Häxan – Uma Especulação Cult

O terceiro fator reside no impacto romântico dos escritos de Jules Michelet, Charles Godfrey Leland e K. J. Huysmans, o que em última instância criou uma adoção respeitosa de títulos que antes eram passivos como movimento de contra-cultura, numa espécie de rebelião à opressão e miséria impostas pelo cristianismo.O quarto fator é o padrão de repetição histórica: o estereótipo do Sabbath das Bruxas foi definido como uma congregação (por vezes chamada de “Sinagoga de Satã”, já que concomitantemente judeus eram tão condenáveis quanto bruxas) de homens e mulheres antropófagos. Alegadamente eles se reuniam em luxuriosos banquetes noturnos nos quais crianças eram servidas como prato, onde adoravam o Diabo e se lançavam a qualquer tipo de promiscuidade ou de atos criminosos. Mas acusações semelhantes já haviam sido feitas no passado, contra os bogomilos (cujos aderentes sobreviventes compõem a ancestralidade do que hoje conhecemos como Bruxaria Tradicional Basca), cátaros e valdenses. Aparentemente, a sociedade sempre temeu e odiou aqueles que estavam às margens do caos ordenado do homem comum.Na época da concepção do filme, ainda se acreditava que a histeria era a causa do sonambulismo e da cleptomania, o que hoje sabemos não ser verdadeiro. Até mesmo a idéia do que é a histeria mudou. No capítulo 7 do filme fica claro que todas as terminologias e exemplos que o filme utiliza são fundamentados na psicanálise. Como em 1:41h do filme, quando uma personagem diz ser atentada por forças desconhecidas, que tanto nos remetem ao imaginário da Idade Média de demônios, como a perspectiva psicanalista das forças ocultas doinconsciente. E quem eram as histéricas da psicanálise?

As histéricas eram a grande atração médica do final do século XIX. Mulheres que apresentavam convulsões, delírios, paralisias e falas desconexas. Nos séculos da Idade Média poderiam até serem consideradas possessas, mas não numa época demarcada pela franca ascensão do Positivismo enquanto doutrina, quando o ceticismo e a Ciência estavam dispostos a provar que tudo não passava de doenças nervosas e que não havia nada de sobrenatural. O problema é que o buraco era mais embaixo: Na histeria não há nenhuma alteração fisiológica no campo da neuroanatomia (pelo menos era o que se acreditava e havia se constatado na época).

Como lidar então com isso? Como poderia a Ciência materialista explicar esses fenômenos que afetavam um número grande de mulheres (e eventualmente homens) das mais diferentes classes sociais? Pois bem, é importante sinalizar que estamos no século XIX, muito antes de movimentos feministas, uma época em que as mulheres tinham um papel subserviente aos homens. Muitos médicos da época, diante da incapacidade do tratamento orgânico, alegaram que a histeria era uma doença de fingimento, chegando a fazer piadas como que o remédio para a histeria era “penis normalis dosim repetatur”, ou seja, pênis normais em doses constantes. Mas veja como é interessante: essa frase dita por um eminente médico da época em tom jocoso estará sendo mais tarde postulação central para a obra de Freud.

E já que Freud entrou em nossa história, o fundador da psicanálise também estava muito intrigado por essa doença quando foi para a França estudar com Martin Charcot sobre o fenômeno da histeria. Charcot utilizava o método da hipnose para o tratamento das histéricas, pois uma vez em transe hipnótico, ele ordenava para que elas tivessem os seus sintomas curados, e enquanto elas permaneciam em transe, seus sintomas desapareciam. Eram braços paralisados que voltavam a se movimentar, pessoas com falas desconexas que conseguiam construir uma história… Mas uma vez que o transe terminava, os sintomas retornavam.

Freud vai relacionar a doença nervosa com a sexualidade. A repressão da atividade sexual é vista como desencadeadora de fatores patogênicos, algo que até faz sentido para a realidade do século XIX, e imagine então para uma Idade Média onde a sexualidade é vista como pecado! Para o fundador da psicanálise, a civilização se repousa sobre a supressão das pulsões, pois para podermos viver em sociedade, cada indivíduo renuncia a uma parte de seus atributos, que pode ser uma parte de seu sentimento de onipotência, suas inclinações vingativas ou agressivas de sua personalidade. É, entretanto, indispensável certa quantidade de satisfação sexual direta e qualquer restrição dessa quantidade poderia estar se relacionando com a neurose. É preciso ressaltar aqui que não apenas nisso reside a neurose para Freud, pois há toda uma relação das vivências infantis de um indivíduo com a sua constelação familiar, a história do ser humano como espécie, as estratégias que inconsciente desenvolve para manter seu funcionamento, mas pelo que o filme vem a tratar no capítulo 7, não é necessário continuarmos nesta linha.

No tratamento da histeria, Freud vai então abandonar a hipnose e adotar o método de associação livre (esse mesmo conhecido da pessoa que deita-se no divã, fica falando coisas aleatórias e eventualmente é questionada pelo psicanalista). Para a “cura”, ele irá se aproveitar do fenômeno da transferência, um fenômeno caracterizado pelo investimento da autoridade em uma figura, dando um poder inconsciente a este significante. O fenômeno da transferência também seria comum às curas xamãnicas, passes espíritas e supostos pastores evangélicos que fazem curas milagrosas.

A histeria não é nenhum grande mal ou uma doença extraordinária. Na verdade, grande parte da população seria histérica, pois para Freud, todos os ditos “normais” são na realidade neuróticos, não havendo alguém totalmente saudável. Entretanto, segundo os psicanalistas, possivelmente com o movimento de liberação sexual dos anos 60, sintomas mais extremos não são tão freqüentes. Mas os comportamentos característicos de histeria ainda hoje seriam observáveis, segundo os mesmos. De qualquer modo, cabe questionar ainda se histeria seria realmente uma doença, ou algo que os existencialistas chamam de “uma forma de estar no mundo”. Cairíamos em uma simplificação grotesca e num discurso normativo se pensarmos apenas em patologias. É válido também destacar que ao invés de pensarmos em possibilidades que vêm para se excluir, podemos imaginar que são fatores que aparecem para somar. Ao invés de pensarmos que se é uma coisa ou outra, pode ser uma coisa e outra.

Desde que toda a natureza e qualquer forma de prazer carnal pertenciam ao domínio de Satanás, e assim não é difícil entender o apelo dos licenciosos Sabbaths das Bruxas, e que muitas das tais “histerias coletivas” nos conventos tenham sido gerados a partir da repressão sexual, em especial nas vidas monásticas impostas às mulheres daquela época. Também não é difícil entender o apelo do Sabbath quando se está lidando com toda a opressão, doença e miséria que marcaram todo o período medieval. As próprias crenças que o ser humano cria para se relacionar com o Divino são importantes fatores que marcam um determinado contexto. Reduzir o fenômeno que chamamos de ‘bruxaria” apenas a uma doença é um erro do filme, um esforço cético baseado em conceitos psicanalíticos para a explicar os fenômenos sobrenaturais aos nossos olhos não acostumados para compreender essas situações.

Apesar das falhas contextuais no filme, existem ali elementos interessantes, como feitiços escatológicos, as danças circulares e a referência clara aos ungüentos de vôo. Não só isso, o filme firmemente aponta o dedo para o modo em que as mulheres velhas e feias eram (e em muitos casos ainda são) tratadas, bem como os maltratos que os pacientes psiquiátricos são sujeitos ainda hoje nas instituições que deveriam estar tratando deles. Só por isso, já vale a pena assistir este filme.

Por Katy de Mattos Frisvold – Espelho de Circe e Igor Teo – Artigo Dezenove

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» Veja o filme Häxan no YouTube (legendado)

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/h%C3%A4xan-uma-especula%C3%A7%C3%A3o-cult

Qual a diferença do HKT 1.5 para o HKT 2 ?

Muitas pessoas têm escrito perguntando qual a diferença entre o Hermetic Kabbalah Tarot 1.5 (recém lançado), o Hermetic Kabbalah Tarot 1 (o primeiro) e o HKT 2 (lançado ano passado). Neste post, farei uma breve explanação sobre cada um deles, suas diferenças e semelhanças, para que você possa se decidir qual seria o melhor a ser utilizado.

Hermetic Kabbalah Tarot 1

Lançado em 2013, o Tarot da Kabbalah Hermética contém todas as informações para a utilização dos Arcanos como PORTAIS, a serem usados no Altar Pessoal do Mago e para trabalhos envolvendo Anjos cabalísticos e Demônios Goéticos. Ele é o deck oficial do Arcanum Arcanorum e pode ser usado também como Guia de estudos da Árvore da Vida, Correspondências Cabalísticas e, claro, como Oráculo. Como o processo de se criar e imprimir um tarot é MUITO caro, ainda mais na qualidade que escolhemos (cartas de PVC, com 111x72mm, tamanho original do Thoth Tarot de Crowley), preferimos fazer uma tiragem menor primeiro e arrecadar o dinheiro para uma impressão comercial do Tarot.

De forma a brindar esta idéia, imprimimos apenas 300 decks na primeira edição, em homenagem aos Bravos Guerreiros de Esparta que acreditaram na idéia em primeiro lugar (no final, foram 330 decks). Estes 330 decks tinham o verso diferenciado das edições posteriores, o que fará deles, além de tudo, objetos de colecionador.

Antes de lançar a primeira edição, acreditávamos que a maioria dos decks fosse comprado pelo pessoal mais avançado em tarot, mas ocorreu um fenômeno contrário. Muitos novos estudantes adquiriram o deck. Para facilitar mais este aspecto (e por consequência o uso oracular), foram adicionados símbolos planetários nas Sephiroth, a relação dos elementos na Escada de Jacó, o nome das Runas e uma marca d´agua baseada na edição original do Rider-Waite-Smith.

Isso dá ao HKT 2 uma familiaridade a mais para quem já possui literatura especializada e para quem faz uso oracular da ferramenta. Como muitos dos que compraram o deck já tinham a primeira edição, não havia mais a necessidade de um deck em PVC; já existia a ferramenta para uso magistico e ritualístico. Entra agora a ferramenta que se foca no campo dos estudos, simbolismo e tiradas. Outro fato importante é reduzimos o custo desta edição, pois o HKT 2 é impresso em Papel Laminado (padrão Europeu) no formato LoScarabeo. Com isso, seu preço final ficou em R$ 75,00

Você pode comprar ambos na LOJA DE RPG, entre outras coisas bacanas como os Posters da Árvore da Vida, do Lamen Rosacruz, a Enciclopédia de Mitologia e os livros de hermetismo para crianças da Lilith, Isis e Hércules.

#hermetismo #KabbalisticTarot #Tarot

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James Randi e seu Famigerado Desafio Paranormal…

Carl Sagan, um falecido cético membro fundador do CSICOP e amigo de James Randi, se referiu a Randi nesses termos em seu livro “O Mundo Assombrado Pelos Demônios” (1995): “Como todos nós, ele (Randi) é imperfeito: às vezes Randi é intolerante e arrogante, incapaz de empatia para com as fraquezas humanas que estão por baixo da credulidade.” (páginas 226 e 227 da edição brasileira, Companhia das Letras, 1997).

Isso dito acima é a chave para a decifração do Enigma James Randi.

Randi tem tido uma atuação bastante benéfica sobre a sociedade, ao militar feroz e diligentemente contra os pseudo paranormais tipo Thomas Green Morton e Uri Geller. Há uma outra face de Randi que não é benéfica para a sociedade. A face onde ele atua como pseudo cético, exagerando das críticas e deboches às alegações de paranormalidade.

Randi possui o famoso “Desafio Paranormal“, onde oferece um milhão de dólares para quem provar ser um paranormal real. Há muitos problemas nesse desafio. Os termos do desafio deixam o candidato em uma situação por demasiado frágil, pois que ele terá que permitir que Randi use o material (colhido por Randi nas investigações) da maneira que Randi quiser e, ao mesmo tempo, se comprometer a não processar Randi por nada do que vier a ser feito (cláusulas 3 e 7 do documento do desafio paranormal, neste link). Isso escancara as portas para o deboche, o escárnio, e, na linguagem da malandragem, o “esculacho” de Randi para com os “paranormais” incautos… (coisas que Randi simplesmente adora fazer!). Que problema há nisso? Bem, na verdade nenhum problema se Randi estiver testando o Super Homem, o Quarteto Fantástico, ou mesmo o Uri Geller e o Thomas Green Morton. Contudo, se Randi estiver testando as “alegações de anomalia estatística em sistemas aleatórios subatômicos hipoteticamente devido a psicocinese da mente humana sobre tais sistemas” (como é alegado pelos pesquisadores psi do PEAR), então a coisa fica bem complicada. Os esculachos de Randi passam a ser altamente danosos para o avanço do conhecimento científico nessas áreas já tão maculadas por preconceitos indevidos. O aval de Randi também não significaria nada nessas áreas, pois que mesmo Ray Hyman, amigo cético de Randi e consultor dele para questões estatísticas, lembra que em ciência não se estabelece uma verdade com apenas um teste, seja ele ministrado por Randi, Einstein, ou George Bush.

E o grande problema é que Randi tenta se meter em pesquisas como as do PEAR e similares, levando junto toda a sua cabedal bagagem esculachante.

