O Triângulo

Por isso, é usado pra representar o aspecto Divino, através da Trindade, presente em várias culturas:

Cristianismo: Pai, Filho e Espírito Santo
Hinduísmo: Brahma, Vishnu e Shiva (trimurti)
Egito: Ísis, Osíris e Hórus
Irlanda: Morrigan, Badb e Macha (facetas da Deusa da batalha)
Celtas: Virgem, Mãe e Anciã (Aspectos da Mãe Terra)
Espiritismo: Deus, princípio espiritual (Espírito) e princípio material (matéria)
Platão: Ser (modelo perfeito, original), devir (cópia do modelo) e receptáculo (espaço, lugar)

São necessários dois elementos duais (e, ainda assim, complementares) para produzir um terceiro.

Vida + Morte = Evolução

Bem + Mal = Discernimento

Pólo positivo + pólo negativo = Corrente elétrica

Homem + mulher = Vida

Luz + Trevas = Conhecimento

Prestando atenção, quase sempre um desses componentes é visto como ruim (negativo), enquanto o outro é bom (desejável). O ser humano não escapou dessa visão distorcida da realidade, herança do zoroastrismo, que separava o bem do mal, o claro do escuro. O Zen budismo e o Taoísmo nos mostram visões complementares, como o Yin que é oposto mas complementar ao Yang. O binário vida e morte compõem um ciclo evolutivo em que o homem vive os dois tipos de experiências, a do plano físico e as do mundo espiritual, os quais proporcionam a dinâmica que favorece a evolução.

No hebraico, o plural das palavras no masculino terminam em im, e nome utilizado para Deus (Elo-him) pode ser um sinal dessa trindade. As palavras de abertura do Gênesis dizem: “Bereshit bará Elo-him” (No princípio Deus criou); Elo-him é plural, mas bará (criou) é singular. Unidade na diversidade. Multiplicidade resultando numa só força Criadora.

Por isso Deus não pode ser descrito como algo. Usemos uma analogia: seria como dizer que o ar que respiramos é composto tão somente pelo elemento AR, ignorando toda a complexidade das cadeias de átomos, partículas agregadas e outras variáveis. Seria tomar o resultado pela causa. Existe o ar na ionosfera, mas também existe o ar nas cavernas. Tecnicamente não é o mesmo, mas também NÃO deixa de ser o mesmo. Não há separação entre o ar, apenas adaptação, num imenso degradê. Por isso não podemos dizer que seu Deus é melhor que o meu Deus, pois são manifestações do Todo, que é Deus, adequadas a uma determinada época / povo / mentalidade.

SELO DE SALOMÃO

O selo de Salomão, que no judaísmo é conhecido como Maguen David (Escudo de David, em hebraico) é composto por dois triângulos: Um com seu vértice para cima, e o outro com o vértice para baixo. Sua origem – e isso quase ninguém sabe – remonta a Índia, onde tem o nome de Signo de Vishnu, que é o deus mantenedor na trindade Hindu. Era utilizado como amuleto contra o mal, e esse significado se perpetuou, como atestam os nomes “selo” e “escudo” do Hebraico. No Kabbalah (ou na Cabalá, como queiram) vemos que os dois triângulos representam as dicotomias inerentes ao homem: o bem e o mal, o espiritual e o físico. É mais um aspecto do positivo/negativo que se unem, como no símbolo do Yin/Yang.

O Maguen David também significa a Onipresença de Deus. Suas seis pontas correspondem às direções do microcosmo: norte, sul, leste, oeste, o céu e a terra.
PENTAGRAMA

O Pentagrama representa o microcosmo (aspecto humano) e o Selo de Salomão o macrocosmo (aspecto Divino). Leonardo Da Vinci sabiamente interpenetrou estes signos dentro do homem no seu desenho “Estudo de proporções“. Obviamente os signos não estão desenhados, mas sugeridos apenas a quem os conhecessem, pois naquela época seria considerado uma heresia. Ele nos remete ao pensamento de Protágoras “o homem é a medida de todas as coisas” e ao “Sois Deuses” do Velho Testamento.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/o-tri%C3%A2ngulo

Magia, Multiverso e Função de Onda

Esse artigo constitui uma jornada especulativa a respeito dos seguintes temas: Magia Caótica, Mecânica Quântica, Cosmologia e Neurologia. Eu não pretendo ser mais do que um leigo bem informado nos 3 últimos campos, no entanto, a respeito da Magia, expertise é um julgamento subjetivo. Na Cosmologia e nas Neurociências, estamos passando por revoluções incríveis. Esses últimos 10 anos praticamente reconstruíram nosso entendimento sobre às macro-estruturas cósmicas e as micro-estruturas do nosso cérebro. A Mecânica Quântica, que já tem quase 100 anos desde a sua formulação, é tão contra-intuitiva (mas também demonstrada repetidamente por meio de experimentos) que ainda estamos tentando compreende-la e interpretá-la corretamente. Eu tentei escrever um texto relativamente simples, mas sem algum conhecimento nessas ciências você poderá achá-lo muito complicado. Não tão complicado, pelo menos, quanto alguns cientistas considerariam as bases teóricas da Magia Caótica.

Teoria do Multiverso

Esse ensaio trata, para propósitos místicos, do modelo cosmológico e quântico designado de Multiverso. Esse modelo foi formulado originalmente por Hugh Everett III, enquanto era um estudante de graduação. Em 1957, preocupado pela divergência entre os modelos Newtoniano e Quântico da Mecânica, Everett sugeriu a interpretação dos Muitos-Mundos, que ajuda a resolver os problemas conceituais envolvidos na definição da Função de Onda.

Podemos entender por analogia a Função de Onda da Mecânica Quântica. Um dos princípios fundamentais dessa teoria (o Principio da Incerteza de Heisenberg) afirma que é impossível saber ao mesmo tempo a posição e a velocidade de determinada partícula. Em outras palavras, dá pra saber a velocidade de um elétron mas não onde ele se encontra, e vice versa. Imagine que seus amigos te telefonam do Rio de janeiro e que você vive na cidade de São Paulo.. A incerteza da Mecânica Quântica afirma que, numa analogia extrema, não se pode prever quanto tempo vai durar a viagem, eles só sabem onde estão e não tem idéia qual sua velocidade. Se eles telefonam e dizem que estão se movendo a 100 quilómetros por hora, isso implica que a sua localização exata é desconhecida, então só podemos
estimar probabilisticamente quanto tempo a viagem vai levar.

O argumento mais comum é que essa analogia se refere ao nível macro-molecular, onde opera a Física Newtoniana, não no nível micro-molecular, onde opera a Mecânica Quântica, mas isso é uma escapada patética da maioria dos cientistas, ou então seriamos forçados a crer que as Leis da Física operam de modo diferente em escalas distintas de magnificação da realidade?

A Função de Onda é uma equação baseada na probabilidade de que determinada partícula, que esteja se movendo em certa velocidade, vai estar em um lugar a tal instante. Mas é claro que ela é muito mais complexa..

Aqui vai outra definição pra ela:

A Função de Onda, também chamada de Equação de Schroedinger, é a descrição matemática de todos os estados probabilísticos de determinado objeto ou sistema físico. Por exemplo, imagine-a como um baralho, onde cada carta corresponde a um estado quântico não observado. O baralho possui 52 possíveis configurações de estado, de forma que a Função de Onda que o descreve possui 52 cristas ou depressões.

Segundo a perspectiva formal da Mecânica Quântica, qualquer um desses eventos é possível (porque as condições iniciais do sistema são indeterminadas), mas alguns são mais prováveis que os outros. Mesmo os físicos possam dizer muito pouco sobre a probabilidade de cada evento em particular, a Física Quântica funciona – é possível fazer predições a partir dela por causa da aparição de padrões probabilísticos, após a realização de um numero suficiente de medições. É mais provável que alguns eventos ocorram em vez de outros, e depois de muitos experimentos, um padrão de resultados se torna previsível. De forma que, para que seu método funcione, o físico quântico atribui uma probabilidade a cada uma das configurações alternativas de estado representadas pela Função de Onda.

Por analogia, sabemos que leva umas 4-5 horas de carro entre o Rio e São Paulo. Fazemos essa predição porque padrões de probabilidade emergiram como resultado do número de vezes em que realizei essa viagem, também porque o mapa confirma essa informação e todos concordam com essa expectativa. Em outras palavras, porque podemos acumular informações sobre uma quantidade significativa de eventos é que se torna possível fazer previsões probabilísticas.

Até ai tudo bem. Todavia, as equações da Mecânica Quântica só funcionam se aceitarmos que todos os outros estados possíveis de determinado evento são reais e existem verdadeiramente. Ela provou, experimento após experimento, que a perspectiva Newtoniana do mundo é inadequada, sugerindo também que – para que uma probabilidade se manifeste na realidade observada por seres humanos – a existência de todas as outras probabilidades, em algum lugar, é requerida. Nesse local, por exemplo, interruptores podem estar ligados e desligados ao mesmo tempo, elétrons estão em mais de um lugar ao mesmo tempo, articulas subatômicas são capazes de se comunicar instantaneamente a distancia (aparentemente violando a Teoria Relativística), um gato pode estar 1/2 vivo e 1/2
morto.

De fato, todos esses resultados foram demonstrados empiricamente, exceto pelo experimento do gato, de forma que o aparecimento de evidencias empíricas dessas anomalias não foi somente contra-intuitivo, mas extremamente problemático, minando a visão Newtoniana e (de certo modo) também a visão Relativística da realidade. Em outras palavras, continuando a metáfora automobilística, existem historias alternativas onde meus amigos nunca conseguem chegar à minha casa, onde essa trajetória demora 24 ou 36 horas, ou onde eles desencanam de andar de carro e simplesmente vem voando ou se teletransportam imediatamente pra cá. Essas não são exatamente probabilidades irreais, nós podemos facilmente imaginá-la, e segundo a Mecânica Quântica, não há nenhuma razão para descarta-las.

A maioria dos cientistas está acostumada a raciocinar de acordo com a Navalha de Occam, ou seja, consideram desnecessária a multiplicação de entidades empregadas na explicação de fenômenos, em linguagem comum pode-se
dizer que preferem soluções simples em vez de soluções complicadas. Então, por muitos anos, especialistas na Mecânica Quântica, cosmólogos e até mesmo neurologistas, tentaram desviar o foco da discussão, o que requeria a postulação de entidades matematicamente muito complexas para serem examinadas por leigos, como o Espaço de Hilbert. Esse espaço possui um numero infinito de dimensões, é abstrato e real (o que geralmente é dito em sussurros), servindo como o local de existência de todas as probabilidades descritas pela Função de Onda. Decoerência é o termo técnico empregado para descrever o processo através do qual eventos se manifestam em nosso cantinho do Espaço de Hilbert. Esses eventos de algum modo sofrem uma desestabilização, tornando-se observáveis para nós. Como a Mecânica Quântica tem sido um campo tão rico de estudos, gerando muitos desenvolvimentos tecnológicos, somente recentemente é que outras partes do espaço de Hilbert tem sido mais discutidas, adentrando
vagarosamente no conhecimento popular.

