Olimpo

Viviam eternamente em um local que chamavam de Olimpo, primitivamente localizada no alto do Monte Olimpo, na Tessália. Logo, porém, passou a ser situada entre as nuvens, em algum misterioso lugar do céu, e a palavra “Olimpo” tornou-se uma verdadeira abstração. No Olimpo, os deuses passavam o tempo em maravilhosos palácios, eternamente em festa. Comiam a ambrosia e bebiam o néctar, alimentos exclusivamente divinos, ao som da lira de Apolo, do canto das Musas e da dança das Cárites. Os ventos, a chuva ou a neve não perturbavam a placidez e a tranquilidade dos deuses eternos e bem-aventurados… as perturbações decorriam, via de regra, de sua teimosia em interagir com os mortais e se imiscuir constantemente nos assuntos humanos.

– Bernardo Gregorio

#Mitologia #MitologiaGrega

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Rituais Egípcios

Texto de Helena Petrovna Blavatsky, Ísis Sem Véu

“No Ritual Funerário dos egípcios, encontrado entre os hinos do Livro dos Mortos, e que é chamado por Bunsen de “esse livro precioso e misterioso”, lemos um discurso do defunto, agora sob a forma de Hórus, que detalha tudo e que ele realizou para seu pai Osíris. Entre outras coisas, a divindade diz:

“30 Dei-vos Espírito.

31 Dei-vos Alma.

32 Dei-vos poder.

33 Dei-vos [força]”.

Em outro lugar, a entidade, chamada de “Pai” pela alma desencarnada, representa o “espírito” do homem; pois o versículo diz: “Fiz minha alma falar com seu Pai”, seu Espírito.

Os egípcios consideravam o seu Ritual como uma inspiração essencialmente Divina; em síntese, o mesmo que os hindus modernos em relação aos Vedas e os judeus modernos quanto aos livros mosaicos. Bunsen e Lepsius mostram que o termo hermético significa inspirado, porque é Thoth, a própria Divindade, que fala e revela ao seu eleito entre os homens a vontade de Deus e os arcanos das coisas divinas. Nesses livros há passagens inteiras que se diz terem sido “escritas pelo próprio dedo de Thoth, são obras e composição do grande Deus”. “Num período posterior, o seu caráter hermético ainda é mais distintamente reconhecido e, num ataúde da 26º Dinastia, Hórus anuncia ao morto que ‘o próprio Thoth lhe trouxe os livros das suas obras divinas’, ou escritos herméticos”.

Dado que sabemos que Moisés era um sacerdote egípcio, ou pelo menos ele era versado em toda a sua sabedoria, não devemos nos espantar que ele escrevesse no Deuteronômio (IX, 10) que “E o Senhor me entregou duas tábuas de pedra escritas pelo dedo de DEUS”; ou que leiamos no Êxodo, XXXI, 18 que “E Ele [o Senhor] deu a Moisés (…) duas tábuas do testamento, tábuas de pedra, escrita pelo dedo de Deus”.

Nas noções egípcias, como nas de todas as outras fés fundamentais na filosofia, o homem não era apenas, como afirmam os cristãos uma união de alma e corpo; ele era uma trindade de que o espírito fazia parte. Além disso, aquela doutrina o considerava composto de kha – corpo; khaba – forma astral, ou sombra; ka – alma animal ou princípio vital; ba – a alma superior; e akh – inteligência terrestre. Havia ainda um sexto princípio chamado sha – ou múmia; mas as suas funções só tinham início após a morte do corpo. Após a devida purificação, durante a qual a alma, separada do seu corpo, visitava com freqüência o cadáver mumificado do seu corpo físico, essa alma astral “tornava-se um Deus”, pois ela era finalmente absorvida na Alma do mundo”. Transformava-se numa das divindades criadoras, “o deus do Phtah”, o Demiurgo, um nome genérico para os criadores do mundo, traduzido na Bíblia como Elohim.

No Ritual, a alma boa ou purificada, “em conjunto com seu espírito superior ou não-criado”, é mais ou menos a vítima da influência tenebrosa do dragão Apophis. Se chegou ao conhecimento final dos mistérios celestiais e infernais – a gnoses, isto é, reunião completa com o espírito -, ela triunfará dos seus inimigos; se não, a alma não pode escapar à sua segunda morte. Essa morte é a dissolução gradual da forma astral nos seus elementos primários, aos quais já aludimos diversas vezes ao longo desta obra. Mas essa sorte terrível pode ser evitada pelo conhecimento do “Nome Misterioso” – a “Palavra”, dizem os cabalistas.

Mas, então qual a pena vinculada à negligência do seu conhecimento? Quando um homem leva uma vida naturalmente pura e virtuosa, não há castigo algum, exceto uma permanência no mundo dos espíritos até que se encontre suficientemente purificado para recebê-la do seu “Senhor” Espiritual, um da Hoste poderosa. Por outro lado, se a “alma” *, enquanto um princípio semi-animal queda-se imóvel e cresce inconsciente de sua metade subjetiva – o Senhor – e proporcionalmente ao desenvolvimento sensual do cérebro e dos nervos, ela mais cedo ou mais tarde se esquecerá da sua missão divina na Terra. Como o Vurdalak, ou Vampiro, do conto sérvio, o cérebro se alimenta e vive e se fortifica às expensas do seu parente espiritual. Então, a alma já semi-inconsciente, agora completamente embriagada pelos vapores da vida terrena, perde os sentidos e a esperança de redenção. É incapaz de vislumbrar o esplendor do espírito superior, de ouvir as admoestações do “Anjo guardião” e de seu “Deus”.

Ela só pretende o desenvolvimento e uma compreensão mais completa da vida natural, terrena; e, assim, só pode descobri os mistérios da natureza física. Suas penas e seus temores, sua esperança e sua alegria – tudo isso está estritamente ligado à sua existência terrestre. Ela ignora tudo o que pode ser demostrado pelos órgãos de ação ou sensação. Começa por se tornar virtualmente morta; morre completamente. Está aniquilada. Tal catástrofe pode ocorrer, muitas vezes, muitos anos antes da separação final do princípio vital do corpo. Quando chega a morte, seu férreo e perigoso domínio se debate com a vida; mas há mais alma a liberar.

A única essência dessa última já foi absorvida pelo sistema vital do homem físico. A morte implacável libera apenas um cadáver espiritual; no melhor dos casos, um idiota. Incapaz de se elevar para regiões mais altas ou de despertar da letargia, ela se dissolve rapidamente nos elementos da atmosfera terrestre.

Os videntes, homens corretos que lograram a ciência mais elevada do homem interior e do conhecimento da verdade, têm, como Marco Antônio, recebido instruções “dos deuses”, em sonhos ou por outros meios. Auxiliados pelos espíritos mais puros, aqueles que moram nas “regiões da bem-aventurança eterna”, eles observam o processo e advertiram repetidamente a Humanidade.

O ceticismo pode provocar com zombarias; a fé, baseada no conhecimento e na ciência espiritual, acredita e afirma. No século atravessamos amiúdam-se os casos dessas mortes de almas. A todo momento tropeçamos com homens e mulheres desalmados. Não é estranho, portanto, no presente estado de coisas, o gigantesco fracasso dos últimos esforços de Hegel e Schelling no sentido de elaborar a construção metafísica de um sistema. Quando os fatos, palpáveis e tangíveis do Espiritismo fenomenal, acontecem todo o dia e a toda hora e, não obstante, são negados pela maior parte das nações “civilizadas”, existe pouca chance para a aceitação de uma metafísica puramente abstrata por parte dessa massa sempre crescente de materialistas.”

#Teosofia

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‘Iniciação ao Hermetismo

Franz Bardon

O caminho para se tornar um verdadeiro adepto

Dedico esta obra em afetuosa amizade à minha fiel colaboradora e querida aluna, senhora Otti V.

Não há dúvida de que todo aquele que se preocupa com o verdadeiro conhecimento já buscou em vão, durante anos, ou até por toda a sua vida, um método confiável de aprendizado com o qual pudesse realizar seu maior desejo, o de encontrar o caminho da plenitude. A ânsia por esse objetivo tão elevado provavelmente estimulou-o a colecionar os melhores livros a obras sobre o assun­to, mas que na maioria das vezes só continham palavras bonitas e cheias de promessas, a deixavam muito a desejar na prática real. Com todos esses métodos reunidos ao longo do tempo o buscador provavelmente não conseguiu a orientação desejada, e o objetivo visado começou a afastar-se cada vez mais. Mesmo quando alguém, seguindo essa ou aquela orientação, começava a trabalhar na própria evolução, o seu esforço e a sua boa vontade não apresentavam resultados satisfatórios; além disso ninguém poderia responder-the a dúvida, sempre presente, se justamente aquele caminho por ele escolhido seria de fato o caminho correto para a sua individualidade.

A Providência Divina veio ajudar todos esses buscadores pacientes a sinceros, a viu que justamente agora seria o momento de delegar a um de seus escolhidos a missão de oferecer a essa humanidade, ansiosa pela verdade divina, os conhecimentos ad­quiridos a testados por esse eleito numa prática de longos anos em todos os âmbitos da “mais elevada sabedoria” a compilados numa obra universal.

Essa tarefa de concretizar os preceitos da Providência Divina foi encarada pelo autor como um dever sagrado, a com a consci­ência tranqüila, ele publica na presente obra seus conhecimentos teóricos a práticos, sem ambicionar a fama e o reconhecimento. Mas ele sabe que foi uma grande bênção da Providência ter tido, no Oriente, os maiores iniciados do mundo como seus mestres e professores.

O estilo simples desta obra, escolhido propositalmente, pos­sibilita a todas as pessoas buscadoras da verdade de qualquer ida­de a profissão a começar de imediato o trabalho prazeiroso de buscar a própria plenitude a alcançar o seu objetivo, ou seja, a unidade com Deus.

Assim como a Providência quis que esta obra fosse escrita e publicada, também deixamos a seu encargo que ela se tornasse disponível a todas as pessoas que têm o desejo firme de trabalhar na própria elevação espiritual usando métodos confiáveis. Sem qualquer exagero podemos dizer, com razão, que há muito tempo esta é a primeira vez que uma obra tão completa é publicada.

Otti Votavova

Teoria Hermética

Onde os seguintes assuntos são tratados:

– Sobre os Elementos
– O Princípio do Fogo
– O Princípio da Água
– O Princípio do Ar
– O Princípio da Terra
– A Luz
– O Akasha, ou o Princípio Etérico
– Karma, a Lei de Causa a Efeito
– O Corpo Humano
–  Dieta
– Polaridade
– O Plano Material Denso ou o Mundo Material Denso
– A Alma ou o Corpo Astral
– O Plano Astral
– O Espírito
– O Plano Mental
– Verdade
– Religião
– Deus
– Ascese

Prática Hermética

Onde os seguintes assuntos são tratados:

– Controle do Pensamento
– Disciplina do Pensamento
– Domínio do Pensamento
– Introspecção ou Auto-Conhecimento
– O Corpo Material ou Carnal
– O Mistério da Respiração
– Assimilação Consciente de Nutrientes
– A Magia da Água

Onde os seguintes assuntos são tratados:

– Auto-Sugestão ou o Mistério do Subconsciente
– Exercícios de Concentração
– Equilíbrio Mágico-Astral ou dos Elementos
– Transformação do Caráter ou Enobrecimento da Alma
– Respiração Consciente pelos Poros
– O Domínio do Corpo na Vida Prática

Onde os seguintes assuntos são tratados:

– Concentração do pensamento em duas ou três idéias simultaneamente
– Concentração do pensamento em objetos, paisagens e lugares
– Concentração do pensamento em animais e pessoas
– Respiração dos Elementos no Corpo Inteiro
– Represamento da Energia Vital
– Impregnação de Ambientes
– Biomagnetismo

Onde os seguintes assuntos são tratados:

– Transposição da Consciência em objetos
– Transposição da Consciência em animais
– Transposição da Consciência em pessoas
– Represamento dos Elementos nas Diversas Partes do Corpo
– Rituais e as Possibilidades de sua Aplicação Prática

Onde os seguintes assuntos são tratados:

– Magia em Ambientes
– Projeção dos Elementos para o Exterior
– Projeção Externa sem passar pelo Corpo
– Preparação para o Manuseio Passivo do Invisível
– Manuseio Passivo com o próprio espírito protetor
– Manuseio Passivo como os mortos e outros seres

 

Onde os seguintes assuntos são tratados:

– Meditação Sobre o Próprio Espírito
– Conscientização dos Sentidos no Espírito
– Preparação para o Domínio do Princípio do Akasha
– Provocação Consciente de Estados de Transe Através do akasha
– Ritual Individual Extraído do Akasha
– Reconhecimento Consciente de Seres de Diversos Tipos
– Espectros

Onde os seguintes assuntos são tratados:

– Análise do Espírito em Relação à Prática
– Desenvolvimento dos sentidos
– Clarividência
– Clariaudiência
– Sensitividade
– Geração ou Criação de Elementares
– Vitalização Mágica de Imagens

Onde os seguintes assuntos são tratados:

– Preparação para a Viagem Mental
– A Prática da Viagem Mental em ambientes fechados
– Viagem Mental em trajetos curtos
– Viagem Mental em visitas a conhecidos, parentes, etc.
– O Grande “Agora”
– Sem Apego ao Passado
– Perturbações de Concentração como Compasso do Equilíbrio Mágico
– O Domínio dos Fluidos Elétrico e Magnético
– Métodos Indutivos e Dedutivos
– Influência Mágica através dos Elementos
– Condensadores Fluídicos
– Condensadores Simples e Compostos
– Espelhos Mágicos

Onde os seguintes assuntos são tratados:

– Paralisia do Princípio do Fogo
– Paralisia do Princípio do Ar
– Paralisia do Princípio da Água
– Paralisia do Princípio da Terra
– A Prática da Clarividência com Espelhos Mágicos
– A visão através do tempo e do espaço
– A Separação Consciente do Corpo Astral do Corpo Material Denso
– A impregnação do corpo astral com as quatro características divinas básicas
– Tratamento de Doentes através do fluido Eletromagnético
– O Carregamento Mágico de Talismãs, amuletos e Pedras Preciosas
– Realização de Desejos através de Esferas Eletromagnéticas no Akasha

Onde os seguintes assuntos são tratados:

– Elevação do Espírito aos Planos mais Elevados
– Ligação Consciente com seu Deus Pessoal
– Relacionamento com as Divindades
– Métodos para a Obtenção de Capacidades Mágicas
– BRAHMA e SHAKTI
– Sugestão
– Telepatia
– Hipnose
– A Hipnose em Massa dos Faquires
– Leitura do Pensamento
– Psicometria
– Influência na Memória
– A Intervenção no Akasha
– Impregnação de Ambientes à Distância
– Mensagens pelo Ar
– A Exteriorização
– A Invisibilidade Mágica
– Práticas com Elementos
– Fenômenos de Levitação
– Fenômenos da Natureza
– O Poder sobre a Vida e a Morte

Postagem original feita no https://mortesubita.net/alta-magia/iniciacao-ao-hermetismo-magia-pratica/

Nix, a Deusa da Noite

A noite sempre foi o maior dos mistérios para o Ser Humano e seu maior medo. Qual criança nunca sentiu medo do escuro? Para mostrar que a noite não é algo tão ruim assim, os gregos antigos criaram um belo mito sobre a deusa Nix (que em grego quer dizer “noite”). Nix é uma deusa-mãe muito antiga que habita o espaço conhecido como “nível telúrico” (este espaço terrestre onde vivemos) ao lado de Heméra (o dia), Éter (os espaços aéreos) e Deméter (a Natureza).

