, do outro lado do abismo, pois não suportava mais o patife bufão. Evocou alguns demônios com hálito de enxofre e cheios de deformidades através de seus selos geometricamente perfeitos.

Jogos sentou-se para meditar e tomar chá enquanto os demônios rasgavam sua alma. Até fez amizade com um deles e os dois foram de mãos dadas visitar os anjos.

Olho bradou orgulhoso:

– Eu o matei! Uma, duas, três vezes. Não contei.

Mas por que Jogos atravessou o abismo e ele não?

E a mentira venceu a verdade.

Olho da Loucura contorcia-se ensandecido ano após ano; década após década. Não importava quantos matasse ou quantos salvasse. Não era capaz de dar um passo adiante na vida ou na morte.

E a doença apoderou-se dele. Amou-o, beijou-o, tornou-se sua mimosa prostituta.

Ficou tão enjoado com Doença, que vomitou o mundo, a lua e as estrelas que antes tinha engolido. Do vômito caíram folhas amassadas de grimórios, símbolos, arcanos de tarot, mel, abelhas, a pedra filosofal e até mesmo alguns deuses enrolados com o feijão do almoço.

– Eu não desejo mais O Mundo. Eu não o desejo mais…

“Olho está velho. Olho está tão doente”. Ele foi Um Mago. Casou Seis vezes. Morreu Treze mortes repletas de bolhas de sabão. Quando finalmente conquistou O Mundo, brincou com ele em suas mãos e pensou que essa jornada era tudo que existia.

Velhinho, velhinho, não sentia mais sabores. Doente, doente, renegou a graça do mundo. E entendeu. Finalmente, conseguiu gargalhar com sua boca banguela.

Gargalhou até que todos os seus dentes caíssem. Esvaziou o saco pesado que levava nas costas, com o resto de um sol e de uma roda. O Olho estava leve e livre e finalmente enxergava algum resquício do universo.

Pela primeira vez, conseguiu dançar. Sapateou como o Mago dos Jogos, à beira do abismo, sem medo de cair. De tão feliz e serelepe atirou-se lá dentro. Como prêmio, ganhou asas.

O mundo converteu-se em loucura; e a loucura converteu-se em mago.

Era a magia: a insanidade.

Jogos apareceu voando numa estrela de oito pontas e gritou:

– Vamos jogar cartas, amigo?

E Olho chorou. Não tinha mais boca para sorrir. Não encontrava mais seu corpo de carne. Onde ele estava?

Jogos deu um sopro e destruiu o espaço. Noutro sopro quebrou o tempo.

Olho foi parar numa carta. Num dado. Num grimório. Numa flor.

Conquistou o que sempre cobiçou: O Mundo inteiro; somente quando o perdeu.

E o Mago dos Jogos? Não vê graça em histórias e filosofias, pois é muito brincalhão. Ele não leva a vida a sério. Não leva a morte a sério.

Guardou o Mundo de Mel e Abelhas de volta em sua carta. Agora construiria um novo mundo chamado Terra. E com ele brincaria de sorrir e chorar.

Isso é um jogo.

Isso não é um jogo.

KAOS.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-mago-dos-jogos

Daemon reimprime livros Clássicos de RPG

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A Daemon Editora lançou uma nova impressão de seus títulos clássicos de RPGs, para os colecionadores que queiram completar suas coleções e também para os novos RPGistas conhecerem aqueles que foram os mais importantes RPGs Nacionais da era de Ouro dos RPGs no Brasil.

– Anjos: A Cidade de Prata, um RPG onde os personagens são Anjos trabalhando para as Castas Celestiais da Cidade de Prata. Anjos explica detalhadamente as cinco castas que habitam a Cidade de Prata: Corpore, os Anjos da Guarda; Protetore, os anjos cabalísticos; Captare, os caçadores de demônios; Recípere, os negociantes de almas e Nimbus, os governantes celestiais para serem utilizados como personagens ou NPCs em sua campanha.

– Demônios: A Divina Comédia faz um passeio completo pelos nove círculos do Inferno, lar dos Demônios, Anjos Caídos e Perdedores na Guerra Celestial. Totalmente baseado nos livros A Divina Comédia e Paraíso Perdido, Demônios mantém-se fiel ao texto e às descrições de Allighieri e Milton.

– Vampiros Mitológicos. Totalmente baseado em culturas e lendas reais, traz a descrição completa das principais raças de vampiros, originárias das diferentes culturas e civilizações antigas.

– Spiritum: O Reino dos Mortos traz a explicação detalhada dos Planos Espirituais, Umbrais, Etéreos e Astrais; suas regras, suas criaturas, seus anjos, fantasmas e demônios.

– Abismo, provavelmente o mais macabro e pesado título da linha Arkanun/Trevas até agora, que vai fazer a alegria dos fãs de RPGs de horror. Escrito por Antônio Augusto Shaftiel, autor de Jyhad e a trilogia das Lanças de Christos, Abismo traz a descrição detalhada do Abismo, lar dos mais maléficos, distorcidos e pervertidos demônios de Infernun e Tenebras que assolam a Orbe Terrena. Descrições dos demônios mais importantes já citados nos livros da linha Arkanun (Magnus Petraak, Luvithy, Pyros…), seus poderes, influências e serviçais.

– Jyhad: Guerra Santa. Escrito por Antônio Augusto Shaftiel, o autor com o maior número de romances de RPG publicados no Brasil, com a capa espetacular de Vitor Ishimura (desenhista do RPG Conan, da Moongoose) e ilustrado por Ronaldo Barata, Ig e Eduardo Ferrara, Jyhad: Guerra Santa traz a descrição detalhada dos Anjos Judeus e Muçulmanos; suas relações com os Anjos Católicos e a Guerra Celestial no Oriente Médio, ampliada após os ataques de 11 de Setembro.

– ARKANUN, o RPG de horror na Idade das Trevas, possui toda a ambientação da Europa Medieval do século XIV onde você poderá jogar com Alquimistas, Rosacruzes, Cabalistas, Templários e Magos em meio a Anjos, Demônios e Inquisidores. Seus suplementos INQUISIÇÃO e TEMPLÁRIOS trazem regras para se jogar com duas das mais poderosas forças da Idade Média, os Cavaleiros do Templo de um dos lados e as Forças da Santa Inquisição do outro!

Além destes, Clássicos como CÃES DE GUERRA, um RPG ambientado na Segunda Guerra Mundial; ANIMERPG, um RPG com todas as regras que você precisa para adaptar qualquer tipo de Anime ou Mangá para RPGs. Escrito por Luka Chan, é o único RPG Brasileiro escrito por uma mulher e também um dos mais vendidos de todos os tempos! SUPERS-RPG traz regras completas para jogar campanhas de super heróis com um tom mais realista. E Maytreia, o RPG baseado nos textos esotéricos da Eubiose.

Finalmente, NEOKOSMOS traz um RPG baseado na Mitologia Grega, com seus heróis, monstros, deuses e criaturas sobrenaturais.

RPGQUEST
Para esquentar os motores na preparação do Boardgame RPGQuest – A Jornada do Herói, a Daemon traz de volta o Módulo Básico do RPGQuest; Se você nunca jogou RPG antes, sugerimos começar as aventuras pelo Módulo Básico, que é o maior e mais completo livro de RPG já publicado no Brasil. Ele possui 80 raças, 110 Classes, 200 habilidades, 100 armas, 120 deuses em 13 panteões, Magias, Psiônicos, Animais Familiares, veículos, 56 Mundos de Jogo e tudo mais que você precisa para criar aventuras em QUALQUER tipo de cenário. Também reimprimiu o GUIA DE MONSTROS, que traz mais de 680 monstros diferentes para colocar em ação nas suas campanhas, passando por dragões, demônios, mortos-vivos, trolls, abissais, asuras, goblinóides, dinossauros, fantasmas, aberrações, vampiros, monstros marinhos e gigantes, com mais de 440 ilustrações.

Você pode encontrar todos os RPGs da Daemon, junto com o Livro de Kabbalah Hermética, Enciclopédia de Mitologia, Tarot hermético e os Livros das Aventuras Mitológicas de Lilith, Isis e Hércules na Loja de RPG.

#Blogosfera #Jogos #RPG

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Do Enoque bíblico à gênese da Magia Enoquiana

Donald Tyson

A magia enoquiana é um sistema de teurgia, ou magia angelical, transmitida psiquicamente ao alquimista e vidente elizabetano Edward Kelley por um grupo de espíritos que veio a ser chamado de anjos enoquianos. Ao longo dos anos 1582-1587, os espíritos ditaram várias partes dessa magia para Kelley, ou a apresentaram na forma de visões enquanto Kelley olhava para uma bola de cristal.

Kelley repetia as palavras dos espíritos e descrevia as visões para seu amigo e empregador, o grande matemático, geógrafo e astrólogo Dr. John Dee. Dee sentou-se ao lado de Kelley durante as sessões de vidência com uma caneta na mão e papéis espalhados diante de si. Tudo o que Kelley dizia, Dee registrava literalmente. Graças ao método cuidadoso de Dee, as comunicações dos espíritos foram preservadas com a precisão de uma transcrição do tribunal.

Os anjos se identificaram para Kelley como os mesmos anjos que instruíram o patriarca Enoque na linguagem angélica e na sabedoria de Deus. Enoque foi o único patriarca do Antigo Testamento a ser elevado ao céu enquanto ainda estava vivo – pelo menos, esta foi a interpretação dos rabinos e cabalistas judeus de Gênesis 5:24: “E Enoque andou com Deus: e não se viu mais; porque Deus para si o tomou.” Todos os outros descendentes de Adão até Noé mencionado na Bíblia são explicitamente declarados mortos, mas não Enoque.

Ao longo dos séculos, uma tradição de sabedoria cresceu em torno de Enoque. Junto com Adão, Noé, Salomão e alguns outros, ele teria sido um dos responsáveis ​​por transmitir os ensinamentos primordiais dos anjos à humanidade. O livro apócrifo de Enoque surgiu dessa tradição. O evento-chave neste livro é uma descrição de como os anjos rebeldes, cobiçando as filhas dos homens, desceram à Terra e ensinaram à humanidade todas as artes e ciências do adorno, magia e guerra que semeiam conflitos em todo o mundo.

TEURGIA E GOETIA

De acordo com o anjo Ave, esses anjos maus foram autorizados a descer sobre a Terra e espalhar ensinamentos falsos e destrutivos porque os reis da Terra se tornaram arrogantes através do uso da sabedoria legada a eles por Enoque. Como punição, Deus enviou anjos falsos e enganadores para ensinar o que hoje é conhecido como magia negra. Desta forma, Deus permitiu que a humanidade fosse o instrumento de sua própria punição. No entanto, Ave diz a Kelley, Deus decidiu permitir que a verdadeira sabedoria de Enoque, como preservada em seus livros celestiais, seja novamente conhecida na Terra. Dee e Kelley deveriam ser os instrumentos de sua disseminação:

“O Senhor apareceu a Enoque, e foi misericordioso com ele, abriu seus olhos para que ele pudesse ver e julgar a terra, que era desconhecida de seus pais, por causa de sua queda; porque o Senhor disse: Mostremos a Enoque, o uso da terra: E eis que Enoque era sábio e cheio do espírito de sabedoria.”

E ele disse ao Senhor: Que haja lembrança da tua misericórdia, e que aqueles que te amam provem disto depois de mim: Oh, não seja esquecida a tua misericórdia. E o Senhor se agradou. E depois de 50 dias Enoque escreveu: e este foi o título de seus livros, aqueles que temem a Deus, e são dignos de serem lidos.

Mas eis que o povo se tornou perverso e se tornou injusto, e o espírito do Senhor estava longe e se afastou deles. De modo que aqueles que eram indignos começaram a ler. E os reis da terra disseram assim contra o Senhor: O que é que não podemos fazer? Ou quem é ele, que pode resistir a nós? E o Senhor se aborreceu, e enviou entre eles cento e cinqüenta leões, e espíritos de maldade, erro e engano; e eles apareceram para eles. Porque o Senhor os colocou entre os anjos bons aqueles que são maus. E eles começaram a falsificar as obras de Deus e seu poder, pois eles tinham poder dado a eles para fazê-lo de modo que a memória de Enoque se apagou e os espíritos do erro começaram a ensinar-lhes Doutrinas: que de tempos em tempos até esta era e até hoje, se espalhou por todas as partes do mundo, e é a habilidade e astúcia dos maus.

