Espíritos

Já viram aquele disquinho cheio de cores que, quando girado em alta velocidade, fica branco? Fascinante, não? Nos dá uma idéia do quão deficiente é nosso olho pra registro de imagens em velocidades (vibrações) mais elevadas. Ainda não entendo como alguns podem pensar que o ser humano é o supra-sumo da evolução em todos os departamentos, que o que ele não vê (nem pode provar que vê) não existe. Alguns animais, como a abelha e o beija flor, enxergam em freqüências que o ser humano não consegue. Os gatos e cachorros freqüentemente percebem coisas que nós não percebemos. Já viram um cachorro latindo pra parede? Já viram um gato acompanhando com os olhos algo que você não está vendo? Já perceberam que, em ambos os casos, eles olham pra altura da cabeça de um ser humano, e não no nível deles?

Os gatos eram venerados no Egito. Os egípcios eram fascinados pela idéia de vida após a morte. Diziam que o gato era um facilitador da passagem pro outro mundo, um mediador (médium). Os gatos (não sei se todos) possuem sensibilidade para ver espíritos (não sei em que freqüência, nunca entrevistei um gato), assim como alguns médiuns humanos. Mas, o que leva algumas pessoas a verem espíritos e outras não? Boa pergunta… Aliás, ótima pergunta. Se alguém provar que é algum gene defeituoso pode ganhar o prêmio Nobel de Medicina. Muitos livros já foram escritos, mas pelo visto nenhum veio com a resposta definitiva, pois parece envolver um monte de fatores, como campo magnético, sensibilidade da pessoa, missão na Terra, etc. Mas o fato de não ter uma resposta concreta pra esse fenômeno não pode descaracterizar o fato de que muitas pessoas vêem!! Não se pode negar a existência de espíritos só porque você não quer acreditar no que outras pessoas relatam em circunstâncias que não deixam margem pra dúvida. Os espíritos não vão deixar de existir por causa de pessoas que não acreditam nisso. Nem Deus vai deixar de ser Deus porque existem ateus. O mundo seria melhor se todos nós víssemos espíritos? Não tenho certeza… os crimes iriam diminuir drasticamente, quando as pessoas mortas aparecessem ao pé da cama do assassino todas as noites, mas também não haveria mais privacidade pra ninguém. Os mais paranóicos iriam instalar gaiolas Faraday em volta das suas casas, as crianças iriam ser todas traumatizadas com os “bichos papões” e outras desgraças do umbral que ficam circulando por aí.

Deus sabe o que faz em nos poupar de certas coisas. É por isso que, enquanto não dispormos de ética, amor e responsabilidade com os semelhantes, certas ferramentas (os Siddhas) ficam automaticamente inacessíveis, para nosso próprio bem.

Mas, o que seriam os espíritos? Seria uma mentira que nasceu nas mais diversas culturas e se perpetuou até hoje, do pesquisador francês ao índio no Xingu? Da antiga Grécia às tribos da Nova Zelândia? Uma coisa é ser cético, outra é ser desonesto consigo mesmo e com os outros, e querer varrer pra debaixo do tapete um conhecimento global, multifacetado e milenar, simplesmente porque vai contra as suas aspirações! É algo que no mínimo merece ser analisado cuidadosamente. Como não gosto de tomar partidos, não vou dizer que o espiritismo responde a todas as questões sobre espíritos, muito embora seja a doutrina que mais se dedicou em esclarecê-los. E se os espíritos forem na verdade falhas no véu do tempo, e estaríamos assim apenas assistindo a cenas do passado? Isso pode acontecer (em castelos, ou lugares “mal-assombrados”) mas a teoria falha em abarcar todos os fenômenos, pois é mais comum que os espíritos interajam nesta realidade, neste tempo. Se formos tomar as explicações dos espíritos como verdade, eles então seriam pessoas como nós que morreram pra esta dimensão mas continuam as mesmas, em outro plano vibracional mais alto, invisível para nós. Isso pode ser verdade do ponto de vista deles, mas será que é assim mesmo? E se eles forem reflexos individuais de algo muito maior? Como softwares que são descartados mas não se dão conta disso, e continuam executando o trabalho para o qual foram programados? E se o Universo for como um holograma, e cada personalidade for um pixel (ponto) de luz com certa característica e luminosidade, e, juntando todos esses pontos, formar uma imagem? Não seríamos indivíduos formando uma unidade?

Bem, essas são só questões pra fazer vocês pensarem. Não tenho a menor pretensão de respondê-las, porque não sei. Questionem, duvidem, não a dúvida cega de quem se acha dono da verdade, mas a dúvida daquele que SABE que a vida é um grande mistério, que não pode ser totalmente decifrado, mas sim experimentado.

“Ainda tenho muito que vos dizer; mas vós não o podeis suportar agora. Quando vier, porém, aquele, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas vindouras.”

(João 16:12-13)

#Espiritismo #Espiritualidade #PlanoAstral

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/esp%C3%ADritos

A Natureza da Consciência (parte-1)

Alan Watts

Acho um pouco difícil dizer qual será o assunto deste seminário, porque é muito fundamental o título dado a ele. Eu vou falar sobre o que é. Agora, a primeira coisa, porém, que temos a fazer é obter nossas perspectivas com alguma base sobre as ideias básicas que, como ocidentais que vivem hoje nos Estados Unidos, influenciam nosso senso comum cotidiano, nossas noções fundamentais sobre o que é a vida. E há origens históricas para isso, que nos influenciam mais fortemente do que a maioria das pessoas imagina. Ideias do mundo que são construídas na própria natureza da linguagem que usamos, e de nossas ideias de lógica, e do que faz  sentido.

Essas idéias básicas eu chamo de mito, não usando a palavra ‘mito’ para significar simplesmente algo falso, mas para uso a palavra ‘mito’ em um sentido mais poderoso. Um mito é uma imagem com a qual tentamos dar sentido ao mundo. Agora, por exemplo, um mito de certa forma é uma metáfora. Se você quer explicar eletricidade para alguém que não sabe nada sobre eletricidade, você diz, bem, você fala sobre uma corrente elétrica. Agora, a palavra ‘corrente’ é emprestada dos rios. É emprestado da hidrelétrica, então você explica a eletricidade em termos de água. Agora, eletricidade não é água, na verdade ela se comporta de uma maneira diferente, mas há algumas maneiras pelas quais o comportamento da água é como o comportamento da eletricidade, então você explica em termos de água. Ou se você é um astrônomo e quer explicar às pessoas o que você quer dizer com um universo em expansão e um espaço curvo, você diz: ‘bem, é como se você tivesse um balão preto e houvesse pontos brancos no balão preto , e esses pontos representam galáxias, e à medida que você sopra o balão, uniformemente todos eles ficam cada vez mais distantes. Mas você está usando uma analogia – o universo não é realmente um balão preto com pontos brancos nele.

Assim, da mesma forma, usamos esse tipo de imagem para tentar dar sentido ao mundo, e atualmente estamos vivendo sob a influência de duas imagens muito poderosas, que são, no estado atual do conhecimento científico, inadequadas e um dos maiores problemas hoje é encontrar uma imagem adequada e satisfatória do mundo. Pois é sobre isso que vou falar. E vou além disso, não só que imagem do mundo ter, mas como podemos fazer com que nossas sensações e nossos sentimentos estejam de acordo com a imagem mais sensata do mundo que conseguirmos conceber.

Tudo bem, agora – as duas imagens com as quais trabalhamos há 2.000 anos e talvez mais são o que eu chamaria de dois modelos do universo, e o primeiro é chamado de modelo cerâmico e o segundo de modelo automatizado. O modelo cerâmico do universo é baseado no livro de Gênesis, do qual o judaísmo, o islamismo e o cristianismo derivam sua imagem básica do mundo. E a imagem do mundo no livro de Gênesis é que o mundo é um artefato. É feito, como um oleiro pega barro e faz potes dele, ou como um carpinteiro pega madeira e faz mesas e cadeiras com ela. Não se esqueça que Jesus é filho de um carpinteiro. E também o filho de Deus. Assim, a imagem de Deus e do mundo se baseia na idéia de Deus como técnico, oleiro, carpinteiro, arquiteto, que tem em mente um plano e que molda o universo de acordo com esse plano.

Tão básico para esta imagem do mundo é a noção, veja, que o mundo consiste basicamente de coisas. Matéria primordial, substância, coisas. Como as peças são feitas de barro. Agora o barro por si só não tem inteligência. O barro por si só não se torna um vaso, embora um bom oleiro possa pensar o contrário. Porque se você fosse um oleiro realmente bom, você não impõe sua vontade ao barro, você pergunta a qualquer pedaço de barro o que ele quer se tornar, e você o ajuda a fazer isso. E então você se torna um gênio. Mas a ideia comum de que estou falando é que simplesmente que a argila não é inteligente; é só uma coisa, e o oleiro impõe sua vontade a ela, e faz com que ela se torne o que ele quiser.

E assim no livro de Gênesis, o senhor Deus cria Adão do pó da Terra. Em outras palavras, ele faz uma estatueta de barro, e então respira nela, e ela se torna viva. E porque o barro por si só é sem forma, não tem inteligência requer uma inteligência externa e uma energia externa para trazê-lo à vida e trazer algum sentido a ele. E assim, herdamos uma concepção de nós mesmos como artefatos, como sendo feitos, e é perfeitamente natural em nossa cultura que uma criança pergunte a sua mãe ‘Como fui feito?’ ou ‘Quem me fez?’ E esta é uma ideia muito, muito poderosa, mas, por exemplo, não é compartilhada pelos chineses ou pelos hindus. Uma criança chinesa não perguntaria à mãe ‘Como fui feito?’ Uma criança chinesa pode perguntar à mãe ‘Como cresci?’ que é um processo de fabricação de formas totalmente diferente. Você vê, quando você faz alguma coisa, você junta, arranja as partes, ou trabalha de fora para dentro, como uma escultura trabalha na pedra, ou como um oleiro trabalha no barro. Mas quando você observa algo crescendo, funciona exatamente na direção oposta. Funciona de dentro para fora. Ele se expande. Ela floresce. Ela desabrocha. E isso acontece por si só. Em outras palavras, a forma simples original, digamos de uma célula viva no útero, progressivamente se complica, e esse é o processo de crescimento, e é bem diferente do processo de fabricação.

Mas nós pensamos, historicamente, você vê, o mundo como algo feito, e a ideia de ser – árvores, por exemplo – construções, assim como mesas e casas são construções. E assim há, por essa razão, uma diferença fundamental entre o feito e o fabricante. E esta imagem, este modelo cerâmico do universo, originou-se em culturas onde a forma de governo era monárquica, e onde, portanto, o criador do universo foi concebido também à imagem do rei do universo. ‘Rei dos reis, senhores dos senhores, o único governante dos príncipes, que assim do teu trono contemplam todos os habitantes da Terra.’ Estou citando o Livro de Oração Comum. E assim, todas aquelas pessoas que são orientadas para o universo dessa maneira sentem-se relacionadas à realidade básica como súditos de um rei. E assim eles estão em termos muito, muito humildes em relação ao que quer que seja que faça tudo isso funcionar. Acho estranho, nos Estados Unidos, que as pessoas que são cidadãos de uma república tenham uma teoria monárquica do universo. Que você pode falar sobre o presidente dos Estados Unidos como JFK, ou Ike, ou Harry, mas não pode falar sobre o senhor do universo em termos tão familiares. Porque estamos carregando de culturas muito antigas do Oriente Próximo, a noção de que o senhor do universo deve ser respeitado de uma certa maneira. As pessoas se ajoelham, as pessoas se curvam, as pessoas se prostram, e você sabe qual é a razão disso: ninguém tem mais medo de algo do que de um tirano. Ele se senta de costas para a parede, e seus guardas de cada lado dele, e ele tem você de bruços no chão porque você não pode usar armas dessa maneira. Quando você entra na presença dele, você não se levanta e o encara, porque você pode atacar, e ele tem motivos para temer que você o faça porque ele está governando todos vocês. E o homem que governa todos vocês é o maior bandido do grupo. Porque ele é o único que teve sucesso no crime. Os bandidos menores são deixados de lado porque eles – os criminosos, as pessoas que prendemos na cadeia – são simplesmente as pessoas que não tiveram sucesso.

Então, naturalmente, o verdadeiro chefe fica de costas para a parede com um capanga de cada lado. E então, quando você projeta uma igreja, como ela se parece? A igreja católica, com o altar onde costumava estar – está mudando agora, porque a religião católica está mudando. Mas a igreja católica tem o altar de costas para a parede na extremidade leste da igreja. E o altar é o trono e o sacerdote é o principal vizir da corte, e ele está fazendo penitência ao trono, mas ali está o trono de Deus, o altar. E todas as pessoas estão encarando isto, e ajoelhadas. E uma grande catedral católica é chamada de basílica, do grego ‘basilikos’, que significa ‘rei’. Assim, uma basílica é a casa de um rei, e o ritual da igreja é baseado nos rituais da corte de Bizâncio.

Uma igreja protestante é um pouco diferente., mas basicamente o mesmo. O mobiliário de uma igreja protestante é baseado em um tribunal judicial. O púlpito, o juiz de um tribunal americano usa um manto preto, ele usa exatamente o mesmo vestido de um ministro protestante. E todos se sentam nessas caixas, há uma caixa para o júri, há uma caixa para o juiz, há uma caixa para isso, há uma caixa para aquilo, e esses são os bancos de uma igreja protestante do tipo colonial comum. Assim, ambos os tipos de igrejas que têm uma visão autocrática da natureza do universo que decoram, são arquitetonicamente construídos de acordo com imagens políticas do universo. Um é o rei e o outro é o juiz. Sua honra. Há sentido nisso. Quando estiver no tribunal, você deve se referir ao juiz como ‘Vossa Excelência”. Isso impede que as pessoas envolvidas em litígios percam a paciência e sejam rudes. Há um certo sentido nisso.