Os gregos diziam que a luz é eterna e jamais se apaga nas alturas dos montes sagrados e dos céus. Porém, nós, os mortais, não conseguimos nos manter acordados todo o tempo, como fazem os deuses. Nós necessitamos de descanso… É exatamente por isso que diariamente no fim da tarde Nix, bondosa e cuidadosa para com seus filhos, os mortais, estende por sobre todo o mundo seu enorme manto de veludo azul-escuro: o manto de Nix. Este manto é noite que nos aquece, protege e propicia tranqüilidade e conforto para dormirmos em paz. De manhãzinha, a filha querida de Nix, Aurora, com seus belos dedos cor-de-rosa retira lentamente o manto de Nix e traz novamente a claridade ao mundo. No entanto, este manto está sendo usado há muito tempo e já está velho e puído. Durante a noite pode-se ver os pequenos furinhos que este manto tem e, através deles, perceber que por trás do veludo a luz brilha eternamente. Estes furinhos são as estrelas.

Há quem considere o povo grego como que um gênio que realizou o milagre do nascimento da Razão. Há quem pense, no entanto, que não há mais que um eterno retomar, sempre fundamentado na origem ocidental. Há quem considere que deste gênio, simplista, harmônico e luminoso, emergiu a Filosofia, como culminância de um povo. Há, no entanto, quem imagine que os gregos sempre estiveram imersos em guerras contínuas e em desespero, “dilaceramento trágico e desmedido, de tal forma que a Filosofia exprime a obscuridade do gênio helênico”. A Razão é então um libertar da obscuridade mítica, “libertado do mito, como as escaras caem dos olhos do cego”, ou seria ela tão-somente a continuação do próprio mito e da religião, como herdeira inevitável?

Oriente e Ocidente

Sobre o tema, introduz-nos Pessanha: “durante muito tempo o problema do começo histórico da Filosofia e da Ciência Teórica foi colocado em termos de relação Oriente-Grécia. Desde a própria antiguidade, confrontaram-se duas linhas de interpretação: a dos orientalistas, que reivindicaram para as antigas civilizações orientais a criação de uma sabedoria que os gregos teriam depois apenas herdado e desenvolvido; e a dos ocidentalistas, que viam na Grécia o berço da Filosofia e da Ciência Teórica. (…) As disputas continuariamindefinidamente em termos da relação empréstimo ou herança entre Oriente e Grécia, examinada freqüentemente com bases apenas conjeturais, se dois fatores não viessem, a partir do final do séc. XIX, deslocar o eixo da questão: a expansão das pesquisas arqueológicas e o interesse pela natureza da chamada mentalidade primitiva ou arcaica”

Quando Hesíodo descreve os Persas, há a descrição da cultura oriental com fatos tais como o estudo dos astros pelos babilônicos, o da matemática pelos egípcios, o dos céus pelos caudeus ou a criação da moeda pelos fenícios. Platão e Aristóteles insistem que tais idéias foram apropriadas pelos gregos, poré isto não quer que necessariamente dizer que a Filosofia é oriental. O primeiro motivo é a idéia de que o Oriente é um lugar mítico e especial, por ter sido lá que o ser humano apareceu, como criação direta dos deuses, na metáfora da idade do ouro. O segundo, é que o pensamento filosófico é perturbador por questionar os deuses e as instituições; assim, uma idéia de tradição, funciona como uma espécie de salvaguarda contra possíveis ataques. As cosmogonias orientais são então, retomadas pelas cosmologias gregas.

As cosmogonias orientais contém, então, idéias que seriam retomadas pelos cosmologistas. São elas: 1.a ) Unidade universal e divina que engendra de dentro de si mesma, todos os seres (o uno). 2.a) Passagem do Chaos ao Kósmos; de uma unidade primordial indiferenciada, à diferenciação dos seres existentes; das trevas à luz. 3.a) Mundo como processo contínuo de geração e diferenciação dos seres; quer pela força do uno ou por interação de forças inteligentes que discriminam. 4.a) Conexão ou sympathia que une todos os seres; daí existir o mundo, enquanto órganon e kósmos: a ordem. 5.a) Lei e/ou necessidade que governa a geração, a transformação e a corrupção de todos os seres em movimento circular e cíclico. 6.a) Dualismo entre um corpo mortal e uma alma imortal, que nasceu da purificação feita pelos gregos, de uma felicidade perene oriental.

Em Homero e Hesíodo, as idéias orientais se fazem presentes, guardando-se porém, cuidados em fazer as devidas adaptações ao pensamento helênico: 1.a) Afastamento de monstruosidades e irracionalidades; fundamentalmente a ausência de uma ordem cósmica em que se possa confiar. 2.a) Aproximação dos homens e dos deuses, com uma função de antropomorfização das forças primordiais. A diferença entre os conhecimentos orientais é, portanto, a própria racionalidade imprimida aos conhecimentos antigos. O “milagre grego”revela-se, na verdade, como uma organização do conjunto de conhecimentos empíricos e práticos, em conhecimentos sistemáticos e lógicos. A matéria prima é oriental, e sobre ela, os gregos aplicaram o gênio do logos. Um conjunto de estudos (História, Arqueologia, Filosofia, Lingüística) mostraram que uma série de mitos e cultos religiosos, danças e músicas, poesia, objetos, técnicas e utensílios; demonstra um contato intenso entre o Ocidente e o Oriente. Fica então evidente que a simples rejeição da tese oriental é absurda. Se o termo “milagre” for tomado em sentido de mutação, então tal termo pode ser usado enquanto mudança qualitativa sobre o material do Oriente.

O Gênio Grego

O pensamento do séc. XVIII assume a Filosofia como um fenômeno grego, enquanto espírito do povo grego. O gênio grego caracterizar-se-ia pois, pela liberdade e qualidade racional de espírito. Quando comparada ás demais culturas, a cultura grega explicitaria que na cultura oriental, falta a liberdade frente a natureza; na cultura cristã, falta a memória do espírito e do corpo; na cultura muçulmana, falta a harmonia entre a forma e a matéria e na cultura moderna, que é fruto do cristianismo, os gregos figuram como o povo da luz, da medida, da proporção e do equilíbrio. A objetividade pesa pela razão, sobre as paixões; a simplicidade é racional.

Por causa deste tal gênio grego, enquanto conseqüência e expressão do caráter racional, a imagem de harmonia orgânica grega foi questionada no séc. XVIII por Rousseau e no séc. XIX, por Nietzsche. Para Rousseau, a origem da Filosofia foi a perenidade do conflito entre as cidades. Nietzsche diz que os gregos criaram a Filosofia, porque temiam aquilo que sabiam ser: o dilaceramento trágico, o lado cruel e sombrio da natureza humana. Para Nietzsche, os gregos eram o povo da hýbris, da luta entre os opostos, agonísticos em si, competitivos. A origem de outra expressão do mesmo gênio grego é a tragédia, culto a Dionýsos, culto à demésure. A criação e a separação de todos os seres do uno, traduz-se dor. O principio do sofrimento, da dor, da paixão e da demésure, é o principio dionisíaco. Em contraponto, há um principio racional, luminoso e diferenciador, representado por Apólon. A Filosofia nasce como negação do próprio gênio grego. O fim deste movimento, dá-se com Sócrates, com a vitória apolínea sobre o principio dionisíaco.

Ambas as teses são igualmente abstratas, porque não são históricas. Ambas referem-se aos gregos como entidade abstrata e atemporal. A cultura grega, no entanto, possui efetivamente tais caracterizações, porém tais aspectos estão ligados ás condições sociais, políticas e culturais determinantes. O ideal de harmonia não traduz a realidade grega, pelo contrário, a contrapõe.

Filosofia e Filósofos

Historicamente temos então, o surgimento da democracia e da sociedade estruturada como Estado, e não mais como simples clã ou família. Tais gene eram dominados por um patriarca, o despótes, que era senhor absoluto sobre todos os bens e sobre todas as pessoas de sua família. No entanto, com o crescimento populacional e com o não equivalente crescimento da produção, o sistema autárquico dos gene tornou-se inviável, pela generalizada diminuição das rendas familiares. Além disso, a subdivisão progressiva dos gene em famílias menores, gerou um enfraquecimento do poder centrado nos laços sanguíneos. Os bens foram divididos e apareceu a propriedade privada e, com ela, disputas pela posse e pelo poder. Um período de desordens sociais seguiu-se.

Os aristocratas, aqueles mais favorecidos cm o fim do sistema de génos, passaram a unirem-se com finalidade de autoproteção. Apareceram então tribos que acabaram por fundirem-se em pequenos agrupamentos, mais tarde em vilarejos e, finalmente, em cidades. Fortificações surgiram e, à volta delas, os primeiros núcleos urbanos. A polis surgiu daí e a forma monárquica de poder deu lugar á oligárquica, baseada no comércio e em bens privados. Apareceu, pela primeira vez na história da humanidade, a idéia de indivíduo e a de individualismo. Isto marca a passagem da poesia épica, que canta os grandes heróis e os feitos do génos, para a poesia lírica, que canta o individuo. Estes foram os efeitos básicos que culminariam com o surgimento da Democracia e da Filosofia; e da união delas surgiria a Política.

Com o advento da colonização, ampliaram-se os contatos do mundo grego. Atenas foi extremamente beneficiada devido sua privilegiada localização geográfica e transformou-se em importante centro de redistribuição comercial no meio do mar Egeu. Os comerciantes e artesãos tornaram-se numerosos, ricos e poderosos. Houve uma crise política e uma luta entre a aristocracia e os novos comerciantes enriquecidos. Tornou-se imperiosa uma mudança política em Atenas e surgiram legisladores como resposta à crise que se instalava. Dracon elaborou a primeira legislação de Atenas, extremamente severa e que impunha a pena de morte para a maioria dos crimes; mas, no plano político não houve mudanças substanciais e a aristocracia mantinha para si o poder. A crise continuou, portanto. Sólon foi nomeado legislador e operou reformas sociais em Atenas: estimulou o desenvolvimento da indústria e das artes; estabeleceu pesos, medidas e moeda estável; reviu a legislação de Dracon, amenizando-a e abolindo a escravização por divida; o poder foi retirado da aristocracia e introduziu um sistema político com a participação geral, de acordo as riquezas dos cidadãos. Tais reformas foram feitas no sentido de estabelecer uma justiça correta e válida para todos, sem que fossem favorecidos nem os aristocratas,nem as classes em ascensão, nem as reivindicações extremas das camadas empobrecidas. No entanto as reformas de Sólon não foram totalmente aplicadas, devido aos interesses que se contrapunham. Houve o aparecimento de homens que tomaram o poder pela força e à revelia das leis, apareceu a figura do týrannos.

Um novo movimento de reforma do sistema político surgiu em Atenas com Clístenes. Este legislador reorganizando os espaços físicos e geográficos, aproveitou-se da situação para criar a democracia. Clístenes estabeleceu direitos iguais de participação no poder para os cidadãos, isto é, homens gregos, nascidos na polis, adultos e livres. Apareceu a idéia de demos, com o agrupamento de antigos gene em povos de acordo com sua região de origem na península Ática. Estava instituída de forma estável, a democracia ateniense. Desta forma, a política era exercida pelos cidadãos que se reuniam em assembléia, a ekklesia, para discutir e resolver os problemas políticos. Da necessidade de discussão e de debate, surgiu a oratória, a retórica e o pensamento político grego. Pouco a pouco, a Filosofia que originalmente voltava-se somente para questões cosmológicas e perseguia a idéia de natureza, isto é, a unidade que garante a ordem do mundo; voltou-se para questões ligadas ao individuo e á cidade, fundando a Antropologia e a Política. Nesta fase antropológica da Filosofia grega, temos como expoentes máximos e antagônicos, em um extremo Sócrates e em outro, os sofistas, já aqui, uma Filosofia absolutamente grega e ocidental, não mais guardando resquícios das cosmogonias orientais.

A palavra “política” tem origem na palavra grega politiké, guardando, enquanto substantivo masculino, o significado de homem do Estado; enquanto substantivo neutro, os de cidadania, negócios públicos, política; enquanto substantivo feminino, o de ciência ou arte dos negócios do Estado e enquanto adjetivo, os sentidos de cívico, civil; composto de cidadãos; político, público, do Estado. Por sua vez, são as formas genitivas da palavra, que designa cidade, imediações da cidade, região habitada; reunião dos cidadãos, Cidade-Estado; também refere-se ao Estado e, finalmente, à democracia. Isto quer dizer que o idioma grego associa, de maneira inseparável, a idéia de “cidade”, dupla entidade, tanto física quanto social, à de Estado, e é desta associação que emerge a idéia de “ciência política”.

Da necessidade da discussão em assembléia e do afã de fazer prevalecer uma idéia sobre as demais, nasceu a sofistica. A controversa figura do sofista, correspondia então aquele que se propunha a ensinar e a definir conhecimentos gerais, principalmente a arte da oratória e da retórica; isto, mediante remuneração. A palavra grega designava originalmente apenas sábio, sem cunho filosófico, tendo sido inclusive aplicada a legisladores e políticos (os Sete Sábios). Mas, com o advento da Filosofia e da Democracia, passou a ser sinônimo de homem que sobressai em alguma coisa, engenhoso;mestre de eloqüência e no vocabulário de Sócrates, assumiu caráter pejorativo, significando impostor, charlatão, sofista. Apareceu então, um duplo sentido para a idéia de Sophia: conhecimento, saber ciência; prudência e penetração, persuasão; sagacidade, astúcia. Escreve Abbagnano: Os sofistas não podem relacionar-se com as investigações especulativas dos filósofos jônicos, mas com a tradição educativa dos poetas, a qual se desenvolvera ininterruptamente de Homero e Hesíodo, a Sólon e a Píndaro. Todos eles orientaram a sua reflexão para o homem, para a virtude e para o seu destino e retiraram, de tais reflexões, conselhos e ensinamentos.

Tal função de exegetés, desempenha pelos sofistas, reconhecedores do valor formativo e educacional do saber, atraiu sobre si a critica de Sócrates, que viu na paidéia a elevada função de acordar a psyché para o conhecimento, a partir da admissão do não conhecer. Ensinar é pois lembrar a alguém, inicialmente, de que nada sabe, para exercer uma função destrutiva e libertadora, anulação de qualquer saber fictício e preconceituoso. Mais tarde, há que se lembrar, como quem faz um parto, aquilo que já se sabia; fazendo vir á luz a ânsia pelo saber e o interesse pela pesquisa. Assim ninguém pode ensinar ou proferir doutrina, não é possível o conhecimento e, por isso, não se deve escrever para que não se crie a falsa idéia de que existam tais coisas: Sócrates limitava-se a nada saber. Escreve Abbagnano: aqueles que dele (Sócrates) se aproximam, a principio parecem completamente ignorantes, mas depois a sua pesquisa torna-se fecunda, sem que todavia nada recebam dele.

Radicalmente contrário a qualquer presunção de sabedoria, Sócrates via nos sofistas, indivíduos que pretendiam-se detentores de um saber; saber este, fictício, desprovido de verdade e corruptor em sua prepotência. Filosofar é o exame incessante de si mesmo e dos outros, de si próprio em relação aos outros e dos outros em relação a si. Se a profissão sofística apoiava-se na sabedoria e no ensinamento, a profissão socrática erguia-se da própria ignorância e fazia ver à psyché, a verdade contida no pneûma. Ambas igualmente antropocêntricas, ambas em busca da areté, ambas uma paidéia em si, é certo. Entretanto, em extremos opostos localizavam-se: uma na ânsia de conhecer-se a si mesmo e saber o dever ser e a verdade, outra na ânsia pelo sucesso na discussão através do influenciar e da persuasão. Há que se dizer ainda que, por todos estes motivos, Sócrates, ao contrário dos sofistas, identificava a areté á sabedoria e á ciência e nunca á opinião, á aparência ou á fama.