Randi também é muito citado pela sua participação “decisiva” na investigação que a prestigiada revista científica Nature fez em 1988 nos laboratórios do pesquisador francês Benveniste, que alegava ter evidências empíricas da validade das medicações homeopáticas. Na verdade, a participação de Randi no episódio foi nula. Ele se limitou a atestar que não havia fraude do tipo detectável por ele. Além disso, ele mesmo agiu em um momento da investigação onde ele poderia ter fraudado os resultados de Benveniste, por ter sido ele (Randi) que abriu o envelope com os códigos. A atuação de Randi no episódio além disso se limitou a ficar fazendo brincadeirinhas no laboratório. Os artigos que demonstram isso que eu digo estão disponíveis nestes PDFs abaixo:

Artigo 1
Artigo 2 – O Mais Importante!
Artigo 3

Um caso também interessante é o livro de Randi, Flim Flam. O pesquisador Puthoff alegou que havia 24 erros de Randi ao comentar as pesquisas parapsicológicas de Puthoff com Uri Geller. Randi rebateu dizendo que só havia um erro (e ainda prometeu mil dólares caso estivesse errado). De minha leitura da página de Randi onde ele explica o caso, fica claro que Randi cometeu bem mais que um erro somente (ainda que bem menos que 24). Pinóquio Puthoff. Pinóquio Randi…

Vejam como Randi começa a falar do caso em um de seus artigos em seu site:

http://www.randi.org/jr/042304seven.html#10

a very silent PHD

Ah, but wait! Puthoff says, “[Randi] admitted he was wrong on all the points.” That’s a lie, Dr. Puthoff, and it’s a knowing lie, a purposeful deception, a mendacity. I said no such thing, and today, as then, I stand by the 24 points you refer to — ALL of them. E pouco mais àfrente: Still dealing with just the above two paragraphs by Puthoff, so chock-full of misinformation: “[Randi] said that a film of the Geller experiment made at SRI by famed photographer Zev Pressman was not made by him, but by us and we just put his name on it.” Nowhere in my writing does such a statement or even an inference to that effect, appear. I’ve always believed that Pressman filmed the farce, and have never made the statement that Puthoff quotes.

O escritor Michael Prescott investigou esse caso, leu o livro de Randi, Flim Flam segunda edição, e contactou algumas pessoas envolvidas nisso. Segundo ele no link abaixo:

http://michaelprescott.freeservers.com/FlimFlam.htm

Randi certainly does make this an issue in Flim-Flam. According to Randi, Targ and Puthoff “appended to [the film] – without his knowledge or permission – the name of Zev Pressman, the SRI photographer who had shot the film…. Pressman, said Targ and Puthoff, was present during [a particular series of] experiments. Not so, according to Pressman…. Most damning of all, Pressman said to others at SRI that he had been told the successful [tests] were done after he (Pressman)* had gone home for the day. So it appears the film was a reenactment … Pressman did not even know that Targ and Puthoff were issuing a statement, he did not sign it, and he did not give them permission to use his name. He knew nothing about most of what appeared under his name, and he disagreed with the part that he did know about.” (Italics in original.)

Prescott ainda informa que no livro The Geller Effect, o autor Playfair atesta que Pressman de fato desmentiu Randi. Neste livro está escrito: , “[Randi] turned, in a later book, Flim-Flam, to the professional photographer who had made the film, a Stanford employee named Zev Pressman, with an extraordinary series of unfounded allegations…. “Pressman flatly denied all of Randi’s allegations in two public statements, neither of which was even mentioned in the 1982 reissue of the book. ‘I made the film,’ said Pressman, ‘and my name appeared with my full knowledge and permission . . . Nothing was restaged or specially created . . . I have never met nor spoken to nor corresponded with Randi. The ‘revelations’ he attributes to me are pure fiction.‘”

Prescott ainda informa que obteve de Scott Rogo, famoso pesquisador parapsicológico, confirmação de que Rogo também perguntou a Pressman sobre o caso, obtendo confirmação da mentira de Randi.

Prescott obteve uma terceira fonte que confirma Puthoff nisso, contra Randi.

O caso é que Randi se baseou em informações que lhe foram passadas, segundo Randi, por pessoas que trabalhavam no SRI. Randi nunca disse quem eram essas pessoas, pessoas essas que, misteriosamente, temem imensamente serem identificadas… (apesar de se tratar de um caso bem trivial).

O link onde Randi trata a questão mais completamente é o abaixo:

http://www.randi.org/jr/043004bad.html#4

boring boring boring

É nesse link acima que aparece uma carta de Puthoff, de abril de 2004, onde Puthoff reproduz a fala de Randi prometendo mil dólares a uma instituição de caridade se Puthoff provasse estar certo em um ponto qualquer dos 24. Randi não negou que tivesse prometido isso!

Além disso, nos quatro pontos abaixo eu achei que Randi de fato errou, e bastante… (do mesmo link acima, boring boring boring):

Acusação 7 de Randi em Flim Flam (p 34): After reprinting the Nature editorial Randi claims that he must give his own version of SRI paper, as SRI did not make paper available to him.

Puthoff rebate: SRI paper to which he refers was in same magazine as the editorial he reprinted, a few pages later … a document in the public domain, available in any technical library, permission for the use of which is obtained from the magazine as was done for the editorial.

Randi apresenta sua tréplica: I was not aware the paper was “public domain.” I would rather have published the original. It was damning. I asked permission of SRI, but was never answered. That says something, I think.

Meu Comentário: É impossível que Randi não soubesse que a revista Nature possui os direitos autorais do artigo, e que ele poderia conseguir junto a ela qualquer permissão que fosse necessária. Randi está mentindo nesse ponto.

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Acusação 8 de Randi (p. 37): There was no way that I could get to see the SRI film. Only the elite of the world of science and journalism were invited (to the Columbia symposium).

Puthoff rebate: The Columbia symposium was widely known to be an open symposium to which any interested individual could come and for which no invitations were required.

Randi apresenta sua tréplica: Hearing of the film, I tried to contact Dr. Gerald Feinberg, at Columbia, who sponsored the showing. I was unable to do so, and was unaware that it was an open showing. In any case, I certainly was not invited, in spite of my widely known interest.

Meu Comentário: Randi está reclamando de não ter recebido um convite formal e personalizado para o evento. Ele diz, em Flim Flam, que não houve maneira dele conseguir ver o filme, e que somente uma elite foi convidada. Se ele de fato tivesse tentado ver o filme, tivesse se interessado e se informado a respeito do evento no “Columbia Symposium”, ele teria sabido que é um evento público ao qual ele poderia ir. O argumento de Randi é infantil e mentiroso.

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Acusação 9 de Randi (p 37): Randi would have the reader believe that the compass sequence and spoon-bending sequence of the SRI film “Experiments with Uri Geller” are examples of where SRI scientists were taken in by magic tricks.

Puthoff rebate: With regard to the compass sequence the film narration states: “The following is an experiment which in retrospect we consider unsatisfactory as it didn’t meet our protocol standards. Here the task is to deflect the compass needle . . . However, according to our protocol, if we could in any way debunk the experiment and produce the effects by any other means, then that experiment was considered null and void even if there were no indications that anything untoward happened. In this case, we found later that these types of deflections could be produced by a small piece of metal, so small in fact that they could not be detected by the magnetometer. Therefore, even though we had no evidence of this, we still considered the experiment inconclusive and an unsatisfactory type of experiment altogether.”

With regard to the spoon-bending sequence, the film states: One of Geller’s main attributes that had been reported to us was that he was able to bend metal. . . In the laboratory we did not find him able to do so. . . [It] becomes clear in watching this film that simple photo interpretation is insufficient to determine whether the metal is bent by normal or paranormal means . . . It is not clear whether the spoon is being bent because he has extraordinarily strong fingers and good control of micro-manipulatory movements, or whether, in fact, the spoon ‘turns to plastic’ in his hands, as he claims.”

Randi apresenta sua tréplica: Yes, the film contains a disclaimer. Then why, gentlemen, were these “inconclusive and . . . unsatisfactory” sequences included in a “scientific” film at a leading university in this official unveiling of the wonders of the “Psychic World” discovered at Stanford Research Institute, a leading center of scientific endeavor? To add glamour and to fluff up a very poor effort, obviously. The film belongs with the Mack Sennett epics.

Meus Comentários: Randi admite que o filme continha o alerta de que nem o dobramento da colher e nem o desvio da bússola haviam sido comprovados pelos pesquisadores. Ficou claro que Randi exagerou, mentiu, nesse ponto em seu livro Flim Flam. Mas… ele não quer admitir. Veja que ele substitui a acusação inicial (to be taken in by Geller, ou seja, foram enganados por Geller) pela acusação de sua tréplica (to add glamour, ou seja, os pesquisadores não estavam mais sendo enganados, e sim estavam querendo adicionar glamour ao filme…). A diferença da acusação inicial, to be taken in, para a acusação final, to want to add glamour, é simplesmente astronômica. Randi mente.

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Acusação 16 de Randi (p. 59): In previous tests in Israel, a psychologist agreed to examine Geller’s claims, with the agreement that if the results were not positive, no report would be issued . . . Did Geller have the same arrangement with the boys at SRI before he agreed to be tested there? I’ll bet he did!

Puthoff rebate: Negative results on compass deflection and metal bending are reported in the SRI film “Experiments with Uri Geller,” Columbia Physics Colloquium, March 6, 1973, and negative results on metal bending and 100-envelope clairvoyance test are reported in Nature, October, 1974.

Randi apresenta sua tréplica: Notice that T&P refuse to answer direct questions! Here they skirt the implication, never saying that they did not have any such arrangement with Geller. To have no negative tests — a 100 percent success — would be too good. (I’ll still bet that Geller had the boys over a barrel with such an arrangement!)

Meus Comentários: Puthoff claramente prova que não tinha nenhum acordo com Geller de ocultar resultados insatisfatórios. Ele diz que relatou o insucesso de Geller em atuar sobre uma bússola. Isso é altamente importante, se lembrarmos que Geller é o homem que conserta relógios quebrados só de olhá-los… Apesar disso, Randi insiste como se Puthoff tivesse tal acordo de ocultação de insucessos com Geller. Randi mente mais uma vez.

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Randi mentiu nos quatro itens acima, e mentiu também com relação ao fotógrafo Pressman. Além disso, ele mesmo admitiu estar errado em um dos 24 pontos. Isso dá seis erros dele (ou seis mentiras, se formos rigorosos). Em 24 pontos isso não é nada discreto… (e as instituições de caridade ainda estão esperando pelos mil dólares que ele prometeu dar).

Quer dizer então que de cada quatro afirmações de Randi podemos esperar que pelo menos uma seja mentira? A mim fica claro que sim.

Randi então é uma pessoa que possui virtudes, e que possui uma atuação social importante. Mas também é uma pessoa que incorre em grosserias contraproducentes, desnecessárias, e perigosas, e é também uma pessoa que manipula informações, joga com mentira, etc.

Esse é James Randi. O resto, é Ilusionismo…

Autor: Julio Cesar de Siqueira Barros

#Ceticismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/james-randi-e-seu-famigerado-desafio-paranormal

O Nome Al-Azif, De Onde Vem e o Que Significa

Al Azif

Em sua “História do Necronomicon” Lovecraft inicia com: “Título original Al Azif – sendo Azif a palavra usada pelos árabes para designar os sons noturnos (feitos por insetos) que supostamente seriam os lamentos dos demônios”. Novamente em Cartas Selecionadas II ele diz: “O livro foi o resultado da idade avançada de Abdul, durante esse período ele viveu em Damascus e o título orignal, Al Azif — azif sendo o nome aplicado para esses estranhos ruídos da noite (de insetos) os quais eram comparados com os lamentos e bramidos dos demônios pelos árabes.

É curioso, entretanto, que a única vez que usou este nome em sua ficção foi em sua revisão do texto de Adolphe de Castro “The Last Test” (diferente de muitas de suas ‘revisões’, este texto foi realmente escrito por De Castro); no conto o cientista louco grita em determinada parte: “Cuidado, todos vocês–! Existem poderes contra os seus poderes — Eu não fui à China a troco de nada, e existem coisas no AZif de Alhazred que não eram conhecidas em Atlântida!”

O significado de azif nesse contexto não é inteiramente claro. Uma especulação, que indica que o livro foi inspirado pelas vozes ouvidas por Alhazred fazem sentido, se levarmos em conta sua reputação de “Poeta Louco” e as crenças árabes que existiam na época em que ele viveu.

Ainda uma diferente interpretação surge quando se consideramos que Lovecraft sabia da origem do termo. Ele afirma ter derivado a palavra de uma nota escrita sobre a tradução feita por Henley de Vathek de Beckford. O texto comentado pela nota segue abaixo:

Os bons mulçumanos se diziam ouvir o zumbido taciturno dos insetos noturnos como o presságio do Mal, e insitiram a Vathek para ter cuidado com a maneira com a qual sua sagrada pessoa se aventurava .

A nota segue:

É observado que no quinto verso do Nonagésimo Primeiro Salmo, “O Terror à Noite” é apresentado como, na antiga versão inglesa, “the bugge by night” (O Inseto a Noite, O Inseto de Noite). Nas primeiras regiões colonizadas na América do Norte, todos os insetos voadores de qualidades nóxias era (assim como é até o dia de hoje) chamado de ‘Bug’, e foi dai que saiu o termo ‘bugbear’, o bicho papão, que leva o terror por onde passa. Beelzebub, ou Senhor das Moscas, era uma imagem dada ao Demônio e acreditavasse que o som noturno, chamado pelos árabes de azif, era o lamento dos demônios. Análogo a isso existe uma passagem no Comus, como estava presente em sua versão original:

But for that damn’d magician, let him be girt
With all the grisly legions that troop
Under the sooty flag os Acheron,
Harpies and Hydras, or all the monstruous buggs
‘Twixt Africa and Inde, I´ll find him out.

Disso podemos deduzir que os ruidos a que se referem é algo ininteligível, e faria com que a tradução mais acurada do título fosse algo como The Bug (O Inseto); mais precisamente The Hum (O Zumbido), The Humming (O Zumbir), The Buzzing (O Zunido) ou The Rustling (O Ruído Sussurante); ou, não tão literalmente, The Omen (O AUgúrio) ou The Portent (O Mau Presságio). Respeitosamente nós nos abstemos de sugerir Humbug (que significaria A Fraude, A Tapeação, mas não tem nada a ver com insetos [n.t.]), como a verdadeira tradução.

De qualquer forma a palavra não é realmente um termo árabe. A origem da nota de Henley é desconhecida. Existe, entretanto, uma palavra árabe aziz cujo significado é “zunido, ribombo (como o do trovão)” e outros ruídos e zumbidos em geral.