Mas quando você quer aplicar essa imagem ao próprio universo, à própria natureza da vida, ela tem limitações. Por um lado, a ideia de uma diferença entre matéria e espírito. Essa ideia não funciona mais. Há muito, muito tempo, os físicos pararam de fazer a pergunta ‘O que é matéria?’ Eles começaram assim. Eles queriam saber, qual é a substância fundamental do mundo. E quanto mais eles faziam essa pergunta, mais eles percebiam que não podiam respondê-la, porque se você vai dizer o que é a questão, você tem que descrevê-lo em termos de comportamento, ou seja, em termos de forma, em termos de padrão. Você diz o que ele faz, descreve as menores formas que você pode ver. Você vê o que acontece? Você olha, digamos, para um pedaço de pedra e quer dizer: ‘Bem, do que é feito esse pedaço de pedra?’ Você pega seu microscópio e olha para ele, e em vez de apenas este bloco de coisas, você vê muitas formas menores. Pequenos cristais. Então você diz: ‘Tudo bem, até agora tudo bem. Agora, do que esses cristais são feitos? E você pega um instrumento mais poderoso, e descobre que eles são feitos de moléculas, e então você pega um instrumento ainda mais poderoso para descobrir do que são feitas as moléculas, e você começa a descrever átomos, elétrons, prótons, mésons. , todos os tipos de partículas subnucleares. Mas você nunca, nunca chega às coisas básicas. Porque não existem.

O que acontece é o seguinte: ‘Coisas’ é uma palavra para o mundo como parece quando nossos olhos estão fora de foco. Confuso – a idéia de Coisa é que é indiferenciada, como uma espécie de gosma. E quando seus olhos não estão em foco nítido, tudo parece confuso. Quando você coloca seus olhos em foco, você vê uma forma, você vê um padrão. Mas quando você quer mudar o nível de ampliação e se aproximar cada vez mais, você fica confuso novamente antes de ficar claro outra vez. Então, toda vez que você fica confuso, você pensa que há algum tipo de coisa lá. Mas quando você fica enxerga, você vê uma forma. Então, tudo o que podemos falar é sobre padrões. Nós nunca, nunca podemos falar sobre as ‘coisas’ das quais esses padrões devem ser feitos, porque você realmente não tem que supor que existe coisa alguma. Basta falar do mundo em termos de padrões. Ele descreve qualquer coisa que possa ser descrita, e você realmente não precisa supor que há alguma coisa que constitui a essência do padrão da mesma forma que a argila constitui a essência dos potes. E assim, por esta razão, você realmente não tem que supor que o mundo é algum tipo de lixo indefeso, passivo e pouco inteligente que uma agência externa tem que informar e transformar em formas inteligentes. Assim, a imagem do mundo na física mais sofisticada de hoje não é formada por coisas – argila em vaso – mas por padrão. Um padrão auto-movível e auto-projetado. Uma dança. E nosso senso comum como indivíduos ainda não alcançou isso.

Bem agora, no decorrer do tempo, na evolução do pensamento ocidental. A imagem cerâmica do mundo teve problemas. E se transformou no que chamo de imagem totalmente automatizada do mundo. Em outras palavras, a ciência ocidental baseou-se na ideia de que existem leis da natureza, e obteve essa ideia do judaísmo, do cristianismo e do islamismo. Que em outras palavras, o oleiro, o criador do mundo no princípio das coisas estabeleceu as leis, e a lei de Deus, que também é a lei da natureza, é chamada de ‘loggos.?,.’ E no cristianismo, o logos é a segunda pessoa da trindade, encarnada como Jesus Cristo, que assim é o exemplo perfeito da lei divina. Assim, tendemos a pensar em todos os fenômenos naturais como respondendo a leis, como se, em outras palavras, as leis do mundo fossem como os trilhos sobre os quais circula um bonde, um bonde ou um trem, e essas coisas existem de certa forma. maneira, e todos os eventos respondem a essas leis. Você conhece aquele clichê: o jovem que diz ‘Droga, parece que eu sou uma criatura que se move em determinados sulcos. Não sou nem ônibus, sou bonde!”

Então aqui está essa ideia de que há um tipo de plano, e tudo responde e obedece a esse plano. Bem, no século 18, os intelectuais ocidentais começaram a suspeitar dessa ideia. E o que eles suspeitavam era se existe um legislador, se existe um arquiteto do universo, e eles descobriram, ou eles raciocinaram, que você não tem que supor que existe. Por quê? Porque a hipótese de Deus não nos ajuda a fazer previsões. Nem faz… Em outras palavras, vamos colocar desta forma: se o negócio da ciência é fazer previsões sobre o que vai acontecer, a ciência é essencialmente profecia. O que vai acontecer? Examinando o comportamento do passado e descrevendo-o cuidadosamente, podemos fazer previsões sobre o que vai acontecer no futuro. Isso é realmente toda a ciência. E para fazer isso e fazer previsões bem-sucedidas, você não precisa de Deus como hipótese. Porque isso não faz diferença em nada. Se você diz ‘Tudo é controlado por Deus, tudo é governado por Deus’, isso não faz nenhuma diferença na sua previsão do que vai acontecer. E então o que eles fizeram foi abandonar essa hipótese. Mas eles mantiveram a hipótese de lei. Porque se você pode prever, se você pode estudar o passado e descrever como as coisas se comportaram, e você tem algumas regularidades no comportamento do universo, você chama isso de lei. Embora possa não ser lei no sentido comum da palavra, é simplesmente regularidade.

E então o que eles fizeram foi se livrar do legislador e guardar a lei. E assim concebeu o universo em termos de um mecanismo. Algo, em outras palavras, que está funcionando de acordo com princípios mecânicos regulares, semelhantes a relógios. Toda a imagem de Newton do mundo é baseada no bilhar. Os átomos são bolas de bilhar e batem uns nos outros. E assim seu comportamento, cada indivíduo ao redor, é definido como um arranjo muito, muito complexo de bolas de bilhar sendo jogadas por todo o resto. E assim por trás do modelo totalmente automático do universo está a noção de que a própria realidade é, para usar o termo favorito dos cientistas do século 19, energia cega. Na metafísica de Ernst Hegel, e T.H. Huxley, o mundo é basicamente nada além de energia – força cega e não inteligente. E da mesma forma e paralelamente a isso, na filosofia de Freud, temos a energia psicológica básica da libido, que é a luxúria cega. E é só um acaso, é só por puro acaso que da exuberância dessa energia existem pessoas. Com valores, razão, linguagem, culturas e com amor. Apenas um acaso. Tipo, você sabe, 1.000 macacos digitando em 1.000 máquinas de escrever por um milhão de anos acabarão digitando a Enciclopédia Britânica. E é claro que no momento em que eles pararem de digitar a Enciclopédia Britânica, eles irão recair no absurdo.

E para que isso não aconteça, para que você e eu  que somos acasos neste cosmos, e gostamos do nosso modo de vida – gostamos de ser humanos – e quisermos mantê-lo, dizem essas pessoas, temos que lutar contra a natureza, porque ela nos transformará em tolices no momento em que permitirmos. Portanto, temos que impor nossa vontade a este mundo como se fôssemos algo completamente estranho a ele. De fora. E assim temos uma cultura baseada na ideia da guerra entre o homem e a natureza. E falamos sobre a conquista do espaço. A conquista do Everest. E os grandes símbolos da nossa cultura são o foguete e o trator. O foguete é uma compensação para o homem sexualmente inadequado. Então vamos conquistar o espaço. Mas já estamos no espaço. Se alguém se importasse em ser sensível deixaria o espaço exterior vir até nós, se nossos olhos estiverem suficientemente claros. Auxiliado por telescópios, auxiliado pela radioastronomia, auxiliado por todos os tipos de instrumentos sensíveis que podemos imaginar. Mas, você sabe, a sensibilidade não é o tom. Especialmente na cultura WASP dos Estados Unidos. Nós definimos masculinidade em termos de agressão porque temos um pouco de medo de sermos ou não realmente homens. E então fizemos esse grande show de ser um cara durão. É completamente desnecessário. Se você tem o que é preciso, você não precisa fazer esse show. E você não precisa vencer a natureza em sua submissão. Por que ser hostil à natureza? Porque afinal, você É um sintoma da natureza. Você, como ser humano, você cresce para fora deste universo físico exatamente da mesma forma que uma maçã cresce de uma macieira.

Então, digamos que a árvore que produz maçãs é uma árvore que produz maçãs, usando ‘maçã’ como verbo. E um mundo em que os seres humanos chegam é um mundo que povoa. E assim a existência de pessoas é sintomática do tipo de universo que acham que vivem. Assim como manchas na pele de alguém são sintomáticas de catapora. Assim como o cabelo na cabeça é sintomático do que está acontecendo no organismo. Mas fomos criados por causa de nossos dois grandes mitos – o cerâmico e o automático – para não sentir que pertencemos ao mundo. Assim, nosso discurso popular reflete isso. Você diz ‘Eu vim a este mundo’. Você não veio para dá. Você veio daqui. Você diz ‘Enfrente os fatos’. Falamos de ‘encontros’ com a realidade, como se fosse um encontro frontal de agências completamente alienígenas. E a pessoa comum tem a sensação de que é alguém que existe dentro de um saco de pele. O centro de consciência que olha para essa coisa, e o que diabos isso vai fazer comigo? ‘Eu reconheço você, você meio que se parece comigo, e eu me vi no espelho, e você parece que pode ser gente.’ Então talvez você seja inteligente e talvez possa amar também. Talvez você esteja bem, alguns de vocês estão, de qualquer maneira. Você tem a cor certa de pele, ou você tem a religião certa, ou seja lá o que for, você está bem. Mas há todas essas pessoas na Ásia e na África, e elas podem não ser realmente pessoas para vocês. Quando você quer destruir alguém, você sempre os define como ‘não-pessoas’. Não realmente humano. Macacos, talvez. Idiotas, talvez. Máquinas, talvez, mas não pessoas.

Portanto, temos essa hostilidade ao mundo externo por causa da superstição, do mito, da teoria absolutamente infundada de que você, você mesmo, existe apenas dentro de sua pele. Agora eu quero propor outra ideia completamente diferente. Existem duas grandes teorias em astronomia acontecendo agora sobre a origem do universo. Uma é chamada de teoria da explosão e a outra é chamada de teoria do estado estacionário. As pessoas do estado estacionário dizem que nunca houve uma época em que o mundo começou, está sempre se expandindo, sim, mas como resultado do hidrogênio livre no espaço, o hidrogênio livre coagula e faz novas galáxias. Mas as outras pessoas dizem que houve uma explosão primordial, um enorme estrondo bilhões de anos atrás, que arremessou todas as galáxias para o espaço. Bem, vamos tomar isso apenas por uma questão de argumento e dizer que foi assim que aconteceu.

É como se você pegasse uma garrafa de tinta e a jogasse na parede. Esmagar! E toda aquela tinta se espalhou. E no meio, é denso, não é? E à medida que sai na borda, as gotículas ficam cada vez mais finas e fazem padrões mais complicados, entende? Então, da mesma forma, houve um big bang no início das coisas e isso se espalhou. E você e eu, sentados aqui nesta sala, como seres humanos complicados, estamos muito, muito à margem desse estrondo. Nós somos os pequenos padrões complicados no final disso. Muito interessante. Mas assim nos definimos como sendo apenas isso. Se você pensa que está apenas dentro de sua pele, você se define como um pequeno emaranhado muito complicado, bem à beira dessa explosão. Sair no espaço e sair no tempo. Bilhões de anos atrás, você era um big bang, mas agora você é um ser humano complicado. E então nos isolamos e não sentimos que ainda somos o big bang. Mas você é. Depende de como você se define. Você é na verdade — se foi assim que as coisas começaram, se houve um big bang no começo — você não é algo que é resultado do big bang. Você não é algo que é uma espécie de marionete no final do processo. Você ainda é o processo. Você é o big bang, a força original do universo, surgindo como quem você é. Quando te encontro, vejo não apenas o que você se define como – senhor fulano de tal, senhora fulana de tal, senhorita fulana de tal – vejo cada um de vocês como a energia primordial do universo vindo para mim desta maneira particular. Eu sei que sou isso também. Mas aprendemos a nos definir como separados dela.

E então o que eu chamaria de um problema básico que temos que passar primeiro, é entender que não existem coisas. Quero dizer coisas separadas, ou eventos separados. Que isso é apenas uma maneira de falar. Se você puder entender isso, não terá mais problemas. Certa vez, perguntei a um grupo de crianças do ensino médio ‘O que você quer dizer com uma coisa?’ Em primeiro lugar, eles me deram todos os tipos de sinônimos. Eles disseram ‘É um objeto’, que é simplesmente outra palavra para uma coisa; não lhe diz nada sobre o que você quer dizer com uma coisa. Finalmente, uma garota muito inteligente da Itália, que estava no grupo, disse que uma coisa é um substantivo. E ela estava certa. Um substantivo não é uma parte da natureza, é uma parte do discurso. Não há substantivos no mundo físico. Também não há coisas separadas no mundo físico. O mundo físico é agitado. Nuvens, montanhas, árvores, pessoas, são todas onduladas. E somente quando os seres humanos começam a trabalhar nas coisas – eles constroem prédios em linhas retas, e tentam fazer com que o mundo não seja realmente ondulante. Mas aqui estamos nós, sentados nesta sala, toda construída em linhas retas, mas cada um de nós é tão agitado quanto todos os outros.