O que deixa tudo mais difícil é o fato de que o estado probabilístico se manifesta para nós aleatoriamente. A Ciência, e também o nosso próprio modo de perceber a vida, se baseia em regras que se repetem e na Ordem. Ao afirmarmos que uma probabilidade se manifesta porque é observada parece ser um raciocínio circular que não nos leva a lugar nenhum. O Universo deve então ser ao mesmo tempo caótico e coordenado, mas definitivamente controlado pelas Leis da Física. Até mesmo na Teoria do Caos, que está em moda atualmente, define o Caos como um tipo de Ordem pertencente a uma escala de magnitude muito elevada para o nosso domínio instrumental. A Magia Caótica, apesar desse nome, está estruturada sobre esta condição (de outro modo ela só funcionaria de modo inesperado). A verdadeira aleatoriedade, fenômenos que não possuem qualquer lógica implícita, é tão impossível quando a Ordem absoluta. Conseqüentemente, o fundamento da Ciência é que o funcionamento da Natureza faça sentido.

A contradição entre as visões de mundo Newtoniana e Quântica decorre na suposição de que os fenômenos diferem em suas escalas micro e macro. Esse blefe intelectual apresenta certos problemas: ela divide a totalidade do Universo entre 2 conjuntos de regras mutuamente incompatíveis. Pior do que isso, porque dados cosmológicos atestam as observações quânticas, por exemplo, a radiação cósmica de fundo. A Função de Onda é completamente determinística, habitando numa dimensão infinitamente abstrata – o Espaço de Hilbert – e todo evento não passa de uma dessas probabilidades que colapsa, tornando-se observável através de nossos aparelhos de medição.. Everett sugeriu então que a melhor interpretação para o que ocorre com todos os outros estados probabilísticos que são reais, de acordo com a Função de Onda, mesmo que não possam ser observados, era considerar o Universo, ou mais
precisamente o Espaço de Hilbert, como infinito.

Essa teoria, que foi reformulada de um modo ou de outro, é praticamente convenção entre os cientistas de hoje. Supõem-se a existência de um numero infinito de universos semelhantes ao nosso, todos coexistindo simultaneamente e contendo todo possível arranjo estrutural de matéria permitido estatisticamente pela Mecânica Quântica. A passagem do tempo é um processo acarretado pela simples sucessão desses universos em seqüência. Cada Universo também é estático, como se fosse um instantâneo de determinada organização de elementos constituintes. Mudanças, ou seja, transições de estado, não ocorrem realmente, mas as infinitas combinações e maneiras de se colocar em seqüência esses segmentos de realidade tornam tudo isso muito interessante. O que nos parece real é apenas uma
travessia por um pedaço infimo do Multiverso. Com a consciência cósmica, todas as possibilidades seriam
observadas indistintamente.

Curiosamente, o cenário do Multiverso também aparece na cosmologia, que é estritamente regulada pela Teoria da Relatividade. Quando Everett sugeriu sua interpretação da Mecânica Quântica, o Universo parecia ser, cosmologicamente, bem menor do que é hoje. As imagens do Telescópio espacial Hubble nos mostram um número incontável de galáxias, o que significa que a distribuição da matéria no Universo é basicamente uniforme. A partir dessa observação, podemos deduzir que provavelmente não há nenhuma fronteira entre o Universo e o Nada. A teoria do Einstein sugere que o Universo possa curvar-se sobre si mesmo, o que implicaria em um Universo fechado, mas poucas evidências foram encontradas em suporte a essa hipótese. Em um Universo infinito, novamente todas as
probabilidades, todos os arranjos estruturais de seus elementos constituintes, são igualmente prováveis e devem existir. A maior diferença entre os dois cenários está apenas na distancia que a sua copia mais próxima esta de você. Na teoria cosmológica, suas cópias viveriam alem do universo observável, e na teoria do Multiverso, elas estão ocupando o mesmo espaço físico, estando em outra realidade paralela, ou vibrando numa freqüência dimensional distinta.

Magia Caótica, Budismo e o Multiverso

Então, já que a maioria dos cientistas agora acredita que cada um de nós possui múltiplas cópias, a maioria bem semelhante a nós, mas muitas radicalmente distintas, o estilo especifico de Magia Caótica que utilizo usa essa teoria para concretizar minhas intenções em atos.

Toda Magia pode ser considerada como o método através do qual manipulamos as probabilidades a nosso favor.

No cenário do Multiverso, o resultado desejável para um ato de Magia, a realização de sua vontade, está exatamente em alterar a minha percepção de uma linha de probabilidade para outra. Eu sei que existo, assim como acredito na existência de todo e qualquer outro fenômeno imaginável, que se estende pela vasta seqüência de realidades paralelas. É claro que existem muitos Universos em que eu nunca nasci, mas como existem infinitos destes no Multiverso, é seguro que podemos encontrar ao menos um onde minha vontade se concretizou. Tendo sido condicionado pela linha narrativa da minha vida até esse instante, ou pelo modo como escolhi perceber o segmento de realidades paralelas pelas quais já transitei, tenho uma tendência menor de vislumbrar realidades paralelas na
qual sou, por exemplo, uma nuvem de vapor..

A maioria das pessoas que são terríveis magos e feiticeiras foram tão condicionados pela sua narrativa pessoal que não conseguem nem imaginar o resultado que gostariam de realizar. A Magia Caótica, portanto, pode ser compreendida como um método de descondicionamento das nossas próprias historias. Também existe uma historia mundial, criada e modificada pelos outros seres humanos, uma falta de sensibilidade de se levar isso em consideração também leva a muitos fracassos nessa área (ou seja, devemos contar com certa resistência proporcional ao número de vidas que afetamos com nosso desejo). Não adianta dizer-se capaz de desligar o sol por alguns minutos, isso não significa nada se as outras pessoas não forem persuadidas a acenderem as luzes, não passaria de auto-ilusão. Porém é possível que isso ocorra, teoricamente, mas está tão fora da realidade
consensual que é até difícil de acreditar. A realidade consensual é constituída por uma serie de regras de observação com as quais concordamos, e isso sustenta a integridade da realidade que compartilhamos. Existem
argumentos, no entanto, que outros animais possuam aparatos sensoriais, como os morcegos com sua eco-localização, podendo perceber segmentos bem maiores do Espaço de Hilbert do que nós. Posso até mesmo argumentar que todos nós usamos o Espaço de Hilbert bem mais rotineiramente do que podemos imaginar.

Por exemplo, quando escolhemos uma dentre um grande numero de ações possíveis. Não costumamos reconhecer que cada um dos resultados realmente ocorre, mas de acordo com a teoria do Multiverso elas existem. A nossa relação com o Iniverso é que está sendo limitada pela instrumentação orgânica, nossos órgãos sensoriais. Mas as estruturas corticais superiores que interpretam essa informação o fazem pela seleção por semelhança. A linguagem da mente é simbólica – padrões de neurônios em atividade. Os padrões desses impulsos neurais que são tanto químicos quanto elétricos, são rapidamente comparados com os moldes abstratos em estão armazenados nos níveis corticais superiores. Essa informação que chega também pode ser emitida para os nossos órgãos sensoriais – sonhos, síndrome do membro fantasma e etc são evidencias disso. A teoria do Multiverso parece indicar que essas imagens realmente existem concretamente em algum lugar.

De modo que a realização da Magia, nesse modelo, decorre da observação de determinado estado probabilístico. Da multiplicidade de realidades paralelas para cada resultado, escolhe-se um. Por observação, quero dizer: interação, crença, força de vontade, e todo tipo de estímulo sensorial, intelectual, emocional ou instrumental que cria o mundo como percebo, e espera-se que o resultado colapse. As circunstancias da narrativa pessoal e a estrutura do regime de crenças consensuais da qual participamos pode limitar ou impedir que a vontade se
cumpra.

O regime de crenças consensuais é percebido individualmente e comparado com a auto-narrativa que cada um de nós consolida em nossas mentes. A informação de nossos sentidos deve fazer referencia a esses padrões pra ser compreendida, uma vez que eles são indissociáveis de uma resposta emocional, elas despertam tanto sensações intelectuais quanto emocionais. A Magia Caótica afirma que tanto as mudanças pessoais quanto ambientais que experimentamos são limitadas pelo sistema de paradigmas, ou de crenças que possuímos, e que estes podem ser alterados pela intencionalidade.

É difícil compreender o que realmente ocorre quando um desejo se concretiza através da utilização do modelo do Multiverso. Será que um Universo inteiro é criado conforme a nossa vontade? Aparentemente sim. Será que a consciência do praticante de Magia passa a habitar o corpo de sua cópia em uma realidade paralela, ou ela se torna o praticante? Acho que isso nem importa, mas por que parto de uma perspectiva budista sobre o assunto não posso justificar uma distinção fundamental entre mim e qualquer outro arranjo estrutural de matéria  suficientemente similar. Isso quer dizer que o principal ai é a questão da identidade. Seria o eu do Universo onde a vontade é concretizada o mesmo daquele em que formulou-se o desejo? Essas questões sobre identidade rapidamente revertem para o problema do essencialismo e à impossibilidade de se definir qualquer entidade sem fazer referencia a sua correlação com outras. As teorias cientificas foram provadas empiricamente, mas questões sobre a alma continuam sem resolução.

No sistema de crenças do Budismo, já se especulava sobre uma realidade infinita, o que pode até mesmo ter influenciado o desenvolvimento cientifico nessas áreas, e é também possível que a nossa noção atual de Magia tenha partido dessas questões. As entidades do panteão budista, com seus múltiplos braços e membros, provavelmente se referem não somente a seus múltiplos poderes, mas também a sua hiperdimensionalidade, sua
presença em um número ilimitado de realidades.

Uma maneira de compreender essas divindades seria supor que vivem no Estado de Hilbert, colapsando onde desejarem em diferentes ramos probabilísticos. Esse seria o principal motivo para alguem resolver trabalhar com elas, seriam como canais de comunicação pelo Multiverso – o praticante pode duvidar da sua própria capacidade, portanto elas facilitariam principalmente o seu enfrentamento das estruturas do regime consensual de crenças. Poderíamos duvidar de nossa capacidade de realizar isso sem qualquer assistência, mas parece claro que, pela ação de uma
divindade, isso se tornaria muito mais provavel. A Magia Caótica é, portanto, um método para desconstrução de estruturas de  crenças consensuais, selando a parte do ego que duvida de nossascapacidades. Sigilos, servidores e rituais também auxiliam o praticante a se comunicar através do Multiverso, como essas divindades. Cada uma dessas
técnicas parece ajudar os praticantes de Magia a se mover conscientemente pelo Espaço de Hilbert, ao relaxarmos os rígidos padrões de pensamento do hemisfério esquerdo do cérebro que definem o que é real e o que é plausível.