Assim eles falam com os demônios: não porque eles têm poder sobre os demônios, mas porque eles são unidos a eles na liga e disciplina de sua própria doutrina.

Pois eis que, como o conhecimento das figuras místicas e o uso de sua presença é o dom de Deus entregue a Enoque, e por Enoque aos fiéis, para que assim eles possam ter o verdadeiro uso das criaturas de Deus e do terra em que habitam: Assim o diabo entregou aos ímpios os sinais e sinais de seu erro e ódio para com Deus; condenação eterna.

A estes chamados caracteres são uma coisa lamentável. Pois por destes, muitas Almas pereceram.

Agora aprouve a Deus libertar esta Doutrina novamente das trevas e cumprir sua promessa contigo, para os livros de Enoque: A quem ele diz como disse a Enoque.

Que aqueles que são dignos entendam isso por ti, para que seja uma testemunha da minha promessa para contigo.”

Deus promete diretamente a John Dee, por meio de seu mensageiro, o anjo Ave, e por meio do vidente de Dee, Edward Kelley, que o sistema de magia que está sendo revelado a Dee é a sabedoria genuína de Enoque pela qual pode ser obtido “o uso da terra”. Os cento e cinquenta leões, “espíritos de maldade, erro e engano” são os mesmos anjos caídos que, no Livro de Enoque, pecam com mulheres mortais e ensinam ciências corruptoras à humanidade. De acordo com Ave, esse falso ensinamento consistia principalmente em magia demoníaca, ou goetia.

É comum que os proponentes de um sistema de religião, filosofia ou magia afirmem que a sua é a única prática legítima e que todos os métodos que diferem dela são corruptores e falsos. Ao caluniar outras formas de magia, os anjos esperam elevar seus próprios ensinamentos e dar-lhes uma importância maior aos olhos de Dee.

Kelley, que antes de sua associação com Dee tinha um conhecimento considerável em primeira mão de necromancia e outras formas de magia negra, diz a Ave que a sabedoria de Enoque parece muito com magia comum para ele, mas Ave garante a Kelley. “Não, todos eles apenas brincaram com isso”, significando que todas as formas de magia, exceto a magia enoquiana, são meros brinquedos de que a magia enoquiana é a única teurgia verdadeira aprovada por Deus e aceita pelos anjos do céu.

OS PORTÕES E AS CHAVES

É importante entender que a magia enoquiana se preocupa apenas com a convocação ritual e o comando de anjos e espíritos inferiores. Ao falar sobre as evocações formais enoquianas conhecidas como Chamadas ou Chaves, o anjo Mapsama diz a Dee:

“Esses Chamados tocam todas as partes do Mundo. O Mundo pode ser tratado em todas as suas partes; Portanto, você pode fazer qualquer coisa. Esses Chamados são as chaves para os Portões e Cidades da sabedoria. Tais portões não podem ser abertos senão com aparição visível.”

Os portões para as cidades da sabedoria são quarenta e nove em número. No entanto, um dos portões é sagrado demais para ser aberto, então as chaves reais são quarenta e oito. As cidades da sabedoria são reinos espirituais habitados por diferentes hierarquias de anjos com funções distintas na terra. Essas cidades celestiais são representadas por quarenta e nove quadrados de números/letras extremamente complexos que contêm quarenta e nove linhas e quarenta e nove colunas. Tomados em conjunto, os anjos referem-se a esses quadrados como o Livro de Enoque. Um dos quadrados está representado em uma placa no início de Uma Relação Verdadeira e Fiel, de Meric Casaubon. Sobre esses quadrados mágicos, Nalvage diz a Dee:

Você tem 49 Tábuas: Nessas Tábuas estão contidas as vozes místicas e sagradas dos Anjos: as dignas e as em estado desgraça e encharcadas de confusão  que perfuram o Céu e olham para o Centro da Terra: a própria linguagem e fala das Crianças e Inocentes, que engrandecem o nome de Deus e são puras”.

As tábua servem como o solo caótico de onde as palavras das Chaves são extraídas letra por letra tortuosa durante as sessões de vidência. Kelley observava no cristal enquanto um anjo apontava para uma parte ou outra da tábua em questão e então mostrava a posição para Dee, que então procurava em sua cópia da tabua e escrevia a letra que era encontrada lá. As Chaves Enoquianas foram extraídas das tábuas e entregues desta forma, de trás para a frente e uma letra de cada vez.

As energias ocultas dessas tábuas são incorporadas coletivamente em uma única tábua de letras com quatro quadrantes chamada de Grande Tábua. É um diagrama esquemático mágico de todo universo enoquiano. Cada quadrante da Grande Mesa é conhecido como Torre de Vigia. As Chaves abrem os portões para as cidades dos anjos cujos nomes estão escritos nas Torres de Vigia e os chamam, junto com seus numerosos servos. Juntas, as quarenta e oito Chaves Enoquianas e a Grande Mesa das quatro torres de vigia formam o coração da magia enoquiana.

O LIVRO DAS FOLHAS PRATEADAS

Há outro livro falado pelos anjos que está indubitavelmente ligado ao livro dos quadrados mágicos. Dee é instruído a construí-lo com folhas em branco em preparação para receber a O Livro dos Espíritos já era uma prática comum da magia angelical na idade média. Eles continham os nomes, sigilos e, ocasionalmente, imagens dos espíritos que estão vinculados ao serviço do mago – geralmente após um trabalho ritual intenso e envolvente até alcançar a evocação inicial dos espíritos. Os próprios espíritos escreviam o livro, assinam-no com suas marcas e assinaturas, ou pelo menos juram obediência a ele. É claro que os espíritos não são realmente capazes de escrever no livro. Isso é realizado possuindo o mago sem sua consciência e usando o corpo do mago para escrever ou assinar o Livro dos Espíritos.

No caso de Dee, os anjos das quarenta e oito cidades espirituais que podem ser abertas pelas Chaves foram representados por símbolos ocultos que provavelmente continham combinações de letras e números. No entanto, nunca saberemos o que o Livro das Folhas Prateadas deveria conter, já que a cópia de Dee não sobreviveu. Esses sinais misteriosos deveriam ser inscritos em pergaminho prateado pela poderosa Mãe de muitos dos anjos enoquianos, um ser tão exaltado que ela se identifica apenas com o título EU SOU, que é equivalente ao nome hebraico de Deus, Eheich. Ela parece ser o mesmo anjo que é a Rainha do Céu de Apocalipse 12:1.

O TRABALHO ENOQUIANO

A inscrição do Livro das Folhas Prateadas de Dee ocorreria após um período de dezoito dias de trabalho ritual durante o qual uma evocação original composta por Dee e Kelley deveria ser dita a cada dia. Nos primeiros quatro dias de trabalho, Dee foi instruído por Ave a dirigir sua evocação apenas aos nomes de Deus; para após quatorze dias, Dee  evocar as hierarquias dos anjos pelos nomes específicos de Deus que regem cada um:

“Quatro dias… você deve invocar apenas esses nomes de Deus, ou o Deus dos Exércitos, nesses nomes: E 14 dias depois de você (neste, ou em algum lugar conveniente) deve Chamar os Anjos por Petição, e peloo nome de Deus, ao qual são obedientes.”

No 15º dia vocês se revestirão, em vestes feitas de linho branco: e assim terão a aparição, uso e prática das Criaturas. Pois, não é um trabalho de anos, nem de muitos dias.

As Criaturas às quais Ave se refere parecem ser os anjos dos Trinta Aethers ou Airs, que são representados pelas últimas trinta Chaves Enoquianas. Essas chaves são realmente uma única chamada ou convocação para trinta diferentes zonas ou esferas angélicas chamadas Aethers. Apenas os nomes dos Éteres mudam nas últimas trinta Chaves – eles são idênticos. Por esta razão, a décima nona Chave é conhecida como a Chave dos Trinta Aethers. Os Príncipes dos Aethers governam os espíritos menores das regiões ou reinos do mundo. Eram esses espíritos geográficos que Dee mais queria controlar.

Sobre as vestes e o livro usado durante este trabalho, Ave diz: “Você nunca deve usar o Garment depois, mas apenas uma vez, nem o livro.” Kelley objeta com bastante razão: “Para que fim o livro é feito então, se não for para ser usado depois.” Dee um tanto irritado escuta de Kelley: “É feito para ser usado naquele dia apenas..”

Há alguma ambiguidade aqui sobre qual livro está sendo discutido. Kelley parace falar do livro de nomes e invocações que ele e Dee são ordenados a criar. Sobre este livro de exercícios, que chamarei de Livro dos Espíritos de Dee, Ave diz a Dee: “O Livro consiste de Invocação dos nomes de Deus, e invocação dos Anjos e pelos nomes de Deus seus ofícios são manifestados”. Essa parece ter sido a função de todos o os dezoito dias de trabalho, e talvez de trabalho posterior. Dee realmente criou um modelo para este Livro dos Espíritos invocando os nomes de Deus e dos anjos. Estes formam o manuscrito de Dee Liber Scientiae Auxilii e Victoriae Terrestris, que ainda existe e é mantida na Biblioteca Britânica.

Já o anjo Ave provavelmente fala do livro de folhas em branco e prateadas que deve ser inscrito sobrenaturalmente por sua mãe. Este Livro de Prata seria usado apenas no único dia em que os anjos jurassem obediência a Dee. O prateamento das folhas sugere que a Mãe dos anjos é uma deusa lunar, e que a magia enoquiana é de natureza lunar. Segunda-feira (o dia da Lua) parece ser o sábado enoquiano.”

MAGIA ENOQUIANA PROIBIDA PARA DEE E KELLEY

Não há evidência de que Dee e Kelley alguma vez tenham conduzido este trabalho para usar o o poder dos anjos enoquianos. Eles estavam esperando a permissão dos anjos para fazê-lo, mas essa permissão nunca foi concedida.

Mapsama: Você pediu sabedoria, Deus abriu para você, seu julgamento: Ele entregou a você as chaves, para que você possa entrar; Mas seja humilde. Entre não de presunção, mas de permissão. Não entre precipitadamente; Mas seja trazido de bom grado: pois muitos subiram, mas poucos entraram. No domingo você terá todas as coisas que precisam ser ensinadas; então (conforme a ocasião servir) você pode praticar o tempo todo. Mas você está sendo chamado por Deus, e para um bom propósito.

Dee: Como devemos entender este Chamado de Deus?

Mapsama: Deus cala minha boca, não te responderei mais.”

É evidente para mim, a partir de um estudo minucioso das transcrições enoquianas, que os anjos pretendiam que Dee tivesse o sistema de magia enoquiana, mas nunca pretendiam permitir que ele realmente o usasse. Dee e Kelley serviram como instrumentos humanos através dos quais os anjos foram capazes de transmitir a magia enoquiana à raça humana. Gabriel diz a Dee e Kelley: “Mas em vocês dois está a hora de chegar.” Os anjos garantem a Dee e Kelley que eles continuarão a prosperar e a serem seguros enquanto permanecerem juntos, porque são duas partes de um único todo. “O Vidente deixe-o ver, e cuide do que ele vê, pois você é apenas um corpo nesta obra.”

Kelley recebeu o dom da segunda visão apenas para que ele pudesse ajudar Dee a receber a magia enoquiana.

Um vendedor obscuro poderia se gabar de sua beleza só porque recebe luz e clareza, por uma vela trazida ou brilhando nela? Não mais podes tu, (E.K.) para o amadurecimento de tua inteligência e  compreensão é através da nossa presença, e nossa iluminação. Mas se partirmos, você se tornará um vendedor obscuro e pensará muito bem de si mesmo em vão.”

Em outro lugar, o anjo Uriel, falando na voz de Deus, diz a Kelley: “Farei de ti um grande Vidente: Aquele que julgará o Círculo das coisas na natureza. Mas o entendimento celestial e o conhecimento espiritual serão selados de ti neste mundo.” Kelley é considerado pelos anjos como pouco mais do que um telefone psíquico através do qual eles podem alcançar a mente consciente de John Dee. Os anjos pouco toleram suas suspeitas e abuso verbal. Eles sabem que Kelley os detesta e os considera enganadores.

Os anjos respeitam Dee por sua grande piedade e sabedoria, mas mesmo ele não terá permissão para atingir a plena compreensão da magia enoquiana. O anjo Gabriel diz isso a Dee e faz mais referência à necessidade de Dee e Kelley permanecerem juntos como uma unidade orgânica (mesmo ao ponto de compartilhar suas esposas em comum, um evento futuro prefigurado aqui):

“Nunca conhecereis os mistérios de todas as coisas que foram ditas. Se vocês amarem juntos, e habitarem juntos, e em um só Deus, então o mesmo Deus se compadecerá de vós, que vos abençoará, vos consolará e fortalecerá  vocês até o fim.”

