A Linha do Oriente na Umbanda

Texto de Edmundo Pellizari escrito para o Jornal de Umbanda Sagrada.

A Linha do Oriente é parte da he­rança da Umbanda brasileira. Ela é com­posta por inúmeras entidades, classi­ficadas em sete falanges e maiorita­riamente de origem oriental. Apesar dis­­so, muitos espíritos desta Linha po­dem apre­sentar-se como caboclos ou pretos velhos.

O Caboclo Timbirí (ca­bo­clo japo­nês) e Pai Jacó (Jacob do Ori­ente, um preto velho bastante ver­sado na Ca­bala Hebraica), são os casos mais co­nhe­cidos. Hoje em dia, ganha força o cul­to do Caboclo Pena de Pa­vão, enti­dade que trabalha com as for­ças espiri­tuais divinas de origem indiana.

Mas nem todos os espíritos são ori­entais no sentido comum da palavra. Es­ta Linha procurou abri­gar as mais di­ver­sas entidades, que a princípio não se encaixavam na matriz formadora do bra­sileiro (índio, português e afri­cano).

A Linha do Oriente foi muito popular de 1950 a 1960, quando as tradições bu­­­distas e hindus se firmaram entre o povo brasileiro. Os imigrantes chineses e japoneses, sobretudo, passaram a frequentar a Umbanda e trouxeram se­us ances­trais e costumes mágicos.

Antes destas datas, também era co­mum nesta Linha a presença dos que­ridos espíritos ciganos, que possuem ori­­­gem oriental. Mas tamanha foi a sim­patia do povo umbandista por estas en­­­tidades, que os espíritos criaram uma “Linha” independente de trabalho, com sua própria hierarquia, magia e ensi­na­mentos. Hoje a influência do Povo Ci­gano cresce cada vez mais dentro da Umbanda.

Existem muitas maneiras de classi­ficar esta Linha e este pequeno artigo, não pretende colocar uma ordem na ma­neira dos umbandistas estudarem es­ta vertente de trabalho espiritual. Dei­xo a palavra final para os mais ve­lhos e sábios, desta belíssima e diver­sificada religião. Coloco aqui algumas instruções que colhi com adeptos e mé­diuns afinados com a Linha do Oriente.

Namaste e Salve o Oriente!

CARACTERÍSTICAS DA LINHA DO ORIENTE:

• Lugares preferidos para ofe­rendas: As entidades gostam de co­linas descampadas, praias desertas, jar­dins reservados (mas também rece­bem oferendas nas matas e santuários ou congás domésticos).

• Cores das velas: Rosa, amarela, azul clara, alaranjada ou branca.

• Bebidas: Suco de morango, suco de abacaxi, água com mel, cerveja e vinho doce branco ou tinto.

• Tabaco: Fumo para ca­chimbo ou charuto. Tam­­bém utili­zam ci­gar­ro de cravo.

• Ervas e Flores: Alfa­zema, todas as flores que sejam bran­cas, palmas ama­relas, mon­senhor branco, monse­nhor amarelo.

• Essências: Alfazema, olíbano, ben­joim, mirra, sân­da­lo e tâmara.

• Pedras: Citrino, quart­zo rutilado, topá­zio im­perial (citrino tor­nado ama­relo por aque­ci­men­to) e topá­zio.

• Dia da semana recomen­dado para o culto e ofe­rendas semanais: Quinta-feira.

• Lua recomendada (para oferenda mensal): Se­gundo dia do quarto min­guante ou primeiro dia da Lua Cheia.

• Guias ou colares: Colar com cento e oito contas (108), sendo 54 brancas e 54 amarelas. Enfiar sequencialmente uma branca e uma amarela. Fechar com firma branca. As enti­dades india­nas também utilizam o rosá­rio de sân­dalo ou tulasi de 108 con­tas (japa ma­la). Algumas criam suas pró­prias guias, se­gundo o mis­tério que trabalham.

CLASSIFICAÇÃO DA LINHA DO ORIENTE:

Suas Falanges, Espíritos e Chefes:

01 – Falange dos Indianos:

Espíritos de antigos sacerdotes, mes­tres, yogues e etc. Um de seus mais conhecidos inte­gran­tes é Ramatis. Está sob a chefia de Pai Zartu.

02 – Falange dos Árabes e Turcos:

Espíritos de mouros, guerreiros nôma­des do deserto (tuaregs), sábios marroquinos, etc… A maioria é mu­çulmana. Uma Legião está composta de rabinos, cabalistas e mestres judeus que ensinam dentro da Umbanda a mis­teriosa Cabala. Está sob a chefia de Pai Jimbaruê.

03 – Falange dos Chineses, Mon­góis e outros Povos do Oriente:

Espíritos de chineses, tibetanos, japoneses, mongóis, etc. Curio­sa­men­te, uma Legião está in­te­grada por es­pí­ri­tos de origem esquimó, que tra­balham muito bem no desmanche de demandas e feitiços de magia ne­gra. Sob a chefia de Pai Ory do Oriente.

04 – Falange dos Egípcios:

Espíritos de antigos sacerdotes, sacer­dotisas e magos de origem egípcia antiga. Sob a chefia de Pai Inhoaraí.

O5 – Falange dos Maias, Toltecas,Astecas e Incas:

Espíritos de xamãs, chefes e guer­rei­ros destes povos. Sob a chefia de Pai Itaraiaci.

06 – Falange dos Europeus:

Não são propriamente do Oriente, mas inte­gram esta Linha que é bas­tante sincrética. Espí­ri­­tos de sábios, ma­gos, mestres e velhos gue­rreiros de origem europeia: romanos, gau­leses, ingleses, es­can­dinavos, etc. Sob a che­fia do Impe­rador Marcus I.

07 – Falange dos Médicos e Sábios:

Os espíritos desta Falange são especiali­zados na arte da cura, que é integrada por médicos e tera­peutas de diversas origens. Sob a chefia de Pai José de Arimateia.

ALGUNS PONTOS CANTADOS E SUA MAGIA:

Aqui reproduzo alguns Pontos Can­tados, mas destaco a sua eficácia mân­trica e não somente invocatória. Ou seja, nesta Linha os Pontos podem ser usados como mantras com fina­lidades específicas, independente de servirem para chamar as entidades pa­ra o trabalho de caridade no Centro ou Terreiro. Neste caso, os Pontos de­vem ser acompanhados das res­pectivas oferendas (veja abaixo).

PONTO DO POVO HINDU:

• para afastar energias negativas diversas.

Oferenda: velas amarelas – 3, 5 ou 7, flores amarelas ou brancas e incenso de flores (rosa, verbena, etc…), coloca­dos dentro de uma estrela de seis pontas, hexagrama, traçada no chão com pemba amarela.

Ory já vem,

Já vem do oriente

A benção, meu pai,

Proteção para a nossa gente.

A benção, meu pai,

Proteção para a nossa gente.

PONTO DO POVO TURCO:

• para afastar os inimigos pessoais ou da religião umbandista.

Oferenda: velas brancas – 3, 5 ou 7 e charutos fortes, dentro de uma estrela de cinco pontas, pentagrama, traçado no chão com pemba branca. Jamais ofereça bebida alcoólica a este Povo.

Tá fumando tanarim,

Tá tocando maracá.

Meus camaradas, ajudai-me a cantar,

Ai minha gente, flor de orirí

Ai minha gente, flor de orirí.

Em cima da pedra

Meu pai vai passear, orirí.

PONTO DO POVO ESQUIMÓ:

– para afastar os inimigos ocultos e destruir forças maléficas.

Oferenda: velas rosas – 3, 5 ou 7, pedacinhos de peixe defumado em um alguidar, tudo dentro de um círculo traçado no chão com pemba rosa.

Salve o Polo Norte,

Onde tudo tudo é gelado,

Salve Povo Esquimó,

Que vem de Aruanda dar o recado.

Salve a Groenlândia,

Salve Povo Esquimó,

Que conhece a lei de Umbanda.

PONTO DO POVO GAULÊS:

• para as lutas e necessidades diárias.

Oferenda: velas brancas – 3, 5 ou 7, cerveja branca ou vinho tinto, tudo dentro de uma cruz traçada no chão com pemba verde.

Gauleses, Oh gauleses,

Somos guerreiros gauleses.

Gauleses, Oh gauleses

São Miguel está chamando.

Gauleses, Oh gauleses,

Somos guerreiros de Umbanda,

Gauleses, Oh gauleses,

Vamos vencer demanda.

PONTO DO POVO ASTECA:

• para buscar a sabedoria espiritual.

Oferenda: nove velas alaranjadas, milho, fumo picado, tudo dentro de um círculo traçado no chão com pemba branca.

Asteca vem, Asteca vai,

Nosso povo é valente,

Tomba, tomba e não cai…

(cantar nove vezes)

PONTO DO POVO CHINÊS:

• para proteção diante de situações muito graves.

Oferendas: sete velas vermelhas (é a cor preferida deste Povo), arroz cozido sem sal, vinho branco, tudo dentro de um círculo traçado no chão com pemba vermelha.

Os caminhos estão fechados,

Foi meu povo quem fechou,

Saravá Buda e Confúcio,

Saravá meu Pai Xangô.

Saravá Povo Chinês,

Que trabalha direitinho,

Saravá lei de Quimbanda,

Saravá, eu fecho caminho.

Curioso Ponto Cantado do Caboclo Tim­birí – onde ele afirma sua origem japonesa.

ANTIGO PONTO DE TIMBIRÍ:

Marinheiro, marinheiro,

olha as costas do mar…

É o japonês, é o japonês !

Olha as costas do mar.

Que vem do Oriente!

***

Revisão final: Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/a-linha-do-oriente-na-umbanda/

A Cabala Mística

Dion Fortune

A Cabala Mística é segundo alguns estudiosos a obra prima de Dion Fortune. Escrito após muitos anos de estudo, trata-se de um completo mergulho profundo nos aspectos avançados da Calaba. A obra retrata a dinâmica e o lado prático da antiga tradição ocidental.

PARTE I

PARTE II

 

PARTE III

 

 

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-cabala-mistica/

Satanismo e Luciferianismo

Duas vertentes normalmente confundidas e postas no mesmo patamar, mas com diferenças singulares entre elas, o Satanismo e o Luciferianismo são filosofias irmãs, relacionadas a antigos mitos que foram incorporados pelo Cristianismo.

Primeiro, vejamos o Satanismo. “Ha-Shatan”, do hebraico “O Adversário” é uma figura que podemos sincretizar com qualquer entidade opositora a ordem vigente, ou que flagele de alguma forma a humanidade, de forma não necessariamente maligna, mas com intuito evolutivo.

Supõe-se mesmo que o ser citado na bíblia tenha tido base em algum cargo da época semelhante ao que seria hoje um promotor público, que apontava os crimes do povo ao governante local. A presença de tal entidade na bíblia se limita a isso. Punir, apontar erros e testar pessoas, como testou o “messias” de YHWH. É… nada de maligno nisso.

Antes de surgir o cristianismo/judaísmo ou semelhantes, podemos associar a figura de Ha-Shatan com deidades como Tiamat, (suméria), Fenrir (Nórdico), Apep (egípcio), Shiva (hindu) entre muitos outros. Essa oposição à ordem vigente os tornava “satans”, adversários e acusadores. Tal oposição gerava batalhas, movimento, guerra, caos e consequentemente evolução através das dificuldades proporcionadas. Um papel nobre e imprescindível na criação seja em qual cultura estivermos falando.

Portanto o Satanismo é uma doutrina de quebra de paradigmas (bem como no Tantra da Mão Esquerda) e oposição à ordem dominante. É um caminho onde o adepto testa a si mesmo e martiriza o próprio Ego, para evoluir através dos conflitos e dificuldades para chegar a um fim. É uma alquimia mental que transforma o adepto em algo superior, ao despertar a sua Chama Negra Interior.

Já no Luciferianismo, a figura envolvida se espelha nos mitos de Lúcifer. Tais mitos seguem normalmente o roteiro de uma entidade que dissemina a “Luz” do conhecimento e da rebelião pelo resto da criação. Rebelião aqui no sentido de contestação e experiência empírica para comprovar fatos.

Temos assim as deidades/entidades Luciferianas, normalmente figuras angelicais com toque de rebeldia, como Samael (Seraphim chamado “veneno de deus” que se rebelou contra o criador e deu sua “luz” ao homem na forma do fruto de Daath), Azazel (Anjo Caído que ensinou aos homens o segredo da Forja e dos cosméticos, líder da segunda rebelião), Prometeu (titã que roubou o fogo dos Deuses do Olimpo), Ahriman (que se rebelou contra Ahura Mazda e ensinou aos homens a feitiçaria Yatukih). O próprio Lúcifer é, originalmente, uma forma de se referir a aqueles que emanavam luz, e não uma única entidade por si.

Um Luciferianista se espelha nestas entidades para sua filosofia e seu modo de agir e pensar. Ele deve conhecer ambos, Luz e Trevas em seu caminho, nunca se prendendo a nada e sendo livre para fazer o que quiser. O Luciferianismo é uma filosofia que busca a Sabedoria da Luz.

Então qual a ligação de ambos, Satanismo e Luciferianismo, fora do recente contexto cristão? Bom, como disse certa vez um grande adepto de ambas às filosofias:

“Os Túneis das Trevas revelam a Luz…”

Simplesmente a Luz se torna muito mais brilhante quando observada de dentro do Abismo. Trevas e iluminação constroem o contraste necessário para enxergar o Universo e poder transcender seus limites. Satan é este Abismo, e Lúcifer a luz verdadeira. Através da união de ambos, se gera o contraste. Deste modo o Luciferianismo é inserido como parte essencial na doutrina do Adversário.

Existem no entando, correntes de Bruxaria Luciferiana independentes do Satanismo, o que permite que um exista independente do outro, mas sendo ambos de importante estudo para um adepto que almeje a evolução plena.

Malachi Azi Dahaka.

#LHP #Luciferianismo #satanismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/satanismo-e-luciferianismo

Aldous Huxley

por Marco Scott Teixeira

Na cidade inglesa de Goldaming (Surrey, Inglaterra), onde nasce a 26 de julho de 1894, Aldous Leonard Huxley passa uma infância de menino tímido.

Quando começa a cursar o colégio de Hillside, revela-se um aluno inteligente e esforçado, que escreve poesias entre uma aula e outra e aproveita o recreio para decorar seu papel numa peça de Sheakspeare, tradicionalmente encenada no fim do ano letivo. Com treze anos, obtém seu primeiro “sucesso literário”. A publicação de seu poema “Cavalos do Mar” na revista da escola.

Em 1910, ingressa no colégio de Eton, reservado às crianças de famílias ricas. E Aldous tem razões para se orgulhar de seus parentes: o avô paterno, Thomas Huxley, fora médico e zoólogo de renome; o irmão mais velho, Julian, iniciava brilhante carreira de biólogo.

Também Aldous demonstra este interesse familiar pelas ciências naturais: quando sua cegueira começa a se manifestar, ele está olhando através de um microscópio (1910). A doença progride até que ele só possa ver sombras indistintas, mas desaparece ao fim de oito meses. (A desagradável experiência seria descrita em A Arte de Ver, publicada em 1943.) Em 1914, quando o trauma causado pela doença já está superado, Aldous recebe novo e profundo abalo: seu irmão Trev suicida-se.

Tudo isso faria do menino solitário um homem precocemente amadurecido, cuja obra refletiria a amargura e o pessimismo irônico e resignado de seu caráter.

Mas essa sofrida maturidade não impede que, aos 25 anos, Aldous seja um noivo nervoso e embaraçado. Em 1919, casa-se com Maria Nys, quatro anos depois de ter se formado em letras pela Universidade de Oxford. E a vida de casado viria a ampliar a atividade literária que começara em 1916, quando ele publicara versos na revista Wheels, editada pela poetisa Edith Sitwell (1887-1964), e que continuara em 1919, quando passara a colaborar no Athenaeum, revista dirigida pelo crítico John Middleton Murry.