Agora, quando você quer ter o controle de algo que se mexe, é bem difícil, não é? Você tenta pegar um peixe em suas mãos, e o peixe está balançando e escorrega. O que você faz para pegar o peixe? Você usa uma rede. E assim a rede é a coisa básica que temos para nos apoderarmos do mundo ondulante. Então, se você quiser se apoderar desse movimento, você tem que colocar uma rede sobre ele. Uma rede é algo regular. E eu posso numerar os buracos em uma rede. Tantos buracos para cima, tantos buracos do outro lado. E se posso numerar esses buracos, posso contar exatamente onde está cada movimento, em termos de um buraco nessa rede. E esse é o começo do cálculo, a arte de medir o mundo. Mas para fazer isso, eu tenho que quebrar o movimento em pedaços. Eu tenho que chamar isso de um pedaço específico, e este é o próximo pedaço do movimento, e este o próximo pedaço, e este o próximo pedaço do movimento. E então esses pedaços são coisas ou eventos. Um pouco de mexidas. Que eu marco para falar sobre. Para medir e, portanto, para controlá-lo. Mas na natureza, de fato, no mundo físico, o movimento não é capturado. Você tem que cortar o frango para comê-lo. Você morde. Mas ele não vem mordido.

Assim, o mundo não vem em coisas; não vem eventuados. Você e eu somos tão contínuos com o universo físico quanto uma onda é contínua com o oceano. As ondas do mar e os povos do universo. E quando eu aceno e digo para você ‘Yoo-hoo!’ o mundo está acenando comigo para você e dizendo ‘Oi! Estou aqui!’ Mas somos consciência da maneira como sentimos e sentimos nossa existência. Sendo baseado em um mito de que somos feitos, que somos partes, que somos coisas, nossa consciência foi influenciada, para que cada um de nós não sinta isso. Fomos hipnotizados, literalmente hipnotizados pela convenção social para sentir e sentir que existimos apenas dentro de nossas peles. Que não somos o estrondo original, apenas algo no final dele. E, portanto, estamos com muito medo. Minha onda vai desaparecer e eu vou morrer! E isso seria horrível. Temos uma mitologia acontecendo agora que é, como diz o padre Maskell “somos algo que acontece entre a maternidade e o crematório”. E, portanto, todos se sentem infelizes e miseráveis.

Isto é o que as pessoas realmente acreditam hoje. Você pode ir à igreja, pode dizer que acredita nisso, naquilo e na outra, mas não acredita. Mesmo as Testemunhas de Jeová, que são os fundamentalistas mais fundamentais, são educadas quando chegam e batem na porta. Mas se você REALMENTE acreditasse no cristianismo, estaria gritando nas ruas. Mas ninguém faz. Você estaria publicando anúncios de página inteira no jornal todos os dias. Vocês seriam os programas de televisão mais aterrorizantes. As igrejas ficariam loucas se realmente acreditassem no que ensinam. Mas eles não acreditam. Eles acham que devem acreditar no que ensinam. Eles acreditam que deveriam acreditar, mas eles não reagem.

O que REALMENTE acreditamos é o modelo totalmente automático. E esse é o nosso senso comum básico e plausível. Você é um acaso. Você é um evento à parte. E você corre da maternidade para o crematório, e pronto, querida. É isso.

Agora, por que alguém pensa assim? Não há razão para isso, porque isso nem sequer é científico. É apenas um mito. E é inventado por pessoas que querem se sentir de uma certa maneira. Eles querem jogar um determinado jogo. O jogo de deus ficou embaraçoso. A ideia de Deus como oleiro, como o arquiteto do universo, é boa. Isso faz você sentir que a vida é, afinal, importante. Existe alguém que se importa. Tem significado, tem sentido e você é valioso aos olhos do pai. Mas depois de um tempo, fica embaraçoso, e você percebe que tudo que você faz está sendo observado por Deus. Ele conhece seus sentimentos e pensamentos mais íntimos, e você diz depois de um tempo: ‘Pare de me incomodar! Não quero você por perto. Então você se torna um ateu, só para se livrar dele. Então você se sente terrível depois disso, porque você se livrou de Deus, mas isso significa que você se livrou de si mesmo. Você não passa de uma máquina. E sua ideia de que você é uma máquina também é apenas uma máquina. Então, se você é um garoto esperto, você comete suicídio. Camus disse que há apenas uma questão filosófica séria, que é se deve ou não cometer suicídio. Acho que há quatro ou cinco questões filosóficas sérias. A primeira é ‘Quem começou?’ A segunda é ‘Vamos conseguir?’ O terceiro é ‘Onde vamos colocá-lo?’ A quarta é ‘Quem vai limpar?’ E o quinto, ‘É sério?’

Mas ainda assim, você deve ou não cometer suicídio? Essa é uma boa pergunta. Por que continuar? E você só continua se o jogo valer a pena. Agora, o universo está acontecendo há um tempo incrível. E realmente, uma teoria satisfatória do universo tem que ser uma que valha a pena apostar. Isso é muito, parece-me, senso comum elementar. Se você faz uma teoria do universo que não vale a pena apostar, por que se preocupar? Basta cometer suicídio. Mas se você quiser continuar jogando, você precisa ter uma teoria ótima para jogar o jogo. Caso contrário, não há sentido nisso. Mas as pessoas que cunharam a teoria totalmente automática do universo estavam jogando um jogo muito engraçado, pois o que eles queriam dizer era o seguinte: todos vocês que acreditam em religião – velhinhas e sonhadores – vocês têm um grande papai lá em cima, e você quer conforto, mas a vida é dura. A vida é dura, pois o sucesso vai para as pessoas mais teimosas. Essa era uma teoria muito conveniente quando os mundos europeu e americano estavam colonizando os nativos em todos os outros lugares. Eles disseram ‘Nós somos o produto final da evolução, e somos durões. Eu sou um cara grande e forte porque encaro os fatos, e a vida é só um monte de lixo, e vou impor minha vontade a ela e transformá-la em outra coisa. Estou muito duro. Essa é uma forma de auto-elogío.

E assim, tornou-se academicamente plausível e na moda que é assim que o mundo funciona. Nos círculos acadêmicos, nenhuma outra teoria do mundo além do modelo totalmente automático é respeitável. Porque se você é uma pessoa acadêmica, você tem que ser uma pessoa intelectualmente forte, você tem que ser espinhoso. Existem basicamente dois tipos de filosofia. Um se chama Spike (espinhos,) o outro se chama Goo (gosma). E as pessoas espinhosas são precisas, rigorosas, lógicas. Eles gostam de tudo picado e claro. Pessoas Goo  gostam do vago. Por exemplo, em física, pessoas espinhosas acreditam que os constituintes finais da matéria são partículas. Pessoas Goo  acreditam que são ondas. E na filosofia, as pessoas espinhosas são positivistas lógicos, e as pessoas pegajosas são idealistas. E eles estão sempre discutindo um com o outro, mas o que eles não percebem é que nenhum deles pode tomar sua posição sem a outra pessoa. Porque você não saberia que defendia espinhos a menos que houvesse alguém defendendo gosma. Você não saberia o que era um espinho a menos que soubesse o que era uma gosma. Porque a vida não é espinhos ou gosma, é ou espinhos pegajosos ou gosma espinhosa. Eles vão juntos como atrás e na frente, masculino e feminino. E essa é a resposta para a filosofia. Veja bem, sou um filósofo e não vou discutir muito, porque se você não discutir comigo, não sei o que penso. Então, se discutirmos, eu digo ‘obrigado’, porque devido à cortesia de você ter um ponto de vista diferente, eu entendo o que quero dizer. Então eu não posso me livrar de você.

Mas, no entanto toda essa ideia de que o universo não é nada além de uma força não inteligente brincando e nem mesmo gostando disso é uma teoria depreciada do mundo. Pessoas que tinham uma vantagem a fazer, um jogo para jogar, colocando-o para baixo, e fingindo que, porque derrubavam o mundo, eram um tipo superior de pessoas. Então isso simplesmente não vai funcionar. Já tentamos. Porque se você concorda seriamente com essa ideia de mundo, você é o que é tecnicamente chamado de alienado. Você se sente hostil ao mundo. Você sente que o mundo é uma armadilha. É um mecanismo eletrônicos e neurológicos nos quais você de alguma forma foi pego. E você, coitado, tem que aturar ser colocado em um corpo que está desmoronando, que tem câncer, que tem uma grande coceira siberiana, e é simplesmente terrível. E esses mecânicos – médicos – estão tentando ajudá-lo, mas eles realmente não podem ter sucesso no final, e você vai desmoronar, e é um negócio sombrio, e é muito ruim. Então, se você acha que é assim que as coisas são, você pode cometer suicídio agora mesmo. A menos que você dizer: ‘Bem, estou amaldiçoado. Porque pode realmente haver, afinal, a condenação eterna. Ou me identifico com meus filhos, e penso neles sem mim e sem ninguém para apoiá-los. Porque se eu continuar nesse estado de espírito e continuar a apoiá-los, vou ensiná-los a ser como eu sou, e eles continuarão, arrastando-o para sustentar seus filhos, e eles não vão gostar. Eles terão medo de cometer suicídio, e seus filhos também. Todos aprenderão as mesmas lições.

Veja bem, tudo o que estou tentando dizer é que o senso comum básico sobre a natureza do mundo que está influenciando a maioria das pessoas nos Estados Unidos hoje é simplesmente um mito. Se você quer dizer que a ideia de Deus pai com sua barba branca no trono de ouro é um mito, no mau sentido da palavra ‘mito’, este outro também o é. É tão falso e tem tão pouco para apoiá-lo quanto o verdadeiro estado das coisas. Por quê? Vamos deixar isso claro. Se existe alguma coisa como inteligência, amor e beleza, bem, você a encontrou em outras pessoas. Em outras palavras, ela existe em nós como seres humanos. E como eu disse, se está lá, em nós, é sintomático do esquema das coisas. Somos tão sintomáticos do esquema das coisas quanto as maçãs são sintomáticas da macieira ou da rosa da roseira. A Terra não é uma grande rocha infestada de organismos vivos, assim como seu esqueleto não é um osso infestado de células. A Terra é geológica, sim, mas essa entidade geológica faz crescer as pessoas, e nossa existência na Terra é um sintoma desse outro sistema, e seus equilíbrios, tanto quanto o sistema solar, por sua vez, é um sintoma de nossa galáxia, e nossa galáxia por sua vez, é um sintoma de toda uma companhia de outras galáxias. Só Deus sabe no que estamos dentro.

Mas você vê, quando, como um cientista, você descreve o comportamento de um organismo vivo, você tenta dizer o que uma pessoa faz, é a única maneira pela qual você pode descrever o que uma pessoa é, descrever o que ela faz. Então você descobre que ao fazer essa descrição, você não pode se limitar ao que acontece dentro da pele. Em outras palavras, você não pode falar sobre uma pessoa andando a menos que você comece a descrever o chão, porque quando eu ando, eu não fico apenas balançando minhas pernas no espaço vazio. Eu me movo em relação a um quarto. Então, para descrever o que estou fazendo quando estou andando, tenho que descrever a sala; Eu tenho que descrever o território. Então, ao descrever minha fala no momento, não posso descrevê-la apenas como uma coisa em si, porque estou falando com você. E então o que estou fazendo no momento não está completamente descrito, a menos que sua presença aqui também seja descrita. Então, se isso for necessário, em outras palavras, para descrever o MEU comportamento, eu tenho que descrever o SEU comportamento e o comportamento do ambiente, significa que realmente temos um sistema de comportamento. Sua pele não o separa do mundo; é uma ponte através da qual o mundo externo flui para você, e você flui para ele.

Apenas, por exemplo, como um redemoinho na água, você poderia dizer que porque você tem uma pele, você tem uma forma definida, você tem uma forma definida. Tudo bem? Aqui está um fluxo de água, e de repente ele faz um redemoinho, e continua. O redemoinho é uma forma definida, mas nenhuma água permanece nele. O redemoinho é algo que o riacho está fazendo, e exatamente da mesma forma, o universo inteiro está fazendo cada um de nós, e eu vejo cada um de vocês hoje e os reconheço amanhã, assim como reconheceria um redemoinho em um riacho. Eu diria ‘Ah, sim, eu já vi aquele redemoinho antes, é perto da casa de fulano de tal na beira do rio, e está sempre lá.’ Então, da mesma forma, quando eu te encontrar amanhã, eu te reconheço, você é o mesmo redemoinho de ontem. Mas você está se movendo. O mundo inteiro está se movendo através de você, todos os raios cósmicos, toda a comida que você está comendo, o fluxo de bifes e leite e ovos e tudo está simplesmente fluindo através de você. Quando você está balançando da mesma maneira, o mundo está balançando, a corrente está balançando você.

Mas o problema é que não fomos ensinados a nos sentir assim. Os mitos subjacentes à nossa cultura e ao nosso senso comum não nos ensinaram a nos sentir idênticos ao universo, mas apenas partes dele, apenas nele, apenas confrontando-o – alienígenas. E estamos, penso eu, precisando urgentemente de sentir que SOMOS o universo eterno, cada um de nós. Caso contrário, vamos enlouquecer. Vamos cometer suicídio, coletivamente, cortesia das bombas H. E, tudo bem, supondo que nós fará, bem, será isso, mas então haverá vida fazendo experimentos em outras galáxias. Talvez eles encontrem uma saida melhor.

parte 2

Postagem original feita no https://mortesubita.net/psico/a-natureza-da-consciencia-parte-1/

A Grande Deusa

Já vimos, no texto sobre a história da Bruxaria, como surgiram as primeiras idéias sobre a existência de uma Deusa-Mãe. Por muito tempo, ela foi reprimida por uma sociedade extremamente patriarcalista. Mas atualmente vários fatores indicam o retorno da Deusa na consciência humana: o crescimento do movimento pacifista, o desenvolvimento de uma forte consciência ecológica, a maior aceitação dos diversos tipos de sexualidade, o reconhecimento das características femininas da psique nos homens, a sempre crescente participação das mulheres nos mais diversos campos do conhecimento humano e o próprio ressurgimento da Bruxaria. Mas quem é a Deusa para os modernos feiticeiros?