Ainda em Abbagnano encontramos: O homem não pode ver claro por si só. A investigação de que se ocupa não pode começar e acabar no recinto fechado da sua individualidade: pelo contrário, só pode ser o fruto de um dialogar contínuo com os outros, como consigo mesmo. É aqui que reside, verdadeiramente, a sua antítese polêmica em relação à sofística. A sofística é um individualismo radical. O sofista não se preocupa com os outros a não ser para arrancar a todo custo, e sem se preocupar com a verdade, o consenso que lhe assegura o sucesso; mas nunca chega à sinceridade consigo próprio e com os outros. Jaeger comenta: Na época dos sofistas, a paidéia converte-se pela primeira vez em um problema consciente e situa-se no centro do interesse geral, sob a pressão da própria vida e da evolução do espírito, que sempre colaboram. Surge uma cultura superior e aparece e desenvolve-se, como sua representante, uma profissão especial: a dos sofistas, que abraçam como missão o ensino da virtude. Mas agora põe-se manifesto que, apesar de todas as meditações sobre os métodos pedagógicos e as formas de ensino e apesar da riqueza vertiginosa da matéria didática de que dispõe esta cultura superior, ninguém tem uma idéia clara sobre suas premissas. Sócrates não teve a pretensão de educar aos homens como Protágoras (…) Mas mesmo que estivéssemos instintivamente convencidos desde o primeiro momento, como estavam todos seus discípulos, de que Sócrates é o verdadeiro educador que sua época busca, Platão põe em destaque no “Protágoras” que sua pedagogia não se baseia somente em outros métodos de natureza distinta ou no mero poder misterioso da personalidade; mas sim, fundamentalmente no feito de que, ao reduzir o problema moral a um problema de saber, assenta pela primeira vez aquela premissa que á pedagogia sofística faltava. O postulado da primazia da formação do espírito proclamado pelos sofistas não pode justificar-se pelo simples fato de triunfar na vida. Esta época vacilante em seus fundamentos reclama o conhecimento de uma norma suprema que obrigue e vincule a todos, por ser expressão da natureza mais íntima do homem, e apoiando-se nela, que possa a educação enfrentar sua tarefa suprema: formar ao homem para sua verdadeira arete. A este resultado não podem conduzir os conhecimentos e o training dos sofistas, mas aquele saber profundo sobre que versa o problema de Sócrates.

Considerações Finais

Concluamos então, com o próprio Vernant: “Como a Filosofia se desenvolve do mito, como o filósofo deriva do mago, assim também a Cidade se constitui a partir da organização social: ela a destrói, mas ao mesmo tempo conserva o quadro; transpõe a organização tribal em uma forma que implica um pensamento mais positivo e abstrato.

Deste eterno transformar do pensamento humano: do mito oriental ao mito ocidental, da religião à Filosofia e da Filosofia á ciência, a psyché humana processa sua jornada rumo a Sophia, a Mnemósine, numa metempsicose que faz revelar a verdade em meio a conflitos e paradoxos impostos pelo próprio pensamento. Assim como o poeta, o adivinho possui o privilégio de ver a realidade imutável e permanente, põe-no em contato com o seu original, do qual o tempo, na sua marcha, só descobre uma ínfima parte aos humanos, e para a ocultar logo após.

Um dia chegará em que Nix retirará de sobre tal verdade seu manto e em um apokalypsis o divino aither, de que são formadas as estrelas, mostrará sua face mais brilhante ao ser humano.

Texto de Bernardo de Gregório.

#Mitologia #MitologiaGrega

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/nix-a-deusa-da-noite

Dia de Oyá

Celebração da deusa ioruba Oyá na África Ocidental. Originariamente a deusa padroeira do Rio Niger, Oyá passou a personificar a força das tempestades, dos ventos e dos relâmpagos. Seu nome em ioruba significa “quebrar, rasgar”, pois seus ventos quebram a superfície calma da água. Oyá é uma guerreira de temperamento fogoso, protetora das mulheres envolvidas em disputas ou lutas. Seu poder, no entanto, pode ser construtivo ou destrutivo.

Segundo as lendas, foi Oyá quem deu o poder do fogo e dos raios para seu irmão e esposo, o deus Xangô. Em seu aspecto escuro – “Egungun Oyá” – ela é a Senhora dos Mortos e sentinela dos cemitérios. Como padroeira da justiça e da memória, ela preserva as tradições ancestrais. Em seus altares ela recebe oferendas de vinho de palmeira, inhames, feijão e carne de cabra. Suas insígnias são os chifres de búfalo, a espada, o espanador, com o qual controla os eguns (os desencarnados), e o machado com duas lâminas. Seu culto migrou para o Brasil, onde é chamada de Iansã e foi sincretizada à Santa Bárbara; para Cuba, onde é Olla; Haiti, como Aido Wedo, e Nova Orleans, como Brigette, sendo uma das deusas importantes do candomblé, umbanda, santeria e vodu.

*informações extraídas do livro “ O Anuário da Grande Mãe”, de Mirella Faur.

#Umbanda

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/dia-de-oy%C3%A1

 Hellraiser é moderno, descaradamente Queer e te engancha

Por Rachel Shatto.

Hellraiser sempre ocupou um lugar especial no coração dos fãs de terror, mas especialmente das pessoas queer. Embora o filme original de 1987 nunca tenha sido expressamente queer, era de nascença assim. Nascido da mente de Clive Barker e dirigido por ele, o filme foi inspirado em parte por seu tempo trabalhando como garoto de aluguel e visitando bares de couro de Londres durante sua juventude. Foi também uma saída para suas ansiedades sobre o custo de se assumir, que ele canalizou para a novela Hellbound Heart, na qual o filme é baseado. Ele aparece em cada quadro. Da estética dos cenobitas, tirada literalmente da cultura queer, pingando couro e modificação corporal, à busca de prazeres proibidos de Frank, ela gritava, não sussurrava, sua natureza queer para quem tivesse ouvido e experiência de vida para ouvir.

Apesar de ter sido lançado em vídeo e não nos cinemas na época, rapidamente ganhou status de cult e gerou uma sequência que enriqueceu a mitologia, um terceiro filme que tentou transformar seu Hell Priest (Sacerdote do Inferno) em um personagem brincalhão ao estilo de Freddy Kruger e um quarto filme que levou esse personagem central, também conhecido como Pinhead (Cabeça de Prego), para o espaço. Além disso, é melhor não falarmos das outras seis sequências.

Portanto, foi com grande expectativa (e algum pavor) que os fãs aguardaram o novo Hellraiser. Embora os detalhes da trama tenham sido cuidadosamente mantidos em sigilo antes do lançamento do filme, havia algumas informações que os fãs poderiam pesar contra suas ansiedades. O diretor desta versão “reimaginada” é David Bruckner, cujo filme anterior, The Ritual (O Ritual, 2017), atestou sua capacidade de criar um filme de monstro aterrorizante, e The Night House (A Casa Sombria, 2020), um horror psicológico profundamente ressonante, provou que ele era um mestre da tensão. Juntos, parecia que ele poderia ser a pessoa certa para elevar a franquia caída à sua antiga glória.

Enquanto alguns temiam que este seria um remake simples, o filme é muito mais uma reimaginação da mitologia e inspiração da novela, bem como dos dois primeiros filmes. Ele se concentra em um jovem viciado chamado Riley (Odessa A’zion) que acaba de posse de uma caixa de quebra-cabeça, que funciona como um canal para convocar os Cenobitas para punições e, na opinião deles, recompensas. Sem perceber as apostas, ela começa a desbloqueá-lo e logo ela está cara a cara com Pinhead.

Outro ponto de discórdia para muitos era que Doug Bradley, que originou o papel de Pinhead, não estaria mais vestindo o manto preto e os alfinetes. Em vez disso, o vilão icônico seria interpretado pela atriz trans Jamie Clayton. Os fãs da novela imediatamente reconheceram o que Bruckner estava fazendo, pois, no livro, Pinhead era um ser de gênero ambíguo.

Foi um risco, mas a aposta de Bruckner para escalar Clayton em um papel originado por Bradley compensa. Clayton traz uma ameaça erótica que está faltando muito na franquia desde suas duas primeiras entradas. Ela é vigorosa (literalmente) e sensual, irradiando uma sensação de maldição e curiosidade em igual medida. Ela é requintada em desempenho e aparência.

Os Cenobitas sempre foram ladrões de cena, mas inteligentemente o filme leva seu design em uma direção nova e horripilante. Longe vão os vestidos de couro preto; em seu lugar é simplesmente carne, torturada, torcida e esculpida. É grotesco em sua beleza e muito de acordo com o espírito do filme original.

É também uma nova forma de transgredir, como era a intenção do diretor. “Bruckner falou muito sobre isso no processo de design”, disse Adam Faison, que interpreta Colin (namorado do irmão de Riley, Matt, interpretado por Brandon Flynn) no filme, ao PRIDE. “Ele disse, ‘há algo com nossa cultura, especialmente na América, com nosso fascínio, mas também como um sentimento de tabu sobre nudez. Nós temos um [desconforto] com isso, então ele disse: ‘Eu gostaria de brincar com o que se eles estivessem completamente nus, é meio que exibicionismo disso e como isso acaba para as pessoas.’”

Embora seja uma experiência maravilhosamente desviante na tela, pode ser um pouco assustadora pessoalmente. “E você ficaria tipo, Uau, oh meu Deus! Às vezes… você não sabia se podia ou não olhar para eles porque eles estavam nus. E… eles são tão reais, que é quase como se pudessem olhar para todos vocês?” ri Faison.

Sua dor prova ser nosso prazer; o que poderia ser mais a propósito de Hellraiser do que isso?

Embora o design dos Cenobitas leve o filme a uma nova direção, não é a única maneira pela qual essa versão moderniza a história.

O filme original foi lançado em 1987, em uma época em que os elementos LGBTQ+ tinham que permanecer subtextuais, mas felizmente não em 2022. Essa releitura é descaradamente queer, o que foi particularmente significativo para Faison, que é identificado como LGBTQ+.

Antes de ler o roteiro, foi repetidamente prometido para ele que os personagens queer eram de fato centrais para o enredo e pessoas plenamente realizadas. Ainda assim, ele estava preocupado. “Você fica tipo, eu vou ser tratado como outro personagem gay simbólico, isso é como uma piada? E então eles são mortos de alguma forma engraçada. Já vimos isso tantas vezes e é meio cansativo”, compartilha Faison. No entanto, ele ficou aliviado ao descobrir que podia confiar no diretor para criar um filme não apenas fiel aos elementos de terror da história de Barker, mas também aos queer. “Bruckner não é queer, mas ele foi muito colaborativo com Brandon, eu e Jamie e todos nós sobre sermos realmente específicos e matizados com isso e acho que isso é muito raro”, diz ele. “Sabe às vezes, especialmente os héteros, ficavam tipo, você sabe, preciso cumprir um checkbox. Mas, como Bruckner era uma aliança total.”

Em última análise, parece de acordo com o tipo de filme que o próprio Barker poderia ter feito se a época em que ele estava dirigindo fosse tão aberta a temas e personagens queer. Ele estava fortemente envolvido com esta versão (ao contrário de muitas de suas outras sequências). É transgressivo, queer e perverso, mas também fala com uma sensibilidade mais moderna que pergunta e se sua garota ideal fosse realmente gay?

Sim, é um Grand Guignol de sangue e horror corporal, mas que felizmente mais uma vez tem algo a dizer além do espetáculo (por mais monstruosamente belo que seja), enriquecendo-o tematicamente. Embora a história em si possa não ser muito complexa, mas em camadas há uma série de cenários impressionantes que chocam e excitam, e talvez ainda mais importante, é uma celebração do mundo que Barker criou. Tanto em Riley quanto em Colin, o filme apresenta novos personagens para torcer e construir uma franquia, se assim o desejarem. E, claro, a Pinhead de Clayton é uma vilã de primeira linha para uma nova geração que gostaríamos de ver convocada de volta à tela o mais rápido possível.

Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/popmagic/hellraiser-e-moderno-descaradamente-queer-e-coloca-seus-ganchos-em-voce/

Algumas Noções de Cabalá Judaica

Arvore-judaica

O Deus de Israel, Deus Vivente, Rei do Universo, El Shaddai. Misericordioso e Cheio de Graça. Mais Alto e Exaltado Habitando na Eternidade. Cujo nome é Sagrado. E Ele criou Seu universo com três livros (Sepharim), com texto (Sepher), com número (Sephar) e com comunicação (Sippur).

Sepher Yetzirah 1:1

Kabbalah é o Verbo da Criação. É a raiz na qual se sustenta o tronco e os galhos de toda a Sabedoria Divina. É o caminho de retorno para o Ponto Central. Não há nada que a contenha (exceto o Criador), porém ela está em Tudo (a partir do Criador). O Senhor nos deu a possibilidade de sermos unos com Ele através da apreensão dos frutos da Árvore da Vida (Etz haChaim).

Foram 10 os Mandamentos recebidos por Mosher (Moisés) no pico do Monte Sinai. Seus nomessão: Kether, Hochmah, Binah, Chesed, Pechad, Tipheret, Netzah,Hod, Yesod e Malkuth. 32 são as Vias da Sabedoria. E 22 as letras do alfabeto hebreu. É sustentada por 3 pilares que são: Severidade, Misericórdia e Equilíbrio. Cujas bases se alicerçam em um mundo e seu teto em outro. Seu meio é como o de duas grandes águas. Seus mundos são em número de 4. E são: Olam ha Atziluth, Olam ha Beriyah, Olam ha Yetzirah e Olam ha Asiyah.

A Árvore da Vida aparece muitas vezes nos textos sagrados do mundo inteiro, mas na Bíblia e na Torah é que ela (para mim) tem o maior significado. Elohim, a potência criadora, cria o Universo e todas as suas maravilhas, e para coroar sua obra, cria o homem como legislador de tudo. Havia uma única condição: que ele não comesse o fruto proibido da Árvore. Este fruto era Daath, a não-sephira. Daath é o Conhecimento. Fruto do ego e da auto-exaltação. O homem (princípio ativo), sendo iludido pela mulher (princípio passivo), aceitou o fruto que lhe foi entregue pela Serpente. Samael (a cobra), na Árvore da Morte é o demônio correspondente à qlipah de Iauch, tem o poder sobre a heresia e a decepção. Ademais, a própria serpente é tida como símbolo de sabedoria. O problema é que tomaram o hábito pelo frade… Então, profundamente decepcionado com tudo isso, o Senhor expulsou-os do Paraíso.

E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada flamejante que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.

Gênesis 3:24

Bom, o homem não foi expulso do paraíso de verdade. No sentido literal, eu quero dizer. Esse, na verdade, foi o modo como os mestres da época usaram para revelar (re-velar) para as massas as suas doutrinas. Nós estamos em um ciclo evolutivo de éons. A descida na matéria foi necessária para que pudéssemos, como Deus, nos tornar no futuro, criadores de mundos. Tinhamos poderes divinos e nada sofríamos, pois vivíamos no seio do Pai. Mas o maior dos problemas era a inocência. Inocência não é sinal de defeito, porém também não é sinal de virtude. Para que tivéssemos a noção de indivíduo, de ação e de evolução, Ele nos conduziu, com as Hierarquias Criadoras, até o ponto onde estamos hoje: Malkuth – O Reino. Para que com o esforço necessário voltemos ao nosso ponto de origem com toda a bagagem que não tínhamos. Para isso temos a Kabbalah.

