‘Dicionário Infernal – Infaernalea Dictionariis

Morte Súbita Inc. pretende oferecer o melhor e mais completo guia de demonologia em português da internet. Esta é uma compilação crescente de entidades demoníacas, organizados por ordem alfabética com referências extras para cada ser catalogado, com fornecimento de material adicional sempre que possível.

É importante notar que os textos descritivos vieram de muitos lugares diferentes mas em sua grande maioria provém de autores católicos, protestantes e outros monoteístas de crença semelhante. Por esse motivo, você vai notar que entre demônios é possível encontrar deuses de outras crenças como a egípcia, madeísta, asteca entre muitas outros. Também vale notar que por este mesmo motivo, existem várias comparações esdrúxulas como dizer que, Beherit é nome sirio para Satan, ou seja, qualquer entidade que não tivesse lugar no universo cristão era comparada ao diabo. Os deuses de hoje são os demônios de amanhã.

Núcleo de demonologia: Infelizmente temos pouca ou nenhuma informação sobre alguns espécimes mais obscuros. Com o tempo esses detalhes irão ser corrigidos conforme tivermos mais informações. Toda colaboração é, portanto, bem vinda. Caso você estude demonologia a mais de seis anos, por favor, entre em contato informando, seu nome, experiência e especialidade.

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A Nuvem sobre o Santuário – Carta 2

Por Karl von Eckartshausen.

É necessário, meus caríssimos irmão no Senhor, dar-vos uma idéia pura da Igreja interior, desta “Comunidade Luminosa de Deus”, que está dispersada através do mundo; mas que é governada pela verdade e unida pelo espírito.

Esta comunidade da luz existe desde o primeiro dia da criação do mundo, e sua existência permanecerá até o último dia dos tempos.

Ela é a sociedade dos eleitos que distinguem a luz nas trevas, separando-a em sua essência.

Esta comunidade da luz possui uma escola na qual o próprio Espírito de Sabedoria instrui àqueles que têm sede de luz; e todos os mistérios de Deus e da natureza são conservados nesta escola pelos filhos da luz. O conhecimento perfeito de Deus, da natureza e da humanidade, são os objetos do ensinamento desta escola. É dela que todas as verdades vêm ao mundo; ela foi a escola dos profetas e de todos aqueles que procuram a sabedoria; e é somente nesta comunidade que se encontra a verdade e a explicação de todos os mistérios. Ela é a comunidade mais íntima e possui membros de todo o universo, eis as idéias que se podem ter dela. Em todos os tempos, o exterior tinha por base um interior do qual não era mais do que a expressão e o plano.

Assim é que, em todas as eras, existiu uma assembléia íntima, a sociedade dos eleitos, a sociedade daqueles mais capazes para a luz e que a procuravam; esta sociedade íntima era chamada o Santuário interior ou a Igreja interior.

Todos os símbolos, cerimônias e ritos que possui a Igreja exterior, correspondem à letra da qual o espírito e a verdade se acham na Igreja interior.

Portanto, a Igreja interior é uma sociedade cujos membros estão espalhados por todo o mundo, mas ligados intimamente pelo espírito do amor e da verdade, ocupada sempre na construção do grande templo para a regeneração da humanidade, pela qual o reino de Deus há de se manifestar. Esta sociedade reside na comunhão daqueles que estão mais aptos para receber a luz, ou dos eleitos.

Estes eleitos estão unidos pelo espírito e a verdade e o seu chefe é a própria Luz do Mundo, Jesus Cristo, o eleito da luz, o mediador único da espécie humana, o Caminho, a Verdade e a Vida; a luz primitiva, a sabedoria, o único “meio” pelo qual os homens podem retornar a Deus.

A Igreja interior nasceu logo após a queda do homem e recebeu de Deus, imediatamente, a revelação dos meios pelos quais a espécie humana caída seria reintegrada na sua dignidade, e libertada de sua miséria. Ela recebeu o depósito primitivo de todas as revelações e mistérios; ela recebeu a chave da verdadeira ciência, tanto divina como natural.

Mas quando os homens se multiplicaram, a fragilidade e fraqueza inerentes a espécie impuseram um culto exterior para ocultar a sociedade interior e encobrir pela letra o espírito e a verdade. Porque a coletividade, a multidão, o povo, não eram capazes de compreender os grandes mistérios interiores e constituiria um perigo demasiado grande confiar o mais santo aos incapazes, encobriram as verdades interiores nas cerimônias exteriores e sensíveis, para que o homem, pelo sensível e o exterior que é o símbolo do interior, se tornasse gradativamente capaz de aproximar-se mais das verdades internas do espírito.

Mas a essência sempre foi confiada àquele que, no seu tempo, tinha mais aptidões para receber a luz; e somente esse era o possuidor do depósito primitivo como Sumo sacerdote do Santuário.

Quando se tornou necessário que as verdades interiores fossem simbolizadas nas cerimônias exteriores, por causa da fraqueza dos homens que não eram capazes de suportar a vista da luz, o culto, exterior nasceu, mas ele foi sempre o tipo e o símbolo do interior, quer dizer, o símbolo da verdadeira homenagem feita a Deus “em espírito e verdade”.

A diferença entre o homem espiritual e o homem animal, ou entre o homem racional e o homem dos sentidos, obrigou as formas exterior e interior.

As verdades internas ou espirituais manifestaram-se envoltas em símbolos e cerimônias, para que o, homem animal ou dos sentidos pudesse despertar e ser conduzido pouco a pouco, às verdades interiores.

Portanto, o culto exterior é uma representação simbólica das verdades interiores, das verdadeiras relações do homem com Deus antes e após a queda, no estado de sua dignidade, de sua reconciliação e de sua mais perfeita união. Todos os símbolos do culto exterior estão construídos sobre estas três relações fundamentais.

O cuidado do exterior era a ocupação dos sacerdotes, e cada pai de família estava, nos tempos primitivos, encarregado deste ofício. As primícias dos frutos e as primeiras crias dos animais eram oferecidas a Deus; os primeiros simbolizando que tudo o que nos alimenta e nos conserva vem Dele; e os segundos simbolizando que o homem animal deve morrer para dar lugar ao homem espiritual e racional.

A adoração exterior de Deus não deveria jamais separar-se da adoração interior; mas como a fraqueza do homem leva-o facilmente a esquecer o espírito para agarrar-se à letra, o Espírito de Deus despertou sempre, entre todas as nações, naqueles que tinham as aptidões necessárias para a luz, e serviu-se deles, como seus agentes, para espalhar por todo o mundo a verdade e a luz, segundo a capacidade dos homens a fim de vivificar a letra morta pelo espírito e a verdade.

Por estes instrumentos divinos, as verdades interiores do santuário eram levadas às nações mais longínquas, e modificadas simbolicamente, segundo os hábitos, capacidade de cultura, clima e receptividade.

De maneira que os tipos exteriores de todas as religiões, seus cultos, suas cerimônias e seus livros santos, em geral, têm quase claramente por objeto as verdades interiores do santuário, pelas quais a humanidade será conduzida somente no devido tempo, à universalidade do conhecimento da verdade única.

Quanto mais o culto exterior de um povo permaneceu unido ao espírito das verdades interiores, mais a sua religião foi pura; quanto mais a letra simbólica se separou do espírito interior, mais a religião se tornou imperfeita, até a ponto de degenerar entre alguns, em politeísmo, quando a letra exterior perdeu completamente seu espírito interior e não restou mais de que o cerimonial exterior sem alma e sem vida.

Quando os germens das verdades mais importantes puderam ser levados aos povos pelos agentes de Deus, Ele escolheu um povo determinado para erigir um símbolo vivo, destinado a mostrar como Ele queria governar toda a espécie humana em seu estado atual, e conduzi-la à sua mais alta purificação e perfeição.

Deus próprio deu a seu povo a sua legislação exterior religiosa; e, como signo de sua verdade, entregou-lhe todos os símbolos e todas as cerimônias que continham a essência das verdades interiores e grandiosas do santuário.

Deus consagrou essa igreja exterior em Abraão, deu-lhe os mandamentos por Moisés, e assegurou-lhe sua mais alta perfeição pela dupla missão de Jesus Cristo, no princípio, vivendo pessoalmente na pobreza e no sofrimento, e depois pela comunhão de seu espírito na glória do ressuscitado.

Mas, como o próprio Deus deu os fundamentos da Igreja exterior, a totalidade dos símbolos do culto exterior formou a ciência do templo, ou dos sacerdotes daqueles tempos, e, todos os mistérios das verdades mais santas e interiores tornaram-se exteriores pela revelação.