Fugindo da agitação das grandes cidades, o casal aluga um chalé retirado, na Suíça, onde ele passa a maior parte do tempo escrevendo. Maria datilografa os manuscritos (Aldous jamais se habituaria à “diabólica” máquina de escrever) e, mais que esposa e secretaria, é um estímulo à produção do marido. Faz o impossível para que ele escreva romances e ensaios sem se deixar vencer pela insegurança e pela severidade do julgamento que dispensava a seus textos. Sua coluna de crítica dramática da Westminster Gazette, por exemplo, é quase uma consagração, mas ele tem a sensação de estar enganando o público. Maria consegue vencer esses anseios injustificados e leva Aldous a escrever dia e noite. Só interrompem o trabalho para breves passeios pela floresta ou viagens ocasionais à Itália (país que fascina o escritor e ambiente de muitos dos seus romances) Surgem o Limbo (1920), Crome Yellow (Amarelo Brilhante, 1921) e Essas Folhas Murchas (1925).

De 1928 é Contraponto, romance incomum, saudado e criticado no mundo literário da época, em que faz uma ousada elaboração formal ao construir um romance dentro de um romance e adaptar a estrutura na “Suíte Número 2 em Si Menor” de Bach à narrativa em palavras. Nele, Aldous denuncia o que acredita ser a impossibilidade do amor, da comunicação e da arte na sociedade excessivamente racionalizada, cheio de sofisticação e materializada da Inglaterra de entre-guerras. A intelectualidade britânica é mordaz e implacavelmente dissecada – Huxley está se colocando ao lado de James Joyce, Virgínia Woolf e D. H. Lawrance, inovadores que recusam criticamente a sociedade em que vivem. O misticismo e a angústia intelectual do pós-guerra estão sendo substituídos pela reação desesperada a um mundo cada vez mais tecnicista e impessoal, e Aldous, fustigando as injustiças e a hipocrisia, anseia pela volta do homem aos princípios básicos da sua natureza.

Admirável Mundo Novo, de 1932, é uma utopia na qual a fé no progresso científico e materialista é cruelmente ridicularizada: Aldous descreve em minúcias uma sociedade que resolveu o problema do excesso de população esmagando racionalmente qualquer individualidade. Outro ponto importante é o consumo. No livro, tudo gira em torno da questão do consumo, como hoje, onde vivemos atrás de marcas e etiquetas. O livro é muito bem aceito – talvez por alertar os leitores para um possível estado da sociedade futura, e se manteve conhecido através de sete décadas provavelmente por seu tom panfletário e porque quase todo mundo pode enxergar nele sustentação para suas próprias crenças. Foi saudado do na época por André Maurois como um “prognóstico pessimista, uma terrificante distopia”. No minha concepção é um extraordinário romance, que deixa marcas indeléveis mesmo no leitor mais insensível. É, respeitado o ano de publicação, a mais trágica, profética e aterradora visão do mundo, de uma civilização escravizada pela máquina e dominada pela tecnologia. Uma sociedade onde as crianças são geradas em laboratórios e especialmente treinadas para desempenhar funções pré-determinadas no meio social programado. Um mundo em que foi abolida a família e onde não há lugar para os sentimentos e para o amor. Ainda em 1932, Aldous edita a Correspondência de Lawrance. Dois anos depois, viaja para a América Central.

Em seus romances seguintes ele demonstra crescente preocupação com os grandes problemas morais e religiosos.

Sem Olhos em Gaza, de 1936, em que o relato da história salta no tempo em vez de obedecer à cronologia tradicional – recurso pouco utilizado na época e que se destaca pela criatividade ou qualidade do conteúdo, deixa clara a influência do budismo e do misticismo oriental. A bagagem cultural de Huxley impressiona. Em um determinado trecho, por exemplo, cita, com desenvoltura e pertinência, Pavlov, David Hume e o Marquês de Sade.

A narrativa em si pode não ser encontrada nas entrelinhas do livro, no entanto o enredo fez com que os intelectuais conservadores da época entrassem em polvorosa.

Se Huxley com sua alucinada lucidez utilizou a sensibilidade para prever acontecimentos, aí já é outra coisa… Lançada antes da Segunda Guerra Mundial, o fato é que a publicação trouxe idéias e visões que mais uma vez fariam os leitores refletir acerca da sociedade em que viviam.

A epígrafe de abertura é um verso da obra Samson Agonistes, do poeta inglês John Milton, cuja cegueira não era empecilho para captar o universo e transcrevê-lo como sentia, consagrando-se como uma dos maiores escritores já existentes.

Aliás, “Sem Olhos em Gaza” pode ser considerado um estudo sobre a cegueira humana que permeava as altas camadas da sociedade nas primeiras décadas do século XX. E metáforas com os olhos são bastante comuns em toda sua obra, fato que encontra justificativa biográfica.

Em 1937, Aldous transfere-se para Los Angeles, com sua mulher. Os americanos conhecem então um escritor para o qual o bem e o mal não existem em si mesmos: a vida é composta por ambos. A ninguém cabe julgar radical e definitivamente coisa alguma. Assim, seu romance já não procura mais destruir para melhorar: contenta-se em contemplar os homens, fixando sua realidade. É o espírito que transparece em Fins e Meios (1937).

Nos Estados Unidos, o trabalho continua intenso: Também o Cisne Morre (1939), sobre o tema da morte e da imortalidade. O público não identificou que o inspirador do enredo é o mesmo que levou Orson Welles a realizar o filme “Cidadão Kane”, ou seja: William Randolph Hearst, o legendário empresário, jornalista e político da Califórnia, ícone permanente da cultura de massa; Eminência Parda (1941), biografia do padre Joseph (confessor e conselheiro de Richilieu), onde se revela também a preocupação entre bem e mal; A Arte de Ver; O Tempo Precisa Parar (1944) e a Filosofia Perene (1946) são os principais livros do período, acompanhados de dezenas de ensaios literários e filosóficos.

Em 1948, Aldous recebe Laura Archera em sua casa em Wrigwood, perto de Los Angeles. Ela deseja fazer um filme, e espera contar com a ajuda do escritor, familiarizado com os meios cinematográficos. Mas Laura é italiana, e acabam falando muito mais de seu país do que a respeito de tal filme. Torna-se amiga dos Huxley e passam muito tempo juntos.

Os três se encontrariam pela última vez na Itália, em 1954. Foram dias agradáveis, mas poucos: o casal logo volta aos Estados Unidos, e Maria morre no ano seguinte. Quando recebe o telegrama de Aldous, Laura intui, antes de lê-lo, que seu amigo está agora mais sozinho que nunca. Precisa de sua companhia. Faz as vezes, durante um ano, da secretária e da companheira estimulante que Aldous perdera. E, em março de 1956, passa a substituir também a esposa, após um casamento repentino e informal.

Huxley continua sendo um homem de intensa atividade intelectual: além de sua enorme produção literária, encontra tempo para ler de tudo, desde os grandes autores da época até a Enciclopédia Britânica, que sabia quase de cor, passando pelas revistas mais extravagantes. Numa delas, lida em 1952, um artigo chamou particularmente sua atenção. Era o trabalho de um certo Dr. Osmond acerca de alguns cactos e cogumelos que produzem visões semelhantes às do êxtase religioso. Não se restringindo à teoria, Aldous entra em contato com o médico e faz experiências – com a atitude objetiva de um cientista – com mescalina e ácido lisérgico (LSD). No ano seguinte, As Portas da Percepção relatam suas impressões a respeitos dos alucinógenos. Talvez esta obra nunca tivesse saído da obscuridade se Jim Morrison não tivesse dado este nome à sua banda. As conseqüências da droga sobre a mente humana passaram a constituir um dos temas prediletos do autor.

Huxley escreve incessantemente. No ano da morte de Maria, publicara O Gênio e a Deusa, seguido, já em 1956, de Céu e Inferno.

Em 1958, acompanhado de Laura, está no Brasil, como hóspede oficial do governo. Quer ver de tudo (as obras de Brasília, as favelas do Rio de Janeiro, os índios do Mato Grosso), mas as jornadas lhe são fatigantes, apresenta-se pálido e fraco às inúmeras entrevistas e conferências. É um câncer na garganta que começa a se manifestar.

Mesmo assim, publica, no ano seguinte, Volta ao Admirável Mundo Novo, e, em 1961, viaja à Suíça. Mas os sintomas da doença, agora, já são conclusivos: Aldous deve retornar imediatamente aos Estados Unidos, para um tratamento que – no máximo – lhe prolongará a espera. De volta a Los Angeles, escreve seu último romance, A Ilha (1962), onde volta a falar da experiência com drogas, numa mensagem de amor e de confiança na humanidade. O livro trata da tentativa da fusão cultural do Ocidente e do Oriente na busca de uma convivência pacífica entre os homens (radicalmente oposta ao ceticismo irônico de Contraponto). O romance começa com Will Farnaby, jornalista que encontra-se perdido em Pala, a ilha em questão. Descoberto pelos nativos, Farnaby começa uma jornada que o levará a conclusões sobre si mesmo em relação ao novo meio em que viverá: uma nova cultura em que os valores foram estabelecidos a fim de alcançar o equilíbrio pleno da sociedade.

O Oriente como um ‘espelho’ do Ocidente. Ao invés da atitude predadora do consumo ocidental frente à mansidão oriental, o inverso acontece: o pensamento milenar tem como objetivo restaurar os resultados da inconseqüência gerada pelo avanço tecnológico.

Os habitantes da ilha seguem um livro filosófico chamado “Notas sobre o que é o quê e sobre o que seria razoável fazer a respeito disso”, que traz os princípios básicos a serem seguidos.

Aldous Huxley foi um personagem interessante. Precursor do que hoje se chama de “intelectual público” (o que se aventura em todas as áreas da criação e da política e se torna referência constante da atenção da mídia) e um dos últimos exemplares do que antigamente se chamava “renaissance man” (pessoa de múltiplos interesses e habilidades, da música ao esporte, das ciências à literatura).

Apesar das aplicações de cobalto, o escritor não apresenta melhoras. Está praticamente mudo, não pode mais ditar (como era seu hábito). Escrever a mão lhe é penoso, mas pior seria não poder empregar em literatura seus últimos dias.

Se houve no século XX um escritor que nunca cedeu ao cansaço e ao tédio, que conservou até o fim um apaixonado interesse pela vida e pelo conhecimento, que não cessou de se elevar a patamares cada vez mais altos de compreensão, até chegar, em seus últimos dias, às portas de uma autêntica sabedoria espiritual, esse foi Aldous Huxley.

Morre em 22 de novembro de 1963. Mas, nesse dia, o mundo, abalado com o assassínio de John F. Kennedy, não fica sabendo dessa outra perda. Apesar do renome que alcançara, e de contar entre seus amigos com grandes nomes das letras e da política, o escritor não tem um enterro muito concorrido: Laura e Mathew (filho único do escritor e de Maria) enterram-no como ele vivera – com simplicidade e discrição. Depois da cerimônia, comunicam ao mundo que Aldous Leonard Huxley já não existia.

1894 – 1963

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/aldous-huxley/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/aldous-huxley/

A Magia de ARBATEL

Tradução, organização edição, comentários por
Robson Bélli [1]

Arbatel de magia veterum

A Magia de ARBATEL:

Ou ainda,

A Sabedoria Espiritual dos Antigos,
bem como Sábios do povo de Deus,
como magos dos gentios:
para a ilustração da glória de Deus e seu amor à humanidade.

Agora, antes de tudo, produzido das trevas para a luz, contra todos os feiticeiros malignos e desprezadores dos dons de Deus; para proveito e deleite de todos aqueles que amam verdadeira e piedosamente as criaturas de Deus e as usam com ações de graças, para honra de Deus e proveito de si mesmos e de seus próximos.

INDEX

Conteúdo

Contendo os nove volumes (tomos) e os sete ternários de aforismos.

O primeiro volume (tomo) chama-se ISAGOGE, ou o livro dos princípios (gerais) da magia, ou do (mundo) espiritual que em quarenta e os nove aforismos gerais que abarcam os ensinamentos da arte.

O segundo volume chama-se Magia Microcósmica: O que é o microcosmo e como realizar sua magia, que é a sabedoria espiritual, através de seu próprio espírito e do espírito guardião (SAG) ligado a ele desde o nascimento, isto é, com a sabedoria espiritual.

O terceiro volume é a MAGIA OLÍMPICA, como se pode pratica-la e submeter os espíritos do Olimpo.

O quarto volume é A MAGIA DE HESIODO E HOMERO, que ensina as operações por meio de espíritos chamados Eudaemons (bons daemons). Eles não são hostis à espécie humana.

O quinto volume  é a MAGIA ROMANA ou SIBILINA, que discute e trabalha com os espíritos guardiões e Senhores, a quem é distribuído o orbe da Terra. Esta magia é muito distinta. Aqui também são referidos os ensinamentos dos druidas.

O sexto volume é a MAGIA PITAGÓRICA, que os espíritos só atendem a quem é atribuído o ensino de artes como a cura, a medicina, a matemática, a alquimia e artes afins.

O sétimo volume é a MAGIA DE APOLÔNIO e similares, que se sobrepõe à magia romana e microcósmica. Tem apenas uma distinção, pois tem poder sobre os espíritos hostis à raça humana.

O oitavo volume é sobre MAGIA HERMETICA, que é EGÍPCIA, e não está muito longe da magia divina. Isso revela deuses de todos os tipos, que habitam os templos.

O nono volume é aquela SABEDORIA, que depende apenas da palavra de DEUS, e se chama profética.

O primeiro volume dos tomos do Arbatel Relativo à Magia chamada Isagoge.

No nome (YHWH) do criador do visível e do invisível, que revela seus mistérios e segredos de seus tesouros, quando chamado, e como um pai, e com clemência nos concede sem medida. Que ele nos dê, por meio de seu filho unigênito nosso Senhor Jesus ​​Cristo, seus espíritos ministradores que revelam os segredos, para que possamos nos comprometer a escrever o livro de ARBATEL (anjo) – sobre os maiores segredos que a lei divina permite que a humanidade conheça e use sem ofensa à Deus. Amém.

O PRIMEIRO DOS SETENÁRIOS.

Aforismo 01. Sobre segredos

Quem deseja saber os segredos, precisa saber guardar segredos, revelando o que pode ser revelado, selando o que pode ser selado, e não dando aos cães o que é sagrado; não jogue pérolas aos porcos (citando Mateus 7:6). Observe esta lei, e os olhos de sua mente se abrirão para você entenda os segredos, e você ouvirá divinamente revelado tudo o que sua mente desejar. Você também encontrará os anjos de Deus e os espíritos mais prontos e dispostos em sua natureza para ensinar a você, tanto quanto qualquer mente humana poderia desejar.

Aforismo 02. Invocar no nome do Senhor

Em todas as coisas invoque o nome do Senhor, e você não deve desejar empreender ou realizar nada sem a invocação de DEUS por meio de seu Filho unigênito.” Portanto, use os espíritos dados a você e designados como ministros, sem temeridade ou presunção, com o devido respeito para com o senhor dos espíritos, tanto quanto você dá a Deus. E termine o resto de sua vida pacificamente, para a honra de Deus e para o benefício de si mesmo e de seu próximo.

Aforismo 03. Modo de vida

Viva para si e para as Musas; evite a amizade das massas e multidões. Seja mesquinho com o seu tempo. Seja benéfico para todas as pessoas. Use seus dons. Seja diligente em sua vocação (verdadeira vontade). Nunca se permita que as palavras de Deus deixem seus lábios.

Aforismo 04. Sobre ser

Preste atenção àqueles com bons conselhos. Evite toda procrastinação.

