Curso de Kabbalah em Salvador-BA

Este é um post sobre um Curso de Hermetismo já ministrado!

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Informações sobre o curso de Kabbalah em Salvador:

Data: 05/12 (sábado) – Kabbalah

Local: Offices Premium (bairro Comércio)

Horário: Das 9h00 as 18h00

Kabbalah

Este é o curso recomendado para se começar a estudar qualquer coisa relacionada com Ocultismo.

A Kabbalah Hermética é baseada na Kabbalah judaica adaptada para a alquimia durante o período medieval, servindo de base para todos os estudos da Golden Dawn e Ordo Templi Orientis no século XIX. Ela envolve todo o traçado do mapa dos estados de consciência no ser humano, de extrema importância na magia ritualística.

O curso abordará as diferenças entre a Kabbalah Judaica e Hermética, a descrição da Árvore da Vida nas diversas mitologias, explicação sobre as 10 Sephiroth (Keter, Hochma, Binah, Chesed, Geburah, Tiferet, Netzach, Hod, Yesod e Malkuth), os 22 Caminhos e Daath, além dos planetas, signos, elementos, cores, sons, incensos, anjos, demônios, deuses, arcanos do tarot, runas e símbolos associados a cada um dos caminhos.

O curso básico aborda os seguintes aspectos:

– A Árvore da Vida em todas as mitologias.
– A Cabalá Judaica e a Kabbalah Hermética
– Simbolismo e Alegorias na Kabbalah
– Descrição e explicação completa sobre as 10 esferas (sefirot).
– Descrição e explicação completa sobre os 22 caminhos.
– Cruzando o Abismo (Véu de Paroketh).
– Alquimia e sua relação com a Árvore da Vida.
– O Rigor e a Misericórdia.
– A Estrela Setenária e os sete defeitos capitais.
– Letras hebraicas, elementos, planetas e signos.

Informações e Reservas: marcelo@daemon.com.br

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/curso-de-kabbalah-em-salvador-ba

A Real Liberdade Humana

“O problema da paz é o problema da liberdade.”

Jiddu Krishnamurti

É comum que os seres das mais variadas classes e segmentos da sociedade divulguem ideais que considerem os melhores para que possamos viver em um mundo mais harmonioso e justo. Este tipo de posicionamento é muito incentivado pela mídia ou por propaganda política, em especial em épocas de crise ou de pleitos eleitorais. Portanto, torna-se corriqueiro na nossa civilização atual esses temas serem comentados e solicitados diariamente das mais diversas formas.

Contudo, nós sabemos o que repetimos constantemente? Ao clamar por justiça, igualdade, liberdade ou verdade, temos plena consciência do que realmente estas palavras significam? As dificuldades maiores já ocorrem porque determinadas palavras assumem significados diferentes para classes de pessoas diferentes. Apenas para exemplificar podemos levar duas questões sobre um mesmo assunto: Será justo uma nação atacar e invadir outra “em nome da democracia e da liberdade”? Por outro lado, será justo deixar uma nação ser massacrada por um ditador que também diz defender a democracia e a liberdade? Ficando apenas no aspecto ético da palavra já podemos perceber o problema de não se conhecer o que se invoca.

Sim, invoca. Cada ideal é uma egrégora que vai se plasmando no inconsciente coletivo da maneira que este incosciente começa a definí-la. E mais, essa egrégora cedo ou tarde se manifestará da maneira que foi definida. Um exemplo clássico é o do inferno cristão. Durante séculos a Europa se deixou dominar pela idéia de que o inferno teria demônios que queimariam, espetariam e torturariam das mais diversas formas os seus prisioneiros. E como se escolheriam os prisioneiros deste inferno? Bastaria que fossem renegados pela Igreja ou acusados de renegarem Deus. Ora, o que foi a “Santa Inquisição”? Multidões sendo queimadas, espetadas e torturadas por serem renegados pela Igreja ou acusados de renegarem Deus! Esta egrégora do “inferno”, após séculos sendo trabalhada, manifestou-se e cumpriu o seu papel!

Portanto, se devemos defender um ideal, devemos conhecê-lo. Falar levianamente em justiça e não ser justo é um erro de consequências graves, pois a egrégora se formará de acordo com aquilo que se age, fala, mas principalmente sente e pensa.

O ideal de Liberdade

Tendo isto em mente, vamos falar de Liberdade. Escolhemos a Liberdade por ser ela um dos mais importantes, repetidos e mal-compreendidos ideais da nossa história. Cabe salientar aqui que os ideais – assim como as Egrégoras – nascem, evoluem e se transformam. Seria importante, neste momento chave por que passa a Evolução Humana, que este conceito seja revisto e devidamente defendido.

Para compreendermos o que é Liberdade, devemos primeiro compreender o Homem. Ou melhor, o que no Homem foi capaz de criar este conceito e é capaz de refletir sobre ele.

Segundo a Sabedoria Iniciática das Idades, o termo “Homem” (em inglês; “man” e em alemão; “mann”) é uma derivação do termo que em sânscrito seria algo como “manas”. Manas é um termo grosseiramente traduzido para o português como “mente”. O Homem (esqueçamos as designações falsas e tardias dadas ao elemento do sexo masculino da espécie humana e vejamos o ser como um todo) é portanto “aquele cuja a consciência vibra na mente”. Ou seja, é na mente que o verdadeiro Homem cria a sua realidade.

Portanto, com essas posturas colocadas, podemos começar a discutir o que é a Liberdade.

O que é um Homem livre?

Normalmente, o conceito de Liberdade está associado ao tão famoso “direito de ir e vir”. Devemos admitir que, historicamente, o direito de ir e vir é uma conquista importante para a Evolução da Humanidade e que foi um passo significativo para a plasmação no inconsciente coletivo de que a Liberdade é possível.

Mas temos dois problemas aqui. O primeiro é que o “direito de ir e vir” segue algumas limitações básicas. Algumas muito justas para uma vivência harmônica e outras nem tanto. Todavia, este é o menor dos problemas.

O maior deles é o de que o direito de ir e vir não é sinônimo de Liberdade.

Ora, analisemos. O Homem, sendo o ser cuja consciência vibra no nível mental, somente poderá ser considerado livre se sua mente for livre! Pensemos, utilizando o direito de ir e vir como exemplo: podemos dar o direito a qualquer pessoa de ir e vir aonde desejar que, se ela se achar indigna de ir a determinado lugar ou achar tal lugar indigno de sua presença, ela não está livre de verdade.

E o que prende a mente do Homem? Este carcereiro pode ser definido em outra palavra sânscrita: Avydia. Avydia significa “sem sabedoria” e podemos traduzi-la por “ignorância” ou mesmo “obscuridade”. Mas, que ignorância? A ignorância de si mesmo; do que é e do que se é capaz.

As pessoas, em geral, estão ignorantes dos seus próprios processos. Como consequência, costumam se confundir com eles e isto as aprisiona. Elas pensam que são o que fazem, pensam que são o que falam, pensam que são o que sentem e pensam que são o que pensam.

“O Homem não é um fim em si”, “O Homem é uma ponte suspensa no abismo que liga a besta ao Super-Homem”, essas duas frases de Nietzsche demonstram bem o papel do Homem na Evolução deste planeta. Nós não devemos nos identificar com os instrumentos que recebemos para nos manifestarmos nos planos, esta identificação gera o apego e o apego nos aprisiona.

O Homem é um passo na Evolução, o passo que define a vibração de uma determinada consciência no plano mental. Por isso, é neste plano que sua Liberdade deve ser adquirida.

Como age um Livre Pensador

É importante percebermos que raramente pensamos de verdade. Geralmente, o que fazemos é repetir um processo que alguém já pensou – este sim, o verdadeiro pensador. Senão vejamos através do seguinte exemplo: a dicotomia alma-corpo é um processo que existe na cultura Ocidental desde Platão e é aceita como normal, como se simplesmente não houvesse outra forma de se encarar a formação de um Ser Humano. Esta dicotomia se tornou uma estrutura tão poderosa em nossas mentes que serve de base para religiões e nossa forma de pensar (você nunca usou o termo “minha alma”?). Uma outra dicotomia: bem absoluto x mal absoluto. É tão forte que mesmo quando nos deparamos com uma cultura que pensa diferente – como a cultura afro ou viking, para dar dois exemplos – nós inserimos essa dicotomia na hora de nos relacionarmos com ela, inconscientemente. Assim, o Exu ou Loki assumem o papel de “deus do mal” em oposição aos “deuses do bem”, quando originalmente esta estrutura de pensamento não existia nas duas culturas.

Quando verdadeiramente livre, o Homem é capaz de adquirir uma plenitude na existência. Além do mais, ele compreende o seu papel e pode realmente trabalhar pela sua plena manifestação ou Iluminação.

Ora, e como age este ser livre, que passaremos a denominar de Livre pensador? Ele já percebeu que os processos mentais e os pensamentos não são a mente assim como os movimentos e a escrita não são o braço. Ele observa os pensamentos como fluxos de energia que atravessam o seu cérebro a qual ele se apega ou não. Se, no momento em que se apegar, ele “enlaçar” este pensamento com uma emoção, o pensador acaba de criar vínculo com ele.

Criar vínculos com pensamentos ou processos mentais que surgem não é necessariamente ruim, o problema é não conseguir mais se desvincular dele ou rejeitá-lo sem a devida reflexão. Estas duas atitudes implicam em aprisionamento da mente do pensador. Este aprisionamento se mostra na identificação que se teria com o pensamento; ou seja, qualquer ataque ao pensamento se torna um ataque ao pensador. Além disso, qualquer pensamento diferente se torna uma ameaça ao próprio pensador, pois este acredita que “invalidar” o pensamento invalida sua própria estrutura de auto-reconhecimento.

Devido a isso, podemos identificar um Livre pensador pelas suas atitudes. Primeiramente, ele raramente aceita ou rejeita uma idéia automaticamente. O processo de reflexão, este sim, se torna “automático”. O Livre pensador sempre procura analisar o conteúdo de uma determinada proposição, para em cima da reflexão ou da experiência adquirir sua postura.

Ele dificilmente ofenderia o portador de alguma idéia diferente da sua. O Livre pensador debate idéias; discute sobre a mensagem sem ofender o mensageiro, tendo em vista que – assim como ele não se identifica com seus pensamentos – não identifica o seu irmão(ã) com os pensamentos deste(a).

O livre pensador sabe que não existe um “único modo” de se ver, analisar, demonstrar ou mesmo fazer algo. Cada um é uma expressão única da Divindade, manifestado para fazer valer esta expressão. Portanto, existem tantas possibilidades quanto aqueles que refletem sobre elas.

Como libertar a mente

Mas como libertar a mente? Existem dois processos – em princípio antagônicos – que, trabalhados concomitantemente, podem levar a percepção e desenvolvimento da mente livre. São processos simples, mas difíceis de serem vividos. Um ajuda e ampara ao outro e devemos ir com cuidado, paciência e sem grandes cobranças.

O primeiro é o auto conhecimento. Este processo deve ser feito sem julgamentos e sem disfarces. Não devemos nos julgar imaculados ou perdidos. Devemos perceber o que somos. E nós – nos perdoem o uso do termo, mas ele é o ideal no momento – somos o que somos. Devemos entender os processos que nos fazem agir da maneira que agimos, sentir o sentimos, falar o que falamos e pensar o que pensamos. Tranquilamente, sem esforço.

Isto significa identificar o verdadeiro pensador. Quando rejeito tal idéia ou aceito, fui eu que rejeitei e aceitei ou alguém já fez isso por mim e apenas repito o processo? O que eu penso sou eu? Aquele que questiona, sou eu? A Maya tem suas raízes na mente e na ignorância em diferenciar o pensador do que está sendo pensado, entre outras bases.

Caso percebamos que o nosso pensar tem outro pensador (o que é muito mais comum do que imaginamos…), isto é ruim? Não necessariamente. A diferença é o estar consciente do processo, o que nos torna livres para adotarmos ou não a idéia – total ou parcialmente. Estaremos também livres para verificar outros pontos-de-vista, outras formas de encarar o problema, sem conflitos e sem sofrimentos. Aquela estrutura de pensamento é uma ferramenta como qualquer outra, com a qual não nos identificamos; apenas usamos para os fins necessários. Livres, podemos ter um maior Domínio da Vida.

O segundo é o esforço de amar. Amar, sem importar a quem. Mas não no sentido de “amar é sofrer”. Um grande irmão, discípulo do Professor Henrique José de Souza, costumava citar: “Fraterno, mas não bobo.” O que devemos é entender o sofrimento do outro e entender que, às vezes, uma atitude dura pode ser a coisa mais amorosa que temos a dar para alguém que pede a sua ajuda naquele momento. Mas nunca se esqueça, não somos os donos da verdade e devemos amar – novamente – sem julgar. Pois, com julgamento não há amor.

Entendamos que um Livre Pensador é fraterno. Não é bondoso e nem malvado, caridoso e nem egoísta (lembre-se da dicotomia bem absoluto x mal absoluto), mas fraterno. Segundo HPB, “não existe caridade maior do que dar consciência aos seres” e este é um foco digno de se ter dentro da Obra do Eterno na Face da Terra. Mas com amor aos seres, pois estes sofrem e nem se apercebem de onde vem seu sofrimento.