Pura especulação

Nos últimos 10 anos, cosmólogos descobriram que o Universo é primariamente composto de energia e matéria escura, com a porcentagem de matéria visível sendo em torno de 10% do conteúdo energético total do Universo. A matéria escura é um tipo não radiante de matéria que estrutura a formação de galáxias e aglomerados filamentosos. A energia escura nem sabemos o que pode ser, mesmo que esta componha a maior porção daquilo que existe, tendo inclusive acelerado a expansão cósmica. Tudo está se distanciando de qualquer outra coisa, sendo preenchido por essa energia escura. Talvez isso esteja relacionado ao Espaço de Hilbert, basta pensar que a emergência da vida, nesses últimos bilhões de anos, se deve ao aumento da complexidade estrutural do universo. Consciência seria apenas um outro modo de nos referirmos à vida. Talvez seja isso que acelere a expansão cósmica, ao criar uma matriz observacional que acelera a expansão cósmica, aumentando o numero de probabilidades a serem observadas. Aprecio o fato de que o Universo tenha a aparência de ser isotrópico e homogêneo, e que há mais conexões cerebrais do que partículas no universo observável. Fenômenos como o ponto cego, a síndrome de Charles Bratton e etc, nos dão uma pequena indicação de tudo que nossas estruturas neurais são capazes de realizar. Creio ser obvio que a incrível complexidade do cérebro humano esteja integralmente relacionada ao Multiverso de modos que quase não percebemos, talvez porque elas ocorram a nível inconsciente.

Uma manual prático

Sendo um fã de teorias complicadas, e de técnicas fáceis que funcionem, quer entendamos ou não as teorias que as fundamentem, fica claro que, na Magia Caótica o que importa é a crença, e já foram realizadas inúmeras discussões sobre a necessidade de sinceridade nessa crença para se obter o resultado. Em minha opinião, o mecanismo seria mais bem descrito como a suspensão de descrença. De qualquer forma, a Magia Caótica depende da transformação psicológica ou pessoal, de modo que essas técnicas, em união com o modelo do Multiverso, sirvam para nos convencer que o resultado que foi sendo manifestado era o esperado.  O que faço é me isolar, tento chegar num estado alterado de consciência, onde a atividade mental se torna mais difusa. Minha intenção era a de trocar de
lugar com uma cópia que tivesse uma auto-narrativa mais consistente.

Foi basicamente o que fiz, e sabia o que estava fazendo mesmo que não possa colocar em palavras, pois como todo ato de Magia bem sucedido está além da descrição simbólica. De qualquer maneira, é bem fácil, considere que existe uma copia sua que habita uma realidade paralela onde seu desejo foi realizado, Troque de lugar com a cópia, e torça para que ninguém perceba o que aconteceu. A sua própria memória se tornará meio confusa, mas é grande a probabilidade de que ela já seja assim, e somos nós que não percebemos isso.

Será que eu realmente tive sucesso, trocando de lugar com a minha copia? Ou apenas me convenci de que isso ocorreu? Segundo a magia Caótica, isso nem importa, pois ela se preocupa mais com resultados. Desde então tenho sido muito mais feliz, e tenho estado muito mais alerta para alterações de comportamento que comprometam esse estado de graça. Considero que tenha tido sucesso, mas apenas o tempo dirá; espero que  minha cópia nunca apareça por aquipra reclamar de seu paraíso perdido.

Suspeito que qualquer estilo de Magia poderia ser modificado pela perspectiva do modelo do Multiverso, o que responderia a muitas perguntas:

– Como a Magia funciona?

Ao fazer uma outra parte do estado probabilístico do Multiverso se manifestar pela observação, ou se preferir, ao trocarmos de lugar com uma cópia de uma realidade paralela.

– O ritual é necessário?

Apenas enquanto ferramenta para transformação de seu sistema de crenças.

– Existem deuses e/ou demônios de dimensões obscuras da realidade?

Sim, com tanta validade quanto a sua própria existência, já que mais pessoas acreditam nesses mitos do que em você eles podem ser até mais reais. Mas não creio nisso, suspeito que a qualidade da observação acaba vencendo sobre a quantidade de observadores. De qualquer forma, não faz sentido perguntar essas
coisas.

Não existe nenhuma razão para considerarmos a Ciência e a Magia como contraditórias. A Primeira categoria é grande o suficiente pra abranger a segunda, mesmo que a mente da maioria dos cientistas ainda seja muito streita. Uma questão mais interessante, do meu ponto de vista, é se os praticantes da Magia estão  finalmente prontos para aceitar que o Multiverso é a melhor explicação para o fenômeno da conformidade da realidade com as nossas expectativas.

por Mark Defrates, trad. Dr. Clandestino:

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/magia-multiverso-e-funcao-de-onda/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/mindfuckmatica/magia-multiverso-e-funcao-de-onda/

Satanismo de LaVey / O Verdadeiro Satanismo

Depois dessa pequena jornada, finalmente chegamos ao Post que trata do VERDADEIRO Satanismo. Depois de percorrermos esse caminho, tratando de como surgiu a primeira concepção de Satanismo, na época da Idade Média, e de suas bases primordiais (na época do Renascimento), chegamos ao século XX.

Muito se produziu na história desde o fim do Renascimento até os dias atuais.

O Iluminismo foi o movimento mais importante que veio a seguir, no século XVII (em 1650). Dele surgiram (já no século XVIII) os primeiros movimentos empiristas (que se baseavam, exclusivamente, na “autoridade” da experiência) e, os primeiros movimentos Ateístas – que, até aquele momento, não existiam.

Não existiam movimentos que pudessem questionar, abertamente, a existência de Deus – e esse foi um dos passos mais importantes para a libertação intelectual do homem. O próprio surgimento da Maçonaria Moderna (em 1717) foi reflexo desse cenário.

No século seguinte (XIX) surgem outras Ordens, de caráter mais Ocultista, como o Martinismo e a Teosofia, que abrem caminho para que,  a partir desse desenvolvimento ocultista, surgisse o Satanismo de Anton Lavey, no século seguinte.

Não vou tomar muito tempo falando sobre quem foi Anton LaVey, já que, futuramente, haverá um post dedicado a ele. Basta saber, nesse momento, que Anton LaVey foi um grande estudioso do Ocultismo de Aleister Crowley e dos estudos da “Golden Dawn”.

Outros estudos de seu interesse envolviam a filosofia pouco convencional de Friedrich Nietzsche e do Objetivismo, de Ayn Rand. Essas correntes de pensamento o ajudaram a formular melhor os conceitos dessa religião que ele viria a fundar.

Antes de mais nada, é importante deixar bem claro que, apesar dos conceitos ideológicos do Satanismo ficarem bem claros, nas obras de LaVey, existe uma lacuna nos preceitos ocultistas.

Essa lacuna consiste no fato de ocorrerem claras citações e afirmações, sobre as correntes ocultistas, que LaVey partia do pressuposto que o leitor já conhecia. Ele demonstra admitir, como verdade, aquelas premissas – mas não dedica tempo algum para explicá-las.

Pode não parecer, a primeira vista, mas essas doutrinas e correntes de pensamento estão ligados a um caminho, que é chamado de “Caminho da Mão-Esquerda” – que será um assunto bem explorado nesse blog.

Terminamos o último post Satanismo e o Renascimento, falando sobre Shaitan ser a personificação do Humanismo, que era a corrente de pensamento onde o homem era tido como o centro do universo, sendo ela a “doutrina libertária” da época.

Essa é a raiz do Satanismo. Mas vamos entender como tudo isso funciona, a partir do que já vimos até aqui.

Como já foi abordado no Satanismo na Idade Média, nunca existiu a idéia de um Demônio Cristão, até aquele momento – quando foi criado pela Igreja Católica.

Na época do Renascimento passou-se a questionar o verdadeiro Deus, momento em que surge o Humanismo – onde Shaitan já pode ser visto como exemplo, e até, como símbolo.

Nos dias de hoje, no verdadeiro Satanismo, Lúcifer precisa ser o próprio homem (apenas para esclarecer, vou usar o termo Lúcifer, mesmo tendo explicado-o, no Post anterior, por preferência pessoal).

A ideia principal é que o homem esteja liberto e o questionamento esteja sempre presente em seu julgamento. O homem também deve centrar-se primeiro em si, depois nos outros e, por fim, no universo. Ele também deve buscar ser sempre o senhor de si, através da sua vontade (que pode produzir efeito a partir do plano físico e a partir do plano metafísico). Por fim, o homem deve ser o seu próprio Deus.

Sobre o princípio do questionamento, característica fortíssima do personagem Lúcifer, LaVey fala:

Tem sido dito “a verdade vos libertará”. A verdade sozinha não tornará ninguém livre. É somente a dúvida que trará a emancipação mental. Sem o maravilhoso elemento da dúvida, o vão por onde a verdade se move seria firmemente fechado e impenetrável – Anton LaVey

A questão ideológica sobre “o homem ser o seu próprio Deus” também é muito simples de se entender. O Satanista crê que toda personalidade, atribuída aos Deuses até hoje, não são mais do que características exaltadas do próprio homem – e de como ele desejaria ser.  Ou seja, a partir disso, não seria mais fácil venerar a si mesmo do que venerar um Deus que foi criado de acordo com as próprias necessidades emocionais do homem?

Além disso, alguns chegam a questionar porque não utilizar outro nome, ao invés de “Satanismo”?

LaVey fala sobre isso em sua Obra “A Bíblia Satânica”:

“Satanismo é baseado numa filosofia muito sadia”, diz o emancipado. “Mas por que chamá-lo de Satanismo? Porque não chamá-lo de algo como Humanismo ou um nome que poderia ter a conotação de um grupo de magos, ou algo um pouco mais esotérico – algo menos barulhento”.

Há mais de uma razão para isto. Humanismo não é religião. É simplesmente um modo de vida sem nenhuma cerimônia ou dogma. Satanismo tem ambos, Dogma e Cerimônia. Ambos, como  já foi explicado, são necessários.

E o Satanismo é exatamente isso porque não existe, nem nunca existiu, qualquer motivo para que a sociedade acreditasse que existem pessoas que veneram o demônio cristão. Ele foi um personagem criado pela Santa Igreja e foi dessa forma que ele se desenvolveu: Como um personagem!