Acostume-se a ser perseverante e sério, tanto em suas palavras quanto em suas ações. Resista às tentações do tentador (o diabo) através da palavra de Deus. Fuja do mundano; busque as coisas celestiais. Não confie em sua própria sabedoria, mas observe à Deus em tudo, seguindo a opinião das Escrituras: “Quando não sabemos o que fazer, levantamos nossos olhos para você, ó Deus, e de você esperamos ajuda”. Pois onde a ajuda humana nos abandona, ali resplandece a ajuda de Deus. O segundo ditado de Filo.

Aforismo 05. Cuidados

“Ame o Senhor seu Deus com todo o seu coração e com todas as suas forças o seu próximo como a si mesmo” e o Senhor cuidará de você como a pupila de seus olhos, e ele te livrará de todo mal, e ele te encherá novamente com toda a sua bondade, e não há nada que sua alma deseje que não será concedido no futuro, desde que sirva para a salvação do corpo e da alma.

Aforismo 06. Aprendizado

O que quer que você tenha aprendido, repita-o com frequência, e fixe em sua mente, e aprenda muito, mas não muitas coisas, porque a mente humana não pode ser igualmente capaz em todas as coisas, a menos que você seja capaz de ser divinamente renovado. Para ele não há nada que seja tão árduo ou complexo quanto o que ele é.

Aforismo 07. Ignorancia

“e clame a mim no dia da angústia; eu o livrarei, e você me honrará. ” Salmos 50:15, diz o Senhor. Toda ignorância é apenas a tribulação da mente; portanto, invoque o Senhor em sua ignorância, e ele o ouvirá claramente. E lembre-se de que você atribui a honra a Deus e diz com o salmista: “Não a nós, Senhor, nenhuma glória para nós, mas sim ao teu nome, por teu amor e por tua fidelidade! Salmos 115:1”

O SEGUNDO DOS SETERNARIO

Aforismo 08. Nomes e atribuições

Bem como as Escrituras testificam que, Deus impõe nomes a coisas ou pessoas, e ao mesmo tempo dá a eles capacidades (poderes) e certas responsabilidades. Assim, os caracteres e nomes das estrelas não têm poder por causa de sua forma ou como eles são pronunciados, mas por causa do poder e responsabilidade divinamente atribuída em seus nomes e caracteres. De fato, não há poder, seja no céu, ou na terra, ou no inferno, que não provenha de Deus, tal que sem sua benção (ou ajuda) nada pode ser obtido, feito ou trazido à existência.

Aforismo 09. Sabedoria

A sabedoria suprema é a que está em Deus, depois nas criaturas espirituais, depois nas criaturas corpóreas, em quarto lugar a que está na natureza e nas coisas naturais. Os espíritos rebeldes seguem-nas depois de um longo intervalo, que é reservado ao juízo final. Seis são os agentes de punições no inferno, e os obedientes a Deus são sete, os gnomos ocupam o lugar mais baixo, daqueles que habitam entre elementos e são compostos por elementos. Convém ver e reconhecer todas as diferenças da sabedoria do Criador e da Criação, para que propósito devemos escolher cada um, para nosso uso, assim pois certamente (suas capacidades) estarão de acordo, e pode de fato descobrir exatamente como as coisas acontecem: Pois de fato toda criação existe para a utilidade da raça humana e para seu serviço, como atestado pelas escrituras, raciocínio e experimentação.

Aforismo 10. Obediencia

Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, e de tudo o que é visível e invisível, a Sagrada Escritura relata que ele mesmo é vigilante: E como um pai que ama com ternura seus filhos, ele nos ensina o que pode ser útil, o que não, o que devemos nos afastar, o que abraçar. Então também ele gentilmente nos atrai à obediência com as mais altas perspectivas de benefícios físicos e eternos, e nos impede de coisas que não são benéficas com as perspectivas de punição. Portanto, continue revirando em suas mãos a sagrada escritura de noite e de dia, para que você seja feliz e abençoado, tanto no presente como por toda a eternidade. Faça isso e você viverá, como as páginas sagradas lhes ensinam.

Aforismo 11. Quaternario (elementos)

O número quaternário é o pitagórico, e o primeiro quadrado. Portanto, colocaremos aqui o fundamento de toda sabedoria, segundo a sabedoria de DEUS revelada nas Sagradas Escrituras, e examinando a natureza. “·Portanto, atribuirei apenas àquele que depende inteiramente de Deus, a sabedoria de todas as criaturas, para servir e obedecer, querendo ou não. E nisso a onipotência de Deus começa a brilhar. Nisto, portanto temos O LIMITE DAS COISAS que consiste em: que a criação cuide DAQUILO QUE NÓS DESEJAMOS. E devemos reconhecer aqueles que estão dispostos a nos servir e ver quais não estão dispostos e, portanto, aprender a adaptar a discrição e os deveres de cada um para nós mesmos. Isto não nos é dado senão divinamente, Há àqueles a quem Deus está disposto a revelar esses segredos; e há aqueles a quem ele não está disposto a conceder nada de seus tesouros, nada pode ser tomado à força.

Portanto, com razão, podemos pedir somente a Deus a ciência espiritual, que misericordiosamente nos concederá. De fato, já que ele nos deu seu Filho e nos ordenou orar por seu Espírito Santo, quanto mais ele nos sujeitará toda a criação, visível e invisível. VOCÊ RECEBERÁ TUDO O QUE PEDIR (parafraseando Mt 21:22, Jo 14:13). Cuide para não fazer mau uso dos dons de Deus, e tudo cooperará para sua preservação. E antes de tudo esteja sempre vigilante nisso, para que seus nomes sejam escritos no céu. É mais trivial que os espíritos lhe obedeçam, como Cristo nos lembra.

Aforismo 12. Ide e não duvide!

No Ato dos Apóstolos, o Espírito diz a Pedro após a Visão, “Vai, e não duvide que eu vos enviei”, quando ele foi intimado por Cornelius o Centurião. Desta maneira, em palavras ditas, todos os ensinos são entregues, pelos santos anjos de Deus, como é perceptível nos monumentos dos Egípcios. E posteriormente estas coisas foram corrompidas com as opiniões humanas; e por instigação dos Espíritos malignos, que semeiam o joio entre os filhos da desobediência, como demonstrado por São Paulo, e Hermes Trismegistus. Não há outra forma de restaurar estas Artes além da doutrina dos santos espíritos de Deus; pois a verdadeira fé vem pelo ouvir (Romanos, 10:17). Mas desde que voce possas estar certo da verdade, e não duvidar se os Espíritos que falam contigo declaram coisas verdadeiras ou falsas, apenas deixa que tua fé dependa de Deus; para que possas dizer como Paulo, Eu sei em quem confio (Romanos, 14:14). Se nenhum pardal pode cair no chão sem a vontade do Pai, que está no Céu, Quanto mais não sofrerá Deus em ti ver enganado, ó voce, homem de pouca fé, se voce dependes inteiramente de Deus, e prende-se a ele? (Mateus 10:29-31, Lucas 12:6-7)

Aforismo 13. Viver

O Senhor vive, e tudo o que vive, vive nele. E ele é verdadeiramente YHWH, que dá ao mundo inteiro para que eles sejam o que são, e somente com a sua Palavra falada, através do Filho, trouxe todas as coisas do nada, para que elas possam existir. Ele chama todas as estrelas, e todas as hostes do céu pelos seus nomes. A quem, portanto, Deus mostrou os NOMES DA CRIAÇÃO, ele conhecerá os verdadeiros poderes e natureza das coisas: a posição e administração de todas as criaturas visíveis e invisíveis. Também permanece que ele recebe de Deus o poder de tomar os poderes da natureza e toda a criação oculta, e produzir ação do poder: Das trevas para a luz. Seu OBJETIVO, portanto, deve ser que você domine os nomes dos espíritos, que é seu ofício e poderes, e como eles estão sujeitos ao seu ministério ou serviço por Deus. Então RAFAEL foi enviado a Tobias para que ele curasse seu pai “, e livrasse seu filho do perigo e persuadisse sua querida esposa. Assim MICHAEL, a “força de Deus”, governa o povo de Deus. GABRIEL, o “mensageiro de Deus”, foi enviado a Daniel, Maria e Zacarias, pai de João Batista, E se voce pedir por isto, a ti será dado, aquele te ensinará tudo aquilo que tua alma desejar, na natureza das coisas. Você deve usar o ministro com respeito e temor ao teu Criador, Redentor e Santificador, isto é, ao Pai, Filho e Espírito Santo: e não deixe escapar qualquer ocasião de aprendizado, e sê vigilante em teu chamado, e tu não desejarás nada além do que é necessário para ti.

Aforismo 14. Obrigações

Tua alma vive eternamente, por meio daquele que vos criou: portanto, clama ao Senhor, teu Deus, e só a ele tu servirás. Isto tu farás, se tu considerares cuidadosamente o fim para o qual Deus te preparou e quais tuas obrigações com Deus e com o teu próximo. Deus requer de ti uma mente sã, para que tu possas honrar o seu Filho, e manter as palavras deste mesmo Filho em teu coração: se tu honrá-lo, então faz a vontade de teu Pai que está no céu. Ao teu próximo você deve os ofícios de benevolência, e que você recebas todos os homens que vierem a ti, para honrar o Filho. Esta é a Lei e os Profetas (Mateus 7:12). E nos momentos apropriados voce deve invocar a Deus como um pai, para que ele dê a ti todas as coisas necessárias desta vida: e voce deves ainda ajudar o teu próximo com os dons que Deus conferiu a ti, sejam eles espirituais ou corporais.

Portanto, assim deves orar:

Ó Senhor do céu e da terra, Autor e Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis; Eu, embora indigno, clamo por teu auxílio e te invoco, por meio de teu Filho unigênito, Jesus Cristo, nosso Senhor, para que tu possas conceder a mim o teu Espírito Santo, para que me guie em tua verdade para o bem. Amém.

Pois ardentemente desejo conhecer de forma perfeita as Artes  desta vida; e aquelas coisas que são necessárias para nós, e que estão sobrecarregadas em imensas trevas, e poluídas com infinitas opiniões humanas, pois eu percebo que em meu poder próprio, não sou capaz de alcançar qualquer conhecimento nelas, a menos que tu me ensines: Concede-me, portanto, um dos teus Espíritos, para que possa me ensinar tais coisas, quais anseio por aprender e conhecer, para teu louvor e glória, e o benefício do meu próximo. Concede-me também um coração apto e ensinável, a fim de facilmente eu possa entender as coisas que tu tens me ensinado, e possa escondê-las em meu entendimento, para que  eu possa levá-los adiante, como teus inesgotáveis tesouros, para todos os usos necessários. E concede-me graça, para que eu possa usar tais dons humildemente, com respeito e temor, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, com teu Espírito Santo. Amém.

O TERCEIRO DOS SETERNARIOS

Aforismo 15. Olímpicos

Os Espíritos chamados de Olímpicos são aqueles que habitam nos céus, e nas estrelas do céu: e as funções destes Espíritos é determinar destinos, e gerir casualidades do destino, na medida em que Deus consente e permite: pois nada, nem espírito do mal nem mau destino, será capaz de afligir aquele que possuí o Altíssimo como seu refúgio. Em verdade, qualquer um dos espíritos olímpicos pode ensinar ou afetar tudo o que é pressagiado ou adequado à sua estrela, porém, sem a permissão divina, nada pode ser feito. É somente Deus quem concede a eles o poder de realizar tais coisas. A Deus, o criador de todas as coisas, são obedientes todas as coisas celestiais, sublunares, e infernais. Portanto, apóia-te nisto: Que Deus seja teu guia em todas as coisas que tu fizerdes, e todas as coisas alcançarão um fim próspero e desejado; tal como a história do mundo inteiro atesta, e demonstra diariamente. Há paz para o devoto: não há para o os ímpios, diz o Senhor (Isaías, 42:22, 57:21)

Aforismo 16. As sete autoridades

Existem sete diferentes autoridades de espíritos do Olímpo, a quem Deus sabiamente determinou o governo de toda a estrutura do universo e deste mundo: e suas estrelas visíveis são Aratron, Bethor, Phaleg, Och, Hagith, Ophiel, Phul, de acordo com o discurso Olímpico. Cada um deles possui sob seu comando uma poderosa legião no firmamento.

Aratron senhoria 49 Províncias.

Bethor, 42.

Phaleg, 35.

Och, 28.

Hagith, 21.

Ophiel, 14.

Phul, 7.

Há portanto, 196 Províncias Olímpicas (este conhecimento foi perdido) em todo o Universo, no qual os sete governantes exercem sua influencia: os quais todos são elegantemente demonstrados na Astronomia da graça (obras perdidas de Ptolomeu). Porém, é neste espaço que deve ser explicado, de que maneira estes Príncipes e Poderes podem ser atraídos para comunicação. Aratron surge na primeira hora do Sábado, e de forma muito verdadeira concede respostas sobre suas Províncias e Partes. Do mesmo modo todos os outros aparecerão em ordem em seus dias e horas. Cada um deles também governa 490 anos. O primeiro ciclo iniciou 60 anos antes do Nascimento do Cristo, quando foi o início da regência de Bethor; e ela durou até o ano 430 de Nosso Senhor. Em seguida sucedeu Phaleg, até o 920º ano. Então começa a regência de Och, e continua até o ano de 1410, e desde então rege Hagith até o ano de 1900.

Tabela de regencias

60ac – 430dc Bethor
431dc – 920dc Phaeleg
921dc – 1410dc Och
1411dc – 1900dc Hadith
1901dc – 2390dc Ophiel
2391dc – 2880dc Phul
2881dc – 3370dc Aratron

Aforismo 17. Os principes regentes

Os sete príncipes regentes são evocados somente por meio da magia, no período, dia, e hora em que eles governam visível ou invisivelmente, pelos Nomes e atributos que Deus concedeu a eles; e expondo o simbolo deles, qual eles deram ou confirmaram.

O Regente Aratron possui em seu poder estas coisas, quais ele faz naturalmente, ou  seja, a respeito do mesmo modo e essência das coisas que na Astronomia são atribuídas ao poder de Saturno.

As coisas quais ele faz por sua própria vontade, são estas:

  1. Ele é capaz de converter qualquer coisa em pedra num instante, seja animal ou planta, mantendo o mesmo em sua aparência própria.
  2. Ele transforma tesouros em carvão, e carvão em
  3. Ele concede familiares com um poder
  4. Ele ensina Alquimia, Magia, e
  5. Ele reconcilia os espíritos subterrâneos aos homens; os homens
  6. Ele torna alguém invisível.
  7. O estéril ele torna fecundo, e concede vida

Ele possui 49 Reis sob seu comando, 42 Príncipes, 35 Presidentes, 28 Duques, 21 Ministros, diante dele; 14 familiares, sete Mensageiros: ele comanda 36000 legiões de Espíritos; o número de uma legião é 490.

Bethor governa as coisas que são atribuídas a Júpiter: ele virá rapidamente, ao ser chamado. Aquele que é dignificado com seu sigilo, ele elevará a dignidades muito elevadas, exporá tesouros e garantirá a cooperação dos espíritos aéreos para que eles concedam respostas verdadeiras: eles transportam pedras preciosas de um lugar a outro, e eles produzem remédios que operaram milagres em seus efeitos: ele também concede os familiares do firmamento, e prolonga a vida em 700 anos, se for da vontade de Deus.

Sob seu comando há 42 Reis, 35 Príncipes, 28 Duques, 21 Conselheiros, 14 Ministros, 7 Mensageiros, 29000 legiões de Espíritos.

Phaleg governa as coisas que são atribuídas a Marte, o Príncipe da Paz. Aquele que porta seu sigilo a ele, ele erguerá a grandes honras em questões marciais.

Och governa sobre questões solares; ele dá 600 anos, com saúde perfeita; ele defere grande sabedoria, concede os mais excelentes espíritos; ensina remédios perfeitos: ele converte todas as coisas no mais puro ouro e pedras preciosas: ele concede ouro, e uma bolsa que verte ouro. Aquele que é exaltado com seu sigilo, ele o fará adorado como uma deidade, pelos os Reis de todo o mundo.