Cada um dos caminhos e cada uma das sephiroth (plural de sephirah) é como um mapa para nossa ascensão ao Princípio (Reschit). TODAS as energias da Criação estão na Árvore. E vale lembrar, são apenas dez sephiroth. Nem nove, nem onze. Não são nove porque Kether não é Deus. Nem onze pois Deus não é a Kabbalah.

Shalom!

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/algumas-no%C3%A7%C3%B5es-de-cabal%C3%A1-judaica

‘Kama Sutra (texto completo)

Antes de ser uma livro de imagens, o kama sutra é um poema. Este poema divertido e instrutivo doi criado para a nobreza da Índia por um nobre Vatsyayana, em alguma época entre 100 e 400 d.C. Originalmente em sânscrito, está inserido na concepção de mundo da religião hindu. Seus ensinamentos, embora conduzam seus praticantes ao orgasmo intenso e ao prazer visam, antes disso, à elevação espiritual do casal.

Kama significa sexo, amor, prazer, satisfação. É um dos três sustentáculos da religião hindu. Os outros são Dharma e Artha. Dharma é o mérito religioso e Artha a aquisição de riquezas e bens materiais..

Os hindus acreditavam que aquele que praticar Dharma, Artha e Kama, sem se tornar escravo das paixões, conseguirá êxito em todos os seus empreendimentos. Em outras palavras, deve-se desfrutar as riquezas e os prazeres sexuais sem jamais perder a virtude religiosa.

Estas três metas possuem suas contrapartes modernas. Muitos de nós não somos tão voltados para a religião, mas buscamos desenvolvimento pessoal e realização; muitos de nós não aspiram grandes riquezas, mas sim ter o dinheiro suficiente para viver confortavelmente; e a maioria de nós quer um relacionamento sexual carinhoso.

Não é apenas um manual de posições sexuais. Além de trazer detalhadamente 64 formas de amar consideradas essenciais, pretende também desenvolver o erotismo e sensualidade de ambientes, situações e pessoas. Velas e óleos aromáticos, comidas afrodisíacas, perfumes e músicas, fazem parte de todo o ritual. Os amantes são encorajados a estarem sempre enfeitados com tecidos leves, coloridos e sensuais e cheios de adornos como colares e brincos. O sexo vai além do simples prazer genital e explodia em todas as direções dos cinco sentidos.

Segue a tradução do poema original para o português:

Os Beijos

Beijar, com unhas marcar,

as mordidas de amor,
sempre devem o acto do amor preceder,
enquanto os golpes e gritos de amor
são usados apenas para apressar o orgasmo.

Mas Vatsyayana diz: a paixão desperta,
pouco tempo resta para a etiqueta.
Faça o que bem quiser,
quando lhe aprouver,
pois Kama não respeita convenções.

Na primeira vez que se deitar com uma mulher,
não exagere nos beijos, unhas e dentes,
melhor sempre é uma coisa de cada vez.
A confiança dela aumentando, recorra a tudo,
que neste livro há, para alimentar o desejo.

Os Beijos

Dê os seus beijos na fronte,
olhos, cabelos, nas faces e lábios,
no pescoço e nos seios,
que sua língua peregrine
pelos sagrados recônditos da suave boca.

Um homem de Lat também beijaria
os tufos de macaco nas axilas, o umbigo,
as coxas, os lábios secretos.
Essa demonstração exuberante de paixão
reflecte a nacionalidade, não é para todos.

Três beijos têm encanto especial
quando dados pelas jovens em flor.
São o Quase-não-um-beijo,
o Beijo Trémulo,
e refinado Primeiro-toque-de-sua-língua.

O primeiro ocorre com a nervosa jovem,
importunada por um beijo,
um abraço relutante lhe permite,
aceita a homenagem de seus lábios,
mantendo os dela fechados firmemente.

Depois que ganha confiança,
ela pode permitir que os lábios se entreabram.
Se você então lhe mordiscar o lábio inferior,
sentir que treme, o prazer ao medo surpreende,
a vitória conquistou, pelo segundo beijo.

Um dia os olhos dela vão fechar,
aos seus olhos as mãos dela cobrirão
e uma língua furtiva indagará
se pode prosseguir por aventuras mais ousadas:
é o terceiro beijo, que o aprendizado encerra.

Mais quatro beijos há nos textos de amor,
Lábios se encontrando em cheio formam o Beijo
Recto, se inclinados, o Beijo de Viés.
Ao queixo dela levante para o Beijo Alteado;
qualquer deles, se ardente, é Beijo Esmagado.

Há quem chame Sorver o Vinho
quando, ao queixo dela se levanta,
a boca se comprime para um “O” formar,
cautela para com os dentes não feri-la
se dá um beijo sôfrego, com força.

Jogos de Beijar

Façam apostas sobre quem, os lábios só usando,
primeiro pode ao lábio inferior do outro
capturar. Se ela perder, há de gritar,
a mão lhe sacudindo, clamando que é injusto,
que você a enganou, outra chance vai querer.

Quando você por direito recusar,
seu nariz ela deve morder e magoar,
até levá-lo a concordar com suas exigências.
E se você ganhar outra vez,
um rebuliço maior ela deve criar.

Se desprevenido ela pegá-lo
o seu lábio captura entre os dentes,
entre os risos declarando
vitória maior ter conquistado,
morder ameaçando, se tentar escapar.

A vitória ela deve proclamar, exuberante,
provocando com gracejos refinados,
recorrendo às nuanças de expressão
que os lindos olhos e sobrancelhas forjam,
no desafio a seu orgulho lançar em nova prova.

Invente outros jogos de beijar,
competições de unhas, de dentes,
quem perder fazendo o que foi apostado.
Esses jogos o desejo aguçam,
por muitas horas o prazer do amor prolongam.

Se, ao beijar ela seu lábio superior,
você suga seu lábio inferior, é o Beijo Alto.
Se os dois lábios dela pelos seus são apanhados
(a esse beijo ela pode retribuir
apenas com você raspado), então é o Broche.

Se nesse beijo as duas línguas,
os dentes explorando, o céu da boca,
se encontrarem em feroz justa,
então se chama Torneio das Línguas.

Outras batalhas se travam com lábios e dentes.
Quatro beijos usam lábios, dentes, língua,
tudo junto. O Sama nos seios se dá,
nas sensíveis curvas de joelho e cotovelo,
onde as coxas ao corpo encontram:
mordisque delicado, a língua faça cócegas.

Pidita se reserva para as faces,
seios, quadris, barriga, a bunda,
seus dentes na carne afundando,
sem chegar a machucá-la,
lábios, língua, em massagem vigorosa.

Anchita é o beijo da língua,
as curvas sob os seios percorrendo,
sondando o umbigo, perdurando
no secreto lótus,
o desejo atiçando, sem propor alívio.

Mridu é usar os lábios no alívio
da comichão nas costas, seios, braços,
nos quadris, por dentro das coxas dela,
depois que suas unhas por lá roçaram, de leve,
levando os cabelos a se arrepiar, assim ficar.

Quando ela olha o seu rosto adormecido
e sua boca beija,
para despertá-lo, o desejo incendiar,
o beijo longo, tão ardente, tem o nome
Ragadipa, Amor-em-chama-se-tornando.

Se você ignora por estar absorvido
em música, pintura ou discussão,
porque os dois discutiram,
e ela o surpreende com um longo beijo,
será Chalita, o Beijo do Desvio.

Se tarde em casa chega, adormecida encontra,
você a beija com ternura,
é Pratibodlha, o Beijo que Desperta.
E ela deve fingir que está dormindo
quando a sua voz ouvir à porta.

Os Abraços

Homens e mulheres que pouco se conhecem
os sentimentos podem transmitir
usando o Toque ou Pontada.
A Carícia e o Aperto
são dos amantes que os desejos se conhecem.

Quando ela se aproxima,
como se você não existisse,
e sua mão ou corpo, na passagem,
deixa roçar contra, o seu, de leve,
é o abraço que se chama Toque.

Quando uma mulher avança, ao vê-lo
exclamando que algo deixou cair
e se abaixa para pegar,
os seios duros em seu corpo espetam
(furtivamente acaricie), é a Pontada.

Quando à noite saem juntos,
num bazar apinhado,
ou passeiam pelos campos,
os corpos se aninham em suas curvas,
a sensação que os percorre é a Carícia.

Quando a comprime contra uma coluna
ou de costas num portal,
o fôlego de seu corpo extraindo,
as mãos se pondo a explorar
os corpos mútuos, é o Aperto.

Babhravya mais quatro abraços dá
para amantes de experiência.
Trepadeira e Árvore de pé são feitos,
Sésamo e Arroz, Leite e Água,
muitas vezes se convertem no ato do amor.

Quando ela entrança os braços em seu pescoço,
como a trepadeira que a sal envolve,
o rosto erguendo para o beijo,
depois recua um pouco, respirando fundo,
seu rosto ansiosa olhando, é a Trepadeira.

Quando ela põe os pés entre os seus,
pelo seu corpo subindo, como liana,
sua cintura com as coxas agarrando,
seus ombros apertando, gemidos soltando,
sua cabeça aos beijos inclinando, é a Árvore.

Quando se deitam de frente um para outro,
as coxas entrelaçadas, os seios comprimidos
contra você, as mãos buscando lugares novos
para acariciar, cabeças em beijos se unindo,
o braço é como a mistura de Gergelim e Arroz.

Quando ela trança as pernas em sua cintura,
o peito contra o seu se comprimindo
em tão violento abraço que seus corpos,
à dor indiferentes, parecem quase
se penetrar, é chamado Leite e Água.

São esses os oito abraços de Babhravya.
Suvarnanabha dá mais quatro
em que partes do corpo diferentes
despertam para o amor: os abraços
das coxas, virilhas, seios e testa.

Deitados nos braços um do outro,
ela prende uma de suas coxas,
apertando com força entre as dela,
os músculos se encharcando de prazer:
os conhecedores chamam de Abraço de Coxa.

Quando ela ergue as lindas coxas
e sua virilha puxa contra a colina do amor,
as unhas lhe crava, belisca, em beijos suga
os seus lábios, os cabelos derramados
soltos por seu rosto, é o Abraço da Virilha.

Quando ela o monta,
o seu peito suportando todo o peso
dos seios cheios,
que trançam círculos em seu corpo,
quem conhece chama Abraço dos Seios.

Os três abraços também podem
pelo homem serem iniciados.
Quando as testas se unem, olho no olho,
nariz em nariz, lábio em lábio, os rostos
em carícias mútuas, é o Abraço de Testa.

Alguns mestres a massagem incluem nos abraços
pelo prazer físico que proporciona
mas Vatsyayana diz: a massagem visa
ao cansaço remover, não atiçar o desejo,
assim não pode entrar nas artes do amor.

Mesmo os que indagam, ouvem ou falam
de tais abraços
hão de sentir, na descrição correcta,
o desejo em seus corpos despertar.

Quem usar, maior prazer terá.
São muitas as carícias adoráveis
que os textos jamais mencionaram.
Descubra-as com quem ama,
use quando puder,
se aguçar o prazer e o desejo.

Os textos do amor podem se úteis
só quando o desejo está sereno,
mas com a roda do oleiro em movimento,
joguem fora até o Kama Sutra,
pois não há, nem ciência.

Dentes e Unhas

A paixão, se ateada,
que as unhas entrem em cena.
Electrizante é o efeito:
sob as unhas da mulher, o tímido amante
sente o corpo lentamente de desejo impregnar.

O jogo das unhas mais excita
a primeira vez em que juntos deitam,
nas noites antes e depois de longa separação,
depois de briga furiosa,
e quando ela bebeu além da conta.

Boas unhas são compridas, bem talhadas,
ao contacto bem suaves,
limpas, firmes, refulgentes,
os arranhões devem ser
tão rosados quanto as unhas.

Os ardorosos deixam as unhas
da mão esquerda crescer, longas, afiadas.
Há quem lixe em duas pontas, às vezes três,
como a lâmina da serra,
outros lixam em crescente, em bico de papagaio.

Textos de amor aconselham a se marcar
da amante apenas seios, axilas,
garganta, costas, coxas e virilha.
Mas no amor, lembra Suvarnanabha,
de tais coisas ninguém se recorda.

Marcas de Unhas

As oitos técnicas se aprendam:
Rasgar Seda, a Meia-Lua,
Círculo, Sulco, Garra do Tigre,
o Pé do Pavão,
Salto da Lebre, a Pétala do Lótus Azul.

Passe as unhas afiadas
pelas faces, seios, lábio inferior,
tão de leve que marca alguma fique,
mas ao contacto a pele se arrepie de prazer,
no som da seda que se rasga.

Esta carícia torturante use
quando ela pedir que lhe massageie o corpo,
o couro cabeludo, que lhe arranhe as costas,
que uma bolha impertinente fure, sempre
que quiser deixá-la ardente de desejo.

A Meia-Lua é suave crescente
com uma unha feito na garganta e seios.
Um par de crescentes fundo impressos,
na barriga, quadris, bunda ou virilha,
como marcas de um parêntesis, são o Círculo.

O Sulco é a linha vermelha
que unha afiada estende pela pele,
do corpo, em qualquer parte.

Se curvo, é uma Garra de Tigre,
quase sempre nos seios e pescoço.

Quando o mamilo se pega
entre as cinco unhas, comprimindo,
na explosão de suaves raios vermelhos,
é o famoso Pé de Pavão,
difícil de fazer, tão do gosto das mulheres.

Se ela roga, despudorada,
o Pé de Pavão, num dos seios,
e você usa as cinco unhas,
sobre um seio, depois no outro,
é o virtuoso Salto da Lebre.

A Pétala do Lótus Azul
se faz nos seios, na cintura, tão-somente,
moldada sempre na sugestão do nome.
Tal marca em elogio é,
equivalente a jóias de presente dadas.

É falta de cavalheirismo
sair de casa, em viagem longa,
sem marcar seios e coxas da esposa,
com três ou quatro pelo menos,
pequenas linhas, momentos do seu amor.

Novas marcas sempre invente
a praticar com quem ama.
Sejam de flores, passarinhos,
vasos, folhas, trepadeiras,
tudo é possível, não se pode enumerar.

Tentar sequer catalogar
o potencial infinito de marcas e técnicas,
para não falar dos sinais bizarros
que amantes ardentes improvisam,
é pura perda de tempo, dizem os sábios.

Há de se ressaltar, diz Vatsyayana,
a importância de variar no amor.
Qualquer tolo sabe: variar é o tempero
da vida, mas só cortesãs bem sucedidas
sabem, ao que parece, se a essência do amor.

Para acabar, jamais crave as suas unhas
na esposa de outro homem.
A discretos crescentes se limite,
ocultos onde ela apenas vai observar,
a se lembrar dos encontros secretos com você.

Mordidas de Amor

Cada parte do corpo, que se beija,
tirando a língua, olhos, lábio superior,
também aceitará mordidas de amor.
Até lugares que os Latas muito beijam
são alvos certos para dentes hábeis.

Bons dentes são limpos, brilhantes, iguais,
afiados, bem formados, com paan se colorindo.
Dentes lascados, rudes, sujos, gastos,
sobrepostos, salientes,
melhor ficam se ocultos, são insultos ao amor.

Prática é preciso par oito mordidas
bem famosas: a Secreta e a Inchada,
o Ponto e a Linha de Pontos,
o Coral e o Colar de Coral,
a Tempestade e o Javali.

Quando o lábio inferior morder,
avermelhando, mas sem marca, é a Secreta.
Se morder até o lábio machucar,
é a Inchada (só depois vem o Inchar),
e também se faz na face esquerda.

Quando a pele mordisca tão de leve
que marca é do tamanho da semente
de sésamo, fez um Ponto, incha de Pontos
bonita há de ficar na macia pele
do pescoço, seios, dentro das coxas.