A partir dessas características é que surgiu essa grande ideologia, na forma de religião, que é o Satanismo.

A concepção de universo, no Satanismo, não é o da existência de um Deus pessoal, porém, também não é a concepção Ateísta.

Para o Satanismo, Deus – ou seja lá o nome que você quiser dar – é uma força poderosa – e impessoal – que permeia e equilibra o universo que, por ser impessoal, não teria como se preocupar com a felicidade ou a tristeza das criaturas que habitam esse planeta.

E a definição não vai muito longe disso. Afinal, eles admitem essa ideia porque admitem a existência de forças metafísicas e de “agentes mágicos” (e essas forças não estão no mundo físico). Portanto, não há porque “povoar” o mundo espiritual com muitos personagens, basta uma força de equilíbrio para o universo.

Entender a concepção de universo do Satanismo é bem simples. Você só precisa lembrar de duas coisas:

Que existe uma força – ou energia – de equilíbrio no universo

Que é possível provocar mudanças no universo através da Vontade

No próximo Post sobre Satanismo vamos entender, mais a fundo, os princípios do Satanismo. Por hora, espero que tenha ficado claro as características essenciais do Satanismo e porque ele é dessa forma.

Dúvidas ou Sugestões? Comente abaixo…

Até a próxima!

#satanismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/satanismo-de-lavey-o-verdadeiro-satanismo

À Luz da Gnose

Por Tau Malachi

Muitas pessoas escrevem e me perguntam o que eu penso dos acontecimentos do mundo de hoje e dos tempos em que vivemos e, especificamente, perguntam sobre a visão gnóstica dos acontecimentos mundiais e os ensinamentos do gnosticismo sobre a segunda vinda de Cristo; daí a visão que os gnósticos têm do Livro do Apocalipse. Se olharmos para as tradições sábias do mundo, descobriremos que muitos profetas e sábios falaram sobre os tempos em que vivemos – ambos indicando os grandes desafios de nosso tempo e a esperança espiritual que está neles. O mesmo se aplica ao gnosticismo cristão. Adeptos e mestres gnósticos falam destes tempos como uma encruzilhada para a humanidade, e talvez até algo como uma crise evolutiva para nossa espécie e nosso mundo.

Nas tradições orientais, estes tempos têm sido chamados de Kali Yuga, que significa “idade das trevas”, e observando os eventos que estão acontecendo no mundo e as tendências que estamos colocando em movimento por nossas reações, não podemos deixar de nos perguntar que tipo de futuro estamos invocando, nem se pode discutir exatamente com aqueles que sentem estes tempos como sombrios e perversos. Contudo, de uma perspectiva cristã gnóstica, na verdade, estes são tempos poderosos e preciosos nos quais estamos vivendo – como pode haver grande escuridão se movendo no mundo, assim também há um potencial para maior luz.

É bem verdade que muitas coisas parecem muito incertas quando entramos no século XXI, e pode bem haver um potencial de escuridão e horror muito maior do que testemunhamos no século passado, com duas grandes guerras mundiais e o uso da bomba atômica. Ao mesmo tempo, no entanto, existe igualmente o potencial de grande beleza e luz para emergir. No mundo material, segundo o gnosticismo, uma luz maior só se torna possível ao lado do movimento das grandes trevas, e o potencial para um bem maior é naturalmente o potencial para um mal maior. Se quisermos ter uma visão disto, de acordo com os gnósticos cristãos, tudo o que precisamos fazer é olhar para os tempos da revelação de Cristo há cerca de dois mil anos. Os tempos tumultuosos em torno dos acontecimentos do Evangelho e as trevas que se moviam no mundo eram completamente integrais à revelação divina – como era então, assim é agora.

Vivemos em tempos tumultuosos e incertos, mas estes são tempos poderosos e preciosos para estarmos vivos. Há um renascimento gnóstico em curso, à medida que mais e mais pessoas procuram as raízes espirituais e místicas mais profundas de sua própria tradição ocidental, e há um renascimento de interesse em todas as formas de espiritualidade interior e mística. No meio da escuridão atual, parece haver um impulso em direção a uma evolução ativa e consciente – um impulso buscando dar à luz uma Nova Consciência na humanidade e no mundo. Esta, em essência, é a visão cristã gnóstica do que está acontecendo hoje – é semelhante às dores de parto no processo de dar à luz a Consciência Cristo.

Quando perguntado o que os gnósticos acreditam sobre “o Juízo”, e se eu acredito que estamos entrando nos tempos do Juízo, em geral minha resposta é: “Sim, eu acredito”. Acredito que vivemos em um tempo no qual devemos escolher invocar e incorporar a verdade e a luz, e no qual devemos fazer julgamentos sábios para nosso futuro – um tempo no qual devemos lutar para incorporar uma Consciência Superior, e buscar uma nova orientação e motivação para a vida humana e a sociedade. O gnosticismo nos ensina que somos cocriadores da realidade que experimentamos. Em vez de viver com medo e reação, ou focalizar um cenário de desgraça e desgraça, o gnosticismo cristão propõe que devemos escolher responder conscientemente focalizando-nos em uma nova visão da humanidade e do mundo – uma visão revelada na experiência gnóstica do Cristo Ressuscitado.

Isto não significa sugerir que devemos fechar os olhos para a dor e o sofrimento no mundo, nem viver em negação do que está acontecendo, como se a escuridão e o mal, e todos os nossos problemas, desaparecessem por ignorá-los – não implica que coloquemos óculos cor de rosa e digamos: “Tudo está bem”. Ao contrário, está falando de um otimismo de olhos abertos e de uma resposta consciente. Em vez de viver em reação e ir junto com o rebanho inconscientemente, o gnosticismo propõe que nos tornemos agentes conscientes para um bem maior no mundo, em nome da vontade divina e do reino divino.

Talvez um dos maiores perigos que enfrentamos, o maior engano da condição não iluminada, é a ideia de que nós, como indivíduos, somos impotentes para fazer a diferença no mundo ou impotentes para provocar qualquer mudança real. Nada poderia estar mais longe da verdade! Se cedermos a isso, nos tornaremos parte do problema, ao invés da solução. Uma mudança maior só pode ser trazida por coletivos maiores de pessoas trabalhando juntas em harmonia, como um só coração e uma só mente, unidos em seu foco em um ideal nobre ou propósito superior. Entretanto, tais coletivos são formados por indivíduos e são fortalecidos pelos indivíduos que os compõem. A verdade é que o que cada um de nós escolhe fazer importa, e há um incrível poder de luz em cada ser humano – para o melhor ou para o pior, somos mestres de nosso próprio destino, de acordo com os ensinamentos do Cristianismo Gnóstico.

Isto reflete a compreensão gnóstica da segunda vinda, pois a primeira vinda, na pessoa de Jesus Cristo, é a revelação do potencial divino em nós, e a segunda vinda é a atualização e realização de nosso potencial divino – uma evolução para a Consciência Cristo. O Cristos não é algo isolado para Jesus no Cristianismo Gnóstico, mas é a verdade e a luz dentro de cada um de nós. Muito naturalmente, para que esta verdade e esta luz sejam realizadas e encarnadas em nós, devemos trabalhar ativamente para trazê-la de dentro de nós – esta é a mensagem do Gnosticismo.

Em meu livro, Gnose Viva, compartilho ensinamentos e práticas essenciais que qualquer um pode aprender e usar para a geração de uma Nova e Superior Consciência-práticas que podem trazer uma mudança radical em sua própria vida e no mundo ao seu redor. Contudo, aqui neste artigo, eu gostaria de compartilhar abertamente a essência mais íntima da espiritualidade cristã gnóstica.

A Teoria da Relatividade de Einstein se baseia em uma conclusão básica: que a luz é a constante subjacente ao universo material, sendo a velocidade da luz um movimento chave que não muda em todo o nosso universo. Ironicamente, a mesma ideia fundamental está no coração do gnosticismo cristão, assim como de outras tradições místicas ao redor do mundo – a metáfora mais comum para Cristo e Deus é “luz” e, em essência, o gnosticismo é uma espiritualidade “iluminista”, focalizando a invocação da Luz Divina através de várias formas de oração, mediação e ritual sagrado. Essencialmente, nós nos imaginamos trabalhando com a Luz, na Luz e como a Luz. De todas as maneiras possíveis, procuramos nos lembrar da presença da Luz (Cristo) e do poder da Luz (Espírito Santo) em nós, e permitir que a Luz Divina brilhe com, dentro e através de nós. É claro, você também pode fazer isso!

Ao despertar pela manhã, procure lembrar-se da Luz; ao longo do dia, aqui e ali, dedique tempo para lembrar e visualizar a Luz; antes de ir dormir à noite, lembre-se da Luz. A seguir, um exemplo de uma maneira simples de fazer isso, que é utilizada pelos iniciados gnósticos:

Tome um momento e concentre-se interiormente – imagine-se de pé em um pilar de brilho branco, brilhando com tons de luz do arco-íris, e imagine a imagem de um sol dourado em seu coração. Depois, imagine seu ambiente cheio de luz, e todos e tudo cheio de luz – tudo na Luz Divina. Se desejar, você poderia acrescentar o canto do nome Yeshua Messiah (hebraico para “Jesus Cristo”) a esta prática, mas a visualização e a intenção consciente de invocar a Luz Divina é suficiente. Embora muito simples, esta é uma prática espiritual extremamente profunda e poderosa, que pode trazer uma mudança radical em sua consciência – o que pode começar como um voo da fantasia pode abrir sua consciência para novas dimensões e a experiência da Consciência Superior.

Outro exemplo simples é o seguinte:

Quando você respira, imagine que está respirando luz; quando está comendo ou bebendo, imagine a substância do alimento e da bebida como luz. (Isto representa uma compreensão esotérica da Santa Eucaristia entre os gnósticos). De maneira semelhante, de todas as maneiras possíveis que você possa imaginar, tudo de acordo com o Espírito Criativo e Luminoso em você, lembre-se e imagine a si mesmo e aos outros na Luz e como a Luz – tudo na Luz Divina.

A sugestão desta prática espiritual essencial aparece na Bíblia? De fato, ela aparece! Talvez um dos dizeres mais famosos do Mestre Jesus sobre o tema da Luz, e certamente um de seus dizeres mais sugestivos desta prática, seja encontrado no Sermão da Montanha, seguindo sua enunciação das Bem-aventuranças:

“Vós sois a luz do mundo”. Uma cidade construída sobre uma colina não pode ser escondida. Ninguém depois de acender uma lâmpada a coloca debaixo de uma cesta de alqueire, mas em um candelabro, e ela dá luz a todos na casa. Da mesma forma, que vossa luz brilhe diante dos outros, para que possam ver vossas boas obras e dar glória a vosso Pai que está nos céus” (Evangelho de São Mateus 5:14-16).