Dee e Kelley eram duas metades de uma máquina humana para receber e registrar os mistérios das comunicações angélicas. Kelley tinha a habilidade de perceber os anjos e seus ensinamentos. Dee teve a inteligência para entendê-los e transcrevê-los com precisão e corrigir quaisquer erros que ocorressem durante sua transmissão. Nenhum homem poderia ter gerado o sistema de magia enoquiana sozinho. Cada um atuou como um catalisador para o outro.

*Excerto da obra Magia Enoquiana para Iniciantes

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/do-enoque-biblico-a-genese-da-magia-enoquiana/

Fadas

“Quando um bebê ri pela primeira vez, sua risada se quebra em um milhão de pedaços e todos eles saem pulando por ai. É assim que nascem as fadas.”
J.M Barrie, Peter Pan

Quando queremos dizer que alguém é ingênuo, dizemos que esta pessoa acredita em Fadas. Quando contamos histórias de fantasia para crianças chamamos de “Contos de Fada”. Elas estão presentes nas histórias da Cinderela e do Peter Pan entre outras e seu fascínio não diminuiu com o passar dos séculos figurando ainda em obras ,contemporâneas como Harry Poter, na qual aparecem como humanóides diminutos de natureza mágica. Mas a idéia central por trás da figura folclórica das fadas é muito mais profunda e intrigante do que as maravilhas das histórias infantis e a frieza que nosso ceticismo cotidiano deixa transparecer. O que é uma fada? De onde surgiram suas lendas? O que há por trás dos relatos destas fascinantes criaturas? Estas e outras dúvidas foram o alvo da pesquisa que apresentaremos agora no presente artigo.

Mesmo que não constituam prova de sua existência as pessoas vêem ou pensam que vêem coisas estranhas como fantasmas, lobisomens, discos-voadores e, é claro, fadas. O primeiro testemunho escrito sobre este seres é de Pompônio Mela, um geógrafo euro-asiático que viveu durante o século I d.c. Desde então muitas são as lendas que descrevem estas criaturas ou contam suas façanhas.  Estes relatos são sempre esporádicos e isolados na vida de uma pessoa, mas persistentes e constantes na história da humanidade. As fadas não existem portanto apenas nas histórias, mas antes disso existem também naquilo que as pessoas chamam de experiências. Mas falta de precisão científica atribuída aos relatos populares, além do preconceito que julga que qualquer relato popular é baseado sempre em ignorância e crendices tolas, tornam-se uma desculpa para a má-vontade acadêmica de pesquisar estes assuntos. assim, em vez de estudar o que estas experiências realmente trazem de verdade, descarta-se previamente todo o testemunho e assim livra-se do problema. Este é um erro histórico da Ciência, foi essa rejeição da livre observação que retardou em séculos a descoberta “científica” do calamar gigante, do celacanto, da paralisia no sono, dos meteoros e pasmem até dos gorilas, só para citar alguns exemplos.

Isso não significa que devemos acreditar em todo relato que ouvimos sobre qualquer coisa, isso seria tão precipitado como descartar tudo. Ao contrário, nossa postura deve ser de exploração. Não é um absurdo completo considerarmos que as algumas pessoas e sociedades tradicionais acreditem em fadas, no mínimo porque parcialmente alguma coisa que eles não sabemos explicar foi vista. Como escreveu o criptozoólogo irlandês Douglas Hyde: “O conto folclórico não deve ser confundido com a crença no folclore. a história é coisa muito mais intrincada complicada e elaborada do que a crença. É muito fácil distinguir um do outro. A crença é curta e oral, relacionada a pessoas reais e não contêm uma extensa seqüência de incidentes; já o conto folclórico é comprido, complicado mais ou menos convencional e, acima de tudo, tem o interesse agrupado em torno de uma figura tradicional em particular. O que Hyde chama de crenças podemos chamar de aparições.

Existem basicamente três formas de lidar com essa questão. Para alguns folcloristas, como Stewart Sanderson e Katharine Briggs, ambos notadamente cristãos,  as “aparições” são descartadas e passadas adiante sem qualquer reflexão. Para os parapsicólogos em geral o assunto têm despertado interesse zero. Por fim para autores como Evans-Wentz (Autor de The Fairy-Faith in Celtic Countries) e o poeta W.B Yeats (o mesmo que escreveu extensamente sobre as tradições e aparições dos duendes irlandeses em The Celtic Twilight) e para a historiadora ocultista Leslie Shepard, os avistamentos de fadas pela história são indícios fortes da existência de um mundo paralelo, localizado numa espécie de dimensão alternativa.

Fadas: definições e descrições

A própria definição do que é um fada é tão fugidia quanto as suas aparições. O folclorista Joseph Ritson, na sua dissertação On Faries, define fadas como uma espécie de seres parcialmente materiais, parcialmente espirituais, com o poder de mudarem a sua aparência e de, conforme a sua vontade, serem visíveis ou invisíveis para os seres humanos. Já Jorge Luís Borges e Margarita Guerrero em O Livros dos Seres Imaginários dá a seguinte descrição: “Seu nome se vincula ao vocábulo latino fatum (fado, destino). Intervêm magicamente no que sucede aos homens. Já foi dito que as fadas são as mais numerosas, as mais belas e as mais memoráveis das divindades menores. Não estão limitadas a uma única região ou a uma única época. Os antigos gregos, os esquimós e os pele-vermelhas narram histórias de heróis que alcançaram o amor dessas fantásticas criaturas. Tais aventuras são perigosas; a fada, uma vez satisfeita sua paixão, pode matar seus amantes. Na Irlanda e na Escócia atribuem-lhes moradas subterrâneas, onde confinam crianças e os homens que costumam seqüestrar. O povo crê que elas possuíam as pontas de flechas neolíticas que desenterraram nos campos e as quais dotam de infalíveis virtudes medicinais. As fadas gostam da cor verde, do canto e da música.”

Apesar de nos dias de hoje, principalmente por causa da mídia de filmes e desenhos infantis, as fadas serem retratadas como pequenas mulheres com asas, originalmente e até hoj em locais onde a crença nesses seres é forte, elas eram descritas de formas muito diferente, inclusive conflitantes: para alguns era seres altos, com mais de 3 metros de altura, canibais e violentos, para outros eram criatura deformadas e ignorantes, ainda existem aqueles que as descrevem como seres quase angelicais. Isso mostra que provavelmente Fada era um adjetivo usado para se descrever grande parte dos seres culturais que existiam em certas localidades, mesmo que se tratassem de criaturas muito diferentes entre si. Da mesma que eram descritas como seres pequenos, existem inúmeros relatos que lhes conferem a estatura de uma pessoa normal. Isso pode indicar também que sua estatura está associada a sua natureza sutil, o resultado de sua vontade e não de sua limitação física.

Suas asas se tornaram populares na era vitoriana, nos séculos XV e XVI, quando as fadas passarma a ser pintadas, mas elas são raramente mencionadas nas compilações folclóricas, onde mesmo quando voam o fazem através de mágica e não asas, ou então surgem voando nas costas de insetos ou pássaros.

Além de descrições antropomórficas, existem relatos de fadas descritas com a aparência de um animal, às vezes a fada tem a capacidade de assumir a forma de um animal, outras ela não muda de forma e o animal, como cachorros negros, por exemplo, mantém sua forma constantemente, mas se difere de um simples cão por ser uma fada.

 

Em alguns casos surgem como seres que apesar de confundir não podem dizer uma mentira, outras vezes como seres malignos e mentirosos por natureza.

 

A breve abordagem acadêmica

Um dos primeiros estudos importantes sobre as fadas é “A República Secreta dos Elfos, das Fadas e dos Faunos“, escrito em 1691 pelo  pastor presbiteriano escocês, reverendo Robert Kirk de Aberboyle. Trabalhando nas Highlands da Escócia, ele tinha interesse vívido pelas crenças sobrenaturais da região e estava convencido da realidade das fadas. Ele mesmo pergunta no início do seu tratado: “Como seria possível a uma crença tão disseminada, mesmo que tenha apenas um décimo de verdade em suas histórias, brotar do nada?. Ele realizou suas investigações tendo em vista que quando tivesse informações sucifientes, poderia esmiuçar ao máximo a natureza da vida destas criaturas. Segundo ele as fadas são de uma “natureza intermediária entre os homens e os anjos, como eram os daemons descritos pelos antigos”. Esta definição não é muito diferente da dada pela teosofia. Dora Gelger em seu livro O mundo real das fadas e que as descreve como uma sorte de elemental.

Rev. Kirk detalha a aparência das fadas em seu tratado diz que elas possuem corpos de espíritos fluídos, capazes de mudar a cor da luz que emanam, mais ou menos da mesma natureza de uma nuvem condensada e que podem ser mais facilmente observadas durante o crepúsculo do anoitecer. Seu corpo é de uma matéria tão sutil que elas parecem poder aparecer e desaparecer ao seu bel prazer. Elas guardam costumes e idioma como o do povo do país em que vivem. Certas fadas possuem uma natureza tal que podem ser vistas em trânsito, mas nunca estacionárias. Outras nunca ficam paradas estando sempre em algum tipo de movimento. Outras ainda podiam ser ouvidas mas não vistas. Viajam muito, amiúde pelos ares, podiam roubar o que  quisessem (desde alimentos até bebês humanos)  e não tinham religião particular. Os mortais dotados de clarividência  tinham maior probabilidade de vê-las, já que eram geralmente invisiveis ao olho humano. Diz a lenda que o Rev Kirk foi arrebatado para o mundo das fadas pouco depois de publicar seu tratado, as fadas o teriam levado embora por ter revelado seus mistérios. Em 1815, Sir Walter Stooth Scott ( Não confundir com o famoso literato de mesmo nome) fez publicar esse manuscrito, e surpreendentemente também sumiu do dia para noite.

O assunto só ganhou interesse acadêmico um século depois quando o já citado W. Y Evans-Wentz publicou em 1911 seu livro “A Crença nos duendes nos Países Celtas“. Evans era antropólogo especializado em religião e doutorado pela Universidade de Oxford. Ele percorreu as ilhas britânicas e a Bretanha na costa oeste da França e publicou o resultado de suas viagens em um espesso livro que permanece um clássico dos estudos de criptozoologia. Além de documentar o que restava da tradição oral da crença Wentz concluiu que “Podemos postular cientificamente que, diante dos dados da pesquisa a existência dessas inteligências sutis. Se são deuses, gênios, demônios, ou como alega o próprio povo que o descreve fadas legítimas este é um trabalho inconcluso que o futuro nos reserva.”

Como vimos, a influência das fadas em escolas iniciáticas ou em grupos ocultistas se desenvolveu criando-se uma cultura igualmente rica à folclórica, mas focada para um aspecto menos cotidiano: a busca pela sabedoria. Inlfuencidos pelo cristianismo esotérico muitos esotéricos, como a própria Gelder, dividem os seres invisíveis da criação em grupos, os seres superiores seriam os anjos ou devas, que além dos próprios afazeres teriam também a supervisão dos seres “inferiores” em sua lista de tarefas. Então, tomados pela mesma sanha de catalogar e dividir, esses esoteriastas separam os seres invisíveis e os associam com os diferentes quatro elementos da cultura mística ocidental. De acordo com essa divisão as fadas seriam elementais do ar.

Embora com o tempo tenham sido comparadas com anjos, ou colocadas sob sua guarda e sejam vistas em sua maioria como seres benignos que gostam de ajudar as pessoas, uma compilação folclórica sobre costumes em relação a fadas mostram que grande parte do que se sabe a respeito de fadas são maneiras de se proteger se sua magia e sua malícia. Além disso uma crença comum era a de que fadas eram conhecidas por roubar recém nascidos, muitas vezes substituíndo-os por crianças fadas ou outro tipo de criaturas que se assemelhavam ao bebê, mas com o tempo iam revelando sua origem não humana.