Ele possui 36536 legiões sob seu comando: ele governa todas as coisas sozinho: e todos os seus Espíritos o servem há séculos.

Hagith governa as questões relativas a venûs. Aquele que é enobrecido com seu sigilo, ele o fará amável, e adornado com toda beleza. Ele converte cobre em ouro num instante, e ouro em cobre: ele dá espíritos que servem fielmente aqueles a quem eles são entregues.

Há 4000 legiões de Espíritos para ele, e sobre cada mil destes ele determina Reis para suas estações estabelecidas.

Ophiel é o senhor das coisas atribuídas a mercúrio: Seus espíritos constituem cem mil legiões: ele concede espíritos familiares facilmente: ele ensina todas as artes: e aquele que é exaltado com seu sigilo, ele o torna capaz de, num instante, de transformar o Mercúrio na Pedra dos Filósofos.

Phul governa as coisas Lunares; cura edema (hidropsia): Ele transforma todos os metais em prata, em palavra e ação; ele concede espíritos da água, que servem aos homens em forma corpórea e visível; e faz com que os homens vivam 300 anos.

  1. Cada governante age com todos os seus Espíritos, seja naturalmente, sempre da mesma maneira; ou, de outra forma, por seu próprio e livre arbítrio, se Deus os permitir.
  2. Cada governante é capaz de fazer todas as coisas que são feitas naturalmente em muito tempo (muito lentamente), a partir da matéria antes preparada; e também as fazem repentinamente, a partir da matéria nunca antes preparada. Och, como o Príncipe das coisas Solares, elabora ouro nas montanhas em períodos longos; em menos tempo, pela Arte Alquímica; e Magicamente, isto é feito num instante.
  3. O verdadeiro Mago divino pode utilizar todas as criaturas de Deus, e os atributos dos governantes do mundo, à sua própria vontade, pois os governantes do mundo são obedientes a ele, e vêm quando são chamados, e executam os comandos dele: mas Deus é o autor disso e isto não é feito sem a autoridade dele: tal como Josué fez o Sol ficar parado no céu (Josué, 10:12-13).
  4. Eles enviam alguns de seus espíritos aos magos medianos, aos quais eles obedecem apenas em alguns determinados assuntos: mas eles não ouvem os falsos magos, exceto os expondo aos enganos dos mordazes demônios, e os lançando para que mergulhem em perigos, segundo o comando de Deus; como o Profeta Jeremias testifica, em seu oitavo Capítulo.
  5. Em todos os elementos há os sete Governantes com suas hostes, que os movem com movimento igual do firmamento; e os inferiores sempre dependem dos superiores, como é ensinado na Filosofia.
  6. Um homem que é um verdadeiro Mago é gerado como um Mago desde o útero de sua mãe: os outros, que se dão a este ofício, são ineficientes. Eis o que João Batista fala sobre isto: Nenhum homem pode fazer qualquer coisa de si, exceto o que lhe é dado de cima (João, 3:27).
  7. Cada sigilo dado por um Espírito, para qualquer causa que seja, possui sua eficácia naquele assunto para o qual é dado, no tempo instituído: mas ele é para ser utilizado no mesmo dia e hora Planetária a qual ele pertence.
  8. Deus vive, e tua alma vive nele: mantenha a tua Aliança, e tu terás tudo o que o Espírito revelará a ti em Deus, pois todas as coisas que o Espírito te promete deverão ser feitas.

Aforismo 18. Outros espiritos

Há outros nomes dos Espíritos Olímpicos apresentado por outras pessoas; mas estes nomes somente são efetivos para aqueles quais foram entregues, pelo Espírito revelador, visível ou invisível: e eles são entregues a todos conforme estes sejam predestinados:

por essa razão eles são chamados por nomes estelares; e eles raramente possuem qualquer eficácia acima de 140 anos. Por isso, é mais seguro, para os praticantes mais novos na Arte, que eles trabalhem somente pelos atributos dos Espíritos, sem seus nomes; e se eles são predeterminados para alcançar a Arte da Magia, as outras partes da Arte serão oferecidas a eles de acordo com sua vontade. Rogai, pois, por uma fé constante, e Deus fará com que todas as coisas aconteçam no tempo devido.

Aforismo 19. Resguardo

O Olímpo e seus habitantes voluntariamente se apresentam na forma de espíritos, por vontade própria, aos homens, e estão prontos para realizar seus atributos a eles, segundo ou não a vontade deles: mas quantas vezes eles vos atenderão, se são eles apetecidos? Mas também aparecerão espíritos malignos, e destruidores, e isto é causado pela inveja e malícia do demônio; e devido aos homens se fascinarem e atraí-los para si através de seus pecados, como uma punição aos pecadores. Portanto, aquele que deseja familiarmente ter uma conversa com os espíritos, que ele se resguarde dos infames pecados, e implore diligentemente ao Altíssimo para que ele seja seu protetor, e ele romperá todos os laços e impedimentos do demônio: e que ele se dedique ao serviço de Deus, e ele receberá crescimento em sabedoria.

Aforismo 20. Tudo é possivel

 

Todas as coisas são possíveis para aqueles que nelas acreditam, e são desejosos por recebê-las; mas para o incrédulo e relutante, todas as coisas são impossíveis: não há maior obstáculo do que uma mente distraída, leviandade, inconstância, burburinho tolo, embriaguez, luxúrias, e desobediência à Palavra de Deus. Por conseguinte, um mago deve ser uma pessoa que é piedosa, honesta, constante em suas palavras e ações, tendo uma fé firme em direção a Deus, prudente, e ávida de sabedoria e coisas divinas.

Aforismo 21. (RITUAL A SER EXECUTADO)

Quando voce desejar chamar qualquer um dos espíritos Olímpicos, observa (saiba qual o horario) o nascer do sol neste dia (dia apropriado ao espirito), e qual a natureza do espírito que tu desejas; e dizendo a seguinte Oração, teus desejos serão aperfeiçoados.

Deus eterno e onipotente, que determina toda a criação ao teu louvor e glória, e para a salvação do homem, te peço que envie seu espírito (Nome do espirito), da ordem (Nome do planeta), para que me instrua e me ensine as coisas que eu pedir a ele; ou, que ele possa trazer a mim remédio contra a hidropisia, &c. No entanto, que não seja feita a minha vontade, mas a tua, através de Jesus Cristo, teu único Filho, nosso Senhor. Amém.

Mas tu não deves deter o Espírito por mais de uma hora, a menos que ele esteja familiarmente devotado a ti (Seja seu espirito familiar).

[Licença para partir]

Visto que voce veio em paz e quietamente, e respondeu aos meus pedidos; dou graças a Deus, por cujo nome voce veio: e agora voce pode partir em paz para teus comandos; e retornar novamente a mim quando eu chamar por teu nome, ou por tua ordem, ou por teu atributo, que é concedido a ti pelo Criador. Amém.

Eclesiastes, Capítulo 5. Não te precipites com tua boca, nem o teu coração se apresse em pronunciar palavra alguma diante de Deus; pois Deus está nos céus, e tu na terra: Portanto, que tuas palavras sejam poucas, pois um sonho vem de uma multidão de ações, e da multidão de palavras, a voz de um tolo.

O QUARTO DOS SETERNARIOS

 

Aforismo 22. Os segredos espirituais

Aquilo que nós chamamos de segredo, é o que nenhum homem pode alcançar por meio da habilidade humana, sem revelação; aquilo que para a ciência está obscurecido, ocultado por Deus na criação; que, no entanto, Ele permite que seja revelado pelos espíritos, para o devido uso. E estes segredos são relativos sejam a coisas divinas, naturais, ou humanas. Mas voce deve ponderar um pouco, e o mais seleto, que tu guardará com muitos outros segredos.

Aforismo 23. A natureza dos segredos

Primeiro, considera a natureza do que é secreto, quer seja ou não feito por meio de um espírito na forma de uma pessoa, ou por meio de forças distintas, ou por qualquer outra coisa. E isto sendo conhecido, pede a um espírito que conheça tal arte, para que ele brevemente declare a ti o que é secreto: e ora a Deus, para que ele possa te inspirar com sua graça, através da qual tu poderás conduzir o segredo ao fim que tu desejas, para glória e louvor de Deus, e para o benefício de teu próximo.

Aforismo 24. Três conjuntos de segredos

Os maiores segredos estão no número sete.

  1. A primeira coisa é a cura de todas as doenças no espaço de sete dias, seja pelos sigilos, ou pelas coisas naturais, ou pelos espíritos superiores com o auxílio
  2. A segunda é ser capaz de prolongar a vida de tudo o que envelhece, daquilo que nos agrada: ou seja, uma vida corpórea e
  3. A terceira é ter a obediência das criaturas nos elementos que estão nas formas dos espíritos pessoais; também dos gnomos, Fadas, Ninfas, Dríades e Espíritos dos Bosques.
  4. O quarto é ser capaz de dialogar com conhecimento e entendimento de todas as coisas visíveis e invisíveis, e entender o poder de cada coisa, e a que ela
  5. O quinto é que o homem seja capaz de governar a si mesmo de acordo com a finalidade que Deus determinou a
  6. O sexto é conhecer Deus, e Cristo, e seu Espírito Santo: esta é a perfeição do Microcosmo.
  7. O sétimo é ser regenerado, como Enoch o Rei do mundo

Estes sete segredos um homem honesto e com uma mente e coração constante pode aprender dos Espíritos, sem qualquer ofensa a Deus.

Os segredos médios também estão em número sete.

  1. O primeiro é a transmutação dos Metais, qual é vulgarmente chamada de Alquimia: que certamente é dada a muito poucos, e não senão por graça
  2. O segundo é a cura das doenças com Metais, seja pelas virtudes magnéticas das pedras preciosas, ou pelo o uso da Pedra dos Filósofos, e
  3. O terceiro é ser capaz de realizar milagres Astronômicos e Matemáticos, tais como os mecanismos hidráulicos, administrar negócios pela influência do Céu, e coisas similares.
  4. O quarto é realizar as obras da Magia natural, de qualquer tipo que elas
  5. O quinto é conhecer todas as visões proféticas.
  6. O sexto é conhecer a fundação de todas as artes que são exercitadas com as mãos e os ofícios do
  7. O sétimo é conhecer a fundação de todas as Artes que são exercidas pela natureza angelical do

 

Os segredos menores são sete.

  1. O primeiro é fazer algo de forma eficaz e energeticamente, e adquirir fortuna.
  2. O segundo é ascender de um estado médio de dignidades e honras, e estabelecer uma nova família, que possa ser ilustre e fazer grandes coisas.
  3. A terceira coisa é sobressair em questões militares, e alegremente alcançar grandes coisas, e ser um chefe do comando dos Reis e Príncipes.
  4. O quarto é ser um(a) bom(a) amo(a) de um lar, tanto no Interior quanto na Cidade.
  5. O quinto é ser um laborioso e afortunado Comerciante.
  6. O sexto é ser um Filósofo, Matemático, e Físico, de acordo com Aristóteles, Platão, Ptolomeu, Euclídes, Hipócrates e Galeno.
  7. Ser um bom teólogo ou estudioso bíblico e escolástico, educado em todos os escritos de teologia, antiga e moderna.

Aforismo 25. Conhecer o que desejamos

Nós já declaramos o que é o um segredo, e os tipos e espécies de tal: o que resta agora é mostrar como podemos chegar a conhecer as coisas que desejamos.

A verdade e único caminho a todos os segredos, é recorrer a Deus, Autor de todas as coisas boas; e como Cristo ensina:

  1. Em primeiro lugar, buscai o reino de Deus e a sua justiça, e todas as coisas vos serão acrescentadas. (Mateus, 6:33)
  2. Procurai também para que vossos corações não se sobrecarreguem com intemperança, e embriaguez, e dos cuidados desta vida. (Lucas, 21:34)
  3. E confia teus cuidados ao Senhor, e ele o fará. (Salmo 55:22)
  4. E eu, Senhor teu Deus te ensinarei quais coisas são proveitosas a ti, e te guiarei no caminho por onde deves seguir. (Isaías, 48:17)
  5. E eu te darei entendimento, e te ensinarei por onde deves ir, e eu te guiarei com meus olhos. (Salmo 32:8)
  6. Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem? (Mateus 7:11)
  7. Se vós fizerdes a vontade de meu Pai que está no Céu, vós sois verdadeiramente meus discípulos, e viremos até vós, e faremos nossa morada convosco. (Comparar com João 14:23)

Se voce entender estas sete passagens das escrituras em seu sentido exato, e colocá-las em teu espírito, ou em ação, voce não será capaz de errar, e somente alcançará os teus desejos, e o teu objetivo não perderás o alvo, e o próprio Deus, através de seu Espírito Santo vos ensinará coisas úteis e verdadeiras. Ele também concederá os seus anjos auxiliares a ti, para que sejam teus companheiros, instrutores, e assistentes em todos os segredos deste mundo. Ele também comandará todas as criaturas para que te obedeçam, para que alegremente e jubilosamente voce possas dizer como os apóstolos:

 

“Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus.”

(Lucas 10:20).

 

Aforismo 26. Sonhos espirituais

Há outra forma mais comum, na qual segredos podem ser revelados a voce, mesmo sem o teu conhecimento, vindos de Deus ou dos espíritos; que é através dos sonhos, ou através das poderosas imagens ou impressões mentais, ou das tuas constelações de nascença, através das inteligências celestiais. Da mesma forma surgem os heróis, bem como as pessoas mais sábias do mundo, Aristóteles, Hipócrates, Galeno, Euclides, Arquimedes, Hermes Trismegistus O Pai dos Segredos, juntamente com Theophrastus Paracelsus, e eles tinham dentro de si todos os poderes destes segredos. E dizem que também Homero, Hesíodo, Orfeu, e Pitágoras possuíram este mesmo segredo, mesmo que não na mesma medida que os listados anteriormente. Aqui são referidas as ninfas, tal como as filhas de Melusina, e os deuses criados, como Aquiles, Enéias, Hércules, bem como Ciro, Alexandre o Grande, Júlio César, Lúculo, Sylla e Marius.

É de um principio geral, que cada um possa identificar seu espírito guardião (SAG), e que ele o obedeça como se fosse a palavra de Deus: e ele deve acautelar-se das armadilhas do espírito do mal, e que ele evite as calamidades de Brutus e Marco Antônio.

A terceira forma é o trabalho árduo, pois sem a vontade divina nada grandioso ou maravilha pode ser alcançada, como diz o verso:

Nada tu podes dizer ou fazer se não for da vontade de Minerva.

Tu nihil invita dices facie sue Minerva

Nós abominamos todos os caco-magi (magos malignos) que, com superstições proibidas associam-se com demônios, e embora eles alcancem determinadas coisas permitidas por Deus, em troca eles sofrem a punição dos demônios. E assim o diabo também faz com que coisas más aconteçam, como testifica as escrituras sobre Judas. Aqui são referidas toda a idolomania dos tempos antigos e de nossa era, e o abuso da divinação, que foi tão comum entre os pagãos. Aqui também estão relacionadas a sombra dos mortos carônticas (pertencente ao Submundo), como no trabalho de Saul com a mulher, e a profecia de Lucan do soldado morto quanto ao resultado da batalha de Farsália, e coisas similares.

Aforismo 27 Circulo mnemônico

Fazei um círculo cujo centro seja A, qual é modelado por um quadrado BCDE, tal que o lado BC esteja em direção ao Leste, CD em direção ao Norte, DE em direção ao Oeste, e EB ao Sul. Divide cada um dos quatro quadrantes em sete partes, de modo que ao todo existam 28 partes. E cada setor é dividido em quatro, perfazendo um total de 112 partes para o círculo, e muitos são os verdadeiros segredos a serem revelados. E este círculo assim dividido é o Selo dos Segredos de todo o universo, qual emana do centro único A, ou seja, do Deus indivisível em toda a criação.