A forma variante Kitab al-Azif nunca foi usada por Lovecraft e aparentemente surgiu nos anos 70. A palavra Kitab simplismente significa “livro” em árabe, e aparece em vários títulos nessa língua. Aqueles que a adicionaram provavelmente tinham um livro específico em mente: Kitab-al-Uhud, ou Livro do Poder, escrito por Abdul-Kadir e identificado com um livro supostamente ditado a Salomão pelo demônio Asmodeus. Hoje só se conhecem uma cópia deste livro, que foi rastreada pelo expert Sufi Idries Shah, que escreveu sobre sua busca em Oriental Magic (1956). Esse texto é mencionado em duas versões do Necronomicon, na de Simon e na de Hay-Wilson-Turner-Langford.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/o-nome-al-azif-de-onde-vem-e-o-que-significa/

Goécia, Kiumbas e os demônios de verdade

Postado no S&H em 3/9/2008.
Já estava com saudades de escrever para o Sedentário. Estas semanas sem parar na correria da Bienal e todas as palestras para lançamento da Enciclopédia de Mitologia praticamente acabaram com o meu (pouco) tempo livre e prejudicaram um pouco o cronograma do Teoria da Conspiração. Para manter a constância, tenho publicado textos de amigos meus e ocultistas famosos no meu Blog pessoal.
Mas esta semana retornaremos às atividades normais.

Dando continuidade à série “Desmistificando os Demônios”, falaremos agora sobre as entidades hostis que habitam o Plano Astral. Para entender o que se passa, você precisará ler primeiro os textos “O Diabo não é tão feio quanto se pinta”, “Belzebu, Satanás e Lúcifer”, “Zaratustra, Mithra e Baphomet” e “666, the Number of the beast”. Nestes textos, eu explico detalhadamente de onde surgiu cada um dos alegados “demônios” inventados pela Igreja Católica e copiados ad nausea pelas Igrejas evangélicas e caça-níqueis que se vê por ai. Porém, esta explicação precisou fazer um parênteses porque não seria possível continuar a explicação sobre manifestação de entidades astrais no Plano Físico sem explicar primeiro o que é o Plano Astral. Então chegamos a uma “mini-série” onde expliquei o que é e como funciona o Plano Astral. Esta série está nos textos “Yesod – Bem vindo ao Deserto do Real”, “Thanatos”, “Hecate”, “Hermes”, “Morpheus” e “Caronte”, que explicam as cinco interações do Plano Físico com o Astral.
Sei que é um bocado de texto para ler, mas tenho fé em vocês, jovens leitores. E muito do que eu falei em colunas anteriores, sobre Pirâmides, Círculos de Pedra e Chakras estão interligados com estas manifestações físicas das entidades astrais.

A Goécia e os 72 demônios de Salomão
Apesar de ser atribuído ao rei Salomão – que, segundo o folclore judaico, tinha o poder de controlar os demônios do céu, da terra e do inferno -, o texto da Clavícula não tem nada a ver com o legendário soberano judeu. Pela estrutura da composição do texto, ele deve ter sido escrito por volta do sec. XII d.C. provavelmente na região do Império Bizantino, que herdou boa parte do conhecimento clássico e helenístico, inclusive no que se refere ao esoterismo.
Muitos dos títulos usados nos textos (Príncipes, Duques, Barões…) não existiam nos tempos bíblicos e, portanto, não poderiam ter sido usados naquela época.
O Lemegeton Clavicula Salomonis, na minha opinião, se trata de uma compilação dos 72 “espíritos das trevas”, que deveriam fazer a contraparte dos 72 anjos cabalísticos, ou derivados dos nomes de Deus (falarei sobre isso no futuro, por ora chega de textos sobre kabbalah).
Como todos os tratados de magia medieval, a Clavícula descreve um procedimento ritualístico bastante complexo, com a utilização de toda uma parafernália cerimonial de robes, pantáculos, amuletos e talismãs, que devem ser confeccionados seguindo à risca as precisas instruções contidas em cada capítulo. Um leitor moderno que vá ler o texto à procura de um manual prático ficará decepcionado – pode-se dizer o que for dos rituais seguidos pelos magos medievais, menos que eles são práticos. Mesmo problema, aliás, do Livro de Abramelin. E não ajudam nada as constantes advertências de que o menor erro pode fazer com que a alma do mago seja arrastada para o inferno pelas entidades que ele tentam imprudentemente evocar.
E quais seriam estas entidades?

Bem… para entender o que estes magos estavam invocando, precisamos retornar um pouco no tempo e estudar as magias cerimoniais e tribais africanas (ou nossa contraparte moderna da Umbanda, Condomblé, Wodun, Santeria, Vodu e ritos caribenhos de invocação dos mortos). Ou mesmo entender o fenômeno das mesas girantes estudadas pelo maçon Allan Kardec ou as tábuas de Oui-ja do século XVIII-XIX. Embora mais “educados” em suas aparições para a fina nata européia, todos os princípios acima lidam com basicamente a mesma coisa: a manifestação de seres espirituais no Plano Físico.

Sabemos que as entidades que vivem no Astral são basicamente o MESMO tipo de pessoa que vive no Plano Físico; apenas não possuem um corpo de carne ou as limitações que possuímos aqui. Sendo assim, a índole e a moral destas pessoas varia da mesma maneira que a índole e a moral das pessoas que estão vivas. E o trabalho dos feiticeiros ou magistas consiste em chamar e contratar as pessoas certas para realizar o trabalho desejado.

No Plano Material, quando temos um problema de hidráulica em casa, contratamos um encanador para resolver o problema; se o problema é na fiação, chamamos um eletricista; se estamos doentes, chamamos um médico; e assim por diante…
No Plano Astral, a coisa funciona da MESMA MANEIRA.
Quando um xamã indígena realiza um ritual de invocação de um “espírito ancestral” para, por exemplo, ajudar no tratamento de uma pessoa doente, é exatamente isso que ele está fazendo: entrando em comunicação com os antigos médicos da tribo que examinarão a pessoa e dirão o que há de errado com ela.
Quando um Guia em um templo de umbanda ou candomblé examina uma pessoa, ele está observando as alterações e distúrbios na aura (campo eletromagnético) e sugerindo algum tratamento para sanar aquele problema.

No mundo físico, se alguém precisar “eliminar” um oponente, pode contratar os serviços de um matador de aluguel. Claro que isso é considerado criminoso, anti-ético, ilegal, etc… mas é uma possibilidade que existe!
No Mundo Astral, acontece a mesma coisa. Pode-se contratar os serviços de pessoas especializadas em separar casais, manipular a índole das pessoas, quebrar objetos, atrapalhar negócios ou até mesmo aleijar, adoecer ou mesmo matar um outro ser vivente. Nenhuma surpresa.

No mundo físico, os bandidos se agrupam em gangues, com símbolos, ritualísticas próprias (máfia russa, tríade, yakusa, etc.), vestem máscaras para não serem identificados e usam do terror e intimidação para impor respeito e medo nas suas vítimas (como por exemplo, nas armaduras samurai japonesas). No Plano Astral ocorre a exata mesma coisa. Como o duplo-etérico (perispírito) é MUITO mais maleável do que nossa pele física, é possível modificar e transformar nossa estrutura espiritual para ficarmos com a aparência que desejarmos, o que inclui chifres, garras, dentes afiados e qualquer outra coisa que você pensar que vá assustar os crentes. E eles sabem disso e usam destas modificações astrais como maneira de intimidação, desde sempre.

Na antiguidade, os médiuns videntes eram capazes de enxergar estas formas e dos relatos delas surgiram as descrições que tradicionalmente associamos aos demônios, como asas, chifres, dentes, garras, rapo, espinhos e tudo mais. Outros assumem formas animalescas como lobos ou serpentes; outros ainda assumem formas vampíricas, monstruosidades ou deformidades (eu vi certa vez no astral um ser extremamente pálido, quase albino, careca, vestindo um robe negro, que possuía 6 olhos avermelhados no rosto, quatro do lado direito e dois no esquerdo, uns sobre os outros, e que ficavam piscando de maneira desordenada…). Também há entidades que se utilizam de correntes, pregos, ganchos, piercings, espetos e toda forma de agressões e auto-mutilações sado-masoquistas que você puder imaginar (Clive Barker certamente inspirou-se nestes seres para criar os cenobitas nos seus livros da série “Hellraiser”). O Baixo-Astral ou Baixo-Umbral está repleto deste tipo de criaturas.

Nos cultos afros, chamam estas entidades de Kiumbas, de onde vem a palavra quimbanda, ou “magia negra”. No kardecismo, chamam estas entidades de “obsessores” ou “espíritos trevosos”, no hermetismo chamamos estas entidades de “seres goéticos”. Tome muito cuidado com a mistureba que a mídia e os cristitas fazem com os cultos africanos:
UMBANDA , CANDOMBLÉ e QUIMBANDA são religiões bem diferentes entre si, embora os cristitas misturem tudo e chamem de “Macumba”.

E o termo “magia negra” é utilizado errôneamente, pois não há “cor” na magia, existe o uso que se faz da magia. Assim como o gênio da lâmpada na história de Aladin, estas entidades fazem o que o magista as comandar.
O ritual e toda a ritualística envolvida serve para se entrar em conexão com as entidades astrais. Para tanto, os magistas dividem as ritualísticas de invocação e evocação em três tipos: a Teurgia, a Magia Natural e a Goécia.

A Teurgia lida com os anjos e com os seres de luz, lida com os 72 nomes de Deus, com suas manifestações, com as sephiroth da Kabbalah e com os Salmos bíblicos (sim, crianças, mais uma vez a Bíblia se mostra extremamente valiosa para o estudante de ocultismo).
A Magia Natural lida com Elementais (gnomos, ondinas, silfos e salamandras), orixás, Exus, Devas, Asuras, Djinns, Efreetis e outras criaturas da natureza.
E finalmente, a Goécia lida com os seres do baixo-umbral.

Tendo os rituais certos, nos dias e horários certos, consegue-se contatar estas criaturas; mas apenas contatá-las: é como ter à mão o telefone do Cabeleira e do Zé Pequeno. O Ritual apenas chama estas entidades, o segundo passo é negociar com elas o preço do serviço. E não usei o Zé Pequeno de exemplo à toa… negociar com estas entidades é como negociar com os traficantes do “Cidade de Deus”, você nunca sabe o que poderá acontecer.

Acho que com isto conseguimos fechar a série desmistificando os demônios. Se tiverem alguma dúvida deixem nos comentários que eu tento responder aqui mesmo ou, se for o caso, abro uma nova sessão de “Perguntas e Respostas”.

#Goécia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/go%C3%A9cia-kiumbas-e-os-dem%C3%B4nios-de-verdade

Os fantasmas fluídicos e seus mistérios

Eliphas Levi

Os antigos davam-lhes diferentes nomes. Eram larvas, lêmures, empusas. Gostavam do vapor do sangue derramado, e fugiam do gume do gládio. A teurgia evocava-os, e a cabala conhecia-os sob o nome de espíritos elementares. No entanto, não eram espíritos, pois eram mortais. Eram coagulações fluídicas que se podiam destruir, dividindo-as.

Eram espécies de miragens animadas, emanações imperfeitas da vida humana: as tradições da magia negra as fazem nascer do celibato de Adão. Paracelso diz que os vapores do sangue das mulheres histéricas povoam o ar de fantasmas; e essas idéias são tão antigas que as encontramos em Hesíodo, que defende expressamente fazer secar diante do fogo roupa branca manchada por uma poluição qualquer.

As pessoas obcecadas pelos fantasmas geralmente estão exaltadas por um celibato muito rigoroso, ou enfraquecidas por excessos de devassidão.

Os fantasmas fluídicos têm os abortos da luz vital; são mediadores plásticos sem corpo e sem espírito, nascidos dos excessos do espírito e dos desregramentos do corpo.

Esses mediadores errantes podem ser atraídos por certos doentes que lhes são fatalmente simpáticos, e que lhes emprestam, às suas expensas, uma existência factícia mais ou menos durável. Servem, então, de instrumentos suplementares para as vontades instintivas desses doentes: nunca, todavia, para curá-los, sempre para desviá-los e aluciná-los mais.

Se os embriões corporais têm a propriedade de tomar as formas que lhes dá a imaginação das mães, os embriões fluídicos errantes devem ser prodigiosamente variáveis e transformar-se com uma surpreendente facilidade. Sua tendência a darem-se um corpo para atrair uma alma faz com que condensem e assimilem, naturalmente, as moléculas corporais que flutuam na atmosfera.

Assim, ao coagularem o vapor do sangue, refazem sangue, o mesmo sangue que os maníacos alucinados vêem escorrer nos quadros e nas estátuas. Mas não são os únicos a vê-lo. Vintras e Rose Tamisier não são impostores nem vítimas de alguma ilusão; o sangue escorre realmente; médicos examinam-no; analisam-no; é sangue, verdadeiro sangue humano: de onde vem? Pode ter se formado espontaneamente na atmosfera? Pode sair naturalmente de um mármore, unia tela pintada ou uma hóstia? Não, certamente; esse sangue circulou em veias, depois propagou-se, evaporou-se, dessecou-se, o soro tornou-se vapor, os glóbulos poeira intangível, o todo flutuou e voltejou na atmosfera, depois foi atraído para a corrente de um eletromagnetismo especificado. O soro voltou a ser líquido, retomou e embebeu novamente os glóbulos que a luz astral coloriu, e o sangue escorreu. A fotografia é prova suficiente de que as imagens são modificações reais da luz. Ora, existe uma fotografia acidental e fortuita que opera, segundo as miragens errantes na atmosfera, impressões duráveis em folhas de árvores, na madeira e até no coração das pedras: assim formam-se as figuras naturais a que Gaffarel consagrou várias páginas em seu livro Curiosidades Inauditas, as pedras a que ele atribui uma virtude oculta, e que denomina gamahés; assim traçam-se as escrituras e os desenhos que tanto surpreendem os observadores dos fenômenos fluídicos. São fotografias astrais feitas pela imaginação dos médiuns com ou sem a ajuda das larvas fluídicas.

A existência dessas larvas nos foi demonstrada de modo peremptório por uma experiência bastante curiosa. Várias pessoas, para testar o poder mágico do americano Home, pediram-lhe que evocasse parentes que elas alegavam ter perdido, mas que na realidade jamais existiram. Os espectros não faltaram a esse apelo, e os fenômenos que habitualmente seguiam-se à evocação do médium manifestaram-se plenamente.

Essa experiência por si só bastaria para convencer de credulidade deplorável e de erro formal os que crêem na intervenção dos espíritos nesses fenômenos estranhos. Para que mortos retornem, é preciso antes de mais nada que tenham existido, e demônios não seriam tão facilmente enganados por nossas mistificações.