No Brasil as fadas também não são desconhecidas, existem várias histórias, algumas até paralelos de contos europeus como o da Cinderela, batizada de Bicho de Palha, onde para fugir dos maus tratos de uma madrasta que se casou com seu pai, um rico comerciante, e possuía uma filha com a sua idade, uma jovem foge de casa e busca viver a vida em outro lugar. Ao passar perto de um rio encontra uma senhora de cara bondosa que a instrui a criar um manto de palha que lhe deixasse à mostra apenas os olhos e buscasse emprego em um castelo, lhe deixando de presente uma vara de condão. Bicho de Palha consegue o emprego e fica no castelo até que o belo príncipe decide se casar e prepara uma festa que durará três dias para escolher a futura esposa. Como todas as mulheres do castelo estão ocupadas se preparando para a festa todo o trabalho sobra para Bicho de Palha, de quem ninguém conhece a identidade. Eventualmente ela apela para a vara de condão e faz suas roupas de palha virarem um belo vestido e ganha seus sapatos de cristal. O resto da história todos conhecem, mas o curioso é que no final da história a velha senhora volta a encontrar ela para pegar de volta sua varinha e Bicho de Palha descobre que ela uma fada. Com o tempo e com a evangelização do pais, a figura da fada foi substituída pela de Nossa Senhora, mas o elemento da magia e da vara de condão permanecem presentes.

As Fadas de Cottingley

Muito do ceticismo atual em torno das fadas se deve a um episódio ocorrido em meados de 1917, o famoso caso conhecido como “As Fadas de Cottingley”. Nele, duas adolescentes inglesas Elsie Wright e Frances Griffiths ganharam fama ao alegar que conseguiram fotografias autênticas de fadas e duendes que habitavam o jardim da casa onde viviam. O caso ganhou atenção internacional, em especial do público espiritualista e foram publicadas no Strand Magazine em 1920. Confira algumas delas abaixo:

  

  

 

As duas primas de Cottingley ganharam um insuspeito advogado quando Sir Arthur Conan Doyle, criador do famoso personagem Sherlock Holmes chegou a escrever um livro The Coming of the Fairies (“A Vinda das Fadas”) para defender a veracidade das mesmas. De fato nenhum especialista até hoje conseguiu qualquer evidência de montagem fotográfica ou manipulação de imagens. Entrevistadas pela BBC muitos anos depois, em 1970 as duas senhoras continuaram defendendo sua história, mas Elsie declarou que “se você pensar seriamente em alguma coisa ela se tornará sólida, real. Acredito que as fadas eram invenção da nossa imaginação” e muitas pessoas viram nisso uma velada confissão de fraude. As suspeitas se confirmaram em 1982 quando numa entrevista a Joe Cooper as primas admitiram que haviam forjado as fotos. Sem nenhum talento para manipulação fotográfica, elas apenas posaram ao lado de recortes de papel.

Presente de Fadas

Independente de sua aparência ou motivação, as fadas são conhecidas por seus presentes. Geralmente após presentear uma pessoa, elas esperam um outro presente em troca, caso não recebam elas infernizam a vida e a calma da pessoa que teve a sorte de receber o que elas tinham para dar. Alguns consideram seus presentes um sinal de boa sorte, outros afirmam que nada que venha de uma fada é coisa boa, e deve ser evitado a qualquer custo e assim desenvolveram uma série de costumes para se afastar fadas, como o uso de amuletos, preces e o Ferro-Frio, que para uma fada é pior do que veneno.

Por outro lado, uma tradição que mostra como presentes de fadas são bem-vindos é a crença na fada-do-dente, disseminada para as crianças, onde os dentes de leite que caem são deixados deaixo do travesseiro para que a fada-dos-dentes o substitua por um doce, uma moeda ou um presente.

Acreditar em Fadas

Se o objetivo das fadas é esconder-se dos humanos nenhum golpe poderia ser mais certeiro. Desde então nenhum crédito científico ou acadêmico foi dado para qualquer relato envolvendo estes seres fantásticos. Se as fadas existirem de fato, estão hoje mais protegidas do que nunca. Porém, para sermos imparciais devemos admitir que  mesmo aquelas pessoas que desejam dar um salto de fé e confirmar a existência delas se deparam com um problema que não é trivial: as tradições sobre as fadas quando consideradas em seu conjunto são complexas e variadas demais para constituírem um todo coerente. Quando lemos a vasta quantidade de relatos pensamos muito mais em divagações da imaginação do que em um misterioso mundo invisível no qual elas habitariam.  De fato, a palavra fairyplain (o mundo das fadas) procede de uma palavra mais antiga fai-erie, que significava mais um estado de encantamento do que um lugar sobrenatural.  No clássico Peter Pan, lemos ludicamente que cada vez que alguém diz “Não acredito em Fadas”, uma fada cai morta no chão em algum lugar.  A título de hipótese talvez as fadas sejam dependentes de nossa imaginação, como sugere esta citação. Não por serem meras crenças, pois os relatos durante toda história nos proibe de achar isso, mas por serem centelhas de inteligências automonas que vivem em nossa imaginação. Vivem em nossa mente tal como as bacterias e microorganismos vivem em nossos corpos físicos e se revelam apenas quando nos tornamos receptivos a elas.

Dossiê de Criptozoologia de Herman Flegenheimer Jr.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/fadas/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/fadas/

Desvendando o Onmyoudou

Aoi Kuwan

O Onmyoudou (leia-se onmyodo) é um sistema de magia oriental que abrange princípios do taoísmo, do budismo, do shungendou e do xintoísmo. Eu já havia comentado brevemente sobre ele aqui.

Sei que fiquei devendo em falar um pouco mais sobre essa arte, já que as informações são escassas e nada confiáveis. Ao invés de explicar os conceitos pouco a pouco, decidi fazer o contrário: reuni uma lista de grandes bobagens que circulam da internet sobre Onmyodou, e agora vocês saberão como surgiram essas esquisitices e a como filtrar melhor as informações que procuram.

Shikigami

São entidades criadas e ou evocadas pelo magista para determinado fim. Diferente dos seres elementais/familiares parecem depender muito da capacidade do magista em questão nos quesitos energia e controle dessa energia, assim sendo sempre dependentes de alguma forma do mago que os ‘gerou’. Os Shikigamis “básicos” que protegem, auxiliam e até emprestam poder para o onmyoji são os chamados Zenki e Goki (ou ainda há uma tradução Kouki para esse último, embora não seja utilizada), cada um feito de uma polaridade Yin-Yang oposta.

A.K. A primeira parte do texto está parcialmente correta. Shikigamis são entidades criadas pelos magistas para determinado fim. Se assemelham aos elementais artificiais dos sistemas ocidentais e, exatamente por serem criados pelos onmyouji, dependem de sua capacidade e de sua energia.

A segunda parte do texto já é um completo FAIL. Novamente, exatamente pelo fato de serem criados, é muito difícil um onmyouji possuir mais do que UM shikigami. Dizem que Abe no Seimei chegou a possuir 12 shikigamis ao longo de sua existência, mas, de qualquer forma, é necessário ser um onmyouji muito avançado para possuir mais do que um.

Os shikigamis são criaturas pessoais e recebem o nome que o magista der para eles. Zenki e Goki são dois onis que passaram a servir Ozunu, tido como fundador do Shugendou. Ou seja, eles não são shikigamis, quanto mais shikigamis “básicos”. Esse hoax de que seriam shikigamis e que protegeriam onmyoujis surgiu do anime Shaman King. O personagem principal, Yoh Asakura, é de uma família de onmyojis. Seu irmão gêmeo, Hao Asakura, é a reencarnação de um poderoso onmyoji, antepassado da família que possuía dois shikigamis chamados Zenki e Koki.

Para saber mais sobre a lenda de Ozunu, Zenki e Goki: http://dungeon.taisa-labs.com/facts/ask_ozunu_who_zengoki.htm (em inglês)

Onmyoujutsu é uma técnica de magia baseada nos conceitos do Yin-Yang que utiliza vários “encantamentos” e invocação de shikigamis (espiritos demoníacos), para defender ou libertar pessoas.

A.K. Shikigamis são criaturas criadas da energia do e pelo próprio onmyoji. Não há nada de demoníaco num shikigami.

Alguns exemplos de Onmyoujutsu e suas respectivas traduções:

A.K. Jura que você vai encontrar onmyoujutsu na internet em pleno século XXI, sendo que o Onmyouryou (espécie de secretaria a qual todo onmyouji estava vinculado) foi extinto no início da era Meiji devido ao poder que os onmyoujis exerciam, razão pela qual é tão difícil achar informações mesmo em japonês.

Enfim… já adiantando o que vem por aí, os “onmyoujutsus” abaixo foram todos usados pelos personagens do mangá X/1999, da CLAMP. Ou seja, são fantasia, não são encantamentos verdadeiros. Eles funcionam tanto como os encantamentos de Harry Potter, os do seu livro de RPG, ou os de qualquer obra FICCIONAL, de LITERATURA ou ENTRETENIMENTO, fui clara?

“On vajra dharma kiri shawa” – Invoca ou sela um espírito.

“Rin pyo to sha kai chin retsu zai zen” – Exorciza espíritos consumidos por demônios ou outras criaturas ocultas.

A.K. Essas palavras são os nomes dos mudras do Kuji-In, usadas também no Kuji-Kiri. Simplesmente recitá-las não faz absolutamente NADA, ainda mais se não se tem o devido preparo, sem saber o seu significado, nem nada. Recitá-las tendo uma idéia do que fazer, mas sem saber o que fazer exatamente, causa um baita desequilíbrio nos chakras.

“On abokya beiroshanam” – Cria uma barreira espiritual (kekkai).

A.K. hauahuahauahauhaauhauahauaha. Momento para me recompor. Criar uma kekkai é algo extremamente complexo que leva anos de treinamento! Ela é muito mais forte do que o Ritual Menor do Pentagrama, que era ensinado aos neófitos da Golden Dawn. Jura que recitar um simples mantra irá construir uma kekkai!

“Makabodara… Manihandomajin… Parahara paritayanam” – Liberta espíritos presos dentro de objetos. Normalmente usado em espíritos irritados ou perigosos.

“On batarei yo sowaka” – Liberta espíritos presos dentro de objetos. Normalmente usado em espíritos pacíficos.

“On sanmaji handomei kiriku” – Convoca espíritos assombrando uma área.

“Noumaku shamandra bastra donkam” – Cria chamas para engolir um espírito ou outra criatura oculta.

“Rin pyo to sha… Kai chin retsu zai… Zen…” – Cria uma luz espiritual que ajuda a acalmar os espíritos.

A.K. Olha o Kuji-In aí de novo. Ele é muito utilizado em mangás e animes como base para “encantamentos”. Em Sailor Moon (episódio 10 da primeira fase), Rei Hino (Sailor Marte) recita essas mesmas palavras no episódio em que ela recebe seus poderes para ter visões em uma fogueira.

Link do You Tube para os preguiçosos: http://www.youtube.com/watch?v=vR-M6elRTYg (a partir de 1:02)

“On kirikyara harara futaranbaswoha” – Desmorona uma barreira espiritual ou queima o espírito de vigilância ausente (ofuda).

“Nouboua-kyasha… Kalabhaya-on-arikya… Maribhori-showaha…” – Permite que o espírito de quem a usa possa entrar em outro corpo e interagir com a alma que anima este. Comumente usado para entrar no Chakra do Coração de outra pessoa.

A.K. Depois as pessoas desequilibram seus chakras, ficam doentes, tudo começa a dar errado para elas e elas não sabem por quê.

“On sowahanba shuda saraba tamara sowahanba shudo kan… On tatagyato dohanbaya sowaka… On handobo dohanbaya sowaka… Onbazoro dohanbaya sowaka… On basaragini harajihattaya sowaka… On barodaya… sowaka” – Cria uma Kekkai (barreira) poderosa usando um ofuda molhado para proteger de energias mágicas já estabelecidas dentro de uma área.

A.K. Um simples mantra não cria uma kekkai, um mantra mais “encorpado” tampouco irá criar. Um ofuda só funciona com a sua respectiva kotodama e, ainda assim, um ofuda também não é capaz de criar uma kekkai. Pelo amor dos deuses! Quer saber por que não cria? Primeiro, procure saber como é o Ritual Menor do Pentagrama, depois, considere que uma kekkai é muito mais forte do que ele. Agora, leia meus posts “Os três mistérios do Shingon” e “Como funciona um Ofuda” que você vai entender.

“On boku ken” – Usado como uma Kekkai-barreira- para parar energias mágicas dentro de uma área. Normalmente destrói a Kekkai-barreira- no processo.

“Shuku… Dou… Shou…” – Invoca um espírito cerimonial (Shikigami).

“Hikuu” – Normalmente usado depois de invocar um Shikigami para fazê-lo atacar.