O príncipe dos segredos orientais reside no meio, e possui três governadores em cada lado. Há quatro [segredos] sob cada um destes governadores, além de quatro sob o próprio príncipe. De forma similar, os quadrantes restantes (Norte, Oeste, e Sul) possuem seus próprios príncipes e governadores, com quatro segredos cada.

Em cada um dos quatro quadrantes estão os seguintes assuntos a serem estudados ou buscados: Leste, toda a sabedoria; Oeste, força; Sul, zelo; Norte, uma vida mais rígida.

Os segredos do Leste são, assim, considerados como os maiores, os do Sul são médios, enquanto os do Oeste e Norte são os menores.

O uso deste selo dos segredos é a forma pela qual tu podes saber onde os espíritos ou anjos são revelados, que podem ensinar os segredos que foram entregues a eles por Deus. Mas os nomes deles são escolhidos a partir das funções e virtudes que Deus distribuiu a cada um deles. Assim, um destes anjos ou espíritos possui o poder da espada, outro possui o poder da peste, outro possui o poder de infligir a fome ao povo, como ordenado por Deus. Outros destroem cidades, como os dois mensageiros que foram enviados para destruir Sodoma e Gomorra, e a área ao redor. E as escrituras descrevem outros exemplos destes fatos. Alguns deles zelam pelos reinos, enquanto outros guardam cidadãos em particular.

Assim, tu poderás facilmente formar os nomes deles em tua própria língua. E conseqüentemente tu poderás pedir o Anjo da Cura, ou da Filosofia, ou Matemática, ou o Anjo da Orientação Legal, ou Sobrenatural ou da Sabedoria Natural, e assim por diante. Mas pede a eles com seriedade, com o maior dos sentimentos, com Fé e Perseverança, e sem dúvida de que aquilo que tu buscas tu receberás de Deus, o pai de todos os espíritos. Esta Fé supera todos os selos, e submete todos os anjos à vontade humana. O método característico de evocação dos anjos vem depois desta fé, qual depende unicamente da revelação divina. Mas sem que esta fé venha antes e preceda a evocação, o evocador permanecerá na obscuridade.

Se tu quiseres utilizar este desenho apenas como um dispositivo mnemônico, e assim somente como algo criado por Deus, ele terá a vantagem de estar ligado à essência espiritual, e pode ser utilizado sem a ofensa a Deus. Porém, que tu sejas cuidadoso para que não caias na idolatria e nas ciladas do demônio, que é um caçador intencionado e obstinado, e pode facilmente enganar os incautos. E tu não serás capturado, exceto pelo o dedo de Deus, e devotado ao serviço das pessoas, de modo que tu serás instigado a servir o justo. Porém, ainda haverá tentações e tribulações, pois certamente isto é ordenado àquele que ferirás o calcanhar do Cristo, a semente da mulher. Portanto, com temor e respeito devemos nos aproximar do espiritual, e com grande reverência a Deus, e nos harmonizar com as entidades espirituais com seriedade e justiça. Mas se tu tentares tal incumbência deve tomar cuidado de toda leviandade, arrogância, ganância, vaidade, inveja e impiedade, a menos que queiras uma morte miserável.

Aforismo 28. O que é bom vem de Deus

Visto que tudo o que é bom provém de Deus, aquele que é unicamente bom, aquilo que desejamos, devemos obter dele ao orar em espírito e verdade, e com um coração simples. A conclusão do segredo dos segredos é: aquele que incita oração fervorosa para aquilo que deseja não sofrerá rejeição. Ninguém deve desprezar suas preces, pois Deus, se a ele pedirmos, pode e irá nos dar aquilo que buscamos; devemos, portanto, reconhecê-lo como o autor, e humildemente pedir a ele aquilo que desejamos. Este bom e misericordioso pai ama os desejos dos filhos, como fez a Daniel, e ouve-nos mais rapidamente e com mais clareza, quando vencemos a dureza de nossos corações em oração. Mas ele não quer que nós “entreguemos aos cães aquilo que é sagrado”; ele não deseja que as jóias de seu tesouro sejam desprezadas, ou subestimadas. Portanto, lê e relê diligentemente o primeiro setenário dos segredos. E preparai e organizai tua vida e todos os teus pensamentos para estas instruções, e todos os teus desejos se sujeitarão ao Senhor, em quem tu confias.

O QUINTO DOS SETERNARIOS

 

Aforismo 29.  Avançando nos estudos

Para que possamos prosseguir nosso estudo da magia, passaremos agora dos preceitos gerais para as explicações mais específicas. Os Espíritos são tanto os atendentes divinos da Palavra e da Igreja e de seus membros, quanto os zeladores da criação física, e alguns deles são para o benefício do corpo e alma, e outros para a ruína destes. E nada de bom ou ruim acontece sem uma ordem específica e definida e uma determinação. Quem deseja um fim bom deve buscar o bem. E maus desejos conduzirão a um fim infeliz, e de forma muito rápida, devido à retribuição divina, pois aquele que escolheu isto se afastou da vontade divina. Portanto, todos devem unir seus objetivos com a Palavra de Deus, e usá- la como uma pedra lídia, ou um padrão-ouro, para decidir entre o bem e o mal. E eles devem decidir o que evitar, e o que aspirar. Quer seja o que tu decidas ou determines, energeticamente segue sem procrastinar, a fim de alcançar o objetivo determinado.

Aforismo 30. Riquezas terrenas

Aqueles que desejam obter riquezas, uma vida fascinante, honras, dignidades ou poderes políticos por meio da magia, se eles se esforçarem o suficiente, isto eles obterão, cada um segundo o seu destino, diligência, e conhecimento da magia. A história de Melusina testifica isto. Outro exemplo é o mago que decretou que nenhum italiano jamais reinaria em Nápoles. E assim ele sucedeu mesmo na época em que o governante foi destronado. Quão grande é o poder dos anjos guardiões dos reinos do mundo.

Aforismo 31. Desejos e autoridade

Evocai o anjo regente do Reino, pede o que tu desejas, e tenha certeza de que isto será feito, até a ocasião em que tal regente seja liberto por um mago subseqüente. Assim o Reino de Nápoles poderia novamente ser restituído a um italiano, se o mago que o convocou fosse obrigado a remover o vínculo. Ele também pode ser obrigado a restituir as jóias roubadas de um tesouro mágico, o livro, a gema, e o chifre mágico cuja propriedade poderia facilmente tornar alguém o monarca do mundo, se assim ele desejasse. Mas este mago judeu escolheu viver entre os deuses, até o dia do julgamento, em vez de viver neste mundo de coisas fugazes. E o coração dele está iludido e ainda não entende ou considera que eles também são do Deus do Céu e da Terra. Desta forma ele desfruta dos prazeres dos imortais para a sua própria ruína eterna. E ele pode ser evocado com mais facilidade do que o espírito guardião que Plotino chamou no templo de Ísis.

Aforismo 32. Tamanho é documento

De maneira similar, os romanos foram bem instruídos a partir dos livros das Sibilas, por meio de tais eles seriam capazes de se fazerem mestres do mundo, como a história testifica. Mas ofícios menores são concedidos aos subordinados do príncipe do reino. Portanto, se tu cobiças um cargo ou dignidade menor, convoca magicamente o subordinado do príncipe, e teu pedido será concedido.

Aforismo 33. As ferramentas certas

Entretanto, se tu desprezas dignidades, e anseia riqueza, convoca o príncipe da riqueza, ou um de seus regentes subordinados, e teu desejo será concedido, e tu ficarás rico da forma que tu desejas, seja através dos bens terrenos, ou através do comércio, ou através dos presentes dos príncipes, ou por meio da prática da metalurgia ou química, desde que tu faças o governador apropriado aparecer, e obtenha dele a autoridade necessária.

Aforismo 34. Evocação de espiritos

Toda evocação dos espíritos é de um tipo e forma, e este é o método utilizado nos tempos antigos pelas Sibilas e seus sumos sacerdotes. Em nossa época isso está totalmente perdido, devido à ignorância e impiedade. O que resta está distorcido com superstição e infinitas falsificações.

Aforismo 35. Prodígios

A alma humana é a única produtora de prodígios, à medida que ela está acompanhada com o espírito escolhido; uma vez acompanhada, ela revelará o que voce deseja. Portanto, devemos proceder cautelosamente nos atos de magia, para que não sejamos enganados pelas sereias e monstros, que também são atraídos em direção à alma humana. Por esta razão, te esconde sempre sob as asas do Altíssimo, a fim de que voce não te ofereças para ser devorado pelo leão que ruge. Pois aqueles que desejam as coisas do mundo são fortemente pressionados para fugir das armadilhas de Satanás.

O SEXTO DOS SETERNARIOS

Aforismo 36. Palavras

Cuidado deve ser tomado, para que os experimentos não sejam misturados com outros experimentos; todavia, que cada um seja simples e diferente: pois Deus e a Natureza ordenaram a todas as coisas um fim certo e determinado: deste modo, por causa dos exemplos, aqueles que realizam curas com as mais simples ervas e raízes, curam da forma mais feliz. E desta maneira, nas Constelações, Palavras e Caracteres, Pedras, e similares, jazem ocultas as maiores influências ou virtudes que, na verdade, fluem como milagres.

Assim também são as palavras, que sendo pronunciadas, imediatamente induzem que criaturas tanto visíveis e invisíveis se rendam em obediência, tanto as criaturas deste nosso mundo, como as do aquoso, aéreo, subterrâneo, e Olímpico, celestial e infernal, e também o divino.

Por conseguinte, a simplicidade deve ser especialmente estudada e buscada, e o conhecimento de tal simplicidade deve ser buscado a partir de Deus; caso contrário, por nenhum outro meio ou experiência eles poderão encontrá-la.

Aforismo 37. Três coisas importantes

E que todas as partes possuam seus lugares apropriadamente: a Ordem, Razão, e os Meios, que são as três coisas que conferem todo o aprendizado das criaturas visíveis, bem como das invisíveis. Este é o curso da Ordem, de modo que algumas criaturas são criaturas da luz; outras, da escuridão: estas estão sujeitas à vaidade, pois elas rumam impetuosamente para a escuridão, e sua rebelião contra a graça provocou a punição eterna delas. Parte do reino deles é muito bonito em coisas transitórias e corruptíveis por um lado, pois ele não poderia existir sem alguma virtude e muitos dos grandes presentes de Deus; e a outra parte é muito suja e horrível para que dela seja falado, pois desta parte transborda toda a maldade e pecado, idolatria, o desprezo de Deus, blasfêmias contra o verdadeiro Deus e suas obras, adoração de demônios, desobediência contra as autoridades, dissensões, homicídios, roubos, mentiras, perjúrios, orgulho, e um ávido desejo de poder; nesta mistura consiste o Reino da escuridão: mas as criaturas da luz são preenchidas com a luz eterna, e com a graça de Deus, e os Senhores de todo o mundo reinam sobre os Senhores da escuridão, e são como os membros de Cristo. Entre estes e aqueles, há uma guerra continua, até que Deus ponha um fim nesta contenda, em seu Julgamento Final.

Aforismo 38. Divisão da magia

Deste modo, a divisão da Magia é dupla; o primeiro aspecto é dado por Deus, que ele concede às criaturas de luz; o outro também é de Deus, mas este é o dom que ele concede às criaturas da escuridão: e este aspecto também é duplo:

A primeira divisao é para uma finalidade boa, como quando os príncipes da escuridão são compelidos a fazer algo bom para as criaturas, através do poder de Deus; o outro é para uma finalidade infeliz, quando Deus permite a punição de pessoas más, que magicamente ele permite que elas sejam iludidas e direcionadas para a destruição.

A segunda divisão da Magia é aquela que cumpre seus efeitos com  instrumentos visíveis através do visível. E ela afeta outras obras com instrumentos invisíveis através de coisas invisíveis; e age em outras coisas, com a mistura das técnicas, instrumentos e efeitos.

A terceira divisão são aquelas coisas que são realizadas por meio das invocações a Deus. Isto é parcialmente Profético, e Filosófico; bem como parcialmente Teosófico.

Alternativamente, em ignorância ao verdadeiro Deus, é isto o que é realizado por meio dos príncipes dos Espíritos, para que os desejos possam ser realizados; este é o trabalho dos Mercurialistas.

A quarta divisão é a que faz uso do exercício dos bons Anjos em vez de Deus, como se fosse uma prática descendida do Altíssimo: tal era a Magia dos Baalim, ou da Magia dos ídolos.

Outra Magia é aquela que realiza suas ações com os chefes dos espíritos do mal; esta foi a magia forjada pelos Deuses menores dos pagãos.

A quinta divisão é aquela em que agem abertamente alguns dos Espíritos, frente a frente; isto é dado a alguns: os outros fazem o trabalho através de sonhos e outros sinais; como o que os antigos alcançavam através de seus augúrios e sacrifícios.

A sexta divisão é aquela do trabalho com criaturas imortais, e com criaturas mortais, como Ninfas, Sátiros, e habitantes similares dos outros elementos, gnomos, etc.

A sétima divisão é aquela dos Espíritos que servem aos outros voluntariamente, sem qualquer tipo de arte; outras pessoas estes Espíritos dificilmente atenderão, mesmo sendo chamados pela arte.

Entre todas estas espécies de Magia, a mais excelente de todas é aquela que depende unicamente de Deus. A segunda é aquela a quem os Espíritos servem fielmente. A terceira é aquela que é propriedade dos cristãos, que dependem do poder de Cristo, tanto no céu quanto na terra.

Aforismo 39. Preparação para o aprendizado

Para se aprender a Arte da Magia há uma preparação sétupla.

A primeira parte é meditar dia e noite sobre como alcançar o verdadeiro conhecimento de Deus, tanto por sua palavra revelada a partir da criação do mundo; como também pelo o selo ou escada da criação, e das criaturas; e pelos maravilhosos efeitos que as criaturas visíveis e invisíveis de Deus manifestam.

O segundo requisito é de que desça em si, e principalmente estudar para se conhecer; quais as partes em si ele possui que são mortais e quais são as imortais; e quais são as partes pertencem a ele, e quais são as partes alheias.

Em terceiro lugar, ao contemplar a parte imortal de si, ele deve aprender a adorar, amar e temer ao Deus eterno, e a adorá-lo em Espírito e Verdade; a contemplação de sua mortalidade deve levá-lo a conhecer o que é aceitável por Deus, e o benefício de seu próximo.

Estes são os primeiros três e principais preceitos da Magia, e é com cada um destes que aquele que deseja alcançar a verdadeira Magia ou Sabedoria divina deve se preparar. E desta forma ele poderá se tornar digno de que as criaturas angelicais possam atendê-lo, não apenas invisivelmente, mas também visivelmente, frente a frente.

Em quarto lugar, a partir do útero materno, cada um é destinado a uma determinada posição na vida; e, portanto, que ele seja vigilante para discernir se ele nasceu para a Magia, e para qual tipo de Magia. Qualquer um pode perceber isto facilmente se ele cuidadosamente estudar nossos escritos, e com sucesso testar os experimentos por si próprio. Pois grandes coisas e dons são dados somente aos pequenos e humildes.

A quinta condição prévia é ele seja capaz de perceber os Espíritos que estão nos auxiliando, quando estamos realizando grandes obras; se ele perceber isto, é sinal que Deus ordenou que tal pessoa seja um Mago e que ele pode utilizar o poder dos espíritos para realizar grandes coisas. Aqui, muitos caem em pecado, por meio da desatenção, negligência, ignorância, desprezo, ou por muita superstição; eles também pecam por conta da ingratidão a Deus, motivo pelo qual muitos homens de grande fama atraem sua própria destruição. Eles também pecam pela imprudência e teimosia; e também quando eles não utilizam seus dons para a honra de Deus, que é necessária, e é preferido que seja feito em menores trabalhos.