Infelizmente, o espaço não nos permite um maior aprofundamento em tema tão complexo, mas paradoxalmente tão simples de se viver. Além do mais, fiéis ao nosso princípio, não poderíamos aqui nos arvorar de termos as respostas prontas e a solução de todos os problemas. O que esperamos, é que o texto sirva – isso sim – de reflexão e ajude ao(à) nosso(a) leitor(a) no início das buscas por respostas que melhor lhe ajudem em seu encontro com a verdadeira Liberdade.

“Manter a sempre vigilância dos sentidos.”

Allamirah

Texto do frater Danilo de Oliveira Faria, autor do RPG Maytreia

#Filosofia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-real-liberdade-humana

um instante

Arbustos cheios de pequenos seres aperreados, batendo asas, pulando entre galhos. Vários deles girando no ar entre as folhas. Do que adianta pensar sobre isso?

“That’s makes me feel sad”

-Se não fosse o censor que nos arranca o direito de escolha.

Ou
seria o direito de escolha uma mera ilusão diante de escolhas já em
andamento?

Meus
passos são sons ou somente meu movimento diante de uma estrada já
esculpida?

Onde
fica o direito de escolher antes dela ocorrer nas sombras da mente?
Tenho me vacinado contra o tédio me empanturrando de conflitos
ensaiados na tela. Ainda assim tais conflitos continuam em nossas
mentes. O pensamento só é, não precisa de explicação prévia;
uma aglutinação imbuída em seu próprio significado, sabe o que é
por ser somente.

Isso me faz pensar no Tao… E passo a ser só pensamento.

Muitos
temem a morte alucinógena de certas experiências acusando o que
veem de serem monstros distorcidos em busca de nosso fim. E
sentimos ela chegar.

O censor morre e antes de seu último suspiro faz crer que quem morre é quem está sempre diante da tela. E não só nos choca com o assalto da nossa razão no delírio do fim, liberta os monstros por debaixo dos monstros. Todos eles fazendo fila para arrancar mais um pedaço de confiança. Isso é doentio, tortura psicológica; você não somente morrerá, mas enfrentará tudo antes disso. Deseja realmente aceitar isso pacificamente? E nos contorcemos em pânico, tremendo normalmente num frio mórbido. Faz-nos recitar ‘mantricamente’ que não se está bem. E no primeiro movimento dos lábios o sensor sabe que fez um bom trabalho. Ainda que não possa vencer o avanço daquilo que lhe entorpece. O sensor cai morto sempre que dorme. Ele nunca dorme, só morre. Quando volta acha e faz parecer que nunca partiu. Mas as cadeias químicas percorrem o corpo envolvendo a mente, domando os pensamentos. E quando doma você é domado. O terror passa, ninguém morreu de fato. Você continua e isso parece renovador. Tudo livre, ao balanço do vento psicotrópico. Uns bailam até o renascimento da ordem. O que o sensor não saberá é o quanto você mudou.

Sentimos
prazer com nossa nova condição e um misto de liberdade e sincronia.
Isso por si só já alimenta alegrias ou fechamentos. Tudo sendo o
que precisa ser. Mas o ponto é que no fundo você sempre saberá:
não foi feito nada de fato.

Você simplesmente viu e sentiu, nada demais. Perdeu a chance de travar um novo processo ainda maior. Talvez certas coisas possam ter sido implantadas lá sem perceber. Coisas que possam vir a surgir no caminho, mas perceber é sempre um desafio durante ou depois disso. E esse momento único acaba sendo um processo muito cansativo e pouco válido, por que no fim acaba, dias após, junto com o esquecimento que o censor inevitavelmente ocasionará. Até o prazer pode ser perigoso para permanência do censor. Estamos acorrentados a este processo. Acreditamos ser melhor assim. Quem melhor do que um cuidador dedicado a uma causa nobre: segurar os demônios nos seus cantos.

Mas isso não é o mais estranho. Voltamos a temer a morte, achando ainda que é nossa. E mesmo que enfrentemos o rito novamente o medo estará lá, reforçado por declarações de medo, reverberando de cabeça em cabeça. Você não vê, mas todos os censores trabalham em uníssono. Um grupo de pessoas com medo aceitarão mais fácil o terror. E assim sendo alguém sempre usa uma desculpa para justificar. E mãos vão as cabeças. E de fato morremos. Por que o censor toma posse de toda nossa emoção e nos mata lentamente. E quando morre estamos vivos. E voltamos a nos felicitar além da conta. E as imagens simplesmente passam. Quantos de vocês dignos de uma espiritualidade trabalhada em lógicas e formas lindas, protegidos pelos seus pares aqui e lá acabam não vendo o privilégio de estar nu diante do espelho da mente? O escrutínio do censor não existe mais. É uma dádiva que parece passar desapercebida até por quem se dedica à linha de pensamento. O censor é tão esperto que não perderia a chance de deixar uma precaução. Ele sabe, sempre soube, que aquele que aprende precisa experimentar durante um tempo pra que o dado vire informação e posteriormente em sentido ou significado. Isso cria um vago espaço de tempo onde estamos diante de um poder imensurável e nada fazemos. Andamos em prados verdes e férteis e no fim acaba estéril e insignificante.

Por trás de toda interface existe um código-fonte muito bem moldado para cada tipo de experiência, por que assim esperamos ser melhor. Entender de imediato aquilo que experimentamos é advinda da confiança no processo de aprendizagem. E por isso as pessoas levam anos e mesmo assim patinam no limbo. O medo é essencial, mas aqui ele mata a possibilidade de olhar dentro do véu. E ficamos birutas curtindo cores e formas aleatórias. Feito criança que passa anos para lidar com o fato que entende e produz entendimento.

Esta é uma grande falha dos praticantes domesticados. Eles não voam, eles caem pasmos. E acordam com um censor novo em folha pra domesticá-los infinitamente.

“Enjoy”

Tudo o que fazemos que modela nossa realidade é em partes uma força bruta que a todos pertence. Ciência e Magia são um. Com formas diferentes de obter meios de reproduzir seus resultados. Mas no fim é sempre uma alteração de realidade. Esse conflito é desnecessário. O caminho está aberto? Abra você mesmo! Mate o Cérbero e invada o inferno chutando o portão sem piedade. Está preparado para lutar sem parar ao longo do infinito? Não há jornada maior e mais terrível. Não há recompensa maior e mais bela.

Conhece-te a ti mesmo… e mata o Cérbero sem pena. Ele voltará. Uma coisa com três cabeças, com certeza, volta. Mas após a primeira morte por suas próprias mãos não haverá mais uma porta depois do Cérbero. Invada seu lugar de direito. Tome o que é seu em suas mãos. Mas saiba que nada será esquecido.

Certo momento, invariavelmente, todos nós somos tomados pelo terror do discurso de morte do censor: cuidado! Há demônios do outro lado! Já que o trabalho dele é impedir que você passe a porta. Qualquer um com essa responsabilidade pintaria a porta de vermelho sangue e diria qualquer tolice que amedronte. Em grande parte isso é o terror de se reconhecer nas deformidades que encontrará. Com o tempo a visão acaba por se ajustar, percebemos que nós é que somos deformados e isso assusta. Nós somos limitados e não percebemos as reais formas. E cedo ou tarde o castelo ruirá. O passeio por sua casa é tudo o que tem. Construa o que desejar sem duvidar, perceba o que já tem por lá. Perceba.

E não há retorno; quando olhamos para o precipício ele olha de volta. Este momento requer paciência e pequenos passos. Domine os elementos internos abraçando a porta por onde tudo flui. Sabendo que seus instrumentos são uma extensão de seu corpo perceba a unidade. E se de fato for usar o caldeirão, terá de apreciar da sopa. Moradores e convidados sentem à mesa. O barco parte logo mais. A direção é para todos os lugares.

-Qual o objetivo disso além de experimentar?

É preciso coletar dados. Enfrentar o novo terreno e contemplar sua ciência. Domar a fera de todo modo.

Entretanto chegará um momento que reconhecer-se não será o problema. Tudo o que formos, será claro como água. O resto passará a ser uma vastidão infinita para desbravar. Achou que o monstro de três cabeças seria o único?

Ainda que reconheças que tais formas não são demônios, nada supera a experiência de olhar de frente para si. Ame cada pedaço, seja uma unidade. Assim poderá passear por aí, além da sua casa. Tal casa surge logo após a porta. Um lugar cheio de você por todos os lados, onde é preciso percorrer todos os vãos, iluminar todos os pedaços, reconhecer todas as fibras, anotar pra nunca mais esquecer, abrir janelas, trocar panos, mudar o que se precisa de lugar, reler livros guardados e reciclar as formas. Você é a chave para a próxima porta. A que não vemos antes desse momento. Afunde-se nela sem medo.

Há muita coisa por ai que precisa ser trazida e o momento é agora.

Não percamos nem mais um segundo.

S.O.Q.C.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/um-instante

Há somente uma Substância

» Parte final da série “Reflexões sobre o materialismo” ver parte 1 | ver parte 2 | ver parte 3

Substância – Princípio do ser, que é permanente, em oposição aos acidentes que mudam; A essência de algo; Qualquer espécie de matéria.

Um dos dogmas principais do cristianismo afirma que Jesus Cristo ressuscitou após três dias. O Novo Testamento nos conta que Maria Madalena foi o primeiro discípulo a ver Jesus ressuscitado. Conta também que tanto ela quanto outros discípulos a princípio se assustaram com sua aparição e somente após alguns momentos o reconheceram. Após algum tempo a notícia já se espalhava, mas um dos seguidores de Jesus, Tomé, não parecia crer nela – ele afirmou “que precisava ver para crer”.

A Bíblia diz que Jesus apareceu para Tomé e ainda permitiu que ele tocasse suas chagas… Carl Sagan admirava o ceticismo de Tomé, segundo ele este tipo de experiência – de ver, e tocar, para crer – deveria ser incentivada entre todos os religiosos. Já para os cristãos, Tomé sofria de falta de fé, e não havia nenhum mérito em seu ceticismo. Jesus chega a afirmar que “felizes são aqueles que creram sem ver” – de acordo com o Novo Testamento, é claro.

Ao contrário do que muitos céticos imaginam, há muitos religiosos que são extremamente materialistas. E não estou falando do materialismo no sentido do apego a bens materiais ou consumismo (este é um assunto para outro artigo), mas da necessidade básica que muitos deles têm de reafirmar a ressurreição da carne de Jesus, e jamais apenas de seu espírito.

Há muitos deles que tem verdadeiro asco de coisas fluidas e “imateriais”. Para eles, espíritos nada mais são que assombrações e/ou alucinações causadas por loucuras ou pela influência do próprio Diabo (e eles costumeiramente confundem as duas coisas). Poderíamos questionar o porque de apenas o Diabo ter tantos “poderes” de afetar diretamente nossa realidade, enquanto Deus “gastou” todos os seus milagres nos milênios anteriores – mas isso também seria assunto para outro artigo.

O que eu acho irônico é essa crença dogmática em corpos incorruptíveis, em seres que só podem retornar a vida ou se comunicar com aqueles ainda vivos na posse de um novo corpo, como num grande passe de mágica… Não pela crença em si, mas pelo fato de a grande maioria dos que creem nisso ignoram o fato de que a matéria é em todo caso intangível e invisível. Ora, Tomé não tocou nas chagas de Jesus e nem o viu a sua frente, ele apenas – supondo que o relato é real – sentiu a pressão dos elétrons se repelindo mutuamente (de sua mão e do corpo de Jesus) e percebeu os quantas de luz refletidos por seu corpo.

Tivessem eles conhecimento dos avanços da ciência moderna, se questionariam se existe assim tanta diferença entre um corpo e um espírito, ou por assim dizer entre um espírito encarnado em um corpo, e outro desencarnado. Sim, pois se eles já creem em tantas coisas jamais detectadas, o que custaria crer em seres não imateriais, mas compostos por matéria ainda desconhecida, conforme postulou Bahram Elahi?

Os espíritas, por exemplo, também são materialistas, apenas não compartilham dos mesmos dogmas de alguns cristãos. Vejamos a pergunta #82 do Livro dos Espíritos de Allan Kardec: “É certo dizer que os espíritos são imateriais?” – Para surpresa de muitos, os próprios espíritos que ditavam as respostas para as jovens médiuns que auxiliavam o cientista francês trouxeram a seguinte resposta: “Imaterial não é o termo apropriado; incorpóreo, seria mais exato; pois deves compreender que, sendo uma criação, o espírito deve ser alguma coisa. É uma matéria quintessenciada, para a qual não dispondes de analogias, e tão eterizada que não pode ser percebida pelos vossos sentidos.” Ora, hoje em dia talvez fosse possível fazer analogias mais próximas – “Matéria Escura” seria uma delas.

Entretanto, sé é muito custoso para os céticos e materialistas anti-subjetivos acreditarem que consciências possam existir longe de cérebros feitos da matéria que já conhecemos, que isso não seja uma barreira intransponível entre nós, espiritualistas, e eles…

Carl Sagan resume muito bem a questão em seu livro “O mundo assombrado pelos demônios” – para alguns “a bíblia do ceticismo”:

“Espírito” vem da palavra latina que significa “respirar”. O que respiramos é o ar, que é certamente matéria, por mais fina que seja. Apesar do uso em contrário, não há na palavra “espiritual” nenhuma inferência necessária de que estamos falando de algo que não seja matéria (inclusive aquela de que é feito o cérebro), ou de algo que esteja fora do domínio da ciência. De vez em quando, sinto-me livre para empregar a palavra. A ciência não é só compatível com a espiritualidade; é uma profunda fonte de espiritualidade. Quando reconhecemos nosso lugar na imensidão de anos-luz e no transcorrer das eras, quando compreendemos a complexidade, a beleza e a sutileza da vida, então o sentimento sublime, misto de júbilo e humildade, é certamente espiritual. Como também são espirituais as nossas emoções diante da grande arte, música ou literatura, ou de atos de coragem altruísta exemplar como os de Mahatma Gandhi ou Martin Luther King. A noção de que a ciência e a espiritualidade são de alguma maneira mutuamente exclusivas presta um desserviço a ambas.