“Rin… pyou… tou… sha… kai… jin… retsu… zai… zen” – Utilizado em conjunto com uma faca cerimonial para controlar um shikigami para atacar outra criatura oculta em áreas distantes da redondeza.

A.K. Mais uma vez o Kuji-In. Sério, a CLAMP bem que podia ser mais original, não é?

“Noubu aratannou tarayaaya… Nou makuariya mitabaya… Tatagyataya arakatei sanmyaku sambodya…” – Magia poderosa que purifica uma área de feitiços e criaturas ocultas, bem como criar uma Kekkai para proteção adicional.

“Saraba arata sadanei… sarabakyara kishougyarei…” – Usado para exorcizar espíritos ou outras criaturas ocultas.

“Amirita gyarabi… Amirita shiddi… Amirita teisei… Amirita beki andei… Kisha yogyarei sowaka…” – Magia poderosa que ataca e defende contra magia ofensiva.

“Namah samanta buddhanam Indraya svaha…” – Uma magia de ataque que invoca um raio do relâmpago(?).

A.K. Repetindo, já que repetir nunca é demais: esses “encantamentos” foram todos retirados do mangá X/1999, da CLAMP. Ainda que sejam baseados em mantras de verdade, eles não são técnicas verdadeiras do Onmyoudou, eles não funcionam! Nem preciso lembrar que recitar palavras em sânscrito (ou em qualquer idioma) sem saber o seu significado é a mesma coisa do que brincar com fogo, não é?

Observações:

*Os textos aqui em maioria são traduções do japonês, chinês para o inglês, e do inglês para português, então algumas falhas de tradução são comuns de serem encontradas.

A.K. Volta e meia eu procuro por informações sobre Onmyodo na internet em chinês e em japonês (e, apenas para constar, eu tenho nível intermediário em língua japonesa – o tradutor do Google até que dá uma mão, mas ele é uma porcaria em língua japonesa, para não dizer coisa pior) e eu NUNCA li nada parecido nessas línguas. Muito menos em inglês.

Não vou divulgar de onde eu tirei esses textos porque meu objetivo não é “atacar” ninguém. Qualquer pessoa com o mínimo de juízo e bom senso, que estude qualquer tipo de sistema de magia, sabe que esses textos são fantasia.

Acontece que, como vocês podem observar, a maioria das informações que circulam pela internet sobre o assunto são retiradas de animes e mangás por alguém sem mais o que fazer, e reproduzida por pessoas interessadas que, sem ter fontes confiáveis, acaba acreditando por ser a única coisa que encontrou.

Só que o problema começa quando alguém resolve pegar algum desses “encantamentos” aí de cima para ver “se funciona mesmo”, faz alguma besteira e se prejudica, tal qual fazem os satanistas de Orkut.

Muito pior, na verdade, porque um encosto ocidental é mais fácil de se livrar do que um encosto oriental. Quero ver encontrarem um sacerdote taoísta ou xintoísta para se livrar da criatura. Por essas e outras que vocês jamais verão um post meu ensinando como fazer ofuda.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/asia-oculta/desvendando-o-onmyoudou/

A verdade sobre as evocações

Por: Aaron Leitch

Fonte: https://aaronleitch.wordpress.com/2021/01/13/the-truth-about-evocation/ Tradução e notas: Frater Goya (Anderson Rosa)

Saudações caminhantes com espíritos!

Percebi que as pessoas tendem a ter um mal-entendido geral sobre o que é evocação e para que se destina. Muitas pessoas parecem acreditar que a evocação é o objetivo da Magia Salomônica. Não é.

Eu entendo por que essa visão existe. Em ocultismo e ficção de fantasia, é necessário fazer as coisas parecerem interessantes – então o padrão é sempre mostrar um mago em pé dentro de seu Círculo protetor, cercado por fumaça de incenso, varinha ou espada na mão, cantando em línguas misteriosas, evocando criaturas assustadoras ou inspiradoras das névoas astrais. Não é diferente de – por exemplo – um programa policial que apenas mostra as perseguições emocionantes e técnicas de detetive impressionantes, mas nunca mostra as horas de papelada e espera que realmente constituem a maior parte do trabalho. O mesmo ocorre com a representação popular da magia dos grimórios. E, como você só vê o mago fazendo aquela única coisa – evocação – ele tende a se tornar o que você imagina quando pensa no assunto.

Outro culpado, acredite ou não, são os próprios grimórios. Ou, devo dizer, a má interpretação popular dos grimórios. Como eu explico em Segredos dos Grimórios Mágicosi e em meu curso online para iniciantes, os grimórios de fato não apresentam toda a tradição salomônica. São apenas os manuais iniciais (por isso são chamados de “gramáticas”), que dão instruções sobre como estabelecer o primeiro contato com os anjos e espíritos da tradição. E como você faz isso é (em grande medida) realizando as evocações. Depois de estabelecer esse contato, não é necessário realizar a evocação repetidamente. A partir daí, os espíritos assumem e ensinam a magia real – e não é apenas mais evocação.

A evocação tem dois objetivos principais:

1) estabelecer contato com um ser espiritual (ou grupo de seres). Assim que tiver esse contato, você nunca mais precisará realizar a evocação daquele ser novamente. Claro, você precisará realizá-lo novamente para quaisquer novas entidades que deseja conhecer. Portanto, de forma alguma estou sugerindo que você nunca fará outra evocação! No entanto, você não precisará repetir para o(s) espírito(s) que você já contatou. Isto é, contanto que você vincule aquele ser a um talismã, anel, tábua, altar, etc. e tenha meios de continuar trabalhando com ele.

2) Para assuntos importantes que requerem questionar diretamente um ser espiritual. Mais especificamente quando você tem uma série de perguntas que precisam ser feitas. É por isso que os grimórios costumam usar a evocação com o propósito de descobrir informações ocultas, encontrar itens ou pessoas perdidas ou roubadas, receber instruções específicas para algo, para encontrar um tesouro enterrado, etc., etc. Eu disse no passado que a evocação – significando seu uso para este propósito específico – é em si uma forma de adivinhação. Você está falando com o espírito para aprender algo que não sabia anteriormente. Caso contrário – por que você pedindo informações?

Portanto, a evocação é algo que é feito muito mais raramente do que outros aspectos da Tradição. Para a maioria dos propósitos, você pode fazer uma petição a um anjo ou criar um talismã para o que for necessário, sem passar pelo processo de semanas ou meses de evocação completa. Isto é, se você já fez o trabalho de evocar os espíritos com os quais está trabalhando e dedicou seu tempo e esforço para construir uma relação de trabalho com eles. Em nossa casa, temos altares para todos os sete Arcanjos Planetários (os mesmos caras que você vê no Heptâmeronii), sem mencionar meu SAG e Familiares, as Prendas de Carrie, seu Altar Ancestral e alguns outros também. Não precisamos passar meses fazendo evocações completas deles quando precisamos pedir algo – porque já fizemos isso e agora eles moram aqui!

Outra coisa a se considerar: NÃO há necessidade de evocar dezenas de espíritos! Já vi pessoas se gabando de convocar todos os 72 espíritos da Goetiaiii. Ou que eles evocaram todos os Shem haMephoreshiv e / ou Anjos da Árvore da Vida. Mas, gente, não é assim que funciona essa tradição! Você poderia ser um mago salomônico de sucesso durante toda a sua vida e apenas contatar um ou dois espíritos. Você tem que encontrar um espírito que trabalhe bem com você, que goste de você e obtenha resultados – e continuar trabalhando com esse espírito. Esse espírito pode ou não ser capaz de fazer tudo que você precisa – e, se não, pode direcioná-lo (ou mesmo apresentá-lo a) outro espírito que pode, e agora esse espírito se torna parte de sua tripulação. Os anjos e espíritos dos grimórios não são Pokémons! Você não precisa coletar todos eles. Seu exército espiritual deve ser algo que você constrói muito lenta e deliberadamente ao longo dos anos, e não deve ser tratado como uma lista de chamadas em uma empresa de vendas de telefones.

Sim, temos MUITOS altares em nossa casa – principalmente porque fazemos isso profissionalmente. Mas, mesmo conosco, há um número menor de entidades às quais recorremos para a maioria das coisas. Para mim, é primeiro o meu SAGv, depois os meus familiares. Se instruído a fazer isso, posso levar um problema para um dos Sete Arcanjos – e que geralmente tende a ser Sachiel e Iophiel, porque em algum lugar ao longo do caminho me tornei um mago de Júpiter. Para Carrie, ela frequentemente irá para Anael ou Samael porque ela tem uma relação especial com eles. Isso não quer dizer que nunca vamos aos outros Arcanjos, apenas que é uma ocorrência mais rara em relação àqueles com quem mais trabalhamos.

E é ainda mais raro fazermos evocações completas para eles. Em vez disso, gastamos nosso tempo cuidando de seus altares e ícones, fazendo oferendas a eles, acendendo velas decoradas e fazendo petições a eles, e conversando com eles diretamente ou por meio de uma forma de adivinhação ou de outra. Desculpe se isso soa mais como trabalho do que a fantasia incrível de ser um mago – mas é a verdade. E agora você tem.

NOTAS

i No original Secrets of the Magickal Grimoires: The Classical Texts of Magick Deciphered https://www.amazon.com.br/Secrets-Magickal-Grimoires-Classical-Deciphered/dp/0738703036

ii O Heptâmeron é um dos quatro maiores livros de magia na história da humanidade. Acompanhada de “A chave de Salomão”, o Grimorium Verum e “A Constituição do Papa Honório”, forma uma linha de tratados sobre Magia Negra, escritos na Antiguidade e na Idade Média. Também é chamado de Quarto Livro de Cornélio Agrippa. Porém, a autoria foi atribuída a ele sem que, no entanto, fosse citado por seu pretenso autor em nenhuma outra obra. Este livro foi dividido em duas partes: a primeira ensina a comunicar-se com os espíritos do Ar, através de invocações a serem realizadas durante os sete dias da semana. Na Segunda parte, uma série de fórmulas ensina como conjurar entidades para descobrir tesouros, escutar segredos, fazer alguém se apaixonar, abrir cadeados e mais uma série imensa de utilidades práticas do cotidiano.

iii Goetia ou Goëtia é uma prática mágica que inclui a conjuração de demônios ou gênios. Apalavra grega antiga γοητεία (goēteía) significa “encanto, malabarismo, feitiçaria”, de γόης (góēs) “feiticeiro, mago” (plural: γόητες góētes). Durante a Renascença, a goëtia foi às vezes contrastada com magia, como “magia do mal” vs. “magia boa” ou “Magia natural”, ou às vezes com teurgia. Heinrich Cornelius Agrippa, em seus Três Livros de Filosofia Oculta, escreve “Agora, as partes da magia cerimonial são goetia e teurgia. Goetia é infeliz, pelos comércios de espíritos impuros compostos de ritos de curiosidades perversas, encantos iníquos, e depreciações, e é abandonado e execrado por todas as leis.”

iv O Shem HaMephorash (hebraico: שם המפורש, alternativamente Shem ha-Mephorash ou Schemhamphoras), significando o nome explícito, é um termo originalmente tannaítico que descreve um nome oculto de Deus na Cabala (incluindo variantes cristãs e herméticas), e em algumas mais discursos judaicos convencionais. O “nome dobrado 72 vezes ” é altamente importante para o Sefer Raziel, e um componente chave (mas frequentemente ausente) para as práticas mágicas na Chave Menor de Salomão. É derivado de Êxodo 14: 19–21, lido de forma a produzir 72 nomes de três letras. Este método foi explicado por Rashi. As lendas cabalistas e ocultistas afirmam que o nome 72 formado foi usado por Moisés para cruzar o Mar Vermelho, e que pode conceder aos santos mais tarde o poder de expulsar demônios, curar os enfermos, prevenir desastres naturais e até matar inimigos.

v Sagrado Anjo Guardião – considerado a própria Voz de Deus dentro do indivíduo. Uma vez obtida a cooperação do Santo Anjo da Guarda, o aspirante poderia passar a controlar todos os espíritos da natureza e infernais.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-verdade-sobre-as-evocacoes/

Elementais, os Espíritos da Natureza

Na literatura ocultista, a mais compreensível e lúcida exposição sobre a pneumatologia oculta – ramo dedicado as  substâncias espirituais — encontra-se no trabalho de Philippus Aureolus Paracelsus de Paracelso, príncipe do alquimistas e dos filósofos Herméticos, verdadeiro mestre do Segredo Real – A Pedra Filosofal e o Elixir da Vida. Paracelso acreditava que cada um dos quatro elementos primários conhecidos dos antigos — terra, fogo, ar e água, era constituído de um dois princípios: um sutil, vaporoso e metafísico; outro, de substância corporal grosseira e material.