O conhecimento científico deste simbolismo santo, era a ciência de religar Deus ao homem caído, e daí a religião recebeu seu nome como sendo a doutrina que liga o homem, separado e afastado de Deus, a Deus que é sua origem.

Vê-se facilmente por esta idéia pura do nome religião em geral, que a unidade da religião está no santuário íntimo, e que a multiplicidade das religiões exteriores não pode jamais alterar nem enfraquecer esta unidade que é a base de todo exterior.

A sabedoria do templo da antiga aliança era governada pelos sacerdotes e pelos profetas.

O exterior, a letra do símbolo, o hieróglifo; eram confiados aos sacerdotes.

Os profetas tinham a seu cuidado o interior, o espírito e a verdade, e sua função era a de conduzir sempre os sacerdotes da letra ao espírito, quando lhes acontecia esquecer o espírito e agarrar-se à letra.

A ciência dos sacerdotes era a do conhecimento dos símbolos exteriores.

A ciência dos profetas era a posse prática do espírito e da verdade destes símbolos. No exterior a letra; no interior o espírito vivificante.

Existia também, na antiga aliança, uma escola de sacerdotes e uma escola de profetas.

A dos sacerdotes ocupava-se dos emblemas e a dos profetas das verdades que estavam encerradas sob os emblemas. Os sacerdotes estavam de posse exterior da Arca, dos pães da proposição, do candelabro, do maná, da vara de Aarão, e os profetas estavam de posse das verdades interiores e espirituais que eram representadas exteriormente pelos símbolos dos quais vimos falar.

A Igreja exterior da antiga aliança era visível; a Igreja interior era sempre invisível, devia ser invisível, e entretanto governar tudo, porque somente a ela estavam confiados o poder e a força.

Quando o culto exterior abandonava o interior, caia, e Deus provava por uma continuidade das mais notáveis ocorrências, que a letra não pode subsistir sem o espírito; que ela somente é dada para conduzir ao espírito, tornando-se inútil e mesmo rejeitada de Deus, se abandona sua finalidade.

Assim como o espírito da natureza se espalha nas profundezas mais estéreis para vivificar, para conservar e para dar desenvolvimento a tudo que lhe é susceptível, assim também o espírito da luz se espalha no interior de todas as nações, para animar completamente a letra morta pelo espírito vivo.

É assim que encontramos um Jó entre os idólatras, um Melquisedeck entre as nações estrangeiras, um José entre os sacerdotes egípcios, e Moisés no país de Madian, como prova palpável de que a comunidade interior daqueles que são capazes de receber a luz, estava unida pelo espírito e pela verdade em todos os tempos e entre todas as nações.

A todos esses agentes de luz da comunidade interior e única, uniu-se o mais importante de todos os agentes, o próprio Jesus Cristo, no meio do tempo como um rei-sacerdote; segundo a ordem de Melquisedeck,

Os agentes divinos da antiga aliança não representaram senão as perfeições particulares de Deus; no decorrer dos tempos uma ação poderosa devia produzir-se que mostrasse de uma só vez o todo em Um. Um tipo universal apareceu acentuando a completa unidade, abrindo uma nova porta e destruindo a numerosa servidão humana. A lei do amor começou quando a imagem emanada da própria Sabedoria mostrou ao homem toda grandeza de seu ser, revigorou-o de todas as forças, assegurou-lhe sua imortalidade e elevou seu ser intelectual para tornar-se o verdadeiro templo do Espírito.

Este agente maior de todos, este Salvador do mundo, este regenerador universal fixou toda a sua atenção sobre esta verdade primitiva, pela qual o homem pôde conservar sua existência e recobrar a dignidade que possuía.

Em suas humilhações implantou a base da redenção dos homens e prometeu cumpri-la completamente por seu espírito. Ele mostrou também num perfeito esboço aos seus apóstolos tudo o que devia se passar um dia com seus eleitos.

Ele continuou a cadeia da comunidade interior da luz, entre seus eleitos, aos quais enviou o Espírito da Verdade, e confiou-lhes o depósito primitivo mais elevado de todas, as verdades divinas e naturais, em sinal de que eles não abandonariam jamais sua comunidade interior.

Quando a letra e o culto simbólico da Igreja exterior da antiga aliança, passaram em verdade pela encarnação do Salvador, e foram atestados em sua pessoa, novos símbolos se tornaram necessários para o exterior, que mostrassem segundo a letra, a realização futura ou integral da redenção.

Os símbolos e os ritos da igreja exterior Cristã foram dispostos segundo estas verdades invariáveis e fundamentais, e anunciaram coisas de uma força e importância que não se podem descrever, nem foram reveladas àqueles que conheciam o santuário intimo.

Este santuário interior permaneceu sempre invariável, ainda que o exterior da religião, ou seja, a letra recebesse no decorrer do tempo e circunstâncias, diferentes modificações, e se afastasse das verdades interiores, que são as que podem conservar o exterior ou a letra.

O pensamento profano de querer atualizar tudo o que é cristão, e de querer cristianizar tudo o que é político, modificou o edifício exterior, e cobriu com as trevas e a morte o que estava no interior, a luz e a vida. Daí nasceram as divisões e as heresias: o espírito sofístico queria explicar a letra embora já tivesse perdido o espírito da verdade.

A incredulidade levou a corrupção ao mais elevado grau; até se procurou atacar o edifício do cristianismo em suas primitivas bases, confundindo o interior santo, com o exterior que estava sujeito às fraquezas e à ignorância dos homens frágeis.

Assim nasceu o deísmo, que engendrou o materialismo e viu como uma fantasia toda união do homem com as forças superiores; e por fim nasceu, parte pelo entendimento e parte pelo coração, o ateísmo, último grau de decadência do homem.

No meio de tudo isto, a verdade permaneceu sempre inquebrantável no interior do santuário.

Fiéis ao Espírito da verdade que prometeu jamais abandonar a sua comunidade; os membros da Igreja interior viveram em silêncio e em atividade real e uniram a ciência do templo da primitiva aliança ao espírito do Grande Salvador dos homens, a espírito da aliança interior, esperando humildemente o grande momento no qual o Senhor os chamará, e reunirá sua comunidade para dar a toda letra morta a força exterior e a vida.

Esta comunidade interior da luz é o conjunto de todos aqueles que estão capacitados para receber a luz dos eleitos, e é conhecida sob o nome de “Comunhão dos santos”. O depósito primitivo de todas as forças e de todas as verdades foi confiado em todos os tempos a esta comunidade da luz; que só ela, como disse São Paulo, estava de posse da ciência dos Santos. Por ela os agentes de Deus foram formados em cada época, passaram cio interior, ao exterior, e comunicaram o espírito e a vida à letra morta, como já dissemos anteriormente.

Esta comunidade da luz foi em todos os tempos a verdadeira escola do Espírito de Deus; e, considerada como escola, tem sua Cátedra, seu Doutor; possui um livro no qual seus discípulos estudam as formas e os objetos dos ensinamentos, e finalmente um método de estudo.

Ela tem, também, seus graus pelos quais o espírito pode desenvolver-se sucessivamente e elevar-se sempre cada vez mais.

O primeiro grau, o menor, consiste no bem moral pelo qual a vontade simples, subordinada a Deus, é conduzida ao bem pelo móbil puro da vontade, quer dizer, Jesus Cristo, que ela recebeu pela fé. Os meios dos quais o espírito desta escola se serve são chamados inspirações.

O segundo grau consiste no assentimento intelectual, pelo qual a compreensão do homem de bem que está unido a Deus, é coroada com a sabedoria e a luz do conhecimento; e os meios pelos quais o espírito se serve para este grau são chamados iluminações interiores.

O terceiro grau enfim, e o mais elevado, é o completo despertar do nosso sensorium interno, pelo qual o homem interior alcança a visão objetiva das verdades metafísicas e reais. Este é o grau mais elevado onde a fé se transforma em visões claras e os meios pelos quais o espírito se serve para isso são as visões reais.

Eis os três graus da verdadeira escola de sabedoria interior, da comunidade interior da luz. O mesmo espírito que aperfeiçoa os homens para esta comunidade, distribui também os graus, pela coação do próprio candidato, devidamente preparado.

Esta escola da sabedoria foi em todos os tempos, a mais secreta e a mais oculta do mundo, porque ela estava invisível e submissa unicamente à direção divina.

Ela não esteve jamais exposta aos acidentes do tempo nem às fraquezas dos homens. Porque nela não houve em todos os tempos senão os mais capazes que foram escolhidos pelas suas qualidades, e o Espírito que os escolheu não podia errar.