Ela é a Senhora de Mil Nomes: onde quer que o ser humano tenha pisado, lá existe uma denominação para ela. Diana, Aradia, Morrígan, Ísis, Arianrhod, Bhríd, Afrodite, Ishtar, Yemanjá, Hera, Nyandesy. É um arquétipo universal. Na Wicca da Floresta, a chamamos de Diana, Senhora da Lua que Dança nos Céus. Seu símbolo é o triângulo invertido.

É a própria Terra, o planeta que é nossa Mãe e nosso lar, que nos permite a existência. É em seu corpo que nosso corpo é enterrado ao morrer, pois Dela viemos e a Ela devemos retornar. O céu, em toda a sua imensidão, é também parte do corpo da Grande Deusa. Ela não tem limites, e nem o tem seu Amor (nem sua Fúria).

A Deusa é tríplice: jovem e indomável na lua crescente, madura e mãe na lua cheia, sábia e anciã na lua minguante. Na lua nova, notadamente nos três dias que a antecedem, a Deusa mostra sua face escura e implacável. Não trataremos dela por enquanto: a descoberta desta face deve ser um trabalho pessoal1.

Em seu aspecto jovem, a Deusa é chamada de Donzela. Nesta face, ela possui a chama de todos os inícios. No período de seu domínio, a lua crescente, devem ser plantadas as sementes de todos os nossos projetos. A Donzela é virgem: possui a todos os homens, mas nenhum a possui. Representa o aspecto do Feminino que independe totalmente do Masculino. Ela é selvagem, caçadora e guerreira. Possui o vigor da juventude, e todo o poder de crescimento e mudança. Alguns exemplos de Donzelas mitológicas são Ártemis (grega), Macha (irlandesa), Iansã (afro-brasileira) e Epona (gaulesa).

Quando a lua atinge sua plenitude e torna-se cheia, é chegado o período dedicado à Mãe. Ela derrama suas bênçãos sobre seus filhos na forma da brilhante lua que reina nos céus. É ela quem permite que as sementes plantadas pela Donzela amadureçam e sejam colhidos na forma de frutos. É também aquela que nos dá a inspiração para sonhar com novas realizações. A grega Deméter, a irlandesa Dana, a nórdica Freya, a gaulesa Ceridwen, a egípcia Ísis e a afro-brasileira Yemanjá são reflexos desta mesma face da Grande Deusa.

A lua está diminuindo. É tempo de reflexão. Neste período, reina o aspecto da Deusa conhecido como a Anciã. Ela é a senhora da purificação e da destruição, e nos permite a introspecção e a análise de nossos erros. É um período de silêncio: a Anciã recolhe-se aos domínios da morte, onde permanecerá durante um curto período e ressurgirá na forma da Donzela. É a Mão que Fere e Acaricia: pode nos possibilitar o impulso que necessitamos para mudanças em nosso psiquismo ou oferecer uma arma para que nós próprios nos causemos ferimentos. A este aspecto podem ser relacionadas deusas como Nemaín (irlandesa) e Hécate (grega).

A Grande Deusa pode se apresentar ainda sob várias formas. Uma de suas características é a diversidade. O estudo de mitologias diversas mostrará ao estudante aplicado diversas outras manifestações do Feminino Sagrado. Dentro de nossa Religião, porém, deve-se sempre ter em mente que todas estas manifestações são apenas reflexos de uma só Deusa, que possui diversas maneiras de mostrar-se aos olhos de seus filhos.

Os wiccans são as crianças escondidas da Deusa. Seu é o privilégio de ter as necessidades atendidas por Seu intermédio. É a nós que ela se revela em toda sua plenitude, abençoando todos seus ritos. Ela não necessita de sacrifícios; de suas crianças só pede amor e dedicação. Ela é uma Deusa de Amor, tanto da forte paixão carnal quanto do mais puro sentimento fraternal. Todos os atos de amor são seus rituais.

Para as mulheres, a Deusa representa sua totalidade enquanto pessoas. Permite a elas conhecerem tanto seu poder criador quanto seu poder destruidor. É através da Grande Mãe que as mulheres alcançam seu mais alto grau de compreensão de si mesmas, libertando-se de todos os bloqueios, sendo quem são: mães, amigas, virgens, amantes ou irmãs. Ou todas ao mesmo tempo.

Aos homens a Mãe possibilita o despertar de sentimentos e faculdades adormecidas ou reprimidas. Ela lhes permite reconhecer características de si mesmos que lhes foram negadas pela sociedade durante séculos, sem que isso lhes cause vergonha ou lhe torne menos homens. A Grande Mãe dá aos homens a possibilidade de realmente conhecerem a si mesmos2.

Se não encontrares a Deusa dentro de ti, nunca a procures fora de ti. Nunca perca as esperanças; ao contrário, lute sempre por aquilo que lhe é mais sagrado. Quando lhe parecer que sua busca chegou ao fim sem dar nenhum resultado, a Luz da Grande Mãe brilhará em seu coração em todo o seu esplendor. Este é o maior de todos os Mistérios.

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1″A lua cheia, (…) , traz, ainda que de maneira oculta, um aspecto também escuro. É o lado sombrio da maternidade, o lado terrível das Grandes-Mães, que pode vir a se manifestar a qualquer momento. A lua negra se esconde atrás da lua cheia. (…) É quando começa a se fazer presente o lado da mãe castradora e devoradora, que não mais permite o desenvolvimento, mas o limita e restringe”. CAVALCANTI, Raïssa. – O Casamento do Sol com a Lua, Círculo do Livro, 1987, pág. 71

2No ensaio “Ariadne, a Senhora do Labirinto”, Chris Downing relaciona algumas das dádivas da Deusa aos homens: “(…) força, coragem, introvisão, prontidão para arriscar a exploração de seu próprio labirinto, de sua própria alma, (…)”. in HILLMAN, James (org.) – Encarando os Deuses, Cultrix/Pensamento, 1992, pág. 160

por Daniel Pellizzari, 1993

Postagem original feita no https://mortesubita.net/paganismo/a-grande-deusa/

A História da Umbanda

Em fins de 1908, uma família tradicional de Neves, São Gonçalo–RJ, foi surpreendida por uma ocorrência que tomou aspectos sobrenaturais: o jovem Zélio Fernandino de Moraes, que fora acometido de estranha paralisia, que os médicos não conseguiam debelar, certo dia ergueu-se do leito e declarou: “amanhã estarei curado”. No dia seguinte, levantou-se normalmente e começou a andar, como se nada lhe houvesse tolhido os movimentos. Contava 17 anos de idade e preparava-se para ingressar na carreira militar na Marinha.

A medicina não soube explicar o que acontecera. Os tios, sacerdotes católicos, colhidos de surpresa, nada esclareceram. Um amigo da família sugeriu então uma visita à Federação Espírita de Niterói, presidida na época por José de Souza. No dia 15 de novembro, o jovem Zélio foi convidado a participar da sessão, tomando um lugar à mesa. Tomado por uma força estranha e superior a sua vontade, e contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, o jovem levantou-se, dizendo:”aqui está faltando um flor”, e saiu da sala indo ao jardim, voltando logo após com uma flor, que depositou no centro da mesa.

Esta atitude insólita causou quase que um tumulto. Restabelecidos os trabalhos, manifestaram-se nos médiuns kardecistas espíritos que se diziam pretos escravos e índios. Foram convidados a se retirarem, advertidos de seu estado de atraso espiritual.

Novamente uma força estranha dominou o jovem Zélio e ele falou, sem saber o que dizia. Ouvia apenas a sua própria voz perguntar o motivo que levava os dirigentes dos trabalhos a não aceitarem a comunicação daqueles espíritos e do porquê em serem considerados atrasados apenas por encarnações passadas que revelavam. Seguiu-se um diálogo acalorado, e os responsáveis pela sessão procuravam doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que desenvolvia uma argumentação segura. Um médium vidente perguntou:

“Por quê o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados, são claramente atrasados ? Por quê fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz ? E qual o seu nome irmão ?

E o espírito desconhecido falou: “Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã (16 de novembro) estarei na casa de meu aparelho, para dar início a um culto em que estes irmãos poderão dar suas mensagens e, assim, cumprir missão que o Plano Espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados. E se querem saber meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim não haverá caminhos fechados. O vidente retrucou: “Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto” ? perguntou com ironia. E o espírito já identificado disse: “cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei”.

No dia seguinte, na casa da família Moraes, na rua Floriano Peixoto, número 30, ao se aproximar a hora marcada, 20:00 h, lá já estavam reunidos os membros da Federação Espírita para comprovarem a veracidade do que fora declarado na véspera; estavam os parentes mais próximos, amigos, vizinhos e, do lado de fora, uma multidão de desconhecidos.Às 20:00 h, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarou que naquele momento se iniciava um novo culto, em que os espíritos de velhos africanos que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de atuação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas em sua totalidade para os trabalhos de feitiçaria; e os índios nativos de nossa terra, poderiam trabalhar em benefício de seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social. A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal deste culto, que teria por base o Evangelho de Jesus.

O Caboclo estabeleceu as normas em que se processaria o culto. Sessões, assim seriam chamados os períodos de trabalho espiritual, diárias, das 20:00 às 22:00 h; os participantes estariam uniformizados de branco e o atendimento seria gratuito. Deu, também, o nome do Movimento Religioso que se iniciava: UMBANDA – Manifestação do Espírito para a Caridade.

A Casa de trabalhos espirituais que ora se fundava, recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria acolheu o filho nos braços, também seriam acolhidos como filhos todos os que necessitassem de ajuda ou de conforto. Ditadas as bases do culto, após responder em latim e alemão às perguntas dos sacerdotes ali presentes, o Caboclo das Sete Encruzilhadas passou a parte prática dos trabalhos, curando enfermos, fazendo andar paralíticos. Antes do término da sessão, manifestou-se um preto-velho, Pai Antônio, que vinha completar as curas. No dia seguinte, verdadeira romaria formou-se na rua Floriano Peixoto. Enfermos, cegos etc. vinham em busca de cura e ali a encontravam, em nome de Jesus. Médiuns, cuja manifestação mediúnica fora considerada loucura, deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades excepcionais.

A partir daí, o Caboclo das Sete Encruzilhadas começou a trabalhar incessantemente para o esclarecimento, difusão e sedimentação da religião de Umbanda. Além de Pai Antônio, tinha como auxiliar o Caboclo orixá Malé, entidade com grande experiência no desmanche de trabalhos de baixa magia.

Em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas recebeu ordens do Astral Superior para fundar sete tendas para a propagação da Umbanda. As agremiações ganharam os seguintes nomes: Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia; Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição; Tenda Espírita Santa Bárbara; Tenda Espírita São Pedro; Tenda Espírita Oxalá, Tenda Espírita São Jorge; e Tenda Espírita São Jerônimo.

Embora não seguindo a carreira militar para a qual se preparava, pois sua missão mediúnica não o permitiu, Zélio Fernandino de Moraes nunca fez da religião sua profissão.Trabalhava para o sustento de sua família e diversas vezes contribuiu financeiramente para manter os templos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou.

Ministros, industriais, e militares que recorriam ao poder mediúnico de Zélio para a cura de parentes enfermos e os vendo recuperados, procuravam retribuir o benefício através de presentes, ou preenchendo cheques vultosos. “Não os aceite. Devolva-os”, ordenava sempre o Caboclo.

A respeito do uso do termo espírita e de nomes de santos católicos nas tendas fundadas, o mesmo teve como causa o fato de naquela época não se poder registrar o nome Umbanda, e quanto aos nomes de santos, era uma maneira de estabelecer um ponto de referência para fiéis da religião católica que procuravam os préstimos da Umbanda.

O ritual estabelecido pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas era bem simples, com cânticos baixos e harmoniosos, vestimenta branca, proibição de sacrifícios de animais. Dispensou os atabaques e as palmas. Capacetes, espadas, cocares, vestimentas de cor, rendas e lamês não seriam aceitos. As guias usadas são apenas as que determinam a entidade que se manifesta. Os banhos de ervas, os amacis, a concentração nos ambientes vibratórios da natureza, a par do ensinamento doutrinário, na base do Evangelho, constituiriam os principais elementos de preparação do médium.

Após 55 anos de atividades à frente da Tenda Nossa Senhora da Piedade (1º templo de Umbanda), Zélio entregou a direção dos trabalhos as suas filhas Zélia e Zilméa, continuando, ao lado de sua esposa Isabel, médium do Caboclo Roxo, a trabalhar na Cabana de Pai Antônio, em Boca do Mato, distrito de Cachoeiras de Macacu – RJ, dedicando a maior parte das horas de seu dia ao atendimento de portadores de enfermidades psíquicas e de todos os que o procuravam.

Em 1971, a senhora Lilia Ribeiro, diretora da TULEF (Tenda de Umbanda Luz, Esperança, Fraternidade – RJ) gravou uma mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas, e que bem espelha a humildade e o alto grau de evolução desta entidade de muita luz. Ei-la: “A Umbanda tem progredido e vai progredir.

É preciso haver sinceridade, honestidade e eu previno sempre aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a Umbanda; médiuns que irão se vender e que serão, mais tarde, expulsos, como Jesus expulsou os vendilhões do templo.

O perigo do médium homem é a consulente mulher; do médium mulher é o consulente homem. É preciso estar sempre de prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar as nossas casas fazem com que toque alguma coisa no coração da mulher que fala ao pai de terreiro, como no coração do homem que fala à mãe de terreiro. É preciso haver muita moral para que a Umbanda progrida, seja forte e coesa.