O Ar possui dois aspectos: sua natureza tangível, atmosférica, e sua natureza intangível, o substratum, a essência viva  volátil que pode ser denominado Ar Espiritual ou, ainda, Espírito do Ar. O Fogo é visível e invisível, discernível e indiscernível: espiritual, flama etérea manifestando-se através da chama material, substancial. Seguindo a mesma analogia, a água é, ao mesmo tempo, um fluido denso e uma potência essencial de natureza fluídica. Também a terra é um Ser fixo, terreno, imóvel, em um plano inferior da realidade; em plano superior, a terra possui um Espírito rarefeito, móvel, virtual.

O termo elemento tem sido, então, aplicado aos aspectos inferiores, físicos dos quatro princípios primários. O termo elemental, é aplicado às essências invisíveis, à constituição espiritual que, de fato, anima os quatro elementos. Minerais, plantas, animais e homens vivem e experimentam, normalmente, a realidade mais grosseira, meramente física, tangível dos quatro elementos… e das várias combinações destes elementos constroem seus organismos físicos.

Henry Drummond, em Natural Law in the Spiritual World, descreve o seguinte processo: “Se analisarmos o ponto material no qual começa a Vida, encontraremos uma estrutura clara, uma substância gelatinosa, albuminosa de albumina:proteína de alto valor biológico presente na clara do ovo, no leite e no sangue, como clara de ovo. Esta substância elementar na formação da vida é feita de carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio.

É o protoplasma; não apenas a unidade estrutural fundamental para o surgimento da vida em todos os corpos de todos os viventes, mas também, a substância que os constitui em si mesmo. Segundo Huxley, ‘Protoplasma, simples ou nucleado, é a forma básica de toda a vida. É a argila do vaso’”. O elemento ao qual os antigos denominavam, genericamente, ÁGUA, a moderna ciência chama de Hidrogênio; o AR, tornou-se Oxigênio; o FOGO, Nitrogênio e a TERRA, Carbono.

Assim como a Natureza visível é habitada por um infinito número de criaturas vivas, de acordo com Paracelso, também o Invisível, contraparte espiritual da Natureza Visível composto de tênues princípios dos elementos visíveis é habitado por seres peculiares chamados Elementais ou Espíritos da Natureza. Paracelso divide estes seres em quatro grupos: gnomos — ondinas — silfos e salamandras. Paracelso assegura que são entidades viventes.

Em suas formas, muitas lembram seres humanos. Seus mundos são distintos do mundo humano, ainda que coexistentes. O homem não percebe a dimensão existencial destes seres porque seus sentidos, sua percepção física é insuficiente ou não adequada à percepção da realidade metafísica — além ou, ainda, outra, que não é a realidade física.

Povos antigos, como os Gregos, Egípcios, Chineses, Indianos, acreditaram na existência de sátiros, duendes, fadas, demônios. Seus mares eram povoados de sereias; os rios e fontes abrigavam ninfas; fadas no ar; Lares e Penates no fogo, faunos, dríades e hamadríades* na terra.  Espíritos da Natureza eram tidos em alta conta e  rituais propiciatórios eram oferecidos a eles. Ocasionalmente, como resultado de condições atmosféricas ou pela sensibilidade especial de um devoto, podiam tornar-se visíveis. Vários estudiosos acham que muitos dos deuses pagãos foram/eram Elementais.

Os gregos davam o nome de dæmon a alguns desses elementais, especialmente de ordens superiores; estes, eram venerados. Provavelmente, o mais famoso desses dæmons é o misterioso espírito instrutor de Sócrates, ao qual o grande filósofo se referiu com freqüência. Aqueles que estudam a constituição invisível do homem acreditam que o dæmon de Sócrates e/ou o anjo de Jacob Böheme foram, não eram elementais; antes, foram reflexos da natureza divina ou Eu Superior dos próprios filósofos. …

A idéia de que entidades, seres invisíveis envolvam e interpenetrem o mundo coexistindo com os seres vivos e inteligentes, pode parecer ridícula para a mente prosaica da contemporaneidade. Ainda assim, essa doutrina,da existência dos Elementais, é aceita por alguns notáveis intelectos do mundo. Os silfos de Facius Cardin, o filósofo de Milão; a salamandra observada por Benvenuto Cellini; o Pan de Santo Antônio; e o Pequeno Homem Vermelho, possivelmente um gnomo, de Napoleão Bonaparte; são figuras que têm seu lugar nas páginas da História.

A Literatura também tem perpetuado a idéia e a crença nos Espíritos da Natureza. Em Sheakesppeare, o malígno Puck, personagem de Sonho de uma noite de verão; os Elementais do poema rosacruciano de Pope, The rape of the lock; as misteriosas criaturas do Zanoni de Lord Lytton. O folclore e a mitologia de todos os povos possuem suas lendas sobre estas “figurinhas” que assombram velhos castelos, guardam tesouros nas profundezas da terra e constroem suas casas embaixo das grandes raízes das árvores e das orelhas de sapo* que brotam largas às margens dos lagos. As fadas, que encantam as crianças, já seduziram mentes notáveis que acreditaram em sua existência e ainda está aberta a questão sobre a crenças de Platão, Sócrates e Jâmblico nestas criaturas mágicas.

Paracelso, descrevendo as substâncias constituintes dos corpos dos elementais, distinguiu duas qualidades de matéria carnal: a primeira é aquela que todos os seres humanos herdaram de Adão. Essa é visível, a carne corpórea humana. A segunda qualidade de matéria carnal não procede de Adão; é mais tênue e não está sujeita às limitações da forma. O corpos dos elementais são feitos de uma carne trans-substancial. Paracelso diz que existe enorme diferença entre os corpos humanos e os corpos dos Espíritos da Natureza; tanto quanto diferem a matéria e o espírito.

Ainda, segundo Paracelso, “os Elementais não são espíritos porque eles têm carne, sangue e ossos; vivem e se reproduzem; eles falam, agem, dormem, acordam e, conseqüentemente não podem ser chamados, propriamente, espíritos. Estes seres ocupam um lugar entre Homens e Espíritos, são semelhantes a ambos; lembram homens e mulheres em sua organização e forma e lembram espíritos na rapidez de sua locomoção” – Philosophia Occulta, traduzido por Franz Hartman.

O ocultista chama essas criaturas de composita, referindo-se à composição, mistura de espírito e matéria. Paracelso faz analogia com a mistura de cores para explicar sua idéia. A mistura de azul e vermelho resulta em violeta ou roxo; o violeta não nem azul nem vermelho. É uma outra cor. No caso dos Espíritos da Natureza, eles combinam espírito e matéria resultando em um Ser que não é nem  espírito nem matéria. São compostos de uma substância que pode ser chamada matéria espiritual ou o ether dos ocultistas e dos filósofos.

Paracelso explica, ainda, que enquanto o homem é constituído de diferentes corpos inter-agentes, cada um pertencente a um plano da Natureza, espírito, alma, mente, corpo — o Elemental possui apenas um princípio ou corpo, o corpo etérico, feito de éter, no qual ele vive. O éter ou ether, em ocultismo, é uma essência espiritual; nos quatro Elementos, o ether é a essência. Existem muitos ethers assim como há distintas famílias de Espíritos da Natureza dos Elementos.

As famílias existem em completo isolamento em seu próprio elemento sem intercurso com os habitantes de outros ethers; mas, tal como o Homem possui, dentro de seus próprios centros de consciência, sensibilidade para perceber manifestações e impulsos de todos os outros quatro ethers, é possível, para qualquer Reino Elemental comunicar-se com o Homem em condições apropriadas.

Os Espíritos da Natureza não podem ser destruídos por elementos físicos, como o fogo material, a terra, o ar, a água, isto porque sua existência se mantém e se caracteriza por um nível de vibração superior àquela vibração própria das substância terrenas. Sendo compostos por somente um elemento, o ether no qual funcionam, eles não têm ou não são espíritos imortais. Ao morrer, seu Ser simplesmente desintegra-se e retorna ou é reabsorvido no todo do Elemento no qual o Ser havia, originariamente, tomado uma forma individualizada.  Nenhuma consciência individual sobrevive porque não havia ali consciência nem veículo para abrigar uma.

Sendo feito de uma só substância, o ether, os Elementais não sofrem a fricção e não sofrem de conflito, atrito, dialética… entre veículos; por isso, em termos práticos, os Elementais sofrem pouco desgaste do corpo ao longo do tempo; suas funções biológicas têm poucas possibilidades de danos a sofrer; por isso, vivem muito, alcançam idades avançadas. Os que vivem menos são aqueles compostos de ether da terra; os mais longevos são os Elementais do Ar.

A média de vida destes Seres está situada entre 300 e 1000 anos. Apesar destas diferenças, Paracelso afirma que os Elementais vivem em condições ambientais semelhantes àquelas experimentadas no mundo físico e estão sujeitos a adoecer. Em geral, são considerados incapazes de desenvolvimento espiritual mas, muitos deles, parecem ter demonstrado um elevado caráter moral.

Observações Gerais

Muitos antigos, diferentes de Paracelso, partilharam a opinião de que havia querelas, batalhas entre os Reinos Elementais e reconheciam essas batalhas nos fenômenos mais violentos da Natureza, que seriam o resultado dos conflitos entre os Elementais. Quando um relâmpago incidia em uma rocha, partindo-a, acreditavam que Salamandras estavam atacando Gnomos. Como os elementais não podem atacar um ao outro no plano de sua essência etérica peculiar [em seus ambientes], isso, devido ao fato de que não existe correspondência vibratória entre os quatro ethers dos quais cada um dos Reinos é composto, eles têm de atacar indiretamente a um denominador comum:  a substância material do universo físico, [essa substância, fundamento atômico-molecular do ar bem como da pedra/terra, água, fogo/luz/calor], sobre a qual eles [os elementais] podem exercer certo poder.

As guerras também acontecem entre elementais do mesmo elemento, como Gnomos contra Gnomos. Os pensadores antigos, poder-se-ia dizer, até primitivos, explicaram fenômenos da Natureza aparentemente inexplicáveis e/ou incontroláveis, individualizando e personalizando as forças naturais, atribuindo a estas forças humores, temperamento, emoções semelhantes àquelas que assolam a alma humana.

O quatro signos fixos do Zodíaco eram assinalados pelos quatro Reinos Elementais [tal como os pontos cardeais]: aos Gnomos, corresponde o signo de Touro; às Ondinas, a natureza de Escorpião; às Salamandras, a constituição de Leão; os Silfos, receptores da emanações de Aquário.

A doutrina cristã dos primeiros apóstolos, evangelistas e Papas, reuniu todas as entidades Elementais sob o título, genérico, demon — demônios. Essa denominação errônea tem conseqüências de longo alcance, associando para sempre, no ocidente, a palavra demon à idéia de coisa do mal. No entanto, os Espíritos da Natureza, essencialmente, não são malévolos; não mais ou menos do que os minerais, as plantas, os animais. Muitos dos primeiros padres da Igreja asseguraram ter encontrado e travado debates com Elementais.

Já foi estabelecido que os Espíritos da Natureza não são imortais; não obstante, alguns filósofos afirmam que, em casos isolados, a imortalidade pode ser conferida a um elemental por um Adepto Iniciado que domine certos princípios sutis do mundo invisível. Tal como a desintegração dos corpos acontece no mundo físico, processo análogo ocorre no mundo etérico. Em condições normais, na morte, um Espírito da natureza simplesmente retorna, reabsorvido na primária essência da qual um dia emergiu individualizado.

Qualquer que seja o desenvolvimento evolucionário do Ser ele pertence unicamente à consciência da essência primária da qual o ser foi originado. Desprovidos de componentes humanos, veículo espiritual e veículo material, os Espíritos da Natureza são sub-humanos no aspecto da inteligência racional mas, por suas funções, limitadas a um elemento, resulta que se especializam em determinado tipo de inteligência superior à humana no que diz respeito ao Elemento que habita.