Nessa escola se desenvolveram os germens de todas as ciências sublimes que foram primeiramente recebidas pelas escolas exteriores, e, aí revestiram-se de outras formas verdadeiras algumas vezes tornadas disformes.

Esta sociedade interior de sábios comunicou, segundo o tempo e as circunstâncias, às sociedades exteriores, seus hieróglifos simbólicos para tornar o homem exterior atento às grandes verdades do interior.

Porém todas as sociedades exteriores só subsistem enquanto esta sociedade interior lhes comunica seu espírito. No momento em que as sociedades exteriores queriam emancipar-se da sociedade interior e transformar o templo de sabedoria em um edifício político, a sociedade interior retirava-se e nelas ficava somente a letra sem o espírito.

Assim é que todas as escolas exteriores secretas da sabedoria foram somente véus hieroglíficos, a verdade mesma permaneceu sempre no santuário para que não pudesse ser jamais profanada.

Nesta sociedade interior o homem encontra a sabedoria, e com ela tudo; não a sabedoria do mundo que não é senão um conhecimento científico rodeando o invólucro exterior, sem jamais tocar o centro onde residem todas as forças; mas a verdadeira sabedoria, assim como os homens que a ela obedecem.

Todas as disputas, todas as controvérsias, todos os objetos da falsa prudência do mundo, todos os idiomas estrangeiros, as vãs dissertações, os germens inúteis das opiniões que propagam a semente da desunião, todos os erros, os cismas e os sistemas, dela estão banidos. Não se encontra ali nem calúnias nem maledicências; todo homem é honrado. A sátira, o espírito que gosta de se divertir a custa do próximo, são ali desconhecidos, e somente se conhece o amor.

A calúnia, este monstro não levanta jamais entre os amigos da sabedoria, sua cabeça de serpente, o respeito mútuo é ali observado rigorosamente; ali não se nota as faltas do próximo nem se lhe fazem criticas sobre defeitos. Caridosamente, conduz-se o viajante ao caminho da verdade, procura-se persuadir, tocar o coração que está em erro, deixando a punição do pecado a clarividência do Mestre da Luz. Alivia-se a necessidade, protege-se a fraqueza, rejubila-se da elevação e da dignidade que o homem adquire.

A felicidade que é o dom do destino não eleva ninguém sobre o próximo; somente se considera feliz aquele ao qual se apresenta a ocasião de fazer o bem a seu próximo, e todos estes homens, que um espírito de verdade une, formam a Igreja invisível, a sociedade do Reino interior sob um chefe único que é Deus.

Não se deve imaginar que esta comunidade representa qualquer sociedade secreta que se reúne em certos tempos, escolhendo seus chefes e membros e propondo-se a determinados fins. Todas as sociedades, quaisquer que sejam não vêm senão depois desta comunidade interior da sabedoria; ela não conhece quaisquer formalidades que são a obra dos homens. No reino das forças todas as formas exteriores desaparecem.

O Próprio Deus é o chefe sempre presente. O homem mais perfeito de seu tempo, o primeiro chefe, não conhece por si mesmo todos os membros; mas no instante em que para a finalidade de Deus se torna necessário esse conhecimento, ele os encontra certamente no mundo para agir em direção a essa finalidade.

Esta comunidade não tem absolutamente véus exteriores. Aquele que é escolhido para agir perante Deus é o primeiro, apresenta-se aos outros sem presunção, e é recebido por eles sem inveja.

Se é necessário que verdadeiros membros se unam, eles se encontram e se reconhecem sem dúvida alguma. Não pode existir nenhum disfarce, e nenhum gérmen de hipocrisia ou dissimulação sobre os traços característicos desta comunidade, porque são fora do comum. São arrancadas a máscara e a ilusão, e tudo aparece em sua verdadeira forma.

Nenhum membro pode escolher um outro; o consentimento de todos é requerido. Todos os homens são chamados; os chamados podem ser escolhidos, se eles se tornarem aptos para a entrada.

Cada qual pode procurar a entrada, e todo homem que está no interior pode ensinar ao outro a procurar a entrada. Mas enquanto não se estiver preparado não se alcança o interior.

Homens não preparados ocasionariam desordens na comunidade, e a desordem não é compatível com o interior. Este interior expulsa tudo aquilo que não é homogêneo.

A Prudência do mundo espreita em vão este Santuário interior; em vão a malícia procura penetrar os grandes mistérios que aí estão ocultos; tudo é hieróglifo indecifrável para aquele que não está prepara do; nada pode ver nem ler no interior.

Aquele que já está preparado junta-se à corrente, muitas vezes lá onde menos pensava e a um elo do qual nem supunha a existência.

Procurar alcançar a maturidade deve ser o esforço daquele que ama a sabedoria.

Nesta comunidade santa está o depósito original das ciências mais antigas do gênero humano com os mistérios primordiais de todas as ciências e técnicas conduzindo à maturidade.

Ela é a única e verdadeira comunidade da Luz em possessão da chave de todos os mistérios e conhecendo o íntimo da natureza e da criação. Ela une as suas forças às forças superiores e compõem-se de membros de mais de um mundo. Estes formam uma república que será um dia a mãe regente do universo inteiro.

#Martinismo #Ocultismo

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-nuvem-sobre-o-santu%C3%A1rio-carta-2

A Evolução Enoquiana

Morbitvs Vividvs

Muitas pessoas encaram de maneira equivocada as artes ocultas. Elas querem descobrir receitas de bolo, coisas prontas para o uso e imaginam que os grimórios são como livros sagrados que contém tudo o que elas precisam saber. Nada contra querer usar aquilo que comprovadamente funciona, mas muitas vezes com esta postura se perde o experimentalismo original que foi o que permitiu a magia florescer em primeiro lugar. O sistema enoquiano é um caso típico. Trata-se de um sistema tão coeso e forte que muitas magistas esquecem que um dia, há alguns séculos, ele foi apenas dois caras que não sabiam oque esperar olhando para dentro de uma bola negra de cristal. O objetivo deste artigo é mostrar como o enoquiano cresceu e se desenvolveu baseado na exploração e como ele pode vir a morrer se permanecer estagnado.

Os Experimentos de John Dee

O sistema enoquiano foi usado pela primeira vez por John Dee, astrólogo oficial da corte da rainha Elizabeth I. Dee nasceu em 1527 na Inglaterra e foi educado na universidade e Cambridge tornando-se uma autoridade nos campos da matemática, astronomia e filosofia natual. Ele era amigo pessoal da rainha e trabalho diversas vezes para ela como espião do  Império. Sua biografia pode ser encontrado na seção própria para isso do portal da iniciativa Morte Súbita inc. O importante é saber que numa certa altura de sua vida John Dee tornou-se interessado em cristalomancia, que é a visão sobrenatural por meio de cristais. Dois dentre os muitos cristais que ele utilizou podem ser vistos hoje no museu britânico. De fato é creditado a Dee o primeiro uso registrado de um cristal polido para este fim, as famosas bolas de cristal.

Entretanto ele não se considerava um bom observador de cristais contratava outras pessoas para realizar as operações enquanto acompanhava. Este fato pode parecer trivial, mas é talvez a maior idéia que Dee teve em sua vida. O que acontece é que o processo psiquico da leitura dos cristais, também chamado de skrying envolve um certo transe muito semelhante por exemplo ao que Nostradamus usava para escrever suas centúrias. Neste estado o vidente não está com todas as suas ferramentas lógicas e abstratas ligadas de forma que muito se perde. Esta limitação se explica pois transceder a mente racional é essencial para a boa vidência, mas quanto menos racional se for por outro lado menos se aproveita aquilo que se atingiu. Dee resolveu este problema dividindo o trabalho entre duas pessoas. Uma delas (Kelly) pode se entregar totalmente ao processo psiquico transcedental e descreve tudo em voz alta enquanto que outra mantêm a lucidez normal e consegue fazer anotações, comparar resultados e documentar tudo de maneita organizada.

Com este processo Dee registrou uma série de tábuas divididas em grades formando quadrados. Cada um destes quadrados possuia uma letra em seu interior. Estas letras formavam o alfabeto de uma linguagem nunca antes vista. Essa linguagem era a chave para se entrar em contato com seres de regiões mais sutis da existência. Estas regiões estavam também representadas pelas tábuas, que continham ainda nas suas letras os nomes das entidades que as dominavam e habitavam. Em outras palavras estas tábuas seriam mapas dos mundos invisiveis que rodeiam o mundo cotidiano, com elas Kelly explorava um mundo completamente novo.  A linguagem e o sistema receberam o nome Enoquiano pois segundo as entidades contatadas tratavasse do mesmo conhecimento que o Enoch bíblico (também identificado com Hermes) recebeu em sua época antes de ser elevado aos céus em vida.