Umbanda é humildade, amor e caridade – esta a nossa bandeira. Neste momento, meus irmãos, me rodeiam diversos espíritos que trabalham na Umbanda do Brasil: Caboclos de Oxósse, de Ogum, de Xangô. Eu, porém, sou da falange de Oxósse, meu pai, e não vim por acaso, trouxe uma ordem, uma missão.

Meus irmãos: sejam humildes, tenham amor no coração, amor de irmão para irmão, porque vossas mediunidades ficarão mais puras, servindo aos espíritos superiores que venham a baixar entre vós; é preciso que os aparelhos estejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou aqui na Terra, para que tenhamos boas comunicações e proteção para aqueles que vêm em busca de socorro nas casas de Umbanda.

Meus irmãos: meu aparelho já está velho, com 80 anos a fazer, mas começou antes dos 18. Posso dizer que o ajudei a casar, para que não estivesse a dar cabeçadas, para que fosse um médium aproveitável e que, pela sua mediunidade, eu pudesse implantar a nossa Umbanda. A maior parte dos que trabalham na Umbanda, se não passaram por esta Tenda, passaram pelas que safram desta Casa.

Tenho uma coisa a vos pedir: se Jesus veio ao planeta Terra na humildade de uma manjedoura, não foi por acaso. Assim o Pai determinou. Podia ter procurado a casa de um potentado da época, mas foi escolher aquela que havia de ser sua mãe, este espírito que viria traçar à humanidade os passos para obter paz, saúde e felicidade.

Que o nascimento de Jesus, a humildade que Ele baixou à Terra, sirvam de exemplos, iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade por pensamento ou práticas; que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a paz possa reinar em vossos corações e nos vossos lares.

Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja; não julgueis para não serdes julgados; acreditai em Deus e a paz entrará em vosso lar. É dos Evangelhos.

Eu, meus irmãos, como o menor espírito que baixou à Terra, mas amigo de todos, numa concentração perfeita dos companheiros que me rodeiam neste momento, peço que eles sintam a necessidade de cada um de vós e que, ao sairdes deste templo de caridade, encontreis os caminhos abertos, vossos enfermos melhorados e curados, e a saúde para sempre em vossa matéria.

Com um voto de paz, saúde e felicidade, com humildade, amor e caridade, sou e sempre serei o humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas”.

Do site Rua das Flores, por indicação do Bolivar.

#Umbanda

Postagem original feita no https://www.projetomayhem.com.br/a-hist%C3%B3ria-da-umbanda

Cultos Fálicos

O falo se venera por seu estado de ereção. Nesta forma, como frutificador e doador da vida, se transforma em emblema da divindade. O falo era um elemento recorrente na arte paleolítica e aparece, com freqüência, justaposto a figuras de animais.  Antes de uma abordagem histórica sobre o falicismo é preciso esclarecer que o culto ao falo não é, ao contrário do que pode parecer um culto ao patriarcado e ao homem. O falo, não é apenas o pênis, mas sim o pênis ereto. E a ereção só acontece diante da presença (mesmo que apenas imaginária) da figura sexual passiva que é admirada e desejada ardentemente. Assim o falo é antes do símbolo do homem, o representante do desejo de união entre o macho e a fêmea.

A adoração ao falo só acontece porque o falo é ele mesmo uma afirmação inocultável e de adoração de aprovação. Existe nos cultos fálicos uma união e uma perda de identidade entre quem é adorado e quem adora. No falicismo, assim como no sexo, as figuras se unem e se confundem, sendo portanto óbvio porque desta ser uma das formas mais antigas de religião.

O que é seguro é que no antigo Egito, nos tempos de Sesostris I (à 1900 a.c), aos dias das colheitas, Min, se representava como uma figura em permanente ereção e se comparava com um touro montando na vaca ou um marido fecundando sua esposa. Com seu enorme e nada ambíguo falo empinado, Min era também deus dos caminhos, guia e protetor dos viajantes, uma função que compartilha com outros deuses fálicos.

As primeiras “imagens” do deus grego Hermes consistiam em montões de pedras, chamados herms, completados por uma pedra maior, que serviam como montes. Mais adiante, o herm foi se transformando em um bloco quadrado, com um falo e dois testículos talhados frontalmente. Hermes não somente guiava os vivos; também era o guia das almas.

Devido, possivelmente por que os mastros e montes se encontrassem nas margens das fronteiras, muitos deuses fálicos se transformaram em espíritos guardiões, como se sucedeu com os Dosojin japoneses. Todavia existem milhares destas figuras talhadas nas pedras, geralmente colocadas nos campos de trigo, onde asseguram a fertilidade da colheita e atuam como divindades guardiãs que protegem os campos dos intrusos e dos maus espíritos.

Todas as religiões têm conservado ao menos alguma reminiscência dos cultos fálicos. Os conquistadores e missionários, nas Américas, Ásia e Oceania, substituíram os antigos deuses locais por figuras equivalentes de seus panteões, porém muitos deuses originais sobreviveram a essa usurpação.

O budismo ascético pretendeu assimilar os Dosojin para a imagem do bodhisattva Kisitigarbha, que têm suas “partes intimas dentro de uma vagem”; porém no templo budista de Nagoya – Japão, atrás da estátua de Kisitigarbha há uma cortina que oculta falos talhados, descritos como os Dosojin.

Quando os arianos invadiram a Índia, criticaram o povo conquistado por “terem como deus o “falo” entretanto poucos séculos depois os mesmos arianos estavam adorando a linga [lingam] (falo) de Shiva. Há elementos fálicos nas tradições populares referentes a árvores sagradas, sobretudo na Irlanda, Europa Mediterrânea e Japão.

Em uma carta datada de 30 de Dezembro de 1781 Sir William Hamilton, K.B., ministro de sua majestade na Corte de Nápoles a Sir Joseph Banks, Bart., presidente da Royal Society, falasobre similitudes entre o “Papismo” (Cristianismo católico) e as religiões Pagãs:

A carta fala da devoção popular a Priapus, “divindade obscena” dos antigos. As provas seriam evidentes e disponíveis a qualquer um que visitasse o British Museum. Segundo Sir Hamilton: “Mulheres e crianças da classe baixa, em Nápoles e vizinhanças, freqüentemente usam [nas roupas] um tipo de amuleto, que elas imaginam ser protetor contra o mau olhado, os evil eyes, os encantamentos [e propiciador de outros benefícios]…

Esses amuletos que têm evidente relação com o Culto de Príapus são comumente feitos de prata, mas também de marfim, coral, âmbar, cristal e outras gemas… Na cidade de Isernia, uma das mais antigas do Reino de Nápoles, uma festa celebra, desde 1780, o moderno Príapus, São Cosmo. Sir William chama a atenção para a “indecência da cerimônia! – veja na ilustração abaixo, um “voto” de Isernia.

As relíquias dos santos são expostas e carregadas em procissão, da catedral até a igreja dedicada aos santos. No percurso da romaria, fac símiles de cera – os votos, representando as partes masculinas da geração, de vários tamanhos, são publicamente colocados à venda. Esses “devotos” distribuidores de tais votos [estatuetas de cera], com a cesta cheia do “produto”, daquelas “lembrancinhas”… comercializam sua mercadoria aos gritos de “São Cosme e São Damião!”

No cristianismo,o culto fálico sobreviveu como “o inimigo” na figura de um Satanás muito parecido com o Priapo ou o Pan (grego) e também nas figuras dos santos priápicos, quase sempre inventados. Por exemplo, São Guignole, primeiro abade de Landevenec (França), se converteu numa figura fálica por confusão de seu nome com o verbo gignere, gerar. Sua capela se manteve até 1740. As estátuas destes santos apresentavam membros exagerados, que as vezes se ungiam e veneravam separadamente e também eram utilizados para fecundar mulheres que desejavam engravidar.

Original de Carol Beck, Trad. EL CULTO AL FALO. Clifford Bishop. Revista Libertália. Itália: 2002

Postagem original feita no https://mortesubita.net/magia-sexual/cultos-falicos/

Apocalipse das Semanas de Enoque

do  Livro de Enoch 93:1-10 , 91:11-17

(4 Qumran Henoc g (4Q212) III-IV § versão espanhol português E C M – enochm@terra.com.br 14/04/2001)

Enoch relembrou seu discurso dizendo: “A propósito dos filhos da Justiça e acerca do Eleito do mundo, que havia crescido de uma planta de verdade e de justiça, eles falaram e deram a conhecer a mim, Enoch, filhos meus, segundo o que me foi revelado todo o entendimento por uma visão celestial e pela voz dos anjos guardiães e dos santos. Nas tábuas celestiais é tudo lido e entendido “.


Continuou falando Enoch e disse: “Eu, Enoch, nasci o sétimo, na primeira semana, na época em que a justiça ainda era firme. Depois de mim, virá a segunda semana na que crescerá a mentira e a violência e durante ela terá lugar o primeiro Final, então, um homem será salvo. E quando esta semana haver acabado, a injustiça crescerá e Deus fará uma lei para os pecadores.


“Depois, haverá o final da terceira semana, um homem será eleito como planta de juízo justo, através do qual crescerá como planta de justiça para a eternidade. Logo, ao terminar a quarta semana, as visões dos santos e dos justos aparecerão e será preparada uma lei para gerações de gerações e um cercado.


“Depois, no final da quinta semana, uma casa de gloria e poder será edificada para a eternidade. Logo, na sexta semana, os que viverem durante ela serão cegados em seu coração, infielmente, se afastarão da sabedoria. Então um homem subirá ao céu no final desta semana, a casa de dominação será consumida pelo fogo e será dispersado todo a linhagem da raiz escolhida.


“Logo, na sétima semana surgirá uma geração perversa; numerosas serão suas obras, mas todas estarão no erro. E no final desta semana serão escolhidos os eleitos como testemunhas da verdade e da planta de justiça eterna. Será-lhes dada sabedoria e conhecimento por setuplicado. Para eles executarem o juízo arrancarão da raiz as causas da violência e nela a obra da falsidade.


“Depois disso virá a oitava semana, a da justiça, na qual se entregará uma espada a todos os justos para que julguem justamente aos opressores, que serão entregues em suas mãos. E ao final desta semana os justos adquirirão honestamente riquezas e será construído o templo da realeza d’O Grande, em seu esplendor eterno, para todas as gerações.


“Após isto, na nona semana se revelarão a justiça e o juízo justo à totalidade dos filhos da terra inteira e todos os opressores desaparecerão totalmente da terra e serão lançados ao pouso eterno e todos os homens verão o caminho justo e eterno.


“Depois disso, na décima semana, em sua sétima parte, terá lugar o Juízo Eterno. Será o tempo do Grande Juízo e Ele executará a vingança no meio dos santos. Então o primeiro céu passará e aparecerá um novo céu e todos os poderes dos céus se levantarão brilhando eternamente sete vezes mais. E depois disso, haverá muitas semanas, cujo número nunca terá fim, nas quais se fará o bem e a justiça. O pecado já não será mencionado jamais.”


O livro de Enoch é um texto apócrifo que é mencionado por algumas cartas do Novo Testamento (Judas, Hebreus e 2ª de Pedro). Até a elaboração da Vulgata, por volta do ano 400, os primeiros seguidores de Cristo o mencionavam abertamente em seus textos e o aceitavam como real. Após a Vulgata ele caiu no esquecimento. Entretanto, o livro é muito interessante e parece real. O livro de Enoch foi preservado somente em uma cópia, na totalidade, em etíope e, por esta razão, também é chamado de Enoch etíope. Este documento foi encontrado, incompleto, entre os Manuscritos do Mar Morto.

 

 

CAPITULO I

 Profecias sobre o fim dos tempos


“1 – Eis as palavras de Enoch pelas quais abençoou os eleitos e os justos que viverão no tempo da aflição, quando serão reprovados todos os maus e ímpios. Enoch, homem justo que caminha diante do Senhor, quando seus olhos foram abertos, e quando contemplou uma santa visão nos céus, fala e pronuncia: Eis o que me mostram os anjos,


2 – Esses anjos me revelarão todas as coisas e me darão a inteligência do que jamais vi, que não deve ocorrer nesta geração, mas numa geração afastada, para o bem dos eleitos,


3 – Foi por eles que pude falar e conversar com aquele que deve deixar um dia sua celeste morada, o Santo e Todo-poderoso, o Senhor desse mundo,


4 – Que um dia deve pôr em convulsão o pico do monte Sinai, aparecer em seu tabernáculo e se manifestar com toda a força de sua celeste potência.


5 – Todos os vigilantes serão surpreendidos, todos ficarão consternados.


6 – Todos serão tomados pelo medo e pelo espanto, mesmo nas extremidades da terra. As altas montanhas serão sacudidas, as colinas elevadas serão diminuídas, escoar-se-ão diante de sua face como o círio diante da drama. A terra será submersa e tudo aquilo que a habitar, perecerá, ora, todos os seres serão julgados, mesmo os justos.


7 – Mas os justos obterão a paz, Ele conservará os eleitos e sobre eles exercerá sua clemência.


8 – Então tornar-se-ão a propriedade do Senhor Deus, e serão por Ele cumulados de felicidade e bênçãos; e o esplendor da Divindade os iluminará.”

 

 

CAPITULO XLIV

 Profecias sobre Jesus, os tempos atuais e a perseguição aos cristãos


1 – Lá, vi então o Ancião dos dias cuja cabeça estava como que coberta de lã branca e com ele, um outro, que tinha a figura de um homem. Esta figura era plena de graça, como a de um dos santos anjos. Então interroguei a um dos anjos que estava comigo e que me explicou todos os mistérios relativos ao Filho do homem. Perguntei-lhe quem era ele, de onde vinha e porque acompanhava o Ancião dos Dias.