Como todos os católicos, acreditamos na existência dos espíritos das trevas; mas sabemos também que o poder divino lhes deu as trevas por prisão eterna e que o Redentor viu Satã cair do céu como um raio. Se os demônios nos tentam é pela cumplicidade voluntária de nossas paixões más, e não lhes é permitido afrontar o império de Deus e perturbar, por manifestações tolas e inúteis, a ordem eterna da natureza.

Os caracteres e assinaturas diabólicos, que se produzem à revelia dos médiuns, evidentemente não são provas de um pacto tácito ou formal entre esses doentes e as inteligências do abismo. Esses signos serviram em todos os tempos para exprimir a vertigem astral e permaneceram no estado de miragem nos reflexos da luz extraviada. A natureza também tem suas reminiscências e envia-nos os mesmos signos com relação às mesmas idéias. Não há nisso nada de sobrenatural nem de infernal. “Como quer o senhor que eu admita”, dizia-nos o pároco Charvoz, primeiro vigário de Vintras, “que Satã ousa imprimir seus hediondos estigmas nas espécies consagradas e tornadas o próprio corpo de Jesus Cristo?” Declaramos logo que nos era igualmente impossível pronunciarmo-nos a favor de semelhante blasfêmia; no entanto, como demonstramos em nossos folhetins do jornal O Estafeta, os signos impressos em caracteres sangrentos nas hóstias de Vintras, regularmente consagradas por Charvoz, eram os que, na magia negra, são absolutamente reconhecidos como as assinaturas dos demônios.

As escrituras astrais são freqüentemente ridículas ou obscenas. Os pretensos espíritos, interrogados sobre os maiores mistérios da natureza, respondem muitas vezes com uma expressão grosseira tornada heróica, segundo dizem, nos lábios militares de Cambronne. Os desenhos que os lápis traçam por si sós reproduzem com freqüência essas figuras priápicas informes, que o pálido vadio, para servirmo-nos da pitoresca expressão de Augusto Barbier, desenha assoviando ao longo dos muros de Paris, prova recente do que adiantamos, isto é, que o espírito não preside de nenhum modo a essas manifestações e que seria soberbamente absurdo reconhecer aí sobretudo a intervenção dos espíritos desligados da matéria.

O jesuíta Paul Saufidius, que escreveu sobre os usos e costumes dos japoneses, narra um caso muito interessante. Um grupo de peregrinos japoneses, atravessando um dia um deserto, viu aproximar-se um bando de espectros em igual número ao seu e que caminhava no mesmo passo. Esses espectros, no princípio disformes e semelhantes a larvas, tomavam ao se aproximarem a aparência do corpo humano. Logo, encontraram os peregrinos e misturaram-se a eles, deslizando em silêncio por entre as fileiras, então os japoneses viram-se duplos, tendo cada fantasma se tornado a imagem perfeita e como que a miragem de cada peregrino. Os japoneses aterrorizados prosternaram-se, e o bonzo que os conduzia pôs-se a orar por eles com grandes contorções e em altos brados. Quando os peregrinos se levantaram, os fantasmas haviam desaparecido e o grupo devoto pôde continuar livremente seu caminho. Esse fenômeno, que não colocamos em dúvida, apresenta as duplas características de uma miragem e de uma projeção repentina de larvas astrais, ocasionadas pelo calor da atmosfera e esgotamento fanático dos peregrinos.

O doutor Brière de Boismont, em seu curioso Tratado das Alucinações, conta que um homem perfeitamente sensato, e que jamais tivera visões, foi atormentado uma manhã por um terrível pesadelo. Viu em seu quarto um macaco enorme, horrendo, que rangia os dentes e fazia as mais hediondas contorções. Acordou sobressaltado, era dia claro; saltou da cama e ficou apavorado ao ver realmente o medonho objeto de seu sonho. O macaco estava lá perfeitamente idêntico àquele do pesadelo, igualmente absurdo, igualmente assustador e fazendo as mesmas caretas. O personagem em questão não podia acreditar em seus olhos; permaneceu cerca de meia hora imóvel, observando
esse singular fenômeno e perguntando-se se estava com febre alta ou se estava ficando louco. Aproximou-se, enfim, do fantástico animal para tocá-lo e a aparição dissipou-se.

Cornelius Gemma, em sua História Crítica Universal, conta que em 454, na ilha de Creta, o fantasma de Moisés apareceu para alguns judeus na praia; trazia na fronte seus chifres luminosos, na mão sua vara fulminante, e convidava-os a segui-lo apontando-lhes o horizonte na direção da Terra Santa. A notícia desse prodígio espalhou-se, e uma multidão de israelitas precipitou-se em direção à margem. Todos viram, ou imaginaram ter visto, a maravilhosa aparição: eram em número de vinte mil, no
dizer do cronista, que supomos ter exagerado um pouco. Logo as cabeças esquentam-se, as imaginações exaltam-se; acredita-se num milagre mais extraordinário do que foi outrora a travessia do mar Vermelho. Os judeus formam-se em colunas cerradas e correm em direção ao mar; os últimos empurravam os primeiros com frenesi: acreditavam ver o suposto Moisés caminhando sobre as águas. Foi um terrível desastre: essa multidão quase toda afogou-se, e a alucinação só se extinguiu com a vida da maioria desses infelizes visionários.

O pensamento humano cria o que imagina; os fantasmas da superstição projetam sua deformidade real na luz astral e vivem dos próprios terrores que os conceberam. Esse gigante negro que estende suas asas do oriente ao ocidente para ocultar ao mundo a luz, esse monstro que devora as almas, essa aterrorizante divindade da ignorância e do medo, numa palavra, o diabo, ainda é, para uma multidão de crianças de todas as idades, uma aterradora realidade. Em nosso Dogma e Ritual da Alta Magia, representamo-lo como a sombra de Deus, e dizendo isso ocultamos ainda metade de nosso pensamento; Deus é a luz sem sombra. O diabo é apenas a sombra do fantasma de Deus! O fantasma de Deus! Esse último ídolo da terra; esse espectro antropomórfico que se torna maliciosamente invisível; essa personificação finita do infinito; esse invisível que não se pode ver sem morrer, sem morrer ao menos em inteligência e em razão, pois que para ver o invisível é preciso estar louco; o fantasma do que não tem corpo; a forma confusa que é sem formas e sem limites: eis o que adora sem saber a maioria dos crentes. Aquele que é essencialmente, puramente, espiritualmente, não sendo nem o ser absoluto, nem um ser abstrato, nem a coleção dos seres, numa palavra, o infinito intelectual, é muito difícil de se imaginar! Assim, toda imaginação a seu respeito é uma idolatria, é preciso nele crer e adorá-lo. Nosso espírito deve calar-se diante dele e apenas nosso coração tem direito a dar-lhe um nome: Pai nosso!

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/os-fantasmas-fluidicos-e-seus-misterios/

Seria o TdC uma Sociedade Secreta?

cebola

Com o projeto do livro de Kabbalah Hermética chegando em sua reta final, sinto que também está na hora de dar um passo adiante com o Blog também. Nestes últimos 9 meses eu estive bastante ausente em termos de escrever textos de ensinamentos aqui, embora, na verdade, estava extremamente ocupado escrevendo textos de ensinamentos para o Livro! Depois de mais de 8 anos publicando textos sobre praticamente TUDO o que se pode imaginar dentro do Hermetismo, Alquimia, Maçonaria, Umbanda, Rosacruz e trocentos outros assuntos, chega uma hora que a maioria das perguntas do tipo “onde eu acho algo sobre X?” já foi respondido em algum post dentro dos 3.000 publicados.

Então, vou tentar uma nova fórmula que acho que deve ser bacana e, ao mesmo tempo, me forçará a escrever novamente com constância. Usar o Blog como “Blog”, contando causos, debatendo sobre assuntos aleatórios relacionados ao Hermetismo, Cultura Pop, resenha de filmes que tenham assuntos iniciáticos e coisas assim… e vocês me ajudam sugerindo tópicos nos comentários ou nas postagens do Facebook.

Hoje vou falar um pouco sobre um tema que bombou na lista de debates do facebook: Afinal, o TdC está caminhando para se tornar uma Sociedade Secreta?

A Resposta mais honesta seria: Talvez sim. Mas não do jeito que você imagina.

A verdade é que existem inúmeros Círculos de Compreensão dentro do Hermetismo e que de uma certa maneira, eu preciso ser capaz de conversar com cada um destes Círculos de maneira diferente. Geralmente, quanto maior o Círculo, mais leigas são as pessoas e mais diluída precisa ser a mensagem, senão a quantidade de chorume ignorante que vai chover sobre os textos nos comentários não está no gibi. Comecemos com dois exemplos bons:

O Mundo profano

1 – Quando eu vou em algum programa tipo “Superpop”, sempre aparece algum idiota para xingar “Ah, mas olha lá o deldebbio no Superpop! Nenhum mago sério toparia ir naquele programa que só tem abobrinha”… o que é de certa maneira um espelho do próprio preconceito e arrogância de quem diz esse tipo de coisa. Programas populares de auditório escolhem pautas XYZ por causa da popularidade, depois buscam no google se tem algum expert para falar sobre aquilo. Se o cara diz “não”, eles ligam pro próximo, e pro próximo, e pro próximo, ATÉ ALGUÉM ACEITAR. Muitos idiotas da net acham que bastaria falar “não” que o programa não aconteceria e que poderíamos escapar desta exposição, mas simplesmente não é verdade. Então eu prefiro mil vezes ir em um programa do Superpop, ou Regina Casé, ou Faustão ou o que seja para falar sobre Hermetismo do que deixar que eles escolham algum tosco fantasiado de dr. Estranho ou Constantine pra falar besteiras. Eu sei que eu me garanto e que, em vinte anos de entrevistas, já tenho tarimba para sacanear quem acha que vai nos sacanear. E cada programa destes atinge 400.000 famílias (é gente pra caramba!) e, se eu articular direito e levantar a curiosidade da maneira certa, aqueles que tem um QI maior que o de um funkeiro vão buscar algo no Google… e não são poucos! Lembro que da última vez que fui no Superpop, fui reconhecido até por caixa de supermercado uma semana depois do programa! É uma chance de ouro de defender o hermetismo nas grandes massas.

2 – Quando eu escrevo ou publico algo no mundo geek/nerd, geralmente entrevistas relacionadas com RPG ou cinema, procuro ficar mais nos assuntos de mitologia, ou utilizar elementos da magia dos universos de fantasia para trazer aqueles com QI maior que o de um orc para dentro do blog. Apesar de ser um círculo mais fechado, ainda tem muito retardado com o ego de crianças de 12 anos no meio Rpgístico e que se melindra com qualquer coisa, ainda mais nestes tempos pós-modernxs. Ao longo de quase 20 anos, jogos como Arkanun, Trevas, Anjos e Demônios atraíram muita gente para o hermetismo. Pessoas que começaram a jogar com 10-15 anos e que hoje possuem 35-40 anos, já estão em ordens iniciáticas e/ou estudando.

Estes são os exemplos mais distantes das cascas da cebola, públicos onde a imensa maioria é composta de leigos, palpiteiros e “achadores” de egos imensos, mas é a primeira filtragem. Em seguida, temos o próprio Blog do TdC, que começou como uma Coluna no site Sedentário e Hiperativo (uns 8 anos atrás, hoje o foco do site são vídeos e memes). Nos tempos do Sedentário cada postagem na Coluna chegava a 40.000 visualizações, o que ainda é um número gigantesco, porém mais afinado com a egrégora.

Podcasts e Entrevistas
Outro método excelente de abrir as portas aos buscadores é através de entrevistas e bate-papos em podcasts, sites e youtubers. Um vídeo como a palestra sobre A Kabbalah e os Deuses de Todas as religiões já foi visto mais de 80 mil vezes. Aqui tem uma lista com as melhores. Fora os excelentes podcasts do Descontrole (aliás, fica o convite: se você possui um podcast sobre qualquer assunto que seja e quiser bater papo comigo, é só me mandar um email ou mensagem no Facebook e marcamos). Estas conversas atingem públicos às vezes muito diversos do habitual e serve como porta de entrada para os textos do site. Acho que os livros e textos em PDF (especialmente o “Grande Computador Celeste” também ajudaram muita gente a chegar até as portas do Labirinto).

No TdC ocorre o que gosto de chamar de “Porta de Entrada”. São cerca de 10 mil visitantes por dia, cerca de 7 mil no post principal e 3 mil espalhados pelo que chamamos de “cauda longa”, que é movimentado principalmente pelos Sites de Busca e pelo alto Pagerank do TdC. Por ter material original e bem cotado, o Blog está sempre entre os primeiros sites (tirando os patrocinados e os esquisotéricos de portais gigantescos) e conseguimos manter um bom diálogo com a galera e começar a redirecioná-los para círculos mais específicos…

Os Primeiros Círculos costumam ser os Grupos de Hermetismo no Facebook, antigamente (em tempos de Orkut) tínhamos o Projeto Mayhem, mas com o tempo, a praticidade do Facebook fez com que o pessoal naturalmente migrasse de uma plataforma para outra. Nossos grupos de Facebook são moderados e bem cuidados. Não permitimos fakes nem trolls e qualquer problema com babacas gera advertência e banimento. Assim, conseguimos manter a qualidade mesmo dentro de um dos maiores grupos do Facebook do tema. E dentro destes Grupos, temos grupos menores relacionados à Kabbalah, Astrologia Hermética, Runas, Tarot e outros assuntos. Grupos mais fechados e mais selecionados, porque o nível dos debates também é mais complexo. Nestes grupos chegamos a 300, 400 pessoas no máximo.

Finalmente, temos nossos próprios grupos de estudo, onde você pode estudar sozinho e fazer os exercícios práticos em casa. São Monografias e relatórios, cada lição resolvida abre as portas para a próxima Monografia… Apesar de parecer simples e mais de 8 mil pessoas já terem pedido para entrar, menos de 10% sequer consegue chegar ao grau de Probacionista, onde a jornada começa. Aqui já temos uma Egrégora bem forte protegendo aqueles que resolveram se dedicar ao estudo da Alquimia, Hermetismo e busca pela Verdadeira Vontade.