Os Espíritos Elementais

 

Sobre os ethers nos quais vivem os Espíritos da Natureza, escreve Paracelso: “Eles habitam os quatros elementos:

1. Nymphæ (Ninfas), na água;

2. Silfos, no ar;

3. Pygmies (Anões), da terra;

4. Salamandras, no fogo.

São também chamados respectivamente: Ondinas, Silvestres, Gnomos e Vulcanos. Cada espécie somente pode habitar [se mover] no Elemento ao qual pertence e nenhum pode subsistir fora do Elemento apropriado. O Elemento está, para o Elemental, como a atmosfera está para o Homem; como a água para os peixes e nenhum deles sobrevive em elemento pertencente a outra classe. Para o Ser Elemental o Elemento no qual ele vive é transparente, invisível e respirável, como a atmosfera para nós mesmos”  – Philophia Occulta, traduzido por Franz Hartman.

É preciso atenção para não confundir os Espíritos da Natureza com as verdadeiras hordas vivas nos evolvendo nos mundos invisíveis. Enquanto os Elementais são compostos somente de substância etherica, os anjos, arcanjos e outras entidades superiores e transcendentais possuem organismos compostos, constituídos de uma natureza espiritual e uma estrutura de veículos que expressam o Ser destas entidades, diferente daquele Ser dos Homens, porque não inclui o corpo físico e suas limitações.

A filosofia oculta dos Espíritos da Natureza é considerada um conhecimento de origem Oriental, mais especificamente Bramânica e, portanto, indiana ou hinduísta. Paracelso assegura que seu próprio conhecimento sobre os Elementais veio do Oriente; ele os adquiriu durante suas viagens em busca de conhecimento. Egípcios e Gregos obtiveram suas informações da mesma fonte. Os quatro tipos principais de Espíritos da Natureza podem, agora, ser estudados separadamente, de acordo com os ensinamentos de Paracelso, Abbé de Villars e alguns outros poucos autores, entre os poucos que tratam deste tema.

FONTE: The Elements and Their Inhabitants by  THE SECRET TEACHINGS OF ALL AGES

Manly P. Hall, 1928. Trad. adapt. & pesquisa: Ligia Cabús do Nascimento

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/elementais-os-espiritos-da-natureza/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/elementais-os-espiritos-da-natureza/

A Física Moderna e o Shamir

Por Paul Goldstein.

É o sonho de todos os judeus ajudar na construção do Terceiro (e último) Templo. Para isso, as pedras devem ser esculpidas. Mas estaríamos fazendo isso da mesma forma que o rei Salomão fez, ou estaríamos apenas construindo um edifício? Um elemento essencial na construção do Templo de Salomão foi o milagroso shamir cortador de pedra. Ao nos instruir sobre como fazer o altar permanente a D’us, a Torá diz: “não o construa de pedra lapidada” (Êxodo, 20:22). Rashi comenta neste versículo que o ferro, o material das armas mortais, não deve ser usado para moldar as pedras do Templo, cuja essência é a paz.

A NATUREZA DO SHAMIR:

O shamir (de shamira em aramaico, que significa “como uma pedra de pederneira”) era um organismo sobrenatural. A palavra “shamir” no hebraico bíblico era usada em dois sentidos: a) uma ponta de caneta feita de uma substância dura (Jeremias 17:1); ou b) espinhos afiados (Isaías 5:6).

Cada uso está relacionado à capacidade do shamir de perfurar superfícies duras. O “olhar” do shamir sobrenatural poderia esculpir grandes pedras. O Talmude e os grandes rabinos posteriores descreveram como a passagem do shamir ao longo da superfície de uma pedra faria com que ela se partisse perfeitamente em dois pedaços.

O shamir era mineral, vegetal ou animal? Em uma lenda abissínia, supõe-se que o shamir tenha sido uma espécie de madeira ou erva. Maimônides, no entanto, e Rashi, o consideravam um animal vivo. O Talmude diz que o “olhar” de uma criatura viva fez madeira e pedra se partirem. Uma obra pseudoepígrafa, o Testamento de Salomão, no entanto, considera o shamir como uma pedra verde talvez semelhante à pitda colocada no peitoral do Sumo Sacerdote representando a tribo de Simeão.

Pequeno como um grão de cevada (menos de um centímetro), o shamir não tinha uma aparência física inspiradora. Sua essência sobrenatural veio de ter sido criada no crepúsculo da primeira véspera do Sabbath durante os Seis Dias da Criação. De acordo com R’ Bachiya no Talmude, o shamir foi usado pela primeira vez na época da construção do Tabernáculo para gravar os nomes das tribos nas joias preciosas do peitoral do Sumo Sacerdote.

Por segurança, o shamir não poderia ser colocado diretamente em qualquer tipo de recipiente de metal, incluindo ferro, que seria dividido. Foi mantido envolto em lã, colocado num cesto de chumbo cheio de farelo de cevada (Talmude, Sota 48b). A escolha destes materiais foi específica, uma vez que nenhum outro material foi capaz de resistir ao seu poder de penetração.

Os governantes dos cananeus e de outras nações perceberam o valor do shamir, mas nunca conseguiram localizá-lo. O Midrash conta que mesmo o Rei Salomão não tinha ideia de onde encontrar o shamir, embora soubesse que precisava dele para construir o Templo. Salomão fez um grande esforço para obter o shamir, até o ponto de contatar demônios. Também criados no crepúsculo da véspera do Sabbath dos Seis Dias da Criação, esses seres tiveram alguma relação com o shamir e os outros fenômenos sobrenaturais criados neste crepúsculo excepcional. O Midrash relata que Salomão consultou o rei dos demônios, que não o tinha, mas sabia que o anjo do mar havia dado o shamir ao pássaro poupa (dukhifat, Levítico, 11:19), um tipo de ave que precisava dele para sobreviver. No final, o rei Salomão capturou o shamir da poupa.

O shamir foi usado pelo homem apenas na construção do Tabernáculo e do Templo. Seres sobrenaturais criados por D’us para funções específicas não existem para sempre. A Mishná (Sota 9:12) afirma que o shamir existiu até a destruição do Segundo Templo. Tosafot (Gittin 68a) diz que o shamir existiu na Era Comum. De acordo com o Tosefta, o shamir desapareceu após a destruição do Templo, já que não era mais necessário. Da mesma forma, o tachash, que havia sido criado para que sua pele pudesse ser usada para o Tabernáculo, desapareceu depois que o Tabernáculo foi concluído. Considerado um animal kosher, o tachash era semelhante a um unicórnio com um único chifre na cabeça (Shabat 28b).

Outra criatura, a alcaparra, compartilhava características com o shamir e, portanto, foi confundida com o shamir. Mas porque o surto de alcaparras existia na Idade Média (1000 d.C.), os rabinos argumentam que os dois não eram idênticos.

O QUE CAUSAVA O “OLHAR” PENETRANTE?

Por definição, uma criatura sobrenatural feita por D’us para realizar milagres específicos não pode ser explicada racionalmente. No entanto, abundam teorias na ciência que correlacionam os fenômenos naturais com o sobrenatural. Nesse espírito, o “olhar” do shamir que poderia rachar madeira e pedra pode ser explicado por: 1) a produção de ondas de alta ou baixa frequência que podem ressoar a estrutura molecular dos materiais e perturbá-los, 2) a produção de ondas confluentes raios de luz como um “raio de laser”, ou 3) a radioatividade.

A essência do “olhar” permanece especulativa, mas o falecido Immanuel Velikovsky [1], um especialista nos tempos de Salomão, e Frederic Jueneman [2], um estudioso notável, sugeriram que o shamir era uma substância radioativa. Eles argumentam que uma caixa de chumbo seria o meio mais lógico para sabiamente conter um radionucleotídeo tão altamente energético. Assim, o “olhar” do shamir pode ter sido radiação alfa. A radiação alfa é uma partícula de alta energia, que pode destruir ou descolorir tudo o que está exposto a ela. O enfraquecimento relatado dos poderes do shamir no decorrer do tempo até o ponto de inatividade possivelmente indica decaimento radioativo e meia-vida de sua antiga potência radioativa.

Se o shamir fosse um mineral, poderia ter sido qualquer uma das várias pedras verdes nativas. Pode ter vindo dos locais de cobre na Armênia ou Chipre – ou das próprias minas do rei Salomão no Sinai, onde malaquita ou verdete também teriam sido encontrados no corpo de minério original. De fato, Jueneman cita escritos antigos de Zósimo, o Panopolitano (também chamado de Tebano), afirmando que a malaquita é um “inimigo do topázio, nublando sua cor e estragando seu brilho”. Um material altamente valorizado para objetos ornamentais, a malaquita, no entanto, também era conhecida por produzir feridas nos intestinos e inflamar os olhos – dois sintomas conhecidos hoje como efeitos característicos da exposição à radiação. A malaquita de hoje (ou crisocola como era conhecida pelos antigos) não é radioativa, mas poderiam ter existido exceções quando combinadas com outros minerais. A calcolita (ou torbenita), por exemplo, um fosfato de uranila de cobre verde, exibe radioatividade.

ESCULPINDO AS PEDRAS:

O Talmude diz que a precisão necessária para gravar os nomes das tribos nas joias preciosas do peitoral do sumo sacerdote sem perder nenhum material não era humanamente possível. Usando um composto radioativo (seguindo a linha de pensamento de F. Jueneman), isso não seria difícil de realizar. Os tufos de lã e farelo de cevada embalando o shamir seriam transparentes à sua radiação, enquanto o recipiente de chumbo seria impenetrável. Se a tinta usada para escrever nas pedras contivesse chumbo, uma descoloração graduada seria destacada nas gemas após a exposição ao shamir. A posterior retirada da tinta deixaria tal caligrafia contrastada com o fundo, dando também a aparência de profundidade à escrita. A maioria dos minerais preciosos, como diamantes, safiras, esmeraldas ou topázios, são descoloridos pela radioatividade. Outras gemas, como as opalas, são silicatos contendo água de cristalização. A exposição à radiação alfa desintegra esses cristais liberando a água quimicamente ligada, que volatiza sem deixar resíduos. Isso significa que nem uma lasca seria perdida, deixando uma textura turva ou granular.

A “VERDADEIRA” ESSÊNCIA DO SHAMIR:

A Mishná (Avot 5:6) relata que o shamir foi criado no Sexto Dia da Criação, no crepúsculo da véspera do Sabbath. O Maharal elabora o significado deste ponto: Todo o mundo físico criado durante os Seis Dias é governado pelas leis da natureza. Não tendo sido criado exatamente dentro desse prazo, o shamir é, portanto, sobrenatural.

Os outros fenômenos excepcionais criados durante o primeiro crepúsculo da véspera do Sabbath relacionam-se, de alguma forma, com o shamir. Eles incluem os demônios, o carneiro que Abraão sacrificou no lugar de Isaque, o primeiro par de tenazes, que foram então usados ​​para fazer outros instrumentos, o cajado de Moisés, as roupas de Adão e Eva, o fogo, a boca da jumenta de Balaão, a Coluna de Fogo e a Coluna de Nuvens que conduziram os Filhos de Israel pelo deserto, e o vaso em que o maná foi preservado no Santo dos Santos no Templo.

A criação, existência e função do shamir e dos organismos que o guardavam eram todos milagrosos. O Midrash relaciona o conceito de que uma substância mais macia pode ter a capacidade de perfurar uma mais dura. Por exemplo, a pedra que Davi atirou em Golias perfurou o capacete do gigante e o matou (Samuel I 17:49). O shamir também não tinha limitações físicas. Podia penetrar sem esforço nos materiais mais duros e, no entanto, foi preservado em uma cesta de chumbo (um metal macio), atestando sua origem não natural.

Embora, por definição, os milagres não precisem ser explicados como fenômenos cientificamente observáveis, o milagroso shamir que cortou as pedras para o Templo do Rei Salomão corresponde à descrição da radiação alfa.

Adaptado do artigo original e reimpresso com a gentil permissão de B’Or HaTorah vol. X (1997), pp. 173-176.

NOTAS DE RODAPÉ:

1. Immanuel Velikovsky, Ramses II and his Time (Garden City, NY: Doubleday, 1978).

2. Frederic Jueneman, “The Stone of the Shamir ” in R & D Magazine (September 1990) page 45.

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Fonte:

Modern Physics and the Shamir.

We have lost an important instrument for the building of the Temple.