Existam espíritos ou não, o primeiro espírito que precisamos conhecer é o nosso próprio, ainda que não passe de um efeito de nosso processo de consciência. Os primeiros cientistas na Grécia antiga, na Sicília e na ilha de Samos, já buscavam a Substância que dava origem e todas as outras – o fogo, a terra, o ar, a água? Tanto faz se estavam equivocados; Assim como Demócrito equivocou-se em sua abordagem dos átomos mas estava fundamentalmente correto em suas analogias, eles da mesma forma estavam… Todos chegaram a resultados errôneos, mas acertaram profundamente em sua busca.

Inspirado por tais sábios de outrora, o grande Benedito Espinosa chegou à conclusão definitiva em sua “Ética”: “uma substância não pode criar a si mesma” – Sim, tudo, tudo o que há, há de advir de uma única Substância, incriada, eterna, a que se opõe ao nada…

E ainda que tudo o que exista sejam “átomos e vazio” e que nossas vidas não passem de um breve lampejar de vela em noite de ventania, há espiritualidade suficiente na ideia de que estamos sim todos conectados, todos feitos das mesmas substâncias, filhos de fusões nucleares em sóis catapultados em uma imensidão que nem mesmo a luz pode dizer onde acaba.

Nós somos os filhos do horizonte, e nosso único e derradeiro pecado é ignorar tal necessidade de vislumbrar nossa essência uma vez mais – não como Tomé a apalpar as chagas do messias, mas como aqueles que perceberam tanto o mundo material quanto o espiritual, e não souberam dizer ao certo qual é o mais bonito.

Disse Jesus: se vocês disserem qual a vossa origem, dizei-lhes: viemos da Luz, de onde a Luz se originou dela mesma. Ela permaneceu e revelou-se a si mesma em sua imagem. Se vos disserem quem sois vós, dizei-lhes: somos seus filhos e somos eleitos do Pai Vivo. Se vos perguntarem qual é o sinal do vosso Pai em vós, respondei-lhes: é o movimento e o repouso. (O Evangelho de Tomé [o Dídimo] – v.50)

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Crédito das imagens: [topo] Aidan McHae Thomson; [ao longo] Holger Spiering/Westend61/Corbis

O Textos para Reflexão é um blog que fala sobre espiritualidade, filosofia, ciência e religião. Da autoria de Rafael Arrais (raph.com.br). Também faz parte do Projeto Mayhem.

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#CarlSagan #Filosofia #materialismo #Espiritismo #Espinosa

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/h%C3%A1-somente-uma-subst%C3%A2ncia

Necronomicon: o Livro e Seu Autor

O Kitab Al-Azif, livro que em sua versão grega, receberia o nome de Necronomicon — provavelmente a obra mais temida (e desejada) de toda a história do ocultismo — foi escrito em cerca de 730 d.C., na cidade de Damasco (Síria), por um árabe que, segundo tradutores e comentaristas ocidentais, teria se chamado “Abdul al-Hazred”. Na verdade nenhum árabe jamais possuiu esse nome; a palavra “Abdul” não é um nome próprio, mas um título: significa “servo (Abd) de (ul)”. Assim um nome como Abdulah, por exemplo, significa “servo de Deus”. “Abdul”, apenas não faz sentido algum.

Já “Hazred” soa como uma corruptela latina do termo nominal árabe azrad, derivado do verbo zarada — que significa estrangular ou devorar. Assim o nome correto do autor do Kitab Al-Azif seria Abd al-Azrad, ou “o servo do grande devorador”.

Azrad foi um poeta, astrólogo e filósofo, mago e cientista nascido em cerca de 700 d.C. na cidade de Saana, no Iêmen. Antes de escrever a obra que imortalizaria seu nome, ele passou vários anos entre as ruínas da Babilônia, as catacumbas de Mênfis e o grande deserto da Arábia. O autor morreu em 738, em Damasco.

De acordo com o biógrafo Ibn Kallikan, Abd al-Azrad foi devorado, em plena luz do dia, por um demônio invisível. O Azif circulou secretamente em rolos de pergaminho por quase dois séculos.

Em 950, o filósofo bizantino Theodorus Philetas (lê-se Filetas) traduziu a obra para o grego, rebatizando-a como Necronomicon. O manuscrito de Philetas foi copiado várias vezes e muitos exemplares passaram a circular no Império Romano do Oriente até que, em 1050, o Patriarca de Constantinopla Miguel Cerulário condenou a obra. Várias cópias foram confiscadas e queimadas; seus proprietários, mortos sob tortura.

Em 1228, Olaus Wormius, o Velho, traduziu a versão grega de Philetas para o latim, mantendo o título Necronomicon — a essa altura, o original árabe já era dado como perdido. Em 1232, o Papa Gregório IX incluiu o livro de Wormius (e o de Philetas) no Index Expurgatorium.

O Necronomicon de Wormius viu sua primeira edição produzida com tipos móveis em 1454. O incunábulo alemão, impresso em caracteres góticos, não traz data, local ou nome do impressor.

No início do século XVI — com certeza antes de 1510 —, uma versão do livro de Philetas foi impressa na Itália.

A primeira edição “censurada” do Necronomicon — sem as passagens mais terrificantes e os feitiços mais perigosos — foi elaborada em 1580 pelo Dr. John Dee, mago e médico particular da Rainha Elizabeth I da Inglaterra.

Aparentemente, Dee, ao elaborar o texto em inglês, trabalhou com base num manuscrito grego.

No século XVII, o texto em latim foi reimpresso na Espanha dos Habsburgos. Descontando-se a baixa qualidade tipográfica, o livro é tão fiel ao original quanto a primeira edição feita na Alemanha.

Exemplares Conhecidos:

Atualmente existem apenas cinco exemplares do Necronomicon no mundo — ou, ao menos, apenas cinco exemplares de conhecimento público. Várias outras cópias podem estar preservadas em bibliotecas particulares. Os exemplares que chegam ao mercado são rapidamente adquiridos por colecionadores de livros raros (ou por interessados no conteúdo místico do livro) e o preço já atinge as raias do inestimável.

As cinco únicas cópias conhecidas são todas do texto latino de Wormius. Quatro pertencem à segunda edição espanhola e apenas uma à edição alemã original. Nenhum deles é manuscrito e, devido aos poderes atribuídos ao livro (e ao grande número de seitas fanáticas que buscam apossar-se dele ou destruí-lo), nenhuma instituição permite acesso irrestrito à obra. Os exemplares pertencem aos acervos da Bibliothèque Nationale de Paris, à Biblioteca da Universidade Miskatonic, em Arkham, à Biblioteca Widener, em Harvard, e à Biblioteca da Universidade de Buenos Aires (que recebeu o livro graças ao testamento do escritor Jorge Luís Borges). O único exemplar restante da edição alemã está na Biblioteca do Museu Britânico em Londres.

O colecionador abastado de livros raros não terá muitas dificuldades em levantar no mercado uma cópia do manuscrito de John Dee ou do manuscrito de Sussex (uma segunda edição inglesa, inferior à de Dee).

Kitab al-Azif:

Oficialmente, todas as cópias do manuscrito árabe original foram destruídas. No entanto, o Professor Phileus Sadowsky, filólogo e professor de literatura árabe da Universidade de Sófia, Bulgária, afirma ter consultado um livro medieval árabe, intitulado Kitab al-Azif, na Magyar Tudomanyos Akademia Orientalisztikai Kozlemenyei, da Hungria, em meados da década de 1980.

Segundo Sadowsky, o livro mede 21 x 16 centímetros e está escrito em um pergaminho já bastante apodrecido e semi-devorado por vermes. Há marcas de queimadura na extremidade direita do volume, como se alguém o houvesse arremessado ao fogo e se arrependido logo em seguida. O livro estaria escrito em letra tremida e, segundo o Professor, não se trata do trabalho de um calígrafo ou escriba profissional. O pergaminho e o estilo dos caracteres arábicos faz presumir que a obra tenha sido copiada na Síria ou no Irã, durante o século VIII.

Infelizmente tanto o governo da Hungria quanto as autoridades da Magyar Akademia negam veementemente a existência do Kitab al-Azif. Eruditos e bibliotecários ocidentais enviados à Europa Oriental após a queda dos regimes comunistas do Leste Europeu não encontraram qualquer traço do livro ou de registros a respeito de sua existência. De qualquer forma, a reputação do Professor Sadowsky é bastante sólida e parece impossível escapar a esse impasse.

O Nome:

O título grego, “necronomicon”, significa “coisas pertinentes aos costumes, leis e hábitos dos mortos”. O título original, Kitab al-Azif, pode ser traduzido como “Livro dos uivos dos demônios do deserto” ou mais poeticamente como “Livro Daquele que se aproxima”.

Poderes:

Dentre os poderes do Necronomicon, documentados por estudiosos como H.P. Lovecraft ou Henry Armitage, encontra-se um cântico capaz de trazer o demônio Yog-Sothoth a este mundo; informações sobre o pó de Ibn Ghazi, cujos poderes alucinógenos encontram-se além de qualquer descrição; e instruções para a elaboração do Signo Voorish. Há, no entanto, centenas de outros encantamentos e relatos cifrados no livro. Pois o Necronomicon não é um livro que se lê diretamente — ele precisa ser decifrado, intuído, e aqueles que o lêem, após todo o esforço e sanidade dispensados na tarefa, emergem radicalmente transformados.

That is not dead which can eternal lie,
And with strange aeons even death may die.
— Abdul Alhazred: Al Azif

Todos os meus contos partem da fundamental premissa de que as leis, interesses e emoções humanas não possuem nenhuma validade ou significância na grande imensidão do universo.
— H.P. Lovecraft

Por Carlos Orsi Martinho

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/necronomicon-o-livro-e-seu-autor/

Não Existe Almoço Grátis

Olá crianças,

Outro dia eu vi no Facebook uma propaganda de “perfumes mágicos” vindo de fachada de uma dessas Ordens pseudo-Satanistas da vida. Os anúncios eram bem parecidos com os que poderíamos encontrar nas revistinhas Wiccas. Os produtos incluíam perfumes milagrosos que prometiam “serenar a alma”, “acalmar a mente preocupada”, “proteger de pesadelos”, “proteção” e outras coisas mil feitos sob medida mediante nome, data de nascimento e foto.

A sorte (ou intuição) é que me fez cair na charlatã que é dona dessa página antes que ela fosse lançada para o público e pude perceber o engodo de vampirização dessa porcaria (não era uma lojinha wicca, mas uma página gerenciada por um terreiro de kiumbanda satanista de vampirização e matança de animais, do tipo mais escroto que existe).

Antes de explicar como funciona o golpe em detalhes, vou contar outro causo:

Por volta de 1999 circulou pelas internets um livro chamado XXXX, que seria “o Super-Duper livro de como se tornar um super-master satanista de Orkut”, com segredos que foram “vazados” de uma Ordem Satânica hipster (segundo a história mirabolante deles, já eram satanicos antes do anton lavey inventar o satanismo) e que, apesar de terem caído nas internets, continham segredos miraculosos e satânicos de poder…

Hauahauahauahau

Era quase uma versão moderna do Livro de São Cipriano capa de Kriptonita kkkk
[UPDATE] De uns anos para cá, a tal ordem liberou oficialmente o tal livro, numa excelente jogada de marketing.

Na época, um grupo de estudos daqui de SP do qual eu faço parte quis analisar o tal livro para ver que tipo de coisas ele poderia ter de útil. Qual não foi nossa surpresa quando os Exus do grupo descobriram que as evocações realmente funcionavam!!! Só que ao contrário!!!

Os rituais haviam sido propositadamente criados com o intuito de abrir pequenos portais de vampirização, que eram acentuados pelo fato dos moleques que faziam o ritual terem de se cortar, passar tempos em jejum, caminhar por horas e horas na estrada e outros métodos de exaurir qualquer tipo de vontade. Desta maneira, o processo não dava a eles a experiência de entrar em contato com o “Sagrado Demônio Guardião” (olha a merda…), mas sim, mandava para eles um “Sagrado Egun Vampirizador” que ficava ali de butuca chupando energia do moleque e alimentando uma egrégora secreta.

Essa Ordem é uma organização secreta satanista que realmente existe, formada inicialmente no Reino Unido, tendo se mostrado ao publico em geral nos anos de 1980 e 1990, com uma estória fantasiosa medieval. Mas acaba por ai. Não tenho dúvidas que exista realmente um núcleo central de magos negros em algum lugar da Europa, servindo a algum grupo de eguns que absorvem toda essa energia… convenhamos que não é grandes coisas, porque geralmente os satanistas de Orkut não servem para muito e dão no máximo uma pilha ray-o-vac. Mas o segredo é a quantidade.