Nesta caminhada, temos cursos presenciais de Hermetismo e, para os que não possuem finais de semana livre ou tempo disponível ou moram longe de São Paulo, estruturamos os Cursos de Hermetismo À Distância no Excelente site da Daemon Editora. o Conteúdo é rigorosamente o mesmo dos cursos presenciais e faço acompanhamento com apostilas e plantão de dúvidas. Aos poucos, fazemos o que está ao nosso alcance para ajudar, mas a Caminhada até o Santo Graal deve ser feita pelo Buscador.

Então, a conclusão é que depois de 22 milhões de pessoas visitando nosso site ao longo de 8 anos, cada uma destas pessoas ultrapassou o que conseguiu do próprio abismo. Muitas abriram, leram e entenderam tudo ao contrário e vão sair falando merda; muitas leram alguma coisa, mataram a curiosidade e retornaram às suas vidas; muitas leram alguns posts, até gostaram do que viram mas ficaram com preguiça de continuar e retornaram para as vidas normais; outros começaram a estudar alguma coisa; outros resolveram aprofundar os estudos; alguns entraram em ordens iniciáticas (muitas e muitas e muitas diferentes para poder citá-las todas aqui) e uma parte realmente avançou dentro destas ordens. Hoje tenho a felicidade de encontrar leitores do Arkanun/Trevas entre médicos, advogados, engenheiros, artistas, administradores; temos amigos dentro dos maiores graus de todas as Ordens no Brasil e em vários outros países…

O que nos leva à resposta do título: SIM, praticamente somos uma Ordem Secreta enraizada dentro da Cultura Pop, das Ordens Iniciáticas e de profissionais que estão no caminho para se tornarem os melhores profissionais que puderem ser. O quanto você pretende avançar na Árvore da Vida só depende de você!

Certo homem saiu para semear. Enquanto semeava, uma parte das sementes caiu à beira do caminho e os pássaros vieram e as comeram. Outra parte caiu no meio de pedras, onde havia pouca terra. Essas sementes brotaram depressa pois a terra não era funda, mas, quando o sol apareceu, elas secaram, pois não tinham raízes.

Outra parte das sementes caiu no meio de espinhos, os quais cresceram e as sufocaram. Uma outra parte ainda caiu em terra boa e deu frutos, produzindo 30, 60 e até mesmo 100 vezes mais do que tinha sido plantado. Quem pode ouvir, ouça.

– Matheus, 13

#Blogosfera

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/seria-o-tdc-uma-sociedade-secreta

O Necronomicon e a Antiga Magia Árabe

Os relatos de HPL do Necronomicon fornecem um número de paralelos dramáticos com mitos árabes verdadeiros e técnicas mágicas (Magick). Estes paralelos são muito específicos e detalhados para serem considerados um caso de coincidência. Muito do material nesta seção NÃO estava disponível em livros publicados em inglês antes de 1930. Isso parece significar que ou a informação foi dada à Lovecraft por alguém iniciado em tradições mágicas árabes ou Lovecraft tinha uma fonte escrita de informação sobre mitos e magia árabes não publicamente disponível. A segunda opção é um tanto plausível já que Lovecraft era um bibliófilo extraordinariamente erudito que amava mitologia árabe quando jovem.

Lovecraft quase que certamente tinha um livro não publicado, provavelmente raro, sobre mitos e magia árabes. Esta é a explicação mais econômica de como informações TÃO OBSCURAS sobre magia árabe podem ter aparecido em suas histórias. Lovecraft provavelmente possuiu um livro muito parecido com o Al Azif (Necronomicon) em conteúdo se não no título. Para algumas pessoas isto pode soar uma declaração difícil de se aceitar sem provas. Eu sou este tipo de pessoa. O motivo de eu estar fazendo esta declaração é porque eu sinto que é bem comprovada. Eu espero que você tenha esse sentimento quando terminar de ler este texto. Eu vou agora detalhar algumas destas raras informações, referidas acima, que conectam os relatos de HPL do Necronomicon e seus mitos com tradições místicas árabes reais.

HPL escreveu que o Necronomicon foi escrito por Abdul Alhazred, que era chamado de “Poeta Louco”. Alhazred visitou a cidade perdida “Irem dos Pilares” (o centro ou o culto de Cthulhu) e lá encontrou muitas coisas estranhas e mágicas. Lovecraft localizou Irem em Rub al Khali. Quando velho, Alhazred registrou o que ele lembrava em seu livro de poesia “Al Azif” (depois renomeado como Necronomicon).

Irem é muito importante para a magia árabe. “Irem Zhat al Imad” (Irem dos Pilares) é o nome da cidade em árabe. É popularmente acreditado pelos árabes que Irem foi construída pelo Jinn sob a direção de Shaddad, Senhor da tribo de Ad. A tribo de Ad, de acordo com a lenda, foi uma raça aproximadamente equivalente aos “Nefilins” (gigantes) hebraicos. Em uma versão deste mito Shaddad e o Jinn construíram Irem antes da época de Adão. Os Muqarribun (magos árabes) tem crenças importantes a respeito de Irem e seu significado. Os Muqarribun, cujas tradições pré-datam o Islamismo, acreditam que Irem é um local em outro nível de realidade, em vez de um lugar físico como Nova York ou Tóquio. (Porquê Irem é tão importante para os Muqarribun e como eles a usam será melhor explicado logo). Os pilares em “Irem dos Pilares” têm um significado secreto. Entre os místicos árabes, “pilar” é um nome-código para “ancião” ou “antigo”. Deste modo “Irem dos Pilares” é na verdade “Irem dos Antigos” (é digno de nota que vários estudiosos de Lovecraft erroneamente afirmam que HPL criou Irem, assim como dizem que ele criou o Necronomicon, como parte de sua ficção).

Nas lendas árabes, Irem está localizado em Rub al Khali assim como HPL disse que estaria. Para os Muqarribun, o Rub al Khali tem um significado “secreto” (incidentemente a arte de codificar e decodificar significados “secretos” na escrita árabe mística ou mágica é chamada de Tawil). Rub al Khali se traduz como “Quarteirão VAZIO”. Neste caso “Vazio” se refere à VAZIO como em AIN nas tradições cabalísticas. Rub al Khali é a porta “secreta” para o Vazio nas tradições mágicas árabes. É o exato equivalente árabe para DAATH na Cabala. Para os Muqarribun, o Rub al Khali é o portal (Daath) secreto para o Vazio (Ain) no qual se encontra a “cidade dos Antigos”. Isto é incrivelmente próximo de Lovecraft, que fez muitas referencias a um portal de conexão com os “Antigos”. Mais, Lovecraft, afirma que os Antigos vieram do Exterior (outra dimensão de realidade) e os ligou ao “vazio infinito”. Ao fazer essas afirmações a respeito dos “Antigos” e conectá-los ao Irem e ao Rub al Khali penetrou na justa essência de uma quase desconhecida (porém importante) área da antiga magia árabe. O que faz disso ainda mais interessante é que não há forma de saber sobre o significado “secreto” de Irem, a não ser que você faça alguma pesquisa séria sobre tradições místicas e mágicas árabes.

Desta forma Lovecraft ou fez uma das suposições mais sortudas da história ou de fato fez alguma pesquisa sobre os aspectos mais profundos das tradições mágicas dos Muqarribun (pelo que eu saiba não havia nenhum livro publicamente disponível com esta informação na época de Lovecraft). O “Rub al Khali” (não o deserto físico, mas o equivalente árabe de Daath) foi penetrado em um estado alterado de consciência pelos Muqarribun. Irem representa aquela parte do “Quarteirão Vazio” que age como uma conexão para O Vazio. É desse lugar (Irem) que a comunhão com o Vazio e no que ele habita acontece. Os “monstros da morte” e espíritos protetores que Lovecraft menciona são os Jinns (veja abaixo). O Muqarribun pode interagir com essas entidades quando ele está no “Rub al Khali” ou “Irem”. Quando o Muqarribun passa através de Irem para o Vazio ele alcança a Aniquilação (fana). Aniquilação é a suprema realização nos misticismos Sufi e Muqarribun. Durante a Aniquilação, o ser inteiro do mago é devorado e absorvido para dentro do Vazio. O “eu” ou a “alma” (nafs i ammara) é totalmente e completamente destruída no processo. Essa é provavelmente a fonte de histórias à respeito de demônios comedores de alma (associados à Irem) nas lendas árabes. Isso deve ser comparado à Lovecraft em “Through the Gates of the Silver Key” no qual Irem é um tipo de portal para o Exterior. Uma comparação próxima desta história com as idéias dos Muqarribun, discutidas acima, mostrará novamente que HPL tinha um conhecimento de magia árabe não disponível publicamente. Agora vamos considerar o título designado à Alhazred. HPL escreveu que o título de Alhazred era “Poeta Louco”. “Louco” é normalmente escrito como “majnun” em árabe. Majnun significa “louco” atualmente. Entretanto, no século oitavo (época de Alhazred) significava “Possuído por Jinn”. Ser chamado de Louco ou Possuído por Demônios era altamente ofensivo para um muçulmano ortodoxo. Os Sufis e os Muqarribun consideravam “Majnun” um título lisonjeiro. Eles até chegavam a ponto de chamar certos heróis Sufi de “Majnun”.

Os Jinns eram criaturas poderosas dos mitos árabes. Os Jinns, de acordo com a lenda, desceu do paraíso (o céu) antes do tempo de Adão. Portanto, eles existiram antes da humanidade e conseqüentemente são chamados de “Pré-adamitas”. “Pagãos gentios” veneravam estes incrivelmente poderosos seres. Os Jinns podem “gerar filhos com a humanidade”. Os Jinns são comumente invisíveis aos homens normais. Eles aparentemente querem grande influência na Terra. Muita da magia praticada concerne os Jinns (feitiços para se proteger deles, ou feitiços para chamá-los). Os Jinns são deste modo virtualmente idênticos aos Antigos de Lovecraft. Vamos analisar o título “Poeta Louco” um pouco mais. Os Jinns inspiram poetas nos mitos árabes populares. Por isso que Maomé foi tão veemente em negar que ele era um poeta. Ele queria sua revelação fosse compreendida como vinda de “Deus” e não dos Jinns. Então o título “Poeta Louco” indica que Alhazred fez “Contato” com os Jinns (Os Antigos).

Isso também sugere que seus escritos foram diretamente inspirados por eles. Isso é inteiramente consistente com o que Lovecraft escreveu sobre Alhazred. Qualquer um que não está familiarizado com magia e misticismo árabes não poderia saber o significado de “O Poeta Louco” em árabe. Isso de novo parece indicar que Lovecraft provavelmente teve uma fonte de informações raras sobre magia árabe. Lovecraft escreveu que o Necronomicon de Alhazred era um livro de poesia originalmente intitulado “Al Azif”. Isto também mostra uma conexão profunda com magia e misticismo árabes que não seriam aparentes à alguém não familiarizado com estes assuntos. Al Azif traduzido é “o livro dos uivos dos Jinns”. Este título é notavelmente consistente com o significado de “Poeta Louco” em árabe (Aquele Possuído pelos Jinn e Cujas Escritas São Inspiradas Pelos Jinns). É também importante que o Al Azif foi dito ser escrito em verso poético. O Necronomicon (Al Azif) dizia a respeito de assuntos religio-mágicos e místicos. Quase todos o livros em árabe sobre religião ou misticismo foram escritos como poemas. Isso inclui trabalhos ortodoxos (como o Alcorão) assim como escritos Sufistas e Muqarribun. O nome Cthulhu provê um paralelo importante e fascinante com a prática mágica árabe. Cthulhu é muito parecido com a palavra árabe Khadhulu (também soletrada “al quadhulu”). Khadhulu (al qhadhulu) é traduzido como “Desertor” ou “Abandonador”. Muitos Sufis e Muqarribun fazem uso deste termo (Abandonador). Em escritos Sufistas e Muqarribun, abandonador refere ao poder que estimula as práticas de Tajrid “separação externa” e Tafrid “solidão interior”. Tajrid e Tafrid são formas de “yoga” mental, usados em sistemas árabes de magia, para ajudar o mago a livrá-lo (abandonar) da programação imposta por sua cultura. Nos textos Muqarribun, Khadhulu é o poder que faz as práticas do Tafrid e Tajrid possíveis para o mago. Apesar de eu estar familiarizado com o uso de “abandonador” nos escritos árabes místicos e mágicos, eu não sabia que (até dois anos atrás) que Khadhulu aparece no Alcorão. Eu devo o conhecimento de que Khadhullu aparece no Alcorão à William Hamblin. No Alcorão, cápitulo 25 verso 29 (“Porque me desviou da Mensagem, depois de ela me ter chegado. Ah! Satanás mostra-se aviltante para com os homens!”), está escrito. “Humanidade, Shaitan é Khadhulu”. Este verso tem duas interpretações ortodoxas.

A primeira é que Shaitan vai abandonar os homens. A outra interpretação ortodoxa é que Shaitan causa os homens à abandonarem o “caminho correto do Islão” e aos “bons” costumes de seus ancestrais. O muçulmano ortodoxo veria esquecer a cultura Islâmica como algo pecaminoso e afrontoso. Entretanto, os Muqarribun e os Sufis, como já discutido, sentem que abandonar sua cultura é vital para o crescimento espiritual. A identificação de Shaitan da tradição Islâmica é muito importante. No tempo em que Maomé escrevia, Shaitan era chamado de “a Velha Serpente (dragão)” e o “Senhor das Profundezas”. A Velha Serpente ou Velho Dragão é, de acordo com especialistas como E.A. Budge e S.N. Kramer, Leviatã. Leviatã é Lotan. Lotan é ligado até Tietan. Tietan, como nos é falado pelas autoridades em mitologia do Antigo Oriente, é uma forma tardia de Tiamat. De acordo com especialistas o Dragão das Profundezas chamado Shaitan é o mesmo Dragão das Profundezas chamado Tiamat. Estudiosos especializados em mitologia do Antigo Oriente já declararam isso dessa vez e novamente. Porque isso é importante? Sua importância jaz no fato de que HPL descreveu Cthulhu como uma criatura draconiana e que está dormindo nas profundezas (oceano). Leviatã/Tiamat é também falado estar dormindo ou hibernando. A identificação de Shaitan, o Senhor Dragão das Profundezas, com Khadhulu no Alcorão é deste modo um paralelo muito fascinante com Lovecraft. A conexão de o “Abandonador” com o Dragão é um tanto fortalecido por uma linha do “Book of Anihilation”, um texto em árabe sobre magia. Esta linha traduz “o dragão é um abandonador pois ele abandona tudo que é sagrado. O dragão vai para lá e para cá sem pausa.” Enquanto esta linha é obviamente simbólica (provavelmente se refere à prática do Tafrid) ela de fato serve para estabelecer uma conexão entre o mito do Dragão do Antigo Oriente e Khadhulu na magia árabe. O antigo dragão das profundezas (Tiamat) tem origens que chegam até à Suméria. Suméria foi a mais antiga civilização que se saiba ter existido.