O sexto requisito é que o Mago deve ter Fé e Discrição, especialmente para que ele não revele nenhum segredo que o espírito o proibiu, como ordenou para que Daniel selasse ou guardasse determinadas coisas, ou, para que ele não as declarasse em público; de modo semelhante, nem para Paulo era lícito falar abertamente sobre todas as coisas que lhe eram entregues em uma visão. homem algum acreditará o quanto está contido neste único preceito.

A sétima exigência para aquele que deseja ser um Mago é o maior nível de justiça, para que ele não empreenda coisa alguma que seja ímpia, perversa, ou injusta, nem permita que isso se passe em sua mente; e assim ele estará divinamente protegido de todo o mal.

Aforismo 40. As sete leis

Quando o Mago percebe agentes imateriais em torno dele, seja com a percepção externa ou interna, ele deve governar a si mesmo de acordo com as sete leis seguintes, para realizar o seu objetivo Mágico.

  1. A primeira Lei é, Que ele saiba que tal espírito é ordenado a ele por Deus; e que ele esteja atento de que Deus é o observador de todos os seus pensamentos e ações; Por esta razão, que ele direcione todo o andamento de sua vida de acordo com a Palavra de
  2. A segunda Lei é, Ore sempre como Davi:
    1. Não retireis de mim teu Espírito Santo; e fortalece-me com um Espírito livre; e não nos deixei cair em tentação, e livrai-nos do mal: eu te imploro, ó Pai celestial, que não entregues poder a qualquer Espírito mentiroso, como tu fizeste a Ahab para que ele perecesse; mas mantenha-me em tua verdade. Amém.
  3. Terceiro, Que ele acostume-se a testar os espíritos, como as escrituras admoestam; pois uvas não podem ser colhidas dos espinheiros (Mateus 7:16): Devemos testar todas as coisas, e reter aquilo que é bom e louvável, para que possamos evitar tudo aquilo que é repugnante para o poder divino.
  4. A quarta Lei é estar afastado, segregado e livre de toda forma de superstições; pois isto é superstição: atribuir divindade às coisas que não possuem relação alguma com a divindade; ou escolher ou tomarmos formas de adorar a Deus quais ele não ordenou: tais são as cerimônias mágicas de Satanás, através das quais ele se oferece descaradamente para ser adorado como
  5. A quinta coisa a ser evitada é a adoração dos Ídolos, que vinculam qualquer poder divino às imagens ou ídolos ou outras coisas próprias, onde estes poderes não foram colocados pelo Criador, ou pela ordem da Natureza: tais coisas muitos caco-magos dissimulam.
  6. Em sexto lugar, Todas as imitações fraudulentas e enganosas e afeições do diabo devem ser evitadas truques, e é através disto que ele imita o poder da Criação, e do Criador, para que ele possa produzir coisas com uma palavra, parecendo ser o que não são. Isto pertence somente à Onipotência de Deus, e não é comunicável para a criatura.
  7. A sétima Lei é que nos apeguemos firme aos dons de Deus, e de seu Espírito Santo, para que possamos conhecê-los, e diligentemente cingi-los plenamente com nosso coração, e toda a nossa força.

Aforismo 41. Algumas questões finais

Nós nos aproximamos agora dos últimos nove Aforismos com os quais finalizaremos este Tomo; no qual iremos, com a misericórdia divina nos assistindo, concluir todo este Isagoge (resumo) Mágico.

Portanto, em primeiro lugar, deve ser entendido, i.e. deve ser esclarecido, aquilo que entendemos pela palavra Mago/Magus neste trabalho.

Aquele que consideramos como sendo um Mago, é aquele que pela graça de Deus as essências espirituais servem para manifestar o conhecimento de todo o universo, e dos segredos da natureza nele contido, sejam eles visíveis ou invisíveis, por meio da graça divina. Esta descrição de um Mago é ampla e universal.

Um Caco-mago é aquele, que pela permissão divina os espíritos malignos servem, para a destruição temporal e eterna dele e também para a perdição, para atrair os homens, e afastá-los de Deus; tal como ocorreu a Simão, o Mago, a quem o Ato dos Apóstolos menciona, e em Clemente; a quem o Divino São Pedro ordenou que fosse lançado a terra, pois ele havia sido elevado ao ar por meio dos espíritos imundos.

A esta categoria pertence as referências das Duas Tábuas da Lei; onde são registradas as várias formas criminosas de magia.

As divisões e espécies de ambos os tipos de Magia, observaremos nos Tomos seguintes. Neste será suficiente, que façamos a distinção das Ciências, daquela que é boa, e daquela é que maligna: visto que quando o homem que busca o conhecimento de cada um destes, ele é conduzido para sua própria ruína e destruição, como Moisés e Hermes demonstram.

Aforismo 42. Predestinação

Em segunda instância, devemos saber: Um Mago é uma pessoa predestinada a este tipo de obra desde o útero de sua mãe; e que ele não assuma coisas grandes, a menos que ele seja divinamente designado para uma boa finalidade pela graça; ou para um fim infeliz, em cumprimento destas escrituras:

 

As coisas que induzem as pessoas ao pecado são obrigadas a virem, mas ai daquela pessoa por meio de quem o pecado vem.

Por esta razão, como muitas vezes admoestamos anteriormente, Devemos viver com temor e respeito neste mundo.

Não negarei que, alguns homens podem com o estudo e diligência obter algum sucesso em cada um dos tipos de Magia, se permitido. Mas eles nunca alcançarão os tipos mais elevados desta; pelo o contrário, se ele cobiça abordá-las, ele sem dúvida será injuriado tanto em corpo quanto em alma. Tais são aqueles, que pelas operações dos Caco-magos, às vezes são transportados para o Monte Horeb/Horch, ou em alguma selva, ou desertos; ou são mutilado ou desfigurado de alguma forma, ou são simplesmente rasgados em pedaços, ou são privados da razão; assim como muitas coisas que acontecem por uso disto, onde os homens são abandonados por Deus, e entregues ao poder de Satanás.

O SÉTIMO DOS SETERNARIOS

Aforismo 43. O poder de satanás

O Senhor vive, e as obras de Deus vivem nele por ordenação dele, nas condições em  que elas são almejadas; pois ele terá que usar a liberdade delas em obediência à sua ordem, ou desobediência de tal. Ao obediente, ele brinda com suas recompensas; ao desobediente ele propõe sua merecida punição. Portanto, estes Espíritos, pela livre vontade deles, através de seu orgulho e desprezo do Filho de Deus, se rebelaram contra Deus, seu Criador, e estão reservados ao dia da Ira (Jó 21:30); e embora eles tenham abandonado os maiores poderes na criação, eles ainda possuem poder limitado, que é mantido em restrição, confinados em seus limites com a rédea de Deus. Portanto, o Magus de Deus, que significa Um Homem Sábio de Deus, ou a Pessoa Instruída de Deus, é conduzido pela mão de Deus para o bem eterno, e também para os bens médios e pequenos, e também para as coisas físicas mais corpóreas.

Grande é o poder de Satanás por causa dos grandes pecados dos homens. Por essa razão também os Magus de Satanás realizam grandes coisas, coisas maiores do que qualquer homem possa acreditar: embora eles subsistam em seus próprios limites, eles possuem uma incompreensível influência, tanto para as coisas corpóreas quanto para as coisas transitórias desta vida; muitas antigas Histórias e exemplos diários disto são testificados. Ambos os tipos de Magia são diferentes um do outro em suas finalidades: um conduz às boas coisas eternas, e utiliza as coisas temporais com gratidão; o outro é pouco preocupado com as coisas eternas; mas deleita-se completamente em torno das coisas físicas, para que possa livremente aproveitar todas as suas luxúrias e deleites em desprezo e ira contra Deus.

Aforismo 44. Dialogo interno

A passagem da vida comum do homem para uma vida Mágica, não é tão diferente quanto à passagem do estado de sono para o estado de estar completamente acordado/desperto nesta vida; pois aquelas coisas que acontecem ao ignorante e ao homem desconhecedor em sua vida comum, as mesmas acontecem ao Magus disposto e instruído.

O Magus entende quando sua mente medita; ele pondera, raciocina, institui, e determina o que deve ser feito; ele observa quando suas cogitações são frutos de uma essência divina em separado, e ele prova de que forma tal essência divina é separada.

Porém, o homem que é ignorante da Magia ou inconsciente dela, é impulsionado para um lado e outro como um animal, como se estivesse em Guerra com suas afeições; ele não sabe quando estas afeições saem de sua própria mente, ou se está impressionada por uma essência auxiliar ou entidade; e ele não sabe como derrotar os conselhos de seus inimigos pela Palavra de Deus, ou se prevenir das ciladas e fraudes do tentador.

Aforismo 45. Os maiores ensinamentos

O maior dos ensinamentos da Magia é que cada homem entenda o que pode  ser recebido de um Espírito assistente, e o que deve ser rejeitado: Isto ele pode aprender a partir daquilo que o Salmista diz:

 

Com o que purificará um jovem homem o seu próprio caminho? Sendo fiel às vossas palavras, ó Senhor.

Acautelar-se para manter a Palavra de Deus, para que o demônio não arranque esta do teu coração, é o maior dos ensinamentos da sabedoria. É lícito admirar, e exercer outras sugestões que não sejam contrárias à glória de Deus, ou a caridade de nossos próximos, sem indagar de qual Espírito tais sugestões originam-se; mas devemos tomar cuidado, para que não estejamos muito ocupados com coisas desnecessárias, de acordo com a admoestação de Cristo:

Marta, Marta, tu que estais preocupada com tantas coisas; mas Maria escolheu a melhor parte, qual não será retirada dela.

(Lucas 10:41-42).

Assim, que sempre levemos em consideração o que diz Cristo:

 

Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua retidão, e todas as outras coisas vos serão acrescentadas.

Isto é, todas as coisas que são próprias ao Microcosmo mortal, como alimento, vestuário, e as artes necessárias desta vida.

Aforismo 46. Constância

Nada convém tanto a um homem quanto a constância em suas palavras e ações, e quando o semelhante regozija-se em seu semelhante; ninguém é mais feliz do que estes (aqueles que vivem em harmonia), pois os santos Anjos permanecem próximos a eles, e a eles protegem: ao contrário, os homens que são inconstantes são mais leves do que as folhas podres e o nada. A estes nós entregamos o Quadragésimo Sexto aforismo. Conforme cada pessoa escolhe conduzir sua vida, deste modo tal pessoa atrairá os tipos de espíritos que possuem uma natureza e qualidade semelhante: este, porém, é um bom conselho, para que não tentemos nos elevar acima daquele que nós chamamos, a fim de que não possamos atrair para nós mesmos algum Espírito maligno das regiões mais distantes da terra, por quem nos enamoraremos e nos iludiremos, ou seremos levados à destruição final.

Este ensinamento é amplamente conhecido: pois Midas, quando queria transformar todas as coisas em ouro, atraia para si um Espírito, que era capaz de realizar isto; e sendo iludido por tal espírito, ele poderia ter sido levado a morrer de fome, se sua loucura não tivesse sido corrigida pela misericórdia de Deus. A mesma coisa ocorreu a uma mulher próxima de Frankfurt em Odera, em nossos tempos, que apanhava e consumia qualquer tipo de dinheiro. Bom seria se os homens pesassem diligentemente este preceito, e não considerassem as Histórias de Midas como meras fábulas; eles seriam muito mais fervorosos em moderar seus pensamentos e afeições, nem que eles sejam, assim, perpetuamente vexados com os Espíritos das montanhas douradas da Utopia. Desta forma, devemos observar com atenção para expulsar estas presunções da mente, pela palavra, enquanto elas são novas; nem permitir que elas tenham qualquer hábito na mente ociosa, que está vazia da palavra divina.

Aforismo 47. Fidelidade

Aquele que é fiel e devotado a sua vocação, também terá constância devotosa da companhia dos espíritos, que suprirão as necessidades dele em todas as coisas. Mas se ele possui algum conhecimento em Magia, eles não serão relutantes em se mostrarem a ele, e de forma familiar conversarão com ele, para servi-lo nas formas que são adequadas aos ofícios e naturezas deles; os bons Espíritos em boas coisas, até a salvação, e os espíritos malignos em toda coisa infeliz, até a destruição. Exemplos não faltam nas Histórias de todo o mundo. Teodósio antes da vitória de Arbogasto, é um exemplo do bom uso; Brutus, antes de ser morto, foi um exemplo de ser usado pelos Espíritos malignos, quando ele foi perseguido pelo Espírito de César, e este espírito exigindo vingança, fez com que ele se matasse, aquele que matou seu próprio Pai, e o Pai de seu país.

Aforismo 48. Revelação

Toda Magia é a revelação de uma espécie de espírito desta natureza; de modo que as nove musas são chamadas em Hesíodo de a Nona Magia, como ele testifica claramente em Teogonia. Na obra de Homero, o gênio de Ulisses, em Psicogogia. Hermes, os Espíritos das partes mais sublimes da mente. O próprio Deus se revelou a Moisés em um arbusto. Os três homens sábios foram procurar Cristo em Jerusalém, sendo o Anjo do Senhor o líder deles. Os Anjos do Senhor direcionaram Daniel. Portanto, não devemos nos vangloriar; Pois não depende daquele que quer, nem daquele que corre; mas de Deus, que se compadece (Romanos, 9:16), ou de algum destino espiritual. A partir daí brota toda a Magia, e assim também ele penetrará, seja bom ou mau. Desta forma, Tages, o primeiro professor de Magia dos Romanos, brotou da terra. Diana dos Efésios apresentou sua adoração, como se fosse enviado do céu. Assim também Apolo. E toda a Religião dos Pagãos é retirada dos mesmos Espíritos; nem são as crenças dos saduceus, invenções humanas.

Aforismo 49. Conclusão

A conclusão deste Isagoge é, portanto, o mesmo qual apresentamos acima, Mesmo que exista um só Deus, de onde tudo o que é bom procede; e um pecado, a saber, desobediência, contra a vontade do comando de Deus, de onde procede todo o mal; por esta razão o temor a Deus é o início de toda sabedoria, e a graça de toda Magia; pois a obediência à vontade de Deus, resulta no temor a Deus; e após isto, sucede a presença de Deus e do Espírito Santo, e o ministério dos santos Anjos, todas as coisas boas dos tesouros inesgotáveis de Deus.

Mas a Magia inútil e condenável nasce disto: quando de nossos corações extinguimos o temor a Deus, e sofremos deixando que o pecado reine em nós, e eis que o Príncipe deste mundo, o Deus que originou este mundo, e estabeleceu seu reino em vez de coisas santas, tal como achou útil para seu próprio reino; assim, tal como a aranha que apanha a mosca que cai em sua rede, igualmente Satanás propaga suas armadilhas, e apanha os homens com os laços da cobiça, até que ele sugue-os, e arraste-os para o fogo eterno, a estes ele valoriza e nestes ele investe, para que a queda deles possa ser a maior.

Para que o Leitor Cortês e Atencioso, utilizando seus olhos próprios e sua mente para as Histórias sagradas e profanas, e para aquelas coisas que voce busca que sejam feitas diariamente no mundo, e para que voce possas encontrar todas as coisas repletas da Magia, de acordo com a Ciência dupla, boa e má; para que, elas possam ser melhor discernidas, aqui dispomos suas divisões e subdivisões, como a conclusão desta Isagoge; na qual todos possam considerar, o que deve ser seguido, e o que deve ser evitado, e o quão longe está a ser trabalhado por cada um, para um final de vida e uma vivência idônea.

Respostas para perguntas gerais sobre a prática

  1. Preciso de circulo de proteção, baqueta bola de cristal ou qualquer coisa para a pratica desse grimorio?

Resposta: sim, mas, apenas dos medalhoes de cada uma dessas entidades, nada mais ou alem é necessario, pois, usar estes amuletos vai lhe trazer contato com essas entidades, seja através da conjuração do aforismo 21 seja através de sonhos, onde voce poderá conversar com estas entidades diretamente, conforme o 26.