A expansão da Golden Dawn

O sistema enoquiano foi desde então usado por diversos ocultistas, com destaque para os adeptos da Hermetic Order of the Golden Dawn , a Ordem Hermética da Aurora Dourada, que floresceu no século XIX também na Inglaterra. A estes ocultistas devemos uma grande expansão do sistema enoquiano, pois náo apenas invocavam as entidades cujos nomes estão escritos nas tábuas como também viajaram no que chavam de Corpo de Luz pelas regiões mapeadas pelos quadrados e registraram suas experiências de uma maneira bastante precisa. Numa certa altura da existência da ordem estas viagens tornaram-se um problema entre os membros que literalmente se viciaram nelas como quem se vicia a alguma espécie de droga.

Sob a direção de MacGregor Mathers a Golden Dawn refinou o sistema descoberto por John Dee explorando campos que seu descobridor original não tinha imaginado. Provavelmente a maior conquista de MacGregor e cia foi encontrar uma organização  por trás dos quadrados. Ele ensinava um sistema no qual elementos eram designados aos quadrados (Terra, Água, Ar, Fogo e Espírito) e isso permitiu conectar o sistema enoquiano com correspondências cabalisticas e astrológicas. Cada letra enoquiana possui por exemplo uma letra hebraica equivalente, e portanto uma carta do Tarot:

Fonema   Zodiaco/Elemento               Tarot

A             Touro                                   Herofante
B             Aries                                     Estrela
C,K          Fogo                                     Julgamento
D             Espírito                                 Imperatriz
E             Virgem                                  Hermitão
F             Cauda Draconis                    Mago
G             Cancer                                 Carro
H             Ar                                         Louco
I,J,Y         Sagitário                              Temperança
L              Cancer                                 Carro
M            Aquário                                 Imperador
N            Escorpião                              Morte
O            Libra                                     Justiça
P             Leão                                     Força
Q             Água                                     Enforcado
R             Peixes                                   Lua
S             Gêmeos                                Amantes

Uma vez enxergados um padrão emana das tábuas revelando que uma ordem maior prevalece na estrutura de todos os planos de existência.

A exploração Crowleyana

Posteriormente outro avanço no sistema enoquiano ocorreu com Aleister Crowley, ex-membro da Golden Dawn e líder da Ordo Templi Orientis. Durante suas viagens pelo México e Argélia Crowley se dedicou a uma séria intensa de invocações e registrou suas viagens pelos 30 Aethrys e cuidadosamente documentou suas experiências em seu livro “The Vision and the Voice.” Este livro de caráter profético explica diversos pontos da magia ritual e da formação do mago.

A descrição feita por Crowley é impressionante pela beleza com que descreve estes planos paralelos. Apesar de sua leitura difícil nele encontramos não apenas um guia de viagens pelos mundos enoquianos, mas também detalhes da iniciação mágica, incluindo uma versão diferente do famoso ritual de Abramelim e uma explanação da estrutura aeonica thelemita.

Enoquiano Pós-Moderno

Diversos autores tem explorado o sistema enoquiano desde Crowley. Anton LaVey causou polêmica nos anos 1960 ao publicar uma versão satanicamente inspirada das chaves enoquianas e assumindo de vez que as entidades invocadas deviam ser vistas sob um ponto de vista sinistro. Nas décadas seguintes houve uma certa popularização do sistema no meio ocultista e o tema foi abordado por diversos autores. Dentre estes podemos recomendar a leitura das obras de Lon Milo DuQuette e Donald Tyson, ambos interessados em tornar o uso do sistema mais acessível aos praticantes de primeira viagem.

No campo da inovação o destaque deste período fica sem dúvida para o casal Gerald Schueler e Betty Schueler que dominaram as ferramentas tradicionais e exploraram campos novos como um tarot genuinamente enoquiano e uma série de posturas corporais enoquianas semelhantes a yoga.  Mais recentemente já no século XXI tivemos o Projeto EnoquiONA, trabalho ousado de Alektryon Christophoros relacionando as letras do alfabeto enoquiano com os deuses sombrios e os arcanos sinistros da organização satanista tradicional Order of Nine Angles.

Esta nova geração busca o desapego do sistema iniciado pela Golden Dawn que chegou ao seu apice com crowley e defendem o desenvolvimento da técnica enoquiana pura sem a “poeira qabalistica/astrologica”. Dentre estes outro pesquisador que merece destaque pelo seu trabalho é Benjamin Rowe, que produziu uma série de experimentos avançados com magia enochiana. Rowe estabeleceu alguns experimentos importantes, como o Comselha e a construção de templos enochianos baseada na visão espiritual.

Aqui no Brasil, o destaque fica para o Círculo Iniciático de Hermes e o Enoquiano.com.br como únicos grupos que colocam oficialmente o enoquiano como prática principal  incluindo uma série de rituais próprios, técnicas de scrying, iniciações, armas e rituais de proteção além dos tradicional ritual do pentagrama. Não apenas isso mas o

Conclusão

 As contribuições de todos estes ocultistas são importantes de se destacar. Num primeiro relance o estudante pode achar que o sistema enoquiano é algo pronto simplesmente para se usado. Mas a verdade é que o sistema está tão pronto quanto estão prontas a música e a medicina. Ele pode e deve ser expandido e suas fronteiras alargadas. As técnicas usadas por todos os ocultistas citados neste artigo para conseguir seus materiais inéditos foram muitas, mas em geral envolvem o uso do cristalomancia, da projeção do corpo de luz e da invocação das entidades para recebimento de conhecimento oculto. Todos estas são ótimas ferramentas de exploração para quem quiser ir além e ver com os próprios olhos até onde voam os anjos.  O sistema enoquiano é uma forma de exploração das realidade sutis e é portanto um universo em expansão com muito para ser explorado. Muitos caminhos realmente já foram descobertos pelos que vieram antes, mas muitos ainda aguardam seus descobridores. Quem sabe o próximo não pode ser você?


Saiba mais sobre Magia Enochiana em Enoquiano.com.brInstagram , Telegram

Gostei do conteúdo do texto, mas tive a sensação de que não houve revisão do autor ou de quem ia fazer a postagem. Alguns erros pequenos na digitação, única parte que faltou. O conteúdo é muito bom.

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/a-evolucao-enoquiana/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/a-evolucao-enoquiana/

A jornada espiritual não é confortável

No período em que vivemos nós temos a ideia de que o objetivo da vida é obter o máximo de prazer e de conforto. E nós refletimos esses desejos também quando buscamos uma religião ou práticas espirituais.

Vivemos numa época individualista, materialista e utilitarista. O individualismo se manifesta quando buscamos uma religião cuja meta seja satisfazer apenas a nós mesmos, como indivíduos separados de todo o resto. Perdemos a noção de que fazemos parte de um todo e nossa busca não é mais tentar reconectar-se com as outras pessoas, com o divino ou com a natureza. Nós apenas identificamos que “eu” estou com um problema e “eu” preciso arrumar um jeito de resolver isso. Como se minha perda de conexão com Deus, com o mundo ao meu redor e com as outras pessoas não tivesse nenhuma relação com isso.

Quando percebemos que a realidade é muito maior do que a nossa pequena existência, a morte já não parece assim tão assustadora. Não parece tão terrível o pensamento de desaparecer, porque o mundo não gira ao meu redor. Se eu morrer, não estarei sozinho, porque muitos seres já morreram antes e muitos seres ficarão. Eles, de certa forma, são uma extensão de mim mesmo, porque eu não sou totalmente separado de todo o resto como acho que sou.

O materialismo se manifesta quando buscamos somente gratificação material numa prática espiritual. Atualmente é comum achar que somente a realidade que eu experimento com meus cinco sentidos tem existência, e que a mente é somente uma projeção do cérebro, como se fôssemos máquinas. Então, se tudo que existe é meu corpo físico e minhas emoções, a religião se torna apenas um veículo para aumentar o êxtase que sinto com meu corpo físico (prazer dos sentidos) e com minha mente (prazer emocional).

Com isso, a meta da jornada espiritual do materialista acaba se reduzindo a busca de prazeres. Você vai à igreja para sentir uma sensação de paz mental ou realiza uma meditação para sentir aquele êxtase obtido com os estados alterados de consciência. Se a religião servisse só para isso não seria muito diferente de usar drogas.