2 – Respondeu-me nessas palavras: “Este é o Filho do homem a quem toda justiça se refere, com quem ela habita, e que tem a chave de todos os tesouros ocultos; pois o Senhor dos espíritos o escolheu preferencialmente e deu-lhe glória acima de todas as criaturas.


3 – Esse Filho do homem que viste, arrancará reis e poderosos de seu sono voluptuoso, fá-los-á sair de suas terras inamovíveis, colocará freio nos poderosos, quebrará os dentes dos pecadores.


4 – Expulsará os reis de seus tronos e de seus reinos, porque recusam honrá-lo, de tornarem públicos seus louvores e de se humilharem diante daquele a quem todo reino foi dado. Colocará tormentos na raça dos poderosos; forçá-los-á a se deitarem diante dele. As trevas tornar-se-ão sua morada e os vermes serão os companheiros de sua cama; nenhuma esperança para eles de sair desse leito imundo, pois não consultaram o nome do Senhor dos espíritos.


5 – Desprezarão os astros do céu e elevarão as mãos contra o Todo-Poderoso; seus pensamentos serão voltados apenas para a terra na qual desejarão estabelecer sua morada eterna; e suas obras serão apenas obras de iniquidade. Colocarão suas alegrias em suas riquezas e sua confiança nos deuses fabricados por suas próprias mãos. Recusar-se-ão a invocar o Senhor dos espíritos, expulsá-lo-ão de seus templos.


6 – E os fiéis serão perseguidos pelo nome do Senhor dos espíritos.

 


CAPITULO XLV

 Profecias sobre o julgamento


1 – Nesse dia, as preces dos santos subirão da terra até ao pé do trono do Senhor dos espíritos.


2 – Nesse dia, os santos que habitam nos céus se reunirão e com voz unânime, rezarão, suplicarão, celebrarão, louvarão, exaltarão o nome do Senhor dos espíritos, pelo sangue dos justos, espalhado por ele; e essas preces dos justos elevar-se-ão incessantemente ao trono do Senhor dos espíritos, a fim de que lhes faça justiça, e que sua paciência pelos maus não seja eterna.


3 – Nesse tempo, vi o Ancião dos dias, sentado no trono de sua glória. O livro da vida estava aberto diante dele e todas as potências do céu se mantinham curvadas diante dele e ao seu redor.


4 – Então os corações dos santos estavam inundados de alegria, porque o tempo da justiça era chegado, a prece dos santos havia sido ouvida e o sangue dos justos havia sido apreciado pelo Senhor dos espíritos.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/jesus-freaks/apocalipse-das-semanas-de-enoque/

Fantasmas Contemporâneos

O presente está repleto de fantasmas do passado habitando velhas casas, cemitérios, teatros. Uma alma penada pode passar centenas de anos sem descanso em um apego psicótico pelos lugares onde viveu, sofreu, foi feliz e morreu. Pode-se ponderar que é tempo demais para um espírito continuar preso às afeições e paixões de uma vida que, definitivamente, não vai recuperar jamais. Todavia, o que é o tempo para quem tem a eternidade? Isso não significa que mortos mais recentes não se convertam em fantasmas. As tragédias continuam a acontecer e muitas almas têm-se se convertido em assombrações contemporâneas, como os artistas de Hollywood comentados nesta reportagem. No Brasil e no mundo, uma nova geração de fantasmas vai fazendo a história das aparições.

Em São Paulo, o roteiro turístico programa visitas a lugares assombrados da metrópole: o Castelinho da Rua Apa, no bairro de Santa Cecília, palco de misterioso crime ocorrido em 12 de maio de 1937 onde morreram a tiros todos os membros de uma rica família: Dona Maria Cândida Guimarães dos Reis e seus dois filhos Álvaro e Armando Reis. A polícia encontrou os corpos estendidos entre o escritório e a sala. Uma pistola < 9mm estava pródio; aventa-se um disparo ocasional e fatal desencadeando a tragédia. É um mistério e a casa ficou com a fama de assombrada.

No edifício Joelma, cenário de famoso incêndio cujas cenas de horror, pessoas se atirando pelas janelas, foram transmitidas pela TV em 1974. Treze pessoas morreram dentro de um elevador. Hoje são protagonistas da lenda: o “mistério das 13 almas” às quais são atribuídos até milagres. Dizem que o lugar já era amaldiçoado desde a década de 1950, quando ali se erguia a estalagem do Bexiga e aconteceu um crime que chocou a cidade: um rapaz matou a mãe e a irmã e jogou-as num poço. O assassino se suicidou.

Também estão no roteiro paulistano: a Casa de Dona Yayá, ou Sebastiana de Mello Freire, no Centro, que tinha problemas mentais, vivia isolada de tudo e de todos e morreu em 1961; a Capela dos Aflitos, no bairro da Liberdade onde os escravos eram enforcados; ainda na Liberdade, a Igreja Santa Cruz das Almas, testemunha do enforcamento do soldado Francisco José das Chagas que precisou de três tentativas do carrasco para morrer; o Palácio da Justiça, onde os injustiçados choram e reclamam das penas que lhes foram impostas em vida; o edifício Martinelli, assombrado por uma loira e a Câmara dos vereadores, com fama de estar repleta de espíritos.

No Rio de Janeiro, são tidos como assombrados: o Paço Imperial em Petrópolis, onde vagueia o saudosista de D. Pedro II; a Fortaleza de Santa Cruz, em Niterói, que foi presídio até 1964; o Museu Histórico Nacional, antigo Arsenal da Marinha que abrigou a cela onde Tiradentes foi esquartejado; a Câmara dos Vereadores onde, no século XVIII [anos 1700] havia ruínas de uma capela na qual foram realizados cultos satânicos e, ainda, o Teatro Municipal, morada do espírito do operador de cenários João Batista de Carvalho e de uma cantora não identificada; o Mosteiro de São Bento, o Museu Histórico Nacional. Na Fundação Oswaldo Cruz, em Manguinhos, o fantasma do epidemiologista folheia os livros na biblioteca e no antigo prédio do DOPs ainda ecoam os gritos daqueles que ali morreram torturados nos anos da Ditadura.

Em 1972, o vôo 401 da Eastern Airlines caiu na Flórida matando os 100 passageiros e membros da tripulação, como o capitão Bob Loft, o engenheiro de vôo Dan Repo. Para reduzir o prejuízo, a companhia recuperou partes da aeronave e as utilizou em um L-1011 Jumbo Jet. O avião que recebeu as peças tornou-se assombrado: Loft e Repo apareciam operando o painel de controle, advertindo sobre problemas técnicos, checando a segurança dos viajantes e dos circuitos elétrico e hidráulico. O capitão era visto na primeira classe dando instruções sobre o uso dos cintos de segurança e proibição de fumar. O empresa teve de remover as peças…

Em Hollywood, o fantasma de um menino estreou oficialmente a assombração cinematográfica aparecendo em uma cena de Três Homens e um Bebê [1987], caso que ganhou ampla divulgação na internet. Na Tailândia, a tsunami que assolou o país em 2004 produziu uma legião de almas penadas: mais de 125 mil pessoas morreram. Uma turista grita nos escombros de um hotel, telefones assombrados tocam e transmitem o horror dos espíritos ardendo coletivamente nas chamas do crematório. Espectros vagueiam vestidos de branco deslizando em direção ao mar.Os monges budistas cuidam de apaziguar estes desencarnados oferecendo orações e alimentos, e como muitos são estrangeiros, as pizzas fazem parte do cardápio dos fantasmas. Os muçulmanos acreditam que eles jamais encontrarão descanso porque não foram enterrados apropriadamente, voltados para Meca.

Na China e na Malásia, mulheres ainda são compradas vivas [não por muito tempo…] ou mortas para se tornarem noivas-fantasma dos igualmente fantasmas de rapazes que morreram solteiros; o casamento dos espíritos chama-se minghun e a prática tem sido reprimida pela polícia. No Iraque, Saddam Hussein faz suas aparições em restaurantes e mercados de Bagdá. Em janeiro deste ano [2008], o fantasma de Adolf Hitler foi acusado de continuar a perseguir judeus até no espaço. Uma medium da pequena cidade de Palestine, Texas ─ EUA, tem estado em contato com o fantasma da vítima: ele, também famoso, foi o astronauta da NASA, nascido em Israel, o primeiro judeu a ser lançado no espaço. Por pouco tempo… Ilan Ramon era um dos tripulantes no acidente da Space Shuttle Columbia [ônibus espacial].

O Columbia foi lançado pela primeira vez em 1981. Em 2003 realizou sua última missão depois de passar 16 dias no espaço. Em seu retorno, quando entrava na atmosfera da Terra, a nave sofreu o acidente que pôs fim à vida dos sete astronautas à bordo.Ramon tem aterrorizado cidadãos de Palestine desde que morreu e afirma que Hitler ou, o espírito de Hitler, sabotou a nave para matá-lo. Confuso, o fantasma pensa que está na Palestina do Oriente Médio e aterroriza moradores negros do lugar em busca de vingança, porque considera os Palestinos tão inimigos quanto os nazistas. Sua mãe e sua avó sobreviveram a Auschwitz. Sobre Hitler, Ramon disse à clarividente Zelda Barrons: “Ele está aqui e ele é uma entidade terrível, um demônio”.

por Ligia Cabús

Postagem original feita no https://mortesubita.net/espiritualismo/fantasmas-contemporaneos/

Guia de expressões básicas em enochiano para uso cotidiano

Por Robson Bélli

  1. Olá – Balit
  2. Como esta você? – Darsar g gnay?
  3. Bem, e você? – Balit, od g?
  4. Bom dia! – Balit basgm!
  5. Boa noite – Balit dosig!
  6. Obrigado – Allar!
  7. Com licença – Iehusoz, el oanio! (perdão, um momento)
  8. Desculpe – Iehusoz!
  9. Até logo! – Uran g!
  10. Amém/concordo – Zurah (fervorosamente, com humildade)
  11. Abençoado seja tu! – Urebs noan g!
  12. Maldito seja tu! – Amma noan g!
  13. Discordo! – Osf

Números

  1. Ag
  2. El
  3. Pala
  4. D
  5. S
  6. O
  7. Norz
  8. Qew
  9. P
  10. M
  11. Ex

Pronomes

  1. Eu (meu, minha) – Ol
  2. Você (teu, seu, sua) – G
  3. Ele – tia
  4. Ela – pi
  5. Isto – t
  6. Nós – Ge
  7. Eles (elas) – Par

Ser

  1. Foi – As
  2. Onde – Zirom
  3. Foi – As
  4. Foi – As
  5. Foi – As
  6. Onde – Zirom
  7. Onde – Zirom

Fazer/faz

  1. Fez – Uls
  2. Fez – Uls
  3. Fez – Uls
  4. Fez – Uls
  5. Fez – Uls
  6. Fez – Uls
  7. Fez – Uls

Ter

  1. Tem – Blans
  2. Tem – Blans
  3. Tem – Blans
  4. Tem – Blans
  5. Tem – Blans
  6. Tem – Blans
  7. Tem – Blans

Verbos comuns

  1. Abrir – Odo
  2. Fechar – Emetgis
  3. Este – Da
  4. Aquele – Ar el
  5. Pegue – Arp t
  6. Solte – Dobix
  7. Adicione, junte – Uml
  8. Divida, separe – Poilp

Lugares / posições

  1. Aqui – Kures
  2. Ali – Uml
  3. Lá – Da
  4. Atrás – Zacam
  5. Na frente – Adoian
  6. Do lado – Unalab
  7. Esquerdo – Symp unalab (do outro borda)
  8. Direito – Vaoan

Seres

  1. Deus – Iaida
  2. Espirito santo – Congamphlgh
  3. Anjos – Sach
  4. Pessoas – Olora
  5. Demônios – Urch (anjos de confusão)
  6. Dragão – Vovim
  7. Espíritos – Gah

Robson Belli, é tarólogo, praticante das artes ocultas com larga experiência em magia enochiana e salomônica, colaborador fixo do projeto Morte Súbita, cohost do Bate-Papo Mayhem e autor de diversos livros sobre ocultismo prático.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/enoquiano/guia-de-expressoes-basicas-em-enochiano-para-uso-cotidiano/

ABC da Umbanda

 

Água Fluida Nada mais é que um veículo preparado com elementos espirituais e da natureza, saturada por hábeis manipuladores do astral, com fins terapêuticos.
Amaci Banho purificatório na cabeça, feito com folhas, flores, mel, perfumes, ervas e outros, de acordo com orientação das pelo diretor dos trabalhos. Sua finalidade é auxiliar na incorporação e firmar o médium e seus guias nas correntes material e espiritual do Centro Espírita (Egrégora). É o começo da caminhada mediúnica no Centro Espírita escolhido pelo médium, para o seu desenvolvimento e de suas entidades.
Amuletos Objetos os mais variados possíveis em todo o mundo, tornam-se populares como “quebradores”  de olho-grande. Ao serem colocados em locais visíveis, alguns preparados para dissolver descargas negativas, são a primeira coisa a ser vista por aqueles portadores deste tipo de magnetismo pesado, recebendo em primeiro lugar, a descarga do mesmo. Ou seja, viram objetos de descarrego, de limpeza, absorvendo ou dissolvendo tais vibrações na entrada de residências.

Todos esses objetos e práticas auxiliam muito como paliativos, no teor magnético existente nas casas. Todavia, o mais importante é o tipo de ambiente que é criado pelas mentes que ali habitam. Se não, tornam-se inúteis ou de muito baixa influência.