Da mesma forma, no mesmo evangelho é registrado outro ditado de Jesus que pode ser tomado como uma alusão à prática de lembrar e visualizar a luz:

“Vinde a mim, todos vós que estais cansados e carregando fardos pesados, e eu vos darei descanso”. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, pois sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossa alma”. Pois meu jugo é fácil, e meu fardo é leve” (11:28-30).

Ditos semelhantes aparecem também em outros evangelhos, e são muito comuns nas Escrituras Gnósticas – se lermos sobre a transfiguração, ou sobre a ressurreição e ascensão, o que diremos de Cristo? O Cristo é Luz, Vida, Amor e Liberdade – o Espírito da Verdade que nos liberta! Como as práticas espirituais dadas na Gnose Viva, a prática de lembrar e visualizar a Luz Divina pode ser usada por qualquer pessoa, independentemente de estarem ou não inclinados ao Caminho Gnóstico – é essencial e universal a sabedoria espiritual encontrada no Gnosticismo, assim como em outras tradições místicas do mundo. Talvez, mais do que nunca, precisemos tirar proveito da sabedoria espiritual disponível para nós e integrar essa sabedoria em nossa vida diária, buscando encarnar o Espírito da Verdade. Embora, de fato, vivamos em tempos desafiadores, há um movimento crescente em direção à aurora de uma Nova e Superior Consciência entre nós; cada um de nós pode fazer a diferença se estivermos dispostos à vida espiritual e à prática, dispostos a cultivar nossa humanidade e a descobrir a divindade inata dentro dela. É simplesmente uma questão de lembrar e ser quem e o que somos mais verdadeiramente – filhos da Luz.

(As referências bíblicas usadas neste artigo são extraídas da versão da Bíblia Sagrada da NRS).

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Fonte:

MALACHI, Tau. In the Light of Gnosis. The Lllewellyn’s Journal, 2005. Disponível em: <https://www.llewellyn.com/journal/article/966>. Acesso em 9 de março de 2022.

COPYRIGHT (2005). Llewellyn Worldwide, Ltd. All rights reserved.

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/a-luz-da-gnose/

A Dança dos Paradigmas

Peter J. Carroll, Liber Null

É impossível viver completamente fora de um paradigma. Até mesmo a magia do caos, que é tida como um metassistema, no fundo também é um “sistema de criar sistemas” (já que poderiam ser criados outros metassistemas além da proposta do caoísmo). Por isso, se você considerar como verdade que “nada é verdadeiro, tudo é permitido” em vez de encarar esse pensamento como mais um paradigma dentre muitas outras opções, ele também poderá aprisioná-lo.

É mais ou menos como os cegos diante do elefante: você pode dizer que cada crença ou paradigma toca uma parte do elefante e todas elas, de certa forma, estão certas, dentro de seu respectivo ponto de vista. Mas essa forma de pensar também é um paradigma e você pode correr o risco de considerar que só você está certo ao pensar assim, se tomar isso como verdade absoluta.

Peter Carroll nos diz que é um erro considerar qualquer crença como mais libertadora do que outra, mas isso também é uma crença. Você tem o direito de questionar o pensamento de que uma crença liberta mais que outra, contanto que não considere que essa sua crença liberta mais que as outras. É uma pegadinha, mas a magia do caos está cheia delas. O livro Principia Discordia descreve bem as contradições que permeiam pensamentos como esses. Mas na maior parte das vezes os caoístas vivem à vontade com contradições, principalmente se geram uma boa piada.

Os magistas do caos são extremamente pragmáticos e usam o que funciona. Eles se importam com os resultados, embora possa haver debates sobre o que os termos “funcionar” e “resultados” significam, pois eles dependem do objetivo de cada um.

Os caoístas são artistas, mas eles também possuem um espírito investigativo que flerta com a ciência. Eles gostam de realizar testes e anotar resultados. Em geral, eles não estão em busca da verdade, mas de sensações.

Em Liber Kaos, Peter Carroll nos diz:

“A crença é uma ferramenta para atingir qualquer coisa que se considere importante e prazeroso, e a sensação não tem outro propósito além da sensação”.

O objetivo de criar um sistema não seria simplesmente inventar algo belo e inteligente para ser apreciado, mas para ser sentido: “Como eu me sinto dentro desse sistema que criei? Ele me faz sentir bem? Ele me faz sentir mal? Eu prefiro sempre me sentir bem ou percebo que me sentir mal em certos momentos pode gerar amadurecimento? Então devo incluir sensações ruins no meu sistema? Quais outros resultados ele me traz no mundo mental e material?”

Ninguém nasce com uma mente em branco. Todos somos educados dentro dos sistemas vigentes na época e no lugar em que vivemos. Por exemplo, muitos de nós fomos criados para acreditar no secularismo e no materialismo. Por isso é tão difícil para a maior parte de nós acreditar que magia existe e que ela funciona.

Carroll nos diz em Liber Kaos:

“Muito da parafernália e teoria da magia, incluindo essa teoria, existe parcialmente para convencer o magista de que ele ou ela é um magista, e magia é possível num clima cultural que é fortemente antagonista a tais noções”

O velho rebelde se revoltava contra o paradigma judaico-cristão e se tornava um ateísta. E, de fato, existem muitas possibilidades dentro do paradigma ateísta que o paradigma judaico-cristão não possui. Talvez a questão principal seja enxergá-los pelo que são: paradigmas diferentes, com suas vantagens e desvantagens em vez de classificá-los numa hierarquia e vê-los como um melhor do que outro ou como a verdade. A questão é se perguntar: “O paradigma X é melhor para quê?”. Dependendo do que você quer fazer, dos resultados que busca, pode escolher um deles, depois abandoná-los ou alterná-los, como ferramentas.

O novo rebelde descobre que o paradigma do ateísmo pode ter lá suas utilidades, mas também possui suas limitações, como qualquer outro. Talvez ele esteja entediado e ache mais divertido viver num mundo com unicórnios e fadas do que num universo frio e cinzento. E principalmente se ele é jovem, talvez nem esteja pensando numa religião que lhe dê consolo na morte e na dor. Pode ser que ele deseje fazer experimentos como um cientista, ou queira imaginar como um artista, e para isso deseje testar outras realidades e outros mundos possíveis.

Sendo assim, o novo rebelde é aquele que estuda cabala, tarot, religiões indianas, chinesas, ocultismo ocidental, talvez até qualquer coisa da Nova Era e simplesmente acha que acreditar em Deuses e fadas na vida real é mais interessante do que apenas fingir que eles existem jogando videogames e vendo filmes, sempre sonhando com uma aventura imaginária. Ele pode realmente vivê-la e existem muitos paradigmas inteligentes e interessantes que lhe permitem aceitar essa possibilidade.

O ateísta pode argumentar que a pessoa está “fugindo” da realidade em todos esses paradigmas fantásticos, mas não é a arte também tanto uma fuga quanto uma realização? E que realidade é essa, afinal? Não permite diversas interpretações em vez de apenas uma? E mais de uma interpretação pode permitir que em vez de fugir conheçamos melhor o universo em que vivemos, sob diferentes pontos de vista, um complementando o outro e aprendendo com o outro. E paradigmas diferentes permitem que possamos atingir sensações e objetivos materiais diversos na prática. Isso jamais fica somente na imaginação. Ramsey Dukes diz em SSOTBME:

“É inútil perguntar a um magista se Deus, anjos ou demônios ‘realmente existem’. Simplesmente por dizer as palavras você os fez existir. Pergunte de novo se essas entidades abstratas podem produzir qualquer efeito no mundo físico e elas já fizeram: – elas fizeram você fazer perguntas”

O caoísta não está muito preocupado se Deus existe ou não, ou se ele/ela é monoteísta, panteísta ou politeísta. Ele pode ser um ateísta na segunda-feira, um budista na terça e um wiccano na quarta. Assim como teorias científicas, umas podem ser mais úteis que outras para objetivos diferentes, dependendo do paradigma em que foram criadas. Independente de se aceitar ou não que exista uma verdade, ela está aberta à interpretação. É verdade que eu estava usando um vestido vermelho e curto, mas quão vermelho e quão curto para que eu crie meu paradigma no qual nascerão meus comentários? É verdade que eu estou sentindo dor, mas eu fui criado para esconder minha dor e resistir a ela ou para mostrá-la abertamente em público e reclamar dela? Isso interfere na minha percepção objetiva da dor? E por que raios eu deveria envolver espíritos nessa discussão? Dukes explica:

“Senhor Dukes, por que nesse e em outros escritos você insiste em personificar problemas complexos como ‘demônios’ ou ‘espíritos’? Isso não é um retrocesso a superstições do passado? Isso depende se você acredita que o cérebro do homo sapiens foi desenvolvido para lidar com ferramentas ou relacionamentos sociais. Se você acredita que os processos mais complexos com os quais temos que lidar são nossos companheiros humanos, então um maior poder cerebral está disponível quando você os antropomorfiza”

Diz Peter Carroll em Liber Null:

“Ao buscar ideias que parecem bizarras, loucas, extremas, arbitrárias, contraditórias e nonsense, você irá descobrir que as ideias às quais você previamente se agarrava como razoáveis, sensíveis e humanitárias são na verdade tão bizarras, loucas e assim por diante”

“O intelecto é uma espada, e seu uso é para evitar identificações com qualquer fenômeno particular encontrado. As mentes mais poderosas se apoiam no menor número de princípios fixos. A única visão clara é a do topo da montanha de seus egos mortos”

Talvez a noção de que as coisas se encaixem e tenham um sentido (como na cabala e na magia tradicional em geral, fortemente influenciada pelo sistema judaico-cristão e pelo paganismo) pode ser útil, nem que seja como um jogo. Caso adotemos a perspectiva de que vivemos num mundo caótico e que é nossa mente que nos inclina a pensar que as coisas se encaixem (ou que as coisas tenham causa, como questiona Hume) também é possível fazer coisas divertidas com isso.

Mas esses dois são paradigmas. Pode ser que eu descubra uma teoria científica interessante num paradigma em que acho que as coisas se encaixam, e eu posso descobrir outra teoria ótima num paradigma em que elas não se encaixam. Ou, como costuma se dizer: onde havia ordem, encontrou-se caos; e onde havia caos, achou-se ordem.

Existem vantagens em se optar por permanecer um longo tempo num paradigma só (numa religião, num sistema de crença ateísta, etc) e tomá-lo como verdade. Uma dessas vantagens é que sua fé nesse sistema aumenta e você se torna muito bom em trabalhar nele. Quando você salta de um paradigma para outro não será tão habilidoso em cada um deles individualmente, mas você irá se acostumar a vestir diferentes peles e isso também possui lá suas vantagens, como ajudar a impedir que nosso pensamento se cristalize por muito tempo.