O livro foi “vazado” para a Internets e milhares de idiotas graciosamente fizeram os rituais, achando que eram muito espertos, e acabaram engrossando as fileiras dos pilhas e escravos energéticos da egrégora. O plano é sensacional… porque um satanista de Orkut nunca vai admitir que é um trouxa energético… eles SEMPRE vão se achar os fodões, já que a grande base dos satanistas de internet é a insegurança total com quem a pessoa é e com o que é capaz de fazer… como Crowley bem disse “Os escravos servirão!”.

Se alguém falar que o tal livro é um portal de vampirização e roubo de energia e poder e que a pessoa está sendo vampirizada/roubada, os satanistas ainda irão brigar com você! (qualquer semelhança com Igrejas Evangélicas _NÃO_ é mera coincidência). Afinal de contas, o fulano quer posar de malvadinho e vai admitir que é um otário astral? Sobram no orkut e Facebook, então, duas castas de satanistas… os que “organizam” grupos, tentando escalar a pirâmide de trambicagem, e os que “querem entrar para ter vários poderes” que constitui o grosso dos vampirizados.

Quando eu digo que não existe almoço de graça, é preciso entender que nenhuma entidade, seja ela qual for, consegue se manter muito tempo no Mundo Físico incorporada ou manifestada sem uma fonte de energia. E toda guerra tem de ser financiada. Normalmente são os médiuns. Nos terreiros sérios, com entidades e médiuns preparados, existe toda uma estrutura de firmezas, preparações e técnicas que ajudam nestas manifestações, mas mesmo assim trabalhos prolongados vão acabar exaurindo os membros da casa.

Terreiros que trabalham dentro da Lei, ou seja, que contam com grandes Egrégoras protetoras, possuem redes de “compartilhamento energético” através dos rituais que alimentam esta Egrégora e permite que seus Guardiões trabalhem… podemos citar a Maçonaria, Ordem Demolay, AMORC, FRA, Ordens Rosacruzes, Ordens Martinistas, Arcanum Arcanorum, Templos Budistas, e outras fraternidades. Estes Guardiões trabalham EM CONJUNTO com o Sagrado Anjo Guardião de cada membro… desta maneira, todos os membros doam energia (lembre… não existe almoço grátis) e as entidades compartilham estas energias em uma grande defesa astral, formando uma rede.

Em outros lugares, como em Igrejas evangélicas, TAMBÉM existem estes Guardiões de Proteção da Egrégora, porém, eles estão mais preocupados em proteger A EGRÉGORA do que os idiotas que vão alimentá-la.

O Conceito de Lei e Fora-da-Lei

Nosso Sistema Solar possui a finalidade de EVOLUÇÃO. Esta é a Lei. Todas as Egrégoras que trabalham na Lei visam a evolução de seus membros através do descobrimento e realização da Verdadeira Vontade de cada um. É simples de entender isso na Ordem Rosacruz, nas Ordens de Estudo, na Essência da Maçonaria, na Essência da Thelema, em terreiros de Umbanda, em centros Kardecistas, em Ordens que permitam que a pessoa questione e amplie seus horizontes cada vez mais.

Os Fora-da-Lei trabalham na Involução. Elas trabalham de maneira que os membros sirvam de alimento energético (e monetário, e emocional) para uns poucos vampiros. Também é muito fácil entender isso na estrutura de qualquer Igreja Evangélica ou Católica ou Satânica da vida. Também é muito fácil entender este funcionamento em Ordens de mão esquerda de internet, pontos de venda de drogas, em bares, em prostíbulos…

Um Egun, ou um espírito fora-da-lei, é uma espécie de “agiota” no Astral… alguém que quer se manter presente no Planeta e que precisa negociar esta energia com a galera. Alguns os chamariam de vampiros, kiumbas, obsessores, etc, mas ele é apenas um ser que quer a SUA energia para sobreviver!

A melhor maneira deles sobreviverem é criando um grupo para que possa roubar a energia um pouco de cada um, de modo que nenhum deles eventualmente morra ou fique muito imprestável. Existem diversos tipos de eguns, mas os mais conhecidos alimentam-se da energia gerada através do sexo, de sacrifícios e de “doações energéticas”. Geralmente são agressivos e tendem a tomar o controle da mente de seus membros, tornando-os fanáticos e dóceis aos comandos dos líderes (qualquer semelhança com política e governos ditatoriais não é mera coincidência… lembre-se que o que vale aqui vale lá).

Ai temos o grupinho inicial ou os magos ou a grã-sacerdotisa loira ou qualquer porcaria que o valha. O grupo fará o possível para atrair e acorrentar o maior número de trouxas (sem trocadilho) que conseguir em busca de sua energia (astral e monetária) sem dar nada em troca. A sacada destes grupos é que eles sempre falam que você é “especial”…

Quando o egun consegue se estabelecer, ele passa a fingir que é um Exu e assume títulos pomposos como Maioral, Rei, Barão, Duque, Satanás-não-sei-das-quantas e por ai vai e busca dar algum poder para o grupinho inicial para incentivá-los… faz umas amarrações, faz umas macumbinhas, dá um dinheiro (no caso de Igrejas, dá um carro novo, um salário de pastor… veja como os mundos são espelhados!) e protege aqueles escravos principais, que são os que lhe trarão mais energia/dinheiro, em uma espécie de Esquema de Pirâmide Astral.

Claro que, nesse submundo, ocorrem guerras astrais o tempo todo… pastores tiram fiéis do vício de drogas, de prostituição, pegam bandidos na cadeia e trazem para dentro da Igreja. Satanistas e quimbandeiros recrutam bandidos, donos de bocas de fumo e políticos corruptos, que passam lá para fazer suas macumbas em tempo de eleição.

E, eventualmente, Eguns são recrutados pelas falanges da Lei, tornando-se Exús de baixa hierarquia. Normalmente quando algum ataque destes vem contra mim ou contra ordens estabelecidas, aprisionamos e direcionamos os eguns para o trabalho em centros.

Então retornamos aos “perfumes mágicos”… que tipo de coitado idiota daria seu nome, foto e data de nascimento para ser usado como pilha energética por demônios? Alguém que não soubesse do esquema, claro. Vendo a página podemos perceber um padrão: produtos com ar de picareta que prometem curas mágicas para depressão, fraqueza, preocupação, pesadelos, etc…

Estes produtos pegam infelizes que:

1) acreditam em fórmulas milagrosas, portanto, possuem baixa defesa mental/astral

2) possuem obsessores causando depressão, fraqueza, preocupação, pesadelos…

Então pegam nome, data de nascimento e foto da pessoa… (deviam pedir mecha de cabelo também kkk). O leitor mais esperto já percebeu que essa armadilha é um DISK EGUN… uma forma de “recrutamento” de escravos Obsessores desgarrados, certo? O otário manda foto, nome, data de nascimento e indicação de que fraqueza possui… tudo que os satanistas precisam fazer é abrir os portais, escravizar o obsessor desgarrado e vampirizar o mané… gênio!

Isso é, no fundo, um bom sinal… sinal que a egrégora está fraca e desorganizada, precisando desesperadamente de novos “recrutas” astrais (por que será? andaram destruindo todo o grupo? Kkkkk)

Tomem muito cuidado com lojinhas nas internets prometendo muambas milagrosas, especialmente as que pedem foto, nome e data de nascimento com a desculpa de serem “feitos sob medida”… vai custar bem caro essa brincadeira…

#Fraudes #LHP

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/n%C3%A3o-existe-almo%C3%A7o-gr%C3%A1tis

Azazel

De acordo com o livro de Enoque, é um dos 200 anjos que se rebelaram contra Deus . Nos escritos apocalípticos é o poder do mal cósmico , identificado pelos impulsos dos homens maus e da morte . Eles teriam vindo à Terra, para esposar os humanos e criar uma raça de gigantes . O Livro das Revelações , de Abraão , descreve-o como uma criatura impura e com asas. É identificado como a serpente que tentou Eva e que poderia ser o pai de Caim . No século II os búlgaros bogomilianos concordavam que Satanael teria seduzido Eva e que ele, não Adão, era o pai de Caim . A maioria dos bogomilianos foi queimada viva pelo imperador bizantino Alexis . Os Atos dos Apóstolos falam, ainda, em outros três demônios a saber : RIRITH, divindade maléfica do sexo feminino, desencadeadora de tempestades, espécie de fantasma noctívago, que os babilônios chamavam de Lilitu . Antiga tradição popular judaica afirma que Lilith teria sido a primeira mulher de Adão , BERGAR , cujo sentido é o de maligno e comparado, por São Paulo, como anti cristo , e ASMODEU , conforme já exclarecido, aparece no livro de Tobias como o assassino dos maridos de Sara .

O nome de Azazel (como poder sobrenatural) significa “deus-bode”. Na demonologia mulçumana, Azazel é a contraparte do demônio que refusou a adorar Adão ou reconhecer a supremacia de Deus. Seu nome foi mudado para Iblis (Eblis), que significa “desespero”. Em Paraíso Perdido (I, 534), Milton usa o nome para o porta bandeiras dos anjos rebeldes.

Azazel é assim o destino do bode expiatório que carregava os pecados de Israel para o deserto no Iom Kipur (Lev. 16). Dois bodes idênticos eram selecionados para o ritual. Um era escolhido, por sorteio, como oferenda a Deus, e o outro era enviado para Azazel, no deserto, para ser lançado de um penhasco. O sumo sacerdote recitava para o povo uma confissão de pecados sobre a cabeça do bode expiatório, e uma linha escarlate era enrolada, parte em volta de seus chifres, parte em volta de uma rocha no topo do penhasco. Quando o bode caía, a linha tornava-se branca, indicando que os pecados do povo haviam sido perdoados. Embora a palavra Azazel possa se referia a um lugar, ou ao bode, também foi explicada como sendo o nome de um demônio. Os pecados de Israel estariam, pois, sendo devolvidos à sua fonte de impureza. Os cabalistas viam no bode um suborno às forças do mal, para que Satã não acusasse Israel e, ao contrário, falasse em sua defesa. Azazel é também o nome de um anjo caído.

Texto do “Dicionário Judaico de Lendas e Tradições” de Alan Uterman.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/azazel/

O Sistema Enoquiano

Os Sistemas conhecidos como Magia Enoquiana, derivam do trabalho do estudioso Elizabetano Dr. John Dee e de Sir. Edward Kelly. John Dee tinha uma paixão por descobrir o conhecimento “perdido” e as “verdades espirituais”, em particular, ele queria recuperar a “Sabedoria” contida em Escritos Antigos. Entre estes escritos estava o Livro de Enoque, o qual ele concebeu como sendo uma descrição de um sistema de magia usado por aquele Patriarca. Tendo chegado a conclusão que seus esforços em descobrir as “verdades” em escritos e livros antigos eram infrutíferas, decidiu contatar as Forças Divinas pessoalmente. Durante os anos de 1581 à 1585, Dee executou uma longa série de operações de Magia. Kelly se juntou a Dee em março de 1582, sendo seu assistente exclusivo enquanto durou seu trabalho.

O método empregado para estes trabalhos era bastante simples para a época. Dee agia como orador e dirigia fervorosas orações para Deus e os Arcanjos, com durações que variavam de 15 minutos à 1 hora. Então uma “Bola de Cristal” era colocada em uma mesa preparada, e os Anjos eram chamados à manifestar um aparecimento visível. Kelly via através da “Bola de Cristal” e relatava tudo; Dee sentava-se à outra mesa e registrava tudo o que acontecia.

Dee fez várias cópias destes registros. Uma porção deles, relativos às Invocações Angelicais, “Tabletes” e “Liber Scientiae”, foram adquiridos juntamente com a biblioteca de Dee por Robert Cotton. Parte destes registros foram publicados no “Casaubon’s A True and Faithful Relation”. As partes mais antigas relativas à “Heptarchy” e “Liber Loagaeth” vieram à luz por meios mais indiretos.

Inicialmente, Dee aparentemente decidiu esconder os seus registros em um compartimento de um grande móvel de cedro. Depois da sua morte, este móvel passou por várias mãos. Os documentos escondidos não foram descobertos até por volta de 1662, e encontraram um destino nas mãos de Elias Ashmole em 1672. Mais tarde a coleção de Ashmole passou para o Biblioteca Britânica.

De acordo com Ashmole, aproximadamente metade dos registros escondidos estavam destruídos. Apesar disto, os registros das operações realizadas de 1581 até 1585 mantiveram-se quase completamente intactos.

O registro destas operações é muito detalhado; tanto que leva à um estudo cuidadoso no intuito de separar o “joio do trigo”. Há longos períodos em que as comunicações parecem não ter nenhum propósito a não ser, manter a atenção dos “Magistas” em continuar as operações. Durante estes períodos os Anjos apresentaram visões coloridas, profecias portentosas, e “fofoca angelical”, mas muito pouca informação “sólida”. Adicionalmente, o estudioso tem de lidar com incursões em doutrinas apocalípticas, política, problemas pessoais de Dee e Kelly, e várias questões irrelevantes que Dee teimou em inserir no trabalho.

Cronologicamente, o trabalho de Dee e Kelly divide-se em três períodos altamente produtivos separados por meses nos quais nada de particular valor foi recebido. Geralmente o material recebido em cada período é completo em si, e sutilmente relacionado com os outros períodos. Numa interpretação mais rígida, apenas o material do terceiro período poderia ser qualificado como “Enoquiano”, mas é comum referenciar todo o trabalho como “Enoquiano”.