Se Khadhulu do misticismo árabe é sinônimo do Dragão da mitologia (cuja evidência sugere que possa ter sido) então Khadhulu foi venerado por um longo tempo. O numerosos paralelos entre Cthulhu e Khadhulu dos Muqarribun são fortes o bastante para sugerir que Lovecraft expandiu-se nos mitos árabes para criar sua divindade Cthulhu. Existem outras informações interessantes relacionadas ao Dragão das Profundezas (que se originou na Suméria) e Khadhulu. Esta informação possivelmente é uma simples coincidência. Por outro lado, pode não ser coincidência; simplesmente não há como confirmar ainda. É sobre um dos títulos do Dragão, nomeado Senhor das Profundezas. O título Senhor das Profundezas traduzido para o sumério é “Kutulu”. Kutu significa “Submundo” ou “Profundezas” e Lu é sumério para “Senhor” ou “Pessoa de Importância”. Vamos considerar isto por um momento: o Kutulu sumério é bem similar ao Khadhulu em árabe. Khadulu é associado com o Dragão em textos mágicos árabes.

Khadhulu também é identificado com o Antigo Dragão (Shaitan) no Alcorão. Um dos títulos deste Dragão (Senhor das Profundezas) é Kutulu em sumério. A palavra Kutu (“profundezas” ou “abismo”) é conectada com o dragão da mitologia suméria. De fato, o governante das Profundezas (kutu) na Suméria era o Antigo Dragão Mumu-Tiamat. Existe, como deve parecer, um bocado de conexão aqui e talvez isso indique que Kutulu e Khadhulu estejam na mesma categoria. Eu fiquei ciente pela primeira vez da similaridade “Porque me desviou da Mensagem, depois de ela me ter chegado. Ah! Satanás mostra-se aviltante para com os homens!” de Cthulhu e “Kutulu” lendo uma publicação de L.K. Barnes. Eu estava um pouco cético no começo, mas não descartei a informação. Em vez disso, eu pesquisei até eu conseguir confirmar todas as informações acima, relacionadas á palavra Kutulu. O fato de que a informação acima sobre Kutulu é exata e bastante sugestiva não PROVA nada. Isso, entretanto, por via de regra APÓIA a idéia que Kutulu /Khadhulu fez parte das tradições mágicas do Antigo Oriente por um longo tempo. A única coisa que poderia ser aceita como prova seria a descoberta, em um texto sumério, de uma menção direta do nome ou palavra Kutulu no contexto discutido. Até onde eu saiba, isso ainda não aconteceu. Até que aconteça (se acontecer) a equivalência Kutulu/Khadhulu terá que permanecer como tentativa.

Vamos examinar melhor o material sobre magia árabe.

Eu acredito isso leva a uma conclusão. Lovecraft tinha acesso à material raro sobre magia e mitos árabes. Ignorando a possível equivalência coincidente de Kutulu e Khadhulu, ainda existem evidências esmagadoras que sustentam essa proposta. Lovecraft empregou Irem de uma maneira que forma paralelos com o modo como os Muqarribun a empregavam antes desta informação estar geralmente disponível. O Rub al Khali (Roba al Khalye) é de verdadeira importância para os Muqarribun. Os Jinns são as exatas parelhas dos “Antigos”. A descrição de Lovecraft de Alhazred é BEM consistente com o significado árabe de “Poeta Louco” mesmo isso sendo geralmente desconhecido nos anos 1930. O Al Azif (o uivado dos Jinns) é obviamente relacionado ao título de Alhazred: “Aquele que é Possuído pelos Jinns e Cujos Escritos São Inspirados Pelos Jinns”. Al Azif sendo um livro de poesia é consistente com o fato de que quase todo escrito árabe místico ou profético eram poesias. A associação de Khadhulu com o adormecido Dragão das Profundezas é MUITO próxima do Cthulhu e Lovecraft que se deita Sonhando nas Profundezas (oceano). Até aonde eu sei, não havia nada disponível (impresso) sobre Khadhulu em inglês nos anos 1930. Tudo isso parece indicar que Lovecraft tinha uma fonte de informação sobre magia e mitos árabes não comumente acessível.

Parece que HPL se expandiu nesse material, dessa fonte, em sua ficção. Por favor, note que isso de jeito algum diminui sua considerável criatividade. As histórias de HPL são ótimas não por causa de poucos elementos isolados mas por causa do modo como Lovecraft pode juntar pedaços individuais em um só. Em adição do material acima, existem numerosas outras instâncias em que Lovecraft apropria-se das mitologias Árabe e do Antigo Oriente. Lovecraft provavelmente se expandiu sobre mitos Árabes e orientais quando criou seus Profundos e Dagon. Mitos árabes mencionam misteriosos homens-peixe vindos do mar de Karkar. Estes homens-peixe são provavelmente derivados dos mitos relacionados com o real deus do Antigo Oriente, Dagon. Dagon é a divindade filistina que se apresenta como um gigante homem-peixe. Dagon é a versão posterior do Oannes babilônio. Oannes (Dagon) era o dirigente de um grupo de homens-peixe divinos. O zoótipo do homem-peixe ainda tem um grande papel em alguns sistemas mágicos. Claramente Dagon e os Profundos são expansões diretas das mitologias Árabe e orientais que eram familiares à Lovecraft.

O Ghoul é outro óbvio exemplo de mitologia árabe inserida na ficção de Lovecraft. O Ghoul é derivado do Ghul árabe. O Ghul é uma criatura humanóide com traços faciais monstruosos. Habitam lugares desertos e desolados como cemitérios. Os Ghuls que habitam cemitérios se banqueteiam de cadáveres do local. Isso obviamente é a fonte dos Ghouls de Lovecraft. Até este dia o Ghoul comedor de cadáveres tem um papel dinstinto em práticas mágicas dos Árabes e outros.

A Cabra Negra dos Bosques com Mil Jovens pode ser traçada até o antigo Egito e Suméria. Enquanto tanto Egito como Suméria tiveram cultos à bodes, provavelmente a versão egípcia foi a mais influente. A então chamada Cabra de Mendes era uma encarnação “negra” de Asar. O culto era baseado na fertilidade. Aspectos destes cultos caprinos foram absorvidos por sistemas mágicos árabes. Por exemplo, a tribo Aniz era designada como a Cabra Anz. (Anz e Aniz são cognatos). Os Aniz eram chamados de Cabra porque seu fundador praticava magia baseada na fertilidade. O Símbolo deste culto é uma tocha entre dois chifres de Cabra. Este símbolo se torno importante para tradições mágicas ocidentais.

Texto Parker Ryan, Tradução A. Valente

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/o-necronomicon-e-a-antiga-magia-arabe/

Bathin – um ritual moderno de demonologia

A demonologia de certa maneira perdeu parte de sua força nos dias de hoje. Talvez o problema seja que com o tempo a “razão” tenha reinvidicado parte do território que antes pertencia à magia. Talvez em um mundo onde Freddy Kruegers, Aliens & Predadores ou Pazuzus estejam a 5 reais de distância de qualuqer pessoa disposta a ir a uma locadora, homens com rabos de pássaro que realizam desejos não tenham mais aquele apelo de horror. Talvez em uma sociedade global onde o humor vem de programas que repetem de novo, de novo, de novo, de novo, de novo e de novo, de novo, de novo, a mesma piada – e o salário ó! – ninguém tenha entendido a piada que Crowley fez na sua introdução às Chaves Menores de Salomão quando disse que o trabalho de evocações demoníacas são meramente uma forma de auto-descoberta psicológica.

Mas não vamos nos prender a explicações que apenas se tornariam mais uma forma de masturbação intelectual, vamos nos atentar aos fatos. A demonologia de fato perdeu parte de sua força nos dias de hoje; mas não perdeu seu poder. E assim começa nossa breve jornada.

24 horas atrás recebi uma notícia interessante que poderia ser traduzida na língua horoscopal:

“Vênus está regendo seu signo. Peso das responsabilidades e limitações quanto aos seus objetivos podem deixar você bem exausto. O dia pode ser exaustivo no setor profissional, muita dedicação para poder segurar as coisas a seu favor. Uma viagem inesperada pode mudar sua rotina.”

Isso acabou se concretizando como tudo o que o horóscopo afirma. Dizem que os astrólogos de hoje fazem suas previsões de maneira tão vaga que tudo o que acontece num dia pode ser visto como a concretização de sua conversa com os astros. Algumas pessoas dizem que isso é o charlatanismo em sua forma mais descarada. Eu digo que se alguém descobre como descrever um evento de forma que ele possa se refletir em qualquer desdobramento que possa acontecer então essa pessoa está fazendo magia.

Há tempos estou trabalhando com demonologia e uma forma não de trazê-la para os dias de hoje, mas de usar o conhecimento contemporâneo para expandi-la e fazê-la crescer. A notícia da viagem me ajudou a colocar a coisa em prática. Veja, os meus problemas eram simples, em uma mão uma maneira de ver como usar na prática uma forma não medieval de demonologia, na outra precisava viajar para a terra do ouro e mel e crises econômicas e não tinha um visto americano no passaporte. Assim pensei, vamos unir a fome com a vontade de comer.

Diferente de outros textos onde lemos como desenhar coisas no chão, ficar pelados, gritar nomes e pedir coisas, vamos ver agora como colocar na prática um ritual de evocação de um demônio e como colher os resultados práticos e diretos.

Antes de prosseguirmos, vamos responder a pergunta daquela linda garota de mini-saia lá no meio da sala: mas por que usar demonologia para conseguir um visto americano?

Ótima pergunta, ótima saia, pode ficar mais à vontade na cadeira se desejar.

Quando o seu chefe vira para você e te diz que você está com uma viajem marcada para Providência, na Ilha de Rhodes, para resolver o que quer que a empresa onde você trabalha quer que seja resolvido, você não simplesmente diz: “escolha outra pessoa, eu não tenho visto!” você se lembra do que o horóscopo previu e pensa, hora da dedicação para segurar as coisas a meu favor! E sai da sala do chefe e entra no site: www.visto-eua.com.br para ver como agendar a sua entrevista para conseguir o visto. E lá descobre que o consulado de São Paulo tem uma espera de pelo menos 112 dias – a entrevista para o visto sairia no início de janeiro de 2012. O consulado de Recife tem uma fila de espera de pelo menos 92 dias, e por ai a fora. Assim a maneira “legal” de se conseguir um visto que possibilite minha viajem para daqui a 12 dias já foi por água a baixo. Vamos ver a maneira ilegal de se fazer isso. Depois de uma hora falando com os mais diversos despachantes “ponta-firme-esse-faz-milagres”, termino sabendo que mesmo que pagasse R$700,00 reais não conseguiria nada para antes da segunda quinzena de outubro. Bem, outubro é bem depois de setembro, então não me adianta. Então chegamos em um ponto interessante da história, a magia.

Bem, o que temos hoje quando falamos de magia? Wiccans que se reúnem em parques e continuam realizando os festivais e trabalhando com suas plantas. Eventualmente realizando esse ou aquele feitiço. Magistas do Caos que buscam fazer rituais tão confusos que nunca vão saber se obtiveram êxito, ou então se mobilizando em mind fucks coletivos de cunho anti-social. Satanistas tentando incrementar a própria vida com sua baixa-magia social. Terreiros de macumba. Trago a pessoa amada em 7 dias. Contato com Chorozon ou meses tentando descascar a árvore da vida para poder batizar as novas cascas que surgem. De fato a magia pode ser usada para o crescimento individual, trazer maturidade, auto-tranformação e sabedoria, e quem sabe uma trepada de vez em quando. Mas onde é que estão os feiticeiros? Onde está a magia para confundir caixas eletrônicos, para fazer luzes de farol de trânsito mudar? Onde estão os mestres que dançam não para trazer a chuva, mas para fazer sua banda favorita por acaso vir para a sua cidade para um show inesperado?

A magia é um modo de encarar o mundo, não uma fita isolante que fica numa gaveta esperando algo despedaçar para que possamos fazer um remendo. Então obviamente, se a solução dos homens não resolve, vamos ver o que podemos fazer apelando para o código fonte da realidade.

Em 1563 um livro foi publicado. Um livro muito interessante de fato, chamado de De Praestigiis Daemonum et Incantationibus ac Venificiis. Seu escritor foi um médico e psiquiatra, a seu modo, originário dos países baixos, o título do livro quer dizer Sobre a Ilusão de Demônios, Feitiços e Venenos. Na introdução do livro lemos em latim:

<tecla sap>
Meu objetivo não é apresentar para as pessoas as blasfêmias daqueles homens enfeitiçados que não tem vergonha de chamarem a si mesmos de magi, nem de expor suas curiosidades, suas decepções, vaidade, imposturas, delírios, sua capacidade de enganar a mente e suas mentiras óbvias mas, ao invés disso, mostrar que eles se mostram relutantes, quando são vistos sob a ofuscante luz do dia, em deixar suas mentes correrem em disparada alucinada, nesta época infame, onde o reino de Cristo é constantemente atacado pela tirania, imensa e impune, daqueles que abertamente realizam os sacramentos de Belial e que, não resta dúvida, em breve receberão sua recompensa justa.
</tecla sap>

O escritor de tal obra, Johann Weyer, havia sido um discípulo de Agrippa. E ele acreditava em magia, e ele acreditava no demônio, mas acreditava também, de forma discreta, que ele não era tão ruim quanto a igreja fazia o povo acreditar. Talvez aquilo fosse apenas uma forma de oferecer um inimigo tão grandioso que as pessoas não tivessem como enfrentar, uma forma de marketing medieval. Assim, dentro de seu livro sobre a ilusão dos demônios, acrescentou um trabalho entitulado Pseudomonarchia Daemonum (Liber officiorum spirituum) <tecla sap> Falsa Monarquia dos Demônios (Livro dos ofícios dos espíritos) </tecla sap> – e você achando que só Lovecraft bolava livros com nomes legais – neste texto, Wier listou e hierarquizou os nomes de diversos demônios acompanhando-os as horas apropriadas e os rituais para invocar-los.