Por fim, o utilitarismo se manifesta quando optamos por realizar certa prática espiritual apenas na medida em que ela me é útil. “Para que serve isso?” você se pergunta. E somente passa a realizar as práticas que são convenientes para você. A espiritualidade já não é boa por si mesma, ela precisa “servir” para alguma coisa e esse objetivo precisa ser necessariamente material ou emocional, para satisfazer a máquina que é o ser humano.

Muita gente diz que o objetivo de ter uma religião é alcançar coisas como paz mental, alegria, ter disciplina ou simplesmente sentir-se bem. Mas se fosse assim, ela poderia ser substituída por qualquer outra coisa, como uma visita ao psicólogo, uma agenda, um sorvete ou sair com os amigos.

É verdade que você pode obter essas coisas ao longo de sua jornada espiritual, mas sugiro que as pense mais como subprodutos de sua prática e não como a meta em si. O foco principal de uma religião é o espírito, o transcendente.

Mas o que isso quer dizer? No mundo em que vivemos já não há espaço para o espírito, porque ele parece meio antiquado e não parece ter uma utilidade imediata como um lápis ou uma panela. Então, que tal deixá-lo de lado? Que tal reduzir a nossa vida somente ao essencial e abandonar tudo o que é supérfluo para a obtenção dos meus prazeres?

Muitos de nós sentem uma sensação de tédio ou vazio. Nossa vida está aparentemente completa. Nós estudamos, ou trabalhamos, temos amigos, pequenos lazeres. Mas a vida é apenas isso? Parece que falta alguma coisa. Parece que, em algum momento da sua vida, você deixou para trás algo absolutamente importante, ou nunca foi atrás disso de fato.

As religiões lidam com a porção espiritual de nossa existência. Não é algo que possa ser substituído por filosofia, que se ocupa da razão, ou por psicologia, que se ocupa da mente e emoções. No máximo, essas e outras áreas podem complementar as religiões, mas nunca substituí-las.

No budismo não se fala tanto em Deus ou em alma, mas a iluminação é tida como um “apagar”. Precisamos nos desapegar da nossa noção de “identidade” e nos desapegar de nossos desejos incessantes por prazeres do corpo e da mente. Algumas pessoas que praticam meditação o fazem porque buscam os prazeres que ela proporciona, mas a meta é deixar de lado até esse tipo de prazer. O budismo não existe para obter “paz mental” ou “conforto”. O primeiro passo é obter desenvolvimento moral (produzir bom karma e deixar de produzir mau karma). O passo seguinte é deixar de lado até o bom karma (não se identificar mais com as ações do corpo e da mente).

Mas isso é doloroso. Quando abandonamos até mesmo os prazeres obtidos na meditação, ficamos sem nada. E esse é exatamente o momento de travarmos nossa guerra contra Mara, que procura nos tentar novamente com as ilusões do mundo.

Jornadas similares são trilhadas em outras religiões. No cristianismo, muita gente passa a frequentar a igreja porque quer se sentir bem. No momento da missa, sentem um grande êxtase e passam a realizar práticas como orações porque gostam da sensação de conforto e segurança.

Ou seja, encaram a religião como se tivesse uma utilidade e essa utilidade fosse somente material: sinto boas sensações no corpo inteiro quando me ajoelho, e também sinto paz e felicidade. Sendo assim, a prática não é espiritual, mas uma busca de um êxtase dos sentidos, como relata São João da Cruz, que pode ser substituída por um banho de espuma ou uma massagem.

Acaba-se por acreditar em Deus porque se busca a salvação individual. Eis o individualismo: quero crer em Deus para salvar a mim mesmo e não porque busco reconectar-me com o divino para descobrir que meu pequeno eu não está sozinho no universo. E eu não devo buscar isso porque a solidão que sinto é insuportável, mas porque tenho uma busca pela verdade.

Claro que não é errado começar buscando uma religião tendo desejos como esses. No entanto, com o tempo, é desejável ocorrer algum amadurecimento espiritual para notarmos as coisas que realmente importam em nossa jornada.

Hoje em dia, as meditações budistas realizadas nos templos viraram sinônimo de um momento confortável de relaxamento para aliviar o estresse e a ansiedade. Da mesma forma, frequenta-se uma igreja não para adorar a Deus porque essa adoração é excelente, mas para que o padre me diga palavras de conforto e eu me sinta bem. Essa mudança de paradigma ficou muito clara com as mudanças ocorridas após o Concílio Vaticano II na década de 60. Antes nas missas o padre ficava de costas e a meta central não era deixar os frequentadores da missa satisfeitos, mas honrar a Deus e não resolver meus problemas psicológicos. Agora, o padre se volta para a frente, como se a utilidade da missa fosse mostrar que nós somos os protagonistas e não Deus.

O cristianismo de hoje é praticado de uma forma que C.S. Lewis chama de “cristianismo água com açúcar”: muitos acreditam em Deus, mas não no diabo. Mal se fala no diabo hoje em dia. As pessoas preferem o Deus mais reconfortante do Novo Testamento e criticam o Deus do Velho Testamento, porque não se sentem confortáveis com seus discursos e ações.

Com isso, estamos usando a religião para atender as nossas necessidades individuais: vou escolher somente os dogmas que me parecem bonitos, especialmente os mais confortáveis e fáceis, que confirmem minhas visões de mundo.

Então a religião não passa mais a ter um estudo e prática dedicado para que se tente compreender os dogmas mais difíceis. É muito mais fácil criticar as religiões e dizer que elas são antiquadas, preconceituosas e erradas do que admitir que talvez nós possamos estar errados.

Recentemente terminei de ler um livro sobre anjos do grande teólogo Peter Kreeft. E uma das perguntas contidas no livro reflete exatamente o mal de nosso tempo:

“De acordo com a angeologia, anjos supostamente formam uma hierarquia. Por quê? Isso não é apenas uma projeção das políticas monárquicas medievais?”

Kreeft inicia sua resposta com os seguintes dizeres:

“A noção alternativa de que anjos são iguais poderia também muito bem ser uma projeção das nossas políticas igualitárias modernas”

O que isso significa? Que preferimos achar que os pensamentos medievais são atrasados ou incorretos do que admitir que talvez nós estejamos cometendo o erro de interpretar uma religião antiga com os preconceitos existentes na nossa própria época.

Hoje o cristão não deseja entender o que é Deus. Deseja inventar em sua cabeça o Deus que é conveniente para ele.

Kreeft observa no mesmo livro que Rabbi Abraham Hescel objetou seriamente a noção de um Deus reconfortante. Hescel disse:

“Deus não é um tio. Deus não é bonzinho. Deus é um terremoto”

O termo “temor a Deus” é muito mal compreendido hoje e geralmente interpretado como respeito. Porém, a interpretação ideal do termo “awe” seria: “um sentimento de respeito reverente, misturado com medo ou espanto”.

Quando meditamos, nós sentimos medo. Até mesmo medo da morte. Quando nos entregamos a práticas místicas do cristianismo, também sentimos medo diante de Deus. E esse medo é essencial para a jornada, que São João da Cruz chama de “a noite escura da alma”.

É claro que queremos uma meditação confortável. É evidente que preferimos um Deus e um anjo que somente massageiam nosso ser. Mas não é assim que iremos avançar na jornada.

Para avançar, precisamos dos obstáculos e desafios. É necessário o mal, o diabo, a dor, o sofrimento. É preciso cair. É imprescindível sentir temor a Deus ou verdadeiro temor diante dos estados alterados de consciência, pois somente assim gera-se a concentração de acesso para ir adiante nos jhanas.

Tire os demônios do cristianismo, tire as práticas ascéticas e desconfortáveis das religiões indianas e você matará essas religiões.

Tente assistir a um filme em que todos os personagens são felizes e em que não há situações difíceis. Experimente jogar um jogo muito fácil e logo enjoará. Tente viver uma religião cor-de-rosa, na qual existem apenas inocentes querubins (e não anjos magníficos e assustadores, que também podem cair como nós) e meditações com chás e bolos. Talvez essa religião te satisfaça por um tempo. Você apenas cortou os galhos da árvore e não atingiu suas raízes. Siga uma religião que apenas te deixe confortável na maior parte do tempo, e, no momento que chegar a dor e a morte não terá maturidade para lidar com elas.

A jornada espiritual não é confortável. Mas ela também não é terrível. Na Idade Média se falava em excesso sobre o demônio, o que também pode ser um exagero. Mas atualmente não se fala nem em Deuses e nem em demônios, mas apenas no ser humano, como se não houvesse o espírito e o transcendente, e a religião fosse meramente uma metáfora para desenvolver a moralidade.