  1. Posso chamar as entidades fora dos seus dias e horarios estipulados para elas?

Resposta: poder chamar voce pode, o que virá no entando, cabe como ensina o proprio livro, ser julgado pelo seu entendimento do que são as forças demoniacas ou celestiais.

  1. Preciso fazer banimentos?

 

Resposta: não é obrigatorio, contudo sim é aconselhado fazer algum tipo de limpeza espiritual com regularidade, se voce souber como realizar o ritual de invocação das forças planetarias com o ritual maior do hexagrama poderia ser interessante, faça pesquisas e descubra qual ritual de banimento melhor se adequa para voce!

  1. Como posso saber quais os dias e horarios para usando os medalhoes dos espiritos olimpicos possa fazer o que ensina o aforismo 21 para fazer meus pedidos a estas forças olimpicas?

Resposta: olhe as tabelas a seguir:

Dia Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sáb
Planeta Sol Lua Mar Mer Júp Vên Sat
Espirito Och Phul Phalec Ophiel Bethor Hadit Aratron

 

  Dom Seg Ter Qua Qui sex sab Hr
Horas do dia Sol Lua Mar Mer Júp Vên Sat 1
Vên Sat Sol Lua Mar Mer Júp 2
Mer Júp Vên Sat Sol Lua Mar 3
Lua Mar Mer Júp Vên Sat Sol 4
Sat Sol Lua Mar Mer Júp Vên 5
Júp Vên Sat Sol Lua Mar Mer 6
Mar Mer Júp Vên Sat Sol Lua 7
Sol Lua Mar Mer Júp Vên Sat 8
Vên Sat Sol Lua Mar Mer Júp 9
Mer Júp Vên Sat Sol Lua Mar 10
Lua Mar Mer Júp Vên Sat Sol 11
Sat Sol Lua Mar Mer Júp Vên 12

 

  Dom Seg Ter Qua Qui sex sab Hr
Horas da noite Júp Vên Sat Sol Lua Mar Mer 1
Mar Mer Júp Vên Sat Sol Lua 2
Sol Lua Mar Mer Júp Vên Sat 3
Vên Sat Sol Lua Mar Mer Júp 4
Mer Júp Vên Sat Sol Lua Mar 5
Lua Mar Mer Júp Vên Sat Sol 6
Sat Sol Lua Mar Mer Júp Vên 7
Júp Vên Sat Sol Lua Mar Mer 8
Mar Mer Júp Vên Sat Sol Lua 9
Sol Lua Mar Mer Júp Vên Sat 10
Vên Sat Sol Lua Mar Mer Júp 11
Mer Júp Vên Sat Sol Lua Mar 12
  1. Preciso de um circulo magico e um altar?

Resposta: Não para ambos, pois estes espiritos não são perigosos e não é necessario altar ou circulo para o ritual, mas caso se sinta confortavel em utilizar tais implemetos, fique a vontade, contudo não é canonico neste grimorio.

 

 Textos usados

  • Primeira Impressão Original, Basiléia, 1575 (Biblioteca Yale Beinecke)
  • Primeira Impressão Original, Basiléia, 1575 (Biblioteca Britânica)
  • C. Rooks, Londres, 1665 (Biblioteca Oxford Bodleian)
  • Publicação Desconhecida, Londres, Londres, 1655 (Biblioteca da Universidade de Harvard)
  • C. para J. Harrison, Londres, 1655 (Biblioteca do Congresso)
  • Leipzig Cod.Mag. 55

Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Arbatel da Magia (pdf)

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/a-magia-de-arbatel/

A formação do Ghur na Alquimia

Jean Dubuis

Excerto do Curso Prático de Espagiria

Na maioria dos textos herméticos, as frases importantes são muitas vezes afogadas em longas dissertações ou em alegorias simbólicas. O texto a seguir foi retirado de um antigo livro hermético do qual removemos todos os termos obscuros desnecessários:

Como já vimos, cadáveres não podem ser usados ​​na Alquimia. É por isso que os metais comuns são inutilizáveis; apenas sais metálicos vivos podem ser usados ​​para trabalhar no reino mineral.

Como na Alquimia imitamos a Natureza, vamos examinar o processo criativo. Na Natureza, tudo vem de um único princípio que opera todas as gerações e todas as dissoluções.

A natureza é a mãe de todos os seres que compõem este mundo visível e do princípio invisível que os anima e que, embora distinto de Deus, dele emana.

Deus trouxe a Natureza do nada em virtude de sua Palavra, que gerou um vapor sem forma e sutil no qual Ele imprimiu um Espírito de força e poder.

O Vapor se transformou em uma Água que os filósofos chamaram de Caótica Universal: o CAOS. É desta água que se forma o Universo.

A água cósmica é dupla, a água universal visível, o espírito invisível inerente a ela. Duas coisas em uma.

A água sem o Espírito não teria forma. O Espírito sem água não teria como agir.

Todas as coisas derivam sua existência dessa mesma raiz e, portanto, tudo pode ser reduzido a ela.

É por isso que os filósofos dizem:

“Nossa matéria está em todas as coisas, mas não é a mesma em quantidade nem em qualidade em todas as coisas”.

A água cristalina e pura da origem é passiva, mas, sob a ação do Espírito ativo, apodrece. Assim as partes sutis e as partes grosseiras são formadas.

O mais sutil forma o Céu ou Fogo, o menos sutil o Ar, mais grosseiro, a Água e finalmente a Terra.

Esses quatro elementos diferem uns dos outros apenas em seu grau de fixidez e sutileza. Mas a dupla água caótica torna-se quádrupla pela separação dos elementos.

Cada elemento produz continuamente em seu centro uma semente semelhante a si mesma.

Da união dessas sementes nasce uma água caótica com a mesma natureza da água caótica primordial.

Essa água caótica garante a geração, a conservação e a destruição de todas as coisas criadas. Essa água gerada pelos elementos é chamada: Semente Universal, Alma e Espírito do Mundo. Ela é o espírito universal não especificado tornado visível como água: é o ARQUEUS da Natureza.

O Espírito Animador causa emanações:

  • vindo de cima, essas são as influências,
  • vindo de baixo, são as exalações.

As emanações do Espírito causadas por uma semente particular engendrada em reunião com a Semente Universal. Fogo com Ar, Água com Terra e esses dois compostos se unem como masculino e feminino.

Você não pode ir de um extremo ao outro sem passar pelo meio. A união dos elementos fixa o volátil se temos Fogo com Ar, depois com Água, depois com Terra.

A união dos elementos volatiliza a Terra fixa se temos a Terra com Água, depois com Ar, depois com Fogo.

Cada elemento tem três graus intermediários, muito sutil, sutil, não muito sutil, ou Enxofre, Mercúrio e Sal .

A Semente do Universo é formada a partir das emanações do Céu, do Ar, da Água, da Terra, pela degradação desses elementos em sua matéria-prima.

Seus elementos são homogêneos sendo constituídos apenas de Água Caótica e Espírito.

A Terra é um Céu fixo, o Céu é uma Terra volátil, o Ar é uma Água rarefeita, a Água é um Ar condensado. O elemento mais sutil é também o mais móvel, é ele quem transmite movimento aos outros.

Aconselhamos a reler e meditar sobre esta parte filosófica antes de empreender a destilação dos elementos ou experiências com o GUR.

Tradução: Thiago Tamosauskas

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alquimia/a-formacao-do-ghur-na-alquimia/

A Geometria Sagrada

Peter J. Carroll

A medida que a fé dava lugar a razão durante o Iluminismo os humanos começaram a deduzir as relações entre certos padrões matemáticos e a natureza. É claro que um certo gosto estético por simetria e proporção já existisse a milênios como testemunha a extraordinária precisão das Pirâmides, do Stonehenge e de toda a Arquitetura Clássica por exemplo. A escola platônica de filosofia teve uma forte compreensão intuitiva da ideia de que a geometria permeia a estrutura da natureza, embora confiasse muito na sua teoria e não o suficiente nas medições propriamente ditas.

Os sábios e arautos do Iluminismo escolheram seus símbolos com sutileza. Não fosse assim os conceitos do Arianismo (que via Cristo como não-divino, mas apenas como um ser humano iluminado) ou simplesmente Ateismo, teria tido muito mais problemas do que teve. Assim, eles adotaram uma posição que substituiu o louco e caprichoso Deus bíblico pelo Arquiteto do Universo, uma espécie bem mais razoável de criatura cujos trabalhos eram mais favoráveis a compreensão racional. Desta idéia se desenvolveu a Maçonaria para promover os ideais iluministas sob vários graus de sigilo e ofuscamento dependendo das circunstâncias. Originalmente havia nela fortes correntes anti-monárquicas e anti-clericais (particularmente Anti-católicas) , mas esta tendência mudou com o tempo. Tornou-se um tanto supérflua a partir da ascensão da Ciência no mundo ocidentalizado, desde então tornou-se um mero clube social, as vezes um um pouco corrupto.

Curiosamente, assim que o Iluminismo começou a Geometria foi substituída pela Álgebra. Mas Álgebra pode ser entendida como Geometria sem os diagramas o que lhe dá liberdade de fazer geometria para quantas dimensões você quiser. Os antigos Egípcios parecem terem conhecido o teorema de Pitágoras na medida em que eles podiam construir um ângulo reto estendendo uma corda com nós para fazer um triângulo na proporção de 5x4x3. No entanto foram necessários os Gregos para descobrir que o quadrado da hipotenusa é igual ao quadrado dos outros dois lados de qualquer triângulo retângulo. Surpreendentemente Issac Newton, uma das maiores figuras do iluminismo descobriu que o movimento planetário funciona completamente segundo a geometria, usando medidas cuidadosamente recolhidas e estudando seus terrivelmente complicados diagramas ele destilou todas estas informações e uma elegante forma algébrica F = Gm1m2/r^2. Apesar da notação algébrica esta continua a ser, como todas as equações algébricas, uma relação essencialmente geométrica.

Hoje quando a mente moderna olha paras as maravilhas da arquitetura e dos simbolos do mundo antigo, ela discerne dentro de pelo menos alguns deles uma codificação geométrica para muitos dos fenômenos do mundo natural. Alguns possuem alinhamentos precisos com eventos celestes, outros porporções curiosas como a Medida Áurea que reflete as relações geométricas que ocorrem naturalmente nas formas biológicas e em símbolos como o pentagrama e a espiral.

Talvez nós não devessemos ficar muito animados com estas relações sagradas ou secretas e deixar a nossa apofenia correr solta. Afinal, parece que, assim como somos macacos fazedores de ferramentas e macacos sociais que falam, nós também temos uma carreira evolutiva como macacos reconhecedores de padrões.

Entretanto vamos continuar com nossos conceitos de geometria sagrada por enquanto para ver até onde chegamos, pois tantas vezes no passado o ocultismo abriu as portas por onde a ciência passou.

Uma geometria realmente sagrada deveria nos mostrar as proporções e relações inerentes a todo macrocosmo e microcosmo, a verdadeira substancia do universo.

Pode tal coisa existir?

Eu suspeito fortemente que sim, e nós já temos uma boa parte dela pronta, embora não a reconheçamos como tal. Boa parte dela aparece hoje como álgebra em vez de geometria; entretanto a álgebra reflete basicamente a estrutura geométrica da realidade.

Tentativas anteriores de extrair do microcosmo e do macrocosmo uma geometria sagrada, tal como foi a Árvore da Vida cabalistica ou o pensamento de Ramon Lull (autor do Liber Chaos original!) sofrem pela falta de bons dados de observacionais e de contaminação com panacéias teológicas.

Dados macrocosmicos começam com Newton e se expandem magnificamente com Einstein.

Einstein desenvolveu as bases das relações geométricas entre tempo e espaço, e entre massa e energia, e apresentado como a resultado o que ele chamou de Teoria Especial da Relatividade. Estes fundamentos existem basicamente como relações geométricas entre um fenômeno e outro.

Em seguida, ele foi além e desenvolveu a relatividade geral para incluir os efeitos da aceleração e da gravidade. A Relatividade Geral descreve o macrocosmo em termos exclusivamente geométricos:

Espaço / Curvatura do tempo = Massa / densidade da energia

Assim o que percebemos como matéria na verdade consiste em uma curvatura do tempo e do espaço e o que percebemos como gravidade na verdade consiste em um efeito da curvatura da matéria.

Embora se possa extrair os diagramas para representar a álgebra da Relatividade Especial como geometria no papel, nós precisaríamos de papel multidimensional para fazer isso com a Relatividade Geral, de modo que geralmente temos que deixá-la como álgebra.

Agora, em contraste com muitos outros físicos rebeldes de hoje eu não acho que Einstein tenha errado, ele acertou em cheio. Entretanto eu acho que muito mais vai surgir para expandir seus insights, em particular eu suspeito que:

6D Espaço/Curvatura dos tempo = 6D Carga/Densidade dos Spins

Quando Einstein intuiu e calculou a geometria do espaço/tempo e da gravitação nós tinhamos apenas um entendimento embrionário da física de particulas, o microcosmo, e ele não pode incluir seu pensamento em uma grande teoria unificada, embora tenha tentado fortemente fazer isso.

A teoria da física de partículas do microcosmo decolou desde então em direções completamente diferentes do modelo geométrico do macrocosmo. Ela depende da idéia do “Quanta” (bits de tamanho mínimo e indivisível realidade). Na física quântica blocos fundamentais de construção da realidade ocorrem como pontos sem dimensões com distribuição probabilística ondulatória no espaço/tempo, assim não podem ter uma descrição geométrica apropriada. Embora a teoria quântica forneça previsões que batem com os dados observados, Einstein considerava que ela continha uma profunda falha metafísica.

Eu suspeito que um modelo geométrico da física quântica requer 6 dimensões, três de espaço e três de tempo, ao invés do modelo de três dimensões espaciais e uma dimensão temporal com as quais tanto a relatividade quando a física quântica atualmente trabalham.

No momento em que escrevo, a Relatividade Geral ainda provê nosso melhor entendimento sobre a gravidade, o que define a estrutura em larga escala do universo, mas a Física Quântica fornece a descrição oficial das outras 3 forças elementares da natureza: a eletromagnética, a força nuclear fraca e a força nuclear forte. No entanto a descrição quântica parece sugerir idéias muito estranhas e idéias metafísicas paradoxais enquanto que o Modelo Padrão da física de partículas permanece fenomenológica e falha em prover uma descrição mecanicista que contêm ainda muitas constantes aparentemente arbitrárias. A descrição da força nuclear forte continua particularmente enevoada. O modelo padrão claramente não consegue explicar a existência de 3 gerações de partículas de férmion, quarks, elétrons e neutrinos.

Após ter descrito três das quatro forças fundamentais, ainda que de modo imperfeito, com a física quântica, os físicos tem tentado trazer a gravidade para o mesmo terreno para criar uma Grande Teoria Unificada de todas as quatro, e a busca por uma teoria quântica da gravidade tem dominado a agenda de toda uma geração de físicos.

Uma teoria quântica da gravidade implicaria que Einsteins estava errado ao descrever a gravidade como uma curvatura do espaço/tempo e descreveria os campos gravitacionais como sendo mediados pela troca de particulas de gravidade. Ondas gravitacionais surgiriam da troca entre estas particulas virtuais. Ninguém até hoje conseguiu capturar uma destas particulas virtuais, teóricos meramente lançam a hipótese da sua existência para explicar os efeitos de campo.

A busca por uma teoria quantica da gravidade tem falhado em dar frutos, e todas as partículas necessárias para as suas várias versões, os gravitons, as particulas supersimétricas e os Bósons de Higgs tem falhado em aparecer nos experimentos.