O primeiro sistema de Magia “dado” a Dee foi o “Heptarchia Mystica”. Um sistema de complexidade moderada de Magia Planetária, semelhante ao encontrado nos “Grimórios Salomônicos”. O registro de sua apresentação pode ser encontrado no “Mysteriorum Libri Quinti”.

A apresentação deste sistema Mágico é de notável sequência e ordem. São descritos com detalhes os “itens” necessários para consecução do sistema. Relata-se também uma hierarquia angelical de 49 “Anjos Bons”, e mais adiante informações relativas aos Reis e Príncipes da hierarquia, e seus ministros. A maior parte das informações foram determinadas durante 1582; significativas correções relativas ao desenho dos “itens” foram determinadas na primavera do ano seguinte, depois de um hiato no trabalho.

Os anjos afirmam que o anel que eles projetaram para Dee era o mesmo que Salomão utilizava para controlar os demônios. O Anel possuía uma faixa clara na qual era fixo um retângulo. Nos quatro “cantos” deste retângulo eram escritas as letras PELE. No centro do retângulo havia um círculo cruzado por uma linha horizontal, acima desta linha havia a letra “V” e abaixo a letra “L”.

Foram dados dois lamens a Dee, um na versão com escrita angélica e outro com caracteres latinos. O primeiro destes apresentava uma semelhança à vários Sigilos Góticos, sendo composto por várias linhas desenhadas a “mão livre” e letras dispostas sem uma ordem aparente. O “ser” que instruiu o desenho deste lamen, disse que o mesmo deveria ser usado em todas as ocasiões e locais, como o propósito de proteção.

No ano seguinte, Dee e Kelly foram avisados por outros “Seres” que aqueles lamens eram falsos e haviam sido dados por um “espírito” ou “ser” ludibriador. Estes mesmos seres, deram a Dee instruções para consecução de “Quadrados Mágicos”, compostos por uma matriz (7×12), compostos inteiramente de letras. Ao contrário dos Lamens anteriores estes tinham o único propósito de dignificar o Magista, mostrar seus méritos para executar a Magia Heptarchica.

A “Mesa Santa” ou “Mesa da Aliança” era a peça central do sistema de Magia Heptarchica. Seu propósito era ser um “instrumento de conciliação”; o meio pelo qual os poderes que estavam por ela simbolizados eram trazidos junto ao Magista. Como o lamen, a versão inicial da mesa, foi depois dita incorreta, e um novo desenho foi “providenciado”.

A mesa possuía um tampo quadrado com o lado medindo 2 cúbitos* (algo variando entre 90cm e 104cm), com a altura de 2 cúbitos*. As pernas da mesa terminavam com a forma de taças viradas para baixo nas quais eram colocadas pequenas cópias do “Sigillum de Aemeth”. A mesa possuía borda de uma polegada, nas quais certas letras eram desenhadas, 21 para cada lado. Próximo à borda era desenhada uma Estrela de Davi, e no centro da Estrela um “Quadrado Mágico” de 6 polegadas de lado, formado por uma matriz 3×4 contendo mais letras. Em cima da mesa eram colocados 7 “Talismãs Planetários”, chamados as “Ensignias da Criação”, cada talismã representava um corpo celeste: o planeta Vênus, o Sol, Marte, Júpiter, Mercúrio, Saturno e a Lua; no centro da mesa era colocado uma versão grande do “Sigillum dei Aemeth”.

Quando em uso, A Mesa, O “Sigillum”, e Os Talismãs eram cobertos com um tecido de seda vermelho. A “Bola de Cristal” era então colocada em cima do tecido, diretamente em cima do “Sigillum”.

(*) Cúbito – Provavelmente a mais antiga medida linear que se tem notícia, era a distância entre o cotovelo e dedo médio. Variava entre 45 e 52 cm. O menor era chamado de “pequeno cúbito” e o maior, “cúbito real”.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/o-sistema-enoquiano/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/o-sistema-enoquiano/

Babalon: a Mulher Escarlate e Seu Mistério

Por Spartakus FreeMann

“BABALON é nossa Mãe, mas quem é ela? Ela é simplesmente tudo. O que você está vendo, o que está bebendo, o que está vestindo, a maneira como o cabelo cheira, a maneira como o barulho do lado de fora atinge a janela, o cachorro etc. Tudo isso é Babalon, toda a realidade material. Ela é a Mãe Divina, a portadora da Luz e das Trevas e a Ela somos subjugados por sua autoridade majestosa.”
– Tau Nahash, A Emanação Babalon

A partir do sistema de Magick de Crowley, ela é retratada como a Mulher Escarlate, a Grande Mãe e Mãe das Abominações. Sua forma divina é a da prostituta sagrada e seu principal símbolo é o Cálice do Graal. Seu consorte é o Caos, o ‘Pai da Vida’, a forma masculina do Princípio Criativo. Babalon é frequentemente descrita como uma mulher carregando uma espada e cavalgando a Besta com a qual Aleister Crowley se identificou pessoalmente. Em um sentido mais geral, Babalon representa a mulher liberada e a expressão do impulso sexual.

Tabela de conteúdo:

1. Etimologia e referências Bíblicas
2. Babalon, a Porta de entrada para a Cidade das Pirâmides
3. A Grande Prostituta
4.  O papel da Mulher Escarlate
5. A Grande Mãe
6. A Mulher Escarlate e o Livro da Lei
7. Babalon nos outros escritos de Crowley
8. Jack Parsons e o Liber 49
9. Ecclesia Babalon e literatura adicional

Etimologia e referências bíblicas

Em primeiro lugar, a forma divina de Babalon parece derivar de uma passagem no Apocalipse, uma fonte de grande inspiração para a cosmologia de Crowley. No Apocalipse, encontramos esta passagem:

“3 E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor escarlate, que estava cheia de nomes de blasfêmia e tinha sete cabeças e dez chifres. 4 E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlata, adornada com ouro, e pedras preciosas, e pérolas, e tinha na mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição. 5 E, na sua testa, estava escrito o nome: Mistério, a Grande Babilônia, a Mãe das Prostituições e Abominações da Terra. 6 E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.”

Apocalipse 17:3-6 (tradução de Sower).

O nome Babalon pode ser derivado de várias fontes. Primeiro, há uma óbvia semelhança com a Babilônia. Babilônia era uma grande cidade na Mesopotâmia, a fonte da cultura suméria. A divindade Ishtar tem uma semelhança bastante assombrosa com a Babilônia de Crowley. A própria Babilônia é uma cidade frequentemente citada na Bíblia, geralmente como uma imagem do paraíso caída na ruína, um aviso contra a maldição da decadência:

“1 E, depois destas coisas, vi descer do céu outro anjo, que tinha grande poder, e a terra foi iluminada com a sua glória. 2 E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, e abrigo de todo espírito imundo, e refúgio de toda ave imunda e aborrecível! 3 Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição. Os reis da terra se prostituíram com ela. E os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias.
4 E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados e para que não incorras nas suas pragas. 5 Porque já os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou das iniquidades dela.” Apocalipse 18:1-5 (tradução Sower).

Outra possibilidade deriva da palavra Enoquiana BABALOND, que é traduzida como “meretriz”. Esta é provavelmente a explicação mais provável desde que a “Visão e Voz” foi obtida por Crowley através de viagens astrais seguindo o sistema de magia Enoquiana.

Crowley provavelmente escolheu a grafia Babalon por seu significado Cabalístico. Ao substituir a letra ‘y’ da Babilônia por um ‘a’, a palavra ‘AL’ aparece no centro da palavra. Tudo se decompõe então da seguinte forma: Bab-al-on. Bab é a palavra árabe para “porta”; “AL” é a Chave da Legislação da Liberdade, e também o nome cabalístico para Deus; “ON” é o nome da cidade egípcia que os gregos chamaram de Heliópolis, a Cidade das Pirâmides. Por gematria, Babalon, באבאלען, é igual a 156, que é o número de quadrados em cada tablete dos elementos do sistema Enoquiano de Dee e Kelly. Estas placas são identificadas com a Cidade das Pirâmides, sendo cada quadrado a base de uma pirâmide.

Babalon, a Porta da Cidade das Pirâmides

No sistema Magick, o adepto chega à etapa final quando deve atravessar o Abismo, aquele lugar selvagem do nada e da dissolução. Choronzon (veja nosso estudo sobre Choronzon) reside neste lugar e seu papel é encurralar o viajante neste mundo de ilusões. Entretanto, Babalon está apenas do outro lado acenando para o adepto. Se o adepto se entrega a Ela – o símbolo deste ato é o derramamento do sangue do adepto em seu Graal – ele então se imbui dela para renascer como mestre e santo que reside na Cidade das Pirâmides. Este processo é lindamente descrito no 15º Aethyr da Visão e da Voz.

O conceito contido na imagem de Babalon é o de um ideal místico, a busca de tornar-se um com o todo. Este processo exige necessariamente a recusa de negar qualquer coisa, de se tornar perfeitamente passivo para o mundo, de permitir que todas as experiências ocorram, de se entregar em uma enxurrada de sensações. Através disto, o místico entra em contato direto com a vida, formulando assim o vinho Graal, sendo o entendimento destilado que é derivado da experiência bruta. Este processo tem sua analogia no trabalho da Senhora da Noite.

Babalon é descrita em vários textos de Thelema, mas seu aspecto mais edificante está na “Visão e Voz” na passagem que explica a função do Cálice:

“Que ele olhe dentro da taça cujo sangue está misturado, pois o vinho da taça é o sangue dos santos. Glória a Mulher Escarlate, Babalon a Mãe das Abominações a qual cavalga a Besta, pois ela derramou o sangue deles em cada um dos cantos da terra e veja! Ela o misturou na taça de sua prostituição.

Com o hálito de seus beijos ela o fermentou e ele se tornou o vinho do Sacramento, o vinho do Sabbath; e da Santa Assembleia ela o verteu para seus adoradores que se embriagaram e assim, face a face, contemplaram meu Pai. Deste modo tornaram-se dignos de compartilhar do Mistério desse cálice sagrado, pois o sangue é a vida.”

(Esse vinho é tal que sua virtude irradia através da taça e cambaleio sob a sua intoxicação. E cada pensamento é ceifado por ele. Ele continua sozinho e seu nome é Compaixão. Por “Compaixão” entendo o sacramento do sofrimento compartilhado pelos verdadeiros adoradores  do Altíssimo. É um êxtase no qual não existe traço de dor. A sua passividade (=paixão) é como a rendição do eu ao amado.)”

A Visão e a Voz, 12th Aethyr, Aleister Crowley.

A grafia de seu nome como ‘Babalon’ só foi revelada na visão do 10º Aethyr, onde este nome é usado para banir as forças de Choronzon. A descoberta da forma do Nome representa a bem sucedida travessia do Abismo por Crowley e a entrada na Esfera de Binah que é atribuída a Babalon.

A Cidade das Pirâmides é o lar místico dos adeptos que atravessaram com sucesso o Grande Abismo, aqueles que derramaram seu sangue no Graal de Babalon. Eles destruíram seu ego, de modo que agora são apenas grãos de poeira. Eles se tornaram crianças dentro de Babalon e lá eles têm o sagrado nome: Nemo. No sistema A∴A∴, eles são chamados de “Mestres do Templo”.

A Grande Prostituta

Babalon leva este título porque não recusa ninguém e ainda exige um grande preço – o sangue do adepto e sua identidade de ego como um ser terreno. Este aspecto de Babalon é descrito com mais detalhes pelo 12º Aethyr:

“Esse é o Mistério de Babilônia, a Mãe das abominações, e esse é o Mistério dos seus adultérios, pois ela se entregou a tudo que vive e assim tornou-se parte desse mistério. E por ter feito a si mesma uma serva de cada um, tornou-se senhora de tudo. Tu não podes compreender sua glória.”

“Bela és tu, Ó Babalon, e desejável, pois tu te entregaste a tudo que vive e tua fraqueza sobrepujou tua força. Pois essa união tu “compreendeste”. Por isso tu és chamada Compreensão, Ó Babilônia, Senhora da Noite!”

O papel da Mulher Escarlate

Embora Crowley escrevesse frequentemente que a Babalon e a Mulher Escarlate são uma só pessoa, também há momentos em que a Mulher Escarlate é vista como uma manifestação representativa ou física do princípio feminino universal. Em uma nota no Liber Reguli, Crowley menciona que dos “Deuses do Éon”, a Mulher Escarlate e a Besta são “os emissários terrestres desses Deuses”. Ele então escreve em seus Comentários:

“É necessário dizer que a Besta parece ser um indivíduo definido; ao perceptivo, o homem Aleister Crowley”. Mas a Mulher Escarlate é um oficial substituível quando surge a necessidade. Assim, até a presente data deste escrito, Anno XVI, Sun in Sagittarius, houve muitos detentores deste título.”

A Grande Mãe

Dentro da Missa Gnóstica, Babalon é mencionada no Credo Gnóstico:

“E eu creio em uma Terra, a Mãe de todos nós, e um Ventre onde todos somos gerados e para onde todos deveremos retornar, Mistério dos Mistérios, de Seu Nome BABALON”.

Babalon é identificada com Binah na Árvore da Vida, a esfera que representa a Grande Mãe e as deusas-mães Ísis, Bhavani e Muat. Além disso, ela representa todas as mães físicas.