A vermelha curva, irregular, do Coral,
se faz mordendo apenas com os incisivos
de cima. No seios começando, nas coxas,
Colares de Coral se vão fazendo,
as laçadas pelo corpo se espalhando.

Tempestade é um círculo de marcas
que no seio suave se imprime.
Se profundo, ardentes marcas,
no centro violeta, é Javali.
Que só agrada aos ardorosos.

Quando unha e dente marcas fazem
na folha de bhurja, flor de lótus azul,
que as mulheres nas orelhas usam,
são convites amorosos,
a se fazer com o esmero das cartas de amor.

Se um homem ignora os gritos da amada
de que unhas e dentes a machucam,
na mesma espécie ela deve revidar,
Garra de Tigre pelos Sulcos,
Javali à Tempestade confrontando.

Na paixão, que a mulher agarre
os cabelos do amado, lábio prenda
entre os dentes, qual a borda de uma xícara,
sorvendo sempre, de desejo se inebrie,
mordendo a esmo, de frenesi, em mil lugares.

Quando ele mostra, orgulhoso, manhã seguinte,
aos amigos tantas marcas
que unhas, dentes em seu corpo deixaram,
que ela o fite, impassível,
rindo apenas ao lhe virar as costas.

Censurá-lo ela pode, furiosa,
sendo amarrado exibindo mas próprias marcas.
Se um ao outro amam,
a censura é sempre afectuosa,
o amor nem em cem anos se esvai.

Golpes e Gritos

Como o amor, por natureza,
é quase uma batalha entre os sexos,
os vários golpes de amor,
que podem o prazer acentuar,
são analisados nos textos de amor.

Quando golpes, Apahasta (Costa da Mão),
Prasritaka (o Capuz), Mushti (o Punho)
e Samatal a(a Palma),
usados são na cabeça, ombros, costas,
flancos, no espaço entre os seios.

A amada, claro, há de sentir
dor quando você a golpear,
mas os gritos que à garganta lhe subirem,
se cada tipo você puder reconhecer,
vão dizer o quanto ela se encontra excitada.

Hinkara é o ar que se suga bruscamente,
como um sobressalto repentino.
Stanita é mais profundo, som ressonante,
que vem dos tímbales dos pulmões dela.
Kujita é suave arrulho, como a pomba.

Rudita é o soluço gutural da mulher
que o orgasmo alcança.
Sutrita é o ofego áspero.
Dutkrita é abafado chocalhar.
Phutrita é o morango que na água cai.

Sitkrita são palavras, sons,
que seus golpes dela arrancam,
exclamações de dor, lutando com prazer.
A sequência, que aprender se deve,
vai do prazer à dor ao prazer maior.

A princípio, soluçando, ela dirá:
“Mamãe”, “Pare!”, “Já chega!”,
“Deixe-me em paz!”, Estou morrendo!”,
mas os sons que em sua garganta adejam
logo se tornam gritos sem palavras.

Os tímidos gritos do início
podem ser como o choro de uma pomba,
o chamado do cuco entre as folhas,
o suspiro sonolento dos pardais,
o grito estridente do papagaio.

Mas logo a amada, gemendo como abelha,
gritando qual galinha assustada,
emitindo gritos baixos, que soam,
como gansos e patos no voo chamando,
acaba choramingando, como a perdiz .

Quando deitada ela está sob você,
com as costas da mão deve bater-lhe
entre os seios, gentilmente,
a paixão crescendo, deixe que os golpes
sejam mais fortes e rápidos: é Apahasta.

Se hábil aplicado, este golpe
há de arrancar uma raga
de arrulhos, gritos e soluços.
Se você a machucar, que ela fique furiosa,
revidando golpe a golpe.

Os gritos de amor não precisam
obedecer a qualquer ordem:
que ela tudo faça de improviso,
mas cada golpe desferido
deve arrancar um grito de prazer.

Se satisfação ela não tem
de Apahasta e outro lhe pedir,
na cabeça da amada bata
com os dedos encurvados:
é Prasritaka (o Capuz).

O alvo é excitá-la
tanto que os gritos “Hare Rama”
se prendam na garganta, virando
um trinado de vogais abertas e fechadas,
terminando em soluços estrangulados.

Você deve provocá-la
seus gritos imitando,
até que ela ria, e depois,
com unhas e dentes espicaçando,
lhe arranque efeitos mais extravagantes.

Quando sentir que o orgasmo se aproxima,
nas coxas dela bata e nos lados,
de mãos abertas, palmadas de Samatala.
Se o momento for exacto, há de ouvir
o ganso e a perdiz chamando o orgasmo dela.

Por natureza, os homens são mais duros,
mais cruéis e violentos que as mulheres,
sempre delicadas e tímidas,
daí porque o homem geralmente bate
e a mulher é quem grita.

Mas se a paixão a sufoca,
se uma postura especial a excita
ou se tal é o costume do país,
a mulher pode chover golpes no amado.
Mas tal coisa raramente acontece.

Quatro outros golpes são usados
às vezes: Kila (Cunha) no peito,
Kartai (Tesoura) na cabeça,
Vidram (Espeto) nas faces,
Samdanshikam (Tenaz) nos seios .

Tais golpes perigosos
são bem populares pelo sul.
Nos peitos dos sulistas e esposas
as marcas às vezes são visíveis
dos golpes desferidos no estilo Kila.

Mas os costumes do sul
não devem ser copiados por nortistas
curiosos. Vatsyayana diz: esses golpes
são antiarianos e impróprios ao homem de bem,
que deve encarar tal violência com desdém.

Nenhuma dúvida pode haver
que práticas que a membros quebrados levem,
à mutilação e à morte,
não podem ser justificadas, nem mesmo
aos que se recusam a vê-las como barbarismo.

Não é segredo que o Rei Chola
matou há pouco a cortesã Chitrasena,
ao golpeá-la no estilo Kila.
O Rei Shatkarni dos Kuntalas matou
sua rainha, Malyavati, com a Tesoura.

Naradeva, o supremo comandante
dos exércitos de Pandya,
de mão esquerda deformada,
um dia bateu à Vidvam numa dançarina,
errando o alvo, cegou-a de um olho.

Mas quando os homens a paixão inflama,
pouco se lembram de pensar
nos shastras ou nas consequências
de tão louca violência:
a paixão causa tais calamidades.

O sexo perturba o equilíbrio:
os anseios e loucas fantasias
que afloram à imaginação de um homem,
quando o amor faz, são mais estranhos
que os sonhos mais grotescos.

Como um cavalo, em pleno galope,
não percebe valas, muros e os poços
que margeiam seu caminho,
a fúria da paixão cega os amantes
aos males que unhas, dentes, punhos causam.

Procure sempre recordar
que a amada é bem mais fraca que você,
que paixão é bem mais forte.
E como nem todas gostam de apanhar,
duas vezes pense para usar golpes de amor.

Prazeres Orais

Os sábios condenam o prazer oral,
alegando que não é civilizado
e rigorosamente proibido pelos shastras.
Os homens doenças contraem, dizem eles,
ao beijar mulheres e eunucos após a felação.

Mas Vatsyayana diz que os shastras
não se aplicam no caso dos eunucos
(com o sexo oral a vida ganham)
nem em países de costumes diferentes.
Quanto às doenças, evitá-las é bem fácil.

Os shastras dizem ainda que são quatro
as bocas puras: do bezerro a mamar,
do cão de caça pegando a sua presa,
o bico do pássaro a fruta arrancando
e a boca da mulher enquanto faz amor.

Mas nesta questão tão delicada,
os shastras são contraditórios.
O conselho de Vatsyayana é agir
de acordo com os desejos, sua consciência,
os costumes da terra em que nasceu.

As oito técnicas da felação
normalmente se praticam na seguinte ordem:
Nimitta (Contacto),
Parshvatoddashta (Morder nos Lados),
Bahiha-samdansha (Pinça Externa).

Antha-samdansha (Pinça Interna),
Chumbitaka (Beijar),
Parimrshtaka (Golpear a Ponta),
Amrachushita (Chupar a Manga)
e Sangara (Engolir Tudo).

Quando a amada seu pénis captura
na mão dela, os lábios forma
num “O”, de leve os pousa na ponta,
a cabeça mexendo em círculos pequenos,
é o primeiro estágio, Nimita (Contacto).

Pegando a glande em sua mão,
ela comprime os lábios pela haste,
primeiro de um lado, depois no outro,
evitando que os dentes lhe machuquem:
é Parshvatoddashta (Morder nos Lados).

A ponta do pénis ela pega,
gentilmente, entre os lábios,
ora apertando, ora beijando ternamente,
a pele macia puxando:
é Bahiha-samdansha (Pinça Externa).

Ela deixa agora a cabeça deslizar
inteiramente para a sua boca,
a haste entre os lábios comprime firmemente,
por um momento parando, antes de puxar:
é Antaha-samdansha (Pinça Interna).

Quando ela pega o pénis em sua mão
e os lábios bem redondos
beijos dão por toda a extensão,
sugando qual faria com seu lábio inferior,
o nome que se dá é Chumbitaka (Beijar).

Se, ao beijar, ela deixa que a língua
por todo o pénis se esbata
e depois, em ponta, ataca insistente
a glande tão sensível,
vira Parimrshtaka (Golpear a Ponta).

Agora, pela paixão inflamada, o pénis
ela enfia bem fundo em sua boca,
puxando e sugando com vigor,
como se fosse da manga o caroço:
é Amrachushita (Chupar a Manga).

Quando ela sente que o seu orgasmo
é iminente e engole todo o pénis,
sugando, trabalhando, com os lábios,
com a língua, até o momento final,
é Sangara (Engolir Tudo).

Técnicas de Cunilíngua – Ratiratnapradipika
O santuário da amada venere
com as oito técnicas de cunilíngua:
Adhara-sphuritam (Beijo Trémulo),
Jihva-bhramanaka (Língua Circulando)
Jihva-mardita (Massagem da Língua).

Chushita (Sugar), Uchchushita (Sugar para
Cima), Kshobhaka (Remexer),
Bahuchushita (Sugar com Força) e Kakila
(o Corvo); improvisar com os dentes
produz infindáveis variações ao amor.

Com as pontas dos dedos, delicado,
aperte os lábios arqueados da casa do amor
e devagar, bem lentamente, os una,
beijando qual faria com o lábio inferior:
é Adhara-sphuritam (Beijo Trémulo).

Agora a arcada abra com o nariz,
deixe que a língua entre,
a yoni explore gentilmente,
o nariz girando, os lábios e o queixo:
é Jihva-bhramanaka (Língua Circulando).

Deixe a língua descansar por um momento
na arcada do templo o amor,
antes de entrar para o culto vigoroso,
fazendo a seiva dela escorrer:
é Jihva-mardita (Massagem da Língua).

Prenda agora os seus lábios
nos lábios da yoni da amada,
a beijos profundos se entregue,
mordiscando, ao clitóris sugando:
é Chushita (Sugar).

Com as mãos suspenda a bela bunda,
a língua o umbigo sonde, resvale
para girar suavemente na arcada
do templo do amor, e lamber a seiva:
é Uchchushita (Sugar para Cima).

Remexendo as lindas coxas,
que ela própria com as mãos segura
e abre o mais que pode,
sua língua adeja, a seiva sorve:
é Kshobhaka (Remexer).

Sua amada num divã estenda,
os pés dela em seus ombros, a cintura
pegue, sugue com força, deixe a língua
remexer o templo do amor a transbordar:
é Bachuchushita (Sugar com Força).

Se de lado deitados,
em direcções opostas,
as partes íntimas beijam mutuamente,
usando as 15 técnicas descritas,
é Kakila (o Corvo).

Comentários finais- Kama Sutra
Tão grande é o prazer que o corvo
às mulheres oferece que por sua causa
muitas cortesãs abandonaram
respeitáveis cidadãos e se ligaram
a escravos, machuts , a homens inferiores.

As mulheres encerradas em haréns
o Corvo acabam praticando.
Depravados praticam em segredo
com outros homens, íntimos seus,
deitados lado a lado, em mútua felação.

Jovens dândis que se exibem,
com brincos e outros ornamentos,
não são avessos a chuparem outros;
mas os mais hábeis nas artes orais
são eunucos, cortesãs ou as escravas.

O intercurso oral deve se evitado
por altos sacerdotes, brahmins, reais
ministros, reis, políticos, por quem tenha
posição e por sua reputação zele,
pois a ética é extremamente duvidosa.

Não é suficiente alegar que práticas
não são condenadas pelos shastras,
estes são conselhos para os casos todos
e inevitavelmente encerram ideias
que corrompidas ficam, se fora de contexto.

Nos textos médicos de Ayurvedic,
vai se encontrar a declaração
de que carne de cão é saborosa, nutritiva,
mas sinceramente isso implica
todos passarem a come-la?

Os shastras podem aconselhar com sensatez
em quase todas as questões sexuais,
mas se em dúvida estiver, respeite
as convenções de tempo, costume e lugar,
na própria consciência se apoie.

Como tais coisas na intimidade se fazem
e são mantidas em segredo absoluto,
como a paixão sobre a razão predomina,
quem pode saber o que alguém fará,
por quê, como, onde, quando, com quem?

Compatibilidade

Os textos sagrados divide
os homens em quatro classes,
mas Ama apenas três conhece,
a casta determinada pelo tamanho do pénis:
lebre, touro, cavalo.

Kama às mulheres classifica
como corça, égua ou elefanta,
a profundeza da yoni sendo a medida.
Corça com lebre, égua com touro,
elefanta com cavalo: são os pares ideais.

Com casais de dimensões
que bem não correspondam,
há seis graus de inadequação:
elefanta e lebre ou touro, égua
e lebre ou cavalo, corça e touro ou cavalo.

Uniões iguais são melhores:
conjunções extremas (elefanta com lebre,
corça ou cavalo) raramente satisfazem.
Com os pares restantes, o sucesso depende
em grande parte de temperamento e perícia.
Os temperamentos sexuais são três:
ardoroso, moderado e frio.

Um homem de fria natureza pouco desejo tem;
o sémen esguicha sem vigor;
sempre evita unhas e dentes da amada.
Homens ardentes o desejo não escondem,
os moderados sabem manter o controle.

Cada tipo tem o equivalente feminino,
às conjunções físicas acrescentando
nove possíveis relações de temperamento.
A perícia de amante, diga-se agora,
se avalia na medida
em que sabe prolongar o prazer do amor.

Amantes podem ser peritos, adequados e inábeis,
em mais nove aumentando as relações.

Falácia

No papel da mulher é que se concentra
a controvérsia pela necessidade de perícia.
Auddalaki diz: as mulheres
não encontram satisfação no amor,
apenas alegria de satisfazer os amantes.

A perícia no beijo e na carícia,
variação de posturas, o amor prolongado,
são coisas que aumentam o prazer de um homem;
mas as mulheres não precisam,
seu prazer é muito diferente.

Nenhum homem ou mulher saberá jamais
o que sente o outro exactamente no amor;
palavras jamais vão descrever,
mas o prazer do homem se encerra com o orgasmo
enquanto jamais termina o prazer da mulher.

Resposta

Por que então é um fato
que a mulher adora um homem que uma hora fica
e despreza aquele que se vai
em duas ligeiras investidas?
Não prova que o orgasmo ela também quer?

Falácia

Seria anormal, os cépticos dizem,
para uma mulher experimentar
prazer intenso, emocional, no amor,
mas não querer que continue.

E citam até os versos de Auddalaki:
“Na paixão do homem se abate
o desejo da mulher feliz,
não há beijo, carícia, arremetida
do falo que sua paixão sacie.
O prazer do homem é seu único prazer.”

Ao contrário do homem, diz Babhravya,
cujo sémen esguicha, ao final do prazer,
a seiva da mulher flui do início,
a toda fibra inundando de alegria;
não precisa assim de um longo amor.