Você quer ser um cristal, uma flor ou uma batata? Fique à vontade para montar sua salada.

“Para aquele treinado por ‘Bob’, a Verdade pode ser encontrada numa batata” (O Livro do SubGenius).

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-dan%C3%A7a-dos-paradigmas

Brincadeira do Copo: Falar Com os Mortos é Coisa de Criança

Lembro-me de uma noite, uns 15 anos atrás, quando o Clube de Caça do Morte Súbita Inc. depois dos afazeres diários, se reuniu na lanchonete atrás do IML, carinhosamente chamada de necroburguer pelos frequentadores assíduos, para encher a cara de cerveja e coca-cola servida em temperatura ambiente em copos de vidro com gelo até a boca.Naquela noite, durante a reunião “happy-hour” que acontecia noite sim noite não, um pessoal sentado na mesa ao lado da nossa entrou na conversa dizendo:

“Esse papo de loira do banheiro e jogo do copo podem ser besteira, mas assustavam a gente pra caralho quando a gente era pequeno né?”

Na verdade não falávamos nem de loira do banheiro, nem de jogo do copo, mas de algo que provavelmente assustaria pra caralho aqueles adultos da mesa ao lado. A reunião prosseguiu, encerramos o assunto de grimórios e evocações medievais, mas a intromissão da mesa vizinha ficou em minha mente. “É curioso como quando pequenos, a maioria das pessoas se mete com esse ‘pseudo-ocultismo’, sem se importar com o resultado. Parece que o medo serve mais de combustível do que de freio para elas”. Pensando nisto, e anos depois daquele incidente, resolvemos pesquisar as brincadeiras infantis mais sinistras e então ver o que as faz funcionar deixando o sobrenatural de lado. Não que o sobrenatural não exista, mas sim porque se cada vez que alguém evocasse um demônio, de fato um demônio aparecesse, o inferno viveria vazio. O que acontece então nessas brincadeiras que as fazem funcionar, mesmo quando os espíritos estão de férias?

Para muitas crianças, se reunir para assistir filmes de terror, contar histórias de fantasmas e desafiar colegas, depois de se chapar de xarope pra tosse e coca-cola misturada com colírio, para se meter em situações cabreiras é algo como um ritual de passagem. Mas não importa o quão assustadora seja a brincadeira sendo realizada, o que dá medo é perceber como um bando de crianças de 6 ou 7 anos, sem internet ou qualquer outro meio de comunicação semelhante, conheçam tão bem as brincadeiras e rituais. Isso já é um indicativo de que por mais absurdas que sejam essas brincadeiras, elas funcionam, se não funcionassem provavelmente não se difundiriam por tanto tempo. Vejamos uma das favoritas:

O Jogo do Copo

Quando falamos das brincadeiras que tirariam os fabricantes de purgante do mercado, o Jogo do Copo é a campeã no quesito maior cagaço; e aparentemente é a brincadeira assustadora mais velha do livro de brincadeiras assustadoras.

Tecnicamente acontece assim. Um bando de pré-adolescentes sem namorados ou namoradas se reune de noite e decidem falar com espíritos – principal motivo por não terem namorados ou namoradas. Alguém então pega um caderno, e escreve grandes letras de A a Z, números de 0 a 9 e duas palavras, SIM e NÃO. Enquanto isso outra pessoa corre para buscar um copo, de cristal, de preferência, e todo mundo senta em círculos. Apesar da brincadeira variar de lugar para lugar geralmente se rezam alguns Pai-Nosso e algumas Ave-Maria e talvez alguns Credo (creio em Deus Pai). Então todos colocam um dedo sobre o copo, que está de boca para baixo, no centro de um círculo forma pelas letras e números e alguém pergunta:

“Existe um espírito aqui?”

Quando o copo começar a se mexer saberão que sim. A etiqueta paranormal aparentemente diz que deve-se perguntar se o espírito é bom ou mal, e a partir dai seguem-se perguntas que são respondidas pelo copo que é impulsinado pelo espírito e vai em direção às letras formando palavras e datas. Depois que todas as perguntas forem respondidas, certifica-se que o espírito saiu do copo que em seguida é quebrado, sendo jogado o mais longe possível de suas casas.

Agora se de fato esta experiência não é patrocinada por espíritos como é que ela funciona?

Bem prepare-se para uma explicação tão assustadora quanto a a explicação de que espíritos e demônios de fato são chamados por crianças que entoam preces católicas e ficam dentro de copos respondendo verdades secretas.

Na verdade quando você faz o jogo do copo, você abre um canal de comunicação com algo invisível. Você está se comunicando com o subconsciente do seu cérebro.

Quem move o copo de encontro às letras e números são movimentos involuntários de seus músculos. Acredite ou não, esse fenômeno chega a ter um nome científico: Efeito Ideomotor.

Pegando a explicação do que é esse efeito e dando uma lavada e esfregada nela para nos livrar do palavrório sem sentido, terminamos com algo mais ou menos assim: o seu cérebro pode e vai fazer seus músculos se mexerem sem sua permissão porque, na maior parte do tempo seu corpo meio que já funciona em modo de piloto automático de qualquer forma; o problema é que você normalmente não presta atenção nisso. Já calhou de queimar uma luz na sua casa, e mesmo sabendo que aquele cômodo em espacial não tel luz, cada vez que entra nele fica inconscientemente apertando o interruptor na parede? Muito prazer, efeito Ideomotor.

Assim, sempre que o lider do bando faz uma pergunta para o espírito, sua mente já pensa em uma resposta, e seu dedo incoscientemente tenta arrastar o copo para as letras da resposta. Claro que como o jogo é feito com muitos dedos sobre o copo, a sensação de todos é que o copo se move sozinho.

É neste momento que todo mundo começa a dizer: eu não estou fazendo isso, é você? E todos começam a fazer Psiu!, e depois segue-se o silêncio sepulcral como todos tentando adivinhar qual palavra se formará enquanto o espírito parece ganhar força e o copo vai se movendo mais rápido. Claro que conforme as letras começam a fazer sentido, o subconsciente de todos começam a reconhecer a palavra e mais dedos emprestam mais firmeza e rapidez ao “espírito”.

Mas como dizer que é mesmo o subconciente e não um espírito?

A explicação do subconsciente começa a ficar estranha quando no meio da brincadeira começam a surgir nomes completos, datas de nascimento e morte, locais onde o espírito viveu, que são desconhecidos por todos.

Neste caso a Morte Súbita Inc. oferece um dos testes que criamos para determinar se há um espírito naquele copo de requeijão, ou se é apenas alguém empurrando ele de um lado para o outro sem perceber.

TESTE DE COMPROVAÇÃO DE ATIVIDADE PARANORMAL

Assim que realizar o ritual inicial da brincadeira, recortas as letras e números e os dispor em círculo, coloque o copo no centro do círculo, vende as pessoas. Faça com que elas façam suas rezas/orações e então mude as letras e números de lugar sem que elas saibam. Em teoria, caso haja um fantasma lá, ele vai ver a nova disposição das letras, mesmo que os participantes estejam vendados. Se o copo tentar formar palavras buscando as letras onde elas estavam antes de serem mudadas temos um cérebro operando com imagens de back-up.

Se mesmo com os participantes vendados o copo formar nomes e frases com letras embaralhadas, então é hora de você pegar o seu ateismo e preparar para enfiar ele no meio do seu ceticismo.

por Sr. Meias

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/brincadeira-do-copo-falar-com-os-mortos-e-coisa-de-crianca/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/brincadeira-do-copo-falar-com-os-mortos-e-coisa-de-crianca/

Vedanta

Vedanta é a tradição espiritual explicada nos Upanishads e que lida com os aspectos da auto-realização, onde procuramos entender a natureza da Realidade Última, chamada Brahman.

A tradução da palavra Vedanta é “o final de todo conhecimento”. No entanto, uma tradução mais profunda pode ser feita, tornando a palavra “conhecimento interior” (ou do Ser).

A tradição da Vedanta é baseada em leis espirituais imutáveis, comuns a todas as religiões ou tradições espirituais e tem como objetivo a conquista da Consciência Cósmica. É portanto, uma filosofia de cunho Universal ou universalista.

De forma mais didática podemos dizer que a palavra Vedanta é composta por duas outras, a saber:

veda = “conhecimento” + anta = “fim, conclusão”: “o ponto culminante do conhecimento”

veda = “conhecimento” + anta = “essência”, “núcleo”, ou ainda “interior”: “a essência dos Vedas” ou “ o conhecimento interior (esotérico)”.

A Vedanta também é conhecida como Uttara Mimamsa, ou a “última” ou “investigação elevada”.

Há também a filosofia conhecida como P?rva Mimamsa, geralmente chamada apenas de Mimamsa e que lida com explicações de sacrifícios e uso dos mantras na parte conhecida como Samhita dos Vedas e dos Brahmanas. Já a Vedanta lida com os ensinamentos esotéricos dos Aranyakas (“escritos da floresta”) e dos Upanishads, compostos aproximadamente entre 9 A.C. e 8 D.C.

A filosofia Vedanta foi formalizada por volta do 200 A.C. com o surgimento do tratado “Vedanta Sutra”, composto pelo grande Sábio Vyasa, também conhecido como Badarayana.

O texto é conhecido por vários outros nomes como “Brahma Sutra”, “Vyasa Sutra”, “Badarayana Sutra” e “Vedanta Darshana”.

Por causa de sua linguagem esotérica, várias interpretações diferentes surgiram com relação ao texto, dando origem a várias sub-escolas de pensamento, cada uma clamando por ser a interpretação correta do texto original. No entanto, todas as sub-escolas concordam em pontos comuns como, por exemplo, o abandono dos rituais secos em favor da prática da meditação, fundamentada no dharma e em um sentimento amoroso, que traz ao praticante a certeza da bem-aventurança vindoura no final do processo discriminativo.

Todas as sub-escolas derivam seus conhecimentos primariamente dos Upanishads.

O foco principal da filosofia contida nos Upanishads, de que a Realidade Última, chamada Brahman, é absoluta, imutável e sempre a mesma, é o núcleo da Vedanta.

Com o passar do tempo, muitos sábios interpretaram a sua maneira os Upanishads e o Vedanta Sutra, escrito pelo sábio Vyasa.

É importante salientar que essas interpretações eram pertinentes ao tempo e contexto em que os sábios viviam.

Dessas interpretações, podemos ressaltar seis como sendo as mais importantes e dessas seis, três como sendo as mais proeminetes: Advaita Vedanta, Vishishtadvaita and Dvaita.