Aruanda Lugar de onde veem os Orixás e as entidades superiores. No catolicismo é o céu. No Espiritismo são as colônias espirituais.
As Ervas As ervas, ao crescerem, absorvem as radiações do sol, da lua, dos minérios, enfim, de toda a natureza, e dos elementos espirituais, à semelhança da aura humana, daí o seu uso nos tratamentos, nas limpezas e na fixação de energias. Devem ser frescas, se possível, e nunca demasiadamente fervidas.
As Leis de Umbanda São 10 os princípios básicos que regem a Umbanda:

1 – Crença em um Deus único, onipotente, eterno, incriado, potência geradora de todo o Universo material e espiritual, adorado sob vários nomes.

2 – Crença em entidades superiores: Orixás, anjos e santos que chefiam falanges.

3 – Crença em guias, em planos médios, mensageiros dos Orixás, anjos e santos.

4 – Existência da alma e sua sobrevivência após a morte.

5 – Prática da caridade desinteressada, na busca de aliviar o Karma do médium.

6 – Lei do Livre-Arbítrio, pela qual cada um escolhe fazer o bem ou o mal, e o ser humano afiniza com sua faixa vibratória e a do ambiente que o cerca.

7 – O ser humano é a síntese do universo.

8 – Crença na existência de vida inteligente em todo o Universo, vivendo e habitando.

9 – Crença na reencarnação, na lei cármica de causa e efeito.

10- Direito de liberdade de todos os seres.

Benzeduras Nada mais são do que passes magnéticos. Nossos pretos velhos eram eficazes, assim como nossos índios. Utilizam-se de metais, água, ervas, saliva etc. como condutores desse magnetismo curativo.
Crendices Há crendices verdadeiras e falsas. Quando muitos dizem que determinada atividade é correta, deve-se analisar os fundamentos do ponto de vista científico e espiritual. Ou seja, devem ser analisadas friamente, sem serem repetidas, mecanicamente, sem discussão prévia. Certa vez ouvi que determinada imagem, dentro de casa, produziria efeito negativo na sexualidade feminina e coisas do gênero. Já falamos repetidas vezes que o que vale são os pensamentos e a magnetização dos objetos. Como foi comprovado, mais tarde, a dita imagem nada produziu de negativo, muito pelo contrário.
Defumação Nada mais é do que as plantas que, com todo o magnetismo absorvido da natureza, ao serem queimadas e suas emanações dirigidas por entidades encarregadas da purificação de ambientes, diluiriam fluidos pesados ou  atrairiam boas vibrações. Usam-se desde a tradicional arruda ou outras ervas, cascas de alho, açúcar, resinas aromáticas etc.
Elementais Sem eles a Umbanda não existiria. São entidades primárias, quase infantis na espiritualidade, sempre dirigidas por entidades superiores, habitando um dos quatro elementos. No fogo, as salamandras que trabalham nas áreas relacionadas ao amor, ao sexo, à amizade, à agressividade e à proteção. Na terra, há vários, sendo os mais conhecidos os gnomos, cuja atividade relaciona-se ao trabalho, à criatividade, à perseverança e aos bens materiais. As ondinas, nas águas, atuam na sabedoria, na doçura, nas atividades espirituais e mediúnicas. Nos ar, os silfos, ágeis e inquietos, dominam as áreas de saúde, da cura e do equilíbrio físico e mental.

Todos eles participam dos trabalhos umbandistas como auxiliares valiosos, e nas outras doutrina e religiões, muitas vezes, em discreto anonimato.

Elementares São diferentes dos elementais. São entidades primitivas em situação intermediária entre o animal e a racionalidade. Dirigidos por entidades, colaboram na limpeza, na guarda, tomando formas as mais variadas possíveis. São colaboradores dos Exus e boiadeiros, principalmente.
Exu e Quiumba Os quiumbas são malfeitores do astral, avessos ao bem e altamente perturbadores. Tanto que há concordância entre autores quanto ao fato de serem eles os verdadeiros executores dos trabalhos destinados ao mal. São os costumeiros “encostos” ou “rabos de encruza”. Fazem-nos pensar que muitos quiumbas mistificam, fingindo, em casas desatentas, serem Exus ou até mesmo Orixás, com fins de alcançar seus objetivos.

Os Exus, não. São eles que desmancham os trabalhos de magia negra, transportando magneticamente as mazelas, as dores e doenças físicas e espirituais, aliviando Carmas. Alguns Exus, por estarem ainda no início de sua evolução, como trabalhadores do bem, necessitam de orientação e doutrina, tanto pelo médium como pelos dirigentes dos trabalhos e devem ser colocados na disciplina da Casa.

Daí temos os Exus orientados, que não pedem sacrifícios, com oferendas mais simples, e aqueles que não tiveram uma colocação correta, que se acostumam com extravagâncias e exigências repletas de vaidades  humanas

Fases da Lua para Trabalhos A ação eletromagnética da lua é conhecida desde a mais remota antiguidade nos fenômenos das marés, na germinação e crescimentos das plantas, na poda de plantações, na fecundação de seres, nas alterações de humor e um sem-número de fenômenos. Já que se trata de trabalhos, com fins quaisquer, é natural que se escolham dias em que a força eletromagnética  da Terra, sob a influência lunar, crie um ambiente mais propício ao crescimento, ou não, do teor magnético nocivo ou benigno desses mesmos trabalhos.

Na lua minguante são entregues os trabalhos destinados a diminuir ou acabar com algo, tal como doenças ou vícios, dias esses com poderoso influxo magnético lunar de retração. Nos dias de lua cheia ou crescente, para trabalhos de crescimento, tais como os destinados a melhoria no trabalho, estudos, amor e saúde. Na lua nova não recomendamos, pois já é sentida a influência da passagem para a lua minguante.

Feitiço Infelizmente existe sim. São trabalhos feitos pela quimbanda com fins de prejudicar alguém, perfeitamente lógicos, dentro do ponto de vista magnético.
Como Evitar (Feitiço) Já vimos no conceito de magnetismo que, dependendo da sintonia que vibre em cada um, podemos assimilar o feitiço ou não. Nesses casos, quando a pessoa vibra em frequência mais elevadas, a onda do mal emitida tende a ricochetear e, muitas vezes, retorna a quem o emitiu, que, na realidade, vibra nessa faixa, pelo simples fato de Ter desejado o mal.
Há Nomes Que Não Devem Ser Ditos na Umbanda? Cada letra possui um som. Cada som produz uma frequência. A soma das letras produz um nome que poderá, ou não, formar uma melodia harmoniosa do ponto de vista espiritual. Todavia, antes de mais nada, não produz efeitos desastrosos se comparados ao teor de pensamento que exprime a palavra.
Imagens de Exus. Por Que Tão Assustadoras? Os Exus costumam tomar tais formas como meio de impor respeito e medo a espíritos inferiores (quiumbas) e, desta forma, facilitar o controle e vigilância que obtêm sobre estas mentes vinculadas ao mal, para que não perturbem trabalhos ou até mesmo lares e locais.
O Pensamento Tem Cor Segundo Ramatis: “A qualidade do pensamento determina-lhe a cor; a natureza do pensamento compõe-lhe a forma; e a precisão do pensamento determina-lhe a configuração exata” (Magia de Redenção, pág. 64). Dependendo da intensidade do mesmo, podem-se criar as conhecidas formas- pensamento, criações estas com volume, cor, som, verdadeiros marionetes espirituais de quem os criou. Na maioria das vezes, exprimem o verdadeiro interior de cada um, visíveis pelos guias que as analisam. São percebidas, também, pelos médiuns videntes e, muitas vezes, confundidas com entidades.
O Que é Pemba? Em sua origem, é um calcáreo extraído da terra, cuja finalidade é riscar os pontos que identificam a linha vibratória da entidade. Há diversas cores. A mais comum é a branca, que serve para todos, pertencente a Oxalá.
O Que é um Orixá? São divindades africanas diretamente relacionadas às forças da natureza. Seriam as falanges específicas que trabalham especializadas em determinado meio, como mar, céus, plantas, etc. Um Orixá é um regente de uma das forças do mundo material, sempre abaixo de Olurum (Zambi, etc.), o Deus Supremo. Fala-se, também, que seriam antigos governantes africanos tornados deuses após a morte. Na África há em torno de 600 Orixás. No Candomblé, 16. Na Umbanda 7.
O Que é um Orixá de Cabeça? O mesmo que Orixá de Frente. No Brasil, costuma-se dar uma pessoa a dois Orixás, normalmente formando casais, sem ser, com isso, regra. Em certos cultos, adotam-se três Orixás, os demais seriam conhecidos como “passagens”, exercendo menor influência. O Orixá de Cabeça corresponde à energia básica, fundamental, do indivíduo, dando-lhe características mais marcantes em sua personalidade. O segundo é o Adjuntó, de características mais sutis, muitas vezes amenizando o caráter o Orixá de Cabeça, que poderá Ter o caráter arrebatado por ser jovem e guerreiro. O terceiro seria o Orixá de Herança, que acompanha a família por algumas gerações.
O Que é Umbanda? Surgiu em 1908, no Brasil. Grosso modo, seria a mistura do culto congo-angola (misturado com o nagô), catolicismo, noções de Espiritismo, esoterismo, pajelança e até mesmo budismo. Umbanda quer dizer “Arte de Curar” ou “Magia”.
Objetos de Cera e as Velas A cera natural, vinda das abelhas, é impregnada dos fluidos existentes nas flores, em grande quantidade. Este elemento, vindo da natureza, é utilizado na prática do bem e do mal como matéria prima poderosa para somar-se com os teores dos pensamentos, tornando eficaz o trabalho e o objetivo ao qual se propõe. Comparada  a uma bateria, uma pilha natural, a cera sempre foi utilizada em larga escala na magia. A vela é considerada, na espiritualidade, como uma das melhores oferendas por ter, em sua função, os quatro elementos da natureza ativos, desprendendo energia. O fogo da chama, a terra ( através da cera), a água (a cera ao ser diluída desprende este elemento), o ar aquecido queimando resíduos espirituais. O umbandista não deve, jamais, retirar  nada da natureza sem deixar, pelo menos, uma vela para repor aos elementos mentais o fluido retirado do seu ambiente, em profundo respeito à criação divina.
Oferenda Na Umbanda trabalha-se com os quatro elementos da natureza: água, fogo, terra e ar, como matéria-prima básica. Manejados convenientemente, por entidades especialistas, promovem o equilíbrio, o descarrego, a harmonia. Na Umbanda, em respeito à natureza, nada pode ser retirado sem uma restituição ao elemento básico. Muitas vezes, ao entregar-se determinada oferenda, por afinidade fluídica, a mesma fica saturada dos fluido densos retirados do solicitante, pelas entidades. Assim, os Exús utilizam o álcool com fins de evitar os vícios do médium; o dendê, para evitar a desordem psíquica; a farofa, para trazer bens materiais (alimentação); a pipoca, para atrair doenças cármicas.
Orixá não é uma Entidade Um Orixá é energia vinda de um elemento primordial. Existem entidades que trabalham com essas energias e são especializadas nelas. São com tais energias que os umbandistas trabalham. Assim, mesmo que a entidade se identifique como Oxóssi ou Odé, não é o Orixá em si, mas está se identificando em sua linha vibratória. Isso explica porque pode, em um mesmo trabalho ou simultaneamente em vários locais, haver entidades com o mesmo nome.
Os Mortos Não são Orixás, podendo se tornar um guia, Exú, auxiliar ou anjo, de acordo com sua elevação espiritual. São chamados Eguns.
Pintura de Objetos Na escala de cores, cada qual possui uma frequência específica, daí o seu uso.
Ponto Riscado Identifica a origem da entidade, quais os seus domínios e a quem é subordinada. Risca-se com a pemba.
Por Que Despachar Objetos em  Água Corrente? Sabemos que a água é um dos mais poderosos elementos da natureza, no que se refere a sua capacidade de excelente condutor de eletricidade e fluidos quaisquer, sendo um poderoso solvente. Ao atirar-se o objeto saturado, a água de imediato absorve este teor magnético, levando-o, para longe do enfeitiçado (ou daquele que quer  livrar-se de objetos imantados). Assim, quebra os vínculos que antes existiam, por proximidade ou assimilação do dono.
Quebrantos /
Olho-grande (ou gordo)
Funcionam similar as pragas. Há pessoas que, de baixo teor espiritual e magnético, emitem, alguma sem desejar, poderosos feixes de caráter nocivo capazes de matar plantas, animais ou causar mal-estar em pessoas.
Quiumbas Espíritos de mortos sem luz ou esclarecimento, escravizados pelos seus próprios sentimentos em grande ódio e revolta. São as levas de obsessores existentes na espiritualidade, que induzem ideias maléficas aos vivos, apreciam fingir que são entidades iluminadas, quando não o são. Da mesma forma, são os verdadeiros executantes da magia negra e os vampiros do astral.
Ritual É um processo gradativo, onde se utilizam acessórios, os mais diferentes possíveis, até ser atingido o clímax desejado. Na verdade, assemelha-se a uma subida em uma escada, degrau a degrau, frequência a frequência, até a sintonia com as falanges desejadas, cujos objetivos podem variar sobremaneira.
Umbanda Cruzada Chamada de Quimbanda pelos umbandistas (ditos de linha branca) e macumba, os seus trabalhos ou feitiços. Cultuam dez a doze Orixás, dependendo da nação africana de origem, sendo que os Orixás “descem” pessoalmente, podendo haver, ou não, gira de caboclos e pretos-velhos em outros dias, intercalados. Fazem comidas (oferendas) mais elaboradas que na Umbanda Branca e sacrifícios animais. Nela é comum o jogo de búzios e rituais assemelhados ao Candomblé, feitos pelo pai ou mãe-de-santo ou babalorixá e iyalorixá. O vestuário é elaborado, há toque de instrumentos (algumas casas de Umbanda Branca aboliram), seu cerimonial e ritualística possuem maior quantidade de preceitos, proibições e quizilas (proibições alimentares). Cultuam-se os Orixás ligados à morte e aos cemitérios, fonte de energética de muitos trabalhos de magia negra, como Xapanã (Obaluaiê ou Omulu), Exu (Elebaras) e Iansã como dominadora de Eguns.
Umbanda de Branco/Umbanda Branca/ou de Cáritas Na verdade, varia infinitamente de casa para casa. Mas seus fundamentos básicos são que algumas casas se recusam a trabalhar com giras de exus, por considerá-los indisciplinados e só trabalharem com sacrifícios sangrentos, coisas que já sabemos incorretas, apesar de serem ideias muito difundidas. Existem sete falanges, denominados por Orixás, Yorimá (Pretos-Velhos) e Yori (Crianças). Na legião de Iemanjá haveria  Orixás comandando suas subdivisões, tais como Oxum, Iansã e Nanã. Em alguns locais, os Orixás não “descem” pessoalmente, mas são representados por Pretos-Velhos, Caboclos e espíritos de Crianças. Há rituais em matas, praias, pedreiras, cachoeiras etc. Nela foram abolidos rituais com sangue e magia negra.
Umbanda Religião Cristã Em seus princípios (Leis de Umbanda), há a crença em um Deus único e a caridade desinteressada, visto nos mesmos princípios do Evangelho de amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Jesus, por sua vez, ocupa seu lugar nas preces como o divino coordenador ou mesmo na figura excelsa de Oxalá, sendo Deus, Ifá. Por que, então, não considerá-la cristã?
Valor das Palavras na Umbanda A palavra, no antigo Egito, era sinônimo de criação. Tanto é verdade que uma palavra exprime uma ideia. Uma ideia, um pensamento. E um pensamento é onda emitida. Daí usar-se algumas palavras que exprimem complexos sentimentos carregados de amor, nos trabalhos de Umbanda. São os conhecidos mantras, na Índia.