O primeiro passo para equilibrarmos nossa busca espiritual é ler seriamente e praticar seriamente. Não ler e praticar apenas o que nos agrada, mas ousar dar um passo adiante para sair da zona de conforto e aceitar que não sabemos de tudo. Ainda há muito a aprender.

E uma mensagem para os praticantes da Magia do Caos: investigue, experimente, ouse. Além de pragmática e divertida, a sua prática poderá se tornar repleta de espíritos, Deuses e desafios. Afinal, caoísmo não é fazer qualquer coisa, mas montar um laboratório de experimentos e permitir-se o aprendizado tanto da matéria quanto do espírito em sua jornada.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-jornada-espiritual-n%C3%A3o-%C3%A9-confort%C3%A1vel

Dia de Cardea

Cardea é a deusa romana da dobradiça da porta, que protege a família e as crianças da casa e impede os maus espíritos de cruzar o limite.

Seu nome vem da palavra latina cardo, que significa “dobradiça” e que também engloba o maior simbolismo do eixo em torno do qual a Terra gira.

Ela é, por conseguinte, uma Deusa do Centro, bem como a mudança que emana a partir desse centro.

A palavra cardo também foi usada pelos romanos para se referir ao eixo norte-sul em que uma nova cidade foi fundada (a linha leste-oeste é o decumanus) e, a partir disso, conseguimos obter a palavra cardeal, ou seja, fundamental ou principal, especialmente em relação às direções.

Cardea tem laços estreitos com o antigo deus romano Janus,

Deus dos começos e fins, que também protegia as entradas, e foi descrito como tendo duas faces uma para ver o passado e outra olhando para o futuro (nosso mês de janeiro, primeiro mês do ano, tem seu nome devidi a esse deus).

Os contos dizem que Cardea e Janus eram amantes, e para recompensá-la por dormir com ele, ou talvez por amor, Ele deu-lhe a dobradiça da porta como seu emblema, e o poder de impedir os maus espíritos de passar pelas portas.

Por Ela poder manter os maus espíritos para fora da casa, Cardea era adorada como a protetora das crianças, pois acreditava-se (ou pelo menos as crianças acreditavam) que à noite as bruxas transformaram-se em corujas que voavam através das janelas das casas para sugar o sangue das crianças incautas. (As palavras latinas striga “,bruxa, vampiro”, e strix “, coruja, vampiro” são claramente relacionados.)

As lendas dizem que Cardea protegia essas crianças com espinheiro (também conhecido como whitethorn), amarrando-se um pequeno ramo de espinheiro sobre a janela da criança ou no berço do bebê.

O Espinheiro é considerado uma planta sagrada na lenda e no folclore e é famoso por seus poderes mágicos de proteção.

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/dia-de-cardea

A Bela e o Naturalista

Os naturalistas dão o nome de monstros a certos desvios à norma anatómica.

Honestamente devo confessar que estes monstros me causam horror.

Francamente confesso que a muito acentuados desvios à norma só ocorre chamar-lhes monstros.

Com sinceridade confesso: graças a Deus, a maior parte dos monstros são fetos nado-mortos.

E também: por muito que nos museus se elevem a centenas ou milhares os frascos com fetos dentro, a verdade é que raramente nascem monstros. É certo que em meados do século passado essa percentagem aumentou por causa da Talidomida, um remédio administrado às grávidas que provocava malformações nos fetos, mas ainda assim o monstro é um fenómeno estranho que ocorre com baixíssima frequência.

Com franqueza declaro: graças a Deus, com a nova tecnologia, hoje é possível à medicina impedir que nasçam crianças monstruosas.

Com boa vontade aconselho : vá ao médico se tem pila bífida ou algo assim, porque essa e outras monstruosidades são sanáveis. O rapaz a que pertenciam os genitais da foto vivia infeliz, tinha vergonha de os mostrar, mas foi operado e logo deixou de ser um monstro.

PORÉM:

a) O que é a norma? Qual a sua natureza, em que se funda ela? Quem determina qual é a norma e a partir de que série? – Cabelos louros, 1,70 m de altura, pele branca e olhos azuis serão a norma de uma amostragem feita na China?

b) Norma, diz o naturalista Barbosa Sueiro, é o termo mais frequente de uma série. Sim, mas para que serve o estabelecimento de um termo mais frequente, e mais frequente onde, e quais os seus limites?

Guerreiro (1921) comenta assim a norma : “Estas descrições tipos correspondem a hipotéticos indivíduos normais; qualquer outra disposição, não incluída nessas descrições, na mesma letra dos tratados de anatomia e conforme eles, ou constitui uma anomalia, que pode ser grande ou pequena, ou uma variação, anomalia ou monstruosidade, segundo a sua aparência. A adoptar-se este modo de ver, certamente nos sujeitaríamos à contingência de concluir que o homem normal, quer dizer, aquele que corresponde à descrição dos autores, é um homem que não existe! A própria normalidade seria, assim, privativa dos tratados (…)”.

A norma não existe na Natureza, porém é convencionada nos livros, e em cima dela a ciência determina o que é uma variação, uma anomalia ou um monstro. O estabelecimento da norma racial ariana, por exemplo, serviu ao nazismo para eliminar treze milhões de pessoas.

O estabelecimento de uma norma ideológica serviu a Estaline para eliminar os opositores. Daí que no seu ensaio, que eu classificaria como estranho fenómeno capilar, “Grandeza e decadência do bigode”, o naturalista Pires de Lima apresente uma imagem de ambos na forma de matéria por ele muito estudada, a do monstro duplo.

c) Nesta questão da norma e do desvio, até o monstro se desvia ou não da sua própria norma, quando o naturalista Alfredo Araújo, v.g., diz do seu corpus, ou corps, literalmente: “O nosso primeiro monstro é um belo espécime da derodimia. A um tronco único que vai alargando, gradualmente, de baixo para cima, respondem dois pescoços e duas cabeças, nitidamente individualizados. Tem quatro membros de conformação normal” (Araújo, 1939).

d) Que saber é o da Teratologia, matéria fundada em bases científicas por Isidore Geoffroy Saint-Hilaire, na “Histoire générale et particulière des anomalies de l’organisation chez l’homme et les animaux” (1836), autoridade para que remetem todos estes anatomistas? Qual o seu poder de reparação, enquanto ciência anexada à medicina?

É o naturalista Álvaro Moitas, médico militar e professor na Faculdade de Medicina do Porto, quem afirma que muitas teorias existem para explicar os desvios à norma, mas que a ciência nada sabe sobre isso : “Apesar dos esforços de numerosos teratologistas e biologistas, ainda não é conhecida a etiologia das anomalias e monstruosidades” (Moitas, 1946). O arrinencéfalo que apresenta tem no entanto causas fáceis de explicar : o feto humano do sexo feminino, provavelmente nado-morto, fora vítima de bridas amnióticas.

Terá sido, mas o que parece fundar a teratologia em bases científicas é apenas a descrição das formas e a nomenclatura a elas aplicada. Eis a prepotência dos códigos, a humilhação que nos infligem esses termos técnicos cujo significado não conhecemos, pois “denominar é dominar” (Herberto Helder).

Eis pois o problema:

Qualquer indivíduo constitui desvio a qualquer norma convencionada, e em nome dessa monstruosidade pode o poder instituidor da norma eliminá-lo.

Eu posso ser eliminada porque já não sou jovem, você pode ser eliminado porque tem pele negra, ela pode ser eliminada porque é um génio, tu podes ser eliminada porque és lésbica, ele pode ser eliminado porque é pobre, vocês podem ser eliminados por perfilharem uma ideologia que não é a do poder dominante.

Todo o problema do monstro é assustador por na origem ter um olhar normalizador, um desejo, essa volúpia…

Ah, a Norma, a Norma dos naturalistas – que morfologia tem ela?

É uma Norma de “suprema beleza”, sussurra Pires de Lima (1944), estudando anatomicamente o deltóide nas esculturas de Soares dos Reis. O deltóide – esse delta radiante de fibras que formam o músculo triangular do braço, e por terem forma de delta se chamam deltóides – é perfeito, embora inerte pela tristeza.

Sim, tem um nome a norma dos naturalistas, e de facto a sua suprema beleza só existe nos livros, na arte, enfim, na obra da tremenda imaginação humana – chama-se O Desterrado.

O monstro, esse, é porventura quem mandou a imaginária Bela para o desterro – a própria ciência.