Resposta

É Auddalaki em disfarce.
Se tal prazer ela sente, desde o início,
por que tão quieta fica no começo,
o corpo só aos poucos à paixão se entregando,
o que tanto a abala ao final?

A paixão da mulher não seria
como a roda do oleiro, a piorra da criança,
a princípio girando lentamente,
a velocidade aumentando, até explodir
na beleza indescritível do orgasmo?

O próprio Babhravya escreveu:
“O orgasmo dele é o final do seu prazer,
o ardor intenso dela não tem fim,
pois ambos devem se gastar na batalha do amor
e a seiva misturar, antes que a paz ela encontre.”

Como homem e mulher são humanos,
ambos absorvidos no mesmo ato,
por que o prazer seria diferente?
Vatsyayana conclui
que a mulher tem orgasmo, como o homem.

Falácia

Mas homem e mulher não são iguais!
Um homem é para a mulher
o que a mó para o moinho é:
são feitos de forma diferente,
naturezas opostas, papéis separados.

Não é absolutamente ridículo
dizer que homem e mulher,
divergindo um do outro,
tanto no corpo como no temperamento,
experimentam o prazer de formas diferentes.

Resposta

É mais que óbvio, até para Vatsyayana,
que homem e mulher são diferentes.
Ele também aceita que, por costume,
homens dominam, mulheres são dominadas,
o que há de se reflectir no ato do amor.

A natureza do homem é apregoar
“Estou fazendo o amor!”
A mulher arrulha: “Este homem me faz o amor!”
Mas o prazer, quando chega,
não sabe quem é a mulher, quem é o homem.

Quando os carneiros se chocam, de cabeça,
quando os galos se agridem,
quando lutadores se engalfinham,
o choque pelos dois se distribui;
assim também é, quando homem faz amor à mulher.

Não se alegue que carneiros são carneiros,
lutadores, lutadores, mas homens não são mulheres.
Homem e mulher o mesmo nervo são, mesmo sangue,
mesmo músculo, osso, tendão e alma:
não há diferença, por baixo da pele.

Linga e shaki feitos são um para o outro,
de que outro jeito vida nova nasceria?
O desejo junta homem e mulher num só amor,
numa ardente união,
criando um filho do choque partilhado do prazer.

Vatsyayana diz: toda mulher
a alegria do orgasmo deve conhecer.
Todo homem deve aprender as artes do amor,
o beijo, carícia, asanas, jogos de dentes
e das unhas, o prazer da amante antes do seu.

Como dois amantes jamais poderão
em tamanho, temperamento e arte se igualar,
não existem regras que governem o amor.
Só a experiência pode lhe dizer
que técnicas satisfarão que amantes.

O sábio também sabe que o prazer físico
não é o fim exclusivo do acto do amor.
Pode ser como música, atiçando emoções,
intensificando sentidos, dissolvendo
pensamento em ritmo, até que um só ritmo exista.

Vai fluindo, corações acelerando,
os lábios tremem na batida
de tambores na mais rápida marcha,
até que a própria música se dissolve
na sagrada e longa nota de silêncio.

O amor tem muitas yogas:
o contacto de dois corpos; virilhas presas;
a ruptura na separação;
o acalmar da respiração violenta;
a serenidade de corpo e mente.

Pessoas de inteligência e sensibilidade
vão achar tais comentários
suficientes para esclarecer o delicado assunto.
Para quem precisa de mais esclarecimento
as artes do amor agora são descritas.

Posições Sexuais

Se a amada é menor do que você,
posições de amor escolha
em que as coxas dela bem abertas fiquem.
Se ela puxa ao generoso,
use aquelas que as coxas se unem.

Se ela muito o sobrepuja,
o prazer lhe dê com um falo de ouro ou prata.
Mas se os dois à perfeição combinam,
cada postura conhecida se pode exaltar
nesta yoga deslumbrante de dois corpos.

Se a amada é menor do que você,
posições de amor escolha
em que as coxas dela bem abertas fiquem.
Se ela puxa ao generoso,
use aquelas que as coxas se unem.

Se ela muito o sobrepuja,
o prazer lhe dê com um falo de ouro ou prata.
Mas se os dois à perfeição combinam,
cada postura conhecida se pode exaltar
nesta yoga deslumbrante de dois corpos.

Posições Deitadas 

Grupo Utphullaka- Kama Sutra
A mulher corça mais prazer encontra
nas abertas posturas do grupo Utphullaka:
Utphullaka (Flor em Botão),
Vijrimbhitaka (Bocejo Largo)
e Indranika, da deusa Indrani a postura.

Em Utphullaka a mulher usa uma almofada,
quadris bem alto erguendo,
as coxas abre, o mais largo que puder.
Gentilmente a penetre,
sem ferir a ela, magoar a si mesmo.

Em Vijrimbhitaka as coxas são abertas,
as pernas se estendem para o alto,
os quadris na cama permanecem.
A yoni assim se expande, mas se inclina
para baixo, cuidado na entrada.

Indrani os joelhos ergue,
nas curvas dos seios se aninham,
os pés encontram as axilas do amado.
Quem é pequena esta postura adora,
mas uma deusa se faz com muita prática.

Grupo Utphullaka- Textos Medievais
Com as palmas ela pega e ergue a bunda,
as coxas abre, o mais possível,
põe ao lado dos quadris,
enquanto você os seios lhe acarinha:
assim é Utphullaka (a Flor em Botão).
(Ratirahasya)

Os tornozelos pegando
da mulher de quadris cheios, bunda
como abóboras maduras,
as lindas coxas erga
e bem estenda na abertura.

De desejo impregnado, em palavras doces,
dela se aproxime, seu corpo rígido,
arremeta direito para frente,
penetre o lótus, os corpos se unindo:
é Madandhvaja (a Bandeira de Cupido).
(Panchasayaka)

Os dois pés da amada agarre,
suspenda até os seios comprimirem,
as pernas dela um círculo formando.
Pelo pescoço a enlace e faça o amor:
é Ratisundara (Delícia de Afrodite).
(Smaradipika)

Os pés da amada erga até as solas
se encontrem paralelas
nos dois lados do pescoço esguio,
os seios pegue, o amor faça:
é técnica é Uthkana (Alto do Pescoço).
(Ratimanjari)

A linda esposa, na cama deitada,
os próprios pés segura
e levanta até os cabelos,
você lhe pega os seios e faz amor:
assim é Vyomapada (Pé no Céu).
(Ananga Ranga)

Seus próprios joelhos, segurando, sua esposa,
na cama estendida,
estica as pernas, os pés erguendo,
enquanto você comprime os seios juntos:
assim é Vyomapada (Pé no Céu).
(Panchasayaka)

A mulher de coxas roliças, na cama,
os tornozelos agarra, os pés bem alto ergue,
você crava até a raiz, beijando,
batendo com as palmas entre os seios:
assim se faz Markata (o Macaco).
(Srnararasaprabandhadipika)

De costas ela deita,
você senta entre os joelhos e suspende,
os pés dela engancha em suas coxas,
os seios pegue, faça o amor:
é Manmathpriya (Caro a Cupido).
(Smaradipika)

Entre as coxas da esposa sente,
as mãos na cama ponha, junto à cintura dela,
gire os quadris, ao fazer amor:
é Smarachakra (a Roda do Amor),
tão do grado de mulher mais ardentes.
(Ananga Ranga).

No leito do amor se estende,
braços, pernas estendidos, qual estrela-do-mar,
você se abate sobre ela, achatando
os seios, juntos os comprimindo:
é Ratimarga (Estrada do Amor).
(Srngararasaprabandhadipika)

Grupo Samputa- Kama Sutra
Se tem o pénis para uma mulher pequeno,
então use as posturas do grupo Samputa:
Samputa (a Caixa de Jóia),
Pidita (o Aperto), Veshtita (Entrelaçado)
e Vadavaka (o Truque da Égua).

Em Samputa suas pernas se estendem
junto às delas, em carícia de alto a baixo.
Sua amada põe por baixo,
ou os dois de lado estendidos,
mas neste caso que ela fique à sua esquerda.

Em Pidita as coxas dos amantes
se entrelaçam e se apertam, ritmadas.
Em Veshtita as coxas ela cruza
ou cada rola para dentro,
assim forçando o aperto da yoni.

Quando a amada como a égua
que , cruel, agarra o garanhão,
pretende e suga o seu pénis com vagina,
é Vadavaka (o Truque da Égua),
que só a longa prática aperfeiçoa.

Grupo Samputa – Textos Medievais
Quando amantes, as pernas estendidas,
rígidos, pés acarinhando,
fazem amor pelo desejo em seus corações,
sábios em Tantra chamam Samapada (Pés Iguais),
todos concordam se caminho para o êxtase.
(Ratikallolini)

Como estaca rígida, no meio da cama,
ela se estende no ato do amor,
arrulhando e gorjeando como a pomba,
a jóia do clitóris bem polida:
isto é Mausala (o Pilão).
(Srngararasaprabandhadipika).

Quando de costas ela deita,
as coxas juntas, comprimidas,
você lhe faz amor,
suas coxas além das coxas dela,
é Gramya (o Rústico).
(Ratirahasya)

Se envolvendo, aprisionando,
as coxas dela com as suas,
tão forte aperta que ela grita em dor,
é Ratipasha (o Nó do Amor),
que às mulheres sempre agrada.
(Smaradipika)

Os membros dela, nos seus entrelaçados,
como tentáculos de jasmim fragrante,
se contraem e relaxam lentamente,
no ritmo suave de linga e yoni:
é Lataveshta (Trepadeira Ardente).
(Ratimanjari/Ananga Ranga)

As pernas ela junta,
os joelhos contra os seios comprimindo,
a yoni, como o botão que desabrocha,
em oferenda ao prazer:
quem conhece chama de Mukula (o Botão).
(Srngararasaprabandhadipika)

Se ela ergue os joelhos
e os seus se prendem nas coxas levantadas,
um nó bem firme se formando,
enquanto a monta pela bunda sedutora,
ardente a beija, é Shankha (a Concha).
(Srngararasaprabandhadipika)

Grupo Bhugnaka – Kama Sutra
Suvarnanabha tem sequência de posturas
que derivam de Bhugnaka (Ascendente),
a mulher de costas se deitando,
as pernas alto levantando
e juntas, comprimidas.

Se ela cruza as pernas levantadas,
a postura vira Piditaka (o Aperto).
Se, alternativamente, os pés ela põe
sobre os seus ombros,
vira Jrimbhitaka (o Bocejo).

Se os pés em seu peito se apoiam e você comprime contra os seios
os joelhos dela, é Utpiditaka (Aperto Alto).
Se agora ela estende uma das pernas,
é Ardhapiditaka (Meio Aperto).

Se ela solta um pé, em Jrimbhitaka,
lentamente a perna estende até o fim,
torna a puxar, a outra perna estende
pela cama, até onde pode ir,
é Venudaritaka (Bambu Rachado).

Se o calcanhar ela põe em sua cabeça,
a outra perna estendida para fora,
alternando como acima,
é Shulachita (Assado no Espeto):
você o assado, ela o espeto.

Grupo Bhugnaka – Textos Medievais
Quando ela ergue os pés bem alto,
você ajoelha entre as coxas separadas
e faz amor, vigorosamente,
acariciando e comprimindo os seios,
é Ardhasamputa (Meia Caixa de Jóia).
(Ratimanjari)

Quando sua amada ergue as coxas cruzadas
e os calcanhares põe
num dos seus ombros, a bunda
ardentemente golpeada por seu pénis,
bem depressa, é Nagara (O Caminho da Cidade).
(Panchasyaka).

Quando, de costas estendida,
a bela amada os pés levanta aos seus ombros
e os mantém cruzados
ao ritmo de suas invertidas,
é Vanshadaraka (as Varas de Bambu).
(Smaradipika)

De costas ela deita,
as coxas se enganchando em sua cintura,
e você senta para entrar:
é Nagara (o Caminho da Cidade),
tão do agrado entre as chitrini.
(Ananga Ranga).

Se os pés você coloca
da amada no seu colo
e faz amor enquanto
a enlaça no pescoço,
é Ratilila (Jogo da Deusa).
(Ratikallolini).

Os pés dela junte,
contra o seu coração comprima,
a outra mão vagueando
por vales e picos do país dos seios:
assim é Priyatoshana (Delícia da Amada).
(Smaradipika).

Se agora ela balança, para a frente, para trás,
os pés contra o seu peito empurrando,
suas mãos entre as dela segurando,
enquanto a yoni se golpeia ardentemente,
então é Prenkha (o Balanço).
(Ratirahasya/Ratimanjari).

Se deitada de costas ela ergue
um pé para o seu ombro
e o outro você aninha em sua palma,
a mão livre lhe afagando os seios,
é Ekapada (Um Pé).
(Smaradipika).

A perna esquerda recta estendida,
ela ergue a direita e puxa para trás,
até que os dedos no colchão encostem, além
de sua cabeça. Faça amor, sem que o seu peso
a force: é Traivikrama (Passo Largo)
(Ananga Ranga)

Lado a lado estendidos, na cama,
um pé dela ao seu coração levante,
deixando a outra perna recta:
assim é Vinasana (o Alaúde),
postura que a mulher experimente adora.
(Ananga Ranga)

De lado deitados,
os corpos em carícia,
dos pés aos lábios,
levante um pé ao coração da amada,
assim penetre a sua yoni:
é Ratibana (Flecha do Amor)
(Ratikallolini).

Grupo Karkata – Yoga – Kama Sutra
Como um caranguejo, cruzando as pernas,
sobre a barriga, a sua amada
os pés levanta ao seu umbigo,
as solas se encontrando,
a postura é Karkata (o Caranguejo).

Grupo Karkata – Yoga- Textos Medievais
De costas ela deita,
membros estendidos, como o caranguejo,
braços e pernas se contraem, a puxá-lo,
com força apertando,
é Karkata (o Caranguejo).

Os pulsos dela agarre, estenda os membros,
sua língua acarinhando
os mamilos, a região entre as coxas,
abrace-a, os seios esmagando
contra seu peito: é Ghattita (Acariciando).
(Srngarasaprabandhadipika)

De costas ela deita,
você a abraça,
os braços passa sob os seus joelhos
para assediá-la, destemido:
é Nagapasha (o Nó de Cobra).
(Smaradipika)

Quando a amada os braços passa
sob as coxas levantadas
e os dedos se enlaçam por trás do seu pescoço,
seu rosto descendo para o beijo,
é Phanabhritpasha (o Nó do Encapuçado).
(Ratiratnapradipika)

Lábios sobre os lábios,
braços sobre os braços,
coxas sobre as coxas,
seu peito esmagando os seios dela:
é Kanakakshaya (Destruidor de Riqueza).
(Smaradipika).

Os dois com pernas e braços estendidos,
numa completa Kaurmasana,
ela por baixo, você por cima,
lábios, braços, coxas juntos, mãos unidas:
é Kaurma (a Tartaruga).
(Ratiratnapradipika)

De costas ela deita, os pés no alto
das coxas opostas;
pelo corpo dela passe as mãos, penetre
de repente, o prazer dê em golpes firmes:
é Padmasana (a Posição do Lótus).
(Ratimanjari).

Quando amantes de costas se deitam,
os membros adoráveis
em flor jungidos (pés cruzados em lótus),
no centro da cama,
se dá o nome de Vriksha (a Árvore).
(Srngararasaprabandhadipika).