Podemos dizer que a filosofia possui oito subescolas:

Advaita Vedanta

Vishishtadvaita

Dvaita

Dvait?dvaita

Shuddhadvaita

Achintya Bhed?bheda

Purnadvaita ou Advaita Integral

Vedanta Moderna

As seis primeiras são tradicionais e as duas últimas são mais recentes.

Advaita Vedanta.

Essa interpretação foi proposta pelo sábio Adi Shankara e seu Guru Gaudapada.

De acordo com essa escola de Vedanta, Brahman é a única realidade e o mundo, como ele nos aparece, é ilusório. Essa linha de pensamento deu origem ao conceito de Ajativada ou não-criação.

É pela ação de um poder ilusório de Brahman, chamado Maya, que o mundo surge.

Ela afirma que a causa de todo o sofrimento existente no mundo é o esquecimento, através da ignorância, da Realidade Última, Brahman. Sendo assim, apenas o conhecimento de Brahman pode nos trazer a liberação.

Essa filosofia nos explica que, quando tentamos compreender Brahman através da mente, ele (Brahman) aparece a nós como Ishvara (o Senhor, Deus no sentido de Criador, o Pai), separado da criação e dos indivíduos. No entanto, os proponentes da filosofia nos dizem que, em verdade, não há diferença entre a alma individual (muitas vezes chamada de Atman) e Brahman.

A emancipação ou liberação estaria no conhecimento dessa não-dualidade (advaita). Assim, o caminho final rumo à liberação só poderia ser conquistador através de Jñana ou sabedoria.

Vishishtadvaita

Essa subescola foi proposta pelo sábio Ramanuja e tem como principal ensinamento a idéia de que a alma individual, o Atman é uma parte de Brahman, ou a Alma Cósmica. Assim, mesmo sendo similares, ambas não são idênticas.

Enquanto a Advaita Vedanta nega qualquer tipo de atributo à Brahman, essa escola prega a existência de atributos em relação à Brahman, como por exemplo o conceito de almas individuais e o do mundo fenomênico.

Portanto, para a Vishishtadvaita, Brahman, as almas individuais e a material são coisas distintas.

Enquanto a Advaita Vedanta prega a Jñana Yoga como caminho para a liberação, essa escola propõe o caminho de Bhakti ou devoção a Deus como forma de liberação. Na maioria das vezes (mas não em todas, importante frisar) a devoção é direcionada ao segundo aspecto da trindade hindu, chamada Vishnu, e a seus avatares ou encarnações.

Dvaita

O pensamento Dvaita foi proposto por Madhva e relaciona Deus à Brahman e este a Vishnu, mais precisamente na figura de Krishna, que segundo a tradição, é a oitava encarnação de Vishnu.

Para o pensamento Dvaita, Brahman, todas as almas individuais (jivatman) e a matéria são ambos eternos e ao mesmo tempo entidades separadas.

Um aspecto muito interessante dessa filosofia é a negação da existência de Maya (no sentido de não-existência, ilusão), apesar de o próprio Krishna, no Baghavad Gita, pregar a existência dela.

Essa sub-escola também prega o caminho de Bhakti como sendo a senda para a liberação.

Ao contrário do que vemos na escola Advaita, aqui se sutenta que a diferença está na natureza da substância (composta pelos gunas). Por causa disso, muitos chamam essa escola de Tattvavâda.

Segundo essa sub-escola, existem cinco diferenças, a saber:

Entre Brahman e a alma individual

Enrte cada alma individual

Entre Brahman e a matéria (prakriti)

Entre a alma individual e a matéria

Entre os fenômenos materiais (matéria x matéria)

Outro aspecto importante dessa filosofia é a sua visão sobre o sistema de castas exposto nos Vedas.

Segundo o Dvaita, as castas não são determinadas pelo nascimento e sim pela tendência da alma.

Um brâmane pode nascer na casta dos párias e vice-versa.

Em verdade, o sistema de Varna ou castas é determinado pela natureza da alma, e não pelo nascimento.

Hoje o sistema se encontra deturpado e mantido apenas por questões discriminatórias.

Dvait?dvaita

Escola propostas pelo sábio Nimbarka, que viveu por volta do século 13 D.C.. Ele usou como base os ensinamentos de uma escola anterior chamada Bhed?bheda, que era ensinada pelo sábio Bh?skara.

Essa filosofia prega que a alma individual (jivatman) é, ao mesmo tempo, igual e diferente de Brahman.

Essa escola também vê em Krishna a personificação de Deus.

A Dvait?dvaita vê a alma individual como sendo naturalmente Consciência (jñana-svarupa), sendo apta a conhecer sem a ajuda dos sentidos corporais.

Como métodos para se atingir a liberação, a escola propõe quatro sadhanas ou disciplinas:

Karma- ação. – Quando feito conscientemente e com o espírito adequado, de acordo com seu contexto de vida, traz o conhecimento que conduz à salvação.

Vidya- conhecimento.

Upasana ou dhyana – meditação

Ela é de três tipos: A primeira é a meditação na igualdade entre Brahman e a alma individual (dos seres animados). O Segundo tipo é a meditação em Brahman como sendo o controlador interior de todos os objetos não sencientes. A terceira é a meditação em Brahman como sendo diferente dos seres animados e dos objetos inanimados.

Gurupasatti – Devoção e auto-entrega ao guru (mestre spiritual).

Shuddhadvaita

Shuddhadvaita foi proposta por Vallabha (1479-1531).

É um sistema que enfatiza a prática de Bhakti como o único meio para a libertação.

Vallabha pregava que esse mundo era um “passatempo” (leela) de Krishna e que ele (Krishna) é Sat-Chit-Ananda.

Achintya Bhed?bheda

Essa sub-escola foi proposta por Chaitanya Mahaprabhu (1486-1534).

Sua doutrina também prega devoção a Krishna e se baseia em uma tradição antiguíssima, que foi transmitida através de uma linhagem de gurus, cujo primeiro teria sido o próprio Krishna.

Purnadvaita ou Integral Advaita

Foi proposta por Sri Aurobindo, grande sábio do século XX.

Ele sintetizou todos os ensinamentos das escolas de Vedanta e nos forneceu uma compreensiva integração desses conceitos da filosofia oriental com a ciência moderna.

Vedanta moderna ou Neovedanta

Esse nome é dado a interpretação dada a Advaita Vedanta pelo renomado yogue Swami Vivekananda, discípulo de Sri Ramakrishna Paramahansa.

Sua interpretação nos diz:

Por mais que Brahman seja a Realidade Absoluta, o mundo possui uma realidade relativa. Sendo assim, o mundo não deve ser completamente ignorado.

Condições limitantes como a pobreza deve ser removida; somente assim as pessoas serão capazes de voltar à mente na busca e compreensão de Brahman.

Todas as religiões buscam o mesmo objetivo: A Realidade Absoluta. Logo, discussões sectárias devem ser abandonadas e a tolerância religiosa deve ser praticada – seja entre hindus de diferentes denominações, seja entre cristãos, muçulmanos, judeus ou budistas (dentre outras religiões).

Swami Vivekananda foi o primeiro yogue a vir para o ocidente. No ano de 1893 ele participou do Parlamento Mundial das Religiões, em Chicago, EUA.

Desde então se tornou figura de grande influência tanto no oriente como no ocidente.

Vivekananda nos mostrou que a Vedanta não era algo seco e meramente esotérico, mas sim algo vivo e presente em nosso dia-a-dia.

Em sua interpretação da Advaita Vedanta, aceitava o principio de Bhakti (devoção), recomendando primeiro a meditação em Brahman como sendo possuidor de atributos, seja na figura de um guru ou na personificação de sua deidade pessoal.

Só depois de longa prática e entendimento e que recomendava a meditação em Brahman sem atributos.

Swami Vivekananda ainda apresentou ao ocidente os diferentes caminhos, ou yogas (Jnana, Karma, Bhakti, Raja).

Texto de Dario Djouki

#Hinduismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/vedanta

A Luta de Israel Contra os Nefelin

Muitos textos sugerem que o dilúvio teria como função acabar com os Nefelin, entretanto, a presença de textos narrando a aparição de nefelins após esta data sugere que pelo menos alguns sobreviveram (ou ouve uma Segunda queda dos anjos após aquela data…)

O livro de Números fala da presença de Nefelins em Canãa – em época bem posterior ao dilúvio. No relato, depois de vagar 40 anos no deserto os Israelitas fizeram uma breve parada em Cades, o principal oásis do norte do Sinai, 75 km a sudoeste de Bersabéia. Então Moisés enviou um príncipe de cada tribo presente ao deserto de Farã para explorar a terra prometida: “Subi ao Negueb, e em seguida escalai a montanha. Vede como é a terra; como é o povo que a habita (…) Sede corajosos. Trazei produtos da terra.” (Números 13:17-20) Então eles subiram desde o deserto de Sin até Roob, a Entrada de Emat no extremo norte da terra prometida. Subiram pelo Negueb e chegaram a Hebrom, onde se achavam Aimã, Sesai e Tolmai, os enacim; e chegaram ao vale de Escol. Lá cortaram um ramo de videiras com um cacho de uvas que levaram sobre uma vara, transportada por dois homens; levaram também romãs e figos. (Números 13:21-24) Após 40 dias voltaram da exploração do lugar trazendo os produtos da terra e relatando o seguinte: “Fomos à terra à qual nos enviaste. Na verdade é terra onde mana leite e mel; eis os seus produtos. Contudo, o povo que a habita é poderoso; as cidades são fortificadas, muito grandes; também vimos ali os filhos de Enac. Os amalecitas ocupam a região do Negueb; os heteus, os amorreus e os jebuseus, a montanha; os caneneus, a orla marítima e ao longo do Jordão.” (Números 13:25-29) Então Caleb, príncipe da tribo de Judá, animou-se e disse ao povo reunido diante de Moisés: “Devemos marchar e conquistar essa terra: realmente podemos fazer isso.” Mas os outros príncipes que o haviam acompanhado se opuseram: “Não podemos marchar contra esse povo, visto que é mais forte do que nós (…) A terra que fomos explorar é terra que devora os seus habitantes. Todos aqueles que lá vimos são homens de grande estatura. Lá também vimos Nefelins -os filhos de Enac são descendência de Nefilim -. Tínhamos a impressão de sermos gafanhotos diante deles e assim também lhes parecíamos.” (Números 13:31-33) Mas os príncipes Josué e Caleb reanimaram a comunidade: “Não tenhais medo do povo daquela terra, pois os devoraremos como um bocado de pão. A sua sombra protetora lhes foi retirada, ao passo que Iahweh está conosco” (Números 14:9)
No Deuteronômio 2:11, os gigantes enacim – descendentes dos nefilim – também são chamados de rafaim, um termo mais geral para os habitantes de Canãa, citados em Números:

«Cruzamos o território de nossos irmãos, os filhos de Esaú que habitam em Seir (Édom), e passamos pelo caminho da Arabá, de Elat e de Asiongaber. Depois viramo-nos, tomando o caminho do deserto de Moab. Disse-me então Iahweh: “Não ataques Moab e não o provoques à luta, pois nada te darei da sua região. Eu dei Ar como propriedade aos filhos de Ló. – Outrora os emim aí habitavam; eram considerados como rafaim, assim como os enacim; os moabitas, porém, chamam-nos de emim. Em Seir habitavam outrora os horreus; os filhos de Esaú, porém, os desalojados e exterminaram, habitação no seu lugar, assim como Israel fez para se apossar da terra que Iahweh lhe dera. – E agora, levantai acampamento e atravessai o ribeiro de Zared!”» (Deuteronômio 2:8-13)

Mais adiante, a narração continua: «Ouve, ó Israel: hoje estás atravessando o Jordão para ires conquistar nações mais numerosas e poderosas do que tu, cidades grandes e fortificadas até o céu. Os enacim são um povo grande e de alta estatura. Tu os conheces, pois ouviste dizer: “Quem poderia resistir aos filhos de Enac?” Portanto, saberás hoje que Iahweh teu Deus vai atravessar à tua frente, como um fogo devorador; é ele quem os exterminará e é ele quem os submeterá a ti. Tu, então, os desalojarás e, rapidamente, os farás perecer (…) é por causa da perversidade dessas nações que Iahweh irá expulsa-las da tua frente (…) e também para cumprir a palavra que ele jurou a teus pais, Abraão, Isaac e Jacó.» (Deuteronômio 9:1-5)

Dois dos mais conhecidos entre os rafaim são o rei Og, de Basã, e o gigante Golias, descrito como descendente de Rafá em Gate (2 Samuel 21,19ss). Segundo o Deuteronômio, o imenso leito de ferro de Og ainda podia ser visto em Rabá: «Pois somente Og, rei de Basã, sobreviverá dos remanescentes dos rafaim; seu leito é o leito de ferro que está em Rabá dos filhos de Amon: tem nove côvados de comprimento e quatro côvados de largura, em côvado comum.» (Deuteronômio 3:11) Note que os gigantescos habitantes nativos de Édom-Seir, Amon e Gaza também são totalmente aniquilados em geral por Iahweh (ver Deuteronômio 20:2-3):

«Mas eu destruíra diante deles o amorreu,
cuja altura era como a altura dos cedros,
e que era forte como os carvalhos!
Destruí seu fruto por cima,
E suas raízes por baixo!» (Amós 2-3)

Os nefilin, portanto, parecem ter sido uma raça de heróis que viveu antes do Dilúvio e também em Canãa, quando os israelitas ainda não haviam conquistado a Terra Prometida. Por esse tempo, os nefilim acabam, como o nome sugere, como “os mortos”. Diz-se que os refaim e enacim foram exterminados por Josué (Josué 11:21-22), Moisés (Josué 12,4-6) e Caleb (Josué 15:14; Juizes 1:20), embora restassem alguns desgarrados, que seriam mortos por Davi e seus homens (2 Samuel 21, 18-22; 1 Crônicas 20:4-8). Josué 11,22 nos diz que: “Nenhum dos enacim sobreviveu na terra de Israel, somente em Gaza, em Gate e em Asdode alguns sobreviveram”.

Segundo Ronal S. Hendel, «a função dos nefilim-rafaim-enacim, (…) é constante em todas essas tradições. Eles existem para serem aniquilados: pelo Dilúvio, por Moisés, por Davi e outros. Na tradição israelita, os nefilim tem uma função: morrer.» Contudo, sempre acaba sobrando algum para ter filhos e continuar a histórias…

Por Shirley Massapust

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-luta-de-israel-contra-os-nefelin/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/demonologia/a-luta-de-israel-contra-os-nefelin/

Símbolo da Lua

Por Hamal

Existem manifestações visíveis e invisíveis que acontecem com todos os planetas e seus ciclos ao redor do Sol. As manifestações visíveis são as fases planetárias, as constelações que eles percorrem, etc, as invisíveis são os efeitos causados na Terra em determinadas etapas dessas fases e ciclos.

Todos os planetas e constelações têm seus papeis especiais dentro das Escolas de Mistérios, sendo que dois deles se destacam: o Sol e a Lua.

Tal como o Sol, a Lua é um dos principais objetos de adoração e culto de todos os tempos. E assim como vimos no texto Símbolo do Sol, a Lua também possui um simbolismo central dentro da Ordem Maçônica e DeMolay.

Não devemos aceitar significado de nenhum símbolo se este não estiver fundamentado. Dizem que a Lua representa o segredo a ser descoberto, o feminino, etc. Se estão corretas essas afirmações, por que estão?

Vamos primeiro conhecer a Lua para fundamentar a importância do seu símbolo.

SÍMBOLO LUNAR

A Lua é um satélite natural da Terra que não possui brilho próprio, mas por sua superfície ser pálida reflete a luz do Sol durante a noite e torna a escuridão mais clara. Essa pequena observação faz do Sol um símbolo de luz fecundante, se tornando assim o Pai fecundador, e da Lua o símbolo da Mãe que recebe os raios de luz e emite de volta para Terra.

Existem muitas espécies cujo ciclos de reprodução estão ligados ao ciclo lunar, desde crustáceos, à corais e plantas. Coincidência ou não, também existe essa ligação com as mulheres, onde foram realizados estudos que demonstraram a ligação das fases lunares com os ciclo menstrual da mulher (referência – The regulation of menstrual cycle and its relationship to the moon).

Responsável pela reprodução e fertilidade na natureza, a Lua desde a mais remota antiguidade foi associada a figuras femininas, sempre enfatizando a pureza e a capacidade de gerar a vida, que é o papel da Mãe. Dessa maneira a Lua também é o símbolo do nascimento e da iniciação.

As fases lunares tem um total de sete dias (que é a origem dos dias da semana), e é por esse motivo que a criação do universo, segundo a mitologia judaica, foi feita em uma fase lunar. Seu ciclo completo é de aproximadamente 28 dias (7 x 4 = 28), e como já vimos no texto Altar DeMolay, quatro são os elementos que compõe a matéria e sete é o número da perfeição.

Está acompanhando? São através desses fenômenos visíveis como as fases e os ciclos da lua, da sua influência com a fertilidade da natureza e dos aspectos numéricos, que é fundamentado o símbolo da lua. Como vimos no texto Simbolismo e a Liberdade Religiosa: “O homem não inventa símbolos, assim como não inventa as Leis Físicas, ele apenas observa a vida e o universo ao seu redor e identifica os símbolos correspondentes a cada acontecimento ou fato existente”, e assim foi feito com a Lua como símbolo da Mãe, fertilidade, pureza, e representa também o inconsciente, onde estão os segredos da mente.

Quando formos começar a estudar mitologia veremos como os antigos filósofos juntaram todas essas características em seus contos. Aprenderemos que a mitologia é um portal para o estudo espiritual, rico em símbolos e imagens que se referem a nós.

Devido a essas características lunares, não é difícil entender o porque das “Grandes Mães” nos contos mitológicos serem frequentemente tratadas como virgens e puras que dão a luz a grandes heróis, ou junto com seu aspecto solar, criam todo o Universo. Sendo que “virgem” não se refere a mulher casta, e sim outro símbolo que fica de lição de casa e trataremos em outra oportunidade.

Na belíssima mitologia nagô, vemos o aspecto lunar representado como Yemanjá, a rainha das águas do mar, que junto com seu aspecto solar Oxalá, manifestou todo o universo e todos os outros deuses ou orixás. Na mitologia egípcia vemos Ísis, a deusa da magia, maternidade e fertilidade, que junto com seu aspecto solar Osíris, dá a luz a Hórus (quando ainda era virgem), o Falcão Dourado, Filho do Sol ou Iluminado. Qualquer semelhança desses dois mitos com Casamento Alquímico do Sol com a Lua, não é mera coincidência. As referências são enormes e devemos entender a lógica para podermos trabalhar e identificar esses aspectos.

De alguma forma, como vemos na mitologia nagô, os antigos já identificaram o mar como origem da vida e fizeram essa relação com lua (que guia as marés) e com a Mãe, transformando essas características no mito de Yemanjá. Assim como os egípcios identificaram a Lua como o astro do segredo e da magia devido a sua “face escura”, personificando-a como Ísis.

No budismo, a mãe de Buda (Desperto, Filho do Sol ou Iluminado), Maya, engravida após ver um elefante branco em seu sonho, e passado nove meses, Sidharta nasce da lateral da sua mãe na altura do coração. No cristianismo, Maria a mãe de Jesus (Cristo, Filho do Sol, Iluminado), engravida pela concepção do Espírito Santo (cujo símbolo é uma pomba branca) no seu ventre (ventre = lua). Tanto Maya quanto Maria, segundo a mitologia, engravidaram, tiveram seus filhos e continuaram virgens. Mas claro que devemos tratar isso como um símbolo.

Temos um mistério sobre os animais e a cor deles nessas duas mitologias, pensem sobre esses símbolos.

A geração é a manifestação maior da lua, é um processo envolto de mistérios e magia, pelo qual a vida surge. Outro número relacionado com a lua é o número nove, uma vez que nove meses são o tempo entre a concepção e o nascimento do feto humano, portanto nove é também o número da iniciação.

No DeMolay a Lua ocupa o centro do seu brasão e podemos ver usa influência no que é a Primeira Virtude. Na Maçonaria a Lua faz um par com o Sol (Alquimia). Mas isso é papo para outro momento. Será que esses símbolos estão nas Ordem a toa, ou será que não? Estamos apenas fundamentando, por enquanto pegue as chaves e vá desenvolvendo a utilização dos símbolos nos rituais.

E se você não é familiarizado com mitologia, alquimia, cabala, astronomia ou astrologia, não se preocupe que tocaremos em todos esses pontos com o tempo.

Alguma dúvida?

#Alquimia #Demolay

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/s%C3%ADmbolo-da-lua

Cthulhu pode ser pacificado?

Neste vídeo falaremos sobre “O Chamado de Cthulhu”, a obra mais conhecida do mestre do horror cósmico, H. P. Lovecraft. Através de uma análise da vida do autor, de seu isolamento social, do amor pela literatura clássica e a aversão as culturas não europeias, tentaremos explicar como o próprio Cthulhu pode ser um deus em seu aspecto colérico – como dizia Joseph Campbell. Seriam os deuses monstruosos de Lovecraft uma mensagem do seu inconsciente para ele mesmo?

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#Lovecraft

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