Babalon no capítulo 49 do Livro das Mentiras:

“AS FLORES DE WARATAH

Sete são os véus da dançarina do harém d’ELE.

Sete são os nomes, e sete são as lâmpadas ao lado da cama Dela.

Sete eunucos A guardam com espadas desembainhadas; Nenhum
Homem aproxima-se Dela.

Em seu copo de vinho estão as sete torrentes de sangue dos Sete
Espíritos de Deus.

Sete são as cabeças d’A BESTA na qual Ela Cavalga.

A cabeça de um Anjo: a cabeça de um Santo; a cabeça de um Poeta:
a cabeça de Uma Mulher Adúltera: a cabeça de um Homem Valoroso; a
cabeça de um Sátiro; e a cabeça de um Leão-Serpente.

Sete letras tem Seu mais sagrado nome, que é:

BABALON 7 7, 77, 77, 7

Este é o Selo sobre o Anel que está no Indicador d’ELE: e este é o
Selo sobre as Tumbas daqueles a quem Ela assassinou.

Aqui está sabedoria. Que aquele que tem Compreensão conte o
Número de Nossa Senhora; pois que ele é o Número de uma Mulher; e Seu Número é Cento e Cinquenta e Seis.”

Sobre este capítulo, Crowley faz o seguinte comentário:

“49 é o quadrado de 7.

7 é o número passivo e feminino.

O capítulo pode ser lido em conexão com o capítulo 31, pois ELE
(N. Trad.: IT, no original em inglês) reaparece.

O título, a Waratah, é uma voluptuosa flor de cor escarlate, comum
na Austrália, o que conecta este capítulo com os de número 28 e 29; no entanto, isso é apenas uma alusão, pois o assunto do capítulo é NOSSA SENHORA BABALON, a qual é concebida como a contraparte feminina d’ELE.

Isso não confirma muito a teogonia comum ou ortodoxa do capítulo 11; mas deve ser explicado pela natureza ditirâmbica deste capítulo.

No parágrafo 3, NENHUM HOMEM é, claramente, NEMO, o Mestre do Templo. “Liber 418” explicará a maioria das alusões neste capítulo.

Nos parágrafos 5 e 6, o autor identifica-se claramente com a BESTA referida no livro, no Apocalipse e em LIBER LEGIS. No parágrafo 6, a palavra “anjo” talvez se refira à sua missão, e a palavra “leão-serpente” ao sigilo de seu decano ascendente. (Teth = Cobra = espermatozoide e Leo no Zodíaco, o qual tem, como Teth, forma de serpente. θ escrevia-se originalmente {Sol} = Lingam-Yoni e Sol.)

O parágrafo 7 explica a dificuldade teológica referida acima. Há
apenas um único símbolo, mas este símbolo tem muitos nomes: destes nomes BABALON é o mais sagrado. Este é nome ao qual se refere em “Liber Legis” 1, 22.

Repare que a figura de BABALON, ou seu sigilo, é um selo sobre
um anel, e este anel está no dedo d’ELE.

Isto identifica ainda mais o símbolo consigo próprio. Repare que este selo, a não ser pela ausência de margem, é o selo oficial da A.·.A.·.

Compare com o Capítulo 3. Diz-se também ser este o selo sobre as tumbas daqueles que foram por ela assassinados, que são os Mestres do Templo. Conectando com o número 49, ver “Liber 418”, 22o Aethyr; bem como as fontes usuais.”

Livro de Mentiras – Aleister Crowley – Tradução de Philippe Pissier.

A Mulher Escarlate e o Livro da Lei

Capítulo I:

“15. Agora vós sabereis que o sacerdote e apóstolo escolhido do espaço infinito é o príncipe-sacerdote a Besta; e na sua mulher chamada a Mulher Escarlate todo o poder é concedido. Eles deverão reunir minhas crianças em sua congregação: eles deverão trazer a glória das estrelas para os corações dos homens.

16. Pois ele é sempre um sol, e ela uma lua. Mas é para ele a chama alada secreta, e para ela a luz estelar arqueada.”

Capítulo III:

“43. Que a Mulher Escarlate tome cuidado! Se piedade e compaixão e ternura visitarem seu coração; se ela deixar o meu trabalho para brincar com velhas doçuras; então a minha vingança será conhecida. Eu matarei a sua criança: Eu trarei desarmonia ao seu coração; Eu a banirei dentre os homens; como uma rameira encolhida e desprezada ela se arrastará por entre ruas sombrias e úmidas, e morrerá de frio e de fome.

44. Porém que ela se levante em orgulho! Que ela me siga no meu caminho! Que ela trabalhe a obra de perversidade! Que ela mate o seu coração! Que ela seja escandalosa e adúltera! Que ela seja coberta de joias, e ricos vestidos, e que ela seja desprovida de vergonha perante todos os homens!

45. Então Eu a erguerei aos pináculos do poder: então Eu gerarei dela uma criança mais forte do que todos os reis da terra. Eu a satisfarei com prazer: com a minha força ela verá e descobrirá na adoração de Nu: ela alcançará Hadit.”

Babalon nos outros escritos de Crowley

“Nas horas escuras da terra, quando a superstição cristã caiu tão mal sobre os povos da Europa, quando nossa Ordem Santa foi espalhada e a santidade de seus preceitos violados, alguns guardaram a Verdade em seus corações, &, amantes da Luz, eles carregavam a Lâmpada da Virtude sob o manto do sigilo. & estes, em certas estações do ano, foram à noite por caminhos abertos ou escondidos para as charnecas e montanhas, & lá dançaram juntos, & por jantares estranhos e vários feitiços, eles O chamaram, a quem o inimigo na ignorância chamou de Satanás, & que foi na verdade o Grande Deus Pan ou Baco, ou mesmo Bafômetro que os Templários adoraram em segredo, & como os Ilustres Cavaleiros do VI, da Ordem Sagrada Kadosh, aprenderam a adorar todas as Companheiras do Santo Graal, ou Babalon a Bela, ou mesmo o Zeus Apolo dos Gregos.

E cada um, quando introduzido neste santuário, foi feito um companheiro do encarnado pela Consumação do rito do Matrimônio. Considere isto.”

De Nuptiis Secretis, V DO BANHO DOS ADEPS, Aleister Crowley.

Nos emblemas da O.T.O., Babalon está associado ao ovo: “O Ovo é posto pela ‘Águia Branca’ (mulher) e é-lhe atribuído o número 156; é, portanto, a manifestação de Babalon. O Veículo do Ovo é o Fluido Vaginal; portanto, não é o Ovum. Mas é antes o poder de magia da mulher. Ele é fertilizado pelo Esperma, que é congênito à natureza do Ovo. O homem também deve estar em sintonia com a mulher, um elo mágico deve ser desenvolvido entre eles.”

Cada ato de sofrimento, cada ato de sacrifício, cada ato de vida que flui através do homem como a corrente de sangue que rega cada parte do ser, torna-se um fardo para o Adepto. Ele então derrama tudo no copo de BABALON, a Mulher Escarlate, o que ele adquiriu e o que ele se tornou. Em seu Liber Cheth vel Vallum Abiegni, lemos:

“Você derramará seu sangue, que é sua vida, no cálice dourado da fornicação”. Você deve mesclar sua vida com a vida universal. Você não deve guardar uma gota dela. Então seu cérebro ficará mudo e seu coração deixará de bater, e toda a vida se afastará de você..”

Jack Parsons e o Liber 49

Este livro contém a experiência mágica de invocar um Ser Elemental, a Deusa Babalon, e os seus resultados, como interpretado por Jack Parsons, Frater 210, da Ordo Templi Orientis.

Eis o que Parsons escreveu sobre isso em março de 1946 e.v.: “Esta força [a de Hórus] é totalmente cega, dependente dos homens e mulheres em quem se manifesta e a quem guia. É óbvio que esta orientação tende para uma catástrofe. Esta tendência se deve principalmente à nossa falta de compreensão de nossa própria natureza. O desejo reprimido, os medos, o ódio resultante do engano do amor tomaram uma direção homicida e suicida. Este impasse é quebrado pela encarnação de outra força, chamada Babalon. A natureza desta força está relacionada ao amor, compreensão e liberdade dionisíaca e é o contrapeso necessário para a manifestação de Hórus.”

“Deve-se lembrar que toda atividade humana, depois que as funções vitais são cumpridas, surge da necessidade de amar ou da necessidade de ser amado. É verdade, portanto, que na compreensão de todo poder é concedido. Uma compreensão do princípio da bipolaridade deve deixar isso suficientemente claro”.

Para Kazim: “Abyssus abyssum invocat”.

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Ecclesia babalon e Literatura Adicional

A Ecclesia Babalon  (Instagram) é uma organização religiosa internacional independente fundada em 2018 nos Estados Unidos, e atualmente com sede no Brasil e presença em diversos estados. Unindo a tradição gnóstica, o esoterismo sacramental, ocultismo e magia sob a Lei de Thelema, a Ecclesia Babalon é herdeira do sacerdócio gnóstico apostólico das Ordens Esotéricas Gnósticas Sacramentais.

A Ecclesia Babalon se orienta pelo Código Iluminista Livre e defende que:

1. O crescimento espiritual é incompatível com o autoritarismo.
2. A iluminação requer uma abordagem experimental não dogmática.
3. Uma sociedade livre deve buscar estar constantemente atualizada.
4. Somos facilitadores. Nós fazemos o trabalho, não extraímos juramentos ou obrigações, nem exigimos crenças dogmáticas.

Literatura Adicional:
O Credo Gnóstico
O Chamado de Babalon
O Livro da Lei
O Livro de Babalon
Os Escritos de Jack Parsons
Babalon e Therion
A Redenção Feminina
Beijando o Céu: canalizando Babalon

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Fonte:

FREEMANN, Spartakus. Babalon, Sources: Thelemapedia. Traduction & adaptation par Spartakus FreeMann, décembre 2007 e.v., Nadir de Libertalia. Extrait de « Notes pour la compréhension du futur antérieur » de Spartakus FreeMann ☉ in 22° ♐ : ☽ in 18° ♒ : Anno IVxv a.n. EzoOccult, 2007, 2020. Disponível em: <https://www.esoblogs.net/4341/babalon/>. Acesso em 7 de março de 2022.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/babalon-a-mulher-escarlate-e-seu-misterio/

Necronomicon: da origem até nossos dias

O Necronomicon (literalmente: “Livro de Nomes Mortos”) foi escrito em Damasco, por volta de 730 d.C., sendo sua autoria atribuída a Abdul Alhazred. Ao contrário do que se pensa vulgarmente, não se trata de um grimoire (ou grimório), livro mágico de encantos, mas de um livro de histórias. Escrito em sete volumes no original, chegou à cerca de 900 páginas na edição latina, e seu conteúdo dizia respeito à coisas antigas, supostas civilizações anteriores à raça humana, numa narrativa obscura e quase ilegível.

Abdul Alhazred nasceu em Sanaa, no Iêmen, tendo feito várias viagens em busca de conhecimento, dominando vários idiomas, vagou da Alexandria ao Pundjab, na Índia, e passou muitos anos no deserto despovoado ao sul da Arábia. Embora conhecido como árabe louco, nada há que comprove sua insanidade, muito embora sua prosa não fosse de modo algum coerente. Alhazred era um excelente tradutor, dedicando-se a explorar os segredos do passado, mas também era um poeta, o que lhe permitia certas extravagâncias na hora de escrever, além do caráter dispersivo. Talvez isso explique a alinearidade do Necronomicon.

Alhazred era familiarizado com os trabalhos do filósofo grego Proclos (410-485 d.C.), sendo considerado, como ele, um neo-platônico. Seu conhecimento, como o de seu mestre, inclui matemática, filosofia, astronomia, além de ciências metafísicas baseadas na cultura pré-cristã de egípcios e caldeus. Durante seus estudos, costumava acender um incenso feito da mistura de diversas ervas, entre elas o ópio e o haxixe. As emanações desse incenso, segundo diziam, ajudavam a “clarear” o passado. É interessante notar que a palavra árabe para loucura (majnum) tem um significado mais antigo de “djinn possuído”. Djilms eram os demônios ou gênios árabes, e Al Azif, outra denominação para o livro de Alhazred, queria dizer justamente “uivo dos demônios noturnos”.

Como Determinar o Limite Entre a Loucura e a Sabedoria?