By Paul Goldstein.

https://www.chabad.org/kabbalah/article_cdo/aid/380303/jewish/Modern-Physics-and-the-Shamir.htm

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-fisica-moderna-e-o-shamir/

A Consciência Genética

O sistema nervoso central, incluindo o cérebro, assim como todo o resto do corpo foi projetado pelo código interno da molécula de DNA após milhares e milhares de anos de evolução e seleção natural. Esta mesma molécula é a que hoje envia sinais através do RNA mensageiro para informar ao organismo o que este deve fazer: Cresça cabelos ruivos, tenha olhos azuis, fique de pé e comece a andar, comece a falar, encontre um companheiro, tenha um filho. A nossa vida inteira já esta determinada no interior desta nossa fita de acido desribonucleico

Esses arquivos de DNA sempre ficaram acessíveis á perscruta cerebral consciente, mesmo séculos e séculos antes de Darwin, Mendel, Crick e Watson. Enquanto estávamos despertos a consciência genética sempre esteve acessíveis na forma dos arquétipos do inconsciente coletivo em mitos e metáforas da cultura humana de diferentes povos. Enquanto estávamos dormimos esta mesma consciência buscava um contato mais pessoal conosco por meio de sinais interiores traduzidos dentro de nossos próprios sonhos. Desesperadamente os genes pareciam quere se comunicar.

Quando esta integração genética é feita consciente, mente o individuo atinge o que ouso chamar de consciência genética. Por milhares de anos este estado resultou em místicos,  poucos e sábios, mas recentemente isso parece estar se tornando algo cada vez mais organizado. Esta consciência que ultrapassada os limites do individuo, recebeu diversos nomes em diferentes períodos da história, mas quase todos que dela provaram se referiam a um estado de iluminação, da luz do mundo, de despertar ou de uma nova consciência.

Os primeiros a alcançarem a consciência genética, há alguns milhares de anos, interpretavam como podiam suas experiências, falavam de vidas passadas, anjos, duendes, reencarnações, deuses e  imortalidade, retorno dos mortos, etc. Que esses antigos adeptos genéticos estavam falando de algo real, na melhor das linguagens à disposição em suas épocas, é indicado pelo fato de que muitos deles, especialmente os Hindus e os Sufis, forneceram visões poéticas maravilhosamente corretas da evolução, milênios antes de Darwin e previram a busca da superação da condição humana muito antes das obras de Nietzsche.

Os Gregos chamaram a consciência genética de “a visão de Pã”. Os Chineses de o grande “Tao”, os Hindus de “Consciência de Atman”, traduções que ainda hoje geram no mínimo um silêncio respeitoso pelo mais convicto dos céticos. As figuras numinosas que inspiram  espanto e respeito, aquelas figuras de um “Deus Sublime” ou de “Deusas ou Demônios” que aparecem nos estágios iniciais dessa tomada de consciência, correspondem aos arquétipos de Jung do inconsciente coletivo, e são reconhecidos como os “visitantes do mundo dos sonhos”, pelos primitivos ou “os Sidde” pelas bruxas, assim como o “Povo Estranho” em centenas de tradições populares.

Jung mostrou que todos estes arquétipos não são oriundas de mundos exteriores, espirituais e metafísicos, mas sim frutos de uma redução mínima para a qual retorna todo o organismo incluindo o ser humano e sua mente racional e criativa. Os Deuses não eram  algo posterior ao mundo, mas algo anterior ao corpo e ainda presente nele. Conhece a ti mesmo e conhecerás o teu Senhor ensinou o Islamismo, enquanto a tradição cristã apregoava “O Reino dos Céus está dentro de Você”.. A consciência genética surge exatamente quando o sistema nervoso central torna-se consciente de sua ligação com os genes.

Gurdjieff denomina esta conexão entre o Sistema Nervoso Central e o DNA como Centro Emocional Superior, o inconsciente filogenético do Dr. Stanislaus Grof e a “Hipótese Gaia” dos biólogos Margulis e Lovelock são três metáforas modernas que juntamente com o Inconsciente coletivo de Jung buscam explicar esta maneira de pensar. As visões da evolução passada e futura, descritas  por aqueles que tiveram experiências transpessoais durante o trauma da morte clínica, das ditas experiências “próximas da morte” também descrevem de certa forma este paradigma genético.

No entanto exercícios especiais para desencadear o despertar do ser humano como um  aglomerado de genes não são encontrados no ensinamento iogue: geralmente tal experiência meramente acontece , quando acontece, depois de muitos anos de prática esmerada daqueles tipos avançados de raja ioga, que desenvolvem o êxtase somático. Estudos do Timoth Leary Phd demonstram que altas doses de LSD  também desencadeiam visões da consciência genéticas, ainda que temporárias.

De qualquer forma após milênios de tentativas de contato por parte dos genes somente com a ciência contemporânea esta realidade foi melhor compreendida, como sendo arquivos genéticos ativados pela excitação das proteínas anti-histonas – ou em termos forçosamente metafóricos, a “memória” do DNA se desvelando de volta até o início da vida, contendo também as plantas genéticas para possíveis evoluções futuras.

“Eu sou Ele, que foi, que é, e que será” uma sentença do Livro Egípcio dos mortos, tanto  na forma hieroglífica como na caligrafia ocidental foi encontrada na mesa onde de Beethoven compôs a Nona Sinfonia, e toda a música posterior “evolucionárias”, abrangendo períodos  de tempo da ordem de eras . Vale lembrar que Beethoven era um Maçon Livre adorava o único Arquiteto Cósmico e seu objetivo a imortalidade.  Pode-se julgar disto tudo e da sua própria música que Beethoven havia aberto sua consciência genética.

Aqui habitam os arquétipos primordiais, muito mais antigos que a própria linguagem e ainda assim, mais novos que o amanhã.  São todos personificações dos genes como a grande Mãe celta, o Baphomet dos templários, “O Grande Arquiteto Cósmico” da maçonaria ou o Bebê no Ovo azul no final do filem de Stanley Kubrick, 2001. Essas imagens não são delírios poéticos de povos ou de indivíduos. Elas reaparecem nos sonhos dos indivíduos ( o mito pessoal da noite) e nos mitos de todos os povos ( sonhos impessoais das espécies) e, uma vez e sempre nas estórias de anjos e Ufos. Jesus e Cristo, Sidarta e Budha, O Ser Humano e a Entidade Planetária; em outras palavras O Sistema Nervoso e o DNA.

Joyce em o Desperar de Fennegan explica a lógica do consciência genético assim: “Esses anos e terras nossos, nada mais são que poeira de tijolos. Somos humanos e humus da mesma massa e retorno. No limiar do pão nosso de cada dia jaz o cadáver da colheita de nosso pai fecundo que cairá se preciso mais inadvertidamente se reerguerá.”. Nosso pai fecundo, a semente o código genético, e o ovo, a sabedoria celular manda o sinal ao longo das épocas. Numa metáfora semelhante o geneticista ganhador do Prêmio Nobel, Herbert Muller diz: “Todos somos robôs gigantes manufaturados pelo DNA para produzir mais DNA.” Para o individuo as quebras da cadeia de vida/morte/vida/morte são extremamente reais e dolorosas: para a sabedoria do Pai Semente.  A unidade contínuo da vida/morte/vida morte… é uma realidade maior.

Este estado permite  ao cérebro individual “conversar” com o arquiteto  evolucionário que projetou o seu corpo e – com bilhões e bilhões de outras pessoas, desde o início da vida.  Esta “arquiteta” é a maior projetista sobre este planeta como Buck Fuller comentou repetidamente  nenhum projetista humano já se igualou a sua eficiência ou mesmo em sua estética em produtos rotineiros como rosas, ovos, colônias de insetos, peixes, etc…

De forma menos poética, seja ao humanizarmos este arquiteto numa Grande Mãe ou num Deus das Florestas. Ou animalizarmos num ser com cabeça de chacal, como um Louca deus Divino, como uma tribo africana. Ou ainda se o espiritualizarmos  em algo totalmente abstrato como os Hindus e os Cientistas Cristãos , estamos apresentando apenas uma visão  humanizada deste ser de três bilhões de anos  de idade. Quando o molecularizamos  como DNA, estamos ainda vendo apenas uma seção transversal do mesmo, mas fazemos isso simplesmente porque esta é até agora a sua versão mais útil em termos de análise científica.

Ele ou Ela pode ser personificado em termos modernos como Mãe DNA ou Pai Acido Nucléico. O Racionalista imediatamente repudia tais personificações humanizadas,  uma vez que Ele ou Ela é inconsciente do que faz é um fenômeno não inteligente. A resposta em todas as eras é a de que Ele ou Ela não está inconsciente mas sim intoxicado em si próprio, embriagado em sua própria imensidão.

Mas se julgarmos a inteligência pela capacidade de sobreviver, o pool genético é mais inteligente do que qualquer pessoa, por um fator de vários milhares, mesmo se considerarmos os gênios. Einstein não era tão inteligente quanto o povo judeu quando este é considerado de forma coletiva.  Ele formulou a lei da relatividade e foi esperto o suficiente para escapar dos Nazistas. Os Judeus historicamente criaram dezenas de idéias tão importantes quanto a relatividade e sobreviveram a centenas de “progons”.

A espécie  humana é ainda mais inteligente do que pool genético. Vive milhões de anos a mais do que qualquer individuo, muitos milhares de vezes mais do que qualquer pool genético e é autora de muito mais arte, ciência, filosofia e conquistas do que qualquer outro grupo especifico. A biosfera – Gaia – O código do DNA é ainda mais inteligente do que todos os indivíduos, pools genéticos e espécies. Sobreviveu a tudo que lhe foi atirado  contra ela por cerca de quatro bilhões de anos e está ficando cada vez mais esperta o tempo todo. Pela humanidade dispõe de um olho cada vez melhor com que ver e julgar sua trajetória, como nunca antes e está se preparando gradualmente para abandonar esse planeta e expandir-se pelo universo.

Beethoven , para cita-lo mais uma vez disse: “Qualquer pessoa que compreenda minha música não mais será infeliz.”, Isto acontece porque  a sua música é uma melodia da consciência genética da mesma forma que os Upanishads são uma poesia da consciência genética, representa o espírito da Vida tornando-se consciente de Si mesmo, dos Seus poderes, das suas próprias capacidades para progresso infinito.

Para aqueles que ainda não passaram pela experiência genética por meios pessoais e religiosos espera-se que com o decorrer dos anos uma compreensão maior da natureza nos forneça os subsídios para ligarmos essa consciência através da própria razão e da ciência. Quando isso acontecer a visão religiosa será esclarecida pelo que realmente é e todos os deuses e mitos da antiguidade retornaram como velhos amigos do tempo de infância revelando-se agora sob seus verdadeiros nomes.

Seja como for a maneira como isso aconterá, estaparece uma hipotese cada vez mais próxima com o passar dos anos. A religião cada vez mais se curva para a ciência e a ciência a cada instante parece se tornar tão fascinante quando qualquer misticismo. Qualquer que seja o nome dado a este movimento que trará a consciência genética para as grandes massas com ele virá à compreensão em grande escala do papel da humanidade como parte um todo muito maior.  A raça humana terá então abandonado sua infância e estará livre para expandir-se e crescer com seus genes para as fronteiras mias distantes do espaço infinito. Quando isso acontecer, então a aventura da vida terá finalmente começado e todo adulto será um Cristo e toda  criança será um messias.

EXERCICIOS

1 – Faça uma lista e pelo menos 15 semelhanças entre São Paulo (ou qualquer outra cidade grande)  e uma colônia de insetos, tal como uma colméia ou um formigueiro. Se você não puder pensar em quinze alternativas, procure ler o livro Sociobiologia de Edward Wilson. Contemple a informação do DNA, que criou estes enclaves de alta coerência e organização, seja na sociedade dos primatas ou dos insetos.

2 – Leia os Upashads e todas as vezes que ler a palavra “Atman” ou “Alma do Mundo” traduza como “Fita Mestre do DNA” Veja se isto lhe faz ler esta tradição antiga com maior sentido.

3 – Observe seus próprios sonhos, quanto se seu conteúdo poderia ser atribuído a mensagens de seu próprio código genético quanto a incongruências de seu próprio comportamento cotidiano em relação a vontade deste “Pai Fecundo”.

4 – Jung e vários dos seus discípulos  como Coleman, Steiger e Fideler, sugeriram que da mesma forma que as mitologias clássicas, os mitos modernos dos UFOS são mensagens deste circuito de DNA coletivo dirigidas ao cérebro.  O que significam tais mensagens? O que é que o filamento de DNA poderia estar querendo dizer a humanidade?

5 – Releia o encontro de Moisés com o “Eu Sou o que Sou” no deuteronômio. Tente ler com a interpretação de que Moises estava falando com seu própria consciência genética. Quais os interesses da sarsa ardente em relação ao povo hebreu?

6 – Dedique um tempo a prática da DNA-Vidência

Robert Anton Wilson

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