Artigo originalmente publicado na revista Triplov
Maria Estela Guedes

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/a-bela-e-o-naturalista/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/criptozoologia/a-bela-e-o-naturalista/

Dia de Ranu Bai, deusa da chuva

Hoje, 17/04, é o dia da Celebração hindu de Ranu Bai, a deusa da chuva, da fertilidade e da primavera. As mulheres estéreis reverenciavam-na, levando vasilhas com água de chuva para suas estátuas e pedindo-lhe que fertilizasse seus ventres.

Na Austrália, os aborígenes honravam Wonambi, a deusa da chuva e da fertilidade, vista como uma serpente guardiã do arco-íris.

Comemoração de Rana Neida, a deusa polinésia da primavera e da chuva.

Celebre você também o poder purificador da chuva, passeando nela com a cabeça descoberta, “lavando” sua alma e seus aborrecimentos. Recolha água da chuva e guarde-a para seus rituais ou para lavar seus cristais, suas pedras e os objetos de seu altar.

Início do festival das carruagens no Nepal, dedicado ao deus da chuva Macchendrana, antigo e poderoso deus hindu.

Na China, homenageava-se nas fontes d´água Xiumu Niangniang, a Mãe das Águas, na época das chuvas e inundações, pedindo-lhes que suas dádivas viessem na medida certa.

#Festividade #Mitologia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/dia-de-ranu-bai-deusa-da-chuva

Sepher Yetzirah – Capítulo I

Tradução de Papus:

É com as trinta e duas vias da sabedoria, vias admiráveis e ocultas, que IOAH (h w h y) DEUS de Israel, DEUS VIVO e Rei dos Séculos, DEUS de Misericórdia e de Graça, DEUS Sublime tão Exaltado, DEUS vivendo na Eternidade, DEUS santo, grava seu nome por três numerações: SEPHER, SEPHAR e SIPUR, isto é o NÚMERO, O QUE NUMERA e o NUMERADO (Também traduzido por Escritura, Número e Palavra – Abendana), contido nas dez Sefirotes isto é, dez propriedades, com exceção do inefável, e vinte e duas letras.

As letras são constituídas por três mães, mais sete duplas e doze simples. As dez Sefirotes com exceção do inefável (EN SOF), são constituídas pelo número dez, como os dedos das mãos, são cinco mais cinco, mas no meio deles está a aliança da unidade. Na interpretação da língua e da circuncisão encontram-se as dez Sefirotes com exceção do inefável.

Dez e não nove, dez e não onze, compreende isto em tua sabedoria e saberás dentro de tua compreensão. Exercita o teu espírito sobre elas, pesquisa, relaciona, pensa, imagina, restabelece as coisas em seus lugares e assenta o Criador no seu Trono.

Dez Sefirotes com exceção do inefável, cujas dez propriedades são infinitas: o infinito do princípio, o infinito do fim, o infinito do bem, o infinito do mal, o infinito em elevação, o infinito em profundidade, o infinito ao Oriente, o infinito ao Ocidente, o infinito ao Norte, o infinito ao Sul (Meio-dia). Só o Senhor está acima; Rei fiel, ele domina tudo do alto do seu Trono pelos séculos afora.

Vinte e duas letras fundamentais, três mães: Aleph, Mem, Shin (c m a), elas correspondem ao prato do mérito, ao prato do demérito e à balança da lei que conserva o equilíbrio entre eles; sete duplas, b Beth, – g Ghimel – d Daleth – k Caph – p Phé – r Resh – t Thau, que correspondem à vida, à paz, à sabedoria, à riqueza, à posteridade, à graça, à dominação; doze simples: h He- w Vau- z Zain – j Cheth – f Teth – y Iod – l Lamed – n Nun – s Samech – u GHain – x TTsade – q Cuph, que correspondem à vista, ao ouvido, ao olfato, à palavra, à nutrição, à coabitação, à ação, ao caminhar, à cólera, ao riso, ao pensamento e ao sono.

Pelo qual Yah, Eterno Sabaoth, Deus de Israel, Deus Vivo, Deus Onipotente, elevado, sublime, vivendo na Eternidade e cujo nome é santo, propagou três princípios e suas posteridades, Ar, Água e Fogo, sete conquistadores e suas legiões (Os Planetas e as Estrelas), doze arestas do cubo (O nome y s b l a – não parece significar diagonal…).

A prova das coisas é dada por testemunhos dignos de fé, o mundo, o ano e o homem, que tem a regra das dez, três, sete e doze; seus prepostos são o dragão, a esfera e o coração.

#Kabbalah #SepherYetzirah

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Abraão

A contribuição de Abraão na história da cabala
Quando: cerca de 4000 anos atrás
 
Onde: Babilônia
 
Livro: Sefer Yetzirá
 
Importância: Primeira péssoa a perceber a existência de uma unidade divina

Conta a tradição que entre Adão e Noé e o mundo acabou em um dilúvio mostrando a estupenda capacidade humana de esquecer. Se não fosse assim bastaria um grande cabalista na história. Mas o caso foi que entre Noé e Abraão o conhecimento foi sendo passado de forma tímida, tanto porque a humanidade como um todo não estava interessada como pelas próprias formas de comunicação primitivas que pudessem existir. Nenhum fim do mundo.

Nascido e criado em uma sociedade onde era normal culturar muitos deuses. Abraão é tido como a primeira pessoa a defender o monoteísmo. Não no sentido simplório da maioria das pessoas de hoje, mas com a percepção de que a divindade é una e que todo o universo está intimamente interconectado e unificado com este nível superior da realidade.

Por sua boa intenção Abraão recebeu revelações que recuperaram  a sabedoria recebida por Adão e as levaram a um novo patamar.  Abraão é tido também na cabala como um símbolo do amor intenso e universal em contrapartida a Isaque, símbolo da justiça e da severidade e a Jacó representando o equilíbrio entre estas duas forças.

A Abraão também é atribuído o famoso Sefer Yetzirá, o Livro da Formação que trata da formação do mundo por meio dos números, das letras e das palavras.  Dificilmente chamaríamos de livro hoje em dia posto que se trata de poucas páginas com menos de cem palavras no total. E isso levanta uma questão intrigante: Como todos os mistérios do universo podem estar contidos em um texto tão pequeno? A resposta dos cabalistas é que trata-se de uma fórmula. Considera a famosa equação de  Einstein E=mc². Páginas e páginas de equações matemáticas foram usadas para chegar a esta fórmula simples. Só assim os segredos do espaço-tempo podem ser incluídos dentro de apenas cinco caracteres. É por esta razão que, apesar do livro ser diminuto muitas volumes já foram preenchidos por comentaristas e estudiosos explicando suas minuncias.

Outro ponto interessante do papel destacado de Abraão é que sua vida e obra surgiram muito antes das principais religiões que tem ele como patriarca. Abraão viveu na Babilônia e não podia ser muçulmano, cristão e particularmente não era judeu. O judaismo só nasceu tal como o conhecemos hoje após a destruição do segundo templo no Israel e a disperssão da nação da Judeia pelo mundo e a elevação da lei rabinica ao status de mandamentos religiosos.

 

[…] Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/abraao/ […]

Postagem original feita no https://mortesubita.net/biografias/abraao/

Exemplos de Contradições Bíblicas

Os estudiosos calcularam que a Bíblia contém mais de duas mil contradições explícitas ou implícitas. Esta lista é somente uma pequena seleção. Obs: As contradições serão mais bem entendidas se houver o devido acompanhamento das passagens bíblicas citadas.

Os Gigantes existiam antes da inundação (Gênesis 6:4).

Somente Noé, sua família, e os animais da Arca sobreviveram à inundação (Gênesis 7:23).

Mesmo depois da Inundação os gigantes continuaram existindo (Números 13:33).

Toda a terra tinha uma só língua e as mesmas palavras, até que Deus criou vários idiomas diferentes, fazendo com que ninguém entendesse um ao outro (Gênesis 11:1,6-9).

Anterior a isto, a Bíblia fala de diversas nações, cada um com sua própria língua (Gênesis 10:5).

Deus admitiu que Ele é a causa da surdez e da cegueira (Êxodo 4:11).

Contudo, Deus não aflige os homens por vontade própria (Lamentações 3:33).

Deus envia Moisés para o egito resgatar os filhos de Israel (Êxodo 3:10. 4:19-23).

No caminho, Deus ameaçou Moisés de morte. Não proveu de explicação (Êxodo 4:24-26).

Deus mata todos os animais dos egípcios com uma forte pestilência. Nenhum sobreviveu a pestilência (Êxodo 9:3-6).