Lembretes:

 O respeito à natureza é um dos atributos do umbandista. Em respeito aos Orixás e manutenção de seus locais, jamais deixe lixo de qualquer espécie após as oferendas, como sacolas, papéis, embalagens e garrafas de vidro.

Médiuns devem abster-se de ingerir, nos dias de trabalho, bebidas alcoólicas, comidas picantes, excesso de carne vermelha e, dentro do possível, evitar discussões e agitações de toda a espécie. As entidades de Oriente não admitem o consumo de carne de gado, porco ou carneiro pelo seu médium no dia de trabalho. Incluem-se também nesses itens o excesso de café, chás e chocolates.

Para as Oferendas:

  • Todos os itens da oferenda deverão ser comprados por quem os oferece, sem nenhuma exceção.
  • O local escolhido não poderá ter outras oferendas ou ter havido agitações ultimamente, com exceção das encruzilhadas que são muito ocupadas.
  • Cumprimente o local e as entidades que ali trabalham e estão assistindo à entrega, e sais respeitosamente, em silêncio, não se voltando para trás.
  • Não ofereça bebida gelada.
  • Tudo deve ser aberto, desenrolado, inclusive balas.
  • Pode-se acender ou não cigarros e charutos. A caixa de fósforo deve ficar ao lado, aberta.
  • Os Orixás não se preocupam com a quantidade de itens oferecida, mas sim com o axé mínimo para a troca fluídica e o valor da intenção do pedinte.
  • Peça justiça, nunca o mal de ninguém. A Umbanda não admite trabalhos voltados para o lado da Quimbanda.
  • Não devem ser comidos ou provados os itens da oferenda. O que foi preparada deve ser entregue ou, se sobrar, posto fora.
  • Os despachos (oferendas a Exu) devem ser entregues em um dos quatro cantos da encruzilhada. Alguns trabalhos, com a devida orientação, constam também no centro. Nunca faça, sem o devido preparo e aval das entidades, tais oferendas. Limite-se as velas, charuto e cachaças.
  • As oferendas deverão ser entregues a partir das sete horas da noite ou pela manhã, antes do sol firmar-se no céu, com exceção de Oxalá e Ibeji que aceitam em dia claro. Nunca deverão ser entregues a partir da meia noite, quando se nota maior acúmulo de entidades perturbadoras à procura de encarnados dedicados aos prazeres mais inferiores.
  • Nada será entregue durante a chuva. Podem ser entregues nas estiagens, nas horas em que a chuva cessa.

Fonte: Sociedade Espiritualista Mata Virgem. Curso Básico de Doutrina Espírita – Aula 33. ABC da Umbanda.

Texto revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cultos-afros/abc-da-umbanda/

A Matriz da Cabala-Xamanismo

Por Donald Michael Kraig

Uma das coisas que comentei em meus escritos é que para alguns praticantes, certos aspectos da Cabala e da magia cerimonial são muito “esquerdistas”. Essas práticas, que são um foco para algumas pessoas, embora lógicas e bem pensadas, carecem de paixão. De fato, eu estive lá uma vez. Eu era membro de um grupo mágico onde você era obrigado a escolher um nome mágico. Escolhi um muito rapidamente e depois escrevi um longo artigo sobre o significado, o valor e as interpretações cabalísticas do nome. Foi tudo muito canhoto.

Mas não precisava ser assim! Em Modern Magick, discuti brevemente uma tradição mística que foi uma precursora direta do Misticismo Cabala-Merkaba. Uma técnica básica deste sistema começa com o praticante alterando sua consciência. Um escritor sugeriu que isto era feito através de jejum e adicionalmente mudando o fluxo de sangue para o cérebro, colocando a cabeça entre os joelhos enquanto se sentava. Uma vez neste estado, você faz uma viagem através de vários “palácios” (isto evoluiu para o trabalho de trilhar o caminho Cabalístico), onde você teria experiências surpreendentes, se comunicaria com entidades espirituais e eventualmente veria a Merkaba, ou Trono de Deus.

Uma prática xamânica, que tem sido descrita em inúmeras fontes, é alterar de forma similar a consciência (mais sobre isso em um momento) e viajar para mundos diferentes onde você interage com outras entidades e guias espirituais. Como eu a interpreto, então, as práticas cabalísticas e a magia cerimonial como praticada hoje têm raízes comuns com as técnicas xamânicas praticadas em todo o mundo por muitos milhares de anos. Como, então, podemos trazer este aspecto pessoal e experiencial de volta ao mundo da magia cerimonial?

Meu Primeiro Ritual Xamânico:

Fui conduzido através de meu primeiro ritual xamânico há cerca de uma década. Era muito simples. Tomei uma posição relaxada e ouvi uma gravação em fita de bateria lenta e constante. O uso de tal batuque tem sido há muito tempo uma técnica para alterar a consciência. Logo, visualizei caminhar até um tronco de árvore com um grande buraco. Entrei no buraco escuro e caminhei para uma nova realidade. Lá eu vi cenas da floresta e me comuniquei com guias e espíritos animais. Depois de um tempo, pude sentir que os tambores estavam mudando, e trabalhei meu caminho de volta através da floresta, para fora do toco da árvore e de volta à consciência normal. Não havia grandes reflexões teóricas ou filosóficas nesta prática. Era tudo experiencial e “de cérebro direito”. Para mim, foi uma experiência poderosa e comovente.

Para aqueles de nós que tiveram a sorte de fazer parte dos círculos do tambor, o poder do tambor é inconfundível. Mas para aqueles de nós que não são grandes bateristas, a sensação de precisar competir ou fazer parte do que está acontecendo sem estragar as coisas pode nos fazer sentir desconfortáveis. Tenho sido músico durante a maior parte da minha vida, recebendo aulas de piano antes de estar na primeira série. Cantei em corais por milhares, e toquei teclado em bandas que abriram para Elton John, Great White, e outros, sendo o maior público bem mais de dez mil pessoas. Mas eu tenho um problema com a bateria manual.

Diga Olá ao Buddy Helm:

Recentemente, tive a oportunidade de passar algum tempo com o Buddy Helm no Heartland Pagan Festival. Buddy passou anos na cena musical, também, trabalhando com pessoas como Frank Zappa e muitos outros. Passamos horas compartilhando nossas “histórias de guerra” na indústria musical. Hoje, Buddy viaja pelo mundo ensinando sobre a mistura de batuque e espiritualidade.

Uma das coisas que aprendi com ele é que quando seu coração está no lugar certo, é apenas sua crença de que você não é um bom baterista que o impede de fazer batuque espiritual. Ele pegou uma multidão de pessoas, muitas das quais nunca haviam tocado tambores antes, e não apenas as ensinou a tocar tambor espiritual, mas na verdade deu à maioria delas um solo! E todos eles se saíram bem. Parece que todos podem tocar tambor se, como diz Buddy, você simplesmente calar sua “crítica interior”.

Buddy também falou sobre a velocidade da batida básica. Ele disse que quando você mantém o ritmo abaixo de sessenta batidas por minuto, você deve se acalmar, relaxar, e reduzir a tensão. Surpreendentemente, alguns dos bateristas experientes na oficina tiveram dificuldade em fazer isso e lutaram para manter apenas uma batida constante e lenta.

Na minha opinião, o que Buddy estava ensinando era como alcançar um estado xamânico de consciência através do tambor. Você pode fazer isso com um tambor ou simplesmente usando seu corpo como um tambor. Em um estilo pessoal e claro, Buddy explica isso em seu livro, The Way of the Drum (O Caminho do Tambor). Ele inclui um CD com exemplos para que você possa tocar junto. Há também muitas histórias fascinantes de suas experiências musicais.

De que serve o xamanismo?:

Certo, então você aprendeu a entrar em um estado de consciência alterado que lhe permitirá viajar por mundos diferentes e conhecer entidades espirituais. Qual é a utilidade prática das técnicas xamânicas?

Os xamãs têm sido guias espirituais, conselheiros e curandeiros. O aspecto curativo vem de seu coração e de seu trabalho espiritual. Um livro maravilhoso para aprender algumas destas técnicas é o Livro de Cura Xamânica de Kristen Madden.

Por exemplo, um tópico do livro é como fazer parceria com seu tambor para criar cura. Assim, você pode usar o tambor tanto para seu próprio desenvolvimento espiritual, como no livro de Buddy, quanto para ajudar a curar a si mesmo e aos outros, como descrito no livro de Kristen. Ela também ensina como liberar sua voz para o trabalho xamânico.

Seu livro vai muito além, incluindo informações sobre como desenvolver habilidades xamânicas, comunicar-se com guias espirituais, realizar recuperações e extrações de almas, criar espaço sagrado para rituais, e realizar cerimônias de cura. O livro também explora os métodos xamânicos de trabalho de cura com sonhos, pedras, cristais e cores.

Há muitos bons livros sobre o xamanismo que estão disponíveis, mas poucos realmente se dedicam ao trabalho prático de como fazer com segurança o que os xamãs fazem. Juntos, O Caminho do Tambor e O Livro da Cura Xamânica podem lhe dar técnicas xamânicas que podem ajudar a acrescentar paixão à magia que você faz, ou mesmo lhe proporcionar um caminho a seguir.

Usando a Matriz da Cabala-Xamanismo Hoje:

Assim como o trabalho xamânico pode ser usado para a cura física, psicológica e espiritual, o sistema cabalístico que evoluiu do xamanismo pode ser usado para o desenvolvimento espiritual. Escrevi anteriormente que o Misticismo Merkava é derivado de técnicas xamânicas (na prática, se não de fato), e que esta forma inicial de espiritualidade précabalística evoluiu para o que é conhecido hoje como trabalho cabalístico de palmadinhas. Este trilhar o caminho é uma jornada através da Árvore da Vida que é visualizada ou feita através da projeção astral. Houve um tempo em que o termo “trilhar o caminho, pathworking” significava exclusivamente este tipo de trabalho, mas nas últimas décadas passou a significar qualquer tipo de jornada visualizada. Para diferenciar o sistema tradicional do novo uso do termo, eu chamo a jornada através da Árvore da Vida de “Trilhar o Caminho Cabalístico”. As técnicas foram codificadas e desenvolvidas por membros da Ordem Hermética do Amanhecer de Ouro.

Na minha opinião, esta é uma verdadeira aventura moderna derivada do xamanismo, formando o que eu chamo de Matriz Cabalística-Xamanista. É realmente emocionante experimentar, e não importa o quanto eu tente descrever a visita a mundos diferentes, a comunicação com espíritos e anjos, e a incrível correria da liberdade que ocorre, eu não acho que minhas palavras jamais farão justiça. Em Modern Magick, grande parte do treinamento e das práticas lhe dão as informações e habilidades que lhe permitirão tornar-se totalmente competente como um viajante na Árvore da Vida. Entretanto, meu livro foi projetado para cobrir muitas técnicas mágicas, e um grande número de outras habilidades e informações sobre assuntos variados está incluído.

Se você está intrigado com a possibilidade de pegar o antigo sistema do xamanismo e usá-lo em um quadro moderno – e espero que você esteja – você talvez queira apenas se concentrar no aprendizado deste sistema. Para esse fim, recomendo o Magical Pathworking de Nick Farrell. Que adição maravilhosa à técnica mágica isto é! É escrito exclusivamente sobre trilhar o caminho, pathworking, e inclui todas as informações, exercícios e métodos necessários para que você mesmo possa fazer este trabalho. São dados exemplos para que você possa ver como é. Você verá como você pode usar estas técnicas como uma forma de “magia psicológica” para alcançar uma vida melhor e fazer contato com o divino. E você virá para experimentar pessoalmente a Matriz da Cabala-Xamanismo.

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Fonte: https://www.llewellyn.com/journal/article/723

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Texto adaptado, revisado e enviado por Ícaro Aron Soares.

Postagem original feita no https://mortesubita.net/cabala/a-matriz-da-cabala-xamanismo/