Assim, diante de meu problema na mão esquerda e no da mão direita resolvi seguir o conselho de um dos grandes Reis ocultos deste mundo e bater palmas. Buscando minha biblioteca favorita achei o livro de Wier e passei a ler rapidamente suas páginas xerocadas fui fazendo nota mental dos poderes de cada um dos seres ali descritos. Dos 69 espíritos listados um me chamou a atenção:

Bathym, alibi Marthim Dux magnus & fortis: Visitur constitutione viri fortissimi cum cauda serpentina, equo pallido insidens. Virtutes herbarum & lapidum pretiosorum intelligit. Cursu velocissimo hominem de regione in regionem transfert. Huic triginta subsunt legiones.

Organizando o padre que vive em minha mente pude tirar que isso implicava algo aproximado de:

Bathym, um duque poderoso e forte: ele é visto como um homem de constituição forte, com cauda de serpente, cavalgando um cavalo branco. Ele compreende a virtude das ervas e pedras preciosas. E pode transportar um homem de maneira súbita de um pais para outro. Ele lidera 30 legiões do inferno.

Isso soou como música para meus ouvidos. Vejam, algo que muita gente não compreende é que demônios não são como botões dentro de uma caixa esperando que alguém abra a tampa, escolha o que acha mais adequado e então o costure num casaco enquanto usa um dedal de ferro para se proteger do ato de se trabalhar com ele. Borhs disse que o contrário de grandes verdades é verdade também. Assim se hoje grande parte das pessoas que se envolve com demonologia são pessoas sem cérebro nenhum, o inverso é real, demônios são cérebros sem pessoa nenhuma. Eles estão ao nosso redor o tempo todo.

Lembre-se que eu estava no escritório. Cada segundo vale uma eternidade de vidas. Não podia esperar para ir para casa e tentar chamar Bathym e ver o que negociar com ele, assim me concentrei na praticidade. Se eles estão ao nosso redor o tempo todo, basta conseguir entrar em contato com eles.

Um ritual de evocação mágica consiste de alguns pontos básicos:

1- Ir para um lugar onde ninguém interrompa a comunicação;
2- Entrar no estado de espírito correto de se contactar algo não físico;
3- Entrar no estado mental necessário para conseguir se comunicar com este algo;
4- Ter um assunto que seja interessante para ambos os lados;
5- Conseguir despachar essa coisa de forma que ela não fique puta com você, afinal quem está recebendo o chamado tem o número de que está chamando.

Bem, tendo já prática e experiência com rituais isso não é diferente de usar seu celular para ligar para alguém. Com isso em mente parti para o primeiro passo: descobrir quem é essa pessoa, e qual o número do “celular” dela.

PASSO 1

O livro de Weyer não foi o único a tratar de demônios de forma tão direta e clara então busquei a Goetia. O décimo espírito do Pseudomonarchia aparece também como o décimo oitavo espírito da clavícula de Salomão. A descrição do espírito é a mesma, mas traz uma informação extra:

“seu selo deve então ser feito e deve ser usado diante de você”

A versão de MacGregor Mathers e de Crowley da Goetia trazem duas versões mais modernas do selo e uma grafia diferente do nome do espírito, assim temos que Bathym também é chamado de Bathin, de Mathim e de Marthim. COmo essa informação é muito pouca para criar um programa mental que sirva para me conectar com o espírito resolvi apelar para o tarô. Bathym surge como o décimo e o décimo oitavo demônio dos dois maoires tratados de demonologia que sobrevivram ao tempo. Assim parti para os arcanos maiores:

A roda da Fortuna

Resumidamente a roda da fortuna está ligada à necessidade, ao acaso, mudança e a um objetivo. Esta é uma das cartas mais expressivas da sorte, fortuna e oportunidade. Mas não é necessariamente uma carta positiva, já que pode informar que adiante virá sorte mas não especifica se boa ou má. Tudo irá depender das suas decisões e atitudes, pois estas irão decidir para que lado penderá a balança, se para a boa sorte ou para a má sorte.

A Lua

A famosa luz no fim do túnel, mas não sem antes um monte de dores de cabeça. Uma carta ligada a guiar-se pelos seus instintos, sonhos utópicos, dificuldade em aceitar a realidade.

Não me lembro aonde, mas ainda descobri em algum lugar uma relação entre Bathym e o dez de espadas, já que estava no mundo do tarô parei para analisar a carta. Obviamente é uma carta de merda, mas isso para quem vive uma vida regular e tranquila, apesr de todo o mau agouro o dez de espadas representa a luz no fim do túnel também. Essa carta indica que o seu presente atingiu o tal ponto de mudança que lhe era tão necessário e tendo em mente que a realidade não gosta de mudanças, já que tudo busca permenecer na forma que é, parece que as coisas não podem piorar muito mais, o mundo parece que está virado contra si e parece que apenas lhe resta lamentar-se pelo seu infortúnio. Quando chegamos neste ponto em que não há nada a perder o melhor a fazer é parar de lutar contra a correnteza e se aproveitar dela

Lição de casa feita em quarenta minutos. Agora com o estado mental e de espírito necessários para se comunicar com o espírito decidi usar o sigilo da Goétia para contactá-lo. Como disse, a versão de Mathers/Crowley oferece duas opções, assim como Bathyn é o demônio 18 desta obra, escolhi o sigilo que tem o desenho de uma lua.

Como devemos usá-lo diante de nós o tempo todo, e como resolvi usar a analogia do telefone celular, desenhei ele nas costas da mão esquerda, a mão que uso para segurar o telefone quando trabalho, e me preparei para o passo 2, descobrir como encontrá-lo.

PASSO 2

Aproveitei a hora do almoço e sai para dar uma volta. Agora era o momento de esvaziar a mente de tudo e sintonizá-la em Bathin (grafia do nome no sigilo goético). Depois de caminhar, passei por acaso diante de uma agência de viagens de bairro, pequena e enfiada entre duas lojas. Na porta uma moto branca. Passei perto da vitrine e lá dentro um homem com botas de pele de cobra estava sentado atrás de uma mesinha de madeira. Ótimo sinal. Encostei as costas da mão contra o vidro e pressionei com força, apenas sentindo a psicologia do local se misturar com a de Bathin em minha mente. Quando tirei a mão do vidro havia um decalque fraco do sigilo no vidro. Ótimo sinal.

Voltei para o escritório.

É importante frisar que a partir do momento em que deixei minha mesa minha mente buscava a vacuidade, e me concentrava apenas nas sensações sugeridas pelas cartas do tarô. A agência de viagens é um símbolo de uma viajem rápida, onde você faz o mínimo e eles te levam de um lugar para o outro desde que se pague. Nada racional, apenas a loucura da magia queimando de um neurônio para outro.

Feito o contato e estabelecido uma linha entre mim e o espírito, voltei para o escritório para o passo 3, fazer a ligação.

PASSO 3

Em um ambiente de trabalho só há um lugar que você encontra paz: o banheiro. Mas o banheiro, logo depois do almoço é o local menos calmo de uma empresa.

Novo paralelo com a arte de evocação clássica. Assim que escolhe um local para o ritual, distante dos olhos profanos, você deve realizar um ritual de  banimento para limpar a área de energias contrárias à sua vontade. Resolvi isso com uma folha de papel e uma caneta hidrográfica preta. Sem mudar meu estado mental, desenhei os seguintes sigilos na folha:

BANHEIRO EM MANUTENÇÃO – DESCULPE O TRANSTORNO

e prendi com durez do lado de fora da porta, me trancando dentro.

PASSO 4

Momento de discar para o demônio.

Simplesmente precisei apagar a luz, me sentar no chão de pernas cruzadas, o melhor que pude no pouco espaço, e deixar a mente trabalhar. Ergui a mão até a orelha como se segurasse o celular e imaginei o tom de chamando.

Curiosamente ao invés de ouvir uma voz mental de alô, veio a impressão de deixe o recado após o sinal. Foi neste momento que expus o problema e pedi uma solução:

“Preciso de um visto americano em cinco dias úteis!”

PASSO 5

Agradeci a atenção e pedi para entrar em contato o mais rápido possível, desliguei o celular colocando a mão no bolso. Me levantei, lavei o rosto e sai do banheiro.

CONCLUSÃO

Como disse, o objetivo do texto é mostrar como a demonologia se aplica hoje de forma prática, nada de ficar imaginando como vem uma resposta ou analizar objetivamente fatos subjetivos.

Voltei para a minha mesa e comecei a pensar como a colocar em prática o visto, afinal trabalhar com Bathin aparentemente não me livraria de estress e dificuldades. Vinte minutos depois de me sentar alguém atrás de mim comenta: “é o alimento vivo da chama que ilumina”. Me voltei e pedi para ele repir que não estava prestantando atenção, ele repetiu: “O poeta é o alimento vivo da chama que ilumina”, e completou dizendo que era uma frase de Martí, um poeta cubano. Martí é próximo o suficiente, voltei a checar a previsão para o agendamento de visto. Curiosamente a data para as entrevistas em Recife de 3 meses sumiram e havia uma data para 2 dias. Marquei.

Passei o dia seguinte tentando descobrir como viajar para Recife para ir à entrevista e correndo com a papelada como responder formulários do site de visto, levantar coisas como imposto de renda e todo tipo de documento necessário.

Para alimentar o sigilo que estava em minha mão, perguntava para as pessoas se elas sabiam se era possível tirar o visto em outro estado em dois dias, as risadas delas eram o Big Mac de Bathin.

Como disse acima, a realidade reluta qualquer mudança, isso se traduz na lei da inércia: é necessário sempre mais força para iniciar uma mudança de estado (de parado para se movendo ou de movendo apra parado) do que para se manter esse novo estado. Assim não demorou duas horas para que as sereias começassem a surgir. Pessoas com despachantes milagrosos, ou conhecidos com esquemas. Sabe quando você decide mudar ou pede algo e milagrosamente algo acontece para te empurrar nesse direção, e então parece que outras portas aparecem, que ou te mostram que continuar na mesma é a melhor opção (decide mudar de emprego e recebe uma proposta de aumento neste) ou que esperar é melhor (quero um carro novo, surge um dinheiro do nada e de repente posso usar esse dinheiro em outras coisas e depois financiar um carro)? Isso é a realidade lutando para parmanecer no mesmo estado que se encontra. Muitas vezes é quase impossível resistir. Mas quando lidamos com demônios onde a maior parte do tempo você acha que está louco ou não tem garantia nenhuma de que a coisa vá funcionar, é melhor abraçar o abismo.

No fim do dia havia conseguido milhas de um conhecido para comprar uma passagem para Recife (para facilitar meu cartão precisaria de 10 dias para converter os pontos em milhas e liberá-las, eu precisava estar em recife em 36 horas úteis). Consegui levantar a papelada ontem. Achei meu antigo passaporte que havia desaparecido. Alimentei o sigilo com mais algumas dúzias de: “você vai perder a ciagem e o dinheiro” regado com molho de “se mete nessas loucuras a troco de nada, se fosse fácil assim todo mundo faria, você vai quebrar a cara”.

E assim, ontem à noite, acabando de preencher o formulário virtual que precisa ser preenchido com 48 horas de antecedência, parti para Recife. Hoje às 7:30 da manhã estava no consulado americano. O sigilo quase desbotado em minha mão me alertava do prazo de validade do acordo. Assim que a tinta sumisse de vez, a ligação seria cortada.

Durante a entrevista foram feitas dez perguntas simples. Mesmo morando em São Paulo pareceu não haver problemas de eu estar em Recife pedindo o visto. Depois de alguns minutos o homem com sotaque me falou que enviariam meu passaporte por Sedex para mim.

E assim aconteceu. Vida, magia, demonologia, rituais, resultados.

A demonologia tem poder até hoje, basta saber como se conectar com ela. Há sempre um preço a ser pago, mas nada tão dramático quanto uma alma ou uma vida. É tudo questão de se negociar.

Agora, claro, os correios entram em greve geral. E tenho que receber meu passaporte com o visto até o começo da semana que vem, quando vou embarcar.

Se Bathin deu resultado com o visto, vejamos com quem vou tentar trabalhar para conseguir contornar esse problema. Em breve talvez isso vire um segundo artigo.

Texto escrito 14-09-2011

Por LöN Plo

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/bathin-um-ritual-moderno-de-demonologia/

Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei

O dicionário Webster classifica religião como “o serviço e veneração a Deus ou ao sobrenatural; um conjunto de leis ou um sistema institucionalizado de atitudes religiosas, crenças e práticas; a causa, princípio ou sistema de crenças efetuada com ardor e fé”. Ele também coloca a palavra Ritual como sendo “uma forma estabelecida de cerimônia; um ato ou ação cerimonial; qualquer ato formal ou costumeiro realizado de maneira seqüencial”.

Porém, nenhum dicionário vai conseguir dar a vocês a verdadeira definição de Magia. Magia é um processo deliberado no qual eventos do desejo do Mago acontecem sem nenhuma explicação visível ou racional. Os católicos/evangélicos chamam estes eventos de Milagres quando são produzidos por eles e de “coisas do demônio” quando são produzidos por outras pessoas. As religiões ortodoxas acabaram presas em uma armadilha que elas mesmas criaram a respeito dos rituais e da magia. Embora a Igreja Católica (e as Evangélicas por extensão, com seus óleos sagrados, águas do rio Jordão e círculos de 318 pastores) use e abuse de rituais de magia baixa em seus cultos, o mero comentário que seus fiéis estejam usando rituais de magia pode te arrumar confusão.