De costas deitada, as pernas ela ergue,
os dedões agarra,
com força apertando,
você senta entre as coxas levantadas,
pelo pescoço a enlaça e faz amor.
É a famosa Sanyama
(a Controlada),

tão recomendada no Kama Sutra
de Mallanaga Vatsyayana
e por outros bem versados na arte do amor.
(Ratiratnapradipika)

De costas deitadas, a sua amada
os joelhos leva aos lados do rosto,
calcanhares na cama bem abertos,
expondo o cume triplo e orgulhoso da yoni:
é Shulanka (Trindente de Shiva).
(Ratiratnapradipika).

Posições Sentadas

Grupo Padmasana – Kama Sutra
Quando o pé esquerdo no alto se coloca
por cima da coxa direita,
o pé direito sobre a coxa esquerda sobe,
a postura do amor
é Padmasana (a Posição do Lótus) .

Grupo Padmasana -Textos Medievais
Se sua esposa põe o pé esquerdo
sobre a coxa direita
e vice-versa, as pernas cruzadas ergue
na direcção da barriga,
é Padmasana (Posição do Lótus).

Mas se apenas um dos pés
assim está cruzado,
na coxa oposta bem alta se prendendo,
enquanto a outra perna se estende,
é Ardhapadmasana (Meio Lótus).
(Ananga Ranga).

Quando você erecto senta, na pose do lótus,
as mãos aos pés pegando,
e sua amada os pés coloca em suas coxas,
os seios seu peito perfurando,
e faz amor assim, é Matsya (o Peixe).

Se firme e apertado neste abraço,
ela põe os pés na cama
e lentamente gira a lhe voltar o rosto,
sem romper a união,
é Jvalamukhi (o Rosto em Chama).
(Srngararasaprabandhadipika)

Sentada erecta, na cama,
se ela cruza os pés em prece no umbigo
e faz amor, apoiada
em suas coxas fortes lhe amparando a cintura,
é Kauliraka (Tantra-yoga Kauli).

Se durante Kauliraka
os pés você firma contra a cama,
a jovem amada balançando, gentilmente,
para a frente, para trás, é Prenkhi (o Balanço),
caminho pelo para a perfeita paz.
(Ratiratnapradipika).

Grupo Kaurma – Kama Sutra
Se vocês estão sentados em firme abraço
e ela se vira,
sem romper o ritmo do amor,
para abraça-lo por trás,
é o virtuoso Paravrittaka (Raviravolta).

Paravrittaka também é possível
em algumas posições de penetrar por trás,
mas tão difícil é
de dominar, tanta prática exige,
quanto a versão sentada.

Grupo Kaurma – Textos Medievais
Sentados, boca em boca,
braços coxas em coxas,
assim é o Kaurma (a Tartaruga).
Se as coxas dos amantes, juntas, se levantam,
é Paravartita (Virando).
( Ananga Ranga)

Se dentro da caverna das coxas dela
você senta, os quadris girando, qual abelha ,
é Markata (o Macaco).
Se, nesta pose, você se vira,
é Marditaka (Especiarias Moídas).
(Ratiratnapradika)

Ela senta com as coxas levantadas,
os pés se encaixam nos lados de sua cintura,
linga penetra yoni,
golpes fortes no corpo você lhe inflige:
é Kshudgara (Golpeando).
(Ratimanjari)

Quando sua esposa senta,
com os joelhos ao corpo comprimidos
e você esta postura espelha,
quem é versado na arte do amor chama
Yugmapada (o Jugo dos Pés).
(Ananga Ranga)

Sentada erecta, a bela dama
uma perna dobra contra o corpo,
a outra estende pela cama,
o mesmo você fazendo:
é Yugmapada (o Julgo dos Pés).
(Ratirahasya)

Com a perna esquerda estendida,
se ela lhe enlaça a cintura com a direita,
o tornozelo pondo sobre a coxa esquerda,
e tal postura também você assume,
é Svastika (a Suástica).
(Srngararasaprabandhadipika)

Na cama sentados, frente a frente,
os seios dela no seu peito comprimindo,
os calcanhares se engancham
por trás da cintura do outro,
e para trás se inclinam, pulsos segurando.

O balanço ponha em movimento,
a sua amada, em medo simulado,
a seu corpo aderindo com pernas impecáveis,
de amor arrulha, geme de prazer:
assim é Dolita (o Balanço).
(Srngararasaprabandhadipika)

Sentados frente a frente,
os dedos de seus pés os mamilos dela acariciam,
os pés dela em seu peito comprimidos
e fazem amor, as mãos se dando,
é Kaurma (a Tartaruga).
(Srngararasaprabandhadipika)

Sentada, a mulher ergue
um pé sobre a cabeça, na vertical aponta
e com as mãos o firma,
a yoni ao amor oferecendo:
é Mayura (o Pavão).
(Srngararasaprabandhadipika)

Sentado erecto, a cintura pegue da amada
e a puxe contra você,
as virilhas golpeando sem parar,
com o som do bater de orelhas de elefante:
assim é Kirtibandha (Nó de Fama)
(Panchasayaka)

Entre as coxas dela ajoelhado,
os seios coce, sob os braços,
de “meu querido amor” a chame,
marcas de unha lhe faça nos mamilos:
assim Jaya (Vitória) se consuma.
(Srngararasaprabandhadipika)

Grupo Bandha – Textos Medievais
Quando você senta com seus braços
e pescoço da amada enlaçando
e ela as palmas pressiona
contra o seu coração, batendo forte,
é Nagara (o Caminho da Cidade).
(Smaradipika)

Aos pescoços um do outro segurando,
sorvendo ternos beijos
do lábio inferior, como botão,
as coxas firmemente enredadas,
fazendo amor: é Pallava (a Folha Nova).
(Srngararasaprabandhadipika)

Quando sentado os braços você passa
sob as coxas levantadas da amada,
os dedos se cruzando por trás de seu pescoço
e assim lhe fazer amor,
é Sanyama (a Controlada).
(Ananga Ranga)

As mãos cruzando
sob os próprios joelhos,
os ombros um do outro segurando,
o duplo engate
se chama Bandhura (o Nó Curvo).

(Ratikallolini)

À sua frente sentada,
a amada passa os braços sob as próprias coxas
e dedos entrelaça por trás de seu pescoço,
o mesmo exactamente você faz,
é Bandhurita (o Nó Curvo)
(Ananga Ranga)

Se a amada seu pescoço enlaça
e seus braços entre os dela igual enlaçam,
assim fazem amor, bem juntos,
diz Kalyana Malla, Príncipe dos poetas,
é Phanipasha (Nó da Cobra).
(Ananga Ranga)

Posições de Pé

Do Kama Sutra

Vamos agora às posturas de amor
com que os escultores adoram nossos templos
Quando um casal faz amor de pé
ou se firmando em parede, numa coluna,
se dá o nome Sthita (Firmada)

Quando a mulher senta nas mãos do amado
aninhada, os braços ao pescoço enlaçam,
as coxas a cintura apertam,
os pés contra a parede em balanço,
é Avalambitaka (Suspensa).

Do Textos Medievais
Quando a amada pega e esmaga
na jaula dos seus braços,
os joelhos com os seus força a abrirem
e nela afunda lentamente,
é Dadhyayataka (Coalho Remexido).
(Panachasayaka).

Quando na parede ela se encosta,
os pés abertos, até onde possível,
e você entra na caverna
entre as coxas, ansioso pelo amor,
é Sammukha (Frente a frente).
(Ratiratnapradipika)

Se você numa parede encosta
e a amada as coxas trança pelas suas,
os pés em seus joelhos prende,
e seu pescoço agarra, fazendo amor
ardentemente, é Dola (o Balanço).
(Smaradipika)

Quando sua amada uma perna ergue,
o calcanhar deixando
aninhar-se logo atrás de seu joelho,
e você lhe faz amor, em braço vigoroso,
é Traivikrama (a Longa Passada).
(Ratiratnapradipika)

Se um joelho da amada você pega,
em sua mão, bem firme,
e de pé lhe faz amor,
as mãos por seu corpo acarinhando,
é Tripadam (o Tripé).
(Panchasayaka)

Se uma perna ela ergue
e o mimoso pé você pega,
os seios acarinhando,
dizendo o quanto a ama,
é Ekapada (Um Pé).
(Srngararasaprabandhadipika)

O seu coração o pé da amada pressiona,
seus braços a envolvem e sustentam,
as costas na parede se apoiam
e você desfruta a linda jovem:
assim é Veshta (o Envolvimento).
(Smaradipika)

Na parede ela se encosta,
as mãos em lótus nos quadris,
dedos longos ao umbigo se estendendo,
um pé você lhe pega em sua palma,
a outra mão seu anjo acarinhando.
Ao pescoço da amada passe o braço
e a desfrute, com ela à vontade.

Vatsyayana e muitos outros
que a arte do amor bem conheceram
à postura um nome davam: Tala (a Palma).
(Ratiratnapradipika)

Numa parede encostada,
a amada ao seu pescoço agarra
e os pés levanta,
em suas palmas, para o amor:
é Dvitala (Duas Palmas).
(Ratirahasya)

Se a amada você ergue,
seus cotovelos sob os joelhos dela,
a bunda lhe agarrando,
enquanto ela se pendura em seu pescoço,
é Janukurpara (O Joelho-Cotovelo).
(Ratiratnapradipika)

Sua esposa o pescoço lhe segura,
as pernas trança, na cintura sua:
assim é Kirti (Fama), uma postura
que não se encosta no Kama Sutra.
Jamais a tente se a amada muito pesa.
(Ananga Ranga).

Posições de Penetração por Trás
Do Kama Sutra
Se de quatro ela fica,
as palmas no tapete estendidas,
e você a monta como um touro,
acarinhando as costas, em vez dos seios,
é Dhenuka (a Vaca Leiteira).

Aos animais imitar divertido pode ser,
como cães, veados, bodes,
movimentos copiando, a seus gritos:
atacar abruptamente, como o asno,
as costas arquear, como gatos sensuais.

Como o tigre ataque; nas costas dela
lentamente suba, qual solene elefante;
pode grunhir, qual javali;
com orgulho a cubra, um garanhão:
são jogos que novas coisas ensinam.

Dos Textos Medievais

Para a frente ela se inclina e pega
a armação da cama, a bunda levantada;
suas mãos como serpentes se insinuam
e os seios junto apertam:
é Dhenuka (a Vaca Leiteira).
(Srngararasaprabandhadipika)

Se você a monta como um cão,
sua cintura agarrando,
ela se vira para seu rosto olhar,
quem conhece as artes do amor
chama Svanaka (o Cão).
(Srngararasaprabandhadipika)

Se a amada, pelo amor ansiosa,
de quatro fica, lombo erguido, como a corça,
e por trás você a desfruta,
como se a natureza humana perdesse,
é Harina (o Cervo).
(Panchasayaka)

Os pés em lótus,
no chão bem aparados, ela se inclina,
cada mão sobre uma coxa,
por trás você a toma:
é Gardabha (o Asno).
(Srngararasaprabandhadipika)

Se de barriga ela deita
e com as mãos você lhe agarra os tornozelos,
bem alto levantando e o amor fazendo,
o queixo para trás puxando com a outra mão,
é Marjara (o Gato).
(Srngararasaprabandhadipika)

De frente ela se deita,
com as mãos seus tornozelos pega,
para trás bem alto levantando:
a esta difícil postura quem conhece dá o nome
de Mallaka (o Lutador).
(Panchasayaka)

Quando sua amante deita,
seios, braços, testa no tapete,
a bunda bem alto elevando,
e você guia o pénis à yoni,
é Aibha (a Elefanta).
(Ratirahasya)

Bem alto você ergue os tornozelos dela,
ela se estica,
as pernas estendendo,
como pelo ar a rastejar:
é Hastika (o Elefante).
(Srngararasaprabandhadipika)

De quatro ela fica,
por trás você se põe,
um dos pés ao ombro leva,
a linda jovem desfruta:
é Traivikrama (a Passada).
(Panchasayaka)

Os pés dela alto erga
(como um carrinho de mão),
o pénis na yoni enfie
e a sacie com golpes vigorosos
é Kulisha (o Raio).
(Smaradipika)

De joelhos, como arqueiro,
em seu colo a pegue
e dobre para frente, até que os seios
nas coxas dela se comprimam:
é Ekabandha (Um Nó).
(Smaradipika)

De lado deitada, contra você virada,
a linda jovem, olhos de corça,
a bunda lhe oferece
e seu pénis entra na casa do amor:
é Nagabandha (o Elefante).
(Panchasyaka)

Amor Exótico – Kama Sutra
Suvarnanabha diz ser uma delícia
fazer amor em águas fundas:
os nós mais complexos, contorções,
posturas da yoga e do templo,
com prazer e fáceis se dominam.

Mas o conselho é sem valor,
diz Vatsyayana: contradiz ensinamentos
dos santos sábios, dos smritis,
por Gotama é proibido: “O casal
que na água copula será amaldiçoado.”

Quando você na cama faz um trio
com duas esposas que gostam,
é Sanghataka (o Par).
Se a muitas deleita a um só tempo,
é Goyuthika (a Manada).

Qual manada de elefantes
no calor do verão se refrescando,
uma incursão você faz com as esposas
a algum remanso de um rio, à sombra:
é Varikriditaka (o Jogo da Água).

O papel você assume
de carneiro, garanhão,
entre o rebanho das concubinas.
A mulher que aprecia dois ou mais
amantes desfrutar desse jogo vai gostar.

Nas montanhas em que vivem os Nagas,
em Balkh, Strirajya,
frustadas damas de casas reais
rapazes sempre atraem
e seus haréns, onde os escondem.

Uma rainha no colo de um homem senta,
enquanto outro a penetra
e mais um seu corpo cobre de beijos,
unhadas e mordidas de amor,
os três se revezando, até que ela se canse.

Em terras civilizadas, há que ressaltar,
essas sessões de orgia são prerrogativas
de cortesãs e prostitutas
só bem raro alguém ouve falar
de princesas se entregando aos sirdars.

Os povos das terras do sul
se afeiçoam à sodomia
e praticam livremente com homens e mulheres.
Sexo oral e inversão dos papéis
também aqui serão tratados.

Inversão de Papéis

Primeiro, os meios de excitar e saciar
uma difícil amante.
Comece por atraí-la para a cama
e a enleve com palavras doces,
antes de abrir furtivamente o nó da saia.

Se ela tentar impedi-lo, beije-a,
suplicante, até que o desejo prevaleça.
Quando seu pénis rígido subir,
faça-a senti-lo, gentilmente,
comprimindo e acarinhando as coxas.

Se for a primeira vez em que se deitam,
ela certamente há de protestar
quando a mão entre as coxas você estender
e prontamente as fechará:
acaricie até as coxas tornem a se abrir.

Embale agora as suspeitas
fingindo as mãos pelos seios atraídas,
a garganta, braços, os quadris.
Isto é muito importante com as virgens
que sempre exigem carícias infindáveis.

Se é mulher de experiência,
do recurso terá conhecimento,
pelos cabelos a pegue,
vire a boca para beijos,
nas faces plante mordidas de amor.

Se a amada é virgem,
fechados os olhos e tímida estará,
seu trabalho às cegas deve ser,
pois nos belos olhos das mulheres
quem sabe ler encontra segredos de amor.

Quando a carícia é vibrante,
os olhos dela para cima se reviram
em êxtase, ao que diz Suvarnanabha.
Deixe que os olhos dela a carícia escolham
e sua amada logo ardente há de ficar.

Quando para o amor ela estiver pronta,
as pernas pesadas há de sentir,
os movimentos lentos, langorosos,
os olhos ela fecha e comprime
o templo do amor contra você.

Você sente que o orgasmo dela é iminente
quando os braços começam a tremer,
o corpo de suor se torna lúbrico,
ela morde, arranha,
agita as pernas, incontrolável.