Deus mata todos os animais dos egípcios com uma chuva de granizo (Mas eles já não haviam morrido com a pestilência?) (Êxodo 9:19-21,25).

Deus não foi conhecido por Abraão, Isaac e Jacó pelo nome de Javé (Êxodo 6:2-3).

O nome do Senhor já era conhecido (Gênesis 4:26).

Deus proibe que seja feito a escultura de qualquer ser (Êxodo 20:4).

Deus ordenou a fabricação de estátuas de ouro (Êxodo 25:18).

Proibição do assassinato (Êxodo 20:13).

Deus manda Moisés matar todos os homens de Madiã (Números 31:7).

Proibição do roubo (Êxodo 20:15).

Deus manda roubar os egípcios (Êxodo 3:21-22).

Proibição da mentira (Êxodo 20:16)

Deus permite a mentira (I Reis 22:22)

Deus não pode mentir (Números 23:19).

Deus deliberadamente enviou um “espírito” mentiroso (I Reis 22:20-30) (II Crônicas 18:19-22).

Deus faz pessoas acreditarem em mentiras (II Tessalonicenses 2:11-12).

O Senhor engana os profetas (Ezequiel 14:9).

Aarão morreu no monte Hor. Imediatamente depois disso, os israelitas foram para Salmona e Finon (Números 33:38).

Aarão morreu em Mosera. Depois disso, os isralelitas foram para Gadgad e Jetebata (Deuteronômio 10:6-7).

Deus diz a Moisés que Aarão morreu no monte Hor (Deuteronômio 32:50).

Nós temos que amar Deus (Deuteronômio 6:5) (Mateus 22:37).

Nós temos que temer Deus (Deuteronômio 6:13) (I Pedro 2:17).

Deus escreveu nas tábuas as dez palavras da aliança (Deuteronômio 10:1-2,4).

Deus ditou e Moisés escreveu (Êxodo 34:27-28).

Josué queimou a cidade de Hai e reduziu-a a um monte de ruínas para sempre (Josué 8:28).

Hai ainda existe como uma cidade (Neemias 7:32).

Josué destruiu totalmente os habitantes de Dabir (Josué 10:38-39).

Os habitantes de Dabir ainda existem (Josué 15:15).

Saul destruiu completamente os amalecitas (I Samuel 15:7-8,20).

David destruiu completamente os amalecitas (I Samuel 27:8-9).

Finalmente os amalecitas são mortos (I Crônicas 4:42-43).

Isaí teve sete filhos além de seu mais jovem, David (I Samuel 16:10.11).

David foi o sétimo filho (I Crônicas 2:15).

Saul tentou consultar o Senhor (I Samuel 28:6).

Saul nunca fez tal coisa (I Crônicas 10:13-14).

Saul cometeu suicídio (I Samuel 31:4-6) (I Crônicas 10:4-5).

Saul foi morto por um amalecita (II Samuel 1:8-10).

Saul foi morto pelos filisteus (II Samuel 21:12).

Davi tomou 1.700 cavaleiros de Adadezer (II Samuel 8:4).

Davi tomou 7.000 cavaleiros de Adadezer (I Crônicas 18:4).

Davi matou aos arameus 700 parelhas de cavalos e 40.000 cavaleiros (II Samuel 10:18).

Davi matou aos arameus 7.000 cavalos e 40.000 empregados (I Crônicas 19:18).

Israel dispõe de 800.000 homens aptos para manejar espadas, enquanto que Judá dispõe de 500.000 homens (II Samuel 24:9).

Israel dispõe de 1.100.000 homens aptos para manejar espadas, enquanto que Judá dispõe de 470.000 homens (I Crônicas 21:5).

Satã provocou Davi a fazer um censo de Israel (I Crônicas 21:1).

Deus sugeriu Davi a fazer um censo de Israel (II Samuel 24:1).

Davi pagou 50 siclos de prata por gados e pelo terreno (II Samuel 24:24).

Davi pagou 600 siclos de ouro pelo mesmo terreno (I Crônicas 21:25).

Rei Josias foi morto em Magedo. Seus servos o levam morto para Jerusalém (II Reis 23:29-30).

Rei Josias foi ferido em Magedo e pediu para seus servos o levarem para Jerusalém, onde veio a falecer (II Reis 23:29-30).

Foram levados 5 homens dentre os mais íntimos do rei (II Reis 25:19-20).

Foram levados 7 homens dentre os mais íntimos do rei (Jeremias 52:25-26).

São citados os nomes de 10 pessoas que vieram com Zorobabel (Esdras 2:2)

São citados os nomes de 11 pessoas que vieram com Zorobabel (Neemias 7:7)

(Esdras 2:3 & Neemias 7:8) Estas passagens pretendem mostrar a quantidade de pessoas que voltaram do cativeiro babilônico. Compare o número para cada família: 14 deles discordam.

Jesus foi filho de José, que o foi de Jacob (Mateus 1:16).

Jesus foi filho de José, que o foi de Heli (Lucas 3:23).

O pai de Salathiel foi Jeconias (Mateus 1:12).

O pai de Salathiel foi Neri (Lucas 3:27)

Abiud é filho de Zorobabel (Mateus 1:13).

Resa é filho de Zorobabel (Lucas 3:27).

São citados os nomes de todos os filhos de Zorobabel, mas nem Resa e nem Abiud estão entre eles (I Crônicas 3:19-20).

Jorão era o pai de Ozias que era o pai de Joathão (Mateus 1:8-9).

Jorão era o pai de Occozias, do qual nasceu Joás, que gerou Amazias, que foi pai de Azarias que, finalmente, gerou Joathão (I Crônicas 3:11-12).

Josias era o pai de Jeconias (Mateus 1:11).

Josias era o avô de Jeconias (I Crônicas 3:15-16).

Zorobabel era filho de Salathiel (Mateus 1:12) (Lucas 3:27).

Zorobabel era filho de Fadaia. Salathiel era tio dele (I Crônicas 3:17-19).

Jesus curou um leproso depois de visitar a casa de Pedro e Simão (Marcos 1:29,40-42).

Jesus curou o leproso antes de visitar a casa de Pedro e Simão (Mateus 8:2-3,14).

O Diabo levou Jesus primeiro ao topo do templo e depois para um lugar alto para ver todos os reinos do mundo (Mateus 4:5-8).

O Diabo levou Jesus primeiro para o lugar alto e depois para o topo do templo (Lucas 4:5-9).

O centurião se aproximou de Jesus e pediu ajuda para um criado doente (Mateus 8:5-7).

O centurião não se aproximou de Jesus. Ele enviou amigos e os anciões dos judeus (Lucas 7:2-3,6-7).

Jairo pediu a Jesus que ajudasse a sua filha, que estava morrendo (Lucas 8:41-42).

Ele pediu para que Jesus salvasse a filha dele que já havia morrido (Mateus 9:18).

Deus confiou o julgamento a Jesus (João 5:22) (João 5:27,30 8:26) (II Coríntios 5:10) (Atos 10:42).

Jesus, porém, disse que não julga ninguém (João 8:15,12:47).

Os santos hão de julgar o mundo (I Coríntios 6:2).

A transfiguração de Jesus ocorreu 6 dias após a sua profecia (Mateus 17:1-2).

A transfiguração ocorreu 8 dias após (Lucas 9:28-29).

A mãe de Tiago e João pediu a Jesus para que eles se assentassem ao seu lado no reino (Mateus 20:20-21).

Tiago e João fizeram o pedido, ao invés de sua mãe (Marcos 10:35-37).

Ao sair de Jericó, Jesus se encontrou com dois homens cegos (Mateus 20:29-30).

Ao sair de Jericó, Jesus se encontrou com somente um homem cego (Marcos 10:46-47).

Dois dos discípulos levaram uma jumenta e um jumentinho para Jesus da aldeia de Bethfagé (Mateus 21:2-7).

Eles levaram somente um jumentinho (Marcos 11:2-7).

Jesus amaldiçoou a árvore de figo depois de ter deixado o templo (Mateus 21:17-19).

Ele amaldiçoou a árvore antes de ter entrado no templo (Marcos 11:14-15,20)

Um dia após Jesus ter amaldiçoado a figueira, os discípulos notaram que ela havia secado (Marcos 11:14-15,20)

A figueira secou imediatamente após a maldição ser posta (Mateus 21:19).

Jesus disse que Zacarias era filho de Baraquias (Mateus 23:35).

Zacarias era filho de Joiada (II Crônicas 24:20-22).

#Bíblia

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/exemplos-de-contradi%C3%A7%C3%B5es-b%C3%ADblicas