Então… como os magos definem magia? Um Ritual de Magia é apenas e tão somente a canalização de energias de outros planos de existência, através de pensamentos, gestos, ações e vocalizações específicas, em uma forma manifestada no Plano Físico. O nome que se dá a isso é Weaving (tecer), de onde se originam as palavras Witch (bruxa) e Wiccan (bruxo). Não confundir com a baboseira new age que se difundiu no Brasil e que chamam de “wicca” por aí. Estou falando de coisas sérias.

A idéia por trás da magia é contatar diversas Egrégoras (chamadas de Deuses ou Deusas) que existem em uma dimensão não material. Os magos trabalham deliberadamente estas energias porque as Egrégoras adicionam um poder enorme ao Mago para a manifestação de sua vontade (Thelema, em grego).

O primeiro propósito de um ritual é criar uma mudança, e é muito difícil realizá-las apenas com a combinação dos arquétipos e de nossa vontade solitária. Para isto, precisamos da assistência destas “piscinas de energia” que chamamos de Divindades.

Tudo o que é usado durante a ritualística é um símbolo para uma energia que existe em outro plano. O que define se o contato irá funcionar ou não depende do conhecimento que o Mago possui destas representações simbólicas usadas no Plano Material. O estudo e meditação a respeito da simbologia envolvida nas ritualísticas é vital para o treinamento de um mago dentro do ocultismo.

Para conseguir trazer estas energias das Egrégoras para o Plano Físico, os magos precisam preparar um circuito de comunicação adequado, de maneira a permitir o fluxo destas energias. Isto é feito através da ritualística, do uso de símbolos, da visualização e da meditação.

Para manter este poder fluindo em direção a um objetivo, é necessário criar um Círculo de Proteção ao redor da oficina de trabalho. Este circuito providencia uma área energética neutra que não permitirá que a energia trabalhada escoa ou se dissipe. Este círculo pode ser imaginário, traçado, riscado ou até mesmo representado por cordas (como a famosa “corda de 81 nós” usadas nas irmandades de pedreiros livres na Idade Média).

O círculo de proteção também pode ser usado para limpar um ambiente, para afastar energias negativas ou entidades astrais indesejadas.

Para direcionar este controle e poder, o mago utiliza-se de certas ferramentas de operação, para auxiliar simbolicamente seu subconsciente a guiar os trabalhos no plano mental e espiritual. É por esta razão que a maioria das escolas herméticas utiliza-se dos mesmos instrumentos, como taças, moedas, espadas, adagas, incensos, caldeirões, ervas e velas. O uso de robes e roupas consagradas especialmente para estas cerimônias também é necessário para influenciar e preparar a canalização das energias destas egrégoras.

Para contatar corretamente cada egrégora, o Mago necessita da maior quantidade possível de símbolos para identificar e representar corretamente a divindade, poder ou arquétipo que deseja. Apenas despertando sua mente subconsciente o Mago conseguirá algum resultado prático em seus experimentos. E como o subconsciente conversa apenas através de símbolos, somente símbolos podem atrair sua atenção e fazer com que funcionem adequadamente.

Podemos fazer uma analogia destas egrégoras como sendo cofres protegendo vastas somas de recursos, cujas portas só podem ser abertas pela chave correta. Rezas, orações, práticas mágicas e venerações “carregam” estes cofres e rituais específicos “abrem” estes cofres. Cada desenho, imagem, vela, cor, incenso, plantas, pedras, símbolo, gestos, movimentos e vocalização adicionam “dentes” para esta chave, como um verdadeiro chaveiro astral (qualquer semelhança com o Keymaker do filme Matrix NÃO é mera coincidência). De posse da simbologia correta do ritual e da realização precisa de cada passo da ritualística, o Mago é capaz “girar a chave”, contatar a egrégora e acessar estes recursos.

Ao final do ritual, estes deuses ou formas arquetipais são liberados para que possam manifestar o desejo para qual foram chamados durante o ritual e também permite que o Mago volte a funcionar no mundo normal. Manter os canais de conexão com os poderes ativos após o ritual ter sido completado tornaria impossível para uma pessoa viver uma vida normal.

Os magos enxergam o universo como um organismo infinito no qual a humanidade o moldou à sua imagem. Tudo dentro do universo, incluindo o próprio universo, é chamado de Deus (Keter). Por causa desta interação e interpenetração de energias, os iniciados podem estender sua vontade e influenciar o universo à sua volta.

Para conseguir fazer isto, o iniciado precisa encontrar seu próprio Deus interior (chamado pelos orientais de atmã e pelos ocidentais de EU SOU, ou seja, o seu verdadeiro EU). Este é o verdadeiro significado da “Grande Obra” para a qual nós, alquimistas, nos dedicamos. Tornar-se um mestre da Grande Obra pode demorar uma vida inteira, ou algumas vidas.

A magia ritualística abre as portas para sua mente criativa e para o seu subconsciente. Para conseguir realizar apropriadamente os rituais de magia, o magista precisa desligar o seu lado esquerdo do cérebro (chamado mente objetiva ou consciente, que lida com o que os limitados céticos chamam de realidade) e trabalhar com o lado direito (ou criativo) do cérebro. Isto pode ser conseguido através de meditação, visualização e outras práticas religiosas ou ocultistas para despertar.

O lado esquerdo do cérebro normalmente nos domina. Ele está conectado com a mente objetiva e lida apenas com o mundo material denso (chamado de Malkuth pelos cabalistas). É o lado do cérebro que lida com lógica, matemática e outras funções similares e também o lado do cérebro responsável pela culpa e por criticar tudo o que fazemos ou pretendemos fazer. Na Kabbalah chamamos este estado de consciência de Hod.

O lado criativo do cérebro pertence ao que chamam de “imaginação”. É artístico, visualizador, criativo e capaz de inventar e criar apenas através de uma fagulha de pensamento. Com o desequilíbrio entre as energias da Razão e da Emoção, o indivíduo pode pender tanto para o lado “cético-ateu” quanto para o lado “fanático religioso”. Os verdadeiros ocultistas são aqueles que dominam ambas as partes de sua consciência.

Uma das primeiras coisas que alguém que pretende enveredar por este caminho precisa fazer é aprender a eliminar qualquer sensação de falha, insatisfação ou crença materialista no chamado “mundo real”. Esta é a esfera do gado e dos rebanhos.

Diariamente, todos nós somos bombardeados com estas mensagens negativas na forma de “essas coisas não existem”, “imaginação é faz-de-conta”, “só acredito no que posso tocar”, “magia é coisa de filme”” e outras baboseiras, condicionando o gado desde pequeno a se comportar desta maneira. Esta é a razão pela qual amigos e companheiros devem ser escolhidos cuidadosamente, não importa a idade que você tenha. Diga-me com quem andas e te direi quem és.

Idéias a respeito de limitações ou falhas devem ser mantidas no nível mínimo e, se possível, eliminadas completamente. Para isto, existem certas técnicas de meditação que ensinarei nas colunas futuras.

Desligando o lado esquerdo

Durante um ritual, o lado esquerdo do cérebro é enganado para sua falsa sensação de domínio pelos cantos, gestos, ferramentas, velas e movimentações. Ele acredita que nada ilógico está acontecendo ou envolvido e se torna tão envolvido no processo que esquece de “fiscalizar” o lado direito. Ao mesmo tempo, as ferramentas se tornam os símbolos nas quais nosso lado direito trabalhará.

Existem diversas maneiras de se treinar para “desligar” a mente objetiva durante uma prática mágica. Os mais simples são a meditação, contemplação, rezas e mantras, mas também podemos usar a dança, exercícios físicos até a beira da exaustão, atividades sexuais e orgasmos, rodopios, daydreaming, drogas alucinógenas ou até mesmo bebedeira até o estado de semi-inconsciência. O exercício da Vela que eu passei em uma das primeiras matérias é um ótimo exercício para treinar este desligamento da mente objetiva.

Emoções

O lado esquerdo do cérebro não gosta de emoções (repare que a maioria dos fanáticos céticos parecem robozinhos, ao passo que os fanáticos religiosos parecem alucinados), pois emoção não é lógica. Mas as emoções são de vital importância na realização dos rituais. A menos que você esteja REALMENTE envolvido de maneira emocional e queira atingir os resultados, eu recomendo que você feche este browser e vá procurar uma página com mulheres peladas, porque não vai atingir nenhum resultado prático na magia. Emoções descontroladas também não possuem lugar na verdadeira magia, mas emoções controladas são VITAIS para a realização correta de rituais. O segredo é soltar estas emoções ao final da cerimônia (eu falarei sobre isso mais para a frente).

O primeiro passo para realizar magias é acreditar que você pode fazer as coisas mudarem e acontecerem. A maioria do gado do planeta está tão tolhido de imaginação e visualização que não é capaz nem de dar este primeiro passo, pois acreditam que “estas coisas não existem”. Enquanto você não conseguir quebrar a programação que as otoridades colocaram em você desde criança, as manifestações demorarão muito tempo para acontecer.

É o paradoxo do “eu não acredito que aconteça, então não acontece”.

Para começar a fazer as mudanças que você precisa, é necessário matar hábitos negativos. Falarei sobre a Estrela Setenária e os Sete defeitos capitais da alquimia (ou “sete pecados” da Igreja) mais para a frente. Conforme você for mudando seus hábitos, descobrirá que você gostará mais de você mesmo e os resultados mágicos começarão a fluir.

Esta é a origem dos famosos “livros de auto-ajuda” que nada mais são do que a aplicação destes princípios místicos travestidos de explicações científicas. O livro “O segredo” nada mais é do que uma compilação de ensinamentos iniciáticos desde o Antigo Egito. Ele não funciona para a maioria dos profanos simplesmente porque o gado não possui a disciplina mental, a imaginação e a vontade (Thelema) para executar o que deve ser executado.

O Bem e o Mal

Algumas Escolas iniciáticas, religiões judaico-cristãs e filosofias de botequim irão te dizer que realizar magias para você mesmo é egoísta e “magia negra”. Esqueça estas besteiras… se você não é capaz de operar e manifestar para você mesmo, você nunca conseguirá manifestar nada para os outros.

Não existe “magia branca” ou “magia negra”. O que existe é a INTENÇÃO. A magia é uma ferramenta, como um martelo. Você pode usá-lo para construir uma casa ou para abrir a cabeça de um inocente a pancadas. Quando Aleister Crowley disse “Faze o que tu queres há de ser o todo da Lei”, ele disse isso para iniciados que já tinham total noção do que deviam ou não fazer dentro da Grande Arte, não para um zé mané iniciante. Cansei de ver misticóides do orkut interpretando esta frase como sendo “vou fazer o que minhas paixões de gado me dizem para fazer”, usando as palavras do grande Crowley para justificar suas imbecilidades.

O Karma é uma Lei Imutável. Assim como a Lei da Gravidade, a Lei do Karma não dá a mínima se você acredita nela ou não, ela simplesmente existe: você sofrerá suas ações. Ponto final.

Por esta razão, é essencial pensar nisso quando se fala em magia. Normalmente, utilizar este tipo de conhecimento para causar o mal gratuito não vale o preço kármico a se pagar depois. Simples assim.

Willpower, baby

A força de vontade humana é uma força real e muito poderosa. Ela é possível de ser disciplinada e produzir o que a uma primeira vista parecem resultados sobrenaturais. A força de vontade é direcionada pela imaginação, que é o domínio do lado direito do cérebro. O universo não é aleatório. “Tudo o que está em cima é igual ao que está embaixo”. Ele é constituído de padrões e conexões, como um fractal multidimensional de ações. Através das correspondências, do conhecimento dos padrões e da força de vontade, você será capaz de utilizar as forças arquetipais para seus próprios propósitos, sejam eles bons ou malignos.

Os deuses, demônios, devas, elementais, anjos enochianos, djinns, exús, emanações divinas, qlipoths e entidades astrais são amorais. O poder simplesmente está lá. COMO você vai utilizá-lo é que se torna responsabilidade dos magos. Tanto a magia branca quanto a magia negra trazem resultados, mas no final das contas, todos teremos de nos acertar com a Balança de Anúbis e os preços devem ser pagos. Infelizmente, a maioria das pessoas tem esta idéia errada de que Karma significa “punição” ou “recompensa”. Isto vem de um sincretismo com as religiões judaico-cristãs. Karma significa apenas que cada ação traz uma reação de igual força. E que as pessoas são responsáveis por aquilo que fazem.

A simbologia dos deuses per se são apenas estímulos para serem usados pela humanidade como catalisadores para uma elevação da consciência e a melhoria do ambiente ao redor do mago. Os rituais, em seu senso mais puro, lidam com transformações no mundo. O conhecimento destas ações é o motivo pela qual as Ordens (a maioria delas) trabalha em ações globais além das ações locais. E esta também é a razão pela qual as otoridades tanto temem e perseguem os magos, bruxos e membros de ordens secretas. Eles não querem que o status quo se modifique, pois perderiam todo o poder e o controle sobre o rebanho que possuem.

Carl Jung disse que experiências espirituais são diferentes de experiências pessoais, sendo que a segunda estaria em um nível mais elevado. Isto acontece porque normalmente nem todos em um grupo possuem a concentração ou a dedicação necessária para elevar todo o grupo ao mesmo patamar de consciência (uma corrente é tão forte quanto o mais fraco de seus elos). ESTA é a razão pela qual as ordens secretas (especialmente as invisíveis, já que as discretas já estão sendo contaminadas faz um tempo pelo gado de avental) escolhem com tanto cuidado seus membros.

Muita gente choraminga a respeito do porque as Ordens Iniciáticas serem tão fechadas, e do porquê este conhecimento ficar preso nas mãos de poucas pessoas, mas a verdade é que pessoas perturbadas ou cujo grau de consciência não esteja no mesmo nível do grupo acabarão agindo como sifões de energia ou criarão caos suficiente para estragar a egrégora das oficinas.

Meditação

O conceito de participar de um ritual ou entrar em um templo sagrado (seja ele um círculo de pedra, uma pirâmide ou uma igreja católica) é o de atingir um estado de consciência conhecido na Índia como “a outra mente”. Durante um ritual, todos os participantes são ao mesmo tempo atores e platéia, ativando áreas da mente que não são usadas durante o dia-a-dia. Através deste jogo, conseguimos libertar nossas mentes e espíritos destes grilhões e alcançar que está além.

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#Thelema

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/faze-o-que-tu-queres-h%C3%A1-de-ser-o-todo-da-lei