Se ao orgasmo você chega
enquanto ela à beira ronda,
o agarra, não o solta,
a amada em paixão desesperada
continua a arremeter, com frenesi.

Para que tal não aconteça
você deve prepará-la,
antes do amor, formando os dedos
em romba de elefante e acarinhando
a yoni dela, até molhada estar.

Durante o amor, dez golpes você pode
com o pénis desferir,
mas apenas Upasripta (Natural),
instintivo até para quem não conhece,
ao clitóris estimula plenamente.

É um golpe para cima bem suave
que se pode variar na profundidade,
rapidez, em ritmo subtil,
tão espontâneo,
que os outros nove jamais hão de alcançar.

Se o pénis você pega e move
em círculo na yoni,
é Manthana (Batedeira).
Se o pénis comprime, implacável, a yoni,
Quando golpeia bem fundo na yoni,
é Hula (a Faca de Duplo Gume).

Os quadris dela numa almofada erguidos,
se você desfere um golpe vigoroso
para cima, é Avamardana (Pontada).
Se o pénis comprime, implacável,
a yoni, é Piditaka (Pressão).
Se for completo você sai
e depois ataca, violento,
é Nirghata (o Tapa).

Pressão contínua num lado da yoni
é Varahaghata (Golpe do Javali).
Se por todos os lados você arremete,
como um touro os chifres enfiando,
é Vrishaghata (o Golpe do Touro).

Um tremor na yoni é Chatakavilasa
(Canto do Pardal), que o orgasmo anuncia.
À convulsão involuntária do orgasmo
se dá nome de Samputa (Caixa de Jóia).
Mas não há duas mulheres que o amor
igual façam e assim varie seus ritmos
pelos ânimos e cores da raga da amada.

Se o amor longo o esgota
antes que a amada o orgasmo alcance,
você deve permitir
que ela de costas o vire e monte,
a iniciativa tomando.

Se a postura a ela dá prazer
ou se você desfruta a novidade,
ela pode tornar a mudança em rotina,
embora cuidado extremo sempre tome
para a linga não sair do templo do amor.

Uma amante hábil os papéis
troca sem romper os ritmos do amor.
Se o amor você já fez,
ela pode bem fácil despertá-lo,
assumindo o papel de homem desde o início.

Pense um pouco: em você ela monta,
caindo flores dos cabelos desgrenhados,
os risinhos em ofegos se tornando,
a cada vez que se dobra para o beijo,
os mamilos seu peito perfuram.

Os quadris dela se remexem agora,
a cabeça, para trás jogada, mais depressa
se balança, ela arranha, com os punhos
o agride, os dentes lhe crava no pescoço,
em você fazendo o que tantas vezes fez a ela.

Ela grita, conquistadora inebriada:
“Você me doma, agora é humilhado!”
Mas o orgasmo a domina abruptamente,
os lindos olhos fechando,
ela a você se anima, outra vez mulher.

Quando o papel do homem assume,
sua amada escolher pode
três famosas técnicas de amor:
Samdmsha (a Pinça),
Bhramara (a Abelha), Prenkholita (o Balanço).

Se o Truque da Égua ela usa,
seu pénis com a yoni apertando,
comprimindo e afagando,
a mantê-lo por tempo infindável,
é Samdamsha (a Pinça).

Se ela ergue os pés
e os quadris gira, seu pénis
bem fundo na yoni circulando,
e você arqueia o corpo em sua ajuda,
é Bhramara (a Abelha).

Se agora os quadris ela balança
em largos círculos, fazendo oitos,
no seu corpo balançando,
como se andasse de gangorra,
é Prenkholita (o Balanço).

Quando a paixão se esvai,
ela deve repousar, à frente se inclinar,
a testa sobre a sua,
sem romper a união dos corpos:
o desejo logo há de renascer.

Dos Textos Medievais

O seu pénis segurando, a amada,
olhos revirados qual pétalas de lótus,
o guia para yoni,
a você se agarra, a bunda mexe:
é Charunariksshita (Bela Dama no Comando).
(Ratikallolini)

Em seu pénis entronizada,
as mãos na cama a amada põe
e faz amor, enquanto você
as mãos comprime no coração dela:
é Lilasana. (Assento do Amor).
(Smaradipika)

Sobre você ela senta, empertigada,
cabeça para trás, qual égua empinada,
os pés unindo,
na cama, ao lado de seu corpo:
é Hansabandha (o Cisne).
(Srngararasaprandhadipika)

A amada põe um pé
em seu coração, outro na cama.
Mulher ousada adora esta postura,
que no mundo se conhece
por Upavitika (Cordão Sagrado)
(Panchasayaka)

Se com um pé
preso em sua mão
e o outro em seu ombro,
a jovem dama o desfruta,
é Viparitaka (Invertida).

Se a amada, em você sentada,
os pés cruzados em lótus,
o corpo erecto, imóvel,
lhe faz amor,
é Yugmapada (Jugo dos Pés).
(Ratiratnapradipika)

Por cima de você sentada,
os pés cruzados, na pose do lótus,
ela cruza os braços por baixo
e as palmas no chão encosta:
é Kukkuta (o Frango).
(Srngararasapradhadipika).

A cavaleiro em você,
ela se vira e um pé em sua coxa põe,
o outro pé levantando
para um seu peito pôr:
é Viparitaka (Invertida).
(Ratimanjari)

Se em você ela senta,
de frente para os seus pés,
os pés dela às suas coxas conduzindo,
os quadris meneando em frenesi,
é Hansa-lila (o jogo do Cisne).
(Smaradipika).

Se a sua amada um pé coloca
em seu tornozelo, o outro aloja
logo acima de seu joelho,
e assim montada, os quadris mexe,
é Garuda (Garuda)
(Srngararasaprabandhadipika).

Se de costas você deita
com as pernas estendidas
e a amada o monta, ao outro lado
virada, os pés lhe segurando,
é Vrisha (o Touro).
(Srngararasaprabandhadipika).

Com os membros se enlaçando,
a beijar e a brincar,
em mil e um jogos de amor,
a amada seu papel usurpa:
é Valli (a Trepadeira).
(Srngararasaprabandhadipika)

Sobre você deitada, a amada
gira, como uma roda,
as mãos pela cama comprimindo,
seu corpo beijando, enquanto vira:
é Chakrabandha (a Roda).
(Srngararasaprabandhadipika)

Se, por meio de algum mecanismo,
a amada sobre você suspeita fica,
seu linga encaixa em sua yoni
e sobe e desce sem parar,
é Utkalita (Orissana).
(Ananga Ranga)

O Comentário Final

Mesmo a tímida, recatada,
que seus sentimentos oculta,
ao desejo simulando indiferença,
não pode evitar demonstrar sua paixão
quando sentada sobre um homem no amor.

Mas jamais assim brinque
com uma mulher menstruando
ou que acabou de ter um filho,
muito menos com mulher-corça,
grávida ou por demais pesada.

 

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/kama-sutra-texto-completo/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/kama-sutra-texto-completo/

Os Muitos Caminhos para o Topo

Texto de Sri Ramakrishna

Deus fez diferentes religiões para satisfazer diferentes aspirações, épocas e países. Todas as doutrinas são apenas outros tantos caminhos; mas um caminho não é, de modo algum, o próprio Deus. Na verdade, podemos chegar a Deus seguindo quaisquer dos caminhos com sincera devoção. Não importa a maneira de comer um bolo com glacê: ele sempre terá sabor doce.

Assim como a água, única e mesma substância em todo o mundo, recebe diferentes nomes dos diferentes povos – água, water, eau, aqua, pani – também o Eterno, a Imperecível Bem-Aventurança, é invocado por diferentes nomes: alguns o chamam de Deus, outros de Alá, alguns o chamam de Javé, outros de Brahman.

Assim como podemos subir ao teto de uma casa usando uma escada, um bambu ou uma corda, diversos são também os caminhos e os meios para chegarmos até Deus, e cada religião do mundo mostra um desses caminhos.

Inclinar-se e adorar, quando outros se ajoelham – onde muitos prestam o tributo da adoração o Senhor Se manifestará, pois Ele é misericórdia.

O Salvador é o mensageiro de Deus. Ele é como o vice-rei de um poderoso monarca. Quando há distúrbios em uma província distante, o rei manda seu vice-rei subjulgá-los; sempre que há um declínio da religião em alguma parte do mundo, para ali Deus envia seu Salvador. É um único e mesmo Salvador que, tendo mergulhado no oceano da vida, ergue-se em um lugar e é conhecido como Krishna e, mergulhando novamente, ergue-se em outro lugar e é conhecido como Cristo.

Cada um deve seguir a sua religião. O cristão deve seguir o cristianismo, o muçulmano deve seguir o islamismo e assim por diante. Para os hindus o antigo caminho, o caminho dos sábios arianos, é o melhor.

As pessoas dividem suas terras por meio de fronteiras, mas ninguém poderá dividir o céu que está acima de nossa cabeça. O céu indivisível cerca tudo e tudo inclui. Na sua ignorância as pessoas dizem: “Minha religião é a única verdadeira, minha religião é a melhor”. Mas o coração, quando iluminado pelo verdadeiro conhecimento, sabe que acima de todas essas guerras de seitas e sectarismos preside a indivísivel, eterna e onisciente bem-aventurança.

A mãe, cuidando dos filhos doentes, dá arroz e curry para um, araruta para outro e pão com manteiga para o terceiro; também o Senhor oferece diferentes caminhos para pessoas diferentes, cada um apropriado a cada natureza.

Havia um homem que adorava Shiva, mas odiava todas as outras divindades. Um dia Shiva apareceu diante dele e disse: “Eu nunca te estimarei enquanto odiares todos os outros deuses”. Mas o homem se manteve inflexível. Depois de alguns dias, Shiva reapareceu e lhe disse: “Eu nunca te estimarei enquanto odiares”. O homem se manteve em silêncio. Alguns dias se passaram e Shiva voltou a aparecer diante dele. Dessa vez, um lado de seu corpo era o de Shiva e o outro, o de Vishnu. O homem ficou metade satisfeito e metade insatisfeito. Fez suas oferendas ao lado que representava Shiva, mas nada ofereceu ao lado que representava Vishnu. E então Shiva disse: “Tua intolerância é insuperável. Eu, assumindo este aspecto duplo, tentei te convencer que todos os deuses nada mais são do que os vários aspectos do Brahman Absoluto”.

#Budismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/os-muitos-caminhos-para-o-topo

‘Introdução a Thelema

Thelema (“télema”) é uma palavra grega que significa “vontade” ou “intenção”, e é soletrada THETA-EPSILON-LAMBDA-ETA-UM-ALPHA. Thelema possue o valor numérico de 93, que é o mesmo de AGAPÉ (Amor em grego).É também o nome de uma filosofia espiritual nova que vem sendo elaborada nos últimos cem anos e está tornando-se gradualmente estabelecida mundialmente.

Uma das primeiras citações desta filosofia ocorre no clássico Gargantua e Pantagruel escrito por François Rabelais em 1532. Um episódio desta aventura épica fala da fundação de uma ” abadia de Thelema “. Uma instituição para o cultivação das virtudes humanas, que Rabelais identificou como sendo em exatamente opostas às idéias cristãs que prevaleciam naquele tempo. A única regra da abadia era: ” faze o tu que queres “. Esta tem se tornado uma das condutas básicas da filosofia Thelêmica atual.

Embora tenha sido influenciada por vários pensadores visionários proeminentes em cerca dos cem anos seguintes, as sementes de Thelema plantadas por Rabelais vieram eventualmente à frutificação no fim deste século quando foram desenvolvidas por um inglês chamado Aleister Crowley. Crowley era um poeta, autor, escalador de montanhas, mago, e um membro da sociedade oculta conhecida como a ” The Hermetic Order of the Golden Dawn “. Em 1904, em viagem ao Egito com sua esposa Rose, Crowley envolveu-se em uma série de eventos os quais classificou como inaugurantes de um novo Aeon (Éon) da evolução humana. Estes culminados em abril quando Crowley em estado de transe escreveu os três capítulos de 220 versos que vieram ser chamados O Livro da Lei (conhecido também como Liber AL ou Liber Legis). Este livro declara entre outras coisas: ” a palavra da lei é Thelema ” e ” faze o que tu queres será o todo da lei “.

Crowley passou o resto de sua vida desenvolvendo a filosofia de Thelema como revelada pelo Livro da Lei. O resultado é um volumoso comentário e obras englobando magick, misticismo, yoga, qabalah, e outros assuntos ocultos. Virtualmente todos seus escritos possuem a influência de Thelema como interpretada e compreendida por Crowley em sua capacidade como o profeta do novo Aeon.

Uma teoria afirma que cada capítulo do Livro da Lei está associado à um Aeon particular da evolução espiritual humana. De acordo com esta visão, o Capítulo Um caracteriza o Aeon de Isis, quando o arquétipo da divindade fêmea era predominante. O Capítulo Dois relaciona-se ao Aeon de Osiris, quando o arquétipo do Deus morto se tornou proeminente, e as religiões patriarcais do mundo se tornaram estabelecidas. O Capítulo Três descreve a inauguração de um aeon novo, o Aeon de Horus, filho de Isis e Osiris. É neste aeon novo que a filosofia de Thelema será revelada integralmente à humanidade, e tornar-se-á estabelecido como o paradigma preliminar para a evolução espiritual da espécie.

Alguns dos elementos essenciais do pustulado de Thelema são:

“todo homem e toda mulher é uma estrela.”

Isto geralmente é interpretado com a idéia de que cada indivíduo é original e tem seu próprio trajeto em um universo espaçoso aonde ele pode se mover livremente sem colisão.

“faze o que tu queres será o todo da lei.” e ” tu não tens direito senão fazer tua vontade.”

A maioria dos Thelemitas afirma que cada pessoa possui uma Vontade verdadeira, uma única motivação geral para sua existência. A lei de Thelema exige que cada pessoa siga sua Vontade verdadeira para alcançar a realização em vida e a liberdade da limitação de sua natureza. Porque nenhuma das Vontades verdadeiras podem estar em conflito real (de acordo com ” cada homem e cada mulher é uma estrela “), esta lei proíbe também que se interferira com a Vontade verdadeira de outra pessoa.

A noção da liberdade absoluta para que um indivíduo siga sua Vontade verdadeira é estimada entre Thelemitas. Esta filosofia reconhece também que a tarefa principal de um indivíduo que segue o caminho de Thelema é a de primeiramente descobrir sua Vontade verdadeira, dando grande importância à métodos de auto-exploração tais como magick. Além disso, cada vontade verdadeira é diferente, e porque cada pessoa tem um ponto de vista original do universo, ninguém podem determinar a Vontade verdadeira para uma outra pessoa. Cada um deve atingir esta descoberta por si próprio.

“o amor é a lei, amor sob vontade.”

Este é um corolário importante para o anterior, indicando que a natureza essêncial da lei de Thelema é aquela do Amor. Cada indivíduo une-se à seu “Self” Verdadeiro pelo Amor, e assim feito, o universo inteiro de seres conscientes une-se com cada outro ser através do Amor.

Naturalmente, com a ênfase na liberdade e individualidade inerentes à Thelema, a opinião de cada Thelemita sobre a lei tende a diferir substancialmente. No Comento adicionado ao livro da lei indica-se isso: ” todas as questões da Lei devem ser decididas somente com apelo aos meus escritos, cada uma por si. ” Embora Thelema seja referida às vezes como uma ” religião “, ela acomoda uma escala vasta de crenças individuais, do ateísmo ao politeísmo. O importante é que cada pessoa tem o direito de completar-se através das crenças e ações que lhes melhor servirem (desde que não interfiram com a Vontade alheia), e somente ela mesma é qualificada para determinar quais elas são.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/introducao-a-thelema/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/thelema/introducao-a-thelema/