Semelhanças entre o Ragnarok, mito escandinavo do Apocalipse, e passagens do Al Azif sugerem um vínculo entre ambos. Assim como os djinns árabes e os anjos hebraicos, os deuses escandinavos seriam versões dos deuses antigos. Ambas as mitologias falam de mundos sendo criados e destruídos, os gigantes de fogo de Muspelhein equivalem aos anjos e arcanjos bíblicos, ou aos gênios árabes, e o próprio Surtur, demônio de fogo do Ragnarok, poderia ser uma corruptela para Surturiel, ou Uriel, o anjo vingador que, como Surtur, empunha uma espada de fogo no Juízo Final. Da mesma forma, Surtur destrói o mundo no Ragnrok, quando os deuses retornam para a batalha final. Embora vistas por alguns com reservas, essas ligações tornam-se mais fortes após recentes pesquisas que apontam o caminho pelo qual o Necronomicon teria chegado à Escandinávia. A cidade de Harran, no norte da Mesopotâmia, foi conquistada pelos árabes entre 633 d.c. e 643 d.c. apesar de convertidos ao islã, os harranitas mantiveram suas práticas pagãs, adorando a Lua e os sete planetas então conhecidos. Tidoa como neo-platônicos, escolheram, por imposição, da religião dominante, a figura de Hermes Trimegisto para representa-los como profeta. Um grupo de harranitas mudou-se para Bágdá, onde mantiveram uma comunidade distinta denominada sabinos. Alhazred menciona os sabinos. Era uma comunidade instruída, que dominava o grego e tinha grande conhecimento de literatura, filosofia, lógica, astronomia, matemática, medicina, além de ciências secretas relativas às culturas árabe e grega. Os sabinos mantiveram sua semi-independência até o século XI, quando provavelmente foram aniquilados pelas forças ortodoxas islâmicas, pois não se ouve mais falar deles à partir do ano 1000. No entanto, por volta de 1041, o historiador Miguel Psellus conseguiu salvar uma grande quantidade de documentos pertencentes aos sabinos, recebendo-os em Bizâncio, onde vivia. Quem levou esses documentos de Bagdá para Bizâncio permanece um mistério, mas é certo que o fez tentando preservar uma parte da cultura dos sabinos da intolerância religiosa da época. Psellus, que além de historiador era um estudioso de filosofia e ocultismo, juntou o material recebido num volume denominado “Corpore Hermeticum”. Mas haviam outros documentos, inclusive uma cópia do Al Azif, que ele prontamente traduziu para o grego.

Por essa época, era costume os imperadores bizantinos empregarem guarda-costas vikings, chamados “varanger”. A imagem que se tem dos vikings como bárbaros semi-selvagens não corresponde à realidade, eram grandes navegadores que, já no ano mil, tinham dado inicio a uma rota comercial que atravessaria milhares de quilômetros, passando pela Inglaterra, Groenlândia, América do Norte e a costa atlântica inteira da Europa, seguindo pela Rússia até Bizâncio. Falavam grego fluentemente e sua infantaria estava entre as melhores do mundo.

Entre 1030 a 1040, servia em Bizâncio como varanger um viking chamado Harald. Segundo o costume, sempre que o imperador morria, o varanger tinha permissão para saquear o palácio. Harald servia à imperatriz. Zoe, que cultivava o hábito de estrangular os maridos na banheira. Graças a ela, Harald chegou a tomar Varie em três saques, acumulando grande riqueza. Harald servia em Bizâncio ao lado de dois companheiros, Haldor Snorrason e Ulf Ospaksson. Haldor, filho de Snorri, o Padre, era reservado e taciturno. Ulf, seu oposto, era astuto e desembaraçado, tendo casado com a cunhada de Harald e tornado-se um grande 1íder norueguês. Gostava de discutir poesia grega e participava das intrigas palacianas. Entre suas companhias intelectuais preferidas estava Miguel Psellus, de quem Ulf acompanhou o trabalho de tradução do Al Azif, chegando a discutir o seu conteúdo como historiador bizantino. Segundo consta, foi durante a confusão de uma pilhagem que Ulf apoderou-se de vários manuscritos de Psellus, traduzidos para o grego. Ulf e Haldor retornaram à Noruega com Harald e, mais tarde, Haldor seguiu sozinho para a Islândia, levando consigo a narrativa do Al Azif. Seu descendente, Snorri Sturluaaon (1179-1241), a figura mais famosa da literatura islandesa, preservou essa narrativa em sua “Edda Prosista”, a fonte original para o conhecimento da mitologia escandinava. Sabe-se que Sturlusson possuía muito material disponível para suas pesquisas 1ítero-históricas e entre esse materia1certamente estava o Al Azif, que se misturou ao mito tradicional do Ragnarok.

Felizmente, Psellus ainda pôde salvar uma versão do Al Azif original, caso contrário, o Necronomicon teria sido perdido para sempre. Ao que se sabe, não existe mais nem um manuscrito em árabe do Necronomicon, o xá da antiga Pérsia (atual Irã) levou à cabo uma busca na Índia, no Egito e na biblioteca da cidade santa de Mecca, mas nada encontrou. No entanto, uma tradução latina foi feita em 1487 por um padre dominicano chamado Olaus Wormius, alemão de nascença, que era secretário do inquisidor-mor da Espanha, Miguel Tomás de Torquemada, e é provável que tenha obtido o manuscrito durante a perseguição aos mouros. O Necronomicon deve ter exercido grande fascínio sobre Wormius, para levá-1o a arriscar-se em traduzí-lo numa época e lugar tão perigosos. E1e enviou uma cópia do livro a João Tritêmius, abade de Spanhein, acompanhada de uma carta onde se lia uma versão blasfema de certas passagens do Livro de Gênese. Sua ousadia custou-lhe caro. Wormius foi acusado de heresia e queimado numa fogueira, juntamente com todas as cópias de sua tradução. Mas, segundo especulações, ao menos uma cópia teria sido conservada, estando guardada na biblioteca do Vaticano.

Seja como for, traduções de Wormius devem ter escapado da Inquisição, pois quase cem anos depois, em 1586, o livro de Alhazred reapareceria na Europa. O Dr. John Dee, famoso mago inglês, e seu assistente Edward Kelley, estavam em Praga, na corte do imperador Rodolfo II, traçando projetos para a produção de ouro alquímico, e Kelley comprou uma cópia da tradução latina de um alquimista e cabalista chamado Jacó Eliezer, também conhecido como, “rabino negro”, que tinha fugido da Itália após ser acusado de práticas de necromancia. Naquela época, Praga havia se tornado um ímã para mágicos, alquimistas e charlatões de todo tipo, não havia lugar melhor para uma cópia do Necronomicon reaparecer.

John Dee (1527-1608), erudito e mago elisabetano, pensava estar em contato com anjos e “outras criaturas espirituais”, por mediação de Edward Kelley. Em 1555, já fora acusado, na Inglaterra, de assassinar meninos ou de deixá-los cegos por meio de mágica. É certo que Kelley tinha grande influência sobre as práticas tenebrosas de Dee, os anjos com os quais dizia comunicar-se, e que talvez só existissem em sua cabeça, ensinaram a Dee um idioma até então desconhecido, o enoquiano, além de outras artes mágicas. Se tais contatos, no entanto, foram feitos através do Necronomicon, é coisa que se desconhece. O fato é que a doutrina dos anjos de Dee abalou a moral da época, pois pregava entre outras coisas, o hedonismo desenfreado. Em 1583, uma multidão enfurecida saqueou a casa de Dee e incendiou sua biblioteca. Após tentar invocar um poderoso espírito que, segundo o vidente, lhes traria grande sabedoria, Dee e Kelley se separaram, talvez pelo fracasso da tentativa. Em 1586, Dee anuncia sua intenção de traduzir o Necronomicon para o inglês, à partir da tradução de Wormius. Essa versão, no entanto nunca foi impressa, passando para a coleção de Elias Ashmole (1617-1692), estudioso que transcreveu os diários espirituais de Dee, e finalmente para a biblioteca de Bodleian, em Oxford.

Por cerca de duzentos e cinquenta anos, os ensinamentos e escritos de Dee permaneceram esquecidos. Nesse meio tempo, partes do Necronomicon foram traduzidas para o hebreu, provavelmente em 1664, circulando em forma de manuscritos e acompanhados de um extenso comentário feito por Nathan de Gaza. Nathan, que na época contava apenas 21 anos, era um precoce e brilhante estudante da Torah e Talumud. Influenciado pelas doutrinas messiânicas judaicas vigentes na época, ele proclamou como o messias esperado a Sabbatai Tzavi, um maníaco depressivo que oscilava entre estados de transcendência quando se dizia que seu rosto parecia reluzir, e profunda frustração, com acessos de fúria e crueldade. Tais estados de ânimo eram tidos como o meio pelo qual Sabbatai se comunicava com outros planos de existência, como um Cristo descendo aos infernos, ou Orfeu, numa tradição mais antiga. A versão hebraica do Al Azif era intitulada Sepher há’sha’are ha-Da’ath, ou o “Livro do Portal do Conhecimento”. Tratava-se de um comentário em dois capítulos do livro de Alhazred. A palavra para conhecimento, Da’ath, foi traduzida para o grego na Bíblia como gnosis, e na Cabala tem o significado peculiar de “não-existência”, sendo representada às vezes como um buraco ou portão para o abismo da consciência. Seu aspecto dual parece indicar uma ligação entre o mundo material, com sua ilusão de matéria física e ego, e o mundo invisível, obscuro, do conhecimento, mas que seria a fonte da verdadeira sabedoria, para aqueles que pudessem suportá-la. Isso parece levar ao Astaroth alquímico e à máxima da magia, que afirma que o que está em cima (no céu) é como o que está em baixo (na terra). A ligação entre os dois mundos exigiria conhecimento do Abismo, abolição do ego e negação da identidade. De dentro do Abismo, uma infinidade de portões se abre. É o caos informe, contendo as sementes da identidade.

O propósito de Nathan de Gaza parece ter sido ligar o Necronomicon à tradição judaica da Cabala, que fala de mundos antigos primordiais e do resgate da essência sublime de cada ser humano, separada desses mundos ou submergida no caos. Ao lado disso, criou seu movimento messiânico, apoiado em Sabbatai Tzevi, o qual criou cisões e conflitos na comunidade judaica, conflitos que persistiram por pelo menos um século. Há quem afirme que uma cópia do Sha’are ha-Da’ath ainda existe, em uma biblioteca privada, mas sobre isso não há qualquer evidência concreta.

O ressurgimento do Necronomicon é constantemente atribuído ao escritor Howard Phillip Lovecraft, que fez do livro a base de sua obra literária. Mas não se explica como Lovecraft teve acesso ao livro de Alhazred. O caminho mais lógico para esse ressurgimento parece indicar o mago britânico Aleister Crowley (1875-1947). Crowley tinha fama de charlatão, proxeneta, toxicômano, promíscuo insaciável e bissexual, além de traidor da pátria e satanista. Tendo se iniciado na Ordem do Amanhecer Dourado em 1898, Crowley aprendeu práticas ocultas no Ceilão, na Índia e na China. Mais tarde, ele criaria sua própria ordem, um sistema mágico e uma nova religião, da qual ele seria o próprio messias. Ao que tudo indica, essa religião denominada “Lei de Thelema” se baseava nos conhecimentos do “Livro da Lei”, poema em prosa dividido em três capítulos aparentemente ilógico, que segundo ele, lhe havia sido ditado em 1904 por um espírito chamado Aiwass.

Sabe-se que Crowley pesquisou os documentos do Dr. John Dee em Bodleian. Ele próprio se dizia uma reencarnação de Edward Kelley, o que explica em parte, seu interesse. Apesar de não mencionar a fonte de seus trabalhos, é evidente que muitas passagens do Livro da Lei foram plagiadas da tradução de Dee do Necronomicon. Crowley já era conhecido por plagiar seu mestre, Allan Bennett (1872-1923), que o iniciou no Amanhecer Dourado, mas há quem sustente que tais semelhanças foram assimiladas inconscientemente seja como for, em 1918 Crowley viria a conhecer uma modista chamada Sônia Greene. Aos 35 anos, judia, divorciada, com uma filha e envolvida numa obscura ordem mística, Sônia parecia ter a qualidade mais importante para Crowley naquele momento: dinheiro. Eles passaram a se ver durante alguns meses, de maneira irregular.

Em 1921, Sônia Greene conheceu H.P. Lovecraft. No mesmo ano, Lovecraft publicou o seu primeiro romance “A Cidade Sem Nome”, onde menciona Abdul Alhazred. Em 1922, no conto “O Cão de Caça”, ele faz a primeira menção ao Necronomicon. Em 1924, ele e Sônia Greene se casam. Nós só podemos especular sobre o que Crowley contou para Sônia Greene, e não sabemos o que ela contou a Lovecraft, mas é fácil imaginar uma situação onde ambos estão conversando sobre uma nova história que ele pretende escrever e Sônia comenta algumas idéias baseadas no que Crowley havia lhe contado, sem nem mesmo mencionar a fonte. Seria o bastante para fazer reluzir a imaginação de Lovecraft. Basta comparar um trecho de “O Chamado de Cthulhu” (1926) com partes do Livro da Lei, para notar a semelhança.

«Aquele culto nunca morreria… Cthulhu se ergueria de sua tumba e retomaria seu tempo sobre a Terra, e seria fácil reconhecer esse tempo, pois os homens seriam livres e selvagens, como os “antigos”, e além do bem e do mal, sem lei ou moralidade, com todos gritando e matando e rejubilando-se em alegria. Então os “antigos” lhes ensinariam novos modos de gritar e matar e rejubilar-se, e toda a Terra arderia num holocausto de êxtase e liberdade» (O Chamado de Cthulhu).

«Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei… Todo homem e toda mulher é uma estrela… Todo homem tem direito de viver como quiser, segundo a sua própria lei… Todo homem tem o direito de matar quem se opuser aos seus direitos… A lei do forte, essa é a nossa lei e alegria do mundo … Os escravos servirão»(Lei Thelemita).