No lugar de tentar tornar a gravidade quântica eu sugiro que devamos geometrisar o quanta. Em uma Geometria Quântica, particulas virtuais não existiriam, todos os campos surgiriam de várias curvaturas do espaço tempo. Vários artigos meus recentes são uma tentativa de mostrar que uma geometria quantica pode existir em um espaço de seus dimensões, três espaciais e três temporais. Eu suspeito que precisamos investigar a geometria do tempo mais profundamente para alcançarmos uma grande teoria unificada do todo.

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-geometria-sagrada/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-do-caos/a-geometria-sagrada/

Lançamento: A roda dos deuses

As Edições Textos para Reflexão trazem mais um presente a todos os fiéis leitores do nosso blog, assim como a todos que um dia também virão refletir conosco. Afinal, a luz foi criada para ser refletida!

“Textos para Reflexão é um blog que fala sobre filosofia, ciência e espiritualidade. Este é o segundo volume da série O Livro da Reflexão, que pretende ser uma coletânea dos melhores textos do blog. Nesta edição pretendo abordar a mitologia, a espiritualidade e a magia, todas elas temas recorrentes em minhas reflexões.”

Um livro digital disponível para download gratuito em diversos formatos (exceto na Amazon, onde custa o valor mínimo permitido pela loja):

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#RafaelArrais #Espiritualidade #Mitologia #Magia #eBooks

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/lan%C3%A7amento-a-roda-dos-deuses

Sagrado mesmo…

Não há como negar que há uma crise por todos os lugares. E são os lugares que estão sendo repensados. A ética está sendo colocada em xeque. A moral a muito já desencarnou dos lugares aonde estamos. A crise financeira vista como a razão de todos os nossos problemas atuais é de longe o real motivo disso tudo.  O grande problema mesmo é acreditar.

Os seres humanos parecem necessitar de algo além de si mesmos para permanecerem de pé. Parece que todos precisam continuamente relembra-se de que há algo, por mais improvável que seja, além deles mesmos. Uns se prendem à moral, outros à ética, outros à sua fé.  Claro que não só isso é parte da função, mas são fatores essenciais do contexto de ser.

Independente dessas análises a crise continuará adiante. Ela é paradigmática. Não mudará facilmente enquanto não mudarmos todos ao mesmo tempo. Saber como isso ocorrerá é uma problemática maior do que podemos abarcar. Contudo o sopro apocalíptico é uma realidade, queiramos ou não. Não aquele hollywoodiano com o qual o resultado é a morte da vida na terra e do universo, não! Este é um sonho louco das pessoas sem esperança. O fator apocalíptico é bem diferente. Os quatro cavaleiros estão mais do que já materializados desde que fora “permitido” a todos envergonhar-se, matar, para obter lucros. Essa vergonha é mais velha que o cristo. Acredito que a verdadeira fala de Jesus na cruz fora esta: Pai, perdoai-os! Eles até sabem o que fazem. Mas o brilho do ouro lhes tirará suas parcas visões.

O fim já começou com um novo e longo começo. Este fim é a 17ª carta e é feita de ilusões. Enquanto for permitido enganar para crescer, usurpar para poder obter, decidir entre vida e morte para controlar nada será diferente. Esse paradigma é quase que um destino imutável. Foi aninhado na mente e alma de todos os seres humanos desde que ele se permitiu acreditar em si mesmo por intermédio do medo. A religião algum dia pode ter sido ética e verdadeira. Hoje isso não passa de um mero mito. A religião está com as pernas fracas. Ela cairá de joelhos pedindo perdão, mas será exterminada com a mesma voracidade que ela ensinou a todos ter. Ela será massacrada por seus fieis esfomeados. E a guerra, encarnação do demônio, que ela mesma gerou, publicará nos autos milhares de baixas.

Já não somos inocentes. O mudo já conhece o cheiro pútrido dos campos de batalha. Esse é o bafo do demônio que tanto a religião invocou. Deus nunca teve razão para ter inimigos, mesmo assim ela fez todos acreditarem nisso. Acreditarem que a única maneira de controlar é emburrecer seus fieis e amedronta-los diariamente com a promessa do inferno. Chegamos a um ponto de afirmar desejar mais o inferno do que o céu plácido feito de mentira. A religião há muito perdeu a chance de limpar suas mãos… O que escolheu todos sabem.

E não é por acaso que me prendo à religião para desenvolver este texto. Bem sei que ética e moral, como a própria religião, em si mesmas não são as devidas culpadas. A culpa é somente do ato de crer. Crer sem comprovação: fé. A fé deveria ser extinta. Ela institucionalizou a estupidez e a fraqueza. No momento que implico que para acreditar em Deus é preciso fé (crer sem comprovação) eu cometo dois enganos: primeiro que esse Deus de fato não existe e que tudo dito em seu nome não o fora. Se existisse, para que temer comprová-lo? Esse Deus ai é bem diferente da realidade. A realidade é que Deus não precisa ser provado por que este já se prova por suas criaturas. E esse livro que empunham dizendo ser d’Ele, nada mais é do que um manual da Grande Besta; segundo em acreditar no comércio das almas feitas pelas grandes multinacionais chamadas igrejas!

Isso em si é muito simples e com pouco esforço pode ser compreendido, mas então por que não ocorre? Por isso me prendi à religião. O ser humano teme, achando que Deus se importa com o que pensamos. Nós fomos feitos para isso mesmo, para errar e acertar e Deus em momento algum perde seu tempo medindo nossos passos. Pois se assim o fosse não teríamos pernas nem braços, seríamos ainda puras e simples amebas se engolindo e se regurgitando diariamente.

E os videntes compreenderam isso antes do tempo. Avisaram os líderes das nações e das religiões. Mas estes só pensaram no brilho do outro, do ouro da coroa do demônio que eles mesmos pariram. A religião, até tirar a beleza do parto e do sangue que escorre na dor deste ato das mulheres, ela assim o fez. Transformou todos os homens em frouxos e as mulheres em pessoas envergonhadas de sua natureza quando criaram uma Maria que gera filhos sem sexo, um filho sem sangue. Um filho que quando diz que todos nós somos filhos de Deus, não conseguimos chama-lo de irmão. Visto que nossas mães choraram e sangraram e se felicitaram no coito.

Ela, a religião, criou um panteão de aliens! Ela gerou uma nação de sem pais. Ela criou mulheres sem ventre e homens sem espírito. Ela corroeu nossa santidade ao dizer para nós: não se preocupe! Nós intervimos por você, vá dormir tranquilo; e já não mais acordamos cedo e nem mais Deus nos ajuda. E assim vemos lideres religiosos brigando por posições na política em lugares, cadeiras que estes nem de longe pertencem. O peso desse ato é muito maior do que uma revolta na internet. Esse ato pesa na consciência de toda a humanidade. As cadeiras foram feitas para serem usadas por pessoas dignas de sua magnitude. E quando quem as usa não possui alma, as pernas não tardarão em partirem-se, categoricamente, uma a uma. E assim veremos que quando os falsos profetas chegarem ao poder, a única forma de salvar a plantação será envenenando a todos.

Quando vejo que o preconceito é quem coordena um cargo que é feito para curar essa nossa mazela, vejo que não tardará para que de fato esse mundo que conhecemos seja encarado como morto. E cairão as paredes da estupidez. E quem as destruirá serão os demônios filhos desses partos alienígenas do qual todos nós fomos forçados a presenciar.

Sagrado mesmo é a vida humana. Que não precisa provar nada a ninguém.

Djaysel Pessôa

#fé #Religião

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/sagrado-mesmo

A submissão de Indra, o rei dos semideuses hindus

(Texto extraído em espanhol do livro Mitos de la luz: Metáforas orientales de lo eterno, de Joseph Campbell, o qual extraiu o texto de uma passagem do Brahmavaivarta Purana).

Permita-me contar uma história hindu.

Uma vez, um monstro chamado Vrtra tentou reter (seu nome significa “abrangendo”) todas as águas do universo para que houvesse uma enorme seca que durasse mil anos. Bem, Indra, o Zeus do panteão hindu, finalmente teve uma ideia. Por que não atirar um raio nesse cara e transformá-lo em pó? Então Indra pegou um raio, disparou em direção ao centro de Vrtra, e bang! Vrtra explode, as águas fluem e a Terra e o universo esfriam.

Bem, então Indra pensa: “Como sou grandioso”, então ele sobe a montanha cósmica, o Monte Meru, que é o Olimpo dos deuses hindus, e percebe que todos os palácios têm sinais de decadência. “Bem, agora vou construir uma cidade totalmente nova aqui, que faz jus à minha dignidade”, diz ele. Ele convoca Visvakarman, o artesão dos deuses, e conta a ele sobre seus planos.

Ele diz: “Olha, vamos trabalhar aqui e construir esta cidade. Acho que poderíamos ter palácios aqui e torres ali, plantas de lótus neste setor, etc.”

Então Visvakarman vai trabalhar, mas, toda vez que Indra volta, ele vem com ideias maiores e melhores sobre o palácio, de modo que Visvakarman começa a pensar: “Meu Deus, nós dois somos imortais, então o que posso fazer?”

Visvakarman decide ir reclamar perante Brahma, ou o assim chamado criador do mundo dos fenômenos. Brahma senta-se em um lótus (assim é seu trono), e Brahma e o lótus crescem do umbigo de Vishnu. Por sua vez, Vishnu está pairando sobre o oceano cósmico, reclinado sobre uma grande serpente cujo nome é Ananta (que significa “sem fim”).

Aqui está a cena. Nas águas, Vishnu dorme e Brahma está sentado no lótus. Visvakarman aparece e depois de muitas reverências diz: “Estou com problemas”. Ele então conta a história para Brahma, que responde: “Tudo bem. Vou consertar tudo”.

Na manhã seguinte, o porteiro da entrada de um dos palácios de Indra que estava em construção nota a presença de um jovem brâmane de pele azul e negra, cuja beleza surpreende muitas crianças. O porteiro procura Indra e diz: “Acho que seria auspicioso convidar este belo jovem brâmane para o palácio e dar-lhe hospitalidade.” Indra concorda que isso certamente será auspicioso, então o menino é convidado. Indra está sentado em seu trono e, após as cerimônias de hospitalidade, ele diz: “Bem, jovem, o que o traz ao palácio?”

Com uma voz como um trovão no horizonte, o menino diz: “Ouvi dizer que você está construindo o maior palácio que qualquer Indra já construiu, e agora que o verifiquei, posso lhe dizer que nenhum Indra jamais construiu tal palácio antes.”

Aturdido, Indra exclama: “Indras diante de mim? Do que você está falando?”

“Sim, Indras antes de você”, responde o menino. “Apenas pense, o lótus cresce do umbigo de Vishnu, o lótus se abre, e Brahma se senta nele. Brahma abre os olhos e o universo se manifesta, governado por um Indra. Fecha os seus olhos. Abre os seus olhos: outro universo. Fecha os seus olhos. .. e por trezentos e sessenta anos de Brahma, é isso que ele faz. Depois o lótus é removido, e após um tempo insondável outro lótus se abre, Brahma aparece, abre seus olhos, fecha seus olhos… Indras, Indras, Indras.”

“Considera agora todas as galáxias no espaço e no espaço exterior, cada um com um lótus, cada lótus com seu Brahma. Podem haver sábios em sua corte que se voluntariam para contar as gotas do oceano e os grãos de areia nas praias do mundo, mas quem contaria aqueles Brahmas, sem falar sequer dos Indras?

Enquanto ele fala, um desfile de formigas em fileiras perfeitas aparece no chão do palácio, e o menino olha para elas e ri. A barba de Indra se eriça, seus bigodes ficam tensos; ele pergunta: “E agora? Do que você está rindo?”

O menino responde: “Não me pergunte a menos que esteja preparado para ser ferido”.

Indra diz: “Eu pergunto”.

O menino aponta a sua mão para as filas de formigas e diz: “Aqui estão todos os Indras anteriores. Passarão por inúmeras encarnações e se elevam ao nível dos céus, chegam ao alto trono de Indra e matam o dragão Vrtra. Todos eles proclamam: ‘Como sou grandioso’, e então caem.

A esta altura, aparece um iogue velho e excêntrico vestido somente com um cinto, e que carrega sobre a sua cabeça um guarda-sol feito
com folhas de bananeira. Sobre seu peito tem um pequeno círculo de
cabelos, e o jovem olha para ele e faz as perguntas que fervilham na mente de Indra. ” Quem é? Qual é o seu nome? Onde vive? Onde é sua casa?

“Não tenho família, não tenho casa. A vida é curta. Este guarda-sol é suficiente para mim. Apenas adoro Vishnu. Quanto a esses pêlos, é uma coisa curiosa; cada vez que um Indra morre, um fio de cabelo cai. Metade deles já foi embora. Muito em breve todos eles irão embora. Por que construir uma casa?”

Bem, esses dois personagens eram na verdade Vishnu e Shiva. Tinham vindo para dar uma lição a Indra, e uma vez que ele os escutou, partiram. Agora Indra está destroçado, e quando entra Brhaspati, o sacerdote dos deuses, Indra diz: “Eu sairei para me tornar um iogue. Eu adorarei os pés de Vishnu.”

Então ele vai ao encontro de sua esposa, a grande rainha Indrani, e diz a ela: “Minha querida, vou deixá-la. Eu irei para a floresta para me tornar um iogue. Vou jogar fora toda essa bobagem sobre governar o mundo e vou adorar os pés de Vishnu.”

Bem, ela olha para ele por um tempo, então ela procura por Brhaspati e
conta a ele o que aconteceu. “Ele colocou essa ideia na cabeça e vai
partir para se tornar um iogue.”

Então o sacerdote a pega pela mão e eles vão se sentar juntos, diante do trono de Indra, a quem ele diz: “Você está no trono do universo. Você representa virtude e dever -dharma- e incorpora o espírito divino neste papel terreno. Já escrevi um ótimo livro para você sobre sobre a arte da política, como manter o Estado, vencer guerras, e assim por diante. Agora vou escrever para você um livro sobre a arte de amar, para que o outro aspecto de sua vida, que você compartilha com Indrani, também
também tornar-se uma revelação do espírito divino que habita em todos nós. Qualquer um pode se tornar um iogue, mas, quem pode representar na vida do mundo a imanência desse mistério da eternidade?”

Assim Indra foi salvo do problema de abandonar tudo e tornar-se um iogue. Agora ele tinha tudo dentro dele, assim como todos nós. Tudo que você tem a fazer é acordar para o fato
que você é uma manifestação do eterno.

Este conto, conhecido como “Submissão de Indra”, aparece no Brahmavaivarta Purana. Os Puranas são textos sagrados do Índia, por volta do ano 400 desta era.

O surpreendente sobre a mitologia hindu é que ela abrange o universo em que estamos falando, com os grandes ciclos de vidas estelares, as galáxias, as galáxias além das galáxias, e o aparecimento e desaparecimento da universos. Isso dilui a força do momento presente.

Quanto a todos os nossos medos sobre bombas atômicas que pulverizam o universo, o que há com isso? Antes já houveram universos
e mais universos, cada um deles explodido por uma bomba atômica. Então identifique-se agora com o eterno que está dentro de você
e dentro de todas as coisas. Isso não significa que você quer ver cair
uma bomba atômica, e sim que você não deve parar de perder seu tempo se preocupando com ela.

Uma das grandes tentações do Buda foi a tentação de luxúria. A outra tentação era o medo da morte. Este é um tema interessante para meditar, o medo da morte. A vida nos joga essas tentações, essas distrações, e o problema é encontrar dentro de nós o centro inabalável. Então você pode sobreviver a qualquer coisa. O mito irá ajudá-lo a fazê-lo. Isso não significa que você não deve sair e protestar contra as pesquisas atômicas. Faça-o, mas faça-o brincando. Lembre-se que o universo é o jogo de Deus.

***

Tradução e adaptação do espanhol para o português por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/yoga-fire/a-submissao-de-indra-o-rei-dos-semideuses-hindus/