Não há nem uma evidência que Lovecraft tenha visto o Necronomicon, ou até mesmo soube que o livro existiu. Embora o Necronomicon que ele desenvolveu em sua obra esteja bem próximo do original, seus detalhes são pura invenção. Não há nem um Yog-Sothoth ou Azathoth ou Nyarlathotep no original, por exemplo. Mas há um Aiwass…

O Que é o Necronomicon:

O Necronomicon de Alhazred trata de especulações antediluvianas, sendo sua fonte provável o Gênese bíblico e o Livro de Enoch, além de mitologia antiga. Segundo Alhazred, muitas espécies além do gênero humano tinham habitado a Terra, vindas de outras esferas e do além. Alhazred compartilhou da visão de neoplatoniatas que acreditavam serem as estrelas semelhantes ao nosso Sol, cada qual com seus próprios planetas e formas de vida, mas elaborou essa visão introduzindo elementos metafísicos e uma hierarquia cósmica de evolução espiritual. Aos seres das estrelas, ele denominou “antigos”. Eram sobre-humanos e podiam ser invocados, desencadeando poderes terríveis sobre a Terra.

Alhazred não inventou a história do Necronomicon. Ele elaborou antigas tradições, inclusive o Apocalipse de São João, apenas invertendo o final (a Besta triunfa, e seu número é 666). A idéia de que os “antigos” acasalaram com os humanos, buscando passar seus conhecimentos para o nosso plano de existência e gerando uma raça de aberrações, casa com a tradição judaica dos nephilins (os gigantes de Gênese 6.2-6.5). A palavra árabe para “antigo” deriva do verbo hebreu para “cair” (os anjos caídos). Mas o Gênese é só um fragmento de uma tradição maior, que se completa, em parte, no Livro de Enoch. De acordo com esta fonte, um grupo de anjos guardiões enviados para observar a Terra viu as filhas dos homens e as desejou. Duzentos desses guardiões formaram um pacto, saltando dos ares e tomando as mulheres humanas como suas esposas, gerando uma raça de gigantes que logo se pôs a pecar contra a natureza, caçando aves, répteis e peixes e todas as bestas da Terra, comendo a carne e bebendo o sangue uns dos outros. Os anjos caídos lhes ensinaram como fazer jóias, armas de guerra, cosméticos, encantos, astrologia e outros segredos. O dilúvio seria a consequência das relações entre os anjos e os humanos.

«E não vi nem um céu por cima, nem a terra firme por baixo, mas um lugar caótico e horrível. E vi sete estrelas caírem dos céus, como grandes montanhas de fogo. Então eu disse: “Que pecado cometeram, e em que conta foram lançados?” Então disse Uriel, um dos anjos santos que estavam comigo, e o principal dentre eles: “Estes são os números de estrelas do céu que transgrediram a ordem do Senhor, e ficarão acorrentados aqui por dez mil anos, até que seus pecados sejam consumados”».(Livro de Enoch).

Na tradição árabe, os jinns ou djinns seriam uma raça de seres sobre-humanos que existiram antes da criação do homem. Foram criados do fogo. Algumas tradições os fazem sub-humanos, mas invariavelmente lhes são atribuídos poderes mágicos ilimitados. Os djinns sobrevivem até os nossos dias como os gênios das mil e uma noites, e no Corão eles surgem como duendes e fadas, sem as qualidades sinistras dos primeiros tempos. Ao tempo de Alhazred, os djinns seriam auxiliares na busca de conhecimento proibido, poder e riquezas.

No mito escandinavo, hoje bastante associado à história do Necronomicon, os deuses da Terra (aesires) e o gênero humano (vanas) existiam contra um fundo de poderes mais velhos e hostis, representados por gigantes de gelo e fogo que moravam ao norte e ao sul do Grande Girnnunga (o Abismo) e também por Loki (fogo) e sua descendência monstruosa. No Ragnarok, o crepúsculo dos deuses, esses seres se ergueriam mais uma vez num combate mortal. Por último, Siurtur e ou gigantes de fogo de Muspelheim completariam a destruição do mundo.

Essa é essencialmente a profecia de Alhazred sobre o retorno dos “antigos”. É também a profecia de Aleister Crowley sobre o Àeón de Hórus. Os gigantes de fogo de Muspelheim não diferem dos djinns, que por sua vez se ligam aos anjos hebraicos. Como Surtur, Uriel carrega uma espada de fogo, e sua sombra tanto pode levar à destruição quanto a um renascimento. Assim, tanto os anjos e seus nephilins hebraicos quanto os “antigos” de Alhazred poderiam ser as duas faces de uma mesma moeda.

Como os Antigos São Invocados

É inegável que o sistema enochiano de Dee e Kelley estava diretamente inspirado em partes do Necronomicon, onde há técnicas de Alhazred para a invocação dos “antigos”. Embora o Necronomicon fosse basicamente um livro de histórias, haviam algums detalhes práticos e fórmulas que funcionavam quase como um guia passo a passo para o iniciado entrar em contato com os seres sobre-humanos. Dee e Kelley tiveram que preencher muitas lacunas, sendo a 1inguagem enochiana um híbrido que reúne, basicamente, um alfabeto de 21 letras, dezenove “chaves” (invocações) em linguagem enochiana, mais de l00 quadros mágicos compostos de até 240l caracteres além de grande quantidade de conhecimento oculto. É improvável que esse material lhes tivesse sido realmente passado pelo arcanjo Uriel. Bulwer Lytton, que estudou a tradução de Dee para o Necronomicon, afirma que ela foi transcrita diretamente do livro original, e se eram ensinamentos de Uriel, o mais provável é que ele os tenha passado a Alhazred.

A ligação entre a linguagem enochiana e o Livro de Enoch parece óbvia. Como o livro de Enoch só foi redescoberto no século XVII, Dee só teria acesso à fragmentos do mesmo citados em outros manuscritos, como o Necronomicon de Alhazred, o que mais uma vez reafirma sua provável fonte de origem. Não há nenhuma dúvida que Alhazred teve acesso ao livro de Enoch, que só desapareceria no século IX d.C., sendo até então relativamente conhecido. Outra pista para essa ligação pode ser a chave dos trinta Aethyrs, a décima nona das invocações enochianas. Crowley chamava-a de “a maldição original da criação”. É como se o próprio Deus a enunciasse, pondo fim à raça humana, à todas as criaturas e ao mundo que ele próprio criara. Isso é idêntico ao Gênese 6.6, onde se lê: “E arrependeu-se o Senhor de ter posto o homem sobre a Terra, e o lamentou do fundo de seu coração”. Esse trecho segue-se à descrição dos pecados dos nephilins, que resulta na destruição do mundo pelo dilúvio. Crowley, um profundo conhecedor da Bíblia, reconheceu nisso a chave dos trinta Aethyrs, estabelecendo uma ligação. Em resumo, a chave (ou portão) para explorar os trinta Aethyrs é uma invocação no idioma enochiano, que segundo Dee seria o idioma dos anjos, e esta invocação seria a maldição que lançou os nephilins (ou “antigos”) no Abismo. Isto se liga à práticas antigas de magia negra e satanismo: qualquer meio usado pelo mago no passado para subordinar uma entidade pode ser usado também como um método de controle. Tal fórmula existe em todo grimoire medieval, em alguns casos de forma bastante explícita. A entrada no trigésimo Aethyr começa com uma maldição divina porque esse é um dos meios de afirmar controle sobre as entidades que se invoca: o nephilin, o anjo caído, o grande “antigo”. Isso demonstra, além de qualquer dúvida, que o sistema enochiano de Dee e Kelley era idêntico, na prática e em cadência, ao sistema que Alhazred descreveu no Necronomicon.

Crowley sabia disso. Uma das partes mais importantes de seu trabalho mágico (registrou-o em “A Visão e a Voz”) era sua tentativa de penetrar nos trinta Aethyrs enochianos. Para isso, ele percorreu o deserto ao norte da África, em companhia do poeta Winner Neuberg. Ele já havia tentado fazê-lo no México, mas teve dificuldade ao chegar ao 28º Aethyr, e decidiu reproduzir a experiência de Alhazred o mais proximamente possível. Afinal, Alhazred levou a cabo seus estudos mais significativos enquanto vagava pela região de Khali, uma área deserta e hostil ao sul da Arábia. O isolamento o ajudou a entrar em contato com os Aethyrs. Para um plagiador como Crowley, a imitação é o primeiro passo para a admiração, não é surpresa essa tentativa, além do que ele também pretendia repetir os feitos de Robert Burton, explorador, aventureiro, escritor, lingüista e adepto de práticas obscuras de magia sexual. Se obteve sucesso ou não, é desconhecido pois jamais admitiu suas intenções quanto à viagem, atribuindo tudo ao acaso.

Onde o Necronomicon Pode Ser Encontrado:

Em nenhum lugar, com certeza, seria a resposta mais simples, e novamente somos forçados a suspeitar que a mão de Crowley pode estar metida nisto. Em 1912 ele conheceu Theodor Réuss, o 1íder da Ordo Templi Orientis alemã (O.T.O.) e trabalhou dentro daquela ordem por dez anos, até ser nomeado sucessor do próprio Réuss. Assim temos Crowley como líder de uma loja maçônica alemã. Entre 1933-1938, desapareceram algumas cópias conhecidas do Necronomicon. Não é segredo que Adolf Hitler e pessoas do alto escalão de eu governo tinham interesse em ocultismo, e provavelmente apoderaram-se dessas cópias. A tradução de Dee desapareceu de Bodleiam, roubada em 1934. O Museu Britânico também sofreu vários saques, sendo a edição de Wormius retirada de catálogo e levada para um depósito subterrâneo, em Gales, junto com as jóias da Coroa, onde permaneceu de 1939 a 1945. Outras bibliotecas simplesmente perderam cópias desse manuscrito e hoje não há nenhuma que apresente em catálogo uma cópia, seja em latim, grego ou inglês, do Necronomicon. O paradeiro atual do Al Azif original, ou de suas primeiras cópias, é desconhecido. Há muitas fraudes modernas, mas são facilmente desmascaradas por uma total falta de imaginação e inteligência, qualidades que Alhazred possuía em abundância. Mas há boatos de um esconderijo dos tempos da 2º Guerra, que estaria localizado em Osterhorn, uma área montanhosa próxima à Salzburgo, onde haveria uma cópia do manuscrito original, escrita pelos nazistas e feita com a pele e o sangue de prisioneiros de campos de concentração.

Qual o motivo para o fascínio em torno do Neconomicon? Afinal, é apenas um livro, talvez esperemos muito dele e ele não possa mais do que despejar um grão de mistério no abismo de nossos anseios pelo desconhecido. Mas é um mistério ao qual as pessoas aspiram, o mistério da criação, o mistério do bem e do mal, o mistério da vida e da morte, o mistério das coisas que se foram. Nós sabemos que o Universo é imenso, além de qualquer limite da nossa imaginação, mas o que há lá fora? E o que há dentro de cada um de nós? Seria o Universo um espelho para nós mesmos? Seriam os “antigos” apenas uma parte mais profunda de nosso subconsciente, o ego definitivo, o mais autêntico “eu sou”, que no entanto participa da natureza divina?

Sábios e loucos de outrora já se fizeram essas perguntas, e não temeram tecer suas próprias respostas, seus mitos, imaginar enfim. A maioria das pessoas, porém, prefere criar respostas seguras, onde todos falam a mesma língua, cultivam os mesmos hábitos, respeitam a diversidade,cada qual em sua classe. O Necronomicon, porém, desafia nossas certezas, pois não nos transmite qualquer segurança acerca do Universo e da existência. Nele, somos o que somos, menos que grãos de pó frente à imensidão do Cosmo e muitas coisas estranhas, selvagens e ameaçadoras estão lá fora, esperando pelo nosso chamado. Basta olhar em qualquer tratado de Astronomia ou Astrofísica, basta ler os jornais. Isso é para poucos, mas você sabe que é verdade.

Método Utilizado Por Nostradamus Para Ver o Futuro:

Recolha-se à noite em um quarto fechado, em meditação, sozinho, sentando-se diante de uma bacia posta sobre um tripé e cheia de água. Acenda uma vela sob a bacia, entre as pernas do tripé, e segure um bastão mágico com a mão direita, agitando-o sobre a chama do modo como se sabe, enquanto toca a água com a mão esquerda e borrifa os pés e a orla de seu manto. Logo ouvir-se-á uma voz poderosa, que causa medo e tremor. Então, esplendor divino; o Deus senta ao seu lado.

Incenso de Alhazred:

– Olibanum, storax, dictamnus, ópio e haxixe.

À partir de que momento uma pessoa deixa de ser o que ela própria e todos os demais acreditam que seja? Digamos que eu tenha que amputar um braço. Posso dizer: eu mesmo e meu braço. Se fossem as duas pernas, ainda poderia falar da mesma maneira: eu mesmo e minhas duas pernas. Ou os dois braços. Se me tirarem o estômago, o fígado, os rins, admitindo-se que tal coisa seja possível, ainda poderia dizer: eu mesmo e meus órgãos. Mas se cortassem a minha cabeça, ainda poderia falar da mesma maneira? O que diria então? Eu mesmo e meu corpo ou eu mesmo e minha cabeça? Com que direito a cabeça, que nem mesmo é um membro, como um braço ou uma perna, pode reivindicar o título de “eu mesmo”? Porque contém o cérebro? Mas existem larvas, vermes e muitas outras coisas que não possuem cérebro. O que se pode dizer a respeito de tais criaturas? Será que existem cérebros em algum outro lugar, para dizerem “eu mesmo e meus vermes”?

Por Daniel Low

Postagem original feita no https://mortesubita.net/lovecraft/necronomicon-da-origem-ate-nossos-dias/